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Numero do processo: 10120.722385/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, o prazo para apresentação de Recurso Voluntário ao CARF é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Após o prazo estabelecido, o Recurso não pode ser conhecido, vez que a decisão de primeira instância já se tornou definitiva, nos termos do artigo 42 do mesmo diploma legal.
INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO. VALIDADE.
É válida a intimação por meio magnético quando a contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico.
Numero da decisão: 1201-002.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, o prazo para apresentação de Recurso Voluntário ao CARF é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Após o prazo estabelecido, o Recurso não pode ser conhecido, vez que a decisão de primeira instância já se tornou definitiva, nos termos do artigo 42 do mesmo diploma legal. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO. VALIDADE. É válida a intimação por meio magnético quando a contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Rafael Gasparello Lima, Edgar Bragança AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 23 85 /2 01 5- 41 Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 3 2 Bazhuni (Suplente convocado), Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, por atestado médico. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no montante de R$ 22.350.361,02, referente aos anoscalendário de 2011 e 2012, já acrescido de multa proporcional de 75% e juros de mora, conforme o quadro abaixo: Imposto/ Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional TOTAL IRPJ 6.484.590,02 1.530.860,07 4.863.442,52 12.878.892,61 CSLL 2.351.732,41 555.329,40 1.763.799,31 4.670.861,12 PIS 431.150,95 101.810,39 323.363,22 856.324,56 COFINS 1.985.907,37 468.944,83 1.489.430,53 3.944.282,73 22.350.361,02 2. A fiscalização se estendeu de 25/03/2011 a 29/11/2011 e teve como escopo a verificação da regularidade fiscal do tratamento tributário dispensado aos valores recebidos pelo contribuinte a título de subvenções governamentais do Estado de Goiás. 3. As subvenções consistiam em crédito na forma de financiamento de até 73% do ICMS efetivamente pago pela empresa beneficiária ao Tesouro do Estado de Goiás. 4. Foram objeto de fiscalização, especificamente: (i) as subvenções concedidas no âmbito dos contratos de financiamento do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás (FOMENTAR) e Programa PRODUZIR; e (ii) os Termos de Liquidação referentes aos incentivos de ICMS recebidos nos montantes de R$ 10.391.230,09 (anocalendário de 2011) e R$ 15.739.130,00 (anocalendário de 2012). 5. A autoridade fiscal analisou a legislação estatual que regulou a concessão da subvenção a contribuinte, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás (PRODUZIR), e também os procedimentos contábeis adotados. Ao final, concluiu que (Relatório Fiscal, fl. 30): “No anocalendário de 2011 o montante das subvenções é R$ 10.391.230,09, este valor foi declarado na DIPJ como receita na linha 33 ficha 07A, e foram declaradas como exclusões nas linhas 57 fichas 09A e no ano calendário de 2011 o montante das subvenções é R$ 15.739.130,00, este valor foi declarado na DIPJ como receita nas linhas 33 fichas 07A, e foram declaradas como exclusões nas linhas 57 fichas 09A. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 4 3 Sobre as receitas excluídas indevidamente do LALUR, foram apurados valores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, adicionais devidos, reflexos da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, do Programa de Integração SocialPIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, calculados, pela aplicação da alíquota de 15% sobre as receitas excluídas indevidamente, referente ao IRPJ, (previsto no Art. 530 do Decreto 3.000/99, RIR), de 9%, referente a CSLL, de 1,65%, referente ao PIS e de 7,6%, referente a COFINS, não declarados e/ou pagos”. 6. A partir da leitura dos vários dispositivos legais que regulamentaram a subvenção, a fiscalização procurou demonstrar que, no curso dos contratos correspondentes, o Estado de Goiás desvinculou as transferências de recursos ao sujeito passivo à efetiva aplicação em investimentos (contrapartida), conforme trecho abaixo transcrito do Relatório Fiscal (fl. 44): “Da leitura dos dispositivos legais acima, concluise que caso a empresa beneficiária do financiamento do PRODUZIR atenda aos critérios definidos no Anexo II do Decreto 5.265/2000, poderá ter o benefício de redução do seu saído devedor acumulado anualmente em até 100%. A fim de melhor compreender a natureza do benefício fiscal concedido pelo Estado de Goiás, referente ao desconto do saldo devedor do financiamento à época de sua quitação devem ser feitas as seguintes considerações: O art. 20, inciso VII determinou que a título de subvenção para investimento, poderia ser concedido desconto de até 100% sobre o saldo devedor do financiamento desde que o montante do desconto obtido fosse utilizado na ampliação ou na modernização do parque industrial do beneficiário do financiamento, no prazo de 15 anos a partir da quitação do saldo devedor, podendo ser incorporado ao capital social da empresa ou mantido em conta de reserva para futuro aumento de capital. Ressaltese que não basta a lei estadual dizer que um incentivo fiscal é subvenção para investimento, é necessário que o mesmo se revista de características próprias dessa espécie; Com a publicação da Lei Estadual n° 15.518, de 05/01/2006, passouse a admitir a desnecessidade de ampliação e/ou modernização do estabelecimento industrial do beneficiário do desconto, porque, do montante a ser aplicado na ampliação e/ou modernização do empreendimento, poderia ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado (anteriormente) pelo PRODUZIR"; A mesma Lei Estadual n° 15.518/2006 também determinou que a incorporação do montante do desconto ao capital social da empresa, junto com o cumprimento das obrigações assumidas nos projetos inicial e subsequentes, aprovados pelo PRODUZIR, desoneraria a empresa beneficiária de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás, ou seja, novamente, a "subvenção para investimento'' pode ser recebida sem que haja Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 5 4 mais a necessidade de ampliação e/ou modernização do parque industrial da empresa favorecida com o desconto do saldo devedor”. 7. Com base na Solução de Consulta formulada pela Confederação Nacional de Indústrias à CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (divulgado pela Decisão COSIT nº 04/99), a fiscalização afirma que os valores recebidos pelo Estado de Goiás correspondem a subvenção de custeio e não de investimento. As circunstâncias fáticas que fundamentam tal conclusão constam do Relatório Fiscal, conforme abaixo transcrito (fl. 48): “a) De acordo com o Contrato por Instrumento Particular de Empréstimo, mediante Abertura de Crédito e Outras Avenças e seus respectivos aditivos firmados entre o contribuinte e o então agente financeiro do PRODUZIR, GOIASFOMENTO, a finalidade do mesmo é o reforço de capital de giro do fiscalizado, portanto, não possui destinação específica para investimentos em implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, ainda que o reforço tenha sido necessário em função de investimento realizado: "(...) PRIMEIRA NATUREZA, VALOR E FINALIDADE DO CRÉDITO: A GOIASFOMENTO abre à CREDITADA, por este instrumento, um crédito de R$ 136.052.699,61 (cento e trinta e seis milhões, cinquenta e dois mii, seiscentos e noventa e nove reais e sessenta e um centavos) com recursos oriundos do Fundo de Desenvolvimento de Atividades Industriais FUNPRODUZIR, ..... e que será utilizado como reforço do seu capital de giro, em decorrência da implantação de sua unidade industrial, objeto deste empréstimo, ... (grifouse)" b) Falta de sincronismo entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, haja visto que a Lei n° 13.591/2000, que instituiu o PRODUZIR, em seu art. 20, inciso VII, alínea "a", ao dispor do desconto sobre o saldo devedor do financiamento, concede o prazo de até 15 (quinze) anos, a contar da data da quitação do saldo devedor, para que o contribuinte destine esses recursos à realização de investimento de ampliação ou modernização do seu parque industrial. Notase que não menciona implantação, haja visto que os investimentos à data da liberação do crédito já devem ter sido executados. Em relação a expansão (ampliação), se a lei específica de concessão do benefício não previr tal sincronismo, então não haverá como garantir que a subvenção será utilizada, efetivamente, para expandir o empreendimento econômico de interesse do Estado. c) Ademais, o desconto do saldo devedor poderá ser utilizado apenas para a modernização do parque industrial do estabelecimento beneficiário do financiamento. Entretanto, sabe se que a subvenção para investimento com finalidade de conceder estímulo apenas à modernização de empreendimentos econômicos carece de previsão legal. Modernização não se confunde com implantação ou expansão e, muitas vezes, a modernização vem somente para beneficiar o empreendimento em si, sem significar adição de qualquer vantagem para a economia local; Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 6 5 d) Desvinculação entre o benefício decorrente do desconto do saldo devedor com a execução da "ampliação e/ou modernização" do parque industrial incentivado. A Lei Estadual n° 15.518, de 05/01/2006, admite a desnecessidade de ampliação e/ou modernização do estabelecimento industrial do beneficiário do desconto, porque, do montante a ser aplicado na ampliação e/ou modernização do empreendimento, poderia ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo PRODUZIR e objeto do empréstimo. Ora, se a subvenção é para investimentos, para expandir ou modernizar, é necessário que algo seja acrescentado à economia local, não estamos falando de passado, e isso não se consegue com projetos já implementados e concluídos anteriormente à concessão do benefício do desconto do saldo devedor. A reutilização do projeto antigo, já empregado para a obtenção do financiamento, é incompatível com o que está disposto no art. 443 do Decreto n° 3.000/99, descaracterizando a subvenção para investimento; e) A mesma Lei Estadual n° 15.518/2006 também determina que a incorporação do montante do desconto concedido ao capital social da empresa, junto com o cumprimento das obrigações assumidas nos projetos (anteriormente) aprovados pelo PRODUZIR, a empresa beneficiária fica desonerada de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás, ou seja, novamente, a "subvenção para investimento" pode ser recebida sem que haja mais a necessidade de ampliação e/ou modernização do parque industrial da empresa favorecida com o desconto obtido sobre o saldo devedor do financiamento. f) Verificase ainda que inexiste na legislação estadual que instituiu o PRODUZIR, nenhum dispositivo que estabeleça prestação de contas por parte da empresa beneficiada com o desconto obtido sobre o saldo devedor do financiamento. Para se caracterizar como subvenção para investimento seria necessário um gerenciamento da aplicação dos recursos, com prestação de contas periódica e pontos de controle determinados, para assegurar que os valores decorrentes da renúncia fiscal foram efetivamente aplicados na implantação/expansão do empreendimento econômico. A empresa apresentou relatórios de auditorias referente ao valor mínimo exigido, que a estaria obrigada a recolher para obtenção do benefício, e também não apresentou os TERMOS DE LIQUIDAÇÃO, referente aos anos de 2011 2012, porque até a data do encerramento desta fiscalização, não os tinham obtidos junto ao Programa Produzir, conforme documento constando informação por escrito, emitido pela Secretaria de Desenvolvimento, anexo ao processo. Portanto, por todo o exposto acima, e, principalmente, por não existir na lei que rege o Produzir, mecanismos que realmente controle a empresa beneficiária, que os valores decorrentes da renúncia fiscal foram efetivamente aplicados na implantação/expansão do empreendimento econômico, por não Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 7 6 existir auditorias na aplicação dos 73%, objeto do contrato com o PRODUZIR, comprovando que os valores decorrentes foram efetivamente aplicados na implantação/expansão do empreendimento econômico, concluímos que a presente SUBVENÇÃO se constitui em uma verdadeira SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO, e que, por se caracterizar como receita operacional, deve compor a apuração do IRPJ e CSLL sobre o Lucro Real, bem como a base de cálculo do PIS e da COFINS, em virtude da falta de previsão legal para exclusão das subvenções para custeio da base de cálculo destas contribuições”. 8. Diante da constatação de que o montante recebido tem natureza de subvenção de custeio, a autoridade fiscal tratou como receita tributável os valores recebidos pelo sujeito passivo e estes passaram a integrar a base de cálculo do IR, da CSLL, do PIS e da COFINS. 9. Devidamente intimada (AR de 27/03/2016, fls. 496/497), a Contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 502/512). 10. Em sessão de 6 de maio de 2016, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0738.299 (fls. 565/576), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 LUCRO REAL. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. DESCARACTERIZAÇÃO. INCENTIVOS FISCAIS. ISENÇÃO OU REDUÇÃO DE ICMS. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. Os valores correspondentes ao benefício fiscal de isenção ou redução de ICMS que não possuam vinculação direta e explícita com a aplicação dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimento, devendo ser computados na determinação do lucro real. A mera referência genérica constante da legislação que institui o programa de incentivo fiscal de que os benefícios fiscais destinamse ao estímulo de investimento não se mostra suficiente para caracterizálo como subvenção para investimento. Tal caracterização depende da previsão e implementação de medidas que possam aferir o correto direcionamento da subvenção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL, PIS/PASEP, COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 8 7 factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. 11. Cientificada da decisão (Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo em 06/06/2016, fl. 591) a Contribuinte interpôs Recurso Voluntario em 25/05/2017. 12. Preliminarmente, alega nulidade da intimação pelo domicílio tributário eletrônico e requer a reiteração do prazo recursal para que o recurso interposto seja recebido. No mais, reitera as razões já expostas em sede de Impugnação, quais sejam: (i) o incentivo fiscal que a Recorrente usufrui consiste em subvenção para investimento e não para custeio; (ii) a subvenção para investimento engloba tanto uma implantação de empreendimento quanto a expansão de uma atividade; (iii) a exigência de multa é incabível, pois não houve nenhum prejuízo ao erário. Por fim, requer que seja acolhido e provido o recurso, a fim de suspender a infração e, posteriormente, ser determinada a improcedência dos autos de infração. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. Da Intempestividade do Recurso Voluntário 13. Conforme consta do termo de fl. 590, o sujeito passivo recebeu em sua Caixa Postal, correspondente ao seu domicílio tributário eletrônico, mensagem com acesso ao Acórdão de Impugnação e a Intimação do Resultado de Julgamento em 20/05/2016. 14. Após o decurso do prazo de 15 dias, a contar da disponibilização dos documentos, a ciência do sujeito passivo foi dada como realizada em 06/06/2016 (fl. 591). Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 9 8 15. Com o transcurso do prazo de 30 dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/721 e não tendo o sujeito passivo apresentado recurso, foi lavrado Termo de Perempção (fl. 602). 16. Em 15/07/2016, o sujeito passivo recebeu mensagem (fls. 609), por meio de sua Caixa Postal eletrônica, com acesso a Carta de Cobrança (fl. 612/614), e tomou ciência da referida carta em 01/08/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 610). 17. Conforme exposto no relatório acima, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário apenas em 25/05/2017, ou seja, após o transcurso do prazo legal de 30 dias. Entretanto, como a validade da citação foi questionada em sede preliminar, passo a sua análise. 18. A contribuinte alega que a intimação só se perfaz quando o fato a ser comunicado chega ao conhecimento do destinatário. Essa ciência ocorreria quando o advogado tem acesso aos autos ou quanto a intimação é entregue pessoalmente à parte. 19. No mais, sustenta que as intimações realizadas no curso do presente processo foram feitas via AR e, no caso da intimação da decisão proferida pela DRJ, não houve citação via postal ou qualquer tipo de publicação capaz de dar ciência do resultado do julgamento. 20. Por fim, afirma ser nula a intimação da decisão de piso na medida em que não seguiu os parâmetros legais. Fundamenta suas alegações nos artigos 234, 236, 245, 247 e 248 do CPC de 1973 (Lei nº 5.869/1973 revogada pela Lei nº 13.105/2015). 21. Contudo, diante das circunstâncias fáticas, não há que se falar em nulidade da intimação. 22. A matéria em questão está regulada no artigo 23, do Decreto nº 70.235/72 (com a redação dada pelo artigo 113, da Lei nº 11.196/2005): “Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo”. 1 "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 10 9 23. Para que a intimação seja feita por meio do endereço eletrônico do contribuinte é necessário que ele autorize, conforme disposto no artigo 4º da Portaria SRF nº 259 de 2006 (com redação dada pela IN RFB nº 574 de 2009): “Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico”. (grifos nossos) 24. Importante consignar que a autorização para a utilização do endereço eletrônico não é referente a um processo em especial, mas sim à comunicação da Receita Federal com o contribuinte. Portanto, não se trata aqui de uma autorização específica para que as intimações de determinado processo administrativo fiscal ocorram por meio eletrônico ou não. 25. Diferente do alegado pela Recorrente, fica evidente que a intimação por meio do endereço eletrônico é instrumento válido e regulamentado por lei, desde que a opção por essa via tenha sido por ela autorizada. 26. No presente caso, em momento algum, a contribuinte alega não ter optado pelo domicílio eletrônico. Em suas razões se limita a sustentar que a intimação deveria ter sido feita pessoalmente já que todas as outras foram feitas por AR. 27. O fato de as demais intimações, anteriores ao julgamento da impugnação, terem sido realizadas via postal não invalida de per si a intimação do acórdão da DRJ via domicílio eletrônico. No mais, o contribuinte não pode alegar desconhecimento do meio eletrônico, pois, conforme exposto no item 16 deste voto, ele tomou ciência da Carta de Cobrança em 01/08/2016 por essa via: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10120.722385/201541 Acórdão n.º 1201002.688 S1C2T1 Fl. 11 10 28. Sendo válida a citação por meio eletrônico e diante da apresentação do Recurso Voluntário fora do prazo legal (quase um ano), o recurso não merece ser conhecido. Nesse sentido, são as decisões deste E. CARF. Confirase: “RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decis o de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma legal, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. OPÇÃO. VALIDADE. É válida a intimação por meio magnético quando a contribuinte regularmente opta pela utilização do Domicílio Tributário Eletrônico” (Processo nº 16306.000352/200915, Acórdão nº 1401002.732, 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção, Sessão de 24 de julho de 2018). 29. Sendo assim, dada a clara intempestividade, não cabe ser admitido o Recurso Voluntário interposto pela Use Móveis para Escritório LTDA. Conclusão 30. Diante do exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, por intempestivo. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000929/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 29 /2 00 9- 32 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 16327.000929/200932 Acórdão n.º 1402003.531 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16327.000929/200932 Acórdão n.º 1402003.531 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001532/2007-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 03/07/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 03/07/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 15 32 /2 00 7- 37 Fl. 123DF CARF MF 2 O presente processo trata do Debcad 37.046.8538 (AI35), lavrado em razão de a empresa não apresentar os arquivos digitais de folhas de pagamento, Livro Diário e Livro Razão, nos termos da Portaria MPS nº 42, de 2003, e MANAD nº 58, de 2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 06. Em sessão plenária de 10/07/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 280301.669 (efls. 97 a 102), assim ementado: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/07/2007 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPRECISÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL . O erro no enquadramento legal da conduta imputada leva a insubsistência do auto lavrado. Com a criação da Receita Federal do Brasil, através da lei 11.457, de 16.03.2007, a falta de apresentação dos arquivos digitais, de acordo com os leiautes previstos pela Administração Tributária, constitui falta punível conforme a Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 12, I, parágrafo único. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)." O processo foi encaminhado à PGFN em 23/07/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 103) e, em 30/07/2012, foi interposto o Recurso Especial de efls. 104 a 109 (Despacho de Encaminhamento de efls. 110), com fundamento no artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a inexistência de nulidade no lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 22/05/2016 (efls. 112 a 114). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; sobre nulidade, a jurisprudência do CARF firmou orientação no sentido de que não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à fiscalizada; na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão guerreado decidiu por anular o lançamento sob o argumento de que a imprecisão da capitulação legal da infração praticada pelo contribuinte é causa de nulidade por vício formal; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10805.001532/200737 Acórdão n.º 9202007.526 CSRFT2 Fl. 124 3 sucede que a descrição dos fatos, bem assim a metodologia utilizada para cálculo do crédito tributário encontramse satisfatoriamente postas nos autos; todos os elementos essenciais à autuação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo, devendo prevalecer, portanto, os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; assim, não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para restabelecer o lançamento em sua integralidade, em face da ausência de nulidade. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (efls. 120/121). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Auto de Infração Debcad 37.046.8538 (AI35) lavrado em razão da falta de apresentação dos arquivos digitais de Folhas de Pagamento, Livro Diário e Livro Razão, nos termos da Portaria MPS nº 42, de 2003, e MANAD nº 58, de 2005, conforme Relatório Fiscal de fls. 06. O Colegiado recorrido deu provimento ao Recurso Voluntário, considerando insubsistente o lançamento, por erro formal. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento. Assim, tratandose de discussão acerca da existência de erro formal em lançamento, é imprescindível que se verifique qual teria sido o erro em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre eles. No caso do acórdão recorrido, o lançamento foi declarado insubsistente por erro formal, tendo em vista a aplicação da multa do art. 283, II, "b", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, considerandose que a multa correta seria a do art. 11, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.218, de 1991. Confirase o respectivo voto condutor: "Segundo o relatório fiscal, a conduta incorrida se refere a falta de apresentação dos arquivos digitais referentes às escriturações contábeis, de acordo com o leiaute estabelecido no Manual de Arquivos Digitais MANAD. Fl. 125DF CARF MF 4 Tenho que a conduta descrita melhor se amolda na previsão da Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 11, parágrafos 3º. e 4º., com redação da MP n. 2.158, de 24.08.01, com multa calculada sobre a receita bruta do contribuinte. Vejamos os textos envolvidos. A multa aplicada foi fundamentada no art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.048/99, que transcrevo. (...) Com a edição da lei 11.457, de 16.03.2007, a Secretaria da Receita Previdenciária foi extinta e a Secretaria da Receita Federal passou a se denominar Secretaria da Receita Federal do Brasil, absorvendo as atividades relativas a tributação, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias, além da área responsável pela fiscalização das mesmas. Diante do novo quadro normativo, temos que se aplica, à fiscalização da Receita Federal do Brasil, o que previsto na lei 8.218/91, que versa sobre Impostos e Contribuições Federais, senão vejamos: (...) Do confronto das normas postas, concluímos que a previsão da lei 8.218/91 melhor se amolda na conduta incorrida, pois se refere especificamente aos arquivos digitais em desacordo com as normas da Receita Federal, o que não ocorre nos termos genéricos do art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social – RPS, que se refere a “documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis”, respeitando assim o princípio da especialidade. Dessarte, havendo indevido enquadramento legal da conduta incorrida, o recurso interposto deve ser provido, por evidente erro formal." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial seria representado por acórdão em que, analisandose caso semelhante falta de apresentação dos arquivos digitais de Folhas de Pagamento, Livro Diário e Livro Razão, nos termos da Portaria MPS nº 42, de 2003, e MANAD nº 58, de 2005 fosse aceita, sem qualquer ressalva, a aplicação da multa do art. 283, II, "b", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Visando demonstrar a alegada divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigmas os Acórdãos CSRF/0202.301 e CSRF/0104.780. Quanto ao primeiro deles, limitase a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: "NORMAS PROCESSUAIS – CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10805.001532/200737 Acórdão n.º 9202007.526 CSRFT2 Fl. 125 5 IPI – MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fático suficiente para a aplicação da multa de lançamento de ofício, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal. Recurso especial provido." Com efeito, a leitura da ementa já permite verificar que o paradigma não trata de situação semelhante à do acórdão recorrido. Compulsandose o inteiro teor do julgado, constatase que o paradigma não trata de Contribuições Sociais Previdenciárias, muito menos de conflito de norma aplicável aos tributos federais, em geral, com norma específica previdenciária. Ademais, no caso do paradigma sequer se admite a ocorrência de erro na capitulação legal. Confirase: "Quanto à suposta ausência de enquadramento legal a lastrear a multa, entendo equivocado o posicionamento da câmara recorrida, a uma porque a infração foi corretamente descrita no auto de infração fl. 235), nos termos seguintes: O estabelecimento equiparado a industrial deu saída a produto(s) tributado(s) sem lançamento do imposto, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste auto de infração. Em seguida, foi feito o escorreito enquadramento legal da infração art. 59 c/c art. 51, inc. I, alínea "b", ambos do RIPI/1982 (fl. 236) ; a duas porque a citação da capitulação legal era prescindível, pois não se pode olvidar que o acusado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Somente haveria prejuízo à defesa se os fatos narrados na acusação não correspondessem aos ocorridos no mundo fenomênico. Mas não foi isso o que aconteceu, a Fiscalização foi pródiga ao descrever, minudentemente, as infrações imputadas ao autuado. Além do que, cada um dos fatos imputados veio arrimado em farta documentação. Todos os elementos essenciais tanto para a defesa quanto para o julgador encontravamse presentes nos autos. Como visto, não houve qualquer prejuízo à defesa e, sem este, não há nulidade. Aliás, é de se esclarecer que o sujeito passivo, em momento algum, alegou cerceamento de defesa. Por último, o fato de haver menção no auto de infração a pareceres normativos, não traz qualquer mácula ao lançamento, pois este não está arrimado em tais pareceres, mas em lei, em sentido estrito. Tais pareceres expressam o entendimento da Administração Tributária sobre pontos específicos da legislação, mas não são usados como fundamento de exigência fiscal. O caso em exame não discrepa disso, posto que a citação dos pareceres normativos não substituiu a tipificação feita em dispositivos legais."(grifei) Cotejandose os trechos acima com o acórdão recorrido, constatase que, nestas circunstâncias, a divergência alegada somente restaria demonstrada se o vício apontado no paradigma guardasse alguma similitude com o que ocorreu no acórdão recorrido, o que de forma alguma se confirmou. De resto, não há como tomar como demonstração de divergência apenas o fato de os julgados confrontados adotarem conclusões distintas, uma vez que o Fl. 127DF CARF MF 6 paradigma não tratou, em absoluto, da questão discutida no recorrido, tampouco da legislação por ele interpretada. No que tange ao segundo paradigma indicado Acórdão CSRF/0104.780 a Fazenda Nacional mais uma vez limitase à colação da respectiva ementa, conforme a seguir: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL – IMPRECISÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – NULIDADE – PROCESSO REFLEXIVO – DECORRÊNCIA PROCESSUAL: Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Sendo processo reflexivo, pelo princípio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão prolatada no processo principal." A leitura da ementa não permite verificar se o paradigma trataria de situação semelhante à do acórdão recorrido. Compulsandose o inteiro teor do julgado, verificase que ele também nada tem em comum com o recorrido. Confirase: "Como no processo principal, o presente recurso teve seu acolhimento parcial e, por tempestivo, deve ser conhecido. A plena caracterização da decorrência processual faz com que se aplique aqui toda a argumentação e efeitos processuais contidos no processo principal, o qual foi julgado na sessão de 01 de dezembro de 2003, tendo sido prolatado o Acórdão n° CSRF/0104.778, que foi assim ementado: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE: Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Recurso especial do contribuinte conhecido e não provido " Pelo princípio da decorrência processual que determina a transmissão ao processo decorrente dos mesmos efeitos jurídicos e plena conexão dos efeitos, pelo princípio da causa e efeito, é de se adotar aqui a decisão adotada no processo principal. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso especial interposto pelo contribuinte e, rejeitando a preliminar de nulidade, no mérito, negarlhe provimento." Com efeito, constatase que o julgado, tal como ocorreu no caso do primeiro paradigma, sequer trata de Contribuições Sociais Previdenciárias, muito menos do conflito de normas enfocado no recorrido. Com efeito, o paradigma trata de capitulação legal genérica, de Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10805.001532/200737 Acórdão n.º 9202007.526 CSRFT2 Fl. 126 7 sorte que o apelo não deve ser conhecido, por ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Diante do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados efetivamente não logram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000048/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.668
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 07 .0 00 04 8/ 20 09 -3 4 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 16007.000048/200934 Resolução nº 3401001.668 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 976DF CARF MF Processo nº 16007.000048/200934 Resolução nº 3401001.668 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 977DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721573/2016-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1).
Numero da decisão: 2002-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 374 1 373 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.721573/201699 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.671 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria IR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente ELZA RODRIGUES FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula Carf nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 15 73 /2 01 6- 99 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10850.721573/201699 Acórdão n.º 2002000.671 S2C0T2 Fl. 375 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 336/343): Em 20/05/2016, a contribuinte, acima identificada, através de seu representante (docs. fls. 8 a 11), formulou o Pedido de fl. 2, complementado pelas alegações de fls. 3 a 7, que, em síntese, refletem a seguinte situação: · A contribuinte efetuou recolhimentos indevidos de imposto de renda, nos anos de 2010, 2011 e 2012, que totalizaram R$ 85.107,76, em razão do recebimento, parcelado, de indenização por danos morais, no montante de R$ 600.000,00; · Ao ter ciência de que tal recolhimento era indevido, posto que a indenização por danos morais está afastada da incidência do IRPF, formulou pedido administrativo à Receita Federal a fim de que fosse ressarcida. "Entretanto, foi restituído apenas o valor de R$ 40.666,71..."; · Diante da não devolução integral dos valores indevidamente pagos, a requerente ingressou com ação judicial, na qual restou evidente, inclusive em manifestação da própria União Federal, a não tributação sobre indenização por dano moral recebida pela autora. Contudo, a solicitação de restituição/devolução dos valores indevidamente pagos deveria se dar pela via administrativa, conforme constou da sentença judicial que extinguiu por carência a ação; · Isto posto, formula a contribuinte novamente o pedido de restituição, deduzido o valor já ressarcido de R$ 40.666,71. A interessada foi cientificada do indeferimento de seu pleito por meio do Despacho Decisório nº 294/2016/DRF/SJR/SP (fls. 288 a 294), cuja ementa abaixo se transcreve: Ciente do referido despacho em 17/11/2016 (AR de fl. 304), a contribuinte, através de seu representante (docs. fls. 309/310), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 306 a 308, em 05/12/2016, na qual reitera os motivos de seu pedido de restituição e argumenta que: Em Intimação recebida pela Contribuinte obteve a resposta de que o pedido havia sido indeferido, haja vista ter decorrido o prazo de 05 anos. OCORRE QUE, é inegável que a Contribuinte está tentando receber o valor pago a maior desde o ano de 2013. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10850.721573/201699 Acórdão n.º 2002000.671 S2C0T2 Fl. 376 3 Não pode passar despercebido por esse respeitável Órgão Público o calvário sofrido pela Contribuinte, que em um primeiro momento obteve a informação de que deveria pagar Imposto de Renda sobre todos os valores recebidos, informação essa repassada pelo próprio fiscal da Receita Federal. Em uma outra oportunidade, informada de que era necessário ingressar com Ação Judicial, não foi a Receita Federal que de boazinha devolveu quantia paga a maior no ano de 2013, foi por conta do pedido de ressarcimento realizado pela Contribuinte. Esclarece que, o valor foi restituído parcialmente, motivo pelo qual insurge o presente processo. A Contribuinte passou por um verdadeiro calvário, não ficou inerte por todos esses 05 anos, buscou seu direito à restituição pelas vias a que foi orientada pela própria receita federal. Ora, É INEGÁVEL QUE A CONTRIBUINTE TEM DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS VALORES PAGOS A MAIOR, COMPROVA TODA A SUA BUSCA EM RECEBER POR MEIO DOS DOCUMENTOS JÁ JUNTADOS, não havendo em que se falar em extinção do direito. NÃO PODE SER PREJUDICADA POR TER SIDO MUITO MAL INFORMADA PELO ATENDIMENTO DA PRÓPRIA RECEITA FEDERAL. Além do mais, todo o argumento usado para o indeferimento não deve prosperar, tendo os documentos e os protocolos juntados comprovam que a Contribuinte vem desde meados de 2013, tentando receber o que lhe é de direito, motivo pelo qual deve a presente Manifestação de Inconformidade ser Julgada Procedente com a devolução das quantias pagas a maior pela Contribuinte, conforme requerido às fls. 02/12, por ser um verdadeira expressão de Justiça. Em 22/08/2017, a peticionária, através de representante, retorna aos autos (fls. 324 a 327), a fim de ratificar e complementar as alegações constantes da manifestação de inconformidade com citação de artigos (art. 240 do CPC/2015 e art. 174 do CTN), bem como com jurisprudência a respeito do tema. A DRJ/JFA considerou improcedente a manifestação de inconformidade, consignando que, por ocasião da formalização do processo, o direito da contribuinte pleitear a restituição dos valores já estava extinto (fls. 336/343). Cientificada dessa decisão em 25/6/2018 (fl.356), a contribuinte formalizou seu recurso voluntário em 25/7/2018 (fl.361), alegando, em apertada síntese: por decorrência de acordo homologado judicialmente, teria recebido o montante de R$600.000,00 a título de indenização por dano moral; Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10850.721573/201699 Acórdão n.º 2002000.671 S2C0T2 Fl. 377 4 teria efetuado pagamentos ao Fisco, nos anos de 2010, 2011 e 2012, o montante de R$85.107,76; posteriormente, teria tido ciência que os valores recebidos não estariam sujeitos à tributação, tendo peticionado junto à RFB a devolução dos valores; teria obtido a devolução parcial do valor, de R$40.666,71, em 15/5/2013; teria ajuizado a ação nº 000601002.2013.403.6106, a fim de obter a devolução integral do montante pago; em manifestação nos autos judiciais, a União teria reconhecido seu direito a ter os valores restituídos; a ação teria sido extinta por carência de ação, entendendo a União e o M.M. Juiz que a restituição pleiteada deveria se dar pela via administrativa; em face da decisão judicial, teria formulado novo pedido administrativo, o qual teria sido indeferido haja vista ter decorrido o prazo de cinco anos; não poderia prevalecer tal entendimento visto que desde 2013 vem solicitando a restituição dos valores, como comprovariam documentos e protocolos juntados; a sentença judicial teria sido disponibilizada em 19/4/2016, publicada em 20/4/2016, "data da ciência da decisão do processo de primeiro grau que suspendeu o prazo da recorrente"; Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade A existência de ação judicial com o mesmo objeto obsta o curso do contencioso administrativo, na linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10850.721573/201699 Acórdão n.º 2002000.671 S2C0T2 Fl. 378 5 Do exame dos autos e conforme informado pela contribuinte, ela ajuizou a ação nº 000601002.2013.403.6106, objetivando receber valores pagos por ela a título de IR, os quais não teriam sido ressarcidos pela União Federal. A petição inicial da mencionada ação consta às fls. 16/29. Dessa peça, extraemse os seguintes trechos: ... A requerente, cumpridora de suas obrigações com o fisco, pagou a Receita Federal o valor de R$85.107,76 (....), conforme faz prova as inclusas xerocópias. ... Em requerimento administrativo a Requerida devolveu a Autora o valor de R$40.666,71(...). ... Ante o exposto, a Autora requer seja, a final, julgado Totalmente Procedente o pedido para o fim de: .... b) condenar União a obrigação de restituir a Requerente os pagos a maior, devidamente corrigidos monetariamente, atualizados e acrescidos de juros de mora, recolhidos a título de Imposto sobre a Renda incidente sobre os valores recebidos a título de indenização por danos morais em virtude do processo judicial.... O pleito da recorrente nestes autos (fl.2) recai exatamente sobre a diferença entre os valores de R$85.107,76, pago a título de IR, e de R$40.666,71, já restituído pela RFB. Ao optar pela discussão judicial, o sujeito passivo abdica da esfera administrativa, porque prevalecerá o entendimento do Poder Judiciário. A renúncia às instâncias administrativas ou a desistência do recurso interposto configura fato impeditivo do direito de recorrer, não podendo ser conhecida a petição na parte concomitante. Registro que tal entendimento se mantém ainda que o processo seja extinto sem julgamento de mérito, como é o caso da ação judicial mencionada (fls. 280/283). Nesse sentido, trago ementa e trechos do Parecer Normativo Cosit nº 7, de 2014: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10850.721573/201699 Acórdão n.º 2002000.671 S2C0T2 Fl. 379 6 espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. eprocesso nº 10166.721006/201316 .... 15. Em suma, os efeitos da concomitância entre as instâncias administrativa e judicial, quando a pretensão na ação judicial tenha objeto idêntico ou mais amplo que o do recurso administrativo, quanto ao objeto colidente, são os seguintes: i) renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, fazendo definitivos o crédito tributário (mesmo quando ainda não impugnado) e a decisão contra a qual recorrera, ressalvada a adoção da via judicial com o mero fim de correção do rito do processo administrativo, a exemplo da obrigação de decidir da autoridade administrativa e da inadmissão de recurso administrativo válido, dado por intempestivo; ii) por força da renúncia ou desistência, o recurso não pode ser conhecido, cabendo à autoridade ad quem emitir decisão formal declaratória da definitividade da decisão recorrida; iii) prosseguimento do processo administrativo fiscal – exceto na hipótese de mandado de segurança, ou medida liminar, específico – até a inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), se for o caso (ou seja, nada impede que o fisco constitua e Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10850.721573/201699 Acórdão n.º 2002000.671 S2C0T2 Fl. 380 7 individualize o título, para futura e eventual cobrança, mesmo quando haja medida judicial que suspenda ou impeça essa cobrança, uma vez que a suspensão é da cobrança, e não da emissão do título executório). ... 17. Salientese que o mesmo raciocínio aplicase, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário. Nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão. ... Da extinção do processo judicial sem resolução de mérito 19. Cabe a análise do aspecto concernente à opção do contribuinte pela discussão da matéria controvertida no âmbito judicial, em que se decidiu pela extinção do processo sem resolução do mérito, por uma das hipóteses listadas de forma não taxativa no art. 267 do CPC, o que poderia provocar dúvidas quanto à possibilidade de se retomar o julgamento administrativo da lide quanto ao objeto colidente. 19.1. Entendese que a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação, mesmo porque, embora se trate de uma forma anormal de extinção do processo (a normal seria com resolução de mérito), é uma das duas formas possíveis, colocadas lado a lado nos arts. 267 e 269 do CPC. Ainda, o art. 268 do CPC faculta ao autor intentar de novo a ação judicial quando foi extinto o processo sem resolução de mérito, salvo as hipóteses ali trazidas. Nessa linha: O direito atual dá mostras patentes e até desnecessárias de não aceitar esse sistema de extinção do direito. Já no plano infraconstitucional, a permissão de repropor em juízo a mesma pretensão depois de extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC, arts. 28 e 268) tem por óbvia premissa a subsistência do direito apesar da experiência processual frustrada. Nem poderia ser de outro modo, porque dar por extinto o direito nessa situação, ou mesmo fechar as portas do Poder Judiciário para sua defesa, seriam efeitos abertamente transgressivos às garantias constitucionais de acesso à justiça e do devido processo legal (supra, nn. 9495). Essa transgressão ocorreria tanto pela extinção do próprio direito pleiteado, como também, a fortiori, dos direitos concorrentes não pleiteados. No direito moderno a propositura da demanda não tem esse efeito extintivo. (DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. v. II. 5. ed. São Paulo: Malheiros, 2005. p. 55 57) Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10850.721573/201699 Acórdão n.º 2002000.671 S2C0T2 Fl. 381 8 19.2. As hipóteses que ensejam a extinção do processo sem resolução de mérito, previstas no art. 267 do CPC, configuram, na verdade, questões preliminares que, se verificadas, impedem o exame do mérito (à semelhança do que prevê o art. 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido), o que pode dar azo a novo pleito na via judicial sobre a questão versada nos autos. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 19.3. Tendo propiciado a extinção do processo na forma do art. 267 do CPC, deve o contribuinte arcar com o ônus da irreversibilidade da renúncia à via administrativa, materializada pela escolha da seara judicial. Isto posto, voto por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.902617/2015-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/02/2012
DCTF. PREENCHIMENTO.
Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.902600/2015-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
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PREENCHIMENTO. Reconhecida a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.902600/201541, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 26 17 /2 01 5- 06 Fl. 251DF CARF MF 2 Relatório EMPRESA DE ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSAO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS EMATERMG recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 165 do Código Tributário Nacional e no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte pretendeu extinguir débitos próprios com suposto crédito decorrente de pagamento a maior oriundo de DARF de Código de Receita 2362, recolhido em 29/02/2012, no valor de R$ 591.219,08. A DRF/Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando o feito sob o fundamento de que o DARF indicado como fonte do valor pago a maior estava integralmente utilizado para quitação de outro débito confessado pelo contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação declarada. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em síntese, que a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ evidencia a inexistência de IRPJ a pagar, que houve o recolhimento do DARF indevido demonstrado em DCTF e, assim, mediante as evidências da DIPJ, concluise pela existência de crédito tributário por pagamento indevido a maior, passível de compensação de débitos tributários. A autoridade de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por meio do acórdão cuja ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/02/2012 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10680.902617/201506 Acórdão n.º 1301003.541 S1C3T1 Fl. 3 3 O principal argumento das autoridades fiscais foi no sentido de que "a contribuinte indicou na DIPJ apuração anual do Lucro Real e Base de cálculo da CSLL registrados no LALUR, contudo, não apresentou a escrituração contábil e fiscal suficiente para comprovar a existência dos seus débitos, indicados na DIPJ." Cientificado da decisão de primeira instancia em 30/05/2017, o contribuinte apresentou, em 29/06/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade e apresentando uma vasta documentação contábil e fiscal visando, enfim, sua linha de argumentação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.523, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.902600/2015 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.523): "O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme acima relatado, a EMATERMG, optante pelo lucro real, realizou a apuração do IRPJ e CSLL conforme a Lei n°8.981 de 20 de janeiro de 1995, ou seja, lucro real anual com base no balancete mensal de suspensão redução. Alega o contribuinte que os valores apurados dos impostos abaixo descritos, foram liquidados com utilização dos créditos provenientes das retenções na fonte de notas fiscais emitidas e recebidas e também de aplicações financeiras. Após estes ajustes teriam sido realizados pagamentos em espécie através de DARF, que o ocasionaram um pagamento a maior ao final do exercício apresentado. Conforme demonstrado na tabela de cálculo abaixo. Fl. 253DF CARF MF 4 Descrição Valor Anexo para Consulta IRPJ 1.878.907,15 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício () IR Retido na Fonte de Orgãos Publicos 396.434,37 Anexo II Razão Contábil conta 110.211.0015 () IR retido na Fonte 1.067.820,00 Anexo III Razão Contábil conta 110.211.0004 Valor a Recolher 414.652,78 () Pagamento em 29/02/2012 591.219,08 Anexo IV DARF Recolhida em 29/02/2012 cod 2362 () Pagamento em 29/04/2012 55.721,60 Anexo V DARF Recolhida em 29/04/2013 cod 2430 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 232.287,90 Descrição Valor Anexo para Consulta CSLL 1.104.476,29 Anexo I Demonstração do Resultado do Exercício ()CSLL Retido na Fonte de Orgãos Publicos74.016,43 Anexo VI Razão Contábil conta 110.211.0016 () CSLL Retido na Fonte 837,41 Anexo VII Razão Contábil conta 110.211.0012 Valor a Recolher 1.029.622,45 () PERD/DCOMP 17/08/2012 139.413,59 Anexo VIII Declar. 42685.42010.170812.1.3.040857 () PERD/DCOMP 04/09/2012 11.431,75 Anexo IX Declar. 37686.72607.040912.1.3.040923 () Pagamento em 29/02/2012 236.273,46 Anexo X DARF recolhida em 29/02/2012 cod 2484 () Pagamento em 29/04/2012 682.915,50 Anexo XI DARF recolhida em 29/04/2013 cod 6773 VALOR RECOLHIDO A MAIOR 40.411,85 No entanto, de acordo com o contribuinte, foram identificadas informações indevidas no preenchimento da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012, relativas a identificação do crédito de IRPJ e CSLL, decorrentes de pagamento a maior destes tributos. Teriam sido efetuadas, então, as retificações da DIPJ anocalendário 2012 e das DCTFs de competência janeiro de 2012 e dezembro de 2012 com o objetivo de evidenciar e comprovar o crédito tributário utilizado pela EMATERMG. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10680.902617/201506 Acórdão n.º 1301003.541 S1C3T1 Fl. 4 5 apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por . dar provimento parcial ao recurso para superar a ausência de retificação da DCTF anterior ao despacho decisório e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise a liquidez e certeza do crédito requerido e emita despacho decisório complementar, retomando se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000483/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 1301-003.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
1.0 = *:*
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 04 83 /2 01 0- 33 Fl. 423DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11052.000483/201033 Acórdão n.º 1301003.501 S1C3T1 Fl. 424 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de cinco autos de infração lavrados em desfavor da pessoa jurídica Marisol Rio Madeiras Ltda, para dela exigir, relativamente ao anocalendário 2006 e no âmbito do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples: a) imposto sobre a renda (IRPJ) no valor •de R$ 24.596,78; b) contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) no valor de R$ 18.017,18; c) contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins) no valor de R$ 72.464,78; d) contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL) no valor de R$ 24.596,78; e) contribuição para Seguridade Social — INSS no valor de R$ 209.513,13. Todos os tributos foram acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora (fls. 272/339). As exigências decorreram das seguintes acusações: omissão de receitas indiciada por depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento de valores do Simples. No termo de verificação de fls. 267/271, a autoridade fiscal consignou tabela indicativa dos depósitos bancários de origem não comprovada deduzidos das receitas escrituradas em Livro Caixa e informadas pela interessada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples (fls.02/19 e 176/245): As fls. 30/173, anexaramse aos autos os extratos bancários que embasaram os lançamentos efetuados — extratos esses apresentados autoridade fiscal pela própria pessoa jurídica (fls. 27). Cientificada dos lançamentos em 12/08/2010 (fls. 270, 273, 283, 293, 303 e 313), a interessada impugnouos em 10/09/2010 (fls. 350/356). Fl. 425DF CARF MF 4 Alegou, em síntese: a) que a autoridade fiscal "deixou de levar em consideração durante a ação fiscal o que preceitua o art. 18 da Lei n° 9.317/96, pois se limitou a apurar uma suposta diferença entre a movimentação bancária da impugnante e o declarado na Declaração 410 Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples"; b) que a autoridade fiscal "também deixou de levar em consideração valores transferidos de contas, empréstimos, aplicações financeiras etc"; c) que o procedimento de acesso aos dados bancários da pessoa jurídica não foi obedecido pela autoridade fiscal; e d) que reconhece suas receitas pelo regime de competência, o que significaria dizer "que receitas consideradas como auferidas no mês do recebimento por certo estarão contaminadas por receitas reconhecidas em momentos anteriores, em períodos anteriores" (cita, como exemplo, que os depósitos bancários do mês de janeiro "provavelmente foram reconhecidos como receitas no exercício anterior"). A 9ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação, em decisão que recebeu a ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ciente da decisão, a interessada ingressou com recurso voluntário (fls. 399) repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11052.000483/201033 Acórdão n.º 1301003.501 S1C3T1 Fl. 425 5 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. Fatos Tratase de cinco autos de infração lavrados em desfavor da pessoa jurídica Marisol Rio Madeiras Ltda, para dela exigir, relativamente ao anocalendário 2006 e no âmbito do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Todos os tributos foram acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora. As exigências decorreram das seguintes acusações: omissão de receitas indiciada por depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento de valores do Simples. Mérito O art. 42 da Lei 9.430/96 instituiu presunção legal de omissão de receitas quando comprovada a existência de créditos bancários sem comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nas operações. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Pela leitura do acima transcrito, entende que, nos casos de presunções legais, como a omissão de receita, o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte a prova em contrário dos fatos presumidos. Mencionado dispositivo, ao alçar os depósitos bancários de origem não comprovada à categoria de presunção legal de omissão de receitas, aperfeiçoou a legislação existente que já admitia o lançamento com base em depósitos bancários, mediante presunção simples, desde que outros elementos consolidassem os indícios apurados. Conforme relatado, não houve juntada de documentos em sede de Recurso Voluntário que pudesse comprovar os fatos presumidos pelas autoridades fiscais. Alega a Recorrente, como argumentos principais, repisando o já levantado em sede de impugnação, que (i) não houve cumprimento do disposto no art.18 da Lei 9.317/96; (ii) não obediência ao regime de competência; (iii) não houve observância, pelas autoridades Fl. 427DF CARF MF 6 julgadoras, das normas estabelecidas pelo Decreto 70.235/72 e Portaria RFB 666/2008, com relação ao julgamento dos processos. Quanto as alegações da Recorrente, entendo, em linha com o que já decidiu a decisão de primeira instancia, que não à razão para provimento do recurso voluntário. Neste sentido reproduzo abaixo trecho do voto condutor da mencionada decisão que me valho para fundamentação do presente voto com base no art. 57 parágrafo 3o da Portaria MF Nº 343/15, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: O art. 18 da Lei n° 9.317/96 estende, para a apuração das receitas integrantes da base de cálculo dos valores a serem pagos no Simples, todas as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo sistema: (...) Nessa esteira, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 presume como omissão de receita os depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo: (...) Pois bem, os documentos constantes dos autos demonstram a incorreção da afirmativa da interessada de que a autoridade fiscal "deixou de levar em consideração durante a ação fiscal o que preceitua o art. 18 da Lei n° 9.317/96, pois se limitou a apurar uma suposta diferença entre , a movimentação bancária da impugnante e o declarado na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — Simples". Na realidade, a diferença apurada pela autoridade fiscal foi entre a movimentação bancária da impugnante e as receitas escrituradas em seu Livro Caixa (fls. 176/245). 0 que talvez tenha confundido a interessada foi o fato de os valores declarados na DSPJ (fls. 02/19) serem os mesmos escriturados no Livro Caixa. Quanto à alegação de que a autoridade fiscal de origem não teria obedecido ao procedimento de acesso à movimentação financeira da pessoa jurídica, afastoa com a observação que os extratos bancários que embasaram os lançamentos tributários em análise foram entregues à autoridade fiscal pela própria pessoa jurídica, conforme demonstra o documento de fls. 27. Por fim, no que toca aos argumentos de que os lançamentos tributários efetuados não teriam respeitado o regime de competência bem como teriam deixado "de levar em consideração valores transferidos de contas, empréstimos, aplicações financeiras etc", desconsideroos porquanto não foram eles secundados por documentos comprobatórios. Ressaltese que a interessada não s6 não comprovou essas suas argumentações como sequer discriminou nos extratos bancários os depósitos que seriam oriundos de "empréstimos, aplicações financeiras etc", ou que teriam sido tributados em exercícios anteriores (regime de competência). Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11052.000483/201033 Acórdão n.º 1301003.501 S1C3T1 Fl. 426 7 Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720010/2018-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Faz jus às deduções, o contribuinte que prova e comprova por meio de documentos hábeis seus lançamentos.
Numero da decisão: 2002-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Faz jus às deduções, o contribuinte que prova e comprova por meio de documentos hábeis seus lançamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DESPESAS MÉDICAS. Faz jus às deduções, o contribuinte que prova e comprova por meio de documentos hábeis seus lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 00 10 /2 01 8- 19 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13748.720010/201819 Acórdão n.º 2002000.668 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 75/127) contra decisão de primeira instância (fls. 67/71), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Em nome do contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 55/60, relativa ao anocalendário 2012, que apurou crédito tributário total de R$ 24.704,75, sendo R$ 10.892,75 de IRPF Suplementar, R$ 8.169,56 de multa de ofício e R$ 5.642,44 de juros de mora. O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2013, apresentada à RFB pelo contribuinte, cujo resultado havia sido de imposto a pagar no valor de R$ 9.474,84. Motivou o lançamento de ofício a constatação de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 39.610,00, por falta de comprovação da efetividade do pagamento dos serviços prestados aos profissionais Leonardo Delaroili (Fisioterapeuta R$ 9.000,00), Denise S. B. Filgueiras (Psicóloga R$ 7.920,00), Bianca R Barreto Lima (Cirurgiã dentista R$ 8.500,00), Cristiane G. Alves (Fisioterapeuta R$ 8.000,00) e Alex de Oliveira Lampe (Cirurgiãodentista R$ 6.190,00), conforme requerido em intimação específica. Cientificado em 09/01/2018 (fls. 61), o interessado apresentou a impugnação de fls. 02/05 em 12/01/2018, reapresentando os recibos das despesas, alegando que atendem à legislação tributária, e juntando declarações dos profissionais confirmando as prestações dos serviços e informando que os pagamentos foram efetuados em espécie. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso reiterando as alegações da impugnação e, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi cientificada em 11/03/2018 (fl. 74); Recurso Voluntário protocolado em 10/04/2018 (fl. 75), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 128). Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13748.720010/201819 Acórdão n.º 2002000.668 S2C0T2 Fl. 4 3 Relata o Sr. AFR, que a glosa no valor de R$ 39.610,00, ocorreu em razão da contribuinte não ter comprovado o efetivo pagamento dos serviços prestados pelos seguintes profissionais: Leonardo de Paulo Delarolli, Denise S. B. Filgueiras, Bianca R. Barreto Lima, Cristiane G. Alves, Alex de Oliveira Lampe. A r. decisão revisanda, julgou procedente a ação fiscal tendo como estribo a seguinte fundamentação: “não tendo o contribuinte comprovado o efetivo pagamento das despesas médicas, como intimado pela autoridade lançadora, deve ser mantida a glosa”. Irresignada, a recorrente apresenta recurso próprio, combatendo o mérito e trazendo documentos. Tendo em vista a documentação apresentada nos autos: · Dra. Denise (fls. 10/14) – Declaração + recibos (casal) = R$ 7.920,00 · Dr Alex (fls. 15/16) – Declaração = R$ 6.190,00 · Dr Leonardo (fls. 17/19) – Recibo/Declaração/Laudo (Edgard) = R$ 4.800,00 · Dr Leonardo (fls. 28/30) – Recibo/Declaração/Laudo (Sonia) = R$ 4.200,00 · Dra. Bianca (fls. 20/23) – Declaração/Recibos/Laudo (Sonia) = R$ 4.700,00 · Dra. Bianca (fls. 31/34) – Declaração/Recibos/Laudo (Edgard) = R$ 3.800,00 · Dra. Cristiane (fls. 24/27) – Declaração/Recibos/Laudo (Edgard) = R$ 4.400,00 · Dra. Cristiane (fls. 35/38) – Declaração/Recibos/Laudo (Sonia) = R$ 3.600,00 · (fls. 166/168) – Extratos bancários – Itaú · (fls. 169/180) – Extratos bancários – Banco do Brasil · (fl. 43) – DIRPF – consta o esposo como dependente OBSERVANDO OS EXTRATOS BANCÁRIOS, É POSSÍVEL CONSTATAR QUE A CONTRIBUINTE EFETUAVA OS PAGAMENTOS EM ESPÉCIE. · NO RECURSO ELA TRAZ NOVAMENTE TODA A DOCUMENTAÇÃO JÁ APRESENTADA E JUNTA OS EXTRATOS BANCÁRIOS · (fls. 181/185) Anexo 49 – Tabela explicativa dos valores pagos a cada profissional e dos saques feitos, os quais podem ser confirmados nos extratos bancários. Restou provado as alegações da recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13748.720010/201819 Acórdão n.º 2002000.668 S2C0T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900248/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PRODUTOS COM NOTAÇÃO "NT". CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 20.
O legislador ordinário, conforme as diretrizes dadas pela Constituição Federal e pelo CTN, criou o sistema de créditos de IPI que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditar-se do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte no mesmo período de apuração.
Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99 somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, mas não de produtos com notação "NT" na TIPI (imunes ou não industrializados).
Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT".
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Cynthia Elena de Campos acompanhou a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso por entenderem inaplicável a Súmula CARF 20 ao caso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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INSUMOS. PRODUTOS COM NOTAÇÃO "NT". CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 20. O legislador ordinário, conforme as diretrizes dadas pela Constituição Federal e pelo CTN, criou o sistema de créditos de IPI que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte no mesmo período de apuração. Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99 somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, mas não de produtos com notação "NT" na TIPI (imunes ou não industrializados). Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Cynthia Elena de Campos acompanhou a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso por entenderem inaplicável a Súmula CARF 20 ao caso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 02 48 /2 01 3- 11 Fl. 416DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento de créditos de IPI relativo ao 2o trimestre de 2008, ao qual foi vinculado declaração de compensação. O pedido de ressarcimento foi indeferido e as compensações declaradas no PER/DCOMP não foram homologadas, mediante o Despacho Decisório nº de Rastreamento: 065794786, emitido em 02/10/2013, nos seguintes termos: O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 38002.00273.261109.1.3.010692 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP: 27809.87941.251109.1.1.015397 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida, "que tem direito ao crédito por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que a legislação tributária, tanto na sua interpretação, como aplicação, a ele deve se subordinar". O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: Com a entrada em vigor do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e da IN SRF nº 33/99 deixou de existir a obrigatoriedade de estornar o crédito relativo a insumo a ser empregado em produto isento, tributado com alíquota zero ou imune, sendo passível de aproveitamento Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16682.900248/201311 Acórdão n.º 3402006.083 S3C4T2 Fl. 417 3 (compensação com débitos na conta gráfica do imposto) nos moldes dos créditos anteriormente referidos como básicos, permitido inclusive o ressarcimento, o que, pelas normas anteriores, só era possível na hipótese de se tratar de crédito incentivado. Permaneceu obrigatório, no entanto, o estorno dos créditos relacionados a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados. Nessa linha também dispõe o ADI SRF nº 05/2006. Também o RIPI/2002 consolida e ratifica o entendimento de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de todos os produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuando se somente os produtos não tributados. Desta forma, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e a IN SRF nº 33/99, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que foram aplicados em produtos não tributados pelo imposto. Cientificada dessa decisão em 19/02/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/03/2015, com as seguintes alegações: a) A presente manifestação de inconformidade está atrelada ao processo nº 15563.720204/201395, objeto de auto de infração lavrado pela RFB, no qual as argumentações ali esposadas aqui se repercutem. b) A Lei nº 9.779/99, o Decreto nº 4.544/2002 e a IN SRF nº 33/99 autorizam a utilização dos créditos de MP, PI e ME quando empregados na industrialização de produtos amparados pela imunidade sem qualquer restrição, de forma que a limitação imposta pelo ADI SRF nº 05/2006 é ilegal. Ademais, as Soluções de Consulta formuladas por seus concorrentes devem ser estendidas a recorrente e a todos que se encontram na mesma situação, sob pena de ofensa aos princípios da livre concorrência e da isonomia. c) Na hipótese de o Tribunal admitir a validade do ADI nº 05/2006, deve ser afastada a aplicação de qualquer penalidade, juros e atualização monetária decorrente da utilização desses créditos, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. d) Em relação a eventuais saídas de produtos sem a incidência de IPI em desacordo com o disposto na TIPI, enfatizase que tal fato não invalida o pleito de ressarcimento/compensação do imposto. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 418DF CARF MF 4 O processo nº 15563.720204/201395, mencionado pela recorrente, trata de auto de infração para exigência de IPI, lavrado em 22 de agosto de 2013, relativamente aos períodos de apuração de abril de 2008 a dezembro de 2009. À vista da apuração e classificação dos créditos de IPI escriturados, a fiscalização constatou falta de destaque do IPI em algumas saídas, o que teve implicação sobre os saldos credores apurados. Ademais, a fiscalização apurou os créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, efetuando a reconstituição da escrita fiscal da interessada. Alguns créditos foram glosados em razão de CFOP incompatíveis, divergência de alíquota em relação à TIPI e relativos a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados. O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento/compensação de créditos de IPI relativo ao 2o trimestre de 2008, período também sob discussão no processo nº 15563.720204/201395 no que concerne aos débitos e aos créditos, razão pela qual há conexão entre os dois processos. No entanto, não seria o caso de vinculação deste àquele por conexão, em face do disposto no art. 6º, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, tendo em vista que o processo nº 15563.720204/201395 já foi julgado em 26/11/2018, conforme consta no trecho abaixo da Ata da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção: Relator(a): LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo: 15563.720204/201395 Recorrentes: PETROBRAS DISTRIBUIDORA S A e FAZENDA NACIONAL Acórdão 3401005.459 Decisão: Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não restar superado o limite de alçada, na forma da Súmula CARF 103; (ii) por unanimidade de votos, em afastar a alegação recursal de decadência; e (iii) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares. Dessa forma, não há impedimento para o imediato julgamento de mérito do presente processo, mormente quando o seu resultado seja no mesmo sentido da decisão proferida no processo conexo relativamente ao período de apuração em comum. Esclarece a recorrente que os produtos derivados de petróleo produzidos pelo seu estabelecimento, em quase sua totalidade, são classificados nos códigos NCM 2710.19.31 e 2710.19.32, com notação NT na TIPI. A impossibilidade de creditamento de IPI sobre insumos utilizados em produtos com notação NT é tratada na Súmula CARF nº 20, com o seguinte enunciado: "Não 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (...) Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16682.900248/201311 Acórdão n.º 3402006.083 S3C4T2 Fl. 418 5 há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". É verdade, como dito pela recorrente, na esteira da Declaração de Voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz no Acórdão nº 340301.678, que "notação “NT” da TIPI é polissêmica", sendo que o "Executivo a emprega para designar realidades diferentes entre si, ora aludindo a produtos industrializados favorecidos por imunidade – caso dos combustíveis e dos derivados de petróleo – ora prestandose a definir produtos como não industrializados". Disso poderseia deduzir que a Súmula CARF nº 20 está se referindo a todas as hipóteses de produtos classificados na TIPI como NT, inclusive imunes. Vale dizer que, no Acórdão nº 340301.678, a situação tratada era diferente da presente, eis que se estava ali "diante de hipótese em que ao produto imune não correspondia, na TIPI, a notação “NT”", razão pela qual, no referido julgado, foi afastada a aplicação da Súmula CARF nº 20, conforme Declaração de Voto referida pela recorrente2. No caso presente, nem discorda a recorrente que estamos diante de produtos finais "classificados na TIPI com a notação NT", de forma que aqui deve, sim, ser aplicado o enunciado da Súmula CARF nº 20, de aplicação obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 72 e art. 45, VI do Anexo II do seu Regimento Interno. Conforme se denota na fundamentação de um dos Acórdãos Paradigmas, nº 20215366, de 03/12/2003, o legislador ordinário, consoante as diretrizes da Constituição Federal e do CTN, "criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração", sendo que, "com a entrada em vigor da Lei n° 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, jamais de produtos não tributados pelo IPI (NT)". Esse entendimento ajustase perfeitamente ao caso sob análise, que trata do creditamento na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos com notação NT na TIPI, operação que não sofreu a incidência do IPI. O fato de o produto final ser imune ou não 2 Acórdão nº 340301.678 (...) Declaração de Voto (...) As considerações acima, no entanto, não têm inteira pertinência com a hipótese em julgamento. É que a “emulsão asfáltica de petróleo” classificase na TIPI sob o código 2715.00.00 (misturas betuminosas à base de asfalto ou de betumes naturais, betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral), ao qual não correspondia à época dos fatos geradores a notação “NT”. Correspondia incidência à alíquota positiva de 5%. Não foi a TIPI, portanto, o veículo normativo que reconheceu ao produto a condição de imune. Foi a resposta expedida em consulta fiscal formulada por entidade de classe à qual a recorrente é filiada que o fez. Circunstancialmente, pois, estamos diante de hipótese em que ao produto imune não corresponde, na TIPI, a notação “NT”. Essa constatação tem relevância na medida em que afasta a aplicação ao caso da Súmula CARF nº 20, de acordo com a qual “a fabricação de produtos classificados na TIPI como NT” não confere direito de crédito sobre os respectivos insumos. Com estas considerações, acompanho o relator para dar provimento ao recurso voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 420DF CARF MF 6 industrializado (notação NT) não altera o tratamento relativamente à impossibilidade de creditamento sobre a aquisição do insumo a ser nele aplicado, vez que a autorização dada pelo art. 11 da Lei nº 9.779/993 somente atinge a fabricação de produtos isentos ou tributados a alíquota zero. Quanto ao entendimento, depois revogado, que poderia advir da leitura isolada do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33/994, no sentido de que o direito de aproveitamento de saldo credor referido no art. 11 da Lei nº 9.779/99 se estenderia aos produtos imunes, ele deveria ser compatibilizado com o disposto no art. 2º, §3º da mesma Instrução Normativa, resolvendose o conflito de normas com o direito de aproveitamento de créditos somente sobre os insumos destinados aos produtos imunes que não tivessem notação NT, o que não beneficiaria a ora recorrente no presente processo. Mais importante ainda é que, no período de apuração sob análise, o Secretário da Receita Federal, mesma autoridade responsável pela edição da malfadada Instrução Normativa SRF nº 33/99, já havia revogado os entendimentos no sentido acima, tanto no que concerne aos produtos com notação NT (imunes ou não industrializados) ou meramente imunes, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, publicado(a) no DOU de 18/04/2006, nos seguintes termos: Dispõe sobre a aplicação do art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999. 3 Lei nº 9.779, de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal– SRF, do Ministério da Fazenda. (g.n) 4 IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, darseá de conformidade com esta Instrução Normativa. (g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (g.n) (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. (...) Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16682.900248/201311 Acórdão n.º 3402006.083 S3C4T2 Fl. 419 7 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo nº 10168.000853/200696, declara: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Não há que se falar em qualquer ilegalidade no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, que trouxe interpretação no âmbito da Receita Federal em conformidade estrita ao disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, o qual introduziu a possibilidade de aproveitamento de saldo credor em relação aos insumos aplicados tão somente nos produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Vale dizer que o que transborda a lei é a interpretação que cogita do direito ao creditamento sobre as aquisições de insumos destinados a produtos imunes. Cabe esclarecer à recorrente que, à época dos fatos, eventuais Soluções de Consulta vigentes formuladas por seus concorrentes em sentido contrário ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006 já não produziam mais efeitos, nos termos da legislação de regência5. Dessa forma, diante da vigência, no período de apuração sob análise, do entendimento veiculado pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, o disposto no art. 100, parágrafo único do CTN não pode socorrer a recorrente quanto a eventual exclusão de penalidades. Por fim, em relação a "eventuais saídas de produtos sem a incidência de IPI em desacordo com o disposto na TIPI", a recorrente meramente alega que tal fato não invalidaria o pleito de ressarcimento/compensação do imposto, não apresentando qualquer fato ou fundamento que possa ser analisado por este Colegiado. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 5 Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007: Art. 21. A publicação, na Imprensa Oficial, de ato normativo superveniente modifica as conclusões em contrário constantes em soluções de consultas ou em soluções de divergências. Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013: Art. 30. A publicação, na Imprensa Oficial, de ato normativo superveniente modifica as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em Soluções de Divergência, independentemente de comunicação ao consulente. Fl. 422DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 423DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000694/2004-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.15835, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo.
JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5.
O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios.
Numero da decisão: 3301-005.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.15835, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo. JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 94 /2 00 4- 45 Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 509 2 Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1317.720 4a Turma da DRJ/RJOII (fls 374 e seguintes): Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 95/99 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS no períodos 04/1999 e 12/1999, exigindoselhe contribuição de R$183.939,10 e juros de mora de R$139.106,30, calculados até 27/02/2004, perfazendo o total de R$323.045,40. No Termo de Verificação Fiscal de folhas 91 a 94 o fiscal autuante informa que a interessada deixou de incluir na base de cálculo do PIS e da Cofms, nos meses de abril e dezembro de 1999, variações monetárias ativas, decorrentes de atualização monetária de obrigação contraída no exterior. Informa ainda que, considerando provimento judicial obtido nos autos do Mandado de Segurança no 2000.61.00.0348390, no qual a impugnante busca afastar a exigibilidade da Contribuição para o PIS nos moldes instituídos pela Lei no 9.718/98, efetuou o lançamento com exigibilidade suspensa, sem imposição de multa de oficio, nos termos do art. 151 do CTN. O enquadramento legal foi consignado a fl. 98. Cientificada em 29/03/2004, a interessada apresentou em 27/04/2004 a impugnação de fls. 101 a 128, na qual alegou: Ter impetrado o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.034839 , por meio do qual pretende ver garantido o direito de recolher a Contribuição para o PIS com base na Lei no 9.715/98 e declarada a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98. Objetivava ainda a concessão de liminar para suspender a exigibilidade do PIS, relativo ao mês de agosto de 2000 e subseqüentes, nos moldes estabelecidos pelos arts. 2° e 30 da Lei 9.718/98, bem como resguardar o direito da impugnante de proceder a compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, com parcelas vincendas da mesma exação; Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 510 3 Em que pese a existência de demanda judicial, a impugnação deve ser conhecida uma vez que, em sentido diverso, versa sobre erro na apuração da base de cálculo e a não incidência de juros mora sobre o crédito supostamente devido; Argumenta que a autuação decorreu apenas da exigência da Contribuição para o PIS sobre receitas decorrentes de variação cambial. Neste tipo de operação, os ganhos ou perdas so podem ser apurados ao final do contrato. Ocorre que por força da legislação comercial e tributária, está obrigada a contabilizar suas receitas e despesas pelo regime de competência. Isso significa que pode ter perdas em um mês e lucros nos meses posteriores sem que isso represente, no contexto da operação, um acréscimo patrimonial. Contesta o entendimento dado pelo fiscal que reconhece a receita para fins de tributação pelo PIS, sem antes computar a respectiva despesa, ainda que oriundas do mesmo fato. Ou seja, ha necessidade de se auferir a correta apuração dos resultados correlatos (receita x despesa) para formação da base de cálculo da contribuição, sob pena de se estar tributando algo que não representa receita. Argumenta que nem todas as entradas configuram receita, mas somente aquelas que representam riqueza nova, ou seja, acréscimo de patrimônio. Assim, é incosteste que o ingresso positivo oriundo de variação cambial, antes da finalização do contrato de repasse, jamais poderia ensejar a tributação do PIS, sendo imprescindível, primeiramente, a dedução da despesa deste mesmo evento, residindo, neste aspecto, a nulidade da autuação ora inquinada. Por fim, argumenta que a ordem judicial concessiva da liminar, embora não obste a realização do lançamento para constituição do crédito tributário, resguarda a recorrente de eventual aplicação, de penalidades, que não são devidas em função da suspensão da sua exigibilidade, razão pala qual impõese a nulidade do Auto de Infração que impôs o pagamento dos juros moratórios. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa (fl. 374): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/1999, 31/12/1999 VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros indices aplicáveis por disposição legal ou contratual. JUROS DE MORA. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 511 4 É legitima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de oficio, com o objetivo de prevenir a decadência. Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 401 e seguintes), no qual a Recorrente retoma suas razões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. A 1a Turma Especial da 3a Seção de Jugamento deste CARF decidiu a respeito da Contribuição para PIS/PASEP em relação à mesma contribuinte, mesmo fatos e no período de 1999 a 2000, no processo 19515.000042/200591,por meio do Acórdão nº 3801002.961– 1ª Turma Especial. Verifico na petição inicial do mandado de segurança no processo mencionado que solicitou a concessão de medida liminar para, relativamente ao período base de agosto de 2000 e subseqüentes, suspender a exigibilidade da contribuição para o PIS efetuada com base na Lei nº 9.718/98, ou seja, sobre as demais receitas que não as decorrentes da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, garantindo à impetrante o direito de recolhêla com a base de cálculo e alíquota previstas na Lei nº 9.715/98; e, para o período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, que fosse resguardado o direito de proceder à compensação de valores indevidamente recolhidos com parcelas vincendas da mesma exação. Reproduzo trecho da Certidão de Objeto e Pé da ação constante do processo mencionado: “OBJETO: Recolhimento da contribuição para o PIS, com a base de cálculo e alíquota previstas na Lei n°9.715/98, afastando se, via incidental, por inconstitucionais, os dispositivos da Lei . n° 9.718/98, bem como para resguardar o direito da impetrante de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, com parcelas vincendas da mesma exação, acrescidos da tam de juros do SELIC a partir de 1996, conforme determinado pela Lei n° 9.250, de 27.12.95, tendo o seguinte andamento: (..)” Logo, há concomitância com processo judicial em relação a todos os períodos autuados. Aplicase ao caso a Súmula CARF nº 1, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Fl. 511DF CARF MF Processo nº 19515.000694/200445 Acórdão n.º 3301005.558 S3C3T1 Fl. 512 5 Há uma matéria discutida no recurso voluntário que deve ser apreciadas, porque não são objeto do processo judicial. Tratase dos juros de mora. Diz o art. 161 do Código Tributário Nacional: Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nestaLei ou em lei tributária. O art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que não sejam exigidas as multas de ofício e de mora. Juros não são penalidade, logo, não estão excluídos da exigência fiscal. A alegação de que a obtenção de liminar favorável antes da lavratura do auto de infração afastaria a exigência de juros de mora não pode ser acatada, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 5 assim enunciada: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário na matéria abrangida pela decisão judicial referida, por força da concomitância dos processos judicial e administrativo. Na parte conhecida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
