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Numero do processo: 10830.007925/00-08
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 104-01.986
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR
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RESOLVEM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. SZGA-I:el-ELENA COTTA -CUADOr PRESIDENTE fc t abs... il-e.•n••-07:LL SCAR LUIZ MEND f NÇA DE AGUIAR RELATOR FORMALIZADO EM: 73 JUN 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, HELOISA GUARITA SOUZA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO LIAM HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.007925/00-08 Resolução n°. : 104-1.986 Recurso n°. : 150.286 Recorrente : JOSMAR MENEGUETI COELHO RELATÓRIO 1 - Trata-se de Auto de Infração de fls. 17/19, lavrado contra o contribuinte Josmar Menegueti Coelho, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual Retificadora relativa ao exercício 1998, ano-calendário 1997, de imposto a restituir de R$ 4.420,55 para imposto a restituir de R$ 1.918,56. 2 - Consoante o Demonstrativo das Infrações às fls. 18, o lançamento originou-se de procedimento de revisão interna da Declaração de Ajuste Anual Retificadora (fls. 26/28) do contribuinte, quando se constatou a dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. O contribuinte informou a esse titulo a quantia de R$ 5.313,52, quando o correto seria R$ 2.811,13, conforme declarado na DIRF da Ford do Brasil Ltda., CNPJ sob o n° 57.290.355/0001-80. Como conseqüência, o resultado do processamento da declaração passou de imposto a restituir de R$ 4.420,55 para imposto a restituir de R$ 1.918,56. 3 - Devidamente cientificado acerca do lançamento na data de 09/10/2000, consoante se depreende do AR de fls. 21, o interessado apresentou impugnação em 26/10/2000 (fls. 01), alegando que apresentou declaração retificadora do exercício 1998, ano-calendário 1997, em razão da mudança de orientação do governo, que antes não autorizava a devolução do imposto de renda de PDV, mas que, posteriormente, passou a devolver o imposto cobrado. Colacionou ao seu pleito cópia da DIRPF original (fls. 03/06) e retificadora (fls. 11/13) e de documentos (fls. 07/10). 4 - Na data de 29 de setembro de 2005, os membros da r turma da te* Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande proferiram acórdão, de fl 2 -, MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.007925/00-08 Resolução n°. : 104-1.986 32/34, julgando procedente o lançamento consubstanciado, nos termos do Ilm° Relator, que entendeu, em suma, o seguinte: a) Confirmou que da análise dos documentos apresentados pelo impugnante, não seria possível concluir que o montante do IRF no ano-calendário foi de R$ 5.313,52, conforme fora afirmado pelo interessado; b)os valores de IRF contidos nos documentos constantes dos autos indicam pela correção dos valores informados na DIRF e no comprovante de Rendimentos emitidos pela Ford Brasil Ltda, sendo que este apresentou um IRF no montante de 2.811,13; c) por tudo o exposto, votou por julgar procedente o lançamento consubstanciado. 5 - Devidamente cientificado acerca do teor do mencionado acórdão em 13/12/2005 (fls. 36), o contribuinte, se mostrando irresignado apresentou, em 30/12/2005, o Recurso de fls. 37, reiterando as razões expostas na sua impugnação, as quais já foram devidamente explicitadas no corpo do presente relatório. 410, É o Relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10830.007925/00-08 Resolução n°. : 104-1.986 VOTO Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR, Relator Diligência com a seguinte finalidade: Para que a DRF intime a empresa FORD, responsável tributária, a fim de que informe se a empresa patrocinou algum PDV- Plano de Demissão Voluntária e, em caso positivo, se o contribuinte aderiu a esse plano. Sala das Sessões - DF, em 25 de maio de 2006 s(0-5-----.-- .t•-•“/:—.5-- OSCAR LUIZ MENDO A DE AGUIAR 4 , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11065.901558/2011-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Configurada a perempção em face da intempestividade da protocolização da peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF).
Numero da decisão: 3803-003.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a perempção em face da intempestividade da protocolização da peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEREMPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a perempção em face da intempestividade da protocolização da peça recursal interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Porto Alegre/RS que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 esta manejada contra o despacho decisório da repartição de origem que reconhecera apenas em parte o direito creditório relativo à Cofins não cumulativa, no valor de R$ 103.530,92, pleiteado por meio de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). O contribuinte obtivera liminar em mandado de segurança, em que se determinou que a autoridade administrativa tributária examinasse e julgasse todos os seus pedidos de créditos (PER/DCOMPs) transmitidos no período de 04/11/2008 a 21/02/2011 no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão judicial. Submetido o pedido à Fiscalização, esta, após a realização das verificações fiscais de praxe, lavrou o termo de verificação fiscal, denominado pelo agente fiscal de “auto de infração”, em que se informaram todas as glosas de créditos efetuadas, abrangendo o período de outubro de 2005 a dezembro de 2008, abarcando, portanto, o período sobre o qual se controverte nos presentes autos, qual seja, 1º de outubro a 31 de dezembro de 2007. Foram apuradas as seguntes irregularidades: 1) apuração de créditos relativos a seguros; 2) créditos referentes a terceirizações (pagamentos efetuados a pessoas jurídicas optantes pelo Simples, todas em operação no mesmo endereço do contribuinte, abertas por este para dissimular os fatos geradores relativos a contribuições previdenciárias1); 3) créditos decorrentes de fretes relativos a mercadorias adquiridas de pessoas físicas, não apropriáveis por seu valor integral, mas na ordem de 35% (crédito presumido), passíveis apenas de dedução na apuração das contribuições (art. 8º da Lei nº 10.925/2004); 4) devoluções de vendas não tributadas (alíquota zero); 5) créditos sobre despesas não comprovadas (créditos presumidos e serviços utilizados como insumos); 6) créditos relativos a vendas não tributadas. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento da totalidade do crédito declarado, a homologação integral das compensações pleiteadas e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) incorreta desconsideração dos valores de fretes relativos a mercadorias adquiridas de pessoas físicas, tendo em vista que o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 autoriza o creditamento sobre os insumos de produção ou prestação de serviço, não cabendo ao intérprete restringir os conceitos adotados pela lei. Junta aos autos a Solução de Consulta nº 92, de 15/04/2011, e nº 80, de 20/08/2010, que versam sobre fretes adquiridos de pessoas jurídicas; b) inexiste vedação na legislação à apuração de crédito sobre fretes, não se podendo limitar o direito de apropriação de crédito à razão de 35% por se tratar de produto de origem vegetal, uma vez que o crédito é tomado sobre operação diversa (frete); 1 ATL Indústria e Comércio de Cereais Ltda, CNPJ nº 94.813.474/000104, e Elaine Schonfeldt, CNPJ nº 04.797.813/000105. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.901558/201137 Acórdão n.º 3803003.563 S3TE03 Fl. 176 3 c) quanto às terceirizações, argumenta que esporadicamente faz uso dos serviços de terceiros para o beneficiamento de arroz ou a manutenção de equipamentos, entre outros, sendo tais operações prestadas por pessoas jurídicas, configurandose, por conseguinte, operações com direito a crédito; d) a Fiscalização erroneamente entendeu que essas pessoas jurídicas seriam suas dependentes, amparandose nas folhas de pagamento das empresas, pois o fato de a integralidade dos serviços prestados por essas empresas destinarse à Arrozella não pode ensejar a conclusão de que se trata de uma mesma sociedade empresária. Além disso, quanto ao fato de o quadro societário ser o mesmo, inexiste na legislação nada que impeça uma pessoa de ser sócia de mais de uma empresa; e) no que tange às devoluções de venda, não há razão para que se restrinja o crédito, pois, conforme consta do site da própria Receita Federal, “[as] vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição para o PIS e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”. O inciso VIII do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 admite a possibilidade de descontos de créditos calculados em tais operações; f) a vedação à inclusão das “despesas com seguros” relativos às operações de venda cujos fretes são de sua responsabilidade não tem respaldo legal. O fundamento na Solução de Divergência Cosit/RFB nº 14/2008 não pode ser considerado, pois os atos administrativos têm que se pautar pela estrita legalidade e as normas infralegais não podem alterar as regras constitucionais; g) houve cerceamento do direito de defesa e desrespeito ao contraditório e à ampla defesa, em ofensa ao inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, em razão do fato de que o termo denominado auto de infração enviado encontravase ilegível, conforme comprovaria a cópia trazida aos autos. O acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, denegatório do direito pleiteado, foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTO DE ORIGEM VEGETAL. FRETE DE PESSOA FÍSICA. Os produtos de origem vegetal tem a aplicação do percentual de 35% para definição do crédito presumido. O frete na aquisição está vinculado ao crédito do bem adquirido, sendo permitido somente quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse, já que o frete compõe o custo de aquisição. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A INTERESSADA E O PRESTADOR DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS. A realização de prestação de serviço quando a empresa tomadora e a empresa prestadora são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única Fl. 183DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da operação e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados de forma ilegal, nos termos da legislação específica. Comprovada a simulação através de acervo indiciário convergente, identificando a verdade dos fatos. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez que a venda do produto não gerou débito da contribuição, tendo em vista tributação pela alíquota zero, não há que se falar em crédito relativo à operação de devolução. CRÉDITO. DESPESAS COM SEGUROS. Somente os insumos que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividadefim dão direito ao crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacou o relator a quo que, em relação aos fretes decorrentes de aquisições de mercadorias de pessoas físicas, inexistiria direito ao chamado crédito básico, uma vez que esse estaria limitado às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas domiciliadas no País, permitindo as aquisições de pessoas físicas apenas o cálculo do crédito presumido no percentual de 35% das alíquotas do art. 2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Ainda segundo ele, nos casos da espécie, como a possibilidade de creditamento só seria possível pelo fato de o frete integrar o custo de aquisição do bem, entenderseia que o cálculo desses créditos deveria se dar da mesma forma do cálculo do crédito do insumo, estando correto o procedimento fiscal que permitiu apenas o crédito do valor dos fretes na aquisição no percentual de 35% da alíquota de 1,65%. Além disso, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04, o crédito presumido só pode ser deduzido do cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS, não sendo passível de ressarcimento ou de compensação. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho e reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa relativamente aos (i) fretes decorrentes de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, (ii) pagamentos a pessoas jurídicas por serviços terceirizados, (iii) devoluções de vendas e (iv) créditos sobre serviços de seguros. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é intempestivo e dele não tomo conhecimento. O Recorrente alega em sua peça recursal que fora cientificado da decisão da DRJ Porto Alegre/RS em 3 de abril de 2012. Contudo, conforme consignado expressamente no Aviso de Recebimento (AR) presente à fl. 140, assim como no despacho de encaminhamento do recurso ao CARF (fl. 179), a ciência da decisão se deu em 27 de março de 2012, uma terça Fl. 184DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11065.901558/201137 Acórdão n.º 3803003.563 S3TE03 Fl. 177 5 feira, tendo início a contagem do prazo em 28/03/2012 (quartafeira) e fim em 26/04/2012, uma quintafeira. Contudo, o Recurso Voluntário somente foi protocolizado na repartição de origem em 27 de abril de 2012, conforme se constata à fl. 142. Não se identificou nenhum feriado, ponto facultativo ou expediente anormal no órgão que alterasse o início ou o vencimento do prazo para interposição do recurso. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO em razão da intempestividade de sua interposição. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 185DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065.901558/201137 Interessada: ARROZELLA ARROZEIRA TURELLA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.563, de 27 de setembro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de setembro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 186DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 27/09/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10950.003158/00-39
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 303-00.913
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência de
julgamento para remessa do processo ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - processos que ñ versem s/ exigência de cred.tribut(NT)
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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Numero do processo: 35226.002773/2006-64
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 25/08/2006
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. DECADÊNCIA PARCIAL DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n `) 8.212 de 1991.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fundamentos da autuação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.332
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, reconhecendo que parte dos fundamentos da infração foram alcançadas pela decadência. Porém, não atingido o valor do presente crédito, haja vista que este é composto por valor fixo estabelecido em lei, independentemente, da quantidade de fundamentos existentes, bastando um para gerar a autuação. Destarte, a DRF de origem não deve promover qualquer alteração do valor deste em razão desta decisão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima que entende que a forma do registro deve ser : "Recurso Voluntário Negado".
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/08/2006 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. DECADÊNCIA PARCIAL DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n `) 8.212 de 1991. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fundamentos da autuação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CINCO ANOS. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. DECADÊNCIA PARCIAL DOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n `) 8.212 de 1991. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fundamentos da autuação. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, reconhecendo que parte dos fundamentos da infração foram alcançadas pela decadência. Porém, não atingido o valor do presente crédito, haja vista que este é composto por valor fixo estabelecido em lei, independentemente, da quantidade de fundamentos existentes, bastando urn para gerar a autuação. Destarte, a DRF de origem não deve promover qualquer alteração do valor deste em razão desta decisão. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima que entende que a forma do registro deve ser : "Recurso Voluntário Negado". BELT N -C PRAIA DE LIMA - Presidente. EDUARDO DE OU iEFR Relator Parti a-sesgarde julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório 0 presente Auto de Infração — AI, CFL.38, deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado corn as contribuições previdencidrias, ou exibi-los sem as formalidades legais, com período de apuração de 01/1999 a 09/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, de fls. 14 e 15, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 10/05/2006, AR, fls. 16, e apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 18 a 31, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 32 a 43. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 47, urna vez que o contribuinte foi cientificado do Al, em 10/05/2006, AR, fls. 16, e em 25/05/2006, protocolizou a impugnação, fls. 44. A Delegacia da Receita Previdencidria em Teresina — PI emitiu a Decisão- Notificação — DN N° 44.016.020.05/0023/2007, fls. 50 a 55, em 22/02/2007. Na qual a autuação foi considerada procedente. 0 contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 12/03/2007, AR, fls. 57. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, fls. 60, com razões recursais, as fls. 61 a 74, onde alega em síntese. • Que a aplicação da penalidade está amparada no artigo 283, II, "b", do Decreto 3.048/99; • Que a infração tern fundamento no artigo 32, III, da Lei 8.212/91 e não no artigo 33, como erroneamente cita o lançamento; • Que a lei prevê urn intervalo de gradação da penalidade, mas o decreto fixou novos limites inovando; • Que tal fato viola o artigo 5°, II e 150, I da CF/88; • Que a lei não prevê a pena, estando esta fixada em dispositivo inidóneo; • Que decreto não poderia criar a penalidade e que o Chefe do Executivo deve limitar-se ao que contido no artigo 84, IV, da CF, já tendo o STJ manifestado-se sobre o assunto; 2 Processo n° 35226.002773/2006-64 S2-TE03 Ac6rddo n.° 2803-00.332 Fl. 9! • Que as penalidade tributárias pela semelhança deve-se aplicar o principio penal do artigo 5 0 , XXXIX, da CF/88, trazendo lição de Nelson Hungria e jurisprudência; • Que a atuação é nula, pois não respaldada em lei; • Que o potencial leviso da infração é ínfimo ao sistema de seguridade social, não causando lesão devendo esta ser fixada em valor mínimo; • Que a multa e abusiva e desproporcional e irrazoável; • Que medidas legislativas sem pertinência, desnecessária e desproporcional devem ser tidas por inconstitucionais; • Finaliza pedindo: a) anulação do auto de infração; b) caso, mantido este a mitigação da pena em razão da sua excessividade frente A. lesão. o Relatório. Voto Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, Relator 0 recurso foi interposto tempestivamente, em 11/04/2007, conforme, fls. 59 e 89. No que tange ao depósito recursal a empresa foi dispensada deste em razão do Provimento do Agravo de Instrumento n° 2007.01.00.011038-0 PI no MS 200740000013990, fls. 80, bem como pela Sentença, de fls. 85 e 86, que concedeu a segurança no MS. Pressupostos superados, passo ao exame das questões preliminares ao mérito especificamente quanto a decadência. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n `) 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"Sao inconstitucionais Os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços (los seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na inwensa oficial, terá efeito vinculante cm relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 3 Verifica-se da leitura do Relatório Fiscal da Infração - REFISC, de fls. 04, que a autuação deu-se em razão da não apresentação de documentos relativos a lançamentos realizados nas contas contábeis de n's 421.3.01; 421.3.9; 421.3.10; 421.3.11, referentes ao ano de 1999 e da falta de autenticação dos livros diários na junta comercial para os anos de 1999 a 2005. Desta forma, corno não seria mais possível incluir as competências que antecedem a maio de 2001 no procedimento fiscal, pois anteriores ao período em que a fiscalização estaria legalmente autorizada a examinar a documentação do contribuinte devem essas causas justificadoras da presente autuação ser tidas por decadentes. Assim sendo, os fundamentos da autuação com supedâneo na não apresentação de documentos relativos a lançamentos realizados nas contas contábeis de n's 421.3.01; 421.3.9; 421.3.10; 421.3.11, referente ao ano de 1999 devem ser excluídos da autuação. No que tange a falta de autenticação dos livros diários para os anos de 1999; 2000 e até 04/2001, também, devem ser excluídos como fundamentos da autuação. • Permanecem, entretanto, as faltas relativas a não apresentação dos livros diários devidamente formalizados para o restante do ano de 2001, bem como para os anos de 2002 a 2005, o que justifica a manutenção da multa sob o foco da decadência. Não há citação errônea no lançamento. O contribuinte é que se equivocou quanto a norma legal aplicada. 0 artigo 32, III, não prevê penalidade, mas sim o artigo 33, § 3°, no qual foi a autuação fundamentada, autorizando a aplicação de penalidade. É correta a assertiva do contribuinte ao dizer que lei fixou os limites mínimos e máximos das penalidades, artigo 92 c/c o artigo 102, ambos, da Lei 8.212/91. Mas opera novo equivoco ao dizer que o Decreto 3.048/99 fixou novos limites inovando. 0 citado decreto apenas agrupou as infrações de acordo corn a gravidade destas dentro dos limites fixados na lei. Desta forma, evidente que o decreto nada criou e não houve violação ao artigo 84, IV, da CF/88, bem como o entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ não se aplica ao caso, urna vez que a penalidade está expressamente fixada em lei. A penalidade está prevista na lei — tendo esta definido a conduta violadora, que enseja aplicação da pena, bem corno o quantum da pena, o qual é reajustado anualmente nos termos do artigo 102, da lei de custeio. Ter ou não a infração cometida potencialidade lesiva é irrelevante para o deslinde da questão, uma vez que o artigo 136 do CTN, diz que: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legisla cão tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A multa não tern o condão da abusividade, pois entabulada em valor que conesponde a dez vezes o valor mínimo e o valor máximo da multa permitido por lei é cem vezes o valor mínimo. Desta forma, fica evidente que a multa aplicada é a décima parte da possível, o que evidência sua aplicação em patamares dentro da razoabilidade e proporcionalidade legal. 4 Processo n° 35226.002773/2006-64 S2-TE03 Acórd5o n.° 2803-00.332 Fl. 92 Não existe a alegada medida legislativa impertinente, desnecessária e desproporcional, pois toda a legislação de regência aplicável a matéria é oriunda do poder competente. Alem do que, este órgão não é competente para apreciar situações de inconstitucionalidade artigo, 62, caput, da Portaria MF/GM 256/2009 — Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, bem como da Súmula 02. CONCLUSÀO: Pelo exposto voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte dos fundamentos da infração foram alcançadas pela decadência. Porém, não atingido o valor do presente crédito, haja vista que este é composto por valor fixo estabelecido em lei, independentemente, da quantidade de fundamentos existentes, bastando um para gerar a autuação. Destarte, a DRF origem não deve promover qualquer alteração do valor deste em razão desta decisão. como voto. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2010 5
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Numero do processo: 10314.008148/2004-44
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-0.1472
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do redator designado Luis Marcelo Guerra de Castro, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Relator, Nanci Gama.
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CC03/CO3 Fls. 634 RESOLUçÃO N2 303-01.472 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do redator designado Luis Marcelo Guerra de Castro, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Relator, Nanci Gama. ANELJ DAUDT PRIETO Preside LUIS MA CELO GUERRA DE CASTRO Redator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tardsio Campelo Borges. Fez sustentação oral o advogado Luiz Paulo Romano, OAB 14303. Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resolução n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 635 RELATÓRIO Trata-se de exigência de diferença de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, através do Auto de Infração de fls. 01/21 e demais acréscimos legais, decorrente de importação de cabos de fibras ótica com redução de aliquota prevista no acordo tarifário no âmbito do Acordo de Complementação Econômica n° 18, entre Brasil e Argentina. 0 contribuinte comprovou que a mercadoria é originária do pais signatário por intermédio de Certificado de Origem. Ocorre que o produto produzido em pais membro do MERCOSUL não atendeu o requisito especifico de origem para as fibras óticas, onde só é admitido que uma das atividades produtivas seja realizada por terceiros, desde que efetuada em um dos Estados-Parte. No caso em comento, o fabricante argentino utilizou fibras óticas de produção americana, sendo reduzido o percentual mínimo de 60% (sessenta) de valor agregado aceitável para caracterizar a origem do produto. Consequentemente, tais mercadorias não foram caracterizadas como de produção argentina, estando, inclusive, desacompanhadas das Declarações de Necessidade, consoante Capitulo III, Anexo I, artigo 5° do mencionado Acordo de Complementação Econômica n° 18. Destarte, os documentos apresentados na importação foram considerados inábeis para amparar o beneficio fiscal, sendo o contribuinte autuado para recolhimento das diferenças dos impostos já citados e suas cominações legais, em conformidade com a legislação vigente A época dos fatos geradores. A capitulação das exigências encontra-se As fls. 03 e 13. Acompanham o AI os documentos de fls, 22/50. Ciente do Auto de Infração, o contribuinte apresentou Impugnação referente ao lançamento de II, As fls. 56/75, na qual alega, em suma, que: A requerente é sociedade que se dedica à prestação de serviços de infra-estrutura em informações e comunicações de dados; Em junho de 2001, no exercício de suas atividades, a impugnante efetuou diversas importações de cabos de fibra ótica de empresa sediada na Argentina; Nas referidas importações, a requerente gozou legitimamente do tratamento tarifário preferencial inerente ás importações provenientes de Estados membros do MERCOSUL, qual seja, a aplicação de CC03/CO3 Fls. 636 Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resolução n.° 303-01.472 alíquota zero do Imposto de Importação, previsto no Acordo de Alcance Parcial de Complementaçcio Econômica n°18; O Regulamento de Origem do MERCOSUL, previsto no Oitavo Protocolo Adicional ao ACE n° 18 e internalizado no Brasil através do Decreto n" 1.568, de 21/07/1995, é a norma que regula o controle de procedência dos produtos nas operações realizadas no âmbito do MERCOSUL; Nesse sentido, o artigo 3" do Anexo I do referido protocolo, dispõe sobre quais produtos seriam considerados origincirios do MERCOSUL, e que, portanto, seriam passíveis de receber o tratamento tarifário preferencial (aliquota zero do LI); No entanto, o Protocolo, nos artigos 4" e 5" do seu Anexo estabeleceu critérios para situações excepcionais, nas quais é permitida a utilização de materiais não originários de Estados membros do MERCOSUL; Esses artigos estabelecem que, em razão de problemas circunstanciais de abastecimento, disponibilidade, especificacães técnicas, prazo de entrega e preço, poderão ser utilizados materiais não originários dos Estados-Partes; Nesses casos, as entidades autorizadas do Estado Parte exportador emitirá o certificado correspondente, que deverá ser acompanhado de uma declaração de necessidade, expedida pela autoridade governamental competente, informando ao Estado Parte importador e Comissão de Comércio, os antecedentes e circunstâncias que justifiquem a emissão desse documento; Nessa esteira, a exportadora argentina, em função de limitações decorrentes de especificações técnicas, requereu ao Governo Argentino que fossem adotadas as disposições do Regime de Origem do MERCOSUL, permitindo-se que os cabos de fibra ótica que pretendia exportar para a Requerente — mesmo que produzidos com materiais não originários do MERCOSUL, recebessem o tratamento tarifário preferencial; Assim, o Governo Argentino, em 28/12/2000, expediu declarações de necessidade destinadas à Camara de Comercio, Industria y Producción de La República Argentina (órgão argentino competente para a expedição dos certificados de origem) e à empresa exportadora, sendo referidos documentos traduzidos de forma juramentada; Além de emitir as declarações, o Governo Argentino comunicou à Comissão de Comércio do Mercosul e as autoridades brasileiras, o tratamento excepcional atribuído aos cabos de fibra óptica a serem exportados para a Requerente; As informações acima foram reconhecidas pela Secretaria da Receita Federal; Assim, tendo sido comprovado cumprimento integral dos termos do artigo 5" do Anexo I do Protocolo, não resta dúvida que o contribuinte faz jus aos beneficios fiscais; e Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resoluçâo n.° 303-01.472 Conforme o Decreto n°1.568/95, para efeitos de verificação de um bem quanto a sua origem, o Estado-Parte importador poderá encaminhar questionários escritos ao exportador ou produtor do território de outro Estado Parte; Tais procedimentos são regulamentados pela Portaria 11/97, bem como através da IN 149/02; Neste sentido, o artigo 14 da IN 149/02 determina que em caso de dúvida fundamentada sobre a autenticidade ou veracidade do Certificado de Origem, o chefe da unidade local da SRF solicitará Coana a requisição de informações adicionais junto â autoridade competente do Estado-Parte exportador; 0 exame do AIIM impugnado, bem como os documentos que o acompanham, evidencia que as normas relativas ao Processo Aduaneiro de Investiga cão de Origem descritas acima não foram observadas; As autoridades fiscais admitem que os despachos de importação foram instruidos com Certificados de Origem desacompanhados da Declaração de Necessidade, Após, o AIIM indica que as importações ocorreram sem o amparo de Certificado de Origem; Esclarece o contribuinte que os Certificados de Origem relativos as importações cuja regularidade está sendo questionada, foram emitidos com a observância do Protocolo e as Declarações de Necessidade, sendo emitidas inclusive em momento anterior cl realização das operações de importação; As importações ocorreram em 06/2001, enquanto as Declarações de Necessidade foram emitidas ern 28/12/2000; A impugnante foi intimada a apresentar as copias autenticadas dos Certificados de Origem que ampararam as importações objeto das Declarações de Importação, sendo devidamente atendida a fiscalização; As Declarações de Necessidade já haviam sido devidamente expedidas e informadas ao Estado Parte importador (Brasil) e à Comissão de Comércio do MERCOSUL; Os Certificados de Origem e as Declarações de Necessidade nunca estiveram separados, como afirma a fiscalização; No presente caso, as importações foram realizadas pela Requerente em 06/2001, e as autoridades fiscais tiveram oportunidade de verificar a regularidade dos Certificados de Origem que acompanharam as mercadorias; Porém, no momento da importação, ainda foi oposto contra a fiscalização os referidos certificados. Assim, mesmo que por omissão, a SRF reconheceu a regularidade dos Certificados de Origem; Somente em 10/2004, as autoridades fiscais modificaram o critério jurídico na verificação da regularidade dos Certificados de Origem — CC03/CO3 Fls. 637 Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resolução n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 638 erro de direito — e passaram a considerar que os Certificados de Origem apresentados pela Requerente não são documentos hábeis para amparar o pedido de beneficio fiscal; Transcreve ensinamentos doutrinários nesse sentido; A fiscalização está pretendendo reavaliar os aspectos de direito das operações de importação, o que não se admite; A alteração do critério jurídico empregado pelo Fisco não pode fundar a revisão de lançamento que redundou na lavratura do AIIM ora contestado; Cita que o STJ pacificou entendimento jurisprudencial sobre a impossibilidade de se alterar posteriormente o critério jurídico adotado, originando, consequentemente, em revisão de lançamento; A multa proporcional no importe de 75% dos tributos é abusiva; Conforme o artigo 3" do C77V, o tributo não pode ser utilizado para punir, da mesma forma que as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado; A penalidade não pode acarretar em confisco; Em caso de dúvida quanto a fatos e prática de infrações, a interpretação da legislação tributária deve ser feita favoravelmente ao contribuinte, conforme preceito do artigo 112 do CTIV; A aplicabilidade da taxa SELIC é improcedente, pois essa não foi criada para fins tributc'zrios e não possui caráter moratório, sendo uma mera 'taxa de referencia' calculada e divulgada unilateralmente pelo BACEN, com base na variação do custo do dinheiro e na flutuação desse custo no mercado .financeiro, sistemática que lhe confere nítida natureza remuneratória do capital alheio; Caso seja admitida a aplicação da taxa SELIC, que essa se aplique exclusivamente sobre o valor do tributo pretensamente devido, e não sobre o valor total consignado no AIIM. Requer o cancelamento do AIIM, face a insubsistência do lançamento. Trouxe aos autos os documentos de fls. 76/336. Nessa esteira, o contribuinte também apresentou Impugnação face a exigência de IPI às fls. 337/355, reiterando os termos já expostos na sua defesa anterior e acrescentando as suas razões: ao emitir as Declarações de Necessidade, o Governo Argentino, ao informar as autoridades competentes, lavrou ata da XLVII Reunião da Comissão de Comércio do MERCOSUL, no período de 19 a 21 de •fevereiro de 2001, cujo breve teor consiste: "A delegação Argentina informou à CCM que fez uso das previsões do art. 5° do Dec. CMC no 6/94 para utilizar insumos extra zona na fabricação de cabos de fibras óptica especial NZDF, por falta de produção regional deste insumo com as especificações técnicas requeridas. Deste modo, entregou a Processo n.° 10314.008148/2004-44 RcsolucAo n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 639 documentação que justifica a adoção desta medida, a qual não e parte integrante desta Ata."; essa comunicação foi reconhecida pela SRF na representação anexa do AIIM, ao dispor: "a informação do DEINT que a delegação argentina, cumprindo o estabelecido no Acordo do MERCOSUL, informou a CCM, na reunião realizada no período de 19 a 21 de fevereiro de 2001"; logo, os Certificados de Origem relativos cis importações realizadas pela Requerente garantem o seu direito ao tratamento tarifário preferencial nas importações de cabos de fibras ópticas realizadas em junho de 2001; nesse sentido, a exigência do 1.1. nas referidas importações, com reflexo na base de cálculo do IPI, representa um evidente desrespeito ao MERCOSUL e fere o artigo 98 do CTIV; no caso em tela a sfiscalização descumpriu as normas referentes ao MERCOSUL, haja vista que não realizou os procedimentos previstos para verificação da importação, e consequentemente, acobertando o mencionado AIIM com sua nulidade. Colaciona os documentos de fls. 356/619. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo, a qual julgou o lançamento improcedente (fls. 622/627), conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de Apuração: 18/06/2001 a 22/06/2001 Ementa: CERTIFICADO DE ORIGEM amparado por DECLARAÇÃO DE NECESSIDADE. A contribuinte apresentou ern sua impugnação as declarações de necessidade que amparam o cumprimento de requisito especifico estabelecido no Regime de Origem do MERCOSUL. Lançamento Improcedente." Ern decorrência a r. decisão supra, foi interposto Recurso de Oficio em razão do crédito exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no artigo 2' da Portaria MF n° 375/01. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 23/04/2008, constando numeração até as fls. 632, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF11°. 314, de 25/08/99. E o relatório. Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resolução n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 640 VOTO VENCIDO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário por conter matéria de competência deste Eg. Conselho de Contribuintes. Com o intuito de ilustrar e fundamentar o presente julgamento, trago à baila algumas considerações referentes aos tratados e as convenções internacionais no nosso sistema jurídico tributário. "As palavras tratado e convenção são sinônimas. Ambas representam acordo bilateral ou multilateral de vontades para produzir um efeito jurídico. Criam direitos e obrigações. Tratado (ou convenção) internacional vem a ser o ato jurídico firmado entre dois ou mais Estados, mediante seus respectivos órgãos competentes, com o objetivo de estabelecer normas comuns de direito internacional" (Bernardo Ribeiro de Moraes, Compendio de Direito Tributário, segundo volume, 3" edição, 1995, p. 26)" E como precedente, traz o STF: "A recepção de acordos celebrados pelo Brasil no cimbito do MERCOSUL está sujeita a mesma disciplina constitucional que rege o processo de incorporação, a ordem positiva interna brasileira, dos tratados ou convenções internacionais em geral. t, pois, na Constituição da República, e não em instrumentos normativos de caráter internacional, que reside a definição do ?ter' procedimental pertinente a transposição, para o plano do direito positivo interno do Brasil, dos tratados, convenções ou acordos — inclusive daqueles celebrados no contexto regional do MERCOSUL — concluídos pelo Estado brasileiro. Precedente: ADI 1.480-DF, Rel. Mm. Celso de Mello. — Embora desejável a adoção de mecanismos constitucionais diferenciados, cuja instituição privilegie o processo de recepção dos autos, acordos, protocolos ou tratados celebrados pelo Brasil no âmbito do MERCOSUL, esse é um tema que depende, essencialmente, quanto a sua solução, de reforma do texto da Constituição brasileira, reclamando, em conseqüência, modificacões de 'jure constituendo'. Enquanto não sobrevier essa necessária reforma constitucional, a questão da vigência doméstica dos acordos celebrados sob a égide do MERCOSUL continuará sujeita ao mesmo tratamento normativo que a Constituição brasileira dispensa aos tratados internacionais em geral. PROCEDIMENTO CONSTITUCIONAL DE INCORPORAÇÃO DE CONVENÇÕES INTERNACIONAIS EM GERAL E DE TRATADOS DE INTEGRAÇÃO (MERCOSUL). — A recepção dos tratados internacionais em geral e dos acordos celebrados pelo Brasil no âmbito do MERCOSUL depende, para efeito de sua ulterior execução no plano interno, de uma sucessão causal e ordenada de atos Processo n.°10314.008148/2004-44 Reso n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 641 revestidos de caráter político-jurídico, assim definidos: (a) aprovação, pelo Congresso Nacional, mediante decreto legislativo, de tais convenções; (b) ratificação desses atos internacionais, pelo Chefe de Estado, mediante depósito do respectivo instrumento; (c) promulgação de tais acordos ou tratados, pelo Presidente da República, mediante decreto, em ordem a viabilizar a produção dos seguintes efeitos básicos, essenciais à sua vigência doméstica: (1) publicação oficial do texto do tratado e (2) executoriedade do ato de direito internacional páblico, que passa, então — e somente então — a vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno." (STF, Plenário, um., CR (AgRg) n" 8.279 — Argentina, Rel. Min. Celso de Mello, jun/98, ementa publicada no Inf 196, de agosto de 2000). Considerando que os Governos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai resolveram constituir urn mercado comum, foi firmado o Acordo de Alcance Parcial de Complementação Econômica n° 18, objetivando facilitar a criação das condições necessárias para o estabelecimento desse mercado, beneficios fiscais e tarifários, conforme as orientações do Tratado de Assunção, datado de 26/03/1991. Seguindo o disposto na nossa Constituição Federal e nas demais normas que tratam de acordos e tratados internacionais e sua recepção no nosso sistema jurídico interno, foi promulgado o Decreto n° 550, de 27/05/1992, que dispõe sobre a execução desse acordo. Nesse contexto, para ter acesso aos beneficios previstos nesse acordo, é necessário que os produtos comercializados sejam de origem de um dos Estados-membros, em consonância ao artigo 1 0, Capitulo I, do Anexo I do referido tratado: "Art. 1" - Serão considerados originários dos países signatários: os produtos elaborados integralmente no território de qualquer um deles, quando em sua elaboração forem utilizados exclusivamente materiais originários dos países signatários; Considerar-se-ão produzidos no território de um pais signatário; (iii) os produtos que resultem de operações ou processos efetuados em seu território pelos quais adquiram a forma .final em que serão comercializados, exceto quando esses processos ou operações consistam somente em simples montagens ou ensamblagens, embalagens, fracionamento em lotes ou volumes, seleção e classificação, marcação, composição de sortimentos de mercadorias ou outras operações ou processos equivalentes; Ratificando, somente os produtos oriundos dos Países signatários estão acobertados pelos benefícios fiscais e tarifários, desde que acompanhados do Certificado de Origem, conforme preceito do artigo 11', do Capitulo II, Anexo I: "Artigo 11 0 - Para que a importação dos produtos originários dos países signatários possa beneficiar-se das reduções de gravames e restrições outorgadas entre si, na documentação correspondente ás exportações de tais produtos deverá constar uma declaração que 8 Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resolu0o rt.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 642 certifique o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos de acordo com o disposto no Capitulo anterior". O contribuinte apresentou os mencionados documentos As fls. 147/160, 215, 222, 232, 242, 252, 261, 271, 281, 291, 301, 310, 320, 330, 428, 441, 486, 496, 503, 513, 523, 533, 543, 553, 563, 573, 583, 593, 603 e 613. Mas, visando atingir o bem maior, qual seja, proporcionar um mercado comum acessível e dinâmico, foi estabelecida uma exceção a regra acima, exposta no artigo 5°, Capitulo 1, Anexo I que dispõe: "Artigo 5" - Em casos excepcionais, quando os requisitos específicos não puderem ser cumpridas porque ocorrem problemas circunstanciais de abastecimento: disponibilidade, especificações técnicas, prazo de entrega e preço, tendo em conta o disposto no Artigo 4 do Tratado, poderão ser utilizados materiais não originários dos poises signatários. Dada a situação prevista no parágrafo anterior, o pais exportador emitirá o certificado correspondente informando ao pais signatário importador e ao Grupo Mercado Comum, acompanhando os antecedentes e constâncias que justifiquem a expedição do referido documento." Para utilizar-se de tal norma, é obrigatória a apresentação de um requisito: a Declaração de Necessidade, onde deverão estar expressos os motivos e os fundamentos do uso dessa exceção. Tal preceito está previsto no parágrafo 2° do artigo 5° do Decreto n° 1568/95, que dispõe sobre a execução do Oitavo Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica n° 18, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai: "Dada a situação prevista no parágrafo anterior, as entidades autorizadas do Estado Parte exportador emitirão o certificado correspondente, que deverá ser acompanhado de uma declaração de necessidade, expedida pela autoridade governamental competente, informando ao Estado Porte importador e à Comissão de Comércio os antecedentes e circunstâncias que justifiquem a emissão desse documento ". Nesse quesito, o contribuinte também logrou êxito em comprovar seu procedimento, colacionando nesses autos vasta documentação As fls. 179/205, 408/415 e 451/485. Conforme ressaltado pela r. decisão recorrida, As fls. 627: "Observa-se que das 14 Declarações de Importação em questão, duas foram selecionadas para Canal Vermelho e as demais, Canal Verde, sendo todas desembaraçadas sent nenhum registro da ausência da declaração de necessidade." A titulo ilustrativo, transcrevo um breve trecho do documento expedido pelo Ministério da Economia do Governo da Argentina, As fls. 186: Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resolução n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 643 "Trata-se do fornecimento de 2.340 km de cabos com 48 fibras que se realizará em embarques parciais a serem concretizados entre os meses de dezembro de 2000 e maio de 2001. Para esta operação, a citada firma solicitou acionar as disposições de Regime de Origem MERCOSUL (VIII Protocolo Adicional ao ACE námero 18 — Artigo 59, permitindo-se a utilização de materiais não originários do MERCOSUL entre o cabo e a fibra apresenta, para o caso dos cabos feitos com fibras do tipo indicado (NZDF), condições de impossível cumprimento. Tendo em conta que a obtenção da fibra indicada não pode ser realizada em nosso pais e em nenhum dos países do MERCOSUL, por diversas razões técnicas informadas pela requerente que foram ratificadas como resultado das consultas realizadas com entidades vinculadas à produção e comercialização deste tipo de bens, estimou-se procedente considerar o pedido formulado." Neste ponto, importa ressaltar a questão do ônus da prova, cuja regra basilar se encontra inscrita no Código de Processo Civil: "Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanta ao fato constitutivo do seu direito; li - ao réu, quanto à existência de .fato impeditivo, modificativo ou e-xtintivo do direito do autor." Destarte, concluo que o contribuinte/réu encontra-se acobertado por prova de extinção do direito da Fazenda Nacional/autor, concernente na documentação trazida aos autos, devidamente expostas anteriormente. Embora argumente que as operações mercantis foram ilegais, ratifico, não traz a fiscalização prova cabal de sua afirmação, não logrando, portanto, em comprovar a existência de fato constitutivo do seu direito. Logo, não há como subsistir o AIIM exordial. Adotando, assim, "in to turn" as razões expostas acima, nego provimento ao Recurso de Oficio interposto. Sala das Sessões, em 1 Q4ëetembro de 2008. NUTON LUZBARTOLT elator Processo n.° 10314.008148/2004-44 Resolução n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 644 VOTO VENCEDOR Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Redator Peg() licença para discordar das judiciosas ponderações do i. relator, Conselheiro Nilton Luiz Bart° li. Ao que parece, a matéria litigiosa é idêntica à discutida no Recurso Voluntário ri° 137474 onde, diferentemente do verificado no presente, entenderam as autoridades a quo que a solução do litígio dependeria de manifestação da Coordenação-Geral de Administração Aduaneira acerca dos documentos apresentados em sede de impugnação. De se relembrar que, quando do julgamento daquela exigência fiscal, foi solicitado àquela unidade da Receita Federal do Brasil que confirmasse se a documentação apresentada corresponderia ou não it reclamada declaração de necessidade. Em resposta, manifestou-se a unidade o órgão administrativo em sentido diverso do assumido pela e. DRJ Sao Paulo no presente recurso de oficio. Segundo defendeu a r. Coordenação-Geral, o regime expecional que possibilitaria afastar as regras de origem do Mercosul careceria inclusive de disciplinamento adicional. Ou seja, a matéria controvertida vai muito além da discussão acerca da vigência do Tratado de Assunção ou de outras normas editadas sob a sua égide, brilhantemente exposta no voto do qual ouso discordar. Obviamente, seria açodado simplesmente "tomar corno verdade" as informações ali prestadas, na medida em que, no presente recurso, discutem-se fatos geradores diversos, instruidos com certificados de origem diversos. Desta feita, penso que a busca da verdade material reclama que sejam envidados, no julgamento do presente recurso, as mesmas providências tendentes à instrução complementar seguidas pela e. DRJ Florianópolis quando da decisão em 1a instância do litígio posteriormente convertido no Recurso Voluntário n° 137474. Isto posto, entendo necessário converter o julgamento do presente recurso em diligencia, por meio da unidade da RFB responsável pelo preparo do processo, a fim de que seja mais uma vez instada a Coordenação-Geral de Administração Aduaneira a se manifestar acerca da eficácia dos documentos apresentados no intuito de suprir a não apresentação de declaração de necessidade por ocasião do despacho. 11 Processo n.° 10314.008148/2004-44 Rcso luck n.° 303-01.472 CC03/CO3 Fls. 645 Adicionalmente, entendo que deverá ainda ser encaminhado o mesmo questionamento ao Departamento de Negociações Internacionais'. Se, entender cabível, poderá ainda a autoridade preparadora se manifestar acerca da documentação juntada e das ponderações do sujeito passivo eventualmente apresentadas. Após o cumprimento da diligência, deve ser franqueada oportunidade para que o sujeito passivo, no prazo de 30 dias, se manifeste acerca da documentação acostada. Concluída tal providência ou, se for o caso, encerrado o prazo para apresentação das razões da recorrente, devem os autos retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento do presente recurso de oficio. Sala das Sessões, em 10 de setembro de 2008. LUIS MXRUELO GtJERRA DE CASTRO - Redator Vinculado à Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior. 12
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903184/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01 a 31/12/2000
FALTA DE CONTESTAÇÃO EXPRESSA. INEXISTÊNCIA DE LIDE.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO
CONHECIMENTO.
Considera-se não impugnada a matéria e não constituída a lide na falta de contestação expressa pelo manifestante dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa. Matéria de ordem pública apresentada apenas no recurso voluntário não pode ser conhecida ante a inexistência de lide não instalada na primeira instância.
Numero da decisão: 3803-003.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01 a 31/12/2000 FALTA DE CONTESTAÇÃO EXPRESSA. INEXISTÊNCIA DE LIDE. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. Considerase não impugnada a matéria e não constituída a lide na falta de contestação expressa pelo manifestante dos motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa. Matéria de ordem pública apresentada apenas no recurso voluntário não pode ser conhecida ante a inexistência de lide não instalada na primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0938.408, de 20 de dezembro de 2011, da DRJJuiz de Fora/MG, fls. 22/24, que não conheceu da manifestação de inconformidade. O interessado transmitiu a declaração de compensação (DComp) nº 27046.40553.020805.1.3.047371, em que compensou os débitos nela declarados com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, efetuado em 15 de janeiro de 2001. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 3, a Autoridade Administrativa não homologou as compensações declaradas em razão de o pagamento ter sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para a compensação. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, conforme o documento de fl. 7, em que apenas afirmou que a declaração de compensação foi devidamente preenchida constando o crédito de um pagamento de COFINS efetuado indevidamente, conforme comprovante de arrecadação anexo. Acórdão da DRJ/Juiz de Fora evocou o art. do artigo 17 do Decreto 70.235/72, considerou não instalada a lide por não ter sido expressamente contestado o despacho decisório e não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. REQUISITOS PARA SER CONHECIDA. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sendo que considerarseá como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Cientificada da decisão em 06 de janeiro de 2012, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. s/nº, em 06 de fevereiro de 2012, em que alega a decadência do direito de constituição do crédito tributário, tendo em conta o decurso do prazo de mais de cinco anos entre as datas de encerramento dos fatos geradores, março e abril de 2000, e data da transmissão da DComp, 02 de agosto de 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, porém não atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, como se verá. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10675.903184/200929 Acórdão n.º 380303.105 S3TE03 Fl. 2 3 Com efeito, a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário não declarado pela Contribuinte é fato que obsta a sua constituição por meio da confissão de dívida consubstanciada na declaração de compensação. Sabese que decadência de direito é matéria de ordem pública, que, por isso, pode ser conhecida de ofício, independentemente de menção pelo interessado quando de sua defesa no âmbito do processo. Ocorre que, nestes autos, a DRJ/Juiz de Fora apontou para a falta de exposição, pela Contribuinte, dos motivos de direito e as razões para a reforma do despacho decisório de não homologação da compensação, e declarou, em consequência, a inexistência de lide, tendo decidido pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade. Essa causa de decidir, tomada a partir dos elementos constantes da defesa, está amparada legalmente, portanto não há como reformar a decisão recorrida. Assim, a alegação de decadência somente na fase recursal não tem força para estabelecer a lide e propiciar o conhecimento desta matéria, veiculada apenas no recurso voluntário. Enquanto matéria de ordem pública somente poderia ser conhecida de ofício no bojo do processo, enquanto instrumentalidade válida de composição da lide, ainda que não mencionada pela Interessada no recurso voluntário. Pelo exposto, conquanto seja a decadência alegada matéria de ordem pública, ante a inexistência de lide nestes autos, voto por não conhecer do recurso voluntário. Sala das sessões, 27 de junho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10675.903184/200929 Interessada: INDÚSTRIAS SUAVETEX LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380303.105, de 27 de junho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 27 de junho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 35630.000679/2005-18
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2001
Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS MUNICÍPIOS – CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS - CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA – JUROS DE MORA.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Notificação. Controvérsia não instaurada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.364
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/2001 Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS MUNICÍPIOS – CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS - CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA – JUROS DE MORA. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Notificação. Controvérsia não instaurada. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T20:56:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T20:56:25Z; Last-Modified: 2009-08-06T20:56:25Z; dcterms:modified: 2009-08-06T20:56:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T20:56:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T20:56:25Z; meta:save-date: 2009-08-06T20:56:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T20:56:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T20:56:25Z; created: 2009-08-06T20:56:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-08-06T20:56:25Z; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T20:56:25Z | Conteúdo => MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAj Bmlt C4,pÇ cco2Jc06 Fls. 151 Uma AserOlrvetra /lat. Sug» 377812 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "qrz":•:, alehksi. SEXTA CÂMARA Processo n° 35630.000703/2006-08 Recurso n° 142.153 Voluntário Matéria ÓRGÃO PÚBLICO - SERVIDORES NÃO ABRANGIDOS POR REGIME PRÓPRIO Acórdão n° 206-00.363 Sessão de 12 de fevereiro de 2008 Recorrente MUNICÍPIO DE PIRACURUCA - PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM TERESINA - PI Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias oco :0 Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2001Gotonoold* ngiti Ementa: PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO — CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS MUNICÍPIOS — CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS - CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA — JUROS DE MORA. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autónomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Notificação. Controvérsia não instaurada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. II ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Proresso n.° 35630.000703/2006-08 BrasIlle. O 9- ; C 5-.)41 1 a 2.CC0 CO6 Acórdão n°206-00363 Fls. 152 Uma SVati Met S ape 877882 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,_por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Cal)} • ", • A MONTEIRO E A VIEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.° 35630.000703'2006-08CCO2C06 Acórdão n.° 206-00.363 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 153 CONFERE COM O ORIGINAL 2 _i_____Brasas 2Lf O ___I 20ik— t•Prell A. Ge Oiraera Relatório met Soo* 8/1002 A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas fisicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O período do presente levantamento abrange as competências janeiro de 1999 a setembro de 2001, fls. 04 a 06. As bases de cálculo foram apuradas com base nas informações da própria contribuinte, declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP e constantes do Sistema Informatizados do INSS. Os valores apurados foram confrontados com os recolhimentos realizados via GPS. Não conformada com a notificação o recorrente apresentou impugnação, fls. 105 ali!. Foi emitido o termo de revelia identificando a intempestividade da impugnação, fl. 120. Posteriormente, fls. 123, a unidade descentralizada da Receita Previdenciária, emitiu despacho destacando ser indevido o termo de revelia emitido. Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 124 a 129. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 133 a 142. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: O MPF para o período de 1992 a dezembro de 2004 foi emitido indevidamente em nome do atual dirigente de Piracuruca, quando deveriam ser exarados em nome dos ex- gestores, que foram ordenadores das despesas, nos termos do art. 304 da IN 70/2002. Face o descrito no item anterior as NFLD são nulas, por inobservarem a norma previdenciária; Devem os ex-prefeitos serem notificados pessoalmente para responderem pela multa aplicada; Insurge-se a municipalidade contra a incidência de capitalização de juros (anatocismo), o que faz o INSS, sem nenhum receio, quando aplica o Juros SELIC de forma isolada e também cumulativa; Exsurge da documentação constante do Aviso de Lançamento que o INSS durante todo o período de lançamento, capitalizou juros sobre juros junto aos débitos ora de forma disfarçada, quando aplica TR, ora de forma direta; MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n." 35630.0007032006-08 Brasília. Qfist Adi I Cf3 CCOIC06 Acórdão n.° 206-00.363 Fls. 154 Sarna °Neva Mut S. 077862 Requer seja conhecido e provido o presente recurso para anular as NFLD em face da inexistência de MPF exarado de acordo com a IN 70/2002, e não sendo acolhido sejam revistos os valores cobrados, pois se identifica a capitalização de juros anatocismo. A unidade descentralizada da SRP apresenta suas contra-razões à fls. 215 a 220, argumentando, em síntese, que: A fiscalização constatou que a prefeitura municipal de Piracuruca , por meio de informações no documento GFIP, remunerou segurados empregados, mas não recolheu, na época devida, a totalidade das contribuições devidas. Nesse sentido, baseando-se em confissão da própria notificada e sabendo que as informações constantes na GFIP, constituem confissão de dívida, e, por conseguinte base contribuições previdenciárias, não há que se falar em contestação do lançamento realizado pela fiscalização. Os fatos geradores apurados na presente NFLD não foram impugnados pelo recorrente, limitando-se este, a apresentar argumentos em relação aos juros cobrados, bem como do procedimento fiscal em si; A taxa SELIC reflete os acréscimos legais utilizados para recomposição financeira do valor devido à Previdência Social; Quanto a emissão do MPF em nome dos ex-gestores, equivoca-se o recorrente, posto que as obrigações principais são imputadas as municípios diretamente, enquanto as multas pelo descumprimento de obrigações acessórias é que são imputadas diretamente aos dirigentes; As alegações do recorrente foram devidamente rebatidas na DN, não merecendo acolhida; Face ao exposto, requer seja negado provimento ao recurso, mantendo a decisão proferida. É o Relatório. kr.1, ie" Processo n.° 35630.000703/2006-08 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00363 MesraF -3:0U_CNgIOFCONEF7 SCOmELHOODEoRcatz: istorfrEs Fls. 155 _d— um da Prata Voto Met: Sem 817862 Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Recurso interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 144, e não estando o recorrente obrigado a realizar o depósito recursal, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Quanto ao argumento da recorrente, de que a fiscalização previdenciária deixou de notificar os ex-gestores, vez que só encaminhou o MPF ao atual prefeito, não lhe confiro razão. Cumpre-nos esclarecer, em primeiro lugar, que a fiscalização previdenciária é competente para constituir os créditos tributários decorrentes dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no art. 1° da Lei 11.098/2005: "A ri. I" Ao Ministério da Previdéncia Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normalizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento." Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumpri-lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: "Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidos pelos órgãos competentes." Os fatos geradores objeto da presente notificação, bem como as bases de cálculo foram devidamente descritas no relatório fiscal e seus anexos, fls. 30 a 101, e nos relatórios que acompanham a NFLD. C• t MF • SEGUNDO CONSELHO De CONTRIBUINTES Processo n.° 35630.000703/2006-08 CONFERE COM 0 ORIGINAL CCO2JC06 Acórdão n.• 206-00.363 Bradá. 09- 1 e, 5o2 Fls. 156 Sina Alara Met.: Sapo 577862 No que diz respeito aos fundamentos legais do débito, encontramos relatório próprio, pormenorizado, fls. 18 a 20, onde estão descritos, ao longo de todas as competências objeto do lançamento, o embasamento legal que justifica a sua exigência. Dessa forma, quanto ao aspecto da fundamentação não há que se falar em nulidade. Ademais, os levantamentos descritos nesta NFLD, foram obtidos face aos documentos apresentados pelo próprio contribuinte. Quanto ao cumprimento da legislação tributária, observa-se que foi seguido o rito necessário a conferir validade ao procedimento fiscal, qual seja: Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento (fl. 24 a 26); Intimação para a apresentação dos documentos nos termos do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, conferindo, nos limites legais, tempo hábil para que fossem apresentados todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária (fls. 27); Notificação e Termo de Encerramento da Ação Fiscal - TEAF, com a apresentação dos fatos geradores que constituíram o lançamento do crédito ora contestado, a fundamentação legal aplicável, bem como as informações necessárias para que o contribuinte pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes (fls. 28 a 29). A Decisão da unidade descentralizada da SRP analisou todos os argumentos apontados pela recorrente. A notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente; os fatos geradores estão discriminados de modo claro e preciso, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. O Discriminativo Analítico - DAD é apenas um dos componentes da NFLD, além de tal discriminativo, há o relatório fiscal, relatório de fatos geradores e demais discriminativos. O conjunto de todos esses elementos possibilitou o pleno conhecimento da recorrente acerca do lançamento efetuado. Observa-se que a intimação pessoal dos ex-gestores é plenamente aplicável, mas apenas em relação ao cumprimento de obrigações acessórias. Neste caso, em tendo o agente público deixado de cumprir ou cumprido em desacordo com a Lei, obrigação acessória, responderá pessoalmente pela obrigação e multa imposta. Para a legislação previdenciária não há responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória imposta à pessoa jurídica de direito público. Havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, será imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n° 8.212/1991, nestas palavras: "Art.41.0 dirigente de órgão ou entidade da administração federal estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição." MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 35630.00070312006-08 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.363 Brailk. e 9-- I (5) 09 Fls. 157 Ume Mn de Oiweora Mat . Saci e77e62 Porém a NFLD é lavrada no ente publico municipal, por ser este, o responsável direto pelo cumprimento da obrigação principal, qual seja, o recolhimento de contribuições em relação aos fatos geradores de contribuição previdenciária. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. Preliminares superadas, passo ao exame de mérito da questão. DO MÉRITO Apesar de descritos diversos fatos geradores nesta mesma NFLD, quais sejam, contratação de contribuintes individuais e transportadores autônomos, o recorrente resumiu-se a contestar a excessiva cobrança de juros de mora e multa aplicada. Dessa forma, abstenho-me de avaliar o mérito de como foram realizados os levantamentos, resumindo-me a descrever os dispositivos legais que respaldam a NFLD em questão. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1° do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de divida quando não recolhidos os valores nela declarados. "Art.225. A empresa é também obrigada a: IV- informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecido, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (4. I° As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir-se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento." Uma vez que a notificada remunerou segurados, conforme informação nos registros documentais da empresa e do próprio documento GFIP, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Já com relação à alegação acerca da excessiva cobrança de juros, destaca-se que dita cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: (é" MF - SEGUNDO CONSEU10 DE CONTRiBUINTESBram. __a4t.CONFER/_tE COM O ORtS". 0.1Processo n.° 35630.000703/2006-08 CCO2/C06 Acórdão n." 206-00.363 Fls. 158 Sena~ Os Met: Siatwo 877ee2 "Art.34. As contribuições sociais e outras importanclas art adas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n°9.528, de 10/12/97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições correspondera a um por cento." Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de divida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1°, do CIN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1701/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido." Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Destaca-se, ainda, para fins de esclarecimento que não há incidência de multa moratória, por tratar-se de ente público, conforme dispõe o art. 239, § 90 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, nestas palavras: "Art. 239(4. § 9" As multas impostas calculadas como percentual do crédito por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições e outras importâncias, não se aplicam às pessoas jurídicas de direito público, às massas falidas e às missões diplomáticas estrangeiras no Brasil e aos membros dessas missões." Quanto à aplicação de TR. Juros e juros SELIC de forma cumulativa, equivocado está o recorrente, posto a aplicação apenas de Juros SELIC na conformidade da lei previdenciária. (P.*"
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Numero do processo: 18108.000310/2007-76
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/07/2005
BATIMENTO GFIP X GPS DIVERGÊNCIAS. DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUPERADA. UFIR. INCONSTITUCIONALIDADE. ÍNDICE INEXISTENTE NO CRÉDITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI BENÉFICA. INAPLICÁVEL À MATÉRIA. LEI PRÓPRIA. NOVA CONTRIBUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. CONTRIBUIÇÃO
PREVISTA NA CF/88 REDAÇÃO ORIGINAL. SELIC. APLICABILIDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/07/2005 BATIMENTO GFIP X GPS DIVERGÊNCIAS. DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUPERADA. UFIR. INCONSTITUCIONALIDADE. ÍNDICE INEXISTENTE NO CRÉDITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI BENÉFICA. INAPLICÁVEL À MATÉRIA. LEI PRÓPRIA. NOVA CONTRIBUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NA CF/88 REDAÇÃO ORIGINAL. SELIC. APLICABILIDADE. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/07/2005 BATIMENTO GFIP X GPS DIVERGÊNCIAS. DEPÓSITO RECURSAL. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUPERADA. UFIR. INCONSTITUCIONALIDADE. ÍNDICE INEXISTENTE NO CRÉDITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI BENÉFICA. INAPLICÁVEL À MATÉRIA. LEI PRÓPRIA. NOVA CONTRIBUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR. DESNECESSIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NA CF/88 REDAÇÃO ORIGINAL. SELIC. APLICABILIDADE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 120 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, 35.822.9995, objetiva o lançamento de diferenças de contribuições resultantes do batimento GFIP x GPS relativas a parte descontada dos segurados, conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC – NFLD, 23 e 24. O período de apuração compreende as competências 01/2004 a 07/2005, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, fls. 19. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, em 31/10/2005, Folha de Rosto do Auto de Infração, de fls. 01. A empresa irresignada com a notificação apresentou impugnação, as fls. 27 a 31, tal impugnação foi acompanhada dos documentos, de fls. 32 a 56. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 57 e 58. A autoridade julgadora de primeiro grau prolatou a DecisãoNotificação N° 21.401.4/575/2006, em 25/09/2006, fls. 59 a 65, por intermédio da qual considerou o lançamento procedente. O sujeito passivo foi cientificado desta decisão, em 09/11/2006, AR, de fls. 62. O contribuinte interpôs recurso voluntário petição de interposição, recebida em 24/11/2206, de fls. 67, com razões recursais, as fls. 68 a 90. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 92. As razões recursais em resumidíssima síntese são as seguintes. • Que a UFIR não pode ser usada para corrigir tributos, pois traz em seu bojo juros remuneratórios; • Que o uso de tal taxa é inconstitucional e fere o artigo 161 do CTN que prevê taxa de 1% ao mês; • Que pela eventualidade não sendo excluída a multa moratória deve está ser reduzida a 2%, evitandose o confisco; • Que a validade de qualquer ato normativo deve ser estabelecido a partir da CF, não possuindo valor jurídico se contrários a esta, assim sendo a multa variável de 100 a 150% aplicada, conforme se verifica da decisão afronta princípios constitucionais, cumulados com juros moratórios e atualização monetária e encargos de 20%; • Que a cláusula penal não pode exceder ao valor da própria obrigação; Fl. 135DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 121 3 • Que pela eventualidade, caso não seja excluída a referida multa, que seja esta aplicada de forma compatível com a realidade político econômica, em percentual não superior a 2%; • Que a possibilidade de criação de novas fontes de receita para a seguridade social é prevista no artigo 195, § 4° c/c o 150, I, da CF, sendo que tal só pode ser exercida por lei complementar e desde que não tenha base de cálculo e fato gerador idênticos aos já existentes e sejam não cumulativos, sendo admitida esta inclusive para as contribuições à seguridade social; • Que a lei diminuiu o percentual da multa de 30% para 20% e isto não foi observado, devendo a lei mais benéfica ser aplicada e reduzida a multa perdendo o título executivo a liquidez e certeza, conforme jurisprudência colacionada; • Que a aplicação da SELIC é ilegal e não foi objeto da r. decisão; • Que a natureza jurídica da SELIC é crucial para verificar sua aplicação aos tributos; • Que a SELIC tem características de juros remuneratórios, agregando ganhos patrimoniais e inflação; • Que inexiste lei a permitir a utilização da SELIC para fins tributários e que tal lei só poderia ser a complementar; • Ao final pede: a) extinção da cobrança da UFIR; b) fixação da multa em valor não superior a 2%, caso cobrada; c) redução do valor exigido pelo arbítrio fiscal; d) declaração de inconstitucionalidade da cobrança, pois só lei complementar poderia instituir novo contribuição e aplicação da SELIC. O contribuinte não realizou o depósito recursal, tendo sido o seu recurso considerado deserto, fls. 93, e negado seguimento a este. O contribuinte foi cientificado desta decisão, em 18/05/2007, AR, de fls. 95v. O contribuinte em virtude da decisão anterior protocolizou novo reclamo, as fls. 97 a 99, onde alega a inconstitucionalidade do depósito recursal e sua desnecessidade em sede administrativa. Os presentes autos foram remetidos a D. Procuradoria Federal para inscrição em dívida ativa, tendo sida dado ciência ao contribuinte, AR, de fls. 112v. O contribuinte obteve liminar em MS 2007.61.00.0191573 para ter processado o reclamo administrativo, fls. 114 a 116. Os autos subiram ao 2° Conselho de Contribuintes, fls. 118. É o Relatório. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 122 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme consta, as fls. 62, AR, recebido, em 09/11/2006, e Petição Recursal, de fls 67, com recepção do recurso, em 24/11/2006. A recorrente não realizou o depósito recursal, porém está amparada por decisão liminar em MS. Inicialmente, cumpre esclarecer que as duas petições, fls. 67 a 90, e 97 a 99, autodemoninadas pelo contribuinte como Embargos de Declaração foram recebidas e processadas como Recurso Voluntário, haja vista que a legislação que cuida do Processo Administrativo Fiscal Previdenciário – PAFP não prevê a espécie recursal de que se valeu a impugnante, pois o artigo 305 do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99 c/ c o artigo 23, da Portaria MPS N° 520/2004 preveem apenas o Recurso Voluntário, não cabendo em se falar da aplicação subsidiária do Decreto 70.235/72 e da Lei 5.869/73, pois a subsidiariedade só é aplicável quando a norma base não cuida do assunto e no caso ela cuidou do assunto prevendo apenas o Recurso Voluntário. A preliminar suscitada de inconstitucionalidade do depósito recursal alegada na segunda manifestação recursal do contribuinte encontrase superada e não será objeto de análise neste julgamento. A uma, por força da decisão judicial liminar em MS a ampara a recorrente. A duas, porque, este colegiado tem posição firmada sobre a matéria como a seguir demonstrado. Quanto ao depósito recursal, ainda, que necessário a época da impetração, hoje este não mais vige, uma vez que revogado pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Ainda, que se alegue que tal condição deva ser averiguada tendo como marco a data da interposição do recurso, tenho para mim que tal exigência estava com os dias contados, basta ver a ADIN 19767, que exclui do Decreto 70.235/72, tal exigência, acrescentada pela Lei 10.522/2002. Neste diapasão apresentase, também, a Súmula Vinculante n° 21 do STF, ou seja, se não tivesse sido revogado tal depósito na seara previdenciária, fatalmente este acabaria declarado inconstitucional, sendo inexigível desde a origem. Não fosse esses argumentos suficientes o Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2009, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, estabelece que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 137DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 123 5 Assim, temse no caso a possibilidade do afastamento desta exigência, uma vez que em RE, conforme abaixo transcrito o STF já havia reconhecido a inconstitucionalidade do artigo 126, §§ 1° e 2°, da Lei 8.213/91, senão vejamos: RECURSO ADMINISTRATIVO DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 389383, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/2007, DJe047 DIVULG 28062007 PUBLIC 2906 2007 DJ 29062007 PP00031 EMENT VOL0228208 PP01625 RDDT n. 144, 2007, p. 235236. (grifos do subscritor). Tal decisão transitou em julgado em 14/09/2007, conforme resumo de andamento do processo, consultado no site do STF. Desta forma, e tendo em vista os princípios da isonomia e da segurança jurídica admito o presente recurso. No que tange à primeira manifestação do contribuinte a situação assim se apresenta. As alegações que se reportam a aplicação da UFIR como taxa de correção do crédito tributário ora em análise são completamente desprovidas de qualquer significado e lógica jurídica, uma vez que tal índice não foi aplicado ao presente crédito, basta para verificar isso uma simples leitura do Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, 16, rubrica Acréscimo Legais – Juros, onde não há citação de aplicação da UFIR, sendo assim impertinente e indevida tal alegação. A multa moratória aplicada na presente notificação está discriminada no Relatório Instruções para o Contribuinte – IPC, de fls. 02, bem como no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, de fls. 16 e 16, rubrica Acréscimos Legais Multa. Tal acréscimo decorre da aplicação do artigo 35, da Lei 8.212/91, sendo tal multa considerada por este artigo de caráter irrelevável, estando esta bem abaixo do valor da própria exação, bem como tal multa não chega nem próximo ao patamar alegado e não comprovado pela recorrente de 100% a 150%. Além do que o patamar de fixação da multa está dentro daquilo considerado legal e razoável pelo judiciário, conforme ementas transcritas. Não havendo razão para sua redução. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. INCORPORAÇÃO DE IMÓVEL PARA A INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. TAXA SELIC. CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA FAZENDA. APLICAÇÃO. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. I Caracteriza acréscimo patrimonial, passível de incidência do imposto de renda, o ganho de capital referente à diferença entre o valor atualizado da aquisição de imóvel de pessoa física e a sua incorporação para a integralização de capital de pessoa jurídica. Precedente: REsp nº 260.499/RS, Rel. Min. MILTON LUIZ PEREIRA, DJ de 13/12/2004. II A jurisprudência desta Corte é no sentido de que é devida a aplicação da taxa SELIC nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, a partir da publicação da Lei 9.065/95. Precedentes: REsp nº 554.248/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 24/11/2003 e REsp nº 522.184/PR, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de Fl. 138DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 124 6 29/09/2003. III A multa moratória não está adstrita à regra de não confisco, que deve ser seguida apenas para fins de fixação de exação. Pelo contrário, deve, em regra, ser aplicada sem indulgência, evitando se futuras transgressões às normas que disciplinam o sistema de arrecadação tributária, não merecendo respaldo a pretensão do recorrente de ver reduzida tal penalidade. Precedente: AgRg no AG nº 436.173/BA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 05/08/2002. IV Recurso especial improvido. (RESP 200400968343, FRANCISCO FALCÃO, STJ PRIMEIRA TURMA, 13/03/2006) EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. AGRAVO RETIDO. DECADÊNCIA. READEQUAÇÃO DO LAUDO PERICIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. EXCESSO DE EXECUÇÃO. TAXA SELIC. MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. CONFISCO NÃO CARACTERIZADO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS. 1. A consumação ou não da decadência constitui matéria de direito sobre a qual não cabe ao perito contábil opinar. Além disso, no caso, o expurgo do excesso daí decorrente pode ser feito pela simples exclusão das competências eventualmente atingidas. 2. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver pagamento antecipado, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN, extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A regra do § 4º do artigo 150 do CTN só pode ser aplicada nos casos de antecipação. 3. O arbitramento é o meio previsto legalmente para a autoridade fiscal apurar o valor do tributo nos casos em que o sujeito passivo se omitir a fornecer a documentação necessária ou esta apresentar irregularidades insanáveis. Hipótese demonstrada nos autos. 4. No caso, os documentos trazidos pela parte embargante não fizeram diminuir a dívida apontada no laudo pericial, mas aumentála consideravelmente. Assim, a sonegação de documentos apresentouse como benéfica à parte embargante. 5. A Taxa SELIC se aplica aos débitos tributários, não existindo vício na sua incidência. 6. É entendimento pacífico desta Corte que, por força do art. 106, II, "c", do CTN, aplicase de forma retroativa, sobre fatos ainda não definitivamente julgados, a lei tributária que imponha penalidades mais brandas ao contribuinte. 7. Não se realiza a hipótese de confisco quando aplicado o índice de 75%. Precedente do STF no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não configuram confisco (ADI nº 551 voto do Ministro Marco Aurélio). Fl. 139DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 125 7 8. A verba honorária usualmente fixada quando da determinação de citação nas execuções fiscais é provisória, para o caso de pronto pagamento. 9. Hipótese em que tanto a embargante quanto a embargada foram vencedoras e vencidas. Todavia, considerando a cobrança do encargo legal de 20% na execução fiscal (DL nº 1.025/69), cabível a condenação da embargada ao pagamento de honorários advocatícios. 10. Honorários advocatícios a carga da União arbitrados em 1% sobre o valor correspondente à parcela da dívida declarada inexigível, em consonância com o artigo 20, § 4º, do CPC. 11. Mantida a condenação da parte embargante ao pagamento dos honorários periciais, à luz do princípio da causalidade. (AC 00039920320044047009, LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, TRF4 SEGUNDA TURMA, 12/05/2010) PROCESSO CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PRETENSÃO INICIAL. LIMITES. FALÊNCIA. SÓCIO. EXCLUSÃO DA MULTA E DE JUROS DE MORA. NÃO APROVEITAMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. CAPITALIZAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. DUPLA INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA. MULTA. PERCENTUAL DE 30%. CONSTITUCIONALIDADE. 1. A pretensão inicial deduzida pelo Apelante nestes embargos à execução não incluiu a alegação de sua ilegitimidade passiva para responder às execuções embargadas, sendo, portanto, essa questão exorbitante ao limites da lide posta em juízo nesta ação e não podendo, portanto, ser acolhida sua postulação recursal nessa parte. 2. Conforme entendido na sentença apelada, tendo apenas o sócio da empresa falida permanecido no pólo ativo dos embargos à execução não é cabível a exclusão da multa e de juros de mora do crédito executado com base no fato de estarse diante de massa falida, pois tal medida aproveita, apenas, à empresa falida e não a seus sócios, os quais respondem integralmente pelo débito tributário. 3. O art. 161, § 1.º, do CTN prevê a possibilidade de que lei ordinária estabeleça taxa de juros de mora diversa do percentual de 1% ali previsto, não sendo, portanto, necessária a utilização de lei complementar para a determinação de incidência da Taxa Selic com essa finalidade, nem havendo, qualquer óbice a que seja utilizada taxa variável (de mercado) para esse fim, não prevendo esse dispositivo legal exigência de taxa fixa nem a impossibilidade de a lei ordinária fixar índice cuja determinação concreta seja decorrente de ato infralegal, nem estando os juros de mora em matéria tributária sujeitos a reserva legal estrita quanto aos seus elementos de cálculo. 4. A utilização da Taxa Selic como índice de juros de mora para os créditos tributários federais representa, apenas, a fixação de instrumento variável de estipulação da taxa de juros moratório que acompanhe as flutuações do mercado financeiro e, por conseguinte, sirva de efetivo mecanismo de desestímulo à inadimplência tributária, não havendo óbice constitucional a essa escolha normativa. 5. Os juros de mora à Taxa Selic são acumulados mensalmente e não capitalizados. 6. Não há, também, dupla incidência de correção monetária, vez que são eles aplicados de forma isolada e não cumulativamente com índice de atualização monetária, não decorrendo essa dupla incidência da sucessão dele em relação aos índices de Fl. 140DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 126 8 atualização monetária que o antecederam, pois só a aplicação conjunta em um mesmo período a caracterizaria. 7. Quanto à multa de 30% incidente sobre o débito tributário do Apelante, o próprio STF (STF, 1.ª Turma, RE n.º 241.074/RS, Relator Ministro Ilmar Galvão, DJ 19.12.2002) já entendeu constitucional multa no percentual de 80%, sendo o percentual da multa ora examinado justificado pela necessidade de esta servir tanto de punição como de fator de dissuasão em relação à prática dos atos caracterizados como infração para fins de sua incidência. 8. Não provimento da apelação. (AC 200182000032880, Desembargador Federal Emiliano Zapata Leitão, TRF5 Primeira Turma, 24/09/2009) TRIBUTARIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HONORARIOS FIXADOS DENTRO DO DETERMINADO NA LEGISLAÇÃO. MULTA MORATORIA DE 75% NÃO CONFISCO. PRECEDENTES. 1. Não encontro obscuridade na fixação dos honorários advocatícios em 10% sobre o valor da execução já que em no caso em particular houve a renúncia ao direito sobre que se funda os embargos à execução, com a improcedência do pedido, não havendo a aplicação do DL 1025/69. O valor foi fixado de acordo com o artigo 20 do CPC, não ferindo o parágrafo 4º do artigo 1º da medida provisória 303/2006, que em sua parte final ressalva a possibilidade de o Juízo estabelecer a verba de sucumbência em valor diverso de um por cento do montante do débito consolidado. 2. O pleno deste Tribunal já se posicionou no sentido de que a multa no percentual de 75% não ofende ao princípio do não confisco. 3.Embargos do particular não providos. Embargos da Fazenda Nacional providos, com atribuição de efeitos infringentes. (EDAC 20058300012035002, Desembargador Federal Frederico Pinto de Azevedo, TRF5 Quarta Turma, 13/05/2010) (grifos neste documento). No presente crédito não houve a cobrança de nova contribuição, pois apenas se exigiu aquilo que o artigo 195, I, “a”, “b” e “c”, consagraram desde a promulgação da atual Carta da República, isto é, a contribuição social previdenciária sobre a folha de salários, o que não demanda a técnica da tributação residual, isto é, não exige lei complementar. A redução do patamar de mula de 30% para 20% não se aplica a presente notificação, pois tal redução ocorreu apenas em relação aos tributos administrados pela SRF e não incide sobre as contribuições sociais previdenciárias que eram administradas pelo INSS, pois a multa moratória de tais contribuições tinham outro fundamento jurídico, como dito alhures o artigo 35 da Lei 8.212/91 e não o artigo 61 da 9.430/96. O rol de jurisprudências apresentada cerca vinte, não se aplicam ao caso, pois não tratam da mesma situação, vejase o quadro abaixo: N° DA JURISPRUDÊNCIA ASSUNTO APLICAÇÃO 1 – 6 – 9 – 11 – 13 – 15 a 17 – 19 e 20 LEI ESTADUAL NÃO APLICÁVEL 2 – 5 – 7 – 10 ICMS NÃO APLICÁVEL Fl. 141DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 127 9 3 – 8 – 12 – 14 – 18 NÃO IDENTIFICADO NÃO APLICÁVEL 4 TRIBUTOS DA SRF NÃO APLICÁVEL Além do que consta no quadro acima havendo lei e estando esta dentro do campo da existência, validade e eficácia a única opção do agente público é aplicála sob pena de desrespeito aos princípios constitucionais do artigo 37, caput. Quanto a alegação de inaplicabilidade da SELIC está também é desvalida de respaldo jurídico, pois o artigo 34 da Lei 8.212/91 determina expressamente sua aplicação as contribuições sociais previdenciárias e a jurisprudência do STJ confirma tal possibilidade. A decisão a quo se posicionou taxativamente pela legalidade da aplicação da SELIC como critério de correção do crédito tributário, conforme consta do itens 12 a 15, de fls. 63 e 64. Por sua vez o STF já decidiu que a utilização da SELIC e matéria infraconstitucional e que a limitação de juros a 12% não se aplica por falta de lei regulamentar. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. JUROS. LIMITAÇÃO. ARTIGO 192, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. A controvérsia relativa à aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários reside no âmbito infraconstitucional, circunstância que impede a admissão do recurso extraordinário. 2. O Pleno deste Tribunal já decidiu que o artigo 192, § 3º, da Constituição do Brasil, que limita as taxas de juros em 12% ao ano, necessita de regulamentação [ADI n. 4, Relator o Ministro Sydney Sanches, DJ de 25.6.93]. Agravo regimental a que se nega provimento. (AIAgR 713488, EROS GRAU, STF) (destaque meu). Nesta esteira o STJ decidiu que a SELIC é aplicável aos créditos tributários e que está atende ao artigo 161, § 1°, do CTN, como a seguir demonstrado. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO INATACADOS. SÚMULA 283/STF. NULIDADE DAS CDAs. SÚMULA 07/STJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃOCONFIGURAÇÃO. SELIC. LEGALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. 1. A recorrente não infirmou as premissas que embasaram o acórdão recorrido para negar a produção da prova pericial – a legalidade da dívida não é função do perito e a forma de apuração do montante devido não foi objeto de impugnação – o que justifica a incidência, quanto ao ponto, da Súmula 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". 2. A insurgência recursal relativa ao cerceamento de defesa ante o indeferimento de realização da prova pericial vai de encontro à jurisprudência desta Corte, que se posiciona no sentido de que avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 3. A investigação acerca Fl. 142DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 128 10 do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 4. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e o nãopagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 5. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário (REsp 1.102.577/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 22/04/2009, DJe 18/05/2009, acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ). 6. É devida a Taxa Selic no cálculo dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal. 7. A apuração do caráter confiscatório da multa tributária depende da interpretação da norma prevista no artigo 150, V, da Constituição Federal, o que refoge ao âmbito do recurso especial. 8. Agravo regimental não provido. (AGA 201001365825, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 23/11/2010) TRIBUTÁRIO. CDA. EXAME DE REGULARIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA. ART. 261 DO CPC. ALEGAÇÃO EM PRELIMINAR DE CONTESTAÇÃO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO. 1. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, como se depreende da análise do acórdão recorrido. 2. Da análise detida dos autos, observase ainda que a Corte de origem não analisou, sequer implicitamente, o art. 1º do DecretoLei n. 1.025/69. Incidência da Súmula 211/STJ. 3. A jurisprudência desta Corte permite a impugnação do valor da causa em execução fiscal apresentada em preliminar de contestação aos embargos à execução fiscal, sob o fundamento de que o critério do valor da causa em execução fiscal está prevista em lei (art. 6º, § 4º, da Lei n. 6.830/80), podendo ser alterado até mesmo de ofício pelo magistrado. 4. No que tange aos requisitos de validade da Certidão da Dívida Ativa CDA, concluise que o Tribunal de origem, como soberano das circunstâncias fáticas e probatórias da causa, decidiu a questão com base nas provas dos autos. Incidência da Súmula 7/STJ. 5. É pacífico na jurisprudência do STJ que é possível utilização da Taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários. 6. Não pode ser conhecido o presente recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional, pois o recorrente não realizou o necessário cotejo analítico, bem como não apresentou, adequadamente, o dissídio jurisprudencial. Apesar da transcrição de ementa, deixou ele de demonstrar as circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma. Agravo regimental improvido. (AGEDAG 201001476055, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 09/11/2010) Fl. 143DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 129 11 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fático probatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido. (AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) Desta forma, com as considerações traçadas, não há razão para o acolhimento dos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO, uma vez que os argumentos da recorrente não foram suficientes para elidir o lançamento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA Processo nº 18108.000310/200776 Acórdão n.º 280300.483 S2TE03 Fl. 130 12 Fl. 145DF CARF MF Emitido em 11/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, 23/03/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE L IMA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000654/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO
MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA.
Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no
processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária.
MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO.
No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.
Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie.
BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS
UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. BENFEITORIAS E EDIFICAÇÕES.
DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO.
Em relação aos bens do ativo imobilizado (máquinas, equipamentos,
edificações e benfeitorias), com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação ou amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei.
CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO
PRODUTIVO. INSUMOS.
Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matérias-primas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo.
Numero da decisão: 3803-003.226
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. BENFEITORIAS E EDIFICAÇÕES. DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado (máquinas, equipamentos, edificações e benfeitorias), com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação ou amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matérias-primas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo.
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OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de Fl. 704DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 reposição, podem compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. BENFEITORIAS E EDIFICAÇÕES. DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado (máquinas, equipamentos, edificações e benfeitorias), com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação ou amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Florianópolis/SC, que julgou apenas parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, esta apresentada em oposição ao despacho decisório da repartição de origem que homologara em parte a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMPs, cujo direito creditório reclamado monta o valor de R$ 54.177,18. Submetidos os pedidos à apreciação da repartição de origem, esta, amparada em esclarecimentos prestados pela pessoa jurídica e em documentos fiscais apresentados, homologou parcialmente a compensação pleiteada, tendo sido constatados pela Fiscalização os seguintes fatos: Fl. 705DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 2 3 a) a atividade da sociedade empresária é a produção de portas de madeira; b) somente foram considerados insumos para fins de creditamento as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem – este somente em relação às embalagens de apresentação – e os serviços e outros bens que, efetivamente aplicados ou consumidos na produção, tenham sofrido alterações durante o processo produtivo e tenham sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; c) as glosas efetuadas referiramse a insumos que não se agregaram aos produtos produzidos ou aos serviços prestados, não se configurando como aplicados ou consumidos diretamente na produção; d) os insumos identificados como bens, reformas e reparos (moto redutor, inversor de frequência, bacia do aplicador de cola, escova helicoidal, conversor, bocal/resistência, sapata Lugs, etc.) foram considerados como “imobilizáveis”, passíveis de depreciação, tendo em vista que contribuem para mais de um exercício; e) as embalagens utilizadas exclusivamente para o transporte de mercadorias não compõem o processo de industrialização, em razão do que não foram acolhidos os créditos decorrentes das aquisições de embalagem de papelão, fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem de papelão etc.; f) glosaramse, também, os créditos relativos às aquisições de outros materiais que não se agregaram aos produtos finais, a saber: lápis estaca preto, tinta para carimbo, graxa para pinus, tela mosquiteira, modelo de madeira (mancal), giz escolar, sulfato de alumínio, selos para porta corta fogo, etc.; g) recalcularamse os insumos importados e desconsideraramse, ainda, os insumos não sujeitos à incidência das contribuições e as aquisições submetidas ao drawback ou referentes a serviços internacionais de courier; h) foram glosados os encargos de depreciação decorrentes de bens não utilizados na produção, como, por exemplo, aterro e terraplenagem, construção de rede pluvial, colocação de lajotas no pátio, guarita para guardas, aquisições de microcomputadores, exaustores e de eletrodomésticos etc. A autoridade administrativa de origem acolheu as constatações da Fiscalização, tendo, por meio de despacho decisório, homologado parcialmente as compensações pleiteadas. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento total dos créditos pleiteados, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: 1) ofensa ao princípio da não cumulatividade, tendo em vista que a lei ordinária não poderia dispor sobre a não cumulatividade das contribuições em razão do status constitucional impingido pela Emenda Constitucional nº 42/2003, inexistindo no texto constitucional qualquer limite a sua operacionalização; Fl. 706DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 2) considerando que as contribuições incidem sobre a totalidade das receitas, os créditos decorrentes também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais e necessários à obtenção da receita; 3) de acordo com a legislação, os créditos são calculados sobre os bens e serviços utilizados na linha de produção, necessários à obtenção dos produtos finais; 4) nas regras aplicáveis à Cofins e ao PIS não cumulativos, inexiste distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”; 5) diferentemente do alegado pela Fiscalização, houve, sim, glosas em relação a embalagens de apresentação; 6) as embalagens para transporte, em face da impossibilidade de sua reutilização, são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), inexistindo restrição legal à apuração de créditos em suas aquisições; 7) acatase a glosa de máquinas e equipamentos (tranformador e empilhadeira), mas se contrapõe à glosa de outros itens diversos destinados à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de portas, itens esses que sofrem grande desgaste no processo de industrialização, necessitando de reposições regulares, assim como ocorre em relação aos serviços de manutenção, casos em que não ocorre aumento da vida útil dos equipamentos empregados na produção; 8) os outros insumos – marcador esferográfico, lápis estaca vermelho, massa corrida e tinta para carimbos – são próprios da indústria madereira, sendo utilizados na fabricação de portas; 9) os serviços utilizados como insumos, cuja relação elaborada pela Fiscalização engloba também outros bens utilizados como insumos, são necessários ao processo produtivo. São eles: instrução J.B. Kind, selo personalizado, cantoneira de papel, etiquetas adesivas, labels contendo informações sobre os produtos, fichas SQS, leibels e leibos; 10) houve glosas em duplicidade; 11) não pretendia discutir a glosa dos equipamentos de informática, eletrodomésticos e outros bens, por concordar que não são utilizados em sua linha de produção, mas contrapôsse à glosa das máquinas e equipamentos, bens do ativo imobilizado, utilizados na produção. Quanto às edificações e benfeitorias, alegou que inexistiria restrição legal a apenas aquelas destinadas utilizadas na produção. A DRJ Florianópolis/SC julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando Fl. 707DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 3 5 a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito aos créditos relativos as suas aquisições, sendo consideradas como tais aquelas que se integram ao produto durante o processo de industrialização e tenham como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final, contendo rótulos destinados ao propósito de promover ou valorizar o produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS/Pasep, desde que não estejam obrigadas a serem incluidas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O relator a quo, após discorrer sobre o ônus da prova e o conceito de insumos, conclui quanto à manifestação de inconformidade da seguinte forma: a) em razão do caráter vinculado da atuação da Administração Pública, esta não pode se esquivar de cumprir as leis e os atos normativos sob o argumento de inconstitucionalidade ou de ilegalidade; b) existe respaldo legal para a distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens para transporte”, havendo o direito de creditamento somente em relação ao material de embalagem que se integra ao produto final durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), o que exclui aquelas incorporadas somente após a conclusão do processo produtivo, como ocorre com as embalagens para trasnporte; c) em relação às embalagens consideradas pela Fiscalização como sendo para transporte, constatou o relator que parte delas se refere a embalagens finais de portas e de alguns artefatos de madeira, contendo indicações promocionais com o objetivo de realçar os produtos, o que confirmaria a assertiva do contribuinte de que os referidos materiais de embalagens não só acondicionam os produtos, como também garantem o seu fim promocional, em razão do que as caixas de papelão utilizadas para embalar individualmente cada porta e as etiquetas (rótulos) fixadas nas portas demonstrariam as características do produto, integrando se ao produto para apresentação ao consumidor final, gerando, por conseguinte, direito ao cálculo dos créditos respectivos; d) “no âmbito das contribuições para o PIS/Pasep/Cofins nãocumulativo, as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no pais, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições; porém, desde que estas partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Se estiverem no ativo imobilizado, essas partes e peças deixarão de ser consideradas insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3°, inciso VI”. Segundo o relator, o contribuinte não demonstrou a relação existente entre as peças de reposição (bico spray, bloqueio automático de água, filtro tipo cartucho, faca AC 16104) e as máquinas utilizadas no processo produtivo, o que, por falta de provas, impediria a sua aceitação como itens geradores de crédito; e) constatou o relator que os produtos lápis estaca preto, tinta para carimbo, graxa p/pinus, tela mosquiteira, modelo de madeira (mancal), giz escolar, sulfato de alumínio, selos para porta corta fogo, etc., em princípio, poderiam ser considerados como insumos para fins de créditos no regime da não cumulatividade, visto serem bens que sofrem alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Contudo, ressaltou que não se poderiam acatar como insumos bens como massa corrida e tinta para carimbo, pelo fato de poderem ser também utilizados em atividades não diretamente relacionadas ao processo produtivo. Por outro lado, acatouse o “marcador industrial” (notas fiscais nº 1161 e 1186), considerado como consumido no processo produtivo; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 4 7 f) em relação aos demais bens e serviços ("Instrução J.B. Kind", seria utilizada para orientação de instalação da porta (exigência do cliente); o selo personalizado FSC, usado em portas com certificação; a cantoneira de papel JB Kind Doors, para embalagens finais de portas, 4 por embalagem (exigência do cliente); as etiquetas adesivas P1687, usadas nas portas que tem madeira com pelo menos 70% certificada; os produtos "Labels" são geralmente usados nos pacotes de portas contendo informações sobre o produto (modelo, tipo da madeira, tamanho, etc.), constatou o relator que, no contexto do processo produtivo, eles foram adquiridos de pessoas jurídicas, encontrandose nos autos todas as notas fiscais apontadas pelo contribuinte, em razão do que foram acatados para fins de geração de créditos; g) constatouse o caso alegado pelo contribuinte de duplicidade de glosa, em razão do que reconstituise o valor respectivo; h) no que tange aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, concluiu o julgador de primeira instância que, pela descrição apresentada pelo contribuinte, os bens, em regra, não se caracterizavam como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de mercadorias destinadas à venda, no contexto do processo produtivo da empresa, não gerando, por conseguinte, direito ao creditamento, com exceção do bem descrito como "Central de controle e peças para máquinas", utilizado para o lixamento de portas, o qual, caso houvesse nos autos a prova de sua aquisição, poderia ser acatado como bem utilizado na produção. Em relação às benfeitorias e as edificações, constatou o relator de piso que não houvera glosa desses serviços pela repartição de origem. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa e requer o total acolhimento do seu pleito, arguindo, em preliminar, ofensa aos princípios da verdade real e da ampla defesa, pelo fato de que a autoridade julgadora de piso procedera à tarifação das provas, exigindo comprovações desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas, contrariando o princípio do informalismo mitigado que vigora do processo administrativo. Alternativamente, requer o Recorrente que se realize diligência junto à repartição de origem, em razão do fato de que os documentos presentes nos autos foram desconsiderados pela autoridade julgadora. Para se contrapor à decisão de piso, na parte relativa às glosas mantidas, o Recorrente traz aos autos cópias das notas fiscais de aquisição de peças de reposição e de serviços de manutenção, de bens do ativo imobilizado e dos conhecimentos de transporte, bem como de fotografias que os identificam. Por fim, requer que as intimações sejam enviadas ao endereço do seu mandatário. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declarações de compensação, em que o interessado pretende se valer de créditos apurados na sistemática da não cumulatividade da contribuição para quitar débitos de sua titularidade. A autoridade julgadora de primeira instância manteve em parte a decisão da repartição de origem, restando controvertidos neste grau de recurso os créditos glosados pela Fiscalização relativos a: a) produtos utilizados em embalagens para transporte (embalagem de papelão, fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem de papelão etc.); b) peças de reposição (“bico spray, bomba, esfera cerâmica, correia transportadora, válvulas direcionais, comando eletrônico, aparelho de medição, sensor, facas etc.”) e os serviços de manutenção prestados em máquinas (conserto, serviços de revestimento com borracha, manutenção); c) marcador esferográfico, lápis estaca vermelho, massa corrida e tinta para carimbos; d) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. De início, devese registrar que a presente análise, no que tange aos elementos fáticos controvertidos, terá como base as planilhas elaboradas pelo agente fiscal no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, contendo todos os dados das notas fiscais de aquisição de produtos e serviços apresentadas pelo contribuinte na repartição de origem (nº do documento, data da operação, valor de aquisição, emissor, identificação do bem/serviço etc.), independentemente dos documentos trazidos posteriormente aos autos, por amostragem, para subsidiar os argumentos de defesa do ora Recorrente. Registrese que, no que se refere ao cálculo de créditos relativamente a encargos de depreciação/amortização referentes a benfeitorias e edificações, a autoridade julgadora de primeira instância constatou a inocorrência de glosas de itens da espécie, tendo se pautado pelo que restou declarado na linha do Dacon relativa às amortizações. Contudo, na relação dos itens glosados pela repartição de origem, há, efetivamente, glosas de edificações e benfeitorias, como construção de rede pluvial, aterros etc., em razão do que esses itens serão analisados no presente voto. No que tange ao pedido do Recorrente no sentido de se enviarem as intimações ao endereço do seu mandatário, há que se registrar que o Decreto nº 70.235/1972, em seu art. 23, inciso II, estipula que a intimação por via postal deve ser enviada ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, que corresponde àquele presente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), cuja atualização compete ao contribuinte. Quanto ao pedido alternativo de realização de diligência, temse por desnecessária a sua efetivação, uma vez que, conforme se verá ao longo do presente voto, todas as informações e os documentos presentes nos autos são suficientes para o convencimento deste julgador. I. Preliminar. Ofensa aos princípios da verdade real, do informalismo mitigado e da ampla defesa. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 5 9 De início, destaquese que não se vislumbra nos autos que a autoridade administrativa tenha afrontado quaisquer dos princípios apontados pelo Recorrente. Toda a análise efetuada pelo relator a quo se baseou nos documentos e nas informações presentes nos autos, não tendo havido qualquer cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. O alegado princípio do informalismo mitigado se refere à possibilidade de a Administração Pública e os administrados atuarem no processo administrativo sem os rigores formais do processo judicial, adotandose formas simples, suficientes para garantir o adequado grau de certeza e segurança, respeitadas as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados (art. 2º, incisos VIII e IX, da Lei nº 9.784/1999), o que não significa que seja dispensada a comprovação dos fatos alegados pela parte interessada. Para que se aplique o princípio da verdade material, ou verdade real, conforme aponta o Recorrente, para além da possibilidade de a Administração tributária agir de ofício na elucidação dos fatos, há a necessidade de se ter presente nos autos o conjunto probatório que ateste os fatos alegados pelo interessado, sob pena de se conceber tal princípio como um direito genérico de contraposição às constatações da Administração tributária, mesmo quando estas se realizam com base nos fatos efetivamente apurados. Como a verdade material se funda no princípio da legalidade, para a ela se chegar, devese partir tanto dos fatos apurados de ofício pela Administração tributária, quanto pelas provas produzidas pela parte, no que tange aos direitos por ela invocados, de forma a se garantir a aplicação da lei nos exatos termos de sua normatividade. Tanto a repartição de origem quanto a delegacia de julgamento externaramse com base nos documentos e informações presentes nos autos, reportandose às normas da legislação aplicável. Não se vislumbra, portanto, qualquer ofensa aos princípios apontados, inclusive o da ampla defesa, pois, em nenhum momento deste processo, foi obstaculizado o direito do Recorrente de se pronunciar e de produzir as provas dos fatos por ele alegados, tendo sido observadas todas as normas regidas pelo Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal. Nesse sentido, afastase a preliminar de afronta aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa. II. Creditamento. Insumos. Bens e serviços. Conforme acima relatado, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços não abrangidos pelo conceito de insumos estabelecido pela IN SRF n° 404/2004, ou seja, aqueles não consumidos ou aplicados diretamente na fabricação dos bens e produtos destinados à venda. De início, devese registrar que a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre Fl. 712DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 débitos e créditos referese ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria. Na não cumulatividade do IPI, por exemplo, o direito ao creditamento refere se às aquisições de insumos que serão aplicados nos produtos industrializados que serão comercializados pelo contribuinteindustrial, encontrandose circunscrita a não cumulatividade à produção do bem. O imposto pago na aquisição de insumos encontrase destacado na nota fiscal e será ele, e tão somente ele, que dará direito ao creditamento. No processo produtivo de um bem, há eventos de natureza física; enquanto que no auferimento de receitas, temse um complexo de atividades envolvidas que extrapola os elementos físicos para alcançar, também, os elementos funcionais relevantes. Na não cumulatividade das contribuições, o elemento de valoração não é mais o produto ou mercadoria em si considerado, mas o total das receitas auferidas pelos contribuintes, o que engloba todo o resultado da atividade operacional da pessoa jurídica. O fato gerador sob interesse não é apenas a saída ou entrada de uma mercadoria ou produto – o que pode se constituir em parte ínfima da atividade global do sujeito passivo –, mas todo o resultado comercial e financeiro da principal e, muitas vezes, exclusiva, atividade do contribuinte. O regime não cumulativo das contribuições sociais não se refere à recuperação, stricto sensu, dos tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, mas a um conjunto de bens e serviços definido pelo legislador, “tratandose, em realidade, mais como um crédito presumido do que de uma não cumulatividade” 1. Como nos ensina Marco Aurélio Greco2, ao analisar a previsão legal da não cumulatividade das contribuições, a apuração dos créditos de PIS e Cofins envolve um conjunto de dispêndios “ligados a bens e serviços que se apresentem como necessários para o funcionamento do fator de produção, cuja aquisição ou consumo configura conditio sine qua non da própria existência e/ou funcionamento” da pessoa jurídica. Greco considera, ainda, que o termo “insumo” utilizado pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 abrange “os bens e serviços ligados à ideia de continuidade ou manutenção do fator de produção, bem como os ligados à sua melhoria. Ficam de fora da previsão legal os dispêndios que se apresentem num grau de inerência que configure mera conveniência da pessoa jurídica contribuinte (sem alcançar perante o fator de produção o nível de uma utilidade ou necessidade) ou, ainda, que ligados a um fator de produção, não interfiram com o seu funcionamento, continuidade, manutenção e melhoria”. Somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Para a análise da questão posta, necessário se torna reproduzir os dispositivos legais que cuidam da matéria. A Lei nº 10.637/2002, aplicável à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, assim dispõe: 1 ANAN JR., Pedro. A questão do crédito de PIS e Cofins no regime da não cumulatividade. Revista de Estudos Tributário. Porto Alegre: v. 13, n. 76, nov/dez 2010, p. 38. 2 GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Não cumulatividade das contribuições PIS/PASEP e COFINS. IET e IOB/THOMSON, 2004. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 6 11 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 714DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 12 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação Fl. 715DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 7 13 apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e à contribuição para o PIS na sistemática não cumulativa, disciplina a matéria nos seguintes termos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 716DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 14 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 8 15 IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não Fl. 718DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 16 cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2o do art. 2o desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de vasilhames referidos no inciso IV do art. 51 desta Lei, destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 12 meses, à razão de 1/12 (um doze avos), ou, na hipótese de opção pelo regime de tributação previsto no art. 52 desta Lei, poderá creditarse de 1/12 (um doze avos) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) § 16. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I – no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos Fl. 719DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 9 17 para o cálculo dos referidos créditos. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (...) § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Vide Lei nº 11.727, de 2008). 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Na sequência, passase à análise das glosas e alterações efetuadas pela Fiscalização e mantidas pela Delegacia de Julgamento. II.a – Produtos utilizados em embalagens para transporte. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 18 A Delegacia de Julgamento manteve as glosas de créditos efetuadas pela Fiscalização relativamente às embalagens para transporte, englobando os seguintes produtos: embalagem de papelão, fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem de papelão etc. A DRJ baseouse na legislação do IPI que faz a distinção entre “embalagens de apresentação” e “embalagens de transporte”, considerando que somente as primeiras, por serem consumidas durante o processo produtivo, dão direito ao creditamento. Não comungo desse entendimento Tendo por fundamentos os dispositivos legais que regem a matéria, precipuamente o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, bem como o requisito de utilidade ou necessidade para a produção, concluise, diferentemente da repartição de origem e da delegacia de julgamento, que dão direito ao creditamento, desde que adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, que tenham sido tributados pela contribuição na aquisição e que estejam comprovados com documentação hábil e idônea, os produtos identificados no parágrafo anterior, utilizados na embalagem e no transporte dos bens produzidos pela pessoa jurídica, configurandose itens necessários à distribuição e à comercialização da produção. Além disso, justificase a apuração de créditos nas aquisições de material de embalagem para transporte pelo fato de que tais bens destinamse à preservação das características dos produtos durante o transporte até os pontos de venda. Por se tratar de portas de madeira, a realização do seu transporte sem o cuidado devido pode comprometer a integridade dos produtos finais, já vendidos, o que torna o material de embalagem elemento imprescindível à efetivação do negócio nas condições pactuadas. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu nesse sentido, quando do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.125.253, ocorrido em 15 de abril de 2010, cujo acórdão restou ementado da seguinte forma: “PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO PIS/ COFINS NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Também o CARF já decidiu nesse sentido, conforme se depreende da ementa a seguir reproduzida: Fl. 721DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 10 19 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. (...) (Acórdão nº 3401001.585 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 1º de setembro de 2011). Portanto, uma vez comprovado que os produtos identificados como embalagem de papelão, fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem de papelão etc. tenham sido adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, tributados pela contribuição e utilizados na embalagem para transporte dos bens produzidos pelo Recorrente, sua aquisição deve ser considerada na apuração dos créditos devidos. II.b Peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Foram glosados pela Fiscalização os créditos decorrentes da aquisição de peças de reposição, identificadas como “bico spray, bomba, esfera cerâmica, correia transportadora, válvulas direcionais, comando eletrônico, aparelho de medição, sensor, facas etc.” e os serviços de manutenção prestados em máquinas (consertos, serviços de revestimento com borracha, manutenção), por terem sido considerados como bens “imobilizáveis”, passíveis de depreciação, tendo em vista que contribuem para mais de um exercício. A Delegacia de Julgamento manteve a glosa, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovara a relação existente entre as peças de reposição e as máquinas utilizadas no processo produtivo, o que, por falta de provas, impediria a sua aceitação como itens geradores de crédito. Segundo o Recorrente, os bens dispendidos e os serviços com reformas, reparos ou retíficas destinamse à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, não sendo passíveis de imobilização, por sofrerem grande desgaste na fabricação de portas, batentes e guarnições, necessitando de reposições regulares, de forma a manter as máquinas em condições normais de funcionamento. O Recorrente reproduz algumas soluções de consulta da Receita Federal, em que se consigna que “[as] ferramentas adquiridas para utilização em máquinas da linha de produção, a contratação de mãodeobra de pessoas juridicas para operação e manutenção de Fl. 722DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 20 equipamentos da linha de produção (...) são considerados insumos, para fins de creditamento da Cofins” (Solução de Consulta Disit08 nº 30/2010). Tal entendimento consta de algumas outras soluções de consulta, como a de nº 420, de 5 de dezembro de 2010, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União de 2 de fevereiro de 2011, em que se registrou que “[os] valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, podem compor a bse de cálculo dos créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie”. Constatase, portanto, que a própria Administração tributária concebe que as ferramentas e os serviços de manutenção de máquinas utilizadas no processo produtivo dão direito à apuração de créditos das contribuições na sistemática da não cumulatividade. Junto ao recurso, o contribuinte traz aos autos, além das notas fiscais apresentadas na Manifestação de Inconformidade, cópias de outras notas fiscais de aquisição dos bens – doc. 3 (bico spray, esfera cerâmica, correia transportadora, válvulas direcionais, comando eletrônico, aparelho de medição, sensor, facas, serviços de conserto, serviços de revestimento com borracha, manutenção), bem como de fotos contendo detalhes de sua utilização na indústria (doc. 4). Com base apenas nas fotos reproduzidas no anexo, não é possível afirmar, peremptoriamente, conforme assegura o Recorrente, que tais bens têm vida útil inferir a um ano – condição para a sua não imobilização –, pois quase todos eles se mostram como bens duráveis, passíveis de utilização por mais de doze meses, cujos valores de aquisição são significativos, denotando tratarse de bens que não se consomem no processo produtivo em período inferior a um ano. Por exemplo, as fotos dos suportes para discos e das válvulas direcionais indicam que tais bens têm um porte considerável, assemelhandose mais a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado do que a bens consumidos durante o processo de industrialização. Dessa forma, mostrase mais consentâneo com a realidade dos autos a “imobilização” de parte dos bens glosados, a saber: esfera cerâmica, correia transportadora, válvulas direcionais, comando eletrônico, aparelho de medição, sensor, facas, cujo creditamento se dará a partir de sua depreciação, nos termos fixados na lei. Por outro lado, acatase como bem/serviço utilizado como insumo (art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003) o dispêndio a título de reparos/peças de reposição com o chamado “bico spray” 3, dada a sua correlação com o processo produtivo (beneficiamento, preparação de superfícies, marcação e identificação de produtos) e a sua não configuração como bem do ativo imobilizado. Quanto aos serviços de manutenção das máquinas e equipamentos comprovadamente utilizados na produção, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e submetidos à tributação, eles devem ser considerados como insumos para fins de apuração de créditos da contribuição não cumulativa, conforme já vem decidindo a Receita Federal por meio de soluções de consulta, o que engloba as pequenas peças de reposição, não passíveis de imobilização. 3 "Os bicos de spray são recomendados para uso nos processos de lavagem, desengraxe, preparação de superfícies e linhas de pintura" (www.anpraco.com.br/product_detail15.html). Fl. 723DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 11 21 II.c – Outros bens: marcador esferográfico, lápis estaca vermelho, massa corrida e tinta para carimbos. A Fiscalização glosou os créditos relativos às aquisições de outros materiais que, segundo ela, não se agregam aos produtos finais. Somente o produto “marcador industrial” foi acatado pela Delegacia de Julgamento, tendo sido mantida a glosa relativa aos demais. Segundo o Recorrente, tais bens são insumos utilizados na fabricação de portas, eis que se agregam ao produto final, inexistindo razão para as glosas efetuadas. Para o relator a quo, a massa corrida e a tinta para carimbo podem ser também utilizados em atividades não diretamente relacionadas ao processo produtivo, em decorrência do que eles não poderiam ser considerados como consumidos no processo produtivo. No anexo identificado como doc. 5, o Recorrente reproduz fotos relativas aos bens glosados, sendo possível detectar que a tinta para carimbo (recipiente de 1.000 ml e registros na madeira) é utilizada em carimbos destinados a marcar os produtos fabricados com informações relativas ao país de fabricação (Made in Brazil) e à identificação do produto. Quanto à massa corrida, destinada a corrigir pequenos defeitos da madeira, ela também se mostra consentânea com a produção do Recorrente, assim como o marcador esferográfico e o lápis estaca, estes destinados à marcação e à identificação dos produtos finais destinados à venda, subsumindose, por conseguinte, à previsão normativa (art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). Diante dessas constatações, acolhese o creditamento relativamente ao marcador esferográfico, ao lápis estaca vermelho, à massa corrida e à tinta para carimbos, observados os demais requisitos impostos pela lei. IId Encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. A Fiscalização glosou os encargos de depreciação decorrentes de bens considerados não utilizados na produção, a saber: exaustores, sistema de exaustão e filtragem, central de controle e peças para máquinas, aspirador de pó industrial, bombas, motorredutor, elevador industrial, extrator hidráulico, calibrador etc. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos, além da descrição dos referidos bens, cópias de fotografias de parte deles (doc. 13), em que se constata tratarse de máquinas e equipamentos, duráveis e de porte considerável, utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. Nessa condição, contudo, não se enquadram o bisturi eletrônico, os aparelhos de acuidade visual e o calibrador, bem como suas partes e peças (todos eles utilizados no ambulatório da empresa), dada a não configuração de bens utilizados diretamente no processo produtivo, condição essa imprescindível para se caracterizar um equipamento como afetado à produção, nos termos exigidos pelo art. 3º, inciso VI da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento argumentou que, pela descrição apresentada pelo contribuinte, os bens, em regra, não se caracterizariam como máquinas ou equipamentos Fl. 724DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 22 utilizados na produção de mercadorias destinadas à venda, no contexto do processo produtivo da empresa, não gerando, por conseguinte, direito ao creditamento, com exceção do bem descrito como "central de controle e peças para máquinas", utilizado para o lixamento de portas, o qual, caso houvesse nos autos a prova de sua aquisição, poderia ser acatado como bem utilizado na produção. O Recorrente, em sua defesa, reproduz o Parecer Normativo da Coordenação Geral de Tributação da Receita Federal nº 7/1992, em que se consigna que “como industriais devem ser entendidos (...) as máquinas, aparelhos e equipamentos empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico”. Pelas informações constantes dos autos (descrição dos equipamentos, fotografias, notas fiscais de aquisição etc.), com exceção do bisturi eletrônico, os aparelhos de acuidade visual e o calibrador, bem como suas partes e peças, é possível constatar que se trata de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado da pessoa jurídica que, por força no contido no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso III, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, são passíveis de creditamento com base nos encargos de depreciação. No que se refere aos dispêndios com edificações e benfeitorias, ex vi do contido no art. 3º, inciso VII, da Lei nº 10.833/2003, temse que inexiste o requisito de destinação dos serviços ao parque fabril da pessoa jurídica, alcançando o direito ao creditamento todo o conjunto de construções utilizado nas diferentes atividades desenvolvidas pela sociedade empresária. Dessa forma, devese acatar o direito de apuração de créditos com base nos encargos de depreciação/amortização em relação aos gastos comprovadamente suportados pelo Recorrente, observados os demais requisitos legais, relativos a obras de aterro e terraplenagem realizadas no imóvel da pessoa jurídica, assim como a construção de rede pluvial, cercamentos, instalação de piso no pátio (lajotas), construção de guarita, de espaçoes para treinamento etc. III. Conclusão Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso, para RECONHECER o direito do contribuinte de se creditar, observados os elementos probatórios constantes dos autos, precipuamente aqueles averiguados e atestados pela repartição de origem, identificados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, quanto a: (i) produtos identificados como embalagem de papelão, fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica, embalagem de papelão etc.; (ii) encargos de depreciação calculados sobre máquinas e equipamentos (esfera cerâmica, correia transportadora, válvulas direcionais, comando eletrônico, aparelho de medição, sensor, facas, exaustores, sistema de exaustão e filtragem, central de controle e peças para máquinas, aspirador de pó industrial, bombas, motorredutor, elevador industrial, extrator hidráulico, calibrador etc.); iii) bem/serviço utilizado como insumo, referente a dispêndio a título de reparos/peças de reposição (bico spray); (iv) serviços de manutenção das máquinas e equipamentos comprovadamente utilizados na produção, o que engloba as pequenas peças de reposição, não passíveis de imobilização; (v) marcador esferográfico, lápis estaca vermelho, massa corrida e tinta para carimbos; (vi) encargos de depreciação/amortização calculados sobre edificações e benfeitorias (obras de aterro e terraplenagem realizadas no imóvel da pessoa jurídica, assim como a construção de rede pluvial, cercamentos, instalação de piso no pátio (lajotas), construção de guarita, de espaços para treinamento etc.). Fl. 725DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000654/200910 Acórdão n.º 380303.226 S3TE03 Fl. 12 23 Esclareçase que o provimento parcial se deve ao creditamento com base nos encargos de depreciação de parte das máquinas e dos equipamentos, em relação a qual o Recorrente pretendia se creditar a título de insumos (partes e peças de reposição) com base nos valores de aquisição. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS 24 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10925.000654/200910 Interessada: SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380303.226, de 17 de julho de 2012, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 17 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 727DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 22/07/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/07/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10840.904666/2009-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 27 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Sep 25 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3402-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Renata da Silveira Bilhim, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto trecho do Relatório da 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto: Trata-se de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório Eletrônico de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que homologou parcialmente a compensação declarada, no valor de R$ 25.894,12, dada a constatação de ser o saldo credor passível de ressarcimento inferior ao valor pleiteado. Consta do processo que o saldo credor de IPI refere-se ao terceiro trimestre de 2005 e foi apurado no CNPJ 44.346.138/0015-18, filial de Contagem/MG. Regularmente cientificada da homologação parcial da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: A Contribuinte promoveu a análise da documentação que deu origem ao crédito e constatou que o saldo no Registro de Apuração de IPI período de 01/09 a 30/09 de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 04 66 6/ 20 09 -4 7 Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3402-002.659 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.904666/2009-47 2005, fls. 30 a 33 (Anexo 1) é de R$ 42.031,66 e o crédito passível de ressarcimento é o mesmo, conforme a PER/DCOMP em questão. O razão contábil (Anexo 4) reflete exatamente o valor do saldo do livro de IPI que é de R$ 42.031,66. Contribuinte não vislumbra o fato que poderia ter levado a autoridade fiscal a não reconhecer o direito a totalidade do crédito. Por fim, requereu a reconsideração do despacho decisório a fim de reformar TOTALMENTE a compensação de COFINS com os créditos de IPI objeto desta PER/DCOMP em questão e determinar a anulação da cobrança da diferença do valor não homologado, posto que indevido. A 8ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14-48.957, de 27 de fevereiro de 2014 (fls. 75 a 77), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o despacho decisório. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 DCOMP. SALDO INICIAL. APURAÇÃO. O saldo credor inicial do livro de apuração do imposto (que corresponde ao saldo credor final do período anterior) não é àquele a ser considerado na Dcomp como o saldo credor de período anterior. Na Dcomp, o saldo credor inicial do período é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal, pois os valores já ressarcidos não podem constar no cálculo para abatimento dos débitos do contribuinte no período seguinte, sob pena de dupla utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão da DRJ em 09/06/2014 (fl. 92), a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 08/07/2014 (fls. 94 a 107), alegando a existência de saldo credor de IPI decorrente da transposição do saldo credor de dezembro de 2004, que seria suficiente para homologar a compensação pleiteada. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator, mediante sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo que é necessário converter o julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado refere-se à existência de saldo credor de IPI em dezembro de 2004, transposto para janeiro de 2005, que seria suficiente para a compensação pleiteada, e não o valor de R$ 12.190,57 que consta no Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível anexo ao Despacho Decisório. Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3402-002.659 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.904666/2009-47 Assim se manifestou o julgador a quo acerca quanto ao saldo credor do período anterior: Pelas alegações constantes de sua contestação, parece-me que a manifestante está confundindo os conceitos e os instrumentos que envolvem a compensação declarada e o livro de apuração do imposto. Uma coisa é o preenchimento do livro de apuração de IPI e o saldo credor do imposto acumulado no final do período, outra é o valor que pode ser ressarcido ou compensado deste valor. Primeiro, deve ficar claro que somente os créditos escriturados no trimestre calendário de referência podem ser ressarcidos. Depois deve-se ter em conta que o saldo inicial da apuração é o saldo credor do livro de apuração do IPI no período anterior subtraído do valor dos créditos, cujo pedido de ressarcimento ou compensação já foi transmitido para a Receita Federal. Assim, o que se pretende na Dcomp é a apuração do valor ressarcível dos créditos escriturados no trimestre e não ser uma simples conta-corrente do imposto na apuração do valor devido ou de seu crédito acumulado. Portanto, o saldo credor passível de ressarcimento somente pode ser aquele demonstrado no PER/DCOMP, quando considerado os ajustes necessários decorrentes da utilização de créditos em outros trimestres, pois, na sistemática de apuração do IPI, há interrelação entre os períodos, na medida em que saldos credores são transportados para períodos subseqüentes e utilizados na dedução de débitos do imposto. Neste diapasão, na Dcomp, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL tem por finalidade evidenciar a apuração do saldo credor passível de ressarcimento ao final do trimestre de referência. São considerados passíveis de ressarcimento, relativamente ao trimestre de referência, apenas os créditos escriturados neste trimestre. O saldo credor acumulado de trimestres anteriores é considerado não passível de ressarcimento no trimestre de referência, podendo ser utilizado, neste trimestre, apenas para deduzir, escrituralmente, os débitos de IPI. Desta forma, o saldo credor inicial do demonstrativo (Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível no primeiro período de apuração - coluna b) corresponde ao Saldo Credor apurado ao final do trimestre-calendario anterior ajustado (reduzido) pelos valores dos créditos compensados em PERDCOMP de trimestres anteriores. Observe-se que o ressarcimento de créditos escriturados em outros trimestres, que não o de referência, deve ser pleiteado em PERDCOMP apresentado especificamente para cada trimestre. Sendo assim, o cálculo feito na Dcomp e o saldo do trimestre passível de ressarcimento é bem diferente do valor apurado no livro de apuração do imposto. De acordo com referido demonstrativo, a empresa possuía R$ 0,00 (zero) de saldo credor de período anterior disponível para o abatimento de débitos de IPI no período, pois todo o saldo do período anterior fora ressarcido ou compensado. Portanto, os créditos do período (R$ 42.031,66) após o abatimentos dos débitos do período, resultou em um saldo credor no montante de R$ 25.894,12. Assim se insurgiu a Recorrente: Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3402-002.659 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.904666/2009-47 Tanto em sua Manifestação de Inconformidade, quanto em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega a existência de saldo suficiente para a compensação pleiteada, que seria decorrente do saldo final do período anterior, e que a Autoridade Fiscal teria excluído duplamente o valor pleiteado em PERDCOMP referente ao período anterior. Discute-se a mesma questão no processo 10840.904664/2009-58, julgado em conjunto com o presente processo, cujo saldo credor do período anterior não ressarcível, após o ajuste efetuado pela fiscalização, totalizou R$12.190,57. O ajuste efetuado no processo 10840.904664/2009-58 reflete no valor discutido no presente processo. No Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível anexo ao Despacho Decisório consta o valor de R$12.190,57 na coluna (b) - Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível, para o primeiro período de apuração, com a informação que o valor “será igual ao saldo credor apurado ao final do trimestre-calendário anterior, ajustado pelos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores”. Reproduzo o referido demonstrativo: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCIVEL Entretanto, não consta dos autos a demonstração dos ajustes efetuados, tanto considerando o pleito da recorrente, quanto o cálculo fiscal. Na DCOMP foi informado como saldo credor no período anterior o valor de R$ 27.861,22, que teria sido ajustado para R$0,00. A Recorrente apresentou o seguinte demonstrativo: Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3402-002.659 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.904666/2009-47 Entretanto, não consta dos autos a demonstração dos ajustes efetuados, tanto considerando o pleito da recorrente, considerando o histórico do saldo credor, quanto o cálculo fiscal. Dessa forma, permanece a dúvida quanto à procedência do ajuste do valor efetuado pela Autoridade Fiscal, com base nos valores dos créditos reconhecidos em PERDCOMP de trimestres anteriores, e se os valores foram “duplamente” ajustados. Diante disso, com fundamento nos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, voto por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a Autoridade Fiscal explique e demonstre os ajustes efetuados no saldo credor de período anterior no valor de R$0,00 (Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível anexo ao Despacho Decisório, coluna b - Saldo Credor de Período Anterior Não Ressarcível), e anexe as PERDCOMPs anteriores que foram usadas no ajuste processado, avaliando se a Recorrente já havia deduzido o valor pleiteado em PERDCOMPs anteriores na apuração do saldo credor transposto para o período subsequente, conforme alegado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestar-se no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital
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