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Numero do processo: 10166.722582/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2006
CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Não participou do julgamento o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira que substituiu o Conselheiro José Luiz Feistauer que votou em sessão anterior.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Não participou do julgamento o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira que substituiu o Conselheiro José Luiz Feistauer que votou em sessão anterior. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 82 /2 01 2- 91 Fl. 1083DF CARF MF 2 Relatório Por tratarse de retorno de diligência adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância. A interessada transmitiu Per/Dcomp (fls. 02 a 06) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/06/2006. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição da contribuinte emitiu Despacho Decisório em 26/11/2012 (fls. 992 a 1005), no qual não homologa a compensação pleiteada, por considerar indevidas as alterações efetuadas na retificação do Dacon, as quais resultaram em redução do valor de Cofins a pagar e, conseqüentemente, no alegado pagamento a maior da contribuição. Segundo Despacho Decisório emitido pela DRF, a contribuinte recalculou o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de não cumulativo para cumulativo, e, ainda, excluindo da base de cálculo da contribuição os valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). No entendimento da DRF, a tributação das receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003 deve ser feita no regime nãocumulativo, tendo em vista a descaracterização de preço determinado daqueles contratos. Pelos documentos apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal constatou que o índice utilizado nos reajustes dos contratos foi o IGPM, o qual não se constitui em índice específico de nenhuma categoria ou produto, não se adequando, portanto, ao disposto no §3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção do serviço prestado pela contribuinte e nem tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Com relação aos valores relativos a CCC, entende a DRF de origem que integram a base de cálculo da contribuição calculada na sistemática da nãocumulatividade, por caracterizarse como “receita” e não como “recuperação de despesas”. Cientificada em 05/12/2012 (fl. 1009/1010), a contribuinte apresentou, em 20/12/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 1011 a 1025, com as alegações a seguir resumidas. DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC): Explica que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) foi instituída pela Lei nº 5.899/1973, com o objetivo principal de permitir a modicidade das tarifas de energia elétrica em usinas termoelétricas, em face dos elevadíssimos custos com combustíveis derivados de petróleo, seu principal insumo. Segundo a contribuinte, essa conta funcionaria como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRÁS, a qual recebe Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10166.722582/201291 Acórdão n.º 3201003.011 S3C2T1 Fl. 3 3 cotas anuais de concessionárias de todo o país, utilizando esses recursos para reembolsar as empresas geradoras de energia em usinas termoelétricas (entre elas, a requerente), por parte dos seus custos de combustíveis. Neste sentido, alega que os valores recebidos se caracterizam como reembolso, nos termos do Decreto nº 744/1993, enquanto a incidência do PIS e da Cofins se dá sobre o faturamento mensal da empresa, assim compreendido o total das receitas auferidas. Ressalta que nem todo ingresso de valor constitui receita, a qual implica em algum acréscimo patrimonial, o que não se verifica no presente caso. Acrescenta às suas alegações o art. 110 do CTN, bem como jurisprudência a respeito da inclusão de receitas e Despacho da ANEEL que determina que os valores da CCC sejam contabilizados como “Recuperação de Despesas”, salientando que está sujeito a suas determinações. DA MANUTENÇÃO DO PREÇO PREDETERMINADO INCIDÊNCIA DO REGIME CUMULATIVO: Sobre os valores tributados com base no regime cumulativo, aduz que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza pela simples previsão de reajuste decorrente da correção monetária e que a previsão de manter a tributação cumulativa para as receitas decorrentes de contratos anteriores a 31/10/2003 alcançou aqueles como preços predeterminados, ainda que sujeitos a cláusulas de reajuste, desde que por critério prefixado e destinado à mera recomposição monetária. Nesse sentido, cita entendimentos da Terceira Turma do TRF 5 e do TRF da 3ª Região, invocando a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 468/2004, que restringiu o alcance da Lei nº 10.833/2003, cujo intuito, ao manter os contratos no regime anterior, foi manter o equilíbrio econômicofinanceiro contratual. Destaca que a IN SRF nº 468/2004 foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 658/2006, que determina que, para descaracterização do preço predeterminado, é necessário o reajuste em valor superior aos custos de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, o que não ocorreu no seu caso. Argumenta que o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção monetária da energia elétrica, não havendo legislação que o impeça de constituir índice específico de categoria ou produto, e que se adequa ao disposto no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados nos seus serviços prestados. Aduz que a RFB acabou por impedir que contratos usufruíssem a permanência no regime da cumulatividade, mesmo quando enquadrados nas hipóteses previstas na Lei nº 10.833/2003, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, através de veículo inadequado – IN – e, ainda, sendo a RFB incompetente para editar tal norma, a qual também não pode ser aplicada retroativamente, por tratarse de norma interpretativa, que não pode agravar a situação do contribuinte, citando julgado acerca do tema. Insiste no fato de que o preço predeterminado aceita Fl. 1085DF CARF MF 4 reajustes, sim, pois, caso a intenção do legislador fosse não abarcar os contratos com esses reajustes, teria utilizado o termo “preço fixo” na lei, e cita julgados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. RESOLUÇÕES ANEEL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendolhe vedado Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10166.722582/201291 Acórdão n.º 3201003.011 S3C2T1 Fl. 4 5 adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fiscocontribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso em extenso arrazoado defende a incidência da COFINS cumulativa sobre as receitas decorrentes dos contratos de suprimento de transmissão, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 e sobre os valores repassados a títulos de subsidio às empresas geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas. Portanto a lide da discussão trata da sistemática de apuração a ser utilizada para a apuração da COFINS. A Recorrente defende a apuração no modelo cumulativo e a Receita Federal considera que a apuração deve ser feita na modalidade não cumulativa. Em julgamento de processo que trata da mesma matéria, tendo como sujeito passivo a própria Recorrente, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela apuração não cumulativa da Cofins, confirmando a posição adotada pela Receita Federal. A decisão consta do Acórdão nº 9303003.543, julgado na sessão de 17 de março de 2016, que teve o voto vencedor de Relatoria do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho. Por concordar plenamente com a posição adotada na Câmara Superior, peço vênia para incluir o voto vencedor daquele acórdão no meu voto e fazer dele minhas razões de decidir. Portanto, a pedra angular da lide posta nos autos restringese a decidir se o recorrente deveria apurar o PIS e a Cofins no regime cumulativo ou no regime nãocumulativo. Essa matéria foi enfrentada e votada na sessão passada no processo nº 19515.722154/201145, de relatoria do conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujo voto o acompanhei, de forma Fl. 1087DF CARF MF 6 que peço vênia para transcrevêlo e utilizálo com razões de decidir, verbis: A discussão em debate centrase em decidir qual regime de tributação estavam sujeitas as receitas decorrentes de contratos do setor elétrico firmados anteriormente a 31/10/2003, se pelo regime cumulativo ou nãocumulativo do PIS e da Cofins. De um lado, o sujeito passivo defende que suas receitas permaneceram tributadas pelo regime da cumulatividade, por força do disposto na 1alínea b do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, de outro, o Fisco entendeu que as condições para que as receitas auferidas pela contribuinte permanecessem tributadas pelo regime cumulativo não foram atendidas, e que, portanto, deveriam ter sido recolhidas na nova sistemática, ou seja, na nãocumulatividade. A controvérsia, pois, reside na questão de se decidir qual o regime de tributação de incidência do PIS e da Cofins aplicase às receitas decorrentes dos contratos de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, firmados pela ora recorrida. Se permanece no cumulativo, com amparo nas disposições da alínea “b”, inciso XI, do artigo 10, e artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, ou no não cumulativo, enquadrandose na regra do novo regime de tributação dessas contribuições. O âmago dessa controvérsia restringese à definição do que se deve entender por contrato com preço predeterminado, a que se refere a alínea b do inciso XI do art. 10 da Lei 10.833/2003. O Fisco, com arrimo na Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, e no Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, entendeu que o tipo de contratado de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, celebrado pela ora recorrida, não se enquadraria como contrato de preço predeterminado, pois as cláusulas de reajuste de preços, com base no IGPM, não refletiriam apenas a variação de custo de produção ou de insumos, condição necessária para a manutenção da incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas relativas a esse contrato. Inicialmente, afasto os argumentos da autuada sobre a competência da ANEEL para regulamentar a incidência de tributos, ainda que relativo a atividades do Setor Elétrico. As Notas Técnicas e as Resoluções dessa agência reguladora aplicase às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. A competência dessa agencia reguladora, abrange a seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos, mas não é tão ampla a ponto de alcançar as relações de natureza tributária. Assim, eventuais pronunciamentos da ANEEL sobre regime de tributação aplicáveis a quem quer que seja, é meramente opinativa, despida de qualquer força normativa ou vinculante. Tampouco pode ser incluída no rol da legislação tributária a que alude o art. 96 do CTN. Desta feita, aqui não será debatido eventual opinião da ANEEL sobre o regime de tributação do PIS e da Cofins, a que está sujeita a recorrida. Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10166.722582/201291 Acórdão n.º 3201003.011 S3C2T1 Fl. 5 7 Com esses esclarecimentos, passase à análise da questão trazida debate. O PIS e a Cofins foram instituídas na sistemática de incidência cumulativa, posteriormente, com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, instituise o regime nãocumulativo para o PIS/Pasep, com efeitos a partir de 1º de dezembro de 2002. A seu turno, a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, trouxe para a Cofins o regime nãocumulativo. Todavia, algumas pessoas jurídicas permaneceram obrigadas a recolher essas contribuições na sistemática cumulativa. Também permaneceram sujeitas à incidência cumulativa algumas receitas percebidas pela sociedade empresária, independentemente, do regime a que ela estava sujeita. Essas exceções foram explicitadas nos arts. 10 e 15 da Lei nº 10.833/2003, nos termos seguintes: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º I Omissis ........................................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) Omissis b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I Omissis ......................................................................................................... V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Os dispositivos acima não deixam margem à dúvida de que, para permanecerem na sistemática cumulativa, as receitas objeto deste debate precisariam referirse a contratos que atendessem a quatro requisitos, a saber: a) houvessem sido firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; b) tivessem prazo de duração superior a um ano; c) tivessem por objeto construção por empreitada ou fornecimento de bens ou serviços; e d) o preço pactuado fosse predeterminado. Quanto aos três primeiros requisitos dos contratos, não há controvérsia, apenas o último – o do preço predeterminado é que se converteu no pomo da discórdia. Fl. 1089DF CARF MF 8 A definição de preço predeterminado gerou grande celeuma, levando os interessados a reajustarem seus contratos por índices de inflação, acreditando que, com isso não se descaracterizaria os contratos como por preço predeterminado, inclusive, com a anuência da agência reguladora do setor. Assim, não interessaria quanto tempo durasse o contrato, o preço continuaria o pactuado no início, já que a correção por índice de inflação não alteraria o preço préacordado. Em novembro de 2005, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, trouxe regra de reajuste dos contratos que não desnaturaria a característica de preço predeterminado. Esse reajuste teria de refletir o custo de produção ou a variação de índices que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Com a palavra o legislador: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por sua vez, editou a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, para interpretar os dispositivos legais que tratam do preço predeterminado. Segundo a interpretação da Administração Tributária, cláusulas de reajuste, independentemente da periodicidade, como também as regras de reajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, após sua implementação, afastariam o caráter predeterminado do contrato. Para não haver a descaracterização de preço predeterminado, o reajuste não poderia exceder o aumento do custo de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. §1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10166.722582/201291 Acórdão n.º 3201003.011 S3C2T1 Fl. 6 9 A meu sentir, a interpretação dada por essa IN é perfeitamente compatível com norma veiculada no art. 10 da Lei 10.833/2003 e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Na verdade, é uma reprodução literal do texto legal. Ora, dada a similitude da regra trazida na IN com a veiculada na lei, não me parece coerente atacar a interpretação da Administração Tributária. Assim, para que o ajuste ou revisão de preço não descaracterizem o contrato como de preço predeterminado, o acréscimo deve refletir o aumento do custo de produção, ou a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Visitada a legislação, passase ao exame das cláusulas contratuais que têm relevância ao deslinde da Lide. Neste mister, socorrome da análise feita pelo relator do acórdão de primeira instância, a quem, desde já rendo as homenagens de estilo. 36. No caso concreto, analisando as Cláusulas Sexta dos Contratos de Concessão de Transmissão nº 59/2001 (fls. 27342736) e nº 143/2001 (fls. 28112813), verificase que a receita decorrente do serviço de transmissão (Contrato de Prestação de Serviços de Transmissão CPST) consiste de Receita Anual Permitida (RAP), a ser reajustada anualmente conforme as fórmulas lá postas, da qual é integrante o Índice Geral de Preços Mercado – IGPM da Fundação Getúlio Vargas. 37. A Quinta Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 59/2001 prevê que: “No atendimento ao disposto no § 3º, art. 9º, da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a assinatura deste CONTRATO, quando comprovado seu impacto, implicará revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA, para mais ou para menos, conforme o caso.”. Igual previsão consta da Oitava Subcláusula da Cláusula Sexta do Contrato de Concessão de Transmissão nº 143/2001. 38. Portanto, estes contratos não só são corrigidos pelo IGPM, mas como também pela variação tributária. O fato de tais reajustes estarem expressamente previstos em cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, em princípio, já afastaria o caráter predeterminado das tarifas acordadas, a partir da implementação da primeira alteração de preços, após 31 de outubro de 2003. 39. Resta então verificar se tais cláusulas de reajustes (com base no IGPM e em razão da alteração, extinção ou criação de tributos ou encargos setoriais com o objetivo de atender à “manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato de concessão”) enquadrase no conceito de “reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”, para fins de aplicação do art. 109, da Lei nº 11.196, de 2005. 40. O IGPM, segundo informações constantes do site da Fundação Getúlio Vargas – FGV (www.fgv.br), tem as seguintes características: ...................................................................................................... Fl. 1091DF CARF MF 10 O IGPM tem como base metodológica a estrutura do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI),resultando da média ponderada de três índices de preços: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), o Índice de Preços ao Consumidor (IPCM) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCCM). À semelhança do IGPDI, a escolha desses três componentes do IGPM tem origem no fato de refletirem adequadamente a evolução de preços de atividades produtivas passíveis de serem sistematicamente pesquisadas (operações de comercialização em nível de produtor, no varejo e na construção civil). Quanto à adoção dos pesos convencionados, cujos valores representam a importância relativa de cada um desses índices no cômputo da despesa interna bruta, justificase do seguinte modo: a) os 60% representados pelo IPAM equivalem ao valor adicionado pela produção, transportes e comercialização de bens de consumo e de produção nas transações comerciais a grosso; b) os 30% de participação do IPCM equivalem ao valor adicionado pelo setor varejista e pelos serviços de consumo; c) quanto aos 10% complementares, representados pelo INCCM, equivalem ao valor adicionado pela indústria da construção civil. 41. Está claro então que não se trata de índice que reflita especificamente os custos da autuada. Não há como entender que um índice de reajustes com base em preços médios de mercado, como o IGPM, seja um índice que reflita o custo dos insumos de transmissão de energia elétrica. 42. Assim, tal tipo de índice de variação não reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelo contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM) que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matérias primas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos Veja, a seguir, a estrutura desse índice. Estrutura hierárquica do IPAM Segundo Origem (OG) IPAM PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LAVOURAS TEMPORÁRIAS LAVOURAS PERMANENTES PECUÁRIA Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10166.722582/201291 Acórdão n.º 3201003.011 S3C2T1 Fl. 7 11 PRODUTOS INDUSTRIAIS INDÚSTRIA EXTRATIVA CARVÃO MINERAL MINERAIS METÁLICOS MINERAIS NÃOMETÁLICOS INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO PRODUTOS ALIMENTÍCIOS E BEBIDAS PRODUTOS DO FUMO PRODUTOS TÊXTEIS ARTIGOS DO VESTUÁRIO COUROS E CALÇADOS PRODUTOS DE MADEIRA CELULOSE, PAPEL E PRODUTOS DE PAPEL PRODUTOS DERIVADOS DO PETRÓLEO E ÁLCOOL PRODUTOS QUÍMICOS ARTIGOS DE BORRACHA E DE MATERIAL PLÁSTICO PRODUTOS DE MINERAIS NÃOMETÁLICOS METALURGIA BÁSICA PRODUTOS DE METAL MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA MÁQUINAS, APARELHOS E MATERIAIS ELÉTRICOS MATERIAL ELETRÔNICO, APARELHOS E EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO VEÍCULOS AUTOMOTORES, REBOQUES, CARROCERIAS E AUTOPEÇAS OUTROS EQUIPAMENTOS DE TRANSPORTE MÓVEIS E ARTIGOS DO MOBILIÁRIO Segundo Estágios de Processamento (EP) IPAM BENS FINAIS BENS DE CONSUMO ALIMENTAÇÃO ALIMENTAÇÃO IN NATURA ALIMENTOS PROCESSADOS COMBUSTÍVEIS NÃO DURÁVEIS EXCETO ALIMENTAÇÃO E COMBUSTÍVEIS BEBIDAS E FUMO VESTUÁRIO, CALÇADOS E ACESSÓRIOS MEDICAMENTOS E ARTIGOS PARA RESIDÊNCIA, HIGIENE E LIMPEZA BENS DE CONSUMO DURÁVEIS UTILIDADES DOMÉSTICAS AUTOMÓVEIS E ACESSÓRIOS BENS DE INVESTIMENTO VEÍCULOS PESADOS MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS BENS INTERMEDIÁRIOS MATERIAIS E COMPONENTES PARA MANUFATURA MATERIAIS E COMPONENTES PARA CONSTRUÇÃO COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES PARA PRODUÇÃO EMBALAGENS SUPRIMENTOS MATÉRIASPRIMAS BRUTAS Fl. 1093DF CARF MF 12 AGROPECUÁRIAS COMERCIALIZÁVEIS PROCESSAMENTO INDUSTRIAL PARA FINS ALIMENTARES PROCESSAMENTO INDUSTRIAL PARA FINS NÃO ALIMENTARES MINERAIS 2.1. ESTRUTURA DA AMOSTRA DE PRODUTOS A seleção dos produtos integrantes do IPA se faz em duas etapas. Primeiramente, são escolhidas as classes de produtos a serem representadas e, em seguida, os produtos considerados em cada uma destas classes. Índice Geral de Preços Mercado De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Não fossem as razões expendidas acima suficientes para refutar a tese de defesa da autuada, o inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, ao qual remete o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, deixa claro que a correção de preços por variação do Índice de Preços ao Consumidor, ou de índices gerais de preços que o tenham sucedido, é, absolutamente, distinta da fórmula de reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. vejase o dispositivo acima aludido Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10166.722582/201291 Acórdão n.º 3201003.011 S3C2T1 Fl. 8 13 II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados;...” Como se pode observar da leitura do dispositivo acima, o legislador diferenciou, nitidamente, os índices de preços gerais daqueles que refletem os custos de produção ou os custos dos insumos. Como bem observou o relator da Primeira instância, enquanto os primeiros refletem a variação de preços ao consumidor, a lei, quando se refere aos custos de insumos, remete a índices que traduzam os preços dos bens, materiais, equipamentos e pessoal utilizado pelas empresas para a consecução de suas finalidades econômicas. 45. Portanto, emerge dos próprios dispositivos legais que tratam da matéria em tela que variações de preço com base em índices gerais de preços descaracterizam os preços contratados pela impugnante como predeterminados. De tudo o que foi dito acima, não há como deixar de reconhecer que os contratos da recorrida, objeto da controvérsia ora em debate, não se caracterizavam como de preço predeterminado, e, por conseguinte, o regime de tributação do PIS e da COFINS, incidentes nas receitas referentes a esses contratos deve ser o nãocumulativo, como, acertadamente, decidiu o órgão julgador de primeira instância. Aliás, aqui peço licença para, mais uma vez, transcrever excerto do acórdão primeiro como arrimo desta decisão. 46. Além disso, ressaltese que a exceção contida no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006 diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito. 47. Do exposto, concluise que os contratos em questão não se caracterizam como a preço predeterminado, para fins de enquadramento nas hipóteses prevista na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, razão pela qual as receitas da impugnante deles decorrentes submetemse a tributação pelo regime nãocumulativo das contribuições. 48. Quanto ao reajuste decorrente de criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, notese que está disposto em cláusula contratual que quando comprovado seu impacto, implicará revisão da Receita Anual Permitida RAP. 49. Cabe agora, então, destacar a aplicação da lei para os contratos e licitações efetuados pela União, ante a menção da IN SRF nº 658/2006, art. 3º, inciso II, de que o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Vejamos o que diz o § 5º do art. Fl. 1095DF CARF MF 14 65 citado pela lei: § 5º Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da proposta, de comprovada repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos, conforme o caso. ........................................................................................................ 51. Ademais, relendo o art. 109 da Lei n° 11.196/2005, salvo nas hipóteses lá expressas, quaisquer reajustes de preços ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. E as duas únicas possibilidades, como já exaustivamente colocado, são: o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da nãocumulatividade (ou seja, manterse na cumulatividade), a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores é que foram modificados: somente neste caso, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da própria contratada, mas de um aumento de custo de sua produção. 52. O objetivo da exceção posta na lei era evitar o desequilíbrio contratual imprevisto. Entretanto, nos contratos em que há a previsão de que eventuais alterações na carga tributária influenciam diretamente nos preços acordados não há razão para manter a empresa signatária na regra temporária (cumulatividade). O que é óbvio porque a revisão de valor do preço da própria contratada, obrigatoriamente leva à modificação legislativa introduzida pela Lei n° 10.833/2003, dando ensejo à sua entrada no campo da nãocumulatividade. 53. Ressaltese que no caso dos contratos em questão, entretanto, essa circunstância é irrelevante, pois neles, como já visto, o reajuste anual é efetuado, essencialmente, com base na variação do IGPM e esse índice, de caráter genérico, não pode ser aceito como reflexo da variação do custo de produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção, nos termos do art. 109 da Lei n° 11.196/2005." Agora digo eu. Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso o resultado da aplicação do índice eleito superasse o resultado da aplicação do índice previsto na IN SRF nº 658/2006, deveria deixar de aplicálo e assim se manteria no regime cumulativo. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10166.722582/201291 Acórdão n.º 3201003.011 S3C2T1 Fl. 9 15 Compulsando os autos, não identifiquei documentos que demonstrassem o cotejo entre os dois índices acima mencionados e, por consequência, sua intenção de se manter no regime cumulativo. Feitas essas breves considerações, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. Sala de sessões, 17/03/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 1097DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000160/2002-01
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/08/1999
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALADI. REDUÇÃO. ORIGEM PREFERENCIAL.
Não cabe benefício preferencial de origem quando as mercadorias transitam, com descarga e armazenamento, por terceiro país não membro da ALADI.
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM.
É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e Fatura Comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Mantidos os juros de mora na forma do que dispõe o ART.61, §2º, da Lei 9430/96.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-000.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Moraes, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/08/1999 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ALADI. REDUÇÃO. ORIGEM PREFERENCIAL. Não cabe benefício preferencial de origem quando as mercadorias transitam, com descarga e armazenamento, por terceiro país não membro da ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e Fatura Comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Mantidos os juros de mora na forma do que dispõe o ART.61, §2º, da Lei 9430/96. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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ALADI. REDUÇÃO. ORIGEM PREFERENCIAL. Não cabe benefício preferencial de origem quando as mercadorias transitam, com descarga e armazenamento, por terceiro país não membro da ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e Fatura Comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Mantidos os juros de mora na forma do que dispõe o ART.61, §2º, da Lei 9430/96. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 01 60 /2 00 2- 01 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 310 2 Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Moraes, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão 930300.171, em virtude da relatora originária, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando ter se aposentado antes da formalização e assinatura deste acórdão. Sendo assim, adoto os textos da ementa, relatório e voto entregues à secretaria da CSRF pela relatora originária, in verbis: "Adoto o relatório da instância a quo: Em ato de revisão aduaneira da DI 99/07206989, adição 001, de 26/08/99, importação de óleo diesel (gasóleo), fls. 08/11, com alíquota de II de 9,00% reduzida para 6,48%, foi constatado que a fatura comercial que instruiu o despacho, nº PIFSB 1051/99, foi emitida por Petrobrás International Finance Co. – PIFCO, sediada nas Ilhas Cayman, não membro da ALADI, e que o país de origem da mercadoria é a Venezuela, conforme citado no Certificado de Origem. Posteriormente, em 13/09/2000, protocolou pedido de retificação da DI, através do processo 18336.000261/0040, solicitando o enquadramento da importação no ACE 39, conforme Decreto de execução 3138, de 16/08/99, com alíquota reduzida ainda mais para 1,80% de II. Nessa retificação, buscou a redução prevista para operações comerciais que obedeçam literalmente ao regime de origem da ALADI conforme o ACE 39, que consolida as Resoluções 227, 232 e os Acordos 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI. O CO foi emitido em 10/06/99, indicando como país de origem a Venezuela e como exportadora a PDVSA. Sua emissão foi, pelo menos, cinco meses anterior à emissão da fatura, de 22/11/99, e trouxe como código de classificação 2710.00.50, relativo à mistura de alquilidenos, quando na DI a mercadoria, óleo diesel, foi classificada sob o código 2710.00.41. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 310DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 311 3 O CO não faz referência no campo 10 sobre a participação de operador de um terceiro país, conforme estabelece a Resolução 232 do Comitê, recepcionada na legislação brasileira pelo Decreto 2865/98. O nº da fatura que consta do CO, 625410, diverge do da fatura que instrui a DI (PIFSB 1051/99). No CO não consta a quantidade da mercadoria objeto da certificação, como determina o Art. 1º do Acordo 91, que regulamenta as disposições referentes à certificação de origem. Em função do apontado foi lavrado AI, em 23/04/2002, para cobrança da diferença do II, acompanhada dos juros de mora e da multa de mora, 20,00%, do Art. 530 do RA, c/c o Art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96. Em impugnação tempestiva (fls. 31/48), alegando limitações existentes, por especificidades geopolíticas, aos negócios e dificuldades de natureza financeira, a mercadoria é enviada ao Brasil e uma das subsidiárias da Petrobrás paga o preço da compra ao produtor exportador situado na Venezuela e, concomitantemente, a Petrobrás revende a mercadoria à mesma subsidiária e a recompra, pelo mesmo preço porém com o acréscimo dos encargos financeiros, para alongar o prazo de pagamento. Afirma que as multas não podem prosperar, tanto que a jurisprudência dominante no 3º Conselho é no sentido de que a GI, ou DI, fora do prazo não pode ser considerada como inexistente. O Art. 4º, b, da Res. 78 e o Acordo 91, não vedam a compra direta com interveniência posterior de terceiros, com a finalidade de mera alavancagem financeira e sem trânsito por outro país; a vedação é quanto à figura do atravessador ou especulador e não impede que o importador subseqüentemente negocie a mercadoria, quando já satisfeitas a finalidade e as formalidades do acordo. Esse procedimento é vital para a economia do País. A operação comercial não colide com a intenção que presidiu a celebração dos acordos de redução, impondose o reconhecimento do benefício neles previsto, devido à real origem da mercadoria e sua expedição direta. O Art. 10 da Res. 78 determina que os signatários procederão a consultas entre si, sempre e prèviamente à adoção de medidas que impliquem em rejeição do CO, observandose, ainda, o devido processo legal. Diz ser improsperável a pretensa divergência entre os números constantes do CO e da fatura correspondente. Argüi a impossibilidade da perda da redução tarifária por erros formais de preenchimento do CO. Acrescenta que o AI está eivado de nulidade, por contrariar e negar vigência ao Art 10, IV, do Decreto 70235/72 ao não especificar de modo claro o que está sendo cobrado. Indaga, em atendimento ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, qual a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, “vez que há na mesma autuação fiscal, enquadramentos legais distintos e divergentes. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 312 4 Tendo em vista o Art. 112 do CTN, conclui que o cerne do AI reside na impossibilidade material de correlacionar a fatura comercial da PIFCO com a da PDVSA, o que não pode prosperar. Requer a realização de perícia para comprovar se os documentos objeto da presente lide têm a devida adequação ou correlação às importações em questão. Contesta a aplicação dos juros de mora como está feita, pois a CF estabelece o limite de 12%/ano. Cita respeitáveis doutrina e jurisprudência administrativa. Pede ser declarado nulo ou, em não sendo esse o entendimento, cancelado o AI. A decisão da DRJ/FORTALEZA, pelo Acórdão 1416, de 21/06/2002, da sua 2ª Turma (fls. 54/74), que leio em Sessão, rejeita a preliminar de nulidade e, no mérito, julga procedente o lançamento. Afirma haverem sido garantidas todas as cautelas processuais para a constituição do crédito tributário, uma vez respeitadas todas as disposições legais exigidas para tal fim. Não se constata nenhuma das hipóteses de nulidade no presente processo. São improsperáveis os argumentos de manifesta ilegalidade aduzidos pela impugnante. Na verdade o que ensejaria a nulidade, na visão da defesa, é inteiramente de mérito, o que analisará adiante. Inexistiu cerceamento do direito de defesa alegado, pois foi assegurada a ampla defesa através da ciência do Auto de Infração, que lhe possibilitou exercêla plenamente. Não foi acolhido pedido de perícia, por não haver sido formulado nos termos do Art. 16 do Dec. 70235/72, com a redação dada pela Lei 8.748/93, em seu Art. 1º que inseriu § 1º ao inciso IV desse Art. 16, e o Art. 18 desse Decreto, alterado pela mesma Lei citada, autoriza o julgador indeferir a perícia quando entendêla prescindível, informando suas razões, como feito neste caso. As decisões do Conselho de Contribuintes não possuem efeito vinculante. No mérito, ressalta que são despiciendas as alegações da defesa quanto à falta de razoabilidade da autuação por considerar inexistente a DI, ou GI, fora do prazo, bem como pela apresentação do CO fora do padrão, pois tais questões não foram suscitadas na autuação. Afirma ser incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre CO e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Além dessa divergência, há divergência entre as mercadorias importadas, existindo diferença quanto à sua subposição na Tarifa. O Auto de Infração capitulou correta e minudentemente a situação encontrada nessa importação, de acordo com toda a legislação de regência, seja no âmbito interno, seja no âmbito dos Acordos e suas regulamentações, não estando incluída na autuação, como uma de suas Fl. 312DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 313 5 motivações, a ausência de indicação de quantidades. Esclarece que não se aplica à hipótese dos Autos a Portaria DECEX 15, de 09/08/91, como alegado pela impugnante. Não discute a aplicação da taxa SELIC a título de juros, quando a CF fixa em 12%/ano, pois descabe àquela autoridade julgadora discutir matéria constitucional Com guarda de prazo e garantida a Instância, é apresentado Recurso Voluntário de fls. 80 a 109, que leio em Sessão, a fim de não ser omitido nada dessa peça, mas destacando seus aspectos principais. Inicia a peça recursal dizendo, preliminarmente, que o E. 3º Conselho já decidiu anteriormente os Recursos de nº 123.168, 123.183, 123.918, 123.171, 124.379 e 124.245, sem juntar cópias dos Acórdãos respectivos, dizendo que os entendimentos foram favoráveis à Petrobrás a respeito da mesma matéria deste processo, pedindo sejam mantidas as mesmas decisões. Assevera que o decisum está eivado de nulidades, comprometidas suas premissas e conclusões, por falta de fundamentação válida e eficaz. Assevera a impossibilidade da perda da redução tarifária por motivo de erros formais de preenchimento do CO e de outros documentos, transcrevendo Ementas de Acórdãos do E. 3° Conselho que dizem não se poder declarar nulos COs sem antes consultar os órgãos emitentes. Há contrariedade à orientação sistêmica do órgão central da SRF, a NOTA COANA/COLADI/DITEG 60/97, ou seja, a apresentação das faturas anteriores é despicienda e que “não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. Porém, a decisão considera, ao contrário, obrigatória tal apresentação,e no original das primeiras vias. Flagrante a contrariedade. Afirma que a intermediação de pessoas de terceiro país é corriqueira e não prejudica, por óbvio, o fato da origem, nem que se aplique a redução. Quanto ao descumprimento do Art. 10 da Res. 78, alude a fiscalização à divergência entre os números constantes dos COs e das faturas correspondentes à recompra. Como bem ressalta a NOTA COANA 60/97, o número da fatura comercial aposto na Declaração de Ortigem é condição coadjuvante com essa finalidade. Diz ela ainda: “Registrese, ainda em preliminar, que as exigências foram atendidas, demonstrando assim, além das ilegalidades, a sem razão da NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO (grifo do Relator). Destaca as crescentes dificuldades na captação de recursos, e menores prazos, enfrentadas pelo País, especialmente na importação de petróleo e seus derivados. Insiste no argumento, já apresentado na impugnação, que a intermediação em importações, inclusive no caso de preferência tarifária, já foi apreciada pela NOTA COANA já citada, que concluiu pela regularidade da operação e que não prejudica a redução tarifária, insistindo nas vantagens financeiras para o País. Trata, também, da passagem de mercadorias Fl. 313DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 314 6 em trânsito por um ou mais países não participantes do acordo, o que, se ocorrido, não causa a perda do benefício ora pleiteado. Diz reiterar todos os termos da impugnação e pede seja este AI declarado nulo e/ou insubsistente por ilegalidade, e, se assim não se entender, seja cancelado por sua manifesta improcedência. Este Processo foi enviado por despacho da DRJ/FOR a este E 3º Conselho e encaminhado a este Relator, como noticia o documento Encaminhamento de Processo, acostado pela Secretaria desta Câmara a fls. 116, nada mais existindo nos Autos sobre o assunto. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos negou provimento ao recurso interposto. A PETROBRÁS interpôs recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Aprecio o Recurso interposto em nome da PETROBRÁS, por estar irresignada com o teor do Acórdão proferido pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que ficou assim ementado: NULIDADES DO LANÇAMENTO Rejeitada a argüição de nulidade do lançamento, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. Nulidade Rejeitada. MÉRITO PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e Fatura Comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Mantidos os juros de mora na forma do que dispõe o ART.61, §2º, da Lei 9430/96. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 315 7 Conforme relatado, tratase de notificação de lançamento por descumprimento de cláusula constante do Regime de Origem ALADI. Adoto integralmente o voto proferido pelo Conselheiro José Luiz Novo Rossari, por corresponder à minha opinião sobre a matéria, notando aos destinatários deste voto que devem ser feitas as apropriações fáticas deste processo: Em exame a questão sobre o cabimento do benefício de redução do imposto de importação em face do Acordo de Complementação Econômica no 27 (ACE27), no âmbito da Aladi, para produtos que tenham sido exportados por terceiro país, não signatário desse acordo. No caso, tratase de importação de óleo diesel realizada pela recorrente, objeto de faturamento final pela empresa Braspetro Oil Services Co. (BRASOIL), situada nas Ilhas Cayman. Preliminarmente, e no que respeita à Nota Coana/Colad/Diteg no 60/97, alegada pela recorrente, devese ressaltar que, no que concerne ao regime de origem específico da Aladi, esse ato apenas sugere providências temporárias na hipótese de interveniência de operador de terceiro país. Destarte, esse ato não teve aplicação definitiva quanto ao regramento de origem estabelecido na Aladi, tendo em vista que teve por finalidade determinar as providências sugeridas até que fossem adotadas regras específicas pelo Comitê de Representantes da Aladi, isso em vista de até aquele momento não terem sido regulamentadas as operações envolvendo intervenientes de terceiros países. O referido ato apenas prevê a possibilidade de operação comercial em que participe interveniente de terceiro país, o que é expressamente permitido na legislação da Aladi, observados os requisitos e condições nela estabelecidos. O ACE 27 determina, em seu art. 10, que para a qualificação da origem das mercadorias para as quais se pleiteie o benefício de preferência tarifária, as partes contratantes deverão aplicar o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 do Comitê de Representantes da Aladi. Dentre os dispositivos instituídos por essa Resolução, para o uso do benefício tarifário, está o que obriga a que a mercadoria seja transportada diretamente da partecontratante exportadora para a partecontratante importadora. Esse dispositivo está contido no Artigo QUARTO, que estabelece, verbis: “QUARTO – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: Fl. 315DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 316 8 i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito, iii) (...)” destaquei A legislação da Aladi não veda a participação de operador de terceiro país, como dá conta expressamente o Artigo Segundo do Acordo no 91 da ALADI, incorporado pela Resolução no 232 do Comitê de Representantes da Aladi. Assim, não vejo fundamento na motivação exposta no auto de infração, de ocorrência de comércio, como referida na letra “b”, item ii, do retrotranscrito Artigo, razão por que afasto a suposta irregularidade. A caracterização de comércio ali vedada não se trata da venda pura e simples para o operador de terceiro país, e sim, o comércio, no referido país, da mercadoria objeto de trânsito, o que não foi apurado na ação fiscal. No entanto, no caso ora sob exame, não vejo como se possa dar razão à recorrente, tendo em vista que a operação comercial levada a efeito não foi realizada com observância do disposto na letra “b”, item i, do mesmo Artigo QUARTO da Resolução 78 do Comitê de Representantes da Aladi. No caso de que trata este processo, e de conformidade com o que afirma a própria recorrente, a mercadoria foi inicialmente vendida e embarcada para armazenamento em empresa localizada nas Bahamas. Essa operação fere frontalmente o disposto na letra “b”, item i, tendo em vista que o referido embarque não tem qualquer justificativa. Com efeito, o trânsito para esse país não está amparado pela norma que permite tal operação, que obriga a que o trânsito se justifique por motivos geográficos ou por considerações relativas a requerimentos de transporte. Como bem assinalado no auto de infração, conforme mapas anexos, o arquipélago das Bahamas encontrase totalmente distante e localizado em direção praticamente contrária à localização dos portos brasileiros, destino final da mercadoria. Não há motivo justificador desse embarque. Aliás, a recorrente não traz qualquer motivo para a operação, limitandose a afirmar que “a carga vem direto para o Brasil” (sic). Essa afirmação não tem qualquer fundamento. Na verdade, não ocorreu o afirmado embarque direto do país signatário da Aladi, nem qualquer justificativa foi feita, apenas uma afirmação descabida e que foge a qualquer lógica, visto que a mercadoria foi efetivamente embarcada e armazenada em empresa localizada nas Bahamas. Não se questionam nesse processo os aspectos comerciais da recorrente, mesmo por que não é matéria de interesse da administração aduaneira. Nesse sentido, os importadores podem se utilizar das opções comerciais que melhor lhes aprouver. A questão aqui é exclusivamente tributária e, nessa parte, por certo que os interesses comerciais utilizados pelos contribuintes não podem se Fl. 316DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 317 9 sobrepor às regras fiscais existentes, com mais vigor se essas decorrerem de atos internacionais de que o Brasil for signatário. Cumpre observar, por derradeiro, que o caso em exame dá conta de mais uma lide da recorrente que, embora se tratando da maior empresa brasileira, e dispondo de um sólido e eficiente departamento jurídico, não obedece aos regramentos e requisitos básicos e claros previstos na legislação de origem da Aladi, o que causa estranheza, por levar a mais uma lide que poderia ser evitada, porque, por certo, os planejamentos e opções comerciais da recorrente são feitos de forma a que estejam previstos os passos futuros de cada operação comercial levada a efeito. De resto, também não assiste razão à recorrente quando se reporta ao Artigo DEZ da Resolução 78 da Aladi (atual Artigo QUINZE da Resolução 252), tendo em vista que as hipóteses ali referidas dizem respeito à expedição de certificações pelas entidades credenciadas sem o cumprimento das regras de origem estabelecidas no Regime Geral de Origem, casos esses que demandam a comunicação do fato ao país exportador para que adote as medidas necessárias de forma a que se adeque às disposições estabelecidas. Não se trata do caso presente, em que o documento denominado Certificado de Origem foi expedido nos moldes e com o formulário instituído pelo Regime de Origem. Do exposto, entendo que a preferência tarifária somente beneficia as importações que se adequarem às regras previstas nos referidos acordos internacionais. Aquelas que não se conformam com essas determinações não estão contempladas pela preferência tarifária, devendo se processar pelo regime normal de tributação, ficando sujeitas ao Imposto de Importação, calculado sob a alíquota normal estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, tal como, no caso presente, foi exigido no auto de infração. O trânsito de mercadoria por terceiro país, sem que esteja devidamente justificado por motivos geográficos ou por necessidade de requerimento de transporte, é motivo determinante da perda do benefício da ALADI (Artigo Quarto, “b”, i, da Resolução 78 da Aladi). Destarte, e ainda considerando que devem ser interpretadas de forma não extensiva as disposições tributárias que digam respeito à concessão de benefícios fiscais (art. 112 do CTN), não vejo como dar tratamento benéfico à recorrente na hipótese circunstanciada nos autos, de forma a ultrapassar as determinações da Aladi decorrentes do Tratado de Montevidéu 1980. Finalmente, as alegações pertinentes ao pedido de perícia não laboram em favor da recorrente, visto que a matéria foi devidamente apreciada na decisão recorrida, que considerou não formulado o pedido em face do não atendimento de quesitos obrigatoriamente exigidos na lei, decisão que entendo não merecer reparos. Vejo, por outro lado, que a perícia requerida não teria o condão de sobrepujar os fatos que originaram o auto de infração, em face do embarque da mercadoria para local diverso, quase que diametralmente oposto ao seu destino final, sem qualquer justificativa. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 18336.000160/200201 Acórdão n.º 9303000.171 CSRFT3 Fl. 318 10 Diante do exposto, e considerando que os acordos internacionais firmados pelo Brasil devem ser integral e obrigatoriamente observados, voto por que seja negado provimento ao recurso.” Assim sendo voto por desprover o recurso da PETROBRÁS." Embora destoante do resultado anotado na ata da sessão de julgamento do dia 11 de agosto de 2009, adoto o texto acima apenas para o fim de formalizar este acórdão, pois foi este o texto lido naquela assentada. Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Fl. 318DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.914985/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
Numero da decisão: 1302-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.914985/200928 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.365 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. Recorrente BIORAD LABORATÓRIOS BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DESPACHO ELETRÔNICO. CRÉDITO UTILIZADO. DIVERGÊNCIA DE DIPJ E DCTF. DILIGÊNCIA. LALUR. APRESENTAÇÃO DAS ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA O PER/DCOMP inicialmente não homologado por despacho eletrônico em virtude de inexistência de crédito passível de utilização, deve ser revisto e homologado quando, após diligência, a contribuinte apresenta livros contábeis e fiscais, por meio dos quais comprova prejuízo fiscal e pagamento indevido de estimativa mensal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 49 85 /2 00 9- 28 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15374.914985/200928 Acórdão n.º 1302002.365 S1C3T2 Fl. 3 2 Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase da Resolução nº 110200.082, de 10/04/2012, da extinta 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, determinada face ao Acórdão nº 12 38.758, de 15 de julho de 2011, proferido pela 9ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro. A DRJ relatou que o processo versava sobre o PER/DCOMP de fls. 2/5, transmitido em 30/01/2006, por meio do qual a Recorrente pretendia aproveitar crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (fl. 6, código 2362 IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL), arrecadado em 30/03/2001, no valor de R$26.312,03, na data de transmissão. O Despacho Decisório (fl. 6) não homologou a compensação declarada. Concluiuse que, o pagamento indicado no PER/DCOMP teria sido integralmente utilizado. A recorrente manifestou seu inconformismo alegando, em síntese, que: 3.1 Conforme DIPJ 2002 (fl. 29), transmitida em 28/06/2002, apurou base de cálculo negativa naquele exercício (fl. 35). 3.2 "... não havendo lucro, obviamente não há acréscimo patrimonial a ser passível de tributação, ou seja, não há a ocorrência do fato gerador para incidência do IRPJ", fl. 176. 3.3 "... não existiu base de cálculo para apuração do IRPJ mensal, pois essa, por estimativa, foi negativa", fl. 176, (Base de cálculo da estimativa de fevereiro, fl. 36). 3.4 0 art. 43 do CTN preceitua que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; 3.5 "... inexistindo acréscimo patrimonial, a imposição de um desembolso imediato sobre um acréscimo que não ocorreu é ilegítimo", fl. 176. 3.6 Não existia imposto algum a ser recolhido ao erário. 3.7 A DCTF retificadora, transmitida em 10/03/2009 (fl. 145), desfaz o equívoco da vinculação do DARF ao suposto débito de IRPJ. No recurso voluntário, suscitou preliminar de nulidade do acórdão recorrido, sob a alegação de que este não estaria fundamentado e teria violado seu direito à ampla defesa e contraditório (por violar a prova dos autos quanto à comprovação do alegado erro praticado em DCTF originária e por deixar de provar que os créditos alegados em declaração de compensação já teriam sido utilizados para quitação de outros débitos. No mérito, reitera suas razões de impugnação, segundo as quais: (i) a Contribuinte teria comprovado a efetiva existência do crédito informado em PER/DCOMP, mediante juntada de DARF/2001, DIPJ 2002 e DCTF retificadora; e (ii) caberia à autoridade julgadora, de ofício, converter o julgamento em diligência em caso de dúvida sobre a existência Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15374.914985/200928 Acórdão n.º 1302002.365 S1C3T2 Fl. 4 3 do crédito alegado, jamais “presumir pela inexistência do crédito, logo, de forma desfavorável e prejudicial ao contribuinte”. Segundo a Recorrente, em síntese, caso fossem devidamente apreciados pelo acórdão recorrido os documentos acima citados, a única conclusão possível desta análise seria o reconhecimento do direito creditório e a homologação da respectiva declaração de compensação. Diante de tais alegações, o pedido de diligência foi acolhido, concluindose que havia a necessidade de instrução do processo para adequado julgamento. Assim, propôsse a conversão do julgamento em diligência para que a DRF adotasse as seguintes providências: (i) atestar a autenticidade da DCTF retificadora trazida aos autos em face das vias originais e da documentação fiscal e contábil da Contribuinte; (ii) atestar, de forma conclusiva e justificada, mediante consulta a documentos e livros fiscais e contábeis da Contribuinte, a correção (ou não) das informações prestadas na DCTF retificadora referida nestes autos, especialmente, mas sem se limitar, à existência (ou não) de saldo de IRPJ a pagar nos meses do ano calendário de 2001 que estariam sendo apontados pela RFB como impeditivos do reconhecimento do direito creditório alegado e consequente homologação da declaração de compensação; (iii) das verificações efetuadas, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Em cumprimento, a DRF apresentou o seguinte Despacho de Diligência: Tratase de relatório de Relatório de Diligência requerido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Primeira Seção de Julgamento), nas Resoluções no 110200.080, 110200.081 e 110200.082 da 1a Câmara/2a Turma Ordinária, de 10/abr/2012. Basicamente, o CARF solicita as seguintes providências: (...) Constatamos nos sistemas da RFB que a DIPJ/2002, original/liberada, no 107942487, transmitida em 28/jun/2002, que a forma de apuração do IRPJ e da CSLL é o Lucro Real Anual. Em todos os meses de apuração das estimativas, quer sejam de IRPJ ou CSLL, a interessada utilizouse de balanços ou balancetes de suspensão ou redução que lhe permite, como o próprio nome sugere, suspender ou reduzir o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda devido por estimativa, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. O contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal no 48/2014, cuja ciência deuse em 24/jun/2014, a informar/fornecer o(a)(s) seguinte(s) documento(s)/justificativa(s): “ Fotocópias autenticadas de escrituração contábil, mês a mês, do ano calendário 2011 que justifique as divergências encontradas entre o informado Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15374.914985/200928 Acórdão n.º 1302002.365 S1C3T2 Fl. 5 4 em DIPJ/2012 e as DCTFs transmitidas, relativamente a apuração dos tributos IRPJ (cód. receita 2362) e CSLL (cód. receita 2484). Comprovação definitiva de que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (mês a mês) foi negativa, a qual originou prejuízo fiscal em suas principais atividades (receita de revenda de mercadorias e receita de prestação de serviços) por todos os meses do AC de 2001. Haja visto a interessada possuir 3 filiais ATIVAS e exercer a atividade: CNAE: 4645101 Comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios. Solicitase, então, como exposto acima: 1. fotocópia do Razão Analítico, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que detalhe MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas; e, 2. fotocópia do Balancete de Verificação, em Real, detalhado, de 01/jan/2001 a 31/dez/2001, que demonstre MÊS a MÊS as receitas brutas e despesas com receitas brutas. ” A interessada atendeu à intimação acima citada trazendo a esta SAORT/DRF/STL/MG 12 (doze) encadernações de livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. Sobre a estimativa a que se refere este relatório de diligência, IRPJ PA: fev/2001, no Balancete Analítico não há referência de IRPJ a pagar referente ao período, assim como informado na Ficha 11 da DIPJ/2002. Também o contribuinte não se utilizou desta estimativa (nem de outra que porventura pudesse advir no decorrer do anocalendário: meses de jan e mar/dez/2001) para compor o ajuste anual em Saldo Negativo de IRPJ ao final do fato gerador em 31/dez/2001, conforme Linha 16, da Ficha 12A. TABELA 1 As DCTFs transmitidas pela Recorrente, do 1º e 2ºTrim/2001 são: Com relação às DCTFs transmitidas acima, a que contém informação do débito em comento (IRPJ PA fev/2001): 1oTrim/2001, na declaração original (item 01) havia informação de débito de estimativa IRPJ (cód. receita 2362). Esta foi retificada primeiramente em 15/ago/2001 (item 02), antes da ciência dos Despachos Decisórios eletrônicos exarados pelo Sistema de Controle de Crédito – SCC relativos às DComps 36368.46709.091105.1.3.043571, 08085.62025.130106.1.3.049094 e 20940.13287.3001506.1.3.043326, cujas ciências deramse em 02/abr/2009. A segunda DCTF retificadora (item 03), Liberada/Recebida sem Erro, foi transmitida em 10/mar/2009, ou seja, também antes Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15374.914985/200928 Acórdão n.º 1302002.365 S1C3T2 Fl. 6 5 da ciência dos 03 (três) despachos decisórios. Tanto na primeira quanto na segunda DCTF Retificadora não há menção à apuração de débito de estimativa de IRPJ. Diante do exposto, cumprida a determinação do CARF, em razão da documentação trazida aos autos pelo contribuinte e face as DCTFs registradas nos sistemas da RFB: Dêse ciência deste Relatório de Diligência ao contribuinte, intimandoo a buscar a documentação apresentada por meio do TIF no 48. O interessado tem o prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência deste Relatório para se manifestar. Após, encaminhemse os autos novamente ao CARF/MF/DF. A Recorrente foi devidamente intimada sobre o resultado da diligência, porém, não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma registrada na primeira oportunidade em que o caso veio a julgamento, o recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está devidamente representada. Conheceuse do recurso. Preliminar de Nulidade A Recorrente alega que o despacho decisório que não homologou a DCOMP em questão seria nulo, por falta de fundamentação legal, bem assim pela falta de análise de DARF, DIPJ e DCTF. Verificase que, em realidade a recorrente não atendeu às intimações da DRF para a apresentação escritas contábeis, comerciais e fiscais. Limitouse a apresentar declarações acessórias, sobre as quais a DRF concluiu que não seriam suficientes para comprovar que o erro estaria na DCTF que, inicialmente, confessou débito de IRPJ e CSLL de estimativa mensal. Observase, ainda que o referido Despacho Decisório consignou os dispositivos legais e regulamentares, com base nos quais concluiu por não homologar a DCOMP em questão. Não haveria, portanto, a alegada nulidade. De qualquer forma, entendese que a conversão do julgamento inicial em diligência, concedeu à recorrente a oportunidade de demonstrar a subsistência de seu crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ e CSLL por estimativa mensal. Nesse sentido, cabe rejeitar a preliminar de nulidade e adentrarse ao mérito para a apreciação do resultado da diligência, conforme segue. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15374.914985/200928 Acórdão n.º 1302002.365 S1C3T2 Fl. 7 6 Mérito Em conformidade com o Despacho de Diligência retro transcrito, a recorrente apresentou Livros Razão Contábil contendo Razão Analítico e Balancete Analítico, referente aos períodos de janeiro a dezembro/2001. A DRF analisou o respectivo Balancete Analítico e concluiu que não havia IRPJ a pagar, referente fevereiro de 2001. Certificouse, portanto, que estava correto o registro na Ficha 11 da DIPJ/2002, quanto à inexistência de imposto a pagar. No entanto, verificouse que não houve registro na Linha 16, da Ficha 12A da DIPJ, quanto ao referido valor pago indevidamente a título de estimativa mensal. Não obstante tal omissão no preenchimento da DIPJ, certificouse, também que a Recorrente não se utilizou desse pagamento nos meses subsequentes de 2001. Com relação às referidas DCTFs, a DRF verificou que, a indicada no item 1, declaração original (IRPJ PA fev/2001; 1oTrim/2001), continha informação de débito de estimativa IRPJ (cód. receita 2362). A primeira retificadora da DCTF original, deuse em 15/08/2001 (item 02 do quadro acima), antes da ciência dos Despachos Decisórios eletrônicos exarados pelo Sistema de Controle de Crédito (SCC), relativos às DComps 36368.46709.091105.1.3.043571, 08085.62025.130106.1.3.049094 e 20940.13287.3001506.1.3.043326, cujas ciências deram se em 02/abr/2009. A segunda DCTF retificadora (item 03), Liberada/Recebida sem Erro, foi transmitida em 10/mar/2009, ou seja, também antes da ciência dos 03 (três) despachos decisórios. Sobre as retificadoras, a DRF concluiu que, tanto na primeira quanto na segunda DCTF retificadoras, não mais havia registro sobre o referido débito de estimativa de IRPJ de 02/2001 que constava da DCTF original. Nesse sentido, confirmouse que: a) a recorrente apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2001, conforme balancete analítico e DIPJ 2002 (fl. 30), transmitida em 28/06/2002; b) não houve fato gerador do IRPJ; e c) o pagamento do DARF de R$26.312,03, posição em 30/03/2001, constituise em pagamento indevido, passível de utilização em compensação (fl. 13). Na forma certificada pela DRF, após diligência, é devida a homologação da PER/DCOMP em questão para o reconhecimento do direito creditório da recorrente. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15374.914985/200928 Acórdão n.º 1302002.365 S1C3T2 Fl. 8 7 Fl. 509DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.724165/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção.
CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA.
O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. NÃOCUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 41 65 /2 01 2- 15 Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10855.724165/201215 Acórdão n.º 3302004.348 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o PIS/Pasep, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 4o trimestre de 2005. O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório constante nos autos, reconheceu em parte o direito creditório, homologando as compensações efetuadas até o limite reconhecido, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Cientificada do despacho decisório, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade alegando que tendo se passado prazo superior a cinco anos entre a data da transmissão do PER e a ciência do Despacho Decisório, resta inequívoca a ocorrência de decadência ante o decurso do prazo legal estipulado pela legislação, até mesmo porque, nos termos do art. 207 do Código Civil Brasileiro, a decadência não se suspende ou interrompe. Discorre sobre a questão dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10855.724165/201215 Acórdão n.º 3302004.348 S3C3T2 Fl. 4 3 Não se conformando com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Porto Alegre, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 10050.197. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou as alegações da manifestação de inconformidade e solicitou a reversão das glosas em relação ao arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.337, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10855.002716/200729, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.337): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2014, fls. 788, e o recurso foi protocolado em 06 de agosto de 2014, fls. 790. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da Matéria Preclusa No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a turma julgadora não emitiu juízo de valor sobre o crédito, decorrente de despesas com arrendamento mercantil. Discorre que a apropriação de créditos, decorrentes de custos com arrendamento mercantil, na apuração da COFINS não cumulativa, não foi condicionada ao fato de que o bem, equipamento ou veículo fosse utilizado na atividade fim da empresa, cita precedente do Carf e solicita a reversão da glosa. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10855.724165/201215 Acórdão n.º 3302004.348 S3C3T2 Fl. 5 4 De fato, não há no acórdão da DRJ/Porto Alegre qualquer manifestação sobre a glosa de despesas com arrendamento mercantil, contudo, a Recorrente somente apresentou tal tema em fase recursal, não havendo, assim, como a decisão, ora contestada, pronunciarse sobre um tema que não havia sido manifestado no momento oportuno. Vale transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, que seria equivalente à impugnação. Por tal motivo, a matéria é preclusa e, portanto, não pode ser conhecida. 3. Da Prejudicial de Mérito Da Decadência A Recorrente alega que, no presente caso, operouse o instituto da decadência, uma vez que o seu pedido de ressarcimento eletrônico foi transmitido em 30 de agosto de 2007 às 16h13min e a sua ciência ocorreu em 17 de setembro de 2012. Assim, entende que concluído o prazo de cinco anos sem a manifestação da Receita Federal do Brasil, o pedido de restituição estaria decaído e, por conseguinte, tacitamente homologado. No caso em análise, observase a existência de dois pedidos: um de ressarcimento e outro de compensação. Assim, em primeiro, lugar é necessário observar se o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado no ressarcimento, para, então, poder alocálo no pedido de compensação. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. Assim, a existência do crédito no ressarcimento é premissa necessária para a compensação, não podendo falar em homologação tácita. Ademais, não há previsão legal de prazo para o fisco analisar o pedido de restituição. Portanto, rejeitase a prejudicial de decadência e não se conhece da matéria. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10855.724165/201215 Acórdão n.º 3302004.348 S3C3T2 Fl. 6 5 4. Dos Créditos Custos de Fretes A Recorrente alega que incorre em custos inevitáveis e necessários com transporte de seus produtos para suas filiais e centros de distribuição, razão pela qual eles devem integrar a base de créditos do PIS, pois se constituem em um verdadeiro insumo essencial na atividade produtiva da empresa, cita a legislação, entende insumo sob o aspecto da essencialidade. Pleiteia que os seus gastos com frete intermediário, aquele para o transporte de seus produtos para outros estabelecimentos, venham a compor a base de créditos do PIS. Cita soluções de consulta e pleiteia pela aplicação do princípio da isonomia. Por fim, entende que o conceito de insumo deve ser analisado sob a ótica do imposto sobre a renda. Da Informação Fiscal, fls. 731, extraise: 3.6 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda O item IX do artigo 3° da lei 10.833/2003, traz a permissão para crédito de gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A memória de cálculo apresentada pela empresa foi detalhada na planilha 6 – Despesas de Fretes e Armazenagem, gravada no CD 04, cujo conteúdo encontrase digitalmente anexado ao Recibo de entrega de arquivos digitais – READ. Nesta rubrica, ao auditála, percebeuse que o número da nota fiscal elencada na planilha e informada no lançamento contábil, tratavase, na verdade, do número da Fatura, que, como sabemos, pode agregar várias notas fiscais, ou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, o CTRC. (...) 3.6.1 – Fretes na Operação de Venda (...) Para calcular o valor do crédito de direito, procedeuse da seguinte forma: Extraímos os fretes interiharas, isto é, os fretes da Iharabrás para a própria Iharabrás, consolidando tais valores a fim de glosálos, nos Anexos IX “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás Jul 2004 a Dez 2004 – Analítico” e Anexo X “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás – Jul 2004 A Dez 2004 – Sintético”. Identificamos os fretes cujo remetente é a Iharabrás, e destinatário diverso, a fim de manter o creditamento. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10855.724165/201215 Acórdão n.º 3302004.348 S3C3T2 Fl. 7 6 observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. Da doutrina contábil, extraise: d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço1 Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; 1 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10855.724165/201215 Acórdão n.º 3302004.348 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003. O cerne da questão é se fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica pode ser considerado como insumo do processo produtivo. Para esclarecer como ocorre o creditamento de fretes no que concerne à contribuição para o PIS/Pasep, valese da preciosa lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no acórdão nº 3302003.210, que explica didaticamente como ocorre e do qual se adota como fundamento: Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (grifos não constam do original) Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10855.724165/201215 Acórdão n.º 3302004.348 S3C3T2 Fl. 9 8 Pela análise do anexo XIV, fls. 538 e seguintes, e pela própria argumentação da contribuinte, ela pleiteia pelo crédito de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, que por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Por tal motivação, mantémse a decisão da DRJ/Porto Alegre. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, sendo a matéria preclusa; e, portanto, não pode ser conhecida; igualmente rejeitase a prejudicial de decadência, pelas razões expostas no paradigma e não se conhece da matéria, e, no mérito aplicase o mesmo entendimento quanto ao crédito de PIS/COFINS de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 739DF CARF MF
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Numero do processo: 10814.721106/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 21/09/2012
LIBERAÇÃO DO BEM POR DECISÃO JUDICIAL. MULTA DO ART. 73 DA LEI 10.833/03. INAPLICABILIDADE.
Tendo em vista que a liberação de aeronave sujeita à pena de perdimento foi determinada por decisão judicial, inaplicável a multa proporcional ao valor aduaneiro, com fulcro no art. 73 da Lei n. 10.833/03 por ausência de subsunção do fato à norma, pois não há que se falar em mercadoria não localizada, consumida ou revendida.
Há de ser reconhecida a NULIDADE do auto de infração.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3301-003.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
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MULTA DO ART. 73 DA LEI 10.833/03. INAPLICABILIDADE. Tendo em vista que a liberação de aeronave sujeita à pena de perdimento foi determinada por decisão judicial, inaplicável a multa proporcional ao valor aduaneiro, com fulcro no art. 73 da Lei n. 10.833/03 por ausência de subsunção do fato à norma, pois não há que se falar em mercadoria não localizada, consumida ou revendida. Há de ser reconhecida a NULIDADE do auto de infração. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 11 06 /2 01 2- 71 Fl. 563DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ de fls. 506 e seguintes dos autos: Trata o presente de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, na data de 10/02/2012, para exigência da multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 10.316.800,00 pelos fatos a seguir relatados. Aos vinte e hum dias do mês de setembro de dois mil e onze, o contribuinte acima identificado, tomou ciência do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0817600/EVIG000034/2011, anexado ao processo administrativo fiscal n° 10814.726.307/201184, (anexo 01) lavrado em face do mesmo tendo como objeto a penalidade de perdimento da aeronave prefixo N903BT por desvio de rota, nos termos do artigo 27, III c/c artigo 688, I do Decreto n° 6.759/09, fato este ocorrido em 04/09/2011 conforme descrição dos fatos exarados no referido Auto de Infração e que ao final faz parte integrante dos documentos deste. Aos cinco dias do mês de novembro, o interessado tomou ciência do Auto de Infração Complementar (anexo 02) Em vinte e nove de novembro de dois mil e nove (29/11/2011), o Sr. Chefe da Equipe de Vigilância Aduaneira desta Alfândega lavrou Termo de Revelia por ausência de impugnação administrativa e concomitantemente declarou o perdimento da aeronave (anexo). Ocorre que, anteriormente, em 03/10/2011, o veiculo aéreo fora liberado por força de liminar proferida nos autos da Ação Ordinária n° 0017781 63.2011.40361.00 impetrada pelo interessado (anexo 05). Deste modo, coube ao Sr. InspetorChefe da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo, em cumprimento ao disposto no artigo 73 da Lei 10.833/2003, julgar extinto em 29/11/2011 o processo de perdimento n° 10 814.726.307/201184 (anexo 06). Como conseqüência deve o Servidor competente, por força de obrigação funcional, lavrar este novo Auto de Infração, com exigibilidade suspensa, para garantir os interesses da Fazenda Nacional e prevenir a decadência do crédito tributário, no caso, a base de cálculo legal é 100% do valor aduaneiro da aeronave N903BT listado na Relação das Mercadorias anexado ao Auto de Infração, no valor de R$ 10.316.800,00. O fundamento utilizado para a aplicação da pena de perdimento se deu por terem sido cometidas as seguintes infrações: (i) desvio de finalidade, por ter sido utilizada a aeronave para transporte de passageiros para treinamento da tripulação e, sim, naquele curto espaço de tempo de 10 dias sem importar tratarse de voos não remunerados; e (ii) desvio de rota, para a qual invocou a seu favor os artigos 27, inciso III, e 688, inciso VI, do Regulamento Aduaneiro, que dispõem, respectivamente, sobre desvio de rota estabelecida pela autoridade aduaneira e desvio de rota de veículo terrestre. O comandante declarou no TEAT um destino e dirigiuse a outro, violando assim o regime de admissão temporária da aeronave. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10814.721106/201271 Acórdão n.º 3301003.664 S3C3T1 Fl. 563 3 Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 17/02/2012 (fls. 62), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 12/03/2012, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 73 a 122, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: O que se verifica é que esse NOVO AUTO DE INFRAÇÃO configura mais uma das consecutivas anomalias jurídicas praticadas contra a IMPUGNANTE desde o início da operação de fiscalização de rotina, realizada em 04.09.2011 pelos servidores da Equipe de Vigilância Aduaneira de Pista do Aeroporto de Guarulhos, na aeronave Prefixo N903BT, regularmente importada pela IMPUGNANTE, e decorreram de conclusões hauridas pela fiscalização com base em entendimento singular e arbitrário e na interpretação fragmentária d alguns dispositivos legais e regulamentares. ⊙ NULIDADE DO LANÇAMENTO: VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Apesar de o auditor fiscal justificar a realização do lançamento como instrumento de garantia dos interesses da Fazenda Nacional e para prevenir a decadência, alegando cumprimento de sua obrigação funcional, o fato é que essa medida mostrase arbitrária. Em virtude da propositura, pela IMPUGNANTE da Ação Anulatória de Ato Administrativo, Processo n° 001778163.2011.40361.00 em trâmite perante a 11a Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo na qual se discute a nulidade do Auto de Infração de aplicação da pena de perdimento, de pleno conhecimento do auditor fiscal, conforme inclusive consta na descrição do lançamento profligado, nosso sistema judiciário garante a inocência até que haja decisão definitiva contrária aos seus interesses, não sujeita a recurso, sendo próprio, neste momento, falar em revelia da IMPUGNANTE, quando se sabe que isso não ocorreu, não houve falta de impugnação, e sim a eleição, por ela, da via judicial para obter a nulidade do ato administrativo que determinou a aplicação da pena de perdimento da aeronave. Como o pressuposto para que se justifique a conversão da pena de perdimento reside no próprio reconhecimento de procedência da aplicação daquela modalidade de cominação, o que, até a lavratura do Auto de Infração, não se verificou no caso em tela, resta flagrante a inexistência de infração a ensejar a conversão da pena em multa, como pretendido pelo auditor fiscal, impondose determinar a nulidade do lançamento ora erigido. O próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tem manifestado entendimento no sentido de que, sem que a infração qualificada como dano ao Erário esteja devidamente tipificada, não pode ser a pena de perdimento convertida em multa, por falta de elemento do tipo. ⊙ IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA EM MULTA. NÃO OCORRÊNCIA DE CONSUMO OU REVENDA DA AERONAVE: BEM LOCALIZÁVEL E EM SITUAÇÃO REGULAR. A IMPUGNANTE, desde o início da operação de fiscalização de rotina da aeronave no Aeroporto de Guarulhos em 04.09.2011, quando apresentou as autorizações válidas da Receita Federal (TEAT) e da Agência Nacional de Aviação Civil ANAC (AVANAC) de admissão temporária do aparelho, não mediu esforços Fl. 565DF CARF MF 4 para atender prontamente a fiscalização, tendo ofertado todos os documentos e informações solicitadas, e, especificamente em resposta à Intimação n. 08, datada de encaminhou a manifestação datada de 09.09.2011, na qual apresentou os documentos e informações complementares solicitadas, que demonstravam a regularidade da aeronave perante as autoridades brasileiras, bem como o cumprimento do requisito de ter operado somente voos não remunerados em curtíssimo período inferior a 10 dias, de 25.08.2011, quando ingressou pela Ia vez no território nacional, a 04.09.2011, data da fiscalização e retenção dela. Apesar da regularidade da situação da aeronave e da lisura dos procedimentos da IMPUGNANTE, o auditor fiscal considerou ter ocorrido descumprimento do regime de admissão temporária da aeronave e lavrou os seguintes atos: (a) o Termo de Retenção n. 24/11 da aeronave; e, em seguida, (b) o Auto de Infração, em 16.09.2011, exigindo do comandante da aeronave parte notoriamente ilegítima na relação, a teor dos artigos 121 do CTN e 104 do Regulamento Aduaneiro , multa correspondente a 10% (dez por cento) do valor aduaneiro do aparelho. Não satisfeito com a retenção da aeronave e o lançamento da mi lt isolada contra o piloto na expressiva quantia acima mencionada, três dias d pois, ou seja, quase que concomitantemente, em 19.09.2011, lavrou contra a IMPUGNANTE o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Veículos n. 0817600/EVIG000034/2011, com aplicação de pena de perdimento da aeronave, responsabilizandoa por alegados "desvio de finalidade" e "desvio de rota", o qual foi e continua sendo hostilizado através da ação judicial antes noticiada. A IMPUGNANTE em nenhum momento atuou de modo temerário, com má fé ou contrário a lei. Pelo contrário, cumpridos os requisitos legais, com a concessão da tutela antecipada para liberação da aeronave, ocorrida em 03.10.2011, foram procedidos os trâmites regulares que já se encontravam em andamento antes mesmo da fiscalização que resultou na retenção indevida, para a nacionalização da aeronave, mediante obtenção, por despacho datado de 06.10.2011 (três dias depois de liberada a aeronave), do regime aduaneiro especial de admissão temporária pelo período de 48 (quarenta e oito) meses a partir do desembaraço aduaneiro, ou seja, até o ano de 2015, e pagamento dos tributos (doc. 14), tudo nos termos do Processo Administrativo n. 17747.720188/201146, acerca do qual os auditores fiscais têm pleno acesso e conhecimento e que, desde o início da operação com a aeronave, foi o seu objetivo. Portanto, diferentemente do que quer fazer crer o auditor fiscal, a aeronave Prefixo N903BT foi nacionalizada e encontrase na posse regular da IMPUGNANTE, ou seja, não foi revendida, e continua sendo utilizada unicamente para os misteres para os quais foi arrendada: voos não remunerados. Além disso, não há que se falar em não localização da aeronave ou consumo do mesmo, pois além de ser um bem durável não sujeito a consumo daí a razão de o Regulamento Aduaneiro fazer distinção entre perdimento de veículo e perdimento de mercadoria, tratandoos em capítulos específicos , por sua própria natureza, de bem cuja utilização se sujeita a controle rigoroso pelas autoridades competentes, é facilmente localizável pelos respectivos registros, seja junto aos agentes aeroviários que controlam o tráfico aéreo, seja junto a Receita Federal em regime de admissão temporária concedido. Destarte, argui a IMPUGNANTE a nulidade do referido auto de infração e da conseqüente penalidade nele veiculada. A necessidade de comprovação para a conversão da pena de perdimento em multa é tão óbvia que não poderia ser outro o entendimento de nossos tribunais administrativos. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10814.721106/201271 Acórdão n.º 3301003.664 S3C3T1 Fl. 564 5 ⊙ SUCESSIVAS MUDANÇAS NO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. AERONAVE NÃO É MERCADORIA Ainda que colocada à parte a inconsequência com que essa autuação tenha sido promovida, na qual ressalta a falta de zelo e total descompromisso, a IMPUGNANTE deixou consignado que o provedor desse desazado procedimento deu mostras candentes, uma vez mais, de desconhecer a lei, e, mais do que isso, o próprio entendimento das autoridades administrativas relativamente à mudança do critério jurídico do lançamento, o qual, fundamentado sobre remansosa jurisprudência administrativa e judicial, veda, repele, proscreve tal pretensão à luz da previsão contida no art. 146 do Código Tributário Nacional, que, implicitamente, rende homenagens ao princípio da segurança jurídica e à presumida precisão que todo ato administrativo deve exibir como apanágio. Tal proibição, como mencionado, radica na previsão contida no artigo 146 CTN. Essa questão superada de há muito, mesmo no tempo do antiquíssimo TRF, que consolidou esse entendimento na Súmula 227 achase pacificada, igualmente, no Superior Tribunal de Justiça, que entende ser nula a alteração do critério jurídico do lançamento, conforme determina o artigo 146 do CTN. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Prosseguindo na linha das teratologias perpetradas, relativamente ao Auto de Infração de retificação que o auditor fiscal chama agora de 'Complementar", lavrou ele no dia 10.02.2012, o novo O TERCEIRO Auto de Infração , convertendo a pena de perdimento em multa, sendo a infração, nessa oportunidade, fundamentada principalmente nos artigos 689, § Io, do Decreto n. 6.759/09, que regulamenta os correspondentes preceitos contidos nos Decretosleis ns. 37, de 1966 e 1.455, de 1976, com as alterações da Lei n. 10.637, de 2002, e 73, §§ Io e 2o, da Lei n. 10.833/03. Não obstante o ENQUADRAMENTO LEGAL original tenha sido o art. 688, inciso VI, do Decreto 6.759/09, depois alterado para o art. 688, inciso inserido no Capítulo I do Título II, que trata do PERDIMENTO DO VEÍCULO, nesse novo ENQUADRAMENTO LEGAL utilizase o auditor fiscal de outra hipótese, inserida em outro Capítulo (Capítulo II do Título II), de PERDIMENTO DE MERCADORIA. Ou seja, considerando tratarse de importação de MERCADORIA (gênero) e não de VEÍCULO (espécie), aplicou a pena de perdimento com fundamento no artigo 689 do Decreto n. 6.759, de 2009 (RA). Com efeito, quando se observa o RA, ainda que desatentamente, vaise constatar que, na mesma frequência do Decretolei n. 37 de 1966, a parte destinada a regular a aplicação da pena de perdimento achase inserida no Título II desse diploma regulamentar, o qual, por seu turno, é subdividido em capítulos a partir das especificidades dos bens passíveis de ser apenados dessa forma. Assim é que: · Capítulo I cuida do perdimento do veículo; · Capítulo II, do perdimento de mercadorias em geral; e · Capítulo III, do perdimento de moeda. Fl. 567DF CARF MF 6 Em face desse obstáculo legal, o Auditor F iscai não teve embaraço: promoveu a aludida subsunção à hipótese do artigo 689 do RA, o dispositivo que cuida de perdimento de MERCADORIAS, timbrando, dessarte, no mesmo diapasão do conceito de mercadoria atribuído à aeronave! Não constitui empreitada de monta para concluir que o Auditor descomediuse uma vez mais ao adotar esse insólito e cômodo procedimento. Resta, portanto, demonstrada a impossibilidade de mudança de critério jurídico do lançamento, e, assim, a iniqüidade do ato administrativo original e dos subsequentes, impondose declarar a nulidade do lançamento desde sua origem. Junta textos da doutrina a respeito do assunto. ⊙ RAZÕES DE DIREITO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO E DE DANO AO ERÁRIO. Previamente à chegada da aeronave Learjet 45 na cidade de Boa Vista, Estado de Roraima, o que ocorreu em 25.08.2011, a IMPUGNANTE requereu, e obteve, da Agência Nacional de Aviação (a ANAC, antiga DAC), a "Autorização de Pouso e Permanência", AVANAC 1695N11, com prazo de validade até 23.10.2011 (doc. 04), e, na seqüência, perante a Receita Federal do Brasil (RFB) o "Termo de Entrada e Admissão Temporária de Aeronave", TEAT n. 231/2011 (does. 05 e 06), que, igualmente concedeu prazo de 59 dias, com início em 25.08.2011 e término em 23.10.2011, para entrada e admissão temporária, com suspensão para pagamento dos tributos aduaneiros. No TEAT, foi indicado: (a) "OUTROS VOOS COMPROVADAMENTE não remunerados: IMPORTAÇÃO", como finalidade da viagem; e (b) São José dos Campos, como próximo destino. No AVANAC, por seu turno, foi declarado "OUTROS VOOS COMPROVADAMENTE NÃO REMUNERADOS", como sendo o objetivo do voo. Diferentemente do que vem sendo acatado por outras unidades da própria RFB que reconhecem a competência exclusiva da ANAC para dizer e regular os voos não comerciais de aeronaves no País os Auditores Fiscais em Guarulhos decidiram adotar as medidas supra, mesmo a despeito de estarem em pleno vigor as autorizações concedidas tanto pela ANAC como pela RFB. Alteiase mencionar, nesse sentido, que, em 30.08.2011 ANTES da retenção, portanto a IMPUGNANTE protocolou digitalmente, no código de identificação geral do arquivo ffd92993e4e4836d2663c73022cbd670, o Pedido de Admissão Temporária do bem perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de São José dos Campos (doc. 10), que finalizou a análise e APROVOU, em 06.09.2011, todos os documentos ofertados, e somente aguardava a chegada da aeronave no aeroporto de São José dos CamposSP para a realização da vistoria do bem com vistas ao desembaraço aduaneiro e ao registro da Declaração de Importação. Para justificar o apenamento, a declaração do piloto é tomada como causa eficiente para lavratura do auto, no outro, para justificar a mais rigorosa pena prevista na lei, adotase fundamento diametralmente oposto, afirmandose, com base no art. 27, III do RA, que a rota teria sido determinada pela autoridade. E tanto é assim que, militando em erro crasso, o provedor desse procedimento com incrível capacidade destrutiva utilizase de fundamento legal notavelmente imprestável para regular a situação sob exame. Ressaltando a impossibilidade de mudança do critério jurídico do lançamento, à luz da previsão contida no art. 146 do Código Tributário Nacional, conforme mencionado anteriormente, não obstante o ENQUADRAMENTO LEGAL original (o art. 688, inciso VI do Decreto 6.759/09) tenha sido depois alterado para o art. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10814.721106/201271 Acórdão n.º 3301003.664 S3C3T1 Fl. 565 7 688, inciso I, não restou demonstrado pelo Auditor fiscal que a IMPUGNANTE tenha causado dano ao Erário, até porque não houve, pois a nacionalização da aeronave foi procedida com o recolhimento dos tributos devidos. ⊙ IMPRESTABILIDADE DOS FUNDAMENTOS LEGAIS O Auto de Infração que ora se pretende anular, conforme já mencionado, assentase no entendimento de que: tendo sido declarada a IMPORTAÇÃO como finalidade da viagem, quando da solicitação do TEAT, a aeronave não poderia realizar voos antes de sua nacionalização, estando autorizado, tão somente, o voo com destino a São José dos Campos. Essa conclusão apóiase no disposto na Instrução Normativa RFB n° 285, de 2003, com as alterações trazidas pela Instrução Normativa RFB n. 110 de 2010, a qual, relativamente às aeronaves civis estrangeiras que não estejam no espaço aéreo internacional (inciso VIII do art. 5o), como é o caso, estabelece no § 6o d seu art. 5o. Assim, para a hipótese descrita no inciso I a Admissão Temporária será EFETIVADA mediante a lavratura do TEAT, enquanto na segunda essa admissão será APLICADA no local onde se dará o despacho o auto de infração acossado toma o inciso II como fundamento, mesmo a despeito de a IMPUGNANTE, por ocasião da apreensão da aeronave, já estar de posse do TEAT emitido pela RFB. Em razão disso, o provedor do auto de infração conclui que o piloto teria promovido desvio da rota estabelecida para a aeronave, violando, em razão disso, o disposto no artigo 27, inciso III, do RA. Estando tipificada a infração nos termos desse dispositivo segundo o provedor do procedimento, a penalidade imposta, ainda no entendimento dele, seria aquela prevista no artigo 104, inciso VI, do DecretoLei n. 37, de 1966. Suscita, além disso, como preceitos prestimosos para fundamentar a aplicação da perda de perdimento da aeronave, o art. 688, inciso VI, do RA. Eis aí, em apertada síntese, o iter do raciocínio desenvolvido pelo provedor do auto de infração cuja nulidade a começar pela incorreta assertiva de que a rota foi determinada por autoridade como já mencionado , pode ser surpreendida, sem esforços nenhuns, mediante mera análise gramatical dos dispositivos legais manejados. Não cessa aí, entretanto, o plexo de teratologias dessa exação. Deveras, os preceitos relativos à pena de perdimento são claríssimos no sentido de que a sua aplicação não pode ser imposta a qualquer VEÍCULO TERRESTRE, mas devem ficar restritas àquelas hipóteses em que o veículo é utilizado no transporte mercadoria estrangeira, aspecto que, por mais ingentes esforços que venham a ser despendidos, não se consegue vislumbrar, até porque jamais foi cogitado, no presente caso. Esses erros, crassos, não pode haver dúvidas, enfermam o ato administrativo de nulidade. Promovem, à evidência, mágoas notáveis aos princípios da legalidade, motivação e razoabilidade de cuja observância, sob pena de nulidade, os atos administrativos em geral não podem prescindir. ⊙ USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA. Fl. 569DF CARF MF 8 A aplicação da pena de perdimento de veículo achase prevista para as hipóteses descritas taxativa e exaustivamente no art. 688 do RA. Significa isto dizer que, salvo nesses casos, não há como prosperar, juridicamente, a imposição dessa penalidade. O fato, entretanto, de o legislador do DecretoLei n. 37, de 1966, e do Presidente da República, no caso do RA, relacionarem exaustiva e taxativamente os casos em que se aplica a pena de perdimento, restou delimitado, por essa via, o limite do que deve ser considerado como danoso ao Erário. É dizer: somente pode ser considerado como dano ao Erário, passível de ser apenado com a perda do veículo, aqueles casos subsumíveis a qualquer das hipóteses previstas no artigo 688 do RA. Havendo qualquer desvio de procedimento que não implique imediata influência em detrimento da arrecadação, a RFB não pode autuar, simplesmente. Ao revés, a responsabilidade se esgotaria, nesse caso, em informar o órgão responsável pela regulação da conduta acerca da anomalia observada, na condição de "amicus curiae", sob pena, reiterese, de ilegal usurpação de competência. No caso em exame, a suposta infração referese ao fato de a aeronave ter realizado alguns voos mesmo que amparados pelas autorizações da ANAC e da RFB em vez, como exigido pelo Auditor, de ter seguido diretamente para São José dos Campos. Viuse, igualmente, que, nesse caso, é flagrantemente insubsistente a tentativa de subsumirse essa situação à hipótese prevista no inciso VI do art. 688 do RA, ou mesmo a qualquer hipótese prevista neste artigo, ainda que seja o inciso I, pois inexistente situação ilegal da aeronave no caso. Em vista disso, e dado que configuram dano ao Erário somente os casos possíveis de serem aninhados a qualquer das hipóteses do art. 688 da RA, impõese concluir, à luz do disposto expressamente nesse preceito que: os voos realizados pela aeronave, tomados como causaeficiente para realização do auto de infração ora profligado, consubstanciam situação que não pode ser inserida no raio de competência da RFB. Quem tem competência para autorizar o ingresso e a permanência (em admissão temporária) de aeronaves no Brasil, é a ANAC. ⊙ A SITUAÇÃO REGULAR DA AERONAVE. Conforme antes mencionado, para regularizar a entrada e a permanência da aeronave no Brasil até a sua nacionalização, com o registro de sua Declaração de Importação, requereramse e concederamse, previamente: · pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), órgão competente para regular a aviação civil, a Autorização de Pouso e Permanência AVANAC1695N11 (doc. 04); e, · pela Secretaria da Receita Federal de Boa Vista (SRF), onde ocorreu a chegada da aeronave, o Termo de Entrada e Admissão Temporária de Aeronave TEAT n. 231/2011 (v. doc. 06), Um e outro foram emitidos com a finalidade de assegurar o pleno exercício dos atos contidos nessas autorizações, em conformidade com a competência de cada um dos outorgantes, ou seja: · autorização, pela ANAC, para ingresso e permanência da aeronave no território brasileiro; e Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10814.721106/201271 Acórdão n.º 3301003.664 S3C3T1 Fl. 566 9 · autorização, pela RFB, para que o recolhimento dos tributos devidos se dê quando da nacionalização da aeronave. Portanto, o que se verifica no caso em análise é que o TEAT já se encontrava em pleno vigor quando da apreensão da aeronave em 04.09.2011, de forma que não houve falta de documentação aduaneira (alegado no Termo de Retenção n. 24/11) ou mesmo descumprimento do regime de admissão temporária (alegado no Io Auto de Infração); tampouco há que falar em prejuízo ao Erário (alegado no 2o Auto de Infração), porquanto o recolhimento dos tributos somente se daria como de fato ocorreu por ocasião da nacionalização da aeronave. Além disso, constatase a invalidade da alegação de ilegalidade da situação da aeronave, por suposto desvio de finalidade ou ainda desvio de rota, dado que os sobrevoos realizados encontravamse amparados pela competente autorização da ANAC. Referidos dispositivos determinam que a formalização da entrada da aeronave em serviço aéreo não remunerado no território nacional é efetivada com a lavratura do Termo de Entrada e Admissão Temporária. A exigência de uma única conduta, com desconsideração de as hipóteses serem distintas, deu origem a gravíssimas distorções que conduziram à eventuais restrições impostas à situação subsumível à hipótese do caso II, onde o interessado ainda não possui autorização de permanência, e seguintemente o TEAT, deveriam ser estendidas àquelas reguladas na forma do inciso I, onde o interessado já conta com a autorização da ANAC e da RFB. Por mais miúda e íntima análise que venha a ser feita na lei e nesses atos normativos, não se consegue vislumbrar, por outros turnos, proibição de que a aeronave realize voos durante o seu período de PERMANÊNCIA no País. Isto, por si só, bastaria para instaurar dúvida prestimosa para autorizar a aplicação da disposição contida no art. 112 do CTN, com a anulação da penalidade aplicada. ⊙ PENA DE PERDIMENTO JURISPRUDÊNCIA. O auto de infração profligado, ainda que colocadas à parte todas as nulidades apontadas, não pode prosperar, outrossim, em face do seguro entendimento pretoriano que só admite a adoção da medida extrema de perdimento do bem diante: (a) do efetivo dano ao Erário; e (b) da má fé do contribuinte, aspectos que não se vislumbram mesmo nas fímbrias da situação examinada. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Mesmo nos casos em que se verifica a expiração do prazo da admissão temporária, ou importação irregular, os Tribunais têm proferido decisões afastando a pena de perdimento do bem. No julgamento da Apelação Cível n. 200438000477219/MG, o E. TRF da Ia Região, anulou o procedimento administrativo que determinou o perdimento de aeronave e, por conseqüência, cancelou o auto de infração por entender que "a situação da aeronave no território nacional estava regular, pois havia obtido Termo de Entrada e Admissão Temporária expedido pela Secretaria da Receita Federal, por 90 (noventa) dias, ou seja, no período entre 5.8.2002 a 4.11.2002, além de estar também autorizado pelo DAC, conforme Autorização de Sobrevoo/Trânsito até 5.11.2002". Fl. 571DF CARF MF 10 Ainda, no julgamento da Remessa Oficial n. 94.03.0855606, em que a União objetivava o reconhecimento da legalidade da imposição do perdimento de aeronave, porque não havia sido emitido o Termo de Entrada e Admissão Temporária pela Receita Federal quando da entrada do bem no território nacional, o TRF3a Região negou provimento à sua pretensão e afastou a pena de perdimento. Dessa forma, fica demonstrado que, conforme reiterado entendimento jurisprudencial, a aplicação da pena de perdimento, por ser uma multa drástica, deve sempre ser aplicada com razoabilidade e proporcionalidade, e após constatado o dano ao Erário e a ausência de boa fé do contribuinte. Não se vislumbrando a proporcionalidade e a razoabilidade na aplicação da pena de perdimento no caso em questão, impõese o cancelamento do auto de infração. ⊙ DO PEDIDO Requer a IMPUGNANTE que seja declarada a NULIDADE do Auto de Infração n. 0817600/00351/11, lavrado em 10.02.2012, cuja ciência ocorreu em 17.02.2012, referente à conversão da pena de perdimento em multa do valor correspondente a 100% do valor aduaneiro da aeronave Learjet Inc. 45 (XR), Prefixo N903BT, modelo 2008, número de série 353, objeto originalmente do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Veículos n. 0817600/EVIG000034/2011, lavrado em 19.09.2011, e retificação desta (Processo n. 10814.726307/201184), cuja ciência ocorreu em 07.11.2011, com o cancelamento da pena de perdimento e/ou da conversão desta em multa de valor correspondente a 100% do valor aduaneiro da aeronave, por quaisquer dos aspectos fáticos e jurídicos expostos nesta peça, ou, no mérito, sejam julgados improcedentes os atos administrativos mencionados, em vista da comprovação da regularidade da situação da aeronave, promovendose o seu cancelamento, como medida de restabelecimento da unidade e integridade do ordenamento jurídico pátrio. A IMPUGNANTE requer, outrossim: (a) a produção de quaisquer provas adicionais que se fizerem necessárias para comprovação de seus direitos; b) que seja comunicada, prévia e tempestivamente, de diligências quaisquer que vierem a ser realizadas, para que delas possa participar; (c) que seja acolhida a interpretação de quaisquer recursos cabíveis, incluindo alegações finais, se necessário que seja autorizada a SUSTENTAÇÃO ORAL das suas razões. Em 12 de dezembro de 2012, a 23ª Turma da Delegacia Regional de São Paulo, através do Acórdão n° 16042.449, por entender que a imposição da multa equivalente ao valor aduaneiro ocorreu devido questões que acabaram sendo levadas ao Poder Judiciário. Assim foi reconhecido o instituto da CONCOMITÂNCIA e não se tomou conhecimento da impugnação. Em 20 de agosto de 2014, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Acórdão n° 3101001.684, a 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária por unanimidade deu provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância por cerceamento do contraditório à ampla defesa. Aduz o ínclito Relator em seu voto, às folhas 491 do presente processo digital: Ocorre que o objeto presente feito, nào trata mais do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Veículos n. 817600/EVIG000034/2011, lavrado em 19.09.2011, nem do respectivo processo administrativo fiscal n° 10814.726.307/201184, uma vez que estes foram extintos pela autoridade administrativa. Nem mesmo os fundamentos lançados neste auto de infração são idênticos àqueles, de modo que, ainda que o fato objeto da atividade fiscal seja o Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10814.721106/201271 Acórdão n.º 3301003.664 S3C3T1 Fl. 567 11 mesmo, o caso em apreço contempla pedido e causa de pedir distintos do objetivado no processo administrativo extinto e no processos judicial correlato. Inobstante a decisão judicial ter repercussão direta na interpretação do fato que deu origem ao ato administrativo objeto deste feito, é certo que há elementos da atividade administrativa que não se confundem com aqueles de informaram o exercício da fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Veículos n. 817600/EVIG000034/2011, em 19.09.2011. Mesmo que assim não fosse, há matérias diferenciadas relativas exclusivamente ao presente feito que a Recorrente denomina de “NOVO AUTO DE INFRAÇÀO'' e que não se confundem com o anterior. Sendo assim, uma vez afastada a concomitância, os autos retornaram à DRJ para que fosse proferido novo julgamento, oportunidade em que aquela Delegacia entendeu pela procedência da impugnação apresentada, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 21/09/2012 Concessão do Regime Aduaneiro Especial de admissão temporária para a aeronave. Aplicação de pena de perdimento da aeronave, em função de desvio de finalidade e desvio de rota. Aeronave liberada em função de decisão judicial. Imposição da multa proporcional ao valor aduaneiro. O lançamento em questão é NULO, já que não se trata de situação de não localização, consumo ou revenda da aeronave. Deve o processo de perdimento ser restaurado e permanecer sobrestado até a vigência da decisão judicial. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Ato contínuo, os autos vieramme conclusos para fins de análise do recurso de ofício. É o relatório. Fl. 573DF CARF MF 12 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Nos termos do art. 70 do Decreto n. 7.574/2011 e do art. 1º da Portaria MF n. 63 de 09 de fevereiro de 2017, a decisão de primeira instância administrativa encontrase sujeita à confirmação por este Conselho quando exonerar o contribuinte do pagamento de valor superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No presente caso, a DRJ exonerou crédito tributário no importe de R$ 10.316.800,00 (dez milhões, trezentos e dezesseis mil e oitocentos reais), pelo que se apresenta cabível e necessária a análise do recurso de ofício por esta Turma Julgadora. Conforme acima narrado, entendeu a DRJ que o lançamento seria nulo, visto que não se trata de situação de não localização, consumo ou revenda da aeronave. Notese que constou da descrição dos fatos e enquadramentos legal de fl. 4 dos autos a seguinte descrição: "001 mercadoria sujeita a perdimento não localizada, consumida ou revendida", consubstanciada primordialmente no art. 73, parágrafos 1º e 2º da Lei n. 10.833/03. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ, cujos fundamentos abaixo transcritos adoto como razão de decidir: ▣ DOS FATOS Aos vinte e hum dias do mês de setembro de dois mil e onze, o contribuinte acima identificado, tomou ciência do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0817600/EVIGO00034/2011, anexado ao processo administrativo fiscal n° 10814.726.307/201184, (anexo 01) lavrado em face do mesmo tendo como objeto a penalidade de perdimento da aeronave prefixo N9033T por desvio de rota, nos termos do artigo 27, III c/c artigo 688, I do Decreto n° 6.759/09: ❖ Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/2009 Art. 27. É proibido ao condutor de veículo procedente do exterior ou a ele destinado: (...) III desviálo da rota estabelecida pela autoridade aduaneira, sem motivo justificado. (...) Art. 688. Aplicase a pena de perdimento do veículo nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei no 37, de 1966, art. 104; DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 24; e Lei no 10.833, de 2003, art. 75, § 4o): I quando o veículo transportador estiver em situação ilegal, quanto às normas que o habilitem a exercer a navegação ou o transporte internacional correspondente à sua espécie; Como aduzido no corpo do auto de infração, a Ação Ordinária n° 0017781 63.2011.40361.00 foi impetrada pelo interessado perante a 11a Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo na qual se discute a nulidade do Auto de Infração de aplicação da pena de perdimento. Em decorrência disso, coube ao Sr. InspetorChefe da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo, em cumprimento ao disposto no artigo 73 da Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10814.721106/201271 Acórdão n.º 3301003.664 S3C3T1 Fl. 568 13 Lei 10.833/2003, julgar extinto em 29/11/2011 o processo de perdimento n° 10 814.726.307/201184. Por força de obrigação funcional, lavrouse novo Auto de Infração, com exigibilidade suspensa, para garantir os interesses da Fazenda Nacional e prevenir a decadência do crédito tributário, no caso, a base de cálculo legal é 100% do valor aduaneiro da aeronave N903BT listado na Relação das Mercadorias anexado ao Auto de Infração, no valor de R$ 10.316.800,00. O juízo da 11a Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo DEFERIU o pedido de ANTECIPAÇÃO DE TUTELA nos seguintes termos (folhas 46 do processo digital): Diante do exposto, DEFIRO o pedido de tutela antecipada para declarar suspensa a decisão administrativa de retenção e aplicação da pena de perdimento e determinar a liberação da aeronave Learjet Inc (XR), prefixo N903BT, modelo 2008, número de série 353, Termo de Retenção n. 24/11 e baixa do documento subsidiário de identificação de carga DSIC 89111039346, junto ao Sistema Integrado de Gerência de Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento MANTRA, a fim de viabilizar a retirada da aeronave e o registro de Declaração de Importação. Expeçase ofício ao titular da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos para cumprimento da presente decisão. Como o prazo para liberação da aeronave sem o pagamento da taxa de armazenagem vence no dia 03/10/2011, autorizo, excepcionalmente, a entrega do ofício diretamente ao patrono do autor que deverá, no prazo de 15 dias, comprovar a entrega. Deverão ser anexadas ao ofício a cópia da petição inicial e desta decisão.(grifo e negrito nossos) Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região – 1ª instância, verificase que o processo ainda está em trâmite, sem sentença. (...) ▣ A MOTIVAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO Para precisar a motivação que apoiou a autoridade preparadora nesse procedimento, transcrevese um fragmento do auto de infração, às folhas 04 do processo digital: Em vinte e nove de novembro de dois mil e nove (29/11/2011), o Sr. Chefe da Equipe de Vigilância Aduaneira desta Alfândega lavrou Termo de Revelia por ausência de impugnação administrativa e concomitantemente declarou o perdimento da aeronave (anexo 03). Ocorre que, anteriormente, em 03/10/2011, o veiculo aéreo fora liberado (anexo 04) por força de liminar proferida nos autos da Ação Ordinária n° 001778163.2011.40361.00 impetrada pelo interessado, (anexo 05) Deste modo, coube ao Sr. InspetorChefe da Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo, em cumprimento ao disposto no artigo 73 da Lei 10.833/2003, julgar extinto em 29/11/2011 o processo de perdimento n°10814.726.307/201184 (anexo 06). Para que não paire a menor dúvida sobre a questão, pedese vênia para se reproduzir mais uma vez o artigo 73 da Lei n° 10.833/03: Fl. 575DF CARF MF 14 Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1º Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3ºdo art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º A multa a que se refere o § 1º será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. Tomase ainda a cautela de também de se reproduzir mais uma vez o artigo § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/10: § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) · O artigo 73 da Lei n° 10.833/03 autoriza a extinção do processo de aplicação da pena de perdimento – rito do artigo 27 do Decreto Lei n° 1.455/76 – nos casos de não localização ou consumo da mercadoria sujeita a pena de perdimento. · O §3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 autoriza a incidência da multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do valor aduaneiro ) – rito do Decreto n° 7.574/2011 nos casos de não localização, consumo ou revenda da mercadoria sujeita a pena de perdimento. Retomando o fragmento transcrito das folhas 04 do processo digital, percebe se o quão lacônica foi a fiscalização ao citar o artigo 73 da Lei n° 10.833/03, sem se preocupar em citar qual das hipóteses que autorizou a alternância de ritos procedimentais (artigo 27 do Decreto Lei n° 1.455/76 pelo Decreto n° 7.574/2011). Isso porque, a par da discussão se o ato de “consumir” engloba o ato de “revender” ( um bem destinado a revenda é tido como consumível para uma empresa comercial, pela doutrina civilista) o fato é que a situação da aeronave prefixo N903BT não se enquadra em nenhuma das três hipóteses tipificadas em Lei. ❉ A aeronave prefixo N903BT é um bem durável, portanto um bem não consumível; ❉ A aeronave prefixo N903BT é perfeitamente localizável, estando na posse do SISTEMA COC DE EDUCACAO E COMUNICACAO LTDA, conforme decisão exarada no Processo n. 001778163.2011.40361.00, em trâmite perante a 11a Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo; e ❉ A aeronave prefixo N903BT não foi revendida, pelo menos não há nos autos qualquer prova nesse sentido. O artigo 73 da Lei n° 10.833/03 e o §3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 não contemplam o caso aqui em discussão: aeronave passível de perdimento por conduta infracional tipificada no artigo 27, III c/c artigo 688, I do Decreto n° 6.759/09, que teve suspensa a decisão administrativa de retenção e Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10814.721106/201271 Acórdão n.º 3301003.664 S3C3T1 Fl. 569 15 aplicação da pena de perdimento, por força de ANTECIPAÇÃO DE TUTELA que ainda determinou a sua liberação. Enquadrar essa situação como não localização, consumo ou revenda, é um exercício que desafia os mais inventivos e demanda grande asas à imaginação, o que a luz do bom direito não pode merecer qualquer guarida. Portanto, não resta alternativa a esse relator senão reconhecer a impropriedade da aplicação da aplicação e consequente exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, pautada no §3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 c/c o artigo 73 da Lei n° 10.833/03, por não estar caracterizada nenhuma das hipóteses ali tipificadas. (...). CONCLUSÃO Como abordado anteriormente, a anomalia, que tem sido reiteradamente ignorada pelas instâncias superiores da Receita Federal do Brasil, é permitir que unidades alfandegárias ao longo do País apliquem o artigo 73 da Lei n° 10.833/03 para mercadorias liberadas por medidas judiciais, como o caso que se apresenta. A fiscalização, na intenção de preservar o crédito tributário contra a decadência, promove a alternância dos ritos procedimentais (ao arrepio do artigo 73 da Lei n° 10.833/03) com a consequente incidência da multa equivalente ao valor aduaneiro (ao arrepio do §3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76). Não é a forma de se proceder a luz do bom direito. Nada na legislação capitulada como dano ao Erário, tanto no caso que se apresenta como em outros análogos – mercadoria liberada por medida judicial. Quando esse relator, por ocasião do seu primeiro julgamento, optou pelo instituto da CONCOMITÂNCIA foi na franca tentativa de escapar desse alçapão, não enfrentar a questão afeta ao artigo 73 da Lei n° 10.833/03 e ainda assim preservar o crédito tributário. Mas não foi esse o entendimento ou a visão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão n° 3101001.684, que por unanimidade deu provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância por cerceamento do contraditório à ampla defesa. Merecedor de todo nosso prestígio, o Acórdão n° 3101001.684 nos força a enfrentar a questão afeta ao artigo 73 da Lei n° 10.833/03 e assim não há outra alternativa senão a de acatar na íntegra a primeira parte do PEDIDO contido na impugnação ( folhas 122 do processo digital ): Requer a IMPUGNANTE que seja declarada a NULIDADE do Auto de Infração n. 0817600/00351/11, lavrado em 10.02.2012, cuja ciência ocorreu em 17.02.2012, referente à conversão da pena de perdimento em multa do valor correspondente a 100% do valor aduaneiro da aeronave Learjet Inc. 45 (XR), Prefixo N903BT, modelo 2008, número de série 353, objeto originalmente do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Veículos n. 0817600/EVIG000034/2011, lavrado em 19.09.2011, ... Portanto, o lançamento em questão é NULO, por ausência de tipificação, já que não se trata de situação de não localização, consumo ou revenda da aeronave Learjet Inc. 45 (XR), Prefixo N903BT, modelo 2008, número de série 353, devendo Fl. 577DF CARF MF 16 processo de perdimento n° 10 814.726.307/201184 ser restaurado – já que o caput do artigo 73 da Lei n° 10.833/03 não autoriza a sua extinção – e permanecer sobrestado até a vigência da decisão judicial oriunda da Ação Ordinária n° 001778163.2011.40361.00. Demais questões prejudicadas. (...). Diante do exposto, no uso da competência legal, outorgada pelo inciso I do art. 61 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, com redação dada pela Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o, julgase PROCEDENTE a impugnação constante no presente processo. Em outras palavras, nos casos de liberação de mercadorias por decisão judicial, inaplicável a penalidade disposta no art. 73 da Lei n. 10.833/03, por ausência de subsunção do fato à norma, pois não há que se falar em mercadoria não localizada, consumida ou revendida. Apresentase nulo, portanto, o auto de infração combatido, tornandose relevante consignar, por oportuno, que se está diante de nulidade por vício material. Registrese, por fim, que ainda não houve decisão definitiva na ação judicial em comento (Ação Ordinária n° 001778163.2011.40361.00), a qual permanece conclusa ao Relator do Tribunal Regional Federal da 3ª Região desde 16/06/2016. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 578DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979270/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 70 /2 00 9- 87 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.979270/200987 Acórdão n.º 1201001.707 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.979270/200987 Acórdão n.º 1201001.707 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979270/200987 Acórdão n.º 1201001.707 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979270/200987 Acórdão n.º 1201001.707 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.015087/2004-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2000
DESISTÊNCIA. PEDIDO FORMAL.
Havendo pedido de desistência parcial quanto ao recurso voluntário, dele não se conhece nessa parte.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2000
MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 105.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Súmula CARF nº 105.
Numero da decisão: 1201-001.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a) NÃO CONHECER do recurso voluntário quanto aos lançamentos de IRPJ e CSLL e b) conhecer do recurso relativamente às multas isoladas, para DAR-LHE provimento, exonerando os valores lançados a esse título.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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SERVIÇO MÉDICO PERMANENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 DESISTÊNCIA. PEDIDO FORMAL. Havendo pedido de desistência parcial quanto ao recurso voluntário, dele não se conhece nessa parte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2000 MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF Nº 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Súmula CARF nº 105. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em a) NÃO CONHECER do recurso voluntário quanto aos lançamentos de IRPJ e CSLL e b) conhecer do recurso relativamente às multas isoladas, para DARLHE provimento, exonerando os valores lançados a esse título. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 50 87 /2 00 4- 01 Fl. 279DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Adoto como relatório aquele da Resolução nº 10800.452, da então 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, complementandoo a seguir: SEMPER S/A SERVIÇO MÉDICO PERMANENTE, Pessoa Jurídica já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário a este Conselho visando exonerar se do lançamento de fls. 04/12 para o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ relativo ao exercício de 2001, anocalendário de 2000, no valor total de R$ 249.448,31. Constatou o autuante omissão de receita operacional por falta de oferecimento à tributação do valor do deságio na aquisição de créditos de terceiros, no montante de R$ 538.019,24. Ressaltou, ainda, que o prejuízo fiscal, no montante de R$ 254.222,09, referente ao exercício autuado, escriturado no Lalur, foi compensado na apuração da base tributável. A Contribuinte, inscrita no REFIS Programa de Recuperação Fiscal efetuou por meio do “Contrato de Cessão de Créditos Tributário" datado de 29 de junho de 2000, a compra de prejuízo fiscal correspondente a R$ 4.075.903,40 junto à empresa EMTEC Empresa Técnica de Construções Ltda, CNPJ 17.168.923/0001 50, por R$ 73.366,27. Por meio desta operação, adquiriu o direito de deduzir dos valores das multas e juros dos débitos consolidados no REFIS, o montante de R$ 611.385,51. A diferença, verificada deságio no montante de R$ 538.019,24 (R$ 611.385,51 R$ 73.366,27) não foi oferecida à tributação imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. A base legal se fez nos artigos 244, 248, 251 e parágrafo único, 277 e 288 do RIR/99. Também foi verificada a falta de recolhimento, por estimativa (não houve balanço de suspensão ou redução no mês de junho de 2000), do imposto de renda pessoa jurídica (inclusive adicional) no valor de R$ 132.504,81, correspondente ao deságio apurado no valor de R$ 538.019,24. Por conseqüência, foi aplicada a multa isolada, com base nos artigos 222, 843 e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. Incisos I do caput e IV do parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei n° 9430, de 1996. Foi lavrado o auto de infração reflexo para a CSLL, no total de R$ 61.885,06 com fundamento no art. 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e 24 da Lei n° 9.249, de 1995, no art. 1° da Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, e arts. 28 da Lei n° 9.430, de 1996 e, art. 6° Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e reedições. Na impugnação de fls. 42/48 referiuse a improcedência do AIIM pois não restara configurados os ilícitos imputados pelo autuante. Reclamou do conceito de receita pretendido (deságio como base tributável). O artigo 3° da Lei n ° 9.718, de 1999 no conceito de faturamento o equiparando ao conceito de receita bruta para fins de tributação do PIS e da COFINS. Mas o prejuízo fiscal adquirido de terceiros não teria natureza jurídica de receita. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10680.015087/200401 Acórdão n.º 1201001.866 S1C2T1 Fl. 3 3 A lei de regência do REFIS permitiu a utilização de créditos de terceiros, decorrentes de prejuízos fiscais, para reduzir da conta os valores de multa e juros, sem impor qualquer condição ao seu aceite, ou desnaturação jurídica. A Lei n° 9.964, de 2000, tratou indistintamente do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL próprios ou adquiridos de terceiros. O argumento de que o prejuízo fiscal tem o poder liberatório (pagamento) de multa e juros dos débitos no âmbito do REFIS, tendo pois natureza de receita não avançaria. Prevalecer tal raciocínio implicaria em se admitir tributação de PIS e COFINS com a utilização de prejuízo fiscal próprio. Mesmo admitindo o deságio na aquisição de prejuízo fiscal de terceiro, como receita, deveria ser adotada a interpretação sistemática que contemplasse o tratamento isonômico da norma contida no art. 7°, § 1° do Decreto n° 3.431, de 2000, sob pena de enriquecimento sem causa. Quem vendeu o prejuízo não pode deduzir essas perdas para fins de determinação do lucro real, da mesma forma não se poderia tratar a 'receita originada da aquisição com deságio' como receita tributável para fins de apuração do lucro liquido real na empresa adquirente. Argumentou, invocando o princípio da eventualidade, sobre o momento em que, de fato, ocorreu a realização dessa receita concluindo que seria 09 de dezembro de 2004, data da ciência do auto de infração quando o crédito não foi homologado devendo, pois, para a apuração do IRPJ e CSLL, integrar o resultado daquele ano calendário. A multa isolada descaberia por se tratar de duplicidade de aplicação de penalidade. Jurisprudência administrativa secundaria sua conclusão. A aplicação de multa isolada, prevista no art. 44 caput, c/c § 1° inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, concomitantemente com a multa de 75% aplicada em decorrência do lançamento de oficio pela autoridade administrativa, implicaria, indubitavelmente em bis in idem. Pediu: a) o cancelamento dos autos de infração IRPJ e CSLL ,porque o deságio da aquisição de prejuízo fiscal de terceiro para utilização no Refis, não se constituiria em receita tributável, ou se admitido como receita, caberia o cancelamento dos autos de infração porque esta receita só deveria ser apropriada no ano de 2004; b) cancelamento da multa isolada por decorrência dos pedidos . anteriores, ou porque seria incabível sua aplicação concomitante com a multa de oficio exigida pela constatação de omissão de receitas, que tiveram como base o mesmo valor apurado em procedimento fiscal. Discorreu sobre as penalidades dizendo que as antecipações descaberiam porque houve prejuízo fiscal, ou porque foi absorvido pelo recolhimento da apuração anual da CSLL devida. E, decorrido o período de apuraçöes parciais (por estimativa) do Imposto de Renda e CSLL dentro do próprio exercício com a apuração definitiva do Imposto de Renda devido e CSLL (ou do prejuízo fiscal identificado), não haveria que se falar em aplicação de penalidade por descumprimento da obrigação. A penalidade prevista no artigo 44 caput, c/c § 1° inciso lV da lei n° 9.430, de 1996, só faria sentido se a fiscalização ocorresse durante o exercício fiscal, antes da apuração definitiva do CSLL devida. E, apenas argumentando, se coubesse aplicação de penalidade por falta de recolhimento da CSLL estimativa, a multa seria a de mora vigente à época do fato gerador (20%, segundo art. 59 da lei n° 8.383, de 1991). Nos lançamentos por homologação, a multa de oficio se daria nos casos onde a administração tributária não tivesse acesso ou conhecimento do fato delituoso. Fl. 281DF CARF MF 4 Pediu o cancelamento da multa aplicada ou sua redução para o percentual de 20%. Decisão de fls.100/108, descreveu o lançamento, comentando que a Lei n° 9.430, de 1996, determinou que a partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, se daria por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. O artigo 251 e § único do RIR/99 determinou que o lucro real base de cálculo para determinar o imposto de renda pessoa jurídica devido e o lucro líquido do período de apuração; ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas na legislação. Contudo, permitiu à pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real a opção do pagamento do imposto e da CSLL, com base de cálculo estimada, mediante um percentual sobre a receita mensal e uma única apuração, em 31 de dezembro de cada ano, abrangendo o resultado de todo o anocalendário. (Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2°, e § 3°, clc art.28). Assim a Lei n° 9.430, de 1996, determinou procedimento específico para o cálculo e pagamento mensal do valor do tributo por estimativa, prevendo, também, penalidades se inobservadas tais determinações. Facultou a formalização da exigência de crédito tributário exclusivamente da multa isolada (art. 43), dispondo sobre aplicação de multas no caso de lançamento de ofício. Por seu turno as multas pecuniárias, nas sanções administrativas, nos lançamentos de ofício, estão definidas no art. 44 dessa mesma lei (base legal do art. 957 do RIR/99).A Instrução Normativa SRF n° 93, de 1997, regulando a legislação sobre a determinação e o pagamento do imposto de renda, determinou procedimento específico, conforme artigo 16, nos casos da falta de pagamento das estimativas. O RIR/1999 consolidou, no artigo 841, o fundamento legal da aplicação da multa isolada. Art. 841: (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 77, Lei n° 2.862, de 1956, art. 28, Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, Lei n° 8.541, de 1992, art. 40, Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, Lei n° 9.317, de 1996, art. 18, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Na apuração anual do imposto de renda os recolhimentos mensais estimados são obrigatórios, exceto nos casos previstos na legislação (balanço de suspensão). Confirmou o autuante que a Contribuinte usou prejuízos fiscais de terceiros para liquidação de juros e multas consolidados no Programa de Recuperação Fiscal Refis (artigo 2°, § 7° da Lei n° 9.964, de 2000) aproveitandoo na proporção permitida pela legislação (15% do valor do seu valor), no caso, R$ 611.385,51 que permitiu deduzir R$ 73.366,27. Mas os efeitos desta operação não foram considerados, reduzindo indevidamente o lucro liquido sujeito a tributação. A falta de reconhecimento do ganho obtido tanto se deu na apuração anual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (31/12/2000) quanto na apuração da base de cálculo do pagamento mensal por estimativa. A operação entre as empresas adquirente e cedente correspondera a um contrato de cessão de crédito. O objeto do contrato foi a aquisição de um direito de crédito, que na espécie se materializou na “aquisição de prejuízo fiscal", para utilização na liquidação de ,débitos consolidados no Refis, autorizada pela legislação. Nessas espécies de contrato (cessao de direito) pode ocorrer ganho ou perda, ou mesmo resultado nulo. No caso ocorrera um ganho para o adquirente e uma perda para o cedente. Comprara uma cessão de direito por um valor de face Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10680.015087/200401 Acórdão n.º 1201001.866 S1C2T1 Fl. 4 5 maior do que efetivamente “pagou" por ele, gerando um ganho patrimonial que deveria ser reconhecido e tributado na data da aquisição de sua disponibilidade. Já a utilização de seus próprios prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da contribuição social _sobre o lucro líquido para liquidar débitos no Refis não caracterizaria receita tributável, mas uso de recursos próprios. O prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social, em si, não são considerados receitas para fins de tributação. Na apuração do tributo devido a legislação facultou a amortização desses resultados negativos em exercícios posteriores. Em verdade não se trataria de tributar prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da contribuição social adquiridos de terceiro, mas tributar o ganho eventual obtido na cessão de crédito quando da aquisição de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL de terceiro para liquidação de juros e multas no âmbito do Refis. Ao pedido de tratamento isonômico àquele dispensado à empresa cedente, opôs o § 1° do artigo 7° do Decreto n° 3.431, de 24 de abril de 2000 que determinou: “as perdas porventura apuradas em decorrência da cessão não serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido". Contudo este dispositivo abrangeu a possibilidade de ocorrência de perdas na cessão de direitos e cuidou para que influíssem na apuração do lucro real. Concluiu: “Na cessão de direitos, ocorrendo perda do cedente (possuidor do crédito), ocorrerá ganho do cessionário (adquirente), e tal ganho não mereceu tratamento diferenciado pela legislação. Ademais, as exclusões do lucro líquido para apuração do lucro real deveriam estar expressas em lei (art. 250 do RIR/99). E de acordo com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa lançamento é vinculada e obrigatória sob pena de responsabilidade funcional. Quanto ao momento de realização da eventual "receita" oriunda do deságio para a empresa cessionária, seria o mesmo do fato gerador do IRPJ e CSLL, na “data da aquisição de sua disponibilidade para pagamento parcial do débito incluído no Refis, ou seja, na data em que a empresa cedente dá baixa dos créditos em sua escrituração e estes se tornam disponíveis para o aproveitamento pela empresa cessionária."(Conforme auto de infração). O fato gerador do tributo definiria sua natureza jurídica. No caso foi o ganho obtido na aquisição de direitos, ou seja, o ganho obtido na aquisição de prejuízo fiscal de terceiro passível de utilização na liquidação de débitos consolidados no Refis. Esse ganho será fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Cofins, do Pis e da CSLL. Discordou a Contribuinte da aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, implicando em bis in idem. Mas a cominação de penalidades dependeria de lei. As multas pecuniárias, nas sanções administrativas, especialmente as decorrentes de lançamento de ofício, estão definidas no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (base legal do art. 957 do RIR/99) o qual transcreveu. O fato que deu origem à aplicação da multa é o mesmo. Mas a exigência decorre da lei e não pode o administrador tributário dela se afastar. A multa de oficio Fl. 283DF CARF MF 6 pode ser exigida juntamente com o tributo devido ou isoladamente, como determinado no artigo 957 do RIR/99. A multa isolada (de ofício) foi aplicada por falta de recolhimento das estimativas, no mês de junho de 2000, data em que obteve o ganho na aquisição de direitos de terceiros. A base de cálculo correspondeu ao valor do ganho R$ 538.019,24. “(Na prática, a aplicação da multa isolada desonera a empresa da obrigação de recolher as estimativas que serviram de base para o cálculo da multa. O imposto e a contribuição não recolhidos serão apurados na declaração de ajuste, se devidos)". Como houve resultado negativo no período, o valor do ganho obtido na aquisição de direito de terceiro foi acrescido ao lucro real e apurado o valor devido. Sobre esse valor, foi aplicada a multa de oficio (proporcional), exigida juntamente com o imposto devido, na forma da legislação de regência da matéria. Quanto à jurisprudência invocada esclareceu que respectivos atos não se compreenderiam na legislação tributária e não vinculariam a Administração Pública Federal, produzindo efeitos apenas em relação às partes que integraram o processo (art. 96 e 100 do CTN e Lei n° 9.868, de 10 de novembro de 1999). O princípio da legalidade seria cogente obrigando a Administração Pública e seus agentes a somente fazer o que a lei os autorizasse (art. 37 da Constituição Federal). Quanto ao lançamento para a CSLL seguirá o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, frente à relação de causa e efeito que os vincula, quando previstas as incidências na legislação de regência da matéria. Recurso às fls.113/127 onde narrou os fatos dizendo que além deste processo outros dois foram lavrados para o PIS PAT 10680015090/200417 e COFINS, n° 10680.015089/200492, mas que todos deveriam ser cancelados. Repetiu os argumentos impugnatórios, na seguinte ordem: “III. 1 Conceito de receita. Impossibilidade deter o deságio como receita tributável desnaturação do conceito de prejuizo fiscal não autorização legal" para concluir que não procederia a recomposição do seu lucro no periodo."III. 2 Pagamento de multa e juros. Lançamento por homologação. Condição." Neste tópico argumentou que o suposto “ganho tributável", pela utilização de prejuízos próprios e de terceiros (Lei 9964/2000) se daria quando fosse confirmada a possibilidade do seu aproveitamento. Caso não fosse homologada haveria perda. No seu caso a manifestação sobre o aproveitamento dos prejuízos fiscais de terceiros se dera em 09/12/2004, quando “poderia” integrar o resultado do período. "III. 3 Multa Isolada. Descabimento. Duplicidade de aplicação de penalidade.Impossibilidade. Discorreu sobre as espécies de penalidades dizendo ser impossível a sobrevivência da multa isolada, fora do próprio exercício e mais ainda, quando ao final do período houve resultado negativo. Reproduziu jurisprudência administrativa para argumentar que, se coubesse a multa isolada sua base de cálculo não seria o valor não quitado a titulo de estimativa. Seu cálculo partiria do lucro apurado deduzindo a estimativa obrigatório. Havendo prejuízo ou pagamentos suficientes para quitar o tributo devido não se falará em “multa isolada". Resumiu o pedido na ordem seguinte: a) cancelar a suposta receita tributável no deságio dos prejuízos de terceiros; Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10680.015087/200401 Acórdão n.º 1201001.866 S1C2T1 Fl. 5 7 b) sucessivamente, cancelar o AIIM porque a receita do deságio deveria ser considerada em 2004; c) determinar o cancelamento da muita isolada por descaber quando houvesse concomitância com lançamento de oficio; d) sucessivamente ao item c, fosse calculada sobre a diferença entre o lucro real apurado e a antecipação do IRPJ/CSLL que seria devido. Seguimento conforme despacho de fls.136. Por meio da Resolução citada, o julgamento foi convertido em diligência: Na ocasião do julgamento do recurso foi proposta pelo Conselheiro Margil Mourão Gil Nunes a conversão do julgamento em diligência para que houvesse a certeza da forma como fora contabilizada esta diferença objeto do lançamento, e quais rubricas servira para amortizar. Somente desta forma entenderia ser possível um julgamento imparcial. Assim propôs, e foi aceito pela maioria da Turma, nos seguintes termos: a) apurar a contabilização dos débitos consolidados no PAES, na data da opção(em conta de passivo); b) identificar a natureza e os valores das multas e juros de mora Iiquidados pelo prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL adquiridos de terceiros; c) identificar as contas redutoras do lucro real relacionadas com esses eventos. Após, relatório deverá ser produzido e o sujeito passivo cientificado para se pronunciar se assim entender necessário. Encaminhados os autos à unidade da Receita Federal da circunscrição do contribuinte, este foi intimado a apresentar livros e documentos. Após apresentação de vários documentos, foram juntados aos autos o expediente datado de 25 de fevereiro de 2010 (eprocesso fls. 241 a 243) e anexos (recibos de pedidos de parcelamento e de desistência de parcelamentos anteriores fls. 244 a 254). A recorrente ali expõe: 6. Semper aderiu, em novembro de 2009, ao parcelamento especial previsto na Lei n. 11.941/09 (denominado “REFIS IV") vide comprovante em anexo e pretende incluir no mesmo parte dos débitos objeto deste PTA. 7. Pretende o contribuinte incluir no parcelamento especial o crédito tributário referente ao IRPJ e a CSLL, desistindo, assim, do contencioso administrativo quanto a estas matérias. Entretanto, prosseguirá no contencioso administrativo em relação ao lançamento de multa isolada, devendo ser apreciado o recurso voluntário interposto exclusivamente quanto a tal matéria. 8. O art. 13 da Ordem de Serviço Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, inovando quanto ao previsto na Lei 1 12941/09 (já que esta nada prevê a este respeito) determina que o contribuinte) para aproveitar as condições de que trata esta Fl. 285DF CARF MF 8 Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais (...). A Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 13, de 19 de novembro de 2009, fixou o prazo para cumprimento de tal providência em 28 de fevereiro de 2010. 9. Assim, Semper vem, pela presente efetuar desistência parcial da impugnação apresentada nos autos do PTA n. 10680.015087/200401, para efeito do que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 6, em seu art. 13, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação em relação aos seguintes lançamentos: 10. O contencioso administrativo prosseguirá em relação ao lançamento de multa isolada, não se estendendo sobre esta questão a desistência ora efetivada, devendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apreciar o recurso interposto e pendente de julgamento: 11. Reitera o contribuinte, nesta oportunidade, os argumentos trazidos no recurso voluntário (fls. 121 a 127), pendente de julgamento, e que levam ao cancelamento da multa isolada lançada. 12. Considerando a desistência ora efetuada, entende o contribuinte que não há mais objeto na diligência determinada às fls. 151/152, devendo os autos deste PTA serem enviados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para imediato julgamento do recurso em relação à parte remanescente. 13. Assim, diante do supra exposto: (a) o contribuinte Semper S/A Serviço Médico Permanente desiste parcialmente da impugnação apresentada nos autos deste PTA n. 10680.015087/200401, para efeito do que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 6, em seu art. 13, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação em relação aos seguintes lançamentos: (b) o contribuinte Semper S /A Serviço Médico Permanente requer o julgamento do recurso voluntário interposto, por este Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10680.015087/200401 Acórdão n.º 1201001.866 S1C2T1 Fl. 6 9 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em relação ao lançamento de multa isolada. Às fls. 255 a 257 consta expediente referenciado como "Resposta ao Termo de Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos recebido em 12 de fevereiro de 2010 (MPF 0610100.2009.00954), datado de 26 de fevereiro de 2010, em que a recorrente aduz: 5. Semper aderiu, em novembro de 2009, ao parcelamento especial previsto na Lei n. 11.941 /09 (denominado “REFIS IV”) vide comprovante em anexo e pretende incluir no mesmo parte dos débitos objeto deste PTA. 6. Nesta data (26/2/2010), em petição própria neste mesmo PTA, e para fins do disposto no art: 13 da Ordem de Serviço Conjunta PGFN/RFB n° 6, de 22 de julho de 2009, Semper promoveu a desistência parcial da impugnação apresentada nos autos do PTA nº 10680.015087/200401, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação em relação aos seguintes lançamentos: 7. Considerando a desistência parcial do contencioso administrativo efetuada, entende o contribuinte que não há mais objeto a diligência determinada às fls. 151/152, devendo os autos deste PTA serem enviados ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para imediato julgamento do recurso em relação à parte remanescente (lançamento de multa isolada) que não se relaciona com o objeto da referida diligência. 8. Todavia, mesmo entendendo que perdeu o objeto a diligência determinado pelo Órgão julgador de segunda instância administrativa, passa o contribuinte a responder à solicitação da diligência fiscal acima epigrafada. Em relação ao item 1: 9. Por ocasião do REFIS 1, o contribuinte incluiu a totalidade de débitos fiscais existentes em tal modalidade de parcelamento especial. 10. A Secretaria da Receita Federal é que se responsabilizou pela consolidação dos débitos, inclusive com a inclusão na “Conta Refis”. 11 Portanto, a autoridade fiscal dispõe de tais dados especificados por tipo de tributo, vencimento e competência, valor de principal, multa e juros. 12. Ademais a solicitação apresentada pela autoridade fiscal em 12/2/2010 desborda dos limites da diligência fiscal determinada à fl. 152 dos autos do PTA, pois na alínea b da decisão colegiada, foi determinado apenas a identificação da “natureza Fl. 287DF CARF MF 10 e os valores das multas e juros de mora liquidados pelo prejuízo fiscal. E tais dados, repitase, estão de posse desta Secretaria da Receita Federal. 13. Portanto, considerando que tais dados estão em poder do Fisco, que consolidou todos os débitos no âmbito do REFIS 1, deixa o contribuinte de apresentar a relação de débitos solicitada. Em relação ao item 2: 14. A diligência determinada às fls. 151/152 visou a obter “a certeza da forma como fora contabilizada esta diferença objeto do lançamento. 15. Provavelmente não se apercebeu a Câmara julgadora da informação prestada pelo contribuinte à fl. 25 dos autos deste PTA, a qual se reproduz: “1. No que se refere à solicitação contida nos itens I e 2, informa o contribuinte que não ofereceu à tributação a diferença entre o valor pago a terceiros para fins de transferência de prejuízo fiscal e o valor do crédito compensável no âmbito do REFIS por entender que não restou configurado fato gerador de tributo federal. Por corolário de tal entendimento. deixou de escriturar os livros fiscais e contábeis para registro de tal ocorrência. " (grifos nossos) 16. Portanto, novamente, o contribuinte informa, coerente com a informação prestada em 2004, que não efetuou qualquer escrituração fiscal ou contábil para registro da aquisição do prejuízo fiscal de terceiros e sua utilização para amortizar multa e juros no âmbito do REFIS 1. Os registros contábeis acerca do pagamento do prejuízo fiscal adquirido constam das fls. 27/31 dos autos deste PTA. 17. Assim, diante do supra exposto, requer Semper S/A Serviço Médico Permanente que: (a) considerando a desistência parcial efetuada, e que acarreta o esvaziamento do objeto da diligência determinada seja 'o presente PTA encaminhado, no estado em que se encontra, para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que este aprecie o recurso voluntário apenas em relação ao objeto remanescente (lançamento de multa isolada); (b) sucessivamente, considerando que é esta Secretaria da Receita Federal do Brasil que possui a informação detalhada dos débitos consolidados e pagos no âmbito do REFIS 1, e considerando que o contribuinte não efetuou lançamento fiscal acerca da aquisição do prejuízo fiscal de terceiro, sejam reunidas as informações e também remetidos os autos imediatamente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que este aprecie o recurso voluntário apenas em relação ao objeto remanescente (lançamento de multa isolada). Às fls. 272 e 273 consta Termo de Encerramento de Diligência, datado de 16 de março de 2010, nos seguintes termos: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10680.015087/200401 Acórdão n.º 1201001.866 S1C2T1 Fl. 7 11 Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, e, de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), encerramos diligência fiscal em atendimento à solicitação do Conselho Administrativo de Recursos fiscais, de fl. 152, no processo 10680.015087/200401 (auto de infração IRPJ, ano calendário de 2000DIPJ original com ND 0982962), conforme informação abaixo: 1A diligência fiscal foi solicitada para que se houvesse a certeza como fora contabilizada a diferença objeto do lançamento e quais rubricas serviriam para amortizar, nos seguintes termos: apurar a contabilização dos débitos consolidados no REFIS, identificar a natureza e os valores das multas e juros de mora liquidados pelo prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL adquiridos de terceiros e identificar as contas redutoras do Lucro Real relacionadas com esses eventos. Foi a empresa intimada através do Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos em 26/08/2009 (fl.l60),com AR recebido em 28/08/2009 (fl. 161), a apresentar: Última Alteração Contratual, LALUR relativo ao ano calendário de 2000, Livro Razão relativo ao ano calendário de 2000 e Balancetes relativos ao ano calendário de 2000, cujas cópias foram devidamente autenticadas e instruem o presente processo às fls 162 a 234. 2Como na análise dos documentos apresentados, às fls 162 a 234, não se atenderia aos quesitos formulados pelo Conselho Superior de Recursos Fiscais, uma vez que, além de se constatar a não contabilização da diferença objeto do lançamento (informação já prestada pelo contribuinte, no documento de fl. 25, ao Termo de intimação de fl. 24) foi verificada a não contabilização de outras rubricas para amortização do lançamento; foi novamente o contribuinte intimado em 08/02/2010 (com AR recebido em 10/02/2010) cuja resposta,recebida no dia 26/10/2010, se encontra às fls 237 a 263, onde afirma, em síntese: [...] 3Conforme solicitação de cópias de documentos de fls. 184 a 187, foi fornecido ao contribuinte cópia deste processo. 4Consta, ainda, no presente processo, fls 156 a 159, a Declaração REFIS transmitida pelo contribuinte em 30/06/2000. 5No dia 16/03/2010, foram devolvidos ao contribuinte os documentos entregues em atendimento ao Termo de Diligência/Solicitação de Documentos de fl 160, conforme Termo de Devolução de Documentos de fl. 267. E, para constar e surtir os efeitos legais,lavramos o presente Termo, em 02 (duas) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal (is) da Receita Federal do Brasil, cuja ciência Fl. 289DF CARF MF 12 e cópia do contribuinte se dará via postal, para este, querendo, se pronuncie se entender necessário. À fl. 276, consta despacho de envio do processo a este CARF, datado de 29 de junho de 2010. O presente processo foi redistribuído por sorteio, na sessão de 16 de fevereiro de 2017, em face de o antigo relator não mais fazer parte deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Contudo, houve desistência parcial, no que tange aos lançamentos de IRPJ e CSLL, conforme petições de fls. 241/243 e 255/257, pelo que o recurso não pode ser conhecido nessa parte, mas tãosomente quanto às alegações relativas às multas isoladas. Mérito. Multa isolada A recorrente alega ser impossível a sobrevivência da multa isolada, fora do próprio exercício e, mais ainda, quando ao final do período houve resultado negativo. Reproduziu jurisprudência administrativa para argumentar que, se coubesse a multa isolada, sua base de cálculo não seria o valor não quitado a título de estimativa. Seu cálculo partiria do lucro apurado deduzindo a estimativa obrigatória. Havendo prejuízo ou pagamentos suficientes para quitar o tributo devido não se falará em “multa isolada". Os lançamentos reportamse aos anocalendário 2000. Especificamente, as multas isoladas são relativas às estimativas não pagas (IRPJ e CSLL) do mês de junho desse ano. Relativamente ao caso, há a Súmula CARF nº 105 com o seguinte teor: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Tendose em vista a reversão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL para valores positivos, conforme autos de infração, e, considerandose a desistência do recurso quanto a esses valores lançados, o que os torna definitivos, é aplicável ao caso a Súmula acima transcrita. Conclusão. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.015087/200401 Acórdão n.º 1201001.866 S1C2T1 Fl. 8 13 Em face do exposto, voto por: a) NÃO CONHECER do recurso voluntário quanto aos lançamentos de IRPJ e CSLL; b) CONHECER do recurso relativamente às multas isoladas, para DARLHE provimento, exonerando os valores lançados a esse título. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.722065/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal.
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal (MPF), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.
PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457, DE 2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da Lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA OPERAÇÃO QUE DE ORIGEM AO DEPÓSITO.
Provada a origem da operação do qual decorreu o depósito bancário, não se sustenta o lançamento por depósitos bancário de origem não comprovada.
Numero da decisão: 2301-005.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) negar provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário, (b) rejeitar as preliminares e, no mérito, (c) lhe negar provimento.
Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Emília Cavalcanti de Arruda, Procuradora da Fazenda Nacional.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal (MPF), dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457, DE 2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da Lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA OPERAÇÃO QUE DE ORIGEM AO DEPÓSITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 20 65 /2 01 3- 16 Fl. 601DF CARF MF 2 Provada a origem da operação do qual decorreu o depósito bancário, não se sustenta o lançamento por depósitos bancário de origem não comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) negar provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário, (b) rejeitar as preliminares e, no mérito, (c) lhe negar provimento. Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Emília Cavalcanti de Arruda, Procuradora da Fazenda Nacional. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha (suplente convocado), Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário em face do Acórdão 16 60.888, exarado pela 18ª Turma da DRJ em São Paulo (efls. 516 a 533). O auto de infração (efls. 02 a 09) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondentes ao anocalendário 2009; foi constituído crédito tributário de R$9.732.333,64, dos quais R$4.722.599,79 correspondem a imposto, R$3.541.949,84 à multa e R$1.467.784,01 a juros de mora. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, excluindo do lançamento os seguintes valores, considerados como de origem comprovada: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR FEVEREIRO 347.103,01 0 347.103,01 MARÇO 270.178,48 222.285,90 47.892,58 ABRIL 7.173.050,19 6.206.373,76 966.676,43 MAIO 592.988,46 2.000,00 590.988,46 JUNHO 2.571.155,89 402.100,00 2.169.055,89 JULHO 1.805.967,96 3.500,00 1.802.467,96 SETEMBRO 2.899.156,56 2.819.879,94 79.276,62 OUTUBRO 270.672,17 100.000,00 170.672,17 NOVEMBRO 572.746,33 26.600,00 546.146,33 DEZEMBRO 698.999,69 20.600,00 678.399,69 TOTAL 17.202.018,74 9.803.339,60 7.398.679,14 Em decorrência, os valores mantidos e exonerados corresponde a: IMPOSTO MULTA Exigido(a) 4.722.599,79 3.541.949,84 Exonerado(a) 2.695.918,39 2.021.938,79 Mantido(a) 2.026.681,40 1.520.011,05 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 3 3 O acórdão recorrido recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL. Incomprovado na fase procedimental que os depósitos bancários de origem não identificada seriam decorrentes da atividade rural, correta a fundamentação legal do lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando a prova dos fatos pode ser produzida pelo próprio contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Excluemse da tributação os depósitos bancários cuja origem foi devidamente comprovada pelo contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo sido exonerado tributo e multa em valor superior a R$1.000.000,00, foi realizado recurso de ofício, nos termos da Portaria MF n° 3, de 2008. A ciência dessa decisão pelo contribuinte ocorreu em 30/09/2014 (AR, efl. 545). Em 30/10/2014, o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 547 a 565), alegando, em síntese: (a) a nulidade do auto de infração por ter sido extrapolado o prazo para a conclusão dos trabalhos de fiscalização; (b) a nulidade do auto de infração por ter sido extrapolado o prazo para o julgamento da impugnação administrativa; (c) o instituto da presunção de omissão de receitas, previsto no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, e cujo efeito prático é a inversão do ônus da prova, não se aplica aos produtores rurais que declaram possuir como única e exclusiva fonte de renda a atividade rural, Fl. 603DF CARF MF 4 como é o seu caso; assim, cabe ao fisco provar que a omissão de receita tem origem em atividade diversa; caso assim não faça, o valor da alíquota a ser tributado em eventual receita omissa deverá se limitar a 20%, índice previsto na legislação extravagante dos produtores rurais, cuja forma de apuração é anual, e não mensal; (d) o montante do crédito mantido na decisão de primeira instância não coincide com os valores totais descritos no auto de infração; são apontados, mês a mês, a discordância com os valores mantidos do lançamento (seus argumentos serão explicitados em meu voto, na análise mensal das bases de cálculo do lançamento); Foi requerido o provimento do recurso, para fins de reforma do acórdão recorrido, com a conseqüente decretação da nulidade do auto de infração; alternativamente, o reconhecimento da forma equivocada pela qual foi fundamentado o auto de infração e procedida a apuração de seus rendimentos, determinandose a tributação de acordo com as disposições da Lei n° 8.023/90, de forma anual, e pela alíquota de 20%; também requereu a desconsideração da inversão do ônus da prova, determinando ao fisco a comprovação da suposta omissão de receita que fundamentou a lavratura do auto de infração, sob pena de seu cancelamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior Uma vez que os valores cancelados pelo acórdão se sujeitam ao recurso de ofício e foram analisados por período de apuração, mês a mês, muitas veze3s coincidentes com os períodos de apuração do recurso voluntário, enfrentarei o mérito de ambos os recursos, de ofício e voluntário, por período de apuração, com o fito de evitar desnecessária redundância na análise dos fatos. Por ora, apenas consigno que o recurso de ofício deve ser conhecido, pois trata de matéria de competência desta Turma e está dentro do limite de alçada (tributo e multa exonerados em montante maior de R$2.500.000,00). Por primeiro, enfrento as preliminares do recurso voluntário. PRELIMINARES da nulidade do auto de infração por ter sido extrapolado o prazo para a conclusão dos trabalhos de fiscalização É alegado que a fiscalização que originou o auto de infração iniciouse no dia 26 de julho de 2012, através do MPF 2012.004147, com a intimação para a apresentação dos extratos bancários que deram origem à movimentação financeira no exercício de 2009, os quais foram apresentados em 02 de agosto de 2012. No dia 2 de janeiro de 2013 houve continuidade da fiscalização pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 001. Em 6 de fevereiro de 2013, foi enviado ao Recorrente o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 002, sendo solicitada a comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Ocorre que o prazo para conclusão da referida fiscalização, que teve início em 26/07/12, expirou em 26/11/12, ou seja, 120 dias após seu início; não houve ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil prorrogando o prazo de atuação fiscal por mais 60 (sessenta) dias, conforme determina a Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 4 5 Portaria RFB n° 11.371/2007, arts. 11 e 12, os quais estipulam os prazos máximos para cada prorrogação. A fiscalização retomou os trabalhos somente em 02/01/13, com a solicitação de novos documentos, o que representa um hiato de 153 dias sem manifestação do fisco, prazo superior ao estipulado pelos artigos 11 e 12 da Portaria RFB n° 11.371/2007. Assim, sem que houvesse ato formal da autoridade outorgante que possibilitasse, nos termos da norma mencionada, a prorrogação do procedimento fiscalizatório, o mesmo seguiu extemporaneamente, sendo concluído apenas em 21 de agosto de 2013, ou seja, 368 dias após o seu início. Não lhe assiste razão. É cediço que as normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal (MPF) dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil; portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisões unânimes: VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento Recurso Especial negado. (Ac. 9202003.956; Relatora. Ana Paula Fernandes, decisão unânime) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento Jurisprudência do CARF.O fato de sucessivas prorrogações terem sido feitas sem a ciência pessoal do contribuinte constituise em mero erro administrativo, que não tem o condão de macular o lançamento em si, que foi lavrado por autoridade competente, e por meio de instrumento formalmente perfeito. Recurso especial negado. (Ac. 9202003.900, Rel. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, decisão unânime) Destaco que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, que não prevê a hipótese em comento: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 605DF CARF MF 6 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Da nulidade do auto de infração por ter sido extrapolado o prazo para o julgamento da impugnação administrativa Teria havido nulidade pelo decurso do prazo máximo estabelecido pelo art. 24 da Lei n° 11.457, de 2007, para que seja proferida decisão administrativa acerca de qualquer petição, defesa ou recurso apresentado pelo contribuinte. Não lhe assiste razão. A norma do art. 24 da lei nº 11.457/2007, reproduzida a seguir, é meramente programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Nesse sentido, as seguintes decisões unânimes: NORMA DO ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. NORMA PROGRAMÁTICA. A norma citada (É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte) é meramente programática, não havendo cominação de qualquer sanção em decorrência de seu descumprimento. (Ac. 2801 002.981, Rel. Tânia Mara Paschoalin) PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO OBSERVAÇÃO DO PRAZO DE 360 DIAS DISPOSTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/2007. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza a nulidade do lançamento a extrapolação do prazo de 360 dias disposto no artigo 24 da lei 11.457, de 2007, pois não foi estabelecida nenhuma sanção administrativa específica em caso de seu descumprimento. (Ac. 2202003.413, Rel. MarcoAuréliodeOliveiraBarbosa) A seu turno, o já citado artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, também não prevê a referida hipótese de nulidade. MÉRITO – RECURSO VOLUNTÁRIO Do ônus da prova – depósitos bancários com origem não comprovada Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 5 7 da alíquota a ser aplicada A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 607DF CARF MF 8 Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. Assim, não é possível inverter a presunção legal – como quer o recorrente – e presumir que os depósitos bancários tenham origem na atividade rural, uma vez que não existe permissivo legislativo para tanto. A jurisprudência citada pelo recorrente decorre de lançamentos cuja matéria tributável era o acréscimo patrimonial a descoberto, a que se sujeita a regra de presunção diversa da existente na matéria em apreço – depósitos bancários com origem não comprovada. Também não procede a preensão do recorrente em ter aplicada a alíquota de 20%, correspondente à sua atividade de produtor rural. Por primeiro, os referido 20% sequer compõe a alíquota aplicável à atividade rural, cujo resultado integra a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual.Apenas no caso de falta de escrituração do resultado da exploração da atividade rural apurado pelas pessoas físicas, haverá o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei 9.250, de 1995, art. 18§ 2º). Porém, como já referido, não estamos diante de lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto ou de omissão de rendimentos da atividade rural, mas sim de omissão de receitas caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada, a que se sujeita às regras do já citado art. 42 da Lei 9.430, de 1996. MÉRITO – RECURSO DE OFÍCIO E RECURSO VOLUNTÁRIO Passo a analisar cada período de apuração, enfrentando conjuntamente os recursos de ofício e voluntário. FEVEREIRO 2009 Em relação a fevereiro de 2009, não houve valores cancelados, não existindo, por conseguinte, recurso de ofício. MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR FEVEREIRO 347.103,01 0 347.103,01 No recurso voluntário é alegado que se deve abater o depósito de R$105.000,00, efetuado em 26/02/2009 na conta junto ao Banco Credicitrus, referente ao empréstimo tomado junto à Cooperativa de Crédito Credicitrus. Não assiste razão ao recorrente, pois esse valor não compôs a base de cálculo do lançamento. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 6 9 Verificase à efl. 15 que o montante considerado como de origem não comprovada na conta junto ao Banco Credicitrus totaliza R$393.384,72. Esse valor é o que se chega retirando da base de cálculo os R$105.000,00 da planilha das efls. 248 e 249, a qual totaliza R$498.384,72: SICOOB 31887 41467 03/02/09 dep.cheque liberado 1.496,20 SICOOB 31887 41467 03/02/09 cred.liberação td 7.775,32 SICOOB 31887 41467 04/02/09 cred.liberação td 20.226,70 SICOOB 31887 41467 04/02/09 liberação de deposito bloqueado 850,00 SICOOB 31887 41467 05/02/09 cred.tedstr 32.678,17 SICOOB 31887 41467 05/02/09 cred.liberação td 31.691,20 SICOOB 31887 41467 06/02/09 cred.tedstr 5.588,61 SICOOB 31887 41467 06/02/09 cred.liberação td 13.471,02 SICOOB 31887 41467 09/02/09 liberação de deposito bloqueado 1.525,00 SICOOB 31887 41467 10/02/09 dep.cheque liberado 1.046,00 SICOOB 31887 41467 10/02/09 cred.liberação td 21.159,34 SICOOB 31887 41467 10/02/09 iberação de deposito bloqueado 1.711,00 SICOOB 31887 41467 11/09/09 cred.liberação td 12.904,14 SICOOB 31887 41467 12/02/09 cred.liberação td 21.124,41 SICOOB 31887 41467 12/02/09 iberação de deposito bloqueado 4.500,00 SICOOB 31887 41467 13/02/09 dep.cheque liberado 735,00 SICOOB 31887 41467 13/02/09 cred.tranf.contas ﴾ret﴿ 10.000,00 SICOOB 31887 41467 16/02/09 cred. liberação td 8.399,79 SICOOB 31887 41467 17/02/09 dep.dinheiro 10.302,00 SICOOB 31887 41467 18/02/09 dep.cheque liberado 1.036,00 SICOOB 31887 41467 18/02/09 dep.dinheiro 40.000,00 SICOOB 31887 41467 19/02/09 cred.liberação td 18.439,25 SICOOB 31887 41467 19/02/09 liberação de deposito bloqueado 257,00 SICOOB 31887 41467 19/02/09 liberação de deposito bloqueado 1.500,00 SICOOB 31887 41467 20/02/09 cred.tedstr 28.396,97 SICOOB 31887 41467 20/02/09 cred.liberação td 21.369,04 SICOOB 31887 41467 25/02/09 dep.dinheiro 30.000,00 SICOOB 31887 41467 25/02/09 dep.cheque liberado 15.000,00 SICOOB 31887 41467 25/02/09 cred.liberaçãotd 12.002,21 SICOOB 31887 41467 26/02/09 cred.empréstimo 105.000,00 SICOOB 31887 41467 26/02/09 liberação de deposito bloqueado 1.000,00 SICOOB 31887 41467 26/02/09 liberação de deposito bloqueado 1.627,00 SICOOB 31887 41467 27/02/09 cred.liberação td 15.573,35 Fl. 609DF CARF MF 10 FLS. 248/249 TOTAL 498.384,72 498.384,72 ‐105.000,00 393.384,72 MARÇO 2009 Em março, são os seguintes valores a serem considerados: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR MARÇO 270.178,48 222.285,90 47.892,58 O cancelamento deveuse a serem considerados comprovados: (a) três depósitos no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467, efetuados sob a rubrica “créd. Empréstimo”, nos seguintes valores: R$300.000,00 em 02/03/2009, R$59.340,00 em 06/03/2009 e R$218.700,00 em 16/03/2009 (fl. 249). Assim, do total dos créditos apurados na referida conta em março de 2009 (R$829.138,82) foram excluídos esses três depósitos, somando R$578.040,00, o que resulta no montante a tributar de R$251.098,82. Como na tabela de base de cálculo da fl. 16 foi lançada a quantia de R$393.384,72, foi excluída a diferença de R$142.285,90; (b) o depósito no valor de R$10.000,00, efetuado em 03/03/2009, no Banco Santander, agência 0013, conta corrente 10182730 (fl. 122), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Credicitrus agência 31887, conta 4.1467 (fl. 163); e (c) o depósito no valor de R$70.000,00 efetuado em 02/03/2009 no Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778 (fl. 102) por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Credicitrus agência 31887, conta 4.1467 (fl. 163). Ao total, foi excluída da base de cálculo a quantia de R$222.285,90. Não há reparos a serem feitos na decisão sob recurso de ofício. Em sede de recurso voluntário, é afirmado que o acórdão combatido considera o valor total de depósitos efetuados nas contas bancárias do Recorrente no mês de março como sendo de R$ 829.700,00, com base na planilha de fls. 249 do auto de infração; porém, na planilha da base de cálculo constante no termo de encerramento de fiscalização (doc. 4), o montante de depósitos no mês de março de 2009 foi de R$ 591.619,38; assim, levandose em consideração o reconhecimento no acórdão da comprovação de depósitos referentes a empréstimos, no montante de R$578.040,00, no Banco Credicitrus, e do reconhecimento de simples transferência bancária entre contas bancárias do Recorrente no valor de R$10.000,00, apurada no Banco Santander, chegase a um valor de receita supostamente não comprovada de R$3.579,38; todavia, como na declaração anual de imposto de renda referente ao ano base 2009, restou apurada a quantia negativa de R$33.431 no mês de março, referente à diferença entre a receita bruta e as despesas de custo/investimento, não há valores hábeis a compor a base de cálculo do IRPF no mês de março de 2009. Não lhe assiste razão. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 7 11 O montante considerado não comprovado objeto do lançamento (efl. 16) corresponde a : SANTANDER R$ 10.000,00 BRADESCO R$ 83.745,65 COOPERCITRUS R$ 393.384,72 NORDESTE R$ 70.000,00 B. BRASIL R$ 34.489,01 TOTAL DE DEPÓSITOS R$ 591.619,38 Do total de depósitos no Coopercitrus em março, R$829.138,82 (efls. 249 e 250), foi reconhecida a origem de R$578.040,00 (R$300.000,00 + R$59.340,00 + R$218.700,00), o que resulta no montante a tributar de R$251.098,82 (R$829.138,82 R$578.040,00 = R$251.098,82). Como o lançamento relativo a esta conta foi de R$393.384,72, foi excluída a diferença, nesta conta, (R$393.384,72 R$251.098,82 = R$142.285,90). SICOOB 3188‐7 4146‐7 02/03/2009 cred.empréstimo 1545999 300.000,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 02/03/2009 liberação de deposito bloqueado 52 1.050,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 04/03/2009 dep.cheque bloq. ld 77 5.343,77 SICOOB 3188‐7 4146‐7 05/03/2009 cred.ted‐str cred.teds 14.675,57 SICOOB 3188‐7 4146‐7 05/03/2009 liberação de deposito bloqueado 77 350 SICOOB 3188‐7 4146‐7 06/03/2009 cred.empréstimo 1547717 59.340,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 06/03/2009 dep.cheque liberado 35 225 SICOOB 3188‐7 4146‐7 06/03/2009 dep.dinheiro 35 852,16 SICOOB 3188‐7 4146‐7 06/03/2009 cred.liberação td 223098 8.486,73 SICOOB 3188‐7 4146‐7 06/03/2009 liberação de deposito bloqueado 11 4.000,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 09/03/2009 cred.liberação td 223353 10.657,68 SICOOB 3188‐7 4146‐7 09/03/2009 liberação de deposito bloqueado 18 765 SICOOB 3188‐7 4146‐7 10/03/2009 dep.dinheiro 108 6.000,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 10/03/2009 dep.cheque liberado 108 6.000,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 10/03/2009 cred.ted‐str cred.ted 6.000,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 11/03/2009 cred.liberação td 223727 74.443,17 SICOOB 3188‐7 4146‐7 13/03/2009 cred.liberação td 224031 13.431,27 SICOOB 3188‐7 4146‐7 16/03/2009 cred.empréstimo 1559440 218.700,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 16/03/2009 cred.tranf.contas (ret) db25191‐7 41.100,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 16/03/2009 cre.liberação td 224304 15.851,32 SICOOB 3188‐7 4146‐7 17/03/2009 cred.liberação td 224563 4.947,98 SICOOB 3188‐7 4146‐7 19/03/2009 dep.cheque liberado 88 5.728,50 SICOOB 3188‐7 4146‐7 19/03/2009 cred.liberação td 224914 10.455,58 SICOOB 3188‐7 4146‐7 19/03/2009 cred.liberação td 224960 11.869,84 SICOOB 3188‐7 4146‐7 20/03/2009 liberação de deposito bloqueado 34 1.870,00 SICOOB 3188‐7 4146‐7 23/03/2009 dep.cheque liberado 137 2.799,25 SICOOB 3188‐7 4146‐7 23/03/2009 liberação de deposito bloqueado 55 4.196,00 TOTAL 829.138,82 Com a comprovação dos demais R$80.000,00 (R$10.000,00 +70.000,00), o total a ser excluído da base de cálculo é o que apontou a decisão recorrida: R$222.285,90. Por outro lado, em se tratando de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, é irrelevante o fato de na declaração anual de imposto de renda referente ao ano base 2009, do recorrente ter sido apurada a quantia negativa Fl. 611DF CARF MF 12 de R$33.431 no mês de março, referente à diferença entre a receita bruta e as despesas de custo/investimento da atividade rural ou de qualquer outra atividade. ABRIL 2009 Em abril, são os seguintes valores a serem considerados: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR ABRIL 7.173.050,19 6.206.373,76 966.676,43 O acórdão sujeito a recurso de ofício considerou que a Escritura Pública de Abertura de Crédito (efls. 325/340) comprova que o recorrente obteve um financiamento no valor total de R$13.762.486,21 junto ao Banco do Nordeste do Brasil S/A, a ser desembolsado segundo cronograma de liberação de recursos estabelecido no contrato; foi assim considerado comprovado o depósito no valor de R$ 5.600.951,86 efetuado em 02/04/2009 na conta bancária mantida junto ao Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778, sob a rubrica LIB. FNE, (extrato bancário fl. 103); ademais, foram consideradas confirmadas três transferências entre contas apontadas na impugnação: (1) o depósito no valor de R$402.310,00, efetuado em 07/04/2009, no Banco Santander, agência 0013, conta corrente 10182730 (fl. 123) tem sua origem em transferência via TED do Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778 (fl. 103); (2) o depósito no valor de R$200.000,00, efetuado em 03/04/2009, no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467 (fl. 168) tem sua origem em cheque emitido do Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778 (fl. 103); (3) o depósito no valor de R$3.111,90 efetuado em 24/04/2007 no Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778 (fl. 104) tem origem em transferência via TED do Credicitrus agência 31887, conta 4.1467 (fl. 348). Além disso, quanto à alegada transferência da quantia de R$68.469,00 do Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778, para o Banco do Brasil, agência 0216x, conta 16.0962, o acórdão recorrido assentou que “entre os créditos a comprovar em abril/2009 no Banco do Brasil não está relacionado nenhum depósito nesse valor (fl. 261), não havendo nada a ser excluído da tributação”. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. A base de cálculo relativa ao mês de abril não foi objeto de recurso voluntário. MAIO 2009 Em maio, são os seguintes valores em exame: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR MAIO 592.988,46 2.000,00 590.988,46 O acórdão sujeito a recurso de ofício considerou que: (a) os depósitos nos valores de R$ 250.000,00 e de R$ 364.500,00, efetuados em 19/05/2009 e 04/05/2009, na conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência31887, conta 4.1467, que o contribuinte alega trataremse de empréstimos tomados junto à Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 8 13 Cooperativa de Crédito Credicitrus, já foram considerados como de origem comprovada pela fiscalização, não tendo sido objeto de tributação; (b) também foi considerado comprovado o depósito efetuado nessa conta em 27/05/2009, na quantia de R$ 40.500,00, sob a mesma rubrica (créd. empréstimo); (c) o somatório dos créditos constantes na relação de depósitos a comprovar junto à citada instituição financeira em maio de 2009 (fls. 250/251) perfaz o montante de R$ 1.293.107,73, enquanto a quantia levada à tributação como depósitos de origem não justificada na Coopercitrus foi de R$ 638.107,73, conforme consta na tabela de base de cálculo de fl. 17; a diferença entre esses dois valores (R$ 1.293.107,73 R$ 638.107,73 = R$ 655.000,00) corresponde aos três empréstimos acima relacionados (R$ 250.000,00 + R$ 364.500,00 + R$ 40.500,00 = R$ 655.000,00); (d) deve ser excluído da tributação o depósito no valor de R$2.000,00 efetuado em 29/05/2009 no Banco Santander, agência 0013, conta corrente 10182730 (fl. 124), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Banco do Brasil, agência 0216x, conta 16.0962 (fl. 77). Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que o acórdão combatido considera o valor total de depósitos efetuados nas contas bancárias do Recorrente no mês de maio de 2009 como sendo de R$1.293.107,73, com base na planilha de fls. 250/251 do auto de infração; porém, na planilha da base de cálculo constante no termo de encerramento de fiscalização (doc. 5), o montante de depósitos no mês de maio de 2009 foi de R$911.871,36, e a base de cálculo apurada foi de R$592.988,46; levandose em consideração o reconhecimento pelos julgadores de primeira instância da comprovação de três depósitos no valor total de R$655.000,00, como sendo decorrentes de empréstimo, subtraindose tal montante do total de depósitos apurados pelo agente fiscal, (R$911.871,36), chegase ao valor de R$256.871,36 para composição da base de cálculo. Assim, deve ser afastada a quantia de R$336.117,00, referente à diferença entre a base de cálculo apurada pelo agente fiscal no início da fiscalização (R$592.988,46) e os valores reconhecidos pelo acórdão como de origem comprovada (R$256.871,36). Não há reparos a serem feitos no acórdão recorrido, que entendeu comprovada a origem do depósito de R$2.000,00 efetuado em 29/05/2009 no Banco Santander, agência 0013, conta corrente 10182730 (fl. 124), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Banco do Brasil, agência 0216x, conta 16.0962 (fl. 77). Não procede a pretensão do contribuinte em retirar da base de cálculo do tributo valores que não a compuseram, por já terem sido considerados como de origem comprovada, como corretamente assentou o acórdão recorrido. Fl. 613DF CARF MF 14 JUNHO 2009 Em junho, são os seguintes valores em exame: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR JUNHO 2.571.155,89 402.100,00 2.169.055,89 O acórdão sujeito a recurso de ofício assim fundamentou sua decisão: O contribuinte alega que os depósitos efetuados no Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778, no valor total de R$ 1.905.204,24 são decorrentes do financiamento obtido junto à referida instituição financeira, conforme Escritura Pública de Abertura de Crédito de fls. 325/340. Ocorre que os depósitos relacionados pela fiscalização foram efetuados sob a rubrica TRCONTAS não havendo qualquer informação adicional que os vincule ao citado financiamento. Ainda, não há correspondência entre os créditos listados pela fiscalização com o cronograma de liberação de recursos constante na Escritura Pública de Abertura de Crédito permanecendo, assim, injustificados os depósitos efetuados no Banco do Nordeste. O depósito no valor de R$ 196.800,00 efetuado em 17/06/2009 na conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência31887, conta 4.1467, que o contribuinte alega tratarse de empréstimo tomado junto à Cooperativa de Crédito Credicitrus, já foi considerado como de origem comprovada pela fiscalização, não tendo sido objeto de tributação. O somatório dos créditos constantes na relação de depósitos a comprovar junto à citada instituição financeira em junho de 2009 (fls. 251/252) perfaz o montante de R$ 832.625,05, enquanto a quantia levada à tributação como depósitos de origem não justificada na Coopercitrus foi de R$ 635.825,05, conforme consta na tabela de base de cálculo de fl. 17. Observese que a diferença entre esses dois valores (R$ 832.625,05 R$ 635.825,05 = R$ 196.800,00) corresponde ao empréstimo a que alude o impugnante. No entanto, assiste razão ao contribuinte quanto ao depósito no valor de R$ 400.000,00 efetuado em 05/06/2009 no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467. A cédula rural pignoratícia e hipotecária, n.° 1617651, no valor de R$ 400.000,00 (fls. 384/389) é documento hábil para comprovar o depósito em exame, efetuado sob a rubrica CRED. FINANCIAMENTO, conforme consta no extrato bancário de fl. 176, devendo ser excluído da tributação. Deve também ser excluído da tributação o depósito no valor de R$ 2.100,00 efetuado em 08/06/2009 no Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778 (fl. 106), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte Credicitrus agência 31887, conta 4.1467 (fl.177). Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 9 15 Portanto, deve ser excluída da tributação a quantia de R$ 402.100,00 correspondente aos depósitos de origem comprovada em junho de 2009. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. A base de cálculo relativa ao mês de junho não foi objeto de recurso voluntário. JULHO 2009 Em julho, são os seguintes valores em exame: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR JULHO 1.805.967,96 3.500,00 1.802.467,96 O acórdão sujeito ao recurso de ofício assentou: O contribuinte alega que os depósitos efetuados no Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778, no valor total de R$ 961.547,25 são decorrentes do financiamento obtido junto à referida instituição financeira, conforme Escritura Pública de Abertura de Crédito de fls. 325/340. Ocorre que os depósitos relacionados pela fiscalização foram efetuados sob a rubrica TRCONTAS não havendo qualquer informação adicional que os vincule ao citado financiamento. Ainda, não há correspondência entre os créditos listados pela fiscalização com o cronograma de liberação de recursos constante na Escritura Pública de Abertura de Crédito permanecendo, assim, injustificados os depósitos efetuados no Banco do Nordeste. Os depósitos nos valores de R$ 215.000,00, R$ 215.000,00, R$ 225.000,00 e R$ 328.000,00 efetuados na conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467, que o contribuinte alega trataremse de empréstimos tomados junto à Cooperativa de Crédito Credicitrus, já foram considerados como de origem comprovada pela fiscalização, não tendo sido objeto de tributação. Embora não mencionados pelo contribuinte em sua impugnação, também já foram considerados comprovados pela fiscalização os depósitos efetuados em 03/07/2009 na quantia de R$ 129.000,00 e em 06/07/2009 na quantia de R$ 69.000,00, ambos sob a rubrica CRÉD. EMPRÉSTIMO. O somatório dos créditos constantes na relação de depósitos a comprovar junto à citada instituição financeira em julho de 2009 (fls. 252/253) perfaz o montante de R$ 2.134.773,63, enquanto a quantia levada à tributação como depósitos de origem não justificada na Coopercitrus foi de R$ 953.773,63, conforme consta na tabela de base de cálculo de fl. 18. Observese que a diferença entre esses dois valores (R$ 2.134.773,63 R$ 953.773,63 = R$ 1.181.000,00) corresponde à Fl. 615DF CARF MF 16 soma dos empréstimos/financiamentos acima mencionados (R$ 215.000,00 + R$ 215.000,00 + R$ 225.000,00 + R$ 328.000,00 + R$ 129.000,00 + R$ 69.000,00 = R$ 1.181.000,00). Deve ser excluído da tributação o depósito no valor de R$ 3.500,00 efetuado em 09/07/2009 no Banco Santander, agência 0013, conta corrente 10182730 (fl. 126), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467 (fl. 186). Assim, deve ser excluído da base de cálculo apenas o depósito no valor de R$ 3.500,00. A seu turno, o recurso voluntário assevera: O acórdão combatido considera o valor total de depósitos efetuados nas contas bancárias do Recorrente no mês de julho de 2009 como sendo de R$ 2.134.733,63, com base na planilha de fls. 252/253 do auto de infração. Ocorre que, como já mencionado, a planilha de fls. 252/253 do auto de infração é uma planilha preliminar, confeccionada no início do trabalho de fiscalização realizado, não refletindo o montante final apurado pelo agente fiscal quando da conclusão dos trabalhos de fiscalização. Porém, na planilha da base de cálculo constante no termo de encerramento de fiscalização (doc. 6), o montante de depósitos no mês de maio de 2009 foi de R$ 1.957.205,35. Assim, a diferença entre o valor equivocadamente considerado no acórdão para o mês de julho de 2009 (R$ 2.134.733,63), e o valor efetivamente encontrado pelo agente fiscal (R$ 1.957.205,35), corresponde ao valor de R$ 177.528,28, devendo referia quantia ser abatida do cômputo da base de cálculo final do crédito remanescente. Além disso, devese abater o valor de R$1.181.000,00, reconhecidos como empréstimos devidamente comprovados pelos julgadores de primeira instância. Não há reparos a serem feitos no acórdão recorrido, que entendeu comprovada a origem do depósito de R$3.500,00, efetuado em 09/07/2009, no Banco Santander, agência 0013, conta corrente 10182730 (fl. 126), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467 (fl. 186). Não procede a pretensão do contribuinte em retirar da base de cálculo do tributo valores que não a compuseram, por já terem sido considerados como de origem comprovada, como corretamente assentou o acórdão recorrido. SETEMBRO 2009 Em setembro, são os seguintes valores em exame: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR SETEMBRO 2.899.156,56 2.819.879,94 79.276,62 O acórdão sujeito ao recurso de ofício assentou: Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 10 17 O contribuinte alega que os depósitos efetuados no Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778, no valor total de R$ 1.556.360,94 são decorrentes do financiamento obtido junto à referida instituição financeira, conforme Escritura Pública de Abertura de Crédito de fls. 325/340. De fato, observandose o extrato bancário de fl. 109 verificase a existência de dois créditos sob a rubrica LIB. FNE, um no dia 23/09/2009 no valor de R$ 1.542.410,84, outro no dia 24/09/2009 no valor de R$ 94.269,10. Na relação de depósitos a comprovar elaborada pela fiscalização (fl. 261), esse último valor foi erroneamente transcrito como R$ 9.469,10. Portanto, devem ser excluídos da tributação, porquanto de origem comprovada, esses dois depósitos no montante de R$ 1.551.879,94. Os três depósitos nos valores de R$ 32.500,00, R$ 200.000,00 e R$ 750.000,00, efetuados na conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467, que o contribuinte alega trataremse de empréstimos tomados junto à Cooperativa de Crédito Credicitrus, já foram considerados como de origem comprovada pela fiscalização, não tendo sido objeto de tributação. O somatório dos créditos constantes na relação de depósitos a comprovar junto à citada instituição financeira em setembro de 2009 (fls. 254/255) perfaz o montante de R$ 2.516.919,80, enquanto a quantia levada à tributação como depósitos de origem não justificada na Coopercitrus foi de R$ 1.534.419,80, conforme consta na tabela de base de cálculo de fl. 19. Observese que a diferença entre esses dois valores (R$ 2.516.919,80 R$ 1.534.419,80 = R$ 982.500,00) corresponde aos três empréstimos acima relacionados (R$ 32.500,00 + R$ 200.000,00 + R$ 750.000,00 = R$ 982.500,00). Com relação ao crédito no valor de R$ 1.268.000,00, no dia 24/09/2009, no Credicitrus, agência 31887. conta 4.1467 (fl. 202), tratase de transferência (TED) do Banco do Nordeste, agência 152, conta 099778 (fl. 109), devendo ser excluído da tributação. Portanto, deve ser excluída da tributação a quantia de R$ 2.819.879,94 correspondente aos depósitos de origem comprovada em setembro de 2009. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. A base de cálculo relativa ao mês de setembro não foi objeto de recurso voluntário. OUTUBRO 2009 Em outubro, os valores em exame são os seguintes: Fl. 617DF CARF MF 18 MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR OUTUBRO 270.672,17 100.000,00 170.672,17 O acórdão sujeito ao recurso de ofício assentou: Deve ser excluído da tributação o depósito no valor de R$ 50.000,00 efetuado em 05/10/2009 no Banco Santander, agência 0013, conta corrente 10182730 (fl. 129), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467 (fl. 205). Também devem ser excluídos da tributação os depósitos efetuados no Banco Bradesco, agência 151, conta corrente 1106961, no valor de R$ 8.000,00, no dia 07/10/2009 (fl. 56) e no valor de R$ 20.000,00, no dia 20/10/2009, de correntes de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467 (fls. 206 e 209). Da mesma forma, deve ser excluído da tributação o depósito no valor de R$ 22.000,00 efetuado em 05/10/2009 no Banco do Brasil, agência 0216x, conta 16.0962 (fl. 94), por ser tratar de transferência da conta mantida pelo contribuinte no Credicitrus, agência 31887, conta 4.1467 (fl. 205). A alegação de que os demais depósitos verificados nesse mês no valor total de R$ 170.672,17 seriam decorrentes de pagamentos pelo fornecimento de laranjas recebidos com cheques pré datados depositados em meses posteriores não pode ser aceita. Tratase de alegação genérica sem respaldo em qualquer documentação comprobatória. Nos termos da legislação reproduzida, os créditos devem ser analisados individualizadamente, cabendo ao contribuinte indicar para cada depósito relacionado qual a sua origem, anexando documentação hábil, o que não foi feito. Portanto, deve ser excluída da tributação apenas a quantia de R$ 100.000,00 correspondente aos depósitos de origem comprovada em outubro de 2009. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. A base de cálculo relativa ao mês de outubro não foi objeto de recurso voluntário. NOVEMBRO 2009 Em novembro, estão em exame os seguintes valores: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR NOVEMBRO 572.746,33 26.600,00 546.146,33 Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 11 19 O acórdão sujeito ao recurso de ofício assentou: O depósito no valor de R$ 29.000,00 efetuado em 24/11/2009 na conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência31887, conta 4.1467, que o contribuinte alega tratarse de empréstimo tomado junto à Cooperativa de Crédito Credicitrus, já foi considerado como de origem comprovada pela fiscalização, não tendo sido objeto de tributação. O somatório dos créditos constantes na relação de depósitos a comprovar junto à citada instituição financeira em novembro de 2009 (fls. 256/258) perfaz o montante de R$ 548.664,30, enquanto a quantia levada à tributação como depósitos de origem não justificada na Coopercitrus foi de R$ 519.664,30, conforme consta na tabela de base de cálculo de fl. 20. Observese que a diferença entre esses dois valores (R$ 548.664,30 R$ 519.664,30 = R$ 29.000,00) corresponde ao empréstimo a que alude o impugnante. Com relação aos depósitos ocorridos no Banco Bradesco, agência 151, conta corrente 1106961, nos valores de R$ 5.000,00 no dia 06/11/2009, R$ 15.000,00 no dia 24/11/2009 e R$ 6.600,00 no dia 27/11/2009 (fls. 56 e 57) são, de fato, transferências da conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência31887, conta 4.1467 (fls. 213, 218 e 219), devendo ser excluído da tributação seu montante de R$ 26.600,00. A alegação de que os demais depósitos verificados nesse mês no valor total de R$ 517.146,33 seriam decorrentes de pagamentos pelo fornecimento de laranjas recebidos com cheques pré datados depositados em meses posteriores não pode ser aceita. Tratase de alegação genérica sem respaldo em qualquer documentação comprobatória. Nos termos da legislação reproduzida, os créditos devem ser analisados individualizadamente, cabendo ao contribuinte indicar para cada depósito relacionado qual a sua origem, anexando documentação hábil, o que não foi feito. Portanto, deve ser excluída da tributação apenas a quantia de R$ 26.600,00 correspondente aos depósitos de origem comprovada em novembro de 2009. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos. A base de cálculo relativa ao mês de novembro não foi objeto de recurso voluntário. DEZEMBRO 2009 Em dezembro, estão em exame os seguintes valores: MÊS VALORES LANÇADOS VALORES COMPROVADOS DIFERENÇA A TRIBUTAR DEZEMBRO 698.999,69 20.600,00 678.399,69 Fl. 619DF CARF MF 20 O acórdão sujeito a recurso de ofício assentou: O depósito no valor de R$ 712.000,00 efetuado em 18/12/2009 na conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência31887, conta 4.1467, que o contribuinte alega tratarse de empréstimo tomado junto à Cooperativa de Crédito Credicitrus, já foi considerado como de origem comprovada pela fiscalização, não tendo sido objeto de tributação. Da mesma forma, também foi considerado comprovado o depósito efetuado nessa conta em 17/12/2009, na quantia de R$ 200.000,00, sob a mesma rubrica (créd. empréstimo). O somatório dos créditos constantes na relação de depósitos a comprovar junto à citada instituição financeira em dezembro de 2009 (fls. 258/260) perfaz o montante de R$ 1.418.202,78, enquanto a quantia levada à tributação como depósitos de origem não justificada na Coopercitrus foi de R$ 506.202,78, conforme consta na tabela de base de cálculo de fl. 20. Observese que a diferença entre esses dois valores (R$ 1.418.202,78 R$ 506.202,78 = R$ 912.000,00) corresponde aos dois empréstimos acima descritos (R$ 712.000,00 + R$ 200.000,00 = R$ 912.000,00). Com relação aos depósitos ocorridos no Banco Bradesco, agência 151, conta corrente 1106961, nos valores de R$ 10.600,00 no dia 07/12/2009 e R$ 10.000,00 no dia 18/12/2009 (fl. 58) são, de fato, transferências da conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência31887, conta 4.1467 (fls. 222 e 225), devendo ser excluído da tributação seu montante de R$ 20.600,00. Portanto, deve ser excluída da tributação apenas a quantia de R$20.600,00 correspondente aos depósitos de origem comprovada em dezembro de 2009. A seu turno, o contribuinte, em sede de recurso voluntário, asseverou: O acórdão combatido considera o valor total de depósitos efetuados nas contas bancárias do Recorrente no mês de dezembro de 2009 como sendo de R$ 1.418.202,78, com base na planilha de fls. 258/260 do auto de infração. No entanto, referida planilha do auto de infração é uma planilha preliminar, confeccionada no início do trabalho de fiscalização realizado, não refletindo o montante final apurado pelo agente fiscal quando da conclusão dos trabalhos de fiscalização. Porém, na planilha da base de cálculo constante no termo de encerramento de fiscalização (doc. 7), o montante de depósitos no mês de dezembro de 2009 foi de R$ 870.206,23. Assim, a diferença entre o valor equivocadamente considerado no acórdão para o mês de julho de 2009 (R$ 1.418.202,78), e o valor efetivamente encontrado pelo agente fiscal (R$ 870.206,23), corresponde ao valor de R$ 547.996,55, devendo esta quantia ser abatida do cômputo da base de cálculo final do crédito remanescente. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10865.722065/201316 Acórdão n.º 2301005.141 S2C3T1 Fl. 12 21 Assim, comprovado está o equívoco da somatória do crédito tributário remanescente, mantido pela primeira instância no acórdão ora combatido, demonstrando a arbitrariedade do julgamento, que deverá ser reformado. Não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, que considerou comprovada a origem dos depósitos ocorridos no Banco Bradesco, agência 151, conta corrente 1106961, nos valores de R$ 10.600,00 no dia 07/12/2009 e R$ 10.000,00 no dia 18/12/2009 (fl. 58) or serem transferências da conta bancária mantida junto ao Credicitrus, agência31887, conta 4.1467 (fls. 222 e 225). Não procede a pretensão do contribuinte em retirar da base de cálculo do tributo valores que não a compuseram, por já terem sido considerados como de origem comprovada, como corretamente assentou o acórdão recorrido. Conclusão Voto, portanto, por (a) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, e quanto ao recurso voluntário, (b) REJEITAR AS PRELIMINARES e, no mérito, (c) NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 621DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001096/99-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1992 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS PARA ANÁLISE DAS DEMAIS RAZÕES RECURSAIS.
Afastada a decisão quanto à matéria que prejudicava a análise das demais razões recursais, devem os autos retornar à instância de competência originária.
Embargos Acolhidos.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3302-004.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, imprimindo-lhe efeitos infringentes, ratificando o afastamento da concomitância entre as esferas administrativa e judicial declarada na decisão de piso e devolvendo os autos para julgamento da impugnação pela primeira instância.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1992 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS PARA ANÁLISE DAS DEMAIS RAZÕES RECURSAIS. Afastada a decisão quanto à matéria que prejudicava a análise das demais razões recursais, devem os autos retornar à instância de competência originária. Embargos Acolhidos. Aguardando Nova Decisão.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1992 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO DOS AUTOS PARA ANÁLISE DAS DEMAIS RAZÕES RECURSAIS. Afastada a decisão quanto à matéria que prejudicava a análise das demais razões recursais, devem os autos retornar à instância de competência originária. Embargos Acolhidos. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, imprimindolhe efeitos infringentes, ratificando o afastamento da concomitância entre as esferas administrativa e judicial declarada na decisão de piso e devolvendo os autos para julgamento da impugnação pela primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 10 96 /9 9- 01 Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 15374.001096/9901 Acórdão n.º 3302004.733 S3C3T2 Fl. 1.684 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3302003.185. O processo trata de Auto de Infração para constituição de crédito de PIS/Pasep, relativo aos períodos de 09/1992 a 12/1998, apurados em diversos contribuintes e lançados na recorrente, em razão de responsabilidade tributária por sucessão. A autuação decorreu de diferenças encontradas entre os Livros Fiscais e Comerciais e os documentos de arrecadação (efls. 1298). Em impugnação, a recorrente alegou: decadência, compensação dos débitos com base em decisão judicial que reconheceu direito a créditos, pendência de decisão em pedido administrativo de compensação nº 10305.000374/9704, existência de recolhimentos não considerados, erro na forma de apuração do PIS na empresa Pena Branca Fomento Comercial Ltda, a falta de consideração da semestralidade em relação à apuração dos fatos geradores de PIS/Pasep sob a égide da LC 07/1970, falta de exclusão de devoluções de vendas, vendas canceladas e receitas financeiras. A DRJ proferiu o Despacho nº 13/2000 decidindo pela concomitância entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança nº 95.00145090 (efl. 1454), determinando o retorno dos autos à unidade de origem para dar continuidade aos procedimentos de cobrança. Em vista de mudança de domicílio para DRF/Novo Hamburgo, esta unidade emitiu Despacho Decisório no processo 10480.002937/9760, reconhecendo parcialmente direito creditório decorrente da ação judicial acima mencionada, apurado considerando a semestralidade e homologando parcialmente as compensações ali pleiteadas (efl. 1472/1474). Intimada da decisão da DRJ, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando a inexistência de concomitância, reiterando as alegações deduzidas em impugnação, além de pugnar pela exoneração da multa de ofício. Subindo os autos a este Conselho, o processo foi convertido em diligência para se apurar o débito remanescente após as compensações homologadas, retornando, após ciência da recorrente do resultado da diligência, para julgamento, o que ocorreu mediante a prolação do Acórdão nº 3302003.185, ora embargado. Referido acórdão afastou a concomitância declarada pela decisão de piso e tomou conhecimento do recurso voluntário passando a enfrentar as alegações deduzidas quanto à decadência, semestralidade e compensação, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Por seu turno, a Procuradoria da Fazenda Nacional opõs embargos de declaração, sustentando omissão e contradição, na medida em que o acórdão, afastando a concomitância, não devolveu os autos para julgamento pela DRJ, mas passou a enfrentar o mérito, ocorrendo assim a supressão de instância. Alegou, ainda, a Fazenda Nacional, obscuridade quanto a determinados trechos do voto condutor. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 15374.001096/9901 Acórdão n.º 3302004.733 S3C3T2 Fl. 1.685 3 Tais embargos foram admitidos pelo despacho de admissibilidade de efls. 1679/1682. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Verificase que razão assiste à embargante. O acórdão embargado afastou a concomitância declarada pela decisão de piso, que não conheceu a peça impugnatória. Assim, afastado este fundamento, caberia devolver os autos à primeira instância para apreciação da peça impugnatória quanto às demais matérias ali deduzidas Destarte, com o objetivo de garantir o contraditório e a ampla defesa, e em consonância com os artigos 31 e 59, II do Decreto nº 70.235/19721, é necessário que a DRJ se pronuncie expressamente sobre as alegações deduzidas na impugnação. Portanto, os embargos devem ser acolhidos com efeitos infringentes, para que os autos sejam devolvidos à primeira instância para que esta conheça da peça impugnatória e profira o julgamento, devendo ser excluída do voto do acórdão embargado a apreciação das matérias DECADÊNCIA, DA BASE DE CÁLCULO ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO, DA COMPENSAÇÃO, o dispositivo e a ementa. Assim, o voto condutor passa a ter a seguinte redação: "Cuidase de recurso tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Cabe inicialmente registrar tratarse de recurso interposto contra o DESPACHO DA DRJ/RJ/SERCO/Nº 13/2000, FL. 638, que não conheceu a Impugnação nos termos abaixo transcrito: “Versa o presente processo sobre exigência de crédito tributário, formulada à interessada acima identificada por meio do auto de infração de fls. 512/530, referente à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/FATURAMENTO), no 1 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 15374.001096/9901 Acórdão n.º 3302004.733 S3C3T2 Fl. 1.686 4 valor integral de R$ 1.476.007,73, devido em razão dos fatos descritos às fls. 529. Intimada da exação em 22/06/1999, a interessada interpôs a impugnação tempestiva de fls. 534/545, contestando o lançamento fiscal. Ocorre, entretanto, que segundo a afirmação da interessada, às fls. 537, existe ação de mandado de segurança em curso na Justiça Federal, sob o n° 95.00145090, fato comprovado pela cópia da certidão expedida pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região (doe. de fls. 632). Verificase que em ambos os processos, ação de mandado de segurança e procedimento administrativo, o tema versa acerca do mesmo objeto. Nestas condições, a apreciação da peça impugnatória fica prejudicada em face do disposto no § 2° do artigo I o do Decreto lei n° 1.737/79, combinado com o parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e disciplinado, no âmbito administrativo, pelo Ato Declaratório (Normativo) COSIT n0 03 de 14/02/96. Nos termos da legislação citada, a propositura por qualquer que seja a modalidade processual de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa, por parte da interessada, em renúncia tácita às instâncias administrativas e desistência de eventual recurso interposto, operandose, por conseguinte, o efeito de constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. Isto posto, DEIXO DE CONHECER da impugnação de fls. 534/545 e DECLARO definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário lançado. A multa de ofício e os juros moratórios deverão ser exonerados se a interessada comprovar ter efetuado, antes do inicio da ação fiscal, depósito do montante integral do tributo exigido, compreendendose, inclusive, a respectiva multa de mora e demais acréscimos legais devidos até a data do depósito, conforme previsto no inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional. O artigo 25 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, fixou e atribuiu competência de julgamento em primeira instância ao Delegado: “Art. 25 – O julgamento do processo compete: I – em primeira instância: aos delegados da Receita Federal, quanto aos tributos administrados pela Secretária da receita, quanto aos tributos administrados pela Secretária da?Receita Federal do Ministério da Fazenda;” Com advento da Medida Provisória nº 2.113/30, de 26 de abril de 2001, atualmente pela Medida provisória nº 2.15835, Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 15374.001096/9901 Acórdão n.º 3302004.733 S3C3T2 Fl. 1.687 5 24/08/2001, alterou a redação do art. 25 do Decreto 70.235, assim sendo, a novel redação: “Art. 25 – O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretária da Receita Federal compete: I – em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretária da /receita Federal”. A partir de abril de 2001 os julgamento administrativo de primeira instância deixou de ser singular, passando a ser efetuado por colegiados (turmas), compostos, cada um deles, por cinco julgadores. O crédito exigido neste caderno, segundo alegação do contribuinte, teria sido objeto de compensação com créditos de pagamento a maior e indevido submetido apreciação da Autoridade Administrativa Tributária por meio do processo 10305.000374./9704. O não conhecimento pela decisão hostilizada dáse em decorrência de concomitância, de modo a impor o exame dessa matéria inicialmente, diante da resistência da Interessada em alegar tratarse de matéria totalmente distintas na seara administrativas e judicial. Vêse das peças judiciais trazidas à colação (632/636) que o objetivo da ação mandamental era em relação a possibilidade de ser compensado o excesso recolhido do PIS com a mesma contribuição social e outra, desafiando os termos do art. 65, da Lei nº 8.383/91 e a instrução normativa nº 67 /92. A impugnação encontra às fls. 1302 eprocesso e fls. 536 da antiga numeração. Alega decadência, sustenta inexistência de débito em decorrência ter extinguido os supostos créditos tributários lançados por meio de compensação por pagamento a maior decorrente de imposição dos Decretos nºs 2.445 e 2.449, de 1988, bem como, apuração indevida decorrente da ausência de observação que a empresa Pena Banca Fomento Comercial ltda. era exclusivamente prestadora de serviços, mas suas receitas até dezembro de 1992 foram incluídas à base de cálculo, o que contraria toda sistemática de apuração, vez que o pagamento da contribuição davase pelo sistema de PIS Repique. Contesta a exigência por falta de pagamento da contribuição relativo aos fatos geradores de abril, maio, junho, julho e outubro de 1993, desejando provar os pagamentos por meio de DARF. Sustenta, especificamente, em relação ao fato gerador de fevereiro de 1995 existência de pagamento da ordem R$ 16.485,74, a fiscalização alega que o valor recolhido foi de R$ 2.470,98. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 15374.001096/9901 Acórdão n.º 3302004.733 S3C3T2 Fl. 1.688 6 A matéria trazida pela Impugnação é distinta da submetida apreciação em sede administrativa, afasto existência de concomitância. Diante do exposto, os autos devem retornar à primeira instância para conhecimento da peça impugnatória e apreciação das matérias impugnadas, a teor do artigo 31 do Decreto nº 70.235/1972." Ressaltase que o acolhimento da primeira omissão/contradição alegada em embargos prejudica a análise da alegação de obscuridade, uma vez que o trecho tido como obscuro fica excluído do voto condutor. Diante do exposto, voto para acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, imprimindolhe efeitos infringentes, ratificando o afastamento da concomitância entre as esferas administrativa e judicial declarada na decisão de piso e devolvendo os autos para julgamento da impugnação pela primeira instância. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1688DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.003242/2003-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem.
Numero da decisão: 9303-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 32 42 /2 00 3- 78 Fl. 334DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3403001.253, de 05 de outubro de 2011 (fls. 258 a 265 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI no período do 2º trimestre de 2003, em que requer o pagamento de crédito corresponde à atualização que deveria ter sido paga em pedidos de ressarcimento anteriores, cujo valor do principal foi reconhecido ao contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Novo Hamburgo/RS (DRF), por meio do Despacho Decisório negou o pedido do contribuinte. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que o seu direito "está amparado no art. 1°, da Lei n.°9.363/96, na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001 e nos arts. 1° e 2° da Portaria do Ministério da Fazenda n° 38/97" e que a correção dos valores não representa um acréscimo, mas apenas a manutenção do poder aquisitivo da moeda, frisando que "que os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados a Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento em dinheiro. E esse ressarcimento deve corresponder a integralidade do direito pleiteado". Cita jurisprudência administrativa e judicial no sentido da aplicação da atualização no ressarcimento de créditos de IPI. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 9303005.256 CSRFT3 Fl. 335 3 A DRJ em Porto alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reproduzindo o entendimento de mérito firmado em recurso repetitivo pelo STJ, reconhecer ao contribuinte o direito ao valor da atualização, correspondente à taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a data (a) em que se concretizou o ressarcimento do principal ou (b) em que houve o aproveitamento por meio de compensação, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. Recurso parcialmente provido. Fl. 336DF CARF MF 4 A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 268 a 271), sendo que estes foram rejeitados, nos termos do despacho de fls. 278 a 284. Inconformada com a decisão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 288 a 291) face ao acórdão nº 3403002.570, alegando omissão acerca da questão essencial à adequada apreciação da lide. Os segundos embargos foram rejeitados reiterando os fundamentos dos primeiros embargos, por entender o Colegiado que não há omissão no julgado, conforme se depreende pelo despacho de fls. 294 a 296. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 309 a 324) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento deferido (sem oposição ilegítima) de crédito presumido do IPI. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números CSRF/0203.718 e 3801002.304. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 326 a 328, sob o argumento que restou comprovada a divergência jurisprudencial, pois na decisão recorrida foi concedida a incidência da taxa Selic a partir da data da protocolização do pedido de ressarcimento até o efetivo ressarcimento ou compensação, incidência autorizada sobre a totalidade dos créditos deferidos originalmente pelo despacho decisório e reconhecidos pela unidade de origem, sem previsão legal ou oposição ilegítima. Por sua vez, nos paradigmas apresentados, por entenderse que não existe previsão legal, foi negada a incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos do IPI. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 332 e 333 e não se manifestou. Voto Vencido Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 9303005.256 CSRFT3 Fl. 336 5 Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O acórdão recorrido, aplicando a decisão do Superior Tribunal de Justiça reconhecendo o direito da atualização do valor a ser ressarcido pela taxa Selic, e como marco inicial, o protocolo do pedido administrativo até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, calculado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01, referente ao 2º trimestre/2003, em que requer o pagamento de crédito corresponde à atualização que deveria ter sido paga em pedidos de ressarcimento anteriores, cujo valor do principal foi reconhecido ao contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade o Contribuinte sustenta em síntese que o seu direito "está amparado no art. 1°, da Lei n°9.363/96, na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001 e nos arts. 1° e 2° da Portaria do Ministério da Fazenda n° 38/97" e que a correção dos valores não representa um acréscimo, mas apenas a manutenção do poder aquisitivo da moeda, frisando que "que os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados a Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento em dinheiro. E esse ressarcimento deve corresponder a integralidade do direito pleiteado". Cita jurisprudência administrativa e judicial no sentido da aplicação da atualização no ressarcimento de créditos de IPI. A decisão recorrida não merece reparos, pois, entendo haver o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde o protocolo de pedido, senão vejamos: Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no Fl. 338DF CARF MF 6 sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício, pois traziam vedação à inclusão na base de cálculo do incentivo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 9303005.256 CSRFT3 Fl. 337 7 Portanto haverá a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido. Esta CSRF tem aplicado a referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Esta situação já foi reconhecida e não é objeto do recurso. A CSRF também entende que a concessão dos juros Selic somente se aplica na parte do ressarcimento em que houve uma oposição estatal ilegítima e esta oposição somente é verificada na parte não concedida originalmente e revertida posteriormente no âmbito do julgamento dos processos administrativos correspondentes. No entanto, meu entendimento é do reconhecimento da incidência dos juros Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI desde o protocolo do pedido utilizando uma interpretação um pouco mais abrangente da aplicação do que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS. Diante disto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão a quo, que concedeu a incidência da Selic. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 340DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Discordamos da il. Relatora. Como é de todos conhecido, alteramos o nosso entendimento para adotar o que admite a incidência da taxa Selic somente quando há a oposição por ato estatal, administrativo ou normativo, obstando a fruição do crédito presumido de IPI. No caso em exame, conforme ressaltado no próprio Relatório, todos os valores objeto dos pedidos de ressarcimento foram integralmente deferidos à contribuinte, de forma que, sendo esse o contexto, nada mais há o que lhe reconhecer. A atualização monetária pela taxa Selic, cumpre ressaltar, não advém de expressa disposição legal, mas de construção pretoriana, que somente a prevê quando há efetiva oposição ao aproveitamento do crédito, o que, no caso, como vimos, inexistiu. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 341DF CARF MF
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