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Numero do processo: 13116.901599/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.948
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 99 /2 01 2- 97 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.580, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13116.901599/201297 Acórdão n.º 3201002.948 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.903138/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.411
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 38 /2 01 2- 83 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.674, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903138/201283 Acórdão n.º 3402004.411 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10325.001015/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo (art.) 42 da Lei 9.430 de 27/12/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Sujeito Passivo.
SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Na utilização de interposição de pessoa o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurando-se, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada.
SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSTA PESSOA.
Estando devidamente comprovado nos autos que um terceiro esteve com poderes à frente dos negócios da Empresa, cabível a sua inclusão como Responsável Solidário pelo crédito tributário devido.
MULTA QUALIFICADA.
Nos casos de Lançamento de Ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude.
ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL.
Não provada violação das disposições contidas no artigo (art.) 142 do Código Tributário Nacional CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade da Autuação formalizada através de Lançamento de Ofício.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS.
A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios.
DECISÕES JUDICIAIS.
A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios.
POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS.
A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal.
DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN.
Nas Exações em que há prova de fraude, dolo ou simulação, conta-se o prazo decadencial conforme o disposto pelo art. 173, I, do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL).
Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal é aplicável aos Lançamentos Decorrentes.
Numero da decisão: 1201-001.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado "ad hoc"
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIZ PAULO JORGE GOMES
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo (art.) 42 da Lei 9.430 de 27/12/1996 autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo Sujeito Passivo. SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERPOSTA PESSOA. Estando devidamente comprovado nos autos que um terceiro esteve com poderes à frente dos negócios da Empresa, cabível a sua inclusão como Responsável Solidário pelo crédito tributário devido. MULTA QUALIFICADA. Nos casos de Lançamento de Ofício deve ser aplicada a multa qualificada sobre a totalidade ou diferença do tributo devido, quando comprovado o evidente intuito de fraude. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 10 15 /2 01 0- 66 Fl. 3617DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 3 2 Não provada violação das disposições contidas no artigo (art.) 142 do Código Tributário Nacional CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade da Autuação formalizada através de Lançamento de Ofício. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. DECADÊNCIA. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. Nas Exações em que há prova de fraude, dolo ou simulação, contase o prazo decadencial conforme o disposto pelo art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PIS). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL). Dada a íntima relação de causa e efeito que vincula as Exigências, a Decisão proferida no Lançamento Principal é aplicável aos Lançamentos Decorrentes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado "ad hoc" Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 0824.734 3ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedentes as exigências fiscais, pois reconheceu a decadência de parte do lançamento em relação a todo ano calendário de 2003 e aos meses de março a setembro de 2004 para IRPJ e CSLL e aos meses de janeiro a setembro para PIS e COFINS. Transcrevo abaixo partes do Relatório do Acórdão Recorrido, que bem descreve os fatos ocorridos no feito: Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 3292/3359, além do Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 3360/3370, Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389, e do Termo de Encerramento, fls. 3390, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados, totalizando R$ 95.515.831,92, incluindo encargos legais, relativos aos anos calendário de 2003, 2004, 2005, 2006, conforme discriminação seguinte: As infrações apuradas, relatadas e capituladas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que constaram dos citados Autos, fls. 3292/3359, bem como detalhadas no Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 3360/3370, Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389, achamse expostas, em síntese, conforme indicado a seguir: Descrição dos Fatos Relatados nos Autos, IRPJ/Reflexos, fls. 3292/3359: IRPJ: Procedeuse ao arbitramento do lucro por motivo de o Contribuinte, não obstante notificado a apresentar os Livros e os Documentos da sua Escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação Anexos, fls. 3/10, haver deixado de fazêlo. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada: Valor apurado com base na movimentação financeira do Contribuinte, a partir dos extratos bancários, conforme Termo de Constatação, fls. 373/375, 3371/3389, parte integrante do Auto de Infração. Fl. 3619DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 5 4 Reflexos (PIS, COFINS, CSLL): Lançamentos decorrentes da fiscalização do IRPJ, na qual foram apuradas as infrações PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS, COFINS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS, CSLL SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS, o que ocasionou, por conseguinte, insuficiência na base de cálculo dessas contribuições. Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 3360/3370: O Escritório de Pesquisa e Investigação da 3a Região, ESPEI, emitiu Relatório que tratou de sonegação fiscal e previdenciária por parte de grupos de Empresas do ramo de Frigoríficos, bem como de Empresas correlatas, atacadistas e varejistas de carne bovina, estabelecidas no Maranhão e no Pará. O Relatório listou o grupo de Empresas envolvido nas operações, citou nominalmente os Sócios de cada uma, bem com forneceu diversas informações sobre suas operações. No caso da fiscalização que se aprecia, no grupo de propriedade de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, incluise, dentre outras, a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA CNPJ 05.470.371/000150, que passou a ser posteriormente SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONT. LTDA., conforme será visto no curso deste relato. As investigações revelaram ainda que os Frigoríficos envolvidos na operação utilizavam Empresas fictícias, constituídas em nome de Sócios "laranjas", simulando contratos de arrendamentos com as mesmas, com o intuito de transferir indevidamente as responsabilidades fiscais e as previdenciárias para essas Empresas de fachada, ficando os Frigoríficos, assim, livres de quaisquer obrigações com a Receita Federal e com a Previdência Social. Foram constatadas também diferenças entre os valores movimentados no Sistema Bancário (movimentação financeira) e os valores declarados a título de receita bruta pelas diversas Empresas ligadas aos grupos envolvidos, que atingiram um montante superior a R$ 4,1 (quatro bilhões e cem milhões de reais) nos últimos cinco anos. Foram emitidos diversos Mandados Judiciais de busca e apreensão, em vários Estados, abrangendo as sedes das principais Empresas investigadas, as residências dos Sócios proprietários e alguns Escritórios de contabilidade. Em decorrência houve várias prisões temporárias das principais pessoas envolvidas nas fraudes. A Empresa fiscalizada foi constituída em dezembro de 2002, conforme registrado na Junta Comercial do Estado do Maranhão, com a Razão Social de INDUSTRIAL COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à BR 222, KM 07, Parque das Nações, Açailândia Maranhão, tendo como atividade principal o abate e a frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica, cujos Sócios fundadores são: MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.55368, Responsável pela gerência da Sociedade. Em agosto de 2003, o endereço foi alterado para Rodovia BR 222, KM 5, Parque das Nações, Açailândia, Maranhão, conforme primeira alteração ao Contrato Social, arquivada na JUCEMA, n° 20030241693. Em fevereiro de 2007, foi feita a 2a alteração ao Contrato Social, na qual foi admitido o Sócio PETERGIBSON DE CAVALHO, CPF 278.942.82200, residente e Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 6 5 domiciliado à rua Afonso de Albuquerque, 109, São Bernardo do Campo SP, que adquiriu por compra as cotas da Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, já qualificada, pagando pelas citadas cotas o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme consta na Alteração Contratual. Nesta mesma ocasião, a Razão Social passa a ser SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., sendo que nesta Alteração as atividades da Empresa continuaram as mesmas, visto não haver qualquer menção na citada Alteração sobre modificação do objeto da Sociedade, e o endereço passou a ser RUA AFONSO ALBUQUERQUE, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Mesmo endereço do Sócio entrante. Ao tomar conhecimento do Relatório da ESPEI, a Delegacia de Imperatriz verificou que o endereço SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA. era em São Bernardo do Campo SP e por meio do MEMO/Nufis/DRF/IMP 14/2008, de 13/06/2008, remeteu o Relatório para o Chefe da DIFIS/SRRF3 ª RF/FOR/CE. Este, por sua vez, por meio do MEMO SRRF 088/2008/SRRF03/DIFIS, de 25/06/2008, encaminhou cópia do Relatório para o Chefe da SRRF 08/DIFIS, que o remeteu para a DRF/São Bernardo do Campo, conforme MEMO DIFIS/EFI2/ 0803/ 105/2008, de 31/10/2008. Por meio do MEMO Difis/EFI2/ 0803/N° 38/2009, o Relatório foi devolvido à RF033 ªRF/Difis, tendo em visto, que em diligência realizada, conforme determinação do MPF 0811900.2008.010688, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Pedro Antônio Balint, matrícula 877.334, ficou constatado que à rua Afonso de Albuquerque, 109, Centro São Bernardo do Campo, residia a Senhora Odirene Vieira de Mesquita, que afirmou desconhecer qualquer Empresa no endereço citado. Posteriormente o mesmo Auditor Fiscal consultou o CNIS e confirmou ser lá mesmo a residência da referida senhora. De posse dessas informações, o Chefe da SRRF03/Difis devolveu todo o material à Delegacia de Imperatriz, que emitiu o MPF 03.2.02.002009000487, junho de 2009, para fiscalização das compras, de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, e da movimentação financeira de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Diante disso, em 05/06/2009 foi emitido o Termo de Início de Fiscalização e enviado por aviso de recebimento aos Sócios PETERGIBSON DE CARVALHO, à rua Afonso de Albuquerque, 109 Jardim do Lago, São Bernardo do Campo – SP, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, à rua Rio Branco, 514, Vila Brasil, Imperatriz MA. O Termo foi devolvido pelos Correios com as observações: pessoa desconhecida e não há o número indicado. Assim sendo, em 29/06/2009, foi emitido o Edital/DRF/IMP/NUFIS 40, cientificando o Contribuinte do Termo de Início de Fiscalização. Mesmo assim, no dia 01/07/2009, o Termo de Início de Fiscalização foi remetido para FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, BR 222, KM 1 Jardim de Alá, Açailândia. No dia 07/07/2009, em atendimento ao Edital ou ao Termo de Início, o Senhor Petergibson de Carvalho enviou documento, por intermédio dos Correios, pedindo prorrogação de 20 (vinte) dias no prazo para os documentos requeridos no Termo de Início. O Pedido foi deferido em 10/07/2009. O envelope remetido pelo Senhor Petergibson de Carvalho, com o Pedido de Prorrogação, foi postado em São Paulo e nele constou o endereço da rua Afonso Albuquerque, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Fl. 3621DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 7 6 Entretanto, por se desconhecer o verdadeiro endereço do Contribuinte, e tendo em vista não haver certeza de como foi tomado conhecimento do Termo de Início de Fiscalização, se pelo Edital ou se por conta do envio para o FRISAMA, BR 222, KM 1, Jardim de Alá Açailândia MA, a concessão da prorrogação foi enviada para o antigo endereço da Empresa, BR 222, KM 7 Parque das Nações, Açailândia MA, tendo sido devolvido também com a observação endereço insuficiente. No dia 30/07/2009, novamente se remeteu a concessão de prorrogação, desta vez para a BR 222, KM 1, Açailândia MA, documento devolvido pelos Correios com a observação endereço insuficiente. Em 12/08/2009, o Senhor Petergibson de Carvalho remeteu novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização, de São Paulo, sendo que desta vez constou no envelope o endereço Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP. Diante de tantas informações desencontradas e na impossibilidade de se contatar o Contribuinte, em 14/09/2009 foram emitidos os RMFs 03.2.02.002009000363 Banco Bradesco, enviado em 25/09 por aviso de recebimento; 03.2.02.002009000371 Banco Rural , enviado em 23/09, também por aviso de recebimento; e 03.2.02002009000380 Banco do Brasil, remetido em 25/09/2009, por aviso de recebimento. No dia 02/10/2009, foi emitido o Ato Declaratório Executivo 14, do Delegado da Receita Federal em Imperatriz, tornando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o CNPJ 05.470.371/000150, de SINFACOL – SERVIÇO DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., por inexistir de fato, Processo 10325.001227/200918. Em 12/11/2009 o Senhor Petergibson voltou a remeter à Receita Federal, por meio de aviso de recebimento, da rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP, novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização. Em 22/03/2010, foi enviado outro Termo de Intimação Fiscal, por meio de aviso de recebimento, à SINFACOL Serviços de Informática Administração e Contabilidade Ltda, à rua Afonso de Albuquerque, 109 São Bernardo do Campo, SP, devolvido pelos Correios com a observação pessoa desconhecida. Outro Termo de Intimação Fiscal foi emitido em 29/03/2010 e enviado, desta vez, à BR 222, KM 5, e também à BR 222, KM 1, Açailândia MA, ambos devolvidos com a observação dos Correios de que o endereço era insuficiente. Em 29/03/2010, foi enviado o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 08/2010, para a Junta Comercial do Estado do Maranhão, e o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 09/2010, para a Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambos solicitando cópias dos Atos Constitutivos e as possíveis Alterações Contratuais da SINFACOL Serviços de Informática, Administração e Contabilidade Ltda. A Junta Comercial do Estado do Maranhão, em Ofício de 05/04/2010, remeteu os documentos arquivados naquela Instituição. Em 30/09/2009, o Banco Rural S.A., em atendimento à RMF, enviou extratos e outros documentos, assim como também o Banco do Brasil, em 30/10/2009, e o Banco Bradesco, em 05/11 e 14/12/2009. Analisouse a documentação recebida, especialmente os extratos bancários, emitiuse em 05/05/2010 Termo de Intimação Fiscal, pedindo para o Contribuinte apresentar a documentação comprobatória dos créditos relacionados no anexo ao Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 8 7 Termo de Intimação, assim como apresentar justificativa para os valores movimentados. Foise pessoalmente a um dos endereços da Empresa, em Açailândia, BR 222, KM 5, e por motivo de haver sido informada de que lá não funcionava tal Empresa, a Fiscalização lavrou o Termo de Constatação, fls. 3366. No local o atendimento foi feito pelo Sr. Thiago Dias Silva CPF 000.748.73121, que disse ser Assistente Administrativo da DISTRIBUIDORA DE CARNES EQUATORIAL LTDA CNPJ 07.880.840/000216, tendo apresentado cópia do registro no CNPJ, e informou desconhecer a Empresa Fiscalizada, como também os Sócios dela, e que ali funcionava uma Filial da Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda., desde 14/03/2006, cujos Sócios eram os senhores REINALDO NUNES CABRAL, residente em Belém do Pará, e Francisco Neves, residente em Imperatriz. Não soube, entretanto, informar o número do CPF de nenhum deles, nem o nome completo do Senhor Francisco Neves. Foi informado também que as instalações pertenciam à FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDESTE MARANHENSE LTDA., que estavam arrendadas à Distribuidora Equatorial. Solicitouse cópia do Contrato de arrendamento, que não foi apresentado, sob a justificativa de que estava arquivado na Matriz e, caso fosse necessário, que se requisitasse por escrito, que o atendimento seria feito. Foi dito ainda que a Empresa era administrada pelo Senhor Pablo Leal Parente, CPF 813.945.94100, Gerente Administrativo, que estava viajando a serviço, e que o Contador da Empresa era o Senhor JOÃO APARECIDO PEDROSO, residente em Imperatriz, mas que se encontrava também em viagem de serviço e que somente retornaria na segunda feira. Foi fornecido, entretanto, o número do telefone celular do Contador. Por telefone, foi feito o contato com o Contador e solicitado seu comparecimento à Receita Federal para esclarecimento de algumas dúvidas. Entretanto, deimediato, foi prestada a informação de que a Empresa Fiscalizada tinha sido desativada desde 2006, que possuía um parcelamento na Receita Federal, mas que havia perdido o contato com os antigos Sócios, e que o Senhor PETERGIBSON DE CARVALHO havia se mudado para São Paulo, por motivos de saúde. No endereço visitado, ainda houve contato com o Porteiro da Empresa, o Senhor José Caíres Ramos, CPF 238.587.96387, a quem se perguntou se conhecia os Sócios da SINFACOL, os Senhores PETERGIBSON DE CARVALHO e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO. Quanto ao primeiro, foi dito que o conhecia por haver trabalhado na Empresa, mas que há uns 6 (seis) meses havia falecido. Quando ao segundo, não sabia de quem se tratava. Quanto aos parcelamentos na Receita Federal informados pelo Senhor João Aparecido Pedroso, foram pesquisados os sistemas da Receita Federal e constatada a existência de parcelamentos de pequenos valores comparativamente à movimentação financeira do Contribuinte no período de 2003 a 2006, havendo constado que os pagamentos estavam sendo feitos em dia. Diante disso, e por haver sido entendida infrutífera qualquer tentativa de localizar o Contribuinte, foi emitido o EDITAL/DRF/IMP/MA/NUFIS 13, de 05/05/2010, para que fosse dada ciência do Termo de Intimação Fiscal. Fl. 3623DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 9 8 Quando da análise dos documentos recebidos do Banco Bradesco S.A., cópias das Procurações passadas pela Empresa Fiscalizada não foram enviadas juntamente com os demais documentos, o que motivou a elaboração em 05/05/2010 do Termo de Solicitação de informação endereçado ao Banco, em que foi pedida a remessa de tais Procurações, uma vez que o próprio Banco falava da existência de Procurações. Em 22/06/2010, atendendo ao Termo de Solicitação citado, o Bradesco enviou cópias de certidões do Cartório do 3o Ofício Extrajudicial, as quais mencionavam a existência de Procurações passadas pelo Senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO para DENISE GORDIANO DE SOUZA, CLEOVANES ARAÚJO FERNANDES, JOSÉ ALBERTO NUNES BRITO, CRAYCIELE CRISTIAN CALDEIRA, WILKER LEÃO PEREIRA. A Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz, por meio do Ofício 878/2007CART/ DPF.B/ITZ/MA, enviou à Delegacia da Receita Federal em Imperatriz farto material, referente ao Mandado de Busca e Apreensão 158/2007SECVA (...), apreendido no imóvel localizado à Rodovia 222, s/n, KM 01, Jardim de Alá, Açailândia/MA, pela equipe 14. Tal material serviu de base para montagem do dossiê de seleção. Ao se analisar o material, foi constatada numa comunicação interna da FRISAMA de 5/12/03, a observação de que "o contrato de financiamento de energia elétrica está correto. OBS.: Para mais esclarecimento entrar em contato com Dr. Borges/Aldo" . Assinado pele Gerente Industrial Aldo N.Teixeira. Logo abaixo, constava observação à mão: “OBS. O contrato não pode ser ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, e sim: João Paulo Ferreira Cardoso CI 243.59822 SS Paulo CPF 673.183.55368.” Rubricado por Antonio Durão CRC/ MG21323 S/MA CPF 087.886.26687. Foi também encontrada cópia do Contrato de reserva de potência e fornecimento de energia elétrica AJU 018/02 , entre a CEMAR e Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., no qual constava como Representante da Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda. o Diretor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal Contrato, entretanto, não estava assinado por nenhuma das partes. Ainda constava do referido material uma autorização passada pela Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., autorizando expressamente a Senhora Lilian Frota Ximenes, CPF 393.502.66334, transferir para o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme "Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Dívida, c/c Dação em Pagamento e Outras Avenças, firmado em 31/8/2006, o apartamento 900, do Edifício Lara, à rua Ana Bilhar, 601, Aldeota/Fortaleza CE, matriculado sob o número 20.009, no Cartório de Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza." Diante disso, foi expedido o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/12/2010, ao Cartório de Registro de Imóveis do 4° Ofício de Fortaleza, solicitando a documentação pertinente à operação de transferência do imóvel para o Senhor Roberto Luiz da Silva Logrado, bem como o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/13/2010 à Companhia Energética do Maranhão CEMAR, solicitando cópia de possíveis Contratos firmados com a Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Em atendimento ao Ofício/Nufis/DRF/IMP 12/2010, por intermédio de correspondência de 12/05/2010, o Cartório Miranda Bezerra Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza, enviou cópia do Registro Geral 20.009, de 21/05/2001, e informou que, pela escritura de 1°/11/2007, do 1° Ofício da Comarca Vinculada de Fl. 3624DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 10 9 Paramoti deste Estado, liv.005, fls.168/169, prénotada em 12.03.2008, n° 111.355, a Proprietária vendeu o imóvel desta matrícula a VÍTOR SANTOS LOGRADO, brasileiro, solteiro, estudante, CPF 528.023.70278, residente e domiciliado à Rua Godofredo Viana, 960, Centro, Imperatriz MA, por R$ 750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais), importância essa que a Vendedora, assim como vem representada, declara quitada conforme Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Dívida da Empresa Mercantil São José S.A Comércio e Indústria, assinado entre a Vendedora e a Anuente em 31/08/2006, tendo a Anuente, INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à Rodovia BR 222, S/N Parque das Nações, Açailândia/MA CNPJ 05.470.371/000150, recebido do Comprador a importância de R$ 750.000,00. VÍTOR SANTOS LOGRADO é filho de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme Declaração de Imposto de Renda deste último, ano calendário 2003, exercício de 2004. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, CPF 120.803.73234, nos termos do art. 124 da Lei 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), e art. 207, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda 1999 (RIR/1999). Ficou o Sujeito Passivo solidário supramencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que tratou o Auto de Infração lavrado relativamente ao IRPJ e reflexos, na data de 22/07/2010, contra o Sujeito Passivo referido, cujas cópias foram entregues juntamente com o Termo. E, para surtir os efeitos legais, foi lavrado o Termo de que se trata em 4 (quatro) vias de igual teor e forma, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo Sujeito Passivo solidário ou seu Representante Legal, que no ato recebeu uma das vias. Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389: O Escritório de Pesquisa e Investigação na 3a Região, ESPEI, emitiu Relatório que tratou de sonegação fiscal e previdenciária por parte de grupos de Empresas do ramo de Frigoríficos, bem como de Empresas correlatas, atacadistas e varejistas de carne bovina, estabelecidas no Maranhão e no Pará. O Relatório listou o grupo de Empresas envolvido nas operações, citou nominalmente os Sócios de cada uma, bem com forneceu diversas informações sobre suas operações. No caso da fiscalização que se aprecia, no grupo de propriedade de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, incluise, dentre outras, a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA CNPJ 05.470.371/000150, que passou a ser posteriormente SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONT. LTDA, conforme será visto no curso deste relato. As investigações revelaram ainda que os Frigoríficos envolvidos na operação utilizavam Empresas fictícias, constituídas em nome de Sócios "laranjas", simulando contratos de arrendamentos com as mesmas, com o intuito de transferir indevidamente as responsabilidades fiscais e as previdenciárias para essas Empresas de fachada, ficando os Frigoríficos, assim, livres de quaisquer obrigações com a Receita Federal e com a Previdência Social. Foram constatadas também diferenças entre os valores movimentados no Sistema Bancário (movimentação financeira) e os valores declarados a título de Fl. 3625DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 11 10 receita bruta pelas diversas Empresas ligadas aos grupos envolvidos, que atingiram um montante superior a R$ 4,1 (quatro bilhões e cem milhões de reais) nos últimos cinco anos. Foram emitidos diversos Mandados Judiciais de busca e apreensão, em vários Estados, abrangendo as sedes das principais Empresas investigadas, as residências dos Sócios proprietários e alguns Escritórios de contabilidade. Em decorrência houve várias prisões temporárias das principais pessoas envolvidas nas fraudes. A Empresa fiscalizada foi constituída em dezembro de 2002, conforme registrado na Junta Comercial do Estado do Maranhão, com a Razão Social de INDUSTRIAL COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à BR 222, KM 07, Parque das Nações, Açailândia Maranhão, tendo como atividade principal o abate e a frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica, cujo Capital Social inicial foi de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), dividido igualmente entre os Sócios fundadores MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.55368, Responsável pela gerência da Sociedade. Em agosto de 2003, o endereço foi alterado para Rodovia BR 222, KM 5, Parque das Nações, Açailândia, Maranhão, conforme primeira alteração ao Contrato Social, arquivada na JUCEMA, n° 20030241693. Em fevereiro de 2007, foi feita a 2a alteração ao Contrato Social, na qual foi admitido o Sócio PETERGIBSON DE CAVALHO, CPF 278.942.82200, residente e domiciliado à rua Afonso de Albuquerque, 109, São Bernardo do Campo SP, que adquiriu por compra as cotas da Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, já qualificada, pagando pelas citadas cotas o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme consta na Alteração Contratual. Nesta mesma ocasião, a Razão Social passa a ser SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., sendo que nesta Alteração as atividades da Empresa continuaram as mesmas, visto não haver qualquer menção na citada Alteração sobre modificação do objeto da Sociedade, e o endereço passou a ser RUA AFONSO ALBUQUERQUE, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Mesmo endereço do Sócio entrante. Ao tomar conhecimento do Relatório da ESPEI, a Delegacia de Imperatriz verificou que o endereço SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA. era em São Bernardo do Campo SP e por meio do MEMO/Nufis/DRF/IMP 14/2008, de 13/06/2008, remeteu o Relatório para o Chefe da DIFIS/SRRF3 ª RF/FOR/CE. Este, por sua vez, por meio do MEMO SRRF 088/2008/ SRRF03/DIFIS, de 25/06/2008, encaminhou cópia do Relatório para o Chefe da SRRF 08/DIFIS, que o remeteu para a DRF/São Bernardo do Campo, conforme MEMO DIFIS/EFI2/ 0803/ 105/2008, de 31/10/2008. Por meio do MEMO Difis/EFI2/ 0803/N° 38/2009, o Relatório foi devolvido à RF033 ªRF/Difis, tendo em vista, que em diligência realizada, conforme determinação do MPF 0811900.2008.010688, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Pedro Antônio Balint, matrícula 877.334, ficou constatado que à rua Afonso de Albuquerque, 109, Centro São Bernardo do Campo, reside a Senhora Odirene Vieira de Mesquita, que afirmou desconhecer qualquer Empresa no endereço citado. Posteriormente o mesmo Auditor Fiscal consultou o CNIS e confirmou que lá é mesmo a residência da referida senhora. De posse dessas informações, o Chefe da SRRF03/Difis devolveu todo o material à Delegacia de Imperatriz, que emitiu o MPF 03.2.02.002009000487, junho Fl. 3626DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 12 11 de 2009, para fiscalização das compras, de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, e da movimentação financeira de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Diante disso, em 05/06/2009 foi emitido o Termo de Início de Fiscalização e enviado por aviso de recebimento aos Sócios PETERGIBSON DE CARVALHO, à rua Afonso de Albuquerque, 109 Jardim do Lago, São Bernardo do Campo – SP, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, à rua Rio Branco, 514, Vila Brasil, Imperatriz MA. O Termo foi devolvido pelos Correios com as observações: pessoa desconhecida e não há o número indicado. Assim sendo, em 29/06/2009, foi emitido o Edital/DRF/IMP/NUFIS 40, cientificando o Contribuinte do Termo de Início de Fiscalização. Mesmo assim, no dia 01/07/2009, o Termo de Início de Fiscalização foi remetido para FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, BR 222, KM 1 Jardim de Alá, Açailândia. No dia 07/07/2009, em atendimento ao Edital ou ao Termo de Início, o Senhor Petergibson de Carvalho enviou documento, por intermédio dos Correios, pedindo prorrogação de 20 (vinte) dias no prazo para os documentos requeridos no Termo de Início. O Pedido foi deferido em 10/07/2009. O envelope remetido pelo Senhor Petergibson de Carvalho, com o Pedido de Prorrogação, foi postado em São Paulo e nele constou o endereço da rua Afonso Albuquerque, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Entretanto, por se desconhecer o verdadeiro endereço do Contribuinte, e tendo em vista não haver certeza de como foi tomado conhecimento do Termo de Início de Fiscalização, se pelo Edital ou se por conta do envio para o FRISAMA, BR 222, KM 1, Jardim de Alá Açailândia MA, a concessão da prorrogação foi enviada para o antigo endereço da Empresa, BR 222, KM 7 Parque das Nações, Açailândia MA, tendo sido devolvido também com a observação endereço insuficiente. No dia 30/07/2009, novamente se remeteu a concessão de prorrogação, desta vez para a BR 222, KM 1, Açailândia MA, documento devolvido pelos Correios com a observação endereço insuficiente. Em 12/08/2009, o Senhor Petergibson de Carvalho remeteu novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização, de São Paulo, sendo que desta vez no envelope o endereço é Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP. Diante de tantas informações desencontradas e na impossibilidade de se contatar o Contribuinte, em 14/09/2009 foram emitidos os RMFs 03.2.02.002009000363 Banco Bradesco, enviado em 25/09 por aviso de recebimento; 03.2.02.002009000371 Banco Rural , enviado em 23/09, também por aviso de recebimento; e 03.2.02002009000380 Banco do Brasil, remetido em 25/09/2009, por aviso de recebimento. No dia 02/10/2009, foi emitido o Ato Declaratório Executivo 14, do Delegado da Receita Federal em Imperatriz, tornando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o CNPJ 05.470.371/000150, de SINFACOL – SERVIÇO DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., por inexistir de fato, Processo 10325.001227/200918. Fl. 3627DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 13 12 Em 12/11/2009 o Senhor Petergibson voltou a remeter à Receita Federal, por meio de aviso de recebimento, da rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP, novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização. Em 22/03/2010, foi enviado outro Termo de Intimação Fiscal, por meio de aviso de recebimento, à SINFACOL Serviços de Informática Administração e Contabilidade Ltda, à rua Afonso de Albuquerque, 109 São Bernardo do Campo, SP, devolvido pelos Correios com a observação pessoa desconhecida. Outro Termo de Intimação Fiscal foi emitido em 29/03/2010 e enviado, desta vez, à BR 222, KM 5, e também à BR 222, KM 1, Açailândia MA, ambos devolvidos com a observação dos Correios de que o endereço era insuficiente. Em 29/03/2010, foi enviado o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 08/2010, para a Junta Comercial do Estado do Maranhão, e o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 09/2010, para a Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambos solicitando cópias dos Atos Constitutivos e as possíveis Alterações Contratuais da SINFACOL Serviços de Informática, Administração e Contabilidade Ltda. A Junta Comercial do Estado do Maranhão, em Ofício de 05/04/2010, remeteu os documentos arquivados naquela Instituição. Em 30 /09/2009, o Banco Rural S.A., em atendimento à RMF, enviou extratos e outros documentos, assim como também o Banco do Brasil, em 30/10/2009, e o Banco Bradesco, em 05/11 e 14/12/2009. Analisouse a documentação recebida, especialmente os extratos bancários, emitiuse em 05/05/2010 Termo de Intimação Fiscal, pedindo para o Contribuinte apresentar a documentação comprobatória dos créditos relacionados no anexo ao Termo de Intimação, assim como apresentar justificativa para os valores movimentados. Foise pessoalmente a um dos endereços da Empresa, em Açailândia, BR 222, KM 5, e por motivo de haver sido informada de que lá não funcionava tal Empresa, a Fiscalização lavrou o Termo de Constatação, fls. 3376. No local o atendimento foi feito pelo Sr. Thiago Dias Silva CPF 000.748.73121, que disse ser Assistente Administrativo da DISTRIBUIDORA DE CARNES EQUATORIAL LTDA CNPJ 07.880.840/000216, tendo apresentado cópia do registro no CNPJ, e informou desconhecer a Empresa Fiscalizada, como também os Sócios dela, e que ali funcionava uma Filial da Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda, desde 14/03/2006, cujos Sócios eram os senhores REINALDO NUNES CABRAL, residente em Belém do Pará, e Francisco Neves, residente em Imperatriz. Não soube, entretanto, informar o número do CPF de nenhum deles, nem o nome completo do Senhor Francisco Neves. Foi informado também que as instalações pertenciam à FRISAMA FRIGORIFICO DO SUDESTE MARANHENSE LTDA, que estavam arrendadas à Distribuidora Equatorial. Solicitouse cópia do Contrato de arrendamento, que não foi apresentado, sob a justificativa de que estava arquivado na Matriz e, caso fosse necessário, que se requisitasse por escrito, que o atendimento seria feito. Foi dito ainda que a Empresa era administrada pelo Senhor Pablo Leal Parente, CPF 813.945.94100, Gerente Administrativo, que estava viajando a serviço, e que o Contador da Empresa era o Senhor JOÃO APARECIDO PEDROSO, Fl. 3628DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 14 13 residente em Imperatriz, mas que se encontrava também em viagem de serviço e que somente retornaria na segundafeira. Foi fornecido, entretanto, o número do telefone celular do Contador. Por telefone, foi feito o contato com o Contador e solicitado seu comparecimento à Receita Federal para esclarecimento de algumas dúvidas. Entretanto, de imediato, foi prestada a informação de que a Empresa Fiscalizada tinha sido desativada desde 2006, que possuía um parcelamento na Receita Federal, mas que havia perdido o contato com os antigos Sócios, e que o Senhor PETERGIBSON DE CARVALHO havia se mudado para São Paulo, por motivos de saúde. No endereço visitado, ainda houve contato com o Porteiro da Empresa, o Senhor José Caíres Ramos, CPF 238.587.96387, a quem se perguntou se conhecia os Sócios da SINFACOL, os Senhores PETERGIBSON DE CARVALHO e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO. Quanto ao primeiro, foi dito que o conhecia por haver trabalhado na Empresa, mas que há uns 6 (seis) meses havia falecido. Quando ao segundo, não sabia de quem se tratava. Quanto aos parcelamentos existentes na Receita Federal, informados pelo senhor Joao Aparecido Pedroso, pesquisamos os sistemas da Receita Federal e constatamos a existência de parcelamentos de pequenos valores comparativamente A movimentação financeira do contribuinte no período de 2003 a 2006, cujos 110 pagamentos estão sento feitos em dia. Diante disso, e por entendermos infrutífera qualquer tentativa de localizar o contribuinte foi emitido o EDITAUDRF/IMP/MA/NUFIS N° 13, de 5 de maio de 2010, para dar ciência do termo de intimação fiscal. Quando da análise dos documentos recebidos do Banco Bradesco S.A, cópias das procurações passadas pela empresa fiscalizada não foram enviadas juntamente com os demais documentos, sendo assim fizemos, em 5 de maio de, 2010, termo de solicitação de informação endereçado ao banco, pedindo a remessa de tais procurações, uma vez que o próprio banco fala da existência de procurações. Em 22 de junho de 2010, atendendo ao termo de solicitação acima, o Bradesco nos enviou cópias de certidões do Cartório do 3° Oficio Extrajudicial, as quais mencionam a existência de procurações passadas pelo senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, para DENISE GORDIANO DE SOUZA, CLEOVANES ARAUJO FERNANDES, JOSE ALBERTO NUNES BRITO, CRAYCIELE CRISTIAN CALDEIRA, WILKER LEÃO PEREIRA. A Delegacia de Policia Federal em Imperatriz, por meio do Oficio 878/2007 CART/DPF.B/ITZ/MA, enviou A Delegacia da Receita Federal em Imperatriz farto material, referente ao Mandado de Busca e Apreensão n° 158/2007SECVA (...), apreendido no imóvel localizado na Rodovia 222, s/n, KM 01, Jardim de Ala. Açailandia/MA, pela equipe 14. Tal material serviu de base para montagem do dossiê de seleção. Ao analisarmos o material, constatamos numa comunicação interna da FRISAMA de 5/12/03, a seguinte observação: "o contrato de financiamento de energia elétrica está correto. OBS.: Para mais esclarecimento entrar em contato com Dr. Borges/Aldo" . Assinado pele gerente industrial Aldo N.Teixeira. Logo abaixo, uma observação à mão diz: " OBS. 0 contrato não pode ser ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, e sim: Joao Paulo Ferreira Cardoso — Cl 243.59822 — SS Paulo — CPF 673.183.55368." Fl. 3629DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 15 14 Rubricado por Antonio Durão — CRC/MG21323 S/MA CPF 087.886.26687' Foi também encontrada cópia do contrato de reserva de potência e fornecimento de energia elétrica — AJU 018/02 , entre a CEMAR e Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda, no qual consta como representante da Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda o diretor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal contrato, entretanto, não está assinado por nenhuma das partes. Ainda consta do referido material uma autorização passada pela Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., autorizando expressamente a senhora Lilian Frota Ximenes — CPF 393.502.66334, transferir para o senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme "Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Divida, c/c Dação em Pagamento e Outras Avencas firmado em 31/8/2006, o apartamento 900, do Edifício Lara, na Rua Ana Bilhar, n° 601, Aldeota, Fortaleza — CE, matriculado sob o número 20.009, no Cartório de Registro de Imóveis da 4a . Zona de Fortaleza." Diante disso, foi expedido o OFICIO/Nufis/DRF/IMP/n° 12/2010, ao Cartório de Registro de Imóveis do 4° Oficio de Fortaleza, solicitando a documentação pertinente A operação de transferência do imóvel para o Senhor Roberto Luiz da Silva Logrado, bem como o OFICIO/Nufis/DRF/IMP/ no 13/2010, A Companhia Energética do Maranhao — CEMAR, solicitando cópia de possíveis contratos firmado com a Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Em atendimento ao Oficio/Nufis/DRF/IMP n° 12/2010, por intermédio de correspondência de 12 de maio de 2010, o Cartório Miranda Bezerra — Registro de Imóveis da 46 Zona de Fortaleza , nos enviou cópia do Registro Geral 20.009, de 21 de maio de 2001, e nos informou que pela escritura de 1° de novembro de 2007, do 1° Oficio da Comarca Vinculada de Paramoti deste Estado, liv.005, fls.168/169, prenotada em 12.03.2008 sob o n° 111.355, a proprietária vendeu o imóvel desta matricula a VITOR SANTOS LOGRADO, brasileiro, solteiro, estudante, CPF 528.023.70278, residente e domiciliado na Rua Godofredo Viana, 960, Centro, Imperatriz — MA, por R$750.000,00 (setecentos e cinqüenta mil reais), importância essa que a vendedora, assim como vem representada, declara quitada conforme Contrato Particular de Confissão,Remissão Parcial e Assunção de Divida da empresa Mercantil sac) José S.A — Comércio e Indústria, assinado entre a vendedora e a anuente em 31 de agosto de 2006, tendo a anuente, INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA. Com sede na Rodovia BR 222, S/N — Parque das Nações, Açailândia/MA — CNPJ 05.470.371/000150, recebido do comprador a importância de R$750.000,00. VITOR SANTOS LOGRADO é filho de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme consta da declaração de imposto de renda deste Ultimo, no anocalendário de 2003, exercício de 2004. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, CPF 120.803.73234, nos termos do art. 124 da Lei n2 5.172, de 1966 (C6digo Tributário Nacional) e art. 207, parágrafo inciso III do RIR/99. Ficou o Sujeito Passivo solidário supramencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que tratou o Auto de Infração lavrado relativamente ao IRPJ e reflexos, na data de 22/07/2010, contra o Sujeito Passivo referido, cujas cópias foram entregues juntamente com o Termo. Fl. 3630DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 16 15 E, para surtir os efeitos legais, foi lavrado o Termo de que se trata em 4 (quatro) vias de igual teor e forma, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo Sujeito Passivo solidário ou seu Representante Legal, que no ato recebeu uma das vias. Termo de Verificação Fiscal, fls. 3371/3389: O Escritório de Pesquisa e Investigação na 3a Região, ESPEI, emitiu Relatório que tratou de sonegação fiscal e previdenciária por parte de grupos de Empresas do ramo de Frigoríficos, bem como de Empresas correlatas, atacadistas e varejistas de carne bovina, estabelecidas no Maranhão e no Pará. O Relatório listou o grupo de Empresas envolvido nas operações, citou nominalmente os Sócios de cada uma, bem com forneceu diversas informações sobre suas operações. No caso da fiscalização que se aprecia, no grupo de propriedade de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, incluise, dentre outras, a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA CNPJ 05.470.371/000150, que passou a ser posteriormente SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONT. LTDA, conforme será visto no curso deste relato. As investigações revelaram ainda que os Frigoríficos envolvidos na operação utilizavam Empresas fictícias, constituídas em nome de Sócios "laranjas", simulando contratos de arrendamentos com as mesmas, com o intuito de transferir indevidamente as responsabilidades fiscais e as previdenciárias para essas Empresas de fachada, ficando os Frigoríficos, assim, livres de quaisquer obrigações com a Receita Federal e com a Previdência Social. Foram constatadas também diferenças entre os valores movimentados no Sistema Bancário (movimentação financeira) e os valores declarados a título de receita bruta pelas diversas Empresas ligadas aos grupos envolvidos, que atingiram um montante superior a R$ 4,1 (quatro bilhões e cem milhões de reais) nos últimos cinco anos. Foram emitidos diversos Mandados Judiciais de busca e apreensão, em vários Estados, abrangendo as sedes das principais Empresas investigadas, as residências dos Sócios proprietários e alguns Escritórios de contabilidade. Em decorrência houve várias prisões temporárias das principais pessoas envolvidas nas fraudes. A Empresa fiscalizada foi constituída em dezembro de 2002, conforme registrado na Junta Comercial do Estado do Maranhão, com a Razão Social de INDUSTRIAL COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à BR 222, KM 07, Parque das Nações, Açailândia Maranhão, tendo como atividade principal o abate e a frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica, cujo Capital Social inicial foi de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), dividido igualmente entre os Sócios fundadores MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.55368, Responsável pela gerência da Sociedade. Em agosto de 2003, o endereço foi alterado para Rodovia BR 222, KM 5, Parque das Nações, Açailândia, Maranhão, conforme primeira alteração ao Contrato Social, arquivada na JUCEMA, n° 20030241693. Em fevereiro de 2007, foi feita a 2a alteração ao Contrato Social, na qual foi admitido o Sócio PETERGIBSON DE CAVALHO, CPF 278.942.82200, residente e domiciliado à rua Afonso de Albuquerque, 109, São Bernardo do Campo SP, que Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 17 16 adquiriu por compra as cotas da Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, já qualificada, pagando pelas citadas cotas o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), conforme consta na Alteração Contratual. Nesta mesma ocasião, a Razão Social passa a ser SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., sendo que nesta Alteração as atividades da Empresa continuaram as mesmas, visto não haver qualquer menção na citada Alteração sobre modificação do objeto da Sociedade, e o endereço passou a ser RUA AFONSO ALBUQUERQUE, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Mesmo endereço do Sócio entrante. Ao tomar conhecimento do Relatório da ESPEI, a Delegacia de Imperatriz verificou que o endereço SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA. era em São Bernardo do Campo SP e por meio do MEMO/Nufis/DRF/IMP 14/2008, de 13/06/2008, remeteu o Relatório para o Chefe da DIFIS/SRRF3ª RF/FOR/CE. Este, por sua vez, por meio do MEMO SRRF 088/2008/SRRF03/DIFIS, de 25/06/2008, encaminhou cópia do Relatório para o Chefe da SRRF 08/DIFIS, que o remeteu para a DRF/São Bernardo do Campo, conforme MEMO DIFIS/EFI2/ 0803/ 105/2008, de 31/10/2008. Por meio do MEMO Difis/EFI2/ 0803/N° 38/2009, o Relatório foi devolvido à RF033ªRF/Difis, tendo em vista, que em diligência realizada, conforme determinação do MPF 0811900.2008.010688, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Pedro Antônio Balint, matrícula 877.334, ficou constatado que à rua Afonso de Albuquerque, 109, Centro São Bernardo do Campo, reside a Senhora Odirene Vieira de Mesquita, que afirmou desconhecer qualquer Empresa no endereço citado. Posteriormente o mesmo AuditorFiscal consultou o CNIS e confirmou que lá é mesmo a residência da referida senhora. De posse dessas informações, o Chefe da SRRF03/Difis devolveu todo o material à Delegacia de Imperatriz, que emitiu o MPF 03.2.02.002009000487, junho de 2009, para fiscalização das compras, de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, e da movimentação financeira de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Diante disso, em 05/06/2009 foi emitido o Termo de Início de Fiscalização e enviado por aviso de recebimento aos Sócios PETERGIBSON DE CARVALHO, à rua Afonso de Albuquerque, 109 Jardim do Lago, São Bernardo do Campo – SP, e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, à rua Rio Branco, 514, Vila Brasil, Imperatriz MA. O Termo foi devolvido pelos Correios com as observações: pessoa desconhecida e não há o número indicado. Assim sendo, em 29/06/2009, foi emitido o Edital/DRF/IMP/NUFIS 40, cientificando o Contribuinte do Termo de Início de Fiscalização. Mesmo assim, no dia 01/07/2009, o Termo de Início de Fiscalização foi remetido para FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, BR 222, KM 1 Jardim de Alá, Açailândia. No dia 07/07/2009, em atendimento ao Edital ou ao Termo de Início, o Senhor Petergibson de Carvalho enviou documento, por intermédio dos Correios, pedindo prorrogação de 20 (vinte) dias no prazo para os documentos requeridos no Termo de Início. O Pedido foi deferido em 10/07/2009. Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 18 17 O envelope remetido pelo Senhor Petergibson de Carvalho, com o Pedido de Prorrogação, foi postado em São Paulo e nele constou o endereço da rua Afonso Albuquerque, 109 Centro, São Bernardo do Campo SP. Entretanto, por se desconhecer o verdadeiro endereço do Contribuinte, e tendo em vista não haver certeza de como foi tomado conhecimento do Termo de Início de Fiscalização, se pelo Edital ou se por conta do envio para o FRISAMA, BR 222, KM 1, Jardim de Alá Açailândia MA, a concessão da prorrogação foi enviada para o antigo endereço da Empresa, BR 222, KM 7 Parque das Nações, Açailândia MA, tendo sido devolvido também com a observação endereço insuficiente. No dia 30/07/2009, novamente se remeteu a concessão de prorrogação, desta vez para a BR 222, KM 1, Açailândia MA, documento devolvido pelos Correios com a observação endereço insuficiente. Em 12/08/2009, o Senhor Petergibson de Carvalho remeteu novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização, de São Paulo, sendo que desta vez no envelope o endereço é Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP. Diante de tantas informações desencontradas e na impossibilidade de se contatar o Contribuinte, em 14/09/2009 foram emitidos os RMFs 03.2.02.002009000363 Banco Bradesco, enviado em 25/09 por aviso de recebimento; 03.2.02.002009000371 Banco Rural , enviado em 23/09, também por aviso de recebimento; e 03.2.02002009000380 Banco do Brasil, remetido em 25/09/2009, por aviso de recebimento. No dia 02/10/2009, foi emitido o Ato Declaratório Executivo 14, do Delegado da Receita Federal em Imperatriz, tornando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, o CNPJ 05.470.371/000150, de SINFACOL – SERVIÇO DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., por inexistir de fato, Processo 10325.001227/200918. Em 12/11/2009 o Senhor Petergibson voltou a remeter à Receita Federal, por meio de aviso de recebimento, da rua Pedro Paulo, 85, São Paulo SP, novo Pedido de Prorrogação do Termo de Início de Fiscalização. Em 22/03/2010, foi enviado outro Termo de Intimação Fiscal, por meio de aviso de recebimento, à SINFACOL Serviços de Informática Administração e Contabilidade Ltda, à rua Afonso de Albuquerque, 109 São Bernardo do Campo, SP, devolvido pelos Correios com a observação pessoa desconhecida. Outro Termo de Intimação Fiscal foi emitido em 29/03/2010 e enviado, desta vez, à BR 222, KM 5, e também à BR 222, KM 1, Açailândia MA, ambos devolvidos com a observação dos Correios de que o endereço era insuficiente. Em 29/03/2010, foi enviado o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 08/2010, para a Junta Comercial do Estado do Maranhão, e o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP 09/2010, para a Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambos solicitando cópias dos Atos Constitutivos e as possíveis Alterações Contratuais da SINFACOL Serviços de Informática, Administração e Contabilidade Ltda. A Junta Comercial do Estado do Maranhão, em Ofício de 05/04/2010, remeteu os documentos arquivados naquela Instituição. Em 30 /09/2009, o Banco Rural S.A., em atendimento à RMF, enviou extratos e outros documentos, assim como também o Banco do Brasil, em 30/10/2009, e o Banco Bradesco, em 05/11 e 14/12/2009. Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 19 18 Analisouse a documentação recebida, especialmente os extratos bancários, emitiuse em 05/05/2010 Termo de Intimação Fiscal, pedindo para o Contribuinte apresentar a documentação comprobatória dos créditos relacionados no anexo ao Termo de Intimação, assim como apresentar justificativa para os valores movimentados. Foise pessoalmente a um dos endereços da Empresa, em Açailândia, BR 222, KM 5, e por motivo de haver sido informada de que lá não funcionava tal Empresa, a Fiscalização lavrou o Termo de Constatação, fls. 3376. No local o atendimento foi feito pelo Sr. Thiago Dias Silva CPF 000.748.73121, que disse ser Assistente Administrativo da DISTRIBUIDORA DE CARNES EQUATORIAL LTDA CNPJ 07.880.840/000216, tendo apresentado cópia do registro no CNPJ, e informou desconhecer a Empresa Fiscalizada, como também os Sócios dela, e que ali funcionava uma Filial da Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda, desde 14/03/2006, cujos Sócios eram os senhores REINALDO NUNES CABRAL, residente em Belém do Pará, e Francisco Neves, residente em Imperatriz. Não soube, entretanto, informar o número do CPF de nenhum deles, nem o nome completo do Senhor Francisco Neves. Foi informado também que as instalações pertenciam à FRISAMA FRIGORIFICO DO SUDESTE MARANHENSE LTDA, que estavam arrendadas à Distribuidora Equatorial. Solicitouse cópia do Contrato de arrendamento, que não foi apresentado, sob a justificativa de que estava arquivado na Matriz e, caso fosse necessário, que se requisitasse por escrito, que o atendimento seria feito. Foi dito ainda que a Empresa era administrada pelo Senhor Pablo Leal Parente, CPF 813.945.94100, Gerente Administrativo, que estava viajando a serviço, e que o Contador da Empresa era o Senhor JOÃO APARECIDO PEDROSO, residente em Imperatriz, mas que se encontrava também em viagem de serviço e que somente retornaria na segunda feira. Foi fornecido, entretanto, o número do telefone celular do Contador. Por telefone, foi feito o contato com o Contador e solicitado seu comparecimento à Receita Federal para esclarecimento de algumas dúvidas. Entretanto, de imediato, foi prestada a informação de que a Empresa Fiscalizada tinha sido desativada desde 2006, que possuía um parcelamento na Receita Federal, mas que havia perdido o contato com os antigos Sócios, e que o Senhor PETERGIBSON DE CARVALHO havia se mudado para São Paulo, por motivos de saúde. No endereço visitado, ainda houve contato com o Porteiro da Empresa, o Senhor José Caíres Ramos, CPF 238.587.96387, a quem se perguntou se conhecia os Sócios da SINFACOL, os Senhores PETERGIBSON DE CARVALHO e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO. Quanto ao primeiro, foi dito que o conhecia por haver trabalhado na Empresa, mas que há uns 6 (seis) meses havia falecido. Quando ao segundo, não sabia de quem se tratava. Quanto aos parcelamentos na Receita Federal informados pelo Senhor João Aparecido Pedroso, foram pesquisados os sistemas da Receita Federal e constatada a existência de parcelamentos de pequenos valores comparativamente à movimentação financeira do Contribuinte no período de 2003 a 2006, havendo constado que os pagamentos estavam sendo feitos em dia. Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 20 19 Diante disso, e por haver sido entendida infrutífera qualquer tentativa de localizar o Contribuinte, foi emitido o EDITAL/DRF/IMP/MA/NUFIS 13, de 05/05/2010, para que fosse dada ciência do Termo de Intimação Fiscal. Quando da análise dos documentos recebidos do Banco Bradesco S.A., cópias das procurações passadas pela Empresa Fiscalizada não foram enviadas juntamente com os demais documentos, o que motivou a elaboração em 05/05/2010 do Termo de Solicitação de informação endereçado ao Banco, em foi pedida a remessa de tais Procurações, uma vez que o próprio Banco falava da existência de Procurações. Em 22/06/2010, atendendo ao Termo de Solicitação citado, o Bradesco enviou cópias de certidões do Cartório do 3o Ofício Extrajudicial, as quais mencionavam a existência de Procurações passadas pelo Senhor JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO para DENISE GORDIANO DE SOUZA, CLEOVANES ARAÚJO FERNANDES, JOSÉ ALBERTO NUNES BRITO, CRAYCIELE CRISTIAN CALDEIRA, WILKER LEÃO PEREIRA. A Delegacia de Polícia Federal em Imperatriz, por meio do Ofício 878/2007CART/ DPF.B/ITZ/MA, enviou à Delegacia da Receita Federal em Imperatriz farto material, referente ao Mandado de Busca e Apreensão 158/2007SECVA (...), apreendido no imóvel localizado à Rodovia 222, s/n, KM 01, Jardim de Alá, Açailândia/MA, pela equipe 14. Tal material serviu de base para montagem do dossiê de seleção. Ao se analisar o material, foi constatada numa comunicação interna da FRISAMA de 5/12/03, a observação de que "o contrato de financiamento de energia elétrica está correto. OBS.: Para mais esclarecimento entrar em contato com Dr. Borges/Aldo" . Assinado pele Gerente Industrial Aldo N.Teixeira. Logo abaixo, constava observação à mão: “OBS. O contrato não pode ser ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, e sim: João Paulo Ferreira Cardoso CI 243.59822 SS Paulo CPF 673.183.55368.” Rubricado por Antonio Durão CRC/ MG21323 S/MA CPF 087.886.26687. Foi também encontrada cópia do Contrato de reserva de potência e fornecimento de energia elétrica AJU 018/02, entre a CEMAR e Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., no qual constava como Representante da Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda. o Diretor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal Contrato, entretanto, não estava assinado por nenhuma das partes. Ainda constava do referido material uma autorização passada pela Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., autorizando expressamente a Senhora Lilian Frota Ximenes, CPF 393.502.66334, transferir para o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme "Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial em Assunção de Dívida, c/c Dação em Pagamento e Outras Avenças, firmado em 31/8/2006, o apartamento 900, do Edifício Lara, à rua Ana Bilhar, 601, Aldeota/Fortaleza CE, matriculado sob o número 20.009, no Cartório de Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza." Diante disso, foi expedido o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/12/2010, ao Cartório de Registro de Imóveis do 4° Ofício de Fortaleza, solicitando a documentação pertinente à operação de transferência do imóvel para o Senhor Roberto Luiz da Silva Logrado, bem como o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/13/2010 à Companhia Energética do Maranhão CEMAR, solicitando cópia de possíveis Contratos firmados com a Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Fl. 3635DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 21 20 Em atendimento ao Ofício/Nufis/DRF/IMP 12/2010, por intermédio de correspondência de 12/05/2010, o Cartório Miranda Bezerra Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza, enviou cópia do Registro Geral 20.009, de 21/05/2001, e informou que, pelaescritura de 1°/11/2007, do 1° Ofício da Comarca Vinculada de Paramoti deste Estado, liv.005, fls.168/169, pré notada em 12.03.2008, n° 111.355, a Proprietária vendeu o imóvel desta matrícula a VÍTOR SANTOS LOGRADO, brasileiro, solteiro, estudante, CPF 528.023.70278, residente e domiciliado à Rua Godofredo Viana, 960, Centro, Imperatriz MA, por R$ 750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais), importância essa que a Vendedora, assim como vem representada, declara quitada conforme Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Dívida da Empresa Mercantil São José S.A Comércio e Indústria, assinado entre a Vendedora e a Anuente em 31/08/2006, tendo a Anuente, INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com sede à Rodovia BR 222, S/N Parque das Nações, Açailândia/MA CNPJ 05.470.371/000150, recebido do Comprador a importância de R$ 750.000,00. VÍTOR SANTOS LOGRADO é filho de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme Declaração de Imposto de Renda deste último, ano calendário 2003, exercício de 2004. Em consulta à base do CPF, verificouse que Vítor dos Santos Logrado é filho de Kátia Santos Logrado, e esta, mulher de Roberto Luiz da Silva Logrado, conforme se pôde verificar por meio de DOI Relatórios Gerenciais. Foram analisadas as Declarações de Imposto de Renda do Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, do período de 2001 a 2008, e em nenhuma delas foi declarada a existência de créditos a receber da Fiscalizada. Em 2001, o Senhor ROBERTO LUIZ declarou ter a receber créditos de FRISAMA FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA., CNPJ 01.829.493/000130, no montante de R$ 1.000.000,00. Em 2002, tal crédito aumentou para R$ 1.600.000,00. Em 2003, passou a ser R$ 1.900.000,00. Em 2004, o crédito voltou a ser de R$ 1.600.000,00, sendo que desta vez o Devedor que era o FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA, passou a ser FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA CNPJ 41.374.455/000154, crédito esse que se manteve pelos anos seguintes. A Empresa foi constituída em dezembro de 2002, com um Capital Social de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), dividido em parte iguais entre os Sócios, e iniciou suas atividades empresariais a partir de julho de 2003, de acordo com a movimentação bancária. Pelos extratos bancários, a Empresa movimentou, de 2003 a 2006, aproximadamente, R$ 430.000.000,00 (quatrocentos e trinta milhões de reais), e informou à Receita Federal receitas na ordem de R$ 167.000.000,00 (cento e sessenta e sete milhões de reais), da seguinte forma: Os Sócios da Empresa João Paulo Ferreira Cardoso, CPF 673.183.55368, e Maria de Fátima Bezerra dos Santos, CPF 673.183.12391, inscreveramse no CPF, ambos, em 01 de agosto de 2002. Segundo a base do CPF, os dois são analfabetos, de acordo com observação no Título de Eleitor. Fl. 3636DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 22 21 Foi observado ainda que as Declarações dos dois Sócios passaram a ser feitas na mesma época, e enviadas pelo mesmo endereço eletrônico, diferenciando apenas em segundos a hora de remessa de uma para outra, conforme a seguir discriminado: As Declarações do Imposto de Renda dos Sócios apresentaram muitas coincidências e lançaram suspeitas sobre a veracidade dos dados nelas registrados. É muito estranho uma pessoa se registrar na base do CPF somente aos 46 e 35 anos de idade, uma vez que o registro de ambos os Sócios ocorreu em agosto de 2002, tendo JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO nascido em 21/12/1956, e MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, em 01/03/1967. Por outro lado, chamou também a atenção o fato de se constituir uma Empresa para exploração de abate e frigorificação de bovino para consumo interno, exportação e importação frigorífica, com um Capital Social tão pequeno, quando investimento neste ramo deve ser muito alto por conta de instalações, bem como do próprio espaço físico, uma vez que a área abrangida e construída é ampla, conforme fotos tiradas do local. Além da necessidade de se dispor de tecnologia especifica, tais como câmaras frigoríficas, caminhões frigoríficos, balanças, equipamentos para abate, assim como de uma ampla equipe de apoio, tanto na parte administrativa, como na parte de produção, com um Capital Social tão pequeno. Por outro lado, há também o aspecto comercial. Se a Empresa está propondo se a abater e estocar em suas câmaras o gado abatido, uma de suas obrigações até a entrega dos produtos aos terceiros, compradores e locadores no caso de prestação de serviços mesmo tendo firmado Contrato de Prestação de Serviços de abate de gado bovino, como fez com a FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA CNPJ 41.374.455/000154 para utilização de seu complexo industrial à BR 222, Km 6, Açailândia, MA, pagando a esta o valor de R$ 20,00 (vinte reais) por cabeça de gado abatido, ainda assim há a necessidade de um bom capital para se explorar o ramo. O Contrato Social não é específico, pois não ficou esclarecido se o abate será de bovinos próprios ou de terceiros. Entretanto, em ambos os casos haveria a necessidade de transporte dos produtos da Empresa até seus consumidores ou aos terceiros contratantes, e o aluguel ou a aquisição de equipamentos específicos, como caminhões frigoríficos, seria imprescindível, tornando praticamente impossível se fazer frente a tais despesas com apenas R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para uma estrutura tão pesada, principalmente levandose em consideração que os Sócios da Empresa não militam na área com conhecimento do ramo, nem com prestígio próprio para ter crédito no meio bancário e comercial, visto que nas suas Declarações de Imposto de Renda, os dois vivem da exploração agropecuária, possuidores de umas poucas cabeças de gado, o que não daria para um abate tão fabuloso, e também por serem seus rendimentos pequenos e provenientes apenas da agricultura. Portanto, sem qualquer conhecimento do mercado e condições de conceder garantias pessoais aos terceiros envolvidos, ou seja, aos clientes. Fl. 3637DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 23 22 Em toda a questão, é mais estranho ainda o fato de se vender quotas de uma Empresa, que no período de 2003 a 2006 teve uma movimentação financeira em torno de R$ 430.000.000,00 (quatrocentos e trinta mil reais), por míseros R$ 10.000,00 (dez mil reais), como fez a Sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, ao transferir sua participação no Capital da Empresa para PETERGIBSON DE CARVALHO, conforme a 2ª Alteração do Contrato Social, de 28/02/2007. Conforme se pôde constatar por meio dos Contratos Sociais analisados a partir do Relatório da ESPEI, observouse o seguinte: 1) Em maio de 1992 foi constituído o FRIGOESTE FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, cuja sede se localizava à rua São Francisco, 1115 Açailândia com registro no CNPJ n° 41.374.455/000154, tendo como Sócios Fundadores ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e IDENOR GONÇALVES OS SANTOS. Em agosto de 1994, houve alteração da Razão Social e o FRIGOESTE passou a se denominar FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA., com endereço à Rodovia BR 222, km 5. Ao longo dos anos, depois de várias Alterações Contratuais, o FRISAMA passou a ter o seu quadro societário composto por ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e ROGÉRIO DA SILVA LOGRADO, com sede à Rodovia BR 222 km 1, Jardim de Alá Açailândia MA. Frisese, entretanto, que na região há apenas um frigorífico, havendo somente confusão quanto ao quilômetro da localização, fato constatado quando da visita ao local na tentativa de entregar Termo de Intimação Fiscal à Empresa objeto da Fiscalização. 2) Em 16/10/1985 foi arquivado na JUCEMA o Contrato Social da COMÉRCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA, tendo sido cadastrada no CNPJ n° 10.257.962/000184, com endereço à Rua São Francisco, 1115 Centro Açailândia MA, e como fundadores IDENOR GONÇALVES DOS SANTOS e HERMES TORRES DA SILVA. Em 1989 retirouse da Sociedade HERMES TORRES DA SILVA e entrou MARLI SILVA DOS SANTOS, e a Sociedade passa a ser CONSTRUTORA AÇAILÂNDIA. Em 1990 retiraramse da Sociedade IDENOR GONÇALVES DOS SANTOS e MARLI SILVA DOS SANTOS e ingressaram em seu lugar ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e sua mulher KÁTIA SANTOS LOGRADO e a Empresa passa a se chamar CONSTRUTORA ENGEL LTDA. Em 1993 retirouse da Sociedade ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO e entrou CLÁUDIO FERREIRA DOS SANTOS. Ainda em 1993 a Empresa mudouse para a Rua Duque de Caxias, 1007, na mesma cidade de Açailândia. Em 1995 os Sócios saíram da Sociedade e transferiram suas cotas para ANTONIO MARCOS DA SILVA e WANDERLEY DA SILVA SANTOS e a Sociedade transformouse em FRIGORÍFICO AÇAILÂNDIA LTDA., que teve como finalidade o comércio de carnes, derivados e subprodutos. Em 1996 a sede da Empresa foi transferida para a Rodovia BR 222, s/n – km 6 – Parque das Nações, Açailândia MA e passou a explorar o ramo de abate e frigorificação de bovino para consumo interno, exportação e importação, comercialização de carnes, derivados e subprodutos frigoríficos, fabricação e comercialização de sabões. A partir de 1999 o entra e sai de Sócios passou a ser uma constante. E de acordo com o cadastro do CNPJ, a Empresa continuou ativa à Rodovia BR 222, km 6, Açailândia MA, sob o nome de fantasia de FRIMASA. 3) Em 01/01/1999, o FRISAMA Frigorífico do Sudoeste Maranhense Ltda., firmou Contrato de Locação do Imóvel situado à BR 222, km 5, que na realidade são Fl. 3638DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 24 23 as instalações industriais do Frigorífico, com o Frigorífico Açailândia Ltda., pelo período de 01/01/1999 a 31/12/2002, recebendo de aluguel R$ 20.000,00 (vinte mil reais) mensais. 4) Em 15/05/1997, foi constituído o FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA, CNPJ 01.829.493/000130, com endereço à Rodovia BR 222, s/n km 5, Parque das Nações Açailândia MA, tendo como Sócios Fundadores RAIMUNDO NONATO DOS SANTOS LOPES e ANTÔNIO MARCOS DA SILVA, este último, antigo Sócio do FRIGORÍFICO AÇAILÂNDIA., com Capital Social de R$ 2.000,00. Ainda em 1997, foi criada uma Filial à rua Perdigão Sampaio, 793 Antônio Bezerra Fortaleza CE. Em 1998, saiu da Sociedade ANTÔNIO MARCOS DA SILVA e entrou HILDEBRANDO SANTOS CABRAL. Em 2000, retirouse da Sociedade HILDEBRANDO SANTOS CABRAL e entrou novamente ANTÔNIO MARCOS DA SILVA. Em 2001 a Filial de Fortaleza foi transferida para a rua Meton de Alencar, 1604 Centro. Em 2001, saiu da Sociedade RAIMUNDO NONATO DOS SANTOS LOPES e entrou JOSÉ FRANCISCO DA SILVA, que saiu em 2002, dando vez a PATRÍCIA MIRANDA CARDOSO. Em 2003, a Empresa teve sua Razão Social mudada para DISTRIBUIDORA PARAENSE DE ALIMENTOS LTDA., e passou a funcionar à Avenida Central, s/n Vila Cruzeiro do Sul Itupiranga PA. 5) Nem no Contrato Social nem nas Alterações posteriores, constou o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO como Sócio da Empresa. Entretanto, constou no Livro 046, folha 111, do Cartório do 1o Oficio, Comarca de Açailândia, Estado do Maranhão Procuração passada pelo FRIGORÍFICO INDUSTRIAL AÇAILÂNDIA LTDA. representado no ato da Procuração por um de seus SÓCIOS, SR. ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal informação constou nos arquivos do Banco Bradesco S.A. 6) Em dezembro de 2002, foi constituída a Empresa INDUSTRIAL, COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA., com endereço à Rodovia BR 222, km 7, Parque da Nações AçailândiaPA, com Capital Social de R$ 20.000,00, tendo como Sócios Fundadores MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, com atuação principal no ramo de abate e frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica. Em 2003, a Empresa se mudou para a Rodovia BR 222, km 5 Parque da Nações Açailândia MA. Em 2007, saiu da Sociedade MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS e entrou PETERGIBSON DE CARVALHO e a Sociedade passou a denominarse SINFACOL SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÕES E CONTABILIDADE LTDA., com novo endereço, à rua Afonso Albuquerque, 109 Centro São Bernardo do Campo SP. Em 01/05/2003, o FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA. contratou com a INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA. a prestação de serviço de abate de gado bovino a ser realizado no complexo industrial do FRISAMA, à BR 222, km 5 Parque da Nações AçailândiaMA, por prazo indeterminado, ao custo de R$ 20,00 por cabeça de gado abatido. Pelo exposto, verificouse que foram constituídas diversas Empresas para exploração da atividade frigorífica num único endereço com constante rodízio de Fl. 3639DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 25 24 Sócios que passaram de uma Empresa e vice versa várias vezes. Assim também se observou a constante alteração de endereço e até mesmo alteração das atividades empresariais de forma bem radical. Empresa do ramo de frigorífico passou a atuar como prestadora de serviços contábeis. Observouse ainda que as Sociedades foram todas formadas por pessoas analfabetas, com pouco poder aquisitivo para a exploração da atividade de frigorificação, conforme Declarações de Imposto de Renda anexas. Portanto, considerando que foram inúteis as várias tentativas de se localizar o Contribuinte para que apresentasse Livros e Documentos necessários à Fiscalização, e considerando que o mesmo tinha pleno conhecimento da Fiscalização, uma vez que solicitou prorrogação de prazo por escrito para apresentação de Livros e Documentos, prorrogação concedida e mesmo assim jamais remeteu à Fiscalização qualquer Documento de sua Contabilidade, restou ao Autuante apenas a opção de arbitrar o lucro de suas atividades por meio dos extratos bancários, bem como considerar toda sua movimentação financeira para efeitos de cálculo do PIS e da COFINS, com multa qualificada, tendo em vista haver o Contribuinte infringido o art. 2°, inciso I, da Lei 8.137, de 27/12/1990, a seguir transcrito “Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre Rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo"; Tendo ainda em vista que no curso da Fiscalização, dado o envolvimento de inúmeras Empresas em tal operação, tendo havido evidências que apontaram o Senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO como sendo efetivamente Sócio da Empresa, foi lavrado em nome deste o TERMO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, documento anexo, fls. 3360/3370. Cientificada do lançamento, a Requerente apresentou impugnação buscando provimento de seu recurso para: (i) anular o termo de sujeição passiva solidária do Impugnante, tendo em vista que não estaria consubstanciado nos autos a presença dos pressupostos normativos materiais prescritos pelos artigos 124, I, e 135, III, do CTN, dc art. 207, parágrafo único, Ill, do RIR199; ultrapassada esta, requer seja reformado o auto de infração para: (ii) excluir a parcela do crédito tributário já atingido pela decadência, já que em agosto de 2010 a Fiscalização já não mais dispunha do direito de lançar o crédito tributário sobre fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, pois, nos precisos termos do citado art. 173, I, do CTN, em janeiro de 2010 o direito havia decaído; (iii) determinar a exclusão dos valores pertinentes aos tributos declarados em DCTF ou em instrumentos formais de parcelamento, subtraindoos da base de cálculo eleita pela Fiscalização; e (iv) afastar a multa qualificada, quer por não poder ultrapassar a pessoa do infrator e atingir o Impugnante, quer em face da ausência dos requisitos necessários para aplicação da penalidade, nos moldes da Súmula 01 do CARF. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente em parte, conforme o acórdão colacionado no preâmbulo. Interpuseram Recursos Voluntários: o solidário Roberto Luiz da Silva Logrado (fls. 3540) onde reclama: 1erro de identificação do sujeito passivo, lançamento contra empresa extinta de fato; 2 inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário; 3 ilegalidade Fl. 3640DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 26 25 da lavratura e manutenção pela decisão recorrida do termo de sujeição passiva solidária em face do recorrente; 4 decadência dos créditos referentes ao período de outubro de 2004 a julho de 2005; 5 impossibilidade de lavratura de auto de infração quando os créditos tributários foram noticiados nas declarações entregues ao fisco, constituição por "auto lançamento"; 6 não aplicabilidade da multa agravada; 7 não incidência de juros de mora sobre multa de oficio. Adotadas as providências, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Considerando a renúncia do relator originário, Luiz Paulo Jorge Gomes, após a decisão prolatada por essa Eg. Turma, fui designado redator "ad hoc" nos termos da Portaria CARF 107/2016. O arquivo do acórdão do presente caso, relatado e julgado, encontravase disponível em "caixa de trabalho da Turma", em sua integralidade, razão pela qual ora reproduzo: O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Da nulidade – quebra de sigilo bancário. Quanto à alegada quebra de sigilo fiscal, deve ser analisada a possibilidade de o Fisco Federal solicitar informações sobre a movimentação bancária de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. A decisão proferida em 24/02/2016 pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), define a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, Fl. 3641DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 27 26 vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Desse modo, é possível afirmar que as requisições feitas pela fiscalização diretamente às instituições financeiras, a respeito da movimentação bancária do Recorrente durante o período fiscalizado, possuem respaldo constitucional e servem de subsídio para a formalização da exigência constante do auto de infração. No caso em apreço a solicitação de informações bancárias pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Assim, considerando que todas as determinações, precauções e garantias exigidas pela aludida Lei Complementar nº 105/2001, com o intuito de garantir a mais perfeita inviolabilidade, por terceiros, dos dados bancários da defendente foram, e estão sendo adotadas, no curso do presente procedimento, há que se considerar perfeitamente lícita e respaldada na lei a utilização dos extratos bancários na apuração do crédito tributário. Ademais, em relação as outras arguições de natureza constitucional, destaca se o conteúdo da súmula CARF nº 2, segundo a qual: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Decadência. A Recorrente argüi a decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento de ofício do IRPJ, CSLL e Cofins, em relação aos fatos geradores ocorridos até o terceiro trimestre de 2006, e do PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2006. A questão é resolvida pela súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Afastase, portanto, a decadência. Inconstitucionalidade De acordo com a Súmula CARF nº 2, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária À autoridade julgadora, aliás, é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. JUROS COBRADOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fl. 3642DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 28 27 Por fim, no que refere aos juros de mora sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Fl. 3643DF CARF MF Processo nº 10325.001015/201066 Acórdão n.º 1201001.629 S1C2T1 Fl. 29 28 Ante o exposto, CONHEÇO dos Recursos Voluntários e de Ofício e VOTO por NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli conselheiro redator "ad hoc" Fl. 3644DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.720093/2008-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação de parte da área não foi realizada de forma tempestiva.
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado, mas houve comunicação prévia a órgão ambiental estadual competente, anteriormente ao início da ação fiscal. Assim, possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR
Numero da decisão: 9202-005.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da ARL - Área de Reserva Legal, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação de parte da área não foi realizada de forma tempestiva. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, o ADA não foi apresentado, mas houve comunicação prévia a órgão ambiental estadual competente, anteriormente ao início da ação fiscal. Assim, possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da ARL Área de Reserva Legal, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 93 /2 00 8- 66 Fl. 215DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, interposto pelo contribuinte acima identificado, proferindo decisão consubstanciada no Acórdão nº 2801003.041, que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL/COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO MAS ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. COMPROVA A DEDUÇÃO SE ACOMPANHADO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA COMPLEMENTAR. É possível a dedução de áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, quando houver apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA)/comunicação ao órgão de fiscalização ambiental até o início da ação fiscal acompanhado de documentação complementar que comprove a existência das áreas deduzidas. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de utilização limitada/reserva legal que forem averbadas à matrícula do imóvel rural até o início do procedimento fiscal. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 216 3 Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial, no prazo regulamentar, alegando que os acórdãos paradigmas nºs 30238.743 e 30239.244 exigem a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou mesmo de requerimento do contribuinte para a emissão deste junto ao órgão ambiental competente, para reconhecimento da isenção do ITR sobre as áreas de utilização limitada e de reserva legal. Os paradigmas foram assim ementados: Acórdão paradigma nº 30238.743: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. AREA DE RESERVA LEGAL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para que seja reconhecida a isenção das áreas de preservação permanente declaradas na DITR. Acórdão paradigma nº 30239.244: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO/RESERVA LEGAL. Para que as áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, em tempo hábil, fazendose, também,necessária, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. Recurso voluntário negado Cientificado o Contribuinte apresentou tempestivamente contrarrazões, pleiteando o indeferimento do Recurso uma vez que, ainda que intempestivamente, cumpriu os requisitos legais atendendo ao escopo legal para a manutenção da isenção. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade razão pela qual o conheço. Neste mesmo sentido, essa E. CSRF já se manifestou no acórdão 9202 005.124, razão pela qual adoto o posicionamento ali expresso. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: (...) Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. A Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: (...) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. Bem como existência de ADA para reconhecimento da área como de preservação permanente. O argumento principal da Fazenda Nacional reside no fato de que para fins de isenção de ITR, a partir do exercício 2001, inclusive este, o ADA deve ser protocolizado no IBAMA no prazo de seis meses, contado do termo final para a entrega da respectiva DITR. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 217 5 que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. A meu ver não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é o que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso considero equivocado o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Do mesmo modo, que no tocante a comprovação da existência da área de utilização limitada para fins de APP, a meu ver não é necessária única e exclusivamente por meio de ADA, pois adoto o entendimento de que existem outros documentos hábeis a esta comprovação. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, observo que o contribuinte apresenta ADA datado de 20.12.2005 e Laudo Técnico de dezembro de 2005, os quais considero como documento hábil para comprovação legal exigida em lei, mesmo para o exercício de 2002. Quanto a APP, saliento que no meu entendimento pessoal para configuração da área de preservação ambiental não é obrigatório que a comprovação da natureza da área se dê por meio da exibição de ADA, podendo esta ser feita por qualquer meio de prova. Contudo saliento aqui que a maioria do colegiado entende diferente, devendo para comprovação de APP o ADA ser anterior ao inicio da ação fiscal 26.05.2006 e para comprovação da área de reserva legal, que a averbação da área antes da data do fato gerador supre a inexistência do ADA. Assim entendo deva ser mantido o acórdão recorrido, pois a averbação da área de reserva legal antes do fato gerador supre a ausência de ADA para área de reserva legal, quanto a APP o ADA anterior ao inicio da ação fiscal pode ser aceito como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. Fl. 219DF CARF MF 6 Diante de todo exposto nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora quanto aos requisitos para exclusão de áreas da base de cálculo do ITR, ouso discordar. a) Quanto à área de Reserva Legal: Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal, alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento, muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 218 7 à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Fl. 221DF CARF MF 8 Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" Quanto à necessidade de apresentação ou protocolização do ADA também abranger a área de Reserva Legal, ressalto que entendo que a averbação da Reserva Legal, pública e de natureza constitutiva, na forma acima defendida, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação. No caso em questão como muito bem observado pelo Colegiado a quo, consoante Certidão de efls. 100 e ss., a averbação de 50% da área total, correspondente a Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10218.720093/200866 Acórdão n.º 9202005.342 CSRFT2 Fl. 219 9 1.800 ha, conforme registrado no julgamento de 1º instância, ocorreu em 1992. Entretanto, outros 30% (perfazendo 1.080,7 ha.) e que então somados àqueles 1.800 ha. perfariam o total declarado de 2.880,7 ha., só foram averbados em 19/06/2006, assim, posteriormente ao fato gerador em questão ocorrido em 01/01/2006. Decorre de tal violação a conclusão pela correção da glosa efetuada pela autoridade fiscal quanto a estes 1.080,7 ha. adicionais, devendose, assim, dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria. b) Quanto à área de preservação permanente: Em que pese defender este Conselheiro a necessidade de apresentação do ADA para fins de exclusão de áreas de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR até o início da ação fiscal, faço notar que, conforme muito bem relatado pelo Acórdão recorrido, "também foi carreado aos autos, à fl. 86, a Autorização de Exploração em Floresta Plantada expedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente – SEMA/PA, datada de 01/10/2007, com a consignação da área de reserva legal de 2.880,7 ha e da área de preservação permanente de 85,5 há, ratificando as informações comunicadas previamente pelo contribuinte àquele órgão quando da formalização da solicitação de exploração das terras em questão". Nestes termos, também entendo, em linha com o recorrido, como comprovada a comunicação a órgão de fiscalização ambiental competente anterior ao início do procedimento fiscal (este último ocorrido em 16/09/2008, consoante efl. 11), devendo assim ser permitida a exclusão de 85,5 ha. a título de preservação permanente, na forma declarada pelo autuado, concluindose assim aqui, quanto a esta área de preservação permanente, pela negativa de provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, a partir do entendimento acima esposado, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reformandose o Acórdão recorrido para restabelecer a glosa de 1.080,7 ha. dos 2.880,7 declarados a título de Reserva Legal. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 223DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.000264/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2007
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social.
Numero da decisão: 2201-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo que dava provimento parcial para excluir a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2007 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo que dava provimento parcial para excluir a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 02 64 /2 01 0- 11 Fl. 302DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 7ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas, por subrogação, pelo adquirente de produto rural comercializado por produtor pessoa física, retida e não declarada em GFIP. Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário de R$ 62.358,52, representado pelo valor principal (R$ 30.436,53), juros (R$9.094,58) e multa de ofício (R$ 22.827,52), em valores consolidados em julho de 2010. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas por subrogação no período de fevereiro a setembro de 2007, ocorreu em 26 de julho de 2010, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 60. Em 18 de agosto de 2010, foi apresentada a impugnação ao lançamento. Em 25 de março de 2011, a 7ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1433030 (fls. 238), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório, que por sua clareza, reproduzo (fls.239): Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Principais — AIOP —Debcad n.° 37.277.6183, de 15/07/2010 e com cientificação do sujeito passivo em 26/07/2010, referente a contribuições à Seguridade Social retidas e não recolhidas, parte patronal (2,0%) e da alíquota para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT (0,1%), incidentes sobre a receita bruta na comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, por subrogação, calculadas sobre os valores de aquisição bovinos, contribuições essas não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social — GFIP ou declaradas a menor, relativas ao período de 02/2007 a 09/2007 (não contínuo), no montante de R$ 62.358,52 (sessenta e dois mil, trezentos e cinquenta e oito reais e cinquenta e dois centavos). Segundo o Relatório Fiscal RF, os valores exigidos foram apurados com base nos seguintes documentos: Livros Diário e Razão n°09, 10 e 11; Livros de Registro de Entradas n.° 09, 10 e 11; Notas Fiscais. Informa ainda o RF que, face ao disposto no art. 106, II, "c" do CTN, para a aplicação da multa procedeuse à comparação entre as penalidades da legislação posterior e anterior à Lei 11.941/09, de 27/05/2009, tendo sido aplicada a legislação atual Fl. 303DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 303 3 por ser mais benéfica ao contribuinte a multa através dela calculada. Tendo em vista o não repasse das contribuições sociais dos produtores rurais pessoas físicas arrecadadas pela autuada mediante desconto sobre o valor da compra de bovinos efetuado nas notas fiscais, o que configura, em tese, ilícito tipificado no art. 168A, § 1.0, I do Código Penal (apropriação indébita), será feita comunicação à autoridade competente para a proposição de eventual ação penal pelo Ministério Público Federal. Impugnação Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou impugnação, através do instrumento de fls. 60/77, alegando, em síntese: Da ilegalidade da exigência do Funrural à luz da lei Sob este título, a defendente traz extensa argumentação, na qual, citando vários autores e jurisprudências, busca comprovar a ilegalidade e a inconstitucionalidade da cobrança do tributo em análise, ao qual ela denomina de "novo Funrural", focando seus argumentos, basicamente, no seguintes pontos: inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre o faturamento ou receita bruta da comercialização da produção do produtor rural pessoa física instituída pela Lei 8.540/92, que alterou o art. 25 da Lei 8.212/91; ilegalidade, pois a Lei 8.212/91 não definiu o fato gerador, apenas a alíquota e a base de cálculo, tendo sido o fato gerador definido pela Instrução Normativa INSS/DC n.° 60 de 30 de outubro de 2001, ou seja, essa IN ultrapassou os limites da lei. Da substituição tributária do subrogado Segundo a autuada, o fisco não levou em consideração a não retenção de valores (a falta de destaque da contribuição no corpo do documento fiscal) e, não tendo sido objetos de retenção pelo produtor rural, cai por terra a inculpação de que houve falta de declaração ou declaração inexata e falta de pagamento das contribuições. Apresenta trechos de dois acórdãos do TRF da 4.' Região que confirmam que o produtor rural e o pescador pessoa física são os verdadeiros contribuintes e, não fazendo esses a retenção em seu documento fiscal, nada deve o subrogado, no caso o frigorífico, pois, na subrogação, o adquirente recolhe o tributo em nome do produtor. Do cerceamento de defesa Afirma o contribuinte ter sido configurado o cerceamento de defesa pela conduta do fisco federal ao prosseguir com a fiscalização de outras contribuições sociais, mantendo toda a documentação em seu poder, dificultando a juntada completa de Fl. 304DF CARF MF 4 documentos na defesa, o que fulminou seu direito de produzir prova. Da exorbitância da multa Nesse tópico, a empresa teoriza sobre as sanções, aduzindo que devem ser observados, em sua aplicação, os princípios da adequação, da necessidade e da proporcionalidade em sentido estrito, tece considerações sobre a carga tributária no país e termina alegando que deve ser reduzido o percentual de 75% da multa do presente AIOP, por padecer de ilegalidade tal exigência. Do pedido e da conclusão Finalmente, anexando os documentos de fls. 78/229, a impugnante: requer nova abertura de prazo para posterior juntadas de documentos, caso se entenda conveniente; protesta por todas as provas admitidas em direito; requer a anulação do presente auto de infração, já que se encontra eivado de vícios insanáveis, inclusive do cerceamento de defesa; conclui e crê ser suficiente a argumentação expendida para fins de decretação da improcedência do feito fiscal. Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 13 de maio de 2011, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 10 de junho de 2011, recurso voluntário, do qual constam as alegações que serão apreciadas no voto. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, passo a analisálo na ordem de suas alegações. Preliminarmente, o Recorrente tece considerações sobre os requisitos do lançamento tributário e menciona a finalidade das sanções tributárias e assevera ser a garantia constitucional do devido processo legal aplicável ao processo administrativo. Não obstante tais considerações, não há nenhuma questão preliminar apontada no voluntário. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 304 5 O PORQUÊ DE NÃO SE PODER EXIGIR O FUNRURAL DE PESSOA JURÍDICA URBANA Passando ao mérito, os argumentos recursais mencionam que o lançamento tributário deve ser pautado pelos requisitos legais atinentes, não restando discricionariedade à Autoridade Fiscal na constituição do crédito tributário. Na sequência, argui (fls 255): "16 Porque, por meio do artigo 195, seus incisos e parágrafos, a Constituição Federal, ao tratar das con buições destinadas ao custeio da Seguridade Social, estabeleceu um âmbito de incidência. (...) 18 A Constituição Federal foi expressa, no 58' do artigo 195, ao determinar que a contribuição para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre os resultados da comercialização da produção, será a fonte de custeio para aqueles que exploram a atividade rural em regime de economia familiar. 19 No entanto, quanto ao empregador rural, pessoa física, que explora atividade rural com auxílio de empregados, a Constituição Federal não se manifestou da mesma forma. 20 Diante deste "vácuo", editouse a Lei n.° 8.212/91, que ampliou a base de cálculo do segurado especial previsto no 58° do artigo 195 da Constituição Federal, para o empregador rural pessoa fisica: (...) 21 É exatamente nesta ampliação que os contribuintes sujeitos à base de cálculo resultado da comercialização de sua produção, que reside a ilegalidade (inconstitucionalidade ). 22 Isto porque, a Lei 8.212/91 quis fazer equiparar o "produtor rural" (pessoa física) com o produtor rural segurado especial, que exerce sua atividade em regime de economia familiar, sem o auxílio de empregados permanentes, de que trata o § 8° do art. 195, da Constituição Federal. 22 Isto porque, a Lei 8.212/91 quis fazer equiparar o "produtor rural" (pessoa física) com o produtor rural segurado especial, que exerce sua atividade em regime de economia familiar, sem o auxílio de empregados permanentes, de que trata o § 8° do art. 195, da Constituição Federal. 23 Todavia, constatase que a contribuição destinada à Seguridade Social devida pelo segurado produtor rural pessoa física, incidente sobre a comerciali7ação de produtos, não possui parâmetro no art. 195 da CF, porque, apesar de semelhante ao segurado especial (descrito no parágrafo 8°), este contrata terceiros, o que leva a concluir que tal contribuição consubstanciase em nova fonte de custeio, Fl. 306DF CARF MF 6 consoante previsto pelo § 4° do art. 195, que exige lei complementar para a sua instituição. 24 Ou seja, o que o legislador ordinário fez em verdade, foi criar uma nova fonte de custeio da seguridade social, cujo contribuinte era o empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural, instituído por meio de uma simples lei ordinária, contrariando o disposto no §4° do artigo 195, da Constituição Federal. 25 Neste sentido, decidiu o Ministro Marco Aurélio no RE 363.852/MG, no que foi acompanhado pela maioria do Plenário do Supremo Tribunal Federal: (...) 26 Por fim, como se denota do voto também foi reconhecida a ilegalidade (inconstitucionalidade) do artigo 30, inciso IV da Lei n° 8.212/91, desobrigando o peticionário da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a 'receita bruta proveniente da comercialização da produção rural' de empregadores, pessoas naturais. 27 Sendo assim para que não paire duvidas, novamente delineia se a ementa em que o Supremo Tribunal Federal se manifestou pela ilegalidade dessa referida contribuição indevidamente estabelecida, ora exigida, deliberando portanto no Recurso Extraordinário nº RE 363.852/MG 28 Por tal prisma é forçoso concluir, pelo afastamento da exigência constante nos arts. 25 da Lei n° 8.212/91, em razão dos seguintes preceitos; ofensa ao Princípio da Igualdade, inexistência de Lei Complementar definindo o tributo e duplicidade do recolhimento. 29 E por todo o exposto, faz se concluir que as Leis n's. 8.540/92 e n. 9.528/97 são ineficazes e inválidas frente aos textos da Constituição Originária acima analisada, por esse motivo, é imérita essa exigência fiscal." Da leitura dos argumentos acima, verificase que a insurgência do Recorrente contra a exação se funda, na essência, na falta de supedâneo constitucional da norma tributária ensejadora do lançamento em discussão. Tal argumento, segundo o Recorrente, encontra eco em decisões do Supremo Tribunal Federal. Porém, em recente sessão, ocorrida em 30 de março de 2017, o Pleno do STF em julgamento do mérito do RE 718874, de relatoria do Ministro Edson Fachin, com repercussão geral reconhecida, tomou a decisão abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional Fl. 307DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 305 7 formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 30.3.2017. Assim, forçosa a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, que em seu artigo 62, preceitua: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...)" Recordemos o fundamento legal do crédito em discussão. Voltemos ao relatório fiscal (fls. 82): 2.1 Por intermédio do presente Auto de Infração o sujeito passivo está sendo notificado a recolher o montante de R$ 62.358,52 (sessenta e dois mil; trezentos .e cinquenta e oito reais e cinqüenta e dois centavos), referente as contribuições da comercialização de produção rural com subrogação retidas dos produtores rurais, devidas nos termos do art. 25 ' da Lei n° 8.212191, com redação dada pela Lei 10.256/01, do período de 02, 03, 04, 06, 08 e 0912007 (...) 2.4 A subrogação_ citada no subitem 2.1 ,está respaldado no que dispõe . , o inciso IV do artigo 30, da Lei n° 8.212191, com a redação das Leis n°s 8.540192 e' 9.528197, "verbis" (...)" Fl. 308DF CARF MF 8 Assentados, com base na decisão do STF, quanto a constitucionalidade da Lei nº 8.212/91 especialmente no que tange às disposições sobre a contribuição do produtor rural pessoa física, na redação dada pela Lei nº 10.256/01 quanto mais ao se recordar a determinação regimental deste Conselho Administrativo para que se aplique no processo administrativo as decisões judiciais pertinentes, despiciendo maiores considerações sobre o tema. Recurso voluntário negado nesta parte. DA INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Argui a Recorrente (fls. 264), nulidade do auto de infração quanto à sanção aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória. Alega que tal imposição legal decorre de instrução normativa, o que fere o princípio da estrita legalidade tributária. Alega ainda ausência dos elementos essenciais no auto de infração. Não assiste razão ao Recorrente. O auto de infração se encontra devidamente apoiado na legislação de regência (Lei 8.212/91), e dele constam em especial de seu relatório fiscal todos os elementos necessários para a perfeita compreensão da conduta ensejadora da sanção tributária, permitindo, assim, a ampla defesa pelo contribuinte Comprovase a afirmação acima com a simples leitura das disposições descritivas da conduta constante do relatório fiscal anexo ao auto de infração, além da constatação do seguinte trecho (fls. 54), onde são explicitados todos os relatórios complementares que acrescem informações com o fito de permitir a compreensão do ilícito, sua fundamentação e quantificação, além de como proceder para a regularização do débito. 3. DISPOSIÇÕES GERAIS 3.1 — Integram o Auto de Infraçãoos seguintes relatórios: 3.1.1 "IPC — Instruçõés para w . Contribuinte" : _ relatório dos procedimentos atinentes à regularização do débito junto a Unidade de Atendimento da Receita Federal do Brasil e informações de interesse do contribuinte; 31.2 '`DD Discriminativo do Débito" — relatório discrimina por estabelecimento, competência _e levantamento, as bases de • cálculo, as rubricas, as ' alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, e retidos, as deduções permitidas, as diferençasexistentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado; ; 3.1.3 "FLD Fundamentos Legais do Débito" informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores; 3.1.4 "VÍNCULOS Relação. de Vínculos" — relatório lista todas as; _ , pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração previdencíária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, Fl. 309DF CARF MF Processo nº 15868.000264/201011 Acórdão n.º 2201003.864 S2C2T1 Fl. 306 9 representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; 3.1.5 "RL \ Relatório de Lançamentos" — relatório relaciona os, lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias,, sobre a natureza ou fonte. documental; ." Do exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. DA EFICÁCIA DA LEGISLAÇÃO POSTERIOR PARA APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE Argui o Recorrente, após discorrer longamente sobre a natureza das sanções tributárias, sua finalidade, princípio da razoabilidade e não confisco, pela aplicação da sanção mais benéfica, em face do advento da Lei 11.941/09 , combinado com as disposições do artigo 106 do CTN. Porém, mister apontar que tal cotejamento já foi realizado pela Autoridade Lançadora. Vejamos o que consta das folhas 54 do relatório fiscal: 3.2 'Face o disposto na alínea "c" do, inciso 11 do art . "106 do CTN na, aplicação da multa,,procedemos a comparação entre ' as penalidade da legislação .posterior e anterior a Lei n° 11.941 dé 2710512009, diante disso foi aplicada a legislação atual para fato pretérito por ser a multa mais benéfica. Valor da multa pela legislação da ' época = R$ 26.386,96, pela legislação atual = R$ 22.827,41" Pelo apontado, e pelo acerto da decisão da autoridade lançadora, nego provimento ao recurso nessa parte. CONCLUSÃO Por todo o exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 310DF CARF MF 10 Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000851/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/03/2004 a 28/02/2005
PROVA EMPRESTADA. REQUISITOS PARA SUA ACEITAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO NO JUÍZO DE DESTINO. NATUREZA DA PROVA. CAPACIDADE DAS PARTES DE INFLUÍREM NA SUA FORMAÇÃO.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/03/2004 a 28/02/2005
IPI. CRÉDITO INCENTIVADO. AMAZÔNICA OCIDENTAL. SAÍDA COM ISENÇÃO E MANUTENÇÃO DE CRÉDITO EM FAVOR DO ADQUIRENTE. REQUISITOS.
À luz do disposto no artigo 6º do Decreto-Lei nº 1.435, para que o estabelecimento industrial localizado na Amazônica Ocidental e o estabelecimento localizado em qualquer parte do território nacional possam fazer jus ao tratamento fiscal diferenciado, representado pela saída de produto industrializado com isenção de IPI com geração de direito de crédito na entrada de tal produto no estabelecimento do adquirente, três requisitos devem ser cumpridos: (a) o estabelecimento na Amazônia Ocidental deve ter o projeto aprovado pela SUFRAMA; (b) o produto cuja saída é isenta deve ser elaborado com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; e (c) o produto cuja saída é isenta deve ser empregado como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do IPI.
AQUISIÇÃO DE PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZÔNIA ("PCNAA"). FRAUDE. GLOSA DE CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO DE REALIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO PELO ADQUIRENTE LOCALIZADO FORA DA AMAZÔNIA OCIDENTAL E DA QUALIDADE DO PCNAA COMO INSUMO.
Na aquisição do denominado PCNAA de estabelecimento localizado na Amazônia Ocidental e posterior realização de operação de exportação, com a lançamento do crédito incentivado no livro de registro e apuração de IPI, na hipótese de não ocorrer industrialização por parte do adquirente, o PCNAA ser considerado imprestável para fabricação de refrigerantes, não existir comprovação do pagamento do preço da aquisição do PCNAA nem do recebimento do preço da operação de exportação, dentre outros elementos, deve ser mantido o lançamento, com a cominação de multa por infração qualificada, correspondente à fraude para reduzir o montante do IPI devido.
Numero da decisão: 3401-003.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que se declarou suspeito.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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REQUISITOS PARA SUA ACEITAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO AO CONTRADITÓRIO NO JUÍZO DE DESTINO. NATUREZA DA PROVA. CAPACIDADE DAS PARTES DE INFLUÍREM NA SUA FORMAÇÃO. A prova emprestada é válida desde que garantido o direito ao contraditório no Juízo de destino, significando que a parte interessada tenha a oportunidade de se opor à prova apresentada e impugnála adequadamente. De outro modo, caso o procedimento do Juízo de destino ou a natureza da prova produzida em outro Juízo não permitam que seja exercido o contraditório no Juízo de destino ou o seu exercício reste sobremaneira prejudicado, a prova emprestada deve desconsiderada e tida como inexistente. Assim, para verificação da possibilidade de aceitação da prova emprestada, devese atentar à natureza da prova e à capacidade das partes de influírem na sua formação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/03/2004 a 28/02/2005 IPI. CRÉDITO INCENTIVADO. AMAZÔNICA OCIDENTAL. SAÍDA COM ISENÇÃO E MANUTENÇÃO DE CRÉDITO EM FAVOR DO ADQUIRENTE. REQUISITOS. À luz do disposto no artigo 6º do DecretoLei nº 1.435, para que o estabelecimento industrial localizado na Amazônica Ocidental e o estabelecimento localizado em qualquer parte do território nacional possam fazer jus ao tratamento fiscal diferenciado, representado pela saída de produto industrializado com isenção de IPI com geração de direito de crédito na entrada de tal produto no estabelecimento do adquirente, três requisitos devem ser cumpridos: (a) o estabelecimento na Amazônia Ocidental deve ter AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 51 /2 00 9- 32 Fl. 424DF CARF MF 2 o projeto aprovado pela SUFRAMA; (b) o produto cuja saída é isenta deve ser elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária; e (c) o produto cuja saída é isenta deve ser empregado como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do IPI. AQUISIÇÃO DE PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZÔNIA ("PCNAA"). FRAUDE. GLOSA DE CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO DE REALIZAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO PELO ADQUIRENTE LOCALIZADO FORA DA AMAZÔNIA OCIDENTAL E DA QUALIDADE DO PCNAA COMO INSUMO. Na aquisição do denominado PCNAA de estabelecimento localizado na Amazônia Ocidental e posterior realização de operação de exportação, com a lançamento do crédito incentivado no livro de registro e apuração de IPI, na hipótese de não ocorrer industrialização por parte do adquirente, o PCNAA ser considerado imprestável para fabricação de refrigerantes, não existir comprovação do pagamento do preço da aquisição do PCNAA nem do recebimento do preço da operação de exportação, dentre outros elementos, deve ser mantido o lançamento, com a cominação de multa por infração qualificada, correspondente à fraude para reduzir o montante do IPI devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves atuou em substituição ao Conselheiro Robson José Bayerl, que se declarou suspeito. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração em 10/08/2009 (fls. 201209, cujo "Demonstrativo de Débitos Apurados" está às fls. 194200), do qual o contribuinte foi cientificado no dia 21/08/2009, conforme fls. 210 e 213, para cobrança de valores a título de Imposto sobre Produtos Industrializados ("IPI"), cujos Fl. 425DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 425 3 fatos geradores teriam ocorrido entre 15/03/2004 e 28/02/2005, acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada, duplicada para o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Segundo a descrição dos fatos do Auto de Infração, "o estabelecimento equiparado a industrial [do contribuinte] não recolheu o imposto quando devido, por ter se utilizado de crédito incentivado, de que trata o DecretoLei nº 1.435, de maneira indevida." Ocorreu que a Fiscalização não aceitou o lançamento realizado pelo contribuinte em seu livro de registro e apuração de IPI de um crédito, no valor de R$535.497,53 (quinhentos e trinta e cinco mil, quatrocentos e noventa e sete reais e cinqüenta e três centavos), que tinha como origem a aquisição de um suposto insumo para industrialização a ser realizada pelo contribuinte, qual seja, um composto de guaraná denominado "Preparado Composto Não Alcoolico da Amazônia ("PCNAA"), da fornecedora Stratus Indústria e Comércio Ltda., sociedade localizada na Amazônia Ocidental. A partir dos elementos levantados na Ação Fiscal, a Fiscalização concluiu que: "todas as operações envolvendo o PCNAA refletem a utilização de forma irregular dos benefícios fiscais concedidos aos produtos de origem vegetal, provenientes da região Amazônica" e que tais operações envolveriam "todas as fases da cadeia de produção do PCNAA, ou seja, o produtor rural, empresas produtora, fornecedora e exportadora". (fls. 187, grifos nossos) Além disso, entendeu a Fiscalização que (i) o suposto insumo adquirido pelo contribuinte não estava previsto na legislação e (ii) que o contribuinte não teria realizado qualquer atividade de industrialização, nos termos a seguir: "Não nos parece lícito aplicar a legislação de tais benefícios a uma solução aquosa não prevista na legislação, desprovidas das características mínimas para servir de matériaprima para outras bebidas, como o refrigerante de guaraná, nos termos e condições estipulados pelo Ministério da Agricultura. Verificamos que a grande quantidade de água no PCNAA serve, na verdade, para aumentar o volume físico do produto e, por conseqüência, o volume de créditos de IPI apropriados pelas empresas adquirentes que, para ter direito, à apropriação, deveriam realizar uma nova etapa de industrialização e posterior revenda para o mercado exterior. A finalidade da revenda para o exterior tem por finalidade a manutenção dos créditos de IPI pelas empresas adquirentes de fora da área de abrangência da Zona Franca de Manaus. Da mesma forma, verificamos que, em momento algum a PROAD efetuou qualquer processo de industrialização no produto PCNAA de modo que tivesse de se apropriar de créditos de IPI na proporção de 27% do valor da aquisição do produto, de sorte que os créditos por ela apropriados, irregularmente, devem ser glosados de sua escrituração fiscal". Com a glosa do crédito, a Fiscalização procedeu a uma nova apuração do IPI para os períodos subseqüentes, encontrando saldos a pagar entre 15/03/2004 e 28/02/2005, sobre os quais aplicou multa de ofício qualificada, de 150% (cento e cinqüenta por cento), por entender que os fatos apurados durante a ação fiscal caracterizavam a intenção fraudulenta do contribuinte de se eximir do pagamento do IPI devido, conforme artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Fl. 426DF CARF MF 4 Após ter sido cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife ("DRJ"), em sessão do dia 04/03/2011, pelo acórdão de fls. 354 e seguintes, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 15/03/2004 a 28/02/2005 AFASTADAS AS PRELIMINARES. MPF REGULAR. PROVA EMPRESTADA LEGALMENTE. O MPF originalmente expedido, em 18.05.2009 autorizou a fiscalização do anocalendário 2004 e, posteriormente, em 22.07.2009, foi alterado para autorizar a extensão da fiscalização também ao anocalendário 2005, estando regular a fiscalização referente ao período examinado. Em face de infração tributária encoberta com o manto da simulação, resultam plenamente válidas e admitidas a necessidade de colaboração entre os fiscos, mediante convênio, notadamente no campo da investigação fiscal, na obtenção e compartilhamento de informações, para que revelem os esquemas de fraude e para o combate ao aproveitamento indevido de benefícios fiscais. As circunstâncias investigadas, tanto pelo fisco estadual, quanto pelo fisco federal, em outros processos, incluem a produção do Preparado Composto Não Alcoólico da Amazônica (PCNAA), pela mesma empresa fornecedora indicada neste processo, a aquisição desse produto pela ora impugnante, bem como a posterior exportação do novo produto supostamente industrializado a partir do PCNAA, tudo conforme o roteiro desvendado na investigação preliminarmente realizada, em desenvolvimento de operações de inteligência que apuraram indícios, evidências e provas potencialmente motivadoras de várias autuações fiscais, de diferentes agentes infratores, entre os quais a que é objeto deste processo. NÃO DECADÊNCIA. Observadas as circunstâncias de simulação, fraude, sonegação e conluio, indicadoras de dolo, a contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Cientificado o auto de infração em 21/08/2009, não há decadência para o lançamento referente aos fatos geradores ocorridos de 15.03.2004 a 15.08.2004. PREPARADO COMPOSTO NÃO ALCOÓLICO DA AMAZÔNIA PCNAA. SIMULAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. SALDOS DEVEDORES DE IPI. Bem adquirido com isenção em operações para as quais a legislação condiciona a manutenção e utilização dos créditos à industrialização do bem pelo destinatário. Glosamse os créditos do imposto porque constatada a simulação de industrialização pelo destinatário. Refeita a escrita, vieram à tona saldos devedores de IPI não lançados nem recolhidos. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICATIVA. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. Comprovada nos autos a circunstância qualificativa da infração, cabe a penalidade pecuniária exacerbada (150%)". O contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado dessa decisão em 29/11/2011, conforme Aviso de Recebimento de fls. 384, apresentando tempestivo Recurso Voluntário de Fl. 427DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 426 5 fls 386 e seguintes, em 29/12/2011, no qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade do lançamento, em razão de inobservância do Mandado de Procedimento Fiscal, que teria limitado o trabalho de fiscalização ao ano de 2005, enquanto que o crédito tributário lançado se refere também ao ano de 2004; (ii) nulidade do lançamento, por ter se utilizado de prova emprestada, de forma ilegal; (iii) houve a atividade de industrialização pela Recorrente, da qual resultou o produto "Amazon Organic Power", cuja composição química e apresentação seria diversa do PCNAA, o que justificaria o lançamento de crédito de IPI no livro de registro de apuração da Recorrente e a conseqüente compensação com os débitos de IPI nos períodos fiscalizados; (iv) caducidade do direito de lançar para os créditos tributários anteriores a 21/08/2004 e extinção parcial do crédito tributário pela decadência; e (v) impossibilidade de aplicação da multa de ofício, por ter ocorrido supressão superveniente da fundamentação legal utilizada no auto de infração, considerando que o artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/1964 foi expressamente revogado pelo artigo 13 da Lei nº 11.488/2007. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria na sessão de julgamento do dia 19/05/2016. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da Nulidade do lançamento em razão do Mandado de Procedimento Fiscal A Recorrente, inicialmente, requer que seja reconhecida a insubsistência do Auto de Infração lavrado, sob o argumento de que houve um desrespeito ao período de apuração do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização ("MPFF") de nº 07.20100.2009.010769, cujas cópias se encontram acostadas às fls. 0204 dos autos. De acordo com a Recorrente, esse MPFF foi inicialmente emitido em 08/05/2009 (na verdade, 18/05/2009), determinando a realização de fiscalização do período de 01/2004 a 12/2004, porém, em 22/07/2009, o MPFF em referência foi alterado, sendo indicado o período de 01/2005 a 12/2005. Diante disso, a Recorrente entende como absurdo o entendimento da decisão recorrida, no sentido de que a alteração do MPFF teve como objetivo possibilitar a fiscalização também de fatos geradores ocorridos no ano de 2005, além dos referentes ao ano de 2004, previstos no MPFF inicial, defendendo que a alteração no MPFF ocorrida limitou a atividade de fiscalização dos auditores fiscais para os quais foi outorgado o MPFF, que, assim, poderiam "fiscalizar apenas e tão somente os fatos geradores de IPI ocorridos a partir de 01/2005 a 12/2005". Fl. 428DF CARF MF 6 Em conseqüência, como o lançamento é relativo a fatos geradores ocorridos entre 15/03/2004 e 28/02/2005, pede o afastamento dos créditos tributários que não estejam incluídos na autorização do MPFF, segundo a Recorrente, limitada ao ano de 2005, sob o argumento de que a Administração Pública deve obedecer ao princípio da estrita legalidade, "devendo atuar apenas e tão somente nos limites que a lei lhe permita e nas ocasiões em que haja permissão". Como mencionado, a decisão recorrida afastou essa alegação, ao entender que a alteração no MPFF foi realizada não para limitar a atuação dos auditores fiscais outorgados, mas para incluir, além do ano de 2004, também o ano de 2005. Nos termos da decisão recorrida: "(...) Não foi assim. Aliás, não faria o menor sentido, bastando lembrar que a razão original da diligência fiscal foi para apurar a origem do valor de R$535.497,53 informado, pela ora impugnante, como "Outros Créditos" no item 17 da ficha 30 da DIPJ referente justamente ao anocalendário 2004. De fato, a alteração produzida no MPFF, em 22.07.2009, conforme às fls. 01, foi para possibilitar a fiscalização também do anocalendário 2005. Regular, pois, a fiscalização e autuação sobre o período de apuração transcorrido entre 15.03.2004 e 28.02.2005". Ao se examinar o MPFF em questão, às fls. 0204 dos autos, verificase que foi emitido, sob a égide da Portaria RFB nº 11.371/2007 que, sobre a matéria que nos interessa para o momento, determina o seguinte: "Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: I a numeração de identificação e controle; II os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria". (grifos nossos) Como se vê, a Portaria prevê que o MPFF conterá uma série de informações para identificar a fiscalização a ser realizada, devendo conter "o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado" e podendo "ser fixado o respectivo período de Fl. 429DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 427 7 apuração". Observase, portanto, a existência de uma distinção entre informações obrigatórias e facultativas, incluindose o "período de apuração" nessa última categoria, de modo que, em determinadas fiscalizações, a critério do administrador, tal informação pode até mesmo ser dispensada do Mandado de Procedimento Fiscal. De qualquer maneira, uma vez lavrado o MPFF, o mesmo não é imutável, podendo ser alterado, de acordo com o que dispõe o artigo 9º da Portaria, que tem a seguinte redação: "Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração". (grifos nossos) No presente caso, no MPFF original, foi indicado no campo "Procedimento Fiscal" que se tratava de fiscalização de IPI referente ao período de 01/2004 a 12/2004. E, no MPFF que promoveu a alteração, foi indicado expressamente no campo "Natureza da Alteração Procedimento Fiscal" o seguinte: "FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES INCLUÍDOS: IPI; PERÍODOS: 01/2005 A 12/2005" (fls. 02). Percebese, assim, que há indicação expressa de que se tratou de uma alteração para inclusão da fiscalização do IPI relativo ao ano de 2005, não havendo que se cogitar em uma substituição de um período pelo outro, com a exclusão do período de 2004. Desse modo, não havendo qualquer irregularidade ou erro no Mandado de Procedimento Fiscal, sequer cabe aqui a discussão muito travada neste Conselho Administrativo, dos efeitos que tais irregularidades ou erros teriam no lançamento dele decorrente. Por esses motivos, proponho ao Colegiado rejeitar a preliminar de nulidade parcial levantada pela Recorrente, mantendose a decisão recorrida nesse ponto. Do Nulidade do lançamento em razão da utilização de prova emprestada A Recorrente também se insurge contra o lançamento realizado, pedindo a sua nulidade, por ter a Fiscalização se utilizado dos seguintes documentos: (i) Relatório de Informações nº D13F07L9, produzido pelo Fisco do Estado de São Paulo, que trata da empresa Stratus Indústria e Comércio Ltda., localizada na Amazônia Ocidental, de quem a Recorrente adquiriu o PCNAA, operação não aceita pela Fiscalização e cujo respectivo crédito foi glosado e deu origem ao lançamento ora analisado (fls. 81 e seguintes dos autos); (ii) Auto de Infração nº 0817800/13189/05, lavrado pelo Fisco Federal; e (iii) Acórdão proferido na Ação Judicial nº 2005.61.04.0054481, pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Segundo a Recorrente, tais documentos seriam provas emprestadas de outro procedimento e seriam ilegais, pois se referem a situação jurídicas e fáticas diversas, a sujeitos distintos e a operações distintas. Além disso, a Recorrente sustenta que a ilegalidade decorreria Fl. 430DF CARF MF 8 de não ter a Recorrente exercido o direito ao contraditório e à ampla defesa nos procedimentos onde as provas emprestadas foram constituídas, assim, as provas somente poderiam ser consideradas lícitas, caso a Recorrente tivesse tido ciência e oportunidade de objeção a tal prova, à época da obtenção ou criação da prova. A Recorrente ainda afirma que o artigo 157, caput, do Código de Processo Penal, albergaria o entendimento por ela exposto, e que o artigo 199 do CTN exigiria a existência de lei ou convênio para a troca de informações entre os Fiscos, dando a entender que isso não teria ocorrido no caso. Essas alegações da Recorrente foram rejeitadas pela decisão recorrida, que expôs que "a prestação mútua de assistência entre os diversos entes tributantes encontrase prevista no CTN, art. 199, caput e, regulamentada pelo Convênio abaixo [Convênio SEFAZ S/Nº/1970]". Dessa maneira, "houve no caso válido aproveitamento de informações, indícios e provas oriundas do órgão de fiscalização estadual, claramente pertinentes às circunstâncias fiscalizadas e ligadas ao interessado no presente processo". Sobre a matéria, oportuno começar pela Constituição da República, que prevê em seu artigo 5º, inciso LV, como garantia fundamental o direito à ampla defesa e ao contraditório e, no inciso seguinte, que "são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos". No plano constitucional, do mesmo modo que é inquestionável que as provas obtidas por meio ilícito não podem ser admitidas, não está sob disputa que provas obtidas por violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório também não merecem ser admitidas. A discussão gira em torno do conteúdo das salvaguardas constitucionais, mais especificamente, quando uma prova deve ser considerada ilícita ou em afronta ao direito ao contraditório e à ampla defesa. Ao tratar da prova, o Decreto nº 7.574/2011 prevê que "Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, art. 332). Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos (Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 30)". Esse regulamento, que dispõe acerca do processo de determinação e de exigência de créditos tributários, tem como fundamento legal o artigo 332 do Código de Processo Civil de 19731, adotando, dessa forma, critério amplo de produção de provas pelas partes "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos". À luz desse quadro normativo, no que se refere à prova emprestada, que é aquela produzida em um processo e trazida para outro processo, a doutrina e jurisprudência apresentam, pelo menos, duas correntes de pensamento. Para uma corrente, para que a prova possa ser emprestada é necessário que a parte tenha exercido o contraditório no momento de produção da prova, em decorrência, somente é admitida a prova emprestada quando a parte contra a qual a prova foi produzida seja parte em ambos os processos, no qual a prova foi produzida e na qual a mesma foi posteriormente utilizada, emprestada2. Manifestando essa linha entendimento e ainda 1 Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. 2 Nesse sentido: Alexandre Freitas Câmara, "Lições de Direito Processual Civil". Volume 1. 16ª Edição. Rio de Janeiro. 2007. Ed. Lumen Juris, p. 424; e Ada Pellegrini Grinover, "Prova Emprestada", Constituição Federal, 15 anos Mutação e Evolução: Comentários e Perspectivas. São Paulo: Método, 2003, pp. 106 e 114, citada por Marcos Vinicius Neder, em "A Prova no Direito Tributário", Ed. Dialética. São Paulo. 2010. p. 26. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 428 9 acrescentando o critério de que a prova emprestada não pode ser o único elemento de convicção, podese citar o julgado abaixo do e. Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), de relatoria do Ministro Marco Aurélio Bellizze, de 24/04/2014: Ementa: "1. A prova emprestada, assim como as demais, é admitida no ordenamento jurídico pátrio desde que tenha sido produzida em processo no qual figurem as mesmas partes, com observância do devido processo legal e do contraditório, e não constitua o único elemento de convicção a respaldar o convencimento do julgador. (...)"(AgRg no REsp 1171296/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, julgado em 24/04/2014, DJe 02/05/2014) Em julgados mais recentes do STJ, todavia, é exposto o entendimento de que é admissível a prova emprestada quando a ampla defesa e o contraditório são exercidos no processo de destino, não havendo qualquer exigência de participação do interessado no processo em que produzida a prova. Nesse sentido, oportuno citar os julgados a seguir, de relatoria da Ministra Nancy Andrighi, proferido em 14/06/2014 pela Corte Especial, e de relatoria Ministro Mauro Campbell Marques, de 18/08/2015: Ementa: "9. Em vista das reconhecidas vantagens da prova emprestada no processo civil, é recomendável que essa seja utilizada sempre que possível, desde que se mantenha hígida a garantia do contraditório. No entanto, a prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade, sem justificativa razoável para tanto. 10. Independentemente de haver identidade de partes, o contraditório é o requisito primordial para o aproveitamento da prova emprestada, de maneira que, assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutála adequadamente, afigurase válido o empréstimo. (...)" Voto: "Ora, independentemente de haver identidade de partes, o contraditório é o requisito primordial para o aproveitamento da prova emprestada. Portanto, assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutála adequadamente, afigurase válido o empréstimo". (EREsp 617.428/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 04/06/2014, DJe 17/06/2014) ***** Ementa: "4. Tanto o STF quanto o STJ possuem posicionamento permitindo o uso da prova produzida em investigação criminal, na forma do art. 1º, da Lei 9.296/96 (interceptação de comunicações), em processo administrativo disciplinar e em ações de improbidade, desde que observado, no processo de Fl. 432DF CARF MF 10 destino seja administrativo, seja judicial, o devido processo legal e o contraditório. Pelas mesmas razões ("ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositio"), esse entendimento se estende para se admitir o uso também em processo administrativo fiscal e em execuções fiscais, principalmente quando constatados indícios de cometimento de crimes contra a ordem tributária (Lei n. 8.137/90).(...)" (REsp 1257058/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 18/08/2015, DJe 28/08/2015) No julgamento do Recurso Ordinário em Habeas Corpus nº 122.806, pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, em 18/11/2014, o Ministro Celso de Mello, em declaração de voto, afirma "(...) mostrase fundamental, tratandose de prova emprestada, que se observe, perante o Juízo para o qual foi ela trasladada, a garantia constitucional do contraditório". (grifos nossos) Mais recente, com a edição do Novo Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015, a prova emprestada, cujo disciplina era obtida a partir das normas gerais de direito probatório, mereceu dispositivo legal específico, que prevê o seguinte: "Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório". A meu ver, a prova emprestada é válida desde que garantido o direito ao contraditório no Juízo de destino, ou seja, que a parte interessada tenha a oportunidade de se opor à prova apresentada e impugnála adequadamente. De outro modo, caso o procedimento do Juízo de destino ou a natureza da prova produzida em outro Juízo não permitam que seja exercido o contraditório no Juízo de destino ou o seu exercício reste sobremaneira prejudicado, a prova emprestada deve desconsiderada e tida como inexistente. Desse modo, na análise da prova emprestada, devese atentar à natureza da prova e à capacidade das partes de influírem na sua formação. Na apresentação de uma prova documental, como, por exemplo, de uma escritura pública ou uma certidão de uma cartório, dificilmente a parte contribui para a formação da prova, ao passo que em uma prova pericial, a ciência da parte, sua participação nos trabalhos e a oportunidade de apresentar quesitos e indicar assistente técnico, tem significativa influência. Assim, a mera alegação de que a prova é emprestada não é suficiente para afastála. Há a necessidade de que essa alegação venha acompanhada da demonstração de que restou impossibilitado ou prejudicado o contraditório no Juízo de destino. No âmbito do processo administrativo fiscal, a prova emprestada não é novidade, tendo em vista o disposto no artigo 30, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/19723, que permite a adoção de laudos e pareceres produzidos em outros processos administrativos, e no artigo 199, do CTN4, que prevê a prestação de assistência mútua e troca de informações entre as Fazendas Públicas, dentre outras, informações a respeito de fatos cuja confirmação da 3 Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres.(...) § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: 4 Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 429 11 existência possa implicar a realização de lançamentos tributários, ou seja, a troca de informações de natureza probante. Isso porque, em princípio, a forma de desenvolvimento do procedimento administrativo fiscal, com a oportunidade de apresentação de impugnação e recursos, deduzindo todas as matérias de defesa que entender cabíveis e podendo produzir todas as provas admitidas no Direito, a serem julgados ainda em duplo grau de jurisdição, garante o exercício da ampla defesa e do contraditório de forma plena, em relação à prova emprestada, ressalvandose apenas a impossibilidade de seu exercício em função da natureza da prova. No presente caso, como decidido pela DRJ, há Convênio para a troca de informações entre a Fazenda do Estado de São Paulo e a Fazenda Federal. Além disso, os fatos narrados pelo Relatório da Fazenda Paulista, pelo Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região e no processo administrativo federal puderam e podem ser contraditados pelo Recorrente, tendo em vista a garantia à ampla defesa, ao contraditório e ao duplo grau de jurisdição do contencioso administrativo fiscal. Ademais, o Recorrente invoca a nulidade do lançamento, com base na mera alegação de que a prova emprestada é ilegal, deixando de demonstrar em que medida foi impedido de se insurgir contra tais provas e contestálas, em afastamento ou séria ofensa ao seu direito de defesa. Portanto, não se comprovando o prejuízo à ampla defesa da Recorrente, a quem foi dada a oportunidade de conhecer os motivos do lançamento e impugnar todos os elementos constantes nos autos que dão suporte ao lançamento, não merece prosperar a alegação de nulidade (artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972). Ante o exposto, entendo inexistir ilegalidade na documentação juntada pela Fiscalização para fundamentar o lançamento e proponho ao Colegiado que rejeite a preliminar de nulidade ora examinada. Do Mérito: Crédito de IPI na aquisição de insumo da Amazônia Ocidental Como relatado, o processo tem origem na glosa pela Fiscalização de lançamento realizado pelo Recorrente em seu livro de registro e apuração de IPI de valores relativos ao crédito incentivado previsto no artigo 6º do DecretoLei nº 1.435, a seguir transcrito: “Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. Fl. 434DF CARF MF 12 § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA”. (grifos nossos) Pela leitura do dispositivo, percebese que, para que o estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental (“área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967”) e o estabelecimento localizado em qualquer parte do território nacional possam fazer jus ao tratamento fiscal diferenciado, representado pela saída de produto industrializado com isenção de IPI com geração de direito de crédito na entrada de tal produto no estabelecimento do adquirente, três requisitos devem ser cumpridos: “o produto adquirido (...) deve: (a) ter sido elaborado por estabelecimentos industriais com projeto aprovado pela SUFRAMA; (b) ter sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados nos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia ou Roraima; e (c) ser empregado como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do IPI”. (Número do Processo: 15956.720043/201316; Data da Sessão: 27/01/2015; Relator: Domingos de Sá Filho; Redator Designado: Rosaldo Trevisan; Acórdão nº 3403003.491) Para justificar a não aceitação do lançamento do crédito incentivado, a Fiscalização desenvolve a seguinte linha de argumentação. Primeiro, aponta a existência de uma fraude, que envolveria toda a cadeia agroindustrial, do produtor rural ao Recorrente, passando ainda pela empresa produtora localizada na Amazônia Ocidental, estruturada com o objetivo de gerar artificialmente o crédito incentivado. Assim, não haveria operação de compra e venda de insumo para a realização de uma posterior industrialização, mas sim uma simulação de compra e venda de insumo e de industrialização, tanto da Recorrente como de sua fornecedora, tudo com o objetivo de gerar crédito incentivado de IPI. Assim, delimitando o contencioso a partir dos critérios jurídicos adotados pelo lançamento (artigo 146, do CTN), verificase que a Fiscalização entendeu descumprido parte dos requisitos b e c acima, no que diz respeito ao processo de industrialização da fornecedora da Recorrente e do processo de industrialização da Recorrente e aos insumos a ele relacionados, não questionando diretamente se a operação subseqüente da Recorrente se enquadrava no tratamento diferenciado, se a fornecedora da Recorrente tinha projeto aprovado pela SUFRAMA, se a fornecedora da Recorrente empregava em seu processo industrial "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, matérias que não serão objeto de discussão no julgamento deste processo. A operação que é contestada pela Fiscalização ocorreu em 02/02/2004 entre a Recorrente e a empresa Stratus Indústria e Comércio Ltda., sociedade localizada na Amazônia Ocidental e envolveu a aquisição de um suposto insumo para industrialização a ser realizada pela Recorrente, qual seja, um composto de guaraná denominado "Preparado Composto Não Alcoolico da Amazônia ("PCNAA"). O PCNAA é obtido pela adição de água e pequena quantidades de elementos químicos ao extrato de guaraná, comprado de pequenas empresas agrícolas da região da Amazônia. Um primeiro elemento trazido pela Fiscalização é o preço de aquisição do extrato de guaraná pela Stratus. Enquanto que o preço de mercado do litro do extrato de Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 430 13 guaraná girava em torno de R$1,60 no ano de 2006, a Stratus teria comprado o extrato em preço muito superior, de R$13,10, no ano de 2003, e de R$33,10, em 2004. Além disso, a Fiscalização informa que o extrato do guaraná é insumo básico para a fabricação de refrigerante e “não para um concentrado sem qualquer função na cadeia produtiva da bebida, como o PCNAA”. Outro ponto destacado pela Fiscalização é que “sendo mínimo o valor dos produtos agregados ao extrato vegetal de guaraná – até porque o maior volume adicionado é de água – seria de se esperar que o preço final do produto preparado não fosse muito maior do que seu insumo básico, naturalmente a partir de uma lógica de mercado”. Porém, após a fabricação do PCNAA, a fornecedora Stratus vendeu o produto pelo preço de R$95,30 o quilo/litro para a Recorrente em 2004, totalizando o valor de R$ 1.982.240,00. Entretanto, ressalta a Fiscalização que a Recorrente não comprovou o pagamento total do preço junto ao fornecedor Stratus, sendo possível identificar o pagamento apenas da quantia de R$470.092,11. Também não teria sido comprovado pela Recorrente o recebimento do preço pela exportação realizada na seqüência, no que a Recorrente alegou que estava impedida de contratar câmbio, pois teve a sua situação cadastral alterada para suspensa pela Alfândega de Vitória. Quanto à industrialização no estabelecimento da Recorrente, em diligência fiscal, o representante legal da Recorrente informou que essa atividade consiste basicamente na troca de rótulo da empresa Stratus por rótulo da Recorrente e na adição de açúcar mascavo. Contudo, no próprio rótulo aposto pela Recorrente, no qual o produto é identificado como “Amazon Organic Power” consta a informação de que o mesmo é fabricado pela Stratus e exportado pela Recorrente. Os rótulos e o açúcar mascavo foram adquiridos pela Recorrente pela quantia de R$505,00 e o suposto novo produto foi exportado por valor inferior ao valor de aquisição junto a Stratus, indicando a nota fiscal de venda a quantia de R$1.684.800,00. No Termo de Verificação Fiscal, ainda é citado o Auto de Infração 11128.004753/200597, lavrado também contra a Recorrente, pela realização de operação de exportação do PCNAA para empresa localizada no Uruguai, em razão de ter a Recorrente declarado que se tratava de um extrato concentrado para elaboração de bebidas, declarado com um preço de R$68,06 por litro, quando o laudo de análise da UNICAMP atestou que se tratava de uma solução aquosa muito mais próxima de um produto pronto para consumo, cujo preço girava em torno de R$1,00 por litro. Diante desses elementos, a Fiscalização concluiu que em nenhum momento a Recorrente realizou quaisquer das atividade de industrialização previstas no artigo 4º do Decreto nº 4.544/2002 e que a operação realizada com a Stratus teve como único intuito a geração de crédito incentivado de IPI mediante simulação e fraude. Contra essas acusações, a Recorrente em seu Recurso Voluntário defende ter realizado atividades de industrialização, pela adição de açúcar mascavo, que teria aperfeiçoado a sua natureza, enquadrandose como atividade de beneficiamento prevista no artigo 4º, inciso II, do Decreto nº 4.544/2002, e pela inserção de rótulo, o que se enquadraria como modificação de embalagem prevista no artigo 4º, inciso IV, do Decreto nº 4.544/2002. Fl. 436DF CARF MF 14 Argumenta ainda que comprovou a aquisição de açúcar mascavo e dos rótulos e que possuía à época espaço físico para a realização dessas atividades industriais em imóvel no recurso indicado, com uma área construída de mais de 900 metros quadrados. Cita ainda laudo produzido pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda que atestou a existência de açucares no produto exportado pela Recorrente, o que comprovaria o processo de industrialização por ela realizado, tendo em vista que o PCNAA adquirido da Stratus não teria esse elemento em sua composição. Por fim, expõe que águas não adicionadas de açúcar possuem classificação fiscal na posição NCM 22.01, enquanto águas adicionadas de açúcar recebem classificação fiscal diversa, na posição NCM 22.02, o que comprovaria a existência de industrialização, em razão da classificação e alíquota do IPI diversas. A Constituição da República prevê em seu artigo 153, inciso IV, a competência da União para instituição de imposto sobre produtos industrializados, cujo fato gerador é, dentre outras hipóteses, a saída de produto industrializado de estabelecimento industrial, ou seja, aquele que realiza a atividade de industrialização ou estabelecimento a ele equiparado pela Lei (artigo 46, inciso II, artigo 51, inciso II, do CTN). De acordo com o artigo 46, parágrafo único, do CTN, "considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo". (grifos nossos) Para compreensão do alcance do conceito de industrialização, oportuno citar a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo5, para quem, "um produto é industrializado, para fins de IPI, sempre que, mercê de uma operação física, química, mecânica ou técnica, adquire utilidade nova ou, de algum modo, se mostre mais bem ajustado para o consumo". (grifos nossos) Destaquese também a doutrina de Marçal Justen Filho6 que, ao tratar dos conflitos de competência entre o Imposto sobre Serviços e o IPI, expõe com clareza o que se deve entender por industrialização: "as atividades materiais de produção ou beneficiamento de bens, realizadas em massa, em série estandardizadamente; os bens industriais surgem como espécimes idênticos dentro de uma classe ou de uma série intensivamente produzida (ou produtível, denotando homogeneidade não personificada nem personificável de produtos). (...) Industrializar, em suma, é conceito que reúne dois requisitos (aspectos) básicos e necessários, quais sejam: a) alteração de um bem material; b) padronização e massificação". (grifos nossos) Portanto, para fins do IPI, a atividade industrial é aquela que modifica a natureza ou finalidade do produto, que passa a ter uma nova utilidade, ou que, de algum modo não alterando a natureza ou finalidade do produto , agregue alguma qualidade que o deixe mais próximo do consumo, na cadeia indústriacomércio. Mas não é toda e qualquer atividade que alcance esses resultados que é considerada atividade industrial, havendo que se distinguir a atividade industrial de atividades de cunho artístico, artesanal, extrativo e realizadas em pequenas oficinas, sem qualquer vocação para a padronização e massificação. 5 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 40. 6 Justen Filho, Marçal. O Imposto sobre Serviços na Constituição, São Paulo. RT. 1985. p. 115. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 431 15 Por sua vez, o Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002, vigente à época dos fatos geradores), conceitua a industrialização e traz as suas modalidades nos seguintes termos: "Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados". O Recorrente defende que teria realizado atividade de industrialização entre a operação de aquisição do PCNAA da Stratus e operação de exportação, fazendo, assim, jus ao direito ao crédito incentivado, sob a alegação que a aposição de rótulos seria uma troca de embalagem prevista no artigo 4º, inciso IV, do RIPI, ao passo que a adição de açúcar mascavo seria a modalidade de beneficiamento, prevista no artigo 4º, inciso II, do RIPI. Todavia, não há como se reconhecer que a Recorrente tenha realizado atividade industrial. A aposição de rótulo, nesse caso, não é por si só, uma utilidade nova ao produto, muito menos lhe aperfeiçoa para o consumo. Por esses motivos, há muito, o Parecer Normativo CST nº 520/1971, afirma que: "3. A mera aposição de rótulos e/ou a realização de pequenas e irrelevantes alterações na embalagem original de produtos adquiridos de terceiros, tais como no caso de produtos que venham acondicionados em latas a simples pintura das mesmas, não constitui industrialização, respeitadas, porém, as indicações identificadoras do fabricante". Fl. 438DF CARF MF 16 Do mesmo modo, a adição de açúcar mascavo ao produto, nesse caso, não pode ser considerada uma industrialização. Não há utilidade nova nem o produto avança na cadeia e está mais bem ajustado para o consumo. Como se verifica do Termo de Verificação Fiscal, o açúcar mascavo comprado pela Recorrente que teria sido utilizado na suposta atividade de industrialização tem custo de R$130,00. Já o outro insumo utilizado pela Recorrente em tal atividade, o PCNAA, tem um custo aproximado de R$2.000.000,00. Assim, a partir de uma operação física, que não necessita de grandes máquinas ou mãodeobra especializada, de adição de insumo de baixíssimo custo, açúcar mascavo, ao PCNAA por ela comprado por quase R$2.000.000,00, haveria um produto diverso do PCNAA, com uma utilidade nova ou aperfeiçoado para o consumo. De fato, não há. A suposta atividade de industrialização da Recorrente não agrega qualquer utilidade nem melhora o produto para consumo. Se essa etapa intermediária acrescentasse algo relevante ao insumo adquirido pela Recorrente, certamente ela poderia vender o produto por ela industrializado por um preço superior ao principal insumo, mas ocorre o contrário. Apesar de o PCNAA ter sido adquirido da Stratus por quase R$2.000.000,00, a Recorrente vende o produto resultante de sua suposta industrialização por R$1.684.800,00. Ou seja, um produto industrializado é vendido por preço inferior a um de seus insumos. Ademais, ao contrário do alegado pela Recorrente, não é toda e qualquer operação que resulte em alteração no produto que poderá ser considerada industrialização. Por esse motivo, há entendimento de que a colocação de pulseiras em relógios (PN nº 471/70) e a simples colocação de antenas em aparelhos de televisão (PN nº 81/74) não são considerados industrialização. Ainda, a inexistência de atividade de industrialização pela Recorrente é corroborada por uma série de documentos acostados aos autos, muitos deles, produzidos pela própria Recorrente. Às fls. 31 dos autos, consta o rótulo inserido pela Recorrente em seu suposto processo de industrialização. O próprio rótulo traz os dizeres que o produto em questão é fabricado pela Stratus e exportado pela Recorrente. Nos documentos relativos à exportação, o produto exportado é identificado como PCNAA, ou seja, o mesmo produto que é adquirido da Stratus (fls. 264, 265, 207). Além disso, o registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é vinculado à Stratus e não à Recorrente. Por último, o Estatuto Social da Recorrente prevê, em sua cláusula segunda, uma série de atividades econômicas como objeto social da empresa, nenhuma delas se refere à atividade industrial (fls. 150). Impende mencionar ainda que a Fiscalização aponta, baseada em relatório da Fazenda do Estado de São Paulo, que o PCNAA não tem qualquer papel na cadeia de industrialização do refrigerante, nos termos abaixo (fls. 94 dos autos): Fl. 439DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 432 17 Esse é mais um motivo para se entender pela inocorrência de atividade de industrialização pela Recorrente. Além disso, apesar de a decisão recorrida ter entendido que a atividade da Recorrente seria, no máximo, uma atividade artesanal ou realizada em oficina, a Recorrente não trouxe elementos adicionais das etapas do suposto processo produtivo, quantos funcionários estão envolvidos, nem informações a respeito do papel do produto que ela supostamente industrializa na cadeia da fabricação de refrigerantes e em que é diferente do produto por ela adquirido. Dizer que é produto diferente porque em uma amostra que vale quase R$2.000.000,00 foram adicionados pouco mais de R$100,00 de açúcar não elucida, muito menos demonstra, a nova utilidade por ela dada ao produto, de que forma esse produto está mais próximo do consumo do que o PCNAA. A Recorrente também não explica a diferença entre os valores de aquisição de PCNAA e operação de exportação do produto por ela supostamente industrializado. Não traz qualquer explicação capaz de justificar a ausência, ainda que parcial, de pagamento à Stratus, de recebimento dos valores da operação de exportação. As alegações de que teria comprado o açúcar mascavo e o imóvel onde desempenhada tais atividades teria espaço suficiente para a atividade industrial não são capazes de afastar a acusação do lançamento. Do mesmo modo, a respeito da existência de 2 (duas) classificações fiscais, uma destinada à água sem adição de açúcar e outra à água com adição de açúcar, não leva e nem pode levar diretamente à conclusão de que qualquer adição de açúcar à água é uma industrialização, devendo ser observadas as normas acima expostas para que determinada atividade possa ser considerada industrialização, para fins de IPI. Com isso, verificase que os elementos trazidos pela Fiscalização para promover a acusação de que a aquisição do PCNAA pela Recorrente teve como único objetivo gerar indevidamente crédito incentivado não foram infirmados pela Recorrente e permanecem sólidos. Ante o exposto, podese concluir que não houve qualquer atividade de industrialização pela Recorrente e que suposto insumo por ela adotado, PCNAA, não se presta a essa função, restando desatendidos in casu os requisitos do artigo 6º do DecretoLei nº 1.435 para o lançamento de crédito incentivado. Por essas razões, entendo que deve ser mantido o lançamento e voto por negar seguimento ao Recurso Voluntário nessa matéria. Do Decadência Em seu Recurso Voluntário, o Recorrente defende a ocorrência de extinção parcial do crédito tributário lançado pela decadência, pois, considerando que o Recorrente foi cientificado do Auto de Infração em 21/08/2009, de crédito tributário cujos fatos geradores ocorreram entre 15/03/2004 e 28/02/2005, pela aplicação do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, estariam decaídos os créditos tributários ocorridos entre 15/03/2004 e 15/08/2005. Na decisão recorrida, não foi reconhecida a decadência, sob o entendimento de que a regra aplicável ao caso é a contida no artigo 173, inciso I, do CTN, tendo em vista que "nos termos da apreciação da questão de fundo (...), à luz da carga de indícios e provas, diretas e indiretas, restou vislumbrada a fraude, com simulação e conluio, no tocante à conduta do sujeito passivo relativamente ao período de apuração enfeixado na peça fiscal". Fl. 440DF CARF MF 18 Assim, considerando o fato gerador mais distante, de 15/03/2004, o direito da Fazenda de realizar o lançamento somente restaria decaído em 01/01/2010, o que não ocorreu, como afirmado acima, por ter o Recorrente sido cientificado em 21/08/2009. Pelo exposto, compartilhando o entendimento da decisão recorrida, pela aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, e pela configuração da hipótese de fraude, voto pelo não reconhecimento da decadência. Da Aplicação da Multa A Recorrente defende o afastamento da multa de ofício aplicada, considerando que a mesma tem por fundamento legal o artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/1964 e que o artigo 13 da Lei nº 11.488/2007 teria revogado o referido fundamento legal do lançamento. Com isso, invocando o artigo 2º, parágrafo 1º, do DecretoLei nº 4.657/1942 ("Lei de Introdução ao Código Civil"), sustenta a Recorrente que "o dispositivo legal utilizado no auto de infração para embasar a multa não estava em vigência ao tempo de sua aplicação ao caso in concreto, o que demonstra o exercício do poder polícia equivocado". Logo, prossegue a Recorrente, "se o dispositivo utilizado para fundamentar a multa aplicada não existe, esta também não existe, por faltar fundamentação". Como já relatado, o lançamento é relativo a fatos geradores ocorridos entre 15/03/2004 e 28/02/2005 e o enquadramento legal que consta no Auto de Infração, às fls. 199, indica como fundamento legal para a aplicação da multa de ofício o artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (...) II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, publicada em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a redação desse dispositivo foi alterada, nos termos a seguir: "Art. 13. O art. 80 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação: (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. I (revogado); II (revogado); Fl. 441DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 433 19 III (revogado). § 1o No mesmo percentual de multa incorrem: .......................................................... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. § 7º Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6o deste artigo serão aumentados de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. § 8º A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; II isoladamente nos demais casos. § 9º Aplicase à multa de que trata este artigo o disposto nos §§ 3o e 4o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Além disso, nessa mesma oportunidade, o artigo 40 da Lei nº 11.488/2007 expressamente revogou o artigo 45 da Lei nº 9.430/1996, que trazia a redação ao artigo 80 da Lei nº 4.502/1964 até então em vigor. À luz desse tecido normativo, a decisão recorrida manteve a penalidade aplicada, sob o entendimento de que não teria havido uma revogação do fundamento legal, mas uma alteração de redação e reposicioamento da norma, expondo o seguinte: "O que antes estava previsto nos incisos do artigo 80, restou incluído na disciplina estabelecida, na nova redação, nos parágrafos 1º, 6º, 7º e 8º. (...) Ainda que revogado, pela Lei nº 11.488/07, o artigo 45 da Lei nº 9.430/1996, observase que a nova redação dada pela mesma Lei nº 11.488/2007 ao inciso I e parágrafos 1º e 4º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, apenas reposiciona a norma que fundamenta a penalidade aplicada, ainda vigente. Caso em que se enquadra a situação examinada, por tudo quanto expendido neste voto". Antes de qualquer consideração, impende notar que a legislação tributária aplicável é aquela em vigor na data do fato gerador, tal como prevê o artigo 105 da Lei nº Fl. 442DF CARF MF 20 5.172/1966 ("CTN")7, dispositivo da legislação da legislação complementar tributária que decorre do princípio geral da irretroatividade das leis que, em matéria tributária, foi alçado a uma limitação do poder estatal de tributar, pelo artigo 150, inciso III, a, da Constituição Federal8. Nessa mesma linha, prevê o artigo 144 do CTN que: "Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". Desse modo, no que diz respeito ao direito material, essa regra geral é excetuada apenas nas hipóteses do artigo 106, do CTN, que prevê: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". Portanto, no que diz respeito às penalidades, realmente é possível que a lei nova possa retroagir e produzir efeitos no passado, mas somente quando esta lei nova é mais benéfica para o penalizado, o que ocorre quando a conduta deixa de ser considerada pelo ordenamento jurídico como uma infração (artigo 106, inciso II, a, do CTN) ou quando a lei nova prevê uma penalidade mais branda para aquela mesma conduta (artigo 106, inciso II, c, do CTN). No presente caso, o fundamento legal da multa de ofício teve vigência, pelo menos, desde 1996, data da edição da Lei nº 9.430/1996, cujo artigo 45 deu redação ao fundamento legal, até 22/01/2007, data em que entrou em vigor a Lei nº 11.488/2007, dando nova redação ao fundamento legal apontado no lançamento e revogando expressamente o artigo 45 da Lei nº 9.430/1996. Assim, considerando que os fatos geradores dos créditos tributários lançados ocorreram entre 15/03/2004 e 28/02/2005 e que o artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/1996, esteve em plena vigência entre os anos de 1996 a 2007, correta está a Fiscalização na indicação do fundamento legal no Auto de Infração, pois aplicou a legislação tributária vigente à época do fato gerador, não importando para tal fim eventual modificação ou revogação do dispositivo, tal como determina o artigo 144 do CTN. O que poderia importar para fins de aplicação ou não da multa cominado seria eventual retirada posterior da infração do ordenamento jurídico ou redução da penalidade aplicável a essa conduta, o que não ocorreu, visto que a conduta continua a ser punida com a multa em percentual idêntico ao previsto antes, sendo apenas veiculada não mais pelo inciso II do artigo 80 da Lei nº 4.502/1964, mas sim pelo parágrafo 6º, do artigo 80, da Lei nº 4.502/1964. 7 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. 8 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; Fl. 443DF CARF MF Processo nº 15586.000851/200932 Acórdão n.º 3401003.864 S3C4T1 Fl. 434 21 Portanto, não há que se falar em afastamento da multa de ofício aplicada, com fundamento no artigo 80, inciso II, da Lei nº 4.502/1964, pelas razões levantadas pela Recorrente, estando o enquadramento como infração qualificada em harmonia com a descrição dos fatos e com a acusação imputada pela Fiscalização no lançamento. Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado que conheça e negue provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 444DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.010528/2005-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - TRIBUTO NÃO CONFESSADO E NÃO RECOLHIDO Cabível o lançamento de ofício para constituir crédito tributário escriturado em livro e declarado em DIPJ, mas que não foi recolhido e nem confessado em DCTF. INCLUSÃO PRÉVIA DOS TRIBUTOS NO PAES O “Demonstrativo dos Débitos SRF” incluídos no PAES evidencia que o único débito de CSLL incluído no parcelamento é referente ao período de 06/2000, que não figura entre os períodos autuados. ALEGAÇÃO DE FATO EXTINTIVO DE DIREITO - ÔNUS DA PROVA. Consideram-se sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito.
Numero da decisão: 1802-000.902
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO TRIBUTO NÃO CONFESSADO E NÃO RECOLHIDO Cabível o lançamento de ofício para constituir crédito tributário escriturado em livro e declarado em DIPJ, mas que não foi recolhido e nem confessado em DCTF. INCLUSÃO PRÉVIA DOS TRIBUTOS NO PAES O “Demonstrativo dos Débitos SRF” incluídos no PAES evidencia que o único débito de CSLL incluído no parcelamento é referente ao período de 06/2000, que não figura entre os períodos autuados. ALEGAÇÃO DE FATO EXTINTIVO DE DIREITO ÔNUS DA PROVA. Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 557DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.010528/200580 Acórdão n.º 180200.902 S1TE02 Fl. 274 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 558DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.010528/200580 Acórdão n.º 180200.902 S1TE02 Fl. 275 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme auto de infração de fls. 3 a 11, no valor de R$ 763.126,97, incluindose nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. A autuação abrangeu a CSLL/trimestral dos anoscalendário 2001 e 2002, no regime do lucro real. Os valores foram apurados pela Contribuinte em sua DIPJ e no livro Diário, mas não foram recolhidos e nem declarados em DCTF, o que motivou o lançamento. Depois de cientificada da exigência fiscal, a Contribuinte apresentou impugnação com os seguintes argumentos, conforme o relatório da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1516.213 (fls. 248 a 250): a) “verificase dos campos onde constam data e assinatura de ciência da Impugnante do teor de cada um dos Autos de Infração anexos (fls. 03 a 06), que foram os mesmos datados como recebidos em 21/10/2005, quando na realidade o foram em 21/11/2005; Tratase, entretanto, de um erro formal cometido pelo representante da Defendente”, ao tempo em que requer a desconsideração do erro cometido por seu representante e o conhecimento da presente impugnação; b) “conforme se verifica da análise do documento anexo (doc.07), em 13/07/2003 fora formalizado pela Impugnante, Pedido de Parcelamento Especial – PAES, nos termos da Lei nº 10684/2003” e que “dessa forma é que desde julho de 2003 vem efetuando regularmente o pagamento das parcelas referentes ao PAES, o que se pode verificar através dos DARFs anexos (docs. 09 a 36), assim como, a partir de consulta ao site da Receita Federal” e “destarte, imperioso que desde o início seja considerado o fato de estarem submetidos ao PAES os débitos da Impugnante referentes ao período sob fiscalização, a fim de que esses valores sejam subtraídos da importância supostamente devida a partir do lançamento verificado, constante das autuações”; c) “a Contribuinte optou por fazer um Parcelamento Especial – PAES dos débitos atinentes aos exercícios ora fiscalizados; Obviamente que a consolidação do débito a ser parcelado diante da opção do contribuinte, insurge como verdadeiro ato de fiscalização, pois a autoridade administrativa fará verdadeira análise ‘da vida tributária’ do optante, com o fito de evidenciar o montante ser parcelado; Ainda assim submeter o contribuinte a outro procedimento de fiscalização atinente ao objeto também fiscalizado ‘outrora’, afigurase como verdadeiro bis in idem” e assim “requer, de logo, diante da repetição de ato fiscal, seja o Fl. 559DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.010528/200580 Acórdão n.º 180200.902 S1TE02 Fl. 276 4 resultado desta última desconsiderado na sua plenitude, ante a sua flagrante ilegitimidade”; d) alega a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98, atinente à base de cálculo do PIS, ao criar novo conceito de faturamento, equiparandoo ao conceito de receita bruta, sobre o qual incidiriam as contribuições, como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, o que causaria a ampliação da base de cálculo do PIS e COFINS realizada mediante lei ordinária, quando só poderia ter sido efetuada através de lei complementar; Além disto, “a Carta Magna, em seu texto original, prevê a cobrança das contribuições sobre o faturamento e não sobre as receitas financeiras, o que ratifica o fato de serem as disposições contidas na Lei 9.718/98 inconstitucionais”; e) alega a inconstitucionalidade das Leis nº 9.718/98 e 10.833/03, atinentes à COFINS, no que se refere a sua base de cálculo, qual seja “a primeira das várias celeumas ligadas à cobrança da COFINS, coincide com o assunto discutido no tópico anterior, qual seja a alteração da sua base de cálculo, assim como a do PIS, estendendoa à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” e que “quanto ao tema, no julgamento do Recurso Especial nº 357950, o Exmo. Juiz Marco Aurélio, emissor do voto vencedor, deixou claro que o novo conceito de faturamento dado pelo dispositivo em comento, foi além do que previu a Constituição Federal e a própria interpretação desta já proclamada pelo Supremo”; f) “assim sendo, insigne de dúvidas, porque declarado pelo Judiciário, o direito da Impugnante à compensação dos valores recolhidos aos cofres da União tendo por base as alterações instituídas pelo parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, o que pleiteia desde já”; g) alega a inconstitucionalidade do art. 8º da Lei nº 9.718/98, que elevou a alíquota da COFINS para 3%, além da nova alteração realizada mediante a Lei 10.833/803, desta vez alcançando 7,6% e passando a ter incidência não cumulativa, e que tais dispositivos ferem o texto constitucional, pois ambas são leis ordinárias e “para que ditas alterações tivessem validade, indispensável seria que a fixação da alíquota tivesse se dado por meio de lei complementar, o que não aconteceu” aduzindo que “não resta dúvida, entretanto, quanto à superioridade hierárquica da lei complementar sobre a ordinária” e que “as alterações da Lei Complementar nº 70/91, entretanto, se deram por meio de leis ordinárias (Leis nºs. 9.718/98 e 10.833/03), quando, em verdade, exigese lei complementar para modificar matéria reservada a lei complementar, como é o caso da COFINS e se pode verificar da análise do art. 154, I da Constituição Federal”, o que resultaria em inaceitável a exigência dos valores descritos no Auto de Infração atinente à COFINS. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.010528/200580 Acórdão n.º 180200.902 S1TE02 Fl. 277 5 Finaliza a sua defesa requerendo perícia contábil por auditor fiscal independente ao presente feito, alegando a necessidade de ver quantificados os valores lançados nos autos de infração, considerados os parcelamentos e as inconstitucionalidades apontadas e nomeando perita assistente, apresentando quesitos relativos ao PIS e a COFINS. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da questão, inclusive por envolver matéria estranha ao feito. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECEITAS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. Cabível o lançamento de ofício sobre as receitas não oferecidas à tributação, relativas aos tributos não declarados em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, nem recolhidos espontaneamente. ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. PIS/COFINS. MATÉRIA ESTRANHA AO FEITO. Incabíveis alegações no tocante aos lançamentos de PIS e COFINS, por configurarse em matéria estranha ao feito, não podendo ser aqui apreciada. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/10/2008, a Contribuinte apresentou em 11/11/2008 o recurso voluntário de fls. 265 a 269, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, no que diz respeito ao PAES, conforme descrito nos parágrafos anteriores, deixando, entretanto, de abordar questões atinentes ao PIS e à COFINS. Este é o Relatório. Fl. 561DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.010528/200580 Acórdão n.º 180200.902 S1TE02 Fl. 278 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona exigência de CSLL referente aos trimestres dos anoscalendário 2001 e 2002, apurada na modalidade do Lucro Real. O lançamento se deu porque a Contribuinte, embora tenha apurado e declarado os valores na DIPJ e no Livro Diário, não recolheu e nem declarou os mesmos em DCTF. A Recorrente alega que em 13/07/2003 formalizou o pedido de Parcelamento Especial (PAES) e que vem efetuando regularmente o pagamento das parcelas. De acordo com seus argumentos, os débitos do período fiscalizado estariam englobados no parcelamento, e, portanto, os valores já pagos deveriam ser subtraídos da importância supostamente devida. Mas conforme registrou a Delegacia de Julgamento, o “Demonstrativo dos Débitos SRF” incluídos no PAES (fls. 244 a 246) evidencia que o único débito de CSLL incluído no parcelamento é referente ao período de 06/2000, que não figura entre os períodos autuados. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte não trouxe nenhum elemento que pudesse refutar este fato. Ela simplesmente repetiu os mesmos argumentos de sua primeira peça de defesa, que devem, portanto, ser novamente rejeitados. Também não encontra qualquer fundamento a alegação de “bis in idem”, com o argumento de que a autoridade administrativa já teria feito uma verdadeira análise da vida tributária da optante, com o fito de verificar o montante a ser parcelado, para novamente submeter a Contribuinte a outro procedimento de fiscalização atinente a objeto já fiscalizado na ocasião do parcelamento. Os débitos objeto do lançamento sob exame não foram sequer incluídos no parcelamento PAES. Mas ainda que isso tivesse ocorrido, nada obstaria a Fiscalização de realizar auditoria em período que contivesse débito parcelado. A única particularidade é que os valores já pagos, confessados ou parcelados são deduzidos no momento de uma eventual autuação. Mas como já restou esclarecido, este não é o caso dos autos. Ao final do recurso, a Contribuinte tece críticas à elevada carga tributária no Brasil e ao descompasso entre os tributos e sua contrapartida para a população, que agravariam ainda mais a insatisfação do povo brasileiro. Estas considerações, entretanto, configuram matérias que refogem à competência deste órgão de julgamento administrativo. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 562DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.010528/200580 Acórdão n.º 180200.902 S1TE02 Fl. 279 7 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 563DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 09/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 19515.720162/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. ESSENCIALIDADE.
Admite-se o direito ao crédito de PIS e COFINS quando comprovada a essencialidade dos bens e serviços adquiridos para o exercício das atividades operacionais exercidas pela empresa.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. ESSENCIALIDADE.
Admite-se o direito ao crédito de PIS e COFINS quando comprovada a essencialidade dos bens e serviços adquiridos para o exercício das atividades operacionais exercidas pela empresa.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente
Numero da decisão: 3201-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Por unanimidade de votos deu-se provimento ao recurso voluntário quanto serviço de mão-de-obra temporária.
Por maioria de votos deu-se provimento ao recurso voluntário quanto aos serviços de telefonia. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Por maioria de votos deu-se provimento ao recurso voluntário quanto as taxas de cartão de crédito. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira.
Por voto de qualidade negou-se provimento ao recurso voluntário quanto aos juros sobre a multa de ofício. Designado para o voto vencedor quanto aos juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
MARCELO GIOVANI VIEIRA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. ESSENCIALIDADE. Admitese o direito ao crédito de PIS e COFINS quando comprovada a essencialidade dos bens e serviços adquiridos para o exercício das atividades operacionais exercidas pela empresa. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. ESSENCIALIDADE. Admitese o direito ao crédito de PIS e COFINS quando comprovada a essencialidade dos bens e serviços adquiridos para o exercício das atividades operacionais exercidas pela empresa. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os juros de mora incidem sobre a multa de ofício, conforme interpretação sistemática da legislação pertinente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 62 /2 01 4- 08 Fl. 5843DF CARF MF 2 Por unanimidade de votos deuse provimento ao recurso voluntário quanto serviço de mãodeobra temporária. Por maioria de votos deuse provimento ao recurso voluntário quanto aos serviços de telefonia. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira. Por maioria de votos deuse provimento ao recurso voluntário quanto as taxas de cartão de crédito. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira. Por voto de qualidade negouse provimento ao recurso voluntário quanto aos juros sobre a multa de ofício. Designado para o voto vencedor quanto aos juros sobre a multa de ofício o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. MARCELO GIOVANI VIEIRA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário em face do Acórdão nº 03 67.679 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. (fls. 4108 e seguintes). Adoto como relatório aquele lançado na referida decisão: Contra a contribuinte supra identificada foram lavrados Autos de Infração às fls. 1450/1485, formalizando lançamentos de ofício dos créditos tributários abaixo discriminados, relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2009 a 31/12/2009, com acréscimo de juros de mora e da multa proporcional de 75%, a seguir detalhados: As infrações apuradas decorrem das glosas de créditos de PIS/Pasep e de Cofins no anocalendário de 2009. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL Fl. 5844DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.844 3 A descrição dos fatos remete ao Termo de Constatação Nº 01 de fls. 1405/1419, onde verificase que o procedimento teve como objeto a verificação, no ano calendário de 2009, das contribuições realizadas para o PIS/Pasep e Cofins, bem como do IRPJ, tendo sido procedido encerramento parcial da ação fiscal com a indicação de matérias que teriam afetado as bases de cálculo de citadas contribuições. Segundo relato da autoridade fiscal foram realizadas diversas glosas de créditos de PIS/Cofins, as quais podem ser apresentadas de forma agrupadas, da seguinte forma, de acordo com os itens 8, 9 e 10 do Termo de Constatação: a) Grupo 01: Glosa de créditos contabilizados nas contas contábeis “Outros Custos” e “Custos”, tendo como fundamento: “Crédito de valores genéricos sem discriminação”; b) Grupo 02: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: prevenção de incêndios (bombeiro), polícia militar, médicos, fiscalização de portaria, fiscalização de trânsito, recepcionistas, credenciamento e ambulância e resgate, tendo como fundamento: “Diverge do ramo de atividade principal”; c) Grupo 03: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: perucaria, maquiagem, tendo como fundamento: “Diverge do ramo da atividade principal, portanto não pode ser considerado insumo”; d) Grupo 04: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: serviços de impressão, materiais de expediente, custo de entrega (motoboy), abastecimento de A&B, coleta de lixo, correios e telégrafos, tendo como fundamento: “O ramo de atividade do contribuinte é a produção de eventos, portanto, a despesa não tem vínculo com o ramo de atividade”; e) Grupo 05: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: pavimentação, terraplanagem, pintura e recuperação, outros custos com reformas, tendo como fundamento: “Ramo de atividade principal não é de construção civil, além do mais as atividades de construção civil as contribuições para PIS e Cofins está definida sob o regime CUMULATIVO”; f) Grupo 06: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços contabilizadas nas contas: alpinista (rigger), carregadores, comissários, garçom, interprete, passadeiras e camareiras, profissionais de operação, profissionais de produção, técnico de áudio e filmagem, traduções e legendas, vistoriadores, vistos e contratos de trabalho, tendo como fundamento: “Serviços prestados por pessoa física não geram direito a créditos de PIS/Cofins §2º Inciso I, da Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003”; g) Grupo 07: Glosas dos pagamentos de prestações de serviços e de despesas contabilizadas em diversas contas, cujos Fl. 5845DF CARF MF 4 fundamentos para respectivas glosas deramse com base em diversas Soluções de Consulta, conforme demonstração, a saber: h) Grupo 08: Glosa de créditos específicos a título de “Cachê Artístico em Moeda Nacional”, motivada pela falta de comprovação de documento fiscal/pagamento; e i) Grupo 09: Glosa da diferença apurada no confronto entre Planilha apresentada pelo contribuinte, discriminando os valores que serviram de base para cálculo dos créditos de PIS e Cofins, e os valores declarados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON. As glosas dos valores apropriados a maior referentes aos créditos de PIS e Cofins, durante o anocalendário de 2009, encontramse demonstrados pela autoridade fiscal por meio de planilhas, as quais foram inseridas nos Anexos I, II, III, IV, V e VI, doc. de fls. 1420/1447, cujo resumo encontrase a seguir detalhado: Fl. 5846DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.845 5 II. DA IMPUGNAÇÃO A ciência dos autos de infração foi formalizada pessoalmente em 31/01/2014, e, em 28/02/2014, a autuada apresentou a petição impugnativa acostada às fls. 1490/1576, com a apresentação das alegações a seguir sumariadas: Na introdução de sua defesa a contribuinte esclarece a sua forma de atuação no mercado de entretenimento, destacando, a realização de eventos ao vivo, atuando de forma diversificada e verticalizada, na produção de eventos artísticos, culturais e esportivos, tais como exposições, shows e espetáculos de qualquer espécie ou gênero, inclusive festivais de música, criações cinematográficas e teatrais, eventos sociais e promocionais, envolvendose em todo o processo criativo e organizacional de produção técnica e artística dos eventos que promove. Destaca alguns eventos relevantes produzidos nos últimos anos, destacando entre outros os seguintes shows: “Metallica”, “Ozzy Osbourne”, “Guns n' Roses”, “U2”, “Madonna”, sendo, ainda, responsável pela organização e produção de espetáculos artísticos e culturais, também internacionalmente reconhecidos, em cidades brasileiras tais como o “Cirque du Soleil”, o espetáculo “Rei Leão”, “Cats”, entre diversos outros, inclusive espetáculos nacionais, tratandose da maior empresa a atuar neste segmento de mercado na América do Sul e a quarta do mundo. Assevera a impugnante que, em face de sua atuação diversificada, cuida de todos os passos do processo constitutivo de produção e promoção dos seus eventos, partindo desde a contratação de artistas e espetáculos até a locação de espaços e venda de ingressos, passandose entre estes pontos à contratação de equipes de apoio de suporte aos espetáculos, tais como corpo de bombeiros, seguranças, intérpretes, profissionais de operação de mesas de som e de luzes, dentre tantos outros profissionais. Desse modo, a atuação da contribuinte alcança todas as etapas de negócio para a consecução de eventos, tais como, shows, Fl. 5847DF CARF MF 6 espetáculos, teatros, circos, eventos esportivos, exposições, dentre outros. Tendo como objetivo, muitas vezes, a produção de espetáculos e eventos dentro de espaços fechados (“indoor”) e espaços abertos (“outdoor”), sendo que esses últimos, muitas vezes necessitam ser organizados, passando a ser necessária a realização de, por exemplo, obras de construção civil, organização de terrenos, dentre outros serviços necessários para a realização do evento/espetáculo. Informa a contribuinte que é de sua exclusiva responsabilidade a comercialização de ingressos e operação de bilheterias dos seus eventos/espetáculos, sendo adotado, para tanto, uma marca e sistema próprios: “Tickets For Fun” por meio do qual são oferecidos diversos canais de venda, tais como: pontos de venda em locais de grande circulação (postos de gasolina, shopping centers, livrarias, etc); call centers e venda online; além das bilheterias nos locais dos espetáculos. Todavia, em decorrência da facilidade de suas vendas por call centers e online, e da entrega de convites em domicílio, a impugnante afirma que cobra taxas de serviços (de conveniência, de entrega e de retirada), opções que não se confundem com a prestação de serviços de apresentação de espetáculo. A contribuinte explica que desempenha outras atividades autônomas em relação ao seu objeto principal – produção e organização de espetáculos e eventos artísticos –,citando, como exemplo, a busca de patrocínio para seus eventos, por meio do qual é feito marketing, propaganda de marca de terceiros em troca de remuneração (patrocínio), através de diversos meios de publicidades e comunicação. Aliás, esta atividade em destaque, pouco conhecida, é a responsável por boa parte das receitas auferidas pela empresa. Informa que, além dessas atividades, utiliza para seus eventos próprios espaços operados e administrados pela empresa, os quais são notoriamente conhecidos no país, citando, por exemplo, o "Citibank Hall SP" (anteriormente denominado "Credicard Hall"), o Citibank Hall RJ, o Teatro Renault (em 2009 denominado Teatro Abril). Referidos espaços, além de serem utilizados em eventos próprios, também são alugados para eventos corporativos (de empresas) ou de terceiros em geral (formaturas, casamentos ou até eventos de empresas concorrentes) ocasião em que a contribuinte fornece todo o apoio necessário a realização de tais eventos (serviço de buffet, seguranças, profissionais técnicos, médicos, limpeza, etc). No sentido de comprovar a sua atuação multifacetada, a contribuinte reproduz o artigo 3º de seu Estatuto Social, o qual estabelece o objeto social da empresa. Com relação a sua estratégia de defesa, a impugnante esclarece a adoção de argumentação por grupo de despesas, as quais tiveram os respectivos créditos de PIS e Cofins glosados, com base na identidade quanto à sua acusação pela autoridade fiscal. O procedimento supracitado também será adotado pelo Relator no presente Voto, cujo agrupamento, entretanto, seguirá o já Fl. 5848DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.846 7 mencionado por ocasião do relato do procedimento fiscal (Item I), e não o adotado pela contribuinte, não obstante a única diferença existente tratarse da subdivisão promovida pela requerente do Grupo 07 (glosas fundamentadas em Soluções de Consulta) em 10 (dez) subgrupos, definidos a partir de cada Solução de Consulta indicada pela autoridade fiscal. 1. Das preliminares de nulidades suscitadas pela contribuinte 1.1. Da ausência de análise discriminada de despesas Entende a impugnante que da leitura da planilha do Anexo I do Auto de Infração, constatase que a fiscalização glosou créditos tomados pela Impugnante, relativos a diversos bens e serviços elencados em suas contas contábeis, sem apresentar a motivação para a imposição de tal glosa, limitandose a mencionar que aqueles custos ou despesas são valores genéricos sem discriminação alguma. Não havendo no Termo de Constatação Fiscal e em nenhum outro local do Auto de Infração, nenhuma linha sequer escrita destinada a demonstrar a razão pela qual o a Fiscalização desconsiderou a conta e glosou o crédito de PIS e COFINS. Entende a contribuinte que caberia à fiscalização o dever de requerer as informações adicionais à planilha de créditos fornecida, com o fito de elucidar do que se tratam as contas nela descritas, a fim de verificar se as despesas em questão caracterizamse como insumos ou não, fato que não ocorreu. Assim, entende a contribuinte estar demonstrada a ausência de motivação do Auto de Infração quanto às glosas das despesas registradas nas contas contábeis denominadas “Outros Custos” cuja consequência é a sua nulidade. 1.2 Da ausência de fundamentação do conceito de “insumo” e dos critérios para enquadramento de despesa/custo no ramo de atividade da contribuinte Aduz a contribuinte que, do exame da planilha do Anexo I do Auto de Infração, constatase que a autoridade fiscal glosou créditos tomados pela impugnante relativos a diversos bens e serviços elencados em suas contas contábeis sob o fundamento de que, em relação da descrição das contas, estas “diverge(m) do ramo de atividade principal” (Grupo 2). Nesse ponto, assevera a impugnante que a fiscalização não definiu o que seria a premissa fundamental do presente lançamento de ofício: o seu conceito de “insumo” para fins de creditamento de PIS e COFINS. Tampouco define quais justificativas embasariam a consideração de que uma atividade não está compreendida no seu objeto social, tendo simplesmente alegado que os respectivos custos ou despesas “diverge(m) do ramo de atividade principal”, o que, no seu entendimento, não consubstancia motivação alguma. Fl. 5849DF CARF MF 8 Pugna que tal procedimento fere determinação expressa do artigo 50 da Lei n° 9.784/99, de que o ato administrativo deve conter motivação explicita e clara, apresentando para consubstanciar seu entendimento jurisprudência do CARF (Acórdão nº 206 01806). Entende que tal fato impossibilita claramente o seu exercício do pleno direito de defesa, levando à nulidade do Auto de Infração nos termos do artigo 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72. 1.3 Da ausência de fundamentação legal (Grupo 07 – Soluções de Consulta) Nas glosas efetuadas relativas a diversas contas contábeis, a impugnante ressalta que a planilha do Anexo I do Auto de Infração, somente colacionou como motivação para a vedação do crédito de PIS e COFINS diversas Soluções de Consulta, emitidas pela Receita Federal do Brasil (RFB), não apontando, em nenhum momento, qual seria o fundamento legal para a desconsideração desses insumos. Desse modo, sustenta que a fiscalização somente fundamentou a suposta vedação do crédito incluso na conta contábil, com a indicação de uma Solução de Consulta, nada mais esclarecendo acerca do critério utilizado para a vedação, evidenciando infração ao disposto no inciso IV, do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72, que determina a necessidade do auto de infração indicar a disposição legal infringida, sob pena de ter a sua nulidade material declarada, ferindo, também, o direito de defesa do contribuinte (CF. art. 59, II), vez que não existe a indicação da infração legal sob a qual se subsume o fato, restando lacunoso o Auto de Infração. Pondera que as Soluções de Consulta não possuem qualquer poder legal, senão como sendo opinião da Receita Federal do Brasil consequente de consulta, sendo, quando muito, normas complementares no Direito Tributário a teor do inciso III do artigo 100 do CTN. Sustenta a contribuinte que na citada planilha presente no Anexo I existe tão somente a indicação do número da Solução de Consulta que daria amparo, segundo à fiscalização, à glosa fiscal. Afirma, entretanto, que esta vaga indicação não se configura como fundamento suficiente, pois a fiscalização deve demonstrar a correta “subsunção” do fato à hipótese prevista na Solução de Consulta às custas de causar prejuízo ao direito de defesa da impugnante. Assim, ao não realizar a subsunção do fato à norma jurídica, em decorrência do princípio da legalidade, a fiscalização cerceou o direito de defesa da contribuinte, motivo pelo qual deve ser o lançamento declarado nulo. 2. Do direito ao creditamento do PIS e da COFINS incidentes sobre os insumos adquiridos pela Impugnante Nesse tópico, por entender que a fiscalização não fundamentou porque determinados bens e serviços adquiridos ao longo do ano de 2009 não deram ensejo a creditamento para fins de dedução Fl. 5850DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.847 9 das contribuições sociais devidas, e que além desse fato tampouco explicitou o conceito de insumo por ela adotado. Nesse cenário, a contribuinte apresenta o seu entendimento do conceito de insumo, para fins da legislação do PIS e da Cofins, cujos fundamentos encontramse a seguir apresentados, em apertada síntese: Assevera que o disposto no inciso II do art. 3º das Leis Nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 reconhece o direito ao crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. Todavia, o Fisco Federal vem restringindo o alcance do termo "insumo", de modo a diminuir o montante a ser creditado pelo contribuinte a título de PIS/COFINS; Afirma que o entendimento adotado pela RFB é no sentido que os créditos das contribuições devem ser interpretados, por analogia, ao conceito de insumo materializado na legislação que rege o IPI, que adota esse termo como relacionado aos bens que integram o produto final (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) ou que, no processo produtivo, sofram alteração ou desgaste; Aponta que parte da jurisprudência tem adotado como conceito de insumo o constante nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, por entender que em decorrência da mesma materialidade existente entre o PIS/COFINS e o IRPJ, qual seja a receita, aplicase o mesmo conceito de insumo; Afirma, ainda, que outros julgados apresentam posicionamento divergente, no sentido de que o conceito de insumo para as contribuições seja distinto. Diverge da aplicabilidade do conceito de insumo trazido pela legislação do IPI, pois entende que não se identifica nas leis instituidoras dessas contribuições qualquer menção à possibilidade de utilização subsidiária do conceito de insumo trazido pela legislação do IPI; Para fundamentar esse entendimento a contribuinte cita as lições apresentadas pelos doutrinadores Marco Aurélio Greco e Ricardo Mariz de Oliveira, para concluir que nas hipóteses em que o legislador tem a intenção de determinar a aplicação subsidiaria de conceito inerente a tributo diverso, isso é feito de maneira expressa, como ocorreu em relação ao crédito presumido previsto no parágrafo único do artigo 3º da Lei n° 9.363/96; Prossegue afirmando que a legislação instituidora do PIS e da COFINS nãocumulativos não prevê a tomada de créditos somente relativos a matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem ou bens que sofram alteração no processo produtivo, pois na realidade, o artigo 3°, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, também prevê em seus vários incisos o direito ao crédito em relação a outros bens, como despesas Fl. 5851DF CARF MF 10 financeiras e a diversos serviços, apresentando para convalidar esse entendimento as posições de Luís Eduardo Schoueri e Matheus Cherulli Alcantara Viana; e de Marco Aurélio Greco. Dessa forma, entende que a própria legislação concernente ao PIS e à COFINS nãocumulativos reconhece a ampla abrangência do conceito de “insumo”, uma vez que não limita os seus créditos tão somente aos bens que compõem o produto ou se desnaturam durante o processo produtivo, mas, sim, a uma maior gama de bens e serviços; Para fundamentar esse entendimento cita jurisprudência do CARF, pela transcrição da ementa do Acórdão nº 930301.035 a 3ª Turma; Sustenta que as contribuições em tela possuem notadamente materialidades distintas da intrínseca ao IPI, visto que, enquanto as contribuições ao PIS e à COFINS incidem sobre a receita do contribuinte, o IPI recai sobre o produto industrializado, trazendo à tona as lições de Ives Gandra da Silva Martins; Reforça destacando que o CARF já se pronunciou nesse sentido, afastando a aplicação subsidiária do conceito de insumo trazido pelo IPI, haja vista que a sua materialidade é distinta da materialidade do PIS e da COFINS, trazendo aos autos ementa do Acórdão nº 3202 00226; No tocante à aplicação do conceito de insumo trazido pela legislação do Imposto de Renda ao PIS e a COFINS afirma a contribuinte que o CARF vem reconhecendo esse aspecto em alguns casos, como decorrência da apuração do lucro e das contribuições com base na receita; Considera que diferentemente do IPI, o conceito de "insumo" para o IRPJ não se limita apenas aos insumos destinados à produção, mas também à prestação de serviços, destacando para consubstanciar essa tese a doutrina dos juristas Ricardo Mariz de Oliveira e Ives Gandra da Silva Martins; Com base nessa doutrina pugna pelo aproveitamento, como crédito de PIS/Cofins, todo e qualquer custo de produção (artigo 290 do RIR) ou despesa necessária à atividade da empresa (artigo 299 do RIR), nos termos do entendimento já adotado na jurisprudência do CARF, juntando, para tanto trecho do voto condutor proferido no processo n° 11065.101271/200647 (Acórdão nº 930301.035 da 3ª Turma); Aduz que caso seja transplantado algum conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Cofins que seja utilizado o conceito estabelecido na legislação do IRPJ devido à relação de afinidade entre os aspectos materiais das hipóteses de incidência deste último e do PIS e da COFINS; Com base nas definições estabelecidas no Inc. II do art. 3º da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, conclui a contribuinte que a frase “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos” deve ser compreendida como “bens e serviços, essenciais para a prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos”, destacando que mencionado dispositivo não utiliza o Fl. 5852DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.848 11 termo “produto”, mas, sim, “produção ou fabricação”, deixando evidente que o bem ou serviço deve ser insumo do processo de produzir ou fabricar. Assim, pugna que a utilização do termo “produção” leva ao entendimento que os bens e serviços, para serem enquadrados como insumos, devem estar ligados intimamente ao processo produtivo da empresa, e não necessariamente ao produto, indicando para fortalecer sua posição as lições de Marco Aurélio Greco; Para robustecer essa tese da verificação se determinado bem ou serviço se revela essencial para o processo produtivo, a contribuinte transcreve o entendimento adotado pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF; Nesse diapasão entende que se pode qualificar determinado bem ou serviço como insumo a partir da seguinte indagação proposta: a subtração de determinado bem ou serviço impede o processo produtivo ou implica evidente perda de qualidade do produto ou serviço prestado? Destaca a impugnante que esse raciocínio acima exposto começou a ser identificado no E. Superior Tribunal de Justiça (STJ), trazendo como exemplo voto proferido por ocasião do julgamento do recurso especial n° 1.246.317, pelo Ministro Relator Mauro Campbell Marques, já acompanhado pelos Ministros Castro Meira e Humberto Benjamim, em que a essencialidade do bem ou serviço ao processo produtivo foi considerada fundamental para caracterizálo ou não como insumo; Informa que o CARF vem decidindo, mais recentemente, que o conceito de insumo para os fins do creditamento do PIS e da COFINS não é equiparável a nenhum outro, sendo baseado na sua essencialidade para a produção do serviço ou bem, trazendo, para tanto, a ementa do Acórdão n° 3302001.865, proferido pela 3ª Câmara, 2ª Turma; Com base nesse entendimento, pondera que os critérios adotados pelo CARF para o reconhecimento de que um bem ou serviço dá ensejo a crédito são: (i) a sua necessária utilização direta ou indireta na atividade do contribuinte; (ii) ser indispensável para a formação do produto ou serviço; e (iii) estar previsto no objeto social do contribuinte. Nessa linha de raciocínio afirma que esses critérios significam um distanciamento da jurisprudência administrativa da ideia de que o insumo aqui tratado seria o mesmo utilizado pela legislação do IPI, mas também cria, ao mesmo tempo, critérios próprios para a caracterização de crédito para a legislação de PIS e COFINS que, por sua vez, diferemse daqueles aplicáveis à legislação do IRPJ; A partir dessa construção explica a contribuinte que deve existir um certo “grau de inerência” entre insumo e produção. Neste ponto, temse que tão importante quanto a existência do fator capital, ou seja, do existir de uma máquina utilizada na Fl. 5853DF CARF MF 12 produção de bens, é importante, também, que ela continue a existir em condições de produzir os mesmos efeitos, com sua mesma qualidade. E para corroborar com tal tese apresenta ensinamentos de Marco Aurélio Greco sobre a relação de inerência entre o valor despendido e o fator de produção; Concluindo esse tópico a impugnante pleiteia que, caso o julgamento entenda pela não aplicação do conceito de insumo, conforme previsto na legislação do IRPJ, que ao menos seja adotado aplicação do conceito de insumo em função da essencialidade do bem ou serviço para o desempenho da sua atividade econômica, para fins de apropriação de créditos de PIS/COFINS, sendo afastada por completo a noção extremamente restrita conferida aos insumos no âmbito do IPI. 3. Das glosa de créditos com fundamentação específica apresentada no Anexo I do TC Antes de apresentar seus argumentos sobre as glosas específicas, as quais serão apresentadas de forma agrupada, a contribuinte informa que seguirá, de forma limitada, apenas às acusações fiscais que embasaram a glosa das referidas despesas presentes na coluna “justificativa para a glosa” da mencionada planilha inserida no Anexo I do Auto de Infração. Afirma a contribuinte que será demonstrado ao longo de sua peça impugnatória o fato da autoridade fiscal não ter compreendido, de forma adequada, a complexidade e a gama de atribuições que estão abrangidas pela principal atividade econômica desenvolvida pela impugnante na produção, organização e execução de espetáculos artísticos. Prossegue afirmando que a fiscalização não compreendeu, também, a diversidade das outras atividades econômicas desempenhadas pela empresa igualmente previstas no seu Estatuto Social e de elevada importância para as suas finanças. 3.1. Das glosas do Grupo 01 (Contas Outros Custos) Com relação a essas glosas a contribuinte reitera a preliminar de nulidade suscitada pelo fato da fiscalização não ter tido o cuidado de verificar a composição dos lançamentos efetuados nessas contas contábeis, apresentando a justificativa na planilha como “valor genérico sem discriminação”. Não obstante a tal preliminar a impugnante apresenta planilha de fls. 1678/1680, onde discrimina custos e despesas de naturezas diversas, que no seu entendimento são essenciais para a prestação dos serviços oferecidos pela contribuinte, entre as quais destacamse: despesas com produção (materiais, montagem e desmontagem de shows, afinação de instrumentos musicais, materiais de produção, montagem de camarote para artistas, serviços de preparação vocal, entre outros), despesas relativas a diferenças de hospedagens, despesas com cachês artísticos, locação de equipamentos, implantação da estrutura do Cirque du Soleil para o espetáculo Quidam. Para comprovar as informações apresentadas na planilha juntada à impugnação, a contribuinte apresenta todas as notas Fl. 5854DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.849 13 fiscais comprobatórias dessas despesas/custos, as quais alega que não foram solicitadas pela fiscalização no curso do procedimento fiscal (doc. de fls. 1685/1748; 1750/1760; 1762/1822). 3.2. Da glosa dos Grupos 02, 03 e 04 pela motivação: “Divergências do ramo de atividade principal da contribuinte” No tocante à esse item afirma a impugnante que a fiscalização houve por bem glosar diversas despesas sob a justificativa de que divergiriam do ramo de atividade principal da contribuinte, sem levar em conta que uma das principais atividades econômicas desenvolvidas pela empresa é a promoção, organização, produção, agenciamento, programação e execução de shows e espetáculos artísticos em geral. Para fundamentar a sua argumentação a contribuinte apresenta, a título exemplificativo, contrato firmado para a produção do espetáculo Quidam do Cirque du Soleil, produzido em diversas cidades brasileiras no anocalendário de 2009, nos termos de cópia da tradução juramentada do contrato de performance teatral original, doc. de fls. 1824/1887, a qual será referenciada em diversos momentos de sua defesa. Com relação às despesas glosadas de prevenção de incêndios (bombeiro), polícia militar, médicos, fiscalização de portaria, fiscalização de trânsito, recepcionistas, credenciamento e ambulância e resgate, alega a contribuinte, em síntese, que esses dispêndios são fundamentais e imprescindíveis para as produções do espetáculo, sendo alguns, inclusive, obrigatórios para a promoção de grandes eventos destinados a grandes públicos. Assim sendo, caso a contribuinte não tivesse contratado alguns desses serviços as autoridades públicas competentes não teriam concedido as respectivas autorizações para a realização desses eventos, ficando, por consequência, impedida de prestar os seus serviços. Para ilustrar tal assertiva, a contribuinte apresenta os cuidados necessários com incêndios impostos pelo Município de São Paulo, por meio do Decreto n° 49.969/2008, e as exigências regulamentares relativas ao trânsito de carros e pessoas, policiamento e presença de equipe médica no local dos eventos, determinados pela Resolução da Secretaria do Estado do Rio de Janeiro n° 13/2007. No sentido de demonstrar todas as exigências a serem cumpridas para a realização de eventos artísticos destinados a grandes públicos, a impugnante anexa relação detalhada das referidas normas estaduais e municipais dos principais locais onde atua, doc. de fls. 1890/1973, bem como exemplos de contratos celebrados relativos à prestação de serviços médicos, doc. de fls. 1975/1984, e de serviços de bombeiros, doc. de fls. 1986/1992. Fl. 5855DF CARF MF 14 Existem, ainda, cláusulas contratuais firmadas com o Cirque du Soleil, que impõem à impugnante a obrigação de obtenção de autorizações e alvarás em geral. No mesmo sentido observase que despesas incorridas com “fiscalização de portaria” e “recepcionistas”, possuem finalidade diretamente relacionada ao controle do público participante dos eventos promovidos — controle sem o qual não seria possível realizar espetáculos direcionados a grandes públicos. Quanto às despesas originárias de imposições regulatórias, assevera a contribuinte que o direito a créditos desses dispêndios já foram reconhecidos pelo CARF, por intermédio do Acórdão n° 3803003.749. Com relação às despesas com impressão, correios e telégrafos e custo de entrega, afirma a impugnante que tais dispêndios são fundamentais à impressão de tickets, convites e folhetos de espetáculos, bem como à sua entrega aos clientes, sendo essenciais à prestação de serviços de produção, distribuição, comercialização e intermediação de ingressos, presente no item h do artigo 3° do seu Estatuto Social, não se tratando de meras despesas de escritório. No tocante aos custos relativos a “materiais de expediente” glosados pela fiscalização, afirma que são, materiais elétricos (fios, cabos, fontes, etc), materiais de manutenção (pregos, parafusos, ferramentas), utilizados pelos profissionais de produção que devem ser considerados como insumos, tendo em vistas que possuem “elevado grau de inerência” com a prestação de serviços de produção dos eventos. Sobre os valores glosados com alimentação e bebidas adquiridos pela impugnante, alega que não se trata apenas da venda de alimentos e bebidas nos eventos produzidos, mas sim de prestação de serviços prevista no escopo dos contratos celebrados com diversas empresas, por exemplo: Telefônica, Bradesco Vida e Previdência, Assistcard do Brasil, por meio do qual é firmado cessão de direito de uso de espaço de suítes corporativas ou “camarotes” — nas dependências dos seus imóveis, entre eles o “Credicard Hall”, e o “Teatro Abril”. Para comprovar tal fato a contribuinte anexa contratos onde constam cláusulas que a obrigam a manter a limpeza das suítes, realizar serviços de manutenção das suas instalações, contratar seguro de responsabilidade civil e fornecer alimentação e bebidas, destacando que o serviço de fornecimento de alimentos e bebidas está integralmente incluído no preço contratado, doc. de fls. 1996/2126. Neste sentido, a título de exemplo, destaca a cláusula 4.1.3. do contrato pactuado com o Bradesco Vida e Previdência S.A. Além dessa cessão de uso de espaço próprio relativo a camarotes, a contribuinte informa que também promove eventos e festas corporativas nos seus imóveis, que além da cobrança do aluguel do local, realizase, também, a prestação de serviços de buffet, com oferecimento de alimentos e bebidas, juntando, para comprovar tal fato as “cartas acordo” de diversos eventos desta Fl. 5856DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.850 15 natureza, bem como os seus respectivos briefings (resumos relativos ao quanto contratado), doc. de fls. 2128/2173. Ressalta a contribuinte que tais atividades econômicas encontramse previstas no objeto social da empresa, sendo fato que a fiscalização não observou a complexidade das atividades desenvolvidas pela empresa. 3.3. Da glosa do Grupo 05 pela motivação: “Ramo de atividade principal não é de construção civil” Nesse tópico a contribuinte concorda com a constatação da fiscalização de que não se configura como uma empresa atuante no ramo da construção civil, mas discorda do entendimento que a contratação de obras de construção civil só pode ser considerada insumo para fins de creditamento por pessoas jurídicas que atuem nesse setor econômico, tratandose de equívoco cometido pela autoridade fiscal. No caso em exame tratase da contratação de serviços de pavimentação e terraplanagem para que o Cirque du Soleil pudesse implementar a montagem da infraestrutura necessária às apresentações do espetáculo Quidam em 9 (nove) capitais brasileiras, conforme detalhamento inserido na cláusula 5.1 do contrato firmado, doc. de fls. 1829/1830. Para as realizações desses eventos encontrase prevista na cláusula 6.2 de citado contrato (fls. 1832/1833) a responsabilidade da contribuinte em relações às construções necessárias que vierem a ser exigidas por qualquer autoridade governamental ou quaisquer leis aplicáveis, estatuto social ou regulamento visando a instalação integral dos equipamento de citado circo. Dessa forma, pela análise dessas cláusulas contratuais, pugna a contribuinte que existe a indicação de sua responsabilidade não apenas pela escolha do lugar, como também pela execução de serviços relativos à preparação do local escolhido, levandose em conta todas as exigências técnicas do Cirque du Soleil. Com base nessa avença contratual frisa a impugnante que fica mais do que justificado a contratação de serviços de terraplanagem e de pavimentação, apresentando, como exemplo, contrato celebrado em Fortaleza com a empresa Movespe Serviços Ltda., referentes à prestação de serviços de terraplanagem, pavimentação e infraestrutura, doc. de fls. 2175/2184. Assevera, ainda, que tais contratos foram firmados visando fornecer as condições mínimas necessárias para a instalação dos equipamentos e da infraestrutura do Cirque du Soleil, e caso não fossem implementados resultaria na não realização dos espetáculos. No tocante às despesas com “pintura e recuperação” e “outros custos com reforma” argumenta a impugnante que se tratam de Fl. 5857DF CARF MF 16 despesas relativas à reforma das suas casas de espetáculos visando a sua manutenção em bom estado, atendendo as normas de segurança aplicáveis aos eventos produzidos. 3.4. Das glosas do grupo 06 pela motivação: “Serviços prestados por pessoas físicas não geram direito a créditos de PIS/Cofins” Quanto às glosas acima indicadas, relata a impugnante que as motivações que levaram à fiscalização a tomar tal atitude decorreu da circunstância dos serviços terem sido prestados por pessoas físicas, situação alcançada por impedimento do direito ao crédito de PIS/Cofins, nos termos do § 2°, inciso I, do Artigo 3°, da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003. Desse modo, pelo entendimento da fiscalização o mero fato de terem os serviços sido prestados por pessoas físicas já seria razão suficiente para justificar a glosa dos créditos tomados pela Impugnante. Nesse ponto diverge do posicionamento da autoridade fiscal, por entender que a condição do direito do contribuinte ao creditamento prevista no inciso I do §2° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 não é — consoante defende a Fiscalização — a hipótese de prestação por pessoa física, mas sim a hipótese de pagamento a pessoas físicas pelos serviços prestados. Nesse cenário, sustenta que houve erro crasso da fiscalização ao não atentar que a vedação de créditos relativos à pessoas físicas cingese ao pagamento e não à prestação de serviço. Assim, assevera a contribuinte que nenhum dos serviços glosados relativos ao grupo em apreço foram pagos a pessoas físicas, mas, sim, a pessoas jurídicas. No sentido de comprovar tal assertiva, a contribuinte faz juntada aos autos dos seguintes elementos: (i) contratos de prestação de serviços relativos às despesas glosadas; (ii) boa parte das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços ao longo do anocalendário de 2009. A farta documentação apresentadas encontrase às fls. 2186/3018 do presente processo, e no sentido de facilitar a sua localização a impugnante elaborou planilha com a indicação de cada uma das provas anexadas à peça impugnatória. Destaca a contribuinte que entre os contratos trazidos aos autos encontramse os relativos a prestação de serviços de limpeza, produção e de garçons, entre outros. Dessa forma, os elementos comprobatórios anexados à impugnação demonstram que nenhuma das despesas glosadas pela Fiscalização decorre de pagamento feito a pessoas físicas, mas sim a pessoas jurídicas. 3.5. Das glosas do grupo 07 fundamentadas em Soluções de Consultas. 3.5.1. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 158/2009 Fl. 5858DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.851 17 No tocante às glosas dos dispêndios realizados com segurança e vigilância as próprias atividades desenvolvidas pela empresa justificam que tais valores sejam considerados válidos para fins de crédito de PIS/Cofins, pois os eventos produzidos contam com grandes públicos, os quais têm como um dos riscos a possibilidade de tumultos, brigas e balbúrdias, sendo que muitos dos cuidados que precisam ser tomados decorrem, na maioria das vezes, de obrigações legais e infralegais. Com relação à contratação de seguro, assevera a contribuinte que os dispêndios dessa natureza decorrem de diversas obrigações contratuais firmadas, citando, a título de exemplo, cláusula inserida nos contratos de cessão de uso de espaço (camarotes) impondolhe o dever de contratar seguro de responsabilidade civil, bem como a cláusula 29 do contrato do Cirque du Soleil, pela qual é assumida a obrigação de contratar seguro para cobertura completa dos seus equipamentos, doc. de fls. 1871/1873. 3.5.2. Solução de Consulta DISIT/5ª RF nº 17/2012 Quanto à glosas das despesas com refeição e alimentação pugna a impugnante que tais desembolsos decorrem de obrigação contratual firmada na cláusula 10.3 do contrato de prestação de serviços relativo ao espetáculo Quidam do Cirque du Soleil, doc. de fls. 1839/1840. A situação supra citada também ocorre em relação ao contrato celebrado para o espetáculo musical do grupo “AC/DC”, cuja cláusula 10 estabelece o fornecimento de alimentação para o artista e sua equipe, doc. de fl. 3026. Ainda em relação às despesas com alimentação, decorrente da obrigação contratual firmada com o Cirque du Soleil, frisa a contribuinte que para atender os padrões estabelecidos por citado circo, foi necessária a contratação de serviços de acompanhamento nutricional para garantir que as exigências fossem atendidas, juntando, para tanto, contrato firmado com a empresa Conttrolare Assessoria em Segurança Alimentar Ltda., doc. de fls. 3029/3037, e respectivos Anexo I – Cronograma dos espetáculos do circo (fl. 3038), e Anexo II Manual de Boas Práticas Operacional do Cirque du Soleil Brasil. 3.5.3. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 180/2012 Sobre as glosas efetuadas relativas às despesas com hospedagens, passagens e condução aponta a contribuinte, assim como nos itens precedentes, cláusulas contratuais firmadas para a realização do espetáculo do Cirque du Soleil, que impunham a obrigação de realizar tais dispêndios para toda a equipe de referido circo. As obrigações contratuais supra citadas encontramse inseridas nas cláusulas 11 e 12 do contrato em tela, conforme doc. de fls. Fl. 5859DF CARF MF 18 1840/1841, destacando a contribuinte que a escolha das acomodações deveriam se adequar a padrões mínimos definidos pelo circo, sendo o fornecimento de hospedagem tratado como condição essencial para a celebração do contrato. Esclarece, ainda, que tais obrigações não eram restritas ao contrato firmado com o Cirque du Soleil, pois tais exigências também podem ser identificadas no contrato firmado com Banda “AC/DC”, cujas cláusulas 5 e 8 indicam as obrigações da impugnante quanto ao fornecimento de acomodações e alimentação, doc. de fls. 3024/3025. Aduz, que todas as despesas glosadas pela fiscalização encontramse registradas nas contas 313021001, 313021002, 313021004 e 313021006 e que correspondem a despesas de hospedagem e transportes incorridas com artistas e não com funcionários da empresa. Nesse ponto, alega dois fatos: (i) incompatibilidade dos valores com as despesas "corporativas" de viagens, realizadas por diretores e representantes da empresa em viagens; (ii) contabilização dessas despesas corporativas em outras contas de números 323011001, 323011002 e 323011004, não sujeitas às glosas em questão. Em relação às glosas com às despesas incorridas com a contratação de serviços de figurino, entende que se aplicam as mesmas razões apresentadas no tocante aos serviços de “perucaria” e “maquiagem” (Grupo 03). 3.5.4. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 181/2012 No tocante ao grupo de despesas glosadas com base na Solução de Consulta acima indicada, sustenta a contribuinte que tal procedimento adotado pela fiscalização sinaliza a má compreensão das atividades econômicas desempenhadas pela empresa, bem como das naturezas das obrigações pactuadas em contratos. Especificamente em relação a ementa da Solução de Consulta em tela, destaca a contribuinte o seguinte trecho a seguir transcrito: Despesas com publicidade, propaganda e divulgação, tais como aquelas com provedores de internet, sites de busca, emissoras de televisão e rádio e revistas periódicas, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, (...). Pela sua interpretação a impugnante pondera que o entendimento da RFB quanto à impossibilidade de geração de direito a crédito nos casos de despesas com propaganda e publicidade realizada pela pessoa jurídica restringese a promoção e divulgação da sua própria marca e produtos, ou seja, tratamse dos serviços de propaganda e marketing do próprio negócio. No caso em exame, afirma a contribuinte que as despesas glosadas a título de cinema, flyers e cartões postais, rádio, revistas, serviços de clipping, televisão, internet, jornais, mídia externa, serviços de vídeo, fotografia e filmagem e outros custos com mídia e publicidade, não estão vinculados a publicidade própria — ou seja, da própria marca "Time For Fun" —, mas Fl. 5860DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.852 19 sim dispêndios necessários à promoção e divulgação de marca de terceiros. Essa divulgação de marca de terceiro é demonstrada pela contribuinte, a título exemplificativo, com base em encartes de dois espetáculos – Cirque du Soleil e Blue Man Group , por meio dos quais procura evidenciar que o objetivo desses encartes supera a simples promoção do espetáculo em si, sendo, com efeito, uma forma de promoção de marca de terceiro, que contrata a empresa para este objeto especifico, identificandose nos encartes inseridos na peça impugnatória os seguintes anunciantes: American Express, Banco Bradesco, TIM, Allianz, Crystal e Nextel. Além dos dois encartes reproduzidos na peça impugnatória, a contribuinte faz juntada aos autos de outros encartes de conteúdos semelhantes, relativos a outros espetáculos, doc. de fls. 3105/3110. Prossegue afirmando que a fiscalização deixou de considerar uma das atividades econômicas inclusas em seu objeto social, especificamente na alínea “d”, do artigo 3º do seu Estatuto Social, que prevê a aquisição, negociação e transferência de direitos publicitários, bem como o agenciamento de propaganda e publicidade e sua execução e divulgação em veículos de imprensa, além da prestação de serviços de publicidade em geral, como acontece com os grandes teatros e espaços da contribuinte, os quais possuem nomes que promovem igualmente marca de terceiros, como por exemplo: Credicard Hall, Teatro Abril, Chevrolet Hall, entre outros. Alega que a receita dessa prestação de serviço representou, no anocalendário de 2009, mais de 28% do total de receitas auferidas pela contribuinte, apresentando, como prova relação de contratos da prestação de serviço ora tratada (fl. 1548), juntamente com cópias das respectivas notas fiscais emitidas pelos serviços prestados, doc. de fls. 3112/3695. Após fazer algumas considerações especificas sobre alguns contratos indicados, a contribuinte destaca que todos os contratos possuem uma característica comum de que, em nenhum deles, o objeto contratual é a propaganda institucional da impugnante, pois todos tem por objetivo promover marca de terceiros. Nesse cenário, entende a contribuinte que a contratação de serviços de propaganda e publicidade configurase como insumo fundamental para a prestação de serviços de promoção de marca de terceiros, sendo essenciais para a divulgação dessas marcas. 3.5.5. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 206/2011 Com relação às glosas dos serviços de telefonia fixa e móvel e de link, argumenta a impugnante que tais dispêndios referemse a custos com link e telefonia das casas de espetáculos, do website Fl. 5861DF CARF MF 20 disponível para compra de ingressos e do call center disponibilizado ao público. Entende que tal entendimento genérico apontado na Solução de Consulta em tela não deve ser aplicado para empresas que possuem, como objeto social, a “comercialização de ingressos” através de “bilheterias, via internet, por telefone e entrega a domicílio, ou por qualquer outro meio”, tal como ocorre com a impugnante, nos termos do contido no artigo 3° do seu Estatuto, o qual contempla referida atividade econômica no seu objeto social. Esclarece, ainda, no tocante à venda de ingressos, que a empresa pratica a cobrança de taxa adicional relativa à conveniência oferecida por meio de aquisição do ingresso, quando esse é adquirido por meio dos guichês da “Tickets For Fun” em grandes shoppings e centros comerciais, por telefone ou mesmo através da internet. Assim a conveniência da aquisição em local de fácil acesso (guichês) ou através da internet, com a subsequente entrega dos ingressos diretamente no domicílio do cliente, configurase como um valor agregado precificado pela empresa. A atividade econômica em questão, no entendimento da contribuinte, possui natureza autônoma e diversa da atividade de produção de espetáculos na medida em que possui, inclusive, receitas próprias, sendo os insumos de telefonia e de acesso de dados e internet fundamentais para as vendas dos ingressos comercializados pela empresa. 3.5.6. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 266/2009 Nesse tópico aponta a contribuinte que o grupo de despesas glosadas pela Fiscalização referese aos valores das taxas pagas às administradoras de cartões de créditos pelo uso desse serviço nas vendas de ingressos feitas em bilheterias, por telefone e pela internet. Elucida que a maior parte dos seus ingressos e tickets é vendida pela internet, sendo o cartão de crédito o principal meio de pagamento utilizado pelo público consumidor, sendo que as vendas realizadas por essa modalidade de pagamento são responsáveis por 92% de todos o valor do seu faturamento anual. Explicita que os contratos firmados com as administradoras de cartões de crédito evidenciam os diversos requisitos e taxas que são devidas para que seja disponibilizado, na sua página na internet, a opção de pagamento através de cartões de débito e crédito, juntando, para tanto alguns desses contratos, doc. de fls. 3697/3719, e afirma que sem a contratação dos referidos serviços não venderia metade dos ingressos, situação que inviabilizaria a realização dos eventos. 3.5.7. Solução de Consulta DISIT/7ª RF nº 398/2004 No tocante às glosas dos pagamentos de taxas condominiais, aduz a contribuinte que as casas de espetáculos de sua propriedade, bem como as locadas, são fundamentais à Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.853 21 produção e organização de espetáculos de performance artística e musical. Desse modo, sem o pagamento das referidas taxas, a utilização das referidas casas estaria prejudicada, gerando impedimento para a realização dos eventos. Sustenta que a beleza e imponência de suas casas fazem parte dos espetáculos, não tendo a mesma liberdade de outras empresas prestadoras de serviços, que podem realizar a sua atividade em qualquer tipo de imóvel, tendo em vista que espetáculos renomados quando ocorrem em imponentes teatros possuem impacto direto na clientela alcançada. 3.5.8. Solução de Consulta DISIT/7ª RF nº 590/2004 Quanto à glosa das despesas com a contração de call center terceirizado alega as mesmas razões apontadas no item 3.5.5. (Solução de nº 206/2011), tendo em vista que a impugnante possui, como objeto social, a venda de ingressos por diversos meios, sendo tais despesas fundamentais ao desempenho de tal atividade. 3.5.9. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 72/2012 Sobre a glosa dos serviços com mão de obra temporária defende a impugnante que as Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, nos seus respectivos inciso I, §1° do artigo 3°, não deixam dúvidas de que a mão de obra só não gera direito a crédito do PIS/Cofins quando paga a pessoa física, sendo esta a única vedação prevista em lei para tanto, não sendo legítima a fundamentação da glosa com base na Solução de Consulta em tela. No caso da glosa procedida alega a contribuinte que a condição exigida por citados diplomas legais foi devidamente cumprida, tendo em vista que a obrigação contratual relativa à prestação de serviços de mão de obra temporária foi celebrada com pessoa jurídica, conforme contrato trazido aos autos, fls. 3721/3731, firmado com a empresa Soma Staffing Trabalho Temporário, destacando que a contratação de profissionais de produção está devidamente relacionada com seu objeto social de produção e organização de espetáculos artísticos. 3.5.10. Solução de Consulta DISIT/6ª RF nº 88/2009 Em relação à glosa de despesa com água assevera a contribuinte que tal dispêndio é imprescindível à prestação de serviços de produção de eventos, destacando que a despesa em questão contempla, além das suas despesas regulares com o fornecimento de água em suas dependências, o fornecimento de água potável aos artistas estrangeiros responsáveis pelas performances artísticas produzidas no Brasil. Nesse sentido, cita a cláusula 10.3.2 do contrato relativo ao Cirque du Soleil que impõe à contribuinte o dever de fornecer água potável à toda a equipe de artistas, doc. de fl. 1840. Fl. 5863DF CARF MF 22 4. Da glosa do Grupo 08: créditos específicos a título de “Cachê Artístico em Moeda Nacional” Trata o presente tópico da glosa de créditos específicos a título de “cachê artístico em moeda nacional” no montante de R$ 923.391,84, referentes aos meses de janeiro a março do ano calendário de 2009, em razão de não terem sido apresentados à fiscalização os correspondentes comprovantes de pagamento ou notas fiscais, ou terem sido apresentados comprovantes de pagamento a menor. No sentido de suprir tal ausência de comprovação, a contribuinte junta aos autos os comprovantes de pagamento dos valores que deixaram de ser demonstrados no curso do procedimento fiscal, nos termos de planilha de fls. 3733/3734, e documentos de fls. 3735/3872. Destaca, ainda, que a divergência identificada pela fiscalização decorre do fato da autoridade fiscal ter considerado planilha de composição das despesas com cachês entregue em 18/06/2013 (com valor total correspondente a R$ 54.180.283,89 — referente aos meses de janeiro a dezembro), sem no entanto considerar a planilha retificadora entregue posteriormente, em 13/08/2013 (com valor total de R$ 52.745.172,61), em face da constatação de inconsistência na primeira planilha, situação que será detalhada pela impugnante com maiores detalhes no próximo tópico. 5. Da glosa do Grupo 09: diferença entre Planilha apresentada pelo contribuinte e os valores declarados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON No tocante à essa glosa a contribuinte informa que, em atendimento à intimação fiscal, apresentou planilha de apuração do PIS e da COFINS na sistemática não cumulativa datada de 18/06/2013, por meio da qual detalhou a apuração da base de cálculo das contribuições sociais, bem como de todos os créditos passíveis de dedução previstos na legislação de regência, dentre os quais os “bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços”. Nos esclarecimentos adicionais apresentados à fiscalização a contribuinte destacou que as informações relativas aos custos e despesas com insumos inseridas na planilha foram extraídas diretamente da sua escrituração contábil. Por outro lado, os custos e despesas com insumos declarados na sua DACON 2009 foram informados com base nas notas fiscais emitidas pelos seus fornecedores. Desse modo, esclarece a impugnante a prática de dois critérios de apropriação dos custos e despesas com insumos: (i) na DACON os custos e despesas foram apropriados no mês em que efetivamente ocorreu o respectivo pagamento (regime de caixa); (ii) na planilha de 18/06/2013 os insumos foram alocados com fundamento no mês em que os custos e despesas foram incorridos (regime de competência). Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.854 23 Prossegue a contribuinte apresentando Tabela 1 visando demonstrar as divergências de valores decorrentes da utilização dos regimes distintos de apropriação dos insumos no DACON e na planilha apresentada à fiscalização, fls. 1561, destacando que em quase nenhum mês os valores do DACON 2009 "batem" com os valores informados na planilha de 18/06/2013. Ciente da divergência supra citada, e no sentido de evitar qualquer mal entendimento por parte da fiscalização, a contribuinte sustenta que decidiu reelaborar a planilha apresentada anteriormente no sentido de utilizar os mesmos critérios adotados no preenchimento do DACON. Quanto a essa nova planilha afirma a impugnante ter efetuado o seu protocolo — bem como de outros documentos — em 13/08/2013, doc. de fls. 4101/4105. No tocante à planilha de 13/08/2013, destaca a contribuinte a existência de correlação entre a nova planilha e os valores informados no DACON, a partir da adoção de um único critério de reconhecimento de despesas e custos como insumos, conforme demonstrado na Tabela 2 inserida na peça impugnatória, fl. 1562. Não obstante o ponto acima elencado, aponta a contribuinte que esse fato não foi suficiente para impedir a fiscalização de realizar lançamento de ofício por entender pela existência de diferenças suficientes para amparar a glosa de créditos de PIS e COFINS, sendo essa diferença identificada pela autoridade fiscal e detalhada na tabela do Anexo V do Termo de Constatação Nº 01. Com relação ao lançamento do tópico em questão apresenta a contribuinte os seguintes questionamentos a seguir transcritos: Um primeiro olhar sobre a planilha utilizada pela Fiscalização já é capaz de revelar a precariedade do trabalho fiscal. Logo de início, constatase que a d. Autoridade Fiscalizadora: i. simplesmente ignorou a Planilha apresentada pela Impugnante em 13/08/2013, bem como os esclarecimentos informados pala Impugnante após a apresentação da sua primeira planilha, sem apresentar fundamentação alguma no TCF anexo ao Auto de Infração que fosse capaz de justificar tal desconsideração; ii. glosou o crédito da Impugnante a partir de uma mera planilha sem, contudo, produzir qualquer prova que fosse capaz de invalidar as informações presentes na sua DACON 2009 ou apontar fundamento legal para tanto; e iii. foi incongruente com a sua própria metodologia na medida em que, na planilha fiscal (Anexo V), constam apenas os meses em que houve diferenças positivas entre os custos e despesas com insumos informados na DACON 2009 e na Planilha de 18/06/2013, tendo sido omitidos os meses em que houve diferença negativa (maio, junho, julho, outubro e novembro). Fl. 5865DF CARF MF 24 Frisa a contribuinte que cada uma das falhas acima apontadas enseja nulidade material do lançamento, conforme detalhamentos apontados nos pontos sequenciais, que reforçam os 03 (três) questionamentos anteriormente elencados, com fundamento nos seguintes dispositivos: arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784/1999; arts. 10 e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 Reclama, ainda, do cometimento pela fiscalização dos seguintes vícios de fundamentação na lavratura do Auto de Infração, a seguir indicados em apertada síntese: A Fiscalização não provou e nem fundamentou o erro na apuração de créditos: Nesse ponto, entende a contribuinte que a Fiscalização, após ter constatado haver divergência de valores entre a Planilha apresentada pela Impugnante em 18/06/2013, deveria ter constituído suporte probatório, pautado em documentos fiscais e contábeis, que fossem capazes de invalidar as informações presentes na referida planilha, por meio de intimações específicas requerendo a entrega desses elementos, os quais poderiam servir para a lavratura de eventual autuação. Apresenta jurisprudência do CARF que no seu entender reforça seu posicionamento. A fiscalização não justificou a desconsideração da Planilha de 13/08/2013: Segundo a contribuinte a autoridade fiscal não apresentou qualquer fundamento jurídico que tivesse o condão de justificar a desconsideração da planilha apresentada em 13/08/2013; A Fiscalização omitiu meses em que houve diferença negativa: No lançamento efetuado a autoridade fiscal deixou de considerar no Anexo V do Termo de Constatação Nº 01 todos os meses em que os valores dos créditos informados na planilha apresentada em 18/06/2013 foram superiores aos valores declarados no DACON, caracterizando diferenças negativas. Por outro lado, as diferenças positivas foram lançadas de ofício. Ainda em relação ao último vício acima indicado, esclarece a contribuinte que, caso fossem computados os meses com diferenças negativas, não haveria diferença positiva alguma capaz de amparar a glosa em tela, tendo em vista que no montante anual haveria diferença positiva ou seja, os valores da Planilha de 18/06/2013 seriam superiores aos declarados no DACON 2009, no montante de R$ 4.453.391,11. No tocante ao mérito do regime correto para apropriação dos insumos para fins de apuração dos créditos de PIS/Cofins, competência ou crédito, alega a contribuinte que a fiscalização em nenhum momento fez qualquer alegação no sentido de definir qual o sistema correto, e o eventual prejuízo ao Erário Público. Pondera que caso houvesse alguma acusação da fiscalização nesse sentido ela seria desprovida de fundamentação, pois levandose em conta o anocalendário de 2009 como um todo, teriase a inexistência de insumo deduzido a maior, já que o que Fl. 5866DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.855 25 foi apropriado em determinado mês, quando muito, deveria têlo sido feito meses à frente do mesmo ano. Dessa forma eventual “prejuízo” decorreria não do montante do crédito utilizado e sim do momento eleito para seu aproveitamento. Com relação ao momento em que o crédito poderia ser utilizado, assevera a contribuinte sobre 02 (duas) possibilidades frente ao regime de competência: a antecipação ou postergação do reconhecimento do crédito, sendo que somente na primeira hipótese é que se poderia cogitar algum prejuízo ao Erário Público, situação fática que deveria ter sido apontada pela fiscalização e incluída em sua acusação fiscal, fato não observado por ocasião da lavratura do Auto de Infração, e que também não pode ser cogitado agora no julgamento da lide, sob pena de ser gerada inovação no critério jurídico do lançamento, procedimento que é proibido nos termos da legislação do processo administrativo federal. 6. Da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício No tocante à esse tópico, caso não sejam acolhidas as razões de defesa, com o consequente cancelamento do Auto de Infração, entende a contribuinte que deva ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96. Afirma a impugnante que o art. 61, "caput" e parágrafo 3º da Lei n° 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do CTN, somente autoriza a incidência de juros sobre o valor do principal lançado. Prossegue indicando jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que sinalizam para citado entendimento. 7. Da aplicação ao artigo 112 do CTN em caso de voto de qualidade Nesse item assevera a impugnante que o artigo 112 do CTN determina que, havendo uma interpretação mais favorável ao contribuinte quanto à aplicação de penalidades, esta deve obrigatoriamente prevalecer em caso de dúvida. Por essa determinação o legislador manifestou a sua intenção de garantir que não se atribuísse ao contribuinte o ônus da incerteza, nas situações em que o próprio Fisco reconhece a impossibilidade de precisar o que se deve entender da norma tributária. No caso de julgamentos realizados em colegiados afirma a contribuinte ser comum a existência de resultados com empate de votação, sendo então necessário a adoção do voto de qualidade para deslinde da questão em favor do contribuinte, como determina o artigo 112 do CTN. Fl. 5867DF CARF MF 26 Argumenta ser esse o entendimento do STF, manifestado por ocasião do julgamento da AP 470 ("caso do mensalão"), com base em excerto de trecho do voto do Ayres Brito, que na apreciação de ação penal proferiu a posição de que o empate de votos de um órgão colegiado representa a existência de dúvida, o que demanda decisão a favor do acusado quanto à aplicação de penalidades, respeitandose o princípio da presunção de inocência, previsto no artigo 5°, inciso LVII da Constituição Federal. Desse modo, com a aplicação desse entendimento na área penal, deve o mesmo ser estendido ao Direito Tributário, bem como a todos os demais ramos do Direito que trazem a aplicação de penalidades, vale dizer, para o "Direito Sancionador". É o relatório. A decisão recorrida julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO. EMPRESA PRODUTORA DE ESPETÁCULOS. Não deve ser aplicada, na conceituação de insumo para fins de determinação da base de cálculo da COFINS não cumulativa, o critério restrito estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, nem tampouco critério mais amplo aplicado na legislação do imposto de renda, que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo da Cofins é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso, levandose em conta se a sua não implementação geraria prejuízo ou impedimento ao objeto da contribuinte, que atua no segmento de produção de espetáculos musicais e teatrais. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. INOBSERVÂNCIA DE ATIVIDADE DA EMPRESA. As glosas genéricas, promovidas por supostas atividades não desenvolvidas pela contribuinte, não podem ser justificadas apenas pelo nome da conta contábil adotada para consolidação dos registros contábeis, quando existem evidências nos autos de que os insumos em questão estão relacionados com os serviços realizados pela autuada, de conformidade com o seu objeto social. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. ERRO DA SUBSUNÇÃO DO FATO À VEDAÇÃO DO CRÉDITO Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.856 27 Não pode prosperar a glosa de créditos com o fundamento de que os valores foram pagos para pessoas físicas, quando ficou comprovado nos autos terem os mesmos sidos efetuados para pessoas jurídicas, decorrentes de prestação de serviços vinculados ao objeto social da empresa, sendo identificado vício material pela subsunção incorreta do fato jurídico tributário à hipótese de incidência, configurandose erro de direito, não havendo o surgimento da obrigação tributária objeto dos valores exigidos de ofício. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. GLOSA COM FUNDAMENTO EM SOLUÇÃO DE CONSULTA. IMPROCEDÊNCIA. O entendimento firmado pela Administração Tributária em processo de Solução de Consulta não pode ser aplicado, de forma genérica, em relação aos insumos apropriados pela contribuinte, quando são apresentadas evidências de que os consulentes realizavam atividades distintas da fiscalizada, notadamente pelo fato dessa Solução ter sido o fundamento exclusivo para implementação das glosas. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. GLOSA. FALTA DA COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Deve ser afastada a glosa de crédito quando a contribuinte apresenta na fase impugnativa nota fiscal ou comprovante de pagamento não entregue por ocasião do procedimento fiscal. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. GLOSA. APURAÇÃO POR DIFERENÇA DE PLANILHA E DACON. IMPROCEDÊNCIA. A simples apuração de diferença entre elementos elaborados e apresentados pela contribuinte não tem o condão de justificar a glosa de créditos de Cofins, notadamente quando existem nesses mesmos elementos meses em que os valores informados no DACON foram inferiores aos valores informados em Planilha entregue no curso da ação fiscal. Desse modo, não pode prosperar o lançamento feito apenas em relação aos meses em que a autoridade fiscal identificou diferenças positivas entre esses elementos, indicando falta de aprofundamento na investigação, tendo em vista que, nos valores anuais, a planilha usada para justificar as exigências mensais apresentou valores de créditos inferior ao utilizado no DACON, levandose, ainda, em conta a possibilidade de aproveitamento de saldo de créditos em meses subsequentes. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. REFORMAS. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos realizados com benfeitorias em prédios próprios ou alugados não estão vinculados à prestação de serviço realizada pela contribuinte, e sim destinamse a conservação e aperfeiçoamento desses bens, tratandose, desse modo, de despesas necessárias para a empresa, mas que não atendem à Fl. 5869DF CARF MF 28 premissa formulada ao conceito de insumo para fins de apuração da base de cálculo da Cofins, que exige a vinculação direta a determinado espetáculo, como condição essencial para sua realização. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. CONDOMÍNIOS. IMPOSSIBILIDADE. Taxas de condomínio pagas em função da utilização de prédios próprios e alugados por pessoa jurídica no exercício de suas atividades não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita o desconto de crédito correspondente. COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. TELEFONIA FIXA E MÓVEL. TAXAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. CALL CENTER. MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos realizados com telefonia fixa e móvel, taxas de cartões de crédito e call center terceirizado e com mão de obra temporária não geram direito aos créditos da Cofins, quando não existem provas nos autos de que esses dispêndios estejam vinculados a qualquer contrato de produção de espetáculo, não sendo, portanto, decorrentes de avenças contratuais, configurandose, desse modo, como despesas gerais da empresa, não vinculadas à produções específicas, o que somente autoriza o seu aproveitamento para fins da legislação do IRPJ, como despesas necessárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nas mesmas glosas de créditos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento da Cofins constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à contribuição para o PIS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE PENALIDADE. A penalidade constitui débito decorrente do tributo ou contribuição, sendo alcançada pela incidência dos juros de mora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMPATE DE VOTOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento de primeira instância encontrase disciplinado pela Portaria MF nº 341/2011, que conferiu ao Presidente da Turma, além do voto ordinário, o voto de qualidade, sendo Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.857 29 inaplicável a previsão contida no artigo 112 do CTN no caso de empate de votos na apreciação da lide. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do valor exonerado, houve interposição de Recurso de Ofício, devolvendo a matéria à julgamento desse colegiado, e houve, também, a interposição de recurso Voluntário pelo contribuinte, sumariado da seguinte forma (fl. 4179): Em primeira análise do feito, esta Turma Julgadora houve por bem baixar o feito em diligência nos seguintes termos: Pelo exposto, voto no sentido de converter o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora, mediante intimação do contribuinte para a apresentação dos documentos e esclarecimentos necessários, informe: (i) relativamente às despesas classificadas nos "Grupo 9": se destinadas à estrutura básica, essencial a toda e qualquer atividade (despesa geral), ou se se trata de uma estrutura Fl. 5871DF CARF MF 30 diferenciada, própria para suportar a atividade de venda por telefone. (ii) quanto às despesas relacionadas no "Grupo 10" para que se defina o exato objeto dos contratos cuja despesa respectiva foi glosada sob argumento de se tratar de despesa geral da empresa. (iii) acerca do "Grupo 13", se as contratações em específico foram realizadas junto a Pessoas Físicas ou Pessoas Jurídicas e, no segundo caso, se ocorreram em razão de despesas ordinárias (p. ex. tarefas administrativas ordinárias) ou extraordinárias (p. ex. espetáculos específicos / profissionais especializados), definindo exatamente a natureza de cada uma das contratações glosadas. Após, concedase vista à Recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias para que possa se manifestar acerca do resultado da diligência fiscal. Em seguida, remetamse os autos para julgamento. Em atendimento à diligência solicitada, a Autoridade Preparadora limitouse à intimar a Contribuinte a apresentar os esclarecimentos solicitados e reproduzir os termos da resposta apresentada, deixando de efetuar qualquer exame acerca do que foi apresentado pelo contribuinte, nos seguintes termos (fl. 5837): Os autos então retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.858 31 VOTO VENCEDOR VENCIDO APENAS QUANTO À INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente, em extensa peça recursal, discorre longamente acerca de sua atividade e peculiaridades de sua atuação. Quanto ao litígio, traz alegação preliminar de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, antes discorrendo acerca da natureza jurídica do PIS e da COFINS não cumulativas, aborda as glosas mantidas pela decisão recorrida, assim como se irresigna quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e quanto ao voto de qualidade. Passase à análise desses três aspectos (preliminar, mérito e questões subjacentes). Preliminar de nulidade material do Auto de Infração Em sede preliminar a arguição da Contribuinte concentrase em quatro pontos, que passo a analisar. (i) Ausência de análise individualizada de despesas (Grupo I) O chamado "Grupo I" corresponde às seguintes despesas contabilizadas pela Contribuinte: Entendo que não assiste interesse recursal à Contribuinte quanto a este ponto, conforme por ela mesma reconhecido em seu Recurso Voluntário (fl. 4193): Fl. 5873DF CARF MF 32 Desse modo, considerando que a nulidade aventada nesse ponto diz respeito a glosas que foram totalmente canceladas pela DRJ, deixo de me manifestar acerca desse ponto específico constante do Recurso Voluntário, em atenção aos princípios da celeridade e economia processual. (ii) Ausência de fundamentação do conceito de "insumo" e dos critérios para enquadramento de despesa/custo no ramo de atividade da Recorrente (Grupo 2) O Grupo II se refere às seguintes classes de despesas: Entendo que não assiste interesse recursal à Contribuinte quanto a este ponto, conforme por ela mesma reconhecido em seu Recurso Voluntário (fl. 4193), transcrito acima. Desse modo, considerando que a nulidade aventada nesse ponto diz respeito a glosas que foram totalmente canceladas pela DRJ, deixo de me manifestar acerca desse ponto específico constante do Recurso Voluntário, em atenção aos princípios da celeridade e economia processual. Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.859 33 (iii) Ausência de fundamentação legal (Grupos 5 a 14) Os Grupos 5 a 14 estão assim delineados pela Contribuinte: Fl. 5875DF CARF MF 34 Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.860 35 Entendo que não assiste interesse recursal à Contribuinte quanto aos Grupos 5 a 8 e 14, conforme por ela mesma reconhecido em seu Recurso Voluntário (fl. 4193), transcrito acima. Desse modo, considerando que a nulidade aventada nesse ponto diz respeito a glosas que foram totalmente canceladas pela DRJ, deixo de me manifestar acerca desse ponto específico constante do Recurso Voluntário, em atenção aos princípios da celeridade e economia processual, relativamente aos Grupos 5 a 8 e 14. Passo ao exame dos Grupos 9 a 13. A nulidade suscitada pela Contribuinte diz respeito ao fato de que, ao fundamentar a glosa de determinados itens, a Fiscalização não apontou fundamentação legal específica, limitandose a transcrever Soluções de Consulta proferidas em face de contribuintes diversos da própria Recorrente. Data maxima venia, verifico tratarse de argumento genérico e sobre o qual também falece interesse recursal à Recorrente, uma vez que a própria DRJ anulou todos aqueles lançamentos cuja fundamentação limitouse à transcrição de Soluções de Consulta da RFB. Cito, por ser claro e ilustrativo, o seguinte trecho da ementa: COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. GLOSA COM FUNDAMENTO EM SOLUÇÃO DE CONSULTA. IMPROCEDÊNCIA. O entendimento firmado pela Administração Tributária em processo de Solução de Consulta não pode ser aplicado, de forma genérica, em relação aos insumos apropriados pela contribuinte, quando são apresentadas evidências de que os consulentes realizavam atividades distintas da fiscalizada, notadamente pelo fato dessa Solução ter sido o fundamento exclusivo para implementação das glosas. Desse modo, afasto a alegação de nulidade das glosas efetuadas com fundamento exclusivo em Soluções de Consulta, uma vez que tais argumentos já foram devidamente acatados pela DRJ no acórdão recorrido, em sentido favorável à Contribuinte. Fl. 5877DF CARF MF 36 (iv) A improcedência das razões da D. DRJ quanto a este ponto Nesse tópico, a Contribuinte ataca os fundamentos utilizados pela DRJ ao afastar as alegações de nulidade apontadas em sede de Impugnação. Com efeito, todas as glosas em exame, ou seja, aquelas afastadas pela decisão da DRJ, foram canceladas com fundamento em questões de mérito, sendo afastados os argumentos de nulidade. Considerando, como exposto, inexistir interesse recursal da Contribuinte quanto ao acolhimento de alegação de nulidade acerca de glosas já afastadas pela DRJ, deixo de acolher, também em sede de Recurso Voluntário, tais argumentos. Mérito Análise específica de cada uma das glosas mantidas pela Fiscalização O contribuinte discorre acerca da sistemática de apuração dos créditos de PIS e Cofins apurados pela sistemática da não cumulatividade, destacando a natureza das referidas contribuições, assim como a necessária distinção quanto ao regime de apuração do IPI. Destaca, ainda, a necessidade da completa compreensão das atividades exercidas pela Recorrente para a correta aplicação do conceito de "insumo" previsto na legislação de regência do PIS e da Cofins. Pois bem. A matéria é debate, é, portanto, a definição do conceito de insumo trazido pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 para fins de autorização da apuração de créditos de PIS e Cofins. A partir dessa definição, com a exata compreensão das atividades exercidas pelo contribuinte, é que se deve passar ao exame de cada uma das classes de créditos apropriados. Essa questão já é há muito debatida por essa Turma julgadora e por esse CARF, inclusive, com recente decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (ainda não publicada), que vêm concluindo pela necessária distinção do conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS relativamente ao IPI (conceito restritivo) e do Imposto de Renda (conceito amplo). Para não mais me estender quanto à esse aspecto, cito, em resumo, a ementa do acórdão recorrido, em sede do qual a DRJ analisou de forma precisa a questão: COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO. EMPRESA PRODUTORA DE ESPETÁCULOS. Não deve ser aplicada, na conceituação de insumo para fins de determinação da base de cálculo da COFINS não cumulativa, o critério restrito estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, nem tampouco critério mais amplo aplicado na legislação do imposto de renda, que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo da Cofins é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso, levandose em conta se a sua não implementação geraria prejuízo ou impedimento ao objeto Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.861 37 da contribuinte, que atua no segmento de produção de espetáculos musicais e teatrais. Desse modo, passase à análise de mérito de cada uma das glosas mantidas pela DRJ e objeto de Recurso pela Contribuinte. (i) Grupo 3 "Ramo de atividade principal não é a de construção civil" Nesse tópico de seu Recurso (fls. 4225 e seguintes), a contribuinte questiona os subitens de "Pintura e Recuperação" e "outros custos com reforma" constantes do "Grupo 3" das glosas realizadas pela Fiscalização e mantidas pela DRJ. A DRJ, em seu acórdão, assim se manifestou quanto aos itens em exame: No tocante aos dispêndios inseridos nas contas “Pintura e Recuperação” e “Outros Custos com Reformas”, esclarece a impugnante que tais despesas destinaramse a promover reformas em suas casas de espetáculos, visando as suas respectivas manutenções em bom estado, e o atendimento de normas de seguranças aplicáveis aos eventos produzidos pela empresa. Nesse ponto não assiste razão à contribuinte, tendo em vista que tratamse de benfeitorias em prédios próprios ou alugados, as quais, por consequência, não estão vinculados a determinado evento específico, e sim foram realizados para conservar ou melhorar as condições de funcionalidade de suas casas de espetáculos. Desse modo, tratamse de despesas necessárias para a empresa, mas que não atendem à premissa formulada ao conceito de insumo para fins do PIS/Cofins, que exige a vinculação direta a determinado espetáculo, como condição essencial para sua realização. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente, expressamente reconhece que "embora seja verdade que as despesas aqui consideradas não estejam relacionadas a um evento específico, devese reconhecer que, diversamente do que quis fazer crer a D.DRJ, a sua importância é ainda maior posto estarem vinculadas à realização de TODOS os espetáculos realizados pela Recorrente durante o anocalendário autuado." Ainda ressalta que as despesas incorridas com a manutenção de casas de espetáculo próprias visam a manter as sua condição de uso e, também, atender à regulamentação imposta pelas Municipalidades onde a Recorrente possui suas casas de show. Pois bem. Nesse aspecto, vejase o que dispõe legislação de regência (Lei nº 10.833/03, com igual previsão na Lei nº 10.637/02): Fl. 5879DF CARF MF 38 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) §1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (redação do inciso vigente à época dos fatos geradores, anterior à Lei nº 12.973/14) Logo, vêse que não se trata, aqui, de negativa do direito ao crédito decorrente da realização de benfeitorias em imóveis próprios. Esse crédito é, sim, assegurado pela legislação de regência. O que se tem, em verdade, é que, para essa classe de despesas, a apropriação do crédito não pode ocorrer de forma integral, mas de acordo com os encargos de depreciação e amortização incorridos mês a mês, não havendo provas nos autos de que a apropriação tenha ocorrido dessa forma. Desse modo mantenho as glosas efetuadas. (ii) Grupo 9 "Solução de Consulta 206/2011" As glosas a serem examinadas são as seguintes: Tratase, portanto, de serviços de telefonia contratados pela Recorrente. Entendeu a DRJ, no acórdão recorrido: Desta forma, não pode ser aceita a argumentação da contribuinte de que a simples descrição do objeto social da empresa, constante de seu contrato social, nos termos do contido no artigo 3° do seu Estatuto, que consta a “comercialização de ingressos” através de “bilheterias, via internet, por telefone e entrega a domicílio, ou por qualquer outro meio”, seja suficiente para que os gastos com telefonia, fixa ou celular, se enquadrem no conceito de insumo previsto na legislação do PIS/Cofins e, portanto, gerarem direito a crédito das contribuições ora tratadas. Ademais, diferentemente dos demais itens já analisados neste Voto, a contribuinte não indica qualquer contrato de produção Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.862 39 de espetáculo em que exista obrigação contratual para dar suporte à esses gastos com telefonia, pois, na verdade, tais dispêndios configuramse como despesas gerais da empresa não vinculadas à espetáculos específicos, o que somente autoriza o seu aproveitamento para fins da legislação do IRPJ, como despesas necessárias. (destaques nossos) Em contradita, aduz a Recorrente que, dentre as atividades exercidas, encontrase a venda de ingressos via internet e telefone. Desse modo, verificarseia tratarse de produto essencial para tal prestação de serviços, o que autorizaria a tomada de créditos relativos ao PIS e à COFINS. Pois bem, nesse ponto, entendo necessária a seguinte distinção. De um lado, é certo que, para todo e qualquer exercício de atividade empresarial, é necessária uma estrutura mínima de telefonia e internet. O custo com essa estrutura mínima, como decidiu a DRJ, é custo genérico que apenas poderia ser computado na apuração do IRPJ. Lado outro, a prestação de serviços de venda de ingressos pelo telefone, necessariamente, pressupõe uma estrutura diferenciada de telefonia e internet, sem a qual seria inviável o exercício da atividade de venda de ingressos. É certo que uma estrutura básica, mínima, usual a toda e qualquer atividade empresarial não atenderia às necessidades de uma empresa que realiza atividade de vendas por telefone. Assim, nessa situação específica, ante a especificidade da natureza deste serviço de venda de ingressos por telefone, os custos incorridos deverão ser apropriados como insumo necessário para a prestação do serviço. O argumento apresentado pela DRJ segundo o qual a apropriação do crédito dependeria da apresentação, pelo contribuinte, de "qualquer contrato de produção de espetáculo em que exista obrigação contratual para dar suporte à esses gastos com telefonia", data maxima venia, não merece prosperar. Com efeito, a venda de ingressos por telefone não é atividade que se vincula a um determinado e específico espetáculo, mas, sim, a todos os eventos por ela realizados. Ou seja, exigir a vinculação a um espetáculo específico seria o mesmo que pressupor que a estrutura necessária para a prestação do serviço de venda de ingressos por telefone (equipamentos, estrutura com rede, atendentes, etc.) devesse ser temporária, assim como é a montagem de uma "tenda de circo". Ora, restou evidenciado nos autos o grande volume de espetáculos e eventos culturais promovidos pela Recorrente. Notase, ainda, que tais eventos são constantes, e não esporádicos, sazonais. Logo, também será constante a necessidade de estrutura para a venda de ingressos por via telefônica. Assim, diante do entendimento exposto, determinouse a realização de diligência fiscal para que fosse esclarecido se as despesas classificadas nos "Grupo 9" seriam destinadas à estrutura básica, essencial a toda e qualquer atividade (despesa geral), ou se se trata de uma estrutura diferenciada, própria para suportar a atividade de venda por telefone. A Contribuinte apresentou, então, os seguintes esclarecimentos: Fl. 5881DF CARF MF 40 I.3. Grupo 09 (serviços de telefonia fixa, móvel e link e dados) Por fim, vejase o teor da solicitação fiscal quanto ao Grupo 09: “No que diz respeito às despesas classificadas no grupo 09: (...) Se as despesas classificadas no mencionado GRUPO 09, são destinadas à estrutura básica essencial a toda e qualquer atividade (despesa geral), ou se trata de uma estrutura diferenciada, própria para suportar a atividade de venda por telefone;” Resposta Em resposta à solicitação fiscal acima exposta, a Requerente vem informar que as despesas relativas ao Grupo 09 dizem respeito a gastos com telefonia fixa e móvel, bem como link e acesso à internet, essenciais, exclusivamente, para a venda de ingressos, bem como para a produção artística de espetáculos realizados no decorrer do ano de 2009. Justificativa Duas evidências amparam esta afirmação. Em primeiro lugar, os Livros Razão da Requerente, relativos ao ano de 2009, demonstram a magnitude dos valores incorridos com despesas de telefonia: com telefonia fixa, a Requerente incorreu no astronômico gasto de R$ 1.521.674,67 (Doc. 13), com telefonia móvel, o gasto chegou a R$ 134.650,06 (Doc. 14) e com serviços de link e dados o valor chegou a R$ 245.309,80 (Doc.15). Tais valores, com efeito, são superiores àqueles que foram apropriados como crédito de PIS e COFINS justamente porque apenas uma parte desses valores referese a despesas essenciais para a realização das vendas por telefone e produção artística dos eventos realizados. Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.863 41 Diante da justificativa apresentada e da comprovação existente nos autos, acolho as razões da Recorrente de modo a reconhecer que as despesas descritas nesse grupo possuem total pertinência com a atividade de venda de ingressos e organização de espetáculos realizada. Desse modo, entendo que as glosas relativas a tais despesas devem ser canceladas pela Fiscalização. (iii) Grupo 10 "Solução de Consulta 266/2009" O grupo 10, glosado pela fiscalização, compreende despesas da seguinte natureza: O fundamento utilizado pela DRJ para a manutenção da glosa de tais despesas é similar àquele exposto relativamente às despesas com telefonia: Tanto que para justificar a sua argumentação a impugnante apresenta diversos contratos firmados com as administradoras de cartões, evidenciando os diversos requisitos e taxas que são devidas para que seja disponibilizado, na sua página na Internet, a opção de pagamento através de cartões de débito e crédito, doc. de fls. 3697/3719. Dessa forma, evidenciase que esses contratos firmados com as administradoras de cartões não estão vinculados a qualquer contrato de produção de espetáculo em que exista obrigação contratual para dar suporte à esses gastos com citadas taxas, pois, na verdade, tais dispêndios configuramse como despesas gerais da empresa, não vinculadas à espetáculos específicos, que podem ser aproveitadas para todos os eventos realizados pela empresa, conforme inserção efetuada em sua página da Internet, fato que somente autoriza o seu aproveitamento para fins da legislação do IRPJ, como despesas necessárias. (destaques nossos) Também nesse aspecto, ressalto a necessidade de se verificar o exato objeto das despesas glosadas pela fiscalização: se decorrentes das "taxas de administração" cobradas pelas operadoras sobre os recebimentos de pagamentos realizados com cartão de crédito, ou se tais despesas possuem natureza diversa. Embora o acórdão da DRJ mencione a juntada de contratos, verifico tratarse de termos aditivos e anexos que contêm definições conceituais, mas sem identificar o exato objeto de tais contratos. Desse modo, foi solicitada diligência para que restassem definidos os exatos objetos dos contratos cuja despesa respectiva foi glosada sob argumento de se tratar de despesa geral da empresa. Fl. 5883DF CARF MF 42 A Resposta do Contribuinte foi apresentada nos seguintes termos: I.1. Grupo 10 (custos com taxas de cartão de crédito) Confirase o teor da solicitação fiscal: “No que tange às despesas classificadas no GRUPO 10: (...) Definir o exato objeto dos contratos cuja despesas respectiva foi glosada sob argumento de se tratar de despesa geral da empresa; Resposta Em resposta ao presente quesito, a Requerente informa que as despesas relativas ao Grupo 10 referemse às taxas incorridas para a disponibilização do meio de pagamento de cartões de crédito em bilheterias próprias localizadas nas suas casas de espetáculos (e.g. Teatro Abril, Citibank Hall, entre outros), pontos de venda vantajosos (e.g. pontos localizados em livrarias e megastores situadas, em geral, em grandes shopping centers) e, sobretudo, no seu endereço eletrônico (sítio eletrônico da “ticketsforfun”). Sem a disponibilização destes meios de pagamento, o volume de vendas de ingressos seria consideravelmente inferior ao que é, razão pela qual se trata de verdadeiro insumo essencial para esta atividade de venda de tickets, conforme será detalhado abaixo. Justificativa A Requerente informa que, no decorrer do período autuado, possuía contrato de prestação de serviço de meios de pagamento através de cartões de débito e crédito em geral, fundamentalmente, com três operadoras de cartões: (i)Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (“CBMP”), operadora do Sistema VISANET, atual CIELO (Doc. 02); (ii) American Express (Doc. 03); e (iii)Sistema Rede (“REDECARD” – Doc. 04). O objeto de tais contratos é a regulação das condições para que a Requerente se utilize dos meios de pagamento, os tipos de cartões que poderão ser aceitos, os tipos de transações que poderão ser feitas, as comissões, os valores dos aluguéis de equipamentos, das taxas pela utilização do sistema, a forma através da qual o meio de pagamento deve ser utilizado, as condições para a utilização do meio de pagamento em filiais da Requerente, a sistemática de repasses de valores, entre outras questões pertinentes. Além dos contratos ora apresentados, a Requerente houve por bem trazer aos autos, também, declarações firmadas pelos referidos parceiros atestando a data desde a qual a Requerente se encontra afiliada aos respectivos sistemas de pagamento, sendo certo que, em todos os casos, a afiliação é muito anterior Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.864 43 aos fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário de 2009. Vejase: Destaquese que os contratos ora apresentados são, todos, de adesão. Ou seja: a Requerente não tem a opção de alterar as suas cláusulas contratuais. Eventuais disposições específicas que se amoldem à sua situação em concreto foram pactuadas através das cláusulas presentes nos Anexos dos referidos contratos. Apenas para que se tenha uma ideia da participação dos cartões de crédito como meio de pagamento para a aquisição de tickets vendidos pela Requerente, confirase, abaixo, a tabela consolidada com o montante total do faturamento decorrente da venda de ingressos pela Requerente: A partir da sua leitura, o que se vê é que os cartões de crédito responderam por praticamente 80% do faturamento total auferido em 2009. A tabela acima encontra respaldo nas planilhas de vendas consolidadas (Doc. 08) evendas em perspectiva analítica (Doc. 09) anexas. Ambas as planilhas possuem, por sua vez, total amparo na contabilidade da Requerente1. Quanto ao comércio eletrônico, vejase que os contratos ora trazidos possuem disposições ou anexos destinados a disciplinar justamente a utilização do meio de pagamento mediante a sua disponibilização em “loja virtual”, tal como é o caso do Anexo III do Contrato celebrado com a CBMP (Doc. 02). No caso concreto, a “loja virtual” da Requerente é o seu sítio eletrônico portador da marca ticketsforfun e responsável por parte expressiva dos ingressos vendidos tendose em vista, sobretudo, a elevada tendência atual de o público consumidor adquirir ingressos pela internet. Fl. 5885DF CARF MF 44 De fato, no ambiente do comércio digital, são poucos os meios de pagamento que podem ser utilizados de modo que, se é verdade que no comércio em bilheterias próprias e em pontos de venda vantajosos o uso do cartão de crédito já é responsável pela maioria das vendas realizadas, no comércio digital a sua participação é ainda mais significativa. Confiramse as cifras relativas a 2009: O que se vê é que, quando se trata de comércio digital de ingressos, a participação dos cartões de crédito como meio de pagamento – que, digase, já era muito expressiva nas vendas convencionais em bilheterias próprias e em pontos de venda vantajosos – tornase ainda mais relevante, respondendo por nada menos do que 97,52% do total de vendas realizadas. Ante todo o exposto, considerandose que a “comercialização de ingressos” é parte integrante do estatuto social da Requerente (cf. art. 3º, alínea c) e que os cartões de crédito enquanto meio de pagamento respondem pela maioria das vendas realizadas – quase 80% nas vendas em bilheteria próprias e pontos de venda vantajosos e 97,52% no comércio digital – é inequívoco que se trata de uma despesa, não apenas necessária, como (um insumo) essencial para a consecução desta atividade econômica sem a qual ela certamente poderia se revelar inviável ou, quando menos, seria sensivelmente prejudicada. Assim, diante dos esclarecimentos e documentos apresentados, reputo que tais despesas correspondem efetivamente a serviços utilizados como insumos na prestação de serviços pela Contribuinte, devendo ser canceladas as glosas respectivas. (iv) Grupo 11 "Solução de Consulta 398/2004" O referido grupo de glosas está assim descrito: A DRJ manteve a glosa efetuada sob a seguinte justificativa: Quanto à essa despesa específica, deve ser destacado que o legislador dispôs sobre o desconto dos créditos referentes às despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos”, de Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.865 45 conformidade com as previsões contidas no inciso IV, do art. 3o, das Lei nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Como consequência de um contrato de locação, uma das partes se obriga a ceder o uso e gozo de coisa móvel ou imóvel, mediante certa retribuição, sendo as despesas de condomínio destinadas a gastos relativos ao imóvel respectivo com diversos custos e despesas referentes às áreas comuns e rateados entre os condôminos. Dessa forma, percebese que despesas de condomínio não se confundem com o aluguel, e não havendo previsão legal específica, não é permitida a dedução de crédito correspondente, seja em relação aos condomínios pagos de imóveis próprios ou de terceiros. A Contribuinte em seu Recurso defende: Todavia, entendo não assistir razão à Recorrente nesse tópico. Na hipótese dos autos, é indiferente se o condomínio pago é relativo à sedes administrativas ou casas de espetáculo. Não há como se conceber que os valores pagos a título de condomínio tem natureza de insumo, inexistindo previsão legal para o aproveitamento de tais créditos. (v) Grupo 12 "Solução de Consulta 590/2004" Tratase agora do seguinte grupo de despesas: A DRJ manteve a glosa efetuada sob a seguinte fundamentação: No tocante à glosa das despesas com a contração de call center terceirizado a impugnante reitera as mesmas razões de defesa apontadas no item 3.5.5. (Solução de nº 206/2011), que tratou das glosas com despesas com a prestação de serviços de telecomunicações (telefonia fixa e telefonia – móvel e instantânea), tendo em vista que no seu objeto social encontrase prevista a atividade de venda de ingressos por diversos meios, sendo tais gastos fundamentais ao desempenho de tal atividade. Nesse ponto não assiste razão à contribuinte, pelas mesmas fundamentações apresentadas em relação aos dispêndios realizados com telefonia fixa e móvel e taxas de cartões de crédito, tendo em vista que a contribuinte não indica qualquer contrato de produção de espetáculo em que exista obrigação contratual para dar suporte à esses gastos com call center Fl. 5887DF CARF MF 46 terceirizado, pois, na verdade, tais dispêndios configuramse como despesas gerais da empresa, não vinculadas à espetáculos específicos, o que somente autoriza o seu aproveitamento para fins da legislação do IRPJ, como despesas necessárias. Ademais, do exame da Solução de Consulta DISIT/7ª RF nº 590/2004 verificase que a consulente em questão atua no ramo de prestação de serviços de telecomunicações (Telemar Norte Leste), cujas necessidades de utilização do serviço de call center terceirizado em nada diferem da impugnante. Se insurge o contribuinte defendendo a essencialidade de tal atividade ao exercício de sua operação fim. Nesse ponto, tenho que não assiste razão à Contribuinte. Não há dúvida de que a atividade de call center é necessária para o exercício de sua atividade. Contudo, estas vinculamse às atividades gerais da empresa, tal como as atividades administrativas rotineiras, não se vinculando a eventos específicos. Assim, legitimar a tomada de tais créditos, à meu ver, equivaleria, em última análise, à legitimar a tomada de créditos sobre sua própria folha de pagamentos e despesas administrativas. (vi) Grupo 13 "Solução de Consulta 72/2012" Por fim, o último item de irresignação do contribuinte diz respeito ao seguinte grupo de despesas: A DRJ assim fundamentou a manutenção da glosa efetuada: Do exame do objeto do contrato evidenciase que a contração pode ser motivada tanto para suprir necessidade regular ou extraordinária, sendo que o fato concreto somente ficará consignado por ocasião da solicitação da contribuinte do preenchimento de função carente de mão de obra. Assim, constatase que o contrato em questão não se encontra vinculado a qualquer espetáculo produzido pela empresa, podendo ser utilizado para suprir qualquer carência de mão de obra da empresa em determinado momento. Nesse aspecto também foi solicitada a realização de diligência para que restasse esclarecido quanto às despesas especificamente glosadas pela Fiscalização se as contratações em específico ocorreram em razão de despesas ordinárias ou extraordinárias (espetáculos específicos). A Resposta foi assim apresentada: I.2. Grupo 13 (mão de obra temporária) Confirase, no tocante ao presente grupo, a solicitação fiscal: “Elucidar no que diz respeito as despesas do GRUPO 13 acima, se as contratações em específico foram realizadas junto a Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.866 47 Pessoas Físicas ou Jurídicas e, no segundo caso, se ocorreram em razão de despesas ordinárias (por ex. tarefa administrativas ordinárias) ou extraordinárias (por ex. espetáculos específicos/profissionais especializados), definindo exatamente a natureza de cada uma das contratações glosadas.” Resposta A Requerente informa que todas as contratações relativas a mão de obra temporária foram feitas diretamente de pessoas jurídicas, tendo os trabalhadores individuais, quando muito, assumido a posição de “anuente” no contrato firmado com a pessoa jurídica com a qual possuía vínculo empregatício. Em todos os casos, os contratos firmados deixam claro o caráter temporário e extraordinário da contratação em razão de espetáculos realizados no período tendo muitos deles chegado, inclusive, a fazer menção expressa ao nome do espetáculo realizado. Justificativa Para corroborar a afirmação ora realizada, a Requerente houve por bem trazer dois grupos distintos de contratos. No primeiro grupo de contratos, a Requerente trouxe o contrato geral celebrado com a Soma Staffing Trabalho Temporário S.A. (conhecida pela marca “Allis” – Doc. 10) que previu, logo na sua cláusula primeira, que o seu objeto consistia no “fornecimento de mão de obra temporária” com a finalidade de “atender a eventual necessidade transitória decorrente de substituição de pessoal regular e permanente ou de acréscimo extraordinário de serviços”. Ademais, o próprio contrato deixou claro que a cessão não poderia superar o período de 3 meses. Neste sentido, o que se vê é que o caráter excepcional e temporário da cessão de mão de obra é inequívoco. Além disso, cumpre chamar atenção para os diversos contratos acessórios ao contrato geral exposto acima celebrados diretamente com os trabalhadores temporários nos quais os mesmos termos do contrato geral foram reiterados. Neste caso, é importante destacar que nesses contratos acessórios foi indicada a função designada para cada trabalhador (Doc. 11). Assim, o que se vê é que as funções diziam respeito a bilheteiros, recepcionistas, carregadores, atendentes, garçons, orientadores de filas, entre outros. Como se pode ver, todas as funções apontadas são indispensáveis não apenas para a atividade de venda de ingressos (e.g. bilheteiros) como também para a própria produção do evento (e.g. carregadores, recepcionistas, garçons entre outros). Tratase, portanto, de despesa com mão de obra temporária essencial para a venda de ingressos e para a produção dos espetáculos realizados no ano autuado, caracterizandose, desse modo, como inequívoco insumo. Fl. 5889DF CARF MF 48 No segundo grupo, estão os diversos contratos igualmente celebrados com pessoas jurídicas para a contratação de profissionais cujo trabalho foi diretamente empregado na produção de espetáculos específicos (Doc. 12). Tratase da contratação de músicos, atores, diretores, coreógrafos, entre outros que, por serem contratados para participação em espetáculos específicos (geralmente descritos no próprio contrato de prestação de serviços), também não deixam de ser contratados de forma temporária e em caráter extraordinário. Também neste ponto, não deve haver dúvidas que as despesas incorridas com a contratação destes profissionais são essenciais para a produção dos espetáculos. Ante o exposto, restou demonstrado e justificado o caráter extraordinário, temporário e essencial das despesas aqui tratadas para a consecução de atividades que compõem o objeto social da Requerente. A questão da mão de obra deve ser analisada sob o seguinte prisma. A um lado, temse que toda atividade econômica necessita da contratação de mão de obra para o exercício de suas atividades, sejam aquelas rotineiras, administrativas, sejam aquelas operacionais, dedicadas à sua atividade fim. À evidência, a contratação de mão de obra ordinária, seja por meio de sua própria folha de pagamentos, seja por meio de pessoas jurídicas especializadas na terceirização de mão de obra, não dão direito ao crédito de PIS e COFINS. Todavia, excetuase dessa regra aquelas situações em que a contratação se dá de forma extraordinária e diretamente ligada à prestação de serviços fins da empresa. Nesse sentido, recente manifestação da RFB por meio da SOLUÇÃO DE CONSULTA COSITNº105,DE31 DE JANEIRO DE 2017: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. PEÇAS E PARTES DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. Observados os demais requisitos legais, permitem a apuração de crédito da não cumulatividade da Cofins, na modalidade aquisição de insumos (inciso II do art. 3ºda Lei nº10.833, de 2003), os dispêndios da pessoa jurídica com: a) aquisição de produtos intermediários utilizados na produção de bens destinados à venda; b) aquisição de partes e peças de reposição de máquinas empregadas diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda; c) contração de serviços de manutenção de máquinas empregadas diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda; Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.867 49 d) contratação de empresa de trabalho temporário para disponibilização de mão de obra temporária aplicada diretamente na produção de bens destinados à venda. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, II; IN SRF nº404, de 2004, art. 8º, I, “b” e § 4o; Lei nº6.019, de 1974, arts. 2ºe 4º. PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA COSIT Nº7, DE 23 DE AGOSTO DE 2016, PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO DE 11/10/ 2016. (...) Notase que deve estar presente o caráter temporário, excepcional, da contratação de mão de obra. Desse modo, voto por cancelar as glosas de créditos apenas dquelas contratações temporárias vinculadas a eventos específicos, por entender que apenas estas possuem o imprescindível caráter temporário e excepcional aptos à legitimar a tomada de créditos. Cobrança de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Quanto à cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, acolho as razões da contribuinte por entender que apenas a parcela relativa ao tributo está apta a atrair a incidência de juros de mora. Voto de Qualidade artigo 112 do CTN O pedido apresentado pelo contribuinte não pode ser acolhido por este órgão julgador, nos termos da Súmula CSRF nº 1, que impede o afastamento de norma legal expressa sob argumento de inconstitucionalidade. Ademais, tenho que não há substrato fático para a aplicação do art. 112 do CTN quando a divergência resida na interpretação acerca da legislação tributária. RECURSO DE OFÍCIO A Acórdão Recorrido acatou parcialmente a impugnação do contribuinte, exonerando parte do crédito tributário. O acórdão proferido pela DRJ está devidamente fundamentado naqueles tópicos em que determinou o cancelamento das glosas efetuadas, razão pela qual acolho suas razões de decidir: 3.1. Das glosas do Grupo 01 (Contas Outros Custos) Nesse tópico a contribuinte reitera a sua preliminar de nulidade pelo fato da fiscalização não ter tido o cuidado de verificar a composição dos lançamentos efetuados nessas contas contábeis, apresentando a justificativa na planilha como “valor genérico Fl. 5891DF CARF MF 50 sem discriminação”, preliminar já afastada conforme fundamentação efetuada linhas atrás. Analisando os elementos de provas trazidos aos autos pela contribuinte, os esclarecimentos sobre as suas atividades, e a conceituação de insumo adotado neste julgamento, e a planilha de fls. 1678/1680, por meio da qual a impugnante discrimina custos e despesas de naturezas diversas, que, no seu entendimento, são essenciais para a prestação dos serviços oferecidos pela contribuinte, chegase às seguinte conclusões. Em primeiro lugar, identificase na especificação dos pagamentos efetuados e explicados em referida planilha, que muitas dessas despesas e/ou custos apresentam evidências de insumos, sem os quais as realizações dos eventos oferecidos pela contribuinte seriam prejudicados, ou sequer poderiam ser oferecidos ao públicos. Entre os quais destacamse: despesas com produção (materiais, montagem e desmontagem de shows, afinação de instrumentos musicais, materiais de produção, montagem de camarote para artistas, serviços de preparação vocal, entre outros), despesas relativas a diferenças de hospedagens, despesas com cachês artísticos, locação de equipamentos, implantação da estrutura do Cirque du Soleil para o espetáculo Quidam. Analisando a farta documentação trazidas aos autos – notas fiscais e recibo de fls. 1685/1822, elaborase, de forma ilustrativa, alguns exemplos que podem servir como subsídios para a resposta da pergunta estabelecida na construção do conceito de insumo no presente Voto, a seguir lembrada visando melhor fixação: A prestação de serviço ou despesa em questão é indispensável para a realização do espetáculo/evento, e a sua não efetivação implica em obstáculo para o oferecimento do serviço ao público? Na tabela abaixo os valores (*) inseridos são os constantes nos recibos ou notas fiscais, com a correspondente indicação logo abaixo da sua localização no processo, não sendo considerado os valores de eventuais retenções, como consta na planilha elaborada pela impugnante. Com relação às explicações fornecidas pela contribuinte na planilha de fls. 1678/1680, foram acrescidas na tabela comentários deste Relator, dentro do conceito firmado de insumo e a questão supra citada, a saber: (TABELA 3) Assim, com base na amostragem efetuada em valores relevantes, evidenciase que os documentos e elementos supra indicados denotam que nas contas contábeis intituladas “Outros Custos” efetivamente foram registrados despesas e/ou custos que possuem características de insumos para fins da legislação do PIS/Cofins, o que permite as suas respectivas utilizações como créditos de citadas contribuições, não podendo prosperar as glosas genéricas de todos os valores registrados nessas contas promovidas pela autoridade fiscal, tendo como exclusiva motivação indicada no Anexo I do Termo de Constatação Nº 01 “créditos de valores genéricos sem discriminação”. Fl. 5892DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.868 51 Desse modo, devem ser canceladas as glosas de créditos constantes no Anexo I do (TC) concernentes às 04 (quatro) contas contábeis intituladas “Outros Custos” e “Outros” pelos motivos acima expostos. 3.2. Da glosa dos Grupos 02, 03 e 04 pela motivação: “Divergências do ramo de atividade principal da contribuinte” Com relação aos Grupos 02, 03 e 04 de glosas motivadas pelo entendimento da autoridade fiscal de que as despesas e/ou custos não poderiam ser utilizados por insumos, sob a justificativa de que divergiriam do ramo de atividade principal da contribuinte, vislumbrase que assiste razão à contribuinte quando afirma que não foi levado em conta que uma das principais atividades econômicas desenvolvidas pela empresa é a promoção, organização, produção, agenciamento, programação e execução de shows e espetáculos artísticos em geral, com atuação verticalizada em todas as etapas da produção dos eventos. Nesse diapasão, foram apresentados elementos na peça impugnatória que evidenciam que muitos desses custos e/ou despesas estavam vinculados às avenças contratuais firmadas com os artistas e/ou produções responsáveis pelos espetáculos, bem como decorriam de obrigações vinculadas às exigências de diversas prefeituras e órgãos de segurança, previstas em diversos atos administrativos (Decretos, Resoluções, entre outros). Assim, como base nos elementos disponibilizados pela impugnante, será elaborada tabela demonstrativa, onde será evidenciado, por tipo de conta contábil, a improcedência das glosas efetuadas dos custos e/ou despesas registradas nessas contas, com o indicação dos elementos e documentos que ensejaram o acatamento desses dispêndios como insumos necessários para as realizações dos espetáculos, a saber: (TABELA 4) Nesse ponto, cabe registrar que os atos administrativos acima indicados (Decreto nº 49.969/2008 do Município de São Paulo; Resolução da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro SESEG nº 13/2007) foram juntados pela impugnante às fls. 1890/1926 dos autos. Desse modo, impõese seja revertida todas as glosas dos valores registrados nas contas contábeis inseridas na planilha acima, constantes do Anexo I do Termo de Constatação Nº 01. 3.4. Das glosas do Grupo 06 pela motivação: “Serviços prestados por pessoas físicas não geram direito a créditos de PIS/Cofins” No grupo em questão encontramse inseridas as glosas efetuadas relativas às prestações de serviços contabilizadas nas contas: alpinista (rigger), carregadores, comissários, garçom, interprete, passadeiras e camareiras, profissionais de operação, Fl. 5893DF CARF MF 52 profissionais de produção, técnico de áudio e filmagem, traduções e legendas, vistoriadores, vistos e contratos de trabalho. A autoridade fiscal apresenta no Anexo I do Termo de Constatação Nº 01 a seguinte justificativa para a vedação aos créditos inseridos em citadas contas: “Serviços prestados por pessoa física não geram direito a créditos de PIS/Cofins §2º Inciso I, da Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003”, sem no entanto apresentar qualquer documento comprobatório de que efetivamente tenham ocorridos pagamentos destinados a pessoas físicas. Por outro lado, em sua peça impugnatória a contribuinte afirma que nenhum dos serviços glosados relativos ao grupo em apreço foram pagos a pessoas físicas, mas, sim, a pessoas jurídicas. A documentação apresentada pela requerente para corroborar sua argumentação foi composta dos seguintes elementos: (i) contratos de prestação de serviços relativos às despesas glosadas; (ii) boa parte das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços ao longo do anocalendário de 2009 (doc. de fls. 2186/3018), sendo apresentada a seguinte planilha demonstrativa visando facilitar o acesso aos documentos acostados: (TABELA) Assim, em face do expressivo quantitativo de documentos acostados, podese verificar, a título ilustrativo, os seguintes beneficiários pessoas jurídicas nos documentos apresentados pela contribuinte, em relação aos seguintes valores supostamente atribuídos a pessoas físicas, a saber: (TABELA 5) Nesse cenário, não obstante a demonstração acima realizada, que alcançou uma pequena amostra dos documentos apresentados, que alcançaram mais de 800 comprovantes de dispêndios (notas fiscais e recibos), deve ser destacado que em todos os documentos apresentados pela impugnante não se identifica um pagamento sequer efetuado a pessoa física, fato que põe por terra a fundamentação para as glosas desses serviços, que na visão da autoridade fiscal teriam sido pagos para pessoas físicas, com a consequente vedação do aproveitamento dos créditos do PIS/Confins, em face das determinações contidas no §2º Inciso I, da Lei 10.637/2002 e Lei 10.833/2003. À toda evidência a única justificativa para tal procedimento adotado pela fiscalização somente pode ser compreendida por uma análise superficial, focada exclusivamente nos aspectos dos serviços prestados, que sem dúvida aparentam ter a essência da natureza individual do trabalho. Entretanto, nada disso foi confirmado com base em toda a documentação apresentada pela contribuinte, a qual sempre esteve a disposição da autoridade fiscal, fato que compromete a qualidade do trabalho realizado. Fl. 5894DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.869 53 Nesse sentido, materializase nesse ponto em questão a inexistência do fato imponível na exigência fiscal, não se configurando o nascimento da obrigação tributária, pela aplicação da hipótese de incidência inadequada, não condizente com os pagamentos efetuados pela empresa para prestadores de serviços pessoas jurídicas. Assim, devem ser consideradas improcedentes todas as glosas efetuadas nas contas contábeis inseridas na tabela acima. 3.5.1. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 158/2009 A Solução de Consulta em tela serviu de fundamento para glosas dos dispêndios realizados com segurança e vigilância e contratação de seguro, devendo, em primeiro lugar, ressaltar que a consulente objeto dessa manifestação da administração atua no ramo de serviços de tecnologia de informação, solução integrada de loterias, entre outros, atividades que em nada se assemelham aos serviços prestados pela fiscalizada. No caso em apreço, a contribuinte desempenha atividades econômicas que, por suas naturezas, requerem a contratação de “segurança privada” e “seguros”, pois seus eventos assim determinam. Senão vejamos. No tocante às glosas dos dispêndios realizados com segurança e vigilância as próprias atividades desenvolvidas pela empresa justificam o aproveitamento desses valores como créditos de PIS/Cofins, pois boa parte dos espetáculos produzidos conta com grandes públicos, os quais têm, como riscos potenciais, a possibilidade de tumultos, brigas e balbúrdias. Além disso, alguns desses cuidados precisam ser tomados, na maioria das vezes, por decorrência de obrigações legais e infralegais, como mencionado no item 3.2 do presente Voto, por ocasião da análise das glosas específicas com gastos com a polícia militar, no caso concreto em atendimento à Resolução da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro SESEG nº 13/2007. Ademais, não se pode cogitar a realização de eventos dessa natureza com o concurso exclusivo da polícia militar, pois sua atuação restringese à proteção das áreas públicas, sendo muito comum, no caso de jogos de futebol, por exemplo, a contratação de segurança particular para a vigilância interna dos estádios, como já fartamente noticiado na mídia em polêmicos casos de violências praticadas nesses eventos esportivos. Nesse sentido devem ser restabelecidos os créditos originários dos dispêndios com segurança e vigilância. Com relação às despesas com seguros existem nos autos elementos que evidenciam que tais gastos decorreram de Fl. 5895DF CARF MF 54 diversas obrigações contratuais firmadas, sendo possível apresentar os seguintes exemplos: Exigência inserida nos contratos de cessão de uso de espaço (camarotes) impondolhe o dever de contratar seguro de responsabilidade civil. Exemplo: alínea b, da cláusula 2.1 do Contrato firmado com a empresa ASSISTCARD DO BRASIL LTDA, doc. de fls. 1996/1999, a seguir transcrita: 2.1 A T4F comprometese a: (a) (...) (b) manter vigente um seguro de responsabilidade civil para quaisquer eventos a serem apresentados nas dependências do CREDICARD HALL com venda de ingressos para o público; (grifei) Cláusula 29 do contrato do Cirque du Soleil, pela qual a contribuinte assumiu o ônus de contratar seguros abrangendo diversas coberturas, entre as quais destacamse: responsabilidade geral cobrindo lesão corporal e danos materiais; seguro de automóvel, cobrindo as atividade dos veículos fornecidos para o pessoal do Circo, seguro de remuneração de trabalhadores, entre outros, doc. de fls. 1871/1873. Em contrapartida, mais uma vez, evidenciase que as glosas dessas despesas foram efetuadas de forma genéricas, não sendo provado pela autoridade fiscal que esses gastos com seguros foram exclusivamente destinados a promover coberturas relacionadas aos seus próprios bens móveis/imóveis e funcionários, situação que levaria ao entendimento de que tais gastos teriam o viés de despesas dedutíveis do IRPJ e não insumos para fins de crédito de PIS/Cofins, caracterizando economicidade de provas por parte da fiscalização. Por outro lado, as provas carreadas pela impugnante sinalizam para o fato de que tais dispêndios foram indispensáveis para as realizações dos eventos, pois trataramse de avenças contratuais, cujo descumprimento geraria danos para as prestações desses serviços. Por essas razões devem ser consideradas improcedentes as glosas efetuadas com os gastos com seguros. 3.5.2. Solução de Consulta DISIT/5ª RF nº 17/2012 Com relação às despesas com refeição e alimentação, em situação semelhante identificada nos gastos com seguros abordados no item precedente, vislumbrase nos autos evidências que demonstram que tais gastos foram originários de avenças contratuais firmadas, e para tanto apresentase os seguintes exemplos: Cláusula 10.3 do contrato de prestação de serviços relativo ao espetáculo Quidam do Cirque du Soleil, doc. de fls. 1839/1840, que obriga a contribuinte a fornecer, exclusivamente à sua custa, refeições, uma variedade de bebidas e lanches, para o seu próprio pessoal alocado ao evento, bem como o pessoal do Fl. 5896DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.870 55 Circo, abrangendo os períodos de montagem e desmontagem dos equipamentos do Circo; Cláusula 10 do contrato firmado para o espetáculo musical do grupo “AC/DC”, que estabelece o fornecimento de alimentação para o artista e sua equipe, doc. de fl. 3026. Também faz parte dos elementos comprobatórios apresentados pela contribuinte a contratação de serviços de acompanhamento nutricional, visando garantir que as exigências firmadas com o Cirque du Soleil fossem atendidas, nos termos do contrato firmado com a empresa Conttrolare Assessoria em Segurança Alimentar Ltda., doc. de fls. 3029/3037, e respectivos Anexo I – Cronograma dos espetáculos do circo (fl. 3038), e Anexo II Manual de Boas Práticas Operacional do Cirque du Soleil Brasil. Nesse sentido, devem ser revertidas as glosas efetuadas com as despesas com refeição e alimentação, pois o conjunto probatório inserido na peça impugnatória indicam para gastos vinculados e indispensáveis para as realizações dos espetáculos. 3.5.3. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 180/2012 Aplicamse às glosas efetuadas com base na Solução de Consulta acima identificada, relativas às despesas com hospedagens, passagens e condução, as mesmas razões já indicadas nos itens precedentes, pois decorrem, também, de cláusulas contratuais firmadas para a realização do espetáculo do Cirque du Soleil, que impunham ao contribuinte a obrigação de realizar tais dispêndios para toda a equipe de referido circo, de conformidade com as cláusulas 11 e 12 do contrato em tela, doc. de fls. 1840/1841. Deve ser destacado que tais exigências não se restringiram ao contrato firmado com referido Circo, pois também são encontradas nas cláusulas 5 e 8 do contrato firmado com Banda “AC/DC”, gerando compromisso de fornecimento de acomodações e alimentação para os integrantes de citado conjunto, doc. de fls. 3024/3025. Nesse cenário, considerando a realização de glosa genérica por parte da fiscalização, sem a juntada de qualquer prova indiciária, não tem como ser afastada a argumentação da impugnante de que nas contas glosadas não foram contabilizadas as despesas "corporativas" de viagens, realizadas por diretores e representantes da empresa em viagens, pelo fato que tais dispêndios teriam sido registrados, em tese, em outras contas, não sujeitas às glosas em questão. Com relação às despesas com figurino apresentase os mesmos fundamentos indicados por ocasião das análises das despesas com “perucaria” e “maquiagem”, item 3.3 do presente Voto: JUSTIFICATIVA PARA ADMISSÃO DOS CRÉDITOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS Fl. 5897DF CARF MF 56 Elemento fundamental à produção de qualquer espetáculo ou obra teatral. Desnecessário em face da clara vinculação com o objeto social da impugnante e natureza dos eventos produzidos. Pelo exposto, devem ser restabelecidos os créditos de insumos inseridos nas contas contábeis: Figurino; Hospedagem – Diárias e Taxas; Hospedagem – Outros; Estacionamento; Viagens Passagens; Condução. 3.5.4. Solução de Consulta DISIT/8ª RF nº 181/2012 Quanto ao grupo de despesas glosadas com base na Solução de Consulta acima indicada, sustenta a contribuinte que houve por parte da fiscalização uma má compreensão das atividades econômicas desempenhadas pela empresa, bem como das naturezas das obrigações pactuadas em contratos. A ementa da Solução de Consulta indicada sinaliza para o entendimento da RFB sobre a impossibilidade de geração de direito a crédito nos casos de despesas com propaganda e publicidade realizada pela pessoa jurídica para a promoção e divulgação da sua própria marca e produtos, caracterizandose como serviços tradicionais de marketing do próprio negócio. Por outro lado, os elementos trazidos aos autos pela impugnante indicam que as diversas despesas glosadas não foram destinadas a divulgar a sua própria marca, objetivando, sim, à promoção e divulgação de marca de terceiros, nos termos dos exemplos apontados na sua peça impugnatória em relação aos espetáculos Cirque du Soleil e Blue Man Group. Os argumentos apresentados evidenciam que nas produções de encartes para os espetáculos existe a intenção de superar a mera divulgação do evento em si, sendo forte o objetivo promocional de marca de terceiros, que muitas das vezes passa a condição de patrocinadores desses eventos, de conformidade com os diferentes tipos de encartes trazidos aos autos, doc. de fls. 3105/3110, os quais possuem conteúdos semelhantes no aspecto da divulgação de terceiros. Desse modo, essa estratégia de atuação encontra respaldo diferenciado dentro do objeto social da empresa, com base na contemplação da atividade: aquisição, negociação e transferência de direitos publicitários, bem como o agenciamento de propaganda e publicidade e sua execução e divulgação em veículos de imprensa, além da prestação de serviços de publicidade em geral, da mesma maneira que adota o nome de importantes marcas em suas casas de espetáculos: Credicard Hall, Teatro Abril, Chevrolet Hall, entre outros. Nessa forma de atuação a contribuinte visa agregar valor nessa prestação de serviço atrelando à marca de uma empresa a imagem de um evento de grande prestígio, e para comprovar a realização desses serviços faz juntada de diversos contratos firmados com empresas de peso no cenário nacional, destacandose entre outras o Bradesco, CEF, Claro, Shopping Iguatemi, TIM, Citibank, Ipiranga, Grandene, TAM e Samsung, doc. de fls. 3112/3965. Fl. 5898DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.871 57 A título exemplificativo, em face da farta documentação, apresentase, a seguir, transcrição de cláusula contratual firmada no contrato de patrocínio com a Caixa Econômica Federal, doc. de fls. 3112/3118, a saber: CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO O presente contrato regula os direitos e obrigações pertinentes ao patrocínio para o Pacote Nacional MPB Popular que é um pacote de shows com dez artistas nacionais selecionados pela CONTRATADA e aprovados pela CONTRATANTE, durante a vigência deste contrato, totalizando vinte apresentações no Credicard Hall, Rua Bento Branco de Andrade Filho, 400, Vila Almeida, CEP 04757100, em São Paulo. Do exame amostral desses contratos verificase que não se vislumbra intenções de promover a publicidade da autuada, e sim a divulgação da marca de terceiros. Desse modo, identificase uma vinculação nos serviços de propaganda em questão como insumo para a prestação e serviços de promoção de marcas de terceiros, pois a sua não efetivação inviabilizaria a atividade em comento. Nesse contexto, verificase que a motivação das glosas adotada pela fiscalização alcançou Solução de Consulta que não tratou da matéria fática em questão, pois no caso concreto as despesas de propagandas destinamse a divulgar marcas de terceiros, e encontramse vinculadas com os eventos realizados pela contribuinte, não se configurando como meros gastos realizados com o marketing da própria empresa. Nesse diapasão, impõese sejam consideradas improcedentes as glosas efetuadas nos custos/despesas registradas nas contas: Assessoria e Consultoria de Informática; Data Center/Hosting; Desenvolvimento de Sistemas; Serviços de Infraestrutura Rede; Serviços de Link e Dados; Assessoria de Imprensa; Produção Gráfica e RTVC; Cinema; Flyers e Cartões Postais; Rádio; Revistas; Serviços de Clipping, Televisão; Internet; Jornais; Mídia Externa; Serv. De Vídeo, Fotografia e Filmagem; Outros Custos de Mídia e Publicidade. 3.5.10. Solução de Consulta DISIT/6ª RF nº 88/2009 A Solução de Consulta em questão serviu de fundamento para glosa dos dispêndios realizados com consumo de água no estabelecimento industrial de uma empresa metalúrgica, objetivando a refrigeração ou resfriamento de máquinas, moldes e injetores. Assim, o primeiro aspecto que chama a atenção é a total incompatibilidade entre as atividades realizadas pela consulente e a autuada, e o segundo referese a realização de mais uma glosa genérica, de toda uma conta contábil, sem qualquer elemento comprobatório que indique qual tipo de consumo de água está sendo examinada no presente tópico. Fl. 5899DF CARF MF 58 Por outro lado, a contribuinte alega que a despesa em questão contempla, não só o seu consumo em suas instalações, mas também o fornecimento de água potável aos artistas estrangeiros responsáveis pelas performances artísticas produzidas no Brasil. A título de exemplo, destaca a impugnante a cláusula 10.3.2 do contrato relativo ao Cirque du Soleil, que impõe à contribuinte o dever de fornecer água potável à toda a equipe de artistas, doc. de fl. 1840, conforme transcrição a seguir: 10.3.2 Além disso, em cada Local da Turnê, a T4F deverá disponibilizar em todos os momentos, exclusivamente à sua custa e despesa e gratuitamente, quantidades adequadas e contínuas de água potável a partir da Data de Ocupação até a Data de Encerramento para consumo do Pessoal do Cirque e do Pessoal da T4F. (grifei) Ora, considerando que o espetáculo “Quidam” do mencionado circo foi realizado em 09 (nove) capitais brasileiras, e considerando, ainda, o número de artistas e pessoal de apoio necessário para realização de cada evento, pode se ter uma dimensão da expressividade desse consumo de água, apenas em relação a uma única produção realizada pela contribuinte. Assim, da mesma forma como relatado em itens anteriores, a opção da fiscalização em realizar glosas genéricas, de todos os valores registrados nas contas contábeis, não se coaduna com o rol de atividades desempenhadas por uma empresa prestadora de serviços tão diversificados. Dessa forma, como não foi provada pela fiscalização que tipo de consumo de água foi glosado, se relacionado às atividades normais da empresa, ou se vinculados aos eventos, com base em avenças contratuais, deve ser restabelecido os créditos dos insumos registrados na conta contábil: Água. 4. Da glosa do Grupo 08: créditos específicos a título de “Cachê Artístico em Moeda Nacional” Diferentemente dos itens anteriores, o tópico em questão não trata de glosa de créditos em função da natureza do custo e/ou despesa e sua conceituação de insumo para fins das contribuições para o PIS e a Cofins. O ponto em tela está relacionado à glosa de créditos específicos, a título de “cachê artístico em moeda nacional” no montante de R$ 923.391,84, referentes aos meses de janeiro a março do ano calendário de 2009, em razão de não terem sido apresentados à fiscalização os correspondentes comprovantes de pagamento ou notas fiscais, ou terem sido apresentados comprovantes de pagamento a menor, tratandose, portanto de questão meramente documental. Para suprir a falta de documentação apresentada no curso da ação fiscal, a contribuinte junta à sua peça impugnatória, os seguintes elementos: Planilha com a indicação dos documentos trazidos aos autos, doc. de fls. 3733/3734; Fl. 5900DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.872 59 Os comprovantes de pagamentos dos valores que deixaram de ser demonstrados no curso do procedimento fiscal, doc. de fls. 3735/3872. Em face da expressiva quantidade de documentos anexados ao presente processo, aplicase critério de amostragem para o deslinde desse ponto, com base na eleição dos documentos que apresentaram os maiores valores em mencionada planilha. Eleitos os documentos que serão analisados individualmente, deve ser destacado que os valores informados na planilha elaborada pela contribuinte foram previamente cruzados com as informações constantes no Anexo IV do Termo de Constatação Nº 01, no sentido de assegurar que esses documentos foram efetivamente apontados como faltantes pela autoridade fiscal, e por consequência fazem parte da glosa em apreço. Feitas essa considerações, apresentase a seguir tabela indicando os documentos e ou comprovantes de pagamentos originalmente não apresentados no procedimento fiscal, cuja pendência encontrase agora solucionada, a saber: (TABELA 6) Não obstante a amostragem acima indicada ter alcançados poucos documentos apresentados pela impugnante, cabe registrar que o total examinado, no montante de R$ 755.393,57, representa 81,81% do montante global da glosa em questão (R$ 923.391,84). Desse modo, superada a ausência de apresentação de documentos e comprovantes de pagamentos de cachês artísticos em moeda nacional deve ser cancelada a respectiva glosa de créditos dessa natureza. 5. Da glosa do Grupo 09: diferença entre Planilha apresentada pelo contribuinte e os valores declarados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON A glosa relacionada a esse tópico foi gerada pela identificação de diferenças entre os valores dos créditos declarados pela contribuinte no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, e os valores informados em planilha entregue pela contribuinte em 18/06/2013. Nos esclarecimentos apresentados no curso do procedimentos fiscal a contribuinte procurou justificar essas diferenças com base em critérios distintos adotados para os preenchimentos desses documentos (DACON e planilha). Na oportunidade foi informado que na planilha foram considerados os dados extraídos diretamente da escrituração contábil, que adota para seus lançamentos regime de competência, enquanto para o preenchimento do DACON os créditos foram informados com base nas notas fiscais fornecidas pelos seus fornecedores adotandose as datas dos efetivos pagamentos (regime de caixa). Fl. 5901DF CARF MF 60 Para suprir essa suposta inconsistência a contribuinte apresentou nova planilha, adotando o mesmo critério utilizado no preenchimento do DACON, tendo efetuado o protocolo desse documento em 13/08/2013. Assim, insurgese a contribuinte em relação à essa exigência, em face de 03 (três) circunstâncias específicas. A primeira pela fiscalização ter desconsiderada a segunda planilha (13/08/2013), a segunda pela glosa ter sido efetuada a partir de uma planilha, sem a identificação de provas capazes de invalidar os valores declarados no DACON. E, por último, pelo fato de não terem sido considerados os meses em que os valores dos créditos mensais informados na planilha superam os valores declarados no DACON. Analisando os elementos trazidos aos autos evidenciase que assiste razão à contribuinte. A uma porque existem evidências no sentido de que efetivamente foi entregue em 13/08/2013 uma nova planilha demonstrativa das bases de cálculo e créditos de PIS/Cofins, nos termos do Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, emitido pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, doc. de fls. 4101 primeiro arquivo da relação , e de conformidade com o item 3 da resposta apresentada pela contribuinte, doc. de fls. 4102/4103, em atendimento ao Termo de Fiscalização, datado de 30/07/2013. Dessa forma, como não existe menção no Termo de Constatação Nº 01 de qualquer inconsistência em relação a segunda planilha, fica prejudicada qualquer análise das Tabelas 1 e 2 apresentadas pela contribuinte em sua peça impugnatória, doc. de fls. 1561/1562, onde procurou demonstrar que com a adoção de critério único, regime de caixa, o mesmo adotado no DACON, as diferenças ficariam bem reduzidas. De toda sorte, a segunda motivação para identificar falha no procedimento adotado pela fiscalização remanesce, qual seja a falta de elementos probatórios para justificar a glosa dos créditos de PIS/Cofins, implementada pela mera identificação de diferença entre planilha apresentada pela contribuinte e o DACON, pois seja qual fosse a planilha, a primeira ou a segunda, a fiscalização deveria identificar qual tipo de crédito informado no DACON estaria sendo vedado. Tal fato agravase pela terceira motivação, qual seja a consideração apenas dos meses em que os valores informados na planilha foram inferiores aos valores declarados no DACON, sem nenhuma manifestação sobre os meses em que a situação foi reversa, fato que ocorreu nos meses de maio, junho, julho, outubro e novembro, ou seja, quase que metade do ano. A constatação fática acima, por si só, ensejaria um maior aprofundamento por parte da fiscalização, tendo em vista que, em termos anuais, os valores informados na planilha de 18/06/2013 estão superiores aos valores declarados no DACON, o que, de certa forma, resultaria, em tese, em valores apropriados de créditos a menor. Fl. 5902DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.873 61 Assim, não andou bem a fiscalização em deixar de lado esses meses em que foi identificado uma diferença negativa entre os créditos informados, exigindo, como glosa de créditos de PIS/Cofins, apenas os meses em que foram identificadas diferenças positivas, pois afinal de contas todos os elementos utilizados para tal prática foram elaborados pela contribuinte (planilha e DACON). Ademais, os créditos de PIS/Cofins de meses anteriores podem ser utilizados nos meses subsequentes. Vejase, a respeito desse tema de aproveitamento de crédito, a dicção do § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/ 2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – (...)§ 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (grifei) Com relação a esse último ponto cabe, ainda, destacar, que em nenhum momento existe manifestação da autoridade fiscal em relação ao regime correto para apropriação dos insumos, para fins de apuração dos créditos de PIS/Cofins, competência ou caixa, quando em decorrência desse posicionamento poderia ser identificada alguma infração à legislação tributária por preenchimento incorreto do DACON, dando suporte às respectivas exigências. Por essas razões, devem ser restabelecidos os créditos de PIS/Cofins que foram glosados em face das diferenças encontradas em informações disponibilizadas em planilha e DACON. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO e DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar a o cancelamento das glosas relativas à: Grupo 09 (serviços de telefonia fixa, móvel e link e dados); Grupo 10 (custos com taxas de cartão de crédito) Grupo 13 (mão de obra temporária), limitados aos contratos em que o contribuinte efetuou a vinculação à um evento ou espetáculo específico. Afastar a incidência do juros de mora sobre a multa de ofício. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Fl. 5903DF CARF MF 62 Fui designado para redação do voto vencedor nesta matéria, para a qual adoto as razões do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 910100539, abaixo reproduzido no que tange ao tema. “O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário 'é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).' A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 5904DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.874 63 § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida 'juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago'(§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Fl. 5905DF CARF MF 64 Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." (…) No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Assim, voto pela incidência de juros sobre a multa de ofício. Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 19515.720162/201408 Acórdão n.º 3201003.073 S3C2T1 Fl. 5.875 65 Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Fl. 5907DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979275/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 75 /2 00 9- 18 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.979275/200918 Acórdão n.º 1201001.710 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.979275/200918 Acórdão n.º 1201001.710 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979275/200918 Acórdão n.º 1201001.710 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979275/200918 Acórdão n.º 1201001.710 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10070.000364/2003-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
DECISÃO RECORRIDA. ENTENDIMENTO CONVERGENTE COM SÚMULA. NÃO CONHECIMENTO.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Art. 67, § 3º, Anexo II do RICARF.
SÚMULA CARF 37. PERC.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 9101-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ENTENDIMENTO CONVERGENTE COM SÚMULA. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Art. 67, § 3º, Anexo II do RICARF. SÚMULA CARF 37. PERC. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 03 64 /2 00 3- 71 Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10070.000364/200371 Acórdão n.º 9101003.034 CSRFT1 Fl. 350 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 248 e segs.) em face da decisão proferida no Acórdão nº 120200.145 (efls. 240 e segs), pela 2ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, na sessão de 25/08/2009, no qual dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. O despacho de efl. 299 relata com clareza o andamento processual: 1. O processo em epigrafe foi encaminhado a esta DIORT/DEMAC/RJO pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – a partir do despacho nº 12000.425/2009, após interposição de Recurso Especial de Divergência pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra acórdão anterior de nº 120200.145. 2. A divergência gira em torno do momento em que deva ser verificada a regularidade fiscal da empresa para deferimento do PERC (Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais). 3. Tendo inicialmente seu Pedido Indeferido por esta DIORT/DERAR/RJO, a interessada ingressou com manifestação de inconformidade na DRF/RJO I, sendo esta também indeferida. 4. Ingressou então com Recurso Voluntário junto ao CARF sendo a este dado provimento, reformandose então decisão de 1º instância. 5. Conforme já exposto, houve interposição de Recurso Especial da PFN em face do acórdão proferido pelo CARF nº 120200 145, e emissão de novo despacho, de nº 12000.425/2009, em que foi dado seguimento ao Recurso Especial e solicitando a esta DIORT/DEMAC/RJO que desse ciência ao contribuinte para que, querendo, apresentasse suas contrarazões. 6. De acordo AR anexado à fl. 294, foi dada ciência ao contribuinte em 25/01/2010. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10070.000364/200371 Acórdão n.º 9101003.034 CSRFT1 Fl. 351 3 7. Até a presente data, não consta do processo manifestação do contribuinte. 8. Diante de todo o exposto, proponho o encaminhamento do presente processo de volta ao CARF para prosseguimento e demais providências de alçada. A decisão recorrida, Acórdão nº 120200.145 (efls. 240 e segs), proferida pela 2ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, apresenta a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC A regularidade fiscal necessária à emissão do PERC deve ser verificada em relação ao momento em que a contribuinte ingressa com o requerimento, não podendo ser indeferido o pedido em função de eventual irregularidade fiscal verificada no futuro quando vier a ser analisado o pedido. A PGFN interpôs recurso especial, no qual discorda do entendimento da decisão recorrida no sentido de que a regularidade fiscal a ser comprovada para o gozo do incentivo deve ser averiguada com base na data da apresentação da declaração de rendimentos (DIPJ). Entende a recorrente que, com base em paradigma (Acórdão nº 10809.111), a data para a comprovação da regularidade fiscal é a do despacho decisório dispondo sobre o PERC, precisamente o que ocorreu no caso concreto, em que a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro indeferiu o pedido vez que restou demonstrada a falta de regularidade da empresa junto à administração pública federal, com débitos inscritos na Dívida Ativa. Devidamente cientificada, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator O recurso da PGFN, apesar de tempestivo, não pode ser conhecido. Isso porque trata de matéria já consolidada na Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10070.000364/200371 Acórdão n.º 9101003.034 CSRFT1 Fl. 352 4 A decisão recorrida não deixa dúvidas quanto ao motivo pelo qual a unidade preparadora indeferiu o pedido do PERC: A decisão a quo indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, sob os fundamentos, dentre outros, expressos nos seguintes excertos, fls. 157 e 158, in verbis: "[...] Por derradeiro, concluo que a data a ser considerada, para fins de comprovação da regularidade fiscal do contribuinte, de acordo com o artigo 60 da Lei 9.069/95, em face da apresentação de manifestação de inconformidade contra o indeferimento ou deferimento parcial do seu Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, é aquela em que foi proferido o despacho decisório pela autoridade encarregada de sua apreciação [...] Deste modo, constatada a existência de débitos inscritos em dívida ativa da União e junto à Secretaria da Receita Federal, cuja exigibilidade não se encontrava suspensa, em 14/02/2005, segundo as provas constantes nos autos, na data em que foi proferido o despacho decisório, resta incomprovada a regularidade fiscal do contribuinte à época da análise de seu pedido, não havendo assim reparos a se fazer, quanto ao mérito, no despacho decisório proferido pela DERAT/DIORT/RJ e deste modo voto pelo indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais." (Grifei) Como se pode observar, o que se discute é a data para a verificação de regularidade fiscal do Contribuinte para fins de deferimento do PERC: apresentação da declaração de rendimentos ou emissão do despacho decisório. E o entendimento sumulado é transparente: considerase a data de apresentação da declaração de rendimentos, podendo a Contribuinte produzir a prova em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. E é precisamente o fundamento adotado pela decisão recorrida: A jurisprudência administrativa das diversas Câmaras do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em situações quejandas, cristalizouse no sentido de que a regularidade fiscal, necessária à emissão do PERC, deve ser verificada quanto ao momento em que a contribuinte ingressou com o requerimento e não do despacho decisório, revelandose improcedente o indeferimento do pedido em função de eventual irregularidade fiscal verificada no futuro quando o pedido vier a ser analisado. A situação é tratada pelo art. 67, § 3º, Anexo II do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10070.000364/200371 Acórdão n.º 9101003.034 CSRFT1 Fl. 353 5 (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, o recurso interposto pela PGFN, por ser contrário a decisão recorrida proferida com base na Súmula CARF nº 37, não pode ser conhecido. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 353DF CARF MF
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