Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,890)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,141)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,300)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.012924/95-42
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO.
- Comprovado que o lançamento remanescente foi alvo de auto de infração especifico e que o contribuinte recolheu integralmente a exigência, não há como persistir a cobrança, sob pena de exigência em duplicidade.
Numero da decisão: 1102-000.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : AUTO DE INFRAÇÃO. IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. - Comprovado que o lançamento remanescente foi alvo de auto de infração especifico e que o contribuinte recolheu integralmente a exigência, não há como persistir a cobrança, sob pena de exigência em duplicidade.
numero_processo_s : 10880.012924/95-42
conteudo_id_s : 5484580
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.255
nome_arquivo_s : Decisao_108800129249542.pdf
nome_relator_s : Silvana Rescigno Guerra Barreto
nome_arquivo_pdf_s : 108800129249542_5484580.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
id : 6034102
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610730131456
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:46:47Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:46:47Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:46:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f39bd81f-a42e-42e7-a750-2eb9c7f0c68a; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:46:47Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:46:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:46:47Z; created: 2010-12-21T10:46:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-21T10:46:47Z; pdf:charsPerPage: 1212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:46:47Z | Conteúdo => S1-C/T2 Fl 486 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10880,012924/95-42 Recurso n" 169.972 Voluntário Acórdão n" 1102-00.255 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria IRPJ Recorrente TRIDES - COMPANHIA IMOBILIÁRIA ADMINISTRADORA Recorrida 2" TURMA DRI/ SALVADOR-BAHIA EMENTA: AUTO DE INFRAÇÃO. TRU. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS, COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. - Comprovado que o lançamento remanescente foi alvo de auto de infração especifico e que o contribuinte recolheu integralmente a exigência, não há como persistir a cobrança, sob pena de exigência em duplicidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. IVETE-WALAOLJAAS PESSOA MONTEIRO - Presidente. SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator, EDITADO EM: 03/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), José Sérgio Gomes, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Relatora), João Otávio Opperman Thomé e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). Relatório Contra a Recorrente foram lavrados Autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL e PIS referentes aos exercícios de 1992,1993, 1994 e 1995, em razão de efetivação de depósitos judiciais dos valores devidos, sem o cômputo de correção monetária, reduzindo desta forma o lucro líquido dos respectivos períodos, bem como de compensações indevidas de prejuízos fiscais. Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 107/127), aduzindo, em síntese, que: i) a fiscalização teria sido irregular, por não ter sido observado o art. 950, do RIR/94, enquadrando-se a conduta da autoridade administrativa corno crime de prevaricação; ii) teria havido excesso de exação e caracterizada a prática do crime capitulado no art, 316, cio Código Penal; iii) seria nulo o lançamento em razão da atualização monetária com base em índices já repudiados pelo Judiciário -- .TR e TRD; iv) seria nula a aplicação de juros moratórios, porquanto exarcebada e contrária ao comando do art. 192, §3°, da CF6/88 e do art, 1062, do Código Civil que autorizam taxa de até 6% ano; v) inaplicável a multa punitiva, em razão das declarações de rendimentos apresentadas com a demonstração da base de cálculo dos valores depositados em juízo; vi) os depósitos judiciais referentes ao PIS decorrem de ação judicial proposta contra as alterações determinadas pelos já declarados inconstitucionais Decretos-lei n.° 2A45/88 e n.° 2,449/88, e os valores referentes a COFINS foram convertidos em renda, em razão da declaração de constitucionalidade declarada pelo STF; vii) foram registrados em contas do ativo, nas demonstrações financeiras da Recorrente, de forma meramente escritura!, os depósitos judiciais efetuados, por serem indisponíveis e representarem um passivo a pagar, de forma a refletir a situação financeira da empresa; viii) a determinação do art. 320, do RIR/94 para inclusão do lucro operacional das contrapartidas de variações monetárias dos depósitos judiciais em garantia e adição à base de cálculo do IRPJ esbarrariam na Constituição Federal; ix) não teria havido acréscimo patrimonial a autorizar a exigência do IRPJ, o que ensejaria afronta aos arts., 146 e 153, III, da CF/88, e arts. 43 e 110, do CTN; x) teriam sido violados os princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco, do livre acesso à jurisdição e da isonomia i) ii) v) vi) Processo n" 0880.012924/95-42 SI-C11-2 Acórdão o" 1102-00.255 Fl 487 processual, previstos nos artigos 5 0 , XXXV; 145, §1; e 150, IV, da CF/88. A 2" Turma, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador, Bahia, afastou as preliminares de nulidade e manteve, em parte, o lançamento, com base nos seguintes fundamentos: os juros de mora não foram apurados com base na TRD, mas nos termos do art. 161, do CTN e do art. 54, §2°, da Lei n.° 8.383/91 que determinam o montante de I% ao ano; cabível a imposição de multa prevista na legislação vigente, sob pena de afronta ao art. 142, do CTN, além de os valores lançados não terem sido declarados pela Recorrente, iii) as acusações quanto à suposta prática do crime de prevaricação e do excesso de exação são vagas e inexiste qualquer indício de que teriam ocorrido; iv) as autoridades .julgadoras são incompetentes para apreciar constitucionalidade de normas; não há necessidade de reconhecimento contábil da atualização monetária dos depósitos judiciais, haja vista que deverá ser apropriada com receita no exercício em que reconhecida a improcedência da pretensão fiscal, o que enseja a exoneração do crédito tributário correspondente; foram efetuadas compensações de prejuízos fiscais, em valores superiores aos saldos de prejuízos, o que exigiu a manutenção da glosa; Cientificada do acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário aduzindo, em síntese, o seguinte: i) a compensação a maior dos prejuízos fiscais não teria sido objeto do Auto de Infração, haja vista que estaria limitado a glosar toda a compensação realizada, de modo que os valores exigidos decorreriam de nova análise do balanço e da DIPJ apresentada; ii) os valores cobrados teriam sido integralmente pagos quando intimada a Recorrente quanto à lavratura do Auto de Infração .21-04118, lavrado em março de 1998 que exige especificamente IRPJ, em razão da ausência de prejuízo fiscal a ser apurado nos ano-calendário de 1993 e 1994.. É o relatório 3 Voto Conheço do recurso, por atender os pressupostos legais. Após decisão da DRJ, remanesceu apenas a exigência do 1RPJ em razão da constatação de compensações de prejuizos fiscais a maior, relativo aos fatos geradores ocorridos em 28 de fevereiro de 1993 (CR$ 183.732,00), março de 1993 (CR$ 230,942,00) e dezembro de 1993 (CR$ 27.523,00). Considerando que a Recorrente comprovou através de cópia do Auto de Infração ri.° 21-04118 448/449), ter sido intimada para pagamento das diferenças de IRPJ acima identificadas e o recolhimento integral dos valores exigidos, conforme prova guia de pagamento constante na ft 457, forçoso o reconhecimento da necessidade de cancelamento das exigência remanescentes, sob pena de pagamento em duplicidade Com base nas sucintas considerações acima, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Silvana R6s(kigno Guerra Barretto 4
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002042/2007-89
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário:2002
EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES.
A provisão que não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extra-contabilmente, a sua reversão, desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real. Deve ser cancelada a autuação quando comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões.
Numero da decisão: 1401-001.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário:2002 EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES. A provisão que não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extra-contabilmente, a sua reversão, desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real. Deve ser cancelada a autuação quando comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões.
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18471.002042/2007-89
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296234
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1401-001.012
nome_arquivo_s : Decisao_18471002042200789.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 18471002042200789_5296234.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5097410
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610732228608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1781; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.566 1 2.565 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002042/200789 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.012 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria IRPJ Recorrente IBM Brasil Indústria Máquinas e Serviços Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2002 EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES. A provisão que não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extracontabilmente, a sua reversão, desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real. Deve ser cancelada a autuação quando comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 42 /2 00 7- 89 Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.567 2 Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.568 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1218.779, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I RJ. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração, de fls. 270/277, lavrado pela DEFIS/RJ, com ciência em 17 de dezembro de 2007, por meio do qual foi exigido da interessada acima identificada, para o exercício de 2003, IRPJ, no valor de R$ 5.124.066,54, com multa de oficio de 75 % e pertinentes acréscimos legais, no total de crédito tributário de R$ 12.883.440,49 (fl. 02). DA AUTUAÇÃO 2. Houve a autuação, descrita como finalização parcial de ação fiscal (fl.270), após análise da escrituração, com intimações e esclarecimentos prestados (fl. 78/103,104/199, 201/246, 247/303, 304), por haverem sido apuradas exclusões indevidas no cálculo do Lucro Real da IBM Business Consulting Services S/C Ltda, CNPJ n ° 62.799.507/000104, incorporada, em 1 ° de janeiro de 2003 (fl. 249/269) pela interessada (fl. 278/303, 335/375). 3. A autoridade fiscal intimou a interessada a apresentar documentação comprobatória das exclusões efetuadas no LALUR, no total de R$ 20.496.266,15 e o LALUR n ° 1 (fl. 109). Em resposta (fl. 110/111), juntando o livro (fl. 121/125), apresentou demonstrativo de movimentação no LALUR (fl. 116). 4. A autoridade fiscal, entendendo que não havia menção ao número das ações judiciais e situação atualizada que justificassem as adições e exclusões do LALUR e em razão da falta de apresentação de escrituração contábil para os anoscalendário de 1997 a 2002, informou que questionou verbalmente a interessada. 5. Em sua nova resposta (fl. 112/115), a interessada, informou que as exclusões, no anocalendário de 2002, no seu entender, sem efeito fiscal, se referiam a reversões, efetuadas com base em orientação jurisprudencial (fl. 115), de provisões feitas em períodos anteriores (fl. 116), relativas aos seguintes processos judiciais, nos quais discutia a exigência de Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza (ISS) e Contribuição ao Serviço Social do Comércio (SESC): a) Ação Declaratória, distribuída por dependência, à Medida Cautelar n ° 1.030005917 (fl. 127/145 e 146/179, 180/183, 184/192), em 23 de abril de 1997, com pedido (fl.144) de declaração de inexistência de relação jurídicotributária entre a interessada e o município do Rio de Janeiro, quanto ao ISS de forma diversa da prevista no Art. 9 ° §§ 1 ° e 3 ° do Decreto n ° 406, de 1968 e declaração de ilegalidade do Art. 29, caput e parágrafo único da Lei Municipal n° 691, de 1984 e da Lei n ° 2.080, de 1993; b) Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar (fl. 194/199, 202/217, 293/298), com pedido (fl.216) de medida liminar a fim de suspender, até o julgamento final da ação, a exigibilidade dos créditos tributários, referentes à contribuição ao SESC e o seu recolhimento (fl. 217). Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.569 4 6. A interessada apresentou demonstrativo (fl. 116) das provisões de ISS, com exigibilidade suspensa, adicionadas no LALUR de 1997, 1998, 2000 e 2001 respectivamente, nos valores de R$ 1.861.168,32 (fl. 123), R$ 2.420.160,27 (fl. 124), R$ 7.040.746,79 e R$ 8.691.934,98 e de contribuição ao SESC, no valor de R$ 482.255,79, para 1998, que teriam sido revertidas, no total de R$ 20.014.010,36, em 2002. 7. A interessada apresentou demonstrativo de andamento processual e situação de ações judiciais, com relatório de perspectiva de êxito, por ação, relacionando autor, réu, processo, objeto, processos pendentes e valor da causa na data do pedido (fl. 224/240) e listagem de projetos e processos da IBM, em 2007 (fl. 241/246). 8. A autoridade fiscal, de acordo com Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fl. 270/272), integrante do Auto (fl. 275), procedeu A autuação, do valor de R$ 20.496.266,15, nos termos do Art. 8 ° da Lei n ° 8.541, de 1992 e do Art. 250,1 do RIR/1999, em razão de entender que a decisão de reverter provisões e efetuar as exclusões ocorreu por orientação jurisprudencial, a despeito de as ações judiciais ainda estarem vigentes (t1.126/223), que a interessada não comprovou que as ações judiciais eram concernentes As exclusões efetuadas e que os valores adicionados e excluídos foram contabilizados. 9. Acrescentou, ainda, que a interessada não apresentou demonstrativo de cálculos, justificando os valores adicionados e excluídos, que de acordo com listagem de projetos e processos (fl. 224/246), existiam diversas ações judiciais sobre ISS . e Contribuição ao SESC, mesmo objeto das exclusões em questão e nos LALUR n ° 1 e 2 não havia identificação das ações judiciais. DA IMPUGNAÇÃO PRELIMINARMENTE 10. A interessada interpôs sua impugnação (fl. 306/332), juntando documentação (fls. 333/399 e 402/507), em 15 de janeiro de 2008, argüindo, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração (fl. 308/309), com fulcro no Art. 10, IV do Decreto n ° 70.235, de 1972, por erro na base legal que não se prestava para justificar a autuação. 11. Argumentou, em síntese, que o Art. 250, I do RIR11999 se referia unicamente a exclusões fiscais, conforme Parecer Normativo COSIT n ° 96, de 1978, transcrito (fl. 312/313), enquanto a autuação se referia a exclusões de natureza contábil, já que a reversão essa provisão aumentou o resultado contábil do exercício, exatamente, pelo valor da reversão, no montante de R$ 20.496.266,15 (fl. 309). A interessada esclareceu (fl. 312/313) que a exclusão se referia à reversão de provisões anteriormente constituídas, relacionadas com contingências fiscais, não deduzidas do Lucro Real, logo com natureza puramente contábil e, não, fiscal. DO MÉRITO 12. Alegou que a decisão de constituir e de reverter uma provisão é decisão dos administradores da sociedade, com orientação de seu contabilista, não havendo na legislação tributária dispositivo que obrigue uma empresa a constituir uma provisão para atender despesas e gastos incertos ou que também permita a sua reversão em momentos específicos (fl. 309). Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.570 5 13. A interessada acrescentou que a empresa reverteu as provisões, em decisão técnicocontábil, sem qualquer efeito fiscal, conforme quadros demonstrativos de (fl.322/323), anulando adições anteriormente efetuadas, com base em decisões judiciais existentes naquele momento em relação a matérias relacionadas a contingências fiscais e que a lei tributária não continha, e nem poderia conter, nenhuma vedação a esse procedimento. Alegou que as exclusões questionadas correspondiam a estornos contábeis (fl. 325). 14. Argumentou que a reversão de tais valores foi acertada, uma vez que o débito fiscal relativo a provisão foi desconstituido pelo STF, em 1 ° de junho de 2005, quanto a Ação Declaratória n ° 1.03.000591 (fl. 318), obtendo sentença favorável também quanto à contribuição ao SESC (fl. 319). Alegou que, mantida a exigência fiscal, deveria haver a imputação quanto a recolhimento indevido, por antecipação, efetuado em períodos anteriores, quanto As adições efetuadas. Citou ementa de Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes (fl. 324). 15. Citou que a Deliberação da CVM n ° 489, de 2005, definiu provisão como passivo de prazo ou valor incertos, registros contábeis de encargos ou riscos conhecidos e calculáveis que se destinavam ao pagamento de eventuais passivos que poderiam, ou não, se concretizarem no futuro. Citou decisões do STJ, acerca da exigência de ISSQN (fl. 317/318 e 319/321) que entendia ser jurisprudência favorável acerca da matéria. 16. Alegou que a lei não previa e nem poderia prever a obrigatoriedade de manutenção de provisões que a empresa considerava que não mais se justificavam, sendo improcedente o lançamento. 17. A interessada alegou, ainda, que não poderia prevalecer a multa de oficio de 75 % lançada, tendo em vista ser sucessora por incorporação da IBM Business Consulting Services S/C Ltda, existindo impedimento pelo Art. 132 do CTN, pelo caráter personalíssimo da penalidade e pelo fato de se tratar de responsabilidade da sucessora por tributos, conforme Art 3 ° do CTN e, não, multa (fl. 327/331). 18. A interessada protestou pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive, juntada de novos documentos. 19. Requereu que fosse resguardado seu direito a ser notificada da juntada de qualquer documento pelas autoridades administrativas ou fato superveniente aos autos, para exercer seu direito de defesa. 20. t o relatório. A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO, INOCORRÊNCIA. Tendo sido respeitados os devidos procedimentos fiscais, sem cerceamento do direito de defesa da interessada, improcede a preliminar de nulidade quanto aos Autos de Infração. Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.571 6 EXCLUSÃO DO LUCRO REAL. REVERSÃO DE PROVISÕES. Deve ser mantida a autuação quando não comprovado, por meio de documentação hábil e suficiente, alegado nexo entre as exclusões autuadas e anteriores provisões. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.A incorporadora é responsável pelo pagamento da multa de oficio decorrente de infração atribuída incorporada. Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Acuso a anexação de memoriais às fls. 2.545/2645 que foi deferido pelo Presidente da Turma. Tais memoriais repisam o recurso voluntário, apenas dispondo de forma mais didática a produção de certas provas. É o relatório. Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.572 7 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Admitido os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. A empresa foi autuada em face de diminuição indevida da base tributável do IRPJ e da CSLL relativa ao ano calendário de 2002. No caso, segundo a fiscalização, procedeu a exclusões não autorizadas pela legislação de regência. Segundo a Recorrente, tais valores foram excluídos da base de cálculo do IRPJ corretamente, uma vez que a lei não previa e nem poderia prever a obrigatoriedade de manutenção de provisões que a empresa considerava que não mais se justificavam, sendo improcedente o lançamento. Alegou ainda que a decisão de constituir e de reverter uma provisão é decisão dos administradores da sociedade, com orientação de seu contabilista, não havendo na legislação tributária dispositivo que obrigue uma empresa a constituir uma provisão para atender despesas e gastos incertos ou que também permita a sua reversão em momentos específicos. Acrescentou que a empresa reverteu as provisões, em decisão técnicocontábil, sem qualquer efeito fiscal, conforme quadros demonstrativos de (fl.322/323), anulando adições anteriormente efetuadas, com base em decisões judiciais existentes naquele momento em relação a matérias relacionadas a contingências fiscais e que a lei tributária não continha, e nem poderia conter, nenhuma vedação a esse procedimento. Em síntese, defende que as exclusões questionadas correspondiam a estornos contábeis (fl. 325). O que está em questão aqui não é a possibilidade da pessoa jurídica poderem constituir contabilmente as provisões que não se encontrem expressamente previstas como dedutíveis para fins da legislação do imposto de renda, bem assim ter o direito de fazer a sua respectiva reversão em momento oportuno. Esta questão de cunho meramente teórico está definitivamente fora de questão. A pessoa jurídica pode continuar constituindo contabilmente as provisões que entenda serem necessárias à sua atividade por meio de previsão de possível perda que o princípio da prudência impõe de forma a espelhar com fidedignidade a situação patrimonial da pessoa jurídica naquele momento. Entretanto, na hipótese de a provisão constituída na contabilidade ser considerada indedutível para fins da legislação do imposto de renda, como é o caso de se discutir na justiça o recolhimento de determinado tributo, a pessoa jurídica deverá realizar a adição do respectivo valor ao lucro líquido do período, para a apuração do lucro real (Lalur). Apenas no período em que a provisão for revertida contabilmente, ela poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação do lucro real. Pelo que consta dos autos, a lide é composta de aspecto meramente probatório. Então o ponto é este: saber se a provisão foi efetivamente revertida contabilmente, aumentando o lucro líquido contábil para daí poder ter o direito de anular seus efeitos extracontabilmente. Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.573 8 Nesse sentido, não procede a argumentação da Recorrente no sentido de simplesmente defender que as exclusões questionadas seriam apenas estornos contábeis. Ora, é justamente isso que tem que ser provado. Tudo aquilo que está sendo excluído extracontabilmente tem que ter uma vinculação do que foi efetivamente tributado via lucro líquido anteriormente. É por isso que as vinculações tem que ser bem feitas entre uma coisa e outra, sendo esse ônus do contribuinte e não da fiscalização ou dos Órgãos julgadores. Vêse, portanto, pela sua defesa, que o contribuinte não foi bem orientado a respeito ou não entendeu bem a questão relevante, adentrando em aspectos irrelevantes para o deslinde da questão. De fato, foram juntados aos autos uma série de documentos: contábeis e extracontábeis que ao meu ver demonstram as adições das provisões anteriormente feitas, as reversões de provisões contábeis, e o respectivo reconhecimento das receitas (estorno de despesas) na apuração do lucro líquido contábil. Porém, o mais importante ao meu ver, nesse caso concreto é a prova de que a reversão da provisão sensibilizara realmente o lucro líquido positivamente. Pois, somente nessa situação é que se vislumbra a sua exclusão no lucro real. De fato no recurso e, melhor ainda, nos memoriais juntados às fls. 2.545/2645, a Recorrente centra força apenas na demonstração de que de fato em períodos anteriores a Recorrente adicionou no lucro líquido determinadas provisões. Nesse sentido ela envidou todos os esforços para demonstrar que a reversão feita extracontabilmente, no período ora autuado, e que fora glosada se vincula pelos valores globais aos valores anteriormente adicionados. E esse último ponto, como se verá mais adiante, as provas dos autos de fato demonstram muito bem isso. Vamos rememorar como seria os esquemas contábeis em casos de provisões não dedutíveis como esse, pois ao meu ver tanto o fiscal quanto a DRJ e, a Recorrente induzida pelos dois primeiros não centrou forças no ponto mais relevante da questão, que seria exatamente a prova de que aquelas exclusões tem sua contrapartida contabilmente no lucro líquido. Se determinado tributo está sendo questionado judicialmente é justo que a recorrente faça a respectiva provisão debitando a conta de despesas e conseqüentemente diminuindo o seu lucro líquido. Como fiscalmente não há previsão legal para que tal provisão seja dedutível, a legislação comanda que nesses casos se faça a respectiva adição ao lucro líquido para anular extracontabilmente aquele efeito de dedutibilidade. Até aí, tudo bem. Veja se que nada fora deduzido ou tributado fiscalmente, apenas houve dedução contábil sem efeitos fiscais. Foi o que a Recorrente fez. Porém, se em período subseqüente ela afirma que ganhou na justiça o direito de não recolher tal ou qual tributo que fora anteriormente provisionado, ela não pode simplesmente reverter a provisão e fazer a exclusão extrafiscal, justamente porque ela não precisa recolher o tributo. O que ela deveria fazer contabilmente era reverter a proviisão através da sensibilização do lucro líquido, estornando, portanto, contabilmente aquela dedução contábil inicial e, assim, anulado o que foi feito contabilmente. Ao fazer essa anulação ela está na verdade oferecendo a tributação aquela parcela e isso não condiz com a realidade. A empresa , nesse momento, para não ser prejudicada e ser tributada injustamente, deve também anular esse efeito contábil através de uma exclusão extracontábil exatamente no valor total das provisões anteriormente constituídas. Veja que a motivação imediata da exclusão extracontábil não é simplesmente o fato de ela ter ganho na justiça (essa é a motivação mediata), mas sim o fato de ela ter sensibilizado o lucro líquido, como se uma receita ingressasse contabilmmente, justamente como já se colocou, para anular o efeito da despesa contábil anteriormente Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.574 9 contabilizada, afinal pela venceu a ação judicial.A partir, então, desse evento (aumento do lucro líquido contábil) é que ela então está autorizada a fazer a indigatada exclusão extracontábil, ora motivo do auto de infração. Apesar de a Recorrente não ter enfatizado esse aspecto em suas defesas, sem procurar demonstrar essa prova, em tempo, analisando as provas dos autos, verifico que ocorreu de fato a sensibilização do lucro líquido(fls. 191, fls.1993, fls.1995) positivamente, o que me conduz a formar minha convicção favoravelmente à Recorrente nesse aspecto relevante. Também não assiste razão à DRJ ao colocar condicionantes para a referida reversão de provisões: Verificase que, ainda que tivesse restado comprovada a relação entre a exclusão tributada e a provisão de anos anteriores, a reversão não poderia ter sido efetuada no momento em que ocorreu, isto é, antes do trânsito em julgado das sentenças judiciais pertinentes às ações relativas a ISS e contribuição ao SESC, por falta de previsão legal, ainda que depois, tenha havido sentenças favoráveis, conforme alegado pela interessada em sua impugnação. 45. No caso em tela, a dedutibilidade de provisão para contingências relativamente a ações judiciais ainda não transitadas em julgado, efetivamente, não encontra amparo legal. Observese que a interessada não comprovou a escrituração das anteriores provisões. Ora, se a provisão não está prevista como dedutível na legislação tributária e é anulada extracontabilmente, a sua reversão desde que sensibilize o lucro líquido, pode ser excluída do lucro real independente da condição da ação judicial estar ou não transitada em julgado. É um juízo de oportunidade que deve ser feito pela própria empresa. A Recorrente em relação ao outro ponto, qual seja, a prova da relação entre a exclusão realizada e a provisão de anos anteriores, embora não tenha sido registrada no Lalur de forma precisa, constando os números das ações judiciais relacionadas, se desincumbe a contento. Nesse sentido, a Recorrente envidou todos os esforços para demonstrar que a reversão feita extracontabilmente no período de 2002 que fora glosada se vincula pelos valores globais aos valores anteriormente adicionados, senão vejamos: Segundo se infere da cópia do Livro de Apuração do Lucro Real anexada à peça impugnatória, verificase que nos anos de 1997, 1998, 2000 e 2001 foram efetivadas as seguintes adições na base de cálculo do lucro real: Tributo * Competência, Histórico, V Vaior adicionado ; ISSQN janeiro a dezembro de 1997 Provisão relacionada ao período RS 1.861.168,32 ISSQN janeiro a dezembro de 1998 Provisão relacionada ao período RS 2.420.160,27 ISSQN janeiro a dezembro de 2000 Provisão relacionada ao período RS 7.040.746,79 ISSQN janeiro a dezembro de 2001 Provisão relacionada ao período RS 8.691.934,98 Total adicionado em relação ao ISSQN ' ' R$ 20.014.010,36 Tributo.. , v Competência , Histórico i " , , ‐, Valor adicionado Contribuição ao SESC janeiro a dezembro de 1998 Provisão relacionada ao período R$ 482.255,79 Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.575 10 =Tptal adicionado èm relação à Contribuição ao SESC , R$ 482.255,79 .. Essas adições estavam relacionadas a exigências do ISSQN e da Contribuição ao SESC que estavam sendo discutidas judicialmente pela Recorrente e o procedimento de adicionar tais valores objetivou justamente dar cumprimento ao artigo 8o da Lei n° 8.541/92, evitando reduzir indevidamente o lucro real. Os saldos das contas contábeis eram os seguintes: Tributo Competência: Valor adicionado1 ISSQN 1997 Saldo de Provisão RS 1.861.168,32 ISSQN 1998 Saldo de Provisão R$ 4.162.300,40 ISSQN 1999 Saldo de Provisão RS 4.365.697,20 ISSQN 2000 Saldo de Provisão R$ 11.406.707,99 ISSQN 2001 Saldo de Provisão RS 20.057.912,61 ISSQN 30/09/2002 Saldo de Provisão RS 00.000.000,00 Total do estorno em relação ao ISSQN R$ 23.459.887,39 Total do valor excluído em relação ao ISSQN conf. LALUR RS 20.014.010,36 (1) A diferença entre o valor revertido e o saldo do ano anterior no valor de R$ 3.401.974,42, referese ao valor provisionado no exercício. (2) Na conta de resultado do exercício, o valor da reversão foi ajustado por R$ 3.396.965,68, contra a conta de 1SS dedução de vendas. Assim, a conta de outras receitas operacionais na Ficha 6A Demonstração do Resultado, linha 30 (outras receitas operacionais) da DIPJ, pode ser assim demonstrada: Itens Valores REVERSÃO PROVISÃO DO 1SS 23.459.887,39 () Transferência de contas 3.396.965,68 20.062.921,71 REVERSÃO PROVISÃO SESC/INSS 482.256,79 Receitas não operacionais (v. balanço patrimonial de 31/12/2002) 513.074,84 Total da linha 30 outra receitas operacionais FICHA 6A 21.059.253,34 A diferença de R$ 5.009,10 referese ao um ajuste realizado em janeiro de 2002, não analisado em face da imaterialidade. Com relação à provisão da Contribuição ao SESC, a situação contábil pode ser assim Posteriormente, nos meses de setembro a dezembro de 2002, com base na orientação dos advogados, foram revertidas as provisões em questão, constituídas e tributadas em anos anteriores, tendo sido feitas as seguintes exclusões na apuração do lucro real: ^Tributo: Competência N „ Histórico í * j Valor excluído Tributo Competência '. ^HistóricòíçS ̂ ; Valor adicionado Contribuição ao SESC 1998 Saldo de Provisão R$ 482.255,79 1999 Saldo de Provisão R$ 482.255,79 2000 Saldo de Provisão RS 482.255,79 2001 Saldo de Provisão* RS 991.518,21 30/09/2002 Saldo de Provisão* RS 928.659,85 Total da reversão em 30/09/2002 RS 482.255,79 Total adicionado em relação à Contribuição ao SESC RS 482.255,79 (*) A partir de 2001 a conta passou a receber os lançamentos referente à folha de pagamento (Fopag). Valores não contestados judicialmente e normalmente pagos. Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.002042/200789 Acórdão n.º 1401001.012 S1C4T1 Fl. 2.576 11 ISSQN setembro a dezembro de 2002 Reversão de provisão relacionada ao período RS 20.014.010,36 Total excluído em relação ao ISSQN „ * R$20.014.010,36 : Tributo ' . Competência *> Histórico "* Valor excluído Contribuição ao SESC setembro a dezembro de 2002 Reversão de provisão relacionada ao período RS 482.255,79 Total excluído em relação à Contribuição ao SESC R$ 482.255,79 Como se vê, foi bem explicado inclusive a diferença de cálculo entre as provisões anteriormente feitas e a reversões feitas, no caso do ISS: Itens ^ p Valores" * REVERSÃO PROVISÃO DO 1SS 23.459.887,39 () Transferência de contas 3.396.965,68 20.062.921,71 REVERSÃO PROVISÃO SESC/INSS 482.256,79 Receitas não operacionais (v. balanço patrimonial de 31/12/2002) 513.074,84 Total da linha 30 outra receitas operacionais FICHA 6A 21.059.253,34 Pelo exposto, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001941/2003-49
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/02/1994 a 04/07/1998
INDÉBITO TRIBUTÁRIO - RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO.
O prazo para repetição de indébito,para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5+5), a partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Para Restituição/Compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1994 e julho de 1998, cujo pedido tenha sido protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5+5.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do período de 11/02/1994 a 04/07/1998 e determinar o retorno dos autos a DRJ recorrida para análise dos indébitos como um todo.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/02/1994 a 04/07/1998 INDÉBITO TRIBUTÁRIO - RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O prazo para repetição de indébito,para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5+5), a partir de 9 de junho de 2005, com a vigência do art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para Restituição/Compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 1994 e julho de 1998, cujo pedido tenha sido protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5+5. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13819.001941/2003-49
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289277
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3101-001.447
nome_arquivo_s : Decisao_13819001941200349.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13819001941200349_5289277.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do período de 11/02/1994 a 04/07/1998 e determinar o retorno dos autos a DRJ recorrida para análise dos indébitos como um todo. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5051647
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610755297280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.001941/200349 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.447 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2013 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E DENÚNCIA EXPONTÂNEA Recorrente VOLKSWAGEM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/02/1994 a 04/07/1998 INDÉBITO TRIBUTÁRIO RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA EXERCER O DIREITO. O PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO,PARA PEDIDOS EFETUADOS ATÉ 08 DE JUNHO DE 2005, ERA DE 10 ANOS, CONTADOS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE OU A MAIOR QUE O DEVIDO (TESE DOS 5+5), A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005, COM A VIGÊNCIA DO ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005, ESSE PRAZO PASSOU A SER DE 5 ANOS, CONTADOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO PELO PAGAMENTO EFETUADO. PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE FEVEREIRO DE 1994 E JULHO DE 1998, CUJO PEDIDO TENHA SIDO PROTOCOLADO ATÉ 08 DE JUNHO DE 2005, APLICAVASE O PRAZO DECENAL TESE DOS 5+5. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do período de 11/02/1994 a 04/07/1998 e determinar o retorno dos autos a DRJ recorrida para análise dos indébitos como um todo. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 19 41 /2 00 3- 49 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 4 2 Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 399 dos autos emanados da decisão DRJ/CPS, por meio do voto da relatora Maria Bernadete Batista, nos seguintes termos: “Tratase de pedido protocolizado em 04/07/2003 (fl. 01) solicitando a restituição do valor de R$ 3.582.433,39, somatória de vários tributos e contribuições federais, apontando o seguinte MOTIVO DO PEDIDO: Recolhimentos efetuados no período de fevereiro/1994 a julho/2001 fora da data de vencimento, de maneira espontânea, de forma atualizada e com imposição de multa punitiva. A peticionária inicialmente esclarece as fls. 02/05 não ter sido possível utilizar o Programa Gerenciador do PER/DCOMP, nos termos da IN SRF n° 320, de 11/04/2003, em virtude de interrupção do preenchimento do item "data de arrecadação", sendo gerada a informação: DARF apresenta data de arrecadação com mais de cinco anos com relação à data de cria cão (Artigo 168 do CTN). As fls. 08/23 o pedido é fundamentado na inserção aos pagamentos realizados após a data de vencimento do tributo, de juros calculados pela taxa SELIC e de multa moratória de 0,33% ao dia, limitada ao máximo de 20%, conquanto o art. 138 do CTN faça ressalva de que na antecipação ao pagamento pelo contribuinte infrator, por meio da denúncia espontânea, sua responsabilidade é elidida pelo cumprimento da obrigação, ficando descaracterizada a imposição da multa, cujos valores constituem pagamento indevido. Cita Jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Constam, ainda, 'dos autos, os demonstrativos dos "créditos tributários" decorrentes da inclusão da multa nos pagamentos de IPI, PIS, COFINS e IRRF, fls. 63/75, bem como cópias de DARF As fls. 129/293. Por meio do Despacho Decisório n° 325, de 2007, proferido pela autoridade administrativa da DRF São Bernardo do Campo/SP em 01/08/2007, fls. 316/322, a solicitação de restituição foi indeferida e não homologadas eventuais compensações realizadas com base no crédito tributário pleiteado, conforme ementa adiante reproduzida: RESTITUIÇÃO DE MULTA MORATÓRIA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recolhimentos efetuados de fevereiro de 1994 a julho de 2001. DECADÊNCIA Período de fevereiro de 1994 a junho de 1998. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 5 3 Para os recolhimentos efetuados neste período, encontrase extinto o direito de pleitear a restituição. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Período de julho de 1998 a julho de 2001. Incorrendo o contribuinte em mora, deve este arcar com a incidência da multa moratória, de natureza indenizatória e desprovida de qualquer punição. Descaracterizada a denúncia espontânea de infração, deve ser mantida a exigência de multa de mora. Solicitação Indeferida.” Tendo tomado ciência da decisão em 13/08/2007 por via postal, Aviso de Recebimento — AR a fl. 325, a peticionária interpôs em 06/09/2007 a manifestação de inconformidade de fls. 326/639, assinada por seu procurador (procuração de fl. 374), apresentando as razões de fato e de direito adiante sintetizadas. Preliminarmente contesta a extinção do direito de pleitear a restituição declarada pela autoridade administrativa, com relação aos recolhimentos efetuados no período de fevereiro, com base nos artigos 165, inc. I, e 168, inc. I, do CTN. Assevera a manifestante que a decadência alegada ainda não ocorreu conforme entendimento já firmado pelo Superior Tribunal de Justiça de ser o prazo para restituição de 10 (dez) anos, ou seja, 05 (cinco) anos decadenciais para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento (§4°), mais 05 (cinco) anos contados a partir da homologação expressa ou das informações declaradas pelo contribuinte, prazo prescricional, portanto, do direito do contribuinte para reaver tributo pago a maior e/ou indevidamente (Art. 168, I, do CTN). Discorre sobre o lançamento por homologação e transcreve jurisprudência judicial e administrativa, bem como doutrinadores, com o objetivo de afastar o caráter meramente interpretativo atribuído a Lei Complementar n° 118, sendo inaplicável ao caso presente, pois, segundo entendimento que impera no Conselho de Contribuintes, o prazo de cinco anos para pleitear a restituição restringese aos pedidos iniciados após a sua vigência em 10/06/2005. Quanto a não aplicabilidade do art. 138 do CTN em que se fundamenta o mérito do despacho decisório, afirma ser descabida a distinção feita entre multa fiscal moratória e multa fiscal punitiva, uma vez que a função da multa moratória é e sempre foi, de fato, punir o inadimplemento e não remunerar o capital, que seria função dos juros, nem, muito menos recompor o valor real da moeda o que viria a ser feito pela correção monetária. Cita doutrinadores. Tece arrazoado sobre a exigência a partir de fevereiro de 1995 da taxa SELIC, que tem como função compensar o Fisco pelo custo financeiro representado pelo tempo em que o valor do tributo devido permaneceu em poder do contribuinte, para concluir pela inaplicabilidade conjunta da multa de mora quando configurada a denúncia espontânea, conforme já pacificado pelo STJ. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 6 4 Por fim, requer seja reformado o despacho decisório n° 327/2007 a fim de garantir o direito líquido e certo da contribuinte, uma vez que o pleito não estaria alcançado pela decadência/prescrição, devendo os valores indevidamente recolhidos, a título de multa de Mora, serem restituídos a interessada, por ser medida de justiça.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0520.793 de fls. 398 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/02/1994 a 04/07/1998 EXTINÇÃO DO DIREITO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito restituição ou à compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/07/1998 a 13/07/2001 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ONUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Precedentes do STJ. Solicitação Indeferida O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 407 a 441) onde faz em resumo as alegações a seguir: DECADÊNCIA: “1) Muito embora o ordenamento jurídico brasileiro admita a utilização de leis interpretativas em matéria fiscal (artigo 106, inciso I do Código Tributário Nacional), a sua legitimidade estará vinculada a real necessidade de aclaramento do conteúdo de determinado dispositivo legal; bem como a evidência de benefício ao contribuinte (ou não ocorrência de prejuízo); 2) 0 artigo 3° da Lei n° 118/05, portanto, contraria o disposto no artigo 106, inciso I do Código Tributário Nacional por se pretender interpretar dispositivo cujo o entendimento, diverso daquele manifestado, já se encontra consolidado pelo Poder Judiciário; Fl. 498DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 7 5 3) Por caracterizar abuso de poder de legislar e desvio da finalidade do ato legislativo, por usurpar competência do Poder Judiciário e afrontar orientação já firmada pelo C. STJ é norma eivada de nulidade, além de contrariar diretamente princípios constitucionais; 4) Sendo nulo o artigo 3° da LC 118/2005 e não tendo sido alterada a redação do artigo 168, inciso I do CTN, este último subsiste integralmente, sem qualquer inovação e com todos os efeitos jurídicos daí decorrentes, devendo ser aplicado o entendimento já consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria. Conforme exposto, tornase evidente a não aplicação do disposto no artigo 3° da Lei Complementar n° 118/05 no presente processo administrativo, devendo ser mantido o entendimento jurisprudencial consolidado no âmbito do C. STJ acerca da prescrição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Diante dos fundamentos acima narrados, deverão ser afastados os institutos da decadência e da prescrição, reformandose a decisão do acórdão ora recorrido.” DA MULTA “A Priori, cabe ressaltar que o r. acórdão recorrido está equivocado quando afirma que em relação aos "recolhimentos efetuados no período de 05/07/1998 a julho de 2001, inexistem nos autos fundamentos fáticos e jurídicos válidos de que os recolhimentos avocados constituiriam indébitos da empresa, cujo ônus da prova é da peticionaria". Não pode prosperar tal entendimento, vez que, a Recorrente acostou ao referido pedido de restituição, planilha de cálculos e guias de recolhimentos(DARF), demonstrando e comprovando o crédito apontado no pedido de restituição, o que se constitui nos fundamento fáticos.” Também: “...a distinção entre multa fiscal moratória e multa fiscal punitiva é descabida, porquanto a função da multa moratória é e sempre foi, de fato, punir o inadimplemento, e não remunerar o capital – que seria função dos juros nem, muito menos, recompor o valor real da moeda – o que viria a ser feito pela correção monetária. ” Finalmente requer: “Diante de todo o exposto, requer que seja REFORMADO o presente acórdão n° 0520.793 r. Turma DRJ/CPS, de 11 de janeiro de 2008, dando PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para que seja garantido o incontroverso direito da Recorrente decorrente da não incidência da decadência, bem como, da caracterização da denúncia espontânea excluir a incidência da multa de mora, em face de tudo o que foi exposto, A FIM DE GARANTIR O DIREITO LIQUIDO E CERTO PARA QUE SEJAM RESTITUIDOS RECORRENTE, OS VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS A TITULO DE MULTA DE MORA, no período compreendido entre fevereiro de 1994 a julho de 2001, tudo por ser medida de JUSTIÇA!” É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 8 6 Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase de pedido protocolizado em 04/07/2003 (fl. 01) solicitando a restituição do valor de R$ 3.582.433,39, somatória de vários tributos e contribuições federais, apontando como MOTIVO DO PEDIDO recolhimentos efetuados no período de fevereiro/1994 a julho/2001 fora da data de vencimento, de maneira espontânea, de forma atualizada e com imposição de multa punitiva. Inicialmente a decisão recorrida, afastou do pedido o período de apuração de: 11/02/1994 a 04/07/1998, por EXTINÇÃO DO DIREITO em razão de que o direito de pleitear o reconhecimento do indébito tributário, para fins de fundamentação do direito à restituição ou à compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento indevido, nos termos do art. 168 do CTN, cuja razões, encontramse no voto condutor da decisão recorrida. Ocorre, que essa matéria já é pacífica no CARF e a respeito, vou adotar o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres dado no Processo 13.832.000095/9970 julgando o Recurso Especial 228.882 em 07/02/2013 Acordão 93.03003.200 da 3º turma da CSRF que bem explica nossa posição a respeito da decadência e a tese do 5+5, ou seja: Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. Em especial a Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005. De outro lado, em contrarrazões, o sujeito passivo pede a manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1991 e maio de 1992, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 23 de julho de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 9 7 a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA: MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 § 4º, 156, VII e 168, I do CTN. A LC 118/05 implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência de violação à autonomia dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 10 8 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621/RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13819.001941/200349 Acórdão n.º 3101001.447 S3C1T1 Fl. 11 9 Doutro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame temse que os créditos pleiteados, na data em que protocolado o pedido de repetição de indébito (23/07/1999), ainda não haviam sido alcançados pela prescrição, posto que estes referemse a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1991, portanto, dentro do prazo decenal da tese dos 5 + 5. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para afastar a extinção do direito pela decadência do período de 11/02/1994 a 04/07/1998 e determinar o retorno do processo a DRJ para análise dos indébitos como um todo. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 04 /09/2013 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 09/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001485/2007-40
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
IRFONTE - NATUREZA INDENIZATÓRIA
O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.(Súmula CARF nº 87).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 IRFONTE - NATUREZA INDENIZATÓRIA O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.(Súmula CARF nº 87). Recurso provido.
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.001485/2007-40
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5295077
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.355
nome_arquivo_s : Decisao_11516001485200740.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 11516001485200740_5295077.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5089440
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610762637312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001485/200740 Recurso nº 171.640 Voluntário Acórdão nº 2202002.355 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2013 Matéria IRPF AJUDA DE CUSTO Recorrente IDELI SALVATI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 IRFONTE NATUREZA INDENIZATÓRIA O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.(Súmula CARF nº 87). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Paulo Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 14 85 /2 00 7- 40 Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor da contribuinte, IDELI SALVATI, foi lavrado auto de infração de folhas 797 a 808, onde exigese a importância de R$ 27.984,00, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), às folhas 798 a 802, verificase que a autuação é decorrente da apuração de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica. A autoridade fiscal fundamenta o lançamento: Conforme os comprovantes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora SENADO FEDERAL, CNPJ 00.530.279/000115, a interessada recebeu rendimentos a titulo de Ajuda de Custo, informados como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme segue (fls. 26, 28, 33, 39, 40, 41 e 52); [..] [R$ 50.880,00, em uma parcela de R$ 25.440,00 e duas de R$ 12.720,00, no anocalendário 2003; e R$ 50.880,00, em quatro parcelas de R$ 12.720,00, no anocalendário 2004] Como se pode observar, no presente caso, o pagamento feito contribuinte a titulo de "Ajuda de Custo" não se enquadra dentro da previsão legal para a concessão de isenção do imposto. O rendimento em questão, ainda que denominado "Ajuda de Custo", pela fonte pagadora, traduz, na realidade, aquisição de disponibilidade econômica, porquanto acresce o patrimônio do beneficiário e não repõe patrimônio anteriormente existente. Tanto isso é verdade que se não considerarmos os valores recebidos a titulo de "Ajuda de Custo" ocorre o acréscimo patrimonial a descoberto — ou seja, os recursos declarados se mostram insuficientes para cobrir todas as aplicações realizadas pela interessada no ano de 2003 — nos seguintes meses: Setembro de 2003 — R$ 1.763,83 Dezembro de 2003 — R$ 8.639,12 A contribuinte foi intimada a prestar esclarecimentos acerca do acréscimo patrimonial a descoberto e assim se manifestou: Quanto ao item (h), essa D. Fiscalização apresenta Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial 2003 e requer à contribuinte que apresente as explicações que entender necessárias. Assim, vem a contribuinte esclarecer, de inicio, que não foram considerados por essa D. Fiscalização, como recursos recebidos em 2003, os valores pagos pelo Senado Federal nos dias 02/07/2003, 31/07/2003 e 09/12/2003, no montante de R$ 12.720,00 cada depósito, valores esses que, conforme comprovam os extratos e as folhas de pagamento anexos, foram efetivamente recebidos pela contribuinte em casos de Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 3 3 convocação extraordinária durante o período de férias/recesso, e não poderiam ter sido desconsiderados por essa D. Fiscalização. Destaquese que tais valores não foram tributados na fonte em razão do que já restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça: 'Súmula 125 — pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito á incidência do Imposto de Renda' [..] Apesar das alegações da interessada, consideramos que os valores recebidos pela contribuinte a titulo de "Ajuda de Custo" nos anos calendário de 2003 e 2004 se configuram como remuneração por serviços prestados, constituindo rendimento produzido pelo trabalho, revestindose de todas as características formais e legais de fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Inconformada com o lançamento, a contribuinte, mediante procurador (folhas 23 e 24) apresenta a impugnação de folhas 812 a 841, na qual, após a descrição dos fatos, expõe suas razões de contestação: Sob o titulo Da descaracterização da Ajuda de Custo e das Diárias como Renda a contribuinte tece diversas considerações acerca do conceito de renda e da natureza jurídica de ajuda de custo/diária, como verbas indenizatórias. A contribuinte, com base nos conceitos jurídicos expostos, discorda do entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB de que seus rendimentos, recebidos do Senado sob a rubrica diárias/ajudas de custo, sofram incidência do imposto de renda. Defende a impugnante que os valores recebidos a titulo de diárias e ajudas de custo, nos anoscalendário 2003 e 2004, se coadunam com a situação hipotética prevista em lei. Alega que todos os documentos necessários e solicitados pela autoridade fiscal foram entregues, cumprindo o que determina a legislação. Explica que os valores recebidos e creditados em conta corrente foram destinados a cobrir despesas de alimentação, deslocamento, com o fim de se realizar serviços eventuais por determinação do empregador. Ressalta o caráter de indenização — com o fim inegável de ressarcir despesas — e conclui que, como não configura acréscimo patrimonial para fins de imposto de renda, as verbas são isentas. A contribuinte transcreve parte da Portaria n° 02/2003, editada pelo próprio Senado Federal, que regulamenta o pagamento da verba indenizatória pelo exercício da atividade parlamentar, instituída pelo Ato da Comissão Diretora n° 3/2003, a qual dispõe que o pagamento da verba indenizatória farseá por meio de ressarcimento ao Senador das despesas efetuadas, entre outras, com aluguel de imóvel e outras taxas; aquisição de material de consumo para o escritório; locomoção do parlamentar e de servidores em cargos de comissão de seu gabinete; combustível; contratação de serviços de apoio ao Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 mandato parlamentar e divulgação da atividade parlamentar. E, conclui: Assim, não obstante que a terminologia utilizada no Ato en, comento se refira a ajuda de custo com caráter indenizatório, é nítida afina/idade exclusivamente repara/ária do pagamento das verbas indeniza/árias aqui tratadas (ajudas de custo/diárias), não sendo possível caracterizálas como qualquer tipo de beneficio tributável, pois, como manifestado reiteradas vezes anteriormente, não representam acréscimo patrimonial. Em sua defesa a contribuinte cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, do Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda e de órgãos da RFB, bem como junta, As folhas 843 a 848, Parecer n° 151/2007 da Advocacia Geral do Senado Federal — ADVOSF. Por fim, a impugnante transcreve trechos da Lei n° 8.112/90 — Estatuto dos Servidores Públicos, a fim de reforçar a tese de que indenizações, ajudas de custo e diárias não são tributáveis. No tópico III Da Falta de Sujeição Passiva por Parte da Impugnante, As folhas 834 a 837, a contribuinte alega não ser o sujeito passivo da obrigação tributária. Ao defender sua tese, fundamentada no artigo 121 do CTN e doutos doutrinadores, a impugnante argumenta que a responsabilidade pela retenção do Imposto de Renda Pessoa Física é da fonte pagadora, no caso, o Senado Federal. A impugnante cita, ainda, o Parecer Normativo COSIT n° 01/2002 que determina que, no caso do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora e a Instrução Normativa n° 306/2003, a qual esclarece que a obrigação pela retenção do imposto de renda incidente sobre o pagamento efetuado é da fonte pagadora. Em sua defesa, a contribuinte cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda para concluir que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda é exclusiva da fonte pagadora. Como última contestação, a contribuinte alega no tópico IV — Da taxa Selic, As folhas 878 a 881, por razões de variada ordem, a inconstitucionalidade e ilegalidade da utilização da taxa Selic como juros de mora. Por fim, solicita a impugnante — IV— Do Pedido — por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo a improcedência total do lançamento. Os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis proferiram Acórdão que considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 4 5 SUJEITO PASSIVO. CONTRIBUINTE.APURAÇÃO DEFINITIVA. BENEFICIÁRIO DO RENDIMENTO. 0 sujeito passivo da relação jurídico tributária é o contribuinte, obrigado a informar todos os rendimentos quando da apuração definitiva do imposto de renda na declaração de ajuste anual, independentemente de ter havido a retenção do imposto por antecipação, cuja responsabilidade é da fonte pagadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 NATUREZA INDENIZATÓRIA NA.0 COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a titulo de ajuda de custo paga com habitualidade a membros do Senado Federal, constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquela objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à disposição literal de lei, quando não Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 comprovado que o contribuinte figurou como parte na referida ação judicial. Lançamento Procedente A contribuinte, se mostrando irresignada, apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 905/932, onde reitera as razões da impugnação, que podem aqui ser sintetizadas: Da preliminar de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, atribuindo a responsabilidade a fonte pagadora; Da descaracterização de ajuda de custo e das diárias como renda; Da natureza jurídica das diárias e da ajuda de custo; Da ilegalidade e da inconstitucionalidade da utilização da taxa selic. Em memorial distribuído na sessão de julgamento de 16/06/2012, a recorrente representado por seu patrono, solicita que seja baixado o processo em diligência, intimando o Senado Federal para que este apresente os comprovantes de gastos relativos a “ajuda de custos”. Esta Turma na sessão de Junho de 2012, resolveu converter o processo em diligência, para que se intimase o Senado Federal a apresentar os comprovantes argumentados pela Recorrente, com os quais alega que comprovaria a “ajuda de custo”. Adicionalmente, foi solicitado que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre a validade das provas eventualmente apresentadas, dandose vista a Recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Como resultado da diligência apresentase documentação de fls. 1023 e 1029, onde a diretoria geral do Senado reitera o caráter indenizatório de referida verba. O processo retorna a esta Câmara, mas não consta a ciência da interessada no relativo aos documentos juntados. Às fls. 1046 a 1056, o recorrente adita ao recurso voluntário, indicando: que a ajuda de custo não se sujeita a tributação; que a fiscalização não comprovou ( e não pretendeu comprovar) que a verba de ajuda de custo foi destinada a despesas. que a multa poderia ser afastada por erro escusável. É o relatório. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e preenche o seu pressuposto de admissibilidade. Dele, então, tomo conhecimento. O lançamento teve por base valores recebidos pela Contribuinte, na condição de Parlamentar, a título de ajuda de custo. A autoridade lançadora entendeu que tais verbas constituem rendimento tributável. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. No caso de verbas destinadas à reposição de gastos, de fato, não se configura o fenômeno renda, pois não se verifica o acréscimo patrimonial. Para tanto, todavia, é indispensável que o pagamento desses valores esteja vinculado à efetiva comprovação dos gastos a cuja reposição se destina. E, neste caso, o Contribuinte não comprova a efetividade desses gastos. É nesse sentido, aliás, o art. 40, I do RIR/94 o qual trata, na verdade, de hipótese de não incidência e que exige a efetiva comprovação dos gastos. A contribuinte apresenta nos autos uma série de recibos com os quais justifica perante o Senado Federal o recebimento de “verba indenizatória”, que é diferente da “ajuda de custo” que foi objeto do lançamento. É certo que a possibilidade de recebimento de verbas indenizatórias destinadas a reposição de gastos não se limita àquelas mencionadas no referido dispositivo, mas é incontestável que tais gastos, em qualquer caso, devem ser comprovados para que se considerem os pagamentos destinados à sua reposição como sendo indenizatórios. Nesse sentido tem decidido reiteradamente este Conselho de Contribuintes, conforme exemplifica o Acórdãos 10614201, cuja ementa reproduzo a seguir: IRPF AJUDA DE CUSTO Somente tem natureza indenizatória, isenta do imposto sobre a renda pessoa física, a ajuda de custo destinada a atender despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e de seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, nos termos do artigo 6°, inciso XX, da Lei n° 7.713/88. Os valores recebidos a título de ajuda de custo que deixem de preencher as condições legais estabelecidas devem integrar a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual.(AC. 10614201) IRPF NATUREZA INDENIZATÓRIA Não logrando o contribuinte comprovar a natureza indenizatória/reparatória dos rendimentos recebidos a título de ajuda de custo paga com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual, Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 constituem eles acréscimo patrimonial incluído no âmbito de incidência do imposto de renda.(Ac. 10421668). Sem a efetiva comprovação do caráter indenizatório das verbas recebidas, portanto, é de se considerar como tributáveis os rendimentos recebidos. Acrescentese, por pertinente, que a diligência efetuada no Senado Federal em nada socorreu a recorrente, tendo em vista que não foram apresentados documentos que elidissem o lançamento. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Assim, este conselho de Contribuintes tem reiteradamente decidido. Como exemplo menciono o já citado Ac. 10421668, conforme ementa a seguir reproduzida, verbis: IRFONTE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em se tratando de imposto na fonte por antecipação do devido pelo beneficiário, incabível a responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na fonte pagadora Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido esta Câmara já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11516.001485/200740 Acórdão n.º 2202002.355 S2C2T2 Fl. 6 9 MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. No que toca ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da taxa selic, cabe registrar que resta pacificado no CARF a Súmula a seguir: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Porém urge registrar que em dezembro de 2012, foi aprovada pelo CARF a Súmula nº 87, a qual as decisões de segunda instância deve acompanhar. O imposto de renda não incide sobre as verbas recebidas regularmente por parlamentares a título de auxílio de gabinete e hospedagem, exceto quando a fiscalização apurar a utilização dos recursos em benefício próprio não relacionado à atividade legislativa.(Súmula CARF nº 87) Como as verbas em cotejo, ajuda de custo, tem a mesma natureza a que se refere aquelas descritas na Súmula No. 87, entendo que a mesma deve ser aplicada ao caso concreto, tal como se constata da apreciação do Decreto que instituiu tal verba em cotejo. Acrescentese, por pertinente, que não houve nos autos uma demonstração concreta pela fiscalização, que evidencie a utilização dos recursos em benefício próprio da recorrente em atividade não relacionada com a função legislativa. Não há como ignorar, que na fase inicial do procedimento fiscal, foi evidenciado um acréscimo patrimonial a descoberto, que só seria eliminado com a ajuda de custo. Porém, aquela apuração não tinha como foco a identificação de despesas relacionadas ou não a atividade legislativa, não se prestando como um demonstrativo que evidencie de modo inequívoco a utilização de recurso pela recorrente em seu próprio benefício. Ante ao exposto, em observância a Sumula No. 87 do CARF, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10814.008225/95-19
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 14/11/1994
TRÂNSITO ADUANEIRO SIMPLIFICADO. DTA-S.
Descumprida a obrigação acessória prevista no art. 521 alínea “C” inciso III do RA/85, cabível a aplicação da penalidade ali prevista.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-000.136
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/11/1994 TRÂNSITO ADUANEIRO SIMPLIFICADO. DTA-S. Descumprida a obrigação acessória prevista no art. 521 alínea “C” inciso III do RA/85, cabível a aplicação da penalidade ali prevista. Recurso Especial do Procurador Provido
numero_processo_s : 10814.008225/95-19
conteudo_id_s : 5479400
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-000.136
nome_arquivo_s : Decisao_108140082259519.pdf
nome_relator_s : Antonio Carlos Atulim
nome_arquivo_pdf_s : 108140082259519_5479400.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando
dt_sessao_tdt : Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
id : 6005394
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610788851712
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-04-07T19:41:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-04-07T19:41:58Z; Last-Modified: 2015-04-07T19:41:58Z; dcterms:modified: 2015-04-07T19:41:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-04-07T19:41:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-04-07T19:41:58Z; meta:save-date: 2015-04-07T19:41:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-04-07T19:41:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-04-07T19:41:58Z; created: 2015-04-07T19:41:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2015-04-07T19:41:58Z; pdf:charsPerPage: 1720; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-04-07T19:41:58Z | Conteúdo => CSRF-T3 Fl. 1.234 1 1.233 CSRF-T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10814.008225/95-19 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303-00.136 – 3ª Turma Sessão de 08 de julho de 2009 Matéria TRANSITO ADUANEIRO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AMERICAN AIRLINES INC. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/11/1994 TRÂNSITO ADUANEIRO SIMPLIFICADO. DTA-S. Descumprida a obrigação acessória prevista no art. 521 alínea “C” inciso III do RA/85, cabível a aplicação da penalidade ali prevista. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Relatora). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Carlos Alberto de Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim- Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Cuida-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão 303-32.718, por meio do qual a antiga 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso de ofício, sob o fundamento de que empresa estrangeira não pode operar em regime aduaneiro, sendo portanto, parte ilegítima para figurar o pólo passivo da relação jurídica instalada nos presentes autos. Tal decisão está escorada no Parecer MF/SFR/COSIT/DIPEX nº 47/97, ADN nº 20/97 e Lei nº 7.565/86. Regularmente notificada do referido Acórdão em 06/08/2007, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência na mesma data, alegando, em síntese, divergência em relação ao Acórdão nº 301-30.415. Segundo a Procuradoria, o lançamento deveria ser mantido contra a American Airlines, pois a empresa estrangeira que requer o trânsito aduaneiro assume a condição de beneficiária do regime, passando assim, a ter legitimidade passiva na obrigação tributária, a teor do art. 257 do Regulamento Aduaneiro. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 1241/1243. Regularmente notificada do Acórdão nº 303-32.718, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento (fls. 1249/1250), a American Airlines absteve-se de apresentar contrarrazões. Em síntese é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão 9303-00.136, em virtude da aposentadoria da redatora designada, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, ter sido publicada antes da formalização e assinatura deste acórdão. Para fins de formalização do voto vencido, adoto o texto entregue à secretaria pela relatora originária, Conselheira Susy Gomes Hoffmann, in verbis: "O presente recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A discussão dos presentes autos restringe-se na análise da possibilidade de uma empresa estrangeira operar o regime de trânsito aduaneiro brasileiro e, assim, poder figurar no pólo passivo da relação jurídica tributária instalada por meio do Auto de Infração dos presentes autos. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.008225/95-19 Acórdão n.º 9303-00.136 CSRF-T3 Fl. 1.235 3 Neste sentido, entendo que não merece reparos a decisão recorrida, tendo em vista que abordou a legislação pertinente e concluiu pela ilegitimidade da empresa estrangeira para compor a relação jurídica ora discutida. Trata o Regime de Trânsito Aduaneiro de benefício de suspensão dos tributos incidentes na importação e exportação durante o transporte de mercadoria sob controle aduaneiro, de forma, a possibilitar diminuição e melhor organização dos trabalhos nas repartições aduaneiras, bem como conferir maior facilidade nas operações de importação/exportação. Para que uma empresa esteja devidamente habilitada a operar no regime de trânsito aduaneiro, diversos requisitos devem ser atendidos, como por exemplo a comprovação de inscrição no CNPJ, balanço da empresa e Certidões Negativas de Débitos perante os órgãos da administração publica, entre outros. Além disso, imprescindível para habilitação da empresa, que ela seja nacional, posto que a empresa estrangeira não pode requerer habilitação para operar neste regime. Neste sentido, é o que prescreve o Ato Declaratório Normativo nº 20/1997: "Dispõe sobre a habilitação de empresas aéreas nacionais, ao regime especial de trânsito aduaneiro. O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições, que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no Parecer MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX/Nº 47, de 26 de junho de 1997,Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: I - somente as empresas aéreas nacionais podem ser habilitadas a operar o regime especial de trânsito aduaneiro por via aérea, e como tal, requerê-lo nos termos do art. 257, inciso V, alínea "a", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985; II - na hipótese de comprovação, fora do prazo, da chegada da mercadoria ao local de destino, nos casos de trânsito aduaneiro, é de ser aplicada ao beneficiário do regime a penalidade prevista no art. 106, inciso IV, alínea "c", do Decreto-lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, reproduzida no art. 521, inciso III, alínea "c", do Regulamento Aduaneiro. Este é inclusive o entendimento da própria Receita Federal do Brasil. Senão veja-se: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO - 1 º TURMA ACÓRDÃO Nº 17-21555 de 12 de Novembro de 2007 Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO javascript:ITEM0000('LNK1') 4 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: Trânsito Aduaneiro: Penalidade tributária ILEGITIMIDADE PASSIVA: A empresa estrangeira não pode operar em regime de trânsito aduaneiro, tampouco, configurar como pólo passivo de obrigação tributária. EMPRESA NACIONAL HABILITADA A OPERAR EM REGIME DE TRÂNSITO ADUANEIRO: É cabível a aplicação de multa do artigo 521, inciso III, alínea "c" do Regulamento Aduaneiro à comprovação extemporânea da conclusão do trânsito aduaneiro perante a repartição de origem. Data do fato gerador: : 28/01/2005 a 28/01/2005 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM SÃO PAULO II - 1ª TURMA ACÓRDÃO Nº 2068, DE 28 DE JANEIRO DE 2003 ASSUNTO: Regimes Aduaneiros EMENTA: TRÂNSITO ADUANEIRO RESPONSABILIDADE PELA COMPROVAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CHEGADA. Não é imputável ao transportador estrangeiro responsabilidades inerentes ao Regime de trânsito Aduaneiro - Parecer MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 47 de 20 de junho de 1997. DATA DO FATO GERADOR: 13/01/1994 RESULTADO DO JULGAMENTO: Lançamento Improcedente Posto isto, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, a fim de manter a decisão proferida pela 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É como voto." Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Tendo em vista que a redatora designada, Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, deixou o colegiado sem entregar a minuta do voto vencedor, valho-me do voto por ela proferido em questão semelhante, objeto do Acórdão 9303-00.132, in verbis: "Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Adoto, por economia processual o voto vencido que consta às fls 371 a 375. Trata o presente processo da exigência da multa capitulada no art. 521, inciso III, alínea “c”, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, por comprovação, a destempo, da conclusão da operação de trânsito aduaneiro. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.008225/95-19 Acórdão n.º 9303-00.136 CSRF-T3 Fl. 1.236 5 À ora recorrente foi atribuída a responsabilidade solidária pela infração, sendo que o crédito tributário dela está sendo exigido porque a empresa aérea internacional, por não poder operar em regime de trânsito aduaneiro, foi afastada do pólo passivo da obrigação tributária. Argumenta a requerente, em síntese, que: Tanto a Instrução Normativa SRF nº 8/82, quanto a Instrução Normativa SRF nº 70/97, conferiam, à repartição de destino, o encargo de comunicar à repartição de origem, a conclusão da operação de trânsito aduaneiro. A IN SRF nº 8/82 não distingue o trânsito aduaneiro simplificado dos demais tipos comuns de trânsito, sendo perfeitamente aplicável à hipótese dos autos. Embora vigesse, à época dos fatos, a Instrução Normativa SRF nº 84/89, que atribuía ao beneficiário, comprovar a conclusão do trânsito aduaneiro, esta foi alterada pela IN SRF nº 70/97, que delegou, expressamente, à repartição de destino, a responsabilidade de remeter à repartição de origem a torna-guia das DTA-S ou do Manifesto de Carga. Aplica-se, assim, o disposto no art. 106, do CTN, que trata do emprego da lei mais benéfica. Ademais, o Ato Declaratório Cosit nº 2/97 entende que não se aplica a multa do art. 521, III, “c”, do RA, quando ocorre a comprovação fora do prazo da chegada da mercadoria ao local de destino. Não existe a suposta solidariedade tributária, pois cabe ao agente da Receita Federal da repartição de destino o envio das torna-guias para a repartição de origem. Está comprovado nos autos que a obrigação principal (pagamento dos tributos) foi cumprida. Também está claro que houve a conclusão do trânsito, por meio das competentes torna-guias. Passemos à análise dos argumentos apresentados. Reza o art. 521, III, “c”, do Regulamento Aduaneiro – RA, in verbis: “Art. 521. Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (DL 37/66, art. 106, I, II, IV, e V): ... III – de 10% (dez por cento): Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 ... c) pela comprovação, fora do prazo, da chegada da mercadoria ao local do destino, nos casos de trânsito aduaneiro; ...”. O dispositivo legal transcrito prevê, assim, expressamente, a exigência de penalidade por comprovação, a destempo, da conclusão do trânsito aduaneiro. A Instrução Normativa SRF nº 84/87, vigente à época dos fatos, instituiu normas simplificadoras do regime de trânsito aduaneiro para cargas aéreas, criando um formulário próprio para esta modalidade de trânsito simplificado, a DTA-S. Em seu item 21, aquela Instrução determinava que, in verbis: “21. Caberá ao beneficiário comprovar a conclusão do trânsito aduaneiro, entregando a 4ª (quarta) via (torna-guia) da DTA-S ou do Manifesto de Carga Aérea, devidamente atestado, à repartição de origem, num prazo máximo de 15 (quinze) dias”. Ora, A IN SRF nº 84/87, como salientado, veio a facilitar a concessão do regime de trânsito aduaneiro, beneficiando o interessado. Em contra-partida, criou algumas obrigações, entre elas a da comprovação da conclusão do trânsito, pelo próprio interessado. É evidente que a citada Instrução Normativa foi gerada dentro de um contexto e é dentro dele que ela deve ser entendida e aplicada. Legislação posterior que a tenha alterado se refere a um outro contexto, seja a lei no sentido estrito, seja legislação complementar. É esta a determinação contida no art. 144 do CTN, in verbis: “Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. O Ato Declaratório COSIT nº 2/97 não tem o condão de modificar dispositivo contido em decreto que, por sua vez, está respaldado em decreto-lei (é o caso do art. 521, III, “c”, do RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, que tem fundamento no art. 106, IV, do Decreto-lei nº 37/66). Por outro lado, o art. 113 do Código Tributário Nacional dispõe que, in verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10814.008225/95-19 Acórdão n.º 9303-00.136 CSRF-T3 Fl. 1.237 7 § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. No caso dos autos, a comprovação da conclusão do trânsito aduaneiro está ligada a interesse da fiscalização, no que tange à mercadoria dele objeto, seja em sua qualidade, seja em relação à quantidade. Se legislação posterior alterou os procedimentos com referência a esta comprovação, principalmente no que se refere ao trânsito aduaneiro simplificado, isto não pode e não deve ser analisado isoladamente. Quanto à responsabilidade solidária, nos termos do art. 124 do CTN, in verbis: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem”.. Complementam aquele dispositivo legal, no caso, os arts. 274 e 275 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91.030/85, in verbis: “Art. 274. As obrigações fiscais relativas a mercadoria em regime especial de trânsito aduaneiro serão constituídas em Termo de Responsabilidade que assegure sua eventual liquidação e cobrança (DL 37/66, art. 74). ... Art. 275. Em qualquer caso, os beneficiários a que se refere o art. 257 e o transportador serão solidários, perante a Fazenda Nacional, nas responsabilidades decorrentes da operação de trânsito aduaneiro”. Não há, portanto, que se falar em ausência de solidariedade. Ressalve-se mais uma vez que a Instrução Normativa SRF nº 84/89, vigente à época dos fatos, era expressa em atribuir ao beneficiário do trânsito aduaneiro o ônus de sua comprovação. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO. Sala das Sessões, em 12 de novembro de 2004 ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO Conselheira Por todo o exposto, dou provimento integral ao Recurso interposto em nome da Fazenda Nacional. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Judith do Amaral Marcondes Armando" Embora não concorde com os termos do referido voto, foi essa a tese que arregimentou a maioria dos votos dos membros presentes na assentada do dia 08 de julho de 2009 da Câmara Superior, razão pela qual a adoto para fins de formalização deste voto vencedor. O provimento do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional significa o provimento do recurso de ofício interposto em face do acórdão da DRJ e, consequentemente, o restabelecimento da autuação em relação à American Airlines. Antonio Carlos Atulim Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001760/2003-64
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA.
A atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/03-06.235
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora), Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Praga que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200812
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. Recurso Especial do Procurador Negado
numero_processo_s : 13830.001760/2003-64
conteudo_id_s : 5485112
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : CSRF/03-06.235
nome_arquivo_s : Decisao_13830001760200364.pdf
nome_relator_s : Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
nome_arquivo_pdf_s : 13830001760200364_5485112.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora), Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Praga que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2008
id : 6038816
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610812968960
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-07-08T16:22:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 0306235_13830001760200364_200812_Arqmetalic_vv e VV.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: Carf; dcterms:created: 2015-07-08T16:22:35Z; Last-Modified: 2015-07-08T16:22:35Z; dcterms:modified: 2015-07-08T16:22:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 0306235_13830001760200364_200812_Arqmetalic_vv e VV.doc; Last-Save-Date: 2015-07-08T16:22:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-07-08T16:22:35Z; meta:save-date: 2015-07-08T16:22:35Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 0306235_13830001760200364_200812_Arqmetalic_vv e VV.doc; modified: 2015-07-08T16:22:35Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: Carf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: Carf; meta:author: Carf; meta:creation-date: 2015-07-08T16:22:35Z; created: 2015-07-08T16:22:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2015-07-08T16:22:35Z; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: Carf; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-07-08T16:22:35Z | Conteúdo => CSRF/T03 Fls. 719 _________ 1 nfls txtfls718 CSRF/T 03 OOlldd MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS TTEERRCCEEIIRRAA TTUURRMMAA PPrroocceessssoo nnºº 13830.001760/2003-64 RReeccuurrssoo nnºº 303-133.492 Especial do Procurador MMaattéérriiaa SIMPLES - EXCLUSÃO AAccóórrddããoo nnºº 03-006.235 SSeessssããoo ddee 08 de dezembro de 2008 RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo ARQMETALIC ESTRUTURAS METÁLICAS LTDA. - ME ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidas as Conselheiras Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro (Relatora), Maria Cristina Roza da Costa e Antonio Praga que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nanci Gama. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Anelise Daudt Prieto, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Judith do Amaral Marcondes Armando, Nanci Gama, Maria Cristina Roza da Costa, Luiz Roberto Fl. 719DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 720 _________ 2 Domingo e Antônio José Praga de Souza. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de Recurso Especial por maioria (fls. 608/623) interposto pela i. Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 303-33.461 (fls. 582/602), exarado pela E. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sintetizado na ementa abaixo transcrita: SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O ADE é ato meramente declaratório e apenas comunica a decisão do fisco de excluir a empresa do SIMPLES sob condição suspensiva. Os efeitos legais da exclusão comunicada não se efetivam se, no prazo legal para contestar os fatos determinantes da exclusão, o interessado comprova a improcedência da motivação legal alegada para tanto. Confirmado o direito do recorrente de permanecer enquadrada na sistemática do SIMPLES. Recurso Voluntário Provido Em suas razões recursais, a i. Procuradoria alega, em síntese, que a montagem de estruturas metálicas em imóveis enquadra-se no conceito de “execução de obras da construção civil”, independentemente da qualificação profissional dos sócios ou prestadores de serviço que a realizam. Regularmente intimada do supra citado recurso em 03 de agosto de 2007, a contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada) apresentou suas contra-razões no dia 27 de agosto de do mesmo ano (fls. 662/708). Nesta peça, a Interessada sustenta a manutenção do inteiro teor do acórdão recorrido, com fulcro em decisões emanadas pelo próprio Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Vencido Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Fl. 720DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 721 _________ 3 Nos termos do art. 17, III, do RICARF1, incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa e Castro e a redatora designada para o voto vencedor, Conselheira Nanci Gama, deixaram o colegiado antes da formalização e assinatura do acórdão. Para o fim de formalizar o voto vencido, adoto a fundamentação lançada na minuta de voto lida em sessão e entregue pela ilustre relatora originária por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "O recurso deve ser conhecido por preencher os devidos requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, trata-se de recurso especial privativo do Procurador que demonstra insurgência contra acórdão que reintegra a Interessada ao SIMPLES, reformando decisão da DRJ que mantinha sua exclusão. A Fazenda alega, em síntese, violação ao inciso V, e § 4º, do art. 9º, da Lei nº. 9.317/96, acrescido pela Medida Provisória nº. 1.523-7/97, pois esta norma legal veda a inclusão no SIMPLES de empresa que se dedique a compra, venda, loteamento, incorporação ou construção de imóveis, compreendendo-se, nessa atividade, a execução de obras de construção civil, tais como construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou ao subsolo. Em suas contra-razões de fls. 341 e seguintes, a Interessada reitera os argumentos expendidos no curso do processo sobre a impossibilidade de classificação das atividades da empresa com de construção civil, alegando que a montagem das peças no local da entrega se faz absolutamente necessária em vista das peculiaridades do produto. Aduz que seus empregados são metalúrgicos, e não funcionários do ramo de construção civil. A prestação de serviços, segunda a Interessada, é eventual. Ao se analisar a prova dos autos, há de se concordar com a Recorrente. A Interessada, pelo menos desde janeiro de 2002, tem se proposto não somente a vender estruturas metálicas, mas também a prestar serviços de construção civil, na forma de subempreitada, construindo galpões de barcos, estruturas para camping, palcos, coberturas, coisas típicas da construção civil. A circunstância de que a empresa teoricamente fabrique as peças de metal que vende, fato que vem colocado no contrato social de fls. 18 dos autos, não impede que ela aufira receitas relativas ao serviço de sua montagem. Nos contratos e notas fiscais trazidas aos autos se observa que a empresa se compromete a fornecer material e mão-de-obra, realizando inclusive serviços de carpintaria, cobertura com telhas francesas, telhas de barro. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 722 _________ 4 Às fls. 113 e seguintes encontram-se notas fiscais de serviços emitidas entre 2000 e 2003 referentes a consertos e montagens de estruturas metálicas. À toda evidência, a empresa tem como objeto principal, ainda que não contratual, o fornecimento de estruturas metálicas já montadas e a prestação de serviço de manutenção e reforma. Eventualmente presta outros serviços de construção civil, como os acima identificados. A fabricação e venda dessas estruturas não é, portanto, o cerne do negócio, uma vez que sua atividade típica é participar, como empreiteira ou subempreiteira, de construções que demandem tais estruturas. Contudo, para lembrança dos meus pares, devo ressaltar que várias decisões deste Conselho (com as quais não se solidarizo) têm concluído pela possibilidade de se aplicar, retroativamente, as disposições contidas na Lei Complementar nº 123/2006, segundo as quais, os serviços em evidência não seriam motivo para exclusão do SIMPLES: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: (...) XIII - construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de sub-empreitada; Isto posto, voto por DAR provimento ao recurso interposto pela i. Fazenda Nacional para excluir a empresa do SIMPLES. " Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Para o fim de formalizar o voto vencedor, adoto a fundamentação do acórdão recorrido, tendo em vista que foi esta a tese que angariou a maioria dos votos na CSRF, in verbis: "(...) A decisão recorrida apresentou basicamente duas razões para indeferir o pedido da ora recorrente, de permanecer enquadrada no regime do SIMPLES. Lembra-se que a empresa está enquadrada na sistemática do SIMPLES desde 01101/1997. As razões foram: Fl. 722DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 723 _________ 5 1) A Lei 9.317/96 veda a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que se dedique à construção de imóveis, e entende a r. DRJ que a fabricação, comércio, eventual instalação e manutenção de estruturas metálicas, representa serviço auxiliar de construção civil. Os atos normativos da SRF, notadamente o Ato Declaratório COSIT 30/99, considera que a atividade vedada de construção de imóveis abrange obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, entre os quais se encontra a colocação de esquadrias. 2) O entendimento oficial da SRF, através da COSIT, também adverte que se ocorrer receita da empresa advinda de atividade vedada ao SIMPLES, em qualquer montante, haverá impedimento para a opção. Devo dizer que quanto ao que se afirma no item "2" acima, entendo ser correta a interpretação da legislação vigente, ou seja, se no Contrato Social da empresa houver cláusula prevendo um rol de atividades, e entre elas estiver descrita atividade impedida ao SIMPLES, porém não exercida efetivamente, não haverá óbice ao enquadramento no regime simplificado, porém, por outro lado, se dentre as atividades exercidas se verificar pelo menos uma que seja vedada, acessória que seja, mas da qual a empresa obtém receita, então esta empresa não reunirá condições de enquadramento enquanto exercer a atividade impedida ao regime. A discussão que resta é instigante e se dá em tomo do que está descrito no Ítem "1" acima. Está fora de questão que a Lei do SIMPLES veda a opção por empresa que se dedique à construção de imóveis. A proibição expressa está no art. 9°,V, e § 4°, mas para a boa interpretação da norma convém observar atentamente o seu texto: "Art. 9~Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: [...] v - que se dedique à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; ... ". [...] 4~ Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou ao subsolo". A recorrente indaga com oportuna propriedade, se uma empresa, como ela é, que fabrica, comercializa e instala estruturas metálicas, pode de algum modo ser confundida com uma pessoa jurídica que se dedique a qualquer daquelas atividades enumeradas no item V do art. 9° da Lei 9.3 I 7/96. A resposta que flui naturalmente é não, não pode ser confundida nem mesmo com a empreiteira de obras que faça a colocação de esquadrias e vidros na obra de edificações. Para o mais desatento observador não passará despercebido que é de todo diferente um serviço auxiliar de construção civil de outro exercido por empresa industrial e comercial, que vende estruturas metálicas, peças a serem montadas no local Fl. 723DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 724 _________ 6 pretendido pelo cliente. O primeiro caso, de empreiteiro de construção civil, consiste em uma pequena empresa que oferece a mão-de-obra de ferreiro, serralheiro ou pedreiro de acabamento, que na obra de construção, se põe sob as ordens de um engenheiro, e complementando o serviço de construção da edificação, têm a responsabilidade de montar e assentar esquadrias ou estruturas metálicas, ou eventualmente apenas assentá-las, segundo o previsto no projeto arquitetônico e de cálculo estrutural, sob a supervisão direta do mestre de obras e, indireta, do engenheiro da obra. No segundo caso, em geral, estão os fabricantes/comerciantes de materiais de construção, entre estes as estruturas metálicas, cuja atividade não se enquadra como serviço auxiliar de engenharia. Neste ponto, é forte o argumento da recorrente quando, com razão, destaca que as empresas que vendem materiais de construção claramente não estão impedidas de se enquadrar no SIMPLES, e o fisco efetivamente não as tem impedido de optar. Pois bem, é intuitivo perceber que o fabricante de estruturas metálicas, ainda que eventualmente ofereça ao comprador a instalação no local, ou apenas a manutenção dessas estruturas, cujas peculiaridades exigem mão-de-obra especifica e especializada, está muito mais próximo da empresa que vende material de construção do que da empreiteira de obras. A nossa experiência com os processos que tratam de exclusão do SIMPLES demonstra que a SRF, encarregada de supervisionar e fiscalizar o regime simplificado, não tem focado a sua importância estratégica e arrecadatória, bem como o caráter sócio-econômico do SIMPLES, apesar do registro aparentemente contraditório, de que a sua concepção e proposição à sociedade, surgiram da própria SRF. O que resulta da falta de contextualização dos casos concretos, da deficiência de atividade de campo, da interpretação capenga da norma legal, do conservador e pernicioso apego excessivo à forma em detrimento da substância, leva a que a ênfase se coloque, taticamente equivocada, na exclusão e não na inclusão. Contudo, advirta-se sempre que, evidentemente, não se pode, e nem se deve, abandonar a vigilância necessária sobre os inevitáveis aproveitadores e oportunistas. Sobre o mérito envolvido neste processo me filio ao entendimento, evocado no recurso voluntário, exarado no voto condutor do acórdão proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 18.04.2001, com relação ao Recurso nº 114.145, no qual o eminente relator Adolfo Montelo destrinchou o tema com clareza de modo a concluir que "a instalação de box para banheiros, vitraux e pintura de esquadrias metálicas e calhas, quando realizadas pelo próprio fabricante, não é considerada como serviço auxiliar da construção civil, não constituindo, portanto, atividade vedada à opção pelo SIMPLES" . Em conclusão, entendo que no caso concreto, a excessiva abrangência que a decisão recorrida pretendeu dar ao conceito de "serviço auxiliar de construção de imóveis" não atinge a atividade de fabricação e comércio de estruturas metálicas, ainda que eventualmente a venda inclua a instalação da peça in loco, nem tampouco quando o serviço se restrinja à manutenção de estruturas metálicas já instaladas, dada a sua especificidade. Do que se expôs até aqui se conclui pela adequação da atividade desenvolvida ao enquadramento no SIMPLES. Portanto, entendo que não há razão para impedir a sua permanência no SIMPLES, ao qual optou desde o primeiro momento em Fl. 724DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13830.001760/2003-64 Acórdão n.º 03-006.235 CSRF/T03 Fls. 725 _________ 7 01/01/1997, devendo ser cancelado o ADE nº 05/2004 expedido pela DRF/Marilia/SP. (...)" Antonio Carlos Atulim Fl. 725DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002408/2003-96
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR.
Não confrontado, por prova documental consistente, o arcabouço fático trazido pela autoridade administrativa, é de se reconhecer legítima a exigência de multa regulamentar a contribuinte que entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98.
Numero da decisão: 3802-002.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro relator.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Ausência momentânea da conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente).
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR. Não confrontado, por prova documental consistente, o arcabouço fático trazido pela autoridade administrativa, é de se reconhecer legítima a exigência de multa regulamentar a contribuinte que entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98.
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.002408/2003-96
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393262
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.365
nome_arquivo_s : Decisao_18471002408200396.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 18471002408200396_5393262.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro relator. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência momentânea da conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5684956
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610826600448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 111 1 110 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.002408/200396 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.365 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria IPI Recorrente NATAN JÓIAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. REABERTURA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PARA APURAR FATOS NÃO VERIFICADOS EM MPF JÁ ENCERRADO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não é nulo o lançamento tributário destinado a complementar lançamento prévio, para exigir crédito tributário relativo a outros estabelecimentos do contribuinte não considerados anteriormente. Erro de fato que permite revisão de ofício do lançamento diante do art. 149, VIII e IX, do CTN. Ausência de cerceamento de defesa se, efetivado o lançamento, o sujeito passivo dispõe de todo o procedimento revisional para apresentar suas razões. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR. Não confrontado, por prova documental consistente, o arcabouço fático trazido pela autoridade administrativa, é de se reconhecer legítima a exigência de multa regulamentar a contribuinte que entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 08 /2 00 3- 96 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano D’amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausência momentânea da conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim (presidente). Relatório A contribuinte NATAN JÓIAS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 078.461, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis/SC, que julgou procedente o crédito tributário formalizado no Auto de Infração objeto de revisão no processo sob exame, mantendoo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 26/28) lavrado para a exigência da multa regulamentar prevista no art. 463, inciso I do Decreto n.° 2.637/98 (RIPI 98), no valor de R$ 541.668,15, conforme descrição dos fatos e demonstrativos às fls. 10 a 17 e 20 a 25. Segundo as autoridades lançadoras, do procedimento fiscal em tela restou demonstrado que a empresa fiscalizada fez uso de notas fiscais comprovadamente inidôneas, querendo com tal intento dar suporte a entrada de mercadorias de procedência estrangeira (relógios da marca Bulgari e Breitling) introduzida no território brasileiro de forma irregular. Em autuação anterior foi procedido ao lançamento das multas do ano calendário 1998 referentes à matriz e filiais cujo Auto de Infração foi protocolado sob n.° 18471.002063/2003 71. Posteriormente, verificado a não inclusão das vendas feitas pelas filiais Oscar Freire e Fashion Mall, foi reaberto o exame com autorização do Delegado da Defic/Rio de Janeiro, com base no inciso IX do artigo 149 do CTN e por não estar encerrada a ação fiscal. Por esta razão foi lavrado o Auto de Infração em tela com base no artigo 83, Inciso I, da Lei n.° 4.502/64. As fls. 10 a 17, a relação dos relógios da marca Breitling e Bulgari, comercializados pelas e filiais Oscar Freire e Fashion Mall da empresa autuada, cuja planilha informa ainda a referência, o número da nota fiscal e/ou conta caixa, a data da emissão do documentário fiscal que acobertou a saída da mercadoria, o valor das mercadorias e as folhas dos respectivos anexos em que se encontram juntadas as notas fiscais e/ou conta caixa, que formam a base de cálculo desta multa, conforme síntese demonstrada às fls. 21/22. O Memorando Defic/RJ n.° 751/2003 que autorizou o reexame da matéria encontrase às fls. 9. Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal às fls. 8. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 112 3 Todos os documentos que embasaram a presente autuação são os mesmos da autuação anterior e foram anexados por cópia no Anexo I que acompanha o presente processo. As notas fiscais de entrada destas mercadorias emitidas pela empresa Comercial Hispano Lusitano Ltda e apresentadas pela interessada encontramse às fls. 18, 21, 22 e 28, do Anexo I. Nas referidas notas constam as respectivas informações quanto à origem das mercadorias importadas. Todas fazem referência a Leilões da Receita Federal. Documentos para comprovar a existência ou não destes leilões bem como do conteúdo dos mesmos estão acompanhando as notas fiscais acima referidas. Cópia da página da Internet que abriga o site da autuada às fls. 84 e 86. Cientificada da exigência que lhe foi imposta, a autuada apresentou a impugnação de fls. 51 a 70, aduzindo preliminarmente a nulidade do procedimento fiscal, pelas seguintes razões: o Auto de Infração Complementar — foi encerrada a fiscalização para o exercício de 1998, não podendo haver nova autuação complementar. Não ocorreu nenhuma hipótese prevista no inciso IX do art. 149, do CTN, e só possui competência para agravamento da exigência a Delegacia da Receita Federal de Julgamento nos termos dos arts. 15, § único, e 18, § 3.° do Decreto n.° 70.235/70; o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização emitido contra si não autorizava a fiscalização verificar fatos relacionados com o IPI, pois somente após 03.09.2003, data em que foi cientificada do MPF Complementar n1) 07.0.90.00200203585303, expedido em 26.08.2003, é que a autoridade competente autorizou a fiscalização proceder à verificação de fatos concernentes ao 1PI, uma vez que o MPFF originalmente expedido tinha por objeto a fiscalização do IRPJ; fato que por si só caracteriza o cerceamento do seu direito de defesa; a autorização expedida por meio do despacho de fls. 97, que deu ensejo ao MPF Complementar (fls. 05), está calcada em premissa imotivada e ilegal, na medida que permitiu a reabertura de ação fiscal relativamente a período e fato imponível objeto de auditoria fiscal procedida anteriormente. Os elementos fáticos já eram do conhecimento das autoridades fiscais quando analisaram os anos de 1996 a 2000. 0 argumento de que fato novo não conhecido à época permitiria revisão, carece de qualquer sustentação; o depoimento prestado pelo Sr. Pedro Feliciano Quilon Rodrigues, sócio da Comercial Hispano Lusitana Ltda., relativamente às notas fiscais emitidas para acobertar as vendas das mercadorias adquiridas pela impugnante de que as mesmas foram tidas como se fossem "de favor", não se prestando, portanto, para comprovar as operações nelas descritas, tomado por termo do depoimento de fls. 35 do Anexo I, não se presta para servir como prova para a lavratura do presente lançamento, pelo fato de não se saber em que circunstâncias tais declarações foram efetuadas e por não se encontrar assistido por advogado, conforme assegura a lei processual. Logo, o procedimento fiscal, por se encontrar erigido sob referido elemento de prova, é nulo de pleno direito, na medida que a autuada não foi intimada a comparecer ao mesmo, evidenciando cerceamento ao seu direito de defesa e ao contraditório; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 outra circunstância que vem demonstrar a imprestabilidade do depoimento colhido pela fiscalização é a constatação de que contra o depoente está sendo requerida sua interdição em face de seu estado de saúde, devendo, por mais este fundamento ser anulado o presente Auto de Infração; o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, cientificado em 24/10/2003, não trata da cobrança de tributo, mas de penalidade administrativa por infração a norma legal. Desta feita, relativamente aos fatos ocorridos anteriores a 24.10.1998, operouse os efeitos da decadência do direito da Fazenda Pública de impor a penalidade inscrita nos arts. 365, I, do RIPI/82 e 463, I, do RIPI/98, por força do que dispõem os arts. 150, § 4o, do CTN, 1o e 2o da Lei n. 9.873/99 e 78 da Lei n. 4.502/64, razão pela qual descabe a autuação referente às operações amparadas pelas Notas Fiscais n. 14 e n. 172, emitidas em 09.04.1997 e 21.05.1998, respectivamente; Ultrapassadas as alegações preliminares, no mérito a impugnante aduz mais às seguintes razões, que: a penalidade aplicada no Auto de Infração não guarda relação com os fatos descritos pela fiscalização, na medida que a autuada adquiriu da Comercial Hispano Lusitana Ltda., portanto no mercado interno, produtos adquiridos em leilão da Secretaria da Receita Federal, cuja entrada no estabelecimento da impugnante foi acobertada por Notas Fiscais de Saídas emitidas pela citada empresa. Logo, as referidas aquisições de mercadorias estavam amparadas por documentos hábeis, tanto que providenciou sua escrituração no livro fiscal próprio; o depoimento prestado pelo titular da empresa que emitiu as notas fiscais não tem o condão de desqualificála como prova da regular entrada das mercadorias no estabelecimento da autuada, na medida que é nulo de pleno direito tendo em vista as condições em que foi tomado e por conta do processo de interdição judicial do depoente; verificada a ausência de tipicidade penaltributária que pudesse ensejar a cobrança da penalidade, não resta configurada suposta infração à legislação tributária, tornandose impraticável a aplicação da multa regulamentar em apreço; é incabível a aplicação da penalidade prescrita no art. 365, I, do RIPI/82 à impugnante, na medida que adquiriu as mercadorias no mercado interno da Comercial Hispano Lusitana Ltda., que, por sua vez, as adquiriu em leilões realizados pela Secretaria da Receita Federal, demonstrando que a autuada, quando efetuou as respectivas aquisições, o fez em observância da legislação tributária e comercial, conforme demonstram os documentos de fls. 22, 24 e 25; ademais, não procede a alegação da autoridade lançadora quando afirma que os relógios adquiridos por meio da Nota Fiscal n2 177, não são aqueles mencionados nos documentos referentes ao Leilão IV 009/98 haja vista não possuírem marca, pois a descrição das mercadorias licitadas em absoluto se referem a relógios sem marca, mas a relógios cujas marcas não foram especificadas; por não restar evidenciada circunstância que pudesse desacreditar da idoneidade da empresa Comercial Hispano Lusitana Ltda., emissora das mencionadas notas fiscais, a autuada entendeu ser absolutamente regular a operação efetuada pela citada empresa arrematante; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 113 5 adquiriu de boa fé no mercado interno as mercadorias, não podendo o Fisco imputar à impugnante a responsabilidade para aferir a lisura dos procedimentos adotados pela citada empresa, uma vez que tal verificação é exclusiva das autoridades fazendárias, posto que a autuada não detém os meios legais para aferir acerca da forma como se deu a entrada das mercadorias no estabelecimento da Comercial Hispano Lusitana Ltda; a apuração do montante que serviu de base de cálculo da multa aplicada está incorreta na medida que a fiscalização utilizouse do valor das notas fiscais de saída emitida pela autuada, quando da revenda dos citados relógios, quando deveria, conforme prescreve a norma penaltributária aplicada, aplicar a multa com base no valor comercial atribuído para a mercadoria relativamente ao ato tido por ilícito, qual seja a entrada irregular do produto no estabelecimento da autuada, uma vez que este foi o negócio jurídico que a autoridade lançadora entendeu realizado de maneira fraudulenta; em face do decurso do prazo qüinqüenal que dispunha o Fisco para impor a propalada sanção, improcede o montante da multa embasada nos fatos ocorridos em 1997, logo o estoque encerrado em 31.12.1997 não podem ser objetos de contestação, razão pela qual devem ser excluídos os valores das multas apuradas com base nas vendas efetuadas anteriormente ao recebimento das mercadorias acobertadas pela Nota Fiscal n. 1772, emitida em 21.05.1998; outro motivo para a improcedência da multa aplicada reside no fato de que a fiscalização não logrou êxito em apurar o exato valor comercial de cada relógio, para sua correta quantificação, especificando suas respectivas marcas e modelos, bem como a quantidade efetiva que a autuada deu saída de seu estabelecimento comercial. Desta feita, requer o cancelamento do Auto de Infração em apreço. Em 23 de junho de 2004, a interessada, por meio de seu representante legal, subscreveu a petição de fls. 109/110, com a finalidade de requerer a juntada aos autos da Escritura Declaratória lavrada em 12.03.2004, por meio do qual o Sr. Pedro Feliciano Quilon Rodriguez presta esclarecimentos acerca do seu depoimento tomado a termo em 10.02.2003 (fls. 114 a 116). Citado documento foi juntado ao processo pela DRJ em Juiz de Fora (MG), em 28.06.2004 (fls. 117). Em janeiro de 2005, uma vez mais, a interessada, por meio de seu representante legal, subscreveu a petição de fls. 118, objetivando requerer a juntada aos autos dos documentos de fls. 119 a 126, a fim de que fique demonstrado que as operações por ela praticadas foram acobertadas por documentação hábil, devidamente escrituradas nos livros fiscais e comerciais próprios, inclusive com prova do recebimento das mercadorias e seu respectivo pagamento do preço acordado. Referida documentação foi também objeto de juntada ao processo pela DRJ/JFA, em 03.02.2005 (fls. 127). São partes integrantes dos autos deste processo os Anexos I e II, que tiveram suas folhas numeradas de 001 a 297. Este é o Relatório. Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O MPF contém dois aspectos um interno e outro externo. No interno tratase de uma ordem de serviço do superior hierárquico (delegado/inspetor) a seu subordinado, sobre cujo cumprimento, ou não, os julgadores administrativos de primeira e segunda instância não têm competência para emitir opinião, por estarem estruturalmente dissociados daquele ramo de hierarquia. É da competência exclusiva do delegado/inspetor autorizado a emitir o respectivo MPF mandar dar seguimento ou arquivar o lançamento processado com vícios nesse documento. No aspecto externo o MPF é o instrumento pelo qual se assegura ao contribuinte, desde o inicio do procedimento fiscal, o pleno conhecimento do objeto e da abrangência da ação, em especial em relação aos tributos e períodos a serem examinados, com fixação de prazo para a sua execução, dando a ele (contribuinte), certos direitos que antes não dispunha. A ausência, ou a extinção do MPF dá ao contribuinte o direito de resistência passiva, ou seja, o direito de não responder às intimações da autoridade fiscal, ou apresentar os documentos solicitados. Instituído por legislação infralegal, apenas especifica a competência genérica que detém o AFRF, por expressa disposição legal, portanto, seus vícios (do MPF) e mesmo sua ausência geram problemas de incompetência. Os vícios ou a ausência do MPF tampouco são capazes de provocar vicio formal, haja vista que, por definição legal, o vicio de forma somente ocorre na violação de forma prescrita ou não defesa em lei e não em legislação. A violação na forma prescrita em legislação infralegal, em sede de processo administrativo fiscal, constitui mera irregularidade. Mesmo quando a forma for prescrita em lei, se não houver expressa cominação de nulidade, para os casos de sua infringência, o julgador deve, pelo principio da economia processual, considerar válido o ato que realizado sem essa formalidade alcançar sua finalidade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. HIPÓTESES DE REVISÃO DE OFÍCIO. Ocorrendo uma das hipóteses do art. 149 do CTN, a revisão de oficio que apurar crédito tributário, enseja o lançamento complementar. AÇÃO FISCAL. FATO NOVO Caracterizase como fato novo, dando autorização para nova ação fiscal para um período que já houve fiscalização de tributos internos, a constatação de irregularidade na comprovação da entrada de mercadorias estrangeiras. DECADÊNCIA. MULTA. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 114 7 O direito do fisco de constituir crédito tributário por imposição de penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Porém na ocorrência de dolo, fraude ou simulação o prazo, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é sempre o primeiro dia do exercício seguinte ao daquele em que o crédito já poderia ter sido constituído. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados I P I Anocalendário: 1998 Ementa: MULTA DO ART. 463, I, DO RIPI/98. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS MERCADORIAS. A adquirente deve comprovar a origem das mercadorias estrangeiras que vende em seu estabelecimento e não serve como prova notas fiscais com informações falsas acerca da origem das mesmas. É seu dever suspeitar da origem dos bens adquiridos, com as cautelas próprias do negócio que possui. MULTA DO ART. 463, I, DO RIPI/98. CONFIGURAÇÃO DA INFRAÇÃO. A infração fica configurada, quando já tendo dado saída das mercadorias estrangeiras sem comprovação de sua regular importação, na data da emissão das notas fiscais de venda. Lançamento Procedente. Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua peça impugnatória, e requer o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, o reconhecimento de decadência, senão total, parcial, e, no mérito, a improcedência do auto de infração ante os seguintes fundamentos: A regular entrada das mercadorias no estabelecimento da Recorrente, adquiridas no mercado interno de arrematante em leilões da RFB (fl. 191); A improcedência da penalidade aplicada, pois “exigida de pessoa jurídica que não praticou a suposta infração objeto da norma legal” (fl. 196); A incorreta apuração do valor que serviu de base para cálculo da multa, o qual, ao invés de ser o valor de saída, deveria ser o de aquisição (fl. 202); A improcedência da autuação por calcular a penalidade com base em todas as vendas realizadas pela Recorrente, pois, dentre outras alegações, não foi demonstrado pela fiscalização o valor exato de cada relógio (fl. 203). É o relatório. Voto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. A Recorrente fundamenta seu pedido na ocorrência de diversos vícios, formais e materiais, que levariam a uma anulação do lançamento ou, alternativamente, ao reconhecimento de sua improcedência. Vamos a eles. Do vício formal – nulidade do MPF complementar e do lançamento dele decorrente A Recorrente inicia seu combate ao lançamento arguindo sua nulidade, ante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal complementar que o lastreou se referiu a tributo diverso do MPF principal. Entende que, em razão disso, teria ocorrido cerceamento do seu direito de defesa. Não comungo da tese da Recorrente. Isso porque, de plano, reconheço tratar se de MPF complementar em virtude de erro de fato – no lançamento inicial, objeto do processo administrativo 18471.002063/200371, não foram considerados dois estabelecimentos da Recorrente, o que motivou a reabertura da ação fiscal. Em se tratando de erro quanto às circunstâncias fáticas do lançamento, sua revisão é não somente possível como mesmo desejável ao sistema jurídico, sendo poderdever da autoridade administrativa proceder à sua revisão, de ofício, nos termos do art. 149, VIII e IX, do CTN. Assim, do ponto de vista puramente formal, se foram observados os requisitos normativos para reabertura da ação fiscal – e no caso concreto é incontroverso que houve autorização expressa do Delegado da Receita Federal para reabertura do MPF –, a revisão de ofício se revela possível. Por outro lado, não vejo cerceamento do direito de defesa ao contribuinte se, em decorrência de erro de fato, houve reabertura da ação fiscal, com lavratura de lançamento complementar. Isso porque ao lançamento se segue todo um processo administrativo revisional, em que é assegurado ao sujeito passivo o pleno exercício de seu contraditório e ampla defesa, como aliás vem sendo feito em tela. Logo, nem mesmo se adotássemos a concepção (doutrinariamente vencida) do acertamento tributário, comungada por Marco Aurélio Greco e Aurélio Pitanga Seixas Filho, de que o lançamento se destina a um acertamento do crédito tributário, sendo um complexo de atos que se desdobram desde as medidas de fiscalização até a decisão administrativa final sobre o crédito tributário, seria possível dar guarida ao pleito de cerceamento de defesa. No máximo há um risco maior de o lançamento ser reconhecido como improcedente, caso não se reúnam todos os elementos necessários à sua confecção. No entanto, tendo toda a materialidade para lançar, despicienda a participação do contribuinte nos atos fiscalizatórios, precisamente pelo fato de que, antes do lançamento, ainda não há crédito tributário formalizado contra si. Após esse ato inicial de exigência do crédito sim, a participação do sujeito passivo é imprescindível. Frisese ainda que, em se tratando de lançamento complementar, o trabalho de defesa do sujeito passivo já se encontra basicamente delineado na tese posta no auto de infração inicial. Assim, não havendo prejuízo, não há como se reconhecer nulidade – valendo o brocardo pas de nullité sans grief. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 115 9 Destarte, não acolho o primeiro argumento do recurso. Da decadência Em seguida ao primeiro argumento, a Recorrente requer seja atestada a decadência do crédito tributário, diante do fato de que (i) a notificação regular do lançamento ocorreu após o decurso do prazo a que se refere o art, 150, § 4o, do CTN, ou mesmo, (ii) com relação à nota fiscal n. 14, ainda que se aplique a regra do art. 173, I, do CTN, seria forçoso reconhecer sua caducidade para fins de lançamento. O auto de infração foi regularmente notificado ao sujeito passivo no dia 24/10/2003, conforme se vê de fl. 25. As notas fiscais objeto do questionamento do contribuinte (ns. 14 e 172) foram emitidas respectivamente em 09/4/1997 e 21/5/1998. Com relação aos fatos objeto do presente lançamento, entendo ser aplicável a regra do art. 173, I, do CTN. Isso porque, como bem destaca a decisão recorrida, o art. 150, § 4o, do CTN, por disposição expressa não é aplicável aos casos de dolo, fraude ou simulação. No caso em tela, a situação que se afigura é de fraude – pois nitidamente se percebem incongruências nas informações constantes das notas fiscais e a realidade fática das mercadorias postas à venda pela Recorrente e mesmo do seu ramo do comércio, o que será ventilado mais pormenorizadamente no exame do mérito. De todo modo, no que tange a aplicação da regra para contagem do prazo decadencial, filiome à tese da decisão recorrida e também da decisão proferida pelo CARF à própria Recorrente no processo 18471.002063/200371, destinado à revisão do lançamento tributário principal, objeto de revisão de ofício para fins de complementação da matéria fática pelo auto de infração que ora é objeto de julgamento. Tomo a liberdade de transcrever o excerto do Acórdão vencedor – vencedor precisamente na matéria de decadência: DECADÊNCIA. MULTA. O direito de o fisco efetuar o lançamento de ofício para imposição de multa regulamentar se extingue em cinco anos, consoante regra prevista no art. 173, I, do CTN. (Acórdão n. 330100.151 – 3a Câmara – 1a TO – Relator Designado Cons. Maurício Taveira e Silva – sessão de 09 de julho de 2009) No entanto, independente da regra de decadência aplicável, o que se tem em termos concretos é a desconsideração das notas fiscais da Comercial Hispano Lusitana Ltda. como documentos hábeis para acobertar a entrada regular das mercadorias. Tanto assim que o demonstrativo de apuração confeccionado pela autoridade administrativa se refere somente ao exercício de 1998, e em nenhum momento o montante autuado se identifica com a nota fiscal n. 14 (a única que, em tese, seria objeto de decadência). Assim, rejeito a preliminar de decadência do crédito tributário objeto do presente lançamento. Quanto ao mérito Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Iniciando a análise do mérito, percebese que a Recorrente se preocupa excessivamente com um depoimento prestado pelo vendedor das mercadorias, emitente dos documentos fiscais que deram azo à ação fiscal que desembocou no lançamento ora sob exame. A Recorrente busca, a todo custo, desconstituir o depoimento do Sr. Pedro Rodriguez, que declarou à Receita Federal, durante ação fiscal, ter emitido as notas “de favor” para permitir o acobertamento das entradas de mercadorias revendidas pela Recorrente. Inclusive um dos pleitos preliminares da Recorrente, abordado em conjunto com a presente alegação de mérito, é o pedido de anulação do lançamento porquanto baseado em um depoimento nulo por problemas particulares do depoente. Além disso, a Recorrente é bastante enfática na circunstância de que adquiriu as mercadorias regularmente no mercado interno, junto a revendedor arrematante de mercadorias em leilões da RFB. Sobre o depoimento do Sr. Pedro Rodriguez, entendo que sua anulação em nada auxilia a Recorrente, e seu eventual desentranhamento dos autos, ou mesmo desconsideração para os fins do presente processo, não desnaturam a exigência da multa regulamentar. Isso porque o depoimento prestado é apenas um indício – aliás, o mais fraco de todos eles. Declarações de particulares não se prestam a muito relevo em matéria tributária, seara na qual a documentação tende a refletir a verdade material tão perseguida na revisão do lançamento tributário, seja na via administrativa ou judicial. A rigor, sendo bastante objetivo os fatos postos a julgamento são: uma joalheria de renome internacional alega ter adquirido, para revenda, relógios de marcas mundialmente festejadas a aproximadamente R$ 100,00, junto a arrematante de mercadorias apreendidas em leilões da Receita Federal do Brasil. A alegação da Recorrente chega a ser assustadora do ponto de vista das relações jurídicas de direito privado que mantém com seus clientes. Felizmente o processo administrativo fiscal é revestido de sigilo, que impede que certas informações cheguem a público. Pois o mesmo motivo que expõe ser bastante duvidoso o recebimento dessa alegação pelo mercado consumidor, ocorre com o julgador: a alegação foge ao senso comum. Mercadorias apreendidas em leilões da Receita Federal são de procedência duvidosa, e o preço de aquisição destoa em absoluto do preço médio dessas mercadorias. Qual seria então o dever instrumental da Recorrente, para tentar desfazer esse senso comum que norteia a interpretação de seus atos? Provar, em primeiro lugar, que o preço de aquisição no mercado é esse. Juntar notas fiscais emitidas pelos fabricantes, ou distribuidores dessas mercadorias para revenda. Essa comprovação poderia vir ainda por demonstração contábil, indicando o custo médio de aquisição dessas mercadorias; bem como outras formas mais robustas do que o mero ataque retórico ao quanto levantado pela ação fiscal. Igualmente, buscar comprovar a regularidade da operação pelos documentos que, além de questionados pelo fisco, possuem informações que efetivamente escapam do senso comum, não oferece grande socorro ao sujeito passivo. Ausente essa documentação, a defesa começa a se revelar vulnerável. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 18471.002408/200396 Acórdão n.º 3802002.365 S3TE02 Fl. 116 11 Restam duvidosas, portanto, as alegações de mérito da Recorrente, pois em momento algum ela demonstra que realmente aqueles relógios, adquiridos por um preço praticamente simbólico, foram postos à venda para o mercado de varejo, junto com outros. Toda a defesa então fica posta em xeque se documentalmente a Recorrente não confronta essa questão singela levantada pelo lançamento, quanto ao mérito: os relógios postos para revenda foram adquiridos de forma irregular, pois as notas fiscais que acobertam suas entradas contêm informações indignas de fé. Essas circunstâncias, aliadas à inidoneidade da pessoa jurídica arrematante fornecedora em dado período, confrontam mais ainda a robustez dos argumentos da Recorrente. Assim é que, quanto ao mérito, nada obstante todo o esforço despendido pelo sujeito passivo, não encontro razões suficientes para ilidir a ação fiscal, filiandome ao quanto decidido no processo 18471.002063/200371, cuja ementa tomo a liberdade de transcrever: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA REGULAMENTAR. Constatado por meio de fiscalização regular que a contribuinte entregou a consumo produto de procedência estrangeira, com entrada em seu estabelecimento de forma irregular, nos termos do art. 463, I, do RIPI/98, enseja a aplicação da multa igual ao valor comercial da mercadoria. Por fim, no que tange à equivocada quantificação da base de cálculo para aplicação da multa regulamentar, também não encontro vícios na apuração efetuada pela autoridade administrativa. Isso porque o valor comercial não é necessariamente o valor de entrada das mercadorias, e sim o valor de mercado. E, ainda que assim não fosse, o valor das entradas das mercadorias objeto do presente lançamento é totalmente questionável – tendo sido inclusive o que despertou a autoridade administrativa para detectar a aquisição irregular dos produtos postos à venda. Conclusão Ante todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento, mantendo o crédito tributário formalizado no auto de infração ora guerreado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/0 8/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.006134/2008-88
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2005
RECURSO INTEMPESTIVO.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta
dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2302-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente.
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11020.006134/2008-88
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5299887
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.752
nome_arquivo_s : Decisao_11020006134200888.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 11020006134200888_5299887.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5119711
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610832891904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 214 1 213 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.006134/200888 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.752 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria Contribuições Previdenciárias Sociais Recorrente MTM COMÉRCIO DE PEÇAS E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 30/11/2005 RECURSO INTEMPESTIVO. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72 resulta no não conhecimento da peça defensiva. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Presidente. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, André Luis Marsico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 61 34 /2 00 8- 88 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Tratase o presente lançamento de Auto de Infração de Obrigação Acessória (DEBCAD nº 37.193.8481) por ter deixado a empresa deve lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91 combinado com o artigo 225, inciso II, parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. De acordo com o relatório fiscal de fls. 39, a empresa MTM Comércio de Peças e Serviços Ltda. foi autuada por lançar, em conta contábil SALARIOS — 274.4.2.1.02.03 e 189.4.5.1.01.02 — nos Livros Diário n° 01, 02 e 03, todos os valores pagos ou creditados aos segurados empregados a seu serviço, não efetuando a separação, em títulos próprios, das rubricas que são base de cálculo para incidência de contribuições, no período de 07/2003 a 11/2005, conforme o Relatório Fiscal da Infração. Intimada em 19/09/2008, a empresa apresentou impugnação tempestiva (fls. 70/75), alegando: a) Que o lançamento foi efetuado por interpretação equivocada do Auditor Fiscal, porque a separação, na escrituração contábil, das rubricas de abono de férias, 1/3 sobre o abono de ferias, férias indenizadas, 13° salário e indenizações trabalhistas, não é exigida e não caracteriza infração ao artigo 32 da Lei n° 8.212/91; b) Que a escrituração contábil foi elaborada dentro do prazo legal e de acordo com as normas técnicas e legais, contendo todos os fatos geradores e elementos exigidos, e com a entrega de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP retificadoras, que elidem totalmente a infração, deve o lançamento ser declarado nulo; c) Quanto à multa, afirmou ser ilegal sua aplicação por ausência de enquadramento na tipificação legal, pois a contabilidade da autuada possibilita que sejam identificados os fatos geradores de contribuição, estando discriminadas as quantias descontadas e as contribuições; d) Que o presente lançamento não deveria prosperar pelo fato de inexistir perante os Órgãos de Classe de Contabilidade, na doutrina especializada, na Receita Federal do Brasil — RFB ou em qualquer dispositivo legal, a obrigatoriedade de efetuar o lançamento, de forma discriminada, dos abono de férias, 1/3 sobre o abono de férias, férias indenizadas, 13° salário e indenizações trabalhistas. Salientou, ainda, que as contas Salário — 274.4.2.1.02.03 e 189.4.5.1.01.02 — correspondiam integralmente à conta contábil Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados — 3.05.01.07.02.01 — do Plano de Contas Referencial, da SPED Contábil, encontrado no "site" da RFB; e) Ao final, pleiteou a desconstituição do lançamento e, alternativamente, a aplicação dos valores constantes no artigo 283, inciso II, do RPS, correspondente ao da época da infração. Juntou Plano de Contas Referencial (RFB e SESCAP) e folhas de pagamento do período autuado, fls. 78'a 165. Encaminhados os autos para julgamento, os membros da DRJ/POA (Porto Alegre), julgaram procedente o lançamento. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11020.006134/200888 Acórdão n.º 2302002.752 S2C3T2 Fl. 215 3 Devidamente intimado em 22/07/2009 (fls. 346), o contribuinte apresentou, em 24.07.2009, Embargos Declaratórios alegando omissão do julgado. No julgamento, a DRJ/POA não conheceu dos aclaratórios pelo fato deste recurso só ser cabível perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Afirmou ainda o Relator que não vislumbrava na decisão inexatidões materiais, erros de escrita ou de cálculos, elementos ensejadores da correção prevista no artigo 32 do Decreto n° 70.235/72. Em 26/08/2009, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ratificando todos os termos dispostos na impugnação (fls. 364/376). É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora. Após tomar ciência da decisão da DRJ (fls. 346), em 22/07/2009, o Recorrente deixou transcorrer o prazo de 30 dias conferido pelo o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, c/c com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 c/c art. 33 do decreto nº 70.235/72, para apresentação de recurso (protocolado em 26/08/2009 fls. 364): "Lei n° 8213/91: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento.". "Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99: Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.." Decreto nº 70.235/72: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Vale ressaltar que no dia 24/07/2009 o contribuinte apresentou Embargos Declaratórios alegando omissão do julgado proferido pela DRJ/POA, em 1º grau, os quais não foram conhecidos por não haver previsão legal da sua interposição em face da decisão de 1º grau. Por causa disso, a apresentação dos respectivos embargos não ensejaram a suspensão do prazo para interrupção do recurso voluntário. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 11020.006134/200888 Acórdão n.º 2302002.752 S2C3T2 Fl. 216 5 Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por intempestivo, mantendo a decisão da DRJ. É como voto. Sala das Sessões, 18 de Setembro de 2013. Juliana Campos de Carvalho Cruz. Relatora Fl. 393DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 10711.005615/2005-82
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 11/07/2001
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Incabida a alegação de cerceamento de defesa, quando existentes nos autos elementos suficientes para a formação do convencimento do julgador, quiçá quando não demonstrado de forma satisfatória no que consistiu o suposto cerceamento de defesa, posto que a pretensão deduzida na hipótese, poderia ter sido produzida pela própria Contribuinte no momento oportuno.
IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
Somente se cogita da aplicação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, quando a mercadoria importada estiver descrita com todos os elementos necessários A sua identificação e ao seu enquadramento tarifário.
Preliminar suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.229
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Heroldes Bahr Neto e Gilberto de castro Moreira Junior, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Luiz Fregonazzi. Ausente justificadamente o conselheiro Presidente José Luiz Novo Rossari.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator ad hoc
Charles Mayer de Castro Souza Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, João Luiz Fregonazzi, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Regina Godinho.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 11/07/2001 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabida a alegação de cerceamento de defesa, quando existentes nos autos elementos suficientes para a formação do convencimento do julgador, quiçá quando não demonstrado de forma satisfatória no que consistiu o suposto cerceamento de defesa, posto que a pretensão deduzida na hipótese, poderia ter sido produzida pela própria Contribuinte no momento oportuno. IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Somente se cogita da aplicação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, quando a mercadoria importada estiver descrita com todos os elementos necessários A sua identificação e ao seu enquadramento tarifário. Preliminar suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado.
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10711.005615/2005-82
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423749
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3202-000.229
nome_arquivo_s : Decisao_10711005615200582.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Rodrigo Cardozo Miranda
nome_arquivo_pdf_s : 10711005615200582_5423749.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Heroldes Bahr Neto e Gilberto de castro Moreira Junior, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Luiz Fregonazzi. Ausente justificadamente o conselheiro Presidente José Luiz Novo Rossari. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator ad hoc Charles Mayer de Castro Souza Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, João Luiz Fregonazzi, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Regina Godinho.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
id : 5801838
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610841280512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 101 1 100 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.005615/200582 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.229 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2010 Matéria MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA Recorrente CHREEMTEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/07/2001 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabida a alegação de cerceamento de defesa, quando existentes nos autos elementos suficientes para a formação do convencimento do julgador, quiçá quando não demonstrado de forma satisfatória no que consistiu o suposto cerceamento de defesa, posto que a pretensão deduzida na hipótese, poderia ter sido produzida pela própria Contribuinte no momento oportuno. IMPOSIÇÃO DE MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Somente se cogita da aplicação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, quando a mercadoria importada estiver descrita com todos os elementos necessários A sua identificação e ao seu enquadramento tarifário. Preliminar suscitada rejeitada. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Heroldes Bahr Neto e Gilberto de castro Moreira Junior, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Luiz Fregonazzi. Ausente justificadamente o conselheiro Presidente José Luiz Novo Rossari. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 56 15 /2 00 5- 82 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 102 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator ad hoc Charles Mayer de Castro Souza – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, João Luiz Fregonazzi, Gilberto de Castro Moreira Junior, Heroldes Bahr Neto, Rodrigo Cardozo Miranda e Maria Regina Godinho. Relatório Por pertinente, adoto e transcrevo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis (SC), conforme fls. 66/69, por bem esclarecer os fatos ocorridos até aquela fase processual: “Trata o presente Auto de Infração nº 258/05 – de fls. 01 a 05, lavrado contra a acima epigrafada, de quem se cobra o valor de R$ 19.417,41, a título de Multa do Controle Administrativo das Importações. O lançamento em epígrafe decorreu da constatação de que a contribuinte quando submeteu a despacho de importação, para consumo, as mercadorias objeto da Adição 001 da Declaração de Importação (DI) nº 01/06860954, registrada em 11.07.2001, fls. 09 a 26, descrita como sendo “Tecidos de Fio de Filamentos Sintéticos, Tintos, Sem Fios de Borracha, do Tipo Oxford, compostos de 100% Poliéster, largura 54’’, peso: 361g/m”, o fez ao desamparo da necessária Licença de Importação – LI, conforme relato de fls. 02. Entendendo, o autuante, com base no Laudo nº. 2658/01 (fl.08), que respectiva mercadoria, por se tratar de “de tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, de fios de diversas cores”, tem sua correta classificação na posição 5407.53.00, diferentemente da posição 5207.52.10, ambas da TEC, conforme declarou a importadora. Estando, portanto, sujeita à penalidade acima mencionada, uma vez que, além do erro de classificação fiscal verificado, a mercadoria não foi corretamente descrita com todos os elementos necessários para sua identificação. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por meio de sua procuradora legalmente constituída, apresentou a impugnação de fls. 33 a 39, instruindo a com os documentos de fls. 40 a 64, argüindo que do simples confronto da conclusão do laudo do Labana com a descrição da mercadoria na DI é suficiente para demonstrar a inexistência de divergências substanciais quanto aos elementos constitutivos para sua correta e perfeita identificação, razão pela qual, igualmente inexiste justificativa para a imposição do respectivo gravame, conforme pretende a autoridade lançadora. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 103 3 Corrobora seu entendimento no fato de que ambas posições tarifárias, tanto da contribuinte quanto da fiscalização são idênticas, inclusive com a mesma incidência tributária, não havendo, por conseguinte, diferença de impostos a recolher. Por fim, aduz que ante a ausência de qualquer intuito doloso ou máfé de sua parte e com supedâneo no entendimento insculpido no AD(N) nº 12, de 21.01.1997 e na farta jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais não havendo como prosperar a pretensão fiscal em tela. Nestes termos, a interessada julga correta a classificação fiscal da mercadoria, por ser exatamente aquela descrita na DI em tela. Requer, não obstante a reconhecida idoneidade do laboratório que elaborou o laudo de fls. 08, seja deferida a solicitação que pleiteia a elaboração de novo exame laboratorial da mercadoria em trato, a ser efetuado pelos peritos do Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – CETIQT – DENAI, no intuito de demonstrar a veracidade do que ora se alega, indicando perito técnico de sua confiança e formulando quesitos. Mediante o expediente de fls. 65, o processo foi encaminhado a esta DRJ/FNS para prosseguimento. É o relatório.” Sobreveio decisão de primeira instância (fls. 66/69), na qual a Colenda Turma da DRJ de Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento realizado, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 01 a 05, mantendo a exigência fiscal, cuja decisão restou assim ementada: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/07/2004 Ementa. Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Lançamento Procedente.” Portanto, resumimos o declarado e o que foi objeto de autuação pelo Ilustre Auditor Fiscal, tendo atribuído à Recorrente a prática das seguintes infrações, que digase, foi integralmente mantido pela DRJSPO II: Infração Classif. Adotada pelo Contribuinte Classif. Adotada pelo Fisco Descrição dada pela Empresa Exigência 1 5207.52.10 5407.53.00 Tecidos de Fio de Filamentos Sintéticos, Tintos, Sem Fios de Borracha, do Tipo Oxford, compostos de 100% Poliéster, largura 54 ‐ Multa do controle administrativo das importações Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 104 4 Inconformada com a decisão, a interessada apresentou tempestivamente o presente Recurso Voluntário (fls. 75/82). Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural, requerendo ao final, o conhecimento e provimento do recurso, com o acolhimento da preliminar arguida e declaração de nulidade da autuação no tocante à multa lançada. As razões de recurso, em síntese, são as seguintes: 1. Preliminarmente, arguiu nulidade da decisão por manifesto cerceamento do direito de defesa, uma vez que seu pedido de novo exame na amostra do produto têxtil importado não foi atendida pela autoridade fiscal; 2. No Mérito, reitera as alegações apresentadas na Impugnação de fls. 33 a 39; Em razão da finalização dos mandatos dos conselheiros Heroldes Bahr Neto e João Luiz Fregonazzi fui designado relator ad hoc deste processo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator ad hoc. Satisfeitos estão os requisitos viabilizadores de admissibilidade deste recurso e, sendo tempestivo, dele conheço. Levando em conta o Auto de Infração, Impugnação, Decisão da DRJ e respectivo Recurso Voluntário, os pontos remanescentes a serem julgados são os seguintes: Exigência de penalidade pecuniária em razão de (i) reclassificação fiscal da mercadoria descrita na DI nº. 01/06860954 e sua (ii) descrição incorreta na Licença de Importação. Pela descrição incorreta e reclassificação foi lavrada autuação impondo a seguinte multa: (a) multa ao controle administrativo (multa de 30% do valor aduaneiro por falta de Licença de Importação), com base no art. 526, inciso II, do Decreto nº. 91.030/85 com a interpretação dada pelo Ato Declaratório Normativo nº. 12/97); Ante a presença de preliminar no presente caso, passo à sua apreciação antes de adentrar ao mérito. PRELIMINAR CERCEAMENTO DE DEFESA A Recorrente argüiu cerceamento de defesa, vez que teve seu pedido de produção de prova pericial com formulação de quesitos, negado. O objetivo da nova perícia era reavaliar, com base em novo exame laboratorial, a correta classificação fiscal da mercadoria em análise. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 105 5 Primeiramente, cumpre esclarecer, que tanto no processo administrativo quanto no processo judicial, a prova pericial tem por fim precípuo, esclarecer questões que conduza tanto ao órgão julgador quanto às Partes envolvidas numa lide, a razoáveis dúvidas que possam influir na decisão da causa. Não por outra razão que as normas que tratam da presente matéria são claras em assentar que as perícias somente serão deferidas se forem necessárias. Ou seja, desde que imprescindíveis para firmar o convencimento do julgador incumbido de dirimir as controvérsias instauradas. Nesse diapasão, vejamos os dispositivos legais que regem a matéria, verbis: DECRETO Nº. 70.235/72, ART. 18: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (Lei nº. 5.869/73), ART. 420: “A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III a verificação for impraticável.” Simples leitura dos dispositivos acima transcritos, evidenciam o poderdever do julgador em deferilas ou não, posto que lhe é assegurado o poder para, se entender impertinentes, e desde que devidamente fundamentada, indeferilas. Com efeito, na hipótese dos autos, o que se verifica, é que a Recorrente pretende verse atendida sua pretensão, consistente em produzir a mesma prova já produzida nos autos, somente que desta feita, por outro laboratório, o que, com todas as vênias, se apresenta totalmente desarrazoada, além de inoportuna. Contudo, como se demonstrará, apresentase totalmente desnecessária a produção da prova pretendida, qual seja, nova perícia, como bem demonstrou a d. DRJ/Florianópolis (SC). A autoridade fiscal, baseandose no laudo pericial elaborado pelo LABORAN, realizado a partir da coleta de amostra da mercadoria em questão, concluiu que além da classificação fiscal errônea existe também erro na identificação da mercadoria. Salienta em sua decisão que: “o simples fato de a Recorrente não concordar com a conclusão do laudo, sem que tenha apontado qualquer irregularidade e/ou vício e sem que tenha trazido nenhum elemento de prova capaz de infirmálo, não constitui motivo suficiente para que seja deferida a realização de novo exame na respectiva amostra”. Como se vê, assistelhe inteira razão, pois basta uma simples leitura nas razões expendidas pela ora Recorrente (fls. 76/78), para se concluir que não se trouxe qualquer elemento de convicção que pudesse eivar de nulidade referido Laudo, ou até mesmo pudesse colocálo, de alguma forma, em dúvida quanto à sua veracidade. Ora, assentar somente que “A medida requerida é de fundamental importância para a comprovação da correta classificação tarifária adotada pela Recorrente, e o mais importante, para demonstrar, inequivocamente, que o produto importado encontrase corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua perfeita identificação, de conformidade com a Licença de Importação expedida pelo DECEX e demais documentos que instruem o respectivo despacho aduaneiro”, quero me fazer crer, que não são suficientes a justificar o deferimento da pretensão deduzida. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 106 6 Por derradeiro, é de se ressaltar, que como se verá na questão de mérito, o indeferimento da produção da prova pretendida não lhe trouxe nenhum prejuízo: a uma, porque pode a Recorrente exercer o efetivo contraditório e a ampla defesa, pois enfrentou todas as teses expendidas pela Autoridade Fazendária; e a duas, porque a solução na questão de mérito milita em seu favor. Diante do exposto, e o mais que dos autos consta, conheço da presente preliminar, e NEGOLHE PROVIMENTO. MÉRITO DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL No tocante à classificação fiscal pertinente à mercadoria em apreço, oportuno trazer à baila, a NCM aplicável à espécie, para uma melhor compreensão do caso sub judicie, verbum ad verbum: “NCM/Descrição POSIÇÃO 54: FILAMENTOS SINTÉTICOS OU ARTIFICIAIS; LÂMINAS E FORMAS SEMELHANTES DE MATÉRIAS TÊXTEIS SINTÉTICAS OU ARTIFICIAIS 54.07. Tecidos de fios de filamentos sintéticos, incluídos os tecidos obtidos a partir dos produtos da posição 54.04. 5407.5 Outros tecidos, contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados; (...). 5407.52 – Tintos (...). 5407.52.10 – Sem fios de borracha (RECORRENTE) (...). 5407.53.00 – De fios de diversas cores (FISCO)” “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 129/02 Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 7a. RF Diana ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TEC Mercadoria CÓDIGO TEC Mercadoria 5407.52.10. Tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, tinto, sem fios de borracha, denominados comercialmente "Tecido Renova", "Tecido Oxford" e "Tecido Peach Skin". CÓDIGO TEC Mercadoria 5407.53.00. Tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, fios de diversas cores, denominados comercialmente "Tecido Camisaria". DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1ª (Textos das Posições 5515 e 5407), RGI 6ª (Textos das Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 107 7 Subposições 5515.12, 5407.52, 5407.53, 5407.51 e 5407.61) e RGC1, da TEC Decreto nº 2376/1997. WALTER SANCHES SANCHES JUNIOR Chefe Data: 11/07/2002, publicado no DOU de 06/09/2002. Inexistem, como se pode observar, divergências substanciais quanto aos elementos constitutivos do tecido importado, objeto da presente questão. O fato determinante para a correta classificação na hipótese, decorre da minudente descrição da mercadoria importada, que no entendimento da Recorrente, restou equivocada, pois, conforme se depreende, a posição por ela adotada foi baseada no fato de a mesma não deter em sua composição, borracha (NCM 5407.52.10), ao passo que para a Fiscalização, que se apoiou no Laudo, a posição correta é a NCM 5407.53.00. Com efeito, a questão posta não se insere no fato de haver ou não na composição do tecido, borracha, e sim de fios de diversas cores. Assim, se a cor é o elemento determinante, tendo em vista a especificidade, interpretase a questão com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº. 3 “a”, que informa que havendo posição mais específica, esta há de prevalecer sobre a mais genérica. Assim sendo, considerando o laudo da LABORAN, não infirmado pela Recorrente, e diante da Regra nº 3 “a” do Sistema Harmonizado c/c o art. 30 do Decreto nº. 70.235/72 que assenta, in verbis: “Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres.” ... ..., concluise que o código utilizado pela autoridade fiscal que deslocou o produto para outro NCM, é correto, pois conforme o laudo pericial acostado aos autos, o tecido objeto de análise, é confeccionado por fios multifilamentosos texturizados de diversas cores, que é a característica específica e fundamental para a reclassificação na posição do código NCM 5407.53.00. Diante do exposto, julgo no sentido de manter a reclassificação da mercadoria em apreço, passando a análise dos reflexos. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO POR DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA A r. decisão recorrida decidiu que é cabível a multa prevista no art. 526, inciso II, do Dec. 91.030/85, na medida em que teria sido realizada importação sem a respectiva Licença de Importação, reflexo de descrição inexata da mercadoria. Porém, deve ser analisada a presente questão, como situação reflexa do entendimento no Item “2.1.” relativo à reclassificação fiscal realizada pela Receita Federal. A aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro por falta de LI, relativa ao Controle Administrativo de Importações, teve por base o art. art. 526, inciso II, do Dec. 91.030/85. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 108 8 No caso em questão verificase que o produto foi classificado pela Recorrente em posição diferente da que a fiscalização julga ser correta, essencialmente em decorrência de terem sido declarados na DI nº 01/06860954, em sua adição 001 como “Tecidos de Fio de Filamentos Sintéticos, Tintos, Sem Fios de Borracha, do Tipo Oxford, compostos de 100% Poliéster, largura 54”, classificado no código 5407.52.10. Sobre o tema prescreve o art. 526, inciso II, do Decreto n° 91.030/85, que constitui infração administrativa ao controle das importações: “Art. 526 Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas as seguintes penas (Decretolei nº 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6562/78, art. 2º): (...) II importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria; e” Com o advento do SISCOMEX, a guia de importação foi substituída atualmente pela Licença de Importação (LI) ou Licenciamento Automático e Não Automático que é um documento concedido para a importação de uma mercadoria específica, com base na classificação fiscal declarada pelo importador. A Portaria SECEX nº 21/96, vigente à época da ocorrência do fato gerador, preceituava em seus arts. 7°, 8° e 14, que: “Art. 7º. O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. (...) Art. 8º. Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. (...) Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto.” Contudo, no caso presente, verificase que a matéria em apreço diz respeito essencialmente à divergência quanto à sua classificação fiscal e não necessariamente à descrição, até porque, ficou decidido que inexistem divergências substanciais quanto aos elementos constitutivos do tecido importado. Portanto, considerando que a Recorrente efetuou as respectivas importações descrevendo as mercadorias, ainda que de forma equivocada, porém condizente com a posição no NCM correspondente, não há que se aplicar a multa capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro de 1985. Na hipótese dos autos, aplicável é o entendimento expresso no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97 que dispõe: “(...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante”. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 109 9 Como se pode observar do exposto, inexistiu por parte da Recorrente qualquer ato de máfé ou intuito doloso no intuito de obter qualquer vantagem em detrimento da Fazenda Nacional, bem como de inserir informações que os induzissem em erro. Na medida em que a classificação fiscal não é o cerne da matéria sob exame, esta por si só não enseja a aplicação da penalidade imposta pelo art. 526, II do RA/85, uma vez que a posição adotada pela Recorrente não difere do da autoridade fiscal, pois possui a mesma incidência tributária, não havendo, portanto, qualquer diferença de imposto a apurar. Portanto, é incabível a aplicação da multa quando simples confronto do que foi declarado na DI e o que fora decidido pela fiscalização, se trata apenas de descrição indevida ou imprecisa da mercadoria, além ter restado evidenciado que não há alterações substanciais no produto que ensejam em mudanças significativas na merceologia da mercadoria ou ainda que exista erro na classificação tarifária. Nestes precisos termos, já se manifestou o CARF, posto que se trata de mesma situação fática versada nestes autos, verbis: ACÓRDÃO 30334.858 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA COM ELEMENTOS SUFICIENTES À SUA IDENTIFICAÇÃO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 526, INCISO II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO (DECRETO 91.030, DE 05/03/1985). Verificado haver ocorrido apenas "imprecisa" descrição da mercadoria, a qual não torna inválida a Guia de Importação/LI que acoberta a importação, temse como descaracterizada a infração prevista pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05/03/1985. Ato Declaratório Cosit nº. 12, de 21/01/1997. Recurso Voluntário Provido. ACÓRDÃO 30333.327 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 526, INCISO II, DO REGULAMENTO ADUANEIRO (DECRETO 91.030, DE 05.03.1985). Verificado haver ocorrido apenas "imprecisa" descrição da mercadoria, a qual não torna inválida a Guia de Importação/LI que acoberta a importação, temse como descaracterizada a infração prevista pelo artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05.03.1985. Ato Declaratório Cosit nº. 12, de 21.01.1997. Recurso voluntário provido. ACÓRDÃO 30134.319 MULTA POR FALTA DE DI ERRO DE CLASSIFICAÇÃO Quando a divergência de classificação fiscal é resolvida pela RGI 3 "c" e verificase que a mercadoria pareça que possa ser classificada em uma das classificações apresentada, inclusive a que corresponda à descrição da mercadoria que o contribuinte deu na DI, não há possibilidade lógica de afirmar que houve descrição incorreta da mercadoria. Diante disso, estando a mercadoria descrita de forma satisfatória para fins de identificação, aplicase o Ato Declaratório Normativo COSIT nº. 12, de 21/01/1997, excluindose a penalidade, capitulada no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro. Recurso provido em parte. ACÓRDÃO 30334.860 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA ERRÔNEA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 633, II, 'a', do REGULAMENTO ADUANEIRO/02 (artigo 526, inciso II, do RA/85). Não se subsume a multa prevista no art. 633, II, 'a', do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543, de 26/12/02 (art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05/03/1985), quando o fato não está devidamente tipificado, uma vez que segundo o que dispõe o Ato Declaratório Cosit nº 12, de 21/01/1997, não constitui infração administrativa ao controle das importações classificação tarifária errônea. Recurso Voluntário Provido. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10711.005615/200582 Acórdão n.º 3202000.229 S3C2T2 Fl. 110 10 ACÓRDÃO CSRF/0302.788 MULTA DO ARTIGO 526 INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO. Não é cabível sua aplicação por não estar configurada a falta de Guia de Importação. Recurso Provido. ACÓRDÃO CSRF/032.575 IMPOSTO IMPORTAÇÃO. Multa do art. 526, II do RA. Incabível sua aplicação quando se tratar apenas de descrição indevida de mercadoria importada ao amparo da GI. Assim sendo, sou do entendimento pela exclusão desta multa de controle administrativo capitulada no art. 526, II, do Dec. 91.030/1985. Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, e no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir a multa imposta por falta de licenciamento, ainda que mantendo a reclassificação fiscal referente a mercadoria da Adição 001, nos moldes do voto acima. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc. Segundo consta dos autos, a Recorrente importou, tal como descrito na DI, "Tecidos de fios de filamentos sintéticos, tintos, sem fios de borracha, do tipo oxford, compostos de 100% poliéster largura: 54" peso:361 gim". A fiscalização, todavia, constatou tratarse de produto diverso: “Tecido plano, 100% poliéster (sintético), com 100% de fios multifilamentosos texturizados, de fios de diversas cores". Como bem destacado na decisão recorrida, fator determinante para a correta classificação do produto importado é a cor dos fios que compõem o tecido, característica não informada pela Recorrente. Nesse contexto, as informações registradas na DI não foram suficientes para permitir a classificação, daí que inaplicável o disposto no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97. De conseguinte, devida a multa por infração administrativa ao controle administrativo da importação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/02/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por GILBE RTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 35301.012629/2006-96
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA
Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale-Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição.
ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
Recurso VoluntárioProvido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia sem a inscrição no PAT. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator Designado
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale-Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso VoluntárioProvido em Parte
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 35301.012629/2006-96
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285092
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.642
nome_arquivo_s : Decisao_35301012629200696.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 35301012629200696_5285092.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia sem a inscrição no PAT. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Arlindo da Costa e Silva Redator Designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5019845
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076610870640640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 480 1 479 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35301.012629/200696 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.642 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2013 Matéria Vale Transporte. Auxílio Alimentação. Recorrente ARTCON SERVIÇOS LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA Segundo entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, o pagamento ou desconto de valores referentes ao benefício do Vale Transporte não é integrante da remuneração do segurado, pois nítida a sua natureza não salarial, razão pela qual não pode integrar o salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE TICKET, VALE ALIMENTAÇÃO OU EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador em dinheiro ou na forma de ticket/vale alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso VoluntárioProvido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia sem a inscrição no PAT. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 01 26 29 /2 00 6- 96 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 481 2 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator Designado Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.021.0611, lavrada em 14.09.2006, em face de ARTCON SERVIÇOS LTDA., no valor de R$ 111.747,34 (cento e onze mil setecentos e quarenta e sete reais e trinta e quatro centavos), pertinente às contribuições previdenciárias da parte dos segurados, da parte patronal, as destinadas a terceiros (Salárioeducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA) e aquelas para financiamento dos benefícios concedidos (aposentadoria especial) em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre os valores pagos em pecúnia aos segurados empregados a título de auxílio alimentação e vale transporte, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 50 e seguintes. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 28/09/2006, às fls. 76 e seguintes, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Previdenciária do Rio de Janeiro – Centro (RJ), através de decisão às fls. 57/60, cuja ementa assim dispôs: SALÁRIO UTILIDADE ALIMENTAÇÃO E VALETRANSPORTE PAGOS EM DINHEIRO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SONEGAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORO COMPETENTE. O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação e do vale transporte integram o saláriodecontribuição. O contencioso administrativo fiscal não é o foro competente para julgar a ocorrência do crime de apropriação indébita previdenciária. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 385 e seguintes, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 482 3 1) Não é exigível a comprovação de depósito de 30% do valor do crédito tributário para fins de processamento do recurso voluntário, uma vez que tal exigência fere o princípio da ampla defesa e o direito de petição (art. 5º da CF/88), conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. 2) O art. 458, parágrafo segundo, III, da CLT determinada que o transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, não será considerado salário. 3) A empresa efetua o desconto de 6% nos salários dos empregados, a título de sua participação no custeio do vale transporte, conforme previsto em lei. 4) Nos termos do art. 28, parágrafo 9º, c, da Lei 8.212/91, o pagamento de verba alimentar, ainda que em pecúnia, tem caráter indenizatório, motivo pelo que não caracteriza base de cálculo de contribuições previdenciárias, independentemente de prévia inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador. Conforme se verifica às fls. 421 e seguintes, o referido Recurso foi inadmitido pela DRP, por deserção, uma vez que a Recorrente deixou de apresentar o comprovante do depósito de 30% do valor da autuação, conforme determina ao art. 126, parágrafo primeiro, da Lei 8.213/91. Contrarazões apresentadas às fls. 447 e 448, defendendo a procedência do lançamento. A Recorrente inform,a às fls. 452, a existência de decisão judicial concessiva de liminar em sede do Mandado de Segurança nº 2006.51.01.0231675, em trâmite perante a 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que garantiulhe a interposição do presente Recurso independentemente do depósito prévio. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Do Mérito Da remuneração em forma de vale transporte Fl. 481DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 483 4 Aqui, o cerne da questão consiste na legalidade ou não dos valores pagos a titulo de “vale transporte” integrarem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressaltese, desde já, que restou comprovado pela fiscalização que as parcelas que receberam o nome de “vale transporte” eram pagas em dinheiro. No meu sentir, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois, destinada ao ressarcimento das quantias pagas em razão do transporte dos empregados, pois foi assim que a norma que criou o benefício deixou consignado. A Lei n.º8.212/91 tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica do vale transporte. Até porque, o fato de o empregador descontar parcela inferior ao exigido pelo Decreto regulamentador do benefício não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio do transporte dos empregados. De mais a mais, o fornecimento do transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o benefício é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse sentido, até mesmo nos casos em que o benefício é pago em espécie, o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, ratifica o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do valetransporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: “ACORDO COLETIVO DE TRABALHO – PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALETRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO – VALIDADE. ‘Acordo coletivo – Validade – Antecipação do valetransporte em janeiro. Ao vedar a antecipação em dinheiro do valetransporte o decreto regulamentador extrapolou os limites da lei instituidora do benefício. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale transporte e a redução do percentual de participação do trabalhador.” Fl. 482DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 484 5 (Ac da SDC do TST – Ação Anulatória 366.360/97. 4 – Rel. Min. Fernando Eizo Ono – j. 1º.06.98 – Autor: Ministério Público do Trabalho; Réus: Federação Nacional dos Bancos e outros – DJU 1 07.08.98, pp 314/6 – ementa oficial)” (in “Repertório IOB de Jurisprudência, Caderno 2, pág. 381) (negritamos e sublinhamos) Deixo registrado, também, que o pagamento ora questionado não gera nenhum prejuízo ao trabalhador e a empresa não agiu com o intuito de sonegar tributos. Também não há ganho salarial para o trabalhador, pois a verba é paga especificamente para que o trabalhador faça o percurso para o seu trabalho, ou seja tem caráter estritamente indenizatório. Cabe registrar por fim que o Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF enfrentou a matéria no exame do Recurso Extraordinário n.º 478.410/SP, julgado, em 10/03/2010, em que firmou convencimento no sentido de que o benefício em tela não constitui base de incidência de contribuição previdenciária. Nesse julgamento, ficou assente que o vale transporte mesmo quando pago em pecúnia, não perde o seu caráter indenizatório, sendo portanto, incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Em conclusão, verificase que a exigência pretendida através do presente lançamento é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada. Do auxílio alimentação Entendo que o auxílio alimentação pago aos empregados segurados, mesmo que em espécie, não tem caráter de remuneração e, por conseguinte, não incide a contribuição previdenciária sobre estas rubricas. Isto porque, com tal atitude, o Recorrente visa apenas a proporcionar o aumento da produtividade e eficiência laboral dos seus empregados. É dizer, a verba paga se aproxima muito mais de um instrumento para o próprio trabalho, já que não se admite que um trabalhador possa trabalhar seguidas horas diárias sem se alimentar. Noutras palavras, a alimentação é concedida “para” e não “pelo” trabalho, ou seja, como meio de tornar viável a própria prestação de serviços, em benefício do trabalhador. Ademais, como é sabido, o ambiente de trabalho é um local estratégico de promoção da saúde e alimentação saudável e, nesta linha de raciocínio, há de se acrescentar que a alimentação vem proteger a própria segurança e a saúde do empregado. Outrossim, seria completamente desprovido de sentido entender que o legislador isenta da contribuição previdenciária o auxilio fornecido em vales alimentação e tributa o que é pago em dinheiro, porquanto em ambas situações buscase a mesma finalidade para o trabalhador, ou seja, o reembolso pelos valores pagos para o exercício do próprio trabalho. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 485 6 É dizer, não se pode admitir que a simples forma de pagamento possa descaracterizar ou alterar a natureza jurídica de um benefício. Até porque, o pagamento em dinheiro não agride o instituto, que continua mantendo a sua destinação específica, qual seja, a de ajudar no custeio da alimentação. Ainda sobre a matéria, imperioso ressaltar que tais valores não integram o patrimônio do trabalhador, visto que todos os empregados da empresa necessitam de alimentação. Desta feita, as importâncias pagas se aproximam mais de uma forma de ressarcimento, pois diz respeito a verdadeira compensação de despesas que o trabalhador efetua com a sua alimentação, em decorrência da execução do trabalho. Frisese que qualquer ser humano, e não só o trabalhador, precisa se alimentar para o exercício de suas atividades, sendo certo que sem alimentação tornase inviável, quiçá impossível, o exercício de qualquer atividade profissional. Quanto à necessidade de inscrição no PAT, não vejo reprimenda legal para aquelas empresas que não obtiverem inscrição no respectivo programa. O próprio Superior de Tribunal de Justiça – STJ tem firmado entendimento que tal inscrição é dispensável, mitigando os ditames do artigo 3º da Lei nº 6.321/76, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA 1 Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2 Recurso especial não provido. (STJ REsp 1.051.294 (2008/00873730) 2ª T. Relª Min. Eliana Calmon DJe 05.03.2009 p. 671) *** TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃOINCIDÊNCIA INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT DESNECESSIDADE 1 Nos termos do art. 28, § 9º, "c", da Lei 8.212/1991, a parcela da alimentação recebida in natura não integra o salário de contribuição. 2 Pacífico o entendimento jurisprudencial que não é necessária a inscrição do empregador no Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, para a não Incidência da contribuição. 3 Apelação e remessa oficial a que se nega provimento. (TRF1ª R. ApRN 2007.35.00.0106684/GO 8ª T. Relª Desª Fed. Maria do Carmo Cardoso DJe 25.09.2009 p. 683) Desta feita, resta indubitável que a ajuda alimentação recebida em dinheiro não integra o salário de contribuição, bem como é desnecessária a inscrição no PAT para a não incidência daquela. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 486 7 Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO, para que seja afastada a cobrança de contribuições previdenciárias sobre valores pagos, em pecúnia, a título de valetransporte e auxílio alimentação. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Voto Vencedor DO AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO FORNECIDO EM PECÚNIA Ouso divergir, data maxima venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator em relação à hipótese de isenção de contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas despendidas pela Empresa, a título de alimentação, fornecidas em pecúnia a segurados obrigatórios do RGPS . Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" Fl. 485DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 487 8 que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1ºOs valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967)§ 2ºPara os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Fl. 486DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 488 9 Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei”Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 489 10 O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim,“folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica,que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Fl. 488DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 490 11 Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) Fl. 489DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 491 12 II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho.Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”.Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 492 13 Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9ºNão integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 493 14 i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no §8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 494 15 Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Conjuguese, ainda, nesse mister, que o preceito encartado no art. 176 do CTN exige previsão legal para a concessão de isenção, não podendo tal requisito ser suprido por acordo coletivo de trabalho, os quais produzem efeitos, unicamente, entre as partes que os celebram, sendo imprestáveis para vincular o Estado aos termos pactuados em suas cláusulas. Código Tributário Nacional Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. (grifos nossos) A alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatui, de forma expressa, que não integra o Salário de contribuição a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. No caso ora em foco, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, restou a cargo da Lei nº 6.321/76, a qual dispõe sobre os Programas de Alimentação do Trabalhador. Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (grifos nossos) Ressaltese que os preceptivos aqui enunciados não conflitam com as linhas traçadas pelo art. 5º do Decreto nº 5/1991, que aponta para o mesmo norte. Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 495 16 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo Dec. 2.101/96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. (grifos nossos) Visando a brindar executoriedade ao Programa de Alimentação do Trabalhador, a Secretaria de Inspeção do Trabalho e o Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego baixaram a Portaria nº 03, de 1º de março de 2002, cujo art. 2º estatuiu como exigência formal para a fruição dos benefícios fiscais a devida inscrição no programa em foco, mediante o preenchimento de formulário adrede, cuja cópia e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. PORTARIA Nº 03, DE 1º DE MARÇO DE 2002 II – DAS PESSOAS JURÍDICAS BENEFICIÁRIAS Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). (grifos nossos) §1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 496 17 §2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação. §3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Com efeito, a inscrição no PAT não se constitui mera formalidade ou capricho da Administração. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: o fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. De fato, a Portaria nº 03/2002 estabeleceu as instruções para a perfeita execução do Programa de Alimentação do Trabalhador, estabelecendo de forma taxativa que a execução inadequada do Programa de Alimentação do Trabalhador acarretará o cancelamento da inscrição ou registro no Ministério do Trabalho e Emprego, com a consequente perda do incentivo fiscal, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Revelase de extrema importância chamar a atenção para o fato de que a hipótese de não incidência legal de contribuições previdenciárias prevista alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, referese, exclusivamente, à parcela recebida "in natura" pelo empregado, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta para consumo aos seus empregados, e desde que tal fornecimento esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. Deflui do exame dos dispositivos legais suso selecionados, apreciados segundo a exegese restritiva exigida pelo art. 111 do CTN, que para os valores despendidos pela empresa a título de alimentação aos empregados serem excluídos da base de incidência das contribuições sociais em foco é necessária a satisfação de dois requisitos fundamentais: a) Que a alimentação seja fornecida in natura, isto é, seja entregue ao empregado pronta para consumo imediato; b) Que o fornecimento de alimentação seja efetuado de acordo com o programa de alimentação ao trabalhador, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76, o qual exige como formalidade indispensável, a inscrição formal do empregador, em atenção ao art. 2º, caput, da Portaria nº 03/2002 da Secretaria de Inspeção do Trabalho e do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece as instruções para a execução do Programa de Alimentação do Trabalhador. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 497 18 Colhemos das letras da alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 que a hipótese de isenção de contribuições previdenciárias ora em relevo não se satisfaz com a singela inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador, exigindo o preceito legal acima mencionado, como condição indispensável para a fruição do direito à isenção, que a alimentação seja fornecida in natura pelo empregador a seus empregados. Como se observa, falha o caso em debate na satisfação dos requisitos fixados como essenciais pela lei de custeio da seguridade social, máxime em razão de a alimentação em apreço não haver sido por fornecida in natura, mas, sim, mediante pecúnia. Conforme já enaltecido alhures, tratandose de hipótese de renúncia fiscal, urge emprestarse exegese restritiva à fórmula isentiva acima abordada. Inferese, portanto, dos preceptivos ora revisitados, que a natureza in natura da alimentação fornecida e a adesão ao PAT constituemse condições sine qua non para a fruição dos benefícios fiscais tributários e previdenciário, conforme expressamente previsto na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, verbatim: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) (...) c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (grifos nossos) Cumpre alertar que o vertente lançamento não decorre das orientações plasmadas no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, mas, sim, diretamente, das disposições insculpidas na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. A propósito, o próprio Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 houvese por erigido com fundamento no dispositivo legal indicado no parágrafo precedente e nas decisões exarados pelo Superior Tribunal de Justiça, consignado que a alimentação fornecida in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa pronta para o consumo pelo empregado, não sofre a incidência da contribuição previdenciária. Tal orientação, portanto, não projeta efeitos sobre o caso em apreciação, uma vez que o dispositivo exposto em tal documento possui âmbito de influência restrito ao fornecimento de alimentação in natura, não alcançando as hipóteses pagamento em dinheiros ou de fornecimento na forma de vale refeição/alimentação, como assim se configura o presente caso. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 498 19 não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. É de se salientar que a formulação do citado Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional decorreu da sedimentação da jurisprudência em torno da matéria no Superior Tribunal de Justiça, que pacificou o entendimento de que a alimentação in natura oferecida pela empresa ao trabalhador, ou seja, quando o próprio empregador fornece diretamente a alimentação pronta aos seus empregados, não se subsume à hipótese de incidência de contribuições previdenciárias, mesma que a empresa não esteja inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, como assim se depreende dos seguintes julgados a seguir ementados: REsp nº 1.119.787SP Relator: Ministro Luiz Fux DJe 13/05/2010 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Recurso especial a que se nega seguimento. Por outro lado, quando o auxílio alimentação for pago em espécie ou na forma de vales ou cartões, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Tal conclusão dessai, diretamente, dos termos assentados na alínea ‘c’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 111 do CTN. Nesse sentido, ressaltamse excertos do julgado proferido pelo Min. Luiz Fux, nos autos do Recurso Especial nº 433.230/RS, publicado no DJe em 13/05/2010, cujos termos bem elucidam a questão: REsp nº 433.230/RS Relator: Ministro Luiz Fux DJe 17/02/2003 EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35301.012629/200696 Acórdão n.º 2302002.642 S2C3T2 Fl. 499 20 contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. A lei é de precisão cirúrgica ao excluir da hipótese de incidência tributária somente, e tão somente, a parcela in natura recebida de acordo com o PAT. Assim, na visão oclusiva exigida pelo art. 111 do CTN, a parcela fornecida em espécie, em vales, tickets ou cartões Alimentação integra o conceito de Salário de Contribuição para os fins colimados pela Lei nº 8.212/91. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento, tão somente, as obrigações tributárias relativas aos valores pagos pela empresa a título de vale transporte, em atenção à Súmula n.º 60 da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011. É como voto. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/08/ 2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
