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Numero do processo: 16024.000110/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. SOLUÇÃO DE CONSULTA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. VINCULAÇÃO BILATERAL. EFEITOS PROSPECTIVOS.
Tendo o contribuinte formulado e obtido Resposta de Consulta que classifica seus produtos na Posição NCM 18, por conterem cacau, deve referida classificação ser respeitada pela Administração, sendo que se acaso viesse a ser o caso do produto ser efetivamente reclassificado, esta modificação de critério jurídico somente admitiria efeitos prospectivos, pena de ofensa ao § 12 do art. 48, da Lei 9.430/96 e ao art. 146 do CTN.
Recurso de ofício Negado.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3402-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral dr Waleska Lemos Morais OAB/SP 282406
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, ALEXANDRE KERN, JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. CACAU. COMPOSIÇÃO DO PRODUTO FINAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. São classificados no capítulo 18 da TIPI todas as preparações alimentícias que contenham cacau, ainda que referido componente esteja presente em matériaprima de um dos insumos empregados no fabrico do alimento, devendo ser cancelado o lançamento que lastreado na premissa que referido composto não estivesse presente no produto final. IPI. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO. PERDA DE OBJETO. Tendo a Autoridade Fiscal efetuado o lançamento dos valores decorrentes da diferença entre a classificação utilizada pelo contribuinte (com a correspondente apuração) e aquela pretendida, e, não se mantendo a modificação de alíquota, de se considerar corretos os recolhimentos efetuados, perdendo o objeto a segunda parte do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. SOLUÇÃO DE CONSULTA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. VINCULAÇÃO BILATERAL. EFEITOS PROSPECTIVOS. Tendo o contribuinte formulado e obtido Resposta de Consulta que classifica seus produtos na Posição NCM 18, por conterem cacau, deve referida classificação ser respeitada pela Administração, sendo que se acaso viesse a ser o caso do produto ser efetivamente reclassificado, esta modificação de critério jurídico somente admitiria efeitos prospectivos, pena de ofensa ao § 12 do art. 48, da Lei 9.430/96 e ao art. 146 do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 10 /2 01 0- 13 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Recurso de ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Fez sustentação oral dr Waleska Lemos Morais OAB/SP 282406 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, ALEXANDRE KERN, JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16024.000110/201013 Acórdão n.º 3402002.572 S3C4T2 Fl. 735 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo a IPI dos anoscalendários de 2006 e 2007, lavrado contra o contribuinte no valor de R$ 2.755.243,58 (dois milhões, setecentos e cinqüenta e cinco mil, duzentos e quarenta e três reais e cinqüenta e oito centavos), incluídos o principal, multa proporcional e juros de mora, em virtude de alteração na classificação fiscal de produto fabricado pelo sujeito passivo. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, foi apurado erro quanto a classificação dos produtos com a sigla “CNC”, que se refere à Cookies ´N´Creme. Verificouse que a classificação das notas fiscais solicitadas (NCM 1806.32.20) divergia da classificação constante nos arquivos magnéticos fornecidos (NCM 1704.90.90), resultando na insuficiência de lançamento de IPI, em virtude do estabelecimento industrial ter promovido a saída de produtos tributados com valores de IPI apurados a menor. Esclareceu ainda a Fiscalização que os produtos Barra CNC e Barra Hershey Cereais (classificados na posição NCM 1704.90.10) abrangem apenas o chocolate branco puro, e que os produtos comercializados pelo contribuinte possuíam “cookies”, ou “biscoitos de chocolate”, cujo percentual de cacau existente era significativo e descaracterizava o produto da posição adotada – produtos de confeitaria sem cacau, e que deveriam ser tributados na posição NCM 1704.90.90 – Produtos de confeitaria, sem cacau – Outros. E por fim, listou ainda o lançamento daquelas operações que, diferentemente do erro na classificação fiscal, houve erro apenas na alíquota de IPI a ser utilizada, relativas ao produto Barra CNC e Chocolate Branco com Coco. IMPUGNAÇÃO Cientificada do auto de infração em 28/07/2010, o sujeito passivo protocolou sua impugnação em 27/08/2010, apresentando os argumentos abaixo sintetizados: a) Afirma que a posição adotada pela impugnante (1806) tem bases sólidas por abranger os chocolates que contém cacau em qualquer proporção e por atender todas as regras de classificação vigentes no país. b) Alega que a troca das classificações alegadas no Termo de Verificação Fiscal ocorreu devido a um erro humano, e os mesmos foram reprocessados para correção dos dados. c) Ataca o entendimento da autoridade julgadora, citando o processo nº 13877.0000036/200620 (Solução de Consulta), onde foi submetida a análise o produto barra de cereal cookies´n creme, possuindo em sua composição biscoito sabor chocolate e chocolate branco. d) Se opõe quanto a possibilidade de classificação dos produtos na posição 1704, argumentando que qualquer posição de uma barra de chocolate que fuja da premissa chocolate branco puro não poderia ser ali inserida. e) Entende que a fiscalização valeuse da analogia para cobrar imposto, hipótese proibida pelo sistema jurídico tributário pátrio. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 f) Discorre sobre o princípio da seletividade e a impossibilidade de segregação dos produtos questionados, destacando a uniformidade na aplicação da legislação referente aos chocolates claro e escuro. g) Procura demonstrar a classificação dos produtos segundo as RGI (Regras Gerais de Interpretação) do Sistema Harmonizado. h) Defende a impossibilidade de imposição de penalidade, por cumprir as normas complementares e regras existentes e por seguir o posicionamento dado pela própria SRF. DO JULGAMENTO DE 1° INSTÂNCIA Através do Acórdão nº 1445.458, restou o processo julgado em primeira instância, no qual a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) houve por bem em considerar procedente a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 BARRA DE CEREAL COM CREME SABOR CHOCOLATE BRANCO E BISCOITO SABOR CHOCOLATE E COBERTURA SABOR CHOCOLATE BRANCO. PRODUTO OBJETO DE SOLUÇÃO DE CONSULTA. AÇÃO FISCAL E RECLASSIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A solução de consulta sobre classificação fiscal de produto exarada anteriormente aos períodos de apuração objeto da ação fiscal, e não objeto de divergência, vincula a autoridade fiscal quanto à classificação do produto, que não pode ser reclassificado por meio de auto de infração. BARRAS DE “COOKIES” E CREME COM BISCOITO SABOR CHOCOLATE. COMPOSIÇÃO. CACAU. PROVA. É idônea a demonstração, por meio da apresentação de laudos e relatórios técnicos, de que o produto contém cacau, ainda que apenas em um de seus componentes (biscoito sabor chocolate), ratificada pela existência de solução de consulta relativa a outro produto de características semelhantes nesse aspecto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE ALÍQUOTA INCORRETA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA LANÇADA EM NOTA FISCAL. EFEITOS. Ficando demonstrado que a classificação fiscal indicada pelo contribuinte nas notas fiscais era incorreta e que a correta classificação fiscal é de produto tributado a alíquota específica, conforme efetuada pelo contribuinte, fica superada a acusação de aplicação de alíquota incorreta do imposto. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16024.000110/201013 Acórdão n.º 3402002.572 S3C4T2 Fl. 736 5 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 BARRA DE “COOKIES” COM CREME SABOR CHOCOLATE BRANCO, MORANGO OU CARAMELO E BISCOITO SABOR CHOCOLATE. Barra de cereal com creme sabor chocolate branco, morango ou caramelo e biscoito sabor chocolate, representando um produto de confeitaria contendo cacau, ainda que apenas no biscoito sabor chocolate, classificase na posição 1806.32.20. BARRA DE CHOCOLATE BRANCO E COCO. REGRA GERAL DE INTERPRETAÇÃO N. 2B. Não havendo disposição em contrário em notas de seção, capítulo ou posição, as barras de chocolate branca misturadas classificamse, pela aplicação da RGI n. 2b, na mesma posição de barra de chocolate branco puro. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A DRJ julgadora entendeu que quanto aos produtos reclassificados pela Autoridade Fiscal na posição 1704, relativos às “Barras CNC (Cookies ‘N Creme)”, por haver Solução de Consulta proferida especificamente à Impugnante, determinando a classificação fiscal do referido produto na posição NCM 1806, era improcedente a autuação, devendose acatar a alegação da impugnante quanto à manutenção do entendimento/classificação solucionado pela Consulta formulada. Ressaltou ainda que a posição pretendida no lançamento era relativa ao chocolates brancos recheados (na Posição NCM 1704.90.90 – Outros), mas que a Autoridade Lançadora desconsiderou, conforme os Laudos apresentados e a própria Solução de Consulta, que aqueles produtos continham massa de cacau e/ou cacau contido nos cookies, de forma que não se enquadravam na reclassificação pretendida. No que tange aos demais itens objetos do lançamento, relativamente as Barras CNC e Barra Chocolate Branco com Coco, nos quais haveria divergência de alíquota, a DRJ houve por bem em verificar que, segundo a classificação correta do produto, apesar de ter sido registrado equivocadamente na Nota Fiscal, a tributação seria aquela de alíquota específica (R$0,09 por KG de produto) e não o percentual de 5% como pretendido pelo Fiscal, de forma que, apesar do erro de informação nas Notas Fiscais, a tributação levada a efeito pelo contribuinte nos assentos de apuração do IPI estava correta, afastandose a acusação efetuada. Em relação às Barras de Chocolate Branco com Coco, a DRJ salientou que não havia classificação mais específica que aquela já adotada pelo Impugnante, e que, uma vez sendo o produto chocolate branco misturado, sua classificação se daria de acordo com a regra “2 b)” das Regras Gerais de Interpretação das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que por sua vez determina que, em não havendo exceção à regra, a classificação a ser aplicada é aquela que se considera mais específica em relação ao produto, sendo chocolate Fl. 738DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 branco puro (1704.90.10) mais específico do que Produtos de Confeitaria Sem cacau (1704.90.90). RECURSO DE OFÍCIO Em vista da exoneração procedida exceder o limite de alçada estipulado pela Portaria Ministerial nº. 03/2008, houve recurso de ofício, no qual a DRJ/RPO submete sua decisão à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 04 (quatro) Volumes, numerado até a folha 732 (setecentos e trinta e dois), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16024.000110/201013 Acórdão n.º 3402002.572 S3C4T2 Fl. 737 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, tendo exonerado crédito tributário em valor superior à alçada estabelecida pela Portaria Ministerial nº. 03/2008, pelo que dele se deve tomar conhecimento. Conforme se infere do voto contido no Acórdão recorrido, a DRJ Julgadora houve por bem considerar procedente a impugnação do sujeito passivo, e, via de consequência, improcedente o lançamento, tendo em vista que as classificações fiscais utilizadas pelo contribuinte possuíam respaldo em Solução de Consulta à ele endereçada, bem como que as reclassificações efetuadas pela Autoridade Administrativa não consideravam a correta composição do produto, bem como sua completa descrição, contida nos laudos apresentados pelo então Impugnante. Segundo o que se colhe do voto condutor do citado Acórdão, os Laudos apresentados pelo sujeito passivo confirmam informações acerca da composição do produto conter cacau, de forma que, tendo sido considerados na Solução de Consulta, e sendo nestes autos também considerados, afastase a pretensão da Autoridade Administrativa quanto à reclassificação pretendida, uma vez que a posição da NCM na qual pretende ver enquadrado o produto exclui a presença do referido composto (cacau) em sua composição. Para que se esclareça, a Autoridade Fiscal reclassificou o produto na posição NCM 1704.90.90 – Produtos de Confeitaria, sem cacau – Outros, quando na verdade, todos os produtos analisados na Fiscalização referiamse aos produtos da então Impugnante conhecidos e contabilizados como CNC – “Cookies ‘n Creme”, que por sua vez, possuem cacau em sua fórmula, sendo consequentemente enquadrados na posição NCM 1806.32.20. Do trecho do voto abaixo transcrito, podese obter com clareza a lógica de raciocínio levada a efeito pela Autoridade Julgadora de Piso: Em relação à primeira parte do mérito, que diz respeito à classificação fiscal dos produtos do tipo “Barra CNC”. No tocante aos produtos da primeira parte da autuação (códigos 88068, 8806801, 88076, 8807601, 88213, 88237, 8823701, 88238, 8823801, 88263, 88313 e 8831301), sua composição foi fornecida pela Interessada à Fiscalização, à exceção dos produtos 0088068 e 08806801 (efl. 522). Todos esses produtos contêm biscoito sabor chocolate, como admitido pela Fiscalização na efl. 522, exceto o de código 8831301 (efl. 169). A única evidência de que conteriam cacau é o referido biscoito, uma vez que os demais componentes não contêm chocolate Fl. 740DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 (considerando que a manteiga de cacau não é considerada cacau, para efeito da classificação fiscal). A semelhança com o produto objeto da Solução de Consulta é imediata e as alegações da Interessada são condizentes com os laudos apresentados e a fundamentação da solução de consulta. Dessa forma, o critério adotado pela Fiscalização para considerar que tais produtos não teriam cacau não levou em consideração o cacau contido nos biscoitos de chocolate. É improcedente, portanto, a autuação em relação aos produtos de código 88068, 8806801, 88076, 8807601, 88213, 88237, 8823701, 88238, 8823801, 88263 e 88313. Em relação ao produto de código 8831301, as informações prestadas pela Impugnante durante a ação fiscal dão conta de que não têm biscoito de chocolate na sua composição, mas contêm “massa de cacau”. Os laudos apresentados na impugnação referiramse aos produtos CNC, caramelo e morango, não abordando especificamente as barras de cereais. Apesar disso e da divergência nas informações sobre a composição dos produtos de códigos 88313 e 8831301, poder seia supor que se trata de produtos semelhantes, como ocorre com os outros produtos de códigos com o final “01”. De toda forma, o produto contém “massa de cacau”, não se entendendo a razão de a Fiscalização ter considerado que os referidos produtos não conteriam cacau, para classificálos na posição 1704.90.90. Em relação aos produtos de códigos 88337 e 88372, segundo as informações de efls. 187 e 188, também contêm biscoito sabor chocolate em sua composição. Os produtos de código 8833701 e 8837201 não constaram especificamente das intimações da Fiscalização, mas se pode supor que a composição é semelhante a dos anteriores (caso contrário não faria sentido a autuação). Portanto, a conclusão em relação aos produtos do tipo “Barra CNC” da segunda parte da autuação é a mesma a que se chegou em relação aos da primeira parte. Como a Impugnante aplicou a tais produtos as alíquotas específicas (pauta), da mesma forma que nos produtos da primeira parte da autuação, as conseqüências foram as mesmas, devendo ser também cancelada a autuação nessa parte. Restam os produtos de códigos 88420 e 884201, que são barras de chocolates brancos com coco. A Impugnante defende sua classificação na posição 1704.90.10, como chocolate branco, enquanto que adotou, nas notas fiscais, a classificação 1704.90.90. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16024.000110/201013 Acórdão n.º 3402002.572 S3C4T2 Fl. 738 9 Esse produto teve sua composição descrita na efl. 189, contendo manteiga de cacau (requisito para que o produto possa ser considerado chocolate branco), amêndoas e coco ralado. Ao contrário do considerado pela Fiscalização (muito embora estivesse referindose à classificação dos produtos da primeira parte da autuação), a Regra Geral de Interpretação n. 2b estabelece que a referência a uma determinada matéria deve ser considerada relativa à matéria “quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias.” O texto completo das notas explicativas da Nesh/2002 sobre a RGI 2b diz o seguinte: X) A Regra 2 b) diz respeito às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e às obras constituídas por duas ou mais matérias. As posições às quais ela se refere são as que mencionam uma matéria determinada, por exemplo, a posição 05.03, crina, e as que se referem às obras de uma matéria determinada, por exemplo, a posição 45.03, artefatos de cortiça. Deve notarse que esta Regra só se aplica quando não contrariar os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo (por exemplo, posição 15.03 ... óleo de banha de porco ... sem mistura). Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificarse por aplicação da Regra 1. XI) O efeito desta Regra é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a permitir a inclusão nessas posições dessa matéria misturada ou associada a outras matérias. Também tem o efeito de ampliar o alcance das posições que mencionam as obras de determinada matéria, de modo a permitir a inclusão dessas obras quando constituídas parcialmente por essa matéria. XII) Contudo, esta Regra não amplia o alcance das posições a que se refere, a ponto de poder nelas incluir mercadorias que não satisfaçam, como exige a Regra 1, os dizeres dessas posições, como ocorre quando se adicionam outras matérias ou substâncias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. XIII) Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e as obras constituídas por duas ou mais matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, devem classificarse conforme as disposições da Regra 3. Como não existe exceção à regra prevista nas notas, ele se aplica. Ainda que houvesse dúvidas sobre a classificação, no âmbito da Regra 3, “chocolate branco misturado” classificarse ia como “chocolate branco”, pois a posição 1704.90.10 é mais específica em relação ao produto do que a 1704.90.90. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Assim, se não há, no âmbito da subposição 1704.90, posição específica para chocolate branco misturado, sua classificação deve ser, em princípio, a mesma do chocolate branco puro. À vista do exposto, voto por considerar procedente a impugnação de lançamento. José Antonio Francisco Relator Observase que a Instância de Piso observou bem a caracterização do produto, desconsiderando a acusação para aqueles itens que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil direcionou a classificação, citando que porém o contribuinte não mencionou a presença do cacau nos produtos quando das informações prestadas ainda à época das intimações, mas que era inegável que os Cookies contidos na linha de produtos “Cookies ‘N Creme” possuíam percentual de cacau, ou ainda continham a própria massa da cacau (diferenciadoa da manteiga de cacau) motivos pelos quais não se enquadravam na posição reclassificada, bem ainda, deveriam obedecer àquela posição dada pela Solução de Consulta. Neste aspecto, concordo na integralidade com os fundamentos esposados no voto recorrido, pois que a bem da verdade entendo ainda que, independentemente de uma análise mais profunda acerca da composição do produto, mesmo que se verificasse uma outra classificação (tendo o contribuinte Solução de Consulta que lhe albergava a tributação), o novo entendimento encontraria respaldo jurídico apenas com efeitos prospectivos, nos termos do §12, do artigo 48 da lei 9.430/96, não retroagindo aquilo que a própria Receita Federal interpretou, sob pena de mudança de critério jurídico, ofendendo o artigo 146 do Código Tributário Nacional. Transcrevemse os citados dispositivos por medida de essencialidade: Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. [...] § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. [...] Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. No tocante ainda à segunda parte da Autuação, cuja análise demanda não efetiva discussão de direito, mas sim de provas, conforme aduzido pelo contribuinte em sua impugnação, não fosse a divergência de registros entre as suas notas fiscais e sua escrita, não necessariamente seria evidenciada a suposta falta de recolhimento de IPI alegada pela Autoridade Fiscal. Entretanto, diante da constatação levada a cabo pela Instância a quo acima transcrita , estando correta a classificação efetivamente considerada pelo sujeito passivo para fins da tributação, qual seja, a tributação específica em valor de R$0,09 por Kg do produto, Fl. 743DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 16024.000110/201013 Acórdão n.º 3402002.572 S3C4T2 Fl. 739 11 tornase inócua a acusação Fiscal, uma vez que os valores de fato recolhidos condizem com a classificação correta do produto, ainda que equivocada esta nos registros fiscais. Assim, é de se manter a decisão adotada pela DRJ de Ribeirão Preto por seus próprios e jurídicos fundamentos, motivo pelo qual voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento da exigência já deferida pela DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 744DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 11080.727766/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. OPERAÇÃO DE VENDA. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
Nos lançamentos para evitar a decadência, formalizados no curso do processo judicial proposto antes do início do procedimento fiscal, não cabe a exigência de multa de ofício e juros de mora, a partir da data da efetivação do depósito judicial.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2102-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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OPERAÇÃO DE VENDA. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Nos lançamentos para evitar a decadência, formalizados no curso do processo judicial proposto antes do início do procedimento fiscal, não cabe a exigência de multa de ofício e juros de mora, a partir da data da efetivação do depósito judicial. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, João Bellini Junior, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Livia Vilas Boas e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 77 66 /2 01 2- 51 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela DRJ/BHE, nº 0241.108, constante em fls. 830/852: Contra SHAN BAN CHUN, CPF 001.518.66015, foi lavrado o auto de infração de fls. 628 a 634, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2008, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 77.041.091,33, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até 06/2012. O lançamento decorre da tributação de omissão de ganhos de capital auferidos nas alienações das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., pelo contribuinte para a PERDIGÃO S.A., fora da bolsa de valores, mediante venda, em 02/01/2008, em que houve omissão de ganho de capital de R$125.329.363,48, e mediante incorporação de ações, em 28/02/2008, em que houve omissão de ganho de capital de R$388.277.912,06, conforme termo de verificação fiscal e planilhas às fls. 635 a 677. No termo de verificação fiscal, fls. 639 a 677, a fiscalização apresenta a motivação do lançamento. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante. Termo de Verificação Fiscal OBSERVÂNCIA DA DECISÃO JUDICIAL. ISENÇÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DECERTOLEI N° 1.510, DE 27/12/1976. Ocorreu a alienação, no anocalendário de 2008, da totalidade das ações da empresa ELEVA ALIMENTOS S.A. de propriedade do contribuinte para a PERDIGÃO S.A., por meio do "Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças" celebrado entre ele e outros, a ELEVA ALIMENTOS S.A. e a PERDIGÃO S.A., em 30/10/2007. O referido contrato, fls. 254 a 293, foi celebrado em 30/10/2007, mas previa a efetivação das operações de compra e venda de ações e de incorporação das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. no ano de 2008, após atendimento de diversas condições pelas partes signatárias. Em decorrência dos negócios jurídicos ajustados, o contribuinte impetrou o mandado de segurança n° 2008.71.00.0050584 contra o Delegado da Receita Federal em Porto Alegre (2a Vara Federal Tributária de Porto Alegre) visando o reconhecimento do direito adquirido do contribuinte à isenção do imposto de renda que incidiria sobre o ganho de capital resultante da alienação das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. das quais era proprietário em 31/12/1983 (9.755.128 de ações, conforme informações e documentos apresentados pelo contribuinte), nos termos do Decretolei n° 1.510, de 27/12/1976 que foi revogado pela Lei n° 7.713, de 22/12/1988. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 1.233.161RS), o contribuinte obteve provimento jurisdicional favorável e definitivo, transitado em julgado em 01/06/2011, fls. 199/253. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 922 3 Para a suspensão da exigibilidade de parte do crédito tributário resultante do ganho de capital obtido na alienação das ações da ELEVA ALIMENTOS SA., em 29/02/2008, o contribuinte efetuou depósito judicial do montante de R$35.153.455,00, vinculado ao mandado de segurança, conforme "Documento para Depósitos Judiciais ou Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente DJE" (fl. 201). No Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do ano calendário 2008 (fls. 625/626), o contribuinte apurou ganho de capital de R$208.441.613,14, referente à venda de 8.676.159 ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., e recolheu o montante de R$31.266.309,00, em 29/02/2008, por meio do Documento de Arrecadação de Receitas Federais – DARF à fl. 627. O lançamento foi efetuado com observância da decisão judicial proferida em favor do contribuinte. O crédito tributário exigido no auto de infração não abrange o ganho de capital relativo à alienação das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. de propriedade do contribuinte em 31/12/1983 (inclusive das decorrentes de desdobramentos e de bonificações em ações, como está demonstrado no item III.3 e nas planilhas "Participação Societária" e "Resumo Participação Societária”). Respeitouse, assim, o direito adquirido do contribuinte à isenção, reconhecido por meio do provimento jurisdicional. Na petição inicial do mandado de segurança, o próprio contribuinte ressalva expressamente o direito de a administração tributária verificar a exatidão dos cálculos, feitos com vistas à suspensão da exigibilidade do tributo objeto do litígio (item c do pedido, fl. 197). FATOS GERADORES DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL O contribuinte alienou a totalidade de suas ações da empresa ELEVA ALIMENTOS S.A. para a PERDIGÃO S.A., em duas operações distintas, venda e incorporação de ações. Em ambas, auferiu ganho de capital. Relativamente ao ganho de capital oriundo da alienação das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. de sua propriedade em 31/12/1983, com os respectivos desdobramentos e bonificações de ações, foi observada a isenção do imposto reconhecida por meio de decisão judicial definitiva. AÇÕES DA ELEVA ALIMENTOS S.A. DO CONTRIBUINTE EM 30/10/2007 Quando da celebração do contrato de fls. 254 a 293, 30/10/2007, a ELEVA ALIMENTOS S.A. possuía capital social de R$441.400.000,00, dividido em 64.829.608 de ações ordinárias, conforme art. 5º, caput, do Estatuto vigente à época. O Sr. SHAN BAN CHUN possuía, na referida data, 39.871.826 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. (essa quantidade está demonstrada nas planilhas "Participação Societária" e "Resumo Participação Societária", assim como no Livro de Registro de Ações Nominativas da ELEVA ALIMENTOS S.A. de fls. 421 a 423). Fl. 940DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Em decorrência do estabelecido no contrato, houve a alienação da totalidade das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. para a PERDIGÃO S.A., mediante venda e incorporação de ações, tornandose aquela subsidiária integral desta. No contrato foi estipulada a alienação, para a PERDIGÃO S.A., pelo Sr. SHAN BAN CHUN, da totalidade das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. de sua titularidade (assim como pelos demais acionistas signatários), mediante venda de 18.430.969 de ações (cláusula 2.1., "a"), efetivada em 02/01/2008, e incorporação de 21.440.857 de ações, efetivada em 28/02/2008. Conforme disposição contratual, por 18.430.969 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. vendidas à PERDIGÃO S.A., o contribuinte receberia pagamento em dinheiro. Já por 21.440.857 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., incorporadas pela PERDIGÃO S.A., o Sr. SHAN BAN CHUN receberia 12.300.500 de ações desta empresa (21.440.857 / 1,74308855), considerando se a proporção de 1 ação da PERDIGÃO S.A. por cada 1,74308855 ação da ELEVA ALIMENTOS S.A. alienada (cláusulas 2.1, "a", 2.4.1, “i”, e 2.7.1). Constam do Livro de Registro de Ações Nominativas da ELEVA ALIMENTOS S.A. (fls. 421 a 423), a transferência (em virtude da venda) de 18.430.969 de ações, em 02/01/2008, e a incorporação (em virtude da incorporação de ações) de 21.440.857 de ações, em 28/02/2008, todas de titularidade do Sr. SHAN BAN CHUN. Com base no contrato, no Livro de Registro de Ações Nominativas da ELEVA ALIMENTOS S.A. e no documento Transferência de Ações, Cotas e/ou Debêntures Escriturais Nominativas, emitido pelo Banco Itaú S.A., fl. 424, verificase que em 30/10/2007, o contribuinte detinha 39.871.826 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., todas alienadas à PERDIGÃO S.A., mediante as operações de venda e de incorporações de ações. AÇÕES DA ELEVA ALIMENTOS S.A. DO CONTRIBUINTE, ADQUIRIDAS ATÉ 31/12/1983. Do total de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. de propriedade do Sr. SHAN BAN CHUN alienadas à PERDIGÃO S.A. (39.871.826 de ações), 9.717.280 foram adquiridas por ele até 31/12/1983, tendo em vista: sua posição acionária na Avipal S.A. (antiga denominação social da ELEVA ALIMENTOS S.A.) em 31/12/1983, constante do documento "posição contas acionistas em 31/12/83" (fl. 371), e todos os fatos societários e negociais que repercutiram nestas ações, como grupamentos, desdobramentos, bonificações em ações e alienações (fls. 323 a 370 e 375 a 419). Os cálculos da quantidade de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. de titularidade do contribuinte se encontram em planilha intitulada Participação Societária. O contribuinte alienou à PERDIGÃO S.A. (mediante as operações de venda e de incorporação de ações) 39.871.826 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., das quais 9.717.280, ou 24,37129% (9.717.280 / 39.871.826 X 100%), foram adquiridas até 31/12/1983 e 30.154.546, ou 75,62871% (30.154.546 / 39.871.826 X 100%), foram adquiridas posteriormente a essa data. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 923 5 CUSTO DE AQUISIÇÃO DAS AÇÕES DA ELEVA ALIMENTOS O contribuinte, em resposta à intimação, informou como custo médio ponderado de cada ação da ELEVA ALIMENTOS S.A. alienada à PERDIGÃO S.A. o valor de R$1,8713049. Após conferência, com base na legislação pertinente e nas informações e documentos apresentados, esse valor foi ratificado pelos autuantes. OPERAÇÃO DE VENDA. GANHO DE CAPITAL ISENTO E TRIBUTÁVEL. PROPORCIONALIDADE O contribuinte vendeu à PERDIGÃO S.A. 18.430.969 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. de sua propriedade (cláusula 2.1, “a” do contrato “Transferência de Ações, Cotas e/ou Debêntures Escriturais Nominativas" emitido pelo Banco Itaú S.A., fl. 424, e Livro de Registro de Ações Nominativas da ELEVA ALIMENTOS S.A., fl. 421 a 423). O preço unitário de R$25,8162443 por ação objeto de compra e venda, cláusula 3.1, foi fixado no contrato. A resposta da BRF BRASIL FOODS S.A., antiga PERDIGÃO S.A., à intimação, fls. 170/171, corrobora o valor pago por ação estipulado no cont rato. Com a resposta, a referida empresa apresentou documento do Unibanco que demonstra a transferência do valor de R$598.681.870,26 da PERDIGÃO S.A. para SHAN BAN CHUN, em 02/01/2008, fl. 425. SHAN BAN CHUN também apresentou extrato parcial do Banco Bradesco demonstrando o recebimento desse valor. O pagamento total do preço das 23.170.156 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., de propriedade dos quatro acionistas signatários do contrato, compradas pela PERDIGÃO S.A., foi feito para o Sr. SHAN BAN CHUN, que é pai dos outros três acionistas. O contribuinte justifica esse fato com o documento de fls. 426 a 428, que é um requerimento feito em conjunto pelos quatro acionistas para a PERDIGÃO S.A. para que o pagamento das 23.170.156 ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. fosse feito na conta bancária do Sr. SHAN BAN CHUN. A decisão judicial favorável ao contribuinte está sendo integralmente observada e cumprida. Para isso, estão sendo consideradas, para efeito da não tributação do ganho de capital auferido por ele, todas as 9.717.280 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. que o Sr. SHAN BAN CHUN possuía em 31/12/1983 (com os correspondentes desdobramentos, bonificações em ações e vendas ocorridos até a data da alienação, conforme planilhas "Participação Societária" e "Resumo Participação Societária). O preço unitário de R$25,8162443 por ação objeto de compra e venda, cláusula 3.1, foi fixado no contrato. A resposta da BRF BRASIL FOODS S.A., antiga PERDIGÃO S.A., à intimação, fls. 170/171, corrobora o valor pago por ação estipulado no cont rato. Com a resposta, a referida empresa apresentou documento do Unibanco que demonstra a transferência do valor de R$598.681.870,26 da PERDIGÃO S.A. para SHAN BAN CHUN, em Fl. 942DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 02/01/2008, fl. 425. SHAN BAN CHUN também apresentou extrato parcial do Banco Bradesco demonstrando o recebimento desse valor. O pagamento total do preço das 23.170.156 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., de propriedade dos quatro acionistas signatários do contrato, compradas pela PERDIGÃO S.A., foi feito para o Sr. SHAN BAN CHUN, que é pai dos outros três acionistas. O contribuinte justifica esse fato com o documento de fls. 426 a 428, que é um requerimento feito em conjunto pelos quatro acionistas para a PERDIGÃO S.A. para que o pagamento das 23.170.156 ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. fosse feito na conta bancária do Sr. SHAN BAN CHUN. A decisão judicial favorável ao contribuinte está sendo integralmente observada e cumprida. Para isso, estão sendo consideradas, para efeito da não tributação do ganho de capital auferido por ele, todas as 9.717.280 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. que o Sr. SHAN BAN CHUN possuía em 31/12/1983 (com os correspondentes desdobramentos, bonificações em ações e vendas ocorridos até a data da alienação, conforme planilhas "Participação Societária" e "Resumo Participação Societária). Quanto à venda das 13.939.103 de ações (75,62871%), subtraindose o custo de aquisição de R$26.084.311,75 (13.939.103 x 1,8713049) do preço de venda de R$359.855.288,37 (13.939.103 x R$25,8162443), apurase ganho de capital tributável de R$333.770.976,62. Por conseguinte, o imposto a pagar é igual a R$50.065.646,49 (R$333.770.976,62 x 15%), com vencimento em 29/02/2008, tendo em vista o pagamento integral em 02/01/2008. ALIENAÇÃO POR INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL ISENTO E TRIBUTÁVEL. PROPORCIONALIDADE. A incorporação de ações é uma operação de alienação, em sentido amplo, de bens, na qual os acionistas da empresa cuja totalidade das ações são incorporadas transferem todas as suas ações para a empresa adquirente/incorporadora, pelo valor de mercado a essas atribuído e, em contraprestação, recebem, não pagamento em dinheiro, mas ações da empresa adquirente/incorporadora, emitidas em aumento de capital social. Se o resultado econômico for positivo para a pessoa física ou jurídica alienante, ocorre o fato gerador do imposto. A incorporação de ações, que tornou a ELEVA ALIMENTOS S.A. subsidiária integral da PERDIGÃO S.A., foi prevista, inicialmente, no contrato às fls. 254 a 293. As empresas celebraram o "Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações de Emissão da Eleva Alimentos S.A. pela Perdigão S.A." ("Protocolo e Justificação", fls. 430 a 437), em 13/11/2007, observando as prescrições legais pertinentes (arts. 252, 224 e 225 da Lei das S.A.). Com base no laudo de avaliação econômicofinanceira, elaborado pelo Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. em 09/11/2007 (fls. 438 a 499) e nos laudos de avaliação de patrimônio líquido real a valores de mercado elaborados pela PLANCONSULT Planejamento e Consultoria Ltda. em novembro de 2007 (fls. 500 a 554), todos anexos do "Protocolo e Justificação", Fl. 943DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 924 7 fixouse a seguinte relação de substituição das ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. pelas da PERDIGÃO S.A.: “... será atribuída 1 (uma) nova ação ordinária de emissão da Perdigão para cada 1,74308855 ação ordinária de emissão da Eleva”. Em consonância com a cláusula quarta do "Protocolo e Justificação", segundo a qual o aumento do capital social da PERDIGÃO S.A., resultante da incorporação de ações, seria fixado pelo Conselho de Administração dessa empresa, em 21/02/2008, o referido órgão deliberou e aprovou o aumento do capital social em R$911.553.795,00 passando, esse, de R$ 2.533.489.000,00 para R$ 3.445.042.795,00, mediante a emissão de 20.256.751 de ações ordinárias a R$ 45,00, a serem integralizadas com ações da ELEVA ALIMENTOS S.A.. Essa deliberação, aprovada pelo Conselho de Administração, consubstanciou a relação de troca de 1,74308855 ação da ELEVA ALIMENTOS S.A. por 1 ação da PERDIGÃO S.A., a mesma firmada no "Contrato" (cláusula 2.7.1) e no "Protocolo e Justificação" (cláusula 1.1). SHAN BAN CHUN alienou por meio da operação de incorporação de ações 21.440.857 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., de sua propriedade, para a PERDIGÃO S.A.. Aplicandose à quantidade total de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. alienadas pelo Sr. SHAN BAN CHUN à PERDIGÃO S.A. mediante incorporação de ações (21.440.857) as mesmas proporções encontradas para o número de ações adquiridas até 31/12/1983 (24,37129%) e para o número de ações adquiridas posteriormente a 31/12/1983 (75,62871%), temse que 5.225.414 de ações (24,37129% x 21.440.857) foram adquiridas até 31/12/1983 (já incluídos, nesta quantidade, os correspondentes desdobramentos e bonificações em ações) e 16.215.443 de ações (75,62871% x 21.440.857) foram adquiridas posteriormente a 31/12/1983. Em contraprestação às suas ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. incorporadas, o contribuinte recebeu 12.300.501 de ações da PERDIGÃO S.A., fl. 619 e 621. No tocante à incorporação das 5.225.414 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. (24,37129%) adquiridas até 31/12/1983, o Sr. SHAN BAN CHUN recebeu 2.997.791 de ações da PERDIGÃO S.A. avaliadas em R$134.900.595,00 (2.997.791 x R$45,00, que é o preço por ação estipulado no contrato e nos demais documentos pertinentes ao processo de incorporação de ações). O custo de aquisição foi de R$9.778.342,82 (5.225.414 x R$1,8713049, que é o custo médio ponderado unitário). Assim, o ganho de capital isento em razão da decisão judicial favorável ao contribuinte é igual a R$125.122.252,18 (R$134.900.595,00 R$9.778.342,82). Já em relação à incorporação das 16.215.443 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. (75,62871%) adquiridas posteriormente a 31/12/1983, o contribuinte recebeu, em contraprestação, 9.302.710 de ações da PERDIGÃO S.A. avaliadas em R$418.621.950,00 (9.302.710 x R$45,00). Uma vez que o custo de aquisição foi de R$30.344.037,94 (16.215 443 x R$1,8713049), o ganho de capital auferido pelo contribuinte é igual a R$388.277.912,06 (R$418.621.950,00 R$30.344.037,94). O referido ganho de capital é Fl. 944DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 tributável, sendo o imposto devido de R$58.241.686,81 (R$388.277.912,06 x 15%). DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS – DIRPF – EXERCÍCIO 2009, ANOCALENDÁRIO 2008. Em sua DIRPF referente ao anocalendário 2008 (exercício 2009), o contribuinte informou, no campo "Declaração de Bens e Direitos", a venda de 18.430.970 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. e a "transformação" de 21.441.165 de ações da ELEVA ALIMENTOS S.A. em 12.300.801 de ações da PERDIGÃO S.A.. Das ações vendidas (18.430.970), ele informou a obtenção de ganho de capital de R$208.441.613,14 com a venda de 8.676.159 de ações, tendo recolhido imposto no valor de R$31.266.309,00, fls. 625 a 627. Em relação às demais ("transformadas"), ele não informou nem apurou o ganho de capital obtido com a incorporação de ações. INFRAÇÕES Foram omitidos, no anocalendário 2008, rendimentos sujeitos à tributação definitiva, correspondentes ao ganho de capital auferido pelo contribuinte com alienação de suas ações da ELEVA ALIMENTOS S.A., adquiridas após 31/12/1983 para a PERDIGÃO S.A. (mediante venda e incorporação de ações), com imposto de renda a pagar no montante de: R$18.799.404,52 pela venda das ações adquiridas após 31/12/1983 e R$58.241.686,81 pela incorporação das ações adquiridas após 31/12/1983, conforme demonstrativo a seguir: I II I II operação de alienação data ganho de capital: fiscalização (R$) ganho de capital: contribuinte (dirf 2008) (R$) diferença ir devido <R$) vencimento venda 02/01/08 333.770.976,62 208.441.613,14 125.329.363,48 18.799.404,52 29/02/08 incorporação de ações 28/02/08 388.277.912,06 0 388.277.912,06 58.241.686,81 31/03/08 Cientificado em 23/06/2012 (fl. 683), em 24/07/2012, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 686 a 720, instruída com os documentos de fls. 721 a 827, a seguir substanciada: Impugnação A impugnação é tempestiva. Em relação à operação de venda das ações ocorrida em 02/01/2008, o valor autuado foi depositado em juízo nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.71.00.0050584 e extinto por conversão em renda da União Federal, conforme requerido pela Fazenda Nacional. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 925 9 O depósito judicial suspende a exigibilidade do crédito tributário e a sua conversão em renda o extingue, conforme previsto nos arts. 151, II e 156, VI do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse caso, é também indevida qualquer cobrança de multa de ofício. A substituição das ações que o impugnante detinha na ELEVA por ações da PERDIGÃO, em razão da incorporação de ações da primeira pela segunda, não caracteriza um ato de alienação ou transferência praticado pelo impugnante, como defende a autuação, tampouco negócio jurídico apto a gerar acréscimo patrimonial tributável pelo imposto de renda. O procedimento adotado pelo impugnante de apenas substituir, em sua declaração de rendimentos, as ações da ELEVA pelas novas ações da PERDIGÃO, sem alteração do custo e, portanto, sem apuração de ganho de capital, está de acordo com as orientações da própria Receita Federal do Brasil. DO DIREITO DA ALIENAÇÃO OCORRIDA EM 02/01/2008 Na operação de venda efetuada em 02/01/2008, foi apurado ganho de capital no valor total de R$ 441.328.435,79. O imposto de renda incidente sobre este valor corresponderia a R$ 66.199.265,37 (R$ 441.328.435,79 x 15%). Parte das ações vendidas era isenta, de modo que o valor efetivamente devido era de R$ 50.065.646,49, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal. O referido valor foi devidamente quitado pelo impugnante mediante DARF de R$31.266.309,00 e conversão em renda de R$ 18.799.404,52, objeto de depósito judicial efetuado no vencimento do imposto. De acordo com o entendimento do impugnante, a isenção abrangia 9.755.128 das 18.430.969 de ações vendidas. Efetuou o pagamento definitivo do valor que entendia ser devido e o depósito judicial do montante que entendia ser objeto de isenção. Os recolhimentos foram concretizados pelo pagamento de dois DARF em 29/02/2008, data do vencimento do imposto: um DARF de depósito judicial no valor de R$35.153.455,00, creditado na conta vinculada ao Mandado de Segurança n° 2008.71.00.0050584, e um DARF de pagamento definitivo no valor de R$ 31.266.309,00. A soma dos DARF pagos corresponde a R$66.419.764,00, valor superior ao imposto de renda apurado. Após o trânsito em julgado da referida decisão, a Fazenda Nacional apresentou petições e recursos nos autos do mandado de segurança requerendo o indeferimento do levantamento integral do depósito judicial, sob o argumento de que o valor depositado abrangia, além do ganho relativo às ações isentas, valores relativos ao ganho apurado em relação a ações não isentas. O impugnante resolveu não impugnar o cálculo efetuado pelo auditor fiscal quanto ao número das ações vendidas em 02/01/2008 que efetivamente correspondia a ações adquiridas antes de 31/12/1983. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 O impugnante apresentou, então, petição nos autos do Mandado de Segurança n° 2008.71.00.0050584, esclarecendo esse fato e requerendo a conversão parcial do depósito judicial efetuado, para a extinção do crédito tributário constituído em relação à venda efetuada em 02/01/2008. O pedido efetuado pelo impugnante foi deferido pelo juízo, tendo sido efetuada a conversão em renda do valor correspondente a R$ 18.799.404,52 e respectivos juros incorridos desde 29/02/2008 (data do depósito judicial), levantandose o saldo remanescente de R$ 16.354.050,48 e respectivos juros. O valor de R$ 18.799.404,52 lançado no auto de infração como suposto erro no cálculo do ganho de capital apurado na alienação ocorrida em 02/01/2008 estava depositado judicialmente desde a data do respectivo vencimento. O depósito judicial integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, e sua conversão em renda o extingue (artigos 151, II e 156, VI do CTN). A multa de ofício lançada, correspondente a 75% do crédito constituído deve ser cancelada, já que o crédito tributário foi integralmente depositado na data do vencimento do tributo e, portanto, antes da ação fiscal. Subsidiariamente, caso não seja afastada a multa de ofício lançada, deve ser aplicada a redução de 50% de seu valor, na forma do art. 6º, inc. I da Lei nº 8.218, de 1991, tendo em vista a quitação do débito no prazo de 30 dias da ciência da autuação, por conversão em renda do depósito judicial. DA INCORPORAÇÃO EFETUADA EM 02/01/2008 – NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA OPERAÇÃO. A incorporação de ações tem características essenciais que a diferenciam da operação de subscrição de capital pelo acionista e demonstram inexistir, no negócio jurídico, ato de alienação pelo acionista das ações substituídas em decorrência da incorporação. A doutrina majoritária destaca que a incorporação de ações segue procedimento muito semelhante ao da incorporação de sociedades, tendo alguns efeitos também próximos ao desta operação, especialmente sob o ponto de vista dos acionistas das sociedades envolvidas. Em ambos os casos, há um aumento do capital da companhia incorporadora, com emissão de ações que são atribuídas aos acionistas da companhia incorporada em substituição às que esses detinham nesta. Do ponto de vista do acionista, em ambos os casos há a substituição compulsória das ações que esse detinha na sociedade incorporada por ações emitidas pela sociedade incorporadora. As ações incorporadas são substituídas por ações da incorporadora por subrogação real. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 926 11 A substituição das ações decorre de negócio jurídico praticado entre duas sociedades, do qual resulta o aumento do capital da incorporadora e a emissão de ações dessa, entregues aos acionistas da incorporada. A substituição das ações, em qualquer das hipóteses, é efetuada por relação de troca definida com base na avaliação das duas sociedades, de modo a preservar a proporcionalidade da participação dos acionistas no patrimônio das sociedades unificadas pela operação. A incorporação de ações, assim como a incorporação de sociedades, se distancia largamente, para fins fiscais, da subscrição de aumento do capital social pelo acionista da sociedade incorporada por não se tratar de negócio jurídico praticado entre o acionista e a companhia, mas sim entre as duas companhias. O art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, é claro em dispor que esta incorporação é deliberada por assembléia geral das duas companhias, ocasionando a incorporação de todas as ações da companhia incorporada ao patrimônio da incorporadora. Mesmo os acionistas que não votarem na assembléia ou votarem em sentido contrário terão suas ações substituídas em decorrência da incorporação, salvo se exercerem o direito de retirada da companhia. Os acionistas não praticam nenhum negócio jurídico com a companhia incorporadora. Apenas, passivamente, têm suas ações substituídas por outras, emitidas pela incorporadora. Situação muito diferente ocorre na subscrição de capital com bens, em que o acionista subscritor transaciona diretamente com a companhia. A companhia aprova o aumento do capital e assegura aos seus acionistas o direito de preferência na subscrição, já que se tratará de operação praticada pela companhia com terceiros. A subscrição do capital será então realizada pelo acionista e a integralização do capital subscrito é uma obrigação sua e, portanto, depende de ato, a ser praticado por ele, de transferência da propriedade de bens ou direitos à companhia. Diversamente, na incorporação, todas as obrigações envolvidas na operação recaem exclusivamente sobre as próprias companhias. Os acionistas nada fazem e nada transferem. Na incorporação, é absolutamente necessário que a transação prescinda da realização de negócios jurídicos pelos acionistas da companhia incorporada, e a ela não se aplicam as regras da subscrição de capital com bens. A incorporação de ações decorre do acordo de vontades das sociedades e não poderia ser de forma diversa, sob pena de inviabilização do instituto. O fato de o acionista deliberar acerca da incorporação não o torna, sob qualquer aspecto, parte do negócio. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 A inexistência de ato de alienação ou disposição das ações substituídas nas incorporações deliberadas pelas sociedades, seja de ações ou de sociedade, é conseqüência da natureza jurídica dessa operação. Se fosse necessária a disposição por cada acionista de suas ações/participação societária, os institutos não existiriam. A incorporação decorre de deliberação das sociedades. As deliberações necessárias à concretização do negócio jurídico são atos coletivos formados pelo voto da maioria dos acionistas, que exprimem a vontade da companhia, ainda que alguns acionistas votem em sentido contrário ou se abstenham. Admitir que a deliberação social pudesse representar ato de disposição ou alienação de bens do patrimônio dos acionistas da incorporada, seria afirmar que mesmo os acionistas que votaram contra a deliberação ou não participaram da votação teriam praticado atos de alienação de bens de seu patrimônio, o que constitui conclusão evidentemente absurda. Na incorporação de ações, não existe a prática de um ato jurídico pelo acionista do qual decorra a alienação de suas ações para a sociedade incorporadora. Tratase de uma substituição de ações por subrogação real. O único fenômeno de transmissão em sentido técnico que existe não tem como transmitente o titular das ações a serem incorporadas, pois não existe manifestação de vontade dele, na sua qualidade de proprietário das ações. O titular das ações a serem objeto de incorporação nada faz, nada transmite, nada permuta: limitase passivamente a receber da sociedade incorporadora ações substitutivas das originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar equivalente ao das ações substituídas por subrogação real. Por se tratar de uma subrogação real, na qual o acionista não pratica um negócio jurídico, a Receita Federal do Brasil divulga em seu site, perguntas e respostas nº 533, que a substituição de ações, na proporção das anteriormente possuídas, ocorrida em virtude de cisão, fusão ou incorporação, pela transferência de parcelas de um patrimônio para o de outro, não caracteriza alienação para efeito da incidência do imposto sobre a renda. A orientação não é limitada à incorporação de sociedades, tratando genericamente de substituição de ações em virtude de incorporação. Essa orientação decorre da conclusão do Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação (CST) n° 39/81. Nele, a CST reconheceu que, em operações societárias nas quais ocorre a substituição das ações do acionista por um fenômeno de subrogação real, não praticando esse nenhum negócio jurídico, não há uma operação de alienação, devendo ser mantida a data de aquisição da participação originária. Se não há alienação ou solução de continuidade do direito obtido na aquisição das ações originárias na hipótese da incorporação de sociedades, em que a sociedade incorporada é extinta, muito menos isso ocorreria na incorporação de ações, em que o vínculo social é mantido. Nas duas formas de incorporação, há a unificação dos conjuntos de sócios das sociedades e todos passam a participar do patrimônio das duas Fl. 949DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 927 13 sociedades (incorporada e incorporadora). Na incorporação de sociedades, a participação do novo conjunto de sócios no patrimônio líquido da incorporada é direta e, na incorporação de ações, ocorre por via da sociedade incorporadora. O impugnante ainda mantém as ações recebidas em substituição das ações da ELEVA em seu patrimônio, preservando, assim, sua participação no patrimônio da companhia, na mesma proporção antes detida. O procedimento adotado pelo impugnante de declarar a mera substituição das ações em virtude da incorporação ocorrida está de acordo com os princípios e conceitos da operação e, ainda, com orientação da própria Receita Federal do Brasil. Não existe previsão legal de tributação da diferença entre o custo das ações incorporadas e o valor de avaliação das ações emitidas em substituição pela companhia incorporadora a título de ganho de capital auferido, seja em incorporação de ações ou de sociedade. O direito tributário brasileiro adotou o princípio da tipicidade cerrada, não se admitindo a tributação por analogia. O ato de incorporação de ações é praticado exclusivamente pelas sociedades envolvidas na operação, por exigência legal nesse sentido, e a sub rogação real não importa alienação, como esclarecido pelas normas complementares emitidas pela própria Receita Federal do Brasil. Portanto, é inaplicável ao caso o disposto no art. 3º da Lei n° 7.713, de 1988. Tampouco seria possível aplicar à incorporação o disposto no artigo 23 da Lei n° 9.249, de 1995, que trata exclusivamente da tributação de ganho de capital sobre a operação praticada pela pessoa física de transferência de bens a pessoa jurídica a título de integralização de capital. No caso em análise, não há transferência de bens por pessoa física a pessoa jurídica, como defende a fiscalização, mas sim uma operação praticada por duas pessoas jurídicas. Apenas na realização do investimento em qualquer ato de alienação praticado pela pessoa física haverá a incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital então auferido. O art. 43 do CTN não autoriza a tributação pelo imposto de renda, quando ocorre a mera substituição de bens no patrimônio da pessoa física, ainda que essa pratique o negócio jurídico do qual decorra tal substituição, o que sequer ocorre no presente caso. Segundo o referido dispositivo, a hipótese de incidência do imposto de renda se materializa quando da verificação de um "acréscimo patrimonial". Tal "acréscimo" há de ter sido adquirido econômica ou juridicamente e, no caso de pessoas físicas, efetivamente recebido (art. 38, parágrafo único do Regulamento do Imposto de Renda RIR). A substituição de bens no patrimônio da pessoa física, quando essa efetivamente pratica ato de permuta com outra pessoa (o que, repitase, não Fl. 950DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 ocorre no caso), não gera a materialização de qualquer ganho de capital, visto que se trata de negócio, de natureza meramente substitutiva ou permutativa, e o ganho na operação é apenas potencial. Isto é, não é atual e imediato. Este entendimento é corroborado pelo Parecer proferido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) n° 454, de 06/05/1995, segundo o qual a "desoneração tributária na permuta não é um privilégio, e sim o reconhecimento de não incidência da regra da tributação". Pareceres da PGFN constituem normas complementares à legislação tributária e devem ser observados não apenas pelos contribuintes como também pelas autoridades administrativas. No caso, o impugnante não efetuou alienação de sua participação societária, mas apenas teve suas ações substituídas por outras em razão de ato praticado por duas sociedades, motivo pelo qual não se aplica o disposto no art. 3º da Lei n° 7.713, de 1988. Também não se aplica, à hipótese, o disposto no artigo 23 da Lei n° 9.249, de 1995, sob pena de se admitir a tributação por analogia. Devese destacar, finalmente, a inaplicabilidade, ao caso, da decisão proferida nos autos do processo administrativo n° 16408.000120/200749, mencionada no termo de verificação fiscal para justificar a autuação. No julgamento do Recurso Especial interposto no referido processo, o CARF manifestou entendimento de que a incorporação de ações representa a transferência de bens (ações) pela pessoa física para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem o seu capital, em decisão de mérito absolutamente questionável, proferida por voto de qualidade. Na situação dos autos, ocorreu a mais clássica operação de incorporação, contratada entre duas grandes companhias abertas, constituídas há várias décadas. Neste caso, a substituição de ações decorrente da incorporação deve ter o mesmo tratamento conferido pela Receita Federal do Brasil à substituição de ações ocorrida em incorporação de sociedades. PEDIDO Ao longo da peça impugnatória, cita doutrina que entende vir ao encontro de seus argumentos e, por fim, requer que seja julgado improcedente o lançamento. Caso o lançamento seja mantido, ainda que em parte, o que admite apenas para fins de argumentação, requer o reconhecimento da inexigibilidade de juros de mora sobre a multa de oficio lançada, em razão do disposto no artigo 161, do CTN, conforme já decidido pela 1a Turma da CSRF, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723, realizado na sessão do dia 09/11/2010. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Fl. 951DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 928 15 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. OPERAÇÃO DE VENDA. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Nos lançamentos para evitar a decadência, formalizados no curso do processo judicial proposto antes do início do procedimento fiscal, não cabe a exigência de multa de ofício e juros de mora, a partir da data da efetivação do depósito judicial. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 0241.108 da 5ª Turma da DRJ/BHE em 27/11/2012. Sobreveio Recurso Voluntário em 26/12/2012, no qual, em suma, o contribuinte ratificou as razões da impugnação. Considerando que o contribuinte protocolou petição desistindo do recurso voluntário, passo a análise do recurso de ofício. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso de ofício ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O presente se cinge, à parcela exonerada pela decisão a quo, relativa à multa de ofício e juros de mora. Dá análise da referida decisão, entendo que não há reparos a serem realizados. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Com efeito, acerca da matéria, cabe transcrever o art. 151, inciso II, do CTN e itens 7 e 8 do Parecer do Cosit nº 2, de 1999, que tratam respectivamente da suspensão do crédito tributário e a não incidência de multa de ofício e juros moratórios quando houver depósito integral do mesmo: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] II o depósito do seu montante integral; [...]" 7. Relativamente ao depósito do montante integral do crédito tributário, é pertinente salientar que, em conformidade com o art. 4º do Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, deve ele ser efetuado pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do tributo ou contribuição até a data do depósito. Assim, à suspensão da exigibilidade do crédito tributário agregase o principal efeito decorrente do depósito, qual seja, exime o sujeito passivo, a partir da data em que é efetuado, do ônus da correção monetária e evita a fluência dos juros e multa de mora em que incorreria até a solução da lide ou litígio. 8. Considerando que a conversão do depósito em renda, após solução favorável à União, é, nos termos do art. 156, inciso VI, do CTN, modalidade de extinção do crédito tributário e que ela opera efeitos ex tunc, retroagindo à data do depósito, parece claro que não há que se falar em pagamento extemporâneo do crédito tributário, tampouco em pagamento após o vencimento sem os acréscimos moratórios cabíveis.”(grifei) Ademais, o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê o não cabimento de multa de ofício, nos casos que especifica. In verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. Assim, ratifico as razões da DJR/BHE por seus próprios fundamentos e as utilizo para julgar, conforme excetos do voto abaixo transcritos: "[...] OPERAÇÃO DE VENDA DAS AÇÕES Conforme consta do termo de verificação fiscal, o ganho de capital tributável decorrente da venda das ações em 02/01/2008 foi de R$333.770.976,62. Por conseguinte, apurouse imposto igual a R$50.065.646,49 (R$333.770.976,62 x 15%). O contribuinte havia informado em sua declaração de ajuste anual do exercício 2009 ganho de capital tributável de R$208.441.613,14, fls. 625 e 626, e recolhido imposto no valor de R$31.266.309,00, DARF à fl. 627. No auto de infração, foi lançada a diferença entre o ganho de capital apurado pela fiscalização e o Fl. 953DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 929 17 declarado pelo contribuinte, sendo formalizada a exigência de imposto a pagar de R$18.799.404,52 [(R$333.770.976,62 R$208.441.613,14) x 15%], acrescido de multa de ofício e juros de mora. Em 29/02/2008, data do vencimento do imposto, o contribuinte efetuou depósito judicial, vinculado ao mandado de segurança n° 2008.71.00.005058 4, de R$35.153.455,00, que abarca o montante integral do imposto lançado, "Documento para Depósitos Judiciais ou Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente DJE", fl. 201. Em razão do referido depósito, descabe o lançamento dos juros de mora e da multa de ofício sobre o valor de R$18.799.404,52. Os juros são devidos sempre que houver atraso no adimplemento da obrigação de pagar, esteja ou não a cobrança suspensa por decisão administrativa ou judicial. Esse é o entendimento que norteia a dicção do art. 5º do DecretoLei nº 1.736, de 1979: Art. 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. É o que se depreende também da leitura do art. 161 do Código Tributário Nacional, CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No entanto, no presente caso, como já dito, houve o depósito do montante integral do imposto lançado sobre o ganho de capital na venda das ações em 02/01/2008. O § 4º do art. 953 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, cujo caput trata da cobrança dos juros moratórios para fatos geradores a partir de abril de 1995, dispõe: §4º Somente o depósito em dinheiro, na Caixa Econômica Federal, faz cessar a responsabilidade pelos juros de mora devidos no curso da execução judicial para a cobrança da dívida ativa. Relativamente ao depósito do montante integral do crédito tributário, assim dispõe o Parecer Cosit nº 2, de 1999, nos itens 7 e 8: “7. Relativamente ao depósito do montante integral do crédito tributário, é pertinente salientar que, em conformidade com o art. 4º do Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, deve ele ser efetuado pelo valor monetariamente Fl. 954DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do tributo ou contribuição até a data do depósito. Assim, à suspensão da exigibilidade do crédito tributário agregase o principal efeito decorrente do depósito, qual seja, exime o sujeito passivo, a partir da data em que é efetuado, do ônus da correção monetária e evita a fluência dos juros e multa de mora em que incorreria até a solução da lide ou litígio. 8. Considerando que a conversão do depósito em renda, após solução favorável à União, é, nos termos do art. 156, inciso VI, do CTN, modalidade de extinção do crédito tributário e que ela opera efeitos ex tunc, retroagindo à data do depósito, parece claro que não há que se falar em pagamento extemporâneo do crédito tributário, tampouco em pagamento após o vencimento sem os acréscimos moratórios cabíveis.”(grifos acrescidos). Como explicitado, a conversão do depósito em renda, após solução favorável à União, opera efeitos ex tunc, retroagindo à data dos depósitos efetuados. Com a mudança no regime jurídico dos depósitos judiciais operada pela Lei nº 9.703, de 17 de novembro de 1998, os depósitos não ficam mais à disposição do juízo, sendo destinados diretamente à Conta Única do Tesouro, ou seja, transformamse imediatamente em recursos utilizáveis pelo Poder Público. Mediante ordem da autoridade judicial, o valor do depósito judicial é transformado em pagamento definitivo proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional. Assim, a partir da data do depósito, não mais fluem os juros. Da mesma forma, não cabe a exigência da multa de ofício no valor de R$14.099.553,39 (R$18.799.404,52 x 75%), haja vista o disposto nos arts. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, e 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte concorda com o valor do imposto lançado de R$18.799.404,52, tanto que nos autos do mandato de segurança requereu a conversão em renda da União do valor correspondente atualizado desde 29/02/2008. Seu pedido foi deferido, tendo sido determinado à Caixa Econômica Federal a transformação em pagamento definitivo em favor da União da quantia de R$18.799.404,52, valor histórico de 29/02/2008, com a respectiva atualização. [...] CONCLUSÃO Assim sendo, voto por julgar procedente em parte a impugnação, para: exonerar a exigência da multa de ofício e dos juros de mora sobre o valor de R$18.799.404,52, em decorrência do depósito judicial. [...]" Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 955DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.727766/201251 Acórdão n.º 2102003.299 S2C1T2 Fl. 930 19 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 36392.001609/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Crédito Tributário Mantido Parcialmente
Numero da decisão: 2403-002.901
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas na parte dos eventos por entender presente vício na fundamentação legal.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2002 a 31/12/2003 CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas na parte dos eventos por entender presente vício na fundamentação legal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido Parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 39 2. 00 16 09 /2 00 7- 61 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas na parte dos eventos por entender presente vício na fundamentação legal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 2403002.901 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro I, Acórdão 1219.224 da 13ª Turma, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização com base no instituto da retenção, prevista no art. 31 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.711/98, sendo o valor do presente lançamento de R$ 46.840,78, consolidado em 05/04/2007. 2. Em seu relatório de fls. 26/28, a AuditoraFiscal notificante esclarece que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito decorreu da não retenção de 11% sobre o os serviços prestados, identificados na contabilidade do contribuinte. 2.1. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, não foram apresentados os contratos de prestação de serviços. Da Impugnação 3. Inconformada com a exigência fiscal, a notificada, dentro do prazo regulamentar, contestou o lançamento através do instrumento de fls. 111/128, acostando aos autos a cópia de um dos contratos de prestação de serviços (fls 169/171). Produziu as alegações a seguir, em síntese: 3.1. Não conseguiu localizar os documentos exigidos durante o período em que estava sendo fiscalizado. 3.2. O serviço prestado pela empresa ANTABEL BUFFET LTDA à impugnante, objeto do lançamento, não está sujeito à retenção, uma vez que não há cessão de mãodeobra. 3.3. A responsabilidade da impugnante está extinta, pois a retenção tem natureza de antecipação. Deve ser apurada primeiro a responsabilidade no prestador. 3.4. A contratada não coloca os seus empregados à disposição, seja no estabelecimento da Impugnante, seja em estabelecimento de terceiro. 3.5. No caso dos autos, não há norma expressa prevendo a retenção de 11% em decorrência da simples contratação de serviços, mas sim e tãosomente nos casos em que a prestação do serviço implica em cessão de mãodeobra. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 3.6. Uma vez constatada que o responsável tributário não efetuou a retenção, fica a sociedade prestadora obrigada a declarar e promover o recolhimento da Contribuição Previdenciária. 3.7. Disserta sobre a mecânica da retenção e de sua compensação. Na ausência de retenção da tomadora, cabe ao prestador o recolhimento. 3.8. Por fim, requer que o lançamento seja julgado improcedente e protesta pela produção de outras provas documentais. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Não ocorrência de cessão de mão de obra nos serviços contratados. · Somente ocorrerá cessão se (i) os funcionários sejam colocados à disposição da contratante, ou seja, sob o seu gerenciamento/orientação/supervisão; (ii) fiquem alocados em suas dependências ou na de terceiros por ela indicados; e (iii) os serviços sejam contínuos. · No presente caso, a sociedade contratada não colocou seus segurados à disposição da Recorrente, seja em seu estabelecimento, seja em estabelecimento de terceiro, mormente pelo fato de inexistir gerenciamento, coordenação ou controle pela Contratante. Ademais, também não há continuidade nos serviços, pois a A N T A B E L presta os serviços de atendimento esporádico e eventual, vez que depende exclusivamente da demanda relativa à realização de eventos nas salas de convenção do hotel. Isso é comprovado mediante os documentos anexos ás notas fiscais, juntadas à Impugnação, que demonstram o atendimento na maior parte a coffee break oferecidos durante tais eventos. Por fim, também não há alocação nas dependências, ou seja, os funcionários não permanecem prestando serviços no hotel, mas tão somente se dirigem ao local no horário determinado, permanecendo por curtíssimo espaço de tempo (há eventos que duram 2 horas apenas) e depois vão embora. · O erro de premissa fática de que partiu o v. acórdão reside no fato de que os serviços prestados pela sociedade A N T A B E L B U F F E T L T D A referemse ao fornecimento de mãodeobra para colocação á disposição da Contratante para atendimento rotineiro dos hóspedes e funcionários do hotel, como room service, bar e restaurante. · Se trata de empresa para a prestação de serviços de Buffet para eventos específicos realizados por empresas nas salas de convenção do hotel, não sendo atinentes aos serviços rotineiros, contínuos, constantes e habituais executados por garçons aos hóspedes e funcionários do hotel, visto que os serviços relativos a esses' serviços Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 2403002.901 S2C4T3 Fl. 4 5 de rotina, aí se incluindo atendimento aos hóspedes nos quartos, no restaurante e no bar, são executados por funcionários contratados para este fim, que constam em folha d e salários da recorrente. · Assim, a empresa ANTABEL BUFFET LTDA era acionada conforme a necessidade e demanda de eventos específicos, quais sejam aqueles realizados nas salas de convenção do hotel, o que pode ser comprovado mediante os "pedidos de serviços extras" anexados ás notas fiscais acostadas à Impugnação. Abaixo, segue planilha exemplificativa do conteúdo desses serviços extras, deixando claro tratarse de eventos pontuais, inclusive com horários curtíssimo e delimitado, como segue abaixo: · Extinção da responsabilidade. É necessário verificar se o contribuinte do tributo — no caso, a empresa prestadora ANTABEL — recolheu ou não a contribuição previdenciária. É o relatório. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O fisco entendeu que os serviços prestados pela empresa Antabel Buffet Ltda estavam sujeitos à retenção estabelecida pelo artigo 31 da Lei 8.212/91. Destaco que a Lei prevê a retenção tanto para a cessão de mão de obra quanto a empreitada. Lei 8.212/91 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5odo art. 33.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4oEnquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços:(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ilimpeza, conservação e zeladoria;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIvigilância e segurança;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIIempreitada de mãodeobra;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IVcontratação de trabalho temporário na forma daLei no6.019, de 3 de janeiro de 1974.(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5oO cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante.(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 2403002.901 S2C4T3 Fl. 5 7 O Relatório Fiscal registra que a empresa faz parte de grupo econômico do ramo hoteleiro e que deixou de exibir documentos referentes ao contrato. A empresa Rash faz parte de um Grupo Econômico do ramo hoteleiro, cuja controladora é a empresa Brasturinvest Investimentos Turísticos S/A CNPJ: 03.422.594/000117, sendo as demais controladas: ... Fato Gerador Mediante Termos para Apresentação de Documentos TIAD, foram solicitados todos os contratos relativos a serviços prestados por terceiros e as respectivas notas fiscais, a fim de que essa auditoria avaliasse ser incidente ou não a retenção dos 11% (onze por cento) sobre tais serviços determinada pela Lei 9.711/98 e, assim sendo, verificar se a empresa ora notificada, na qualidade de contratante/tomadora do serviço procedeu ao devido recolhimento, apresentando as guias específicas da retenção. Tendo em vista não possuir a empresa arquivo cronológico, por contratada, com as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de serviços e as guias da Previdência Social GPS, estabelecido no parágrafo sexto do art. 219 do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social e, também, não possuir arquivo dos contratos celebrados, deixou de exibir a documentação inerente necessária para verificação, razão de emissão de Autos de Infração. Dessa forma, foram analisadas as contas de serviços pessoas jurídicas pelos Livros Razão e, por uma filtragem dos nomes dos prestadores e históricos dos lançamentos, considerou a fiscalização a incidência da retenção, aplicandose a alíquota de 11% sobe o total do serviço naquela competência. Considerou essa fiscalização, a execução do contrato com a empresa Antabel Buffet Ltda. CNPJ: 40.281.990/000106, serviço base de incidência da retenção, não comprovado pela empresa contratante Rash a satisfação do recolhimento de sua responsabilidade Débito Apurado Em decorrência da caracterização do serviço como base de incidência da retenção , deixou a empresa Rash, tomadora dos serviços, de reter e recolher a alíquota de 11% (onze por cento) sobre os valores constantes das notas fiscais emitidas, a título de pagamentos dos serviços, verificados nas contas: 3.4.86.3.02.99/ 4.1.01.3.02.11 Serviços Profissionais e Contratados garçons/ outros, em nome da empresa prestadora Antabel Buffet Ltda., Fl. 418DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 ferindo o art. 219 do Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, abaixo transcrito: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no parágrafo quinto do art. 216. Assim, para apuração do débito foi aplicada a alíquota de onze por cento sobre o montante, por competência, dos valores constantes das contas acima descritas. Os serviços aqui considerados são de garçons, sendo que a recorrente afirma que não houve cessão de mão de obra, apenas empreitada. O erro de premissa fática de que partiu o v. acórdão reside no fato de que os serviços prestados pela sociedade A N T A B E L B U F F E T L T D A referemse ao fornecimento de mãode obra para colocação á disposição da Contratante para atendimento rotineiro dos hóspedes e funcionários do hotel, como room service, bar e restaurante... Mas não é caso, visto que se trata de empresa para a prestação de serviços de Buffet para eventos específicos realizados por empresas nas salas de convenção do hotel, não sendo atinentes aos sendços rotineiros, contínuos, constantes e habituais executados por garçons aos hóspedes e funcionários do hotel, Aristo que os serviços relativos a esses' serviços de rotina, aí se incluindo atendimento aos hóspedes nos quartos, no restaurante e no bar, são executados por funcionários contratados para este fim, Q U E CONSTAM EM FOLHA D E SALÁRIOS DA RECORRENTE. Com base nos documentos presentes, tanto os anexos ao Relatório Fiscal quanto os apresentados no Recurso Voluntário (folhas 29 a 45 e 298 a 316, respectivamente), entendi que garçons eram disponibilizados pela Antabel, todos os dias, para trabalharem para a recorrente, em serviços rotineiros como room service, bar e restaurante e para empreitadas em eventos. Entendo caracterizadas as empreitadas e a cessão de mãodeobra pela colocação à disposição do contratante, em suas dependências, de segurados que realizaram serviços contínuos, relacionados com a atividadefim da empresa. Registro que o Decreto 3048/99 listou os serviços de copa e hotelaria, quando prestados mediante cessão de mão de obra na relação de serviços sujeitos à retenção. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 36392.001609/200761 Acórdão n.º 2403002.901 S2C4T3 Fl. 6 9 Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §1ºExclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma daLei nº6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2ºEnquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: Ilimpeza, conservação e zeladoria; IIvigilância e segurança; IIIconstrução civil; IVserviços rurais; Vdigitação e preparação de dados para processamento; VIacabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VIIcobrança; VIIIcoleta e reciclagem de lixo e resíduos; IXcopa e hotelaria; ... MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 421DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001674/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/04/2004
CRÉDITO ORIUNDO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IRPJ E CSLL.
Conforme disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF (Portaria MF 256/09), art. 2º, IV, anexo II, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Numero da decisão: 3401-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Ângela Sartori - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: Marcelo Magalhães Peixoto
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/11/2003 a 30/04/2004 CRÉDITO ORIUNDO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE IRPJ E CSLL. Conforme disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF (Portaria MF 256/09), art. 2º, IV, anexo II, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
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Conforme disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF (Portaria MF 256/09), art. 2º, IV, anexo II, cabe à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Júlio César Alves Ramos Presidente. Ângela Sartori Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 16 74 /2 00 4- 11 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de DCOMP’s nº 33806.94264.280504.1.3.045361 e nº 27533.88585.170204.1.3.041785, transmitidas respectivamente em 28/05/2004 e 17/02/2004, correspondentes aos valores de R$ 1.862.483,41 (um milhão oitocentos e sessenta e dois mil quatrocentos e oitenta e três reais e quarenta e um centavos) e R$ 236.996,66 (duzentos e trinta e seis mil novecentos e noventa e seis reais e sessenta e seis centavos), informando como origem do crédito o pedido de Restituição de IRPJ e CSLL, relativos ao processo 10907.001984/200266. Ocorre, entretanto, que o referido pedido restou indeferido pela DRF de Paranaguá, tendo sido notificado o Recorrente em 24/03/2003, momento anterior à transmissão das DCOMP’s presentemente discutidas. Por tal razão, a compensação foi efetuada após a ciência do indeferimento do processo o qual aponta como origem do crédito. A autoridade fiscal proferiu o despacho decisório nº 48/2004, fl. 18, no qual concluiu ter sido irregular o procedimento adotado pelo Recorrente motivo pelo qual não homologou as compensações, assim como aplicou multa isolada no percentual de 150% nos termos do art. 18, da Lei nº 10.833/2003. Desse modo, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 27/41 e 190/204, o qual foi julgado parcialmente procedente pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba, DRJ/CTA, através do Acórdão nº 0618.372, fls. 311/321, para reduzir a multa isolada ao patamar de 75%. Tal decisão exonerou parcialmente o crédito tributário em R$ 1.049.740,04, mantendose a exação no importe de R$ 1.049.740,04, cuja ementa a seguir é transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. EXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA DENEGATÓRIA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. Considerada nãohomologada a compensação em face de pretensão de utilização de créditos advindos de discussão administrativa, na qual houve decisão denegatória pela autoridade competente, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o “evidente intuito de fraude” referido pela legislação. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10907.001674/200411 Acórdão n.º 3401002.512 S3C4T1 Fl. 6 3 Lançamento Procedente em Parte Em razão do valor exonerado, recorrese de ofício da decisão, assim como foi interposto Recurso Voluntário, fls. 327/336, requerendo a reforma do Acórdão, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: “1 – O art. 18, da Lei 10.833/03, em sua redação atual constitui se em norma mais benéfica ao contribuinte, visto que deixou de definir como infração a aplicação de multa isolada para compensações indevidas na hipótese de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal. 2 – Por ser uma lei que beneficiará o contribuinte, esta deve retroagir, nos termos do art. 106, II, a, do CTN. Assim, se a cominação de multa foi revogada, já não existe infração e tampouco pode haver punição. 3 – À época do envio das declarações de compensação estava vigorando a IN SRF nº 210/2003, a qual, em seu art. 26, § 4º, autorizava a compensação de créditos objeto de pedido de restituição desde que referido pedido se encontrasse pendente de decisão administrativa. 4 – Referida norma não conceituou o termo “pendente de decisão administrativa”, podendo ser considerado aquele que ainda admite discussão, como é o caso do pedido de restituição nº 10907.001984/200266, visto que ainda encontrase pendente de decisão administrativa definitiva.” É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheira Ângela Sartori, Relatora Conforme documento de fl. 337, temse que o Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Segundo o relatório de autuação, tratase de indeferimento de pedido de compensação de Pis com pedido de restituição de IRPJ e CSLL. Portanto, estáse claramente diante de lançamento reflexo ou decorrente, circunstância esta que passou despercebida pela decisão de primeiro grau administrativo. Neste diapasão, consoante previsão do art. 2º, IV, Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, tal competência pertence à Primeira Seção de Julgamento. No caso vertente, portanto, incontroversa a incompetência desta 1ª TO/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF, proponho não conhecer do recurso e declinar a competência para quaisquer das turmas julgadoras da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo. É como voto. Ângela Sartori Relatora Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000648/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2005
Autos de Infração sob nº 37.271.7195
Consolidados em 26/06/2010
DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO ANTERIOR A MAIO DE 2005 (INCLUSIVE). COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO EM PARTE. SÚMULA CARF 99.
Nos autos há comprovação de recolhimento, ainda que em parte do que julgado devido, compelindo aplicação da Súmula CARF 99 e ao artigo 150, § 4º do CTN, por determinação do artigo 72 do RICARF.
No caso em tela, como o lançamento é de junho de 2010, encontra-se abarcado pela decadência os lançamentos anteriores a maio de 2005, inclusive.
CO-RESP - INDICAÇÃO DE PESSOAS NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO. MANUTENÇÃO.
Trata-se de matéria sumulada pela Corte, obrigando aos seus membros a sua imediata aplicação, por força do artigo 72 do RICARF.
Assim, e de acordo com a Súmula CARF 88, o CORESP, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribue responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR - AUSÊNCIA PARTICIPAÇÃO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A legislação de regência, Lei nº 10.101/2000, tem como condição sem a qual não ocorrerá a regularidade do PLR a participação do sindicato da categoria na comissão escolhida pelas partes, para aprovar o plano.
No caso, não houve participação da entidade sindical nas negociações.
PAGAMENTO EFETUADO A TÍTULO DE ABONO ÚNICO
Abonos salariais únicos com caráter estritamente indenizatório não havendo substituição de eventual aumento salarial, está abarcada pelo art. 28, §9º, e, item 7, da Lei 8.212/91, não incidindo contribuição previdenciária.
Pagamento de gratificação variável concedida pela Recorrente a seus empregados, não se trata de remuneração, considerando a sua eventualidade.
No caso em exame, não há nenhum requisito para descaracterizar o abono único e fazer com que incida contribuição previdenciária sobre tal verba. sendo que há nos autos dispositivo prevendo referida verba e expressamente desvinculando do salário tendo em vista ser uma verba de caráter excepcional e transitório.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. CARÁTER REMUNERATÓRIO COMPENSANDO O TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A natureza do bônus de contratação tem limiar estreito, podendo configurar como de natureza remuneratória ou indenizatória.
A voluntariedade e a compulsoriedade também revelam-se caminho estreito para definir incidência ou não de contribuição previdenciária.
O que determina a incidência são as peças dos autos, oriundo do comportamento das partes, ou seja, se um ou outro exigiu o bônus de contratação. Se exigiu, cai na vala dos comuns, se não exigiu não há incidência de contribuição previdenciária.
No caso em tela e de acordo com as peças dos autos houve o pagamento compulsório, pelo fato de a própria Recorrente reconhecer que o pagamento que se realizou foi para atrair profissional de excelência para trabalhar com ela, ou seja, remunerar o trabalho pelo capital.
DOS JUROS. INCIDÊNCIA DEVIDA ATUALIZAÇÃO.
Quanto a cobrança de juros a Fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, sendo de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir as contribuições exigidas até a competência 05/2005, anteriores a 06/2005, nos termos do voto do relator; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir as contribuições oriundas da rubrica abono único, nos termos do voto do Relator.
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO EM PARTE. SÚMULA CARF 99. Nos autos há comprovação de recolhimento, ainda que em parte do que julgado devido, compelindo aplicação da Súmula CARF 99 e ao artigo 150, § 4º do CTN, por determinação do artigo 72 do RICARF. No caso em tela, como o lançamento é de junho de 2010, encontrase abarcado pela decadência os lançamentos anteriores a maio de 2005, inclusive. CORESP INDICAÇÃO DE PESSOAS NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO. MANUTENÇÃO. Tratase de matéria sumulada pela Corte, obrigando aos seus membros a sua imediata aplicação, por força do artigo 72 do RICARF. Assim, e de acordo com a Súmula CARF 88, o CORESP, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribue responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR AUSÊNCIA PARTICIPAÇÃO SINDICATO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 48 /2 01 0- 13 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 A legislação de regência, Lei nº 10.101/2000, tem como condição sem a qual não ocorrerá a regularidade do PLR a participação do sindicato da categoria na comissão escolhida pelas partes, para aprovar o plano. No caso, não houve participação da entidade sindical nas negociações. PAGAMENTO EFETUADO A TÍTULO DE ABONO ÚNICO Abonos salariais únicos com caráter estritamente indenizatório não havendo substituição de eventual aumento salarial, está abarcada pelo art. 28, §9º, “e”, item 7, da Lei 8.212/91, não incidindo contribuição previdenciária. Pagamento de gratificação variável concedida pela Recorrente a seus empregados, não se trata de remuneração, considerando a sua eventualidade. No caso em exame, não há nenhum requisito para descaracterizar o abono único e fazer com que incida contribuição previdenciária sobre tal verba. sendo que há nos autos dispositivo prevendo referida verba e expressamente desvinculando do salário tendo em vista ser uma verba de caráter excepcional e transitório. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. CARÁTER REMUNERATÓRIO COMPENSANDO O TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A natureza do bônus de contratação tem limiar estreito, podendo configurar como de natureza remuneratória ou indenizatória. A voluntariedade e a compulsoriedade também revelamse caminho estreito para definir incidência ou não de contribuição previdenciária. O que determina a incidência são as peças dos autos, oriundo do comportamento das partes, ou seja, se um ou outro exigiu o ‘bônus de contratação’. Se exigiu, cai na vala dos comuns, se não exigiu não há incidência de contribuição previdenciária. No caso em tela e de acordo com as peças dos autos houve o pagamento compulsório, pelo fato de a própria Recorrente reconhecer que o pagamento que se realizou foi para atrair profissional de excelência para trabalhar com ela, ou seja, remunerar o trabalho pelo capital. DOS JUROS. INCIDÊNCIA DEVIDA ATUALIZAÇÃO. Quanto a cobrança de juros a Fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, sendo de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir as contribuições exigidas até a competência 05/2005, anteriores a 06/2005, nos termos do voto do relator; b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir as contribuições oriundas da rubrica abono único, nos termos do voto do Relator. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000648/201013 Acórdão n.º 2301004.355 S2C3T1 Fl. 3 3 MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado à constituição de crédito tributário previdenciário relativo às contribuições sociais devidas pela empresa à Seguridade Social, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho — GILRAT, bem como as contribuições destinadas à Terceiros, incidentes sobre as remunerações de seus segurados empregados (1) referente ao PLR – Participação nos Lucros e/ou Resultados, bem assim, o (2) bônus de contratação. Segundo o Relatório Fiscal a Recorrente teria deixado de incluir na base de cálculo das referidas contribuições previdenciárias calores pagos aos seus empregados a título de (1) abono único, referentes aos períodos de apuração de outubro/2005, (2) bônus de admissão, referente ao período de apuração de janeiro/2005 e (3) Programa de Participação nos Lucros e Resultados Próprios(PROPAR), referentes aos períodos de apuração de abril/2005. No que se refere ao PLR próprio da Recorrente, segundo a Fiscalização não possui assinatura do Sindicato, ou seja, não houve participação alguma de uma das partes envolvidas. No que tange ao Abono, afirma a Fiscalização que no caso em tela o valor bruto abono, rubrica 0038 da folha de pagamento da competência de outubro, foi pago aos empregados por mera liberalidade da empresa sem desvinculação de remuneração expressa em Lei. Quanto ao ‘Bônus de Contratação”, a fiscalização se ampara pelos mesmos fundamentos de que por a empresa ter efetuado o pagamento na competência de 01/2005, conforme a folha de pagamento, portanto a rubrica bônus de admissão por não estar expressamente desvinculada do salário por lei, integra o salário contribuição e é base de cálculo de contribuição previdenciária. Devidamente noticiada do lançamento, apressouse em impugnar, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 18 de abril de 2012 tomou ciência da decisão de piso e no dia 16 de maio do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo alegando:PRELIMINARES: a) decadência relativo ao período de apuração de janeiro/2005 e abril/2005; b) da indevida indicação de pessoas no Relatório de Vínculos anexo ao Auto de Infração. MÉRITO: i) não incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos de PLR PROPAR; ii) da não incidência de contribuição previdenciária sobre o abono único iv) da não incidência de contribuição previdenciária sobre bônus de contratação – É a síntese do necessário. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000648/201013 Acórdão n.º 2301004.355 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões. PRELIMINARES a) DECADÊNCIA RELATIVO AO PERÍODO DE JANEIRO/2005 E ABRIL/2005 Em sua peça recursiva alega a Recorrente que o lançamento efetuado no período de janeiro/2005 e abril/2005 está abarcado pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Defende que as contribuições previdenciárias lançadas são tributos que, por sua natureza, estão sujeitos ao lançamento por homologação. Alega ter efetuado um recolhimento parcial, impondo assim a aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, estando decadente o período de janeiro/2005 e abril/205. A decisão de piso alega que as competências abrangidas pelo presente AI (01/2005, 04/2005 e 10/2005) cuja lavratura se deram em 06/2010, não se encontram fulminadas pela decadência, isto porque não houve recolhimento em parte daquela exação. Tenho que a Recorrente é contribuinte geral, ou seja, de uma forma ou de outra ela contribui com a Previdência Social, ainda que seja de recolhimentos de exações de outras naturezas, e de outros fatos geradores, e, diferentemente da decisão de piso e da Fazenda Nacional, penso que não há necessidade de se ter recolhimento parcial de exações da mesma natureza ou do mesmo fato gerador para considerar o recolhimento em parte e aplicar o artigo 150, § 4º do CTN. Assim, se tivesse nos autos comprovante de recolhimento de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração do empregado, relativo a parte patronal e ou empregado, a definira como recolhimento em parte e aplicarselheia o artigo 150, § 4º do CTN. Isto é, inclusive, determinação da Súmula CARF 99, ‘in verbis’: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Para este Julgador, tenho a plena convicção que há recolhimento ainda que em parte para a Previdência Social, por parte da Recorrente, conforme corrobora os comprovantes juntados ao final dos autos, implicando em acompanhar a Súmula CARF 99, devendo ser reconhecida a decadência anterior a maio de 2005, inclusive. Com razão. b) DA INDEVIDA INDICAÇÃO DE PESSOAS NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Quanto a alegação de que seria indevida a indicação de pessoas no relatório de vínculos anexo ao auto de infração, acompanho e transcrevo a decisão de piso em seus fundamentos, 'in verbis': “Em outro giro, a impugnante também argumenta sobre o que denomina sem fundamento a imputação de corresponsabilidade pessoal aos administradores no presente auto de infração por eventual inadimplemento das contribuições previdenciárias lançadas, onde pleiteia pelo cancelamento do AI quanto a esse aspecto. 16.1. O entendimento da Impugnante é equivocado, tendo em vista que o fato dos administradores constarem Relatório de Vínculos do presente lançamento não significa solidariedade pelos valores levantados pela auditoria fiscal, pois somente a pessoa jurídica é que tem contra si o débito lançado. 16.2. Os citados nomes apenas figuram no relatório de vínculos, para o caso de que futuramente, venha a ser apurada responsabilidade por infrações à lei previdenciária, ou violação ao contrato social, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, que dispõe, in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 16.3. Desta forma, a relação de representantes legais anexada pela fiscalização não tem como escopo incluir os sócios ou as pessoas vinculadas da empresa no pólo passivo da obrigação tributária; mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo e permitir que se cumpra o quanto estabelecido no inciso I do § 5º do art. 2º da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, que dispõe “Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter; I – o nome do devedor, dos corresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros;” 16.4. Assim, os administradores da autuada podem ser responsabilizados apenas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento destes só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o § 3º do art. 4º da citada Lei nº 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. Dessa forma, essa discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, caso sejam convocados para o pagamento do crédito. 16.5. Destarte, não se configura oportuno excluir os administradores do relatório de vínculos nesta fase processual, sendo que suas responsabilidades serão apuradas no momento do eventual redirecionamento da execução fiscal.” Fl. 388DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000648/201013 Acórdão n.º 2301004.355 S2C3T1 Fl. 5 7 De mais a mais, peço vênia ao Recorrente, mas trata também de matéria sumulada, cujo teor dela faço o meu julgamento. Vejamos: Súmula CARF nº 88: Relação de CoResponsáveis CORESP, o ´Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desta forma, não cabe, neste momento processual discussão quanto a legalidade ou não da relação de coresponsáveis, até porque, serve ela somente como referência , não atribuindo responsabilidade aos nela indicados. Sem razão. QUESTÕES DE MÉRITO i) NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE PAGAMENTOS DE PLR – AUSÊNCIA PARTICIPAÇÃO SINDICATO A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, cuja redação à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos,escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN) II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 ... § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal, verifica se que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregarlhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador/investidor. Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burlar à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, São dois os procedimentos previstos pela lei para a celebração de acordo sobre PLR: comissão escolhida entre as partes e convenção ou acordo coletivo. Neste último, é fora de dúvida que haverá a participação do sindicato, pois é exigência do art. 611 da CLT. No primeiro, a lei determina que a comissão escolhida pelas partes será “integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria”. A expressão “também” não pode ser interpretada aqui como uma possibilidade, e sim como uma exigência adicional, pois somente assim estaríamos garantindo que a finalidade da norma imunizante e de sua regulamentação no sentido de harmonizar as relações capital e trabalho seja atingida. As tratativas diretas entre empregados e patrão sem a intermediação do sindicato são permeadas pelo temor pelo emprego, o que retira do trabalhador a vontade livre e espontânea de suas manifestações. A repetição desses eventos pode agravar as relações capital e trabalho, ao invés de contribuir para a sua harmonização. A manifestação a posteriori do sindicato, ou o envio para sua ciência, não tem o condão de suprir tal omissão, pois as tratativas que antecederam a assinatura do acordo já estão maculadas. Assim, quando o empregador optar pela comissão escolhida entre as partes como procedimento para negociar a PLR, deve assegurar que haja participação do representante sindical durante as tratativas. No caso, não houve participação da entidade sindical nas negociações. Ao contrário, no Recurso Voluntário, a Recorrente afirma na fl. 26, que o plano de PLR feito por outra empresa do mesmo grupo seria suficiente para abarcar o plano da Recorrente. Tendo em vista que o plano feito pela IBI PROMOTORA há a participação do sindicato. Ao meu ver tal alegação não merece amparo, tendo em vista que o plano de PLR elaborado pela, ora, Recorrente, BANCO IBI, o representante sindical estava ausente. Sem a participação do sindicato durante as negociações, fato incontroverso. Sem razão a Recorrente. II) DO PAGAMENTO EFETUADO A TÍTULO DE ABONO ÚNICO Fl. 390DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000648/201013 Acórdão n.º 2301004.355 S2C3T1 Fl. 6 9 No meu sentir, não incidem contribuições sobre os abonos salariais únicos com caráter estritamente indenizatório, notadamente porque demonstrado nos autos que não há no caso substituição de eventual aumento salarial. De maneira que a parcela está abarcada pelo art. 28, §9º, “e”, item 7, da Lei 8.212/91. No que diz respeito a gratificação variável concedida pela Recorrente a seus empregados, entendo que não se trata de remuneração, considerando a sua eventualidade. O art. 201 a Carta magna prevê como a previdência social será organizada e sobre quais valores haverá incidência da contribuição social, sendo que nesse dispositivo ele trata dos ganhos habituais que serão considerados como base de cálculo. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Como se constata da leitura do art. 201 da CF/88 a constituição considera como base de cálculo da contribuição os ganhos habituais. Nesse campo, a habitualidade é um dos elementos fundamentais para se determinar se o pagamento feito deve ou não ser considerado como salário e como tal, ser computado para fins de contribuição previdenciária. Mas o que é habitualidade? Habitualidade, conforme o Dicionário Aurélio, é o que ocorre de maneira comum, freqüente, ainda que de maneira espaçada, tudo aquilo que “se faz, ou que se sucede por hábito, comum, vulgar, freqüente, usual”. O conceito contrasta com o ganho eventual que, conforme a mesma obra, é algo que depende de acontecimento incerto, casual, fortuito, acidental. De tal forma, numa relação de trabalho pode haver, além dos pagamentos contratuais, pagamentos eventuais e aleatórios, o que torna essencial considerar a natureza jurídica de cada um para fazer incidir ou não o tributo. No caso em exame, não há nenhum requisito para descaracterizar o abono único e fazer com que incida contribuição previdenciária sobre tal verba. Na fl. 57, §1º há disposição prevendo referida verba e expressamente desvinculando do salário tendo em vista ser uma verba de caráter excepcional e transitório. Com razão a Recorrente. II) DA NÃO INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA EM BÔNUS DE CONTRATAÇÃO A Recorrente, em outros termos, alega que o denominado hiring bonus não possui natureza remuneratória, pois é um valor que ela oferece ao funcionário de destaque de outra empresa como forma de atrativo para sua contratação, estimulandoo a sair do emprego anterior. Há de se trazer à lume que o pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus, é utilizado em grande escala pelas empresas, numa tentativa de atrair grandes profissionais, mormente no setor bancário. Entretanto, não é habitual e extensivo à todos, pois, repise, isto é uma forma de superar a concorrência, trazendo para si aquele profissional de destaque desejado, sendo tão somente ele o contemplado com o benefício. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 Desta forma, há uma grande e ostensiva divergência no ordenamento jurídico se ela trata de uma forma de remuneração e ou salário ou de indenização. E, neste sentido, em regra, tenho que os valores pagos a título de bônus de contratação não devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso I, do artigo 28, da Lei 8.212/91, eis que não se afigura o bônus de contratação como decorrente de prestação de serviços, ao contrário, é em verdade um prêmio, uma indenização, porque, o contratante indeniza o profissional para ele pedir para sair da outra empresa, como se estivesse sendo indenizado por rompimento contratual de trabalho sem justa causa. E, nesta seara, a indenização trabalhista não é passível de incidência. ‘Vide’ legislação em comento que trata do assunto: Lei 82.12/91 Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Veja, analisando a legislação que trata da Previdência Social não nos deixa dúvida que incidirá contribuição previdenciária toda remuneração auferida mensalmente, compreendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, destinados a retribuir o trabalho. Já a legislação trabalhista, em seu caput do artigo mencionado, vêse que há uma distinção entre salário e remuneração, onde o primeiro é a contraprestação devida diretamente ao empregado pelo seu labor, e, o segundo é o resultado final do primeiro mais os adicionais que visem compensar o seu labor. Entretanto, toda legislação previdenciária e trabalhista não tratam do ‘bônus de contratação’, definindoo como remuneração e ou indenização, razão pela qual me pauto no ‘hiring bonus’ como uma gorjeta que o empregador dá ao empregado como uma forma atrativa para têlo em seu quadro de funcionários. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000648/201013 Acórdão n.º 2301004.355 S2C3T1 Fl. 7 11 A Corte Suprema Trabalhista divide a gorjeta em duas naturezas, sendo uma de natureza compulsória e voluntária, e, na primeira, para efeitos de direitos trabalhistas é computada como remuneração e na segunda não, o que podemos como traduzir como verba de indenização. Veja Súmula 354 do TST: Súmula TST nº 354 GORJETAS. NATUREZA JURÍDICA. REPERCUSSÕES . As gorjetas, cobradas pelo empregador na nota de serviço ou oferecidas espontaneamente pelos clientes, integram a remuneração do empregado, não servindo de base de cálculo para as parcelas de avisoprévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. Desta forma, como o ordenamento jurídico nacional mostrase ausente de dispositivo que dê natureza ao ‘bônus de contratação’, analisando o posicionamento do TST – Tribunal Superior do Trabalho e assemelhandoo como uma gorjeta, tenho que ele pode ser compulsório e voluntário. A voluntariedade e a compulsoriedade revelase no comportamento das partes, ou seja, se um ou outro exigiu o ‘bônus de contratação’. Se exigiu recaí nele as verbas trabalhistas e as contribuições previdenciárias, se espontâneo não recai as verbas trabalhistas e não incide contribuição previdenciária. No caso em tela e de acordo com as peças dos autos, vejo que houve o pagamento compulsório, pelo fato de a própria Recorrente reconhecer que o pagamento que se realizou foi para atrair profissional de excelência para trabalhar com ela. Isto implica que foi uma remuneração para compensar o trabalho, implicando em verba remuneratória, incidindo contribuição previdenciária. IV) DOS JUROS Sobre o método de cálculo dos juros devidos, sobre as contribuições devidas e não recolhidas em época própria, temse que estava expressamente prevista na legislação previdenciária, até a competência 11/2008, no artigo 34 da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, a seguir transcrito: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Acrescentese que a MP 449/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, revogou o artigo 34 da Lei 8.212/91, e transferiu ao artigo 35 da própria Lei 8.212/91, em sua nova redação, a determinação quanto à multa e juros de mora a serem acrescidos às contribuições previdenciárias pagas em atraso; este, por sua vez, remete ao artigo 61 da Lei 9.430, de 27/12/1996, que, no seu parágrafo 3º, define que os juros de mora serão aplicados à taxa SELIC a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento: Lei 8.212/91 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 12 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de2009). (...) Lei 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) E conforme o anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, às fls. 19/20, os juros foram calculados estritamente de acordo com a legislação vigente à época, não havendo que se falar em forma diversa de cálculo: 602 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS 602.07 Competências : 01/2005, 04/2005,10/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 34 (restabelecido com a redação dada pela MP n. 1.571, de 01.04.97, art. 1., e reedições posteriores até a MP n. 1.5238, de 28.05.97, e reedições, republicada na MP n. 1.59614, De 10.11.97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10.12.97); Regulamento da Organização do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 58 , 1 , "a", "b", "c", parágrafos 1., 4. e 5. e art. 6 1 , parágrafo único; Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.1999, art. 239, II, "a", "b" e "c", parágrafos 1., 4. e 7. e art. 242, parágrafo 2.; CALCULO DOS JUROS: JUROS CALCULADOS SOBRE O VALOR ORIGINÁRIO, MEDIANTE A APLICAÇÃO DOS SEGUINTES PERCENTUAIS: A) 1% (UM POR CENTO) NO MES SUBSEQUENTE AO DA COMPETÊNCIA; B) TAXA MEDIA MENSAL DE CAPTAÇÃO DO TESOURO NACIONAL RELATIVA A DIVIDA MOBILIARIA FEDERAL / TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E DE CUSTODIA SELIC, NOS RESPECTIVOS PERÍODOS; C) 1% (UM POR CENTO) NO MES DO PAGAMENTO. Cabe observar também que os juros não têm caráter punitivo, apenas representam uma indenização pelo inadimplemento da obrigação tributária. O juro tem caráter remuneratório do capital do Estado que está em poder do contribuinte, em virtude do não pagamento do tributo na época devida. O não pagamento de tributo não pode resultar em vantagem financeira ao contribuinte, que não pode ser beneficiado com vantagens na aplicação de seu capital no mercado financeiro, em detrimento dos cofres públicos e daqueles que pagam pontualmente seus tributos. É de se ressaltar, ainda, que a empresa não logrou comprovar, em sua defesa, a inocorrência dos fatos geradores objeto deste AI, de modo que, sendo mantido o lançamento, devem ser Fl. 394DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 16327.000648/201013 Acórdão n.º 2301004.355 S2C3T1 Fl. 8 13 mantidos, conseqüentemente os acréscimos legais (multa e juros) incidentes sobre os valores originais das contribuições lançadas. Pelo exposto, a Fiscalização cumpriu estritamente as disposições legais vigentes, e cabe ressaltar que se trata de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, não havendo que se falar em improcedência do Auto de Infração em epígrafe, nem em alteração dos cálculos dos juros aplicados. Assim, também não assiste razão a Recorrente, pois não houve lançamento de juros sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento o 'Abono Único' e aplicar a Súmula CARF 99, e amparado no disposto no Artigo 150, § 4º do CTN, pela decadência, excluir do lançamento o período anterior a maio de 2005, inclusive. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 395DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 13709.001206/2004-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
Ementa:
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC (art. 62-A do RICARF) .
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado).
Nome do relator: Carlos André Ribas de Mello, Relator.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF) . Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Vencidos os Conselheiros DAYSE FERNANDES LEITE (Relatora), JIMIR DONIAK JUNIOR (suplente convocado) e RICARDO ANDERLE (suplente convocado), que proviam o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 12 06 /2 00 4- 63 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Odmir Fernandes (suplente convocado), Ricardo Anderle (suplente convocado). Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13709.001206/200463 Acórdão n.º 2202002.827 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório JOSÉ CARLOS NASCIMENTO, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 495.126.507 97, com domicílio fiscal na cidade de Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Estrada do Rio Jequia, n.º 34, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 41/43, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 57/67. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 05/04/2004, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 16/28), com ciência pessoal, em 18/05/2004 (fl. 30), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 7.379,18 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2002, correspondente ao anocalendário de 2001. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2002, onde a autoridade fiscal lançadora constatou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física,decorrentes de trabalho com vinculo empregatício, da Cigna Seguradora Ltda. – Rendimentos recebidos R$ 88.356,59, já descontados os honorários advocatícios e IRF no valor de R$ 12087,66. Infração capitulada nos arts. 1º ao 3º e art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988; arts. 1º ao 3º, da Lei nº 8.134, de 1990; arts. 1º, 3º, 5º, 6º, 11 e 32, da Lei nº 9.250, de 1995; e art. 21 da Lei nº 9.532, de 1997. Observase, ainda, restou claro, nos autos, que o interessado percebeu juros de mora, incidentes sobre diversas parcelas (tributáveis e não tributáveis), na monta de R$ 50.535,83, mas que deixou de ser tributada. O valor bruto apontado naquela planilha (R$ 89.896,37) dividido pelo subtotal bruto (R$ 39.360,54), com o quociente aproximado de 2,284, permite a apuração dos rendimentos tributáveis de R$ 70.347,01, consistente na multiplicação do quociente por R$ 30.799,92 (valor tributável informado por Cigna Seguradora S/A — DIRF de fl. 40), que representa as horas extras (R$ 24.136,77), os reflexos salariais (R$ 6.034,59) e o 13° salário proporcional (R$ 628,56), indicados à fl. 22, deixandose, acertadamente, de se incluir as parcelas não sujeitas à tributação, como: aviso prévio (R$ 942,85), férias proporcionais + 1/3 (R$ 1.466,65) e FGTS + multa (R$ 6.151,12). Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 11/06/2004, a sua peça impugnatória de fls. 01/02, instruído pelos documentos de fls. 03/05, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, no argumento de que por ter sido autuado em decorrência de recalculo de multa declaratória ano base 2001, valor de R$ 46.347,01. Referese a que? Anexos; Cópias de Recibos Advocatícios. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG, concluíram pela procedência do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: · que de inicio, esclareçase que a competência desta Delegacia para o julgamento do presente processo encontrase firmada pela Portaria SRF n. 406/2007, de 03 de abril de 2007, publicada no DOU de 04 de abril de 2007; · que a impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela se toma conhecimento; · que indaga o autuado acerca do valor de R$ 46.347,01, no caso estampado no demonstrativo de fl. 17 como alteração da base de cálculo decorrente de infração. No exame dos fólios que compõem os autos, verificase que a citada importância correspondeu à omissão de rendimentos apurada pela Fiscalização no confronto entre o valor declarado pelo contribuinte e aquele que se extrai como recebido, em face do processo n. 1743/93, que tramitou na 51ª VT/RJ, conforme "resumo das parcelas acordadas", à fl. 22; · que no indigitado resumo, restou claro que o interessado percebeu juros de mora, incidentes sobre diversas parcelas (tributáveis e não tributáveis), na monta de R$ 50.535,83, mas que deixou de ser tributada. O valor bruto apontado naquela planilha (R$ 89.896,37) dividido pelo subtotal bruto (R$ 39.360,54), com o quociente aproximado de 2,284, permite a apuração dos rendimentos tributáveis de R$ 70.347,01, consistente na multiplicação do quociente por R$ 30.799,92 (valor tributável informado por Cigna Seguradora S/A — DIRF de fl. 40), que representa as horas extras (R$ 24.136,77), os reflexos salariais (R$ 6.034,59) e o 13° salário proporcional (R$ 628,56), indicados à fl. 22, deixandose, acertadamente, de se incluir as parcelas não sujeitas à tributação, como: aviso prévio (R$ 942,85), férias proporcionais + 1/3 (R$ 1.466,65) e FGTS + multa (R$ 6.151,12); · que identificada a importância passível de tributação, em razão da demanda judicial comentada, ou seja: R$ 70.347,01, a simples exclusão dos honorários advocatícios (parágrafo único do art. 56 do RIR/1999), os quais, conforme os elementos de fls. 3/5, indicaram o valor de R$ 24.000,00, dimensionam a omissão de rendimentos de R$ 46.347,01 (R$ 70.347,01 — R$ 24.000,00). A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. JUROS DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O imposto sobre a renda, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, incide inclusive sobre juros e atualização monetária. Lançamento Procedente. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13709.001206/200463 Acórdão n.º 2202002.827 S2C2T2 Fl. 4 5 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/10/2007, conforme Termo constante a fls. 41/43, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (27/05/2008), o recurso voluntário de fls. 57/67, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: · que tal instituição se deu através do Código Tributário Nacional, onde restou estabelecido que sempre que determinado contribuinte auferir renda ou provento de qualquer natureza será tributado; · que de acordo com o Art. 43, do Código Tributário Nacional, renda seria o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Já proventos de qualquer natureza seriam os acréscimos patrimoniais não compreendidos entre aqueles derivados do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; · que frente a tal entendimento, não resta dúvida concluir que o fato gerador o imposto sobre a renda ou provento de qualquer natureza é todo acréscimo patrimonial angariado pelo contribuinte; · que por seu turno a decisão combatida, ao corroborar com a autuação, esclarece a metodologia aplicada para identificar a base de cálculo complementar do IR e das multas lançadas no auto de infração, evidenciando que se pretende tributar quantia auferida em decorrência dos juros moratórios, o que é inconcebível; · que por isso, não deve prosperar o entendimento de que deve haver a incidência do imposto de renda sobre a inteireza do valor pago na reclamatória, posto que, em boa parte dele, e principalmente no caso dos juros moratórios, há nítido caráter indenizatório de algumas verbas, as quais devem ser excluídas dos valores tidos como base para cálculo do imposto a ser recolhido; · que portanto, uma vez recolhido imposto de renda sobre as parcelas de natureza salarial pagos na reclamatória trabalhista tombada sob o nº 1743/9351 a, não há que se falar em sonegação fiscal, pois juros moratórios não estão associados ao conceito de acréscimo patrimonial, mas apenas reposição daquilo que deixou de ganhar ao longo do tempo; O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2202000.360, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. No presente caso, o auto de infração objeto deste processo versa sobre a incidência do imposto de renda de pessoa física em decorrência do recebimento de rendimentos acumulados, por força de decisão judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99. No que tange aos rendimentos decorrentes de verbas trabalhistas recebidas no anocalendário de 2001, no valor de R$ 46.347,01, compulsando os autos, verificase que a fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, aplicou a tabela progressiva anual relativa ao anocalendário 2001 sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente, utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O C. Superior Tribunal de Justiça, em recursos repetitivo representativo da controvérsia, submetido ao regime do art. 543C do CPC, no REsp n° 1.118.429SP, fixou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008 (STJ, 1ª Seção, REsp 1.118.429/SP,rel. Min. Herman Benjamin, j., em 24.03.2010, destacamos). Em síntese, estabeleceu o C. STJ que os rendimento acumulados devem ser tributados “...com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos...”, vale dizer, pelo regime de competência e não regime de caixa, como fez a autuação. Importa ressaltar que o julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem Fl. 125DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13709.001206/200463 Acórdão n.º 2202002.827 S2C2T2 Fl. 5 7 observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Esse entendimento do C. STJ, no REsp n° 1.118.429SP, submetido ao regime do art. 543C do CPC, é de aplicação obrigatória por esta Conselheira, conforme dispõe o art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27.08. 2009 e 586, de 21.12.2010. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Justifica tratar se de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Anoto que ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO– O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, Fl. 126DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário:2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICO CONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Face ao reconhecimento da nulidade do lançamento, prejudicadas as demais argumentações apresentadas em sede de Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 127DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13709.001206/200463 Acórdão n.º 2202002.827 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Cuidam os presentes autos de lançamento efetuado sobre verbas recebidas acumuladamente. Pois bem, no tange aos rendimentos recebidos acumuladamente, a autoridade lançadora aplicou à espécie o art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009), determinou que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil (CPC). Vejase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o Superior Tribunal Justiça (STJ) ao apreciar o Resp nº 1.118.429/SP, na sistemática regime do art. 543C do CPC, assim determinou: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Do exposto, verificase que o Resp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Nesse caso, devese aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 129DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/01/201 5 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 19647.008246/2005-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/02/2005, 20/02/2005, 28/02/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA.
Improcede a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando o lançamento toma como referência data em que ainda não se havia configurado a infração.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-002.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente substituto e relator
Participaram ainda do julgamento os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, Maria Aparecida Martins de Paula, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes, Fenelon Moscoso de Almeida e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/02/2005, 20/02/2005, 28/02/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Improcede a aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando o lançamento toma como referência data em que ainda não se havia configurado a infração. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente substituto e relator Participaram ainda do julgamento os conselheiros João Carlos Cassuli Júnior, Maria Aparecida Martins de Paula, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes, Fenelon Moscoso de Almeida e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório O estabelecimentomatriz de FREVO BRASIL INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA., localizado em RecifePE, teve lavrado contra si o Auto de Infração de fls. 5 e 6 para aplicação da penalidade cominada no art. 38 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 82 46 /2 00 5- 75 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN 2 agosto de 2001, para a falta de instalção de medidor de vazão e conditivímetro, obrigação acessória instituída pelo art. 36 da mesma MP. A exação montou a R$ 261.373.23. Em impugnação, fls. 147 a 154, o autuado combateu a penalização, alegando dificuldades técnicas e financeiras para a instalação dos equipamentos no prazo estabelecido. A 5ª Turma da DRJ/REC julgou o lançamento procedente. O Acórdão n° 11 24.000, de 08 de outubro de 2008, fls. 313 a 319, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 10/02/2005, 20/02/2005, 28/02/2005 ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DE PRODUTOS CLASSIFICADOS NAS POSIÇÕES 2202 E 2203. SISTEMA MEDIDOR DE VAZÃO. OBRIGATORIEDADE. DISPENSA QUANDO A PRODUÇÃO OU O FATURAMENTO FOR INFERIOR AO DETERMINADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Os estabelecimentos industriais dos produtos^ classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficarão sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal (art. 36 da MP n.° 2.15835/2001). Na forma do art. 5o do ADE COFIS n° 20, de 01/10/2003, somente ficaram dispensados d^a instalação do Sistema Medidor de Vazão SMV os estabelecimentos envasadores pertencentes à empresa, cuja capacidade instalada de produção anual seja inferior a 5 (cinco) milhões de litros, computadas as capacidades das respectivas filiais, pessoas jurídicas associadas, coligadas, controladas e controladoras. Lançamento Procedente Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/REC. O arrazoado de fls. 333 a 337, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as alegações já oferecidas na impugnação, insistindo em que se deveria ter procedido a uma verificação da situação financeira da empresa ates de autuála. Pede provimento. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 333 a 337 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC5ª Turma nº 11 24.000, de 08 de outubro de 2008. Como é de sabença, os estabelecimentos industriais fabricantes dos produtos classificados na posição 2202 e 2203 da TIPI estavam obrigados a instalar, até 21/01/2005, os equipamentos de que trata o art. 36 da MP n° 2.15835, de 2001 (medidor de vazão e Fl. 369DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN Processo nº 19647.008246/200575 Acórdão n.º 3402002.710 S3C4T2 Fl. 369 3 condutivímetro). O contribuinte, fabricante de cervejas, incontestavelmente, não cumpriu a obrigação acessória. Liminarmente, rejeito a procedência do argumento recursal de que a sujeição à penalidade pelo descumprimento restaria infirmada quando o estabelecimento industrial não se apresentasse com condições financeiras para arcar com o custo da instalação do SMV. Invoco, nesse sentido, os fundamentos da decisão recorrida. Contudo, em que pese a debilidade de sua defesa, o contribuinte terá melhor sorte. Conforme relatado, a obrigação acessória foi instituída pelo art. 36 da MP n° 2.15835, de 2001, que remeteu sua regulamentação à SRF. Esta, então, editou a Instrução Normativa SRF n° 265, de 20 de dezembro de 2002, que atribuiu à CoordenaçãoGeral de Fiscalização COFIS o dever de regulamentar as condições de funcionamento, bem assim as características técnicas e de segurança dos equipamentos; os procedimentos para homologação e credenciamento dos equipamentos e respectivos fabricantes dos mesmos; os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficarão obrigados à instalação dos equipamentos. Instituiu ainda o prazo de seis meses, contados da data de homologação dos equipamentos, para início de uso dos equipamentos. A matéria referente à forma, às condições e aos prazos para a instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros foi, portanto, deslegalizada. Em 01 de outubro de 2003, a COFIS publicou o Ato Declaratório Executivo Cofis n° 20, disciplinando a matéria. Contudo, posteriormente, a Instrução Normativa SRF n° 287, de 21 de dezembro de 2005, revogou a INSRF n° 265, de 2002, e o Ato Declaratório Executivo Cofis n° 13, de 13 de março de 2006, revogou o AD(E) Cofis n° 20, de 2003. Sucederam ainda o AD(E) Cofis n° 23, de 2007, e o AD(E) Cofins n° 01/2010. Esse conjunto normativo definiu que cabe ao contribuinte o ato de provocação para o início dos procedimentos de instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros. Retornado aos autos, é fato incontroverso que o recorrente ficou inerte quanto ao processo de instalação dos equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, configurando a falta ou retardamento culposo na instalação de equipamentos medidores de vazão desde 30/06/2008, prazo final dado pelo artigo 4º, inciso II, do ADE Cofis n° 13, de 2006, com as alterações promovidas pelo ADE Cofis n° 23, de 2007, para os estabelecimentos como o autuado, com capacidade instalada de produção anual de 32.832.300 litros. O Auto de Infração, no entanto, mesmo tendo sido lavrado em 10/08/2009, adotou como referência a data de 21/01/2005, estabelecida pelo AD(E) n° 20, de 2003, e tomou como base de cálculo da penalidade o valor comercial dos produtos saídos do estabelecimento nos períodos de apuração de fevereiro de 2005. Nessa data, em face da legislação mais benigna superveniente, ainda não havia se configurado a mora do contribuinte na prestação da obrigação acessória. Assim, com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente a aplicação da penalidade. Sala de sessões, em 19 de março de 2015 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN 4 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910103/2012-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 10 3/ 20 12 -3 6 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 296DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 298DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 299DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910103/201236 Resolução nº 3801000.894 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 300DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 27/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720641/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA.
Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente.
A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos.
Numero da decisão: 1202-001.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração para rejeitá-los, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 7 1 6 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.720641/200715 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202001.246 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e outros Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado EMVIPOL EMPRESA DE VIGILANCIA POTIGUAR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os embargos de declaração visam ao saneamento de vícios existentes no voto, sendo inviável qualquer análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influa na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos de declaração para rejeitálos, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Guilherme Adolfo de Santos Mendes, Valmar Fônseca Menezes, Geraldo Valentim Neto, Marcelo Baeta Ippólito, Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 06 41 /2 00 7- 15 Fl. 992DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 2 Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, fls. 986 a 988, em que a Fazenda Nacional alega CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 120200.840, proferido pela 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento, fls. 965 a 679, no qual, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidiram negar provimento ao recurso de ofício, tendo a seguinte ementa: Assunto: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA Anocalendário: 2001, 2002 Para a caracterização de omissão de receita a partir dos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, o titular deve ser regularmente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ante a falta dessa intimação, não cabe ao Fisco lançar o imposto com base na presunção legal de omissão de receitas caracterizada por "depósitos bancários de origem não comprovada". LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, PIS/FATURAMENTO E COF1NS. A tributação reflexa deve, em relação ao respectivo Auto de infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Anocalendário: 2001, 2002 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO/SEM CAUSA: Descabe o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte quando não houver a prova material dos pagamentos sem causa ou de operações não comprovadas. A dúvida não pode vicejar sobre o pressuposto material da hipótese de incidência — o pagamento, a saída de numerário da empresa — sobre o qual a Fiscalização tem o ônus probandi. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Em suas alegações, a Embargante aduziu que no acórdão embargado houve uma contradição entre o fundamento e a conclusão do voto, uma vez que o relator fundamentouse no conteúdo da Súmula nº 29 do CARF, sendo que esta levaria à anulação dessa parte do lançamento por vício de forma. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 1202001.246 S1C2T2 Fl. 8 3 Mais precisamente na seguinte passagem do acórdão ora combatido: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precode à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento”. Tendo, portanto, o acórdão sido contraditório entre o fundamento e a conclusão do voto. Argumentou que segundo análise do art. 173, II do CTN, o prazo decadencial não se esgotou em relação aos contribuintes autuados, pois o novo lançamento segundo o art. 42, §6º da Lei nº 9.430/96 pode abranger apenas o valor que lhes compete, ou seja, aquele proveniente da divisão entre a totalidade de titulares das contas bancárias. Para a Embargante o fato de o Acórdão ter mantido o cancelamento do lançamento do IRRF, sob alegação de que não ficou demonstrada a prática do fato gerador por falta de instrução suficiente no processo, também incorre em contradição, pois o argumento ligado à imprecisão na descrição dos fatos atribuídos ao sujeito passivo, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não o seu cancelamento. Além destes questionamentos abordados acima, a Embargante colacionou jurisprudências do CARF buscando corroborar suas alegações, afirmando que o lançamento teria sua nulidade derivada de vício formal, assim como as ementas que traz aos autos. Por derradeiro, alega ser indispensável o saneamento da questão para que não haja prejuízo ao disposto no art. 173 do CTN, mais precisamente seu inciso II. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Conforme relatado a Embargante alega contradição no Acórdão de nº 120200.840, de fls. 965 a 979, o qual negou provimento ao Recurso de Ofício. Tratamse de Autos de Infração para exigência do crédito tributário referente aos anoscalendários de 2001 e 2002 da ora Embargada. Os referidos Autos são decorrentes de fiscalização efetuada a partir da constatação de omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação de depósitos bancários. Conforme citado alhures, a Embargante alega contradição no Acórdão discutido, primeiramente no momento em que o relator utilizase da Súmula 29 do CARF para fundamentar sua decisão. Entretanto, conforme se destaca, há existência de vício procedimental que afeta toda a fiscalização realizada. Isso porque, consoante já amplamente referido pelos julgadores da DRJ, não houve a regular intimação do contribuinte. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 4 Desde logo, por ser fato de fundamental importância para a correta compreensão do caso em análise, é preciso destacar a existência da Súmula CARF Nº.: 29, cujo teor a seguir se reproduz. “Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.”. Ainda neste sentido, necessário destacar o disposto na Lei Nº. 9.430, de 1996, que em seu artigo 42 assim determina: "Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, reffidarmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei n°10.637, de 2002). Consoante se verifica pelo anteriormente reproduzido, a Lei 9.430, exige expressamente que a Autoridade Fiscal, ao presumir como omissão de receita valores depositados em determinada conta bancária, proceda à prévia intimação de seu titular, para que Fl. 995DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 1202001.246 S1C2T2 Fl. 9 5 possa, em atenção ao seu próprio interesse e com provas idôneas, demonstrar a origem dos recursos depositados. No caso presente a fiscalização deixou de atuar da maneira como lhe determinam às normas que regem a matéria. Isso porque, ao concluir que o Sr. Rosimiro não era o efetivo titular da conta mantida com a Caixa Econômica Federal, identificando como titulares de fato pela referida conta corrente as seguintes pessoas EMVIPOL EMPRESA DE VIGILÂNCIA POTIGUAR LTDA; TALENTO CONSTRUÇÕ S E SERVIÇOS LTDA; HMG INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS; OLIMPO RECEPÇÕES, EVENTOS CULTURAIS E ARTISTICOS LTDA; MARINO EUGÊNIO DE ALMEIDA E HERBERTH FLORENTINO GABRIEL, a fiscalização deveria ter citado cada uma destas pessoas para que apresentassem as justificativas concernentes à cada um dos depósitos efetuados na referida conta. Entretanto, ainda que a determinação legal seja esta a que há pouco nos referimos, a Autoridade Fiscal optou por uma intimação parcial, pois, optou por escolher alguns poucos depósitos, exigindo dos titulares de fato da referida conta explicações apenas com relação a esta “amostragem”, intuindo, à partir desta apuração parcial estender o raciocínio a todos os outros depósitos realizados no período indicado no Auto de Infração. Há, portanto, vicio formal no lançamento, ou seja, erro de procedimento, uma vez que a Fiscalização deveria ter intimado a todos e não o fez. Tal vício de forma maculou de maneira irremediável o lançamento de ofício. A apresentação de claro vício formal, sana qualquer alegação de contradição que alega existir a Embargante. Referente ao IRRF, a Embargante alega haver também contradição no Acórdão prolatado. Ora, tal alegação não comporta base probatória, uma vez que sequer se trata de vício formal, pois nesse ponto se discute prova material, ou mais especificamente, a falta destas provas, não se tratando, portanto de vício no procedimento. Com o nascimento do fato gerador, natureza da constituição tributária, se faz necessário a prova do pagamento, que é pressuposto material do fato gerador. O ônus da prova era da fiscalização, que não cumpriu com aquilo que lhe competia, portanto sequer aplicamse os acórdãos colacionados pela Embargante no caso em tela, uma vez que é evidente falta de prova direta, acarretando vício no lançamento, bem como vício na base de cálculo tributável. A este respeito, indispensável a reprodução do comando normativo contido no artigo 61 e seu parágrafo primeiro, da Lei 8.981 de 1995. “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. §1º. A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como na hipótese de que trata o § 2° do art. 74 da Lei 8.383/91." Fl. 996DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO 6 Oportuno é destacar o fato de que a norma retro transcrita traz como premissa inicial para a sua aplicação a necessidade de existência de um pagamento. Dizer isto é reconhecer que o pressuposto material da norma indicada é a inarredável necessidade da ocorrência de um pagamento, que deverá ser feito à pessoa não identificada. Este é o comando contido do caput do artigo 61 da indigitada lei. Pois bem, a referida norma, em seu parágrafo primeiro, traz, ainda, a previsão de outras duas situações nas quais a aplicação da referida alíquota está prevista, são elas: “aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa”. Como se verifica, a referida norma jurídica, traz em si um rol taxativo das situações fáticas nas quais o Imposto de Renda na fonte deverá ter alíquota de 35% que foi a empregada pela Autoridade Fiscal. O que se observa no caso presente é que a Autoridade Fiscal não logrou êxito em comprovar a existência de pagamentos. O que fez a fiscalização, isto sim, foi presumir a ocorrência dos pagamentos e à partir dessa presunção aplicar a alíquota prevista na indigitada lei. Ora, se a Autoridade Fiscal, como já se disse, não comprovou a ocorrência de pagamentos, que é o pressuposto material para a aplicação da norma aplicável. Assim, a inevitável conclusão a que se chega é de que não ocorreu a regular intimação do contribuinte, fato que faz com que haja um vício insanável material. Tal realidade processual redunda na impossibilidade de manutenção do lançamento realizado. Segundo Araken de Assis em seu Manual dos Recursos, 2ª edição, página 612: A contradição decorre da existência de proposições inconciliáveis entre si nos elementos do provimento e de um elemento em relação ao(s) outro(s). As proposições inconciliáveis consistem na afirmação e na negação simultâneas de algo. Elementos do provimento, para esse efeito, são o relatório, a motivação e o dispositivo. A mecânica de formação do julgamento colegiado, nos tribunais, espelhada posteriormente no acórdão, encimado pela ementa, introduz novos elementos passíveis de comparação, e, portanto, de contradição. No direito anterior já se admitia, e com razão, contradição entre o resultado do julgamento, proclamado pelo presidente da sessão, e o ulterior acórdão, e entre os votos proferidos e o resultado proclamado. Cássio Scarpinella Bueno em seu Curso Sistematizado de Direito Processual Civil, dissertado sobre os Embargos de Declaração, capítulo 8, página 196, afirma que: Os embargos de declaração são o recurso cabível de qualquer decisão jurisdicional que se mostre obscura, contraditória ou que tiver omitido questão sobre a qual seu prolator deveria ter se pronunciado. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10469.720641/200715 Acórdão n.º 1202001.246 S1C2T2 Fl. 10 7 A contradição é a presença na decisão de conclusões inconciliáveis entre si. É indiferente que a contradição se localize na parte decisória (o “dispositivo” da sentença) propriamente dita ou na motivação. O que importa para fins de cabimento dos embargos de declaração é que a concomitância de idéias inconciliáveis também influi na intelecção da decisão, comprometendo, consequentemente, a produção de regulares efeitos. Nesse sentido, não se vislumbra no presente recurso o requisito necessário para que haja a alteração no julgamento, pois não há na decisão guerreada simultaneidade de idéias opostas, ou seja, não existe no acórdão o requisito intrínseco de proposições conflitantes que interfiram na intelecção da decisão. Os motivos apresentados acima já são o bastante para não acolher o presente recurso. À vista disso, conheço os Embargos de Declaração, no entanto, como não houve no voto proferido contradição capaz de viciálo, voto no sentido de rejeitálos. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 998DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 10 /03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001069/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS.
Importa renúncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n° 1.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8
Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação 6, conforme o caso, a do § 4° do artigo 150 ou a do art. 173, I do Código Tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-00.753
Decisão: Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente a fração da exigência fundada em fatos geradores ocorridos até o dia 30/06/2001. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituida pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n° 1. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação 6, conforme o caso, a do § 4° do artigo 150 ou a do art. 173, I do Código Tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-30T14:20:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-30T14:20:43Z; Last-Modified: 2011-08-30T14:20:43Z; dcterms:modified: 2011-08-30T14:20:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7d5e1ad5-6cd8-43a8-ad3a-8977935800e3; Last-Save-Date: 2011-08-30T14:20:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-30T14:20:43Z; meta:save-date: 2011-08-30T14:20:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-30T14:20:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-30T14:20:43Z; created: 2011-08-30T14:20:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-08-30T14:20:43Z; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-30T14:20:43Z | Conteúdo => DE CAR!' MI: H. 72 S3-CIT2 Ft. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.001069/2006-10 Recurso n° 262.099 Voluntário Acórdão n° 3102-00.753 — 1° Camara /2° Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2010 Matéria COFINS Recorrente BANCO FORD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Aplicação da Súmula CARF n° 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/06/1999 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Assim, a regra que define o termo inicial de contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários dos tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação 6, conforme o caso, a do § 4° do artigo 150 ou a do art. 173, I do Código Tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente a fração da exigência fundada em fatos geradores ocorridos até o dia 30/06/2001. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituida pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. Assinado diItoImenIe em 07/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO .Auleriticado diValinenIe em 00/1012010 por LUIS MARCH C) GUERRA DE CASTRO Eraiiido ern 30)12/2010 pelo 10)1111;1On° da Pazenda DE CARE F I 73 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Verissimo de Sena, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Helder Massaaki Kanamaru e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relate) recorrid io Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão , que passo a transcrever: Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário de PIS, incluindo acréscimos legais, no valor total de R$ 674..554,52 (fls. 4 — demonstrativo consolidado do crédito tributário, auto de infração -fls. 5/8). No termo de verifica cão fiscal de fls. 116/117, foram apontados, em síntese, os seguintes fatos e infrações. A contribuinte entrou com ação judicial, processo n° 1999.61.00.015292-1, com o objetivo de não se subordinar aos efeitos da Lei n° 9.718/98, e reconhecer o direito de recolher as contribuições ao PIS/PASEP e COFINS tendo por base de cálculo seu faturmento nos termos da legislação anterior, LC no 70/91 e 07/70. • Foi lavrado auto de infração com exigibilidade suspensa , em relação ao período de junho de 1999 a setembro de 2003. • A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 23/08/2006 fls. 114/127), alegando em síntese o seguinte; A parcela do auto de infração relativa aos et éditos de COF17VS do período de junhol1999 a junho/2001 deverá ser cancelada, em virtude de sua extinção pelo instituto da decadência. a) A suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de qualquer das medidas relacionadas com discussões judiciais, elencadas no art. 151 do CTN, impede o exercicio da pretensão da fiscalização de exigir o pagamento desse crédito até que a questão posta em juizo seja dirimida pelo Poder Judiciário. b)Resta clara a ausência de qualquer divida da impugnante relativamente ao principal e aos juros de mora Assinado diglia nente em 071 1012010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenticado dig talmenie ern 06/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAS FRO Emitido em 30/ 2/2010 polo Ministerio da Emend() 2 DF CAR Processo n 16327.00106912006-lo S3-C1T2 Acórclao n.° 3102-00.753 Fl. 2 Ponderando as razbes aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o P1S/Pa.sep Período de apuração; 30/06/1999 a 30/09/200.3 DECADÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se axis 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme previsto ern lei ordinária. CRÉDITO TRIBUT'fiRIO SUB JUD10E. LANÇAMENTO DE OFÍCIO, CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo nas hipóteses de crédito tributário discutido judicialmente. JUROS MORATÓRTOS. CABIMENTO. O não recolhimento do tributo até o vencimento legal da obrigação implica o cômputo de juros moratórias, seja qual for o motivo determinante da falta. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1' instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, pleitear: a) preliminarmente: o reconhecimento da decadência dos períodos de apuração 06/1999 a 04/2000, 06/2000 a 03/2001, e 05/2001 a 06/2001; e b) no mérito: o provimento integral do recurso, mediante o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3 0 da Lei no 9:718, de 1999. o relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator 0 recurso é tempestivo e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Antes de adentrar na análise na análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar as matérias sobre as quais poderá se manifestar este Colegiado. Com efeito, sendo certo que o fundamento da exigência alvo do presente recurso, qual seja, inclusão de receitas alegadamente não operacionais na base de cálculo das contribuiçôes para o PIS e para financiamento da Seguridade Social, Assinado digitalinente em 07/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Antenticacin digitalmente ern 06/102010 pot LUIS MARCELO GUERliA DE cAsTRO Emilido cm 30/12/2010 polo MinistOrio tia Fazonda I. 75 • I' Dr CAR! segundo os ditames da Lei no 9.718, de 1998, é alvo de discussão nos autos do Mandado de Segurança 1999.6 L00.015292-1, forçoso é concluir que, em obediência Súmula CARF no I I , não pode este Colegiado emitir qualquer pronunciamento acerca dessa matéria. Restaria, então, enfrentar questão prejudicial de mérito, qual seja, a ecadencia do direito de lançar, matéria que não é alvo de ação judicial movida pelo ujeito passivo. Quanto a esse aspecto, apesar do lançamento poder ser considerado igido sob o prisma da lei que vigia A. época da sua lavratura (art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991), com o advento da Súmula Vinculante no 08, do Egrégio Supremo Tribunal •edera12, passou a ser fulminado pela decadência. Como é cediço, uma vez retirado tal dispositivo do ordenamento Juridic°, a decadência do lançamento da contribuição litigiosa passou a ser disciplinada pelo arcabouço normativo que rege os demais tributos: os artigos 150, § 4 0 e 173, I do Código Tributário Nacional. Dentro desses limites, analisando os demonstrativos de fis. 09 a 13, constata-se que a exigência litigiosa compreende períodos de apuração encerrados entre 30/06/1999 e 30/09/2003 e que, em todos os períodos houve pagamento parcial da exigência. Somando esses fatores ao fato de que o tributo em discussão se insere no universo daqueles ern que o lançamento se dá na modalidade "por homologação", bem assim que não se discute a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a regra decadência a ser empregada é a do § 40 do art. 150 do Código Tributário Nacional? Nessa moldura, tendo em vista que, conforme se extrai da leitura do auto de infração à IL 05, a recorrente tomou ciência da exigência no dia 26/07/2006, forçoso é concluir que, quando do aperfeiçoamento do lançamento, os períodos de apuração encerrados até 30/06/2001 estavam alcançados pela decadência. Ante a tais considerações, deixo de tomar conhecimento das alegações acerca do "alargamento" da base de cálculo do PIS/Cofins pela Lei no 9318, de 1998 e dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência relativamente à fração da exigência fundada em fatos geradores ocorridos até o dia 30/06/2001. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cablvel apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 2 Súmula vinculante n°8 - Sao inconstitucionais o parágrafo Calico do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1,56911 977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8,212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. 3 § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o credito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fiaude ou simulação. Assinado digitalinenle em 07 1 10 1 2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenticado di9ilelerierile are 00110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CAM RO 4 Emitido are 30 12/2010 pelo MinIstelio do Fazendo DF CARI: MF FL 76 Processo if 16327.00106912006-10 S3-C112 Ac6r1:15o n!' 3102-00.753 17 1. 3 Luis Marcelo Guerra de Castro Assinado dUtalmenie ern 07110/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Autenlicado digitalmente em 03/10/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Emitido Cm 30/1212010 polo Minis!Orio do Fazondo 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção P Camara Processo n° : 16327.001069/2006-10 interessado(a) : BANCO FORD TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência do Despacho. Brasilia, 19 de janeiro de 2011 Chefe da'rimeia Camara da Terceira Seção ciente, com a observação abaixo: f ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / rocurador(a) da Fazenda Nacional
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