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Numero do processo: 19679.006025/2003-23
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Equívocos cometidos pela administração quando da sua emissão não acarretam a nulidade do procedimento levado a efeito por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, o contribuinte deve apresentar as provas solicitadas pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Não há que se falar em realização de diligência para complementação da instrução processual quando demonstrado que o contribuinte deixou, sem motivos, de apresentar as provas no momento oportuno e, ainda mais, afirma reiteradamente não mais dispor dos documentos solicitados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.160
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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IRREGULARIDADES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Equívocos cometidos pela administração quando da sua emissão não acarretam a nulidade do procedimento levado a efeito por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, o contribuinte deve apresentar as provas solicitadas pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Não há que se falar em realização de diligência para complementação da instrução processual quando demonstrado que o contribuinte deixou, sem motivos, de apresentar as provas no momento oportuno e, ainda mais, afirma reiteradamente não mais dispor dos documentos solicitados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama, ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receita de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 1.625.576,12, referente ao quarto trimestre de 2002, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos, conforme processos apensos a este. Segundo os autos, o pedido foi protocolizado junto à Delegacia de Administração Tributária em São PauloSP (Derat), mas a análise do pleito foi transferida à DRF/AraçatubaSP por ordem do SuperintendenteSubstituto da Receita Federal do Brasil na 8 Região Fiscal, conforme portaria de fls. 761 a 764. Ainda segundo os autos, a interessada, em 15/10/2008, foi intimada pela fiscalização a apresentar, em cinco dias úteis, documentos para subsidiar a análise do pleito, solicitando prorrogação do prazo por mais trinta dias, sendo, então, concedidos mais cinco dias de prazo para um item da intimação, referente a planilha com informações sobre os fornecedores dos bens utilizados como insumo e que geraram crédito de PIS nãocumulativo, e mais três para os demais, porquanto referiamse a livros e documentos relativos a um único mês. Quanto aos itens da intimação relativos a notas fiscais, como em resposta a intimação de outro processo, referente a ressarcimento de IPI, havia sido informado que as notas fiscais de 2002 haviam sido incineradas, foi solicitado que se confirmasse essa informação e, em caso negativo, deixálas à disposição da fiscalização. Após a ciência da prorrogação de prazo, novamente a interessada requereu dilação do prazo. Sendo assim, em 31/10/2008, foi lavrado auto de embaraço à fiscalização, e a requerente novamente foi reintimada a apresentar toda a documentação solicitada, em cinco dias úteis. Após a ciência do auto de embaraço, a postulante apresentou, em 10/11/2008, resposta às intimações, afirmando que a documentação solicitada estaria à disposição em seu estabelecimento matriz. Diante disso, em 13/11/2008, os AFRFB responsáveis pelo processo se dirigiram à sede da empresa, para analisar a documentação, sendo recebidos pelo procurador da sociedade, que apenas forneceu o livro Razão referente a dezembro de 2002. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.006025/200323 Acórdão n.º 310201.160 S3C1T2 Fl. 2 3 Sendo assim, a DRF/AraçatubaSP, por meio do despacho decisório de fls. 765/779, indeferiu a solicitação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando as compensações vinculadas ao pedido, por impossibilidade de análise do pleito em virtude da nãoapresentação da documentação requerida. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 926 a 943, onde, primeiramente, apresenta uma descrição dos fatos ocorridos. Em sua versão, aduz que o prazo concedido pelos auditoresfiscais para apresentação dos documentos foi exíguo e que solicitou prorrogação de prazo, que foi concedida apenas parcialmente, sendo reintimada a apresentar os documentos em Araçatuba, conforme documentos que anexa. Posteriormente, em preliminar, passa a requerer a anulação do despacho decisório, porquanto o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) original se referia somente ao período a partir de dezembro de 2002, assim restaria comprovada a impossibilidade de se fiscalizar os meses de outubro e novembro de 2002 no âmbito do presente processo. Também não foi observado pela fiscalização o local indicado no MPF para realização dos trabalhos, que seria no endereço da empresa, em São Paulo, e não em Araçatuba. Assinala também a impugnante que o fato de várias intimações terem sido assinadas apenas por um dos AFRFB também desobedeceria ao MPF, que não permite atuação individual de um dos auditoresfiscais nele contido. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6° da Portaria RFB d 11.371, de 2007. Argumenta que o despacho decisório também seria nulo porquanto somente o Delegado da Derat teria competência para prolatar decisão relativa à requerente, conforme disposto no art. 41 da Instrução Normativa (IN) SRF n() 600, de 2005, que não autoriza a modificação da competência para emissão de despacho decisório relativo a reconhecimento de direito creditório. Alega ainda que a impossibilidade de delegação de poderes também está prevista na Lei nº' 9.784, de 1999, arts. 13 e 100. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da citada Lei n2 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Quanto à realização da diligência em São Paulo, aduz que os servidores, na ocasião, não concederam prazo para apresentação dos documentos solicitados, porquanto não realizaram qualquer intimação prévia nesse sentido, o que resultou na não concessão de qualquer prazo para sua apresentação e ainda que não apresentou a documentação naquela oportunidade porque esta se encontrava temporariamente fora do estabelecimento e que se tivesse sido avisada com antecedência da diligência e tivesse sido garantido um prazo razoável teria sido possível a sua apresentação. Sendo assim, confirma sua intenção de apresentar todos os documentos fiscais, que estão à disposição da fiscalização em seu estabelecimento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 Afirma ainda que houve erro e falta de motivação para o indeferimento do pleito da recorrente, pois este só seria possível caso a contribuinte não possuísse efetivamente o direito ao ressarcimento. Mas, segundo a requerente, a negativa somente ocorreu porque não foi concedido prazo para apresentação da documentação. Argumenta que o despacho decisório também feriu o princípio da verdade material, pois bastava a análise destes autos para a autoridade verificar que a recorrente não foi intimada para apresentar os documentos em prazo outorgado pela fiscalização. Em relação ao mérito, argúi que o despacho em análise deve ser reformado porquanto a postulante possui o direito ao ressarcimento dos créditos da contribuição ao PIS reclamados, como comprovam os documentos existentes em seu estabelecimento, mas que não os está anexando ao presente "por serem em grande quantidade", mas junta a DIPJ relativa ao anocalendário de 2002 para demonstrar sua condição de empresa exportadora geradora de créditos de PIS nãocumulativo. Postula também a aplicação da taxa do Selic como juros moratórios, a teor do art. 39, § 40, da Lei ng 9.250, de 1995. Requer a realização de perícia e diligência para se constatar a existência do direito creditório, nomeando perito e listando os quesitos que deseja ser respondidos, à fl. 941. Haja vista a existência de grande quantidade de documentos, esclarece que a perícia deve ser feita no estabelecimento da contribuinte. Solicita o cancelamento do despacho decisório combatido e o reconhecimento do direito creditório por esta DRJ ou, alternativamente, a prolação de nova decisão pela DeratSP ou ainda, caso se considere que a autoridade contestada seja competente para tanto, que esta prolate novo despacho decisório após novas verificações fiscais. Requer a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação discutida. Por fim, solicita que o patrono da requerente também seja intimado de todas as decisões referentes ao presente. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃOAPRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis e demais documentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. MPF. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular despacho decisório referente a pedido de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.006025/200323 Acórdão n.º 310201.160 S3C1T2 Fl. 3 5 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Requer a decretação de nulidade do trabalho fiscal por não ter sido respeitado o período indicado no MPFF; o local indicado para a realização dos trabalhos fiscais e a necessidade dos AFRFBs atuarem em conjunto e não isoladamente. Ainda mais, considera que o MPF deveria ter sido emitido pelo Superintendente regional. Referese, uma vez mais, à incompetência da DRF/Araçatuba para emissão do Despacho Decisório sobre o Pedido de Ressarcimento formulado. Assevera não ter sido respeitado o prazo de dez dias para manifestação do administrado, conforme determinado no artigo 44 da Lei 9.784/99, o que, segundo entende, tratase de um “flagrante vício neste processo administrativo gerador da nulidade insanável do r. Despacho Decisório e motivo de reforma do Acórdão ora recorrido”. Que na diligência realizada no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de São Paulo, Capital, a fiscalização não apresentou qualquer intimação solicitando documentos e muito menos concedendo um prazo para sua apresentação. Que somente não apresentou os documentos e informações fiscais solicitadas porque, em razão da reforma no seu estabelecimento, estes haviam sido encaminhados, temporariamente, para seu estabelecimento localizado no Município de Baruer. Que a fiscalização agiu sem razoabilidade e contrariando diversos dispositivos legais, entre os quais, os seguintes dispositivos previstos nos artigos 2° e 30 da Lei n° 9.784/99. Que a legislação não prevê a possibilidade do indeferimento do Pedido de Ressarcimento pelo motivo descrito no texto do Despacho Decisório, mas apenas pela ausência do direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI. Falta de motivação do Despacho Decisório guerreado. Afronta ao princípio da verdade material, segundo o qual deveriam ter sido levado em conta “todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os elementos comprobatórios disponíveis para verificação”. No mérito, pede o cancelamento do Auto de Infração, porque possui o direito ao ressarcimento dos Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, como comprovam os documentos existentes no seu estabelecimento e disponíveis para a verificação fiscal, e que não juntou os esses documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade, mas anexou a sua DIPJ relativa ao anocalendário de 2003. Requer incidência da taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 Apresente solicitação de perícia justificada pelo fato de os documentos de apuração do direito creditório serem inúmeros inviabilizando sua apresentação no processo. Ao final, requer o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário de todos os débitos vinculados às compensações relacionadas aos autos até a decisão final quanto ao pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. No que se refere às irregularidades acusadas pela recorrente no Mandado de Procedimento Fiscal, considero corretas as considerações trazidas aos autos pelo i. Relator da decisão de piso. Tal como dispõe o artigo 59 do Decreto, devem ser declarados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou praticados com preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Incontroverso, portanto, que a delimitação contida na norma impõe considerável restrição ao universo dos acontecimentos atingidos pela nulidade, ainda mais porque o mesmo diploma legal, logo a seguir, afasta a possibilidade de que as demais irregularidades, incorreções e omissões tragam esse tipo de consequência aos atos praticados no curso do processo. Decreto 70.235/72 “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”. Isto posto, é de se avaliar se imperfeições ou até mesmo a falta de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal caracteriza alguma das situações especificadas como suficientes para a declaração de nulidade do procedimento fiscal levado a efeito, sendo elas (i) a ocorrência do cerceamento ao direito de defesa do contribuinte ou (ii) a prática de atos e termos por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. Passo ao exame da primeira hipótese, o cerceamento do direito de defesa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.006025/200323 Acórdão n.º 310201.160 S3C1T2 Fl. 4 7 Preambularmente, merecem destaque algumas questões de cunho geral, não adstritas à figura do Mandado de Procedimento Fiscal. Quanto a elas, inicio por destacar que a fase litigiosa do procedimento, como ninguém desconhece, iniciase com a impugnação ao auto de infração, nos termos do Decreto 70.235/72. “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”. A legislação pátria garante ao contribuinte, a partir deste momento, o direito de contraditar a exigência especificada no auto de infração no qual figura no pólo passivo, asseguradolhe o acesso aos autos, a obtenção de cópias, o direito a requerer perícias e o duplo grau de jurisdição, em decisões proferidas por colegiados compostos por servidores que não participaram do procedimento fiscal que deu origem à autuação e, em segunda instância, em composição paritária, na qual integram o Colegiado, em igualdade numérica, representantes da Fazenda Nacional e representantes dos contribuintes. Assim sendo, antes de adentrar à questão específica do Mandado de Procedimento Fiscal, é de se questionar, liminarmente, se, uma vez que é esse o sistema definido em lei e reconhecido pela sociedade para o processamento do contencioso tributário, haveria como, a priori, considerar que supostas falhas acontecidas ainda na fase de formalização da exigência pudessem acarretar a preterição do direito de defesa do contribuinte, se, uma vez impugnado o auto de infração, instaurase a fase litigiosa do procedimento, com a contestação das acusações contidas no processo, o que, de fato, no presente feito, efetivamente ocorreu e do que ainda agora estamos nos ocupando. Feita esta necessária ressalva quanto a possível impertinência da discussão em sentido mais amplo, passamos, inobstante, ao exame das possíveis consequências advindas da falta de emissão do MPF ao direito de defesa do administrado. A origem do Mandado remonta à Portaria 1.265, de 22 de novembro de 1999. Como se depreende do texto normativo, o Mandado estava inserido em um conjunto de outras regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execução do procedimento fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal, com o seguinte enunciado. “Dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Neste desiderato, a Portaria estabeleceu, em seu artigo segundo, que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) (...) O artigo 11 especificava situações em que o MPF não seria exigido, incluindo a dispensa para os casos de procedimentos realizados dentro da repartição: de revisão aduaneira e de lançamento suplementar de revisão das declarações prestadas pelo contribuinte. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 Nessas duas hipóteses para as quais a dispensa foi prevista há em comum o fato de que o contribuinte é autuado em decorrência de um procedimento interno, praticado pela autoridade competente, sem a necessidade de intimação prévia para obtenção de documentos. Iniciase aqui, ao meu ver, a incongruência entre o pensamento que sugere a nulidade do procedimento instaurado sem a emissão do MPF e o arcabouço lógico identificado na norma de origem. Com efeito, se admitirmos que a ausência do Mandado é caso de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, como aceitar que a própria norma que o instituiu tenha previsto situações para as quais sua emissão estivesse dispensada? Fosse o Mandado, de per si, um instrumento essencialmente destinado à proteção do direito que o contribuinte tem de defenderse da imposição que lhe é exigida, e não se admitiria sua dispensa em nenhuma hipótese, como não se admite a subtração de qualquer outro procedimento que represente a proteção a esse inarredável direito do administrado. De fato, considerando apenas dos dois aspectos até aqui relatados, fica muito claro que o Mandado de Procedimento Fiscal está inserido dentro de programa de implementação de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal, jamais pensado como instrumento garantidor do direito de defesa. Se aceita sua efetividade na implementação das condições para os quais foi criado, é de ser reconhecer que ele atribui moralidade ao exercício da atividade fiscal e maior segurança nas relações fiscocontribuinte, mas daí até afirmarse que a sua ausência representa preterição do direito de defesa há uma distância abissal. Antes pelo contrário, a partir do momento em que o Mandado passou a ser exigido, é possível que administrado, a qualquer tempo, soliciteo à fiscalização, buscando assegurarse de que o procedimento está sendo praticado por pessoa que detém competência para tanto. Sua ausência não afasta esse direito, já que resguardada a possibilidade de o contribuinte certificarse, junto à repartição de jurisdição, que a fiscalização está sendo realizada por servidor competente, medida que até então não estava à disposição do contribuinte, já que a ação fiscal não dependia de ordem expressa da administração. De fato, há que se admitir que o Mandado de Procedimento Fiscal estabeleceu um canal de comunicação entre administrado e administração como um todo, reduzindo ou mesmo anulando a possibilidade de que ações autônomas possam ser praticadas, mas não há sentido, data máxima vênia, em cogitarse que a falta de sua emissão traga qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do administrado. Superada a primeira questão, ocupome da segunda hipótese, qual seja, a ausência do Mandado de Procedimento Fiscal produz algum tipo de consequência sob a competência do servidor para a prática do ato? Quanto a isso, temse que a competência para constituir o crédito tributário decorre de determinação expressa na Lei 5.172/66, o Código Tributário Nacional, que, como se sabe, tem status de Lei Complementar. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.006025/200323 Acórdão n.º 310201.160 S3C1T2 Fl. 5 9 A Lei nº 10.593/2002, com alterações posteriores, disciplina atualmente a investidura no cargo e especifica as competências dentro da Carreira. "Art. 3o O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído ou habilitação legal equivalente. "Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil Art. 5o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de AnalistaTributário da Receita Federal do Brasil. "Art. 6o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (grifos meus) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; Como se vê, existem, portanto, condições definidas em lei para a investidura no cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendolhe reservada a competência, em caráter privativo, de constituir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme prescreve o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Admitido isso, necessária indagação se faz em relação às situações em que, no exercício de sua atividade profissional, o Auditor exerce a atribuição à qual está vinculado por força de lei, sem que tenha sido emitido o documento que, nos termos da Portaria Ministerial, instaura o procedimento em si. Estaria o procedimento compulsoriamente praticado fadado à declaração de nulidade pela ausência do correspondente do Mandado de Procedimento Fiscal? Ou, por outro lado, a ausência do mesmo importaria em considerarse o procedimento não instaurado, já que, nos termos da Portaria 1.265/99, a instauração se dá com a emissão do Mandado? Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 10 Para a primeira questão, encontrase resposta no artigo 5º da Portaria 1.265/99, que garante ao Auditor o exercício da sua competência mesmo que a empresa não tenha sido selecionada para fiscalização e que não haja Mandado de Procedimento Fiscal emitido. Art. 5º Nos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardo do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova, o AFRF deverá iniciar imediatamente o procedimento fiscal, e, no prazo de cinco dias, contado da data do início do mesmo, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPFE), do qual será dada ciência ao sujeito passivo. (Redação dada pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) § 1º Para fins do disposto neste artigo, o AFRF deverá lavrar termo circunstanciado, mencionando tratarse de procedimento fiscal amparado por este artigo e contendo, no mínimo, as seguintes informações: (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) I dados identificadores do sujeito passivo; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) II natureza do procedimento fiscal e descrição dos fatos, bem assim o rol dos livros,documentos ou mercadorias objeto de retenção ou apreensão, se houver; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) III nome e matrícula do AFRF responsável pelo procedimento fiscal; (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) IV nome, número do telefone e endereço funcional do chefe do AFRF a que se refere o inciso anterior. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) § 2º Do termo referido no parágrafo anterior será dada ciência ao sujeito passivo, sendolhe fornecida cópia. (Incluído pela Portaria SRF nº 1.614, de 30/11/2000) Quanto à segunda, no que diz respeito à instauração do procedimento fiscal em si, parece haver na norma infralegal uma aparente incompatibilidade com o comando expresso no Decreto 70.235/72. Portaria SRF 1.265/72 Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (grifei) Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Decreto 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (grifei) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.006025/200323 Acórdão n.º 310201.160 S3C1T2 Fl. 6 11 III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada Tratase, contudo, de um falso dilema, pois a compreensão do significado e alcance de cada norma não deixa margem para a controvérsia de que aqui nos ocupamos. Como já foi referido antes, a Portaria 1.265/99, propunhase, como se propuseram as que lhe sucederam, à organização das atividades de fiscalização do contribuinte, desde a fase de planejamento até a de execução, conferindo às mesmas novos instrumentos de controle interno e externo. Elas têm propósito de cunho administrativo, ainda que com repercussão de longo alcance, na medida em que, como ocorre com outras normas infralegais, interferem decisivamente na vida o administrado. Tal como se extrai do texto antes transcrito, não há no enunciado normativo qualquer menção ao exercício das competências inerentes ao cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e nem às consequências que a ação do fisco acarreta ao contribuinte, mas exclusivamente disposições “sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. É por isso que, na Portaria, considerase instaurado o procedimento somente a partir da emissão do MPF, enquanto que, na Lei, o procedimento instaurase com o primeiro ato de ofício praticado por servidor competente. É que as Portarias estão destinadas à organização administrativa do Órgão, enquanto à lei compete regulamentar as relações fisco contribuinte e as próprias competências da autoridade administrativa. Na data de emissão do MPF, considera instaurado o procedimento fiscal para todos os fins de controle interno da unidade local da Secretaria, mas o procedimento somente trará consequências para o contribuinte (a perda da espontaneidade, por exemplo) a partir do primeiro ato de ofício praticado por servidor competente e cientificado ao mesmo. Até então, o instituto da espontaneidade continua a disposição do administrado. Uma vez cientificado o contribuinte, independentemente de haver ou não MPF emitido (e isso fica mais claro na medida em que há hipóteses em que o Mandado pode ser emitido depois de iniciado o procedimento ou mesmo não emitido), o contribuinte perde sua espontaneidade. Não há testemunho mais claro de que o exercício da competência legal do Auditor da Receita Federal do Brasil não se vincula a emissão do MPF, sendo esta uma providência de cunho exclusivamente administrativo. Por fim, cumpre ainda ressaltar que o exercício de toda atividade pública é regulamentado por legislação infra legal, na qual especificamse procedimentos que deverão ser observadas pelo agente público e pela administração como um todo; contudo, a inobservância de tais requisitos não importará sempre a nulidade dos atos praticados. Tal consequência está adstrita às situações previstas em lei como suficientes para tal, que, no caso, são a preterição do direito de defesa do administrado e a prática de atos ou tomada de decisão por servidor ou pessoa incompetente. Afastamse, por conseguinte, os argumentos tendentes à decretação da nulidade do procedimento fiscal por força das irregularidades apontadas no Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 12 Noutro giro, no que concerne à alegação de incompetência da DRF em Araçatuba para análise do pleito da recorrente, necessário atentar para a Portaria 34/08 às folhas 761 do processo, com o seguinte teor. PORTARIA N° 34, DE 10 DE MARÇO DE 2008 O SUPERINTENDENTESUBSTITUTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DA 8' REGIÃOFISCAL, usando das atribuições que lhe são conferidas pelos artigos 236 e 249, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria do MF n° 95, de 30 de abril de 2007, publicada no DOU Edição Extra de 2 de maio de 2007, e tendo em vista o disposto nos artigos 11 e 12 do DecretoLei n° 200, de 25 de fevereiro de 1967, regulamentados pelo Decreto n.°_83.937, de 06 de setembro de 1979 e pelo Decreto n.° 86.377, de 17 de setembro de 1981, resolve: Art. 10 Transferir, temporariamente, da Derat/São Paulo para a DRF/Araçatuba, as atribuições inserias no art. 160, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, especialmente as previstas nos incisos V, VI e X, relativamente aos processos listados no Anexo Único. Parágrafo Único: O disposto no caput abrange, inclusive a atualização dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e a execução dos procédimentos referentes à inscrição de débitos em Dívida Ativa da União, especialmente o encaminhamento de processos à Procuradoria da Fazenda Nacional. Art.2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Também não ocorreu o alegado desrespeito ao prazo de dez dias para manifestação do administrado, conforme determinaria o artigo 44 da Lei 9.784/99, não havendo que se falar em “flagrante vício neste processo administrativo gerador da nulidade insanável do r. Despacho Decisório e motivo de reforma do Acórdão ora recorrido”, isso porque a própria Lei 9.784/99 é bastante clara ao referirse aos processos administrativos regidos por legislação própria, nos seguintes termos. CAPÍTULOXVIII DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. No mérito, a negativa ao pedido feito pela recorrente devese à não comprovação do direito pleiteado. Vejase o relato da fiscalização a esse respeito. Em 15/10/2008, cientificamos o sujeito passivo das alterações efetuadas no Mandado de Procedimento Fiscal mencionado no início desta informação fiscal, bem como o intimamos a apresentar diversos elementos para que pudéssemos realizar as verificações determinadas. Tanto as alterações realizadas no MPF como os elementos exigidos por esta fiscalização foram detalhados no Termo de Intimação Fiscal de mesma data (fls. 30 a 32). Em 22/10/2008, o sujeito passivo protocolou na ARF de Lins (SP), pedido de prorrogação de prazo, por pelo menos 30 dias, para atendimento ao nosso Termo de Intimação Fiscal, de 15/10/2008, alegando que não possuía os elementos disponíveis de imediato para serem fornecidos à fiscalização em razão do grande volume de documentos (fls. 35 a 36). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.006025/200323 Acórdão n.º 310201.160 S3C1T2 Fl. 7 13 Em 24/10/2008, por meio do Termo de Constatação Fiscal, de Indeferimento de Solicitação de Prorrogação de Prazo e de Reintimação Fiscal, cuja ciência se deu na mesma data de lavratura (24/10/2008), concedemos prazo adicional de cinco dias apenas para a apresentação da planilha exigida no item 5 do Termo de Intimação Fiscal, de 15/10/2008, e indeferimos a solicitação de prorrogação de prazo para a apresentação dos demais elementos exigidos. Simultaneamente, reintimamos o sujeito passivo para apresentálos no prazo de três dias. Neste mesmo ato, lembramos ao sujeito passivo sobre o que dispõe o parágrafo único do art. 919 do Regulamento do Imposto de Renda (Embaraço à Fiscalização) — fls. 37 a 39. Em 29/10/2008, o sujeito passivo protocolou na ARF de Lins (SP), novo pedido de prorrogação de prazo, por pelo menos 30 dias, para atendimento ao nosso Termo de Reintimação Fiscal, de 24/10/2008, alegando que não possuía os elementos disponíveis de imediato para serem fornecidos à fiscalização em razão do grande volume de documentos. Não apresentou nenhum dos elementos exigidos pela fiscalização, nem se deu ao trabalho de prestar as informações exigidas no item 3b do nosso Termo de Reintimação Fiscal, de 24/10/2008 (fls. 40 a 41). Em 31/10/2008, lavramos Auto de Embaraço à Fiscalização, com simultânea reinamação fiscal, para que o sujeito passivo apresentasse todos os elementos exigidos pela fiscalização no prazo de cinco dias (fls. 42 a 44). Na mesma data, lavramos Termo de Constatação e de Intimação Fiscal para exigir do sujeito passivo, correções em PER/DCOMP vinculado ao pedido de ressarcimento ora analisado por meio da entrega pela INTERNET de PER/DCOMP RETIFICADOR (fls. 45 a 46). Em 10/11/2008, o sujeito passivo apresentou resposta escrita, assinada pelo seu procurador, que atua em Lins (SP), Sr. Renato Carnevalli Cintra, onde este informou que os documentos exigidos estavam à disposição da fiscalização na matriz, sito na Av. Brigadeiro Faria Lima, n.° 2.012, 5° andar CJ 53 sala 01 — São Paulo (SP) —fl. 50. Diante disso, em 13/11/2008, dirigimonos até São Paulo, para analisarmos tais documentos. No entanto, não pudemos fazer nenhuma análise, pois o procurador do sujeito passivo, que atua em São Paulo, Sr. Vagner Aparecido da Cruz, informou que não dispunha dos elementos exigidos pela fiscalização e, conseqüentemente, não podia apresentálos. Todos os fatos lá constatados foram registrados no Termo de Constatação Fiscal, de 13/11/2008 (fls. 51 a 52). O procurador Sr. Vagner informou ainda, por escrito, que os livros diário e razão do período de janeiro de 2003 a setembro de 2004 também lá não se encontravam (fl. 53) — grifos nossos. Em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base em idêntico critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, entendo que o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA 14 seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo os documentos firmados pelo segundo e mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar os documentos que a lei o obriga a produzir e manter em bom estado, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração contida em documentos previamente elaborados ou perante a própria fiscalização que a colhe a termo, ou, ainda, pela obtenção desses ou verificação da ocorrência de fatos no local de funcionamento da empresa. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido. Sem essa providência, salvo algumas poucas exceções, não haverá como comprovar a ocorrência ou inocorrência de um fato. Há que se admitir, então, que, nas relações fiscocontribuinte, a obtenção e a apresentação das provas do fato constitutivo do direito do autor depende de o contribuinte colocálas à disposição do fisco, sendolhe negado o direito de negligenciar tal função, sob pena de responsabilidade pela ausência de provas no processo e, corolário, o próprio ônus probante. No caso presente, devese ainda acrescentar que tratase um pedido de iniciativa do próprio contribuinte, para o qual, necessariamente, o mesmo deve possuir e apresentar as provas correspondentes. Neste mesmo diapasão, não há que se falar na necessidade de realização de perícia pelo fato de os documentos de apuração do direito creditório serem inúmeros o que inviabilizaria sua apresentação no processo. O momento oportuno para apresentação de provas aconteceu quando das sucessivas intimações apresentadas pela fiscalização à recorrente, e não há previsão para apresentação de provas após o prazo de impugnação, conforme preceitua o Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Por todo o exposto, também não vejo afronta ao princípio da verdade material, segundo o qual deveriam ter sido levados em conta “todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os elementos comprobatórios disponíveis para verificação”. Com efeito, se alguma coisa deixou de ser levada em conta, isso aconteceu exatamente porque a recorrente não apresentou os documentos solicitados pela fiscalização. Negado o pedido no mérito, não há que se falar em atualização do valor pela Taxa Selic. Finalmente, no que concerne ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito, adoto a manifestação contida no voto condutor da decisão recorrida, que passo a transcrever. Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos objeto da compensação, esclarecese que este processo, referente a pedido de ressarcimento, Fl. 14DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19679.006025/200323 Acórdão n.º 310201.160 S3C1T2 Fl. 8 15 não é o meio adequado para tanto. Tal pleito deve ser interposto contra o ato que exigiu os tributos em questão. No entanto, vale ressaltar que, a teor do art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, a apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso contra decisão que deixa de homologar DCOMP suspende a exigibilidade dos débitos objeto da compensação. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 10 de agosto de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10909.900215/2008-18
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 15 /2 00 8- 18 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.799, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 67 a 70, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 74 a 86, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900215/200818 Acórdão n.º 3803000.663 S3TE03 Fl. 108 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900215/200818 Acórdão n.º 3803000.663 S3TE03 Fl. 109 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como ocorre com os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10909.900628/2008-01
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
Numero da decisão: 3803-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato
Nome do relator: Relator Belchior Melo de Sousa
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 RECOLHIMENTOS A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%.
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INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não alcança os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação, que serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33% por dia de atraso, observado o limite de 20%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 06 28 /2 00 8- 01 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.810, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 55 a 58, que indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas por insuficiência de crédito, em face da incidência de multa de mora por extinção do débito fora do prazo. Contra a não homologação integral de sua compensação, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade des folhas 08 a 17, na qual discordou do critério de imputação adotado pela DRF/Itajaí/SC. Alegou que a autoridade fiscal partiu da equivocada e ilegal premissa de que, sendo o débito em questão vencido em data anterior e tendo sido efetivada a compensação via DCOMP apenas em período posterior, haveria a incidência de multa mora sobre a compensação. Consignou que, em face do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN, o adimplemento de um valor já vencido, antes da instauração de procedimento de ofício e antes da declaração em DCTF, torna inaplicável a imposição da multa de mora. Juntou jurisprudência e doutrina que estariam a corroborar sua tese. Manifestouse pela ilegalidade ou inconstitucionalidade do que está expressamente previsto no artigo 61 da Lei n.o 9.430/1996, segundo o qual “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” A DRJFlorianópolis, refutou os argumentos da impugnante assentando que em face de às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não ser dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a legalidade ou constitucionalidade de qualquer ato legal, descabidas tornamse quaisquer manifestações deste juízo, sobretudo quando se trata de disposição literal de lei regularmente editada. Citou tanto a jurisprudência judicial quanto as reiteradas manifestações do Primeiro Conselho de Contribuintes, traduzidas estas em inúmeros de seus acórdãos; citese, entre estes, o de n.o 10607.303, de 05/06/95, n sentido desta limitação de competência, verbis: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como tribunal administrativo que é, e, tampouco ao juízo de primeira instância, o exame da constitucionalidade das leis e normas administrativas. Aduziu, ainda, que não tem efeito sobre a aplicação da penalidade o fato de o valor devido ter sido ou não declarado em DCTF ou a circunstância de o sujeito passivo encontrarse já em procedimento de ofício ou não. Ciente da decisão em 27 de maio de 2009, irresignada apresenta recurso voluntário de fls. 65 a 77, em 26 de junho de 2009, manejando os mesmo argumentos acima relatados, trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900628/200801 Acórdão n.º 3803000.677 S3TE03 Fl. 96 3 O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Toda a controvérsia restringese à possibilidade ou não do uso do instituto da denúncia espontânea para o fato presente. A responsabilidade que refere o art. 138 do CTN é relativa a infrações tais como os ilícitos tributáriospenais, dolosos (sonegação, fraude, conluio e outros crimes contra a ordem tributária), e outros ilícitos tributários, não dolosos (nãoprestação de informações obrigatórias às autoridades fazendárias, concernentes à existência do fato gerador, declarações inexatas, etc). Não ao mero inadimplemento de tributo. Dessa distinção resulta a graduação de penalidades, diferenciandose em multa de ofício e multa de mora, esta, mais branda, que visa indenizar o Erário pela demora no recebimento do seu crédito, aquela, punitiva, aplicável às infrações relativas à obrigação tributária principal. A demonstrar o caráter de indenização da multa de mora, o seu percentual é proporcional à quantidade de dias de atraso, até o limite de vinte por cento do valor do tributo, conforme fixados em lei. Se não é atípico que haja possibilidade de previsão de multa de mora nas obrigações contratuais privadas, comumente pactuada, além dos juros, pelo atraso no cumprimento das obrigações, assim também acontece na obrigação tributária, com a diferença de que nesta a multa é estabelecida em lei, face ao caráter ex lege da obrigação tributária. Se um contribuinte declara o tributo e por alguma razão não pode pagálo no prazo, sujeitase à multa de mora. Outro, que sequer declara e espera a inércia do sujeito ativo, ao sobrevir um procedimento fiscal, na espécie, arca com penalidade maior, segundo a previsão legal. É esta última penalidade que é excluída pela denúncia espontânea, quando o contribuinte se antecipa a qualquer procedimento fiscal. A primeira, não. Ora, isto é que é razoável: o contribuinte meramente inadimplente arca com uma multa menor, e aquele que pratica as demais infrações tributárias será punido com uma multa maior, submetendose à multa menor caso promova a autodenúncia. Escorome no escólio de Zelmo Denari, in Infrações Tributárias e Delitos Fiscais, Paulo José da Costa Jr. e Zelmo Denari, 2ª ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 24, para apreender a distinção entre multa punitiva e multa indenizatória, para, ao fim, entender em que se aplica o instituo da denúncia espontânea: “A nosso ver, as multas de mora – derivadas do inadimplemento puro e simples de obrigação tributária regularmente constituída – são sanções inconfundíveis com as multas por infração. Estas são cominadas pelos agentes administrativos e constituídas pela Administração Pública em decorrência da violação de leis reguladoras da conduta fiscal, ao passo que aquelas são aplicadas em razão da violação do direito subjetivo de crédito. (...) Como é intuitivo, a estrutura formal de cada uma dessas sanções é diferente, pois, enquanto as multas por infração são infligidas com caráter intimidativo, as multas de mora são aplicadas com caráter indenizatório. De uma maneira mais sintética, Kelsen refere que, ao passo que o Direito Penal busca intimidar, o Direito Civil quer ressarcir, (...). Como derradeiro argumento, as multas de mora, enquanto sanções civis, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 4 qualificamse como acessórias da obrigação tributária, cujo objeto principal é o pagamento do tributo. Essa acessoriedade, em contraposição à autonomia, as tornam inconfundíveis com as multas punitivas.” A respeito da incidência da multa de mora na denúncia espontânea, cumulativamente com os juros de mora, assim se pronuncia Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, São Paulo, Saraiva, 6ª edição, 1993, p. 348/351, verbis: “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito (...). A confissão do infrator, entretanto, haverá se ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra. O art. 138 do CTN, ao determinar que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, precisa ser interpretado em conjunto com o art. 161 do mesmo Código, que informa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (negrito acrescentado). Consoante o art. 161, transcrito, seja qual for o motivo determinante do atraso a parcela do crédito tributário não pago no vencimento é acrescida de juros de mora e das penalidades cabíveis. Dentre essas penalidades, que precisam estar estabelecidas em lei, encontrase exatamente a multa de mora. E é cediço que as leis sempre estipularam, ao lado dos juros de mora, também a multa moratória. Assim, é que veio compor o ordenamento jurídico pátrio idêntica previsão, no artigo 61, e parágrafos, da Lei n.o 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10909.900628/200801 Acórdão n.º 3803000.677 S3TE03 Fl. 97 5 Com o respeito que é devido à Corte Superior de Justiça, divirjo do seu entendimento e penso ser indiferente, para afastar ou não a denúncia espontânea, o fato de o contribuinte apresentar ou não a DCTF. Considerar este evento o ponto de corte entre ambos os efeitos só é possível se se desconsiderar a mecânica de apresentação desta obrigação acessória. Para o período que cobre a apuração dos débitos deste processo, julho e agosto/2003, a obrigação de apresentar a DCTF era trimestral, e a partir do anocalendário 2005, semestral, salvo a exceção prevista, de apresentação mensal. Não há razoabilidade, cogito, em considerar que dois contribuintes que recolheram tributos com um ou dois meses de atraso, um esteja coberto pela denúncia espontânea pelo fato de descumprir a obrigação acessória de apresentar a DCTF, destaquese, três ou seis meses depois do fato gerador, e após o pagamento atrasado, e o outro não esteja, pelo fato de têla cumprido. Segundo este critério, quem errou mais será mais beneficiado do que quem errou menos. De imaginarse, ainda, que seguro da cobertura do dito instituto, o primeiro contribuinte pode executar um atraso deliberado de seus recolhimentos, enquanto o segundo, que pode têlos executado por dificuldade financeira, submeterse a um ônus maior com o pagamento da multa, sendo correto no cumprimento de sua obrigação acessória. Por isso, não vejo nenhuma razão para a dicotomia. Depreendo que o efeito deste lapso de tempo entre o pagamento atrasado e a posterior apresentação da DCTF pode não ter sido sintonizado pela E. Corte Superior. Destaquese uma vez mais, ante a mecânica descrita acima, que a lei conferiu ao contribuinte a prerrogativa de substituir o Poder Público no procedimento de apurar o próprio quantum debeatur e recolhêlo “sem prévio exame da autoridade administrativa”, mantida a (prerrogativa) da Fazenda de, “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa” dentro do prazo “de cinco anos a contar do fato gerador.”. Ademais, no caso concreto, como remate de todos os argumentos expendidos, na data da transmissão da DComp, 08/10/2004, ela tinha o mesmo efeito de confissão de dívida da DCTF, consoante o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 10.833/2003. Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...]. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Em conseqüência, os débitos por ela compensados podem ser objeto de remessa à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de inscrição na Dívida Ativa, tal como os confessados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Noutra palavra, isto significa que cai por terra o argumento da recorrente de que efetuou a extinção do débito, por meio da compensação, antes de ser declarado/constituído, pois a própria declaração de compensação foi o meio dessa constituição. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Sala das sessões, 24 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13808.000782/87-68
Data da sessão: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 1989
Ementa: IRPJ - Cerceamento do direito de defesa Não tendo a decisão de primeira instância apreciado devidamente os elementos de
defesa presentes nos autos é de ser anulada.
Numero da decisão: 101-78.766
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeiro grau, a fim de que outra seja prolatada na forma da lei, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Candido Rodrigues Neuber
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PROCESSO N9 13808-000.782/87-68 Oggi--)2 It2nr mitfisrÉmo DA FAZENDA IJAD.S./ Sessão de 19 de junho de 19 89 ACÓRDÃO N 9 101-78,766 Recurso rf2' - 93.626 - IRPJ - EXS : DE 1985 e 1986 Recorrente _ JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COMÉRCIO LTDA. Recorrida - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO - (SP) . IRPJ - Cerceamento do direito de defesa - Não tendo a decisão de primeira instãn-- cia apreciado devidamente os elementos de defesa presentes nos autos é de ser anu- lada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re — curso interposto por JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COMÉRCIO LI MITADA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeiro grau, a fim de que outra seja prolatada na forma da lei, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente jul gado. Sala das Sessões (DF), em 19 de junho de 1989 URGEL( I" A LOPvS - PRESIDENTE --I A ND RODR U r BER - RELATOR , VISTO EM CELSo, FERREIRA DE -.1mOS - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: NACIONAL 2 2 Jtit Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSSI MIRANDA, CRISTÓVÃO AN v.v CHIETA DE PAIVA, JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN e RAUL PIMENTEL. Ausente por motivo justificado o Conselheiro CELSO ALVES FEITO- SA. 2 4*?', SERVIÇO PliBLICO FEDERAL PROCESSO N? 13808-000.782/87-68 RECURSON9: 93.626 ACÓRDÃON ch 101-78.766 RECORRENTE: JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Recorre JARINA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COMÉR - - CIO LTDA., da decisão de primeira instância gue indeferiu a impugna- ção ao auto de infração de fls. 63. A exigência tributária é de imposto de renda pessoa jurídica no valor eguivalente a 67.426,81 OTN's, já excluída a contri - , buição ao PIS no valor de 3.051,95 OTN's, Que mais os acréscimos le- gais elevou-se a 113,724,72 OTN's, apurada em ação fiscal externa na empresa, guando constatou-se omissão de receitas de alugueis, confor- me descrito no verso do referido auto, verbis: 'Omissão de receita decorrente da não contabili- zação de aluguéis recebidos de Novos Hotéis de São Paulo S.A., CGC n9 42.184.267/0001-26, sito na rua Augusta n9s. 150871520, S. Paulo (SP), re ferentes ã locação do prédio onde está localiza :: 4' do o CAESAR PARK HOTEL, mesmo endereço, relatiÁ,,- vos aos meses de março, abril, junho, julho e de zembro de 1983, referente ao período de 01-02-8 -3- . a 31-01-84, perfazendo um total de Cr$ 618.704.306e - dos meses de março e setembro de 1984, período 1 de 01-02-84 a 31-01-85, no valor total de Cr$... 4.326.332.808. Igualmente não foi contabilizada a renda de alu- gueis recebida de Novos Hotéis da Guanabara S.A., sito na rua Augusta n9 1.520, 29 andar, conjunto n9 207, S. Paulo, Capital, referente ã locação do pré- dia ande está localizado o CAESAR PARK HO- TEL IPANEMA; sito na Av. Vieira Souto, Ipanema,' Rio de Janeiro, RJ, dos meses de setembro, agos- to, novembro de 1983 e janeiro de 1984, período' de 01-02-83 a 31-01-84, no totalde Cr$ 674.399.932,, 1dt , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-000.782/87-68 3 Acórdão n9 101-78.766 e dos meses de junho de 1984 e janeiro de 1985, período de 01-02-84 a 31-01-85, no valor total de Cr$ 6.707.474.638. Foram omitidas, portanto, no ano-base de 0102-83 a 31-01-84, exercício de 1985, a receita de Cr$ 1.293.104,238 ou Cz$ . . 1.293.104,23 e no ano-base de 01-02-84 a 31-01-85, exercício de 1986, a receita de Cr$ 11.033.807.446 ou Cz$ 11.033.807,44. Infringiu, desta forma, o art. 157, § 19,' do Dec. 85.450/80, ficando sujeito ã pena- lidade estatuída no art. 728, inciso IItdo referido decreto. Sem prejuízo de verificaçóes posteriores,' no interesse da Fazenda Nacional, caso sur jam fatos novos a serem averiguados, laviã mos o presente auto de infração, com base no art. 645, do Dec. 85.450/80, para Co- brança do imposto devido, mais acréscimos' legais, ficando como parte integrante em separável do mesmo o termo de verificação,- o demonstrativo de apuração do imposto de renda e o demonstrativo de juros de mora." Ciância da contribuinte no próprio auto de in- fração em 18-05-87. A exigencia foi impugnada em 04-06-87, fls. 65 a 69, mais os documentos juntados de fls. 70 a 171. Alegou, em substância, gue por motivos os quais não é possível saber, não deixou de contabilizar as receitas mas utilizou de critério no gual as receitas e despesas se anularam por serem de igual mon- tante,não sendo afetado o "Lucros e Perdas"; ao tomar conheci-- mento das falhas cometidas, sanou-as retificando toda a escritu- ração contábil dos exercícios de 1986 e 1985 e apresentou retifi cação das declaraçóes de renda pessoa jurídica; entende que es- tas medidas demonstraram a desnecessidade do pagamento de qual-- auer imposto ou contribuição. Na informação fiscal de fls. 173, o autuante diz aué a impugnante deixou de oferecer ã tributação as receitas de aluguéis não contabilizadas; não comprovou, durante a audito- ria contábil-fiscal, os motivos dessa não contabilização; procu- rou sanar as irregularidades contábeis somente após o início da (4). SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-000.782/87-68 4 Acórdão n9 101-78.766 ação fiscal; e aue deu entrada do pedido de retificação da decla- ração em 30-04-87, sob ação fiscal. Decisão de primeiro grau, fls. 176 a 178, man-,, tendo a exigencia, sob os seguintes fundamentos, verbis: "O art. 647 do RIR/80 disciplina: - A firma ou sociedade que depois de inibia- da a ação fiscal de acordo com os artigos 642 e 646, apresentar declaração ourequerer a ! retificação de rendimentos de sua declaração, não se eximirá; por isso, das penalidades previstas neste Regulamento, aplicando-se o mesmo procedimento a todas as pessoas físi- casou jurídicas quanto aos rendimentos oriun dos da firma ou sociedade a que se referir r aquela ação fiscal, inclusive aos sujeitos ao regime de arrecadação nas fontes (Decre-- to-lei n9 5.844/43 art. 63 .§ - 59 e Lei número 2.354/54, art. 79, 4). 5. Segundo o relatório do AFTN autuante (f is. 173) a interessada deixou de contabilizar as receitas referentes ao aluguel de vários imó veis nos anos de 1983, 84 e 85, sem coMpro-= var duvidamente os motivos dessa não contabi lização. Ao juntar ao presente processo cópias xerox' dos recibos de pagamento de arrendamentos mer cantis, bem como as retificaçaes das declara çóes de rendimentos exercício de 1985 e 19876, a firma procurou sanar as irregularidades, só mie o fez após o inicio da ação fiscal, o aue, de acordo com o artigo acima citado não a exime das penalidades previstas no RIR/80. 6, Passo a decidir. 7. CONSIDERANDO que ação fiscal se iniciou I em 10 de Dezembro de 1986; 8. CONSIDERANDO as deciaraçOes apresentadas' na epoca do início da FiÉcalização; (fls. 20 a 60) 9. CONSIDERANDO que o pedido de retificação' das declaraçOes da firma deu entrada na ARF/ PINHEIROS em 30 de abril de1987; (fls. 92 e 93) 10. comnmemmx)0 artigo 647 do RIR/80; 11. CONSIDERANDO ()artigo 157 §, 19 do RIR/80; 110 sEnnommucoFEDERAL PROCESSO N9 13808-000.782/87-68 5 Acórdão n9 101-78.766 1 12. CONSIDEPANDO tudo o mais que do proces- so consta decido conhecer da impugnação por tempestiva, para no mérito indeferi-la man4- tendo integralmente o lançamento impugnado' e julgando procedente a ação fiscal." Ciãncia da decisão em 09-12-88, conforme "A.0 de fls. 180. Irresignada, em 09-01-89, através de procurado res devidamente habilitados, conforme instrumento de fls. 198, I inter-pós o recurso de fls. 181 a 197, juntando o documento de fls. 199 a 203, cópia da alteração do contrato social n9 04 e os documentos de fls. 204 a 265, cópias das declaraçóes de rendimen tos da empresa, já presentes nos autos. Nos itens 1 a 13 do apelo, alega, em síntese,' Que: - Não houve omissão de receita, aufere receita de aluguei mas suporta despesa dé valor simi lar a titulo de "leasing", não resultando lu cro nenhum do confronto despesas receitas; - lançou apenas a diferença entre a receita de alugiiél e a despesa de "leasing" ao invés de • lançar as próprias importâncias corresponden tes a tais receitas e despesas; - tal critério contábil pode não ter sido o mais adequado, mas considerando-se as despe sas de "leasing" os resultados dos exercícios serão os mesmos; - as contraprestaçóes do arrendamento mercan- til,ineauivocamente são dedutíveis (PN 34/ 84); • se desse confronto resultam inalteráveis os resultados, é injustificável promover exigen cia de IR sobre lucro que não existe; ,Á ;7 /( SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-000.782/87-68 6 AcOrdão n9 101-78.766 - é incorreta a afirmação de se tratar de recei tas não escrituradas que foram escrituradas' sob outro critério contábil que conduz aos mes mos resultados. A partir do item 14, argumenta que se ao Fisco, na busca da verdade material, se impõe de um lado, considerar a receita de alugüel, de outro lado deve considerar também a contra partida despesa de "leasing"; que, delas, a fiscalização tomou co nhecimento no mesmo momento e pelas mesmas fontes; tais despesas' não foram objeto de impugnação pela autoridade autuante e nem pe- la autoridade julgadora; nem poderia sê-lo, pois e indiscutível a sua dedutibilidade. Na seqüência, itens 17 a 28, tece comentários ' sobre as atividades administrativas de fiscalização e de lançamen to de tributos. Cita jurisprudência e doutrina que entende favorá_ vel a sua tese. Prossegue afirmando que se a fiscalização pôde detectar a existência das receitas, também pôde verificar a exis- tência das despesas e a ausência de lucro; não existe dispositivo legal que autorize o fisco a adotar medida para o tributo que não a do lucro apurado, estando (o fisco) adstrito ã apuração do lu- cro real. Faz considerações sobre o arbitramento do lu- - cro, Itens 30 a 38, argumentando que mesmo nesta forma de tributa ção determina-se o lucro com base na receita bruta, sem tomá-la como lucro, que e determinado pela aplicação de percentuais osci- lando entre 15% e 30%, pelo que considera injustificável, no caso, - tomar a totalidade da receita como base de cálculo do I.R. Segue argumentando que a decisão ' ,recorrida se limitou a abordar aspectos meramente ancilares e periféricos ã questão ao analisar apenas a "espontaneidade" ou não da retifica- ção das declarações de imposto dos exercícios de 1985 e 1986. Ale ga Que mesmo considerados apenas esses aspectos, a decisão não po ‘1.) /11kfj• /{/77 WIWIÇONBLICOFEDEML PROCESSO N9 13808-000.782/87-68 . 7 Acórdão n9 101-78.766 deria prevalecer face ao disposto no art. 616 do RIR/80 (artigos 147, 19 e 63, § 49, do D.L. n9 5.844/43 e do C.T.N., respecti- vamente) que só considera inadmissível a retificação de declara- ção por iniciativa do próprio declarante, depois de notificado I do lançamento ou do inicio do processo de lançamento de ,oficio, auando visa a reduzir ou excluir tributo, pois no caso, as reti- ficaçaes promovidas não visaram a reduzir ou a excluir tributo,' diante da inalterabilidade dos resultados dos exercícios, pelo caie entende admissivel a retificação mesmo depois de iniciado o processo de lançamento de oficio (itens 39 a 42). Em seguida, insurge-se contra a multa aplicada, com base no art. 728, II, do RIR/80, alegando que inexistindo "imposto devido" ou "diferença de ..." não é válida a aplicação de tal multa. Confia que este Egrégio Conselho decidirá pelo cancelamento da exigência. Estas as razões de recurso. R o relatório.fily() 7/7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13808-000.782/87-68 8 Acórdão n9 101-78.766 VOTO Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator: O recurso é tempestivo. A recorrente reclama que a decisão singular limi- tou-se a analisar a "espontaneidade" ou não da retificação promo vida em suas declarações de imposto dos exercícios de 1985 e 1986 (Item 40, fls. 195). Com este Procedimento a autoridade julgadora em primeira instância deixou de apreciar as demais razões de impug- nação , entre elas as que versam sobre o critério contábil adotado anteriormente à pretendida retificação (escrituração apenas da diferença entre a receita de aluguel e a despesa de "leasing") bem como a regularidade, para efeitos fiscais, do critério contá bil adotado com o saneamento da escrituração. A apreciação não ocorreu pelo fato do julgador sin guiar entender inaceitável o pedido de retificação das declara- ção efetuado sob ação fiscal, conforme se dessume dos seus "con- siderandos", de fls. 177. De fato, nestas circunstâncias o pedido de retifi cação não poderia mesmo ser aceito. Entretanto, os dados constantes das referidas de clarações (as receitas, as despesas, etc) poderiam ter sido apre ciadas como elementos de defesa, integrantes da impugnação, aos quais a recorrente se reporta. Neste sentido transcrevo a ementa do Acórdão n9 CSRF/01-0.231, de 04.05.82, verbis,: II RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - Uma vez comprovado o erro cometido no preenchimento da declaração, pe- 1/^) V unxoNnwonumi 01- SO N9 13808-000.782/82-68 9 Acórdão n9 la indevida inclusão de rendimentos,estapode ser retificada através de pedido formulado pelo con- tribuinte antes de notificado o lançamento, e, depois disso, mediante impugnação apresentada ou revisão de ofício pela administração tributária." Não tendo a autoridade recorrida apreciado todos os elementos de defesa presentes nos autos entendo caracterizado cerceamento de direito de defesa. Por estas razões, voto no sentido de declarar a nulidade da decisão de primeiro grau e determinar a remessa dos autos à repartição de origem para que outra seja prolatada na boa e devida forma. CÃND e a. ROD G ES BER - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10070.002227/2001-17
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/12/1991 a 30/09/1995
PIS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF Nº 49/1995.
A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito do PIS recolhido com base nos DL nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, se iniciou com a publicação da Resolução nº 49/95 do Senado.
SEMESTRALIDADE DO PIS - SÚMULA 2CC nº 11.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar no 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados.
Numero da decisão: CSRF/02-03.759
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda turma da câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; 2) por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial do Contribuinte. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martinez LOpez (Relatora) que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Fizeram sustentação oral os advogados do Contribuinte Dr. Luis Felipe Carvalho, OAB/RJ no 36.785 e Dra. Eunyce Porchat Secco Faveret, OAB/RJ no 81.841.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. RESOLUÇÃO SF N2 49/1995. A contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito do PIS recolhido com base nos DL n2 2.445 e 2.449, ambos de 1988, se iniciou com a publicação da Resolução n2 49/95 do Senado. SEMESTRALIDADE DO PIS - SÚMULA 2CC no 11. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6o da Lei Complementar no 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recursos Especiais do Procurador e do Contribuinte Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda turma da câmara Superior de Recursos Fiscais: 1) por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; 2) por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial do Contribuinte. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martinez LOpez (Relatora) que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Fizeram sustentação oral os advogados do Contribuinte Dr. Luis Felipe Carvalho, OAB/RJ no 36.785 e Dra. Eunyce Porchat Secco Faveret, OAB/RJ no 81.841. Antônio raga - Pre dente / 7 AntGni.o ar os Atulim edator Designado EDITADO EM: 16/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente substituto convocado), Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Fabiola Cassiano Keramidas (substituta convocada), Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto Convocado), Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e a contribuinte apresentaram recurso especial de divergência contra o Acórdão no 202-15.953, de 10/11/2004, cuja ementa possui a seguinte redação: PIS. PRAZO DECADENCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO REFERENTE AOS DECRETOS-LEIS Vs 2.445/88 e 2.449/88. 0 prazo de prescrição/decadência para requerer-se restituição/compensação de valores referentes a indébitos exteriorizado no contexto de solução jurídica conflituosa, que, em sede de controle incidental, o STF declarou a inconstitucionalidade da lei tributária, começa a flair para todos os contribuintes a partir do momento em que a decisão do Excelso Tribunal passou a ter efeitos erga omnes, in casu, da data de publicação da resolução do Senado da República que suspendeu o dispositivo inquinado de inconstitucionalidade e exaure-se, impreterivelmente, após o transcurso do prazo quinquenal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO REFERENTE A EXIGÊNCIA COM BASE NA MEDIDA PROVISORIA N° 1.212/1995 E REEDIÇÕES. 0 termo inicial de contagem do prazo de decadência para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados quando o indébito exsurge de anulação da norma tributária instituidora ou modificadora do tributo, mas com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal que, em sede de ADM, a declarou inconstitucional. Et para a hipótese de a pretendida repetição fundar-se em suposta inaplicação da legislação instituidora da exação fiscal, que não teve sua vigência e eficácia obstadas judicialmente, o prazo decadencial começa a fluir na data de extinção do crédito tributário pelo pagamento e exaure-se, impreterivebnente, com o decurso do quinquênio legal. Prejudicial de decadência parcialmente acolhida. PIS. COMPENSAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade da parte .final do artigo 18 da Lei n" 9.715/98, a contribuição para o PIS, no período compreendido entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, deve ser apurada observando-se que a aliquota era de 0,75% incidente sobre a base de cálculo, assim considerada o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do . fato gerador, sem correção monetária. A partir de 1" de mat-0 de 1996, passaram a viger com eficácia plena as modificações introduzidas na legislação do PIS pela Medida Provisória n" 1.212/95 e suas reedições, ,\ Processo n° 10070.002227/2001-17 Acórdão n. ° 02 -03.759 CSRF/T02 Fls. 1.081 Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional apontou como divergências a semestralidade da contribuição do PIS e o prazo decadencial para formalização do pedido de repetição de indébito referente a pagamento efetuado com base na MP 1.212/95. Por meio do despacho n° 202-050 (fls. 932/936), o Presidente da Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes deu seguimento parcial ao recurso especial concluindo que ter havido demonstração de divergência quanto à contagem do prazo decadencial. Dentro do prazo legal a D. Procuradoria apresentou agravo ao despacho que negou parcialmente seguimento ao recurso especial, o qual foi rejeitado, conforme fls. 1.071/1.073. A contribuinte, em seu recurso especial, suscitou a controvérsia quanto ao prazo decadencial para pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação, o qual entende ser de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos contados da homologação (tese dos 5+5). Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial, o recurso especial da contribuinte foi admitido pelo despacho n° 202-553, de fls. 1.047/ 1.049. Ambas interessadas apresentaram, no prazo legal, as respectivas contra - razões aos recursos interpostos. o Relatório. 3 Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora Trata-se da análise de dois recursos apresentados. 0 recurso especial Procuradoria Geral da Fazenda Nacional foi admitido apenas quanto à semestralidade. 0 apelo da contribuinte, trata apenas do prazo decadencial para restituição do indébito. Passo à análise dos recursos. Recurso Especial da Fazenda Nacional Aduz a recorrente que, uma vez restaurada a sistemática da Lei Complementar n° 7/70, pela declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2449/98, pelo Supremo Tribunal Federal, e Resolução do Senado Federal n° 49 (DOU de 10/10/95), no cálculo do PIS das empresas mercantis, a base de cálculo é a do sexto mês anterior, sem a atualização monetária. Tenho comigo que a Lei Complementar n° 07/70 estabeleceu, com clareza (muito embora admita que o conceito de clareza é relativo, dependendo do intérprete), que a base de cálculo da Contribuição para o PIS é o valor do faturamento do sexto mês anterior, ao assim dispor, no seu artigo 6', parágrafo "A contribuição de julho será calculada coin base no faturam ento de fevereiro, e assim sucessivamente." Assim, a empresa, com respaldo no texto acima transcrito, não recolhe a contribuição de seis meses atrás. Recolhe, isto sim, a contribuição do próprio mês. A base de cálculo é que se reporta ao faturamento de seis meses atrás. Logo, o fato gerador ocorre no próprio Ines em que o encargo deve ser recolhido. Dessa forma, claro está que uma empresa, ao iniciar suas atividades, nada deve ao PIS, durante os seis primeiros meses, ainda que já tenha formado a sua base de cálculo, corno também é verdade que, quando da sua extinção, nada deverá recolher sobre o faturamento ocorrido nos últimos seis meses, pois não terá ocorrido o fato gerador. Como bem lembrado pelo respeitável Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal — Ed. Saraiva — 1993 — pág. 487/488) "... os juristas, são unânimes em afirmar que o trabalho do intérprete não está mais em decifrar o que o legislador quis dizer, mas o que realmente esta contido na lei. 0 importante não é o que quis dizer o legislador, mas o que realmente disse." A situação acima permaneceu até a edição da Medida Provisória n° 1.212, de 28/11/95, que conferiu novo tratamento ao PIS. Observa-se que a referida Medida Provisória foi editada e renumerada inúmeras vezes ate ser convertida na lei 9.715, de 25/11/98. A redação, que vige atualmente, até o presente estudo, é a seguinte: " Art. 2" - A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I — pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação cio imposto de renda, inclusive as 4k/ 4 ; Processo n° 10070.002227/2001-17 Acórdão n.° 02-03.759 CSRF/T02 Fls. 1.082 empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês." (MP n" 1676- 36) 0 problema, portanto, passou a residir, no período de outubro de 1988 a novembro de 1995, (ADIN 1417-0) no que se refere a se é devido ou não a respectiva atualização quando da utilização da base de cálculo do sexto mês anterior. Ao analisar o disposto no artigo 6° , parágrafo único , há de se concluir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior), inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente), relativo A. realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). Não há, neste caso, como dissociar os dois elementos (base de cálculo e fato gerador) quando se analisa o disposto no referido artigo. No mais, feitas as considerações iniciais, considerando que a semestralidade da base de cálculo, devida até o período de fevereiro de 1996 ser matéria já pacifica na esteira de decisões do Superior Tribunal de Justiça e da Camara Superior de Recursos Fiscais' e da Súmula cuja redação é a seguinte: SÚMULA 2CC n" 11 - A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mds anterior, sem correção monetária. Deixo de tecer maiores comentários, devendo ser o credito apurado pela contribuinte, pelo critério do parágrafo único do art. 6° da LC n° 7/70. Dessa forma, impõe-se o indeferimento do recurso da Fazenda Nacional. Recurso Especial Contribuinte Conforme relatado, o recurso interposto abrange apenas a discussão da decadência (prazo para solicitar a restituição). A empresa apresentou pedido de restituição de PIS, cumulado com pedido de compensação em 28/12/2001 e refere-se aos períodos de apuração de 12/91 a 03/96. O período de 10/95 a 02/96 submetida as regras da MP n° 1212/95, a decisão recorrida afastou a decadência. Manteve a decadência para o período submetido às regras dos DLs. 2445 e 2449/88 afastados pela Resolução do Senado. Entendeu que a contribuinte deveria ter formulado pedido dentro do prazo dos 5 anos contados da Resolução n° 49, de 10 de outubro de 1995. A contribuinte pede para que o período considerado decaído (10/95 a 03/96) se lhe aplique a regra dos 10 anos retroativo ao pedido (5 + 5), segundo a interpretação do Judiciário. Cf. STJ, Primeira Seção, Resp n' 144.708, rel. Ministra Eliana Calmon, j. 29/05/2001. Quanto à CSRF, dentre outros, cf. acórdãos n's CSRF/02-01.570, j. em 27/01/2004, unânime; CSRF/02-01.1 6, j. em 16/09/2002, unânime; e CSRF/01-04.415, j. em 24/02/2003, maioria. 5 Mesmo tendo durante algum tempo, me curvado ao entendimento adotado pela Eg. Camara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que o prazo decadencial é de 5 anos contados da publicação da Resolução do Senado, sempre ressalvei minha opinião particular de acordo com a linha de interpretação do STJ no sentido de que os pedidos efetuados antes da vigência do disposto no art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 deveriam obedecer ao prazo de 10 anos retroativos a contar do pleito 2 . Somente para relembrar, o artigo 3 0 da LC no 118/2005 suplantou a tese dos 5 + 5 ao estabelecer o prazo prescricional de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, seja no caso de homologação tácita ou expressa, e a segunda parte do artigo 40 da precitada lei fez retroagir o artigo 3° nos termos do artigo 106, I do CTN. Considerando julgamento do Pleno do STJ, no EResp n° 644.736/PE, no qual declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/05, deixo de apenas ressalvar minha opinião para adotar esse entendimento, quando expresso pela contribuinte. Ressalte-se, ainda, que em novo julgamento (Agravo de Instrumento no EResp n° 644.736/PE — em fonnalização), a Corte Especial (Min. Teori Albino Zavascki) esclareceu como deve ser aplicada a nova regra prevista no artigo 3° da Lei Complementar n° 118/05, sustentando que a transição da regra de prescrição deve obedecer a entendimento doutrinário já consagrado no Supremo Tribunal Federal ("STF"), segundo o qual será aplicado o novo prazo, tendo como termo inicial a data da vigência da lei que o estabelece. Portanto, segundo anotado pelo próprio Ministro, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n° 118/05 (09.06.05), o prazo para pedido de restituição é de 5 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido ou a maior; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (5 + 5) limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Conclusão: Por todo o exposto, em relação ao recurso da contribuinte: considerando que (i) os créditos supostamente decaídos se referem aos períodos de apuração de 12/91 a 09/95, e (ii) o pedido de restituição foi protocolizado em 28/12/2001 - dentro do prazo de 10 anos, dou provimento ao recurso interposto pela contribuinte. Em não sendo vencida quanto o afastamento da decadência, devem os autos retornar à Segunda Camara do Segundo Conselho de Contribuintes para que seja apreciado, quanto ao mérito, o direito ao crédito solicitado. Relativamente ao recurso da Fazenda Nacional, nego-lhe provimento uma vez que a exigência do PIS deve ser calculada mediante as regras estabelecidas pela Lei Complementar n° 07/70, e, portanto, sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem a atualização monetária da sua base de cálculo. Maria Tere a Martinez López 2 0 prazo para ao pedido de restituieão/compensaeAo de indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentes do STJ - Embargos de Divergência no Recurso Especial n. 4 5.835-SC). cJ 6 Processo n° 10070.002227/2001-17 Acórdão n.° 02-03.759 CS RF/T02 Fls. 1.083 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator Designado Conforme se verifica nos autos a controvérsia sobre a decadência refere-se ao indébito gerado em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-leis n° 2.445 e 2.449/88. cediço que o ST.I acolheu a tese do Professor Hugo de Brito Machado, no sentido de que no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário, referida no art. 168, I do CTN, ocorre com a combinação do pagamento antecipado e a homologação do lançamento, referidas no art. 156, VII CTN. Segundo este entendimento, caso o contribuinte tenha efetuado algum pagamento, o prazo de cinco anos previsto no art. 150, § 4° do CTN começa a fluir a partir da data da homologação do lançamento. Se a homologação for expressa, os cinco anos do prazo de decadência, contam-se a partir desta data. Se for tácita, contam-se os cinco anos a partir do exaurimento do qüinqüênio previsto no art. 150, § 4° do CTN. Com o devido respeito ao Professor Hugo de Brito Machado e ao tribunal, com esta tese não posso concordar. 0 art. 156, VII do CTN estabelece que: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: VII- o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §,sç' 1° e 4'. (grifei) 0 dispositivo realmente exige a conjugação de dois fatos que são a ocorrência de um pagamento antecipado, ainda que parcial, e a homologação do lançamento, que pode ser tácita ou expressa. Entretanto, esta interpretação não levou em conta que o art. 150, § 1° consigna que (..) O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito sob condição resohttória da ulterior homologação do lançamento. (grifei) Por sua vez, o art. 127 do Novo Código Civil deixou claro que quando a condição é resolutiva o ato jurídico tem eficácia deste o momento de sua constituição, ao estabelecer que (..) Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.(...) (grifei). Por outro lado, o disposto nos §§ 2° e 3° do art. 150 do CTN permite concluir que mesmo no caso do pagamento antecipado ser parcial, o valor pago será descontado do que for apurado posteriormente pelo fisco. 7 Em outras palavras, isto significa que o pagamento antecipado, ainda que em montante menor do que o devido, gera efeitos jurídicos a partir do momento em que é efetuado, uma vez que o sujeito passivo passa a ser titular de direitos mesmo antes da homologação tácita ou expressa. Com efeito, uma vez efetuado o pagamento antecipado, o contribuinte não precisa aguardar que sobrevenha a homologação tácita ou expressa para requerer certidão negativa de débitos, nos termos do art. 205 do CTN, pois este direito surge no momento do pagamento que extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação. Reforça este argumento o fato de a homologação não ter sido incluída no art. 206 do CTN entre as hipóteses em que a certidão positiva tem efeitos de negativa. Além disso, a teor dos §§ 2° e 3 0 do art. 150 do CTN o valor antecipado parcialmente não gera efeito sobre a obrigação tributária, mas gera efeito em relação ao crédito tributário, uma vez que deverá ser descontado do que porventura for apurado em momento posterior pelo fisco. Isto demonstra que pelo menos uma parte do credito tributário foi extinto na data em que ocorreu a antecipação do pagamento. Ora, se o pagamento antecipado efetuado a menor gera efeitos até em relação à obtenção de certidão negativa, como se pode dizer que não ocorreu a extinção, ainda que parcial, do crédito tributário? Portanto, não tenho a menor dúvida de que a homologação do lançamento, seja ela tácita ou expressa, tern efeitos ex tune, retroagindo A. data em que foi feito o pagamento antecipado. A tese do Professor Hugo de Brito Machado seria válida se o art. 150 § 1° do CTN extinguisse o crédito sob condição suspensiva da ulterior homologação do lançamento, mas como o legislador estabeleceu que a condição é resolutória, a extinção definitiva do credito tributário ocorre no momento da antecipação do pagamento e somente em relação ao montante antecipado. Os efeitos da homologação ou da não-homologação para o fim de exigir- se eventuais diferenças, retroagem A. data do pagamento. A tese majoritária desta Turma da CSRF quanto ao prazo de decadência para pedir restituição do PIS com base na inconstitucionalidade dos Decretos-leis n° 2.445 e 2.449/88, consolidou-se no sentido de contar o prazo a partir da publicação da Resolução n° 49 do Senado. A referida tese majoritária está retratada com maestria no voto condutor do Acórdão n2 202-16.729, cujos fundamentos adoto nos ternos e para os fins do § 1 2 do art. 50 da Lei n2 9.784/99. No referido voto o relator destaca que a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes faz importante distinção quando o pedido decorre de situação jurídica conflituosa, que tenha culminado em declaração de inconstitucionalidade de lei. Nesses casos, tem-se entendido que o dies a quo da contagem do prazo decadencial e a data da declaração de inconstitucionalidade, pois é somente a partir dela que o pagamento, antes legalmente válido, torna-se indevido. Em outra oportunidade esta Turma sintetizou bem essa questão no Acórdão n2 CSRF/01-03.239, de 19 de março de 2001, cuja ementa tem o seguinte teor: "Decadência. Pedido de Restituição. Termo Inicial. 8 Processo n° 10070.002227/2001-17 Acórdão n.° 02-03.759 CSRF/T02 Fls. 1.084 Em caso de conflito quanto a inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pogo indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; b) da Resolução do senado que confere efeito 'erga omnes' a decisão proferida `interpartes' em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária." Outras fontes que concorrem para a sedimentação da citada tese são os precedentes judiciais, tal como o entendimento contido no RE n 2 141.331-0, Rel. Min. Francisco Rezek, de que a contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição da indevida incidência apenas se inicia a partir da data em que a norma foi declarada inconstitucional, vez que o sujeito passivo não poderia perder direito que não podia exercitar. Se o indébito se exterioriza a partir da declaração de inconstitucionalidade das normas instituidoras do tributo, surge para o contribuinte o direito a sua repetição, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido. Considerando que a incidência da contribuição para o PIS, com base nos Decretos-Leis n 2s 2.445/88 e n2 2.449/88, s6 veio a ser afastada em 10/10/1995, com a publicação da Resolução n2 49, do Senado Federal, deve ser este o dia do inicio da contagem do prazo decadencial para os pedidos de restituição dos valores pagos a maior com base nesses dispositivos legais declarados inconstitucionais. Perfazendo o lapso temporal de 5 (cinco) anos, contados de 11/10/1995, tem- se que seu término deu-se em 10/10/2000. In cant, o contribuinte decaiu do direito de pedir restituição, pois o pleito foi apresentado em 21 de dezembro de 2001, após o esgotamento do lapso temporal em que poderia ter sido formulado. Com esfas consideraçqes, divirjo da ilustre Relatora originária, para votar no / sentido de negar proviento ao recurso do contribuinte. (AA Antonio Carlos AtuliMi
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003198/2007-80
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
No caso de lançamento motivado na falta de apresentação de documentação comprobatória após intimação fiscal, os recibos que instruírem a peça impugnatória serão considerados hábeis desde que revestidos das formalidades legais.
A dedução de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento motivado na falta de apresentação de documentação comprobatória após intimação fiscal, os recibos que instruírem a peça impugnatória serão considerados hábeis desde que revestidos das formalidades legais. A dedução de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 31 98 /2 00 7- 80 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de exigência de imposto de renda pessoa física formalizada no Auto de Infração de fls. 29 a 33, em virtude da glosa da dedução de despesas médicas, no valor de R$ 32.969,27, informada na Declaração de Ajuste Anual, referente ao exercício de 2003, ano calendário de 2002. A motivação do lançamento se encontra assim detalhada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 30: “Dedução indevida a titulo de despesas médicas. intimado contribuinte não comprovou efetividade de serviços prestados ou desembolso de pagamentos ao profissional Nikolaus D. Deonas. Demais pagamentos declarados não foi apresentado comprovação.” (sic). Em impugnação, fls. 01, instruída com os documentos acostados às fls. 03 a 12, o interessado alega, em síntese, que estranhou a conclusão da fiscalização não aceitando os documentos à época apresentados, motivo pelo qual retorna apresentando cópias reprográficas autenticadas dos documentos. Examinando o assunto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) considerou comprovadas as despesas relativas à Unimed de Santos, no valor de R$ 4.279,02 e as despesas relativas à CAPEP — Assistência Médica, no valor de R$ 160,25. Diante do valor remanescente de R$ 28.530,00, a decisão recorrida manteve parcialmente a glosa da dedução das despesas médicas fundamentada na seguinte ementa expressa no Acórdão nº 1733.029, fls. 36 a 38: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 Ementa: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. VALOR PROBANTE DOS RECIBOS. Os recibos emitidos em conformidade com a legislação são documentos hábeis para comprovação de despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, salvo se as despesas forem exageradas ou existirem indícios de inidoneidade dos recibos. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Comprovado, nos autos, o pagamento parcial das despesas médicas informadas na declaração de rendimentos do exercício fiscalizado, deve ser restabelecida a dedução relativa à despesa comprovada. Lançamento Procedente em Parte” Cientificado em 28/07/2009, fls. 42, o contribuinte ingressou recurso voluntário em 13/08/2009, fls. 43 a 47, alegando, em síntese: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.003198/200780 Acórdão n.º 2802002.462 S2TE02 Fl. 60 3 a decisão recorrida inverte todas as normas jurídicas vigentes, não levando em consideração o princípio da inocência presumida; a decisão recorrida presumiu a falsidade dos documentos não contestados pelo profissional que regularmente os emitiu; a afirmação de que o recibo sem a comprovação através de cheques ou transferências eletrônicas são desprovidos de qualquer valor legal, cria uma grande instabilidade social, causa flagrante instabilidade jurídica pois despreza a lei, os costumes e o entendimento pacífico de doutrinadores e da jurisprudência que relaciona; requer o reconhecimento como válidos todos os documentos apresentados de despesas médicas e o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Em discussão os seguintes documentos apresentados pelo contribuinte como prova da dedução das despesas médicas no valor de R$ 28.530,00, remanescente após a decisão de primeira instância: 1) Recibo emitido por Lúcia Helena N Lopes Godoy, em nome do contribuinte, referente a tratamento dentário, no valor de R$ 30,00, fls. 03; 2) Recibo emitido por Álvaro Luiz Barreto, em nome do contribuinte, referente a tratamento vascular especializado, no valor de R$ 8.500,00, fls. 06, e; 3) Recibos emitidos por Nikolaus Dennis Deonas, em nome do contribuinte, referente a cirurgia reparadora da face, no valor de total de R$ 20.000,00, fls. 07 a 10. De acordo com o auto de infração, os recibos relacionados nos dois primeiros itens acima não foram apresentados à fiscalização, após intimação. Diante disso, à autoridade julgadora cabe o exame dos recibos que instruíram a impugnação. O colegiado de primeira instância deixou claro na ementa do acórdão recorrido que para a comprovação de despesas médicas deduzidas da base de cálculo do imposto de renda tornase necessário que os comprovantes estejam revestidos das formalidades previstas nos incisos II e III, do § 2º do art. 8º, da Lei nº 9.250, de 1995, transcrito no corpo do voto do acórdão recorrido. O exame do recibo apresentado às fls. 03, no valor de R$ 30,00, evidencia que dele não consta o nome do beneficiário do tratamento dentário e tampouco o endereço da profissional emitente. A mesma falta de indicação do beneficiário do tratamento e do endereço do profissional se percebe em relação ao recibo de fls. 06, emitido pelo profissional Álvaro Luiz Barreto, no valor de R$ 8.500,00. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Portanto, uma vez que o lançamento foi motivado na falta de apresentação de documentação comprobatória após intimação fiscal, os recibos de fls. 03 e 06, que instruíram a peça impugnatória, não podem ser considerados hábeis para fins de comprovação da dedução das respectivas despesas médicas pleiteadas, por não se revestirem das formalidades legais. Quanto a glosa das despesas médicas representada pelos recibos de fls. 07 a 09, no valor global de R$20.000,00, o lançamento fundamentouse no fato de o contribuinte não haver comprovado a efetividade dos serviços ou o desembolso de pagamentos ao profissional Nikolaus Dennis Deonas. A decisão recorrida, por sua vez, considerou que as despesas médicas seriam exageradas em relação aos rendimentos declarados. Diante dessa consideração e fundamentadose no mencionado § 1º do art. 73, do RIR/1999, o relator do voto condutor do acórdão de primeira instância argumentou que a autoridade fiscal pode exigir que o contribuinte apresente, além dos recibos emitidos pelo profissional, documentos que comprovem o efetivo desembolso dos valores, ou até mesmo documentos que comprovem os procedimentos médicos realizados. Em relação à matéria, ficou pacificado neste Colegiado que a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador, tendo como ponto de partida a imputação feita no lançamento. Nesse sentido este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Examinando referidos recibos, fls. 07 a 09, constatase que, deles não constam o beneficiário do tratamento e o endereço do profissional que os emitiu. Daí a razão pela qual, independentemente da questão da não comprovação da efetividade da prestação do serviço ou do desembolso por parte do contribuinte, o lançamento deverá ser mantido também nesta parte. Finalmente, seria bom observar que, por não se conformarem aos requisitos formais exigidos pela legislação tributária, não há como aplicar ao presente caso o princípio da presunção da inocência, pleiteada pelo recorrente. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19740.000445/2007-39
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1995
TRIBUTO INEXIGÍVEL. ORDEM DECORRENTE DE MANDADO DE SEGURANÇA. EFEITO EX TUNC. RECOLHIMENTOS ANTERIORES INDEVIDOS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Nos casos em que o tributo é declarado ilegítimo por ação judicial e tendo a sentença efeito retroativo, os valores recolhidos até o trânsito em julgado da sentença, tornam-se indébitos passíveis de restituição/compensação.
Numero da decisão: 1102-000.461
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por MAIORIA de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos de relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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ORDEM DECORRENTE DE MANDADO DE SEGURANÇA. EFEITO EX TUNC. RECOLHIMENTOS ANTERIORES INDEVIDOS. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Nos casos em que o tributo é declarado ilegítimo por ação judicial e tendo a sentença efeito retroativo, os valores recolhidos até o trânsito em julgado da sentença, tornam-se indébitos passíveis de restituição/compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por MAIORIA de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos de relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (relatora). Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro João Carlos de Lima Junior. 1 Processo n° 19740.000445/2007-39 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-000.461 Fl. 314 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Leonardo de Andrade Couto, Ana Clarissa Masuko dos Santos e João Carlos de Lima Junior. Relatório Trata o presente processo de declarações eletrônicas de compensação (PER/DCOMP), apresentadas as fls. 03 a 35, dados relativos aos supostos créditos constam às fls. 09, 29 e 33, e dizem respeito à CSLL do ano-calendário de 1995, saldo negativo de CSLL do período de apuração de 2004 e saldo negativo de IRPJ do período de apuração de 2004, todos oriundos do processo judicial n° 950000800-9 da 29a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Todos esses créditos referem-se à empresa incorporada Motor Union Seguros S/A, CNPJ 60.398.310/0001-38. 0 Despacho Decisório — Parecer n° 004/2009 (fls. 67/71), não reconhece o direito creditório, no valor de R$513.718,35, decorrente de CSLL do ano calendário de 1995, oriundo do processo judicial n° 950000800-9 da 29a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, e, em consequência, não homologa as compensações declaradas através dos PER/DCOMP anexados às fls. 4/27. Ciente 06/02/2009, fl. 81, apresenta a Contribuinte, em 10/03/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 82/89, onde alega, em síntese, que: - o direito creditório não reconhecido decorre de mandado de segurança proposto por sua sucedida (Motor Union Seguros S/A); - se os créditos tributários recolhidos foram considerados ilegítimos por uma sentença transitada em julgado, não pode haver dúvidas de que se abre o direito a compensação de tais indébitos; - não podem subsistir os argumentos contidos no Parecer 004/2009. O Acórdão 12-25.280- 1 a.Turma DRJ/RJ1,de fls.116/119, confirma o despacho decisório e está assim ementado: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1995 COMPENSAÇA - O. Mantém-se o Despacho Decisório, se não apresentado elemento de prova que o niodifique. Solicitação indeferida. 2 Processo n° 19740.000445/2007-39 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-000.461 Fl. 315 Ciente da decisão em 29/10/2009, fls.125, irresignada a Contribuinte interpõe o voluntário de fls.126/133, em 30/11/2009, onde, após narrar os fatos, ressalta que a sentença do mandado de segurança possui natureza mandamental e, por evidente, um cunho marcadamente declaratório, constitutivo e condenatório. Contudo a Turma julgadora indeferiu a manifestação de inconformidade, sob a alegação de que a decisão judicial, em sede de mandado de segurança, não pode alcançar os pedidos de compensação, porque deles não cuidou. Contudo, tal posição não prospera, porque, de fato, é ação mandamental não é substitutiva da ação de cobrança (Súmulas n's 269 e 271 do STF). Tratando-se, contudo de supostos débitos recolhidos no curso da ação, sobrevindo o trânsito em julgado da sentença que determinou à autoridade impetrada que se abstivesse de exigir o tributo, é evidente que essa decisão judicial deverá ter alguma eficácia prática no mundo dos fatos. No caso de recolhimentos que, com a decisão judicial final, tornaram-se indébitos, tem o direito de vê-los restituidos pelo regime de compensação, pois o reconhecimento do seu direito já fora fixado pelo Poder Judiciário. A Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil n° 973, de 27 de novembro de 2009, respalda seu direito. Nela, a melhor interpretação a ser conferida A hipótese, uma vez que, no caso dos presentes autos, também restou declarado a inconstitucionalidade da lei "em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte", ali não se fazendo qualquer ressalva quando à espécie de medida judicial na qual viu reconhecido seu direito. Corrobora esse entendimento o Egrégio Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 605.412, Relator o Ministro João Otávio de Noronha: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. SERVIDORES PúBLICOS INATIVOS. LEI N. 9.630/98. ISENÇÃO. DIREITO A RESTITUIÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. EXECUÇÃO DA SENTENÇA CONCESSIVA DA SEGURANÇA. DESNECESSIDADE DE AÇÃO AUTÔNOMA. 1. Eliminada do mundo jurídico a contribuição previdenciciria dos inativos desde o seu nascedouro, impõe-se o reconhecimento do direito a restituição dos valores indevidamente descontados a titulo da exação. 2. Afigura-se plenamente eficaz decisão judicial transitada em julgado que concede a segurança para determinar a restituição de parcelas recolhidas indevidamente a titulo de contribuição para a Plano de Seguridade Social dos servidores públicos federais, retroagindo ii data do ajuizamento da ação mandamental, devendo a execução do titulo judicial ser feita nos próprios autos do writ of mandamus, não havendo necessidade de ajuizarnento de ação autônoma. 3. Recurso especial improvido." / 0 3 Processo n° 19740.000445/2007-39 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-000.461 Fl. 316 (RESP no 605412, 26 Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ de 20/03/2007, p. 258) (grifos da transcrição) Alude que, apesar desses argumentos, a decisão recorrida os desconsiderou e se limitou a repetir que a decisão judicial em sede de mandado de segurança não pode alcançar os pedidos de compensação porque deles não cuidou, tal como o fez o despacho decisório, além de alegar que a Recorrente não apresentou elementos de prova em sua manifestação de inconformidade que conduzissem a conclusões diversas daquelas apresentadas no despacho decisório. Repisa que não se trata de matéria de prova e sim de questão puramente lógica, porque, a partir do momento em que determinado débito já quitado foi julgado indevido, nasce um crédito para o contribuinte, cuja compensação a Instrução Normativa n° 460/2004, a qual vigorava á. época das compensações em comento, em nenhum momento vedou, conforme se depreende da leitura do dispositivo a seguir: "Art. 26. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na con ipensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. sS' 1". A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VI, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório." Assim, se vê prejudicada ao ter seus legítimos créditos desconsiderados quando do aproveitamento dos mesmos para fins de compensação, não podendo subsistir os argumentos contidos no Parecer 004/2009. Despacho de fls.140 encaminha os autos ao CARE Posteriormente, por sorteio, sou designada como relatora. o Relatório. 4 Processo n° 19740.000445/2007-39 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-000.461 Fl. 317 Voto Vencido Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relatora Trata o presente processo de declarações eletrônicas de compensação (PER/DCOMP),apresentadas As fls. 03 a 35, dados relativos aos supostos créditos constam As fls. 09, 29 e 33,e dizem respeito à CSLL do ano-calendário de 1995, saldo negativo de CSLL do período de apuração de 2004 e saldo negativo de IRPJ do período de apuração de 2004, todos oriundos do processo judicial n° 950000800-9 da 29a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. Todos esses créditos referem-se à empresa incorporada Motor Union Seguros S/A, CNPJ 60.398.310/0001-38. A negativa do reconhecimento do crédito se dá porque a decisão judicial em sede de mandado de segurança não pode alcançar os pedidos de compensação, porque deles não cuidou. O Contribuinte,por seu turno, aduz que a ação mandamental não é substitutiva da ação de cobrança (SUmulas n's 269 e 271 do STF). Tratando-se, contudo de supostos débitos recolhidos no curso da ação, sobrevindo o trânsito em julgado da sentença que determinou A. autoridade impetrada que se abstivesse de exigir o tributo, é evidente que essa decisão judicial deverá ter alguma eficácia prática no mundo dos fatos. No caso de recolhimentos que com a decisão judicial final se tornaram indébitos, tem o direito de vê-los restituidos pelo regime de compensação. 0 crédito apontado na PER/Dcomp n. 06299.24085.090304.1.7.57-6272, refere-se ao Mandado de Segurança n°95.0000800-9, oriundo de Saldo Negativo de CSLL do ano-calendário 1995 é de R$ 513.718,35 04. Tal valor se prestaria para compensar os débitos apontados nas PER/DECOMPS, 06299.24085.090304.1.7.57-6272, 09343.75434.090304.1.7.57-6218, 30026.66920.090304.1.7.57-7780, 26273.40750.090304.1.7.57-2409, 12516.61126.090304.1.7.57-6704,41197.18276.150304.1.3.57-6420. Conforme dito no despacho, o processo judicial no 950000800-9 da 29a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro não foi juntado ao pedido. A informação foi retirada do site da Justiça Federal (fls. 44 a 51). Este aponta para ação judicial, um mandado de segurança impetrado por Motor Union Seguros S/A e outro (fls. 44) e que acórdão do TRF da 2 a. Regido exarado na Apelação em Mandado de Segurança com Recurso Extraordinário e Especial, processo no 97.02.20072-5, "concedeu segurança para que o impetrante se abstenha de recolher a CSSL PIS, com aliquotas majoradas, por força da ECR 1/94 e MP's editadas com fulcro na referida ECR 1/94, enquanto não existir lei regulando Fundo Nacional de Emergência." (fls. 46 a 1). Processo n° 19740.000445/2007-39 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-000.461 Fl. 318 Aqui, de forma diversa do que a Recorrente afirma em suas razões, a matéria não é jurídica, no mínimo, quanto esse "excesso" de aliquota que se conteve nos valores recolhidos. Este ponto sequer foi abordado e , note-se, também, que a sentença judicial não foi juntada pela Recorrente para que se analisasse os limites objetivos do direito pleiteado. Os autos também não noticiam que a administração tenha sido instada a realizar ou se abster de qualquer procedimento (veja-se que o demandante é o sucedido da Recorrente). Neste passo, nada mais se fez que dar cumprimento a Instrução Normativa n° 460/2004, a qual vigorava à época das compensações pretendidas. E bem verdade que em nenhum momento o comando normativo veda a compensação oriunda de decisão judicial transitada em julgado. Veja-se a letra: 'Art. 26. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRI'. ,sS' 1°. A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação a SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VI, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório." Como também é verdade que o parágrafo 1 0. é claro ao determinar a juntada de "documentos comprobatórios" do direito pretendido e isto a Recorrente não fez, se satisfazendo, apenas, com argumentos jurídicos que não bastaram para comprovar o direito pretendido. Nessa o em de juizos NEGO provimento ao recurso. ssoa Monteiro — Relatora. 6 Processo n° 19740.000445/2007-39 SI -C I T2 Acórdão n.° 1102-000.461 Fl. 319 Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Primeiramente, em pesem as fortes razões expostas pela ilustre relatora, peço vênia para discordar do voto proferido. Da análise dos autos é possível verificar que a contribuinte, ora Recorrente, obteve perante o Tribunal Regional Federal da 2a Regido a segurança pretendida (processo n° 95.0000800-9) para deixar de recolher a CSLL e o PIS, com aliquotas majoradas, por força da ECR 1/94 e MP's editadas com fulcro na referida ECR 1/94, enquanto não passar a existir lei regulando o Fundo Nacional de Emergência. Nesse passo, em vista da segurança concedida, a contribuinte pretendeu a restituição dos valores pagos em razão dos tributos discutidos judicialmente até a data do trânsito em julgado da sentença proferida na mencionada ação mandamental, por meio da Declaração de Compensação apresentada, a qual não foi homologada, sob o fundamento de que a sentença favorável ao contribuinte no Mandado de Segurança não conferiu qualquer direito à compensação, bem como que o Mandado de Segurança não substitui a ação de repetição de indébito. Diversamente da decisão exposta, entendo que o direito creditório do contribuinte deve ser reconhecido, sendo vejamos. No caso dos autos a concessão da segurança, que ressalte-se tem efeito ex tunc, declarou ilegítimo o tributo em debate naquela ocasião (Mandado de Segurança) e determinou a abstenção do contribuinte do recolhimento dos tributos, tornando, conseqüentemente, indevidos os recolhimentos efetuados até o trânsito em julgado da decisão. Nesse contexto, é possível verificar o surgimento do indébito, cuja restituição é garantida ao contribuinte. Cumpre ressaltar que o indébito não decorreu diretamente de ordem judicial ou de qualquer determinação da segurança concedida. 0 Mandado de Segurança interposto autorizou o não recolhimento e tornou inexigível a o tributo de forma retroativa. 0 crédito tributário, portanto, surgiu do recolhimento indevido e não diretamente do mandado de segurança. Sendo assim, o artigo 26 da Instrução Normativa n° 460/2004 trazido como fundamento do voto da ilustre relatora mostra-se inaplicável ao caso concreto, já que o crédito não foi reconhecido por ação judicial, mas nasceu do recolhimento indevido do tributo que foi declarado ilegítimo por ação judicial. 7 É como voto. João Carlos de Lima J )--- edator designado. Processo n° 19740.000445/2007-39 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-000.461 Fl. 320 Desta feita, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte para reconhecer o direito creditório, determinando o retorno dos autos à DRF competente para análise da efetiva existência do crédito pretendido. 8
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001971/2007-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1996 a 31/07/2001
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2402-000.862
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com a exclusão de todas as contribuições apuradas no lançamento, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 40, Art. $, I o CTN, no termos do voto do relator. O Conselheiro Rogério de Lellis Pinto acompanhou a votação por suas conclusões.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 31/07/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:36:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:36:20Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:36:20Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:36:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:379d5d80-3f15-4af3-97ee-39b489ad5efe; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:36:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:36:20Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:36:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:36:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:36:20Z; created: 2010-08-17T14:36:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2010-08-17T14:36:20Z; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:36:20Z | Conteúdo => S2-C4T2 Fl. 163 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4n,Ála.:- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10920.001971/2007-23 Recurso n° 157.314 Voluntário Acórdão n° 2402-00.862 — 4" Câmara /28 Turma Ordinária Sessão de 8 de junho de 2010 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS Recorrente MÓVEIS CAFTOR LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA -SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1996 a 31/07/2001 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2" numa Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com a exclusão de todas as contribuições apuradas no lançamento, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4 0 , Art. $, I o CTN, no termos do voto do relator. O Conselheiro Rogério de Lenis Pinto aco P a vo . ção por s as conclusões. A • O O IVE • • Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Blumenau / SC, fls. 0131 a 0135, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 0102 a 0107, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência - de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 30/08/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0115 a 0117, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0137 a 0140, acompanhado de anexos. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0161. É o relatório. 2 Processo n° 10920.001971/2007-23 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.862 Fl. 164 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Preliminarmente, devemos analisar a questão sobre a decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de no 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo • único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário-. Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelarnento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário n e inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 40, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. No período do lançamento foram considerados recolhimentos a homologar, fls. 083 a 086. 3 Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina Salário-de-Contribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a foinia de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Assim, como no lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse pagamento, compete à Administração homologá-lo ou recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de oficio, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago •antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de oficio está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: • 1. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ./o pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não pode "a permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considera-se feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de oficio o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4 Processo n° 10920.001971/2007-23 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.862 Fl. 165 § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regra decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. "Ementa: .... II. Somente quando não .há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do C7N. ...." (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2" Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) -- "Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4°, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN. ...." (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1 " Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de oficio o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de oficio relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período compreendido entre as competências 08/1996 a 07/2001 - especialmente nas relevantes competências de 12/2000 a 07/2001, fls. 083 a 086 - e o lançamento foi efetuado em 08/2006. Portanto, devem ser excluídas do lançamento todas as contribuições apuradas, pois os recolhimentos que ocorreram nessas competências já estão homologados, segundo a legislação citada acima. Por todo o exposto, acato a preliminar, para, devido a regra decadencial aplicada, excluir do lançamento todas as contribuições apuradas. CONCLUSÃO 5 Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, com a exclusão de todas as contribuições apuradas, devido a regra decadencial, nos termos do voto. Sala das Sessii .-- - 8 e - junho de 2010 / r.. RC LO OLIV RA — Relator .,' _ , - - _ 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA• .M CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n0: 10920.001971/2007-23 Recurso n'': 157314 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.862. Brasilir0, 5 de julho de 2010 I / \ ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 35357.001296/2005-43
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÔES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/2005
DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO
É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art 12, 1, "a", da Lei n. 8.212/91. Os elementos caracterizadores
do vinculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, tratando-se de clescumprimento de obrigação principal aplica-se o art. 17,3, I, caso se refira a obrigação acessória cabível o artigo 150, §4º .
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.402
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por voto de qualidade, com fundamento no artigo 173, 1 do CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento, vencidos os
conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN; no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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JULGAMENTO Processo n" 35357.001296/2005-43 Recurso IV 251.205 Voluntário Acórdão n" 2301-01..402 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO: PESSOA JURÍDICA Recorrente DIRVAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MALHAS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÔES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/2005 DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO É atribuída à fiscalização da SRP a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa contratante, desde que presentes os requisitos do art 12, 1, "a", da Lei n. 8..212/91. Os elementos caracterizadores do vinculo empregatício estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD,. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, tratando-se de clescumprimento de obrigação principal aplica-se o art. 17.3, 1, caso se refira a obrigação acessória cabível o artigo 150, §40 . Recurso Voluntário Provido em Parte ....- Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, com fundamento no artigo 173, 1 do CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento, vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN; no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores, nos termos do voto do(a) Relator(a),. JULIO CESAK VIEIRA GOMES — Presidente LE ARDO HE À PIRE OPES Relator .articiiarar • o y. .- e julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo ". ires Lopes, .Mauro José Silva, Edgar Silva Vida! (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, emitida em 15/06/05, em desfavor da Dirval Indústria e Comércio de Malhas Ltda, referente às contribuições providenciarias descontadas dos segurados empregados e contribuinte individual sócio-administrador e não recolhidas em época própria à Seguridade Social, durante o período de 08/1998 a 02/2005_ De acordo com o Relatório Fiscal de fls, 84/120, constituem fatos geradores da presente autuação, o pagamento ou crédito de remunerações, sob a rubrica "D18 — FOLHA PGTO D1RVAL ANTES GFIP e DIR — FOLHA DE PAGAMENTO DIRVAL", aos segurados empregados que prestaram serviços a Dirval Indústria, bem como a retirada de pró-labore do segurado contribuinte individual sócio- administrador, sob a rubrica "DIR — FOLHA DE PAGAMENTO DIRVAL" e "CS Contr„ Segurados", e, por último, o pagamento ou crédito de remunerações ao segurados da empresa Sul Indústria e Comércio de Confecções Têxteis Ltda, caracterizados pela fiscalização como segurados empregados de fato da empresa ora Recorrente, cuja contribuição social dos segurados fora arrecadada mediante desconto e não recolhida ao INSS, sob a rubrica "SUS — DESCONTOS SEGURADOS SUL", lançamento "CS Contr. Segurados", Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva de fls. 384/394, tendo a Decisão-Notificação de fls.. 453/464, julgado procedente o lançamento. Irresignada interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 473/487, alegando, em síntese: a) a existência de vicio formal quando da emissão da NFLD, pois houve responsabilização por obrigações fiscais de terceiros, decorrentes dos empregados da Dirval e dos empregados das demais empresas presumidamente participantes de grupo econômico; b) a fiscalização não emitiu Demonstrativo Analítico do débito levantado, cerceando o direito de defesa da ora Recorrente, pois os valores a ela imputados foram feitos por presunção, sem saber se a terceira empresa tinha ou não empregados, quais eram e quanto contribuíam; e) a fiscalização entendeu que houve uma simulação na criação das empresas ora terceirizadas da recorrente, o que, de fato, não restou demonstrado, Aduz que, ainda que existisse o suposto grupo econômico, 2 Processo n°35357.001296/200543 S2-C3TI Acórdão o " 2301-01402 Fl 2 como informado pelo fisco, o INSS não possui competência para declarar urna simulação e presumir sua existência; d) a NFLD indicou corno fundamento legal para tributação o art, 30, IX, da Lei 821291, no entanto, tal dispositivo não autoriza a .fiscalização declarar urna simulação e presumir a existência de um grupo econômico para fins de tributação; e) a IN 100/200.3, do INSS, definiu grupo econômico com base em norma de cunho trabalhista, e não tributária, de modo que não tem aparo em qualquer norma legal válida que lhe dê suporte jurídico e albergue a interpretação "extensiva" que determina. Por fim, fora apresentada Contra-Razões às fis, 572/573, aduzindo que os argumentos expostos no Recurso Voluntário não justificam qualquer alteração do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame, Da Decadência Mesmo sem o Recorrente ter aduzido a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, tendo em vista se tratar de matéria de Ordem Pública, observo de ofício que parte da divida em discussão foi atingida por tal instituto . A decisão recorrida, entendeu que o prazo de decadência de que goza o INSS para constituir seus créditos é de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art, 45 da Lei 8.212/01 Pois bem, A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em questão fora emitida em 15/06/2005 e abrange competências de 08/1998 a 02/2005.. Logo, todas as competências anteriores a 06/2001 foram atingidas pela decadência, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte .final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator.• Resultam inconstitucionais', portanto, os artigos 4,5 e 46 da Lei n" 8 212/91 e o parágrqfo único do art .5" do Decreto-lei n° 1..569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. 3 Sendo incoirstilucionais os dispositivos, mantém-se Idgida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os (lemais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 1.50, §. 4", 173 e 174 do CTN Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8 212/91, por violação do art. 146, 111, h, da Constituição, e do parágralb único do art. 5" do Decreto-lei iz° 1.569/77, .frente ao § 1" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto Súmula Vinculante n° 08 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vineulante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11417, de 19/12/2006, ia verbis: Ari 103-A O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na firma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n" 4.5, de 2004). Lei n° li 417, de 19/12/2006. Regulamenta o art I03-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Ar? 2,, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esfrias federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. sç 100 enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais lia/a, entre órgãos judiciários OU entre esses e a administração pública, controvérsia atual que 4 Processo n" 35357.001296/2005-43 S2-C3 .F1 Adua() n 2301-01.402 Fl. 3 acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de procmos sobre idêntica questão. Ternos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante, Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. No caso em apreço, inclino-me à tese jurídica na Sumula Vinculante n° OS para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, §40: Ari, 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa § 1" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resohaária da ulterior homologação ao lançamento § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3" Os atos a que se refere o pare:grafi) anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação, § 4" Se a lei não . fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do . fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Páblica se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou .simulação Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 15/06/2005 e que a autuação abrange as competências de 08/1998 a 02/2005, tenho como certo que as competências anteriores a 06/2001 foram atingidas pela decadência qüinqüenal. Da Preliminar Em preliminar, a Recorrente alega o cerceamento ao direito de defesa, posto que a fiscalização, supostamente, teria emitido NFLD eivada de vícios formais, tais corno a falta do Discriminativo Analítico do Débito.. Em análise aos aspectos formais da presente Notificação Fiscal, nota-se que esta fora lavrada em estrita consonância com o disposto nos arts. .33 e 37 da Lei 8.212/91, portanto, todas as formalidades legais, fatos geradores e dispositivos legais que motivaram e embasaram o lançamento, encontram-se perfeitamente discriminados, não merecendo guarida o alegado pela Recorrente, 5 Imperioso destacar que, além do Relatório Fiscal de fis, 84/120, integram, ainda, a NFLD, como peças de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: Fundamentos Legais do Débito — FLD, o Discriminativo Analítico de Débito DAD, o Discriminativo Sintético do Débito — USD, o Discriminativo Sintético por Estabelecimento — DSE, o Relatório de Lançamentos RL, o Relatório de Documentos Apresentados — RDA, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA, as Instruções para o Contribuinte — IPC, a Relação de Co-Responsáveis (CORESP), a Relação de Vínculos, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos — TAB e o termo de Encerramento da Auditoria Fiscal — TEAR Portanto, mostrado está que todas as informações necessárias e suficientes ao exercício da ampla defesa pela ora Recorrente estão presentes na NF"LD, que contém a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez_ Do Mérito No mérito, a Recorrente apenas limitou-se a contestar a existência de grupo econômico e de simulação. Porém, ressalte-se que, o que fiscalização constatou em ação fiscal desenvolvida na empresa e demonstrou no relatório da NFLD,a existência de uma simulação na contratação das empresas elencadas no Relatório Fiscal de fis, 84/120 e a existência dos elementos caracterizadores do vínculo empregatício entre a ora Recorrente e as pessoas fisicas que lhe prestaram serviços por meio dessas empresas. A auditoria demonstrou também que as empresas contratadas para prestarem seiviços de facção operaram, na verdade, como filiais da recorrente. Da análise dos fatos apresentados, verifica-se a existência de urna simulação no procedimento de terceirização adotado pela ora Recorrente, em que a Dirval Indústria e Comércio de Confecções Têxteis Ltda possui o controle administrativo sobre as seguintes empresas: Sul Indústria e Comércio de Confecções Texteis Ltda, Arpa Confecções Ltda, Helga Duwe Siewerdt e Confecções Damas Ltda, configurando, desta feita, grupo econômico, previsto no inciso IX, clo art. 30 da Lei 8212/91, Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos cio Brasil Comentado — 15" Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002, traz, no § 1 0, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Au t 1 67. É nulo o negócio puidico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se Válido Mr na substância e na forma I o Haverá simulação nos negócios Jurídicos quando: - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, - os instrumentos particulares fbrem antedatados, ou pós-datados 6 Processo n" 35357 001296/2005-43 S2-C31 1 Acórdão o .° 230.1-01,402 Fl. 4 E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito —7 Edição)» E, de acordo com o art. 118, inciso 1, do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, Assim, em respeito ao Principio da Verdade Material e pelo poder-dever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Vale ressaltar, ainda, que a desconsideração da personalidade jurídica não é ato privativo do Poder Judiciário. Esse é o entendimento fixado na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF 1" Região - Apelação Cível 94,01.13621-1/MG ai 12/04/2002 "Salienta-se ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já que .seus rei/es-os ti ibutárias existem independentemente da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, a questão central das autos cinge-se à repercussão para os ekitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou .simulação, como deflito o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Atilai a, nos termos do art. 149, inciso VII, do CTN.. " TR.F 4" Região - Apelação Em Mandado De Segurança n" 200.3_04.01,0.581.27-4 — Data da Decisão. 31/08/200.5 PROCESSUAL CIVIL JULGAMENTO ULTRA PETITit TRIBUTÁRIO OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAçÃo BANCÁRIA 3. A proposição de invalidada do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à .fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito individual, garantindo-se à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial 4_ Restando provados, à saciedade, os fatos que embasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, é desnecessária a utilização da 7 teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicando-se o ai t. 149, VII, do CTN Acórdão 107-08247- Sétima Câmara - 12/09/2005 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURIDICA - OMISSÃO DE RECEITA - INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS-- SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizou-se de terreiro para omitir receita, ..fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Oficio IRP.I- SIMULAÇÃO - MULTA AGRAVADA, Mantém-se a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. Nesse sentido, cita-se o entendimento de Heleno Urres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado - Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária - Ed. Revista dos Tribunais - 2003 - pág. 371: "Como é sabido, a Aáninistração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superar-lhes a forma, visando a alcançar a ,substáncia negociai, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os ,simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses confinantes Eles são simplesmente inoponiveis à Administração, cabendo a e.sta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negociai, da personalidade jurídica ou da fbrma apresentada, quando em presença do respectivo -motivo" para o ato adininistrativo o ato simulado" Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o poder-dever de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponiveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Ar! 149 O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos . . . . VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, frauda ou simulação; Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela Recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intentiofacti se divorcia da intendo luas-, ou seja, a intenção das partes é urna, a forma jurídica adotada é outra As transferências de empregados que ocorreram entre as empresas citadas pela fiscalização corrobora a afirmação da auditoria fiscal de que não existem vários, mas apenas um empreendimento industrial, ou seja, apenas urna empresa. Cita-se, como exemplo, o desenvolvimento da carreira de um funcionário pelas empresas do grupo: o funcionário Raimundo Taschner, foi admitido pela Dirval Malhas, depois demitido e admitido na Sul Indústria e Comércio de Confecções Têxteis Ltda, o que evidencia a transferência do empregado para outra empresa do grupo inscrita no SIMPLES. Depois, o Sr. Raimundo fora promovido a encarregado, demitido novamente e readmitido na \11 8 Processo n" 35357_001296/2005-43 S2-C3 TI Acórdão n 2301-01,402 F I 5 Dirval Malhas, o que evidencia o crescimento do funcionário dentro das empresas do grupo Dirval Malhas. Em seu Recurso, a Recorrente não nega muitas das constatações feitas pelo auditor fiscal, apenas se justifica, alegando que, não houve a simulação de grupo econômico. Todavia, os fatos narrados acima, bem como os outros minuciosamente descritos no Relatório Fiscal, reforçam a convicção de que as empresas prestadoras são, na verdade, filiais da recorrente,. Dessa forma e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal, entendo que restou caracterizada a existência de uma única organização empresarial, envolvendo todas as empresas arroladas pela fiscalização, restando clara a relação de matriz-filial entre a Recorrente e as empresas terceirizadas. Com isso, restou evidenciado nos autos a relação de emprego entre a Dirval Indústria e as pessoas fisicas que lhes prestaram serviços por intermédio das empresas contratadas. Ademais, a fiscalização constatou e demonstrou a presença dos pressupostos caracterizadores da relação de emprego, quais sejam, a não eventualidade, a subordinação jurídica, a pessoalidade e a onerosidade. Desta feita, conclui-se que apesar de as contribuições terem sido apuradas através das folhas de pagamento da empresa Sul Textil, ficou constatado que esses segurados na realidade são vinculados à empresa Dirval malhas, real responsável por . toda a atividade empresarial do grupo de empresas e, portanto, real responsável pelos encargos decorrentes da utilização de trabalhadores nessa atividade. Com efeito, conforme relatado e comprovado no Relatório Fiscal, as empresas Arpa Confecções, Confecções Damas, Sul Textil e Helga Duwe, embora tenham personalidades jurídicas próprias, não possuem autonomia financeiro-patrimonial e administrativa e, portanto, são mantidas pela Dirval malhas, são dirigidas pelas mesmas pessoas e prestam serviços somente umas às outras a bem da atividade empresarial do grupo. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, unicamente para afastar do lançamento as competências anteriores a 06/2001, posto que decaídas. É corno voto. Sala das Sessões i 29 de alm.. ' de 2010 sz. LEO 1QU O PÍRES LOPES - Relatar 9
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Numero do processo: 14041.001367/2007-53
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O indeferimento de diligência/perícia pelo órgão julgador de primeira instância, devidamente justificado, não caracteriza preterição do direito de defesa, descabendo falar em nulidade do acórdão emitido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
PESSOA JURÍDICA. AUTONOMIA PATRIMONIAL. RECEITAS ORIGINADAS DO OBJETO SOCIAL. OMISSÃO DE RECEITAS.
A pessoa jurídica possui personalidade própria, tendo como uma de suas características, a autonomia patrimonial. O patrimônio da pessoa jurídica é composto de todos os bens, direitos e obrigações, aí incluídas as receitas originadas das atividades desempenhadas nos termos do seu objeto social.
As receitas originadas dos valores das atividades de comissões pela corretagem de seguros e de assessoria e consultoria na área de seguros e organização de campanhas de incentivo e fidelização de clientes, nos termos do seu objeto social, fazem parte do patrimônio da pessoa jurídica que prestou esses serviços.
LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA DE APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE CORRETAGEM DE SEGUROS.
Na apuração do lucro real deve ser adotado o regime de competência para oferecimento à tributação as receitas auferidas, o que implica no reconhecimento dessas receitas no período em que ocorrerem, independentemente do recebimento ou pagamento dos serviços prestados.
OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO DOS CLIENTES DA AUTUADA.
Verificado, mediante circularização dos clientes da pessoa jurídica, diferenças entre os valores de prestação de serviços informados por estes e daqueles declarados ao fisco pela autuada, impõem-se reconhecer a ocorrência da omissão de receitas.
FALTA DE INDICAÇÃO DE ERRO. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DO VALOR DE RECEITA OMITIDO.
Cabe à defesa apontar com clareza, em sua contestação, os erros porventura cometidos pela autoridade fiscal, bem como trazer aos autos as provas documentais que embasam as alegações apresentadas capazes de elidir, no todo ou em parte, a exigência fiscal imposta. Não apontados os erros e nem trazidas provas suficientes, ficam mantidos os valores exigidos na autuação.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS.
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-001.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer a preliminar suscitada em sede de contrarrazões pela PGFN, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, em indeferir o pedido de diligência/perícia, em considerar definitivamente julgadas/lançadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O indeferimento de diligência/perícia pelo órgão julgador de primeira instância, devidamente justificado, não caracteriza preterição do direito de defesa, descabendo falar em nulidade do acórdão emitido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. PESSOA JURÍDICA. AUTONOMIA PATRIMONIAL. RECEITAS ORIGINADAS DO OBJETO SOCIAL. OMISSÃO DE RECEITAS. A pessoa jurídica possui personalidade própria, tendo como uma de suas características, a autonomia patrimonial. O patrimônio da pessoa jurídica é composto de todos os bens, direitos e obrigações, aí incluídas as receitas originadas das atividades desempenhadas nos termos do seu objeto social. As receitas originadas dos valores das atividades de comissões pela corretagem de seguros e de assessoria e consultoria na área de seguros e organização de campanhas de incentivo e fidelização de clientes, nos termos do seu objeto social, fazem parte do patrimônio da pessoa jurídica que prestou esses serviços. LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA DE APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE CORRETAGEM DE SEGUROS. Na apuração do lucro real deve ser adotado o regime de competência para oferecimento à tributação as receitas auferidas, o que implica no reconhecimento dessas receitas no período em que ocorrerem, independentemente do recebimento ou pagamento dos serviços prestados. OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO DOS CLIENTES DA AUTUADA. Verificado, mediante circularização dos clientes da pessoa jurídica, diferenças entre os valores de prestação de serviços informados por estes e daqueles declarados ao fisco pela autuada, impõem-se reconhecer a ocorrência da omissão de receitas. FALTA DE INDICAÇÃO DE ERRO. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DO VALOR DE RECEITA OMITIDO. Cabe à defesa apontar com clareza, em sua contestação, os erros porventura cometidos pela autoridade fiscal, bem como trazer aos autos as provas documentais que embasam as alegações apresentadas capazes de elidir, no todo ou em parte, a exigência fiscal imposta. Não apontados os erros e nem trazidas provas suficientes, ficam mantidos os valores exigidos na autuação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2399; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.388 1 1.387 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001367/200753 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.016 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FENAE CORRETORA DE SEGUROS E ADMINISTRAÇÃO DE BENS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O indeferimento de diligência/perícia pelo órgão julgador de primeira instância, devidamente justificado, não caracteriza preterição do direito de defesa, descabendo falar em nulidade do acórdão emitido. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. PESSOA JURÍDICA. AUTONOMIA PATRIMONIAL. RECEITAS ORIGINADAS DO OBJETO SOCIAL. OMISSÃO DE RECEITAS. A pessoa jurídica possui personalidade própria, tendo como uma de suas características, a autonomia patrimonial. O patrimônio da pessoa jurídica é composto de todos os bens, direitos e obrigações, aí incluídas as receitas originadas das atividades desempenhadas nos termos do seu objeto social. As receitas originadas dos valores das atividades de comissões pela corretagem de seguros e de assessoria e consultoria na área de seguros e organização de campanhas de incentivo e fidelização de clientes, nos termos do seu objeto social, fazem parte do patrimônio da pessoa jurídica que prestou esses serviços. LUCRO REAL. REGIME DE COMPETÊNCIA DE APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. RECEITAS DE CORRETAGEM DE SEGUROS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 67 /2 00 7- 53 Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.389 2 Na apuração do lucro real deve ser adotado o regime de competência para oferecimento à tributação as receitas auferidas, o que implica no reconhecimento dessas receitas no período em que ocorrerem, independentemente do recebimento ou pagamento dos serviços prestados. OMISSÃO DE RECEITAS. CIRCULARIZAÇÃO DOS CLIENTES DA AUTUADA. Verificado, mediante circularização dos clientes da pessoa jurídica, diferenças entre os valores de prestação de serviços informados por estes e daqueles declarados ao fisco pela autuada, impõemse reconhecer a ocorrência da omissão de receitas. FALTA DE INDICAÇÃO DE ERRO. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DO VALOR DE RECEITA OMITIDO. Cabe à defesa apontar com clareza, em sua contestação, os erros porventura cometidos pela autoridade fiscal, bem como trazer aos autos as provas documentais que embasam as alegações apresentadas capazes de elidir, no todo ou em parte, a exigência fiscal imposta. Não apontados os erros e nem trazidas provas suficientes, ficam mantidos os valores exigidos na autuação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL, PIS e COFINS. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer a preliminar suscitada em sede de contrarrazões pela PGFN, em rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, em indeferir o pedido de diligência/perícia, em considerar definitivamente julgadas/lançadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.390 3 Relatório As irregularidades apuradas pelo agente fiscal relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 64 a 113, e a impugnação do contribuinte foram assim sintetizadas no relatório do Acórdão nº 0329.037 da DRJ/Brasília, de fls. 1248 e seguintes, que, por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever e adotar: “Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o PIS/Pasep (PIS), bem assim de multa de oficio isolada pela falta de recolhimento do IRPJ apurado por estimativa, consubstanciados nos autos de infração às fl. 07/113, referentes aos anoscalendário 2003 a 2006, com crédito tributário total de R$ 13.162.318,26, assim distribuído: IRPJ R$ 6.433.164,53; CSLL R$ 2.769.663,26; Cofins R$ 1.232.149,24; PIS R$ 206.651,91; Multa isolada (IRPJ) R$ 1.260.344,66; Multa isolada (CSLL) R$ 1.260.344,66. Consoante descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal (TVF), parte integrante dos autos de infração, foi constatada omissão de receitas decorrente das seguintes irregularidades: • Deduções indevidas da receita bruta verificada a existência de estornos na conta de Receitas de Prestação de Serviços, no ano 2003, em um valor total de R$ 88.607,81, o sujeito passivo foi intimado a esclarecêlos, conforme Termo de Constatação Fiscal (TCF) às fl. 187/196. Em resposta às fl. 198/203, informou que: "os lançamentos a débitos que totalizam o valor de R$ 88.607,81 são referentes aos produtos de Crédito Interno, Habitacional e RD Lotérico. Esses produtos são vendidos a prazo onde a Caixa Seguradora repassa o valor total da premiação para a Corretora e não havendo quitação por parte do segurado, a premiação é estornada". Tendo em vista o disposto nos art. 279/280 e 340/341 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), a autoridade fiscal entendeu restar caracterizada omissão de receitas pela dedução indevida da receita (crédito) não paga pelo cliente Caixa Seguradora, haja vista a falta de subsunção do caso concreto às condições de dedutibilidade estabelecidas no referido art. 340 mencionado; • Inobservância do regime de competência verificada a existência de uma provisão de receita no valor de R$ 400.000,00, constituída no dia 30/12/2003), o sujeito passivo foi intimado a esclarecêla, conforme TCF às fl. 187/196. Em resposta às fl. 198/203, o sujeito passivo informou que: "o valor de R$ 400.000,00 referese ao comissionamento do produto de Seguro do Ramo Global de Bancos Penhor (POS) referente ao ano de 2003, porém a ser financeiramente liquidado em Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.391 4 26 de janeiro de 2004. A comissão não foi repassada pela Caixa Seguradora dentro do exercício, motivo para a realização da provisão". Com base nesta informação e em esclarecimento posteriormente prestado pelo sujeito passivo às fl. 236/252, onde informou que, por falta "de condições técnicas, muitas vezes procederam à contabilização pelo regime de caixa, a autoridade fiscal entendeu estar demonstrada a inobservância do regime de competência, capitulando a infração nos art. 251 e 273 doRIR/99; • Diferença entre os valores de receitas escriturados e os apurados pela fiscalização mediante circularização a fim de apurar a correção dos valores contabilizados pelo sujeito passivo a título de receitas, a autoridade fiscal procedeu a circularização de informações com seus clientes (e instituição financeira), especialmente em relação aos que apresentaram Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) com valores divergentes dos escriturados pelo sujeito passivo. Todos os documentos constam no Anexo II a este processo. Especificamente em relação às informações prestadas pelo "Grupo Caixa" (Caixa Capitalização S/A, Caixa Consórcio S/A, Caixa Seguradora S/A, Caixa Vida e Previdência S/A), foram feitas as seguintes observações: a) as informações foram fornecidas em meio magnético, tendo a fiscalização sido realizada com base nesses dados em virtude do elevado número de transações, que inviabilizariam a análise documental; b) no procedimento de extração de dados, verificouse que havia receitas da empresa FENAE Federação Nacional das Associações Economiárias, as quais foram excluídas (fl. 362/367 do Anexo II); c) para verificar a autenticidade dos valores informados, selecionouse uma amostra em relação a qual foram solicitados os documentos comprobatórios das transações, os quais foram apresentados. Os valores de receita escriturados pelo sujeito passivo foram apurados com base nos arquivos magnéticos por ele fornecidos, tendo sido juntadas no Anexo III deste processo as cópias do Razão onde constam o registro das contas representativas de receitas. Por meio do TCF às fl. 253/263, o sujeito passivo foi informado das diferenças apuradas e intimado a esclarecêlas. A resposta ao TCF consta no Anexo I deste processo. Segundo a autoridade fiscal, não houve justificativas para as diferenças apuradas, mas apenas demonstração dos valores já escriturados, com exceção do anocalendário 2006, para o qual houve uma redução significativa das diferenças apuradas em virtude da demonstração e comprovação, pelo sujeito passivo, de que grande parte das receitas foi contabilizada em uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), tendo sido tributada e informada em Declaração de Débitos e de Créditos Tributários Federais (DCTF) pelo sócio ostensivo. A autoridade fiscal demonstrou os valores omitidos às fl. 77/85, com detalhamento por clientes e instituição financeira (Santander), quais sejam: Mapfre Vera Cruz Seguradora, Mapfre Vera Cruz Vida e Previdência S/A, Porto Segura Cia de Seguros Gerais, Unibanco AIG Seguros S.A, Alquimia Serviços de Marketing Ltda, Caixa Consórcios S/A, Caixa Vida e Previdência, Caixa Capitalização S/A, Caixa Seguradora S/A e Banco Santander do Brasil S/A (este último referente as receitas financeiras). Relativamente aos clientes Caixa Consórcios e Caixa Vida e Previdência, as receitas omitidas foram recebidas a titulo de "reembolso de despesas" e de "patrocínio de eventos", bem assim a titulo de "corretagem e comissão" (cujos pagamentos foram comprovados por cópias de cheques, de depósitos bancários e de transferência eletrônica de valores). Para os clientes Caixa Capitalização e Caixa Seguradora, as receitas omitidas foram recebidas a titulo de "reembolso de despesas" e de "corretagem e comissão". A apuração da multa de oficio isolada consta do TVF às fl. 98/113. 0 percentual aplicado foi de 50%. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.392 5 Houve qualificação da multa de oficio atrelada aos tributos lançados, com a consequente elevação do seu percentual para 150%, consoante o art. 44, II da Lei n° 9.430/96, c/c com os art. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal foram os fatos apontados no TVF, aliados às seguintes observações: • não é cabível a alegação de que, por falta de condições técnicas, as normas referentes à. legislação tributária deixem de ser aplicadas, haja vista o porte da empresa; • várias das receitas omitidas constam na contabilidade, mas não transitam pela conta de resultado. Como o desconhecimento da lei é inescusável, conforme o art. 21 do DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal Brasileiro), não há justificativa para estes valores não terem sido tributados. Foi elaborada representação fiscal para fins penais por ter restado demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Essa foi formalizada no processo n° 14041.001435/200784, apensado ao presente. Cientificado dos lançamentos em 18/12/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação em 17/01/2008, às fl. 336/357, instruída com os documentos às fl. 358/1246, onde argumentou, em síntese, o que segue (na sequência dos tópicos constantes da defesa): 1. Das receitas da FENAE Federação atribuídas equivocadamente à. FENAE Corretora — a autuada denominase FENAE Corretora de Seguros e Administração de Bens S/A. Já a FENAE Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (doravante Federação), com denominação semelhante, e controladora indireta da autuada, recebe pagamentos do Grupo Caixa Seguros em função de ser estipulante de uma grande apólice de seguro de vida dos funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF). Ocorre que estes valores dirigidos à Federação foram equivocadamente escriturados pelo Grupo Caixa como pagamentos à autuada. Tratase de um erro material contábil que pode ser verificado se confrontadas as escriturações do Grupo Caixa Seguros e da Federação, pois na contabilidade desta estão registradas as receitas escrituradas por aquele como destinadas à autuada. Oferece declaração e relatório (Apenso 02 à impugnação, fl. 687/696 — tais valores estão indicados na planilha do Apenso 01 ás fl. 374/686, nas células de cor lilás) firmados pelo contador da Federação, que afirma com clareza solar que os valores apontados como omitidos consistem em receitas da Federação e não da autuada. Tal equívoco importa em parcela considerável do auto de infração, qual seja: R$ 5.742.291,57, identificados nas células cor lilás da planilha que acompanha a impugnação no Apenso 01. À guisa de comprovação dos equívocos praticados de forma corriqueira pelo Grupo Caixa Seguros, junta cópia de cheque (e recibo de depósito) no valor deR$ 300.000,00, nominal à autuada, mas depositado em conta corrente da Federação e pertencente a esta, conforme detalhado no item 7 abaixo (Apenso 08 —fl. 928). Ante o exposto, solicita a realização de diligência junto à contabilidade da Federação e do Grupo Caixa Seguros; 2. Da antecipação de receita e recolhimento tributário — a quantia destinada pelo Grupo Caixa Seguros, referente ao Produto Penhor POS — Global de Bancos, é quantificada por intermédio de resultados de apólices, razão pela qual, por ser evento futuro, configurase mera expectativa. Verificando isso, em atitude conservadora, provisionou e ofereceu à tributação o valor de R$ 400.000,00, cumprindo antecipadamente suas obrigações fiscais. Para verificar o provisionamento, que ocorreu em dezembro de 2003, e o recolhimento do tributo, Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.393 6 ocorrido em janeiro de 2004 , sob valor ainda não recebido, basta o exame das cópias do Razão no Apenso 03 (fl. 697/701). Posteriormente, verificouse que o valor devido pelo Grupo Caixa Seguros era de R$ 1.000.000,00, sendo este creditado integralmente em janeiro de 2004, conforme Apenso 02 (especificamente fl. 698). Desta forma, restou somente lançar e recolher os tributos correspondentes ao valor complementar de R$ 600.000,00, o que foi cumprido em dezembro de 2004, conforme Apenso 03. Logo não há que se falar em omissão de receitas; 3. Despesas reembolsadas pelo Grupo Caixa Seguros — o Grupo Caixa Seguros se comprometeu à reembolsar a autuada todas as despesas realizadas com uma central de atendimentos que cuidava especificamente de um produto de seguros. Tais valores alcançam a quantia de R$ 242.847,55 (conforme Anexo II do processo), estando devidamente contabilizados como reembolso de despesas. Junta algumas notas fiscais no Apenso 04 (fl. 702/749). 0 próprio Grupo Caixa Seguro informou ao Auditor que tais despesas estavam contabilizadas como despesas reembolsáveis. Por tratarse de reembolso, e não de receita ou faturamento, tal numerário não pode integrar a base de cálculo de PIS e Cofins: 0 Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamentos dos Recursos Extraordinários (RE) n° 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG e 346.0846/PR, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e h. Cotins, promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei n° 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra da venda de mercadorias/serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. Tal alargamento contraria o principio da capacidade contributiva, inscrito no art. 145, § 1º da Constituição Federal (CF); 4. Patrocínio dos jogos FENAE — amortização de empréstimo concedido à FENAE Federação — o patrocínio foi oferecido à Federação pelo Grupo Caixa Seguros para fins de realização dos "Jogos Fenae", evento promocional efetuado pela Federação dirigido ao pessoal da CEF. O pagamento se deu em quatro cheques de R$ 250.000,00 emitidos pela Caixa Seguros, Caixa Vida e Previdência, Caixa Capitalização e Caixa Consórcios. Do valor de R$ 1.000.000,00, R$ 700.000,00 representam receita, razão pela qual foram tributados conforme fl. 02 do Razão 32 constante do Apenso 08. Os restantes R$300.000,00 foram creditados diretamente à autuada por ordem da Federação a titulo de amortização de empréstimo contraído por esta junto àquela. Esta quantia está escriturada no mesmo livro mencionado, havendo expressa referência de sua rubrica: "devolução/empréstimo concedido à FENAE Federação". Tal registro também encontra correspondência na escrita da Federação, o que demonstra não haver omissão, vez que os R$ 300.000,00 nada mais são do que retorno de capital anteriormente tributado. A tributação do valor amortizado implicaria bis in idem; 5. Diferença entre valores brutos R$ 32.203,20 o Grupo Caixa Seguros emite recibos de corretagem de seguros em que são identificados valores brutos e líquidos das comissões percebidas pela autuada. Em todos os meses a Caixa Seguros desconta do liquido a pagar A. autuada o valor referente aos cancelamentos dos seguros (endossos de restituição) do mês anterior. Ao invés de debitar tais cancelamentos do valor bruto, faz no valor liquido, causando uma distorção entre o que é efetivamente pago e a receita bruta atribuída A autuada. Tal discrepância pode ser verificada por amostragem no Apenso 06 (fl. 760/924). A autuada, através de fórmula inversa, escritura o valor bruto baseado no que efetivamente é recebido como liquido no recibo, o que gerou uma diferença de R$ 32.203,20 entre o declarado como receita bruta e o que o Grupo Caixa lhe atribui. Os valores combatidos não foram efetivamente percebidos como receita bruta. Solicita realização de perícia contábil para comprovação do que foi afirmado; Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.394 7 6. Dedução indevida da receita R$ 88.607,81 os valores estornados na conta de receitas de prestação de serviços referemse a produtos de crédito interno, habitacional e RD lotérico, vendidos a prazo. A Caixa Seguradora antecipa o valor total da comissão de corretagem quando vendido em até quatro parcelas. Ocorre que, por vezes, o segurado não quita o valor das parcelas, sendo a comissão estornada. 0 auditor alega que tal operação implica em prejuízo da empresa referente a inadimplemento de clientes. Não concorda com isso, vez que os prejuízos ocorrem quando há inadimplemento do pagamento de serviços prestados e não de cancelamento de serviços antes de sua prestação. A situação é de subtração de receitas ou vendas canceladas, conforme art. 280 do RIR/99. No Apenso 07 (11. 926) junta, por amostragem, os comprovantes respectivos, devendo ser realizada perícia contábil para a comprovação do alegado; 7. Do crédito de R$ 300.000,00 conforme já tratado no primeiro tópico acima, este valor foi dirigido à Federação, porém equivocadamente escriturado como pagamento à autuada. Para comprovar tal fato, basta a simples confrontação entre os registros contábeis do Grupo Caixa e da Federação. Seguem acostadas no Apenso 08 (Jl. 928) cópias do cheque e do comprovante de depósito do mesmo em conta da Federação, o que demonstra o erro material no registro contábil do Grupo Caixa. Em vista disto, protesta pela realização de diligência junto à contabilidade da Federação e do Grupo Caixa; 8. Divergências entre valores brutos e líquidos referentes a programas PAR — em função de irregularidades na contabilidade da Caixa Seguros, o Auditor lhe imputou omissão de receitas no montante de R$ 1.000.000,00, quando referida quantia nada mais é do que os R$ 400.000,00 provisionados por antecipação em dezembro de 2003, somados aos R$ 600.000,00 complementares, lançados no resultado em dezembro de 2004, cuja operação foi pormenorizada no tópico 2 acima. A Caixa Seguros escriturou o valor de R$ 1.625.922,61 de forma e momento distintos em relação a autuada, mais precisamente em 07/04/2005, o que fez ocorrer a duplicidade de lançamento no valor de R$ 1.000.000,00, conforme demonstrado no Apenso 09 (fl. 930/935). Ainda, a diferença dos valores imputados como omissão se deu pelo fato de que a Caixa Seguros informou valores brutos em sua contabilidade e creditou os valores líquidos constantes dos três recibos acostados no Apenso 09. Conforme consta da planilha no Apenso 01, com coloração laranja, os valores líquidos foram oferecidos à tributação. Desta forma é necessária a realização de diligência para localizar documentos junto ao Grupo Caixa Seguros que comprovem a origem dos noticiados repasses cuja divergência se operou, bem como determinar perícia para confrontar as informações escrituradas na contabilidade daquele grupo e na sua, de forma a comprovar a ausência de omissão. 9. Das receitas provenientes da empresa Alquimia Serviços de Marketing — a autuada integra, na qualidade de sóciaostensiva, o quadro social da Sociedade em Conta de Participação — PAR. Todos os pagamentos realizados pela referida empresa estão devidamente escriturados na contabilidade da Sociedade em Conta de Participação, sendo todos oferecidos h tributação, conforme comprova planilha acostada no Apenso 10 (fi. 937/940); 10. Das receitas provenientes das empresas Mapfre Vera Cruz Seguradora, Mapfre Vera Cruz Vida e Previdência e Porto Seguros Cia. de Seguros Gerais — as receitas decorrentes destas empresas montam em R$ 40.462,60, que, a principio, constam sob a rubrica de receitas a apurar, o que dificulta sua identificação. Solicitou as empresas a relação analítica dos créditos, para possibilitar a identificação, mas até o momento não foi atendida no seu pleito, o que impede a apresentação de defesa. Em vista do principio da ampla defesa e do Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.395 8 contraditório, requer a realização de diligência junto as empresas mencionadas para que prestem as informações competentes ou que se conceda prazo para posterior juntada dos referidos documentos, nos termos do art. 16, § 4°, "a" do Decreto n° 70.235/72 (PAF); 11. Das diferenças apuradas entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos requer o acatamento das DCTF refiticadoras e das Per/Dcomp apresentadas em 02/05/2007, as quais não foram aceitas porquanto apresentadas após a intimação do inicio do procedimento fiscal; 12. Da inexistência de Receitas — valores lançados não escriturados — a presente impugnação analisou todos os lançamentos efetuados na fiscalização, conforme Apenso 01, fl. 374/686, não sendo possível aferir, dentre todo o montante do valor tributável considerado no auto de infração, as bases que justificaram cerca de R$ 940.069,16, conforme indicado no Apenso 12, fl. 1246. Quer crer que tal diferença lançada para a qual não encontrou justificativa no auto de infração seja decorrente do modo como a fiscalização foi feita, por amostragem 13. Requer a reunião, em um único processo, de todos os autos de infração decorrentes do MPF antes mencionado, haja vista o disposto no art. 9º, § 1º, do PAF; 14. Apresentou novamente ao final o rol de diligências e os quesitos das perícias solicitadas, nomeando como assistente técnica a Sra. Cristiane Veloso de Oliveira, CRC n° RJ095701/03.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0329.037 da DRJ/Brasília, de fls. 1248 e seguintes, julgando o lançamento procedente, cuja ementa abaixo se reproduz: APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES. Comprovado nos autos as receitas correspondentes à empresa Fenae Federação foram excluídas na determinação do valor tributável nos autos de infração. RECEITAS DE CORRETAGEM. REGIME DE COMPENSAÇÃO. MOMENTO DA CONTRATAÇÃO. Na atividade de corretagem de contrato de seguro há que se considerar concluída a prestação do serviço quando este é firmado, momento em que ocorre a disponibilidade jurídica da receita, representada pela comissão. A forma como esta comissão será paga, se imediatamente, após um prazo ou em parcelas, não interessa para fins de tributação, pois pelo regime de competência a receita deverá ser levada a resultado quando da contratação. RECEITAS DE CORRETAGEM. FALTA PAGAMENTO DA COMISSÃO POR INADIMPLEMENTO DO CLIENTE. PERDA DE CRÉDITO. A partir momento do serviço prestado, a corretora passa a ter direito ao recebimento da comissão, ou seja, passa a ter um crédito perante a seguradora. Possível inadimplemento da pessoa física ou jurídica que contratou o seguro com a seguradora, e a consequente falta de repasse da comissão por esta corretora, não pode ser tratado como serviço cancelado antes de sua prestação, mas sim como perda no recebimento de credito, que pode ser deduzida como despesa para fins de apuração do lucro real apenas se atendidos os requisitos RIR/99). Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.396 9 RECEITAS DE CORRETAGEM. ADIANTAMENTOS E DEVOLUÇÕES DESTES NÃO INTEGRAM A DETERMINAÇÃO DA RECEITA BRUTA NO MÊS EM QUE EFETUADOS. Os adiantamentos não podem ser reconhecidos para fins de tributação no mesmo mês em que registrados nos recibos de pagamento, pois competem a período posterior, momento em que se encontram juridicamente disponíveis, devendo ser contabilizados pelo sujeito passivo no passivo exigível até o mês em que representam receitas. Já os valores a serem devolvidos, referemse simplesmente a ajuste de montantes antecipados indevidamente, que não foram anteriormente tributados. Logo, estes também não podem integrar abatimento da receita bruta no mês em que lançados nos recibos, pois deduzem os adiantamentos e não o valor da corretagem. Devido considerar como receita bruta em cada mês o valor da comissão de corretagem, sem levar em consideração os adiantamentos e devoluções. RECEITAS TRIBUTADAS A TÍTULO DE PATROCÍNIO. 0 sujeito passivo não logrou comprovar que parte das receitas tributadas nos autos de infração, informadas pelos clientes como pagas a titulo de patrocínio, já havia sido levada a resultado em sua contabilidade, e que a outra parte, referiase, na verdade, a amortização de empréstimo concedido, e, por conseguinte, não tributável. DUPLA TRIBUTAÇÃO DE COMISSÃO DE CORRETAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O sujeito passivo não comprovou que valor recebido a título de corretagem em 2004 foi escriturado pela seguradora em 2005, que acarretaria, com o auto de infração, dupla tributação. TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS EM SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. EXCLUSÃO PRÉVIA NO LANÇAMENTO. Todos os montantes de receitas que competiam à SCP, e foram tributados por esta, não integraram os valores tributáveis objetos do auto de infração, tendo sido previamente excluídos pela autoridade fiscal. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. FORÇA MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. 0 art. 16, § 4º, "a" do PAF determina que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que, fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior. Na espécie, o pretendido motivo de força maior não restou demonstrado. COF1NS E PIS. REEMBOLSO DE DESPESAS. FATURAMENTO. Nos termos do art. 3º, §§ 1° e 2º, da Lei n° 9.718/98, a receita decorrente de reembolso, pela seguradora, de despesas realizadas pela corretora com manutenção de central de atendimento relacionadas ao produto Seguro, integra o conceito de faturamento para fins de tributação pela Cofins e pelo PIS. Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.397 10 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Ê o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. COFINS, PIS E CSLL. REFLEXOS. Aos lançamentos reflexos aplicamse as mesmas conclusões do lançamento de IRPJ. Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido podem ser assim resumidos: Das Receitas da FENAE Federação atribuídas equivocadamente à FENAE Corretora — a autoridade fiscal, quando da extração dos dados do arquivo magnético fornecido pelo Grupo Caixa, verificou que as relações enviadas continham valores de receitas da Federação, excluindoos para fins de apuração da receita omitida pelo sujeito passivo. Os valores excluídos constam das planilhas emitidas pelo sistema de auditoria ACL as fl. 363/367 do Anexo II deste processo. Não há a pretendida tributação nos autos de infração de receitas pertencentes a Federação. Em vista das provas constantes dos autos, tornase prescindível a realização de diligência; Da antecipação de receita e recolhimento tributário —todo o montante recebido a título de comissão deveria ter sido tributado em 2003, haja vista o momento em que o negócio foi efetuado, e não em 2004, oportunidade em que a comissão foi paga. Correto, pois, o entendimento da autoridade fiscal, no sentido de que não foi observado o regime de competência, tendo o sujeito passivo adotado indevidamente o regime de caixa para a tributação da parcela de R$ 600.000,00; Despesas reembolsadas pelo Grupo Caixa Seguros – o faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendida como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Os valores de reembolso de despesas se enquadram no conceito de faturamento estabelecido no art. 3°, §1º, da Lei n° 9.718/98, o qual ainda está vigente, sendo, pois, devidas as exigências de PIS e de Cofins; Patrocínio dos jogos FENAE amortização de empréstimo concedido à FENAE Federação somente foram considerados como receitas omitidas os patrocínios pagos pelas empresas Caixa Vida e Previdência S/a e Caixa Consórcios S/A, no montante de R$ 250.000,00 cada um, consoante fl. 05 e 120 do Anexo II a este processo, perfazendo um total tributado de R$ 500.000,00. Além disso, às fl. 19 e 133 do Anexo II, constam recibos emitidos pela autuada, declarando o recebimento de tais valores em 31 de agosto de 2006. Logo, tornamse sem fundamento os argumentos do sujeito passivo de que teriam sido pagos R$ 1.000.000,00 a título de patrocínio para a Federação e não para a autuada. Diferença entre valores brutos — R$ 32.203,20 — Os Recibos de Comissões de corretagem de seguros juntados no Apenso 06 indicam claramente os seguintes dados: valor da comissão de corretagem (C), os tributos incidentes (T), o montante dos adiantamentos feitos no mês (A), o montante dos descontos de adiantamentos (D) e o valor Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.398 11 liquido depositado para a autuada (VL= CT+AD). Conforme o próprio sujeito passivo reconhece em suas anotações realizadas no referidos recibos, o Grupo Caixa considerou como receita bruta o montante da comissão de corretagem, procedimento ao qual não cabe qualquer ressalva. A adição dos adiantamentos e a dedução das devoluções destes constam do recibo unicamente para fins de calcular o montante a ser creditado ao sujeito passivo. 0 grupo Caixa somente contabiliza como receita do sujeito passivo o montante pago a título de corretagem. Dedução indevida da receita — R$ 88.607,81 — Conforme já esclarecido anteriormente, com base em informação do próprio sujeito passivo durante a fiscalização e na impugnação, ele faz a intermediação de venda de contratos de seguro e outros produtos entre o Grupo Caixa e os seus demandadores — pessoas fisicas ou jurídicas. Em consequência, há que se considerar concluída a prestação do serviço quando é firmado o contrato. Neste momento, há a disponibilidade jurídica da receita pela prestação de serviços, representada pela comissão. Correto o entendimento da autoridade fiscal no sentido de que a falta de repasse da comissão pela seguradora consiste em perda no recebimento de credito, que pode ser deduzida como despesa para fins de apuração do lucro real se atendidos os requisitos estabelecidos no art. 90 da Lei if 9.430/96 (art. 340 do RIR/99). O sujeito passivo não logrou sucesso na comprovação do atendimento dos referidos requisitos, sendo indevida a exclusão do crédito não pago, no valor de R$ 88.607,81, e, por conseguinte, procedente o lançamento nesta parte. Do crédito de R$ 300.000,00 — Para comprovar que o pagamento realizado pela Caixa Seguradora S/A no valor de R$ 300.000,00 foi destinado para a Federação e não para si, a autuada acostou aos autos cópias de cheque emitido pela Caixa Seguradora em 19/08/2004 e de comprovante de depósito. Acontece que o cheque está nominativo à autuada, o que comprova que lhe era destinado o pagamento de R$ 300.000,00. Se o sujeito passivo repassou tal montante à Federação, depositandoo em conta desta, por motivo não esclarecido nos autos, este fato não têm qualquer influência na constatação de que ele foi o beneficiário originário do cheque. Nem a comprovação do depósito do cheque na conta da Federação foi satisfatória, vez que não consta da cópia o verso do cheque com o carimbo da instituição bancária e a indicação da conta em que o mesmo foi depositado; Divergências entre valores brutos e líquidos referentes a programas PAR — Em relação a alegada duplicidade de tributação da receita de R$ 1.000.000,00, no sentido de que este valor estaria representado pelos R$ 400.000,00, provisionados pelo sujeito passivo por antecipação em dezembro de 2003, somados aos R$ 600.000,00 complementares, lançados no resultado em dezembro de 2004, mas estaria escriturado equivocadamente na contabilidade do Grupo Caixa como receita em 07/04/2005, no valor R$ 1.625.922,61, gerando uma omissão indevida neste ano, a mesma não restou comprovada nos autos. Como prova de seu argumento, o sujeito passivo anexou três ofícios da Caixa Seguros no Apenso 09, os quais informam pagamentos de comissão realizados em junho de 2003 no valor bruto total de R$ 916.407,37, e em valor liquido total de R$ 250.956,83. Tais recibos não correspondem ao montante de R$ 1.000.000,00 aqui tratado, por incompatibilidade de valor e de datas: no valor bruto há uma diferença de R$ 83.592,63; e nas datas, os recibos demonstram pagamentos efetuados em junho de 2003, sendo que o sujeito passivo alegou no tópico 2 de sua impugnação que o montante de R$ 1.000.000,00 foi pago em janeiro de 2004. Além disso, não há prova alguma nos autos do registro pelo Grupo Caixa do valor de R$ 1.625.922,61 em 2005 e que, o que é mais importante, tal montante abrangeria a receita de R$ 1.000.000,00. Então, não há qualquer indício da alegada tributação em duplicidade. Em relação ao argumento de que as diferenças de valores imputadas como omissão decorrem do fato de que o Grupo Caixa Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.399 12 escritura os valores brutos de comissão de corretagem, enquanto repassa valores líquidos, os quais são tributados pelo sujeito passivo, este também não tem qualquer fundamento; Das Receitas provenientes da empresa Alquimia Serviços de Marketing — a empresa Alquimia havia informado à fiscalização (fl. 72/73 do Anexo II) que pagara tal montante em decorrência de comissão de agenciamento, comprovando tal fato com notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo (fl. 274/277 do Anexo II — notas fiscais de n° 72 a 75). Já a autoridade fiscal considerou esta receita como omitida. conforme fl. 173 do Anexo I (resposta ao TCF), o sujeito passivo informou que as notas fiscais escrituradas na SCP em maio de 2006 foram as de no 78, 85, 86, 87, 89, distintas, portanto, das notas aqui tratadas; Das receitas provenientes das empresas Mapfre Vera Cruz Seguradora, Mapfre Vera Cruz Vida e Previdência e Porto Seguros Cia. de Seguros Gerais — A autoridade fiscal realizou circularização junto às empresas Mapfre Vera Cruz Seguradora, Mapfre Vera Cruz Vida e Previdência e Porto Seguros Cia. de Seguros Gerais, conforme fl. 314/316, 323/325 e 259/261 do Anexo II, respectivamente, estando o lançamento embasado em documentação apropriada. nos termos do art. 264 do RIR/99. Compete ao sujeito passivo manter em boa guarda seus livros, bem assim, e, principalmente, os documentos que embasaram os registros nele efetuados. Não pode argumentar a defesa o fato de não conseguir identificar, em sua própria contabilidade, os lançamentos das receitas recebidas por prestação de serviços de corretagem que, consoante reconhecido na impugnação, são efetivamente realizados. Das diferenças apuradas entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos Esta matéria não faz parte dos autos de infração objetos da presente lide, mas sim dos autos de infração formalizados nos processos n° 14041.001408/200710 e 14041.001396/200715, já submetidos à apreciação por este colegiado na sessão julgamento realizada em 28 de novembro de 2008, razão pela qual não será analisada neste voto. Em todos os três processos o sujeito passivo aproveitou a mesma impugnação. Da inexistência de Receitas — valores lançados não escriturados — Não está presente a falta de indicação pela autoridade fiscal da motivação de parte do valor tributável considerado no lançamento, no montante de R$ 940.069,16. Basta fazer a somatória dos valores constantes dos demonstrativos efetuados no texto do TVF, ou das planilhas anexadas a este (fl. 91/98), para se verificar que todo o montante de receitas omitidas considerado nos autos de infração (R$ 10.872.888,58) está perfeitamente identificado e demonstrado. Reunião de processos referentes ao mesmo MPF — os lançamentos de PIS e Cofins, resultantes de procedimento de verificação obrigatória, e, por conseguinte, não decorrentes (reflexos) de lançamento de IRPJ, constam do processo n° 14041.001396/200715. Os autos de infração foram agrupados de acordo com o entendimento proferido pela Receita Federal (Portaria SRF nº 6.129/2005 ) quanto ao disposto no art. 9º do PAF. Diligências e perícias — Os pleitos de realização de diligência e/ou perícia já foram apreciados especificamente em cada tópico da impugnação onde constaram. Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 1289 a 1312, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.400 13 A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, de fls. 1316 a 1331. Alega, em preliminar, que o recurso não pode ser conhecido porque a argumentação trazida é uma repetição daquela que foi apresentada na impugnação. No mérito, aborda, uma a uma, as questões levantadas pela defesa, argumentando, em síntese, que a recorrente não demonstrou adequadamente, e com provas, os motivos pelos quais a decisão de primeiro grau estaria equivocada. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Inicialmente, cabe analisar o pedido de inépcia do recurso levantado em contrarrazões pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Alega a PGFN que o recorrente somente repisou os mesmos argumentos da impugnação, sem indicar os erros que o acórdão recorrido conteria e, portanto, o recurso seria inepto. Como se sabe, inexiste no rito do processo administrativo fiscal federal, aprovado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, previsão para declarar inepto recurso voluntário regularmente apresentado. Subsidiariamente, poderiam ser utilizadas as hipóteses contidas no parágrafo único do art. 295 do Código de Processo Civil (CPC), que trata da inépcia da petição, mas que não se enquadram no caso em exame. Assim, é de não se conhecer do pedido de inépcia do recurso apresentado pela PGFN, por inaplicabilidade ao caso em análise. O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Quanto à preliminar de cerceamento do direito de defesa, cabe dizer que o Termo de Verificação Fiscal foi bastante claro ao relatar todo o desenrolar do procedimento fiscal, indicando as intimações efetuadas à interessada, demonstrando cabalmente a existência da omissão de receitas pela apropriação incorreta/a menor dos valores auferidos pelo contribuinte. Já a defesa solicitou diligências e perícias na fase impugnatória, que não foram atendidas pela DRJ/Brasília, assim se manifestando em seu recurso, fls. 1291: “ (...) a recorrente formulou requerimento no sentido de que se oficiasse ao Grupo Caixa Seguros a fim de que apresentasse toda escrituração referente à FENAE Corretora e Federação referente aos anos de 2003 a 2006, bem como que se oficiasse às empresas Mapfre Vera Cruz Seguradora, Mapfre Vera Cruz Vida e Previdência, e Porto Seguros Cia. De Seguros Gerais, a fim de que apresentassem os comprovantes de pagamento de corretagem referente à FENAE Corretora,”. O indeferimento de diligências e perícias é perfeitamente admitido quando a autoridade julgadora considerálas prescindíveis para a formação do seu livre convencimento e para a solução do litígio. O fundamento para o indeferimento encontrase previsto no rito do processo administrativo fiscal federal, consoante art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações: Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.401 14 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Compulsando os autos, verificase que o órgão julgador de primeira instância enfrentou, uma por uma, as questões levantadas na impugnação, entendendo por desnecessárias, para a solução da lide, as diligências e perícias requeridas. Além disso, como bem sinalizou a PGFN em suas contrarrazões, a autuada poderia dispor facilmente dos documentos que solicita em diligência, sem intervenção do órgão julgador, posto que a empresa FENAE Fundação é sua controladora indireta, como reconhecido pela própria autuada, fls.338. Assim, poderia providenciar na entrega dos documentos/registros contábeis para fazer prova de que as "receitas" recebidas do Grupo Caixa Seguros pertenceriam à FENAE Fundação, e não à FENAE Corretora (autuada), o que não foi feito. Prova de que isso era possível são os documentos da “Caixa Seguradora SA" entregues pelo recorrente junto com a impugnação, fls. 753 e seguintes. Por fim, os documentos relativos aos “comprovantes de pagamentos de corretagem” realizados à FENAE Corretora, efetuados pelas seguradoras que relaciona, estão de posse dele próprio (FENAE Corretora) ou de seu acionista controlador (FENAE Federação). Logo, poderia têlos facilmente apresentados em sua defesa por conta própria. Por esses motivos devem ser indeferidos os pedidos de diligência e perícia requeridos no recurso. Verificase que os autos contêm as provas colhidas pela fiscalização em relação às infrações apuradas. Além disso, a defesa, na fase impugnatória, juntou os documentos que entendia necessário para contrapor a acusação fiscal, fls. 375 a 1246, Nesse sentido, verificase que a autuada vem exercendo o direito de se defender do lançamento, ao apresentar as provas e as suas razões de defesa na impugnação e no recurso ora examinado, demonstrando estar plenamente ciente dos motivos da autuação. Por oportuno, registrese que o agente fiscal agiu nos estritos limites impostos pela legislação, tendo feito várias intimações à interessada durante a fiscalização, oferecendolhe, assim, oportunidades diversas para apresentar esclarecimentos e os documentos requisitados. Pelas razões expostas, inexistem motivos que possam levar à nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, razão pela qual deve ser rejeitada a preliminar levantada, bem como devem ser indeferidos os pedidos de diligência/perícia formulados. No mérito, constatase que a autuação decorreu da omissão de receitas em razão, principalmente, dos seguintes motivos, fls. 85 do TVF: i) inobservância do regime de competência; ii) divergência entre os valores escriturados e os apurados na circularização dos clientes da autuada; iii) reembolso de despesas; e iv) omissão de receitas financeiras. Também foi lançada multa isolada pelo não recolhimento/recolhimento a menor das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.402 15 O acórdão recorrido enfrentou, uma a uma, as alegações trazidas pela defesa na sua peça impugnatória. Já em seu recurso, verificase que a defesa praticamente repete as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória, sem demonstrar cabalmente onde o Acórdão da DRJ/Brasília teria incorrido em erro. Os documentos juntados aos autos pelo recorrente fazem prova a seu favor mas não foram suficientes para desconstituir os valores apurados pelo fisco. Quisesse a defesa comprovar o seu direito deveria apontar quais valores e documentos deixaram de ser considerados, o que de fato não ocorreu. Salientese que a demonstração da efetividade do direito que a interessada aduz possuir é obrigação da recorrente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. (grifos meus) Cumpre registrar que merece elogio o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao intimar o contribuinte a se manifestar, antes mesmo do encerramento dos trabalhos de fiscalização, a respeito das divergências de receitas apuradas mediante circularização dos principais clientes da autuada, fls. 76. Esse procedimento demonstra a seriedade do trabalho levado a efeito na empresa fiscalizada na busca da verdade, o que propiciou que acertos finais fossem efetuados pela fiscalização, acarretando uma maior certeza quanto aos valores exigidos no lançamento fiscal. Quanto à forma de apropriação das receitas, esclareçase à defesa as mesmas devem ocorrer segundo o “princípio da entidade” e, no caso das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, como é o caso da autuada, as receitas devem obrigatoriamente ser apropriadas segundo o “regime de competência”. Como é perfeitamente sabido, a possibilidade de constituição da pessoa jurídica advém do fato de que esse ente possui personalidade própria, com autonomia patrimonial, capaz de adquirir direitos, assumir obrigações, proceder judicialmente, tais quais são atribuídos às pessoas físicas, situação positivada no art. 1.022 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 e alterações (Código Civil Brasileiro). Art. 1.022. A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede judicialmente, por meio de administradores com poderes especiais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer administrador. Por seu turno, o princípio contábil da “Entidade” encontrase previsto na Resolução nº 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou os Princípios Fundamentais da Contabilidade. Referido princípio está definido no artigo 4º, a seguir transcrito: “Art. 4º: O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.403 16 universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único: O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou segregação contábil de patrimônio autônomo não resulta em nova Entidade, mas numa unidade de natureza econômicocontábil.” De acordo com os dispositivos acima transcritos, concluise que a constituição, e funcionamento, da pessoa jurídica pressupõe a caracterização de que o patrimônio dessa pessoa deve ser tratado de forma autônoma em relação às demais pessoas, sejam elas pessoas físicas ou outras pessoas jurídicas. Com efeito, as receitas de comissões pela intermediação de seguros devidas pelas seguradoras, originadas de percentual aplicado sobre o valor do prêmio do seguro, fazem parte do patrimônio da pessoa jurídica que intermediou/prestou o serviço de venda do seguro. Já o princípio do reconhecimento das receitas pelo “regime de competência” encontrase disciplinado no art. 251 do RIR/99 c/c os arts. 177 e 187, § 1º, letra “a”, da Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e alterações, abaixo transcritos, para melhor clareza: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. [...] Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (...) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.404 17 a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (grifos meus) Este regime considera o reconhecimento das receitas no período em que ocorrerem, independentemente do recebimento ou pagamento dos serviços prestados. Devido a esse princípio contábil (princípio da competência), os tributos oriundos das comissões de corretagem, e outras receitas, a que tem direito a autuada, deverão ser calculados no período de apuração em que incorrerem as respectivas receitas. O objeto social da autuada consta do art. 2º do seu Estatuto Social, fls. 362: “Artigo 2° A Sociedade tem por objetivo a Corretagem de Seguros de Todos os Ramos, Administração de Bens, Assessoria e Consultoria na Àrea de Seguros e Organização de Campanhas de Incentivo e Fidelização de Clientes.”. Os principais documentos juntados com a impugnação limitamse a planilhas mensais demonstrativas do auferimento de receitas, cópias de notas fiscais, recibos de comissões da Caixa Seguradora SA, cópias de DARFs e cópias de PER/DCOMPs, fls. 375 a 1246, insuficientes para contrapor a acusação fiscal. Assim, concluise que as receitas das atividades de “corretagem de seguros” e de “assessoria e consultoria na área de seguros e organização de campanhas de incentivo”, desempenhadas pela autuada, fazem parte do seu patrimônio, devendo as receitas assim auferidas serem tributadas por quem desempenhou essas atividades, segundo o regime de competência. Das receitas da FENAE Federação atribuídas equivocadamente à FENAE Corretora Segundo fundamentos do acórdão recorrido, os dados do arquivo magnético fornecidos pelo Grupo Caixa continham valores de receitas da FENAE Federação, mas que foram excluídos pela fiscalização para fins de apuração da receita omitida pelo sujeito passivo. Os documentos dos autos comprovam esse fato, de modo que é de se concluir que inexiste exigência de tributação das receitas auferidas pela FENAE Federação. Além disso, o recorrente deixou de apontar, de forma clara e precisa, onde o acórdão recorrido teria se equivocado em suas conclusões. Da antecipação de receita e recolhimento tributário A defesa alega de que o montante de R$ 1.000.000,00 recebido da Caixa Seguros, a título de “comissão na negociação de seguro”, pelos serviços de corretagem realizados em 2003, mas liquidada em janeiro de 2004, somente seria tributável em 2004, momento do recebimento, e que, por iniciativa sua, recolheu antecipadamente os tributos devidos sobre o montante R$ 400.000,00, deixando o valor de R$ 600.000,00 para tributar em 2004. Conforme já mencionado neste voto, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real deve oferecer à tributação às receitas auferidas segundo o regime de competência, ou seja, quando juridicamente os serviços foram prestados e não pelo regime de caixa, no seu recebimento. Verificado que os serviços foram prestados em 2003, todas as receitas devem ser Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.405 18 tributadas nesse mesmo ano, e não parte nesse ano e parte em 2004, o que acarretou “postergação” na tributação, o que mereceu os devidos ajustes pela autoridade fazendária. Não bastasse isso, o recorrente deixou de apontar, de forma clara e precisa, onde o acórdão recorrido teria se equivocado em suas conclusões. Despesas reembolsadas pelo Grupo Caixa Seguros Segundo a defesa, a empresa recorrente e o Grupo Caixa Seguros, possuem negócios e interesses em comum. Neste contexto, aquele grupo se comprometeu a reembolsar: a autuada, responsável pela atividade de comercialização, de todas as despesas de uma central de atendimentos (call center), que cuidava especificamente de um determinado produto de seguros. Por tratarse de reembolso e não de receita ou faturamento, tal numerário não poderia integrar a base de cálculo de PIS e Cofins. Equivocase a recorrente. Os valores das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela autuada, a título de reembolso de despesas, fazem parte do seu faturamento, pois tratase, na verdade, de venda de serviços prestados pela própria interessada, por conta do seu objeto social, mas que foram pagos/reembolsados pelo seu cliente (Caixa Seguros), devendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Já a alegada declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3°, da Lei n.° 9.718, de 1998, promovida pelo Supremo Tribunal FederalSTF, que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, não se aplica ao caso em análise, pois os reembolsos de despesas decorreram da emissão de notas fiscais de prestação de serviços pelo desempenho das atividades que constam do objeto social da interessada, não havendo que se falar na hipótese de “ampliação do conceito de receita bruta” (receitas financeiras, por exemplo), como decidido pela Suprema Corte. Assim, é de se manter a omissão de receitas apurada pela fiscalização, devendo fazer parte do faturamento da autuada, base de cálculo do PIS e da Cofins. Patrocínio “Jogos FENAE” amortização de empréstimo concedido à FENAE Federação Neste item, reproduzo os fundamentos expostos no voto do acórdão recorrido, que adoto também como minhas as razões de decidir: “Inicialmente cabe considerar que, conforme o TVF, somente foram considerados como receitas omitidas os patrocinios pagos pelas empresas Caixa Vida e Previdência S/a e Caixa Consórcios S/A, no montante de R$ 250.000,00 cada um, consoante fl. 05 e 120 do Anexo II a este processo, perfazendo um total tributado de R$ 500.000,00. Além disso, às fl. 19 e 133 do Anexo II, constam recibos emitidos pela autuada, declarando o recebimento de tais valores em 31 de agosto de 2006. Logo, tornamse sem fundamento os argumentos do sujeito passivo de que teriam sido pagos R$ 1.000.000,00 a titulo de patrocínio para a Federação e não para si. Além disso, em sua impugnação o sujeito passivo separou este montante de R$ 1.000.000,00 em duas partes: R$ 700.000,00 e R$ 300.000,00. Afirmou que os R$ 700.000,00 foram tributados conforme cópia do Razão n° 32 no Apenso 08, e que os R$ 300.000,00 foram creditados diretamente A autuada por ordem da Federação a titulo de amortização de empréstimo, numerário anteriormente tributado. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.406 19 No Apenso 08 não consta a cópia do Razão alegada pelo sujeito passivo, mas apenas cópia do cheque de R$ 300.000,00. Contudo, a autoridade fiscal anexou a referida cópia durante a fiscalização no Anexo III a este processo, As fl. 33/61. Analisando a referida cópia, verificase que se refere ao ano 2005, 'distinto, portanto, do ano em que os pagamentos foram feitos, qual seja, 2006; consoante recibos mencionados. Ademais, conforme dito, somente foram feitos dois pagamentos de R$ 250.000,00, que não podem corresponder, por óbvio, ao suposto registro de R$ 700.000,00 efetuado em conta de receita pelo sujeito passivo. No que se refere ao cheque de R$ 300.000,00, este não tem qualquer relação com os recebimentos a titulo de patrocínio, haja vista incompatibilidade de valor e de data de pagamento. Os patrocínios são de 250.000,00 e foram pagos em 31 de agosto de 2006, enquanto o cheque foi emitido para a autuada e depositado na conta da Federação em agosto de 2004. Além disso, os recibos são de R$ 250.000,00 emitidos por duas empresas distintas do grupo caixa, o que não justifica um cheque único e no valor de R$ 300.000,00 Por fim, o recorrente deixou de apontar, de forma clara e precisa, onde o acórdão recorrido teria se equivocado em suas conclusões. Diferença entre valores brutos dos recibos de corretagem— R$ 32.203,20 Neste item, reproduzo, em síntese, os fundamentos expostos no voto do acórdão recorrido, que adoto também como minhas as razões de decidir: “0 grupo Caixa somente contabiliza como receita do sujeito passivo o montante pago a título de corretagem. Se o sujeito passivo procedeu a um cálculo partindo do montante liquido informado no recibo, com a adição dos tributos retidos, equivocouse, pois neste montante já estão considerados no mês os adiantamentos e devoluções que não competem ao período. Em função disto não há justificativa para a realização de diligência, consoante pleiteado pelo sujeito passivo, vez que o Grupo Caixa procedeu acertadamente na determinação da receita bruta, sendo improcedente a sua alegação.” Como o recorrente deixou de apontar, de forma clara e precisa, onde a decisão teria se equivocado em suas conclusões, é de se manter o quanto decidido no acórdão recorrido. Dedução indevida da receita — R$ 88.607,81 A partir do momento do serviço prestado, a FENAE Corretora passa a ter direito ao recebimento da comissão de seguros, ou seja, passa a ter um crédito perante a seguradora. Possível inadimplemento da pessoa fisica ou jurídica que contratou o seguro com a seguradora (Grupo Caixa), não pode ser tratado como serviço cancelado, como pretende o sujeito passivo. Dessa forma, correto o entendimento da autoridade fiscal no sentido de que: a falta de repasse da comissão pela seguradora somente consiste em perda no recebimento de Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.407 20 crédito, que pode ser deduzida como despesa para fins de apuração do lucro real, se atendidos os requisitos estabelecidos no art. 9º da Lei nº 9. 430, de 27 de dezembro de 1996. No presente caso, o sujeito passivo não comprovou o atendimento dos requisitos legais para dedutibilidade, sendo indevida a exclusão do crédito não pago, no valor de R$ 88.607,81. Corno se trata apenas de interpretação da legislação tributária, é prescindível a realização de diligência. Do crédito de R$ 300.000,00 Alega a recorrente que o valor acima mencionado, em verdade foi dirigido a FENAE Federação, contudo, equivocadamente escriturado como pagamento à FENAE Corretora. No entanto, a informação da Caixa Seguradora, fls. 77 e 85 do Anexo IIVol I, demonstram que o pagamento foi feito à FENAE Corretora (autuada). Segundo o acórdão recorrido, a autuada juntou aos autos em sua impugnação cópias do cheque emitido pela Caixa Seguradora, em 19/08/2004, e de comprovante de depósito, nominativos à autuada, o que somente serviria para comprovar que lhe era destinado o pagamento de R$ 300.000,00. Se o sujeito passivo repassou tal montante à FENAE Federação, o motivo não foi esclarecido nos autos. Dessa forma, não apontando a recorrente, de forma clara e precisa, onde o decisão recorrida teria se equivocado em suas conclusões, devese manter a omissão de receitas sobre esse valor. Divergências entre valores brutos e líquidos referentes a programas PAR Neste item, reproduzo, em síntese, os fundamentos expostos no voto do acórdão recorrido, que adoto também como minhas as razões de decidir: “Em relação a alegada duplicidade de tributação da receita de R$ 1.000.000,00, no sentido de que este valor estaria representado pelos R$ 400.000,00 provisionados pelo sujeito passivo por antecipação em dezembro de 2003, somados aos R$ 600.000,00 complementares, lançados no resultado em dezembro de 2004, mas estaria escriturado equivocadamente na contabilidade do Grupo Caixa como receita em 07/04/2005, no valor R$ 1.625.922,61, gerando uma omissão indevida neste ano, entendo que a mesma não restou comprovada nos autos. Como prova de seu argumento, o sujeito passivo anexou três oficios da Caixa Seguros no Apenso 09, os quais informam pagamentos de comissão realizados em junho de 2003 no valor bruto total de R$ 916.407,37, e em valor liquido total de R$ 250.956,83. Está evidente que tais recibos não correspondem ao montante de R$ 1.000.000,00 aqui tratado, por incompatibilidade de valor e de datas: no valor bruto há uma diferença de R$ 83.592,63; e nas datas, os recibos demonstram pagamentos efetuados em junho de 2003, sendo que o sujeito passivo alegou no tópico 2 de sua impugnação que o montante de R$ 1.000.000,00 foi pago em janeiro de 2004. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.408 21 Além disso, não há prova alguma nos autos do registro pelo Grupo Caixa do valor de R$ 1.625.922,61 em 2005 e que, o que é mais importante, tal montante abrangeria a receita de R$ 1.000.000,00. Então, não há qualquer indicio da alegada tributação em duplicidade. Em relação ao argumento de que as diferenças de valores imputadas como omissão decorrem do fato de que o Grupo Caixa escritura os valores brutos de comissão de corretagem, enquanto repassa valores líquidos, os quais são tributados pelo sujeito passivo, este também não tem qualquer fundamento. Isto porque procedeu acertadamente o Grupo Caixa ao escriturar os valores brutos e informálos como receita bruta para a fiscalização, vez que esta é que compõe a base de cálculo dos tributos aqui tratados. Os adiantamentos abatidos para apurar o líquido correspondem a valores antecipados, mas que não são tributáveis quando dos seus pagamentos, e sim, no momento em que a comissão é devida. Tal questão já foi esclarecida anteriormente neste voto.” Dessa forma, não apontando a recorrente, de forma clara e precisa, onde o decisão recorrida teria se equivocado em suas conclusões, devese manter a omissão de receitas sobre esse valor. Das receitas provenientes da empresa Alquimia Serviços de Marketing Neste item o sujeito passivo alega que os pagamentos provenientes da Alquimia Serviços de Marketing foram escriturados e tributados por uma Sociedade em conta de participaçãoSCP, da qual é sócio ostensivo. Já a empresa Alquimia havia informado à fiscalização (fl. 272/273 do Anexo II) que pagara o montante de R$ 50.939,26 relativo à comissão de agenciamento, comprovando tal fato com notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo (fl. 274/277 do Anexo II — notas fiscais de n°s 72 a 75),. Assim, a autoridade fiscal considerou esta receita como omitida. A defesa, tanto na fase impugnatória, como na fase recursal não conseguiu comprovar, mediante documentação contábil/fiscal hábil e idônea, a tributação dessas receitas, de modo que a exigência fiscal deve ser mantida. Das receitas provenientes das empresas Mapfre Vera Cruz Seguradora, Mapfre Vera Cruz Vida e Previdência e Porto Seguros Cia. de Seguros Gerais Neste item, reproduzo os fundamentos expostos no voto do acórdão recorrido, que adoto também como minhas as razões de decidir: “A autoridade fiscal realizou circularização junto As empresas Mapfre Vera Cruz Seguradora, Mapfre Vera Cruz Vida e Previdência e Porto Seguros Cia. de Seguros Gerais, conforme fl. 314/316, 323/325 e 259/261 do Anexo II, respectivamente, estando o lançamento embasado em documentação apropriada. Em sua defesa, o sujeito passivo, argumentando dificuldade de identificar as receitas em sua contabilidade, informou que solicitou às referidas empresas um detalhamento analítico dessas, no que não teria sido atendido. Em vista disso solicitou a realização de diligência ou a concessão de prazo para a juntada posterior dos documentos (nos termos do art. 16, § 4°, "a" do PAF). Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.409 22 Não consta dos autos prova documental de que o sujeito passivo tenha efetivamente realizado a referida solicitação àquelas empresas. Além disso, nos termos do art. 264 do RIR/99 compete ao sujeito passivo manter em boa guarda seus livros, bem assim, e, principalmente, os documentos que embasaram os registros nele efetuados. Não pode trazer como argumento de defesa o fato de não conseguir identificar em sua própria contabilidade os lançamentos das receitas recebidas por prestação de serviços de corretagem que, consoante por si reconhecido na impugnação, são efetivamente realizados. Em função dessas considerações, não vislumbro motivo plausível para a execução de diligência, sendo a mesma prescindível. Quanto ao pedido de juntada posterior de documentos, o dispositivo mencionado do PAF determina que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante faze10 em outro momento processual, a menos que, fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Na espécie, o pretendido motivo de força maior não restou demonstrado conforme já esclarecido, não sendo possível a apresentação da documentação após o prazo de impugnação. De qualquer forma, já transcorreu um ano desde a apresentação da defesa, prazo que entendo mais que suficiente para viabilizar ao sujeito passivo a compreensão de sua própria escrituração e, por conseguinte, a apresentação dos documentos (notas fiscais por si emitidas, extratos bancários etc) que deveriam estar sob sua guarda, ou até para a obtenção, junto a seus clientes, do detalhamento das receitas informadas ao Fisco.” Por fim, o recorrente deixou de apontar, de forma clara e precisa, onde o acórdão recorrido teria se equivocado em suas conclusões. Das diferenças apuradas entre os valores escriturados e aqueles declarados/pagos Segundo o acórdão recorrido, essa matéria não faz parte dos autos de infração objetos da presente lide, mas sim dos autos de infração formalizados nos processos n° 14041.001408/200710 e 14041.001396/200715. Em seu recurso, a defesa não contesta essa informação, razão pela qual essa matéria será considerada definitivamente julgada, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Da Inexistência (falta de clareza) na Apuração da Omissão de Receitas Alega a recorrente que “(...) não foi possível aferir as bases que levaram a fiscalização a imputar a omissão de receita em determinados lançamentos que montam a quantia de, aproximadamente, R$ 940.069,16 (...)”. Menciona, ainda, que a divergência entre os valores seria decorrente do modo como a fiscalização foi realizada, por amostragem, o que gerou diferenças, e conseqüentemente a imputação de valores indevidos. Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 14041.001367/200753 Acórdão n.º 1202001.016 S1C2T2 Fl. 1.410 23 Sem razão à defesa. A fiscalização foi feita mediante circularização com os principais clientes da autuada e os valores omitidos forma apurados com base na diferença dos valores informados por esses clientes e os declarados pela autuada, conforme demonstram as planilhas mensais de fls. 91 a 98, onde se verifica que o montante das receitas omitidas considerado nos autos de infração, de R$ 10.872.888,58, está perfeitamente identificado e demonstrado. Além disso, o recorrente deixou de apontar, de forma clara e precisa, onde o acórdão recorrido teria se equivocado em suas conclusões. Por fim, cumpre registrar que o recorrente deixou de se manifestar, expressamente, na peça recursal, das incidências da multa isolada pelo recolhimento a menor das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, no percentual de 50%, e da multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, motivo pelo qual essas matérias são consideradas definitivamente lançadas/julgadas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes da CSLL, do PIS e da Cofins, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Em face do exposto, voto para que não seja conhecido o pedido de inépcia do recurso efetuado pela PGFN, que seja rejeitada a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por cerceamento do direito de defesa, que sejam indeferidos os pedidos de diligência/perícia, que seja considerado definitivamente julgadas/lançadas as matérias não expressamente contestadas no recurso e, no mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/08/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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