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6454869 #
Numero do processo: 19515.000463/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO EFETUADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI Nº 12.101/2009. RITO PROCEDIMENTAL. Para os lançamentos efetuados após a vigência da Lei nº 12.101/2.009, o fisco deve verificar se a entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos geradores, todavia, adotando o procedimento da lei nova. Na peça de acusação, portanto, não basta mencionar a inexistência de ato declaratório de isenção ou sua cassação, há a necessidade de que se apresente quais os requisitos legais necessários ao gozo do benefício fiscal deixaram de ser cumpridos. Para os créditos constituídos na vigência da legislação anterior, aplicam-se os procedimentos ali traçados. ERRO DE PROCEDIMENTO. VÍCIO FORMAL. Quando o fisco adota rito procedimental inadequado à legislação vigente na data do lançamento, este merece ser nulificado por vício formal. Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento da questão de ordem suscitada pelo Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, não solicitar a vinculação do presente processo ao processo relativo ao ato cancelatório de isenção, e não remeter o presente processo para ser julgado com o outro; b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material. Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Texeira Junior, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil de Araujo Nogueira.
Nome do relator: ALICE GRECCHI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 provimento ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal; os Conselheiros  Fabio Piovesan Bozza e Amílcar Barca Texeira Júnior entendiam ser o caso de vício material.  Fez sustentação oral a Dra. Marcia Regina, OAB/SP 66.202.    (Assinado digitalmente)  João Bellini Júnior ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente),  Alice  Grecchi,  Amilcar  Barca  Texeira  Junior,  Fabio  Piovesan  Bozza,  Andrea  Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves,  Julio Cesar Vieira Gomes e Marcela Brasil  de  Araujo Nogueira.  Relatório  Trata­se  de  AI  ­  Auto  de  Infração  Debcad  n°  37.239.713­1,  lavrado  em  04/03/2010,  de  contribuições  devidas  a  Outras  Entidades  e  Fundos  ­  Terceiros  ­  Salário  Educação, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, abrangendo ao período  de 01/2006 a 13/2006, no montante de R$ 10.126.692,43 (dez milhões, cento e vinte e seis mil  e seiscentos e noventa e dois reais e quarenta e três centavos), consolidado em 04/03/2010.  O Relatório Fiscal, fls. 22/31 informa, em síntese, que:  ­ Os fatos geradores das contribuições apuradas foram declarados nas Guias  de Recolhimento  do FGTS  e  Informações  à Previdência Social  ­ GFIP,  porém  com o FPAS  639,  sendo  correto  o  FPAS  515.  Portanto,  a  empresa  declarou  os  fatos  geradores  e  as  contribuições  retidas  dos  segurados,  deixando  de  declarar  as  contribuições  patronais  e  de  Terceiros, devidas sobre estes mesmos fatos geradores.  ­  A  empresa  perdeu  a  isenção  de  contribuições  previdenciárias,  através  do  Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 21.404/001/2006, de ll/08/2006, com  efeitos a partir de 01/07/1998, em virtude do não  recolhimento das  contribuições  retidas dos  segurados  empregados  da matriz  nos  períodos  de  08/2001  e  10/2001  a  12/2004,  e  da  filial  61.699.567/0003­54  nos  períodos  de  05/2001  a  12/2001,  02/2002  a  02/2003  e  10/2003  a  08/2004. Também não  recolheu as  contribuições dos  contribuintes  individuais no período de  04/2003  a  12/2004,  sendo  o  débito  lançado  através  da  NFLD  ­  Notificação  Fiscal  de  Lançamento de Débito n° 35.566.595­6.  ­ Os valores não declarados em GFIP, no FPAS 515 relativos à remuneração  paga aos segurados empregados foram lançados no papel de trabalho W1­Salário Educação.  ­ Embora a empresa tenha interposto o recurso 35464.003247/2006­17 contra  o  citado  Ato  Declaratório,  referido  recurso  não  tem  efeito  suspensivo  em  relação  ao  lançamento do crédito tributário correspondente,  tendo sido emitido para evitar a decadência,  devendo ficar sobrestado, até o julgamento do recurso acima mencionado.  Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 481          3 ­  Para  a  apuração  do  débito  foram  examinadas  as  GFIP  apresentadas  pela  empresa e constantes do banco de dados da Receita Federal do Brasil.  ­  Durante  a  ação  fiscal  foram  produzidos  os  seguintes  elementos,  que  se  encontram anexados ao Auto de Infração n° 37.239.725­5 através de CD, no qual podem ser  consultados:   * Planilha I ­Valores não declarados em GFIP, onde estão relacionados todos  os valores que compuseram o salário­de­contribuição do período;  * Planilha II ­ Cálculo da Multa CFL68, onde estão calculadas as multas pela  não declaração em GFIP no FPAS 515, pela legislação vigente à época dos fatos;  * Planilha III ­ Comparativo de Multas mais benéficas.  ­  Buscando  encontrar  a  penalidade mais  benéfica,  em  cumprimento  ao  art.  106,  II,  “c”  do CTN,  elaboramos  a Planilha  III,  em CD,  onde  demonstramos  os  valores  das  multas  cabíveis  ao  caso  presente,  de  acordo  com  a  legislação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores  (art. 35,  II, “a” da Lei n° 8.212/91, pelo não recolhimento nos prazos previstos na  legislação e art. 32,  inciso IV, §5°, da Lei n° 9.212/91, com redação da Lei n° 9.528/97 pelo  descumprimento de obrigação acessória em relação a GFIP), e de acordo com a legislação que  a sucedeu (art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme determinação do art. 35­A da Lei n° 8.212/91,  na  redação  da Lei  n°  11.941/09  pelo  não  recolhimento  e  art.  32­A da Lei  n°  8.212/91,  com  redação da Lei n° 11.941/09, pelo descumprimento da obrigação acessória em relação a GFIP).  ­  Conforme  se  verifica  na  Planilha  III,  para  as  competências  01/2006  a  13/2006, as multas previstas na  legislação vigente à época dos  fatos geradores mostraram­se  mais benéficas. Assim, foram aplicadas as seguintes multas:  a) competências 01/2006 a 13/2006, multa de mora de 24% sobre o valor do  débito original;  b) em relação às contribuições para Terceiros foi aplicada em todo o período  unicamente a multa de mora de 24% sobre os valores originais, uma vez que em relação a essas  contribuições  não  há  previsão  legal  de  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  referente a GFIP, o que toma a legislação da época dos fatos geradores sempre mais benéfica.  ­ A situação encontrada no contribuinte ensejaria a emissão de Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  pela  prática,  em  tese,  do  crime  de  sonegação  de  contribuição  previdenciária, pela apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  e  pelo  não  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias relativas a esses mesmos fatos, porém face ao recurso 35464.003247/2006­17,  interposto  pela  empresa  contra  o  Ato  Cancelatório  de  Isenção  de  Contribuições  Sociais  n°  21.404/001/2006, ainda pendente de julgamento, deixamos de emiti­la.  A  empresa  foi  cientificada  do  Auto  de  Infração  por  via  postal,  em  11/03/2010,  fls.  67,  e  apresentou  impugnação  em  09/04/2010  com  os  documentos:  Estatuto  Social,  Ata  de  Assembleia  Geral,  Auto  de  Infração  e  anexos,  extrato  de  recebimento  de  correspondência, certidões de declaração de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal e  de  Assistência  Social,  peças  do  processo  referente  ao  Ato  Cancelatório  de  isenção  e  demonstrativos de parcelamento de débitos previdenciários (fls. 94/189).  Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 Faz uma síntese da autuação e alega que a mesma não merece prosperar, na  medida em que foi lavrada em desacordo com o art. 55 da Lei n° 8.212/91, art. 14 do CTN, e o  art.  195,  §7°,  do  Texto  Constitucional,  em  flagrante  desrespeito  ao  princípio  da  estrita  legalidade.  Aduz, resumidamente que:   ­  é  associação  civil,  sem  fins  lucrativos,  de  natureza  filantrópica,  mantenedora do Hospital São Paulo e de outros hospitais, possibilitando a disponibilização de  leitos e serviços hospitalares ao Sistema Único de Saúde ­ SUS, conforme se verifica do seu  estatuto social;   ­ foi declarada de Utilidade Pública Federal, por meio do Decreto do Poder  Executivo Federal, publicado no DOU em 23/03/1966, sendo, assim, reconhecida sua natureza  filantrópica, conforme certidão emitida pelo Ministério da Justiça;   ­ diante do  infundado Ato Cancelatório de  Isenção exarado, a  Impugnante,  em 18/09/2006,  interpôs  recurso  voluntário  ao Conselho  de Recursos  da Previdência Social,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  com  efeito  suspensivo,  sob  o  fundamento  de  que  a  contribuinte,  uma  vez  que  é  entidade  imune  às  contribuições  sociais  indicadas nos artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91, bem como a suposta inadimplência à época  dos fatos não pode acarretar o cancelamento da isenção conferida, até porque o preceito legal  que  dispõe  nesse  sentido  encontra­se  com  a  sua  eficácia  suspensa  em  virtude  de  liminar  deferida em ADIN n° 2.028­5, concedida pelo STF;  ­  sobre  imunidade,  foi  retirada  a  possibilidade  de  atuação  do  legislador  infraconstitucional  à  instituição  de  contribuições  sociais  de  sociedades  beneficentes  de  assistência  social. Registre­se que  a  imunidade  é uma  limitação ao poder de  tributar do  ente  político, ou seja, o legislador não pode instituir tributos sobre o que é imune;   ­  quando  da  lavratura  do  ato  cancelatório,  os  supostos  inadimplementos  invocados  pela  fiscalização  e  estampados  nas  NFLDS  n°  35.566.595­6,  35.230.853­2,  35.230.854­0  e  36.020.290­0,  se  encontram  em  discussão  administrativa,  portanto,  eram  ilíquidos e incertos, e se encontram com a exigibilidade suspensa;  ­  por  força  da  MP  n°  303,  de  29/06/2006,  e  do  Decreto  n°  2.187/07,  os  referidos  débitos  foram  regularizados  por  meio  de  acordo  de  parcelamento  que  vem  sendo  criteriosamente cumprido pela Impugnante, motivo pelo qual a mo o cancelamento da benesse  restou  ultrapassada,  acarretando  a  perda  de  objeto  do  processo  °  35646002197/2006­42,  no  qual se discute o ato cancelatório;   Ao final, requereu a não aplicação da multa de mora, porque a exigibilidade  da contribuição social encontrava­se suspensa. Ainda, caso prevalecesse o Auto impugnado e a  incidência de juros de mora, que fosse afastada a Taxa SELIC, em conformidade com decisão  do STJ.  Sobreveio  decisão  de  Primeira  Instância,  julgando  improcedente, mantendo  os créditos exigidos, restando assim ementada.  Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006  Ementa:  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 482          5 ISENÇAO.  ATO  CANCELATORIO.  Somente  ficam  isentas  das  contribuições  sociais  devidas  à  Seguridade  Social  e  a  Outras  Entidades e Fundos ­ Terceiros, no período anterior à vigência  da  Lei  n°  12.101,  de  27/11/2009,  as  entidades  beneficentes  de  assistência  social  que  cumpriam,  cumulativamente,  todos  os  requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91.  Não  anulado  ou  revogado,  o  ato  cancelatório  de  isenção  regularmente  declarado  permanece  produzindo  efeitos,  sujeitando  a  entidade  ao  recolhimento  das  referidas  contribuições.  RECURSO. EFEITO SUSPENSIVO.   O  recurso  interposto  perante  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF) contra o Ato Cancelatório de Isenção  suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art.  151, III, do CTN, mas não afasta a legitimidade do lançamento  tributário, realizado de forma a prevenir a decadência.  MULTA DE MORA. JUROS. TAXA SELIC.   Sobre  as  contribuições  sociais  pagas  com  atraso  incidem,  a  partir  de  01/04/97,  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC, e multa de  mora, todos de caráter irrelevável.  CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.   No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  de  lei  ou  decreto  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇAO.  Pertence  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Administração  Tributária  ­  DERAT  jurisdicionante  do  contribuinte  a  competência  para  intimação de  acórdão  emitido  pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. *  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A  ciência  do  Acórdão  16­26.711  ­  12ª  Turma  da  DRJ/SP1  ocorreu  em  27/12/2010, conforme Aviso de Recebimento (fls. 242).  Em  24/01/2011,  sobreveio  recurso  voluntário  (fls.  244/2267),  ratificando  a  tese  defensiva  apresentada  na  impugnação.  Juntou  documentos  fls.  281  a  385,  a  saber:  procuração,  estatuto  e  ata  de  eleição  de  diretoria,  intimação  fiscal  e  acórdão  de  1ª  instância,  embargos  de  declaração  e  certidão  (ato  declaratório),  certidão  CEBAS  ­  Certificado  de  Entidade  Beneficente  de  Assistência  Social,  decisões  execuções  fiscais,  certidões  de  regularidade fiscal, ADI 2028 MC/DF.  Em  16/05/2016  (fls.  376/387)  a  recorrente  apresentou  manifestação  com  breve síntese dos fatos, juntou documentos (fls. 388/478), a saber: paradigmas, comprovantes  Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     6 parcelamento  do  débito,  certidões  positivas  com efeitos  de negativas,  certificado CEBAS da  recorrente.  Por sua vez, expôs:  ­ que o Ato Cancelatório de Isenção é de 11/08/2006 com efeitos retroagindo  até 01/07/1998;  ­ que a lavratura do Auto de Infração ocorreu para prevenir a decadência;  ­  que  acerca da matéria  existe  legislação  superveniente  ao  lançamento,  que  deverá ser observada;  ­ que por força do art. 50, do Decreto nº 8.242/14, os processos que tratam de  isenção  deverão  ser  encaminhados  à  unidade  competente  para  verificar  o  atendimento  dos  requisitos , na forma do art. 32, da Lei 12.101/09, à época do fato gerador.  ­ que de acordo com o atual art. 32 da Lei 12.101/09, à época da lançamento,  a recorrente preenchia todos os requisitos legais vigentes à época dos fatos geradores.  ­  que  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  observou  lei  anterior,  a  qual  foi  revogada (Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/91) e  isso acarreta em erro de procedimento ­ vicio formal;  ­  que  para  créditos  constituídos  após  edição  da  Lei  nº  12.101/09  deve  ser  observado aquele rito formal, em consonância com o §1º do art. 144, CTN;  ­ que houve erro de procedimento ao  lavrar o AI uma vez que a autoridade  lançadora,  mesmo  sob  a  égide  da  Lei  12.101/09,  adotou  procedimento  de  legislação  ultrapassada.  ­ que em 2006 estavam regularizados os débitos e era portadora do CEBAS ­  Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social;  ­  que  o  CARF  no  processo35464.003247/2006­17  que  trata  do  Ato  Cancelatório de  Isenção, houve por bem  formalizar Resolução de nº 2402­000.517, a  fim de  devolver  o  processo  à  origem  para  cumprimento  das  regras  estabelecidas  pelo  Decreto  8.242/14, especialmente no art. 50, um vez que à época do  julgamento,  já estava revogada a  legislação relativa a atos cancelatórios de isenção;  ­ que há época do lançamento ­ 04.03.2010, o § 6º, do art. 55, da Lei 8.212/91  já estava revogada e que a matéria em questão era regida pela Lei 12.101/09, especialmente o  art. 31.que no ano de 2010 já era detentora do CEBAS, atendendo o disposto no art. 31, da Lei  12.101/09.  ­  que  ser  portadora  do  CEBAS  significa  dizer  que  todos  os  requisitos  e  exigências legais para usufruir a isenção estão preenchidos;  ­  que  sendo  a  recorrente  portadora  do  CEBAS  na  ocasião  da  ação  fiscal,  cumprindo  o  que  se  refere  no  art.  31,  da  Lei  12.101/09,  nada mais  justo  e  legal  do  que  ser  aplicado ao caso o art. 106, II "a" e "b" do CTN, para cancelar as exigências lançadas.  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 483          7 ­  que  a  multa  de  mora  não  poderá  prevalecer  pois  a  exigibilidade  das  contribuições  previdenciárias  se  encontravam  suspensas  em  virtude  de  pendência  de  decisão  administrativa nos autos do processo em que se discutia o Ato Cancelatório de Isenção.  Requer ao fim a anulação do lançamento efetuado.  É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Alice Grecchi  O  presente  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade  do  Decreto  70.235/72, merecendo ser conhecido.  Conforme se constata da leitura do relatório, o lançamento foi efetuado para  prevenir  a  decadência,  uma  vez  que  o  Ato  Cancelatório  de  Isenção,  o  qual  embasa  o  lançamento, encontrava­ se com recurso pendente.   Do relatório fiscal de fls. 22/31, extrai­se palavras do fiscal:  Embora  a  empresa  tenha  interposto  o  recurso  35464.003247/2006­17  contra  o  citado  Ato  Cancelatorio,  referido  recurso  não  tem  efeito  suspensivo  em  relação  ao  lançamento  do  credito  tributário  correspondente,  tendo  sido  emitido  para  evitar  da  decadência,  devendo  ficar  SOBRESTADO,  ate  o  julgamento  do  recurso  acima  mencionado.(grifei)  Verifica­se que o  lançamento  foi  efetuado 04/03/2010,  tendo o  contribuinte  sido  cientificado  em  11/03/2010.  Ou  seja,  a  constituição  do  crédito  tributário  em  análise  ocorreu já sob a vigência da Lei nº 12.101 de 27/11/2009.  Essa  nova  legislação  trouxe  novas  disposições  acerca  da  certificação  das  entidades beneficentes de assistência  social,  tratando  também dos  requisitos necessários para  isenção das contribuições previdenciárias.  Por  outro  lado,  verifica­se  que  o  período  de  apuração  foi  de  01/2006  a  13/2006, quando ainda estava em vigor o art. 55, da Lei nº 8.212/1991, norma então revogada  com o advento da Lei nº 12.101/09.  O  novo  diploma  legal  trouxe  algumas  alterações  entre  elas  foi  a  desnecessidade da interessada requerer à Administração o reconhecimento do benefício fiscal,  o qual se dava mediante a emissão de ato declaratório de isenção.  Os  lançamentos  efetuados  após  a  vigência  da  Lei  n.º  12.101/2009,  o  fisco  deve apurar se entidade cumpre os requisitos previstos na legislação vigente na data dos fatos  geradores.  No  entanto,  deve  adotar,  para  fins  de  formalização  do  lançamento,  o  rito  procedimental  previsto  na  nova  legislação,  ao  ser  constatada  desconformidade  com  os  requisitos  impostos pela norma de regência, vigentes a data do fato gerador, o  lançamento  já  pode ser efetuado, indicando quais os fatos não observados, vejamos:  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     8 Art.  32.  Constatado  o  descumprimento  pela  entidade  dos  requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  lavrará  o  auto  de  infração relativo ao período correspondente e  relatará os  fatos  que  demonstram  o  não  atendimento  de  tais  requisitos  para  o  gozo da isenção.   Verifica­se  que  se  trata  de  norma  de  caráter  procedimental,  uma  vez  que  regula o procedimento a ser adotado em caso de descumprimento dos requisitos materiais.  Assim,  assiste  razão à  recorrente quando  sustenta que o  art.  32,  da  referida  legislação  veicula  nítida  regra  processual  que,  portanto,  de  acordo  com  o  art.  144,  §  1º,  do  CTN, deve ser aplicada por ocasião da lavratura do lançamento.  "Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros. "  Sobre  essa  questão,  já  se  manifestou  o  Ilustre  Relator  Kleber  Ferreira  de  Araújo, no Acórdão 2402­004.738 ­ 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária, de 09.12.15.  Não  tenho  dúvida  de  que  o  art.  32  da  Lei  n.o  12.101/2009  introduziu  novo  procedimento  para  o  fisco,  subsumindo­se  inteiramente ao §1º do art. 144 do Código Tributário Nacional ­  CTN, motivo pelo qual deve ser aplicado na data do lançamento,  independentemente  deste  se  referir  a  fatos  geradores  ocorridos  sob os auspícios do regramento jurídico precedente.  A  primeira  conclusão  que  se  pode  extrair  dessa  interpretação  jurídica é que, malgrado a afirmação do fisco, o lançamento não  foi confeccionado para prevenir a decadência, haja vista que a  lei  nova  não  exige  como  condição  para  lavratura  do  auto  de  infração a anterior revogação do benefício fiscal.  Tanto  isso  é  verdade  que,  os  processos  de  pedido  de  reconhecimento  e  de  cancelamento  de  isenção ainda  pendentes  de julgamento deixaram de seguir seu curso normal e passaram  a ser devolvidos para as unidades competentes da Administração  Tributária,  conforme  determinação  do  Decreto  n.o  7.237,  de  20/07/2010:  "Art.  44.  Os  pedidos  de  reconhecimento  de  isenção  não  definitivamente  julgados  em  curso  no  âmbito  do Ministério  da  Fazenda  serão  encaminhados  à  unidade  competente  daquele  órgão  para  verificação  do  cumprimento  dos  requisitos  da  isenção, de acordo com a legislação vigente no momento do fato  gerador.  Parágrafo único. Verificado o direito à isenção, certificar­se­á o  direito  à  restituição  do  valor  recolhido  desde  o  protocolo  do  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 484          9 pedido de isenção até a data de publicação da Lei n. o 12.101, de  2009.  Art.  45.  Os  processos  para  cancelamento  de  isenção  não  definitivamente  julgados  em  curso  no  âmbito  do Ministério  da  Fazenda  serão  encaminhados  à  unidade  competente  daquele  órgão  para  verificação  do  cumprimento  dos  requisitos  da  isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei n.º 12.101  de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.  Essa conclusão pode ser observada nos julgados abaixo, os quais colaciono as  ementas:  Acórdão  2402­005.041,  de  17/02/2016,  Rel.  Conselheiro  Lourenço Ferreira do Prado.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  ENTIDADE  BENEFICENTE  DE  ASSISTÊNCIA  SOCIAL.  LANÇAMENTO  EFETUADO  SOB  A  ÉGIDE  DA  LEI  N.º  10.101/2009.  INOBSERVÂNCIA  DO  PROCEDIMENTO  PARA  FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. Conforme entendimento  desta  turma, aos  lançamentos efetuados após a vigência da Lei  n.º  12.101/2009,  o  fisco  deve  apurar  se  entidade  cumpre  os  requisitos  previstos  na  legislação  vigente  na  data  dos  fatos  geradores. No entanto, deve adotar, para fins de formalização do  lançamento, o rito procedimental previsto na nova legislação.  ERRO  DE  PROCEDIMENTO.  VÍCIO  FORMAL  A  adoção  de  procedimento  inadequado  à  ensejar  a  lavratura  do  Auto  de  Infração  de  contribuições  previdenciárias  enseja  a  declaração  de sua nulidade pela ocorrência de vício formal.  Processo Anulado.  Acórdão 2401­002.807, de 22.11.2012, Designado para redigir o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Rycardo  Henrique Magalhães  de  Oliveira:  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007   CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  ISENÇÃO  COTA  PATRONAL.  NORMAS  PROCEDIMENTAIS.  RETROATIVIDADE.  LEI  12.101/2009.  APLICAÇÃO  PROCEDIMENTAL  A  FATOS  GERADORES  PRETÉRITOS  À  SUA  EDIÇÃO.  AÇÃO  FISCAL  POSTERIOR  À  ALUDIDA  LEGISLAÇÃO.  ARTIGO  144,  §  1  o,  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL.  Tratando­se  de  ação  fiscal  desenvolvida  após  a  edição  da  Lei  nº  12.101,  de  27/11/2009,  a  qual,  além  de  contemplar  os  requisitos  para  fruição  da  isenção  da  cota  patronal,  igualmente,  estabeleceu  novos  procedimentos  para  obtenção  e  cancelamento  da  certificação  de  entidades  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     10 beneficentes de assistência social, impõe­se à observância desse  novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à  aludida  lei,  com  esteio  no  artigo  144,  §  1  o,  do  Código  Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou  com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após  a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo  de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a  vigência  daquela  lei,  em  05/04/2010,  deveria  ter  observado  os  procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior  na  matéria,  ao  rechaçar  a  condição  de  entidade  isenta  (autoenquadrada),  dissertando  a  propósito  dos  pressupostos  legais  da  isenção  que  teriam  sido  inobservados  e  para  quais  períodos,  sob  pena  de  improcedência  do  feito,  como  aqui  se  vislumbra.[...](grifei)  Nesse  contexto,  vale  destacar  que  no  processo  35464.003247/2006­17,  da  mesma  recorrente,  que  trata  do  cancelamento  do  Ato  Declaratório  de  Isenção,  o  I.  Relator  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  editou  Resolução  2402­000.517,  em  26.01.16,  determinando  retorno dos autos à unidade de origem para verificação do cumprimento dos requisitos legais,  em observância à nova legislação que rege a matéria, a qual subtraio excerto:  Em se tratando de legislação que regula o trâmite de processos  administrativos,  deve  ser  aplicada  imediatamente.  Assim,  conforme preconiza seja o art. 234 da IN 971/09, seja o art. 45  do Decreto  7.237/10  ou mesmo o  art.  50  do Decreto  8.242/14,  todos os processos que tratam do cancelamento de isenção e que  não estejam definitivamente julgados, devem ser enviados para a  unidade  competente  para  verificação  do  cumprimento  dos  requisitos legais.  Ora,  e  no  caso  dos  autos,  o  que  ensejou  o  anterior  envio  dos  autos à unidade de origem, não foi a interposição dos Embargos  de  Declaração,  como  fez  crer  o  fiscal  que  deixou  de  cumprir  ordem expressa deste Eg. Conselho, mas  sim a  edição de nova  legislação  sobre  o  assunto,  da  qual  não  pode  furtar­se  o  julgador,  considerando  que  o  presente  processo  ainda  não  encontra­se  definitivamente  julgado,  pois,  quando  da  vigência  dos  dispositivos  de  Lei  e  Instrução  Normativa  supra,  ainda  encontrava­se  pendente  a  análise  de  recurso  interpostos  pelo  contribuinte.  Assim,  ainda  vigente  disposição  normativa  que  determina  a  necessidade da baixa dos autos, conforme já fora realizado por  meio do Despacho n. 2402044, determino a devolução dos autos  a unidade de origem, mesmo que tal procedimento enseje maior  período  no  trâmite  do  presente  processo,  para  o  cumprimento  das  regras  estabelecidas  pelo  Decreto  8.242/14.para  observância  daquilo  o  que  disposto  no  art.  50  do  Decreto  8.242/14.  Com isso, denota­se que as regras de transição que regem a matéria, devem  ser aplicadas ao caso aqui analisado, uma vez que já estão sendo observadas no processo que  trata do Ato Cancelatório de Isenção da recorrente.  Retornando novamente ao Relatório Fiscal (fl. 23/31), verifica­se que não há  informação de quais dispositivos  legais do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 foram infringidos no  período  do  lançamento,  conforme  preceitua  o  art.  32  da  Lei  12.101/09.  Há  tão  somente  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 485          11 informação quanto ao Ato Cancelatório de Isenção e as infrações que o motivaram, bem como  as  infrações  supostamente  cometidas  quando  da  entrega  da  GFIP  com  código,  segundo  a  fiscalização, incorreto:   [...]  A empresa perdeu a isenção de contribuições previdenciárias,  através  do  ATO  CANCELATORIO  DE  ISENCAO  DE  CONTRIBUICOES  SOCIAIS  N°  21.404/001/2006  de  11/08/2006,  com  efeitos  a partir de  01/07/1998,  em  virtude  do  não  recolhimento  das  contribuições  retidas  dos  segurados  empregados  da  Matriz  nos  períodos  de  08/2001  e  10/2001  a  12/2004 e da filial 61.699.567/0003­54 nos períodos de 05/2001  a 12/2001, 02/2002 a 02/2003 e 10/2003 a 08/2004 [...]  Com  isso,  percebe­se  que  a  fiscalização  usou  o  descumprimento  dos  requisitos  nos  períodos  acima  referidos  como  fundamento  para  lavrar  o  Auto  de  Infração  referente a períodos posteriores.  Esta Turma, analisou e julgou matéria  idêntica, na sessão de 10 de maio de  2016,  se  posicionando  no  sentido  de  que  o  descumprimento  dos  requisitos  constantes  do  revogado art. 55 da Lei nº 8.212/91, em relação a determinado período de apuração não podem  servir de fundamento para exigência das contribuições relativas a períodos posteriores, ementa  ao  Acórdão  nº  2301004.667,  processo  n.º  10073.720778/2011­08  Ilustre  Relator  Fabio  Piovesan Bozza, abaixo transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007  REQUISITOS  LEGAIS  FRUIÇÃO  DE  IMUNIDADE  (“ISENÇÃO”) DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  POR ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.  O descumprimento dos requisitos constantes do art.  55 da Lei  nº  8.212/91  para  a  fruição  de  imunidade das  contribuições  previdenciárias patronais relativas a um determinado período de  apuração  (1995  a  1999)  não  pode  servir  de  fundamento  para  exigência das contribuições relativas a outro período (2007)   O lançamento em questão foi realizado no ano de 2010, sendo que o período  de  apuração  é  de  01/2006  a  13/2006,  de  modo  que  não  foram  observadas  as  regras  procedimentais  impostas  pela  nova  legislação,  visto  não  ter  constado  do  Relatório  Fiscal,  tampouco do Auto de Infração, quais os dispositivos do art. 55, da Lei nº 8.212/91 que foram  desatendidos, cometendo a infração que justificasse a perda da isenção no período de 01/2006 a  13/2006.  Tal  procedimento  ocorrido  no  presente  caso,  caracteriza  vício  formal,  acarretando a decretação de nulidade do lançamento.  Sobre o  tema,  filio­me ao entendimento exposto no Acórdão 2402­004.739,  de 09.12.2015, do Relator Kleber Ferreira de Araújo, cuja decisão colaciono excerto:  Vício formal  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     12 Inicialmente,  devemos  fazer  um  breve  comentário  acerca  dos  elementos  que  constituem  o  procedimento  de  lançamento,  para  depois tratar das consequências jurídicas advindas de vícios em  cada  uma  das  partes  que  compõem  o  ato  procedimental  de  constituição  do  crédito  tributário  e,  por  fim,  aplicar  essa  teorização ao caso trazido a lume.  Compõem o ato de lançamento  a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do  ato de lançamento,  fazendo parte de sua própria estrutura. São  tratados no art. 142 do CTN, verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de  cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a  identificação  do  sujeito  passivo  são  considerados  requisitos  do  lançamento.  b)  Pressupostos:  são  as  formalidades  que,  malgrado  não  integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a  formação  do  ato,  a  exemplo  de  cientificação  do  início  do  procedimento  fiscal,  intimação  para  apresentação  de  documentos, cumprimento de normas internas de Administração  Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do  crédito, inadequação do procedimento de apuração à legislação  de regência e equívoco na citação dos fundamentos legais, etc.  c)  Condições:  são  providências  que  dão  eficácia  ao  ato  de  lançamento, que sucedem a realização do mesmo, como é o caso  da notificação ao sujeito passivo.  Quando a mácula situa­se nos requisitos do lançamento, deve­se  fulminá­lo  por  vício  material,  nos  casos  em  que  a  autoridade  julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato  gerador,  todavia, tenha verificado a ocorrência de falha na sua  descrição,  no  cálculo  do  tributo  ou  na  identificação  do  sujeito  passivo.  Ao contrário, os vícios situados nos pressupostos e condições do  lançamento  pedem  o  seu  saneamento  ou  a  declaração  de  vício  formal,  quando  a  mácula  não  possa  ser  afastada.  Nessas  situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos  substanciais, posto que a falha localiza­se em elemento exterior  ao lançamento.  Ainda sobre os  requisitos do  lançamento, para as  situações em  que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o  convencimento  da  ocorrência  do  fato  gerador,  posto  que  o  mesmo  não  restam  suficientemente  demonstrados  pela  Autoridade  Fiscal,  há  de  se  declarar  a  improcedência  do  lançamento.  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 486          13 [...]  Assim,  entendo  que  o  lançamento  merece  ser  anulado  por  ser  tratar  de  equívoco quanto ao procedimento adotado pelo Fisco na sua atividade de formalização do Auto  de Infração, considerando que houve vício formal.  Deixo de me manifestar em relação a  retroatividade benigna do art. 106 do  CTN, em relação a multa, por entender que todo o crédito  tributário  resta desconstituído por  vício formal.  Em conformidade  com  o  art.  173,  II,  do CTN,  ressalto  que  o Fisco deverá  cientificar  o  sujeito  passivo  dessa  decisão  e  tomar  as  providências  constantes  da  regra  retro  mencionada,  que  lhe  concede  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contados  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal  o  Auto  de  Infração,  lavrar  lançamento substitutivo, se for o caso, verificando quando e quais os requisitos que deixaram  de  ser  entendidos,  em  cada período, que  levem a Recorrente  a deixar de  fazer  jus  a  Isenção  (Imunidade), na forma da Lei:   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:   [...]  II  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao  recurso voluntário, anulando o lançamento, por VÍCIO FORMAL.   (Assinado digitalmente)  Alice Grecchi ­ Relatora                                Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     14 Declaração de Voto  É  oportuno  que  sejam  esclarecidos  meus  fundamentos  para  suscitar  uma  questão prejudicial ao exame de mérito do recurso voluntário, quando na sessão de julgamento  fui vencido, conforme trecho a seguir transcrito:  Acórdão  2301­004.707  Informações  Adicionais:  Acordam  os  membros do Colegiado: (a) por maioria de votos, no julgamento  da  questão  de  ordem  suscitada  pelo  Conselheiro  Julio  Cesar  Vieira Gomes,  não  solicitar  a  vinculação  do  presente  processo  ao  processo  relativo  ao  ato  cancelatório  de  isenção,  e  não  remeter o presente processo para ser julgado com o outro  Em pesquisa ao processo citado no relatório nº 35464.003247/2006­17, onde  se  discutem  os  fundamentos  acerca  do  direito  à  imunidade  de  contribuições  previdenciárias,  constatei que em 10/06/2010 a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Seção havia julgado o  recurso voluntário através do acórdão nº 2402­00.931, negando­lhe provimento. O fundamento  do  cancelamento  da  imunidade  é  o mesmo  adotado  para  o  presente  processo  de  lançamento  tributário.  Em  julgamento dos  embargos de declaração opostos,  a  turma entendeu que  não sendo a decisão definitiva deveria, em cumprimento ao artigo 45 do Decreto nº 7.237, de  20/07/2010 e ao artigo 234 da IN nº 971/2009, retornar o processo para que a origem o juntasse  aos processos  instaurados para a  constituição dos  créditos  tributários. Um deles  é o presente  processo sob exame:  Art. 234 (...)  2º  Em  caso  de  tramitação  simultânea  de  processo  de  cancelamento de isenção e de lançamento constitutivo de crédito  pendente de recurso, deverá aquele ser apensado a este e ambos  retornarem  à  Fiscalização,  para  fins  de  aplicação,  relativamente ao processo apensado, do disposto nos incisos I e  II deste artigo.  Como  se  vê,  o  acórdão  nº  2402­00.931  foi  proferido  antes  do  Decreto  nº  7.237, de 20/07/2010; portanto, cumpriu o procedimento vigente à época.  Assim,  conforme  artigo  6º,  §6º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343,  de  09/06/2015,  existe  conexão  e  prejudicialidade  para  que  o  presente  processo  de  obrigação  principal  seja  julgado  por  esta  turma;  sendo  correto  que  todos  sejam  movimentados  para  a  Segunda  Turma  da  Quarta  Câmara  que  além  da  prevenção  por  distribuição  em  momento  anterior, lá se encontra o processo principal que, inclusive, já fora julgado no mérito:  Art.  6º  Os  processos  vinculados  poderão  ser  distribuídos  e  julgados observando­se a seguinte disciplina:  § 1º Os processos podem ser vinculados por:  I ­ conexão, constatada entre processos que tratam de exigência  de  crédito  tributário  ou  pedido  do  contribuinte  fundamentados  em  fato  idêntico,  incluindo  aqueles  formalizados  em  face  de  diferentes sujeitos passivos;  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.000463/2010­80  Acórdão n.º 2301­004.711  S2­C3T1  Fl. 487          15 II  ­ decorrência, constatada a partir de processos  formalizados  em  razão de procedimento  fiscal anterior ou de atos do  sujeito  passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda  que veiculem outras matérias autônomas; e   III  ­  reflexo,  constatado  entre  processos  formalizados  em  um  mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de  prova, mas referentes a tributos distintos.  § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão  ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo  conexo,  ou  o  principal,  salvo  se  para  esses  já  houver  sido  prolatada decisão.  §  3º  A  distribuição  poderá  ser  requerida  pelas  partes  ou  pelo  conselheiro  que  entender  estar  prevento,  e  a  decisão  será  proferida  por  despacho do Presidente da Câmara ou  da  Seção  de Julgamento, conforme a localização do processo.  §  4º  Nas  hipóteses  previstas  nos  incisos  II  e  III  do  §  1º,  se  o  processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado  deverá  converter  o  julgamento  em  diligência  para  a  unidade  preparadora,  para  determinar  a  vinculação  dos  autos  ao  processo principal.  §  5º  Se  o  processo  principal  e  os  decorrentes  e  os  reflexos  estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado  deverá converter o julgamento em diligência para determinar a  vinculação  dos  autos  e  o  sobrestamento  do  julgamento  do  processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma  instância relativa ao processo principal.  § 6º Na hipótese prevista no § 4º,  se não houver  recurso a  ser  apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade  preparadora  deverá  devolver  ao  colegiado  o  processo  convertido  em  diligência,  juntamente  com  as  informações  constantes  do  processo  principal  necessárias  para  a  continuidade do julgamento do processo sobrestado.  As disposições no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234  da  IN  nº  971/2009  têm  por  finalidade  a  reunião  dos  fundamentos  a  serem  examinados  para  exame dos processos de lançamento da obrigação principal, já que fora extinto o procedimento  anterior, onde antes era necessário um ato cancelatório. Com os processos apensos seria viável  o exame do cumprimento ou não dos requisitos que estão consignados tanto no processo de ato  cancelatório quanto os de lançamento tributário.  Porém, uma vez entendendo a turma que não haveria vinculação ou conexão  entre os processos, o presente processo teve que ser examinado apenas com os documentos que  constavam em seus autos, daí resultando em vício formal, o que a meu ver seria superado com  o cumprimento do disposto no artigo 45 do Decreto nº 7.237, de 20/07/2010 e artigo 234 da IN  nº  971/2009.  Ressalta­se  que  o  mérito  já  havia  sido  julgado  pela  turma  na  qual  tramita  o  processo de cancelamento da imunidade.  Em síntese, independentemente do que se entenda quanto ao mérito, ou seja,  quanto  ao  requisito  que  teria  sido  descumprido  pelo  recorrente,  o  atual  procedimento  não  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     16 determinou que  os  processos  de  ato  cancelatório  de  imunidade/isenção  em  tramitação  sejam  extintos,  mas  apenas  que  retornem  à  origem  para  que  sejam  juntados  aos  processos  de  lançamento tributário, o que propicia um maior conjunto probatório. E quanto ao RICARF, há  norma expressa no sentido de que todos esses processos devem ser  julgados pela turma onde  tramita o processo principal ou à qual tenha sido distribuído o primeiro processo.  Diante  do  exposto,  declaro  meu  voto  pela  prejudicialidade  e  remessa  do  presente processo à Segunda Turma da Quarta Câmara.  É como voto.  Júlio César Vieira Gomes  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/06/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 10980.002588/2004-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Súmula CARF nº 91. Realidade em que o sujeito passivo, em 22/04/2004, formalizou pedido de restituição de COFINS paga a maior no período de 01/10/1994 a 31/08/2003. Assim, na data em que o pleito foi formalizado ainda não vigorava a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN. Prescrição que não restou caracteriza, uma vez que as compensações a que se reporta a interessada se deu dentro do prazo de 10 anos admitido pela tese dos 5 + 5 anos pavimentada pelo STJ (5 anos para a homologação tácita do lançamento - artigo 150, § 4º, do CTN -, mais 5 anos para se pleitear a restituição - artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003 PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (artigo 14, § 2º, inciso I, da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I - Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se dá parcial provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3301-002.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que entenderam pela impossibilidade de isenção da COFINS em relação à receita de vendas para a Zona Franca de Manaus, razão pela qual negavam provimento ao recurso. Declarará voto o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 80          1 79  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.002588/2004­35  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.924  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de abril de 2016  Matéria  Restituição ­ COFINS  Recorrente  Isdralit Indústria e Comércio Ltda.  Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  REPETIÇÃO  DO  INDÉBITO.  PRAZO  PARA  REQUERIMENTO.  INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO  4º,  SEGUNDA PARTE, DA  LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO  ARTIGO  3º  DA  REFERIDA  NORMA.  APLICAÇÃO  UNICAMENTE  A  PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE  JUNHO DE 2005.  HIPÓTESE  NÃO  MATERIALIZADA  NOS  AUTOS.  PRESCRIÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei  Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o  da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser  considerada  válida,  unicamente,  para  os  processos  formalizados  após  o  decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.  Súmula CARF nº 91.  Realidade  em  que  o  sujeito  passivo,  em  22/04/2004,  formalizou  pedido  de  restituição de COFINS paga a maior no período de 01/10/1994 a 31/08/2003.  Assim,  na  data  em  que  o  pleito  foi  formalizado  ainda  não  vigorava  a  interpretação  de  que  trata  o  artigo  3o  da  Lei  Complementar  nº  118/05,  segundo  a  qual,  nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  a  extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado  de que trata o § 1º do art. 150” do CTN.   Prescrição que não restou caracteriza, uma vez que as compensações a que se  reporta  a  interessada  se  deu dentro do prazo de  10  anos  admitido pela  tese  dos 5 + 5 anos pavimentada pelo STJ (5 anos para a homologação tácita do  lançamento  ­  artigo  150,  §  4º,  do  CTN  ­,  mais  5  anos  para  se  pleitear  a  restituição ­ artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN).      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 25 88 /2 00 4- 35 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 81          2 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/1994 a 31/08/2003  PIS/PASEP  E  COFINS.  RECEITAS DE VENDAS  REALIZADAS  PARA  EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO  DE  INCIDÊNCIA.  FATOS  GERADORES  OCORRIDOS  ENTRE  1o/02/1999 e 21/12/2000.  As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona  Franca  de  Manaus  deverão  sofrer  incidência  do  PIS  e  da  COFINS,  exclusivamente,  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  entre  1o  de  fevereiro de 1999 (artigo 14, § 2º, inciso I, da MP no 1.858­6, de 29/06/1999)  e  21  de  dezembro  de  2000  (dia  imediatamente  anterior  à  publicação  da  reedição  da Medida  Provisória  2.037­24  com  a  supressão  do  termo  “Zona  Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I ­ Medida Provisória 2.037­ 25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).  Recurso  ao qual  se dá parcial  provimento  em vista da data do  fato  gerador  objeto da lide.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  relator.  Vencidos  os  conselheiros  Andrada  Márcio Canuto Natal e Luiz Augusto do Couto Chagas, que entenderam pela impossibilidade  de isenção da COFINS em relação à receita de vendas para a Zona Franca de Manaus, razão  pela qual negavam provimento ao recurso.  Declarará voto o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ  Florianópolis  (e­fls.  56/63),  a  qual,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  interessada  contra  despacho  decisório  que  reconheceu apenas em parte pleiteado direito creditório relativo a suposto pagamento a maior  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 82          3 de  COFINS  em  razão  da  inclusão  indevida,  na  base  de  cálculo  da  contribuição,  de  receitas  oriundas de vendas realizadas à Zona Franca de Manaus.   Reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida:  Trata­se de Pedido de Restituição de crédito de Cofins, efetivado em  22/04/2004, no valor corrigido pelo contribuinte de R$ 785.851,29 (fl. 03),  correspondente ao período de outubro de 1994 a agosto de 2003 (fl. 03/05).   Do despacho decisório   Com  fundamento  no  inciso  I  do  art.  168  do  Código  Tributário  Nacional  combinado  com  o  art.  3º  da  Lei  Complementar  nº  118/2005,  a  autoridade  fiscal  não  reconheceu  direito  de  crédito  em  relação  aos  pagamentos  ocorridos  antes  de  22/04/1999,  por  terem  sido  atingidos  pela  decadência.   No mérito, não reconheceu o crédito em relação as receitas oriundas  de vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM, sob a alegação de  que a legislação da Cofins não concedeu a isenção da referida contribuição  para as vendas à ZFM e tampouco as equiparou à exportação.   Da manifestação de inconformidade   A recorrente, inicialmente, defende o prazo de dez anos para pleitear  a restituição dos valores recolhidos indevidamente, alegando que extinto o  crédito  tributário  com  a  homologação  tácita  pelo  decurso  do  prazo  de  5  (cinco) anos, contados do pagamento,  inicia­ se a contagem do prazo de 5  (cinco) anos para pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente,  aplicando­se  ao  presente  caso  o  disposto  no  art.  150,  §  4º  e  168,  I,  do  Código Tributário Nacional.   Já em defesa do direito ao crédito, alega, em síntese que as receitas  decorrentes  de  vendas  à  ZFM  gozam  das  mesmas  prerrogativas  fiscais  concernentes  às  receitas  de  exportações  e  não  podem  ser  atingidas  pela  incidência da Cofins, em virtude da equiparação imposta pelo Decreto­lei nº  288/1967, que foi erguida ao patamar constitucional pelo art. 40 do Ato das  Disposições  Transitórias,  e  considerando­se  que  passaram  a  gozar,  inclusive, de imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inciso I da CF,  fruto da Emenda Constitucional nº 33, de 2001. Por fim, alega que também  não é em virtude do previsto pelo artigo 14 da Medida Provisória n° 2037­ 23/2000  que  existe  a  incidência  das  contribuição  para  o  PIS  e  da Cofins  sobre as operações de venda efetuadas para empresas da ZFM, haja vista o  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  julgar  a  Ação  Declaratória  de  Inconstitucionalidade  n°  2.348­9,  publicada  no  Diário  da  Justiça  e  no  Diário  Oficial  da  União  de  18  de  dezembro  de  2000,  ter  suspendido  a  eficácia do aludido dispositivo.   Conclui que, seja pela legislação pertinente, seja pelo posicionamento  do  Poder  Judiciário  quanto  ao  tema,  as  receitas  decorrentes  de  vendas  destinadas à ZFM não devem compor a base de cálculo da Cofins.   Os  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo  não  foram  acolhidos  pela  primeira instância de julgamento, que indeferiu o pleito em acórdão assim ementado:   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999   REPETIÇÃO DO INDÉBITO. DECADÊNCIA   Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 83          4 O  direito  do  contribuinte  de  pleitear  a  restituição  de  indébito  tributário  extingue­se  em  cinco  anos,  contados  da  data  de  extinção  do  crédito  tributário respectivo.   ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS   Ano­calendário:  1994,  1995,  1996,  1997,  1998,  1999,  2000,  2001,  2002,  2003   COFINS. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.   Ressalvadas as hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da  Medida Provisória nº 2.037­25, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.158­ 35, de 2001, sujeitam­se à incidência da Cofins, sem o benefício da isenção,  todas  as  demais  receitas  decorrentes  de  vendas  efetuadas  a  pessoas  jurídicas  estabelecidas  na  ZFM,  independentemente  de  sua  destinação  ou  finalidade.   Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   Cientificada  da  referida  decisão  em  23/07/2014  (AR  às  e­fls.  65),  a  interessada, em 12/08/2014 (v. e­fls. 67), apresentou o recurso voluntário de fls. 67/75, onde  reitera os argumentos já apresentados na primeira instância concernentes à não caracterização  da decadência e à legitimidade do direito creditório reclamado, requerendo, ao final, seja dado  provimento ao recurso, com o consequente deferimento do pedido de restituição.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios  O  recurso  é  tempestivo  e  há  que  ser  reconhecido  por  preencher  os  demais  requisitos formais e materiais de admissibilidade.   Da contagem do prazo prescricional  Com relação à contagem do prazo para se requerer a repetição do indébito, o  Supremo  Tribunal  Federal,  na  sessão  plenária  de  04/08/2011,  que  julgou  o  Recurso  Extraordinário  nº  566.621/RS  –  o  qual  substituiu  o  RE  nº  561.908  como  paradigma  na  repercussão  geral  –,  assentou  ser  inconstitucional  o  artigo  4º,  segunda  parte,  da  Lei  Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação da interpretação ditada pelo artigo  3o  da  referida  norma  (prazo  de  5  anos  para  se  pleitear  a  restituição)  tão­somente  para  os  processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9  de junho de 2005.  Referido acórdão foi assim ementado:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ­  LEI  INTERPRETATIVA  ­  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  NO  118/2005  ­  DESCABIMENTO  ­  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  ­ NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS ­ APLICAÇÃO  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 84          5 DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO  DE 2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação  da  Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de  indébito  era  de  10  anos  contados  do  seu  fato  gerador,  tendo  em  conta  a  aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN.  A  LC  118/05,  embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou  inovação  normativa,  tendo  reduzido  o  prazo  de  10  anos  contados  do  fato  gerador para 5 anos contados do pagamento indevido.  Lei  supostamente  interpretativa que, em verdade,  inova no mundo  jurídico  deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade  e  aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam ofensa ao princípio da  segurança  jurídica em seus  conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça.  Afastando­se as aplicações inconstitucionais e resguardando­se, no mais, a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo reduzido relativamente  às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado  por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal.  O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas  que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações  necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo  prazo  na  maior  extensão  possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de  lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida a  inconstitucionalidade art. 4o,  segunda parte, da LC 118/05,  considerando­se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­somente às  ações  ajuizadas  após  o  decurso  da  vacatio  legis  de  120  dias,  ou  seja,  a  partir de 9 de junho de 2005.  Aplicação do art. 543­B, § 3o, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso extraordinário desprovido.  Assim,  segundo  o  acórdão  do  STF,  o  “novo  prazo  de  5  anos”  deverá  ser  adotado  unicamente  para  os  processos  formalizados  depois  de  9  de  junho  de  2005.  No  caso presente, todavia, o pleito foi formalizado em momento anterior, especificamente em  22/04/2004.  Essa  questão  já  está  sumulada  pelo  CARF,  cuja  Súmula  nº  91  dispõe  o  seguinte:  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 85          6 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de  9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por  homologação, aplica­se o prazo prescricional de 10 (dez) anos,  contado do fato gerador.  Logo, no caso presente, não poderá ser adotado "o novo prazo de 5 anos", já  que, a teor da decisão do Supremo Tribunal Federal, deverá prevalecer a orientação da Primeira  Seção do STJ no  sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento por homologação, o  prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador –  tese dos 5 + 5 anos  (5 anos para a homologação  tácita do  lançamento – artigo 150, § 4º, do  CTN –, mais 5 anos para se pleitear a restituição – artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN).  Portanto,  como  o  pedido  do  sujeito  passivo  se  refere  a  aduzidas  quantias  pagas a maior, a título da COFINS, no período de outubro de 1994 a agosto de 2003, tem­se  que,  à  época  em  que  o  pleito  foi  formalizado  –  22/04/2004,  ainda  subsistia  o  direito  de  o  interessado pleitear o crédito reclamado.  Da  parcial  incidência  da  COFINS  sobre  as  receitas  de  vendas  à  Zona  Franca de Manaus ­ ZFM  A lide diz respeito à incidência ou não da COFINS sobre a receita de vendas  realizadas  nos meses  de  outubro  de  1994  a  agosto  de  2003  para  empresas  situadas  na Zona  Franca de Manaus.   A questão da incidência do PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes de  vendas  à ZFM  já  foi  analisada pela  então  II Turma Especial  da Terceira Seção deste CARF  quando  do  julgamento  do  processo  no  10920.000462/2003­50  (acórdão  no  3802­00.312,  de  08/12/2010),  de  onde  reproduzo  excertos  do  voto  vencedor  do  Conselheiro  Regis  Xavier  Holanda, abaixo transcrito:  [...]  A  Medida  Provisória  no  1.858­6,  de  29/06/1999  e  posteriores  reedições  até  a  Medida  Provisória  no  2.037­24,  de  23/11/2000  trazia  as  seguintes disposições de interesse:  Art. 14. Em relação aos  fatos geradores ocorridos a partir de 1º  de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  I ­ dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento  Geral  da União,  dos Estados,  do Distrito  Federal  e  dos Municípios,  pelas empresas públicas e sociedades de economia mista;  II ­ da exportação de mercadorias para o exterior;  III  ­  dos  serviços  prestados  a  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas;  IV  ­  do  fornecimento  de  mercadorias  ou  serviços  para  uso  ou  consumo  de  bordo  em  embarcações  e  aeronaves  em  tráfego  internacional,  quando  o  pagamento  for  efetuado  em  moeda  conversível;  V ­ do transporte internacional de cargas ou passageiros;  VI  ­  auferidas  pelos  estaleiros  navais  brasileiros  nas  atividades  de  construção,  conservação  modernização,  conversão  e  reparo  de  embarcações  pré­registradas  ou  registradas  no  Registro  Especial  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 86          7 Brasileiro  ­  REB,  instituído  pela  Lei  nº  9.432,  de  8  de  janeiro  de  1997;  VII  ­ de  frete de mercadorias  transportadas  entre o País e o  exterior  pelas embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro ­ REB,  de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997;  VIII  ­  de  vendas  realizadas  pelo  produtor­vendedor  às  empresas  comerciais exportadoras nos termos do Decreto­Lei nº 1.248, de 29 de  novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao  fim específico de exportação para o exterior;  IX  ­ de vendas, com  fim específico de exportação para o exterior,  a  empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior  do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio;  X ­ relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art.  13.  §  1º  São  isentas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  as  receitas  referidas nos incisos I a IX do caput.  §  2º As  isenções  previstas  no  caput  e  no  parágrafo  anterior  não  alcançam as receitas de vendas efetuadas:  I  ­  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;  II ­ a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação;  III  ­  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos  destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de  janeiro de 1992. (Negritos apostos)  Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037­25, de  21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.158­35, de  2001  –  apresentando  modificação  no  texto  normativo  consistente  na  supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona  Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas.  Vejamos:  § 2º As isenções previstas no caput e no § 1º não alcançam as receitas  de vendas efetuadas:  I ­ a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de  livre comércio;  [...]  Dessa  forma,  tenho  como  claro  que  o  legislador,  ao  realizar  a  referida  supressão  da  referência  à  Zona  Franca  de  Manaus  no  texto  normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta  específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada  no caput e §1º do citado art. 14.  Adequou­se,  então,  a  presente  legislação  à  disciplina  traçada  pelo  art. 4º do Decreto­Lei nº 288/67, in verbis:  Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo  ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação  brasileira  para  o  estrangeiro.  Ademais,  é  mister  ainda  destacar  que  no  ínterim  entre  as Medidas  Provisórias no 2.037­24, de 23/11/2000 e n° 2.037­25, de 21/12/2000 (DOU  de  22/12/2000),  sobreveio,  em  07/12/2000,  decisão  liminar  unânime  do  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 87          8 pleno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  da  ADIN  nº  2.348­9,  deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia  da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, § 2º, I  da Medida Provisória nº 2.037­24.  Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, parece­me  também  claro  que  o  legislador  teve  ainda  por  intenção  adequar  o  texto  normativo  à  decisão  do  STF  então  vigente,  só  alterada  em  10/02/2005  mediante  decisão  que  declarou  prejudicado  o  pedido  por  perda  de  objeto  diante  da  ausência  de  aditamento  à  inicial  por  conta  das  sucessivas  reedições da Medida Provisória atacada.  Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.037­25 suprimiu a  hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a  ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento  da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do  art.  14,  II  (exportação  de  mercadorias  para  o  exterior)  para  essas  operações.  Em  sentido  semelhante  já  decidiram  os  então  Conselhos  de  Contribuintes:  Acórdãos  202­16587,  de  19/10/2005;  201­79407,  de  29/06/2006 e 202­18132, de 20/06/2007.  [...]  No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data  de  publicação  da  MP  nº  2.037­25  (atual  MP  no  2.158­35,  de  2001),  considerar  isentas  da  contribuição  para  o  PIS,  as  vendas  efetuadas  a  empresa situada na Zona Franca de Manaus.  De  fato,  a  real  intenção  que  motivou  a  supressão  da  expressão  “na  Zona  Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037­25, foi a  de,  efetivamente,  excluir  da  incidência  do  PIS  e  da  COFINS  as  vendas  realizadas  para  empresas sediadas na referida área de livre comércio.   Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato  de a  redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os  termos “Zona Franca de  Manaus” e “área de  livre comércio”  revela que o poder  legiferante, na ocasião, para  fins de  tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim,  posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía  referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal  conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a  referida região.  Portanto, não resta dúvida de que deverão ser consideradas como isentas do  PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação  da Medida Provisória no 2.037­25, ou seja, em 22/12/2000.   Ressalte­se, porém, que a exclusão da isenção do PIS e da COFINS sobre as  receitas  de  vendas  efetuadas  à  ZFM  –  e  portanto,  a  incidência  de  tais  contribuições  sobre  aludidas operações – já vigorava desde 1º/02/1999, nos termos do artigo 14, § 2º, inciso I, da  Medida Provisória nº 1858­6, de 29/06/1999:  Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro  de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 88          9 [...]  § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as  receitas de vendas efetuadas:  I  ­  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  Amazônia  Ocidental ou em área de livre comércio;  II ­ a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação;  III  ­  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos  destinados  a  exportação,  ao  amparo  do  art.  3º  da  Lei  nº  8.402,  de  8  de  janeiro de 1992.  (grifos nossos)  Essa sistemática, conforme ressaltado, prevaleceu até a edição da MP 2.037­ 24, que vigeu até 21/12/2000, já que em 22/12/2000 foi publicada a MP 2.037­25 que suprimiu  o termo "Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do artigo 14.  Portanto,  entre  1º/02/1999  e  21/12/2000,  a  COFINS  incidia  sobre  as  vendas  efetuadas  à  ZFM,  já  que,  legalmente  (MP  nº  1858­6,  de  29/06/1999,  e  sucessivas  reedições até a MP nº 2.037­24, que vigorou até 21/12/2000), constava do inciso I do § 2º do  artigo  14  das  normas  em  evidência  que  as  isenções  da  contribuição  "não  alcançavam  as  receitas de vendas efetuadas [...] a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus [...]".   Diante disso, e considerando que o pleito abrange o período de 1º/10/1994 a  31/08/2003,  estão  isentas  da COFINS  as  vendas  realizadas  à  Zona  Franca  de Manaus  entre  1º/10/1994  e  31/01/1999,  bem  como  aquelas  realizadas  a  partir  de  22/12/2000.  Em  outras  palavras, é legítima a incidência da COFINS sobre as vendas realizadas à ZFM unicamente no  período compreendido entre 1º/02/1999 e 21/12/2000.  Assim,  as  receitas  decorrentes  das  vendas  para  a  Zona  Franca  de  Manaus  deverão  sofrer  incidência  da  COFINS,  exclusivamente,  em  relação  aos  fatos  geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (artigo 14, § 2º, inciso I, da MP no 1.858­ 6,  de  29/06/1999)  e  21  de  dezembro  de  2000  (dia  imediatamente  anterior  à  publicação  da  reedição  da  referida Medida  Provisória  –  na  ocasião  com  o  nº  2.037­24  –  em  que  houve  a  supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.037­25,  de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).  Da conclusão  Com  estas  considerações,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  reconhecendo o direito  creditório  sobre  as  receitas  de vendas  realizadas  à Zona Franca de  Manaus  entre  1º/10/1994  e  31/01/1999,  bem  como  sobre  aquelas  realizadas  a  partir  de  22/12/2000.  Sala de Sessões, em 27 de abril de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios – Relator              Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 89          10   Declaração de Voto  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal  Com  as  devidas  homenagens  ao  voto  do  conselheiro  relator,  ouso  dele  divergir somente em relação ao provimento relativo à isenção de vendas para Zona Franca de  Manaus.  Para  tanto  colaciono  abaixo  voto  de  minha  autoria  no  processo  administrativo  nº  10920.002535/2002­67 que resultou no Acórdão nº 3301­002535, proferido em 27/01/2015, o  qual debruçou­se sobre o mesmo tema:  (...)  O contribuinte solicita restituição de valores pagos de PIS e Cofins relativos  ao  período  de  fev/1999  a  fev/2002.  Estes  valores  teriam  sidos  pagos  a  maior,  segundo  o  contribuinte,  pois  seriam  referentes  a  vendas  de  produtos  para  a  Zona  Franca de Manaus, cuja isenção fazia jus ante ao disposto no art. 4º do Decreto­Lei  nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT  da Constituição Federal.  Não entendo que o contribuinte tenha razão. Vejamos o que dispõe o art. 4º do  DL nº 288/67:  Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional  para  consumo  ou  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ou  reexportação  para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação  brasileira  para  o  estrangeiro. (destaquei).  Observa­se que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas  de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus e exportação para  o estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais  em relação à legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não  poderia ser aplicada ao Pis, que foi criado pela Lei Complementar 7/70, e à Cofins  que foi criada pela Lei Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam  na data da edição do DL nº 288/67 e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas.  Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis:  Art. 177. Salvo disposição de  lei em contrário, a isenção  não é extensiva:  I ­ às taxas e às contribuições de melhoria;  II  ­  aos  tributos  instituídos  posteriormente  à  sua  concessão.(destaquei).  Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o  prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e  da Cofins.   Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 90          11  Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas  características de área livre de comércio, de exportação e  importação, e de  incentivos  fiscais, pelo prazo de vinte e  cinco anos, a partir da promulgação da Constituição.  Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia  qualquer  isenção/imunidade  de  PIS  e  da  Cofins  nas  vendas  de  produtos  para  empresas  situadas  na  Zona  Franca  de  Manaus.  Nesta  linha  de  raciocínio,  não  procede  a  argumentação  de  imunidade  na  incidência  destas  contribuições  nas  operações de venda para a ZFM, pois elas não foram equiparadas a exportação como  defende  o  contribuinte,  para  efeito  destas  contribuições,  portanto  inaplicável  a  imunidade  prevista  no  art.  149,  §  2º,  inc.  I  da  CF.  Resta  analisar  se  a  própria  legislação  destas  contribuições  permitia,  no  período  solicitado,  a  exclusão  destas  receitas de sua base de cálculo. Sempre  lembrando que se interpreta  literalmente a  lei que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN.  A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que  trouxe diversas alterações  relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à  exclusão  de  receitas  de  exportações  ou  à  isenção  das  contribuições  sobre  tais  receitas.  Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.858­6, de 29 de junho de  1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em  tela,  nas  hipóteses  especificadas,  tendo  revogado  expressamente  todos  os  dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o  dia 30 de junho de 1999:  Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir  de  1º  de  fevereiro  de  1999,  são  isentas  da  Cofins  as  receitas:  (...)  II – da exportação de mercadorias para o exterior;  (...)  §  1º.  São  isentas  da  contribuição  para  o P1S/PASEP  as  receitas referidas nos incisos I a IX do caput.  §  2º.  As  isenções  previstas  no  caput  e  no  parágrafo  anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas:  I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus  na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio;  (...) (destaquei)  Ressalte­se  que  esta  Medida  Provisória  foi  objeto  da  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  –  ADIn  nº  2.348­9  (DOU  de  18/12/2000),  que  requereu  a  declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de  Manaus. O Supremo Tribunal  Federal  –  STF,  nesta  ação,  deferiu medida  cautelar  suspendendo  a  eficácia  da  expressão  "na  Zona  Franca  de  Manaus",  disposta  no  inciso  I  do  §  2º  do  art.  14  da Medida  Provisória Nº  2.037­24/00,  com  efeitos  ex  nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a  ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito.  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 91          12 Posteriormente  à  decisão  liminar  do STF na ADIn nº  2.348­9,  foi  editada  a  Medida Provisória nº 2.037­25, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória  nº 2.158­ 35, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do  inciso  I  do  §  2º  do  art.  14,  acima  citado,  que  vinha  constando  em  suas  edições  anteriores.  Desta  forma,  as  exclusões  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  no  período solicitado no presente processo, fev/99 a fev/2002, eram as previstas no art.  14 da MP 2.158/2001­35, abaixo transcrito:   Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir  de  1º  de  fevereiro  de  1999,  são  isentas  da  COFINS  as  receitas:  I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do  Orçamento  Geral  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  pelas  empresas  públicas  e  sociedades de economia mista;  II – da exportação de mercadorias para o exterior;  III  –  dos  serviços  prestados  a  pessoa  física  ou  jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior,  cujo  pagamento  represente ingresso de divisas;  IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso  ou  consumo  de  bordo  em  embarcações  e  aeronaves  em  tráfego  internacional,  quando  o  pagamento  for  efetuado  em moeda conversível;  V – do transporte internacional de cargas ou passageiros;  VI  –  auferidas  pelos  estaleiros  navais  brasileiros  nas  atividades  de  construção,  conservação  modernização,  conversão  e  reparo  de  embarcações  pré­registradas  ou  registradas  no  Registro  Especial  Brasileiro  REB,  instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997;  VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e  o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que  trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997;  VIII  –  de  vendas  realizadas  pelo  produtor­vendedor  às  empresas  comerciais  exportadoras  nos  termos  do  Decreto­Lei  nº  1.248,  de  29  de  novembro  de  1972,  e  alterações  posteriores,  desde  que  destinadas  ao  fim  específico de exportação para o exterior;  IX – de vendas, com fim específico de exportação para o  exterior,  a  empresas  exportadoras  registradas  na  Secretaria  de  Comércio  Exterior  do  Ministério  do  Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;  X – relativas às atividades próprias das entidades a que se  refere o art. 13.  §  1º  São  isentas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  as  receitas referidas nos incisos I a IX do caput.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 10980.002588/2004­35  Acórdão n.º 3301­002.924  S3­C3T1  Fl. 92          13 § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam  as receitas de vendas efetuadas:  I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em  área de livre comércio;  II – a empresa estabelecida em zona de processamento de  exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007)  III  –  a  estabelecimento  industrial,  para  industrialização  de  produtos destinados  à  exportação,  ao  amparo  do  art.  3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992.  Da  leitura  do  dispositivo  legal  não  é  possível  localizar  que  havia  previsão  legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes  de  vendas  de  mercadorias  para  empresas  sediadas  na  Zona  Franca  de  Manaus.  Conforme  muito  bem  destacado  na  decisão  recorrida  as  únicas  isenções  que  poderiam ser aplicadas seriam as referentes aos incisos IV, VI, VIII e IX do caput do  art. 14, acima transcrito, porém não é o caso do presente processo.   Somente  a  partir  da  edição  da  Medida  Provisória  nº  202/2004,  que  foi  convertida na Lei  nº 10.996/2004, é que  foi  reduzida  a  zero  as alíquotas de PIS e  Cofins  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização na Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis:   Art.  2º  Ficam  reduzidas  a  0  (zero)  as  alíquotas  da  Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  de  vendas  de  mercadorias  destinadas  ao  consumo  ou  à  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus  –  ZFM,  por  pessoa  jurídica  estabelecida fora da ZFM.  Necessário  concluir  que  caso  estas  receitas  já  eram  isentas/imunes  das  referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a  alíquota  para  zero. Até  porque  não  se  poderia  estabelecer  alíquota  zero  para  uma  operação  que  estaria  fora  do  campo  de  incidência  das  contribuições  por  força  de  imunidade constitucional.  Quanto  às  alegadas  inconstitucionalidades  legislativas  levantadas no  recurso  voluntário, cabe estabelecer que não é possível aos julgadores do CARF pronunciar  a este respeito.  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.    Andrada Márcio Canuto Natal ­ Declaração de Voto      Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 15504.729713/2014-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS EXCLUSIVOS SOBRE ASSOCIADOS DOMICILIADOS NO ÂMBITO DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR. "A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator" (artigo 2°-A da Lei nº 9.494/97). No caso dos autos, a coisa julgada objeto do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4 teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, não alcançando, pois, a autuada, sediada em Belo Horizonte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 IPI. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO DE CRÉDITO. EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O IPI, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadra dentre os tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se à atuação da autoridade administrativa. No caso do IPI, o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Assim, evidenciada a contabilização de créditos do imposto, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, considerando que ciência do auto de infração se deu em 28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento relativamente aos períodos com datas de vencimento anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses de janeiro, fevereiro e março de 2009, períodos com respeito aos quais deverá ser afastada a exigência. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA PARA A FISCALIZAÇÃO DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA CONDICIONADA SEGUNDO CRITÉRIOS DEFINIDOS PELA SUFRAMA. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, a despeito de não possuir ingerência quanto aos critérios objetivos e subjetivos de competência da SUFRAMA para a concessão dos incentivos fiscais de sua alçada, pode fiscalizar o fiel cumprimento das condições delineadas pela citada Superintendência necessárias ao gozo de isenção tributária condicionada. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA A QUE A LEI ATRIBUA EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA. É verdade que o artigo 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, dispensa a aplicação de penalidades em relação aos que agiram "(...) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado". A despeito de referida prescrição ainda constar do Regulamento do IPI, aludida norma não foi recepcionada pelo CTN, já que o artigo 100, inciso II, atribui força de norma concernente a "decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa", unicamente, àquelas "a que a lei atribua eficácia normativa". Diante da inexistência de decisão administrativa nos termos do artigo 100, inciso II, do CTN, impossível exonerar a multa de ofício lavrada contra o sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 CRÉDITO FICTO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES. INSUMO INDUSTRIALIZADO ONDE NÃO FOI UTILIZADA MATÉRIA-PRIMA AGRÍCOLA OU EXTRATIVA VEGETAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na norma isentiva de que trata o artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, o termo "matérias-primas" não se encontra de forma isolada, mas associado e delimitado a uma natureza e uma origem específicas. Não é, pois, o uso de quaisquer matérias-primas produzidas na região que dá direito ao crédito do IPI, mas apenas aquelas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Assim, para fins de gozo do crédito em questão, os insumos (originados da Amazônia Ocidental) necessitam ser elaborados com matérias-primas de origem vegetal, quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa (retirados da natureza, da flora nativa), de tal sorte que, nos termos da norma legal isentiva, não há espaço para o gozo decorrente da aquisição de produto intermediário industrializado onde, na sua elaboração, não foram empregadas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Portanto, os concentrados para a fabricação de refrigerantes, em que foram utilizados "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico [...] fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.", não se enquadram como "produtos elaborados com matérias-primas agrícolas ou extrativas vegetais", de forma que sua aquisição não dá direito ao creditamento do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75. CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES SUJEITOS A REDUÇÃO DE 50% DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO. REDUÇÃO DO CRÉDITO NO MESMO PERCENTUAL. É legítima a redução do crédito do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 em percentual idêntico à redução da alíquota do imposto delineada em Nota Complementar da Tabela de Incidência do IPI - TIPI. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA INDUSTRIALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE QUE TRATA O ARTIGO 9º DO DECRETO-LEI Nº 288/67. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O artigo 9º do Decreto-lei nº 288/67, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/91, ressalvadas as exceções legais, prevê unicamente a isenção do IPI relativamente às mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, não contemplando a apuração de crédito ficto do imposto pela aquisição de produtos da citada região. IPI. ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.779/99. PRECEITO ESPECÍFICO PARA A RESTITUIÇÃO OU A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 trata unicamente da possibilidade de restituição ou de compensação de eventual saldo credor do IPI que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, não amparando hipótese de creditamento do imposto. Recurso ao qual se dá parcial provimento para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.
Numero da decisão: 3301-003.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do voto do relator, da seguinte forma: a) em relação à amplitude do provimento jurisdicional, decidiu a Turma, por maioria de votos, no sentido de que a interessada não está amparada pelo mandado de segurança coletivo - MSC nº 91.0047783-4; vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; b) por unanimidade de votos, reconheceu-se a decadência parcial do lançamento quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009; c) quanto à aduzida incompetência da Receita Federal para fiscalizar a isenção objeto dos autos, negou-se provimento ao recurso por unanimidade, de sorte que foi reconhecida a competência do Fisco Federal para o exame da isenção em tela; d) por maioria de votos, negou-se provimento à prejudicial apresentada pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões de que a Receita Federal não poderia mudar o entendimento da Suframa consubstanciado no projeto por esta aprovado; vencidos ainda os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro; e) concernente ao exame específico da isenção objeto dos autos (tópico: "da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada"), negou-se provimento ao recurso pelo voto de qualidade; vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; f) por maioria de votos foi mantida a aplicação da multa de ofício; vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; g) concernente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, votou a turma, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso; vencida a conselheiro Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. A Conselheira Maria Eduarda fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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secao_s : Terceira Seção De Julgamento

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do voto do relator, da seguinte forma: a) em relação à amplitude do provimento jurisdicional, decidiu a Turma, por maioria de votos, no sentido de que a interessada não está amparada pelo mandado de segurança coletivo - MSC nº 91.0047783-4; vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; b) por unanimidade de votos, reconheceu-se a decadência parcial do lançamento quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009; c) quanto à aduzida incompetência da Receita Federal para fiscalizar a isenção objeto dos autos, negou-se provimento ao recurso por unanimidade, de sorte que foi reconhecida a competência do Fisco Federal para o exame da isenção em tela; d) por maioria de votos, negou-se provimento à prejudicial apresentada pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões de que a Receita Federal não poderia mudar o entendimento da Suframa consubstanciado no projeto por esta aprovado; vencidos ainda os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro; e) concernente ao exame específico da isenção objeto dos autos (tópico: "da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada"), negou-se provimento ao recurso pelo voto de qualidade; vencidos os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen; f) por maioria de votos foi mantida a aplicação da multa de ofício; vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; g) concernente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, votou a turma, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso; vencida a conselheiro Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. A Conselheira Maria Eduarda fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ nº 48.955.

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFEITOS EXCLUSIVOS SOBRE ASSOCIADOS DOMICILIADOS NO ÂMBITO DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL DO ÓRGÃO PROLATOR. "A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator" (artigo 2°-A da Lei nº 9.494/97). No caso dos autos, a coisa julgada objeto do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4 teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, não alcançando, pois, a autuada, sediada em Belo Horizonte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 IPI. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTABILIZAÇÃO DE CRÉDITO. EQUIVALÊNCIA A PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL DO DIREITO À CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O IPI, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadra dentre os tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se à atuação da autoridade administrativa. No caso do IPI, o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera como pagamento "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Assim, evidenciada a contabilização de créditos do imposto, a regra para a contagem do prazo decadencial deverá ser estabelecida segundo o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, considerando que ciência do auto de infração se deu em 28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento relativamente aos períodos com datas de vencimento anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses de janeiro, fevereiro e março de 2009, períodos com respeito aos quais deverá ser afastada a exigência. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA PARA A FISCALIZAÇÃO DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA CONDICIONADA SEGUNDO CRITÉRIOS DEFINIDOS PELA SUFRAMA. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, a despeito de não possuir ingerência quanto aos critérios objetivos e subjetivos de competência da SUFRAMA para a concessão dos incentivos fiscais de sua alçada, pode fiscalizar o fiel cumprimento das condições delineadas pela citada Superintendência necessárias ao gozo de isenção tributária condicionada. MULTA. PEDIDO DE EXONERAÇÃO. ARTIGO 76, II, A, DA LEI Nº 4.502/64. NÃO RECEPÇÃO PELO ARTIGO 100, II, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA A QUE A LEI ATRIBUA EFICÁCIA NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA. É verdade que o artigo 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, dispensa a aplicação de penalidades em relação aos que agiram "(...) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado". A despeito de referida prescrição ainda constar do Regulamento do IPI, aludida norma não foi recepcionada pelo CTN, já que o artigo 100, inciso II, atribui força de norma concernente a "decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa", unicamente, àquelas "a que a lei atribua eficácia normativa". Diante da inexistência de decisão administrativa nos termos do artigo 100, inciso II, do CTN, impossível exonerar a multa de ofício lavrada contra o sujeito passivo. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012 CRÉDITO FICTO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES. INSUMO INDUSTRIALIZADO ONDE NÃO FOI UTILIZADA MATÉRIA-PRIMA AGRÍCOLA OU EXTRATIVA VEGETAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. Na norma isentiva de que trata o artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75, o termo "matérias-primas" não se encontra de forma isolada, mas associado e delimitado a uma natureza e uma origem específicas. Não é, pois, o uso de quaisquer matérias-primas produzidas na região que dá direito ao crédito do IPI, mas apenas aquelas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Assim, para fins de gozo do crédito em questão, os insumos (originados da Amazônia Ocidental) necessitam ser elaborados com matérias-primas de origem vegetal, quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa (retirados da natureza, da flora nativa), de tal sorte que, nos termos da norma legal isentiva, não há espaço para o gozo decorrente da aquisição de produto intermediário industrializado onde, na sua elaboração, não foram empregadas "matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Portanto, os concentrados para a fabricação de refrigerantes, em que foram utilizados "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico [...] fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.", não se enquadram como "produtos elaborados com matérias-primas agrícolas ou extrativas vegetais", de forma que sua aquisição não dá direito ao creditamento do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75. CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE CONCENTRADOS PARA FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES SUJEITOS A REDUÇÃO DE 50% DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO. REDUÇÃO DO CRÉDITO NO MESMO PERCENTUAL. É legítima a redução do crédito do IPI objeto do artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/75 em percentual idêntico à redução da alíquota do imposto delineada em Nota Complementar da Tabela de Incidência do IPI - TIPI. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA INDUSTRIALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE QUE TRATA O ARTIGO 9º DO DECRETO-LEI Nº 288/67. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O artigo 9º do Decreto-lei nº 288/67, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/91, ressalvadas as exceções legais, prevê unicamente a isenção do IPI relativamente às mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, não contemplando a apuração de crédito ficto do imposto pela aquisição de produtos da citada região. IPI. ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.779/99. PRECEITO ESPECÍFICO PARA A RESTITUIÇÃO OU A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO. O artigo 11 da Lei nº 9.779/99 trata unicamente da possibilidade de restituição ou de compensação de eventual saldo credor do IPI que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, não amparando hipótese de creditamento do imposto. Recurso ao qual se dá parcial provimento para reconhecer a decadência quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 688          2 No caso do IPI, o artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Regulamento do  IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera como pagamento "a dedução  dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem  resultar saldo a recolher".  Assim,  evidenciada  a  contabilização  de  créditos  do  imposto,  a  regra  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  deverá  ser  estabelecida  segundo  o  disposto  no artigo 150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato  gerador.  Dessa  forma,  considerando  que  ciência  do  auto  de  infração  se  deu  em  28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento  relativamente  aos  períodos com datas de vencimento anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses  de janeiro, fevereiro e março de 2009, períodos com respeito aos quais deverá  ser afastada a exigência.  SECRETARIA  DA  RECEITA  FEDERAL.  COMPETÊNCIA  PARA  A  FISCALIZAÇÃO  DE  ISENÇÃO  TRIBUTÁRIA  CONDICIONADA  SEGUNDO CRITÉRIOS DEFINIDOS PELA SUFRAMA.  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  a  despeito  de  não  possuir  ingerência  quanto  aos  critérios  objetivos  e  subjetivos  de  competência  da  SUFRAMA  para  a  concessão  dos  incentivos  fiscais  de  sua  alçada,  pode  fiscalizar  o  fiel  cumprimento  das  condições  delineadas  pela  citada  Superintendência necessárias ao gozo de isenção tributária condicionada.   MULTA.  PEDIDO  DE  EXONERAÇÃO.  ARTIGO  76,  II,  A, DA  LEI  Nº  4.502/64.  NÃO  RECEPÇÃO  PELO  ARTIGO  100,  II,  DO  CTN.  INEXISTÊNCIA  DE  DECISÃO  ADMINISTRATIVA  A  QUE  A  LEI  ATRIBUA  EFICÁCIA  NORMATIVA.  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXCLUSÃO DA MULTA.   É verdade que o artigo 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64, dispensa a aplicação de  penalidades  em  relação  aos  que  agiram  "(...)  de  acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida  em  processo  fiscal,  inclusive  de  consulta,  seja  ou  não  parte  o  interessado". A despeito de referida prescrição ainda constar do Regulamento  do  IPI,  aludida norma não  foi  recepcionada pelo CTN,  já que o artigo 100,  inciso  II,  atribui  força  de  norma  concernente  a  "decisões  dos  órgãos  singulares ou coletivos de jurisdição administrativa", unicamente, àquelas "a  que a lei atribua eficácia normativa".   Diante  da  inexistência  de  decisão  administrativa  nos  termos  do  artigo  100,  inciso  II,  do  CTN,  impossível  exonerar  a multa  de  ofício  lavrada  contra  o  sujeito passivo.   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012  CRÉDITO  FICTO  DO  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  CONCENTRADOS  PARA  FABRICAÇÃO  DE  REFRIGERANTES.  INSUMO  INDUSTRIALIZADO  ONDE  NÃO  FOI  UTILIZADA  MATÉRIA­PRIMA  AGRÍCOLA  OU  EXTRATIVA VEGETAL. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO.  Fl. 695DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 689          3 Na norma isentiva de que trata o artigo 6º do Decreto­lei nº 1.435/75, o termo  "matérias­primas"  não  se  encontra  de  forma  isolada,  mas  associado  e  delimitado a uma natureza e uma origem específicas. Não é, pois, o uso de  quaisquer matérias­primas produzidas na região que dá direito ao crédito do  IPI, mas apenas aquelas "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de  produção regional".   Assim, para  fins de gozo do crédito em questão, os  insumos (originados da  Amazônia  Ocidental)  necessitam  ser  elaborados  com  matérias­primas  de  origem vegetal, quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa  (retirados da natureza, da flora nativa), de tal sorte que, nos termos da norma  legal isentiva, não há espaço para o gozo decorrente da aquisição de produto  intermediário industrializado onde, na sua elaboração, não foram empregadas  "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional".  Portanto,  os  concentrados  para  a  fabricação  de  refrigerantes,  em que  foram  utilizados "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico [...] fornecidos pela  empresa  Agropecuária  Jayoro  Ltda.",  não  se  enquadram  como  "produtos  elaborados com matérias­primas agrícolas ou extrativas vegetais", de forma  que sua aquisição não dá direito ao creditamento do IPI objeto do artigo 6º do  Decreto­lei nº 1.435/75.  CRÉDITO  DO  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  CONCENTRADOS  PARA  FABRICAÇÃO DE REFRIGERANTES SUJEITOS A REDUÇÃO DE 50%  DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO. REDUÇÃO DO CRÉDITO NO MESMO  PERCENTUAL.  É legítima a redução do crédito do IPI objeto do artigo 6º do Decreto­lei nº  1.435/75 em percentual idêntico à redução da alíquota do imposto delineada  em Nota Complementar da Tabela de Incidência do IPI ­ TIPI.  IPI.  AQUISIÇÃO  DE  MATÉRIA­PRIMA  INDUSTRIALIZADA  NA  ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE QUE TRATA O ARTIGO  9º  DO  DECRETO­LEI  Nº  288/67.  CREDITAMENTO  DO  IMPOSTO.  FALTA DE PREVISÃO LEGAL.  O artigo 9º do Decreto­lei nº 288/67, com a redação dada pelo artigo 1º da  Lei nº 8.387/91, ressalvadas as exceções legais, prevê unicamente a isenção  do IPI relativamente às mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus,  não contemplando a apuração de crédito  ficto do  imposto pela aquisição de  produtos da citada região.   IPI. ARTIGO 11 DA LEI Nº 9.779/99. PRECEITO ESPECÍFICO PARA A  RESTITUIÇÃO OU A COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO.   O  artigo  11  da  Lei  nº  9.779/99  trata  unicamente  da  possibilidade  de  restituição  ou  de  compensação  de  eventual  saldo  credor  do  IPI  que  o  contribuinte  não  puder  compensar  com  o  IPI  devido  na  saída  de  outros  produtos, não amparando hipótese de creditamento do imposto.   Recurso  ao  qual  se  dá  parcial  provimento  para  reconhecer  a  decadência  quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.        Fl. 696DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 690          4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  nos  termos  do  voto  do  relator,  da  seguinte forma:   a) em relação à amplitude do provimento jurisdicional, decidiu a Turma, por  maioria  de  votos,  no  sentido  de  que  a  interessada  não  está  amparada  pelo  mandado  de  segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4; vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar  Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen;  b)  por  unanimidade  de  votos,  reconheceu­se  a  decadência  parcial  do  lançamento quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009;   c)  quanto  à  aduzida  incompetência  da  Receita  Federal  para  fiscalizar  a  isenção objeto dos autos, negou­se provimento  ao  recurso por unanimidade, de  sorte que  foi  reconhecida a competência do Fisco Federal para o exame da isenção em tela;  d) por maioria de votos, negou­se provimento à prejudicial apresentada pela  Conselheira Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  de  que  a  Receita  Federal  não  poderia  mudar  o  entendimento  da  Suframa  consubstanciado  no  projeto  por  esta  aprovado;  vencidos  ainda os conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro;  e) concernente ao exame específico da isenção objeto dos autos (tópico: "da  análise  quanto  aos  requisitos  necessários  à  isenção  vislumbrada"),  negou­se  provimento  ao  recurso pelo voto de qualidade; vencidos os  conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira,  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen;  f) por maioria de votos foi mantida a aplicação da multa de ofício; vencida a  conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões;  g) concernente à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, votou  a turma, por maioria de votos, para negar provimento ao recurso; vencida a conselheiro Maria  Eduarda Alencar Câmara Simões.   A Conselheira Maria Eduarda fará declaração de voto.   (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo  Costa  Marques  d'Oliveira,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Paulo  Roberto  Duarte  Moreira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  o  advogado Antonio Carlos Garcia  de  Souza, OAB/RJ nº 48.955.    Fl. 697DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 691          5 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ  Belo Horizonte  (e­fls. 557/576), proferida em 30/03/2015, a qual, por unanimidade de votos,  rejeitou a decadência e manteve integralmente a exigência formalizada contra o sujeito passivo,  nos termos do correspondente acórdão, assim ementado:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Período de apuração: 31/01/2009 a 30/09/2012   DECADÊNCIA.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.   Nos casos de falta de pagamento, o direito da fazenda pública constituir o  crédito  tributário  relativo  ao  IPI  extingue­se  em  cinco  anos  a  contar  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser  efetuado.   CRÉDITOS.  PRODUTOS  ISENTOS  ADQUIRIDOS  DE  ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL.   As  aquisições  de  insumos  saídos  com  isenção  feitas  a  estabelecimentos  industriais  localizados  na  Zona  Franca  de  Manaus  e  com  projetos  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  SUFRAMA,  mas  não  elaborados  com matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  de  produção  regional,  não  geram  direito  ao  aproveitamento dos créditos de IPI, como se tributados fossem.   DIREITO  AO  CRÉDITO.  INSUMOS  ISENTOS.  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS   A aquisição de insumos  isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus,  não legitima aproveitamento de créditos de IPI.   AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE.   O  provimento  jurisdicional  abrange  o  objeto  da  demanda  judicial,  vale  dizer,  o  conteúdo  do  pedido  da  petição,  e  seu  alcance  restringe­se  aos  associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial  do órgão prolator.   EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.   A  multa  de  ofício  é  “débito  para  com  a  União  decorrente  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal”  e,  como  tal,  está  sujeita  à  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  a  partir de seu vencimento.   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido   Por bem descrever os fatos, reproduzo, a seguir, o relatório objeto da decisão  recorrida:   Trata­se de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia  da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, no valor total de R$  251.500.450,15,  à  data  da  autuação,  referente  ao  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  acrescido  de  juros  de  mora  e  multa  de  ofício  de  75%,  Fl. 698DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 692          6 conforme  enquadramento  legal  discriminado  no  referido  documento.  A  infração apontada foi a falta de declaração/recolhimento do saldo devedor  do IPI escriturado.   Conforme  esclarecido  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  –  TVF  –  no  período auditado, mais de 80% dos créditos aproveitados pelo contribuinte  são oriundos de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus ­ ZFM,  não  onerados  pelo  IPI,  aproveitados  em  decorrência  de  incentivo  fiscal  instituído  pelo art.  6º,  caput  e parágrafo  1º,  do Decreto­lei  n°  1435/1975,  disciplinado pelo art. 95, III do Decreto n° 7.212, de 2010 (RIPI/2010).   Referidos  insumos,  adquiridos  da  empresa  Recofarma  Indústria  do  Amazonas  Ltda.,  consistem  em  concentrado  para  elaboração  de  refrigerantes,  contendo  suco  de  fruta  ou  extratos  de  semente  de  guaraná  classificados no código NCM 2106.90.10 ­ EX 01, cuja alíquota era de 27%,  até  30/05/2012  e  20%  a  partir  de  01/06/2012.  De  acordo  com  a  Nota  Complementar NC  (21­1)  da  Tabela  de  Incidência  do  IPI  aprovada  pelos  Decretos  n°  6.006/2006  e  n°  7.660/2011,  esses  produtos  estavam  beneficiados com redução de 50%, redução esta que não  foi observada no  cálculo do crédito aproveitado. Nas Notas Fiscais de Saída de produtos de  seu  estabelecimento,  o  contribuinte  optou  pelo  Regime  Especial  de  Tributação  de  Bebidas  Frias  (REFRI),  previsto  no  Decreto  n°  6.707,  de  23/12/2008, utilizando as alíquotas específicas ­ AD REM, em consonância  como o permissivo legal.   A  documentação  e  demais  informações  produzidas  no  curso  da  diligência  demonstram  que,  com  exceção  do  produto  “concentrado  de  guaraná”,  os  insumos  adquiridos  pela  autuada  foram  elaborados  apenas  com  produtos  industrializados,  e  não  “matérias­primas  agrícolas  e  extrativas vegetais de produção regional” como requer a norma instituidora  do incentivo. Tendo em vista que o art. 111, inciso II, da Lei nº 5.172/1966  (Código Tributário Nacional ­ CTN) determina que em matéria de outorga  de  isenção  a  interpretação  da  legislação  tributária  deve  ser  literal,  foi  considerado  indevido  o  aproveitamento  dos  créditos  com  base  na  norma  invocada pelo contribuinte.   A autuada também invocou os efeitos da coisa julgada produzida no  julgamento  final,  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  do  Mandado  de  Segurança  Coletivo  n°  91.0047783­4,  impetrado  pela  Associação  dos  Fabricantes Brasileiros de Coca­Cola,  da qual  é associada, o que não  foi  aceito pela fiscalização, sob o argumento de que a coisa julgada abrangeria  apenas  os  substituídos  que  tivessem,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio no âmbito da competência territorial do órgão julgador do citado  Mandado de Segurança Coletivo, tendo em vista o disposto no art. 2°­A da  Lei  9.949/1997.  A  ação  foi  impetrada  contra  ato  do Delegado  da Receita  Federal  no  Rio  de  Janeiro,  na  22ª  Vara  da  Justiça  Federal  do  Rio  de  Janeiro, e o Acórdão foi prolatado pelo TRF da 2ª Região, porém, à época  (14/08/1991)  o  domicílio  da  autuada  era  o  Município  de  São  Paulo/SP,  conforme Estatuto Social.   O detalhamento das glosas de créditos considerados  indevidos, bem  como a reconstituição da escrita fiscal encontram­se nos anexos I a  III ao  auto  de  infração  (fls.  28/32).  Tendo  em  vista  a  apuração  de  saldos  devedores nos períodos auditados, foi proposto o indeferimento dos Pedidos  de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação  ­  PER/DCOMP  ­  relativos  a  esses  mesmos  períodos,  no  âmbito  dos  respectivos processos administrativos.   Fl. 699DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 693          7 Regularmente  cientificada  da  autuação,  a  contribuinte  apresentou  impugnação  tempestiva  assinada  por  procurador  habilitado  nos  autos,  acompanhada  de  documentos,  na  qual  constam  as  alegações  a  seguir  sintetizadas.   Inicialmente, aponta que, considerando a ciência do auto de infração  ocorrida  em  28/11/2014,  teria  decaído  o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  de  28/11/2009,  tendo  em  vista  o  prazo  estabelecido  no  art.  150,  §  4º  da  Lei  5.172/1966  (Código Tributário Nacional ­ CTN).   Quanto  ao  mérito,  argumenta  inicialmente  que  a  SUFRAMA,  no  exercício  de  sua  competência  exclusiva,  por  meio  da  Resolução  n°  298/2007,  integrada  pelo Parecer  Técnico  nº  224/2007,  considerou  que  a  aquisição  pela  RECOFARMA  de  açúcar,  álcool  e/ou  extrato  de  guaraná  produzidos  por  produtor  localizado  na  Amazônia  Ocidental,  a  partir  de  matérias­primas  agrícolas  oriundas  da mesma  região,  e  sua  utilização  na  fabricação do concentrado, atendem aos requisitos necessários para fruição  do  benefício  em  questão. Ou  seja,  os  atos  da  SUFRAMA  não  exigem  que  sejam  utilizadas  direta  nem  exclusivamente  matérias­primas  extrativas  vegetais  de  produção  regional  na  fabricação  do  insumo  beneficiado,  ao  contrário do que entende a autoridade fiscal.   Tais atos  trazem consigo a presunção de legitimidade, veracidade e  legalidade, sendo suficientes para comprovar o direito à isenção, à vista do  art. 179 do CTN. Na hipótese de com eles discordar, deveria a autoridade  administrativa  questionar  a  SUFRAMA,  instando­a  ao  cancelamento  do  benefício, o mesmo ocorrendo no caso de considerar desrespeitado o PPB –  Processo Produtivo Básico.   Na sequência, alega existência de coisa julgada em decisão proferida  no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783­4 que teria assegurado,  no  seu  entendimento,  de  forma  ampla  e  irrestrita,  aos  integrantes  da  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Coca­Cola  (AFBCC),  estabelecidos em todo território nacional, o direito de se creditarem do IPI  relativo à aquisição de  insumo  isento,  adquirido de  fornecedor  situado na  Zona  Franca  de  Manaus  e  utilizado  na  industrialização  de  seus  refrigerantes.  Além  disso,  recentes  decisões monocráticas  de Ministros  do  STJ,  transitadas  em  julgado,  como  o  RESP  nº  1.117.887­SP  e  RESP  nº  1.295.383­BA,  teriam  assegurado  a  aplicação  da  citada  coisa  julgada  a  associados da AFBCC localizados em qualquer ponto do território nacional.  No  julgamento  do  RESP  nº  1.117.887­SP  foi  invocado  como  razão  de  decidir,  “o  acórdão  proferido  no  REsp  n°  1.243.887­  PR,  de  que  foi  relator  o  Ministro LUIS FELIPE SALOMAO,  julgado à  sistemática de  recursos  repetitivos,  nos  termos do art. 543­C do CPC, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a  limitação prevista no art. 2°­A da Lei n° 9.494, de 10.09.1997, introduzido pela MP  n° 1.798­1/99, somente é aplicável às ações coletivas ajuizadas após a sua entrada  em vigor, ou seja, ajuizadas após 11.02.1999.” Assim, da mesma forma como o  STJ  aplicou  automaticamente  o  entendimento  do REsp  n°  1.243.887­PR  a  outras  associadas  da AFBCC,  situadas  em Ribeirão Preto  e  em Salvador,  em decisões que não houve recursos da Procuradoria da Fazenda Nacional  e  transitaram  em  julgado,  entende  a  autuada  que  a  autoridade  administrativa  também  deveria  aplicá­lo  ao  presente  caso,  nos  termos  do  art. 62­A do Regimento Interno do CARF.   Mesmo  superados  os  argumentos  antes  expostos,  entende  que  continuaria  tendo  direito  aos  créditos,  pois  o  concentrado  adquirido  da  RECOFARMA  também  gozaria  da  isenção  de  que  trata  o  art.  69,  II,  do  Fl. 700DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 694          8 RIPI/2002 e o art. 81, II, do RIPI/2010, porque oriundo da Zona Franca de  Manaus  e  utilizado  na  fabricação  de  produtos  sujeitos  ao  IPI.  Invoca  o  entendimento  exposto  pelo  STF,  no  julgamento  do  RE  nº  212.484­RS,  no  sentido de que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de  Manaus  e  aplicados  na  industrialização  de  produtos  sujeitos  ao  IPI  tem  direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para  o próprio insumo, em face do princípio da não­cumulatividade. Acrescenta,  ainda, a existência dos RE nº 566.819­RS e RE nº 592.891­SP, confirmando  que a impugnante teria direito ao crédito de IPI em questão.   As aquisições estão documentadas por notas fiscais idôneas emitidas  pela  fornecedora  RECOFARMA,  e  assim  a  impugnante,  na  qualidade  de  adquirente de boa­fé, tem direito à manutenção do crédito de IPI.   Com  respeito  à  redução  de  alíquota  esclarece  que  está  sujeita  ao  atendimento dos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério  da  Agricultura,  Pecuária  e  Abastecimento  (MAPA)  e  que  os  produtos  estejam registrados no órgão competente desse Ministério, o que não teria  ocorrido, pelo que a  impugnante  faria  jus ao crédito de IPI decorrente da  aquisição  de  insumos  isentos  à  alíquota  prevista  na  TIPI,  sem  qualquer  redução.   Alega a impossibilidade de exigência de multa, com base no art. 76,  II,  “a”,  da  Lei  4.502/1964,  pois  a  jurisprudência  administrativa,  à  época  dos  fatos  geradores,  estaria  reconhecendo  o  direito  ao  crédito  de  IPI  relativo à aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva  regional),  utilizados  na  fabricação  de  produtos  sujeitos  ao  IPI,  conforme  acórdão que cita.   Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade dos juros sobre a multa  de ofício, tendo em vista o teor do art. 16 do Decreto­lei 2.323/1987, com a  redação dada pelo artigo 6º do Decreto­lei n° 2.331/1987, que se aplicaria  às multas de oficio, conforme entendimento pacífico do STJ. A cobrança dos  juros na forma pretendida pela RFB também não teria previsão no art. 59  da Lei 8.383/1991 e art.  61 da Lei n° 9.430/1996,  como  referendado pela  jurisprudência administrativa que cita.   Ao  final,  requer  o  cancelamento  do  auto  de  infração  com  a  conseqüente extinção do crédito tributário.   A  decisão  de  primeira  instância manteve  integralmente  o  crédito  tributário  lançado pelos seguintes fundamentos:   a) que,  para  fins de  contagem do prazo decadencial,  deveria  ser  aplicado o  artigo  173,  inciso  I,  do  CTN,  na medida  em  que  não  teria  ocorrido  pagamento  antecipado;  assim, não teria decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário;   b) que, concernente ao mandado de segurança coletivo nº 91.0047783­4, "a  controvérsia  a  respeito  da  sua  aplicabilidade  a  empresas  filiadas  à  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Coca­Cola  domiciliadas  em  municípios  localizados  fora  da  competência  territorial  do  Tribunal  da  2ª  Região  já  foi  devidamente  apreciada  pelo  Poder  Judiciário,  em  agravo  de  instrumento  interposto  pela  União  Federal  (processo  2004.02.01.013298­4), em face da decisão proferida nos autos da referida ação mandamental,  em acórdão assim ementado (DJU de 07/04/2008, fls. 255/266):   “PROCESSO  CIVIL.  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA  COLETIVO.  TUTELA  COLETIVA.  COISA  JULGADA.  Fl. 701DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 695          9 ABRANGÊNCIA  RESTRITA.  EXECUÇÃO  INDIVIDUAL  DO  JULGADO.  COMPETÊNCIA.   I  ­  A  eficácia  da  coisa  julgada,  embora  erga  omnes,  fica  restrita  aos  associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial  do  órgão  prolator,  consoante  disposto  no  art.  16  da  Lei  n°  7.347/85,  na  redação da Lei n° 9.494/97, qual  seja, este TRF  ­ 2ª Região,  e apenas no  Estado do Rio de Janeiro.   II ­ Agravo provido.   c) que o insumo adquirido da RECOFARMA não faria jus à isenção objetiva  do art. 82, inciso III, e art. 175, do RIPI/2002, e do art. 95, inciso III, e art. 237 do RIPI/2010  (base legal no art. 6°, caput e § 1º, do Decreto­Lei n° 1.435/75), porque, na sua elaboração, a  referida  empresa  "não  utiliza  matéria­prima  agrícola  ou  extrativa  vegetal  de  produção  regional  [da  Amazônia  Ocidental]  em  seu  processo  industrial,  mas,  apenas,  produtos  já  industrializados", e a Receita Federal do Brasil teria competência para auditar a concessão do  beneficio em questão;   d) que o fato de a RECORRENTE ter agido de boa­fé não poderia conferir  direito  ao  crédito  de  IPI,  pois  "admitir  que  uma  isenção  indevida  possa  conferir  direito  ao  crédito  do  IPI  resultaria  em  repassar  ao  Estado  um  ônus  inerente  ao  risco  da  atividade  mercantilista, ou mesmo, de qualquer negócio, e que portanto não lhe cabe";   e) que o RE n° 212.484/RS, que assegurou o direito ao crédito de IPI relativo  à aquisição de insumos isentos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, já teria sido  alterado pela jurisprudência do STF e esse RE não teria efeito erga omnes;   f)  que  a  existência  de  decisões  administrativas  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais (CSRF) autorizativas do crédito não teria o condão de excluir a imposição da  multa  de  ofício,  porque  essas  decisões  não  teriam  efeitos  erga  omnes  e  o  Fisco  não  estaria  vinculado à jurisprudência administrativa, em razão de o art. 100, II, do CTN ter estabelecido  que somente são normas complementares as decisões administrativas que a lei atribuir eficácia  normativa, conforme orientação contida no Parecer Normativo COSIT n° 23/2013; e,   g) que a multa de oficio seria um "débito para com a União Federal", razão  por que estaria correta a incidência de juros sobre a multa.   Cientificada  da  referida  decisão  em  13/04/2015  (e­fls.  577  e  581),  a  interessada, em 06/05/2015 (e­fls. 584), apresentou o recurso voluntário de e­fls. 584/645, onde  se  insurge  contra  o  lançamento  com  fundamento  nos  mesmos  argumentos  já  expostos  na  primeira instância recursal, destacando, dentre outras aspectos já ressaltados na instância a quo,  o seguinte:   a) que, segundo a decisão recorrida, nos termos do artigo 124, inciso III, do  RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), considera­se pagamento do tributo "a dedução dos débitos,  no período de apuração do  imposto, dos créditos admitidos,  sem resultar  saldo a  recolher";  como a CSRF (acórdão nº 9303­001.658) já teria pacificado entendimento no sentido de que,  para  fins  de  aplicação  do  art.  124  do RIPI/02,  bastaria  a  simples  existência  de  saldo  credor,  glosado  ou  não,  para  caracterizar  o  pagamento,  isso  seria  suficiente  para  demonstrar  "configurado  o  pagamento  do  contribuinte  para  fins  de  IPI  e,  pois,  resta  caracterizado  o  lançamento por homologação previsto no art. 150, § 4°, do CTN"; ressalta ainda que "à época  Fl. 702DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 696          10 em que foi realizado o creditamento, os créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos  isentos oriundos da Zona Franca de Manaus eram admitidos";   b) que a SUFRAMA teria competência exclusiva para conceder o benefício  previsto  no  artigo  6º  do  Decreto­Lei  nº  1.435/75,  bem  como  para  determinar  e  administrar  quaisquer questões inerentes ao referido beneficio, conforme se verifica dos artigos 1°, VI e 4º,  I,  "c",  ambos  do  Anexo  I  do  Decreto  n°  7.139,  de  29/03/2010,  c/c  a  Resolução  CAS  nº  202/2006;  assim,  uma  vez  concedido  o  benefício  pela  SUFRAMA,  o  Fisco  não  teria  competência  para  desconsiderar  aludido  ato  concessório,  como,  afirma,  já  entendeu  a CSRF  (acórdão nº 9303­002.664, de 14/11/2013, e acórdão nº 9303­002.293, de 18/06/2013); defende  que os atos emanados da SUFRAMA "trazem consigo a presunção de legitimidade, veracidade  e legalidade, ou seja, de que nasceram e encontram­se em conformidade com o ordenamento  jurídico";   c)  que  a  SUFRAMA,  em  resposta  a  diligência  demandada  pela  2ª  Turma  Ordinária da 3ª Seção do CARF, em processo de interesse de outro fabricante de Coca­Cola, já  teria confirmado que "a RECOFARMA está regular em relação às condições estabelecidas no  Projeto  Técnico­econômico  Industrial  de  Atualização,  aprovado  pela  Resolução  CAS  nº  298/2007"; dessa forma, com a confirmação da SUFRAMA de que a RECOFARMA atendeu  às condições previstas na Resolução do CAS n° 298/2007 e que, portanto, faz jus ao beneficio  do art. 6° do DL n° 1.435/75, não há dúvida de que para a SUFRAMA é suficiente a utilização  de açúcar e/ou álcool produzidos por estabelecimento situado na Amazônia Ocidental a partir  de cana­de­açúcar cultivada por produtor também situado na Amazônia Ocidental;   d) que o Fisco entendeu que a fruição do benefício de que trata o artigo 6º do  DL  nº  1.435/75  está  condicionada  à  utilização  direta  de  matéria­prima  agrícola  regional  na  fabricação  de  concentrados,  discordando  assim,  da  interpretação  dada  pela  SUFRAMA,  segundo  a  qual  pode­se  utilizar  indiretamente  matéria­prima  regional  na  fabricação  dos  concentrados;  tal  divergência  interpretativa  deveria  ter  sido  questionada  pelo  Fisco  junto  à  própria  SUFRAMA,  "para  que  esta,  na  forma  do  art.  57  da Resolução CAS  nº  202/06  [...]  cancele o incentivo fiscal concedido, ­ e não simplesmente desconsiderá­lo";   e)  que  "a Resolução do CAS n°  298/2007,  fundada no Parecer Técnico  de  Projeto n° 224/2007­SPR/CGPRI/COAPI, continua em vigor, conforme atestado pela própria  SUFRAMA,  por  intermédio  do  Ofício  da  SUFRAMA  n°  3638­SPR/CGAPl/COPIN,  citado  anteriormente";   f)  reitera  que  está  amparada  pela  coisa  julgada  em  face  do  mandado  de  segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4; aduz que a decisão recorrida, que entendeu que o  MSC  em  tela  não  produziria  efeitos  perante  a  recorrente,  se  fundamentou  no  AI  nº  2004.02.01.013298­4  e  na  Reclamação  ­  Rcl  nº  7.778­SP,  interpostos  por  outra  associada  localizada  em  Ribeirão  Preto;  no  entanto,  "o  acórdão  proferido  no  referido  AI  não  está  produzindo efeitos em razão da decisão proferida na Medida Cautelar  (MC) n° 19.988 pelo  STJ  que  reconheceu  o  alcance  do  MSC  em  todo  o  território  nacional";  ressalta  que  a  jurisprudência  do  STJ  é  no  sentido  de  que  a  coisa  julgada  objeto  do MSC  abrange  todo  o  território nacional;  cita especificamente o REsp nº 1.117.887­SP, da relatoria do Min. Castro  Meira, e o REsp nº 1.295.383­BA, relatado pelo Min. Benedito Gonçalves; neste foi invocado,  "como razão de decidir, o acórdão proferido no REsp n° 1.243.887­PR, de que  foi relator o  Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado à sistemática de recursos repetitivos, nos termos  do art. 543­C do CPC, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a limitação prevista no  Fl. 703DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 697          11 art.  2°­A  da  Lei  n°  9.494,  de  10.09.1997,  introduzido  pela  MP  n°  1.798­1/99,  somente  é  aplicável às ações coletivas ajuizadas após a  sua entrada em vigor, ou  seja, ajuizadas após  11.02.1999"; assim, o mesmo entendimento vinculatório aplicado no âmbito do STJ deveria ser  adotado no CARF por força do artigo 62­A de seu Regimento Interno;   g) que, ao contrário do que foi alegado pela decisão recorrida, a Rcl nº 7.778­ SP  também  não  interfere  no  presente  caso,  uma  vez  que  relativamente  à  mesma  "não  há  decisão nem de mérito nem definitiva que justifique a interpretação dada pela DRJ/POA, pois  a decisão monocrática proferida pelo Ministro GILMAR MENDES apenas negou seguimento à  reclamação  pelo  seu  não  cabimento  e  pende  de  julgamento  os  embargos  de  declaração  opostos pela associada localizada em Ribeirão Preto";   h) reitera que faz jus ao crédito do IPI relativo à aquisição de matéria­prima  isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, o que aduz com fundamento  no artigo 69, inciso II do RIPI/02 e no art. 81, inciso II, do RIPI/10, base legal no art. 9° do DL  n° 288/67; ressalta que ao contrário do sustentado na decisão vergastada, "o STF não negou ao  contribuinte o direito ao creditamento do IPI na aquisição de insumos isentos de fornecedor  situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de produtos sujeitos ao IPI", mas  "em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484­RS, [...] firmou o entendimento de que é  assegurado  ao  adquirente  da  matéria­prima  isenta  oriunda  de  fornecedor  situado  na  Zona  Franca de Manaus e utilizada na fabricação de produto cuja saída é sujeita ao IPI o direito ao  crédito do imposto relativo à sua aquisição"; afirma que "a própria Procuradoria da Fazenda  Nacional,  no  julgamento  do  RE  n°  590.809,  iniciado  em  11.09.2014  e  encerrado  em  23.10.2014,  no  Plenário  desse  STF,  afirmou  expressamente  que  permanece  hígido  o  RE  n°  212.484­RS, que decidiu pelo direito ao crédito do IPI para os adquirentes de insumos isentos  da  Zona  Franca  de  Manaus";  aduz  que  até  que  seja  julgado  o  RE  nº  592.891­SP  ­  que  reconheceu a repercussão geral concernente à possibilidade de creditamento do IPI pela entrada  de insumos da Zona Franca de Manaus ­ permanece hígido o entendimento do RE nº 212.484­ RS;   i)  subsidiariamente,  invoca a  aplicação ao caso do disposto no artigo 11 da  Lei nº 9.779, de 19/01/1999;   j)  reitera  que  são  idôneas  as  notas  fiscais  emitidas  pela  RECOFARMA  e  reafirma haver agido de boa­fé;   k) defende que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a redução de  50% dos créditos é sim relevante para a contenda ­ eis que "produz efeitos na determinação do  montante do crédito do IPI, em relação às glosas referentes às aquisições de concentrado para  elaboração  do  refrigerante  guaraná"  ­,  e  que  aludida  redução  não  é  aplicável  aos  créditos  escriturados  pela  recorrente,  já  que  "os  concentrados  não  foram  registrados  no MAPA  pela  RECOFARMA";   l)  reitera  seus  argumentos  em  defesa  da  impossibilidade  de  exigência  da  multa e dos juros calculados sobre a multa de ofício.   Diante do  exposto,  requer  seja  cancelado  o  auto  de  infração  e  reformada a  decisão de primeira instância, com a consequente extinção do crédito tributário exigido.   A  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  recurso voluntário do sujeito passivo com base nos seguintes fundamentos:   Fl. 704DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 698          12 a) concernente à contagem do prazo decadencial, assevera que o artigo 124,  parágrafo  único,  inciso  III,  do RIPI/2002,  "prevê  como  forma  de  pagamento  a  dedução  dos  débitos, no período de apuração, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Veja­ se,  portanto,  que  tal  dispositivo  traz  determinação  expressa  no  sentido  de  que  somente  o  aproveitamento  de  créditos  admitidos  pelo  regulamento  é  apto  a  caracterizar  o  pagamento  antecipado";  assim,  no  caso  presente,  tal  regra  não  seria  aplicável,  eis  que  "os  créditos  utilizados pela SPAL na dedução dos débitos não eram admitidos pelo  regulamento,  tanto  que  foram  glosados. Ademais,  com  a  glosa  desses  créditos  indevidos,  em  lugar  dos  saldos  credores  calculados  pela  empresa,  surgiram  saldos  devedores  apurados  pela  fiscalização";  cita  como  precedente  o  acórdão  nº  3403­003.324;  assim,  a  regra  para  a  contagem  do  prazo  decadencial seria a disposta no artigo 173, inciso I, do CTN, com base na qual todo o crédito  tributário objeto dos autos teria sido lançado dentro do lapso temporal albergado pela lei;   b) ressalta que a técnica da não­cumulatividade do IPI consiste em compensar  o que  for devido em cada operação com a quantia que  foi cobrada nas operações anteriores,  obstando a incidência em cascata do imposto; assim, o creditamento "somente ocorre quando  as  várias  cadeias  sucessivas  são  efetivamente  mensuráveis",  de  sorte  que  "não  tendo  sido  cobrado  nada  na  operação  anterior,  nada  há  a  ser  compensado";  "diante  disso,  é  preciso  consignar  que  não  há  qualquer  ofensa  ao  princípio  da  não­cumulatividade  no  presente  lançamento. Ora, considerando­se que nos casos de produtos isentos não há o recolhimento do  IPI na etapa anterior, de fato é impossível e indevido o creditamento";   c) afirma "que o STF manifestou­se a respeito do direito ao crédito de IPI na  aquisição  de  insumos  isentos,  por meio  do  julgamento  do RE  n°  566.819,  cuja  repercussão  geral  foi  reconhecida, assentando entendimento de que,  se não há  incidência do  imposto na  fase  anterior,  como  consectário  lógico,  jamais  se  poderia  pleitear  o  creditamento  na  fase  seguinte,  partindo  da  premissa  de  que  a  não­cumulatividade  pressupõe  tributo  devido  e  recolhido anteriormente e que, na hipótese de não­tributação, de alíquota zero ou de isenção,  não existe parâmetro normativo para se definir a quantia a ser compensada";   d) "que ao contrário do que sustenta a recorrente, o RE 212.484, em que se  decidiu  pelo  direito  ao  crédito  na  aquisição  de  insumos  isentos  oriundos  da  ZFM  não  corrobora sua pretensão", já que teria aplicação apenas inter partes, bem como por não ser de  observância obrigatória pelo CARF, "já que, diferentemente do que sustentado em sua defesa,  não há que se falar em definitividade daquele entendimento na Corte Suprema, considerando­ se,  exatamente,  a  existência  de  processo  em  repercussão  geral  sobre  o mesmo  tema  [RE nº  592.891], ainda a ser julgado pelo STF"; tal entendimento teria sido adotado nos acórdãos do  CARF nºs 3403­003.323 e 3403­003­613;   e)  que  o  artigo  11  da  Lei  nº  9.779/99  não  tem  aplicabilidade  ao  caso  dos  autos;   f) que, "como exceção à regra geral da não cumulatividade, só se falaria em  direito ao crédito na aquisição de insumos isentos, no caso dos autos, se o contribuinte tivesse  cumprido os requisitos do art. 175 do RIPI/02 (art. 237 do RIPI/10), que garante o crédito  exclusivamente na hipótese de produtos adquiridos com a  isenção do inciso III do art. 82 (ou seja,  produtos  elaborados  com matérias  primas  agrícolas  ou  extrativas  vegetais  de  produção  regional  por  estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental, com projeto aprovado pela Suframa), desde que  para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto";   Fl. 705DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 699          13 g)  que  os  requisitos  legais  para  a  fruição  do  creditamento  não  teriam  sido  observadas pela fiscalizada;   h) que "ainda que a Resolução CAS n° 298/07 refira­se ao benefício fiscal do  art. 6° do DL 1435/75, fundamento legal do art. 175 do RIPI/02, o fato é que essa aprovação  dada  pela  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  ao  projeto  da  Recofarma  não  se  confunde  com  o  reconhecimento  da  isenção,  de modo  que,  aprovado  o  projeto,  a  isenção  somente se aplica SE obedecidas as demais condições do art. 6°, conforme, aliás, declarado  nos próprios atos da Suframa, que determinam que seja utilizada matéria prima de origem  vegetal na elaboração dos produtos";   i) que  "o benefício  fiscal pretendido pela Recofarma  (e pressuposto para o  gozo do crédito pela fiscalizada) foi CONDICONADO ao cumprimento desse requisito, o que  não ocorreu", uma vez que, "conforme constatado pela Fiscalização, o concentrado produzido  pela  Recofarma  não  é  elaborado  com matérias­primas  agrícolas  ou  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  mas  sim  com  produtos  intermediários/industrializados",  no  caso  "caramelo, álcool e ácido cítrico", os quais "não são matérias primas vegetais";   j)  que  segundo  o  acórdão  nº  3302­002.673  "o  corante  caramelo  ...  não  é  matéria­prima  de  origem  vegetal  regional.  Trata­se,  na  realidade,  de  um  produto  industrializado";   k) cita entendimentos exarados nos acórdãos CARF nos 3403­003.491 e 3302­ 001.790;   l)  que  "quando a  Suframa analisa  e aprova  o  projeto  da Recofarma,  o  faz  para fins de gozo não apenas do benefício do art. 6° do DL 1435/75, mas também para o gozo  da  isenção  do  art.  9°  do  DL  288/67  (base  legal  do  art.  69,  II  do  RIPI/02  e  art.  81,  II  do  RIPI/10  que  embora  garanta  a  isenção  ao  fornecedor,  não  assegura  ao  adquirente  das  mercadorias isentas o crédito ficto calculado com base no art. 175 do RIPI/02";   m) concernente ao mandado de segurança coletivo nº 91.0047783­4 afirma,  com  fundamento no  artigo 2º­A da Lei nº 9.404/90, que  aduzida decisão  tem, dentre outras,  "uma limitação territorial, dispondo­se que a sentença abrangerá apenas os substituídos que  tenham domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator"; assim, o MSC em  tela não poderia albergar o direito da suplicante, eis que impetrado perante a 22ª Vara Federal  do Rio de Janeiro em face de ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, enquanto a  autuada possui sede no município de Belo Horizonte;   n)  sobre  a  questão,  assevera que  "o STF,  em  sessão Plenária  realizada  em  30/04/2014, em que se julgou o Agravo Regimental na Reclamação n° 7778, que por sua vez  foi  ajuizada  em  face  do  suposto  descumprimento  da  decisão  proferida  naquele  mesmo  Mandado de Segurança Coletivo, concluiu que o provimento judicial proferido naquela ação  coletiva teve seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro,  território  do  órgão  prolator  da  decisão,  o  que  não  alcança  a  autuada,  de  modo  que  a  decisão  em  questão  não  lhe  favorece";  "assim,  por  se  tratar  de  decisão  Plenária  do  STF,  proferida  especificamente para o  caso dos autos,  já que propriamente  sobre o alcance do MSC que a  autuada  pretende  seja  aplicado  em  seu  favor,  por meio  do  qual  se  confirmou  a  validade  e  eficácia do art. 2°­A da Lei 9494, este dispositivo legal não pode ser afastado pelo CARF, sob  pena de, com isso, ofender­se o que previsto na Súmula CARF n° 02"; ressalta que a tese em  Fl. 706DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 700          14 tela  foi  confirmada  no  voto  condutor  da  decisão  exarada  pela  Terceira  Turma  da  Quarta  Câmara da Terceira Seção, acórdão n° 3403­003.323;   o) que as decisões do STJ que, segundo a empresa, teriam garantido o direito  de fabricantes da Coca­Cola de São Paulo e da Bahia a se valer da decisão proferida no MSC  referenciado, em momento algum garantiram às contribuintes o direito de se creditar do IPI na  aquisição de insumos isentos da ZFM com base na decisão coletiva, mas apenas determinaram  que os tribunais de origem realizassem novo julgamento do mérito;   p)  que  a  decisão  monocrática  proferida  na  Medida  Cautelar  n°  19.988,  diferentemente do que narrado pela empresa, garantiu apenas "efeitos suspensivos ao recurso  especial interposto por outra empresa que não a ora recorrente (nos autos de um processo que  tramitava no TRF da 2ª Região, que por sua vez julgou prejudicado o agravo de instrumento  interposto  por  aquela  parte,  em  razão  da  perda  de  objeto),  obstando­se,  com  a  liminar  deferida, a exigibilidade do crédito fiscal e cancelando­se o leilão público de bem penhorado  de propriedade daquela associada localizada em Ribeirão Preto";   q)  que  a  questão  que  se  discutiu  no  STJ  no  âmbito  do  recurso  repetitivo  (REsp  1.243.887)  "consistia  em  saber  se  uma  sentença  genérica  proferida  em  ação  civil  coletiva  ajuizada  pela  Associação  Paranaense  de  Defesa  do  Consumidor,  que  condenou  o  Banestado  ao  pagamento  dos  chamados  expurgos  inflacionários  sobre  cadernetas  de  poupança,  teria  efeitos  para  todos  os  poupadores  da  instituição  financeira  do  Estado  do  Paraná", e que, "na ocasião [...] o STJ entendeu por estender os efeitos da coisa julgada para  outros  associados  fora  do  território  do  órgão  prolator  da  decisão  (Curitiba)  porque  o  provimento judicial naquele caso assim determinou e, segundo constou na decisão em questão,  descabe a alteração do seu alcance em sede de  liquidação/execução  individual, sob pena de  vulneração da coisa  julgada. Assim, não se aplica ao caso a  limitação contida no art. 2°­A,  caput, da Lei n. 9.494/97";   r) que a Receita Federal  tem competência para verificar as condições para a  isenção conforme previsto nos artigos 176 a 179 do CTN, inclusive com preferência sobre as  demais autoridades administrativas, nos  termos do artigo 37, XVIII, da Constituição Federal;  ressalta que a decisão proferida pela CSRF no acórdão 9303­002.293, no sentido de que é da  competência do Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus a  análise  do  atendimento  ao  processo  produtivo  básico  para  fins  de  aprovação  de  projeto  industrial a ser beneficiado com a isenção, não se aplica ao presente caso, uma vez que o que se  discutiu, naquela ocasião,  foi a possibilidade de  se  terceirizar uma  fase do PPB dos discos a  laser, aprovada em Portaria Interministerial do Ministério da Integração Regional e Ministério  da Ciência e Tecnologia, mas contestada pela Receita Federal;   s)  em  relação  à  redução  da  alíquota  no  cálculo  do  crédito  reproduz  os  fundamentos utilizados pela decisão de primeira instância;   t) quanto à impossibilidade de exigência da multa, ressalta que o caso não se  enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas pelos incisos do artigo 100 do CTN, razão pela  qual  inaplicável  o  parágrafo  único  do  dispositivo  em  evidência;  relativamente  à  desejada  exclusão  da  multa  com  fundamento  no  artigo  76,  II,  "a",  da  Lei  nº  4.502/64,  reproduz  entendimento exarado no acórdão nº 3403­003.323, onde se entendeu estar referido dispositivo  tacitamente  revogado desde outubro de 1966, vez que o artigo 100,  II, do CTN, que regulou  inteiramente a matéria objeto da lei anterior, tratou de modo diferente a dispensa de penalidade  em razão da observância de decisões administrativas; e,  Fl. 707DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 701          15 u)  concernente  aos  juros  de  mora  ressalta  que  os  mesmos  também  são  devidos  sobre  o  valor  da  multa,  a  qual  "tem  natureza  de  obrigação  principal  visto  que  incontestável  o  seu  conteúdo  pecuniário";  alicerça­se  no  artigo  139  do  CTN  e  cita  entendimento proferido no acórdão nº 101­96.177.   Por  todo  o  exposto,  requer  a  Fazenda  Pública  seja  negado  provimento  ao  recurso voluntário.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Francisco José Barroso Rios   Admissibilidade do recurso   Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 13/04/2015 (e­ fls.  581).  Por  sua  vez,  o  recurso  voluntário  foi  apresentado  em  06/05/2015  (e­fls.  584),  tempestivamente, portanto.   Preenchidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  conheço  do  recurso  formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio   A lide diz  respeito a  lançamento para exigência do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados ­ IPI em vista da glosa de créditos inerentes ao incentivo fiscal instituído pelo  art. 6º, caput e parágrafo 1º, do Decreto­lei n° 1.435/1975, disciplinado pelo artigo 95, inciso  III,  do  Decreto  n°  7.212,  de  2010  (RIPI/2010),  o  qual  admite  o  creditamento  do  IPI  pela  aquisição de matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais originadas da Amazônia Ocidental,  cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, quando  aduzidas  matérias  primas  forem  empregadas  para  a  industrialização,  em  qualquer  parte  do  território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto.   A glosa foi motivada pela constatação de que parte dos produtos não foram  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  regionais,  mas  com  concentrado objeto de industrialização prévia.   A fiscalização identificou também que os concentrados que continham suco  de fruta ou semente de guaraná estavam beneficiados com redução de 50% da alíquota do IPI  (Nota Complementar  ­ NC 21­1  da Tabela de  Incidência do  IPI  aprovada pelos Decretos  n°  6.006/2006  e  n°  7.660/2011),  redução  esta  que,  no  entanto,  não  teria  sido  observada  pela  empresa no cálculo do crédito aproveitado.   Dentre  os  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo  este  defende  estar  amparado pela coisa julgada em face do mandado de segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­ 4.  Tal  questão  será  examinada  de  início,  eis  que  eventual  tutela  jurisdicional  em  favor  da  suplicante dispensará a  análise da matéria  atinente à glosa do creditamento objeto dos autos,  dada a necessidade de se obedecer à coisa julgada.  Fl. 708DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 702          16 Da  amplitude  do  provimento  jurisdicional  objeto  do  mandado  de  segurança coletivo nº 91.0047783­4   Conforme  relatado,  a  recorrente  sustenta  estar  amparada  pela  coisa  julgada  em face do mandado de segurança coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4.   Segundo a  interessada, a decisão recorrida, ao entender que o MSC em tela  não  produziria  efeitos  perante  a  recorrente,  se  fundamentou  no  Agravo  de  Instrumento  nº  2004.02.01.013298­4  e  na  Reclamação  ­  Rcl  nº  7.778­SP,  interpostos  por  outra  associada  localizada em Ribeirão Preto. No entanto, defende a suplicante que  "o acórdão proferido no  referido AI não  está  produzindo  efeitos  em  razão  da  decisão  proferida  na Medida Cautelar  (MC) n° 19.988 pelo STJ que reconheceu o alcance do MSC em todo o  território nacional".  Ressalta  que  a  jurisprudência  do  STJ  é  no  sentido  de  que  a  coisa  julgada  objeto  do  MSC  abrange todo o território nacional. Cita o REsp nº 1.295.383­BA, relatado pelo Min. Benedito  Gonçalves,  em  que  foi  invocado,  "como  razão  de  decidir,  o  acórdão  proferido  no  REsp  n°  1.243.887­PR, de que foi relator o Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado à sistemática  de  recursos  repetitivos, nos  termos do art. 543­C do CPC, no qual a Corte Especial do STJ  decidiu que a limitação prevista no art. 2°­A da Lei n° 9.494, de 10.09.1997, introduzido pela  MP n°  1.798­1/99,  somente  é aplicável  às  ações  coletivas  ajuizadas  após  a  sua  entrada  em  vigor,  ou  seja,  ajuizadas  após  11.02.1999".  Assim,  o  mesmo  entendimento  vinculatório  aplicado no âmbito do STJ deveria  ser  adotado  pelo CARF por  força do  artigo 62­A de  seu  Regimento Interno.   É  verdade  que  o  STF,  em  acórdão  proferido  em  30/04/2014,  negou  provimento no Agravo Regimental na Reclamação nº 7.778­SP, ajuizado pela Companhia de  Bebidas Ipiranga, conforme acórdão foi assim ementado:   Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite  territorial  restrito  à  jurisdição  do  órgão  prolator.  Art.  16  da  Lei  n.  7.347/1985.  3.  Mandado  de  segurança  coletivo  ajuizado  antes  da  modificação  da  norma.  Irrelevância.  Trânsito  em  julgado  posterior  e  eficácia  declaratória  da  norma.  4.  Decisão  monocrática  que  nega  seguimento  a  agravo  de  instrumento.  Art.  544,  §  4º,  II,  b,  do  CPC.  Não  ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins  de  atribuição  de  efeitos  erga  omnes,  em  âmbito  nacional,  à  decisão  proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que  impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento.  A  decisão  em  tela  concluiu  que  o  provimento  judicial  exarado  naquele  mesmo Mandado de Segurança Coletivo  (nº 91.0047783­4)  teve  seus  efeitos restritos aos  associados  domiciliados  no  Rio  de  Janeiro,  não  alcançando,  pois,  a  autuada.  Aludido  decisum confirmou a validade e a eficácia do artigo 2°­A da Lei nº 9.494/97, segundo o qual "a  sentença  civil  prolatada  em  ação  de  caráter  coletivo  proposta  por  entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da  competência  territorial  do  órgão prolator" (grifo nosso).  No  entanto,  em  face  da  referida  decisão  foram  interposto  embargos  de  declaração  (em  26/05/2014),  em  relação  aos  quais  a  Procuradoria  Geral  da  República,  em  05/09/2014, opinou por sua rejeição. Os embargos em tela, todavia, ainda não foram julgados,  encontrando­se os  autos  conclusos ao  relator desde 10/09/2014  (conforme  informação obtida  Fl. 709DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 703          17 no  sítio  do  Supremo  Tribunal  Federal  na  internet  em  15/06/2016  (link:  http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2664047).  Em  relação  à  Medida  Cautelar  n°  19.988,  o  STJ,  de  forma  monocrática  (relator  Min.  Og  Fernandes),  suspendeu,  em  03/06/2015,  a  execução  fiscal  nº  2008.61.02.011379­1, em face da empresa Companhia de Bebidas Ipiranga, doravante Rio  de  Janeiro  Refrescos  Ltda..  Na  ocasião  entendeu  o  e.  relator  que  a  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  na  Rcl  7.778/SP  não  revogou  o  decisório  emitido  pelo Ministro  Castro Meira (Agravo de Instrumento nº 2004.02.01.013298­4), e ainda, que "a jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  permanece  hígida  no  posicionamento  de  que  a  limitação  contida no art. 2º­A, caput, da Lei n. 9.494/97, introduzido pela MP n. 1.798­1/99 (a sentença  proferida  "abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator"), não pode ser aplicada aos  casos  em  que  a  ação  coletiva  foi  ajuizada  antes  da  entrada  em  vigor  do  mencionado  dispositivo [...], sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações".   Confira­se:  MEDIDA CAUTELAR Nº 19.988 ­ RJ (2012/0202007­0)   RELATOR : MINISTRO OG FERNANDES   REQUERENTE : COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA   ADVOGADO : ANTÔNIO CARLOS GARCIA DE SOUZA E OUTRO(S)   REQUERIDO : FAZENDA NACIONAL   PROCURADOR : LUIZ FERNANDO SERRA MOURA CORREIA   DECISÃO    Vistos, etc.     Companhia de Bebidas Ipiranga, hoje Rio de Janeiro Refrescos Ltda.,  ajuizou medida cautelar nesta Corte, pleiteando a concessão de provimento  liminar, nestes termos (e­STJ, fl. 22):   Dessa  forma,  a  REQUERENTE  pede  seja  deferida  medida  liminar,  inaudita altera  pars,  para que,  até o  julgamento  desta medida  cautelar,  seja  (i)  atribuído  efeito  suspensivo  aos  REsps  por  ela  interpostos  nos  autos  dos  AG  n.  2005.02.01.002738­0  e  2004.02.01.013298­4,  (ii)  suspensa  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  objeto  da  EF  n.  2008.61.02.011379­1 e (iii) cancelada a determinação de leilões dos bens  oferecidos pela REQUERENTE em  reforço  de garantia  na  referida EF,  entre os quais os designados para os dias 02.10.2012 e 16.10.2012.   Em 21 de setembro de 2012, o em. Ministro Castro Meira, quem sucedi  na Segunda Turma em razão de sua aposentadoria, deferiu a  liminar para  atribuir  efeito  suspensivo  ao  recurso  especial  e  obstar  a  exigibilidade  do  crédito  fiscal  em questão, com o  cancelamento do  leilão público. Referida  liminar encontra­se assim redigida (e­STJ, fls. 1.250/1.252):   Trata­se  de  medida  cautelar  com  pedido  liminar  ajuizada  por  COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA com o escopo de emprestar  efeito  suspensivo  a  recurso  especial  ­  pendente  de  juízo  de  admissibilidade ­, o qual, por sua vez, foi interposto contra acórdão  proferido  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  2ª  Região,  nestes  termos ementado:   PROCESSUAL CIVIL ­ AGRAVO INTERNO NO AGRAVO DE  INSTRUMENTO  ­  LITISPENDÊNCIA  ­  MATÉRIA  JÁ  EXAMINADA  EM  OUTRO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  ­  RECURSO PREJUDICADO.   Fl. 710DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 704          18 I  ­  Trata­se  de  agravo  interno  oposto  por  COMPANHIA  DE  BEBIDAS  IPIRANGA,  em  face  da  decisão  proferida  às  fls.  193/194, que julgou prejudicado o recurso, por perda de objeto, com  fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil.   II  ­  Alega  a  embargante,  em  síntese,  que:  1)  o  fato  de  ter  sido  proferido acórdão nos autos do agravo n. 2004.02.01.013298/4, em  apenso, julgando a questão sub judice não tem o condão de provocar  a perda de objeto do presente  agravo de  instrumento  porque  ainda  não  produziu  qualquer  efeito,  estando  aguardando  julgamento  dos  embargos  de  declaração  opostos;  2)  a  oposição  de  embargos  de  declaração interrompe o prazo para a interposição de outros recursos  e suspende os efeitos da decisão embargada; 3) a decisão impugnada  no presente agravo de instrumento substitui a decisão anteriormente  proferida  pelo  juízo  a  quo,  a  qual  foi  impugnada  no  agravo  em  apenso.   III  ­  A  fundamentação  do  acórdão  impugnado  foi  no  sentido  de  julgar prejudicado o presente agravo, pois a União Federal interpôs  o agravo de instrumento n. 2004.02.01.013298­4, cuja discussão é a  mesma deste recurso. Em ambos os recursos, a celeuma consiste em  saber se há possibilidade de uma decisão proferida em mandado de  segurança  em  função  de  ato  praticado  por  uma  autoridade  prevalecer  perante  outra  autoridade  que  não  integrou  o  feito  anterior.   IV  ­  Esta  questão  já  foi  decidida  no  agravo  de  instrumento  em  apenso, através do acórdão proferido às fls. 225/234 e os embargos  de  declaração  opostos  irão  ser  julgados  nesta  sessão,  em  conjunto  com  este  agravo  interno. Resta,  portanto,  sem  utilidade  o  presente  agravo de instrumento.   V ­ Agravo interno a que se nega provimento (e­STJ, fls. 288­289).   No apelo nobre, além de suscitar divergência jurisprudencial e deduzir  ofensa  ao  art.  535  do  CPC  sob  a  justificativa  de  que  não  foram  corrigidas  omissões  indicadas  em  embargos  aclaratórios,  a  ora  requerente aduziu que a Corte de origem afrontou o art. 269 do CPC,  na medida em que não seria cabível o não conhecimento do agravo por  perda de objeto,  haja  vista que  subsistiria  interesse no  julgamento do  recurso.   Por outro lado, alegou que o aresto questionado afrontou o art. 543­C,  §  7º,  do  CPC,  ao  deixar  de  aplicar  a  orientação  sedimentada  pelo  Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática dos recursos repetitivos,  acrescentando, ainda, que houve maltrato ao art. 16 da Lei n. 7.347/85,  ao art. 2º­A da Lei n. 9.494/97, aos arts. 467, 468 e 472 do CPC e ao  art. 156, X, do CTN, porquanto o Tribunal a quo  teria desconsiderado  os  efeitos  da  coisa  julgada  formada  no  âmbito  de  mandado  de  segurança coletivo, inclusive no que tange à extinção do crédito fiscal.   Na  presente  cautelar,  a  ora  requerente  identifica  a  fumaça  do  bom  direito com a argumentação lançada no apelo nobre, enquanto o perigo  na  demora  consistiria  essencialmente  nos  iminentes  leilões  marcados  para 02.10.12 e 16.10.12, cuja promoção acarretaria graves prejuízos a  seu patrimônio.   É o relatório. Decido.   De  início,  registro  que  a  competência  para  a  análise  de  medida  cautelar  com  vistas  a  emprestar  efeito  suspensivo  a  recurso  especial  pendente de  juízo de admissibilidade  é da Corte de origem, a  teor do  Fl. 711DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 705          19 disposto  nas  Súmulas  634  e  635  do  Supremo  Tribunal  Federal,  aplicáveis por analogia a este STJ.   Todavia, em casos excepcionais este Superior Tribunal de Justiça  tem  concedido efeito suspensivo a recurso especial que ainda não foi objeto  do juízo de prelibação, notadamente nas hipóteses em que seja possível  verificar,  de  plano,  a  ilegalidade  da  decisão  recorrida  e  esteja  configurado o risco de grave prejuízo para a parte,  caso não seja ela  prontamente suspensa.   No  caso  vertente,  a  notória  controvérsia  que  gravita  em  torno  da  matéria  de  fundo  ­  alcance  territorial  dos  efeitos  da  coisa  julgada  coletiva  ­, em conjunto com a oscilação  jurisprudencial  que  culminou  no  julgamento  do  REsp  1.243.887/PR  pela  Corte  Especial  deste  Superior Tribunal de Justiça, tornam substancial a verossimilhança da  tese  desenvolvida  no  apelo  nobre  pela  requerente,  uma  vez  que,  aparentemente, a instância ordinária adotou orientação em desarmonia  com o entendimento desta Corte.   Por  outro  lado,  em  um  primeiro  momento,  impressiona  o  tumulto  processual  retratado nos autos,  sendo certo que o  trâmite paralelo de  ações  ­  coletivas  e  individuais  ­  acrescido da  interposição  simultânea  de recursos contra decisões distintas cria um cenário que demanda do  magistrado  uma  análise  detida  da  documentação  acostada  aos  autos  para  se  investigar a prejudicialidade  entre os agravos,  o que, como é  evidente,  exige  período  de  tempo  e  reflexão  correspondentes  à  complexidade da tarefa.   A tudo isto, some­se a iminência da praça pública aprazada para o dia  1º/10/12  (e­STJ,  fl.  1.006),  não  havendo  dúvidas  de  que  a  realização  desse  leilão  judicial  representa  sério  risco  de  prejuízo  de  difícil  reparação  à  requerente,  a  qual  se  encontraria  na  contingência  de  perder a propriedade dos imóveis por meio dos quais desenvolve suas  atividades  empresariais. No mais,  cumpre  esclarecer que a  suspensão  desse  procedimento  não  acarreta  maiores  gravames  à  Fazenda  Nacional,  máxime  porque  os  bens  em  questão  encontram­se  regularmente penhorados. Ademais, caso suba a este Superior Tribunal  de Justiça, o recurso especial será de imediato levado a julgamento por  esta relatoria.   Ante  o  exposto,  defiro  a  liminar  para  atribuir  efeito  suspensivo  ao  recurso especial e obstar a exigibilidade do crédito  fiscal em questão,  cancelando­se o leilão público.   A  Fazenda  Nacional,  por  meio  da  Petição  00198352/2015,  requer  a  revogação da liminar, dando conta dos seguintes acontecimentos (e­STJ, fls.  1.336/1.374):   Esta  Medida  Cautelar,  Ministro  Og,  visava  emprestar  "efeito  suspensivo"  a Recurso Especial  da Companhia  de Bebidas  Ipiranga  ­  hoje  incorporada por Rio de Janeiro Refrescos Ltda., a detentora dos  direitos  da  Coca­Cola  em  território  fluminense  (Coca­Cola  Andina  Brasil). O apelo  nobre  da  empresa  tinha  admissibilidade  pendente  no  TRF/2.   O  Agravo  em  Recurso  Especial  437.199/RJ  (extraído  de  acórdão  em  que  o  TRF/2  afirmara  "prejudicado"  o  Agravo  de  Instrumento  da  empresa)  fora  convertido,  por  Vossa  Excelência,  em  06.2.2014,  no  REsp 1.437.364/RJ.   Fl. 712DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 706          20 O  Agravo  em  Recurso  Especial  437.202/RJ  (extraído  de  acórdão  do  TRF/2  favorável  à União  sobre  a matéria  de  fundo deste  e  de  outros  processos  da  empresa)  fora  convertido,  por  essa  Relatoria,  em  6.2.2014, no REsp 1.438.361/RJ.   Naqueles  recursos  e  nesta  Cautelar,  Ministro,  interessa  compreender  este  contexto:  há  uma  inscrição  em  Dívida  Ativa  da  União  (n.  80.3.08.000779­76), com valor atual por volta de R$ 390 milhões. Uma  quantia  cobrada  por  Execução  Fiscal  (a  tramitar  na  9ª  Vara  de  Execuções Fiscais de Ribeirão Preto ­SP).   A devedora, considerando­se beneficiada por sentença em Mandado de  Segurança Coletivo (n. 91.0047783­4) ­ impetrado pela Associação dos  Produtores  de  Coca­Cola  do  Brasil  ­  tentara  suspender  o  executivo  fiscal, por três frentes: Reclamação junto ao Supremo Tribunal Federal  (Rcl  7.778),  esta  Medida  Cautelar  (MC  19.988/RJ)  e  Embargos  à  Execução na origem.   Em  1º.10.2012,  o  Ministro  Castro  Meira  deferiu  liminar  nesta  ação,  suspendendo  a  exigibilidade  do  crédito  tributário.  À  época,  o  efeito  prático  do  decisum  fora,  sobretudo,  obstar  a  imediata  realização  de  hasta pública dos bens penhorados na Execução Fiscal.   No  STF,  o  Ministro  Gilmar  Mendes,  monocraticamente,  negou  seguimento  à  Reclamação  7.778.  Na  sequência,  o  Plenário,  sob  a  batuta  do  Ministro  Gilmar,  negou  provimento  ao  Agravo  Regimental  protocolado,  fixando não ser possível  à empresa aproveitar a decisão  proferida  no  mandamus  coletivo  da  Associação  dos  Produtores  de  Coca­Cola:   "a coisa julgada em sede desta demanda coletiva abrange apenas os  substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  julgador  do  Mandado de Segurança Coletivo n. 91.0047783­4".   A devedora, assim, não possuiria coisa  julgada a  seu  favor,  porque a  Suprema  Corte  respeitara  o  art.  2º­A  da  Lei  n.  9.494/97  no  que  modificara a redação do art. 16 da Lei n. 7.347/85. Vamos à ementa do  acórdão:   1. Agravo Regimental em Reclamação.   2.  Ação  coletiva.  Coisa  julgada.  Limite  territorial  restrito  à  jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985.   3. Mandado de  segurança  coletivo  ajuizado  antes  da modificação  da  norma.  Irrelevância.  Trânsito  em  julgado  posterior  e  eficácia  declaratória da norma.   4.  Decisão  monocrática  que  nega  seguimento  a  agravo  de  instrumento.  Art.  544,  §  4º,  II,  "b",  do  CPC.  Não  ocorrência  de  efeito  substitutivo  em  relação  ao  acórdão  recorrido,  para  fins  de  atribuição  de  efeitos  erga  omnes,  em  âmbito  nacional,  à  decisão  proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da  lei que impõe limitação territorial.   5. Agravo regimental a que se nega provimento.   (Rcl  7.778 AgR,  Relator(a):  Min. GILMAR MENDES,  Tribunal  Pleno,  julgado  em 30/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe­ 094 DIVULG 16­05­2014 PUBLIC 19­05­2014).   Depois  dessa  manifestação  do  STF,  os  Embargos  à  Execução  foram  julgados  improcedentes,  na 9ª Vara de Execuções Fiscais de Ribeirão  Preto  (SP),  na  linha  da  sentença  em  anexo.  A  UNIÃO  (Fazenda  Fl. 713DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 707          21 Nacional)  fora  intimada  dessa  sentença  em  13.4.2015  (há  um  mês,  portanto).   Nesse panorama, Excelência, não tendo a empresa aderido a qualquer  Parcelamento  (ou  reabertura  de  Parcelamentos  anteriores),  considerando  a  natureza  precária  das  liminares,  quer  parecer  que  a  liminar deferida nesta ação perdeu, por completo, suas circunstâncias e  sua essência, merecendo revogação.   Com  efeito,  a  continuidade  da  Execução  Fiscal,  no  juízo  de  primeiro  grau,  a  par  da  rejeição  dos Embargos  inclusive,  é  repercussão  quase  automática da decisão do Supremo Tribunal.   Por  deferência  a  essa Corte  Superior,  entretanto,  a UNIÃO  (Fazenda  Nacional)  compreende  que  haveria  maior  segurança  jurídica  na  cassação do efeito suspensivo conferido ao Recurso Especial da grande  devedora,  para  que  nenhuma  dúvida  paire  quanto  ao  legítimo  prosseguimento da cobrança, em Ribeirão Preto (a propósito, esta é a  maior execução daquela unidade da PGFN!).   Como Vossa Excelência ainda está por julgar o mérito desta Cautelar,  esta  petição  é  oportuna  e  tempestiva,  para  informá­lo  dos  desdobramentos  de  cenário  desde  a  Contestação  apresentada  pela  UNIÃO (Fazenda Nacional), em 25.10.2012.   Nesses  termos,  pedimos,  uma  vez mais,  a  revogação  da  liminar  e,  no  mérito, a improcedência da Medida Cautelar.   A contribuinte, por sua vez, veio aos autos para informar que não houve  qualquer alteração na moldura fática nem jurídica que justifique a perda da  eficácia da respectiva medida liminar.   Assevera que a decisão da Suprema Corte foi proferida anteriormente à  decisão do Ministro Castro Meira e que aquela, além de não ser definitiva  (pendem  de  julgamento  os  embargos  de  declaração),  não  adentrou  no  mérito da controvérsia, haja vista que negou seguimento à reclamação.   Alega  que  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  corre  no  sentido  de  que  a  limitação  prevista  no  art.  2º­A  da  Lei  n.  9.494/97,  introduzido  pela  MP n. 1.798­1/99, somente é aplicável às ações coletivas ajuizadas após a  sua entrada em vigor (ou seja, após 11/2/1999).   Aduz  que  esta Corte  já  reconheceu  o  direito  de  outro  associado  e  do  próprio  insurgente  de  se  beneficiar  da  coisa  julgada  formada  no MSC  n.  91.0047783­4  (REsp  1.295.383­BA, Rel. Min.  Benedito Gonçalves,  e REsp  1.117.887­SP, Rel. Min. Castro Meira).   Por  fim,  argumenta  ser  imprescindível  a manutenção da  liminar para  evitar  a  expropriação  de  bens  da  requerente,  em  razão  da  sentença  de  improcedência proferida nos embargos que determinou o prosseguimento da  execução fiscal, pelo que requer seja mantida a liminar, com a consequente  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  objeto  da  EF  n.  2008.61.02.011379­1.   Decido.   Pela  leitura  de  todo  o  processado,  sobretudo  das  recentes  petições  e  dos  documentos  juntados  aos  autos  pelas  partes,  quer  me  parecer  que  o  prosseguimento  da  execução  fiscal  ofende  a  autoridade  da  decisão  desta  Corte, a qual deferiu a liminar na medida cautelar para "para atribuir efeito  suspensivo ao recurso especial e obstar a exigibilidade do crédito fiscal em  questão, cancelando­se o leilão público" (e­STJ, fl. 1.251).   Fl. 714DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 708          22 Veja­se:  não  só  determinou  o  cancelamento  do  leilão  que  estava  por  vir,  bem  como  foi  peremptório  na  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  o  que  acarretaria  na  suspensão  da  execução  fiscal.  No  ponto,  vale conferir a jurisprudência da Casa:   [...]  Não houve, a meu ver, alteração fática ou jurídica que tenha levado à  perda da eficácia da respectiva medida liminar.   Os  recursos  especiais  vinculados  à  presente medida  ainda  não  foram  julgados  ­  serão  analisados  em  data  próxima  ­  e  a  jurisprudência  do  Superior Tribunal de Justiça permanece hígida no posicionamento de que a  limitação  contida  no  art. 2º­A,  caput,  da Lei  n.  9.494/97,  introduzido  pela  MP n. 1.798­1/99 (a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator"),  não  pode  ser  aplicada  aos  casos  em  que  a  ação  coletiva  foi  ajuizada  antes  da  entrada  em  vigor  do  mencionado  dispositivo  (no  caso,  a  ação  mandamental  coletiva  data  de  14/8/91), sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações.   Nessa direção:   [...]  Por outro lado, a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na  Rcl 7.778/SP não revogou o decisório emitido pelo Ministro Castro Meira,  na  medida  em  que  entendeu  aquela  augusta  Corte  pela  negativa  de  seguimento  à  reclamação,  por  inexistir  decisão  com  autoridade  de  coisa  julgada que tenha sido descumprida.   É  certo  que  Sua  Excelência  o  Ministro  Gilmar  Mendes  teceu  considerações  sobre  o  alcance  da  coisa  julgada  formada  na  demanda  coletiva,  concluindo  que  "o  fato  de  o  MSC  n.  91.0047783­4  ter  sido  impetrado  antes  da  mudança  legislativa  não  tem  o  condão  de  mudar  os  limites  territoriais  da  coisa  julgada  em  sede  desta  demanda  coletiva,  isso  porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites  da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era  definida  pela  Constituição.  Ademais,  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  proferida  na  ação  coletiva  ocorreu  já  sob  a  égide  do  art.  2º­A  da  Lei  n.  9.494/1997" (e­STJ, fl. 1.349).   Entretanto, salvo melhor juízo, o argumento de reforço empregado pelo  eminente  Ministro  da  Suprema  Corte  não  é  determinante,  à  vista  do  dispositivo  da  decisão  (descabimento  da  reclamação).  Como  asseverou  o  Procurador­Geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barros, em sua  manifestação,  "o  Relator,  embora  tenha  adentrado  a  questões  afetas  ao  mérito da demanda, assim o fez como obiter dictum. É dizer, ao votar pelo  desprovimento  do  regimental  para manter decisão,  não  de  improcedência,  mas de negativa de seguimento à reclamação,  infere­se que o fundamento,  autônomo  e  suficiente  para  tanto,  foi  o  entendimento  de  inexistir  decisão  dessa Corte Suprema com autoridade de coisa julgada a ser protegida pela  via eleita" (e­STJ, fl. 1.471).   Assim, sem desrespeitar a decisão do Supremo, merece prestígio, por  ora,  a  jurisprudência  sedimentada  desta  Corte  (inclusive  sob  a  égide  do  art. 543­C do CPC) de que o art. 2º­A da Lei n. 9.494/97 somente pode ser  aplicado nas hipóteses  em que a ação  tenha sido ajuizada depois da  sua  vigência e desde que essa limitação conste do comando judicial.   Fl. 715DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 709          23 Ante  o  quadro  que  se  desenhou  e  a  vultosa  quantia  envolvida,  seria  ônus  desproporcional  determinar  a  sujeição  da  contribuinte  ao  prosseguimento  da  execução  fiscal  antes  do  desfecho  da  controvérsia,  valendo  gizar  que  informações  complementares  noticiam  que  o  Fisco  já  requereu a penhora on­line de ativos financeiros da executada na ordem de  R$  300.000.000,00  (trezentos  milhões  de  reais),  além  do  leilão  de  vários  imóveis penhorados.   Por  todo  o  exposto,  faz­se  necessária,  mesmo  por  prudência,  seja  ratificada a decisão liminar anteriormente concedida, inclusive a suspensão  da  EF  2008.61.02.011379­1  (011379­62.2008.4.03.6102),  que  tramita  perante  a  9ª  Vara  Federal  da  Subseção  Judiciária  de  Ribeirão  Preto,  até  ulterior decisão desta Corte.   Publique­se. Intimem­se.   Comunique­se, com urgência.   Brasília (DF), 03 de junho de 2015.   MINISTRO OG FERNANDES Relator  (grifos nossos)  De  fato,  não  obstante  a  decisão  do  STF  que  negou  provimento  no Agravo  Regimental  na  Reclamação  nº  7.778­SP,  subsiste  a  decisão  do  STJ  proferida  na  Medida  Cautelar  nº  19.988/RJ,  mas  unicamente  no  sentido  de  suspender  a  execução  fiscal  nº  2008.61.02.011379­1  em  face  da  pessoa  jurídica  Companhia  de  Bebidas  Ipiranga,  doravante  Rio  de  Janeiro  Refrescos  Ltda..  De  se  concluir,  pois,  que  não  há  nenhum  provimento jurisdicional que alicerce o entendimento da interessada ­ Spal Indústria Brasileira  de Bebidas S.A. ­ no sentido de que "o acórdão proferido no referido AI não está produzindo  efeitos  em  razão  da  decisão  proferida  na  Medida  Cautelar  (MC)  n°  19.988  pelo  STJ  que  reconheceu o alcance do MSC em todo o território nacional".   A  interessada também defende que a jurisprudência do STJ é no sentido de  que  a  coisa  julgada  objeto  do  MSC  abrange  todo  o  território  nacional.  Cita  o  REsp  nº  1.295.383­BA, relatado pelo Min. Benedito Gonçalves, em que foi invocado, "como razão de  decidir,  o  acórdão  proferido  no REsp  n°  1.243.887­PR,  de  que  foi  relator  o Ministro  LUIS  FELIPE SALOMÃO,  julgado à sistemática de recursos repetitivos, nos  termos do art. 543­C  do CPC, no qual a Corte Especial do STJ decidiu que a limitação prevista no art. 2°­A da Lei  n°  9.494,  de  10.09.1997,  introduzido  pela MP  n°  1.798­1/99,  somente  é  aplicável  às  ações  coletivas  ajuizadas  após  a  sua  entrada  em  vigor,  ou  seja,  ajuizadas  após  11.02.1999".  Tal  entendimento,  afirma,  deveria  obrigatoriamente  ser  adotado  por  este  CARF  em  vista  do  disposto no artigo 62­A de seu Regimento Interno.   Não obstante, o acórdão proferido no REsp n° 1.243.887­PR, invocado como  razão de decidir no REsp nº 1.295.383­BA, trata de questão distinta da que ora se examina, eis  que,  naquela  ocasião,  o  que  se  discutiu  foi  se  haveria  limitação  territorial  concernente  aos  efeitos de uma sentença genérica proferida em ação civil coletiva em que o provimento judicial  fora  dado,  explicitamente,  quanto  a  unidade  da  federação  fora  da  competência  territorial  limitativa do exercício da jurisdição. Portanto, por não se aplicar ao caso presente, o precedente  jurisprudencial não vincula este CARF.   Para  não  deixar  nenhuma  dúvida,  transcrevo,  abaixo,  trecho  do  voto  do  e.  relator Min.  Benedito  Gonçalves  no  REsp  nº  1.295.383­BA,  em  que  o  mesmo  adota  como  razões de decidir o entendimento o i. Min. Luís Felipe Salomão no REsp n° 1.243.887­PR:  Fl. 716DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 710          24 [...]  Não  obstante,  quanto  ao  mérito,  a  pretensão  recursal  merece  prosperar,  porquanto  acolhida  pelo  entendimento  jurisprudencial  do  STJ,  recentemente sedimentado pela Corte Especial, no regime do art. 543­C do  Código de Processo Civil ­ CPC. Eis a ementa do recurso repetitivo:   DIREITO  PROCESSUAL.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA  (ART.  543­C,  CPC).  DIREITOS  METAINDIVIDUAIS.  AÇÃO  CIVIL  PÚBLICA.  APADECO  X  BANESTADO.  EXPURGOS  INFLACIONÁRIOS.  EXECUÇÃO/LIQUIDAÇÃO INDIVIDUAL. FORO COMPETENTE.  ALCANCE  OBJETIVO  E  SUBJETIVO  DOS  EFEITOS  DA  SENTENÇA  COLETIVA.  LIMITAÇÃO  TERRITORIAL.  IMPROPRIEDADE. REVISÃO JURISPRUDENCIAL. LIMITAÇÃO  AOS  ASSOCIADOS.  INVIABILIDADE.  OFENSA  À  COISA  JULGADA.   1. Para efeitos do art. 543­C do CPC:   1.1.  A  liquidação  e  a  execução  individual  de  sentença  genérica  proferida em ação civil coletiva pode ser ajuizada no foro do domicílio  do beneficiário, porquanto os efeitos e a eficácia da sentença não estão  circunscritos  a  lindes  geográficos,  mas  aos  limites  objetivos  e  subjetivos  do  que  foi  decidido,  levando­se  em  conta,  para  tanto,  sempre  a  extensão  do  dano  e  a  qualidade  dos  interesses  metaindividuais postos em juízo (arts. 468, 472 e 474, CPC e 93 e 103,  CDC).   1.2. A sentença genérica proferida na ação civil coletiva ajuizada pela  Apadeco,  que  condenou  o  Banestado  ao  pagamento  dos  chamados  expurgos  inflacionários  sobre  cadernetas  de  poupança,  dispôs  que  seus  efeitos  alcançariam  todos  os  poupadores  da  instituição  financeira  do Estado do Paraná.  Por  isso  descabe  a  alteração  do  seu  alcance  em  sede  de  liquidação/execução  individual,  sob  pena  de  vulneração  da  coisa  julgada.  Assim,  não  se  aplica  ao  caso  a  limitação contida no art. 2º­A, caput, da Lei n. 9.494/97.   2. Ressalva de fundamentação do Ministro Teori Albino Zavascki.   3. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido   (REsp  1243887/PR,  Rel.  Ministro  LUIS  FELIPE  SALOMÃO,  CORTE ESPECIAL, DJe 12/12/2011).   Na  fundamentação,  o  Ministro  Luís  Felipe  Salomão  ponderou  o  seguinte:   [...] Tal interpretação, uma vez mais, esvazia a utilidade prática  da  ação  coletiva,  mesmo  porque,  cuidando­se  de  dano  de  escala  nacional ou  regional,  a ação somente pode ser proposta na capital dos  Estados  ou  no  Distrito  Federal  (art.  93,  inciso  II,  CDC).  Assim,  a  prosperar a tese do recorrente, o efeito erga omnes próprio da sentença  estaria  restrito  às  capitais,  excluindo  todos  os  demais  potencialmente  beneficiários da decisão.   A  bem  da  verdade,  o  art.  16  da  LACP  baralha  conceitos  heterogêneos ­ como coisa julgada e competência territorial ­ e induz a  interpretação, para os mais apressados, no sentido de que os "efeitos" ou  a "eficácia" da sentença podem ser limitados territorialmente, quando se  sabe, a mais não poder, que coisa julgada ­ a despeito da atecnia do art.  467 do CPC ­ não é "efeito" ou "eficácia" da sentença, mas qualidade  que a ela se agrega de modo a torná­la "imutável e indiscutível".   É certo também que a competência territorial limita o exercício  da jurisdição e não os efeitos ou a eficácia da sentença, os quais, como é  Fl. 717DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 711          25 de  conhecimento  comum,  correlacionam­se  com  os  "limites  da  lide  e  das  questões  decididas"  (art.  468, CPC)  e  com as  que  o  poderiam  ter  sido  (art.  474,  CPC)  ­  tantum  judicatum,  quantum  disputatum  vel  disputari debebat.   A  apontada  limitação  territorial  dos  efeitos  da  sentença  não  ocorre nem no processo singular, e também, com mais razão, não pode  ocorrer  no  processo  coletivo,  sob  pena  de  desnaturação  desse  salutar  mecanismo de solução plural das lides.   A  prosperar  tese  contrária,  um  contrato  declarado  nulo  pela  justiça  estadual  de  São  Paulo,  por  exemplo,  poderia  ser  considerado  válido no Paraná; a sentença que determina a reintegração de posse de  um imóvel que se estende a território de mais de uma unidade federativa  (art.  107,  CPC)  não  teria  eficácia  em  relação  a  parte  dele;  ou  uma  sentença  de  divórcio  proferida  em  Brasília  poderia  não  valer  para  o  judiciário mineiro, de modo que ali as partes pudessem ser consideradas  ainda casadas, soluções, todas elas, teratológicas.   A questão principal, portanto, é de alcance objetivo ("o que" se  decidiu)  e  subjetivo  (em  relação  "a  quem"  se  decidiu),  mas  não  de  competência territorial.   Pode­se  afirmar,  com  propriedade,  que  determinada  sentença  atinge  ou  não  esses  ou  aqueles  sujeitos  (alcance  subjetivo),  ou  que  atinge ou não essa ou aquela questão fático­jurídica (alcance objetivo),  mas é errôneo cogitar­se de sentença cujos efeitos não são verificados, a  depender do território analisado.   [...]   Portanto,  se  o  dano  é  de  escala  local,  regional  ou  nacional,  o  juízo  competente  para  proferir  sentença,  certamente,  sob  pena  de  ser  inócuo o provimento,  lançará mão de comando capaz de  recompor ou  indenizar  os  danos  local,  regional  ou  nacionalmente,  levados  em  consideração,  para  tanto,  os  beneficiários  do  comando,  independentemente de limitação territorial.   (grifos nossos)  Superada  a questão discutida no STJ no  âmbito do REsp nº 1.295.383­BA,  penso que deve ser dado à situação o mesmo entendimento adotado pelo Min. Gilmar Mendes  que negou provimento no Agravo Regimental na Reclamação nº 7.778­SP, onde se  concluiu  que o provimento  judicial exarado no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783­4  teve  seus efeitos restritos aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, não alcançando, pois,  a autuada.   Dada sua relevância para a lide transcrevo, abaixo, trecho do voto do e. Min.  Gilmar Mendes, relator do acórdão referenciado:    [...]    Pelo que percebo, o art.  16 da Lei nº 7.347, de 24 de  julho de 1985,  inserido  pelo  art.  2º­A  da  Lei  nº  9.494,  de  10  setembro  de  1997,  compatibiliza­se  com  o  atual  sistema  jurídico  pátrio,  na  medida  em  que  preserva  a  higidez  relativa  à  competência  jurisdicional  de  cada  órgão  do  Poder Judiciário, evitando, destarte, uma conhecida deficiência oriunda do  processo  de  natureza  coletiva  que  dava  ensejo  a  inúmeras  distorções,  quando  permitia, v.  g.,  que  juízes  de  piso  se  investissem  de  uma pretensa  “jurisdição nacional”.  Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 712          26    Não  obstante  as  censuras  já  emitidas  por  esta Corte  acerca  do mau  uso  das  ações  coletivas,  inclusive  como  instrumento  de  controle  de  constitucionalidade  com  efeitos  erga  omnes,  persistiram  as  tentativas  de  conferir eficácia universal às decisões liminares ou às sentenças emanadas  pelos juízes de primeiro grau.     Sensível  não  só  a  essa  realidade,  mas  também  ao  risco  iminente  de  lesão  irreparável  ao  Patrimônio  Público,  é  que  o  art.  2º­A  da  Lei  nº  9.494/1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347/1985, trouxe a tempestiva  limitação  geográfica  para  o  provimento  judicial,  estabelecendo  sua  força  apenas no território do órgão prolator.    Registre­se,  ainda,  que  o  fato  de  o  MSC  nº  91.0047783­4  ter  sido  impetrado  antes  da  mudança  legislativa  não  tem  o  condão  de  mudar  os  limites  territoriais  da  coisa  julgada  em  sede  desta  demanda  coletiva,  isso  porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites  da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era  definida  pela  Constituição.  Ademais,  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  proferida  na  ação  coletiva  ocorreu  já  sob  a  égide  do  art.  2º­A  da  Lei  nº  9.494/1997.     A agravante sustenta, também, que a decisão proferida no AI 252.801,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio,  decisão  monocrática,  DJ  19.11.1999,  teria  irradiado  efeito  substitutivo  em  relação  à  proferida  nos  autos  do MSC  nº  91.0047783­4.     Pretende­se,  portanto,  a  atribuição  de  eficácia  nacional  à  decisão,  tendo em vista o julgamento monocrático de um agravo de instrumento por  esta Suprema Corte.     Ocorre  que  o  art.  2º­A  da  Lei  9.494  aduz  expressamente  que  “a  sentença  civil  prolatada  em  ação  de  caráter  coletivo  proposta  por  entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação,  domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”.     Assim,  o  limite  da  territorialidade  pretende  demarcar  a  área  de  produção  dos  efeitos  da  sentença,  tomando  em  consideração  o  território  dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos  feitos.     Se  se  permitisse  que  a  interposição  de  um  recurso  a  um  órgão  com  jurisdição  nacional  tivesse  o  condão  de  alterar  essa  realidade,  sempre  haveria legítimo interesse recursal da parte, mesmo quando já tivesse o seu  pedido julgado procedente, pois restaria a possibilidade de se estenderem os  efeitos desse julgado a todo o território nacional.     Nitidamente,  esse  não  foi  o  objetivo  da  lei  e  não  se  pode  admitir  desvirtuamento.     Esclareço, ainda, que o mencionado agravo de instrumento foi julgado  monocraticamente, com base no art. 544, § 4º, II, b, do CPC segundo o qual  compete  ao  relator  “negar  seguimento  ao  recurso  manifestamente  inadmissível,  prejudicado  ou  em  confronto  com  súmula  ou  jurisprudência  dominante no tribunal”.     Assim,  não  houve  apreciação  da  questão  constitucional  por  este  Plenário no julgamento do agravo de instrumento; o recurso simplesmente  não  foi  admitido  porque  estaria  em  confronto  com  a  jurisprudência  desta  Corte à época.   Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 713          27   Desse modo, não colhe êxito a pretensão da recorrente também nesse  ponto.     Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.     É como voto.  (os grifos em sublinhado não constam do original)  Vale lembrar que o acórdão em tela, não obstante ainda carecer do exame dos  embargos  de  declaração  interpostos  pela  agravante  (Companhia  de  Bebidas  Ipiranga),  foi  proferido  pelo pleno do STF  especificamente para  o  caso dos  autos,  e  ainda,  que  referido  entendimento não trata de outra coisa senão da necessidade de aplicação de preceito legal que  não  pode  ser  afastado  por  esta  instância  administrativa,  qual  seja,  o  artigo  2º­A  da  Lei  nº  9.494/97, segundo o qual "a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por  entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá  apenas os substituídos que  tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da  competência territorial do órgão prolator".  Diante do exposto, e considerando que a  recorrente não está  tutelada pela  decisão de que trata o MSC nº 91.0047783­4, passo a examinar as demais questões objeto do  recurso.  Da decadência parcial do lançamento   A recorrente defende que, na data da ciência do auto de infração (28/11/2014)  já  teria  decaído  o  direito  de  constituir  o  crédito  tributário  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos anteriormente a 28/11/2009. Ressalta que o acórdão nº 9303­001.658, da CSRF,  já  teria pacificado entendimento no sentido de que, para fins de aplicação do art. 124 do RIPI/02,  bastaria a simples existência de saldo credor, glosado ou não, para caracterizar o pagamento, e  que isso seria suficiente para demonstrar "configurado o pagamento do contribuinte para fins  de IPI e, pois, resta caracterizado o lançamento por homologação previsto no art. 150, § 4°,  do CTN". Ressalta ainda que "à época em que foi realizado o creditamento, os créditos de IPI  decorrentes  de  aquisições  de  insumos  isentos  oriundos  da  Zona  Franca  de  Manaus  eram  admitidos".  De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, especialmente às e­fls. 23/25,  o dies a quo para a contagem do prazo decadencial  foi estabelecido com base no artigo 173,  inciso  I, do CTN, "tendo em vista que não constam pagamentos do IPI no referido período"  (ver e­fls. 25).   No  entanto,  segundo  o  artigo  124,  parágrafo  único,  inciso  III,  do  Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544/2002), é admitida como pagamento "a dedução  dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a  recolher". Confira­se:  Art.  124.  Os  atos  de  iniciativa  do  sujeito  passivo,  no  lançamento  por  homologação,  aperfeiçoam­se  com  o  pagamento  do  imposto  ou  com  a  compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de  qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172,  de  1966,  art.  150  e  §  1º,  Lei  nº  9.430,  de  1996,  arts.  73  e  74,  e Medida  Provisória nº 66, de 2002, art. 49).  Parágrafo único. Considera­se pagamento:  Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 714          28 I  ­  o  recolhimento  do  saldo  devedor,  após  serem  deduzidos  os  créditos  admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto;  II ­ o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou  não créditos a deduzir; ou  III  ­  a  dedução  dos  débitos,  no  período  de  apuração  do  imposto,  dos  créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.  (grifei)  Ademais,  como  ressaltou  a  recorrente,  conforme o  acórdão CSRF nº  9303­ 001.658, a apuração de  saldo credor do IPI  equipara­se a pagamento,  o que, em  tais casos,  remete a contagem do prazo decadencial nos termos do disposto no artigo 150, § 4º, do CTN.   Nessa toada, e com base no demonstrativo de reconstituição da escrita fiscal  realizada  pela  fiscalização,  e­fls.  29/30,  constata­se  que  houve  sim  a  contabilização  de  créditos do imposto em todos os períodos abrangidos pelo lançamento (ver coluna "crédito  devido").  Logo,  tendo ocorrido pagamento  antecipado ou  crédito  equivalente,  a  regra  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  deverá  ser  estabelecida  segundo  o  disposto  no  artigo  150, § 4º, do CTN, que tem como base a data da ocorrência do fato gerador.   Portanto,  considerando  que  ciência  do  auto  de  infração  se  deu  em  28/11/2014, à época já havia decaído definitivamente o direito de a Fazenda Pública constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento  relativamente  aos  períodos  com  datas  de  vencimento  anteriores a 28/11/2009, no caso, os meses de janeiro, fevereiro e março de 2009.  Acolhe­se, assim, a tese da decadência parcial defendida pelo sujeito passivo,  reconhecendo­se  como  definitivamente  extinto,  pela  decadência,  o  direito  de  a  Fazenda  Nacional constituir o crédito tributário quanto aos fatos geradores de janeiro, fevereiro e março  de 2009.  Há, portanto, que se afastar a exigência relativamente aos períodos em tela.  Da competência da Receita Federal para fiscalizar a  isenção objeto dos  autos  Em  seu  recurso,  alega  a  autuada  que  a  SUFRAMA  teria  competência  exclusiva  para  conceder  o  benefício  previsto  no  artigo  6º  do  Decreto­Lei  nº  1.435/75,  bem  como para determinar e administrar quaisquer questões inerentes ao referido beneficio, a teor  do  disposto  nos  artigos  1°,  VI  e  4º,  I,  "c",  ambos  do  Anexo  I  do  Decreto  n°  7.139,  de  29/03/2010,  c/c  a Resolução CAS nº  202/2006. Assim,  uma vez  concedido  o  benefício  pela  SUFRAMA, o Fisco não teria competência para desconsiderar aludido ato concessório, como,  afirma,  já  entendera  a  CSRF  (acórdão  nº  9303­002.664,  de  14/11/2013,  e  acórdão  nº  9303­ 002.293,  de  18/06/2013). Defende  que  os  atos  emanados  da  SUFRAMA  "trazem  consigo  a  presunção de legitimidade, veracidade e legalidade, ou seja, de que nasceram e encontram­se  em conformidade com o ordenamento jurídico".  De  fato,  a  SUFRAMA  tem,  sim,  competência  para  a  administração  e  concessão de incentivos fiscais no âmbito de sua área de atuação, como, aliás, estabelecem os  artigos 1°,  inciso VI, e 4º,  inciso  I, "c", do Anexo I ao Decreto n° 7.139, de 29/03/2010. No  entanto, a competência atribuída à SUFRAMA, inclusive de fiscalizar os projetos de empresas  Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 715          29 que  objetivem  usufruir  dos  benefícios  fiscais  de  que  trata  (4º,  inciso  I,  "c"  do  Decreto  n°  7.139/2010),  não  impede  a  Receita  Federal  de  investigar  o  fiel  cumprimento  dos  requisitos  definidos pela SUFRAMA, no âmbito de sua competência.  Com  efeito,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  a  despeito  de  não  possuir  ingerência quanto aos critérios objetivos e  subjetivos de competência da SUFRAMA  para a concessão dos incentivos fiscais de sua alçada ­ pode fiscalizar o fiel cumprimento das  condições  delineadas  pela  citada  Superintendência  necessárias  ao  gozo  da  isenção.  A  competência  para  a  fiscalização  do  IPI  está  explicitada,  por  exemplo,  no  artigo  505  do  Regulamento do IPI ora vigente (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010), e é exercida pelo Auditor­ Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  conforme  artigo  507,  parágrafo  único,  do  mesmo  Regulamento.  Tal  disciplina,  que  repete  a  regra  dos  regulamentos  do  imposto  outrora  vigentes,  encontra  fundamentação  legal  nas Leis  nos  5.172/66  (CTN),  4.502/64  (que  trata  do  Imposto sobre o Consumo) e na Lei nº 11.457/07, que alterou o artigo 6º da Lei nº 10.593/02  inerente  às  atribuições privativas do Auditor­Fiscal para,  dentre outras,  "constituir, mediante  lançamento,  o  crédito  tributário  e  de  contribuições"  e  "executar  procedimentos  de  fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica [...]" (ver artigo 9° da Lei nº  11.457/07, que alterou o artigo 6º da Lei nº 10.593/02).   Cite­se,  por  fim,  o  disposto  no  inciso  XVIII  do  artigo  37  da  Constituição  Federal, que concede à "administração fazendária" e aos "seus servidores fiscais", "dentro de  suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos,  na forma da lei".  Enfim,  não  se  trata,  no  caso,  de  desconsideração,  pela  Receita  Federal,  de  benefício  concedido  pela  SUFRAMA,  mas  apenas  do  exame  da  adequação  dos  fatos  aos  limites delineados por este órgão para o gozo da isenção fiscal condicionada, no exercício da  competência legítima que tem o fisco para examinar o benefício em tela.   Da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada  Conforme  relatado,  a  fiscalização  glosou  créditos  do  IPI  inerentes  ao  incentivo  fiscal  instituído  pelo  art.  6º,  caput  e  parágrafo  1º,  do Decreto­lei  n°  1.435/75,  em  vista  da  constatação  de  que  parte  dos  produtos  não  foram  elaborados  com matérias­primas  agrícolas e extrativas vegetais regionais, mas sim com açúcar e/ou álcool produzidos na região  e  utilizados  por  fornecedor  da  interessada,  a  Recofarma,  na  fabricação  do  concentrado  adquirido.  É  o  que  está  explicitado  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  e­fls.  16/27,  especialmente nos seus itens 10 e 11, que reproduzo abaixo:  5.  Tendo  em  vista  que  a  maior  parte  dos  créditos  aproveitados  pelo  contribuinte são referentes aos insumos fornecidos pela empresa Recofarma  Indústria  do  Amazonas  Ltda.,  e  que  tais  insumos  gozam  do  benefício  da  isenção, constatamos a necessidade de intimação da referida empresa para  verificarmos o fiel cumprimento dos dispositivos legais que versam sobre o  benefício fiscal.   [...]   Fl. 722DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 716          30 8. Em 25/09/2014, através do Termo de Diligência Fiscal – 02, a Recofarma  foi  intimada  a  informar  quais  são  os  insumos  utilizados  na  produção  dos  concentrados  comercializados  com a empresa Spal  Indústria Brasileira de  Bebidas  S/A,  que  são  considerados  como  matérias  primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  devendo  informar  também  a  origem dos produtos utilizados.   9. Em sua resposta, apresentada em 13/10/2014, a Recofarma informou que:  “No que se refere às matérias primas empregadas em cada concentrado, a  Requerente  informa  que  o  Demonstrativo  de  Coeficiente  de  Redução  do  Imposto  de  Importação  (DCRE),  também  já  apresentado  a  presente  fiscalização  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  de Diligência  Fiscal  01,  contém  a  relação  de  todos  os  insumos  utilizados,  sejam  importados  ou  nacionais,  e  neste  último  caso,  aqueles  produzidos  a  partir  de  produtos  agrícolas regionais na Amazônia, ficando explicitado que estes últimos são:     A  cana de  açúcar,  utilizada  para  a  produção do  caramelo,  do  álcool  neutro e do ácido cítrico:     A semente de guaraná, utilizada na produção do respectivo extrato.   Note­se  que,  pelo  exame  das  referidas  DCREs,  vê­se  que,  em  todos  e  em  cada um dos concentrados, há alguns desses componentes nacionais obtidos  pela  utilização  de  matéria­prima  regional,  fornecidos  pela  Agropecuária  Jayoro  Ltda.,  agroindústria  localizada  no  Município  de  Presidente  Figueiredo – AM.”   10.   Da  análise  dos  documentos  apresentados  pela  diligenciada  [Recofarma],  verificamos  que:  Conforme  sua  resposta,  datada  em  13/10/2014,  os  produtos  agrícolas  regionais  utilizados  na  elaboração  dos  concentrados fornecidos para a Spal Indústria Brasileiras de Bebidas S/A  são:  a  cana de  açúcar,  utilizada  para  a  produção do  caramelo,  do  álcool  neutro e do ácido cítrico, e a semente de guaraná, utilizada na produção do  respectivo  extrato.  No  entanto,  mediante  análise  dos  Demonstrativos  de  Coeficiente  de  Redução  do  Imposto  de  Importação  –  DCREs,  onde  são  relacionados  os  componentes  nacionais  e  internacionais  utilizados  na  elaboração  dos  referidos  concentrados,  verificamos  que  apenas  no  concentrado  de  guaraná  consta  a  utilização  de  um  dos  dois  produtos  agrícolas de produção  regional  informados pela diligenciada, qual  seja, a  semente  de  guaraná.  Nos  demais  concentrados,  constatamos  apenas  a  utilização de componentes industrializados, inclusive o caramelo, o álcool  neutro  e  o  ácido  cítrico,  obtidos  a  partir  da  industrialização  da  cana  de  açúcar  e  fornecidos  pela  empresa Agropecuária  Jayoro Ltda.  [localizada  no  município  de  Presidente  Figueiredo  ­  AM],  conforme  informou  a  diligenciada.  11.   Os  dispositivos  legais  supramencionados  no  item  3.2,  tratam  do  benefício da isenção destinado ao produto (isenção objetiva), uma vez que a  norma legal estatui, expressamente, a isenção para os produtos elaborados  com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional.  Apenas esses produtos, originados de matérias­primas agrícolas é que estão  aptos a gerar créditos do IPI para o adquirente. Nenhum outro, ainda que  seja  produzido  por  estabelecimento  industrial  localizado  na  Amazônia  Ocidental, cujos projetos industriais tenham sido aprovados pelo Conselho  de Administração da SUFRAMA.   Fl. 723DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 717          31 12.  Verificamos,  portanto,  que  as  matérias­primas  utilizadas  pela  Recofarma  na  produção  dos  concentrados  para  refrigerantes,  exceto  no  concentrado  de  guaraná,  onde  é  utilizada  a  semente  de  guaraná,  são  produtos  industrializados  e  não  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais.  Ademais,  no  nosso  ordenamento  jurídico,  o  dispositivo  legal  que  dispõe  sobre  outorga  de  isenção,  a  saber,  CTN,  art.  111,  inciso  II,  estabelece  a  interpretação  literal  da  legislação  tributária.  Assim,  matéria  prima  agrícola  e  extrativa  vegetal  não  se  confunde  com  matéria­prima  industrializada.   13.   A  Resolução  da  SUFRAMA  n°  298,  de  11/12/2007,  apresentada  pela  Recofarma,  determina em  seu  art.  4°,  inciso  II,  que o  gozo  dos  incentivos  previstos no art. 6° do Decreto­lei n° 1435, de 16/12/75, está condicionado  a utilização de matéria­prima regional de origem vegetal na elaboração dos  produtos,  sob  pena  de  suspensão  ou  cancelamento  dos  incentivos  concedidos.    Como  se  vê,  a  glosa  foi  motivada  pelo  fato  de  a  fiscalização  não  haver  considerado como matéria prima agrícola e extrativa vegetal os insumos utilizados na produção  classificados  como  concentrados:  "componentes  industrializados,  inclusive  o  caramelo,  o  álcool  neutro  e  o  ácido  cítrico,  obtidos  a  partir  da  industrialização  da  cana­de­açúcar  e  fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.".  Quanto à Resolução da SUFRAMA n° 298, de 11/12/2007, esta aprovou "o  projeto  industrial  de  atualização  da  empresa  RECOFARMA  INDÚSTRIA  DO  AMAZONAS  LTDA., na Zona Franca de Manaus, na  forma do Parecer Técnico de Projeto Nº 224/2007­  SPR/CGPRI/COAPI  para  produção  de  CONCENTRADO  PARA  BEBIDAS  NÃO  ALCOÓLICAS, para o gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9º do Decreto­lei nº 288,  de 28 de fevereiro de 1967, no Art. 6º do Decreto­lei Nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, e  legislação posterior e demais condições que estabelece".  Vê­se, portanto, que os produtos utilizados pela Spal Indústria Brasileira de  Bebidas S/A ­ a recorrente ­ em seu processo industrial, foram os concentrados fornecidos pela  Recofarma,  produtos  os  quais,  por  não  terem  sido  elaborados  com  "matérias­primas  agrícolas ou extrativas vegetais", não dão direito ao crédito do IPI na forma do artigo 6º  do Decreto­lei nº 1.435/75, abaixo reproduzido:  Art  6º.  Ficam  isentos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  os  produtos elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem pecuária,  por  estabelecimentos  localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto­lei nº 291, de 28  de fevereiro de 1967.  § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  calculado  como  se  devido  fosse,  sempre que empregados como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos  ao  pagamento  do  referido imposto.  § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicam­se, exclusivamente,  aos  produtos  elaborados  por  estabelecimentos  industriais  cujos  projetos  tenham sido aprovados pela SUFRAMA.  (grifos nossos)  Fl. 724DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 718          32 No mesmo sentido a decisão de primeira instância (v. e­fls. 569):  Em  síntese,  trata­se  de  benefício  isencional  destinado  ao  produto  [isenção  objetiva],  uma  vez  que  a  norma  legal  estatui,  expressamente,  a  isenção  para  os  produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional.  Somente  esses  produtos  estão  aptos a gerar créditos do IPI para o adquirente. Nenhum outro, ainda que  seja  produzido  por  estabelecimento  industrial  localizado  na  Amazônia  Ocidental, cujos projetos industriais tenham sido aprovados pelo Conselho  de Administração da SUFRAMA.   No curso da ação  fiscal,  foi verificado que a  fornecedora Recofarma  não  utiliza  matéria­prima  agrícola  ou  extrativa  vegetal  de  produção  regional  em  seu  processo  industrial,  mas,  apenas,  produtos  já  industrializados, fato que assim foi apontado no item 10 do TVF.   “10.  Da  análise  dos  documentos  apresentados  pela  diligenciada,  verificamos  que:  Conforme  sua  resposta,  datada  em  13/10/2014,  os  produtos agrícolas  regionais utilizados na elaboração dos concentrados  fornecidos para a Spal Indústria Brasileiras de Bebidas S/A são: a cana  de açúcar, utilizada para a produção do caramelo, do álcool neutro e do  ácido  cítrico,  e  a  semente  de  guaraná,  utilizada  na  produção  do  respectivo extrato. No entanto, mediante análise dos Demonstrativos de  Coeficiente de Redução do Imposto de Importação ­ DCREs, onde são  relacionados  os  componentes  nacionais  e  internacionais  utilizados  na  elaboração  dos  referidos  concentrados,  verificamos  que  apenas  no  concentrado  de  guaraná  consta  a  utilização  de  um  dos  dois  produtos  agrícolas de produção regional informados pela diligenciada, qual seja,  a semente de guaraná. Nos demais concentrados, constatamos apenas a  utilização  de  componentes  industrializados,  inclusive  o  caramelo,  o  álcool  neutro  e  o  ácido  cítrico,  obtidos  a  partir  da  industrialização  da  cana  de  açúcar  e  fornecidos  pela  empresa  Agropecuária  Jayoro  Ltda.,  conforme informou a diligenciada.”   A  norma  isentiva  abrange,  como  visto,  tão­somente  produtos  elaborados  com  MATÉRIAS­PRIMAS  AGRÍCOLAS  E  EXTRATIVAS  VEGETAIS. Não é o caso do concentrado, que utiliza como matéria­prima  PRODUTO INDUSTRIALIZADO. Considerando que o art. 111,  inc.  II, do  CTN,  estabelece  a  interpretação  literal  da  legislação  tributária  que  disponha  sobre  outorga  de  isenção,  está  correto  o  entendimento  adotado  pela fiscalização ao glosar os créditos correspondentes.   (grifos nossos)  No  mesmo  diapasão  o  recente  acórdão  deste  CARF  nº  3302­002.918  (processo nº 10320.000824/2010­09), da relatoria do i. relator José Fernandes do Nascimento,  em que também foi descartada a possibilidade de gozo ao crédito ficto do IPI pela aquisição de  concentrados  para  refrigerantes  produzidos  pela  Recofarma,  em  vista  da  não  utilização  de  "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional". Ademais, no referido  acórdão é igualmente citado um segundo precedente jurisprudencial deste Conselho ­ também  inerente ao uso de concentrados para refrigerantes industrializados pela Recofarma ­ no mesmo  sentido (acórdão nº 3302­001.790, relator cons. José Antonio Francisco).  Com efeito, diante do disposto no artigo 6º do Decreto­lei nº 1.435/75, só se  cogita  de  direito  ao  crédito  do  IPI  quanto  a  "produtos  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas e extrativas vegetais de produção regional" empregados como insumos de produtos  sujeitos ao pagamento do imposto, em qualquer parte do território nacional.   Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 719          33 Art  6º.  Ficam  isentos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  os  produtos elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem pecuária,  por  estabelecimentos  localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto­lei nº 291, de 28  de fevereiro de 1967.  § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  calculado  como  se  devido  fosse,  sempre que empregados como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos  ao  pagamento  do  referido imposto.  Como  se  vê,  na  norma  isentiva  referenciada,  o  termo  "matérias­primas"  não  se  encontra  de  forma  isolada,  mas  associado  e  delimitado  a  uma  natureza  e  uma  origem específicas. Não é, pois, o uso de quaisquer matérias­primas produzidas na região  que dá direito ao crédito ficto do IPI, mas apenas se restrito a "matérias­primas agrícolas  e extrativas vegetais de produção regional".   Ou  seja,  para  fins  de  gozo  ao  crédito  em  tela,  os  insumos  (originados  da  Amazônia Ocidental)  necessitam  ser  elaborados  com matérias­primas  de  origem  vegetal,  quer obtidas pelo cultivo (agricultura), quer pela via extrativa (retirados da natureza, da flora  nativa),  de  tal  sorte  que,  nos  termos  da  norma  legal  isentiva,  não  há  espaço  para  o  gozo  decorrente  da  aquisição  de  produto  intermediário  industrializado  onde,  na  sua  elaboração,  não  foram  empregadas  "matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção regional", como ocorreu no caso presente.  O  fato  de  a  Recofarma  estar  "[...]  regular  em  relação  às  condições  estabelecidas  no  Projeto  Técnico­econômico  Industrial  de  Atualização,  aprovado  pela  Resolução  CAS  nº  298/2007"  não  autoriza  interpretação  no  sentido  de  que  a  recorrente,  adquirente dos insumos industrializados pela Recofarma, faria jus à isenção e ao incentivo do  crédito ficto aqui examinado.  Quanto  à  Resolução  CAS  nº  298/2007  (e­fls.  341/342),  esta  aprovou  "o  projeto  industrial  de  ATUALIZAÇÃO  da  empresa  RECOFARMA  [...]  na  forma  do  Parecer  Técnico  de  Projeto  nº  224/2007  ­  SPR/CGPRI/COAPI  para  PRODUÇÃO  DE  CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS,  para  gozo  dos  incentivos  previstos  nos artigos 7º e 9º do Decreto­lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, no Art. 6º do Decreto­lei  Nº  1435,  de  16  de  dezembro  de  1975,  e  legislação  posterior"  (conforme  artigo  1º  da  mencionada  Resolução  CAS  nº  298/2007  ­  e­fls.  341).  Por  sua  vez,  o  Parecer  Técnico  de  Projeto nº 224/2007 (e­fls. 344/355), confirma que o CONCENTRADO PARA BEBIDAS NÃO  ALCOÓLICAS (código SUFRAMA nº 0653) aprovado para a produção pela Recofarma é um  produto  que  "consiste  em  preparações  químicas  utilizadas  como  matéria­prima  para  industrialização de bebidas não alcoólicas, com capacidade de diluição superior a 10 partes  de  bebida  para  cada  parte  de  concentrado",  concentrado  no  qual  é  utilizado  como  insumo  regional  o  açúcar  cristal  e  mascavo,  o  primeiro  produzido  pela  Agropecuária  Jayoro  e  "enviado para DD. Williamson do Brasil,  localizada no PIM, ao  lado de sua unidade  fabril,  para a produção do corante caramelo matéria­prima dos concentrados da empresa" (ver item  3 do citado Parecer Técnico de Projeto nº 224/2007 (e­fls. 346).  Ou  seja,  não  resta  nenhuma  dúvida  de  que  os  produtos  fabricados  pela  recorrente  utilizam  matéria­prima  produzida  na  Amazônia  Ocidental,  mas  matéria­prima  Fl. 726DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 720          34 decorrente  de  um  processo  de  industrialização,  no  caso,  o  concentrado,  onde  não  foram  utilizadas "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", mas sim  "o caramelo, o álcool neutro e o ácido cítrico, obtidos a partir da industrialização da cana de  açúcar e fornecidos pela empresa Agropecuária Jayoro Ltda.".   O concentrado em tela somente estaria isento e geraria direito a crédito se, na  sua  elaboração,  tivessem  sido  utilizados  produtos  extrativos  vegetais,  exigência  que  só  foi  observada em relação ao concentrado de guaraná, conforme relatado.  Portanto,  a  condição  em  que  se  enquadra  o  sujeito  passivo  não  autoriza  a  isenção e o  creditamento objeto do  artigo 6º do Decreto­lei  nº 1.435/75,  restrito  a  "produtos  elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional".   A  interessada  também  defendeu  fazer  jus  ao  crédito  do  IPI  relativo  à  aquisição de matéria­prima isenta oriunda de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, o  que aduz com fundamento no artigo 69, inciso II do RIPI/02 e no art. 81, inciso II, do RIPI/10,  base legal no art. 9° do DL n° 288/671. Ressaltou que, ao contrário do sustentado na decisão  vergastada, "o STF não negou ao contribuinte o direito ao creditamento do IPI na aquisição de  insumos isentos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na fabricação de  produtos sujeitos ao IPI", mas "em sessão plenária, no julgamento do RE n° 212.484­RS, [...]  firmou o entendimento de que é assegurado ao adquirente da matéria­prima isenta oriunda de  fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizada na fabricação de produto cuja saída  é sujeita ao IPI o direito ao crédito do imposto relativo à sua aquisição". Afirma também que  "a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, no julgamento do RE n° 590.809, iniciado em  11.09.2014  e  encerrado  em 23.10.2014,  no Plenário  desse  STF,  afirmou  expressamente  que  permanece  hígido  o  RE  n°  212.484­RS,  que  decidiu  pelo  direito  ao  crédito  do  IPI  para  os  adquirentes de insumos isentos da Zona Franca de Manaus"; aduz que até que seja julgado o  RE  nº  592.891­SP  ­  que  reconheceu  a  repercussão  geral  concernente  à  possibilidade  de  creditamento do IPI pela entrada de insumos da Zona Franca de Manaus ­ permanece hígido o  entendimento do RE nº 212.484­RS.  Analisemos essa questão.  Estabelece o artigo 69, inciso II, do Regulamento do IPI de 2002:  Art.  69.  São  isentos  do  imposto  (Decreto­lei  nº 288, de 28 de  fevereiro de  1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º):  [...]                                                              1  Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona  Franca  de Manaus,  quer  se  destinem  ao  seu  consumo  interno,  quer  à  comercialização  em  qualquer  ponto  do  Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)     § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus  que  devam  ser  internados  em  outras  regiões  do  País,  ficará  condicionada  à  observância  dos  requisitos  estabelecidos no art. 7° deste decreto­lei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)     § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1° do art. 3° deste decreto­lei  ["armas  e  munições,  fumo,  bebidas  alcoólicas,  automóveis  de  passageiros  e  produtos  de  perfumaria  ou  de  toucador, preparados e preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 3303 a 3307 da Tarifa Aduaneira  do  Brasil  ­  TAB),  se  destinados,  exclusivamente,  a  consumo  interno  na  Zona  Franca  de  Manaus  ou  quando  produzidos  com  utilização  de matérias­primas  da  fauna  e  da  flora  regionais,  em  conformidade  com  processo  produtivo básico"]. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91)  Fl. 727DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 721          35 II ­ os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  ­  SUFRAMA,  que  não  sejam  industrializados  pelas  modalidades  de  acondicionamento  ou  reacondicionamento,  destinados  a  comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos  as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros  e  produtos  de  perfumaria  ou  de  toucador,  preparados  ou  preparações  cosméticas,  salvo  quanto  a  estes  (posições  33.03  a  33.07  da  TIPI)  se  produzidos  com  utilização  de matérias­primas  da  fauna  e  flora  regionais,  em conformidade com processo produtivo básico; e   (grifo nosso)  Como  se  vê,  em  nenhum  momento  o  dispositivo  em  tela  faz  referência  a  qualquer hipótese de crédito, já que trata exclusivamente de isenção do IPI. Isso resta evidente  também  diante  da  redação  do  artigo  9º  do  Decreto­lei  nº  288/67,  com  a  redação  dada  pelo  artigo 1º da Lei nº 8.387/91, base legal do artigo regulamentar acima citado:  Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas  as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao  seu  consumo  interno,  quer  à  comercialização  em  qualquer  ponto  do  Território Nacional.  §  1°  A  isenção  de  que  trata  este  artigo,  no  que  respeita  aos  produtos  industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser  internados em  outras  regiões  do  País,  ficará  condicionada  à  observância  dos  requisitos  estabelecidos no art. 7° deste decreto­lei.  §  2°  A  isenção  de  que  trata  este  artigo  não  se  aplica  às  mercadorias  referidas no § 1° do art. 3° deste decreto­lei.  Assim,  em  vista  da  inexistência  de  fundamentação  legal  que  autorize  o  creditamento vislumbrado, não há  como se  aceitar a argumentação desenvolvida pelo  sujeito  passivo.  Já no que concerne ao RE nº 212.484­RS, este, de fato, estabeleceu que não  representa ofensa ao disposto no artigo 153, § 3º, II, da Constituição Federal, o creditamento do  IPI  diante  da  aquisição  de  insumos  isentos.  A  questão,  no  entanto,  foi  posteriormente  submetida,  pelo  próprio  STF,  ao  rito  da  repercussão  geral,  objeto  do  RE  nº  592.8912,  não  havendo  mais  decisão  do  Supremo  com  caráter  de  definitividade  que  porventura  possa  ser  utilizada como fundamento pela reclamante.  Quanto  à  pretendida  aplicação  do  artigo  11  da  Lei  nº  9.779/99,  este  trata  apenas da possibilidade de restituição ou de compensação de eventual saldo credor do IPI que  o contribuinte não puder compensar com o  IPI devido na saída de outros produtos. Portanto,  não tem nada a ver com a realidade presente, inerente a lançamento para exigência do imposto  em vista da glosa de créditos inadmitidos.  Concernente  à  alegada  boa­fé,  dada  a  idoneidade  das  notas  fiscais,  pelo  disposto acima vê­se que os dispositivos legais citados nos documentos fiscais como alicerce                                                              2  Em  consulta  realizada  em  20/06/2016  (às  10h30min)  ao  sítio  do  STF  na  internet  (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2638514)  consta  que  referido  recurso extraordinário ainda não havia sido julgado (último andamento: 14/06/2016 ­ "inclua­se em pauta ­ minuta  extraída").  Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 722          36 para  o  crédito  reclamado  não  socorrem  a  interessada,  de  sorte  que  não  há  como  reconhecer  direito nesse sentido.   A contribuinte também se contrapõe à redução de 50% da alíquota do  IPI a  que  estavam  sujeitos  os  concentrados  de  refrigerantes  contendo  suco  de  fruta ou  extratos  de  sementes de guaraná, em decorrência da Nota Complementar NC (21­1) da TIPI/2006. De fato,  ressalta a fiscalização que, de acordo com a nota em tela, esses produtos estavam beneficiados  com  redução  de  50%,  redução  esta  que  não  teria  sido  observada  no  cálculo  do  crédito  aproveitado.   Segundo  a  interessada,  ao  contrário  do  afirmado  na  decisão  recorrida,  a  redução  de  50%  dos  créditos  é  sim  relevante  para  a  contenda  ­  eis  que  "produz  efeitos  na  determinação do montante do crédito do IPI, em relação às glosas referentes às aquisições de  concentrado  para  elaboração  do  refrigerante  guaraná"  ­,  e  que  aludida  redução  não  é  aplicável  aos  créditos  escriturados  pela  recorrente,  já  que  "os  concentrados  não  foram  registrados no MAPA pela RECOFARMA".  O texto da NC (21­1) é o seguinte:  NC  (21­1)  Ficam  reduzidas  de  cinqüenta  por  cento  as  alíquotas  do  IPI  relativas  aos  extratos  concentrados  para  elaboração  de  refrigerantes,  contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, compreendidos  nos  “ex”  01  e  02  do  código  2106.90.10,  que  atendam  aos  padrões  de  identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.  Entendo que quando a NC (21­1) trata do registro do produto no Ministério  da Agricultura não o faz com o fim de delinear uma qualidade ou especificidade do mesmo,  mas  apenas  reproduz  exigência  legal  dada  a  natureza  do  produto,  destinado  à  fabricação  de  bebida  para  consumo  humano.  De  tal  sorte,  penso  que  a  alegada  ausência  de  registro  do  produto  não  se  presta  para  acolher  o  argumento  da  suplicante  contrariamente  à  redução  do  crédito.   Quanto ao pedido para exoneração da multa de ofício, entendo que o artigo  100,  II, do CTN, não recepcionou o disposto no artigo 76,  II, a, da Lei nº 4.502/64, de sorte  que, não havendo decisão administrativa "a que a lei atribua eficácia normativa", não há como  se  reconhecer  a dispensa  da penalidade  em  relação  àqueles  que  agiram  "(...)  de  acordo  com  interpretação  fiscal  constante  de  decisão  irrecorrível  de  última  instância  administrativa,  proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado" (redação  do artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64).  Com efeito, não há como se acolher dispositivo legal em desarmonia com o  artigo  100,  II,  do  CTN,  norma  que,  além  de  ser  de  natureza  complementar,  foi  editada  posteriormente à lei ordinária suscitada pelo sujeito passivo.  Lamentavelmente o disposto no artigo 76, II, a, da Lei nº 4.502/64 encontra­ se  ainda  no  Regulamento  do  IPI  ora  vigente.  Não  obstante,  penso  que  tal  falha,  por  ser  destituída de alicerce legal, não tem força vinculante.   A multa,  portanto,  é  devida. Não  há  espaço  para  aplicação  do  disposto  no  artigo 76, II, “a”, da Lei nº 4.502/64, e sua exigência está fundamentada no artigo 80, caput, da  Lei nº 4.502/64,  com a  redação dada pelo  artigo 13 da Lei nº 11.488/07,  segundo o qual  "a  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 723          37 falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na  respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à  multa  de  ofício  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  do  valor  do  imposto  que  deixou  de  ser  lançado ou recolhido".  Por  fim,  quanto  à  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício,  entendo que a mesma é devida, pelas seguintes razões.  Estabelece  o  artigo  139  do  CTN,  que  "o  crédito  tributário  decorre  da  obrigação principal e tem a mesma natureza desta". Logo o crédito tributário comporta tanto o  tributo quanto a penalidade pecuniária.  Por  sua  vez,  o  artigo  61,  caput  e  §  3º  da  Lei  nº  9.430/96,  dispõe  que  os  débitos para com a União, não pagos nos prazos previstos, estão sujeitos à incidência de juros  de mora equivalentes à taxa Selic, prevista no § 3º do artigo 5ºda mesma Lei.   Releva destacar que quando o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 se refere  a "débitos para com a União", deve ser dado ao termo entendimento em conformidade com o  artigo  161  do  CTN,  segundo  o  qual  "o  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora [...]", combinado com o artigo 139, já referenciado, e com o artigo  113,  §  1º,  do  CTN,  onde  se  vê  que  a  obrigação  tributária  principal  abrange  o  tributo  e  a  penalidade pecuniária.    Portanto, efetuado o lançamento, temos a constituição de crédito tributário,  composto pelo tributo e multa,  incidindo, sobre ambos, ou melhor, sobre o crédito tributário,  juros moratórios.  Para terminar, vale lembrar que a própria Lei nº 9.430/96 contempla, em seu  artigo 43, a possibilidade de incidência de juros de mora exclusivamente sobre a multa lançada.  Confira­se:  Art.  43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada  ou  conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a  que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente  ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por  cento no mês de pagamento.   Portanto, legítima a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Da conclusão  Com  estas  considerações,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  do  sujeito  passivo,  unicamente  para  reconhecer  a  decadência  quanto  aos  fatos  geradores de janeiro, fevereiro e março de 2009.  Sala de sessões, em 22 de junho de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 724          38               Declaração de Voto  Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões:  Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto do Relator, acima  indicados,  ouso  discordar  das  conclusões  constantes  do  mesmo,  consoante  fundamentos  a  seguir explanados.  De início, é válido repisar o breve resumo da matéria em litígio constante do  voto  vencedor,  para  que  seja  devidamente  contextualizada  a  lide  e  os  fundamentos  que  compõem a presente declaração de voto:   "Da matéria em litígio   A  lide diz  respeito a  lançamento para exigência do Imposto sobre Produtos  Industrializados  ­  IPI  em  vista  da  glosa  de  créditos  inerentes  ao  incentivo  fiscal  instituído  pelo  art.  6º,  caput  e  parágrafo  1º,  do  Decreto­lei  n°  1.435/1975,  disciplinado pelo artigo 95, inciso III, do Decreto n° 7.212, de 2010 (RIPI/2010), o  qual admite o  creditamento do  IPI pela aquisição de matérias­primas agrícolas  e  extrativas vegetais originadas da Amazônia Ocidental,  cujos projetos  tenham sido  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  SUFRAMA,  quando  aduzidas  matérias primas forem empregadas para a  industrialização, em qualquer parte do  território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto.   A glosa foi motivada pela constatação de que parte dos produtos não foram  elaborados com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais regionais, mas com  concentrado objeto de industrialização prévia.   A  fiscalização  identificou  também que  os  concentrados  que  continham suco  de  fruta  ou  semente  de  guaraná  estavam  beneficiados  com  redução  de  50%  da  alíquota  do  IPI  (Nota  Complementar  ­  NC  21­1  da  Tabela  de  Incidência  do  IPI  aprovada  pelos  Decretos  n°  6.006/2006  e  n°  7.660/2011),  redução  esta  que,  no  entanto, não teria sido observada pela empresa no cálculo do crédito aproveitado.   Dentre  os  argumentos  aduzidos  pelo  sujeito  passivo  este  defende  estar  amparado pela coisa julgada em face do mandado de segurança coletivo ­ MSC nº  91.0047783­4.  Tal  questão  será  examinada  de  início,  eis  que  eventual  tutela  jurisdicional  em  favor  da  suplicante  dispensará  a  análise  da  matéria  atinente  à  glosa do creditamento objeto dos autos, dada a necessidade de se obedecer à coisa  julgada".  Passa­se, então, à análise do caso, cuja abordagem encontra­se dividida nos  mesmos tópicos indicados do voto vencedor, para fins de facilitar a sua compreensão.  Da  amplitude  do  provimento  jurisdicional  objeto  do  mandado  de  segurança coletivo nº 91.0047783­4   Fl. 731DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 725          39 Neste ponto, entendo,  ao contrário do Relator,  que o procedimento adotado  pelo Recorrente encontrava respaldo em decisão judicial proferida no Mandado de Segurança  Coletivo ­ MSC nº 91.0047783­4).  Sobre  o  assunto,  trago  à  colação  entendimento  constante  do  voto  proferido  pela Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz nos autos do Processo nº 10166.720116/200895  (Acórdão  nº  3402003.067  de  17/05/2016),  a  qual  analisou  caso  idêntico,  relativo  ao mesmo  MSC, cujos fundamentos adoto como razão de decidir:   1. DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DA  RECORRIDA   Inicialmente, é preciso esclarecer que, pelas notas fiscais juntadas aos autos,  constato que fornecedora dos insumos,  informava nas notas fiscais de saída que os  concentrados  para  a  produção  de  refrigerantes  eram  isentos  do  IPI  por  força  dos  artigos 69, incisos I e II e 82, inciso III do RIPI/2002. Isto significa que a Recofarma  (fornecedor  das  mercadorias  ao  Contribuinte)  usufruiu  tanto  da  isenção  para  produtos  industrializados  na  Zona  Franca  de Manaus  (artigo  9º  do DecretoLei  nº  288/67),  quanto  da  isenção  prevista  para  produtos  industrializados  na  Amazônia  Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional  (artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75).   Tendo isto em vista, antes de adentrar na discussão sobre o cumprimento ou  descumprimento do regime jurídico de exoneração tributária e o consequente direito  ao  crédito  de  IPI  ora  sob  análise  (artigo  6º  do  Decretolei  n.  1.435/75),  cumpre  avaliar a existência ou não de coisa julgada em favor da Recorrida. Isto porque no  Mandado de Segurança Coletivo n.  91.00477834, que o Contribuinte  alega  fundar  seu direito, buscavase a tutela judicial para garantir o crédito de IPI pela aquisição  de produtos isentos estampada no artigo 9º do Decretolei n. 288/67, haja vista que,  para esta específica isenção, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à  escrituração de crédito do IPI.   Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende a Recorrida  que possui coisa  julgada  em seu  favor,  à medida que  esta ação  foi  impetrada pela  Associação  dos  Fabricantes  Brasileiros  de  Cocacola  (AFBCC),  como  substituta  processual  de  seus  associados.  A  seu  turno  a  Fazenda  Pública  alega  que  a  coisa  julgada  não  beneficia  o  Contribuinte.  Isto  porque  a  ação  foi manejada  no  Rio  de  Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal  daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte,  cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro  estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise.   A  discussão  acerca  dos  efeitos  do  julgamento  do  citado  Mandado  de  Segurança Coletivo  com  relação às  empresas  associadas  à AFBCC não é nova no  CARF.   Em  julgamentos  de  casos  semelhantes,  este  Conselho  vem  afastando  a  autoridade  da  coisa  julgada  formada  no  Mandado  de  Segurança  Coletivo  n.  91.00477834,  cuja  decisão  favorável  aos  contribuintes  transitou  em  julgado  em  02/12/1999,  depois  de  negado  o  Agravo  de  Instrumento  interposto  no  bojo  do  Recurso  Extraordinário  manejado  pela  União  (e.g.  Processo  n.  10950.000026/201052,  Acórdão  n.  3403003.323,  de  15  de  outubro  de  2014;  e  Processo  n.  15956.720043/201316,  Acórdão  n.  3403003.491,  de  27  de  janeiro  de  2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal  (“STF”),  quando  da  análise  da  Reclamação  7.7781/  SP  (apresentada  por  Associado  da  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 726          40 AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do  Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição do órgão prolator, vale  dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação:   Agravo  regimental  em  reclamação.  2.  Ação  coletiva.  Coisa  julgada.  Limite  territorial  restrito  à  jurisdição  do  órgão  prolator.  Art.  16  da  Lei  n.  7.347/1985.  3.  Mandado  de  segurança  coletivo  ajuizado  antes  da  modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia  declaratória  da  norma.  4.  Decisão  monocrática  que  nega  seguimento  a  agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito  substitutivo  em  relação  ao  acórdão  recorrido,  para  fins  de  atribuição  de  efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação  coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5.  Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei)   Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira,  no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido:   Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil  prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator”.  Assim,  o  limite  da  territorialidade  pretende  demarcar  a  área  de  produção  dos  efeitos  da  sentença,  tomando  em  consideração  o  território  dentro  do  qual  o  juiz  tem  competência para processamento e julgamento dos feitos. (grifei)   Todavia,  ouso,  com a  devida  vênia,  discordar  do  julgamento  proferido  pelo  Egrégio  Supremo Tribunal  Federal,  razão  pela  qual  entendo  que  esta  decisão  não  merece guarida do CARF.   Efetivamente,  o  julgamento  da  Reclamação  n.  7.7781/  SP  recaiu  em  uma  “vala comum” a qual não pertence, culminando em decisão totalmente dissociada do  direito  processual  aplicável  aos  mandados  de  segurança  coletivos  de  matéria  tributária,  bem  como  do  caso  concreto  levado  à  apreciação  do  STF,  e  que  agora  merece uma análise mais cuidadosa deste Conselho.   Neste sentido, vale salientar que, em consulta sobre o andamento processual  da Reclamação n. 7.778 (apresentada por Companhia de Bebidas Ipiranga, associada  que  fora  substituída  pela  AFBCC  no  Mandado  de  segurança  Coletivo  n.  91.00477834) no sítio eletrônico do STF, constatase que foram opostos embargos de  declaração ainda pendentes de julgamento. Assim, a decisão ainda não é final.   Dito isto, passo à demonstração dos sucessivos equívocos que são cometidos  ao  se  afastar  a  autoridade  da  coisa  julgada  formada  no  Mandado  de  segurança  Coletivo n. 91.00477834 dos membros da AFBCC.   1.1.  Mandado  de  segurança  coletivo  como  meio  de  tutela  de  direitos  individuais  homogêneos  em  contraposição  aos  instrumentos  de  tutela  dos  interesses transindividuais em juízo   Desde  já  adianto  que  a  confusão  iniciada  no  julgamento  da  Reclamação  n.  7.7781,  que  vem  reverberando  nos  julgamentos  do  CARF,  consiste  em  tratar  o  mandado de segurança coletivo (regulado pela Lei do Mandado de Segurança) como  se  fosse  uma  ação  coletiva  que  visa  provimento  jurisdicional  acerca  de  direitos  transindividuais (ou coletivos em sentido lato).   Fl. 733DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 727          41 Tal confusão torna­se especialmente grave pois acarreta na indevida aplicação  das  regras  que  disciplinam  a  coisa  julgada  formada  nas  ações  coletivas  aos  mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária, o que não se coaduna com  o direito que cada uma desses instrumentos processuais visa tutelar, tampouco com a  disciplina  jurídica  expressamente  posta  pelo  ordenamento  pátrio  para  cada  uma  dessas ações.   O problema processual é de fato delicado, merecendo detida explanação.   1.1.1.  Dos  diferentes  direitos  tutelado  nas  Ações  Coletivas  e  nos  Mandados  de  Segurança  Coletivos,  acarretando  em  diferentes  regimes  jurídicos aplicáveis   Não  se deve  confundir “direito  coletivo”  (= gênero do qual  fazem partes  as  espécies direito coletivo em sentido estrito e direito difuso) com “defesa coletiva de  direitos” (= defesa por meio de ações coletivas de direito individual homogêneo). 2   A mais abalizada doutrina sobre a matéria aponta que foi com o advento do  Código de Defesa do Consumidor que insurgiu o errôneo e problemático tratamento  dos  direitos  “individuais  homogêneos”  como  espécie  dos  “direitos  coletivos  ou  difusos”,  acarretando  na  utilização  equivocada  de  instrumentos  processuais  específicos  para  uma  ou  outra  situação.3  Tal  equívoco,  de  aplicação  de  regime  jurídico incorreto ao mandados de segurança coletivo, como já aventado alhures, é  exatamente o que aconteceu no julgamento da Reclamação n. 7.7781.   Simplificando a classificação pincelada acima, temos que os direitos coletivos  são  direitos  sem  titular  individualmente  determinado  e  materialmente  indivisíveis  (e.g. meio ambiente, direito do consumidor, patrimônio histórico, cultural, etc). Os  direitos individuais e homogêneos são totalmente distintos. Sobre sua conceituação,  peço  licença  para  fazer  uso  das  palavras  de  Teori  Zavaski,  4  que  sintetiza  o  espinhoso assunto de forma didática:   A expressão ‘direito  individuais homogêneos’  foi cunhada, em nosso direito  positivo, pelo Código de Defesa do Consumidor – CDC (Lei 8.078/90), para  designar  um  conjunto  de  direitos  subjetivos  ‘de  origem  comum’  (art.  81,  parágrafo  único,  III),  que  em  razão  de  sua  homogeneidade,  podem  ser  tutelados por ‘ações coletivas’ (...). Não se trata, já se viu, de um novo direito  material, mas  simplesmente  de  uma  nova  expressão  para  classificar  certos  direitos  subjetivo  individuais,  aqueles  mesmo  aos  quis  se  refere  o  CPC  no  art. 46, ou seja, direitos que ‘derivarem do mesmo fundamento de fato ou de  direito’ (inciso II) ou que tenham entre si relação de afinidade ’por um ponto  comum  de  fato  ou  de  direito’.  (...)  Tratase  de  direitos  originados  da  incidência  de  um  mesmo  conjunto  normativo  sobre  uma  situação  fática  idêntica ou assemelhada. (grifei)   O mesmo jurista, destaca então que o sistema processual brasileiro separou o  tratamento  desses  direitos  (direitos  coletivos x direitos  individuais  homogêneos) e  traçou  dois  subsistemas  distintos:  i)  o  subsistema  dos  instrumentos  de  tutela  dos  direitos coletivos (ações civis públicas e ação popular), ii) subsistema processual dos  instrumentos  para  tutelar  coletivamente  os  direitos  subjetivos  individuais  homogêneos  (ações  civis  coletivas,  nas  quais  se  inclui  o  mandado  de  segurança  coletivo). 5   Sendo diferentes os  regimes  jurídicos  citados  acima,  igualmente diversa  é  a  forma com que o direito processual trata a coisa julgada formada em ação de tutela  Fl. 734DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 728          42 de direito coletivo da coisa  julgada  formada em ação coletiva de  tutela de direito  individual, como pormenorizadamente destacado no tópico abaixo:   1.1.2.  Da  impropriedade  de  aplicação  das  normas  relativas  à  coisa  julgada das  ações  coletivas ao Mandado de  segurança Coletivo  sobre matéria  tributária   Nas  ações  coletivas  (instrumentos  de  tutela  dos  direitos  coletivos)  de modo  geral (ação civil pública e ação popular), os colegitimados ativos da ação (Ministério  Público, associações, etc) não são os titulares de interesses coletivos (direitos difusos  ou direitos coletivos em sentido estrito). Os titulares destes direitos são, isto sim, as  pessoas,  determinados  grupos  sociais,  ou  a  sociedade  como  um  todo,  que  compartilham esses direitos. Os primeiros substituem os segundos ao apresentarem  as ações  judiciais,  conforme previsão  legal. Vêse que os  interesses em jogo nestas  ações excedem o âmbito estritamente pessoal, porém não caracterizam propriamente  o interesse público. 6   Em função destas características, na tutela coletiva (instrumentos de tutela dos  direitos coletivos) é necessário que a imutabilidade da sentença proferida pelo Poder  Judiciário  ultrapasse  os  limites  das  partes  que  compuseram  o  processo,  ou  seja,  a  coisa  julgada  nas  ações  coletiva  é  erga  omnes ou ultra  partes  (e.g. artigo  103  do  CDC).7  Afinal,  o  direito  é  de  uma  determinada  coletividade,  devendo  a  toda  ela  surtir efeito a decisão.   Neste  contexto é que  se  insere o art.  16 da Lei nº 7.347, de 24 de  julho de  1985 (Lei da Ação Civil Pública), cuja redação original segue transcrita a seguir:  Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, exceto se a ação for  julgada  improcedente  por  deficiência  de  provas,  hipótese  em  que  qualquer  legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo­se  de nova prova (grifei)   Este  dispositivo,  contudo,  teve  sua  redação  alterada  pela  Lei  n.  9.494/1997  passando a ter a seguinte forma:   Art.  16.  A  sentença  civil  fará  coisa  julgada  erga  omnes,  nos  limites  da  competência  territorial  do  órgão  prolator,  exceto  se  o  pedido  for  julgado  improcedente  por  insuficiência  de  provas,  hipótese  em  que  qualquer  legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendo­se  de nova prova. (grifei)   Além de modificar a redação do artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, a Lei  n.  9.494/1997  trouxe  nova  regra  às ações  coletivas,  em  seu  artigo  2ºA  –  que  é  o  fundamento  da  decisão  do  STF  na  Reclamação  n.  77781,  e,  portanto,  o  cerne  da  presente controvérsia , in verbis:   Art. 2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por  entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados,  abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação,  domicílio  no  âmbito  da  competência  territorial  do  órgão  prolator.  (grifei)   Constata­se  de  pronto  que  este  dispositivo  veio  disciplinar  o  “problema”  relativo  ao  efeito  erga  omnes  das  sentenças  prolatadas  em  ações  para  tutela  de  interesses coletivos (ação popular e ação civil pública), nas quais a eficácia subjetiva  Fl. 735DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 729          43 da coisa julgada não se limita às partes que compõe o processo, diferentemente do  que ocorre com as ações individuais.   Recorde­se  que  a  ação  civil  pública  também  pode  ser  promovida  por  entidades  associativas,  porém,  quando  transitada  em  julgado,  a  coisa  julgada  material ali formada possuía efeitos erga omnes antes da alteração promovida pelo  artigo 2ºA da Lei n. 9.494/97, acima transcrito. Com a nova redação, o efeito erga  omnes ficou restrito aos substituídos localizados na jurisdição territorial em que foi  prolatada a decisão.   Diante destes dispositivos, o STF, ao se deparar com a Reclamação n. 7.7781,  a qual, recorde­se, foi apresentada por um dos membros da Associação que impetrou  o mandamus,  uma  vez  que  fora  autuado  pela  Receita  Federal  de  Ribeirão  Preto  mesmo possuindo  a  coisa  julgada  formada  no MSC n.  91.00477834,  aplicouos  ao  caso,  decretando  ser  impossível  a  utilização  da  autoridade  da  coisa  julgada  pela  empresa  reclamante,  por  estar  fora da  competência  territorial do órgão prolator da  decisão.   Pergunta­se: está correto tal entendimento?   Entendo que não. Por dois motivos, tratados nos itens seguintes.   1.1.2.1. O MSC  n.  91.00477834  cuida  de  direito  individual  homogêneo,  específico e restrito aos membros da AFBCC, que vem sendo requerido pelas  partes do processo, e não por terceiros   Como esclarecido nos  itens anteriores, não se deve pensar que os mandados  de segurança coletivo são invariavelmente manejados para tutelar direitos coletivos  (transindividuais).  Não.  Em  regra,  os  mandados  de  segurança  coletivos  são  utilizados  processualmente  para  resguardar  direito  líquido  e  certo  individual  homogêneo de um grupo, com base no artigo 5º, inciso LXX da Constituição. 8   Em matéria tributária tal situação é hialina, uma vez que os temas tributários  poucas  vezes  serão  enquadrados  nos  direitos  coletivos  em  sentido  estrito,  e  simplesmente  não  se  enquadram  entre  os  direitos  difusos  jamais,  como  observa  Cleide Previtalli Cais: 9   Por  sua  própria  natureza,  caracterizados  pela  indivisibilidade,  indeterminação de  indivíduos e  indisponibilidade, os direitos difusos  jamais  compreenderão temas tributários, marcados pela divisibilidade, identificação  do  titular  e  disponibilidade,  uma  vez  que  são  dotados  de  cunho  eminentemente patrimonial.   Desse modo, quando estamos diante de mandado de segurança coletivo sobre  matéria tributária, normalmente encontraremos um conjunto de indivíduos (pessoas  físicas  ou  jurídicas),  que,  por  meio  de  associação,  levam  ao  Poder  Judiciário  questões fiscais que lhe são comuns em razão de suas atividades, exatamente como  ocorreu no MSC n. 91.00477834. Ou seja, os contribuintes, buscam a tutela coletiva  de seus direitos (e não tutela de direito coletivo), 10 que são individuais homogêneos  e, por isso, o direito processual permite que sejam resolvidos pelo Poder Judiciário  em uma única ação, o mandado de segurança coletivo.   Nesse sentido a Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009), que não  era  vigente  quando  sobreveio  a  sentença  do MSC  n.  91.00477834, mas  que  nada  mais  fez  do  que  esclarecer  os  procedimentos  que  vinham  sendo  adotados  pelos  Fl. 736DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 730          44 jurisdicionados, pela doutrina e pela jurisprudência, já que a antiga Lei do MS (Lei  n. 1.533/1951) não disciplinava o mandado de segurança coletivo, estabelece que:  Art.  21. O mandado  de  segurança  coletivo  pode  ser  impetrado  por  partido  político  com  representação  no  Congresso  Nacional,  na  defesa  de  seus  interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou  por  organização  sindical,  entidade  de  classe  ou  associação  legalmente  constituída  e  em  funcionamento  há,  pelo menos,  1  (um)  ano,  em  defesa  de  direitos  líquidos  e  certos  da  totalidade,  ou  de  parte,  dos  seus membros  ou  associados,  na  forma  dos  seus  estatutos  e  desde  que  pertinentes  às  suas  finalidades,  dispensada,  para  tanto,  autorização  especial.  Parágrafo  único.  Os  direitos  protegidos  pelo  mandado  de  segurança  coletivo  podem  ser:  I  coletivos,  assim  entendidos,  para  efeito  desta  Lei,  os  transindividuais,  de  natureza  indivisível,  de  que  seja  titular  grupo  ou  categoria  de  pessoas  ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; II  individuais  homogêneos,  assim  entendidos,  para  efeito  desta  Lei,  os  decorrentes  de  origem  comum  e  da  atividade  ou  situação  específica  da  totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22. No  mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente  aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. (grifei)   Nota­se que o artigo 22, que trata da coisa julgada no mandado de segurança  coletivo, dispõe que  a  imutabilidade da sentença  abarca  todos os  substituídos pela  associação  impetrante. Tal  regra  se dirige às duas hipóteses de MSC do artigo 21:  aquele que resguarda direitos coletivos, e aquele que resguarda direitos  individuais  homogêneos.   Ocorre  que  os  direitos  individuais  homogêneos,  conforme  exposto  no  item  1.1.1., nada mais são do que os direitos individuais que estamos acostumados, cuja  disciplina consta do CPC. A única diferença é que, por terem origem comum, podem  ser resolvidos numa só ação coletiva, como o MSC. Assim, o manejo do MSC para  tutela  dos  direitos  individuais  homogêneos  não  pretende,  em  momento  algum,  qualquer expansão dos efeitos da decisão para terceiros (ultra partes). Nestes tipos  de  MSC  os  membros  da  associação  são  por  ela  substituídos,  mas  os  direitos  ali  pleiteados são próprios dos seus membros (artigo 6º do CPC).11   Por essas razões, não se poderia nem mesmo cogitar da aplicação do regime  jurídico das ações que tutelam direitos coletivos para o presente caso (artigo 2ºA da  Lei  n.  9.494/1997).  Afinal  no  mandado  de  segurança  coletivo,  que  visa  tutelar  direitos  individuais  homogêneos,  a  coisa  julgada  formada  necessariamente  se  restringe  aos  membros  do  grupo  ou  categoria  substituídos  pela  impetrante  (legitimado ativo da ação). Pela letra do artigo 22, é evidente que "a coisa julgada,  uma vez formada, restrinjase aos membros do grupo ou categoria substituídos pela  impetrante;  por  definição,  os  direitos  daquela  tipologia  pertencem  a  pessoas  determinadas ou determináveis."12 Ou seja, não é necessária a preocupação em se  reduzir eventual efeito erga omnes do julgamento, pois ele simplesmente não existe  nestes  casos.  Não  se  confunde  tal  situação,  com  direitos  coletivos,  de  maior  amplitude  e  que  possuem  destinatário  indeterminados,  aos  quais  sim  aplicável  a  regra do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, em instrumentos como a ação civil pública  de responsabilidade por danos causados ao meio­ambiente, ao consumidor, a bens e  direitos  de  valor  artístico,  estético,  histórico,  turístico  e  paisagístico,  como  claramente coloca a Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985.   A  permissão  judicial  para  a  escrituração  de  crédito  de  IPI  decorrente  de  aquisição de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus é o direito individual  Fl. 737DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 731          45 homogêneo  pleiteado  pela  AFBCC  em  nome  de  seus  membros,  que  só  a  eles  se  aplica, nos termos do artigo 22 da Lei 12.016/2009. A decisão que formou a coisa  julgada  no MSC  n.  91.00477834  tem,  portanto,  força  de  lei  entre  as  partes,  vale  dizer, entre a União e os membros da AFBCC, que foram por ela representados.   In casu, o Contribuinte, por estar legalmente representada pela AFBCC para a  impetração do MSC n. 91.00477834, transitado em julgado em favor da Impetrante,  está abarcado pela coisa julgada. Lembrese que não se trata de empresa terceira, que  não fez parte da ação, e que procura indevidamente se beneficiar de suposto "efeitos  erga  omnes,  em  âmbito  nacional,  à  decisão  proferida  em  sede  de  ação  coletiva”  (Reclamação n. 7.7781), como precipitadamente considerou o STF. Mesmo porque  não há efeito erga omnes nesse caso, como amplamente tratado acima. Desse modo,  a questão do efeito erga omnes, e sua consequente restrição pelo artigo 2ºA da Lei n.  9.494/1997, é totalmente alheia aos mandados de segurança coletivos sobre matéria  tributária  em  que  se  discutem  direitos  individuais  homogêneos,  restringindose  tão  somente  às  ações  nas  quais  são  tutelados  direitos  coletivos  (transindividuais),  que  nem de perto tangenciam o MSC n. 91.00477834.   1.1.2.2.  Mesmo  que  o  MSC  n.  91.00477834  tivesse  por  escopo  tutelar  direito  transindividual,  o  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997  não  se  aplica  aos  mandados de segurança coletivos   Cumpre ainda assinalar que, mesmo se não tivessem sido despendidas  todas  as  linhas acima para comprovar que a Recorrida está  legitimamente abarcado pela  coisa  julgada  formada  no MSC  n.  91.00477834  (mandado  de  segurança  coletivo  sobre matéria tributária, para tutela de direito individual homogêneo e cuja sentença  não acarreta em efeitos erga omnes,  tanto pela dicção da  lei  como pelo pedido do  writ, formulado estritamente para beneficiar os membros da AFBCC, de modo que o  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997  é  totalmente  estranho  à  questão),  ainda  assim  restaria equivocado o entendimento constante da Reclamação n. 7.7781.   Efetivamente, também nos casos em que o mandado de segurança coletivo é  utilizado para tutelar direitos coletivos em sentido estrito (artigo 21, parágrafo único,  inciso I da Lei n. 12.016/2009) o que não é o caso, repitase , não é válida a aplicação  do  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997,  de  modo  a  restringir  a  coisa  julgada  aos  “substituídos que  tenham, na data da propositura da ação, domicílio no  âmbito da  competência territorial do órgão prolator”.   É o que ensina a doutrina do Direito Processual Tributário, da qual destaco a  lição de James Marins: 13   “A  Lei  n.  12.016/2009  –  acertadamente  –  estabeleceu  a  eficácia  da  coisa  julgada diferente do mandado de  segurança coletivo  em  relação às demais  ações coletivas, conforme se depreende da redação dada ao artigo 22, caput,  do referido diploma legal.” (grifei)   Cássio Scarpinella Bueno, 14 ao abordar especificamente o tema, leciona que  mesmo  anteriormente  à  publicação  da  nova  lei  do mandado  de  segurança  (Lei  n.  12.016/2009),  tanto  a  doutrina  como  a  jurisprudência  eram  uníssonas  sobre  a  inaplicabilidade  do  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997  ao  mandado  de  segurança  coletivo, in verbis:   Sobre  regras  restritivas,  cabe  lembrar  do  caput  do  art.  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997, fruto da Medida Provisória n. 2.18035/ 2001, segundo a qual ‘“  a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade  associativa,  na  defesa  dos  interesses  e  direitos  dos  seus  associados,  Fl. 738DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 732          46 abrangerá  apenas  os  substituídos  que  tenham,  na  data  da  propositura  da  ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator’.   O  dispositivo,  já  ensinavam  doutrina  e  jurisprudência,  não  deveria  ser  aplicado  no  mandado  de  segurança  coletivo.  O  silêncio  da  nova  lei,  no  particular,  deve  ser  entendido  como  consciente  (e  correto)  afastamento  daquela  disciplina.  Para  estar  sujeito  à  coisa  julgada  que  se  forma  no  mandado  de  segurança  coletivo,  basta  que  o  indivíduo  tenha  sido  devidamente  substituído  pelo  impetrante,  sendo  indiferente,  para  tanto,  o  momento em que se verificou o elo associativo, que, de  resto, pode até não  existir  tendo  em  conta  as  exigências  feitas  pela  Lei  n.  12.016/2009  e,  superiormente,  pela  Constituição  Federal,  para  reconhecer  àqueles  entes  legitimidade ativa para agir em juízo. (grifei)   Ratificando este entendimento,  peço vênia para mais uma vez  fazer uso das  lições de Teori Zavaski: 15   No  mandado  de  segurança  coletivo  a  eficácia  subjetiva  está,  portanto  vinculada  à  representatividade  do  impetrante,  sem  limites  de  natureza  territorial. É diferente o que ocorre nas ações coletivas em geral, em que há  também o limite territorial estabelecido no art. 2ºA e seu parágrafo da Lei n.  9.494/1997.  (...)  Não  há  como  justificar  a  aplicação  destes  limites  e  exigências restritivas ao mandado de segurança coletivo, que, como garantia  constitucional  fundamental  que  é,  deve  ter  sua  eficácia  potencializada  em  grau máximo. As eventuais limitações que possa merecer, que não decorram  expressa  ou  implicitamente  da  própria  Constituição,  supõem  fundamento  razoável e previsão específica em lei. Não se concebendo razão plausível da  extensão  da  exigência  do  mandado  de  segurança  coletivo,  nem  havendo  menção  expressa  nesse  sentido  no  art.  2ºA,  é  de  se  entender  que  suas  disposições não lhe são aplicáveis. (grifei)   Portanto, ainda que este Colegiado entendesse que o direito tutelado no MSC  91.00477834 é direito coletivo, e não direito individual homogêneo, por se tratar de  instrumento  processual  com  disciplina  jurídica  própria,  além  de  possuir  status  de  garantia  constitucional,  não  pode  prevalecer  o  entendimento  de  que  se  aplicaria  a  limitação  territorial  do  artigo  2ºA  da  Lei  n.  9.494/1997.  Por  essa  razão,  muito  embora  o Contribuinte  esteja  fora  da  competência  territorial  do  órgão  prolator  da  decisão (Rio de Janeiro), não se pode afastar a coisa julgada ali formada em relação  a eles.   1.3. Da questão da autoridade coatora   Cumpre,  por  fim,  analisar  o  argumento  da  Recorrente  no  sentido  de  que  a  AFBCC  teria  elencado  autoridade  coatora  no MSC n.  91.00477834  (Delegado  da  Receita  Federal  do  Rio  de  Janeiro)  que  não  abrange  a  autoridade  que  teve  a  competência  para  o  lançamento  tributário  em  questão,  vale  dizer,  o  Delegado  da  Receita Federal do Distrito Federal (local de Domicílio do Contribuinte, associada à  AFBCC). Desta feita, legítima seria a lavratura do auto de infração.   Pois bem. Ressalto que na petição inicial do MSC n. 91.00477834 há tópico  dedicado exclusivamente a questão da utilização do mandado de segurança coletivo.  Ali  está  ressaltado  pela  Impetrante  (AFBCC)  que,  no momento  da  propositura  do  writ não havia lei disciplinando este remédio constitucional em seu caráter coletivo,  mas  tão  somente  o mando  de  segurança  individual  (Lei  n.  1.533/1951). Ademais,  resta  esclarecido  que  o  objetivo  da  AFBCC  foi  insurgirse,  em  nome  de  seus  membros,  contra  eminente  ato  coator  de  qualquer  um  dos  delegados  da  receita  Fl. 739DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 733          47 federal do domicílio de qualquer dos associados, uma vez que o objeto da ação é um  tributo  federal  (IPI)  recolhido  pelas  empresas  associada  espalhadas  pelo  Brasil.  Inclusive,  no  pedido  do mandamus,  a  Impetrante  requer  que  seja  dada  ciência  da  decisão aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os Associados. Tudo  isso  de  acordo  com  o  fato  de  que  a União  Federal  que  é  a  legitimada  passiva  da  ação, e o foro do Rio de Janeiro foi escolhido, colocandose o Delegado da Receita  Federal do Rio de Janeiro como autoridade coatora,  tão  somente porque ali  estava  situada a Associação, substituta processual dos seus associados.   Não poderia ter andado melhor, em termos processuais, a AFBCC. Inclusive,  nas decisões  judiciais que  integram o processo nunca foi  contestada a exatidão do  procedimento adotado pela AFBCC. Seja em primeira, seja em segunda instância, o  processo  correu  normalmente,  sem  que  os  magistrados  apontassem  qualquer  problema formal no writ.   A  autoridade  coatora,  devemos  lembrar,  é  mero  representante  funcional  do  poder público que presta informações e determina a competência para a impetração  do mandado  de  segurança. Destarte,  a  autoridade  coatora  não  se  confunde  com  a  parte do Mandado de Segurança, como ensina Rodolfo Mancuso. 16   Autoridade, para fins de mandado de segurança, é o agente público investido  de  poder  de  decisão  e,  certa  escala  hierárquica,  que,  nessa  qualidade:  praticou a omissão; ordenou e/ou executou o ato guerreado.   Como  bem  se  sabe,  a  coisa  julgada  tem  força  de  lei  entre  as  partes  que  compuseram  a  lide.  Assim,  a  coisa  julgada  oriunda  da  sentença  do  mandado  de  segurança  coletivo  atingirá  a  Impetrante  (resvalando  no  direito  daqueles  que  substitui  artigo 22 da Lei n, 12.016) e a  Impetrada, que é,  como visto nos  trechos  acima destacados, a pessoa jurídica de direito público que compõe o polo passivo, e  não a autoridade coatora, como pretende a Fazenda Nacional.   No âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o Ministro Teori  Albino Zavascki, proferiu julgamento categórico sobre o tema, afiançando que:  Parte  passiva  no  mandado  de  segurança  é  a  pessoa  jurídica  de  direito  público a que se vincula a autoridade apontada como coatora. Os efeitos da  sentença se operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à  autoridade” (STJ, REsp 750693/GO, DJ 5.9.2005, p. 308) (grifei)   Não  foi  de  outra  forma  que  o  Supremo  Tribunal  Federal,  por  julgamento  unânime do seu plenário, enfrentou a questão, como podemos constatar da ementa  da decisão proferida no Ag. Reg. em Mandado de Segurança 26.662/DF: EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  LITISPENDÊNCIA.  PLURARIDADE  DE  IMPETRADOS.  MESMA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO  DAS  AÇÕES.  IDENTIDADE  DE  PEDIDOS  QUANTO  À  MATÉRIA  SUSCEPTÍVEL DE EXAME PELA VIA MANDAMENTAL. EXTINÇÃO DO  PROCESSO.  AGRAVO  REGIMENTAL  IMPROVIDO.  1.  A  existência  de  diferentes impetrados não afasta a identidade de partes se as autoridades são  vinculadas  a  uma  mesma  pessoa  jurídica  de  direito  público.  2.  Há  litispendência, e não continência,  se a diferença entre os objetos das ações  mandamentais  é  matéria  insusceptível  de  exame  por  meio  de  mandado  de  segurança.  3.  Agravo  regimental  a  que  se  nega  provimento.  Nesta  oportunidade, para avaliar problema específico de litispendência entre ações,  o Ministro Relator do caso, Ayres Britto, consignou que: Muito bem. Feita a  Fl. 740DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 734          48 radiografia das ações, verificase a identidade de partes, pois o impetrante é o  mesmo  e  a  União  está  no  polo  passivo,  com  legitimidade  para  recorrer  e  contraarrazoar. Isso porque as autoridades coatoras são vinculadas à mesma  pessoa jurídica de direito público, que é a verdadeira parte, não cabendo a  elas senão o dever de prestar informações.   No  mesmo  sentido  destaca­se  ainda  o  voto  do  Ministro  Cesar  Peluso  no  julgamento do Ag. Reg. no Agravo de Instrumento n. 431.2644   E  a  razão  óbvia  era  e  é  porque  parte  passiva  legítima  ad  causam,  no  mandado de segurança, não é nem pode ser a autoridade a que, nos termos  da lei, se requisitam as informações, enquanto suposto autor da omissão ou  do  ato  impugnado,  senão  a  pessoa  jurídica  a  cujos  quadros  pertença,  na  condição  de  única  destinatária  dos  efeitos  jurídicos  da  sentença  mandamental. (...) Transpostas essas premissas à espécie, vêse logo que não  pode reputarse parte passiva legítima na ação de mandado de segurança, a  autoridade  a  que  se  atribui  a  prática  do  ato  supostamente  lesivo  a  direito  líquido e certo, pela razão brevíssima de que não é destinatário teórico dos  efeitos da sentença definitiva.   Portanto,  os  efeitos  da  sentença,  bem  como  a  sua  imutabilidade  (coisa  julgada)  do Mandado  de  Segurança Coletivo  n.  91.00477834,  que  visava  garantir  direito individual homogêneo, abrangem a União e os membros da AFBCC, e não o  Delegado  da  Receita  Federal  deste  ou  daquele  estado  e  os  membros  da  AFBCC.  Ademais, o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro foi devidamente listado  pela  AFBCC  como  autoridade  coatora,  uma  vez  que  neste  estado  encontravase  situada  a  Associação,  que  substituía  seus  membros,  com  a  finalidade  de  prestar  informações, como destacado acima. Cumpriuse o artigo 2º da Lei n. 1533/1951, a  lei  do  mandado  de  segurança  então  vigente,  que  em  seu  artigo  2º  colocava:  "considerarseá  federal  a  autoridade  coatora  se  as  conseqüências  de  ordem  patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas  pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais."   Não  se  pode  deixar  de  notar  que,  caso  prevalecesse  o  argumento  levantado  pela  Fazenda  Nacional,  ou  o  entendimento  do  STF  exposto  na  Reclamação  n.  7.7781,  concluiríamos  que  inexiste  a  possibilidade  de  utilização  do  mandado  de  segurança  coletivo  para  questões  de  tributação  federal,  o  que  certamente  não  é  verdade, e corrobora a carência de lógica da alegação da Autoridade Fiscal. E pior,  caso  prevalecesse  tal  argumento  da  Fazenda  Nacional,  forçosamente  estaríamos  afastando a  autoridade da coisa  julgada que paira  entre  a União  e os membros da  AFBCC,  sem  qualquer  razão  jurídica  para  tanto,  incidindo  assim  tanto  em  desrespeito à Constituição (artigo 5º, inciso XXXVI, Constituição) quanto à lei. 2.   CONCLUSÃO   Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não  reconhecer  o  direito  do Contribuinte,  nos  exatos moldes  da  decisão  transitada  em  julgado no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito  comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve  ser viabilizado.   Nesse  sentido,  voto  pela  improcedência  do  recurso  de  ofício,  mantendo  o  cancelamento integral da exigência formalizada no auto de infração.  Diante  dos  fundamentos  acima  indicados,  entendo  que  o  contribuinte  encontrava­se  abarcado  pela  decisão  judicial  proferida  nos  autos  do  MSC  nº  91.00477834,  Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 735          49 fazendo jus, portanto, ao creditamento do IPI objeto da presente demanda, razão pela qual resta  insubsistente o lançamento aqui analisado.  De  todo modo,  na hipótese  de  assim não  entenderem os  demais  julgadores  desta Câmara julgadora, passa­se a analisar os demais pontos objeto da lide.  Da decadência parcial do lançamento  Quanto à decadência, concordo com os termos do voto do relator.   Da competência da Receita Federal para fiscalizar a  isenção objeto dos  autos  Neste ponto, concordo com o Relator na medida em que este fundamenta que  a  Receita  Federal  do  Brasil  tem  competência  para  fiscalizar  a  isenção  objeto  dos  presentes  autos. De fato, entendo que a RFB tem não apenas a competência, mas o dever de fiscalizar a  observância por parte do contribuinte dos  termos objeto dos  incentivos fiscais concedidos ao  mesmo pela SUFRAMA.  Entendo, contudo, que esta competência possui limitações.   Isso porque, o poder de fiscalizar da Receita Federal não confere à mesma o  poder de usurpar a competência da SUFRAMA normativamente instituída.  Consoante  esclareceu  o  contribuinte  em  seu  recurso,  a  SUFRAMA  tem  competência  exclusiva  para  conceder  o  benefício  previsto  no  artigo  6º  do  Decreto­Lei  nº  1.435/75,  bem  como  para  determinar  e  administrar  quaisquer  questões  inerentes  ao  referido  beneficio, a  teor do disposto nos artigos 1°, VI e 4º,  I, "c", ambos do Anexo I do Decreto n°  7.139, de 29/03/2010, c/c a Resolução CAS nº 202/2006.  Nesse contexto, uma vez concedido o benefício pela SUFRAMA, a Receita  Federal tem o poder­dever de fiscalizar a observância por parte do contribuinte dos termos em  que o benefício fora concedido, conforme projeto aprovado. Se houver qualquer inobservância  por  parte  do  contribuinte  quanto  às  condições  impostas  pela  SUFRAMA,  a  Receita  deverá  fiscalizar e exigir do contribuinte eventuais tributos e penalidade devidas.  Porém,  esta  competência  não  lhe  autoriza  desconsiderar  os  termos  do  ato  concessório aprovado por autoridade da SUFRAMA, cujo procedimento de aprovação não foi  em qualquer momento questionado, retirando desta a competência que lhe fora normativamente  instituída.  Como  bem  salientou  o  contribuinte,  os  atos  praticados  pela  SUFRAMA  "trazem  consigo  a  presunção  de  legitimidade,  veracidade  e  legalidade,  ou  seja,  de  que  nasceram  e  encontram­se em conformidade com o ordenamento jurídico".   Caso se identifique que houve alguma falha na concessão do incentivo fiscal,  esta  falha  deverá  ser  verificada  através  de  procedimento  próprio  a  ser  adotado  junto  à  SUFRAMA,  para  fins  de,  se  for  o  caso,  revogar  o  incentivo  outrora  concedido  e  responsabilizar eventuais responsáveis pela concessão indevida do incentivo.  O  que  não  se  pode  admitir  é  conceder  aos  auditores  da  Receita  Federal  o  poder, não apenas de fiscalizar a observância dos termos do incentivo fiscal concedido, mas de  interpretar  e  discordar  da  concessão  do  incentivo  fiscal  em  si,  para  o  qual  não  possui  Fl. 742DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 736          50 competência.  Até  porque,  resta  forçoso  reconhecer  que  a  concessão  de  tal  poder  à  Receita  Federal  seria  deveras  perigoso,  visto  que poderia  representar  o  afastamento  de uma  série  de  outros  atos  realizados  por  outros  funcionários  públicos,  que  se  revestem  de  presunção  de  legitimidade, veracidade e legalidade.  E,  no  caso  dos  autos,  verifica­se  que  a  SUFRAMA,  conforme  projeto  aprovado  pela mesma,  analisou  em  detalhe  a  operação  específica  realizada  pela  Recorrente,  tendo reconhecido naquela oportunidade o seu pleno atendimento aos requisitos necessário ao  usufruto do incentivo fiscal em questão.  Verifica­se,  então,  que o  entendimento da Receita Federal  de que a mesma  operação  analisada  pela  SUFRAMA  não  daria  direito  à  concessão  do  incentivo  fiscal,  ao  contrário do que entendeu o Relator, representa uma verdadeira desconsideração do benefício  fiscal concedido pela referida superintendência e não um mero exame da adequação dos fatos  aos limites delineados por este órgão para o gozo da isenção fiscal condicionada.  Nesse  contexto,  entendo  que  a  Receita  Federal  não  poderia  alterar  o  entendimento  da  SUFRAMA  consubstanciado  no  projeto  por  esta  aprovado,  conforme  competência que lhe fora normativamente concedida.   Da análise quanto aos requisitos necessários à isenção vislumbrada  Como se não bastassem os argumentos supra expendidos, discordo ainda da  interpretação  feita  pelo  Relator  no  que  concerne  aos  requisitos  necessários  à  isenção  vislumbrada.  Conforme  indicado  pelo  Relator,  "a  fiscalização  glosou  créditos  do  IPI  inerentes  ao  incentivo  fiscal  instituído  pelo  art.  6º,  caput  e  parágrafo  1º,  do  Decreto­lei  n°  1.435/75,  em  vista  da  constatação  de  que  parte  dos  produtos  não  foram  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  regionais,  mas  sim  com  açúcar  e/ou  álcool  produzidos na região e utilizados por fornecedor da interessada, a Recofarma, na fabricação do  concentrado adquirido".  Ou seja, o fundamento da autuação decorreu do fato de os produtos utilizados  pela  Recorrente  em  seu  processo  industrial  terem  sido  concentrados  fornecidos  pela  Recofarma,  os  quais, por não  terem  sido  elaborados  com "matérias­primas  agrícolas  ou  extrativas vegetais", não dariam direito ao crédito do IPI na forma do art. 6º do Decreto­lei nº  1.435/75.   Discordo, contudo, da premissa adotada pela fiscalização. Para que melhor se  compreenda o cerne do presente tópico, transcreve­se a seguir o teor da referida norma:   Art  6º.  Ficam  isentos  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  os  produtos  elaborados  com matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção  regional,  exclusive  as  de  origem  pecuária,  por  estabelecimentos  localizados  na  área  definida  pelo  §  4º  do  art.  1º  do  Decreto­lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967.  § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados,  calculado  como  se  devido  fosse,  sempre que empregados como matérias­primas, produtos intermediários ou  materiais  de  embalagem,  na  industrialização,  em  qualquer  ponto  do  Fl. 743DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 737          51 território  nacional,  de  produtos  efetivamente  sujeitos  ao  pagamento  do  referido imposto.  § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicam­se, exclusivamente,  aos  produtos  elaborados  por  estabelecimentos  industriais  cujos  projetos  tenham sido aprovados pela SUFRAMA. (grifos apostos)  Da leitura do dispositivo supra transcrito, extrai­se que o benefício está sendo  concedido ao produto, e não às matérias primas. E a condição para o usufruto do incentivo é  que  tais  produtos  sejam  elaborados  com  matérias­primas  agrícolas  e  extrativas  vegetais  de  produção regional.   O  entendimento  da  fiscalização,  então,  foi  no  sentido  de  que  açúcar  e/ou  álcool  utilizados  pela  Recorrente  no  seu  processo  produtivo  não  poderiam  ser  considerados  "matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional".  Não  é  este  o  meu  entendimento.  Isso  porque,  restou  devidamente  comprovado  pelo  contribuinte  nos  presentes  autos  que  o  açúcar  e  o  álcool  utilizados  pelo  mesmo decorrem da extração da cana­de­açúcar, que sem sombra de dúvidas é uma matéria­ prima, oriundas de fornecedores localizados na região.   Logo,  entendo  que  a  condição  disposta  no  art.  6º  supra  transcrito  foi  observada,  visto  que  o  produto  final  produzido  pela  empresa  fora  elaborado  com matérias­ primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional.   O  fato  dessa  matéria  prima  (cana­de­açúcar)  ter  passado  por  um  processo  industrial  preliminar  para  transformação  em  açúcar  e  álcool  não  afasta  a  aplicação do dispositivo em tela, visto que a única condição disposta no mesmo é de que o  produto seja elaborado com matérias­primas agrícolas e extrativas vegetais de produção  regional,  não  havendo  impedimento  na  referida  norma  de  que  haja  um  processo  industrial entre a matéria­prima regional e o produto final.  Até porque, em razão das características da cana­de­açúcar, não há como se  obter  um  extrato  da mesma  sem  que  haja  um  processo  industrial  inicial  de modificação  da  mesma. Diferente é a situação do guaraná, cujo crédito foi admitido pela fiscalização, em que é  possível obter­se o extrato sem que haja necessariamente um processo de transformação.  De outro norte, entendo que não se apresenta coerente a negativa de usufruto  do  benefício  no  que  tange  ao  açúcar  e  ao  álcool  quando  se  leva  em  consideração  o  próprio  objetivo da instituição do incentivo fiscal em questão, que é promover o desenvolvimento da  região.  Consoante  restou  demonstrado  pela  empresa  Recorrente,  a  instalação  da  sua  planta  industrial na  região beneficiou uma série de produtores de  cana­de­açúcar,  considerando que  esta  matéria­prima,  necessária  à  produção  do  açúcar  e  do  álcool,  são  oriundas  em  sua  integralidade da região.  Destaque­se, inclusive, que no projeto aprovado pela SUFRAMA constou de  forma expressa a descrição do processo produtivo da empresa, com a indicação dos produtos  utilizados na produção e da origem dos mesmos, projeto este cuja aprovação não paira até o  momento qualquer questionamento perante a SUFRAMA.   Nesse  contexto, entendo que o contribuinte  fazia  jus ao benefício  fiscal  em  questão.   Fl. 744DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 738          52 Por  fim,  deverão  ser  analisados  ainda  dois  pontos:  (i)  redução  de  50%  da  alíquota do IPI e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  Quanto ao ponto (i) a contribuinte destacou em seu recurso que, ao contrário  do afirmado na decisão recorrida, a redução de 50% dos créditos é relevante para a solução da  presente contenda, visto que "produz efeitos na determinação do montante do crédito do IPI,  em relação às glosas referentes às aquisições de concentrado para elaboração do refrigerante  guaraná". Defende  que  a  referida  redução  não  seria  aplicável  aos  créditos  escriturados  pela  mesma, visto que "os concentrados não foram registrados no MAPA pela RECOFARMA".  Para que melhor se compreenda o que aqui se expõe, traz­se a seguir o texto  da NC (21­1):  NC  (21­1)  Ficam  reduzidas  de  cinqüenta  por  cento  as  alíquotas  do  IPI  relativas  aos  extratos  concentrados  para  elaboração  de  refrigerantes,  contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, compreendidos  nos  “ex”  01  e  02  do  código  2106.90.10,  que  atendam  aos  padrões  de  identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e  Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério.  Ou seja,  nos  termos da  norma acima  transcrita,  ficam  reduzidas de 50% as  alíquotas  do  IPI  desde  que  observados  os  seguintes  requisitos:  (i)  atenda  aos  padrões  de  identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e (ii)  estejam registrados no órgão competente desse Ministério.  Ocorre  que,  consoante  apontou  o  contribuinte  em  seu  recurso,  o  requisito  disposto no item (ii) acima não fora atendido, visto que os concentrados não foram registrados  no MAPA pela RECOFARMA.  Sobre este ponto, o relator entendeu que a NC (21­1) trataria do registro do  produto  no  Ministério  da  Agricultura  não  com  o  fim  de  delinear  uma  qualidade  ou  especificidade do mesmo, mas apenas para fins de reproduzir exigência legal dada a natureza  do produto, destinado à fabricação de bebida para consumo humano. Nesse contexto, entendeu  que a alegada ausência de registro do produto não se prestaria para embasar o acolhimento do  argumento da suplicante contrariamente à redução do crédito.  Discordo, contudo, da conclusão a que chegou o douto Relator. Isso porque,  encontrando­se a referida norma em vigor, esta deverá ser interpretada de forma uníssona, não  podendo  variar  a  depender  dos  interesses  da  fiscalização.  Digo  isso  porque,  caso  a  interpretação pretendida pelo Relator de fato prevaleça, será o mesmo que dizer que a condição  indicada  no  item  (ii)  representa  verdadeira  letra  morta.  E  se  assim  o  for,  esta  mesma  interpretação deverá ser dada não apenas para  fins de  redução do crédito do contribuinte,  tal  qual na presente demanda, como também para fins de concessão da redução da alíquota.  Em outras palavras, entendo que, se não fosse uma situação de crédito, mas  de concessão do benefício da redução da alíquota, decerto que o requisito disposto no item (ii)  acima  descrito  seria  exigido  pela  fiscalização  como  um  requisito  essencial.  Nesse  contexto,  apresenta­se  desarrazoado  relevar  tal  requisito  somente  porque  se  está  diante  de  direito  creditório do contribuinte.  Fl. 745DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 15504.729713/2014­69  Acórdão n.º 3301­003.005  S3­C3T1  Fl. 739          53 Nesse  contexto,  uma  vez  que  não  há  comprovação  nos  autos  de  que  o  contribuinte atende aos requisitos dispostos na NC (21­1), não se justifica a redução em 50%  do crédito realizada pela fiscalização.  Para finalizar, entendo que não deverá incidir juros de mora sobre a multa de  ofício.  Da conclusão  Diante  do  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  integral  provimento  ao  Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte.  É como voto.  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões ­ Conselheira   Fl. 746DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por MARIA EDUARDA ALENC AR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 21/07/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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Numero do processo: 11080.726554/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual, ante a ausência de apresentação de quaisquer documentos, devem ser mantidas as glosas realizadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Maria Cleci Coti Martins - Presidente Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 74          1  73  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.726554/2014­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.378  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de junho de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  BELMIRO DESSIMON  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2011  GLOSA  DE  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO.  Exigido pela autoridade fiscal documentos que comprovem a efetividade da  realização de despesas médicas indicadas pelo contribuinte em sua declaração  de  ajuste  anual,  ante  a  ausência  de  apresentação  de  quaisquer  documentos,  devem ser mantidas as glosas realizadas.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 65 54 /2 01 4- 18 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     2    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário para, no mérito, negar­lhe provimento.      Maria Cleci Coti Martins ­ Presidente      Carlos Alexandre Tortato ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  Cleci  Coti  Martins,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Miriam  Denise  Xavier  Lazarini,  Theodoro  Vicente  Agostinho, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e  Rayd Santana Ferreira.  Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.726554/2014­18  Acórdão n.º 2401­004.378  S2­C4T1  Fl. 75          3    Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 12­69.721  (fls.  57/60),  proferido pela Delegacia da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento no Rio de  Janeiro (DRJ/RJO), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02) do contribuinte, conforme  ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ IRPF  Exercício: 2011  DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.  Só são passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto  de  Renda  as  despesas  médicas  declaradas  e  devidamente  comprovadas  por  documentação  hábil  e  idônea,  referente  aos  gastos  do  próprio  contribuinte  e/ou  de  seus  dependentes declarados.  IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  A impugnação deve ser instruída com as provas em que se  fundamentam as razões de defesa, cabendo ao contribuinte  o ônus de comprovar o direito à dedução pleiteada.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A  Notificação  de  Lançamento  nº.  2011/129349274770259  (fls.  05/11)  em  decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, referente ao  exercício de 2011, ano calendário de 2010, alterou o resultado de imposto a pagar declarado de  R$ 2.193,73 para R$ 3.067,53.  Na Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  07/08)  a  fiscalização  informa a glosa de R$ 3.883,54 correspondente à Dedução Indevida de Despesas Médicas,  nos seguintes termos:      Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     4      Para demonstrar a efetividade das despesas médicas, o contribuinte, em sua  peça  impugnatória, alegou que o valor glosado se refere as suas próprias despesas médicas e  anexou  comprovante  de  pagamento  emitido  pelo  plano  de  saúde,  onde  constam  os  valores  relativos ao titular do plano e aos demais beneficiários.   Para a DRJ/RJO, a impugnação foi considerada improcedente, ante a falta de  comprovação de  todas as deduções  informadas na declaração de ajuste anual. Ainda, decidiu  no sentido de que os documentos apresentados pelo impugnante não informam os beneficiários  do plano de saúde, mantendo, portanto, a glosa efetuada no valor de R$ 3.883,54.   Intimado do acórdão da DRJ/JFA em 01/12/2014 (A.R. fl. 64), o recorrente  apresentou  o  seu  recurso  voluntário  (fl..  66)  em  20/12/2012,  onde  anexou  os  seguintes  documentos:   a) Declaração do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul –  IPERGS, comprovando as contribuições de R$ 3.227,32 para o IPE – Saúde  e de R$ 642,00 para o PAMES, ambas do ano de 2010, do Segurado Titular e  Beneficiário da matrícula n  ° 960000487901 BELMIRO DESSIMON, CPF  102443520­20.   É o relatório.  Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.726554/2014­18  Acórdão n.º 2401­004.378  S2­C4T1  Fl. 76          5    Voto             Conselheiro Carlos Alexandre Tortato ­ Relator  Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.  Mérito  A  legislação  do  imposto  de  renda  da  pessoa  física  permite  a  dedução  de  despesas médicas do  referido  imposto, nos  termos do art. 8º,  II,  alínea “a” e § 2º, da Lei nº.  9.250/95, assim disposta:  Art. 8º A base de cálculo do  imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  (...)  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias;  (...)  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:  I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas da mesma natureza;  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III  ­  limita­se a pagamentos  especificados  e  comprovados,  com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas ­ CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes  ­ CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação,  ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o  pagamento;  Por sua vez, o “caput” do art. 73 do RIR/1999 estabelece que:   Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS     6  Art.  73.  Todas  as  deduções  estão  sujeitas  à  comprovação  ou  justificação,  a  juízo  da  autoridade  lançadora.  (Decreto­Lei  n°  5.844, de 1943, art. 11§ 3°)   Desse modo, a fiscalização motivou as glosas efetuadas “por exceder os 3,1%  da  saúde  e  não  informar  a  finalidade  dos  pagamentos  e  beneficiários  participantes”.  O  contribuinte, em sua defesa, juntou aos autos dois comprovantes, emitidos pelo plano de saúde,  os quais conteriam valores relativos ao titular e demais beneficiários, vejamos:    Da  análise  dos  documentos  anexados,  infere­se  que  não  constam  os  beneficiários  do  plano  de  saúde,  exigência  presente  no  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  2011/062821488738865.   Muito  embora  o  documento  confirme  que  o  contribuinte  foi  o  responsável  pelos pagamentos efetuados, além de ser o titular do plano de saúde, não restou comprovado  que ser o Sr. Belmiro Dessimon não é o único beneficiário do plano de saúde, razão pela qual a  DRJ/RJO manteve a glosa efetuada no valor de R$ 3.883,54.   Em  seu  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  não  apresentou  novas  argumentações a fim de desconstituir à infração a si imputada. Juntou Declaração do Instituto  de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul – IPERGS, com o seguinte teor:    Nesse  contexto,  entendo  não  estarem  comprovadas  as  despesas  médicas  incorridas  pelo  contribuinte  com  os  seus  beneficiários.  Apesar  de  lhe  ser  oportunizada  a  comprovação,  com  tempo  hábil  (ou  o  que  poderia  ser  apresentado  até  mesmo  em  sede  de  recurso voluntário) para tal, não fez qualquer prova de que não é o único beneficiário do plano  de saúde IPE­ SAÚDE.   Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 11080.726554/2014­18  Acórdão n.º 2401­004.378  S2­C4T1  Fl. 77          7  Por  fim,  entendo  não  estar  comprovado  que  o  contribuinte  possuí  beneficiários do plano de saúde, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetuada no valor de  R$ 3.883,54.   CONCLUSÃO  Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso  voluntário.  É como voto.    Carlos Alexandre Tortato.                              Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS

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Numero do processo: 13631.000173/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 60          1 59  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13631.000173/2011­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2301­004.604  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  GASPAR DUTRA MACHADO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2010  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não  se  conhece de  apelo  à  segunda  instância,  contra decisão de  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  quando  formalizado  depois  de  decorrido  o  prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.  Recurso Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, nos  termos do voto da relatora.  João Bellini Júnior ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)    Alice Grecchi ­ Relatora.  (Assinado digitalmente)  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior  (Presidente),  Amilcar  Barca  Teixeira  Junior,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Luciana  de  Souza  Espíndola  Reis,  Alice  Grecchi,  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Gisa  Barbosa  Gambogi,  Fabio  Piovesan Bozza.   Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 1. 00 01 73 /2 01 1- 12 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     2 Em  nome  do  contribuinte  acima  identificado  foi  lavrada  a  Notificação  de  Lançamento  (fls. 4/9),  em 10/01/2011,  relativo ao  Imposto  sobre a Renda de Pessoa Física  ­  IRPF, exercício 2010, que resultou em crédito tributário total apurado no valor de R$ 5.982,51,  sendo R$ 3.274,68 de IRPF Suplementar, R$ 2.456,01 de multa de ofício e R$ 251,82 de juros  de mora (calculados até 01/2011).  Motivou o lançamento de ofício (fls. 06 e 07):  1)  A Omissão  de  Rendimentos,  no  valor  total  de  R$  72.063,48,  recebidos  pelo  titular e pagos pelas pessoas  jurídicas  a  seguir discriminadas. A  fiscalização  solicitou  a  apresentação de Laudo Pericial emitido nos termos da legislação que trata da matéria relativa à  isenção aos portadores de moléstia grave:  a)  Pela  Fundação  Itaubanco,  CNPJ  61.155.248/000116,  no  valor  de  R$  43.218,96, com IRRF, no valor de R$ 3.061,33, estes já informados pelo contribuinte; e,  b)  Pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  CNPJ  29.979.036/000140,  no  valor  de  R$  28.844,52,  com  IRRF,  no  valor  de  R$  2.147,28,  estes  já  informados  pelo  contribuinte.  2)  A  dedução  indevida  contribuição  para  Previdência  Oficial  referente  a  rendimento  recebido  da  Fundação  Itaubanco,  CNPJ  61.155.248/000116,  no  valor  de  R$  359,73.  O  recorrente  apresentou  impugnação  em  12/04/2011  (  fls.  2/3),  alegando  preliminarmente  que  "Como  aposentado  do  Banco  Itau  (Fundação  BEMGE  ),  a  Fonte  Pagadora  após  receber  os  documentos  que  comprovaram  a  doença  grave  me  isentou  do  IR  e  não  está  mais  fazendo o desconto em folha de pagamento a partir do exercício que  foi apresentado  . Sendo que no  direito de ser restituído pelos anos que foram descontados apresentei a Declaração retificadora para  que seja apurado e comprovado a restituição do IR descontado."  No mérito,  aduz  ser  portador  de  moléstia  grave  (cardiopatia  grave)  tendo,  portando, direito à isenção do Imposto de Renda.  Juntou Laudo Pericial à fl. 12.  A Turma de Primeira Instância julgou, por maioria de votos, improcedente a  impugnação ementada assim:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Exercício: 2010  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DE  CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA OFICIAL.  Considera­se como não impugnada a parte do lançamento com a  qual  o  contribuinte  concorda  ou  não  se  manifesta  expressamente.  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2010  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13631.000173/2011­12  Acórdão n.º 2301­004.604  S2­C3T1  Fl. 61          3 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.  A  isenção  está  condicionada  ao  reconhecimento  da  doença  através de  laudo pericial emitido por  serviço médico oficial  da  União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, e se  aplica aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do  laudo que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi  contraída,  quando  identificada  no  laudo,  desde  que  correspondam a proventos de aposentadoria, reforma ou pensão.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  O contribuinte foi cientificado do Acórdão 0942.442 ­ 6ª Turma da DRJ/JFA,  em 04/03/2013 (fl. 34).  Sobreveio recurso voluntário em 24/04/2015 ( fls. 40 e 41), acompanhado de  documentos (fls. 42 a 54).  Resumidamente, em sede recursal, repisou o fato de ser portador de moléstia  grave, fazendo jus ao benefício da isenção.  É o relatório.  Passo a decidir.  Voto             Conselheira Relatora Alice Grecchi  Primeiramente  cumpre  esclarecer  que,  havendo  referência  às  folhas  do  processo, trata­se do arquivo digitalizado, ou seja, do processo em formato PDF.  O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de  30  (trinta)  dias,  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  conforme  disposição  expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira  instância em 04/03/2013, conforme Aviso de Recebimento, fls. 34.   Em  25/03/2013  (fl.  36),  o  contribuinte  elaborou  requerendo  postulando  prorrogação de prazo para apresentar recurso, tendo em vista a remarcação de nova perícia.  Em  resposta,  a  Receita  Federal  encaminhou  ofício  ao  contribuinte,  com  negativa ao requerimento feito, por falta de previsão legal. O documento foi recepcionado em  03/04/2013, conforme Carta AR à fl. 38.   Fl. 62DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR     4 Já o recurso foi apresentado em 24/04/2013 (fl. 40). Tem­se, portanto, que o  recurso foi apresentado depois de já ultrapassado o prazo de 30 dias do recebimento da decisão  de primeira instância.  Nesse  sentido,  é  forçoso  concluir  pela  intempestividade  do  recurso,  o  que  torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42,  I do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  –  de  primeira  instância,  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário,  por perempto.  Alice Grecchi ­ Relatora  (Assinado digitalmente)                                    Fl. 63DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR

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Numero do processo: 13873.000395/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. ATIVIDADES ESPORTIVAS. ESCOLA DE FUTEBOL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO É assegurado ao contribuinte a interposição de recurso voluntário nos trinta dias seguintes à intimação do acórdão que não acolher sua manifestação de inconformidade. Transcorrido esse prazo sem a apresentação do recurso, ocorre a preclusão do direito do contribuinte. O recurso protocolado após esse prazo é intempestivo, o que impede do seu conhecimento.
Numero da decisão: 1302-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich. Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 2          1 1  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13873.000395/2010­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.778  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  02 de fevereiro de 2016  Matéria  Simples Nacional  Recorrente  ZIGOMAR AUGUSTO JUNIOR ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL  Ano­calendário: 2010  SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXERCÍCIO DE  ATIVIDADE  VEDADA.  ATIVIDADES  ESPORTIVAS.  ESCOLA  DE  FUTEBOL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO  INTEMPESTIVO  NÃO  CONHECIDO  É assegurado ao contribuinte a  interposição de recurso voluntário nos  trinta  dias  seguintes à  intimação do acórdão que não acolher sua manifestação de  inconformidade.  Transcorrido  esse  prazo  sem  a  apresentação  do  recurso,  ocorre  a  preclusão  do  direito  do  contribuinte.  O  recurso  protocolado  após  esse prazo é intempestivo, o que impede do seu conhecimento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  NÃO  CONHECER do recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (Presidente),  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Eduardo  de  Andrade,  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita  Pimenta  Félix.  Ausente,  justificadamente,  a  Conselheira Ana  de  Barros  Fernandes Wipprich.  Integrou  o  Colegiado  o  Conselheiro  Paulo  Mateus Ciccone.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 3. 00 03 95 /2 01 0- 01 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL     2   Relatório  A DRF indeferiu pedido da recorrente de  inclusão no Simples Nacional em  virtude do exercício de atividade econômica vedada: 9319­1/98 – Outras atividades esportivas  não  especificadas  anteriormente.  O  indeferimento  fundamentou­se  nas  disposições  da  Lei  Complementar – LC nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inc. XI.  Expediu­se, em 11/06/2010, Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples  Nacional, em conformidade com a Lei Complementar – LC nº 123, de 14/12/2006.  Não  consta  dos  autos,  termo  de  intimação  para  ciência  do  termo  de  indeferimento, nem mesmo aviso de recebimento.  A  recorrente  alegou  em manifestação  de  inconformidade  (30/06/2010)  que  exerce atividade de escola de futebol e comércio varejista de artigos de vestuário, acessórios e  calçados em geral. Apresenta requerimento de empresário registrado na JUCESP. Diz que não  há restrição que ocasione tal indeferimento.  Registra  que  houve  equívoco  ao  se  registrar  o  CNAE  9319­1/99  sem  discrição em sua atividade e sem razão de ser. Informa que esse equívoco foi corrigido, com a  exclusão do código CNAE indevido.  Requereu  o  enquadramento  no Simples Nacional  e  a  anulação  do  termo de  indeferimento.  A  DRJ  ratificou  a  conclusão  da  DRF  mantendo­se  a  exclusão  do  Simples  Nacional.  O  recorrente  foi  intimado de  tal decisão, em 09/12/2013  (fl. 29). O  recurso  voluntário  foi  protocolado  em  13/01/2014  (fl.  31).  Assinou  o  recurso  o  próprio  recorrente,  juntando­se  os  documentos  de  empresário.  A  DRJ  emitiu  despacho  de  encaminhamento  ao  Carf, em 22/01/2014, no qual registrou­se a intempestividade do recurso.  O  recurso  voluntário  não  apresenta  qualquer  justificativa  –  justa  causa  ou  força maior – para o protocolo intempestivo da petição. Apresentaram­se os mesmos termos da  manifestação de inconformidade.  É o relatório.    Voto             Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL  Em  cumprimento  às  disposições  do  Dec.  70.235/72,  art.  35  –  o  recurso,  mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção –  conheço do recurso e passo a analisar a tempestividade do recurso voluntário.  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13873.000395/2010­01  Acórdão n.º 1302­001.778  S1­C3T2  Fl. 3          3 Verificou­se  que  a  recorrente  foi  regularmente  intimada,  via  postal,  em  09/12/2013, quarta­feira (fl. 29), do acórdão da DRJ que acolheu os fundamentos da decisão da  DRF e manteve o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional.  Assegurou­se, assim, o direito a interposição de recurso voluntário no prazo  de  30  dias  seguintes  da  ciência  da  citação,  em  conformidade  com  as  disposições  do  Dec.  70.235/72,  art.  33  ­  Da  decisão  caberá  recurso  voluntário,  total  ou  parcial,  com  efeito  suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.  A  contagem de  prazo  no  processo  administrativo  fiscal  deve  seguir  a  regra  contida no art. 5º e parágrafo único do referido Dec. 70.235 ­ Art. 5º Os prazos serão contínuos,  excluindo­se na sua contagem o dia do início e incluindo­se o do vencimento. Parágrafo único.  Os  prazos  só  se  iniciam  ou  vencem  no  dia  de  expediente  normal  no  órgão  em  que  corra  o  processo ou deva ser praticado o ato.  Realizando­se  a  contagem  do  prazo  limite  para  a  interposição  do  recurso  voluntário, com base nas regras acima, verifica­se que, em 08/01/2014 foi o último dia para o  protocolo da petição.  Na primeira folha da petição de recurso voluntário, no canto superior direito,  verifica­se  a  impressão  eletrônica  de  protocolo  de  recebimento  da  DRF  Botucatu:  “13/JAN/2014 10:56” (fl. 31). Portanto, após a referida data limite.  Note­se que, a partir de 08/01/2014 estava precluso o direito de o recorrente  interpor recurso voluntário. O referido protocolo de 13/01/2014, portanto, não produz efeitos.  Entende­se como inexistente. Não passível de ser apreciado.  Nos  termos  do Dec.  70.235/72,  art.  42  ­  são  definitivas  as  decisões:  I  ­  de  primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;  Parágrafo único ­ Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não  for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por sua vez, o art. 17  ­ Considerar­se­á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo  impugnante.  A  falta  de  apresentação  de  justa  causa  ou  motivo  de  força  maior,  como  possível justificativa pela interposição intempestiva do recurso voluntário impede a apreciação  dos  fatos  e  fundamentos  de  mérito.  Em  conformidade  com  as  disposições  do  Código  de  Processo  Civil  –  CPC,  aplicável  subsidiariamente,  nesse  caso,  art.  183  ­  decorrido  o  prazo,  extingue­se,  independentemente  de  declaração  judicial,  o  direito  de  praticar  o  ato,  ficando  salvo, porém, à parte provar que o não realizou por justa causa.   Somente  se  o  recorrente  houvesse  arguido  em  preliminar  questões  sobre  a  tempestividade  e  houvesse  fundamento  para  o  acolhimento,  caberia  a  apreciação  das  razões  pelas quais pretendia­se reformar o acórdão recorrido. No caso, as razões pelas quais pretendia  seu enquadramento no Simples Nacional e a revogação do referido termo de indeferimento de  opção pelo Simples Nacional.  Por  todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do  recurso voluntário,  em decorrência da comprovada preclusão, por transcurso do prazo limite de 30 dias seguintes à  ciência  do  acórdão  da  DRJ  (art.  33  do  Dec.  70.235/72),  sem  a  interposição  do  recurso  voluntário.  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL     4 ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator                                Fl. 45DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 25/04/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 26/04/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 25/04/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL

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6400689 #
Numero do processo: 16327.000813/2001-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1997 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESA POR INCORPORAÇÃO. MULTA EXIGIDA DA EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO. A transferência da responsabilidade por sucessão dos créditos tributários aplica-se tanto aos tributos como às penalidades pecuniárias, abrangendo, ainda, tanto os créditos tributários já definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos e os constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data da sucessão. RESP 923.012/MG - decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), com trânsito em julgado em 04/06/2013, obrigatoriamente reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme o disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
Numero da decisão: 9202-003.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 484          1 483  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  16327.000813/2001­46  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.970  –  2ª Turma   Sessão de  10 de maio de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  Fazenda Nacional  Interessado  Acma Participações Ltda.    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  RETIDO  NA  FONTE ­ IRRF  Exercício: 1997  MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR  INFRAÇÃO.  SUCESSÃO  DE  EMPRESA  POR  INCORPORAÇÃO.  MULTA  EXIGIDA  DA  EMPRESA SUCESSORA. CABIMENTO.  A transferência da responsabilidade por sucessão dos  créditos  tributários aplica­se  tanto  aos  tributos como  às  penalidades  pecuniárias,  abrangendo,  ainda,  tanto  os créditos tributários já definitivamente constituídos  ou  em  curso  de  constituição  à  data  dos  atos  nela  referidos  e  os  constituídos  posteriormente  aos  mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias surgidas até a referida data da sucessão.   RESP  923.012/MG  ­  decisão  definitiva  de  mérito,  proferida  pelo  STJ  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do  CPC),  com  trânsito  em  julgado  em  04/06/2013,  obrigatoriamente  reproduzida  pelos  Conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF,  conforme  o  disposto  no  §  2º  do  art.  62  do Anexo  II  do  atual Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 13 /2 00 1- 46 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 485          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso. Votaram  pelas  conclusões  os Conselheiros  Patrícia  da  Silva, Gerson  Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez.   (Assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior – Relator  (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Rita  Eliza Reis  da Costa  Bacchieri, Maria Helena Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e  Gérson Macedo Guerra.  Relatório  Em  litígio,  o  teor  do Acórdão  nº  106­16.913,  prolatado  pela  6a  Câmara  do  então 1o. Conselho de Contribuintes, na  sessão plenária de 29 de maio de 2008  (e­fls. 187 a  198),  objeto  de  posterior  decisão  integrativa  em  sede  de  embargos,  oriunda  da  2a  Turma  Ordinária  da  1a.  Câmara  da  2a  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais na sessão plenária de 12 de julho de 2012 (Acórdão 2101­001.769, de e­fls.  206  a  208). Ali,  por maioria  de votos,  deu­se  parcial  provimento  ao Recurso Voluntário,  na  forma de ementas e decisões a seguir:  Acórdão 106­16.913  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF, primordialmente, presta­ se como um instrumento de controle criado pela Administração  Tributária para dar segurança e  transparência à relação  fisco­ contribuinte,  que  objetiva assegurar ao  sujeito passivo  que  seu  nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e  que o agente fiscal nele indicado recebeu do fisco a incumbência  para  executar  aquela  ação  fiscal.  Ocorrendo  problemas  com o  MPF,  não  seriam  invalidados  os  trabalhos  de  fiscalização  desenvolvidos,  nem  dados  por  imprestáveis  os  documentos  obtidos  para  respaldar  o  lançamento  de  créditos  tributários  apurados,  vez  que  a  atividade  de  lançamento  é  obrigatória  e  vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei  como  necessária  e  suficiente  para  ensejar  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  não  poderia  o  agente  fiscal  deixar  de  efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.   MULTA DE OFÍCIO – EXCLUSÃO – SUCESSÃO SOCIEDADE  DE  AÇÕES  TRANSFORMADA  PARA  QUOTAS  –  Incabível  a  exigência de multa de oficio da sucessora por infração cometida  pela sucedida, salvo se apurada antes do evento.  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 486          3 Decisão: por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Giovanni  Christian  Nunes  Campos,  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Ast4rga  (suplente convocado) e Ana Maria Ribeiro dos Reis que negaram  provimento ao recurso.  Acórdão 2101­001.769 (Decisão integrativa)  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  RETIDO  NA  FONTE  ­  IRRF  Exercício: 1997 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. SUCESSÃO.  SOCIEDADE  DE  AÇÕES  TRANSFORMADA  PARA  QUOTAS.  Incabível  a  exigência  de  multa  de  ofício  da  sucessora  por  infração  cometida  pela  sucedida,  salvo  se  apurada  antes  do  evento.   Recurso voluntário provido em parte.   Embargos de declaração acolhidos.  Cientificada  a  Fazenda  Nacional  da  decisão  em  08/10/2012  (e­fl.  209),  insurgindo­se contra aquela, sua Procuradoria apresenta, no mesmo dia 08/10/2012 (e­fl. 211),  Recurso  Especial,  com  fulcro  no  art.  67  do  anexo  II  ao  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo Fiscal  aprovado pela Portaria MF no.  256, de 22 de  julho de 2009,  então  em  vigor quando da propositura do pleito recursal (e­fls. 212 a 229).  O  recurso  foi  admitido  pelos  despachos  de  e­fls.  231  a  232,  rejeitada  a  divergência em relação ao primeiro paradigma, Acórdão 105­16.233, de lavra da 5a. Câmara do  então  1o.  Conselho  de  Contribuintes,  uma  vez  que  este  foi  reformado  pela  2a.  Turma  da  Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9.101­001.527, de 22/11/2012). Caracterizada  divergência,  todavia,  em  relação  ao  decidido  pela  mesma  2a.  Turma,  agora  no  Acórdão  CSRF/02­02.396, prolatado em 25 de julho de 2006, de ementa e decisão a seguir transcritas.  Acórdão CSRF/02­02.396  COFINS  – DECADÊNCIA.  O  prazo  para  a  Fazenda  Nacional  lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento  da Seguridade Social – Cofins é de dez anos, contado a partir do  1º  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  crédito  da  contribuição poderia haver sido constituído.  MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde  o  sucessor  pela  multa  de  natureza  fiscal.  O  direito  dos  contribuintes  às  mudanças  societárias  não  pode  servir  de  instrumento  à  liberação  de  quaisquer  ônus  fiscais  (inclusive  penalidades),  ainda  mais  quando  a  incorporadora  conhecia  perfeitamente o passivo da incorporada (g.n.).  Recurso especial negado  Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso,  nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Adriene Maria  de  Miranda  que deu provimento parcial ao recurso para afastar a multa de  ofício,  Antonio  Carlos  Atulim  que  deu  provimento  parcial  ao  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 487          4 recurso para reconhecer a decadência e Maria Teresa Martínez  Lopez  e  Valdemar  Ludvig  (Substituto  convocado)  que  deram  provimento integral ao recurso.  Preliminares rejeitadas.  Recurso negado.  Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que:  a) ao afastar a exigência da multa de oficio, o colegiado a quo  limitou­se a  proceder à exegese literal do disposto no art. 132 do Código Tributário, dissociada das demais  normas constantes no mesmo capítulo do CTN, principalmente do art. 129 do referido diploma  legal;  b)  constituindo­se  regra  geral,  o  art.  129  deve  ser  aplicado  a  todas  as  disposições sobre a responsabilidade dos sucessores. Portanto, o artigo 132 do CTN deve ser  interpretado  como  se  referindo  a  "crédito  tributário"  (o  que  inclui  a multa  de  oficio),  e  não  apenas a "tributo", como ocorreria numa interpretação literal do art. 132;  c) cumpre  ressaltar,  ainda, que não se desconhece que parte da doutrina —  ressalve­se, minoritária — entende que o art. 132 do CTN teria previsto a responsabilidade do  sucessor  apenas  pelos  créditos  tributários,  sentido  estrito,  devidos,  pela  pessoa  jurídica  sucedida, e não pelas multas decorrentes de  lançamento de oficio para exigir os  tributos não  pagos  pelo  sucedido.  Segundo  essa  corrente,  a  multa  não  seria  transmissível  em  função  do  "princípio da personalização da pena", que prevê que "a punição não deve passar da pessoa do  infrator".  Assim,  tal  principio  impediria  que  pessoas  jurídicas  sucessoras  de  sociedades  incorporadas fossem responsabilizadas por multas fiscais, decorrentes de atos das incorporadas.  A propósito,  entende que não é necessário esforço para  se ver que os princípios oriundos de  outras áreas do direito são inadequados para orientar a interpretação das normas que regem a  sucessão entre pessoas  jurídicas no âmbito do direito  tributário.  Isto  resta claro ao se utilizar  um  principio  de  direito  penal  para  tentar  delimitar  o  sentido  de  uma  norma,  sobre  sucessão  tributaria: o princípio da personalização da pena se refere às penas intransmissíveis, dispostas  nas  leis penais, que são  aquelas que possuem como característica a  "corporalidade", ou seja,  tratam  de  punições  corporais.  As  penas  que  incidem  sobre  o  patrimônio,  não  são  penas  corporais.  Desse  modo,  a  contrario  sensu,  podem  ser  transmitidas  a  terceiros.  A  punição  prevista pela lei tributária onera o patrimônio do contribuinte, que é composto de todos os seus  direitos  e  obrigações.  Este  patrimônio  é  transmitido,  mediante  a  incorporação  ou  fusão,  cabendo ao sucessor o ônus de responder por tais obrigações;  d)  a  doutrina  majoritária  subscreve  o  entendimento  de  que  o  sucessor  é  o  responsável pelas multas devidas pelo sucedido, pois as multas, conforme o art. 113 do CTN,  são obrigações tributárias;  e) a  tese da  intransmissibilidade das multas  fiscais pode dar oportunidade a  inúmeras  fraudes,  pois  as  pessoas  jurídicas  poderiam  se  livrar  das multas mediante  simples  incorporação da empresa sonegadora. Este é também o entendimento da Ministra do Superior  Tribunal de  Justiça Eliana Calmon, que  afirmou,  inclusive,  estar  acompanhada pela doutrina  mais atual. Transcreve o entendimento da e. Ministra, verbis:  " (...) Contudo, mesmo doutrinariamente, na atualidade, sinaliza­ se  para  prevalência  da  tese  de  que  a  responsabilidade  dos  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 488          5 sucessores  estende­se  às  multas,  sejam  elas  moratórias  ou  punitivas, pelo fato de integrarem o passivo da empresa sucedida  (...) (STJ, 2 Turma, Resp 32967/RS, rel. Min. Eliana Calmon, DJ  de 20/03/2000.)  f)  esse  entendimento  sempre  prevaleceu  na  jurisprudência  do  Superior  Tribunal de Justiça (ementas transcritas);   g) o Supremo Tribunal Federal já decidiu favoravelmente ao Fisco, aduzindo  que o princípio da personalização da pena não tem guarida no direito tributário, e que a tese da  intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de  fraude  ao  Fisco  (Recurso  Extraordinário  n.  83.613/SP).  Não  diverge  desse  entendimento  a  jurisprudência do CARF, conforme o Acórdão CSRF/02­02.589 (ementa transcrita);  h)  ademais,  deve­se  considerar  que  a  responsabilidade  pelo  pagamento  da  multa  de  oficio  é  objetiva  (art.  136  do  CTN),  o  que  torna  irrelevante  eventual  boa  fé  da  empresa  sucessora  no  pagamento  dos  tributos  lançados  de  oficio.  A  análise  de  caráter  subjetivo,  no  que  se  refere  a  multa  de  oficio,  está  adstrita  à  sua  qualificação  por  conduta  fraudulenta, o que não se discute nestes autos;  i) cabe lembrar ainda que o Código Civil, ao disciplinar a transformação das  sociedades, visando evitar o enriquecimento sem causa, possui regra expressa quanto ao direito  creditório, senão vejamos:  Art.  1.115. A  transformação não modificará nem prejudicará,  em qualquer  caso, os direitos dos credores.  Parágrafo Único. A  falência da sociedade transformada somente produzirá  efeitos em relação aos sócios que, no tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os  titulares de créditos anteriores à transformação, e somente a estes beneficiará.  j) não bastasse, é de se  lembrar que a Lei das Sociedades Anônimas dispõe  em  seu  art.  227  que  a  incorporadora  sucede  a  incorporada  em  todos  os  seus  direitos  e  obrigações, não limitando a natureza jurídica das obrigações;  l) Finalmente, destaque­se que não existe nenhum dispositivo legal expresso  que isente a incorporadora do pagamento da multa de oficio. E, em matéria de benefício fiscal,  o CTN exige interpretação literal (art. 111);  m)  Isto  posto,  não  resta  dúvida  de  que  a  empresa  sucessora  é  responsável  pelo pagamento de todo o crédito tributário devido pela sucedida, o que inclui tributo e multa,  revelando­se irrelevante a circunstância da exigência fiscal ter sido formalizada antes ou depois  da incorporação;  Requer, assim, que seja dado provimento ao presente recurso, para que seja  reformado o r. acórdão recorrido e restabelecida a exigência da multas de oficio.   Encaminhados  os  autos  à  autuada  para  fins  de  ciência,  ocorrida  em  05/02/2015  (e­fl. 273), o contribuinte apresentou Recurso Especial de  sua  iniciativa de e­fls.  275 a 326, que  teve  sua  admissibilidade negada,  consoante despachos de  e­fls.  401 a 406 e,  ainda, contrarrazões de e­fls. 331 a 337, nestas últimas alegando:  Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 489          6 a)  Que,  com  base  nos  elementos  constantes  nos  autos,  verifica­se  que  a  transformação  do  Banco  Itamarati  S/A  na  recorrente  ocorreu  em  03/03/97,  conforme  comprovado  pela  Ata  de  Assembleia  Geral  Extraordinária  realizada  naquela  data.  Assim,  incontroverso que os fatos geradores do IRRF em questão ocorreram em 30/04/96 e 29/05/96,  portanto,  muito  antes  da  transformação,  vindo  o  auto  de  infração  a  ser  lavrado  na  data  de  25/01/2001,  posteriormente,  portanto,  à  data  da  transformação.  Ou  seja,  na  data  da  transformação, o crédito tributário não se encontrava constituído, nem a multa formalizada;  b)  O  artigo  132  do  CTN  determina,  clara  e  expressamente,  que  a  pessoa  jurídica sucessora, é responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica sucedida, deixando  patente  que  essa  responsabilidade  limitar­se­ia  aos  tributos,  e  não  às  multas.  Reproduz  entendimento  do  STF  (ERE  n°.85.511­SP,  de  23.02.1978,  Pleno),  que  sustentaria  tal  posicionamento, bem como posicionamento doutrinário no mesmo sentido,   c)  Ressalta,  ainda,  que  a  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  julgou  o  Recurso  Especial  n°  923.012,  sujeito  ao  procedimento  do  artigo  543­C  do  Código de Processo Civil (recursos repetitivos), e pacificou o entendimento de que a multa que  integra o patrimônio da  empresa  sucedida,  e,  portanto,  é  transferida  ao  sucessor,  é  aquela  já  constituída até a data da infração. Assim, se a multa fiscal não está constituída, formalizada, na  data da sucessão, o sucessor da sociedade incorporada não absorve a penalidade fiscal;  d) Finalmente, reproduz a Súmula CARF no. 47, para sustentar que somente é  cabível a imputação da multa à sucessora, por infração cometida pela sucedida quando provado  que as sociedades pertenciam a um mesmo grupo econômico. Assim, a contrário senso, se as  empresas sucedida e sucessora não estavam sob controle comum (como no caso sob análise),  nem pertenciam ao mesmo grupo econômico,  incabível a aplicação da multa à sucessora por  infração cometida pela sucedida.  e) Destarte, conclui pela absoluta inaplicabilidade da multa de ofício ao caso  em  tela,  vez  que  a  ora  recorrente  é  pessoa  jurídica  de  direito  privado,  sucessora  de  outra  sociedade, e, nos termos do artigo 132 do CTN, somente os tributos em si poderiam a ela ser  imputados, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional,  mantido o Acórdão recorrido quanto ao decidido nesta seara;  Posteriormente, cientificado do não seguimento ao seu Recurso Especial  (e­ fl. 411), a contribuinte informou, através de expediente de e­fls. 413 a 442,  ter ajuizado ação  anulatória do débito fiscal em questão ­ Proc. no. 0018739­10.2015.4.03.6100, declarando ter  realizado  o  depósito  judicial  do  montante  em  litígio,  requerendo,  assim,  a  suspensão  da  exigibilidade do débito em questão.  Faz  notar,  todavia,  em  seu  expediente,  o  contribuinte  não  ser  a  multa  de  ofício objeto da ação judicial, uma vez que a mesma já teria sido exonerada pelo CARF (vide  e­fl. 421).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 490          7 Pelo  que  consta  no  processo  quanto  à  sua  tempestividade,  às  devidas  apresentação  de  paradigma  consistente  e  indicação  de  divergência,  o  recurso  atende  aos  requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço.   Inicialmente,  discordo da  argumentação do contribuinte quanto  à existência  de  falta  de  interesse  de  agir  quanto  à  eventual  ação  judicial  no  que  diz  respeito  à multa  de  ofício, uma vez que, note­se, permanece a mesma em litígio em sede administrativa a partir da  existência  de Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  não  tendo  a  exoneração  proposta  pela  autoridade julgadora a quo, assim, se revestido de caráter definitivo.  A  propósito,  ressalto  também  que,  ainda  que  se  adote  aqui  uma  ótica  de  desistência  de  discussão  em  sede  administrativa,  creio  não  se  estar  diante  de  caso  de  concomitância entre os feitos administrativos e judicial.   De se concluir neste sentido ao se notar que se limitou a autuada, em sede de  ação  judicial,  a  arguir  a  nulidade  do  auto  de  infração,  visto  que  lavrado  por  pessoa  incompetente e argumentar que a operação em análise não estaria sujeita à retenção à alíquota  de 15%, maa sim à alíquota de 10% consoante determinado pelo art. 81 da Lei no. 8.981, de 20  de  janeiro  de  1995.  Defendeu,  ainda,  a  inaplicabilidade  dos  juros  de  mora,  bem  como,  subsidiariamente, caso se entenda os referidos juros como devidos, que sua incidência estaria  limitada  a  partir  de  abril  de  2002.  Todavia,  de  se  notar  ter  a  contribuinte  excluído  expressamente da discussão em sede juidicial (vide primeiro parágrafo de e­fl. 421) a matéria  referente à aplicabilidade da multa de ofício, não havendo, assim, como neste caso se cogitar  de desistência da discussão administrativa por conta do referido feito judicial.  Assim, uma vez descartada a hipótese de concomitância, passo à análise do  mérito do Recurso da Fazenda Nacional.   Acerca  do  tema,  alinho­me  aqui  ao  entendimento  esposado  pelo  Relator,  Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no âmbito do Acórdão CSRF 9101­002.226, de lavra da  1a. Turma da Câmara Superior, que estabelece de forma bastante clara a interpretação correta a  ser dada ao REsp 923.012/MG (citado,  inclusive em sede de  contrarrazões pela  autuada), de  forma  a  que  se  dê,  aqui,  correto  cumprimento  ao  disposto  no  art.  62,  §  2o.  do  Regimento  Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 06 de junho de 2015, verbis.   (...)  O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do RESP n°  923.012/MG  sob  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (Art.  543C  do  CPC),  manifestou  o  seguinte  entendimento  sobre  a  matéria em pauta:  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543C,  DO  CPC.  RESPONSABILIDADE POR  INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE  EMPRESAS.ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  INCLUSÃO  DE  MERCADORIAS  DADAS  EM  BONIFICAÇÃO.  DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC  N.º  87/96.  MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª  SEÇÃO,  NO  RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543­C DO  CPC.  Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 491          8 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além  dos  tributos  devidos  pelo  sucedido,  as multas moratórias  ou  punitivas,  que,  por  representarem  dívida  de  valor,  acompanham  o  passivo  do  patrimônio  adquirido  pelo  sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a  data da  sucessão.  (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel.  Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  21/05/2009,  DJe  08/06/2009;  REsp  959.389/RS,  Rel.  Ministro  CASTRO  MEIRA,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  07/05/2009,  DJe  21/05/2009;  AgRg  no REsp  1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  23/04/2009,  DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel.  Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em  24/10/1990, DJ 19/11/1990)  2.  "(...)  A  hipótese  de  sucessão  empresarial  (fusão,  cisão,  incorporação), assim como nos casos de aquisição  de  fundo  de  comércio  ou  estabelecimento  comercial  e,  principalmente,  nas  configurações  de  sucessão  por  transformação  do  tipo  societário  (sociedade  anônima  transformando­se  em  sociedade  por  cotas  de  responsabilidade  limitada,  v.g.),  em verdade, não encarta  sucessão  real,  mas  apenas  legal.  O  sujeito  passivo  é  a  pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir  juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto,  a multa  fiscal  não  se  transfere,  simplesmente  continua  a  integrar o passivo da empresa que é:  a)  fusionada;  b)  incorporada;  c)  dividida  pela  cisão;  d)  adquirida;  e)  transformada.  (Sacha  Calmon  Navarro  Coêlho,  in  Curso  de  Direito  Tributário  Brasileiro,  Ed.  Forense, 9ª ed., p. 701)  [...]  VOTO   [...]  No  tocante  ao  segundo  ponto  suscitado,  qual  seja,  a  responsabilidade  da  sucessora  empresa  incorporadora  pela  multa  aplicada  à  empresa  incorporada,  impõe­se  o  conhecimento  do  recurso,  ante  o  preenchimento  dos  requisitos de admissibilidade recursal.  Deveras,  a  questão  não  é  nova  nesta  Corte  Superior,  consoante dessume­se dos seguintes precedentes:  [...]Com efeito, não é outra a conclusão que desponta de  uma  interpretação  conjunta  dos  dispositivos  legais  pertinentes,  sitos  na  Seção  II,  do  Código  Tributário  Nacional, que versa a Responsabilidade dos Sucessores,  in verbis:  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 492          9 [...]  Deveras, conquanto os arts. 132 e 133 do CTN refiram­se  tão  somente  aos  tributos  devidos  pelos  sucedidos,  se  interpretados  tais  dispositivos  conjuntamente  com  o  art.  129,  chega­se  à  conclusão  de  que  a  regra  naqueles  insculpida  aplica­se  também  aos  créditos  tributários  definitivamente constituídos ou em curso de constituição.  Nesse  segmento,  tem­se  que  os  "créditos  tributários"  mencionados  no  aludido  art.  129,  na  ótica  do  legislador,  compreendem  não  apenas  aqueles  decorrentes  de  tributos,  mas  também  os  oriundos  de  penalidades  pecuniárias,  consoante  dessume­se  do  art.  113,  §  1º,  do  Codex Tributário, litteris:  [...]  Nesse  sentido,  Sacha  Calmon  Navarro  leciona  que,  in  verbis:  [...]  Ex positis, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial.  Primeiramente  registro  que  a  questão  ora  examinada  sempre  ganha  relevância  quando a  autuação  fiscal  é  realizada  após  o  ato  de  incorporação  (como  aconteceu  aqui),  não  havendo  controvérsia  sobre  a  responsabilização  pela  multa  quando  ela  formalmente  já  faz  parte  do  passivo  da  empresa  a  ser  incorporada, ou seja, quando a autuação fiscal ocorre antes da  incorporação.  Digo isso porque é importante notar que a interpretação do STJ  não faz qualquer distinção motivada por um confronto entre o  momento da autuação fiscal e a data do evento societário. Ao  contrário,  ela  leva  em  conta  apenas  a  data  do  fato  gerador,  independentemente  de  o  lançamento  ter  ocorrido  antes  ou  depois do evento societário.   De  acordo  com  a  ementa  e  o  voto  acima  transcritos:  no  que  toca  à  sessão  do  CTN  que  trata  da  "Responsabilidade  dos  Sucessores",  a  expressão  "créditos  tributários"  compreende  não  apenas  aqueles  decorrentes  de  tributos,  mas  também  os  oriundos  de  penalidades  pecuniárias;  as  normas  de  responsabilização  aplicam­se  tanto  aos  créditos  tributários  definitivamente  constituídos,  quanto  aos  em  curso  de  constituição;  e  a  responsabilidade  tributária  do  sucessor  abrange  também  as  multas  (moratórias  ou  punitivas),  desde  que seu fato gerador (infração tributária) tenha ocorrido até a  data da sucessão.  Outro  aspecto  relevante  é  que  o  STJ  reconhece  a  responsabilidade tributária do sucessor pelas multas, sem fazer  qualquer  ressalva  quanto  à  existência  de  relação  societária  Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 493          10 entre  as  empresas  envolvidas  (envolvimento  dos  mesmos  administradores). (g.n.)  Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, ao proferir  o Acórdão nº 9101­001.967, na sessão de 19/08/2014, examinou  essa mesma decisão do STJ, ocasião em que fiquei vencido pela  interpretação que dela fiz, nos termos acima mencionados.  O  voto  que  orientou  o  referido  Acórdão  nº  9101­001.967,  com  uma  interpretação  contrária  àquela  por  mim  manifestada,  apresentou  o  seguinte  entendimento  em  relação  à  decisão  do  STJ:  Assim,  tem­se  que  a  posição  do  STJ  não  contraria  o  conteúdo do acórdão recorrido, pois caso o lançamento de  crédito decorrente de fato gerador praticado pelo sucedido,  seja efetuado após a extinção por  incorporação, este não  integrará  o  passivo  adquirido  pelo  sucessor,  razão  pela  qual sua responsabilidade fica afastada.  Ocorre que, após o processamento de  embargos de declaração  interpostos  contra  a  referida  decisão  do  STJ  no  RESP  n°  923.012/MG,  aquele  tribunal  afastou  qualquer  polêmica  ou  dúvida  que  poderia  existir  sobre  o  significado  de  seu  posicionamento,  conforme  esclarece  a  própria  ementa  do  julgamento dos embargos:  EMENTA   EMBARGOS  DECLARATÓRIOS  EM  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  RESPONSABILIDADE POR  INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE  EMPRESAS  (INCORPORAÇÃO).  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  VALOR  DA  OPERAÇÃO  MERCANTIL.  EXCLUSÃO  DE  MERCADORIAS  DADAS  EM  BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA  DECIDIDA  PELA  1ª.  SEÇÃO,  NO  RESP.  1.111.156/SP,  REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB  O  REGIME  DO  ART.  543­C  DO  CPC.  ASSERTIVA  DO  ACÓRDÃO  RECORRIDO  DE  QUE  NÃO  FICOU  COMPROVADA  ESSA  INCONDICIONALIDADE,  NA  HIPÓTESE  DOS  AUTOS.  AUSÊNCIA  DE  OMISSÃO,  CONTRADIÇÃO  OU  OBSCURIDADE.  PRETENSÃO  DE  ALTERAÇÃO  DO  JULGADO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO REJEITADOS.  1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo  que  o  recurso  de  embargos  de  declaração,  desafiado  contra  decisão  judicial  monocrática  ou  colegiada,  se  subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um  destes  requisitos:  (a)  obscuridade,  (b)  contradição  ou  (c)  omissão,  querendo  isso  dizer  que,  se  a  decisão  embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não  deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido.  Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 494          11 da  observância  rigorosa  desses  chamados  pressupostos  processuais, muito menos usar o  recurso  como  forma de  reversão pura e simples da conclusão do julgado.  2.  As  omissões  e  contradições  apontadas,  em  verdade,  não  ocorreram;  o  que  se  constata  é  que  o  contribuinte  pretende  reverter  o  resultado  do  julgamento,  tentando  fazer  prevalecer  seu  ponto  de  vista  sobre  os  temas  discutidos.  3. Quanto  ao  pedido  de  exclusão  da  base  de  cálculo  do  ICMS das mercadorias dadas em bonificação, [...]  4.  Tanto  o  tributo  quanto  as multas  a  ele  associadas  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal  fazem  parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa  incorporada  que  se  transfere  ao  incorporador,  de  modo  que  não  pode  ser  cingida  a  sua  cobrança,  até  porque  a  sociedade  incorporada  deixa  de  ostentar  personalidade jurídica.  5.  O  que  importa  é  a  identificação  do  momento  da  ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação  tributária,  e  do  ato  ou  fato  originador  da  sucessão,  sendo desinfluente, como restou assentado no aresto  embargado, que esse crédito já esteja formalizado por  meio  de  lançamento  tributário,  que  apenas  o  materializa. (g.n.)  6. Embargos Declaratórios rejeitados.  (...)  O  STJ,  portanto,  reconhece  a  responsabilidade  tributária  do  sucessor  pelas  multas  sem  fazer  qualquer  ressalva  quanto  à  existência  de  relação  societária  entre  as  empresas  envolvidas  (envolvimento dos mesmos administradores). Além disso, deixa  bastante  claro  que  essa  responsabilidade  independe  do  momento  da  autuação  fiscal  (se  antes  ou  depois  do  evento  societário).  De acordo com o STJ, a  leitura correta do Código Tributário  Nacional CTN é a seguinte:  ­ no que toca à sessão do CTN que trata da "Responsabilidade  dos  Sucessores",  a  expressão  "créditos  tributários"  compreende  não  apenas  aqueles  decorrentes  de  tributos, mas  também os oriundos de penalidades pecuniárias; e   ­  a  transferência  da  responsabilidade  por  sucessão  aplica­se,  por  igual,  aos  "créditos  tributários"  já  definitivamente  constituídos, ou em curso de constituição à data dos atos nela  referidos,  e  aos  constituídos  posteriormente  aos mesmos  atos,  desde  que  relativos  a  obrigações  tributárias  surgidas  até  a  referida data.  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 16327.000813/2001­46  Acórdão n.º 9202­003.970  CSRF­T2  Fl. 495          12 O  que  é  importante  perceber  quanto  ao  tema  da  responsabilidade  tributária  dos  sucessores,  é  que  a  referida  decisão do STJ não faz distinção de tratamento entre o tributo e  a multa que o acompanha.  Tratando­se de decisão definitiva de mérito, proferida pelo STJ  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos  (art.  543­C  do  CPC),  com  trânsito  em  julgado  em  04/06/2013,  e  considerando  o  disposto  no  §  2º  do  art.  62  do  Anexo  II  do  atual  Regimento  Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, tal  posicionamento  deve  ser  reproduzido  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Nesse  contexto,  não  há  como  afastar  a  multa  de  ofício  sob  exame.  (...)"  De  se  curvar,  assim,  também  esta  Câmara  Superior  ao  decidido  acima  no  âmbito  do REsp  923.012, decisum  vinculante  devidamente  esclarecido  consoante  apreciação  posterior  realizada  em sede de Embargos. Não há,  em meu  entendimento,  qualquer  reparo  à  correta  interpretação  do  teor  da  decisão  defendida  pelo  Relator  e  vencedora  no  âmbito  do  Acórdão CSRF 9.101­002.226, a qual também acedo  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da  Fazenda  Nacional,  para  fins  de  restabelecer  a  exigência  da  multa  de  ofício  para  a  autuada  (Acma Participações), visto que sucessora do Banco Itamarati S/A, sujeito passivo quando da  ocorrência dos fatos geradores objeto de lançamento, respectivamente em 30/04/96 e 29/05/96  (e­fl. 05).   É como voto.     (assinado digitalmente)  Heitor de Souza Lima Junior ­ Relator                           Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO

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6441881 #
Numero do processo: 10580.732576/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 2201-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.732576/2012­51  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­003.242  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de junho de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  VERA LUCIA CANGUSSU SILVEIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2011  RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.  Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do recurso, por intempestivo.                 Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah ­ Presidente e Relator.      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah  (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira,  Jose Alfredo Duarte Filho  (Suplente Convocado),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente  Convocado),  Maria  Anselma  Coscrato  dos  Santos  (Suplente  Convocada),  Carlos  Alberto  Mees  Stringari,  Carlos  Cesar  Quadros  Pierre  e  Ana  Cecilia Lustosa da Cruz.  Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre  a  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF),  ano­calendário  2010,  consubstanciado  na  Notificação  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 25 76 /2 01 2- 51 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH     2 Lançamento,  pela  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 1.578,53.  A autoridade fiscal apurou:  a) Omissão de Rendimento do Trabalho no valor de R$ 3.562,66;  b)  Omissão  de  Rendimento  Recebido  de  Pessoa  Jurídica  decorrente de Ação Trabalhista no valor de R$ 3.400,37 e IRRF  de R$ 175,30 e   c) Compensação  indevida de  imposto de  renda  retido na  fonte,  no valor de R$ 862,15.  Cientificada  do  lançamento,  a  interessada  apresentou  tempestivamente  impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  O contribuinte contestou o lançamento através do instrumento de  fls.  02,  alegando  em  síntese,  que  o  valor  da  compensação  indevida de  imposto de  renda retido na  fonte de R$ 566,19, da  fonte  pagadora  CNPJ  05.898.818/0001­97  foi  retificada  em  13/06/2012.  As  demais  infrações  a  contribuinte  manifesta  concordância.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, por meio do Termo  de fl. 35 transferiu a parte não impugnada para o processo nº 18050.720067/2014­48.  A 21ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou improcedente a impugnação  apresentada, conforme ementa abaixo transcrita:  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA  DE  IMPOSTO  RETIDO  NA FONTE.  O  direito  à  compensação  de  imposto  de  renda  está  condicionado  à  comprovação  da  efetiva  retenção  na  fonte  pagadora dos rendimentos.  Impugnação Improcedente  Intimada da decisão de primeira instância em 18/07/2014, conforme Edital de  fl.  61,  a  autuada  apresenta  petição,  em  13/11/2014,  fl.  72,  solicitando  que  se  analise  a  Declaração de Rendimentos revisada da fonte pagadora Vera Lucia Cangussu Silveira.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator    De  início,  cumpre  aferir  a  tempestividade  do  apelo  apresentado  pela  contribuinte.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.732576/2012­51  Acórdão n.º 2201­003.242  S2­C2T1  Fl. 3          3 O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de  30  (trinta)  dias,  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  conforme  disposição  expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com  efeito  suspensivo,  dentro  dos  30  (trinta)  dias  seguintes  à  ciência da decisão.  Como se colhe dos autos, a suplicante tomou ciência da decisão de primeira  instância  em  18/07/2014,  conforme  Edital  de  fl.  61.  Considerando  que  18/07/2014  foi  uma  sexta­feira,  dia  de  expediente  normal  na  repartição,  o  primeiro  dia  útil  após  a  ciência  da  decisão  de  primeiro  grau  foi  dia  21/07/2014,  uma  segunda­feira,  sendo  que  nesse  caso,  o  último  dia  para  a  apresentação  do  recurso  seria  19/08/2014,  uma  terça­feira.  Ocorre  que  o  recurso  foi  apresentado  em  13/11/2014,  fl.  72,  após  ultrapassado  o  prazo  de  30  dias  do  recebimento da decisão de primeira instância.  É  forçoso  concluir,  portanto,  pela  intempestividade  do  recurso  o  que  torna  definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I do  art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, verbis:  Art. 42. São definitivas as decisões:  I  –  de  primeira  instância,  esgotado  o  prazo  para  recurso  voluntário sem que este tenha sido interposto;  Isso posto, não deve ser conhecido o recurso voluntário.    Ante ao exposto, voto por não conhecer o recurso, por intempestivo.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah                                  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10983.721668/2012-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Caso o recurso não demonstre divergência indicando até 2 (duas) decisões paradigmas, resta não atendido requisito de admissibilidade, razão pela qual não deve ser conhecido. ASPECTO TEMPORAL. MATERIALIDADE. PARADIGMAS. INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Incorreção do aspecto temporal implica em vício de ordem material, situação distinta dos acórdãos paradigmas apresentados, que tratam de vícios sanáveis, que não prejudicaram a compreensão da defesa e não consistiram em afronta à legalidade do lançamento.
Numero da decisão: 9101-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto à matéria de nulidade de lançamento, não conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes Moura. Quanto à matéria do recurso de ofício, não conhecer do recurso por maioria de votos, vencido o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (Assinado digitalmente) CRISTIANE SILVA COSTA - Relatora. (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES DE MOURA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada), Maria Teresa Martinez Lopes (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 1.114          1 1.113  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10983.721668/2012­73  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­002.268  –  1ª Turma   Sessão de  03 de março de 2016  Matéria  IRPJ  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  TJ ADMINISTRADORA DE BENS S/A e OUTROS    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2002  NÃO CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.  Caso  o  recurso  não  demonstre  divergência  indicando  até  2  (duas)  decisões  paradigmas, resta não atendido requisito de admissibilidade, razão pela qual  não deve ser conhecido.   ASPECTO  TEMPORAL.  MATERIALIDADE.  PARADIGMAS.  INSUFICIÊNCIA DE MOTIVAÇÃO.  Incorreção do aspecto temporal implica em vício de ordem material, situação  distinta dos acórdãos paradigmas apresentados, que tratam de vícios sanáveis,  que não prejudicaram a compreensão da defesa e não consistiram em afronta  à legalidade do lançamento.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  quanto  à  matéria  de  nulidade  de  lançamento, não conhecer do recurso, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane  Silva Costa (Relatora), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal  de  Araújo.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  André  Mendes  Moura.  Quanto à matéria do recurso de ofício, não conhecer do recurso por maioria de votos, vencido o  Conselheiro Rafael Vidal de Araújo.    (Assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 16 68 /2 01 2- 73 Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.115          2 (Assinado digitalmente)  CRISTIANE SILVA COSTA ­ Relatora.    (Assinado digitalmente)  ANDRÉ MENDES DE MOURA ­ Redator designado.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira  Valadão,  Cristiane  Silva Costa,  Adriana Gomes  Rego,  Luís  Flávio  Neto,  André Mendes  de  Moura, Livia De Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto  Rodrigues Amadio  (Suplente Convocada), Maria Teresa Martinez Lopes  (Vice­Presidente)  e  Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).      Relatório  Trata­se de Autos de Infração de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício  de 150% referente  a  fato gerador ocorrido  em 30/09/2007,  como  se verifica dos  trechos dos  respectivos Autos de Infração reproduzidos a seguir:    Fato Gerador     Valor Apurado     (R$) Multa (%)  30/09/2007     65.900.917,46     150,00  Consta do Relatório de Atividade Fiscal, que acompanha o Auto de Infração:  Resumidamente, pode­se dizer que realizados os procedimentos fiscais foram  verificados  dois  tipos  de  infrações  relacionadas  a  omissões  de  receitas  e  ganhos. O primeiro tipo de infração configura­se como omissão de ganho de  capital na alienação de bens imóveis. O referido ganho ocorreu na alienação  dos bens imóveis pelo seu valor reavaliado a preço de mercado no momento  da subscrição e integralização de capital em empresa controlada. Ou seja, a  TJ Administradora de Bens S/A, que reavaliara terrenos de sua propriedade  incorporou ao seu capital social o valor da reavaliação e, ao mesmo tempo,  subscreveu capital em controlada integralizando o dito capital com a entrega  dos  terrenos  avaliados  a  preço  de  mercado,  de  forma  que,  ao  final  da  operação, o valor completamente realizado da reavaliação passou a constar  tanto  no  passivo  (capital  social)  quanto  no  ativo  (participação  em  controlada), sem a correspondente menção a qualquer saldo de reavaliação  a realizar. (...)  Realização de ganho de capital  Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.116          3 A  infração  referente  à  realização  de  ganho  de  capital,  foi  considerada  em  vista  da  falta  de  declaração  e  pagamento  de  tributos  incidentes  sobre  o  ganho  de  capital  decorrente  da  alienação  de  bens  imóveis.  Como  foi  dito  anteriormente, a empresa reavaliou terrenos de sua propriedade, incorporou  o  valor  da  reserva  de  reavaliação  ao  seu  capital  social  e,  ainda,  entregou  (alienou)  os  terrenos  ao  preço  reavaliado  em  troca  de  participação  societária  em  empresa  controlada.  Ao  final  desta  seqüência  de  atos,  na  contabilidade da TJ Administradora de Bens, no lado do passivo, constava o  capital social aumentado no valor da reserva de reavaliação incorporada e,  no  lado  do  ativo,  constava  a  participação  societária  composta  pelo  valor  reavaliado dos terrenos, sem qualquer destaque na conta de “Investimentos”  do correspondente saldo a realizar. Diante deste quadro, agravado pelo fato  de  que  sob  o  regime  de  tributação  do  lucro  presumido  não  há  qualquer  controle  dos  valores  diferidos  em  livro  fiscal  (Lalur),  não  há  como  não  reconhecer  que o  padrão de  contabilização  é  idêntico  ao  da  realização da  reserva de reavaliação e que de fato ocorreu o ganho de capital  (...)  Quanto  às  irregularidades  irregularidades  relacionadas  à  reserva  de  reavaliação,  a  informação  trazida  na  leitura  da  6ª  alteração  do  contrato  social da TJ Administradora de Bens S/A foi corroborada pela escrituração  dos  livros  contábeis  referentes  aos  anos­calendário  2007  e  2008. De  sorte  que  ficaram confirmados nos  livros contábeis a) a  incorporação ao capital  da reserva de reavaliação, b) a subscrição e a integralização com a entrega  de terrenos, bem assim, c) o registro da participação societária recebida em  troca  dos  terrenos  pelo  valor  integral  desses  bens  avaliados  a  preço  de  mercado. Em outras palavras,  a  verificação dos  livros  contábeis  referentes  ao  ano­calendário  2008  revelou  a  presença  de  lançamentos  contábeis  compatíveis com os procedimentos de realização de reserva de reavaliação  (...)  De  todos  esses  arquivamentos  o  mais  importante  e  definitivo  para  a  configuração  da  realização  do  fato  gerador  concernente  à  realização  da  reserva de reavaliação é a “6ª Alteração Contratual” (que foi assinada em  29/10/2007).  Como  veremos  mais  a  frente,  em  razão  das  pretensões  do  sujeito  passivo  de  anular  os  efeitos  tributários  dos  atos  realizados,  os  arquivamentos  posteriores  à  “6ª  Alteração  Contratual”  também  são  considerados importantes instrumentos probatórios.  (...)  Conclusões sobre o exame dos atos societários  Diante  das  constatações  acima,  formuladas  como  resultado  do  exame  dos  atos societários ­ considerados estes individualmente ou em suas interações  com os demais ­, formou­se convicção de que:  a) De um lado, as deliberações contidas na “6ª Alteração Contratual”, por  bem  refletirem  a  vontade  das  partes  envolvidas,  são  consideradas  como  Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.117          4 idôneas e hábeis para gerar os efeitos comuns a tais deliberações (inclusive  efeitos  tributários). A  idoneidade e  fidelidade das deliberações às vontades  das partes ficou patenteada seja pela ratificação dos seus dizeres nos quatro  atos  societários  subseqüentes  à  “6ª  Alteração  Contratual”,  seja  pela  sua  confirmação por quase quatro anos, e mesmo, pela correspondência entre as  ditas deliberações e os lançamentos contábeis por ela determinados.   b) Por outro  lado, a pretendida  revogação de deliberações  formalizada na  ata da AGE de 1º/04/2011 ­ que visava modificar os dizeres sobre o aumento  do  Capital  Social  presentes  na  “6ª  Alteração  Contratual”  e  que  teria  reflexos  nos  atos  societários  subseqüentes  ­  não  tem  o  condão  de  descaracterizar a ocorrência do fato gerador que, pela presença de todos os  seus  elementos  essenciais  formadores,  ocorrera  ao  final  do  3º  trimestre de  2007. Nesse sentido, não é demais ressaltar que, a tentativa de modificar o  teor  dos  assentamentos  societários  para  descaracterizar  o  fato  jurígeno  ocorrido,  além  de  ser  juridicamente  impossível  para  exações  tributárias,  torna­se evidentemente inidônea diante da existência de procedimento fiscal  em  curso  sobre  a  matéria  cuja  modificação  se  pleiteia  e,  por  isso,  o  documento derivado dessa tentativa torna­se inequivocamente inidôneo para  gerar os efeitos pretendidos  A  contribuinte  apresentou  impugnação  administrativa,  que  foi  parcialmente  acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ   Data do fato gerador: 30/09/2007   Integralização  de  Capital  Social  em  outra  empresa.  Bens  Reavaliados.  Caracterização de Alienação. Fato Gerador. Ganho de Capital.   Constatado que os bens do ativo imobilizado, incorporados ao patrimônio de  outra  pessoa  jurídica  na  integralização  de  capital  social,  eram  bens  reavaliados,  caracterizada  a  sua  alienação  devendo  ser  observado  a  existência de eventual ganho de capital.   Considera­se  ocorrido  o  fato  gerador  no  momento  em  que  se  efetivou  a  transferência dos bens  reavaliados,  legitimada pelo  competente  registro  no  Registro  de  Imóveis.  Reserva  de  Reavaliação.  Imóveis  transferidos  em  integralização  de  capital  social  em  outra  empresa.  Lucro  Presumido.  Tributação.   Na  apuração  de  ganho  de  capital  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  presumido  ou  arbitrado,  os  valores  acrescidos  em  virtude  de  reavaliação  somente  poderão  ser  computados  como  parte  integrante  dos  custos  de  aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar (o que não ocorreu)  que  os  valores  acrescidos  foram  computados  na  determinação  da  base  de  cálculo do imposto de renda, inclusive no caso de bens originados de cisão.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.118          5 Data do fato gerador: 30/09/2007   IRPJ. CSLL. Lucro Presumido. Fato Gerador trimestral. Decadência. Prazo   O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito Tributário, relativamente  ao  imposto  de  renda,  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  extingue­se  em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, nos termos  do  §  4º  do  art.  150  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  se  ausente  a  hipótese  da  ocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação.  Se  os  lançamentos  efetuados  foram  cientificados  antes  desta  data,  não  há  que  se  cogitar  da  existência de decadência.   Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício.  Incabível.   Constatado que na  conduta da  fiscalizada não  se verificaram as  condições  previstas  nos  arts.71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  1964,  incabível  a  duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº  9.430/96  (com  a  nova  redação  do  artigo  dada  pela Medida  Provisória  nº  351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007).   Solidariedade  Tributária.  Empresa  Ligada.  Interesse  Comum.  São  solidariamente  obrigadas  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. É solidária a  pessoa  que  atua  de  forma  direta,  realiza  individual  ou  conjuntamente  com  outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador,  ou que,  em comum com outras,  esteja  em  relação ativa  com o ato,  fato ou  negócio que dá origem à tributação. Afasta­se da responsabilidade solidária  a pessoa jurídica ligada que, a despeito de possuir  interesse nas atividades  da Fiscalizada,  não  praticou  atos  que  a  vinculasse  diretamente  à  situação  que fez surgir o fato gerador.   ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Data do fato gerador: 30/09/2007   Lançamento Decorrente. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido ­ CSLL.   No mérito,  tratando­se da mesma matéria fática, aplica­se aos lançamentos  decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ).   Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte   A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara negou provimento ao recurso de ofício e  deu provimento ao recurso voluntário, em julgamento cuja ementa se transcreve a seguir:  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  DATA  DO  FATO  GERADOR:  30/09/2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  DISSOCIAÇÃO.  FATOS  DESCRITOS. IMPUTAÇÃO EQUIVOCADA NO ASPECTO TEMPORAL DA  HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.   Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.119          6 Ao  verificar­se  clara  e  evidente  contradição  entre  a  descrição  no  relatório  fiscal  e  a  imputação  temporal  constante  do  auto  de  infração,  configura­se  vício material insanável do lançamento de ofício. Recurso de Oficio Negado.  Recurso Voluntário Provido.   Destaca­se do voto do relator em julgamento do recurso voluntário, tratando  do tema:  O  auditor  fiscal  aponta  em  seu  relatório  que  a  6ª  Alteração  do  contrato  social  da  contribuinte  é  o  documento  mais  relevante  e  definitivo  para  a  realização  do  fato  gerador,  como  asseverou  a  fls.  757/759  e  764/765  do  referido relatório, a saber:  De todos esses arquivamentos o mais importante e definitivo para a  configuração da realização do fato gerador concernente à realização  da reserva de reavaliação é a 6ª Alteração Contratual [..] (fls. 759)  [...]  a  6ª  Alteração  Contratual  da  Sociedade  Limitada  TJ  Administradora  de  Bens,  assinada  em  20/10/2007  e  arquivada  na  Junta Comercial do Estado de Santa Catarina – Jucesc em 29/01/2008  [...] (fls. 757/758)  [...]  na  6ª  Alteração  Contratual  ocorreram,  de  fato,  o  aumento  de  Capital  Social  pela  incorporação  da  reserva  de  reavaliação  de  imóveis [...] (fls. 759).  Mencionamos que as principais provas da ocorrência do fato gerador  em questão são a 6ª Alteração Contratual e a escrituração contábil do  sujeito passivo (fls. 764/765).”  De outro lado, no corpo do auto de infração a autoridade lançadora indica  como sendo o momento da ocorrência do fato gerador a data de 30/09/2007,  denotando, assim, evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal  e a imputação temporal constante do auto de infração.  Os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional  não foram conhecidos pela Turma, conforme acórdão cuja ementa se transcreve a seguir:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário:  2007  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  ­  NÃO  CONFIGURAÇÃO DE CONTRADIÇÃO E OMISSÃO ­ IMPOSSIBILIDADE  DE REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. Os  embargos de declaração  visam ao  saneamento  de  vícios  existentes  no  voto,  sendo  inviável  qualquer  análise de mérito já realizada anteriormente. A contradição é a presença na  decisão  de  conclusões  inconciliáveis  entre  si.  O  que  importa  para  fins  de  cabimento  dos  embargos  de  declaração  é  que  a  concomitância  de  idéias  inconciliáveis  também  influa  na  intelecção  da  decisão,  comprometendo,  consequentemente, a produção de regulares efeitos, o que não se constatou  no julgado pelo colegiado. Omissão é a falta de manifestação expressa sobre  algum ‘ponto’ (fundamento de fato ou de direito) ventilado na causa e, sobre  Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.120          7 o qual deveria manifestar­se o colegiado, o que, igualmente, também não se  evidenciou perante a decisão embargada.   A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  interpôs  recurso  especial  quanto  às  seguintes matérias:  (a)  Nulidade do lançamento, apontado os seguintes acórdãos paradigmas:  (a.1)  Acórdão  nº  CSRF  01/05.716,  no  qual  consta  que  “Se  o  ato  alcançou os  fins postos  pelo  sistema,  sem que  se verifique prejuízo as  partes  e  ao  sistema  de  modo  que  o  torne  inaceitável,  ele  deve  permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar  concretamente,  e  não  apenas  em  tese.  O  exame  da  impugnação  evidencia  a  correta  percepção  do  conteúdo  e  da  motivação  do  lançamento. Não se deve confundir o motivo do ato administrativo com  a  "motivação"  feita  pela  autoridade  administrativa  que  integra  a  "formalização"  do  ato.  Os  atos  com  vício  de  motivo  não  podem  ser  convalidados,  uma  vez  que  tais  vícios  subsistiriam no  novo  ato.  Já  os  vícios de formalização podem ser convalidados, sanando a  ilegalidade  desde  que  não  se  cause  cerceamento  do  direito  de  defesa  ao  administrado.”  (a.2) Acórdão 104­17279, no qual se decidiu que “O Auto de Infração e  demais  termos  do  processo  fiscal  só  são  nulos  nos  casos  previstos  no  art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal).”  A Procuradoria  ainda menciona  outros  2  acórdãos  cuja  ementa  não  se  reproduz no presente relatório, mas cuja admissibilidade será tratada no  voto a seguir.  (b)  Não conhecimento do recurso de ofício,  indicando como paradigma o  Acórdão nº 101­93767,  que decidiu que: “Anulada a decisão  singular  por  cerceamento de defesa, perde o objeto o recurso de ofício interposto.”  Com fundamento nestas razões, a Procuradoria da Fazenda Nacional requer o  provimento ao recurso para afastar a nulidade do lançamento, sucessivamente requerendo seja  reconhecida a nulidade por vício formal e o não conhecimento do recurso de ofício.   O  recurso  especial  foi  admitido,  conforme  despacho  às  fls,  do  que  qual  se  reproduz a conclusão:  Atendidos  os  pressupostos  de  tempestividade  e  legitimidade,  previstos  nos  arts.  67e  68  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF,  e  tendo  sido  comprovadas as divergências jurisprudencial para tanto para a nulidade de  lançamento por vício material, quanto para a decisão de negar provimento  ao  recurso  de  ofício,  DOU  SEGUIMENTO  ao  recurso  especial  da  Procuradoria da Fazenda Nacional.  A  contribuinte  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  especial,  requerendo  o  não conhecimento do recurso, porque não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e  os paradigmas.  Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.121          8     Voto Vencido  Conselheira Cristiane    O recurso é tempestivo, razão pela qual passo à análise das demais condições  para seu conhecimento:    A nulidade do lançamento  A  respeito  da  nulidade  do  lançamento,  a  Recorrente  sustenta  divergência  apontando  2  acórdãos  como  paradigmas:  CSRF  01/05.716  e  104­17279.  Do  primeiro  paradigma (CSRF 01/05.716), destaque­se a ementa tratando da nulidade:  Se o ato alcançou os fins postos pelo sistema, sem que se verifique prejuízo  as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável, ele deve permanecer  válido. O cerceamento do direito de defesa deve se verificar concretamente, e  não apenas em tese. O exame da impugnação evidencia a correta percepção  do conteúdo e da motivação do lançamento. Não se deve confundir o motivo  do  ato  administrativo  com  a  "motivação"  feita  pela  autoridade  administrativa  que  integra  a  "formalização"  do  ato.  Os  atos  com  vício  de  motivo não podem ser convalidados, uma vez que tais vícios subsistiriam no  novo ato. Já os  vícios de  formalização podem ser convalidados,  sanando a  ilegalidade  desde  que  não  se  cause  cerceamento  do  direito  de  defesa  ao  administrado.  A situação fática relatada neste acórdão paradigma é a de reconhecimento de  nulidade  em  ausência  de  descrição  precisa  no  lançamento  fiscal.  Consta  do  voto  do  Conselheiro relator: "A questão a ser solucionada por esta Turma julgadora cinge­se ao exame  da  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento  do  direito  de  defesa".  Quanto  ao  acórdão  recorrido, no caso dos presentes autos, trata de uma nulidade por motivação deficiente do Auto  de Infração, descrita pelo acórdão recorrido como " evidente contradição entre a descrição no  relatório fiscal e a imputação temporal constante do auto de infração ".   Note­se que as situações descritas em acórdão paradigma e acórdão recorrido  não são idênticas, mas bastante similares, justificando o conhecimento do recurso especial.   O segundo paradigma identificado pela Recorrente (Acórdão 104­17279) tem  a seguinte ementa:  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  POR  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  ­  CAPITULAÇÃO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS  INCOMPLETA  ­  O  auto  de  infração  deverá  conter,  Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.122          9 obrigatoriamente,  entre  outros  requisitos  formais,  a  capitulação  legal  e  a  descrição dos fatos. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente  as acusações que lhe forma imputadas, rebatendo­as, uma a uma, de forma  meticulosa,  mediante  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões  preliminares  como  também  razões  de  mérito,  descabe  proposição  de  nulidade do lançamento por cerceamento de defesa.  NULIDADE DO  PROCESSO FISCAL  POR  VÍCIO  FORMAL  ­ O  Auto  de  Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos  no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal)  Vislumbra­se neste segundo paradigma situação similar do acórdão recorrido,  ambos tratando de insuficiência da motivação do auto de infração.  Portanto,  entendo  que  há  similitude  fática  entre  os  casos,  como  soluções  jurídicas  divergentes,  razão  pela  qual  conheço  do  recurso  especial  da  Procuradoria  da  Fazenda Nacional quanto à nulidade.    O não conhecimento do recurso de ofício  Nesse  ponto,  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  pretende  a  reforma  da  decisão  recorrida,  que  negou  provimento  ao  recurso  de  ofício,  para  que  seja  negado  conhecimento a este recurso. Para tanto, apresenta o acórdão paradigma n. 101­93767. Ocorre  que este paradigma trata de situação bastante diferente da presente.   O  acórdão  recorrido  entendeu  pela  nulidade  do  auto  de  infração,  diante  da  "evidente contradição entre a descrição no relatório fiscal e a imputação temporal constante  do auto de infração".   Já  o  acórdão  paradigma  tratou  de  situação  bastante  diferente.  Com  efeito,  naquele  caso,  houve o  reconhecimento  de  nulidade  da decisão  de  primeira  instância,  do  que  decorreria  a  negativa  de  conhecimento  ao  recurso  de  ofício,  pois  outra  decisão  de  primeira  instância, no futuro, seria proferida. Destaque­se trecho do voto da Relatora:  Ocorre  que,  apreciando  o  recurso  voluntário  interposto  contra  a  decisão,  nos autos do processo 10508.000348/00­78, esta Câmara, por unanimidade  de votos, anulou a decisão de primeira instância por ter ocorrido preterição  do  direito  de  defesa  (Acórdão  n°101­93.766,  sessão  de  20  de  março  de  2002).  Não  subsistindo  a  decisão  recorrida,  o  recurso  de  ofício  perde  seu  objeto,  razão pela qual não o conheço.  Portanto,  não há  similitude  fática que  justifique o  conhecimento do  recurso  especial a respeito de tal ponto.    Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.123          10 Diante  disso,  voto  conhecer  parcialmente  o  recurso  especial  da  Procuradoria da Fazenda Nacional, apenas para conhecimento da primeira divergência  relacionada à nulidade do lançamento.    (Assinado digitalmente)  Cristiane Silva Costa ­ Relatora  Voto Vencedor  Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado.  Por  outro  lado,  não  obstante  as  considerações  da  I.  Relatora,  tão  bem  expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir do exame de admissibilidade do recurso, em  relação ao ponto "nulidade do lançamento".  Entendo que não restou caracterizada a divergência entre o acórdão recorrido  e os paradigmas apresentados pela recorrente.  Sobre a nulidade,  a  recorrente discorreu sobre dois  tópicos: primeiro,  sobre  inexistência da nulidade, e segundo, sobre a natureza do vício.  Conforme  o  voto  da  relatora,  foram  apresentados  como  paradigmas  os  acórdãos  CSRF/01­05.716  e  104­17279,  da  Quarta  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes.  Destaca  a  recorrente  que  no  acórdão  CSRF/01­05.716  entende­se  que  "a  deficiência  no  pressuposto  da motivação  é  sanável  e  não  enseja  a  nulidade  do  lançamento,  ainda mais sob a pecha de vício material". Vale transcrever a parte da ementa sobre o assunto:  NORMAS PROCESSUAIS – CERCEAMENTO DO DIREITO DE  DEFESA  –  ATO  MERAMENTE  IRREGULAR  ­  Se  o  ato  alcançou  os  fins  postos  pelo  sistema,  sem  que  se  verifique  prejuízo as partes e ao sistema de modo que o torne inaceitável,  ele deve permanecer válido. O cerceamento do direito de defesa  deve se verificar concretamente, e não apenas em tese. O exame  da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e da  motivação  do  lançamento.  Não  se  deve  confundir  o  motivo  do  ato  administrativo  com  a  "motivação"  feita  pela  autoridade  administrativa que integra a "formalização" do ato. Os atos com  vício  de motivo  não  podem  ser  convalidados,  uma vez  que  tais  vícios  subsistiriam  no  novo  ato.  Já  os  vícios  de  formalização  podem ser convalidados, sanando a ilegalidade desde que não se  cause cerceamento do direito de defesa ao administrado.  Ocorre que a nulidade apontada pela decisão recorrida não trata da situação  posta  no  paradigma, mas  sim  de  erro  no  aspecto  temporal  da  hipótese  de  incidência,  o  que  consiste em afronta à materialidade do lançamento, que encontra previsão legal na norma que  tipifica a infração tributária e no art. 142 do CTN. O voto da decisão recorrida deixa bem claro  Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.124          11 que a nulidade decorre precisamente da identificação incorreta do aspecto temporal, que enseja  vício  de  natureza material. Não  se  fala  em  vício  na motivação. A motivação  do  ato  é  outra  coisa,  trata  do  suporte  fático  da  autuação  e  do  exercício  de  se  operar  a  subsunção  do  fato  à  norma.  No  acórdão  paradigma  fala­se  que  apenas  os  vícios  de  formalização  podem  ser  convalidados. Ocorre que  aspecto  temporal  do  lançamento não  é vício de  formalização, mas  sim vício de ordem material.   As  situações  tratadas  entre  decisão  recorrida  e  acórdão  paradigma  são  diferentes, e não se prestam a caracterizar nenhuma divergência.   Tampouco o acórdão 104­17279, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de  Contribuintes apresenta similitude com o caso em análise. Vale transcrever a ementa na parte  que interessa:  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA  ­  CAPITULAÇÃO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA ­ O auto de infração  deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais,  a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência  total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o  contribuinte  revela  conhecer  plenamente  as  acusações  que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as,  uma  a  uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões preliminares como também razões de mérito, descabe a  proposição  de  nulidade  do  lançamento  por  cerceamento  do  direito de defesa.  O que se fala no acórdão paradigma é que o cerceamento de defesa não resta  caracterizado  caso  a  parte  não  seja  prejudicada  diante  de  irregularidades  no  lançamento  que  sejam  saneáveis.  Não  há  nenhuma  correlação  com  o  caso  em  debate,  que  trata  de  vício  material, incorreta identificação do aspecto temporal, que afronta a legalidade do lançamento.  O paradigma a ser apresentado deveria tratar de autuação com erro na identificação do aspecto  temporal, e apresentar decisão no qual, ainda que estivesse caracterizado o erro, não implicaria  em ilegalidade, e que o vício material seria contornável.   Não há que se falar, portanto, em decisões divergentes.  Diante de todo o exposto, voto do sentido não conhecer do recurso especial,  em relação ao ponto "nulidade do lançamento".    (Assinado Digitalmente)  André Mendes de Moura                  Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 10983.721668/2012­73  Acórdão n.º 9101­002.268  CSRF­T1  Fl. 1.125          12     Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 30/03/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por CRISTIANE SILVA COSTA

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Numero do processo: 10540.000897/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA - PEDIDO DE PARCELAMENTO - DESISTÊNCIA DO RECURSO - DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Recurso Especial do Procurador Provido

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   2   ACORDAM os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao  recurso para declarar a definitividade do crédito  tributário, por desistência do  sujeito passivo.     (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior, Gerson Macedo Guerra.  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000897/2010­06  Acórdão n.º 9202­003.852  CSRF­T2  Fl. 3          3 Relatório  O presente processo  envolve  a  lavratura do Auto de  Infração de Obrigação  Principal ­ (AI) DEBCAD n° 37.297.191­1, em desfavor do recorrente, que tem por objeto as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  parcela  a  cargo  dos  segurados,  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  em  nome  do  órgão  público  em  epígrafe, referente às competências 12/2006 a 12/2008, recebido por meio de carta com aviso  de  recebimento,  fls.  394  do Processo  n°  10540.000902/2010­72  (DEBCAD n°  37297.196­2)  conexo aos presentes autos, no valor atualizado de R$ 260.006,44 (duzentos e sessenta mil, seis  reais e quarenta e quatro centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes.  Ainda conforme o Relatório Fiscal, fls. 01/29, e dos Relatórios de fls. 01/95  do  Processo  n°  10540.000902/2010­72  (DEBCAD  n°  37297.196­2)  conexo  aos  presentes  autos, os valores que integram a presente autuação referem­se às contribuições dos segurados  empregados.  Em  sessão  plenária  de  11/07/2012,  foi  dado  provimento  parcial  ao  recurso  Voluntário, prolatando­se o Acórdão nº 2302­001.936 (fls. 167 a 182), assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/02/2006 a 31/07/2009  É  OBRIGATÓRIO  O  RECOLHIMENTO  DA  CONTRIBUIÇÃO  RETIDA  DA  REMUNERAÇÃO  DO  SEGURADO.  APROPRIAÇÃO  INDÉBITA  As  empresas  são  obrigadas  a  arrecadar  e  recolher  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  estes  a  partir  de  04/2003,  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva  remuneração.  PARCELAS  SALARIAIS  INTEGRANTES  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  RECONHECIMENTO  PELO  CONTRIBUINTE  ATRAVÉS  DE  FOLHAS  DE  PAGAMENTO  E  OUTROS  DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.  O reconhecimento através de documentos da própria empresa da  natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos  segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da  base de cálculo.  MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.  Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação  vigente  à  época  da  lavratura,  a  contribuição  social  previdenciária  está  sujeita  à  multa  de  mora,  na  hipótese  de  recolhimento em atraso.  O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do  inciso  II  do  art.  106  do  CTN  é  de  ser  observado  quando  uma  nova  lei  cominar  a  uma  determinada  infração  tributária  uma  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   4 penalidade menos  severa que  aquela  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo da prática da infração.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  de  tributo  devido  e  não  recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido  pela  MP  n°  449/08  deve  operar  como  um  limitador  legal  do  valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase  anterior  ao  ajuizamento  da  execução  fiscal,  a  metodologia  de  cálculo  fixada  pelo  revogado  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91  se  11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o  artigo  35A,  da  Lei  n.º  8.212/91,  na  redação  dada  pela MP  n.º  449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.  JUROS/SELIC   As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias,  pagas  com  atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  SELIC,  nos  termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.  Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que  é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com  a União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  com base na  taxa  referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC  para títulos federais.  Recurso Voluntário Provido em Parte  O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional que interpôs,  tempestivamente,  em  23/08/2013,  o  Recurso  Especial  (fls.  183/190).  Em  seu  recurso  restabelecer  a  multa  aplicada  nos  termos  da  autuação,  já  que  o  art.  35  da  Lei  n°  8212/91  deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11941/09, qual seja, o art.  35­A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96.   Ao Recurso Especial  foi dado seguimento, conforme o Despacho  fls. 191 a  194.  O recorrente traz como alegações:  · O artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº  449/2008, convertida na Lei nº11.941/2009, não pode ser entendido  de  forma  isolada  do  contexto  legislativo  no  qual  está  inserido,  sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas  pela MP nº 449 à legislação previdenciária.   · A redação do art. 35­A é clara. Efetuado o lançamento de ofício das  contribuições  previdenciárias  indicadas  no  artigo  35  da  Lei  nº  8.212/91, deverá ser aplicada a multa de ofício prevista no artigo 44  da Lei nº 9.430/96.  · A multa de mora e a multa de ofício são excludentes entre si. E deve  prevalecer,  na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  configurada  a  falta  ou  recolhimento  do  tributo  e/ou  a  falta  de declaração  ou  declaração  inexata,  a  multa  de  ofício  prevista  no  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96,  diante da literalidade do art. 35A.  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000897/2010­06  Acórdão n.º 9202­003.852  CSRF­T2  Fl. 4          5 · Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de  que  a multa de mora  prevista no  art.  35,  da Lei  nº8.212/91  em  sua  redação  antiga  (revogada)  está  inserida  em  sistemática  totalmente  distinta  da  multa  de  mora  prescrita  no  art.  61  da  Lei  nº9.430/96.  Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no  art.  106  do  CTN,  pois,  para  a  interpretação  e  aplicação  da  retroatividade  benigna,  a  comparação  é  feita  em  relação  à  mesma  conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade.  · Requer ao final seja dado total provimento ao presente  recurso, para  reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação  do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na anterior redação, confirmada  pela Lei n.º 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei  nº  8.212/91,  devendo­  se  verificar,  na  execução  do  julgado,  qual  norma  mais  benéfica:  se  a  multa  anterior  (art.  35,  II,  da  norma  revogada) ou a do art. 35­A da Lei nº 8.212/91.  É o relatório.      Fl. 201DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   6 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido.  PRELIMINARES OA MÉRITO  Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente  ter  seu  patamar  restabelecido  àquele  lançado  pela  autoridade  fiscal,  entendo  que  antes  de  adentrar as questões quanto ao mérito da contenda, existe uma questão prejudicial, que merece  ser primeiramente enfrentada.  Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela  Fazenda  Nacional,  o  sujeito  passivo  apresentou  às  fls.  613,  requerimento  de  desistência,  considerando  ter  o  contribuinte  requerido  parcelamento  do  lançamento  em  questão,  senão  vejamos:  "O  Ente  público  solicita  desistência  irrevogável  e  irretratável  de  todas  as  modalidades  de  parcelamento,  inclusive  de  suas  autarquias  e  fundações,  que  contemplem  débitos passíveis, total ou parcialmente, de inclusão no parcelamento da MP 589, de 2012."  De fato, o art. 14, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao  fixar  como  critério  formal  para  adesão  ao  parcelamento  instituído  a  renúncia  por  parte  do  contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o  teor do citado artigo:  Art.  14.  Para  aproveitar  as  condições  de  que  trata  esta  Portaria,  o  sujeito  passivo  deverá  desistir  de  forma  irrevogável de  impugnação ou recurso administrativos, de  ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de  execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer  alegações de direito sobre as quais se fundam os processos  administrativos e ações judiciais.  Diante  disto,  não  há  mais  litígio  em  questão,  uma  vez  que  o  contribuinte  renunciou  ao  seu  direito  de  discutir  o  lançamento  efetuado.  Assim,  deve­se  declarar  a  definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração.  Frise­se  que  ao  aderir  ao  parcelamento  e  desistir  do  procedimento  administrativo,  renúnciando as  alegações de direito,  o parcelamento do débito  será  realizado  tendo por base os exatos valores apurados pelo Fisco quando do lançamento tributário.   CONCLUSÃO  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10540.000897/2010­06  Acórdão n.º 9202­003.852  CSRF­T2  Fl. 5          7 Diante  do  exposto,  CONHEÇO  E  DOU  PROVIMENTO  ao  Recurso  Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário como previsto no auto  de  infração  originalmente  lavrado,  haja  vista  o  pedido  de  desistência  apresentado  sujeito  passivo.  É como voto.  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                              Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/05/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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