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Numero do processo: 10660.907734/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
Conjunto de molas de colchão unidas por molas espirais, de fios de aço, para colchões, comercialmente denominado de Molejo, classifica-se no código 7326.20.00, com suporte nas Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃO CUMULATIVIDADE.
Na sistemática da não cumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os débitos decorrentes da reclassificação efetuada pela fiscalização, não havendo necessidade de lançamento de ofício para esse tipo de ajuste.
Numero da decisão: 3301-011.344
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.331, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.725113/2011-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. SISTEMÁTICA DE NÃO CUMULATIVIDADE. Na sistemática da não cumulatividade, o procedimento fiscal que visa apurar eventual saldo credor compensável deve descontar dos créditos os débitos decorrentes da reclassificação efetuada pela fiscalização, não havendo necessidade de lançamento de ofício para esse tipo de ajuste. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.331, de 27 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10660.725113/2011-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausentes o conselheiro Ari Vendramini e o conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 77 34 /2 01 1- 62 Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de pedido de ressarcimento de IPI, Per/Dcomp, o qual foi indeferido/deferido parcial, e não homologada/homologada em parte a compensação declarada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em razão da reclassificação dos produtos para nova alíquota de IPI. O contribuinte adotou classificação fiscal incorreta em toda uma série de produtos produzidos a partir de fios de arame de aço. Os produtos descritos genericamente como “MOLEJO”, “ALMOFADA” e “BORDAS” para confecção de colchões e almofadas para sofás e poltronas classificados, pelo contribuinte, no código 9404.29.00 descrito como “COLCHÕES DE OUTRAS MATÉRIAS” (que não borracha alveolar ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos – descrito no subitem anterior 21.00) e cuja alíquota de IPI é zero; A simples observação dos produtos mostra claramente que não se tratam de colchões ou almofadas e sim de artefatos de arames (fios) de aço (vendidos à empresas de fabricação de colchões, como se observa nas notas de saída), que ainda precisam de tratamento industrial para se tornarem colchões e que são compostos exclusivamente de fios de aço, exceção dos molejos cujas molas são encapsuladas umas às outras através dessas cápsulas de “não tecidos”, formando um “molejo” que possui características próprias e pouco distintas dos demais molejos, mas que são essencialmente iguais e não se enquadram na classificação pretendida, pois não se tratam de colchões; Cientificada da decisão a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Não deve prosperar o despacho decisório, pois o meio próprio para a fiscalização lançar estes créditos seria através de auto de infração. Ao indeferir parcialmente a compensação, o que a autoridade pretende é exigir indiretamente o IPI supostamente devido referente às saídas ocorridas no período; [ A empresa discorda da classificação adotada pelo auditor fiscal, pois o produto em tela, “molejo” é a parte essencial do colchão; todas as características de um colchão dependem do tipo de conjunto de molejos que é utilizado. É a parte fundamental do colchão; O auditor fiscal não soube utilizar corretamente a RGI “2a” que determinaria a classificação do produto como colchão inacabado ou incompleto, pois o molejo contém ‘no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado”; O auditor fiscal também desconsiderou as notas explicativas da posição 9404 (B) que afirma que deverão ser incluídos nessa posição os colchões “cuja característica essencial seja estarem providos de molas”; O auditor fiscal desconsiderou e não aplicou a IN SRF nº 807, de 11 de janeiro de 2008, a qual expressamente determina que a posição 94.04 abrange os suportes elásticos para camas; Fl. 346DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 Sendo assim, o "molejo" contém um sistema de molas bastante complexo que é, como afirma a nota da posição 9404, característica essencial do colchão, sendo suficiente para classificar o "molejo" como colchão inacabado ou incompleto; Voltando a RGI 2a, o produto inacabado deve ser classificado na posição do produto acabado se contém suas características essenciais, assim a correta classificação do molejo é no código 9404.29.00, sendo inconsistente as alegações do auditor fiscal; A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada, a contribuinte apresentou recurso, no qual são apresentas questões que serão analisadas no voto que segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente contesta a classificação adotada pela fiscalização para o produto “molejo”. Argumenta que este produto tem a característica essencial do colchão e como tal deve ser classificado, obedecendo à Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado 2A, apropriada para classificação dos produtos incompletos ou inacabados. Também afirma que as consultas fiscais mencionadas na decisão de piso não são aplicáveis ao caso. A Recorrente traz laudo pericial (fl. 152 e seguintes), laudo judicial (fl. 286 e seguintes) e decisões judiciais sobre a classificação fiscal em pauta aplicada a tributo estadual. Será apreciada neste voto a lide levada à DRJ e por esta analisada, a saber: a matéria relativa à classificação fiscal do produto designado genericamente de “molejo”, classificado no código NCM 9404.29.00, com alíquota 0%, e reclassificados pela fiscalização para o código NCM 7326.20.00, com alíquota de 5%. Mesmo considerando os laudos apresentados pela Recorrente e também as decisões judiciais, concordo com a decisão recorrida. Destaco que a função dos laudos, diversamente do que se verifica às fls. 186, não é classificar a mercadorias, para apresentar subsídios para que a autoridade fiscal ou julgadora tenha elementos para classificar. Anoto também que a decisão judicial, relativo ao mesmo contribuinte mas pertinente a tributo estadual não se aplica ao presente caso. Assim, em vista do disposto no § 3º do artigo 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reproduzo os fundamentos da decisão de primeira instância e os faço minha razão de decidir: Fl. 347DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 Nessa matéria, é fundamental atentar que, no âmbito do Sistema Harmonizado, a correta classificação fiscal de qualquer mercadoria no nível da subposição apropriada só pode ser alcançada depois de ter sido previamente, e devidamente, identificada a respectiva posição de enquadramento. Na posição 9404, adotada pela contribuinte, estão incluídos: “Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias, compreendendo esses artigos de borracha ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos.” Note-se que a classificação pretendida pela contribuinte não coloca como parte essencial do colchão a sua confecção mediante utilização de molas, mas apenas diz que se classificam como colchões aqueles elementos ainda que equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias. Logo, o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Neste caso, vale observar que o produto será “colchão” independente de ser guarnecido com molas ou quaisquer outros elementos (espumas ou penas). Na verdade, esta é apenas uma qualidade do colchão. Assim, possuir molas não é característica essencial que importe classificar o colchão no código 9404.29.00. Os colchões de mola são classificados na posição 9404, mas o texto dessa posição não autoriza que as partes do colchão devam ser também classificadas nessa posição. Verifica-se, portanto, que a RG 2A não se aplica ao caso concreto, pois o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Assim, no sentido de conferir a correta classificação fiscal, reproduzo a descrição realizada pelo autuante no relatório fiscal por considerálas adequadas para a classificação fiscal do produto “molejo” no código 7326.20.00: “As regras de classificação fiscal são determinadas por acordo realizado no âmbito da ONU através do GATT (General Agreement on Tariffs and Trade –Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) e regemse pelas REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO – RGISH, transcritas abaixo, aprovadas pelo Decreto 97.409/88: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A Fl. 348DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3.Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classifica-se na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificam-se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificam-se com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificam-se com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRAS GERAIS COMPLEMENTARES (RGC) 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 2. (RGC2) As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. REGRA GERAL COMPLEMENTAR DA TIPI (RGC/TIPI) 1. (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendo-se que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Em acordo com a primeira regra aprovada e levando em consideração que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em sua norma NBR 15413, regula o assunto, definindo Colchão de Mola nos seguintes termos: “bem de consumo durável, para o repouso humano, constituído por quatro principais componentes: molejo, isolante, estofamento e revestimento.” Grifei. O molejo é apenas uma das quatro partes do colchão de mola, e, como tal não pode ser entendido e não apresenta característica essencial do colchão, sendo impossível dormir sobre o mesmo. Descartada a possibilidade dos produtos se enquadrarem na posição formalizada pelo contribuinte de acordo com a regra 2a (2 A Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. Grifo nosso.) e visto que os molejos não possuem as características essenciais do produto acabado, passouse à 2b, que afirma que “qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria”, como os produtos são compostos essencialmente por fios e molas de aço, nos remetemos à seção XV (Metais comuns e suas obras), capítulo 73 (Obras de ferro Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 fundido, ferro ou aço, grifos nossos) determinando então a posição. Vencida essa etapa partimos para a determinação da subposição e encontramos as seguintes possibilidades: Ressalto que concordo plenamente com as observações constantes da decisão de piso no sentido de que a classificação pretendida pela Recorrente não coloca como parte essencial do colchão a sua confecção mediante utilização de molas, mas apenas diz que se classificam como colchões aqueles elementos ainda que equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias. Logo, o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Ou seja, conforme a descrição da classificação almejada não inclui molas para colchão, mas inclui colchões ainda que com molas. Ou seja, conforme se concluiu na decisão de piso, ter molas “é apenas uma qualidade do colchão”, “possuir molas não é característica essencial que importe classificar o colchão no código 9404.29.00. Assim, parece-me absolutamente correta a conclusão de que o s colchões de mola são classificados na posição 9404, mas o texto dessa posição não autoriza que as partes do colchão devam ser também classificadas nessa posição Da mesma forma, sigo na linha de observação de que a RG 2ª, mencionada pela Recorrente, não se aplica ao caso concreto, pois o produto “molejo” não confere aos colchões a sua característica essencial. Dessarte, concluo com a decisão de piso pela correição da classificação proposta pela fiscalização. Assim, afastada a classificação fiscal proposta pela Recorrente, continuo transcrevendo a decisão recorrida, com o propósito de verificar a correta classificação. Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 A regra 3 determina que quando houver possibilidade de classificação em duas ou mais posições da tabela devemos considerar as três formas nela estabelecidas que determinam – resumidamente que (a) a prevalência da mais específica sobre as genéricas; (b) pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial; (c) pela posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração e, por fim, de acordo com as notas explicativas do Sistema Harmonizado – NESH que é determinante da classificação fiscal, e que trazem as seguintes determinações quanto aos produtos incluídos: 73.20 Molas e folhas de molas, de ferro ou aço. Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 7320.10 Molas de folhas e suas folhas 7320.20 Molas helicoidais 7320.90 Outras Incluemse na presente posição as molas de ferro ou aço de qualquer espécie, dimensão ou aplicação, exceto as molas para relógio da posição 91.14. Designam-se por “molas” as peças metálicas que se apresentam em folhas, fios ou barras, dispostas de modo a poderem sofrer deformações consideráveis, graças a sua confecção apropriada e à elasticidade da matéria que as constitui, e suscetíveis de retomar a forma primitiva sem prejuízo da sua resistência. Esta posição compreende os seguintes tipos de molas: A) As molas de folhas, simples ou sobrepostas, principalmente empregadas para constituir suspensões elásticas de várias espécies de veículos (locomotivas, vagões, automóveis e outros veículos). B) As molas helicoidais, das quais as mais comuns são: 1) As molas de espirais (helicoidais) (de compressão, tração e torção, entre outras), constituídas por fios ou barras de seção circular ou retangular, utilizadas principalmente em material de transporte, máquinas, etc. 2) As molas em voluta, formadas por fios, barras ou chapas de seção retangular ou oval, enroladas em espirais cônicas ou troncônicas, utilizadas principalmente como amortecedores ou parachoques nos engates de vagões, em tesouras de podar, máquinas de tosquiar e em artefatos semelhantes. C) As molas espirais planas e as molas planas, utilizadas em dispositivos de corda, em fechaduras, etc. D) As molas em forma de disco ou anel (do tipo das utilizadas em parachoques de ferrovias, etc.). As molas podem encontrar-se providas de braçadeiras (sobretudo as molas de folhas), de pinos ou pernos e de outros dispositivos de ligação. Incluem-se também aqui as folhas separadas para molas de folhas. Excluem-se desta posição: a) As molas para hastes ou cabos de guardachuvas ou de guardasóis (posição 66.03). b) As arruelas (anilhas*) abertas e outras com função de mola (posição 73.18). c) As molas transformadas em fechos automáticos de portas (posição 83.02), em órgãos de máquinas (Seção XVI) ou de aparelhos e instrumentos dos Capítulos 90 e 91, por exemplo. d) Os amortecedores e barras de torção da Seção XVII. 73.25 Outras obras moldadas, de ferro fundido, ferro ou aço. 7325.10 De ferro fundido, não maleável 7325.9 Outras: 7325.91 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7325.99 Outras Classificam-se nesta posição todas as obras moldadas de ferro fundido, ferro ou aço não especificadas nem compreendidas em outras posições. Entre as obras incluídas nesta posição, citam-se: os artefatos para canalizações (alçapões para caixas de visita, grades e chapas de esgotos, etc.), marcos, tampas ou chapas para hidrantes (bocas de incêndios*), chafarizes (marcos fontanários*), marcos de correio (marcos postais*), marcos de chamada de socorro e semelhantes, cabeços de amarração, carrancas e goteiras de telhado, vigas de mina, esferas para moinho, cadinhos sem dispositivos mecânicos ou térmicos, contrapesos para suspensões, imitações de flores e folhagem (com exclusão dos artefatos da posição 83.06) e botijões de ferro fundido para transporte de mercúrio. Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 A presente posição não inclui as obras moldadas que constituam artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (por exemplo, partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos), nem as obras moldadas não acabadas que necessitem de um trabalho suplementar, mas que já apresentem as características essenciais destes artefatos acabados. Excluem-se, também, da presente posição: a) As obras deste gênero obtidas por outros processos, tais como a sinterização (posição 73.26). b) As estátuas, vasos, urnas e cruzes de ornamentação (posição 83.06). 73.26 Outras obras de ferro ou aço (+). 7326.1 Simplesmente forjadas ou estampadas: 7326.11 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 7326.19 Outras 7326.20 Obras de fios de ferro ou aço 7326.90 Outras Classificam-se nesta posição as obras de ferro ou aço, obtidas por trabalho de forja ou estampagem, corte ou embutidura ou por outros trabalhos tais como dobragem, reunião, soldadura, trabalho de torno, brocagem ou perfuração, não especificadas quer nas posições precedentes do presente Capítulo, quer na Nota 1 da Seção XV, quer nos Capítulos 82 ou 83, quer ainda em qualquer outra parte da Nomenclatura. Incluem-se na presente posição, entre outros: 1) As ferraduras, ferragens para saltos (tacões*) e protetores para calçados (mesmo com pontas), ganchos e grampos para subir às árvores, portinholas de ventilação não mecânicas, estores (venezianas) formados por lâminas metálicas, arcos para pipas, ferragens para linhas elétricas (braçadeiras, suportes, consoles, etc.), dispositivos de suspensão ou de fixação para cadeias de isoladores (balanceiros, manilhas, alongas, olhais ou anéis com haste, ballsockets, terminais de suspensão, terminais de amarração, etc.), esferas para rolamentos não calibradas (ver a Nota 6 do Capítulo 84), estacas para vedações, cercas e tendas, estacas para prender animais, arcos para canteiros e ruas de jardim, etc., tutores para plantações, esticadores e tensores para fios de vedações, telhas (com exceção das utilizadas na construção, posição 73.08) e goteiras, braçadeiras para prender tubos flexíveis a elementos rígidos, tais como tubos, torneiras, etc., braçadeiras e flanges para suporte de tubulações (com exclusão das braçadeiras e outros dispositivos semelhantes especialmente destinados a reunir os elementos tubulares ou outros da construções metálicas, posição 73.08), medidas de capacidade (decalitros, litros, etc., que não sejam os simples recipientes graduados de uso doméstico da posição 73.23), dedais, cravos denominados “pregos” para demarcação de estradas (faixa para pedestres (peões*)) ganchos forjados, porta mosquetões para qualquer uso, escadas moldador da posição 73.17) e imitações de flores e folhagem de ferro ou aço forjado (com exclusão dos artefatos da posição 83.06 e da bijuteria da posição 71.17). 2) Os artefatos de fio, tais como armadilhas, alçapões, ratoeiras, gaiolas, atilhos para forragens, feixes e semelhantes, aros para pneus, fios para liços de tecelagem formados por dois fios justapostos e soldados um ao outro, anéis para focinhos de animais, ganchos metálicos para suportes elásticos de camas, ganchos para açougue, ganchos para ardósias e semelhantes, bem como os cestos para papéis. 3) Certas caixas e estojos, tais como caixas ou escrínios de ferramentas, que não tenham sido especialmente concebidos ou preparados no interior para receber ferramentas específicas, com ou sem os seus acessórios (ver a Nota Explicativa da posição 42.02), caixas para botânicos e semelhantes, cofres para joias, caixas para pó-de-arroz ou cosméticos, cigarreiras, charuteiras, tabaqueiras, bomboneiras, etc. (com exclusão dos recipientes da posição 73.10, das caixas de uso doméstico da posição 73.23 e dos artefatos de ornamentação da posição 83.06). Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 Também se incluem aqui os dispositivos para fixação de ventosa constituídos por armação, um cabo, uma alavanca destinada a criar uma depressão e discos de borracha destinados a serem adaptados momentaneamente a um objeto (especialmente vidro) para o deslocar. A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essenciais de artefatos acabados. Também excluem-se da presente posição: a) Os artefatos da posição 42.02. b) Os reservatórios, tonéis, cubas e recipientes semelhantes das posições 73.09 ou 73.10. c) As obras moldadas de ferro fundido, ferro ou aço (posição 73.25). d) Os objetos de escritório, tais como bibliocantos (aparalivros*), tinteiros, descansos para canetas, mataborrões, pesapapéis (pisapapéis*), porta carimbos (posição 83.04). e) As estátuas, vasos, urnas e cruzes ornamentais (posição 83.06). f) As prateleiras de grandes dimensões, destinadas, depois de montadas, a fixaremse em estabelecimentos comerciais, oficinas e em outros locais onde se armazenem mercadorias (posição 73.08), bem como outras prateleiras e etageres da posição 94.03. g) As armações para abajures (quebraluzes) (posição 94.05). (Grifos nossos) A NESH dos itens pesquisados demonstra que a posição 73.20 englobaria as molas em geral inclusive as utilizadas para se fazer os molejos, mas como não cita os conjuntos de molas e os molejos incluem partes que não são molas (os grampos e os arcos que os envolvem e fazem o perímetro das peças, por exemplo), continuei a pesquisa e me deparei com a posição 7325, que poderia incluir tais artefatos (outras obras moldadas de ferro ou aço), mas são excluídos por determinação de “não especificadas ou compreendidas em outras posições” e como já podia enquadrar em molas (que seria a mais específica) da posição 7320, continuei a pesquisa e cheguei a posição seguinte 7326, que generaliza as obras de aço, mas especifica as obras de fios de ferro ou aço e então pude realmente chegar a uma conclusão, visto que a posição, 7326.20.00, engloba uma vasta gama de artefatos construídos com fios de aço e satisfaz todos os itens da regra 3ª. Na pesquisa realizada para a classificação fiscal das mercadorias foi observado que houve consultas a respeito do mesmo material – por contribuinte diverso do fiscalizado – tanto na 6ª região fiscal (em anexo), quanto na Organização Mundial de Aduanas – OMA (Pareceres de Classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da OMA internalizados pela IN RFB nº 873/2008 – que pode ser acessado pelo link: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Ins/2008/AnexoUnicoINR FB873.pdf, na página 67 ) e que chegaram a mesma conclusão: as mercadorias descritas foram classificadas no código 7326.20.00 da TIPI aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, publicada no DOU de 29 de dezembro de2006 e retificada no DOU de 8 de janeiro de 2007 e cuja alíquota de tributação pelo IPI é de 5% (cinco por cento), estabelecida pelo DECRETO No. 4.542 DE 26 de dezembro de 2002, permanecendo até a data de hoje.” Assim, diante da análise detalhada do enquadramento do produto “molejo”, realizada pelo fiscal diligente, com fundamento nas regras interpretativa do Sistema Harmonizado, resta comprovada a Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 correta classificação adotada pela fiscalização na posição TIPI 7326.20.00. Desta forma, a fiscalização, após constatar o cometimento de irregularidades, reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte e apurou saldo devedor ao final do período de apuração do 3º trimestre de 2009, no valor de R$ 57.780,35, fl. 103. Assim, inexistindo saldo credor ao final do trimestre calendário objeto do Per/Dcomp em tela,não há que se falar em ressarcimento ou compensação de crédito. Ressalto que o entendimento da Receita Federal sobre a matéria, expresso em diversas soluções de consulta, inclusive colacionadas pela fiscalização nos presentes autos, evidência a correta classificação adotada pela fiscalização para o produto “molejo”, código 7326.20.00, com alíquota de 5%. Sobre os diversos atos, trazidos como sustentação de tese da classificação fiscal utilizada pelo autuado, deve-se esclarecer que a RFB, por intermédio de seus auditores fiscais, tem autonomia para estabelecer a classificação fiscal de produtos, inclusive emitir soluções de consulta sobre a matéria. Aliás, a classificação fiscal de produtos mereceu destaque no Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, que no seu art. 64 prescreveu: “Art. 64. Os laudos e os pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres (Decreto no 70.235, de 1972, art. 30, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos”. Nessa matéria, os argumentos científicos que municiam laudos ou perecer técnico não prevalecem sobre as regras lógicoracionais intrínseca do Sistema Harmonizada, servem apenas subsidiariamente para instruir o processo a ser examinado e decidido pela autoridade competente, nomeada na Lei. Na posição 9404, adotada pela contribuinte, estão incluídos: “Suportes elásticos para camas; colchões, edredões, almofadas, pufes, travesseiros e artigos semelhantes, equipados com molas ou guarnecidos interiormente de quaisquer matérias, compreendendo esses artigos de borracha ou de plásticos alveolares, mesmo recobertos.” Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.344 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10660.907734/2011-62 Dessa forma, entendo, na mesma linha da decisão recorrida e tendo-a como fundamento, que a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal para o produto em pauta está correta. Ou seja, o produto deve ser classificado no código 7326.20.00, com suporte nas Regras Gerais para Interpretação RGI 1, 3 e 6 e Nota 2 do Capítulo 73 da TIPI. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902225/2008-38
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1201-000.047
Decisão: Acordam os membros do Colegiado CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme despacho decisório de fl. 24, o Fisco não homologou a declaração de compensação (DCOMP) transmitida pela interessada (fl. 12), sob o argumento de inexistência do alegado pagamento a maior a título de IRPJ (lucro presumido) relativo ao 3º trimestre do anocalendário de 1999. Apresentada manifestação de inconformidade (fls. 1/3), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito (fls. 30/31). Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 33/39) pedindo, ao final, seja admitida a retificação das DCTFs, por se tratar de erro material devidamente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 02/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10580.902225/200838 Resolução n.º 1201000.047 S1C2T1 Fl. 50 2 demonstrado, bem como seja homologada a compensação sob exame. São as seguintes as razões da defesa: a) a empresa presta serviços de imagenologia ligada à atenção e assistência à saúde; b) no ano de 2004 obteve da DRF em Salvador decisão no processo de consulta nº 10580.002362/200447 garantindolhe o direito à aplicação dos percentuais reduzidos do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, por se tratar de serviços hospitalares. Foilhe ainda garantido o direito de compensar os valores recolhidos indevidamente ou a maior nos cinco anos anteriores ao ano de 2004, o que foi realizado mediante apresentação de DCOMP; c) acontece que, por erro material, a contribuinte esqueceuse de proceder à retificação das DCTFs anteriormente apresentadas, somente percebendo a omissão quando da ciência ao despacho decisório que não homologou a referida DCOMP; d) promovida a retificação das DCTFs e proposta manifestação de inconformidade contra o despacho decisório acima apontado, verificouse que a DRJ em Salvador não se debruçou sobre o alegado erro material, limitandose a afirmar que não pode ser aceita retificação de DCTF realizada fora do prazo de cinco anos; e) ocorre que as DCTFs retificadoras foram devidamente recepcionadas pela Receita Federal, razão pela qual devem ser admitidas. À mesma conclusão se chega pela observância do princípio da verdade material. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Do Direito Creditório Alega a recorrente que o direito creditório informado na DCOMP sob exame tem origem em pagamento a maior do IRPJ (lucro presumido) relativo ao fato gerador ocorrido no 3º trimestre de 1999. Tal pagamento a maior, ainda segundo a recorrente, deveuse à diferença entre o coeficiente de presunção efetivamente utilizado na determinação do lucro presumido (32%), e aquele a que a empresa estaria legalmente obrigada (8%). Afirma ainda que a adoção do coeficiente de presunção de 8% amparase em decisão proferida nos autos do processo de consulta nº 10580.002362/200447. Pois bem, as decisões de mérito proferidas em processos de consulta têm o efeito de declarar o entendimento do Fisco sobre a aplicação do direito no caso concreto. Isso posto, se uma tal decisão declara que o consulente deve calcular o lucro presumido mediante a adoção do coeficiente de 8%, há que se concluir que essa mesma decisão implicitamente declara que os pagamentos de IRPJ eventualmente realizados pelo consulente com base no coeficiente de presunção de 32% são maiores que o devido. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 02/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10580.902225/200838 Resolução n.º 1201000.047 S1C2T1 Fl. 51 3 Nesse sentido entendo, ao contrário da decisão de primeiro grau, que a omissão na retificação das DCTFs em tempo hábil poderia ser suprida pela comprovação de que a interessada realmente obteve decisão favorável no âmbito do processo de consulta nº 10580.002362/200447, bem como pela prova da existência de pagamentos a maior, fatos esses que, apesar de alegados, permanecessem incomprovados. 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que: a) seja juntada cópia da decisão proferida nos autos do processo nº 10580.002362/200447; b) seja a contribuinte intimada a comprovar a existência do direito creditório apontado na DCOMP sob exame, mediante a apresentação de demonstrativos, DARFs e outros elementos considerados necessários pelo autor da diligência; c) seja elaborado relatório conclusivo sobre os fatos apurados. Deve ainda a interessada ser intimada a, se assim lhe convier, apresentar contrarazões acerca do relatório de diligência no prazo de 30 dias de sua ciência. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 02/06/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
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Numero do processo: 10875.905388/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PIS/Cofins. Direito Creditório. Ouro Ativo-Financeiro. Incabível.
Não incide a Cofins (ou PIS) sobre a receita decorrente da venda de ouro ativo-financeiro de uma Instituição Financeira para a Indústria ou Comércio, e, consequentemente, não gera direito creditório o valor da aquisição do correspondente bem (ouro financeiro), mesmo que venha a ser depois aplicado como insumo na atividade da empresa.
Numero da decisão: 3401-010.083
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63 do anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.070, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10875.905375/2011-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Ronaldo Souza Dias
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Direito Creditório. Ouro Ativo-Financeiro. Incabível. Não incide a Cofins (ou PIS) sobre a receita decorrente da venda de ouro ativo- financeiro de uma Instituição Financeira para a Indústria ou Comércio, e, consequentemente, não gera direito creditório o valor da aquisição do correspondente bem (ouro financeiro), mesmo que venha a ser depois aplicado como insumo na atividade da empresa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63 do anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.070, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10875.905375/2011-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luís Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 53 88 /2 01 1- 62 Fl. 754DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que reconheceu parcialmente direito creditório, formulado em PER/Dcomp, referente a ressarcimento de PIS-COFINS não-cumulativa/Exportação. I - Do Pedido, do Despacho Decisório e da Manifestação de Inconformidade. O relatório da decisão de primeiro grau resume bem o contencioso até então: Trata-se de Pedido de Ressarcimento referente a créditos na apuração não cumulativa [...] relativos a mercado externo, auferidos no [...]. A esse pedido a interessada vinculou declarações de compensação. A DRF em Guarulhos, por meio de despacho decisório, reconheceu o direito creditório em parte, homologando em parte as compensações declaradas. No Relatório Fiscal que fundamentou o despacho decisório, o auditor-fiscal justifica o reconhecimento parcial do direito creditório dizendo que: foram detectadas inconsistências nas operações de aquisição de insumo ouro, confirmadas através dos elementos apresentados em resposta à intimação, bem como por pesquisas efetuadas junto aos sistemas da RFB, mais especificamente, ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), através das quais pôde-se concluir que o Contribuinte adquiriu, nas operações relacionadas em anexo, ouro de instituições financeiras, a saber, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, que têm autorização do Banco Central do Brasil para praticar operações de compra e venda no mercado físico de ouro, por conta própria ou de terceiro. Ressalte-se que o ouro pode ser classificado como ativo financeiro ou como mercadoria, dependendo de sua destinação. Considera-se ativo financeiro quando destinado ao mercado financeiro, ou à execução da política cambial do País, em operações realizadas com a interveniência de instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (art. 1º, Lei nº 7.766, de 11/05/89). Em relação ao caso em questão, não restam dúvidas de que as Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) são instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, autorizadas pelo Banco Central a realizar operações financeiras. Nesse mesmo sentido, ou seja, que o ouro adquirido é ouro-financeiro, observamos que sua aquisição está acompanhada da “Nota Fiscal de Remessa de Ouro”, e de “Nota Fiscal de Negociação do Ouro”, documentos instituídos pela Instrução Normativa SRF Nº 49/2001, e de emissão exclusiva em operações com o ouro, quando definido como ativo financeiro ou instrumento cambial, cuja transcrição se faz necessária: (...) Diante das características descritas, conclui-se que as operações de aquisição de ouro de DTVMs são tipicamente operações financeiras, não podendo ser confundidas com aquisições ordinárias de matéria-prima, mesmo considerando que o comprador assim as classifique em seus registros contábeis e fiscais, e que as utilize de fato em seu processo produtivo. Mesmo que o propósito do comprador, no momento da realização Fl. 755DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 da operação, seja a utilização do ouro como matéria-prima, a operação em si, considerada as partes intervenientes, e principalmente as regras de controle do Sistema Financeiro Nacional, é tipicamente de natureza financeira. Vale dizer que diante do fato do fornecedor de ouro ser instituição financeira, e das características dos documentos fiscais emitidos na operação, o Contribuinte não pode deixar de admitir que tenha praticado uma operação tipificada financeira, independentemente do “animus” em relação à utilização do produto adquirido. A importância da caracterização das aquisições de ouro como financeira está ligada à análise da tributação nessas operações pelo PIS e pela COFINS (Contribuições). As operações envolvendo o ouro – ativo financeiro não sofrem a incidência dessas Contribuições, uma vez que não são definidas como seu fato gerador, pela legislação. O ouro, quando definido pela lei como ativo financeiro, tem um tratamento muito específico, que se inicia com o disposto no § 5º, do artigo 153, da nossa Constituição: (...) A Lei 7.766/89 define o conceito de ouro financeiro, logo em seu artigo 1º: (...) O dispositivo presente no artigo acima prevê a dimensão e a abrangência do conceito de ouro financeiro, e permite a criação de toda uma cadeia, desde a etapa da mineração até as mais sofisticadas negociações financeiras envolvendo o metal. Por força do também citado § 5º, do artigo 153, da Constituição Federal, esta cadeia fica totalmente franqueada da incidência de outros tributos que não sejam o IOF, sendo esta incidência prevista para uma única etapa da cadeia, a compra do ativo por qualquer instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil, o que também é corroborado pelos artigo 4º e 8º da Lei 7.766/89: (...) Destaque-se que a operação praticada pelo Contribuinte, onde adquiriu ouro de Instituição Financeira, subsume-se integralmente ao disposto no § 2º, do artigo 1º, da Lei 7.766/89, onde é definido que operações de compra do metal no mercado de balcão são operações financeiras. A tributação das atividades financeiras pela Contribuição para o PIS e pela COFINS incide sobre suas receitas, assim consideradas conforme a definição do Plano de Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF). Uma característica da atividade financeira, que é refletida no COSIF, é a de reconhecer como receita o produto da intermediação financeira, que, na essência, é o objeto social dessas instituições. Assim, nos casos em que estas instituições transacionam com valores mobiliários, ou quaisquer outros ativos financeiros, é pacífico que o valor registrado a título de receita é o ganho ou a renda auferida na transação, seja ela de compra ou venda do ativo. O valor do ativo transacionado não compõe o conceito da receita das instituições financeiras, como ocorre na empresa comercial, ou industrial. Diante disto, quando os artigos 1º e 2º, da Lei 9.718/98, definem a incidência do COFINS sobre a Receita Bruta da Pessoa Jurídica, o intérprete deve entender, no caso de uma instituição financeira, que esta incidência se dá sobre o valor da receita auferida (fato gerador), tomando esta conforme as normas de contabilidade bancária assim a definem, e não sobre o valor da transação realizada. A propósito, esta transação, estritamente considerada, pode nem resultar em receita, uma vez que pode haver perda na alienação de qualquer ativo Fl. 756DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Dito isto, não pode ser aceita a argumentação no sentido de que a operação de venda de ouro financeiro por Instituição Financeira seria uma operação sujeita ao pagamento das Contribuições. E isto se opera pelo simples fato de que esta operação (a alienação de ativo financeiro) não é enquadrada no conceito de receita, pelo COSIF. Desta forma, considerando esta não incidência das Contribuições na operação de venda de ouro financeiro, as operações de aquisição do metal de DTVMs enquadram- se nos dispositivos previstos pelo § 2º, inciso II, do artigo 3º, das Leis 10.637/2002, e 10.833/2003: (...) É oportuno lembrar que a forma de tributação pelo PIS e pela COFINS das Instituições Financeiras é regulamentada pelo artigo 95, da Instrução Normativa SRF Nº 247/2002. Basicamente, este dispositivo prevê que a base de cálculo mensal das Contribuições das Instituições Financeiras seja apurada com o apoio da planilha prevista no anexo I da Instrução Normativa, onde as receitas das instituições financeiras, ao final de cada mês, seguindo única e exclusivamente a planificação contábil do Sistema Financeiro Nacional (COSIF), são enumeradas. Entre estas receitas, podemos encontrar a denominada “Rendas de Aplicações em Ouro”, código 7.1.5.70.002. Segundo as instruções do Banco Central do Brasil, a função desta conta é registrar os ajustes positivos nas aplicações temporárias em ouro, que constituam receita efetiva da instituição no período. A tributação dessa receita não se confunde de maneira nenhuma com a tributação da transmissão da propriedade do ativo financeiro. O fato de um eventual rendimento auferido na alienação do ouro financeiro (eventual porque pode ser que haja perdas neste tipo de operação, também!) não significa que toda a operação de alienação do ativo tenha sida submetida à tributação. É fundamental perceber que o conceito técnico contábil de Receita não envolve o valor da movimentação do ativo financeiro. Por ocasião da resposta ao Termo de Intimação de 29 de novembro de 2011, o Contribuinte para respaldar sua tese (legitimidade da utilização das aquisições de ouro financeiro na base de cálculo de seus créditos das Contribuições) cita o artigo 22, da Instrução Normativa SRF Nº 247/2002, extraindo dele que “as Instituições Financeiras estão sujeitas ao pagamento do PIS e COFINS por ocasião da alienação dos ativos financeiros”. Na verdade, o que de fato está disposto neste artigo é que as receitas auferidas (receitas assim consideradas de acordo com o COSIF!) pela Instituição Financeira, produzidas em decorrência de avaliações de seus títulos e valores mobiliários a preço de mercado, somente participarão da composição da base de cálculo a partir do momento da alienação do ativo, ou seja, o dispositivo não se preocupa alterar a definição do fato gerador ou da base de cálculo, mas sim em definir o aspecto temporal da incidência. Também em sua defesa o Contribuinte comenta que no caso do PIS e COFINS, os contribuintes podem descontar créditos sobre os custos incorridos em valor superior ao pago na etapa anterior da cadeia, reforçando-se com a citação de reposta de Consulta Tributária. Este comentário, porém, não atinge o ponto fulcral da questão que aqui se discute. Não se trata de considerar que houve incidência na operação anterior, com um recolhimento inferior de Contribuições, como acontece, por exemplo, no caso de aquisições de mercadorias de empresa que apura as Contribuições no regime cumulativo. Trata-se, sim, de considerar que não houve incidência na operação Fl. 757DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 anterior, uma vez que, como já exaustivamente demonstrado, o valor da alienação de um ativo financeiro ou valor mobiliário não se confunde com a receita financeira eventualmente incorrida. O conceito de base de cálculo é em regra elemento indissociável do conceito de fato gerador. A base de cálculo, salvo nos casos expressamente previstos em lei, é nada mais nada menos do que a expressão quantitativa do fato gerador. Se o fato gerador das Contribuições é auferir receita bruta, a base de cálculo é o valor da receita auferida. Assim, se o fato gerador, no caso de movimentação de ouro financeiro é o fato da instituição auferir receita financeira, a expressão econômico desta operação é o valor desta receita financeira, e não o valor desta receita somado ao valor do ativo financeiro. Diferentemente desta conceituação, numa operação comercial, o fato gerador do tributo ocorre quando se aufere a receita da venda das mercadorias, quando de seu faturamento. Assim a base de cálculo das Contribuições neste caso é a receita da venda das mercadorias, e não o lucro bruto apurado na operação. Pelo exposto, conclui-se que a empresa não poderia ter utilizado os valores provenientes da aquisição de ouro financeiro para compor a base de cálculo de seus créditos. E não haveria nenhum sentido que diferente fosse. Como exposto, o OURO por ser ATIVO FINANCEIRO sofre a tributação do I.O.F., não sofrendo a incidência do PIS e da COFINS. Desde a saída de empresa mineradora, as Contribuições não incidem, ou por força da não incidência Constitucional (art. 153, § 5º), ou pela incidência da alíquota zero, prevista no artigo 1º, do Decreto 5.442/2005: (...) Note-se que o assunto “ouro como ativo financeiro ou mercadoria” já foi amplamente abordado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em seu Parecer PGFN/CRJ nº 0957, de 22/07/1999 publicado no DOU de 10/08/1999, Seção I, p 1 (...). (...) Se não há incidência das contribuições de PIS e COFINS, logicamente, em nenhuma dessas etapas foi recolhido qualquer valor a título de Contribuições. Sendo assim, por não haver qualquer valor de Contribuição acumulado na cadeia de comercialização que justifique crédito por parte de quem adquiriu este ouro financeiro e o desviou para a utilização como matéria-prima em seu processo industrial. Mesmo que consideremos os valores recolhidos no fornecimento de insumo à pessoa jurídica mineradora de ouro, esses valores seriam passíveis de aproveitamento ou ressarcimento a essa empresa, por força do disposto no artigo 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF Nº 900/2008, ficando assim garantido o direito de que esta cadeia seja expurgada de qualquer incidência das Contribuições. Assim, se admitido o crédito na aquisição de ouro financeiro, a adquirente ficaria em uma posição econômica imensamente favorecida em relação à empresa que trabalhasse com o ouro mercadoria, pois este produto certamente lhe custaria mais caro, uma vez que viria “carregado” pela incidência das Contribuições nas etapas precedentes do processo de produção. O princípio da não-cumulatividade tem por finalidade precípua a garantia de que o tributo pago nas etapas anteriores de uma cadeia de produção e/ou comercialização não incida em cascata nas operações subsequentes. O mecanismo do crédito é a forma pelo qual o princípio da não-cumulatividade se faz eficaz. Assim o direito ao crédito só se justifica quando há incidência de contribuição em etapas antecedentes de uma Fl. 758DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 cadeia de produção/comercialização. Se esta incidência não existe, o crédito não faz o menor sentido, a não ser que haja um claro propósito do legislador no sentido de incentivar uma determinada atividade. Porém, mesmo neste último caso, o benefício deve ser expressamente previsto na lei. Se não bastasse o todo exposto, foi observado durante a Auditoria Fiscal que o Contribuinte realiza venda com o código fiscal de operação e prestação (CFOP) 6109, que se trata de venda de produção do estabelecimento destinada a Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio. Por se tratar de venda para a Zona Franca de Manaus, essas saídas são tributadas à alíquota zero de PIS/COFINS. Nesta operação, destaca-se como cliente a empresa COIMPA INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 04.222.428/000130, a qual a empresa objeto da presente ação fiscal detém um percentual de 99,97% do capital (conforme consta do quadro societário obtido da base de dados da RFB). Em alguns casos a venda realizada trata de apenas, e somente, ouro em lingotes, ou seja, o mesmo ouro adquirido nas DTVM’s. Estamos, assim, presenciando a seguinte situação. O Contribuinte adquire o ouro financeiro sem a tributação do PIS/COFINS. Revende o mesmo ouro para um empresa em que, claramente, detém o controle acionário, mas tributado à alíquota zero de PIS/COFINS. E, por fim, pleiteia o crédito que em nenhum momento foi recolhido ao Erário. Cientificada do despacho decisório em [...] (fl. [...]), a contribuinte apresentou, em [...], manifestação de inconformidade (fls. [...]), na qual, de início, assim sintetiza seus argumentos contra o entendimento do auditor-fiscal: 1. A alienação do ouro, ativo financeiro ou não, em todas as etapas de sua cadeia, sujeita-se ao pagamento da contribuição do PIS e da Cofins; 2. O ouro ativo financeiro, se e enquanto de propriedade de instituições financeiras, sujeita-se ao PIS/Pasep e à Cofins; 3. O ouro ativo financeiro, quando adquirido como insumo e desde que obedecidas as condições impostas pela legislação, permite o desconto de créditos das contribuições; 4. O ouro adquirido pela manifestante é insumo de seu processo industrial, afirmação feita a partir da destinação dada pela adquirente ao bem; e 5. As operações realizadas com contribuintes localizados na Zona Franca de Manaus, nos termos da legislação vigente, de modo algum permitem a acumulação de créditos inexistentes. A seguir, após dizer da tempestividade de sua manifestação, ela alega que: em seus arts. 153, § 5º, e 155, § 3º, a Constituição Federal trata de regras de tributação atinente tão somente à criação e cobrança de impostos. Em nenhum momento a Constituição exonerou as operações com ouro financeiro ou mercadoria da incidência de outros tributos, mas exclusivamente da incidência de outros impostos que ordinariamente gravam operações relativas à circulação de mercadorias e de produtos industrializados. Quando a Constituição Federal desejou conceder imunidade às contribuições sociais ela foi expressa. Desse modo, tanto o ouro ativo financeiro quanto o ouro mercadoria sujeitam-se ao IRPJ, à CSLL, à Cofins e ao PIS/Pasep; entendido a receita bruta auferida e não a operação com o bem ou serviço em si, pode-se notar que o ouro, seja ativo financeiro ou mercadoria, em todas as etapas de sua cadeia, Fl. 759DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 sujeita-se à incidência de tais contribuições. Essa é a única conclusão possível de se construir a partir da Constituição Federal; no caso concreto, o ouro adquirido é mercadoria, dado constituir-se em insumo utilizado no processo industrial. O auditor-fiscal se equivoca quando, num primeiro momento, reconhece que a classificação do ouro como ativo financeiro ou mercadoria depende de sua destinação, e depois defende que o simples fato de uma instituição financeira participar da relação negocial envolvendo o ouro acarreta a conclusão de que esse metal será sempre um ativo financeiro. O art. 1º da Lei nº 7.766, de 1989, estabelece que o ouro será considerado ativo financeiro quando destinado ao mercado financeiro. O art. 4º desse diploma legal, de forma ainda mais categórica, determina a necessidade da destinação do ouro ao mercado financeiro, a fim de que ele seja classificado como ativo financeiro. Assim, o elemento definidor da natureza jurídica do ouro é sua destinação. Mesmo com a interveniência de uma instituição financeira como vendedora, se o bem não for destinado ou não permanecer no Sistema Financeiro Nacional, ele não poderá ser classificado como ativo financeiro. No caso, a destinação do ouro adquirido não é o mercado financeiro, e tampouco ocorre sua permanência nesse mercado, o que é expressamente reconhecido pela autoridade de fiscalização. O auditor-fiscal tenta dar ênfase a um suposto desvio de finalidade no uso do ouro, mas não há nada de irregular na conduta da contribuinte. Tal “desvio” demonstra que a destinação do ouro não é o mercado financeiro, mas a industrialização. A documentação instituída pela Instrução Normativa SRF nº 49, de 2001, não define a natureza da operação, mas sim a destinação dada ao ouro. Desse modo, tendo em vista a destinação dada ao ouro, é indiscutível que se está diante de uma mercadoria; o fundamento legal para o desconto de créditos calculados sobre a aquisição de ouro utilizado como insumo na fabricação de bens destinados à venda é o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003. O legislador assegurou o direito ao crédito sobre bens de modo geral, e não apenas sobre mercadorias, o que demonstra que a mens legis dessa norma é efetivamente conceder o crédito sobre todos os insumos da cadeia de produção. O ouro, ainda que considerado ativo financeiro, deve ser entendido como um bem. Logo, tendo em vista que o resultado das operações com ouro apurado pelas DTVMs está sujeito à incidência de PIS/Pasep e de Cofins, ao adquirente desse bem é incontroverso o direito ao respectivo crédito; a restrição do § 2º, inciso II, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, não se aplica ao presente caso, uma vez que o ouro adquirido pela contribuinte está sujeito ao pagamento das contribuições sociais. De acordo com o art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, as instituições financeiras estão sujeitas ao pagamento do PIS/Pasep e da Cofins por ocasião da alienação dos ativos financeiros. Há de se registrar a prescrição do art. 18 da Lei nº 10.684, de 2003, ao elevar a alíquota da Cofins para 4% e manter a alíquota do PIS/Pasep em 0,65%, Apesar de sujeitas ao um tratamento diferenciado, há incidência de PIS/Pasep nas vendas feitas pelas DTVMs. O fato de a alíquota e/ou a base de cálculo serem eventualmente diferenciadas/reduzidas é irrelevante para fins de incidência, tendo em vista que o valor devido foi apurado segundo os termos da lei. O que importa é que, havendo subsunção à norma, há incidência; e, havendo incidência na etapa anterior, o direito ao crédito é assegurado. Existindo pagamento, independentemente do quantum debeatur recolhido, faz-se mister o reconhecimento do direito creditório; anterior, a possibilidade de creditamento é prevista sem a exigência de que tais gastos se refiram a bens utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda. Exemplo disso é a possibilidade de descontar créditos relativos às Fl. 760DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica (art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003); itas auferidas com os ativos financeiros são tratadas pelas DTVMs como receita operacional, sendo registradas contabilmente na conta 7.1.5.80.009; -cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, ao tempo em que também as receitas financeiras se sujeitavam às contribuições, a lei permitiu desconto de créditos relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e, ainda hoje, permite desconto de créditos relativos a despesas de arrendamento mercantil, de modo que não há óbice algum para a tomada de créditos na aquisição de bens e serviços de instituições financeiras, desde que atendidos os demais requisitos da lei. Consequentemente não há como negar o direito ao aproveitamento de crédito sobre os valores despendidos com a aquisição de ouro, pouco importando o regime de tributação a que esteja submetido o fornecedor de bens ou de serviços, isto é, se regime cumulativo ou não-cumulativo, se regime especial de tributação, se contribuinte do Simples Nacional, etc. Vale notar que a legislação elege hipóteses de créditos desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte, como é o caso das contraprestações de operações de arrendamento mercantil, cuja sistemática de tributação é em tudo e por tudo idêntica à aplicável às DTVMs, que alienam ouro ativo financeiro como insumo à contribuinte do regime não cumulativo; e de Cofins nas vendas feitas pelas DTVMs. Para corroborar esse entendimento, basta que se analisem os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que estabelecem com base de cálculo o faturamento, assim entendido a receita bruta da pessoa jurídica e, em particular o § 5º do art. 3º, que estabelece que as instituições financeiras estão sujeitas a específicas deduções e exclusões na apuração do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode esquecer que as receitas auferidas com ativos financeiros são tratadas pelas DTVMs como receita operacional e, no caso particular do ouro, dia a dia, são lançadas contabilmente na conta 7.1.5.70.00-2, cuja função, segundo o Cosif, é registrar os ajustes positivos nas aplicações temporárias em ouro, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Essa mesma conta serve para registrar eventual lucro havido quando da alienação do ouro ativo financeiro, como sucede no caso da manifestante; -fiscal foi citar o Decreto nº 5.442, de 2005, como afirmação de que sobre receitas da espécie haveria a aplicação da alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, pois se trata de regra aplicável unicamente a pessoas sujeitas ao regime não- cumulativo ou misto de tributação, jamais a instituições financeiras; -fiscal tenta induzir a existência de um novo conceito de receita, que seria aplicável apenas às instituições financeiras. Ora, o legislador não fez distinção entre receita de indústria, receita de prestador de serviço, receita de comerciante, receita de instituições financeiras ou qualquer outra receita, deixando claro que o tributo incide sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, razão pela qual não cabe ao Fisco ou à contribuinte fazer essa distinção, sob pena de violar o princípio constitucional da estrita legalidade; -fiscal questionar as transações realizadas com as empresas situadas na Zona Franca de Manaus, em especial com a Coimpa, haja vista que tais operações são reais, necessárias e não configuram prejuízo aos cofres fazendários. Pelo contrário, são operações que, embora sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, não permitem ao contribuinte localizado na ZFM o direito a crédito, ao passo que possibilitam à manifestante a manutenção dos créditos, visto que o insumo utilizado no processo, ouro ativo financeiro, sujeitou-se, em todas as etapas da sua cadeia, à incidência. Fl. 761DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Em [...], a contribuinte juntou o Acórdão nº [...] da [...] do Carf sobre crédito presumido sobre ouro adquirido para fins de produção, destacando argumentos que coincidem com os acima relatados. II – Da Decisão de Primeira Instância O Acórdão de 1º grau julgou improcedente a manifestação de inconformidade, argumentando, em resumo, que: (...) O auditor-fiscal glosou créditos sobre a aquisição de ouro de DTVMs, que a contribuinte havia apurado com base no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Essa glosa foi fundamentada no § 2º desse mesmo artigo, que estabelece que não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição: (...) A Lei nº 7.766, de 11 de maio de 1989, determinou que o ouro, quando destinado ao mercado financeiro, em operações realizadas com a interveniência de instituição integrante do Sistema Financeiro Nacional, será desde a extração, inclusive, considerado ativo financeiro: (...) Considerando que as DTVMs integram o Sistema Financeiro Nacional, não há dúvida de que o ouro vendido por elas se enquadra nesse dispositivo legal, ou seja, deve ser considerado ativo financeiro desde a sua extração. Diga-se, ainda, que a documentação instituída pela Instrução Normativa SRF nº 49, de 2001, emitida no caso em tela, apenas confirma esse entendimento. Observe-se que, ao contrário do que alega a manifestante, não houve equívoco do auditor-fiscal ao tratar desse assunto, porque a destinação que tem relevância para classificar o ouro é a que se dá no momento da aquisição, pouco importando no caso que posteriormente a contribuinte tenha dado destinação diversa a ele. Noutras palavras, ter o ouro sido utilizado posteriormente como insumo em processo industrial não altera em nada o fato de que ele foi vendido pela DTVM como ativo financeiro, e não como mercadoria. Esse ponto, ou seja, saber a natureza do ouro no momento de sua aquisição, é crucial porque, como visto, a aquisição de bens não sujeitos à Cofins não dá direito a créditos a serem descontados na apuração da contribuição devida sob o regime não cumulativo. A partir disso, analisar-se-á agora se a venda pela DTVM do ouro ativo financeiro tem ou não a incidência da Cofins. A Constituição Federal assim dispõe em seu art. 153, § 5º: (...) A manifestante alega que esse dispositivo trataria apenas de criação e cobrança de impostos. Contudo, isso não passa de uma ilação dela sem nenhuma base no texto legal. É certo que o caput do art. 153 da Constituição Federal trata apenas da instituição de impostos, mas isso não implica que seus parágrafos também tenham essa restrição. Se o constituinte quisesse limitar apenas a incidência de outros impostos, teria deixado expresso que nenhum outro imposto incidiria sobre o ouro ativo financeiro ou instrumento cambial. Mas não foi isso o que ocorreu. O texto do § 5º do art. 153 da Fl. 762DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Constituição Federal determina que não haja nenhuma incidência sobre o ouro quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, excetuando apenas o IOF. Nenhuma incidência diz respeito a tudo que poderia incidir, inclusive a Cofins. Esse entendimento é corroborado pelo disposto no art. 4º da Lei nº 7.766, de 1989, que em seu caput igualmente determina que o ouro destinado ao mercado financeiro sujeita- se exclusivamente à incidência do IOF, sendo que nesse diploma legal não há nenhum contexto de impostos que pudesse sugerir à contribuinte a hipótese que alega. A manifestante ainda argumenta que a incidência da Cofins sobre o ouro ativo financeiro se daria porque essa contribuição incide sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta auferida, e não sobre a operação ou o serviço em si. Essa alegação também não tem procedência, porque a receita que é base de cálculo da Cofins das instituições financeiras diz respeito tão somente a serviços, que abarcam a cobrança de tarifa e as operações de intermediação financeira. Essa questão foi objeto do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, que tratou da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins devidas pelas instituições financeiras e seguradoras após o julgamento do RE 357.950-9/RS. Abaixo se transcreve trecho de sua conclusão: (...) Diante disso, resta claro que não há incidência de Cofins sobre a receita decorrente da venda pela DTVM do bem ouro ativo financeiro, pela simples razão de que tal receita não compõe a base de cálculo daquela contribuição para as instituições financeiras. No caso, a incidência da Cofins se dá tão somente sobre as receitas das DTVMs decorrentes do serviço de intermediação financeira, as únicas que são tratadas por ela como receita operacional. A manifestante também alega que o art. 22 da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, determina que as instituições financeiras estão sujeitas ao pagamento da Cofins por ocasião da alienação dos ativos financeiros, mas isso em nada lhe socorre, porque esse dispositivo apenas trata do aspecto temporal da incidência da contribuição, e não da sua base de cálculo, como bem expôs o auditor-fiscal em trecho do seu relatório que vale transcrever novamente: (...) A contribuinte busca ainda fundamentar seu entendimento argumentando que o fato de a alíquota e/ou a base de cálculo serem eventualmente diferenciadas/reduzidas é irrelevante para fins de incidência da contribuição e que o que importaria seria que, havendo incidência na etapa anterior, o direito ao crédito seria assegurado. Para ela, existindo pagamento, independentemente do quantum debeatur, faz-se mister o reconhecimento do direito creditório. Essa alegação igualmente não tem procedência porque, como dito, não houve incidência da contribuição sobre faturamento decorrente da operação de venda do ouro ativo financeiro, ou seja, não se trata de valores da contribuição diferenciados ou reduzidos, mas de não incidência dela. Essa questão também já havia sido esclarecida à contribuinte pelo auditor-fiscal em seu relatório: (...) Além disso, a manifestante argumenta que existiriam situações em que não haveria incidência da contribuição na operação anterior e possibilidade de creditamento, dando como exemplo as contraprestações de operações de arrendamento mercantil. Ora, o fundamento legal da glosa é o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que trata exclusivamente da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da Fl. 763DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 contribuição. Outras situações que não são enquadram como aquisição de bens e serviços, como é o caso da contraprestação de arrendamento mercantil, não têm relevância para o caso em tela. No que tange à citação do art. 1º do Decreto nº 5.442, de 2005, feita pelo auditor-fiscal, embora tenha razão a manifestante de que se trata de um equívoco, já que esse dispositivo se dirige apenas às pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa (o que não é o caso das DTVMs), esse fato não tem implicação alguma no presente caso, uma vez que a glosa efetuada se sustenta pelas razões acima já analisadas. Quanto à exposição que o auditor-fiscal fez sobre a situação da contribuinte que adquire ouro financeiro sem a incidência da Cofins e revende-o com alíquota zero para uma empresa na qual detém o controle acionário situada na Zona Franca de Manaus, para então pleitear o crédito, ela se deu apenas para ilustrar as circunstâncias em que está sendo feito o pleito, não tendo sido utilizada para a fundamentação da glosa, a qual, como dito, se sustenta pelas razões já acima analisadas. (...) III – Do Recurso Voluntário No Recurso Voluntário, a recorrente recuperou parte substancial de sua argumentação contida na Manifestação de Inconformidade. Em síntese do próprio Recorrente, os pontos suscitados são os seguintes: 1) A alienação do ouro, ativo financeiro ou não, em todas as etapas de sua cadeia, sujeita-se ao pagamento da contribuição ao PIS e da Cofins, ainda que sobre o valor da intermediação financeira. 2) O crédito de PIS/Cofins sobre aquisição do ouro ativo financeiro, no momento de sua destinação como insumo industrial, está fundado na base legal que determina a incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, e permite o desconto do crédito calculado, dentre outros, sobre a aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3) O ouro adquirido pela Recorrente é insumo empregado diretamente em seu processo industrial (fato incontroverso). 4) A destinação dada ao bem, na operação que originou o fato gerador, foi de aquisição de bem destinado a utilização em processo de industrialização (insumo), cuja receita sujeita-se ao PIS/Cofins. A destinação somente pode ser definida a partir da perspectiva do comprador, único na relação que determina qual será o destino do bem. Vale ainda destacar os seguintes excertos da fundamentação da Recorrente: (...) A Recorrente é indústria que utiliza ouro como insumo. Situação atípica, que “transforma ativo financeiro em mercadoria (insumo de processo industrial)”, distanciando-se da regra geral das operações com ouro. Relevante pontuar, também, que a Constituição Federal desonerou de determinados impostos os ativos financeiros por razões extrafiscais, mas igualmente correto é o fato de que a Recorrente entrou nessa cadeia porque não há ouro “mercadoria” disponível no mercado, já que as mineradoras exportam quase toda a sua produção, e em menor volume destina-a ao mercado financeiro. Fl. 764DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 (...) Assim, no que importa à questão sub judice, são necessários os seguintes requisitos à apuração de créditos, os quais indiscutivelmente são verificados na situação em tela, quais sejam: (i) Que os bens adquiridos sejam utilizados como insumo na produção de bens da adquirente; e (ii) Que os bens adquiridos tenham se sujeitado ao pagamento do PIS e da Cofins. No entendimento da 14ª Turma de Julgamento, muito embora ela reconheça que o ouro adquirido pela Recorrente das DTVMs é utilizado como insumo em seu processo industrial (portanto, que teria sido preenchido o 1º requisito), manteve a glosa do crédito por entender que não teria havido recolhimento de PIS e Cofins sobre o fato gerador da venda do ouro (2º requisito), mas apenas da intermediação financeira do ouro, o que impediria o desconto de créditos. (...) Sublinhamos esse ponto, pois, ao afirmar que somente o ouro “mercadoria” geraria créditos de PIS e de Cofins, os julgadores restringiram a letra da lei, que, em sentido contrário, permite a apuração de créditos relativos a todo e qualquer bem utilizado como insumo no processo produtivo ou na prestação de serviços. (...) Assim sendo, se o objeto de tributação da contribuição ao PIS e da Cofins é a totalidade das receitas, evidentemente que a base de créditos para desconto das contribuições deve ser (i) a totalidade dos gastos que contribuem à formação desta materialidade tributável, ou (ii) ao menos a integralidade dos gastos listados nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, desde que se esteja diante de um bem que seja utilizado como insumo (seja ele ativo financeiro ou mercadoria). (...) Veja-se que a Constituição Federal, em seus artigos 153, §5º, e 155, §3º, trata de regras de tributação atinente tão somente à criação e cobrança de IMPOSTOS, de modo que cai por terra o argumento da fiscalização no sentido de que, por força do também citado §5º, do artigo 153, da Constituição Federal, esta cadeia fica totalmente franqueada da incidência de outros tributos que não sejam o IOF, sendo esta incidência prevista para uma única etapa da cadeia, a compra do ativo por qualquer instituição financeira autorizada pelo Banco Central do Brasil7. (destacou-se) Ora, em nenhum momento a Constituição exonerou as operações com ouro financeiro da incidência de outros tributos, mas, exclusivamente, da incidência de outros impostos, que ordinariamente gravam operações relativas à circulação de mercadorias e de produtos industrializados. Nesse diapasão, vale lembrar que a CF, quando desejou conceder imunidade às contribuições sociais, foi expressa8. É, portanto, completamente infundada a alegação da DRJ, no sentido de que “se o constituinte quisesse limitar apenas a incidência de outros impostos, teria deixado expresso que nenhum outro imposto incidiria sobre o ouro ativo financeiro ou instrumento cambial. Mas não foi isso o que ocorreu. O texto do §5º do art. 153 da Constituição Federal determina que não haja nenhuma incidência sobre o ouro quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, excetuando apenas o IOF. Nenhuma incidência diz respeito a tudo que poderia incidir, inclusive o PIS/Pasep”. (...) Fl. 765DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Ou seja, o legislador constituinte facultou ao legislador ordinário apenas a possibilidade de “equiparar” o ouro como um ativo financeiro ou instrumento cambial, quando destinado ao mercado financeiro ou à execução da política cambial do País, em operações realizadas com a interveniência de instituições integrantes do Sistema Financeiro, o que foi feito com a edição da Lei 7.766/1989. Assim, o ouro, enquanto ativo financeiro, perde, para efeitos tributários, a qualidade de mercadoria, sujeitando-se, na sua origem, a um único imposto, o IOF. Mas, enquanto ativo financeiro, a receita derivada de operações com ouro, submetem-se às mesmas regras de tributação dos demais ativos financeiros. Com efeito, a propósito dessa afirmação, veja-se que o ouro ativo financeiro, em operações de mútuo e de compra vinculada à revenda, no mercado secundário, ex vi do disposto no artigo 797 do RIR/2018, é equiparada a uma operação de renda fixa para fins de incidência do imposto de renda na fonte e, pois, sujeitos à incidência do PIS e da Cofins, a exemplo das demais receitas da instituição financeira. Já se o ouro ativo financeiro não for objeto de operação vinculada, seus resultados terão o mesmo tratamento dispensado a títulos de renda variável, também sujeitos ao imposto de renda na fonte (RIR/2018, artigo 797) e, consequentemente, igualmente sujeitos ao PIS e à Cofins. Dito de outro modo, as operações com ouro destinados ao mercado financeiro, embora em matéria de impostos sujeitem-se unicamente ao IOF, como ativo financeiro que é por força da equiparação feita pelo legislador ordinário, tem os seus rendimentos tributados à semelhança dos demais rendimentos das instituições financeiras, seja na qualidade de renda fixa, seja na qualidade de renda varável. Então, por se tratar o ouro ativo financeiro, por força da equiparação legal recebida, um autêntico título financeiro, na linguagem do COSIF e nas regras de tributação aplicáveis ao mercado financeiro, em especial em matéria de PIS e de Cofins, seus rendimentos são rotulados como rendimentos de natureza financeira, compondo, ao lado dos rendimentos dos demais títulos financeiros, as receitas auferidas em operações de renda fixa ou de renda variável. (...) Ora, “ouro mercadoria” ou “ouro ativo financeiro” é uma qualidade do produto em razão da destinação a ele dada, e nada tem que ver com a incidência ou não incidência do PIS e da Cofins, senão para efeitos de determinação do regime de tributação aplicável: regime cumulativo ou não cumulativo. Enquanto “ouro ativo financeiro” e em poder de instituição financeira, como são as DTVMs, o ouro sujeita-se sim à tributação já que a receita derivada de sua alienação compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins, como típica receita operacional de negociação com ativo de renda variável. Logo, não há dúvidas quanto à incidência dessas contribuições nas operações com ouro realizadas pelas instituições financeiras, sendo que, especificamente nessas situações, a Receita Federal do Brasil, por meio dos artigos 95 até 97 da IN RFB 247/02, definiu os critérios para composição da base imponível, prevendo uma sistemática diferenciada, inclusive com o preenchimento de planilha própria (vide Anexo I da IN RFB 247/02, denominado Base de Cálculo do PIS/PASEP e da COFINS: Instituições financeiras e assemelhadas). Há de se registrar, ademais, o prescrito no art. 18 da Lei nº 10.684/2003, que contempla a incidência de ditas contribuições ao elevar para 4% (quatro por cento) a alíquota da Cofins devida pelas instituições financeiras referidas nos parágrafos 6º e 8º do art. 3º da Lei 9.718/1998, e prescreve que a alíquota do PIS será a mesma aplicável aos demais contribuintes (0,65%). Fl. 766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Portanto, apesar de sujeitas a um regime diferenciado, há incidência de PIS/COFINS nas vendas auferidas pelas DTVMs e, nessa medida, o direito ao crédito nas cadeias posteriores, caso o bem adquirido seja utilizado pelo adquirente como insumo em seu processo de industrialização. (...) Desse modo, ocorrendo incidência na etapa anterior, assiste à Recorrente o direito de descontar créditos em relação à aquisição do ouro utilizado por ela como insumo. A vedação ao crédito das contribuições sociais ocorre apenas nas situações em que não há incidência ou há alíquota zero definida pelo legislador. Existindo a sujeição ao pagamento das contribuições, independentemente do quantum debeatur recolhido, faz- se mister o reconhecimento do direito creditório. (...) Destaca-se que a legislação do PIS e da Cofins não exige que todo o valor do ouro adquirido seja, no fornecedor da Recorrente, tributado pelas contribuições, mas apenas que haja a tributação da receita obtida na operação com esse bem. Em outros termos, se houver etapa anterior tributada, é irrelevante o montante efetivamente recolhido. Trata- se do método “base-contra-base”, eleito pelo legislador brasileiro, a fim de manter a neutralidade e a harmonia com os demais modelos de apuração existentes. (...) Em verdade, o que efetivamente importa para efeitos de tributação é o fato de que as receitas derivadas de operações com ouro são tributadas, seja ele ativo financeiro ou não, por força dos princípios emergentes da Constituição Federal, em especial daquele constante em seu artigo 195, e tendo em conta que em matéria de PIS e de Cofins não se tributam operações, mas, sim, o faturamento, isto é, a receita bruta decorrente da totalidade das operações realizadas pela pessoa jurídica. Enfim, o que com tudo isso se quer afirmar é que receitas derivadas de operações com ouro, ainda que ativo financeiro, indiscutivelmente, sujeitam-se à incidência do PIS e da Cofins. (...) O ouro é ativo financeiro somente quando aplicado no mercado financeiro, ou seja, quando seu fim for o mercado financeiro. Por isso, é a destinação que confere natureza jurídica ao ouro, e não a origem da operação de compra e venda perpetrada. Se o vendedor é instituição financeira, se é contribuinte de ICMS, se opera no mercado de balcão, são elementos totalmente irrelevantes para se averiguar o direito ao crédito do ouro como insumo no processo industrial da Recorrente. É por isso que o entendimento da DRJ abandona a importância da destinação, para valorar exclusivamente o vendedor da operação, que integra apenas um dos polos da relação jurídica que originou o fato gerador. Tal abandono mostra-se presente no esforço da decisão de (i) desvirtuar a lei, (ii) focar em apenas um dos polos da relação jurídica e não nela como um todo (o que é fundamental, pois a relação não se estabelece/caracteriza a partir da perspectiva de apenas um de seus polos), e (iii) usar, a seu favor, argumentos econômicos para demonstrar seu “inconformismo” com a situação posta. (...) Ademais, a destinação empregada pela Recorrente foi confirmada por sua documentação fiscal e contábil, isto é, pelas notas fiscais de entrada emitidas e pela Fl. 767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 contabilização do ouro como insumo (estoque) destinado à produção, como se vê pela leitura do Código Fiscal de Operações e de Prestações– CFOP – nelas consignado. (...) A Recorrente cita legislação, jurisprudência e doutrina e, ao final, requer “seja dado integral provimento ao recurso voluntário, a fim de que seja reformada a decisão recorrida e canceladas as cobranças decorrentes das compensações não homologadas”. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; assim, dele conheço. Mérito A controvérsia gravita em torno de crédito da não-cumulatividade apurado sobre o valor de aquisição de bem para fins de insumo, no caso especial de o bem ser ouro adquirido de uma DTVM. A Autoridade Fiscal da Unidade de origem entendeu inexistir crédito no caso, basicamente, porque a aquisição do ouro pelo contribuinte não está sujeita ao pagamento da contribuição. Argumenta que “não há incidência de Cofins sobre a receita decorrente da venda pela DTVM do bem ouro ativo financeiro, pela simples razão de que tal receita não compõe a base de cálculo daquela contribuição para as instituições financeiras. No caso, a incidência da Cofins se dá tão somente sobre as receitas das DTVMs decorrentes do serviço de intermediação financeira, as únicas que são tratadas por ela como receita operacional”. A Recorrente, porém, alega que “o crédito de PIS/Cofins sobre aquisição do ouro ativo financeiro, no momento de sua destinação como insumo industrial, está fundado na base legal que determina a incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, e permite o desconto do crédito calculado, dentre outros, sobre a aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. No que pese a ampla discussão conceitual acerca do tema, notadamente, a respeito da qualificação jurídica do mesmo bem (ouro), ora como “ativo financeiro”, ora como “mercadoria comum”, o ponto central aqui é determinar se a legislação ampara crédito no âmbito das contribuições não-cumulativas apurado nas circunstâncias do caso, isto é, quando se Fl. 768DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 trata de compra de ouro ativo-financeiro empregado depois como insumo na indústria. Cite-se aqui a síntese realizada pela própria Recorrente, para servir de balizamento à análise neste julgamento: Assim, no que importa à questão sub judice, são necessários os seguintes requisitos à apuração de créditos, os quais indiscutivelmente são verificados na situação em tela, quais sejam: 1 - Que os bens adquiridos sejam utilizados como insumo na produção de bens da adquirente; e 2 - Que os bens adquiridos tenham se sujeitado ao pagamento do PIS e da Cofins. No entendimento da 14ª Turma de Julgamento, muito embora ela reconheça que o ouro adquirido pela Recorrente das DTVM é utilizado como insumo em seu processo industrial (portanto, que teria sido preenchido o 1º requisito), manteve a glosa do crédito por entender que não teria havido recolhimento de PIS e Cofins sobre o fato gerador da venda do ouro (2º requisito), mas apenas da intermediação financeira do ouro, o que impediria o desconto de créditos. Se admitido que o bem (ouro) adquirido das DTVM fora utilizado pelo contribuinte – como o próprio Colegiado de 1º Grau o admite – como insumo em sua atividade industrial, resta a discussão do segundo ponto. E aqui vale fazer uma digressão a respeito da disciplina legal. A distinção entre ouro-ativo-financeiro e ouro-mercadoria fora introduzida no atual ordenamento jurídico brasileiro pela própria CF/88, para o fim de instituir tributação diferenciada para o primeiro: Art. 153 (...) § 5º O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do imposto de que trata o inciso V do "caput" deste artigo, devido na operação de origem; a alíquota mínima será de um por cento, assegurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos: O regime de tributação do ouro-financeiro distingue-se do regime de tributação ouro-mercadoria, a partir da regra constitucional acima citada. Nesse sentido, o ouro-mercadoria segue o regime comum de tributação válido para qualquer mercadoria, com todos os impostos incidindo normalmente (não incide obviamente IOF!), seguindo o que determina a lei específica de cada imposto, já o ouro-financeiro, sobre o qual incide o IOF, e apenas este imposto, segue o regime de tributação previsto para as instituições financeiras. Outra diferença jaz no campo das contribuições (PIS/Cofins), em que o regime de tributação do ouro-mercadoria é o regime não-cumulativo, mas para o ouro ativo-financeiro é o regime cumulativo, com leis Fl. 769DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 regentes distintas: Lei nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/03, de um lado, e Lei nº 9.718/98, de outro. Observe-se abaixo a regulamentação, pela Lei nº 7.776/89, do dispositivo constitucional mais acima citado (art. 153, § 5º da CF/88), que justamente dispõe sobre o ouro ativo financeiro e sobre seu tratamento tributário, especialmente o art. 1º e seu parágrafo 2º: Lei nº 7.766 de 11 de maio de 1989 Art. 1º O ouro em qualquer estado de pureza, em bruto ou refinado, quando destinado ao mercado financeiro ou à execução da política cambial do País, em operações realizadas com a interveniência de instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional, na forma e condições autorizadas pelo Banco Central do Brasil, será desde a extração, inclusive, considerado ativo financeiro ou instrumento cambial. (...) § 2º As negociações com o ouro, ativo financeiro, de que trata este artigo, efetuada nos pregões das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros ou assemelhadas, ou no mercado de balcão com a interveniência de instituição financeira autorizada, serão consideradas operações financeiras. Deriva-se destes excertos que o contribuinte quando compra ouro de instituição financeira, caso de uma DTVM, não está adquirindo mercadoria, mas ativo financeiro, em razão do simples fato de que essas instituições não comercializam mercadorias, mas realizam operações financeiras, conforme definido na lei. E, por conseguinte, o adquirente não compra mercadoria para o fim de empregar como insumo, mas ativo financeiro, que depois pode (ou não) redirecionar para empregá-lo como insumo. A própria formalidade do negócio comprova de que se trata de aquisição de ouro-financeiro, pois os documentos fiscais, que acompanham a transação, são aqueles previstos na Instrução Normativa SRF nº 49/01, específicos e exclusivos para as instituições financeiras, que operam com ouro ativo-financeiro. Cita-se abaixo excertos deste diploma normativo infralegal: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III, do art. 190 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 227, de 3 de setembro de 1998, e tendo em vista o disposto na Lei nº 7.766, de 11 de maio de 1989, e considerando a necessidade de estabelecer normas para o controle fiscal das operações com ouro, ativo financeiro ou instrumento cambial, resolve: Art. 1º Instituir documentário fiscal para uso exclusivo nas operações com ouro, ativo financeiro ou instrumento cambial, e estabelecer normas para impressão, emissão e escrituração do referido documentário. Parágrafo único. O termo "instituição financeira", empregado nesta Instrução Normativa, compreende todas as pessoas jurídicas autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Fl. 770DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Não há controvérsia que as DTVM são instituições financeiras, pois são instituídas e reguladas pelo BCB (e ainda pelo CMN), conforme Resolução BCB 1120: RESOLUÇÃO Nº 1.120 O BANCO CENTRAL DO BRASIL, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31.12.64, torna público que o CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, em sessão realizada nesta data, tendo em vista as disposições do art. 4º, incisos VIII e XIII, da referida Lei, do art. 10 da Lei nº 4.728, de 14.07.65, e do art. 15, § 1º, da Lei nº 6.385, de 07.12.76, R E S O L V E U: I - Aprovar o Regulamento anexo, que disciplina a constituição, a organização e o funcionamento das sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários. (...) IV - O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários poderão adotar as medidas julgadas necessárias à execução desta Resolução. O documentário fiscal instituído, para uso exclusivo nas operações com ouro, ativo financeiro ou instrumento cambial, pela citada IN SRF nº 49/01 é o que consta no seu art. 3º: Art. 3º Constitui o documentário fiscal a que se refere o art. 1º: I - Nota Fiscal de Aquisição de Ouro - modelo 1; II - Nota Fiscal de Remessa de Ouro - modelo 2; III - Nota de Negociação com Ouro - modelo 3; IV - Guia de Trânsito de Ouro, Ativo Financeiro - modelo 4. V - Nota Fiscal de Aquisição de Ouro Ativo Financeiro ou Instrumento Cambial - Modelo 5; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1083, de 08 de novembro de 2010) VI - a Nota Fiscal de Venda de Ouro Ativo Financeiro ou Instrumento Cambial, exclusivamente pelo Bacen ou pelas instituições por ele autorizadas a realizar exportação de ouro ativo financeiro ou instrumento cambial. Observe-se, no caso concreto ora examinado, as Notas Fiscais de Negociação com Ouro e Notas Fiscais de Remessa de Ouro, fls. 68 e seguintes dos autos. Fl. 771DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Aliás o ponto já havia sido descrito pela Autoridade Fiscal, não havendo controvérsia quanto ao fato: (...) Nesse mesmo sentido, ou seja, que o ouro adquirido é ouro financeiro, observamos que sua aquisição sempre esteve acompanhada da Nota Fiscal de Remessa de Ouro, e de Nota Fiscal de Negociação do Ouro, documentos instituídos pela Instrução Normativa SRF N° 49/2001, e de emissão exclusiva em operações com o ouro, quando definido como ativo financeiro ou instrumento cambial. (...) A consequência tributária deste fato - aquisição de ouro ativo financeiro -, é que os impostos (ICMS, IPI) não incidem na operação, por força do Fl. 772DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 mandamento constitucional, e as contribuições não incidem sobre as receitas derivadas dessas vendas, porque as instituições financeiras, embora sejam contribuintes do PIS/Cofins, submetem-se ao regime cumulativo de forma especial, participando na base de cálculo de tais contribuições apenas receitas de serviços, não receitas obtidas com a própria venda de ouro ativo-financeiro. O regime de tributação, no que se refere as contribuições, a que se submetem as instituições financeiras, afasta-se de modo apreciável daquele a que se obrigam as pessoas jurídicas em geral, a começar pelos diferentes diplomas legais que regem a incidência dos mencionados tributos em cada caso: Lei nº 10.833/03 (ou 10637/02) e Lei nº 9.718/98. Mais ainda: num caso, é não-cumulativo, noutro é cumulativo; com alíquotas distintas. Lei n o 10.833, de 29 de Dezembro de 2003. Art. 1 o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) § 1 o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei n o 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei n o 6.404, de 15 de dezembro de 1976.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2 o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1 o . (...) Art. 2 o Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1 o , a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1 o a 8 o : I - as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6 o , 8 o e 9 o do art. 3 o da Lei n o 9.718, de 1998, e na Lei n o 7.102, de 20 de junho de 1983; (...) Lei nº 9.718/98 (Cofins cumulativa) (...) §6 o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no§ 1 o do art. 22 da Lei n o 8.212, de 1991, Fl. 773DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 além das exclusões e deduções mencionadas no § 5 o , poderão excluir ou deduzir: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) I- no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (...) A peculiaridade na transação em foco - venda de ouro ativo financeiro para indústria que o utilizará depois como insumo -, consiste numa espécie de transição de regimes (cumulativo para não-cumulativo), por conta da qualificação jurídica que a LEI aplica ao mesmo bem. Em todo o caso, da operação de extração até a venda do ouro com impurezas pela DTVM ao fabricante de lingotes de ouro puro (caso do contribuinte) as operações são qualificadas como financeiras, e, por esta razão, não incide a Cofins não-cumulativa (nem cumulativa!) na receita auferida com a específica venda do ouro, em outras palavras, a receita correspondente não está sujeita ao pagamento da contribuição. Depois desta última venda, aí sim, passa a valer o regime não-cumulativo. As receitas sobre as quais incide Cofins (ou PIS), no caso de uma DTVM, são aquelas denominadas na COSIF como rendas operacionais, que representam remunerações por conta de suas atividades típicas, nunca sobre a venda dos próprios ativos. Vale destacar que a COSIF é o plano contábil obrigatório das instituições financeiras, conforme se depreende da Circular BCB nº 1273, de 29/12/87: Circular nº 1273, de 29.12.87 Comunicamos que a Diretoria do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 16.12.87, com fundamento no artigo 4º, inciso XII, da Lei nº 4.595, de 31.12.64, por competência delegada pelo Conselho Monetário Nacional, decidiu instituir, para adoção obrigatória a partir do Balanço de 30.06.88, o anexo PLANO CONTÁBIL DAS INSTITUIÇÕES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – COSIF. 2. As normas consubstanciadas no COSIF aplicam–se aos bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de arrendamento mercantil, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo, caixas econômicas e cooperativas de crédito. (...) TÍTULO: PLANO CONTÁBIL DAS INSTITUIÇÕES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – COSIF CAPÍTULO: Normas Básicas – 1 SEÇÃO: Receitas e Despesas - 17 Fl. 774DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 1. Para fins de registros contábeis e elaboração das demonstrações financeiras, as receitas e despesas se classificam em Operacionais e Não Operacionais. 2. As receitas, em sentido amplo, englobam as rendas, os ganhos e os lucros, enquanto às despesas correspondem as despesas propriamente ditas, as perdas e os prejuízos. 3. As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (...) E ainda no Manual COSIF (v. site do BCB) registra-se: 3. Aplicações em Ouro 1 - As aquisições de ouro no mercado físico registram-se em APLICAÇÕES TEMPORÁRIAS EM OURO pelo custo total, em subtítulos de uso interno que identifiquem suas características de quantidade, procedência e qualidade. (Circ 1273) 2 -O saldo das aplicações em ouro físico ou certificado de custódia de ouro e o saldo dos contratos de mútuo de ouro, por ocasião dos balancetes e balanços, devem ser ajustados com base no valor de mercado do metal, fornecido pelo Banco Central do Brasil.(Circ 2333 art 1º itens I,II) 3 - A contrapartida do ajuste positivo ou negativo, efetuado na forma do item anterior, deve ser registrada em conta adequada de receita ou despesa operacional, respectivamente.(Circ 2333 art 1º § único) 4 -As despesas de transporte, custódia, refino, chancela, impostos e outras inerentes ao ciclo operacional de negociação do metal, bem como de corretagem, devem ser agregadas ao custo do ouro. (Circ 2333 art 2º) 5 -A instituição deve providenciar a conferência periódica do estoque de ouro, pelo menos por ocasião dos balancetes e balanços, devendo o respectivo termo de conferência, devidamente autenticado, ser arquivado para posteriores averiguações. No caso da custódia do estoque em outra instituição devem ser arquivados os respectivos comprovantes e efetuados os registros correspondentes nas adequadas contas de compensação. (Circ 1273) As contribuições (PIS/Cofins) das Instituições Financeiras incidem sobre rendimentos de ativos financeiros (ou sobre serviços prestados), mas não diretamente sobre as vendas de ativos, assim, no campo de incidência do PIS/Cofins das instituições financeiras estão os serviços bancários e os de intermediação financeira, não a venda de mercadorias ou de ativos. O Parecer PGFN/CAT/ nº 2773/2007 define a natureza das receitas auferidas pelas instituições financeiras como receitas de serviços: PARECER PGFN/CAT/nº 2773/2007 (...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; j) as afirmações contidas nas letras “h” e “i” decorrem: do princípio da universalidade na manutenção da seguridade social (caput do art. 195 da CR/88), do princípio da capacidade contributiva (§ 1º do art. 145 da CR/88), do item 5 do Fl. 775DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Anexo sobre Serviços Financeiros do GATS e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30.12.94 (art. 98 do CTN), do inc. III do art. 2º da LC nº 116, de 2003 e dos arts. 3º, § 2º e 52 do CDC. 66.Têm-se, então, que a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2º, 3º, caput e nos §§ 5º e 6º do mesmo artigo, exceto no que diz respeito ao “plus” contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.950-9/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada. E, por decorrência de todas as razões acima alinhadas, incide no caso a vedação constante do §2º do art. 3º da Lei nº 10.833/03, porque o (a venda do) bem (ouro ativo-financeiro) não se sujeita ao pagamento da contribuição: Lei nº 10.833/03 art. 3º (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Em síntese: da extração até a mencionada operação de venda, aqui em foco, não incide a Cofins não cumulativa, depois disso passa a incidir em todas as transações. A venda da DTVM para a contribuinte, ora Recorrente, é a última operação ainda presidida pelo regime das instituições financeiras, já a venda da contribuinte, ora Recorrente, para um cliente seu será a primeira no regime geral das demais pessoas jurídicas, vale dizer, no regime não-cumulativo, inclusive com apuração de créditos sobre a venda do ouro, agora devidamente qualificado como ouro mercadoria. Enfim, não incide PIS/Cofins sobre a receita decorrente da venda de ouro ativo-financeiro de uma Instituição Financeira para a Indústria, e, consequentemente, não gera direito creditório o valor da aquisição do referido bem (ouro financeiro), mesmo que venha a ser depois aplicado como insumo na atividade da empresa. A Jurisprudência do CARF, embora ainda incipiente, vem se consolidando no sentido aqui defendido. Em ambos os acórdãos abaixo citados, a Recorrente é a mesma destes autos (UMICORE), e nos dois casos acordaram os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário: Fl. 776DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 Acórdão n.º 3301-004.675 de 23/05/18 (Relatora Conselheira Liziane Angelotti Meira Nessa, acolhido por maioria) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 OURO ATIVO FINANCEIRO / INSTRUMENTO CAMBIAL. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando se adquire ouro na forma de ativo financeiro / instrumento cambial não se está adquirindo uma mercadoria (um insumo). A instituição financeira não deu destino diverso ao ouro ativo financeiro, nem poderia. A alteração dessa condição vantajosa, para que o ouro seja considerado uma mercadoria, deverá vir acompanhado das consequências tributárias que esse fato vier a gerar, com a regência das normas impositivas do ICMS, do IPI, do PIS e da Cofins, e só a partir da primeira venda como mercadoria poderá o adquirente do ouro então mercadoria se beneficiar dos créditos por ventura gerados, em conformidade com as leis de regência, antes não. Sobre o bem ouro ativo financeiro não houve incidência da contribuição do PIS. ------------------------------ Acórdão n.º 3402-005.581 de 25/09/18 (Relator Conselheiro Pedro Sousa Bispo, acolhido por maioria) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 OURO ATIVO FINANCEIRO / INSTRUMENTO CAMBIAL. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Quando se adquire ouro na forma de ativo financeiro/instrumento cambial não se está adquirindo uma mercadoria (um insumo). A instituição financeira não deu destino diverso ao ouro ativo financeiro, nem poderia. A alteração dessa condição vantajosa, para que o ouro seja considerado uma mercadoria pela adquirente, deverá vir acompanhado das consequências tributárias que esse fato vier a gerar, com a regência das normas impositivas do ICMS, do IPI, do PIS e da Cofins, e só a partir da primeira venda como mercadoria poderá o adquirente do ouro, então mercadoria, beneficiar-se dos créditos por ventura gerados, em conformidade com as leis de regência, antes não. Sobre o bem ouro ativo financeiro não houve incidência da contribuição para a COFINS. Vale citar alguns excertos deste último acórdão (3402-005.581), alinhados com o entendimento aqui adotado: Nesse cenário, a afirmação da Recorrente, em sua defesa, de que o ouro ativo financeiro se sujeita normalmente a incidência do PIS e da COFINS em todas as operações envolvidas ao longo da sua cadeia não se mostra verdadeira, pois, conforme visto nos dispositivos legais anteriormente expostos, o ouro ativo financeiro tem uma carga tributária bastante reduzida se comparada como o do ouro mercadoria. Sobre as operações envolvendo o primeiro , os envolvidos na cadeia de produção do ouro ativo financeiro, desde a extração até chegar a instituição financeira, não pagam PIS e COFINS sobre essas operações, posto que são beneficiadas pela imunidade, excetuando se IOF. Tendo uma carga tributária menor, logicamente o ouro ativo financeiro/instrumento cambial tem um preço mais barato que o ouro mercadoria. Fl. 777DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 As instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a operarem com o ouro ativo financeiro, tais como as DTVMs, por sua vez, estão sujeitas ao regime cumulativo das Contribuições para o PIS e COFINS, incidindo essas contribuições sobre as receitas de serviços bancários (cobranças de tarifas) e as de intermediação financeira. Quanto a tributação das contribuições em comento nesse ramo de atividade, reproduz-se o Parecer PGFN/CAT/Nº 2.773/2007, que trata da base de cálculo dessas contribuições devidas pelas instituições financeiras e seguradoras após o julgamento do RE 357.9509/RS, no qual fica claro que as instituições financeiras tem como receita apenas serviços para fins tributários, e destes a receita pelo serviço de intermediação financeira, não tendo receitas pela venda de mercadorias, in verbis: (...) Destarte, conclui-se que na instituição financeira (DTVM) que recebe o ouro compromissado com natureza de ativo financeiro e o aliena a um investidor, a tributação do ouro não se dá sobre o valor do bem ouro alienado, mas tão somente sobre a receita de serviço de intermediação, incidindo sobre o ganho apurado entre a operação de compra e a de venda, se por ventura apurado, pois também se é possível apurar perda na operação. No caso ora analisado, torna-se evidente que o produto (ouro) adquirido pela Recorrente, na sua origem, era, de fato, um ativo financeiro que possuía, pela Constituição e lei regulamentadora, características próprias bem distintas das do ouro mercadoria, mormente com relação as instituições autorizadas a operá-lo, documentação lastreadora das operações e sua forma de tributação privilegiada. Depreende-se dos fatos até aqui narrados, que a Recorrente comprou um ativo financeiro e posteriormente, por vontade própria, transformou-o em mercadoria, e consequentemente insumo, para aplicação no seu processo produtivo de purificação do ouro. Ressalta-se que o produto adquirido foi um ativo financeiro da DTVM e não uma mercadoria, como faz crer a Recorrente. Em uma etapa posterior foi que o Contribuinte concretizou o seu animus de transformá-lo em mercadoria nova, quando então a utilizou como insumo. Entendo, assim, que a situação explicitada não gera direito a crédito porque a Recorrente, de forma originária, fez surgir a mercadoria que não existia nas operações anteriores, posto que o produto adquirido (ouro ativo financeiro) possuía características próprias, distintas das mercadorias, não havendo que se falar em direito a crédito. Se a Recorrente optou pela transformação do ouro ativo financeiro em mercadoria isso deverá vir acompanhado das consequências tributárias que esse fato vier a gerar, com a regência das normas impositivas do ICMS, do IPI, do PIS e da Cofins, e só a partir da primeira venda como mercadoria poderá o adquirente do ouro, então mercadoria, beneficiar-se dos créditos por ventura gerados, em conformidade com as leis de regência, antes não. (...) No caso concreto, restou comprovado que o bem adquirido pela Recorrente (ouro ativo financeiro), além de não ser mercadoria no momento da aquisição, também não se sujeitou o bem, ouro ativo financeiro, a incidência das contribuições ao PIS e a COFINS ao longo da sua cadeia, desde a extração até a negociação do ativo financeiro pela DTVM, o que torna inviável a possibilidade de creditamento dessas contribuições na operação de aquisição do bem. Fl. 778DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3401-010.083 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10875.905388/2011-62 A essa mesma conclusão chegou a Conselheira Relatora Liziane Angelotti Meira Nessa no acórdão nº 3301004.675, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que, em julgamento dos mesmos elementos fático-jurídicos da própria Recorrente, mas de período de apuração diferente, concluiu pela impossibilidade de creditamento na operação de aquisição do ouro na forma aqui discutida, conforme sintetizado na ementa a seguir reproduzida: Registra-se, por último, que, dos dois acórdãos citados, a contribuinte recorrera à CSRF, mas, em ambos o Recurso Especial NÃO fora conhecido, por ausência de comprovação “de divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de Acórdão paradigma em que, enfrentando questão fática equivalente, a legislação tenha sido aplicada de forma diversa” (Ac. 9303-010.237 e 9303-010.239). De todo exposto, VOTO por conhecer do Recurso, negando-lhe provimento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 779DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19675.000576/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.174
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar julgamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva no âmbito do processo judicial nº 0014689-52.2008.4.03.6110, que atualmente aguarda julgamento de
apelação no âmbito do TRF da 3ª Região.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar julgamento do presente processo até que seja proferida decisão definitiva no âmbito do processo judicial nº 0014689-52.2008.4.03.6110, que atualmente aguarda julgamento de apelação no âmbito do TRF da 3ª Região. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 14-26.395, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP. Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 2176 e ss.): Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindo-lhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 2.057.250,39 (fl. 220), a Contribuição para o PIS de R$ 61.704,90 (fl. 227), a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 246.055,62 (fl. 235) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 738.166.94 (fl. 241), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 7.975.897,76 (fl. 05), relativamente ao ano-calendário de 2002. Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 19675.000576/2007-47 Resolução n.º 1201-000.174 S1-C2T1 Fl. 2 2 O procedimento fiscal iniciou-se em 13/01/2006 com a ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 13). por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, relativamente aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004, o Contrato Social e suas alterações, os livros Caixa ou Diário e Razão, extratos de contas bancárias, formulário do lucro presumido - levantamento do fluxo financeiro e questionário devidamente preenchido sobre informações gerais. Em 02/02/2006 a contribuinte informou estar regularmente inscrita no SIMPLES e que utiliza o livro Caixa e que em virtude de vírus em seus sistemas teve que refazer parte de seus registros e, por isso, solicitou prorrogação de prazo por mais 15 dias, tendo sido concedido 10 (dez) dias (fl. 15). Em 10/03/2006 foi a contribuinte novamente intimada (fl. 24) para apresentar, no prazo de 20 dias, o livro Caixa com o registro das operações realizadas durante o ano-calendário de 2002 e os documentos pertinentes às receitas auferidas durante o mesmo período. Em 05/05/2006 e em 30/06/2006 foi a empresa novamente intimada a apresentar os mesmos documentos em relação aos anos-calendário de 2003 e 2004 (fl. 25 e 26). Em 29/08/2006 a fiscalização requisitou (fls. 27/29) ao Banco Itaú S/A, com base no art. 6o da Lei Complementar n° 105, de 2001 e no Decreto n° 3.724, de 2001, informações sobre movimentação financeira da empresa fiscalizada (extratos de aplicações financeiras, conta corrente e operações com cartão de crédito), o que foi atendido com a apresentação dos extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, relativamente ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004 (fls. 34/141). Em 25/05/2006 foi a empresa intimada (fl. 30) a apresentar, em relação aos meses de março, julho e outubro de 2002, uma relação dos valores recebidos por conta de terceiros e uma relação dos valores correspondentes às comissões auferidas com serviços de cobrança. Em 17/10/2006 e 10/11/2006 a empresa foi intimada a apresentar os mesmos documentos porém para os meses de maio, agosto e novembro de 2003, abril, junho e dezembro de 2004. Em 01/12/2006 foi a empresa intimada a esclarecer a razão de ter apresentado declaração como inativa em relação aos anos-calendário de 2003 e 2004, e informar o fundamento legal de sua opção pelo Simples no ano-calendário de 2002. Em 16/03/2007 a empresa foi intimada (fl. 142) a apresentar, relativamente aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, comprovantes hábeis e idôneos, expedidos pelos beneficiários, da entrega aos mesmos, na condição de titulares dos referidos créditos, dos valores decorrentes das cobranças realizadas, bem assim um relatório indicando, de forma individualizada, os valores das comissões recebidas pela cobrança realizada, em relação aos valores recebidos por conta de terceiros e transferidos aos mesmos. Em 04/05/2007 foi a empresa intimada (fl. 143) a apresentar, relativamente aos anos calendário de 20002, 2003 e 2004, um Fl. 4062DF CARF MF Processo nº 19675.000576/2007-47 Resolução n.º 1201-000.174 S1-C2T1 Fl. 3 3 demonstrativo, acompanhado da devida documentação comprobatória, coincidentes em datas e valores, com a identificação individualizada da origem dos depósitos e créditos efetuados em sua conta corrente bancária, especificando o nome e o CPF ou CNPJ do depositante ou responsável pelo crédito; bem assim um demonstrativo, acompanhado da devida documentação comprobatória, coincidentes em datas e valores, com a identificação individualizada dos titulares dos créditos e títulos, cuja cobrança realizou, especificando o nome e o CPF ou CNPJ de cada cliente, titular do crédito. Foi ressaltado que a não apresentação dos documentos solicitados implicaria o arbitramento do lucro tendo em vista a falta de opção pelo lucro presumido e a falta de apresentação da escrituração completa, que embora farta a documentação apresentada, não foi suficiente para comprovar de forma cabal e individualizada a origem dos créditos recebidos e o destino dos repasses efetuados, bem como os valores efetivamente recebidos como receita própria da fiscalizada. Em 11/05/2007 a empresa solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias e, após alegar que as transferências e créditos efetuados nas contas correntes da empresa são decorrentes de cobranças que intermediou, informou que teria condições de prestar todas as informações solicitadas, inclusive identificar todas as transferências efetuadas, porém esclareceu que as datas de transferências não correspondem com as datas de pagamentos pois, muitas vezes, os clientes não possuíam conta corrente, ou não queriam que o crédito fosse feito em suas contas correntes e sim que fosse utilizado para pagamentos de encargos ou repassado para outra empresa, bem como não teria condições de identificar o CPF ou CNPJ de parte das transferências entre contas de um mesmo estabelecimento bancário. Esclareceu que em virtude de sua exclusão do SIMPLES não foi possível efetuar a declaração de imposto de renda nessa modalidade em relação ao ano-calendário de 2003 e como havia procedido os recolhimentos dos tributos nessa modalidade e para não ficar omissa de entrega de declaração decidiu por entregar a declaração como inativa, sem com isso lesar o Fisco, pois todos os impostos foram recolhidos. Em 03/07/2007 a empresa foi intimada (fl. 147) a apresentar os livros Diário e Razão (lucro real), o livros de Entradas, de Saídas, de Apuração do Lucro Real, de apuração do ISS, entre outros. Foi esclarecido que em razão da exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002 a empresa ficou sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto à forma de apuração de seus resultados, tomando como base as regras previstas para o lucro real. Ressaltou ainda que a não apresentação dos aludidos livros e documentos implicaria o arbitramento do lucro conforme dispõe o art. 530 do RIR/99. Em 26/07/2007 a empresa reiterou as alegações anteriormente apresentadas e solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias, tendo concedido prorrogação de prazo por 01 (semana). Em 21/09/2007 foi novamente a empresa intimada (fl. 153) a apresentar os mesmos livros e documentos já solicitados. Em 04/10/2007 a empresa solicitou prorrogação de prazo por mais 10 (dez) dias (fl. 154). Em 23/10/2007 a empresa apresentou os livros Diário e Razão (fls. Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 19675.000576/2007-47 Resolução n.º 1201-000.174 S1-C2T1 Fl. 4 4 157/180) e o livro de Registro de Notas Fiscais relativos ao ano calendário de 2002 e solicitou o prazo de 10 (dez) dias para apresentar os livros relativos aos anos calendário de 2003 e 2004. Consta informação fiscal (fl. 184) que em 31/10/2007 a contribuinte apresentou as notas fiscais relativas ao ano-calendário de 2002. Em 22/11/2007 a fiscalização lavrou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 182/186 no qual relatou, em síntese, que analisando as notas fiscais de serviços apresentadas, verificou não haver nenhuma nota fiscal que trate de ganho com intermediação de cobrança e que elas referem-se à prestação de serviços relacionados com "Produções" como trilha sonora, informática, produção técnica, produção de som para filmes, iluminação, etc., e que referidas notas foram devidamente escrituradas nos livros Diário e Razão e os valores foram submetidos à tributação na modalidade do SIMPLES, do qual ela fora excluída a partir de 01/01/2002. Informou a autoridade fiscal que, de posse dos extratos da conta corrente n° 19321-3 de titularidade da empresa, mantida no Banco Itaú S/A no ano-calendário de 2002, elaborou uma planilha denominada "Depósitos/Créditos em C/C cuja origem não foi comprovada" na qual foram relacionados os depósitos/créditos excluindo-se aqueles que foi possível estabelecer uma correspondência com as notas fiscais, bem assim os cheques devolvidos. Informou, ainda, que em razão da exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/01/2002 foi efetuado os lançamentos tendo por base a receita omitida, conforme demonstrado na planilha de "Depósitos/Créditos em C/C cuja origem não foi comprovada" (fls. 187/212) e no Imposto de Renda devido apurado conforme planilha de "Demonstrativo de Apuração do Valor Tributável e do LR. Devido - Lucro Real" (fls. 213), elaborada com base na escrituração da contribuinte, tendo sido levado em consideração os valores de IRPJ pago na modalidade do Simples, conforme demonstrado à fl. 214. Cientificada dos autos de infração em 22/11/2007, a contribuinte ingressou em 21/12/2007 com a impugnação de fls. 247/267, requerendo, inicialmente, que as intimações sejam endereçadas par o endereço da Advogada subscritora, e aduzindo como razões de defesa o seguinte: Da origem do crédito em conta corrente. Alegou que desde o início vem apresentando os documentos e prova de que os valores creditados em conta corrente não tem natureza tributária, uma vez que são provenientes de cobrança que encaminha em nome de clientes, conforme documentação ora anexada. Do enquadramento no Simples e a regularidade das declarações à Receita Federal. Alegou que, independentemente, da discussão jurídica em torno da legalidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, a empresa desenvolveu a correta e adequada forma de apresentação dos impostos e obrigações fiscais, tendo adotado a forma de lucro presumido, efetuando os registros dos livros fiscais e apresentando-os aos Agente Fiscal conforme Termo de Verificação - itens 9 a 14. Fl. 4064DF CARF MF Processo nº 19675.000576/2007-47 Resolução n.º 1201-000.174 S1-C2T1 Fl. 5 5 Da Irretroatividade dos efeitos do Ato Declaratório de Exclusão do Simples e da Forma de Apuração do Imposto. Alegou que o Ato Declaratório Executivo DRF/SOR n° 465.018 que excluiu a empresa do Simples é de 07/08/2003 e os efeitos foram retroativos a 01/01/2002, o que fere os princípios da segurança jurídica, da irretroatividade e da legalidade e da hierarquia das normas e da razoabilidade dos atos administrativos. Alegou que já havia realizado, à época própria, a sua escrituração na modalidade de livro Caixa previsto pela legislação que regula o Simples, mas por exigência fiscal se viu obrigado a realizar a apuração na modalidade de lucro real, cujo pedido entende ter sido exagerado, além de ter havido ilegalidade/arbitrariedade no lançamento que exigiu diferença de imposto, pois a exclusão do Simples não poderia ter efeito retroativo e a atividade desenvolvida pela empresa não pode ser causa de exclusão. Do erro de fato (gerador) ocorrido no lançamento. Alegou que não pode ser compelido a admitir renda sobre o que não auferiu e que toda a documentação já apresentada e anexada à defesa suportam que os serviços de cobrança não são comissionados ou cobrados e que os valores creditados foram repassados aos titulares dos créditos, não havendo, portanto, renda a ser tributada, bem assim irregularidade nas declarações fiscais e de imposto de renda. Da ausência de fraude. Mais uma vez alegou que a receita auferida fora declarada; que os valores que transitaram na conta corrente tem origem lícita e comprovada; que os créditos/depósitos efetuados em sua conta corrente foram repassados aos seus titulares e que não houve omissão de receita ou fato gerador, devendo ser declarado nulo o lançamento. No final, solicitou que caso prevaleça o entendimento de aplicação do lucro real para o ano calendário de 2002 que: a) sejam excluídas as importâncias que se demonstram pertencentes a terceiros; b) sejam consideradas todas as despesas e débitos aplicados de acordo com a regra do lucro real e c) seja retificada a conta do Auditor Fiscal considerando as premissas da presente defesa. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário aduzindo, preliminarmente, que não fora cientificada da decisão da DRF em Sorocaba-SP, que indeferiu sua solicitação de revisão de exclusão do Simples (SRS). No mérito, alega: (i) a regularidade no enquadramento no Simples; (ii) que o lançamento deveria ter observado a legislação do Simples, já que a SRS suspendeu os efeitos da exclusão; (iii) que os documentos anexados aos autos comprovam a origem dos recursos depositados em suas contas-correntes bancárias (fl. 2753 e ss.). Trazidos os autos à apreciação da Turma, esta resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 19675.000576/2007-47 Resolução n.º 1201-000.174 S1-C2T1 Fl. 6 6 Tendo em vista todo o exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência a fim de que a autoridade de jurisdição do sujeito passivo: a) acoste aos autos documento comprobatório da ciência à SRS de fls. 11/12; b) elabore relatório circunstanciado; c) intime a recorrente a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório no prazo de 20 dias de sua ciência. Realizada a diligência a autoridade local acostou o aviso de recebimento relativo à SRS nº 0811001/0074-I, assinado pelo destinatário em 21/11/2003, bem como elaborou relatório informando o seguinte: Juntado às fl. 4019 a comprovação da ciência da SRS por parte do representante legal da empresa, datado de 21/11/2003, tendo em vista que, quando do encaminhamento para ciência no endereço da empresa, a correspondência retorna com a informação "Não Existe Endereço". Intimada para tanto a recorrente apresentou contrarrazões alegando, entre outras coisas, que propôs ação anulatória do Ato Declaratório Executivo DRF/SOR nº 465.018, que a excluiu do Simples. Acostou peças do processo nº 0014689-52.2008.4.03.6110, em especial, cópia da sentença exarada pela 2ª Vara Federal em Sorocaba - SP, que julgou procedente o pedido de anulação do mencionado Ato Declaratório. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele deve-se tomar conhecimento. 2) DA PREJUDICIALIDADE Conforme consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, processo nº 0014689- 52.2008.4.03.6110, constata-se que, de fato, em 12/11/2008 a ora recorrente ajuizou a referida ação anulatória, havendo sido ali proferida a seguinte sentença: Consulta da Movimentação Número : 28 PROCESSO-0014689-52.2008.4.03.6110 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 16/03/2010 p/ Sentença *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Tipo : A - Com mérito/Fundamentação individualizada /não repetitiva Livro : 2 Reg.: 307/2010 Folha(s) : 267 Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, com resolução do mérito, nos termos do art. 269, inciso I do Código de Processo Civil e DECLARO A NULIDADE do Ato Declaratório Executivo DRF/SOR n. Fl. 4066DF CARF MF Processo nº 19675.000576/2007-47 Resolução n.º 1201-000.174 S1-C2T1 Fl. 7 7 465.018, de 07 de agosto de 2003, que determinou a exclusão da autora do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.Condeno a ré no pagamento de honorários advocatícios à autora, que arbitro em R$ 5.000,00 (cinco mil reais), com fundamento no art. 20, 4º do CPC, a serem atualizados monetariamente na data do efetivo pagamento.Custas ex lege. Sentença sujeita ao reexame necessário. Disponibilização D.Eletrônico de sentença em 30/06/2010 ,pag 587/594 Consta ainda naquele sítio despacho do juízo competente recebendo a apelação em seus efeitos devolutivo e suspensivo, conforme abaixo: Consulta da Movimentação Número : 44 PROCESSO-0014689-52.2008.4.03.6110 Autos com (Conclusão) ao Juiz em 10/06/2011 p/ Despacho/Decisão *** Sentença/Despacho/Decisão/Ato Ordinátorio Recebo a apelação apresentada pelo(s) réu(s) em seus efeitos devolutivo e suspensivo. Ao(s) apelado(s) para contrarrazões no prazo legal. Findo o prazo, com ou sem resposta, remetam-se os autos ao EG. T.R.F. - 3ª Região com nossas homenagens.Intimem-se. Disponibilização D.Eletrônico de despacho em 06/07/2011 ,pag 464/468 Verifica-se também, no mesmo sítio, que ainda não foi julgada pelo TRF da 3ª Região a apelação e a remessa oficial, encontrando-se os autos conclusos ao relator. Pois bem, é de se notar que a interessada não informou em seu recurso voluntário, interposto em 06/04/2010, a existência da referida ação anulatória. Somente nas contrarrazões ao relatório de diligência tal fato foi informado. Seja como for, parece-me que o julgamento do presente processo deve ser sobrestado até que seja proferida decisão judicial definitiva no âmbito do processo nº 0014689- 52.2008.4.03.6110, haja vista a prejudicialidade. De fato, acaso a decisão definitiva a ser proferida no âmbito daquele processo judicial vier a declarar a nulidade do Ato Declaratório Executivo DRF/SOR nº 465.018, ficará sem efeito a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/01/2002 (fl. 10). E, se assim for, não poderão subsistir os autos de infração objeto do presente processo administrativo, pois não foram lavrados segundo as regras do sistema simplificado. Por outro lado, se decisão judicial definitiva vier a manter intacto o referido Ato Declaratório, o julgamento do presente processo administrativo deverá prosseguir, com o exame das razões elencadas pela recorrente. 3) CONCLUSÃO Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 19675.000576/2007-47 Resolução n.º 1201-000.174 S1-C2T1 Fl. 8 8 Tendo em vista todo o exposto, voto por sobrestar o presente julgamento até que seja proferida decisão definitiva no âmbito do processo judicial nº 0014689-52.2008.4.03.6110. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 4068DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.004835/2002-18
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1201-000.020
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T14:48:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T14:48:22Z; Last-Modified: 2010-10-07T14:48:22Z; dcterms:modified: 2010-10-07T14:48:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:e56f1d71-1bdd-4ec0-a8de-eb0e74e278a3; Last-Save-Date: 2010-10-07T14:48:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T14:48:22Z; meta:save-date: 2010-10-07T14:48:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T14:48:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T14:48:22Z; created: 2010-10-07T14:48:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-10-07T14:48:22Z; pdf:charsPerPage: 893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T14:48:22Z | Conteúdo => SI-C2TI Fi 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10730.004835/2002-18 Recurso n° 158969 Resolução n" 1201-00.020 — r Câmara / 1" Turma Ordinária Data 06 de novembro de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente São Marcos Terraplenagern e Construção Ltda Recorrida 1 Turma DRJ Rio de Janeiro - RJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, Converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.. dana o es " eg re 'dente Regis Magalhães So. 0:4?-, • ueiroz -Relator EDITADO EM: 1 7 SE I: 2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Gomes Régo, Éster Marques Lins de Sousa, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho. Processo n° 10730.004835/2002-18 S1-C2 Resoluçâo n ° 1201-00.020 El 2 RELATÓRIO O presente processo cuida de auto de infração para lançamento de IRPJ, PIS CSLL e COFINS e respectivos encargos de juros e multa, referentes aos anos calendários 1998, nos valores abaixo: IRRI:R$ 56346,93 PIS:R$ 2,473,71 CSLL:R$ 16.013,56 COHNS:R$ 7,611,53 TOTAL:R$ 82.845,45 O relatório preparado pela DRJ é dos seguintes termos: "Trata-se de manifestação de inconformidade (fl 220) apresentada pela interessada acima qualificada, acompanhada dos documentos de /is. 221/322, em face do Despacho Decisório/Parecer Seort n° 484/2006 (fls. 212/216), proferido no âmbito da DRF/Niterói. A interessada havia apresentado ao Fisco a Declaração de Compensação de fls. 154/155, pleiteando a compensação de valores exigidos nos autos de infração de /1s. 05/28 com valores que, segundo ela, teriam sido recolhidos indevidamente a título de CSLL ao longo nos anos-calendário de 2000 e 2001 (Darf de fls. 165/172) Por meio do referido Despacho Decisório, a autoridade fiscal de Niterói não reconheceu o direito creditó rio pleiteado pela interessada e não homologou a compensação declarada por ela no documento de fls. 154/155, por entender que os pagamentos de CSLL que a interessada alegava terem sido maiores do que os devidos, ou mesmo indevidos, já teriam sido alocados com débitos de CSLL referentes aos anos-calendário de 2000 e 2001, confessados por ela nas DCTF 193/203) Em sua manifestação de inconformidade com o Despacho Decisório, a interessada alega, em suma, que ela teria cometido erro ao preencher as DCTF, tendo incluído valores de CSLL que não seriam devidos no ano-calendário de 2000, como se poderia comprovar, segundo ela, pela D1PJ original, na qual constariam resultados negativos apurados em balanços ou balanceies de suspensão em todos os meses daquele ano (fls. 226/262), Ressalta que já teria providenciado a retificação das DCTF ((ls. 263/322)." A URI negou provimento à impugnação pelos seguintes fundamentos: "r ) a interessada argumenta que errou ao preencher a DCTF e alega que o simples exame da DIPJ já comprovaria o seu erro, uma vez que nesta última declaração constaria a informação de que teria levantado balanços ou balanceies de suspensão com resultados negativos apurados ao longo de todo o ano-calendário de 2000 _ 2 É o relatório. Processo n°10730.004835/2002-18 S1-C2T1 Resolução n.° 1201-00.020 Fl 3 Contudo, diante da peculiar situação na qual a interessada declara na DCTF a existência de valores devidos a título de CSLL no ano- calendário de 2000 e, para o mesmo período, informa na DM' que não haveria valores devidos de CSLL, tem-se uma grande incerteza quanto ao crédito pleiteado. Diante dessa incerteza, a interessada deveria ter juntado aos autos cópias das .folhas de seus livros Diário e LALUR contendo as informações pertinentes aos resultados apurados e registrados por ela no ano-calendário de 2000, com os balanços ou balancetes de suspensão que teriam sido levantados, com vistas a comprovar efetivamente o erro alegado. Contudo, após o Despacho Decisório, ela se limitou a retificar as DCTF (fls. 263/322 e fls. 325/333). Quanto aos créditos referentes ao ano-calendário de 2001, a interessada não se manifestou expressamente em relação a eles e nem mesmo tomou providências para retificar as DCTF relativas àquele ano-calendário após o Despacho Decisório (fls. .334/338). Persiste, portanto, a situação assinalada pela autoridade da Derat/RJO, qual seja, a anterior utilização pela interessada dos créditos de 2001 pleiteados, já alocados por ela própria nas DCTF 07s. 197/203)." Com o recurso voluntário de fls, 347 vieram cópjas do LALUR e de balancete de verificação. Reiterou o pedido formulado na impugnação.‘ :5— 3 4 Processo n° 10730 004835/2002-18 S 1-C2 T 1 Resolução n 1201-00.020 Ft 4 VOTO Conselheiro Relator, Regis Magalhães Soares de Queiroz O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Preliminar de conhecimento de documentos Antes de analisar o mérito, mister colocar em votação a possibilidade de essa Turma Julgadora conhecer dos documentos juntados com o recurso voluntário. Consoante o §4°, do art. 16 do Decreto 70,235/72, prova documental deve ser apresentada na impugnação, podendo fazê-lo em outro momento processual em caso de (a) força maior; (b) quando se referir a fato ou a direito superveniente ou (c) quando destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, Inclino-me a dar amplitude a esse dispositivo, visando sempre atender ao princípio maior da ampla defesa e ampla instrução, permitindo todos os meios a elas inerentes. Por isso, em meu entender, pode o recorrente juntar cópia do seu LALUR e do balancete de revisão para contrapor o raciocínio externado no v. acórdão "a quo", ampliando a prova para além do que a retificação da DCTF foi capaz, na forma do disposto na alínea "c", do citado §4°, do art. 16 do PAR Isso posto, voto no sentido de conhecer a prova juntada com o recurso voluntário. 2. Diligência Conhecida a prova, penso que processo deve baixar em diligência a fim de que a autoridade oficiante verifique os seguintes pontos: 1. Verificar a autenticidade e fidedignidade da cópia do LALUR juntado aos autos. 2. A recorrente solicitou que o saldo do crédito tributário objeto dos Autos de Infração subjacentes (aquele não quitado pelas guias DARFs discriminadas na tabela de fis. 212) fossem compensados com supostos créditos que detém contra a União, decorrente de pagamento indevido ou a maior do que o devido de CSLL e IRPI no ano de 2000. Tal pedido de compensação não foi homologado, como se depreende do despacho decisório de fls. 216, tendo em vista que o SAORT identificou que aqueles créditos já haviam sido alocados em DCTF, às fis, 193/203, para quitar débitos de IRPJ e CSLL, conforme resumido na tabela de fls. 214. A recorrente sustenta que tais alocações na DCTF foram equivocadas, tendo em vista que no ano de 2000 apurou prejuízo fiscal e base negativa, tendo inclusive retificado a DCTF em 12.01.2007. Solicita-se à autoridade autuante que verifique a efetiva situação de prejuízo fiscal e base negativa no ano 2000 na DPI e no LALUR, se foram compensado efetivamente conforme declarado pela recorrente ou se foram compensados em período diferente, É o meu voto. Processo ri 10730.004835/2002-18 S1-C2T1 Resolução n° 1201-00.020 Fl 5 3. Confirmada a situação de prejuízo fiscal e base negativa em 2000, solicita-se a autoridade que refaça a alocação dos créditos de IRPJ e CSLL para quitação do saldo do débito da recorrente decorrente dos Autos de Infração subjacentes. 4. Feita a alocação, pede-se à autoridade autuante que informe a subsistência de saldo devedor do contribuinte e seu montante. 5. Após, conceder prazo de .30 dias para ambas as partes manifestarem-se. .3. Conclusão Isso posto, tendo sido acolhida a preliminar de conhecimento dos documentos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam respondidas as questões acima. Conselheiro Regis Magalh4fkS~ de Queiroz
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Numero do processo: 13433.720107/2017-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios.
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM.
O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem.
Numero da decisão: 3401-010.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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G. PRODUCAO E DISTRIBUICAO DE FRUTAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NULIDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram vícios formais. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. O material de embalagem segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.017, de 23 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13433.720092/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 01 07 /2 01 7- 86 Fl. 823DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720107/2017-86 Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS/COFINS. O pedido de crédito foi parcialmente deferido pela DRF, porquanto: “Somente podem gerar créditos das Contribuições as despesas com matéria- prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais quais o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado”; “O contribuinte elencou como insumos diversos materiais, tais como: caixas de papelão, pallets, cantoneiras, colas, fitas, sacos, dentre diversos outros produtos que, são utilizados em fase posterior ao processo de produção, no transporte, ou confecção dos equipamentos do transporte das frutas que este produz, sendo, assim, indeferidos, diante da transgressão aos conceitos de insumo dos artigos 66 da IN SRF 247 e 8o da IN SRF nº 404”; Uma nota fiscal de material de embalagem foi cancelada pelo fornecedor; Algumas notas fiscais das aquisições não foram encontradas em arquivos magnéticos ou SPED e outras apresentavam divergências com o escriturado; Parte dos créditos apurados são de mercadorias não sujeitas a incidência das contribuições; Ante o reenquadramento de parte dos créditos foi feita a reapuração do rateio proporcional entre mercado interno e exportação. Intimada a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que destaca que as aquisições que pleiteia créditos são “bens e serviços contribuírem com a viabilização do processo produtivo adotado pelo contribuinte, nele sendo direta ou indiretamente empregados e cuia subtração importa na impossibilidade mesma da produção, isto é, cuia subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes”. Para demonstrar o alegado a Recorrente traz aos autos fotos de alguns dos materiais empregados na embalagem das frutas que produz e comercializa e planilha elaborada pela fiscalização com o conjunto das glosas. Fl. 824DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720107/2017-86 A DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade uma vez que os bens que pleiteia crédito “fazem parte do processo de armazenamento e transporte do produto. Ou seja, fazem parte de um processo posterior à produção do bem destinado à venda” logo expressamente vedado o creditamento pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 2018. Não contente, a Recorrente busca guarida nesta Casa, reiterando (com grifos) o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade somado a pedido de nulidade por vício formal do Acórdão recorrido (ausência de assinatura do Presidente da Turma da DRJ) e por cerceamento do direito de defesa por não apreciação de pedido veiculado em peça de defesa. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Em Voluntário a Recorrente apresenta dois pedidos de NULIDADE do Acórdão recorrido: um por vício formal (ausência de assinatura do presidente de Turma) outro por cerceamento do direito de defesa. As causas de nulidade em processo administrativo fiscal estão descritas no artigo 59 do Decreto 70.235/72 e, dentre elas, não se encontram VÍCIOS FORMAIS. Por sinal, o artigo 60 da mesma matrícula determina a superação destes vícios. É claro que a falta de assinatura ou ainda, a assinatura por pessoa incompetente pode gerar nulidade (art. 59, I do Dec. 70235/72), no entanto, o que ocorre no presente caso é que a relatora do processo na DRJ acumula o cargo de presidente de Turma. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA culmina em nulidade do julgado - claro, desde que existente – e, sem prejuízo de ser algo prolixo e um outro tanto genérico, o Acórdão da DRJ analisa em suas três últimas páginas os argumentos da Recorrente – tanto que esta última sequer aponta qual(is) tese(s) não foi(ram) enfrentada(s). Antes de adentrar o mérito, um pequeno alerta, a fiscalização, além dos créditos decorrentes da aquisição de MATERIAL DE EMBALAGEM, glosa outros, dentre estes o de aquisição de produtos não sujeitos aos pagamentos das contribuições. Em seu arrazoado a Recorrente deixa claro que apenas se insurge contra a glosa de material de embalagem descrita no item 3.1 do Despacho Decisório. Portanto, para as aquisições de materiais de embalagens não sujeitas ao pagamento das contribuições a glosa deve ser mantida – não apenas por PRECLUSÃO, mas também por expressa proibição legal (art. 3° § 2° II das Lei 10.637/02 e 10.833/03). Fixado o antedito, o MATERIAL DE EMBALAGEM segue o mesmo tratamento dado a qualquer dispêndio, ou seja, essencial ou relevante ao processo produtivo é insumo, caso contrário, não. Destarte, é possível a concessão de crédito não cumulativo das contribuições não cumulativas ao material de embalagem, quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique na perda do produto ou da qualidade do mesmo (contêiner refrigerado em relação à carne congelada), ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. Fl. 825DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720107/2017-86 A Recorrente tem como atividade empresarial a produção e comercialização de frutas como manga, melancia, mamão e melão; frutas que demandam cuidados extraordinários em seu transporte para evitar perdas. Destarte, não obstante o uso do material de embalagem seja pós processo produtivo (e com isto não essencial ao mesmo), este material é relevante ao processo, sendo possível o creditamento. Portanto, deve ser revertida a glosa vinculadas com as aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (neste último caso, desde que tributado). Todavia, dentre os bens objeto de glosa listados no Anexo I do despacho decisório, outros há que não se qualificam como material de embalagem, nomeadamente Fio torcido, agr óleo, termógrafo, scfrutas, novotex, viva bd25, temperatura MOD, manutenção de equipamentos, fitilho, TNT, Agrop MPP, óleo yamalube, filhito chicote, orthene, bomba alimentadora, faca roçadeira, assento universal, reparo da bomba de direção, haste para estufa de mudas, aditivo para radiador, elemento combustível, elemento filtro sucção, elemento primário, elemento secundário, filtro de óleo lubrificante, filtro de pressão e Arte final. É claro que em alguns casos (especialmente os relacionados com manutenção de tratores) é possível conjecturar o vínculo de pertença ou de pertinência com o processo produtivo. Contudo, a Recorrente desiste expressamente de qualquer pedido que não àqueles descritos na Manifestação de Inconformidade, o que leva a reversão da glosa somente das aquisições de materiais de embalagem. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou parcial provimento para reverter as glosas das aquisições de caixas de papelão, cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa de créditos sobre despesas com aquisições de caixas de papelão, Fl. 826DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.030 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13433.720107/2017-86 cola utilizada nas caixas, cantoneiras, pallets, fitas, bandejas para melão, papel jornal manta, saco bolha, fixador de lona, bolha vir, embalagem pet, selo PET, PET2 REC, selador, esticador e papel (desde que tributado). (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 827DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000150/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço.
CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES NULIDADE
INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção
PRÊMIOS DE INCENTIVO SEGURADOS EMPREGADOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
São fatos geradores de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a segurados. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.386
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES NULIDADE INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção PRÊMIOS DE INCENTIVO SEGURADOS EMPREGADOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS São fatos geradores de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a segurados. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES NULIDADE INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção PRÊMIOS DE INCENTIVO SEGURADOS EMPREGADOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS São fatos geradores de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a segurados. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 01 50 /2 00 7- 46 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000150/200746 Acórdão n.º 2402003.386 S2C4T2 Fl. 169 3 Relatório Tratase de infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, art. 30, inciso I, alínea ‘a’, na Lei nº 10.666/2003, art. 4º, caput e no Decreto nº 3.048/1999, art. 216, inciso I, alínea ‘a’, que consiste em a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 15), o sujeito passivo deixou de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados referentes a remunerações que também não incluiu em folha de pagamento. Tais pagamentos foram feitos por meio de créditos em cartões eletrônicos fornecidos pela empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. e constam na contabilidade, lançados nas contas de despesas 300105 Despesas Operacionais de Vendas Marketing e Publicidade, 6220137 Custo dos Serviços Prestados Serviços de Terceiros (P.J.) e 6430132 Despesas Gerais Serviços de Terceiros (P. J.) e nas notas fiscais emitidas contra a Pinho Comissária de Despachos. A autuada teve ciência do lançamento em 30/11/2007 e apresentou defesa (fls. 24/32), onde alega a nulidade da autuação , que não houve a ocorrência do fato gerador que deu causa ao entendimento de omissões de contribuições previdenciárias por pagamentos efetuados a segurados não identificados que prestaram serviços à autuada, presumindose a não arrecadação das contribuições. Argumenta que prevê em seu orçamento uma verba para investimento em marketing direto com clientes e futuros clientes. Tal verba seria distribuída mensalmente aos diversos setores da empresa na forma de cartões eletrônicos controlados pelos gerentes de cada departamento, na forma de caixa gerencial. Afirma que o uso destes cartões não se destinou ao pagamento de salários, não existiu qualquer funcionário beneficiado com a suposta remuneração indireta, não se apurou efetivamente qualquer situação que caracterizasse um beneficio ou um salário indireto, não houve recusa na apresentação de documentos, ou sonegação de informações à fiscalização e que não houve irregularidades no registro dos gastos efetuados pela autuada com os cartões. Aduz a inexistência do crédito tributário e que seriam inexistentes os alegados pagamentos e mera presunção a sua existência, face a não localização de qualquer beneficiário. Considera que não poderia apresentar relação de beneficiários por não ter ocorrido a situação presumida pela fiscalização. Alega que não estaria obrigada à apresentação de documento inexistente e que deveria a autarquia demonstrar a ocorrência de prestação de serviços por segurados que foram beneficiados pelo cartão eletrônico, dispensando a autuada de fazer prova negativa. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Conclui que houve uma incorreta presunção e que o ônus probatório seria da impugnada. Requer a juntada a posteriori de documentos, a produção de todos os tipos de prova em direito admitidos, inclusive juntada de documentos, perícias e ouvida de testemunhas. Pelo Acórdão nº 1016.938 (fls. 138/144), a 8ª Turma da DRJ/Porto Alegre considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 140/155), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Sustenta que o processo não restou corretamente julgado pois a análise parcial da defesa apresentada, bem como as omissões verificadas no acórdão que deixou de apreciar a realidade dos fatos, os argumentos da defesa e os documentos juntados, o que caracterizou o cerceamento do direito de defesa, o que por só já enseja a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000150/200746 Acórdão n.º 2402003.386 S2C4T2 Fl. 170 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente manifesta seu inconformismo com a decisão recorrida que a seu ver teria deixado de apreciar a totalidade das alegações apresentadas em defesa, bem como não teria considerado a farta documentação trazida aos autos. Diante de tais alegações entende que teria ocorrido cerceamento de defesa e necessidade de reforma da decisão. Não se vislumbra o alegado cerceamento de defesa, as peças que compõem os autos são suficientes para a correta compreensão das razões que levaram ao lançamento. Foi verificado pela auditoria fiscal que a recorrente, sob o argumento de tratarse de investimentos com marketing, oferecer cartões de incentivo por meio da empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. Entendeu a auditoria fiscal que tais cartões de incentivo seriam uma forma de salário indireto fornecido pela empresa aos funcionários e como tal haveria a necessidade de proceder ao desconto das contribuições devidas pelos segurados sobre tais valores. Assim, embora não concorde com o lançamento, a recorrente compreendeu perfeitamente sua origem. Portanto, não se verifica cerceamento de defesa. Quanto à decisão recorrida, não há que se acolher o argumento de que esta não teria apreciado a totalidade das alegações e documentos juntados. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pela recorrente decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” Relativamente ao mérito, a recorrente mantém sua argumentação da inocorrência do fato gerador e como tal a necessidade de cumprimento de obrigações acessórias correspondentes a ele. Cumpre dizer que no julgamento da obrigação principal, este colegiado entendeu pela procedência da autuação, ou seja, pela ocorrência dos fatos geradores. Haja vista a correlação existente entre o lançamentos, prevalecendo a obrigação principal, prevalecem os acessórios a ela relacionados. Assim, transcrevo trechos do Acórdão nº 2402003.387 onde pode ser verificado o entendimento de procedência do lançamento: Quanto ao mérito, a recorrente argumenta a inocorrência de fato gerador e inexistência de prova de que algum segurado Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12268.000150/200746 Acórdão n.º 2402003.386 S2C4T2 Fl. 171 7 tenha prestado serviços remunerados por meio dos cartões que chama de corporativos. O que se verifica é que a recorrente efetuou a contratação da empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda para desenvolver a atividade que o próprio nome indica, ou seja, marketing de incentivo que nada mais é do que oferecer prêmios, no caso, por meio dos cartões de incentivo, atrelados à produtividade ou atingimento de metas, por exemplo. A apreciação de recursos contra lançamentos sob tal fundamento não são novidade no âmbito deste Conselho e este colegiado é unânime no entendimento de que o chamado marketing de incentivo é uma forma de remuneração indireta sobre a qual devem incidir as contribuições devidas. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao prêmio. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação ao serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. Ainda que pagos por mera liberalidade e sem habitualidade, tais valores integram o salário de contribuição. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: "Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. ". O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição1. Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra.2 Portanto, o lançamento deve prevalecer. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira 1 R023976/97 — TRT 3" Reg. — 1" T —Relator Juiz Ricardo Antônio Mohallem — DJMG 220199 2 Proc. n° 00693200390202007 —Ac. 20030282661 — TRT 2" Reg 3a Turma — Relator Juiz Sérgio Pinto Martins — DOESP 24.0603 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.725736/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO. CANCELAMENTO DA PENALIDADE.
Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal, a multa isolada aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação inicialmente não homologada, deve ser cancelada ante a reversão no processo que trata da homologação da declaração de compensação.
Numero da decisão: 3401-010.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar a multa isolada proporcionalmente à homologação da compensação correspondente.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carolina Machado Freire Martins Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Carolina Machado Freire Martins
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO. CANCELAMENTO DA PENALIDADE. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal, a multa isolada aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação inicialmente não homologada, deve ser cancelada ante a reversão no processo que trata da homologação da declaração de compensação.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. POSTERIOR HOMOLOGAÇÃO. CANCELAMENTO DA PENALIDADE. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal, a multa isolada aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação inicialmente não homologada, deve ser cancelada ante a reversão no processo que trata da homologação da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar a multa isolada proporcionalmente à homologação da compensação correspondente. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 36 /2 01 3- 84 Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.206 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.725736/2013-84 Cuidam os autos principais de Pedido de Restituição de COFINS, apresentado via formulário, no valor de R$ 24.640,83, em razão de recolhimento considerado indevido, no período de 01/08/2012 a 31/10/2012, ao argumento de que inexiste no ordenamento jurídico qualquer norma que autorize a cobrança de COFINS sobre a obrigação fiscal estadual ICMS (PAF n°: 10980.723528/2013-41). Utilizando a totalidade do crédito, foi apresentada a Declaração de Compensação 05862.51151.210513.1.3.04-8900. O Pedido de Restituição foi indeferido conforme Despacho Decisório, pela ausência de previsão legal no tocante à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Na sequência, não restou homologada a compensação a ele conexa. Ademais, foi lavrado o presente Auto de Infração para aplicação da penalidade prevista no § 17, art. 74, da Lei n° 9.430/96, incluído pelo art. 62 da Lei n° 12.249/2010, qual seja, multa isolada de 50% sobre o valor do crédito utilizado na compensação não homologada. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, defendendo a pertinência do direito creditório e, subsidiariamente, pugnando pela suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não se homologou. Paralelamente, o contribuinte apresentou Impugnação alegando i) a ilegalidade e inconstitucionalidade das multas instituídas pelos §§ 15 17, art. 74 da lei 9.430/96; ii) a violação ao Direito de Petição; iii) a violação ao Princípio da Proporcionalidade; iv) inexistência de ilícito a ser penalizado e v) suspensão da exigibilidade da multa isolada cobrada e a determinação que o Auto de Infração seja apensado ao processo que lhe dá origem. Em razão da tramitação unificada naquele momento, a 5ª turma da DRJ/RPO, julgou a Manifestação de Inconformidade e também apreciou a Impugnação. A ementa do julgado foi consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2012 a 31/10/2012 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. REPERCUSSÃO GERAL. DECISÃO. AUSÊNCIA DE DEFINITIVIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO EXPRESSA DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL. INDEFERIMENTO. Uma vez que nas matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, nos processos nos quais foi admitida a repercussão geral, as unidades da RFB devem reproduzir administrativamente o entendimento adotado apenas quando se tratar de decisões definitivas de mérito e somente após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN, por meio de por meio de Nota Explicativa, que delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão e, existindo pedido de modulação de efeitos, detalhará o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados. Deve-se, enquanto ausentes tanto a definitividade quanto a manifestação expressa da PGFN, indeferir o pedido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/05/2013 Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.206 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.725736/2013-84 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada (art. 74, § 17, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015). MULTA ISOLADA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. COMPETÊNCIA. PODER JUDICIÁRIO. Não cabe a discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais no âmbito do contencioso administrativo, uma vez que o julgador administrativo encontra-se vinculado à aplicação das normas vigentes no ordenamento jurídico. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário repisando os argumentos da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Carolina Machado Freire Martins, Relatora. O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Conforme relatado, trata-se de auto de infração para a exigência de multa isolada regulamentar, prevista no art. 74, §17, da Lei n° 9.430/96, em razão de compensações não homologadas, efetuadas em declarações prestadas pelo contribuinte no PAF n° 10980.723528/2013-41. Da alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade pela violação de princípios constitucionais As alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade de dispositivo de norma válida e vigente, não são passíveis de apreciação, uma vez que, conforme ressaltado pela DRJ, a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre a validade de dispositivos legais, atribuição reservada ao Poder Judiciário nos termos do art. 102, I, a e III, b, da Constituição Federal. Nesse sentido também a Súmula CARF n° 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante à decisão judicial mencionada, prolatada pelo TRF da 4ª Região, não se tratando de precedente vinculante, não há aplicabilidade ao julgamento administrativo, consoante o art. 62 do RICARF. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.206 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.725736/2013-84 Da alegação de inexistência de ilícito e violação ao direito de petição Aduz a Recorrente que ao apresentar a declaração de compensação, agiu no exercício do seu direito de petição, constitucionalmente assegurado. Defende ainda a possibilidade de aplicação da multa somente quando houvesse anterior cometimento de ato ilícito por parte do contribuinte. Nesse ponto, razão também não lhe assiste conforme razões reproduzidas pelo i. Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira no julgamento que culminou com o Acórdão nº 3201-008.860 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: Primeiro porque a declaração de compensação não é simplesmente um pedido feito pelo contribuinte, a ser submetido à autoridade fiscal. Trata-se, efetivamente, de um lançamento por homologação, onde o sujeito passivo apura o tributo devido, apresenta a declaração e realiza o pagamento por meio de um crédito que possui junto ao ente tributante. E por ser um lançamento por homologação, ele estará tacitamente homologado se a autoridade fiscal não proceder à sua análise no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração, conforme dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Vê-se, portanto, que a apresentação de uma declaração de compensação não pode ser confundida com um mero exercício do direito de petição. Segundo porque o ato que gerou a aplicação da multa não foi um ato praticado pela autoridade fiscal, como quer fazer crer a recorrente, mas sim um ato praticado por ela própria, qual seja, de solicitar a compensação de débitos tributários em face de créditos que, segundo a fiscalização, não existiam. Terceiro porque o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é mais do que claro no sentido de que a multa isolada de 50% será aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, sendo certo que o caso tratado nos autos se subsome a essa hipótese à perfeição. Dessa feita, não se vislumbra falta de proporcionalidade e razoabilidade da aplicação da multa. Conclusão Considerando que no processo administrativo em que se discute a declaração de compensação foi dado provimento ao Recurso Voluntário para homologação, também voto, neste processo, por dar provimento ao recurso para cancelar a multa isolada proporcionalmente à homologação da compensação correspondente. (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-010.206 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.725736/2013-84 Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 17460.000386/2007-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2000
PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N
973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para acatar a preliminar de decadência total das competências com base nos termos do Art. 150 § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees
Stringari.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2000 PRELIMINARMENTE. DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido.
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DECADÊNCIA TOTAL. QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicada quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para acatar a preliminar de decadência total das competências com base nos termos do Art. 150 § 4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 9 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.90 a 109 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls.71 à 85) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.029.9531, no valor consolidado de R$ 50.009,40 (cinquenta mil, nove reais e quarenta centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. Segundo o relatório fiscal às fls. 20 a 23, os valores lançados na NFLD n 37.029.9531 correspondem aos valores glosados de compensação efetuada indevidamente pela empresa recorrente. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 24 a 61 alegando em síntese: Preliminarmente: Que a prescrição/decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de apenas 5 (cinco) anos; Ter havido violação aos princípios da moralidade administrativa e da legalidade, tendo em vista não ter a autoridade lançadora, supostamente, observados aos preceitos do Código Tributário Nacional e do Decreto n° 70.235/72; Cerceamento de defesa por falta de demonstração do enquadramento legal; Necessidade da NFLD ser declarada nula em razão de ter sido lavrada fora do domicílio fiscal do contribuinte; A falta de habilitação técnica do fiscal; No Mérito: A impossibilidade de se exigir a contribuição lançada à Notificada, tendo em vista o procedimento de compensação ter sido realizado de acordo com a Lei n 8.383/91, não sendo necessária uma decisão judicial específica para autorizar essa compensação; A inocorrência da prescrição ou da decadência do direito da impugnante em compensar valores que entendessem ser objetos de tal procedimento; O Direito à Compensação decorre tão somente do art. 66 da Lei n 8.383/91, não dependendo de autorização do INSS ou de decisão judicial; Fl. 125DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Inconstitucionalidade da utilização da Taxa Selic como fator de atualização monetária sobre contribuições previdenciárias; Que a multa é totalmente inaplicável ao caso em análise, exatamente porque não se trata de sonegação ou outro expediente de mesma natureza, mas, sim, do exercício de um direito conferido ao contribuinte; O direito da recorrente obter a Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa – CPDEN, nos termos do art. 151, inc. III, do CTN. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse reconhecido o crédito integral da impugnante, sem qualquer limitação legal e consequentemente pleiteou a homologação de todas as compensações realizadas, de modo que lhe fosse garantida a emissão da Certidão Positiva de Débito com efeito de Negativa – CPDEN pela impugnante, em razão da exigibilidade do crédito encontrarse suspensa nos moldes do art. 151, III, do Código Tributário Nacional, protestando, por fim, pela produção de provas e juntada de documentos. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 6° Turma da DRJ/Ribeirão Preto SP proferiu acórdão (n°1417.896) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/07/1998 LANÇAMENTO FISCAL CONFORME LEGISLAÇÃO. LEGALIDADE. Lançamento Fiscal emitido de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN, no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, no artigo 37 da Lei no 8.212/91 e demais atos normativos produz todos os seus efeitos. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando estão discriminados na NFLD e seus anexos as situações verificadas no procedimento fiscal que deram origem ao lançamento, os fatos geradores das contribuições devidas, os dispositivos legais que amparam o débito e as alíquotas aplicadas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial é de 10 anos por força do art. 45 da Lei n°8.212/91. COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A legislação aplicável na compensação é aquela vigente quando do encontro dos débitos c créditos. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. As contribuições sociais não recolhidas nas épocas próprias estão sujeitas à multa c aos juros equivalentes à taxa SELIC, ambos de caráter irrelevável. CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 10 5 É vedado à Administração Pública o exame da Constitucionalidade das Leis. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. RETIFICAÇÃO DO DÉBITO. Verificado que a Empresa iniciou a compensação antes de 01/12/00, assegurado fica o seu direito de se compensar do saldo remanescente, observadas as regras vigentes, em conformidade com o disposto no parágrafo único do art. 29 da Instrução Normativa n° INSS/DC n° 67/02, na redação dada pela Instrução Normativa n° INSS/DC n° 80/02. Lançamento Procedente em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.80 a 109, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, principalmente no sentido de conceder o efeito suspensivo ao recurso, aduzindo, por fim, a omissão injustificada da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR DA DECADÊNCIA TOTAL: A recorrente alega tanto em sua impugnação como em seu recurso voluntário ter havido decadência com relação às competências cobradas na NFLD 37.029.9531. Assim, passo a analisar o pedido: Vale destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiamse com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderão ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos, estabelecendo ainda esta legislação o marco inicial para a contagem desses prazos. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabese ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 11 7 Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173 e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extinguese em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 129DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Pelo exposto, percebese que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Não obstante a consideração de que o art.150, §4° do Código Tributário Nacional aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, vale destacar que esse Conselho só tem aplicado essa regra aos casos em que ocorre o recolhimento da exação, em virtude do entendimento do Superior Tribunal de Justiça na decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ), na qual teve como ponto pacífico a aplicação do dispositivo retro somente quando for constatado pagamento das contribuições. Desse modo, deve esse Conselho sujeitarse à regra definida pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça em razão do previsto no Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento. Desta feita, sabendo que a ciência da NFLD deuse em 28/12/2006, e, as datas das competências que estão sendo objeto de discussão abrangerem os períodos de 07/2000 a 12/2000, têmse que os valores cobrados na notificação fiscal estão acobertados pela decadência com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional, haja vista que o fisco só poderia cobrar, com fundamento neste artigo, a partir da competência 12/2001. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência dos valores relativos às competências de 07/2000 a 12/2000, com base no art150, §4 do Código Tributário Nacional e em razão da Súmula Vinculante n 8. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 130DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000386/200710 Acórdão n.º 240300.331 S2C4T3 Fl. 12 9 Fl. 131DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.000879/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1301-000.059
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.070 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2001 a 2004, formalizadas a partir da constatação de omissão de receitas. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e da defesa inicial apresentada pela fiscalizada. Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe em 20/11/2007. Foi constituído crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita contábil e fiscal do contribuinte, no valor total de R$ 16.021.969,65, já incluídos a multa de oficio de 150% e os juros de mora. 2. Cumpre fazer uma pequena qualificação dos fatos apurados pela fiscalização, os quais serão minuciosamente explicitados no voto. A autoridade autuante apurou que Charles Paulo Bart, pessoa de modesta capacidade econômica, de um momento para o outro, "salta" da condição de assalariado, com baixa remuneração, para a condição de empresário. 3. Afirma ainda que "juntamente com outro empregado dos Stuhr, constituem uma empresa, com capital social bem baixo para a atividade econômica que pretende desenvolver, sem sede [...] e sem local para armazenagem dos produtos". 4. A partir desse momento, uma empresa que possui dois sócios sem patrimônio, que não possui sede e sem local para estocar seus produtos passam a concorrer com diversos empresários com patrimônio, com sede, com tradição e com local para estocar seus produtos. 5. Mas não foi só isso. Tal sociedade nomeia como procuradores seus expatrões (Wanderley Stuhr e Selenne Berg Stuhr) e vários outros empresários do ramo para representar a sociedade em suas respectivas áreas de atuação, ou seja, nomeia seus próprios concorrentes para representar a Colina Verde Café. Os concorrentes da Colina Verde aceitam a incumbência e passam a realizar negócios ora para si e suas empresas, ora para sua concorrente. 6. Além de nomear os empresários, nomeia também empregados de empresas ou pessoas ligadas à atividade de comercialização de café para, na qualidade de procuradores, representarem a Colina Verde Café em suas regiões, realizando negócios concorrentes com os de seus patrões, e tudo sob os olhares complacentes dos empregadores. 7. A empresa iniciante (sua primeira compra foi realizada em 21/08/2001) aufere em pouco tempo um alto faturamento. No seu primeiro ano, isto é, em menos de cinco meses, vende mais de sete milhões e meio de reais, como demonstra as notas fiscais emitidas, e possui mais de treze milhões depositados nas suas contas bancárias. 8. Informa que a empresa, que possuía apenas três empregados, comprava e vendia toneladas de produtos, e auferiu nos primeiros trinta e seis meses de atividade, lucro líquido no valor de R$ 5.526.860,03, sem considerar os depósitos bancários. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.071 3 9. Observa que o contribuinte não registrou suas contas bancárias no Livro Caixa, referentes aos anoscalendário de 2001 a 2003, e que o contribuinte não possuía o Livro Caixa, referente ao anocalendário de 2004. As várias contas bancárias receberam créditos superiores a R$ 72.000.000,00, durante os anos de 2001 a 2004. Ademais, inúmeras receitas oriundas de venda de mercadorias não foram oferecidas à tributação. 10. É importante ainda frisar que as informações e documentos referentes às contas bancárias do contribuinte foram solicitados às instituições financeiras com fundamento na Lei Complementar n° 105/2001, Decreto n° 3.724/2001 e Portaria SRF n° 180/2001. 11. A fiscalização demonstra que o contribuinte informou à Secretaria Estadual de Fazenda valores de receita muitos superiores aos declarados à Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Quadro 3 da fl. 10.441, mais um indício do dolo do contribuinte. 12. A despeito da imensa movimentação bancária e dos valores declarados ao Fisco estadual, o contribuinte declarou A RFB receita bruta anual de R$ 81.520,76, em relação ao anocalendário de 2001, e de R$ 164.887,61, no que se refere ao ano calendário de 2002. Não foram entregues as declarações referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004. 13. Mediante DCTF foram confessados tributos no valor de R$ 10.511,76, durante os anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. 14. Foram recolhidos, no mesmo período, tributos federais no valor R$ 5.963,56. 15. Tais fatos originaram os autos de infração abaixo discriminados. 16. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 06, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizados totalizaram o montante a pagar de R$ 3.701.250,26, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ PIS CSLL COFINS Tributo 293.744,86 110.868,12 184.211,76 511.699,45 Multa 440.617,27 166.302,12 276.317,61 767.549,11 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente 17. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 17.1 0 valor da infração apurada decorre da diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários efetivos e a soma mensal das receitas de vendas. 17.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL. 17.3 Os fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS, ocorreram entre maio do anocalendário de 2001 e dezembro do ano calendário de 2003. 17.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.072 4 18. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 07, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizados totalizaram o montante a pagar de R$ 191.319,26, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ PIS CSLL COFINS Tributo 14.907,47 6.729,03 11.180,61 31.057,22 Multa 22.361,19 10.093,52 16.770,90 46.585,82 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente 19. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 19.1 O valor da infração apurada decorre da diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários efetivos e a soma mensal das receitas de vendas. 19.2 Foram consideradas as regras do Lucro Arbitrado, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois não foi apresentado o Livro Caixa. 19.3 Os fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS, ocorreram entre janeiro do anocalendário de 2004 e setembro do ano calendário de 2004. 19.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 20. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 08, que foi lavrado auto de infração de IRPJ, que depois de formalizado totalizou o montante a pagar de R$ 3.450.783,91, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 21. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 21.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 21.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo do IRPJ. 21.3 Os fatos geradores identificados alcançam o terceiro trimestre do ano calendário de 2001 até o quarto trimestre do anocalendário de 2003. 21.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 22. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 09, que foi lavrado auto de infração de CSLL, que depois de formalizado totalizou o montante a pagar de R$ 1.965.351,75, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.073 5 23. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 23.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 23.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo da CSLL. 23.3 Os fatos geradores identificados alcançam o terceiro trimestre do ano calendário de 2001 até o quarto trimestre do anocalendário de 2003. 23.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 24. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 10, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizado totalizaram o montante a recolher de R$ 134.745,64, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ CSLL Tributo 27.886,10 16.950,21 Multa 41.829,15 25.425,31 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente. 25. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 25.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 25.2 Foram consideradas as regras do Lucro Arbitrado, para efeito de cálculo da CSLL. 25.3 Os fatos geradores identificados alcançam o primeiro trimestre do ano calendário de 2004 até o terceiro trimestre do anocalendário de 2004. 25.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 26. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 11, que foi lavrado auto de infração da contribuição para o PIS, o qual depois de formalizado totalizou o valor a pagar de R$ 1.171.516,48, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 27. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.074 6 27.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 27.2 Os fatos geradores identificados ocorreram entre agosto de 2001 e agosto de 2004. 27.3 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 28. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 12, que foi lavrado auto de infração da COFINS, o qual depois de formalizado totalizou o valor a pagar de R$ 5.407.002,35, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 29. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 29.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 29.2 Os fatos geradores identificados ocorreram entre agosto de 2001 e agosto de 2004. 29.3 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 30. A autoridade autuante lavrou ainda os Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 01 a 15 em decorrência dos fatos descritos no Relatório Final de Fiscalização. Em verdade, nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, do Código Tributário Nacional, restou consignado que foram arrolados como responsáveis solidários todas as pessoas que praticaram atos de gestão, caracterizados pelo efetivo controle dos recursos financeiros movimentados nas diversas contas bancárias, entre outros indícios. Relacionamse abaixo as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis tributárias solidárias pelo crédito tributário constituído: Charle Paulo Bart CPF 034.830.30760 Wanderley Stuhr CPF 841.208.86700 Sérgio Stuhr CPF 707.427.90720 Selenne Berger Stuhr CPF 979.259.26791 Sergio Valani CPF 031.557.50774 Ademar Valani CPF 576.563.63734 Josemar Echer Valani CPF 622.952.25787 A&M Com. Exp. Imp. Ltda. CNPJ 03.581.039/000138 Narciso Agrizzi CPF 215.572.84768 Idalino Agrizzi CPF 474.861.12787 Domingos Savio Agrizzi CPF 756.639.37749 Antônio Tadeu Calmon CPF 526.062.28715 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.075 7 Theodoro Antônio Zanotti CPF 911.768.24791 Leonor Andrade Seixas Zanotti CPF 828.421.75700 José lido Henrique Fiorott CPF 912.719.24749 JMB Corretora de Café Ltda. CNPJ 03.451.581/000176 Silvino Faria Júnior CPF 769.418.68791 Josildo Schwambach Machado CPF 466.084.60678 31. O contribuinte, que foi cientificado dos citados autos de infração em 27/11/2007 (fl. 10.645), apresentou impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.876 a 10.897). Alega, em apertada síntese, o que segue abaixo: 31.1 Alega que, em 15 de setembro de 2006, optou pelo Parcelamento Excepcional, previsto na Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, a qual permitia a inclusão de débitos cujo vencimento fosse até 31 de dezembro de 2005. 31.2 Portanto, denunciou espontaneamente todos os débitos fiscais, beneficiando se de um prazo longo de parcelamento e da redução dos encargos moratórios, conforme previsto no § 6°, art. 1° da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. 31.3 Afirma que apesar de ter tomado conhecimento dessa opção, o Auditor Fiscal não a citou no termo de encerramento da fiscalização, talvez por ter ciência que a opção tomaria inútil o trabalho produzido. 31.4 Conclui dizendo que a opção pelo parcelamento excepcional e os pagamentos demonstram a intenção do contribuinte em regularizar os débitos fiscais, evitando o prolongamento das atividades do AuditorFiscal, já que, feita a denúncia espontânea, conforme os ditames da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, bastaria uma simples conferência para a averiguação do valor devido, aplicandose a redução das multas e juros devidos. 31.5 Reclama que ocorreu a quebra do seu sigilo bancário, durante a realização do procedimento fiscal, sem a necessária autorização judicial. Indica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 31.6 Assim, o AuditorFiscal utilizou provas obtidas ilicitamente, para efeito de apuração do IRPJ a recolher. Acontece que o artigo 5°, inciso LVI, da Constituição Federal de 1988 não considera admissível, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. 31.7 Como os autos de infração foram lavrados com fulcro em provas obtidas de maneira ilícita, requer o contribuinte que se reconheça a nulidade da autuação. 31.8 Logo em seguida, assevera que com suporte nas provas obtidas ilicitamente, várias pessoas foram intimadas a prestar esclarecimentos, causando injusto e ilegal constrangimento. 31.9 Essa atitude da autoridade autuante, além de violar o direito ao sigilo bancário, viola também o direito à intimidade do contribuinte, assim como outros direitos reconhecidos pelo artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal de 1988, como a vida privada, a honra e a imagem do contribuinte. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.076 8 31.10 Alega que todas as provas obtidas de maneira ilícita contaminam outros elementos probatórios oriundos direta ou indiretamente das informações obtidas pela quebra do sigilo bancário. 31.11 Portanto, os atos praticados após a quebra do sigilo bancário são nulos de pleno direito, pois são provas ilícitas e não podem servir para embasar qualquer ato tendente a lançar crédito tributário. 31.12 Afirma que o art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/1996, em sua primitiva redação, vedava que as informações bancárias fossem usadas para constituição de outros créditos tributários. 31.13 Defende que a invocação da regra do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, que dispõe que seja aplicada ao lançamento a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização não pode ser utilizada, pois o julgador não pode aplicar a norma formal, de índole procedimental, constante do art. 144, parágrafo 1°, do CTN, quando se depara com outra norma de direito material, veiculada pelo “caput” do mesmo artigo. 31.14 Aplicandose este dispositivo à espécie, apresenta o impugnante a seguinte interpretação: tratandose de situações pretéritas, a lei vigente, à data da ocorrência do fato gerador, é a norma de direito material que vedava o emprego dos informes bancários para a constituição de outros créditos tributários, quer dizer, a norma de renúncia ao exercício do poder impositivo, que assegurava aos contribuintes da CPMF o direito de não ser fiscalizado com fundamento nas informações relativas à respectiva movimentação financeira, assegurandolhe plena indenidade fiscal relativa ao Imposto de Renda. 31.15 Alega, por fim, que o auto de infração não pode ser convalidado, já que efetuado com suporte em depósitos bancários identificados nas contas correntes da impugnante, que não podem ser considerados como renda para efeito de tributação, em função do conceito de renda ditado pela Constituição Federal de 1988 e pelo CTN. Cita jurisprudência judicial e do Conselho de Contribuintes. 31.16 Reclama do uso de presunções e ficções no direito tributário. 31.17 Entende que em decorrência do principio da verdade material, a Administração Pública não pode ficar adstrita ao que as partes demonstram no procedimento, devendo sempre buscar a verdade substancial. Aliás, a tributação de 100% das entradas do impugnante é, além de empiricamente impossível, imoral. 31.18 Solicita, por fim, a declaração de improcedência da autuação. 32. O responsável solidário Sr. Charles Paulo Bart, que tomou ciência dos autos de infração em 27/11/2007 (fl. 10.645), apresentou impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.898 a 10.905). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 32.1 Alega que, em 15 de setembro de 2006, optou pelo Parcelamento Excepcional, previsto na Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, a qual permitia a inclusão de débitos cujo vencimento fosse até 31 de dezembro de 2005. 32.2 Portanto, denunciou espontaneamente todos os débitos fiscais, beneficiando se de um prazo longo de parcelamento e da redução dos encargos moratórios, conforme previsto no § 6°, art. 1° da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.077 9 32.3 Afirma que apesar de ter tomado conhecimento dessa opção, o Auditor Fiscal não a citou no termo de encerramento da fiscalização, talvez por ter ciência que a opção tornaria inútil o trabalho produzido. 32.4 Conclui que a opção pelo citado parcelamento excepcional e os pagamentos demonstram a intenção do contribuinte em regularizar os débitos fiscais, evitando o prolongamento das atividades do AuditorFiscal, já que, feita a denúncia espontânea, conforme os ditames da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, bastaria uma simples conferência para a averiguação do valor devido, aplicandose a redução das multas e juros devidos. 32.5 Diz que não foi instado a se manifestar durante o procedimento de fiscalização, o que ataca os direitos ao contraditório e à ampla defesa. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 32.6 Garante que não foi intimado a fornecer esclarecimentos sobre seu modo de administrar a empresa ou sobre as atividades que esta desenvolvia. Afirma que as conclusões alcançadas pela fiscalização basearamse apenas em depoimentos alheios e investigações superficiais. 32.7 Ademais, diz que as conclusões alcançadas estão suportadas por alguns indícios, sem nenhum aprofundamento técnico e sem nenhum parecer de especialistas no tema. 32.8 Afirma, em seguida, que enxergar no simples inadimplemento de tributos o caráter de infração à lei, para fins de aplicabilidade do art. 135 do CTN é um delírio fiscal, que exige a comprovação do excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos. 32.9 A seu ver, o simples inadimplemento de tributos acarreta apenas a responsabilidade solidária pelo tributo, nos termos do art. 134 do CTN. 32.10 Garante que adentrar ao patrimônio do administrador, sem que reste devidamente provada a conduta dolosa ou fraudulenta de seu sóciogerente ou diretor, seria uma injustiça desmedida, já que, em geral, não se comunica o patrimônio do sócio com o da sociedade. 32.11 Argumenta que é notório que os administradores de sociedades, além dos deveres previstos no contrato social ou nos estatutos, possui também deveres legais expressos e implícitos, previstos na legislação que disciplina as várias espécies de sociedade (Código Comercial, Lei das Sociedades Anônimas, Lei das Sociedades Limitadas). 32.12 É justamente a infração dos deveres mencionados que se refere à expressão infração de lei, contida na norma codificada, quando do mesmo ato resultam relações jurídicas diversas: uma, entre o administrador e a sociedade e/ou terceiros (relação jurídica comercial); outra, entre o administrador e o Fisco federal (relação jurídica tributária), da qual se acha excluída a sociedade, face à responsabilidade pessoal do administrador. 32.13 Requer, ao final, que seja declarada insubsistente a condução de solidariedade imputada a ele. 33. O responsável solidário Sergio Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.832), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.908 a 10.944). Alega, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.078 10 33.1 De imediato, assevera que não é filho de Selenne Berger Stuhr e irmão de Wanderley Stuhr, pois seus pais são George Stuhr e Edith Berta Haase Stuhr, e seus únicos irmãos são Erasmo Stuhr e Lucimar Stuhr, circunstância que demonstra um dos inúmeros equívocos e a superficialidade do procedimento de fiscalização. 33.2 Salienta que atua na intermediação da compra e venda de café na pequena região composta pelos municípios vizinhos de Itarana e Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. 33.3 A corretagem de café continua sendo a atividade desempenhada em paralelo ao seu pequeno cultivo agrícola. A condição de corretor é bastante reconhecida pelos habitantes dos citados municípios. 33.4 Por um lado, é conhecido pelos micros e pequenos produtores de café da região. De outro lado, é visto como o contato de compradores de café, ou dos intermediadores que atuam nos nomes deles. 33.5 Assim, quando é acionado, se coloca em atividade para formar os lotes, ou seja, as partidas substanciais de café. A atividade de corretagem é bem mais atrativa que a compra e venda de café, já que nela não se opera com capital próprio, e sequer se expõe aos vários riscos de mercado (variações de cotação do produto, oferta e procura, etc). 33.6 Para obter o ganho propiciado pela corretagem é que aceitou a proposta da empresa Colina Verde Café Ltda. de repartir a comissão auferida pelas intermediações de café. Ao invés do 1% que vez ou outra o impugnante prontamente emplacava em determinada intermediação, ele garantiria, com exclusividade, 0,5% frente aos produtores e outros 0,5% frente à. Mencionada empresa por cada negócio intermediado, incidindo tal percentual sobre o valor envolvido nas transações. 33.7 Aduz que sua ocupação era, assim, a de trabalhar em cima das partidas de café que interessavam à Colina Verde Café Ltda., no andamento de compor os lotes do produto efetivando a seleção deste a partir do recebimento das pequenas quantidades disponibilizadas pelos produtores. 33.8 A Colina Verde Café Ltda. percebia os lotes de café formados a partir dos esforços do impugnante, documentados por notas fiscais de produtor, a exemplo do que informado as fls. 10572, 10574 e 10607 (como é o costume no Espírito Santo), e disponibilizava o valor para os pagamentos correspondentes ao produto em duas fases (como também é de costume no Espírito Santo), isto é, um valor substancial depois da entrega e o valor restante depois de verificadas as compatibilidades dos cafés negociados com as quantidades e as qualidades que nortearam as respectivas transações. 33.9 Afirma ainda que recebia o valor devido em razão da partida de café para o qual contribuíra, e pagava a cada um dos produtores que haviam auxiliado na composição do lote negociado, ainda que este houvesse sido documentado apenas por uma nota fiscal, ou a alguém que havia representado os produtores na transação, para posterior repasse aos credores respectivos. 33.10 Para dar maior agilidade as transações, e evitar assim custos com pessoal e instalações, a Colina Verde Café deferiu ao impugnante, por meio de procuração outorgada em agosto de 2001 (fl. 435), a assinatura de cheques da contacorrente n° 7.4276, aberta pela empresa na Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, a fim de que este pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.079 11 33.11 Cabe salientar que vez ou outra os produtores de café preferiam receber os pagamentos que lhes eram devidos, ou parte deles, em alimentos, em sacaria de luta, em adubos, em defensivos agrícolas, em arame ou outros artigos relacionados com o cultivo agrícola. As informações coletadas às fls. 10.567, 10.570 e 10.609, em verdade, conotam exatamente isso, e não aquisições de produtos pelo próprio impugnante, a despeito do que feito nas referidas peças do relatório de fiscalização. 33.12 Diz ainda que quando os pagamentos eram realizados mediante a entrega de produtos, realizava aquisições dos respectivos artigos e pagava com cheque da citada conta corrente. Após receber os produtos, entregavalhes para os produtores como pagamentos do café por eles fornecido para a empresa. 33.13 A condição de procurador da Colina Verde Café, no que se refere à conta n° 7.4276, da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, foi distorcida e notoriamente superdimensionada, a seu juízo, pois o relatório de fiscalização afirma que o impugnante teria praticado atos de gestão da empresa. 33.14 Em síntese: na ótica da fiscalização, qualquer que tenha sido o negócio celebrado pela Colina Verde Café, teria o impugnante de suportar o seu respectivo reflexo tributário. Frisa que a responsabilidade imputada cobre toda e qualquer operação atribuída à Colina Verde Café, não obstante a fiscalização tente caracterizar a cogestão da empresa por meio da assinatura de cheques de apenas uma das dezoito contas bancárias por ela mantidas. 33.15 Ademais, alega que se buscou incutir responsabilidade irrestrita ao impugnante por operações realizadas em período que sequer seria possível atribuir a ele a qualidade de gestor, uma vez que segundo a fiscalização ele só teria alçado tal condição por força da assinatura de cheques da contacorrente frisada. 33.16 Destaca que de acordo com o relatório da fiscalização a abertura da referida contacorrente ocorreu em 20/08/2001 e que o cartão de autógrafo condizente com a aludida conta, subscrito pelo impugnante e reproduzido no relatório da fiscalização, entretanto, assinala que sua confecção se deu apenas na data de 15/08/2002. 33.17 Tal circunstância denota, a seu ver, uma notável inconsistência nas colocações feitas no relatório da fiscalização relacionadas com o período em que o impugnante procedeu a assinatura de cheques da aludida conta, sobretudo ao se constatar que os seus exemplares, anexados ao presente processo, indicam datas coincidentes sempre, e apenas, com os anos de 2002 e de 2003. 33.18 Assegura que não ha qualquer cheque relativo aos anos de 2001 e 2004 juntado ao presente processo, embora o relatório da fiscalização justifique e fundamente a responsabilidade tributária atribuída ao impugnante no fato deste haver procedido à assinatura de tais documentos no período de 2001 a 2004. 33.19 Aduz, com base nos fatos expostos, que é impossível cogitar de responsabilidade do impugnante por gestão da autuada, pois a prova demonstra que a gestão da pessoa jurídica não coube ao impugnante; além de assinaturas de cheques isoladamente tomados não serem indício suficiente para se concluir que o subscritor era realmente gerente da sociedade. 33.20 Nota que todas as evidências coletadas pela fiscalização apontam no sentido de que o impugnante jamais praticou atos de gestão. Basta considerar que segundo apurado pela fiscalização, o trato com os contadores da empresa era feito pela Fl. 126DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.080 12 pessoa de Charles Paulo Bart, bem como a efetivação de negócios, a abertura de contas bancárias e a contratação de pessoas para trabalhar em favor da empresa. 33.21 Salienta ainda que de acordo com registro feito no relatório de fiscalização, três contascorrentes da autuada: n° 7.036X, mantida no Banco do Brasil S/A, n° 490 0, da Caixa Econômica Federal, ambas de Santa Maria de Jetibá, e n° 10.6607, do Banco Bradesco S/A, em Vitória, movimentavam cifras relacionadas à transações de produtos importados, bem como com transferências internacionais de valores. 33.22 Acontece que, a seu juízo, seu nome não foi associado a nenhuma das referidas contas, como também a diversas outras titularizadas pela empresa em instituições financeiras estabelecidas no Espírito Santo. Não obstante toda a cobrança tributária disparada contra a autuada seja também direcionada contra o impugnante, sob o fundamento de responsabilidade tributária radicada em atos de gestão da referida empresa. Assevera ainda que seu nome também não foi vinculado a nenhuma das pessoas fundamentais à caracterização do ilícito fiscal pela fiscalização. 33.23 Aduz o contribuinte que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de ofício, mais especificamente a parte do crédito tributário vinculado aos fatos geradores ocorridos entre abril e novembro de 2001, com fulcro no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 33.24 Entende ainda que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 33.25 Ademais, a suposição de omissão de receitas não configura, por si só, fraude, como disposto na Sumula n° 14, do 1° Conselho de Contribuintes, o que afasta qualquer possibilidade de aplicação da norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 33.26 Afirma que ainda que se considere a apuração trimestral adotada nos autos de infração atacados, é inevitável admitir a decadência parcial do crédito tributário, especificamente no que respeita aos fatos geradores ocorridos entre abril e setembro do anocalendário 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 33.27 Garante, mais adiante, que não praticou atos de gestão no que diz respeito à empresa Colina Verde Café. Alega que o ônus da prova da ocorrência de atos de gerência compete ao Fisco, já que não se pode simplesmente presumir que alguém execute providências em nome de certa pessoa jurídica. 33.28 Ademais, assegura que o Fisco não pode se limitar a demonstrar o exercício de qualquer gerência, e sim a que se refira especificamente à apuração e ao atendimento de tributos por parte da pessoa jurídica. Isto porque a gerência que causa responsabilidade tributária para o administrador é a condizente aos assuntos fiscais da pessoa jurídica. Outrossim: apenas a gerência que subverta, com artifícios escusos, o pagamento de tributos, e não a que meramente deixe de satisfazêlos. Cita doutrina e jurisprudência judicial. 33.29 Aduz que não é possível incutir responsabilidade tributária àquele que jamais teve qualquer ligação com a administração, e especialmente com as apurações e com os pagamentos de tributos da Colina Verde Café Ltda. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.081 13 33.30 Defende que não se pode perder de vista que a fiscalização não constatou um único cheque assinado pelo impugnante nos anos de 2001 e 2004, conquanto tenha insistido em incutir responsabilidade tributária a ele justamente por conta de tal fato, isto é, subscrever cheques, independentemente do período em que verificou que tal fato se sucedera. 33.31 Por este ângulo, o que se chamou de indício do fato tido como sustentáculo da responsabilidade tributária do impugnante foi obtido pela fiscalização a partir de uma amostragem que representa menos de 3% (três por cento) de toda a dimensão da circunstância averiguada, qual seja, a assinatura de cheques da Colina Verde Café Ltda. 33.32 Afirma que era impossível apurar e pagar tributos relacionados a todos os negócios efetivados pela empresa, pois seu nome não foi de qualquer modo associado a qualquer outra movimentação financeira, senão ao trânsito de valores constatado na conta n° 74276. Diz que as pessoas jurídicas têm, por força legal, de promover as apurações e os pagamentos de IRPJ, de CSLL, de PIS e de COFINS de forma centralizada, ainda que suas atividades alastremse por várias localidades. 33.33 Aduz que tal fator assinala para a impossibilidade material de se aventar qualquer ato de gestão fiscal, já que lhe era impossível apurar e pagar tributos relacionados com fatos que escapavam totalmente ao seu conhecimento, quer por dizerem respeito a negócios estranhos à. sua atuação e ao objeto social da empresa, quer por se referirem ao trânsito de valores em contas bancárias, nas quais não possui qualquer tipo de controle. 33.34 Garante que nos autos não existe qualquer elemento de prova que assinale que ele conhecia todos os negócios realizados pela empresa autuada, como também todo o trânsito de valores em instituições financeiras. 33.35 Sobre a inocorrência de conluio, afirma que não há prova desta circunstância. Observa que não existe nos autos evidência de que as pessoas cogitadas no relatório da fiscalização estavam ligadas por laços econômicos ou negociais. 33.36 Informa ainda que seu nome apenas foi vinculado às pessoas de Selenne Berger Stuhr e Wanderley Stuhr, e mesmo assim equivocadamente, já que foi associado a eles como se fosse, respectivamente, filho e irmão deles, e não sobrinho e primo, como de fato é. 33.37 Entende que conluio é impensável no caso retratado nesses autos, fator que inclusive elide a imputação da multa de oficio qualificada aplicada pelo fisco em razão dos lançamentos expedidos. 33.38 Sobre a ausência de prova do proveito do impugnante a partir do trânsito de valores registrado na conta n° 7.4276, diz que o único proveito que o impugnante extraiu dos valores que circularam pela citada conta consistiu em comissões pactuadas pela intermediação de negociações baseadas em café. O relatório da fiscalização, todavia, tenta fazer crer que a assinatura de cheques da conta referida na verdade representaria indício de que ele se aproveitava dos respectivos valores em caráter particular. 33.39 Questiona as conclusões alcançadas pela fiscalização asseverando que não houve averiguação sobre a sua verdadeira relação com a autuada; que não se procedeu ao mínimo levantamento de como se deu as negociações com café no Espírito Santo, e especialmente em Santa Maria de Jetibá e em Itarana; que as apurações centradas em cheques emitidos foram parciais, e tomaram em consideração menos de 3% dos cheques emitidos pela autuada no período de setembro de 2001 a agosto de 2004; que o Fl. 128DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.082 14 beneficio pessoal do impugnante teria sido caracterizado a partir de esclarecimentos prestados por três fornecedores, sem aprofundamento a respeito da questão, e, finalmente, que se ignorou por completo levantamentos anteriores realizados pela própria Receita Federal, que concluíram que o impugnante atuava nos citados municípios como corretor de café. 33.40 Alerta que o suposto beneficio pessoal extraído pelo impugnante limitase ao pagamento feito à empresa SR Eletrônica Telecomunicações Ltda. Nada estranhável para quem carreava vários negócios com café para a autuada, a fim de deles extrair comissão. Garante ainda que o valor pago à SR Eletrônica e Telecomunicações Ltda. representava parte de comissão devida pela autuada ao impugnante. Salienta que o pagamento com cheque da empresa foi devidamente autorizado por seu gestor, conforme se comprova pela declaração anexa. 33.41 Declara que os valores pagos à Buaiz S/A Indústria e Comércio e Profértil Produtos Químicos e Fertilizantes Ltda., como também à Festipar Sudeste Adubos e Corretivos Agrícolas Ltda., nada mais traduziram senão que contrapartidas de aquisições de alimentos e insumos relacionados com o cultivo agrícola, que a autuada procedeu para com eles realizar pagamentos de cafés comprados frente a produtores. 33.42 Requer o cancelamento da responsabilidade tributária que lhe foi imputada; o cancelamento da multa de 150% aplicada; o redimensionamento da responsabilidade tributária que lhe foi incutida à apuração de tributos promovida exclusivamente com base na movimentação da conta n° 74276 da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá.; a produção de outros elementos de prova no curso da análise das suas defesas; realização de sustentação oral. 34. A responsável solidária Sra. Selenne Berger Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.831), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.010 a 11.062). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 34.1 De imediato, declara que possui 65 anos e que sua profissão é zelar e cuidar da rotina diária de seu lar. Afirma ainda que, em decorrência da idade avançada, não possui as características necessárias para gerir uma empresa milionária. 34.2 Relembra que a Colina Verde Café Ltda. iniciou suas atividades em 22 de fevereiro de 2001 e também que foi legalmente constituída por Charles Paulo Bart e por Jailton Gomes Pereira. 34.3 Afirma ainda que foi atribuída a responsabilidade solidária a Charles Paulo Bart por todo o crédito tributário constituído, e que o Relatório Final de fiscalização tenta fazer crer, de modo equivocado, que ele não possuiria capacidade econômica para integralizar o capital social da empresa e que não seria titular de fato do empreendimento. 34.4 Questiona, em decorrência do que foi dito acima, como pode um sócio de direito, que em verdade não seria sócio de fato, ser responsabilizado solidariamente por todo o débito? 34.5 Alega que a fiscalização pouco ou nada descobriu sobre quem seria o verdadeiro titular de fato da empresa em comento. Sem saber apontar quem seria o verdadeiro titular de fato da Colina Verde Café Ltda. a fiscalização passa então a sugerir que a empresa não seria gerada por uma pessoa ou um grupo coeso, mas por diversas pessoas sem qualquer ligação ou vinculo, que haviam recebido procuração Fl. 129DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.083 15 pública a permitir, inclusive, a abertura de conta bancária e sua respectiva movimentação. 34.6 Aduz que a fiscalização sabe que ser procurador não significar ser gestor e muito menos ser titular da empresa, e que uma conta bancária pode ser aberta por um procurador e ser movimentada por outra pessoa. 34.7 Declara, logo em seguida, que a autoridade fiscal entendeu que a impugnante era gestora e responsável pela empresa porque teria assinado alguns cheques da conta n° 7.3032, a qual é uma das dezoito contas abertas em nome da citada empresa. 34.8 Nada mais há nas 209 páginas do Relatório Final da fiscalização, que já não esteja exposto na conclusão citada logo acima, circunstância que torna insustentável a atribuição de responsabilidade tributária à impugnante. 34.9 Aduz a responsável que parte do crédito tributário constituído está extinto por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, mais precisamente a parte do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e entre janeiro e novembro do anocalendário de 2002, com fundamento no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 34.10 Alega que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 34.11 Entende que ainda que se aplique a norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional urge reconhecer a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 34.12 Alega que não se preocupou a autoridade fiscal em trazer à baila o que se entende por gestor/administrador ou mesmo controlador de sociedade empresária. 34.13 Afirma ainda que esta matéria foi tratada com superficialidade, de forma totalmente pressuposta, o que não se admite para a confecção de um ato vinculado. Assevera ainda que muito embora o conceito de gestor/administrador esteja pressuposto no direito tributário (Código Tributário Nacional), sobre o mesmo, conseguemse maiores lições no seio do direito civil e direito comercial. Daí ser indispensável, para se alcançar a real amplitude conceitual do instituto, fazer a interação entre os ramos de direito acima mencionados. 34.14 O fundamento jurídico para trazer os conceitos do direito privado e os aplicar se encontra nos artigos 109 e 110 Código Tributário Nacional. A redação dos dispositivos é clara: se nem mesmo a lei pode alterar a definição dos conceitos e formas de direito privado, que dirá a fiscalização. 34.15 Nesse caso, a responsabilidade incutida à impugnante decorreu da aplicação do disposto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Percebese que a própria lei tributária utilizase da expressão "diretores, gerentes ou representantes" para tipificar responsabilidades a essas pessoas, tratandoos, entretanto, de maneira préconcebida. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.084 16 34.16 Isso porque, a definição do conceito de "diretores, gerentes ou representantes" pertence ao direito privado e lá deve ser averiguada, conforme já mencionado. Cita as lições de Rubens Requião e de Maria Rita Ferragut. 34.17 Em seguida, enumera as funções pertencentes exclusivamente ao acionista controlador, que equivale, a seu juízo, ao sóciogerente da empresa limitada, tal como disposto na Lei n° 6.404/1976. Faz referência ainda a certas decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região sobre o tema em estudo. 34.18 Com fulcro no exposto acima, conclui que simples movimentação de conta bancária não constitui fato suficiente para imputar responsabilidade tributária a quem a realiza, visto que não significa gestão. 34.19 Diz ainda que o recolhimento de tributos de uma pessoa jurídica deve ser feito de forma centralizada pela pessoa jurídica, por total imposição do Fisco, pois é sabido que tributo não é recolhido pela pessoa que supostamente assine por essa ou aquela conta, mas pela administração central da empresa. 34.20 A movimentação de uma conta bancária, atribuída na ação fiscal à impugnante, não pode sequer ser considerada "gestão financeira", haja vista a pessoa jurídica autuada dispor de dezoito contas bancárias, conforma apurado na ação fiscal retratada nestes autos. 34.21 Enfatizase, com isso, que o motivo de fato, ou seja, a gestão da empresa, tido como pressuposto da imputação de responsabilidade tributária ao impugnante não se apresenta configurado na situação em exame. 34.22 Requer que se reconheça que a ora impugnante não é responsável pelo crédito tributário constituído. 34.23 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 34.24 Informa que nenhum dos trinta contribuintes selecionados e que receberam intimação para apresentação de esclarecimentos citou a impugnante, seja como compradora, seja como intermediadora de café. 34.25 Constou, da relação de pessoas intimadas, o nome da própria impugnante, tendo em vista a existência de 04 (quatro) créditos em sua conta bancária provenientes da empresa Colina Verde Café, totalizando R$ 39.000,00 (trinta e nove mil reais). 34.26 Esse fato foi esclarecido pela impugnante, a qual colaborou com a fiscalização, informando e provando que a operação referiase à venda de café e gengibre e que os créditos em sua conta ocorreram em função do bloqueio da conta de Wanderley, seu filho. 34.27 Acontece que o AuditorFiscal simplesmente desconsiderou as alegações e os documentos apresentados. Indica jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a suposta necessidade do Fisco diligenciar para comprovar as alegações dos contribuintes. 34.28 Cita inúmeros fatos os quais demonstrariam que Charles Paulo Bart era efetivamente o gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. 34.29 Informa, logo em seguida, que Marcelo Santos Machado não foi responsabilizado pelo crédito tributário cobrado, embora estivesse em situação Fl. 131DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.085 17 semelhante à impugnante, qual seja, apenas assinava os cheques para a empresa Colina Verde Café Ltda. 34.30 Portanto, além de dar tratamento favorável ao Sr. Marcelo Santos Machado, a fiscalização não respeitou o Estado Democrático de Direito e violou o direito ao devido processo legal substancial e formal e o princípio da verdade material ao responsabilizar a impugnante sem os devidos elementos de prova. 34.31 Versa sobre o dever do Fisco de comprovar os fatos previstos na lei como necessários para o surgimento do fato gerador do tributo. Outrossim, diz que a autoridade fiscal não comprovou que a impugnante era administradora da empresa autuada. 34.32 Requer que a responsabilidade imputada seja limitada, ao menos, ao crédito tributário apurado exclusivamente a partir da movimentação da conta n° 7.303 2, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES. 34.33 Informa que o cartão de autógrafos foi providenciado somente no dia 28/08/2001. Dessa maneira, não é possível imputar responsabilidade quanto a débitos anteriores a essa data, como pretendem os autos de infração lavrados, que discutem débitos a partir de janeiro de 2001. 34.34 Sobre a ilegalidade e a inaplicabilidade da multa de oficio ou sua obrigatória redução em relação a impugnante, nota, de plano, que aos autos de infração questionados foi adicionada a multa qualificada. 34.35 No entanto, diante dos fatos narrados e que comprovam, a seu juízo, a não responsabilidade pelo recolhimento da exação exigida, clama pela anulação da responsabilidade pelo recolhimento da multa em referência, visto que não pode permanecer cobrança de valor de multa quando for desconstituído o débito do valor principal. 34.36 Clama, caso se entenda devido o valor do principal, pela redução da multa aplicada, visto que, numa análise sistêmica da legislação, é possível a redução integral ou parcial do valor total da multa, caso inexistente a prova do conluio. No máximo podese dizer que por culpa o impugnante viuse inserida no rol de pessoas que se dizem devedoras do débito questionado. Não se pode falar em dolo por parte da Sra. Selenne Stuhr no ato de assinar os cheques apontados no Relatório Final do Fisco. 34.37 Em outras palavras, defende que não se caracterizou o intuito de fraudar o Fisco, pelos atos que ora se atribui à impugnante. Nesse sentido, o presente caso não se enquadra em hipótese prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. 34.38 Não restando comprovada a fraude, requer a redução da multa para 75%. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 34.39 Requer, ao final, a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada posterior de documentos; bem como o cancelamento da responsabilidade tributária; ou sua redução proporcional ao crédito tributário correspondente aos valores movimentados na conta n° 7.3032, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES, e a anulação e ou redução da multa 35. O responsável solidário Sr. Wanderley Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.833), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.073 a 11.120). Alega, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 132DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.086 18 35.1 Relembra que a empresa Colina Verde Café Ltda. iniciou suas atividades em 22 de fevereiro de 2001 e também que foi legalmente constituída por Charles Paulo Bart e por Jailton Gomes Pereira. 35.2 Assevera que o aprofundamento das investigações sobre Charles Paulo Bart ratificou que, não só de direito, mas de fato, o mesmo era o gestor da empresa fiscalizada, tanto que a ele foi atribuída a responsabilidade tributária solidária por todo o crédito tributário constituído. 35.3 Declara que, embora outras pessoas físicas e jurídicas tenham sido apontadas como responsáveis solidárias por suposta administração e gestão da empresa autuada, somente em relação a Charles Paulo Bart restou constatado incremento patrimonial no período vinculado com a movimentação financeira. 35.4 Aduz que a fiscalização pouco ou nada descobriu sobre quem seria o verdadeiro titular de fato da empresa em comento. Sem saber apontar quem seria o verdadeiro titular de fato da Colina Verde Café Ltda. a fiscalização passa então a sugerir que a empresa não seria gerada por uma pessoa ou um grupo coeso (conluio de pessoas), mas por diversas pessoas (18 no total) sem qualquer ligação ou vínculo, que haviam recebido procuração pública a permitir, inclusive, a abertura de conta bancária e sua respectiva movimentação. 35.5 Alega que a fiscalização sabe que ser procurador não significa ser gestor e muito menos ser titular da empresa, e que uma conta bancária pode ser aberta por um procurador e ser movimentada por outra pessoa. 35.6 Declara, logo em seguida, que a autoridade fiscal entendeu que o impugnante era gestor e responsável pela empresa porque teria assinado cheques de três contas, em um universo de dezoito contas abertas em nome da empresa. 35.7 Assinala que, em relação às contas n° 8.164.709, do Banestes, e n° 7.3032, da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, que a fiscalização o excluiu da emissão de qualquer cheque, embora afirme que o impugnante poderia ter participado na movimentação dessas contas. 35.8 Ademais, diz que o impugnante não foi citado por nenhum dos contribuintes intimados, como também não o foi em diversas contas titularizadas pela empresa em instituições financeiras estabelecidas no Espírito Santo. 35.9 Nada mais há nas 209 páginas do Relatório Final da fiscalização, que já não esteja exposto na conclusão citada logo acima, circunstância que torna insustentável a atribuição de responsabilidade tributária à impugnante, visto que não foi caracterizada a realização de nenhum ato material de gerência da referida sociedade. 35.10 Aduz que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, mais precisamente o crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e entre janeiro e novembro do anocalendário de 2002, com fulcro no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 35.11 Entende ainda que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 35.12 Entende que ainda que se aplique a norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional urge reconhecer a decadência do direito do Fisco proceder ao Fl. 133DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.087 19 lançamento de oficio do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 35.13 Afirma que não se preocupou a autoridade fiscal em trazer à baila o que se entende por gestor/administrador ou mesmo controlador de sociedade empresária. Pugna que a matéria foi tratada com superficialidade, o que não se admite para a confecção de um ato vinculado. 35.14 Aduz que embora o conceito de gestor, isto é, de administrador esteja pressuposto no direito tributário (Código Tributário Nacional), sobre o mesmo, conseguemse maiores lições no seio do direito civil e direito comercial. Daí ser indispensável, a seu ver, para se alcançar a real amplitude conceitual do instituto, fazer a interação entre os ramos de direito acima mencionados. 35.15 O fundamento jurídico para trazer os conceitos do direito privado e os aplicar se encontra nos artigos 109 e 110 Código Tributário Nacional. A redação dos dispositivos é clara: se nem mesmo a lei pode alterar a definição dos conceitos e formas de direito privado, também não pode a fiscalização. 35.16 No caso em julgamento a responsabilidade decorreu da aplicação da norma inserta no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. 35.17 Percebase que a lei utilizase da expressão "diretores, gerentes ou representantes" para tipificar responsabilidades a essas pessoas, tratandoos, entretanto, de maneira préconcebida. Isso porque, a definição do conceito de "diretores, gerentes ou representantes" pertence ao direito privado e lá deve ser averiguada, conforme já mencionado. 35.18 Cita as lições de Rubens Requião e de Maria Rita Ferragut. Logo em seguida, lista as funções pertencentes ao acionista controlador, que equivale, a seu ver, ao sóciogerente da empresa limitada, tal como disposto na Lei n° 6.404/1976. Faz referência ainda a certas decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região sobre o tema em estudo. 35.19 Com fulcro no exposto acima, conclui que simples movimentação de conta bancária não constitui fato suficiente para imputar responsabilidade tributária de quem a realiza, visto que não significa gestão. 35.20 Aliás, a movimentação de três contas bancárias não pode sequer ser considerada "gestão financeira", já que a pessoa jurídica autuada dispunha de dezoito contas bancárias, conforma apurado na ação fiscal. 35.21 Enfatizase, com isso, que o motivo de fato, ou seja, a gestão da empresa, tida como pressuposto da imputação de responsabilidade tributária ao impugnante não se apresenta configurado na situação em exame. 35.22 Reafirma que é acusado de ter movimentado apenas as contas n° 4004, n° 7.036X e n° 4900, uma vez que, com relação às contas n° 8.164.709 e n° 7.30232, por inexistir cheque ou outra coisa que o valha, a movimentação da referida conta não pode ser atribuída ao impugnante. 35.23 Diz que a fiscalização concluiu que a mera assinatura de cheques não equivale a ato de gestão empresarial. Mesmo assim, passou por cima de todas as gritantes evidências para responsabilizar o impugnante. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.088 20 35.24 A contradição é flagrante e irremediavelmente leva à anulação dos autos de infração quanto a ora impugnante. 35.25 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 35.26 Sobre a conta n° 4004 da Caixa Econômica Federal, diz que a fiscalização o acusa somente de ter participado na emissão de cheques. Afirma que a fiscalização não demonstra, com base na movimentação bancária, quais seriam os atos de gestão praticados pelo impugnante. 35.27 Sobre a conta n° 7.036X do Banco do Brasil S/A, aduz que a fiscalização informa que a conta foi movimentada nos anos de 2001 a 2004, entretanto, com créditos efetivos de pequena importância somente nos anos de 2001 a 2002. 35.28 Diz ainda que a fiscalização o acusa apenas de ter participado na emissão de alguns cheques, embora o cartão de autógrafos tenha sido extraviado e não consta dos autos do presente processo. 35.29 Destarte, a fiscalização não demonstra, a seu juízo, com fulcro na movimentação bancária, quais seriam os atos de gestão praticados. 35.30 Em relação aos inúmeros depoimentos prestados à fiscalização, observa que apenas em um deles foi mencionado o nome do impugnante e que tal referência trata de um contato feito com o impugnante, no curso de uma operação comercial, da qual resultou o crédito de R$ 10.277,00. 35.31 Acontece que não constaria nos autos qual seria o título e o motivo do contato, ou seja, nada foi explicado pela fiscalização. 35.32 Entende ser indevido considerálo como gestor ou administrador da empresa em função de uma operação comercial no valor de R$ 10.277,00, considerando que a citada empresa movimentou a quantia de R$ 6.954.563,42. 35.33 Por último, garante que a fiscalização não demonstrou qualquer incremento patrimonial no que tange ao período de 2001 a 2004, como fez com Charles Paulo Bart. 35.34 Sobre a conta n° 4900, informa que os depósitos em dinheiro ocorreram apenas no ano de 2002 e soma o valor de R$ 160.846,46. 35.35 Em relação aos inúmeros depoimentos prestados à fiscalização, observa que todos afirmaram desconhecer a empresa autuada e que o nome do impugnante não foi citado. 35.36 Desta forma, não existe nos autos qualquer indício da condição do impugnante de gestor/administrador da referida empresa, até porque assinar cheques não é sinônimo de gestão empresarial. 35.37 Sobre as contas n° 7.3032 e n° 8.164.709, nota que a fiscalização assinala apenas que o impugnante pode ter participado da movimentação dessas contas, mas não garante que o impugnante assinou cheques referentes às contas bancárias. 35.38 Aduz que um último artifício manejado pelo Fisco com o intuito de configurar a gestão/administração de toda a empresa ao impugnante foi tentar atribuir a Jailton e Charles a qualidade de empregados do mesmo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.089 21 35.39 Informa que a citação do impugnante como patrão de Jailton e Charles ocorreu nos depoimentos prestados por Nilton Gomes Pereira (pai de Jailton), Patrícia Aparecida de Ávila (exesposa de Jailton) e Vera Lúcia Jacob (mãe de Jai1ton). 35.40 Observa que os dois primeiros depoimentos foram prestados por parentes de Jailton (pai e mãe), os quais, por força do Código de Processo Civil, são impedidos de prestar depoimentos (art. 405, § 2°, inciso I), visto que é de conhecimento comum que pais tem interesse afetivo e emocional na proteção dos filhos. 35.41 E foi justamente nesses dois depoimentos que a fiscalização parece ter baseado sua conclusão. Pois o terceiro depoimento, único prestado por pessoa não impedida de acordo com a lei processual não confirma o que foi dito nos depoimentos anteriores. 35.42 A mãe de Jailton disse, primeiramente, que Jailton trabalhou na loja de Roverbal Stuhr (pessoa que não é nem mesmo foi citado no relatório como responsável tributário). Já o Pai de Jailton disse que o mesmo trabalhou na filial da Stuhr Agropecuária. Acontece que a exesposa nada disse sobre para quem jailton trabalhava. 35.43 Assim sendo, o depoimento da única pessoa não impedida de prestar declarações em nenhum momento vincula o autuado como responsável tributário JaiIton a Wanderley Stuhr, quiçá na qualidade de empregado. 35.44 E ainda, o pai de Jailton diz que quem pagou a passagem de seu filho para a Itália foi Wanderley Stuhr enquanto que a exesposa de Jailton disse que quem pagou sua passagem foi Charles Paulo com cheques do Banestes. 35.45 Em relação a Charles Paulo Bart, os pais de Jailton sustentam que ele é empregado de Wanderley Stuhr. Porém, a exesposa de Jailton disse: que sabe ser Charles Paulo Bart empregado de Wanderley Stuhr ou que trabalha com ele. 35.46 Novamente, a única pessoa que não estava impedida legalmente de depor sobre o assunto mostrou não saber se Charles trabalhava com ou para o impugnante. 35.47 Essas observações já demonstram que, com base unicamente nas declarações prestadas, é impossível atribuir a Wanderley Stuhr o controle ou o domínio sobre as pessoas de Jailton e Charles, que dirá sobre a empresa Colina Verde Café Ltda. e suas respectivas contas. 35.48 Cita inúmeros fatos os quais demonstrariam que Charles Paulo Bart era efetivamente o gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. 35.49 Ainda que assim não fosse, o fisco não se desincumbiu de provar a suposta administração de fato pelo impugnante, fugindo à busca da verdade material do ocorrido. 35.50 Requer que a responsabilidade fique limitada ao crédito tributário apurado exclusivamente a partir da movimentação da conta 7.063X do Banco do Brasil da agência de Santa Maria de Jetibá. 35.51 Frisa que não há nem mesmo que se cogitar quanto à conta 4004 e 4900, ambas da Caixa Econômica Federal, porque o movimento de numerário nessa conta foi ínfimo se comparado com qualquer outra conta. 35.52 Ainda que não sejam acatados pela autoridade julgadora fiscal os argumentos expendidos nos capítulos anteriores diz o impugnante que a data da Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.090 22 ocorrência do primeiro crédito na conta corrente n° 7.036X, somente se deu no dia 28/08/2001. 35.53 Dessa forma, não há que falar em imputação de responsabilidade ao impugnante quanto a débitos anteriores a essa data, como pretendem os autos de infração lavrados, que discutem débitos a partir de janeiro de 2001. 35.54 Pugna que o dolo necessário para aplicar a multa de 150% não foi devidamente comprovado. 35.55 Requer, por fim, a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada posterior provas documentais; o cancelamento da responsabilidade tributária; ou sua redução proporcional ao crédito tributário correspondente aos valores movimentados na conta n° 7.3032, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES, bem como a anulação e ou redução da multa. 36. O responsável solidário José Ildo Henrique Fiorott, que tomou ciência dos autos de infração em 30/11/2007 (fl. 10.839), apresentou impugnação em 02/01/2008, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.135 a 11.173). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 36.1 Com supedâneo na interpretação dos arts. 124 e 135 do CTN, aduz que nem todos os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal são responsáveis solidários, assim como também nem todos os mandatários são responsáveis solidários. 36.2 Presume que a autoridade fiscal, ao lhe imputar responsabilidade por ter movimentado uma conta corrente da empresa fiscalizada por meio de instrumento procuratório, assim o fez com supedâneo no inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional. 36.3 A titulo de exemplo, afirma que em uma empresa que tenha por objeto social a venda de bens, não só os sócios, mas todos os empregados têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal de variados tributos. Também os familiares que dependem financeiramente de tais sócios ou de tais empregados teria, a seu ver, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação de tais tributos. Nem por isso admitirseia como responsáveis solidários todos os empregados e seus familiares. 36.4 Assevera ainda que nem todos os mandatários serão responsáveis pelo crédito tributário do contribuinte mandante, até porque a simples outorga de procuração é um ato licito, previsto em lei. A titulo de exemplo, lembra que não será responsável o advogado contratado pela empresa para defender seus interesses, não obstante fato inequívoco de que o advogado é um mandatário. 36.5 Alega que algo mais é preciso para se atribuir a responsabilidade a terceiros, seja pelo disposto no art. 124, inciso I, seja pelo disposto no art. 135, inciso II, ambos do Codex tributário, que deve ser o liame obrigacional que se cria entre o fisco e o terceiro em razão do poder de gestão que venha a exercer o terceiro, seja na condição de interessado (art. 124, inciso I), seja na condição de mandatário (art. 135, inciso II). 36.6 Por esse motivo que o Fisco tentou imputar a responsabilidade a todas as pessoas a quem a empresa Colina Verde Café outorgou procurações mediante a afirmação de que todas tinham poderes para agir em nome da citada empresa, ou seja, poderes de gestão, inclusive para a movimentação de contas correntes. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.091 23 36.7 Afirma que os poderes outorgados por meio da procuração citada eram restritos à representação da empresa perante instituições financeiras, isto é, ao impugnante não foram outorgados poderes de gestão da empresa fiscalizada, diferentemente do que se observa da procuração outorgada a outro mandatário, cujos poderes eram amplos e irrestritos. 36.8 Alega que o AuditorFiscal reconheceu que os procuradores que só assinavam cheques e movimentavam contas correntes não tinham poderes de gestão, tanto é que não arrolou como responsáveis solidários os procuradores cujas evidências permitiram constatar que a participação limitouse à cessão de seus nomes e assinaturas de cheques. 36.9 Assegura que não pode ser responsabilizado porque apenas cedeu seu nome e assinou, como outros procuradores. 36.10 Informa que o AuditorFiscal notificou pessoas físicas e jurídicas beneficiárias de cheques referentes à conta corrente supostamente movimentada pelo impugnante, e que ninguém declarou ter realizado operações com ele, mas sim com terceiras pessoas. Tais depoimentos corroboram a ausência de poder de gestão pelo impugnante sob as atividades da Colina Verde Café. 36.11 Indica a Lei das Sociedades por Ações, que deve, a seu juízo, ser observada por expressa disposição dos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional, a qual define gestão da sociedade como a prática dos atos necessários ao funcionamento regular da sociedade, o que não se pode presumir quanto ao impugnante. 36.12 Aduz que o art. 42, §5°, da Lei 9.430/1996 dispõe que se provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos omitidos ou receita deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou investimento, devendo ser diretamente autuado o próprio terceiro e não a pessoa interposta. 36.13 Com base no exposto, diz que caso os créditos na conta corrente supostamente movimentada pelo impugnante lhe pertencessem, não poderia ter sido considerado responsável, visto que deveria ter sido o próprio autuado pelos créditos realizados naquela conta corrente especifica. Portanto, como o AuditorFiscal, não agiu dessa forma, é porque julgou que não pertencia ao impugnante os valores creditados em tal conta corrente. 36.14 Entende que, como procurador, somente responde pelos atos que efetivamente praticou. Ademais, os princípios da individualização da pena, da isonomia e da proporcionalidade, vigentes no ordenamento jurídico brasileiro, determinam que cada pessoa somente pode ser apenada pelos atos ilegais que pratica, na exata proporção de suas infrações. 36.15 Por fim, cita o art. 124 do Código Tributário Nacional e o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que determinariam, a seu juízo, que o infrator só pode ser responsabilizado na medida de sua participação. 36.16 Relembra que em decorrência da procuração que recebera, teria movimentado unicamente recursos da conta corrente n° 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares. Assim sendo, sua responsabilização decorreria de sua atuação como procurador de Colina Verde Café, que teria movimentado uma conta corrente da mencionada empresa. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.092 24 36.17 Diz que é possível que uma pessoa, de forma unilateral, outorgue poderes a terceiros, denominados procuradores, sem a anuência destes, o que não poderá trazer qualquer responsabilidade a estes procuradores, se estes não vierem a atuar nessa qualidade. Logo, o procurador não pode ser responsável pelos atos do outorgante, simplesmente por ter sido seu procurador, pois, em caso contrário, pessoas poderiam vir a ser responsabilizadas simplesmente por lhes terem sido outorgado poderes, sem ao menos exercêlos e, até mesmo, sem ter ciência dessa condição de procuradores. 36.18 Assim, se os procuradores não podem ser responsabilizados se não vierem a exercer os poderes que lhes foram outorgados, somente poderão ser responsabilizados pelos atos que efetivamente praticarem. Da mesma forma, as pessoas mencionadas no art. 135 do CTN só podem ser responsabilizadas pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes dos próprios atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Cita decisão judicial sobre a matéria. 36.19 Entende ainda que considerando o principio da individualização da pena não há previsão legal ou constitucional para a sua responsabilização solidária por todo o crédito lançado, decorrente não só da movimentação da conta n° 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares, como também da movimentação de contas de terceiros e por terceiros, sem a sua participação. 36.20 Cita ainda outros princípios, como o principio da isonomia, da proporcionalidade ou razoabilidade, garantias constitucionais do administrado, e o art. 124, inciso I, do CTN, para dizer que não restam resquícios de dúvidas de que, ainda que se admita a responsabilidade solidária, esta não poderá ser em relação a todo o crédito lançado, mas apenas ao crédito decorrente dos recursos da conta corrente que supostamente teria movimentado. 36.21 Ao tratar do art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/1996, verifica que, na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. 36.22 Assim, com muito maior razão, se várias são as contas correntes cujos recursos movimentados deram origem à totalidade do crédito lançado, cada procurador não pode vir a ser responsabilizado pela totalidade do credito, mas apenas nos limites de sua participação, isto é, pelo crédito decorrente da conta que supostamente movimentou. 36.23 Por fim, o próprio §5° do art. 42 também estaria a revelar que a responsabilidade do impugnante seria limitada à única conta que supostamente teria movimentado. E isso porque, de acordo com o §5°, quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 36.24 Requer a sua exclusão da condição de responsável, ou, ao menos, a restrição da responsabilidade ao crédito tributário derivado da conta bancária por ele controlada. 37. Os responsáveis solidários Sr. Theodoro Antonio Zanotti e Sra. Leonor Andrade Seixas Zanotti, que tomaram ciência dos autos de infração mediante edital de 05/12/2007 (fls. 10.852 e 10.854), apresentaram impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.849 a 11.877). Alega, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.093 25 37.1 Asseguram que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, em especial o crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001e 2002, com fulcro nos arts. 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 37.2 Asseveram, em segundo lugar, que a possibilidade de imposição de responsabilidade passiva tributária deve estar devidamente acompanhada da descrição da conduta e também da delimitação, qualitativa e quantitativa, do ônus suportável por causa dessas ações. 37.3 No presente caso, o crédito tributário foi imposto genericamente a inúmeras pessoas físicas e jurídicas. No houve assim a adequada delimitação das condutas e do ônus tributário respectivo. 37.4 Asseveram que a delimitação da conduta humana é essencial para a responsabilização, seja civil, penal ou tributária, e que a imputação do ônus da conduta ilícita deve vir circunscrita à atividade consciente do sujeito ativo, seja lícita ou ilícita, culposa ou dolosa. Pugnam que agir de modo diferente, no mínimo, impede o direito de defesa. 37.5 No caso dos recorrentes, aduzem que o Fisco tenta provar que o produtor rural Theodoro Antonio Zanotti era gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. em todo o estado do Espírito Santo, de modo a lhe atribuir toda a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído. Assim sendo, uma relação comercial normal entre produtor e adquirente de produtos agrícolas de alguns milhares de reais passou a uma obrigação tributária de milhões de reais. 37.6 A autoridade fiscal impôs responsabilidade tributária de forma tão genérica que os recorrentes foram envolvidos com eventos muito distantes e totalmente alheios a sua atividade no município de Nova Venância ES, como o suposto fato de a Colina Verdade Café ter sido usada para a transferência ilegal de valores provenientes do exterior. 37.7 Portanto, a atuação seria nula por inviabilizar a defesa e impor gravame evidentemente excessivo aos recorrentes. 37.8 Sobre o suposto esquema de sonegação relatado pela fiscalização, dizem que a realidade construída pela fiscalização em desfavor dos recorrentes baseouse em duas evidências: o vínculo empregatício entre o Sr. José Carlos e os recorrentes e o fato dele ser procurador da Colina Verde Café; e meia dúzia de cheques da Colina Verde recebidos como pagamento pela venda de café por Theodoro Zanotti e que por ele foram endossados. 37.9 O depoimento do Sr. José Carlos Ambrósio traz aspectos que afastam a responsabilidade dos recorrentes sobre as operações de Colina Verde Café. O depoimento evidenciou que existiu apenas uma relação entre o Sr. José Carlos, a empresa Colina Verde Café e seu sócio o Sr. Charles Paulo Bart e que, pela atividade única de intermediação na compra de café de produtores rurais, o depoente recebia um percentual de 1, 5%. Nada mais pode ser extraído desse depoimento, apesar das conclusões estapafúrdias da fiscalização. 37.10 Afirmam ainda que as subjetividades contidas nas afirmações da autoridade fiscal retiram delas toda a validade. A fiscalização especulou que o depoente estava nervoso em depor perante autoridades fiscais e supôs que esse nervosismo decorreu do fato de que o depoente tentava afastar o envolvimento de outras pessoas Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.094 26 além dele e do Sr. Charles. Questionam se tal estado de ânimo não poderia decorrer do simples fato de estar sendo instado por uma autoridade pública? 37.11 Alegam ainda que a fiscalização apenas especula que o depoente tentava passar que as negociações que envolviam a Colina Verde Café estavam restritas a ele, a Charles e ao produtor. 37.12 Afirma que a fiscalização apenas supôs certos fatos, porque não há nenhuma prova daquilo que a fiscalização sugere. Aduz que não se pode condenar ninguém com fundamento em especulações de natureza subjetiva, pois são necessárias provas contundentes para suprimir o patrimônio alheio, haja vista o art. 5°, inciso LIV, da Constituição Federal de 1988. 37.13 Entendem que a primeira premissa usada pela fiscalização, isto é, o vinculo empregatício, nada prova a não ser o próprio vínculo. Foi preciso muito esforço imaginativo para construir a realidade sugerida no relatório. 37.14 Atacam outras supostas especulações da fiscalização, surgidas a partir do depoimento, com a finalidade de demonstrar que o Sr. José Carlos Ambrósio poderia trabalhar para a Colina Verde Café. 37.15 Defendem que os endossos de cheques feito pelos impugnantes é procedimento normal e que nada prova. 37.16 Aduzem que o lançamento tributário está calcado na violação de sigilo bancário, sem a adequada autorização judicial, o que gera a sua nulidade, diante da violação de vários princípios constitucionais, como a irretroatividade. 37.17 Com outras palavras, a autuação está baseada na movimentação financeira do contribuinte, a qual foi conseguida por meio do procedimento previsto na Lei n° 10.174/2001 e na Lei Complementar n° 105/2001. Tais leis são inconstitucionais, visto que não respeitam o principio da irretroatividade e da segurança jurídica. 37.18 Alegam que o auto de infração é nulo por utilizar provas ilícitas, mas precisamente as informações oriundas do pagamento da CPMF. 37.19 Enumera os princípios e as regras constitucionais atacadas pela aplicação da Taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora. 37.20 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 38. O responsável solidário Sr. Josildo Schwambach Machado, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.834), apresentou impugnação em 28/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.949 a 11.984). Alega, em síntese, o que segue: 38.1 De plano, aduz que o crédito tributário constituído imbricado com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002 está extinto por força da decadência, haja vista o que determina o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 38.2 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, já que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 38.3 Assevera, em seguida, que possui aproximadamente seiscentos clientes, entre produtores, compradores e vendedores de café, amealhados nos 19 (dezenove) anos em que trabalha com no mercado de corretagem de café. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.095 27 38.4 Informa que durante muito tempo, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio de apresentação de procurações, e não por intermédio de depósito bancário, a depender da opção do vendedor. 38.5 Não nega que tenha intermediado operações de compra e venda de café da Colina Verde, assim como inúmeros outros corretores. Mas daí a se estabelecer a sua ligação a um esquema de sonegação fiscal, como foi declinado no relatório final de fiscalização, diz que vai uma distância abissal. 38.6 Frisa que a autoridade fiscal sustenta que o impugnante teria sido nominalmente mencionado por depoentes beneficiários de cheques, como fonte dos cheques emitidos. Tratase, contudo, de assertiva que contradiz o próprio Relatório Final de Fiscalização. 38.7 O item 2.4.3.16 do relatório final de fiscalização é o único tópico onde há menção ao nome do impugnante, ainda assim, de maneira indireta, sem relacionálo com qualquer atividade da Colina Verde ou por seus procuradores. 38.8 Pugna ainda que palmilhando esse tópico do citado relatório, verificase que a autoridade fiscal declarou que o Sr. Marcelo Santos Machado, a partir de 19/09/2001, apresentouse como procurador da Colina Verde junto agência do Banco Bradesco, situada no Palácio do Café, para movimentar a conta n° 10.6607. 38.9 Alega que em nenhum dos cheques emitidos pelo Marcelo Santos Machado se encontra qualquer anotação que indique o impugnante como sendo a pessoa responsável pela confirmação da emissão dos cheques, o que já põe por terra a afirmação, lançada na conclusão do relatório final de fiscalização, de que o impugnante teria sido nominalmente citado por depoentes beneficiários de cheques como fonte dos cheques emitidos. 38.10 A única referência nos autos ao impugnante é a de que seria sócio da JMB, juntamente com o Sr. Silvino. Desta forma, não existem elementos que possam identificar o impugnante como responsável pela movimentação bancária da conta mantida pela Colina Verde, ou que possam ligar o impugnante à Colina Verde ou aos seus sócios, ou, por fim, que indiquem que o impugnante foi o responsável pela constituição do Sr. Marcelo como procurador da Colina Verde. 38.11 Todas as pessoas que responderam à intimação fiscal e citaram o nome do impugnante informaram que receberam os cheques em decorrência de operação de compra e venda de café. Todas essas operações foram realizadas no contexto da intermediação de negócios, como expressão legítima e inerente ao exercício da corretagem. 38.12 Declara que a única vantagem que auferiu da empresa Colina Verde foram as comissões recebidas pelas corretagens realizadas. Afirma que existem inúmeros outros corretores como ele. 38.13 Destaca que nos anos de 2001 a 2004 não experimentou qualquer evolução a descoberto do seu patrimônio, tampouco apresentou inconsistências em sua situação fiscal, muito menos movimentações financeiras suspeitas em sua conta bancária que pudessem ser encaradas como indícios da prática de ilícitos tributários. 38.14 Em breve resumo, conclui que não teve qualquer participação na abertura da conta bancária da Colina Verde junto a agência do Banco Bradesco situada no Palácio do Café (conta n° 10.6607); que a empresa JMB não atuava com exclusividade na intermediação dos negócios realizados pela Colina Verde no mercado de café; que Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.096 28 fez corretagens em favor da Colina Verde, assim como inúmeros outros corretores; que jamais representou de fato a Colina Verde, nem atuou no seu interesse fora das atividades específicas de corretagem de café; que não ordenou que o Sr. Marcelo, empregado da JMB, atuasse como procurador da Colina Verde Café; que não teve qualquer participação nas atividades do Sr. Celso, apontado como empregado da JMB, sem registro na CTPS; em relação aos negócios da Colina Verde; que não há qualquer indício de irregularidades na vida patrimonial, fiscal e financeira do impugnante nos anos de 2001 a 2004; que desde o início de 2004 o impugnante não exerce mais a administração da JMB, tendo se desligado, formalmente, da sociedade neste ano. 38.15 Questiona a fundamentação legal citada pela autoridade fiscal, isto é, os arts. 124, inciso I, e art. 135 do Código Tributário Nacional. A seu ver, nem o art. 124, inciso I, nem o art. 135, tratam da responsabilidade solidária de todas as pessoas que praticaram atos de gestão e tampouco podem ser aplicados em conjunto. 38.16 Diz ser impossível aplicar a regra de responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, ao caso concreto, pois não se pode falar na existência de "interesse comum" que entrelace o impugnante à Colina Verde Café. 38.17 Disserta sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao presente caso. Sobre o art. 135 do CTN, afirma que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, conclui que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. 38.18 Requer a realização de diligência e de perícia. Decerto, solicita que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e apresentar a escrita fiscal. Afirma que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Cita doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 38.19 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 39. O responsável solidário A & M Comércio, Exportação e Importação Ltda., por intermédio de seus sócios, também responsáveis solidários, Narciso Agrizzi, Idalino Agrizzi e Domingos Sávio Agrizzi, que tomaram ciência dos autos de infração lavrados em 29/11/2007 (fl. 10.835), apresentou impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.016 a 12.060). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 39.1 Preliminarmente, alegam os impugnantes a nulidade dos autos de infração. Fundamentam seu pedido com fundamento no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação dos presentes impugnantes na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála no prazo legal. 39.2 Em seguida, aduzem que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 39.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuintes. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.097 29 39.4 Afirmam os contribuintes que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indicam, alem de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do seu entendimento. 39.5 Asseveram ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 39.6 Solicitam também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor dos impugnantes, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 39.7 Alegam, em seguida, que foi outorgada procuração e aberta conta bancária pelo Sr. Mário, mas não pelos presentes impugnantes. Afirmam ainda que a simples outorga de procuração não corresponde a gestão de negócios. 39.8 Asseguram que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. 39.9 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a título de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 39.10 Garantem que realizaram operações de comércio com a Colina Verde Café, por meio das quais receberam títulos de crédito. Por outro lado, informam que realizaram negócios com terceiros, quando repassaram os títulos de créditos mencionados. Garantem ainda que não existe qualquer ilegalidade nessas operações. 39.11 Os impugnantes jamais tiveram o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comércio. A mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 39.12 Os impugnantes trabalham no comércio de grãos, mas jamais praticaram atos de gestão ou obtiveram qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), pois se não auferiam lucro, não possuíam qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou de seu mandatário. 39.13 Quanto ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduzem que é fácil notar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. 39.14 Informam que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 39.15 Dissertam sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso. Sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirmam que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, concluem que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.098 30 39.16 Pugnam que a responsabilidade dos impugnantes, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta n° 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou seja, que não lhes sejam imputada responsabilidade por atos de terceiros. 39.17 Questionam o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicitam que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pedem que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 39.18 Requerem a realização de diligência e de perícia. Decerto, solicitam que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e apresentar a escrita fiscal. Afirmam que a oitiva testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Citam doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 39.19 Requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 39.20 Requerem a sua exclusão da condição de responsável. 40. O responsável solidário Antonio Tadeu Calmon, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.830), apresentou impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.148 a 12.185). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 40.1 Preliminarmente, pugna o impugnante pela nulidade dos autos de infração. Fundamenta o pedido com base no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação do presente impugnante na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála no prazo legal. 40.2 Em seguida, aduz que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 40.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuinte. 40.4 Aduz ainda o contribuinte que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indica, além de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do seu entendimento. 40.5 Assevera ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 40.6 Solicita também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor do impugnante, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 40.7 Assegura que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.099 31 40.8 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a titulo de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 40.9 Afirma que jamais teve o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comércio. Diz ainda que a mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 40.10 Informa que trabalha no comércio de grãos, mas jamais praticou atos de gestão ou obteve qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois se não auferia lucro, não possuía qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou de seu mandatário. 40.11 Em relação ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduz que é fácil observar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. 40.12 Informa ainda que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 40.13 Disserta sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso concreto. 40.14 Já sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirma que são dois os requisitos para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, conclui que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído ao impugnante. 40.15 Pugna que a responsabilidade do impugnante, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta n° 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou, com outras palavras, que não lhe seja imputada responsabilidade por atos de terceiros. 40.16 Questiona ainda o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicita que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pede que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 40.17 Requer a realização de diligência. Decerto, solicita que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e para apresentar a escrita fiscal. Afirma ainda que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Cita doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 40.18 Requer a produção de todas as provas admitidas em direito. 40.19 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 41. Já os responsáveis solidários Ademar Valani, Sérgio Valani e Josemar Echar Valani, que tomaram ciência dos autos de infração mediante edital de 05/12/2007 (fls. 10.848, 10.849 e 10.850), apresentaram impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.193 a 12.240). Alegam, em síntese, o que segue abaixo: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.100 32 41.1 Preliminarmente, pugnam pela nulidade dos autos de infração. Fundamentam o pedido com base no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação dos presentes impugnantes na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprirem a exigência fiscal ou impugnálas no prazo legal. 41.2 Em seguida, aduzem que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 41.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuinte. 41.4 Aduzem ainda os responsáveis que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indicam, além de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do entendimento. 41.5 Asseveram ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 41.6 Solicitam também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor dos responsáveis, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 41.7 Alegam, em seguida, que foi outorgada procuração e aberta conta bancária pelo Sr. Alecsandro, mas não pelos presentes impugnantes. Afirmam que a simples outorga de procuração não corresponde à gestão de negócios. 41.8 Asseguram que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. 41.9 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a título de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 41.10 Os impugnantes jamais tiveram o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comercio. A mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 41.11 Os impugnantes trabalham no comércio de grãos, mas jamais praticaram atos de gestão ou obtiveram qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois se não auferiam lucro, não possuíam qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou seu mandatário. 41.12 Quanto ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduzem que é fácil notar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.101 33 41.13 Informam que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 41.14 Dissertam sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso. Já sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirmam que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, concluem que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. 41.15 Pugnam que a responsabilidade dos impugnantes, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta nº 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou seja, que não lhes sejam imputada responsabilidade por atos de terceiros. 41.16 Questionam o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicitam que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pedem que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 41.17 Requerem a realização de diligência. Decerto, solicitam que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e para apresentar a escrita fiscal. Afirmam ainda que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Citam doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 41.18 Requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 41.19 Requerem a sua exclusão da condição de responsável. 42 O responsável solidário Sr. Silvino Faria Júnior, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.835), apresentou impugnação em 03/01/2008, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.254 a 12.268). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 42.1 Alega que a fiscalização fundamentou suas alegações com base em declarações prestadas e em fatos circunstanciais, inexistindo, porém, prova documental que ligue tais fatos ao impugnante. 42.2 Outrossim, a autoridade fiscal não individualizou as condutas do impugnante, para fins de imputação de responsabilidade tributária solidária. 42.3 A despeito da individualização de condutas, pretendeu o autuante, genérica e abstratamente, reportar os fatos descritos no item 2.4.3.16 do auto de infração como sendo descritivo de sua conduta, diferentemente dos demais responsáveis que tiveram a necessária individualização, o que causa estranheza e reflete a fragilidade da autuação. 42.4 Aduz que à luz da legislação vigente, não há sujeição passiva quando o terceiro é mero prestador de serviços contratado da empresa autuada, ou seja, corretor de café, nem tampouco permite que o mesmo seja apontado como gestor de fato da referida empresa. 42.5 Contata que o auto de infração, mais se assemelha a um inquérito policial de que a um lançamento tributário lavrado de oficio pela fiscalização tributária. Isso Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.102 34 porque a autoridade fiscal figurou mais como um acusador de condutas do que como agente técnico apurador de tributos. 42.6 Aduz que a fiscalização transpôs a sua função e determinou até as intenções volitivas de cada responsável, baseandose em diretrizes íntimas e desprovidas da prova real necessária. 42.7 Diz que, citando as páginas 144 e 145 do auto de infração, nunca movimentou conta corrente da empresa Colina Verde, nem tampouco assinava documentos relacionados às operações comerciais, nem mesmo cheques. 42.8 Ademais, assevera que ele não se encontra relacionado no rol das pessoas responsáveis em liberar valores para saque em conta corrente do banco Bradesco, descaracterizando sua imputação como gestor da empresa. 42.9 Informa ainda que era sócio da empresa que prestava serviços de corretagem de café, não tendo qualquer envolvimento a titulo de gestor com a empresa Colina Verde Café. 42.10 Declara que no depoimento do Marcelo Santos Machado, restou devidamente provado que não teve a participação do impugnante na indicação do mandatário da empresa Colina Verde Café. 42.11 Estranha o fato da fiscalização não ter questionado acerca do exsócio do impugnante, Sr. Josildo Schwambach Machado, ter envolvimento com o depoente na designação de mandatário. Questiona qual seria a razão. 42.12 Afirma que o depoente, o Sr. Marcelo Santos Machado, mantinha estreitos laços com o exsócio do impugnante, como comprova o fato do mesmo trabalhar até hoje junto à empresa GRV Corretora de Café Ltda. de propriedade de Josildo Schwambach Machado. 42.13 Referese a outro fato que mostra a inexistência de participação do impugnante, mais precisamente à declaração feita pelo depoente Marcelo Santos, ou seja, que recebia valores do Sr. Charles Paulo Bart como troca de favor pela movimentação na conta corrente da empresa Colina Verde junto ao Bradesco. Frisa também que o depoente nunca afirmou ter recebido qualquer benefício do impugnante. 42.14 Diferentemente do ex sócio da JMB, o Sr. Josildo Schwambach Machado, que continuou a manter relações laborais com o depoente Marcelo Santos, o impugnante nunca bonificou o referido depoente com favores além dos decorrentes da relação laboral mantida na JMB. 42.15 Vale registrar que não era o impugnante que mantinha o controle da empresa JMB. O ex sócio era o responsável perante o CNPJ da referida empresa, assumindo essa condição inclusive nas DIPJ da empresa JMB, o que denota sua condição preponderantemente de participação gerencial. 42.16 Observa que nem a funcionária da Agência do Banco Bradesco S/A ouvida nos autos, Fábia Mara Correa, mencionou qualquer participação do impugnante no gerenciamento e utilização da conta corrente. 42.17 Aduz que o comando decorrente do CTN informa a pessoalidade como primeiro pressuposto na responsabilização de terceiros. Em segunda etapa, estabelece a condição que enseja a respectiva responsabilidade, isto é, a conduta praticada pelo terceiro resultante de atos excessivos na gestão empresarial ou infracionários e violadores da lei ou instrumento da constituição da empresa. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.103 35 42.18 Vislumbra a existência de classificação da responsabilidade sob o aspecto intencional: responsabilidade objetiva ou subjetiva. Pela configuração da conduta do terceiro responsável pretendida pelo legislador tributário, tratase de responsabilidade subjetiva a qual determina a necessária configuração da intenção do representante empresarial. 42.19 Alega ainda que a inadimplência não pode, por si só, pressupor a intenção infracional da evasão fiscal. Entende que devem restar configurados os atos praticados com excessos de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 42.20 Assegura que exercia tãosomente a atividade de corretagem de café, não possuindo qualquer outra vinculação com a empresa autuada Colina Verde Café. 42.21 Percebe que as alegações da autoridade autuante foram pautadas tão somente em depoimentos de outras pessoas também responsabilizadas pela exação. Tais pessoas teriam, a seu juízo, o desejo de se esquivar de seus atos e responsabilidades. 42.22 Portanto, não diz que há nenhum outro vínculo documental que ligue o impugnante ao esquema descrito pela fiscalização. Contudo, demonstram efetivamente que atuou como corretar de café. 42.23 Requer a sua exclusão da condição de responsável. A 7ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído, recorreu de ofício a este Colegiado administrativo. O referido julgado foi assim ementado: PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA DEPOIS DA IMPUGNAÇÃO. A produção de prova documental deve ser realizada na fase de impugnação. Decerto, a aceitação posterior de documentos só poderá ocorrer se for devidamente observada uma das hipóteses previstas no art. 16, §4°, do Decreto n° 70.235/1972. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, bem como de perícia, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL. A adesão ao parcelamento excepcional de que trata a MP n° 303, de 2006, produz efeitos legais somente em relação aos débitos efetivamente incluídos na opção, observado o cumprimento das formalidades e dos prazos estabelecidos na legislação de regência. PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se verificam nos autos nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, descabem as alegações do interessado. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.104 36 DIREITOS AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. IRPJ. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a formalização do crédito tributário é determinado aplicandose a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data da sua constituição definitiva, a qual ocorre somente após esgotaremse todos os recursos administrativos. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui mera transferência à administração tributária, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações, até porque assim dispõe a legislação sobre o tema. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGATORIEDADE DO LIVRO CAIXA ARBITRAMENTO DO LUCRO. Todo contribuinte que opta por apurar o Imposto de Renda com base no lucro presumido, se não mantiver escrituração comercial, deverá ter o Livro Caixa, no qual esteja escriturada a movimentação financeira, inclusive bancária. Portanto, se o Livro Caixa não é disponibilizado a fiscalização, cabe o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS. As notas fiscais emitidas fazem prova da realização do negócio jurídico e são hábeis para dar suporte à apuração das receitas auferidas. SÓCIO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.105 37 Uma vez comprovado por farta documentação nos autos que os sócios que figuram no quadro social do interessado são interpostas pessoas ("laranjas") e que quem administra, movimentando, inclusive, recursos em contas bancárias, são terceiras pessoas, estas, para os efeitos previstos no artigo 135, inciso III, do CTN, são sócias de fato do interessado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem, com fulcro no que determina o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172 de 1966, pessoalmente pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. A Lei n° 9.065/1995 e os demais dispositivos legais que estabelecem a aplicação de juros morat6rios com base na Taxa Selic, em relação aos débitos não pagos até o vencimento, foram inseridos legitimamente no ordenamento jurídico nacional. Portanto, não compete aos órgãos administrativos questionar sua aplicação. MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa moratória é devida sempre que o contribuinte procede ao pagamento do tributo espontaneamente, mas de forma extemporânea. Quando há necessidade do lançamento de oficio, é devida a multa de 75% ou de 150%, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação fornecida pela Lei n° 11.488/2007. MULTA QUALIFICADA DE 150%. (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). A ocultação de volumosa movimentação de recursos financeiros de origem não comprovada efetuada em diversas contas bancárias; a não declaração, na DIPJ, das receitas de vendas auferidas, e/ou a declaração de receitas de vendas irrisórias comparativamente aos recursos depositados; a utilização de notas fiscais de terceiros e de notas fiscais frias, são condutas dolosas adotadas pelo autuado, cujo quadro social é composto por interpostas pessoas ("laranja"), que evidenciam o intuito fraudulento, sendo cabível, desta maneira, a aplicação de multa qualificada de 150%. O recurso de ofício interposto pela Turma Julgadora de primeira instância decorreu do reconhecimento de caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2001, ex vi do disposto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Inconformados com a manutenção parcial dos lançamentos tributários, impetraram recurso voluntário: Leonora Andrade Seixas Zanotti (fls. 12.496/12.528); Sérgio Stuhr, Selenne Berger Stuhr e Wanderley Stuhr (fls. 12.529/12.637); Ademar Valani, Sérgio Valani e Josemar Valani (fls. 12.765/12.819); Theodoro Antônio Zanotti (fls. 12.820/12.852); Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.106 38 José Ildo Henrique Fiorotti (fls. 12.855/12.895); Silvino Faria Junior (fls. 12.896/12.903); Josildo Schwambach Machado (fls. 12.905/12.941; Antônio Tadeu Calmon (fls. 12.942/12.993); e A & M Comércio, Exportação e Importação Ltda., juntamente com Narciso Agrizzi, Idalino Agrizzi e Domingos Sávio Agrizzi. Theodoro Antônio Zanotti e Leonor Andrade Seixas aditaram razões aos recursos por meio dos documentos de fls. 13.038/13.049 e 13.051/13.059. Em que pese o protesto de alguns pela decretação da nulidade da decisão exarada em primeira instância sob o pressuposto de ausência de enfrentamento da totalidade dos questionamentos trazidos pelas peças iniciais de defesa, os recursos voluntários apresentados, em apertada síntese, alinhamse à linha argumentativa das impugnações apresentadas anteriormente. É o Relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.107 39 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Diante da natureza da argumentação expendida pela recorrente e de disposições regimentais vigentes, aprecio, em primeiro lugar, a possibilidade de prosseguimento do julgamento submetido a este Colegiado. Para tanto, sirvome do laborioso estudo efetuado pelo ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, o qual transcrevo a seguir. Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.108 40 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.109 41 § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.110 42 “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.111 43 tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 15586.000879/200716 Resolução n.º 1301000.059 S1C3T1 Fl. 13.112 44 da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf. Acolhendo, por inteiro, a conclusão esposada no estudo acima reproduzido, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR os presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/0 6/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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