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Numero do processo: 13888.000370/2005-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
PRAZO DECADENCIAL DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRÓPRIO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996.
A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO.
O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 11 da Lei nº 10.637/2002, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda).
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002.
Os recolhimentos de PIS/Pasep-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-002.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PRÓPRIO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996. A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 11 da Lei nº 10.637/2002, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. PIS/PASEPIMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.637/2002. Os recolhimentos de PIS/PasepImportação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 03 70 /2 00 5- 73 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 310 2 consideramse específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de PIS/Pasep, relativo ao mês de novembro de 2004. A fiscalização efetuou as seguintes glosas, reconhecidas em despacho decisório, cientificado em 27/01/2010: 1. Glosa da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido do estoque de abertura, por entender que o ICMS, sendo tributo recuperável, não compõe o valor do estoque, conforme artigo 11, §1º da Lei nº 10.637/2002 e artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99); 2. Glosa de créditos de importação de produtos amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Autotmotiva (Recof Automotivo), em razão de que os recolhimentos ocorreram devido à destinação dos produtos ao mercado interno (nacionalização, ou seja, o produto importado foi revendido no mercado interno ou utilizado como insumo em outro produto vendido no mercado interno). Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. A decadência do direito de glosar os referidos créditos por aplicação do art. 150, §4º do CTN; Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 311 3 2. A necessidade de se incluir o ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura, em razão de que este valor compôs a base de cálculo das contribuições incidentes na receita do vendedor, por ocasião das aquisições; 3. A regularidade da segregação dos créditos de importação vinculados às receitas de exportação, pelo método do rateio proporcional às receitas no mercado interno e de exportação, relativamente aos insumos adquiridos ao amparo do Recof e, posteriormente, nacionalizados; 4. Que, caso não se entendesse pela regularidade do rateio efetuado pela recorrente, deverseia, ao menos, cancelar as multas e juros de mora sobre os débitos compensados, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon. A recorrente apresenta manifestação adicional, reforçando os argumentos quanto à regularidade do rateio efetuado, mencionado no item 3 acima. A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1435.918, cuja ementa transcrevese: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/11/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIAS E DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia deve ser solicitada e a documentação comprobatória das alegações deve ser juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade, ou posteriormente nas condições do disposto no artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 2001. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da apresentação da declaração. Base Legal: Art. 94, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. Não se inclui no saldo do estoque de abertura existente em 30/04/2004 o valor dos impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Base legal: Art. 289 do RIR/99. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. VENDAS Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 312 4 NO MERCADO INTERNO. APROPRIAÇÃO DIRETA DOS CUSTOS, DESPESAS E/OU ENCARGOS. Os custos, despesas e encargos vinculados a receitas de vendas no mercado interno devem ser apropriadas diretamente na base de cálculo para apuração dos créditos. Incabível a aplicação do rateio proporcional previsto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, que se aplica na apuração do percentual referente às receitas sujeitas ao regime de cumulatividade e ao regime de nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Preliminarmente, a nulidade da decisão por não enfrentamento dos pontos fundamentais dos argumentos de defesa; 2. A decadência do direito de glosar os créditos da nãocumulatividade, pela aplicação do prazo decadencial disposto no artigo 150, §4º do CTN; 3. A correção da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura; 4. O erro contido na decisão recorrida quanto à inexistência de base legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos, encargos e despesas comuns às receitas de venda no mercado interno e às receitas de exportação; 5. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o regime do Recof; 6. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof; 7. Que antes da edição da Lei nº 12.058/2009, não havia disposição legal determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao tipo de receita auferida; 8. A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 313 5 O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente aduziu nulidade por não ter a decisão recorrida enfrentado todos os argumentos deduzidos na impugnação. A reclassificação da natureza dos créditos de PIS/PasepImportação efetuada pela autoridade fiscal foi fundamentada na assunção de que tais créditos são específicos e vinculados às receitas de venda no mercado interno e não às receitas de exportação, conforme Termo de Informação Fiscal, efl. 125, e Despacho Decisório, efl. 147. A DRJ decidiu pela manutenção da reclassificação dos créditos, com fundamento de que os relativos ao PIS/PasepImportação paga deveriam ser vinculados exclusivamente às receitas no mercado interno, não integrando, pois a base para o rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Fundamentou, ainda, na inexistência de previsão legal para a aplicação do método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e externo e no perfeito controle do custo dos insumos apropriáveis à exportação e ao mercado interno, não prosperando a alegação de impossibilidade de segregação dos custos antes das vendas. A decisão recorrida utiliza como fundamento a própria razão da glosa empreendida pela autoridade fiscal, ou seja, de que os valores pagos de PIS/PasepImportação são custos específicos do mercado interno e que não existe previsão legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos entre receitas de venda no mercado interno e de exportação. Esta argumentação, por si só, afasta as alegações da recorrente quanto à aplicação do método de rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, e os demais argumentos deduzidos pela recorrente. Ademais, não há necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada, em observância do princípio do livre convencimento motivado. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3202001.369, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1987, 1990 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 314 6 Este entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...] 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 315 7 Quanto à observância do Dacon e exclusão das multas e juros de mora, verificase que a decisão atacada expressamente abordou tais questões, apenas concluindo de forma divergente da recorrente: “No caso presente, à vista das informações contidas no DACON sobre pagamento de PIS/COFINSIMPORTAÇÃO, entendeu a fiscalização que as mercadorias importadas, incorporadas ou não aos produtos vendidos no mercado interno, sobre as quais foram calculados e pagos os tributos, deveriam ter seu custo vinculado exclusivamente às receitas do mercado interno e, ao contrário do alegado pelo interessado, que não deveriam integrar o cálculo do rateio proporcional previsto no § 8°, do art. 3°, da Lei n° 10.637, de 2002, que dispõe: [...] Também não prosperam as alegações de ilegalidade, uma vez que não foi criado novo método de apuração dos créditos das contribuições, e o pedido de exclusão da multa e juros incidentes sobre os eventuais débitos decorrentes das glosas, porque não houve qualquer indução ao erro, e sim, interpretação equivocada da legislação.” Rejeitamse, portanto, as alegações de nulidade da decisão recorrida. Decadência do direito de reajustar a base de cálculo glosando créditos. A compensação submetida à Administração Tributária mediante a entrega de Declaração de Compensação sujeitase ao prazo homologatório de cinco anos a partir da data de entrega da referida declaração, conforme artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96.1 A homologação compreende, dentre outros, a verificação dos pressupostos jurídicos e fáticos atinentes ao direito creditório e sua análise é prerrogativa da Administração Tributária e não configura lançamento de ofício, mas procedimento para aferir a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recomposição da base de cálculo, seja na base de receita seja no creditamento da nãocumulatividade, pode ser efetivada sem a necessidade de lavratura de Auto de Infração, pois é condição para se concluir pela procedência do pedido. Por outro lado, a tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º e no artigo 173 do CTN se refere ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [..] § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 316 8 Ressalvase que um lançamento de ofício seria inócuo, pois não há constituição de crédito tributário e serviria apenas para estabelecer o contraditório e ampla defesa, o que já está garantido em análises de declarações de compensação, pois que submetidas ao rito processual do Decreto nº 70.235/1972, a teor do §11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Neste sentido, citase julgado desta turma: Acórdão nº 3302002.353: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. Apurando o Fisco diferença entre o valor pleiteado e o valor que entende devido a título de ressarcimento de PIS ou Cofins, não pode a Autoridade Fazendária efetuar o pagamento do valor pleiteado, posto que ilíquido e indevido. Há que ser firmado o entendimento sobre o valor exato do crédito a ressarcir. A apuração darseá por meio de discussão em lançamento de ofício ou por meio de glosa efetuada no próprio pedido de ressarcimento. Rejeitase, assim, a prejudicial argüida. Inclusão do ICMS na base de cálculo do estoque de abertura. O artigo 11 da Lei nº 10.637/2002 dispõe que a pessoa jurídica possui direito à apuração de crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de bens na data do início da incidência nãocumulativa da contribuição, conforme transcrito abaixo: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. (Produção de efeito) § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) § 3o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. Por sua vez, os artigos 289, 290, 292 a 294 estabelecem: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 317 9 permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques. Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 3º e 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Depreendese, pois, que os estoques são avaliados pelos custos de aquisição, não se incluindo nos referidos os impostos recuperáveis, como é o caso do ICMS de que trata a lide. Neste sentido, citamse os Acórdãos nº 3403003.305, proferido em 14/10/2014 e nº 3801001.796, proferido em 20/03/2013, cujas ementas transcrevemse: Acórdão nº 3403003.305: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO. Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda. Acórdão nº 3801001.796: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 318 10 CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA VALORAÇÃO DO ESTOQUE LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido. A recorrente alega que o crédito está diretamente relacionado à incidência na etapa anterior. Entretanto, o regime de creditamento é delineado pelas hipóteses previstas, as quais definem a base de cálculo e as alíquotas e, não necessariamente, se vinculam diretamente à incidência na etapa anterior. Exemplo é a aquisição de insumo adquirido de um fornecedor tributado pelo lucro presumido (portanto, tributado a 0,65% para o PIS/Pasep), cujo crédito ocorre a 1,65% no adquirente sujeito à nãocumulatividade. Outro exemplo, diametralmente oposto à questão do ICMS aqui tratado, referese ao IPI não recuperável, o qual compõe o custo de aquisição gerando crédito da nãocumulatividade2, apesar de consistir em exclusão da base de cálculo da incidência da exação3. Destarte, nego provimento ao recurso nesta matéria. Rateio para os créditos de importação vinculados às receitas de exportação, decorrentes dos recolhimentos de PIS/PasepImportação, quando da nacionalização dos insumos importados ao amparo do Recof. Esclareçase, inicialmente, que as normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições para CofinsImportação, nos termos do artigo 14 da Lei nº 10.865/2004. O regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado estava disposto no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) e foi normatizado pela IN SRF nº 417/20044, vigente à época dos fatos, nos seguintes termos: Decreto nº 4.543/2002: CAPÍTULO VII DO ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO Seção I Do Conceito Art. 372. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (Recof) é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, mercadorias que, depois de submetidas a operação de 2 Art. 66, §3º da IN SRF nº 247/2002 3 Art. 24, inciso III da IN SRF n º 247/2002 4 Revogada pela IN RFB nº 757/2007 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 319 11 industrialização, sejam destinadas a exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 1º Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, poderá ser despachada para consumo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 2º A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. Seção II Da Autorização para Operar no Regime Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 1º). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. [...] Seção III Do Prazo e da Aplicação do Regime Art. 375. O prazo de suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação será de até um ano, prorrogável por período não superior a um ano. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 320 12 [...] Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 3º). Seção IV Da Exigência de Tributos Art. 377. Findo o prazo fixado para a permanência da mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 90, § 2º). Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa o cumprimento das exigências legais e regulamentares para a permanência definitiva da mercadoria no País. Art. 378. Os resíduos decorrentes do processo produtivo poderão ser: I destruídos, sem exigência de tributos, caso não se prestem à utilização econômica; ou II despachados para consumo, com o pagamento de tributos, tendo como base de cálculo o valor que lhes for atribuído em laudo técnico específico, e com a alíquota fixada para a mercadoria correspondente. Art. 379. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos. IN SRF nº 417/2004: Art. 1º A concessão e a aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) serão efetuadas de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º O regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação [...] Art. 22. A admissão no regime de mercadoria importada terá por base declaração de importação específica formulada pelo importador no Siscomex. [...] Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 321 13 I exportação: a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica [...] Art. 36. Os resíduos do processo produtivo poderão ser exportados ou despachados para consumo, mediante o recolhimento dos tributos devidos na importação, ou destruídos. § 1º Os resíduos para os quais a beneficiária não tenha controle de suspensão de tributos na forma do ato a que se refere o art. 52, despachados para consumo, terão os seus tributos devidos calculados com base na mercadoria geradora de resíduo que tenha, na importação, o maior somatório de tributos com exigibilidade suspensa, por quilograma, consideradas as últimas importações registradas. § 2º O beneficiário deverá separar fisicamente os resíduos para os quais tenha controle na forma do ato a que se refere o art. 52 dos demais resíduos. [...] Art. 37. No caso de destinação para o mercado interno, o recolhimento dos tributos com exigibilidade suspensa, correspondentes às mercadorias importadas, alienadas no mesmo estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, ou aplicadas em serviço de recondicionamento, manutenção ou reparo, deverá ser efetivado Fl. 362DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 322 14 até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione o estabelecimento importador. § 1º O IPI com exigibilidade suspensa, relativo às aquisições no mercado interno, será apurado e recolhido na forma da legislação de regência. § 2º A declaração a que se refere o caput será desembaraçada automaticamente pelo Siscomex. [...] Art. 38. Findo o prazo estabelecido para a vigência do regime, os tributos com exigibilidade suspensa, incidentes na importação, correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos com o acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. § 1º Na hipótese deste artigo, para efeito de cálculo dos tributos devidos, as mercadorias constantes do estoque serão relacionadas às declarações de admissão no regime ou às correspondentes Notas Fiscais de aquisição no mercado interno, inclusive de transferência entre beneficiários, com base no critério contábil PEPS. § 2º O pagamento dos tributos e respectivos acréscimos legais, quando espontâneo, não dispensa o registro da DI e o cumprimento das demais exigências regulamentares para a permanência definitiva das mercadorias no País. CONTROLE DO REGIME Art. 45. O controle aduaneiro de entrada, permanência e saída de mercadorias no regime, inclusive em decorrência de substituição do beneficiário ou de movimentação com base em Ambra, será efetuado com base no sistema informatizado a que se refere o inciso III do art. 5 o , 5 integrado aos respectivos controles corporativos e fiscais da empresa interessada. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação fiscal. Art. 46. O sistema informatizado a que se refere o art. 45 estará sujeito a auditoria, nos termos da Instrução Normativa SRF n o 239, de 6 de novembro de 2002. [...] 5 Art. 5 o Para a habilitação de que trata o art. 4 o , a empresa deverá: [...] III dispor de sistema informatizado de controle de entrada, permanência e saída de mercadorias, de registro e apuração de créditos tributários devidos, extintos ou com exigibilidade suspensa, integrado aos sistemas corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da SRF; e Fl. 363DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 323 15 Art. 47. O sistema informatizado do beneficiário habilitado deverá contemplar ainda: I o registro de dados sobre as importações autorizadas no regime realizadas por fornecedores, até a entrada no seu estabelecimento; II o registro de dados de importações em outros regimes aduaneiros especiais e de aquisição no mercado interno de partes e peças utilizadas na fabricação de produto ou aplicadas na prestação de serviços industriais; III o controle do valor dos tributos com exigibilidade suspensa, relacionada às entradas ou transferências de regime de mercadorias importadas, referenciados aos seus documentos de origem, bem assim das formas de extinção das correspondentes obrigações tributárias; e IV a demonstração de cálculo dos tributos relativos aos componentes de produtos transferidos para outros beneficiários, vendidos no mercado interno ou exportados. Art. 48. O controle de extinção dos créditos com exigibilidade suspensa em decorrência da aplicação de outros regimes aduaneiros especiais também observará o critério PEPS, em harmonia com as entradas e saídas de mercadorias. § 1 o O sistema de controle informatizado deverá registrar os inventários de partes e peças existentes em estoque ou na linha de produção antes do início das operações no regime. § 2 o O disposto no § 1 o , para o caso de mercadorias admitidas em regime aduaneiro especial, requer, ainda, a vinculação dos estoques existentes aos respectivos documentos de entrada. § 3 o A exportação de produto, a reexportação de mercadoria admitida no regime ou a prestação de serviço a cliente sediado no exterior, utilizando mercadorias admitidas no regime de que trata esta Instrução Normativa e em outros regimes suspensivos, enseja a baixa simultânea dos correspondentes tributos com exigibilidade suspensa. A recorrente foi autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo) pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 8/2004, parcialmente, transcrito abaixo: Art. 1º Fica a empresa Caterpillar Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 61.064.911/0000177, situada na Rodovia Luiz de Queiroz, Km 157, s/nº, Distrito Unileste Piracicaba/SP, autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo). Art. 2º A autorização referida no art. 1º somente permite a admissão, no Recof Automotivo, de mercadorias estrangeiras destinadas às operações de industrialização dos produtos Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 324 16 relacionados no Anexo I à Instrução Normativa SRF nº 254, de 11 de dezembro de 2002. [...] Art. 5º A admissão de mercadoria no Recof Automotivo darseá com ou sem cobertura cambial e terá por base declaração de importação específica, formulada pela autorizada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, na forma estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002. Art. 6º O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação na DRF/Piracicaba. Art. 7º A autorizada fica obrigada a disponibilizar os relatórios previstos no ADE Conjunto COANA/COTEC nº 1, de 14 de novembro de 2001 , de conformidade com o disposto no art. 49 do ADE Conjunto COANA/COTEC nº 2, de 26 de setembro de 2003 . Parágrafo único. O disposto neste artigo: I não dispensa a autorizada de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o cumprimento dos compromissos de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002; e II não exclui a realização de outros procedimentos fiscais pertinentes. [...] Art. 10. Este ato entra em vigor na data de sua publicação. Verificase que o art. 6º do referido ato determinava o recolhimento dos tributos suspensos correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, mediante o registro da corresponde Declaração de Importação. Já seu art. 7º determinava a disponibilização de relatórios previstos no Ato Declaratório Executivo Conjunto COANA/COTEC nº 1/2001, revogado pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003, o qual especificou os requisitos técnicos para o sistema informatizado de controle aduaneiro. O ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 especificou em seu item 3.7, os requisitos para o controle de suspensão dos tributos incidentes na importação, cujo teor transcrevese: 3.7 Suspensão de Tributos Art. 27 . O controle de suspensão do II e do IPI vinculado à importação e do IPI relativo à aquisição de mercadoria nacional deverá ser feito de modo integrado ao controle de entrada e saída de mercadoria, e abrangerá os valores dos Fl. 365DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 325 17 tributos e as quantidades de mercadorias em estoque e terá por base os documentos fiscais e aduaneiros pertinentes, e a RTM6 quando for o caso. § 1º Cada tributo objeto do controle de que trata este artigo terá quatro contas "Calculado", "Suspenso", "Devido" e "Extinto" que serão registradas segundo o método contábil de partidas dobradas. § 2º As contas de tributo "Suspenso" serão desdobradas em nível de part number7 e cada um terá também uma correspondente conta de quantidade para registrar entrada e saída crédito e débito de mercadoria objeto do controle de suspensão. § 3º O controle de suspensão de que trata este artigo deverá ser estendido para registrar outros tributos ou contribuições administrados pela SRF que vierem a incidir sobre as operações e, a critério do beneficiário do regime, poderá ser utilizado também para controlar o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e o Adicional de Frete de Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). [...] Art. 28. Os lançamentos nas contas referidas no artigo anterior deverão ser escriturados em ordem cronológica e obedecerão as seguintes regras: I pela importação de mercadoria com suspensão de tributos, aquisição de mercadoria nacional de outro beneficiário do Recof que contenha mercadorias admitidas nesse regime, ou pela aquisição de mercadoria nacional com IPI suspenso, será feito: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) crédito na correspondente conta de quantidade; 6 Relação de Transferência de Mercadoria O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle 7 Art. 12. O controle de estoque de mercadoria admitida no regime de entreposto aduaneiro para fins de aplicação nas operações previstas nos incisos II e III do art. 5º da IN SRF nº 241, de 6 novembro de 2002, bem assim o de componente adquirido no mercado nacional para o mesmo fim, será feito de forma integrada ao correspondente controle exercido pelo estabelecimento industrial instalado no recinto alfandegado de uso público, que receba a mercadoria para industrialização. § 1º O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle. § 2º A RTM terá numeração seqüencial única para o recinto, com sete dígitos mais um dígito verificador, correspondendo os dois primeiros ao ano da transferência e outros cinco à seqüência numérica sem repetição e terá como sede de registro e arquivo o sistema informatizado do recinto alfandegado de uso público. § 3º Cada mercadoria, identificada pelo seu part number, será indexada na RTM a um número seqüencial de item, iniciando sempre pelo numeral "0001". Fl. 366DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 326 18 II quando do despacho para consumo de mercadoria importada admitida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou venda para o mercado doméstico de mercadoria nacional recebida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou do registro de saída relativamente à constatação de falta de mercadoria importada admitida no regime, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade. III pela venda de mercadoria nacional admitida no regime de entreposto aduaneiro com suspensão de IPI, em retorno para o mercado interno, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IV quando da exportação de mercadoria no mesmo estado em que importada, inclusive de seu resíduo, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; V pela exportação de mercadoria produzida pelo estabelecimento com componente(s) importado(s) e ou nacional(is), ou pela venda ou transferência definitiva de mercadoria para outro beneficiário do regime, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na(s) conta(s) "Suspenso" do(s) pertinente(s) part number do(s) componente(s) importado(s) e ou nacional(is); b) débito na(s) correspondente(s) conta(s) de quantidade; VI pela baixa relativa à perda de mercadoria até o limite admitido na habilitação: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; b) débito na correspondente conta de quantidade; VII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime sem cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; VIII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime com cobertura cambial, ou de seu resíduo: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 327 19 a) crédito na conta "Devido" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IX pela destinação ao mercado interno, em caráter definitivo, de mercadoria obtida pela desmontagem de outra mercadoria importada admitida no regime: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Devido" da pertinente NCM ou part number referido ao respectivo registro de desmontagem; e b) débito na correspondente conta de quantidade. X quando do pagamento da obrigação tributária, débito na conta "Devido"e crédito na conta "Extinto"; XI pela expiração do prazo de suspensão: a) débito na correspondente conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; b) débito na correspondente conta de quantidade, ao qual deverá corresponder um crédito nos estoques de mercadoria nacionalizada. § 1º O registro de débito/crédito referido nos incisos do caput, além das informações de valor e ou quantidade, deverá conter: [...] § 3º O débito na conta "Suspenso" de qualquer part number, bem assim na respectiva conta de quantidade, obedecerá ainda às regras: I será registrado apenas na data do correspondente embarque na hipótese de exportação, do registro da DI para consumo na hipótese de nacionalização de produto estrangeiro, ou da efetiva saída do estabelecimento em se tratando de destinação ao mercado interno de produto nacional; II o débito de tributo suspenso corresponderá à proporção da quantidade debitada, pela apropriação do respectivo saldo em cada DA/adição/item na hipótese de produto importado, ou de cada nota fiscal/item em se tratando de produto nacional, com obediência ao critério contábil PEPS; III para a mercadoria aplicada em produto industrializado pelo estabelecimento industrial situado em recinto alfandegado, o débito será feito mediante apropriação das quantidades de produto importado relacionadas nas RTM de transferência do estabelecimento industrial para o recinto alfandegado de uso público; e IV as RTM referidas no inciso anterior serão apropriadas pelo critério PEPS por ocasião das exportações ou de Fl. 368DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 328 20 colocação no mercado nacional, mantida a correspondência com o produto industrializado exportado. [...] Dispõe ainda o item 3.9, artigos 30 e 31: 3.9 Controles Contábeis e Corporativos Art. 30. O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos controles contábeis, por meio dos registros de compras de mercadorias nacionais ou importadas, bem assim por meio do registro das vendas para o mercado interno ou exportações de produtos acabados. [...] Art. 31 . O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos demais sistemas corporativos, especialmente os que controlem almoxarifados e produção. Depreendese que todo o controle da suspensão dos tributos pressupõe a segregação dos tributos suspensos que passam para a condição de “devidos” dos tributos suspensos que passam para a condição de “extintos”. É esta segregação exigida pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 que possibilita a aplicação do artigo 6º8 do ADE SRF nº 8/2004, acima mencionado, em conformidade com as disposições da IN SRF 417/2004. No sentido de se determinar a vinculação dos recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05, com o seguinte teor: “Considerando que o sujeito passivo está autorizado a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo), podendo importar insumos com os tributos suspensos, sendo devidos os recolhimentos em caso de destinação ao mercado interno, deverá, em relação aos valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação — PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação — Cofins Paga" dos DACON e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4° trimestre de 2004 até o 4° trimestre de 2005, atender o seguinte: 1) Sendo estes valores integralmente referentes às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização, ou seja, destinação ao mercado interno de insumos, ou de produtos industrializados aos quais estes insumos sejam 8 O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação Fl. 369DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 329 21 incorporados, adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, apenas informar o fato; 2) Sendo os valores compostos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização de insumos adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, e de contribuições pagas em função de aquisição de insumos fora do citado regime, com incidência de tributos, apresentar arquivos Excel de PIS/Pasep e Cofins pagos na Importação, distintos para cada situação a seguir, sujeito á comprovação posterior: a) de insumos adquiridos sob o regime do Recof e nacionalizados; b) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado interno; c) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado externo; d) de insumos adquiridos fora do regime, comuns ás receitas dos mercados externo e interno.” Em resposta, a recorrente informou: “A Intimada informa que os valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação Cofins Paga" dos DACONs e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4o . Trimestre de 2004 até o 4o trimestre de 2005, referem se às Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS pagas (vide Anexos I e II), em decorrência de nacionalização de: a) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, empregadas em produtos cujo destino final foi o mercado doméstico. b) Regime Comum de Importação referente a mercadorias importadas e empregadas na produção de geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico. c) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. d) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para máquinas, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. e) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Depósito Especial DE, mais especificamente peças de reposição, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas.” Constatase que a recorrente confirmou que os recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação referiamse à destinação das mercadorias importadas ao mercado interno e não às exportações. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 330 22 De todo o exposto, concluise que não procedem as alegações da recorrente quanto à aplicação do método do rateio previsto no §8º, uma vez que o recolhimento de Cofins Importação pressupõe a vinculação à destinação ao mercado interno, conforme normatizado pelo Recof. A própria sistemática do Recof, diversamente do que defende a recorrente, determina a segregação das mercadorias importadas e dos tributos suspensos respectivos, estabelecendo requisitos técnicos e formais para implantação de sistema informatizado, visando o controle dos tributos suspensos e da destinação de cada mercadoria. Destarte, os tributos suspensos relativos às mercadorias reexportadas ou utilizadas na fabricação de produto exportado se tornam extintos, implicando, por conseguinte, a inexistência de pagamento de CofinsImportação, incidindo, consequentemente, a vedação quanto à possibilidade de creditamento relativo à importação das mercadorias vinculadas às exportações, uma vez que o comando do artigo 15, §1º determina a efetividade de pagamento das contribuições para que as hipóteses de creditamento previstas nos incisos do caput possam gerar créditos, conforme transcrevese abaixo: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) [...] § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. Por outro lado, discordase da recorrente quanto à alegação de que o art. 179 da Lei nº 11.033/2004 propiciaria a manutenção de créditos em operações desoneradas no âmbito do Recof. É que tal artigo não estabelece novas hipóteses de creditamento, mas apenas permite que se mantenham os créditos apuráveis segundo os dispositivos legais regentes da matéria, como os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, bem como o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. O artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 elucida o entendimento: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela 9 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 331 23 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, não obstante o art. 17 permitir o creditamento em relação a saídas desoneradas, é necessário que os pressupostos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 sejam observados, especialmente o §1º que condiciona o creditamento à existência de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação efetivamente pagas. Entretanto, o Recof estipula que os tributos suspensos relativos às mercadorias destinadas ao exterior são extintos, baixados no dizer do §3º do artigo 48 da IN SRF nº 417/2004, ou seja, não há qualquer recolhimento de PIS/PasepImportação ou CofinsImportação vinculados às receitas de exportação. Dito de outro modo, se todas as mercadorias importadas no âmbito do Recof fossem destinadas ao mercado externo, implicando a baixa dos tributos suspensos, não haveria qualquer crédito a ser aproveitado. Desta forma, agiu a fiscalização com acerto, quando efetuou a glosa por entender que a contribuição paga vinculavase às mercadorias importadas revendidas no mercado interno ou utilizadas em produto vendido no mercado interno Por fim, quanto à exclusão de multas e juros de mora, por observância das normas de preenchimento do Dacon, verificase, de fato, que a recorrente não observou a premissa das instruções de preenchimento, qual seja, a existência de custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às de venda no mercado interno, sobre os quais aplicarseia um dos métodos de vinculação previstos no §8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (rateio proporcional ou apropriação direta, à sua escolha). No caso aqui tratado, os créditos decorrentes dos recolhimentos de PIS/PasepImportação no âmbito do Recof não são comuns às duas receitas, mas apenas às de venda no mercado interno. Assim, não se trata da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Pontuese, ainda, que as alegações quanto ao artigo 35 da Lei nº 12.058/2009 em nada influenciam a decisão, pois tal artigo trata de segregação dos créditos da não cumulatividade e não da segregação realizada no âmbito do Recof, a qual fundamentou a vinculação específica entre os créditos de importação decorrentes dos recolhimentos de PIS/Pasep e CofinsImportação e as receitas de venda no mercado interno. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 372DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.000370/200573 Acórdão n.º 3302002.943 S3C3T2 Fl. 332 24 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10850.901359/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
PIS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. ADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA DEMONSTRAÇÃO PARCIAL DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), poderá ser autorizada quando os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado possibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. ADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA DEMONSTRAÇÃO PARCIAL DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), poderá ser autorizada quando os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado possibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 13 59 /2 01 2- 91 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1445.369, da 14a Turma da DRJ em Ribeirão Preto (fls. 52/55 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 06996.21424.101108.1.3.04 8654 (fl. 4/7), onde o direito creditório aduzido diz respeito a pagamento de PIS, no valor original de crédito inicial de R$ 2.300,51 (código de receita 8109), que a interessada buscava compensar com débito do IRRF (código de receita 0561), apurado em 10/2008, vencido em 10/11/2008, no valor de R$ 5.765,31. Aduziu a reclamante que o crédito decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, e que o mesmo foi aproveitado nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Ressalta estar amparada pelos artigos 165 e 170 do CTN. A primeira instância não reconheceu o direito creditório. A ciência da decisão que indeferiu o pedido da recorrente ocorreu em 13/11/2013 (fls. 60). Inconformada, a mesma apresentou, em 13/12/2013, o recurso voluntário de fls. 62/73, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que além da alegada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF, que houve equívoco por parte da recorrente, ao preencher o DARF indicado no pedido de restituição, no campo destinado à indicação da data do vencimento, ao invés de informar a sua efetiva data de ocorrência, qual seja, 15/05/2000, fez constar, equivocadamente, a data correspondente à data do pagamento do tributo, qual seja, 14/05/2000 (fl. 67). Juntou ao processo, cópias dos seguintes documentos: extrato de Documento de Arrecadação (fl. 81), demonstrativo de calculo Receitas Financeiras PIS e COFINS abril 1999 (fl. 82) cópia do Balancete de Verificação (fls. 83/84) e do Livro Razão (fls. 85/91). O recurso voluntário apresentado foi apreciado pela extinta 2ª Turma Especial, 3ª Seção de julgamento do CARF, que foi decidido no seguinte sentido (Resolução nº 3802000.154, de 25/02/2014 – fls. 125/131): (...) superada a aduzida questão de direito em favor do sujeito passivo (item “b” deste relatório), e considerando que não há nos autos elementos suficientes para o exame do montante do crédito em favor da recorrente, deverão os autos ser remetidos à autoridade administrativa responsável pelo indeferimento inicial da compensação, para que esta se pronuncie sobre o direito creditório reclamado pela interessada, como também, verificar se houve o alegado erro de preenchimento do DARF (item “a” deste relatório), apresentando demonstrativo, acaso necessário, do crédito tributário remanescente. E segue, em sua conclusão, solicitando que a unidade de origem, adote os seguintes procedimentos: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10850.901359/201291 Acórdão n.º 3402002.786 S3C4T2 Fl. 275 3 (...) Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que: 1. A Delegacia de origem examine a liquidez, certeza e disponibilidade dos créditos aludidos, considerando o decidido no item “b” e verificando a veracidade do suposto equívoco apontado pela empresa descrito no item “a” deste voto e 2. abra prazo para a contribuinte se manifestar. Em atendimento à Resolução nº 3802000.154, de 25/02/2014 (fls. 125/131), a DRF de São José do Rio Preto (SP) unidade de jurisdição da Recorrente, após cientificar e intimar a Recorrente a apresentar documentos e informações, emitiu a Informação Fiscal (fls. 166/169), que no texto, a autoridade fiscal reconhece que a Recorrente comprova parcialmente o crédito alegado, conforme trecho abaixo reproduzido: (...) Com relação ao direito creditório oferecido, inicialmente através do PER –Pedido de Restituição nº 36782.50980.150404.1.2.040305 ainda não analisado, que referese ao recolhimento do PIS/PASEP (8109) efetuado no valor de R$.2.684,93, e de acordo com as nossas pesquisas ao sistema SIEF Pagamentos, localizamos o referido pagamento efetuado na data de R$.26/05/1999, no valor total de R$.2.791,25, incluído acréscimos, e que também amortiza o débito confessado através da DCTF do PIS/PASEP (8109) do Período de Apuração do mês de Abril de 1999. Outro pagamento que também amortiza o mesmo débito declarado no valor total de R$.5.753,04, foi recolhido em 14/05/1999, no valor de R$.3.068,11. Este recolhimento também foi considerado pelo interessado como pagamento indevido ou a maior na sua totalidade através das PERDCOMPs nºs 02338.97671.150404.1.2.044396 e 26603.65475.101108.1.3.04 6573. A DCOMP nº 26603.65475.101108.1.3.046573 está sendo tratada através do processo administrativo nº 10850.901357/201200, atualmente em discussão administrativa por Recurso Voluntário apresentado junto ao CARF. Assim, uma vez intimado, o contribuinte apresentou, em data de 02/05/2014, os Livros Diário e Razão do mês de Abril de 1999, que verificados conforme fls.146/162, o Balancete e Contas do Razão, apuramos através do demonstrativo abaixo o valor da base de Cálculo e da Contribuição do PIS/PASEP, referente ao mês de Abril de 1999: Conta nº Nomenclatura 00031101.00006 Vendas Veículos Novos 12.500,00 00031101.00008 idem 37.208,19 00031101.00009 idem 23.550,00 00031103.00004 Vendas Veículos Usados 4.000,00 00031103.00006 idem 5.000,00 00031301.00001 Vendas de Peças e Acessórios 52.472,83 00031301.00002 idem 932,08 soma 135.663,10 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 ()Devoluções 00032301.00001 devolução Peças e Serviços 2.308,86 Base de Cálculo 133.354,24 PIS Devido 0,65% 866,80 Após, apuração do PIS/PASEP devido para o mês de Abril de 1999 no valor de R$.866,80, efetuamos a imputação com o valor recolhido de R$.2.791,25 em 26/05/1999, e apuramos o Saldo Recolhido a Maior de R$.1.895,85. Desta forma, proponho o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado na PERDCOMP Nº 06996.21424.101108.1.3.048654, transmitida em 10/11/2008, no valor de R$.1.895,85, e a homologação do débito compensado e cadastrado no processo de nº 10850.901.478/201243. Em 22/08/2014, a recorrente foi regularmente intimada da Informação Fiscal acima (fl. 178), sendo que em 05/09/2014, protocolou manifestação sobre o conteúdo do Relatório de Diligência mencionado (fls. 180/183), onde se insurge contra o reconhecimento parcial do direito de crédito requerido e para tanto alega os argumentos abaixo sintetizados: a) se manifesta que em relação a parte do crédito que fora reconhecida não há mais o que se discutir, pois foi reconhecida sua liquidez; b) porém, alega ainda que houve três equívocos pelas análises efetuadas pela fiscalização, que acarretou no reconhecimento apenas parcial do crédito requerido, quais sejam: (i) a inclusão do valor total da receita de venda de veículos usados; (ii) a fiscalização considerou somente os valores lançados a crédito nas contas de receita, quando deveria ter deduzido os valores lançados a débito; e (iii) o Fisco não considerou nas exclusões os valores relativos a IPI e ICMS/ST. Para melhor esclarecer tais equívocos, aponta resumidamente o seguinte: (i) quanto a primeira questão, alega ser bastante simples, eis que para determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda deve ser extraído o valor pago pela aquisição do referido veículo, ou seja, apenas a diferença entre o valor de venda para o valor da aquisição é que deve compor a receita tributável. Aponta que tudo em conformidade com o disposto no art. 10, parágrafos 4º e 5º, da IN RFB nº 247, de 21/11/2002. Conforme comprova o cálculo realizado pela fiscalização, bem como planilha de cálculo elaborada pela requerente, o valor dos veículos usados vendidos (Charade 1.3 L e Cuore) não poderiam ser incluídos na base de cálculo da contribuição em foco, pois este foi menor que o valor de aquisição. Alega que tais valores (compra e venda) se encontram demonstrados nos documentos que anexa aos autos (planilhas de cálculo, livros contábeis e balancete de verificação fls. 196/214). (ii) quanto ao segundo equívoco, resta na análise das receitas consideradas pela fiscalização para apurar a base de cálculo da contribuição. Isso porque, ao verificar as Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10850.901359/201291 Acórdão n.º 3402002.786 S3C4T2 Fl. 276 5 receitas de vendas, a fiscalização considerou apenas os valores lançados como créditos, sem, no entanto, deduzir os valores lançados a débito, que são redutores das receitas recebidas, como, por exemplo, os descontos incondicionais. Ao agir dessa maneira, conforme se verifica na planilha ora juntada, houve diferenças nas receitas de vendas dos veículos considerados pela fiscalização e aquelas realmente auferidas pela Recorrente, e que suportaram o pedido de restituição em questão. (iii) quanto ao terceiro equívoco, verificase que a fiscalização no cálculo produzido na diligência, não excluiu da base de cálculo o valor do IPI e do ICMS/ST recebidos pela requerente, em plena afronta ao disposto no art. 3º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. Os valores de IPI e ICMS/ST que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo da contribuição em foco também estão abertos no balancete bem como indicados na planilha de cálculo anexada. Requer, ao final, que seja acolhidos os fundamentos apresentados, para que seja reconhecido o direito integral à restituição do PIS e que seja homologada a compensação atrelada. É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso A respectiva manifestação da Recorrente há que ser conhecida por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A Fazenda Nacional, por intermédio da PGFN, manifesta que corrobora com os termos da referida Informação fiscal expedida pela Unidade de origem (fl. 247). Do Mérito Quanto ao mérito, o atual estágio de discussão, se limita a três pontos básicos, quais sejam: (I) da inclusão do valor total da receita de venda de veículos usados; (II) se a fiscalização considerou somente os valores lançados a crédito nas contas de receita, quando deveria ter deduzido os valores lançados a débito, e (III) se o Fisco não considerou nas exclusões os valores relativos a IPI e ICMS/ST. Então, vamos a eles. Item (i): Inclusão do valor total da receita de venda de veículos usados Neste ponto, a questão central resumese em que para determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda, deve ou não ser Fl. 278DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 extraído o valor pago pela aquisição do referido veículo, ou seja, apenas a diferença entre o valor de venda para o valor da aquisição é que deve compor a receita tributável. Para o deslinde da questão, verificamos que em conformidade com o disposto no art. 10, parágrafos 4º e 5º, da IN SRF nº 247, de 21/11/2002, abaixo reproduzido, a Administração Tributária definiu da seguinte forma: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. § 1º (...) § 3º (...) § 4º. A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º. Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 6º. O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que tratam os §§ 4º e 5º, é o preço ajustado entre as partes (grifamos). Ou seja, para determinação da receita tributável quando da venda de veículos usados adquiridos para revenda, deve ser subtraído o valor pago pela aquisição do referido veículo, sendo que apenas a diferença entre o valor de venda para o valor da aquisição é que deve compor a receita tributável. Neste diapasão, entendo que assiste razão a Recorrente, pois conforme demonstrado nos cálculos realizado pela fiscalização e pela planilha de cálculo elaborada pela Recorrente, verificase que houve vendas de veículos usados. Item (ii) O Fisco considerou somente os valores lançados a crédito nas contas de receita Neste tópico, referese quando da análise das receitas consideradas pela fiscalização para apurar a base de cálculo da contribuição. Conforme alega a Recorrente em seu recurso, isso ocorreu porque o Fisco, ao verificar as receitas de vendas, a fiscalização considerou apenas os valores lançados como créditos, sem, no entanto, deduzir os valores lançados a débito, que são redutores das receitas recebidas, como, por exemplo, os descontos incondicionais. Ao agir dessa maneira, conforme se verifica na planilha ora juntada, houve diferenças nas receitas de vendas dos veículos considerados pela fiscalização e aquelas realmente auferidas pela Recorrente, e que suportaram o pedido de restituição em questão. Item (iii) O Fisco não considerou nas exclusões os valores relativos a IPI e ICMS/ST. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10850.901359/201291 Acórdão n.º 3402002.786 S3C4T2 Fl. 277 7 No caso, argumenta a Recorrente que, verificase que a fiscalização no cálculo produzido na diligência, não excluiu da base de cálculo o valor do IPI e do ICMS/ST recebidos pela requerente, em plena afronta ao disposto no art. 3º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98, conforme abaixo reproduzido: Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica (...) §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (grifos nossos). A recorrente informa que os valores de IPI e ICMS/ST, que deveriam ter sido excluídos da base de cálculo da contribuição em foco também estão abertos no balancete bem como indicados na planilha de cálculo anexada aos autos. Levandose em consideração os argumentos da Recorrente, o referido julgamento foi novamente convertido em diligência, conforme Resolução nº 3802000.322, de 11 de novembro de 2014, da extinta 2ª TE, com a seguinte finalidade: 1. A Delegacia de origem (DRF – São José do Rio Preto – SP), com base nos documentos apensados aos autos (planilhas de cálculo, livros contábeis e balancete de verificação fls. 196/214), realizar diligência a fim de se verificar e informar: a) se na apuração da base de cálculo da contribuição foi observado ou não o disposto no art. 10, parágrafos 4º e 5º, da IN SRF nº 247, de 21/11/2002; b) se o Fisco, ao verificar as receitas de vendas, considerou apenas os valores lançados como créditos, sem, no entanto, deduzir os valores lançados a débito, que são redutores das receitas recebidas, como, por exemplo, os descontos incondicionais, e c) se a fiscalização, no cálculo produzido na diligência, excluiu ou não da base de cálculo, o valor do IPI e do ICMS/ST recebidos pela requerente, conforme disposto no art. 3º, parágrafo 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 2. Abra prazo para a contribuinte se manifestar e após, retorne esse processo a esta 2ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Em atendimento à Resolução acima (nº 3802000.322, de 11/11/2014 fls. 250/256), a DRF de São José do Rio Preto (SP), unidade de jurisdição da Recorrente, após cientificar e intimar a Recorrente a apresentar documentos e informações, emitiu a Informação Fiscal de fls. 265/267, que no texto, a autoridade tributária, reconhece que a Recorrente Fl. 280DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 comprova parcialmente o valor do crédito alegado, conforme demonstrado nos cálculos e na conclusão do trecho abaixo reproduzido (fl. 266): (...) Após a apuração do PIS devido para o mês de abril de 1999 no valor de R$ 754,92, efetuamos a imputação (fls. 262/264) com o valor recolhido de R$ 2.791,25 em 26/05/1999, e apuramos o Saldo Recolhido a Maior de R$ 2.011,42. Desta forma, proponho que do valor pleiteado de R$ 2.300,51 na PER/DCOMP nº 06996.21424.101108.1.3.048654, transmitida em 10/11/2008, seja reconhecido o valor parcial de R$ 2.011,42, e a homologação do débito compensado e cadastrado no processo de nº 10850.901478/201243 (grifouse). Verificase no Despacho constante da fl. 272, que a Recorrente foi intimado para ciência da Resolução CARF deste processo, bem como da Informação Fiscal dela decorrente, devidamente elaborada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto (SP). Decorrido o prazo legal constante na intimação, não houve manifestação por parte do interessado. Conclusão Diante das considerações e da Informação Fiscal exarada pela DRF de São José do Rio Preto (SP), voto por conhecer do recurso voluntário e dar parcial provimento, para que seja reconhecido o valor parcial de R$ 2.011,42, referente ao crédito do PIS pleiteado no PER/DCOMP nº 06996.21424.101108.1.3.048654, transmitida em 10/11/2008, nos termo deste voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10980.016005/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão no Acórdão embargado, precisa ser sanada
PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE.
As provas obtidas em outro processo do Fisco Estadual, mesmo que este ainda não tenha "transitado em julgado", são admissíveis no processo administrativo fiscal, desde que não prejudique o direito de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 1401-001.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, apenas para sanar a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1102-001.102, de 06 de maio de 2014, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão no Acórdão embargado, precisa ser sanada PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. As provas obtidas em outro processo do Fisco Estadual, mesmo que este ainda não tenha "transitado em julgado", são admissíveis no processo administrativo fiscal, desde que não prejudique o direito de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, apenas para sanar a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1102001.102, de 06 de maio de 2014, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 60 05 /2 00 7- 04 Fl. 9981DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pelo sujeito passivo em epígrafe, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno deste Colegiado, contra o acórdão nº 10323.588, da lavra da 3ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que apreciou o recurso voluntário interposto pela interessada, e contra o acórdão nº 120100.592, da lavra da 1a Turma da 2a Câmara da 1a Seção, que examinou os embargos declaratórios opostos pela DRF em CuritibaPR. Alega a interessada, em primeiro lugar, que os embargos da DRF em Curitiba foram opostos intempestivamente, e que o acórdão nº 120100.592 é omisso quanto a esta questão. Em segundo lugar, afirma a interessada que o acórdão nº 10323.588 padece de omissão, conforme trechos a seguir transcritos de seus embargos: Em sede de recurso voluntário contra decisão da c. DRJ/CTA que mantivera integralmente a autuação, a contribuinte trouxe ao extinto Primeiro Conselho de Contribuintes vários temas, dentre eles o fato de a autuação lavrada basearse em provas tomadas da fiscalização estadual, as quais ainda encontravamse (e encontramse) sob litígio, ou seja, sua validade ainda não fora e ainda não foi confirmada por decisão administrativa definitiva exarada pela Fazenda paranaense. No entanto, o extinto 1o CC ao apreciar o recurso voluntário da contribuinte nesse ponto fêlo de forma diversa daquela tratada pela então recorrente. Segundo consta das razões recursais a contribuinte esclareceu o seguinte: Entretanto, o que se discute não é a possibilidade da utilização da chamada "prova emprestada", mas sim a própria existência da prova, pois a mesma pertence a outro processo administrativo em que a contribuinte, ora recorrente, contestou ponto a ponto, não havendo nenhuma decisão até o presente momento, não havendo qualquer possibilidade de que as mesmas sejam consideradas como prova para embasar os lançamentos recorridos. grifo no original Apesar do alerta perpetrado pela recorrente, o extinto 1aCC apreciou o pleito sob a ótica da possibilidade ou não da prova emprestada, mas não quanto à validade de se utilizála antes mesmo de que houvesse um pronunciamento definitivo na outra esfera administrativa da onde se colheram os indícios. Vejamos trecho do voto condutor que comprovam esse descompasso: O despacho foi então admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção, Sr. Rafael Vidal de Araujo. Às fls. 9976, consta despacho do Conselheiro Marcelo Cuba Netto com o seguinte teor: Sr. Presidente desta 2ª Câmara: Trata o presente processo de embargos declaratórios opostos pela contribuinte em epígrafe: (i) contra o acórdão de recurso voluntário, de relatoria do Conselheiro Fl. 9982DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.016005/200704 Acórdão n.º 1401001.568 S1C4T1 Fl. 1.039 3 Antônio Bezerra Neto, e; (ii) contra o acórdão de embargos opostos pela DRF em Curitiba, de relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho. Embora não tenha sido o relator do acórdão relativo ao recurso voluntário, nem do acórdão referente aos embargos declaratórios opostos pela DRF em Curitiba, não vejo problema em ter sido designado para fazer o despacho de admissibilidade dos embargos declaratórios opostos pela contribuinte, uma vez que o antigo RICARF, vigente à época do referido despacho, não exigia que fosse elaborado pelo relator ou redator do voto vencedor. No entanto, com o advento do novo RICARF, vejo que não possuo competência para relatar os embargos declaratórios opostos pela contribuinte. Uma vez que o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho não mais faz parte do CARF, proponho que o presente processo seja encaminhado ao Conselheiro Antônio Bezerra Neto, para relatoria dos embargos em comento. É o relatório. Fl. 9983DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos, mas para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência das omissões apontadas. Dois são os pontos objeto dos embargos: os embargos da DRF em Curitiba foram opostos intempestivamente, e que o acórdão nº 120100.592 é omisso quanto a esta questão; afirma que o acórdão nº 10323.588 padece de omissão em relação ao tratamento que deu em relação à prova emprestada. 1º Omissão do acórdão nº 120100.592 quanto à tempestividade dos embargos da DRF Em relação ao primeiro ponto, é consagrada a jurisprudência pacífica deste CARF no sentido de que os embargos de que tratam o art. 66 do RICARF não têm prazo para oposição, pois dizem respeito à correta execução do acórdão. Apenas os previstos no art. 65 possuem prazo de cinco dias, conforme estabelecido em seu § 1º. Pois bem, sobre os embargos declaratórios o Anexo II do anterior e atual Regimento Interno do CARF assim estabelece: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: (...) Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (...) O despacho de admissibilidade produzido pelo Conselheiro Marcelo Cuba Neto admitiu o segundo ponto (omissão quanto à prova emprestada) e deixou em aberto para o Colegiado se pronunciar em relação à questão atinente a tempestividade dos "embargos" impetrados pela DRF que foi acolhido pelo Colegiado através do Acórdão nº 1201.00592, de 19 de outubro de 2011, esclarecendo definitivamente que houve apenas desagravamento da multa de ofício, mas não desqualificação. Analisandose o Acórdão embargado verifico a existência de patente lapso do redator do voto vencedor ao confundir a multa agravada com a multa qualificada na esteira do que ficou decidido no Acórdão nº 1201.00592, eis que cristalino estava o resultado do Acórdão embargado: Fl. 9984DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.016005/200704 Acórdão n.º 1401001.568 S1C4T1 Fl. 1.040 5 ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário apenas para afastar o agravamento da multa de oficio aplicada; vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe e Antonio Carlos Guidoni Filho que davam provimento parcial ao recurso também para afastar a qualificação da multa de oficio e os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator) e Ester Marques Lins de Sousa (SuplenteConvocada) que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Barbosa Jamlaribe nos termos do relatório e voto que passam integrar presente julgado Mesmo que essa situação de dificuldade de execução se verifique em uma contradição entre a parte dispositiva que constou em ata e na folha de rosto do Acórdão e os fundamentos do Voto vencedor, essa "contradição" não se confunde com a "contradição" referida no art. 65 do RICARF. A contradição referida nesse artigo do RICARF se dá entre as premissas do voto e sua conclusão, ou seja é uma contradição interna do seus fundamentos com sua conclusão e parte dispositiva, o que não é o caso. Tratase, como já se colocou retro, de patente lapso do redator do voto vencedor ao confundir o fato de ter sido vencedor e designado tão somente quanto à multa agravada, pois em relação à multa qualificada restou vencido não podendo portanto ter sido designado para redigir o voto vencedor. Portanto, acolho os embargos apenas para esclarecer que os referidos embargos tiveram a natureza de embargos inominados a teor do art. 66 do RICARF, cujo acolhimento apenas supriu o lapso manifesto existente na decisão e, portanto, não há que se que se falar em intempestividade dos embargos da DRF. 2ª omissão Prova emprestada Em relação ao segundo ponto, analisando os autos, verifiquei que assiste razão à embargante. É que a Contribuinte, em seu recurso, contestou a utilização da prova emprestada pelo Fisco Federal antes mesmo do término do processo administrativo estadual e não a validade de se ter no PAF provas já utilizadas em procedimentos de outras esferas, como foi a linha de argumentação tratada no voto condutor da matéria. Vejamos que o Acórdão embargado foi abrangente, mas olvidou de enfrentar diretamente o referido ponto: Prova Emprestada Quanto à prova emprestada, devese ter em conta que, no processo civil,as provas, em princípio, são produzidas no processo (arts. 130 e 336 do CPC). O motivo de uma eventual rejeição da prova emprestada resulta unicamente do possível cerceamento ao direito de defesa da parte contra a qual é oposta. Dessa forma, a prova emprestada não poderia ser admitida nos casos em que devesse ser constituída no andamento do processo, sem a participação da outra parte ou sem se demonstrar que, nessas condições, pudesse ela ser reproduzida no próprio processo. A esse respeito, no Recurso Especial nº 135.777/GO, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse da seguinte forma: Fl. 9985DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 “RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE PARA REAVALIAÇÃO DE PROVAS. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE DE QUE SEJAM CONSIDERADAS AS PRODUZIDAS NO PROCESSO CRIMINAL, RELATIVO AO MESMO FATO, POIS PERFEITAMENTE RESGUARDADO O CONTRADITÓRIO. ALEIJÃO OU DEFORMIDADE. INDENIZAÇÃO. A REGRA CONTIDA NO PAR. 1º DO ART. 1.538 DO CÓDIGO CIVIL NÃO ABRANGE TODAS AS PARCELAS PREVISTAS NO ‘CAPUT’, MAS APENAS A MULTA CRIMINAL ACASO DEVIDA. (RSTJ 104/304.)”. No caso do processo administrativo fiscal, a grande maioria das provas apresentadas pelo Fisco ocorre na fase oficiosa. O Decreto nº 70.235, de 1972, art. 7º, I, explicita que o procedimento fiscal iniciase com a lavratura escrita do primeiro ato de ofício. Entretanto, a fase litigiosa iniciase unicamente com a apresentação da impugnação de lançamento, conforme determinado no art. 15. Dessa forma, tudo o que for apurado pela Fiscalização na fase oficiosa representa, em princípio, prova legítima. No presente caso, o empréstimo da prova, que resultou da própria Fiscalização, ocorreu antes do início da discussão administrativa, de forma que não resultou prejudicado o direito de defesa da interessada. De fato, alguns procedimentos (diligências) que normalmente seriam executados pelo Fisco federal, o foram pelo fisco estadual. Seriam, portanto, as mesmas diligências realizadas pelos agentes fiscais do Estado, que seriam juntadas aos autos, dandose delas ciência à interessada, que apresentaria suas discordâncias no âmbito da impugnação de lançamento. Portanto, o procedimento nada teve de ilegal e foram mantidos os direitos constitucionais da recorrente. Ademais, a troca de informações entre os entes públicos federais estaduais e municipais tem previsão legal no artigo 199 do Código tributário Nacional, não se tornando nenhum óbice eventual troca de informações entre o Fisco federal e estadual: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Salientese, ainda, que a fiscalização federal não se utilizou simplesmente do auto de infração feito pelo fisco estadual, mas avançou na investigação, averiguando os livros da empresa, para lavrar a autuação. Temse que durante o procedimento fiscal a contribuinte foi intimada, entre outras coisas, a comprovar todas as devoluções efetuadas, mediante declaração dos adquirentes ou devolução dos valores, a esclarecer as divergências entre os valores das notas fiscais e os escriturados no livro registro de saídas, e transcritos para a DIPJ, etc..., sendo que as respostas não ocorreram de forma plena. Outrossim, o que se verifica é que as provas trazidas pelo fisco estadual serviram apenas de indício para que o Fisco federal procedesse com sus próprias diligências. E esse último o fez, na medida em que solicitou a recorrente todos os livros contábeis e fiscais e documentos que os lastreariam; bem assim empreendeu novas intimações a título de se comprovar, por exemplo, todas as devoluções Fl. 9986DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10980.016005/200704 Acórdão n.º 1401001.568 S1C4T1 Fl. 1.041 7 efetuadas, as divergências entre o que foi escriturado no livro de registro de saídas e transcritos na DIPJ e os valores de notas fiscais. Portanto, a utilização de prova emprestada, nas hipóteses como a dos autos, é legítima em face dos seguintes motivos: não há obrigatoriedade de que a Fiscalização produza diretamente todas as provas que darão suporte ao lançamento; não houve prejuízo à defesa; e por último, mas não menos importante, essas provas foram utilizadas apenas de forma subsidiária em relação a todo o arcabouço probante. Em verdade, embora o Acórdão não tenha dito em letras claras, podese extrair por decorrência lógica das premissas adotadas pelo mesmo que não é necessário que o processo a partir do qual foram extraídas as provas tenha "transitado em julgado", pois é um corolário derivado desse próprio conceito de "prova emprestada". É que a doutrina processual usualmente denomina “prova emprestada” a prova produzida num processo, seja por documento, depoimento pessoal ou exame pericial, que possa ser transladada e aproveitada em outro processo, não importando o destino do processo da qual ela se originou. E isso não poderia ser diferente, em face do art. 332 c/c art.469 do Código de Processo Civil (CPC), utilizado subsidiariamente no processo administrativo tributário: Art. 332 Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa Art. 469 do CPC. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Il a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo Ora, se os motivos e a verdade dos fatos não fazem coisa julgada, por óbvio que as provas carreadas aos autos, não podem ter também essa mesma natureza. É como se a prova transladada para outro processo ganhasse vida própria e autonomia, uma vez que passa a guardar pertinência com os fatos cuja prova se pretendeu demonstrar no novo processo, passando por todo um novo procedimento de validação onde é imperativo a manutenção do direito de defesa, como de fato aconteceu no presente feito. Outrossim, essas provas devem ser utilizadas apenas de forma subsidiária em relação a todo o arcabouço probante, como também foi o caso. Nesse contexto, não há que se perquirir o destino reservado ao processo do qual as provas foram originadas. Portanto, configurouse na espécie como legal a utilização de provas produzidas em outro processo, mesmo que não tenha na ocasião tido o seu desfecho, eis que guardaram total pertinência com os fatos cuja prova se pretendeu demonstrar no presente feito. Fl. 9987DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Por todo o exposto, proponho ACOLHER os embargos de declaração, para apenas sanar a omissão apontada, rerratificando o Acórdão nº 1102001.102, de 06 de maio de 2014, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 9988DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11543.001646/2003-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1993
Há decadência do crédito tributário a reconhecer nesse processo referente as competências de janeiro a março de 2003., A Fazenda Nacional teria até o dia 31/12/2008 para fazer o lançamento/exigência dessas competências, porém só resolveu faze-lo em 3/11/2009 através do Comunicado SECAT/DRT/VIT nº 1206 e cientificando o contribuinte apenas em 21/12/09.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3402-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso voluntário para reconhecer a ocorrência da homologação tácida da declaração de compensação .
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1993 Há decadência do crédito tributário a reconhecer nesse processo referente as competências de janeiro a março de 2003., A Fazenda Nacional teria até o dia 31/12/2008 para fazer o lançamento/exigência dessas competências, porém só resolveu faze-lo em 3/11/2009 através do Comunicado SECAT/DRT/VIT nº 1206 e cientificando o contribuinte apenas em 21/12/09. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso voluntário para reconhecer a ocorrência da homologação tácida da declaração de compensação . ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento recurso voluntário para reconhecer a ocorrência da homologação tácida da declaração de compensação . ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 16 46 /2 00 3- 44 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 2 Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.417 versos e 418 dos autos emanados da decisão DRJ/RJ2, por meio do voto do relator Ronaldo Souza Dias, nos seguintes termos: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), fl. 19, destinada a compensar débitos de PIS, do período de janeiro a março de 2003, com supostos créditos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, cujo direito à compensação já havia sido reconhecido na esfera judicial. A autoridade fiscal decidiu (fls. 312/314) nãohomologar as compensações efetuadas, determinando a cobrança dos débitos confessados em DCTF, argumentando, em resumo, que: 1. efetuou os cálculos utilizando o sistema CTSJ, conforme fls. 225/321, utilizando os DARF de fls. 49/108, apurando as bases de cálculo do PIS pelo maior valor entre o declarado na planilha de fls. 17 e o declarado nas DIRPJ, observada a semestralidade, sem correção monetária da base de cálculo; 2. os cálculos apontaram que o cálculo da interessada é suficiente apenas para quitar os fatos geradores até 09/1992 e parte de 10/1992. Cientificada da decisão (fl. 319), em 21/12/09, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 320/328), em 19/01/10, onde alegou, em resumo, que: 1. a decisão é nula porque não fora garantido o direito de defesa, o contraditório e o devido processo legal; 2. os prazos para a Autoridade Fazendária revisar e homologar o procedimento de compensação operado pelo Manifestante expiraram em 31/01/2008, 28/02/2008, e 31/03/2008, respectivamente, considerando os fatos geradores da contribuição ao PIS, em 31/01/2003; 28/02/2003 e 31/03/2003; 3. decaído o direito positivo de se constituir o crédito, não há que se falar em cobrança de valores, sendo insubsistente a cobrança efetuada; 4. a presente Notificação está eivada de vícios e sequer se presta ao lançamento com vistas a constituir suposto crédito tributário a favor da Fazenda Nacional, motivo pelo qual deve ser cancelada pela Autoridade Fazendária; 5. com a alteração no critério de atualização do crédito | da contribuinte promovida pelo TRF da 2a Região, o crédito a favor da Fazenda seria de R$ 14.517,32, caso não tivesse sido alcançado pela decadência. A impugnante requer, ao final: (1). Declarar a nulidade da cobrança dos supostos débitos, uma vez que foram alcançados pela decadência; (2) declarar a nulidade da cobrança porque a constituição do crédito não observou as formalidades do art. 142 do CTN; (3) determinar o cancelamento da cobrança com a eliminação das restrições no "conta corrente" da Manifestante; (4) determinar a suspensão da exigibilidade do crédito na forma prevista pelo art. 151, III, do CTN.” Fl. 499DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 11543.001646/200344 Acórdão n.º 3402002.938 S3C4T2 Fl. 3 3 A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 13.34.820 de fls. 417 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1993 a 31/03/1993 Nulidade. Sem causa. Improcedência. Incabível anular decisão sem que haja fatos ofensivos ao direito de ampla defesa, ao contraditório ou às normas que definem competência. Indébito fiscal. DCOMP. Confissão. A declaração de compensação por se constituir em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do tributo confessado dispensa o lançamento de ofício. Compensação nãohomologada. Débito confessado. Cobrança. Após eventual definitividade da decisão desfavorável ao contribuinte, os débitos confessados mediante DCOMP devem ser levados à cobrança. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls). onde alega em síntese o seguinte: I – Síntese Fática do acordão; II – Preliminar 1 Da nulidade do Ato Administrativo; III – Questões Prejudiciais ao Mérito 1 Da Decadência do Direito da Fazenda Pública em constituir o Crédito Tributário; III – Dos pedidos: a) Que seja conhecido e julgado o presente Recurso Voluntário, haja vista ser tempestivo e encontrarse de acordo com os ditames legais que regem o processo administrativo fiscal; b) Que seja reconhecida nulidade do ato de cobrança, tendo em vista o mesmo não atender às determinações do Decreto 70.235/72, bem como às diretrizes firmadas na Portaria SRF nº 01, de 02 de janeiro de 2001, que disciplina a edição dos atos de natureza tributária e aduaneira na Receita Federal, além do não atendimento às formalidades do lançamento, conforme art. 142, do CTN, com a consequente improcedência da ação fiscal; c) Que seja reconhecida a decadência do direito de constituição do crédito tributário, tendo em vista ter permanecido inere a Fazenda Pública, em período superior aos cinco anos determinados em lei, mesmo sendo imprescindível o lançamento, culminando com a improcedência da ação Fl. 500DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 4 fiscal, com consequente a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, do Código Tributário Nacional; d) Que, não sendo este o entendimento de Vossas Senhorias, seja reconhecida a prescrição do direito de cobrança do crédito tributário, tendo em vista o lapso temporal superior a cinco anos entre a constituição do crédito (admitida apenas a título de argumentação) e as medidas preparatórias para a cobrança, culminando com a improcedência da ação fiscal, com a consequente extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, V, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo de cobrança relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, de janeiro a março de 2003, feito através do Comunicado SECAT/DRT/VIT nº 1206 de 3/11/2009 por não homologação de todas as compensações efetuadas em Declaração de compensação (DCOMP) de fls. 19, por não cobrirem os períodos citados conforme Despacho de fls. 358 de 21/08/2008. A Recorrente, requer em prejudicial de mérito a decadência, ou melhor, que seja declarado extinto o crédito tributário relativo as competências de janeiro a março de 2003, haja vista a decadência do lançamento para os referidos períodos de apuração da contribuição; Realmente o prazo decadêncial do PIS, que já foi de 10 anos conforme o disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional de acordo com a Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Também, a Lei Complementar nº 128 publicada em 19/12/2008 revogou expressamente o artigo 45 da Lei 8.212/91, consolidando, assim, o prazo decadencial estabelecido pelo Código Tributário Nacional. A Delegacia da Receita Federal de São Paulo em acórdão de número 16 20298 de 02/02/2009 decidiu que o prazo decadencial para constituição do PIS, COFINS e CSLL é de 5 anos conforme o CTN. Cabe destacar que a decadência tributária é o prazo oponível ao Fisco, isso porque se a Fazenda perder o prazo quinquenal, arruinará seu direito de rever o pagamento da obrigação tributária. Acontece que o CTN aduz algumas peculiaridades quanto ao início da contagem do prazo decadencial, sendo este o cerne do estudo. Para isso, salientamos a primeira hipótese que é aquela em que a contribuinte paga de logo o tributo, mas que posteriormente, o Fisco verifica que o pagamento foi aquém do devido. Sem dúvida o contribuinte gozará dos efeitos do pagamento adiantado, entretanto quando o Fisco descobrir que não foi integral, revogará todos os efeitos benevolentes ao sujeito passivo e lançará a obrigação tributária (valor restante), constituindo o crédito tributário, recaindo assim na execução fiscal. Isso se trata da antecipação de pagamento do tributo. Vejamos o que traz o artigo 150, §4° do CTN: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Processo nº 11543.001646/200344 Acórdão n.º 3402002.938 S3C4T2 Fl. 4 5 Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º – Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Necessário ressaltar que, conforme o parágrafo 4° do aludido artigo, se a Fazenda Pública não usar do seu direito de lançar dentro do quinquênio contados a partir do fato gerador, o crédito restará extinto, segundo o Art. 156, V, do CTN. Agora, se porventura, for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, não será aplicado o Art. 150 §4° do CTN, mas sim o Art. 173, I do CTN. “O direito de o Fisco rever o lançamento do sujeito passivo, e, em consequência, exigir diferença ou “O direito de o Fisco rever o lançamento do sujeito passivo, e, em consequência, exigir diferença ou suplementação do tributo, ou, ainda, aplicar penalidade, salvo caso de dolo, fraude ou simulação, caduca em 5 anos, reservado à Lei do Poder tributante fixar outro prazo menor. Se esgotarse o prazo, há decadência do direito de revisão por parte do Fisco, considerandose automaticamente homologado o lançamento em que se baseou o sujeito passivo para efetuar o pagamento antecipado. ” (Min. Francisco Peçanha Martins. STJ. REsp 132.329/SP) “Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” (grifos nossos). No comando acima, diferentemente, do Art. 150§ 4° do CTN, há o elastecimento do prazo, pois sua contagem se dá em momento posterior, somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Sendo assim, a aplicação deste cânon seria prejudicial ao contribuinte, tendo em vista haver um lapso maior para decair o direito do Fisco em lançar a obrigação tributária. Ora, como se pode perceber a contagem do prazo qüinqüenal dos dois artigos mencionados se dá de forma diversa, um começa a fluir da data do fato gerador; o outro somente no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter efetuado o lançamento. O que determina a aplicação de um ou outro é o pagamento não integral e antecipado da obrigação ou o não pagamento da obrigação pelo contribuinte. Contudo, há decadência do crédito tributário a reconhecer nesse processo referente as competências de janeiro a março de 2003, porque, ainda, que no caso não houveram recolhimentos sequer parcial e a compensação inicialmente feita não cobriu os valores devidos suficientemente, a Fazenda Nacional teria até o dia 31/12/2008 para fazer o lançamento/exigência dessas competências, porém só resolveu fazelo em 3/11/2009 através do Comunicado SECAT/DRT/VIT nº 1206 e cientificando o contribuinte apenas em 21/12/09. Isto Posto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para reconhecer a decadência do PIS referente a janeiro a março de 2003, por homologação tácita.. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 502DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO 6 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM, Assinado digitalmente em 02/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.723041/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. FASE NÃO LITIGIOSA. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. FASE LITIGIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
O procedimento fiscal corresponde a uma fase pré-litigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário.
TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM O VERDADEIRO TOMADOR DOS SERVIÇOS. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA.
Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Nacional, quando demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente ao autuado, pessoa física que exerce a atividade profissional autônoma de advogado.
ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2401-003.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. FASE NÃO LITIGIOSA. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. FASE LITIGIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O procedimento fiscal corresponde a uma fase pré-litigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário. TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM O VERDADEIRO TOMADOR DOS SERVIÇOS. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Nacional, quando demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente ao autuado, pessoa física que exerce a atividade profissional autônoma de advogado. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.906 1 2.905 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.723041/201360 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.978 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS: INTERPOSTA PESSOA OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL Recorrente MAURICIO DAL AGNOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. FASE NÃO LITIGIOSA. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. FASE LITIGIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. O procedimento fiscal corresponde a uma fase prélitigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário. TRABALHADORES VINCULADOS À EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO EXISTENTE. CARACTERIZAÇÃO DIRETAMENTE COM O VERDADEIRO TOMADOR DOS SERVIÇOS. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, desconsiderando o vínculo formal pactuado com pessoa jurídica interposta optante pelo Simples Nacional, quando demonstrado, por meio da linguagem de provas, que os trabalhadores prestavam serviços diretamente ao autuado, pessoa física que exerce a atividade profissional autônoma de advogado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 30 41 /2 01 3- 60 Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.907 2 ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos precisos e convergente, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.908 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Eis a ementa do Acórdão nº 1659.217 (fls. 2.800/2.832): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AUDITOR FISCAL. EXAME DA CONTABILIDADE. A competência do Auditor Fiscal para exame da contabilidade da empresa decorre de lei, não estando sujeitando a habilitação em curso superior específico ou ao registro junto ao Conselho de Contabilidade. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos dos Autos de Infração (AI), bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. LEGITIMIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. Frustrada a intimação pessoal do sujeito passivo fica legitimada a notificação do lançamento fiscal por edital. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. TAXA SELIC É lícita a incidência dos juros com base na taxa SELIC, nos débitos com a União decorrentes das contribuições sociais não recolhidas nos prazos previstos em lei. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, a partir da competência 12/2008, é devida a multa de no mínimo Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.909 4 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado, passando a ser de 150%, não podendo a mesma ser reduzida, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal que o processo administrativo é composto por 2 (dois) autos de infração (AI), compreendendo o período de 01/2009 a 12/2011, inclusive décimo terceiro salário, assim formalizados (fls. 2.701/2.736): i) AI nº 51.056.6715, referente às contribuições previdenciárias da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalhado, incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais (fls. 2.672/2.680); e ii) AI nº 51.056.6723, referente às contribuições devidas a terceiros, assim compreendidos entidades e fundos (FPAS 515 Código 0115), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados (fls. 2.690/2.696). 3. Abrangendo o período de 2008 a 2011, o procedimento fiscal foi executado em duas etapas. 3.1 Na primeira, relativamente aos fatos geradores do anocalendário de 2008, houve constituição de créditos tributários decorrentes de fatos geradores de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e de contribuições Previdenciárias e contribuições devidas a terceiros, formalizados por meio dos processos digitais nº 11030.720089/201316 e nº 11030.720056/201376, respectivamente. 3.2 Na segunda etapa, verificada a continuidade nos exercícios seguintes das infrações identificadas no ano de 2008, a auditoria fiscal constituiu os créditos tributários relativos aos anos de 2009 e 2011 mediante os processos digitais nº 11030.723040/201315 e nº 11030.723041/201360, respectivamente, para os fatos geradores de IRPF e contribuições previdenciárias e devidas a terceiros. 4. Quanto ao processo nº 11030.723041/201360, sob análise, o lançamento fiscal compreende fatos geradores e bases de cálculos constantes de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentadas em nome da pessoa jurídica DAL AGNOL & FERNANDES LTDA, doravante denominada de D&F, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). 4.1 Após verificações, constatações e análise dos documentos coletados no curso da ação fiscal, o Fisco concluiu pela existência de uma simbiose entre a pessoa física autuada e a Fl. 2909DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.910 5 pessoa jurídica D&F no que tange ao patrimônio, atuação negocial, contração de obrigações, entre outros aspectos. Vale dizer que a realidade fática apontava para a prestação de serviços pelos segurados empregados diretamente ao autuado, embora os trabalhadores estivessem formalmente vinculados à D&F. 4.2 Segundo a autoridade lançadora, considerando a realidade laboral do autuado, restou devidamente comprovado que os empregados da pessoa jurídica D&F desenvolviam atividades inerentes e/ou complementares a advocacia, de uma forma contínua, mediante remuneração e subordinados àquela pessoa física. 5. Diante da constatação de condutas típicas relacionadas aos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de dezembro de 1964, a fiscalização aplicou o percentual duplicado para a multa de ofício, no importe de 150% (cento e cinquenta por cento), denominada de multa qualificada, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6. Improfícua a tentativa de ciência pessoal do contribuinte, foi cientificado das autuações em 30/1/2014 via edital publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação (fls. 2.744/2.746). 7. Impugnadas as exigências fiscais, as alegações do contribuinte podem ser assim resumidas (fls. 2.753/2.772): i) para o exame da escrita do contribuinte, há necessidade de habilitação profissional do AuditorFiscal; ii) ilegitimidade do impugnante para receber intimações em nome da pessoa jurídica D&F; iii) ausência no auto de infração dos elementos necessários à realização de defesa; iv) nulidade da ciência por edital; v) nenhuma atividade irregular pode ser atribuída ao impugnante e à sociedade D&F pelos serviços prestados, não podendo a personalidade desta última ser desconsiderada para fins de imputar a tributação das contribuições à pessoa física, ora impugnante; vi) a multa de ofício é excessiva e insubsistente; não houve tentativa de fraudar o recolhimento dos tributos, tornando obrigatório o afastamento da multa qualificada; e vii) os juros de mora são improcedentes. 8. Intimada da decisão de piso em 23/7/2014, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, segundo fls. 2.834, a recorrente apresentou recurso voluntário em 14/8/2014, cujos argumentos de defesa estão a seguir sintetizados (fls. 2.836/2.863): Fl. 2910DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.911 6 i) a autuação é nula, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa, visto que a sociedade D&F, considerada interposta empresa pelas autoridades fiscais, não foi regularmente cientificada para prestar esclarecimentos e apresentar provas que ensejaram e motivaram o lançamento; ii) sem a correspondente decisão judicial é inadmissível considerar as receitas auferidas pela pessoa jurídica D&F como omitidas pelo recorrente, uma vez que tal atitude equivale à desconsideração da personalidade jurídica da sociedade D&F pelas autoridades fiscais; iii) não houve a dedução das despesas referentes a emolumentos pagos a terceiros no cálculo do tributo apurado pela fiscalização, abatimento esse expressamente permitido pela legislação; iv) os tributos pagos pela pessoa jurídica D&F não foram compensados com o IRPF exigido do recorrente; e v) não há base legal para a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 2911DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.912 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Esclarecimentos iniciais 10. Antes de examinar as razões recursais, cabe reprisar que o procedimento fiscal apurou crédito tributário não só em relação às contribuições previdenciárias e as reflexas devidas a terceiros, tratadas neste processo administrativo, mas também procedeu ao lançamento de ofício, formalizado em processos distintos, a título do imposto sobre a renda (IRPF), compreendendo o período de 2008 a 2011. 11. Em vista disso, é possível que a recorrente tenha se equivocado na formulação de sua defesa em grau de recurso, porquanto a peça recursal acostada às fls. 2.836/2.863, a despeito de expressamente fazer menção ao Processo nº 11030.723041/201360 e aos respectivos AIs nº 51.056.6715 e 51.056.6723, que ora se cuida, contém essencialmente argumentos de insatisfação e refutação no tocante às autuações fiscais relativas ao IRPF. 12. Nada obstante, tendo em conta os princípios da verdade material e do formalismo moderado, aplicáveis ao processo administrativo fiscal, acredito razoável buscar o aproveitamento da razões de defesa, reproduzidas no recurso, que tenham relação com o crédito tributário sob exame, observado que não há autorização para o julgador substituir as partes na produção de provas. 13. É bom também frisar que o recurso voluntário é remédio destinado a reformar a decisão administrativa de primeira instância. Vale dizer que a interposição do recurso voluntário transfere ao órgão "ad quem", conforme sua extensão, o reexame das matérias impugnadas. 14. Dessa feita, é vedado via de regra o exame em sede recursal de matérias não contestadas quando da impugnação do lançamento, salvo as qualificadas como de ordem pública, sob pena de ocorrer um desvirtuamento das regras do contencioso administrativo, com supressão de instância, e afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição que orienta o processo fiscal. Fl. 2912DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.913 8 Preliminar 15. A título de questões prévias ao exame do mérito, protesta a recorrente que a sociedade D&F, em nenhum momento, foi regularmente intimada na pessoa de seus representantes legais para prestar as devidas informações a respeito da relação jurídica que detinha com o recorrente, tampouco para prestar esclarecimentos sobre as diligências efetuadas em terceiros. Em sua ótica, a falta de intimações demonstra a necessidade da declaração de nulidade do lançamento. 16. Pois bem. Em primeiro lugar, compartilho do que foi dito pela decisão de piso quanto aos termos de intimações dirigidos à pessoa jurídica D&F (fls. 2.830). 16.1 No caso, os documentos foram encaminhados ao seu endereço cadastral, sendo recebidos pelo sujeito passivo, ou seus representantes, atendidas as intimações pela sócia administradora da sociedade. 16.2 Por sua vez, não se identificou irregularidades na obtenção da documentação da pessoa jurídica, inclusive no tocante à condução das diligências fiscais realizadas em clientes da sociedade empresária. 17. Ademais, o procedimento fiscal, que ocorre anteriormente à lavratura do auto de infração ou da notificação de débito, é uma fase meramente investigativa e inquisitória, onde colhemse elementos, analisamse documentos e informações e reúnemse provas para motivar um eventual ato de lançamento ou de aplicação de penalidade. É uma etapa prélitigiosa, preparatória para a constituição do crédito tributário, em que não há litigante, nem acusado, tão somente investigado. 18. Quando instaurado, o conflito de interesses só aparece posteriormente ao lançamento fiscal, caracterizandose pela resistência do contribuinte à pretensão do Fisco. É com a impugnação que se tem início à situação conflituosa. Em outras palavras, presente o caráter litigioso, estabelecese o processo administrativo em sentido estrito. 19. Com o aperfeiçoamento do ato administrativo, mediante a ciência da exigência fiscal, o sujeito passivo tem direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos no processo administrativo tributário. 19.1 Antes disso, na fase procedimental, a fiscalização não está obrigada a informar acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecerlhe, como regra, oportunidade de esclarecimentos a vista dos elementos de prova coletados. 20. É que o direito ao contraditório e à ampla defesa, em termos positivados, é garantido pelo inciso LV do art. 5º da Carta da República de 1988 apenas aos litigantes em processo administrativo e judicial, bem como aos acusados em geral. 21. Por outro lado, o caráter marcadamente fiscalizatório e apuratório não significa que o procedimento fiscal é arbitrário. Porém, não há notícias de qualquer conduta da autoridade fiscal contrária às regras de cunho procedimental inerentes a essa etapa da atividade administrativa. 22. De mais a mais, não se perca de vista que o autuado pela fiscalização não é a pessoa jurídica D&F, e sim a pessoa física recorrente. Fl. 2913DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.914 9 22.1 O Termo de Verificação Fiscal e seus anexos oferecem todas as condições necessárias para que o autuado conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, as situações fáticas constatadas, bem como as circunstâncias em que foram verificadas as infrações, além dos dispositivos legais que amparam a autuação. 23. Logo, a alegada nulidade do ato administrativo, por cerceamento de defesa, não restou minimamente justificada pelo recorrente. Mérito 24. No que tange ao lançamento das contribuições previdenciárias e de terceiros, não houve desconsideração da personalidade jurídica da sociedade D&F. 24.1 O que fez a auditoria fiscal foi concluir, com base nos elementos probatórios colhidos durante a investigação, que a pessoa jurídica configuravase em interposta pessoa utilizada pelo autuado para contratar segurados com redução de encargos sociais e tributários. 25. No procedimento fiscal de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. 26. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo se sucede no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à fiscalização demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. 27. Ao verificar o desvirtuamento dos elementos constitutivos da obrigação tributária, no critério pessoal ou quantitativo, a fiscalização pode desconsiderar o vínculo pactuado e lançar o crédito tributário correspondente à relação jurídica efetivamente existente com o verdadeiro tomador dos serviços. 28. Exatamente o que realizou a autoridade lançadora, que considerou os segurados formalizados na sociedade D&F, e por ela declarados em GFIP, como segurados da pessoa física autuada, a qual exerce a atividade profissional autônoma de advogado e, portanto, equiparase à empresa para fins previdenciários. 29. Dado o contexto que foi redigida a defesa, voltada a combater a exigência fiscal do IRPF, no recurso voluntário inexiste qualquer refutação concreta ao conjunto probatório apresentado pela fiscalização no que toca à acusação de prestação de serviços pelos segurados diretamente ao autuado, e não à pessoa jurídica. 30. De todo modo, segundo minha ótica, o conjunto probatório juntado pelo Fisco, amplamente descrito e analisado pela decisão de piso, é robusto, consistente e convergente o suficiente para vincular diretamente os segurados empregados e contribuintes individuais ao recorrente, atestando a sua condição de efetivo tomador dos serviços desses segurados. Fl. 2914DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11030.723041/201360 Acórdão n.º 2401003.978 S2C4T1 Fl. 2.915 10 31. Quanto às demais alegações de mérito da petição recursal, ou não dizem respeito a matérias afetas ao processo sob apreciação ou nem foram objeto de análise pela decisão de piso. 31.1 Com efeito, a alegação de erro na base de cálculo do lançamento, por não considerar a autoridade lançadora as despesas referentes a emolumentos pagos a terceiros escrituradas no livro caixa, bem como a contestação em razão da cobrança indevida de juros Selic sobre a multa de ofício, são questões estranhas ao processo de lançamento das contribuições previdenciárias e devidas a terceiros. 31.2 Já o pedido para reconhecimento do direito à dedução dos valores recolhidos pela pessoa jurídica, na modalidade do Simples Nacional, é ponderação não ventilada na impugnação, mesmo que implicitamente, e, portanto, não foi examinada pela decisão de primeira instância. 31.3. Nesse último ponto, inclusive, o recorrente referese, às fls. 2.857/2.860, especificamente ao direito à dedução dos recolhimentos efetuados pela sociedade D&F para abatimento do crédito tributário do IRPF, constituído pelo agente fiscal mediante a lavratura de Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 2915DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 15578.720083/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO.
Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindo-se Termo de Ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECRETAR a nulidade da decisão de primeira instância para que o mérito da lide seja apreciado. Houve sustentação oral proferida pela Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF nº 15.539.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO. Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindo-se Termo de Ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECRETAR a nulidade da decisão de primeira instância para que o mérito da lide seja apreciado. Houve sustentação oral proferida pela Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF nº 15.539. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
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DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO. Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindose Termo de Ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECRETAR a nulidade da decisão de primeira instância para que o mérito da lide seja apreciado. Houve sustentação oral proferida pela Dra. Tatiana Zuconi Viana Maia, OAB/DF nº 15.539. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 72 00 83 /2 01 3- 12 Fl. 849DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15578.720083/201312 Acórdão n.º 1301001.907 S1C3T1 Fl. 850 3 Relatório ADM DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, deixou de conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, por intempestiva, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido pela autoridade a quo e, desta forma, não reconheceu o direito creditório alegado nem as compensações pleiteadas. Tratase de processo que cuida da análise manual do crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2008, no valor original de R$ 11.935.018,40, pleiteado pela recorrente por meio de diversas DCOMPs, as quais constam listadas no Parecer Seort nº 1.271/2013. A autoridade a quo proferiu Despacho Decisório, com fundamento nas informações contidas no Parecer Seort nº 1.271/2013, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações efetuadas nas DCOMPs. A ciência destes documentos ao interessado foi por meio de intimação eletrônica. Inconformado com o referido Despacho Decisório, o interessado apresentou, em 07/10/2013, manifestação de inconformidade (fls. 473/508), requerendo a reforma do Despacho Decisório, o reconhecimento do saldo negativo pleiteado e a homologação das compensações. A DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente por entender que a mesma era intempestiva, sendo o respectivo acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. CIÊNCIA. O art. 33 da Lei nº 12.844, de 19/07/2013 (DOU 19/07/2013), resultado da conversão da Medida Provisória nº 610, de 02/04/2012 (DOU 04/04/2013), que deu nova redação ao inciso III, do § 2º, do art. 23, do Decreto nº 70.235/1972, prevê que, no caso de intimação por meio eletrônico, a mesma considerase feita na data em que o sujeito passivo efetuar a consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária (alínea "b", inciso III, § 2º, art. 23, Decreto nº 70.235/1972), se a referida consulta ocorrer antes do prazo de 15 (quinze dias) contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo (alínea "a", inciso III, § 2º, art. 23, Decreto nº 70.235/1972). Fl. 851DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece da manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, conforme previsto nos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e no artigo 66 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30 de dezembro de 2008 (art. 77 da IN RFB nº 1300, de 20 de novembro de 2012). Nos termos do "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" (fls. 704), foi dada ciência, ao Contribuinte, em 25/04/2014, do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Em 05/08/2014, portanto dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias, o contribuinte protocoliza Recurso Voluntário a este tribunal, onde, além de argumento quanto à tempestividade da Manifestação de Inconformidade, repisa os mesmos argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15578.720083/201312 Acórdão n.º 1301001.907 S1C3T1 Fl. 851 5 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Da Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Consoante relatado, o interessado foi intimado do Parecer da Secretária de Orientação e Análise Tributária SEORT nº 1.271/2013 (fls. 456458) e do Despacho Decisório proferido pela DRF/Vitória (ES) (fls. 459) por meio eletrônico. A ciência dos documentos acima referenciados aconteceu pelo acesso do contribuinte ao sítio da RFB, conforme Termo de Abertura de Documento emitido em 26/08/2013 (fls. 470). Ocorreu no entanto que também foi emitido Termo de Ciência por Decurso de Prazo pelo mesmo sistema informatizado em 06/09/2013 (fls. 471), certificando que foi dada ciência ao contribuinte em relação ao Parecer SEORT nº 1.271/2013 e Despacho Decisório da DRF Vitória/ES, estabelecendo como data de disponibilização dia 21/08/2013 e fixando como data de ciência por decurso de prazo o dia 05/09/2013. Diante desta confusão de datas, causada pelo próprio sistema, entendo que se deve conceder ao contribuinte a interpretação que lhe assegura o direito de defesa, promovendo a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para interposição de Manifestação de Inconformidade a partir da data certificada pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo expedido pela Administração. Além da confusão ter sido causada pelo próprio sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal, entendo que a emissão do Termo de Ciência (06/09/2013) após a emissão do Termo de Abertura de Prazo (26/08/2013), tem efeito de revogação do primeiro pelo último, diante da impossibilidade fática de que se tenha tido ciência dos documentos em questão em duas datas diferentes. A intempestividade da impugnação, questão superveniente ao debate acerca das compensações pleiteadas, não está devidamente materializada nos autos porque ainda que tenha sido emitido "Termo de Abertura de Documento" em 26/08/2013 (fls. 470), há nos autos outro documento que altera a data de ciência do despacho decisório por força da emissão do Termo de Ciência por Decurso de Prazo, datado de 05/09/2013, o qual deve ser tomado como termo inicial para a contagem de 30 (trinta) dias para a interposição de eventual Manifestação de Inconformidade. Diante do acima exposto, superada a discussão quanto a tempestividade da Manifestação de Inconformidade, voto no sentido de ANULAR a decisão da DRJ/RJ1, devendo estes autos retornarem àquela Delegacia a fim de que se tenha analisado o mérito da discussão travada nestes autos. Sala das Sessões, em 21 de janeiro de 2016. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 854DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722016/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 01 6/ 20 11 -6 6 Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722016/201166 Resolução nº 1401000.372 S1C4T1 Fl. 1.220 2 Relatório O presente feito referese a auto de infração de imposto de renda pessoa jurídica e tributos decorrentes em razão da suspensão da isenção do sujeito passivo nos autos do processo nº 19515.720587/201166. A Delegacia de Julgamento manteve a autuação sem considerar as razões apresentadas pelo impugnante nos seguintes termos: Por se tratar de elementos constantes do processo nº 19515.720587/201166 que trata especificamente do ato declaratório de suspensão de isenção, tais argumentos não podem ser analisados neste momento por não se referirem ao presente litígio. Por oportuno, faço anexar cópia do Acórdão nº 5222213, de 12 de dezembro de 2013 (fls. 1023 a 1028). O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 1.051 a 1.083. Na referida peça, dentre inúmeros outros pontos, sustenta que a suspensão da isenção é questão prejudicial ao presente feito. É o relatório do essencial para o momento. Voto De fato, a suspensão da isenção é questão prejudicial da presente autuação. Não por acaso o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99) determinou a reunião das impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência do crédito tributário. Isso está previsto no § 9º, art. 172, combinado com o art. 921. Art. 172. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 14). (...) § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente (Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, § 9º). Art. 921. Nos casos de suspensão de imunidade e da isenção condicionada, observarseá o disposto no art. 172. Ademais, estes dispositivos regulamentares estão calcados em previsão legal, no caso, nos parágrafos 9º e 10º, art. 32 da Lei nº 9.430/96: § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722016/201166 Resolução nº 1401000.372 S1C4T1 Fl. 1.221 3 § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. Esse procedimento, porém, não foi adotado pela autoridade preparadora. Por seu turno, a delegacia de julgamento não promoveu o saneamento dos dois feitos. De todo modo, considero que não houve prejuízo para o julgamento de primeiro grau, uma vez que o processo prejudicial relativo à suspensão da imunidade foi julgado primeiro e o processo relativo à autuação foi julgado posteriormente com a aplicação do entendimento fixado no primeiro. Nada obstante, conforme verificamos, no sistema eprocesso, da decisão de primeiro grau que manteve a suspensão da imunidade o contribuinte nem sequer teve ciência formal ainda, enquanto o presente feito já está na fase recursal. Dessarte, considero necessária a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade preparadora apense o processo nº 19515.720587/201166 ao presente feito e dê ciência da decisão de primeiro grau que manteve a suspensão da isenção. Após o prazo para recurso voluntário da referida decisão, devolvamse os dois processos para julgamento por este colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720620/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1202-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Gilberto Baptista, que entendiam pela possibilidade de julgamento do recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Mozart Barreto Vianna e Gilberto Baptista.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Gilberto Baptista, que entendiam pela possibilidade de julgamento do recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Mozart Barreto Vianna e Gilberto Baptista.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Gilberto Baptista, que entendiam pela possibilidade de julgamento do recurso. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Mozart Barreto Vianna e Gilberto Baptista. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 20 62 0/ 20 11 -3 4 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação contra autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), lavrados em face da pessoa física José Marcos de Souza Freire, na condição de responsável tributário, em razão da constatação de compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa acima do limite legal de 30%, no anocalendário de 2006, na pessoa jurídica M & D Comércio de Alimentos Ltda., da qual era sócio administrador. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls.6974), a pessoa jurídica foi intimada e reintimada do início da ação fiscal de revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais, relativa ao anocalendário 2006 (DIPJ 2007), mas não se manifestou. Com base nos elementos dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, detectouse divergência na compensação dos prejuízos fiscais e na compensação da base de cálculo da CSLL. A autoridade fiscal apontou falta de previsão legal para a compensação integral dos prejuízos fiscais, sem observância do limite máximo de 30% do Lucro Líquido depois de ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas e autorizadas pela legislação, nos termos do art. 510 do RIR/99, assim como em relação à compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL, conforme previsto no art.58 da Lei nº 8.981/95, ratificado pelo art.16 da Lei nº 9.065/95. Sobre a identificação do Sujeito Passivo, a autoridade fiscal relatou que: (i) em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificouse que a situação cadastral da empresa é de “Baixada” em 15/01/2007, tendo por motivo “Extinção por encerramento de Liquidação Voluntária”; (ii) a M&D apresentou em 10 de Maio de 2007 Declaração de Informações EconômicoFiscais, retificada por declaração apresentada em 23 de Maio de 2007, informando a sua extinção; (iii) consulta à ficha cadastral simplificada da empresa, disponibilizada na internet pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, corrobora a informação de que a empresa foi dissolvida. Fazendo referência ao inciso V, e seu parágrafo único, III, do art.207 do RIR/99 e arts. 124 e 135 do CTN, o autuante considerou o Sr. José Marcos de Souza Freire, CPF 007.731.75806, então sócioadministrador da M&D, como responsável tributário. Inicialmente, foi aberto outro procedimento fiscal e solicitada a prestação de esclarecimentos sobre a infração verificada, o que não foi atendido. Em seguida, o responsável tributário foi cientificado dos Autos de Infração, por via postal, em 28/04/2011, tendo apresentado impugnação com as razões de defesa a seguir sintetizadas. argúi, em preliminar, sua ilegitimidade sob alegação de que: não teve quaisquer relações de direito material com a Fazenda Nacional. Assevera ter sido sócio da referida empresa e ostentar, a Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 4 3 partir de sua extinção, a qualidade de liquidante, como atesta a anexa cópia do distrato social; não se confunde sujeito passivo da obrigação tributária com representante da pessoa jurídica, sócio ou não. conforme arts. 51 e 1102 do Código Civil, embora extinta a pessoa jurídica, não é possível a terminação imediata das relações jurídicas de que participa, daí porque se segue a fase de liquidação, afim de apurar os créditos, pagar os débitos e destinar o patrimônio remanescente, cabendo ao liquidante representar a companhia e praticar todos os atos necessários à liquidação, a teor do art. 211 da Lei 6.404/76; em que pesem argumentos contrários, não se pode confundir relação de direito material com representatividade; a relação de direito material se deu entre a sociedade ... e o Fisco, jamais com o sócio administrador, que tem poder de representatividade, razão porque o auto deveria ter sido endereçado a pessoa jurídica e não ao sócio; a fundamentação encontrada pela Sr. Auditor, para lavrar o auto em nome do sócio, não se amolda à espécie, pois a sociedade foi regularmente liquidada, e foi apresentada declaração de rendimentos de encerramento, cuja baixa se deu por esse órgão à vista dos documentos apresentados; o auto de infração só poderia ter sido lavrado em nome da sociedade, representada pelo liquidante, e, jamais em seu nome, como é óbvio inferirse, estando a ação fiscal endereçada contra a pessoa errada, decorrendo, daí, sua nulidade. No mérito, defende a possibilidade de compensar a integralidade dos prejuízos verificados em exercício anteriores na circunstância de dissolução da sociedade. Reportase a laudo técnico produzido no âmbito judicial atestando a obtenção de prejuízo desde 2000 na atividade de franquia da marca Mc Donalds. Menciona que a restrição à compensação integral, estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95, continua a partir de janeiro de 1996 por força do artigo 15 da lei nº 9.065/95, mas defende que, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuinte, confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a limitação na compensação não se aplica quando se trata de declaração de encerramento. Cita decisões dos colegiados para amparar sua tese. Acrescenta ser absurdo conceber o pagamento de imposto sobre prejuízos, cuja imposição viola expressamente o quanto disposto no artigo 43 do CTN, além de caracterizar grave violação ao direito de propriedade, tal como expresso no artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal, além, por óbvio, de causar grave insegurança jurídica aos contribuintes. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 5 4 Expõe, ainda, que, constatada a extinção da sociedade por quaisquer das hipóteses previstas em lei, não há que se falar em restrição da compensação de prejuízo, porque isto equivale à imposição de pagamento sobre prejuízo, a caracterizar verdadeiro confisco. Finaliza requerendo a anulação do Auto de Infração e protestando provar o alegado pela prova documental acostada a esta e, por eventual perícia, se necessária, eis que o laudo colacionado, elaborado sob o crivo do contraditório, é mais do que suficiente para corroborar as alegações feitas. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Não se cogita de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, se a exigência foi formalizada em face do sócio administrador da pessoa jurídica porque, após a liquidação voluntária desta, foram apurados tributos devidos por inobservância de dispositivo legal. PROVA PERICIAL. Indeferese o pedido de perícia inadequadamente formulado e desnecessário para o fim pretendido. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006 IRPJ. CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da CSLL. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 13/07/2012 (cfe. AR, fl.311), apresentou recurso voluntário ao CARF, em 13/08/2012 (fls.313/323), em que sustenta, preliminarmente, a nulidade do lançamento, em razão da ilegitimidade do sócio para figurar como devedor tributário com fulcro no art. 135 do CTN, visto que “a empresa foi baixada no dia 15 de janeiro de 2007, como reconhecido no auto de infração (fls.4 e 6)”. Cita arts. 207 e 211 da Lei nº 6.404/76 e art. 51 do Código Civil. Pede, como conseqüência, o reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário. No mérito, aduz que a decisão recorrida está em contradição com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes à época dos fatos, que considerava que “a limitação na compensação não se aplica quando se trata de declaração de encerramento (AC Nº 101/95.725/2006 no DOU de 22.11.06)”. Aponta que a dissolução da sociedade ocorreu no ano de 2006, sendo realizado balanço de encerramento nos moldes da legislação e jurisprudência da época. Cita conceito doutrinário de renda, o art. 189 da Lei nº 6.404/76 e o art. 110 do CTN e pede a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 6 5 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE O recorrente aponta, inicialmente, a nulidade do lançamento efetuado em face de sócio administrador, por ilegitimidade passiva. Em procedimento de revisão da DIPJ/2007 (ano calendário 2006) para verificação de compensação a maior de prejuízo fiscal na apuração do lucro real e de compensação a maior na base de cálculo da CSLL, tendo em vista a extinção da pessoa jurídica. Sabendo que com a extinção por liquidação voluntária cessa a personalidade jurídica da pessoa jurídica tida por contribuinte, não podendo esta figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária, a autoridade fiscal lavrou os autos de infração unicamente em face do responsável tributário, fundamentando a sujeição passiva da autuação no inciso V, e seu parágrafo único, III, do art.207 do RIR/99 e arts. 124 e 135 do CTN. Vejase o que dispõe o art. 207 do RIR/99: Art.207.Respondem pelo imposto devido pelas pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas (Lei nº 5.172, de 1966, art. 132, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º): [...]Vos sócios, com poderes de administração, da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. Parágrafo único.Respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5º, §1º): [...]IIIos sócios com poderes de administração da pessoa jurídica extinta, no caso do inciso V. Considerandose que, a partir dos fatos relatados, inexiste dúvida quanto à extinção e baixa da pessoa jurídica em 15 de janeiro de 2007, com entrega da respectiva declaração de encerramento, o dispositivo referido não se aplica ao caso concreto. O art.124 do CTN também não se aplica ao caso, visto que de responsabilidade solidária não se trata, por inexistir autuação em face da pessoa jurídica. Resta como fundamento o art. 135, inciso III, do CTN, que dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...]III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. O dispositivo em referência deve ser interpretado de acordo com a jurisprudência mansa e pacífica do Superior Tribunal de Justiça, que considera que “a simples Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 7 6 falta de pagamento, pela empresa, de débito nascido de ato lícito do seu administrador, não torna o seu administrador por ele responsável.” Assim, “a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do mesmo Código, somente se configura se tiver ele dado, em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos causa ao nascimento da obrigação tributária inadimplida” (Edcl no Resp nº 1.153.873 – RS 2009/01646598). Dos autos se extrai que a conduta do sócio administrador de entregar Declaração de Informações EconômicoFiscais, relativa ao anocalendário 2006 (DIPJ 2007), com o aproveitamento incorreto de prejuízos de anos anteriores, representou infração de lei, visto que contrariava o disposto no art. 15 da Lei nº 9.065/95, que previa o limite de 30% para a compensação daqueles prejuízos. A mera existência de jurisprudência administrativa favorável à tese do contribuinte em nada altera sua situação jurídica em relação ao Fisco. No caso concreto, verificada a prática de infração à legislação tributária, efetuouse o lançamento, cujo mérito será analisado adiante, para se exigir o crédito tributário devido. Cabe destacar, ainda, que o sócio autuado, ao deliberar pela dissolução da sociedade, após reduzir a base imponível pela utilização da 100% do prejuízo fiscal acumulado, apropriouse indevidamente da parcela do patrimônio da pessoa jurídica que seria destinada ao pagamento de tributos. Diante da extinção irregular da pessoa jurídica, considerase correto o enquadramento da conduta do Sr.José Marcos de Souza Freire no inciso III do art. 135 do CTN e o lançamento a título de responsável tributário, inexistindo causa de nulidade do lançamento. MÉRITO Ultrapassada a questão preliminar, contudo, verificase que o exame de mérito fica prejudicado neste momento. Como relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência do IRPJ e da CSLL em face à inobservância, pela recorrente, do limite de 30% do lucro líquido ajustado na compensação de seus prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, nos termos dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 (art. 510 do RIR/99). Caso semelhante foi solucionado por este colegiado com a edição da Resolução nº 1202000.153, de 04/12/2012, cujo voto vencedor, da lavra do ilustre Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, assim tratou a questão: Atualmente, discutese no Supremo Tribunal Federal STF, em sede de Recurso Extraordinário RE 591340, a constitucionalidade da limitação em 30% na compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL – arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, conforme manifestação do ilustre Ministro MARCO AURÉLIO, relator do RE: RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S): POLO INDUSTRIAL POSITIVO E EMPREENDIMENTOS LTDA ADV.(A/S): FERNANDA ELÍSSA DE CARVALHO AWADA E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PRONUNCIAMENTO RECURSO EXTRAORDINÁRIO REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURAÇÃO. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 8 7 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO COMPENSAÇÃO LIMITE ANUAL. 1. A Assessoria assim explicitou as balizas deste recurso extraordinário: Eis a síntese do que discutido no Recurso Extraordinário nº 591.3406/ SP, da relatoria de Vossa Excelência, para análise da conveniência de inclusão no sistema da repercussão geral. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região assentou não terem os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, bem como os artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, no que limitaram em 30%, para cada anobase, o direito do contribuinte de compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ e da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, implicado ofensa à Carta da República. Abaixo a íntegra dos dispositivos legais mencionados: Lei 8.981/95 Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...]Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Lei nº 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. [...]Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos calendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. No extraordinário interposto com alegada base na alínea a do permissivo constitucional, a contribuinte articula com a transgressão dos artigos 145, § 1º, 148, 150, inciso IV, 153, inciso III, e 195, inciso I, alínea c, do Diploma Maior. Aduz terem as limitações impostas pelas Leis nº 8.981/95 e 9.065/95 configurado tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 9 8 adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Afirma ter sido instituído verdadeiro empréstimo compulsório, pois o contribuinte desembolsa antecipadamente o recolhimento dos tributos para, posteriormente, recuperálos com a compensação da base de cálculo negativa não utilizada. Sob o ângulo da repercussão geral, a contribuinte sustenta a relevância da questão constitucional debatida, pois a limitação da compensação de prejuízos fiscais reflete em milhões de contribuintes, tendo um imenso efeito econômico. No que diz respeito à constitucionalidade das limitações aplicáveis ao IRPJ, registro encontrarse pendente de julgamento no Pleno, a versar a matéria, o Recurso Extraordinário nº 344.9940/ PR, da relatoria de Vossa Excelência, com julgamento suspenso em virtude do pedido de vista da ministra Ellen Gracie. 2. Atentem para a importância do instituto da repercussão geral, próprio ao recurso extraordinário: [...] cumpre encarar o instituto da repercussão geral com largueza. O instrumental viabiliza a adoção de entendimento pelo Colegiado Maior, com o exercício, na plenitude, do direito de defesa. Em princípio, é possível vislumbrarse grande número de processos, mas, uma vez apreciada a questão, a eficácia vinculante do pronunciamento propicia a racionalização do trabalho judiciário. Conforme ressaltado pela recorrente, tratase de matéria umbilicalmente ligada à Constituição Federal, a envolver um sem número de contribuintes. Tudo recomenda o pronunciamento do Supremo, já agora sob o ângulo da repercussão geral, valendo frisar que, até aqui, não houve a seqüência da apreciação do Recurso Extraordinário nº 344.9940/ PR, no qual proferi voto no sentido da inconstitucionalidade da limitação. 3. Admito a repercussão geral. Lancem no sistema. 4. Ao Gabinete, para acompanhar no sítio do Tribunal o processamento cabível. 5. Publiquem. Brasília, 15 de setembro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (destaques meus) Despacho do ilustre Relator publicado no DJE de 02/12/2008, abaixo reproduzido, confirma que a matéria teve sua “Repercussão Geral” reconhecida: DESPACHO IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO PREJUÍZO– COMPENSAÇÃO – LIMITE ANUAL. REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – AUDIÇÃO DO PROCURADORGERAL. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 10 9 1. O Tribunal concluiu pela repercussão geral do tema versado neste processo. Ouçam o ProcuradorGeral da República, conforme previsão do artigo 325 do Regimento Interno do Supremo. 2. Publiquem. Brasília, 18 de novembro de 2008. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (destaques meus) Consulta efetuada no sítio do STF na internet, em 17/04/2013, revela que o referido RE 591340 ainda aguarda julgamento de mérito. Ainda que o caso dos autos traga a peculiaridade de se tratar do momento do encerramento da pessoa jurídica, a discussão na Suprema Corte alcança os fatos aqui analisados, visto que o exame da matéria no âmbito do Poder Judiciário pautase na discussão sobre os conceitos de lucro e renda, de interesse ao deslinde da lide tributária, consoante bem destacado, pelo ilustre relator citado, no trecho que se reproduz abaixo: Em que pese o entendimento da ilustre relatora do voto vencido, no sentido de que a matéria do presente processo é distinta daquela examinada no STF, a discussão da constitucionalidade limite de 30% envolve o exame pela Corte Superior da tese de que o limite legal acarretaria a tributação sobre o patrimônio ou capital das empresas, e não sobre o lucro ou renda, adulterando os conceitos delineados pelo Direito Comercial e pela Carta Federal. Assim, o tema a ser discutido pelo STF no RE 591340 tem relação com a tese apresentada pelo recorrente nas suas razões do recurso (não tributação do patrimônio/capital) e a sua definição pela mais alta Corte do País se mostra imprescindível para a solução do presente litígio. Dessa forma, é mais do razoável, e prudente, aguardar a decisão da E. Suprema Corte acerca da constitucionalidade da aplicação do “limite de 30% na compensação de prejuízos”, uma vez que essa limitação encontra identidade de objeto com a “compensação integral” de prejuízos quando da incorporação de empresa, ora pleiteada pela recorrente. Por seu turno, o Regimento Interno do STFRISTF, em seu art. 328, abaixo reproduzido, determina que todas as causas com questão idêntica sejam sobrestadas, até que a Suprema Corte decida os que tenham sido selecionados como representativos da causa: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a), de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em cinco dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o(a) Relator(a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 11 10 tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. Art. 328A. Nos casos previstos no art. 543B, caput, do Código de Processo Civil, o Tribunal de origem não emitirá juízo de admissibilidade sobre os recursos extraordinários já sobrestados, nem sobre os que venham a ser interpostos, até que o Supremo Tribunal Federal decida os que tenham sido selecionados nos termos do § 1º daquele artigo. (destaque meus) Da leitura acima, percebese que a própria Corte Superior determina o sobrestamento dos processos judiciais em trâmite na esfera daquele Poder até decisão final da matéria com repercussão geral. Com efeito, o artigo 62A, §1º do RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de Junho de 2009 e alterações), estabelece o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Já a Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, no seu art. 2º, § 2º, inciso I, prevê a hipótese de que o sobrestamento seja apreciado durante a sessão de julgamento: Art. 2o. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1o. § 1o. No caso da identificação se verificar antes da sessão de julgamento do processo: I o conselheiro relator deverá elaborar requerimento fundamentado ao Presidente da respectiva Turma, sugerindo o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; II o Presidente da Turma, com base na competência de que trata o art. 17, caput e inciso VII, do Anexo II do RICARF, determinará, por despacho: a) o sobrestamento do julgamento do recurso do processo; ou b) o julgamento do recurso na situação em que o processo se encontra. § 2o. Sendo suscitada a hipótese de sobrestamento durante a sessão de julgamento do processo, o incidente deverá ser julgado pela Turma, que poderá: Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13896.720620/201134 Resolução nº 1202000.193 S1C2T2 Fl. 12 11 I decidir pelo sobrestamento do processo do julgamento do recurso, mediante resolução; ou II recusar o sobrestamento e realizar o julgamento do recurso. § 3o. Na ocorrência de sobrestamento, nos termos dos §§ 1o e 2o, as respectivas Secretarias de Câmara deverão receber os processos e mantêlos em caixa específica, movimentandoos para a atividade SOBRESTADO. (grifei) Como se vê, por tratarse de matéria a ser apreciada pelo E. Supremo Tribunal Federal no rito da Repercussão Geral, o próprio RICARF recomenda o sobrestamento do julgamento do recurso (art. 62A, § 1º do RICARF), sendo que essa hipótese poderá ser apreciada durante a sessão de julgamento pela Turma, nos termos do art. 2º, §2º, inciso I, da Portaria CARF nº 001, de 2012. Por uma questão de economia processual, tendo como objetivo afastar possíveis prejuízos para todas as partes, Fazenda, Contribuinte e a movimentação de toda a máquina do próprio Poder Judiciário, caso ocorra a impetração de alguma ação judicial a respeito da exigência aqui discutida, temse como mais do que razoável, e prudente, aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal acerca da constitucionalidade do limite de 30% para a compensação de prejuízos. Dessa forma, reconhecido que a matéria em exame encontrase com repercussão geral reconhecida e que, tanto o Regimento Interno do STF como o Regimento Interno do CARF, prevêem a possibilidade/necessidade do sobrestamento do julgamento dos recursos com idêntica matéria, justificase a adoção desse procedimento, evitandose, assim, possíveis decisões divergentes entre este colegiado e o Poder Judiciário. Diante disso, é de se adotar os mesmos fundamentos expostos acima para determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até que seja proferida decisão final nos autos do Recurso ExtraordinárioRE 591340, em trâmite perante o E. Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10640.002764/2002-28
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998
EMENTA APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL. O PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
Os atos processuais realizados sob a vigência da lei anterior sejam válidos e que as normas processuais tenham aplicabilidade imediata, regendo o desenvolvimento restante do processo. RECURSO PREVISTO EM NOVO DISPOSITIVO REGIMENTAL.
A previsão regimental de um recurso especifico só atinge os recursos propostos após a vigência do dispositivo normativo e não retroage para legitimar recursos interpostos antes da vigência do referido novo dispositivo.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.948
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o Relator e os conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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O PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. Os atos processuais realizados sob a vigência da lei anterior sejam válidos e que as normas processuais tenham aplicabilidade imediata, regendo o desenvolvimento restante do processo. RECURSO PREVISTO EM NOVO DISPOSITIVO REGIMENTAL. A previsão regimental de um recurso especifico só atinge os recursos propostos após a vigência do dispositivo normativo e não retroage para legitimar recursos interpostos antes da vigência do referido novo dispositivo. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Júnior e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos o Relator e os conselheiros Marco Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Elias Sampaio Freire. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira, Antônio Carlos Guidoni, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro, Nanci Gama, Joel Miyasaki , Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Trata-se de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que não conheceu do Recurso Especial interposto pela PGFN por considerar não prevista na legislação e no RICARF anterior à 2007 a possibilidade de interposição de Recurso Especial ante o não provimento de Recurso de Ofício. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que é a Lei e não o RICARF que determina quais os recursos cabíveis no processo administrativo tributário, e que a lei processual sempre previu o cabimento de Recurso Especial contra acórdão de não deu provimento ao Recurso de Ofício. Portanto essa é a única matéria de direito a ser analisada por esse colegiado: A possibilidade de interposição, pela Fazenda Nacional, de Recurso Especial contra acórdão que negou provimento ao Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O presente Recurso foi interposto na vigência do RICARF anterior. Aplicarei somente o regimento anterior por entender que, como o Recurso Especial foi interposto à época daquele regimento, então ele é que dita as regras processuais a serem aplicadas ao caso. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10640002764/2002-28 Acórdão n.º 9900-000.948 CSRF-PL Fl. 654 3 Aqui será feita somente a verificação da possibilidade de interposição de Recurso Especial contra decisão do Conselho de Contribuintes que negou provimento ao Recurso de Oficio, antes do advento do novo Regimento. Assiste razão à Fazenda Nacional quando alega que sempre existiu a previsão de recurso especial contra acórdão que negou provimento ao Recurso de Ofício. O Decreto n.° 70.235/72 dispõe que, da decisão que der provimento a recurso de ofício será cabível o recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Argumentam alguns que faltaria interesse à Fazenda Nacional para recorrer de decisão do CARF que negar provimento a recurso de oficio, na medida em que o entendimento nela externado teria sido confirmado por dois órgãos julgadores distintos. Lembram também que são definitivas as decisões de primeira instância que exoneram crédito tributário abaixo do limite de alçada e que os órgãos julgadores de primeira instância estão vinculados aos entendimentos normativos emanados da Secretaria da Receita Federal. Não me sensibilizam esses argumentos, porque a Procuradoria da Fazenda Nacional só atua em segunda instância, no CARF, e em instância especial, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Também porque, mesmo no caso de recurso especial da Procuradoria fundado em divergência jurisprudencial, parece-me legítimo o interesse da Fazenda Nacional, na medida em que, não raro, os órgãos julgadores de primeira instância adotam entendimento amplamente dominante no CARF, que posteriormente vem a ser alterado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Também, e principalmente, porque, a prevalecer o entendimento da impossibilidade recursal da PGFN, no presente caso, estar-se-ia retirando da Câmara Superior de Recursos Fiscais a sua principal atribuição, qual seja, a de garantir a uniformização da jurisprudência administrativa. Ponderam outros, ainda, que o conhecimento de recurso especial da Fazenda Nacional na hipótese em foco poderia caracterizar ofensa ao princípio da ampla defesa, uma vez que, no caso de provimento do especial, a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria restabelecendo definitivamente certa exigência fiscal formalizada em auto de infração. De fato, excetuada a hipótese de o contribuinte vir a suscitar e demonstrar divergência entre Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decisão da situação em tela seria definitiva, sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de, ele próprio, interpor recurso. Entretanto, a ampla defesa é assegurada ao contribuinte, na medida em que os Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes (à época) e da Câmara Superior de Recursos Fiscais facultavam-lhe o oferecimento de contra-razões, bem assim a sustentação oral. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Por outro lado, o duplo grau de jurisdição, em sentido estrito, não é preceito constitucional garantido ao contribuinte no processo administrativo, conforme já decidiu o E. Supremo Tribunal Federal na ADI 1922 MC/DF. Com efeito, Procuradoria da Fazenda Nacional somente é parte no processo administrativo tributário da União quando o mesmo tramitar nos Conselhos de Contribuinte. A Fazenda Nacional tem interesse em interpor recurso de qualquer decisão de Câmara de Conselhos de Contribuinte que lhe seja desfavorável. Não há na lei processual administrativa (Decreto n° 70.235/72) nem havia nos regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais qualquer dispositivo que vedasse a interposição de recurso especial em face de decisão de Câmara de Conselhos de Contribuintes (à época) que negasse provimento a recurso de ofício. Ao contrário, os referidos atos legal e administrativo sempre autorizaram o processamento do recurso em tela. Assim, dou provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Voto Vencedor Preliminarmente, ressalto que o conselheiro Elias Sampaio Freire, designado para redigir o voto vencedor, não é mais conselheiro do CARF e não deixou a minuta de voto, por esse motivo fui designado como redator ad hoc. Como não participei da sessão, e o recurso da Fazenda Nacional foi negado, entendo que foi mantido o teor da decisão da Terceira Turma da CSRF sobre a matéria. Portanto, reproduzo os fundamentos jurídicos e legais do acórdão recorrido, verbis: Entendo que o mérito deste Recurso passa por duas questões: a) eventual aplicação do dispositivo do novo Regimento que prevê expressamente a possibilidade de interposição de Recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de oficio; e b) a verificação da possibilidade de interposição de Recurso Especial contra decisão do Conselho de Contribuintes que negou provimento ao Recurso de Oficio, antes do advento do novo Regimento. Assim, deve ser enfrentada primeiramente a questão que versa sobre a eventual aplicação do novo Regimento a Recursos interpostos antes da sua vigência. O tema é a aplicação da regra processual o tempo. No momento que .foi interposto o primeiro recurso especial, ainda perante a Primeira Turma da Câmara Superior, não havia o dispositivo expresso com esta previsão especifica e o julgamento entrou no mérito tia possibilidade da interposição deste recurso em vista da previsão do Decreto 70.235/72. Aquele recurso foi julgado perante a Primeira Turma que entendeu por não conhecê-lo e daí foi interposto este Recurso Especial, com vista em um Acórdão da Terceira Turma, que em caso similar entendeu cabível o conhecimento do Recurso, e, nos Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10640002764/2002-28 Acórdão n.º 9900-000.948 CSRF-PL Fl. 655 5 dois julgamentos restou claro que não havia um dispositivo expresso no Decreto 70.235/72 e no Regimento dos Conselhos e da Câmara Superior que abrigasse a possibilidade da interposição deste recurso. Pois bem, entendo que com o advento do Novo Regimento Interno dos Conselhos e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que prevê a possibilidade de interposição de Recurso Especial da decisão da Câmara que negar provimento ao Recurso de Oficio, há de ser enfrentada a questão da lei processual no tempo, para tanto vou me socorrer da previsão da Lei de Introdução ao Código Civil e das lições do processualistas. Maria Helena Dinis em seu livro "Lei de Introdução ao Código Civil Interpretada", página 176 e seguintes, ao tratar do artigo V. Da Lei de Introdução ao Código Civil (Art. 6". — A Lei cm vigor terá efeito imediato e geral, respeitado o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada), assim dispõe: O art. 6º ora contentado, trata da obrigatoriedade da lei no tempo, da limitação da eficácia da nova norma em conflito com a anterior. Como revogar é cessar o curso da vigência da norma, não implicando necessariamente eliminar totalmente a eficácia, quando a nova norma vem modificar ou regular, de forma diferente, a matéria versada pela anterior, no todo (ab-rogação) ou em parte (derrogação), podem surgir conflitos entre as novas disposições e as relações jurídicas já definidas sob a vigência da velha norma revogada. A norma mais recente só teria vigor para o futuro ou regularia situações anteriormente constituídas? A nova repercutiria sobre a antiga atingindo os fatos pretéritos já consumados sob a égide da norma revogada, afetando os efeitos produzidos de situações já passadas ou incidindo sobre feitos presentes ou futuros de situações pretéritas? O direito intertemporal soluciona o conflito de leis no tempo, apontando critérios para aquelas questões,disciplinando fatos em transição temporal, passando da égide de uma lei a outra, ou que se desenvolvem entre normas temporalmente diversas. Para solucionar tais questões,os critérios utilizados são: O das disposições transitórias, chamadas direito intertemporal, que são elaboradas pelo legislador no próprio texto normativo para conciliar a nova norma com as relações já definidas pela anterior. São disposições que têm vigência temporária, com o objetivo de resolver e evitar conflitos ou lesões que emergem da 1701V lei em confronto com a antiga. 0 dos princípios c/a retroatividade e da irretroatividade das 1101711aS, construções doutrinárias para solucionar conflitos entre norma mais recente e as relações jurídicas definidas sob a égide da norma anterior, na ausência de norma transitória. Quanto ao âmbito de validade temporal da norma, na teoria kelsenicma, deve-se distinguir o período de tempo posterior e o anterior á promulgação, ou melhor à publicação. Assim sendo, no que atina à extensão do tempo de sua obrigatoriedade, a lei poderá ser retroativa, se estender sua eficácia ao passada, ou irretroativa, se alcançar somente o futuro. Há, portanto, normas que podem dispor para o passado e para o futuro; outras só para o futuro ou para o Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 passado. Não poderia ser outro o entendimento ante a teoria dogmática da incidência normativa, pela qual a incidência consistiria na configuração atual de situações subjetivas e produção de efeitos em sucessão. A norma vigente podem ter eficácia, isto é, possibilidade de produção de efeitos. Quando ocorre a produção de efeitos, configurando uma situação subjetiva, tem-se a incidência da norma. Incidência diz respeito aos efeitos já produzidos. A norma revogada por outra não mais produzirá efeitos, mas sua incidência, isto é, a configuração de situação subjetiva efetuada, permanece. Embora revogada, seus efeitos permanecem. A norma precedente não se mantém viva; perderá sua eficácia apenas ex mine, porque persistem as relações já constituídas sob seu império. Da análise do art. 6. da Lei de Introdução, a doutrina e a jurisprudência têm apresentado os seguintes critérios norteadores da questão da aplicabilidade dos princípios da retroatividade e da irretroatividade. i) O principio tempus regit actum faz com que todos os atos processuais realizados sob a vigência da lei anterior sejam válidos e que as normas processuais tenham aplicabilidade imediata, regendo o desenvolvimento restantes do processo. Portanto, de acordo com a interpretação acima, no presente caso ter-se-á a aplicação do princípio tempus regit actum de tal modo que quando há unia nova lei processual os atos processuais anteriores não se modificam e o processo deve se adequar a nova lei, assim, ci lei só se aplica aos atos restantes. Deste modo, no presente caso, o novo dispositivo regimental que prevê este recurso não pode ser argumento para o conhecimento do recurso à época de sua propositura, eis que no momento da propositura ocorreu a incidência normativa e a norma então regente não previa tal recurso. E, sem a previsão especifica de tal recurso, é impossível o seu conhecimento de acordo com a doutrina de direito processual que se socorre do principio da taxatividade ou da tipicidade que nos dizeres de Nelson Noy Junior e Rosa Maria Andrade Nery, em Código de Processo Civil Comentado, página 712, assim explicam: TAXATIVIDADE. O principio da taxatividade decorre do CPC 496, que se utiliza da expressão "são cabíveis os seguintes recursos", de forma a indicar que a regra geral do sistema recursal brasileiro é o da taxatividade dos recursos. Isto quer significar que os recursos são enumerados pelo CPC e outras leis processuais numerus Clausus, vale dizer, em rol exaustivo. Somente são recursos os meios impugnativos assim denominados e regulados na lei processual. Não são recursos a correição parcial, a remessa necessária e o pedido de reconsideração. Quanto a segunda questão a ser enfrentada, que trata propriamente da divergência de posicionamento entre Primeira e a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo que o tema foi exaustivamente tratado nos dois Acórdãos.No Acórdão ora recorrido, o tema fui tratado e debatido consoante se verifica da análise do Voto Vencedor da lavra do Conselheiro Marcos Vinícius Neder e da análise do Voto Vencido do Conselheiro Manoel Gadelha. Na Terceira Turma, o Voto Vencedor de lavra do Conselheiro Otacilio Cartaxo é pautado no voto do Conselheiro Manoel Gadelha e há a declaração de voto vencido por parte da Conselheira Anelise Daudt Prieto que a partir do voto do Marcos Vinícius trabalha Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10640002764/2002-28 Acórdão n.º 9900-000.948 CSRF-PL Fl. 656 7 ainda mais o tema. A posição vencida na Primeira Turma e que é o fundamento da decisão da Terceira Turma entende, em breve resumo, que apesar da decisão de primeira instância não tem eficácia enquanto pendente de recurso ex officio; entretanto, entende que a decisão da Conselho é de segunda instância, em vista da previsão doa artigo 25 do Decreto 70.235/72; b) há interesse da Fazenda Nacional em recorrer da decisão de Conselho de Contribuintes que negar provimento a recurso de oficio, especialmente porque o recurso especial da Fazenda Nacional tanto pode suscitar dissídio jurisprudencial como contrariedade à lei ou a evidência das provas; e, c) porque na órbita judicial, a jurisprudência do STJ vem aceitando Recurso Especial em face de acórdão de tribunal que negou provimento remessa Por sua vez, a posição vencedora da Primeira Turma e admitida por Conselheiros vencidos na Terceira Turma entende, em breve resumo, que: a) a ,finalidade da criação do recurso especial é natureza extraordinária, de tal modo que "sua finalidade principal é garantir a correta compreensão da aplicação da legislação federal no contencioso administrativo, assim, decisão de primeira instância é definitiva quando contrária a Fazenda Nacional. O sistema recursal concebido no PAF, idealizado e proposto pela própria Administração tributária, dá- se por satisfeito apenas com a decisão de primeira instância que exonerar o crédito tributário.” E prossegue no sentido de consolidar o entendimento de que o recurso de oficio é uma ferramenta para que seja dada maior segurança ao sistema quando houver um valor exonerado acima de um determinado limite; b) a decisão do Conselho de Contribuintes nos julgamento de recurso de oficio não é unta decisão de segunda instância, visto que o Conselho de Contribuintes é uma segunda etapa de uma decisão única que compõe, na verdade, um primeiro e único grau de jurisdição. Para melhor entendimento deste item, os Conselheiros que trabalharam este tema trouxeram jurisprudência administrativa e judicial; e) não há qualquer prejuízo à Fazenda Nacional em não poder apresentar Recurso Especial da decisão do Conselho de negar provimento ao recurso de oficio, pois a decisão passou por duas etapas de julgamento e está fundamentada em bases seguras; d) se .fosse admitido recurso especial a decisão do Conselho que nega provimento ao recurso de oficio implicaria em duplicidade de apreciação do mesmo processo por instâncias superiores; c) o fato de o STJ ter aceitado Recurso Especial a decisão de Tribunal que negou provimento à remessa oficial não é. situação análoga ao deste caso, posto que os Tribunais têm competências distintas e os casos são distintos. Adoto, como razão de decidir todos os argumentos aduzidos no Acórdão ora Recorrido e na declaração de voto vencido do Acórdão divergente da Terceira Turma, pois entendo que os Conselheiros Marcos Vinicius Neder de Lima e Anelise Daudt Prieto trabalharam exaustivamente a matéria e nada há a acrescentar aos seus argumentos. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DO PROCURADOR. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Com os argumentos utilizados no acórdão recorrido, foi negado provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 01/12/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/01/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002991/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA.
Efetiva-se a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico - DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção.
Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz - OAB 257324 - SP
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. Efetivase a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer o Recurso Voluntário, por perempção. Fez sustentação oral: Dr. Cassio Sztokfisz OAB 257324 SP RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 29 91 /2 00 5- 85 Fl. 767DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA, com CNPJ 61.156.501/000156, em face do Acórdão nº. 39.682, de 02/06/2012, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1, que, à unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Tendo em vista a minudência da situação fática retratada, adoto o relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de Declaração(ões) de Compensação relativas a alegado crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente ao 4º trimestre de 2004. Autos em apenso. Pelo Despacho Decisório de fls. 302/325 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“Mercado Interno”; fl. 324), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite do crédito deferido. A Autoridade Fiscal responsável pelos trabalhos de auditoria levados a efeito descreve os procedimentos adotados e os exames efetuados, os quais resultaram tanto em aceitação como em rejeição de valores, esta última concretizada por via da glosa de importâncias referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, mão deobra temporária, serviços de movimentação portuária e fretes sobre aquisições de insumos (notar quadro de glosas em fl. 309, item “9.5”). Externa a Fiscalização, em síntese, entendimento no sentido: de que o serviço de laboratório, conforme Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não pode ser considerado como aplicado ou consumido diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que os serviços profissionais, conforme análise da documentação apresentada para comproválos, referemse a limpeza, conservação, manutenção, locação de mãodeobra e remuneração de serviços, que estão sujeitos à retenção pelo tomador do serviço e, portanto, não são passíveis de crédito, também sendo considerados pela Contribuinte gastos com funcionários, tais como bolsa estágio, C.I.E.E. e vistorias, entre outros, que pela Solução de Divergência 15/2008 não se enquadram no conceito de insumo (cita em fls. 250/251 pontos do referido ato administrativo); de que, com relação a fretes sobre insumos, houve a constatação de créditos calculados sobre fretes relativos a aquisições tributadas a alíquota zero, portanto em desacordo com o art. 3º, Fl. 768DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002991/200585 Acórdão n.º 3302002.928 S3C3T2 Fl. 644 3 § 2º, inciso II, da Lei 10.833/2003, e além disso alguns lançamentos na conta contábil 3061 se referiam a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens; de que a movimentação portuária referese a serviços de descarga de insumos prestados pelo porto, não havendo no art. 3º da Lei 10.833/2003 previsão de crédito para a espécie, que não se caracteriza como insumo, conforme art. 8º, inciso I, alínea b, e § 4º, I, da IN SRF 404/2004; de que as importâncias relativas a movimentação interna referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de movimentação de materiais no interior da indústria, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que as importâncias relativas a mãodeobra temporária referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de locação de mãodeobra, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; Também cita as despesas que foram aceitas por encontrálos condizentes ou sem divergências. Reconhece que as devoluções de venda de mercadoria tributada originalmente pela saída mediante a alíquota de 7,6% relativamente à Cofins e 1,65% relativamente ao PIS dão azo a creditamento, mas observa que este deve ser tratado a parte, sem o concurso de rateio proporcional, dada a relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento, em mesmo montante e tipo de crédito, no caso de eventual devolução. Contra o Despacho Decisório foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 329/360) onde se alega, em síntese, no sentido: de que, embora o procedimento fiscal tenha sido efetuado dentro do prazo legal previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, a glosa pretendida não pode produzir efeitos posto que fulminada pela decadência do direito de lançar previsto no Código Tributário Nacional; de que a glosa de créditos promove o carregamento para o futuro de valores já utilizados na compensação de tributos devidos, com a subversão da finalidade do procedimento de homologação e indireta alteração do prazo decadencial, em evidente prejuízo da legalidade; de que o procedimento é igualmente nulo porquanto a Autoridade Fiscal procedeu a diversos ajustes no valor das receitas auferidas com reflexo na base de cálculo das contribuições devidas a cada mês e não indicou a razão dos ajustes e nem a base legal respectiva (menciona, a título de exemplo, o item 8 do Relatório fiscal); Fl. 769DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 de que a glosa dos créditos levada a efeito no presente procedimento administrativo é indevida, porque já fora considerada no Processo 13811.002239/200534, onde foram glosados os alegados créditos que aponta em fl. 335; de que houve a glosa de valores referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, serviços de movimentação portuária, mãodeobra temporária e fretes sobre aquisições de insumos, basicamente pelo entendimento de que não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de fertilizantes, não se admitindo, por essa razão, a apuração de créditos relativamente a tais despesas, mas que tal interpretação não está em estrita consonância com a lei tributária, sendo que o direito ao crédito surge da utilização de um insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados a venda; de que, para Marco Aurélio Greco, a acepção do termo “insumo” deve estar vinculada necessariamente ao contexto da exação exigida, devendo, no caso da Cofins, estar atrelada ao aferimento de “receita”; de que a lei requer tão somente, para o deferimento do direito ao crédito, que os insumos sejam apenas utilizados na fabricação ou produção de produtos; de que a Autoridade Fiscal procedeu à glosa de créditos decorrentes de serviços laboratoriais, valendose de Solução de Consulta isolada sem caráter vinculativo; de que os serviços de análise de laboratório consistem em serviços para auditoria do Ministério da Agricultura, análise laboratorial na fabricação e serviços referentes a controle de qualidade; de que a ausência de análise laboratorial impossibilita a identificação da qualidade e especificação técnica de produto que a empresa se propõe a vender, e, deste modo, verificase que tais gastos dizem respeito a insumos utilizados no processo fabril como itens imprescindíveis para o regular funcionamento da Empresa e para a geração das receitas tributáveis; de que, quanto aos serviços profissionais, a lei não veda a utilização de créditos com relação a insumos que tenham sido tributados na fonte e, se os serviços são tributados na fonte, é porque são insumos sujeitos à contribuição e, deste modo, podem gerar créditos se forem utilizados no processo de fabricação; de que limpeza, conservação e manutenção são atividades intrinsecamente ligadas à fabricação, não exigindo a lei, para fins de outorga do direito de crédito, que os insumos sejam consumidos em contato com o produto fabricado; de que basta para a lei “que os insumos sejam utilizados e sejam devidamente consumidos no processo fabril, até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 344); de que, no que concerne aos gastos com serviços profissionais, não está a Solução de Divergência 15/2008, adotada para legitimar a glosa, em consonância com a lei; de que, se a lei quisesse que o direito de crédito estivesse vinculado unicamente ao contato do insumo com o produto fabricado, não teria feito menção às despesas, exigindo a lei, para fins de outorga de crédito, apenas e tão somente que os insumos guardem alguma relação com a fabricação de produtos e sejam utilizados no estabelecimento fabril; de que a Manifestante contrata com pessoas jurídicas a prestação de serviços de movimentação portuária consistentes na locação de equipamentos (pá Fl. 770DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002991/200585 Acórdão n.º 3302002.928 S3C3T2 Fl. 645 5 carregadeira) destinadas ao transporte de matériasprimas adquiridas desde o navio até o silo; de que a movimentação de mercadorias no âmbito de um porto constitui atividade de transporte em sentido amplo, devendo a sua remuneração ser considerada em essência com frete; de que, relativamente ao serviço de descarga portuária, há duas tomadas de crédito, decorrentes de créditos distintos, pois houve dois pagamentos da contribuição, um por parte dos prestadores de serviços sobre a receita auferida (Cofins) e outro por parte da Empresa por conta da importação de bens estrangeiros (Cofinsimportação), sendo um crédito tomado por esta tendo em vista a Contribuição no preço do produto e outro crédito tomado pela Contribuinte em face da importação, sendo que o creditamento referente ao Cofinsimportação decorre da permissão para o desconto de crédito em relação às importações sujeitas à contribuição na hipótese de bens utilizados como insumos, conforme Lei 10.865/2004, art. 15, II; de que os serviços de movimentação interna foram indevidamente glosados com base num critério de utilização direta na industrialização enquanto que, para a lei, basta “que os insumos sejam utilizados e esses são devidamente consumidos no processo fabril, até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 353); de que a Autoridade Fiscal não nega a vinculação desses insumos com o processo produtivo, apenas firmase no pressuposto de que tais serviços não se enquadram no conceito de insumo; de que, na falta de delimitação ou condição imposta por lei, insumo é toda utilidade que contribui em caráter essencial para o normal funcionamento de uma fábrica; de que, para a lei, o direito de crédito nasce com a utilização de um insumo no processo de produção, fabricação ou prestação de serviços; de que a lei, quando empregou a vocábulo “utilizado”, quis fazer referência ostensiva aos bens e serviços usados, empregados, aplicados, gastos, adotados, tornados úteis, proveitosos ou que tenham alguma valia ou que serviram para alguma finalidade; de que os serviços tomados a título de mão deobra temporária visam suprir a necessidade de força de trabalho no processo fabril, contribuindo diretamente no processo produtivo mediante a colocação e retirada de matérias primas nas máquinas misturadoras de fertilizantes, não havendo óbice para creditamento, sendo tais serviços contratados sob o regime da Lei 6.019/74 com pessoa jurídica contribuinte da contribuição em pauta, vedando a lei, unicamente, a escrituração de créditos decorrentes de aquisição de insumos de pessoas físicas; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão de mercadorias adquiridas (importadas) sob alíquota zero, posto que não geram direito a crédito e, daí, o frete correspondente também não geraria, mas se o frete, em si, não está sujeito a alíquota zero, o raciocínio carece de congruência lógica; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão do transporte de mercadorias de/para armazenagem ou depósito, despesas que constituem insumos utilizados na fabricação do produto a ser vendido, sendo que os Fl. 771DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 depósitos de guarda de mercadorias participam do processo industrial, representando uma extensão do estabelecimento industrial; e de que o empréstimo de mercadorias constitui o cerne do contrato de mútuo e quando a Manifestante está na posição de mutuaria, ela adquire mercadorias com fulcro no que dispõe o art. 587 do Código Civil, sob um regime jurídico distinto do aplicável ao contrato de compra e venda e quando obtém bens destinados ao seu processo produtivo e paga pelo respectivo transporte, “a MANIFESTANTE adquire um insumo vinculado à produção da mesma natureza daquele necessário à obtenção do bem (a matériaprima) sob o regime do contrato de compra e venda, razão pela qual não pode lhe ser negado o direito ao crédito” (fl. 359). Requer a declaração de nulidade do procedimento fiscal em razão da decadência do direito da Fazenda e o restabelecimento in totum dos créditos glosados. Pelo Despacho Decisório de Revisão de fls. 387/398 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“Mercado Interno”; fl. 396), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite de crédito deferido em novo montante. Assinala, em suma, a Autoridade Fiscal: que à Administração é permitido rever seus próprios atos, consoante o princípio da autotutela; que houve erros nos demonstrativos dos Créditos de Mercado Interno, de outubro a dezembro de 2004, referentes às bases de cálculos das rubricas e aos percentuais apurados para determinação das parcelas dos créditos passíveis de ressarcimento ou compensação e das parcelas dos créditos passíveis de desconto, detectandose também que a Fiscalização deixou de considerar na apuração anterior a utilização de crédito para compensar débitos de outros tributos administrados pela RFB, mediante a entrega de DCOMP (processos n° 13811.003571/200516 e 13811.002991/200585); que a revisão é também devida pelo fato da Contribuinte ter apresentado fato novo após a emissão do despacho revisado; de que a Empresa informou que na apuração do crédito de mercado interno da COFINS, apurado de forma nãocumulativa, referente ao 4° trimestre de 2004, foi utilizado crédito de junho/2004, que não foi objeto de pedido de ressarcimento ou compensação; que a Fiscalização, ao analisar as informações apresentadas, concluiu que há créditos de períodos anteriores, referentes a junho, julho e agosto de 2004, que não foram utilizados e nem foram objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, sendo também verificado que de janeiro a maio de 2004 todo o crédito apurado foi objeto de desconto e ainda restou contribuição a pagar. Em seguida, apresenta os demonstrativos afetos à revisão. Contra o Despacho Decisório de Revisão foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 403/433) pela qual, em síntese, repisa o seu entendimento e pretensão já apresentados na primeira manifestação de inconformidade, requerendo a Fl. 772DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002991/200585 Acórdão n.º 3302002.928 S3C3T2 Fl. 646 7 realização de diligência fiscal e perícia, pairando qualquer dúvida, e protestando pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários, bem como por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão proferida por autoridade competente, contra a qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. O prazo decadencial do direito de Lançar tributo não rege o instituto da compensação e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte. SERVIÇOS NÃO APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO.CREDITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Serviços, em que pese poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade do contribuinte, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de produto quando realizados anterior, posterior ou paralelamente à fabricação de produtos em si mesma, não dando azo a creditamento. DESPESAS COM TRANSPORTE ENTRE DISTINTAS UNIDADES DO SUJEITO PASSIVO OU DENTRO DA MESMA UNIDADE PRODUTIVA.CREDITAMENTO.IMPOSSIBILIDADE. Impossível a constituição de créditos sobre fretes pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País relativos a transporte entre distintas unidades do sujeito passivo e sobre despesas com transporte/movimentação de matériasprimas, produtos em elaboração ou elaborados dentro da mesma unidade produtiva do sujeito passivo FRETE NA AQUISIÇÃO. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. O crédito sobre o valor do frete na aquisição é permito apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na Fl. 773DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 mesma proporção em que esse se der, já que o frete compõe o custo de aquisição. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. É de se considerar não formulado o pedido de diligência e perícia quando desacompanhado dos quesitos referentes aos exames que seriam desejados. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/02/2013, conforme Termo de Abertura de Documento de fl.506, através da Caixa Postal, Modulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 510/556 em 02/04/2013, fl.510, no qual reitera os mesmos argumentos já colacionados na Manifestação de Inconformidade, aduzindo ainda a arguição de nulidade quanto aos procedimentos adotados pelas Autoridades Fiscais em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para o reconhecimento do direito creditório, ferindo assim o princípio da verdade material . Nesse sentido sustenta que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais o da motivação e o da legalidade, assim jamais poderia o Agente Fiscal ter emitido Despacho Decisório e a DRJ validado sem fazer uma detida e profunda análise do direito creditório da Recorrente, ignorando e glosando os vultosos créditos dessa contribuição. Às fls. 645/659 a Recorrente apresenta petição onde reitera os argumentos já trazidos em sede recursal, anexando os documentos de fls. 660/765, entre os quais o Parecer de fls.686/765. Cita respeitável doutrina e também jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O contribuinte teve ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 25/02/2013 (segundafeira), conforme Termo de Abertura de Documento, fl.506, através da Caixa Postal, Modulo eCAC do site da Receita Federal, nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subseqüente, conforme 1art. 5º, do Decreto nº. 70.235/72. 1 Art. 5.º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 13811.002991/200585 Acórdão n.º 3302002.928 S3C3T2 Fl. 647 9 Cumpre destacar as disposições previstas no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais: Art. 23. Farseá a intimação: I–pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) II–por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III–por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inc. III dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 2.º. Considerase feita a intimação: I–na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II–no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifei). Observese que no caso em exame, quando de opção do Contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE (ciência pelo eCAC), constam no processo as informações acerca da “data de abertura do documento”, fl. 506 bem como da “ciência por decurso de prazo”, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no eCAC, fl.507, no entanto, a data de ciência a ser considerada é a do evento que ocorrer primeiro (ou o dia da abertura do documento ou o dia da ciência por decurso de prazo), conforme Fl. 775DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 disciplina o inciso III, alínea "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito. No presente caso , estando demonstrado que o contribuinte tomou ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no dia 25/02/2013 (segundafeira), às 09:18h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações, fl.506, situação prevista no art. 23, § 2º, III, "b" do Decreto nº 70.235, de 1972, temse assim iniciada a contagem no dia 26/02/2013 (terçafeira) e finda em 27/03/2013 (quartafeira) inclusive, o Recurso Voluntário de fls. 510/556, apresentado tão somente em 02/04/2013, fl.510, conforme comprova o carimbo da DERAT/CAC/PAULISTA, é extemporâneo ao prazo legal estabelecido no art. 56 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim prevê: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de 30 (trinta) dias, contados da ciência. Cabe ressaltar que o exame do recurso voluntário compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando interposto contra decisão das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, inclusive quanto à tempestividade do recurso. Nesse mister, por força das disposições do 2art. 35 do já citado Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Assim, ante as considerações acima, por se tratar de pleito intempestivo, não há como se vislumbrar a abertura da via recursal à interessada. Ante o exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo, não comportando apreciação por essa instância recursal, exceto quanto à admissibilidade. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar 2 Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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