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Numero do processo: 10380.906594/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS SUJEITOS AO REGIME MONOFÁSICO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
Os produtos que estão submetidos ao regime monofásico, mas adquiridos para serem reintroduzidos no processo produtivo, utilizados como insumos na fabricação de produtos a serem colocados à venda ou na prestação de serviços, são passíveis de apuração de créditos na sistemática não cumulativa das contribuições.
EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção do produto durante o transporte, pallets e cantoneiras, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, embalagens utilizadas para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições.
Numero da decisão: 3301-010.622
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.615, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.905515/2012-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente), Juciléia de Souza Lima, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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INSUMOS SUJEITOS AO REGIME MONOFÁSICO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE Os produtos que estão submetidos ao regime monofásico, mas adquiridos para serem reintroduzidos no processo produtivo, utilizados como insumos na fabricação de produtos a serem colocados à venda ou na prestação de serviços, são passíveis de apuração de créditos na sistemática não cumulativa das contribuições. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção do produto durante o transporte, pallets e cantoneiras, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, embalagens utilizadas para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301- 010.615, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.905515/2012-76, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente), Juciléia de Souza Lima, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 65 94 /2 01 2- 32 Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de PER/DCOMP transmitida para compensação de créditos da Cofins não cumulativa apurados sobre despesas de insumos vinculadas às receitas não tributadas e auferidas no mercado interno, nos termos do art. 17 da Lei n. 11.033/2004. Para análise dos créditos pleiteados o PER/DCOMP recebeu tratamento manual, na qual a fiscalização realizou a apuração dos créditos e do processo produtivo da contribuinte. Nos termos da informação fiscal, a empresa produzia e vendia frutas “in natura”, tanto para o mercado interno como para o exterior. No mercado interno, as receitas de vendas das frutas (capítulo 8 da TIPI) estão sujeitas à alíquota zero da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, conforme art. 28, III da Lei nº 10.865/2004. Para a apuração dos insumos, a fiscalização utilizou como fundamento o art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004 e realizou as glosas sobre pallets e cantoneiras utilizados como materiais de embalagem no transporte dos produtos, sustentando que somente dão direito ao crédito da Cofins as aquisições de embalagens que acondicionam diretamente os produtos. A fiscalização também realizou a glosa dos combustíveis e lubrificantes adquiridos de revendedores, mas não porque não são insumos, mas sim, porque estes produtos não são tributados quando comercializados pelo revendedor, já que sujeita à incidência monofásica no revendedor. Assim, por não ser tributado na compra, aplicou o disposto no art. 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.833/2003 para vedar o crédito. Com as glosas realizadas, a fiscalização reconheceu apenas parte do crédito pleiteado. Com base na informação fiscal, o despacho decisório deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, com a consequente homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido. Notificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade objetivando reverter as glosas, mas foi julgada improcedente pela Turma da DRJ. Apesar de tratar os insumos à luz do REsp n. 1.221.170/PR e Parecer Normativo Cosit n. 05/2018, sustentou que o material de embalagem utilizado no transporte não pode ser considerado insumo, pois aplicado pós processo produtivo, na fase comercial do produto acabado. Assim, não é qualquer despesa que será considerada insumo, mas tão somente aquelas relacionadas com bens e serviços que sejam essenciais e relevantes para o processo produtivo ou na prestação de serviços. Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 Quanto aos combustíveis e lubrificantes, utilizou a Solução de Consulta Cosit nº 496/2017 para sustentar que não existe vedação legal para o crédito de produtos com a incidência monofásica, desde que os produtos sejam utilizados como insumos no processo produtivo. Assim, apesar de reconhecer a possibilidade de creditamento sobre essas aquisições, mesmo sem tributação no posto de gasolina, tendo em vista que houve a incidência concentrada na refinaria, manteve as glosas, mas desta vez pelo argumento de falta de comprovação sobre qual equipamento do processo produtivo esses combustíveis foram utilizados. Notificada da r. decisão a contribuinte interpôs recurso voluntário para devolver a matéria, conforme síntese abaixo: Em PRELIMINAR, argumenta inovação de fundamento para manutenção da glosa sobre combustíveis e lubrificantes; - Sustenta que na informação fiscal, bem como no despacho decisório, o fundamento para a glosa de créditos sobre as aquisições de Combustíveis e Lubrificantes ocorreram em razão da vedação legal, nos termos do inciso II, §2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003; - Por sua vez, a DRJ, ao apreciar a matéria, utilizou fundamentação jurídica totalmente diversa da Decisão de origem, mantendo as glosas de combustíveis e lubrificantes a necessariamente de comprovar, nos autos, que os produtos teriam sido utilizados no processo produtivo; - Assim, a DRJ, apesar de reconhecer a possibilidade de creditamento nas aquisições de produtos com alíquota zero ou sem incidência de contribuição nas entradas, pois submetidas ao regime monofásico, lubrificantes e combustíveis, manteve a decisão da Fiscalização por suposta “falta de provas no processo” - Ressalta que, apesar de ser ônus do contribuinte a comprovação de que os lubrificantes e combustíveis foram utilizados em máquinas e equipamentos da produção, no curso da Fiscalização essa comprovação não foi solicitada à Recorrente, realizando-se a glosa por uma questão puramente de direito, restando caracterizando o cerceamento do direito de defesa; - Na Informação Fiscal, que fundamentou o Despacho Decisório, consta como causa do indeferimento somente a interpretação por parte da decisão singular na existência de vedação legal de ressarcimento sobre aquisições de produtos de incidência monofásica; - Diante da inovação na fundamentação para manutenção da glosa, requer a nulidade da decisão da DRJ, por cerceamento do direito defesa da Recorrente; - Subsidiariamente requer conversão dos autos em diligência para que a Fiscalização solicite à Recorrente todos os documentos que demonstrem a utilização dos lubrificantes e combustíveis nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, em observância ao princípio da verdade material. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 No MÉRITO, trata do conceito de insumos e do entendimento do STJ proferido no Recurso Especial nº 1.221.170/PR e Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 para tratar dos critérios de relevância e essencialidade dos insumos pra o processo produtivo; - Sustenta que a configuração de um gasto como insumo depende da análise do ramo da atividade do contribuinte, a pertinência do item no processo produtivo, a essencialidade do insumo no processo e a possibilidade de emprego direto ou indireto na produção ou serviço; - Afirma que a mercadoria produzida, transportada e acondicionada pela Recorrente é sensível ao meio externo, devendo esta atender as normas de higiene, limpeza e segurança estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); - Os pallets e cantoneiras são embalagens para o acondicionamento da mercadoria no transporte, obedecendo-se as regras de higiene, limpeza e conservação dos produtos, estabelecidos pela Anvisa e o MAPA; - A utilização das embalagens para transportes é uma exigência legal, tendo em vista o que dispõe Instrução Normativa Conjunta da Anvisa e MAPA, INC n. 02/2018, que veio disciplinar e regular os procedimentos de aplicação de rastreabilidade de transportes; - Esses insumos se enquadram no critério b, b.1 e b.2 do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, qual seja: “(...) b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2)”por imposição legal”.(...)”; - Os produtos da Recorrente não podem ter qualquer contato com o chão, ou qualquer impacto, tudo para evitar a contaminação ou lesão à fruta, o que o tornaria inconsumível ou fora do padrão de qualidade exigido pelas autoridades sanitárias; - Há pertinência da solicitação dos créditos referentes aos pallets, cantoneiras ou qualquer outra embalagem para transporte, uma vez que a embalagem para transporte é relevante e essencial à atividade produtiva da Recorrente; - Requer correção monetária dos créditos objeto do pedido de ressarcimento; - Cita decisão do STJ que trata da oposição por parte do Fisco no reconhecimento do crédito pleiteado, impedindo que contribuinte utilize o referido crédito, sendo legítima a atualização monetária do crédito pleiteado, caso contrário estará caracterizado o enriquecimento sem causa do Fisco. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos da legislação. Cinge a controvérsia na análise de créditos de Cofins apurados sobre despesas de insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no mercado interno e tributados por alíquota zero. Conforme relato acima, quase a totalidade dos créditos pleiteados foram reconhecidos, restringindo-se a fiscalização em realizar apenas duas glosas: 1 – material de embalagem utilizados para o transporte das frutas, como pallets e cantoneiras; 2 – combustíveis e lubrificantes adquiridos de postos de gasolina. Preliminarmente, deve-se analisar a glosa número 2, tendo em vista o requerimento de nulidade formulado pela Recorrente. A Recorrente argumenta inovação realizada pela d. DRJ ao julgar sua manifestação de inconformidade. Isso porque o fundamento jurídico para a glosa presente no despacho decisório foi tão somente o artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.833/2003, que veda a apuração de crédito sobre a aquisição de bens ou serviços não sujeitos à contribuição. Por sua vez, continua a Recorrente, a d. DRJ inovou os fundamentos da glosa. Apesar de reconhecer a possibilidade de créditos de combustíveis e lubrificantes adquiridos de posto de gasolina, mesmo sem tributação já que houve incidência monofásica no produtor, os nobres julgadores mantiveram a glosa por outros argumentos, quais sejam, falta de demonstração de que os produtos foram utilizados no processo produtivo. Assiste razão à Recorrente e a inovação operada pela d. DRJ representa grave ofensa ao direito de defesa e contraditório, já que em nenhum momento a fiscalização solicitou essa demonstração, realizando a glosa por argumentos estritamente de direito: vedação legal para apuração de crédito sobre aquisições não sujeitas à incidência das contribuições. Em nenhum momento foi franqueada ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos para fins de demonstrar a vinculação dos combustíveis ao processo produtivo. Isso nem mesmo foi cogitado pela fiscalização, satisfazendo-se com uma fundamentação puramente jurídica. A fiscalização afirmou que os combustíveis e lubrificantes estão sujeitos ao regime de incidência monofásica das contribuições. Com isso, quando o posto de gasolina revende o combustível, na operação não há incidência das contribuições, visto que a tributação ficou concentrada no produtor. Como a Recorrente adquiriu os combustíveis e lubrificantes no posto de gasolina, tais produtos estavam com alíquota zero, aplicando-se a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.833/2003. O argumento é bem sucinto, sem maiores detalhes sobre se o produto é insumo ou não, vejamos: Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 6. Também foram glosados os créditos referentes a despesas com combustíveis e lubrificantes adquiridos de revendedores (postos de gasolina). Por estarem sujeitos à incidência monofásica no produtor, tais produtos não são tributados quando comercializados pelo revendedor. Assim, as aquisições desses produtos pela interessada não estavam sujeitas à incidência da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, não configurando hipótese geradora de crédito nos termos do inciso II, §2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (incluído pela Lei nº 10.865, de 2004). Na análise da manifestação de inconformidade, a d. DRJ trouxe à lume a Solução de Consulta Cosit nº 496/2017 para sustentar a possibilidade de crédito na aquisição de insumos submetidos ao regime monofásico, mesmo que adquirido do revendedor (sem tributação). Isso porque há tributação na cadeia produtiva, embora no regime monofásico, e vedar o aproveitamento de crédito se o produto for utilizado como insumo representa ofensa à não cumulatividade: 51. Deveras, caso a pessoa jurídica adquira, para utilização como insumo ou para incorporação ao seu ativo imobilizado, o bem sujeito à cobrança concentrada das contribuições de atacadista ou varejista (geralmente contemplados por alíquota zero) haveria alguma possibilidade de aplicação da vedação de desconto de créditos em comento, dada a desoneração do elo comercial imediatamente anterior. Todavia, não se pode olvidar que a sistemática de cobrança concentrada das contribuições não promove desoneração das contribuições na cadeia econômica total dos produtos contemplados, mas apenas concentra a tributação que seria aplicada em toda a cadeia em um elo escolhido (exatamente por isso as alíquotas da concentração tributária geralmente são superiores às alíquotas modais). Assim, na hipótese em análise, conquanto ocorra o incidente de a etapa imediatamente anterior ser contemplada por alíquota zero das contribuições, deve prevalecer a possibilidade de apuração de créditos em relação aos bens adquiridos (não se aplicando a vedação em lume), sob pena de onerar duplamente a cadeia econômica dos produtos contemplados pela concentração tributária (por meio da imposição de alíquotas majoradas em um determinado elo e por meio da vedação de desconto de créditos). Assim, como no caso dos veículos acima relatado, não se pode dizer que combustíveis e lubrificantes não estejam sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ainda que essas contribuições não incidam na aquisição de combustíveis e lubrificantes pelo interessado. Existe, sim, a incidência em etapa anterior a essa operação. Portanto, despesas com combustíveis e lubrificantes, comprovadamente utilizados na condição de insumos, observadas as demais prescrições legais, geram direito a crédito dessas contribuições. Nota-se, assim, que a d. DRJ afastou a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.833/2003, desde que sejam insumos. Essa vedação foi o único fundamento do Despacho Decisório. Em flagrante inovação jurídica, a d. DRJ manteve a glosa sob o argumento de que a contribuinte não demonstrou que os combustíveis e lubrificantes foram utilizados no processo produtivo, isto é, em quais etapas ou quais equipamentos foram utilizados. Desta forma, o direito aos créditos da não-cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 Ou seja, a simples aquisição de combustíveis e lubrificantes não gera direito ao creditamento. O contribuinte tem que comprovar a sua utilização em máquinas e/ou equipamentos de produção, para serem considerados insumos. Exige-se, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Essa inovação, como dito, ofende o contraditório e ampla defesa. Todavia, entendo não ser o caso de nulidade, na medida em que a decisão de mérito no presente julgamento será favorável à contribuinte neste ponto, aplicando-se o disposto no artigo 59, § 3º do Decreto n. 70.235/1972. Entendo que o motivo da glosa, qual seja, a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.833/2003, já foi revertida pela d. DRJ, não se sustentando os demais argumentos sobre falta de comprovação. Estou de acordo com o disposto na Solução de Consulta Cosit nº 496/2017. A vedação de apuração de créditos para as compras submetidas ao regime monofásico são aplicáveis para os bens adquiridos para revenda. Quando os produtos submetidos ao regime monofásico são adquiridos para serem utilizados no processo produtivo como insumos, é possível a apuração do crédito no regime da não cumulatividade da contribuição. Os créditos das contribuições são apurados sobre as compras, sua base de cálculo, e não sobre o tributo que incidiu na fase anterior. Assim, se o fornecedor for submetido ao SIMPLES NACIONAL ou lucro presumido, apura-se crédito sobre as compras pelas alíquotas da não cumulatividade (9,25% somadas), mesmo que a compra tenha sido submetida a outra carga tributária. Quando o produto adquirido para ser utilizado no processo produtivo for sujeito ao regime monofásico, com a incidência concentrada na indústria, o raciocínio é o mesmo, ainda que o insumo tenha sido adquirido do varejista (no caso, posto de gasolina), quando já não há mais tributação. Isso porque a incidência monofásica onerou o produto que será utilizado como insumo, realizando-se a reintrodução do combustível no processo produtivo. O racional da incidência monofásica, conforme reconhecido pela solução de consulta mencionada e pela r. decisão da DRJ, é construído para a incidência concentrada na indústria sobre os produtos acabados. Esses produtos não sofrerão novas industrializações, passando de comerciante em comerciante sem novas incidências das contribuições. No momento que esse produto sujeito ao regime monofásico é adquirido por um industrial, utilizando esse produto como insumo de seu processo produtivo, reintroduzindo-o no processo industrial, deve-se permitir a apuração do crédito na sistemática não cumulativa das contribuições, sob pena de cumulatividade. Exemplo desse racional é extraído, por exemplo, da incidência monofásica sobre a venda de auto peças, nos termos do artigo 3º da Lei n. 10.485/2003. Caso o produto seja vendido para uma indústria, aplica-se as alíquotas do regime não cumulativo; caso o produto seja vendido para comerciante (atacadista, varejista) ou mesmo direito para o consumidor, aplica-se o regime monofásico. Com isso, reverto a glosa de crédito sobre combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo ou prestação de serviços. Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 CONCEITO DE INSUMOS O conceito de insumos adotado pela fiscalização, como dito, estava alinhado com a IN SRF n. 404/2004 e 247/2002, vinculando-se à concepção de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem e prestação de serviços utilizados na produção, devendo-se integrar ao produto final ou ser utilizado diretamente no produto produzido. Assim, neste ponto, as glosas efetuadas foram levadas a efeito em decorrência de uma questão jurídica: a adoção pela fiscalização de um conceito de insumos mais restrito, inspirado na legislação do IPI, assim entendido como a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto ou serviço, desde que os mesmos não estejam incluídos no ativo imobilizado da empresa. Este conceito, no entanto, resta superado pela jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento, em sede de recursos repetitivos, do REsp nº 1.221.170/PR, que julgou como ilegais as Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 ao firmar a seguinte tese: “O conceito de insumo deve ser aferido a luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte” (grifei): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifei) Da leitura do voto da lavra da Ministra Regina Helena Costa, extrai-se que sua decisão se fundamenta em decisões da Câmara Superior da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, destacando que o contexto da essencialidade ou relevância de uma despesa deve sempre ser analisada em relação à imprescindibilidade para a atividade produtiva (leia-se produção de bens) ou para a prestação de serviços, para que possa ser considerado insumo: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (...) Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. (grifei) Assim, quando a ementa, ou a tese fixada no recurso repetitivo, afirma que o critério da essencialidade ou relevância de determinado gasto para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, deve-se vincular o termo “atividade econômica” para a atividade produtiva e prestação de serviços (própria Ministra Regina Helena Costa menciona este quesito em suas razões de decidir). Caso contrário, qualquer despesa que seja essencial para o desenvolvimento da atividade econômica (genericamente falando), como despesas para o setor administrativo ou comercial, por exemplo, seriam considerados insumos, transmutando novamente o conceito e levando a discussão para o conceito de despesa operacional (necessária) aplicada ao IRPJ. O Ministro Mauro Campbell Marques, acrescenta um critério que denomina de “teste de subtração”, assim entendido como uma despesa relacionada com a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, devendo ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 produtivo ou que viabilizem o processo produtivo, de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto. Aliás, entendo que entre meu voto e o voto da Min. Regina Helena há apenas uma incongruência entre signos e significados, pois dentro do critério da relevância (defendido pela Min. Regina Helena) compreendo estar (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Já dentro do critério da essencialidade está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Por fim, no critério da pertinência está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Para o somatório das três situações dei o signo de "pertinência e essencialidade", que agora a Min. Regina Helena batizou de "essencialidade e relevância", mas o conteúdo é idêntico, de modo que não vejo prejuízo algum em denominarmos pela tríade "pertinência, essencialidade e relevância", a abarcar as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos. (grifos do original) Trata-se o insumo, portanto, de um gasto incorrido para a aquisição de um bem ou de um serviço essencial ou relevante para a produção ou para a prestação de serviço, não se incluindo aí uma essencialidade para o comércio ou para a administração da empresa. Veja que são despesas “na” produção /prestação de serviços, o que afasta também a consideração como insumo quaisquer outras despesas ou encargos incorridos, como publicidade, representante comercial, comissão de vendas e que tais, já que esta despesa não é incorrida NA produção ou NA prestação de um serviço. Ou se produz um serviço ou se produz um produto, assim é possível verificar quais foram os insumos desta produção. Este é o teor do quanto previsto no artigo 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ao estabelecer que os créditos serão apurados sobre bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3º (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 Após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR a RFB publicou o Parecer Normativo nº 05/2018 para consolidar alguns pontos do conceito de insumo fixado pelo entendimento jurisprudencial. Com isso, em razão das glosas terem sido efetivadas por questões de direito, o presente julgamento também será pautado por questões jurídicas, sobre o conceito de insumos fixado pelo STJ, bem como na análise dos argumentos e Parecer Normativo RFB n. 05/2018. DA GLOSA SOBRE MATERIAL DE EMBALAGEM PARA TRANSPORTE – pallets e cantoneiras. Conforme se extrai da informação fiscal, a glosa sobre os materiais de embalagem de transporte foram realizadas com base no conceito de insumo fixado pela IN SRF n. 404/2004: 4. O relatório informa que a empresa produzia e vendia frutas “in natura”, tanto para o mercado interno como para o exterior. No mercado interno, as receitas de vendas das frutas (capítulo 8 da TIPI) estão sujeitas à alíquota zero da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, conforme art. 28, inciso III da Lei nº 10.865, de 2004. 5. À luz do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o inciso I do §4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, somente dão direito ao crédito da Cofins as aquisições de embalagens que acondicionam diretamente os produtos. Por não se enquadrarem neste conceito, foram glosados os créditos apurados sobre as aquisições de embalagens destinadas ao transporte dos produtos comercializados pela interessada. Por sua vez, a d. DRJ, fundando-se no conceito de insumos consolidado no REsp n. 1.221.170/PR e Parecer Normativo RFB n. 05/2018, manteve as glosas sob o argumento de que o material de embalagem para transporte não é essencial ou relevante para o processo produtivo, na medida em que é aplicado para o transporte do produto acabado nas operações de venda, ou seja, após o fim do processo produtivo: Portanto, os materiais de embalagem utilizados no transporte de produtos acabados não se enquadram na definição de insumos elaborada pelo STJ, ainda que importantes para a atividade desenvolvida pela manifestante, uma vez que não integram o processo de produção. São, outrossim, utilizados em fase posterior ao processo produtivo, quando da comercialização do produto acabado, constituindo-se em despesa operacional. No caso em apreciação, os pallets (ou estrados), as cantoneiras e os demais produtos têm como finalidade a acomodação das caixas que contém as frutas frescas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação da mercadoria em, por exemplo, empilhadeiras, assim como o carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os destinatários finais. Logo, tais acessórios somente se agregam aos produtos depois de encerrado o ciclo produtivo, ocasião em que as frutas já se encontram devidamente embaladas. (grifei) Em sede de defesa, a Recorrente sustenta que os pallets e cantoneiras são embalagens para o acondicionamento da mercadoria no transporte, obedecendo-se as regras de higiene, limpeza e conservação dos produtos, estabelecidos pela Anvisa e o MAPA. Sustenta que a utilização das embalagens para transportes é uma exigência legal, tendo em vista o que dispõe Instrução Normativa Conjunta da Anvisa e MAPA, INC n. 02/2018, que veio disciplinar e regular os procedimentos de aplicação de rastreabilidade de transportes, satisfazendo os requisitos da essencialidade ou relevância do insumo Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 para o processo produtivo, inclusive diante da imposição legal por normas da ANVISA para manuseio, transporte e proteção destes produtos. Trata-se, a meu ver, de despesas essenciais para a manutenção da qualidade do produto, em que pese não integre fisicamente o produto produzido e tenha sido adicionado para acondicionamento para transporte após o processo produtivo. Em que pese posterior à produção do produto em si, já que os produtos estão acabados, ainda está ligado ao processo produtivo, na medida em que ainda está no âmbito interno da indústria, representando uma despesa que será adicionada ao custo de produção, configurando insumo. Com isso, não há como negar a natureza de insumos para tais dispêndios Portanto, a aquisição destes produtos são custos relacionados ao seu processo produtivo, essenciais para o desenvolvimento desta atividade e transporte de sua produção. Com isso, é possível a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre tais gastos, nos termos do artigo 3º, II das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Reverte-se as glosas com embalagens para transporte. Correção Monetária A Recorrente requer a correção monetária de seus créditos diante da oposição ilegítima do FISCO em reconhecer os créditos, devendo-se aplicar os precedentes do STJ no trato da matéria. Não merecem prosperar os argumentos. Já concedi correção monetária de créditos da não cumulatividade de PIS e COFINS quando objeto de pedido de ressarcimento, a exemplo do acórdão n. 3301-010.096. No entanto, para que seja possível a correção monetária, deve-se estar diante de um pedido de ressarcimento de créditos. No caso, ao PER foi vinculada uma declaração de compensação, compensando-se os créditos pleiteados para extinção de débitos administrados pela RFB. Não há que se falar em oposição ilegítima nesses casos. Isso porque a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, II, CTN, a exemplo do pagamento, extinguindo o débito declarado na compensação por meio de um encontro de contas entre créditos e débitos recíprocos, nos termos do artigo 170, CTN. Justamente por isso, a declaração de compensação representa um pagamento antecipado, sujeito à ulterior homologação da administração tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 2 o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Com isso, no caso de declaração de compensação, não há como afirmar oposição ilegítima do FISCO para o reconhecimento dos créditos, na medida em que os créditos Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-010.622 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906594/2012-32 já foram utilizados como moeda para pagamento dos débitos confessados na compensação. É no momento da declaração de compensação que o encontro de contas entre créditos e débitos é aferido, extinguindo-se antecipadamente o crédito tributário (débito) confessado. Eventual não homologação da compensação, assim, não representa oposição ilegítima. Não merece provimento este ponto do recurso. Diante de todo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15374.951743/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1065; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.951743/200915 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.553 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 22 de fevereiro de 2018 Assunto DCOMP Recorrente DISTRIBUIDORA DE PAPEIS SAO NICOLAU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 51 74 3/ 20 09 -1 5 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 15374.951743/200915 Resolução nº 1402000.553 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório: Tratase de Recurso Voluntário interposto por DISTRIBUIDORA DE PAPÉIS SÃO NICOLAU LTDA interposto em face de decisão da DRJ do Rio de Janeiro que por unanimidade de votos decidiu negar provimento a manifestação de inconformidade apresentada pela não apresentação de documentação comprobatória. A presente Declaração de Compensação (DCOMP) não foi homologada por ausência de crédito disponível. A DCOMP foi apresentada informando crédito referente a pagamento a maior de IRPJ referente ao DARF antes arrecadado. A DCOMP não foi homologada, pois o DARF pleiteado teria sido utilizado para quitar débito de código outro. Segundo a Manifestação de Inconformidade houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora. Em seu julgamento a DRJ afirma que a DCTF somente foi retificada posteriormente após a ciência do despacho decisório de não homologação. Para a DRJ o contribuinte deveria ter comprovado a o erro nos termos do art. 147, §1° do CTN. Nessa toada, afirma não terem sido entregues documentos comprobatórios, não sendo adequada a mera entrega da DCTF. Em seu Recurso Voluntário a recorrente reitera que houve um erro no preenchimento da DCTF, tendo sido apresentada a competente DCTF retificadora tão somente em relação aos percentuais de recolhimento, oportunidade em que anexou as notas fiscais emitidas no período. É o relatório. Voto: Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.535, de 22.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 15374.939594/200916, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.535): O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 15374.951743/200915 Resolução nº 1402000.553 S1C4T2 Fl. 4 3 Conforme se depreende do relatório o motivo de ter sido indeferida a manifestação de inconformidade apresentada foi a apresentação de DCTF diminuindo o valor do débito tributário sem a apresentação de comprovação idônea. Nos presentes autos foram juntadas as notas fiscais juntadas com o presente Recurso demonstram que a Recorrente exerceu atividades de comércio submetidas ao percentual de presunção de 8%, e não prestação de serviços submetidas ao percentual de presunção de 32%, o que justificaria a redução do imposto devido apresentado na DCTF. Assim, justificada a retificação da DCTF para menor deve ser reconhecido que o crédito pleiteado não foi utilizado para quitar o referido débito, premissa adotada pela d. DRJ, e, portanto, deve ser reconhecida a compensação pleiteada. No entanto, muito embora reconhecido o direito creditório é necessária sua quantificação pela autoridade competente, nos termos da Súmula 84, ao que necessário seu retorno à unidade de origem.. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.721206/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda análise da documentação apresentada pela Recorrente no Recurso Voluntário, elaborando relatório sobre a comprovação das operações realizadas.
(documento assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda análise da documentação apresentada pela Recorrente no Recurso Voluntário, elaborando relatório sobre a comprovação das operações realizadas. (documento assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 10172 a 10226) interposto pelo Contribuinte, em 13 de janeiro de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 11- 52.027 (fls. 10129 a 10163), de 24 de fevereiro de 2016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), que julgou, por maioria de votos, improcedente a Impugnação (fls. 10092 a 10109), sendo vencido o Relator em relação à exclusão da redução do IRPJ sobre o lucro da exploração da base de cálculo das contribuições autuadas. Visando a elucidação do caso e por economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 10131 a 10143): Trata-se de Impugnação contra os Autos de Infração da Cofins e do PIS não cumulativos de fls. 3/24, cujos valores foram lançados com juros de mora e multa de ofício de 75%. Os montantes lançados são os seguintes: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 21 20 6/ 20 14 -7 1 Fl. 10760DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Contribuição 2.988.098,62 Juros 1.197.013,97 Multa 2.241.073,97 Valor do Crédito Apurado 6.426.186,56 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Contribuição 648.731,92 Juros 259.878,06 Multa 486.548,99 Valor do Crédito Apurado 1.395.158,97 TOTAL Crédito tributário do processo em R$ 7.821.345,53 Os dois lançamentos devem-se a quatro infrações, segundo a fiscalização (adoto a numeração do Auto de Infração do PIS, observando que no da Cofins os itens 1 e 2 do PIS, abaixo, correspondem aos itens 2 e 1, respectivamente): 1 - exclusão indevida de base de cálculo, apurada pela fiscalização a partir do confronto entre os valores escriturados no Livro Razão (que totalizam R$ 263.119.868,26, montante do qual é excluído R$ 131.568,85, este em decorrência do benefício REIDI-Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura) e os verificados com base nas Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) obtidas no SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), conforme explicado nos tópico II.3 do Termo de Verificação Fiscal (TVF). A soma das diferenças mês a mês, discriminadas nas fls. 5 e 17, é igual a R$ 8.185.232,20, tal como informado no item 44 do TVF; 2 - falta de declaração (ou inclusão na base de cálculo das duas Contribuições) do valor da subvenção proveniente do programa "DESENVOLVE" (incentivo do Estado da Bahia, consistente na dilação do prazo de pagamento do saldo devedor do ICMS ou em desconto de até 90% na liquidação antecipada). Segundo a fiscalização (ver tópico II.4 do TVF), no período autuado (anterior a 2015) "não há sequer a necessidade de verificar se a receita auferida com o DESENVOLVE é proveniente de uma subvenção para custeio ou para investimento, ou se foi concedida por ente federal ou estadual", já que os art. 54 e 55 da Lei nº 12.973, de 2014, só entraram em vigor em 01/01/2015 (estes dois artigos alteraram o art. 1º, § 3º, das Leis n º s 10.637, de 2002 (PIS) e 10.833, de 2003 (Cofins) para excluir da base de cálculo das duas Contribuições as subvenções para investimento); 3 - falta de declaração do valor da subvenção proveniente da redução de 75% do IRPJ calculado sobre o Lucro da Exploração, escriturado na conta 4.3.1.01.00003 (OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS), que segundo a fiscalização também deve ser tributada, à semelhança da subvenção Estadual (ver item II.V do TVF); Fl. 10761DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 4 - créditos da não cumulatividade descontados indevidamente na apuração das duas Contribuições, referentes "à aquisição e despesas com combustíveis e lubrificantes, consumidos por veículos de uso interno." (ver item II.VI do TVF). No Termo de Verificação Fiscal que integra os lançamentos o autuante informa o seguinte: II - DAS INFRAÇÕES APURADAS II.1 SUPERESTIMAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO 9 – A partir da documentação apresentada foi possível identificar que o contribuinte não excluiu da apuração do lucro da exploração, na Ficha 08 da DIPJ, o valor referente aos recursos auferidos com: 1) a venda de sucatas; 2) a recuperação de créditos; e 3) o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial e Integração Econômica do Estado da Bahia — Desenvolve, do qual é beneficiária. 10 – O referido incentivo fiscal foi definido na Lei Estadual nº 7.980, de 12/12/2001. Seguem, abaixo, seus dispositivos normativos de maior interesse para a presente análise: 'Art. 1º Fica instituído o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia - DESENVOLVE, com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado. Art. 2º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder, em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: I - dilação do prazo de pagamento, de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; II - diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido. Parágrafo único – Para efeito de cálculo do valor a ser incentivado com a dilação do prazo de pagamento, deverá ser excluída a parcela do imposto resultante da adição de dois pontos percentuais às alíquotas do ICMS, prevista no art. 16A da Lei no 7.014/96 para constituir o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. (...) Art. 7º A liquidação antecipada de cada uma das parcelas ensejará desconto de até 90% (noventa por cento).' Fl. 10762DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 11 – O Regulamento do Programa em questão foi aprovado pelo Decreto Estadual no 8.205, de 03/04/2002. Seguem, abaixo, seus dispositivos normativos de maior interesse para a presente análise: (...) 'Art. 3º O Conselho Deliberativo do DESENVOLVE poderá conceder dilação de prazo de até 72 (setenta e dois) meses para o pagamento de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS, relativo às operações próprias, gerado em razão dos investimentos constantes dos projetos aprovados pelo Conselho Deliberativo. [...] § 3º Sobre cada parcela do ICMS com prazo de pagamento dilatado, incidirão encargos financeiros correspondentes à taxa anual de juros de longo prazo, estabelecida na Resolução do Conselho Deliberativo do DESENVOLVE que conceder o incentivo, de acordo com a gradação constante da Tabela II anexa a este Regulamento, apurados pela seguinte fórmula: [...] Art. 6º A liquidação antecipada da parcela do imposto cujo prazo tenha sido dilatado ensejará desconto de até 90% (noventa por cento), de acordo com a Tabela I, anexa.' (...) 14 – Da análise da legislação transcrita nos itens 10 e 11 verifica-se que o contribuinte se beneficiou duplamente, tanto com a dilação do prazo para pagamento do ICMS (diferimento), quanto com a possibilidade de obter desconto em caso de liquidação antecipada do ICMS diferido. A receita auferida com esta subvenção foi escriturada pelo fiscalizado na conta contábil / rubrica nº 4.2.1.01.00007, com a descrição “ICMS INCENTIVO DESENVOLVE”, conforme consta nos Balancetes mensais e no Livro Razão. 15 – A rubrica contábil mencionada acima está no grupo contábil 4.2, “DEDUÇÕES DE VENDAS”, de natureza devedora. Possui, no entanto, natureza credora, funcionando como conta redutora de despesas. No caso, ela reduz a conta 4.2.1.01.00004, “ICMS NORMAL”. Nesta conta são escriturados os valores integrais dos débitos de ICMS. Na DIPJ, entretanto, o valor que é transportado da contabilidade para a Ficha 06A (Demonstração do Resultado), linha 11 (ICMS) é o valor líquido de ICMS, ou seja, o resultado da conta “ICMS NORMAL” reduzida da conta “ICMS INCENTIVO DESENVOLVE”. 16 – Como exemplo, o valor informado na DIPJ, Ficha 06A, linha 11, para o 1o trimestre de 2010, foi de R$ 2.916.382,21. Este valor foi obtido da conta “ICMS NORMAL”, cujo saldo no Balancete referente ao 1o trimestre era de R$ 7.173.618,00 (Devedor), subtraído do saldo da conta “ICMS INCENTIVO DESENVOLVE”, que era de R$4.257.235,79 (Credor). 17 – Deve ser observado que este procedimento torna maior o valor do Lucro Líquido do Período de Apuração, uma vez que foi reduzida a despesa com Fl. 10763DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 ICMS. Ao final, significa que os valores auferidos com a subvenção foram oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL, não pelo seu acréscimo às receitas, mas pela redução da dedução com o ICMS. Assim, os valores apurados na Ficha 06 A da DIPJ, linha 71 (LUCRO LÍQUIDO ANTES DO IRPJ), foram os seguintes: (...) 21 – Deve ser ressaltado que o Lucro da Exploração é a base de cálculo dos incentivos fiscais de isenção e de redução de que trata o art. 1o da Medida Provisória no 2.199-14, de 24/08/2001, cujo texto vigente à época (2010) era o seguinte (atualmente alterado pela Lei nº 12.715, de 2012): 'Art. 1o Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do ano-calendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste - Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia - Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei no 11.196, de 2005)' (...) 28 – Entretanto, a despeito de tudo quanto já discorrido neste tópico, ao analisar a Ficha 08 da DIPJ verifica-se que as únicas exclusões que o contribuinte efetuou foram na linha 34, referente aos valores escriturados na conta contábil 4.3.1.01.00003 (DOAÇÕES E SUBVENÇÕES), adicionados ao lucro líquido na Ficha 06 A, linha 32, provenientes da própria redução de 75% do IRPJ, e na linha 27, referente aos valores escriturados na conta contábil 4.4.1.01 (RECEITAS NÃO OPERACIONAIS), adicionados ao lucro líquido na Ficha 06 A, linhas 58 e 60. 29 – O correto seria excluir, na linha 27, também os valores escriturados nas contas contábeis 4.3.1.01.00002 (VENDAS DE SUCATAS) e 4.3.1.01.00004 (RECUPERAÇÃO DE CRÉDITOS). Os valores escriturados na conta contábil 4.2.1.01.00007 (ICMS INCENTIVO DESENVOLVE) também deveriam ser excluídos, na linha 27 ou na 34, conforme sejam subvenções para custeio ou para investimento, respectivamente. (...) 31 – A forma correta de apurar o lucro da exploração seria ajustando o lucro líquido do período-base com a exclusão dos valores da subvenção do DESENVOLVE, da venda de sucatas e da recuperação de crédito. A DIPJ, inclusive, já possui campo apropriado para essas exclusões, na Ficha 08, linha 27, com a discriminação “Outras Receitas (Lei no 6.404/1976, art. 187, IV)”. Segue, em anexo, a planilha “APURAÇÃO DA SUPERESTIMAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO”, com a apuração correta do lucro da exploração e da redução de 75% do IRPJ. Fl. 10764DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 (...) II.3 EXCLUSÃO INDEVIDA DE RECEITA DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS 40 – Em procedimento de análise dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) mensais, verificou-se que a receita informada pelo contribuinte nas Fichas 07 A e 17 A, linha 01, foi de R$ 264.578.377,35, enquanto que a base de cálculo das contribuições (2a coluna) informada nesta mesma linha foi de R$254.803.067,24. 41 – Nesse contexto, foi solicitado ao contribuinte, no Termo de Início de Procedimento Fiscal, esclarecimentos sobre quais os valores de sua receita bruta que não compunham a base de cálculo do PIS e da COFINS. 42 – Em sua resposta entregue em 21/10/2014 ao Termo de Intimação Fiscal no 01, o contribuinte informou qual o valor da base de cálculo do PIS e da COFINS, com base em suas receitas escrituradas no Livro Razão, que totalizam R$ 263.119.868,26. Deste valor foram excluídas receitas em um total de R$ 131.568,85, em decorrência destas gozarem do benefício introduzido pela Lei no 11.488, de 2007, que instituiu o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura). 43 - Estes valores foram verificados nesta ação fiscal com base nas Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) obtidas através do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Com isto, o valor informado pelo próprio contribuinte como sendo a base de cálculo correta do PIS e da COFINS foi R$ 262.988.299,44. 44 – Dessa forma, constata-se que o contribuinte excluiu indevidamente o montante de R$ 8.185.232,20 (R$ 262.988.299,44 - R$ 254.803.067,24) da base de cálculo do PIS e da COFINS. II.4 FALTA DE DECLARAÇÃO DE RECEITA SUJEITA À TRIBUTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS – SUBVENÇÃO PROVENIENTE DO PROGRAMA “DESENVOLVE” 45 – Da leitura do tópico anterior observa-se que em nenhum momento o valor referente à receita auferida com a subvenção concedida no âmbito do programa DESENVOLVE (escriturada na conta 4.2.1.01.00007) foi acrescida à base de cálculo das contribuições. O contribuinte, portanto, incorre na infração de falta de declaração de receita tributável pelo PIS/PASEP e pela COFINS. 46 – No caso destas contribuições, não há sequer a necessidade de verificar se a receita auferida com o DESENVOLVE é proveniente de uma subvenção para custeio ou para investimento, ou se foi concedida por ente federal ou estadual. Isto porque a Lei no 10.637/2002 (PIS/PASEP) e a Lei no 10.833/2003 (COFINS), ambas no art. 1o, § 2o, definem a base de cálculo das contribuições da seguinte forma: (...) Fl. 10765DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 47 – Como se verifica nestes dispositivos, qualquer receita auferida pelo contribuinte, no regime não-cumulativo, integra a base de cálculo das contribuições, exceto aquelas expressamente previstas no § 3o. As normas preveem que as contribuições têm como base de cálculo o faturamento, definido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, e que estas compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. 48 – Trata-se de conceito diverso daquele estabelecido na Lei nº 9.718, de 1998, que trata do PIS e da COFINS cumulativos. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § 1o desta Lei, que ampliava a base de cálculo destas contribuições no regime cumulativo. Para o regime não- cumulativo, entretanto, são válidas as normas acima transcritas. 49 – A Lei nº 12.973, de 13/05/2014, em seus artigos 54 e 55, alterou o art. 1º, § 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, acrescentando a seguinte hipótese de exclusão da base de cálculo das contribuições: - de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; 50 – Os artigos citados só entrarão em vigor a partir de 01/01/2015, segundo o artigo 119 da própria Lei. Desta mudança legislativa conclui-se que as subvenções para investimento, até 31/12/2014, deverão compor a base de cálculo das contribuições, só havendo amparo legal para sua exclusão a partir desta data, com a introdução de norma expressa nesse sentido. 51 – Já foram apresentadas, no item 35 deste Termo, decisões do CARF no sentido de que os recursos auferidos com subvenções devem ser caracterizados como receitas do subvencionado e, portanto, são tributáveis pelo PIS e pela COFINS, não ensejando maiores discussões. II.5 FALTA DE DECLARAÇÃO DE RECEITA SUJEITA À TRIBUTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS – SUBVENÇÃO PROVENIENTE DA REDUÇÃO DE 75% DO IRPJ CALCULADO SOBRE O LUCRO DA EXPLORAÇÃO 52 – Da mesma forma descrita no item anterior procedeu o contribuinte com as receitas da subvenção proveniente da redução de 75% do IRPJ calculado sobre o lucro da exploração (escrituradas na conta 4.3.1.01.00003, do subgrupo 4.3.1.01 - OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS). Analisando os DACON’s, verifica-se que em nenhum momento o valor referente à receita auferida com a redução do imposto foi acrescida à base de cálculo das contribuições. O contribuinte, portanto, incorre mais uma vez na infração de falta de declaração de receita tributável pelo PIS/PASEP e pela COFINS. 53 – Vale relembrar que a alteração produzida pela Lei no 12.973/2014 nas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, já comentada no item 49 deste Termo, só entrará em vigor a partir de 01/01/2015. O texto cita literalmente as subvenções concedidas através da redução de impostos: Fl. 10766DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 '- de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público;' II.6 CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO (OUTRAS OPERAÇÕES COM DIREITO A CRÉDITO) 54 – Dando continuidade ao procedimento de análise dos DACON’s mensais, verificou-se que o contribuinte informou, nas Fichas 06A e 16A, linha 13, valores referentes a “Outras Operações com Direito a Crédito”. 55 – Nesse contexto, foi solicitado ao contribuinte, no Termo de Início de Procedimento Fiscal, que informasse a que se referem tais valores e qual a fundamentação legal para o creditamento. 56 – Em sua resposta final, entregue em 21/10/2014, o contribuinte informou que tais valores se referem à aquisição e despesas com combustíveis e lubrificantes, consumidos por veículos de uso interno. Fundamentou o creditamento com base na Lei no 10.833/2003, art. 3o, II: (...) 57 – Tal despesa, entretanto, não encontra guarida na legislação para autorizar o cálculo de créditos da não-cumulatividade sobre este valor. Como se depreende da leitura do dispositivo legal acima transcrito, não é toda e qualquer despesa com combustíveis e lubrificantes que pode gerar créditos, mas apenas aquelas nas quais estes produtos sejam considerados bens utilizados como insumos. 58 – As Instruções Normativas no 247, de 2002 (referente ao PIS/PASEP), e no 404, de 2004 (referente à COFINS), trazem as seguintes definições para o conceito de “insumo”: (...) 59 – Da análise da legislação acima transcrita, verifica-se que os combustíveis e lubrificantes apenas são insumos quando utilizados em equipamentos diretamente vinculados à produção, ou seja, sendo necessários para fazer funcionar os equipamentos inseridos no processo produtivo, como bombas, extrusoras, misturadores, sistema de transporte de material, fornos, estação de resfriamento, dentre outros. É o caso, por exemplo, do gás natural (tipo de combustível), registrado na conta contábil 3.1.1.01.00004, cujo custo foi aceito como passível de gerar créditos da não-cumulatividade. 60 – Ou seja, um determinado produto pode ser insumo para uma empresa, mas ser apenas uma despesa, mesmo que necessária, para outra, a depender do tipo de atividade econômica que elas desenvolvam. O que irá caracterizar sua natureza jurídica vai ser a definição dada para o conceito de insumo, que está estabelecida nas Instruções Normativas acima transcritas. 61 – Ora, os “combustíveis e lubrificantes usado em veículos de uso interno” não exercem nenhuma ação diretamente sobre o produto em fabricação nem são utilizados nos equipamentos inseridos no processo produtivo, como exige a Fl. 10767DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 legislação. Embora a utilização destes “veículos de uso interno” possa ser necessária, a essencialidade não foi o critério eleito pelo legislador para definir o conceito de insumo. Assim fosse, se estaria igualando o desconto de créditos da não-cumulatividade à dedutibilidade de custos e despesas na apuração do IRPJ, institutos completamente diversos e com diferentes fundamentações legais. 62 – Nesse sentido, trago à colação decisão da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, proferida no julgamento do Recurso Especial no 1.020.991, sendo relator o Ministro Sérgio Kukina, publicada no DJe em 14/05/2013: (...) 63 – Ainda nesse sentido, trazendo uma clara explanação sobre o assunto, as seguintes decisões judiciais: (...) 64 – Reproduzo em separado o teor da Ementa da APELAÇÃO CÍVEL no 200538100031218 - 5a Turma Suplementar do Tribunal Regional Federal da 1a Região, Relator Desembargador Federal Grigório Carlos dos Santos – Publicado no e-DJF1 em 16/11/2012, a qual, pela riqueza de exposição, merece destaque em separado: (...) 65 – Como se vê, as conclusões sobre um produto ou serviço se caracterizar ou não como insumo sempre ocorrerão caso a caso. Para uma empresa de transporte de cargas ou de pessoas, por exemplo, gastos com combustíveis e lubrificantes estão diretamente associados à prestação do serviço, sendo caracterizado como insumo. Entretanto, este não é o caso da empresa fiscalizada. Na Impugnação de fls. 10092/10109, única para os dois lançamentos e tempestiva, o contribuinte contesta integralmente a autuação, tratando separadamente de cada uma das quatro infrações na mesma ordem numerada no início deste relatório. Aponta, em relação à infração 1, que a fiscalização deixou de deduzir da receita bruta três parcelas: - 1.054.312,67, correspondente às vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus - ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, reduzidas a zero pelo art. 2o da Lei no 10.996, de 2004; - 5.933.288,13, contabilizado na rubrica 4.2.1.01.00002-IPI (menciona, ao tratar deste e do próximo valor, o art. 24, incisos III e IV, da Instrução Normativa SRF n º 247, de 2004, além do art. 1º da Leis nos 10.637, e 2002, e 10.833); e - 1.200.527,32, contabilizado na rubrica 4.2.1.01.00003-ICMS- Substituição Tributária. Fl. 10768DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 Reduzido os três valores acima, além do da Receita Vinculada ao REIDI (131.568,85), e partindo do mesmo valor das receitas escrituradas durante o ano de 2010 tomado pela fiscalização, que é 263.119.868,26, chega a uma base de cálculo igual a 254.800.171,32, menor em relação à informada no Dacon (254.803.067,24) em apenas 2.895.92 (em vez da diferença de 8.185.232,20, esta calculada pela fiscalização), tudo conforme demonstrado na fl. 10095. Quanto à subvenção DESENVOLVE, depois de transcrever o art. 2º da Lei no 7.980, de 2001, do Estado da Bahia, afirma: Destarte, resta claro que a natureza do incentivo em comento trata apenas da dilatação do prazo para pagamento do imposto, bem como diferimento do lançamento e pagamento deste. Não se configura, na operação, qualquer recebimento de renda, receita, ou acréscimo patrimonial, caracterizando-se apenas como redução de despesa de ICMS nas operações incentivadas. Isto porque não é todo e qualquer ingresso que a empresa tenha que poderá ser conceituado como receita, sobretudo para o PIS e a COFINS. Sobre o conceito de receita, menciona: - o Acórdão do CARF nos 9303-002.618, de 12/11/2013, segundo o qual "não é qualquer ingresso que constitui uma receita"; - doutrina de José Minatel, para quem "as subvenções governamentais não se qualificam no conceito isolado de receita, porque não decorrem de esforço ou do exercício da atividade empresarial", e de Ives Gandra da Silva Martins, para quem ""eventos que reduzam despesas, embora repercutam patrimonialmente, não configuram receitas e, portanto, não integram a respectiva base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS"; - art. 1º ADI no 22, de 2003, interpretando que "Os incentivos de que trata o caput configuram reduções de custos ou despesas, não se aplicando o disposto no artigo 443 do RIR de 1999"; ver se este AI é de 2003 ou 2013 - a Solução de Consulta nº 22, da SRRF/5a RF/Disit, de 21 de julho de 2009, cuja consulente indagou à Receita Federal se "Os lançamentos a crédito no resultado operacional, como dedução da despesa de ICMS, decorrentes de fruição do beneficio fiscal no âmbito do DESENVOLVE são passíveis de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS de acordo com a legislação vigente?", e obteve como resposta que "os incentivos fiscais acima referidos não configuram ingresso de receitas representando em verdade uma redução de custo ou de despesa tributária relativa ao ICMS, e, em sendo dessa forma, não afeta no cálculo da apuração não cumulativa da contribuição para o Programa de Integração Social - PIS nem da contribuição para COFINS";CONFERIR ESTA SC E A PRÓXIMA, POIS DEVO TER ERRADO NOS NR DE UMA OU OUTRA - a Solução de Consulta n° 22, de 21 de julho de 2009, publicada no Diário Oficial da União n° 166, de 31 de agosto de 2009, sobre a Cofins, segundo a qual "Incentivos dados por Estados-membros a empresas instaladas na região, consistentes em dilação de prazo ou diferimento do lançamento do pagamento do ICMS, sob condição suspensiva, não configuram subvenções para Fl. 10769DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 investimento ou para custeio, já que as vantagens advindas não têm natureza de receitas ou de resultados", sendo que "Tais vantagens configuram reduções de custos ou de despesas e, em sendo dessa forma, não compõem a base de cálculo" Cofins e PIS não cumulativos; - Acórdão do AgRg no REsp 1363902/RS, da Primeira Turma do STJ, interpretando que incentivo fiscal do ICMS "configura incentivo voltado à redução de custos, com vistas a proporcionar maior competitividade no mercado para as empresas de um determinado Estado-membro, não assumindo natureza de receita ou faturamento, razão pela qual não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS". Em seguida, e ainda tratando da infração 2, argúi: Em adição aos fatos perlustrados, cumpre observar que esta classificação dos benefícios fiscais, como redutores de custos ou despesas, é a aplicada pela Sociedade em seus registros contábeis. E esta classificação foi, inclusive, validada pelo ilustre limo. Auditor Fiscal durante o procedimento fiscal, cujo reporte encontra-se no parágrafo 15 do item “II. 1 - SUPERESTIMAÇÃO DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO”, página 07 do Termo de Verificação Fiscal, conforme segue: A rubrica contábil (4.2.1.01.00007 — ICMS INCENTIVO DESENVOLVE) mencionada acima está no grupo contábil 4.2, "DEDUÇÕES DE VENDAS”, de natureza devedora. Possui, no entanto, natureza credora, funcionando como conta redutora de despesa. No caso, ela reduz a conta 4.2.1.01.00004, “ICMS NORMAL." Neste panorama, nota-se que a Requerente conduz os seus entendimentos e procedimentos internos, quanto ao benefício fiscal do ICMS, em acordo as determinações do ADI n° 22 de 2013 proferido pela RFB. Neste esteio, resta evidente que os incentivos fiscais estaduais, conferidos à Impugnante por meio do programa DESENVOLVE, configuram redução de despesas e não o aferimento de receitas. Por tais razões, não cabe, portanto, a tributação dos valores em questão para a contribuição do PIS e da COFINS apresentados no Auto de Infração, tendo em vista que, diante das considerações apresentadas, os valores do incentivo fomento não são configurados como fato gerador dos tributos em tela. Em seguida o contribuinte refuta a tributação da subvenção proveniente da redução de 75% do IRPJ calculado sobre o Lucro da Exploração, reportando-se às considerações anteriores sobre receita e tratando dos conceitos relacionados às subvenções. Refere-se à doutrina de Modesto Carvalhosa, ao PN CST no 112, de 1978, e ao art. 1o da MP no 2.199-14, de 24 agosto de 2014 (este tratando da redução do IRPJ em questão), ao Acórdão no 101-94.676, de 15/09/2004, do Primeiro Conselho de Contribuições, considera que o incentivo em questão enquadra-se como subvenção para investimentos e argúi: Fl. 10770DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 Assim, considerando que as subvenções para investimento não se ajustam ao conceito de receita, não há o que se falar em base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, que têm o faturamento ou receita bruta como base imponível, conforme disposto no artigo 1o das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. Refere-se ao Regime Tributário de Transição-RTT, citando as Leis n°s 11.638, de 2007, e 11.941, de 2009, afirmando que "a mera mudança de contabilização das subvenções não alterou sua natureza jurídica, mantendo-se a não tributação pelo PIS e pela COFINS", e que "para fins tributários, firmou-se o entendimento de que permanece o critério anterior, o qual determina que as transferências a título de subvenção para investimento não configuram receita ou ganho de qualquer natureza, ao passo que nem devem ser registradas no resultado, mas sim diretamente em reserva de capital, no patrimônio líquido", como previsto no art. 182, § 1o, da Lei no 6.404, de 1976. Considera, então, a própria Lei n° 11.941, de 2009, "antecipando os entendimentos conflitantes, previu situação de exclusão de subvenções para investimento da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS, quando registrados em conta de resultado", como consta do seu art. 21 (este dispositivo exclui da base de cálculo do PIS e da Cofins as "subvenções e doações feitas pelo poder público" de que trata o art. 18 da mesma, mas apenas "para fins de aplicação do RTT"). Ultimando a contestação à infração 3, afirma: Resta claro que as subvenções provenientes da redução de 75% do IRPJ calculado sobre o Lucro da Exploração classificam-se como subvenções para investimento, face aos motivos já explicitados alhures. E, assim sendo, como resta evidente que as subvenções para investimento não caracterizam receitas e por sua vez, base de cálculo para PIS e COFINS, entendemos que a infração em comento não tem razão de ser. Portanto, não há que se falar em tributação pelo PIS e pela COFINS dos valores de incentivo fiscal aqui analisados, haja vista que os mesmos possuem previsão legal de exclusão da base de cálculo dessas contribuições. Por último, o Impugnante defende o direito aos créditos sobre aquisição e despesas com combustíveis e lubrificantes, consumidos por veículos de uso interno. Entende que diante do art. 3o, inc. II e §o 3o, das Leis nos 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, "todos os itens que compuserem o custo das mercadorias, bem como que se revelem em despesas assumidas pela pessoa jurídica para este fim, devem ensejar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS, não podendo ser traçadas quaisquer restrições ao direito assim conferido pelas mencionadas legislações." Na linha do que argumenta cita doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira sobre o conceito de insumo para fins do PIS e Cofins não cumulativos, jurisprudência do TRF 4a Região (Apelação Cível n. 00290040-40.2008.404.7100/RS) e do CARF (Acórdãos nos 3403002.508, de 26/09/2013, e 9303-01.741, de 09 /11/2011), e em seguida arremata: Fl. 10771DF CARF MF Fl. 13 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 Cumpre esclarecer que os custos e despesas concernentes ao transporte de produtos e mercadorias com frota própria, muito se assemelham àqueles dispendidos pelo contribuinte que o faz valendo- se de transporte terceirizado. Isto pode ser claramente verificado, quando da equivalência de ambas as situações. Posto que, nestes termos, não se mostra razoável que custos e despesas da mesma natureza tenham tratamentos tributários díspares e desencontrados. Tal distinção é injurídica e por isso, injustificável. É uma injuridicidade que chega ao plano constitucional ante ao mandamento do artigo 150, II da Carta Política, segundo a qual não deve haver tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente. Nestes termos, os dispositivos legais acima mencionados assistem razão ao inconformismo da Impugnante face à glosa dos créditos de que se apropriou sobre o custo de aquisição de combustíveis e lubrificantes, aos olhos da fiscalização destinadas apenas ao consumo por veículos de uso interno. Deve-se considerar que as despesas mencionadas acima são utilizadas em frota própria e destinadas aos veículos aplicados nas operações de venda (transporte dos produtos finais), não envolvendo veículos ligados a outros departamentos que não os de produção. Adicionalmente ao exposto, faz-se importante esclarecer que tais despesas utilizadas com os veículos de frota própria exercem função extremamente relevante ao fluxo de produção da empresa, posto que (i) colaboram com as etapas de venda dos itens produzidos, (ii) facilitam a logística de armazenagem nas dependências da empresa, (iii) permitem a gerência de toda a cadeia logística dos itens produzidos e (iv) geram ganhos em tempestividade/oportunidade à entrega final dos produtos. Noutras palavras, pode-se dizer que os dispêndios aplicados nos veículos de frota própria contribuem fundamentalmente para colocar os itens produzidos em condições de venda e, face à sua importância, cabe até mesmo inferir que, sem a correspondente aplicação nas atividades da Recorrente, poderia ocorrer diminuição ou até mesmo a descontinuidade de sua produção. Ao final, requer o seguinte: a) Seja acolhida a presente Impugnação, para o fim de que seja anulado o Auto de Infração para cobrança do PIS e da COFINS relativo ao período em voga, sobre saldos em aberto oriundos de receitas supostamente excluídas ou omitidas indevidamente da base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS; b) Seja julgado infundado o lançamento de ofício do valor total do crédito tributário cobrado, tendo em vista que o tributo devido foi pago, através de PER/DCOMP e/ou DARF, e não há que se falar em receitas excluídas ou omitidas indevidamente da base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS; Fl. 10772DF CARF MF Fl. 14 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 c) Caso entenda o julgador pela impossibilidade da anulação, o que não se acredita, porquanto irrefutável, conceda e leve a efeito a redução da multa de 75%, haja vista seu caráter confiscatório; d) Em virtude das firmas razões expendidas, roga a Impugnante para que sejam acolhidas as sólidas razões fincadas na presente Impugnação de Auto de Infração, reconhecendo-se a integridade do direito creditório relativo às despesas com combustíveis e lubrificantes, homologando-se, por conseguinte, as compensações realizadas na apuração das Contribuições Sociais; e e) Protesta pela juntada posterior de documentos, em face do princípio da verdade material. Que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Na apreciação do recurso do Contribuinte, em 24 de julho de 2018, decidiu-se em declinar a competência para o julgamento do presente feito para a Primeira Seção do CARF por intermédio da Resolução nº 3301-000.756 (fls. 10.733 e seguintes). O Presidente da Primeira Seção, por intermédio do Despacho de Análise de Competência (fls. 10751 a 10754), em 8 de fevereiro de 2019, entendeu que as infrações de PIS e COFINS no presente processão são autônomas e específicas à legislação que trata da incidência das contribuições definidas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sem relação com o Processo nº 13502.721207/2014-16 que tratou do IRPJ e CSLL. Para dirimir o conflito negativo do competência entre a 1ª e 3ª Seções, a Presidente do CARF, em 11 de abril de 2019, decidiu por Despacho (fls. 10755 a 10758) que o pleito deve ser julgado pela Terceira Seção de Julgamento, com a devida movimentação do processo para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção, por esta estar preventa em face do litígio. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 11-52.027, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ALEGAÇÃO GENÉRICA. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 10773DF CARF MF Fl. 15 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 Tratando-se de supostos erros cometidos pela fiscalização, o ônus de apontá-los com clareza é do contribuinte, pelo que não se acolhe alegação genérica, desacompanhada de provas, de que teriam sido desprezadas na autuação deduções na base de cálculo da Contribuição, relativas a vendas com alíquota zero, ao IPI e ao ICMS substituição tributária. INCENTIVO FISCAL. PROGRAMA "DESENVOLVE" DO ESTADO DA BAHIA. DESCONTO PELO PAGAMENTO ANTECIPADO DO SALDO DEVEDOR DO ICMS. TRIBUTAÇÃO PELO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. Integram a base de cálculo do PIS e Cofins não cumulativos, por constituírem receita, os valores de descontos sobre o saldo devedor do ICMS pago antecipadamente, concedidos a empresa beneficiária de incentivo estadual. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REDUÇÃO DE 75 % DO IRPJ SOBRE O LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Até a vigência do art. 55 da Lei nº 12.973/2014, que incluiu o inciso IX no § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833/2003, integram a base de cálculo da contribuição - por constituírem receita, independentemente de sua denominação ou classificação contábil - as subvenções para investimento concedidas na forma de redução de 75 % do IRPJ calculado sobre o Lucro da Exploração. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. UTILIZAÇÃO EM VEÍCULOS DE USO INTERNO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Os combustíveis consumidos em veículos de uso interno não geram créditos na não- cumulatividade do PIS e Cofins, por constituírem despesas gerais em vez de insumos dos bens industrializados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ALEGAÇÃO GENÉRICA. AUSÊNCIA DE PROVAS. IMPROCEDÊNCIA. Tratando-se de supostos erros cometidos pela fiscalização, o ônus de apontá-los com clareza é do contribuinte, pelo que não se acolhe alegação genérica, desacompanhada de provas, de que teriam sido desprezadas na autuação deduções na base de cálculo da Contribuição, relativas a vendas com alíquota zero, ao IPI e ao ICMS substituição tributária. INCENTIVO FISCAL. PROGRAMA "DESENVOLVE" DO ESTADO DA BAHIA. DESCONTO PELO PAGAMENTO ANTECIPADO DO SALDO DEVEDOR DO ICMS. TRIBUTAÇÃO PELO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. Integram a base de cálculo do PIS e Cofins não cumulativos, por constituírem receita, os valores de descontos sobre o saldo devedor do ICMS pago antecipadamente, concedidos a empresa beneficiária de incentivo estadual. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. REDUÇÃO DE 75 % DO IRPJ SOBRE O LUCRO DA EXPLORAÇÃO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Fl. 10774DF CARF MF Fl. 16 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 Até a vigência do art. 54 da Lei nº 12.973/2014, que incluiu o inciso X no § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, integram a base de cálculo da contribuição - por constituírem receita, independentemente de sua denominação ou classificação contábil - as subvenções para investimento concedidas na forma de redução de 75 % do IRPJ calculado sobre o Lucro da Exploração. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. UTILIZAÇÃO EM VEÍCULOS DE USO INTERNO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Os combustíveis consumidos em veículos de uso interno não geram créditos na não- cumulatividade do PIS e Cofins, por constituírem despesas gerais em vez de insumos dos bens industrializados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. LEGALIDADE. Nos lançamentos de ofício a multa de ofício aplicada é de 75%, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Colegiado. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. NULIDADE REJEITADA. Não é nulo auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O objeto da lide envolve quatro infrações relativas ao PIS e COFINS: 1) exclusão indevida de receita da base de cálculo das contribuições, apurada pela fiscalização a partir do confronto entre os valores escriturados no Livro Razão (que totalizam R$ 263.119.868,26, montante do qual é excluído R$ 131.568,85, este em decorrência do benefício REIDI-Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura) e os verificados com base nas Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) obtidas no SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), conforme explicado nos tópico II.3 do Termo de Verificação Fiscal (TVF). A soma das diferenças mês a mês, discriminadas nas fls. 5 e 17, é igual a R$ 8.185.232,20, tal como informado no item 44 do TVF; 2) falta de declaração (ou inclusão na base de cálculo das Fl. 10775DF CARF MF Fl. 17 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 duas Contribuições) do valor da subvenção proveniente do programa "DESENVOLVE" (incentivo do Estado da Bahia, consistente na dilação do prazo de pagamento do saldo devedor do ICMS ou em desconto de até 90% na liquidação antecipada). Segundo a fiscalização (ver tópico II.4 do TVF), no período autuado (anterior a 2015) "não há sequer a necessidade de verificar se a receita auferida com o DESENVOLVE é proveniente de uma subvenção para custeio ou para investimento, ou se foi concedida por ente federal ou estadual", já que os art. 54 e 55 da Lei nº 12.973, de 2014, só entraram em vigor em 01/01/2015 (estes dois artigos alteraram o art. 1o, § 3º, das Leis nos 10.637, de 2002 (PIS) e 10.833, de 2003 (Cofins) para excluir da base de cálculo das duas Contribuições as subvenções para investimento); 3) falta de declaração do valor da subvenção proveniente da redução de 75% do IRPJ calculado sobre o Lucro da Exploração, escriturado na conta 4.3.1.01.00003 (OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS), que segundo a fiscalização também deve ser tributada, à semelhança da subvenção Estadual (ver item II.V do TVF); e 4) créditos da não cumulatividade descontados indevidamente na apuração das duas Contribuições, referentes "à aquisição e despesas com combustíveis e lubrificantes, consumidos por veículos de uso interno." (ver item II.VI do TVF). No Recurso Voluntário o Contribuinte trata das quatro infrações, reforçando os argumentos já expostos quando da impugnação. Tratar-se-á em seguida da primeira infração: 1. Exclusão indevida de receita da base de cálculo da contribuição ao PIS e COFINS Neste ponto foi lavrado auto de infração por entender a autoridade administrativa fiscal, confirmado pela DRJ, que foi excluído indevidamente da base de cálculo das contribuições o valor de R$ 8.152.232,20 do ano calendário 2010. O Contribuinte salienta no seu recurso que a autuação é indevida, pois deixou-se de considerar as deduções legais do IPI (conta contábil 4.2.1.01.00002-IPI) e do ICMS-ST (conta contábil 4.2.1.01.00003 – ICMS SUBSTITUIÇÃO), previstas no art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 e no art. 24, III e IV da IN nº 247/2002. Não se considerou também, para compor as deduções, as vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, de acordo com a Lei nº 10.996/2004 que reduziu a zero as alíquotas de PIS e COFINS e pelo art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003 e art. 19 da IN n 247/2002. Na decisão ora recorrida ficou assim consignado sobre esta matéria (fls. 10144 e 10145): teria cometido. contribuinte em 21/10/2014 e dela deduzido os valores do REIDI (ver fl. 10053), o Fl. 10776DF CARF MF Fl. 18 da Resolução n.º 3301-001.293 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.721206/2014-71 Teria o contribuinte cometido algum erro no seu preenchimento? Por exemplo: os valores informados na Linhas 04 das Ficha s? Nada disso o contribuinte informa. -los com clareza, evidenciar e quantificar os respectivos valores e apresentar as provas. Frente a este entendimento exposto na decisão ora recorrida, o Contribuinte apresenta, no seu entender, as provas que demonstram o equívoco da decisão que não foram destacadas quando da impugnação, mas que agora são apresentadas no Recurso Voluntário às fls. “ ÃO UÇÃO O B ÁL ULO DO PIS E DA COFI ” “ TRIBUTAÇÃO DE VENDA F ”. Diante do alegado pelo contribuinte em seu recurso voluntário, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda análise da documentação apresentada pelo Recorrente no Recurso Voluntário, elaborando relatório sobre as comprovação das operações. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 10777DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.902307/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.547
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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(assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) O contribuinte HP FINANCIAL SERVICES BRASIL LTDA., CNPJ/MF nº 04.548.036/000165, já qualificado neste processo, apresentou o PER/DCOMP nº 20529.32752.120505.1.3.040200, transmitido em 12/05/2005, com um pedido de reconhecimento de indébito referente à CSLL arrecadada em 31/01/2005, no valor original de crédito de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 02 30 7/ 20 09 -0 6 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13896.902307/200906 Resolução nº 1401000.547 S1C4T1 Fl. 3 2 95.077,47, do período de apuração 31/12/2004, vencimento 31/01/2005 (DARF no valor total de R$ 149.215,21, código 2372, com total de crédito original utilizando no PER/DCOMP citado de R$ 40.524,76), para compensar com o PIS/PASEP e COFINS de períodos posteriores. Esta declaração de compensação está vinculada ao PER/DCOMP inicial nº 35911.66786.290405.1.3.044413. Em despacho decisório de 25/03/2009 (rastreamento nº 825083073), a autoridade competente da DRFBarueri (SP) NÃO homologou a compensação, asseverando que o indébito perseguido inexistia, pois o pagamento havia sido utilizado integralmente para extinção do débito cód 2372 PA 31/12/2004, no importe de R$ 149.215,21. Notificado da decisão acima em 01/04/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 04/05/2009, com o quadro fático que abaixo se transcreve (fls. 11 a 13): (...) Ocorre que, durante o quarto trimestre de 2004, por um equivoco, apesar de haver efetivamente apurado a titulo de CSLL o montante de R$ 103.539,17 (cento e três mil, quinhentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), a Requerente efetuou o recolhimento a maior da contribuição, na quantia de R$ 198.616,64 (cento e noventa e oito mil, seiscentos e dezesseis reais e sessenta e quatro centavos). (doc. n.° 03 e 06) Isto porque, a Requerente, por um lapso, acabou confundindose, e efetuou o recolhimento da contribuição referente ao quarto trimestre de 2004 em valor muito similar a um dos pagamentos da exação efetuados para o terceiro trimestre de 2004, ou seja, muito superior à quantia efetivamente devida. Apenas para que se tenha noção da similaridade de tais valores, cumpre informar que o pagamento realizado de CSLL para o terceiro trimestre de 2004 foi de R$ 149.325,03 (cento e quarenta e nove mil, trezentos e vinte e cinco reais e três centavos), enquanto o debito indevidamente imputado para o quarto trimestre de 2004 e gerador do recolhimento a maior perfaz a quantia de R$ 149.215,21 (cento e quarenta e nove mil, duzentos e quinze reais e vinte um centavos). Apenas para que se tenha noção da similaridade de tais valores, cumpre informar que o montante apurado de CSLL para o terceiro trimestre de 2004 foi de R$ 149.325,03 (cento e quarenta e nove mil, trezentos e vinte e cinco reais e três centavos), ao passo que um dos recolhimentos feitos (frisese, indevidamente) para a quitação da exação apurada no quarto trimestre de 2004, foi de R$ 149.215,21 (cento e quarenta e nove mil, duzentos e quinze reais e vinte um centavos), havendo, portanto, uma diferença de apenas R$ 109,82 (cento e nove reais e oitenta e dois centavos), o que, infelizmente, induziu a Requerente em erro. Considerando que o montante da CSLL realmente devida para quarto trimestre de 2004 era de R$ 103.539,17 (cento e três mil, quinhentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), e tendo a Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13896.902307/200906 Resolução nº 1401000.547 S1C4T1 Fl. 4 3 Requerente equivocadamente efetuado o pagamento desta contribuição no valor a maior de R$ 198.616,64 (cento e noventa e oito mil, seiscentos e dezesseis reais e sessenta e quatro centavos),evidenciase que a Requerente ficou com um saldo credor de R$ 95.077,47 (noventa e cinco mil, setenta e sete reais e quarenta e sete centavos), correspondente ã. diferença entre o valor indevidamente recolhido (R$ 198.616,64), e a quantia de fato devida da CSLL neste trimestre (R$ 103.539,17), sendo tal saldo credor passível de ser utilizado em compensação com débitos vencidos ou vincendos do Requerente, nos termos autorizados pelo artigo 74 da Lei n.°. 9.430/96. Diante do quadro acima e, valendose, evidentemente, de expressa autorização legal para compensação dos créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior como os verificados neste caso, a Requerente realizou a compensação entre seus débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social— COFINS, e da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, de abril de 2005, no montante histórico total de R$ 7.589,12 (sete mil, quinhentos e oitenta e nove reais e doze centavos), e R$ 35.026,72 (trinta e cinco mil, vinte e seis reais setenta e dois centavos), respectivamente, e parte de seus créditos referentes ao recolhimento a maior da CSLL apurada para o quarto trimestre de 2004, nos termos demonstrados acima, no valor de R$ 40.524,76 (quarenta mil, quinhentos e vinte quatro reais e setenta e seis centavos), que, atualizado pela aplicação da taxa SELIC acumulada de 5,16% (cinco e dezesseis por cento), atingiu o montante total de R$ 42.615,84 (quarenta e dois mil,seiscentos e quinze reais e oitenta e quatro centavos), quantia equivalente à soma dos débitos informados na declaração de compensação sob exame (doc. nº 04). Importante notar que, após a realização desta compensação, restou, ainda, um saldo credor em virtude do recolhimento a maior supramencionado, no valor de R$ 2.371,76 (dois mil, trezentos e setenta e um reais e setenta e seis centavos). (...) (grifos do original) Aduziu ainda que retificou a DIPJAnocalendário 2004 em 31/08/2007, para retificar a CSLL do 4º trimestre de 2004 (de R$ 198.616,64, para R$ 103.539,17), e, posteriormente, a DCTF respectiva (em 24/03/2009), esta após a ciência da decisão que não homologou a compensação. Ressaltou que, pelo menos, caberia à Administração, na forma do art. 147, § 2, do CTN, corrigir de ofício o equívoco existente entre a tempestiva DIPJAC2004 retificadora e a DCTF original, ou, assim não agindo, deveria ter intimado o contribuinte a prestar esclarecimento. Porém não poderia simplesmente denegar o direito, quando presente o equívoco ora descrito. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13896.902307/200906 Resolução nº 1401000.547 S1C4T1 Fl. 5 4 O impugnante não juntou qualquer documentação contábil comprobatória do seu direito à impugnação. É o relatório." (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), que, por meio do Acórdão 1144.837, de 30 de janeiro de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IRPJ. VALOR INFORMADO EM DIPJ DIVERGENTE DO CONFESSADO EM DCTF. DIREITO CREDITÓRIO ALICERÇADO UNICAMENTE NA INFORMAÇÃO DA DIPJ. INVIABILIDADE DO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O meio hábil para confissão e constituição de débitos é a DCTF, cujos valores serão objeto de auditoria interna e, eventualmente, inscrição em dívida ativa, e não a DIPJ, sendo esta mera peça informativa, que não constitui o crédito tributário. Eventualmente, se houver provas que demonstrem o erro de fato na DCTF, podese acatar a correção dos valores confessados. Para tanto, não basta a mera DIPJ, sendo necessário que o contribuinte acoste aos autos a sua escrita contábil, com documentação de suporte, a demonstrar o erro incorrido. Direito creditório indeferido. Compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, eletronicamente, da decisão de DRJ em 01/08/2014 e insatisfeita com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 28/08/2014 em que repete os argumentos trazidos na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13896.902307/200906 Resolução nº 1401000.547 S1C4T1 Fl. 6 5 000.545, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 16327.911639/200916, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório requerido no presente processo tem como origem o DARF de CSLL código 2469 Entidades Financeiras Estimativa Mensal, referente ao período de apuração de 31/12/2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.545): " O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo pois ser reconhecido. Para o julgamento deste processo, devese analisar, inicialmente, se a indicação de origem do crédito diversa da que efetivamente tenha ocorrido deve ensejar a improcedência do direito creditório da recorrente. Entendo que não. A indicação de que o crédito se refere a pagamento a maior no caso, por recolhimento de estimativas , e não a saldo negativo de IRPJ, como alegou a DRJ para fundamentar a negação ao direito creditório, não impede que se verifique se a empresa efetivamente tem direito ao crédito. Entendo importante e extremamente necessário que a fazenda nacional crie regras e estabeleça procedimentos que objetivem o controle das informações prestadas pelos contribuintes. Dentre esses controles, a informação de crédito tributário e de seu consequente pedido de restituição deve comportar verdadeiramente o que ocorreu na realidade fática. Em busca disso, instituiuse o Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). No caso concreto, a empresa apresentou o PER/DCOMP em época própria, indicando que o crédito apurado tinha origem em pagamento a maior. A DRJ, por sua vez, indeferiu o pedido creditório por entender que a empresa deveria ter indicado que o saldo advinha de saldo negativo de IRPJ. Vide Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. NOVO PER/DCOMP. A modificação do tipo de crédito implica alteração da sua natureza, o que não configura erro formal e nem inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterar o tipo de crédito, impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro certo. Para decidir, a DRJ entendeu "que o erro de preenchimento do PER/DCOMP apresentado na realidade se traduz num efetivo erro de Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13896.902307/200906 Resolução nº 1401000.547 S1C4T1 Fl. 7 6 critério jurídico por parte do manifestante, uma vez que a alteração do tipo de crédito interfere na natureza do próprio direito que se pretende demonstra ", se apegando ao formalismo da norma que ali indica, qual seja, artigo 89 da IN RFB 1.300/2012 (que repete o artigo 58 da IN SRF 600/2005, e o artigo 78 da IN RFB nº 900/2008), combinado com o artigo 32 do Decreto nº 70.235/72. Veja [...]: “Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” (grifos nossos) Não obstante o posicionamento da delegacia de julgamento, entendo que há relevantes indícios de que a recorrente possui o crédito pleiteado. Na DIPJ, por exemplo, a empresa recolheu tributos e apurou saldo negativo no final do anocalendário. Assim, por entender que ninguém pode se apropriar indevidamente do recursos que não lhe competem, e em busca da verdade material, supero as razões da DRJ para analisar o crédito ora pleiteado. Entretanto, entendo que o caso ainda requer uma análise mais aprofundada sobre o suposto direito creditório. E a própria DRJ indicou a necessidade de tal análise, mesmo que ao fim tenha julgado improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente, vejase [...]: No presente caso, além dos pagamentos e informados haveria que se verificar a existência de retenções na fonte e se dentre o total antecipado por meio das chamadas estimativas mensais existiriam parcelas vinculadas à compensações. Caberia também a validação destas mesmas antecipações através da análise de créditos vinculados, efetivo pagamento das estimativas ou comprovação das eventuais retenções, ou seja, não há como fazer análise de um saldo negativo apenas por meio dos pagamentos informados, ainda mais de forma fracionada, uma vez que o presente PER/DCOMP contemplaria apenas parte do suposto crédito pleiteado. Quanto à retificação da DCTF, ao contrário do que fundamentou a DRJ, entendo também que há indícios de que a DCTF retificadora equivale ao valor que efetivamente deveria ser declarado. Desta feita, proponho baixar o processo em diligência para que seja analisado o seguinte: 1) Verificar se existe Per/Dcomp entregue em relação ao mesmo período de apuração, que tenha como natureza do crédito saldo negativo do tributo pleiteado. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 13896.902307/200906 Resolução nº 1401000.547 S1C4T1 Fl. 8 7 2) Verificar se os pagamentos indevidos coincidem com o saldo negativo, incluindo a análise de qualquer recolhimento efetuado pela recorrente ou por terceiros, mas em nome dela. 3) Enfim, informar se a recorrente tem direito ao crédito pleiteado e indicar se o valor do crédito coincide com o constante no PER/DCOMP. 4) Preparar Informação Fiscal sobre o resultado da diligência, encaminhála à empresa e intimar a recorrente para que se manifeste sobre o seu teor, no prazo de 30 (trinta) dias contados da intimação, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1998. 5) Após encaminhar o processo ao CARF para seu julgamento. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 232DF CARF MF
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Numero do processo: 13854.000044/2002-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-000.463
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarou-se impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Declarouse impedido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 54 .0 00 04 4/ 20 02 -1 9 Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 779 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 684 a 695) interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SP1) (fls. 582 a 597) que deu provimento parcial à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. Segue a síntese do relatório do Acórdão proferido DRJ/SP1, bem como o complemento no tocante as atualizações processuais pertinentes. "Em 30/01/2002, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, pedido de RESTITUIÇÃO (fl. 01), cumulado com os pleitos de COMPENSAÇÃO, objetivando o aproveitamento de IRRF, referente ao anocalendário de 2001, no valor total original de R$ 4.123.625,28. Embora o contribuinte tenha solicitado, no Pedido de Restituição, a restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte, o qual não se enquadra como pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda, considerouse, pelo princípio da informalidade, o pedido como restituição de Saldo Negativo de IR apurado na ficha 12A da DIPJ/2002, haja vista ter informado corretamente o crédito como saldo negativo de IR nas demais Declarações de Compensação dos processos apensos. Do Saldo Negativo de IR apontado pelo contribuinte na DIPJ/2002 no valor de R$ 4.282.617,30 (quatro milhões, duzentos e oitenta e dois mil, seiscentos e dezessete reais e trinta centavos), verificase que a maior parcela referese ao IRRF, cujo valor é R$ 4.123.859,94 (quatro milhões, cento e vinte e três mil, oitocentos e cinqüenta e nove reais e noventa e quatro centavos), conforme ficha 12A. Em 08/03/2007, a DERAT/SPO/SP exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 167/179) INDEFERINDO o pedido da interessada pelos motivos a seguir: •Não houve pagamento das estimativas nos PA de novembro e dezembro de 2001 nos valores de R$ 1.467.869,32 e R$ 1.199.893,23, respectivamente; • Na DCTF a estimativa do PA de novembro de 2001 consta o valor compensado de R$ 1.387.682,02 e o saldo a pagar de R$ 80.187,30. •Do valor compensado de R$ 1.387.682,02 em 11/2001, R$ 999.085,20 corresponde ao saldo negativo do anocalendário de 2000 e R$ 388.596,82 ao saldo negativo do anocalendário de 1998; •No que respeita ao saldo negativo do anocalendário de 1998, a contribuinte efetuou compensação de prejuízo fiscal fora dos limites estabelecidos pela lei (art.15 da Lei n° 9.065/95) o qual detectado pela Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 780 3 autoridade fiscal no curso da revisão interna da DIPJ foi ajustado de acordo com o determinado pela legislação de regência; •Desse modo, o saldo inicialmente apurado de negativo passou a IR a pagar (fl.176). Indevida, portanto, a compensação utilizandose do referido valor; •Quanto ao saldo negativo do anocalendário de 2000, o pleito foi analisado pelo processo de n° 13854.000317/200217 o qual teve decisão desfavorável à interessada, ou seja, não lhe foi reconhecido o saldo negativo do período. Por conseguinte, inválida a compensação efetuada com base no referido montante; •No anocalendário de 2001, a contribuinte foi submetida a procedimento fiscal tendo como conseqüência a alteração do Lucro Real Ajustado de R$ 10.438.837,47 para R$ 27.204.977,64. A referida modificação no lucro ocasionou a conversão do saldo negativo de R$ 4.282.617,30 para IR a Pagar de R$ 1.341.479,41. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 09/03/2007 (fl. 180) e dela recorreu a esta DRJ em 10/04/2007 (fls. 353/367). As alegações expostas pela impugnante são resumidas a seguir. •Os débitos dos PA de 11 e 12/2001 estão incluídos no PAES; •O montante correspondente ao saldo negativo do IRPJ, do ano calendário de 1998, foi incluído no REFIS; •Os montantes apurados nos Autos de Infração decorrentes de revisão da DIPJ possuem objetos de análise restritos às infrações detectadas e não interferem no resultado dos saldos negativos dos períodos pleiteados; •Não há nos cálculos realizados pela autoridade fiscal qualquer lançamento de ajuste ou compensação entre o débito apurado e o saldo negativo apurado sendo o débito fiscal lançado à razão de 100% do valor tido como devido; •Não há interdependência, conexão ou continência entre o presente feito e o decidido no processo referente ao Auto de Infração; •Não poderia a exação apurada no Auto de Infração refletirse no resultado dos saldos negativos dos anoscalendário de 2000 e 2001, por se tratar de questão independente; •Portanto, não se caracteriza a incerteza e falta de liquidez dos saldos negativos dos anoscalendário de 2000 e 2001; •Os valores lançados nos Autos de Infração não alteram ou invalidam os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1999 a 2001; Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 781 4 •Requer provimento da presente manifestação de inconformidade. O presente processo foi objeto de análise por esta Delegacia de Julgamento tendo sido proferido o acórdão de n° 1615.028, o qual se decidiu pelo indeferimento do pleito (fls.428/433). No entanto, a decisão, ora proferida, foi anulada pelo Acórdão de n° 140200.154 da 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária do CARF(fls.454/457) em razão dos seguintes motivos: • A Turma julgadora não analisou a documentação pertinente aos débitos incluídos no PAES e REFIS, razão pela qual nova decisão deve ser proferida levandose em consideração a avaliação dos parcelamentos. Tendo em vista as divergências apontadas e a documentação/alegações apresentadas tornouse necessário converter o presente processo em diligência fiscal visando a análise do direito creditório da contribuinte. Os pontos seguintes foram objeto de solicitação para serem verificados para uma melhor compreensão da composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001: • Se os débitos dos PA de 11 (R$ 80.137,30) e 12/2001 (R$ 1.199.893,24) estão incluídos no PAES (fls.371/372) bem como a atual situação do parcelamento; • Se os montantes dos débitos correspondentes ao saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 1998, foram, de fato, incluídos no REFIS. O valor informado para parcelamento (fl.374), segundo a contribuinte, foi de R$ 8.634.313,94 (PA de 12/98 código 2362). Com relação ao saldo negativo do anocalendário de 1998, a contribuinte alega que desistiu do REFIS e aderiu ao PAES (fl.375); • Se a contribuinte desistiu do REFIS e, de fato, os montantes dos débitos correspondentes ao saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 1998, foram incluídos no PAES bem como a atual situação do parcelamento; •Apuração do saldo negativo do anocalendário com base nas informações citadas e;. •Elabore relatório conclusivo e dê ciência a contribuinte concedendo lhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei n° 9.784/99. Em resposta ao pedido de diligência, foi elaborado relatório conclusivo (fls.493/497), cujo teor é reproduzido a seguir: •Se os débitos de IRPJ dos períodos de apuração novembro e dezembro de 2001 estão incluídos no PAES (fls. 371/372), bem como a atual situação do parcelamento: A fim de checar tal informação, remetemos o processo ao DRF/RPO/SECAT (folha 467), razão pela qual nos foi Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 782 5 informado que esses débitos foram parcelados no PAES, com saldos devedores originais de R$ 80.187,30 (novembro/2001) e R$ 1.199.893,23 (dezembro/2001), tendo a contribuinte desistido do PAES em 26/11/2009 para inclusão de tais débitos no parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009, sem ter ocorrido qualquer amortização desses valores no âmbito do PAES. Portanto, os débitos de IRPJ referentes aos períodos de apuração novembro de 2001 (R$ 80.187,30) e dezembro de 2001 (1.199.893,23) ainda não foram extintos. •Se o débito de IRPJ do período de apuração dezembro de 1998 foi incluído no REFIS, bem como a atual situação do parcelamento: Fomos informados pelo DRF/RPO/SECAT (folha 477) que o débito, no valor de R$ 8.634.313,94, encontrase extinto em razão de amortizações no âmbito do REFIS e, posteriormente, no âmbito do PAES. Esse montante de R$ 8.634.313,94 representa o valor encontrado a título de IRPJ apurado no ano de 1998 em revisão interna efetuada pela SRF (R$ 8.281.823,26 + R$ 352.490,72). Dessa forma, houve a formação de saldo negativo de IRPJ no anobase 1998 no valor de R$ 352.490,72; • Qual o montante do saldo negativo de IRPJ referente ao anobase 2001: 1.Quanto aos itens 01 (IR sobre o Lucro Real à alíquota de 15%) no valor de R$ 1.533.158,89 e 03 (Adicional de IR sobre o Lucro Real) no valor de R$ 998.105,93, cabe transcrever o que outrora já fora observado pela DRJ/SP1 (folha 431): "Quanto aos montantes informados nas linhas 01 e 03, da Ficha 12 A, os montantes foram retificados de R$ 1.533.158,89 (fl. 158) para R$ 3.293.603,61 e de R$ 998.105,93 para R$ 2.171.735,74, respectivamente, em virtude de ajustes efetuados na base de cálculo do IR. Referidos ajustes decorrem do Auto de Infração consubstanciados no processo de n° 16327.000864/200411, o qual encontrase em tramitação no 1° CC (fl.420);" 2.Ocorre que os R$ 2.934.074,53, resultantes da diferença entre o IR apurado pela fiscalização e o IR informado na DIPJ pela contribuinte, já foram extintos sob os processos 16327.000864/200411 e 16151.000081/200658 (folhas 480 e 481), o que nos permite considerar, na formação do saldo negativo em pauta, apenas os valores informados pela contribuinte (R$ 1.533.158,89 e R$ 998.105,93). 3.Quanto aos itens 05 (Programa de Alimentação do Trabalhador) e 08 (Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente) da Ficha 12A da DIPJ, emprestamos os dizeres da DRJ/SP1 (folha 431): "No que concerne às linhas 05 e 08 da Ficha 12 A, cujos valores foram glosados pela autoridade fiscal, não houve contestação por parte da interessada, razão pela qual deverão ser mantidos, conforme efetuado na revisão da declaração de rendimentos." Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 783 6 4.Em relação ao item 13 da Ficha 12A da DIPJ (Imposto de Renda Retido na Fonte), já concluiu a DPJ/SP1 (folha 431) que o valor informado pela contribuinte e o apurado pela autoridade fiscal não apresentam divergências (R$ 4.123.859,94). 5.Quanto ao item 16 da Ficha 12A da DIPJ (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa), no valor de R$ 2.667.762,56, o mesmo foi composto pelos valores referentes a novembro de 2001 (R$ 1.467.869,32) e dezembro de 2001 (R$ 1.199.893,23 (folhas 482 e 483). 6.Os R$ 1.199.893,23 relativos a dezembro de 2001, conforme já foi esclarecido no início deste relatório, ainda não foram sequer parcialmente extintos, estando disponíveis para consolidação no parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009. Não pode, portanto, compor o saldo negativo de IRPJ no ano de 2001. 7.Dos R$ 1.467.869,32 relativos a novembro de 2001, somente R$ 1.387.682,02 foram efetivamente extintos. A DCTF (folha 482) indica que esse débito de IR mensal teria sido extinto de três modos: • R$ 80.187,30 : conforme já foi esclarecido no início deste relatório, ainda não foi sequer parcialmente extinto, estando disponível para consolidação no parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009. Não pode, portanto, compor o saldo negativo de IRPJ no ano de 2001; • R$ 388.596,82 : foi compensado com crédito de saldo negativo de IRPJ do anobase 1998. Esse crédito já havia sido utilizado para compensar, sem processo, débitos IR mensal de 2000, conforme relatório do sistema SAPO às folhas 484 a 486 e Informação à folha 534 do processo 13854.000317/200217. Assim, confrontamos o crédito remanescente de R$ 253.584,15 com o débito de R$ 388.596,82, tendo o débito sido integralmente extinto (cálculo às folhas 487 a 489). • o saldo negativo de IRPJ referente ao anobase 1998, no valor de R$ 352.490,72, formado integralmente por IRRF, está amparado pelas informações contidas nas DIRF das fontes pagadoras, conforme já comprovado no processo n° 13854.000317/200217, à folha 534; • realizados os cálculos da compensação do crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anobase 1998 com os débitos de IRPJ por estimativa de janeiro (R$ 5.279,31), maio (R$ 95.128,77) e agosto de 2000 (R$ 29.999,70), restaram R$ 253.584,15 de crédito; 8.Quanto ao saldo negativo relativo ao anobase 1998, cabe salientar que a contribuinte extinguiu, por meio do Refis e do PAES, o montante de R$ 8.634.313,94, que representa o saldo de IR a pagar em 1998 decorrente do ajuste relativo à trava dos 30% prevista no artigo 15 da Lei n° 9.065, de 1995. Assim, nada impede o aproveitamento dos R$ 352.490,72, que na verdade decorrem do IRRF ao longo do ano. Os valores já foram demonstrados à folha 534 do processo n° 13854.000317/200217. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 784 7 9.R$ 999.085,20 : esse valor foi compensado com o saldo negativo de IRPJ do anobase 2000. Tal compensação já foi considerada na Informação prestada às folhas 533 a 535 do processo n° 13854.000317/200217, que trata da análise do saldo negativo do ano base 2000. 10.Resumimos a seguir o preenchimento da ficha 12A da DIPJ com os valores inseridos pela contribuinte (coluna "Contribuinte") e com os montantes de dedução apurados no presente trabalho (coluna "Receita Fed."): • Portanto, respondendo ao questionamento efetuado pela DRJ/SPOI, o saldo negativo de IRPJ apurado no anobase 2001 totaliza R$ 2.980.277,14. Em resposta ao relatório fiscal, em 23/02/2012, a contribuinte apresenta manifestação (fls.527/533) sobre o resultado da diligência, na qual faz as seguintes alegações: •Os correspondentes valores de R$ 80.187,30 e R$ 1.199.893,23 foram declarados e consolidados no programa de parcelamento de que tratava a Lei 10.684, de 2003, conhecido como PAES. E dentro desse programa a manifestante realizou todos os pagamentos aos quais estava obrigada a fazer; •Os saldos devedores de débitos que estavam consolidados no PAES foram transferidos para o programa de pagamento parcelado de que trata a referida Lei n° 11.941, de 2009. E dentre tais saldos devedores estão os valores referidos acima relativos ao IRPJ dos meses de novembro e dezembro de 2001; •Por outro lado, o fato de não ter ocorrido, ainda, a completa extinção desses valores, vez que o seu pagamento vem sendo feito parceladamente, de acordo com as condições estipuladas no programa de que trata a citada Lei n° 11.941, de 2009, às quais a manifestante aderiu, não implica dizer que tais valores não possam compor o saldo negativo do AC 2001; •O fato dos referidos valores não ter em sido, ainda, completamente extintos não é motivo suficiente para a Administração Fazendária deixar de reconhecer a sua integração ao saldo negativo do AC 2001 , porque isso implica, de modo muito singelo, mas absoluto, em Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 785 8 duplicidade de cobrança contra a manifestante: (i) a primeira cobrança, referente ao valor da estimativa paga dentro do programa de pagamento parcelado de que t r a ta a Lei n° 11.941, de 2009; e (ii) outra, referente aos débitos compensados contra o saldo negativo de IRPJ do AC 2001, na proporção dos valores correspondentes às estimativas de novembro e dezembro de 2001; •A manifestante junta o doc. 4, composto por cópia dos recibos emitidos pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Bebedouro e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Matão, no total conjunto de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais). " Passo a complementar o relatório de 1ª Instância. Em 29/03/2012, a 2ª Turma da DRJ/SP1 exarou o Acórdão nº 1637.009 (fls.590/605) DEFERINDO EM PARTE a solicitação da contribuinte, referente ao pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, no montante de R$ 2.980.277,14 (conforme apurado no relatório da diligência fiscal) bem como HOMOLOGAR as DCOMP apresentadas até o limite do direito creditório ora reconhecido. A Recorrente teve ciência do Acórdão nº 1637.009 em 17/05/2012 (fl. 674) e dela recorreu a este Conselho em 18/06/2012 (fls. 678/689) com os seguinte motivos de fato e mérito a seguir expostos. · Linhas 05 e 08 da Ficha 12A da DIPJ/2002 Programa de Alimentação do Trabalhador e Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente No que concerne a essas fichas, cujos valores foram glosados pela autoridade fiscal, foi alegado que não houve contestação por parte da interessada, razão pela qual a glosa deveria ser mantida, conforme efetuado na revisão da declaração de rendimentos. · Que a DERAT/SP não questionou em relação aos valores aplicados no PAT e Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente! Seu Despacho Decisório de março 2007 é silente em relação a esse ponto. · Tal questão somente veio à tona nas conclusões da diligência fiscal elaborada pelo SEORT, em relação à qual a Recorrente se manifestou em 23/02/2012, quando a apresentou a documentação pertinente (cópia dos recibos emitidos pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Bebedouro e Matão), no total de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais). · Ou seja, em nenhum momento anterior essa questão havia sido levantada pela auditoria fiscal e, por esse mesmo motivo, não havia sido aduzido na manifestação de inconformidade da empresa contribuinte. · Ora, se os fundamentos jurídicos da DRF/Ribeirão Preto diferem da motivação do ato administrativo posterior, praticados dentro do mesmo procedimento administrativo, inegavelmente houve, nesse último, alteração do violação ao artigo 146 do CTN. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 786 9 · O deferimento de um pleito de restituição e/ou a compensação, enquanto aplicação das normas aos fatos, prevê que a autoridade competente verifique os fatos e sobre eles aplique as normas cabíveis, fundamentando tal subsunção. Portanto, se os fundamentos desse ato administrativo são diversos daqueles inicialmente considerados, diverso será o resultado da subsunção e, portanto, outro será o critério jurídico a ser considerado. · O Conselho de Contribuintes não compactua com alterações de fundamentos jurídicos em meio a um processo em andamento: · "(...) As correções do levantamento fiscal laboradas pela Autoridade recorrida não podem alterar os fundamentos nucleares legais inicialmente imputados" (ac. n° 10320.709) · "(•••) Quando os fundamentos jurídicos utilizados para a prática do Ato Administrativo de lançamento são diversos daqueles que serviram de embasamento legal para a mantença da exação, ocorre, inequivocamente, alteração ou mudança do fundamento jurídico" (ac. n° 10193.649). · "LANÇAMENTO MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS VEDAÇÃO. O disposto no art. 146 do CTN veda à administração tributária introduzir modificações, benéficas ou não ao contribuinte, em lançamentos inteiros, perfeitos e acabados em homenagem à certeza e segurança das relações jurídicas. " (ac. n° 10192.978). · Logo, o Acórdão DRJ carece de fundamentação, neste ponto, devendo ser reformado, pois equivocadamente reviu Despacho Decisório e negou direito de crédito com fundamento em outros fatos e circunstâncias (glosa de valores relacionados ao Programa de Alimentação do Trabalhador e Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente), diversos dos contidos no ato administrativo originário. · Como se não bastasse, os comprovantes apresentados não podem ser desconsiderados pela fiscalização sob pena de ofensa ao princípio da verdade material, de imprescindível aplicação no âmbito do processo administrativo. · Quaisquer eventuais questionamentos sobre a não apreciação de tais documentos, os quais evidenciam a recomposição do direito creditório da Recorrente, ferem os princípios da verdade material e da ampla defesa. · O Acórdão n° 10319.789, do Primeiro Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998 compartilha do mesmo entendimento: · "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 787 10 · A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Preliminar acolhida. Recurso provido. " Ou seja, o princípio da verdade material não se resume na análise das provas trazidas aos autos pelas partes, com o fito de descobrir a verdade dos fatos, mas vai além, pois traduz o dever do julgador em buscar a "verdade", ou da ocorrência do fato gerador, por meio de diligências e perícias, independentemente das provas trazidas ao processo, ou do alegado e provado. · Linha 16 da Ficha12 A da DIPJ/2002 Imposto de Renda por Estimativa Tanto o SEORT/DRF Ribeirão Preto quanto a DRJ/SPOI sustentam que a glosa informada nessa ficha decorre do não recolhimento das estimativas dos períodos de apuração de novembro e dezembro de 2001 e do indeferimento do reconhecimento dos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 1998 e 2000, utilizados para compensação da estimativa do período de apuração de novembro de 2001. · De fato, os correspondentes valores correspondentes aos débitos de IRPJ referentes aos períodos de apuração novembro de 2001 (R$ 80.187,30) e dezembro de 2001 (1.199.893,23) foram declarados e consolidados no programa de parcelamento de que tratava a Lei 10.684, de 2003, conhecido como PAES. E dentro desse programa a Recorrente realizou todos os pagamentos aos quais estava obrigada a fazer. Com a superveniência do programa de pagamento parcelado de que trata a Lei n° 11.941, de 2009, conhecido como REFIS IV, a Recorrente a ele aderiu, em razão do que desistiu do PAES. · Evidentemente que os saldos devedores de débitos que estavam consolidados no PAES foram transferidos para o programa de pagamento parcelado de que trata a referida Lei n° 11.941, de 2009. E dentre tais saldos devedores estão os valores referidos acima relativos ao IRPJ dos meses de novembro e dezembro de 2001. · O fato de não ter ocorrido, ainda, a completa extinção desses valores, vez que o seu pagamento vem sendo feito parceladamente, de acordo com as condições estipuladas no programa de que trata a citada Lei n° 11,941, de 2009, às quais a Recorrente aderiu, não implica dizer que tais valores não devam compor o saldo negativo do AC 2001. · Há um equívoco técnico nessa compreensão do SEORT e na decisão da DRJ, pois a formação do saldo negativo não depende da confirmação do pagamento das estimativas, mas, da apuração e declaração destas. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 788 11 · O fato dos referidos valores não terem sido, ainda, completamente extintos não é motivo suficiente para a Administração Fazendária deixar de reconhecer a sua integração ao saldo negativo do AC 2001, porque isso implica, repitase o quanto dito na manifestação de 23/02/2012, em duplicidade de cobrança contra a Recorrente: (i) a primeira cobrança, referente ao valor da estimativa paga dentro do programa de pagamento parcelado de que trata a Lei n° 11.941, de 2009; e (ii) outra, referente aos débitos compensados contra o saldo negativo de IRPJ do AC 2001, na proporção dos valores correspondentes às estimativas de novembro e dezembro de 2001. · Ora, na remota hipótese da Recorrente não efetuar o pagamento dos débitos consolidados no âmbito do REFIS IV (Lei 11.941), dentre os quais se encontram, como visto e comprovado o IRPJ de novembro e dezembro de 2001, o que se admite apenas para compreensão do raciocínio, a Recorrente será compelida a pagar aqueles valores, e outros também, em momento futuro, com os todos os percalços inerentes a essa hipotética inadimplência (multas, juros de mora, perda de descontos etc), além de sujeitarse a constrição de bens, restrições na contratação de financiamentos em instituições bancárias públicas (BNDES, Banco do Brasil, etc). · Na pior das hipóteses e ainda que se constitua em claro absurdo, deveria ficar sobrestado o processo de reconhecimento do direito creditório, nessa parte, até que ocorresse o pagamento completo do saldo consolidado no REFIS IV. · Ou seja, por qualquer ângulo que se olhe a questão, fica claro que deve ser revista a conclusão da DRJ em relação ao reconhecimento, na integração do saldo negativo, dos valores do IRPJ de novembro e dezembro de 2001. Por todo o exposto, requer o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para o fim de serem reconhecidos, na integração do direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001: · (i)o valor de R$ 6.928,03 deduzidos em favor do Programa de Alimentação ao Trabalhador; · (ii)o valor de R$ 15.331,59 deduzidos em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente; e · (iii)os valores de R$ 80.187,30 e R$ 1.199.893,23 referentes às estimativas de novembro e dezembro de 2001, declarados e consolidados no programa de pagamento parcelado de que trata a Lei 11.941, de 2009. A Recorrente pede por fim e por conseqüência, que sejam homologadas todas as declarações de compensação efetuadas. Consta do presente processo os documentos de fls. 706/713, no contexto do Mandado de Segurança nº 100577197.2016.4.01.3400, em que foi concedida ordem judicial, Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 789 12 com ciência pelo Presidente do Carf, para determinar o julgamento do recurso voluntário no prazo de 30 (trinta) dias, bem como da informação da ASTEJ por meio de nota que: "Foi concedida parcialmente a segurança, Mandado de Segurança nº 1005771 97.2016.4.01.3400, para, "definitivamente, determinar a conclusão do processo nº 13854.000044/200219 para julgamento no prazo de 30 (trinta) dias". Tendo sido sorteado em 02/2017 no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, identificouse que a matéria sob litígio escapa à competência da 2ª Seção, pois, ainda que tenha havido imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras, conforme indicado pelo contribuinte na documentação carreada aos autos, a avaliação do direito creditório pleiteado no processo demanda, necessariamente, a conferência do saldo negativo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado ao final do período base. Em visto disso, o aludido pedido de restituição de indébito, cumulado com compensação, é matéria afeta em sede recursal à competência regimental da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf (art. 2º, incisos I e III, c/c art. 7º, "caput" e § 1º, do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). Nesse contexto foi o processo distribuído no âmbito da 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 790 13 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. O objeto ora em discussão se restringe aos seguintes valores deduzidos na apuração do Saldo de Imposto de Renda na DIPJ/2002: R$ 6.928,03 deduzidos em favor do Programa de Alimentação ao Trabalhador ; R$ 15.331,59 deduzidos em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente; e R$ 80.187,30 e R$ 1.199.893,23 referentes às estimativas de novembro e dezembro de 2001. Em relação aos valores de R$ 6.928,03 deduzidos em favor do Programa de Alimentação ao Trabalhador, e R$ 15.331,59 deduzidos em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente, a recorrente alega que apresentou documentos (fls 527/574) demonstrando a legitimidade do crédito pretendido, contudo esses documentos não foram analisados no acórdão de 1ª Instância, sob a alegação de que o direito da recorrente em discutir tal ponto estaria precluso. Em relação aos os valores de R$ 80.187,30 e R$ 1.199.893,23 referentes às estimativas de novembro e dezembro de 2001, informou a autoridade administrativa que esses débitos foram parcelados no PAES, com saldos devedores originais de R$ 80.187,30 (novembro/2001) e R$ 1.199.893,23 (dezembro/2001), na sessão de julgamento realizada em 21/09/2017, a recorrente apresentou extrato de parcelamento, Extrato da Dívida Modalidades da Lei nº 11.941, na situação encerrado por liquidação, e Memoriais com as seguintes informações: · Quando da interposição do apelo voluntário, ainda não estavam disponíveis as comprovações de status do parcelamento realizado. · Promoveu a quitação de todos os débitos incluídos na aludido parcelamento, inclusive os referentes às estimativas de novembro e dezembro de 2001. Tendo em vista os documentos e as informações apresentadas pela recorrente, tornase necessário converter o presente processo em diligência fiscal visando a análise do direito creditório. Devese verificar, de forma conclusiva, para uma melhor compreensão da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, se o referido parcelamento encontrase encerrado por liquidação e, se os débitos dos PA de 11/2001 (RS 80.137,30) e 12/2001 (RS 1.199.893,24) encontrase extintos. Devese analisar se os documentos apresentados pela recorrente demonstram a legitimidade do crédito pretendido, em relação aos valores de R$ 6.928,03 deduzidos em favor do Programa de Alimentação ao Trabalhador, e R$ 15.331,59 deduzidos em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13854.000044/200219 Resolução nº 1402000.463 S1C4T2 Fl. 791 14 Dessa forma, proponho que o processo seja encaminhado à Delegacia de Jurisdição da recorrente para a análise dos documentos apresentados e posterior retorno à 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Carf para julgamento. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 791DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.731586/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/01/2011
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Seguridade Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional - CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. CFL 78.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2202-008.465
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/01/2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Seguridade Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional - CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. CFL 78. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Seguridade Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional - CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. CFL 78. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mario Hermes Soares Campos, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Sonia de Queiroz Accioly, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Martin da Silva Gesto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 15 86 /2 01 2- 70 Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10580.731586/2012-70, em face do acórdão nº 12-60.359, julgado pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJI), em sessão realizada em 10 de outubro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata-se de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 15/25), refere-se aos autos de infração abaixo relacionados, lavrados em 08/10/2012, a saber: a) AI DEBCAD Nº 51.020.782-0, valor original de R$ 290.396,48, acrescidos de juros e multa de mora: apuração de valores devidos à Seguridade Social, decorrentes de glosa de compensação efetuada indevidamente, no período de 06/2010 a 01/2011; b) AI DEBCAD Nº 51.020.781-2, valor original de R$ 429.594,73, referente à multa constante no artigo 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/1991; c) AI DEBCAD Nº 51.020.783-9, valor original de R$ 4.500,00, penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória por ter o contribuinte apresentado GFIP com incorreções e/ou omissões, referente às competências 06/2010 a 01/2011 (CFL 78). 2. Informa ainda a Auditoria Fiscal que: Em relação ao AI nº 51.020.782-0 2.1. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte acerca dos procedimentos e motivos para compensação das contribuições devidas no período de apuração (06/2010 a 12/2010, 13/2010 e 01/2011), considerou-a indevida e efetuou a glosa, uma vez que a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário; 2.2. O contribuinte esclareceu que após o processo de auditoria interna, verificou equívocos nos sistemas de parametrização de sua folha de pagamento, onde foi possível identificar valores recolhidos indevidamente à Previdência Social, os quais foram compensados na forma da legislação de regência, sendo que a apuração e a atualização dos créditos efetuados pela empresa encontram-se demonstrados em planilhas entregues à fiscalização; 2.3. O contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido (1/3 de férias gozadas, 1/3 de férias proporcionais, 1/3 de férias vencidas indenizadas, gratificação eventual e locação de equipamento fixo); 2.4. Conforme art. 28, I, da Lei 8.212/1991, c/c art. 214, I, §§ 4º e 14 da RPS, existe incidência de contribuições previdenciárias sobre o adicional de 1/3 sobre as férias gozadas, por esse adicional se incorporar ao salário do segurado empregado para todos os efeitos inclusive da aposentadoria; 2.5. Foi verificado, a partir da análise da documentação apresentada pela empresa, que as parcelas salariais referentes ao adicional de 1/3 sobre as férias proporcionais e ao adicional de 1/3 sobre as férias vencidas indenizadas não estão somadas à base de cálculo da contribuição para o INSS (código 806), não tendo sido recolhidas as Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 respectivas contribuições previdenciárias incidentes, pelo que não cabe a inclusão desses valores na compensação efetuada pela empresa; 2.6. Verificou-se a existência de Acordos Coletivos SINDJOR (2005 a 2010), que trata da parcela paga em folha de pagamento aos segurados empregados a título de aluguel de equipamento fotográfico do repórter fotográfico, sendo que a partir do ano de 2006 passou a constar no Acordo Coletivo, a obrigatoriedade do contrato de locação do equipamento por escrito entre as partes. Diante disso, somente foram consideradas as compensações relativas às parcelas pagas a título de aluguel de equipamento fotográfico do período de 2005 na sua totalidade e no período de 06/2006 a 04/2010, somente referente às parcelas pagas aos empregados cujos contratos de locação foram exibidos à fiscalização (Almiro Lopes do Nascimento e Antonio Saturnino Bezerra da Silva). Assim, os valores das parcelas pagas aos demais segurados empregados a título de aluguel de equipamento fotográfico nos períodos de 2006 a 2010 foram glosados; 2.7. Quanto à rubrica Gratificação Eventual, foram glosados os valores pagos reiteradamente aos segurados empregados, conforme planilha II anexa e também os valores pagos aos segurados Alessandro Barbosa Macedo, Antonio Jorge de Souza Moura e Ronald Monteiro de Araújo Filho, em face desses pagamentos terem sido os únicos percebidos pelos segurados; 2.8. O valor da glosa da compensação corresponde ao exato valor compensado, corrigido pelos índices legais. Em relação ao AI nº 51.020.781-2 2.9. Refere-se à multa de 150% sobre o valor da compensação indevida efetuada nas competências 06 a 13/2010 e 01/2011, nos termos do art. 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/1991, uma vez que a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário; 2.10. O contribuinte efetuou compensações de créditos inexistentes uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido, tendo declarado os créditos inexistentes em GFIP; Em relação ao AI nº 51.020.783-9. 2.11. O contribuinte preencheu as GFIPS do período de 06/2010 a 01/2011 com informações incorretas, uma vez que informou no campo “Compensação – Valor Corrigido”, valores a compensar indevidamente, configurando a infração ao art. 32, IV, da Lei 8.212/1991. DA IMPUGNAÇÃO 3. A Impugnante apresentou a defesa, de fls. 186/213, em 16/11/2012, aduzindo: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. Que as compensações glosadas decorrem de procedimento de revisão da parametrização da folha de pagamento, realizado pela Impugnante, através de auditoria interna, por meio da qual foram constatados diversos equívocos quando da eleição das rubricas que deveriam ser oneradas pelas contribuições previdenciárias; 3.3. Que todo o procedimento de reparametrização encontrava-se amparado pela Legislação e pela mais moderna e pacífica jurisprudência pátria; 3.4. Que o procedimento de compensação realizado encontra-se livre de qualquer mácula, motivo pelo qual a glosa não deve prosperar; 3.5. A nulidade do lançamento, por ausência de descrição dos fatos imponíveis, que impossibilita a correta composição do crédito que foi glosado pela Fiscalização, não havendo como se identificar o período de apuração nem tampouco as rubricas que Fl. 324DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 compõem o crédito, dificultando, senão impossibilitando, o pleno exercício do direito de defesa; 3.6. Que requer a declaração da nulidade material dos Autos de Infração, ante a inobservância de requisito essencial à validade do ato administrativo de lançamento, consistente na descrição pormenorizada dos fatos imponíveis, e, subsidiariamente, caso não entenda ser caso de vício material, a declaração da nulidade por vício formal; 3.7. Que a premissa levantada pela fiscalização de que não houve o pagamento de contribuições previdenciárias sobre as rubricas terço de férias proporcionais e indenizadas encontra-se equivocada, eis que o arquivo de parametrização da folha de pagamento por ela analisado encontrava-se desatualizado e não refletia a programação utilizada pela impugnante durante grande parte do período que gerou o crédito glosado; 3.8. Que caso fosse feita uma análise minuciosa sobre o registro histórico de todas as parametrizações que o sistema de Folha de Pagamento da Impugnante realizou ao longo dos anos em que o crédito foi apurado, seria fácil confirmar que tais rubricas eram oneradas pelas contribuições previdenciárias; 3.9. Que o terço constitucional de férias é caso de não incidência tributária, pelo seu nítido caráter indenizatório, não se podendo aceitar outra conotação à expressão “remuneração” senão aquela conferida pela CLT; 3.10. Que a jurisprudência dos Egrégios STF e STJ é pacífica no sentido de que não deve incidir a contribuição previdenciária sobre a verba paga relativa ao terço constitucional de férias, ante o seu caráter indenizatório; 3.11. Que com relação à rubrica Gratificação Eventual, seja ou não paga uma única vez, tem-se que todos os valores pagos ou creditados pela Impugnante aos empregados a esse título são essencialmente eventuais, na medida em que essa característica decorre da ausência de periodicidade e/ou da ausência da expectativa, pelo que resta caracterizada a hipótese de isenção prevista no art. 28, § 9º item 07 da alínea “e”, da Lei 8.212/1991; 3.12. Que não nos parece razoável considerar como habitual o pagamento de verba, que durante o período de 60 competências, somente ocorreu, no máximo, 4 ou 5 vezes, e ainda assim, sem qualquer periodicidade definida, sem expectação ou reiteração; 3.13. Que a glosa da compensação referente aos valores indevidamente recolhidos sob esta rubrica deve ser restabelecida, importando no cancelamento dos valores lançados de ofício; 3.14. Que com relação à glosa dos valores compensados relativos a verbas pagas pela impugnante aos seus segurados empregados a título de locação de equipamento fixo, requer a juntada das cópias dos contratos de locação firmados com todos os seus colaboradores que recebiam a referida verba (doc. 03), esclarecendo que durante a fiscalização foram apresentados apenas 2 contratos por amostragem, a fim de demonstrar que houve a formalização dos contratos, conforme estabelecido em Acordo Coletivo; 3.15. Que ante a existência e apresentação dos demais contratos de locação, restam presentes todos os requisitos necessários para se reconhecer a inexigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas a título de aluguel de equipamento fotográfico, devendo, portanto mais uma vez, serem restabelecidos os valores glosados pela Autoridade Lançadora; 3.16. Quanto à multa de ofício aplicada, tem-se que ao longo de toda a fiscalização, não houve qualquer prova ou indício da suposta materialidade do crime de sonegação; Fl. 325DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 3.17. Que o contribuinte atendeu a Fiscalização em todos os TIFs, abrindo por completo a sua contabilidade, franqueando-lhe todos os documentos que embasaram o procedimento de revisão da parametrização de sua folha de pagamento e a posterior compensação dela decorrente; 3.18. Que não houve qualquer falsidade nas declarações transmitidas pela Impugnante, nem tampouco a sonegação de contribuições previdenciárias ou evidente intuito de fraude, eis que ausente qualquer elemento de dolo nas suas ações; 3.19. Que o que se verifica na presente hipótese é tão-somente a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pela Fiscalização; 3.20. Que para a agravação da multa, tanto o CARF como sua Câmara Superior tem entendido que o dolo deve ser comprovado e não presumido, pelo que requer, no mínimo a redução da multa de ofício, para 75% do valor do principal; 3.21. A impossibilidade da cobrança concomitante da multa de mora e da multa de ofício. 4. É o relatório.” Transcreve-se abaixo a ementa do referido acórdão, o qual consta às fls. 262/271 dos autos: “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2010 a 31/01/2011 VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Seguridade Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional - CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. MULTA ISOLADA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” A parte dispositiva do voto do relator do acórdão recorrido possui o seguinte teor: Fl. 326DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 “23. Isto posto, resolvo dar provimento parcial à impugnação, mantendo integralmente os Autos de Infração nº 51.020.782-0 e 51.020.783-9 e exonerando o crédito tributário exigido através do AI nº 51.020.781-2. É o meu VOTO.” Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 275/296, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A recorrente reputou indevidos os recolhimentos de contribuição previdenciária incidente sobre diversas rubricas, os quais foram compensados com as contribuições devidas no período de 06/2010 a 01/2011. Ocorre que, após analisar os argumentos apresentados pela Impugnante, é fácil demonstrar que não lhe assiste razão para ter compensado os referidos valores, posto que devidos. Razão assiste à fiscalização que glosou as referidas compensações e lançou as contribuições devidas relativas ao período de apuração. Da compensação sobre contribuições previdenciárias incidentes sobre 1/3 de férias Consoante Relatório Fiscal, o contribuinte efetuou compensação sobre supostos recolhimentos indevidos a título de contribuições previdenciárias incidentes sobre os adicionais de terço constitucional de férias gozadas, proporcionais e indenizadas. Com relação aos adicionais sobre as férias proporcionais e indenizadas, a DRJ de origem pontuou que não houve o recolhimento de contribuições previdenciárias, motivo pelo qual não ocorreu o pressuposto básico para a realização da compensação, devendo nesse caso ser mantida a glosa. A contribuinte alegou que em versão anterior da parametrização da folha, poderia se verificar que tais rubricas eram oneradas pelas contribuições previdenciárias, contudo não comprovou o efetivo recolhimento indevido, devendo, portanto a compensação ser tida como indevida. Assim, fato constitutivo do direito alegado deve ser provado pela contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC e artigo 36 da Lei nº 9.784/99. No processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Ademais, em relação à rubrica de terço constitucional de férias, a manutenção da glosa da compensação se fundamenta na tese fixada em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Fl. 327DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 Federal, Tema 985 (RE 1.072.485): “É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias”. Portanto, carece de razão a recorrente quanto a tal alegação. Da compensação sobre contribuições previdenciárias incidentes sobre gratificação eventual Quanto à rubrica “Gratificação Eventual”, conforme bem decidiu a DRJ de origem, tem-se que a glosa somente foi realizada sobre os pagamentos cuja natureza não condizem com a nomenclatura da rubrica. Transcrevo trecho do acórdão da DRJ: “(...) Assim, consoante item 13 do Relatório Fiscal e planilha II (fls. 28), verifica-se que a glosa recaiu sobre os pagamentos efetuados a título de Gratificação Eventual, mas que na verdade denotam cunho remuneratório, ou porque o segurado não recebeu nenhum pagamento que não a citada gratificação ou porque os segurados receberam tal verba reiteradamente. 10.1 Com relação aos segurados cuja única contraprestação pelos serviços prestados se deu através de Gratificação Eventual, tem-se que correta a caracterização da verba como de natureza remuneratória, já que não é razoável que a única remuneração do segurado se dê mediante gratificação eventual; 10.2. Portanto, a glosa da compensação dos valores não considerados como gratificação eventual pela fiscalização, também, há de ser mantida.” Acrescente-se que a referida verba, embora denominada como eventual, era paga com habitualidade aos segurados, sendo inclusive paga em vários meses consecutivos, conforme planilha de fl.28. Portanto, carece de razão a recorrente quanto a tal alegação. Da compensação sobre contribuições previdenciárias incidentes sobre aluguel de equipamento fotográfico Com relação à rubrica Aluguel de Equipamento Fotográfico, ressalte-se que a glosa da compensação somente se deu sobre os valores pagos em desacordo com o Acordo Coletivo, o qual exigia a celebração de respectivo contrato de locação com cada beneficiário da parcela indenizatória. Em relação a tal rubrica, a DRJ de origem assim se pronunciou: “11.1. Com efeito, por ocasião da impugnação, o impugnante trouxe diversas cópias de contratos, os quais, no entanto não serão aceitos, para fins de legitimar a compensação realizada. Veja-se que todos os contratos trazidos às fls. 223/247 não permitem a vinculação das assinaturas dos contratantes a seus signatários, já que as assinaturas se deram por rubricas e desacompanhadas dos documentos dos contratantes. Ademais, com relação à assinatura do representante da empresa, não é possível verificar se quem assinou efetivamente representava a empresa, pois não consta nem o nome do signatário. Outros vícios foram detectados em vários contratos como a falta de especificação do equipamento fotográfico locado, a falta da assinatura das testemunhas ou a falta de sua identificação. Portanto, veja que os documentos apresentados não se Fl. 328DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 prestam a fazer prova perante o Fisco da regularidade dos pagamentos a título de aluguel de equipamento fotográfico, consoante exigência do próprio Acordo Coletivo celebrado entre a empresa e o Sindicato dos Empregados, pelo que a glosa deve ser mantida.” Conforme bem exposto pela decisão de primeira instância, cujos fundamentos também adoto como razões de decidir, verifica-se que a contribuinte não logrou fazer prova de suas alegações, razão pela qual não merece reforma a decisão recorrida, carecendo de razão a recorrente. Desse modo, quanto a tal alegação, ratifico as razões de decidir do julgamento de primeira instância. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC e artigo 36 da Lei nº 9.784/99, não deve ser dado provimento recurso ora em análise quanto a tal alegação. Ocorre quem no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Conclusão. Portanto, ante a demonstração dos valores compensados indevidamente, devem ser mantidas as glosas efetuadas por seus próprios fundamentos. A compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Seguridade Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional - CTN, e não comprovada a certeza e liquidez dos créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. Multa (CFL78). Por consequência da manutenção da glosa por compensação indevida, deve ser mantida a multa pelo erro de preenchimento do campo “Compensação – Valor Corrigido da GFIP, com fundamento no art. 32, IV, da Lei 8.212/1991. Ocorre que constitui infração apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, com informações incorretas ou omissas (CFL 78). Portanto, deve ser mantida a multa por descumprimento de obrigação acessória. Dispositivo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Fl. 329DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-008.465 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.731586/2012-70 Fl. 330DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10111.720939/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.274
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja determinada a vinculação por conexão, com consequente distribuição deste processo para a Conselheira Tatiana Josefovicz, relatora do processo nº 10111.720547/2012-73, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente
Valcir Gassen Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja determinada a vinculação por conexão, com consequente distribuição deste processo para a Conselheira Tatiana Josefovicz, relatora do processo nº 10111.720547/201273, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas – Presidente Valcir Gassen – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de dois Recursos Voluntários interpostos pelo Contribuinte (pessoa jurídica e pessoa física solidariamente responsável) contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 11047.611 (fls. 17.532 a 17.559), de 8 de setembro de 2014, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) – DRJ/PE – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo a exigência fiscal. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .7 20 93 9/ 20 13 -1 3 Fl. 17653DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.821 2 Tratase de auto de infração por meio do qual é formalizada a exigência da multa de conversão da pena de perdimento, capitulada no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, incluído pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, no montante de R$ 26.838,02. DA AUTUAÇÃO Apontam as autoridades fiscais, por meio do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que é parte integrante do auto de infração (fls. 11 a 196), que a pessoa jurídica Utilar Utilidades e Presentes Ltda EPP, doravante Utilar, representaria a verdadeira adquirente de mercadorias declaradas perante a RFB como importadas pela pessoa jurídica Prime Comercial Importadora e Exportadora por conta e ordem da pessoa jurídica Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda., doravante denominadas, respectivamente, Prime e Utilidad. Expõem, inicialmente as autoridades autuantes, que a Utilar faria parte de um grupo de empresas que, tendo números de inscrição distintos no CNPJ e quadros societários distintos, compartilhariam o nome fantasia “Mundo dos Filtros”. Por outro lado, expõem os autuantes sua convicção de que as pessoas jurídicas Prime e Utilidad apresentariam o mesmo quadro societário e estariam estabelecidas no mesmo endereço. Concluem, nessa linha, que, na prática, as duas seriam a mesma empresa. Ademais, a pessoa jurídica alegadamente qualificada como adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem não possuiriam capacidade econômico financeira para realizar as operações declaradas, tendo sido incapaz de demonstrar a origem dos recursos efetivamente empregados em tais transações. Destacam, outrossim, que a Utilidad fora anteriormente autuada por cessão de nome e documentos próprios, de modo a ocultar a participação de terceiros em operações de comércio exterior, nos termos do processo administrativo nº 10111.720547/2012 73. Informa que elementos de prova daquele processo seriam utilizados no presente, no intuito de esclarecer as situações de fato. Concluem, as autoridades fiscais, que as operações de importação declaradas como realizadas diretamente pelas pessoas jurídicas Prime e Utilidad, em que a Prime figurava como importadora por conta e ordem da Utilidad eram, na verdade, promovidas por conta e ordem ou encomenda de terceiros ocultos, dentre eles a Utilar e outras empresas ligadas ao “grupo” Mundo dos Filtros. As provas que respaldariam as conclusões do Fisco teriam sido apreendidas durante diligência fiscal empreendida nos estabelecimento das pessoas jurídicas Prime e Utilidad, inclusive em filial informal mantida na cidade do Rio de Janeiro (todas as empresas citadas estão sediadas em Brasília. No que concerne às empresas Prime e Utilidad, foram ainda obtidos dados relativos a movimentação bancária, por meio de RMF. Dentre os elementos de convicção, destacarseiam: 1. Da Caracterização da Utilar e do “grupo” Mundo dos Filtros O “grupo” Mundo dos Filtros seria, na realidade, um conjunto de cerca de trinta empresas distintas, com CNPJ próprios (na maior parte dos casos não relacionadas como matriz e filiais), que compartilhariam o mesmo nome fantasia. Além disso, destacam as autoridades fiscais que, em praticamente todos os quadros societários Fl. 17654DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.822 3 das empresas do “grupo”, haveria a presença de alguém da família “Mothe”, dentre eles o Sr. Edmar Mothe. A Utilar, faria parte desse “grupo” de empresas, tendo sido constituída em outubro de 2010, para atuação, conforme contrato social, no ramo de “comércio varejista especializado de aparelhos eletrodomésticos, filtros, saunas, artigos de piscina, equipamentos esportivos, produtos cerâmicos, presentes, artigos para decoração e utilidades para o lar em geral”. Destaca a autoridade fiscal que, embora atue como revendedora de mercadorias importadas, a Utilar jamais obtivera habilitação para importar mercadorias. A Utilar possuiria como sócios, desde sua constituição o Sr. Edmar Mothe Junior, qualificado como sócioadministrador, e a Sra. Maria Mendes Mothe, qualificada apenas como sócia. Além da Utilar, o Sr. Edmar Mothe Junior seria sócioadministrador das empresas Filtrolar Filtros e Utilidades para o Lar Ltda., Multi Eletro Ldta – EPP e Universo dos Filtros, todas atuando sob o nome fantasia “Mundo dos Filtros”, e todas tendo tido anteriormente o Sr. Edmar Mothe (pai do Sr. Edmar Mothe Junior) como sócioadministrador. Aponta ainda a autoridade fiscal o fato de o Sr. Edmar Mothe e haver feito parte do quadro societário da Utilidad. Com efeito, por meio da 4a. alteração do contrato social da Utilidad, o SR. Edmar Mothe teria ingressado na sociedade como sócioadministrador da empresa no dia 03/08/2011, tendo porém deixado a empresa dois meses mais tarde, na quinta alteração contratual, datada 30/09/2011. O ingresso do Sr. Edmar Mothe na sociedade propiciou o aporte de R$ 110.000,00 ao capital social. 2. Da Atuação da Utilidad como Interposta Pessoa em Operações de Importação (conclusões extraídas do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273) Nos termos do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273, a Utilidad fora autuada por cessão de nome com vistas a ocultação da participação de terceiros em operações de comércio exterior, as quais eram declaradas pela Prime como realizadas por conta e ordem da Utilidad. Tal conclusão fora extraída dos elementos a seguir destacados. Observa a autoridade fiscal que a Utilar fora citada naquele processo como real interessada e adquirente de fato dos bens importados de forma irregular. 2.1 Da Relação entre as Empresas Prime e Utilidad As empresas Utilidad e Prime compartilhariam o mesmo quadro societário e, conforme constatado em diligência fiscal, o mesmo endereço. Teria restado caracterizado que tratarseia de uma mesma empresa, artificialmente subdividida, de modo a atuar em dois níveis, uma como importadora e outra como adquirente de mercadoria importada por conta e ordem. A Utiliad seria uma empresa que atuaria na importação de bens para revenda. Ela figuraria como real adquirente de mercadorias importadas por sua conta e ordem. Por sua vez, a Prime seria o importador ostensivo encarregado de tais operações. Fl. 17655DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.823 4 Destaca a autoridade fiscal que, figurando como adquirente de mercadorias supostamente importadas por sua conta e ordem, caberia à Utilidad promover o aporte dos recursos empregados em tais operações. No entendo, a capacidade econômicofinanceira da empresa seria incompatível com o volume transacionado. No particular, registra o auditorfiscal que a Utilidad não lograra êxito nas duas tentativas de demonstrar à RFB capacidade econômicofinaceira superior àquela atribuída por ocasião de sua habilitação para operar no comércio exterior. Da mesma forma, a empresa fora incapaz de demonstrar origem lícita para os recursos empregados em operações de importação. 2.2 Constituição Societária e Origem dos Recursos da Utilidad Com relação à estrutura societária da pessoa jurídica Utilidad, aponta a autoridade que a sociedade foi constituída com a Razão Social de Tracker Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e seu quadro societário era formado pelos Srs. VINICIUS DA COSTA COELHO, CPF Nº 010.408.99110, DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, CPF Nº 858.493.24100 e FELIPE DA COSTA COELHO, CPF Nº 717.690.48120, todos com participação idêntica no Capital Social da empresa, e cabendo a todos os sócios administrar a sociedade com os mesmos poderes. Após três alterações do contrato social, por meio das quais alterouse desde o quadro societário até a própria razão social (quando Tracker passou a denominarse Utilidad), em 3 de agosto de 2011, sobreveio a quarta alteração, quando saem do quadro societário os sócios Vinícius, Daniel e Felipe, e ingressam na sociedade a pessoa jurídica Prime Holding, de propriedade dos sócios que teriam se retirado da Utilidad, e o Sr. Edmar Mothé ligado a diversas empresas do “grupo” Mundo dos Filtros, apontadas como verdadeiras adquirente das operações sob análise. Nesta mesma alteração, há um significativo aumento no capital social: outrora de R$ 60.000,00, passa a ser de R$ 500.000,00. A responsabilidade pelo aporte de R$ 440.000,00 teria sido distribuída entre: a) o Sr. Edmar Mothé (R$ 110.000,00); b) os Srs. Altemir Rogério Marques e Anderson Rodrigo Marques, que ingressaram na 2ª alteração (R$ 78.750,00 cada um); e c) a pessoa jurídica Prime Holding (R$ 172.500,00). Em 30 de setembro de 2011, ou seja, menos de dois meses depois, o Sr. Edmar Mothé retirase da sociedade e cede suas cotas para demais os sócios, o que demonstraria que o seu ingresso teria como único objetivo o aporte de R$ 110.000,00 no capital social. Tanto a entrada quanto a saída do Sr. Edmar, só teriam sido comunicadas à RFB em 04/2012, após o início da ação fiscal. Destacase, ademais, que o ingresso da pessoa jurídica Prime Holding, que funciona no mesmo endereço da pessoa jurídica Prime (Comercial) e da própria Utilidad, não teria sido igualmente comunicado à RFB. Conclui o Fisco, noutro giro, que não teria sido demonstrada a origem lícita dos recursos empregados na integralização do Capital Social, pois todos os aportes teriam sido demonstrados por meio da exclusiva apresentação de cópia de depósito em espécie, alegadamente realizado pelos sócios. Ou seja, sem a demonstração da origem desses recursos. Com relação aos aportes alegadamente realizados pelos sócios Prime, Altemir e Anderson, teriam sido detectada uma discrepância entre os valores depositados e informados no contrato social. Fl. 17656DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.824 5 Ante a tais elementos, partindo do pressuposto de que os sócios não possuiriam patrimônio ou rendimentos declarados condizentes com os depósitos apresentados, foi solicitada a apresentação de elementos que demonstrassem a origem lícita dos recursos e, em resposta, teriam sido apresentadas declarações de imposto de renda e, no que diz respeito à Prime Holding, informado que o aumento do capital estaria baseado em transferência de seus sócios. Como prova da disponibilidade, foi apresentada cópia de extrato bancário, onde teriam sido destacados os seguintes lançamentos: 30/09/2011, depósito em dinheiro no valor R$ 50.000,00; 30/09/2011, TED Daniel Chicrala no valor R$ 30.000,00; 30/09/2011 transf Daniel Chicrala no valor R$ 5.000,00; 10/10/2011; TED Daniel Chicrala, no valor R$ 15.000,00; 11/10/2011, TED Vinicius da Costa, no valor R$ 50.000,00. Os demais lançamentos do extrato apresentado teriam sido rasurados. Após analisar os sistemas informatizados da RFB, teria restado constatado que o capital social da Prime seria de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) e que esta pessoa jurídica possuiria recursos para operar como empresa a partir do dia 30 de setembro de 2011 (dois mil e onze). Concluise, assim, que o depósito de R$ 165.000,00, datado de 31 de agosto de 2011 não se prestaria a demonstrar a declarada integralização de capital da pessoa jurídica Utilidad. Naquela data, a Prime não possuiria qualquer recurso e não poderia operar uma vez que sua integralização de recursos provenientes dos sócios só seria iniciada quase um mês depois. Na opinião do responsável pela ação fiscal, também não teria restado demonstrada a origem dos recursos alegadamente aportados pelos sócios pessoa física, pois as declarações apresentadas, desacompanhadas de documentos que as respaldassem, não teriam o condão de comprovar as informações prestadas pelos próprios sócios. 2.3 Dos Documentos Apreendidos nas Empresas Prime e Utilidad Diversos documentos apreendidos em diligências fiscais junto as empresas Prime e Utilidad revelam indícios de atuação fraudulenta orquestrada no comércio exterior. Dentre tais elementos, destacamse: a) Minutas de contratos celebrados entre as pessoas jurídicas Prime e Myra Import, também de propriedade do Sr. Edmar Mothe e entre Myra Import com a Utilidad. A primeira evidenciaria o compromisso de realizar importações para a cessionária Myra e a segunda, em sentido inverso, a atuação da Myra como cedente e da Utilidad como cessionária. b) Faturas proforma com valores distintos, listas de preços com menção expressa à “necessidade” de emissão de invoices subfaturadas. Confrontandose tais referenciais com as faturas efetivamente emitidas pelo exportador restara caracterizado, de fato, subfaturamento da ordem de 40% c) Processos Internos (envelopes plásticos) identificados por um código interno, que, normalmente, conteriam: Capa de processo interno contendo número do CPP, descrição genérica dos produtos, nome do cliente e data de formalização do processo. Extrato da Declaração de Importação. Boletos bancários e comprovantes de pagamento de despesas de importação tais como: fundo da marinha mercante, despesas com serviço de despachante Fl. 17657DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.825 6 aduaneiro, comprovante de arrecadação do ICMS, despesas com armazenamento, desconsolidação e capatazia, entre outros. Faturas comerciais (Invoice), faturas proforma, conhecimento de transporte internacional, romaneio de carga (packing list), nota fiscal de entrada, nota fiscal de saída para simples remessa e contrato de câmbio. Demonstrativo de Despesa, consignando o cliente, código de processo CPP, nº da fatura, nº do conhecimento de carga, fornecedor estrangeiro, descrição genérica dos produtos, despesas tributárias e nãotributárias entre outros. Estimativa de Custos de Importação, consignando o cliente, NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, despesas tributárias e operacionais e apuração total dos custos de importação. Cópias de emails diversos, contendo em sua maioria detalhes de negociação com clientes e fornecedores, entre outros. Partindo desse padrão de organização documental, a autoridade fiscal teria identificado verdadeiro cliente das respectivas operações de importação, no caso do presente processo, a Utilar e demais empresas do “grupo” Mundo dos Filtros. Em algumas operações, além da identificação do adquirente, seria possível verificar, que, em data próxima e anterior ao registro da DI, era elaborado um documento intitulado “Solicitação de Numerário”, de nome autoexplicativo, onde a importadora ostensiva (Prime) solicitaria a antecipação dos recursos empregados no registro da declaração de importação. 2.4 Análise da Contabilidade e Movimentação Bancária da Utilidad A ausência de recursos financeiros para fazer face aos dispêndios inerentes às operações da pessoa jurídica Utilidad teria sido identificada a partir da análise da contabilidade da autuada, revelando que a empresa, na realidade, atuava como interposta pessoa, ocultando terceiro, verdadeiro responsável pela operação. Confira se alguns dos indícios apurados pela fiscalização: a) “Estouro” da conta caixa, o que evidenciaria o aporte de recursos de terceiros, com origem não comprovada; b) Contabilização de estoques em valores diversos das operações de importação, de modo a “inflar” os custos e reduzir o valor dos tributos internos; c) “Estouro” do estoque, representado pela escrituração da venda de mercadorias que não se encontravam no estoque. d) Ocultação dos reais adquirentes, mediante a simulação de vendas sem nenhum ou com pouco valor agregado ou venda em data anterior ao registro da DI. e) Simulação do recebimento de duplicatas; f) Ausência de bens no ativo imobilizado; g) Movimentações bancárias vultosas sem o devido registro contábil Fl. 17658DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.826 7 h) Simulação da disponibilidade de recursos que nunca teriam transitado pela conta caixa; O cotejamento entre contabilidade e extratos bancários revelou, ainda, o aporte de recursos de “clientes” nas contas bancárias da empresa Utilidad, através de descontos de duplicatas, depósitos, pagamento de títulos, transferência, etc. Tais recursos são imediatamente e integralmente repassados para a Prime para pagamentos de despesas com importação, revelando que tais “clientes”seriam os reais financiadores das operações declaradas como realizadas por conta e ordem da Utilidad. No que concerne ao “grupo” Mundo dos Filtros, foram identificadas as inúmeras transações. Na maioria das vezes, tais montantes seriam imediata e integralmente transferidos à Prime. Merecem destaque as seguintes transações: a) Folha 172 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 52.506,92 proveniente de seis transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa Prime, que registra estes créditos no CPP 134/10 (DI 11/06668091) conforme folha 8 do Anexo B.12 no dia 11/03/2011. Esta DI foi registrada no dia 12/04/2011, ou seja, um mês após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. b) Folhas 183 e 184 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 235.450,54 e 109.000,00 proveniente de 27 transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa Prime, que registra estes créditos no CPP 276/10 (DI 11/12365810, 11/12616235, 11/15254270, 11/1523621 2, 11/13600928 e 11/15383568) conforme folha 19 do Anexo B.12 no dia 25/03/2011. Estas DIs foram registradas em datas posteriores, ou seja, após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. c) Folha 29 do Anexo B.5 – Entrada de recursos no montante de R$ 226.334,44 proveniente de diversas transferências do grupo Mundo dos Filtros, somadas a uma transferência eletrônica no mesmo dia do Sr. Edmar Mothe, dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros e saída no dia seguinte e no mesmo valor para a empresa Prime; Por outro lado, a análise dos extratos bancários revela, a existência de 43 transferências bancárias da Utilidad para a conta pessoal do Sr. Edmar Mothé (Banco Itaú Ag. 4454 CC 111115), entre os dias 25/07/2011 e 28/11/2011. Verificouse ainda que tais recursos seriam provenientes de vendas realizadas com o uso de documentos fiscais emitidos pela empresa Utilidad a supostos “clientes” (conforme Anexo “Documentos Comprobatórios – Outros – Transferências para Edmar Mothé”). Tal fato evidencia a íntima relação entre o Sr. Edmar Mothé e a Utilidad, embora, formalmente, ele só tenha figurado no quadro societário daquela pessoa jurídica por dois meses. Tais transferências demonstrariam, outrossim, que a empresa Utilidad emprestou e empresta sua estrutura fiscal, documental, contábil e bancária para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas transações por ela registrada. Abaixo, apresentamse exemplificativamente, algumas das transferências bancárias identificadas: · Na linha 3 da tabela 6 identificase transferência no montante de R$ 111.150,00 (cento e onze mil e cento e cinqüenta reais) relacionado à Nota Fl. 17659DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.827 8 Fiscal nº 1170A, a qual se refere a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no montante de R$ 223.300,00 (duzentos e vinte e três mil e trezentos reais). Ou seja, a empresa Utilidad repassou 50% (cinqüenta por cento) desta venda da Utilidad para Sr. Edmar Mothé. Na linha 6 da tabela 6 identificase transferência no mesmo valor, revelando a transferência integral da receita de venda feita por meio da Utilidad. · Na linha 13 da tabela 6 identificase transferência no montante de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) relacionada à Nota Fiscal nº 1772, referente a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no mesmo montante. Ou seja, a empresa Utilidad repassou a totalidade desta receita de venda da Utilidad para o Sr. Edmar Mothé. · Na linha 32 da tabela 6 identificase transferência bancária no montante de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) relacionada à Nota Fiscal nº 1774, referente a uma venda da empresa Utilidad para um “cliente” no mesmo montante. Ou seja, novamente, a empresa Utilidad repassou a totalidade desta receita de venda da Utilidad para o Sr. Edmar Mothé. No particular, concluiu a fiscalização: “A tabela 6 acima relaciona ainda outras tantas transferências que demonstram que a relação do Sr. EDMAR MOTHÉ com a empresa ora fiscalizada é de uma pessoa responsável pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD, ditas como de sua própria importação nas Declarações de Importação registradas pela dupla PRIME COMERCIAL e UTILIDAD. Este financiador, Sr EDMAR MOTHÉ, é ou foi dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros que ficam ocultas em todas as importações registradas pela UTILIDAD e que a fiscalização demonstra durante todo este Termo de Verificação Fiscal que são estas as empresas reais adquirentes ocultas de diversas importações registradas em nome da UTILIDAD.” 3. Da Auditoria Realizada sobre a Utilar 3.1 Análise dos Registros Contábeis e Cotejamento com Informações Extraídas da Auditoria Realizada sobre as Empresas Utilidad e Prime Os livros contábeis da pessoa jurídica Utilar, segundo a autoridade autuante, revelariam novas evidências da sua condição de real financiadora de parte das operações declaradas como realizadas pela pessoa jurídica Prime, por conta e ordem da pessoa jurídica Utilidad. Tais irregularidades teriam sido evidenciadas a partir da análise dos lançamentos efetuados no Livro Diário nº 002, onde se verificariam lançamentos contábeis destinados a registrar as transferências de valores para a Utilidad, as quais seriam corroboradas pelos extratos bancários da Utilidad. O primeiro desses lançamentos aparece na folha nº 0035 do Livro Diário nº 002, registrado no dia 06 de maio de 2011, e apresenta uma transação a crédito da conta contábil de bancos, a qual reflete as movimentações da conta corrente que a empresa mantém no Banco do Brasil S/A, com o histórico descrito como “enviado em transferência”, e valor de R$ 50.000,00 (dez mil reais). No particular, a análise das contabilidades da Prime e Utilidad teria revelado que as entradas de recursos somariam os montantes de R$ 574.331,14, provenientes de 27 Fl. 17660DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.828 9 transferências do grupo Mundo dos Filtros, sendo que a participação da Utilar foi com o valor já citado, conforme identificado no extrato bancário. Observa a autoridade fiscal que a contrapartida do lançamento contábil foi feita contra a conta caixa, e não contra uma conta de fornecedores, o que seria esperado. E não há registro contábil de saída desse valor da conta caixa. Ou seja, a transferência não foi devidamente lançada na contabilidade pela Utilar. Segundo os autuantes, tal constatação corroboraria a tese de que a empresa aqui fiscalizada, a Utilar, agira intencionalmente para encobrir tal transação e manter oculta sua participação como financiadora das importações, pois de fato faria parte de um esquema existente para fraudar o Erário Público, através de operações de importação, bem como reflete a inidoneidade de sua contabilidade. Aponta o auditorfiscal a existência de diversos outros lançamentos de valores transferidos pela Utilar para a Utilidad como parte de um conjunto de transferências de empresas do Grupo Mundo dos Filtros, feitas no mesmo dia, cujas somas dos montantes eram também repassadas no mesmo dia para a importadora Prime, para financiar as importações, e não registrados na contabilidade da Utilar. Esses inúmeros lançamentos evidenciariam a entrada de recursos de “clientes” nas contas bancárias da empresa Utilidad, através de transferências bancárias, os quais seriam imediata e integralmente repassados para Prime para pagamentos de despesas com importação. Ou seja, esses “clientes”, empresas do grupo Mundo dos Filtros, e no caso específico, a Utilar, são os reais financiadores das operações declaradas como procedidas por conta e ordem da Utilidad. III.II Das Importações realizadas no Interesse do “Grupo” Mundo dos Filtros As seguintes declarações de importação foram apontadas como tendo sido realizadas por conta e ordem ou sob encomenda do “grupo” Mundo dos Filtros. As mercadorias importadas por intermédio de cada uma delas teriam sido integralmente vedidas a empresas do “grupo”, dentre elas a Utilar. DI Produto Elemento de Convicção Evidências 10/17690997 Coifas Doc.Solicitação de Numerário Clientes definidos com antecedência de pelo menos 2 dias em relação ao registro da DI Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 7,9% 10/18836685 Circuladores e Ventiladores Doc. Solicitação de Numerário Clientes definidos com antecedência de pelo menos 4 dias em relação Fl. 17661DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.829 10 ao registro da DI Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 12,8% 10/18836693 Climatizadores Doc. Solicitação de Numerário Clientes definidos com antecedência de pelo menos 4 dias em relação ao registro da DI Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 13,7% 10/20491185 Churrasqueiras Doc. Solicitação de Numerário Clientes definidos com antecedência de pelo menos um dia em relação ao registro da DI 10/20951453 Unidades de ar condicionado Notas fiscais de entrada e saída Totalidade das mercadorias repassadas à Myra (empresa ligada ao “Mundo dos Filtros”) e posteriormente revendidas a empresas do “Mundo dos Filtros” Margem de agregação 10,2% 11/00815203 Processador de alimentos Notas fiscais de entrada e saída Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 10,1% 11/01673720 Aspiradores de pó Notas fiscais de entrada e saída Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 10% 11/01736331 Aparelhos para passar roupas Notas fiscais de entrada e saída NF de entrada na Utilidad emitida anteriormente ao Fl. 17662DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.830 11 desembaraço. Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 10,2% 11/03440308 Extrator de suco, sanduicheira, pipoqueira Notas fiscais de entrada e saída Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 9,8% 11/03450303 Liquidificadores Notas fiscais de entrada e saída Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” Margem agregação 10,1% 11/03886608 Grelhadeiras, cafeteiras, panificadoras, fritadeiras Notas fiscais de entrada e saída Destinação de 100% ao “Mundo dosFiltros ” Margem agregação 3,4%. 11/06668091 Grelhadeiras Notas fiscais de entrada e saída Transferência de recursos do “Mundo dos Filtros” à Utilidad previamente ao registro da DI Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” 11/07623083 Ventiladores, circuladores de ar, liquidificadores, misturadores, batedeiras, moedores de carne e misturadores Notas fiscais de entrada e saída Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” A margem praticada para os referidos itens variou entre 3% a 10%, ficando em alguns casos negativa, chegando a ser de 14% . 11/07694886 Fornos elétricos CPP 12910B Notas fiscais de entrada e saída A definição da distribuição dos bens importados Fl. 17663DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.831 12 entre as empresas do “Mundo dos Filtros antecede ao registro da DI 100% das mercadorias remetidas à Nova Distribuidora e Logística (empresa ligada ao “Mundo dos Filtros” e posteriormente repassadas ao “Mundo dos Filtros” 11/07760625 Fogões e fornos elétricos Notas fiscais de entrada e saída 100% das mercadorias remetidas à Nova Distribuidora e Logística e posteriormente repassadas ao “Mundo dos Filtros” 11/12365810 Umidificadores de ar Demonstrativo de Despesa e Estimativa dos Custos Notas fiscais de entrada e saída Documento de estimativa de custos já apontava o cliente “Mundo dos Filtros” Transferência de numerários pelas empresas do Grupo Mundo dos Filtros à Utilidad e desta à Prime, anteriormente ao registro da DI. Destinação de 100% ao “Mundo dos Filtros” 11/13600928 Umidificadores de ar Demonstrativo de Despesa/ Estimativa de Custos de Importação Registros Contábeis Transferência de numerários pelas empresas do Grupo Mundo dos Filtros à Utilidad e desta Fl. 17664DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.832 13 à Prime, anteriormente ao registro da DI. 11/17330038 Climatizadores e ventiladores de coluna Fatura comercial (existência de duas invoices com a mesma numeração e produtos) O Cotejamento entre a invoice localizada na empresa e aquela que instruiu o despacho demonstraria prática de subfaturamento no percentual de 30%. 100% das mercadorias remetidas à Nova Distribuidora e Logística e posteriormente repassadas ao “Mundo dos Filtros” 12/02096281 Climatizadores Notas fiscais de entrada e saída Até o encerramento da fiscalização teria sido apurada a remessa de parte das mercadorias à Nova Distribuidora e Logística e posterior repasse ao “Mundo dos Filtros” A análise feita sobre as notas fiscais de venda emitidas pela empresa Utilidad, relativamente a todas as 17 DIs verificadas permitiria concluir que, em todos os casos, a integralidade das mercadorias importadas seria repassada a diversas empresas do “grupo” Mundo dos Filtros, dentre elas a Utilar. Pontua a autoridade fiscal, em alguns casos, a identificação de transferências de numerários por empresas ligadas ao “Mundo dos Filtros” antes do registro importação. Em outras operações, aponta o autuante a existência de documentos comprovando que previamente ao registro da DI a Utilidad já definira as empresas ligadas o Mundo dos Filtros como clientes para “aquisição” da mercadoria importadas. Registrase ainda que, nas operações fiscalizadas, regra geral, teria sido constatada exclusivamente uma pequena diferença no valor agregado (entre 3,4% e 13,7%). Há casos em que a agregação foi negativa. Em outros casos, teria sido Fl. 17665DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.833 14 identificada a prática de subfaturamento, a partir do cotejamento de duas versões da invoice apreendidas. Conclui a autoridade fiscal: “Esta situação, em conjunto com outros elementos constantes no Auto de Infração do processo nº 10111.720547/201273, bem como todos os argumentos anteriormente apresentados, formou a convicção de que a relação entre os reais adquirentes (empresas MUNDO DOS FILTROS, entre elas, a UTILAR) e a empresa UTILIDAD não é comercial, e sim uma relação que visa a ocultar os verdadeiros os verdadeiros responsáveis pela importação daqueles produtos, e que ficaram ocultos em todas as declarações e documentos apresentados à RFB no curso da fiscalização feita sobre a UTILIDAD e agora sobre a UTILAR. A ocultação do real adquirente visa a “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas, quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais tributárias e até civis), não são alcançadas em virtude da ocultação. Finalmente, após discorrer apontar a legislação de regência, detalhando seu entendimento sobre as três modalidades de importação previstas, concluiu a autoridade fiscal que, em face de tais constatações, as mercadorias importadas sujeitarseiam à pena de perdimento, com fulcro no inciso V do art. 23 do Decreto lei nº 1.455, de 1976 e, dado que a maior parte das mercadorias, conforme declarado pela autuada, teria sido revendida, caberia a aplicação da multa substitutiva prevista no § 3º do mesmo art. 23. 4. Da Responsabilidade Solidária Por tudo que foi exposto neste Termo, concluíram as autoridades fiscais que devem comparecer ao pólo passivo da obrigação tributária, na condição de responsáveis solidários, os sócios da autuada, além das pessoas jurídicas Utilidad e Prime, bem como sócios das respectivas empresas. Desse modo, devem responder pelo crédito lançado: a) Edmar Mothe Junior, sócioadministrador da empresa Utilar Utilidades e Presentes Ltda. EPP; b) Maria Mendes Mothe, sócia da empresa Utilar Utilidades e Presentes Ltda. EPP; c) Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda. d) Felipe Da Costa Coelho, sócioadministrador das empresas Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda. e Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda.; e) Prime Holding e Participações Empresariais Ltda.; f) Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda.; g) Vinicius da Costa Coelho, sócioadministrador da empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda., e exsócio administrador da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda.; h) Daniel Chícrala Chaves De Oliveira, sócioadministrador da empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e exsócio administrador da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda; Fl. 17666DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.834 15 i) O Sr. Edmar Mothe, ex sócioadministrador da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda. DA IMPUGNAÇÃO Regularmente cientificadas as pessoas físicas e jurídicas que figuram no pólo passivo da obrigação tributária, comparecem ao processo para impugnar o lançamento exclusivamente a autuada Utilar e o responsável solidário Edmar Mothe. Os demais arrolados se abstiveram de qualquer manifestação. A seguir, analisamse os argumentos manejados pelas respectivas defesas. I. Utilar Regularmente cientificada em 03 de maio de 2003 (fl. 17.408), a Utilar apresentou, em 21 de maio de 2013 (fls. 17.489 e seguintes), impugnação na qual maneja, em síntese, as seguintes alegações: a) Alega que as operações de importação objeto de autuação teriam sido realizadas pela Prime, por conta e ordem da Utilidad, ressalvando, ainda, que apenas uma parcela das mercadorias importadas teria sido revendida à Utilar. b) Constaria dos autos a informação de que a Utilidad teria sido previamente autuada por práticas de irregularidades no comércio exterior, alegando que a ausência do teor integral do citado processo cercearia o pleno exercício de seu direito de defesa; c) Alega, sem detalhar, que a autuação abrangeria um conjunto de 11 operações de importação, sendo que algumas das provas carreadas diriam respeito a outras DIs. Aduz ausência de provas; c) Sustenta que os tributos incidentes teriam sido integralmente recolhidos; d) Destaca que as pessoas jurídicas que teriam adquirido mercadorias da Utilidad seriam autônomas entre si, sendo irrelevante o fato de algumas delas apresentarem sócios em comum ou com parentesco com o Sr. Edmar Mothe, idealizador da marca. Tais empresas seriam varejistas e não importadoras, apenas compartilhariam os mesmos fornecedores e) Teria cabido ao Sr. Edmar Mothe realizar uma grande negociação para que diversas empresas da marca adquirissem conjuntamente mercadorias junto à Utilidad; f) Num primeiro momento os produtos comercializados apresentariam a marca Utilidad e, posteriormente, passouse a mesclar os mesmos produtos com outras marcas; g) Caberia à autoridade fiscal o ônus probandi, o que exigiria demonstrar o exato fluxo financeiro relativo a cada importação; h) Não se poderia apenar empresas que apenas teriam adquirido mercadorias junto a empresas nacionais regulares, em transações com nota fiscal e, mais relevante, à vista do comprovante de importação. Irregularidades eventualmente praticadas na importação não alcançariam a impugnante que seria adquirente de boa fé. Reitera que a impugnante não participaria das importações. Ressalva que não haveria lei que proibisse tal modelo de organização; Fl. 17667DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.835 16 i) Não se poderia falar em ocultação da Utilar, uma vez que a impugnante seria apenas um dos clientes da Utilidad, sendo que as mercadorias objeto das DI em questão teriam sido revendidas a diversas empresas e, ademais, a maior parte dos produtos ostentaria a marca da importadora. Tais transações decorreriam da livre organização da atividade empresarial e seriam lícitas; k) Defende que o Siscomex não admitiria a inclusão de informações relativas à revenda de mercadorias a elos posteriores da cadeia de importação o que tornaria impossível atender à expectativa fiscal; l) Destaca que todas as empresas envolvidas existiriam de fato; m) Por outro lado, defende que o perdimento da mercadoria constituiria penalidade tão severa, violadora do princípio basilar do direito à propriedade que somente seria possível sua aplicação na hipótese de efetivo dano ao Erário. Alega que tal dano não teria ocorrido vez que os impostos teriam sido integralmente recolhidos; n) Por outro lado, destaca que no caso em tela estariam presentes os pressupostos que tornariam cabível a relevação da pena de perdimento, nos termos do art. 736 do Regulamento Aduaneiro; o) Alega tratarse de terceiro de boafé, não devendo ser penalizada por eventuais irregularidades praticadas na importação de bens posteriormente adquiridos, no mercado interno, à vista de documentação comprobatória de sua regularidade. Cita jurisprudência. p) Por fim requer que o lançamento seja julgado improcedente. II. Sr. Edmar Mothe Intimado por via postal em 09/05/2013, comparece o Sr. Edmar Mothe ao processo em 04/06/2013, apresentando as razões de defesa a seguir sintetizadas: a) Inicialmente, sustenta que tivera seu nome incluído como “responsável solidário”, nos termos do DL 37/66, artigo 96, I, combinado com os artigos 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional b) Conforme a autuação, a autoridade entendera caracterizada a interposição fraudulenta da Utilidad, que desde a sua constituição teria se valido de recursos de terceiros, ocultando os reais adquirentes das mercadorias importadas; c) Sustenta, num primeiro plano, que jamais praticara atos de gestão durante o curto intervalo de tempo em que figurara no quadro societário da Utilidad; d) Os auditores fiscais teriam exorbitado sua competência e distorcido a realidade ao incluir o impugnante no rol de responsáveis solidários; e) Defende a nulidade do lançamento quando à sua pessoa, vez que estaria desligado do quadro de sócios da Utilidad, desde 29/09/2011, não tendo até a cientificação do lançamento, conhecimento de que haveria procedimento fiscal instaurando sobre aquelas pessoas jurídicas. f) Como não lhe fora dada ciência da instauração do procedimento, nem tampouco viabilizada sua manifestação, teria sido cerceado seu direito de defesa, que não se aplicaria somente à fase contenciosa. Nesse aspecto, cita decisão do Ministro Fl. 17668DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.836 17 Joaquim Barbosa no julgamento do RE 608.426, que assentaria que o direito de defesa deve ser exercido na fase de constituição do crédito tributário; g) No mérito, defende o descabimento da imputação de responsabilidade tributária à pessoa do impugnante; h) Constaria do auto de infração que fora sócio da Utilidad entre os meses de agosto e setembro de 2011. Todavia, lhe fora imputada responsabilidade sobre a totalidade das importações praticas entre 02 de setembro de 2009 e 02 de fevereiro de 2012. Assim, caso comprovado que tivesse agido com excesso de poderes, poderia ser responsabilizado, exclusivamente, pelas operações realizadas no período em que fora sócio daquela empresa; i) Argumenta que atua como empresário no comércio varejista detendo experiência de mais de 20 anos, notadamente filtros e outros produtos facilitadores do dia a dia das famílias. Em razão de a Utilidad haver conquistado espaço no mercado com a revenda de eletrodomésticos importados, as empresas por ele representadas passaram a adquirir esses bens daquela importadora; j) Da evolução natural de tal relacionamento surgira a oportunidade de fazer parte daquele empresa, decisão que fora repensada em curto espaço de tempo; l) Os produtos adquiridos da Utilidad pelas empresas que usam o nome fantasia “Mundo dos Filtros” corresponderiam a apenas uma parcela dos produtos revendidos por aquelas empresas; m) Seria absurdo defender que a Utilidad existiria apenas para ocultar as operações de dois ou três clientes, vez que aquela empresa possuiria clientes em diversas cidades do país; n) Não haveria irregularidades no relacionamento da impugnante com a Utilidad, nem tampouco seria a impugnante financiadora de suas operações. Destaca que os produtos adquiridos ostentariam a marca própria da Utilidad, não havendo razão para se suspeitar de ocultação de empresas e clientes; o) No que concerne à integralização do Capital Social da Utilidad, em razão de seu ingresso na sociedade, sustenta que tais valores seriam compatíveis com sua renda declarada à Receita Federal e defende que depósito bancário seria meio idôneo de provar o afirmado; p) No que tange à responsabilidade dos sócios, esta seria limitada ao valor integralizado das respectiva cotas, sendo todos os sócios responsáveis solidariamente pela integralização total do capital, enquanto não cumprida em sua totalidade. Nesse contexto, o acesso a bens pessoais dos sócios somente seria admissível caso comprovada a prática de atos realizados com excesso de poderes, que culminassem em ilícitos, fraudes ou irregularidades que lesassem terceiros; q) Não teria sido individualizada a conduta de cada sócio, que apenas teriam sido arrolados em razão de seus poderes teóricos. Defende, outrossim, que os sócios que não exercem atos irregulares, dos quais resultem transtornos para a empresa não responderão com seus bens, segundo entendimento que seria pacífico no STJ; r) Na mesma linha, argumenta que a desconsideração da personalidade jurídica somente seria admissível quando for inconteste a prática de atos exercidos com excesso de poderes da parte dos sócios, sendo imperioso o benefício de ordem, que Fl. 17669DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.837 18 prevê primeiramente o esgotamento dos bens da sociedade. Acrescenta que tal instituto somente poderia ser aplicado pelo poder judiciário; s) No que tange a responsibilização constante do art. 135 do CTN, defende que tal responsabilidade não possuiria o condão de excluir o verdadeiro contribuinte, sendo meramente subsidiária e não por substituição. Sua caracterização exigiria a presença de elementos fáticos a apontar a prática de atos com excesso de poderes. No caso concreto, não haveria elementos que demonstrassem, de forma individualizada, a conduta ilícita dos sócios; t) Defende que a Utilidad possui características de sociedade de capital, posto que seu objeto não depende da personalidade dos sócios. Tal fato afastaria a aplicação do art. 134 do CTN. u) Defende que no direito tributário as normas devem ser interpretadas sempre da maneira mais favorável ao contribuinte, sendo que o que importa são das provas materiais, válidas e objetivas, e não simples suposições. As presunções de fato possuiriam pouco ou nenhum valor nesse campo. v) Por outro lado, sustenta que, para que se pretendesse atingir o patrimônio particular dos sócios com a finalidade de satisfação de obrigações tributárias pretensamente descumpridas pela Utilar, farseia imperioso exaurir primeiramente o patrimônio da sociedade. Somente posteriormente e em sede judicial poderiam ser apuradas as devidas responsabilidades dos sócios. w) Requer sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, ante a ausência de elementos que comprovem que tenha praticado atos de administração na Utilidad, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do 135 do CTN. Colaciona jurisprudência. Tendo em vista a negativa do Acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 17.590 a 17.600), em 16 de março de 2014, em nome da pessoa jurídica UTILAR UTILIDADES E PRESENTES LTDAEPP e outro Recurso Voluntário (fls. 17.615 a 17.629), na mesma data, em nome da pessoa física, considerado responsável solidário, Edmar Mothé. O Acórdão da decisão da DRJ ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012 CERCEAMENTO DE DEFESA. MANIFESTAÇÃO DURANTE A FASE PROCEDIMENTAL. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal o direito de defesa do contribuinte é exercido na fase do contencioso administrativo, que se inicia com a apresentação da impugnação. A ausência de participação do sujeito passivo durante a etapa procedimental, que visa à apuração e constituição do crédito tributário não caracteriza cerceamento de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/10/2010 a 02/02/2012 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. Fl. 17670DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.838 19 O dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. O dano ao Erário deve ser punido com a pena de perdimento dos bens ou, na impossibilidade de sua apreensão, deve ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE DE PERDIMENTO. INCOMPETÊNCIA. A competência para relevação da penalidade de perdimento prevista no Regulamento Aduaneiro, na hipótese em que restem configuradas os pressupostos estabelecidos, é privativa do Ministro da Fazenda. RESPONSABILIDADE DO INFRATOR. Devem responder solidariamente pela infração aqueles que tenham concorrido para sua prática ou dela tenham se beneficiado. SOLIDARIEDADE DOS SÓCIOS. LIMITES. EXCEÇÕES. Os sócios, ao constituírem a sociedade sob a forma limitada, limitam sua responsabilidade aos aportes que realizam para a formação do capital social. Porém, existem exceções a tal princípio geral, uma delas aplicável às relações de cunho jurídico tributária, relacionadas aos atos gerenciais praticados com excesso de mandato, violação da lei ou do contrato social. Em tais situações os sócios devem responder solidariamente pelo crédito lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e deixar de tomar conhecimento do pedido de relevação da pena de perdimento, por competir tal ato exclusivamente ao Ministro da Fazenda. No mérito, acordam os membros desta Turma, julgar IMPROCEDENTE a IMPUGNAÇÃO, mantendo integralmente a exigência fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Ao analisar os autos do processo observo que as empresas PRIME, na condição de importador, e, UTILIDAD, na condição de real adquirente dos bens importados por sua conta e ordem, possuem relação direta com o Contribuinte (UTILAR) e o responsável solidário Sr. Edmar Mothé. Para fins de elucidação do caso cito trecho do Acórdão ora recorrido (fl. 17.553): Fl. 17671DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.839 20 Os elementos que me levam à convicção de que, no caso concreto, de fato, a Utilidad colocarase artificialmente na condição de adquirente de mercadoria importada por conta e ordem são outros, que passo a enumerar: a) Primeiramente, há que se destacar que, este Colegiado, quando da análise dos autos do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273, entendeu que restara comprovado que as empresas Prime e Utilidad atuaram de forma orquestrada visando à ocultação dos reais intervenientes em operações de comércio exterior, cabendo à Prime, figurar como importador ostensivo, e à Utilidad figurar como real adquirente das mercadorias supostamente importadas por sua conta e ordem, cedendo deliberadamente seu nome para ocultação de terceiros; b) Conforme demonstrado no item 2.2, a Utilidad não demonstrou a origem de seu capital social, tampouco dispunha, à época dos fatos, de recursos compatíveis com o volume transacionado no comércio exterior, tendo sido incapaz de demonstrar a origem dos recursos empregados em tais transações, donde se depreende que as operações em questão teriam sido financiadas por terceiros, que permaneceram ocultos ao Fisco; c) Nesse trilhar, em pelo menos duas, das dezessete operações (DIs 11/07623083, 11/13600928 e 11/12365810), restou caracterizado que os recursos oriundos de empresas relacionadas ao “Mundo dos Filtros” teriam sido transferidos à Prime/Utilidad previamente à importação das mercadorias. Ou seja, pelo menos nesses casos, a importação fora custeada pelas empresas do “grupo” Mundo dos Filtros, entre elas a Utilar, tendo sido, portanto, promovidas por sua conta e ordem; d) Por outro lado, em outro expressivo conjunto de operações, como as DIs 10/17690997, 10/18836685, 10/18836693, documentos apreendidos nos estabelecimentos da Prime/Utilidad revelam que os supostos importador por conta e ordem e respectivo adquirente haviam definido, previamente às importações, os clientes a que se destinariam a totalidade daquelas mercadorias, o que denota, se não importação por conta e ordem destes terceiros (caso de fato não tenha havido transferência prévia de recursos), importação por encomenda de tais intervenientes, os quais permaneceram ocultos ao fisco; e) À vista de todos os elementos acima, mesmo nas operações em que não se conseguiu rastrear a antecipação de recursos, nem localizar documento que apontasse que a definição dos clientes precedera à importação das mercadorias, o fato de que em todas elas, a integralidade das mercadorias era rapidamente destinada às diversas empresas do “grupo” Mundo dos Filtros, sempre praticandose pequena margam de lucro, por vezes até negativa (como na DI 11/07623083), revela, a meu ver, tratarse no mínimo de encomenda prévia (caso de fato não tenha havido prévia transferência de recursos). Nesse ponto, deve ser destacado que cada DI possuía um perfil específico, ora umidificadores de ar, ora fornos e fogões, ora aparelhos de ar condicionado, ora churrasqueiras, ora liquidificadores, ora um sortido de eletrodomésticos de pequeno porte. Seria a meu ver impossível que a Utilidad simplesmente adivinhasse a quantidade exata de cada tipo de mercadoria que cada uma das empresas do grupo adquiria, sem que se caracterizasse qualquer sazonalidade de demanda. f) Do mesmo modo, a meu ver, forma robusta prova em favor da acusação, o fato de haver restado caracterizado que o Sr. Edmar Mothe recebera, diretamente em sua conta bancária pessoal, diversas transferências de recursos provenientes da empresa Utilidad. Tais transferências, conforme demonstrou a fiscalização, corresponderiam Fl. 17672DF CARF MF Processo nº 10111.720939/201313 Resolução nº 3301000.274 S3C3T1 Fl. 7.840 21 ao montante exato da suposta revenda da mercadoria importada pela Utilidad às empresas ligadas ao Mundo dos Filtros. Isto posto, percebese que o presente processo guarda vinculação por conexão com o processo nº 10111.720547/201273, distribuído para a relatoria da Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. As razões para o presente entendimento acerca da vinculação por conexão são as seguintes: a) O auto de infração, objeto do presente julgamento, decorre dos fatos apurados durante a fiscalização das empresas Prime Comercial Importadora e Exportadora LTDA e Utilidad Comércio de Móveis e Eletro LTDA; b) Em decorrência da fiscalização dessas duas empresas, a primeira como importadora ostensiva e a segunda como adquirente ostensiva, resultou no auto de infração lavrado no processo nº 10111.720547/201273, anterior ao presente processo; c) As provas da alegada interposição fraudulenta no presente processo foram extraídas do processo nº 10111.720547/201273. Diante dessas razões cabe aplicar o disposto inciso I do § 1° c/c o § 2° do art. 6° do Anexo II da Portaria do Ministério da Fazenda n° 343/2015 (RICARF), a saber: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (. . .) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, (...).(grifouse). Neste sentido voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja determinada a vinculação por conexão com o processo nº 10111.720547/201273 de relatoria da Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario. Valcir Gassen – relator Fl. 17673DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903894/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.645
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DILIGÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida UNIMED PATO BRANCO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário. Em julgamento do Recurso Voluntário, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 03 89 4/ 20 13 -2 7 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10935.903894/201327 Resolução nº 3402001.645 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ em Belém PR, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente contra o indeferimento do Pedido de Restituição de credito decorrente de pagamento a maior relativo ao Programa de Integração Social PIS sobre Folha de pagamento. No Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal em Cascavel (PR), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para o Pedido de Restituição solicitado. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Cientificada da referida decisão, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, descrevendo, em síntese, as seguintes razões: a) que a retificação da DCTF, mesmo que após a primeira notificação de indeferimento, bem como o Pedido de Restituição, foram efetivados com base nos termos da IN nº 635/2006, mormente quanto ao artigo 28, que constitui aos contribuintes do PIS Folha a que se refere o inciso III do artigo 1º, e não incluiu as Sociedades Cooperativa de Médicos e, portanto, não foram declaradas contribuintes do PIS folha, fato este, ratificado no artigo 29 da referida IN em que, não relacionadas no artigo 29, sequer a Cooperativa de Médico constitui fato gerador do PIS folha; b) diante das razões expostas, requer a revisão do Despacho Decisório, seu respectivo cancelamento com a consequente ratificação e homologação, dos Pedidos de Restituição dos valores recolhidos pela Recorrente a título de PIS sobre Folha de Pagamento, referente ao período de Agosto de 2008 a Dezembro de 2012. Ao final, clama pela acolhida do recurso para o fim de assim ser decidido pela procedência da retificação da DCTF e da homologação do Pedido de Restituição. Na sequência, o processo foi distribuído para seu julgamento, que seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicouse o decidido no Acórdão nº 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do PAF nº 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No entanto, na condição de Conselheiro Relator deste processo, conforme previsão dos artigo 66 c/c artigo 65, § 1º, I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, este Conselheiro apresentou Embargos Inominados por ter constatado, quando da Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10935.903894/201327 Resolução nº 3402001.645 S3C4T2 Fl. 4 3 formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão que integra os autos, que desta forma conclui em sua parte dispositiva: "(...) 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo". (Grifei) No entanto, verificase que os documentos constantes dos presentes autos atestam a tempestividade da interposição do Recurso Voluntário. Posto isto, os Embargos opostos foram admitidos pelo Presidente da Turma, por estar comprovado a inexatidão material da decisão embargada, para que seja analisado o Recurso Voluntário e haja a prolação de um novo Acórdão pelo Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.631 13 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903880/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.631) 1: "Com os mesmos fundamentos do despacho de admissibilidade (fls. 158/159), conheço e acolho os Embargos de Declaração para conhecer do Recurso Voluntário para analisar as razões recursais. Com efeito, como indicado no relatório, os presentes Embargos foram interpostos por este Conselheiro por ter constatado, quando da formalização do Acórdão, inexatidão material do Acórdão nº 3402 005.627, de 27/09/2018 (fls. 153/155), que concluiu pela intempestividade do recurso interposto em sua parte dispositiva. No entanto, verificase que atestam os documentos constantes dos presentes autos que a ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 30/03/2017, conforme Termo de Ciência Eletrônica (Portal eCAC), enquanto o recurso voluntário foi apresentado em 12/04/2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 144. Portanto, encontrase tempestivo a apresentação do Recurso Voluntário, devendo ser conhecido. Assim, cabe ser acolhidos os Embargos de Declaração para reconhecer a tempestividade do recurso voluntário, para adentrar em seu mérito. 1 Foram transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento do paradigma. Íntegra da Resolução paradigma pode ser consultada no processo 10935.903880/201311. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10935.903894/201327 Resolução nº 3402001.645 S3C4T2 Fl. 5 4 (...) Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem: 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10935.903894/201327 Resolução nº 3402001.645 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte (pagamento indevido de PISFolha por se tratar de sociedade cooperativa de trabalho médico, não abrangida pela previsão do art. 28, da Instrução Normativa nº 635/2006) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.908553/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.383
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo da contribuição, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente BRASLATEX INDUSTRIA E COMERCIO DE BORRACHAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a DRF de origem examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo da contribuição, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito de PIS e COFINS. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 55 3/ 20 11 -1 6 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Resolução nº 3301000.383 S3C3T1 Fl. 3 2 No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte e livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14 042.478. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos; e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e a cópia de parte do livro diário apresentada não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Resolução nº 3301000.383 S3C3T1 Fl. 4 3 ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.366, de 28 de junho de 2017, proferida no julgamento do processo 10850.906106/201122, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301000.366): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade,portanto dele tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20(vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ.21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. Quanto ao mérito, resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS e da Cofins. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Resolução nº 3301000.383 S3C3T1 Fl. 5 4 No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS e pela COFINS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF,aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Todavia, a autoridade administrativa não considerou os documentos juntados pela Recorrente planilha, o livro diário e o livro razão – uma vez que afastou a tese de mérito. Diante da compatibilidade do valor pleiteado pela Recorrente face à sua escrituração contábil, necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação do crédito pleiteado. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja determinada à unidade de origem que: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.908553/201116 Resolução nº 3301000.383 S3C3T1 Fl. 6 5 c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de origem: a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.662534/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Oct 08 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1402-001.458
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1402-001.452 , de 17 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.662524/2012-26, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1402-001.452 , de 17 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.662524/2012-26, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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(SUCEDIDA POR INGRAM MICRO BRASIL LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1402-001.452 , de 17 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 10880.662524/2012-26, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que ratificou o entendimento da DERAT SÃO PAULO/SP expresso em Despacho Decisório que indeferiu a compensação pleiteada sob fundamento de que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados”. Inconformada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade alegando: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 62 53 4/ 20 12 -6 1 Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 1. ter efetuado o pagamento indevidamente o recolhimento de IRRF sobre royalties referente à aquisição de programas de computador em larga escala, conhecidos como software de prateleira. 2. ser nulo o Despacho Decisório, pois não teria sido intimada antes de sua emissão, representando preterição do direito de defesa. Citou, ainda, os arts. 2º e 28 da Lei nº 9.784/99, para defender o direito à intimação, alegando que seria dever da administração intimar os contribuintes e promover diligências, em obediência ao princípio da verdade material. 3. meritoriamente afirmou que o crédito seria decorrente de remessa ao exterior, para pagamento de softwares despersonalizados, que podem ser utilizados por qualquer usuário, adquiridos de empresa estrangeira. 4. tais softwares, na modalidade cópias múltiplas (softwares de prateleira), para serem revendidos no Brasil, não teriam incidência de IRRF, conforme Solução de Divergência nº 27/2008 e Soluções de Consulta nº 68/2010, 63/2010 e 202/2008. 5. que, dentre outras atividades, desenvolveria o comércio e distribuição de programas de informática. Para tanto, por meio de contratos, no mercado interno e externo, o contribuinte adquiriria o direito de revender os softwares desenvolvidos de modo não personalizado por empresas como Oracle, IBM, Novell e Redhat, as quais manteriam os direitos autorais e de propriedade sobre os produtos. O interessado afirmou que apenas revenderia os softwares, sem fazer qualquer modificação. 6. no presente caso, alegou ter recolhido indevidamente o IRRF, pleiteando o indébito através de Pedido de Restituição, com transmissão posterior da Declaração de Compensação. 7. acerca da falta de retificação da DCTF não seria óbice ao deferimento do pleito, pois o pagamento seria indevido. 8 concluindo, requereu a nulidade do Despacho Decisório ou sua reforma, com o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação. Juntou novos documentos e contrato de distribuição de software firmado com a empresa IBM, além de acordo de distribuição com a Novell do ano 2004. Juntou ainda faturas emitidas pela Novell com cobrança para o contribuinte; anexou cópia de contrato de venda de câmbio Submetida a MI à apreciação da DRJ, foi prolatada decisão negando provimento ao pedido e ratificando o DD exarado pela DERAT/SÃO PAULO/SP, tendo o colegiado de 1º Grau, depois de afastar as preliminares de nulidades suscitadas, entendido quanto ao mérito: a) que o contribuinte alegou que teria recolhido indevidamente o IRRF sobre a compra de softwares de prateleira, produtos despersonalizados, de empresas estrangeiras como Oracle, IBM, Novell e Redhat, as quais manteriam os direitos autoral e de propriedade sobre os produtos, para revenda, sem alterações, aos consumidores brasileiros. b) a Solução de Divergência nº 27/2008, citada pelo interessado, foi reformada pela Solução de Divergência Cosit nº 18/2017, a qual reviu o entendimento anterior. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 c) a Solução de 2017 estabeleceu o seguinte, conforme trechos destacados a seguir: d) (...) e) por sua vez, a Solução de Divergência Cosit nº 18/2017 trata exatamente da situação em tela, na qual o contribuinte adquire o direito de revender as licenças de uso de software desenvolvido por uma empresa estrangeira, conforme afirmado na manifestação de inconformidade: f) (...) g) apesar do contribuinte afirmar que ele não revende ao consumidor final, mas a um intermediário, ainda há incidência do IRRF, pois ele adquire uma licença para distribuir e comercializar o software em território nacional, de modo que o pagamento efetuado à empresa estrangeira se caracteriza como remuneração de direitos autorais, royalties. h) portanto, ao contrário do entendimento do interessado, há incidência de IRRF à alíquota de 15% no pagamento remetido ao exterior para aquisição de licença de comercialização ou distribuição de software. i) importa destacar que o contribuinte mencionou a Solução de Divergência nº 27/2008, mas o mesmo não era parte dela, de modo que não está abrangido por seus efeitos. j) de outro lado, as Soluções de Divergência só passaram a produzir efeitos para outros sujeitos passivos, além do consulente, a partir de 17/09/2013, com a edição da IN RFB nº 1.396/2013, conforme arts. 9º e 22: k) (...) l) se a Solução de Divergência de 2008 não tivesse sido reformada, o contribuinte não teria reconhecimento de crédito, pois não retificou a DCTF e não apresentou os livros contábeis e fiscais, de modo que a análise da liquidez e certeza do direito creditório estaria prejudicada. m) sobre a juntada de novos documentos, não poderá ocorrer a qualquer tempo, pois a legislação de regência enumera taxativamente as hipóteses de sua permissão estabelecendo limites para tanto. Não ocorrendo tais exceções, a juntada posterior de documentos não é admitida. Discordando do r. decisum, a contribuinte acostou recurso voluntário rebatendo a decisão de 1º Piso e reafirmando os argumentos já expendidos na MI. Além disso, juntou documentos com os quais pretendeu comprovar suas alegações. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Há prejudicial de mérito (possível intempestividade do recurso voluntário) que necessita ser analisada preliminarmente. DO PROCESSO Nº 10880.662524/2012-26 (e repetitivos vinculados) – ESTE PROCESSO! Observe-se a seguinte linha do tempo (documentos encartados nos autos): 1. disponibilização do acórdão da DRJ na caixa da contribuinte – 11/10/2019 (fls. 140): 2. termo de ciência da decisão – 14/10/2019 (fls. 141): 3. protocolização do RV - termo de solicitação de juntada – 05/12/2019 (fls. 142): Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 4. manifestação da unidade de origem sobre a intempestividade do recurso voluntário (nota inserida no e-processo): 5. argumentos da recorrente em seu recurso voluntário (fls. 145/150): “O Recorrente, no seu regular acompanhamento do extrato de contacorrente para a renovação de sua Certidão de Regularidade Fiscal, identificou que o débito relacionado ao processo em questão passou a constar como em aberto no sistema da RFB. Para fins de identificar o que poderia ter ocorrido, a Recorrente tomou ciência expressa do acórdão, mediante acesso ao processo eletrônico, nos dias 02 e 03 de dezembro de 2019. Nesse sentido, tem-se que o cômputo inicial da contagem do prazo para interposição do presente recurso iniciou-se a partir do primeiro dia útil posterior à data do recebimento da Intimação pelo Recorrente. Ao examinar os autos do processo, qual não foi a surpresa da recorrente ao identificar que para a Receita Federal a intimação eletrônica teria ocorrido em 13/10/2019, mediante envio de notificação à Caixa Postal Eletrônica do Recorrente. Ocorre que a recorrente não possuía Domicílio Tributário Eletrônico (“DTE”) vigente na data em epígrafe, como se verificará adiante, merecendo ser reconhecida a nulidade da referida intimação e regularmente processado o Recurso Voluntário em epígrafe. (...) Em primeiro lugar, a despeito da possibilidade de envio de intimações a outros endereços eletrônicos, a Receita Federal do Brasil (“RFB”) Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 optou pela instituição de Caixa Postal vinculada a Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (“E-CAC”), descrita no inciso II do §4º do art. 23 supratranscrito, a fim de ter maior segurança com relação à efetiva abertura das notificações. Em segundo lugar, estabeleceu que o endereço eletrônico somente poderá ser adotado mediante expresso consentimento do sujeito passivo. Em outras palavras, o domicílio tributário eletrônico do contribuinte somente propagará efeitos se a opção por esta modalidade estiver em vigor. (...) Em consulta recente acerca do seu cadastro perante o DTE, o Recorrente confirmou que a própria Receita Federal teria providenciado o cancelamento do DTE do Recorrente em 01/10/2018, ou seja, há mais de um ano da data que consta como termo de intimação por meio digital. Veja-se a situação da Recorrente à época do suposto registro da intimação na Caixa Postal: Como pode ser observado, o Recorrente formalizou sua ativação ao DTE apenas em 07/11/2019. Portanto, impossível ser considerada a data da intimação constante nos autos, como evento para se caracterizar a data da intimação, visto que a ora Recorrente não detinha DTE passível de recebimento de intimações/notificações. O próprio Manual supracitado estabelece que é necessário realizar nova adesão ao DTE na hipótese de ele ter sido cancelado de ofício (doc. 02): Sendo assim, a ausência de DTE do Recorrente no período em que registrada a intimação do presente acórdão em sua Caixa Postal vinculada ao ECAC torna absolutamente nula a intimação realizada. Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 (...) Diante do exposto, necessário reconhecer a nulidade da intimação supostamente realizada, bem como reconhecer a tempestividade do presente recurso voluntário para viabilizar a análise do mérito do presente recurso voluntário, inclusive com o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos objeto das Declarações de Compensação não homologadas”. (destaques são do original). RESUMO Conforme relatado: 1. em 11/10/2019 a DRF disponibilizou o Acórdão da DRJ na Caixa Postal (DTE) da contribuinte. 2. em 14/10/2019 a recorrente teria tomado ciência por meio de acesso à sua caixa postal. 3. assim, nessa contagem temporal, o trintídio iniciou-se em 15/10/2019 (terça-feira) e encerrou-se em 14/11/2019 (quinta-feira). 4. somente em 05/12/2019, 21 dias após a data ad quem, é que a recorrente protocolizou seu recurso voluntário (fls. 144/169), pelo que, sem dúvida, estaria perempto. 5. todavia, conforme alegações da recorrente, acima reproduzidas, ela não seria optante pelo DTE desde 01/10/2018, quando foi excluída pela Receita Federal, só voltando ao sistema em 07/11/2019 por sua livre adesão. Veja-se novamente a reprodução do alegado pela recorrente (fls. 149): 6. então, induvidoso se estar diante de uma flagrante inconsistência, de um lado a autoridade preparadora informando ter sido a recorrente cientificada da decisão recorrida em 14/10/2019 e de outro a interessada rebatendo que só tomou conhecimento do acórdão da DRJ quando “no seu regular acompanhamento do extrato de conta corrente para a renovação de Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 sua Certidão de Regularidade Fiscal, identificou que o débito relacionado ao processo em questão passou a constar como em aberto no sistema da RFB. Para fins de identificar o que poderia ter ocorrido, a Recorrente tomou ciência expressa do acórdão, mediante acesso ao processo eletrônico, nos dias 02 e 03 de dezembro de 2019. Nesse sentido, tem-se que o cômputo inicial da contagem do prazo para interposição do presente recurso iniciou-se a partir do primeiro dia útil posterior à data do recebimento da Intimação pelo Recorrente”. (RV – fls. 145). Assim, as perguntas que cabem são: a) a recorrente, no período de 11/10/2019 (quando a decisão foi encartada na sua Caixa Postal) a 07/11/2019, momento em que, segundo a interessada, teria feito novamente a opção pelo sistema) estava ou não habilitada ao DTE? b) se estava, quem foi o procurador habilitado que teria tomado ciência em 14/10/2019 (fls. 141), já que não consta identificação alguma?: Evidentemente, estas perguntas devem ser dirigidas à Unidade de Origem, via conversão em diligência do presente julgamento, para que venham as respostas pertinentes, medida que se impõe de plano. Todavia, há fato relevante que envolve a recorrente em outro processo paradigma (e seus respectivos repetitivos), igualmente em pauta nesta sessão de julgamento da 2ª Turma 4ª Câmara 1ª Seção, sob a Relatoria deste Conselheiro, como se passa a relatar abaixo. DO PROCESSO Nº 10880.663159/2012-77 (e repetitivos vinculados) Trata-se do Processo nº 10880.663159/2012-77 (e repetitivos vinculados a ele) no qual, tratando do mesmo assunto, com a mesma matéria, julgado pela mesma Turma da DRJ, na mesma data, com as mesmas razões de decidir, estampou a situação inteiramente diversa em relação à ciência do acórdão recorrido. Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 Para melhor visualização, veja-se a seguinte linha do tempo neste PA aqui tratado (documentos encartados nos autos): 1. disponibilização do acórdão da DRJ na caixa da contribuinte – 11/09/2019 (fls. 144): 2. termo de ciência da decisão – 17/09/2019 (fls. 145): 3. protocolização do RV - termo de solicitação de juntada – 16/10/2019 (fls. 147): Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 4. portanto, NESTE PROCESSO, cientificada a recorrente em 17/09/2019 da decisão da DRJ e tendo protocolizado o recurso voluntário em 16/10/2019, a peça recursal é tempestiva. Pois bem, o manuseio destes autos - PA nº 10880.663159/2012-77 e repetitivos vinculados a ele – mostra de forma clara que: 1. contrariamente ao alegado pela recorrente no PA nº 10880.662524/2012-26 (e repetitivos vinculados), em 17/09/2019 havia opção plenamente válida pelo DTE e havia procurador habilitado a acessar a sua caixa postal, no caso, Fábio Cardoso Maccione. 2. ora, se em 17/09/2019 havia opção pelo DTE e procurador constituído para acessar as mensagens, como a recorrente poderia alegar, (como fez no Processo nº 10880.662524/2012-66), que “formalizou sua ativação ao DTE apenas em 07/11/2019. Portanto, impossível ser considerada a data da intimação constante nos autos, como evento para se caracterizar a data da intimação, visto que a ora Recorrente não detinha DTE 3. evidentemente, as informações não convergem. CONSTATAÇÃO Então, inelutavelmente há uma contradição processual flagrante estampada nos dois processos em julgamento nesta sessão de agosto da 2ª Turma 4ª Câmara 1ª Seção, ou seja, PA nº 10880.662524/2012-26 e PA nº 10880.663159/2012-77 (e repetitivos a eles vinculados), isto porque a recorrente em um deles alega que até 07/11/2019 não existiria opção pelo DTE e, entretanto, há informações em setembro e outubro de acesso à sua caixa postal. Desse modo, imperativo haja esclarecimento da autoridade preparadora, inclusive com oitiva da recorrente, se necessário, acerca de tais inconsistências processuais. Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 Assim, em face do que acima foi narrado e o que mais consta dos autos, entendo imprescindível a conversão do julgamento em diligência a fim de que a Autoridade Tributária da jurisdição da recorrente, ou quem lhe faça as vezes, providencie: a) informação detalhada se a recorrente aderiu ao DTE e qual período; b) se, de fato, houve o cancelamento de ofício realizado pela Receita Federal, como alegado pela recorrente, na data de 01/10/2018; c) se, igualmente como informado pela recorrente, houve nova adesão exercitada por ela em 07/11/2019; d) se verdadeiras as afirmativas dos itens “b” e “c”, no período de 11/09/2019 a 06/11/2019 a recorrente TINHA OU NÃO TINHA opção válida pelo DTE? e) do mesmo modo, havia, NESTE MESMO ESPAÇO DE TEMPO, algum procurador da recorrente habilitado a acessar a sua caixa postal? Se sim, identifique-o. f) esclareça se Fábio Cardoso Maccione, CPF nº 135.492.718-40 estava habilitado e detinha poderes para acessar a caixa postal da recorrente em 17/09/2010 ou qualquer outra data; g) também explique se ALGUÉM, identificando-o, acessou a caixa postal da recorrente no Processo nº 10880.662524/2012-26 (fls. 141) considerando o despacho abaixo da autoridade preparadora neste PA: h) promova a intimação da recorrente para prestar os esclarecimentos que entender necessários; i) ao final elabore relatório circunstanciado da diligência, dele dando ciência à contribuinte para que, querendo, exclusivamente sobre ele se manifeste no prazo de trinta dias. Findo tal prazo, com ou sem manifestação da recorrente, os autos devem voltar ao CARF para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 da Resolução n.º 1402-001.458 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.662534/2012-61 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Redator Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital
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