Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
10399664 #
Numero do processo: 18470.729889/2012-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. A Declaração Saída Definitiva deverá ser entregue até a data de saída definitiva do país.
Numero da decisão: 1003-004.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202404

ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. A Declaração Saída Definitiva deverá ser entregue até a data de saída definitiva do país.

turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 18470.729889/2012-81

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7057215

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1003-004.350

nome_arquivo_s : Decisao_18470729889201281.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA

nome_arquivo_pdf_s : 18470729889201281_7057215.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024

id : 10399664

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:20 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210773311488

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-15T16:24:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-15T16:24:11Z; Last-Modified: 2024-04-15T16:24:11Z; dcterms:modified: 2024-04-15T16:24:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-15T16:24:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-15T16:24:11Z; meta:save-date: 2024-04-15T16:24:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-15T16:24:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-15T16:24:11Z; created: 2024-04-15T16:24:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-04-15T16:24:11Z; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-15T16:24:11Z | Conteúdo => S1-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 18470.729889/2012-81 Recurso Voluntário Acórdão nº 1003-004.350 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 3 de abril de 2024 Recorrente ALEXANDRE CORTES GUIMARÃES Interessado FAZENDA NACONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. A Declaração Saída Definitiva deverá ser entregue até a data de saída definitiva do país. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão, nº 02-45.225 (fls. 16/19), proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação. O litigio foi instaurado com a apresentação tempestiva de Impugnação contra Notificação de Lançamento – NL (fl. 8) que exigia crédito tributário a título de multa por atraso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 98 89 /2 01 2- 81 Fl. 35DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.350 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.729889/2012-81 na entrega da declaração; os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, conforme folhas de continuação anexas do referido feito fiscal. Em sede de impugnação, alegou que : 1) Teria deixado, em 02/10/2008, o Brasil, com animus manendi, tendo retornado somente em 01/05/2010; 2) Como previsto na legislação, entregou Declaração de Ajuste Anual de Saída Definitiva em 28/11/2008, ou seja, antes do último dia útil do mês de abril do ano- calendário de saída (abril de 2009); 3) A entrega da Declaração de Saída Definitiva ocorreu dentro do ano calendário correspondente e antes das alterações introduzidas pela IN RFB nº 897, que só passou a vigorar em dezembro de 2008; 4) Tratar-se-ia de ato jurídico perfeito, não incorrendo em fato gerador. Ato continuo, a d. DRJ rejeitou qualquer alegação de nulidade, “...haja vista que o direito ao contraditório e a ampla defesa foram preservados”. No mérito ratificou o lançamento, porque a Declaração de Saída Definitiva deveria ter sido entregue em 02/10/2008, ou seja, na data da saída definitiva, O impugnante apresentou Declaração de Saída Definitiva em 28/11/2008, tendo informado como data de saída 02/10/2008. Consoante o disposto no art. 9º, inc. I, alienas “a” e “b”, na redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 711, de 2007, a Declaração de Saída Definitiva, para ser considerada tempestiva, deveria ter sido entregue em 02/10/2008, ou seja, na data da saída definitiva. Portanto, correto o procedimento fiscal adotado. Cumpre esclarecer que o contribuinte se enquadraria na hipótese da alínea “a” retro citada, na redação dada pela IN SRF nº 711, de 2007, se tivesse saído do País até ultimo dia útil do mês de abril. Já com relação a alínea “a”, na redação dada pela IN SRF nº 897, de 2008, o contribuinte se enquadraria se tivesse saído até 31 de março. Nestas situações, teria até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário da saída definitiva para apresentar tempestivamente a sua Declaração de Saída Definitiva. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Regularmente cientificado, por via postal, em 4.6.1.2014, conforme informação dos correios, à fl. 22, o recurso foi juntado aos autos em 13.6.2014, assim sintetizado (fls. 24/26): Em sede de preliminar sustentou pela aplicação da retroatividade benigna, tendo em vista que a norma legal pertinente seria a “IN SRF n° 208, de 27 de Setembro de 2007, que com as alterações atuais vigentes o fato gerador em questão não existiria”, “...no ânimo dos princípios da economia e celeridade processual, invoca-se o Art. 106, II do CTN e passa-se a trabalhar exclusivamente com a legislação atualmente em vigor”. 1. O RECORRENTE deixou o País em 02/10/2008 com animus manendi, tendo retornado somente em 01/05/2010; 2. como previsto na legislação, entregou DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DE SAÍDA DEFINITIVA em 28/11/2008. Fl. 36DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.350 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.729889/2012-81 No mérito, citou o Art. 9º, I, da IN SRF n° 208: Art. 9º A pessoa física residente no Brasil que se retire em carárter permanente do território nacional no curso do ano-calendário deve, observado o disposto no art. 11-A: I- apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no ano-calendário da saída, até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário subsequente ao da saída definitiva, bem como as declarações correspondentes a anos-calendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues; Art. 11-A. A pessoa física residente no Brasil que se retire do território nacional deve apresentar a Comunicação de Saída Definitiva do País: I- a partir da data da saída e até o último dia do mês de fevereiro do ano-calendário subsequente, se esta ocorreu em caráter permanente; ou II- a partir da data da caracterização da condição de não-residente e até o último dia do mês de fevereiro do ano-calendário subsequente, se a saída ocorreu em caráter temporário. Concluindo que, como o Recorrente deixou o país, “...com animus manendi, por tanto com intenção de saída em caráter permanente, em 02/08/2008”, a entrega da Declaração de Saída Definitiva, ocorrida em 28/11/2008, teria se dado perfeitamente dentro do prazo, ou seja, antes do último dia de Fevereiro do ano-calendário subsequente (art. 11-A, I) e também antes do último dia útil do mês de Abril do ano-calendário subsequente (art. 9, I)”. Dessa forma, não sendo passível de fato gerador de multa por atraso na entrega de DECLARAÇÃO DE SAÍDA DEFINITIVA na legislação atualmente em vigor. Por tanto, como previsto no Art. 106, II do CTN, já citado, a legislação atual de retroagir para beneficiar o indivíduo. Ao final, entendeu ter demonstrado a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requerendo o cancelando do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte ALEXANDRE CORTES GUIMARÃES. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da exigência de multa por atraso na Entrega de Fl. 37DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.350 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.729889/2012-81 Declaração de Saída Definitiva do País, no ano-calendário 2008 (art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao PAF). Pois bem. DA PRELIMINAR Neste ponto o Recorrente defendeu a aplicação da irretroatividade benigna, pois no seu entender, com as alterações promovidas na IN SRF n° 208, de 2007, o fato gerador em questão não existiria. Em que pese o seu esforço argumentativo, no caso em baila não se aplica o disposto no citado art. 106, II, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN 1 . 1 Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 38DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.350 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.729889/2012-81 Vejamos que o fato gerador da autuação foi a apresentação em atraso da Declaração de Saída Definitiva do País, cuja conduta encontra-se fixada no art. 13 da Instrução Normativa SRF Nº 208, de 27 de setembro de 2002, que não sofreu alterações desde a sua edição: Art. 13. A falta de apresentação das declarações a que se referem os arts. 9º e 11 ou a sua apresentação após o prazo fixado sujeita o contribuinte às seguintes penalidades: I - existindo imposto devido, multa de um por cento ao mês ou fração de atraso calculada sobre o valor do imposto devido, observados os limites mínimo de R$ 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) e máximo de vinte por cento do valor do imposto devido; ou II - não existindo imposto devido, multa de R$ 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos). A multa aplicada também encontra-se fixada nas seguintes leis, que também não sofreram qualquer alteração: LEI Nº 8.981, DE 20 DE JANEIRO DE 1995. Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I - à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II - à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. LEI Nº 9.532, DE 10 DE DEZEMBRO DE 1997. Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Parágrafo único. A multa a que se refere o art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, será: a) deduzida do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; b) exigida por meio de lançamento efetuado pela Secretaria da Receita Federal, notificado ao contribuinte. Portanto, inaplicável, por qualquer prisma, a irretroatividade benigna, via de consequência rejeita-se a preliminar suscitada. DO MÉRITO Neste ponto o Recorrente alegou que sua conduta teria se dado nos estritos contornos legais (Instrução Normativa SRF Nº 208, 2002), pois a Declaração de Saída Definitiva foi entregue em 28/11/2008, antes, portanto, do último dia de Fevereiro do ano-calendário subsequente (art. 11-A, I) e também antes do último dia útil do mês de Abril do ano-calendário subsequente (art. 9, I). Fl. 39DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.350 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.729889/2012-81 Pois bem. Vejamos o que nos dizia a legislação vigente à época da saída definitiva, ocorrida conforme relatado, em 02/08/2008. De pronto verifica-se que o citado art. 11-A sequer existia (tendo sido incluído tão somente em 2010 com a edição da Instrução Normativa RFB nº 1008, de 09 de fevereiro de 2010). Por outro lado, como se tratava de saída definitiva a legislação aplicada era o art. 9º, I, na redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007: Art. 9º A pessoa física residente no Brasil que se retirar em caráter permanente do território nacional no curso do ano-calendário deve: I - apresentar a Declaração de Saída Definitiva do País, relativa ao período em que tenha permanecido na condição de residente no Brasil no ano-calendário da saída, bem assim as declarações correspondentes a anos-calendário anteriores, se obrigatórias e ainda não entregues: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) a) até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário da saída definitiva, caso esta ocorra até esta data; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) b) na data da saída definitiva, nas demais hipóteses; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 711, de 31 de janeiro de 2007) Assim, no caso, o Recorrente teria que ter apresentado sua Declaração de Saída Definitiva do País, no ano-calendário (2008) da saída, na data da saída, conforme bem esclarecido na decisão recorrida: Consoante o disposto no art. 9º, inc. I, alienas “a” e “b”, na redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 711, de 2007, a Declaração de Saída Definitiva, para ser considerada tempestiva, deveria ter sido entregue em 02/10/2008, ou seja, na data da saída definitiva. Portanto, correto o procedimento fiscal adotado. Cumpre esclarecer que o contribuinte se enquadraria na hipótese da alínea “a” retro citada, na redação dada pela IN SRF nº 711, de 2007, se tivesse saído do País até ultimo dia útil do mês de abril. Já com relação a alínea “a”, na redação dada pela IN SRF nº 897, de 2008, o contribuinte se enquadraria se tivesse saído até 31 de março. Nestas situações, teria até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário da saída definitiva para apresentar tempestivamente a sua Declaração de Saída Definitiva. Rejeitam-se as alegações trazidas pelo Recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, vota-se por rejeitar a preliminar suscitada e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 40DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.350 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18470.729889/2012-81 Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 41DF CARF MF Original

score : 1.0
10388375 #
Numero do processo: 11065.724542/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2011, 2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH) Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), cuja observância e aplicação é obrigatória, nos termos do artigo 96 e 98 do Código Tributário Nacional - CTN. CÓDIGO NCM 8541.40.21. RÉGUA DE LEDS. AUSÊNCIA DE CIRCUITO DE CONTROLE PARA AJUSTE DE CORRENTE ELÉTRICA. FUNÇÃO ESPECÍFICA DE CONVERSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA EM LUZ. CLASSIFICAÇÃO MANTIDA. A placa de circuito impresso com diodos emissores de luz que não contém circuito de controle necessário para ajuste da corrente elétrica, não apresentando funções específicas alheias à dos diodos emissores de luz nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz, deve ser classificada na posição 85.41.
Numero da decisão: 3401-012.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2011, 2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH) Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), cuja observância e aplicação é obrigatória, nos termos do artigo 96 e 98 do Código Tributário Nacional - CTN. CÓDIGO NCM 8541.40.21. RÉGUA DE LEDS. AUSÊNCIA DE CIRCUITO DE CONTROLE PARA AJUSTE DE CORRENTE ELÉTRICA. FUNÇÃO ESPECÍFICA DE CONVERSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA EM LUZ. CLASSIFICAÇÃO MANTIDA. A placa de circuito impresso com diodos emissores de luz que não contém circuito de controle necessário para ajuste da corrente elétrica, não apresentando funções específicas alheias à dos diodos emissores de luz nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz, deve ser classificada na posição 85.41.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 11065.724542/2013-66

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7056065

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3401-012.784

nome_arquivo_s : Decisao_11065724542201366.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES

nome_arquivo_pdf_s : 11065724542201366_7056065.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2024

id : 10388375

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:14 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210785894400

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-10T21:57:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-10T21:57:11Z; Last-Modified: 2024-04-10T21:57:11Z; dcterms:modified: 2024-04-10T21:57:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-10T21:57:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-10T21:57:11Z; meta:save-date: 2024-04-10T21:57:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-10T21:57:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-10T21:57:11Z; created: 2024-04-10T21:57:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2024-04-10T21:57:11Z; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-10T21:57:11Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11065.724542/2013-66 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-012.784 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2024 Recorrente VIECELLI MOVEIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2011, 2012 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH) Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), cuja observância e aplicação é obrigatória, nos termos do artigo 96 e 98 do Código Tributário Nacional - CTN. CÓDIGO NCM 8541.40.21. RÉGUA DE LEDS. AUSÊNCIA DE CIRCUITO DE CONTROLE PARA AJUSTE DE CORRENTE ELÉTRICA. FUNÇÃO ESPECÍFICA DE CONVERSÃO DA ENERGIA ELÉTRICA EM LUZ. CLASSIFICAÇÃO MANTIDA. A placa de circuito impresso com diodos emissores de luz que não contém circuito de controle necessário para ajuste da corrente elétrica, não apresentando funções específicas alheias à dos diodos emissores de luz nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz, deve ser classificada na posição 85.41. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 45 42 /2 01 3- 66 Fl. 388DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 Relatório Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto parcialmente o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (RJ): 1. O presente processo é pertinente ao Auto de Infração de fls. 63 a 98, referente à cobrança de Imposto de Importação, as diferenças na base de cálculo do COFINS- Importação e PIS/PASEP-Importação decorrentes da tributação do II, acrescidos de multa de ofício e juros de mora devidos à época do pagamento, em função de erro na classificação de mercadoria importada, com o crédito tributário apurado no valor total de R$ 85.589,49. (...) 3. No Relatório Fiscal da Infração, tem-se o objeto da Fiscalização: O contribuinte importou por meio das Declarações de Importação - DI's n° 11/1063535-6, 11/1326750-1, 11/1745993-6 e 12/0098920-3 (Anexo I), mercadorias, descritas como "RÉGUAS DE LEDS PARA ILUMINAÇÃO", classificadas na NCM 8541.40.21. (...) Nas importações informadas acima, o contribuinte adotou a NCM 8541.40.21, utilizada para importação de Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser, próprios para montagem em superfície (SMD - Surface Mounted Device), como se vê na Nomenclatura: (...) Conforme anexo II, de maneira meramente ilustrativa, seguem as características de um modelo de régua de LEDS semelhante a que o interessado importou por meio das DIs supracitadas. Abaixo, segue foto do modelo: (...) 4. O Relatório Fiscal apresenta os critérios de classificação fiscal da mercadoria: Como se demonstra adiante, a classificação tarifária inicialmente adotada pelo contribuinte (NCM 8541.40.21) é incorreta e as mercadorias classificam-se nas NCM 9405.40.90. A classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que é a base da Tarifa Externa Comum (TEC) bem como da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), é realizada obrigatoriamente com o emprego das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) e das Regras Gerais Complementares da NCM (RGC/NCM). De acordo com a RGI 1, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo: 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. A posição 8541, pretendida pelo consulente, compreende, entre outros dispositivos semicondutores, os diodos emissores de luz (LED) antes de serem utilizados em circuitos elétricos ou eletrônicos. Fl. 389DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 A título de esclarecimento, informa-se que o termo "montados", presente em vários itens da posição 8541, refere-se aos componentes eletrônicos já providos das suas conexões, encapsulados ou não nos seus invólucros de metal, de cerâmica ou de plástico. Estes invólucros podem ter, por exemplo, a forma de cilindros ou de paralelepípedos. Já a expressão "não montados" identifica os componentes eletrônicos sob a forma de microplaquetas (chips), frequentemente retangulares, em geral de tamanho submilimétrico, ainda sem as conexões elétricas e não encapsulados. Já o produto em análise é uma régua para iluminação, artefato que contém diodos emissores de luz montados em uma régua dotada de circuito impresso e resistores ao longo do comprimento. Ou seja, trata-se aqui de um artefato que está num estágio industrial posterior ao escopo da posição 8541. Incabível, portanto, classificar o artefato em tela na pretendida posição 8541. A posição 9405 compreende, entre outros artefatos, os aparelhos de iluminação não especificados nem compreendidos em outras posições da Nomenclatura. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 28 de janeiro de 1992 e com seu texto atualizado pela Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008 (Suplemento ao Diário Oficial da União de 7 de fevereiro de 2008), relativas aos aparelhos de iluminação da posição 9405, esclarecem o seguinte, verbis: I.- APARELHOS DE ILUMINAÇÃO NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES Os aparelhos de iluminação deste grupo podem ser constituídos por quaisquer matérias (excluídas as matérias referidas na Nota 1 do Capítulo 71) e utilizar qualquer fonte de luz (vela, óleo, gasolina, petróleo, gás de iluminação, acetileno, eletricidade, etc.). Tratando-se de aparelhos elétricos, podem ser equipados com suportes para lâmpadas comuns, interruptores, fios elétricos com tomadas-macho, transformadores, etc., ou, como no caso dos suportes para lâmpadas fluorescentes, de um starter (arrancador*) e de um reator (balastro*). Os principais tipos de aparelhos de iluminação incluídos aqui são: (...) 3) As luminárias (candeeiros) para usos especiais: para câmaras escuras, para máquinas (apresentadas isoladamente), para iluminação artificial de estúdios de fotografia e de cinematografia, gambiarras (excluídas as da posição 85.12), para balizagem, com luz fixa (para pistas de aeródromos, etc.), para vitrinas (montras) de lojas, guirlandas elétricas (mesmo com lâmpadas de fantasia para divertimento ou decoração de árvores de Natal). Conforme se pode verificar, o artigo em tela já é um aparelho de iluminação completo, visto tratar-se de um artefato pronto para ser fixado em qualquer superfície (teto ou parede de construções, interior de móveis, interior de ônibus) que contém fontes de luz (LEDs) integradas. Para o funcionamento, basta efetuar a soldagem do par de condutores elétricos no local apropriado e fornecer a energia requerida. Assim sendo, conclui-se que o produto em análise classifica-se na posição 94.05. No âmbito dessa posição, inexistindo subposição específica para os aparelhos de iluminação elétricos tal como a régua em análise, esta classifica-se na subposição 9405.40 (aplicação da RGI 6); Da mesma forma, inexistindo item específico, trata- Fl. 390DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 se de um artefato que deve ser classificado na NCM 9405.40.90 (aplicação da Regra Geral Complementar da NCM n° 1 - RGC1). Importante, ainda, observar que já houve exigências, no curso do despacho aduaneiro, no mesmo sentido do ora exposto, tendo a empresa efetuado a alteração da NCM 8541.40.21 para 9405.40.90. Tal fato ocorreu na Declaração de importação 13/12648386, na qual houve a adequação feita pelo interessado, com o conseqüente recolhimento de diferenças de tributos e multas cabíveis. Tal retificação encontra-se no Anexo III. Salienta-se que a classificação utilizada inicialmente pela autuada permitiu-lhe recolher menos tributos, uma vez que a alíquota incidente na NCM incorreta foi de 0% para o imposto de importação (II) e 2% para o Imposto sobre produtos indutrializados (IPI), enquanto que na NCM correta a alíquota é de 18% e 15%, respectivamente. Tal pagamento a menor também se estendeu ao PIS, COFINS, pois os valores daqueles tributos são incluídos na base de cálculo destes. DA IMPUGNAÇÃO 5. A ciência do contribuinte ocorreu em 16.12.2013, conforme Aviso de Recebimento - AR às fls. 103, tendo ingressado com a Impugnação de fls. 105 a 140, 155 a 190, 204 a 239, 253 a 288, em 14.01.2013, em apertada síntese: 5.1. Do equivocado enquadramento do agente autuante e do adequado enquadramento da Impugnante que não importa aparelhos. 5.1.1. No caso - equivocadamente - pretende o Fiscal incluir aludida mercadoria na descrição 9405.4090 que abrange outros aparelhos elétricos de iluminação de outros materiais, entretanto, não prospera tal interpretação porque não estamos diante de um APARELHO. 5.1.2. Frise, inclusive, para demonstrar o equívoco do Agente Autuante, que todas as denominações do NBM 9405 (Sistema Brasileiro), que também se equivale a NCM, se referem a aparelhos, 5.1.3. No caso concreto a Impugnante NÃO IMPORTA APARELHOS e - sim - importa apenas LEDS = DIODOS EMISSORES DE LUZ, portanto, literalmente, "temos que separar o joio do trigo!" e a autuação não se sustenta porque a Impugnante . não importa aparelhos! A leitura da NESH da posição 9405 que o Fiscal pretende usar para respaldar sua autuação - verdadeiramente -, somente serve para mostrar o erro da autuação porque ali consta que os ditos APARELHOS DE ILUMINAÇÃO são constituídos por quaisquer MATERIAS e utilizam QUALQUER FONTE DE LUZ(VELA, ÓLEO, GASOLINA, PETRÓLEO, GÁS DE ILUMINAÇÃO, ACETILENO, ELETRICIDADE,ETC.), 5.1.4. O enquadramento acima parte de duas premissas que não se aplicam aos LEDS porque menciona que é um aparelho, bem como menciona que possui uma FONTE LUMINOSA, todavia, LEDS NÃO SÃO APARELHOS e NÃO POSSUEM FONTE LUMINOSA, portanto, claro o equívoco da autuação! 5.2. Da inaplicabilidade da multa majorada - da vedação ao confisco e da abusividade da multa aplicada - dispositivos constitucionais. 5.2.1. São garantias constitucionais o Direito de Propriedade e a Vedação ao Confisco, assim como a observância da Capacidade Contributiva na regência e aplicação do Direito Tributário. Tais pilares são abalados quando deseja o Fisco aplicar multa de 150%, ou mesmo de 75%, sobre o valor do tributo tido como devido, de forma punitiva, em uma situação que não apresenta má-fé ou dolo de Fl. 391DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 qualquer gênero, configurando apenas divergência quanto às possibilidades interpretativas do ordenamento. 5.2.2. Quanto à aplicação da multa, trata-se de multa moratória. Entretanto, o Pleno do STF decidiu já em 14/08/75, que, para a indenização da mora são previstos juros e correção monetária (RTJ n° 80 pág. 104). Desta forma estar-se-ia aplicando duplamente a mora, o que é inconstitucional, pois somente os juros têm caráter moratório, não a multa. Portanto, a multa fiscal não tem natureza de indenização moratória, mas natureza punitiva. 5.3. Da redução da multa fiscal 5.3.1. Nota-se que as multas aplicadas são fortemente lesivas ao ora Impugnante, em face tanto da legislação vigente como da atual situação econômica do Pais.Verifica-se que ocorreu a penalização de 75% de multa em desfavor ao Contribuinte, o que comprova o ato discricionário do Fisco, bem como atitude abusiva e coercitiva 5.3.2. Assim, deverá ser aplicado a multa de 20%, por força da previsão legal advinda do Artigo 61 da Lei 9.430/96, em face do caráter NÃO confiscatório da multa. 5.4. Da aplicação do Código de defesa do consumidor 5.4.1. Logo, pode ser aplicado ao caso dos autos - obrigação tributária - a exegese da Lei n° 9.298/96, que reduziu para 2% o valor das multas decorrentes do inadimplemento de obrigação no seu termo, adequando a legislação à realidade econômica e social do país e sobretudo à nova tendência legislativa. 5.4.2. Não é possível conceder tratamento diferenciado do cidadão comum ao fisco em relação a multa. 5.5. Aplicação dos Princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. 5.5.1. Ademais, não se pode afirmar que os princípios do 'Não Confisco' e da 'Capacidade Contributiva' não são aplicáveis aos acréscimos legais porquanto não são tributos. 5.6. Da não incidência de juros e atualização monetária sobre as multas aplicadas 5.6.1. Portanto, a multa deve ser excluída da incidência dos juros em face de não compor o crédito tributário. Ademais, o crédito tributário corresponde ao tributo devido e não recolhido, sendo a multa elemento acessório ao principal, e que não pode ser interpretado e entendido como tributo. 5.7. Do limite dos juros em 1 % a.m. - O percentual de juros moratórios acima de tal limite configura-se absolutamente abusivo. 5.8. Do princípio constitucional da legalidade. 5.9. Da impossibilidade jurídica de autuação com base em mera presunção. 5.9.1. Aliás, se ainda possível fosse a caracterização do ilícito fiscal por simples PRESUNÇÃO, remanesceria jogado por terra todo o constitucionalismo, manter-se- ia convalidado o arbítrio, ficaria banida a legalidade, e se faria desnecessária a existência de uma carta constitucional qualificada de cidadã, porquanto os valores fundamentais (liberdade e patrimônio) em torno dos quais se construíram todos os hodiernos direitos individuais, postos como barreiras intransponíveis ao poder do Estado, nada significariam. Fl. 392DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 5.10. Da inversão do ônus da prova. 5.10.1. Diante das provas e alegações carreadas aos autos da presente Impugnação, evidencia-se a necessidade de inverter o ônus da prova em favor do Contribuinte. Ao longo da dissertação supra, a qual versa sobre as provas trazidas aos autos do Processo Administrativo em tela, verifica-se que o ora Impugnante demonstrou e comprovou diversos erros e equívocos existentes no Auto de Infração e no Procedimento Fiscal instaurado. 5.11. Do pedido de perícia. 5.11.1. No presente tópico o ora Impugnante sustenta a necessidade de uma dilação probatória maior, bem como a produção de prova técnica, por meio de Perito Técnico a ser indicado visando - inclusive - comprovar a narrada legalidade da operação e, assim, do enquadramento, bem como os equívocos do Laudo em que se baseou o agente autuante. 5.11.2. Não obstante, sem prejuízo da formulação de outros quesitos e, desde já apenas para demonstrar a necessidade da perícia se apresentam os seguintes QUESITOS: 1) Onde existe e o que é o aparelho em um LED, como e com que elementos ele é formado? 2) Onde existe e - se existe - como funciona a fonte luminosa em um LED? 3) Questiona, ainda, se os LEDS importados funcionam sozinhos, se operam sozinhos? 3.1) Caso positivo - como isto ocorre? 4) Responda e/ou aponte, esclareça o Sr. Perito o que mais entender necessário ao bom andamento da Perícia na busca da verdade real no caso concreto. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ07), por meio do Acórdão nº 107-002.265, de 28 de setembro de 2020, julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2011, 2012 COMEX. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária não pode ser afastada no âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade ou de inconvencionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido ainda, o art. 26- A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda a última instância administrativa se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de norma tributária. COMEX. CERCEAMENTO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. O procedimento Administrativo Fiscal é inquisitório, e por isso não se aplica a ampla defesa e o contraditório. Inocorre cerceamento do direito de defesa, quando após a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento fiscal ou da autuação, o interessado tem plena ciência dos atos processuais e suas motivações. COMEX. CONTROLE ADUANEIRO. INFRAÇÃO. AUTUAÇÃO FISCAL POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. É cabível a autuação fiscal incidente sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada quando se constata erro de classificação fiscal na NCM. Fl. 393DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 COMEX. MULTA REGULAMENTAR DE 1% DO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicável a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada quando se constata que a mercadoria foi classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. COMEX. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS. Cabível a aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento dos impostos na data prevista na forma da legislação de regência, objeto de lançamento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que reitera as razões expostas na impugnação quanto ao suposto enquadramento adequado realizado por ela e o equivocado enquadramento efetuado pelo agente autuante, alegando, ainda, que: a) a decisão recorrida manteve a autuação sob o entendimento errôneo de que o artefato importado estaria num estágio posterior ao escopo da posição 85.41 o que é um ENORME ERRO TÉCNICO porque não há FONTE DE ENERGIA e nem FONTE DE ALIMENTAÇÃO NO PRODUTO IMPORTADO. Na realidade, o artefato sozinho não serve para nada, logo, ao contrário do entendimento esboçado e mantido, NÃO ESTÁ NUM ESTÁGIO POSTERIOR aos da posição 85.41 e - sim - está na posição 85.41., portanto, é totalmente equivocado o entendimento do item 10.16 da decisão recorrida, frise, porque o LED solto e sozinho como é importado não possui fonte de alimentação; b) a própria jurisprudência administrativa da Receita Federal, consoante a Coordenação- Geral de Tributação, corrobora integralmente as alegações da ora recorrente, consoante decisão sabiamente exarada na Solução de Consulta n° 98.363 da COSIT; c) requer seja reformada a decisão recorrida no que diz respeito ao indeferimento da perícia técnica com o reconhecimento do cerceamento de defesa pelo indeferimento da prova pericial e, por decorrência, e requer-se seja o processo devolvido à instância inferior para a realização da perícia, como requerido na peça de impugnação, cujos fundamentos ora ratifica-se, no entanto, deixa de transcrever para evitar tautologia e, ainda, porque o recurso devolve toda a matéria para análise pela segunda instância no julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Relator. O Recurso Voluntário foi protocolado em 26/11/2020, portanto, dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão recorrido, ocorrida em 29/10/2020. Ademais, cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL APLICÁVEL A questão se resume à classificação fiscal da mercadoria importada pela recorrente – descrita como “Régua de LEDs, sendo placa de circuito impresso, para iluminação, Fl. 394DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 utilizada em móveis” –, que adotou, no registro das Declarações de Importação, a NCM 8541.40.21, destinada para "Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser, próprios para montagem em superfície (SMD - Surface Mounted Device)”, enquanto a autoridade aduaneira reclassificou as mercadorias importadas para a posição NCM 9405.40.90, destinada para "Outros aparelhos elétricos de iluminação. Outros", cobrando as diferenças de tributos decorrentes da reclassificação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, e aplicando a multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas, nos termos do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35/01. Para ilustrar a presente controvérsia, cumpre transcrever os capítulos, posições, subposições e itens das NCMs em cotejo: NCM adotada pela recorrente (8541.40.21) NCM adotada na autuação (9405.40.90) Capítulo 85. Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios. Capítulo 94. Móveis; mobiliário médico-cirúrgico; colchões, almofadas e semelhantes; aparelhos de iluminação não especificados nem compreendidos noutros Capítulos; anúncios, cartazes ou tabuletas e placas indicadoras, luminosos e artigos semelhantes; construções pré-fabricadas. 85.41. Diodos, transistores e dispositivos semelhantes semicondutores; dispositivos fotossensíveis semicondutores, incluindo as células fotovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis; diodos emissores de luz (LED); cristais piezelétricos montados. 94.05. Aparelhos de iluminação (incluindo os projetores) e suas partes, não especificados nem compreendidos noutras posições; anúncios, cartazes ou tabuletas e placas indicadoras, luminosos, e artigos semelhantes, que contenham uma fonte luminosa fixa permanente, e suas partes não especificadas nem compreendidas noutras posições. 8541.40. Dispositivos fotossensíveis semicondutores, incluindo as células fotovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis; diodos emissores de luz (LED). 9405.40. Outros aparelhos elétricos de iluminação 8541.40.21. Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser, próprios para montagem em superfície (SMD - Surface Mounted Device) 9405.40.90. Outros Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o v. acórdão recorrido entendeu por manter a reclassificação adotada na autuação, com base nos seguintes fundamentos: [...] da análise da posição NCM 8541.40.21, originalmente utilizada pela Interessada, constata-se que posição adotada pela empresa compreende, entre outros dispositivos semicondutores, os diodos emissores de luz. Contudo esta posição é utilizada apenas para os dispositivos semicondutores ou diodos emissores de luz (LED), antes de serem utilizados em circuitos elétricos ou eletrônicos. Conforme a verificação feita pela Fiscalização em relação à funcionalidade da mercadoria importada, às fls. 92, o produto em análise é uma régua para iluminação, artefato que contém diodos emissores de luz montados em uma régua dotada de circuito impresso e resistores ao longo do comprimento, de forma a tratar-se de um artefato que está num estágio industrial posterior ao escopo da posição 8541. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB n° 1788, de 2018, e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 2006, assim descrevem a posição e subposição: Fl. 395DF CARF MF Original https://portalunico.siscomex.gov.br/classif/ https://portalunico.siscomex.gov.br/classif/#/nomenclatura/94054090 Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 85.41 Diodos, transistores e dispositivos semelhantes semicondutores; dispositivos fotossensíveis semicondutores, incluídas as células fotovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis; diodos emissores de luz; cristais piezelétricos montados (+). 8541.40 Dispositivos fotossensíveis semicondutores, incluídas as células fotovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis; diodos emissores de luz. 8541.40.21 Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser, próprios para montagem em superfície (SMD - Surface Mounted Device) (... ) Entre estes dispositivos, podem citar-se: I. Os diodos. São dispositivos com dois bornes, que possuem apenas uma junção PN e que permitem a passagem da corrente em um sentido (sentido direto) e oferecem, pelo contrário, uma grande resistência à passagem da corrente no outro sentido (sentido bloqueado). São utilizados para detecção, retificação, comutação, etc. (... ) Os dispositivos acima descritos são classificados nesta posição quer se apresentem montados, isto é, providos das suas conexões ou capsulados (componentes), quer se apresentem não montados (elementos), quer ainda em forma de discos (wafers) ainda não cortados. Todavia, as matérias semicondutoras naturais (galena, por exemplo) só se classificam aqui se se apresentarem montadas. (...) C.- DIODOS EMISSORES DE LUZ Os diodos emissores de luz ou diodos eletroluminescentes (especialmente de arsenieto de gálio ou de fosfeto de gálio) são dispositivos que transformam a energia elétrica em radiações visíveis, infravermelhas ou ultravioletas. Estes diodos são utilizados, por exemplo, para apresentação ou transmissão de dados em sistemas de processamento de dados. Os diodos laser emitem uma luz coerente. Utilizam-se para detecção de partículas nucleares, em altimetria ou telemetria, nos sistemas de comunicação por fibras ópticas, etc. Na IN RFB 1926/2020 tem-se a Coletânea dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) a que se refere a Instrução Normativa RFB n° 1.747, de 28 de setembro de 2017, que incorpora as alterações aprovadas nas 62-, 63- e 64- sessões do referido Comitê. Esta Coletânea consiste em uma lista numérica, ordenada por posições e subposições do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Sistema Harmonizado), dos Pareceres de Classificação adotados pela Organização Mundial das Alfândegas -OMA., assim descrevem a posição e subposição: 1. Reunião de 62 diodos emissores de luz (LED) montados em linha sobre uma placa de circuito impresso (com dimensões de 440 mm de comprimento e 5 mm de largura) com um conector elétrico na parte inferior da placa de circuito impresso. Cada bloco consiste de um chip LED e um diodo, combinados no interior. A superfície do conjunto é revestida com um material fluorescente. A reunião de LED é utilizada, por exemplo, na unidade de iluminação do dispositivo de visualização de cristais líquidos (LCD) de TV, lâmpadas de LED do tipo tubular e iluminação exterior. O dispositivo não está equipado com o circuito de controle necessário Fl. 396DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 para retificar a entrada em corrente alternada e converter a tensão a um nível utilizável pelos LED. Aplicação das RGI1 e 6. Módulo solar de película fina (dimensões: C x L x A: 1.409 x 1.009 x 46 mm). A parte da frente do módulo, que está embutida numa estrutura de liga de alumínio anodizado e equipada com um vidro não temperado de baixo teor de ferro, contém 630 células fotovoltaicas dispostas em 14 cadeias de 45 células que estão conectadas em série. Estas cadeias estão conectadas em paralelo e possuem dois terminais de polaridade (+) e (-). Uma caixa de junção (dimensões: C x L x A: 74 x 74 x 18 mm) está fixada na parte de trás do módulo. Dentro da caixa de junção há um diodo de desvio (bypass) para proteger as células. Dois "cabos solares" para conexão (de isolamento duplo, proteção contra raios UV, água, temperatura e ozônio) com um comprimento de 900 mm equipados com "conectores solares" que também estão conectados aos terminais das cadeias de células dentro da caixa de junção. Aplicação das RGI 1 (Nota 2 do Capítulo 85) e 6. Portanto, conforme as regras gerais e complementares e as notas explicativas do Sistema Harmonizado, a posição NCM 8541.40.21 é reservada para Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser, próprios para montagem em superfície (SMD - Surface Mounted Device). Assim, a classificação na posição NCM 8541.40.21 não é própria para as mercadorias descritas às fls. 90, como "REGUA DE LEDS, SENDO PLACA DE CIRCUITO IMPRESSO, PARA ILUMINAÇÃO" e como " REGUA DE LEDS PARA ILUMINAÇÃO" porque estas são produtos resultantes da reunião de diodos emissores de luz LED e outros componentes, tais como placas de circuito impresso, entre outros componentes que atuam de forma combinada, constituindo-se na forma de um aparelho. Neste sentido, constata-se que a Autoridade Fiscal reclassificou corretamente os produtos importados por meio das declarações de importação sob revisão aduaneira. A NCM 9405.40.90 possui o seguinte texto: (...) As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, aprovadas pelo Decreto n° 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB n° 1788, de 2018, e a Tabela de Incidência do IPI (TIPI) aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 2006, em relação aos aparelhos de iluminação da posição 9405, assim descrevem a posição e subposição: O presente grupo também abrange os projetores. Trata-se de aparelhos que permitem concentrar o fluxo de uma fonte luminosa (que, geralmente, pode ser regulada) em um feixe dirigido sobre um ponto ou uma superfície determinada, situada a uma distância mais ou menos longa, por meio de um espelho refletor e de uma lente ou, apenas, de um refletor. Os espelhos refletores são, geralmente, de vidro prateado ou de metais polidos, prateados ou cromados; quanto às lentes, elas são, na maior parte das vezes, planoconvexas ou escalonadas (lentes de Fresnel). Certos projetores são utilizados, por exemplo, em defesa anti-aérea, enquanto outros são utilizados nos cenários (cenas) de teatro e nos estúdios fotográficos ou cinematográficos. (...)( Fl. 397DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 PARTES Classificam-se também nesta posição, desde que sejam reconhecíveis como tais e desde que não sejam incluídas mais especificamente noutras posições, as partes de aparelhos de iluminação, de anúncios, de cartazes ou tabuletas e de placas indicadoras luminosos, e de artigos semelhantes, entre as quais podem citar- se: 1) As montagens rígidas ou de correntes para sustentar os lustres e luminárias (candeeiros) suspensas. As garras para globos. Os pés, as pegas e grades protetoras para luminárias de mão. Os bicos de lamparinas; os porta-camisas. As armações (corpos) de lanterna. Os espelhos refletores. Os vidros ou chaminés de iluminação (de estreitamento, alargamento, etc.). Os pequenos cilindros de vidro espesso para luminárias de mineiros. Os difusores (incluindo os difusores de alabastro). As bacias, taças, capelas, pantalhas (quebra-luzes*) (incluindo as suas armações), globos, tulipas e artigos semelhantes. As peças de lustres tais como bolas, amêndoas, florões, pingentes, plaquetas e artigos análogos, que em virtude, especialmente, de seus dispositivos de fixação ou de suas dimensões são reconhecíveis como utilizáveis para guarnição de lustres. Na IN RFB 1926/2020 tem-se a Coletânea dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) a que se refere a Instrução Normativa RFB n° 1.747, de 28 de setembro de 2017, que incorpora as alterações aprovadas nas 62-, 63- e 64- sessões do referido Comitê. 10.30.1. Esta Coletânea consiste em uma lista numérica, ordenada por posições e subposições do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (Sistema Harmonizado), dos Pareceres de Classificação adotados pela Organização Mundial das Alfândegas -OMA., em relação aos aparelhos de iluminação da posição 9405, assim descrevem a posição e subposição: 2. Tiras de luz para 24 V, 4 W, para interior, branco frio. As tiras de luz são produtos de iluminação modular que podem ser conectados uns aos outros e consistem em 18 LED alinhados ao longo do comprimento. As tiras de luz têm uma caixa rígida (invólucro). Podem ser conectadas ponta com ponta até 16 destas tiras, por ligação direta ou por um cabo de ligação. Os produtos apresentam-se sem a caixa de "alimentação" de 24 V e sem o circuito de controle que os alimenta de corrente. Estes produtos utilizam-se, por exemplo, para iluminação localizada ou ambiente de armários de cozinha, retroiluminação e áreas de difícil acesso. Aplicação das RGI 1 e 6. Fl. 398DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 Os aparelhos de iluminação LED que sejam régua para iluminação, contendo diodos emissores de luz montados em uma régua dotada de circuito impresso e resistores ao longo do comprimento, estando em um estágio de industrial posterior à posição NCM 8541 classificam-se no código NCM 9405.40.90, com base na RCG/NCM n° 1 (item 9405.40.9 e subitem 9405.40.90, ante a inexistência de item e subitem específicos) da Tabela de Incidência do IPI/TIPI, aprovada pelo Decreto n° 6.006/2006, e em subsídios extraídos das NESH, aprovadas pelo Decreto n° 435/1992 e atualizadas pela IN RFB n° 1788, de 2018. Em suas razões recursais, a recorrente alega ser de todo inaplicável a NCM 9405.40.90, defendendo a adequação do enquadramento na NCM 8541.10.21, com base nos seguintes argumentos: No caso - equivocadamente - pretende o Fiscal incluir aludida mercadoria na descrição 9405.4090 que abrange outros aparelhos elétricos de iluminação de outros materiais, entretanto, não prospera tal interpretação porque não estamos diante de um APARELHO e NÃO HÁ FONTE DE ENERGIA Frise, inclusive, para demonstrar o equívoco do Agente Autuante, que todas as denominações do NBM 9405 (Sistema Brasileiro), que também se equivale a NCM, se referem a aparelhos, eis: Nomenclatura Brasileira de Mercadorias NBM Código NBM Descrição NBM 9405.40.0100 APARS.DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA DE MATERIA P/ ENTRANCAR 9405.40.0200 APARS.DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA, DE MADEIRA 9405.40.0300 APARS.DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA DE PEDRA 9405.40.0400 APARS.DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA, DE BORRACHA 9405.40.0500 APARS.DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA, DE BARRO 9405.40.0600 APARS.DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA, DE OUT.MATERIA CERÂMICA 9405.40.0700 APARS.DE ILUMNAÇÃO ELETROCA, DE VIDRO 9405.40.9900 APARS.DE ILUMINAÇÃO ELÉTRICA No caso concreto a Impugnante NAO IMPORTA APARELHOS e - sim - importa apenas LEDS = DIODOS EMISSORES DE LUZ, portanto, literalmente, "temos que separar o joio do trigo!" e a autuação não se sustenta porque a Impugnante não importa aparelhos! Fl. 399DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 A leitura da NESH da posição 9405 que o Fiscal pretende usar para respaldar sua autuação - verdadeiramente - somente serve para mostrar o erro da autuação porque ali consta que os ditos APARELHOS DE ILUMINAÇÃO são constituídos por quaisquer MATERIAIS e utilizam QUALQUER FONTE DE LUZ (VELA, ÓLEO, GASOLINA, PETRÓLEO, GAS DE ILUMINAÇÃO, ACETILENO, ELETRICIDADE, ETC), eis: I - APARELHOS DE ILUMINAÇÃO NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES Os aparelhos de iluminação deste grupo podem ser constituídos por quaisquer matérias (excluídas as matérias referidas na Nota 1 do Capítulo 71) e utilizar qualquer fonte de luz (vela, óleo, gasolina, petróleo, gás de iluminação, acetileno, eletricidade, etc.). Tratando-se de aparelhos elétricos, podem ser equipados com suportes para lâmpadas comuns, interruptores, fios elétricos com tomadas-macho, transformadores, etc., ou, como no caso dos suportes para lâmpada fluorescentes, de um starter (arrancador*) e de um reator (balastro*). Os principais tipos de aparelhos de iluminação incluídos aqui são: As luminárias (candeeiros) para iluminação de locais: luminárias (candeeiros) suspensas, de globo, plafoniês, lustres, apliques, colunas e lampadários (candeeiros de pé), tocheiros, abajures (candeeiros)de mesa, de cabeceira, de escritório (candeeiros-de-vela*), lampadários (lanternas*) à prova de água para locais úmidos, por exemplo. As luminárias (candeeiros) para iluminação externa: para vias públicas, pórticos, jardins ou parques, refletores para iluminação de edifícios, monumentos, parques. As luminárias (candeeiros) para usos especiais: para câmaras escuras, para máquinas (apresentadas isoladamente), para iluminação artificial de estúdios de fotografia e de cinematografia, gambiarras (excluídas as da posição 85.12), para balizarem, com luz fixa para pistas de aeródromos, etc.), para vitrinas (monstras) de lojas, guirlandas elétricas (mesmo com lâmpadas de fantasias para divertimento ou decoração de árvores de Natal). O enquadramento acima parte de duas premissas que não se aplicam aos LEDS porque menciona que é um aparelho, bem como menciona que possui uma FONTE LUMINOSA, todavia, LEDS NÃO SÃO APARELHOS e NÃO POSSUEM FONTE LUMINOSA, portanto, claro o equívoco da autuação! Desde já, por pertinente e para demonstrar o absurdo, se indaga: 1) Onde existe e o que é o aparelho em um LED? 2) Onde existe fonte luminosa em uma régua de LED? 3) Questiona, ainda, se os LEDS importados funcionam sozinhos? Desta forma, como os LEDS = DIODOS NÃO SÃO APARELHOS, bem como porque também NÃO POSSUEM FONTES LUMINOSAS a autuação não se sustenta, restando sua insubsistência! (...) Na realidade a infundada autuação é oriunda do entendimento particular e equivocado do Agente Autuante de que a mercadoria importada seria um produto pronto, ou seja, erroneamente, ele considera o produto como se estivesse pronto, como se fosse um produto acabado o que não é o caso do produto importado impugnante, portanto, resta equivocado o entendimento e leva a nulidade e insubsistência do Auto de Infração ora impugnado. Fl. 400DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 A DECISÃO RECORRIDA, por sua vez, também de forma equivocada, fundada no RELATÓRIO FISCAL, vide o item 10.7 da decisão, manteve a decisão sob o entendimento errôneo de que o artefato importado estaria num estágio posterior ao escopo da posição 85.41 o que é um ENORME ERRO TÉCNICO porque não há FONTE DE ENERGIA e nem FONTE DE ALIMENTAÇÃO NO PRODUTO IMPORTADO. Na realidade, o artefato sozinho não serve para nada, logo, ao contrário do entendimento esboçado e mantido, NÃO ESTÁ NUM ESTÁGIO POSTERIOR aos da posição 85.41 e - sim - está na posição 85.41., portanto, é totalmente equivocado o entendimento do item 10.16 da decisão recorrida, frise, porque o LED solto e sozinho como é importado não possui fonte de alimentação, vide a foto que segue: (...) Além do retro exposto, demonstrando a necessidade de provimento do recurso, por necessário, destaca a recorrente que a própria jurisprudência administrativa da Receita Federal, consoante a Coordenação-Geral de Tributação, corrobora integralmente as alegações da ora recorrente, consoante decisão sabiamente exarada na Solução de Consulta n° 98.363 da COSIT: (...) ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código NCM: 8541.40.21 Mercadoria: Placa de circuito impresso (PCB), em formato de régua (550 mm x 20,6 mm x 1,6 mm), com diversos diodos emissores de luz (LED) montados em sua superfície (SMD), mas sem circuitos de controle para ajuste da corrente elétrica, empregada como componente de lâmpadas e tubos de LED, luminárias e outros aparelhos de iluminação. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 85.41), RGI 6 (texto da subposição 8541.40) e RGC 1 (textos do item 8541.40.2 e do subitem 8541.40.21) da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores. Fl. 401DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 Desde já, dada a pertinência e similitude ao caso dos autos, vejamos os seguintes itens da aludida Solução de Consulta que demonstram que o produto importado pela recorrente, as réguas de LED, estão corretamente inseridas no NCM 8541.20.21: Está vigente no país a Instrução Normativa RFB nº 1.459, de 28 de março de 2014, que aprovou o texto dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da OMA e adotou decisões correspondentes, sendo tais pareceres e decisões de cumprimento obrigatório no país. As classificações adotadas na 55ª Sessão ainda não foram internalizadas ao ordenamento jurídico pátrio. Ainda assim, é preciso observá-las quando da análise de processos de consulta no Brasil, uma vez que o país é signatário da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. A decisão relativa às placas de circuito impresso com diodos emissores de luz montados dispõe: (...) 8541.40 1. Reunião de 62 diodos emissores de luz (LED) montados em linha sobre uma placa de circuito impresso (com dimensões de 440 mm de comprimento e 5 mm de largura) com um conector elétrico na parte inferior da placa de circuito impresso. Cada bloco consiste de um chip LED e um diodo, combinados no interior. A superfície do conjunto é revestida com um material fluorescente. A reunião de LED é utilizada, por exemplo, na unidade de iluminação do dispositivo de visualização de cristais líquidos (LCD) de TV, lâmpadas de LED do tipo tubular e iluminação exterior. O dispositivo não está equipado com o circuito de controle necessário para retificar a entrada em corrente alternada e converter a tensão a um nível utilizável pelos LED. Aplicação das RGI 1 e 6 O entendimento adotado pela OMA é que, na ausência dos circuitos de controle necessários para ajuste da corrente elétrica (conhecidos como “drivers”), a placa não apresenta funções específicas alheias à dos diodos emissores de luz nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz. Dessa forma, a mercadoria consultada realmente se classifica na posição 85.41, (...) Finalmente, destaque-se que os diodos emissores de luz são próprios para montagem em superfície (SMD); tanto é que apresentam-se montados dessa forma. Portanto, a mercadoria consultada classifica-se no subitem 8541.40.21 (“Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser, próprios para montagem em superfície (SMD - Surface Mounted Device)”). Da singela leitura do retro transcrito, indubitavelmente, vide item 10, temos que as REGUAS DE LED, "na ausência dos circuitos de controle necessários para ajuste da corrente elétrica (conhecidos como "drivers"), a placa não apresenta funções específicas alheias à dos diodos emissores de luz nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz", ou seja, como não existe uma fonte luminosa nas REGUAS DE LED IMPORTADAS e como não funcionam sozinhos, tal mercadoria classifica-se no código NCM 8541.40.21. Ademais, para que não pairem dúvidas sobre o deslinde da situação, vejamos também a resposta à Solução de Consulta n° 98.450 - COSIT, de 11 de outubro de 2019, com o enquadramento de uma mercadoria no NCM 9405.40.90, onde são estabelecidos os requisitos para tal enquadramento e, assim, exibe claramente a diferenciação da mercadoria importada pela recorrente, vide: (...) Fl. 402DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 9405.40.90 Mercadoria: Módulo de iluminação com potência de 60 W, composto por diodos emissores de luz (LED) montados em placa de circuito impresso, lente de policarbonato, dissipador de alumínio com aletas e cabo para conexão elétrica ao driver (fonte de alimentação), próprio para ser fonte de luz em luminárias públicas, residenciais, industriais e comerciais. Dispositivos Legais: RGI 1, RGI 6 e RGC 1 c/c RGI 3 c) da TEC, aprovada pela Res. Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018. Da singela leitura da ementa acima, vide o marcado em amarelo, por sua vez, depreende-se que a mercadoria para ser enquadrada no NCM n° 9405.40.90, como erroneamente tentou enquadrar o agente autuante, demanda a existência de "aletas e cabos para conexão elétrica ao driver (fonte de alimentação), próprio para ser fonte de luz em luminárias públicas, residenciais, industriais e comerciais", logo, por decorrência lógica, como a mercadoria importada pela recorrente não possui tais condições de conexão elétrica, frise, como não funciona sozinha, obviamente, a revisão fiscal foi equivocada, a glosa não se sustenta e, assim, necessário o provimento ao presente recurso voluntário com a desconstituição e insubsistência do auto de infração objeto do presente recurso. Entendo que assiste razão à recorrente. Quanto à classificação fiscal das mercadorias, o Brasil aprovou, pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgou, pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988, a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), sendo ela de observância e aplicação obrigatória, nos termos dos artigos 96 e 98 do Código Tributário Nacional – CTN. Conforme estabelece a Regra Geral Interpretativa do Sistema Harmonizado n o 1 (RGI-1), “[...] a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas [...]”. Assim, a classificação fiscal de mercadorias deve seguir as orientações e esclarecimentos fornecidos pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), internalizadas no Brasil pelo Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992. No que se refere ao enquadramento do produto ora em análise na NCM 8541.40.21, ao meu ver, a questão se resume ao exame do critério elencado na Solução de Consulta COSIT nº 98.363, de 04 de setembro de 2017, abaixo transcrito: O entendimento adotado pela OMA é que, na ausência dos circuitos de controle necessários para ajuste da corrente elétrica (conhecidos como “drivers”), a placa não apresenta funções específicas alheias à dos diodos emissores de luz nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz. Ou seja, caso a placa não contenha circuitos de controle necessários para ajuste da corrente elétrica, não apresentando funções específicas alheias à dos diodos emissores de luz Fl. 403DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz, deverá ser enquadrada na posição 85.41. Destaque-se, por oportuno, que a referida Solução de Consulta se baseou no mesmo parecer de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) mencionado pelo v. acórdão recorrido, obtendo, entretanto, conclusão diametralmente oposta àquele. Por elencar o mesmo critério adotado na Solução de Consulta COSIT nº 98.363/2017, transcrevo uma vez mais a classificação adotada pela OMA no referido parecer: 8541.40 1. Reunião de 62 diodos emissores de luz (LED) montados em linha sobre uma placa de circuito impresso (com dimensões de 440 mm de comprimento e 5 mm de largura) com um conector elétrico na parte inferior da placa de circuito impresso. Cada bloco consiste de um chip LED e um diodo, combinados no interior. A superfície do conjunto é revestida com um material fluorescente. A reunião de LED é utilizada, por exemplo, na unidade de iluminação do dispositivo de visualização de cristais líquidos (LCD) de TV, lâmpadas de LED do tipo tubular e iluminação exterior. O dispositivo não está equipado com o circuito de controle necessário para retificar a entrada em corrente alternada e converter a tensão a um nível utilizável pelos LED. Aplicação das RGI 1 e 6 (Grifamos) No mesmo sentido, a Solução de Consulta COSIT nº 98452/2019 também elenca o referido critério para enquadrar ou não o produto na posição 85.41, como se verifica do seguinte trecho de seus fundamentos: Os diodos emissores de luz estão nominalmente citados no texto da posição 85.41: “Diodos, transistores e dispositivos semelhantes semicondutores dispositivos otossens veis semicondutores, incluindo as células otovoltaicas, mesmo montadas em módulos ou em painéis diodos emissores de luz cristais piezelétricos montados” (grifou-se). No entanto, o dispositivo sob consulta é composto não somente por placa de circuito impresso com diodos emissores de luz, mas também por lente colimadora e dissipador. Dessa forma, o dispositivo deixa de ser essencialmente caracterizado como um conjunto de “diodos emissores de luz”, por já possuir características que o fazem específico para uso em luminárias. (Grifamos) Compulsando os autos, as únicas informações que temos a respeito das mercadorias objeto de classificação fiscal são aquelas constantes da Descrição Detalhada da Mercadoria nas Declarações de Importação – DIs, das quais transcrevemos a descrição contida na DI nº 11/1063535-6, que se repete nas demais, variando apenas o número de LEDs, a milimetragem e a referência: Régua de LEDs, sendo placa de circuito impresso, para iluminação com 36 LEDs branco morno 24VDC, C/600MM, utilizado em móveis, REF: B25WW-3S-600. Conforme se verifica de tal descrição, não há qualquer menção a circuito de controle necessário para ajuste de corrente elétrica, não sendo possível verificar qualquer função Fl. 404DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 específica alheia à dos diodos emissores de luz nela contidos, qual seja a conversão da energia elétrica em luz. E a ausência de tal requisito também é o que impede, ao meu ver, o enquadramento da referida mercadoria na posição 94.05, por não configurar aparelho de iluminação, o que se verifica pela total discrepância entre o produto em análise e aqueles descritos na Nota Explicativa relativa a tal posição, senão vejamos: Os aparelhos de iluminação deste grupo podem ser constituídos por quaisquer matérias (excluídas as matérias referidas na Nota 1 do Capítulo 71) e utilizar qualquer fonte de luz (vela, óleo, gasolina, petróleo, gás de iluminação, acetileno, eletricidade, etc.). Tratando-se de aparelhos elétricos, podem ser equipados com suportes para lâmpadas comuns, interruptores, fios elétricos com tomadas-macho, transformadores, etc., ou, como no caso dos suportes para lâmpadas fluorescentes, de um starter (arrancador*) e de um reator (balastro*). Da mesma forma, o enquadramento da mercadoria na posição 94.05 ainda que como parte de aparelho de iluminação é vedado expressamente pela Nota Explicativa da posição, que indica que as partes elétricas dos aparelhos de iluminação, quando apresentados isoladamente, incluem-se no Capítulo 85, raciocínio este que, ao meu ver, também deve ser aplicado à régua de led, ex vi: Classificam-se também nesta posição, desde que sejam reconhecíveis como tais e desde que não sejam incluídas mais especificamente noutras posições, as partes de aparelhos de iluminação, de anúncios, de cartazes ou tabuletas e de placas indicadoras luminosos, e de artigos semelhantes, entre as quais podem citar-se: (...) As partes não elétricas de artigos desta posição combinadas com partes elétricas permanecem classificadas aqui. As partes elétricas desses artigos (suportes, comutadores, interruptores, transformadores, starters (arrancadores*), reatores (balastros*), por exemplo), apresentados isoladamente, incluem-se no Capítulo 85. Diante disto, aplicando a RGI – 1, entendo pela impossibilidade de enquadramento do produto em análise na posição 94.05, tanto por se tratar de produto distinto daqueles descritos na posição e na Nota Explicativa, quanto por existir expressa vedação na Nota Explicativa que indica o enquadramento do referido item no Capítulo 85. Ademais, sendo incontroverso que o produto em análise se trata de placa de circuito impresso com diodos emissores de luz, seu enquadramento na posição 85.41, encontra respaldo na RGI – 2 (b), que estabelece que “[q]ualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias”, bem como, na RGI – 3, que dispõe que “[a] posição mais específica prevalece sobre a mais genérica”. Finalmente, destaque-se que os diodos emissores de luz são próprios para montagem em superfície (SMD); tanto é que apresentam-se montados dessa forma. Portanto, a mercadoria em análise classifica-se no subitem 8541.40.21 ("Diodos emissores de luz (LED), exceto diodos laser, próprios para montagem em superfície (SMD – Surface Mounted Device) "), nos exatos termos adotados pelo contribuinte. Fl. 405DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-012.784 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724542/2013-66 Por todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para o fim de manter a NCM adotada pelo contribuinte, afastando a reclassificação fiscal pretendida, a cobrança das diferenças de tributos e acréscimos legais correspondentes, bem como, a multa por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para DAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues Fl. 406DF CARF MF Original

score : 1.0
10401533 #
Numero do processo: 10320.723623/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DECADÊNCIA. ARTIGO 173, I DO CTN. COMPROVAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 72 O prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONF. As Decisões em que a Autoridade julgadora a quo analisa as alegações formuladas na Impugnação que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador não devem ser considerada nulas por preterição ao direito de defesa. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO EM ENDEREÇO DIVERSO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PREJUÍZO NÃO CONFIGURADO. No âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico, sendo que, tendo em vista que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias - pessoal, postal ou eletrônica -, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia. O dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional Não haverá qualquer nulidade nas hipóteses em que as intimações são realizadas por via postal e são enviadas aos endereços que constam nos cadastros da RFB, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DAS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA A BOA COMPREENSÃO DAS RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS RELATIVAS ÀS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA ATENDIDOS. Não há que se falar em nulidade com fundamento no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 nas hipóteses em que as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias discutidas restam expostas, de forma clara, nos documentos que são devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações. PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo de complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípios da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ARTIGO 6º, I, “a” DA LEI Nº 10.593/2002. ARTIGOS 121 E 142 DO CTN. De acordo com o artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para constituir o crédito tributário mediante o lançamento. A determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos dos artigos 121 e 142 do CTN. O Auto de infração lavrado por autoridade competente em conformidade com a legislação de regência e o julgamento proferido por Delegacia de julgamento competente devem ser considerados válidos. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO. PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 171. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui-se em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, por isso mesmo, quaisquer irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não ensejam a nulidade do lançamento tributário, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESSUPOSTO DE EXISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA À REALIDADE DOS FATOS E DO DIREITO. ATO-NORMA VÁLIDO. O instituto do lançamento tributário se enquadra na categoria dos atos administrativos e, enquanto tal, sua identidade estrutural é composta por elementos e pressupostos de existência, os quais, em conjunto, equivalem aos requisitos necessários para que o ato possa ser considerado como integrante do sistema jurídico, enquadrando-se, portanto, na espécie “ato administrativo”, inserindo-se aí os pressupostos do motivo e da motivação do ato-norma de lançamento. Nas hipóteses em que a motivação do lançamento é adequada à realidade dos fatos e do direito o ato-norma de lançamento será válido, não havendo se cogitar, aqui, da nulidade do auto de infração, já que os motivos que ensejaram a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não se confundem com os motivos que implicam na apuração de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada. PRELIMINAR. NULIDADE. ILEGALIDADE DIRETA E POR DERIVAÇÃO DAS PROVAS. ÂMBITO CRIMINAL E ÂMBITO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIAS INDEPENDENTES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DO ILÍCITO. ELEMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS CONSTITUÍDOS NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal, mas apenas nas hipótese em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As provas que lastreiam e dão substrato fático ao Auto de Infração foram produzidas pela própria autoridade autuante no bojo do procedimento fiscalizatório e, por si só, sustentam o lançamento no todo, independentemente das provas que foram colhidas no âmbito criminal, as quais, aliás, foram, por força de decisão judicial, regularmente compartilhas com a Receita Federal, não havendo se falar, portanto, na nulidade do lançamento por suposta quebra de sigilo bancário. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE. EXAME DE EXTRATOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há qualquer violação às garantias constitucionais do sigilo bancário e da privacidade nas hipóteses em que a autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições Financeiras (RMF), a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária é cabível quando restar demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas que integravam o quadro social da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN quando restar demonstrado, a partir do conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve a interposição fraudulenta de pessoa(s) em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária quanto a aplicação, de forma concorrente e conjunta, dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. FRAUDE. MOTIVOS APURADOS E COMPROVADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. STANDARD PROBATÓRIO EXIGIDO. CONDUTA INFRATORA QUE SÓ GANHA SENTIDO À LUZ DE UMA FINALIDADE ILÍCITA. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C” DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-007.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, apenas, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à responsabilidade tributária fundamentada no art. 124, inciso I, do CTN, e no art. 135, inciso III, do CTN. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Terceira Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10320.723623/2013-18

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7057631

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 1302-007.055

nome_arquivo_s : Decisao_10320723623201318.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA

nome_arquivo_pdf_s : 10320723623201318_7057631.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, apenas, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à responsabilidade tributária fundamentada no art. 124, inciso I, do CTN, e no art. 135, inciso III, do CTN. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2024

id : 10401533

ano_sessao_s : 2024

ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DECADÊNCIA. ARTIGO 173, I DO CTN. COMPROVAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 72 O prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONF. As Decisões em que a Autoridade julgadora a quo analisa as alegações formuladas na Impugnação que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador não devem ser considerada nulas por preterição ao direito de defesa. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO EM ENDEREÇO DIVERSO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PREJUÍZO NÃO CONFIGURADO. No âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico, sendo que, tendo em vista que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias - pessoal, postal ou eletrônica -, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia. O dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional Não haverá qualquer nulidade nas hipóteses em que as intimações são realizadas por via postal e são enviadas aos endereços que constam nos cadastros da RFB, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DAS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA A BOA COMPREENSÃO DAS RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS RELATIVAS ÀS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA ATENDIDOS. Não há que se falar em nulidade com fundamento no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 nas hipóteses em que as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias discutidas restam expostas, de forma clara, nos documentos que são devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações. PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo de complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípios da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ARTIGO 6º, I, “a” DA LEI Nº 10.593/2002. ARTIGOS 121 E 142 DO CTN. De acordo com o artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para constituir o crédito tributário mediante o lançamento. A determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos dos artigos 121 e 142 do CTN. O Auto de infração lavrado por autoridade competente em conformidade com a legislação de regência e o julgamento proferido por Delegacia de julgamento competente devem ser considerados válidos. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO. PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 171. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui-se em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, por isso mesmo, quaisquer irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não ensejam a nulidade do lançamento tributário, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESSUPOSTO DE EXISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA À REALIDADE DOS FATOS E DO DIREITO. ATO-NORMA VÁLIDO. O instituto do lançamento tributário se enquadra na categoria dos atos administrativos e, enquanto tal, sua identidade estrutural é composta por elementos e pressupostos de existência, os quais, em conjunto, equivalem aos requisitos necessários para que o ato possa ser considerado como integrante do sistema jurídico, enquadrando-se, portanto, na espécie “ato administrativo”, inserindo-se aí os pressupostos do motivo e da motivação do ato-norma de lançamento. Nas hipóteses em que a motivação do lançamento é adequada à realidade dos fatos e do direito o ato-norma de lançamento será válido, não havendo se cogitar, aqui, da nulidade do auto de infração, já que os motivos que ensejaram a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não se confundem com os motivos que implicam na apuração de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada. PRELIMINAR. NULIDADE. ILEGALIDADE DIRETA E POR DERIVAÇÃO DAS PROVAS. ÂMBITO CRIMINAL E ÂMBITO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIAS INDEPENDENTES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DO ILÍCITO. ELEMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS CONSTITUÍDOS NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal, mas apenas nas hipótese em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As provas que lastreiam e dão substrato fático ao Auto de Infração foram produzidas pela própria autoridade autuante no bojo do procedimento fiscalizatório e, por si só, sustentam o lançamento no todo, independentemente das provas que foram colhidas no âmbito criminal, as quais, aliás, foram, por força de decisão judicial, regularmente compartilhas com a Receita Federal, não havendo se falar, portanto, na nulidade do lançamento por suposta quebra de sigilo bancário. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE. EXAME DE EXTRATOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há qualquer violação às garantias constitucionais do sigilo bancário e da privacidade nas hipóteses em que a autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições Financeiras (RMF), a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária é cabível quando restar demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas que integravam o quadro social da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN quando restar demonstrado, a partir do conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve a interposição fraudulenta de pessoa(s) em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária quanto a aplicação, de forma concorrente e conjunta, dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. FRAUDE. MOTIVOS APURADOS E COMPROVADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. STANDARD PROBATÓRIO EXIGIDO. CONDUTA INFRATORA QUE SÓ GANHA SENTIDO À LUZ DE UMA FINALIDADE ILÍCITA. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C” DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:21 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210791137280

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-16T21:02:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2024-04-16T21:02:43Z; Last-Modified: 2024-04-16T21:02:43Z; dcterms:modified: 2024-04-16T21:02:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-16T21:02:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-16T21:02:43Z; meta:save-date: 2024-04-16T21:02:43Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-16T21:02:43Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2024-04-16T21:02:43Z; created: 2024-04-16T21:02:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 59; Creation-Date: 2024-04-16T21:02:43Z; pdf:charsPerPage: 2440; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-16T21:02:43Z | Conteúdo => S1-C 3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10320.723623/2013-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-007.055 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2024 Recorrente PSE COMERCIAL DE PEÇAS PARA VEÍCULOS LTDA - ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 DECADÊNCIA. ARTIGO 173, I DO CTN. COMPROVAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 72 O prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONF. As Decisões em que a Autoridade julgadora a quo analisa as alegações formuladas na Impugnação que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador não devem ser considerada nulas por preterição ao direito de defesa. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO EM ENDEREÇO DIVERSO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PESSOAL. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO. PREJUÍZO NÃO CONFIGURADO. No âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico, sendo que, tendo em vista que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias - pessoal, postal ou eletrônica -, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia. O dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 36 23 /2 01 3- 18 Fl. 15066DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 Não haverá qualquer nulidade nas hipóteses em que as intimações são realizadas por via postal e são enviadas aos endereços que constam nos cadastros da RFB, nos termos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DAS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS PARA A BOA COMPREENSÃO DAS RAZÕES FÁTICAS E JURÍDICAS RELATIVAS ÀS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA ATENDIDOS. Não há que se falar em nulidade com fundamento no artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 nas hipóteses em que as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias discutidas restam expostas, de forma clara, nos documentos que são devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações. PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo de complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípios da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. AUTORIDADE INCOMPETENTE. ILEGITIMIDADE DO AUDITOR FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. ARTIGO 6º, I, “a” DA LEI Nº 10.593/2002. ARTIGOS 121 E 142 DO CTN. De acordo com o artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para constituir o crédito tributário mediante o lançamento. A determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos dos artigos 121 e 142 do CTN. O Auto de infração lavrado por autoridade competente em conformidade com a legislação de regência e o julgamento proferido por Delegacia de julgamento competente devem ser considerados válidos. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO. PRORROGAÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 171. Fl. 15067DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF constitui-se em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e, por isso mesmo, quaisquer irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não ensejam a nulidade do lançamento tributário, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESSUPOSTO DE EXISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO ADEQUADA À REALIDADE DOS FATOS E DO DIREITO. ATO-NORMA VÁLIDO. O instituto do lançamento tributário se enquadra na categoria dos atos administrativos e, enquanto tal, sua identidade estrutural é composta por elementos e pressupostos de existência, os quais, em conjunto, equivalem aos requisitos necessários para que o ato possa ser considerado como integrante do sistema jurídico, enquadrando-se, portanto, na espécie “ato administrativo”, inserindo-se aí os pressupostos do motivo e da motivação do ato-norma de lançamento. Nas hipóteses em que a motivação do lançamento é adequada à realidade dos fatos e do direito o ato-norma de lançamento será válido, não havendo se cogitar, aqui, da nulidade do auto de infração, já que os motivos que ensejaram a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não se confundem com os motivos que implicam na apuração de omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos de origem não comprovada. PRELIMINAR. NULIDADE. ILEGALIDADE DIRETA E POR DERIVAÇÃO DAS PROVAS. ÂMBITO CRIMINAL E ÂMBITO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTÂNCIAS INDEPENDENTES. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DO ILÍCITO. ELEMENTOS FÁTICO-JURÍDICOS CONSTITUÍDOS NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal, mas apenas nas hipótese em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR NO BOJO DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO. As provas que lastreiam e dão substrato fático ao Auto de Infração foram produzidas pela própria autoridade autuante no bojo do procedimento Fl. 15068DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 fiscalizatório e, por si só, sustentam o lançamento no todo, independentemente das provas que foram colhidas no âmbito criminal, as quais, aliás, foram, por força de decisão judicial, regularmente compartilhas com a Receita Federal, não havendo se falar, portanto, na nulidade do lançamento por suposta quebra de sigilo bancário. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A DIREITOS FUNDAMENTAIS. SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE. EXAME DE EXTRATOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há qualquer violação às garantias constitucionais do sigilo bancário e da privacidade nas hipóteses em que a autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições Financeiras (RMF), a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Nos termos do artigo 124, inciso I do CTN, a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária é cabível quando restar demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas que integravam o quadro social da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN quando restar demonstrado, a partir do conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve a interposição fraudulenta de pessoa(s) em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária quanto a aplicação, de forma concorrente e conjunta, dos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 15069DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. FRAUDE. MOTIVOS APURADOS E COMPROVADOS. COMPROVAÇÃO DO DOLO. STANDARD PROBATÓRIO EXIGIDO. CONDUTA INFRATORA QUE SÓ GANHA SENTIDO À LUZ DE UMA FINALIDADE ILÍCITA. Para que a multa qualificada seja aplicada, é necessário que haja o comportamento previsto no critério material da multa de ofício, revestido, ainda, de ação dolosa, sendo que o dolo deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, daí por que a autoridade deve demonstrar que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 106, INCISO III, ALÍNEA “C” DO CTN. MULTA QUALIFICADA. PATAMAR 100%. ARTIGO 14 DA LEI Nº 14.689/2023. De acordo com o artigo 106, inciso III, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 1966, a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado deve ser cancelado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e decadência suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial aos recursos voluntários, apenas, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 100% (cem por cento), nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo votou pelas conclusões do relator quanto à responsabilidade tributária fundamentada no art. 124, inciso I, do CTN, e no art. 135, inciso III, do CTN. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega - Relator Fl. 15070DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Marcelo Oliveira, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocado(a)) e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Tratam-se, na origem, de Auto de Infração por meio dos quais foram constituídos crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ (fls. 14.373/14.388) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 14.389/14.401), relativos ao ano- calendário de 2008, cujas exigências fiscais restaram formalizadas nos montantes discriminados a seguir: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA (150%) TOTAL IRPJ 67.210,58 33.640,61 100.815,88 201.667,07 CSLL 41.044,76 20.530,72 61.567,15 123.142,63 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes dos respectivos Autos de Infração (fls. 14.375 e 14.391/14.392) e com o Relatório de Atividade Fiscal de fls. 13.797/14.160 e 14.171/14.371, a Autoridade fiscal entendeu por efetuar os respectivos lançamentos a partir da apuração de omissão de receitas da atividade referente às revendas de mercadorias, de modo que, no caso, a Autoridade entendeu por arbitrar o lucro com base na receita bruta das revendas de mercadorias conhecida, nos termos do artigo 530, inciso III do Decreto nº 3.000/99, já que, ainda que tenha sido regularmente intimada a tanto, a PSE COMERCIAL DE PEÇAS PARA VEÍCULOS LTDA (“PSE COMERCIAL) teria deixado de apresentar os livros e documentos relativos à sua escrituração, conforme se verifica dos trechos abaixo reproduzidos: “RELATÓRIO DA ATIVIDADE FISCAL [...] 10. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO 816. Como se pode perceber pelo tópico anterior, a receita anual da PSE no ano calendário de 2008 foi de R$ 3.800.440,60, enquanto INEXISTEM receitas declaradas à RFB, muito embora a mesma tenha apresentado DIPJ (com receitas zeradas) onde manifesta opção pelo LUCRO PRESUMIDO. 817. Intimada (fls 13.785 a 13.786) a apresentar seus livros contábeis (Diário e Razão, ou Livro Caixa), Livro Registro de Inventário e Livros Registro de Entradas e de Saídas, nada apresentou. Deste modo frente à não apresentação dos livros obrigatórios, não resta outra alternativa a não ser a tributação pelo LUCRO ARBITRADO. É o que se denota do art 530 do decreto 3.000 de 26 de Março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 15071DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; 818. De se destacar que, muito embora a empresa não tenha apresentado seus livros contábeis, ainda que os tivesse porventura apresentado, pode-se antecipar que certamente não seriam aptos à identificação da efetiva movimentação financeira e bancária, ou mesmo para a determinação do Lucro Real, de modo que, por força do inciso II do art 530 do RIR (acima transcrito), igualmente impor-se-ia a tributação pelo Lucro Arbitrado. E pode-se afirmar que a contabilidade seria imprestável por vários aspectos, senão vejamos: 819. Dentre as funções primordiais da contabilidade empresarial destacam-se o controle do patrimônio e a obtenção do resultado do empreendimento em um determinado período. Porém, no esquema REDE PRESIDENTE (e por conseqüência também na PSE) tais funções não eram alcançadas pelo uso da contabilidade. Note-se que o esquema mantinha um controle de resultados globalizado, como denotam as planilhas “BALA”, onde as diversas lojas (empresas) do esquema eram consideradas filiais de um único empreendimento REDE PRESIDENTE. Porém, esse controle globalizado, elaborado de forma até rudimentar, em planilhas formato “excel”, era totalmente divorciado da escrituração contábil oficial, que contemplava apenas as operações “oficiais”, vinculadas a cada CNPJ, de modo que a maior parte dos custos, despesas e receitas, não eram escriturados. 820. Nesse sentido destaca-se que os valores contabilizados pelas diversas empresas do esquema, entre elas a PSE, o são apenas “pró forma”, para cumprir a formalidade legal e emprestar uma aparência de legalidade a um esquema totalmente fraudulento. A escrita contábil se fazia necessária até mesmo para que fosse possível proceder-se à abertura de contas bancárias em nome das empresas. Porém essa contabilidade é apenas formal, ou seja, não espelha as reais operações de cada empresa. Viu-se que existem inúmeros custos e despesas que não são reconhecidos nas diversas “filiais”, tais como as despesas com manutenção dos “bunkers” administrativos do esquema, por exemplo, ou ainda os custos com os diversos veículos registrados em nomes de “laranjas”312. São pequenos exemplos de uma infinidade de custos ou despesas que não são rateados e contabilizados nas diversas empresas do esquema, o que torna uma eventual contabilidade oficial apresentada, completamente imprestável à apuração do Lucro Real. 821. Pode-se citar também os pagamentos e retiradas feitos em favor dos reais proprietários do esquema (FAMÍLIA TOLARDO), como os constantes das planilhas “ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xls”, que obviamente não são contabilizados. 822. Também os colaboradores do esquema, que recebiam diversos valores “por fora” como demonstra o relatório de funcionários do esquema REDE PRESIDENTE (MGA23-3.9 – fls 8.873 a 8.893), onde se tem as colunas “Salário” e “Salário2”. 823. As vendas efetuadas pelas diversas filiais, sobretudo quando eram vendas sem Nota Fiscal (TAB2), eram depositados em benefício de outras empresas314, ou seja, a Fl. 15072DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 filial fazia a venda, mas quem recebia os recursos era outra empresa. Nesse sentido veja-se as orientações dadas por DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR315, por e-mail, às diversas lojas do esquema (MGA18-15.14 – fls 9.655): [...] 824. A própria sistemática de compras de auto peças, que era centralizada em poucas empresas compradoras, enquanto os pagamentos dessas compras eram feitos por diversas outras empresas da REDE PRESIDENTE, já implica, por si só, na imprestabilidade da contabilidade para aferição do Lucro Real de qualquer uma das empresas envolvidas. [...] 826. Essas compras, efetuadas por algumas das empresas da REDE PRESIDENTE, até eram formalmente transferidas para as demais filiais (ou empresas), porém essa operação de transferência formal (com emissão de NF de uma empresa do esquema para outra), não guardava nenhuma proporcionalidade com a efetividade da operação. [...] 830. Destaca-se, uma vez mais, que estas notas fiscais não representam a efetividade das operações. Servem unicamente, ou para acompanhar o transporte, ou para dar lastro ao estoque escritural das “filiais”, prevenindo-se uma eventual fiscalização do fisco estadual. Isso fica claro na troca de e-mails, de 2008, entre o principal comandante do esquema – ROBSON MARCELO TOLARDO, e seu preposto, DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR (fls 13.534 a 13.537): [...] 833. O que se demonstrou neste breve relato é que dentro deste panorama de atuação da REDE PRESIDENTE não há como se considerar apta à aferição do Lucro Real, a escrituração contábil apresentada por quaisquer das filiais do esquema REDE PRESIDENTE, posto que essas contabilidades não registram nem de perto as reais operações da respectiva “filial” (empresa), sejam de receitas, custos ou despesas. Eram escriturações confeccionadas apenas “pro forma” com o único intuito de fictamente cumprir uma obrigação legal afastando (ou tentando afastar) a possibilidade de autuações fiscais. Restam completamente imprestáveis à apuração do Lucro Real. 834. A constituição da empresa em nome de laranjas (gerando registros contábeis fictos); os bens (veículos) utilizados pelas empresas porém, registrados em nome de laranjas e cujas despesas, obviamente, não são contabilizadas; funcionários não registrados ou registrados com salários inferiores aos efetivamente pagos (vide MGA23- 3.9 – fls 8.873 a 8.893); todo o esquema de administração clandestina (em “bunkers”) e centralizada, cujas despesas não são contabilizadas; o esquema montado para as compras da REDE, onde algumas empresas são utilizadas para fazer as compras junto aos fornecedores, enquanto outras empresas são utilizadas para fazer o pagamento dessas compras; receitas oriundas de vendas sem notas fiscais de uma empresa, sendo depositadas em contas de outras empresas; enfim, são elementos que denotam a completa imprestabilidade da contabilidade escriturada pelas “filiais”, e mais que isso, a imprestabilidade se dá por vícios que pela sua própria natureza se mostram completamente insanáveis, ou seja, o esquema todo foi engendrado em uma plataforma operacional que impede a regular aferição contábil individualizada de cada empresa.” Segundo a Autoridade, o procedimento fiscal decorreu do resultado obtido na operação “Laranja Mecânica” que restou deflagrada em 17/11/2012, a qual foi fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal e que, no seu curso, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), tendo sido constatado, então, e a partir da análise de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da Justiça Federal, a existência de uma rede Fl. 15073DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 intrincada de empresas que atuavam no ramo de comercialização de autopeças denominada REDE PRESIDENTE, do qual a autuada faz parte, e as quais, embora fossem constituídas por interpostas pessoas, eram, na verdade, administradas, de fato, por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e das pessoas físicas envolvidas e a farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados apontaram, de forma contundente e inequívoca, para a existência de um grande empreendimento comercial voltado ao ramo do comércio de autopeças (atacado e varejo) denominado REDE PRESIDENTE, que, no caso, contava com lojas espalhadas em várias unidades da federação e que, embora fosse formalmente constituído por diversas empresas que, a rigor, eram constituídas em nome de “laranjas”, revelaram, no final, e na verdade, que se tratava de um único empreendimento que teria sido originalriamente iniciado por Samuel Tolardo e que, posteriormente, foi transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, Íris da Silva Tolardo, esposa, e para os seus filhos Róbson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Com base na documentação e nos arquivos magnéticos apreendidos, a Autoridade fiscal apurou que, no ano-calendário de 2008, a receita bruta efetiva da foi de R$ 3.800.440,60, tendo sido calculados os montantes de IRPJ e CSLL devidos com base no lucro arbitrado, uma vez que a autuada não declarou nenhum rendimento e havia apresentado DIPJ com receita zerada. No caso, a Autoridade fiscal entendeu, ainda, por aplicar a multa qualificada no percentual de 150% em virtude da ocorrência de sonegação fiscal e fraude, nos termos dos artigos 71, incisos I e II e 72 da Lei nº 4.502/62, haja vista que a autuada teria se utilizado de sistemática um tanto elaborada quanto às vendas sem emissão de notas fiscais, as quais, a rigor, não foram declaradas à RFB, e que, no final, permitiram que a contribuinte tivesse omitido parcela relevante de suas vendas mediante esse intricado sistema que era mantido à margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como em razão da apuração de que a sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, conforme se verifica dos trechos abaixo transcritos: “11. DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA [...] 817. Como podemos observar do até aqui exposto, o contribuinte se utiliza de pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a nossa fiscalizada. Destaque-se que, para tanto utiliza- se de expedientes escusos tais como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Tal conduta obviamente busca modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, qual seja, o real sujeito passivo, enquadrando-se então, o contribuinte, no conceito de fraude constante do art 72 da Lei 4.502/64. 818. Igualmente enquadra-se no conceito de sonegação, dado pelo art 71, inciso II, da mesma Lei 4.502/64, vez que se constitui em uma ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 819. Cita-se também toda a elaborada sistemática de vendas sem nota fiscal (TAB2), e que, obviamente, não são declaradas à RFB. Mais que notório, o fato de que ao omitir parcela relevante de suas vendas mediante intrincado sistema (programa informatizado denominado “AutoW”, contemplando vendas “TAB2”, emissão de “cotações para verificação”, etc...), o contribuinte incorre tanto no conceito de fraude (ação tendente a Fl. 15074DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características essenciais), como no conceito de sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do imposto devido). 820. Ambas condutas (utilização de sócios “laranja” e realização de vendas não declaradas à RFB e sem emissão de NFs) evidenciam claramente o dolo do contribuinte ao cometer as ações caracterizadoras de fraude e sonegação acima descritas. 821. Tais condutas (fraude e sonegação) impõem a aplicação da multa de ofício em percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44 e seu parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: [...] 823. Dessa forma, está sendo aplicada a multa qualificada (150%) para o crédito tributário constituído no presente processo.” Em decorrência da comprovação de que os reais proprietários e administradores do esquema REDE PRESIDENTE eram os integrantes da família Tolardo, a Autoridade fiscal entendeu por atribuir a responsabilidade tributária com base nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66 aos Srs. Íris da Silva Tolardo, Róbson Marcelo Tolardo, Rogério Marcio Tolardo, Samuel Tolardo Junior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Veja-se: “12. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 824. Tendo-se a comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família TOLARDO, os mesmos são nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). 825. Com efeito, assim dispõe o art 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN): [...] 826. Ora, sendo os integrantes da família TOLARDO os verdadeiros proprietários e beneficiários de todo o esquema REDE PRESIDENTE, conforme amplamente comprovado no presente relatório, particularmente no tópico 6. DOS RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO, torna-se inequívoco o fato de que os integrantes da família TOLARDO têm interesse comum nos negócios da REDE PRESIDENTE, da qual faz parte a empresa alvo do presente relatório. 827. Além disso, também o art 135 do mesmo Código Tributário Nacional, impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento: [...] 828. Note-se que são pessoalmente responsáveis os sócios, gerentes, diretores, responsáveis, pelo crédito tributário decorrente dos atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família TOLARDO, que comanda a REDE PRESIDENTE utilizando-se de meios fraudulentos, tais como a interposição de “laranjas” em suas empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, a margem da escrituração ou de declaração. 829. Deste modo, lavra-se os competentes TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA em desfavor dos reais sócio proprietários do esquema REDE PRESIDENTE, quais sejam: a) Sra ÍRIS DA SILVA TOLARDO (CPF 958.804.969-53), b) Sr RÓBSON MARCELO TOLARDO (CPF 623.843.849-53), Fl. 15075DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 c) Sr ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO (CPF 723.045.539-15), d) Sr SAMUEL TOLARDO JÚNIOR (CPF 121.023.838-14); e) Sra JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (CPF 828.784.559-91).” E, aí, a Autoridade acabou elaborando os respectivos Termos de Sujeição Passiva os quais foram juntados às seguintes folhas: (i) ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO (fls. 14.414/14.415); (ii) ROBSON MARCELO TOLARDO (fls. 14.416/14.417); (iii) SAMUEL TOLARDO JUNIOR (fls. 14.418/14.419) (iv) JEANE CRISTINE TOLARDO (fls. 14.420/14.421); e, por fim, (v) ÍRIS DA SILVA TOLARDO (fls. 14.422/14.433). A empresa PSE COMERCIAL foi intimada da autuação por meio dos Editais nº 101, o qual foi afixado em 13/12/2013 e desafixado em 31/12/2023, e nº 24/2013, o qual foi afixado em 12/12/2013 e desafixado em 02/01/2014 (fls. 14.425/14.426). Já os responsáveis foram intimados da autuação por via postal nas seguintes datas: (i) ÍRIS DA SILVA TOLARDO: 07/12/2013 (fls. 14.427); (ii) SAMUEL TOLARDO JUNIOR: 07/12/2013 (fls. 14.429); (iii) ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO: 07/12/2013 (fls. 14.430); e (iv) JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE: 07/12/2013 (fls. 14.431). O responsável ROBSON MARCELO TOLARDO acabou sendo intimado através do Edital nº 26/2013, o qual foi afixado em 13/12/2013 e desafixado em 02/01/2014 (fls. 14.437). A empresa PSE COMERCIAL não apresentou Impugnação. Já os responsáveis ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO (“ROGÉRIO”), ÍRIS DA SILVA TOLARDO (“ÍRIS), JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (“JEANE”), SAMUEL TOLARDO JUNIOR (“SAMUEL”) e ROBSON MARCELO TOLARDO (“ROBSON”) apresentaram, tempestivamente, Impugnações que foram juntadas, respectivamente, às fls. 14.439/14.478, 14.525/14.464, 14.574/14.612, 14.617/14.656 e 14.660/14.699. Na ocasião, os responsáveis suscitaram, em resumo, as alegações que, a rigor, podem ser assim sintetizadas: (i) A nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; (ii) A decadência ou a prescrição dos créditos tributários lançados; (iii) A ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; (iv) Cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; (v) A ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; (vi) A falta de motivação e fundamentação da autuação; (vii) A incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; (viii) ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; Fl. 15076DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 (ix) A necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; (x) A ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; (xi) A exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; e (xii) A inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal. Com base em tais alegações, os responsáveis requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que a exigência fiscal fosse julgada improcedente. Os autos foram encaminhados à Autoridade julgadora de 1ª instância para que as Impugnações fossem apreciadas. E, aí, ao proferir o Acórdão nº 12-71.205 (fls. 14.727/14.744), a 5ª Turma DRJ/RJO entendeu por julgar as Impugnações improcedentes, de modo que as exigências fiscais e a responsabilidade tributária dos impugnantes restaram mantidas. Ao final, o Acórdão recorrido restou ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 Fl. 15077DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Na sequência, a empresa PSE COMERCIAL foi intimada do resultado do julgamento do Acórdão nº 12-71.205 através do Edital nº 06, de 31 de março de 2015, o qual foi afixado em 31/03/2015 e desafixado em 16/04/2015. Em 24/11/2015, os responsáveis SAMUEL e IRIS, foram intimados do resultado do julgamento do Acórdão recorrido, conforme se verifica dos ARs de fls. 14.758/14.759. Os responsáveis JEANE, ROBSON e ROGÉRIO tomaram conhecimento do resultado do julgamento do Acórdão, já que providenciaram a interposição dos seus Recursos Voluntários. Em 21/12/2015, JEANE, ÍRIS, SAMUEL e ROBSON entenderam por apresentar seus Recursos Voluntários os quais, a rigor, encontram-se colacionados, respectivamente, às fls. 14.463/14.820, 14.825/14.880, 14.881/14.938 e 15.005/15.062. Já o responsável ROGÉRIO acabou protocolando seu Recurso Voluntário de fls. 14.944/15.001 em 22/12/2015. Os responsáveis tributários suscitam as mesmas razões e fundamentos de defesa que, inclusive, já haviam sido levantados em suas Impugnações, os quais, a rigor, podem ser assim sintetizados: Alegações Preliminares (i) Nulidade da Decisão de primeiro grau (ii) Nulidade da intimação: intimação em endereço diverso (iii) Nulidade: Inexistência de garantia do contraditório e ampla defesa Fl. 15078DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 (iv) Nulidade: Ausência de análise de todas as matérias invocadas em defesa via impugnação administrativa e ausência de fundamentação e motivação (v) Nulidade: julgamento proferido por Autoridade incompetente (vi) Nulidade: Ausência de mandado de procedimento fiscal (vii) Nulidade: Ausência de intimação pessoal - Nulidade daquela realizada por correios (viii) Nulidade: Ilegitimidade passiva dos Recorrentes (ix) Nulidade: Falta de motivação e fundamentação (x) Nulidade: Ilegitimidade do Auditor Fiscal (xi) Nulidade: Ilicitude das provas utilizadas (xii) Prejudicial ao Mérito: Necessidade de suspensão do Processo Administrativo Fiscal. Alegações de Mérito (i) Ausência de responsabilidade dos recorrentes: impossibilidade de imputação da responsabilidade a terceiro (ii) Ausência de responsabilidade dos recorrentes: inexistência de prova de benefício pelos recorrentes (iii) Prescrição e Decadência (iv) Multa: exclusão ou redução (v) A multa confiscatória: impossibilidade de manutenção (vi) A multa de ofício: ausência dos requisitos para sua aplicação (vii) Taxa SELIC: inaplicabilidade (viii) Provas e impugnação: garantia do devido processo legal. Com base em tais alegações, os responsáveis tributários requerem que as preliminares de nulidade sejam reconhecidas e, no mérito, que os Recursos Voluntário sejam julgados procedentes a fim de que a exigência fiscal seja cancelada e a responsabilidade seja cancelada. Através do Despacho de fls. 15.065, os autos foram encaminhados a este E. CARF para que os Recursos Voluntários dos responsáveis JEANE, ÍRIS, SAMUEL, ROBSON e ROGÉRIO sejam analisados. Posteriormente, os autos foram distribuídos a este Relator mediante sorteio. É o relatório. Voto Fl. 15079DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. 1. Do juízo de Admissibilidade dos Recursos Voluntários Interpostos pelos Responsáveis tributários De início, verifico que, em 24/11/2015, os responsáveis SAMUEL, ÍRIS, JEANE, ROBSON e ROGÉRIO foram intimados do resultado do Acórdão nº 12-71.205, de modo que o prazo de 30 dias previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 começou a fluir em 25/11/2015 (quarta-feira) e findar-se-ia apenas em 24/12/2015 (quinta-feira). A rigor, os responsáveis JEANE, ÍRIS, SAMUEL e ROBSON entenderam por apresentar seus Recursos Voluntários em 21/12/2015, enquanto que o responsável ROGÉRIO acabou protocolando seu Recurso em 22/12/2015. Os Recursos Voluntários foram, portanto, formalizados dentro do prazo de 30 dias previsto na legislação de regência, de modo que preenchem o requisito da tempestividade e, além do mais, foram assinados por profissional habilitado para tanto, de modo que o requisito da legitimidade também resta preenchido. Considerando, pois, que os presentes Recursos foram apresentados tempestivamente e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade recursais, devo conhecê-los e, por isso mesmo, passo a apreciá-los e examinar as alegações preliminares e meritórias que restaram formuladas pelos Recorrentes JEANE, ÍRIS, SAMUEL, ROBSON e ROGÉRIO. 2. Da análise dos Recursos Voluntários Interpostos pelos responsáveis Considerando, de plano, que os Recursos Voluntários interpostos pelos Srs. SAMUEL, ÍRIS, JEANE, ROBSON e ROGÉRIO são idênticos no que diz com as razões e fundamentos de defesa, entendo que a análise das alegações ali formuladas – e até por questões de encomia processual – deve ser realizada em conjunto. Dito isto, passo, então, a analisar cada uma das alegações e fundamentos formulados pelos Recorrentes, aglutinando-os, pois, quando entender que a medida é pertinente. 2.1. Da alegação de decadência e prescrição dos créditos tributários lançados Os Recorrentes sustentam, inicialmente, a ocorrência da decadência, já que, nos seus entendimentos, a Fazenda não constituiu, devidamente, o crédito tributário, porquanto foi realizado a destempo. As alegações acerca da decadência podem ser assim resumidas: Fl. 15080DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 - Com vistas à segurança jurídica, de modo a não permitir que o direito do fisco de constituir o crédito tributário perdure ad aeternum, o artigo 173, inciso I estabelece que este direito se extingue em 5 anos. - Assim, a decadência vem a ser a perda do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento tributário em decorrência da omissão do seu exercício, no prazo estipulado em lei. - A extinção do crédito tributário pela decadência está previsto no art. 156, V do CTN, que estipula que o prazo para o lançamento do crédito tributário é de cinco anos - Verifica-se que o lançamento dos tributos deveria ser feito por homologação, o que na verdade não ocorreu. - O que vem a significar que a Fazenda não constitui, devidamente, o crédito tributário em relação aos Recorrentes, já que não foi realizado o lançamento do mesmo e a respectiva cientificação. - Assim, em relação aos Recorrentes, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito decaiu. - No caso presente, esse prazo já se esvaiu. Portanto, extinto encontra-se o direito de constituir os créditos tributários em face da Recorrente, ou seja, ocorreu a decadência deste direito. Pois bem. Verifique-se, de logo, que a decadência prevista no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicada apenas em relação aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o direito de antecipar o pagamento e desde que não haja a comprovação de dolo, fraude ou simulação. Confira-se: “Lei nº 5.172/66 SEÇÃO II - Modalidades de Lançamento Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Pois bem. Ao apreciar o Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado sob a sistemática do artigo 543-C do CPC/1973, o Superior Tribunal de Justiça – STJ acabou decidindo que o prazo de decadência previsto no artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional deve ser aplicado apenas nas hipóteses em que o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. Confira-se: Fl. 15081DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009).” A rigor, o STJ acabou decidindo por fixar a tese do Tema Repetitivo nº 163 nos seguintes termos: Fl. 15082DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” De acordo com tal entendimento, a regra de decadência prevista no artigo 150, § 4º do CTN só deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo tiver antecipado pagamento do imposto e não houver comprovação de que tenha atuado com dolo, fraude ou simulação, porque, do contrário, prevalecerá a regra decadencial constante do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional 1 . De toda sorte, não pairam dúvidas de que a empresa agiu dolosamente com o intuito de sonegar e fraudar a ocorrências dos fatos geradores aqui discutidos, haja vista que teria se utilizado de sistemática um tanto elaborada quanto às vendas sem emissão de notas fiscais, as quais, a rigor, não foram declaradas à RFB, e que, no final, permitiram que a contribuinte tivesse omitido parcela relevante de suas vendas mediante esse intricado sistema que era mantido à margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como em razão da apuração de que a sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas. A título de informação, registre-se que este Tribunal Administrativo tem o entendimento sumulado no sentido de que a contagem do prazo decadencial será realizada à luz do artigo 150, § 4º do CTN nas hipóteses em que restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. É ver-se: “Súmula CARF nº 72 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” No caso concreto, registre-se que os créditos tributários relativos aos fatos geradores de 1°, 2º e 3º trimestres de 2008, cuja data de ocorrência são respectivamente 31/03, 30/06 e 30/09/2008, poderiam ter sido constituídos até 31/12/2013, prazo, o qual, deve ser estendido para 31/12/2014 em relação ao fato gerador do 4º trimestre de 2008, cuja data de ocorrência é 31/12/2008. Tendo em vista que a autuada foi cientificada do lançamento em 28/12/2013, tem-se que a Autoridade fiscal constituiu os créditos aqui discutidos dentro do prazo de 5 (cinco) anos. Com efeito, entendo por afastar a alegação preliminar de decadência dos créditos tributários aqui discutidos. 2.2. Da Nulidade da Decisão de Primeiro Grau e da Nulidade em decorrência da Ausência de análise de todas as matérias invocadas em defesa e da Ausência de Fundamentação e Motivação 1 Cf. Lei n 5.172/66. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 15083DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 Os Recorrentes aduzem, inicialmente, a nulidade da Decisão de primeiro grau por suposta ofensa ao artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, bem como a nulidade quanto a ausência de análise de todas as matérias invocadas em sede de Impugnação e a ausência de fundamentação e motivação, pois, segundo eles, a Decisão não teria se referido expressamente às razões de defesa suscitadas. Confira-se, então, quais são os fundamentos que embasam a alegação de nulidade: - Provavelmente com o intuito de proporcionar “celeridade” ao PAF em epígrafe, os Nobres Julgadores de primeiro grau violaram o dispositivo legal acima disposto, pois algumas matérias suscitadas pelo ora Recorrente sequer foram analisadas, bem como outras, sequer foram lidas. - Com uma simples leitura da Impugnação e da decisão em primeiro grau, vislumbra-se que existe uma contradição entre ambas. Ou seja, as razões de defesa suscitadas pelo Recorrente não foram analisadas, conforme determina o art. 31 do Decreto 70.235/72. - Em que pese as várias matérias arguidas na impugnação administrativa, através do acórdão, houve uma decisão singular e simplista, sem analisar todas as questões invocadas, que provam a total inexigibilidade do crédito tributário indevidamente lançado. - Ora, verifica-se que a decisão nada mais é que um resumo do relatório fiscal, baseado unicamente em provas indiciárias contidas em inquérito policial, sobre o qual não existe um julgamento de validade das provas coligidas e, como se sabe, muito menos o direito ao contraditório e à ampla defesa. Em que pese o inconformismo dos Recorrentes, não há indicação precisa de quais argumentos teriam sido ignorados ou quais as supostas contradições, de sorte que não se vislumbra a nulidade suscitada. Ademais, observe-se que, se é certo que as decisões judiciais e administrativas devem ser proferidas com observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa previstos no artigo 5º, LV da Constituição Federal 2 , também é certo que os respectivos julgadores não estão obrigados a analisar e enfrentar cada um dos argumentos levantados pelas partes, desde que a(s) respectiva(s) alegação(ões) não tenha(m) o condão de infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Conforme preceitua o artigo 489, § 1º, inciso IV do Código de Processo Civil o qual, por óbvio, possui natureza de norma processual e, portanto, por força do seu próprio artigo 15 3 , deve ser aplicado supletiva e subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72 e à Lei nº 9.784/99, não considera fundamentada a decisão que não enfrenta todos os argumentos deduzidos que, em tese, são capazes de infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Veja-se: 2 Cf. Constituição Federal de 1998. Art. 5º (omissis). LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 3 Cf. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 15084DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 “Lei nº 13.105/2015 Seção II- Dos Elementos e dos Efeitos da Sentença Art. 489. São elementos essenciais da sentença: [...] § 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: [...] IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador.” De fato, a previsão legal em comento deixou uma brecha ao julgador ao prever que a exigência de enfrentamento se limita aos argumentos que, em tese, são aptos a infirmar o seu convencimento, de modo que o objetivo aí é afastar a exigência, por parte do julgador, de enfrentar os argumentos irrelevantes e/ou impertinentes ao objeto da lide, liberando-o da atividade valorativa inútil. Entretanto, a previsão não pode ser desvirtuada ao ponto de levá-lo a manter o sistema de fundamentação suficiente a partir da afirmação, padronizada, de que os demais argumentos suscitados pela(s) parte(s) não eram, ou não são, capazes de influenciar, nem mesmo em tese, o próprio resultado do julgamento tal qual decidido 4 . A premissa que deve ser fixada, aqui, é, portanto, no sentido de que o julgador estará dispensado de analisar cada um dos argumentos trazidos aos autos pelo(s) recorrente(s) (aspecto objetivo) desde que não sejam relevantes à decisão a ser proferida e, portanto, não sejam capazes de infirmar a conclusão tal qual adotada (aspecto subjetivo). Acrescente-se, ainda, que a jurisprudência do próprio Superior Tribunal de Justiça – STJ é uníssona no sentido de que o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos ou apreciar todos os dispositivos de lei invocados pelas partes quando, por outros meios que lhe sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia. Confira-se: ‘PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. REGULARIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. CONTROVÉRSIA DE MÉRITO DO RECURSO DEMANDA REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ. ENTENDIMENTO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO INTERNO. DECISÃO MANTIDA. I - Na origem, trata-se de execução fiscal ajuizada pela União (Fazenda Nacional) contra a sociedade empresária, objetivando a obtenção de créditos constantes em certidões de dívida ativa, conforme especificado na inicial (fl. 3). A executada opôs exceção de pré-executividade, acolhida na sentença para declarar a nulidade das certidões de dívida ativa e a consequente extinção da execução (fl. 190). No Tribunal a quo, deu-se provimento à apelação da União. O recurso especial foi inadmitido. II - No caso, não há que se falar em negativa de prestação jurisdicional. A parte recorrente aduziu que: "Embora o v. acórdão tenha considerado a inexistência de prova inequívoca capaz de desconstituir a presente cobrança, esse teve que se recorrer ao 4 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo Código de Processo Civil Comentado. 1. ed. Salvador: Editora JusPodvm, 2016. Não paginado. Fl. 15085DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 procedimento administrativo acostado aos autos em momento posterior à distribuição para conseguir identificar a origem e natureza do crédito ora exigido. Pois o título executivo que consubstancia o presente feito não menciona especificamente a disposição de lei em que se funda." (fl. 327). Ocorre que tais razões consistentes em alegada omissão visam apenas à rediscussão de matéria já decidida com fundamento suficiente quando do julgamento do mérito do recurso. III - Consoante a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos ou apreciar todos dispositivos de lei invocados pelas partes quando, por outros meios que lhe sirvam de convicção, tenha encontrado motivação suficiente para dirimir a controvérsia; devendo, assim, enfrentar as questões relevantes imprescindíveis à resolução do caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.575.315/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 10/6/2020; REsp 1.719.219/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/5/2018; AgInt no REsp n. 1.757.501/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 3/5/2019; AgInt no REsp n. 1.609.851/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, Dje 14/8/2018. IV - No mérito, o recurso especial não comporta seguimento. No caso, o Tribunal de origem decidiu a causa mediante fundamento suficiente de que não há razão para o acolhimento da nulidade do título. Fundamentou o acórdão recorrido no fato de que não foram demonstradas as alegadas nulidades da CDA, em especial por terem sido atendidos os requisitos legais, bem como diante do fato de que informações detalhadas não precisam constar da CDA, bastando a consulta ao processo administrativo. Assim, não cabe o conhecimento da pretensão recursal que implicaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos. Incidência do Enunciado Sumular n. 7/STJ. V - Ainda que fosse superado esse óbice, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, de que a Certidão de Dívida Ativa goza de presunção de certeza e liquidez, cujo ônus de ilidi-la é do contribuinte. Ademais, a juntada do processo administrativo, caso imprescindível à solução da controvérsia, especialmente para subsidiar as nulidades arguida, também é ônus do contribuinte. A propósito: EDcl no AgInt no AREsp 1.203.836/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 11/4/2018. VI - Ainda, não superado o óbice relativo à incidência da Súmula n. 7 do STJ, anote-se que, quanto ao dissídio jurisprudencial, a necessidade do reexame da matéria fática impede a admissão do recurso especial tanto pela alínea a quanto pela alínea c do permissivo constitucional. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.645.528/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 29/4/2021; AgInt no AREsp 1.696.430/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 29/4/2021; AgInt no REsp 1.846.451/RO, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 29/4/2021; AgInt no AREsp 1.587.157/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe 4/6/2020. VII - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 1.925.820/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 21/3/2022, DJe de 24/3/2022).” Nesta linha, conclua-se que a mera alegação genérica no sentido de que a DRJ não analisou os fundamentos aduzidos nas Impugnações não é, de per se, suficiente para decretar a nulidade da Decisão recorrida, principalmente quando não há um indicativo mínimo de quais foram os argumentos e fundamentos que não teriam sido analisados. Por estas razões, entendo por rejeitar as preliminares de nulidade da Decisão de primeiro grau por suposta ofensa ao artigo 31 do Decreto nº 70.235/72 e a nulidade quanto a ausência de análise de todas as matérias invocadas em sede de Impugnação e a ausência de fundamentação e motivação. Fl. 15086DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 2.3. Da Nulidade da Intimação: Intimação em endereço diverso e da Nulidade pela Ausência de intimação Pessoal Os Recorrentes suscitam, ainda, e em sede de preliminar, as nulidades relativas às intimações, pois a Receita Federal não teria providenciado a intimação pessoal prevista no artigo 23, inciso I do Decreto nº 70.235/72 e, além disso, teria incluído endereços diversos daqueles que foram indicados nas Impugnações. As respectivas alegações de nulidade podem ser assim sintetizadas: - Os Recorrentes apresentaram suas Impugnações indicando o seu endereço de domicílio em Curitiba-PR, sendo que a RFB insistiu em fazer a sua intimação em endereço diverso, somente tomando conhecimento em função do acompanhamento que fez do processo. - Logo, deve ser decretada a nulidade da intimação realizada em endereço diverso, reabrindo-se o prazo para apresentação de recurso, sob pena de nulidade. - A intimação por via postal é sucedânea à pessoal, ou seja, a regra é a intimação pessoal, tendo em vista que nesta há segurança da ciência do sujeito passivo. Somente sendo infrutífera a pessoal, se procede das demais formas. - Essa regra, inclusive, é repetida pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, em seu art. 10, I. - A intimação pessoal dos interessados, no procedimento administrativo, em obediência aos postulados do contraditório e da ampla defesa, é expressamente assegurada por meio idôneo que assegure a certeza da ciência. Ilegal, portanto, por conduta “ultra vires”, o ato do Fisco que determinou a intimação por correio em endereços diversos e de terceiras pessoas, que não comprovam a ciência inequívoca. - Desta forma, impõe-se reconhecer a nulidade da intimação por falta de observância legal, determinando a sua realização ou considerando efetivada quando da disponibilização do processo administrativo fiscal ao sujeito passivo. De início, destaque-se que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as intimações dos atos processuais são realizadas, usualmente, pessoalmente, por via postal com Aviso de Recebimento - AR ou por meio eletrônico. E, aí, considerando que não há ordem de preferência entre as modalidades ordinárias – pessoal, postal ou eletrônica –, o agente poderá optar por quaisquer delas e apenas quando restar improfícuo uma das modalidades ordinárias é que utilizará a modalidade editalícia, sendo que apenas a intimação por edital é que deve respeitar a ordem de preferência. Confira-se, portanto, o que dispõe o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 na parte que aqui nos interessa: Fl. 15087DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 “Decreto nº 70.235/72 Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005).” Ademais, não basta que os Recorrentes requeiram que as intimações sejam realizadas em endereços diversos daqueles constante dos sistemas cadastrais da Receita Federal, os quais, a rigor, devem ser mantidos atualizados. Aliás, veja-se que a obrigação que os contribuintes têm de informar às Fazendas públicas a realização de eventuais alterações cadastrais apresenta natureza acessória nos termos do que prescreve o artigo 113, § 2º do Código Tributário Nacional 5 . Em outras palavras, o dever legal do contribuinte em manter o seu endereço junto à Administração Tributária sempre atualizado consiste, pois, em obrigação acessória que, enquanto tal, decorre da “legislação tributária”, que, aliás, “compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”, nos termos do que estabelece o artigo 96 do Código Tributário Nacional. A propósito, destaque-se que o artigo 100 do Código Tributário Nacional acabou dispondo acerca das normas complementas, conforme se pode observar adiante: “Lei nº 5.172/66 SEÇÃO III - Normas Complementares Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 5 Cf. Lei n. 5.172/66. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 15088DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (grifei). À época da Intimação, encontrava-se vigente a Instrução Normativa RFB nº 1.548, de 13 de fevereiro de 2015 que dispunha expressamente acerca dos meios para atualização do endereço cadastrado. Confira-se: “Instrução Normativa RFB nº 1.548/2015 CAPÍTULO III - DA ALTERAÇÃO DE DADOS CADASTRAIS Art. 8º A alteração no CPF será solicitada conforme estabelecido nos Anexos III ou IV desta Instrução Normativa. § 1ºA alteração do endereço poderá ser efetivada por intermédio: I - da DIRPF; II - do Portal e-Cac no sítio da RFB na Internet; III - de solicitação nas entidades relacionadas nos incisos I a VI do caput do art. 24; IV - do formulário “Ficha Cadastral de Pessoa Física”, disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, para residentes no exterior; ou IV - do formulário “Ficha Cadastral de Pessoa Física”, disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://rfb.gov.br, no caso de residentes no exterior, que deverão apresentá-lo em uma representação diplomática brasileira; ou V - das unidades da RFB, no caso de alteração de endereço para o exterior. § 2º Fica dispensada a apresentação de documentos que comprovem a alteração de endereço. Ademais, constata-se que, no caso, não houve qualquer prejuízo aos Recorrentes que, a rigor, compareceram espontaneamente e apresentaram seus respectivos Recursos Voluntários, sendo que, se, a título argumentativo, tivesse ocorrido algum vício quanto às respectivas intimações, tal vício foi plenamente suprimido, nos termos do artigo 289, § 1º da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 6 , o qual deve ser aplicado de forma supletiva e subsidiária ao processo administrativo fiscal. 6 Cf. Lei n. 13.105/15. Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução.” Fl. 15089DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 A rigor, note-se que a jurisprudência deste Tribunal Administrativo vem entendendo que a ausência de intimação válida se trata de vício sanável com o comparecimento espontâneo do contribuinte: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 FALTA DE INTIMAÇÃO - VÍCIO SANÁVEL POR COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO CONTRIBUINTE. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA NÃO PREJUDICADOS. Tendo sido intimado o contribuinte em endereço que não era o seu mas protocolizada e conhecida a manifestação de conformidade, não há qualquer nulidade pois não demonstrado qualquer prejuízo ao contribuinte. (Processo n. 10120.728985/2013-51. Acórdão n. 1401-002.687. Conselheira Relatora Letícia Domingues Costa Braga. Sessão de 14.06.2018. Data da publicação em 31.08.2018).” Portanto, tem-se que, por qualquer ângulo que a questão seja visualizada, as preliminares de nulidade quanto às intimações tais quais formuladas devem ser rejeitadas. Com efeito, entendo por rejeitar as preliminares de nulidade de intimação - intimação em endereço diverso e a nulidade pela ausência de intimação pessoal. 2.4. Da nulidade em razão da inexistência de garantia do Contraditório e Ampla Defesa e da alegação da garantia do devido Processo Legal Em sede preliminar, os Recorrentes sustentam, ainda, que não tiveram acesso aos Autos de infração e aos demais documentos juntados aos autos antes do final do prazo para apresentar suas respectivas Impugnações. Neste sentido, suas alegações podem ser sintetizadas nas seguintes questões: - No caso presente, a parte Impugnante foi incluída em auto de infração, através de um "termo de sujeição passiva tributária", sem qualquer fundamentação e sem se fazer acompanhar dos elementos de convicção para tal desiderato praticado pelo auditor fiscal. - Frise-se: não foram disponibilizados para os Recorrentes os documentos que o Auditor fiscal se valeu para imputar-lhes o cometimento de qualquer infração fiscal, deixando-os à margem do processo e, depois, responsabilizando-os tal qual o sujeito passivo, que é uma pessoa jurídica dotada de personalidade própria e distinta das pessoas físicas que sequer compõem o quadro societário da empresa - Embora tenha a Impugnante procurado saber os motivos da imputação, comparecendo à Unidade da Receita Federal do Brasil onde possui domicílio fiscal, não lhe foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo, o qual, repita-se, deveria ter acompanhado a imputação. Fl. 15090DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 - Evidente o cerceamento de defesa, na medida em que tiveram que se defender sem ter acesso aos autos e, embora tenham diligenciado neste sentido na DRF do seu domicílio fiscal, não obtiveram êxito em consulta o conteúdo integral e nem obterem cópias antes do prazo de Impugnação, o que acabou causando a nulidade insanável ante a inobservância do devido processo legal. Pois bem. Registre-se, de plano, que o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 prescreve duas hipóteses de nulidade dos atos jurídicos administrativos. Confira-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Observe-se que o artigo 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72 cuida da nulidade decorrente do cerceamento do direito de defesa, que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é garantido pela Constituição Federal. Nas palavras de Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka 7 , “[A nulidade no processo administrativo fiscal] Só deve ser reconhecida excepcionalmente, quando verificada: a) incompetência do servidor que lavrou praticou o ato, lavrou termo ou proferiu o despacho ou decisão; ou b) violação ao direito de defesa do contribuinte em face de qualquer outra causa, como vício na motivação dos atos (ausência ou equívoco na fundamentação legal do auto de infração), indeferimento de prova pertinente e necessária ao esclarecimento dos fatos, falta de apreciação de argumento de defesa do contribuinte.” Fixadas essas premissas, note-se que todas as informações necessárias para a boa compreensão das razões fáticas e jurídicas relativas às exigências tributárias aqui discutidas restaram expostas, de forma clara, no Relatório da Atividade Fiscal (fls. 13.797/14.160 e 14.171/14.371) e nos Autos de Infração os quais, a rigor, foram devida e regularmente encaminhados aos responsáveis quando da realização das respectivas intimações, cujas informações, inclusive, foram confirmadas pelos próprios Recorrentes, conforme se verifica dos trechos abaixo reproduzidos: “No caso presente, a parte Recorrente foi incluída em auto de infração, através de um "termo de sujeição passiva tributária", sem qualquer fundamentação e sem se fazer acompanhar dos elementos de convicção para tal desiderato praticado pelo auditor fiscal. Juntamente, veio em anexo uma copia de um "compact disc" ou CD contendo relatório elaborado pela zelosa fiscalização, fazendo uma série de referência à documentos 7 PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder. Direito processual tributário: Processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 8. ed. rev. e atual. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2014, Não paginado. Fl. 15091DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 apreendidos em residências de terceiras pessoas, sobre os quais não foi dado à conhecer ao Recorrente.” (grifei). Ora, resta claro que os documentos em questão foram devida e regularmente entregues aos interessados. Por essas razões, entendo por rejeitar a preliminar de nulidade em razão da inexistência de garantia do contraditório e ampla defesa. Ademais, e no que diz respeito ao pedido de eventual conversão do julgamento em diligência, frise-se que a atuação de ofício por parte da Autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo a complementação ou a obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelos sujeitos passivos, de modo que, mesmo em observância ao Princípio da Verdade Material, a Autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo. A realização de diligência pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes ou, ainda, que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Ou seja, a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Em outras palavras, por se tratar de prova especial subordinada a requisitos específicos, a diligência só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento, de modo que o pedido de diligência, quando se resume ou versa apenas acerca de argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do Julgador, mostra-se desnecessário à solução da controvérsia. Desse modo, estando presentes nos autos os documentos e elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por se tratar de medida prescindível, o pedido de realização de diligência. Aliás, note-se que essa linha de entendimento encontra amparo nos precedentes desta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, conforme se verifica da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2014 [...] PEDIDO ALTERNATIVO DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JULGADOR. Cabe ao contribuinte colacionar aos autos todas as provas e documentos que no seu entendimento possam comprovar a veracidade de suas alegações. A atuação de ofício por parte da autoridade julgadora ao determinar a realização de diligências que entender necessárias tem por escopo a complementação ou obtenção de esclarecimentos sobre as provas que já foram trazidas aos autos pelo próprio sujeito passivo, de modo que, mesmo em observância ao princípio da verdade material, a autoridade julgadora não pode substituir os sujeitos da relação e invocar para si a responsabilidade no que diz com a produção probatória em favor do sujeito passivo quanto ao direito creditório que alega possuir. Ademais, o processo encontra-se suficientemente instruído de provas necessárias ao julgamento. Fl. 15092DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 (Processo nº 10980.910271/2015-27. Acórdão nº 1302-006.465. Sessão de 20/06/2023).” Com base em tais fundamentos, entendo por rejeitar o pedido de realização de diligência por entender que se trata de procedimento desnecessário para a resolução da lide. 2.5. Da nulidade do julgamento proferido por Autoridade incompetente e da nulidade em razão da ilegitimidade do Auditor fiscal Os Recorrentes alegam, ainda, a nulidade do Auto de Infração, pois, segundo eles, o Auditor fiscal teria, supostamente, ultrapassado sua competência ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e ter atribuído a responsabilidade a terceiros. Além disso, sustenta-se que, no caso, o julgamento foi proferido por Autoridade incompetente, haja vista que foi proferido por Auditor fiscal da RFB quando, na verdade, deveria ter sido realizado por Delegado da Receita Federal. As alegações postas nesse tópico podem ser assim sintetizadas: - No caso presente, o julgamento foi proferido por Autoridade incompetente, consistente no auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, quando deveria ter sido realizado por Delegado da Receita Federal; - É o que dispõe o Decreto nº 70.235/72, em seu art. 25, letra “a”, competindo o julgamento em primeiro instância “a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. - Assim, o ato de julgamento – via intimação – promovido pela autoridade fazendária é plenamente nulo, pela própria disposição do citado decreto, por força do disposto no art. 59, I. - O Auditor Fiscal extrapolou os limites de sua competência funcional, previstas na Lei 10.593/2002, ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir responsabilidade objetiva e solidária à Impugnante, sem indicar concretamente os motivos, notadamente porque a Impugnante não é sócia da pessoa jurídica autuada, tampouco exercendo qualquer função dentro dela ou estando relacionado ao fato gerador do tributo ora constituído. - Com efeito, imiscuiu-se o Auditor Fiscal sobre a vida privada da Impugnante, terceira completamente estranha ao quadro societário da empresa e que não exerce função ou ocupa cargo de gerência na empresa. - O Fiscal não tem legitimidade para impor a outrem, terceiros como a Impugnante, a responsabilidade objetiva sem qualquer fundamento, por meras presunções e pautado em provas sem valor, produzidas à margem do devido processo legal. De plano, afirma-se que os Recorrentes não têm razão. Fl. 15093DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 Isto porque, nos termos do artigo 6º, inciso I, alínea “a” da Lei nº 10.593/2002, o Auditor Fiscal é competente para, dentre outros, constituir o crédito tributário mediante o lançamento. In verbis: “Lei nº 1.593, de 06 de dezembro de 2002 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo-fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II - em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1º O Poder Executivo poderá cometer o exercício de atividades abrangidas pelo inciso II do caput deste artigo em caráter privativo ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. § 2º Incumbe ao Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil, resguardadas as atribuições privativas referidas no inciso I do caput e no § 1o deste artigo: I - exercer atividades de natureza técnica, acessórias ou preparatórias ao exercício das atribuições privativas dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil; II - atuar no exame de matérias e processos administrativos, ressalvado o disposto na alínea b do inciso I do caput deste artigo; III - exercer, em caráter geral e concorrente, as demais atividades inerentes às competências da Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Além disso, note-se que o artigo 142 do Código Tributário Nacional cuidou de dispor sobre o instituto do lançamento 8 o qual, a rigor, e enquanto ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório, deve ser formalizado com observância a todos os requisitos ali previstos. Assim, a determinação do sujeito passivo enquadra-se dentro da competência do Auditor Fiscal que, portanto, deverá eleger, de forma obrigatória e vinculada à Lei, os contribuintes e os eventuais responsáveis, nos termos do que estabelece o próprio artigo 142 8 De acordo com o artigo 146, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal, o instituto do lançamento é matéria que deve ser tratada tão-somente por Lei Complementar, porquanto, nos dizeres da Constituição, trata-se de norma geral em matéria de legislação tributária. Fl. 15094DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 CTN que, aqui, deve ser interpretado com vistas ao artigo 121 do CTN, que dispõe que o sujeito passivo são apenas o contribuinte e o responsável 9 . Da mesma forma, também não assiste razão aos Recorrentes quanto à alegação de que a Autoridade julgadora de 1ª instância seria incompetente. Ora, verifica-se da mesma Lei nº 10.593/2002 que, na estrutura da Receita Federal, existe o cargo de Delegado, mas, na verdade, o julgamento é realizados pelos respectivos Auditores Fiscais, conforme se extrai do artigo 331 da Portaria ME nº 284/2020. É ver-se: “Portaria ME nº 284, de 27 de julho de 2020 Art. 331. Às Turmas de Julgamento, composta por Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil com mandato, compete conhecer e julgar impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais, de acordo com sua competência por matéria.” Com base em tais fundamentos, entendo por rejeitar a alegação de nulidade relativa a incompetência da Autoridade julgadora de 1ª instância. 2.6. Da nulidade por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal Os Recorrentes alegam, em síntese, que, em momento algum, foram cientificados da existência do processo de fiscalização que estava em andamento, sendo que, de acordo com o artigo 33 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, qualquer procedimento de apuração de créditos tributários impõe a necessidade de cientificação prévia do sujeito passivo e, inclusive, quanto a sua prorrogação. Além do mais, os Recorrentes sustentam que, nos termos do artigo 7º, inciso II da Portaria RFB nº 3.014/2011, o MPF conterá os dados identificadores do sujeito passivo, porém a Autoridade fiscal não cientificou as pessoas físicas de que estavam sob procedimento de fiscalização, bem assim que, em ofensa ao artigo 196 do CTN, não houve a lavratura do Termo de início de procedimento em nome dos Recorrentes, sem contar, ainda, que o artigo 4º da referida Portaria RFB nº 3.014/2011 determina, de forma expressa, a necessidade de emissão do MPF e a sua ciência por parte do sujeito passivo. Por fim, os Recorrentes defendem que, no caso, o MPF não foi instaurado e expedido contra si e não tiveram conhecimento a respeito do mesmo e que, portanto, tal situação acabou cerceando o direito de defesa. Pois bem. Reconheça-se, de início, que, a partir da edição da Portaria SRF nº 1.265/1999, a expedição de uma ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF tornou-se indispensável em ralação à instauração de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 9 Cf. Lei n 5.172/1966. Art. 121. (omissis). Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 15095DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 O MPF é, basicamente, o documento por meio do qual autoriza a autoridade fiscal a realizar um procedimento de fiscalização e/ou diligência que pode resultar na constituição do crédito tributário e, portanto, apresenta dois principais objetivos:. (i) servir de controle administrativo sobre as ações fiscais; e (ii) conceder ao contribuinte a garantia de que está sendo fiscalizado por autoridade autorizada, sem contar, que, num segundo plano, o MPF também teve por objetivo de informar o escopo da fiscalização. Em síntese, afirma-se que o MPF ou o TDPF tem a função de delimitar as verificações a serem exercidas pelo auditor durante o procedimento de fiscalização, que não necessitam ser exercidas de imediato pelo auditor designado. Não é de hoje que os efeitos sobre o lançamento fiscal decorrentes de irregularidades no MPF ou no TDPF têm provocado acaloradas discussões tanto por parte da jurisprudência, quanto por parte da própria doutrina. A doutrina tem sustentado que, uma vez que os lançamentos devem ser lavrados em decorrência de procedimentos inaugurados pelo MPF ou TDPF, a inobservância aos respectivos requisitos procedimentais acaba ensejando a invalidade do próprio lançamento. O fato é que não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de MPF instaurado contra os Recorrentes. É que, em primeiro lugar, a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do MPF nº 03.2.01.00-2013-00156-8, conforme se verifica da informação constante do Termo de início de ação fiscal de fls. 13.785/13.786, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 25/09/2013 através do Edital de fls.13.790. Em segundo lugar, veja-se que o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, que, como visto, é um instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento e, quando muito, caracterizaria infração disciplinar da Autoridade Fiscal. O artigo 9º, parágrafo único da Portaria RFB nº 11.371/2007, vigente à época dos fatos aqui discutidos, dispunha o seguinte: “Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007 Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.” Nesse contexto, destaque-se, ainda, que este Tribunal Administrativo também foi palco de debates dos mais técnicos sobre os efeitos que as supostas irregularidades do MPF ou TDPF poderiam provocar no lançamento tributário, sendo que, de uns anos para cá, a jurisprudência passou a sustentar, de forma uníssona, o entendimento de que o MPF ou TDPF consiste em mero instrumento de controle da Administração Tributária e, portanto, eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não legitimam a anulação do lançamento. Veja- se: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 Fl. 15096DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF consiste em mero instrumento de controle da Administração Tributária. Eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não legitimam a anulação do lançamento. [...] (Processo nº 13888.001268/2007-57. Acórdão nº 2002-005.135. Sessão de 20/05/2020. Acórdão publicado em 05/06/20200. *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária e irregularidades em sua emissão, alteração ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento, bem como não acarreta nulidade do lançamento a ciência do auto de infração após o prazo de validade do MPF. [...] (Processo nº 15586.001793/2008-83. Acórdão nº 2402-009.409. Sessão de 15/01/2021. Acórdão publicado em 08/02/2021).” E tanto é que, em sessão do Pleno realizada em 06/08/2021, este Tribunal acabou editando a Súmula Vinculante nº 171, vigente a partir de 16/08/2021, cuja redação segue reproduzida abaixo: “Súmula CARF nº 171 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021).” Com efeito, não assiste razão aos Recorrentes quanto a tese de que a falta de intimação do MPF ensejaria o suposto vício formal no ato de lançamento. Por essas razões, entendo por rejeitar a preliminar de nulidade por ausência de MPF relativo aos Recorrentes. 2.7. Da nulidade da autuação por falta de motivação e fundamentação Ainda em sede de alegações preliminares, os Recorrentes defendem que, nos termos do artigo 11, inciso III do Decreto nº 70.235/72, os atos devem conter obrigatoriamente a disposição legal infringida, sendo que, no caso a Autoridade não tipificou a disposição legal a exigência dos tributos e multas, o que acarreta a nulidade do Auto de Infração. As alegações de nulidade do Auto de infração por falta de motivação e fundamentação podem ser sintetizadas a partir dos seguintes fragmentos: Fl. 15097DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 - A autoridade fazendária tipificou as exigências em dispositivos genéricos, não especificando em seu relatório ao final quais artigos embasam a motivação da lavratura do auto de infração, especialmente quando impõe a responsabilidade objetiva à Impugnante. - O auto de infração deve conter perfeitamente os dispositivos legalmente infringidos, como forma de, identificar qual a sujeição do contribuinte dentro do ordenamento tributário vigente, de acordo com a motivação apresentada pelo Fiscal. - No presente caso, ao fundamentar nos artigos que cita, o Fiscal demonstrou apenas a forma pelo qual deverá ser calculado o imposto, jamais, a exigência, por suposta infração cometida pela parte Recorrente. - Os atos e processos administrativos, na esfera tributária, estão regulamentados pelo Decreto nº 70.235, de 06/03/1972 que, em seu artigo 11, dispõe que a notificação do lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente, dentre outros, a disposição legal infringida, se for o caso. - A Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1996, recepcionada pela Carta Magna dispõe em seu artigo 142 que “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” De início, é importante consignar que a motivação do lançamento tem a ver com a capitulação da matéria tributável, de modo que, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, veja-se que o lançamento é o procedimento administrativo por meio do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determina-se a matéria tributável, calcula-se o montante devido, identifica-se o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplica-se a penalidade cabível. Veja- se: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” O documento que o formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos esses requisitos, fazendo-se necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente, de modo que o sujeito passivo possa compreender, com Fl. 15098DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 perfeição, as causas de fato e de direito que ensejaram a confecção do procedimento 10 , de acordo com o que preceituam os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. In verbis: “Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” (grifei). A rigor, note-se que o motivo e a motivação do ato de lançamento são duas realidades que não se confundem. Enquanto o motivo é o fato que serve de suporte para a prática do ato, a motivação, por sua vez, é a exposição desse motivo, o que é feito por meio da indicação (i) da norma na qual está previsto, abstratamente, o motivo para a prática do ato, autorizando, pois, a sua produção, (ii) do evento concreto que preenche as características descritas na hipótese da regra abstrata, motivando a prática do ato concretamente e (iii) das provas que demonstram a ocorrência desse evento 11 . É nesse sentido que Eurico Marcos Diniz de Santi 12 sustenta ao asseverar que “(...) não é o motivo do ato sozinho o fato jurídico criador do ato-norma administrativo, nem é o motivo do ato o suposto normativo do ato-norma. O motivo do ato é pressuposto fático e por tratar-se de fato não pode compor estrutura normativa proposicional. O que ingressa na estrutura normativa do ato-norma é a sua descrição: a enunciação linguística do motivo do ato. Ou seja, é a motivação que integra a estrutura normativa do ato-norma como seu antecedente normativo, em nexo de causalidade jurídica (imputação) com seu consequente normativo: a relação jurídica intranormativa. A motivação é o antecedente suficiente do consequente do ato-norma administrativo. Funciona como descritor do motivo do ato que é fato jurídico. Implica declarar, além do 10 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 16. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, Não paginado. 11 FIGUEIREDO, Marina Vieira. Lançamento Tributário: Revisão e seus efeitos. São Paulo: Noeses, 2014, p. 212. 12 SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Lançamento tributário. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 83-84. Fl. 15099DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 (i) motivo do ato [fato jurídico], o (ii) fundamento legal (motivo legal) que o torna fato jurídico, bem como, especialmente nos atos discricionários, (iii) as circunstâncias objetivas e subjetivas que permitam a subsunção do motivo do ato ao motivo legal.” A Teoria da Motivação Determinante confirma a tese de que a motivação do ato administrativo – é aqui que se enquadra o lançamento tributário – é elemento essencial do ato- norma administrativo, de modo que se a motivação é adequada à realidade do fato e do direito o ato norma será válido, sendo que, do contrário, se faltar a motivação, ou esta for falsa, isto é, não corresponder à realidade do motivo do ato ou dela não decorrer nexo de causalidade jurídica com a prescrição do ato-norma (conteúdo), então, por ausência de antecedente normativo, o ato- norma é invalidável 13 . No caso concreto, e diferentemente do que os Recorrentes sustentam, a descrição dos fatos e as disposições legais infringidas foram expostas de forma clara, conforme se verifica das Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constantes dos respectivos Autos de Infração (fls. 14.375 e 14.391/14.392) e do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 13.797/14.160 e 14.171/14.371), não havendo se falar, portanto, em qual qualquer nulidade por falta de motivação e fundamentação do Auto. É que, no caso, a Autoridade fiscal cumpriu à risca o seu dever de formalizar o lançamento ora em discussão à luz dos artigos 142 do CTN, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. Por essas razões, entendo por rejeitar a nulidade da autuação por falta de motivação e fundamentação. 2.8. Da nulidade ante a ilicitude das provas utilizadas e do pedido de suspensão do Processo Administrativo Os Recorrentes alegam, de plano, que as provas utilizadas pela Autoridade fiscal são ilícitas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por Autoridade incompetente. As alegações quanto a ilicitude das provas podem ser assim sintetizadas: - Conforme o parágrafo único do artigo 24 do Decreto nº 7.574/2011, não podem ser utilizadas as provas obtidas por meios ilícitos; no entanto, as provas utilizadas no presente processo administrativo, decorrente de mandados de busca e apreensão expedidos e cumpridos pela autoridade policial federal, são ilícitas, tendo em vista que determinada por autoridade judicial incompetente para análise da matéria. - Ora, o inquérito policial teve origem em compartilhamento de dados entre o COAF, Receita Federal e o Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. Além disso, o juízo que decretou a busca e apreensão, no momento em que houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados eram crimes antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito. 13 SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Lançamento Tributário. 3. Ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 84. Fl. 15100DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 - Portanto, todas as provas utilizadas por não respeitarem o princípio do e: juiz natural e por terem origem em mandado expedido por juiz incompetente, já que não havia crime antecedente à lavagem de dinheiro, importa em nulidade do presente processo administrativo fiscal. - Por outro lado, ainda que fossem emanadas de juiz competente, no caso, houve extrapolação dos limites da ordem contida no mandado de busca e apreensão. Ora, basicamente, o auditor baseou-se em elementos de provas colhidas em computadores particulares de terceiros, para os quais não foi expedido mandados de busca e apreensão específicos. - Os dados pessoais utilizados de terceiros, para os quais não houve ordem de busca e apreensão, especialmente porque não autorizada a quebra de sigilos de mensagens eletrônicas como e-mails e arquivos digitais especificamente para estas pessoas, importa em extrapolamento da ordem, ocasionando a nulidade das provas. Já as alegações quanto a necessidade de suspensão do Processo Administrativo Fiscal podem ser sintetizadas a partir dos seguintes fragmentos: - Antes de entrar no mérito da questão, há necessidade desse processo administrativo fiscal aguardar o julgamento pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL sobre a quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, realizada no caso pelo auditor fiscal sem qualquer justificação ou fundamentação, em vista de que a Lei Complementar 105 é objeto de 5 (cinco) Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIN), sendo duas do Partido Social Liberal (PSL) sob os ns. 2389-6 e 2390-0, duas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sob os ns. 2406-0 e 2397-7 e, uma da Confederação Nacional do Comércio (CNC) sob n.o 2386-1, que hoje encontram-se todas apensadas a ADI 2390, tendo como Relator o Min. DIAS TOFFOLI, ainda pendente de julgamento naquela Corte. - Embora o Decreto 70.235/72 -regulador do processo administrativo fiscal- seja omisso quanto aos casos de suspensão do procedimento, há a aplicação do Código de Processo Civil subsidiariamente. As normas do processo administrativo fiscal não contêm qualquer dispositivo que regule a natureza, suspensão, formação, requisitos ou valor relativo de apreciação de provas, razão porque, recorre-se ao Código de Processo Civil para suprir as lacunas da legislação específica. Ademais, convém seja dito, todos esses procedimentos não são exclusividades regimentais do contencioso administrativo-fiscal da União. São inspirações emanadas do Código de Processo Civil. Logo, encontra-se aplicação o disposto no código de processo civil (...). Registre-se, inicialmente, que o ordenamento jurídico brasileiro estipula limites à obtenção da prova em razão da proteção aos direitos personalíssimos e aos direitos fundamentais. O artigo 5º, inciso LVI da Constituição Federal estipula que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. As provas ilícitas não se revestem de eficácia Fl. 15101DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 jurídica e, por isso mesmo, não podem ser admitidas como suportes de juízos acusatórios ou condenatórios. A rigor, registre-se que a prova é considerada ilícita quando, tendo sido obtida mediante infração às garantias individuais e legais, caracterizar, no final, violação às normas legais ou aos princípios, de natureza processual ou material. Aliás, é de se reconhecer que a prova pode ser ilícita em relação ao momento em que é formada – diz-se aí que a ilicitude é material – ou quando decorre da forma ilegítima pela qual ela é produzida – aqui a ilicitude é de ordem formal. É nesse sentido que Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López 14 sustentam: “A prova pode ser ilícita em sentido material e formal. A ilicitude material diz respeito ao momento formativo da prova. A conduta utilizada para obtenção da prova não é admitida pela ordem jurídica, seja porque contraria norma civil, penal ou, sobretudo, princípios constitucionais. São desrespeitadas regras não apenas de processo, mas as relacionadas a direitos fundamentais (v.g., invasão de domicílio, violação de sigilo, subtração de documentos, escuta clandestina, constrangimento físico ou moral para obtenção de confissões etc.). Há ilicitude formal quando a prova decorre da forma ilegítima pela qual ela se produz, muito embora sua origem seja lícita. Se a questão for ligada à lógica e à finalidade do processo, a proibição terá natureza processual e vem estabelecida por norma processual que considera a prova ilegitimamente produzida (exemplos: art. 406 do CPC e arts. 206 e 207 do CPP).” Segundo Ada Pellegrini Grinover 15 , a produção e a formação da prova subordinam-se às seguintes restrições de conduta: “a) proibição de utilização de fatos que não tenham sido previamente introduzidos pelo juiz no processo e submetidos a debate das partes; b) proibição de utilizar provas formadas fora do processo ou, de qualquer modo, colhidas na ausência das partes; c) obrigação do juiz, quando determine a produção de provas ‘ex-officio’, de submetê-las ao contraditório das partes, as quais devem participar de sua produção e poder de oferecer contraprova. A introdução da prova no processo sem obediência a estas restrições, originadas nos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, irá dar ensejo ao surgimento de vícios formais. Nesse contexto, confira-se que o artigo 197, inciso II do Código Tributário Nacional dispõe que, mediante intimação escrita, os bancos, as casas bancárias e demais instituições financeiras são obrigadas a prestar à autoridade administrativa todas as informações que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros. Veja-se: “Lei nº 5.172/66 Título IV - Administração Tributária Capítulo I – Fiscalização 14 NEDER, Marcos Vinícius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (de acordo com a Lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF). 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, Não paginado. 15 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Prova Emprestada”, Constituição Federal, 15 Anos - Mutação e Evolução: Comentários e Perspectivas. São Paulo: Método, 2003, p. 108 Fl. 15102DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras.” E, aí, veja-se que, a partir do advento da Lei Complementar n° 105 de 10 de janeiro de 2001, o sigilo bancário foi, por assim dizer, flexibilizado. O artigo 1º, § 3º da referida Lei é claro ao estabelecer que não constitui violação do sigilo a que estão obrigadas as instituições financeiras, entre outras hipóteses, a prestação de informações nos termos e condições que estabelece. Confira-se: “Lei Complementar n° 105/2001 Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. Art. 1 o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3 o Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2 o , 3 o , 4 o , 5 o , 6 o , 7 o e 9 desta Lei Complementar.” As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios passaram a poder examinar documentos, livros, registros de instituições financeiras quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e desde que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente no que diz com o deslinde do respectivo processo ou procedimento fiscal em curso. É o que dispõe o artigo 6º da referida Lei nº 105/2001, cuja redação segue transcrita abaixo: “Lei Complementar n° 105/2001 Art. 6 o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento) Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” A partir de então, foi editada a Lei n° 10.174/2001 que, por sua vez, alterou o artigo 11, § 3º da Lei nº 9.311/1996 o qual passou a dispor sobre a faculdade da Secretaria da Receita Federal utilizar-se das informações prestadas pelas instituições responsáveis pela retenção da CPMF para fins de instaurar procedimentos administrativos tendentes a verificar a Fl. 15103DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Confira-se: “Lei n° 9.311/1996 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação.(Vide Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) [...] § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto noart. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores.(Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001).” O simples repasse de informações por parte das instituições financeiras às autoridades tributárias não configura a quebra do sigilo, mas, ao revés, configura, isso sim, a transferência de responsabilidade à autoridade administrativa solicitante e aos respectivos agentes fiscais, restando-se observar, pois, que o acesso a tais informações por parte das autoridades administrativas permanecerá restrito ao exercício das respectivas funções, ressalvadas as disposições contidas nos artigos 198 e 199 do Código Tributário Nacional. A título de informação complementar, verifique-se que, em 24/02/2016, o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário n° 601.314/SP e acabou fixando as teses de que (i) o artigo 6º da Lei Complementar n° 105/2001 não viola o direito fundamental ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos por meio do princípio da capacidade contributiva e estabelece os requisitos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal, bem como no sentido de que (ii) a Lei n° 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma nos termos do artigo 144, § 1º do Código Tributário Nacional. Ao final, o referido leading case representativo do Tema 225 restou ementado nos seguintes termos: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias Fl. 15104DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (grifei). No caso, extrai-se do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 13.797/14.160 e 14.171/14.371) os seguintes excertos: “16. O presente relatório utiliza-se de elementos coligidos nos processos administrativo fiscais de nºs 11020.723699/2012-18 e 15586.720329/2011-95, bem como no Inquérito Policial nº 256/2008-DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita na Delegacia de Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontra-se distribuído no Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, sob nº 2008.70.00.009427-5/PR. 17. No âmbito do mencionado inquérito policial foram providenciados dois Pedidos de Quebra de Sigilo de Dados e/ou Telefônico nºs 5011377-60.2012.404.7000/PR e 5034633-32.2012.404.7000/PR, em cujas decisões, datadas de 18/05/2012 e 14/09/2012, ambas favoráveis à quebra do sigilo telefônico, o R. Juízo fez constar que todos os dados e informações obtidos nos autos do inquérito 256/2008-DPF/MGA/PR fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil (RFB) (decisões às fls 634 a 637; e 644 a 646, respectivamente). 18. Destaque-se ainda que junto ao Pedido de Quebra de Sigilo de Dados e/ou Telefônico nºs 5034633-32.2012.404.7000/PR, o juízo determinou, em decisão do dia 23/08/2012, a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE (decisão às fls 638 a 643), dentre os quais os integrantes da FAMÍLIA TOLARDO. 19. Em cumprimento às decisões judiciais supra mencionadas, por intermédio do ofício nº 030/2012-UIP/dpf/mga/PR, de 17/09/2012, a Polícia Federal franqueou o acesso da Fl. 15105DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 RFB aos dados até então coletados nas investigações constantes do mencionado inquérito (fls 9.221 a 9.222). 20. As investigações procedidas pela Polícia Federal, juntamente com a Receita Federal do Brasil, culminaram na deflagração da denominada “Operação Laranja Mecânica”, realizada em 17 de outubro de 2012, com o cumprimento de diversos MBAs (Mandados de Busca e Apreensão). 21. Todo o material arrecadado na denominada “Operação Laranja Mecânica” foi disponibilizado à RFB por meio do ofício nº 032/2012-UIP/DPF/MGA/PR, de 18/10/2012 (fl 9.223).” No caso concreto, veja-se que todo o material coletado nas investigações procedidas pela Polícia Federal, juntamente com a Receita Federal do Brasil, que culminaram na deflagração da denominada “Operação Laranja Mecânica” foi disponibilizado à RFB por meio do ofício nº 032/2012-UIP/DPF/MGA/PR. Além do mais, registre-se que, por mais que existam provas constituídas no âmbito penal que gravitem em torno dos Recorrentes e possam apontar para a prática delituosa a qual transcende do âmbito criminal para o campo tributário, é preciso que, ainda assim, a Autoridade fiscal comprove a ocorrência do fato gerador nos termos do artigo 142 do CTN e que o Auto esteja instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, de acordo com o que determina o artigo 9º, caput do Decreto nº 70.235/72. E foi exatamente isso que ocorreu no caso concreto. Esse entendimento encontra amparo na própria jurisprudência deste Conselho Administrativo, conforme se observa da ementa reproduzida abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012, 2013 GLOSA DE DESPESAS. PROVA. DEPOIMENTOS. NEXO PROBATÓRIO. LIAME. INOCORRÊNCIA. No processo tributário, salvo as hipóteses presuntivas previstas em lei, incube ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador; o auto de infração deve estar instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, nos termos do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1982 (PAF). Na mesma linha, segundo o art. 373 da Lei 13.105, de 2015 (CPC), o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Por mais que existam indícios que gravitem em torno dos envolvidos é preciso um nexo probatório, um liame, que os conecte à prática do ilícito para fins de glosa de despesa. Em se tratando de hipótese diversa de presunção, não basta a fiscalização deduzir a existência da irregularidade é necessário prová-la no caso concreto. (Processo nº 13855.720980/2017-16. Acórdão nº 1201-005.136. Conselheiro Relator Efigênio de Freitas Júnior. Sessão de 20/08/2021. Acórdão publicado em 05/09/2021).” As esferas criminal e administrativo-fiscal são, via de regra, instâncias independentes e autônomas entre si, sendo que, em determinados casos em que as situações fáticas são idênticas, as provas são compartilhadas e transportadas da esfera penal para o âmbito do processo administrativo fiscal. Mas apenas nas hipóteses em que, no âmbito penal, sobrevier decisão judicial, com trânsito em julgado, considerando a ilicitude da produção das provas ou a Fl. 15106DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 irregularidade do seu transporte de um processo para o outro para fins de instrução do processo tributário é que essa decisão repercutirá, inevitavelmente, no processo administrativo fiscal, já que a vedação de utilização de provas ilícitas atinge todo e qualquer processo no direito brasileiro. É nesse sentido que este tribunal tem sustentado, conforme se verifica da ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2008, 2009 PROVAS EMPRESTADAS. DECISÃO JUDICIAL SUPERVENIENTE. ILICITUDE DAS PROVAS. PROVAS REMANESCENTES REVESTIDAS DE LICITUDE. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO ORIGINAL. AUTO DE INFRAÇÃO INSUBSISTENTE. A decisão judicial superveniente que reconhece a ilicitude da prova emprestada, em decorrência da forma como produzida, resulta na eliminação do respectivo conjunto probatório transportado ao processo administrativo tributário. Na hipótese dos autos, uma vez expurgadas as provas ilícitas, a imputação fiscal com fundamento na base probatória remanescente revestida de licitude implicaria um lançamento de ofício com alteração da motivação original, o que não é admissível em sede do contencioso administrativo. Cabe tornar insubsistente o auto de infração quando a motivação adotada para o lançamento do crédito tributário está vinculada, direta ou indiretamente, às provas emprestadas colhidas na esfera criminal, posteriormente reputadas ilícitas. (Processo nº 10580.731723/2012-76. Acórdão nº 2401-007.102. Conselheiro Relator Cleberson Alex Firess. Sessão de 05/11/2019. Acórdão publicado em 06/01/2020).” Toda essa linha de raciocínio bem demonstra que não há, no caso, qualquer violação às garantias constitucionais ao sigilo bancário e à privacidade nas hipóteses em que a Autoridade fiscal, em absoluta observância às normas de regência e sob o amparo da Lei, solicita, diretamente às instituições financeiras, a apresentação de movimentações e registros bancários dos contribuintes, não havendo se falar aí na necessidade de autorização judicial para tanto. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade ante a ilicitude das provas utilizadas. Da mesma forma, não há que se falar em suspensão do processo administrativo, até porque, como aventado, o Supremo Tribunal Federal já definiu o Tema de forma definitiva. 2.9. Da análise, conjunta, da alegação preliminar de nulidade do Auto de Infração por ilegitimidade passiva dos Recorrentes e da alegação de mérito por ausência de responsabilidade dos Recorrentes em razão da impossibilidade de imputação da responsabilidade a terceiros e ante a inexistência de prova de benefício por parte dos Recorrentes Os Recorrentes alegam, em primeiro lugar, e em sede de preliminar, a nulidade do Auto de infração pela suposta ilegitimidade passiva, sendo que, pelo que se observa, a matéria tratada em preliminar acaba se confundindo com as alegações meritórias quanto a atribuição da responsabilidade tributária, razão pela qual devem ser tratadas de forma conjunta. Fl. 15107DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 As alegações preliminares quanto a nulidade do Auto de Infração pela legitimidade passiva dos Recorrentes podem ser assim sintetizadas: - A ilegitimidade passiva dos Recorrentes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; - O processo administrativo foi instaurado utilizando-se dos elementos coligidos nos PAF's ns. 11020.723699/2012-18 e 15586.720329/2011-95, bem como no Inquérito Policial n. 256/2008-DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita na Delegacia de Polícia Federal de Maringá/PR, como informa o Relatório de Atividade Fiscal. - No entanto, mostra-se manifestamente nulo o direcionamento do processo administrativo contra a Impugnante, como se sujeito passivo solidário fosse, por ausência de prova que o justifique, notadamente que seja capaz de demonstrar a existência de qualquer vínculo entre a Impugnante e a empresa autuada. - Isso porque, a conclusão a que chegaram os Agentes Fiscais, de que a Impugnante é o sujeito passivo solidário da obrigação tributária, a quem o Fisco denomina de proprietária da empresa autuada, foi extraída do inquérito policial acima apontado, que nada mais é do que um procedimento policial administrativo, de cunho meramente investigativo E. inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa, pois a Impugnante sequer foi ouvido pela autoridade policial. Quanto às alegações de mérito acerca da atribuição da responsabilidade tributária, os Recorrentes sustentam, em síntese, o seguinte: - Impôs o Auditor Fiscal a responsabilidade à Impugnante, pessoa estranha ao quadro societário da empresa autuada, invocando o art. 124, 1 do CTN, sem, contudo, fundamentar a exigência. - Para isso, utilizou-se de presunções e ficções, baseado em provas ilícitas, sobre as quais não havia autorização judicial para sua utilização. - Contudo, não prova de que os Recorrentes tenha recebido qualquer recurso da referida pessoa jurídica, tampouco que participe ou tenha participado da sociedade, exercido a sua administração com a imposição de ordens, autorizações ou qualquer outro ato de que caracterizasse os Recorrentes como efetivos gerenciadores de quaisquer atividades. - Não há vinculação dos Recorrentes com os fatos geradores. Não há interesse comum da Impugnante no fato gerador, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica, enquanto a Impugnante não teve qualquer participação em sua gestão ou administração. Fl. 15108DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 - Desta forma, é crucial destacar que a responsabilidade solidária decorrente do artigo 124, 1 do CTN só poderá subsistir quando todos os sujeitos passivos houverem praticado, conjuntamente, atos relacionados com o fato gerador, porque esta é a única hipótese em que todas as pessoas possuem interesse jurídico comum no fato que originou a tributação. - Essa vinculação dos Recorrentes com o fato gerador não restou caracterizada. - Sequer há possibilidade de aplicação conjunta do art. 135 do Código Tributário Nacional, uma vez que os Recorrentes não são sócios da empresa fiscalizada, e esta continua ativa e sujeita à exigibilidade da autuação fiscal. Nesse sentido, mutatis mutandis, é o teor da Súmula nº 430, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: “O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente”. Pois bem. Se existe vedação à responsabilidade do sócio-gerente da sociedade nos casos de simples inadimplemento, vedada é a inclusão de terceiro alheio a realização do fato jurídico-tributário, como é a situação dos Recorrentes. De plano, registre-se que, no caso concreto, a Autoridade fiscal entendeu por atribuir a responsabilidade tributária aos Srs. ROBSON, ROGÉRIO, SAMUEL, JEANE e ÍRIS com fundamento nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III do Código Tributário Nacional, já que, no seu entendimento, restou comprovado que os reais proprietários e administradores do esquema REDE PRESIDENTE eram os integrantes da família Tolardo, conforme se verifica do item 12. Da Sujeição Passiva Solidária do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 14.168/14.169): “12. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA 824. Tendo-se a comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da família TOLARDO, os mesmos são nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). 825. Com efeito, assim dispõe o art 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN): [...] 826. Ora, sendo os integrantes da família TOLARDO os verdadeiros proprietários e beneficiários de todo o esquema REDE PRESIDENTE, conforme amplamente comprovado no presente relatório, particularmente no tópico 6. DOS RESPONSÁVEIS PELA REDE PRESIDENTE – FAMÍLIA TOLARDO, torna-se inequívoco o fato de que os integrantes da família TOLARDO têm interesse comum nos negócios da REDE PRESIDENTE, da qual faz parte a empresa alvo do presente relatório. 827. Além disso, também o art 135 do mesmo Código Tributário Nacional, impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento: [...] 828. Note-se que são pessoalmente responsáveis os sócios, gerentes, diretores, responsáveis, pelo crédito tributário decorrente dos atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família TOLARDO, que comanda a REDE PRESIDENTE utilizando-se de meios fraudulentos, tais como a interposição de Fl. 15109DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 “laranjas” em suas empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, a margem da escrituração ou de declaração. 829. Deste modo, lavra-se os competentes TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA em desfavor dos reais sócio proprietários do esquema REDE PRESIDENTE, quais sejam: a) Sra ÍRIS DA SILVA TOLARDO (CPF 958.804.969-53), b) Sr RÓBSON MARCELO TOLARDO (CPF 623.843.849-53), c) Sr ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO (CPF 723.045.539-15), d) Sr SAMUEL TOLARDO JÚNIOR (CPF 121.023.838-14); e) Sra JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE (CPF 828.784.559-91).” Por óbvio, note-se que as respectivas alegações acerca da responsabilidade tributária devem ser analisadas à luz dos artigos 124, inciso I e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. Dito isto, confira-se, de plano, o que dispõe o artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Seção II – Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.” Veja-se que, ao associar a locução interesse comum à expressão situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o legislador deixou claro que não é qualquer interesse comum que pode ser considerado como suficiente para a aplicação da regra da responsabilidade solidária, de modo que o mero interesse social, moral ou econômico, enquanto pressuposto fático do tributo, não autoriza, pois, a aplicação da responsabilidade solidária. O interesse comum cuja presença cria a solidariedade não é um interesse meramente de fato, mas, sim, um interesse jurídico que, a rigor, é aquele que decorre de uma situação jurídica 16 . Ou seja, o interesse jurídico é aquele que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador do tributo, devendo ser considerada solidária, portanto, a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Nas palavras de Ramon Tomazela Santos 17 , “(...) O interesse comum, hábil a justificar a imposição de responsabilidade tributária solidária, deve ser interpretado no seu sentido jurídico, pois, como consta expressamente do inciso I do artigo 124 do CTN, o interesse deve ser comum “na situação que constitua o fato gerador”. Assim, o interesse comum restará caracterizado, 16 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional: Artigos 96 a 138.. vol. 2. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 460-461. 17 SANTOS, Ramon Tomazela. Responsabilidade tributária e grupo econômico. In: Revista Dialética de Direito Tributário nº 238, jul./2015, p. 108, 120-121. Fl. 15110DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 por exemplo, nas hipóteses em que duas ou mais pessoas figurarem no mesmo polo da relação jurídica descrita em lei como fato gerador, tal como ocorre com os coproprietários de um imóvel em relação ao IPTU incidente sobre a respectiva propriedade. Neste caso, como ambos os contribuintes estão enquadrados na condição de proprietários do imóvel, realizando a situação definida como fato gerador, é justificável a atribuição de responsabilidade solidária pelo pagamento do imposto devido. [...] O interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal caracteriza-se pela existência de direitos e deveres compartilhados por pessoas situadas no mesmo polo da relação jurídica de direito privado escolhida pelo legislador como suporte fático para a incidência tributária. Assim, as partes partilham de um interesse comum em sentido técnico-jurídico, que não se confunde com o mero interesse econômico, social ou moral, que pode existir nas relações entre sociedades (...).” Portanto, a aplicação da responsabilidade passiva prevista no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional exige a presença do interesse jurídico comum que, a rigor, corresponde à hipótese em que as pessoas são sujeitos da relação que deu azo à ocorrência do fato gerador, o que, tecnicamente, não se confunde com o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Além do mais, registre-se que, para que a fiscalização possa atribuir a responsabilidade solidária a alguém, deverá comprovar que o suposto responsável solidário praticou atos que se subsumiram ao critério material da regra matriz de incidência do tributo que se analisa. No caso concreto, observe-se que a Autoridade fiscal foi um tanto exitosa ao reunir evidências de que os responsáveis tributários fizeram uso de laranjas, enquanto interpostas pessoas, com o intuito de eximirem-se do pagamento dos tributos devidos, de modo que ostentaram a condição de sócios de fato da sociedade jurídica que era constituída apenas de “fachada” e, além do mais, eram os verdadeiros proprietários e beneficiários de todo o esquema REDE PRESIDENTE. A jurisprudência deste Tribunal tem encampada essa mesma linha de entendimento, conforme se verifica dos precedentes a seguir citados: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS NO QUADRO SOCIAL. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária quando demonstrado que o responsabilizado ostentava a condição de sócio de fato da autuada, administrando-a em nome das interpostas pessoas integradas ao quadro social da pessoa jurídica, e inclusive destinando seu patrimônio segundo seus interesses particulares. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CTN. BENEFÍCIO FINANCEIRO DISSOCIADO DE PROVA DE ATUAÇÃO NA ADMINISTRAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. O benefício financeiro auferido mediante transferências bancárias provenientes de conta de titularidade da pessoa jurídica, ainda que sem causa negocial e em valores significativos, é insuficiente para caracterização de interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária, mormente se as transferências são feitas pelo pai, sócio de fato a autuada, em favor de seus filhos. É indispensável a prova da Fl. 15111DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 intervenção dos demais responsabilizados na condução das atividades da pessoa jurídica. [...] (Processo nº 13961.720342/2015-18. Acórdão nº 9101-004.522. Sessão de 07/11/2019. Acórdão publicado em 03/12/2019). *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 SOCIEDADE QUE SE COMPORTA COMO SOCIEDADE DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ILIMITADA PARA OS SÓCIOS DE FATO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (CTN, art. 124, I). Em condições normais, o sistema jurídico prevê apartação patrimonial entre a pessoa jurídica e as pessoas que compõem o seu quadro societário (sócios de direito). Mas a utilização fraudulenta de pessoa jurídica afasta essa apartação patrimonial, e os sócios de fato respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações surgidas de sua empresa (negócio/ empreendimento). A sonegação de tributo perpetrada via utilização fraudulenta da pessoa jurídica, mediante interposição de pessoas, faz com que a pessoa jurídica seja tratada de modo semelhante a uma sociedade de fato (porque se comporta como tal), situação em que as pessoas envolvidas, por se encontrarem na mesma posição jurídica em relação ao fato gerador, respondem solidária e ilimitadamente pelos débitos surgidos do negócio. [...] (Processo nº 19515.001263/2009-19. Acórdão nº 9101-002.954. Sessão de 03/07/2017. Acórdão publicado em 21/08/2017)”. Com base em tais argumentos, entendo por manter a responsabilidade solidária dos Srs. ROBSON, ROGÉRIO, SAMUEL, ÍRIS e JEANE com fundamento no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Pois bem. Faz-se necessário, agora, observar o que dispõe o artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional. In verbis: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Seção III - Responsabilidade de Terceiros Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” De plano, note-se que a intepretação do artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional deve ser realizada por partes. Em primeiro lugar, atente-se que apenas quem está na administração executiva, é diretor ou gerente ou representante de direito privado pode ser responsabilizado, o que significa dizer, portanto, que a responsabilidade pessoal, no caso, decorre de atos praticados ilicitamente Fl. 15112DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 por conta e risco do gestor, de modo que a mera condição de sócio é insuficiente para a caracterização da responsabilidade em evidência. Segundo Leandro Paulsen 18 , “Conforme se vê das notas específicas adiante, entende-se que a responsabilização exige que as pessoas indicadas tenham praticado diretamente ou tolerado a prática do ato abusivo e ilegal quando em posição de influir para a sua não ocorrência. A mera condição de sócio é insuficiente, pois a condução da sociedade é que é relevante. Também por isso, não é possível responsabilizar pessoalmente o diretor ou o gerente por atos praticados em período anterior ou posterior a sua gestão.” Em segundo lugar, observe-se que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado somente devem ser considerados pessoalmente responsáveis pelos créditos resultantes dos atos praticados fora da esfera de atuação da própria pessoa jurídica. Os atos devem ser estranhos aos objetivos da sociedade ou, melhor, alheios aos seus interesses. Isso significa que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado somente podem ser responsabilizados nas hipóteses em que atuam fora dos limites de sua competência. Essa atuação, obviamente, é aquela que se dá com infração às normas que limitam essa competência, ou seja, a lei societária, o contrato social ou o estatuto, de sorte que a lei que o legislador faz referência não é qualquer lei e muito menos a lei tributária, mas, sim, a lei societária que, a rigor, é, por assim dizer, análoga ao contrato social. Quer dizer, a infração à lei capaz de responsabilizar os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado é uma só e, portanto, corresponde àquela que configura a violação às disposições de direito comercial que regem o exercício da função do órgão que corporificam. No entendimento de Misabel Abreu Machado Derzi 19 , “(...) o ilícito é, assim, prévio ou concomitante ao surgimento da obrigação tributária (mas exterior à norma tributária) e não posterior, como seria o caso do não pagamento do tributo. A lei que se infringe é a lei comercial ou civil, não a lei tributária, agindo o terceiro contra os interesses do contribuinte. Daí se explica que, no pólo passivo, se mantenha apenas a figura do responsável, não mais a do contribuinte, que viu, em seu nome, surgir dívida não autorizada, quer pela lei, quer pelo contrato social ou estatuto.” Por último, e de modo não menos importante, veja-se que a demonstração e a comprovação da ocorrência dos atos praticados com excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto constitui elemento essencial para a caracterização da responsabilidade nos moldes do artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, de sorte que caberá à Autoridade fiscal fazê-lo por aplicação do artigo 142 do CTN. No caso concreto, veja-se que a Autoridade fiscal demonstrou e comprovou que os Srs. ROBSON, ROGÉRIO, SAMUEL, ÍRIS e JEANE praticaram atos com excesso de poderes ou infração à Lei, já que comandaram e eram os verdadeiros proprietários do esquema REDE PRESIDENTE, sem contar, ainda, que se utilizaram de meios fraudulentos tais como a 18 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 16. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, Não paginado. 19 DERZI, Misabel Abreu Machado. Nota de atualização à obra de Aliomar Baleeiro, Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., Forense, 1999, p. 756. Fl. 15113DF CARF MF Original Fl. 49 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 interposição de “laranjas” em suas empresas e a larga prática de venda sem a emissão das respectivas Notas Fiscais e à margem da escrituração fiscal da contribuinte. A rigor, observe-se que a jurisprudência deste Tribunal tem sustentado que o uso fraudulento de pessoas jurídicas mediante interposição de pessoas leva à responsabilização com fundamento no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional. Confira-se: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 [...] RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. [...] (Processo nº 10680.015517/2008-19. Acórdão nº 9101-002.349. Sessão de 14/06/2016. Acórdão publicado em 01/07/2016).” Por todo o exposto, entendo que a responsabilidade tributária dos Srs. ROBSON, ROGÉRIO, SAMUEL, ÍRIS e JEANE também deve ser mantida com fundamento no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional deve ser mantida. 2.10. Da Análise, conjunta, das Alegações sobre a Exclusão ou Redução da Multa, da Impossibilidade de manutenção da Multa e do seu Caráter Confiscatório e da Ausência dos Requisitos para a sua Aplicação Em relação às alegações de mérito acerca da aplicação da multa, os Recorrentes aduzem, em resumo, as seguintes questões: - O CARF editou a Súmula 14, que dispõe “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Assim como a Súmula 25: “Apresunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” - Também não pode haver o agravamento da multa aos Recorrentes quando não respondem pela empresa e sequer tinham o conhecimento do Fl. 15114DF CARF MF Original Fl. 50 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 mando do procedimento fiscal. Como a eles pode ser impingido com penalidade que decorre de ato praticado por outrem, se sequer têm responsabilidades sobre o mesmo? Obviamente, que tal aplicação desborda do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. - Assim, a multa deve ser excluída, ainda mais quando “O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem consequências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros”. - Ou seja, está se aplicado dupla penalidade: uma pelo arbitramento, outra pela não entrega dos documentos. Ambas decorrem do mesmo fato, devendo ser afastada e excluída a responsabilidade dos Recorrentes sobre ela, já que não foram eles os autores da infração. - Ademais, além de ser ônus do fisco, é evidente para haver a cobrança da multa deve estar comprovado o intuito de fraude, o que não restou caracterizado no caso. - Com efeito, as penas pecuniárias em quaisquer modalidades de atos jurídicos vêm sofrendo podas, de modo a se verificar que dos 100% previstos no CC, admite-se, hodiernamente, a imposição de pena em valor não superior a 20%, conforme dicção prevista na Lei nº 2.98/96. - Quanto ao princípio da capacidade contributiva, observa-se no artigo 150, IV, da CF, o legislador, ao vedar a utilização de tributos com efeito de confisco, estabeleceu que há um limite a tributar cujo máximo não pode se configurar em confisco, deixando ao legislador infraconstitucional fixar parâmetros mediante lei complementar. - No presente caso foi aplicado multa de 150% (cento e cinquenta por cento), nitidamente confiscatória. - A Constituição Federal de 1988 é clara ao dispor que ao contribuinte está assegurado que o tributo não será utilizado como confisco, no art. 150, IV. - E tanto a doutrina quanto a jurisprudência concordam que a multa é assemelhada ao tributo no sentido da proibição de confisco. - O conceito de que os tributos não devem ser utilizados com efeito de confisco data da Constituição de 1934 e a extensão do não confisco as multas é admitido há décadas pelos nossos Tribunais. - Em data de 21 de agosto de 2013, no Recurso Extraordinário RE 754.554/GO foi consolidado, no Supremo Tribunal Federal, a vedação da multa tributária confiscatória. - Também em respeito ao princípio da eventualidade, caso os lançamentos sejam mantidos e não haja diminuição da multa para o patamar de 10% (dez por cento), requer seja a multa reduzida de 150% (cento e cinquenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento). Fl. 15115DF CARF MF Original Fl. 51 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 - Referida diminuição se deve ao fato dos Recorrentes não terem praticado nenhuma fraude, bem como nenhuma omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. - Então, para que o percentual de 75% dobre para 150% é necessário ocorram fraude ou sonegação. Ambos os casos não se encaixam no processo, pois segundo consta do Relatório dos Agentes Fiscais, a empresa entregou todos os documentos solicitados, inclusive informando que os demais estavam em poder da Polícia Federal. Pois bem. Observe-se, de plano, que, de acordo com o artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, os órgãos de julgamento não podem afastar ou deixar de observar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Veja-se: “Decreto nº 70.235/72 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Em consonância com o que determina o artigo 26-A do Decreto nº 70.235/72, registre-se que o artigo 98 do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, prescreve que “Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto”. A Súmula CARF nº 2 também dispõe que este Tribunal não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Veja-se: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Tendo em vista que não cabe a este Tribunal Administrativo se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de tratados, acordos internacionais, leis ou decretos, é de se concluir que as alegações de que a multa aplicada na modalidade qualificada é confiscatória e viola o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal não devem ser aqui examinadas, haja vista que esse tipo de alegação reivindicaria a análise da inconstitucionalidade da própria norma tributária prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Por essas razões, entendo por não acolher as alegações meritórias no sentido de que a multa é confiscatória e, por conseguinte, inconstitucional. Por outro lado, tem-se que as alegações acerca das circunstâncias que ensejaram a aplicação da multa na modalidade qualificada devem ser, aqui, apreciadas. Em primeiro lugar, reconheça-se que o descumprimento da legislação tributária ensejará a aplicação da respectiva sanção independentemente da intenção do agente ou do Fl. 15116DF CARF MF Original Fl. 52 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É nesses termos que o 136 do Código Tributário Nacional estipula. In verbis: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” As sanções aplicadas para os ilícitos tributários apresentam a dupla função de (i) inibir aquelas condutas por parte de possíveis infratores que visam suprimir ou reduzir o pagamento de tributos, intimidando-os – eis, aí, a chamada prevenção geral –, e, também, de (ii) punir os sujeitos infratores que efetivamente deixaram de adotar aquela determinada conduta prevista na legislação, fazendo com que eles não reincidam na infração – aqui, diz-se que a prevenção é especial. No final das contas, as sanções devem ser estabelecidas para estimular o cumprimento da obrigação tributária e evitar, pois, a prática de infrações à legislação tributária, revelando aí a sua função educativa. Nas palavras de Luciano Amaro20, “No campo das sanções administrativas pecuniárias (multas), é preciso não confundir (como faz, frequentemente, o próprio legislador) a proteção ao interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado) com o objetivo de arrecadação por meio da multa. Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Se se tratar de obrigação acessória, a multa igualmente se justifica (pelo perigo que o descumprimento da obrigação acessória provoca para a arrecadação de tributos), mas a multa não pode ser transformada em instrumento de arrecadação; pelo contrário, deve-se graduá-la em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a arrecadação de tributos.” Dito isto, observe-se, de logo, que o artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 dispõe sobre a multa qualificada no percentual de 150%, a qual deve ser aplicada nas hipóteses em que há ação dolosa praticada de acordo com as hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.5020/1964. Confira-se: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, 20 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2014, Não paginado. Fl. 15117DF CARF MF Original Fl. 53 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007).” Veja-se que a imposição da multa qualificada pressupõe a comprovação de dois elementos que, embora estejam relacionados, são distintos. De um lado, deve haver a comprovação de que ocorreu o fato gerador de um determinado tributo sem o seu pagamento – o que, por si só, já enseja a incidência da multa de ofício de 75% -, e, de outro lado, dever haver a comprovação de que o inadimplemento do tributo ocorreu por meio de sonegação, de fraude ou de conluio21. A redação do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 é bastante clara ao dispor que a multa será duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 os quais, respectivamente, tratam dos institutos da sonegação, da fraude e do conluio. É ver-se: “Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72.” O traço característico e comum nas três modalidades é a conduta dolosa. O dolo corresponde a prática do ilícito por alguém que possuía o animus, ou seja, a intenção de realizá- lo e de obter o resultado – trata-se do elemento volitivo –, somado a um elemento adicional que, no caso, consubstancia-se na consciência da antijuridicidade por parte do agente, quer dizer, no saber que se encontrava por realizar uma conduta vedada – é a própria consciência do ilícito. Em síntese, o dolo, o qual, aliás, consubstancia-se em elementos relativos à vontade e à consciência, é, portanto, o requisito inafastável para que a multa seja aplicada na modalidade qualificada. Ao comentar sobre a figura do dolo, João Carlos de Lima Junior22 afirma que “O dolo possui diferentes teorias e o conceito depende daquela adotada (...). [....] Percebe-se que, em todas as teorias, a coincidência reside no elemento volitivo, na vontade consciente de realizar a conduta típica e causar o resultado. Logo, livre do afunilamento da opção teórica, para que exista a qualificação da penalidade tributária, é imprescindível que o sujeito passivo tenha agido intencionalmente no sentido de realizar o previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 [...] 21 HALPERIN, Eduardo Kowarick. Multa Qualificada no Direito Tributário. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBDT, 202, p. 31. 22 LIMA JUNIOR, João Carlos de. Interpretação e aplicação das multas de ofício, de ofício qualificada, de ofício agravada e isolada. 1. ed. São Paulo: Noeses, 2018, p. 170-174. Fl. 15118DF CARF MF Original Fl. 54 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 “Logo, impõe-se ao agente a consciência em relação à conduta praticada, é necessário que ele saiba que está que ele saiba que está realizado o comportamento vedado; da mesma forma o resultado, o sujeito passivo há de conhecer o produto da sua ação; em complemento, exige-se que haja a percepção, por parte de quem age, que a conduta pode ter como consequência o resultado. Finalmente, o dolo requer a vontade de agir e de causar o resultado.” Em tom de arremate, é preciso consignar, ainda, que a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% exige que o dolo seja comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência, ou seja, a hipótese que a Autoridade fiscal deve comprovar para aplicar a multa qualificada é a de que a conduta do sujeito passivo só ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita. Essa é a linha de entendimento que tem sido sustentada por Eduardo Kowarick Halperin23: “Da contraposição do standard probatório exigido para a comprovação da sonegação, da fraude e do conluio (prova acima de qualquer dúvida razoável) com a hipótese que deve ser comprovada para que seja caracterizado o dolo (conduta ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita), resulta que não basta que o dolo seja comprovado: ele deve ser comprovado de forma a afastar qualquer dúvida razoável quanto à sua existência. Se, de um lado, a Fiscalização comprova que uma determinada conduta ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita, mas, de outro lado, o contribuinte demonstra que ela também ganha sentido à luz de uma finalidade lícita, isso não significa que a Fiscalização não comprovou a hipótese – apenas significa que ela não cumpriu com o seu ônus de comprovar a referida hipótese acima de qualquer dúvida razoável. Disso conclui-se que, na verdade, a hipótese que a Fiscalização deve comprovar para aplicar a multa qualificada é que a condua SÓ ganha sentido à luz de uma finalidade ilícita – se ela também ganhar sentido à luz de uma finalidade lícita, existirão dúvidas razoáveis a respeito do caráter doloso da conduta.” (grifei). No caso concreto, note-se que a Autoridade fiscal entendeu por aplicar a multa na modalidade qualificada, já que, no seu entendimento, as condutas praticadas pela PSE COMERCIAL DE PECAS PARA VEICULOS LTDA – ME teriam configurado as hipóteses de fraude e sonegação. Confira-se: “Conclusões [...] 817. Como podemos observar do até aqui exposto, o contribuinte se utiliza de pessoas físicas “laranjas” na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as quais a nossa fiscalizada. Destaque-se que, para tanto utiliza- se de expedientes escusos tais como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Tal conduta obviamente busca modificar uma característica essencial do fato gerador da obrigação, qual seja, o real sujeito passivo, enquadrando-se então, o contribuinte, no conceito de fraude constante do art. 72 da Lei 4.502/64. 818. Igualmente enquadra-se no conceito de sonegação, dado pelo art. 71, inciso II, da mesma Lei 4.502/64, vez que se constitui em uma ação dolosa tendente a impedir o 23 HALPERIN, Eduardo Kowarick. Multa Qualificada no Direito Tributário. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Tributário – IBDT, 202, p. 58. Fl. 15119DF CARF MF Original Fl. 55 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 819. Cita-se também toda a elaborada sistemática de vendas sem nota fiscal (TAB2), e que, obviamente, não são declaradas à RFB. Mais que notório, o fato de que ao omitir parcela relevante de suas vendas mediante intrincado sistema (programa informatizado denominado “AutoW”, contemplando vendas “TAB2”, emissão de “cotações para verificação”, etc...), o contribuinte incorre tanto no conceito de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características essenciais), como no conceito de sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do imposto devido). 820. Ambas condutas (utilização de sócios “laranja” e realização de vendas não declaradas à RFB e sem emissão de NFs) evidenciam claramente o dolo do contribuinte ao cometer as ações caracterizadoras de fraude e sonegação acima descritas. Apenas a título de informação preliminar, registre-se que não há, nos autos, aplicação de multa agravada pela falta de atendimento às intimações, de modo que a alegação quanto a tal penalidade não procede. Além disso, a alegada incompatibilidade da aplicação de multa agravada com o arbitramento do lucro também não procede. Já em relação aos motivos que ensejaram a aplicação da multa na modalidade qualificada no percentual de 150%, é de se reconhecer que o instituto da sonegação previsto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64 corresponde a toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência do fato gerador ou a respeito das condições pessoais do contribuinte. Ou seja, a sonegação consiste na intenção de se criar embaraços à Fiscalização no que diz com o conhecimento do fato gerador. E, realmente, a Autoridade fiscal conseguiu demonstrar e comprovar o evidente intuito de sonegar por parte empresa ao ter relatado que ela deixou de contabilizar todas as suas receitas, as quais foram auferidas sem a devida emissão das respectivas Notas Fiscais de venda, tendo mantido controle dessas operações não contabilizadas. Além disso, a Fiscalização relatou que, no caso, a empresa e os seus sócios reais utilizaram-se, também, de pessoas interpostas em seu quadro societário mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. Tais fatos corroboram, no final, a prática das hipóteses de sonegação e da fraude, nos termos do que apregoam os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que acabou sendo demonstrado a partir das seguintes constatações e respectivos documentos: “Cópias de documentos pessoais de ex-sócios e sócios da autuada foram encontrados na busca e apreensão efetuada no escritório da Rede Presidente situado à Rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, inclusive os recibos de entrega das DIRPF dos exercícios 2007 a 2012. Além disso foram no mesmo endereço vários documentos relativos à autuada, dos quais se destacam alguns como: a) Controles de fechamento de contas, relatórios de pedidos, tabelas de vendas com cartão de débito e crédito, relatórios de envelopes, comprovantes de depósito para a autuada (MGA08-6.43); b) Controles de fechamento de contas e boletos emitidos pela autuada ao cliente A Rodrigues Santos Peças ME –CNPJ 07.562.349/0001-66 e comprovantes de cartão de crédito e débito Visa e Mastercard da central de cobranças, Fort Lub Produtos Fl. 15120DF CARF MF Original Fl. 56 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 Automotivos Ltda, CNPJ 55.847.057/0001-12, dos meses de jun e jul/2012 (MGA08- 6.59 – fls 2.639 a 2.669); c) Contrato de prestação de serviços de cobrança entre o Itaú e PSE (MGA08-7.18); d) Páginas de agenda contendo anotações com roteiro detalhado de acesso a dados, como emitir boletos, emitir GNRE por Estado da Federação, alterar pedidos etc; relação de filiais com telefone, nome do gerente, e telefone celular; Relação de Contas Bancarias com senhas de contas da autuada no Banco do Brasil (CTB33-11.2 – fls 1.143 a 1.160); e) Danfe (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) de diversos fornecedores para a autuada (MGA17-32.6 – fls 3.305 a 3.358); f) Danfe (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) da SI GROUP CRIOS RESINAS S/A para a autuada em São Luis/MA, de 29/08/2012 (MGA17- 42.6 – fls 3.628 a 3.637); g) Envelope contendo faturas da Retificadora de Motores Foz Ltda, com respectiva transferência bancária da RPT, APE, PRV, PSE, PRS e FARO (MGA18-98.5); h) Pasta folha pagamento 2012 - São Luis, contendo folha de pagamento da autuada, de janeiro a setembro/2012 (MGA18-102.6); i) Troca de e-mails, de fev/2012, entre Silvia – Departamento Pessoal (pessoal.sp53@gmail.com), com Karina Souza (karinasousa@gmail.com), e desta com Julieth (c.cooperativa@gmail.com), todas funcionárias da Rede Presidente, confirmando o ingresso de valor em conta, referente devolução multa de 40% do funcionário Jose Hermelino dos Santos da autuada (MGA18-104.7 – fls 4.434 a 4.436); j) Recibo de entrega da RAIS ano base 2010 de várias empresas, dentre elas a autuada (MGA18 - 150 – fls 4.667 a 4.731); k) envelopes plásticos com GPS de diversas empresas de 2010, dentre elas a autuada (MGA18- 152.1); l) Contrato de locação, sem assinatura, de imóvel em São Luis-MA para autuada, de 28/02/2012 a 28/02/2015 (MGA19-13.126 – fls 6.516 a 6.520); m) Despesas mês Ago/2012 da “loja 67”, em nome da PSE comercial de Peças na cidade de São Luis-MA (MGA19-17.10); n) 01 Caixa de arquivo morto, contendo notas fiscais de saída da 1ª quinzena de agosto de 2009 da empresa PRS - Pecas para Veículos Ltda - São José dos Campos,contendo principalmente vendas para empresas do grupo como A. Presidente, RPT, PRP, PSE, Uberpeças, PRE, APE, ABJD, Renova, Gigante, PTD, Alba, KPL, KAP, PRP, PRV e transferência para as filiais (MGA18-176.1); Além disso, no arquivo “empresa ativas”, localizado no da rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, encontrava-se também a pasta da PSE, contendo cópia contrato social e alterações societárias da PSE (MGA19-16.17 – fls 7.305 a 7.317).” É de se concluir que a empresa agiu com dolo e, a rigor, acabou incorrendo na hipótese prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/64 a qual trata da figura da sonegação que, aliás, corresponde à tentativa de ocultar da Autoridade fazendária algum elemento ou a ocorrência do fato gerador, o que significa dizer, em complemento, que as Súmulas CARF nº 14 e 25, que dispõem, basicamente, que a simples omissão de receitas ou a simples presunção de omissão de receitas não autorizam, por si, a qualificação da multa de ofício, não devem ser aplicadas no caso em apreço. Da mesma forma, entendo que a fraude também restou caracterizada em decorrência da constatação de que houve a utilização de laranjas, os quais, a rigor, mantiveram controle dessas operações não contabilizadas, sem contar, ainda, que houve a utilização de Fl. 15121DF CARF MF Original Fl. 57 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 pessoas interpostas no quadro societário da empresa, mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. A aplicação da multa qualificada deve ser mantida, sendo que, por força do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, a multa deve ser fixada no patamar de 100%, nos termos do que preceitua o artigo 14 da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023. Com efeito, entendo por manter a multa qualificada a qual, a rigor, deve ser fixada e/ou reduzida ao patamar de 100%. 2.11. Da análise das Alegações acerca da Inaplicabilidade da Taxa Selic Por fim, os Recorrentes defendem, em síntese, que a Taxa Selic não deve ser aplicada para fins de correção dos créditos com base nas seguintes alegações: - A Taxa Selic não deve ser aplicada para correção de créditos tributários. - Não olvidando a premissa maior alegada na defesa, é preciso dizer que, acaso mantida a multa, ad argumentandum, os juros que serão aplicados sobre o valor da multa (Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC), que é calculada diariamente pelo Banco Central, sendo resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus mercados, é ilegal. - Assim, não pode a União utilizar como juros de mora a Taxa Selic, por ter caráter estritamente remuneratório. Atente-se que na Taxa Selic está embutida os juros e a correção monetária, concomitantemente, por isso sendo elevada e onerosa para o contribuinte. - Corroborando este entendimento, assim dispõe o art.43, parágrafo único, da Lei nº 9.430/1996, que dispõe que “Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirãojuros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” - Da leitura deste dispositivo legal, é fácil concluir que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de ofício. Em outras palavras, não havendo autorização legal, não há que se autorizar a cobrança. De início, confira-se que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade e extingue-se com o Fl. 15122DF CARF MF Original Fl. 58 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 crédito dela decorrente, nos termos do artigo 113, § 1º do Código Tributário Nacional 24 . Por outro lado, o artigo 139 do Código Tributário Nacional dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e apresenta mesma natureza 25 . A partir da interpretação conjunta dos respectivos dispositivos, conclui-se que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, haja vista que tanto o crédito quanto a penalidade constituem a obrigação tributação, a qual, aliás, tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Em outras palavra, um é a imagem absolutamente simétrica do outro, apenas invertida. E, aí, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, diz-se que a penalidade, portanto, compõe o crédito. Ao tratar do crédito, o artigo 161 do Código Tributário Nacional estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Confira-se: “Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 SEÇÃO II - Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Pelo que pode observar, verificado o inadimplemento do tributo será cabível a incidência dos juros de mora sobre o principal, desde a data do vencimento da obrigação até a data da lavratura do auto de infração, bem como a aplicação de multa punitiva, que, a propósito, passam a integrar o crédito fiscal consolidado, que é o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Não se pode olvidar que os juros moratórios representam, efetivamente, o preço do direito, isto é, o valor que o detentor da moeda (contribuinte) paga ao seu legítimo proprietário (Fisco) pela posse temporária do numerário que, aliás, desde o vencimento da obrigação já é de sua titularidade. Com efeito, a partir da data de vencimento especificado no Auto de Infração para o pagamento espontâneo, o Sujeito Passivo passa a figurar como potencial devedor do montante consolidado objeto do lançamento tributário. Os juros, portanto, são devidos para compensar a demora do sujeito em relação ao pagamento do crédito tributário consolidado. E, aí, se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do crédito tributário consolidado. 24 Cf. Lei n 5.172/66. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. 25 Cf. Lei nº 5.172/66 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 15123DF CARF MF Original Fl. 59 do Acórdão n.º 1302-007.055 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10320.723623/2013-18 E tanto é assim que este Tribunal acabou entendendo por editar Súmula CARF nº 108 que, a rigor, é de natureza vinculante, nos termos do que estabelece o artigo 100, inciso II do Código Tributário Nacional, que dispõe que os juros moratórios serão calculados sobre a multa com base na Taxa Selic. Confira-se: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019)”. A título de informação, veja-se, ainda, que este E. CARF editou, também, a Súmula Vinculante nº 4, que estabelece que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrativos pela SRFB são devidos à Taxa Selic: “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Sobre este ponto, note-se que, muito embora o artigo 100, inciso II do Código Tributário Nacional prescreva que as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa a que a lei atribua eficácia normativa equivalem a normas complementares das leis, tratados, convecções internacionais e decretos, é de se reconhecer que essa competência só veio a ser exercida a partir da promulgação da Lei nº 11.196/2005 a qual, a rigor, acabou conferindo força vinculante às súmulas aprovadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. Com efeito, entendo por não acolher as alegações lançadas pelos Recorrentes quanto à inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. 3. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, conheço dos Recursos Voluntários apresentados pelos responsáveis, rejeito as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, entendo por dar provimento parcial aos Recursos apenas para fixar a multa no percentual de 100%, nos termos do que preceitua o artigo 14 da Lei nº 14.6898/2023, mantendo- se, ao final, a responsabilidade tributária dos Srs. ÍRIS, ROBSON, ROGÉRIO, SAMUEL e JEANE com fundamento nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III do Código Tributário Nacional. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 15124DF CARF MF Original

score : 1.0
4618107 #
Numero do processo: 10855.001492/98-02
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed May 18 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE DA PORTARIA MF N° 238/84. Uma vez declarada a ilegalidade de portaria ministerial que determinava o recolhimento da Contribuição ao PIS devida pelos postos varejistas, em sistema de substituição tributária, quando da aquisição das empresas distribuidoras, devem as empresas varejistas recolher essa contribuição segundo as normas da Lei Complementar n° 7/70, na medida da efetivação de suas vendas. Recurso improvido.
Numero da decisão: 204-00.190
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ADRIENE MARIA DE MIRANDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 200505

ementa_s : PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE DA PORTARIA MF N° 238/84. Uma vez declarada a ilegalidade de portaria ministerial que determinava o recolhimento da Contribuição ao PIS devida pelos postos varejistas, em sistema de substituição tributária, quando da aquisição das empresas distribuidoras, devem as empresas varejistas recolher essa contribuição segundo as normas da Lei Complementar n° 7/70, na medida da efetivação de suas vendas. Recurso improvido.

turma_s : Quarta Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed May 18 00:00:00 UTC 2005

numero_processo_s : 10855.001492/98-02

anomes_publicacao_s : 200505

conteudo_id_s : 7056668

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 204-00.190

nome_arquivo_s : 20400190_108550014929802_200505.PDF

ano_publicacao_s : 2005

nome_relator_s : ADRIENE MARIA DE MIRANDA

nome_arquivo_pdf_s : 108550014929802_7056668.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Wed May 18 00:00:00 UTC 2005

id : 4618107

ano_sessao_s : 2005

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:25 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210835177472

conteudo_txt : Metadados => date: 2014-04-30T18:31:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 4; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-04-30T18:31:37Z; Last-Modified: 2014-04-30T18:31:37Z; dcterms:modified: 2014-04-30T18:31:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:99fb1a46-bd1d-48c6-973f-8c8cbb2d6bdc; Last-Save-Date: 2014-04-30T18:31:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-04-30T18:31:37Z; meta:save-date: 2014-04-30T18:31:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-04-30T18:31:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-04-30T18:31:37Z; created: 2014-04-30T18:31:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2014-04-30T18:31:37Z; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-04-30T18:31:37Z | Conteúdo => MAXVOIV.T.. 1 ri:IN. r.)A rAzENIDA - 2ci CC 0 17T,ç:IiNAL E1-1.1'.'...;..7%, (rf f 06 1 -- tay,cit , pc -,1%.A., — VISTO '--- -mm..m.roMm■YONNOM**mm*■••■." Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 20 CC-MF Fl. Processo n° : 10855.001492/98-02 Recurso n° 127.537 Acórdão n° : 204-00.190 MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Dian() Oficial da Unido De./ o3 / o6 VISTO Recorrente : IRMÃOS CALO CINI E CIA. LTDA. Recorrida : DRJ em Campinas - SP PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. LEGALIDADE DA PORTARIA MF N° 238/84. Uma vez declarada a ilegalidade de portaria ministerial que determinava o recolhimento da Contribuição ao PIS devida pelos postos varejistas, em sistema de substituição tributária, quando da aquisição das empresas distribuidoras, devem as empresas varejistas recolher essa contribuição segundo as normas da Lei Complementar n° 7/70, na medida da efetivação de suas vendas. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: IRMÃOS CALO CINI E CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Cfirnara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 18 de maio de 2005 enrique Pinheiro Tones Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sd Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos e Sandra Barbon Lewis. Imp/fclb 1 CC-MF Fl. Processo n° : 10855.001492/98-02 Recurso n o 127.537 Acórdão n° : 204-00.190 Recorrente : IRMÃOS CALOCINI E CIA. LTDA. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado para exigir da empresa acima identificada a %Contribuigdo para o Programa de Integração Social — PIS não recolhido no período de março/93 a setembro/95. Segundo o lançamento, a empresa obteve o direito de adquirir, das empresas distribuidoras, combustível sem a cobrança do PIS na forma estabelecida na Portaria MF n° 238/84, que previa o recolhimento da contribuição sob a forma de substituição. Não havendo o recolhimento antecipado pelas distribuidoras, deveria a autuada recolher a referida contribuição incidente sobre o seu faturamento. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte, tempestivamente, impugnou o feito fiscal por meio do arrazoado de fls. 104/110. Diz, em preliminar, que o auto de infração foi lavrado por agente do fisco inabilitado, razão pela qual é nulo. No mérito, sustenta que: a) a decisão judicial obtida pela autuada "limitou-se a declarar insustentável a possibilidade de substituição tributária"; b) todo o faturamento apurado durante o período objeto do auto adveio da venda de derivados de petróleo e combustíveis, operações imunes nos termos do art. 155, § 3° da CF/88; e c) as disposições da Portaria n° 238/84 do Ministério da Fazenda não pode alcançar período posterior a novembro/95, haja vista a edição da MP n° 1.212/95. A autoridade julgadora de primeira instância manteve integralmente o lançamento, em decisão assim ementada: PIS - Programa de Integração Social Período: 03/93 a 09/95 AFTN. Competência. 0 AFTN possui competência outorgada por lei para a fiscalização de tributos e contribuições sob a administração da SRF. Portanto, não há que se falar em nulidade de ato lavrado por ele no exercício de suas atribuições. Universalidade do financiamento à Seguridade Social. Dentro do principio da universalidade do financiamento à Seguridade Social, as empresas que se dedicam comercialização de derivados de petróleo e álcool carburante, diferentemente daquelas que industrializam referidos produtos, são contribuintes do PIS. Exigência Fiscal procedente. (fl. 113) Ministério da Fazenda . A i Segundo Conselho de Contribuintes I c,;Dfs.;: , ;J,.: ;- .. -0 0 .c .-: , ':t1 1 I ....................... VISTO 2 Ministério da Fazenda L 'A F7 - 2',' CC 1 Segundo Conselho de Contribuintes ■.....).„.,.".," 1 „ST. Processo n° : 10855.001492/98-02 Recurso n° 127.537 Acórdão n° : 204-00.190 29 CC-MF Fl. Inconformada com a decisão monocritica, a empresa interpôs recurso voluntário dirigido a este Colegiado (fls. 122/ 127), alegando que: a) a cobrança retroativa da contribuição ao PIS diz respeito a período inteiramente coberto pela coisa julgada decorrente do mandado de segurança que reconheceu a inexistência de relação tributária; b) a decisão judicial não tem o condão de mandar recolher "as contribuições objeto da lide sob tutela jurídico-material genérica", que apenas reconheceu "limite na inviabilidade jurídica da exigência parafiscal do • PIS com fundamento na sistemática da substituição tributária"; e c) impossível o recolhimento da contribuição ao PIS "não apenas porque a responsabilidade pelo pagamento não lhe cabia diretamente, como, em vista da lei, a regulamentação não contava com regras que impusessem e normatizassem o procedimento administrativo-fiscal de arrecadação do ingresso publico que subentendesse, já a Recorrente como destinatária responsável pelo recolhimento da exação." Consta dos autos decisão judicial obtida pela recorrente, no sentido de que seja recebido o recurso voluntário sem o depósito de que trata a lei processual administrativa. zir É o relatório. 3 22 CC-MF Fl. Ministério da Fazenda i Segundo Conselho de Contribuintes r------------...—..,.. .,.,......—....... 1 %., .. .. .. . . . • . • I. 0 .:::::::.:: --‘,.. , 1,, i I 6,7; . , 21, 1 1 -- ... visTo I -...............„,.......................,......„....-...- r Processo n° : 10855.001492/98-02 Recurso nO 127.537 Acórdão n° : 204-00.190 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ADRIENE MARIA DE MIRANDA 0 recurso é tempestivo e, tendo atendido os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão central do presente processo versa sobre a incidência do PIS sobre as operações de venda de combustíveis. De acordo com os documentos constantes dos autos, a recorrente propôs ação judicial visando a declaração da ilegalidade da Portaria Ministerial n° 238/84, que determinava o recolhimento do PIS incidente sobre as vendas de combustíveis por postos varejistas pela empresa distribuidora no momento da venda aos referidos postos, em regime de substituição tributária. A ação judicial foi julgada procedente, reconhecendo-se a inconstitucionalidade e ilegalidade da Portaria Ministerial n° 238/84 e, por conseguinte, o direito dos impetrantes de recolherem o PIS após seus respectivos faturamentos, verbis: Pelo exposto, concedo a segurança e declaro ilegal e inconstitucional a Portaria 238, de 21 de dezembro de 1984, e ilegal os decretos-leis 2.445/88 e 2.449/88, por afrontarem a Lei Complementar n° 7. Ficam assim as impetrantes asseguradas do direito de recolherem o PIS após seus respectivos faturamentos. (fls. 67/68) No entanto, a recorrente não efetuou diretamente o recolhimento do PIS, quando da realização das vendas, tendo, ademais, procedido ao levantamento dos depósitos judiciais. Dai o auto de infração em discussão. Ora, uma vez afastada a Portaria e 238/84 por ilegal, resta, sem qualquer restrição, a norma geral, que determina a incidência do PIS mensalmente sobre o faturamento efetivamente realizado pela recorrente. Não há que se falar em vácuo legislativo ou subsidiariedade sucessiva, conforme orienta a jurisprudência desse Eg. Conselho de Contribuintes: (...) PIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA — A transferência da responsabilidade pelo crédito tributário não define hipótese de incidência de modo que, uma vez afastada a referida transferência, não há de se falar em vazio jurídico-normativo de incidência tributciria. 0 contribuinte se acha alcançado pela hipótese de incidência descritora da situação fcitica que lhe é afetada, quer seja responsável direto ou supletivo. (AC 203-06.808, Rel. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz) 4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10855.001492/98-02 Recurso n° 127.537 Acórdão n° : 204-00.190 wwW. .0.0111■11e 2" CC-MF ...ï.::: !: ■ '''..1 0 ORIMAL Fl. CF:. ...1 : ...;: i O / C!..: VISTO Vale dizer, uma vez concedida a segurança pleiteada para o fim de reconhecer o direito de não ter de recolher o PIS na sistemática da substituição tributária, deveria ter a recorrente promovido o recolhimento segundo as normas pertinentes. Registre-se, ainda, que, em casos idênticos ao presente, tem se manifestado esse Eg. Conselho de Contribuintes pela manutenção da exigência do PIS: PIS - FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. OPERAÇÕES RELATIVAS A COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. O Eg. STF já sedimentou o entendimento no sentido de que a imunidade prevista no § 3° do art. 155 da CF/88 não alcança as contribuições sociais. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. AÇÃO JUDICIAL FALTA DE RECOLHIMENTO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Afastada a substituição tributária por decisão judicial, a contribuição volta a ser devida conforme a legislação anterior aplictivel. Recurso negado. (AC 201-76195, Rel. Cons. Gilberto Cassuli, d.j. 20.06.2002, negritamos) PIS — SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA — Desobrigado por sentença judicial ao recolhimento da contribuição na forma de substituição tributária, deve o contribuinte proceder o recolhimento do tributo na forma da legislação pertinente, sob pena de sujeitar-se ao lançamento de oficio. Recurso negado. (Ac 203-08441, Rel. Cons. Otacilio Dantas Cartaxo, d. j. 18.09.2002, negritamos) Dessa forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 18 de maio de 2005 5

score : 1.0
10401687 #
Numero do processo: 23034.022638/2002-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/05/2002 SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PAGAMENTO. INFORMAÇÃO EM GFIP DO CÓDIGO DE TERCEIROS. A fim de ficar concretizado o pagamento do Salário-Educação, é necessário que o contribuinte, além de recolher o valor correspondente em GPS, ainda identifique, ao preencher a GFIP, o código de terceiros que abranja o código relativo ao tributo mencionado. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº110.
Numero da decisão: 2401-011.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências do período de março a maio de 2000. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Carolina da Silva Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, José Márcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202404

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/05/2002 SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PAGAMENTO. INFORMAÇÃO EM GFIP DO CÓDIGO DE TERCEIROS. A fim de ficar concretizado o pagamento do Salário-Educação, é necessário que o contribuinte, além de recolher o valor correspondente em GPS, ainda identifique, ao preencher a GFIP, o código de terceiros que abranja o código relativo ao tributo mencionado. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº110.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 23034.022638/2002-80

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7057651

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2401-011.707

nome_arquivo_s : Decisao_23034022638200280.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

nome_arquivo_pdf_s : 23034022638200280_7057651.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências do período de março a maio de 2000. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Carolina da Silva Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, José Márcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024

id : 10401687

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:21 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210837274624

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-15T18:34:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-15T18:34:37Z; Last-Modified: 2024-04-15T18:34:37Z; dcterms:modified: 2024-04-15T18:34:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-15T18:34:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-15T18:34:37Z; meta:save-date: 2024-04-15T18:34:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-15T18:34:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-15T18:34:37Z; created: 2024-04-15T18:34:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-04-15T18:34:37Z; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-15T18:34:37Z | Conteúdo => S2-C 4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 23034.022638/2002-80 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-011.707 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de abril de 2024 Recorrente NACIONAL GÁS BUTANO DISTRIBUIDORA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/05/2002 SALÁRIO-EDUCAÇÃO. PAGAMENTO. INFORMAÇÃO EM GFIP DO CÓDIGO DE TERCEIROS. A fim de ficar concretizado o pagamento do Salário-Educação, é necessário que o contribuinte, além de recolher o valor correspondente em GPS, ainda identifique, ao preencher a GFIP, o código de terceiros que abranja o código relativo ao tributo mencionado. ENDEREÇAMENTO DE INTIMAÇÕES DE ATOS PROCESSUAIS NA PESSOA DO PROCURADOR. Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as competências do período de março a maio de 2000. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Carolina da Silva Barbosa - Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 26 38 /2 00 2- 80 Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-011.707 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022638/2002-80 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, José Márcio Bittes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Guilherme Paes de Barros Geraldi e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Administrativo (e-fls. 82/87) interposto por NACIONAL GÁS BUTANO DISTRIBUIDORA LTDA. (CNPJ 06.980.064/0010-73) contra a decisão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, contida na Informação nº 2223/2004 – CGEARC (e-fls. 71) que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente às contribuições sociais destinadas ao FNDE, em relação ao período compreendido entre 12/1999 e 05/2000, formalizado em 11/2002. A notificação para recolhimento do débito – NRD nº 813/2002 (e-fl. 31) foi lavrada com amparo na Informação nº 757/2002 – SUARC (e-fls. 29/30), que descreveu da seguinte forma o procedimento e as análise da autoridade lançadora: A empresa acima foi visitada em abril/2002, pelo técnico desta Autarquia, para verificação da regularidade de sua situação quanto às contribuições em favor do Salário- Educação, bem como das aplicações para o Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME, relativas ao período de Janeiro de 1995 a março de 2002. 2. Apuramos em inspeção que a empresa utilizou na GFIP o Código 066 para Outras Entidades, quanto o correto seria o 067 para os recolhimentos feitos através da GPS nas competências 12/99, 01 a 05/2000, dessa forma o Salário- Educação não está incluído no rateio dos valores repassados aos Terceiros pelo INSS. 3. Esclarecemos que cadastramos em nosso sistema, o Processo n.° 23034.031768/2002-11 correspondente a Notificação de Débito Apuração das Deduções, cujo o objeto de cobrança do supracitado processo será exclusivamente de débito referente a indenização não comprovadas nesta inspeção. 4. Verificamos que a empresa depositou em juízo, com base no processo n. 97.0018382- 3, os recolhimentos referentes às contribuições do Salário-Educação do período de 03/97 a 11/99 e 13/99. Solicitamos por meio do MEMO n.° 619/2002, fls. 23, à Procuradoria Geral do FNDE a viabilidade da conversão em renda de tais depósitos em favor do FNDE. 5. Após consulta em nosso sistema, apuramos o que segue: a) a empresa é optante pelo SME em 1987 a 1997 e afastada em 1998, conforme "Histórico de Exercícios da Empresa", às fls. 03 e 04; b) não constam em nossos registros, outros processos de levantamento de débito do PROINSPE ou Notificação para Recolhimento de Débito com base em Informação Fiscal do INSS para o período desta inspeção; c) não há parcelamento registrado em nosso sistema. 6. Informamos que os responsáveis pela empresa encontram-se relacionados nos documentos às fls. 12 a 21, cujos dados constam no Espelho da Empresa, fls. 02. Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-011.707 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022638/2002-80 7. Diante do exposto, sugerimos a emissão de Notificação de Débito para darmos início ao processo de cobrança, conforme parágrafos "2" e prévia do "Quadro de Atualização de Débito", fls. 25. Tendo sido cientificada do lançamento em 11/11/2002 (e-fl. 34), a recorrente apresentou Impugnação (e-fls. 35/37) alegando, em síntese:  Que os valores cobrados tinham sido pagos, conforme se comprova pelas guias anexadas (e-fl. 54 e ss);  Que ocorreu um erro no preenchimento das GFIPs, que se deu sob o código 114, enquanto deveria ter sido feito no código 115;  Informa que tal erro, quando foi verificado, resultou na retificação dos documentos (e-fls. 58 e ss);  Defende que o erro de código não deveria justificar a cobrança da contribuição em duplicidade. A decisão FNDE (e-fls. 75/76) foi tomada com base na Informação nº. 2223/2004 – CGEARC (e-fls. 71/72), que destacou: Após análise dos autos verificamos que, de fato a empresa providenciou a retificação das RDEs, fls. 53 à 58, as quais foram requeridas as alterações do Código de Terceiros de 114 para o Código 115, referente às competências 12/99 e 01 a 05/2000, porém esta Coordenação Geral consultou o INSS, por intermédio do Ofício n.° 628/2003/GEARC/DIROF/FNDE, fl. 59, indagando se havia erro no preenchimento das citadas RDEs do CNPJ da matriz. Em resposta, o INSS informa mediante OFÍCIO INSS/DIRAR/CGARREC n.° 09/2003, fl. 60, que as guias retificadoras apresentadas pela empresa não foram processadas pela Caixa Econômica Federal, em razão de preenchimento incorreto, além dos formulários utilizados estarem em desuso. Por analogia, sugerimos que esta Coordenação adote o mesmo procedimento para a filial em questão, já que as RDEs foram preenchidas da mesma forma da matriz. Em Consulta ao Sistema AGUIA/INSS, às fls. 61 à 63, constatamos que não houve alteração do código de Terceiros, nem o recolhimento do débito para as competências mencionadas, conforme fls. 64. Dessa forma, os débitos apurados pelo PROINSPE permanecem inalterados. Isto posto, sugerimos o INDEFERIMENTO DA DEFESA, informando que o montante do débito atualizado é de RS 22.217,98 ( vinte e dois mil, duzentos e dezessete reais e noventa e oito centavos ), conforme Quadro de Atualização de Débito, à fl. 65. A recorrente foi oficiada do resultado de julgamento pela via postal em 16/09/2004, conforme Aviso de Recebimento (e-fl. 81) e apresentou Recurso (e-fls. 82/87) em 04/10/2004, reiterando suas alegações apresentadas anteriormente em sede de Impugnação e juntando novamente os documentos comprobatórios dos recolhimentos e retificações. Foi emitida a Informação nº. 2770/2004 (e-fls. 94), atestando a realização do depósito de 30% exigido na época, para interposição do recurso. Foi apresentado Parecer nº. 499/2005 (e-fls99 e ss) recomendando que fossem confirmadas as retificações e recolhimentos. Vale o destaque: Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-011.707 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022638/2002-80 Com efeito, se infere no presente caso, que o crédito remanescente não decorre da ausência de comprovação dos recolhimentos da contribuição social do Salário- Educação, mas de evidente erro material constatado na GFIP relativo ao Código de Terceiros então informado. Por essa razão, ressaltamos e enfatizamos que prosseguir na cobrança sem a devida certeza se houve ou não a retificação do sobredito Código, poderá vir a caracterizar cobrança indevida, e inclusive, configurar crime de excesso de exação. Em 12/05/2010, os autos foram transferidos para a Receita Federal do Brasil (e-fl. 115/119). Os autos foram encaminhados para o CARF, sem que houvesse apresentação de contrarrazões. Em 28/03/2023, a 1ª Turma da 4ª Câmara houve por bem converter o julgamento em diligência, na Resolução nº. 2401-000.958 (e-fls. 141/143), nos termos do voto do Conselheiro Eduardo Newman de Mattera Gomes, para que a unidade de origem esclarecesse: As GFIP retificadoras objeto de análise foram efetivamente aceitas e processadas; As parcelas dos valores destinados ao FNDE indicadas nas GFIP retificadoras correspondem aos valores originais lançados de ofício; Os créditos constituídos nos presentes autos foram quitados por recolhimentos efetuados em data anterior ao lançamento em análise, após a consideração de eventuais retificações de GFIP (na hipótese de quitação parcial, deve ser indicado o valor do tributo não extinto). A Unidade de Origem apresentou Informação Fiscal (e-fls. 149/151) e anexou documentos (e-fls. 152/173). Além de responder às perguntas formuladas, a fiscalização apresentou quadros detalhando os recolhimentos e declarações promovidos pela recorrente e apresentou as seguintes conclusões: Caso os ilustres julgadores entendam que apenas as contribuições declaradas em GFIP e recolhidas em GPS devam ser consideradas no presente lançamento, o crédito remanescente é o indicado na coluna DR (Declarado e Recolhido). Caso entendam que mesmo as contribuições não declaradas, mas recolhidas se prestem a deduzir o presente processo, então o valor remanescente é o da coluna R (Recolhido). A recorrente foi intimada a se manifestar sobre a Diligência Fiscal, conforme Termo de Ciência por abertura de mensagem (e-fl. 174), em 22/05/2023, e apresentou Manifestação (e-fls. 180/186), alegando:  mesmo que as retificações não tenham sido processadas, não pode a Recorrente ser responsabilizada por erro da própria Autoridade Pública que não processou as retificações apresentadas e ser forçada a recolher uma determinada contribuição em duplicidade;  que as retificações foram apresentadas em agosto de 2000, ou seja,antes da notificação pela Autoridade Fiscal, em abril de 2002;  nota-se que, nas competências de mar/00 a mai/00, os valores a título de FNDE foram devidamente informados pelo contribuinte, inclusive em Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-011.707 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022638/2002-80 quantia maior, resultando em uma diferença de R$ 120,06 (cento e vinte reais e seis centavos) em relação aos meses mencionados, o que deve ser deduzido do valor total objeto da presente cobrança, caso mantido qualquer valor, o que não se acredita. Os autos foram encaminhados para julgamento e, em razão de o Conselheiro Relator não mais compor os quadros do CARF, foram redistribuídos, ficando sob a minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Juízo de Admissibilidade O Recurso Administrativo interposto tem natureza de Voluntário, é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito Em razão da diligência realizada confirmou-se que a recorrente tentou retificar as GFIPs e efetuou recolhimentos em GPS, que foram identificados pela fiscalização no quadro constante às e-fls. 151. Foram identificados valores residuais de declaração e pagamento na coluna “DR” da Planilha da e-fl. 151, para as competências de 12/1999 a 02/2000. A falta de informação em GFIP do código correto e não processamento das GFIPs retificadoras comprometeram a quitação das contribuições devidas ao FNDE. Ou seja, que apesar de terem sido identificados os recolhimentos pela Autoridade Fiscal, tais valores não foram destinados ao FNDE, e sim rateados entre as demais entidades. Por esta razão, a quitação das contribuições ao FNDE não pode ser considerado como efetivada. O Conselheiro Matheus Soares Leite destacou a importância de ser verificada a correta declaração (códigos de recolhimento) e recolhimento das contribuições para Terceiros, no voto proferido no Acórdão nº. 2401-010.740, o qual reproduzo abaixo e adoto como razões de decidir: Ademais, cumpre pontuar que o pagamento das contribuições para outras entidades e fundos passa por dois momentos distintos, quais sejam, a quitação e declaração formal com a destinação do valor pago, ambos necessários à concretização da operação e à viabilização dos recursos às entidades favorecidas. Sem a efetivação cumulativa desses dois procedimentos não há como reconhecer como quitada a contribuição que o sujeito passivo tinha em mente quitar. Isto Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-011.707 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022638/2002-80 porque deixaria de existir uma declaração formal do contribuinte no sentido de demonstrar qual o débito que ele estaria adimplindo. Existem vários códigos a serem informados: 001 – Salário-Educação, 002 – INCRA, 004 – SENAI, 008 - SESI, 016 – SENAC, 032 – SESC, 064 – SEBRAE, e assim por diante, dependendo da natureza da atividade da empresa, dos convênios firmados diretamente com as entidades, das ações judiciais impetradas pelo sujeito passivo, bem como em virtude de outras situações que porventura venham a ocorrer. Sendo assim, quando a contribuinte informa na GFIP, por exemplo, o código “114”, está, na verdade, indicando que o pagamento realizado na GPS, no campo “Valor de Outras Entidades”, se refere ao pagamento das contribuições devidas ao INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, pois correspondem, respectivamente, às contribuições identificadas com os códigos “002”, “016”, “032”, e “064”, e, por conseguinte, o órgão administrador dos tributos irá repassar a importância recolhida tão somente para aquelas entidades informadas, e, por óbvio, não considerará como pagos os tributos vinculados às entidades não indicadas. E foi exatamente isso que ocorreu no caso em questão, a empresa não informou um código que abrangia o Salário-Educação, não se materializando, por esse motivo, o respectivo pagamento. (grifos acrescidos) Diante do exposto, considerando o erro do Código e a falta de processamento das GFIPs retificadoras, apesar da identificação dos pagamentos em GPS, entendo que de modo que deve ser excluído do lançamento as competências de 03/2000, 04/2000 e 05/2000, em razão da correta declaração dos valores em GFIP e comprovação dos recolhimentos. 3. Pedido de intimação em nome do procurador Não encontra respaldo legal nas normas do Processo Administrativo Fiscal a solicitação para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do procurador (advogado) constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 110, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. 4. Conclusão Ante do exposto, voto por CONHECER o Recurso Voluntário, e no mérito, DAR- LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento as competências de 03/2000, 04/2000 e 05/2000, em razão da correta declaração dos valores em GFIP e comprovação dos recolhimentos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-011.707 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 23034.022638/2002-80 Fl. 198DF CARF MF Original

score : 1.0
10403890 #
Numero do processo: 10935.720078/2017-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. ALEGAÇÕES NOVAS. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. O Recurso Voluntário deve ater-se às matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondo-se o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa em decorrência da preclusão processual. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2201-011.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. ALEGAÇÕES NOVAS. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. O Recurso Voluntário deve ater-se às matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondo-se o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa em decorrência da preclusão processual. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10935.720078/2017-11

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7058332

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2201-011.515

nome_arquivo_s : Decisao_10935720078201711.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA

nome_arquivo_pdf_s : 10935720078201711_7058332.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2024

id : 10403890

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:24 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210851954688

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-11T17:31:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-11T17:31:15Z; Last-Modified: 2024-04-11T17:31:15Z; dcterms:modified: 2024-04-11T17:31:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-11T17:31:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-11T17:31:15Z; meta:save-date: 2024-04-11T17:31:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-11T17:31:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-11T17:31:15Z; created: 2024-04-11T17:31:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-04-11T17:31:15Z; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-11T17:31:15Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10935.720078/2017-11 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-011.515 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2024 Recorrente SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. ALEGAÇÕES NOVAS. NÃO CONHECIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. O Recurso Voluntário deve ater-se às matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondo-se o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa em decorrência da preclusão processual. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 00 78 /2 01 7- 11 Fl. 2697DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720078/2017-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão 09-063.665 - 5ª Turma da DRJ/JFA, fls. 2494 a 2502. Trata de autuação referente a Contribuições Sociais Previdenciárias e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Trata-se de crédito tributário constituído contra a citada empresa, por meio do Auto de Infração, com o período de apuração de janeiro/2012 a dezembro/2014, tendo o contribuinte sido cientificado em 31/01/2017, no montante de RS 6.256.286.95 (seis milhões, duzentos e cinqüenta e seis mil, duzentos e oitenta e seis reais e noventa e cinco centavos). O lançamento se dividiu em: "contribuições previdenciárias vertidas do "segurado especial", contribuições previdenciárias vertidas do "empregador rural pessoa física equiparado a autônomo" e contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas destinadas ao SENAR, vertidas de todos produtores rurais pessoas físicas". A fiscalização iniciou-se em 18/04/2016, a empresa foi intimada a apresentar documentos entre eles: ações judiciais relacionadas as contribuições previdenciárias e as respectivas decisões, caso houvesse: informações das aquisições de produtos rurais e a natureza jurídico-previdenciária do produtor pessoa física e informações contábeis em meio digital, como descrito nos itens 3.3 e 3.4 do Relatório Fiscal. Com base nos documentos apresentados a Auditora Fiscal solicitou que a empresa identificasse como os produtores rurais, não abarcados por liminar, se enquadravam em relação previdência, ou seja, se eram segurado especial ou produtor rural pessoa física equiparado a autônomo. Requisição essa atendida pelo contribuinte, foi efetuando o lançamento em da seguinte forma: (A) "FATO GERADOR" - AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL, COM CONTRIBUIÇÕES SUB-ROGADAS NA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE "INFRAÇÃO" AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE "SEGURADOS ESPECIAIS" CUJAS CONTRIBUIÇÕES NÃO FORAM OFERECIDAS A TRIBUTAÇÃO (...) 3.27. Por força do art. 30, IV da Lei n° 8.212/91, o adquirente de produtos rurais pessoa jurídica, ou equiparado, sub-roga-se na obrigação de recolher as contribuições sociais do "segurado especial". (...) 3.18. Destacados os "motivos de direito", alguns "fatos" ocorridos durante procedimento fiscal devem ser ressaltados: (...) Fl. 2698DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720078/2017-11 d)a fiscalizada apresentou sentenças e acórdãos relativos aos mandados de segurança 5002201-76.2011.404.7005IPR e 5001131-58.2010.404.7005/PR. Tais processos judiciais não versaram sobre "contribuições sobre a comercialização rural", mas sobre verbas não tributáveis da "folha de salários"; e) apresentou, também, cópias de processos judiciais de produtores rurais amparados por decisões liminares, pendentes de julgamento, ou transitadas em julgado, isentando- os de sofrer a retenção da "contribuição previdenciária" quando da comercialização da sua produção com pessoa jurídica; e f) após a lavratura de intimação específica (41-01/2016), a autuada identificou os produtores rurais "segurados especiais" (art. 12, VII da Lei 8.212/91) e "produtores rurais pessoas físicas equiparados a autônomos" (art. 12, V, "a" da Lei 8.212/91). (...) 3.20. Foi constatado também que a autuada declarou parcialmente os "fatos geradores" ora em debate nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIPs, bem como recolheu parcialmente as contribuições aos cofres da União. (...) (B) "FATO GERADOR" - AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL, COM CONTRIBUIÇÕES SUB-ROGADAS NA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE "INFRAÇÃO" AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE "CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS" CUJAS CONTRIBUIÇÕES NÃO FORAM OFERECIDAS A TRIBUTAÇÃO 3.23. As "contribuições" objeto da infração ora relatada foram instituídas pelos incisos I e II, art. 25 da Lei n° 8.212/91, nos seguintes termos: (...) 3.24. O art. 12, V, "a" da referenciada Lei definiu o "empregador rural pessoa fisica equiparado a autônomo"; (...) 3.25. Por força do art. 30, IV da Lei n° 8.212/91, o adquirente de produtos rurais pessoa jurídica, ou equiparado, sub-roga-se na obrigação de recolher as contribuições sociais do "empregador rural pessoa fisica equiparado a autônomo ". 3.26. Outro aspecto a ser considerado é que a Auditoria da Receita Federal continua a efetuar o lançamento das "contribuições previdenciárias" oriundas do "empregador rural pessoa física" para se evitar a decadência. Isto porque a declaração do STF no RE 362.852 ocorreu em sede do controle difuso da constitucionalidade, gerando efeitos apenas entre as partes daquele dissídio judicial. Não estando o dispositivo legal definitivamente expurgado do sistema (art. lo da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25,1 e II, e 30, TV, da Lei 8.212/1991), o lançamento tributário que nele se fundamenta não pode deixar de ser aplicado pelo Fisco, porque se trata de ato administrativo plenamente vinculado. (...) (C) "FATO GERADOR" - AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL, COM CONTRIBUIÇÕES SUB-ROGADAS NA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE "INFRAÇÃO" AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE "SEGURADOS ESPECIAIS" "CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS" E "PRODUTORES COM Fl. 2699DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720078/2017-11 DECISÕES JUDICIAIS", CUJAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SENAR NÃO FORAM OFERECIDAS A TRIBUTAÇÃO 3.32. A "contribuição" objeto da infração ora relatada foi instituída pelo art. 6º, da Lei 9.528/97, na redação dada pela Lei 10.256/2001. (...) 3.33. A Auditoria informa que estão sendo lançadas "contribuições" destinadas ao SENAR sobre todas as aquisições rurais de pessoas físicas ("segurados especiais", "produtores rurais pessoas físicas equiparados a autônomos" e "produtores rurais amparados por decisões judiciais"), haja vista que as "contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas" não foram alcançadas pela decisão proferida pelo STF no RE 362.852. Ademais, as decisões judiciais somente dispensaram os produtores rurais do recolhimento das "contribuições previdenciárias" destinadas à Seguridade Social. A Auditor Fiscal relata que foi aplicada a multa de ofício, no seu imite mínimo de 75% (setenta e cinco por cento) nos termos do inciso I, art. 44 da Lei n° 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO A empresa apresentou impugnação em 02/03/2017, afirmando que reconhece parcialmente a autuação, porém discorda do lançamento que foi fundamentado "no art 25 da Lei n°. 8.212/91, na redação do "caput" pela Lei n°. 10.256/01, mais as redações dos incisos I e II pela Lei n°. 9.528/97". A Impugnante traça um histórico das modificações ocorridas no art. 25 da Lei n 0 8.212/91. sendo que na época da ocorrência dos supostos fatos geradores a redação do caput do artigo foi dado pela Lei n°. 10.256/01 e as redações dos incisos I e II dadas pela Lei n 0 . 9.528/97. Destaca o julgamento RE 363.852, no qual o relator entendeu que houve a ciiação de uma nova fonte de custeio do Funrural, declarando a inconstitucionalidade do art. 1 o da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12. incisos V e VII, 25, incisos I e II. e 30, inciso IV. da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97. O Impugnante entende que com a Emenda Constitucional - EC 20 de 1998 e posteriormente a edição da Lei 10.256/01, as contribuições sociais do empregador rural pessoa física sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da sua produção" não tomaram-se constitucionais, pelas razões a seguir: 1- o artigo 1 o da Lei n°. 10.256/01 não instituiu novas contribuições, houve apenas a alteração do "caput" do art. 25, da Lei 8.212/91. A "base de cálculo" e "hipótese de incidência", essenciais para definição da natureza jurídica do tributo, estão dispostos nos incisos I e II. que permanecem com a redação dada pela Lei n°. 9.528/97, materialmente inconstitucional. A EC 20/98 não tem o condão de convalidar normas que nunca foram validas, portando não podem ser recepcionadas. 2- os conceitos de "receita" e "faturamento" estão restritos as pessoas jurídicas com obrigações legal-contábeis. não alcançando o ruralista (não obrigado ao registro formal de suas operações econômicas). O conceito da base de cálculo, para a pessoa física, está disposto no §8°. art. 195 da CF. alcançando o segurado especial (substituição contributiva para o empregador rural pessoa física respeitando o limite previsto no §4°. art. 195 da CF). A defesa discorre sobre os conceitos de "receita" e "faturamento", citando o Acórdão exarado na ADIN 1103-1/DF, ressaltando que o STF os delineou somente para pessoas jurídicas. Para as pessoas físicas a expressão impositiva encontra-se definida no § 8°, art, 195, da CF, que não se confunde com a expressão "receita" na sua acepção técnica, Fl. 2700DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720078/2017-11 inovação trazida pela EC 20/98. Destaca que caso o legislador quisesse instituir contribuições sociais para os empregadores rurais pessoas físicas, deveria fazê-lo por lei complementar. 3- a Emenda Constitucional 42/03, acrescentou o §13° ao art. 195 da Constituição Federal permitindo a substituição da contribuição prevista no art. 195, I, "a" pela do art. 195, I, "b", por lei ordinária, inclusive o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4a. Região é que a alteração do art. 25. da Lei n°. 8.212/91 promovido pela Lei n°. 10.256/01 não tomou o dispositivo constitucional. Por fim. a defesa ressalta que o objeto desta impugnação não foi submetida a esfera judicial, pede que seja declarado nulo, a parte do auto-de-infração impugnado, por ser fundamentado em norma legal inconstitucional, e também: a) provar o alegado por todos os meios em direito admitidos; b) pela jantada de provas, bem como pelo aditamento da presente impugnação até data anterior ao julgamento, tudo em conformidade com o direito ao contraditório e à ampla defesa e com o principio do devido processo legal. c) seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fundamento no inciso III, art. 151, do Código Tributário Nacional. A Impugnante apresentou pedido de desmembramento do processo para parcelamento especial, reconhecendo os débitos tributários códigos 2158 e 2187. É o relatório. Ao analisar a impugnação, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão ao contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2014 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. Este órgão de julgamento administrativo não é competente para apreciar aleaacões de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos, entretanto as contribuições na aquisição junto a produtor rural pessoa física o STF já decidiu pela constitucionalidade da Lei n° 10.256. de 2001. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, ressalvados os casos específicos descritos no § 4 o do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O interessado interpôs recurso voluntário às fls. 2509 a 2514, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Voto Fl. 2701DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-011.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720078/2017-11 Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. O presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo em suas alegações. Da análise do recurso da contribuinte, percebe-se que a mesma limitou-se a tecer questionamentos relacionados à divergência entre o entendimento da Receita Federal e da decisão do STF no tocante ao RE 718.874/RS e da imunidade referente às receitas provenientes da exportação. Por questões didáticas, analisar-se-á as questões recursais em tópicos separados. 1 - DA DIVERGÊNCIA ENTRE O ENTENDIMENTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL E A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO RE 718.874/RS. Para a recorrente, a referida decisão além de não ter o efeito “erga omnes”, ainda não transitou em julgado e que a referida contribuição inconstitucional, na redação original da Lei 8.212/91, e nas Leis 8.540/92 e 9.528/97, conforme os trechos de seu recurso, a seguir transcritos: A decisão exarada no RE 718.874/RS não tem efeitos "erga omnes” contrariamente ao que tentou argumentar o acórdão administrativo a quo. A decisão proferida pelo STF. ao dizer constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da sua produção" ainda pende do trânsito em julgado. Muito longe disto, a contribuição ora debatida é inconstitucional, na redação original da Lei 8.212/91. e nas Leis 8.540/92 e 9.528/97 Vejamos então, senhores julgadores, o porque a referida contribuição não se tornou constitucionou após o advento da Lei 10.256/01. O artigo 1 o da Lei 10.256/01. ao contrário das Leis precedentes (8.212/91 na redação original, 8.540/92 e 9.528/97) não instituiu novas contribuições, apenas cingiu-se a alterar o "caput" do art. 25, da Lei 8.212/91, na redação até então vigente (Lei 9.528/97). O binômio "base de cálculo" e "hipótese de incidência", conceitos essenciais para definição da natureza jurídica do tributo, encontram-se dispostos nos incisos I e II. que permanecem com a redação dada pela Lei 9.528/97, materialmente inconstitucional. A edição da EC 20/98 não teve o condão de convalidar normas (incisos I e II, art. 25 da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 9 528/97 e §§ 3 o e 4 o , na redação dada pela Lei 8.540/92) que jamais tiveram validade, não podendo ser recepcionadas. Ademais, conforme se debateu na impugnação os conceitos de "receita" e "faturamento" encontram-se afeitas estritamente às pessoas jurídicas com obrigações legal-contábeis, não alcançando o ruralista - pessoa natural não obrigada a um registro formal de suas operações econômicas O conceito da base de cálculo, para a pessoa física, encontra-se disposto no §8°. art. 195 da CF, como o "resultado da comercialização da produção", que alcançou apenas o segurado especial (a substituição contributiva para o empregador rural pessoa fisica haverá de obedecer ao limite imposto pelo §4°, art. 195 da CF). ( ... ) Por todo exposto, se requer seja confirmado pelo Conselho de Contribuintes, que as contribuições sociais lançadas no auto de infração ora impugnado foram fundamentadas no art. 25, da Lei 8.212/91, com a redação do "caput" dada pela Lei 10 256/01 e a Fl. 2702DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-011.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720078/2017-11 redação dos seus incisos I e II dada pela Lei 9.528/97. Quanto à declaração de inconstitucionalidade da integralidade do art. 25. da Lei 8.212/91, estamos convictos que seja função do Poder Judiciário, no exercício de sua competência. Contudo, caso o STF antes de concluído o contencioso administrativo venha pronunciar-se sobre os efeitos da debatida constitucionalidade, ou caso a RFB venha a modificar o entendimento das repercussões da decisão do RE 718.874/RS: se requer seja declarado nulo o auto de infração ora impugnado. Da análise dos autos, percebe-se que toda a discussão gira em torno da legalidade dos lançamentos sobre a subrogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. Discordando dos argumentos da contribuinte de que não houve o trânsito em julgado da questão relacionada à sub-rogação das obrigações previdenciárias e que a referida contribuição é inconstitucional, apresento o entendimento sumulado deste CARF, emanado através da súmula 150, que trata em definitivo do tema na esfera administrativa, não cabendo a esta turma de julgamento apresentar entendimento diverso. Senão, veja-se, a seguir, a transcrição da referida súmula: Súmula CARF nº 150 A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de subrogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. Portanto, não assiste razão às aspirações da contribuinte no tocante às alegações de inconstitucionalidade relacionada à sub-rogação das obrigações previdenciárias do produtor rural. 2 - DA IMUNIDADE SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DA EXPORTAÇÃO E DA INCONSTITUCIONALIDADE DOS §§ 1° E 2°, ART. 245 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 3/2005, DA SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA. Para a recorrente, a fiscalização não excluiu da base de cálculo as receitas provenientes das operações de exportações, devendo, portanto, o crédito tributário ser revisto pelo "agente fiscal" para considerar as exportações realizadas pela Recorrente, conforme cópias de documentos, juntados por amostragem. Estas alegações não devem ser conhecida, pois, a contribuinte não as alegou por ocasião de sua impugnação ao lançamento, sendo, portanto, esta solicitação preclusa, não devendo, portanto, ser conhecida neste recurso. No caso, tem-se que a mesma é inovadora em relação às alegações suscitadas perante a sua impugnação junto ao órgão julgador de primeira instância. Destarte, considerando o fato de que a mesma não foi suscitada perante a impugnação, observa-se que é preclusa, pois não foi submetida à decisão de primeira instância. Portanto, mesmo que a presente solicitação se enquadrasse nas situações suscitadas pela recorrente, não deve ser acatada, haja vista o fato de que a contribuinte não suscitou por ocasião da impugnação, tornando-a preclusa administrativamente, conforme preleciona no artigo 17 do Decreto 70.235/72: Fl. 2703DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-011.515 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.720078/2017-11 Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vale lembrar que o Recurso Voluntário deve ater-se às matérias mencionadas na impugnação ou suscitadas na decisão recorrida, impondo-se o não conhecimento em relação àquelas que não tenham sido impugnadas ou mencionadas no acórdão de primeira instância administrativa em decorrência da preclusão processual. No tocante às decisões administrativas apresentadas pelo contribuinte, há que ser esclarecido que as decisões administrativas, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem que uma lei lhes atribua eficácia normativa, não se constituem como normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão analisada e vinculam apenas as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: ( ... ) II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Em relação a decisões judiciais, apenas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos repetitivos e repercussão geral, respectivamente, são de observância obrigatória pelo CARF. Quanto a entendimentos doutrinários, tem-se que, apesar dos valorosos ensinamentos que possam trazer aos autos, os mesmos não são normas da legislação tributária e, por conta disso, não são de seguimento obrigatório. Conclusão Por todo o exposto e por tudo o que consta nos autos, conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 2704DF CARF MF Original

score : 1.0
10402616 #
Numero do processo: 13896.003636/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO Uma vez não apresentados outros elementos probatórios da retenção do imposto, é correta a aferição através dos comprovantes de pagamento apresentados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2201-011.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202404

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO Uma vez não apresentados outros elementos probatórios da retenção do imposto, é correta a aferição através dos comprovantes de pagamento apresentados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 13896.003636/2008-83

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7057735

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2201-011.640

nome_arquivo_s : Decisao_13896003636200883.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA

nome_arquivo_pdf_s : 13896003636200883_7057735.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024

id : 10402616

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:23 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210854051840

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-19T19:05:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-19T19:05:18Z; Last-Modified: 2024-04-19T19:05:18Z; dcterms:modified: 2024-04-19T19:05:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-19T19:05:18Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-19T19:05:18Z; meta:save-date: 2024-04-19T19:05:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-19T19:05:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-19T19:05:18Z; created: 2024-04-19T19:05:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-04-19T19:05:18Z; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-19T19:05:18Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13896.003636/2008-83 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-011.640 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de abril de 2024 Recorrente JOSEPH GEORGES FARAH Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO Uma vez não apresentados outros elementos probatórios da retenção do imposto, é correta a aferição através dos comprovantes de pagamento apresentados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do acórdão 17-56.039 - 5' Turma da DRJ/SP2, fls.72 a 78. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 36 36 /2 00 8- 83 Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.640 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003636/2008-83 Trata de autuação referente a IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. O contribuinte acima qualificado insurge-se contra a Notificação de Lançamento de fls. 08/10, relativo ao ano-calendário 2005, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 29.039,60. O lançamento originou-se da inclusão de rendimentos tributáveis provenientes do Banco Rural S/A no importe de R$ 25.194,86, com o imposto de renda retido no valor de R$ 5.312,43, bem como da glosa do Imposto de Renda Retido na fonte, referente às empresas Masterpartes Benefíciamento de Peças Ltda. e Cabel Industrial Ltda., respectivamente, nos valores de R$ 7.658,07 e R$ 7.809,27, respectivamente, nos valores de RS 20,60 e RS 9.619,29, resultado no crédito tributário acima apurado. Em sua impugnação de fls. 01/06, o contribuinte discorda do lançamento por entender que o imposto de renda retido pela empresa Cabel Industrial Ltda foi integralmente recolhido conforme demonstram os DARFs anexos. Em relação ao imposto de renda da empresa Masterpartes Benefíciamento de Peças Ltda, reconhece que apenas parte do imposto foi recolhido, mas entende que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto é da fonte pagadora. No tocante aos rendimentos omitidos, reconhece que houve equívoco de sua parte ao deixar de informar parte dos rendimentos e do imposto de renda retido na fonte, motivo pelo qual requer que penalidade aplicada seja desconsiderada. Assim, requer o cancelamento do lançamento e a extinção do crédito tributário exigido. É o relatório. Ao analisar a impugnação, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que assiste razão em parte ao contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Todos os rendimentos tributáveis informados pelas fontes pagadoras devem compor a base de cálculo do imposto. GLOSA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Somente os valores declarados pelas fontes pagadoras como retidos na fonte devem ser considerados no lançamento. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de oficio é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O interessado interpôs recurso voluntário, fls. 81 a 88, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.640 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003636/2008-83 Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. O presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo em suas alegações meritórias. Conforme o quadro a seguir, o órgão julgador de primeira instância deu parcial provimento à impugnação do contribuinte, mantendo a autuação por omissão de rendimentos no valor de R$ 6.928,58 e pela diferença de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 438,69: Em seu recurso voluntário, o contribuinte, sem apresentar argumentos específicos, limitou-se a questionar a manutenção da autuação pelo acórdão recorrido do IRRF no valor de R$ 438,69, conforme os trechos de seu recurso voluntário, a seguir transcritos: IV. O PONTO DO V. ACÓRDÃO QUE MERECE REFORMA Doutos Julgadores, em que pese o respeito, não pode prevalecer de forma alguma, a decisão da 5 a Turma da DRJ-SP2, no Acórdão n° 17-56.039, de 08/12/11, que entendeu que: (... ) "A responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção na fonte e ao recolhimento do imposto, nas condições de sujeito passivo responsável, não excluiu a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento" Pois, conforme já asseverado na Impugnação inicial apresentada, é outro o entendimento trazido pela jurisprudência dominante, perfeitamente aplicável no caso concreto, que assim se traduz: ( ... ) Com mais lógica ainda, a aplicação desse entendimento jurisprudencial, quando a fonte pagadora remete ao Contribuinte o informe anual, acusando a retenção do Imposto de Renda na Fonte, como é o caso dos autos, eis que: a) Em 28/07/2008, o Recorrente apresentou à Fiscalização todos os documentos solicitados no Termo de Intimação Fiscal n° 2006/608311624001034, que originou o Auto de Infração (cópias no processo). b) Dentre os documentos apresentados, foram juntados os informes de rendimentos das empresas Masterpartes Beneficiamento de Peças Ltda e Cabel Industrial Ltda, referente ao ano calendário 2005 (cópia no processo). Ora, se o Contribuinte já exibiu para o Fisco os informes anuais de rendimentos, fornecidos pela fonte pagadora do Imposto de Renda Retido na Fonte e, essa não recolheu aos cofres públicos o imposto retido, mesmo que parcialmente, não pode ser Fl. 116DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.640 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003636/2008-83 esse mesmo imposto exigido agora do Contribuinte, muito menos, glosado ele, a teor da jurisprudência supra-colacionada. Nestas condições, a decisão recorrida, há que ser reformada nesse ponto, para que se aplique corretamente o direito e, se faça a verdadeira justiça !! De antemão, venho a informar que não consta do processo os suscitados informes de rendimentos das empresas Masterpartes Beneficiamento de Peças Ltda e Cabel Industrial Ltda, referente ao ano calendário 2005. Por conta disso, como bem pontuou a decisão recorrida, no tocante à fonte pagadora Masterpartes Beneficiamento de Peças Ltda, entendo que deve ser considerado como imposto retido comprovado ou pago, o valor constante do somatório dos comprovantes de pagamento anexo às fls. 69 a 71, no caso, R$ 1.906,95, permanecendo o valor glosado de R$ 5.751,12. No caso da Cabel Industrial Ltda, foi correto o valor declarado pelo contribuinte. No tocante às decisões administrativas apresentadas pelo contribuinte, há que ser esclarecido que as decisões administrativas, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem que uma lei lhes atribua eficácia normativa, não se constituem como normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão analisada e vinculam apenas as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: ( ... ) II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Em relação a decisões judiciais, apenas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos repetitivos e repercussão geral, respectivamente, são de observância obrigatória pelo CARF. Quanto a entendimentos doutrinários, tem-se que, apesar dos valorosos ensinamentos que possam trazer aos autos, os mesmos não são normas da legislação tributária e, por conta disso, não são de seguimento obrigatório. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, conheço do presente recurso voluntário, para NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 117DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.640 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.003636/2008-83 Fl. 118DF CARF MF Original

score : 1.0
10388449 #
Numero do processo: 10410.720194/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SINDICATO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo.
Numero da decisão: 3401-012.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, afastar a concomitância e determinar a devolução do processo à instância a quo para que se profira novo julgamento analisando a alegação da Recorrente no que concerne à sistemática de tributação das receitas de vendas de álcool para fins carburantes. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Renan Gomes Rego – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: RENAN GOMES REGO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SINDICATO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10410.720194/2010-75

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7056081

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3401-012.735

nome_arquivo_s : Decisao_10410720194201075.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : RENAN GOMES REGO

nome_arquivo_pdf_s : 10410720194201075_7056081.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, afastar a concomitância e determinar a devolução do processo à instância a quo para que se profira novo julgamento analisando a alegação da Recorrente no que concerne à sistemática de tributação das receitas de vendas de álcool para fins carburantes. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Renan Gomes Rego – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2024

id : 10388449

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:15 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210869780480

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-10T16:11:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-10T16:11:20Z; Last-Modified: 2024-04-10T16:11:20Z; dcterms:modified: 2024-04-10T16:11:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-10T16:11:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-10T16:11:20Z; meta:save-date: 2024-04-10T16:11:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-10T16:11:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-10T16:11:20Z; created: 2024-04-10T16:11:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-04-10T16:11:20Z; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-10T16:11:20Z | Conteúdo => S3-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10410.720194/2010-75 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-012.735 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2024 Recorrente PENEDO AGRO INDUSTRIAL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. SINDICATO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, afastar a concomitância e determinar a devolução do processo à instância a quo para que se profira novo julgamento analisando a alegação da Recorrente no que concerne à sistemática de tributação das receitas de vendas de álcool para fins carburantes. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Renan Gomes Rego – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 94 /2 01 0- 75 Fl. 358DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720194/2010-75 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 11-64-100, proferido pela 2ª Turma da DRJ/REC, na sessão de 31 de julho de 2022, que julgou parcialmente procedente a impugnação, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado. Versa o presente processo administrativo fiscal sobre pedido de ressarcimento, com ação fiscal para verificar os créditos decorrentes de PIS/Pasep e COFINS não cumulativos, apurados pela pessoa jurídica em seu Dacon. Noticia o Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal que a Recorrente, em resposta a intimações que lhe foram encaminhadas, apresentou planilhas discriminando, mensalmente, os valores dos bens utilizados como insumos, tendo sido detectado que parte dos créditos apurados era descabida, conforme descrito: 2.1. insumos utilizados, única e exclusivamente, na produção do álcool: como a quase totalidade da venda de álcool foi para fins carburantes, submetido ao regime cumulativo, seria descabida a apuração de créditos, pois somente se poderia cogitar de rateio proporcional às receitas cumulativas e não-cumulativas caso houvesse um volume considerável de venda de álcool para outros fins que não o carburante; 2.2. materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas: não se tratam de insumos, consoante Solução de Divergência nº 12, de 24/10/2007; 2.3. produtos não considerados como insumos: glosados créditos sobre vários produtos que não se caracterizavam como insumo, tal como definido nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004; 2.4. materiais de construção civil e conservação: glosados créditos sobre as correlatas aquisições, pois somente poderiam gerar créditos os correspondentes encargos de depreciação/amortização, após a incorporação dos bens ao ativo imobilizado; 2.5. máquinas e equipamentos: desconsiderados créditos sobre as correspondentes aquisições, pois apenas poderiam gerar créditos os respectivos encargos de depreciação, após a incorporação dos bens ao ativo imobilizado da contribuinte; 2.6. produtos e insumos agrícolas: glosados créditos sobre produtos e insumos agrícolas, cujas aquisições se deram sob a alíquota zero; 2.7. gasolina: negados créditos de combustíveis e lubrificantes utilizados em carros de passeio e motocicletas, veículos pequenos que não têm participação ativa na atividade produtiva da empresa, em que são usados veículos pesados (nos quais são usados óleos diesel) como tratores e caminhões, ou veículos leves como empilhadeiras (movidas a óleo diesel, eletricidade ou GLP). Consigna ainda que a Recorrente, de janeiro a julho de 2004, auferiu receitas de vendas de álcool para fins carburantes, submetidas no período à incidência cumulativa das contribuições examinadas, nos termos do ADI SRF nº 1, de 12/01/2005; assim, como a contribuinte não procedeu ao rateio entre de créditos a título de bens, serviços, energia elétrica e crédito presumido decorrente da aquisição de cana-de-açúcar de pessoas físicas, a medida foi Fl. 359DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720194/2010-75 providenciada pela Fiscalização, que calculou os percentuais exibidos na 17ª lauda do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal. Consta Manifestação de Inconformidade acostada às folhas 57 a 78. Verifica-se pela leitura da íntegra do acórdão, que a 2ª Turma da DRJ/REC decidiu, em síntese, rejeitar a alegação de decadência e, no mérito, julgá-la parcialmente procedente. No entanto, foram mantidas as glosas de créditos a título de despesas com máquinas/equipamentos e materiais de construção e ao crédito presumido de PIS/Pasep e COFINS. Quanto ao debate sobre sistemática de tributação da contribuição analisada (se cumulativa ou não-cumulativa) incidente sobre a receita de álcool para fins carburantes, a DRJ pronuncia que cabe à Unidade de Origem oportunamente observar as determinações emanadas do Poder Judiciário, a quem compete analisar eventual alegação de descumprimento de suas decisões, especialmente porque o mandado de segurança ainda está em tramitação, não tendo ainda transitado em julgado. Irresignada, a Recorrente propõe nova defesa administrativa, amparada pelo Recurso Voluntário de folhas 304 a 320, na qual alega, em síntese: i. Que o rateio proporcional, feito em relação aos meses de janeiro a julho de 2004, desrespeitaria decisão judicial proferida em ação mandamental ajuizada pelo Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool do Estado de Alagoas, ao qual é filiada, na qual foi proferida decisão pelo TRF da 5ª Região que considera que estão submetidas à sistemática não-cumulativa as receitas de vendas de álcool para fins carburantes auferidas antes da vigência da Lei nº 10.865/2004; ii. Defende, ademais, que a existência concomitante da impetração coletiva não pode representar a renúncia ao direito individual de defesa na esfera administrativa fiscal; iii. Salienta, ainda, que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do aludido acórdão teve seu seguimento negado pela Exma. Ministra REGINA HELENA COSTA, conforme decisão monocrática anexa; iv. Que é indevida glosa de créditos alusivos a gastos com matérias e outros produtos não considerados como insumos, por entender compreendidos no critério jurídico definido pelo STJ (essencialidade e relevância); v. Que é incorreta a glosa de créditos com relação aos encargos incorridos com a aquisição de peças de reposição e manutenção de veículos (motocicletas) e ferramentas utilizadas de forma pertinente e necessária no processo produtivo da empresa; Fl. 360DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720194/2010-75 vi. Que os veículos leves (motocicletas), cujas despesas com peças e combustíveis foram glosadas pela fiscalização, são utilizados por agrônomos para acompanhar a produção da cana-de-açúcar (matéria- prima), distribuída em milhares de hectares, que vai ser industrializada pela usina. Isto é, os veículos em questão são utilizados na produção da agroindústria; vii. Que os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos agrícolas, bem como as peças de reposição, mormente utilizados no acompanhamento da produção/extração da matéria-prima (cana-de-açúcar) no campo, fazem parte do processo produtivo da usina, sendo injustificável o não acatamento dos créditos relativos a estes itens; viii. Que, da mesma forma, não devem ser vedados os créditos em relação a material de limpeza de equipamentos/máquinas, estopas, graxas e ferramentas; ix. Que, no que diz respeito aos materiais e serviços de construção, em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados na atividade agroindustrial da empresa (art. 3°, inciso VII). Acrescenta que se a fiscalização entendeu que as citadas despesas deveriam ser creditadas via depreciação, o douto fiscal deveria ter retificado a contabilidade/DACON para reconhecer o crédito nesse sentido. E não, simplesmente, glosar tais créditos. É o relatório; x. Que considerado correto o método de apuração do crédito presumido incidente sobre a aquisição de cana pessoa física, previsto no art. 8° da Lei 10.925/2004. No entanto, a Fiscalização entendeu que o mesmo é regido pelo que dispõem os parágrafos 7°, 8° e 9° do art. 3° da Lei 10.833/2003; xi. Que percebe-se claramente que a utilização do método de “apropriação direta” ou de “rateio proporcional” diz respeito aos créditos de PIS/COFINS não-cumulativos elencados no seu artigo 3°, ao seu turno, para o crédito presumido da agroindústria, o art. 8° da Lei 10.925/2004 não determina a mesma forma de sua apuração regrada pelos parágrafos 7°, 8° e 9°, do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; xii. Que a única regra do regime de créditos “normais” do PIS/COFINS não- cumulativos que o art. 8° da Lei 10.925/2004 ressalva (em seu parágrafo 2°) é o parágrafo 4° do art. 3° das Leis 10.637/2002 10.833/2003. 26. O art. 8° da Lei 10.925/2004 manda apurar o crédito presumido sobre a aquisição de cana-de-açúcar destinada a fabricação de alimentação humana ou animal, observando-se, apenas, o parágrafo 4° [o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes] do art. 3° das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03; xiii. Que não é licito, portanto, ao intérprete, trazer outras regras do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que não estejam expressamente Fl. 361DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720194/2010-75 mencionadas pelo art. 8o da Lei 10.925/2004 como aplicáveis ao crédito presumido da agroindústria; xiv. Que essa exegese do crédito presumido da agroindústria, inclusive, é imposta pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005, que veda a utilização do saldo credor do mencionado benefício fiscal para compensação, na forma do art. 6°, parágrafo 1°, da Lei 10.833/2003, porque seria faculdade privativa do crédito da não-cumulatividade do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. xv. Que a autoridade fiscal restringe a utilização do crédito presumido para compensação de outros tributos, por julgar que a literalidade da norma diz que tal benesse é exclusiva dos créditos normais do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e, ao mesmo tempo, aplicar-lhe as restrições inerentes a esse último preceptivo legal ao crédito presumido, embora o texto do art. 8° da Lei 10.925/2004 oriente-se em sentido diverso; xvi. Assim, a empresa agiu corretamente quando apurou o montante da cana- de-açúcar destinada à produção de açúcar, segregando-a daquela utilizada para produzir álcool, na forma do art. 8° da Lei 10.925/2004, uma vez que lhe são inaplicáveis as restrições impostas pelos parágrafos 7°, 8° e 9°, do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. É o relatório. Voto Conselheiro Renan Gomes Rego, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do mérito Do equívoco no rateio do regime do álcool carburante. Da desobediência à ordem judicial Inicialmente, é fato incontroverso que a Recorrente é integrante do Sindicato da Indústria do Açúcar e Álcool do Estado de Alagoas, impetrante que ingressou com a demanda coletiva de mandado de segurança. Consta no Acórdão combatido que a autoridade julgadora entendeu que, no mandado de segurança coletivo, a Recorrente integra o polo ativo da ação por meio de sua entidade sindical. Assim, estando a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, descabido qualquer pronunciamento a respeito pela Administração Tributária, em face do princípio constitucional de unicidade de jurisdição judicial. Fl. 362DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720194/2010-75 A DRJ ainda cita a Súmula CARF n° 01: Súmula CARF nº 1 - Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Neste sentido, não toma conhecimento do debate sobre a sistemática de tributação da contribuição analisada (se cumulativa ou não-cumulativa) incidente sobre a receita de álcool para fins carburantes. Sem mais delongas, adianto não concordar com o posicionamento do Órgão Julgador a quo. Em suma, porque há litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, quando se ajuíza uma nova ação que repita outra anteriormente ajuizada, com total identidade entre partes, conteúdo e pedido formulado. Além disso, a decisão meritória de improcedência do pedido, ao final do processo em mandado de segurança coletivo impetrado por entidade que defende interesses coletivos de determinada coletividade, não impede que seus associados, individualmente, postulem em juízo ou fora dele seus direitos, uma vez que a mesma não faz coisa julgada contra seus associados, não se configurando hipótese em que se deva declarar renúncia à esfera administrativa. Em recente julgado, a CSRF decidiu no sentido de não haver a concomitância, conforme se observa da transcrição da ementa do acórdão abaixo: Acórdão nº 9202-010.087 – CSRF / 2ª Turma, sessão de 22/11/2021, Relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não restar demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual não fundamenta renúncia ao direito subjetivo do contribuinte pleitear individualmente a mesma prestação jurisdicional por meio de defesa apresentada em sede de processo administrativo fiscal. Neste sentido, colaciono outros precedentes que vão ao encontro da tese recursal: Acórdão n° 3201-005.452 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Relator Laércio Cruz Uliana Junior: Fl. 363DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720194/2010-75 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/07/2010 a 28/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Acórdão nº 3402-006.380 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Relator Waldir Navarro Bezerra: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo. Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto. Acórdão nº 2201-010.153 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Relatora Débora Fófano dos Santos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Diante do exposto, afasto a concomitância e determino a devolução do processo à instância a quo para que se profira novo julgamento analisando a alegação da Recorrente no que concerne à sistemática de tributação das receitas de vendas de álcool para fins carburantes. Fl. 364DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-012.735 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.720194/2010-75 Conclusão Diante do exposto, voto afastar a concomitância e determinar a devolução do processo à instância a quo para que se profira novo julgamento analisando a alegação da Recorrente no que concerne à sistemática de tributação das receitas de vendas de álcool para fins carburantes. (documento assinado digitalmente) Renan Gomes Rego Fl. 365DF CARF MF Original

score : 1.0
10396043 #
Numero do processo: 10435.902344/2018-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, sendo este o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DIREITO DE ANÁLISE DO FISCO. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do PER/D-COMP, o prazo de que dispõe a administração pública para verificar a validade das informações. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM BOA GUARDA, ENQUANTO RESTAR PENDENTE A ANÁLISE DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Existindo pedidos de compensação ou ressarcimento, o contribuinte fica obrigado a manter em boa guarda os livros e documentos fiscais até que sejam definitivamente solucionados os pedidos, nos termos do artigo 195 do CTN e do artigo 4º do Decreto-lei nº 486/69. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a Autoridade de origem pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESSARCIMENTO. Para fim de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA. A certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte são requisitos essenciais ao seu reconhecimento, incumbindo-lhe o ônus da prova.
Numero da decisão: 3201-011.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.621, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10435.720760/2014-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202403

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, sendo este o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DIREITO DE ANÁLISE DO FISCO. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do PER/D-COMP, o prazo de que dispõe a administração pública para verificar a validade das informações. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM BOA GUARDA, ENQUANTO RESTAR PENDENTE A ANÁLISE DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Existindo pedidos de compensação ou ressarcimento, o contribuinte fica obrigado a manter em boa guarda os livros e documentos fiscais até que sejam definitivamente solucionados os pedidos, nos termos do artigo 195 do CTN e do artigo 4º do Decreto-lei nº 486/69. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a Autoridade de origem pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESSARCIMENTO. Para fim de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA. A certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte são requisitos essenciais ao seu reconhecimento, incumbindo-lhe o ônus da prova.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10435.902344/2018-36

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7056411

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 3201-011.634

nome_arquivo_s : Decisao_10435902344201836.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS

nome_arquivo_pdf_s : 10435902344201836_7056411.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.621, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10435.720760/2014-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024

id : 10396043

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:18 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210883411968

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-23T14:18:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-23T14:18:29Z; Last-Modified: 2024-04-23T14:18:29Z; dcterms:modified: 2024-04-23T14:18:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-23T14:18:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-23T14:18:29Z; meta:save-date: 2024-04-23T14:18:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-23T14:18:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-23T14:18:29Z; created: 2024-04-23T14:18:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2024-04-23T14:18:29Z; pdf:charsPerPage: 2271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-23T14:18:29Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10435.902344/2018-36 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-011.634 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2024 Recorrente PARATY BEBIDAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo se instaura com a Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, sendo este o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, considerando-se preclusa a matéria que não tiver sido diretamente enfrentada naquela oportunidade, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DIREITO DE ANÁLISE DO FISCO. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do PER/D-COMP, o prazo de que dispõe a administração pública para verificar a validade das informações. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM BOA GUARDA, ENQUANTO RESTAR PENDENTE A ANÁLISE DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Existindo pedidos de compensação ou ressarcimento, o contribuinte fica obrigado a manter em boa guarda os livros e documentos fiscais até que sejam definitivamente solucionados os pedidos, nos termos do artigo 195 do CTN e do artigo 4º do Decreto-lei nº 486/69. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a Autoridade de origem pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 90 23 44 /2 01 8- 36 Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.634 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.902344/2018-36 AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESSARCIMENTO. Para fim de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA. A certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte são requisitos essenciais ao seu reconhecimento, incumbindo-lhe o ônus da prova. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.621, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10435.720760/2014-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O Pedido de Ressarcimento (PER) n° 26111.62652.120417.1.1.11-1349, transmitido pelo contribuinte acima identificado em 12/04/2017, por meio do qual solicita o ressarcimento de um crédito no valor de R$ 278.131,93, relativo à contribuição social COFINS não cumulativa do MERCADO INTERNO, relativa ao período de apuração (PA) 2º TRIMESTRE/2012. Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.634 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.902344/2018-36 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. ÔNUS DA PROVA. A certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte são condições essenciais ao seu reconhecimento, incumbindo-lhe o ônus da prova. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazê-lo em outro momento processual, a menos que ela demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior, a referência a fato ou direito superveniente, ou a intenção de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo a integral restituição/ressarcimento/homologação da compensação, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese: (relacionar resumidamente). Ao final, pugna pelo provimento do recurso. A decisão de primeira instância foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente alega, em síntese, que: (a) cumpriu o dever instrumental de prestar informações e documentos que comprovam o direito creditório, pois é justamente do cruzamento das informações prestadas com aquelas descritas no PERDCOMP que se analisará a procedência do pedido de ressarcimento; (b) É indevida a exigência da Autoridade Fiscal no sentido de que o aproveitamento extemporâneo de créditos de referidas contribuições seja acompanhado de prévia retificação das respectivas obrigações acessórias – DACON, EFD-Contribuições e DCTF; (c) A única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não havendo previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade; (d) Não há o que vislumbrar um possível indeferimento do PER/DCOMP pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre e sem cruzamento com o DACON, em decorrência da apuração extemporânea dos créditos; Fl. 78DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.634 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.902344/2018-36 (e) O crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei nº 11.033/2001 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB; (f) Não pode a fiscalização indeferir ressarcimento ou glosar créditos por vício formal no preenchimento das obrigações acessórias sem intimar a Recorrente para retificar os documentos ou prestar esclarecimentos; (g) Em virtude da sistemática da não-cumulatividade, é permitido o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à revenda de bens, tais como a energia elétrica e os encargos com a locação de prédios e equipamentos; (h) A partir de agosto de 2004, com a edição da Lei n° 11.033/2004, o direito ao crédito oriundo das aquisições de bens para a revenda foi conferido também às empresas que têm suas saídas com alíquotas reduzidas à zero, em face do disposto no artigo 17 do referido diploma legal. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Matéria estranha aos autos e inovação recursal Vê-se que a peça recursal, claramente, trata de matéria alheia aos autos, ao referir-se a créditos extemporâneos e ao indeferimento do ressarcimento com suposto fundamento na ausência de retificação do DACON, da EFD- Contribuições e da DCTF. Não se conhece do recurso na parte que se relaciona a matéria estranha à lide, consoante entendimento já adotado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide.” (CARF, Processo nº 11020.912378/2011- 05, Acórdão nº 3201-008.192 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Sessão de 25 de março de 2021) Ademais, os supostos fundamentos legais do direito ao crédito postulado trazidos nas razões do Recurso Voluntário configuram flagrante inovação nos argumentos de defesa, uma vez que tais fundamentos não foram aventados na primeira instância, tendo-se por configurada, por conseguinte, a preclusão Fl. 79DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.634 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.902344/2018-36 prevista no artigo 17 do Decreto n. 70.235/1972, não se podendo deles conhecer. A jurisprudência do CARF é farta a esse respeito: “RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A Impugnação/Manifestação de Inconformidade, que instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa. Não se admite, pois, a apresentação, em sede recursal, de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.” (CARF, Processo nº 11020.901506/2013-49, Acórdão nº 3201-010.443 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 23 de março de 2023) “INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente deduzida em manifestação de inconformidade. Opera-se a preclusão do direito alegar novos fatos em sede recursal. O limite da matéria em julgamento é delimitado pelo que vier a ser alegado em impugnação ou manifestação de inconformidade.” (CARF, Processo nº 10980.920569/2012-01, Acórdão 3003- 001.812, Relatora Conselheira Ariene dArc Diniz e Amaral, sessão de 15/06/2021) “INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente deduzida em manifestação de inconformidade. Opera-se a preclusão do direito (alegar novos fatos em sede recursal. O limite da matéria em julgamento é delimitado pelo que vier a ser alegado em impugnação ou manifestação de inconformidade.” (CARF, Processo nº 10183.901236/2011-89, Acórdão nº 3302009.054, Relator Conselheiro Jorge Lima Abud, sessão de 25/08/2020) Preliminares de nulidade Em relação às preliminares de nulidade das decisões por cumprimento dos devedores instrumentais necessários à análise do pleito de restituição e nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, razão não assiste à Recorrente. O artigo 195 do CTN é claro ao estabelecer o dever do contribuinte de manter em guarda sua documentação contábil e fiscal até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram: “Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” No mesmo sentido, dispõe o artigo 1.194 do Código Civil: “Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados.” Fl. 80DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.634 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.902344/2018-36 Desse modo, estando pendente de apreciação na esfera administrativa pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente, era dever desta manter sob sua guarda a documentação comprobatória do direito creditório alegado. Além disso, de acordo com o disposto no artigo 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, “O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Neste sentido, são inúmeros os precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. EXIGÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM BOA GUARDA, ENQUANTO RESTAR PENDENTE A ANÁLISE DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Existindo pedidos de compensação ou ressarcimento, o contribuinte fica obrigado a manter em boa guarda os livros e documentos fiscais até que seja definitivamente solucionada os pedidos nos termos do art. 195 do CTN e do art. 4º do Decreto-lei nº 486/69.” (CARF, Processo nº 10880.720780/2006-05, Acórdão nº 3201002.303 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Winderley Morais Pereira, Sessão de 23 de agosto de 2016) “PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. DIREITO DE ANÁLISE DO FISCO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. Via de regra, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do PER/D-COMP, o prazo de que dispõe a administração pública para verificar a validade das informações. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem de tal prazo será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO DE GUARDA DE DOCUMENTOS FISCAIS. Enquanto perdurar o prazo de exame do direito creditório, o contribuinte deverá manter sob guarda a respectiva documentação, podendo, dependendo do caso concreto, tal prazo ser superior a 5 anos.” (CARF, Processo nº 10840.720587/2008-02, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-007.419 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 22 de outubro de 2020) “GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.” (CARF, Processo nº 10880.973249/201273, Acórdão nº 3201005.168 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de março de 2019) Dessa forma, devem ser rejeitadas as preliminares de nulidade. Mérito No mérito, melhor sorte não assiste à Recorrente. A Recorrente quedou-se inerte na apresentação de documentos e informações para o reconhecimento do direito creditório, não o fazendo em sua Manifestação de Inconformidade e tampouco no Recurso Voluntário. Fl. 81DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-011.634 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.902344/2018-36 Cabe ao contribuinte comprovar o direito creditório pretendido, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal ônus. Outrossim, na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a Autoridade de origem pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais, com fundamento no artigo 65, parágrafo 3º, da IN RFB n° 900/2008, incluído pela IN RFB n° 981/2009. Corroborando esse entendimento, converge a jurisprudência do CARF: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a autoridade da RFB pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais.”(CARF, Processo nº 10880.973249/201273, Acórdão nº 3201005.168 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de março de 2019) Ressalte-se que inobstante a IN RFB n° 981/2009 tenha sido publicada em 21/12/2009, o referido diploma pode ser aplicado inclusive na análise de PER/DCOMP transmitido em data anterior, em vista do disposto no artigo 144, parágrafo 1º, do CTN: “Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido.” (g.n.) Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa, tendo se configurada a preclusão, e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do Fl. 82DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-011.634 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.902344/2018-36 Recurso Voluntário, por inovação dos argumentos de defesa (preclusão), e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em lhe negar provimento. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Presidente Redator Fl. 83DF CARF MF Original

score : 1.0
10403879 #
Numero do processo: 10280.720905/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Numero da decisão: 2301-011.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo e Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 27 09:00:02 UTC 2024

anomes_sessao_s : 202404

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024

numero_processo_s : 10280.720905/2011-15

anomes_publicacao_s : 202404

conteudo_id_s : 7058327

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024

numero_decisao_s : 2301-011.240

nome_arquivo_s : Decisao_10280720905201115.PDF

ano_publicacao_s : 2024

nome_relator_s : MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL

nome_arquivo_pdf_s : 10280720905201115_7058327.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo e Diogo Cristian Denny (Presidente).

dt_sessao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024

id : 10403879

ano_sessao_s : 2024

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 27 09:38:24 UTC 2024

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1797480210885509120

conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-12T13:37:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-12T13:37:29Z; Last-Modified: 2024-04-12T13:37:29Z; dcterms:modified: 2024-04-12T13:37:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-12T13:37:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-12T13:37:29Z; meta:save-date: 2024-04-12T13:37:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-12T13:37:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-12T13:37:29Z; created: 2024-04-12T13:37:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2024-04-12T13:37:29Z; pdf:charsPerPage: 1686; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-12T13:37:29Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10280.720905/2011-15 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-011.240 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de abril de 2024 Recorrente MAX ANTONIO DA COSTA PEREIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo e Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 20/24) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 05 /2 01 1- 15 Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-011.240 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720905/2011-15 Anual Retificadora do exercício 2010 (e-fls. 26/30), no qual se apurou: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação da Justiça Federal. O contribuinte apresentou Impugnação (e-fls. 02/06), a qual foi julgada Improcedente pela 5ª Turma da DRJ/BEL em decisão assim ementada (e-fls. 36/40): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. TRIBUTAÇÃO. No cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos de forma acumulada, os valores percebidos antes de 1.º de janeiro de 2010 devem ser submetidos à tributação por meio da declaração de ajuste anual relativa ao ano-calendário do recebimento. Uma vez revogado o Ato Declaratório PGFN n. 1, de 2009, encontra-se a Administração Tributária novamente adstrita ao disposto no art. 12 da Lei n. 7.713, de 1988, e nos arts. 2º e 3º da Lei n. 8.134, de 1990, c/c o art. 27 da Lei n. 10.833, de 2003. JUROS DE MORA. Consoante art. 640 do Decreto n. 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda, no caso de rendimentos acumuladamente recebidos, o imposto incidirá sobre o total da renda percebida no mês, aqui incluídos eventual atualização monetária e juros. Cientificado do acórdão de primeira instância em 16/07/2013 (e-fls. 46), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 27/08/2013 (e-fls. 48/51) contendo, em apertada síntese, as seguintes alegações: - recebeu, pelos correios, em julho de 2013, uma notificação de lançamento tributário do imposto de renda pessoa física com prazo para interposição de defesa de 30 dias; - os juros de mora recebidos na ação judicial não sofrem incidência do imposto de renda em razão de sua natureza indenizatória; - os valores recebidos em decorrência da demanda judicial foram calculados mês a mês, motivo pelo qual o imposto devido deve levar em consideração as alíquotas de cada ano, ou seja, de 1984 a 1996. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Preliminarmente, impõe-se analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. De acordo com o art. 33, caput, do Decreto 70.235/72, o prazo para a apresentação de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Por outro lado, extrai-se de seu art. 5º que os prazos são contínuos e devem começar e terminar em dias úteis, excluindo-se de sua contagem o dia do início e incluindo-se o dia do vencimento. Relevante destacar que a ciência por via postal prevista no art. 23, II, do Decreto 70.235/72 exige apenas a prova de recebimento da Intimação no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, independentemente de quem a tenha recebido. É nesse sentido a Súmula CARF nº 9, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-011.240 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10280.720905/2011-15 este não seja o representante legal do destinatário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Importante ressaltar, ainda, que não há ordem de preferência entre os meios de intimação previstos nos incisos do caput do art. 23 do Decreto 70.235/72, conforme disposto em seu §3º. No caso em exame, verifica-se que a ciência da decisão recorrida se deu através de Aviso de Recebimento dos Correios em 16/07/2013 (e-fls. 46) e que a apresentação do Recurso Voluntário só ocorreu em 27/08/2013, conforme indicado no carimbo da Receita Federal (e-fls. 48), não havendo dúvida quanto à intempestividade do mesmo. O Extrato do Processo emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil confirma as referidas datas (e-fls. 47). Relevante observar que o atendimento da preliminar de tempestividade é pressuposto necessário para que se instaure o contencioso administrativo e, consequentemente, sejam analisadas as questões relativas ao mérito do processo. Dessa forma, voto por não conhecer do Recurso Voluntário por intempestividade. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 73DF CARF MF Original https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf

score : 1.0