Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
10884020 #
Numero do processo: 10865.001079/2001-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de Apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000. Ementa: SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A restituição da contribuição para a COFINS paga sob o regime de substituição tributária, na aquisição de gás liquefeito de petróleo, está condicionada à comprovação de que a contribuição restou efetivamente apurada e retida pelo substituto. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-000.775
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Winderley Morais Pereira votaram pela conclusão.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario

dt_index_tdt : Sat Apr 26 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 201102

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Período de Apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000. Ementa: SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A restituição da contribuição para a COFINS paga sob o regime de substituição tributária, na aquisição de gás liquefeito de petróleo, está condicionada à comprovação de que a contribuição restou efetivamente apurada e retida pelo substituto. Recurso Negado.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

numero_processo_s : 10865.001079/2001-69

conteudo_id_s : 7241020

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 3403-000.775

nome_arquivo_s : Decisao_10865001079200169.pdf

nome_relator_s : DOMINGOS DE SÁ FILHO

nome_arquivo_pdf_s : 10865001079200169_7241020.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Robson José Bayerl e Winderley Morais Pereira votaram pela conclusão.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011

id : 10884020

ano_sessao_s : 2011

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 26 09:37:00 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1830457431052779520

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1          1             S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.001079/2001­69  Recurso nº  239.191   Voluntário  Acórdão nº  3403­00.775  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  02 de fevereiro de 2011  Matéria  RESTITUIÇÃO/COMP COFINS  Recorrente  CECOL CERÂMICA CORDEIROPOLIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL        Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS.  Período de Apuração:  01/07/1999 a 30/06/2000.  Ementa:  SUBSTITUIÇÃO  TRIBUTÁRIA.  RESTITUIÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  A  restituição  da  contribuição  para  a  COFINS  paga  sob  o  regime  de  substituição  tributária,  na  aquisição  de  gás  liquefeito  de  petróleo,  está  condicionada  à  comprovação  de  que  a  contribuição  restou  efetivamente  apurada e retida pelo substituto.  Recurso Negado.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso.  Os  Conselheiros  Robson  José  Bayerl  e  Winderley  Morais  Pereira  votaram pela conclusão.    Antonio Carlos Atulim ­ Presidente.     Domingos de Sá Filho ­ Relator.       Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10154.912D. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Winderley Morais Pereira,  Ivan Allegretti  e Marcos Tranchesi Ortiz..    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto por CERAL PISOS E REVESTIMENTOS LTDA.,  em face da decisão prolatada pela DRJ em Ribeirão Preto – SP, em Acórdão número 14.14 –  659,      que manteve o  indeferimento  do  crédito  pleiteado  referente  a  pagamento  indevido  de  COFINS no período de  01.07.1999 a 30.06.2000.    Objetiva  a  recorrente  assegurar  o  direito  de  ver  restituída  do  valor  pago  a  título  de  COFINS  na  aquisição  de  Gás  Liquefeito  de  Petróleo  –  GLP  adquirido  de  distribuidora,  na  qualidade  de  conssumidora  final,  assim  como  a  sua  utilização  mediante  compensação com  débitos vinculados do próprio tributo administrado pela Receita Federal, ou  através do ressarcimento de eventuais saldos credores por meio de pedidos formulados.  Em  suas  razões  recursais,  a  interessada  recorrente  ratifica  os  fundamentos  utilizados  na   Manifestação  de  Inconforminada,  arguindo,  em  resumo,  que  atua  no  ramo  de  fabricação  de  azulejos  e  pisos,  e,  com  a  edição  da Lei    número  9.718/98,  art.  4o,  ,  passou  a  sujeitar­se ao regime de substituição tributária da COFINS, com sua incidëncia  concentrada na  sua aquisições de produtos  junto a distribuidora, sustenando que de 01/02/1999 até 29.06.99,  data vigencia do ato declaratólrio normativo número 11/99, até a edição da Medida Provisória  número  1.858­6  de  29.06.1999,    não  teria  ocorrido  retenção  do  PIS  e  da  COFINS  por  substituição tributária nas operações de aquisição.  Assim, com a edição da MP n. 1.858­6 de 29.06.1999, teria voltado a incidir  o  sistema  de  retenção  na  efinaria  de  petróleo,  das  contribuições  ao  PIS  e  a  COFINS  nas  operações de comercialização de GLP.    Assevera a recorrente que a Instrução Normativa n~umero 006 1999 afim de  resguardar  ao  consumidor  final  o  ressarcimento  dos  valores  retido  a  maior  só  mencionou  combustivel, de acordo com o seu entendimento esssa omissão decorre do fato de que naquele  período  não  existia  o  regime  de  Substituição  Tributária  para  as  operações  com GLP  – Gás  Liquefeito  de  Petróleo  em  virtude  da  MP  1.807;99  e  ADN  número  11;99  não  existia  a  exigëncia com relação ao Gás Liquefeito de Petróleo – GLP.  Em sendo assim, entende a empresa recorrente q ue  surgiu  o  direito  dela,  contribuinte, submetido ao regime de substituição tributária de constituir créditos equivalentes  às  contribuições  da  COFINS  que  incidiram  quando  da  aquisição  do  GLP  que  utiliza  no  processo produtivo.  O funadamento da decisão atacada é no sentido de que a Interessada deixou  de fazer prova efetiva do pagamento da contribuilção, vez que os documentos fiscais trazidos à  colação não demonstram a base de cálculo e o quanto teria sido pago na aquisição.  É o relatório.      Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10154.912D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.001079/2001­69  Acórdão n.º 3403­00.775  S3­C4T3  Fl. 2          3     Voto             Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator.  Trata­se  de  recurso  tempestivo  e  atende  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, impõe o conhecimento.  Pretende  a  Recorrente  ser  restituída  dos  valores  da  contribuição  para  a  COFINS paga na aquisição de Gás Liquefeito de Petróleo ­ GLP adquiridos da distribuidora,  no caso concreto da empresa Minasgas Distribuidora de Gás S/A.   O julgador de piso negou o direito em razão de que as notas fiscais exibidas  deixaram de conter a base de cálculo que determinou o valor pago junto à refinaria.  Essa Turma já se defontrou em outras oportunidades com o tema em apreço,  exigindo  ser  necessário  para  o  ressarcimento  que  o  interessado  atendesse  os  dois  requisitos  contidos na Instrução Normativa número 006 de 29 de janeiro de 1999, deixando de cumprir o  que restou estipulado, perde o direito de ser  restituído do montante desembolsado a  título de  substituição tributária.  O pedido encontra arrimo no art. 6o da Instrução Normativa nº 006, que dispõe:   Art. 6°. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o  ressarcimento  dos  valores  das  contribuições  referidas  no  art.  anterior,  correspondentes  à  incidência  na  venda  a  varejo,  na  hipótese  de  aquisição  de  gasolina  automotiva  ou  óleo  diesel,  diretamente à distribuidora.  § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a  distribuidora  deverá  informar,  destacadamente,  na  nota  fiscal  de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido.  §  2º  A  base  de  cálculo  de  que  trata  o  parágrafo  anterior  será  determinada mediante  a  aplicação,  sobre  o  preço  de  venda  da  refinaria,  calculado  na  forma  do  parágrafo  único  do  art.  2º,  multiplicado por dois inteiros e dois décimos.  § 3º O valor de cada contribuição a  ser ressarcido será obtido  mediante  aplicação  da  alíquota  respectiva  sobre  a  base  de  cálculo referida no parágrafo anterior.  § 4º O ressarcimento de que trata este artigo dar­se­á mediante  compensação  ou  restituição,  observadas  as  normas  estabelecidas  na  Instrução  Normativa  SRF  nº  021,  de  10  de  março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7º a 14  desta Instrução Normativa.     Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10154.912D. Consulte a página de autenticação no final deste documento.   4 Em primeiro momento precisa definir se as pessoas jurídicas adquiridoras de  gás  liquefeito  de  petróleo  –  GLP  na  qualidade  de  consumidor  final,  também  faz  jus  ao  ressarcimento,  vez  que  a  mencionada  Instrução  tratou  especificamente  de  gasolina  e  óleo  diesel.   A  meu  ver  o  destinatário  do  ressarcimento  é  o  consumidor  final,  pessoa  jurídica, conforme estipulado no art. 4o do mesmo diploma legal aqui mencionado. Portanto, o  fato de deixar de incluir o gás liquefeito de petróleo – GLP não altera o direito do consumidor  final desse insumo de ser ressarcido dos valores das contribuições correspondentes à incidência  na venda a varejo.    Entretanto,  examinando  detalhadamente  as  notas  fiscais  trazidas  à  colação  como prova da aquisição de GLP, extraí­se a certeza de que elas não preenchem o contido no  comando do parágrafo primeiro que estipula:  “§ 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a  distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de  sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido.”   A norma acima transcrita exige para que o ressarcimento possa ser efetivado,  que as notas fiscais emitidas pela distribuidora contenha, destacadamente, a base de cálculo das  contribuições, necessárias à determinação do valor a ser ressarcido.  Portanto,  concluo  que  a  decisão  piso  deu  contorno  acertado  à  questão,  não  merecendo qualquer reparo.  Diante do exposto, conheço o recurso e voto no sentido de negar provimento.  É como voto.    Domingos de Sá Filho                                        Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10154.912D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10865.001079/2001­69  Acórdão n.º 3403­00.775  S3­C4T3  Fl. 3          5     Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0320.10154.912D. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DOMINGOS DE SA FILHO em 01/03/2011 18:10:06. Documento autenticado digitalmente por DOMINGOS DE SA FILHO em 01/03/2011. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO CARLOS ATULIM em 04/03/2011 e DOMINGOS DE SA FILHO em 01/03/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0320.10154.912D Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0B9A79980DD560D183CCA23D69DE9B98D1F0712D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10865.001079/2001-69. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

score : 1.0
10885697 #
Numero do processo: 10283.720188/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO Tanto a diligência como a perícia não se destinam a suprir comprovação falha ou inexistente pela parte a quem incumbe o ônus probatório na forma legalmente estipulada. Ainda, a perícia é etapa reservada ao esclarecimento de conhecimentos específicos ordinariamente não compreendidos na esfera do saber do julgador e necessários para o deslinde do litígio. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Aplicação Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1301-007.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 27 de março de 2025. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso – Relator Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MONTEIRO CARDOSO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 26 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 202503

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO Tanto a diligência como a perícia não se destinam a suprir comprovação falha ou inexistente pela parte a quem incumbe o ônus probatório na forma legalmente estipulada. Ainda, a perícia é etapa reservada ao esclarecimento de conhecimentos específicos ordinariamente não compreendidos na esfera do saber do julgador e necessários para o deslinde do litígio. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Aplicação Súmula CARF nº 02.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025

numero_processo_s : 10283.720188/2010-11

anomes_publicacao_s : 202504

conteudo_id_s : 7242245

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 1301-007.761

nome_arquivo_s : Decisao_10283720188201011.PDF

ano_publicacao_s : 2025

nome_relator_s : EDUARDO MONTEIRO CARDOSO

nome_arquivo_pdf_s : 10283720188201011_7242245.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 27 de março de 2025. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso – Relator Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2025

id : 10885697

ano_sessao_s : 2025

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 26 09:37:05 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1830457431054876672

conteudo_txt : Metadados => date: 2025-04-14T21:39:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-04-14T21:39:31Z; Last-Modified: 2025-04-14T21:39:31Z; dcterms:modified: 2025-04-14T21:39:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-04-14T21:39:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-04-14T21:39:31Z; meta:save-date: 2025-04-14T21:39:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-04-14T21:39:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-04-14T21:39:31Z; created: 2025-04-14T21:39:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2025-04-14T21:39:31Z; pdf:charsPerPage: 1425; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-04-14T21:39:31Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10283.720188/2010-11 ACÓRDÃO 1301-007.761 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 27 de março de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE VISIONTEC DA AMAZÔNIA LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO Tanto a diligência como a perícia não se destinam a suprir comprovação falha ou inexistente pela parte a quem incumbe o ônus probatório na forma legalmente estipulada. Ainda, a perícia é etapa reservada ao esclarecimento de conhecimentos específicos ordinariamente não compreendidos na esfera do saber do julgador e necessários para o deslinde do litígio. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Aplicação Súmula CARF nº 02. ACÓRDÃO Fl. 1261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.761 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720188/2010-11 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 27 de março de 2025. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso – Relator Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 342/350) interposto em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário cobrado. 2. Referido crédito tributário decorre de Autos de Infração (fls. 68/86) lavrados para exigir IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2005, em função de supostos valores não declarados ou recolhidos desses tributos. De acordo com a Fiscalização, o contribuinte transmitiu DIPJ original indicando valores a recolher de IRPJ (R$ 176.264,64) e de CSLL (R$ 241.846,40). Em 13/08/2009, foi intimado para comprovar os recolhimentos de IRPJ. Em correspondência datada de 08/09/2009, o contribuinte informou que teria realizado a retificação da DIPJ, reduzindo os valores a recolher, tendo em vista “divergências detectadas em auditoria interna”. A Fiscalização, então, intimou o contribuinte para demonstrar as razões da retificação com base em documentação hábil, o que não foi feito, tendo sido realizado o lançamento de ofício com fundamento no art. 147, § 1º, do CTN e no art. 835 do RIR/1999. 3. A Recorrente apresentou Impugnação (fls. 204/225), que foi rejeitada pela DRJ por meio de acórdão (fls. 1.226/1.236) ementado da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 Fl. 1262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.761 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720188/2010-11 3 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento com a qual o sujeito passivo concorda ou não se manifesta expressamente, ocorrendo a preclusão do direito à sua contestação em momento posterior. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE DO SUJEITO PASSIVO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo e a declaração entregue após o início da ação fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. O lançamento só pode ser alterado em virtude de impugnação do sujeito passivo quando demonstrar, por meio de prova, o que alega, sob pena de se sujeitar à infração apurada no Auto de Infração. DRJ. COMPETÊNCIA. É competência das DRJ conhecer e julgar, em primeira instância, após instaurado o litígio, as impugnações de determinação e exigência de crédito tributário. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A realização de perícia dar-se-á quando a autoridade julgadora entendê-la necessária, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. PROVA. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTOS HÁBEIS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis. JURISPRUDÊNCIA. VINCULAÇÃO DAS DRJ. O contribuinte não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este Colegiado Julgador. DOUTRINA. VINCULAÇÃO DAS DRJ. A manifestação da doutrina especializada não vincula as decisões prolatadas por este Colegiado Julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.761 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720188/2010-11 4 4. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.243/1.257), alegando fundamentalmente que: a DIPJ em que a autuação se baseou, antes da retificação, estaria equivocada e deveria ser revista, com base em relatório de auditoria apresentado junto com a Impugnação; as informações presentes no relatório de auditoria deveriam ser analisadas, tendo em vista a ampla defesa do contribuinte, inclusive por meio de realização de perícia técnica; o indeferimento da perícia e a sua ausência “contamina de maneira absoluta os concretos efeitos de uma auditoria que de prontidão apontou divergências dos valores inicialmente constatados”; o entendimento pela desnecessidade da perícia deveria ser devidamente fundamentado; diante disso, ratificou o pedido de perícia contábil, formulou quesitos e indicou assistente técnico; deveriam ser aplicados os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e boa-fé. 5. É o relatório. VOTO Conselheiro Eduardo Monteiro Cardoso, Relator. 6. O Recurso Voluntário foi interposto em 16/04/2018 (fls. 1.241), dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da intimação (fls. 1.240), por procurador habilitado. Assim, presentes os pressupostos formais, conheço o recurso. 7. Como relatado, trata-se de lançamentos de ofício realizados para exigir IRPJ e CSLL, relativos ao ano-calendário de 2005, em função de retificação de DIPJ após o início de procedimento fiscal, sem a comprovação efetiva das razões que levaram à redução dos referidos tributos por parte do contribuinte. 8. Como destacado pela DRJ, parte da autuação não foi impugnada, tendo em vista que a apuração apresentada pela Recorrente indica valores superiores aos recolhidos: Matéria não impugnada: Parcela do IRPJ e da CSLL. O interessado concordou com os valores devidos a título de CSLL(R$100.730,12) e IRPJ (R$57.906,19), vide fls. 183, 205 e 296, o que levou a unidade preparadora a elaborar o Termo de Transferência de Crédito Tributário de fls. 298, com repercussão no Extrato do Processo, fls. 299. Assim, tais parcelas configuram-se não litigiosas (Decreto 70.235/1972, art. 17) e precluso o direito de o autuado discuti-las em momento posterior. Com base no Extrato do Processo, fls. 299, as exigências em litígio de IRPJ e CSLL são, respectivamente, de R$118.358,45 e R$141.116,28, bem como seus consectários legais (multa de ofício e juros de mora). 9. Em suas razões, a Recorrente defende a “revisão da DIPJ apresentada”, com base em Relatório de Auditoria apresentado com a Impugnação (fls. 272/286). Afirma que a DIPJ retificadora seria a correta, razão pela qual deveria ser examinada especialmente por meio de Fl. 1264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.761 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720188/2010-11 5 perícia contábil. Por isso, formulou quesitos e indicou assistente técnico, requerendo expressamente a realização da referida prova. 10. Inicialmente, é importante destacar que a retificadora foi apresentada pela Recorrente após o início do procedimento de fiscalização, fato este incontroverso. Com isso, torna-se aplicável ao caso a Súmula Carf nº 33, que consolidou entendimento no sentido de que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. Nesse sentido há precedente desta Turma Ordinária: DÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL INFORMADO AO FISCO NA DECLARAÇÃO (DIPJ). ERRO DE FATO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA TRANSMITIDA APÓS CIÊNCIA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DA MULTA ISOLADA. ÔNUS DA PROVA. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33). Não obstante, é ônus do sujeito passivo comprovar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do Fisco (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC - Lei nº 13.105/2015, art. 373, II). (Acórdão nº 1301-003.987, Rel. Cons. Nelso Kichel, Sessão de 16/07/2019) 11. Deste modo, caberia à Recorrente trazer elementos concretos que demonstrem o equívoco cometido no preenchimento da DIPJ original, apresentando eventual erro de fato cometido. Nesse sentido, entendo que o Relatório de Auditoria mencionado não produz esse efeito. Como bem verificado pela DRJ, o relatório partiu da premissa de que os valores indicados na contabilidade estariam todos suportados por documentos hábeis e idôneos (fls. 272), sem trazer aos autos de forma específica estes documentos, ainda que por amostragem: Na realização deste trabalho partimos do princípio que todos os registros contábeis estão respaldados por documentação hábil, fato que concluímos pela assinatura do Balanço Patrimonial pelos sócios e Contador responsável e autenticação do Livro Diário na Jucea. 12. Ocorre que a contabilidade, para fazer prova efetiva dos fatos alegados, deve estar acompanhada dos documentos hábeis, conforme disposição expressa do art. 9º, § 1º, do Decreto- lei nº 1.598/1977. Nesse sentido, a Recorrente deveria ter ao menos desdobrado a composição dos valores indicados na DIPJ, apresentando a documentação suporte. Com isso, seria até mesmo viável a realização de eventual diligência, vez que esta não serve para suprir o ônus probatório da Recorrente. Nesse sentido: PEDIDO DE PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A perícia não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação, pois sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento especializado, não havendo que se falar em cerceamento de direito de defesa em caso de negativa de pedido de tal Fl. 1265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.761 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10283.720188/2010-11 6 jaez. (Acórdão nº 1301-005.374, Rel. Cons. Rafael Taranto Malheiros, Sessão de 16/06/2021) DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO Tanto a diligência como a perícia não se destinam a suprir comprovação falha ou inexistente pela parte a quem incumbe o ônus probatório na forma legalmente estipulada. Ainda, a perícia é etapa reservada ao esclarecimento de conhecimentos específicos ordinariamente não compreendidos na esfera do saber do julgador e necessários para o deslinde do litígio. (Acórdão nº 1301-005.073, Rel. Cons. Heitor de Souza Lima Júnior, Sessão de 09/02/2021) 13. Ausentes tais elementos, entendo que é o caso de ser rejeitada a alegação, com a manutenção do indeferimento do pedido de produção de prova pericial contábil. 14. Em seguida, a Recorrente passa a sustentar a aplicação “dos princípios regentes do processo administrativo tributário”, especialmente os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e boa-fé, citando o art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Conclui a exposição desses princípios afirmando que “por essas premissas, tem-se a necessidade deste Fisco ponderar os dados esclarecidos nesta defesa, afastando, assim, a manutenção do Auto de Infração”. 15. Com efeito, a autuação está pautada na aplicação direta dos arts. 835 e 841, III e IV, do RIR/1999 e do art. 147 do CTN, vez que a Recorrente não trouxe aos autos os elementos para corroborar os valores retificados de IRPJ e CSLL após a instauração do procedimento de fiscalização. Igualmente, a penalidade aplicada também se encontra expressamente prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Deste modo, a ponderação pretendida a partir dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e boa-fé implicaria, ainda que indiretamente, juízo de constitucionalidade desses dispositivos, o que é vedado pela Súmula Carf nº 2. Portanto, entendo que deve ser rejeitada a alegação. 16. Diante do exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito o pedido de realização de perícia contábil e, no mérito, lhe nego provimento. Assinado Digitalmente Eduardo Monteiro Cardoso Fl. 1266DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
10886127 #
Numero do processo: 11080.901061/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.
Numero da decisão: 3201-012.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.263, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901058/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 26 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 202501

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025

numero_processo_s : 11080.901061/2012-10

anomes_publicacao_s : 202504

conteudo_id_s : 7242280

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 3201-012.273

nome_arquivo_s : Decisao_11080901061201210.PDF

ano_publicacao_s : 2025

nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS

nome_arquivo_pdf_s : 11080901061201210_7242280.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.263, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901058/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.

dt_sessao_tdt : Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025

id : 10886127

ano_sessao_s : 2025

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 26 09:37:06 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1830457431073751040

conteudo_txt : Metadados => date: 2025-04-15T15:53:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-04-15T15:53:10Z; Last-Modified: 2025-04-15T15:53:10Z; dcterms:modified: 2025-04-15T15:53:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-04-15T15:53:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-04-15T15:53:10Z; meta:save-date: 2025-04-15T15:53:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-04-15T15:53:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-04-15T15:53:10Z; created: 2025-04-15T15:53:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2025-04-15T15:53:10Z; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-04-15T15:53:10Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11080.901061/2012-10 ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 31 de janeiro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SERRA MORENA CORRETORA EIRELI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram- se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 2 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 3 importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.263, de 31 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11080.901058/2012-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que tratou do Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa. Em seguida, por meio de Resolução, a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que a autoridade fiscal juntasse, nestes autos, cópia do Relatório produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 4 de nº 11080.728406/2012-76, o que veio a ser efetivado na sequência, com manifestação do Recorrente acerca da medida. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem, em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Interno Não Tributado e Exportação, bem como se homologou apenas parcialmente a compensação, até o limite do crédito deferido. Como bem apontado pelo Recorrente, o presente processo é vinculado ao processo nº 11080.728406/2012-76, no qual se controverte sobre os autos de infração das contribuições decorrentes de glosas de créditos da não cumulatividade, abrangendo o período de apuração destes autos, razão pela qual se reproduz, na sequência, a decisão ali tomada acerca do direito creditório pleiteado, nos termos solicitados pelo próprio Recorrente. Por outro lado, deve-se destacar que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Reproduz-se, portanto, o voto exarado no processo nº 11080.728406/2012-76: Segundo a fiscalização, a empresa autuada atua na aquisição e comercialização de produtos agrícolas, tais como trigo, alpiste, arroz, feijão lentilha, dentre, sendo que parte da receita auferida se submete à alíquota zero das contribuições, outra parte é normalmente tributada nas vendas no mercado interno e parte do faturamento provém de vendas para o exterior. O Recorrente, por seu turno, aduz que atua no ramo de comercialização, importação, exportação de produtos agrícolas, prestação de serviços na condição de Operadora Portuária, prestação de serviços de armazenagem, carga e descarga de produtos, inclusive com beneficiamento para posterior comercialização. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 5 Consta da Alteração Contratual registrada em 30/01/2012, que a empresa tem como objeto social (i) a comercialização de produtos em geral, (ii) a exploração por conta própria do ramo de transporte de cargas via terrestre, fluvial e lacustre, (iii) navegação fluvial, marítima e de apoio portuário, (iv) corretagem de produtos agrícolas em geral, (v) importação e exportação de produtos em geral, (vi) armazenagem de cereais em geral, por conta própria e de terceiros, (vii) operadora portuária, (viii) carga e descarga de embarcações, trens e caminhões, (ix) participação em outras sociedades, nas quais tenha interesses comerciais ou simples investimento, (x) industrialização e/ou beneficiamento de grãos em geral, (xi) industrialização de adubos e fertilizantes, (xii) comércio de adubos e fertilizantes, corretivos e insumos agrícolas em geral, (xiii) importação de produtos destinados à alimentação animal e (xiv) locação de equipamentos. Segundo o Recorrente, as atividades por ele desenvolvidas, inclusive a prestação de serviços de Operador Portuário, exigem sua presença nos principais portos do sul do Brasil, com sofisticada e complexa infraestrutura de equipamentos e com exigência de grande capacidade de armazenagem, na maioria terceirizada, mediante o pagamento de aluguel. Aduz, também, “que os processos de importação e comercialização de produtos que opera, tanto em nome próprio como os de terceiros (em que atua apenas como Operadora Portuária), são acompanhados por rigorosos procedimentos de fiscalização e análise por parte das autoridades fiscalizadoras brasileiras, especialmente do Ministério da Agricultura, por se tratar de produtos de origem agrícola e por estes se destinarem, principalmente, à alimentação humana”, exigindo “constantes e rigorosos serviços de expurgo e limpeza nos locais de armazenagem, assim como nos meios de transporte, inclusive com uso de agentes químicos apropriados, com vistas a impedir a proliferação de roedores, ácaros, insetos, fungos e outros microrganismos capazes de deteriorar os produtos, condenando-os, em casos extremos, à imprestabilidade para o consumo humano ou mesmo animal.” Feitas essas considerações, passa-se à análise do Recurso Voluntário. I. Nulidade dos autos de infração. O Recorrente alega que a fiscalização, no procedimento de lançamento de ofício, corroborado pela Delegacia de Julgamento (DRJ), ignorou (i) que a empresa também atua na prestação de serviços, (ii) que a receita bruta por serviços auferidos pela empresa não é beneficiada por alíquota zero, (iii) que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 autoriza a manutenção dos créditos vinculados a operações de venda com alíquota zero, bem como (iv) não externou a fundamentação das glosas de créditos, mesmo tendo à sua disposição todas as informações necessárias à apuração, presentes nos documentos de fls. 195 a 225, razão pela qual devia-se reconhecer a nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa. De pronto, deve-se ressaltar que a simples contrariedade do Recorrente em relação às constatações da fiscalização não acarreta, por si só, a nulidade do procedimento, uma vez que a ele se encontra assegurada e em exercício a plena defesa por meio do processo administrativo fiscal, tendo a autuação sido formalizada por Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 6 autoridade competente para tal, em consonância com o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 1 Além disso, constam dos autos todas as informações em que se baseou a fiscalização para proceder à autuação, abrangendo os valores apurados, a base de cálculo, os acréscimos legais aplicados, o enquadramento legal e planilhas com identificação dos resultados da auditoria, tudo em conformidade com o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), 2 encontrando-se o Recorrente discutindo neste processo, de forma plena e com respeito ao devido processo legal, a referida apuração, razão pela qual não se vislumbra a ocorrência de qualquer vício que possa inquinar de nulidade o procedimento. II. Crédito. Prestação de Serviços. O Recorrente alega que “os gastos não foram avaliados sob a ótica de custos da atividade de prestação de serviços, pois a autuação ignorou totalmente a existência desta atividade, razão pela qual considerou que todos os custos arrolados eram vinculados a mercadorias adquiridas para revenda, estas, na maior parte do período, sujeitas à alíquota zero.” Ele se contrapõe à seguinte conclusão da fiscalização: “13. Importante ainda ressaltar que estas despesas não estão relacionadas diretamente à fabricação ou produção de produtos destinados à venda, não podendo, portanto, ser consideradas insumos, uma vez que o contribuinte em questão sequer industrializa produtos, apenas compra e revende.” Esse entendimento do Recorrente encontra respaldo no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, 3 em que se prevê que o desconto de créditos abrange, também, os insumos (bens ou serviços) aplicados na prestação de serviços, tendo sido em razão dessa constatação que a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a fiscalização esclarecesse essa questão. Realizada a diligência, a fiscalização assim se pronunciou: (...) os créditos vinculados às receitas com revendas de mercadorias NÃO TRIBUTADAS no mercado interno correspondem a aproximadamente 90% do total de créditos apurados pelo contribuinte no período fiscalizado. 1 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 3 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 136DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 7 Embora o contribuinte tenha receitas como operador portuário ou prestador de serviços essas receitas na maioria dos meses objetos de fiscalização não ultrapassam 10% das receitas apuradas, porém o contribuinte quer fazer crer que a fiscalização teria ignorado o fato de que a empresa aufere receitas como operador portuário ou prestador de serviços e que as glosas teriam ocorrido sem considerar essa atividade o que não é verdade pois foram aceitos diversos créditos sobre essas atividades em especial créditos com energia elétrica, aluguéis de prédios e e/ou maquinas e equipamentos, sobre bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição assim como encargos de amortização de edificações e benfeitorias tudo conforme especificado pelo contribuinte na Dacon. Diante disso é importante esclarecer que as glosas de créditos atingiram principalmente despesas com “serviços utilizados como insumos” em especial custos vinculados à aquisição de produtos adquiridos pelo contribuinte para revenda tais como fretes de aquisição de produtos em especial trigo, sendo que a venda de trigo foi a maior receita auferida pelo contribuinte durante o período fiscalizado, e conforme explicado tanto no relatório de ação fiscal com na decisão de Primeiro Grau proferida pela DRJ/RECIFE não há o que se falar em bens e serviços utilizados como insumos em relação a produtos que são simplesmente revendidos, não cabendo portanto qualquer crédito a este respeito. Não se ignorou, entretanto, que muitos contribuintes preenchiam errado a Dacon e colocavam indevidamente despesas integrantes do custo de aquisição de produtos adquiridos de terceiros cujos créditos eram legítimos, desde que estes produtos fossem tributados pelo Pis e Cofins e utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, nas linhas de Serviços utilizados como insumos, como se verifica no presente processo, pois as despesas com fretes de aquisição de produtos não tributados como trigo, arroz e ervilha foram indevidamente anotadas pelo contribuinte na linha de serviços utilizados como insumos da Dacon quando na realidade deveriam estar na linha de Bens Adquiridos para Revenda por fazer parte do custo de aquisição dos mesmos, tal erro por si só não levaria a glosa destes créditos entretanto além desse erro de preenchimento da Dacon constatou- se que estes serviços vinculados a aquisição de trigo referem-se a aquisição de produtos não tributados pelo Pis e Cofins, sendo que o produto sequer é industrializado pela empresa e sim revendido não havendo portanto o que se falar em insumos e por esse motivo o crédito foi glosado, pois referem-se a parcelas integrantes do custo de aquisição de bem para revenda não tributado. Importante ainda ressaltar que no período fiscalizado a revenda de produtos não tributados representava praticamente 90% das receitas auferidas pelo contribuinte que somada as revendas de produtos tributados chegam na maioria dos meses a ultrapassar 90% do total de receitas auferidas pela empresa. Com relação as receitas oriundas de operações diversas das operações comerciais como receitas com armazenagem para terceiros e operação portuária são inferiores a 10% total de receitas na maioria dos meses auditados. Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 8 Não obstante isso o contribuinte em suas Dacons não relacionou nenhum crédito como sendo exclusivo das atividades de prestação de serviços uma vez que todos os créditos apurados possuem parcelas vinculadas às receitas não tributadas no mercado interno e de exportação nos meses em que ocorreram operações de exportação obviamente. Como a decisão de primeiro grau da DRJ/RECIFE abordou muito bem a questão do aproveitamento de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos à luz do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 que embora inexistisse na época da ação fiscal, que foi baseada em conceitos previstos nas Instruções Normativas SRF 247 e 404 vigentes à época, fica claro que as glosas ainda assim seriam suportadas pelo entendimento expressado no referido Parecer Normativo em função da atividade desenvolvida pela empresa ser meramente comercial e os produtos adquiridos para revenda principalmente o trigo não gerarem direito a créditos de Pis e Cofins. (...) Importante deixar registrado que dentre as despesas glosadas pela fiscalização encontram-se despesas com transporte interno de mercadorias, e despesas de armazenagem destes produtos o que ainda hoje é vedado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 por se tratar de produtos acabados e não produtos em elaboração e terem natureza diversa das despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas essas integralmente aceitas pela fiscalização durante a auditoria fiscal. Não menos relevante é o fato de que as despesas que o contribuinte alega serem vinculadas a prestação de serviços foram rateadas na Dacon com vinculadas também a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e de Exportação, o que leva a crer que as mesmas não são vinculadas exclusivamente as receitas de prestação de serviço como quer fazer crer o contribuinte, uma vez que tais créditos foram classificados em parte como vinculados a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e inclusive constaram de pedidos de ressarcimento transmitidos pelo contribuinte e a analisados na mesma ação fiscal, ora se estas despesas fossem unicamente vinculadas à prestação de serviços os créditos não poderiam constar de Pedidos de Ressarcimento uma vez que as receitas de Prestação de Serviços auferidas pela autuada são tributadas pelo Pis e Cofins, portanto, durante a auditoria constatou-se que a despesa descrita como Serviços de Supervisão e Controle não são enquadráveis no conceito de insumos vinculados a revenda de bens e/ou vinculadas a receitas de prestação de serviços por não se enquadrarem no conceito de serviços utilizados como insumos previsto nas INs 247 e 404 vigentes à época que foi realizada a auditoria. Observa-se ainda que conforme Dacon apresentada pelo contribuinte essa despesa foi rateada entre os três tipos de receitas auferidas no período fiscalizado (Tributada, Não Tributada no Mercado Interno e Receita de exportação) o que leva a crer que eram créditos não exclusivos das receitas de prestação de serviços, o mesmo vale para Limpeza de Armazéns, Expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos como Trigo, Lentilha, Ervilha, Feijão Branco entre outros onde o Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 9 contribuinte não especifica se esses produtos eram de sua propriedade e foram armazenados para revenda ou pertenciam a terceiros e foram armazenados na forma de prestação de serviço de armazenagem, porém em nenhum dos dois casos as INs 247 e 404 autorizavam o creditamento destas despesas por esse motivo foi realizada a glosa. Apesar de alegar que a atividade de prestação de serviços foi ignorada pela fiscalização o contribuinte omite o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela ínfima das suas receitas totais (menos de 10% no período fiscalizado) e que quase a totalidade dos valores glosados dizem respeito a custos vinculados à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero das contribuições para o Pis e a Cofins principalmente trigo que era simplesmente revendido, e ainda que o contribuinte tivesse custos adicionais nessas operações o creditamento era vedado pela legislação fato que se manteve inclusive com o advento do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 elaborado com base no RESP 1.221.170/PR que atualmente serve de baliza para as análises de créditos de Pis e Cofins. (...) Desse modo, as despesas de fretes com o transporte de bens sujeitos à alíquota zero não são passíveis de creditamento, em conformidade com o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que impede o cálculo do crédito se não houve o pagamento da contribuição do bem adquirido. Fretes sobre movimentação interna e fretes após o desembaraço, entre o porto de Rio Grande e Porto Alegre, também não se caracterizam como insumos ou fretes na operação de venda, não fazendo o Contribuinte jus ao crédito não cumulativo. Portanto, devem ser mantidas as glosas dos créditos apurados sobre os fretes em questão. Por outro lado, inexiste previsão para aproveitamento de créditos apurados sobre despesas com armazenagem incorridas na aquisição de produtos. O art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a possibilidade de a pessoa jurídica utilizar créditos de armazenagem na operação de venda, o que foi integralmente aceito pela fiscalização durante a ação fiscal, uma vez que estas despesas são relacionadas em linhas específicas da Dacon sobre as quais sequer incidiram glosas. Diante da clara e evidente vedação legal ao aproveitamento destes créditos em relação as operações comerciais de revenda a empresa passou a alegar que estas despesas dizem respeito a prestação de serviços na condição de operador portuário omitindo o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela muito pequena (menos de 10%) do seu faturamento no período fiscalizado sendo que os documentos entregues no curso da fiscalização e os Dacons transmitidos pelo próprio contribuinte em período anterior a ação fiscal e próximo a ocorrência das operações informaram que a maior parte destas despesas eram vinculadas a operações comerciais não tributadas pelo Pis e Cofins inclusive com diversos pedidos de ressarcimento destes créditos, ficando uma parcela inferior a 10% desses créditos como Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 10 vinculados a receitas de prestação de serviços na qualidade de operador portuário, e mesmo assim a fiscalização aceitou todos os créditos vinculados a ambas as operações, comercial e de prestação de serviço como operador portuário, quando permitido pela legislação vigente à época. CONCLUSÃO Portanto fica esclarecido ao órgão julgador nos termos solicitados pela nº 3201-003.204 – 3ª Seção de Julgamento/ 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária que as glosas descritas no item 1 do Relatório de Ação Fiscal abrangem despesas incorridas tanto na condição de empresa comercial como de prestadora de serviços sendo que a grande maioria dos valores glosados dizem respeito a custos na aquisição de produtos destinados a revenda sobre os quais a legislação veda o creditamento, aproveita-se para esclarecer que as glosas sobre despesas com atividades de prestação de serviços foram ínfimas e que a grande maioria das despesas com prestação de serviços de operador portuário foram aceitas pela fiscalização em especial, aluguéis de maquinas, equipamentos e edificações, amortizações de benfeitorias, energia elétrica, combustíveis entre outras, porém como o contribuinte também realiza a importação e revenda de mercadorias deve- se considerar que estas despesas dizem respeito também a atividade comercial da empresa conforme pode ser observado nas Dacons preenchidas pelo próprio contribuinte, e caso prevaleça o entendimento de que uma ou outra glosa deva ser revertida em função da atividade desenvolvida pela autuada de prestação de serviços deve ser excluída a parcela das despesas vinculadas as operações com revenda, devendo ser considerada apenas a parte vinculada as operações tributadas conforme Dacons apresentadas pelo contribuinte. Não obstante isso e tendo em vista que o presente relatório deverá ser juntado também aos processos de Ressarcimento de Créditos de Pis e Cofins conforme a Resolução 3201- 003.169, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual todos os demais processos de ressarcimento estão vinculados é importante esclarecer que o eventual reconhecimento de créditos vinculados a Receitas Tributadas auferidas pelo contribuinte na condição de Operador portuário, pelo órgão julgador, não tem nenhum efeito sobre os processos de ressarcimento uma vez que estes créditos possuem vedação legal de serem utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou compensação por serem vinculados a Receitas Tributadas auferidas no mercado interno servido apenas e tão somente para desconto da contribuição apurada no período devendo, portanto, abater os valores lançados através dos Autos de Infração de Pis e Cofins. Constata-se também que as receitas de prestação de serviços, embora relevantes, correspondem a menos de 10% das receitas totais da empresa na maioria dos meses sendo que a revenda de bens corresponde ao restante, o que explica o fato de quase a totalidade das glosas terem sido operadas sobre as operações comerciais da empresa. Em última análise o contribuinte busca convencer o órgão julgador de que as despesas glosadas dizem respeito somente a atividades de prestação de Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 11 serviço o que não corresponde à realidade dos autos uma vez que estas despesas são comuns, ou pelo menos o contribuinte assim as classificou em seus demonstrativos e nas Dacons entregues no período, às atividades comerciais da empresa que representam cerca de 90% das receitas auferidas no período fiscalizado e para corroborar com esta afirmação constatou-se ainda que parte destes créditos foram incluídos pelo contribuinte em pedidos de ressarcimento e/ou compensação de créditos vinculados unicamente a receitas não tributadas oriundas exclusivamente da atividade comercial da empresa o que sequer seria possível caso tais créditos fossem vinculados exclusivamente a atividade de operador portuário desenvolvida pela autuada. (g.n.) Do excerto do relatório de diligência supra, bem como dos documentos juntados aos autos durante a ação fiscal, extraem-se as seguintes conclusões: a) no relatório de diligência, a fiscalização passa a fazer alusão a créditos relacionados à atividade de prestação de serviços desempenhada pelo Recorrente, diferentemente do que ocorrera na autuação, quando a glosa de créditos se amparou apenas na não aplicação dos insumos na fabricação de bens destinados à venda; b) o fato de a prestação de serviços corresponder a apenas 10% das atividades do Recorrente, como alega o agente fiscal diligenciador, não justifica, por si só, que ela possa ser ignorada, devendo o crédito a que possa fazer jus o contribuinte ser reconhecido nos termos da norma jurídica, independentemente de sua extensão; c) nas planilhas apresentadas pelo Recorrente durante a ação fiscal, constam receitas de vendas de serviços (fls. 26 a 38), em valores relevantes; d) na planilha presente às fls. 39 a 87, também apresentada durante a auditoria, constam dispêndios com fretes sobre vendas, serviços prestados para pessoas jurídicas, dentre outros; e) na planilha de fls. 90 a 143, constam informações relativas a despesas com armazenagem, fretes nas compras e fretes nas vendas; f) em outros documentos apresentados pelo Recorrente à fiscalização, consta que, na ocasião, foram entregues os arquivos digitais das notas fiscais, bem documentos comprobatórios de aluguéis de máquinas e equipamentos, despesas de conservação, locação de imóveis, planilhas diferenciando os bens utilizados como insumos em relação aos bens destinados à revenda, planilhas discriminando os dispêndios com armazenagem e frete em operações de vendas etc. (fls. 160 a 169). Nota-se que a questão probatória não foi óbice à análise empreendida pela fiscalização, tendo a auditoria se orientado pela interpretação então dada ao conceito de insumo, tendo restringido o trabalho fiscal aos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens destinados à venda, inexistindo nos autos de infração qualquer alusão a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços. Concorda-se com a fiscalização quando ela diz que o desconto de créditos na aquisição de insumos (bens ou serviços) não alcança os bens apenas revendidos, Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 12 mas alcança, sim, os insumos aplicados na prestação de serviços, razão pela qual deve ser reconhecido o direito a crédito na aquisição de bens e serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros, como, no dizer da fiscalização, “armazenagem para terceiros e operação portuária”, “transporte interno de mercadorias”, “serviços de supervisão e controle”, “limpeza de armazéns, expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos”, “fretes após o desembaraço”, “produtos químicos”, dentre outros. Caso não seja possível discriminar, com base nas notas fiscais, na escrita fiscal e nos demais documentos apresentados, os bens e serviços adquiridos, devidamente tributados, e utilizados como insumos na prestação de serviços, dos bens e serviços utilizados na revenda de mercadorias, a apropriação de créditos deverá se dar com base no critério da proporcionalidade das diferentes receitas, estas que, conforme apontado acima, se encontram identificadas pelo Recorrente de forma apartada (receitas de revenda, receitas de prestação de serviços etc.). Por outro lado, deve-se ressaltar que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. Outro ponto a demandar decisão nesta instância se refere aos bens e serviços sujeitos à alíquota zero utilizados como insumos na prestação de serviços, pois, tratando-se de frete, o direito ao desconto de crédito encontra-se assegurado pela súmula CARF nº 188, verbis: Súmula CARF nº 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Nesse sentido, vota-se por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de créditos relativamente aos seguintes itens: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, e (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. II. Crédito. Atividade comercial. Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 13 O Recorrente alega que todos os gastos que são expressamente mencionados no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, bem como no art. 15, I, da Lei nº 10.865/2004, são suscetíveis a gerar créditos de PIS/Cofins, ainda que se tratando da hipótese de aquisições de bens para revenda prevista no inciso I do art. 3º das leis da não cumulatividade, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1 o e 1 o -A do art. 2 o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (g.n.) No mesmo sentido, tem-se o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, verbis: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 200 3, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (g.n.) Verifica-se dos dispositivos supra que, tratando-se de revenda, as leis autorizam o desconto de créditos somente em relação aos bens adquiridos, sendo que, no caso de prestação de serviços ou de produção, os créditos decorrem dos insumos (bens e/ou serviços) aplicados na atividade, não havendo, a princípio, razão ao Recorrente neste item, pois, além do custo dos bens adquiridos, seja no mercado interno ou via importação, ele pretende se creditar, também, em relação a “gastos com descarga, frete, limpeza de armazéns portuários (entenda-se inclusive a necessária e exigida dedetização rotineira), os expurgos, os serviços de supervisão e controle do manuseio e armazenamento dos grãos, os gastos com classificação, pesagem e movimentação interna (dentro do porto de desembarque), os serviços marítimos, os serviços de classificação e vistoria de embarcações etc.” Dentre tais gastos, somente o frete pode ser considerado custo do bem adquirido para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, excetuando-se, portanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. Fl. 143DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 14 Tal entendimento encontra-se em consonância com as seguintes decisões desta turma de julgamento, em que o presente conselheiro atuou como relator, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2016 a 30/09/2016 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.859, j. 22/08/2023) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 (...) CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.152, j. 20/12/2022) Ressalte-se que a diferenciação de desconto de créditos previstos nos incisos I e II supra ocorre somente entre eles, pois, quanto aos demais incisos do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, eles se aplicam indistintamente a ambas as situações. Assim, em relação aos gastos com locação de depósito para armazenagem de grãos na compra/importação, há previsão legal de desconto de créditos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 15 Ressalte-se que a previsão contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 4 se refere apenas a operações de venda, ou revenda, não alcançando, portanto, as aquisições de bens a serem vendidos/revendidos. Dessa forma, vota-se neste item no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas em relação ao seguinte: (i) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, e (ii) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. III. Crédito. Produtos sujeitos à alíquota zero. O Recorrente alega que as atividades por ele desenvolvidas na qualidade de operadora portuária, relativamente ao trigo importado por terceiros (seus clientes), independentemente da alíquota aplicável ao produto, representam custos de prestação de serviços, devidamente tributados, os quais ensejam o direito ao desconto de créditos das contribuições em questão. Essa matéria já foi analisada no item I deste voto, razão pela qual a ele se remete neste ponto. E quanto ao trigo importado pelo próprio Recorrente, na condição de comerciante de trigo, a despeito de sua venda estar sujeita à alíquota zero das contribuições, os créditos porventura existentes devem ser mantidos, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Efetivamente, a lei autoriza a manutenção de créditos nas hipóteses de as vendas não serem alcançadas pela tributação, mas, tratando-se de bens para revenda (inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), excluem-se desse direito eventuais créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na produção ou na prestação de serviços (inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), conforme já abordado acima. Dessa forma, considerando-se o já decidido neste voto, geram desconto de créditos das contribuições, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação, os dispêndios com frete em sua aquisição, bem como os dispêndios com aluguel de prédios destinados à armazenagem dos produtos adquiridos, observadas as restrições indicadas no item II deste voto. IV. Créditos na importação. Aduz o Recorrente que, conforme planilhas presentes às fls. 191/192 (Cofins) e fls. 249/250 (PIS), relacionadas a “Créditos Vinculados a Operações de Importações”, coluna “Saldo Final”, ele acumulava saldos credores de créditos incidentes sobre a importação de bens, créditos esses que sempre se mostraram muito superiores às pretensas glosas, sendo, portanto, suficientes, com sobras, para liquidar as contribuições exigidas nos autos de infração. 4 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 16 Segundo ele, o próprio autuante efetivou a compensação dos débitos decorrentes das glosas por ele efetuadas com os seus créditos, o que, logicamente, reduziu o saldo de créditos e extinguiu o débito apurado, nos termos do art. 156, II, do CTN. Ainda de acordo com o Recorrente, “a compensação tanto foi eficiente que o Autuante que lavrou o auto de infração do período seguinte (processo nº 11080.731136.2015-23), de 2011 a 2013, partiu de um saldo de crédito já excluído o débito lançado, pois considerou que este já havia sido compensado pelo Autuante do presente processo. Assim, partiu do valor de R$ 1.038.821,30 (fl. 106 do processo nº 11080.731136.2015-23), resultado do “saldo final” dos créditos, em dez/2010, adotado pelo Autuante no presente processo, de R$ 1.187.002,59 (fl. 192), menos o débito lançado, de R$ 147.637,28 (fl. 170), pois o considerou já compensado na autuação ora combatida.” Esses argumentos já haviam sido aduzidos na primeira instância, vindo a Delegacia de Julgamento (DRJ) a assim se manifestar: 39. Não há reparos a serem feitos nos lançamentos. 40. Os saldos credores “remanescentes” de PIS e COFINS referendados pela impugnante foram objeto de inúmeros pedidos de ressarcimento e consequentes compensações analisados, inclusive, por esta turma de julgamento. 41. Não há como, portanto, dar duas utilizações para o mesmo crédito - ressarcimento/compensação de tributos e compensar débitos tributários originados em lançamento de ofício. Encontram-se sob julgamento na mesma sessão dois processos paradigmas e 35 processos repetitivos envolvendo o mesmo período de apuração destes autos, situação essa que aponta a verossimilhança da conclusão acima da DRJ, pois a identificação dos saldos de créditos na planilha da fiscalização baseou-se no Dacon elaborado pela próprio Recorrente. Além disso, há que se considerar que há restrições quanto ao ressarcimento compensação de créditos decorrentes da importação de bens para revenda, conforme se verifica da Solução de Consulta Cosit nº 208/2023, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 17 somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Cofins-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. (destaques nossos) Por outro lado, após descontados os valores efetivamente solicitados pelo Recorrente nas diversas PER/DComps, havendo saldo credor passível de utilização para abater, ainda que parcialmente, os débitos apurados pela fiscalização, na parte mantida nestes autos, eles deverão ser considerados no momento da execução, na repartição de origem, da decisão definitiva a ser adotada neste processo. V. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 18 forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv)gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Adotando-se, nestes autos, a mesma decisão supra, com a ressalva já apontada no introito deste voto de que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Assim, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.273 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901061/2012-10 19 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 149DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
10895645 #
Numero do processo: 11065.902060/2010-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente não se aplica no âmbito do processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF nº 11. O decurso do tempo entre a interposição da manifestação de inconformidade e a decisão administrativa não configura causa de extinção do crédito tributário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). ERRO MATERIAL. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. (Súmula CARF n.º 168).
Numero da decisão: 1001-003.771
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a prejudicial de prescrição e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para a aplicação da Súmula CARF nº 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, devendo o rito processual ser retomado desde o início. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1001-003.770, de 14 de março de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.902059/2010-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva– Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Jose Anchieta de Sousa e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 10 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 202503

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente não se aplica no âmbito do processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF nº 11. O decurso do tempo entre a interposição da manifestação de inconformidade e a decisão administrativa não configura causa de extinção do crédito tributário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). ERRO MATERIAL. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. (Súmula CARF n.º 168).

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025

numero_processo_s : 11065.902060/2010-19

anomes_publicacao_s : 202504

conteudo_id_s : 7248909

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 1001-003.771

nome_arquivo_s : Decisao_11065902060201019.PDF

ano_publicacao_s : 2025

nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA

nome_arquivo_pdf_s : 11065902060201019_7248909.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a prejudicial de prescrição e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para a aplicação da Súmula CARF nº 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, devendo o rito processual ser retomado desde o início. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1001-003.770, de 14 de março de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.902059/2010-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva– Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Jose Anchieta de Sousa e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2025

id : 10895645

ano_sessao_s : 2025

atualizado_anexos_dt : Sat May 10 09:37:29 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1831725827532783616

conteudo_txt : Metadados => date: 2025-04-28T18:12:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-04-28T18:12:02Z; Last-Modified: 2025-04-28T18:12:02Z; dcterms:modified: 2025-04-28T18:12:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-04-28T18:12:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-04-28T18:12:02Z; meta:save-date: 2025-04-28T18:12:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-04-28T18:12:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-04-28T18:12:02Z; created: 2025-04-28T18:12:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2025-04-28T18:12:02Z; pdf:charsPerPage: 1820; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-04-28T18:12:02Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11065.902060/2010-19 ACÓRDÃO 1001-003.771 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 14 de março de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COMPANHIA MUNICIPAL DE SANEAMENTO INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. A prescrição intercorrente não se aplica no âmbito do processo administrativo fiscal, nos termos da Súmula CARF nº 11. O decurso do tempo entre a interposição da manifestação de inconformidade e a decisão administrativa não configura causa de extinção do crédito tributário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). ERRO MATERIAL. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. (Súmula CARF n.º 168). ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a prejudicial de prescrição e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para a aplicação da Súmula CARF nº 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, devendo o rito processual ser retomado desde o início. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1001-003.770, de 14 de março de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.902059/2010-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva– Presidente Redatora Fl. 118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.771 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.902060/2010-19 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Gustavo de Oliveira Machado, Jose Anchieta de Sousa e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente à possibilidade de as estimativas objeto de compensação não-homologada integrarem o saldo negativo de IRPJ. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. O Despacho Decisório da Receita Federal não homologou a compensação, alegando que havia inconsistências nos valores informados:  O total das parcelas que compuseram o crédito, segundo a DIPJ, era de R$ 833.159,60.  O total das parcelas informadas na DCOMP foi de apenas R$ 218,853,15.  O valor do IRPJ devido, conforme a DIPJ, era de R$ 614.306,45. Diante disso, a Receita entendeu que o montante de crédito informado na DCOMP era inferior ao saldo negativo registrado na DIPJ, resultando na não homologação da compensação. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o valor do saldo negativo apurado na DIPJ era suficiente para comprovar a quitação do IRPJ devido e pleiteando a homologação da compensação. Contudo, a DRJ julgou improcedente a Manifestação, mantendo o Despacho Decisório, sob o argumento de que:  O somatório das parcelas informadas no PER/DCOMP não coincidia com o saldo negativo da DIPJ, contrariando as orientações da Receita Federal.  A diferença de valores indicava erro na apuração do crédito, impossibilitando o reconhecimento do saldo negativo pleiteado. Fl. 119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.771 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.902060/2010-19 3 A contribuinte foi intimada da decisão acima e interpôs recurso voluntário. A recorrente alega, inicialmente, a ocorrência de prescrição intercorrente, argumentando que houve uma demora excessiva no julgamento da Manifestação de Inconformidade, a qual foi protocolada em 19/04/2010, mas só teve decisão proferida em 15/06/2018, ou seja, mais de oito anos depois. No mérito, sustenta que a decisão da DRJ foi equivocada ao considerar que o PER/DCOMP apresentou valores inferiores ao saldo negativo registrado na DIPJ. Alega que procedeu à retificação da DIPJ 2008 em 08/02/2010, demonstrando que o saldo negativo de IRPJ era de R$ 869.595,70 e que esse valor foi corretamente apurado e informado. Afirma que o montante dos recolhimentos efetuados por estimativa ao longo de 2007 excedeu o IRPJ devido, gerando um crédito legítimo para compensação. Defende que o valor de saldo negativo informado no PER/DCOMP reflete exatamente o valor remanescente de crédito após a quitação do IRPJ devido, conforme os valores demonstrados na DIPJ retificada e nos comprovantes de recolhimento anexados. Assim, não haveria qualquer inconsistência ou erro nos valores informados na compensação. Além disso, aponta que a morosidade da Receita Federal impediu a retificação das declarações em tempo hábil. Alega que, como a Receita Federal não permite a retificação de declarações após cinco anos do fato gerador, a demora no julgamento da Manifestação de Inconformidade privou a recorrente da possibilidade de corrigir eventuais inconsistências de forma tempestiva. É o Relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Da Admissibilidade O presente recurso voluntário foi interposto dentro do prazo legal de trinta dias, conforme estabelecido pela legislação aplicável. Ademais, estão presentes todos os demais pressupostos de admissibilidade, como legitimidade, interesse e adequação. Por essas razões, o recurso merece ser conhecido e devidamente apreciado por esta instância. Da prescrição intercorrente A tese de prescrição intercorrente suscitada pela contribuinte deve ser rejeitada, uma vez que não se aplica ao processo administrativo fiscal, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 11, que dispõe: Fl. 120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.771 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.902060/2010-19 4 "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal." Trata-se de enunciado vinculante, aprovado pelo Pleno do CARF em 2006 e reafirmado pela Portaria MF nº 277, de 07/06/2018. Dessa forma, independentemente do lapso temporal entre a interposição da Manifestação de Inconformidade e a prolação da decisão pela DRJ, não há que se falar em extinção do crédito tributário por prescrição intercorrente. No mérito No mérito, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo a ocorrência de erro material no preenchimento do PER/DCOMP, o que exige a retomada da análise do direito creditório, nos termos da Súmula CARF nº 168. Com efeito, conforme demonstrado pela Ficha 17 da DIPJ (fl. 50) e os DARFs anexados pela recorrente, verifica-se que a contribuinte apurou CSLL a pagar no valor de R$ 242.907,32 no ano-calendário 2007, tendo, todavia, efetuado pagamentos por estimativas, ao longo daquele ano, no montante total de R$ 318.736,71, resultando em um crédito de R$ 75.889,73. Examinando-se a documentação, pode-se concluir que a recorrente cometeu um erro material na DCOMP, pois, em vez de declarar corretamente todas as parcelas que compuseram seu crédito, isto é, o total dos pagamentos efetuados (R$ 318.736,71), informou apenas o valor líquido de R$ 75.889,73 no campo "pagamentos". Veja-se: PARC.CREDITO IR EXTERIO R RETENÇÕE S FONTE PAGAMENTO S ESTIM.COMP .SN/FA ESTIM.PARCELADA S DEM.ESTIM .COMP SOMA PARC.CRED. PER/DCOMP 0,00 0,00 75.889,73 0,00 0,00 0,00 75.889,73 CONFIRMADAS 0,00 0,00 75.889,73 0,00 0,00 0,00 75.889,73 Tal equívoco, que é evidente, fez com que a análise do direito creditório, realizada pela Delegacia de origem, ficasse limitada ao menor valor entre a DIPJ e a DCOMP, correspondente, in casu, ao que foi efetivamente declarado na DCOMP, resultando na não homologação da compensação. É evidente a existência de erro material na DCOMP, o que atrai a aplicação da Súmula CARF nº 168, conforme o entendimento adotado no Acórdão nº 1003- 003.381, da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Dessa forma, voto por determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que seja reanalisado o direito creditório, considerando os documentos apresentados pela recorrente e permitindo, caso necessário, a retificação da DCOMP, a fim de que a compensação seja examinada com base nos valores efetivamente pagos e disponíveis na DIPJ. Fl. 121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.771 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11065.902060/2010-19 5 Até a conclusão dessa nova análise, mantém-se a não homologação da compensação, cabendo à autoridade preparadora verificar a suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado e garantir à recorrente oportunidade de corrigir o erro formal cometido. Diante do exposto, voto em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a prejudicial de prescrição e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para a aplicação da Súmula CARF nº 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, devendo o rito processual ser retomado desde o início. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a prejudicial de prescrição e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para a aplicação da Súmula CARF nº 168, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp, devendo o rito processual ser retomado desde o início. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Presidente Redatora Fl. 122DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
10896386 #
Numero do processo: 12448.720053/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE. Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. RETENÇÕES NA FONTE NÃO COMPROVADAS. Somente se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ/CSLL composto por valores retidos na fonte, quando houver suporte em provas consistentes, não bastando meras alegações dissociadas da efetiva comprovação.
Numero da decisão: 1302-007.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.335, de 29 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 12448.905170/2014-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 10 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 202501

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE. Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. RETENÇÕES NA FONTE NÃO COMPROVADAS. Somente se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ/CSLL composto por valores retidos na fonte, quando houver suporte em provas consistentes, não bastando meras alegações dissociadas da efetiva comprovação.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2025

numero_processo_s : 12448.720053/2010-51

anomes_publicacao_s : 202504

conteudo_id_s : 7249873

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 1302-007.336

nome_arquivo_s : Decisao_12448720053201051.PDF

ano_publicacao_s : 2025

nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO

nome_arquivo_pdf_s : 12448720053201051_7249873.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.335, de 29 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 12448.905170/2014-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2025

id : 10896386

ano_sessao_s : 2025

atualizado_anexos_dt : Sat May 10 09:37:30 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1831725827615621120

conteudo_txt : Metadados => date: 2025-04-28T21:58:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-04-28T21:58:49Z; Last-Modified: 2025-04-28T21:58:49Z; dcterms:modified: 2025-04-28T21:58:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-04-28T21:58:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-04-28T21:58:49Z; meta:save-date: 2025-04-28T21:58:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-04-28T21:58:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-04-28T21:58:49Z; created: 2025-04-28T21:58:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2025-04-28T21:58:49Z; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-04-28T21:58:49Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 12448.720053/2010-51 ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 29 de janeiro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE LUSO BRASILEIRA SERVIÇOS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DA RECORRENTE. Compete à Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. RETENÇÕES NA FONTE NÃO COMPROVADAS. Somente se reconhece o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ/CSLL composto por valores retidos na fonte, quando houver suporte em provas consistentes, não bastando meras alegações dissociadas da efetiva comprovação. Fl. 458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.720053/2010-51 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302- 007.335, de 29 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 12448.905170/2014-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nímer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchôa Brandão e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se, na origem, de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (“PER/DCOMP”), em que a Contribuinte pretende compensar débitos tributários próprios com suposto crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2005. Conforme se verifica dos autos, o Despacho Decisório homologou parcialmente a compensação declarada, sob o fundamento de que as retenções informadas não restaram confirmadas em sua totalidade. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual, sustentou, em síntese, as seguintes alegações: (i) o auditor-fiscal deveria ter solicitado os documentos e esclarecimentos que se fizessem necessários, tais como as notas fiscais de serviços e os informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras; (ii) aduz que não pode ser prejudicada por eventual descumprimento de obrigação acessória pelos tomadores de serviços e que houve erro no preenchimento da DIPJ. Fl. 459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.720053/2010-51 3 Os autos foram encaminhados à Autoridade Julgadora de 1ª instância para que a Manifestação de Inconformidade apresentada fosse apreciada. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil entendeu por bem julgá-la parcialmente procedente, ao fundamento de que: (i) em pesquisa ao sistema da Receita Federal não foi detectada nenhuma inconsistência e todas as parcelas que compõem o saldo negativo informado na declaração de compensação em litígio foram confirmadas e estavam em conformidade com o declarado na DIPJ ativa da Contribuinte; (ii) a Interessada não anexa ao processo comprovantes de rendimentos e retenção na fonte emitidos pelas fontes pagadoras para confirmação das retenções de IRPJ/CSLL que alega ter em seu favor, mas tão-somente demonstrativos por ela própria elaborados para fins de comprovar suas alegações; (iii) a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a Interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de Inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72; (iv) em pesquisa aos bancos de dados da Receita Federal são confirmadas retenções em benefício da Interessada em valor superior ao anteriormente confirmado no Despacho. A Contribuinte tomou conhecimento do resultado do julgamento e apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual ratificou as alegações levantadas em sede de Manifestação de Inconformidade, e suscitou, ainda, as seguintes alegações: (i) é do interesse e do direito desta Contribuinte, reforçar e pleitear a homologação da integralidade do crédito constituído, comprovadamente, do saldo negativo do IRPJ/CSLL; (ii) a Contribuinte é prestadora de serviços tendo em sua carteira de clientes, o percentual de 90% (noventa por cento), com tomadores de serviços, cujas pessoas jurídicas são “públicas” e, que por esta razão, são obrigadas a retenções de impostos incidentes sobre notas fiscais de seus prestadores de serviços, conforme dispõe a Instrução Normativa RFB Nº 1234, de 11 de janeiro de 2012, em seu art. 1º e 2º, incisos !, II, III, IV, V e VI, pelo seu Sistema Integrado de Administração Financeira que impossibilita o pagamento aos prestadores de serviços sem as devidas retenções; (iii) as notas fiscais de serviços que subsidiariam a Inconformidade aqui sustentada ficavam custodiadas nas dependências da Contribuinte e, também, são de conhecimento da RFB pelos seus sistemas integrados e que Fl. 460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.720053/2010-51 4 maiores esclarecimentos poderiam ter sido solicitados pela Autoridade Fiscal, sem quaisquer embaraços, assim como os informes de rendimentos no ano- calendário de 2010, retificados e informados tomadores de forma errada ou equivocada que, na maioria das vezes, não corroboram com as retenções das notas fiscais emitidas. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade e Tempestividade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 43 da Portaria MF nº 1.634/20231 - Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“RICARF”). Dele, portanto, tomo conhecimento. Como se denota dos autos, a Recorrente tomou ciência do Acórdão recorrido em 22.06.2021 (e-fl. 62), apresentando o Recurso Voluntário, ora analisado, no dia 08.07.2021 (e-fl. 64), ou seja, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/19722. 1 Art. 43. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III - Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), exceto nas hipóteses previstas no inciso II do art. 44; IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 45; V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples- Nacional), bem como exigência de crédito tributário decorrente da exclusão desses regimes, independentemente da natureza do tributo exigido; VI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII - tributos, penalidades, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. 2 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.720053/2010-51 5 Portanto, é tempestivo o recurso apresentado e, por isso, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). MÉRITO O propósito recursal consiste no reconhecimento do direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, apurado no 3º Trimestre de 2009 (01.07.2009 a 31.09.2009) no valor de R$ 700.271,20 (setecentos mil, duzentos e setenta e um reais e vinte centavos), resultante de antecipações a título de retenções. Conforme exposto no relatório, o Despacho Decisório (e-fl. 08) homologou parcialmente a compensação declarada, sob a justificativa de que as retenções que restaram confirmadas somam a importância de R$ 274.543,52 (duzentos e setenta e quatro mil, quinhentos e quarenta e três reais e cinquenta e dois centavos) e, não o valor pleiteado pela Recorrente. Confira-se: O Acórdão recorrido, por sua vez, reconheceu direito crédito adicional no valor de R$ 184.249,04 (cento e oitenta e quatro mil, duzentos e quarenta e nove reais e quatro centavos), nos seguintes termos: “Em pesquisa aos bancos de dados da Receita Federal, são confirmadas nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras, para o 3º trimestre/2009, retenções de IRPJ na fonte em benefício da interessada no montante de R$ 458.792,56, valor superior ao anteriormente confirmado no despacho, R$ 274.543,52. A relação das retenções encontradas foi anexada a este acórdão. REFORMA DO DESPACHO DECISÓRIO Portanto, o despacho decisório deve ser reformado nos seguintes termos: Fl. 462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.720053/2010-51 6 Valor original do saldo negativo informado no PerDcomp com demonstrativo de crédito: R$ 700.271,20. Valor na DIPJ: R$ 723.021,20. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 837.998,21. IRPJ devido(a): R$ 114.977,01. Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido(a)) limitado(a) ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. ”. (e-fls. 52/53) Desse modo, caberia à Recorrente a comprovação das retenções não confirmadas na decisão recorrida, no montante de R$ 241.478,63 (duzentos e quarenta e um mil, quatrocentos e setenta e oito reais e sessenta e três centavos), conforme sintetiza a tabela abaixo: DEMONSTRATIVO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE CNPJ DA FONTE PAGADORA CÓDIGO DE RECEITA VALOR PER/DCOMP CONFIRMADO EM DD CONFIRMADO PELA DRJ A CONFIRMAR CONFIRMADO PELA DRJ QUE NÃO CONSTA NO PER/DCOMP 35.820.448/0001-36 1708 32.597,20 Como não consta o detalhamento nos autos, utilizamos a relação da DRJ à fl. 46. 3.624,46 28.972,74 - 42.176.339/0001-93 1708 19.057,92 Não consta na relação (e-fl. 46). 19.057,92 - 42.414.284/0001-02 1708 35.178,14 11.784,13 23.394,01 - 28.523.215/0001-06 6147 74.208,20 19.942,22 54.265,98 - 28.965.259/0001-96 6147 42.344,80 5.451,59 36.893,21 - 33.000.167/0001-01 6147 172.425,80 388.686,68 - 1.026,38 33.000.167/0001-01 6190 215.234,50 - 33.423.575/0002-57 1708 20.258,65 1.421,82 18.836,83 - 33.469.164/0001-11 1708 31.735,80 10.719,33 21.016,47 - 33.641.788/0001-74 1708 18.470,50 1.426,04 17.044,46 - 35.810.019/0001-88 1708 38.759,69 Não consta na relação (e-fl. 46). 38.759,69 - Diversos Diversos - - - 14.709,91 SUBTOTAL 700.271,20 - 443.056,27 258.241,31 15.736,30 TOTAL 700.271,20 - 458.792,57 241.478,63 - Fl. 463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.720053/2010-51 7 Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente se limita a alegar: “Com isso, tanto a autoridade fiscal, quanto, e como sempre agora, a 4ª Turma Colegiada da DRJ/01 ao não homologarem, ou homologarem parcialmente um direito legitimo deste contribuinte que pagou antecipadamente e inequivocamente pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), impostos e contribuições retidos em suas NFS, a não homologação do montante original de R$ 723.021,20, de um período cujo o fato gerador remonta há 12 anos atrás fere, no mínimo, o princípio da capacidade contributiva desta pleiteante, que neste momento de pandemia pela Covid-19 é, no mínimo, improcedente”. (e-fl. 68) Da análise dos autos, verifica-se que a Recorrente apresentou apenas planilhas por ela própria produzidas (e-fls. 97/105), cujos valores de retenção sequer correspondem aos valores pleiteados. Confira-se: VALOR PER/DCOMP SOMATÓRIA DAS PLANILHAS 700.271,20 999.529,43 Ora, caberia à Recorrente a comprovação da diferença não validada no Acórdão recorrido, correlacionando as notas fiscais aos extratos bancários, de forma a comprovar que efetivamente sofreu as retenções pleiteadas, o que não foi feito. Colaciono abaixo precedente deste Conselho que afirma essa orientação: COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O contribuinte tem direito de deduzir o imposto retido pelas fontes pagadoras, incidente sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração, ainda que não tenha o comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora (informe de rendimentos), desde que consiga provar, por outros meios, que efetivamente sofreu as retenções que alega. A prova insuficiente como, por exemplo, a apresentação tão somente de extratos bancários, impossibilita o reconhecimento do IRRF e a consequente homologação da compensação apresentada. (Processo n° 11040.900504/2010-51. Acórdão n° 1002-001.891. Sessão de 13/01/2021. Relator Marcelo Jose Luz de Macedo, g.n.) Outro ponto crucial a considerar é que o artigo 170 do Código Tributário Nacional (“CTN”)3 exige para o reconhecimento da compensação declarada que o crédito nela pleiteado seja dotado dos requisitos de liquidez e certeza, motivo pelo qual deve ser indeferido o pleito da Recorrente, eis 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.336 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.720053/2010-51 8 que tais atributos não foram efetivamente comprovados no presente recurso. Logo, não merece reforma o Acórdão recorrido. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para nessa extensão, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 465DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
4740767 #
Numero do processo: 10730.005564/2003-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45 e da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais. Na hipótese de lançamento por homologação, deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4° do CTN, de modo que o lançamento de ofício apenas pode alcançar os fatos geradores ocorridos nos 5 anos anteriores à constituição do crédito pela notificação do auto de infração. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATO COOPERATIVO. ISENÇÃO. Ato cooperativo é só aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para consecução dos objetivos sociais. A contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, constitui ato não cooperativo e sujeita-se à incidência da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3403-000.933
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (1) por unanimidade de votos, dar provimento para excluir do auto de infração os fatos geradores ocorridos até novembro de 1998, inclusive, em razão da decadência do direito do Fisco; (2) por maioria de votos, negar provimento quanto à não incidência da contribuição sobre os chamados atos cooperativos auxiliares. Vencidos nesta parte os Conselheiros Ivan Allegretti (Relator) e Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Esteve presente ao julgamento o Dr. Paulo José Machado Corrêa. OAB/DF nº 14.515.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 10 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 201105

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45 e da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais. Na hipótese de lançamento por homologação, deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4° do CTN, de modo que o lançamento de ofício apenas pode alcançar os fatos geradores ocorridos nos 5 anos anteriores à constituição do crédito pela notificação do auto de infração. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. ATO COOPERATIVO. ISENÇÃO. Ato cooperativo é só aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para consecução dos objetivos sociais. A contratação de terceiros, não associados, para a prestação de serviços hospitalares e auxiliares de diagnóstico e tratamento, tais como serviços laboratoriais, radiológicos e de imagens, constitui ato não cooperativo e sujeita-se à incidência da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011

numero_processo_s : 10730.005564/2003-07

anomes_publicacao_s : 201105

conteudo_id_s : 7250568

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 3403-000.933

nome_arquivo_s : 340300933_10730005564200307_201105.pdf

ano_publicacao_s : 2011

nome_relator_s : IVAN ALLEGRETTI

nome_arquivo_pdf_s : 10730005564200307_7250568.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (1) por unanimidade de votos, dar provimento para excluir do auto de infração os fatos geradores ocorridos até novembro de 1998, inclusive, em razão da decadência do direito do Fisco; (2) por maioria de votos, negar provimento quanto à não incidência da contribuição sobre os chamados atos cooperativos auxiliares. Vencidos nesta parte os Conselheiros Ivan Allegretti (Relator) e Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Winderley Morais Pereira. Esteve presente ao julgamento o Dr. Paulo José Machado Corrêa. OAB/DF nº 14.515.

dt_sessao_tdt : Thu May 05 00:00:00 UTC 2011

id : 4740767

ano_sessao_s : 2011

atualizado_anexos_dt : Sat May 10 09:37:53 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1831725827657564160

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1          1             S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10730.005564/2003­07  Recurso nº  237.915   Voluntário  Acórdão nº  3403­000.933  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de maio de 2011  Matéria  COFINS  Recorrente  UNIMED SÃO GONÇALO ­ NITERÓI SOCIEDADE COOPERATIVA DE  SERVIÇOS MEDICOS E HOSPITALARES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.    A  Súmula  Vinculante  n°  8,  do  Supremo  Tribunal Federal, implicou na declaração de inconstitucionalidade do art. 45  e da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 anos o prazo de decadência para  o  lançamento  das  contribuições  sociais.  Na  hipótese  de  lançamento  por  homologação, deve ser aplicado o disposto no artigo 150, § 4° do CTN, de  modo  que  o  lançamento  de  ofício  apenas  pode  alcançar  os  fatos  geradores  ocorridos nos 5 anos anteriores à constituição do crédito pela notificação do  auto de infração.  COOPERATIVA  DE  SERVIÇOS  MÉDICOS.  ATO  COOPERATIVO.  ISENÇÃO.  Ato cooperativo é só aquele praticado entre a cooperativa e seus associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas  entre  si  quando  associados,  para  consecução dos objetivos sociais.   A  contratação  de  terceiros,  não  associados,  para  a  prestação  de  serviços  hospitalares  e  auxiliares  de  diagnóstico  e  tratamento,  tais  como  serviços  laboratoriais,  radiológicos  e  de  imagens,  constitui  ato  não  cooperativo  e  sujeita­se à incidência da Cofins.  Recurso Voluntário Provido em Parte    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  Colegiado,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  da  seguinte forma: (1) por unanimidade de votos, dar provimento para excluir do auto de infração  os  fatos  geradores  ocorridos  até  novembro  de  1998,  inclusive,  em  razão  da  decadência  do  direito  do  Fisco;  (2)  por  maioria  de  votos,  negar  provimento  quanto  à  não  incidência  da  contribuição  sobre  os  chamados  atos  cooperativos  auxiliares.  Vencidos  nesta  parte  os     Fl. 687DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM   2 Conselheiros  Ivan  Allegretti  (Relator)  e  Domingos  de  Sá  Filho.  Designado  o  Conselheiro  Winderley Morais Pereira. Esteve presente ao  julgamento o Dr. Paulo José Machado Corrêa.  OAB/DF nº 14.515.  Antonio Carlos Atulim – Presidente   Ivan Allegretti – Relator   Winderley Morais Pereira – Redator Designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira e  Ivan Allegretti. Ausente o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.  Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  (fls.  07/12)  lavrado  para  a  exigência  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  entre  01/1998  e  12/2002,  cuja  notificação  aconteceu  em  29/12/2003  (fl.  07).  A motivação do lançamento é resumida no seguinte entendimento (fl. 9):  1  ­  Exclusão  indevida  da  base  de  cálculo  da  COFINS  e  PIS  ­  FATURAMENTO,  dos  valores  classificados  segundo  entendimento  do  contribuinte,  como  Atos  Cooperativos  Auxiliares.  O  contribuinte  classifica  os  atos  praticados  pelos  prestadores  de  serviços,  pessoas  jurídicas,  credenciadas  pela  UNIMED, que a ela prestaram serviços, atendendo seus clientes  associados,  beneficiários  do  plano  de  saúde  mantido  pela  cooperativa, tais como: clínicas, laboratórios e hospitais.   2  ­ De  acordo  com  a  legislação  do  Imposto  de Renda Pessoa  Jurídica (RIR), todas as operações que não se enquadrem como  atos  cooperativos  próprios  da  finalidade  da  Cooperativa,  são  denominados  ATOS  NÃO  COOPERATIVOS  e  tributados  pelo  IRPJ e CSLL, bem como as bases de cálculo da COFINS e PIS ­  FATURAMENTO.  (...)Os  cooperados  são  prestadores  dos  serviços  vendidos  pela  cooperativa.  Conforme  entendimento  anteriormente  exposto,  os  atos  cooperativos  próprios  da  finalidade  da  cooperativa  NÃO  são tributados.  4 ­ O que fica bem claro como entendimento do Fisco é de que  não  existe  a  figura  do  Ato  Cooperativo  Auxiliar,  criado  pelo  contribuinte  em  tela  e  escriturado  em  sua  contabilidade  e  utilizado  como  exclusão  da  base  de  cálculo.  O  que  existe  na  realidade  de  uma  cooperativa,  são  os  atos  cooperativos  ou  os  atos não cooperativos. (grifos editados)    Conforme  consta  das  tabelas  de  fls.  13/14  e  seguintes,  as  receitas  são  segregadas  pela  contabilidade  em  3  grupos:  atos  não  cooperativos,  atos  auxiliares  e  atos  principais.  Fl. 688DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.005564/2003­07  Acórdão n.º 3403­000.933  S3­C4T3  Fl. 2          3 O  lançamento  fiscal  tomou  como  base  de  cálculo  o  valor  dos  “atos  auxiliares”,  mesmo  porque  o  contribuinte  havia  regularmente  apurado  e  recolhido  a  contribuição quanto aos “atos não cooperativos”.  A  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  205/210)  sustentando  que  “os  atos cooperativos auxiliares não são dissociáveis dos atos cooperativos em sentido estrito, mas  ao contrário, guardam uma relação íntima entre si” (fl. 207) e que “ao atribuir a qualidade de  sociedade  simples  às  cooperativas,  o  legislador  reconhece  que  os  negócios  em  geral  praticados pelas mesmas não te m cunho econo mico — aliás, diga­se de passagem que as  cooperativas não possuem como finalidade societária o lucro” (fl. 208).  A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ (DRJ),  por  meio  do  Acórdão  nº  8.607,  de  25  de  maio  de  2005  (fls.  397/415),  que  deu  parcial  provimento ao recurso, resumiu seu entendimento na seguinte ementa:  Ementa:  SOCIEDADÉ.  COOPERATIVA.  ATOS  AUXILIARES.  ATOS NÃO COOPERATIVOS.  A  teor  do  art.  79  dá  Lei  n°  5.764/1971,  são  atos  cooperativos  todos  aqueles  que  englobam  operações  efetuadas  com  os  cooperados  ou  desta  resultem,  não  englobando,  portanto,  as  operações  efetuadas  com não associados  sem que  nesta  tivesse  havido participação dos cooperados, ainda que estas operações  tenham  sido  realizadas  para  atender  o  objetivo  social  da  cooperativa.  SOCIEDADE  COOPERATIVA.  ISENÇÃO.  ALCANCE.  Não são alcançadas pela isenção prevista no art. 6°, I, da LC n°  70/1991,  as  receitas  provenientes  de  operações  efetuadas  com  não associados.  FALTA DE RECOLHIMENTO.  A  falta ou  insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em  procedimento  fiscal,  enseja  o  lançamento  de  oficio  com  os  devidos acréscimos legais.  RECOLHIMENTO COMPROVADO.  Não deve  prosperar  o  lançamento  de  oficio motivado por  falta  ou  insuficiência  dez  Cofins  quando  restar  comprovada  a  efetivação  do  pagamento,  antes  de  iniciado  o  procedimento  fiscal.  CONFISSÃO DE DÍVIDA. DCTF  O  documento  que  formalizar  o  cumprimento  de  obrigação  acessória,  comunicando  a  existe ncia  de  crédito  tributário,  constituirá  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exige ncia  do  referido  crédito.  Os  valores  nele  declarados,  antes  de  iniciado  o  procedimento  fiscal,  não  são  objeto de lançamento de oficio.  Lançamento Procedente em Parte  Fl. 689DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM   4 O provimento foi parcial porque a DRJ verificou que “Nos meses 02/1998 a  07/2000,  12/2000  e  12/2001  a  12/2002,  os  valores  lançados  são  maiores  que  os  devidos. A existência dessas diferenças deve­se ao fato do autuante não ter considerado  os  valores  pagos  e/ou  declarados  em DCTF  antes  de  iniciado  o  procedimento  fiscal  (19/02/2002­01/1998  a  01/2002  e  24/04/2003­02/2002  a  12/2002).  Desta  forma,  por  terem sido lançados indevidamente, é de se cancelar os valores lançados a maior nos  referidos meses” (fl. 414).  O  contribuinte  apresentou  então  recurso  voluntário  (fls.  424/429),  no  qual  reitera os mesmos argumentos de defsa da sua impugnação.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator.  O recurso é tempestivo (fls. 423 e 424), motivo pelo qual dele conheço.  a) A decadência parcial.  O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do  do  artigo  45  da  Lei  n°  8.212,  de  1991,  que  fixava  em  10  anos  o  prazo  decadencial  para  a  constituição do crédito tributário pelo lançamento.  Deste  julgamento  resultou  a  edição  da  Súmula  Vinculante  n°  8,  com  o  seguinte teor:  São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto­ Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que  tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.  (DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008. DO de 20/6/2008, p. 1.)  Afastada  a  aplicação  do  art.  45  da  Lei  n°  8.212/91  pela  declaração  de  sua  inconstitucionalidade, toma seu lugar, neste caso concreto, o artigo 150, § 4° do CTN.  É  fora  de  dúvida  de  que  nos  casos  em  que  o  contribuinte  adianta  o  pagamento,  como  ocorre  neste  caso  concreto,  resta  configurado  o  lançamento  por  homologação, atraindo a aplicação do artigo 150, § 4° do CTN.  Assim,  o  lançamento  apenas  poderia  alcançar  os  fatos  geradores  ocorridos  nos cinco anos anteriores à constituição do crédito tributário.  Neste  caso  a  notificação  do  auto  de  infração  aconteceu  em  29/12/2003  (fl.  08).  Assim,  embora  o  auto  de  infração  pretenda  a  constituição  do  crédito  tributário  em  relação  aos  fatos  geradores  ocorridos  entre  01/98  e  12/2002,  apenas  poderia  alcançar os fatos geradores 12/1998 e posteriores, encontrando­se atingidos pela decadência os  fatos geradores 11/1998, inclusive, e anteriores.  Fl. 690DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.005564/2003­07  Acórdão n.º 3403­000.933  S3­C4T3  Fl. 3          5 b) O ato cooperativo e o faturamento.  Depois de transcrever dispositivos da Lei nº 5.764/71, que institui a Política  Nacional de Cooperativismo, o acórdão da DRJ propõe a seguinte interpretação:  31.1  As  cooperativas  são  sociedades  de  pessoas  constituídas  para  prestar  serviços  a  seus  associados  (art.  4°),  que  são  por  elas  representados,  quando  da  contratação  com  terceiros  não  associados,  adquirentes  ou  usuários  finais  dos  produtos  e  serviços fornecidos por seus cooperados;  31.2 Interpretando­se  de  forma  integrada  a  definição  de  ato  cooperativo  constante  do  art.  79,  bem  como  a  de  ato  não  cooperativo constante dos art. 85 e 86, conclui­se que são atos  cooperativos  todos  aqueles  que  englobam  operações  efetuadas  com os cooperados ou desta resultem, não englobando, portanto,  as  operações  efetuadas  com  não  associados  sem  que  nesta  tivesse  havido  participação  dos  cooperados,  ainda  que  estas  operações tenham sido realizadas para atender o objetivo social  da cooperativa;  31.3 Desta forma, são atos não cooperativos, aqueles realizados  pela cooperativa em seu próprio nome, sem a outorga conferida  pelos cooperados, quais sejam: a aquisição de produtos de não  associados por Cooperativa de Produção; a venda de bens a não  associados,  por Cooperativa  de Consumo  e  a  contratação  com  terceiros  para  fornecimento  de  serviços  a  serem  prestados  por  não associados, no caso de Cooperativa de Trabalho;  31.4 As operações com não associados constantes dos artigos 85  e  86  são  legalmente  permitidas,  no  entanto  os  resultados  positivos  obtidos  com  estas  operações  serão  oferecidos  à  tributação, conforme dispõe o art. 111.  O referido acórdão se apoiou  também no Parecer Normativo CST nº 38, de  30 de outubro de 1980, valendo dele destacar os seguintes trechos:  2.3.1 ­ Atos Cooperativos.  A  primeira  delas  abrange  os  negócios  jurídicos  internos,  negócios­fim, com caracteres próprios em relação aos atos civis,  mercantis ou trabalhistas, que a lei denomina atos cooperativos  e define como:  "os  praticados  entre  as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados,  para a consecução dos objetivos sociais" (art. 79)  (...)2.3.2 ­ Atos Não­Cooperativos Legalmente Permitidos.  A  segunda  categoria  corresponde  a  alguns  atos  não  cooperativos, cuja prática o legislador considerou tolerável, por  servirem  ao  propósito  de  pleno  preenchimento  dos  objetivos  sociais,  mas  sujeita­os,  por  isso  mesmo,  à  escrituração  em  separado  e  à  tributação  regular  dos  resultados  obtidos.  São  estas as operações admitidas:   Fl. 691DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM   6 ...............  II — fornecimento, a não associados, de bens ou serviços, assim  entendidos  estes  bens  e  serviços  como  sendo  os mesmos  que  a  cooperativa, em obedie ncia ao seu objetivo social e estejam de  conformidade com a lei, oferecer aos próprios associados.  (art.  86)  ...............  3 DAS COOPERATIVAS DE MÉDICOS  3.1 — Atos Cooperativos  As  cooperativas  singulares  de  médicos,  ao  executarem  as  operações  descritas  em  2.3.1,  estão  plenamente  abrigadas  da  incide ncia  tributária  em  relação  aos  serviços  que  prestem  diretamente aos associados na organização e administração dos  interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os  que  buscam  a  captação  de  clientela;  a  oferta  pública  ou  particular dos serviços associados; a cobrança e o recebimento  de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos  honorários  recebidos;  a  apuração  e  cobrança  das  despesas  da  sociedade, mediante  rateio  na  proporção  direta  da  fruição  dos  serviços pelos associados; cobertura de eventuais prejuízos com  recursos  provenientes  do  Fundo  de  Reserva  (art.  28,  I)  e,  supletivamente,  mediante  rateio  entre  os  associados,  na  razão  direta dos serviços usufruídos (art. 89).  3.2  —Atos  Não­Cooperativos,  Diversos  dos  Legalmente  Permitidos.  Se,  conjuntamente  com  os  serviços  dos  sócios,  a  cooperativa  contrata  com  a  clientela,  a  preço  global  não  discriminativo,  ainda  o  fornecimento,  a  esta,  de  bens  ou  serviços  de  terceiros  e/ou  cobertura  de  despesas  com  (a)  diárias  e  serviços  hospitalares,  (b)  serviços  de  laboratórios,  (c)  serviços  odontológicos,  (d)  medicamentos  e  (e)  outros  serviços,  especializados  ou  não,  por  não  associado  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  é  evidente  que  estas  operações  não  se  compreendem  nem  entre  os  atos  cooperativos  nem  entre  os  excepcionalmente  facultados  pela  lei,  resultando,  portanto,  em  modalidade  contratual com traços de seguro­saúde.  3.3 — Intermediação  Como estas obrigações  contratuais não poderão  ser cumpridas  diretamente  pela  cooperativa  porque  seu  objetivo  social  é  voltado  internamente  aos  associados,  nem  pelos  associados  na  condição  de  prestadores  de  serviços  médicos,  torna­se  logicamente  imprescindível  a  aquisição  daqueles  bens/serviços  de  outras  sociedades  ou  de  outros  profissionais,  o  que  evidentemente,  é  característica  da  merca ncia,  ou  seja  a  intermediação.  3.4 — Organização Mercantil  Estas  atividades,  francamente  irregulares  para  esse  tipo  societário, estão iniludivelmente contidas em contexto de modelo  Fl. 692DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.005564/2003­07  Acórdão n.º 3403­000.933  S3­C4T3  Fl. 4          7 comercial, uma vez que seu perfil operacional, neste particular,  envolve  (1)  atividade  econo mica  (2)  fins  lucrativos  (3)  habitualidade,  (4)  organização  voltada  à  circulação  de  bens  e  serviços e  (5) assunção de risco. Esta afirmação melhor estará  corroborada  se  abstrairmos,  dentre  as  obrigações  assumidas  com  a  clientela,  a  de  prestação  de  serviços  médicos  pelos  próprios  associados;  percebe­se,  então,  que  seria  lógica  e  juridicamente  insustentável  considerar­se  como  cooperativa  a  entidade  que  tivesse  como  único  objetivo  a  revenda  de  bens  e  serviços."  O  acórdão  da  DRJ  também  enfrentou  a  alegação  de  que  o  Código  Civil  vigente teria forçado a interpretação do ato cooperativo, nos seguintes termos:  36.  Aduz,  também,  a  impugnante  que  a  Lei  n°  10.406,  de  10/01/2002,  que  instituiu o  novo Código Civil,  em  seus  artigos  966  e  982,  deu  qualidade  de  ato  cooperativo  a  todo  ato  praticado pela cooperativa. Com isso, a partir de 11/01/2002, as  receitas da Impugnante, mesmo as que esta classificou como atos  não  cooperados,  não  estariam  sujeitas  à  incidência  da  Cofins,  posto que a publicação do ato legislativo torna manifesta a mens  legis específica desta matéria.  37.  Não  procede  a  alegação  postulada  pela  impugnante.  Os  dispositivos  por  ela  citados  em  nada  alteraram  a  definição  de  ato  cooperativo  contida  no  art.  79  da  Lei  n°  5.764,  de  16/12/1971. Aliás,  cabe  ressaltar que os artigos 1.093 a 1.096,  do Novo Código Civil, ao tratarem das Sociedades Cooperativas,  não dispõem sobre a definição de ato cooperativo.  38.  O  art.  1.093,  da  Lei  n°  10.406,  de  2002,  dispõe  que  "A  sociedade  cooperativa  reger­se­á pelo  disposto  no  presente Capítulo,  ressalvada  a  legislação  especial".  O  art.  1.096  do  mesmo  diploma  legal  consigna  que  "No  que  a  lei  for  omissa,  aplicam­se  as  disposições  referentes  à  sociedade  simples,  resguardadas as características estabelecidas no art. 1094".  39. A lei especial a que se refere o art. 1.093 é a de n° 5.764, de  16/12/1971,  que  define  a Política Nacional  de Cooperativismo,  institui  o  regime  jurídico  das  sociedades  cooperativas  e  dá  outras  provide ncias.  Nos  casos  omissos  quer  da  lei  especial,  quer dos  artigos  1.093  a 1.096  do Novo Código Civil,  deverão  ser  aplicadas  às  disposições  referentes  às  sociedades  simples  (art. 997 a 1.038 do CC). Como nenhum dos citados artigos do  Novo  Código  Civil  altera  a  definição  de  ato  cooperativo  dada  pela Lei n° 5.764, de 16/12/1971, em seu artigo 79, permanece o  conceito  disposto  nesse  dispositivo  legal.  Ressalte­se  também  que,  ao  contrário  do  alegado  pela  impugnante  e  na  forma  prevista em seu art. 2.044, o Novo Código Civil somente entrou  em vigor um ano após a sua publicação, em 12/01/2003, ou seja,  após  a  ocorre ncia  dos  fatos  geradores  objeto  do  presente  lançamento.  O  entendimento  da  DRJ,  portanto,  é  no  sentido  de  que  apenas  os  atos  praticados  entre  a  cooperativa  e  o  cooperado,  ou  entre  as  cooperativas,  é  que  poderia  ser  Fl. 693DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM   8 qualificado  como  ato  cooperativo.  Mas  que  os  negócios  firmados  entre  a  cooperativa  e  terceiros,  não  cooperados,  configurava  receita  que  deveria  ser  submetida  à  incidência  da  Cofins.  Já o  recurso voluntário  inisite em que se deveria  reconhecer que “eventuais  operações realizadas com citadas pessoas jurídicas não significa a inexistência de ato realizado  entre a Requerente e seus cooperado” pois “a função essencial da cooperativa médica é prestar  serviços para  seus cooperados,  todos médicos”  (fl. 427), de sorte que  “os  serviços auxiliares  são essenciais para que o serviço prestado pelo cooperado seja possível a terceiros” (fl. 427)  Socorre­se da doutrina de Ives Gandra no sentido de que “O ato cooperativo  é o  ato  de  encaminhar  pacientes  para  a  prestação de  serviços,  submetendo­se,  a  atuação  individual do médico ou do estabelecimento hospitalar, à  tributação normal de prestação de  serviços  remunerada.  Em  outras  palavras,  o  ato  de  angariar  e  levar  clientes  para  os  associados  é  típico  ato  cooperativo.  A  prestação  de  serviços  pelo  associado  ou  sistema  hospitalar  por  ele  indicado  é  ato  de  exercício  profissional,  remunerado  e  tributado”  (MARTINS, Ives Gandra da Silva. Sociedades Cooperativas de Prestação de Serviços Médicos  — Conceito  de Ato Cooperado.  Revista Dialética  de Direito  Tributário  n.°  106.  São  Paulo:  Dialética, jun/2004, p. 121).  Ou seja, tem­se em contraste dois conceitos diferentes de ato cooperativo.  De  um  lado,  em  perspectiva  finalística,  qualifica­se  como  ato  cooperativo  qualquer ato que a cooperativa pratique em nome e em favor de seus cooperados, na medida  em que esta é a razão de ser da cooperativa, enquanto de outro lado, em perspectiva analítica,  condiciona­se  tal  configuração  aos  casos  em  que  figurem  nos  pólos  da  relação  negocial  os  associados e a cooperativa.  É  neste primeiro  enfoque que  parece  se  situar  a  jurisprudência  do Superior  Tribunal de Justiça (STJ), à qual me filio.  O entendimento do STJ parece ser bem ilustrado pelo seguinte trecho de voto  da Ministra Denise Arruda:  A  sociedade  cooperativa,  como  sociedade  de  pessoas,  é  organização  societária distinta das  sociedades  comerciais,  pois  se  constitui  com  o  objetivo  de  prestar  serviços  aos  seus  associados,  para  o  exercício  de  uma  atividade  econômica  determinada,  de  proveito  comum  e  sem  intuito  de  lucro.  A  relação  que  se  estabelece  é  entre  a  cooperativa  e  o  sócio­ cooperado, ou entre o sócio e a cooperativa. Concentra­se o ato  cooperativo,  portanto,  entre  a  sociedade  e  as  mesmas  pessoas  que  a  integram.  Por  isso  mesmo  o  ato  praticado  pela  cooperativa  com  terceiros  é  como  se  fora  ato  do  próprio  cooperado.  É,  por  isso,  sociedade  atípica  e  peculiar,  e  seus  resultados  não  se  amoldam aos  conceitos  de  receita  ou  receita  bruta  ou  ainda  de  faturamento,  consoante  o  estabelecido  pelo  art. 3º e § 1º, da Lei nº 9.718/98. Ante tais considerações pode­se  afirmar que a cooperativa, como sociedade, não tem lucro, pois  as sobras serão destinadas aos associados, o mesmo ocorrendo  com os prejuízos, que  também são suportados pelos associados  (Lei  5.764/71,  arts.  4º,  VII,  e  art.  8º).  Sob  minha  ótica,  o  legislador  regulou  as  sociedades  cooperativas  pelo  espírito  de  solidariedade  e  ajuda  mútua  de  que  se  revestem  essas  sociedades, e tratá­las de modo similar ao tratamento que se dá  Fl. 694DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.005564/2003­07  Acórdão n.º 3403­000.933  S3­C4T3  Fl. 5          9 às  sociedades  comerciais  seria  desnaturar  a  sua  essência."  (Recurso Especial nº 612.201, DJ 06/03/2006)  Ou seja, a cooperativa se distingue de uma empresa pela sua própria natureza  de representação de seus cooperados.  Assim,  quando  se  diz  que  o  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado, é porque isto decorre da natureza de sua atividade enquanto cooperativa, tratando­se  de entidades que não possuem finalidade lucrativa, mas de potencializar a atuação no mercado  de seus cooperados.  Confira­se, ainda, o seguinte trecho de julgado do STJ:  (...)  3.  No  campo  da  exação  tributária  com  relação  às  cooperativas a aferição da incidência do tributo impõe distinguir  os atos cooperativos através dos quais a entidade atinge os seus  fins  e  os  atos  não  cooperativos;  estes  extrapolantes  das  finalidades  institucionais  e  geradores  de  tributação;  diferentemente  do  que  ocorre  com  os  primeiros.  Precedentes  jurisprudenciais.  4.  A  cooperativa  prestando  serviços  a  seus  associados,  sem  interesse  negocial,  ou  fim  lucrativo,  goza  de  completa  isenção,  porquanto o fim da mesma não é obter lucro mas, sim, servir aos  associados.  5.  Os  atos  cooperativos  não  estão  sujeitos  à  incidência  da  COFINS  porquanto  o  art.  79  da  Lei  5.764/71  (Lei  das  Sociedades  Cooperativas)  dispõe  que  o  ato  cooperativo  não  implica operação de mercado.  6. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou mercadoria,  a  revogação do inciso I do art. 6° da LC 70/91 em nada altera a  não  incidência  da  COFINS  sobre  os  atos  cooperativos.  O  parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71 não está revogado  por ausência de qualquer antinomia legal. (...)  (trecho  da  ementa  do  Recurso  Especial  nº  616.219,  DJ  25/09/2006)  Assim,  “não  se  trata,  aqui,  de  imunidade  ou  isenção,  apenas  de  inexiste ncia de hipótese de  incide ncia da  contribuição aludida”  (trecho do voto da Min.  Denise Arruda no Recurso Especial nº 612.201, DJ 06/03/2006).  De acordo com esta interpretação finalística, todos os atos necessários para o  cumprimento das  finalidades às quais se destina a cooperativa, na  tarefa de dar condições de  atuação  e  angariar  mercado  aos  seus  cooperados,  seu  conceito  alcança  também  os  atos  auxiliares, conforme o entendimento reiterado do E. STJ.  As condições de atuação dos médicos cooperados dependem não apenas da  remuneração  dos  honorários médicos  pelas  consultas  e  cirurgias  que  realiza  pessoalmente  –  rendimentos estes que serão tributados nas suas pessoas –, mas também alcança todo o suporte  Fl. 695DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM   10 para  sua  atuação,  necessários  para dar  ao  cooperado  todo  o  amparo material  e  logístico  que  permita sua atuação no mercado.  Voto, por isso, entendo que também os atos cooperativos ditos auxiliares não  podem ser alcançados pela incidência de PIS e Cofins.  c) Conclusão.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  tanto para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores 11/1998 e anteriores, como  também  para  reconhecer  que  os  “atos  auxiliares”  praticados  pela  cooperativa  devem  ser  alcançados pelo conceito de atos cooperativos, os quais estão fora do campo de incidência da  Cofins.  Ivan Allegretti  Voto Vencedor    Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado.  Em  que  pese  o  respeitável  voto  do  e.  relator,  peço  vênia  para  divergir  do  entendimento  apresentado  em  relação  à  inclusão  no  conceito  de  ato  cooperado,  dos   pagamentos  a  hospitais,  clinicas,  laboratório,  dentre outros  serviços  contratados  de  terceiros,  conceituados pela Recorrente como atos cooperativos auxiliares.  Independente da denominação adotada pela Recorrente. O art. 79, da Lei nº  5.764/71 define de forma cristalina o conceito de ato cooperado.  “Art.  79. Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre  as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas  cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos  objetivos sociais.          Parágrafo único. O ato cooperativo não  implica operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria.”    De acordo com a legislação, os atos cooperados são aqueles realizados entre a  cooperativa  e  seus  associados.  Tratando  de  norma  de  isenção  o Código  Tributário Nacional  determina  a  interpretação  literal,  não  cabendo  a  aplicação  de  analogia  ou  qualquer  outro  conceito para extensão do benefício concedido. Portanto, não estão incluídas no conceito de ato  cooperado as  receitas  referentes a pagamentos a hospitais, clinicas,  laboratórios ou quaisquer  outras referentes a serviços de terceiros.  A  matéria  já  foi  objeto  de  julgamento  pela  Segunda  Câmara  do  Segundo  Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 202­18.997, na sessão do dia 8 de maio de 2008, de  relatória do e. Conselheiro Antônio Zomer. Quando foi decidido pela incidência da  COFINS  sobre  os  chamados  atos  cooperativos  auxiliares.  As  posições  adotadas  pelo  Relator  no  voto  condutor daquela decisão estão em plena consonância com o entendimento deste Relator, razão  Fl. 696DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.005564/2003­07  Acórdão n.º 3403­000.933  S3­C4T3  Fl. 6          11 pela  qual  peço  vênia  para  incluir  parte  deste  voto,  fazendo  dele  também minhas  razões  de  decidir.  “...  No  tocante  ao  mérito,  a  primeira  questão  a  ser  analisada  diz  respeito  à  possibilidade  de  tributação  do  que  as  Unimeds  chamam  de  ato  cooperativo  auxiliar  (serviços  hospitalares  e  auxiliares  de  diagnóstico  e  tratamento,  tais  como  serviços  laboratoriais, radiológicos e de imagens).  A  fiscalizada  comercializa,  por meio  de  planos  de  saúde,  além  dos serviços dos médicos cooperados, outros serviços prestados  por  terceiros  não  cooperados,  principalmente  hospitais  e  laboratórios,  que  não  se  caracterizam  como  atos  cooperativos,  tal como definidos no art. 79 da Lei nº 5.764/71.   Na vigência da Lei Complementar nº 70/91, o inciso I do art. 6º  isentava do pagamento da Cofins as sociedades cooperativas que  observassem o disposto na legislação específica, quanto aos atos  cooperativos próprios de suas finalidades.  Assim, para os fatos geradores ocorridos até o mês de janeiro de  1999, o Fisco excluiu da base de cálculo tributada as receitas do  ato  cooperativo,  assim  consideradas  aquelas  registradas  contabilmente  como  “Intercâmbio  com  Unimeds”.  Nenhuma  outra  receita  oriunda  desta  atividade  foi  apresentada  pela  autuada durante o procedimento fiscal e nem mesmo em sede de  impugnação.  Assim,  não  há  reparo  a  se  fazer  quanto  a  esta  parte.  A partir de fevereiro de 1999, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei  nº 9.718/98, todas as receitas das Unimeds passaram a compor a  base de cálculo do PIS e da Cofins.  Na vigência da Lei Complementar nº 70/91, o inciso I do art. 6º  isentava do pagamento da Cofins as sociedades cooperativas que  observassem o disposto na legislação específica, quanto aos atos  cooperativos  próprios  de  suas  finalidades.  Todavia,  a  Medida  Provisória  nº  1.858­6,  em  seu  art.  23,  inciso  II,  “a”,  revogou  expressamente, a partir de 30/06/1999, a referida isenção.  As alegações da autuada de que os serviços prestados por não­ cooperados caracterizam­se como atos cooperativos porque são  indispensáveis,  essenciais  e  intimamente  atrelados  ao  próprio  atendimento ao paciente, esbarram nas determinações claras da  Lei nº 5.764/71, que, em seus arts. 3º e 79, assim dispõe:  “Art.  3º  ­  Celebram  contrato  de  sociedade  cooperativa  as  pessoas  que  reciprocamente  se  obrigam  a  contribuir  com bens  ou  serviços  para  o  exercício  de  uma  atividade  econômica,  de  proveito comum, sem objetivo de lucro.  [...]Art.  79  ­  Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre  a  cooperativa  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  Fl. 697DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM   12 pelas cooperativas entre si quando associados, para consecução  dos objetivos sociais.  Parágrafo  único  ­ O  ato  cooperativo  não  implica  operação  de  mercado,  nem  contrato  de  compra  e  venda  de  produto  ou  mercadoria.”  Alega a recorrente que sem a prestação dos serviços auxiliares  por parte da cooperativa, o exercício da atividade médica pelos  seus  associados  tornar­se­ia  impraticável.  Entretanto,  a  lei  diz  que ato cooperativo é só aquele praticado entre a cooperativa e  seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre  si  quando  associados,  para  consecução  dos  objetivos  sociais.  Assim,  não  pode  a  recorrente  distorcer  o  ditame  legal,  para  classificar  como  ato  cooperativo  todo  aquele  necessário  à  consecução  dos  seus  objetivos  sociais,  porque  não  é  isto  que  dispôs o texto legal.  Portanto,  para  a  caracterização  de  um  ato  como  cooperativo  não  basta  que  ele  seja  realizado  em  atendimento  ao  objetivo  social da entidade. É preciso, antes de tudo, que seja praticado  entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e  pelas cooperativas entre si quando associadas. Nas cooperativas  de  trabalho médico,  os  atos  cooperativos  são  somente  aqueles  serviços  médicos  prestados  pelos  associados  aos  usuários,  por  intermédio da cooperativa.   Quem adquire um plano de  saúde objetiva  receber a  cobertura  geral de qualquer serviço relativo à saúde física e mental sua e  de  seus  dependentes,  o  que  engloba  serviços  médicos,  como  consulta  e  exames  clínicos;  hospitalares,  como  internação  e  cirurgia;  ambulatoriais,  como  pronto­socorro  e  pequenas  intervenções  cirúrgicas,  etc.,  além  dos  serviços  de  outros  profissionais  de  saúde,  como  protéticos,  ortopedistas,  fisioterapeutas, etc.   Enfim, o que se objetiva com um plano de saúde é, mediante um  pagamento  mensal,  cobrir  os  custos  de  todo  e  qualquer  procedimento necessário à preservação da saúde do adquirente  e de sua família, dentro dos limites contratados.  No caso da interessada, a receita da contratação que faz com os  adquirentes  dos  planos  de  saúde  não  é  repassada  diretamente  aos associados, sendo, pois, absurda a alegação de que o valor  global  dos  pagamentos  mensais  efetuados  pelos  usuários  dos  planos  de  saúde  seja  receita  de  atos  cooperados.  Esta  receita,  oriunda  dos  pagamentos  mensais  efetuados  pelos  usuários  do  plano  de  saúde,  não  pertence  aos médicos, mas  à  cooperativa,  diferentemente  daquela  paga  pelo  serviço  que  o médico  presta  ao seu paciente.   Ademais,  quando  a  cooperativa  contrata  serviços  de  terceiros  para  atender  aos  clientes  dos  planos  de  saúde,  retira  de  suas  receitas  os  recursos  para  custeio  do  serviço,  o  que  representa,  sem  a  menor  sombra  de  dúvida,  um  ato  mercantil.  Neste  momento, o médico associado fica de fora do ato praticado pela  cooperativa.  O  serviço  custeado  pela  cooperativa  ao  cliente  passa a ter fundamento diverso do prestado pelo associado, pois  Fl. 698DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.005564/2003­07  Acórdão n.º 3403­000.933  S3­C4T3  Fl. 7          13 diz respeito apenas ao cumprimento do contrato realizado entre  a cooperativa e o cliente do plano de saúde.  Este  entendimento  já  está  pacificado  na  jurisprudência  do  Primeiro  e  do  Segundo  Conselhos  de  Contribuintes,  como  demonstram as ementas abaixo transcritas:  “SOCIEDADE  COOPERATIVA  ­  Não  são  alcançados  pela  incidência  do  imposto  de  renda  os  resultados  dos  atos  cooperativos.  Nas  cooperativas  de  trabalho  médico,  em  que  a  cooperativa  se  compromete  a  fornecer,  além  dos  serviços  médicos dos associados, serviços de terceiros, tais como exames  laboratoriais  e  exames  complementares  de  diagnose  e  terapia,  diárias  hospitalares,  etc.,  esses  serviços  prestados  por  não  associados não se classificam como atos cooperativos, devendo,  seus resultados, ser submetidos à tributação.” (Acórdão nº 101­ 93.044, Rel. Sandra Maria Faroni)  “COFINS ­ A finalidade das cooperativas restringe­se à prática  de  atos  cooperativos,  conforme  artigo  79  da  Lei  nr.  5.764/71.  Não  são  atos  cooperativos  os  praticados  com  pessoas  não  associadas (não cooperados) e, portanto, devida a contribuição  normal e geral de suas receitas.” (Acórdão nº 202­10.887, Rel.  Maria Teresa M. López)  “COFINS.  [...]  ATOS  NÃO­COOPERATIVOS.  Considera­se  atos não cooperativos os contratos de plano de saúde e aqueles  praticados  com  terceiros  não  associados,  embora  objetivem  atendimentos  sociais  e  a  finalidade  da  sociedade  cooperativa,  por faltar­lhes o requisito básico de estar em ambos os lados da  relação  negocial,  a  cooperativa  e  seus  associados,  para  consecução  dos  seus  objetivos.”  (Acórdão  nº  202­14.840,  Rel.  Nayra Bastos Manatta)  A  mesma  definição  de  ato  cooperativo  foi  dada  pelo  Superior  Tribunal de Justiça ­ STJ, em 17/02/2004, conforme se pode ver  na  ementa  do  Acórdão  proferido  no  julgamento  do  Recurso  Especial nº 237.348/SC, abaixo transcrita:  “TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA.  COOPERATIVA  MÉDICA. ATOS NÃO­COOPERATIVOS.  1.  A  UNIMED  presta  serviços  privados  de  saúde,  ficando  evidenciada, assim sua natureza mercantil na relação com seus  associados,  ou  seja,  vende,  por  meio  da  intermediação  de  terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados.  2.  O  fornecimento  de  serviços  a  terceiros  e  de  terceiros  não­ associados,  caracteriza­se  como  atos  não­cooperativos,  sujeitando­se, portanto, à incidência do Imposto de Renda.  3.  Recurso  especial  provido.”  (Relator Ministro  Castro Meira,  DJU de 17/02/2004, 2ª Turma).  No mesmo sentido, cita­se, ainda, a ementa do acórdão proferido  pelo  TRF  da  1ª  Região  no  julgamento  da  Apelação  Civil  nº  Fl. 699DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM   14 2001.33.00.007772­0/BA, na  qual  ficou  textualmente  registrado  que  incide a  tributação sobre o que a  recorrente chama de ato  cooperativo auxiliar, nos seguintes termos:  “TRIBUTÁRIO.  UNIMED.  ANULAÇÃO  DE  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  ATO  COOPERATIVO.  LEI  Nº  5.764/71.  PROVA  PERICIAL.   I  ­  Denominam­se  atos  cooperativos  os  praticados  entre  as  cooperativas  e  seus  associados,  entre  estes  e  aquelas  e  pelas  cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos  objetivos  sociais  (artigo  79  da  Lei  nº  5.764/71).  O  ato  cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de  compra e venda de produto ou mercadoria.  II  ­  Os  atos  celebrados  pela  Unimed  com  pessoas  físicas  ou  jurídicas, não associadas, e denominados de ‘atos cooperativos  auxiliares’, não podem ser considerados atos cooperativos para  efeitos jurídicos e tributários.  III. Apelação não provida.”.”    Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a  matéria referentes aos ditos atos cooperativos auxiliares por entender que a receita referente a  estes atos integram a base de cálculo para incidência da COFINS.        Winderley Morais Pereira                                  Fl. 700DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.005564/2003­07  Acórdão n.º 3403­000.933  S3­C4T3  Fl. 8          15   Fl. 701DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 28/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 29/05/2011 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, 31 /05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM

score : 1.0
10895029 #
Numero do processo: 11610.001597/2011-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Apr 27 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.
Numero da decisão: 2002-009.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão de ausência de dialeticidade recursal. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura (substituto[a] integral) e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 10 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 202504

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Sun Apr 27 00:00:00 UTC 2025

numero_processo_s : 11610.001597/2011-17

anomes_publicacao_s : 202504

conteudo_id_s : 7248086

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Apr 27 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 2002-009.391

nome_arquivo_s : Decisao_11610001597201117.PDF

ano_publicacao_s : 2025

nome_relator_s : CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL

nome_arquivo_pdf_s : 11610001597201117_7248086.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão de ausência de dialeticidade recursal. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura (substituto[a] integral) e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2025

id : 10895029

ano_sessao_s : 2025

atualizado_anexos_dt : Sat May 10 09:37:26 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1831725827734110208

conteudo_txt : Metadados => date: 2025-04-25T23:13:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-04-25T23:13:41Z; Last-Modified: 2025-04-25T23:13:41Z; dcterms:modified: 2025-04-25T23:13:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-04-25T23:13:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-04-25T23:13:41Z; meta:save-date: 2025-04-25T23:13:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-04-25T23:13:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-04-25T23:13:41Z; created: 2025-04-25T23:13:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2025-04-25T23:13:41Z; pdf:charsPerPage: 1094; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-04-25T23:13:41Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11610.001597/2011-17 ACÓRDÃO 2002-009.391 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 8 de abril de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SUELY DURANTE INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em razão de ausência de dialeticidade recursal. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL – Relator Assinado Digitalmente MARCELO DE SOUSA SÁTELES – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros João Mauricio Vital, André Barros de Moura, Ricardo Chiavegatto de Lima, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura (substituto[a] integral) e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.391 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11610.001597/2011-17 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a contribuinte acima qualificada, foi lavrada, em 24/01/2011, como resultado de deferimento parcial de SRL (fl. 36), a Notificação de Lançamento às fls. 37/41, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008 (ano- calendário 2007), por intermédio da qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 26.930,90. Conforme Demonstrativo da Infração às fls. 38/39, da análise das informações e documentos apresentados pela contribuinte e à vista de informações constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foram acrescidos R$ 25.298,28 aos rendimentos declarados como R$ 128.959,27, com retenção na fonte de R$ 38.377,49, recebidos acumuladamente através de ação trabalhista, pagos pelo BANCO BRADESCO S.A, CNPJ: 60.746.948/0001-12. Paralelamente, foram glosados R$ 13.079,21, do imposto retido na fonte declarado como R$ 38.377,49, da mesma fonte pagadora. Cientificada do lançamento em 02/02/2011 (fl. 34), a contribuinte em sua impugnação apresentada em 03/03/2011 (fls. 02/04) não contesta o lançamento por omissão de rendimentos de R$ 25.298,28. No que tange à glosa do imposto retido na fonte sobre rendimentos recebidos acumuladamente, declarado para o BANCO BRADESCO S.A, CNPJ: 60.746.948/0001-12, aduz que “ o que o fiscal não atentou é que o DARF (cópia em anexo) foi retido em 28/07/2004 e atualizado pelo juros SELIC conforme determinação da própria RECEITA FEDERAL na época dando o equivalente à R$ 38.377,49 de agosto/2004 à março/2008 conforme tabela de juros selic extraída pelo site da RECEITA FEDERAL (cópia em anexo).” Apresenta cópia do DARF de recolhimento do imposto retido na ação trabalhista no valor de R$ 25.298,28. Requer que seja acolhida a presente impugnação, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/11/2017, o sujeito passivo interpôs, em 13/12/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, requerendo, em apertada síntese, a revisão de todo o processo. É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Carlos Eduardo Avila Cabral - Relator(a) Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.391 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11610.001597/2011-17 3 Analisando a petição apresentada, verifica-se que fora protocolada dentro do prazo recursal, sendo desta feita tempestiva. No entanto, a petição, caso fosse a intenção da contribuinte apresentar Recurso Voluntário, não merece ser conhecida, em razão da falta de dialeticidade recursal. Como relatado, a Recorrente se limita a colacionar documentos e solicitar revisão do processo, sem tecer nenhuma consideração no que tange ao mérito do litígio. Quando a contribuinte interpõe simples petição solicitando uma revisão do processo, sem combater os argumentos firmados na decisão, aparentemente recorrida, a defesa recursal se apresenta de forma genérica, falta-lhe dialeticidade. Um recurso para ser conhecido, necessariamente, precisa atacar os fundamentos da decisão que se almeja ser reformada. Deve expor os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, seus pontos de discordância e as razões. Portanto, por falta de enfrentamento dos fundamentos da decisão recorrida o recurso sequer pode ser conhecido. Ademais, a petição pedindo revisão, o que poderia ser lido como verdadeiro pedido de reconsideração, não é cabível como estabelecido pelo Decreto 70.235/72, em seu art. 36: Art. 36. Da decisão de primeira instância não cabe pedido de reconsideração. Diante do exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário interposto, em razão de ausência de dialeticidade recursal. (documento assinado digitalmente) Carlos Eduardo Avila Cabral Fl. 126DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
10895389 #
Numero do processo: 15871.000145/2010-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. COFINS. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE PARA REMESSA DE ARMAZENAGEM NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O gasto com fretes na remessa de armazenagem na exportação não enseja a tomada de créditos, no âmbito da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, como insumo, por não atender aos requisitos de essencialidade e relevância, na linha em que decidiu o STJ no REsp 1.221.170/PR, e nem como frete de venda, por não corresponder efetivamente a uma operação de venda.
Numero da decisão: 9303-016.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Tatiana Josefovicz Belisário, que votaram pelo provimento parcial, apenas para restabelecer as glosas relativas ao item “Créditos de PIS/Cofins. Fretes de Produtos Acabados entre Estabelecimentos da Mesma Empresa”, como consignado no voto divergente registrado pela Cons. Tatiana Josefovicz Belisário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.440, de 24 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 15871.000146/2010-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Hélcio Lafetá Reis (Suplente convocado), Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Régis Xavier Holanda (Presidente). Ausente o Conselheiro Dionísio Carvallhedo Barbosa, substituído pelo Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 10 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 202501

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. COFINS. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE PARA REMESSA DE ARMAZENAGEM NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O gasto com fretes na remessa de armazenagem na exportação não enseja a tomada de créditos, no âmbito da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, como insumo, por não atender aos requisitos de essencialidade e relevância, na linha em que decidiu o STJ no REsp 1.221.170/PR, e nem como frete de venda, por não corresponder efetivamente a uma operação de venda.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025

numero_processo_s : 15871.000145/2010-17

anomes_publicacao_s : 202504

conteudo_id_s : 7248890

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 9303-016.445

nome_arquivo_s : Decisao_15871000145201017.PDF

ano_publicacao_s : 2025

nome_relator_s : REGIS XAVIER HOLANDA

nome_arquivo_pdf_s : 15871000145201017_7248890.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Tatiana Josefovicz Belisário, que votaram pelo provimento parcial, apenas para restabelecer as glosas relativas ao item “Créditos de PIS/Cofins. Fretes de Produtos Acabados entre Estabelecimentos da Mesma Empresa”, como consignado no voto divergente registrado pela Cons. Tatiana Josefovicz Belisário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.440, de 24 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 15871.000146/2010-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Hélcio Lafetá Reis (Suplente convocado), Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Régis Xavier Holanda (Presidente). Ausente o Conselheiro Dionísio Carvallhedo Barbosa, substituído pelo Conselheiro Hélcio Lafetá Reis.

dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2025

id : 10895389

ano_sessao_s : 2025

atualizado_anexos_dt : Sat May 10 09:37:28 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1831725827795976192

conteudo_txt : Metadados => date: 2025-04-28T14:50:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-04-28T14:50:24Z; Last-Modified: 2025-04-28T14:50:24Z; dcterms:modified: 2025-04-28T14:50:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-04-28T14:50:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-04-28T14:50:24Z; meta:save-date: 2025-04-28T14:50:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-04-28T14:50:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-04-28T14:50:24Z; created: 2025-04-28T14:50:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2025-04-28T14:50:24Z; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-04-28T14:50:24Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15871.000145/2010-17 ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA SESSÃO DE 24 de janeiro de 2025 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR RECORRENTE FAZENDA NACIONAL INTERESSADO CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S.A. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. COFINS. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE PARA REMESSA DE ARMAZENAGEM NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O gasto com fretes na remessa de armazenagem na exportação não enseja a tomada de créditos, no âmbito da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, como insumo, por não atender aos requisitos de essencialidade e relevância, na linha em que decidiu o STJ no REsp 1.221.170/PR, e nem como frete de venda, por não corresponder efetivamente a uma operação de venda. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Tatiana Josefovicz Belisário, que votaram pelo provimento parcial, apenas para restabelecer as glosas relativas ao item “Créditos de PIS/Cofins. Fretes de Produtos Acabados entre Estabelecimentos da Mesma Empresa”, como consignado no voto divergente registrado pela Cons. Tatiana Josefovicz Belisário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.440, de 24 de Fl. 821DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 15871.000145/2010-17 2 janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 15871.000146/2010-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Tatiana Josefovicz Belisário, Hélcio Lafetá Reis (Suplente convocado), Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, e Régis Xavier Holanda (Presidente). Ausente o Conselheiro Dionísio Carvallhedo Barbosa, substituído pelo Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra a decisão consubstanciada em acórdão que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Breve síntese do processo O processo versa sobre Pedido de Ressarcimento de IPI, combinado com declaração de compensação, referente a Contribuição para o PIS-PASEP/COFINS não-cumulativa – Exportação. Em despacho decisório, decidiu-se pelo parcial provimento do pedido, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ decidiu pela sua improcedência. E detectou que as glosas são originadas da fiscalização que ensejou o auto de infração de PIS e COFINS. Em recurso voluntário, o Contribuinte defendeu fazer jus aos créditos apurados por meio do método de custo integrado, além de: (a) insumos com bens e serviços utilizados na fase agrícola de cultivo e extração da cana-de-açúcar; (b) insumos com bens e serviços de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na fase industrial de produção do açúcar; (c) fretes de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa; e (d) apropriação de créditos em relação à depreciação de ativos empregados no processo produtivo (fases agrícola e Fl. 822DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 15871.000145/2010-17 3 industrial, sem o limite temporal imposto de forma inconstitucional pelo art. 31 da Lei no 10.865/04). No CARF, recordou-se, de início, que o processo em questão, relativo à análise dos créditos declarados em PER/DComp, levou à lavratura de auto de infração, e que tal processo já havia sido enfrentado pelo CARF anteriormente. A relatora externou que “...em se tratando da mesma empresa, do mesmo período e dos mesmos créditos, inegável reconhecer que existe interesse comum entre este e o outro PAF”, e que entenderia haver conexão entre os processos, mas que sabia que o posicionamento que prevalecia no colegiado era pela decorrência, e estaria “...o julgador prevento para decidir de forma diversa do vinculado (quando este já tivesse sido enfrentado pelo Conselho em momento anterior)”. Assim, apesar de manter sua convicção sobre a inexistência de impedimento para que o auto de infração e o processo que discute o pedido de crédito referentes a um mesmo tributo e período sejam analisados e julgados de forma autônoma, entendeu a relatora acertada, no caso, a solução dada ao PAF, estendendo as conclusões ao presente processo. Da matéria submetida à CSRF Cientificada do Acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, apontando divergência jurisprudencial com relação às seguintes matérias: (a) “Créditos de PIS/Cofins. Serviços de Transporte e Armazenagem para Exportação”, indicando como paradigma o Acórdão no 3401- 008.604; e (b) “Créditos de PIS/Cofins. Fretes de Produtos Acabados entre Estabelecimentos da Mesma Empresa”, indicando como paradigma o Acórdão no 9303-011.548. Com as considerações tecidas no Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial – o Presidente deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em relação a ambas as matérias. Cientificado do Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Do Conhecimento O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, conforme consta do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fl. 823DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 15871.000145/2010-17 4 4ª Câmara / 3ª Seção do CARF, sendo patente a controvérsia, diante do antagonismo das conclusões a que chegaram os colegiados. Assim, voto pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Do Mérito No mérito, há dois temas em debate: (a) “Créditos de PIS/Cofins. Serviços de Transporte e Armazenagem para Exportação”; e (b) “Créditos de PIS/Cofins. Fretes de Produtos Acabados entre Estabelecimentos da Mesma Empresa”. No que se refere ao segundo tema (fretes de produtos acabados entre restabelecimentos da empresa), a matéria resta pacificada neste tribunal administrativo, na forma ditada pela Súmula CARF 217: Súmula CARF nº 217 (Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024) Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. (Acórdãos Precedentes: 9303- 014.190; 9303-014.428; 9303-015.015). Pelo exposto, deve ter provimento o apelo fazendário nesse tema. No que se refere a serviços de transporte e armazenagem para exportação, o acórdão recorrido (3401-011.695), acompanhando o decidido no Acórdão (3401-011.217), decidiu que: “...o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3o e art. 15, II e, no caso de produtos inacabados, com suporte no inciso II da Lei n° 10.833/2003.” (grifo nosso) Percebe-se que a fundamentação para reconhecimento dos créditos em relação a serviços de transporte e armazenagem para exportação é idêntica à utilizada para fretes de produtos acabados entre estabelecimentos, no acórdão recorrido, entendendo aquela turma que se trata de operação de venda (o texto do inciso IX do art. 3 das leis de regência dispõe: “IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de Fl. 824DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 15871.000145/2010-17 5 venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Ocorre que a simples remessa a estabelecimento para armazenagem, formação de lote, centro de distribuição, ou congênere, é uma etapa que antecede a venda, ainda não estando configurada no processo a efetiva venda da mercadoria. No máximo, seria uma etapa que sucede o processo produtivo e antecede a operação de venda, o que inviabilizaria o crédito seja como insumo seja como operação de venda. Assim vem decidindo de forma assentada este colegiado uniformizador de jurisprudência, a ponto de a matéria já estar igualmente a demandar súmula específica, seja para despesas portuárias na exportação, despesas de remessas e/ou armazenagem em centros de distribuição, ou envios de produtos acabados para qualquer estabelecimento em operação que não constituam efetivamente uma venda. Sobre “recepção, armazenamento e embarque” na exportação (denominados pelo Contribuinte como “despesas de exportação”), assim decidiu recentemente este colegiado, de forma unânime: COFINS. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Apenas dão direito à crédito das contribuições não cumulativas as despesas de exportação que comprovadamente constituam insumos essenciais, relevantes ou pertinentes à atividade produtiva do contribuinte ou que configurem atividades vinculadas ao frete ou armazenagem na operação de venda. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhes provimento. (Acórdão 9303-015.081, Rel. Cons. Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 11 abr. 2024, presentes ainda os Cons. Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa e Liziane Angelotti Meira) Sobre “despesas portuárias”, endossando as razões de decidir em relação a fretes de produtos acabados, também decidiu recentemente este colegiado, de forma unânime: CRÉDITOS. DESPESAS COM SERVIÇOS PORTUÁRIOS NA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. RAZÕES SEMELHANTES ÀS ADOTADAS EM JURISPRUDÊNCIA ASSENTADA E PACÍFICA DO STJ, PARA FRETES DE TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Conforme jurisprudência assentada, pacífica e unânime do STJ, e textos das leis de regência das contribuições não cumulativas (Leis no 10.637/2002 e Fl. 825DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 15871.000145/2010-17 6 no 10.833/2003), não há amparo normativo para a tomada de créditos em relação a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, visto que tais despesas não constituem insumos ao processo produtivo, por ocorrerem posteriormente a tal processo, e nem constituem fretes de venda. A mesma razão de decidir se presta aos serviços portuários na exportação, que são despesas incorridas após o processo produtivo, não se enquadrando nem como insumos à atividade produtiva, nem como fretes de venda (Acórdão nº 9303-014.067). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas no que se refere a despesas portuárias na exportação, e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. (Acórdão 9303- 015.946, Rel. Cons. Denise Madalena Green, sessão de 11 set. 2024, presentes ainda os Cons. Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Freitas Costa e Régis Xavier Holanda) Em novembro de 2024, o colegiado analisou especificamente despesas classificadas como “armazenagem” na exportação (unitização/estufagem de contêineres), explorando melhor a definição de “armazenagem”, e rechaçando o entendimento da turma a quo (Acórdão 3201-010.504) que adotava compreensão ampla de “operação de venda”, entendendo que gerariam direito a crédito os dispêndios com armazenagem em operações de venda, “...abarcando, além dos custos decorrentes da utilização de um determinado recinto, os gastos relativos a operações correlatas...”. Na ocasião, entendeu esta Câmara Superior majoritariamente que: COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM UNITIZAÇÃO/ESTUFAGEM DE CONTÊINERES. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A operação de unitização/estufagem de contêineres se resume ao acondicionamento do produto pronto, e, portanto, os respectivos gastos não se confundem com o custo de armazenagem e nem com o frete na venda, o que impossibilita o aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS). (Acórdão 9303-016.139, Rel. Cons. Tatiana Josefovicz Belisário, maioria, vencida a relatora, designado o Cons. Rosaldo Trevisan, sessão de 10 out. 2024, presentes ainda os Cons. Semíramis de Oliveira Duro, Vinícius Guimarães, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Régis Xavier Holanda) As razões de decidir de todos esses precedentes são uníssonas no sentido de que a fretes e armazenagem de produtos acabados só ensejam a tomada de créditos quando se tratar de operação de venda, e não de operação intermediária, que antecede a operação de venda. Fl. 826DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 15871.000145/2010-17 7 Destarte, mantendo tais razões de decidir, que vem sendo externadas por este colegiado em julgados recentes, entendo que não cabe a tomada de créditos das contribuições não cumulativas (PIS e COFINS) sobre serviços de transporte e armazenagem que não sejam efetivamente relativos a uma operação de venda. A agravar a situação, no presente processo, o fato de a argumentação de que teria havido glosa específica de “remessa para armazenagem de produto para posterior exportação” surge (desacompanhada de provas específicas) em manifestação de inconformidade, e é julgada em tese no acórdão recorrido, acompanhando o decidido no Acórdão 3401-011.217 (que também o julga em tese). Recorde-se que as glosas fiscais se referem apenas a 4 itens (Bens e serviços utilizados como insumos, Método de apropriação de crédito, Base de Cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado, e Créditos presumidos - Atividades agroindustriais). Portanto, a rubrica glosada por ter sido classificada como insumo pelo Contribuinte, mas que o próprio Contribuinte passou a defender que se tratava “frete e armazenagem na exportação” em razões de defesa, não se refere efetivamente a uma operação de venda, mas sim a uma operação intermediária, posterior ao processo produtivo, e anterior à operação de venda, o que inviabiliza o direito ao crédito, quer pelo inciso II, quer pelo inciso IX do art. 3º das leis de regência das contribuições não cumulativas. Assim, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional também nesse tópico. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, em dar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 827DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.445 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 15871.000145/2010-17 8 DECLARAÇÃO DE VOTO Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 828DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto

score : 1.0
4740120 #
Numero do processo: 10280.005016/2004-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fatos geradores: 1998, 1999 e 2000 Ementa: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. ELEMENTOS DE PROVA. SUPOSIÇÃO DE ENDEREÇO FALSO. APURAÇÃO. CONEXÃO ENTRE IRPJ, COFINS E PIS. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. De acordo com o art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, compete à Primeira Seção apreciar recursos de Cofins cuja exigência seja lastreada, no todo ou em parte, em elementos de prova que serviram ao lançamento do Imposto de Renda. Recurso não conhecido
Numero da decisão: 3403-000.897
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, em não se tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 10 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 201104

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fatos geradores: 1998, 1999 e 2000 Ementa: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. ELEMENTOS DE PROVA. SUPOSIÇÃO DE ENDEREÇO FALSO. APURAÇÃO. CONEXÃO ENTRE IRPJ, COFINS E PIS. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO. De acordo com o art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, compete à Primeira Seção apreciar recursos de Cofins cuja exigência seja lastreada, no todo ou em parte, em elementos de prova que serviram ao lançamento do Imposto de Renda. Recurso não conhecido

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011

numero_processo_s : 10280.005016/2004-03

anomes_publicacao_s : 201104

conteudo_id_s : 4664202

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 3403-000.897

nome_arquivo_s : 3403000897_10280005016200403_201104.pdf

ano_publicacao_s : 2011

nome_relator_s : IVAN ALLEGRETTI

nome_arquivo_pdf_s : 10280005016200403_4664202.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, em não se tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011

id : 4740120

ano_sessao_s : 2011

atualizado_anexos_dt : Sat May 10 09:37:53 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1831725827881959424

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1          1             S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10280.005016/2004­03  Recurso nº  257.046   Voluntário  Acórdão nº  3403­000.897  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de abril de 2011  Matéria  COFINS  Recorrente  SUCUPIRA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA (ATUAL  DENOMINAÇÃO DE PALATE COMÉRCIO IMP. E EXP. LTDA)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­ Cofins  Fatos geradores: 1998, 1999 e 2000  Ementa: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS  E  FISCAIS.  ELEMENTOS  DE  PROVA.  SUPOSIÇÃO  DE  ENDEREÇO  FALSO.  APURAÇÃO.  CONEXÃO  ENTRE  IRPJ,  COFINS  E  PIS.  COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO.  De acordo com o art. 2º,  IV, do Anexo  II do Regimento  Interno do CARF,  compete  à  Primeira  Seção  apreciar  recursos  de  Cofins  cuja  exigência  seja  lastreada,  no  todo  ou  em  parte,  em  elementos  de  prova  que  serviram  ao  lançamento do Imposto de Renda.  Recurso não conhecido    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  em  não  se  tomar  conhecimento  do  recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.  Antonio Carlos Atulim – Presidente   Ivan Allegretti – Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti  e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente o Conselheiro... . Ausente ocasionalmente o Conselheiro ...   Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  (fls.  70/81)  lavrado  para  a  exigência  de  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  em  relação  aos  fatos     Fl. 542DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 geradores  de  31/03/1998  a  31/07/2000,  com  a  aplicação  de  multa  de  150%,  por  intuito  de  fraude.  Por  bem  descrever  os  fatos  e  as  impugnações  apresentadas  pelos  contribuintes,  transcrevo também o relatório do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita  Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ):  2. O auto de infração teve origem, segundo descrição dos fatos  de  fl.  071,  constatação  de  insuficiência  de  recolhimento  de  Cofins nos anos calendários 1998 a 2000. As receitas mensais e  as  exclusões  da  base  de  cálculo  foram  obtidas  por  meio  das  DIPJs Exercícios 1999 a 2001 (fls. 028/069). A partir das bases  de  cálculo  apuradas,  subtraiu­se  os  valores  declarados  em  DCTF e/ou recolhidos.  3.  A  aplicação  da  multa  agravada  decorreu  do  fato  de  os  proprietários  da  interessada  terem  transferido,  para  terceiros,  fraudulentamente, segundo o autuante (descrição dos fatos de fl.  071), suas cotas de participação na sociedade, na tentativa de se  eximirem dos tributos devidos.  4.  A  confirmação  da  fraude  teria  ocorrido  com  a  mudança  para domicílio  fiscal,  fictício, na rua Dom Gerardo n° 35, sala  702,  no  Rio  de  Janeiro  ­  RJ,  no  qual  a  empresa  não  foi  localizada  e  onde  estaria  estabelecido  o  Tribunal  de  Justiça  Arbitral das Comarcas Brasileiras.  5.  No auto  de  infração que  exige  a Contribuição  foi  também  afirmado que Simon Bolívar da Silveira Bueno, Edson Donizetti  Benette e Emílio Maioli Bueno, os sócios de fato da interessada,  respondem solidariamente pelo crédito tributário, nos termos do  art.  124,  I,  e 134 do Código Tributário Nacional  (CTN),  razão  pela  qual  foram  lavrados  os  termos  de  sujeição  passiva  de  fls.  88/95.  6.  Os  referidos  sócios  foram  então  cientificados  dos  lançamentos nos dias 21, 24 e 28 de dezembro de 2004 (fls. 87,  90, 93) e, irresignados, interpuseram impugnação, todas de igual  teor, em 25.01.2005 (fls. 100/139, 159/198 e 220/259). Depois de  resumirem  os  fatos  já  relatados,  resolveram  argüir  preliminarmente  a  nulidade  do  auto  de  infração.  Alegaram  então, em síntese:  6.1.  que,  contrariamente ao disposto no  inciso  II  do art. 10 do  Decreto  n°  70.235,  de  1972,  o  auto  de  infração  não  contém  o  local, a data e a hora da sua lavratura;  6.2.  que  não  houve  a  observância  dos  procedimentos  relacionados à  competência,  uma  vez  que  eventual  fiscalização  deveria ser realizada na cidade do Rio de Janeiro, para onde foi  transferida  a  sede  da  interessada  em  18.07.2002,  conforme  alteração do contrato social;  6.3.  que  o  art.  985  do  RIR/1999  e  o  art.  24  do  Decreto  n°  70.235, de 1972, dispõem que é da autoridade fiscal do domicílio  do contribuinte a competência para a sua fiscalização;  6.4.  que  a  interessada  sequer havia  sido  intimada do  início  da  fiscalização quando se transferiu para o Rio de Janeiro; e  Fl. 543DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.005016/2004­03  Acórdão n.º 3403­000.897  S3­C4T3  Fl. 2          3 6.5.  que,  ainda  que  a  fiscalização  já  tivesse  sido  iniciada  pela  Delegacia  da Receita Federal  (DRF)  em Belém,  os  respectivos  documentos  deveriam  ter  sido  enviados  à  DRF  no  Rio  de  Janeiro; e em razão da alteração da competência da autoridade  fiscal, consoante o art. 987 do R1R/1999.  7.  Ainda  contra  a  validade  do  procedimento  fiscal,  argumentaram que não foram observadas as normas relativas ao  mandado  de  procedimento  fiscal  (MPF),  disciplinadas  pela  Portaria SRF n° 3.007, de 2001.  8.  Ao atacar o mérito da autuação, eles, inconformados com a  acusação de que  o  novo  endereço  da  interessada  seria  fictício,  juntaram  aos  autos  a  guia  do  imposto  predial  e  territorial  urbano  (IPTU)  relativo  ao  imóvel  que  ela  ocupa  no  Rio  de  Janeiro (fls. 146), o contrato da sua locação (fls. 143/145) e uma  declaração  do  presidente  do  Tribunal  de  Justiça  Arbitral  da  Comarcas  Brasileiras  de  que  aquele  tribunal  ocupa  apenas  a  sala 701 do edifício  localizado na  rua Dom Gerardo n° 35, no  Rio  de  Janeiro  (RJ),  e  que  as  outras  salas  do  sétimo  andar  daquele  imóvel são ocupadas por outras empresas e escritórios  (fls.  142),  e  alegaram  que  tal  comprovação  afasta  o  evidente  intuito de fraude do qual está sendo acusada a interessada.  9.  Depois, argumentaram:  9.1. que a intimação para que eles, que nem mais proprietários  da  interessada  eram,  entregassem  os  livros  e  documentos  dela  não  poderia  ser  considerada  suficiente  para  a  efetuação  do  lançamento;  9.2. que eles foram indevidamente e incluídos no pólo passivo e  receberam apenas cópia do  termo de início de fiscalização sem  nenhuma menção  ao  procedimento  fiscal  autorizado  pelo MPF  02.1.00.2002.00255­0;  9.3.  que  o  autuante  deveria  ter  ao  menos  explicado  as  razões  pelas  quais  lhes  remetera  o  termo  de  inicio  de  fiscalização  de  empresa que não mais lhes pertencia;  9.4. que a venda das participações foi realizada de forma legal,  conforme a alteração contratual registrada na Junta Comercial  e comuicada à SRF e o contrato de compra e venda das cotas da  sociedade (fls. 147/148, 203/204 e . 62/263);  9.5.  que não poderiam cumprir a intimação por não serem mais  os  proprietários  da  interessada  e,  assim,  não  disporem  dos  documentos exigidos;  9.6.  que,  se  o  autuante  pretendia  intimá­los  na  condição  de  responsáveis  tributários,  deveria  ter­lhes  esclarecido  perfeitamente  o  seu  motivo  quando  do  encaminhamento  da  obscura e nula intimação; e  9.7.  que,  somente  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração,  encaminhou­lhes  o  termo  de  sujeição  passiva,  que  justificava  Fl. 544DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4 minimamente a sua inclusão no pólo passivo, fundado na suposta  fraude  caracterizada  pela  mudança  para  um  endereço  supostamente fictício.  9.8. Os impugnantes alegaram  também a decadência do direito  de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, uma vez que  os  autos  de  infração  alcançaram  fatos  geradores  ocorridos  há  mais de cinco anos da sua ciência.  10.  Reclamaram  ainda  da  sua  inclusão  no  pólo  passivo  da  exigência tributária, haja vista:  10.1.  que  não  houve  demonstração  de  que  praticaram  atos com excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou  estatuto;  10.2.  que, a despeito de a inclusão ter sido fundamentada  nos  artigos  124,  I,  e  134  do  CTN,  não  foram  especificados  os  incisos do segundo artigo citado que se aplicariam a eles;  10.3.  que,  ao  analisarem os  sete  incisos  do  referido  art.  134,  verificaram  que  eles  não  lhes  são  aplicáveis  em  face  da  descrição fática ofertada pelo autuante;  10.4. que, ainda que se admita que a pretensão do autuante é a  de  responsabilizá­los  pessoalmente  por  algum  ato  que  tenham  praticado  com  excesso  de  poderes,  infração  a  lei,  a  contrato  social  ou  estatuto,  é  necessário  que  se  examine  se  o  crédito  tributário exigido é resultante diretamente de tal ato, pois, caso  rã.) ,eja, não haverá, à luz do art. 135 do CTN, responsabilidade  pessoal, mas apenas da pessoa jurídica; e  10.5.  que,  de  qualquer  modo,  o  ônus  da  prova  da  ocorrência de infração a lei, a contrato social ou a estatuto, ou  de conduta com excesso de poderes é do Fisco.  10.6.  os impugnantes investiram conta a  exigência  da multa aplicada, por  considerá­la de caráter  confiscatório  e,  portanto, inconstitucional.  10.7. o art. 3° da Lei 9.718/98, em seu inciso III do parágrafo 2°,  autorizou  que  os  contribuintes  do  PIS  e  da  Cofins  desconsiderassem, na formação da base de cálculo, a parcela de  suas  receitas  que  tivessem  sido  transferidas  para  outra  pessoa  jurídica. Não poderia  a  eficácia  da morna  referida  ficar  sob  a  dependência de ato infra­legal.  A DRJ negou provimento à impugnação, mantendo integralmente o auto de  infração, resumindo seu entendimento na seguinte ementa:  Ementa: EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO  Não  'produz  eficácia,  para  fins  de  determinação  da  base  e  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  da  Cofins,  no  período  de  1º  de  fevereiro  de  1999  a  9  de  junho  de  2000,  eventual exclusão da receita bruta que tt lha sido feita a título de  valores que,  computados  como receita,  hajam sido  transferidos  para outra. pessoa jurídica.  Fl. 545DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10280.005016/2004­03  Acórdão n.º 3403­000.897  S3­C4T3  Fl. 3          5 Lançamento Procedente  (Acórdão 01­8638, de 3 de julho de 2007; fls. 290)  Nos  recursos  voluntários  os  contribuinte  praticamente  reiteram  as  mesmos  fundamentos da impugnação (fls. 290/296).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator.  Da fiscalização realizada, resultaram autos de infração de IRPJ e CSLL, que  foram discutidos no Processo Administrativo nº 10280.005014/2001­14, de PIS, discutido por  meio do Processo Administrativo nº 10280.005015/2004­51, e o presente auto de infração de  Cofins (Processo Administrativo nº 10280.005016/2004­03).  Os contribuintes argumentam a nulidade do julgamento realizado nestes autos  pela DRJ/Belém­PA, alegando que, “por incrível que pareça, o processo 10280.005014/2004­ 14 (IRPJ e CSSL) deveria ser o único já que é o principal e que era o fundamento de validade  e o objeto do Mandado de Procedimento Fiscal, foi julgado pela SRJ/Rio de Janeiro e este de  Cofins e o de PIS foram julgados pela DRJ/Belém” (fl. 475).  Sustenta,  assim,  que  “não  tem  o  menor  sentido  admitir  que  processos  diferentes que tenham o mesmo suporte fático sejam decididas por DRJ diferentes” (fl. 475)  Sem adentrar na questão da  legalidade dos  julgamentos  realizados por DRJ  diferentes,  verifico  que  o  lançamento  debatido  neste  caso  decorre  das  mesmas  premissas  fáticas que foram tomadas em conta para o lançamento do IRPJ e da CSLL.  Tanto é assim que o contribuinte pretende que se aplique no presente caso a  mesma nulidade que foi alegada e acolhida no caso em que se discutia IRPJ e CSLL, conforme  jugamento da DRJ­Rio de Janeiro/RJ naqueles autos.  Todos  os  lançamentos  em  questão  estão  lastreados  na mesma  premissa:  de  que o contribuinte teria incorrido em fraude, tendo indicado endereço falso.  Com  efeito,  os  três  autos  de  infraçào  partem  desta  mesma  premissa  para  promover a apuração dos tributos.  Parece restar configurada, assim, a competência da Primeira Seção, conforme  descrito no art. 2º, IV do Anexo II do RI­CARF:  Art.  2°  À  Primeira  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem  sobre aplicação da legislação de:  (...)  IV  ­  demais  tributos,  quando  procedimentos  conexos,  decorrentes ou  reflexos,  assim  compreendidos  os  referentes  às  Fl. 546DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM     6 exigências  que  estejam  lastreadas  em  fatos  cuja  apuração  serviu  para  configurar  a  prática  de  infração  à  legislação  pertinente à tributação do IRPJ;  Por estas razões, voto no sentido de declinar a competência, determinando a  remessa dos autos à Primeira Seção.  É como voto.  Ivan Allegretti                                Fl. 547DF CARF MF Emitido em 10/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI Assinado digitalmente em 04/05/2011 por IVAN ALLEGRETTI, 07/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM

score : 1.0
10895363 #
Numero do processo: 11065.724194/2012-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM SÚMULA DO CARF. Nos termos do art. 118, § 3º do RICARF/2023, “não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. Súmula CARF nº 188, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições.
Numero da decisão: 9303-016.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.480, de 24 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.724636/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Helcio Lafetá Reis (substituto integral), Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães, Régis Xavier Holanda (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Dionísio Carvallhedo Barbosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Hélcio Lafetá Reis.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 10 09:00:02 UTC 2025

anomes_sessao_s : 202501

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM SÚMULA DO CARF. Nos termos do art. 118, § 3º do RICARF/2023, “não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. Súmula CARF nº 188, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025

numero_processo_s : 11065.724194/2012-46

anomes_publicacao_s : 202504

conteudo_id_s : 7248880

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 28 00:00:00 UTC 2025

numero_decisao_s : 9303-016.483

nome_arquivo_s : Decisao_11065724194201246.PDF

ano_publicacao_s : 2025

nome_relator_s : REGIS XAVIER HOLANDA

nome_arquivo_pdf_s : 11065724194201246_7248880.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.480, de 24 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.724636/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Helcio Lafetá Reis (substituto integral), Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães, Régis Xavier Holanda (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Dionísio Carvallhedo Barbosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Hélcio Lafetá Reis.

dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2025

id : 10895363

ano_sessao_s : 2025

atualizado_anexos_dt : Sat May 10 09:37:28 UTC 2025

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1831725827886153728

conteudo_txt : Metadados => date: 2025-04-28T14:34:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-04-28T14:34:16Z; Last-Modified: 2025-04-28T14:34:16Z; dcterms:modified: 2025-04-28T14:34:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-04-28T14:34:16Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-04-28T14:34:16Z; meta:save-date: 2025-04-28T14:34:16Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-04-28T14:34:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-04-28T14:34:16Z; created: 2025-04-28T14:34:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2025-04-28T14:34:16Z; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-04-28T14:34:16Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11065.724194/2012-46 ACÓRDÃO 9303-016.483 – CSRF/3ª TURMA SESSÃO DE 24 de janeiro de 2025 RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR RECORRENTE FAZENDA NACIONAL INTERESSADO ARROZELLA ARROZEIRA TURELLA LTDA Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. DECISÃO RECORRIDA EM CONFORMIDADE COM SÚMULA DO CARF. Nos termos do art. 118, § 3º do RICARF/2023, “não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso”. Súmula CARF nº 188, aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.480, de 24 de janeiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 11065.724636/2012-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.483 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11065.724194/2012-46 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green, Helcio Lafetá Reis (substituto integral), Rosaldo Trevisan, Semiramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário, Vinícius Guimarães, Régis Xavier Holanda (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Dionísio Carvallhedo Barbosa, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Hélcio Lafetá Reis. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face de acórdão assim ementado: CRÉDITO. FRETE DE AQUISIÇÃO. É possível a concessão de crédito das contribuições na aquisição de frete de aquisição desde que este seja essencial ou relevante ao processo produtivo. A PFN apresentou recurso especial aduzindo divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os valores relativos aos fretes na aquisição de insumos não tributados e nas aquisições de insumos de pessoas físicas, indicando como paradigmas os Acórdãos nº 9303-005.154 e 3301-002.298. Em despacho foi admitido o Recurso Especial fazendário em face do preenchimento dos requisitos processuais, entendendo que “enquanto o acórdão recorrido reconheceu os créditos de PIS/Cofins sobre os fretes na aquisição de insumos não tributados e nas aquisições de insumos de pessoas físicas, os paradigmas, em contextos fáticos semelhantes, adotaram, por entender faltar previsão legal, o entendimento oposto” Não houve apresentação de contrarrazões pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.483 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11065.724194/2012-46 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Como relatado, o Recurso Especial Fazendário foi inicialmente admitido exclusivamente face o preenchimento dos requisitos processuais aplicáveis. Ocorre que em 20 de junho de 2024, posteriormente à própria prolação do Despacho de Admissibilidade (11 de março de 2022), foi aprovada, por esta 3ª Turma da CSRF, a Súmula CARF nº 188, referendando o entendimento manifestado pela Turma de origem: Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.348 Com efeito, o acórdão Recorrido, em sua parte dispositiva, coaduna integralmente com a disposição sumular: 2.2.5. Desta forma, uma vez demonstrado documentalmente que a Recorrente arcou com os fretes de aquisição (Venda EXW) e que sobre este serviço incidiu integralmente a contribuição em voga, de rigor a concessão do crédito. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário e a ele dou provimento para afastar as glosas sobre os fretes de insumos não tributados e aquisições de pessoas físicas. (sem destaques no original) Assim, nos termos do art. 118, §3º do RICARF/2023, é de rigor o não conhecimento do presente recurso especial: Art. 118. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra acórdão que der à legislação Fl. 527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.483 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 11065.724194/2012-46 4 tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial, Turma Extraordinária ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, não deve ser conhecido o apelo. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial fazendário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Régis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 528DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0