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Numero do processo: 10768.906825/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
Nos termos da legislação, o fisco dispõe do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, prazo durante o qual poderá efetuar todas as verificações cabíveis com vistas a aferir a certeza e liquidez do crédito alegado. Os artigos 150 e 173 do CTN estabelecem o prazo decadencial aplicável apenas às hipóteses de constituição do crédito tributário pelo lançamento, sendo tais dispositivos inaplicáveis aos processos de restituição e compensação.
Numero da decisão: 1102-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de conhecimento da petição apresentada em 28.02.2012, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que conheciam das razões da petição, e no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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PRECLUSÃO. Não se toma conhecimento dos argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, que não atendam aos requisitos do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, mormente no caso em que tais argumentos e provas são apresentados apenas em sede de petição entregue de forma extemporânea, anos após a interposição do recurso voluntário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da legislação, o fisco dispõe do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, prazo durante o qual poderá efetuar todas as verificações cabíveis com vistas a aferir a certeza e liquidez do crédito alegado. Os artigos 150 e 173 do CTN estabelecem o prazo decadencial aplicável apenas às hipóteses de constituição do crédito tributário pelo lançamento, sendo tais dispositivos inaplicáveis aos processos de restituição e compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de conhecimento da petição apresentada em 28.02.2012, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que conheciam das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 68 25 /2 00 6- 15 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 3 2 razões da petição, e no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamentos do Rio de Janeiro (DRJ I/RJ), assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O prazo de cinco anos para o Fisco verificar a legitimidade de crédito objeto de pedido de restituição e compensação iniciase na data da formulação do pedido e não na época do fato gerador do crédito pleiteado. Compensação não Homologada.” O caso foi assim relatado pelo Colegiado a quo, verbis: “1. No dia 15.09.2003, a interessada, incorporadora da Telecomunicações do Piauí S/A, transmitiu para a Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio eletrônico, o "Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação" — PER/DCOMP (fis. 317) no qual informou que havia compensado o débito da COFINS de agosto de 2003 (R$ 5.316.124,91) com um crédito de R$ 3.490.790,54, que é apenas uma parte dos R$ 3.544.116,03 pagos indevidamente a título de estimativa do IRPJ de setembro de 2000. 2. No relatório da diligência determinada (fis. 43145), o auditor fiscal incumbido da sua realização disse que o valor da base de cálculo do IRPJ de setembro de 2000 foi de R$ 33.029.315,64. 3. A DIMCO/DERAT/RJ, alicerçada nos documentos de fis. 17142 e no relatório da diligência, elaborou o Parecer Conclusivo no 181/2008 (fis. 69/74), no qual disse, em síntese: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 4 3 3.1. que o alegado crédito de R$ 3.490.790,54 provém do recolhimento de R$ 3.544.116,03 feito mediante DARF (fis. 5, 47 e 48), dos quais R$ 53.325,50 estão vinculados ao pagamento do débito de IRPJ de setembro à 2000 (fis. 49 e 50), razão pela qual, em princípio, o crédito disponível seria de R$ 3.490.790,53; 3.2. que, na diligência realizada, constatouse que a base de cálculo do IRPJ de setembro de 2000 era, em verdade, de R$ 33.029.315,64 e não de R$ 19.029.315,64, conforme declarado (fis. 54), valor que implicaria um imposto, até aquele mês, de R$ 8.239.328,91; que, assim, o cotejo deste valor com o montante das estimativas recolhidas até então (R$ 7.421.494,56) já demonstraria a inexistência de pagamento maior que o devido e, consequentemente, a inexistência do direito creditório pleiteado; 3.3. que, mesmo assim, era necessário verificar se havia crédito decorrente da nãoutilização de saldo negativo apurado naquele ano calendário; 3.4. que, com essa finalidade, observou que consta, na linha 16 da ficha 12A da DIPJ do ano calendário de 2000, o pagamento de IRPJ mensal por estimativa de R$ 6.395.525,09 (fis. 56); 3.5. que, no entanto, a soma dos recolhimentos mensais do IRPJ indicados no demonstrativo estampado às fis. 51 é de R$ 7.903.039,10; 3.6. que não há, no extrato da DCTF de 2000 (fis. 49 ¡ e 50), nenhuma indicação da extinção de algum débito por meio de compensação; 3.7. que o fragmento da DIPJ juntado aos autos (fis. 52/56) informa que imposto no valor de R$ 66.951,16 foi retido na fonte por órgão público; 3.8. que, na apuração do imposto anual do ano calendário de 2000, a dedução daquele que foi retido por órgão público devia obedecer aos percentuais determinados pela Instrução Normativa SRF/STN/SFC no 4, de 1997; 3.9. que a interessada sofreu, ao longo de 2000, retenções de IRPJ feitas por órgãos públicos sobre receitas auferidas de R$ 3.022,69 e R$ 1381.024,96 (fis. 52); 3.10. que, de acordo com o anexo 1 da referida instrução normativa, as retenções de IRPJ calculadas sobre esses valores seriam então de R$ 747,89 e R$ 78.404,69, num montante de R$ 79.152,58; como foram computados somente R$ 66.951,16 nas apurações mensais do imposto, computouse de ofício, no cálculo do imposto anual, a diferença de R$ 12.200,97, razão pela qual se chegou a um saldo negativo de R$ 1.554.768,45, significativamente maior que o declarado (R$102.004,88); 3.11. que, no entanto, boa parte (R$ 1.536.270,03) desse novo saldo negativo foi consumido na compensação do débito do IRPJ estimado de janeiro de 2001, conforme se pode observar nos extratos da DCTF (fis. 49 e 50); 3.12. que, assim, o crédito derivado do saldo negativo daquele ano não consumido na compensação de débitos alcançava 33.709,01 (1.554.768,45 menos 1.521.059,44 — fls. 60); 3.13. que é a seguinte a composição desse crédito: .......................... Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 5 4 3.14. que, de acordo com os extratos de fis 47148, foram apresentados, até a data do parecer conclusivo, outros PER/DCOMP lastreados no crédito aqui alegado; os outros que foram apresentados lastreiamse em outros DARF; e 3.15. que, não tendo ficado "comprovada a existência, no DARF em questão, de crédito líquido e certo passível de restituição/compensação", é incabível a homologação da compensação declarada no PER/DCOMP 38913.30527.150903.1.3.042251. 4. O titular da DERAT/RJ então, fundamentado no referido perecer, não homologou a compensação efetuada (fis. 75). 5. Cientificada do despacho decisório em 11.09.2008 (fis. 76), a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia treze do mês seguinte (fis. 79/88). Depois de dissertar sobre a desestatização do setor de telefonia no Brasil, da qual se originou, alegou, em síntese: 5.1. que verificou que algumas das empresas por ela incorporadas, entre as quais a Telecomunicações do Piauí S/A, realizou pagamentos de tributos maiores que os devidos, os quais configuraram crédito tributário passível de ser utilizado no pagamento de débitos em aberto de tributos federais; 5.2. que, por isso, houve por bem refazer as bases de cálculo de anos anteriores das empresas incorporadas, com o fito de identificar valores passíveis de restituição e compensação; 5.3. que, especificamente no caso da Telecomunicações do Piauí, verificou que houve pagamento a maior do IRPJ de setembro de 2000, o qual foi integralmente utilizado na PER/DCOMP 38913.30527.150903.1.3.042251 transmitida em 15.09.2003; 5.4. que, no entanto, o Fisco, depois de tratar manualmente a declaração de compensação e de fazer uma nova apuração das bases tributáveis do ano calendário de 2000, decidiu não homologar a compensação efetuada; 5.5. que, no relatório da diligência realizada, afirmouse que a base de cálculo do IRPJ estimado de setembro de 2000 foi de R$ 33.029.315,64, .a qual implicou um imposto devido de R$ 8.239.328,91; 5.6. que o Fisco, ao analisar a documentação juntada aos I autos, identificou a efetiva disponibilização do crédito de R$ 3.490.790,53, aflorado depois da imputação do montante de R$ 53.325,50; 5.7. que a DCTF retificadora (fls. 127/133), recebida pelo Fisco em 02.04.2005, demonstra a certeza e liquidez do crédito alegado; 5.8. que o DARF que lastreia o direito creditório foi devidamente identificado pela autoridade fiscal; 5.9. que o pagamento a maior foi efetuado em 31.10.2000 e a compensação, em 15.09.2003; respeitouse, assim, o prazo decadencial de dez anos, reduzido para cinco pela Lei Complementar no 118, de 2005; 5.10. que, apesar de o IRPJ estimado de setembro de 2000 ter sido de R$ 53.325,50, foram pagos a esse título R$ 3.544.116,03 mediante DARF; a diferença, de R$ 3.490.790,54, representava crédito disponível para a compensação de seus débitos tributários; Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 6 5 5.11. que vale observar que, como o crédito se refere a 2000 já se encontrava homologado, à época do despacho decisório, os procedimentos por ela adotados para a apuração de suas obrigações tributárias, razão pela qual não poderia o Fisco subordinar, como fez, a homologação da compensação à necessidade de qualquer averiguação; e 5.12. que, assim, afigurase inócua qualquer tentativa fiscal de fazer nova apuração do valor do tributo cujo recolhimento a maior gerou o seu crédito. 6. Por fim, a interessada protestou pela realização de perícia ou os quesitos que pretende ver respondidos e indicou o seu assistente técnico.” Por maioria de votos dos Representantes do Colegiado a quo, o acórdão acima ementado rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que não haveria restrição temporal ao poder de investigação do Fisco para verificação da certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte. Entendeu o acórdão que “o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. No presente caso, não havia impedimento para o fisco analisar as declarações em que o interessado disse terse formado o crédito alegado, tendo em vista que o objetivo da verificação era apenas constatar a certeza e a liquidez do direito creditório.” Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz os argumentos de impugnação, notadamente a decadência do direito do Fisco de revisar a apuração de tributos relativos a períodos já abrangidos pela decadência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Na sessão de julgamento de 09.04.2013, a Contribuinte dá notícia de protocolo de petição/aditivo ao recurso voluntário ocorrido em 28.02.2013, no qual argui equívoco na apuração pela Fiscalização da base de incidência estimada do IRPJ em setembro de 2000, entre outras questões de direitos relacionadas ao assunto. Citada petição não foi noticiada ao Relator até a data da sessão. Nada obstante, em observância ao princípio da instrumentalidade das formas e formalismo moderado, a petição em referência mereceria ser examinada, ante a notória relação com o objeto da lide administrativa. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 7 6 Contudo, suscitada preliminar nesse sentido, esta (preliminar) foi rejeitada pela maioria dos Conselheiros do Colegiado, sob alegação de preclusão. Nesses termos, não serão conhecidas as razões aduzidas naquela petição. Quanto ao mérito, cingese a controvérsia ao acolhimento (ou não) da preliminar suscitada pela Contribuinte de impossibilidade de revisão da base de cálculo de tributos relativos a períodos já atingidos pela decadência para fins de indeferimento de direito creditório (estimativas de IRPJ). No caso, o Fisco realizou diligência em julho de 2008 para desconstituir a apuração do IRPJ da Contribuinte segundo informações prestadas em DIPJ entregue em 29.10.2001. Em síntese, conforme salientado no relatório supra, o crédito de R$ 3.490.790,54 provém do recolhimento de R$ 3.544.116,03 feito mediante DARF (fls. 5, 47 e 48), dos quais R$53.325,50 estão vinculados ao pagamento do débito de IRPJ de setembro de 2000 (fls. 49 e 50). Contudo, em diligência realizada nesses autos, constatouse que a base de cálculo do IRPJ de setembro de 2000 era, em verdade, de R$ 33.029.315,64 e não de R$ 19.029.315,64, conforme declarado (fls. 54), valor que implicaria um imposto, até aquele mês, de R$ 8.239.328,91; que, assim, o cotejo deste valor com o montante das estimativas recolhidas até então (R$ 7.421.494,56) já demonstraria a inexistência de pagamento maior que o devido e, consequentemente, a inexistência de direito creditório. Pois bem. Já me manifestei em julgamentos realizados pela extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido de que a decadência atingiria apenas o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, sendolhe permitido fiscalizar elementos relativos a períodos anteriores (ainda que decaídos em tese) que influenciam a apuração do resultado de períodos subseqüentes. Naqueles julgamentos, manifestei entendimento de que não haveria óbice à exigência de comprovação acerca de quaisquer elementos que influenciem a apuração do resultado do exercício, ainda que tais elementos fossem vinculados a exercícios anteriores atingidos pela decadência. O direito de fiscalização nesses casos limitarseia à verificação das circunstâncias que influenciavam na apuração do lucro do anocalendário do período não decadente, sendo vedado à Fiscalização lançar tributos relativos a fatos geradores ocorridos em períodos já decaídos, ainda que identifique eventual falha na apuração do lucro respectivo. Daí porque entendia que não merecia censura a assertiva do acórdão recorrido de que, “o prazo de cinco anos para o Fisco verificar a legitimidade de crédito objeto de pedido de restituição e compensação iniciase na data da formulação do pedido e não na época do fato gerador do crédito pleiteado”. Revisitando o tema, contudo, pareceme ter razão a Contribuinte ao sustentar a definitividade da apuração do resultado no anocalendário de que trata o caso dos autos (o qual influencia diretamente a verificação do indébito buscado neste processo). Com tal assertiva, não se afasta o direito da Fiscalização de verificar a existência do direito creditório alegado pelo contribuinte no prazo de 5 (cinco) anos contados da data do pedido respectivo. Reconhecese, contudo, que tal direito de investigação encontra limites, quais sejam: (i) existência ou não do recolhimento do tributo; e (ii) no autolançamento do débito levado a efeito pelo contribuinte e homologado (expressa ou tacitamente) pelo Fisco. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 8 7 Tais limites decorrem dos expressos termos do art. 142 c/c art. 149, ambos do CTN, e, especialmente, no art. 9o do Decreto n. 70.235/72, que impõe a lavratura de lançamento de ofício quando houver omissão ou inexatidão do sujeito passivo no auto lançamento ou no lançamento por homologação, ainda que não haja crédito tributário a ser lançado. Com a devida vênia, a legislação vigente (Decreto n. 70.235/72) não deixa dúvida a respeito do fato, verbis: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ....................................................................... § 4º O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. Nesses termos, a redução do indébito pressupõe a existência de crédito tributário constituído, seja por meio de auto lançamento, seja por meio de lançamento de ofício. Entendimento em sentido contrário seria admitir compensação de ofício (espécie prevista para restituição e ressarcimento – IN RFB 900, art. 49) de créditos tributários não constituídos, o que não se pode admitir. Verbis: IN 900 Art. 49. A autoridade competente da RFB, antes de proceder à restituição e ao ressarcimento de tributo, deverá verificar a existência de débito em nome do sujeito passivo no âmbito da RFB e da PGFN. § 1º Verificada a existência de débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. (grifos nossos) Tratase de entendimento que encontra acolhida na jurisprudência desta Corte Administrativa, conforme se constata dos acórdãos infra citados, verbis: “PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PARTE INDEFERIDA IRREGULARIDADE NA COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO RECONHECIMENTO DO DIREITO DE CRÉDITO A compensação de ofício pressupõe a existência de débitos do contribuinte, que sempre correspondem a créditos da União, constituídos seja por confissão espontânea seja por lançamento de ofício. Na inexistência de débitos constituídos devese corrigir a compensação de ofício, reconhecendo ao contribuinte o direito de crédito correspondente. Recurso provido. (Acórdão nº : 10807.335, Processo nº : 10680.015821/9889, decisão de 20.03.2003 – grifos nossos) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 9 8 No mesmo sentido: (...) PIS. NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não cabe à autoridade fiscal, em pedido de ressarcimento do PIS recolhido sob o regime nãocumulativo, subtrair parcela relativa à transferência de créditos de ICMS, sob o fundamento de que esses valores integram o faturamento e compõem a base de cálculo da Contribuição devida. Nessa hipótese, seria imprescindível o lançamento de ofício. Recurso provido. (Acórdão nº : 20403.140, Processo nº : 11065.004542/200374, Publicação: 31/10/2008 – grifos nossos) No mesmo sentido: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO SEM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBLIDADE. Não existe dispositivo legal na novel sistemática de ressarcimento do PIS/Pasep Não Cumulativo que desobrigue a autoridade fiscal de seguir a determinação do artigo 149 do Código Tributário Nacional, qual seja, a de proceder ao lançamento de oficio para constituir crédito tributário correspondente à diferença da contribuição devida ao PIS/Pasep quando depare com inconsistências na sua apuração. Assim, do valor da parcela do crédito reconhecido, não pode simplesmente ser deduzida escrituralmente a parcela de débito do PIS/Pasep correspondente a receitas que deixaram de ser consideradas na sua base de cálculo, no caso, receitas com a cessão de créditos de ICMS. (...) . Recurso provido em parte. (Acórdão nº 203 12.914, Processo nº 11065.001242/200503, Sessão de 08 de maio de 2008 – grifos nossos) Não merecem reparos, portanto, as conclusões do voto vencido do acórdão recorrido ao sustentar que, verbis: “De antemão, noto que o art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o direito de pleitear a restituição de imposto extingue ser com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, como no presente caso. O contribuinte, portanto, dispõe de cinco anos para exercer o seu direito de crédito contra a Fazenda Pública. Todavia, até por questão de coerência, de equanimidade, a Fazenda Pública também dispõe do mesmo prazo de cinco anos para se manifestar sobre os aspectos relativos ao fato gerador dos tributos da sua competência. Por se tratar de crédito tributário derivado de IRPJ, tributo cuja exigência se amolda à Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 10 9 sistemática de lançamento denominada de homologação em virtude de a legislação atribuir à pessoa jurídica o dever de antecipar o seu pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, este prazo se encontra fixado no § 4o do art. 150 do CTN, o qual estabelece que ele é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, as quais não foram aventadas no presente processo. Assim, o fato de a Fazenda Pública se quedar inerte por mais de cinco anos deve ser entendido como a sua aquiescência com o procedimento adotado pelo contribuinte na apuração da base de cálculo do tributo. Esse preâmbulo se fez necessário porque o despacho decisório, do qual a interessada foi cientificada em 11.09.2008, alicerçou se num procedimento fiscal — o parecer conclusivo — que, para se manifestar sobre a compensação efetuada, promoveu alterações na base de cálculo do IRPJ do ano calendário de 2000. Desrespeitou flagrantemente, portanto, o prazo estabelecido no § 4o do art. 150 do CTN.” O teor do voto vencido em referência coloca em dúvida o montante do crédito devido (se R$ 3.490.790,54, conforme pleiteado pela Contribuinte, ou se R$ 1.343.060,30, conforme reconhecido pelo citado voto). Contudo, tal matéria não foi apreciada pelo voto vencedor do acórdão recorrido, ante o afastamento integral do direito creditório. Assim, reconhecida a decadência, impõese o retorno dos autos à instância a quo para exame do montante do direito creditório de titularidade da Contribuinte. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, a fim de que, reconhecida a decadência, sejam encaminhados os autos à instância de origem para julgamento do montante do direito creditório da Contribuinte. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO – Relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Colhidos os votos em sessão, restou o ilustre relator vencido com relação à preliminar de conhecimento da petição apresentada pelo contribuinte em 28.02.2013, apenas cinco dias antes do julgamento (o processo entrou em pauta pela primeira vez na sessão de 05.03.2013, ocasião em que saiu com vistas), bem como com relação ao mérito da demanda. No que toca à preliminar, cediço que o CARF possui uma vasta jurisprudência afirmando não ser possível, salvo nos casos expressamente mencionados pelo §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 (PAF), o contribuinte inovar em suas alegações de recurso, ou então trazer novas provas aos autos, com relação àquelas (provas ou alegações) que apresentou em sede de impugnação. Neste sentido, os seguintes precedentes, cujas ementas são transcritas abaixo, apenas na parte relevante: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Não se conhece do recurso voluntário, na parte que versa sobre matéria não prequestionada no curso do litígio, em homenagem ao princípio do duplo grau de jurisdição, que norteia o processo administrativo fiscal. (...) (Acórdão n° 10515.212, relatora Adriana Gomes Rêgo, sessão de 07 de julho de 2005) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO — Não se toma conhecimento das razões recursais cuja questão não foi debatida frente à autoridade de primeira instância, quando se instaurou o litígio, por constituirse de matéria preclusa. (Acórdão n° 10195.519, relator Paulo Roberto Cortez, sessão de 28 de abril de 2006) MATÉRIA PRECLUSA Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o principio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. (Acórdão n° 10517.100, relator Waldir Veiga Rocha, sessão 26 de junho de 2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO PRECLUSÃO Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal, que não atendam aos requisitos do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. (...) (Acórdão n° 195 00.022, relator Benedicto Celso Benicio Júnior, sessão de 16 de setembro de 2008) AS MATÉRIAS NÃO ALEGADAS EM FASE DE IMPUGNAÇÃO RESTAM PRECLUSAS — O contribuinte deve alegar todas as matérias que deseja discutir no processo na fase de impugnação, sob pena de preclusão desse direito. (Acórdão n° 19700.023, relatora Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, sessão de 16 de setembro de 2008) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 12 11 No caso concreto, destaquese que as eventuais novas provas ou questões sequer foram apresentadas em sede de recurso voluntário, senão em sede de uma petição encaminhada de forma absolutamente extemporânea, cerca de quatro anos após a apresentação do recurso, e apenas cinco dias antes do julgamento (sendo que o recurso, consoante registrou o próprio ilustre relator, apenas “reproduz os argumentos de impugnação, notadamente a decadência do direito do Fisco de revisar a apuração de tributos relativos a períodos já abrangidos pela decadência”). Assim, com mais razão, não tendo sido demonstrada, no caso, a ocorrência de qualquer uma das situações previstas no §4° do art. 16 do PAF como exceções à regra geral de preclusão, não devem ser conhecidas as razões aduzidas pelo contribuinte naquela extemporânea petição. No que toca ao mérito, o litígio, no caso, envolve duas questões sobre a qual, em um caso, há (e em outro, havia) teses bastante divergentes em sede de contencioso administrativo. A primeira delas diz respeito à possibilidade de restituição/compensação de estimativas recolhidas a maior. Embora esta questão esteja definitivamente resolvida no âmbito do CARF a partir da edição da recente Súmula CARF nº 84, cumpre tecer alguns comentários para melhor compreender o que sucedeu no caso concreto. As correntes interpretativas sobre o assunto dividiamse basicamente em duas: para a primeira corrente, o valor pago, enquanto se caracterizava apenas como pagamento por estimativa, não tinha a natureza de pagamento indevido, que daria direito à restituição, ficando a possibilidade de tais pagamentos se caracterizarem como indevidos “diferida” para o ajuste anual; para a segunda, a parcela do pagamento que superasse o valor devido a título de estimativa no período, apurado de acordo com a legislação de regência, configurava pagamento indevido, passível de restituição ou compensação de imediato. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa – IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, claramente adotava a primeira corrente interpretativa, na medida em que o artigo 10 de ambas continha restrição no sentido de que as estimativas mensais pagas a maior que o devido somente poderiam ser aproveitadas na dedução do IRPJ ou CSLL devidos ao final do período de apuração, ou então para compor o respectivo saldo negativo do período. Contudo, a própria Secretaria da Receita Federal alterou seu entendimento, ao editar a IN SRF nº 900, de 2008, a qual deixou de trazer a referida restrição, consoante a redação de seu artigo 11. Dúvidas surgiram, então, com relação a saber se a nova interpretação teria alcance retroativo ou não. Tais dúvidas, ao menos no âmbito da SRF, dissiparamse com a edição da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, cujo excerto da ementa assim dispõe, verbis: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 13 12 “ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.” No caso concreto, contudo, tanto o despacho da autoridade administrativa quanto a decisão de primeira instância foram proferidas antes da “pá de cal”, conferida pela Solução de Consulta acima mencionada, sobre o entendimento da primeira corrente. Este preâmbulo ajuda a compreender as apenas aparentemente confusas considerações feitas, tanto no despacho da autoridade administrativa, quanto nos votos vencido e vencedor da decisão de primeira instância, onde o crédito é abordado ora como indébito de estimativa, ora como saldo negativo ao final do período de apuração. É que, de fato, no momento da prolação daqueles atos, ainda não se haviam dissipado as dúvidas quanto ao correto tratamento a ser dado aos PER/DCOMP formulados com pleito de indébito de estimativa. Neste aspecto, ressaltese que o despacho decisório visou a cobrir as duas hipóteses, na medida em que primeiro observou que inexistiria pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ em setembro de 2000, considerandose os valores recolhidos e o montante da base de cálculo do IRPJ devido por estimativa para aquele mesmo mês, e, em seguida, passou à verificação da possível existência de crédito considerandose a apuração anual, neste caso, concluindo que o crédito de saldo negativo do ano calendário em questão ainda não utilizado pelo contribuinte seria de apenas R$ 33.709,01. A seguir, determinou que este seria o montante a ser reconhecido e utilizado para compensar com os débitos constantes em diversos outros PER/DCOMP que informavam créditos lastreados em recolhimento de estimativas de IRPJ de outros meses do ano calendário 2000, concluindo que, no caso do PER/DCOMP em foco no presente processo, mesmo sob a ótica de “saldo negativo”, não haveria direito creditório oponível ao fisco. O voto condutor da decisão recorrida ratificou a análise e as conclusões do referido despacho, mantendo hígida a decisão proferida pela autoridade administrativa. A segunda questão sobre a qual dividese a jurisprudência administrativa diz respeito à possibilidade de o fisco, a fim de verificar a legitimidade de crédito objeto de pedido de restituição e compensação, analisar elementos relativos à apuração do resultado de períodos anteriores já atingidos pela decadência. Neste aspecto, as correntes interpretativas também dividemse basicamente em duas. Para a primeira corrente, o despacho decisório da autoridade administrativa, proferido em sede de compensação/restituição, não supre a necessidade de constituição do crédito tributário por meio de auto de infração ou notificação de lançamento, por lhe faltarem requisitos essenciais previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF. Assim, qualquer revisão que implique alteração de tributo declarado e/ou prejuízo e base Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 14 13 de cálculo apurada, somente pode ser efetuada por meio de lançamento, conforme determina o artigo 9º do PAF, abaixo transcrito. “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Corolário desta interpretação, entendem os seus defensores que a autoridade administrativa, nesses casos, deve se ater tão somente a ajustes que, por sua natureza, não caracterizem lançamento de ofício, a exemplo da dedução do imposto de renda retido na fonte e das estimativas pagas ou compensadas. Quaisquer outras considerações relativas ao direito creditório alegado, que impliquem a revisão da apuração da base de cálculo dos tributos, deve ser feita por meio de lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Em sentido contrário, a segunda corrente, à qual me filio, defende a desnecessidade de lançamento de ofício para a realização das alterações em tela, por considerar que a verificação da liquidez e certeza do crédito a ser restituído ou compensado (artigos 165 e 170 do CTN) possui regramento próprio. Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação da Declaração de Compensação, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus débitos e créditos. Com a apresentação do PER/DCOMP, são os débitos extintos, ainda que sob condição resolutória, sem o prévio exame pela autoridade administrativa, que assim dispõe, nos precisos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, para homologar a compensação pretendida. A verificação da liquidez e certeza do indébito alegado nada tem a ver com o lançamento de ofício, pois neste procedimento não se está a exigir qualquer crédito tributário, sendo inaplicáveis ao caso, por conseguinte, os artigos 173 e 150 do CTN. Aliás, se assim não fosse, haveria manifesta contradição entre o prazo decadencial naqueles dispositivos previsto (para o lançamento de ofício e para a homologação tácita do lançamento) e o prazo estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, aplicável aos casos de compensação. Sendo o procedimento de homologação da compensação de iniciativa do próprio contribuinte, a ele cabe o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e, por isso, deve manter em ordem a documentação pertinente até que se encerrem os processos Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 15 14 que tratam da utilização daquele crédito, nos termos do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, cuja matriz legal é o DecretoLei nº 486, de 1969. E ao fisco, no seu poderdever de verificar o direito creditório, pelo confronto entre o valor pago e o valor devido, cabe analisar todos os aspectos pertinentes à obrigação tributária — sem restrições — uma vez que o CTN, em seus artigos 165 e 170, não impõe quaisquer limites a essa análise. A única limitação, conforme visto, encontrase no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, e diz respeito ao prazo do fisco para levála a efeito. Importa ressaltar, ainda, que a Lei nº 9.430/96 é expressa no sentido de que o que está sujeito a ser homologado tacitamente, com o decurso do prazo quinquenal ali previsto, são apenas as compensações declaradas pelo sujeito passivo e fundadas em certo crédito, e não o crédito propriamente dito, o que apenas reforça a assertiva de que a liquidez e certeza do crédito há sempre de ser aferida pela autoridade administrativa em processos desta natureza. Cumpre fazer, por fim, uma observação específica com relação ao parágrafo 4o do artigo 9o do PAF, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009, e já ao norte transcrito, uma vez que, de sua leitura, poderseia chegar à conclusão de que quaisquer infrações constatadas, ainda que não resultem em exigência de crédito tributário, deveriam ser obrigatoriamente formalizadas por meio de autos de infração ou de notificações de lançamento. Tal interpretação, contudo, revelase incorreta, conforme se passa a demonstrar. O Decreto nº 70.235/72 (PAF) rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, consoante o que dispõe o seu artigo 1o. Da leitura de seus 68 artigos, não se verificará uma menção sequer aos processos de reconhecimento de direito creditório, englobando restituição e compensação. Na verdade, a única conexão desses processos com o Decreto nº 70.235/72 é feita pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, que, nos seus parágrafos 9o a 11, assim dispõe, verbis: “§ 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. “§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.” Os parágrafos em questão, portanto, claramente estabelecem que o rito do Decreto nº 70.235/72 se aplica apenas à manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário, ou seja, à fase litigiosa, e não aos procedimentos que antecedem essa fase. Por isto é que o disposto no parágrafo 4o do artigo 9o do PAF não se aplica aos processos de restituição/compensação. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 16 15 Esta interpretação, aliás, é confirmada pelo texto da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, a qual foi posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Confirase (grifei): “13. O art. 23, por sua vez, altera o Decreto nº 70.235, de 1972, sendo que a alteração do art. 9º do referido Decreto visa possibilitar à Fazenda Nacional, nas hipóteses em que não resulte lançamento de crédito tributário, a formalização de infrações que ensejem a redução de valores a restituir, a compensar ou a deduzir de tributos e a glosa de créditos de tributos não cumulativos, permitindo ao contribuinte exercer plenamente o direito ao contraditório e à ampla defesa. (...)” Verificase, portanto, que o parágrafo 4o do artigo 9o tem aplicação tão somente nos procedimentos de fiscalização, para conferir ao fisco a possibilidade de lavrar auto de infração (ou notificação de lançamento) mesmo que para apenas reduzir os valores a restituir/compensar/deduzir ou para glosar créditos. Tal faculdade faria sentido, por exemplo, em situação em que o fisco constatasse ditas infrações e o contribuinte não houvesse ainda utilizado o referido crédito. Ou seja, nesse caso, o fisco não precisaria aguardar a formalização da utilização do alegado crédito pelo contribuinte para só então nele poder promover reduções ou glosas. Além disto, a redação anterior do artigo 9o do PAF, afora os casos de efetiva exigência de crédito tributário ou de aplicação de penalidade isolada, somente previa a formalização do lançamento por meio de auto de infração ou notificação de lançamento nos casos de retificação de prejuízo fiscal. Assim, em situações como a antes descrita (de mera redução de saldo credor, constatada em procedimento de fiscalização) havia um vácuo legislativo em que, se por um lado poderseia alegar a ausência de previsão legal para a formalização do lançamento, impedindo que este fosse feito, por outro poderseia obstar o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, acaso tal redução fosse efetivada somente por meio de controles internos ao fisco. A nova redação visou a corrigir estas distorções, conforme se verifica do excerto transcrito. A preocupação do legislador, aliás, com o pleno exercício, pelo contribuinte, do direito ao contraditório e à ampla defesa, somente faz sentido com a interpretação que aqui foi conferida ao dispositivo, afinal, nos processos de restituição/compensação, esses direitos já lhe são plenamente assegurados, nos termos da legislação já antes transcrita, os quais também se encontram reproduzidos nos normativos da Secretaria da Receita Federal (art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900/2008, por exemplo). Por todo o exposto, no caso concreto, em que se analisa PER/DCOMP, não vejo quaisquer óbices à análise feita pela autoridade administrativa e confirmada pelo aresto recorrido. No mérito, salientese ainda que, a rigor, a autoridade administrativa sequer promoveu qualquer revisão na base de cálculo apurada pela recorrente. De fato, em que pese tenham sido feitas intimações à recorrente para a comprovação de diversas exclusões da base de cálculo que constavam da sua apuração de lucro real relativa ao mês de setembro de 2000, para fins de determinação da estimativa devida com base em balancete de suspensão ou redução, o fato é que todas elas foram reputadas comprovadas pela fiscalização, pois o valor da base de cálculo apurada pela autoridade Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME Processo nº 10768.906825/200615 Acórdão n.º 1102000.856 S1C1T2 Fl. 17 16 diligenciante foi de R$ 33.029.315,64, sendo este precisamente o valor da base de cálculo informada pela própria recorrente, relativa ao mês de setembro de 2000, conforme o LALUR – Parte A (fls. 21) por ela apresentado. Ainda, neste mesmo documento, está informado que o valor do “Resultado antes das Deduções/Adições ao Resultado”, ou seja, o lucro líquido contábil, é de R$ 30.409.193,05. Tal montante confere precisamente com o valor do lucro líquido apontado na Demonstração do Resultado do Exercício constante do Livro Diário no 292 da recorrente (fls. 33 a 36). Ou seja, são os elementos da própria escrita contábil e fiscal da recorrente que confirmam que o valor da estimativa devida no mês de setembro de 2000 não corresponde àquele que foi por ela informado na DCTF (fls. 49) e DIPJ (fls. 54), esta última (DIPJ) de cunho meramente informativo. Portanto, à vista de todo o exposto, concluo que não há indébito de estimativa relativo ao mês de setembro de 2000, sendo de se ressaltar que este era e sempre foi o pleito da contribuinte. A autoridade administrativa, contudo, em benefício do contribuinte, por ter constatado que nem todo o valor do pagamento efetuado relativo à estimativa de setembro de 2000 havia sido levado à apuração anual, estendeu a sua análise para o ajuste anual, apurando, em verdade, valor de saldo negativo superior ao que ela mesma informara ao fisco. Contudo, mesmo neste esforço empreendido, chegou a autoridade fiscal à conclusão que não remanesceria crédito tributário disponível para a compensação discutida nos presentes autos, e isto porque este valor superior já fora aproveitado pela recorrente, quase que integralmente, e a pequena parcela restante (de R$ 33.709,01) esgotouse na compensação de débitos discutidos em outros processos. Em conclusão, nenhum reparo merece o despacho da autoridade administrativa, nem tampouco a decisão recorrida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERM ANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003946/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente momentaneamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Ausente momentaneamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 03 94 6/ 20 08 -5 8 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13971.003946/200858 Resolução nº 2401000.437 S2C4T1 Fl. 431 2 Relatório Tratase de recursos interpostos pelo sujeito passivo e codevedor contra o Acórdão n.º 0716.806 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.191.1150. O lançamento em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de haver deixado de informar em GFIP remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 10/2005 a 06/2006, e além de haver informado incorretamente o campo referente à opção pelo SIMPLES, no período de 06/2003 a 02/2008, do que resultou declaração a menor de contribuições previdenciárias. Afirma a autoridade lançadora que a empresa teve sua exclusão do Simples decretada, cujos motivos e elementos de prova estão apresentados nos Processos n°.13971.003976/200864 e n°. 13971.003977/200817. A DRJ afastou a decadência requerida, efetuando a contagem do prazo decadencial pela regra do inciso I do art. 173 do CTN. A alegação contra a taxa Selic não foi considerada, por entender o órgão de primeira instância que não houve a imposição de juros no presente lançamento. Também não foi enfrentada a questão da formação de grupo econômico, posto que a lavratura se deu unicamente em nome da autuada. A exclusão da empresa do Simples, que o sujeito passivo afirmou ainda está em discussão, foi considerada procedente pela DRJ, que ressaltou que os processos que tratam deste assunto já haviam transitado em julgado, com resultado em desfavor da empresa. Por fim, o órgão recorrido determinou a aplicação da multa mais benéfica, tendo em conta as alterações legislativas promovidas pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009. A autuada apresentou recurso, fls. 387 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a multa aplicada no patamar de 150% do tributo devido tem efeito confiscatório, afrontando, assim a Constituição Federal, além de ser flagrantemente desproporcional; b) a multa nesse percentual, imposta com base inciso II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996, é de aplicação restrita aos casos de dolo ou fraude, o que não ocorreu na espécie; c) é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários; d) a tributação reflexa para o PIS e COFINS decorrente de apuração do IRPJ lançado com base no lucro arbitrado entra em choque com o entendimento exarado em Pareceres da COSIT; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13971.003946/200858 Resolução nº 2401000.437 S2C4T1 Fl. 432 3 e) o AI atropela a legislação do SIMPLES, tanto quanto a sua improcedência, quanto aos efeitos retroativos dos exclusão; f) a representação que culminou com a exclusão do SIMPLES de todas as empresas citadas no Relatório Fiscal não deve prevalecer, uma vez que não restou configurada a fraude apontada pelo fisco; g) o Sr. Ari Salésio Brasil apontado pela Autoridade Fiscal como responsável pela unicidade de comando “grupo econômico" não pode ser tratado como pessoa interposta, posto que o mesmo era apenas procurador da recorrente, possuindo mandato público para exercer tal mandato; h) A exclusão do SIMPLES foi contestada pela ora recorrente através da impugnação contra os Atos Declaratórios Executivos n°s 43 e 47/2008, protocolizados tempestivamente na Delegacia da Receita Federal de Blumenau/SC, portanto, estando sub judice, não é definitiva, dependendo de evento futuro e incerto para o Fisco até que haja o trânsito em julgado. i) devese declarar a prescrição quinquenal das contribuições lançadas. Ao final, pede a nulidade da lavratura, a decretação de prescrição e o reconhecimento da inexistência de grupo econômico. Mediante a Resolução n.º 2401000.391, de 18/07/2014, esta turma resolveu converter o julgamento em diligência para que o órgão preparador apresentasse as evidências de que os processos relativos às exclusões da recorrente do Simples Federal e do Simples Nacional teriam transitado em julgado. A resposta à mencionada diligência foi juntada às fls. 427/428, onde se afirma que a empresa apresentou manifestações de inconformidade fora do prazo legal para os ADE n.º 43/2008 (PA 13971.003976/200864) e n.º 47/2008 (PA n.º 13971.003977/200817), portanto, os processos de exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional já teriam tido trânsito em julgado administrativo. Os processos de exclusão foram apensados aos autos de que ora se cuida. O processo retornou ao CARF sem ciência do recorrente acerca do resultado da diligência. É o relatório. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13971.003946/200858 Resolução nº 2401000.437 S2C4T1 Fl. 433 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de conversão em diligência para ciência dos recorrentes do resultado da diligência fiscal O motivo que levou esta Turma a determinar a realização da diligência comandada pela Resolução n.º 2401000.391 foi o argumento das recorrentes de que a autuada teria apresentado impugnação tempestiva contra os Atos Declaratório de Exclusão do Simples. Com a apensação ao presente processo daqueles de n.º 13971.003976/200864 e n.º 13971.003977/200817, chegounos ao conhecimento que a empresa de fato perdera o prazo para apresentar manifestação de inconformidade em ambos os feitos. Ocorre que é uma preocupação corrente deste colegiado que as empresas arroladas no polo passivo possam se contrapor a informação prestada pelo fisco em sede de diligência. Isto porque, no caso concreto, aquelas poderiam questionar a própria validade do documento de intimação da exclusão do Simples, ou mesmo aduzir algum fato que pudesse interferir na contagem do prazo para manifestação do sujeito passivo contra os atos de exclusão. Sem essa providência, restará claramente ferido o Princípio Constitucional do Contraditório, que representa uma das garantias essenciais do devido processo legal, consagrado pela Carta Constitucional de 1988. Assim, devem os autos retornar à origem, de modo que as recorrentes possam se manifestar sobre o suposto trânsito em julgado do Atos Declaratórios de Exclusão do Simples n.º 43/2008 (PA 13971.003976/200864) e n.º 47/2008 (PA n.º 13971.003977/200817). Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13603.002625/2003-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004
LIVRO-DIÁRIO. VALOR PROBANTE.
A escrituração do Livro-Diário deve traduzir, fielmente, do ponto de vista contábil, as operações comerciais e fiscais realizadas pelo contribuinte, o que significa dizer que não se pode acatar a escrituração de um Livro-Diário, atribuindo-lhe os efeitos jurídicos que lhe são próprios, por mera aproximação.
DCTF. RETIFICAÇÃO. INCERTEZA QUANTO AOS VALORES DEVIDOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe a retificação da DCTF com a finalidade de homologar compensação cujo conjunto probatório colacionado aos autos se baseia em resumos e planilhas que se mostram em descompasso com a escrituração apresentada, mormente quando a documentação que supostamente daria suporte à escrituração não é apresentada, devendo prevalecer o total do imposto apurado na DCTF, declaração que, por natureza, constitui confissão de dívida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2004 LIVRO-DIÁRIO. VALOR PROBANTE. A escrituração do Livro-Diário deve traduzir, fielmente, do ponto de vista contábil, as operações comerciais e fiscais realizadas pelo contribuinte, o que significa dizer que não se pode acatar a escrituração de um Livro-Diário, atribuindo-lhe os efeitos jurídicos que lhe são próprios, por mera aproximação. DCTF. RETIFICAÇÃO. INCERTEZA QUANTO AOS VALORES DEVIDOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a retificação da DCTF com a finalidade de homologar compensação cujo conjunto probatório colacionado aos autos se baseia em resumos e planilhas que se mostram em descompasso com a escrituração apresentada, mormente quando a documentação que supostamente daria suporte à escrituração não é apresentada, devendo prevalecer o total do imposto apurado na DCTF, declaração que, por natureza, constitui confissão de dívida. Recurso Voluntário Negado
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VALOR PROBANTE. A escrituração do LivroDiário deve traduzir, fielmente, do ponto de vista contábil, as operações comerciais e fiscais realizadas pelo contribuinte, o que significa dizer que não se pode acatar a escrituração de um LivroDiário, atribuindolhe os efeitos jurídicos que lhe são próprios, por mera aproximação. DCTF. RETIFICAÇÃO. INCERTEZA QUANTO AOS VALORES DEVIDOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a retificação da DCTF com a finalidade de homologar compensação cujo conjunto probatório colacionado aos autos se baseia em resumos e planilhas que se mostram em descompasso com a escrituração apresentada, mormente quando a documentação que supostamente daria suporte à escrituração não é apresentada, devendo prevalecer o total do imposto apurado na DCTF, declaração que, por natureza, constitui confissão de dívida. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 26 25 /2 00 3- 10 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.622 2 Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Declaração de Compensação DCOMP protocolizada eletronicamente em 01/10/2003 com a finalidade de compensar crédito relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF (Código 1708) com pagamentos espontâneos considerados indevidos pela contribuinte, no valor de RS 15.239,86, apurado na 5ª semana de setembro/2003. Tendo em vista que na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF foram informados débitos nos mesmos valores dos pagamentos objeto da DCOMP, foi solicitado à contribuinte, em 27/10/2006, esclarecimentos sobre a origem dos pagamentos indevidos. Em 31/10/2006 a Interessada retificou a DCTF (fls. 10/11). De seguida, foi exarado o DespachoDecisório de fls. 16/18, prolatado pela DRF de Contagem MG em 20/12/2006, cuja parte que interessa foi descrita nos seguintes termos: Na DCTF (fls. 10 e 11), o contribuinte informou a existência de dois pagamentos relacionados ao referido débito, nos valores de R$ 12.401,82 e R$ 87.525,75. Porém, o pagamento no valor de R$ 12.401,82 não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal (SRF), conforme fls. 13 e 15. De acordo com a tela de fl. 13, o pagamento de R$ 87.525,75 foi desmembrado nos valores de R$ 12.401,82 e R$ 72.133,49, perfazendo o total de R$ 84.535,31, valor esse informado na DCTF como "Pagamentos com Darf", para quitar o débito apurado na 5ª semana de agosto de 2003, conforme telas de fls. 13 e 14. Dessa forma, do pagamento no valor de R$ 87.525,75 restou como crédito R$ 2.990,44 (R$ 87.525,75 R$ 84.535,31). (...) Com base na informação retro, reconheço o crédito pelo valor de $ 2.990,44 (dois mil, novecentos e noventa reais e quarenta e quatro centavos) e declaro parcialmente homologada a compensação tratada neste despacho do contribuinte FIAT AUTOMÓVEIS S.A., CNPJ n° 16.701.716/000156. A contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 24/27. Os julgadores da instância de piso, no entanto, indeferiram a solicitação e não homologaram a compensação objeto de litígio neste processo, com base nos seguintes argumentos: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.623 3 16. Para que seja validado o crédito pleiteado/utilizado pelo contribuinte, o sujeito passivo deve, além de juntar os comprovantes de pagamento, também demonstrar a apuração do indébito. Considerando que sua intenção é a de alterar o valor do tributo já declarado em DCTF, esta alteração deve, obrigatoriamente, estar amparada pelos documentos que comprovem inequivocamente o alegado. Nesse sentido há que se consignar que não foram trazidos à colação quaisquer documentos comprobatórios das suas alegações, tais como, por exemplo, o livro Diário, Caixa, Razão e os documentos que deram origem aos lançamentos registrados nestes livros. 17. Assim sendo, não há como validar o crédito pleiteado pelo contribuinte, além do já reconhecido pela DRF de origem, considerando especialmente que o valor apurado é decorrente das informações prestadas pelo próprio contribuinte e está amparado pelos documentos anexados ao processo. Inconformada, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 79/84, por meio do qual, alega, em síntese, que: O DARF no valor de R$ 12.401,80, em anexo, foi recolhido em 03/09/2003 pela empresa F.A. Powertrain Ltda. Por equívoco, o valor do IRRF referente à quinta semana de agosto de 2003, devido pela referida empresa (à época pertencente ao mesmo grupo empresarial e posteriormente incorporada pela Fiat), foi incluído indevidamente na DCTF da Recorrente. Exatamente por força desta inclusão indevida na apuração original da Recorrente há a necessidade de retificação da DCTF do período, para que se ateste a realidade fiscal, conforme abaixo: DCTF ORIGINAL DCTF RETIFICADORA 1 DÉBITO: R$ 99.797,90 1 DÉBITO: R$ 87.548,48 2 QUITAÇÃO 2 QUITAÇÃO DARF: R$87.525,75 DARF: R$ 87.525,75 (Débito de R$ 72.133,49) (Débito de R$ 72.285,89) DARF: R$ 15.239,86 DARF: R$ 15.239,86 Compensação: R$ 22,73 Compensação: R$ 22,73 DARF: R$ 12.401,82 DARF: 0 Na DCTF cuja retificação já se requereu nestes autos, a Recorrente reiterará a informação referente à alteração do débito para R$ 87.548,48, exatamente pela exclusão do IRRF referente à F. A. Powertrain Ltda., no valor de R$ 12.401,82. Além disso, consolidarseá a informação que o DARF de R$ 87.525,75 referese ao pagamento do débito de R$ 72.285,89 ao invés do valor inicialmente informado de R$ 72.133,49. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.624 4 Assim, temse um total de R$ 102.788,34 (R$ 87.525,75 + R$ 15.239,86 + R$ 22,73) alocado ao débito retificado de R$ 87.548,48, comprovando a existência de um saldo a ser compensado de R$ 15.239,86. Por intermédio da Resolução de fls. 121/123, esta Turma converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, a fim de que a Autoridade fiscal verificasse os seguintes pontos: a) o montante total do IRRF informado pela contribuinte em suas DIRF no período em análise (5ª semana de agosto de 2003); b) se este valor condiz com o informado no “Resumo das Retenções de Imposto de Renda na Fonte de Pessoa Jurídica” (fls. 43/46); c) se o DARF no valor de R$ 12.401,82 (fl. 85) foi alocado a algum débito vinculado ao CNPJ da empresa que o recolheu (F.A Powertrain Ltda.); d) no caso de resposta negativa ao quesito acima, que fosse intimada a contribuinte para se manifestar sobre a divergência apurada, facultandolhe a comprovação do alegado com documentação hábil e idônea; Após ser intimada, a Recorrente apresentou a petição de fls. 139/142 acompanhada de cópia da parte de seu LivroDiário no qual constam os lançamentos contábeis relativos aos valores de IRRF vinculados à remuneração paga pela prestação de serviços por pessoas jurídicas (código 1708). Ademais, aduziu que a planilha que antecede as páginas do livro apresentado contém o resumo das informações nelas contidas, sendo possível confirmar que a quase totalidade dos valores informados no “Resumo das Retenções de Imposto de Renda na Fonte de Pessoa Jurídica” (fls. 43/46) constam de seus registros contábeis. A pequena diferença de R$ 704,55, segundo a Interessada, corresponde à soma dos valores inerentes aos únicos lançamentos (seis) informados no resumo de fls. 43/46 e que não constam das páginas do Livro Diário, não podendo ser considerada suficiente para a desconsideração da congruência das informações anteriormente prestadas e agora definitivamente comprovadas. Ato contínuo, a Autoridade fiscal emitiu o despacho de fl. 231, por meio do qual averbou: Em atendimento à Resolução CARF n° 28010.012 (fls. 121 a 123), que converteu o julgamento do presente processo em diligência, encaminhamos ao contribuinte o Termo de Intimação Fiscal n° 321/2010 (fl. 132). Em resposta, o contribuinte apresentou a documentação anexada às fls. 139 a 230. Informamos que o Darf anexado à fl. 85 não se encontra alocado, conforme tela de fl. 131. Destacamos, ainda, que a DCOMP em questão foi transmitida em 01/10/2003. O pagamento realizado pela F. A. Powertrain Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.625 5 Ltda., no valor de R$ 12.401,82, pleiteado pelo contribuinte, foi recolhido em 03/09/2003. No entanto, de acordo com os registros da RFB, a F. A. Powertrain Ltda. somente foi incorporada pela Fiat S.A. em 20/07/2005 (fl. 130). A 1ª Turma Especial da 2ª Seção deste Conselho, no entanto, não se deu por satisfeita, e retornou o processo à Unidade de origem (Despacho à fl. 232/233) para que fosse procedida a análise dos documentos de fls. 143/230 e informado se tais documentos, que o contribuinte alega se referirem ao IRRF (código 1708) da 5ª semana de agosto de 2003, são hábeis e idôneos a comprovar os valores informados no resumo de fls. 43/46. Em caso positivo, a Autoridade fiscal deveria manifestar se os valores contidos naqueles documentos são condizentes com aqueles informados no resumo. A Autoridade lançadora informou que: 1 – sobre o montante total do IRRF informado pela contribuinte em suas DIRF no período em análise (5ª semana de agosto de 2003): Não há como confirmar, por meio do sistema DIRF, o montante total do IRRF para o período em questão (5ª semana de agosto de 2003). O sistema somente fornece o total mensal. Conforme tela anexada à fl. 234, o valor total retido no mês de agosto foi de R$ 317.791,68. 2 – se o valor condiz com o informado nas planilhas de fls. 43/46: Conforme exposto no item 1, não há como confrontar os valores informados nas planilhas de fls. 43/46 com a DIRF, por se referirem ao período semanal e não mensal. 3 – se o valor do DARF de fls. 85 foi alocado a algum débito vinculado ao CNPJ da empresa que o recolheu: Conforme tela anexada à fl. 235, o pagamento não se encontra alocado. 4 – no caso de resposta negativa ao quesito acima, que seja intimada a contribuinte para se manifestar sobre a divergência apurada, facultandolhe a comprovação do alegado com documentação hábil e idônea. 5 – se os valores relativos aos documentos de fls. 143/230, que o contribuinte alega se referirem ao IRRF (código 1708) da 5ª semana de agosto de 2003 são condizentes com aqueles informados nas planilhas de fls. 43/46. E também se tais documentos são hábeis e idôneos a comprovar os valores informados em tais planilhas. Os valores relativos aos documentos de fls. 143/230 são condizentes com aqueles informados nas planilhas de fls. 43/46. O livro diário, por si só, não é suficiente para comprovar os valores informados nas planilhas de fls. 43/46, devendo ser apresentados os documentos comprobatórios das operações objeto de registro (art. 264 do Decreto n° 3.000/99). Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.626 6 Após ser intimada a Interessada peticionou às fls. 239/247 relatando o iter procedimental desde a instauração deste contencioso até a segunda diligência requerida por esta Turma de Julgamento, reiterando as razões recursais anteriormente apresentadas e alegando, em síntese, que os créditos vinculados ao pagamento do IRRF apurado na 5ª semana de agosto de 2003 totalizam R$ 102.788,34. Como o valor efetivamente devido pela Recorrente de IRRF no período é de R$ 87.548,48, resta o crédito a ser compensado de R$15.239,80 (R$102.788,34 R$87.548,48), exatamente o montante creditório requerido no presente processo administrativo. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo físico. A DCTF de fls. 10/11 evidencia, relativamente ao débito apurado na 5ª semana de agosto de 2003, a existência de dois “Pagamentos com DARF” nos valores de R$ 12.401,82 e R$ 87.525,75. Como o pagamento no valor de R$ 12.401,82 não foi localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, o valor de R$ 87.525,75 (DARF à fl. 48) foi desmembrado nos valores de R$ 12.401,82 e R$ 72.133,49, perfazendo o total de R$ 84.535,31, utilizado na quitação do débito apurado na 5ª semana de agosto de 2003, conforme “Extrato Completo do Contribuinte Pessoa Jurídica” acostado às fls. 13/14. Em face disso o DespachoDecisório de fls. 16/18 reconheceu o crédito de R$ 2.990,44 ao contribuinte, que corresponde ao valor recolhido por intermédio do DARF de R$ 87.525,75 menos o valor de R$ 84.535,31, anteriormente utilizado na quitação dos débitos da 5ª semana de agosto de 2003. Ocorre que a Autoridade fiscal informou que o DARF no valor de R$ 12.401,82 foi recolhido no CNPJ da empresa F.A. Powertrain Ltda. e que não foi alocado a nenhum débito do Recorrente, de modo que os “Pagamentos com DARF” reconhecidos na DCTF não se mostra compatível com a realidade fática evidenciada nestes autos. Os créditos confirmados nos sistemas da RFB importam no montante de R$ 102.788,44, que resulta da seguinte soma: DARF no valor de 87.525,75 (fl. 48) + compensação homologada no valor de R$ 15.239,86 (fls. 50/52) + compensação homologada no valor de R$ 22,73 (fls. 55/60). Quanto ao valor efetivamente devido de IRRF na 5ª semana de agosto apurouse, na DCTF apresentada pela contribuinte, o valor de R$ 99.797,90. Na última manifestação da Interessada, no entanto, pleiteiase que este valor seja alterado para R$ 87.548,48, que corresponde ao valor do “Resumo das Retenções de Imposto de Renda na Fonte de Pessoa Jurídica” acostados aos autos às fls. 43/46 (R$ 9.113,07 + R$ 78.435,41). Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.627 7 Ocorre que, como bem observado na decisão recorrida, o referido “Resumo” foi elaborado pela própria contribuinte, não se revelando documento hábil à comprovação da redução do IRRF devido na 5ª semana de agosto de 2003. Por esse motivo esta Turma converteu o julgamento em diligência para que fosse feita a análise dos documentos de fls. 143/230 (LivroDiário) e informado se tais documentos são hábeis e idôneos a comprovar os valores constantes do “Resumo das Retenções de Imposto de Renda na Fonte de Pessoa Jurídica” (fls. 43/46), bem como fosse informado se os valores contidos naqueles documentos são condizentes com aqueles informados no intitulado “Resumo”. Embora a Autoridade fiscal tenha se manifestado no sentido de que “Os valores relativos aos documentos de fls. 143/230 são condizentes com aqueles informados nas planilhas de fls. 43/46”, asseverou que “O livro diário, por si só, não é suficiente para comprovar os valores informados nas planilhas de fls. 43/46, devendo ser apresentados os documentos comprobatórios das operações objeto de registro”. Em linha com o entendimento da Autoridade lançadora, anoto que o livro contábil apresentado veio desacompanhado dos documentos pertinentes às operações neles escrituradas, o que revela insuficiência do conjunto probatório apresentado, sendo oportuno relembrar o disposto no parágrafo único do artigo 195 do CTN, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Pela regra do dispositivo transcrito o dever de conservação dos comprovantes dos lançamentos efetuados nos livros de escrituração comercial e fiscal estendese até a consumação da prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Os livros e os comprovantes compõem os instrumentos materiais necessários, do lado do sujeito passivo, para comprovar o cumprimento de suas obrigações fiscais, e, do lado do Fisco, para que ele, de posse dos documentos, constate a observância dos deveres fiscais a cargo do contribuinte ou verifique eventual infração à lei tributária. Na espécie, embora conste do livro apresentado valores de IRRF, tais valores não se identificam, com exatidão, ao que se pretende seja reconhecido na DCOMP, motivo pelo qual entendo que a Interessada deveria ter juntado aos autos os comprovantes referentes aos lançamentos contábeis realizados, de modo a conferir certeza à sua pretensão. Observo, por oportuno, que além do LivroDiário a Recorrente colacionou aos autos a planilha de fls. 144/146. Segundo a Interessada, tal planilha contém o resumo das informações do LivroDiário, sendo possível confirmar, por meio dela, que a quase totalidade dos valores informados no “Resumo” de fls. 43/46 constam efetivamente dos seus registros contábeis. Compulsado a indigitada planilha, que também foi elabora pela Interessada, verificase que o total de IRRF referente à 5ª semana de agosto de 2003 totaliza R$ 97.068,66 e Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.628 8 que em seu rodapé consta a seguinte observação: “valores destacados correspondem a registros não relacionados ao código 1708”. Os valores destacados correspondem a quatorze lançamentos nos seguintes montantes: R$ 94,66, R$ 1.385,07, R$ 23,41, R$ 0,02, R$ 1,12, R$ 0,01, R$ 132,00 e sete lançamentos de R$ 1.226,92. A inclusão destes valores na planilha foi assim justificada pela Recorrente: “Vale ressaltar ainda, que na referida conta contábil constam valores relativos a IRRF devido pela Requerente, porém vinculados a outras remunerações e, portanto, com código de receita distinto. A título de exemplo, tomemse os 7 lançamentos no montante individual de R$ 1.226,92. Pelo histórico dos lançamentos, verificase que os valores estão vinculados ao Fornecedor cadastrado sob o n° 6337, o qual representa uma pessoa física e cujo código de receita para o IRRF é diverso do 1708. Dessa forma, esses lançamentos não apresentam qualquer relação com essa demanda”. Como se vê, a Interessada intenta, por todos os modos, justificar os valores de IRRF que pretende ver reconhecido na DCOMP. Nada obstante, não apresenta sequer um comprovante que dê suporte às suas alegações. Registro, ainda, por relevante, que segundo a própria Interessada o Livro Diário apresentado comprova que o valor devido de IRRF na 5ª semana de agosto de 2003 importa no montante de R$ 86.843,93, valor este que difere do valor que ora se pretende seja reconhecido como efetivamente devido de IRRF na 5ª semana de agosto, que monta a quantia de R$ 87.548,48. A Recorrente alega que “a pequena diferença de R$ 704,55, correspondente à soma dos valores inerentes aos únicos lançamentos (seis) informados nos resumos de fls. 43/46 e que não constam das páginas do Livro Diário, não pode ser considerada suficiente para a desconsideração da congruência das informações anteriormente prestadas e agora definitivamente comprovadas”. Permitome discordar da Interessada no concernente a esta alegação, porquanto a escrituração do LivroDiário deve traduzir, fielmente, do ponto de vista contábil, as operações comerciais e fiscais realizadas pelo contribuinte, o que significa dizer que não se pode acatar a escrituração de um LivroDiário, atribuindolhe os efeitos jurídicos que lhe são próprios, por mera aproximação, haja vista que o descompasso entre os valores evidencia a incerteza quanto ao montante dos débitos (créditos da Fazenda Pública) a ser considerado. Em outras palavras: descabe a retificação da DCTF com a finalidade de homologar compensação cujo conjunto probatório se baseia em resumos e planilhas que se mostram em desarmonia com a escrituração apresentada, mormente quando a documentação que supostamente daria suporte à escrituração não é apresentada, devendo prevalecer o total do imposto apurado na DCTF (R$ 99.797,90), declaração que, por natureza, constitui confissão de dívida. Assim, com a utilização do DARF no valor de R$ 87.525,75 e dos PER/DCOMP nos valores de R$ 15.239,86 e R$ 22,73, a serem usados na quitação do referido débito, restaria crédito de IRRF no importe de R$ 2.990,44 (R$ 102.788,34 – R$ 99.797,90), que corresponde ao exato valor reconhecido no DespachoDecisório de fls. 16/18, embora tenha se chegado ao valor final por caminhos diversos. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13603.002625/200310 Acórdão n.º 2801003.955 S2TE01 Fl. 1.629 9 O esquema abaixo evidencia a apuração do crédito a ser reconhecido, no entendimento deste Relator: 1 DÉBITO: R$ 99.797,90 (informado na DCTF, às fls. 10/11). 2 CRÉDITOS VINCULADOS: DARF: R$87.525,75 + compensação de R$ 15.239,86 + compensação de 22,73 = R$ 102.788,34. 3 CRÉDITO RECONHECIDO: R$ 102.788,34 – R$ 99.797,90 = R$ 2.990,44. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 15504.722927/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POR EDITAL NULA. PRINCÍPIOS DA BOA-FÉ OBJETIVA E DA AMPLA DEFESA.
É nula a intimação realizada por edital quando a feita por via postal foi enviada para endereço diverso daquele que foi utilizado pelo próprio Fisco nas intimações efetuadas durante e após a ação fiscal.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
O acréscimo patrimonial a descoberto somente pode ser justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, mediante provas firmes e seguras da sua existência.
Para justificar os recursos no fluxo financeiro mensal com lucros distribuídos de empresas das quais o contribuinte seja sócio é necessário prova inequívoca da efetiva existência e da transferência do dinheiro, sendo que o ônus da prova cabe a quem alega possuir os recursos.
Valores declarados como dinheiro em espécie não se presta para comprovar origens de recursos na situação patrimonial do contribuinte, salvo prova inconteste de sua existência no término do ano-base em que tal disponibilidade foi declarada.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO PÚBLICO. VALIDADE.
É de se acatar as informações constantes em documento público, quando não foram apontados indícios de sua falsidade.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14.
Aplicação da Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2202-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração do mês de dezembro de 2007, o valor de R$1.850.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fillipe Leal Leite Néas, OAB/DF 32.944.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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TEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POR EDITAL NULA. PRINCÍPIOS DA BOAFÉ OBJETIVA E DA AMPLA DEFESA. É nula a intimação realizada por edital quando a feita por via postal foi enviada para endereço diverso daquele que foi utilizado pelo próprio Fisco nas intimações efetuadas durante e após a ação fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. O acréscimo patrimonial a descoberto somente pode ser justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, mediante provas firmes e seguras da sua existência. Para justificar os recursos no fluxo financeiro mensal com lucros distribuídos de empresas das quais o contribuinte seja sócio é necessário prova inequívoca da efetiva existência e da transferência do dinheiro, sendo que o ônus da prova cabe a quem alega possuir os recursos. Valores declarados como dinheiro em espécie não se presta para comprovar origens de recursos na situação patrimonial do contribuinte, salvo prova inconteste de sua existência no término do anobase em que tal disponibilidade foi declarada. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO PÚBLICO. VALIDADE. É de se acatar as informações constantes em documento público, quando não foram apontados indícios de sua falsidade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. Aplicação da Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 29 27 /2 01 1- 61 Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da infração do mês de dezembro de 2007, o valor de R$1.850.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fillipe Leal Leite Néas, OAB/DF 32.944. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1.355 a 1.370), interposto em 13 de agosto de 2012, contra o acórdão de fls. 1.309 a 1.322, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do auto de infração de fls. 2 a 11, lavrado em 13 de setembro de 2011, em decorrência de duas infrações: 001 omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; 002 – acréscimo patrimonial a descoberto, verificadas nos anoscalendário de 2006 e 2007. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 12 a 43), a fiscalização foi iniciada com a tentativa de intimação do contribuinte em 23/12/2009, por meio do Termo de Intimação Fiscal de nº 332/2009, por via postal, com aviso de recebimento, para o endereço constante do cadastro CPF: Rua Santa Catarina, 1327, ap. 502, Belo Horizonte/MG. Os Correios devolveram a intimação fiscal com a informação de "mudouse". Em 21/01/2009, o fiscalizado foi novamente intimado por meio do mesmo termo de intimação, enviado por via postal, com aviso de recebimento, no endereço da firma individual DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR, na Rua A, nº 100, Bairro Industrial do Jatobá, Belo Horizonte/MG. Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.722927/201161 Acórdão n.º 2202003.008 S2C2T2 Fl. 1.374 3 A partir daí, durante a ação fiscal, todas as intimações foram enviadas para esse endereço da firma individual do contribuinte, sendo que o Termo de Intimação Fiscal n° 427/2010 foi encaminhado tanto para o endereço da empresa como para o endereço por ele informado no curso da ação fiscal: Estrada Dario Manoel Cardoso, Lote 134 e 135, Bairro ingleses do Rio Vermelho, Florianópolis/SC. Nesse suposto endereço residencial, a correspondência foi devolvida pelos Correios com a indicação de número inexistente. A intimação, porém, foi recebida no endereço empresarial. Após análise das informações prestadas pelo contribuinte, foi efetuado lançamento de ofício relativo a duas infrações: 001 omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, em relação a recebimentos de sua esposa, Luciane Parma Pinto, da empresa individual DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR; 002 – acréscimo patrimonial a descoberto, verificadas nos anoscalendário de 2006 e 2007, conforme "Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal" (fls. 44 a 94). O contribuinte apresentou impugnação, na qual alega o seguinte, conforme descrito no relatório do acórdão de impugnação: DA EFETIVA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS O impugnante é pessoa física, titular da firma individual denominada DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR, CNPJ 01.436.162/000130. Relevante parte do acréscimo patrimonial apontado pela fiscalização se deve à desconsideração de valores provenientes da firma individual e disponibilizados diretamente a terceiros, ainda que em benefício ou em favor do contribuinte. Tal circunstância não infirma a conclusão de que houve efetiva distribuição de lucros ao autuado. A pessoa natural que constitui a firma individual não tem a sua personalidade cindida entre uma pessoa física e outra jurídica. Há que se ter em conta que o patrimônio relacionado ao uso privado, bem como aquele que guarda vínculo com o exercício da atividade empresarial, pertence à pessoa natural titular da firma individual. Se o patrimônio é comum e tratandose de firma individual, o resultado da atividade (lucro) se confunde com rendimentos e proventos disponíveis para a pessoa física. Conforme entendimento jurisprudencial, a empresa individual não se reveste de personalidade jurídica. O seu titular é que atua em próprio nome e por sua conta e risco. A confusão no tocante à autonomia da empresa individual se origina da sua equiparação com a pessoa jurídica, unicamente para fins fiscais, nos termos art. 150, § 1º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999. Com efeito, a legislação tributária não tem o condão de instituir ou criar a personalidade jurídica, definição que advém unicamente do Código Civil Brasileiro (art. 40 e seguintes). A recomposição contábil ora apresentada revela com clareza a licitude da conduta do contribuinte, afastando a imputação atacada. DA INEXISTÊNCIA DE RENDIMENTOS OMITIDOS DE DEPENDENTE As transferências de recursos da firma individual DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR para as contas bancárias de Luciene Parma Pinto, à época esposa do impugnante, se deram por conta e ordem do titular da firma para fazer face às despesas gerais e cotidianas do casal. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Se o patrimônio da firma individual se confunde com o da pessoa física porque a empresa individual não tem personalidade jurídica, havendo lucro naquela, o direcionamento de recursos à então esposa do impugnante, titular da firma individual, se confunde com a disponibilidade, a este, dos respectivos rendimentos. DOS EQUÍVOCOS NA APURAÇÃO DA EVOLUÇÃO PATRIMONIAL A fiscalização se equivocou ao considerar como tendo sido efetuado em janeiro de 2006 o pagamento do valor de R$400.000,00 referente ao terreno situado na estrada geral para o Canto da Lagoa, distrito de Lagoa da Conceição, em FlorianópolisSC. É que embora a escritura pública tenha sido lavrada em 12/01/2006, o pagamento se deu da seguinte forma: R$250.000,00 por meio do cheque nº 850018, conta 13.6966, agência 3185 do Banco do Brasil, em 01/06/2005; R$250.000,00 mediante a entrega de um automóvel BMW X5, em 03/06/2005, e R$250.000,00 em moeda corrente, em 09/06/2005, conforme comprovado pelo recibo passado em 10/06/2005 concomitante à assinatura do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda. Relativamente ao veículo FERRARI SPIDER 360, o Fisco também incorreu em equívoco quanto ao valor do bem adquirido em 2006. O valor de aquisição do veículo foi de R$850.000,00 e não de R$1.334.700,00 como considerado no demonstrativo da variação patrimonial. A fiscalização foi induzida a erro, pois, em resposta a ofício, a empresa Ilhas do Sul Revenda de Barcos Ltda informou a RFB o valor de aquisição pelo contribuinte de veículo distinto (FERRARI, CHAL STRADALLE/2005, PLACA GDF 0007). Não andou bem o Fisco ao reputar como incorrido no anocalendário 2007, o dispêndio equivalente ao aumento de capital efetuado pelo contribuinte na firma individual DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR, no valor de R$1.850.000,00. É que como se depreende do Requerimento de Empresário firmado pelo contribuinte perante o Registro Nacional do Comércio, para fins do precitado aumento de capital, o referido documento foi formalmente protocolizado em 16/01/2008. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DOS RECURSOS FINANCEIROS DISPONÍVEIS DECLARADOS Para fins do levantamento fiscal, foram desconsiderados recursos financeiros disponíveis do autuado acumulados ao longo dos anos e devidamente declarados no final do anocalendário 2005, início de 2006, no valor de R$2.000.000,00, uma vez que sua origem não teria sido comprovada. Além do lançamento em comento, o contribuinte sofreu ação fiscal relativa ao ano calendário 2005, em decorrência de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. O crédito tributário formalizado foi devidamente quitado. É preciso averiguar os efeitos do lançamento de ofício, em relação ao ano calendário 2005, especialmente quanto aos recursos financeiros disponíveis em caixa. Se a premissa da autuação anterior é a existência de incremento patrimonial, a qual homologa o próprio lançamento do crédito tributário, tomando os fatos a ele relacionados incontroversos para a administração, forçoso é reconhecer que entre esses fatos se encontra o próprio acúmulo de recursos financeiros disponíveis ao final de 2005, por se tratar de um dos elementos do aumento patrimonial que foi objeto de investigação e, ao final, reconhecido como incorrido, sem retificação específica neste ponto. Desse modo, é defeso à RFB, neste momento, desconsiderar os recursos financeiros acumulados (dinheiro em espécie) registrados na DIRPF do anobase 2006. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.722927/201161 Acórdão n.º 2202003.008 S2C2T2 Fl. 1.375 5 Também não se pode perder de vista que os recursos financeiros acumulados no início de 2006 estão compostos de parcelas que foram obtidas em anos anteriores a 2005, já alcançados pela decadência. Ademais, não é lícito imputar ao sujeito passivo falta de pagamento de IRPF fundada em omissão de rendimentos pela constatação de acréscimo patrimonial a descoberto derivada da não comprovação da origem de recursos mantidos em Caixa (dinheiro em espécie), haja vista que não tem o contribuinte a obrigação legal de manter consigo documentos de interesse fiscal relativos a fatos geradores cujo crédito tributário já foi fulminado pela decadência. DA ILEGITIMIDADE DA MULTA QUALIFICADA O Fisco não logrou comprovar, no caso dos autos, fraude, dolo ou simulação. Em última análise e quando muito, estamos diante de mera omissão de rendimentos que de acordo com manifestações do Conselho de Contribuintes não pode ensejar a qualificação da multa de ofício. DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS SOBRE PENALIDADES PECUNIÁRIAS Deve ser afastada a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício aplicada. A expressão “crédito tributário” constante do art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN abrange tão somente o tributo. Ao estabelecer que “O crédito não integralmente pago no vencimento” está o CTN se referindo ao tributo não recolhido no dia de seu vencimento ou ao tributo recolhido a menor, até mesmo porque a penalidade (multa) somente surge em um segundo momento, qual seja, o não pagamento do tributo. O caput do art. 161 do CTN também deixa claro que o “crédito” será acrescido de juros de mora “... sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Seria uma redundância admitir que a expressão “crédito tributário” abarcaria tanto o tributo (valor do principal) quanto as penalidades pecuniárias, pois, em sendo assim, estarseá admitindo a incidência de multas sobre multas. O tributo não integralmente pago no vencimento ensejará: a imputação dos juros moratórios, como forma de recompor a lesão perpetrada contra o patrimônio estatal e a imposição das penalidades cabíveis, a exemplo da multa moratória ou de ofício. Se tais penalidades já tivessem incluídas na palavra “crédito” (primeira parte do art. 161 do CTN), não haveria razão de ser para ressalva contida na parte final do dispositivo, no sentido de que a imposição dos juros moratórios se dará “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Mesmo que se considerarmos que o art. 161 do CTN permite a incidência de juros sobre multa, fato é que a legislação federal específica em nenhum momento determinou tal procedimento. A simples previsão no CTN da suposta possibilidade de incidência dos juros moratórios sobre o crédito tributário não é suficiente para permitir que a Administração Pública assim proceda, posto que a função precípua da lei complementar é trazer normas gerais sobre matéria tributária, sem, contudo, criar Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 obrigações – e respectivas sanções por seu descumprimento , matéria esta de competência de cada um dos Entes Federados. A União Federal editou a Lei nº 9.430, de 1996, cujo art. 61 foi claro ao mencionar que os juros de mora incidiriam sobre “...débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997”. A par das hipóteses previstas no art. 43 da citada lei, não há como fazer incidir a Selic sobre multas aplicadas de ofício, razão pela qual é evidente o direito da autuada de não serem computados juros de mora sobre penalidades. Por fim, requer que seja julgada procedente a impugnação, para ser reconhecida a insubsistência do auto de infração, ou, sucessivamente, seja reduzida a multa de ofício para 75% do valor do crédito tributário constituído e afastada a incidência da Selic sobre a multa de ofício. Ao julgar a impugnação do contribuinte, a DRJ/BHE concluiu pela procedência em parte da impugnação, para excluir os valores de R$ 2.950,00 e R$ 49.331,33, lançados como omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, nos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente. Foi mantida a exigência relativa à outra infração, de omissão de rendimentos referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de janeiro a dezembro de 2006 e nos meses de janeiro, março a abril e julho a dezembro de 2007. O recorrente teve ciência do acórdão da DRJ/BHE em 1º de maio de 2012, por meio de edital afixado em 16 de abril de 2012 (fl. 1.332). A intimação enviada por via postal ao endereço cadastral do contribuinte foi devolvida pelos correios com a informação de que o destinatário “mudouse” (fls. 1.328 e 1.329 e 1.343 a 1.345). Em 22 de junho de 2012, foi lavrado Termo de Perempção (fl. 1.334), pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte (MG), tendo em vista haver transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias sem que o contribuinte tivesse apresentado recurso da decisão de primeira instância. O contribuinte foi intimado, em 13/04/2012, a efetuar o recolhimento dos débitos, por meio da Carta Cobrança nº 1807/2012 (fls. 1.340 a 1.347), que foi dirigida para o endereço da empresa. Por meio de procurador legalmente habilitado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 1.355 a 1.370, em 13/08/2012, no qual repisa os argumentos da impugnação, em relação às infrações mantidas pela decisão de primeira instância, exceto quanto às aquisições dos veículos Ferrari, que não são abordadas no recurso. Ao final, requer a total improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação, para excluir os valores de R$ 2.950,00 e R$ 49.331,33, Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.722927/201161 Acórdão n.º 2202003.008 S2C2T2 Fl. 1.376 7 lançados como omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, nos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente. Tempestividade Cabe, inicialmente, a análise da tempestividade do recurso interposto. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: [...] IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; [...] Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 1º de maio de 2012, conforme edital publicado (fl. 1.332). Assim, ao apresentar o recurso voluntário (fls. 1.355 a 1.370) somente em 13 de agosto de 2012, estaria exaurido o prazo legal de trinta dias. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 No entanto, percebese que a ação fiscal foi iniciada com o envio do termo de início para o domicílio tributário do contribuinte, Rua Santa Catarina, 1327, Ap. 502, Lourdes, Belo Horizonte/MG. Tendo em vista que a correspondência foi devolvida pelos Correios com a informação de "mudouse", a Fiscalização passou a remeter os termos para o endereço da empresa individual do contribuinte, situada na Rua A, nº 100, Distrito Industrial de Contagem/MG, as quais surtiram os efeitos de efetiva ciência, pois o contribuinte sempre respondeu às intimações. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte enviou a intimação com o resultado do acórdão de impugnação para o endereço da pessoa física constante do cadastro, embora já fosse do conhecimento do Fisco que o contribuinte não mais residia naquele endereço e que as demais intimações, enviadas ao outro endereço da empresa individual , haviam surtido efeito. Assim, mesmo que se tivesse enviado a intimação do resultado da decisão da DRJ para aquele endereço da pessoa física constante do cadastro CPF, quando do retorno da correspondência pelos Correios com a informação de que o destinatário havia se mudado, a DRF deveria ter tido o cuidado de enviála para o endereço para onde foram todas as intimações que o contribuinte recebeu, ou seja, o da empresa, e não ter partido logo para a intimação por edital. Portanto, o contribuinte foi surpreendido quando recebeu a Carta Cobrança nº 1807/2012 em 13/04/2012 (fls. 1.340 a 1.347), no endereço da empresa, intimandoo a efetuar o recolhimento dos débitos, quando já havia sido ultrapassado o prazo legal para recurso. Dessa forma, em respeito aos princípios da boafé objetiva e da ampla defesa, entendo que fica sem efeito a citação efetuada por edital e o recurso voluntário interposto deve ser conhecido. Mérito DAS ORIGENS DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS O contribuinte declarou ter recebido R$ 1.800.000,00 no anocalendário de 2006 e R$ 3.500.000,00 no anocalendário de 2007, como rendimentos isentos e não tributáveis. Mediante análise dos extratos bancários da empresa e da sua conta particular, apresentados pelo contribuinte de forma incompleta, a autoridade fiscal conseguiu identificar algumas transferências da empresa individual DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR para a conta particular, as quais foram consideradas como distribuição de lucros da empresa. Também foram considerados como lucros distribuídos os pagamentos de contas em nome do contribuinte e efetuados pela empresa, tais como aquisições de veículos e IPTU. Os valores encontramse demonstrados nas planilhas de fls. 44 a 94, anexas ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 12 a 43). A autoridade fiscal desconsiderou os valores de supostas distribuições de lucros da empresa individual, os quais não foram comprovados pelo contribuinte e que correspondem a R$ 479.731,58 no anocalendário 2006 e R$ 2.901.363,43 no anocalendário 2007. O recorrente alega que a empresa individual não possui personalidade jurídica e confundese com a pessoa física, razão pela qual o patrimônio é comum e o resultado da atividade (lucro) encontrase disponível para ambos. Assim, defende que a Fiscalização Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.722927/201161 Acórdão n.º 2202003.008 S2C2T2 Fl. 1.377 9 incorreu em erro, pois não considerou como lucro distribuído os dispêndios realizados pela empresa individual a terceiros, por conta e ordem do titular (recorrente). Não lhe assiste razão neste ponto, visto que o recorrente não logrou comprovar, com documentos hábeis e idôneos, que os valores não considerados pela Fiscalização como lucros distribuídos foram de fato utilizados em seu benefício. Ressaltese que, durante a ação fiscal, o contribuinte foi por diversas vezes intimado a comprovar as origens de seus recursos e não atendeu de forma satisfatória, consoante se verifica pelos termos acostados aos autos e pela descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal. O recorrente também não apresentou na impugnação nem no recurso voluntário documentos que comprovem as suas alegações. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". Temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Em igual perspectiva, temos o art. 333 do CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Não se pode perder de vista que, quando não está presente nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção [...] Portanto, devem ser afastadas as alegações do recorrente nessa questão, estando correto o procedimento da autoridade fiscal. DOS DISPÊNDIOS Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 a) pagamento do terreno situado no Distrito da Lagoa da Conceição, em Florianópolis/SC. Alega o recorrente que o efetivo pagamento do terreno situado na estrada geral para o Canto da Lagoa, Distrito da Lagoa da Conceição, em Florianópolis/SC, ocorreu nas seguintes datas, 1º, 3 e 9 de junho de 2005 e da seguinte forma: R$ 250.000,00, por meio do cheque nº 850.018, conta nº 13.6956, agência 3185, do Banco do Brasil; entrega de um automóvel no valor de R$ 250.000,00 e o restante, R$ 155.000,00 em moeda corrente, conforme recibo passado em 10/06/2005, concomitantemente à assinatura do Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda. Assim, esse valor da venda não poderia ser utilizado na evolução patrimonial do anocalendário de 2006. No intuito de comprovar o alegado, o recorrente apresentou o recibo de fl. 1.236. Observase que o recibo apresentado foi assinado mediante procuração, não sendo possível sequer a identificação do procurador, assim como não consta dos autos nenhuma prova da efetiva transferência dos recursos financeiros. Essa transação não foi declarada pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual e também não foi apresentado nenhum documento que comprove a transferência do veículo BMW X5 para os vendedores do imóvel, no valor alegado de R$ 250.000,00. Assim, não há como acatar os argumentos do contribuinte e deve ser mantido esse dispêndio na planilha de evolução patrimonial, conforme apurado pela Fiscalização. b) aumento de capital da empresa individual DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR Aduz o recorrente que o dispêndio para aumentar o capital da empresa individual DOUGLAS DOS SANTOS AGUIAR, no valor de R$ 1.850.000,00, resultante de lucros acumulados, somente se deu em 16/01/2008, conforme documento apresentado ao Registro Nacional do Comércio (fls. 312 a 318), e não em 2007, como apurou a Fiscalização com base em informação da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2008, a qual decorreu de equívoco do contribuinte quando do seu preenchimento. Verificase que o documento "Requerimento de Empresário", à fl. 317, foi assinado pelo contribuinte (empresário) em 08/01/2008 e registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 16/01/2008, dentro do prazo legal. A Lei 8.934, de 18 de novembro de 1994, assim dispõe: Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; II cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no País e manter atualizadas as informações pertinentes; III proceder à matrícula dos agentes auxiliares do comércio, bem como ao seu cancelamento. [..] Art. 32. O registro compreende: Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.722927/201161 Acórdão n.º 2202003.008 S2C2T2 Fl. 1.378 11 [...] II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; [...] Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Embora o contribuinte tenha informado esse aumento do capital social em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2008 (anocalendário de 2007), ele alega que cometeu um equívoco no seu preenchimento. Tendo em vista que o documento "Requerimento de Empresário" é oficial e foi formalizado perante o Registro Nacional do Comércio, entendo que somente se poderia duvidar da sua veracidade se fossem encontrados fortes indícios de alguma falsidade, o que não restou demonstrado nos presentes autos. Assim, em respeito à verdade material, entendo que essa aplicação, relativa ao aumento de capital, deve ser computada apenas no anocalendário de 2008. Dessa forma, deve ser reduzido o valor de R$ 1.850.000,00 dos dispêndios do mês de dezembro de 2007, o que resultará em um acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 50.121,56 naquele mês (R$ 1.900.121,56 R$ 1.850.000,00). c) Recursos financeiros declarados na DAA (dinheiro em espécie) Foram desconsiderados pela fiscalização os recursos financeiros (dinheiro em espécie) declarados na Declaração de Ajuste Anual DAA do contribuinte do exercício de 2006, no valor de R$ 2.000.000,00, tendo em vista a falta de comprovação. O recorrente alega que foi fiscalizado no anocalendário de 2005, sendo autuado pela infração de acréscimo patrimonial a descoberto e naquela oportunidade toda e qualquer hipótese de evolução patrimonial já foi verificada. Defende que o acúmulo de recursos financeiros, no final do ano de 2005, foi objeto de investigação e reconhecido como incorrido, o que impede que a Fiscalização possa vir agora desconsiderar esses recursos. Afirma, ainda, que esses recursos financeiros foram acumulados ao longo de anos e que o Fisco não pode desconsiderar como origem valores relativos a anoscalendário anteriores, aos quais não lhe é mais possível efetuar o lançamento, em virtude da decadência. Em relação ao anocalendário de 2005, verificase que a quantia declarada como dinheiro em espécie, no valor de R$ 2.000.000,00, não foi considerada como aplicação na ação fiscal relativa àquele ano, consoante demonstrativo de fl. 1.270, diferentemente do que alega o recorrente. Também não há que se falar em decadência, uma vez que estamos nos referindo ao anocalendário de 2006 e a ciência do auto de infração ocorreu em 13/09/2011, dentro do prazo legal de 5 anos. Quanto à alegada origem dos valores, relativa a anos Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 calendário anteriores e supostamente atingidos pela decadência, é de se ressaltar que a tributação aqui discutida não se refere a rendimentos, mas sim a acréscimo patrimonial ocorrido nos anos de 2006 e 2007. A exigência da Fiscalização diz respeito à comprovação de um ativo (dinheiro em espécie) existente em dezembro de 2005 e não à tributação de rendimentos anteriores. Quanto à efetiva existência dos valores em espécie, o argumento do contribuinte é frágil e não há como acolhêlo. A simples informação na DAA do exercício de 2006, sem prova da sua realidade, não é aceitável, notadamente quando se trata de uma quantia de 2 milhões de reais. Cabe ao contribuinte provar a existência desse numerário em seu poder, mediante comprovantes de saques bancários, cheques descontados ou recebimentos em espécie, pois não é usual se manter um volume de dinheiro dessa monta fora do sistema bancário. É de se destacar que, se o Fisco, na apuração da evolução patrimonial do ano de 2005, não acolheu esse valor declarado, que seria a seu favor, não poderia agora aceitálo a favor do contribuinte. Caso esse valor tivesse sido considerado como verdadeiro pela Fiscalização na ação fiscal anterior, o contribuinte teria sofrido um acréscimo patrimonial a descoberto bem superior ao que foi lançado, relativo ao ano de 2005. Não estando presente nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção [...] Desse modo, entendo como correto o procedimento do Fisco de não acatar esses recursos financeiros (dinheiro em espécie) como origens na apuração da evolução patrimonial. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA O lançamento foi efetuado com a multa qualificada, pois a autoridade fiscal entendeu que ocorreu sonegação e fraude fiscal, enquadradas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. A penalidade aplicada teve como fundamento o artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.722927/201161 Acórdão n.º 2202003.008 S2C2T2 Fl. 1.379 13 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Verificase que as condutas acima descritas exigem do sujeito passivo o dolo, em razão de uma ação ou omissão tendente a causar dano à Fazenda Pública, tendo como objetivo a subtração total ou parcial de uma obrigação tributária. Na presente situação, entendo que não restou comprovada uma conduta do contribuinte que caracterize evidente intuito de fraude, como pretende a autoridade lançadora, tratandose de um caso de simples omissão de receitas. Assim, não restando demonstrada a existência de dolo por parte do sujeito passivo, descabe a qualificação da multa de oficio em 150%, devendo ser reduzida para 75%, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. É o caso de se aplicar a Súmula CARF nº 14, que dispõe: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação.da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sobre a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao se referir aos juros incidentes sobre os débitos para com a União, incluiu o tributo e a multa de ofício, pois a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.191, de 17/10/2011, Redator Designado Claudemir Rodrigues Malaquias) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101000.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Viviane Vidal Wagner) No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendido que são devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12). (grifo nosso). Portanto, é de se manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento para excluir da base tributável do mês de dezembro de 2007 o valor de R$ 1.850.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13738.001497/2007-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 12/12/2007
Ementa:
MATÉRIA CONSTITUCIONAL.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Afastada a tese de nulidade por não constar vício na fundamentação legal da multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por maioria de votos, em negar provimento ao recurso na questão da nulidade do lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator) e Ewan Teles Aguiar. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari No mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Afastada a tese de nulidade por não constar vício na fundamentação legal da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado Crédito tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por maioria de votos, em negar provimento ao recurso na questão da nulidade do lançamento por vício material. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto (relator) e Ewan Teles Aguiar. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari No mérito: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Relator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 14 97 /2 00 7- 95 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13738.001497/200795 Acórdão n.º 2403002.909 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, nº 1222.154, fls. 69/76, que julgou improcedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.124.5052, referente ao período de 01/01/2003 a 31/01/2003, no valor de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de multa pelo fato de o contribuinte ter declarado contribuição previdenciária de segurado empregado com valor superior ao devido, de acordo com a aplicação da alíquota definida pela tabela presente no art. 20 da Lei 8.212/91, conforme Relatório Fiscal, fls. 11/12: 01 Apresentou a empresa, o documento a que se refere o inc. IV, art. 32, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, em desconformidade com as formalidades especificadas no respectivo Manual de Orientação. 02 Declarou contribuição previdenciária de segurado empregado com valor superior ao devido, de acordo com a aplicação da alíquota definida pela tabela definida no art. 20 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e suas alterações, como segue: ... 01.2 A alíquota válida para a competência 01/2003 é de 11% (onze por cento) para a faixa de salários compreendida entre R$ 780,79 (setecentos e oitenta reais e setenta e nove centavos) até o teto correspondente a R$ 1.561,56 (um mil e quinhentos e sessenta e um reais e cinqüenta e seis centavos) 03 Dispositivo Lega Infringido: §§ 1º e 3º, inc. IV, art. 32, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; combinado com o inc. IV, art. 225, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. A agravante da multa prevista no art. 290, inc. V do RPS, decorre de reincidência genérica, tendo em vista os DEBCADs 35.132.1802, 35.132.1810, 35.132.1829, 35.132.1837, de acordo com registro de fls. 13/17. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 60/64. DO ACÓRDÃO DA DRJ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Após analisar os argumentos do então impugnante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJOI, prolatou o Acórdão nº 12 22.154 de fls. 69/76, a qual julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO EM DESCONFORMIDADE COM O RESPECTIVO MANUAL DE ORIENTAÇÃO. Nos termos do artigo 32, IV, parágrafos 1º e3º da Lei 8.212/91, cumulado com o art. 225, IV do RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99, constitui infração passível de infração, apresentação de GFIP em desconformidade com o respectivo manual de orientação. Lançamento Procedente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformado, a recorrente, FRIBURGAUTO LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, contestando a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 81/99, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1) A inconstitucionalidade da Lei 8.212/91; 2) A inexistência de pagamento em desconformidade com o dispositivo legal. 3) A natureza confiscatória da multa. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13738.001497/200795 Acórdão n.º 2403002.909 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.104, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 2 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidade se não estiverem as exceções acima. DA NULIDADE POR ERRO DE CAPITULAÇÃO LEGAL Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Relata a autoridade fiscal que o sujeito passivo declarou contribuição previdenciária de segurado empregado com valor superior ao devido, de acordo com a aplicação da alíquota definida pela tabela definida no art. 20 da Lei nº 8.212/91. Tal fato ensejou a adequação ao disposto no art. 32, §§ 1º e 3º, inciso IV, da Lei 8.212/91; combinado com o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. Apesar de restar caracterizada a infração à legislação, entendo que houve erro de tipificação em razão de a portaria utilizada para majorar a multa acima não ser contemporânea à falta. O valor correspondente à imputação da presente multa se deu pela Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007, vigente à época da lavratura do auto de infração em epígrafe. Entretanto, conforme pode ser verificado, o lançamento ocorreu na competência 12/2007, referindose, no entanto, a fatos geradores do ano de 01/2003. Portanto, deve ser utilizada, no que concerne à atualização do valor da multa nos termos da Portaria MPS/MF vigente à época dos fatos, no caso, a Portaria MPAS N.º 525, de 29 de maio de 2002, em consonância com o disposto no art. 144 do CTN, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Inobstante o referido artigo fazer referência à lei, temse que o conteúdo ali contido também se estende às demais espécies normativas que compõem a legislação tributária, claramente definidos no art. 96, a seguir transcrito: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Portanto, deveria ter sido verificada a Portaria Interministerial, que determinou a atualização do valor constante no art. 283, II, “a”, do RPS, em vigor à época da ocorrência do fato gerador, fato o qual ensejo o erro de capitulação legal da multa aplicável. Por fim, com relação à extensão da declaração de nulidade, destaquese que o vício em questão é material, por atingir um dos pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional, in casu, a determinação da matéria tributável. Nesse sentido, esta Segunda Seção já julgou desta forma no Recurso Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 10808.174 de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13738.001497/200795 Acórdão n.º 2403002.909 S2C4T3 Fl. 5 7 interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Portanto, deve ser o presente auto anulado por vício material, ante o erro de capitulação legal da multa aplicável, uma vez que a portaria de atualização da multa é posterior aos fatos geradores. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, para declarar a nulidade por vício material ante o erro de capitulação legal quanto à multa aplicada. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13738.001497/200795 Acórdão n.º 2403002.909 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Vencedor Apresento este voto por discordar do relator na questão da capitulação legal, mais especificamente, acerca da determinação do valor da multa. Foi considerada como data do fato gerador da infração da obrigação acessória a data da lavratura do auto de infração. A autuação foi efetuada em 12/12/2007 e toda fundamentação legal era a vigente nessa data. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, folha 11, apresenta a fundamentação legal utilizada. 01 Em decorrência da infração praticada está sendo aplicada a multa cabível, nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; § 3º e "caput" , art. 283 e do art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999; combinados com o Inc. V, Art. 9º, da Portaria MPS/GM, no 142, de 11/04/2007, publicada no Diário Oficial da União DOU nº 70, de 12/04/2007, seção 1, página 45. A multa foi aplicada conforme o artigo 92 da Lei 8.212/91 e artigo 283, § 3º do Decreto 3048/99. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 §3ºAs demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). A atualização do valor da multa segue o determinado no artigo 102 da Lei 8.212/91, no artigo 373 do Decreto 3048/99 e o artigo 9º, inciso V da Portaria MPS/GM, no 142/2007,. Lei 8.212/91 Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto 3048/99 Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. PORTARIA MPS Nº 142, DE 11 DE ABRIL DE 2007 DOU DE 12/04/2007 O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, daConstituição Federal, considerando asEmendas Constitucionais nº 20, de 15 de dezembro de 1998enº 41, de 19 de dezembro de 2003, que modificaram o sistema de previdência social; considerando aLei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui o Plano de Custeio; considerando aLei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que institui os Planos de Benefícios da Previdência Social, especialmente o art. 41A, que definiu o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC como fator de correção para o reajustamento do valor dos benefícios; considerando a Medida Provisória nº 362, de 29 de março de 2007, que dispõe sobre o salário mínimo a partir de 1º de abril de 2007; considerando o disposto no art. 40 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, na redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, resolve: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13738.001497/200795 Acórdão n.º 2403002.909 S2C4T3 Fl. 7 11 a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); CONCLUSÃO Voto contra a tese da nulidade por entender correta a fundamentação legal aplicada. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 18470.723301/2012-86
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS COMO RENDIMENTOS ISENTOS. RECLASSIFICAÇÃO PELO FISCO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO.
É o legítimo o lançamento de omissão de rendimentos tributáveis quando constatado que todo ou em parte foram declarados como isentos.
IRPF. BENEFÍCIOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Os benefícios de previdência privada, recebidos por portador de moléstia grave comprovada com laudo emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto de renda pessoa física.
IRPF. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os resgates de contribuições para planos de previdência privada efetuados por portador de moléstia grave não são isentos do imposto de renda.
IRPF. BENEFÍCIOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUINTE SEM AÇÃO JUDICIAL. PARCELA RELATIVA ÀS CONTRIBUIÇÕES DO PERÍODO DE JANEIRO DE 1989 A DEZEMBRO DE 1995, CUJO ÔNUS TENHA SIDO, EXCLUSIVAMENTE, DO DECLARANTE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. EFEITO VINCULANTE PARA RECEITA FEDERAL.
A parcela dos benefícios de previdência privada que se refere às contribuições do período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, cujo ônus tenha sido, exclusivamente, do declarante são isentas. Tendo sido definida em Instrução Normativa, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a forma de comprovação do valor que atende à referida condição, e o contribuinte atendido ao procedimento previsto, deve-se reconhecer o direito a isenção sobre o valor comprovado e informado, na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos isentos e não tributáveis. A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil tem efeito vinculante para os seus órgãos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. ANÁLISE DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMALIZADO NO CURSO DO CONTENCIOSO.
Não se conhece de pedido de restituição formalizado no curso do contencioso administrativo. Os efeitos da decisão no processo administrativo estão limitados ao lançamento contestado.A apreciação do referido pedido de restituição cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS COMO RENDIMENTOS ISENTOS. RECLASSIFICAÇÃO PELO FISCO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO. É o legítimo o lançamento de omissão de rendimentos tributáveis quando constatado que todo ou em parte foram declarados como isentos. IRPF. BENEFÍCIOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os benefícios de previdência privada, recebidos por portador de moléstia grave comprovada com laudo emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto de renda pessoa física. IRPF. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os resgates de contribuições para planos de previdência privada efetuados por portador de moléstia grave não são isentos do imposto de renda. IRPF. BENEFÍCIOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUINTE SEM AÇÃO JUDICIAL. PARCELA RELATIVA ÀS CONTRIBUIÇÕES DO PERÍODO DE JANEIRO DE 1989 A DEZEMBRO DE 1995, CUJO ÔNUS TENHA SIDO, EXCLUSIVAMENTE, DO DECLARANTE. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. INSTRUÇÃO NORMATIVA. EFEITO VINCULANTE PARA RECEITA FEDERAL. A parcela dos benefícios de previdência privada que se refere às contribuições do período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, cujo ônus tenha sido, exclusivamente, do declarante são isentas. Tendo sido definida em Instrução Normativa, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a forma de comprovação do valor que atende à referida condição, e o contribuinte atendido ao procedimento previsto, devese reconhecer o direito a isenção AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 33 01 /2 01 2- 86 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 sobre o valor comprovado e informado, na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos isentos e não tributáveis. A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil tem efeito vinculante para os seus órgãos. PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. ANÁLISE DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMALIZADO NO CURSO DO CONTENCIOSO. Não se conhece de pedido de restituição formalizado no curso do contencioso administrativo. Os efeitos da decisão no processo administrativo estão limitados ao lançamento contestado.A apreciação do referido pedido de restituição cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2011, anocalendário 2010, decorrente de a autoridade fiscal ter apurado que o valor dos rendimentos tributáveis que contribuinte declarou como recebido da Fundação dos Economiários Federais – FUNCEF era R$61.481,35 inferior ao que esta fonte pagadora informou na Declaração de Rendimentos Pagos e Retenção na Fonte DIRF (fls. 10). O imposto apurado foi acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora (fls. 12). Na impugnação, o contribuinte alegou que a verba tem caráter indenizatório, em virtude da redução de benefícios; que já foi tributado na fonte, no período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995; que tem direito à correção monetária em consonância com a Súmula 289 do STJ e demais jurisprudências, que reconhecem seu direito no limite do montante correspondente às contribuições efetuadas pelos beneficiários no período de janeiro de 1989 a Fl. 266DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18470.723301/201286 Acórdão n.º 2802003.349 S2TE02 Fl. 266 3 dezembro de 1995; que corresponde a 10% da reserva matemática pessoal, conforme contracheques anexos; que o valor das contribuições corrigidas pelos índices oficiais atingiu o montante de R$61.481,35, que total da verba é isenta. O contribuinte juntou pedido de restituição (fls. 170), o adendo de fls. 194, laudos médicos, cópia de comprovantes de proventos previdenciários e declaração retificadora que não pode ser transmitida devido à expedição da notificação de lançamento. A impugnação foi indeferida pelos fundamentos abaixo resumidos: a) o valor correspondente ao resgate de contribuições cujo ônus tenha sido do participante decorrente da migração de plano, mesmo à título de “verbas indenizatórias” devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei (que para a hipótese não existe) e de interpretação literal e restritiva, nos termos do art. 111 do CTN; b) embora a parte do resgate correspondente às contribuições efetuadas no período de janeiro/89 a dezembro/95 seja isenta (inciso XXXVIII do art. 39 do RIR1999), o contribuinte tem o ônus de comprovar, documentalmente, que os R$61.481,35 (fls. 209) declarados como isentos tem essa natureza, o que não ocorreu; não há como aceitar as planilhas de fls. 140/142; é ineficaz a alegação desacompanhada de prova; ao contrário do que o impugnante afirma, os demonstrativos de fls. 23/24 certificam o quanto informado em DIRF e confirmado com pesquisas mais recentes (fls. 212/214); c) as súmulas apontadas não possuem efeito vinculante; d) não cabe à DRJ emitir pronunciamento sobre o pedido de restituição juntado, em 25/01/2013 (fls. 170), após a impugnação, conforme art. 233 do Regimento Interno da RFB, e porque tal procedimento configuraria uma revisão de ofício de declaração de rendimentos, o que não é de competência da DRJ; e) a isenção decorrente da moléstia grave abrange tão somente proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, que são recebimentos de forma continuada não correspondendo assim ao recebimento dos resgates de contribuições de previdência nos meses de novembro e dezembro do ano de 2010 (fls. 23 e 24). A ciência do acórdão ocorreu em 06/03/2014 e o recurso voluntário foi interposto no dia 14/03/2014 assentado nas razões adiante sintetizadas: 1. não houve omissão de rendimentos, pois os valores foram informados no campos dos rendimentos isentos e não tributáveis; 2. os contracheques anexados (fls. 28/139) comprovam a retenção do imposto à época, que deve ter os valores atualizados de acordo com planilha às fls. 140/142; 3. a matéria estar regulada pelo §3º do inciso II do art. 3º da IN 1343/2013, entretanto o acórdão recorrido não reconheceu a isenção; 4. a DIRF da FUNCEF referente ao anocalendário e receita 0561, apresenta, embutido indevidamente no mês de novembro, o valor de R$62.405,40, que corresponde às contribuições de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, consistindo em bitributação; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 5. visando a corrigir o erro na DIRF e em atendimento à IN 1343/2013, a FUNCEF disponibilizou extrato das contribuições de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 com a atualização dos valores, visando à retificação da declaração de rendimentos; o que consiste em prova superveniente, cuja juntada se requer na forma das alíneas “a”, “b” e “c” do §4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. 6. é portador de moléstia grave, atestada pelos documentos de fls. 172/173 e laudo pericial de fls. 195, todavia, a expedição da notificação de lançamento impede que o contribuinte retifique a declaração, razão pela qual requer que seja a retificação feita pelo Fisco com os dados do pedido de restituição e simulação de declaração de ajuste anexada; 7. o rendimento de R$89.333,59 denominado “Benefício único Aposentado” referese a antecipação de proventos de aposentadoria (benefício), que é isento em razão da doença grave; 8. há isenção de IRPF, quer seja sobre o total (R$99.915,19), por ser portador de moléstia grave, quer seja pelo valor de R$37.509,79 (referente à diferença entre o valor total e a bitributação apontada acima); 9. foi indevida a multa de ofício pois agiu de boa fé, como preceitua a Súmula CARF nº 14; 10. Requer a anulação do débito fiscal e o desmembramento do pedido de restituição, acompanhado da simulação de restituição anexada com os dados atualizados, que demonstram direito à restituição no valor de R$21.262,89. Requereu prioridade de tramitação com base no Estatuto do Idoso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A infração omissão de rendimentos é representada pelo fato de o contribuinte não declarar rendimentos tributáveis no campo próprio, de forma que não tenha levando rendimentos tributáveis à formação da base de cálculo apurada na Declaração de Ajuste Anual. Tal infração não é descaracterizada com a inclusão dos rendimentos em outro campo da Declaração de Ajuste Anual. O recebimento dos benefícios previdenciários ocorreu a partir de 2010. Não há, nos autos, comprovação de que o recorrente tenha ação judicial em curso, uma vez que nada indica que seja parte nas ações judiciais indicadas como precedentes. Dessa forma, o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil constante da IN RF 1.343/2013 é vinculante para a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Destacamse os art. 1° e 3º. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18470.723301/201286 Acórdão n.º 2802003.349 S2TE02 Fl. 267 5 Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece normas e procedimentos relativos ao tratamento tributário a ser aplicado na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. CAPÍTULO II DO TRATAMENTO A SER APLICADO AOS BENEFICIÁRIOS QUE SE APOSENTARAM ENTRE OS ANOS DE 2008 E 2012 Seção I Do Tratamento a Ser Aplicado aos Beneficiários sem Ação Judicial em Curso Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) I na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do anocalendário de 2012, exercício de 2013, deverão informar o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; II observado o prazo decadencial, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma: III observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. § 1º A entidade de previdência complementar privada deverá informar ao beneficiário da complementação, o valor das contribuições de que trata o art. 1º, devidamente atualizado, na forma prevista no art. 5º.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) § 2º Adotados os procedimentos previstos nos incisos I e II do caput e restando saldo a exaurir, este poderá ser aplicado nas DAA dos exercícios futuros, até o seu exaurimento. § 3º Para o cálculo do montante a ser excluído de tributação, a RFB disponibilizará planilha de cálculo em seu sítio na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br. § 4º Para elaboração e transmissão da declaração retificadora deverão ser utilizados os Programas Geradores da Declaração (PGD), na mesma forma de tributação utilizada e demais orientações, relativos aos exercícios de que trata o inciso II do caput. § 5º Se da declaração retificadora resultar saldo de imposto a restituir superior ao da declaração original, a diferença entre o saldo a restituir referente à declaração retificadora e o valor eventualmente já restituído será objeto de restituição automática, por meio dos lotes mensais de restituição do IRPF, a serem disponibilizados na rede bancária. § 6º Se a retificação resultar em redução de imposto já pago na declaração original, a restituição ou a compensação do imposto pago indevidamente deverá ser requerida mediante a utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço mencionado no § 3º. § 7º O pagamento da restituição ou do imposto pago indevidamente será acrescido de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente a partir do mês de maio do exercício correspondente ao da declaração, ou a partir do mês subsequente ao do pagamento, até o mês anterior ao da restituição, e de 1% (um por cento) no mês em que o crédito for disponibilizado ao contribuinte na rede bancária. § 8º A restituição relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário e ao regime de que trata a Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, no período a que se refere o caput, deverão ser pleiteadas por meio de apresentação do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a ser Fl. 270DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18470.723301/201286 Acórdão n.º 2802003.349 S2TE02 Fl. 268 7 protocolado na unidade do domicílio tributário do sujeito passivo.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) A omissão lançada decorreu de a fonte pagadora ter informado que pagou R$136.304,45 de rendimentos tributáveis, enquanto o contribuinte declarou R$74.823,10. (fls. 10) No detalhamento da DIRF foi registrado: a) pagamento de R$95.682,55, em novembro de 2010, e R$4.232,64, e em dezembro de 2010, a título de rendimentos do trabalho assalariado. (fls. 216), somando R$99.915,19; e b) pagamento de R$36.389,26, em dezembro de 2010, sob a rubrica de resgate de previdência privada (fls. 218). Somadas, as verbas atingiram o montante de R$136.304,45, que foi o total informado na DIRF. Assim, ao apurar a omissão de rendimentos, o lançamento computou tanto os benefícios previdenciários como o resgate de contribuições. Não há comprovação de que seja uma indenização por migração de plano. A natureza desses rendimentos é esclarecida por outros documentos: a) Resgate de contribuições em dezembro de 2010, R$35.644,49, com correção de 744,77, somando valor bruto de R$36.389,26. (fls. 182) b) R$99.915,19 são benefícios recebidos de entidades de previdência privada (Fls. 27); c) o tipo de benefício é “benef Programado Pleno – Reg/REPLAN” e, no comprovante de novembro, consta pagamento do Benefício único Antecipado (R$89.333,59), (fls. 184/185) Esclarecida a questão fática, importa saber se o contribuinte tem direito à isenção sobre os rendimentos recebidos da FUNCEF por ser portador de moléstia grave e/ou em razão de ser fruto das contribuições que suportou de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Da isenção por moléstia grave sobre resgates de previdência privada Nesse ponto, o acórdão recorrido não merece reparo, pois a isenção abrange tão somente proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, não alcança o recebimento dos resgates de contribuições de previdência nos meses de novembro e dezembro do ano de 2010. Nesse mesmo sentido, foi a decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ no AgRg no REsp 1.144.661/SC, cuja ementa é transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS EM FAVOR DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE NEOPLASIA MALIGNA. ART. 6º, INCISOS VII E XIV, DA LEI N. 7.713/1988. LEI N. 9.250/1995 E DECRETO N. 3.000/1999 (RIR/99). A isenção, ou não, do imposto de renda pertinente aos recolhimentos em favor de entidades de previdência privada e aos respectivos resgates, até o ano de 1995, foi disciplinada nos artigos 6º, inciso VII, da Lei n. 7.713/1998, 32 e 33 da Lei n. 9.250/1995. A Primeira Seção, no julgamento do REsp n. 1.012.903/RJ, da relatoria do em. Ministro Teori Albino Zavaski, decidiu que, "por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995". O inciso XIV do art. 6º da Lei n. 7.713/1989 cuida da isenção, apenas, em relação aos "proventos de aposentadoria ou reforma", motivada por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores das doenças graves relacionadas (redação original e alterações das Leis n. 8.541/1992, 9.250/1995 e 11.052/2004), não se aplicando aos recolhimentos ou resgates envolvendo entidades de previdência privada. A partir da publicação do Decreto n. 3.000, de 26.3.1999 (DOU de 17.6.1999), a isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei n.7.713/1989 (inciso XXXIII do art. 39 do Decreto) foi estendida às parcelas pertinentes à complementação de aposentadoria relacionada à previdência privada, quanto aos portadores das doenças graves relacionadas. Precedente da Segunda Turma. Agravo regimental acolhido parcialmente para dar parcial provimento ao recurso especial, reconhecendo como indevida, apenas, a cobrança do imposto de renda sobre o valor do resgate de contribuições correspondentes aos recolhimentos para a entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.1.1989 a 31.12.1995 e a partir da edição da publicação do Decreto n. 3.000/1999 (DOU de 17.6.1999). Da isenção por moléstia grave sobre benefícios de previdência privada. É pacífico o entendimento de que a isenção alcança a complementação de aposentadoria, representada pelos benefícios de previdência privada ((inciso XXXIII c/c §6º do art. 39 do Decreto nº 3.000/1999 – RIR1999; Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 16 de maio de 1996; acórdão nº 10248349, de 29/03/2007, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes; Instrução Normativa SRF n° 15, de 6 de fevereiro de 2001 e Instruções posteriores). Há dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: Fl. 272DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18470.723301/201286 Acórdão n.º 2802003.349 S2TE02 Fl. 269 9 a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão ou complementação de aposentadoria; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). A existência da neoplasia maligna, desde agosto de 2006, é comprovada pelo laudo de fls. 195, emitido pelo Hospital Municipal da Piedade. A natureza de complementação de aposentadoria já foi comprovada alusivamente ao valor de R$99.915,19. O recebimento em parcelas mensais ou de uma única vez não altera a natureza de complementação de aposentadoria. Não cabe ao intérprete adotar requisito não previsto em lei. O contribuinte tem direito à isenção sobre esses rendimentos, que foram erroneamente declarados – ao menos em parte – como tributáveis. Comprovado que o lançamento baseiase em um erro quanto à natureza do rendimento, a questão deve ser corrigida no contencioso, ainda que o erro tenha sido provocado pelo declarante. Labutam nesse sentido, os princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da legalidade da tributação e da autotutela da Administração, princípios inspiradores do processo administrativofiscal. Da isenção da parcela referente às contribuições do período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, cujo ônus foi exclusivamente do declarante. O contribuinte tem direito ao reconhecimento da isenção da parcela do benefício que corresponde às contribuições que verteu ao plano de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Identificar a proporção relativa às contribuições de ônus do declarante no montante resgatado sempre foi uma tarefa complexa, que trazia aos contribuinte grande dificuldade de comprovação, sobretudo porque ficam à mercê da informação da Entidade Previdenciária que discriminasse a reserva matemática. A IN 1.343/2013 foi um avanço em termos de descomplicar a matéria. Todavia, o acórdão recorrido, proferido poucos meses após a entrada em vigor dessa IN, não faz qualquer menção à essa inovação legislativa. Assim, o acórdão combatido indeferiu o direito à isenção por falta de comprovação, cujo ônus é do contribuinte. Com o recurso voluntário, o contribuinte apresenta o extrato de contribuições emitido pela Funcef, que corresponde ao documento previsto no §1º do art. 3º da IN RFB nº 1.343/2013. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Nesse extrato o valor atualizado é de R$62.405,40. O valor informado na Declaração de Ajuste Anual como rendimentos isentos foi de R$61.481,35 (fls. 213), o mesmo valor apurado como omissão de rendimentos. Verificase que o contribuinte adotou os mesmos procedimentos prescritos nas alíneas “a” e “b” do inciso II do art. 3º da referida Instrução Normativa. O lançamento da omissão de rendimentos não merece prosperar. Do pedido de restituição O que a IN 1.343/2013 não previu foi como solucionar o problema da impossibilidade de retificação da declaração por parte do declarante quando este já foi notificado do lançamento. Essa questão interfere nos procedimentos que objetivam formalizar a respectiva restituição. A apresentação de declaração retificadora foi a forma ordinária contemplada na IN 1343/2013. Mas não há um regime jurídico novo para a retificação de Declaração de Ajuste Anual. A solução deve ser a mesma que se adota quando o recorrente indica um erro e não pode retificar: a vedação à retificação da declaração pelo próprio declarante não interfere no poderdever de a Administração Tributária revêla de ofício e de analisar pedido de restituição, consoante a legislação específica. Ocorre, porém, que o contencioso administrativo não se instaurou originariamente em relação ao pedido de restituição, pois não teve relação com o auto de infração. Dessa forma, não se conhece do pedido de restituição formalizado e autuado às fls. 170, que deve ser apreciado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e limitase os efeitos dessa decisão ao lançamento contestado. Diante do exposto, devese conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 274DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10831.003287/2001-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/03/2001
Ementa:
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TRANSCEPTOR OU TRANSCEIVER.
Não tendo, a contribuinte, trazido contraprova que infirmasse as conclusões do perito, deve ser mantida a classificação fiscal indicada pelo experto.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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CONVERSORES DE SINAIS. Recorrente CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/03/2001 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TRANSCEPTOR OU TRANSCEIVER. Não tendo, a contribuinte, trazido contraprova que infirmasse as conclusões do perito, deve ser mantida a classificação fiscal indicada pelo experto. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 32 87 /2 00 1- 90 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Relatório Trata o presente processo de 2(dois) autos de infração lavrados em 26/04/2001, em face do contribuinte em epígrafe. O primeiro, formalizando a exigência de Imposto de Importação e o segundo, formalizando a existência do Imposto sobre Produtos Industrializados, totalizando o valor de R$ 29.870,25, acrescidos de juros de mora e multa proporcional, em face da incorreta classificação das mercadorias, mediante as DI´s Nº 01/03001470, de 26/03/2001, de 334, em face dos seguinte fatos: • A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação No. 01/03001470, de 26/03/2001, 334 conversores de sinais, recebendo classificação tarifária na posição NCM 8473.30.99, com incidência da alíquota de 10,5 % para o Imposto de Importação .e da alíquota de 2% para o Imposto de Produtos Industrializados; • Através do Laudo Técnico Oficial Nº. 66/01, foi apurado que a classificação tarifária correta para a mercadoria importada seria na posição NCM 8471.80.19, com incidência da alíquota de 28 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 2% para o Imposto de Produtos Industrializados; • Por força do Ato Declaratório Cosit No. 10/97, ao ter declarado corretamente a mercadoria, não incide a multa de oficio; kHz, utilizando se de linhas de alta e média tensão; Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação, no devido prazo, alegando em síntese que foi correta sua classificação dos conversores de sinais. Apreciando o pleito da Contribuinte, a DRJ julgou procedente o lançamento, conforme resume a ementa abaixo transcrita (fl. 114 e ss.): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/03/2001 Declarado "partes e acessórios reconhecíveis das posições 8469 a 8472”. Fiscalização apurou ser equipamento de processamento de dados digitais, sendo um distribuidor de conexões de rede ETHERNET. Não podem ser considerados simplesmente "partes e acessórios", pois a função de SWITCH é mais especifica Lançamento Procedente Não resignada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 128 e ss.), assegurando que os materiais importados objeto do presente feito, estão excluídos da Posição 8471 e pertencendo no NCM 8473 pois abrigam “as partes e acessórios reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72”. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10831.003287/200190 Acórdão n.º 3202001.387 S3C2T2 Fl. 149 3 O processo digitalizado, então, foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Como bem assentou o acórdão recorrido, tratase de matéria eminentemente de fato, referente a adequada classificação tarifária dos denominados transceptores, que são instalados no switch ou no roteador de acordo com a necessidade, e cuja função é transformar ou converter sinais entre formatos ou meio distintos. A divergência fática pode ser resumida da seguinte forma: • Posição NCM 8473.30.99, com incidência da alíquota de 10,5 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 2% para o Imposto de Produtos Industrializados, adotada pelo importador; • Posição NCM 8471.80.19, com incidência da alíquota de 28 % para o Imposto de Importação e da alíquota de 2% para o Imposto de Produtos Industrializados, reclamada pela fiscalização Para melhor visualização da controvérsia, eis os textos das posições em confronto: Contribuinte 84.73 Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72. 8473.30 Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71 8473.30.99 Outros Fiscalização 84.71 Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições. 8471.80.00 Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados 8471.80.1 Unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais 8471.80.11 Controladora de terminais 8471.80.12 Controladora de comunicações (frontend processor) 8471.80.13 Tradutores (conversores) de protocolos para interconexão de redes (gateway) 8471.80.14 Distribuidor de conexões para redes (hub) 8471.80.19 Outros Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 Em suma, a solução do presente litígio consiste em esclarecer se os equipamentos importados classificamse no código 8473, cujo texto na NCM é "partes e acessórios reconhecíveis como exclusivas ou principalmente destinados as máquinas e aparelhos das posições 8469 a 8472", ou no código NCM 8471.80.19, dentre as "Outras" (Unidades de máquinas automáticas para processamento de dados), como entende a fiscalização. Para a DRJ, as mercadorias importadas não podem ser consideradas como partes e acessórios exclusivas ou principalmente destinados as máquinas e aparelhos das posições 8469 a 8472. Confirase (fls. 122/123): A resposta ao quesito 1 identifica as mercadorias como unidades conversoras e adaptadoras de sinais, utilizadas em sistemas de processamento de dados, mais especificamente em redes de comunicação de dados. São unidades conhecidas como "transceptoras" cuja função é transformar ou converter sinais entre formatos ou meio distintos. [...] Um transceptor é um dispositivo que combina um transmissor e um receptor utilizando componentes de circuito comuns para ambas funções num só aparelho. Se esses componentes não forem comuns, esse aparelho designase transmissorreceptor. A palavra transceptor é uma palavravalise que resulta da fusão das palavras transmissor e receptor, tendo o termo surgido por volta da Segunda Guerra Mundial. São dispositivos similares os transpondedores, transverters e os repetidores. Um transceptor, em redes de dados informáticas, converte um tipo de sinal, ou um conector, em outro. Por exemplo, para conectar uma interface AUI de 15 pinos a um conector RJ45 ou para 'converter sinais elétricos em sinais ópticos. Ele é considerado um dispositivo da camada 1 (camada física), porque s6 considera os bits e não as informações de endereço ou protocolos de níveis superiores. Dado que determinados elementos do transceptor se utilizam tanto para a transmissão como para a recepção, a comunicação 'que provê UM transceptor só pode ser semiduplex, o que significa que pode enviar sinais entre dois terminais em ambos os sentidos, mas não simultaneamente. (Fonte Wikpéida em 10/12/2007) [...] Assim, devem ser os equipamentos, por ausência de código mais especifico no âmbito do item 8471.80.1, classificados no código NCM 8471.80.19, por aplicação da RGI 1ª (texto da posição 8471), e (texto da subposição 8471.80) e RGC1 (textos do item 8471.80.1 e do subitem 8471.80.19). Se é possível classificar as mercadorias pela utilização da 1ª Regra das RGISH, não há por que se falar nas demais. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10831.003287/200190 Acórdão n.º 3202001.387 S3C2T2 Fl. 150 5 Quanto a velocidade, em termos de classificação fiscal, deve ser considerado o equipamento em sua função usual e não em uma condição adaptada, como na argumentação do impugnante. Lançamento Procedente. Em face das considerações acima, VOTO pela procedência da ação fiscal. Em seu recurso, a contribuinte pede a reforma do acórdão recorrido, porque “dizer que esses aparelhos estariam enquadrados como ‘Outras Unidades de Máquinas Automáticas para Processamento de Dados’, é um verdadeiro absurdo, pois os aparelhos em questão não configuram uma Unidade no sentido merceológico e como tal querido pelo legisladora tarifário. O texto da Posição 8471 alude às Máquinas e suas Unidades, como sendo blocos unitários que reúnem, num mesmo corpo, todos os elementos necessários ao processamento de dados, em conjuntos ou sistemas, estes constituídos por ‘um número variável de unidades distintas’ (vide aquelas Notas, parte I, da Posição 8471)” (fl. 131). Na ótica da Recorrente, “se bem lido o Laudo antes referido, observarse que o Sr. Técnico Certificante, em momento algum de sua narrativa, afirma que os materiais importados são ou seriam Unidades de Máquinas Automáticas para Processamento de Dados, embora se refira expressamente a unidades conversoras e adaptadoras de sinais, mas o vocábulo "unidades", tal como empregado em tal documento, tem um sentido apenas gramatical, ou seja, são unidades como individualidades, o que não se confunde, técnica e tarifariamente falando, como Unidades DE Máquinas Automáticas para Processamento de Dados” (fl. 131). O deslinde da questão passa pelo exame do Laudo Oficial nº 66/01 de fls. 30/ss. Eis suas principais respostas: 1. As mercadorias examinadas, na forma que se apresentam, são unidades I adaptadoras ou conversoras de sinais desmontadas ? Sim, cada unidade descrita na D.I. como conversora de media, são unidades conversoras e adaptadoras de sinais, utilizados em sistemas de processamento de dados, mais especificamente em redes de comunicações de dados. Tecnicamente cada uma dessas unidades é conhecidas como "transceptora" (do inglês, "transceiver"), cujo significado é "transformar ou converter sinais" entre formatos ou meios distintos. Isoladamente, cada unidade descrita na D.I. como "conversor de mídia" já é uma unidade "conversora de sinais". REF: 4322 11: Converte sinais 100BASEFX que corresponde a sinais em meio de Fibra óptica multimodo ST para AUI ("Attachment Unit Interface") que é uma interface de rede usada em Ethernet padrão (15 pinos), com velocidade de 10 ou 100 Mbits/segundo e vice versa. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 6 REF: 2641 1301: Converte sinais 100BASEFX que corresponde a sinais em meio de Fibra óptica multimodo SC para 10/100BASETX, que é uma interface de rede usada em Ethernet padrão utilizando par trançado com conector RJ45 com velocidade de 100 ou 10 Mbits/segundo e vice versa. REF: 7131.1375: Converte sinais 100BASEFX que corresponde a sinais em meio de Fibra óptica multimodo SC para 100BASETX, que é uma interface de rede usada em Ethernet padrão utilizando par trançado com conector RJ45, com velocidade de 100 Mbits/segundo e vice versa. REF: 2131.15.01: Converte sinais 100BASEFX que corresponde a sinais em meio de Fibra óptica multimodo ST para 100BASETX, que é uma interface de rede usada em Ethernet padrão utilizando par trançado com conector RJ45, com velocidade de 100 Mbits/segundo e vice versa. Todos os transceptores já se encontram montados. Os únicos transceptores que necessitam ser instalados em gabinetes com fonte de alimentação são os com a referência REF: 7131.1375. Entretanto, através dos 11 chassis importados, REF. 7500 17HS2A., cada um com 17 Slots, ou seja, espaços próprios para se inserir os transceptores REF. 7131.1375, é possível se abrigar todos os 127 transceptores importados com esta referência. Desta forma, os conversores de sinais REF: 432211, REF: 26411301 e REF: 2131.1501 são unidades autônomas que não precisam ser instalados em gabinetes, ao passo que as unidades conversoras de sinais REF. 7131.1375 encontramse desmontadas ou por montar, mas estão acompanhadas dos referidos gabinetes ("Chassis") com capacidade para se abrigar todas as unidades. 2. Em caso positivo, quantas unidades são possíveis de se formar ? Isoladamente, cada "transceiver" já é uma unidade "conversora de sinais" com função autônoma. Assim, seriam possíveis de se formar 120 conversores de sinais REF: 432211; 85 conversores de sinais REF 26411301 127 conversores de sinais REF: 7131.1375, instalados em 11 gabinetes; 2 conversores de sinais REF: 2131.1501. Como visto, o Laudo Oficial nº 66/01 de fls. 30/ss constatou que “são unidades conversoras e adaptadoras de sinais, utilizados em sistemas de processamento de dados”, e, também, que “os conversores de sinais REF: 432211, REF: 26411301 e REF: 2131.1501 são unidades autônomas que não precisam ser instalados em gabinetes, ao passo que as unidades conversoras de sinais REF. 7131.1375 encontramse desmontadas ou por Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 10831.003287/200190 Acórdão n.º 3202001.387 S3C2T2 Fl. 151 7 montar, mas estão acompanhadas dos referidos gabinetes ("Chassis") com capacidade para se abrigar todas as unidades”. Não tendo, a contribuinte, trazido contraprova que infirmasse as conclusões do perito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/02/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10680.011913/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas devidas, outra não pode ser a conclusão, senão para julgar improcedente o pleito da Recorrente em razão da relação de acessoriedade do presente feito com o processo principal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas devidas, outra não pode ser a conclusão, senão para julgar improcedente o pleito da Recorrente em razão da relação de acessoriedade do presente feito com o processo principal. Recurso Voluntário Negado.
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GFIP. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MILENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgada a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas devidas, outra não pode ser a conclusão, senão para julgar improcedente o pleito da Recorrente em razão da relação de acessoriedade do presente feito com o processo principal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 19 13 /2 00 7- 88 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MILLENIUM PROMOTORA DE VENDAS LTDAEPP, em face de acórdão que manteve a parcialidade do Auto de Infração n. 37.033.8723, lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de ter informado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso na remuneração de seus segurados contribuintes individuais (sócios/gerentes) pagas por intermédio de cartão premiação. Consta do relatório fiscal que os pagamentos das remunerações foram efetuados através de recursos alocados em cartões FLEXCARD, concedidos aos sócios gerentes da autuada, utilizando como intermediária a empresa INCENTIVE HOUSE S.A., CNPJ 00.416.126/000141, como comprovam o contrato assinado entre esta empresa e a autuada e as Notas Fiscais de emissão de INCENTIVE HOUSE, bem como Relação de pagamentos elaborada pela autuada, onde foram relacionados os segurados beneficiários. O lançamento compreende o período de 05/2003 a 11/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 02/01/2007 (fls. 22). O julgamento em primeira instância (fls.75/80),levou a efeito a retificação do presente auto de infração em razão de sua conexão com a NFLD 37.033.8731, conforme exposto no Acórdão n. 17936, proferido nos autos da citada notificação, quando se entendeu por não se aplicar à Notificada a exigência do adicional de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) devidos pelas empresas arroladas no § 1° do artigo 22 da Lei n. 8.212/91, inseridos no cálculo da penalidade consubstanciada neste auto de infração. Devidamente intimada, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que o presente Auto de Infração é corolário da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito/DEBCAB 37.033.8731, lavrada em decorrência de suposto não recolhimento de contribuições previdenciárias, situação que configura o bis in idem; 2. que para que se cogite acerca da incidência da contribuição previdenciária, é forçoso que a remuneração creditada aos sócios decorra do trabalho do sócio na empresa, o que não ocorreu no caso dos autos; 3. que para que houvesse falar em incidência da exação aqui combatida, imperioso se vislumbrasse, no trabalho fiscal, de forma inequívoca, que as verbas pagas pela autuada aos seus sócios através da Incentive House S/A diziam respeito a efetivo trabalho por eles prestado em favor da sociedade, trabalho ou serviço este que sequer veio a ser mencionado no relatório fiscal ou mesmo na decisão de primeira instância; 4. que a fiscalização presumiu que os pagamentos efetuados aos sócios detinham correlação com o trabalho prestado na empresa, procedimento que deve ser considerado como ilegal, na medida em que o relatório fiscal não tratou dessa correlação; 5. que a verba transitou na conta de resultados da recorrente, de modo que sua verdadeira natureza jurídica foi fato ignorado pela r. decisão de primeira instância, e que os Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011913/200788 Acórdão n.º 2402004.591 S2C4T2 Fl. 292 3 sócios declararam em suas declarações anuais de ajuste o recebimento de tais parcelas, pois, através do cartão eram creditados distribuição de lucros e resultados; 6. que em caso de manutenção do lançamento, que lhe seja aplicada a multa mais favorável, com esteio no art. 112 do CTN; 7. que o cálculo da multa aplicada foi equivocado, na medida em que levou em conta todos os seus segurados, quando apenas deveria ter considerado somente os três sócios que receberam a remuneração via cartão premiação. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenco Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente, cumpre esclarecer que as alegações recursais já foram objeto de análise quando do julgamento do processo nº 10680.008495/2007.41, NFLD nº37.033.8731, oportunidade na qual restou mantido o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, lavrado para a cobrança as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, decorrentes de remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, sócios gerentes da empresa, por intermédio de cartão de premiação FLEXCARD, por intermediária a empresa INCENTIVE HOUSE S/A. A título de escalrecimento, segue o voto, na íntegra, proferido pela 3ª Turma Especial do CARF: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Portanto, estando a verba no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver tributação sobre ela é necessário haver previsão legal nesse sentido. Qualquer medida contrária a tal pressuposto malferirá princípios, tais como, o da legalidade e da isonomia tributária. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10680.011913/200788 Acórdão n.º 2402004.591 S2C4T2 Fl. 293 5 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD 37.033.8731, lavrada em desfavor do contribuinte acima indicado, referente as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, decorrentes de remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, sócios gerentes da empresa, por intermédio de cartão de premiação FLEXCARD. O lançamento alcançou as competências de 05/2003 a 11/2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 30/11/2004 PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, bem como recolher a contribuição devida por eles, mediante desconto na remuneração, a partir da competência de abril/2003, em conformidade com a legislação de regência. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INAPLICABILIDADE DO ADICIONAL DE CONTRIBUIÇÃO. RETIFICAÇÃO. O suposto crédito tributário objeto de lançamento foi apurado, consoante narrado no Relatório que acompanha a Notificação Fiscal em questão, com base em exame de lançamentos realizados pelo contribuinte na subconta "Prêmios por vendas", lançamentos estes que tinham por objeto pagamentos realizados em favor dos sócios da pessoa jurídica por intermédio da Incentive House S/A, no período 05/ 2003 a 12/2004. A correção do lançamento está plenamente demonstrada a partir da simples leitura do item 1.1, constante do objeto do contrato firmado pelo contribuinte com a empresa Incentive House. O Relatório Fiscal (fls. 28 e seguintes), inclusive, já alertava sobre este ponto. A forma de pagamento destas remunerações, por intermédio de INCENTIVE HOUSE S.A., está claramente exposta no contrato de prestação de serviços firmado entre as partes, o qual estipula em seus itens 1, 2 e 3 o seguinte: A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo administrado por interposta pessoa jurídica é fato gerador de contribuição previdenciária. Portanto, estando a verba no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver tributação sobre ela é necessário haver previsão legal nesse sentido. Qualquer medida contrária a tal pressuposto malferirá princípios, tais como, o da legalidade e da isonomia tributária. CONCLUSÃO: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. Eduardo de Oliveira.” Quanto à alegação de que o cálculo da multa aplicada foi equivocado, na medida em que levou em conta todos os seus segurados, quando apenas deveria ter considerado somente os três sócios que receberam a remuneração via cartão premiação, tenho que não merece prosperar, isto porque, agiu acertadamente a autoridade fiscal porquanto não verifico nos autos, que tenha sido incluídos segurados empregados, além dos contribuintes individuais indicados no lançamento. Logo, resta inconteste a ocorrência da infração descrita no Presente Auto de Infração, tendo em vista à ausência informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, alusivas à remuneração de seus segurados contribuintes individuais (sócios/gerentes) pagas por intermédio de cartão premiação, de modo que em não tendo sido trazidas aos autos outras alegações além daquelas já analisadas, deve ser mantida a multa aplicada. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 14098.720025/2013-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DESCONTO. OMISSÃO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS.
Deve ser afastada a glosa de receita de desconto e variação monetária ativa para as quais a Recorrente não estava obrigada legalmente.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao IRPJ aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Cons. Paulo Roberto Cortez acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DESCONTO. OMISSÃO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. Deve ser afastada a glosa de receita de desconto e variação monetária ativa para as quais a Recorrente não estava obrigada legalmente. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Cons. Paulo Roberto Cortez acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 25 /2 01 3- 29 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL (fls. 03/17), cumulados com juros e multa de ofício, referentes ao anocalendário de 2009, lavrados em razão da suposta: (i) omissão de receitas financeiras; (ii) omissão de variações monetárias ativas; e (iii) despesas financeiras não comprovadas. A Contribuinte é obrigada à apuração do lucro real e optou pela periodicidade anual em 2009, exercendo atividade principal de “fabricação de álcool”. No exercício dessa atividade, recebeu empréstimos rurais que foram consolidados e renegociados junto ao Banco do Brasil, no ano 2000, no âmbito do Programa Especial de Saneamento de Ativos (PESA Securitização Agrícola), com a contratação de dívida cujo valor do principal ficou vinculado a Certificados do Tesouro Nacional (CTN). A Contribuinte questionou judicialmente os juros contratuais cobrados pelo Banco do Brasil, deixando de pagar as parcelas anuais, fato que perdurou até a renegociação da dívida em 2009. Em 15/06/2009, o contrato foi renegociado com os descontos previstos na Lei nº. 11.775/2008, quando então a Contribuinte desistiu da contenda judicial, reconhecendo todos os valores devidos, valendose das reduções de juros e demais condições negociais franqueadas pela referida lei. Na contabilização dessa operação, afirma a fiscalização que a Contribuinte efetuou ajustes em desacordo com a posição da dívida, que culminaram com o aumento do seu prejuízo fiscal do período (de R$ 8.516.181,22 para R$ 130.780.933,48). Diante disso, em síntese, foram apuradas as seguintes infrações: Infração 1 – Omissão de receitas financeiras, no valor de R$ 2.484.920,50, conforme “demonstrativo de excesso de despesas financeiras e de omissão de receitas”, relativo à falta de reconhecimento do total dos descontos sobre juros obtidos na renegociação de 2009; Infração 2 Omissão de variações monetárias ativas, no valor de R$ 6.212.294,40, conforme “demonstrativo de excesso de despesas financeiras e de omissão de receitas”, relativo à falta de contabilização do total das variações monetárias ativas sobre os CTN (atualização monetária prevista em contrato); Infração 3 Despesas financeiras não comprovadas, no valor de R$ 113.567.537,36, conforme “demonstrativo de excesso de despesas financeiras e de omissão de receitas”, referentes aos juros superiores aos consolidados pelo Banco do Brasil incorridos até 15/06/2009. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 4 3 As circunstâncias apuradas no curso da ação fiscal que culminaram no lançamento encontramse detalhadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 202/210) e resumidas no relatório da DRJ/CGE, cabendo aqui a sua transcrição: ... o sujeito passivo pontuou, em síntese, que o saldo contábil e o saldo apresentado pelo Banco do Brasil se referiam somente aos juros da dívida e que o valor apurado pela Fiscalização havia considerado o principal, taxas de juros inferiores às efetivamente cobradas e IGPM reduzido quando o devido era o índice integral. Assim, o saldo contábil imediatamente anterior à adesão à renegociação de 2009, em 15/06/2009, segundo o sujeito passivo, era de R$ 271.341.666,56 (no entanto, esse saldo já é depois do pagamento da primeira parcela da renegociação de 2009, ocorrida em 15 de junho daquele ano; de acordo com o razão extraído da ECD, o saldo em 31/05/2009 era de R$ 278.693.322,47), com pequena divergência com o valor dos juros apresentado pelo Banco do Brasil R$ 270.342.952,65, de acordo com o termo de adesão. Enquanto isso, no ativo, o sujeito passivo apresentava o saldo atualizado dos CTN em R$ 64.292.996,88, considerando atualização integral pelo IGPM e juros de 12% ao ano. Os CTN foram adquiridos, na negociação do PESA em fevereiro/2000 por 10,37% do valor de face que era de R$ 1.000,00. De acordo com o sítio eletrônico da Secretaria do Tesouro Nacional, a remuneração dos CTN se restringe ao IGPM. Para ajustar tanto o saldo do direito como o saldo da obrigação (sendo este segundo praticamente igual ao do Banco do Brasil), o sujeito passivo procedeu aos ajustes questionados pela Fiscalização, a saber: 1) Aumento das despesas com juros em R$ 218.503.365,56 e R$ 111.185.863,75; 2) Aumento das receitas com atualização dos CTN em R$ 154.098.392,14; 3) Reconhecimento de receita de desconto na renegociação da dívida em R$ 86.704.018,50, quando o valor calculado pelo Banco do Brasil foi de R$ 89.188.939,00 (de acordo com o art. 8º da Lei n° 11.775/2008). A justificativa para tais ajustes foi que ao desistir de ação judicial que questionava os valores cobrados pelo Banco do Brasil, condição para aderir à renegociação em pauta, atualizou o direito e a obrigação pelos índices contratuais firmados em fevereiro/2000 e depois aplicou os descontos. Então, pelas explicações e fatos trazidos à tona na resposta protocolada em 12/07/2012, os ajustes deveriam terminar com o direito no ativo (CTN) igual ao valor do principal da dívida no passivo (PESA), bem assim com o valor dos juros igual ao Fl. 458DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 5 4 exigido pelo Banco do Brasil após os descontos legais R$ 181.022.392,00. [...] Consultando os processos de inscrição na Dívida Ativa da União, relativos às inscrições constantes do termo de Adesão firmado em 15/06/2009, a Fiscalização pôde confirmar a alegação do sujeito pasivo de que o valor apreentado pelo Banco doBrasil S/A (R$ 270.211.330,91) se referia somente a juros. [...] ... de forma correta e em consonância com o critério do Banco, como será exposto mais à frente, o sujeito passivo manteve os Certificados na escrita em face da cláusula pro solvendo na liquidação do principal, que somente será liquidado com o valor dos Certificados cedidos à instituição financeira no prazo final dos três contratos do PESA. Dessa maneira, o valor dos CTN sempre é igual ao valor do principal da dívida, ou seja, a variação do IGPM, ativa e passiva, deve ser igual tanto para o direito (Certificados) como para a obrigação (Empréstimos do PESA), respectivamente, de acordo com as disposições contratuais, segundo demonstração da posição contábil ideal exposta no Anexo 02 do Termo de 03/09/2012. Também ficou demonstrado no Anexo 02 do Termo de 03/09/2012, por diversas formas contábeis de registro da operação, que fazendo os ajustes corretos, de acordo com o Termo de Adesão firmado em 2009, o prejuízo contábil diminui de R$ 130.780.933,48 para R$ 8.516.181,22. Na realidade, não há na escrituração conta que demonstre isoladamente o valor do principal corrigido. Há a conta com valor próximo ao montante de juros calculado pelo banco, e a conta com o valor dos CTN com defasagem de atualização. Nas diversas formas contábeis aludidas, foi preciso fazer ajustes alocando o principal da divida e sua atualização, que não existiam, e atualizar na mesma proporção os CTN. Esses ajustes se anulam ao longo do tempo, porque tanto o principal da dívida quanto os CTN (que têm valor de face igual ao principal da dívida, frisese), são atualizados pelo IGPM. De outra parte, nessas demonstrações efetuadas pela Fiscalização, os juros ficaram em conta à parte, conciliados com o valor do banco, representando a dívida renegociada em 2009. Assim, ajustando o montante de juros devidos, descontos legais implementados pelo Banco do Brasil S/A na renegociação de Fl. 459DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 6 5 2009, atualização dos CTN e do principal da dívida, verificase que o sujeito passivo apropriou despesas em excesso e deixou de escriturar receitas, resultando no prejuízo contábil mencionado anteriormente. A Contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 01/03/2013. Após isso, apresentou impugnação (fls. 351/360), instruída com os documentos de fls. 361/414. Por questões de econômia processual, também nessa parte adoto o relatório da DRJ/CGE: Item 0001 do Auto de lnfração) A fiscalização adicionou no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, o valor de R$ 2.484.920,50, por omissão de receita referente a diferença o cálculo do desconto concedido na renegociação da dívida: a) Desconto de Juros pelo Banco do Brasil S.A.....de R$ 89.188.939,00 b) Desconto contabilizado pela empresa ...........de R$ 86.704.018,50 Diferença de desconto do valor da dívida.............de R$ 2.484.920,50 Todavia, o fato real é que a impugnante contabiliza os encargos dos juros e variações monetárias seguindo efetivamente o contrato (em anexo doc. 03) e, conforme planilhas e razões contábeis apresentados, e no caso, o autuante não procedeu a verificação dos saldos ao final do período sob fiscalização antes da lavratura do auto de infração, que os juros e as variações monetárias passivas foram lançados a menor durante a vigência do contrato (securitização), por outro lado, o Banco do Brasil registrou juros e variações monetárias a mais, o que levou a crer que houve desconto a menor quando da adesão aos termos da renegociação e os ajustes feitos na contabilidade, ao final do período fez coincidir com o saldo da dívida, na mesma posição do banco, via de regra contra as contas de resultado, portanto não havia ao final do exercício fiscalizado a diferença e receita menor aventada. Nesse sentido, verificase que foram contabilizados os juros e as variações monetárias relativas ao saldo devedor, razão pela qual considerase que não houve lançamento a menor no valor R$ 2.484.920,50, já estava reconhecido na conta da receitas financeiras, caso contrário, o saldo devedor não confrontaria com saldo devedor do banco ao final do exercício e sua contrapartida natural é contra conta de resultado financeiro. Item 2 do Auto de Infração) Falta de contabilização variações monetárias ativas incidentes sobre Certificados do Tesouro Nacional CTN no valor de R$ 6.212.494,40: a) juros e variações monetarias contabilizadas.....de R$ 154.098.392,14 b) valor apurado pelo fisco...........de R$ 160.310.686,54 c) diferença.........................................de R$ 6.212.293,40 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 7 6 É fato que a impugnante efetuou indevidamente no ano uma receita onde entendeu equivocadamente naquele exercício que a CTN deveria guardar o mesmo valor do principal atualizado e realizou isto de uma única vez no exercício de 2009, equívoco este que reverteu no balanço seguinte Safra 2009 2010. Da mesma forma que lançou juros futuros da ordem de R$ 111.185.863,75 apontados pela fiscalização com deduzidos indevidamente por estarem fora de sua competência, da mesma forma igualar a CTN ao principal antecipa RECEITAS que por competência pertencem a exercícios futuros, pois, contratualmente, o valor da CTN incorre em encargos de IGPM + juros que só se igualarão ao principal da dívida ao final do contrato e de forma alguma poderia ser antecipado. Isto requer, via de regra que, assim como os encargos antecipados foram adicionados ao Lucro Real pelo autuante, esta RECEITA de R$ 154.098.392,14 deverá ser excluída muito embora não haja previsão legal, mas por se tratar de erro de fato da mesma natureza que a antecipação dos encargos acima mencionados e adicionados pelo autuante para a busca da justiça fiscal. A diferença de calculo da ordem de R$ 6.212.294,40 apontado neste mesmo item, apesar de autuante utilizar datas diferentes (comparou dívida de 30/04/2009 com saldo de direito de CTN registrado na contabilidade de data 31/05/2009 e o contribuinte utilizou saldos, desses mesmos itens, de 30/09/2009) guarda a mesma natureza de Receita Antecipada Indevidamente se lançada tivesse sido. Isto significa que o autuante equivocadamente requer que as despesas de juros antecipados sejam adicionadas, mas que o erro igualmente cometido pela impugnante de antecipar as receitas contrariamente ao que diz o contrato que somente terão valores equivalentes ao final do contrato não seja excluída igualmente o que não faria o impugnante a reverter sua base de calculo de prejuízo fiscal para lucro fiscal se sequenciado de forma desigual e injusta conforme requer o autuante. Item 3 do Auto de lnfração) Despesas financeiras indevidas: a) despesas financeiras contabilizadas...........de R$ 2.381.673,61 b) apurado pelo fisco................de R$ 111.185.863,75 soma ..............................................de R$ 113.567.537,36 A fiscalização adicionou corretamente na base de calculo do imposto e da CSLL o valor de R$ 111.185.863,75 e indevidamente o valor de R$ 2.381.673,61 visto que, conforme mencionado acima, o primeiro foi antecipação de juros futuros e deveria de fato ser adicionado, porem o segundo, tratase de complemento deste valor realmente incorridos pelo regime de competência e calculados em função do contrato. Ao não reconhecer como também indevidas as receitas mencionadas no item 2 acima como receitas indevidas e excluí las da base de calculo igualmente, cria desequilíbrio e confisco ao impugnante pois adiciona a despesa indevida mais não exclui a receita indevida que erroneamente foi antecipada nas mesmas Fl. 461DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 8 7 condições das despesas por força de interpretação indevida dos termos do contrato de adesão assinada naquele ano de 2009. Neste sentido, o auto de infração encontrase eivado de vícios insanáveis o que obsta, portanto, a produção de quaisquer efeitos contra o impugnante. II O DIREITO Primeiro item do Auto de Infração) A fiscalização adicionou no Lalur (livro de Apuração do Lucro Real), o valor de R$ 2.484.920,50, essa adição é totalmente indevida, essa diferença exigida se encontra incluída no lançamento normal ou seja no lançamento anterior: a)Em 15/06/2009, o saldo ajustado na contabilidade é R$ 269.551.691,67 (em anexo doc. 04 razão da conta 22201007) e no Termo de Adesão Renegociação n° 2654654 de 15/06/2009 é R$ 270.211.330,91 (em anexo doc.05), abaixo demonstrado: [quadro à fl. 355] b)Na mesma data, o saldo na contabilidade é R$ 269.551.691,67, deduzindo o desconto de R$ 89.188.939,00, o saldo da contabilidade seria de R$ 180.362.752,67, comparamos o saldo devedor de R$ 181.022.392,00 da adesão, faltaria complemento de R$ 659.639,33 na contabilidade, abaixo demonstrado: [quadro à fl. 355] c)No comparativo o saldo credor contábil na data da adesão da renegociação(15/06/2009) é de R$ 269.551.691,67, não havendo razão deadicionar na base de cálculo do lucro real, visto que a diferença praticamente não existe, neste caso os juros já estão incluídos. d)O valor adicionado pelo fisco no valor de R$ 2.484.920,50, encontrase incluído nas atualizações contabilizadas, por esse motivo é inexistente a diferença apontada pelo autuante, porque o banco informou R$ 89.188.939,00, foi contabilizado o valor pelo ajuste credor R$ 86.704.018,50, não havendo também razão de adição na base de calculo do lucro real declarada pelo contribuinte impugnante. Para elucidar a dívida: O extrato do Banco do Brasil S.A.(em anexo doc. 06 a 08), com saldo em 01/01/2010, referese saldo de dezembro/09 ou 31/12/2009, que são dividas com o PESA (securitização) principal e estão correspondidos na contabilidade em igual valor revelando a correspondência adequada com o Banco; No extrato do Banco do Brasil S.A.. não consta os juros atrasados vencidos, que se encontra na Divida Ativa da União, foram parcelados em 20 vezes. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 9 8 Os juros normais dessas operações não estão incluídos nesse saldo devedor, esses juros serão pagos anualmente(em anexo doc.09). Os juros futuros que foram calculados sobre o principal até 2020 (em anexo doc. 10 a 12) são como segue: [quadro à fl. 356] Os saldos em 31/12/2009, na contabilidade são (em anexo doc. 13 e 14): [quadro à fl. 356] Este é o primeiro erro de fato verificado no auto de infração, assim, o saldo composto no balancete, confrontado com Planilha de Lançamento mensal, contabilizando esse valor de R$ 2.484.920,50 referente ao desconto diminui o saldo contábil, neste caso o saldo contábil ficaria manipulado. Quanto ao valor da diferença não contabilizada, não gerou receita tributável, porque os juros contabilizados foram a menor, nesse sentido o desconto concedido também foi a menor, a contabilidade da empresa utiliza os contratos e legislação em vigor, calculandoos mensalmente, e tratavase de juros cobrados a maior pelo banco, por esse motivo ocorreu o desconto aparentemente a maior. Segundo item do Auto de Infração) A fiscalização alega falta de contabilização de atualização monetária ativa, não há necessidade nem possibilidade de lançamento dessa variação visto que são valores futuros da mesma forma que os juros antecipados adicionados: a)Em 30/09/2009, foi contabilizado o Valor 154.098.392,14, referente a diferença entre o valor da Securitização Pesa principal de R$ 223.388.440,85 e CTN de R$ 69.260.047.72, resultando saldo a contabilizar R$ 154.098.393,14(em anexo doc. 15 e 16), abaixo demonstrado: [quadro à fl. 356] b)A fiscalização utilizou um critério diferente ajustar para abase do período de 04/2009(em anexo doc. 06 a 08 e 15) e a empresa utilizou como base período de 09/2009, com os seguintes valores: [quadro à fl. 357] c)A fiscalização utilizou o principal do pesa I de abril/09 em vez da planilha de maio/09, encontrase aqui uma diferença de R$ 157.220,58. A contabilidade utilizou como base às planilhas de maio/09, assim, a contabilização de junho até setembro/09, sofreria uma redução no resultado do ano, para elucidar a questão segue: Fl. 463DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 10 9 1)A variação do pesa maio a setembro/2009 variação ativa de R$ 1.058.0232,08. 2)A variação ativa contabilizada junho a setembro/09 de R$ 973.762,30. 3)Foram contabilizados as variações ativas e juros ativos do CTN, no período de junho a setembro/09 de R$ 4.997.050,84(em anexo doc. 15). [quadro à fl. 357] 4)A fiscalização considerou abaixo: [quadro à fl. 357] 5)A fiscalização adicionou os valores no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR por ele apontados, porém não considerou que: 5.1)A empresa registrou os valores até ajustar a dívida com o Pesa ou seja: a)valor principal, juros normais, juros na Dívida Ativa da União; b)No valor dos juros normais e futuros registrados, encontrase todo o montante de juros ativos e passivos até a liquidação final da divida. 5.2)O autuante não produziu justiça ao omitir a existência de tributação de RECEITA INDEVIDAMENTE registrada pelo impugnante que se tratou de uma antecipação de receitas da ordem de R$ 154.098.393,14 (R$ 160.310.686,54 pela fiscalização) da mesma forma que a antecipação das despesas de R$ 111.185.863,75 mencionada anteriormente o que provoca injustiça fiscal. A empresa contabilizou o valor de R$ 154.098.393,14, porque registrou os lançamentos no mês de setembro/2009 e não no mês de maio/2009, como menciona o calculo da fiscalização. 5.3)Não faz sentido o registro da diferença até o limite do valor principal do Pesa, seja hoje ou no passado, constituirseia, uma receita antecipada causando ônus para a empresa e favorecendo ao fisco. No passado, ou seja, no ano 2000, a constituição do PESA, foi a soma da dívida de empréstimos e financiamentos com o Banco do Brasil, transferiuse o saldo desta para nova conta e, 10,366% desse valor constituiu o investimento, cujo resgate, se dará pela liquidação do valor principal do PESA em 20 anos, compensandose um com o outro(valor principal da dívida liquidandose com o crédito das CTNs detidas pelo contribuinte com atualização paulatina período a período até aquela data final de acordo com as regra do contrato). Solicitamos portanto a exclusão deste montante para, de novo, proceder a justiça fiscal. Terceiro item do Auto de Infração) despesas não comprovadas: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 11 10 a) No Termo de Verificação Fiscal, constatou a não adição abase de cálculo do lucro real LALUR, no valor de R$ 113.567.537,36, que é composto de R$ 111.185.863,75(são juros presente e futuro contabilizados com bônus), mais um valor de R$ 2.381.673,61 (calculado maior no ano). No presente caso, a manutenção do auto de infração, ora impugnada, diante das relevantes razões de defesa, só pode significar um virtual desprezo ao direito sagrado do contribuinte a justiça fiscal, de somente adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR despesas financeiras, o fisco deixou de excluir juros ativos futuros contabilizados de mesma natureza antecipada, isso é totalmente relevante: a) nenhum prejuízo ou lesão sofreu o erário público, como aliás atesta a informação conforme razão de lançamento; b)o fisco não efetuou a exclusão no LALUR, dos juros ativos futuros, violando com isso, o direito do contribuinte que teve lançamento de Juros passivos futuros e juros ativos futuros para adequar os ativos (CTN)e os passivos(dívidaPESA) embora configurando os dois procedimentos lançamentos indevidos que o contribuinte ao não adicionar a despesa de R$ 111.185.863,75 e não excluir esta receita de R$ 154.098.393,14 foi prófisco. b)A empresa deixou de adicionar juros passivos futuros, também não foram excluídos os juros ativos futuros no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, o fisco só perde quando o erário público sofrer prejuízo, neste caso não houve prejuízo para o erário público, foram efetuados lançamentos de juros ativos futuros e juros passivos futuros para equalizar a dívida com CTN e Juros capitalizados, Para elucidar a questão: a)Assim sendo, considerando futuros juros passivos e futuros juros ativos, para se chegar a uma definição com CTN e dívida principal do PESA, são valores contabilizados, abaixo demonstrado: [quadros à fl. 359] No tocante a juros ativos futuros, que foi adotado neste caso, para adequar a divida principal do PESA com CTN, estão registrados na conta ativa de longo prazo, abaixo demonstrado: [quadros à fl. 359] Nesta análise, pudemos verificar alguns equívocos cometidos pelo fisco, ao não conhecer principalmente todos os lançamentos da conta receitas financeiras (para comprovar os lançamentos dos juros ativos e passivos futuros, em anexo doc. 17 e 18), por apresentarse, em seu entendimento somente adição a base de calculo do lucro real (LALUR) indevida, abaixo demonstrado lançamento contábil desdobramento este em detrimento do contribuinte pois ofereceu a tributação um líquido de R$ Fl. 465DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 12 11 42.912.529,39 que poderia deixar de fazêlo se tivesse contabilizado corretamente esta operação: [quadro à fl. 360] Resta ratificar que, tendo vista os lançamentos de juros ativos futuros e juros passivos futuros, o fisco só adicionou os juros passivos e não excluiu os juros ativos futuros, que são os erros de fato, que pudemos vislumbrar no auto de infração que provocam injustiça fiscal tendo sido ambos os lançamentos revertidos no exercício seguinte para bem atender as boas práticas contábeis e atende ao princípio de competência de exercício. Certo é que o valor da autuação deve ser líquido e certo, para que seja, também, exigível. De nada adianta a adição apurada, se não há exclusão, que demonstre, com certeza e liquidez, o valor devido. Afinal, crédito tributário é conceito jurídico determinado. O sujeito passivo da obrigação tributária há de saber, de antemão, o que deve ser pago e quanto deve ser pago. III PEDIDO À vista de todo exposto, e demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Em 21/05/2013, os membros da 2ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação (fls. 419/434), nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DESCONTO. Não comprovados os ajustes na escrita contábil ao final do período, nem o oferecimento à tributação da totalidade da receita financeira decorrente do desconto obtido, mantémse o lançamento relativo à diferença não contabilizada. OMISSÃO DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS. Deve haver a tributação da diferença entre o valor das variações monetárias ativas já contabilizado e um maior encontrado pela fiscalização apurado com base em valores constantes dos extratos bancários. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 13 12 Devem ser glosadas as despesas financeiras sem comprovação apropriadas pelo sujeito passivo e que distorcem a apuração do tributo. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 441/453), afirmando, em resumo: Infração 1) Omissão de receitas financeiras A diferença apurada por meio de levantamento escrituração fiscal é descabida, por ter sido utilizado um saldo de 31/05/2009, quando o correto seria utilizar o saldo em 16/06/2009. Junto à impugnação foi apresentado o saldo contábil em 15/06/2009, demonstrando que se essa data tivesse sido utilizada, não haveria essa diferença na escrituração contábil. Na decisão recorrida restou registrado que a Contribuinte não comprovou o oferecimento à tributação da totalidade da receita financeira decorrente do desconto obtido. No entanto, o que se verifica é que a Recorrente efetuou a escrituração tendo como base as Escrituras Públicas de Confissão de Dívida, ao passo que o fisco se baseou no termo de adesão (extratos com razão contábil). Quanto à diferença apurada pela fiscalização (R$ 2.484.920,50), é indevida a sua adição ao Lalur. Isso porque, esse valor já encontrase incluído nas atualizações contabilizadas. O saldo de 31/12/2009 na contabilidade, que são dívidas com o PESA principal confere com extrato. Por isso, não há que se falar de omissão de receita. Do contrário, ocorreria a divergência com a contabilidade e extrato do banco na data mencionada; ou seja, o encerramento do período fiscal (em anexo na impugnação). Outrossim, o desconto em referência, concedido pela Lei nº 11.775/2008, no valor de R$ 89.188.939,00, está condicionado a liquidação das parcelas. Ou seja, o desconto será concedido nos pagamentos das parcelas e não há menção de desconto antecipado. O §6º do artigo 8º da Lei nº. 11.775/2008 determina que em caso de descumprimento do parcelamento haverá a perda dos descontos, retomando o valor do débito à situação anterior. Assim, a dívida das parcelas é de R$ 270.211.331,00. Desse modo, não há que se falar em reconhecimento da receita financeira ativa, porque está vinculada ao pagamento ou liquidação. A Contribuinte cometeu o equívoco ao adicionar no Lalur a receita de R$ 154.098.392,14 e o valor do desconto, por força das inovações introduzidas pela nova regra do PESA. Os descontos concedidos pela Lei nº. 11.775/2008, no valor de R$ 89.188.939,00, deverão ser excluídos do Lucro Real, haja vista que essa dívida será paga em 20 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 14 13 (vinte) parcelas, sob o regime de caixa e, como dito, em caso descumprimento não haverão benefícios de desconto. Ressalta que, os saldos apontados na DAU são demonstrados sem o desconto da adesão, isto é, valores antes da negociação com diminuição das devidas amortizações semestrais. Com isso se verifica que os descontos são avaliados pela amortização das parcelas ou liquidação da dívida (regime de Caixa) e não pelo regime de competência. Na verdade a competência do desconto valerá no momento da amortização das parcelas ou da liquidação da dívida. Infração 2) Omissão de variações monetárias ativas A diferença apurada por meio de levantamento da escrituração fiscal é descabida, por ter sido utilizado um saldo de 30/04/2009, ao passo que a Recorrente utilizou como base 09/2009. No presente caso, porém, a Recorrente registrou contabilmente, não havendo motivo da adição no Lalur. A autuada ajustou em 09/2009 e essa diferença foi oferecida à tributação, não havendo prejuízo para a Fazenda Pública. Como já demonstrado anteriormente na impugnação, tratase de erro de fato na decisão da 1ª instância, quanto ao valor que gerou essa suposta receita. As provas carreadas aos autos são suficientes para demonstrar que não houve omissão. São elas: os razões contábeis e os extratos da dívida do PESA principal mais variação, onde os dois coincidem no saldo em 31/12/2009 no respectivo valor de R$ 223.388.440,86 (Contábil) contra o valor de R$ 223.388.438,75 (Extratos do Banco do Brasil), o que, via de regra, comprova o oferecimento à tributação integral do valor reclamado. Ressalta que, essa receita de R$ 154.098.392,14, deveria ser excluída no Lalur por se tratar de competências posteriores, com vencimento até o ano de 2020. Infração 3) Despesas Financeiras não comprovadas Em vista desse fato, a diferença apurada por meio de levantamento da escrituração contábil é descabida por ter sido utilizado um saldo de diversas datas. O fisco deixou de adicionar os juros passivos futuros, por outro lado não excluiu os juros ativos futuros do Lalur. A Contribuinte contabilizou juros passivos futuros no valor de R$ 111.185.863,75 e juros ativos futuros R$ 154.098.393,14. Neste caso, os juros ativos são maiores que juros passivos futuro, por esse motivo a Recorrente não adicionou e nem excluiu na apuração do Lucro Real. Como escrito anteriormente, esta receita de juros ativos futuros faz parte de resultados posteriores. A autuada contabilizou e considerou em sua escrita os dois saldos, do direito e do passivo, com os mesmos saldos e não as liquidou, pois existem órgãos públicos e privados que demonstravam os valores em abertos, inclusive os valores no passivo são utilizados como base de cálculo para os juros passivos controlados pelo DAU e Banco do Brasil. Houve de fato um equívoco duplo da Recorrente ao antecipar receitas futuras de R$ 154.098.393,14 e antecipar os juros futuros de R$ 111.185.863,75 incorrendo em um benefício líquido ao fisco da ordem de R$ 42.912.529,40 (R$ 154.098.393,14 – R$ Fl. 468DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 15 14 111.185.863,75) pelo reconhecimento da receita e também da despesa financeira no mesmo momento. Houve de fato a contabilização onde a Contribuinte se prejudica ao, em boa fé, não excluir a receita indevidamente contabilizada e também antecipada. O que a Contribuinte é a justiça fiscal. Dessa forma, tanto o fisco pode glosar a despesa financeira reconhecida antecipadamente como deveria a este título também promover a exclusão da receita antecipada. A Lei nº. 6.404/76, em seu § 1º do art. 187, dispõe que na determinação do resultado do exercício serão computados: (a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e (b) os custos, despesas, e encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Os princípios contábeis praticados no Brasil definem o período de competência de exercícios como forma de apuração de resultados. A legislação fiscal buscou regular a base de cálculo da incidência tributária determinando a não dedutibilidade de despesas antecipadas, mas deixou de reconhecer o equívoco do reconhecimento antecipado das receitas. Os CTN’s foram adquiridas por valor equivalente a 10,36% do principal e não os liquidará antes da data de finalização do contrato em 2020. Tanto a Lei que estatuiu o PESA como o próprio contrato assinado em 2002 define que esta seria atualizada por uma taxa de juros superior à do principal, de forma que, ao final do contrato, estas alcançassem o valor daquele principal financiado, quando então seriam liquidados um contra o outro, não se admitindo antecipação sem que a CTN fosse vendida ao mercado pelo seu valor de atualização naquela data de eventual antecipação, notoriamente inferior ao valor do principal que deverá ser coberto pelo devedor. Por isso, não há que se falar que, na essência, o valor da CTN é igual ao do principal em qualquer data anterior à do final do contrato, não cabendo, portanto, qualquer antecipação daquela receita mencionada de R$ 154.098.393,14, devendo ela ser excluída da base de cálculo daquele exercício de 2009, da mesma forma como foi feito com os juros. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A Resolução CMN nº 2.471/98 autorizava a renegociação de dívidas originárias de crédito rural sob condições especiais, vedada a equalização de encargos financeiros pelo Tesouro Nacional. Esta renegociação estava condicionada à aquisição, pelos devedores, por intermédio da instituição financeira credora, de Certificados do Tesouro Nacional (CTN), com valor de face equivalente ao da dívida a ser renegociada, os quais devem ser entregues ao Fl. 469DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 16 15 credor em garantia do principal. O CTN, para efeito de utilização para pagamento da dívida, era considerado pelo valor de face, R$ 1.000,00, mas era adquirido, na forma prevista pela legislação, pelo seu preço unitário descontado por 20 anos (prazo do CTN), totalizando R$ 103,67. Desta forma, o mutuário paga, nesta modalidade de renegociação, 10,37% pelo principal de sua dívida, ficando devedor dos juros durante o período alongado. Nessa operação, as taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras variavam entre 8% a 10% a.a. observandose o desconto previsto no art. 6º da Resolução CMN n.º 2.666/99 em função do valor da dívida, sendo tanto maior quanto maior o montante apurado. O pagamento poderia ser negociado com as instituições financeiras de acordo com o fluxo de receitas do mutuário, desde que com uma periodicidade máxima de um ano. Uma vez apurado o saldo devedor e renegociada a dívida nas condições da Resolução n.º 2.471/98, a instituição financeira calculava a quantidade de CTN necessários para concluir a operação e formalizava ao Tesouro Nacional a solicitação dos títulos para serem emitidos para esse fim, em nome dos mutuários. Em síntese, esta operação correspondia a uma compra de títulos do Tesouro Nacional por parte dos mutuários do crédito agrícola, ativos estes próprios a satisfazerem o principal dessa dívida junto à instituição financeira, ficando o mutuário com a obrigação de pagamento dos juros acessórios durante a vigência da renegociação (20 anos). Como na época (ano 2000) a Recorrente possuía dívidas de custeio agrícola, aderiu ao Programa Especial de Saneamento Agrícola (PESA), com a contratação de dívida, cujo valor do principal ficou vinculado à CTN. Com o decorrer do tempo, a Recorrente começou a entender que a Instituição Financeira contratada estava cobrando encargos financeiros acima dos que o programa constituía. Assim, ingressou com uma ação judicial para discutir os encargos financeiros na posição contratada. A partir da promulgação da Lei nº. 11.775/2008, com as alterações das Leis nº. 11.922 e 11.960 de 2009, foram instituídas novas medidas de estímulo à liquidação ou regularização de dívidas originárias de operações de crédito rural e de crédito fundiário, quando então, a Recorrente desistiu da ação judicial e aderiu a esse novo programa. Nesse momento, a Recorrente se viu obrigada a reconhecer o valor renegociado da dívida em sua escrita fiscal. Relembrando o que narrou o TVF, o saldo contábil imediatamente anterior à adesão à renegociação de 2009, em 15/06/2009, segundo o sujeito passivo, era de R$ 271.341.666,56, com pequena divergência com o valor dos juros apresentado pelo Banco do Brasil, no valor de R$ 270.342.952,65, consoante o termo de adesão. Enquanto isso, no ativo, a Recorrente apresentava o saldo atualizado dos CTN no valor de R$ 64.292.996,88, considerando atualização integral pelo IGPM e juros de 12% ao ano. Diante disso, para ajustar tanto o saldo do direito (CTN’s), quanto o saldo da obrigação (dívida), a Recorrente procedeu aos seguintes ajustes questionados pela fiscalização: 1) aumento das despesas com juros em R$ 218.503.365,56 e R$ 111.185.863,75; 2) aumento das receitas com atualização dos CTN em R$ 154.098.392,14; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 17 16 3) reconhecimento de receita de desconto na renegociação da dívida no valor de R$ 86.704.018,50, ao passo que o valor calculado pelo Banco do Brasil foi de R$ 89.188.939,00 (de acordo com o art. 8º da Lei nº. 11.775/08). Ainda conforme o TVF, consultando os processos de inscrição em Dívida Ativa da União relativos às inscrições constantes do Termo de Adesão firmado em 15/06/2009, a fiscalização confirmou que a dívida no valor de R$ 270.211.330,91 se referia somente a juros, já que em 11/02/2000 a Recorrente cedeu ao Banco do Brasil R$ 99.486.000,00 (valor igual ao do principal da dívida constante dos três contratos do PESA), adquiridos por R$ 10.313.713,62 naquele ano, com um ganho de R$ 89.172.286,38. Considerando isso, a fiscalização aventou a hipótese de que não haveria razão para a existência de direito registrado no ativo contábil da Recorrente (CTN), haja vista que tais títulos foram cedidos ao Banco do Brasil liquidando o principal da dívida. Assim, inexistindo o direito, posto que cedido a terceiro, inexistiria a receita de R$ 154.098.392,14 alocada ao resultado do exercício e a despesa de atualização do principal pelo IGPM. Contudo, a Recorrente esclareceu que, uma vez que o principal só seria exigido no final dos prazos de cada contrato do PESA, em face da cláusula pro solvendo na liquidação do principal, manteve os certificados em sua escrita fiscal. A fiscalização, por fim, concordou com a Recorrente, mas ressalvou que, em sendo assim, o valor dos CTN deveria ser sempre igual ao valor do principal da dívida, ou seja, a variação do IGPM, ativa e passiva, deveria ser igual tanto para o direito (CTN) como para a obrigação (empréstimos do PESA). Na apuração fiscal foi necessário fazer ajustes alocando o principal da dívida e sua atualização, que não existiam, e atualizar na mesma proporção os CTN. Os ajustes se anulam ao longo do tempo, porque tanto o principal da dívida quanto os CTN são atualizados pelo IGPM. De outro lado, na apuração fiscal, os juros ficaram em conta à parte, conciliados com o valor do banco, representando a dívida renegociada em 2009. Partindo do princípio que no anocalendário 2000 a escrituração continha o saldo do principal devidamente contabilizado (R$ 99.486.000,00), assim como o valor de aquisição dos CTN (R$ 10.313.713,62), a fiscalização elaborou o “Demonstrativo do excesso de despesas financeiras e de omissão de receitas”, concluindo que, caso o sujeito passivo tivesse escriturado o valor de face dos CTN (R$ 99.486.000,00), o saldo em 31/05/2009 não seria de R$ 64.292.996,88, mas sim de R$ 23.298.940,64 (fls. 153/154). Ajustando o montante dos juros devidos, os descontos legais da renegociação de 2009, atualização dos CTN e do principal da dívida, a fiscalização verificou que a Recorrente apropriou despesas em excesso e deixou de escriturar receitas, que resultaram em um desvirtuamento do resultado do exercício, aumentando indevidamente o prejuízo fiscal e as bases negativas de CSLL apuradas pela Recorrente naquele anocalendário. Os ajustes indevidos apurados pela fiscalização são os seguintes: 1) Despesas financeiras indevidas de R$113.567.537,36 (R$ 111.185.863,75 relativo a juros futuros indevidamente escriturados por não se referirem ao período + R$ Fl. 471DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 18 17 2.381.673,61 calculados a maior no ano). Tais juros mostramse superiores aqueles consolidados pelo Banco do Brasil incorridos até 15/06/2009; 2) Falta de reconhecimento de variações monetárias ativas sobre os CTN no valor de R$ 6.212.494,40 (R$ 160.310.686,54 – R$ 154.098.392,14); 3) Falta de reconhecimento de descontos obtidos na renegociação no valor de R$ 2.484.920,50 (R$ 89.188.939,00 – R$ 86.704.018,50). A partir de tais ajustes, restou evidenciado que a Recorrente apurou prejuízo contábil efetivo no período de R$ 8.516.181,22, e não de R$ 130.780.933,48. Esclarecidas as questões fáticas, passo a analisar o auto de infração. Infração 3 Despesas financeiras não comprovadas no valor de R$ 113.567.537,36 A questão discutida nestes autos se revelou bastante dificultosa, em função da pouca clareza revelada pelo procedimento fiscal e pela defesa apresentada pela Contribuinte. Depois de bastantes debates na Turma, os membros conseguirem entrever qual o erro cometido pela autoridade tributária, que redundou na exigência fiscal aqui discutida. O agente fiscal refez os demonstrativos de resultados da Recorrente partindo de um dado equivocado, pois considerou o valor dos títulos adquiridos pela Recorrente pelo seu valor de face, e não pelo valor descontado, ou seja, o valor líquido pago pela recorrente na aquisição dos certificados em 2000. Isso fica claro quando examinamos o demonstrativo de fls 194, abaixo reproduzido, denominado “situação ideal”, lançamento “A” : Fl. 472DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 19 18 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 20 19 Da análise do quadro acima percebese que a Autoridade Fiscal considerou que a Recorrente, no momento em que adquiriu os títulos a valor presente teria auferido um ganho equivalente ao valor do deságio concedido. Todavia, não considerou este ganho como um resultado do exercício de 2000, mas fez refletir o ganho no exercício de 2009, o que teria redundado numa receita maior do que a receita apropriada pela recorrente naquele exercício. Consequentemente, como a receita com a valorização dos títulos, calculada a partir do valor de face dos títulos e não do seu valor presente, calculou uma diferença a menor a favor da Recorrente, e consequentemente um prejuízo fiscal menor no período fiscalizado. O procedimento adotado, contudo, está equivocado, conforme concluiu o colegiado, dado que o registro efetuado pela Recorrente foi correto. Com efeito, a Resolução CMN nº 2.471/98 autorizava a renegociação de dívidas originárias de crédito rural sob condições especiais, vedada a equalização de encargos financeiros pelo Tesouro Nacional. Esta renegociação estava condicionada à aquisição, pelos devedores, por intermédio da instituição financeira credora, de Certificados do Tesouro Nacional (CTN), com valor de face equivalente ao da dívida a ser renegociada, os quais devem ser entregues ao credor em garantia do principal. O CTN, para efeito de utilização para pagamento da dívida, era considerado pelo valor de face, R$ 1.000,00, mas era adquirido, na forma prevista pela legislação, pelo seu preço unitário descontado por 20 anos (prazo do CTN), totalizando R$ 103,67. Desta forma, o mutuário paga, nesta modalidade de renegociação, 10,37% pelo principal de sua dívida, ficando devedor dos juros durante o período alongado. Assim, o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal, de partir do valor de face dos títulos para atualizar os ativos e passivos mostrouse equivocado. Este equívoco foi o que gerou as diferenças encontradas e consideradas no auto de infração lavrado. Portanto, uma vez errado o procedimento da autoridade fiscal, o auto deve ser cancelado neste ponto. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 21 20 Infração 1 – Omissão de receitas financeiras no valor de R$ 2.484.920,50 Aqui, a fiscalização pretende exigir o montante de R$ 2.484.920,50, correspondente à parte do desconto dos juros concedidos pelo Banco do Brasil na renegociação da dívida. Sustenta que o desconto concedido pelo Banco do Brasil foi de R$ 89.188.939,00, ao passo que a Recorrente só teria contabilizado R$ 86.704.018,50, gerando a diferença lançada. Na linha do quanto exposto acima, da mesma forma como a Recorrente não tinha o dever legal de submeter as receitas futuras alcançadas com a atualização dos CTN’s à tributação (R$ 154.098.3963,13), não tinha o dever legal de submeter à tributação a receita referente ao desconto obtido na renegociação, no valor de R$ 89.188.939,00. A Recorrente apenas fará jus aos descontos concedidos pela Lei nº. 11.775/2008 se houver o adimplemento de todas as parcelas. Dessa forma, uma vez que os descontos eram calculados sobre as parcelas, na medida em que eram pagas, não deveriam ter sido reconhecidos integralmente no ano de 2009, mas divididos em 20 parcelas e liquidados sob o regime de caixa. Posto isso, não há que se falar em omissão de receitas financeiras, devendo ser cancelado o lançamento nesse item. Infração 2 Omissão de variações monetárias ativas no valor de R$ 6.212.294,40 Aponta o fisco a falta de escrituração do total das variações monetárias ativas sobre os CTN’s adquiridos pela Recorrente. Conforme entendimento fiscal, os CTN’s deveriam ter o mesmo valor do saldo da dívida principal da Recorrente com o Banco do Brasil. Assim, apurou a diferença entre o suposto saldo do principal apontado pelo Banco do Brasil reduzindo o valor atualizado dos CTN’s contabilizado em 31/05/2009, apurando o montante de R$ 160.310.686,54, que seria correspondente à variação monetária ativa. Entendendo que a Recorrente teria oferecido à tributação somente o montante de R$ 154.098.3963,13, apurou a diferença autuada de R$ 6.212.494,40. Em memoriais a Recorrente esclarece que o saldo do principal constante do razão contábil em 31/12/2009 é o mesmo saldo do extrato do Banco do Brasil em 31/12/2009, a saber: R$ 223.141.953,75, conforme fls. 208, 378, 380 e 381 dos autos. Assim, já haveria uma diferença de R$ 1.461.729,67 (item D da planilha anexa aos memoriais da Recorrente) lançada a maior pela fiscalização. Ademais, por apurar a variação monetária em data anterior ao fim do exercício (31/05/2009), o fisco desconsiderou todos os demais lançamentos posteriores (itens I a IX da planilha anexa aos memoriais) que, somados, correspondem exatamente ao valor glosado pela fiscalização. De fato, conforme provas nos autos e planilha anexada aos memoriais, os argumentos prosperam. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 14098.720025/201329 Acórdão n.º 1402001.771 S1C4T2 Fl. 22 21 Entretanto, nesse ponto, não bastasse isso, as diferenças também não poderiam ser exigidas, pois, nos moldes do quanto aduzido acima, a Recorrente não tinha o dever legal de contabilizar antecipadamente todas as receitas decorrentes da atualização dos CTN’s. Com efeito, exonerase o lançamento nesse item. O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Pelo exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 476DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.001353/2008-40
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício:2004
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
PER/DCOMP.
A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação.
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício:2004 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalva-se à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. LUCRO REAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. PER/DCOMP. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 53 /2 00 8- 40 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 168 2 A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0512, com a exigência do crédito tributário no valor de R$465.671,92, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento ou de declaração da contribuição social devida, apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados, [...] Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fl. 9: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 169 3 CSLL — FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO REFERENTE À APURAÇÃO ANUAL DO ANOCALENDÁRIO 2003. 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS Do procedimento de revisão interna da DIPJ 2004 — Anocalendário 2003, constatamos que o contribuinte deixou de declarar em DCTF e de efetuar os recolhimentos estimados da CSLL nos períodos de apuração relacionados no quadro abaixo. O lançamento é efetuado com base no período de apuração 31/12/2003, considerando como contribuição devida o total dos valores estimados não recolhidos, obtidos na ficha 17 da DIPJ — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, linha 48 — CSLL a pagar. COMP DIPJ DCTF DARF DIFERENÇA 01/2003 1.128.407,34 931.713,81 931.713,81 196.693,53 Regularmente intimado através de Termo de Intimação recebido em 11/04/2008, o contribuinte alegou que em janeiro de 2003 efetuou compensação de valores recolhidos a maior em dezembro de 2002. Entretanto, deixou de formalizar tal ato através da "Declaração de Compensação" prevista na Instrução Normativa SRF n° 210, de 30/09/2002, ensejando o lançamento de ofício do crédito tributário apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração, do qual este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 2834, com as alegações a seguir sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre os fatos e diz apresentar a peça de defesa tempestivamente suscitando que: 5. Inicialmente, cumpre destacar que a D. Autoridade Fiscal entendeu por bem autuar a Impugnante em razão suposto recolhimento a menor da CSLL. 6. No Termo de Verificação Fiscal, todavia informa que houve a compensação do valor apurado de CSLL no mês janeiro de 2003, com crédito oriundo de recolhimento a menor efetuado em dezembro de 2002. 7. Notese, do acima exposto que o valor declarado no mês de janeiro de 2003 foi compensado com crédito apurado no mês de dezembro de 2002, razão pela qual não há que falar em insuficiência de pagamento. 8. Tendo em vista que a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, a própria D. Autoridade Fiscal reconhece que o crédito ora combatido foi devidamente quitado. 9. Assim, conforme se denota da escrituração contábil da Impugnante, referido crédito de CSLL foi compensado com o débito apurado da contribuição devida no mês de janeiro de 2003 [...]. 10. Pontuese, por oportuno, que a não entrega da Declaração de Compensação seria apenas ato formal. Ora, como sabido e consabido, um simples Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 170 4 vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Impugnante, mesmo porque, tal crédito foi devidamente escriturado, bem como o foi a compensação efetuada. 11. Neste passo, importante destacar que é dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, a busca dos fatos, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. 12. Assim sendo, ao invés de autuar a Impugnante, a D. Autoridade Fiscal deveria têla intimado a apresentar os documentos comprobatórios da existência do crédito, tais como os livros,contábeis e fiscais, bem como da compensação efetuada. 13. Aliás, importante destacar que a Receita Federal tem acesso a todas as declarações do contribuinte, bem como aos DARF's de recolhimento dos tributos em seu sistema, razão peLa qual poderia ter verificado a existência do crédito referente a dezembro de 2002 e a compensação efetuada em janeiro de 2003 14. A adoção de tal procedimento, inclusive estaria em consonância com os princípios administrativos da moralidade, da eficiência e da celeridade, previstos no artigo 37 da Constituição Federal e no artigo 2º, da Lei n.° 9.784/99 [...] 16. Concluise, pois, que suposto equívoco jamais poderia culminar na desconsideração de crédito oriundo de recolhimento indevido, máxime por tratarse de vício de forma, não havendo, portanto, qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado. [...] 19. Concluise, pois, que, através da, escrituração contábil ora acostada, restou comprovado tanto do crédito oriundo do recolhimento a maior da CSLL apurada dezembro de 2002, quanto a compensação efetuada em janeiro de 2003, motivo pelo qual mero vício formal não poderia ter sido utilizado, razão para o não reconhecimento da quitação da CSLL e, consequentemente, para a lavratura do auto de infração ora combatido. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 20. Diante do acima exposto, a presente Impugnação julgada procedente, cancelandose o auto de infração em sua totalidade. Está registrado como ementa do Acórdão da 8ª TURMA/DRJ/SPOI/SP nº 16 35.042, de 02.12.2011, fls. 5463: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITO OBJETO DE AUTOCOMPENSAÇÃO. FALTA DE PROTOCOLIZAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. INVALIDADE DO PROCEDIMENTO. A compensação tributária, diferentemente da autocompensação admitida no âmbito das relações privadas civis, possui forma específica estabelecida em lei, a Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 171 5 protocolização de Declaração de Compensação DCOMP, constituindo esta requisito essencial para a validade do encontro de contas entre contribuinte e Fisco, com efeito de extinção de crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 12.12.2011, fl. 66, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.01.2012, fls. 6782, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que apresenta a peça de defesa tempestivamente arguindo que: II DO DIREITO II.l DA COMPENSAÇÃO REALIZADA PELA RECORRENTE À época em debate, a Recorrente apurou o IRPJ e a CSLL com base no lucro real, mediante o pagamento de estimativas mensais, com base na legislação aplicável, fazendo o seu controle por meio de levantamento de Balancete de Suspensão ou Redução. Nesse passo, no mês de janeiro de 2003, a Recorrente apurou uma estimativa mensal de CSLL a pagar no valor total de R$1.128.407,34 (um milhão e duzentos e vinte e oito mil e quatrocentos e sete reais e trinta e quatro centavos), como se depreende do Livro Razão já trazido à baila quando da apresentação da competente Impugnação, e da Ficha 16 da DIPJ/2004 (Doe. 03). Para quitar a estimativa mensal de janeiro, a Recorrente efetuou o pagamento de parte da CSLL apurada por meio de DARF, no valor de R$931.713,81 (novecentos e trinta e um mil e setecentos e treze reais e oitenta e um centavos), conforme comprova a DCTF referente ao 1º trimestre de 2003, e a parte remanescente R$196.693,53 [...] foi devidamente compensada com o saldo negativo acumulado em períodos anteriores, segundo evidencia a escrituração contábil da Recorrente [...]. Ocorre que, a despeito do correto procedimento adotado pela Recorrente, a D. Autoridade Julgadora de 1ª instância insiste em não reconhecer a compensação efetuada, sob o equivocado argumento de que aquela não teria sido formalizada, ante a ausência de apresentação de DCOMP. [...] Ou seja, os D. Julgadores infra apegaramse, com afinco, ao mero formalismo da compensação e deixaram de constatar a comprovada existência do crédito compensado e a regular quitação da estimativa de janeiro de 2003. Todavia, esse entendimento não deve prevalecer. De início, devese destacar que, nos termos do artigo 6º, § 2º, da Lei n° 9.430/96 Seção referente ao "Pagamento por Estimativa Mensal" o saldo negativo acumulado em períodos anteriores pode ser utilizado para pagamento das estimativas mensais do anocalendário subseqüente. [...] Da breve leitura do dispositivo legal acima reproduzido, extraise que o saldo negativo acumulado em anos anteriores poderá ser automaticamente utilizado para compensar as estimativas mensais do ano seguinte. Foi exatamente o que ocorreu in casu. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 172 6 Tendo sido apurado um saldo negativo de CSLL de anos anteriores, a Recorrente procedeu à compensação deste para abatimento da parcela da estimativa mensal de CSLL do mês de janeiro de 2003. Esta compensação foi efetuada com base no controle da escrituração contábil da Recorrente e registrada em seu Livro Razão. Todavia, por um lapso, a Recorrente deixou de declarar tal feito em DCTF. Contudo, a compensação foi realizada, tendo sido diminuído o saldo credor da Recorrente, não havendo prejuízo algum ao Fisco Federal. Diversamente, no presente caso, o resultado tributário da compensação efetuada será sempre neutro. Isto, pois a compensação realizada causou a diminuição dos créditos mantidos pela Recorrente, que por óbvio não utilizou tal parcela em compensação outra posteriormente. Na hipótese em que o contribuinte reconheceu o débito referente à estimativa mensal, e o compensa com saldo negativo de anos anteriores, não surge prejuízo ao Erário, uma vez que o saldo, mantido na escrita fiscal e contábil, foi diminuído. Se assim não o fosse, tal saldo seria utilizado para o pagamento de outros débitos, acarretando na neutralidade referente à sobreposição de créditos e débitos de imposto. Assim não se vislumbra descumprimento de obrigação principal, isto é, ausência de recolhimento do imposto. Ora, a mera falta de DCOMP de forma alguma implicou [...] inadimplência da Recorrente, sendo, quando muito, inobservância de uma obrigação acessória, o que, no entanto, não se está a discutir. Frisese, assim, não se pode falar em falta de recolhimento do imposto, como quer fazer crer a D. Autoridade Fiscal. Questionase, portanto, somente a forma do procedimento adotado pela Recorrente para o recolhimento do imposto; e não se este foi ou não recolhido. Essa última hipótese é incontroversa, na medida em que houve a compensação, como demonstra o Livro Razão Analítico da Recorrente. Ou seja, o efeito financeiro seria precisamente o mesmo, sim se afirma, porque a Recorrente teria efetuado o pagamento dos débitos que compensou com o saldo negativo apurado, mas, por outro lado, ao término, teria acumulado ainda mais créditos para compensar com outros débitos. Aliás, vejase que em momento algum fora questionada a existência ou não do saldo negativo acumulado em 2002, sendo que este fato é incontroverso. Inadmitindose a compensação, estarseia negando a existência do crédito apurado. Portanto, sendo válido o procedimento da compensação realizado pela Recorrente, não há que se falar em débito do tributo a pagar. Outrossim, a título meramente argumentativo, mister se faz fazer uma pausa para divagar sobre um possível questionamento dos Ilustres Conselheiros. O artigo 6º, § 2º, da Lei n° 9.430/96 que dispõe sobre a possibilidade de compensação de saldo acumulado em períodos anteriores com as estimativas mensais, teria limitado tal feito ao mês de abril do ano subseqüente do saldo acumulado. Essa limitação, por sua vez, tem uma causa de existir. E que é exatamente em abril que é realizado o ajuste anual, com a entrega da DIPJ, e, consequentemente, apurado o valor exato do saldo negativo acumulado das pessoas jurídicas. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 173 7 Portanto, em princípio, somente a partir do mês de abril é que seria possível a apuração do saldo negativo para sua compensação com os débitos de estimativas mensais. Todavia, o aplicador do direito deve buscar a real intenção do legislador, para, então, interpretar a norma jurídica e aplicála adequadamente. Sendo assim, caso o contribuinte já tenha condições de apurar o saldo negativo da CSLL ao final do mês de dezembro, este já poderá ser utilizado. Ora, nos casos em que a forma de apuração do lucro real se dá através dos Balancetes de Suspensão/Redução do imposto, previsto no artigo 230 do RIR/99 o que é o caso , a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. A suspensão ou redução do pagamento é aplicável inclusive sobre o imposto de mês de janeiro Assim, a cada período abrangido pelo Balancete de Suspensão/Redução, o contribuinte tem que apurar o lucro real, sendo que este consiste no lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações, nos termos do artigo 247 do RIR/99. E mais, in casu, como a Recorrente apurou o lucro real a cada período abrangido pelo Balancete de Suspensão/Redução como demonstra a sua DIPJ , efetuou todas as exclusões, adições e compensações permitidas por lei, ao final do anocalendário o imposto a pagar corresponde exatamente ao valor das estimativas mensais pagas com base nos balancetes de suspensão ou redução. Em outras palavras, os contribuintes que efetuarem a apuração do IRPJ e da CSLL por meio de controle de balanço ou balancete de suspensão ou redução, ao final do mês de dezembro, já visualizam devidamente o valor efetivo do saldo negativo apurado ao longo do exercício fiscal. Assim, já ao final do anocalendário possuem o montante do saldo negativo apurado, podendo, a partir do mês de janeiro subsequente, utilizar tal crédito para a compensação das estimativas mensais. Nesse sentido, a própria Receita Federal do Brasil tem o entendimento de que o saldo negativo apurado poderá ser utilizado a partir do mês de janeiro do ano subseqüente. Confirase o que dispõe o Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal SRF n° 3 de 07.01.2000, [...] Ou seja, ao final do exercício, a Recorrente já tinha conhecimento do valor do saldo negativo uma vez que controla a apuração do IRPJ e CSLL por meio de balancete de suspensão ou redução , e, portanto, procedeu à compensação daquele valor com os valores devidos a título de estimativa mensal relativa ao mês de janeiro de 2003. Diante de todo o exposto, resta demonstrado a possibilidade e a efetividade da compensação da estimativa mensal de CSLL referente ao mês de janeiro de 2003, o que evidencia que o débito em questão encontrase devidamente extinto, nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional, devendo, portanto, o AI ser integralmente cancelado. II.2 DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 174 8 Como se vê, [...], a compensação somente poderia ser formalizada com a transmissão de DCOMP, simplesmente olvidando a verdade material dos fatos que evidencia a regular quitação do imposto apurado em janeiro de 2003 e, pois, no ano de 2003. Pontuese, por oportuno, que a não entrega da Declaração de Compensação seria apenas ato formal, ao contrário do que alegou a D. DRJ. Ora, como sabido e consabido, um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque, tal crédito foi devidamente escriturado, bem como o foi a compensação efetuada. Neste passo, importante destacar que é dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, a busca dos fatos tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, não podendo, em hipótese alguma, se ater às questões formais. Assim sendo, ao invés de autuar a Recorrente, a D. Autoridade Fiscal deveria têla intimado a apresentar os documentos comprobatórios da existência do crédito, tais como os livros contábeis e fiscais, bem como da compensação efetuada. Aliás, importante destacar que a Receita Federal tem acesso a todas as declarações do contribuinte, bem como aos DARF's de recolhimento dos tributos em seu sistema, razão pela qual poderia ter verificado a existência do crédito referente a dezembro de 2002 e a compensação efetuada em janeiro de 2003. A adoção de tal procedimento, inclusive, estaria em consonância com os princípios administrativos da moralidade, da eficiência e da celeridade, previstos no artigo 37 da Constituição Federal e no artigo 2º, da Lei n.° 9.784/99, [...]. Concluise, pois, que suposto equívoco JAMAIS poderia culminar na desconsideração de crédito oriundo de recolhimento indevido, máxime por tratarse de vício de forma, não havendo, portanto, qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado. [...] Concluise, pois, que, por meio da escrituração contábil ora acostada, restou comprovado tanto a existência do crédito oriundo do recolhimento a maior da CSLL apurada no mês de dezembro de 2002, quanto a compensação efetuada em janeiro de 2003, motivo pelo qual mero vício formal não poderia ter sido utilizado como razão para o não reconhecimento da quitação da CSLL, como quer fazer crer a D. DRJ. Diante do exposto, deve ser integralmente reformado o acórdão ora recorrido, a fim de ser reconhecida a compensação realizada pela Recorrente, e, consequentemente, seja cancelado o AI. II.3 SUBSIDIARIAMENTE: DA INDEVIDA APLICAÇÃO DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Ainda subsidiariamente, caso não seja cancelado o crédito tributário consubstanciado no presente processo, bem como a multa de ofício, o que se admite apenas para argumentar, devese, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a referida multa de ofício. Nesse contexto, a Recorrente traz à baila o recente julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do qual decidiuse cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. [...] Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 175 9 Os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Aqueles não podem ser confundidos com as multas (penalidade), pois têm causas diversas, conforme dispõe o artigo 3º do CTN. Ao utilizar a expressão "débitos para coma União, decorrentes de tributes e contribuições"', a Lei n° 9.430/96 somente pode estar se referindo a débitos não lançados, visto que normatiza a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de ofício lançada proporcionalmente. Ademais, corroborando o entendimento acima, o § único do artigo 43, da Lei n° 9.430/96, prevê a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente [...]. Concluise, portanto que a expressão "Débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" não contempla a multa de ofício, pois se assim não fosse, não haveria necessidade alguma para a existência do § único, do artigo 43, da Lei n° 9.430/96. Portanto, ao interpretar a legislação ordinária verificase que aquela autoriza expressamente a incidência de juros de mora somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada. Ademais, ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, do CTN, verificase que o próprio CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo. [...] O dispositivo acima transcrito autoriza a incidência de juros sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento". Por sua vez, o artigo 139, CTN defini crédito como "o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta". E, por fim, o artigo 113 dispõe sobre a obrigação tributária [...]. Vêse que a confusão enfrentada está na inclusão da expressão "penalidade pecuniária" no § 1º. Contudo, essa expressão nada mais é do que a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória, que se converte em obrigação principal nos termos do § 3º. Jamais, portanto, essa expressão poderia ser interpretada como penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago. Ressaltese, ainda, que caso multa de ofício estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido artigo de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Assim, concluise que o CTN não autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Portanto, subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o Auto de Infração com base no direito arguido na presente Impugnação, o que se admite apenas para argumentar, deve essa E. Turma, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 176 10 Conclui que: Ex positis, requer seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o v. acórdão e cancelada a autuação ora combatida em sua totalidade, ante a comprovação da regular quitação da estimativa de janeiro de 2003 e, pois, da CSLL apurada em 2003, mediante regular utilização de crédito do imposto apurado em dezembro de 2002. Subsidiariamente, requer, ao menos, sejam cancelados os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, porquanto não há base legal para tal exigência, na forma do que já decidiu a C. CSRF. A Recorrente junta aos autos a petição de fls. 163165 argumentando que aplicase ao presente caso o enunciado a Súmula CARF nº 82 que prevê que “após o encerramento do anocalendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. Acrescenta: 3. Tal como naquele caso, apesar de o Auto de Infração indicar que se trataria de insuficiência de recolhimento ou de declaração da CSLL, a origem da exigência diz respeito à diferença de estimativa relacionada ao mês de 01/2003. 4. Não obstante o AI registrar como suposta data do fato gerador 31/12/2003, quando se confronta o valor tributável (R$196.693,53) e o período de competência indicado no Termo de Verificação Fiscal (01/2003), resta claro que o objetivo foi cobrar a diferença de estimativa referente ao mês de 01/2003, corroborado pelo fato de que, sequer se indicou, na autuação, o montante da base de cálculo da CSLL em 31/12/2003 e tampouco os valores recolhidos a título de estimativas, para se chegar ao montante devido no respectivo ajuste. 5. Neste caso, o que se poderia perquirir, por meio da autuação, seria a exigência de multa pela falta de recolhimento da estimativa e, mesmo assim, tal exigência seria improcedente, eis que posterior ao encerramento do anocalendário a que se refere. 6. Portanto, em adição a tudo o quanto exposto no Recurso Voluntário, é inconteste a improcedência da cobrança da estimativa de CSLL apurada em 01/2003, por meio de autuação lavrada em 22/09/2008, por violar a Súmula CARF n° 82, o que há de ser asseverado por esta C Turma, também em harmonia com o decidido por meio do v. acórdão n° 1402001.509. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 177 11 março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 178 12 operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridades Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 0922 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/SDS/BA nº 1515.792, de 21.05.2008, fls. 681692, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente discorda do lançamento de ofício ao argumento de que tem cabimento a aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 82. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 179 13 vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Caracterizada a falta de recolhimento, ressalvase à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente6. Vale ainda esclarecer que a Súmula CARF nº 82 em seu enunciado prevê que “após o encerramento do anocalendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na insuficiência de recolhimento de CSLL apurados pelo cotejo entre os dados informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 1721, e aqueles contidos na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Falta de recolhimento de CSLL no anocalendário de 2003 AnoCalendário (A) DIPJ R$ (B) DCTF R$ (C) DARF R$ (D) Diferenças Apuradas de Ofício R$ (E) 2003 1.128.407,34 931.713,81 931.713,81 196.693,53 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 180 14 Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 0910, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS Do procedimento de revisão interna da DIPJ 2004 — Anocalendário 2003, constatamos que o contribuinte deixou de declarar em DCTF e de efetuar os recolhimentos estimados da CSLL nos períodos de apuração relacionados no quadro abaixo. O lançamento é efetuado com base no período de apuração 31/12/2003, considerando como contribuição devida o total dos valores estimados não recolhidos, obtidos na ficha 17 da DIPJ — Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, linha 48 — CSLL a pagar. [...] Regularmente intimado através de Termo de Intimação recebido em 11/04/2008, o contribuinte alegou que em janeiro de 2003 efetuou compensação de valores recolhidos a maior em dezembro de 2002. Entretanto, deixou de formalizar tal ato através da "Declaração de Compensação" prevista na Instrução Normativa SRF n° 210, de 30/09/2002, ensejando o lançamento de oficio do crédito tributário apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração, do qual este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. Tendo em vista o argumento da Recorrente de que no presente caso tem aplicação o enunciado da Súmula CARF nº 82, vale analisar a Ficha 16 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa da DIPJ do anocalendário de 2003, fls. 1820, onde consta: Meses do AnoCalendário de 2003 CSLL Determinada sobre a Base de Cálculo Estimada a Pagar R$ Janeiro 1.128.407,34 Fevereiro 1.453.307,72 Março 2.417.923,76 Abril 528.724,56 Maio 982.443,31 Junho 799.089,18 Julho 1.373.337,16 Agosto 2.014.826,56 Setembro 0,00 Outubro 0,00 Novembro 1.963.934,63 Dezembro 821.912,38 Total 13.483.906,60 Comparativamente, na Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ do anocalendário de 2003 está discriminado, fl. 17: CÁLCULO DA CSLL 38.CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO TOTAL 13.483.906,60 [...] Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 181 15 41.()CSLL Mensal Paga por Estimativa 13.483.906,60 [...] 48.CSLL A PAGAR 0,00 No confronto desse valor com as quantias confessadas nas Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF) temse a diferença no valor de R$196.693,53. Como não houve apuração de CSLL a pagar (Linha 48), em face da informação incorreta e a maior de estimativa de CSLL no mês de janeiro do anocalendário de 2003 (Linha 41), no valor de R$196.693,53, restou para ser cobrado um valor de CSLL a pagar (Linha 48) de R$196.693,53 no ajuste anual. A eventual coincidência de valores da CSLL a pagar.com a estimativa de janeiro, não a converte em uma estimativa e permanece sua incólume sua natureza de ajuste anual.. Como não houve apuração de CSLL a pagar (Linha 48), em face da informação incorreta e a maior de estimativa de CSLL no mês de janeiro (Linha 41), no valor de R$196.693,53, restou para ser cobrado um valor de CSLL a pagar (Linha 48) de R$196.693,53. O ato administrativo vinculante é o Auto de Infração que constitui o crédito tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Houve a identificação (a) do crédito tributário como sendo a CSLL pelo código de receita 2373 CSLL lançamento de ofício, (b) do fato gerador ocorrido em 31.12.2003, (c) da descrição dos fatos como sendo a insuficiência de recolhimento ou de declaração da CSLL devida e (d) do enquadramento legal respectivo (inciso IV do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, RIR, de 1999: “o lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo [...] não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte”). No Auto de Infração está corretamente registrado que o fato gerador ocorreu em 31.12.2003 no valor tributável de R$196.693,53. O Termo de Verificação Fiscal é somente um ato de esclarecimento e o período ali indicado é a origem desse valor. Resta demonstrado de forma clara, explícita e congruente que o objetivo do lançamento é exigir a diferença de CSLL devida em 31.12.2003, ainda que esse valor coincida com a falta de recolhimento da CSLL determinada pela base de cálculo estimativa referente ao mês de janeiro do ano calendário de 2003. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente suscita que a compensação deve ser homologada. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 182 16 Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 7. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Não restou comprovado nos autos que a Recorrente tenha apresentada no tempo, no lugar e na forma determinados pela legislação tributária o Per/DComp correspondente à compensação do débito objeto do lançamento de ofício, já que o fez tão somente em sua escrituração contábil. Ademais, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, ou seja, desde que tenha apresentado o Per/DComp correspondente, o que não ocorreu nos presentes autos. Essa é uma condição de procedibilidade indispensável para que a compensação tenha possibilidade jurídica de ser homologada e possa surtir os efeitos jurídicos que lhe são peculiares. O motivo destacado pela defendente, por conseqüência, não pode ser verificado. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês9. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 183 17 constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200910 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. Esclareçase inclusive que tem cabimento a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, após o seu vencimento, e está prevista no art. 43 e art. 61 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nesse sentido, a multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratado nos autos12. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 11 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 12 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 184 18 – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância13. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 13 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.001353/200840 Acórdão n.º 1803002.503 S1TE03 Fl. 185 19 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/02/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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