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Numero do processo: 16561.720057/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabível embargos inominados quando constatado inexatidão material em relação ao acórdão embargado, carecendo de correção, ainda que sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1201-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720057/201174 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201002.359 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria Embargos inominados Embargante CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabível embargos inominados quando constatado inexatidão material em relação ao acórdão embargado, carecendo de correção, ainda que sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela pessoa jurídica CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S/A, em face do Acórdão nº 1201 001.779 (fls. 25272572), de 21/06/2017, por meio do qual essa 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 57 /2 01 1- 74 Fl. 2617DF CARF MF 2 Seção negou provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário do contribuinte, do seguinte modo: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em manter a autuação referente à subsidiária na Colômbia e, pelo voto de qualidade, em manter a autuação da subsidiária no Equador, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, Luis Toselli, Rafael Lima e Eduardo Morgado, que afastavam a tributação por força da aplicação do tratado celebrado com esse país. O acórdão embargado adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008 LUCROS NO EXTERIOR. TRATADOS PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE COM A LEGISLAÇÃO NACIONAL. Não há incompatibilidade entre os tratados para evitar a bitributação e o artigo 74 da MP n. 2.15835/ 2001, no que tange às hipóteses não alcançadas ou não apreciadas pelo STF no julgamento da ADI n. 2.588. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NO BRASIL. A tributação dos lucros de sucursal ou controlada sediada no exterior implica sua adição ao lucro líquido da pessoa jurídica matriz ou controladora sediada no Brasil, conforme o método da equivalência patrimonial. O procedimento exige a adição do lucro auferido no exterior para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos no país. COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. Cabe ao interessado comprovar, mediante documentos hábeis, planilhas e demais documentos de suporte, a existência de imposto pago no exterior, nos termos da legislação de regência. Não se pode admitir a compensação do pagamento de imposto no exterior quando se verifica que em período subsequente à adição ao lucro real a pessoa jurídica procedeu à dedução do imposto que pretendia utilizar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201174 Acórdão n.º 1201002.359 S1C2T1 Fl. 3 3 Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso Em 23/02/2018, o contribuinte foi cientificado do acórdão conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (fl.2591). Em 02/03/2018 apresentou os embargos de declaração (fls.25942600), de acordo com Termo de Solicitação de Juntada (fl.2592). Considerando que o dia 24/02/2018 era um sábado, o prazo se iniciou no dia 26/02/2018. Certificase, portanto, a TEMPESTIVIDADE do recurso interposto, nos termos do art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Notificado da referida decisão em 23/02/2018, o contribuinte opôs embargos de declaração em 02/03/2018, que foram admitidos parcialmente consoante exposto no despacho (efls.2.604/2.615), de 20/04/2018, e encaminhados os autos à Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos (Dipro/Conjul) para sorteio a qualquer conselheiro da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1a.Seção de Julgamento, tendo em vista que o relator do acórdão não mais pertence ao colegiado, conforme preceitua o § 5º do art.49 do RICARF, para apreciação dos embargos e posterior inclusão em pauta de julgamento. Consta do mencionado despacho de admissibilidade dos embargos de declaração (efls.2.604/2.615) a seguinte conclusão: Conclusão Por todo o exposto, após a análise de cada alegação em separado, acolhendo o presente recurso como embargos inominados, no que se refere à alegação de erro material, e como embargos de declaração, no que toca às alegadas omissões, concluo que: o autor demonstrou a existência de erro material quanto à renúncia do Embargante às alegações de direito sobre as quais se fundam o mandado de segurança nº 0002630 38.2003.4.03.6100 (item 1.1); o autor não demonstrou omissão em relação aos seguintes argumentos: inaplicabilidade dos juros Selic na postergação do pagamento (item 1.2); Incidência da Selic sobre os Juros de Mora (item 2); Compensação do IR recolhido no Exterior (item 3); Por esta razão, rejeito os embargos de declaração em tela, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 e admito os embargos inominados nos termos do art.66 do RICARF. É o relatório. Voto Fl. 2619DF CARF MF 4 Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora Conforme relatado, o contribuinte, notificado do Acórdão nº 1201001.779 (fls. 25272572), em 23/02/2018, opôs embargos de declaração/inominados, tempestivamente, que foram admitidos parcialmente consoante exposto no despacho (efls.2.604/2.615), de 20/04/2018. Assim, deles conheço. Para melhor entendimento e delimitar a lide repito a transcrição da conclusão do despacho de admissibilidade dos embargos de declaração (efls.2.615), in verbis: Conclusão Por todo o exposto, após a análise de cada alegação em separado, acolhendo o presente recurso como embargos inominados, no que se refere à alegação de erro material, e como embargos de declaração, no que toca às alegadas omissões, concluo que: o autor demonstrou a existência de erro material quanto à renúncia do Embargante às alegações de direito sobre as quais se fundam o mandado de segurança nº 0002630 38.2003.4.03.6100 (item 1.1); o autor não demonstrou omissão em relação aos seguintes argumentos: inaplicabilidade dos juros Selic na postergação do pagamento (item 1.2); Incidência da Selic sobre os Juros de Mora (item 2); Compensação do IR recolhido no Exterior (item 3); Por esta razão, rejeito os embargos de declaração em tela, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 e admito os embargos inominados nos termos do art.66 do RICARF. Como se vê, a análise da matéria restringese aos embargos inominados, porque admitidos, no que se refere à alegação de erro material. Alega a Embargante que o colegiado concluiu que a embargante teria renunciado às alegações de direitos sobre as quais se fundam o mandado de segurança nº000263038.2003.4.03.6100. A Embargante afirma que não manifestou renúncia parcial ao mandado de segurança nº000263038.2003.4.03.6100, e que a renúncia foi requerida apenas pela CAMARGO CORREA S.A., e não pela Embargante (CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S/A). Colacionou trecho da decisão judicial que homologou a renúncia (fl.2212): Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 16561.720057/201174 Acórdão n.º 1201002.359 S1C2T1 Fl. 4 5 De fato, constatase que a ação tem mais de um autor e que a renúncia parcial foi requerida apenas por CAMARGO CORREA S/A, e não pela Embargante. Sobre a matéria a ser tratada, no voto condutor do acórdão embargado, assim constou: a) Impossibilidade de tributação em razão do Tratado Brasil Equador Neste tópico, a Recorrente questiona a possibilidade de a legislação brasileira alcançar o resultado de empresa sediada no Equador, em suposta ofensa ao tratado firmado para evitar a bitributação, bem assim aduz que tal medida fere a Convenção de Viena e não encontra amparo jurídico. Sobre a questão, já nos manifestamos em diversas oportunidades. Em primeiro lugar, convém destacar que toda a argumentação jurídica trazida pela Recorrente, contrária à legitimidade e aos preceitos veiculados pelo artigo 74 da MP 2.158 em nada lhe aproveita neste julgamento, seja pela impossibilidade de se questionar, na esfera administrativa, a legalidade de norma vigente e eficaz, seja porque o STF já se pronunciou sobre a matéria. Ademais, deve ser ressaltado o próprio pedido parcial de desistência formulado pela Recorrente nos autos do Mandado de Segurança em trâmite na Justiça Federal. Com efeito, conforme consulta realizada no sítio do TRF da 3a Região (fls.2213/2218) houve homologação judicial da Fl. 2621DF CARF MF 6 renúncia parcial ao direito sobre que se fundava a ação tão somente em relação à questão da legitimidade do regime tributário do caput do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158/2001, à vista de adesão ao programa de parcelamento fiscal disposto na Lei nº 12.865/2013. ... Grifei Apesar de referirse que a Embargante teria renunciado ao direito discutido no mandado de segurança nº000263038.2003.4.03.6100, conforme transcrito acima, tal afirmação em nada influenciou a decisão chegada no acórdão embargado resultante do cotejo entre o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158/2001 e as disposições dos tratados para evitar a bitributação, cuja ementa se transcreve: LUCROS NO EXTERIOR. TRATADOS PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE COM A LEGISLAÇÃO NACIONAL Não há incompatibilidade entre os tratados para evitar a bitributação e o artigo 74 da MP n. 2.15835/ 2001, no que tange às hipóteses não alcançadas ou não apreciadas pelo STF no julgamento da ADI n. 2.588. ... Sendo assim, considerando que a Embargante é pessoa legitimada para apresentar embargos inominados, e que, alegou objetivamente a inexatidão material, acolho os embargos inominados apenas para que seja desconsiderada a afirmação no acórdão embargado de que houve "desistência formulada pela Recorrente nos autos do Mandado de Segurança em trâmite na Justiça Federal", sem no entanto darlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 2622DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 44000.001629/2005-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que: a) sejam os autos remetidos à unidade preparadora para que sejam extraídas às e-fls. 01 a 386, referentes ao DEBCAD 35.481.613-6, em nome da Construtora Marimbondo CNPJ/CEI 47 609 896/0001-74; b) sejam juntadas aos autos as folhas e peças relativas ao DEBCAD: 31.741.135-7 processo 44000.001629/2005-65 Prológica Ind. Com. de Comutadores Ltda., e c) seja corrigido o nome da parte interessada no despacho de admissibilidade dos embargos..
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que: a) sejam os autos remetidos à unidade preparadora para que sejam extraídas às e-fls. 01 a 386, referentes ao DEBCAD 35.481.613-6, em nome da Construtora Marimbondo CNPJ/CEI 47 609 896/0001-74; b) sejam juntadas aos autos as folhas e peças relativas ao DEBCAD: 31.741.135-7 processo 44000.001629/2005-65 Prológica Ind. Com. de Comutadores Ltda., e c) seja corrigido o nome da parte interessada no despacho de admissibilidade dos embargos.. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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Com. de Comutadores Ltda., e c) seja corrigido o nome da parte interessada no despacho de admissibilidade dos embargos.. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Ausente justificadamente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Inicialmente cumpre esclarecer que este processo foi a mim distribuído para a análise dos presentes embargos tendo em vista que o conselheiro relator não pertence mais aos quadros deste conselho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 4 40 00 .0 01 62 9/ 20 05 -6 5 Fl. 497DF CARF MF Processo nº 44000.001629/200565 Resolução nº 2301000.702 S2C3T1 Fl. 498 2 Tratase de Embargos Inominados opostos pelo Ilustre Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em face do Acórdão nº 2301001.390. Ante de adentrar nas razões dos Embargos opostos, chamo o feito à ordem afim de sanar falhas detectadas quando da análise do recurso apresentado. Ao dar início na análise das argumentações contidas nos Embargos, fui verificar a decisão guerreada, bem como todas as peças que compõe os presentes autos, uma vez que só agora estou tendo conhecimento do objeto da presente autuação. Foi detectada então uma confusão dentro dos autos: Das fls. 01 à 386 , verifica se tratar de uma autuação contra contribuinte diverso do autuado nos presentes autos, ou seja, referidas folhas referemse ao DEBCAD 35.481.6136 em nome da Construtora Marimbondo: efl. 01 CNPJ/CEI 47 609 896/000174. Consta inda as seguintes informações: Ação fiscal: notificações fiscais DEBCAD n° 35.481.6128, 35.481.6136, e 35.481.6144. autos de infração: DEBCAD n° 35.481.6101 e 35.481.6110 (efl. 69). Relatório fiscal: 38 a 43 e efls. 66 a 70 Defesa efls. 92 a 101 ANÁLISE DA DEFESA: 313 a 317 Petição Marimbondo: 327 a 328 Aditamento à impugnação: 352 a 375 ÚLTIMA REFERÊNCIA À CONSTRUTORA MARIMBONDO: EFL. 386. Somente à partir da efl. 387: consta o DEBCAD: 31.741.1357 PROCESSO 44000.001629/200565 PROLOGICA IND.COM. DE COMUTADORES LTDA MASSA FALIDA Cnpj 48.083.166/000145, que é a efetiva autuada que estamos tratando neste PAF. Da referida efl em diante verificamos o DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DEBITO RETIFICADO 387 a 412; Cumprimento do Acórdão nº 000884/2003 EFLS. 413 e 414; Solicitação de protocolo: 415; Resolução n° 20500.191, Processo : 44000.001629/2005 65 (efls. 427 a 429); Acórdão 230101.390 Processo : 44000.001629/200565 (efls. 437 a 447) e Embargos: efls. 463 a 466 É o relatório Voto Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Tendo em vistas o acima relatado, e em virtude das datas contidas nas referidas peças, acredito ter havido uma confusão quando da digitalização dos processos, onde foram misturadas as autuações dos DEBCAD's 35.481.6136 (CONSTRUTORA MARIMBONDO) com o 31.741.1357 (PROLOGICA IND.COM. DE COMPUTADORES LTDA). Também verifiquei um erro material no Despacho de Admissibilidade dos Embargos no que se refere ao cabeçalho no que se refere ao nome do interessado, conforme se verifica abaixo: Processo nº 44000.001629/200565 Recurso nº Despacho nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Fl. 498DF CARF MF Processo nº 44000.001629/200565 Resolução nº 2301000.702 S2C3T1 Fl. 499 3 Data 1º de fevereiro de 2017 Assunto DESPACHO DE ADMISSIBILIDADE EM EMBARGOS Recorrente ÓRGÃO PREPARADOR Interessado CREDIT SUISSE HEDGINGGRIFFO ASSET MANAGEMENTE S.A. e FAZENDA NACIONAL Identifiquei como erro material uma vez que o conteúdo do despacho está corretamente relacionado aos presentes autos, inclusive quando menciona as fls. do processo, logo, tal equívoco é de fácil saneamento diferentemente da inserção de folhas de outro processo junto a presente autuação. Ante ao exposto, Voto no sentido de converter o julgamento em Diligência para: a) Sejam os autos remetidos à unidade preparadora para que sejam extraídas às efls. 01 a 386 referentes ao DEBCAD 35.481.6136 em nome da Construtora Marimbondo CNPJ/CEI 47 609 896/000174; b) Sejam juntadas aos autos as folhas e peças relativas ao DEBCAD: 31.741.1357 PROCESSO 44000.001629/200565 PROLOGICA IND.COM. DE COMUTADORES LTDA, e: c) Seja corrigido o nome da parte interessada no Despacho de Admissibilidade dos Embargos. Após tais providencias, deve ser dada ciência às partes interessadas para, querendo, manifestaremse nos autos. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001948/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
Numero da decisão: 3302-005.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem, contudo, atribuirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 19 48 /2 00 6- 65 Fl. 3571DF CARF MF Processo nº 11543.001948/200665 Acórdão n.º 3302005.847 S3C3T2 Fl. 3.572 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos contra o v. acórdão nº 3302 004.650 que deu parcial provimento ao recurso voluntário nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PESSOA JURÍDICA CEREALISTA. RECEITA DE VENDA DE PRODUTO IN NATURA DE ORIGEM VEGETAL. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVA. RECONHECIMENTO DO BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A suspensão da incidência da Cofins sobre a receita auferida por pessoa jurídica cerealista, que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, alcança apenas a venda de produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Na falta de comprovação de que a referida receita, ainda que auferida por intermédio de filial que exerça cumulativamente as referidas atividades, foi proveniente da venda dos referidos produtos, o reconhecimento do citado benefício fiscal fica impossibilitado. SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestrecalendário. 2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferidolhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório. Segundo a Embargante, o acórdão embargado é obscuro nos seguintes termos: 5. No que tange às despesas com energia elétrica, o v. acórdão faz menção às razões da Embargante, segundo as quais teriam sido juntados todos os elementos para comprovar e quantificar os dispêndios com energia elétrica. Vejase: “A contribuinte afirma que estão nos autos todos os documentos necessários para comprovar e quantificar o seu direito ao crédito decorrente de gastos com energia elétrica (Notas Fiscais, Livro Razão, Demonstrativo do Reconhecimento do Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica), nos moldes estipulados no inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/2003”. Fl. 3572DF CARF MF Processo nº 11543.001948/200665 Acórdão n.º 3302005.847 S3C3T2 Fl. 3.573 3 6. Posteriormente, o v. acórdão menciona os dispositivos legais que dariam guarida à tomada de créditos pela Embargante, in verbis: “Com efeito, o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.637/2002, bem como o inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 permitem o desconto de crédito de PIS e COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos de pessoas jurídicas”. 7. No entanto, a leitura do tópico em questão não é conclusiva sobre a análise dos documentos, e, consequentemente, sobre a possibilidade de creditamento pela Embargante. Isso porque, após os dois parágrafos acima transcritos, o item foi arrematado da seguinte forma: “Dessa maneira, entendo que a autoridade fiscal deverá restabelecer a glosa efetuada sobre os créditos decorrentes de dispêndio com energia elétrica.” 8. Vejase que a conclusão se deu pelo “restabelecimento” da glosa, no entanto, a DRJ não havia entendido pela improcedência de tal glosa para que ela pudesse ser “restabelecida”. Assim, não restou claro se o v. acórdão entendeu ter a Embargante logrado êxito na comprovação da higidez dos créditos, no sentido de acolher o recurso voluntário e autorizar o creditamento, ou se entendeu que a glosa é devida e que, portanto, o crédito não deveria ser tomado pela Embargante. 9. Por tais razões, a Embargante entende que o v. acórdão foi obscuro nesse ponto, requerendose o acolhimento dos presentes a fim sanar tal obscuridade e aclarar quanto ao acolhimento ou não das razões da Embargante sobre os dispêndios com energia elétrica. Às fls. 3.5683.570, foi proferido despacho admitindo os Embargos de Declaração para que seja sanada a obscuridade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela Aliança, ora Embargante, teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. O despacho que admitiu a obscuridade anteriormente citada está correto, merecendo aclaramento desta Turma. Pois bem. Do que se extrai do trecho que tratou da questão envolvendo a obscuridade contida no acórdão embargado, verificase que a antiga relatora caminhou para reconhecer o direito do contribuinte apurar créditos de dispêndio com energia elétrica, senão vejamos: E) ENERGIA ELÉTRICA A contribuinte afirma que estão nos autos todos os documentos necessários para comprovar e quantificar o seu direito ao crédito decorrente de gastos com energia elétrica (Notas Fiscais, Livro Razão, Fl. 3573DF CARF MF Processo nº 11543.001948/200665 Acórdão n.º 3302005.847 S3C3T2 Fl. 3.574 4 Demonstrativo do Reconhecimento do Crédito de PIS/COFINS Energia Elétrica), nos moldes estipulados no inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. Com efeito, o inciso IX do art. 3º da Lei n. 10.637/2002, bem como o inciso III do art. 3º da Lei n. 10.833/2003 permitem o desconto de crédito de PIS e COFINS calculados sobre a energia elétrica consumida nos estabelecimentos de pessoas jurídicas. Dessa maneira, entendo que a autoridade fiscal deverá restabelecer a glosa efetuada sobre os créditos decorrentes de dispêndio com energia elétrica. No meu entendimento, a conclusão contida no último parágrafo do trecho copiado, não condiz com o resultado pretendido pela antiga relatora, tratandose, de lapso manifesto. Tanto o é, que na conclusão do voto vencido e na parte dispositiva do acórdão, constaram expressamente o direito reconhecido ao contribuinte, a saber: Conclusão do voto vencido Diante do exposto, rejeito as preliminares argüidas e, no mérito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário no que concerne (i) as vendas de mercadorias com suspensão; (ii) o direito ao crédito presumido descrito no art. 9º da Lei n. 10.925/2014; (iii) o direito aos créditos presumidos da filial de Uberlândia/MG; (iv) o direito a utilização dos créditos dos meses anteriores. Sobre as glosas questionadas, reconheço o direito ao crédito decorrente das despesas decorrentes de (v) indumentária e itens de uso obrigatório; (vi) dispêndios com classificação de soja, e (vii) energia elétrica. Parte Dispositiva Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da petição e documentos de efls. 3295/3316, por referirem a insumos não impugnados em recurso voluntário e que foram rejeitadas as preliminares argüidas. Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a tributação das vendas com suspensão relativas às filiais de efls. 2834/2837, excetuadas as reconhecidas na diligência como industriais ou meras revendas na efl. 3.077, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar que negavam provimento e a Conselheira Lenisa Prado que dava provimento em maior extensão. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor nesta parte. Por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso voluntário para reconhecer crédito de EPI, vencido o Conselheiro Walker Araújo. Por unanimidade de votos, foi dado provimento à reversão da glosa de duplicidade de utilização de crédito presumido, da glosa de dispêndios de classificação de soja e de despesas de energia elétrica. Por unanimidade de votos, foi negado provimento ao pedido de compensação de ofício de eventuais créditos de IRPJ e CSLL com valores lançados de PIS e Cofins e aos créditos de depreciação de vagões, gerenciamento de resíduos, aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (Os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato P. de Deus e Paulo G. Déroulède votaram pelas conclusões, cujos fundamentos serão adotados pela Conselheira Lenisa Prado em seu voto. O Conselheiro José Fernandes fará declaração de voto relativa às conclusões). Por maioria de votos, foi negado o aproveitamento de saldo de créditos de meses anteriores, vencida a Conselheira Lenisa Prado. Designado o Conselheiro José Fernandes do Nascimento para redigir o voto vencedor nesta parte. Fl. 3574DF CARF MF Processo nº 11543.001948/200665 Acórdão n.º 3302005.847 S3C3T2 Fl. 3.575 5 Ou seja, onde constou "Dessa maneira, entendo que a autoridade fiscal deverá restabelecer a glosa efetuada sobre os créditos decorrentes de dispêndio com energia elétrica", deveria constar: "Dessa maneira, entendo que a autoridade fiscal deverá reverter a glosa efetuada sobre os créditos decorrentes de dispêndio com energia elétrica". Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para sanar o vício de obscuridade, sem contudo, atribuirlhes efeitos infringentes. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 3575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000010/2008-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A ausência de medida judicial, ou outra hipótese, de suspensão do crédito tributário implica o cabimento da aplicação da multa de ofício nos lançamentos para constituição do crédito tributário.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
MULTA. AGRAVAMENTO EM 50%. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO.
A falta de atendimento às solicitações da fiscalização para prestar esclarecimentos no prazo marcado autoriza o agravamento da multa de oficio.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
Numero da decisão: 3302-005.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A ausência de medida judicial, ou outra hipótese, de suspensão do crédito tributário implica o cabimento da aplicação da multa de ofício nos lançamentos para constituição do crédito tributário. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. MULTA. AGRAVAMENTO EM 50%. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. A falta de atendimento às solicitações da fiscalização para prestar esclarecimentos no prazo marcado autoriza o agravamento da multa de oficio. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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CABIMENTO. AUSÊNCIA DE MEDIDA JUDICIAL DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A ausência de medida judicial, ou outra hipótese, de suspensão do crédito tributário implica o cabimento da aplicação da multa de ofício nos lançamentos para constituição do crédito tributário. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. MULTA. AGRAVAMENTO EM 50%. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. A falta de atendimento às solicitações da fiscalização para prestar esclarecimentos no prazo marcado autoriza o agravamento da multa de oficio. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 10 /2 00 8- 42 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12897.000010/200842 Acórdão n.º 3302005.930 S3C3T2 Fl. 279 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep, relativo ao anocalendário de 2005. A autuação decorreu de diferença entre valores informados pela recorrente no Dacon e os valores declarados em DCTF, com multa de ofício agravada em 50% em razão de a recorrente não ter atendido às intimações para prestar os esclarecimentos quanto às diferenças detectadas. Em sua impugnação, a recorrente alegou que: 1. Aplicação do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996 para exclusão da multa de ofício e de mora, em razão de estar amparado em decisão judicial no período de 1996 a 2003; 2. Com a decisão final no MS 96.00063940, a recorrente procedeu a todos os recolhimentos, anexando os Darf´´s na impugnação, nos quais foram recolhidos apenas o tributo, sem multa e juros de mora. 3. A multa de 112,5% possui caráter confiscatório, ofende a capacidade contributiva e o princípio da proporcionalidade; 4. Anatocismo na aplicação dos juros Selic, ou seja, existência de capitalização de juros; 5. Ilegitimidade da Selic como taxa de juros; A Décima Sétima Turma da DRJ proferiu o Acórdão nº 1247.589, julgando improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO NÃOCUMULATIVIDADE. A partir do período de apuração ocorrido em dezembro de 2002, alterações na legislação tributária, em especial para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, introduziram a sistemática da nãocumulatividade na apuração da contribuição ao PIS, sendo inócuo suscitar demandas judiciais contra legislação anterior com o objetivo de contestar a constituição do crédito tributário. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 12897.000010/200842 Acórdão n.º 3302005.930 S3C3T2 Fl. 280 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL E SELIC Os juros de mora destinamse a indenizar a Fazenda Nacional em decorrência da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, reportandose o lançamento à legislação aplicável no período compreendido entre o seu vencimento original e o efetivo pagamento do débito. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não havendo que se falar na vedação constitucional à instituição de tributo com efeito confiscatório prevista no artigo 150, inciso IV, da Constituição. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas em impugnação. Na forma regimental, este processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente inicia sua defesa pugnando pela aplicação do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, cuja redação abaixo transcrevo, em razão de ter efetuado recolhimento sob a vigência de decisão favorável de mérito que vigeu no período de 1996 a 2003, segundo a própria recorrente: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido Fl. 280DF CARF MF Processo nº 12897.000010/200842 Acórdão n.º 3302005.930 S3C3T2 Fl. 281 4 antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) A decisão a que se refere a recorrente foi proferida no MS 96.00063940, que discutia a aplicação da LC 07/70 em detrimento da MP nº 1.212/1995 e reedições, que resultaram na Lei nº 9.715/1998. Ocorre que o lançamento foi relativo ao anocalendário de 2005, sob a égide da Lei nº 10.637/2002, cuja ciência se deu em 09/12/2008. Ora, não há que se falar em lançamento para prevenir decadência, se os fatos geradores objeto do lançamento são posteriores ao trânsito em julgado e, muito menos, se não se referem à legislação objeto da decisão judicial. O lançamento para prevenir decadência, como a própria expressão dispõe, é aquele realizado durante a vigência de alguma medida judicial que afasta a relação jurídica da obrigação tributária que se queira materializar mediante o lançamento de ofício. Fazse o lançamento enquanto se discute em juízo a relação jurídica tributária. Obviamente, a multa de ofício deixa de ser aplicada se o contribuinte estiver com decisão judicial que suspenda a exigibilidade do crédito tributário e obtida antes do início do procedimento de ofício. Porém, a recorrente não possuía nenhuma medida judicial vigente à época do início do procedimento fiscal que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário. Portanto, afastada a aplicação do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996. Quanto aos recolhimentos efetuados e anexados às efls. 229/235, seus valores foram informados pela própria recorrente como pagamento dos valores declarados nas DCTF entregues (efls. 93/152), sendo, inclusive, muito inferiores aos totais declarados, que foram excluídos do montante informado nos Dacon´s para efeito de apuração do montante a ser lançado, conforme demonstrativo de efls. 153. Portanto, tais Darf´s já foram deduzidos do lançamento. Relativamente ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, sua ofensa à capacidade contributiva e ao princípio da proporcionalidade, tais alegam ensejam juízo de inconstitucionalidade, o que não pode ser apreciado no âmbito deste conselho. Esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 621 d Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 12897.000010/200842 Acórdão n.º 3302005.930 S3C3T2 Fl. 282 5 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne ao agravamento da multa de ofício, o referido é previsto no artigo 44, §2º e 46 da Lei nº 9.430/96, transcritos a seguir, na redação vigente à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O motivo do agravamento foi a ausência de respostas para as duas intimações efetuadas pela autoridade fiscal para prestar esclarecimentos e entregar documentos, conforme a descrição de fatos de efls. 156, demonstrando a falta de colaboração da recorrente e infringindo o dever previsto no artigo 4º da Lei nº 9.784/99 e artigo 23 do Decreto nº 7.574/2011, abaixo transcritos: Lei nº 9.784/1999: CAPÍTULO III DOS DEVERES DO ADMINISTRADO Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 12897.000010/200842 Acórdão n.º 3302005.930 S3C3T2 Fl. 283 6 Decreto nº 7.574/2011: CAPÍTULO IV DO DEVER DE PRESTAR INFORMAÇÕES Art. 23. Os órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, no uso de suas atribuições legais, poderão solicitar informações e esclarecimentos ao sujeito passivo ou a terceiros, sendo as declarações, ou a recusa em prestálas, lavradas pela autoridade administrativa e assinadas pelo declarante (Lei no 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 7o; DecretoLei no 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2o; Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 196 e 197; Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, art. 10). Parágrafo único. A obrigação a que se refere o caput não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, de 1966, art. 197, parágrafo único). Destarte, correto o agravamento efetuado pela fiscalização. Por fim, a recorrente pugnou pela ilegalidade da taxa Selic como juros de mora. Sobre a legitimidade da taxa Selic como juros moratórios, previstos no artigo 61, §3º2 da Lei nº 9.430, de 1996, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Salientase que a taxa Selic acumulada não inclui o anatocismo, ou seja, não há incidência de juros sobre juros ou capitalização de juros, mas apenas o somatório algébrico dos valores da taxa, isto é, a taxa de cada mês incide sobre o valor original do tributo, denominado de capitalização simples. 2 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 283DF CARF MF Processo nº 12897.000010/200842 Acórdão n.º 3302005.930 S3C3T2 Fl. 284 7 Diante do exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002050/92-18
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2001
Ementa: EMENTA: IAA. O ato administrativo que estabelece a alíquota
da contribuição, somente produz efeitos jurídicos e adquire
eficácia legal depois publicada no órgão da imprensa oficial
(art.37, CF/88 e art 1°, Lei de Introdução ao Código Civil) Não
tendo sido publicados no Diário Oficial da União os atos do
Conselho Monetário Nacional estabelecendo as alíquotas para
cálculo da Contribuição e respectivo adicional ao IAA, importa
na ineficácia dos mesmos
Numero da decisão: CSRF/02-01.036
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
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Passivo AÇUCARE I RA QUATÁ S/A Sessão de 22 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° CSRF/02-01 036 EMENTA: IAA. O ato administrativo que estabelece a alíquota da contribuição, somente produz efeitos jurídicos e adquire eficácia legal depois publicada no órgão da imprensa oficial (art.37, CF/88 e art 1°, Lei de Introdução ao Código Civil) Não tendo sido publicados no Diário Oficial da União os atos do Conselho Monetário Nacional estabelecendo as alíquotas para cálculo da Contribuição e respectivo adicional ao IAA, importa na ineficácia dos mesmos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo P - • PE I--.0- - fo_e1"-"-ÓUES PRESIDEN f(R. _.--- _ 1 g SÉRGl I' e GOMES VELLOSO 1 RELA 0 - Processo n° 10835.002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01.036 FORMALIZADO EM 22 JUN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros:: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. 2 Processo n° . 10835. 002050/92-18 Acórdão n° . CSRF/02-01,036 Recurso n° RP/203-0.053 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pelo Sr, Procurador da Fazenda Nacional (fls.. 227/237) contra o Acórdão n° 203-05.148 (fls. 206/225), assim ementado: "CAA — PRELIMINAR DE CONHECIMENTO — O Segundo Conselho de Contribuintes é competente para examinar matéria tributária oriunda de auto de infração precedido de ação declaratória ajuizada (art.. 62 do Decreto n° 70.235/72). É nula a decisão que não examina argumentos expendidos na impugnação. MÉRITO — Não recepção do artigo 3° do Decreto- Lei n° 1.712/79, com a redação do Decreto-Lei n° 1.952/82, pela CF/88. Inexistência de publicação dos atos do CMN, pelo BACEN, importa na ineficácia dos mesmos, por inexistência de obrigatoriedade de seu cumprimento. Preliminar de conhecimento acolhida. Recurso provido, no mérito." Em suas razões, o Sr. Procurador da Fazenda Nacional registra que o presente feito decorreu do Auto de Infração lavrado em 25/11/1992, que teve por objetivo constituir crédito da contribuição e do adicional sobre o açúcar e álcool (CAA), relativos a períodos não declarados nem recolhidos à Fazenda Nacional. Registro, contudo, que a exigência fiscal refere-se ao mês de março de 1989, em virtude de haver sido constatado diferença apurada entre a confrontação das quantidades de saídas de açúcar registradas no livro próprio, com as constantes da guia de recolhimento do período de 02/89, no total de 2920 sacas, consideradas pelo contribuinte como tendo saído no período de março/89. Foram dados por infringidos os Dec Leis n° 308/67, art.. 3°, 1.712/79, arts„ 1° e 3° e 1,952/82, arts 1° e 3°. 3 Processo n° 10835.002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01 036 Realizada a imputação de pagamento (fls.4), resultou na exigência de diferença, conforme demonstrativo de fls 5, tendo por fato gerador o mês de março/89. O contribuinte ingressou com a impugnação de fls, 20/35, alegando em sua defesa que a exigência está eivada de insanáveis vícios de inconstitucionalidade, por desvio de finalidade, pois toda a receita da mencionada contribuição foi transferida para o Tesouro Nacional e ao Banco Central do Brasil, perdendo sua natureza original e retirando-a do Instituto do Açúcar e do Álcool, Que a legislação conferiu ao Conselho Monetário Nacional competência para fixar percentuais da contribuição e seu adicional, não havendo, contudo, dito órgão jamais deliberado expressa e formalmente, com a indispensável publicidade oficial, a fixação dos percentuais, decorrendo daí a inexistência de obrigatoriedade. Que é também inconstitucional a exação pois as contribuições de intervenção no domínio econômico só podiam ser instituídas mediante lei (art 19,1, da Constituição de 1967 e art 150, I, da atual) Insurge-se, ainda, o contribuinte contra a exigência dos juros de mora no período de fevereiro a março de 1991, eis que a Lei n° 8.218/91 foi editada em 30/8/91, vedado a sua aplicação retroativa Às fls. 51/54, pela Decisão n° 2.465/96, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto julgou procedente a ação fiscal, por não ser competente para examinar matéria constitucional, privativa do Judiciário, e que a obrigação está em perfeita harmonia com a Constituição vigente à época, não havendo o Executivo exigido percentual superior ao legalmente estabelecido, sendo devido, ademais, a TRD em todo o período questionado Nk, 4 Processo n° 10835.002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01.036 lrresignado, o contribuinte ofereceu o recurso voluntário de fls. 58/66, juntando os documentos de fls. 67/205, sustentando não ter sido recepcionado o art 3°, do Decreto-Lei n° 1.712/89, pela atual Constituição, que inclusive foi revogado, pelo art. 25, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e que não houve a publicação dos atos do Conselho Monetário Nacional, sendo, por fim, inaplicável a TRD, como fator de correção monetária. Em sessão realizada em 09/12/1998, a Egrégia 3a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de prejudicialidade da ação administrativa, por opção pela via judicial, em razão do ajuizamento de ação declaratória e, no mérito, deu provimento ao recurso. No Recurso Especial do Sr. Procurador, o mesmo sustenta a legalidade e legitimidade da exigência da contribuição e seu adicional, reportando-se a decisão do Supremo Tribunal Federal, no RE n° 214.206-9, onde julgado ter sido recepcionada a legislação instituidora da contribuição, pela Constituição de 1988. Acrescentou a Fazenda Nacional que pelo art. 25, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a competência do Conselho Monetário Nacional foi prorrogado, sendo válidas as aliquotas fixadas após a CF/88 e que, por fim, não existe dispositivo legal determinando que a publicação das aliquotas seja realizada pelo Banco Central do Brasil e não pelo extinto IAA, estando, assim, respeitado o princípio da publicidade. Em despacho de fls. 238, o Sr. Presidente da 3 a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes recebeu mencionado recurso da Fazenda Nacional, determinando a ciência do contribuinte. Em suas contra — razões (fls 243/294), o contribuinte principia por entender que o recurso do Sr. Procurador versa única e exclusivamente acerca das 5 Processo n° 10835 002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01 036 questões de mérito, não havendo que falar-se de questão prejudicial relativa a suposta opção pela via judicial. No mérito, aduz o contribuinte que, embora o Supremo Tribunal Federal haja decidido que a legislação estabelecendo a exigência da contribuição haja sido recepcionada pela atual Constituição, igualmente decidiu ser incompatível com a mesma a possibilidade da alíquota variar ou ser fixada por autoridade administrativa Quanto à publicidade, acrescenta o contribuinte que o Banco Central do Brasil é o órgão encarregado de publicar as decisões do Conselho Monetário Nacional e que, no caso, tal publicação não se deu, juntando em prol dessa afirmação, os documentos de fls. 285/286 e 287, bem como precedente desta Egrégia Câmara Superior a respeito da questão (fls 288/294). É o relatório 6 Processo n° 10835 , 002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01 .036 VOTO Conselheiro SÉRGIO GOMES VELLOSO, Relator O recurso atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como relatado, há uma questão prejudicial que passo a apreciar desde logo. A ementa do Acórdão recorrido aponta uma preliminar de conhecimento do recurso voluntário, tendo sido a mesma rejeitada. Em suas razões de recurso, o Sr Procurador da Fazenda Nacional (fls 232), entretanto, assim se manifesta "Todavia, na presente decisão há um equívoco no tocante à afirmação de rejeição de preliminar de prejudicialidade da ação administrativa, eis que não houve opção da interessada pela via judicial; pelo menos não há notícia de ajuizamento de qualquer espécie de ação perante o Judiciário, nestes autos, particularmente de ação declaratória". Da análise dos presentes autos, de fato, verifiquei, assim como o Sr Procurador já o fez, não haver qualquer menção a que houvesse o sujeito passivo ingressado em Juízo, prévia ou posteriormente à sua autuação, nada tendo sido em contrário relatado no Auto de Infração, na impugnação, na decisão da DRJ/Ribeirão Preto e no recurso voluntário.. Por esta razão é que passo a enfrentar o mérito. 7 Processo n° 10835.002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01..036 A propósito da questão de fundo, esta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão n° CSRF/02.0 647, por mim relatado, tendo decidido, à unanimidade de votos que' "A fixação de alíquotas de encargos tributários não pode ser efetuada sem que se cumpra o requisito da publicidade, nem pode a competência correspondente ser subdelegada Decisão que não versa inconstitucionalidade " Com efeito, nos termos da Lei n° 4870, de 01/12/65, que dispõe sobre a produção açucareira, foi instituída a cobrança de uma taxa, devida ao Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), sobre o preço oficial do saco de açúcar, constituindo esta, assim, receita do referido órgão Posteriormente, em 28/02/67, foi promulgado o Decreto-Lei n° 308, extinguindo a mencionada taxa e instituindo a Contribuição ao Instituto do Açúcar e do Álcool, cujo valor foi fixado em seu art. 30 , inciso I, no montante de NCr$ 1,57 (um cruzeiro novo e cinquenta e sete centavos), por saco de açúcar, sendo que, como dispunha o § 1° do citado art 30 do Decreto-Lei n° 1,712/79, verbis "Art 3° - ( ) § 1° - As contribuições a que se refere este artigo serão proporcionalmente corrigidas pela Comissão Executiva do Instituto do Açúcar e do Álcool em função da variação dos preços do açúcar e do álcool, fixados para o mercado nacional " Com a edição do Decreto-Lei n° 1 712, de 14/11/79, foi atribuída competência ao Conselho Monetário Nacional (e não mais ao IAA) para reajustar o valor das contribuições instituídas pelo Decreto-Lei n° 308/97, conforme disposição do art 3° do Decreto-Lei n° 1.712/99, verbis "Art. 3° - Mediante proposta do Ministro da Indústria e do Comércio, o Conselho Monetário Nacional poderá reajustar o valor das contribuições de que trata este Decreto-Lei, observado 8 Processo n° 10835.002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01 036 o limite máximo de 20% (vinte por cento) do valor dos preços oficiais do açúcar e do álcool," Em 15/07/82, foi promulgado o Decreto-Lei n° 1.952, que, em seu art 1°, instituiu o adicional às contribuições ao Instituto do Açúcar e do Álcool e, no seu art. 3 0 , deu nova redação ao art. 30 do Decreto-Lei n° 1.712/79, delegando cempetência ao Conselho Monetário Nacional para estabelecer os percentuais para cálculo dessas contribuições, verbis "Art. 30 - Os artigos 1°, 2° e 30 do Decreto-Lei n° 1.712, de 14 de novembro de 1979, passam a ter a seguinte redação:: (...) Art. 30 - Mediante proposta do Ministro da Indústria e do Comércio, o Conselho Monetário Nacional estabelecerá os percentuais das contribuições de que trata este Decreto-Lei, observado o limite máximo de 20% (vinte por cento) do valor dos preços oficiais do açúcar e do álcool, considerando os tipos destes produtos ou a sua destinação final." Na verdade, como se dessume dos textos citados, o reajuste dos valores e o percentual para cálculo das Contribuições ao IAA, que seja posteriormente à publicação do Decreto-Lei n° 1.712/79, que seja a partir da edição do Decreto-Lei n° 1,952/82, sempre foi de competência exclusiva do Conselho Monetário Nacional, Ocorre, porém, que os atos baixados pelo Conselho Monetário Nacional, estabelecendo tanto os valores das contribuições, nos termos do Decreto-Lei n° 1,712/79, quanto os percentuais para o cálculo das mesmas e também o seu adicional, nos moldes do Decreto-Lei 1.952/82, nunca foram publicados no Diário Oficial da União,. Realmente, conforme depreende-se do Ofício DEJUR 062/91, (fls.285/286), expedido pelo Banco Central do Brasil , órqão competente para dar publicidade às decisões do Conselho Monetário Nacional, os Votos CMN n°s 241/80, 295/82; 470/87 e 167/90, que aprovaram os percentuais para cálculo da 9 Processo n° 10835 002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01 .036 Contribuição ao IAA a ser exigida, bem como o respectivo adicional, sobre os preços do açúcar, não foram veiculados mediante publicação no Diário oficial da União. O telex de fls 287 igualmente atesta o mesmo fato A doutrina e, nesse ponto, de reconhecida unanimidade De tal entendimento não discrepa, por seu turno, a jurisprudência, como se vê do V Acórdão do Colendo Supremo Tribunal Federal, in RE n° 71.652-SP, Relator Ministro Thompson Flores, encimado pela seguinte ementa, verbis "O ato administrativo somente começa a produzir efeitos depois de publicado no órgão oficial (RDA n° 111)" É matéria conhecida desta Eg. Câmara que não foram publicados no Diário Oficial da União os atos normativos oriundos do Conselho Monetário Nacional, estabelecendo os valores e os percentuais para cálculo da Contribuição e do Adicional ao IAA Não colhe, por outro lado, a alegação de que a simples publicação, pelo IAA, de atos estabelecendo os preços de comercialização do saco de açúcar, onde, para o seu cálculo teriam sido considerados os valores da Contribuição e do Adicional ao IAA, supriria, constitucional e legalmente, a ausência da publicação, no Diário Oficial da União, das decisões do Conselho Monetário Nacional, fixando naquelas exações Isto porque é o CMN o órgão ao qual foi atribuída competência normativa (Decreto-Lei n° 1.712/79) para dispor acerca do reajuste do valor e a fixação dos percentuais da Contribuição ao IAA, não sendo o ato, fixando preço de comercialização do saco de açúcar, o meio constitucional e legal próprio para estabelecê-los A ausência dessa publicação jamais poderia ser suprida pela circunstância de haverem sido baixados atos pelo Instituto do Açúcar e do Álcool, em primeiro lugar porque é o Banco Central do Brasil a quem cabe divulqar as 10 Processo n° 10835 002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01 036 decisões normativas oriundas do Conselho Monetário Nacional e, em segundo lugar, porque, mesmo assim, aqueles atos do IAA apenas fixaram preços de comercialização do saco do açúcar e nunca os valores e os percentuais da contribuição e do adicional em tela. Realmente, como se pode verificar desde 1967, com o advento do Decreto Lei n° 308, de 28/02/1967, o Instituto do Açúcar e do Álcool, e, posteriormente, outros órgãos aos quais foram atribuída competência para tanto, expediram diversos atos administrativos estabelecendo o preço de comercialização do saco de açúcar-de-cana, conforme os mais variados tipos e as regiões produtoras Referidos atos, ao estabelecerem os respectivos preços de venda daqueles produtos, levaram em conta os componentes de custos, como tais, a matéria-prima, a margem de qualidade e os tributos federais e estaduais incidentes Entretanto, as deliberações normativas do mencionado Conselho Monetário Nacional, estabelecendo percentuais das citadas exações, jamais atenderam ao requisito constitucional e legal da publicidade, para que pudessem revestir-se do que Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho entendem ser o pressuposto inarredável para que referidos atos contenham força obrigatória, visto que só com a publicação no Diário Oficial da União é que se leva ao conhecimento " . dos que os devem respeitar, cumprir e executar, ou estabelecer a presunção de que chegaram eles à ciência dos mesmos" Se porventura já não fossem suficientes os fundamentos acima, acrescento ainda que, nos exatos termos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário n° 214.206-9, acostado às fls 252/284, após a Constituição de 1988, não mais é possível que a alíquota da contribuição possa variar ou ser fixada por autoridade administrativa 11 , Processo n° 10835 002050/92-18 Acórdão n° CSRF/02-01 036 Segundo se infere do voto do Ministro Néri da Silveira (fls 283),recepcionada a contribuição, " não será possível admitir a incidência da norma de aumento da contribuição, após a vigência do Estatuto Maior de 1988 em face do artigo 150, inciso I, pelo qual é vedado exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça Sendo assim, as sucessivas leis que prorrogaram a competência delegada ao Conselho Monetário Nacional, a teor do artigo 25, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, referem-se a ação normativa e não a de instituir alíquota da contribuição Isto posto, conheço do recurso mas nego-lhe provimento ri(1Sala das Se e , 2 de maio de 2001 i ,--- I SÉRGIt COMES VELLOSO 12 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10855.723607/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS. INOCORRÊNCIA.
Afastada a preliminar de nulidade, por não ocorrida a inobservância de formalidades legais apontada pelo interessado. Em especial, no tocante à ciência por via postal, é válida a notificação realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, que não necessita ser seu representante legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabível a exigência fiscal, sendo inaceitável transferir a responsabilidade pela falta da apresentação da documentação comprobatória a terceiros. In casu, trata-se de depósitos bancários cuja origem dos recursos, após regular intimação, não foi comprovada pelo contribuinte, bem assim de outras receitas omitidas apuradas com base em informações prestadas por operadoras de cartões magnéticos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE.
Cabível a aplicação da multa de ofício de 150%, por expressa previsão legal, sendo vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a norma legal sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 1201-002.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2010, 2011 NULIDADE. INOBSERVÂNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS. INOCORRÊNCIA. Afastada a preliminar de nulidade, por não ocorrida a inobservância de formalidades legais apontada pelo interessado. Em especial, no tocante à ciência por via postal, é válida a notificação realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, que não necessita ser seu representante legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabível a exigência fiscal, sendo inaceitável transferir a responsabilidade pela falta da apresentação da documentação comprobatória a terceiros. In casu, trata-se de depósitos bancários cuja origem dos recursos, após regular intimação, não foi comprovada pelo contribuinte, bem assim de outras receitas omitidas apuradas com base em informações prestadas por operadoras de cartões magnéticos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. Cabível a aplicação da multa de ofício de 150%, por expressa previsão legal, sendo vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a norma legal sob fundamento de inconstitucionalidade.
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INOBSERVÂNCIA DE FORMALIDADES LEGAIS. INOCORRÊNCIA. Afastada a preliminar de nulidade, por não ocorrida a inobservância de formalidades legais apontada pelo interessado. Em especial, no tocante à ciência por via postal, é válida a notificação realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, que não necessita ser seu representante legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabível a exigência fiscal, sendo inaceitável transferir a responsabilidade pela falta da apresentação da documentação comprobatória a terceiros. In casu, tratase de depósitos bancários cuja origem dos recursos, após regular intimação, não foi comprovada pelo contribuinte, bem assim de outras receitas omitidas apuradas com base em informações prestadas por operadoras de cartões magnéticos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. Cabível a aplicação da multa de ofício de 150%, por expressa previsão legal, sendo vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar a norma legal sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 36 07 /2 01 4- 78 Fl. 1099DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório MJP EDITORA E IMPORTADORA LTDA ME recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 16 75.573, sessão de 27 de janeiro de 2017, da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão de primeira instância, completandoo ao final: Tratase de impugnação apresentada pelo interessado supra qualificado em face de auto de infração de Simples Nacional. Em ação fiscal instaurada com o MPF nº 08.1.10.002013 008356 (Termo de Início às fls. 24/26), o contribuinte foi intimado em 19/12/2013 pela autoridade fiscal a apresentar, relativamente aos anoscalendário de 2010 e 2011, os extratos bancários e de operações de cartão de crédito, os livros comerciais (Caixa ou Diário e Razão) e seu contrato social. Em 23/01/2014, o contribuinte apresentou uma cópia do contrato social, mas, com relação aos demais itens, solicitou prazo adicional não inferior a 90 dias para atender a intimação, alegando que os documentos estariam na posse de terceiros. Pelo Termo de Intimação de fls. 39/41, a autoridade concedeu um prazo adicional de 20 dias para atendimento dos itens pendentes. Em 11/03/2014, o contribuinte informou que não logrou êxito em reunir todos os documentos solicitados, anexando às fls. 44/74 alguns extratos. O contribuinte foi reintimado em 20/05/2014 a apresentar o Livro Caixa ou Diário e Razão dos anoscalendário de 2010 e 2011 (fls. 75/78). Em 01/04/2014, foram expedidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) de fls. 79/84, dirigidas a diversas instituições financeiras. Em seguida, intimouse o contribuinte (fls. 85/87) a comprovar a origem dos depósitos/créditos relacionados nas planilhas (“extrato de crédito”) de fls. 88/127. Notificado em 18/07/2014 (fls. 128), o contribuinte, em 04/08/2014, solicitou dilação de prazo (fls. 691). Pelo Termo de Intimação nº 4 (fls. 687), a autoridade fiscal concedeu mais 10 dias. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10855.723607/201478 Acórdão n.º 1201002.490 S1C2T1 Fl. 3 3 Em 01/09/2014, o contribuinte informa (fls. 692) que o seu contador nos anos de 2010 e 2011 era pessoa falecida e que, por esse motivo, não obteve sucesso na localização dos documentos comprobatórios solicitados. Por fim, em 10/09/2014, foram entregues as cópias de seu Livro Caixa, referentes aos anos de 2010 e 2011 e juntadas às fls. 695/757. Conforme descreve a autoridade fiscal no seu Relatório Fiscal (fls. 799/802), tendo em vista que o contribuinte não localizou a documentação que comprovasse a origem dos créditos bancários constantes nas planilhas anexas ao Termo de Intimação nº 3, foi elaborada a planilha “Demonstrativo Consolidado dos Créditos Bancários de Origem não comprovada” (fls. 795). Além disso, a partir dos dados fornecidos pelas operadoras de cartão de crédito foi elaborada a planilha “Demonstrativo dos Créditos Relativos às Vendas com Cartão Magnético” (fls. 796) que, confrontada com os valores de receitas declarados pelo contribuinte, apontou as divergências demonstradas na planilha “Demonstrativo de Diferenças Apuradas pelo AFRFB” de fls. 797. Conclui a autoridade fiscal: Tendo em vista que a conduta do contribuinte, ao não declarar as receitas decorrentes de vendas efetuadas com cartões de crédito nos anoscalendário de 2010 e 2011, impediu a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e modificou suas características, resultando em redução do montante do imposto devido, a fiscalização considerou caracterizada a situação prevista nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, e cabível a aplicação da multa qualificada de 150%, nos termos do art. 44, inc. I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Ante o constatado, foi lavrado o Auto de Infração do Simples Nacional de fls. 803/955, que perfaz um crédito tributário de R$ 1.157.908,86, nele incluídos os impostos/contribuições (IRPJ, Fl. 1101DF CARF MF 4 CSLL, Cofins, PIS, CPP e ICMS), a multa de ofício (75% ou 150%) e os juros de mora calculados até 09/2014. A autoridade fiscal formalizou ainda Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo nº 10855.723625/201450 que se encontra apensado aos presentes autos. Notificado da exigência fiscal em 25/09/2014 (AR às fls. 961), o contribuinte apresentou, em 17/10/2014, a Impugnação de fls. 965/977 alegando: preliminarmente, que é nula a exigência fiscal, por inobservância das devidas formalidades legais, pois: 1) não consta nos autos cópia do Mandado de Procedimento Fiscal; 2) não consta a identificação da pessoa, a sua assinatura e a data em que ela teria recebido o auto de infração e 3) o índice de correção monetária aplicado sobre os valores cobrados na autuação; no tocante à apresentação dos extratos bancários, observa que fez o requerimento às instituições financeiras e que até aquela data não havia recebido os documentos, sendo esse o motivo do não atendimento à intimação fiscal; quanto à comprovação da origem dos recursos depositados, argumenta que o contador responsável pela empresa no período autuado faleceu e que não logrou sucesso em localizar os documentos junto à viúva, haja vista ainda o exíguo prazo dado pela fiscalização; é confiscatória e inconstitucional a exigência da multa qualificada de 150%, que há de ser reduzida para o percentual de 20%; por fim, no que diz respeito à representação fiscal para fins penais, entende que não há que se falar na prática, em tese, de crime de sonegação fiscal, pois os documentos que poderiam justificar as receitas estão na posse da viúva do contador e o contribuinte ficou impedido de atender à solicitação fiscal. Cientificada da decisão de Primeira Instância e com ela não se conformando, a contribuinte MJP EDITORA E IMPORTADORA LTDA ME interpôs recurso voluntário trazendo as mesmas alegações do primeiro apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. De acordo com o Anexo II, artigo 57, parágrafo terceiro, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10855.723607/201478 Acórdão n.º 1201002.490 S1C2T1 Fl. 4 5 inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: Inicialmente, cumpre observar que o interessado faz alusão a juntada posterior de documentos (fls. 977). Em caso de eventual impossibilidade em coletar e organizar uma grande quantidade de documentos em razão do limitado prazo de trinta dias para interposição da impugnação, não vislumbro óbice para a sua apresentação posterior, consoante previsão contida no inc. I, do § 4º, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011. Mas não consta nos autos que o impugnante tenha assim procedido. Em preliminar, alega o impugnante o descumprimento de algumas formalidades legais, o que redundaria em nulidade do feito fiscal. Contudo, não se sustenta a alegação. A reclamada cópia do Mandado de Procedimento Fiscal poderia ser a qualquer momento obtida pelo contribuinte no sítio da RFB (http://idg.receita.fazenda.gov.br/), bastando que se informasse o Código de Acesso constante no Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 24) e em todos os Termos de Intimação Fiscal (fls. 39, 75, 85, 687), como aliás consta expressamente consignado nos referidos Termos. A consulta ao MPF fica disponível mesmo após o encerramento da ação fiscal. Em 23/01/2017, fizemos uma consulta e juntamos uma cópia do seu resultado às fls. 1038/1039. O procedimento observou corretamente o que dispunha o art. 4º e parágrafo único, da Portaria RFB nº 3.014, de 29/09/2011, não se verificando, portanto, nenhuma irregularidade. No que tange à identificação da pessoa que recebeu o auto de infração, igualmente equivocase o interessado. Cabe destacar que, dentre as formas de notificação previstas pela legislação de regência, a presente autuação fiscal se deu pela via postal, nos termos do art. 23, inc. II, do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações dadas pelas Leis nºs 9.532/1997, 11.196/2005 e 11.941/2009 (g.n.): (....) Conforme se verifica no Aviso de Recebimento (AR) juntado às fls. 961, o autuado foi notificado por via postal em 25/09/2014 no seu domicílio tributário (v. fls. 22). Portanto, o procedimento observou plenamente o que dispõe o Decreto nº 70.235/72 no inc. II, do caput do art. 23, bem assim o inc. II, de seu § 2º, e o inc. I, de seu § 4º, todos acima transcritos. Ao contrário do que alega o impugnante, consta no AR o nome e a assinatura da pessoa que recebeu a notificação fiscal. Não consta o cargo ou a função dessa pessoa. Mas, de qualquer forma, a completa identificação do recebedor da intimação é dispensada pela legislação de regência, no caso de notificação Fl. 1103DF CARF MF 6 por via postal, bastando que se comprove o seu recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Diferentemente da ciência pessoal, a notificação por via postal não requer que o recebedor seja o representante legal do contribuinte, entendimento este explicitado na Súmula CARF nº 9: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Questiona ainda o impugnante quanto à falta de discriminação do índice de correção monetária aplicado sobre os valores cobrados na autuação. Ocorre que, desde a publicação da Lei nº 9.249, de 26/12/1995, as bases de cálculo e o valor dos tributos e contribuições federais passaram a ser expressos em reais (R$), deixando de existir a figura da correção monetária. É bem verdade que sobre os impostos/contribuições ora apurados e lançados em reais, a autoridade fiscal indicou os encargos de juros de mora – que não equivalem a correção monetária – calculados pela taxa Selic e cujo enquadramento legal encontrase devidamente discriminado às fls. 929. Destarte, não se sustenta a preliminar de nulidade suscitada pelo interessado, motivo pelo qual voto no sentido de rejeitála. No mérito, o contribuinte repisa os mesmos argumentos apresentados à fiscalização durante toda a ação fiscal, apontando as dificuldades junto às instituições financeiras e junto à viúva do contador como justificativa para a não apresentação da documentação comprobatória solicitada. São inaceitáveis, porém, as explicações apresentadas pelo impugnante. A obrigação de manter a escrituração contábil e fiscal disponível para as autoridades fiscais é do contribuinte, não sendo admissível transferir referida responsabilidade a terceiros, conforme dispõe o inc. II, do caput do art. 26, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, que instituiu o Simples Nacional. A multa qualificada de 150%, por seu turno, está prevista no dispositivo legal indicado no Auto de Infração (fls. 929) e no Relatório Fiscal (fls. 802), não cabendo afastar a sua aplicação ou reduzir o seu percentual sem que haja autorização normativa para tanto. Cumpre notar que a alegação de inconstitucionalidade não pode ser apreciada por esta Turma de Julgamento. Com efeito, em sede de processo administrativo, são vedadas as discussões em torno da suposta inconstitucionalidade da legislação, como determina o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 26A: Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10855.723607/201478 Acórdão n.º 1201002.490 S1C2T1 Fl. 5 7 Por fim, relativamente à formalização da representação fiscal para fins penais, tratase tão somente de procedimentos determinados pela Portaria RFB nº 2.439/2010, não competindo à DRJ pronunciarse a seu respeito. Ante todo o exposto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, devendo ser integralmente mantida a exigência fiscal. Pelo exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 1105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900202/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2004
DESISTÊNCIA DCOMP- INDEFERIMENTO
Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido.
Numero da decisão: 1402-003.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2004 DESISTÊNCIA DCOMP INDEFERIMENTO Pedido de desistência de compensação formulado após a data de ciência da decisão administrativa não homologatória há de ser indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 02 02 /2 00 8- 34 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13984.900202/200834 Acórdão n.º 1402003.195 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de DCOMP transmitida pela contribuinte ante pagamento indevido ou a maior um Darf Simples que, no entanto, não foi homologada sob o fundamento de que o pagamento encontrase completamente utilizado, vinculado a débito também de código de receita 6106 e mesmo período de apuração, tornandoo indisponível para qualquer outra utilização. Cientificada do feito fiscal a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega que apresentou a declaração de compensação indevidamente, uma vez que era optante pelo Simples no período a que se referem os débitos incluídos na DComp. Nesse sentido, afirma que não existe valor a ser compensado, e nem motivo para apresentar a declaração de compensação, "uma vez que os tributos que ali se pedia compensação não eram devidos". Com base nessas alegações, a contribuinte requer o cancelamento da DComp apresentada, "por tratarse apenas de um engano fortuito, sem qualquer objetivo de ludibriar o fisco, sendo este perfeitamente justificado frente ao grande número de obrigações acessórias que os contribuintes de maneira geral tem para cumprimento com o Fisco". Em julgamento a DRJ julgou por improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que o pagamento indevido já fora integralmente utilizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.180, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.900120/2008 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.180): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade ao que merece ser processado. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13984.900202/200834 Acórdão n.º 1402003.195 S1C4T2 Fl. 4 3 2. DO MÉRITO: Conforme consta da decisão da DRJ o pagamento levado como crédito na DCOMP foi totalmente utilizado em face de vinculação a débito declarado pela contribuinte. E contra esse fato a contribuinte não apresenta qualquer oposição. Em sede da manifestação de inconformidade a contribuinte apenas alega que a apresentação da DComp em exame decorreu de engano, razão pela qual requer seu cancelamento. A legislação tributária então regente não respalda o requerimento da contribuinte com destaque para o que previa Instrução Normativa SRF n 600, de 28 de dezembro de 2005, que, em seu art. 62 assim estabelecia: Desistência de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Compensação Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo ,mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMY ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituicdo, o Pedido de Ressarcimento ou a compensacdo se encontre pendente de decisão administrativa ti data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. 0 pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. (destaques acrescidos) Há que se ressaltar que, na Instrução Normativa RFB n. 1717, de 30 de dezembro de 2017, atualmente em plena vigência, há disposição idêntica. Ante o exposto, considerando que o pedido de desistência da compensação foi formulado após a data de ciência da decisão administrativa que não a homologou, de se indeferir o requerimento da contribuinte. Uma vez indeferido o pedido de cancelamento da DComp, cumpre analisar o motivo apresentado para não homologar a compensação pleiteada, principalmente em face da alegação da contribuinte de que, no período a que se referem os débitos incluídos na DComp, era optante pelo Simples. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13984.900202/200834 Acórdão n.º 1402003.195 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse cenário, a principio, seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores A data de inicio dos efeitos da exclusão do regime simplificado, conforme essa Turma de Julgamento tem reiteradamente se manifestado. Com isso, inexistiria a utilização do pagamento apresentada no Despacho Decisório como motivo para não reconhecer o direito creditório da contribuinte. Diante do exposto, considerando que a DComp não pode ser cancelada, voto por manter a decisão proferida pela DRJ. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900424/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 42 4/ 20 14 -2 2 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10850.900424/201422 Resolução nº 1402000.704 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ, utilizado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que houve preenchimento equivocado de suas DIPJ e DCTF. Desse modo, inicialmente, não seria detectável tal direito creditório em face desse erro escusável, tendo, então, prontamente promovido a retificação eficaz das declarações, denotando o total de IRRF percebido no ano calendário de 2010, bem como o recolhimento de IRPJ, procedido já no anocalendário de 2011, que configurouse indevido fatos estes que, conjuntamente, dariam margem ao crédito pleiteado. Também relata que o suposto crédito fora utilizado em 17 pedidos de compensação diferentes, requerendo a reunião dos feitos em que tramitam. Acrescenta, ao final, que diante da procedência de seu direto, não haveria prejuízo ao Erário na homologação das compensações. Acosta documentos que supostamente registrariam a origem e a apuração do crédito pretendido. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, entendendo que, pelo sistema DIRF, consta saldo de IRRF sofrido muito menor do que o alegado pela ora Recorrente, confirmados tais valores na própria documentação trazida aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, a qual aponta que o montante de IRRF excedente, que permitiria a existência do crédito nos termos alegados, teria sido efetuado sob razão e CNPJ de terceiro. Este foi o fundamento da denegação do crédito pela C. Instância anterior. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, primeiramente esclarecendo que os valores de IRRF retidos em nome de terceiros, na verdade, são de titularidade de Consórcio de empresas do qual fazia parte na época dos fatos, tendo direito ao seu aproveitamento. No mais, reitera suas demais alegações acerca da retificação de declarações e histórico da origem do crédito. Traz novos documentos em relação à existência do mencionado Consórcio. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.900424/201422 Resolução nº 1402000.704 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.698, de 16/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10850.900418/201475, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.698): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme relatado, em r. Despacho Decisório eletrônico, o crédito pretendido foi rejeitado, posto que não houve a comprovação da sua existência, constando em observação que o valor do IRRF do anocalendário de 2010 informado pelas Fontes Pagadoras foi deveras menor do que aquele declarado pela Contribuinte, de modo que o recolhimento efetuado já em 2011 não configurou a existência de nenhum direito creditório, mas apenas saldou débito apurado no período, sem ultrapassar a monta apurada e devida. Por sua vez, mesmo tendo a Recorrente esclarecido em Manifestação de Inconformidade a origem do crédito, apontando para erro escusável em suas declarações do exercício de 2011 e a devida retificação posteriormente promovida, a DRJ a quo entendeu que não houve a demonstração ou comprovação da existência do crédito, constatando inclusive que a precisa monta controversa dos recolhimentos de IRRF valor que observouse no r. despacho decisório que não constava das informações fornecidas pelas Fontes Pagadoras deramse em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore CNPJ nº 08.727.318/00018: Assim, temos que o fundamento do v. Acórdão recorrido foi de reconhecer que as retenções de IRRF que formariam o suposto crédito pretendido são de terceiro. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.900424/201422 Resolução nº 1402000.704 S1C4T2 Fl. 5 4 Em sede de Recurso Voluntário, em razão de tal nova constatação da DRJ, a Recorrente informa que fazia parte de tal Consórcio, o qual não possui personalidade jurídica, sendo ela a titular, na proporção de sua participação, de parte dos valores de IRRF retidos. Provando o alegado, traz cópia de 1º Alteração do Contrato de Constituição de Consórcio, onde efetivamente consta como parte e consorciada. Pois bem, primeiro, no que tange aos aspectos processuais da demanda, cabe aqui registrar a aceitação de tal nova demonstração e documentação, vez que ausentes na Manifestação de Inconformidade. Devese ter em vista que o r. Despacho Decisório, contra o qual fora oposta a Manifestação de Inconformidade fundamentou a negativa do crédito na ausência de comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior e, observou, que nas informações das Fontes Pagadoras, a monta dos recolhimentos era inferior àquela declarada pela Contribuinte. Apenas isso. Não se mencionou terceiros ou Consórcio nessa primeira decisão denegatória. Ao seu turno, a DRJ a quo corretamente aprofundou a investigação dos fatos e constatou que essa diferença de retenções de IRRF correspondia a valores retidos em nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore inclusive espontaneamente consultando sistemas da Receita Federal do Brasil. Fica, então, claro que o fundamento de que as retenções ainda controversas foram efetuadas em nome de terceiro é motivação nova e incidental na demanda, sendo objetivamente trazida apenas em sede de julgamento da Manifestação de Inconformidade. Antes disso, não se falava em outra pessoa jurídica, e muito menos em Consórcio, para denegar as compensações declaradas. Desse modo, entendese que os documentos trazidos, principalmente a cópia da 1ª Alteração do Contrato de Consórcio, devem ser aceitos e deles deve se conhecer, considerando a previsão da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/721, a qual deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas de regência do processo administrativo fiscal, especialmente o art. 18 daquele mesmo Decreto, o Código de Processo Civil vigente e à luz do princípio da busca pela verdade material. Dito isso, primeiramente temos que a Recorrente combateu com eficácia a fundamentação da DRJ a quo para denegar o crédito. Nesse sentido, a constatação e correspondente afirmação dos I. Julgadores a quo de que os comprovantes de rendimentos em 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10850.900424/201422 Resolução nº 1402000.704 S1C4T2 Fl. 6 5 nome de outra Pessoa Jurídica beneficiária, no caso Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore tornamse ineficazes para afastar totalmente a pretensão da Parte pugnante, vez que demonstrado que a Contribuinte participava desse mesmo Consórcio, sendo, comprovadamente, titular de parte das retenções de IRRF. É certo que os Consórcios de empresas não possuem personalidade jurídica. Logo, a própria designação outra Pessoa Jurídica beneficiária utilizada pela DRJ revelase data maxima venia equivocada. Ainda que passível/obrigado a possuir de registro no CNPJ, assim como hoje em dia também ocorre com as Sociedades em Conta de Participação, tal comando, de forma alguma, é capaz de, per si, atribuir personalidade jurídica aos Consórcios. Seguramente, os Consórcios podem ser descritos como uma reunião por meio contratual de empresas, que visa propiciar a divisão das receitas, custos e despesas de uma determinada atividade ou empreita a ser desenvolvida, proporcionalmente ao avençado entre as partes celebrantes. Tal figura de Direito Comercial é até hoje regulada pelos arts. 278 e 279 da Lei das S/A2, sendo alterado este último dispositivo pela Lei nº 11.941/2009. Ainda que uma maior e mais detalhada regulamentação na esfera tributária tenha apenas ocorrido com o advento da Lei nº 12.402/2011 e da correspondente IN nº 1.119/2011, tal figura contratual e interempresarial há muito já guardava relevância fiscal, com regulação presente em pontuais normativos que reconheciam e atribuíam efeito tributário a tal contrato, assim como às suas estipulações, encaixandose na exceção inicial do art. 123 do CTN. 2 Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10850.900424/201422 Resolução nº 1402000.704 S1C4T2 Fl. 7 6 Por exemplo, IN nº 105/84 já obrigava a inscrição dos Consórcios no CNPJ se estes pagassem, individualmente, rendimentos sujeitos à retenção na fonte ou auferisse rendimentos em decorrência de suas atividades. Confirmando o afirmado e complementando a demonstração acima expedida, confirase o comentário de Hiromi Higuchi3, ainda sobre a regulamentação tributária dos Consórcios, antes de 2011 (as retenções referentes à presente lide são referentes a 2010): O ADN nº 21, de 081184, esclareceu que o fato de aplicar se aos consórcios o mesmo regime tributário a que estão sujeitas as pessoas jurídicas, não os obriga, nem autoriza, a apresentar declaração de rendimentos. Esclarece ainda que para efeito de aplicação do referido regime tributário, os rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem ser computadas nos resultados das empresas consorciadas, proporcionalmente à participação de cada uma no empreendimento. O seu item 3 dispõe que o valor do imposto retido na fonte sobre rendimentos auferidos pelos consórcios será compensado na declaração de rendimentos das pessoas jurídicas consorciadas, no exercício financeiro competente, proporcionalmente à participação contratada. (destacamos) Oportunamente digase aqui que a previsão expressa e específica de retenção de tributos na fonte, sobre recebimentos dos Consórcios, em nome individual das empresas consorciadas, somente surge com o advento da IN nº 1.199/20114. A única exceção na legislação infralegal anterior a 2011, que determinava retenção em nome das empresas participantes, era o art. 16 da IN nº 480/2004, que regulava apenas pagamentos advindos do Poder Público que não é, aqui, o caso. Diante disso, temos cenário em que certamente não estáse diante de retenções efetuadas em favor de outra pessoa jurídica, vez que as empresas participantes de Consórcio são as titulares da retenções efetuadas em seu nome, devendo ser, desde já, afastada a fundamentação do V. Acórdão recorrido. As cópias da 1ª Alteração de Contrato de Consórcio juntadas, que possuem todos os sinais de registro cartorial, já fazem prova da existência do dito Consórcio e da participação da Recorrente em tal pacto. Desse modo, tendo em vista o tratamento tributário de tais valores à época dos pagamentos e retenções, resta certo que a Contribuinte faz jus a parte desses valores de IRRF, compensável com 3 Imposto de Renda das Empresas. 41ª Ed. São Paulo : IR Publicações, 2016. p. 216. 4 Art. 7º Nos recebimentos de receitas decorrentes do faturamento das operações do consórcio sujeitas à retenção do imposto sobre a renda, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, na forma da legislação em vigor, a retenção deve ser efetuada em nome de cada pessoa jurídica consorciada, proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10850.900424/201422 Resolução nº 1402000.704 S1C4T2 Fl. 8 7 o IRPJ devido no anocalendário de 2010, proporcionalmente à sua participação no Consórcio. Ocorre que, o conjunto probatório que se apresenta é incompleto, não podendo da Alteração Contratual se verificar a precisa proporção da Recorrente em tal reunião contratual pactuada. Tampouco está clara a contabilização específica, individual e proporcional das receitas auferidas por meio do referido Consórcio, correspondente ao IRRF em questão. Mesmo sendo ônus do contribuinte a prova do seu direito creditório, temos que no presente caso já foi demonstrada, com eficácia, a improcedência do fundamento adotado pelo v. Acórdão recorrido, não podendo prevalecer tal decisão. Considerando a necessidade de reforma de tal posição jurisdicional anterior e a existência de provas idôneas e fortes indícios de procedência, ainda que parcial, do pleito original da Contribuinte, entendese ser, aqui, cabível a determinação de diligência. Diante do exposto, resolvese por encaminhar os autos à D. Unidade Local de fiscalização, para que: 1) seja intimada a Recorrente a apresentar: 1.a) Cópia do Contrato de Consórcio original, pelo qual fora constituído o Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore (CNPJ nº 08.727.318/00018), apontando em arrazoado a ser apresentado junto de tal documentação a percentagem de sua participação nas receitas referentes ao IRRF retido; 1.b) Cópias das todas as eventuais alterações contratuais do Consórcio, procedidas até ao final do anocalendário de 2010; 1.c) Demonstração, por meio de documentos idôneos e arrazoado explicativo, da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF retido pelo Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, bem como a sua oferta à tributação, na proporção de sua participação no referido Consórcio, mencionada no Item 1.a; 2) Após, a D. Unidade Local, à luz do Parecer COSIT nº 02/2018, deverá analisar a documentação trazida, os arrazoados apresentados, as declarações fiscais e as demonstrações presentes nos autos, elaborando Relatório, claro, fundamentado e conclusivo, no qual seja atestado se houve ou não a comprovação satisfatória de que o crédito pretendido pela Contribuinte é procedente, considerando em tal análise as retenções efetuadas pelas Fontes Pagadoras em nome do Consórcio Sistema Fácil Empreendimento Green Tambore, na proporção de sua participação em tal contrato. 3) Deverá ser dada ciência ao Contribuinte do Relatório elaborado, com a abertura do devido prazo legal para manifestação formal, antes do retorno dos autos para julgamento." Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10850.900424/201422 Resolução nº 1402000.704 S1C4T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.721332/2013-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
ADMISSIBILIDADE RECURSAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso especial que não demonstra a caracterização de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-003.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Cristiane Silva Costa, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso especial que não demonstra a caracterização de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura e Cristiane Silva Costa, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 32 /2 01 3- 10 Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.070 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402002.413 (fls. 978 e segs.), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 21 de março de 2017, pelo qual o Colegiado decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A matéria em debate diz respeito à glosa de despesas incorridas durante o anocalendário de 2008, deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, cuja origem foram descontos concedidos pelo contribuinte na renegociação de operações de crédito. Para a autoridade fiscal essas despesas devem ser tratadas de acordo com o regime jurídico especial previsto nos arts. 9º e 10 da Lei nº 9.430/96. O auto de infração se baseia na premissa de que este sistema específico deve prevalecer sobre a regra geral de dedutibilidade para as despesas (art. 299 do RIR), nos seguintes termos: Preliminarmente, verificase, com toda clareza, no texto contido no inciso I do § 1° do art. 9°, que a lei autoriza a dedução das perdas com créditos quando o Poder Judiciário prolatar sentença de insolvência do devedor. A autorização está escrita em separado de outras situações versadas nos incisos e parágrafos seguintes do mesmo artigo. Então é de se perguntar: por que o legislador ordinário teria escrito de forma contundente tal autorização, se a situação tratada no texto, a insolvência do devedor, por si só revela a total impossibilidade de recuperação do crédito? Para esta pergunta, só encontramos uma resposta, qual seja: tratase da inserção de uma cláusula jurídica cerrada, isto é, cláusula impeditiva de alargamento de interpretação. Somente esta situação se conforma à perda no recebimento de crédito com dedutibilidade autorizada, independentemente de registros e controles especiais. Tratase do que se convencionou chamar de PERDA EFETIVA ou PERDA PERMANENTE. No entanto o sistema não se esgota neste dispositivo. Se isto acontecesse, fatalmente o legislador ordinário estaria ultrapassando os limites constitucionais. Ocorre que, enquanto não se consuma a PERDA EFETIVA, a Lei 9.430/96 prevê a tomada de DEDUÇÕES TEMPORÁRIAS para as situações de inadimplência nos créditos operacionais. Tais deduções exigem registros de entrada no sistema, seguidos de controles especiais e por fim as baixas do sistema, de tal forma que seja sempre possível se conhecer o impacto nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL presentes e futuras. Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.071 3 Da interpretação dos parágrafos 1º ao 4º do artigo 10 da Lei 9.430/96 constatase que o prazo de 05 (cinco) anos é o marco temporal definidor da presunção legal de perda efetiva de crédito, legitimando as perdas já reconhecidas. Porém, ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser adicionada ao lucro líquido para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. Quando o credor efetua a repactuação da dívida, concedendo o perdão parcial da mesma, através da concessão de descontos que são contabilizados como despesas a afetar o resultado do período, há que se observar os requisitos de dedutibilidade constantes na Lei n° 9.430/96, caso contrário se estará diante de uma mera liberalidade por parte do credor, que abre mão do seu direito subjetivo de exigir o cumprimento total da obrigação por parte do devedor. Ao conceder um desconto, a instituição financeira opera fora do sistema jurídico próprio. Irrelevante no caso ser a concessão de desconto pratica usual e normal das instituições financeiras, visto que os conceitos de usual e normal estão presentes na regra geral (o RIR) mas não na regra especial de dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos (a Lei 9.430/96). Esta é fruto do direito positivo, por excelência. A lei especial alcança todos os casos envolvendo a relação jurídica credordevedor. Não se vislumbra qualquer distinção no sistema posto. Existindo os elementos básicos (credor, devedor, crédito e perda), na situação jurídica concreta, há de se aplicar a disciplina especialmente concebida para tal finalidade. As denominações comerciais descontos, prêmios de adimplência ou performance e outros são irrelevantes na valoração jurídica dos fatos. (...) No caso concreto, o disciplinamento estabelecido pelos artigos 9° a 12, da Lei n° 9.430/96 assume um caráter de norma especial, em relação às normas gerais de dedução de despesas existentes no Direito Tributário e no Regulamento do Imposto de Renda. Os descontos concedidos nas renegociações de crédito constituem perdas para a empresa que os concedeu e são uma liberalidade do credor, que está abdicando do direito de exigir o cumprimento total da obrigação pelo devedor, renunciando ao montante concedido a título de desconto. Esse desconto concedido configura uma desistência do impugnante a uma parte do crédito que tem a receber, perdoando a dívida correspondente ao montante do crédito objeto da renúncia. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.072 4 Por seu turno, aduz o contribuinte que a acusação fiscal não pode prosperar, com base nos seguintes fundamentos, apresentados no bojo do recurso voluntário: as disposições estabelecidas pelos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/96 somente são aplicáveis em relação às perdas provisórias, relativas a créditos que os contribuintes ainda pretendem receber, não atingindo as perdas definitivas incorridas pelo Recorrente em razão de descontos que se viu compelido a conceder em operações de crédito com vistas a receber ao menos parte do seu crédito já integralmente oferecido à tributação anteriormente por força do regime de competência, sob pena de se criar condição impossível de atendimento à sua dedutibilidade conforme torrencial jurisprudência deste E. CARF; os valores registrados pelo Recorrente como perdas na renegociação de dívidas representam receitas que em realidade não existiram, ou seja, valores registrados como receitas, tributados pelo IRPJ e pela CSL pelo regime de competência e que por alguma razão não foram percebidos. E se não houve a percepção desses valores anteriormente registrados como receitas, obviamente tem o Recorrente o direito de registrar as perdas sofridas sob pena de passar a pagar IRPJ e CSL sobre não renda, o que não se compadece com nosso ordenamento jurídico; os descontos concedidos pelo Recorrente na renegociação de dívidas, obviamente, são perdas parciais imediatas e definitivas no recebimento de seus créditos e como tal dedutíveis para efeito de IRPJ e CSL sob pena destes tributos incidirem sobre valores que não são renda nem lucro do contribuinte; a inaplicabilidade das regras contidas nos artigos 9o e 10 da Lei n° 9.430/96 às perdas definitivas incorridas pelo credor pode ser aferida até mesmo em razão da origem de tais normas, qual seja, a antiga Provisão para Devedores Duvidosos "PDD", a qual era aplicável apenas em relação às perdas prováveis o que, por óbvio, excluía as perdas definitivas, efetivamente incorridas no exercício; ao contrário do que supõe a d. autoridade fiscal, a relação entre o artigo 299 do RIR/99 aplicado pelo Recorrente e os artigos 9o a 12 da Lei n° 9.430/96, cuja aplicação é sustentada no TVF, não consiste em relação entre lei geral e lei especial, que supõe necessariamente a pertinência da espécie ao gênero, já que enquanto o artigo 299 do RIR/99 trata de perdas definitivas, os artigos 9o a 12 da Lei n° 9.430/96 tratam de perdas potenciais, conseqüentemente não se referindo a uma espécie de perda definitiva; considerando que a liberalidade não se presume, para que o valor das perdas efetivas possa ser tributado, ou seja, para que possa compor a base de cálculo do IRPJ e da CSL, deve ser cabalmente demonstrado pelo Fisco que o contribuinte teve disponibilidade sobre aquele valor e dele abriu mão, já que Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.073 5 interpretação em outro sentido configurase ilegal e inconstitucional por violar os artigos 153, III e 195, I da Constituição Federal, e 43, 44 e 110 do CTN que só admitem tributar a renda auferida no período considerado, não admitindo a título de IR e CSL a tributação de renda ou lucro inexistentes; Em 21 de março de 2017, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, por meio do acórdão nº. 1402002.413, deu provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não cabe alegar a nulidade do lançamento quando o Auto de Infração encontrase formalizado com observância do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 DESCONTOS CONCEDIDOS EM RENEGOCIAÇÃO DE RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. PERDAS DEFINITIVAS. INCIDÊNCIA DO ART. 299 RIR/99. DEDUTIBILIDADE. Os descontos e abatimentos concedidos na renegociação de créditos de Instituições Financeiras são perdas definitivas, ficando fora do campo de incidência dos arts. 9 a 12 da Lei 9.430/96. A verificação de dedutibilidade de tais valores está sujeita à norma contida no art. 299 do RIR/99. O sacrifício de parcela do crédito em repactuação, visando ao recebimento do montante remanescente, é manobra típica e inerente à atividade operacional das Instituições Financeiras, possuindo notória usualidade e normalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida, desde que ausentes arguições específicas e elementos de prova distintos. Contra esse acórdão, a PFN apresentou recurso especial (fls. 1.007 e ss.), baseado em divergência interpretativa, trazendo como paradigmas os acórdãos n° 140100.740 e n° 10195.385. Sustentou seu inconformismo nos seguintes fundamentos: Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.074 6 Devese considerar que o contribuinte optou por conceder descontos para o recebimento de créditos, operando por mera liberalidade. E perdas resultantes de mera liberalidade não são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme jurisprudência consagrada nesse Conselho. O inadimplemento, pelo devedor, de sua obrigação creditória causa uma diminuição no patrimônio do credor, anormal e involuntária. Se a inadimplência do devedor levou o autuado a renunciar/perdoar parte de seu crédito por meio de descontos para fins de liquidação, isto não se trata de um dispêndio com vistas a uma futura obtenção de receita. Por mais que, na contabilidade, a perda se faça presente desde a renúncia ao crédito, a legislação de regência da matéria somente prevê a possibilidade de dedução de tais perdas se atendidos os requisitos objetivamente expressos nos referidos artigos 9º a 12 da lei nº 9.430/96. Em termos gerenciais, o contribuinte tem total liberdade para tratar as suas perdas de acordo com seu entendimento e critério. No caso, entendeu ser economicamente vantajoso firmar acordo reconhecendo perdas sem recorrer aos meios judiciais. Este expediente, entretanto, não foi previsto na Lei 9.430/96 como autorizador do registro imediato da perda. Quando se trata de perdas no recebimento de créditos, sua dedução só é possível conforme as hipóteses listadas, de forma taxativa, nos incisos, alíneas e parágrafos do artigo 9º. Logo, o contribuinte poderia reconhecer tal perda contabilmente, porém não pode considerá la para fins fiscais. (...) Outrossim, é descabido o entendimento de que o art. 299 do RIR/99 regula o presente caso. Data venia, os conceitos de perda e de despesa operacional possuem peculiaridades que não permitem que sejam confundidos. A despesa operacional é o desembolso necessário à atividade da empresa. Tratase de uma atividade planejada, um dispêndio realizado com vistas à obtenção de receitas que o compensem. Nos termos do artigo 299 do RIR/99, para que um dispêndio seja considerado despesa operacional e, portanto, dedutível, ele deve atender a certos requisitos, como efetividade, necessidade e normalidade no contexto das transações do contribuinte. É de se notar que a despesa que aqui se cogita não pode ser entendida como necessária, pois o contribuinte não adotou qualquer medida administrativa ou judicial de cobrança. A perda, por sua vez, tem sua origem em uma situação anormal e alheia à vontade da pessoa jurídica, que acarreta diminuição em seu patrimônio sem qualquer expectativa de receita. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.075 7 O inadimplemento, pelo devedor, de sua obrigação creditória causa uma diminuição no patrimônio do credor, anormal e involuntária. Se a inadimplência do devedor levou a autuada a renunciar/perdoar parte de seu crédito, isto não se trata de um dispêndio com vistas a uma futura obtenção de receita. Tratase, efetivamente, de uma perda reconhecida no recebimento de créditos, e não de uma despesa operacional. Em se tratando de perda decorrente do não recebimento de um crédito, a única disciplina prevista na legislação para sua dedução na determinação do lucro real é a do artigo 9º da Lei nº 9.430/96. Ainda que se pudesse considerar as perdas de que cuida o presente lançamento como despesas operacionais, a aplicação do artigo 299 do RIR/99 só teria lugar se não houvesse esta norma, especial, regendo a matéria de forma particularizada. É a prevalência da norma especial sobre a geral. As despesas com propaganda, por exemplo, têm regras próprias para a dedutibilidade (RIR/99 art. 366), assim como as despesas com brindes, que são indedutíveis por vedação legal explícita (inciso VII do art. 13 da Lei nº 9.249/95). O recurso especial fazendário foi admitido, conforme despacho de fls. 1.022. Em contrarrazões, o contribuinte pretendeu demonstrar que o recurso não deve ser conhecido nem admitido, por entender que os paradigmas indicados não servem para demonstrar a divergência de interpretação. Quanto ao mérito da questão, aduz o contribuinte que (destaques no original): as alegações em que se funda o recurso especial não se conformam às normas que regem a incidência do IRPJ e da CSL, sendo certo que o art. 9° da Lei n0 9.430/96 não se aplica aos descontos concedidos por instituições financeiras com o intuito de receber, pelo menos, parte de seus créditos, conforme reconhecido por farta jurisprudência administrativa; diferentemente do que foi sustentado no apelo especial, segundo entendimento jurisprudencial assente, a disciplina legal das perdas no recebimento de créditos, que substituiu as regras da antiga provisão para devedores duvidosos ("PDD"), permite que as pessoas jurídicas, observadas certas condições, antecipem o reconhecimento de perdas presumidas/provisórias/ prováveis, não se aplicando às perdas definitivas, tais como os descontos concedidos por instituições financeiras em renegociação de operações de crédito. as disposições do 9o da Lei n° 9.430/96 são aplicáveis somente às perdas presumidas/provisórias/prováveis, relativas a créditos que a pessoa jurídica ainda pretende receber, não atingindo perdas já definitivas como aquelas suportadas pelo Recorrido, sob pena de se criar condição impossível de atendimento à sua dedutibilidade. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.076 8 no caso dos autos, a totalidade do valor glosado corresponde a descontos concedidos na renegociação de dívidas por instituições financeiras e, como tal, conforme reconhecido peta jurisprudência pacífica, consubstanciam despesas operacionais das instituições financeiras dedutíveis para efeito de IRPJ e CSL. ao contrário do que afirma o Sr. Procurador da Fazenda Nacional, a relação entre o art. 299 do RIR/99 e o art. 9o da Lei n° 9.430/96 não consiste em relação entre lei geral e lei especial, que supõe necessariamente a pertinência da espécie ao gênero, já que enquanto o art. 299 do RIR/99 trata de perdas definitivas, o art. 9o da Lei n° 9.430/96 trata de perdas potenciais e evidentemente tais perdas não são uma espécie de perda definitiva. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 1.022, e o contribuinte, em contrarrazões, defendeu que este não deve ser conhecido, por não atender aos preceitos regimentais, razão pela qual os seus pressupostos devem ser analisados. A admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Como visto, a matéria em debate nos autos diz respeito à natureza jurídica dos descontos concedidos pelo contribuinte (instituição financeira), com o objetivo de receber, ainda que parcialmente, valores relativos a créditos decorrentes de sua atividade, de difícil recuperação. Para a autoridade lançadora esses descontos configuram mera liberalidade, consubstanciada na desistência do direito de exigir os valores devidos. Nesse caso, defende a fiscalização a aplicação do disposto no art. 9o da Lei n. 9.430/96, que traria requisitos específicos para a dedutibilidade dos valores, em regime jurídico distinto daquele previsto para as despesas gerais (art. 299 do RIR/99). Já o acórdão recorrido entendeu que o sacrifício de parcela do crédito durante os procedimentos de renegociação da dívida seria manobra típica das instituições financeiras e se amoldaria aos critérios de necessidade e usualidade exigidos para a dedução dos montantes não recebidos. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.077 9 Em termos jurídicos, discutese o regime aplicável a essas despesas: se as perdas decorrentes dos descontos devem ser consideradas como definitivas e, portanto, despesas operacionais ou, ao contrário, se representam perdas presumidas ou provisórias, de modo a atrair a incidência do art. 9o da Lei nº 9.430/96. A Fazenda Nacional indicou no recurso especial dois paradigmas que demonstrariam, em seu entendimento, o dissídio jurisprudencial. O primeiro paradigma (acórdão n° 140100.740) trata da glosa de valores excluídos do lucro líquido do exercício, relativos a perdas no recebimento de créditos, consoante a seguinte ementa (reproduzida no que interessa ao debate): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. Caracterizada a omissão de receitas, quando o contribuinte deixa de comprovar, por documentação hábil e idônea, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supostamente emprestados por sócios. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SUPRIMENTO DE CAIXA. Correta a glosa de valores supostamente supridos ao caixa por empresas interligadas, cuja efetividade da entrega dos recursos não resultou comprovada. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. CONDIÇÕES. Correta a glosa de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica, quando não forem observadas as regras estabelecidas pelo artigo 340 do RIR/99. GLOSA DE DESPESAS. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. EMPRESAS LIGADAS. VEDAÇÃO. Não se admite a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. RESULTADOS OPERACIONAIS. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO. DIPJ. NATUREZA INFORMATIVA. Correto o lançamento resultante da constatação de apuração de lucro liquido na Demonstração de Resultado do Exercício, quando o contribuinte deixa de declarar o IRPJ e a CSLL correspondentes, ainda que informados em DIPJ. A partir do exercício 1999, a DIPJ possui natureza meramente informativa, não constituindo confissão de divida. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.078 10 GLOSA DE DESPESAS. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. PROVISÃO INDEDUTÍVEL. Correta a glosa de despesas lançadas a titulo de multa e juros moratórios, eis que somente são dedutíveis quando devidamente pagas, já que, do contrário, constituem meras provisões indedutiveis. Ocorre que naquele processo o fundamento para a autuação decorreu da falta de comprovação dos supostos adiantamentos efetuados a fornecedores, com destaque para o fato de que estes eram empresas ligadas ao sujeito passivo, como informa a autoridade lançadora: [...] releva observar que o caput do art. 340 do RIR/99 prescreve que as perdas no recebimento de créditos devem decorrer das "atividades da pessoa jurídica". Não há como adivinhar a que titulo tais pagamentos foram efetuados, já que a fiscalizada sequer cogitou de juntar qualquer documento que pudesse comprovar as supostas operações havidas com seus fornecedores, tais como contratos, notas fiscais de venda para entrega futura, ou qualquer outra evidência que explicasse a natureza dos negócios encetados. Diante de vultosa quantia despendida, não é verossímil que uma empresa simplesmente efetuasse tantos adiantamentos, sem qualquer registro das operações correspondentes. Um outro ponto atacado pela defesa é a alegação de que o grau de parentesco é irrelevante no caso, já que isso somente justificaria a flexibilidade na intensidade das cobranças, mas não indicaria que elas não fossem feitas. Ocorre que essa tese contraria frontalmente o comando do §6° do art. 340 do RIR/99, que veda a dedução de perdas de créditos de pessoa jurídica, de alguma forma ligada (controladora, controlada, coligada ou interligada) ao contribuinte. A despeito dessa proibição, a fiscalização verificou que os dois fornecedores envolvidos com as supostas perdas possuem, em seu quadro societário, parentes dos sócios da MA Falleiro & Cia Ltda. [...] (grifouse) Constatase, pois, que a situação fática do paradigma não se assemelha com a do presente caso, porque naquele processo o principal motivo para a manutenção da glosa foi a ausência de qualquer comprovação documental acerca dos próprios créditos, que foram supostamente contraídos com pessoa ligada, no âmbito de relações comerciais, enquanto que neste processo não há dúvida sobre a existência ou natureza dos descontos concedidos, mas apenas em relação à legislação aplicável à espécie. Ademais, aqui, cuidase de instituição financeira, que efetua empréstimos a terceiros e tem nessa atividade um de seus objetivos precípuos. No voto condutor do paradigma nem se discute, em profundidade, qual seria a norma aplicável ao caso, pois o relator entendeu que a falta de provas, por si só, impediria o reconhecimento das alegações do contribuinte. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.079 11 Portanto, não há como conhecer do recurso fazendário em relação ao primeiro paradigma apresentado, por ausência de similitude fática para caracterização de divergência jurisprudencial. O segundo paradigma (Acórdão n° 10195.385) trouxe a seguinte ementa (reproduzida no que interessa ao debate): IRPJ – DISPONIBILIDADE ECONÔMICA E JURÍDICA DE RENDA – Para efeito de apuração do fato gerador do imposto de renda, o art. 43 do CTN adota como princípio o da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, independentemente da disponibilidade financeira, ao consagrar como regra, salvo exceções expressas, o registro e a apuração dos resultados pelo regime de competência, desvinculado do efetivo ingresso ou dispêndio do caixa da pessoa jurídica. IRPJ – PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS – REQUISITOS – As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica com valores superiores ao previsto no parágrafo 1o, item II, letra “c”, do artigo 340, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. IRPJ – ENCARGOS FINANCEIROS DE CRÉDITOS VENCIDOS – EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO – REQUISITOS – Os encargos financeiros de créditos vencidos há mais de dois meses, segundo a legislação aplicável, poderão ser excluído do lucro líquido, para determinação do lucro real, desde que tenham sido tomadas as providencias de caráter judicial para sua cobrança. Verificase que, naquele julgado, o que se debateu, em verdade, foi a natureza jurídica do conceito de renda, baseada nas premissas de "disponibilidade econômica" e de "disponibilidade jurídica" previstas pelo CTN. O voto condutor considerou que o não recebimento de créditos vencidos somente permite sua exclusão do lucro líquido quando adotadas as providências de caráter judicial previstas no art. 342 do RIR/99, que trata da possibilidade dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito. A leitura do voto condutor do paradigma evidencia que o único fundamento adotado foi a não proposição das medidas judiciais cabíveis, posto que em nenhum momento se questiona, como no presente caso, a natureza das despesas incorridas com descontos concedidos. Tanto assim que a decisão da DRJ naquele processo, mantida pelo acórdão paradigma indicado, expressamente consignou que: Ementa: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NO LUCRO REAL. RECEITAS FINANCEIRAS. CRÉDITOS EM LIQUIDAÇÃO. AJUIZAMENTO DE COBRANÇA. REQUISITO. Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 16327.721332/201310 Acórdão n.º 9101003.747 CSRFT1 Fl. 1.080 12 O benefício da não adição ao lucro líquido das receitas financeiras decorrentes de encargos incidentes sobre créditos em liquidação, segundo a legislação aplicável, somente pode ser usufruído nos casos de ajuizamento da competente ação de cobrança. Notase que inexiste entre os dois processos qualquer dissídio quanto à legislação aplicável, posto que os fundamentos das autuações e das respectivas decisões são distintos, até porque no paradigma o tema central é a não adição de receitas financeiras, enquanto que aqui se debate a natureza jurídica dos descontos concedidos pela instituição financeira credora. Entendo, portanto, que os dois paradigmas indicados não comprovam a existência de interpretação jurídica divergente, de acordo com os parâmetros regimentais, situação que demanda, à luz da atual jurisprudência desta CSRF, o não conhecimento do recurso fazendário. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso especial fazendário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902212/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO.
Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
Numero da decisão: 1402-003.441
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. PERDA DO OBJETO. Verificado nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal e o respectivo não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perda de objeto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 22 12 /2 00 9- 00 Fl. 59DF CARF MF 2 Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação da compensação", cujas razões de negação se fundam no fato de que o pagamento a título de estimativa mensal somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega que tem direito à restituição/compensação do valor pago a maior, seja qual for a modalidade de pagamento. Aduz ainda que a matéria não pode ser regulada por meio de instrução normativa, e sim por lei. E por fim, afirma a liquidez e certeza de seu crédito. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Do Recurso Voluntário: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10925.902212/200900 Acórdão n.º 1402003.441 S1C4T2 Fl. 60 3 A recorrente, na sua peça recursal, pede anulação dos valores cobrados no presente processo, pois quitou os débitos em discussão na per/dcomp, através de DARFs especificados como anexo. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Verificase nos autos que o recurso voluntário informa do pagamento em Darf do débito pleiteado a ser compensado em Per/Dcomp, e a desistência do processo, caracteriza da perda de objeto da peça recursal. Destarte, não se conhece do recurso voluntário por perda do objeto. É como voto. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 61DF CARF MF
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