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Numero do processo: 16327.001606/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA.
Os casos de nulidade no PAF estão arrolados no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
DECADÊNCIA. PROCEDÊNCIA.
O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN.
Nesse sentido, o recorrente comprovou ter havido pagamento do tributo, ainda que parcial. Assim, nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
PLANO COLETIVO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR INSTITUÍDO POR ENTIDADE ABERTA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO PREVIDENCIÁRIO. INSTRUMENTO REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA.
Os valores dos aportes a planos coletivos de previdência complementar de entidade aberta, ainda que ofertado plano diferenciado a grupo ou categoria distinta de trabalhadores da empresa, não integram a base cálculo da contribuição previdenciária, mas desde que não utilizados como instrumento de incentivo ao trabalho, concedidos a título de gratificação, bônus ou prêmio. A falta de comprovação do propósito previdenciário do plano, que deve destinar-se à formação de reservas para garantia dos benefícios contratados, implica a tributação das contribuições efetuadas pela empresa instituidora ao plano de previdência privada aberta.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, prevista no Art. 106 do CTN, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
Incidem juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-005.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos: (a.1) conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade de lei; (a.2) rejeitar as preliminares, (a.3) reconhecer a decadência dos períodos de janeiro de 2005 a novembro de 2005 e (a.4) reconhecer o equívoco na base de cálculo do auto de infração, nos termos do relatório de diligência fiscal; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso voluntário para considerar válido o plano de previdência privado complementar instituído pela recorrente, reduzir a multa aplicada ao percentual de 20% e considerar inaplicável juros sobre multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
(assinado digitalmente)
Reginaldo Paixão Emos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado em substituição ao conselheiro João Maurício Vital). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidade no PAF estão arrolados no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. DECADÊNCIA. PROCEDÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733-SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, o recorrente comprovou ter havido pagamento do tributo, ainda que parcial. Assim, nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PLANO COLETIVO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR INSTITUÍDO POR ENTIDADE ABERTA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO PREVIDENCIÁRIO. INSTRUMENTO REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. Os valores dos aportes a planos coletivos de previdência complementar de entidade aberta, ainda que ofertado plano diferenciado a grupo ou categoria distinta de trabalhadores da empresa, não integram a base cálculo da contribuição previdenciária, mas desde que não utilizados como instrumento de incentivo ao trabalho, concedidos a título de gratificação, bônus ou prêmio. A falta de comprovação do propósito previdenciário do plano, que deve destinar-se à formação de reservas para garantia dos benefícios contratados, implica a tributação das contribuições efetuadas pela empresa instituidora ao plano de previdência privada aberta. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, prevista no Art. 106 do CTN, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidade no PAF estão arrolados no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. DECADÊNCIA. PROCEDÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça diante do julgamento do Recurso Especial nº 973.733SC, em 12/08/2009, afetado pela sistemática dos recursos repetitivos, consolidou entendimento que o termo inicial da contagem do prazo decadencial seguirá o disposto no art. 150, §4º do CTN, se houver pagamento antecipado do tributo e não houver dolo, fraude ou simulação; caso contrário, observará o teor do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, o recorrente comprovou ter havido pagamento do tributo, ainda que parcial. Assim, nos termos da Súmula 99 do CARF, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. PLANO COLETIVO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR INSTITUÍDO POR ENTIDADE ABERTA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO PREVIDENCIÁRIO. INSTRUMENTO REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 06 /2 01 0- 08 Fl. 1156DF CARF MF 2 Os valores dos aportes a planos coletivos de previdência complementar de entidade aberta, ainda que ofertado plano diferenciado a grupo ou categoria distinta de trabalhadores da empresa, não integram a base cálculo da contribuição previdenciária, mas desde que não utilizados como instrumento de incentivo ao trabalho, concedidos a título de gratificação, bônus ou prêmio. A falta de comprovação do propósito previdenciário do plano, que deve destinarse à formação de reservas para garantia dos benefícios contratados, implica a tributação das contribuições efetuadas pela empresa instituidora ao plano de previdência privada aberta. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, prevista no Art. 106 do CTN, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Incidem juros de mora, à taxa Selic, sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA CONFISCATÓRIA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos: (a.1) conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade de lei; (a.2) rejeitar as preliminares, (a.3) reconhecer a decadência dos períodos de janeiro de 2005 a novembro de 2005 e (a.4) reconhecer o equívoco na base de cálculo do auto de infração, nos termos do relatório de diligência fiscal; (b) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais questões; vencidos os conselheiros Wesley Rocha (relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso voluntário para considerar válido o plano de previdência privado complementar instituído pela recorrente, reduzir a multa aplicada ao percentual de 20% e considerar inaplicável juros sobre multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Reginaldo Paixão Emos. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.116 3 Wesley Rocha – Relator (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, e Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado em substituição ao conselheiro João Maurício Vital). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Resumo sucinto do processo em nota de roda pé 1. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela interessada. Por bem descrever os fatos da autuação, de maneira assertiva e resumida, adoto o relatório lançado pelo relator que me antecedeu, quando da decisão em forma de Resolução: O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.298.5173, lavrado em 01/12/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, bem como contribuição para o financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT – SAT/RAT), incidentes sobre remunerações pagas aos empregados sob a forma de previdência privada complementar em desacordo com a legislação, no período de 01/2005 a 12/2008, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 13.564.232,83, fls. 01. A fiscalização apurou que a recorrente fez pagamentos de previdência privada a seus Diretores e Superintendentes num plano denominado PGBL Suplementar que não era extensível a todos os empregados. Existia um Plano I disponível a todos os empregados e diretores, e outro plano chamado “Plano de Benefícios Suplementares”, na modalidade PGBL, disponível apenas a Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os investidos em cargo de Assessor da Diretoria. 1 1. AUTO DE INFRAÇÃO fls. 1 a 26 2. RELATÓRIO FISCAL DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS AIOP , DEBCAD n° 37.298.5173 Fls. 79/ 94 3. IMPUGNAÇÃO fls. 351/459 4. ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO fls. 820/839 5. RECURSO VOLUNTÁRIO fls. 846/945 6 RESPOSTA À DILIGÊNCIA fls. 1.027 /1.030 Fl. 1158DF CARF MF 4 Para o plano básico, a contribuição da empresa instituidora era de 4%, ao passo que no plano suplementar a contribuição superava tal percentual em dezenas de vezes. A autoridade fiscal fez considerações sobre as características do plano em cotejamento com a Lei Complementar 109/2001, destacando que esta , bem como a Lei 8.212/91, exigia que os planos estivessem disponíveis a todos os empregados e diretores. Durante o curso da fiscalização não foram fornecidas memórias de cálculo que demonstrassem a metodologia de cálculo das contribuições de modo a evidenciar o caráter previdenciário dos pagamentos. Foi providenciado um levantamento na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) que demonstrou que os aportes eram substanciais superando em alguns casos a metade da remuneração declarada, fls. 83. Verificouse nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) que os aportes no plano PGBL Suplementar, via de regra, eram resgatados em janeiro de cada ano pelos beneficiários. Após tomar ciência pessoal da autuação em 10/12/2010, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 315/403, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 14ª Turma da DRJ/São Paulo I, no Acórdão de fls. 720/739, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/04/2011, fls. 746. O recurso voluntário, apresentado em 24/05/2011, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que a base de cálculo das exações ora em discussão contém também as contribuições básicas feitas pela empresa, embora a autoridade fiscal tenha questionado somente os pagamentos para o PGBLSuplementar. Não concorda com a argumentação do Acórdão a quo, no sentido de o Relatório Fiscal teria deixado claro que foram incluídas somente as parcelas referentes ao plano de previdência suplementar. Entende que, ao contrário, o item 32 do Relatório informou, contraditoriamente, ter incluído também os aportes do plano básico. Por conta de tal vício na base de cálculo, o auto de infração estaria eivado de nulidade. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Aponta que a diferença entre os benefícios fornecidos aos empregados em geral e o mesmo benefício oferecido aos ocupantes de cargos de direção não pode ser utilizada como justificativa para afastar a isenção prevista no art. 28, §9, alínea “p” da Lei 8.212/91. Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.117 5 Colaciona decisão deste CARF na qual as disparidades de percentuais de contribuição ao plano de previdência não afastou a isenção. Insiste que existe plano de previdência complementar disponível a todos os empregados – fato que nem a fiscalização teria discordado. Possui um único plano, aprovado pela SUSEP, e não dois como alega a fiscalização. Seu plano contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos. Ainda que se admitisse que possui dois planos de previdência , o caso seria similar ao de assistência médica para os quais a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já decidiu que os planos de saúde não precisam ser idênticos a todos os empregados, mas apenas extensivos a todos (Acórdão 920200.295). Depois de deixar anotado um exaustivo roteiro sobre a regulamentação de previdência privada, desde a Constituição até as normas infralegais, passa a defender que existe amplo direito a resgate , total ou parcial, em relação aos valores aportados pela empresa. O eventual resgate pelo beneficiário não pode ser tomado como indicativo de descumprimento das normas que regem o Sistema de Previdência Complementar. Insiste que a legislação, a jurisprudência e a doutrina reconhecem que as contribuições a planos de previdência privada tem natureza assistencial ou previdenciária e não salarial. Assinala que são duas as condições para que as contribuições a planos de previdência privada sejam assim consideradas: a) que as contribuições sejam pagas a empresa de previdência privada legalmente constituída e b)que o Plano seja disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Ataca ao adicional de 2,5%, entendendo ser este inconstitucional. Requer a aplicação da multa mais benéfica. Aponta a ilegalidade da aplicação de juros de mora sobre a multa, colacionando jurisprudência sobre o tema. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Iniciado o julgamento, a Turma entendeu que haveria informações conflitantes capaz de atingir o resultado do processo, em razão de possível vício na base de Fl. 1160DF CARF MF 6 cálculo, podendo culminar em eventual decisão de nulidade do auto de infração, nos seguintes termos: "O Acórdão a quo, ao negar a inclusão do plano básico, baseou se nas informações do Relatório Fiscal, apesar de a então impugnante ter juntado planilhas apontando que os aportes do plano básico de previdência foram incluídos no lançamento. Temos, então, informações conflitantes por parte da fiscalização e da recorrente, ambas com elementos de prova a favor de quem alega. Com a devida vênia, entendemos que as provas juntadas pela empresa não podem ser descartadas sem que haja a manifestação da autoridade fiscal para esclarecer o seu procedimento. Embora possamos decidir genericamente pela exclusão da base de cálculo dos valores relativos ao plano básico, tal providência não permitiria ou dificultaria a ação da defesa quanto à insurgência sobre o quantum a ser excluído. Assim, é todo recomendável a conversão do julgamento em diligência". A diligência retornou positiva, da qual consta nas fls. 1.027/1.030. A fim de completar o relatório, verificase que a recorrente apresentou nas fls. 835/945 seu recurso Voluntário, alegando, além do que já foi descrito acima sobre a nulidade do lançamento, o seguinte: Decadência do crédito apurado no período de janeiro de 2005 a novembro de 2005, com base na aplicação do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. A improcedência do lançamento em razão do atendimento a todas as condições constitucionais, legais e infralegais para a exclusão do plano de previdência complementar do salário de contribuição. A correta aplicação da base de cálculo das Contribuições previdenciárias; discorreu sobre a legalidade do plano de previdência privada mantido pela recorrente; aponta a inexistência das violações legais apontadas pela fiscalização, em especial sobre os planos Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo, do tipo Plano Garantidor de Benefício Livre PGBL. Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade de Contribuição Variável. alega a impossibilidade da exigência do adicional de 2.5% devidos a título de contribuição ao INSS, uma vez que, segundo seu entendimento, não poderiam ter sido calculados levandose em conta a alíquota adicional de 2,5%, por representar tal exigência clara discriminação em relação a todas as demais empresas, em flagrante violação ao princípio da isonomia insculpido Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.118 7 na Constituição Federal, reiterando em seu recurso a inconstitucionalidade sobre tema. Sobre a multa pediu para que fosse aplicada, em superando o mérito, dispositivo mais benéfica, referente aos fatos geradores. discorreu também sobre ilegalidade da exigência de juros sobre a multa lançada. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do requisito formal de tempestividade e a matéria de competência dessa Turma. Portanto, dele o conheço. Assim, passo a analisar os pontos atacados em recurso. DAS PRELIMINARES DA NULIDADE DA BASE DE CÁLCULO O tema sobre a nulidade da calculo não pode prosperar, uma vez que não foi alterado o critério jurídico utilizado pela fiscalização, diante do resultado positivo da diligência que retornou com a identificação de erro meramente aritmético na base de cálculo. Entendo que, o erro na base de calculo remonta apenas valores, que nesse caso é para menor, favorável à Contribuinte e que deve ser tratada como matéria de mérito. Isso porque os casos de nulidades, no processo administrativo fiscal se limitam às situações elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Fl. 1162DF CARF MF 8 O art. 60 do referido Decreto, 70.235/1972, menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Ocorre que nesse caso, aplicando os dispositivos acima mencionados, não se verificamse as causas de nulidades listadas referente ao auto de infração, no que tange à base de cálculo, uma vez que o critério jurídico adotado pela fiscalização (autuação das contribuições feitas pela empresa referentes ao plano básico e ao plano suplementar), não teria sido alterado com o resultado de valores lançados. Nesse sentido, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. Assim, não acato a preliminar de nulidade, devendo ser objeto de análise de mérito, uma vez que a base de cálculo possui erro quanto ao quatum apurado. DO MÉRITO DO RETORNO DA DILIGÊNCIA E DA BASE DE CÁLCULO Aduz a recorrente o seguinte: "Como se depreende do Relatório do Auto de Infração a fiscalização questiona apenas os aportes feitos pela empresa a seus dirigentes no âmbito do PGBL Empresarial 6o Termo Aditivo de 30/06/1999 contribuições suplementares. No entanto, na base de cálculo das exações ora exigidas foram computadas também as contribuições básicas feitas pela empresa a seus dirigentes no âmbito do Plano II para Plano de Previdência na modalidade: Plano Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benéfico Definido PBD Contribuições Básicas, conforme Contrato Previdenciário de 20.05.200(1 (doc.13), o que será demonstrado em perícia que desde logo se requer. Em razão disso o levantamento fiscal é imprestável o que implica nulidade do Auto de Infração como um todo porque a base de cálculo das exações está viciada". A matéria, no meu entender, é de aplicação de mérito, uma vez que o critério jurídico adotado não foi alterado com a diminuição dos valores da base de cálculo, e não cerceou direito de defesa da recorrente. Nesse sentido, a diligência foi concluída junto às fls. 1.027/1.030 nos seguintes termos: "Da análise dos documentos apresentados em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em conjunto com os lançamentos contábeis (fls. 149 a 241) e o Faturamento referente Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.119 9 à Previdência Complementar (fls. 256 a 298) apresentados durante a ação fiscal que ensejou a lavratura do Auto de Infração e já anexados ao presente Processo Administrativo Fiscal, concluise que as contribuições referentes ao plano básico de previdência foram indevidamente incluídas nas bases de cálculo, devendo estas serem retificadas conforme relacionado a seguir": Fl. 1164DF CARF MF 10 Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.120 11 Assim, ficou evidente o vício apontado, devendo ser acolhido a irresignação da recorrente para diminuir os valores atribuídos na base de cálculo, onde deve ocorrer a correção, conforme apontado na diligência realizada. DA DECADÊNCIA Aduz a recorrente que o processo foi parcialmente contaminado pelos efeitos da decadência, especificamente quanto aos períodos de janeiro/2005 a novembro/2005. Pede a recorrente a aplicação do disposto no artigo 156, inciso V, do CTN. Conforme se constata das fls. 1051 a 1.111. a contribuinte juntou os comprovantes de pagamentos dos períodos citados. A contribuinte foi intimada do auto de infração em 10/12/2010 (fls. 03). Entende que a aplicação do artigo 156, inciso V, do CTN, seria perfeitamente viável ao caso concreto, já que, segundo ela, não é possível concluir que houve recolhimento das contribuições, ainda que parcial. Com isso, no presente caso verifico a possibilidade de atrair a aplicação do referido dispositivo. O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Portanto, os cincos seriam contados a partir dos fatos geradores, correspondentes a 01/2005 e competências seguintes, até 11.2005, já que com a regra interpretada pelo STJ teria se consumado o prazo decadencial no período mencionado, uma vez que a intimação ocorreu no período de 12.2010. Assim, transcorridos os 5 anos decadenciais. Assim, deve ser declarada a decadência do período de janeiro de 2005 até novembro de 2005, uma vez que os comprovantes dos pagamentos foram juntados ao feito. Nesse sentido, a DRJ de origem não acatou a decadência por não ter sido recolhido em rubricas adequadas ao lançamento, conforme transcrição de parte da decisão, in verbis: "5.2. Conforme consta nos autos, as remunerações descritas no item 1.1, objeto do presente lançamento de ofício, não estavam, ao início da ação fiscal, declaradas nas GFIPs da Autuada, isto é, esta não as considerou integrantes do saláriode contribuição das contribuições previdenciárias devidas, tanto é que não houve pagamento antecipado das mesmas, condição indispensável para aplicação do disposto no § 4o do art. 150 do CTN. Deste modo, a ausência de qualquer recolhimento referente às contribuições incidentes sobre tais verbas conduz à aplicação do artigo 173,1, do CTN, para efeito do início de contagem do prazo decadencial para constituição do crédito correspondente, in verbis:" Fl. 1166DF CARF MF 12 Entretanto, de acordo com a Súmula CARF nº 99, "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Nessas circunstâncias, existindo recolhimento de contribuições, o dispositivo a ser aplicado é o art. 150, § 4°, do CTN, independente se não ocorrer recolhimento específico sobre a mesma rubrica, devendo ser acatada a decadência dos períodos de janeiro de 2005 a novembro de 2005. DO PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR Inicialmente, cumpre destacar que já foi amplamente citada as legislações aplicadas ao caso, desde menção da Constituição até a lei específica aplicada ao caso concreto. Assim, entendo ser desnecessário citar todo o conjunto de normas legais que são utilizados ao presente processo, salvo item específico, do qual pode ser considerado importante para fundamentação do presente voto 2. Por outro lado, entendo ser importante destacar o ponto controverso nos autos, a fim de que se possa, de maneira clara e objetiva, decidir sobre a matéria posta em julgamento. Segundo a fiscalização, foram encontrados dois planos de previdência complementar: i) Plano I de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes de Empresas, disponível à totalidade de seus empregados e diretores desde 20/06/1985, e um outro; ii) Plano de Benefícios Suplementares na modalidade PGBL, disponível apenas para Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e Assessor da Diretoria, de acordo com cláusula 2.1 do 6o Termo Aditivo, datado de 30/07/1999. Assim, a fiscalização entendeu que a recorrente teria descaracterizado o plano de previdência privada complementar, em razão de não cumprimento das formalidades legais quanto à extensão do plano de previdência privada complementar, considerando como sendo um segundo plano suplementar, o PGBL, e concluindo que a contribuinte teria implementado dois planos distintos, conforme transcrevo parte do relatório fiscal, e seus principais pontos levantados como "ilegais" (fl. 87): "(...) 24. A empresa foi intimada a apresentar o regulamento de previdência complementar e seus aditivos e constatouse que a mesma possui um Plano de Previdência Complementar, denominado "Plano I de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes de Empresas", disponível a totalidade se seus empregados e diretores desde 20/06/1985. Entretanto, constatou se que existe um outro plano, chamado "Plano de Benefícios Suplementares", na modalidade PGBL, disponível apenas para Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os investidos em 2 A fim de registrar a Legislação aplicada ao presente processo, cito os respectivos dispositivos: Art. 202 da CF; Artigo 28, parágrafo 9º , alínea "p", e art. 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212/1991; Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, em seu art. 214, parágrafo 9o , inciso XV; artigos 16 e 19, da Lei Complementar n° 109/2001. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.121 13 cargo de Assessor da Diretoria, de acordo com a cláusula 2.1 do 6o Termo Aditivo, datado de 30/07/1999". Grifouse. Nesse ponto, destaco que a recorrente alega que não implementou dois planos de previdência privada complementares, mas apenas um com modalidades diferentes, conforme transcrevo parte de suas argumentações no recurso voluntário: "Isto porque, diferentemente do que concluiu o Ilustre Fiscal, a Recorrente NÃO POSSUI DOIS PLANOS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR "um ... denominado 'Plano I de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes de Empresas', disponível a totalidade de seus empregados e diretores desde 20/06/1985" e "outro ... chamado "Plano de Benefícios Suplementares", na modalidade PGBL, disponível apenas para Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os investidos em cargo de Assessor da Diretoria, de acordo com a cláusula 2.1do 6o Termo Aditivo, datado de 30/07/1999". Na verdade, atualmente, a Recorrente possui aberto UM ÚNICO PLANO denominado "Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade Contribuição Variável, devidamente aprovado pela SUSEP nos termos do Processo 10.003048/0123, o qual contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos (6o Termo Aditivo) (doe. 03 e 04 da impugnação). Nesse sentido, a DRJ de origem compreendeu estar correto o lançamento, reproduzindo a seguinte fundamentação (fl. 827): 6. Quanto aos planos de previdência privada complementar oferecidos pela Autuada, é irrelevante seu argumento de que possui um único plano, extensivo a todos seus empregados e dirigentes, estando os benefícios suplementares aos diretores e superintendentes previstos em termo aditivo a esse mesmo plano a questãochave envolve a disponibilidade do plano suplementar apenas a um grupo restrito de dirigentes. 6.1. Via de regra, havendo o contrato de previdência complementar privada, a garantia da contraprestação futura (aposentadoria ou investimento) é provida pelos aportes à conta do participante, inclusive por parte do empregador, os quais convertemse em benefício econômico não eventual para seus empregados e dirigentes, decorrente do seu trabalho, configurando tal parcela, pois, salárioutilidade e sendo, por conseguinte, integrante do saláriodecontribuição previdenciário. Assim, diante dos documentos acostados aos autos, em análise da legislação vigente, podese afirmar que há abertura interpretativa da norma, sendo que na verdade, o conjunto probatório reúne convicção de que o plano implementado pela recorrente é na Fl. 1168DF CARF MF 14 verdade um único plano, contendo nele a modalidade do plano extensivo a outros cargos, em diferentes benefícios. Esse conjunto interpretativo, pode conter um elemento exemplificativo: aqueles funcionários do plano básico, podem chegar a ter os benefícios do plano dos altos cargos da empresa? Diante das informações trazidas tanto pelo fisco, quanto pela recorrente, a resposta seria sim! Isso porque, segundo o próprio relatório fiscal, o plano considerado básico é extensivo a todos os funcionários da empresa, e o plano complementar PGBL, seria um aditivo em que o os funcionários que estão na empresa durante um longo período, nomeados a cargos maiores podem ter acesso a uma espécie de complemento do plano básico. Nesse ponto, entendo que assiste razão a recorrente. A fiscalização somente restringiu a informar que o plano suplementar seria restrito a funcionários do alto escalão, podendo a coordenação do plano barrar a entrada do determinado funcionário. Porém, deixou a fiscalização de apresentar algum tipo de exemplo que pudesse fazer jus à menção de que a empresa poderia impedir o benefício a algum funcionário específico , e de deixou de detalhar ponto importante, pois de acordo com a cláusula 2.1 do 6º Termo Aditivo, datado de 30/07/1999, o plano existe há longo tempo. Ficou configurado que o plano básico, acessível a todos funcionários, pode ser fornecido ao contribuinte do plano, possuindo um dos requisitos importantes para a sua vigência, quais sejam: regras claras e objetivas, bem como a participação do sindicato. Notase que esses últimos elementos sequer foram contestados pela fiscalização, pois ao que tudo indica correram dentro das exigências legais. Logo, podese concluir que: o plano de previdência privada, disponível a todos os cargos da empresa, pode ser conduzido para um complementar com faixas diferenciais de contribuições e benefícios. Ademais, podese constatar um único processo de aprovação do plano, uma vez que o referido foi aprovado pela SUSEP, com indicação de processo citado pelo recorrente, qual seja, número 10.003048/01/23, o qual contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa além de benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos (6º e 6ºA Termo Aditivo). Nele consta que: as contribuições ao PGBL serão suportadas pela Instituidora e pelo participante (clausula 3.3.); a instituidora fará contribuições mensais ao PGBL, individualizadas a cada participante (clausula 3.3.1.); O participante fará contribuições ao PGBL semestralmente, no percentual de 10% do valor da gratificação semestral que lhe for atribuída pela instituidora (clausula 3.3.2); Durante o período de diferimento, o participante poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo da Conta de Reserva do Participante (Cláusula Quarta Do Resgate). Notase que o plano I, do qual compôs a base de cálculo e que agora é retirado e mitigado, conforme se constata do retorno das informações da diligência fiscal, é extensivo a todos os participantes, suprindo a exigência legal. Em processo semelhante da mesma contribuinte, e mesmo plano questionado, porém em períodos diferentes, a Turma julgadora teve a mesma conclusão, por maioria de votos, diante do Acórdão n.º 2403002.310, julgado em 17 de outubro de 2013, do Conselheiro relator Marcelo Magalhães Peixoto, com parte do voto assim transcrito: "Diante disso, entendo por estar preenchido o requisito da disponibilidade a todos os empregados e dirigentes da empresa, Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.122 15 de plano de previdência privada, uma vez que, conforme acima exposto, a legislação apenas exige que haja um plano nesse sentido e que ele seja extensivo a totalidade de empregados e dirigentes, dando uma regra apenas quantitativa, horizontal, do conjunto de integrantes daquela empresa, e não um aspecto qualitativo, vertical, do valor do benefício. A Câmara Superior de Recursos Fiscais em caso que tratava de assistência médica, que possui o mesmo requisito da previdência privada, julgou no Processo Administrativo n. 35318.001033/200509, Recurso n. 246.376, Acórdão 920200.295, 2ª Turma, que a legislação traz exclusivamente a necessidade de ser extensivo à totalidade de empregos e dirigentes e que a exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados é de cunho subjetivo do intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação ". (Processo16327.721262/201120). A referida decisão, relativo ao processo n.º 16327.721262/201120 , teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. ABRANGÊNCIA A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bemestar correspondente a fase em que o individuo laborava. Não há violação ao art. 28, § 9º, “p” da Lei n ° 8.212/1991, o fato de haver aportes suplementares por parte do empregador, à fim de manter o padrão de vida ostentado pelo beneficiário quando da época em que laborava. A legislação de regência não exige que o plano de previdência seja exatamente igual a todos os segurados, mas tão somente que seja extensível a todos. Interpretar de outra forma seria o mesmo que criar um novo requisito ao dispositivo, sem que a própria lei o tivesse criado. Recurso Voluntário Provido. Grifouse." Nessa mesma linha de entendimento, constatouse outra decisão proferida por essa mesma Turma, conforme se transcreve parte do voto proferido: Em relação ao plano de benefícios da entidade fechada, determina o artigo 16 da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001 que esses devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores, equiparandose a Fl. 1170DF CARF MF 16 empregado, para efeitos dessa Lei, os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes. Mais adiante a Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, estabelece no Capítulo IV, artigo 36 as características de uma entidade aberta de previdência: “Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas.” Ao contrário da entidade fechada, a entidade aberta é acessível a qualquer pessoa física, não ficando restrita a empregados da entidade instituidora, por exemplo. Ademais, em relação aos benefícios instituídos pelas entidades abertas determina o artigo 26 da Lei Complementar em comento: (...) Verificase que em relação ao plano de benefícios, não exige a legislação de regência, no caso das entidades abertas, que esse seja extensível a todos os empregados, tal como previsto para as entidades fechadas. (...) Contudo, vale registrar que ainda sob a ótica da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em especial o seu artigo 28, § 9º, alínea “p” exige que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, tem que ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes para que não seja alvo das contribuições previdenciárias. No caso dos autos o plano de previdência estava disponível a todos os segurados empregados da recorrente, havendo apenas diferenças no 'modus operandi' do benefício, de acordo com o cargo ocupado pelo empregado de forma que quem ganha menos contribui menos ou até mesmo não contribui, o que revela o prestígio ao princípio da razoabilidade. A legislação de regência não exige que o plano de previdência seja exatamente igual a todos os segurados, mas tão somente que seja extensível a todos. Interpretar de outra forma seria o mesmo que criar um novo requisito ao dispositivo supra, sem que a própria lei o tivesse criado. Por essas razões entendo que o plano de previdência complementar instituído pela recorrente atende a legislação e, por isso, não pode acrescer a base de cálculo das contribuições previdenciárias. (CARF. Segunda Seção de Julgamento. Processo n. 10909.006800/200820, Acórdão n. 2301003.394 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 13 de março de 2013. Relator do Voto Vencedor: Conselheiro Adriano Gonzales Silvério) Notase que, a recorrente cumpriu os requisitos legais a ofertar o plano de previdência privada complementar a todos os beneficiários, tendo, em segundo momento, dentro do procedimento adotado pela contribuinte requisitos a elementos diferenciados em outro momento, quando esse funcionário de carreira passa a ocupar espaços diferentes dentro da corporação, do qual contém pela contemplação das contribuições e benefícios básicos Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.123 17 aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos. Nesse passo, entendo uma lógica do processo por meio da "meritocracia" (da empresa autuada), segundo os padrões exigidos pela empresa. Aqui entramos no segundo momento levantado pela fiscalização: dos valores constatados para os resgates. O fisco alega que apurou quantias "elevadas" de resgate, diferente dos beneficiários que receberiam pelo plano base, constando no relatório o seguinte: "das verificações efetivadas por esta fiscalização verificouse que os valores aportados na previdência complementar são substanciais, chegando, em alguns casos, a superar a metade do rendimento do trabalho anual". Quanto ao tema, a DRJ fundamentou o seguinte (fl. 828) "6.7.1. Com perspicácia, elaborou o AuditorFiscal autuante planilhas comparativas que demonstram a grande relevância, da ordem de 38% a 65%, dos valores patronais aportados em relação aos rendimentos do trabalho declarados pelos diretores e superintendentes, sem que tivessem sido apresentadas as correspondentes memórias de cálculo, ressaltandose que, no plano de benefícios extensivo a todos os empregados e dirigentes da Autuada, sua contribuição ao mesmo equivale a apenas 4% do salário do participante (...); Em seu recurso, para defender as diferenças apontadas pelo fiscal, a recorrente explica o mesmo que argumentou em primeira instância: "os expressivos aportes às contas dos seus executivos visa manterlhes o padrão de vida na aposentadoria, o que não se sustenta, pois, se ganham mais na atividade, é sobre estes ganhos que incide o percentual contratual de 4% previsto no plano a todos disponível, resultando, por óbvio, em acumulação de reservas suficiente para proporcionarlhes renda de aposentadoria equivalente à remuneração atual". Nesse sentido, segue as alegações da recorrente: "Com efeito, um plano de Previdência Privada, como é o caso, visa proporcionar a todos os empregados a possibilidade de obter na inatividade vencimento em maior, próximos aos que na época em que estavam na ativa. Ou seja, visa proporcionar na inatividade remuneração integral ou o mais próximo possível disso, de modo a não acarretar uma sensível queda no padrão de vida do empregado/dirigente com o advento da aposentadoria. Enfim, o objetivo da aposentadoria complementar é minorar para os empregados (e para seus dependentes) os efeitos dos riscos sociais que os atingiram, no caso, a velhice, a doença e eventualmente a invalidez e a morte, e que dão origem à aposentadoria. Com efeito, é um raciocínio que possui coerência e guarda elementos lógicos dos proventos percebidos quando da ativa dos contribuintes. Fl. 1172DF CARF MF 18 Nesse ponto, a contribuinte traz também interessante decisão em seu recurso, o qual consta o Acórdão n° 20601.854, assim ementado: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA TERCEIROS PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos pela empresa para o plano de previdência complementar dos seus empregados não integram o Saláriode Contribuição quando esse benefício estiver disponível à totalidade dos empregados e dirigentes". Nesse sentido, a lei não impõe percentuais para a concessão dos benefícios, basta que sejam acessíveis a todos os participantes. Ademais, a avaliação de resgate pode ser realizada em algumas circunstâncias, com por exemplo uma forma indireta de investimento, desde que não afete as regras do plano ou da legislação. Inexiste impedimentos na Lei para essa ação, uma vez que estando dentro das regras legais não tem o condão de afastar a possibilidade do formato realizado pelos participantes e contribuinte. Assim, entendo que os percentuais, isolados, por si só não teria o condão de desconfigurar o plano de previdência privado complementar. Igualmente, não foi verificado pela fiscalização resgates e pagamentos em períodos superiores ao permitido legal. MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA Ainda na eventualidade de restar vencido no julgamento das questões anteriores, analiso cobrança da multa, levantada pelo recorrente e aplicada no presente caso Na data da ocorrência do fato gerador das contribuições sociais em questão, qualquer outro dispositivo que dispunha sobre normas punitivas aplicas à falta ou ao atraso do seu recolhimento, ou seja, não incidia sobre tais infrações multa de ofício. Assim, o atraso ou não pagamento das contribuições era punido única e exclusivamente pela multa de mora, cujo percentual variava segundo o momento do adimplemento. Somente há que se falar em aplicação de multa de ofício aos fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/08, a qual acrescentou a Lei nº 8.212/91 o art. 35A que prevê expressamente que nos casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previstas no art. 11 do mesmo diploma aplicarseá o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96 multa de ofício de 75%, podendo esta ser majorada a 150% caso ocorram as hipóteses de qualificação. Desse modo, antes da edição da Medida Provisória nº 449/08, aos fatos geradores que ensejavam aplicação de penalidade pelo atraso ou pelo não pagamento das contribuições sociais aplicavase multa de mora em percentual que variava, conforme data do efetivo pagamento, de 24% a 100% (art. 35, II e III da Lei 8.212/91 com redação anterior à Lei nº 10.941/09); Após a Medida Provisória nº 449/08, nos termos do art. 61, a multa de mora é única e fixada em trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Evidente, portanto, que a norma construída a partir da edição da Medida Provisória nº 449/08 é mais benéfica ao contribuinte, pois está limitada ao percentual de 20%, Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.124 19 devendo ser aplicado o disposto no art. 106, II, alínea "c", do CTN, que impõe a aplicação retroativa de lei que comina penalidade menos gravosa ao contribuinte. Deste modo, a multa de mora deve ficar limitada a 20%, nos termos da fundamentação. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Alega o recorrente que os juros de mora sobre a multa de ofício não seriam aplicáveis, por ausência de previsão legal. Conforme se constata do auto de lançamento, especificamente da página 19 do feito, não é possível concluir que foram aplicados juros sobre a multa. Porém, é corrente a utilização desse procedimento na atualização dos tributos quando das autuações dos contribuintes. Assim, no contexto trazido pelo contribuinte, tenho que assiste razão sua pretensão de não incorrer na eventualidade da imposição dessa exigência pelo Fisco quando da atualização do crédito fiscal, uma vez que não há previsão legal para eventual aplicação de juros sobre a multa de ofício que acompanha o principal. Senão vejamos. Os juros que atualizam a impontualidade ou a sonegação dos tributos da União é a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), que foi criada pela Lei nº 9065/95, que teve sua origem na Medida Provisória n.º 947, de 22.03.1995 (reeditada sob ns. 972/95, em 20.04.95, e 998, em 19.05.95), do qual o artigo 13 assim dispõe: "Artigo 13 A partir de 1º de abril de 1995 os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n. 8847, de 28 de janeiro de 1994 com redação dada pelo artigo 6º da Lei n. 8850, de 28 de janeiro de 1994 e pelo artigo 90 da Lei 8981/95 o artigo 84, inciso I, e o artigo 91, § único, alínea " a.2", da Lei 8981/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." Posteriormente, o Congresso Nacional transformou a MP na Lei nº 9.065/95. Portanto, a taxa SELIC é a taxa referencial oficial para aplicação dos tributos da União, conforme prevê, no art. 5º, §3º, e no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, as seguintes disposições: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (…) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do Fl. 1174DF CARF MF 20 mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (…) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.". A súmula CARF n.º 04 pacificou o entendimento da aplicação da taxa SELIC aos tributos federais, senão vejamos: "Súmula 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Já o Superior Tribunal de Justiça, em repercussão geral, nos moldes do artigo 543C, do antigo CPC de 1973, manifestou o seguinte entendimento acerca da matéria: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (...)”. (STJ. Resp 879844. Min. Rel. Luiz Fux. Dje 25/11/2009). Nesse sentido, para que a taxa SELIC pudesse ser aplicada à multa de ofício, verifico que a pretensão deveria constar pelo menos no artigo 161 do CTN, logo abaixo citado, ou em outra legislação em vigor: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.125 21 § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) Conforme se depreende da interpretação do dispositivo acima, o crédito não pago no seu vencimento, integral ou não, é acrescido de juros de mora, mas não menciona nada sobre a atualização monetária da multa. Sabese que a multa possui característica de penalizar o não pagamento, e é aplicada em conjunto com o valor principal, justamente para evitar sua reincidência ou lesão ao fisco, somado aos juros de mora, que inevitavelmente atualizam a impontualidade e não a uma penalidade, que por si só já é a aplicação de uma advertência para aquele que deixou de honrar com uma obrigação. Consoante se observa da legislação em vigor e da jurisprudência não se vislumbra dispositivo possível de aplicar os juros sobre a multa. A ausência de previsão legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício vem sendo reconhecida pela jurisprudência deste CARF, ainda não consolidada mas que adotada em diversos julgados, conforme ementa do Acórdão 3402002.929, de 24/02/2016, proferida no processo 13819.000810/200425, abaixo transcrito: "EMENTA. (....) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte". Por entender ser mais didático, transcrevo parte da decisão proferida no Acórdão n.° 3403002.367, deste Conselho, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan: "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial e Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso). Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 1176DF CARF MF 22 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se Glosa dos Valores Deduzidos mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.126 23 § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma". A mesma interpretação se depreende dos Acórdãos n.º 3403002.367, de 24/07/2013 e Acórdão 3402002.862, de 26/01/2016, deste Conselho, do qual compartilho do mesmo entendimento por compreender que inexiste previsão legal para aplicação do tema em questão. Assim, concluo pela inaplicabilidade dos juros de mora sobre multa de ofício. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA Mais uma vez, não assiste razão a recorrente. Isso porque, a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) foi criada pela Lei nº 9065/95, que teve sua origem na Medida Provisória n.º 947, de 22.03.1995 (reeditada sob ns. 972/95, em 20.04.95, e 998, em 19.05.95), do qual o artigo 13 assim dispõe: "Artigo 13 A partir de 1º de abril de 1995 os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n. 8847, de 28 de janeiro de 1994 com redação dada pelo artigo 6º da Lei Fl. 1178DF CARF MF 24 n. 8850, de 28 de janeiro de 1994 e pelo artigo 90 da Lei 8981/95 o artigo 84, inciso I, e o artigo 91, § único, alínea " a.2", da Lei 8981/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." Posteriormente, o Congresso Nacional transformou a MP na Lei nº 9.065/95. Portanto, a taxa SELIC é a taxa referencial oficial para aplicação dos tributos da União, conforme prevê, no art. 5º, §3º, e no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, as seguintes disposições: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (…) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (…) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento". A súmula CARF n.º 04 pacificou o entendimento da aplicação da taxa SELIC, senão vejamos: "Súmula 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". O Superior Tribunal de Justiça, em repercussão geral, nos moldes do artigo 543C, do antigo CPC de 1973, manifestou o seguinte entendimento acerca da matéria: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.127 25 TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (...)”. (STJ. Resp 879844. Min. Rel. Luiz Fux. Dje 25/11/2009) (g. N.). Assim, a presente taxa de atualização de tributo federal é devida. DA ALEGAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA DO ADICIONAL DE 2,5 % Aduz que as contribuições exigidas não poderiam ter sido calculadas com o adicional de 2,5%, porque tal exigência é discriminatória em relação às demais empresas, infringindo a CF/88 uma vez que em seu artigo 60, parágrafo 4o, inciso IV, exige em cláusula pétrea os direitos e as garantias individuais, incluindo nesse rol o princípio da igualdade, de forma genérica no caput e no inciso I do seu artigo 5o, e de forma específica, no .inciso II do artigo 150, e, ainda, no artigo 194, inciso V, da Carta Magna, em se tratando de contribuições sociais, ao estabelecer a equidade na forma de participação no custeio da seguridade social. Entretanto esta discussão e outros da espécie trazidos pela recorrente não comporta julgamento nesta Corte, por falta de competência, conforme Súmula CARF nº 2, in fine: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não conheço da matéria alegada. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso interposto, deixando de analisar as matérias constitucionais arguidas, e conhecendo das demais alegações para negar provimento às preliminares alegadas, e no mérito DAR PROVIMENTO para: i) declarar a decadência dos períodos de janeiro de 2005 a novembro de 2005; ii) reconhecer o equívoco na base de cálculo do auto de infração, devendo constar somente o plano suplementar lançado, excluindo o plano base; e iii) para considerar válido o plano de previdência privado complementar instituído pela recorrente, cancelandose a exigência fiscal. Caso restar vencido, na matéria de mérito, voto por dar provimento ao recurso voluntário pra aplicar a multa mais benéfica, reduzindo a multa de mora para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96), bem como para afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1180DF CARF MF 26 Voto Vencedor Conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) Redator Designado. Permitome divergir do entendimento do ilustre conselheiro relator, quanto ao mérito, nos seguintes pontos: incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de previdência complementar; retroatividade benigna das multas; e juros de mora sobre a multa de ofício. Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre os Pagamentos destinados à Previdência Complementar no Plano de Benefícios Suplementares na Modalidade PGBL Inicialmente, cumpre reconhecer que este Conselho já proferiu decisões adotando o entendimento de que não subsiste a condição prevista na alínea "p" do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91, ou seja, condição de que o plano de previdência complementar esteja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes, em se tratando de plano de benefício instituído por entidade aberta. Isso por que a Lei Complementar nº 109/01, em seu Art. 26, §2º e 3º, permitiu, no caso de tais entidades, que o plano seja oferecido apenas a grupos constituídos por categorias específicas. Contêm pronunciamentos nesse sentido os Acórdãos nº 2401004.776 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária e nº 9202004.345 2ª Turma da CSRF. No entanto, a principal sustentação a amparar a decisão recorrida e o auto de infração, de tudo o que deles se extrai, é que integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Essa questão foi muito bem explicada no voto vencedor do Acórdão nº 2401004.776 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, do qual transcrevo o trecho abaixo e adoto suas razões: Não discordo que se aplica aos planos de previdência privada o contido na Lei Complementar (LC) nº 109, de 29 de maio de 2001, inclusive quanto aos efeitos tributários, a qual estabeleceu que os montantes vertidos para as entidades de previdência complementar, destinados ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, não estão submetidos à tributação (arts. 68 e 69). Tratase a LC nº 109, de 2001, que, por sinal, retira seu fundamento de validade do art. 202 da Carta da República de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, de uma legislação especial e posterior à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vale dizer, a Lei 8.212, de 1991, nessa matéria, continua produzindo efeitos apenas no que não for incompatível com a LC nº 109, de 2001. A condição de oferecimento de plano de previdência a todos os empregados e diretores para exclusão dos valores pagos pelas pessoas jurídicas da base de cálculo das contribuições previdenciárias, tal como prevista na alínea "p" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, permanece válida para o programa de previdência complementar fechado (art. 16 da LC nº 109, de 2001). Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.128 27 Por outro lado, quanto aos planos coletivos de previdência aberta, as contribuições a eles vertidas escapam à tributação previdenciária ainda que o empregador contrate previdência complementar diferenciada apenas para determinado grupo ou categoria específica dos seus trabalhadores (art. 26, §§ 2º e 3º, da LC nº 109, de 2001). Entretanto, quer na previdência complementar fechada ou aberta, para o fim de exclusão da base de cálculo previdenciária, nos termos dos arts. 68 e 69 da LC nº 109, de 2001, impõese a necessidade de identificação do caráter previdenciário do plano de benefício com o finalidade de constituição de reservas. Senão vejamos o que menciona a Constituição da República e a Lei complementar: Constituição da República de 1988 Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (...) LC nº 109, de 2001 Art. 1º O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. (...) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. Fl. 1182DF CARF MF 28 § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...) (GRIFEI) Como se observa, o incentivo estatal que afasta a tributação está vinculado diretamente à instituição de planos de previdência complementar, os quais visam estimular a poupança interna, proporcionando ao trabalhador, ou a seu dependente, um determinado nível de renda futura e substitutiva/complementar da remuneração da atividade laboral, cujos benefícios previstos nos planos, via de regra, estão relacionados a ocorrência de eventos por sobrevivência, morte ou invalidez total ou permanente. Em vista disso, os valores dos aportes feitos ao plano de previdência, denominado de contribuições, mesmo que estruturado na modalidade de contribuição variável, devem ter por objetivo a constituição de reservas, as quais uma vez investidas formarão a provisão matemática de benefícios a conceder. Para fins fiscais, não é porque o plano de previdência privada aberta coletivo foi autorizado pelo órgão competente e foi celebrado contrato com entidade de previdência complementar regularmente constituída que a autoridade tributária está impedida de desqualificálo (fls. 1.401/1.407). No exercício das atividades de fiscalização tributária, continua competente o agente fiscal para verificar, tendo em conta as circunstâncias do caso concreto, se os valores não estão sendo utilizados como ferramenta de política remuneratória da empresa destinada a incentivar ou retribuir o trabalho. É óbvio que as contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar não podem servir de propósito para converter salário, gratificação, bônus ou prêmio em parcelas não submetidas à tributação previdenciária. No presente caso, a ausência do propósito previdenciário das contribuições discutidas restou evidenciada pelas constatações descritas no Relatório Fiscal, em especial pelos resgates significativos e constantes feitos pelos participantes do PGBL. Tais constatações estão citadas a seguir. No regimento do Comitê de Remuneração da Organização Bradesco, integrado pela recorrente, estão descritas as atribuições desse Comitê, dentre as quais está a fixação dos valores das contribuições a cargo da instituidora. Essa fixação ocorria no contexto da política remuneratória da empresa. A linha geral de atuação do Comitê, segundo o Relatório Fiscal, era estabelecer a remuneração dos administradores com base em metas, objetivos e performances, tanto da empresa como individuais. Segue trecho do regimento: Das Atribuições do Comitê Art. 3º) O Comitê deverá submeter ao Conselho de Administração a: a) política e diretriz de remuneração dos Administradores Estatutários, com base nas metas, objetivos e performance da Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.129 29 Sociedade e retorno aos acionistas, utilizandose da análise comparativa de políticas de remuneração de períodos anteriores e/ou parâmetros de mercado; (grifei) b) política de remuneração global e individual, prêmios, bônus, gratificações, participações nos lucros, planos de opções de aquisição de ações e de previdência complementar; (grifei) c) recomendação de formas alternativas de remuneração para os executivos, assegurando estímulo ao desempenho, motivação e melhoria contínua corporativa; (grifei) (...) Na Cláusula Quarta do 6º Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada, estão estipuladas as regras "Do Resgate", por meio das quais se vê que, mediante autorização expressa da Instituidora, o participante poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo das contribuições, tanto da parte paga pela Instituidora, quanto da parte vertida pelo participante. Por meio das atas de reunião do Comitê de Remuneração e das atas de assembleias gerais, constatouse que as reuniões desse Comitê, definindo os valores a serem pagos aos diretores estatutários da Bradesco Vida e Previdência S/A, por meio de previdência privada, eram feitas sempre antes das Assembléias Gerais, sendo os valores definidos pela alta cúpula da Organização Bradesco e apenas ratificados nas Assembléias. Por meio das atas de assembleias gerais, verificouse que os montantes para custear os planos de previdência complementar dos administradores quando confrontados com a remuneração anual global era bastante significativa, conforme quadro demonstrativo constante do Relatório Fiscal. A recorrente não apresentou, em que pese intimada pela fiscalização, memórias de cálculo com a demonstração de que os aportes efetuados estavam baseados, concretamente, na formação de reservas mediante a adoção de critérios de caráter previdenciário. As respostas dadas à Intimação reforçam a constatação da ausência de um propósito previdenciário nos aportes e a sua utilização como instrumento de incentivo ao trabalho, na medida em que estavam atrelados aos resultados do negócio. O contribuinte assim respondeu à intimação para apresentação das memórias de cálculo: Em 29/03/2010: "a metodologia de cálculo das contribuições leva em conta os resultados consistentes apurados em todos os segmentos do negócio. Outro ponto considerado é relativo ao quadro de administradores, que é constituído de profissionais que iniciaram a carreira nesta organização nos níveis iniciais há longos anos, e percorreram toda a escala hierárquica de cargos para se habilitarem a ocupar posição de direção e, portanto de comprovada fidelidade,competência e dedicação ". Em 05/07/2010: "a metodologia de cálculo das contribuições relativas aos administradores e superintendentes executivos leva em conta os resultados consistentes apurados em todos os segmentos de negócio. Outro ponto considerado é relativo ao quadro de administradores, que é constituído por profissionais que iniciaram a carreira nesta organização nos níveis iniciais há longos anos e percorreram toda a escala hierárquica de cargos Fl. 1184DF CARF MF 30 para se habilitarem a ocupar posição de direção e, portanto de comprovada fidelidade, competência e dedicação, sendo que as contribuições efetuadas pela Instituidora (BANCO BRADESCO S/A) obedeceram aos critérios estabelecidos em lei e o plano leva em conta variáveis atuariais " A recorrente alegou que todos os fatos invocados pela fiscalização para justificar a exigência fiscal estão de acordo com a legislação que disciplina a matéria e que o plano foi aprovado pela Susep e, por isso, tem respaldo legal. Contudo, a atividade da Susep como órgão regulador e fiscalizador, previsto na LC 109/01, assegura ao participante a solvência do plano, devendo sempre ser avaliado seu equilíbrio financeiro e atuarial. A fiscalização das entidades de previdência complementar aberta pela Susep, no entanto, não afasta a competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária, conforme determina o § 4º do art. 41 da LC 109/01: Art. 41. No desempenho das atividades de fiscalização das entidades de previdência complementar, os servidores do órgão regulador e fiscalizador terão livre acesso às respectivas entidades, delas podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e quaisquer documentos, caracterizandose embaraço à fiscalização, sujeito às penalidades previstas em lei, qualquer dificuldade oposta à consecução desse objetivo. [...] § 4º O disposto neste artigo aplicase, sem prejuízo da competência das autoridades fiscais, relativamente ao pleno exercício das atividades de fiscalização tributária. Portanto, não é porque a comercialização de referido plano de previdência foi autorizada pelo órgão competente e o contrato foi celebrado com entidade de previdência complementar regularmente constituída, que a autoridade fiscal não possa desqualificálo, para fins fiscais, se ficar comprovado que os valores pagos, o foram como instrumento de incentivo ao trabalho. Quanto aos argumentos de que o teto da Previdência Social é extremamente baixo e que, para as maiores faixas salariais, é necessário que os percentuais da previdência complementar em relação às remunerações aumentem progressivamente, a fim de que atinjam seus objetivos previdenciários, cumpre redarguir que se trata de argumentação frágil do ponto de vista previdenciário, uma vez que não vem acompanhada dos dados matemáticos aplicados ao caso concreto. Foge à razoabilidade do sistema previdenciário brasileiro, um regime de contribuição previdenciária em que a empresa aporta valores na ordem de 50 a 60% do salário do participante e que tais aportes sejam constantemente resgatados. Quanto aos regastes, a recorrente argumentou que o direito de efetuar tais saques está previsto na legislação, citando especialmente a Circular SUSEP nº 101/99, que ampara a solicitação de resgates. Pontuou que os planos na modalidade PGBL caracterizamse pela "total liberdade" em relação às contribuições e aos resgates e que as contribuições aportadas ao fundo sofrem acréscimos. No entanto, segundo a fiscalização os resgates realizados pelos participantes do PGBL, via de regra, ocorreram em janeiro de cada ano, em valores substanciais, com montantes semelhantes aos totais de valores aportados anualmente ao mesmo plano. Os quadros comparativos constantes do Relatório Fiscal demonstraram os valores envolvidos, ingressos e saídas de recursos financeiros, nos exercícios de 2005 a 2008. O conteúdo material da realidade apurada divergiu substancialmente da forma adotada pela Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.130 31 recorrente. Essa realidade substancial era a forma alternativa de remuneração, por meio de aportes e resgates, em simbiose com a falta de propósito previdenciário do plano. Admitir essa forma de supressão das contribuições previdenciárias para isentar aqueles que têm grande capacidade contributiva representa uma forma de negativa aos Princípios que regem a Previdência Social. O Art. 194 da CF/88 traz como um dos princípios da Seguridade Social a "equidade na forma de participação do custeio", que visa justamente garantir que quem pode mais, deve contribuir com mais, e que quem pode menos, deve contribuir com menos. Na mesma direção, o Princípio da solidariedade (não expresso na Carta Magna), que impõe a todos o dever de custear os benefícios, em prol da justiça social, inerente ao sistema. Sob tais Princípios, para salários elevados, a empresa contribuirá sobre a totalidade da remuneração, ainda que o segurado não vá usufruir de benefícios acima do teto legal. A título de cotejo, vale recordar que, na esfera civil, se o agente agir em prejuízo alheio, deixando de considerar a finalidade social do direito subjetivo utilizado, mesmo que atuando dentro das prerrogativas que o ordenamento jurídico lhe concede, poderá cometer ato ilícito. Contra essa utilização do direito, em detrimento dos fins sociais e em prejuízo de outrem, foi positivada a figura jurídica do chamado "abuso de direito". O Código Civil de 2002 introduziu esse conceito por meio do artigo 187 e lhe declarou a ilicitude, embora sem referência explícita: "Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes." De retorno ao campo tributário, a própria norma que previu a não incidência de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições vertidas aos programas de previdência complementar, resguardou a observância ao Art. 9º da CLT, que traz uma ressalva contra atos capazes de desvirtuar a aplicação da lei, mostrando, assim, a preocupação do legislador com a má utilização do direito criado. Seguem os artigos: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (Grifei) CLT Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. (Grifei) Fl. 1186DF CARF MF 32 No caso destes autos, a busca pela realidade substancial do fato justificouse pela proteção aos interesses da Previdência Social diante da liberdade do contribuinte de utilizar formas jurídicas capazes de contornar ou diminuir, exacerbadamente, as contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal identificou um desencontro entre a intenção de fato e a intenção de direito e, a partir daí, promoveu uma requalificação dos fatos. Os pagamentos antes qualificados como aportes à previdência complementar foram requalificados como remunerações, em razão de sua expressividade e constância. Essa realidade, subjacente às normas que tratam da previdência complementar, foi retratada no relatório fiscal e na decisão recorrida, evidenciando o caráter remuneratório dos aportes a título de contribuições à previdência complementar, no Plano de Benefícios Suplementares, modalidade PGBL. Por tais motivos, esses aportes situamse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Assim, em relação às contribuições previdenciárias lançadas sobre os pagamentos destinados à previdência complementar, não há nenhum reparo a ser feito no Acórdão recorrido, devendo ser mantida a exação. Multa e Retroatividade Benigna Primeiramente, cumpre recordar que na mesma ação fiscal, foram lavrados dois tipos de Autos de Infração AI: um deles pelo descumprimento da obrigação principal e outro pelo descumprimento da obrigação acessória. A obrigação acessória descumprida foi a de apresentar a declaração em GFIP com todos os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias (que, por sua vez, referiamse aos mesmos fatos geradores da obrigação principal descumprida). A escolha da multa mais benéfica aplicável aos dois tipos de infração (principal e acessória) foi efetuada pela fiscalização por meio da comparação das multas calculadas com base na legislação anterior e na atual, conforme previsto no Art. 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. O Relatório Fiscal detalhou a comparação efetuada. Transcrevo abaixo a legislação anterior, que regia as multas, vigente à época dos fatos geradores: Lei nº 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.131 33 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (redação alterada pela Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houver parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. A seguir, transcrevo a legislação atual, que rege as multas, vigente após a MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09: Lei nº 8.212/91 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 1188DF CARF MF 34 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.132 35 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Para melhor compreensão, no que tange à multa de mora e à multa de ofício, cito abaixo trecho do Acórdão 9202003.173 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, que fornece uma análise elucidativa nos casos de não recolhimento: Verificase, desde logo, que existia distinção na aplicação de penalidades para os casos do não recolhimento de contribuições previdenciárias e para os casos de não recolhimento de outros tributos. De fato, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia que na hipótese de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias a multa aplicável era sempre uma dita “de mora” (independentemente do pagamento ser espontâneo ou em decorrência de lançamento de ofício), enquanto que a ausência de apuração e recolhimento tempestivo dos demais tributos e contribuições federais, nos termo da Lei nº 9.430/1996, era penalizada com (i) multa de mora, em caso de recolhimento intempestivo antes do lançamento ou (ii) multa de ofício, em caso de lançamento pela autoridade fiscal. Assim, uma primeira conclusão é que a distinção entre multa de mora e multa de ofício não era relevante no âmbito das contribuições previdenciárias na medida em que a legislação aplicável a tais contribuições não a fazia. Tal sistemática, no entanto, sofreu profundas alterações em decorrência da unificação da arrecadação dos tributos federais no âmbito da Receita Federal do Brasil com o advento da Lei nº 11.941/2009. De fato, uma vez unificada a arrecadação não fazia sentido a existência de sistemáticas de aplicação de penalidade diferentes, razão pela qual a Lei nº 11.941/2009 alterou tais dispositivos. Fl. 1190DF CARF MF 36 Embora o artigo 35 da Lei 8.212/91 em sua redação anterior denominasse a penalidade ali prevista de "multa de mora", mesmo quando lançada de ofício, em sua essência, tal penalidade era uma multa de ofício, cuja previsão legal corresponde, na legislação atual, ao Art. 35A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/09, que remete ao Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. A natureza de multa de ofício das multas previstas no Art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, em sua redação anterior à MP nº 449/08, já foi objeto de pronunciamento pela CSRF no Acórdão nº 9202003.538 2ª Turma: Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal, por meio do processo nº 14485.003271/200719, conexo ao presente), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Corrobora esse raciocínio o fato de que, após a MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09), o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Mas, se a multa da nova legislação prevista no Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, abarca o descumprimento da obrigação acessória de prestar declaração dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, cumpre indagar a que se presta a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com redação da Lei nº 11.941/09. Em socorro a essa indagação, cabe resgatar a regra hermenêutica de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis. Temse, então, que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos vigentes após a MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Isto posto, para a correta aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, do CTN, devese comparar dois montantes: i) o somatório das penalidades previstas nos art. 32, IV, §5º e art. 35, ambos da Lei nº 8.212/1991, em sua antiga redação; e ii) o valor da penalidade prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, com redação dada pela Lei 11.941/09, que remete ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75%, previsto neste último dispositivo. Estabelecidas a correta correlação das legislações nova e antiga e a interpretação coerente e sistemática dos dispositivos da nova legislação, resta evidenciada a legalidade do procedimento adotado na aplicação das multas. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.133 37 Portanto, nesse ponto, não há reparação a ser feita na decisão recorrida, devendo ser mantida a exação. Exigência de Juros Sobre Multa de Ofício Ao contrário do que entende o recorrente, incide juros de mora sobre a multa de ofício. O CTN, no art. 161, dispõe que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A Lei 9.430/96, art. 61, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício. Portanto, não efetuado o pagamento no prazo legal, incide juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. Sobre essa matéria, as três turmas da Câmara Superior têm se manifestado pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Cito os acórdãos nº 9101003.469 – 1ª Turma sessão 7/03/2018 relatora Adriana Gomes Rêgo; nº 9202006.473 – 2ª Turma sessão de 30/01/2018 relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos e nº 9303006.008 3ª Turma sessão 29/11/2017 redator do voto vencedor Andrada Márcio Canuto Natal. Transcrevo excerto do voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que, ao redigir o voto vencedor no citado acórdão nº 9303006.008 expõe com minuciosa precisão a matéria: De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. Fl. 1192DF CARF MF 38 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 16327.001606/201008 Acórdão n.º 2301005.437 S2C3T1 Fl. 1.134 39 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por todo o exposto, a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, não assiste razão à recorrente nessa questão, devendo ser mantida a exação. Fl. 1194DF CARF MF 40 Conclusão Por todo o exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso interposto, deixando de analisar as matérias constitucionais arguidas, e conhecendo das demais alegações para negar provimento às preliminares alegadas, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL para: i) declarar a decadência dos períodos de janeiro de 2005 a novembro de 2005; e ii) reconhecer o equívoco na base de cálculo do auto de infração, devendo constar somente o plano suplementar lançado, excluindo o plano básico, nos termos do relatório de diligência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) Fl. 1195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13874.720024/2017-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos médicos, considera-se comprovada a moléstia grave (cardiopatia grave), restando atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente.
Numero da decisão: 2401-005.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que negava provimento ao recurso. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que votou por converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Levando em consideração todo o conjunto probatório acostado aos autos, em especial os laudos médicos, considerase comprovada a moléstia grave (cardiopatia grave), restando atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 4. 72 00 24 /2 01 7- 06 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13874.720024/201706 Acórdão n.º 2401005.814 S2C4T1 Fl. 74 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que negava provimento ao recurso. Vencido em primeira votação o conselheiro Cleberson Alex Friess (relator) que votou por converter o julgamento em diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), por meio do Acórdão nº 0963.746, de 29/06/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 36/41): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Consolidase administrativamente o lançamento relativo à matéria não impugnada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17). Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13874.720024/201706 Acórdão n.º 2401005.814 S2C4T1 Fl. 75 3 RENDIMENTOS ISENTOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE MOLÉSTIA GRAVE. O laudo pericial emitido por serviço médico oficial deve identificar a moléstia que, para implicar em direito à isenção, deve estar entre as previstas na legislação. Impugnação Improcedente Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/927554807563824, relativa ao anocalendário de 2012, exercício 2013, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes infrações (fls. 19/26): (i) omissão de rendimentos indevidamente declarados como isentos por moléstia grave, no importe de R$ 269.766,12; e (ii) dedução indevida de dependentes, de pensão alimentícia e de despesas médicas, respectivamente, nos valores de R$ 5.924,16, R$ 7.464,00 e R$ 23.950,15. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa. A contribuinte foi cientificada da autuação e impugnou a exigência fiscal em 30/01/2017 (fls. 04/06 e 28/29). Intimada por via postal em 19/07/2017 da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/08/2017 (fls. 46/49). Em síntese, a contribuinte alega que o laudo médico carreado aos autos, emitido pelo setor de perícias do órgão público responsável pelo pagamento dos proventos de aposentadoria, confirma que é portadora de cardiopatia grave, desde o mês de janeiro de 2010 (fls. 17). Ressalta, ainda, que houve a restituição do imposto de renda retido indevidamente com respeito à declaração de rendimentos do anocalendário de 2015, exercício de 2016, sendo que a comprovação da moléstia grave foi instruída da mesma forma documental, causando espécie que os demais exercícios não recebam o mesmo tratamento por parte da Administração Tributária. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13874.720024/201706 Acórdão n.º 2401005.814 S2C4T1 Fl. 76 4 Voto Vencido Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito A matéria controvertida em sede recursal diz respeito exclusivamente à isenção dos rendimentos omitidos na declaração, no valor de R$ 269.766,12, em particular quanto à comprovação da moléstia grave mediante laudo pericial, nos termos da legislação tributária. O laudo juntado pela contribuinte está assinado por três médicos, vinculados ao serviço médico da São Paulo Previdência, autarquia responsável pela gestão do sistema previdenciário no Estado de São Paulo. Confirase o que está registrado no documento (fls. 17 e 59): LAUDO MÉDICO — ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA E ISENÇÃO PARCIAL DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Protocolo SPPREV: 0060451268 Laudo nº: 002226/BRU Declaramos, para fins de isenção de imposto de renda e isenção parcial de contribuição previdenciária que RACHEL DE MARIA M P DE BARROS, RG: 95148863, CPF: 674.586.888 15, é portador (a) da patologia CID10: 150, diagnosticada em Janeiro de 2010. Doença que está prevista na legislação pertinente: Lei 7713/1988, artigo 6°, inciso XIV e XXI e as alterações das Leis 6541/1992, com redação dada pela Lei Federal 11.052/2004 e art.40,§ 21 da Constituição Federal e art.151 da Lei Federal 8.213/1991, modificada pela portaria interministerial MPAS 2998/2001 e amparada pelo parecer PGE/PA 144/2006. O presente laudo tem validade de 02(Dois) anos, a partir da presente data. Bauru, 28 de Março de 2016 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13874.720024/201706 Acórdão n.º 2401005.814 S2C4T1 Fl. 77 5 Ao analisar a impugnação, o colegiado de primeira instância, por maioria de votos, não aceitou o documento apresentado, sob a justificativa de que o laudo médico deixou de especificar a patologia denominada de "cardiopatia grave", a qual consta do rol da lei como doença que dá direito à isenção tributária, tendo mencionado apenas a CID 10 I50, que corresponde a "insuficiência cardíaca congestiva". Além disso, o laudo não contém o número de registro no órgão público dos médicos que firmaram o documento (fls. 40). Pois bem. De fato, segundo se observa do texto do documento acima copiado, o laudo médico não faz referência explícita a nenhuma das patologias enumeradas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Aparentemente, o laudo médico quis se referir à existência de cardiopatia grave, tendo em vista a associação com a classificação internacional de doenças, indicada como insuficiência cardíaca congestiva (CID I50). A insuficiência cardíaca congestiva não é uma doença relacionada no rol da lei. De qualquer modo, a leitura não é direta e a conclusão exige um exercício de inferência com base na interpretação dos dados disponíveis, o que não é recomendável nesse tipo de questão. A lei estabelece que a moléstia grave deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial (art. 30, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Por meio da emissão de laudo médico revestido de formalidades, compete ao profissional de saúde a descrição e caracterização da moléstia que a pessoa física é portadora, em linguagem unívoca e inquestionável, possibilitando a avaliação da autoridade tributária sobre o atendimento pelo contribuinte dos requisitos previstos na legislação. No caso da cardiopatia grave, a clareza no laudo médico é medida imprescindível, haja vista que não é uma doença específica, podendo resultar de uma ou mais patologias relacionadas à capacidade funcional do coração, em determinado grau de severidade. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13874.720024/201706 Acórdão n.º 2401005.814 S2C4T1 Fl. 78 6 O diagnóstico legal da cardiopatia grave exige do médico especialista uma avaliação conjunta do quadro clínico do paciente e de exames para a identificação dos sinais e sintomas, o que deve ficar explícito no laudo. À vista das razões expostas, considero que o laudo médico apresentado é deficiente para o fim de comprovação da moléstia grave, tendo em conta o rol taxativo de patologias estipulado na lei. A anuência da autarquia estadual com o laudo médico, fonte pagadora dos proventos, não altera o meu entendimento, na medida em que a isenção sobre os rendimentos da pessoa física, independentemente do destino da arrecadação do imposto de renda, está submetida à legislação federal. Também não é relevante o deferimento da restituição do imposto de renda para a contribuinte relativamente a outro exercício, porquanto a questão sobre o cumprimento dos requisitos para a fruição da isenção está submetida à avaliação do julgador administrativo, incumbindolhe proferir decisão motivada, segundo a sua convicção, a respeito da matéria controvertida. Nada obstante, privilegiando a verdade material, acredito inadequado, ao menos nesse momento, negar o direito pleiteado à contribuinte, visto que existe plausibilidade na alegação de que é portadora de doença grave prevista no rol no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. É aconselhável, portanto, a conversão do julgamento em diligência a fim de permitir a juntada aos autos de laudo médico complementar, o qual esclareça de forma inequívoca se a contribuinte é portadora de cardiopatia grave, com informação da data em que caracterizada a moléstia. Dessa feita, a unidade preparadora da RFB deverá proceder à intimação da recorrente, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias, a fim de apresentar laudo médico complementar, expedido por serviço médico oficial, que contenha a descrição e classificação da patologia, explicitando o diagnóstico de cardiopatia grave, se for o caso, com base nos elementos que fundamentam a conclusão, assim como a indicação da data a partir da qual a contribuinte é considerada portadora da moléstia grave. Todavia, proposta a realização de diligência, os demais membros do Colegiado entenderam dispensável tal providência, posicionandose pelo imediato julgamento de mérito do apelo recursal. Nessas condições de instrução processual, conforme alhures justificado, o laudo médico apresentado é deficiente para o fim de comprovação da moléstia grave, tendo em vista o rol taxativo de patologias estipulado na lei, cabendo negar provimento ao recurso voluntário interposto pela pessoa física. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13874.720024/201706 Acórdão n.º 2401005.814 S2C4T1 Fl. 79 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Voto Vencedor Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Peço vênia ao Ilustre Relator para divergir do seu ponto de vista por vislumbrar conclusão diversa quanto ao posicionamento no presente caso. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada na Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo transcritos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13874.720024/201706 Acórdão n.º 2401005.814 S2C4T1 Fl. 80 8 Depreendese da legislação referida que para a obtenção da isenção do imposto sobre a renda há necessidade de comprovação do cumprimento de requisitos legais para a sua fruição, quais sejam: (i) serem os rendimentos percebidos por portador de moléstia grave provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão; (ii) ser a moléstia grave devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. A análise deve ser aferida com base em todo o conjunto probatório adunado aos autos, os quais conferem a condição da contribuinte de portadora de moléstia grave. Dos documentos acostados aos autos, resta claro que a Recorrente é portadora de moléstia grave (cardiopatia grave), diagnosticada desde 2010, conforme se pode verificar dos laudos médicos acostados às fls. 17 e 59 do processo administrativo, o que lhe garante as condições necessárias à isenção pleiteada. Assim sendo, levando em consideração todo o lastro documental hábil adunado aos presentes autos, considero comprovada a moléstia grave e, por conseguinte, atendidos os requisitos legais necessários para o gozo da isenção dos proventos de aposentadoria recebidos pela Recorrente (art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/988). Conclusão Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.720265/2015-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2011, 2012
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, na medida em que teria sido oportunizado ao recorrente prazo para manifestação acerca do resultado da diligência empreendida.
RETENÇÃO. COMPENSAÇÃO. GLOSA.
Serão glosados pelo Fisco os valores retidos ou compensados indevidamente pelo sujeito passivo, caracterizado pela não comprovação documental de sua origem.
OMISSÃO DE BASE TRIBUTÁVEL.
Considera-se base tributável omitida aquela resultante da diferença verificada entre a folha de pagamento apresentada pelo recorrente e o respectivo valor declarado em GFIP.
Numero da decisão: 2402-006.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, na medida em que teria sido oportunizado ao recorrente prazo para manifestação acerca do resultado da diligência empreendida. RETENÇÃO. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores retidos ou compensados indevidamente pelo sujeito passivo, caracterizado pela não comprovação documental de sua origem. OMISSÃO DE BASE TRIBUTÁVEL. Considerase base tributável omitida aquela resultante da diferença verificada entre a folha de pagamento apresentada pelo recorrente e o respectivo valor declarado em GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 65 /2 01 5- 14 Fl. 1210DF CARF MF 2 Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 03.12.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária, acrescida das multas de ofício e de mora e dos juros legais Selic, como a seguir resumido: DEBCAD 51.071.3203 principal de R$ 6.735.392,91: 1 Contribuição Patronal, incluindo as contribuições RAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, não declarada em GFIP; 2 Diferença de contribuições RAT sobre as bases de cálculos declaradas em GFIP; 3 Glosa de retenções declaradas em GFIP 01/2011 a 04/2011; e 4 Glosa de compensação declaras em GFIP. DEBCAD 51.071.3211 principal de R$ 552.706,27: 1 Contribuições de terceiros INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. DEBCAD 51.071.3320 principal de R$ 19.257,83: 1 Multa por descumprimento de obrigação acessória art 32, III e § 11 da Lei 8.21291. Para a descrição dos fatos, sirvome do acórdão de piso de fls. 1085/1100: DO AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AIOP nº 51.071.3203 ... 14.1 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) LEV FP: os valores pagos aos segurados empregados, apurados nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP, conforme exposto no item 4 ao subitem 6.2 do presente relatório. Tais valores encontramse demonstrados no Anexo I Planilha BC FP PDF x BC GFIP; Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 15563.720265/201514 Acórdão n.º 2402006.641 S2C4T2 Fl. 3 3 b) LEV RA: as diferenças de contribuições destinadas ao Seguro de Acidentes do Trabalho (SAT) ora denominado de Contribuição para Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais de Trabalho, apurados pela aplicação das alíquotas RAT corretas sobre as bases de cálculo de empregados declaradas em GFIP, conforme exposto no item 7 e seus subitens do presente relatório. Tais valores encontramse demonstrados no Anexo II Planilha RAT Ajustado Devido; c) LEV GR: os valores lançados no campo retenção sobre Nota Fiscal/Fatura da GFIP sem a documentação comprobatória, conforme exposto no item 8 ao subitem 8.6 do presente relatório. Tais valores encontramse demonstrados no Anexo IV Planilha Retenção Declarada e não comprovada; d) LEV GC: os valores lançados em GFIP, no campo compensação, para os quais o contribuinte não comprovou a origem dos créditos utilizados, conforme exposto no item 9 e seus subitens do presente relatório. Tais valores foram extraídos das Telas "Dados e Valores Informados em GFIP" Anexo VI. ... DO AUTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AIOP nº 51.071.3211: ... 15.1 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos aos segurados empregados, apurados nas folhas de pagamento e não declarados em GFIP, conforme exposto no item 4 ao subitem 6.2 do presente relatório. Tais valores encontramse demonstrados no Anexo I Planilha BC FP PDF x BC GFIP; ... DO AUTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AIOA nº 51.071.3220: 16 A empresa, apesar de formalmente intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de 22/11/2014, do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 01, de 08/07/2015, do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 02, de 19/08/2015, do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 03, de Fl. 1212DF CARF MF 4 22/10/2015, e do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 04, de 09/11/2015, deixou de apresentar os seguintes elementos: 16.1 De conformidade com o solicitado no TIF n° 03: Documentação comprobatória, em face da necessidade de justificar seus variados enquadramentos em códigos CNAE Preponderantes declarados em GFIP, ao longo do período fiscalizado; 16.2 De conformidade com o solicitado no TIF n° 04: Esclarecimento sobre a não comprovação da totalidade do crédito lançado no campo retenção sobre Nota Fiscal/Fatura da GFIP, relativamente às competências 01/2011 a 04/2011; 16.3 De conformidade com o solicitado no TIF n° 03 e TIF n° 04: Esclarecimentos fundamentados acerca da origem dos créditos compensados, bem como por não ter apresentado as planilhas de apuração e atualização dos mesmos. Regularmente intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 1085/1100. Em seu Recurso Voluntário às fls. 1141/1175, aduz, em síntese: I Do prazo de apresentação do recurso voluntário e do cerceamento face ao não envio do acórdão por via posta. Que o acórdão do julgamento em primeiro instância não seguiu em anexo à intimação de 06.10.2016, mas tão somente o demonstrativo de débitos do processo. Que somente em 27.10.2016 teria tido acesso ao acórdão, por meio do pedido de cópia do processo. Assim sendo, teve reduzido seu prazo para interposição do recurso, o que teria prejudicado sua execução. II Do mérito e fundamentos de fato e de direito das matérias impugnadas. II.I. Dos procedimentos realizados no decorrer da ação fiscal. Que nas 4 intimações recebidas foi assinalado o prazo de apenas 5 dias para seu atendimento, o que dificultou sobremaneira seu atendimento. Ademais, não teria havido a devolução dos documentos pela autoridade fiscal antes da data do cumprimento da quarta intimação e da impugnação apresentada. II.II Das base de cálculo e levantamentos das contribuições previdenciárias. Que a fiscalização teria comparado os valores das folhas de pagamentos (arquivo MANAD) com aqueles que constaram das GFIP retificadoras e não das originais. além do quê, não teria informado o nº de controle das GFIP que estariam sendo comparadas. Insiste que as folhas de pagamento MANAD devem ser comparadas com as GFIP originais. Que não teria ficado clara a fundamentação das diferenças de base de cálculo, se relacionada a segurados avulsos, contribuintes individuais ou empregados. Que não teriam sido consideradas as retenções sofridas. Que teria sido intimado a retificar na GFIP o campo Valor Devido à Previdência Social, até o limite do valor recolhido, sendo que o sistema não o permite. Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 15563.720265/201514 Acórdão n.º 2402006.641 S2C4T2 Fl. 4 5 III Do voto e do acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/JFA. III.I Da nulidade fundamentada em vicio de legalidade e cerceamento de defesa face à retenção de documento pelo auditor fiscal e sua devolução somente após o prazo de defesa. Que as notas fiscais originais retidas pela Fiscalização só teriam sido devolvidas após o prazo de impugnação. Que a intimação fiscal nº 04 continha determinação para esclarecimento das divergências apuradas em exíguo espaço de tempo, não compatível com a complexidade das informações determinadas, além do que, as notas fiscais originais estariam, à época, em poder do Fisco. III.II Da infundada diferença nas bases de cálculo da contribuição previdenciária. III.III Do regular enquadramento da alíquota RAT pela empresa autuada. Que a autoridade fiscal teria se apoiado em convicções próprias, e sustentado como fundamentação para o reenquadramento a partir de análise do objeto social contido no contrato social e suas alterações, e de alguns contratos de prestação de serviços que foram apresentados. Desta forma, não apresentou correlação de empregados x atividade preponderante, pois o que rege o enquadramento nos códigos de alíquota RAT e em função do maior número de empregados. Assim não deveria prosperar o enquadramento baseado nos contratos sociais e alterações, configurando flagrante ofensa as normas legais. III.IV Da ilegítima glosa de retenção sobre notas fiscais. Que com o cumprimento da diligência fiscal, os documentos originais teriam sido devolvidos à recorrente, sem que, contudo, tivesse sido intimada a, especificamente, atender o constante do termo fiscal nº 04 ou aditar a impugnação já apresentada, mas, tão somente, para que se manifestasse. III.V Da glosa de compensação. Que teria havido a duplicidade de exigência tributária, na medida em que os valores declarados a titulo de compensação em GFIP por si só já consolida o auto lançamento. Que as origens dos créditos teriam sido comprovadas, aí incluídas as sobras de retenções, apuradas em fiscalização anterior, consoante fls. 886. IV Da verdade material dos fatos e nulidade dos lançamentos. Da configuração do cerceamento de defesa. Dos princípio da proporcionalidade e razoabilidade. Dos aspectos essenciais dos lançamento tributário. Que a presente Fiscalização levantou diferenças absurdas de base de cálculo de contribuição previdenciária inexistentes e dissonantes da verdade material dos fatos. Observase na presente autuação recorrida, a utilização de critérios subjetivos e convicções pessoais, para designar como fato gerador remunerações inexistentes e irreais, fantasiadas pela autoridade fiscal, que não apresentou provas robustas e reais para fundamentar suas autuações. Da Nulidade dos lançamentos e do vício formal. Insiste na questão relativa à devolução dos documentos originais pela Fiscalização após o prazo para a apresentação da impugnação. Fl. 1214DF CARF MF 6 Ao final, pugnou pela anulação dos lançamentos, ao argumento de que a fiscalização não teria feito prova de sua fundamentação e pelo fato de os documentos retidos terem sido devolvidos ao recorrente após o prazo de impugnação. Alternativamente, a conversão em diligência para o pleno atendimento à intimação nº 04, anulandose o julgamento de primeira instância ou o integral provimento do recurso para que sejam julgados improcedentes os lançamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 06.10.2016 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 04.11.2016. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Inicialmente, quanto à questão da ciência do acórdão recorrido, em que pese sustentar que não o recebera quando da comunicação feita pela unidade de preparo, a intimação nº 821/2016, acostada às fls.1110, evidencia, sim, o encaminhamento daquele julgado ao recorrente. A observação contida no documento de fls. 1111 (Listagem de Postagem), a saber: "Intimação nº 821/2016 Demonstrativo de Débito" não autoriza inferir que apenas o Demonstrativo de Débito teria sido encaminhado ao contribuinte. Ademais, a julgar pela extensão e substância do recurso em análise, que foi, inclusive, apresentado antes mesmo do término do seu prazo fatal, não me parece que tenha havido qualquer prejuízo na qualidade da defesa do contribuinte, que obteve cópia do processo em 27.10.2016. Com relação aos prazos concedidos pela Fiscalização 20 dias no Termo de Início e 5 dias úteis nos demais termos além de terem observados os ditames legais1, sujeitaramse a dilações concedidas pelo autuante, como consignou o julgador de piso. Não há a menor dúvida de que as informações e documentos requisitados pela Fiscalização dizem respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do recorrente e nas GFIP apresentadas à administração tributária. Não há, ou ao menos não deveria haver, qualquer complexidade no atendimento das intimações, na medida em que se relacionam a informações/documentos que devem, ou deveriam, estar à imediata disposição do contribuinte. Ponto outro que merece especial atenção é aquele atinente à devolução das notas fiscais de prestação de serviços em 22.02.2016, emitidas em 2011 e 2012. 1 Art° 71. O art. 19 da Lei n° 3.470, de 28 de novembro de 1958, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) MP 215835/2001 Art° 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. § 1° Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 15563.720265/201514 Acórdão n.º 2402006.641 S2C4T2 Fl. 5 7 A considerar a data da apresentação dos originais à Fiscalização (28.10.2015) e de sua devolução (22.02.2016) teria havido, a rigor, prejuízo na defesa do autuado no que toca termo fiscal de 09.11.2015 (nº 4) e à impugnação apresentada. Contudo, não é, a meu ver, o que efetivamente ocorreu. Vejamos: Como bem assentado pela autoridade autuante, o contribuinte por meio de seu certificado digital tem acesso direto ao processo administrativo fiscal digital, onde se encontrariam anexadas todas as notas fiscais de serviço para o período do débito; da mesma forma, teria acesso ao Portal SPEDNFE, para as Notas Fiscais eletrônicas; e, ainda, acesso às suas segundas vias constantes dos blocos de Notas Fiscais emitidas, para as Notas Fiscais não digitais. Somase a isso, o fato de a fiscalização ter encaminhado ao recorrente, juntamente ao termo fiscal nº 4, planilha com as divergências a serem esclarecidas, decorrentes do cotejo entre as notas fiscais apresentas, relacionadas naquela planilha, e os valores aproveitados como retenções em GFIP nos meses de apenas janeiro a abril de 2011. Em outros termos: o contribuinte deveria ter trazido documentos fiscais outros, por óbvio não relacionados na planilha, que justificassem as divergências apontadas ou retificar as GFIP de forma a adequar as retenções aproveitadas ao valor totalizado na planilha fiscal, alterandose o valor ao final devido à previdência social. Em assim não procedendo, tenho por devida as glosas a esse título, nas competências de janeiro a abril de 2011. Por falar nisso, a alteração do Valor Devido a Previdência Social, em que pese, segundo o autuado, não ser passível de alteração no sistema, é de alteração sistêmica/automática à medida em que o contribuinte ajusta o valor da remuneração dos segurados, da compensação, da retenção, dentre outros campos informados na GFIP. Cumpre destacar que tal procedimento não se trata de mero cumprimento de obrigação acessória, mas de condição indispensável para que a administração tributária tenha um mínimo de controle acerca das retenções sofridas, utilizadas no mês e mantidas para crédito em compensação em períodos seguintes, além de cumprir importante obrigação social junto ao cadastro de benefícios, no que toca aos segurados declarados. Assim, não é razoável supor que caberia ao fisco a obrigação de identificar as retenções sofridas e as utilizar em determinado mês a seu alvedrio. Essa é uma faculdade legalmente conferida ao contribuinte, sujeita, por óbvio, a posterior verificações empreendidas pela Fiscalização. Ainda naquele termo fiscal, o recorrente foi novamente intimado a comprovar e demonstrar a origem dos créditos utilizados nas compensações que promovera em suas GFIP em 2011 e 2012. Notese que para o atendimento de ambas as demandas que constaram naquela intimação não se fazia, definitivamente, necessário que o autuado contasse com as notas fiscais que estavam em poder do Fisco. Bastava, num primeiro momento, que o recorrente dispusesse das informações que, decerto, se encontravam ou deveriam se encontrar em seus registros. Fl. 1216DF CARF MF 8 Perceba: o atendimento à intimação, naquilo que se referia às compensações, passaria, necessariamente, pela demonstração numa planilha que fosse mês a mês, dos créditos utilizados em cada competência do período fiscalizado. Ilustrando: para o valor de R$ 73.877,46 compensado em janeiro de 2011, o autuado deveria apontar, em um primeiro momento, qual(is) o(s) crédito(s) que teria(m) sido utilizados(s). É dizer: qual sua natureza (ex. pagamento indevido ou a maior, decorrente de ação judicial, etc), qual seu valor e em qual competência teria sido apurado. E por aí vai, mês a mês segundo as compensações promovidas. Naturalmente, diante de tal informação, frisese, não prestada pelo autuado, a Fiscalização buscaria se certificar quanto à sua integridade e se referido crédito já não teria sido consumido em competência anterior a em análise e se sobre ele fora aplicada a correção legal. Ladeada às verificações acima, ainda é comum que a autoridade fiscal busque identificar a contabilização desses créditos, bem assim sua baixa quando da utilização em compensação nas GFIP, evitandose que seja dado azo, ao arrepio da lei, à indevida utilização desses créditos em sua contabilidade. Assim sendo, o apontamento de forma genérica de documento que induziria saldos credores em 2010 (fls. 886) não é o suficiente para demonstrar a origem dos créditos efetivamente utilizados. Esse é, a rigor, o procedimento adotado pela auditoria fiscal no que toca a esse assunto. Nesse sentido, tenho que o contribuinte não dispunha de justificativa legítima que o impossibilitasse de, ao menos, detalhar a origem dos créditos utilizados. E mais, como assentado no acórdão de piso, o contribuinte teve toda a oportunidade de assim proceder, quando contou com o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar após o cumprimento da diligência determinada pelo julgador de 1ª instância. Se a ausência das notas originais era o motivo que ensejara o não atendimento àquele termo fiscal, conforme alegara, com a sua devolução e a abertura de prazo para manifestação, o contribuinte, se de fato disposto a demonstrar seu direito, deveria ter assim procedido a partir de então. Assevera o recorrente que as compensações declaras em GFIP, quando desconsideradas pelo Fisco, já se encontravam lançadas (auto lançamento), consoante estabeleceria a Instrução Normativa RFB nº 1300, de novembro de 2012. Assim sendo, o lançamento de ofício teria consubstanciado duplicidade de tributação. Não vejo dessa forma. Em que pese o procedimento para glosa de compensações estar previsto em norma específica, não vislumbro impedimento legal a que tal cobrança se dê por meio de auto de infração, instrumento legal que põe termo ao procedimento de ofício2, desde que observadas as condições a seguir: Que seja aplicada a multa de mora (20%) e não a típica do lançamento de oficio (multa de ofício de 75%); 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 15563.720265/201514 Acórdão n.º 2402006.641 S2C4T2 Fl. 6 9 Que não haja duplicidade de cobrança (por meio de auto de infração e por meio de despacho decisório); e Que seja oportunizado ao autuado o rito recursal previsto no Dec 70.235/72. Nessa linha, entendo por correto o procedimento adotado relacionado às compensações pretendidas pelo autuado, que despendeu tempo em procurar justificar o não atendimento à intimação, em vez de cumprila, ainda que minimamente, fazendo crer a este julgador que deliberadamente não detém controle da apuração e utilização dos eventuais créditos a seu favor. Quanto ao ajuste do RAT promovido pela Fiscalização, o recorrente aduz, em resumo, que a autoridade fiscal teria se apoiado em convicções próprias, e sustentado como fundamentação para o reenquadramento a partir de análise do objeto social contido no contrato social e suas alterações, e de alguns contratos de prestação de serviços que foram apresentados. Desta forma, não teria apresentado a correlação de empregados x atividade preponderante, pois é o que rege o enquadramento nos códigos de alíquota RAT, em função do maior número de empregados. Sobre esse aspecto, filiome aos fundamentos e conclusão da decisão de piso, que passo a transcrever: De fato, a alíquota a ser utilizada no cálculo da referida contribuição depende do enquadramento efetuado pela empresa no correspondente grau de risco de sua atividade econômica preponderante, definida como aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, como mencionado na impugnação e previsto no art. 202, §3º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. Ocorre que, conforme explicitado no Relatório Fiscal, a empresa não apresentou, embora intimada através do TIF nº 03, a documentação comprobatória solicitada para justificar o seu enquadramento nos vários códigos CNAE, declarados em GFIP no período fiscalizado. Por esta razão, em observância ao disposto no art. 202, §5º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, a auditoria efetuou o reenquadramento da empresa, a partir da análise do seu objeto social, explicitado no contrato social e suas alterações, e do objeto dos contratos de prestação de serviços apresentados, e constituiu o crédito tributário decorrente. Não há que se falar, portanto, de alteração de enquadramento sem fundamentos materiais, visto que, ao contrário da empresa, a auditoria explicitou os elementos utilizados em sua análise, no Relatório Fiscal. A empresa alega ainda ter efetuado seu enquadramento no CNAE 78302/00, com alíquota 2%, em razão de a Fl. 1218DF CARF MF 10 atividade econômica atribuída a este código corresponder à maior parte de sua folha de pagamentos: fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros. Não foram juntados, todavia, documentos comprobatórios dessa alegação. Ademais, verificase que o referido código CNAE sequer corresponde aos códigos informados em GFIP pela empresa no período fiscalizado, relacionados no item 7 do Relatório Fiscal: 7820500, 8299799 e 7810800. Desta forma, não procedem as alegações contrárias ao lançamento de diferenças de alíquota RAT, apuradas pela auditoria fiscal. Por fim, passo a análise das alegações atinentes ao levantamento da diferença de base de cálculo da contribuição social em tela. A Fiscalização intimou o recorrente a apresentar sua folha de pagamento relativa ao período de 01/2011 a 13/2012, inclusive em meio magnético. Após constatar divergência entre os valores das bases de cálculo que constaram da folha em papel (arquivo PDF) e as do arquivo digital, a Fiscalização passou a adotar aquelas informadas no arquivo PDF, em valores menores, após o esclarecido pelo autuado. Assim, os valores utilizados como referência pelo fiscal tornaramse incontroversos neste caso, o que torna despicienda qualquer alegação relacionada ao seu detalhamento pelo fisco. A controvérsia reside, sim, no valor declarado pelo contribuinte em suas GFIP. A Fiscalização utilizouse das últimas GFIPS transmitidas pelo contribuinte, exportadas antes do início do procedimento fiscal, e que estariam alimentando os sistemas de cobrança, ao passo que o recorrente insiste na utilização daquelas que foram por ele mesmo sobrepostas. Vale dizer, das originais. Em resumo, eis o cotejo promovido pelo Fisco: Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 15563.720265/201514 Acórdão n.º 2402006.641 S2C4T2 Fl. 7 11 À luz do cotejo então promovido, podese notar que as GFIP retificadoras, frisese: que sensibilizaram a cobrança automática no conta corrente, tiveram o condão de reduzir de forma significativa a base de cálculo oferecida à tributação, fazendo com que, para aqueles meses em que os pagamentos anteriormente efetuados suplantaram os novos valores apurados em função dessa redução de base declarada, fosse evidenciado crédito a favor do contribuinte para utilização em períodos subseqüentes. Exemplificando, tomemos o mês de outubro de 2011. O conta corrente do contribuinte apresenta valor a recolher da ordem de R$ 136.786,96, aí incluídas as cotas patronal e segurados, e valor recolhido de R$ 156.143,65 (fls.84), fazendo evidenciar, num primeiro momento, crédito a seu favor no valor de R$ 19.356,69. O valor a recolher (R$ 136.786,96) calculado pelo programa gerador da GFIP é resultante da base de cálculo de R$ 1.191.283,86, após consideradas as retenções lá declaradas pelo contribuinte. Fl. 1220DF CARF MF 12 Sua folha de pagamento demonstra base de cálculo na monta de R$ 1.935.720,81, perfazendo uma diferença de R$ 744.436,95 a tributar. Nesse sentido, apenas a cota patronal resultaria em R$ 148.887,39 (alíquota de 20%). Podese notar que o eventual saldo credor, no caso acima da ordem de R$ 19.356,69, não foi aproveitado no lançamento em função, inferese, do informado pelo contribuinte em sua resposta de 25.08.2015 (fls. 87/89). Confirase: Nesses termos, não vejo reparos a serem promovidos no lançamento. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado para REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727764/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
Numero da decisão: 2201-004.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, em parte, do recurso voluntário, em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Recorrente STEFANINI CONSULTORIA E ASSESSORIA EM INFORMATICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, em parte, do recurso voluntário, em razão da concomitância de instâncias administrativa e judicial. Na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 77 64 /2 01 4- 31 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 394 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 293/308, interposto contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, de fls. 275/288, a qual julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias lavradas por meio do DEBCAD nº 51.072.7280 (fls. 3/11), datado de 14/1/2015, com ciência do RECORRENTE em 20/1/2015, conforme AR de fls. 172. O DEBCAD nº 51.072.7280 tem por objeto contribuições devidas a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), na alíquota total de 5,8%, incidentes sobre o auxíliodoença (nos 15 primeiros dias) e sobre o terço de férias, não declarados em GFIP e não pagos, objeto dos Levantamentos 06 AUX DOENCA 15 DIAS SEM DEP e 07 UM TERCO DE FERIAS SEM DEP, no período relativo à competência de 03/2011, no valor global histórico de R$ 1.653,25 (mil seiscentos e cinquenta e três reais e vinte e cinco centavos), já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 12/34), a autoridade fiscal esclareceu que o lançamento foi efetuado visando prevenir a decadência de créditos previdenciários que estão sendo questionados judicialmente pela RECORRENTE. Assim, o processo administrativo ficaria suspenso aguardando a decisão judicial final. Ainda de acordo com a fiscalização, foram feitos diversos levantamentos e os DEBCADs lavrados foram distribuído em diferentes processos (conforme tabela de fls. 13/16) a fim de englobar situação peculiar de cada um (diferentes processos judiciais, o objeto de cada um deles, a destinação da contribuição, etc.). Ressalto importante observar o fato de a fiscalização ter realizado Levantamentos distintos para apurar os créditos para os quais houve o efetivo e regular depósito judicial, assim como para apurar os créditos sem depósito judicial. De acordo com o Relatório Fiscal, os Levantamentos 06 e 07, que embasam o presente processo, têm por objeto verbas sem o regular depósito judicial. Assim, o lançamento deste processo tem por objeto obrigações principais (contribuições devidas a Terceiros) incidentes sobre Auxílio Doença nos 15 primeiros dias (Levantamento 06) e sobre 1/3 de férias (Levantamento 07) para as quais não houve depósito judicial. De acordo com o item 3.2.2 do Relatório Fiscal, a empresa RECORRENTE ingressou com ação judicial, conforme autos do processo n° 001279840.2010.403.6105, perante a 6a Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Campinas – SP, pois entende não ser devido o recolhimento das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos ao título dos 15 primeiros dias de auxílio doença e sobre o terço constitucional de férias. Nos autos dessa ação judicial a empresa efetuou o depósitos das contribuições a cargo da empresa (objeto do processo nº 10830.727761/201405) e destinadas a Terceiros (objeto deste processo) incidentes sobre a remuneração pagas nas rubricas 1008 – salário (15 dias INSS), 4007 – 1/3 de férias no mês, 4009 – Dif 1/3 férias no mês, 4011 – 1/3 férias no próximo mês, 4013 – Dif 1/3 férias no próximo mês, referentes às competências de 12/2010 a 12/2011. A RECORRENTE não declarou em GFIP as contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades, sobre as quais discute, judicialmente, a legalidade de suas Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 395 3 cobranças. Assim, conforme já exposto, as contribuições objeto do presente caso não foram recolhidas nem depositadas em juízo, pelo qual foi realizado o lançamento com o intuito de prevenir a decadência. Segundo a fiscalização, para a competência de 03/2011, a RECORRENTE adotou como base de cálculo para o depósito judicial o montante de R$ 200.945,78 (duzentos mil novecentos e quarenta e cinco reais e setenta e oito centavos) ao passo em que o valor encontrado na folha de pagamento seria de R$ 214.514,55 (duzentos e quatorze mil quinhentos e quatorze reais e cinquenta e cinco centavos), razão pela qual foi lançado o tributo sobre a base de cálculo remanescente. No Anexo I (fls. 38/41), a fiscalização aponta, para cada competência, o valor do depósito judicial (identificado como “extrato bancário” na coluna C) e o valor de cada rubrica encontrado na folha de pagamento (identificado como “folha de pagamento” na coluna C). Os valores dos depósitos coincidem com os das folhas, exceto em relação à competência 03/2011. Assim, no Anexo II (fl. 42), a autoridade lançadora demonstra como fez o rateio relativo ao depósito judicial do valor de R$ 200.945,78 e o alocou de forma proporcional a cada rubrica discutida na ação judicial, de modo a apurar a diferença de base de cálculo sem depósito judicial (diferenças entre as bases de cálculo das folhas de pagamento e as base de cálculo do depósito judicial após o rateio), que é o objeto do presente processo. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 172/184, em 19/2/2015. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho acerca das alegações do Impugnante para compor parte do presente relatório: “I. PRELIMINARMENTE 1.1 DO AUTO DE INFRAÇÃO 1) Conforme está disposto na letra “b” do subitem 3.2.2 do relatório fiscal, a impugnante ajuizou mandado de segurança n° 001279840.2010.403.6105, com o objetivo de suspender a exigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas nos quinze (15) primeiros dias de afastamento da atividade laboral, antes da concessão do auxílio doença ou acidente bem como sobre as verbas pagas a título de salário maternidade, férias e adicional de 1/3 de férias, aduzindo, em síntese, a ilegalidade da contribuição social incidente sobre as referidas verbas uma vez que não houve contraprestação do serviço por parte do empregado, não possuindo aquelas verbas natureza salarial. 2) No momento, o referido mandado de segurança está no Tribunal Regional Federal da 3a. Região e os recursos ajuizados aos tribunais superiores estão suspensos desde 21/10/2014, haja vista que foi reconhecido pelo Supremo Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 396 4 Tribunal Federal STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ a repercussão geral desta atéria nos processos RE 576.967/PR STF e no RESP/R S – STJ. Assim sendo, as decisões proferidas nos processos recursos extraordinário e especial, serão aplicadas também no mandado de segurança n° 001279840.2010.403.6105. 1.2 DO DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO PRESENTE LANÇAMENTO 3) Transcreve os subitens 8.2.2 e 8.3.5 do Relatório Fiscal. 4) Assim sendo, com o depósito judicial do montante integral do presente lançamento por força do inciso II do artigo 151 do Código Tributário Nacional, o crédito tributário do presente lançamento está com a exigibilidade suspensa. Dessa forma, encontrandose o presente crédito tributário amparado pela suspensão da exigibilidade, está também suspensa a sua cobrança até ser proferida decisão final no já mencionado mandado de segurança n° 0012.79840.2010.403.6105, motivo pelo qual deve o presente lançamento ser cancelado. II. DOS FATOS 5) No exercício de suas atividades encontrase a impugnante sujeita a uma enorme gama de tributos, sendo que o impugnado lhe exige o recolhimento de contribuição social previdenciária incidente sobre os valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), bem como a título de adicional de férias de 1/3 (um terço). 6) Todavia, sendo tais valores pagos em circunstancias em que não há, indubitavelmente, prestação de serviço, temse que não configurada, por consequência, a hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 22 da Lei n° 8.212/91. 7) Assim, tem a impugnante o direito líquido e certo de não mais ser compelida ao recolhimento da contribuição social previdenciária incidente à margem do princípio constitucional da legalidade tributária sobre os valores em debate. III. DO DIREITO 8) Inicialmente, imprescindível esclarecerse que a não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre os valores em debate resta inequívoca diante da análise da hipótese de incidência aplicável ao caso. 9) Não se discute a eventual natureza destes valores – se remuneratória, salarial ou indenizatória –, nem mesmo o conteúdo destes conceitos para fins previdenciários ou trabalhistas, posto que construídos em outros contextos e arraigados sob outras óticas. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 397 5 10) Do mesmo modo, não se discute o fato destes pagamentos serem incorporáveis ou não ao salário, se são considerados para fins de aposentadoria, ou, ainda, se integram ou não o saláriodecontribuição dos segurados. 11) Na verdade, analisase, sob a égide do princípio da legalidade tributaria (CF, art. 150, inciso I), se tais valores subsumemse à hipótese de incidência eleita pelo legislador para fins de exigência da contribuição previdenciária devidas pelas empresas, qual seja, a prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91. III. 1 Da Contribuição Previdenciária Patronal 12) Atribuise, no artigo 195 da Carta Magna, a competência tributária para criação de contribuições sociais a serem estabelecidas e recolhidas, distintamente, pelo empregador, trabalhador, realizador de recursos de prognósticos e, ainda, pelo importador de bens ou serviços. 13) Exercendo a competência que lhe foi atribuída no artigo 195, inciso I, alínea "a", da CF, a União, através da Lei n° 8.212/91, elegeu o legislador ordinário, como hipótese de incidência ou hipótese tributária da contribuição previdenciária patronal o pagamento de remunerações destinadas a retribuir o trabalho, seja pelos serviços prestados, seja pelo tempo em que o empregado ou trabalhador avulso permanece à disposição do empregador ou tomador de serviços. 14) Curial destacarse que a delimitação da incidência da contribuição em tela foi observada pela própria Receita Federal do Brasil em sua Instrução Normativa RFB n° 971/09. 15) Importa observarse que a delimitação da incidência da contribuição patronal sobre os valores pagos destinados a retribuir o trabalho efetivo ou potencial também foi consagrada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. De fato, pretendeuse, através das Medidas Provisórias 1.52313 e 1.59614, ampliar a hipótese tributária em debate para além dos valores pagos em decorrência de contraprestação de serviços, de modo a se abranger todos os quaisquer valores pagos pela empresa aos trabalhadores inclusive verbas rescisórias restando, à época, conforme redigido no § 2 do artigo 22 da Lei n° 8.212/91. 16) Ocorre que a ampliação supra já sob a égide do artigo 195, inciso I, da CF foi prontamente obstada à unanimidade pelo pleno da Suprema Corte nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) n° 1.6596, que transcreve. I) Importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente); Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 398 6 II) Valores pagos a títulos de saláriomaternidade; III) Importância pagas a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3 (um terço). 19) Todavia, são todas as circunstâncias em que o empregado acidentado, doente, gestante ou em gozo de férias não está, obviamente, prestando serviços nem se encontra à disposição da empresa. E assim age a Impugnada por exegese absolutamente equivocada dos dispositivos legais em tela, bem como, por abusiva confusão entre os institutos e conceitos em debate. III.2 Da indevida exigência da contribuição previdenciária sobre os valores objeto do lançamento. III.2.1 Dos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos funcionários doentes e acidentados. 20) Após transcrever partes da Lei nº 8.213/91, aduz que, valendose da expressão "salário" contida na parte final do § 3 do artigo 60, a impugnada, à margem da legalidade, exige a contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos pela Impugnante nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de seus funcionários doentes ou acidentados. 21) Porém, o trabalhador doente ou acidentado não está prestando serviço algum — nem de modo efetivo, nem de forma potencial sendo certo que o valor a este pago pela empresa préconcessão de benefício previdenciário não se insere na hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso I, da Lei n° 8.212/91. Nesse contexto, pouco importa a denominação que se dê a este pagamento (até mesmo salário), como também e indiferente a natureza que lhe queira atribuir (indenizatória etc.). O que importa é que tal pagamento não se subsume à hipótese tributária em debate. Cita julgados. 22) Curial destacarse que o entendimento esposado nos acórdãos transcritos a despeito de tratarse especificadamente da não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas pela empresa na hipótese de afastamento do funcionário doente ou acidentado estende se, claramente, ao salário maternidade, férias e adicional de férias de 1/3, invocandose aqui a máxima "ubi eadem ratio ibi idem jus". A hipótese de incidência, insistase, é o pagamento de remunerações devidas em razão de trabalho prestado, efetiva ou potencialmente. Desse modo, quais "os serviços efetivamente prestados" pela pessoa que se encontra afastada (seja doente, acidentada ou gestante) ou em férias? Por quanto tempo permanece "à disposição do empregador ou tomador de serviço"? De fato, quando são pagos os valores em debate, não se está retribuindo trabalho algum, não se realizando no mundo físico a hipótese legal prevista. III.3 Das férias e do terço constitucional Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 399 7 23) Finalmente, no que se refere às férias gozadas e seu respectivo adicional constitucional de 1/3 (terço), a impugnada também faz indevida equiparação entre as contribuições patronal e dos empregados. Nesse contexto, exigese a contribuição previdenciária patronal sobre os valores pagos a tais títulos ao argumento de que estão excluídas do saláriode contribuição apenas as férias indenizadas e respectivo terço constitucional. Ocorre que o saláriodecontribuição é a base de cálculo da contribuição devida pelos segurados, não a base de cálculo da contribuição patronal, conforme previsto no já transcrito artigo 20 da Lei n° 8.212/91. 24) Como se não bastasse, esta indevida exigência é sustentada pela Impugnada em dispositivos infra legais, contidos na letra “i” do inciso III do art. 52 e § 8o. do art. 57, ambos da citada IN RFB 971/09. Todavia, inadmissível, ilegal e inconstitucional que dispositivos de Instrução Normativa extrapolem a hipótese tributária, ocorrendo indubitável desrespeito ao princípio da legalidade. 25) Na verdade, de acordo com o que já foi exaustivamente exposto, a hipótese de incidência da contribuição previdenciária patronal, bem como, sua base de cálculo, dizem respeito exclusivamente aos valores pagos, destinados a retribuir um trabalho efeito ou potencial o que não é o caso dos funcionários em gozo de férias — não havendo, mais uma vez, que se invocar peculiaridades do salário de contribuição, atinente à contribuição dos trabalhadores. Cita julgados. III.4 Da não incidência: conclusão 26) Por todo o exposto, temse que os pagamentos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3 (um terço), não se enquadram na hipótese de incidência em análise. Dessa forma, a pretensa exigência da contribuição social previdenciária sobre os respectivos valores implica em inegável ofensa ao princípio constitucional da legalidade tributária (CF, art. 150,1), motivo pelo qual o presente lançamento deve ser cancelado. 27) Postula pelo integral provimento da Impugnação, cancelandose o presente lançamento pelos motivos expostos acima, ou caso este não for o entendimento deste órgão julgador, que seja suspenso o presente processo administrativo até que seja proferido decisão final no mandado de segurança n° 0012.79840.2010.403.6105, conforme determina a Autoridade Fiscal no subitem 1.2 do Relatório Fiscal”. Da Decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP A DRJ de origem julgou procedente o lançamento, conforme acórdão de fls. 275/288, com a seguinte ementa: Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 400 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. LANÇAMENTO. DISCUSSÃO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A discussão judicial em relação a determinadas rubricas, com a suspensão da exigibilidade pelo depósito judicial, não impede o ato administrativo de lançamento, salvante comando judicial específico neste sentido, de forma a obstar os procedimentos de cobrança material do valor lançado. LANÇAMENTO. CONCOMITÂNCIA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO COM O PROCESSO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Na concomitância entre o processo judicial e o processo administrativo, a identidade de objeto entre eles impede que se instaure o contencioso administrativo em relação ao segundo, havendo renúncia a esta faculdade pelo contribuinte. Inteligência do princípio da unidade de jurisdição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Frente à Impugnação do contribuinte, a DRJ de origem estabeleceu, de logo, que a Impugnante não impugnou certos aspectos do lançamento, quais sejam a composição da base de cálculo, a incidência de juros e acréscimos legais, a origem dos fatos geradores (GFIP e folha de pagamento) e alíquotas aplicáveis. No que se refere à matéria impugnada, a DRJ em Ribeirão Preto/SP esclareceu não ser de competência dos órgãos administrativos inferir a constitucionalidade de qualquer norma, vez que a competência para esse tipo de declaração é do Supremo Tribunal Federal – STF, nos termos do art. 102, I, a, da Constituição Federal c/c art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Ainda, constatou existirem três processos judiciais individuais em trâmite manejados pela Impugnante nos quais são discutidos a legalidade da cobrança das referidas contribuições sociais. Neste ponto, entendeu: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 401 9 (i) que restou prejudicado o questionamento sobre a suspensão da exigibilidade do crédito por meio da ação judicial, tendo em vista que a Impugnação Administrativa já possui esse efeito, não havendo porque tecer ponderações acerca de tal ponto; e (ii) haver identidade de objeto entre o instrumento de impugnação e a ação judicial cuja petição inicial se encontra às fls. 213/247, de forma que os questionamentos formulados pelo sujeito passivo na esfera judicial acerca da incidência ou não de contribuições previdenciárias afastam a exigência de pronunciamento administrativo acerca delas, nos termos do art. 5º, XXXV, da Constituição Federal e art. 126, § 3º, da Lei nº 8.213/91, que consagram o princípio da unidade de jurisdição, expressamente disposto na Súmula CARF nº 1. Deuse improcedência, diante disso, à Impugnação do Recorrente e manutenção dos créditos previdenciários para terceiros constituídos por meio do DEBCAD nº 51.072.7280. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 2/6/2015, conforme AR de fl. 290, apresentou Recurso voluntário de fls. 293/308, datado de 2/7/2015. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou os argumentos da Impugnação e acrescenta que o CARF deve aplicar os precedentes do STF e STJ quando esses foram proferidos em sede de recursos repetitivos ou com repercussão geral reconhecida, razão pela qual devem ser aplicados os entendimentos pacificados por meio do RE 576.967/PR e do Resp. 1.230.957/RS. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De logo, fazse necessário esclarecer que, em seu recurso, a RECORRENTE se limita a transcrever as razões apresentadas na impugnação, dentre as quais não se encontra a defesa dos motivos adotados pela DRJ para manter o lançamento do crédito ora discutido, qual seja a identidade de objeto do processo administrativo e da ação judicial nº 0012798 40.2010.403.6105. Ao contrário: a contribuinte reafirma que “ajuizou mandado de segurança (...) com o objetivo de suspender a exigibilidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas nos quinze (15) primeiros dias de afastamento de atividade laboral, antes da concessão do auxílio doença ou acidente bem como sobre as verbas pagas a título de (...) adicional de 1/3 de férias, aduzindo, em síntese, a ilegalidade da contribuição social incidente sobre as referidas verbas uma vez que não houve contraprestação do serviço por parte do empregado, não possuindo aquelas verbas natureza salarial”. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 402 10 Tratase, pois, de ação que possui o mesmo objeto do lançamento. A decisão prolatada pela DRJ de piso se posicionou pelo indeferimento da Impugnação da ora RECORRENTE, visto que entendeu o direito de discussão administrativa da matéria impugnada teria sido tacitamente renunciado pela discussão do lançamento em trâmite na via judicial, nos termos do que dispõe a Súmula CARF nº 01. Vejase. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sobre os efeitos da renúncia, disciplina o Parecer Normativo Cosit nº 7/2014: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL.lRENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.lDESISTÊNCIA DO RECURSO ACASO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. Quando contenha objeto mais abrangente do que o judicial, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. A decisão judicial transitada em julgado, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável. (grifos acrescidos) A renúncia tácita às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal a seus procedimentos, devendo proferir decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é insuscetível de retratação. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 403 11 A definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 145, c/c art. 149, art. 151, incisos II, IV e V; Decretolei nº 147, de 3 de fevereiro de 1967, art. 20, § 3º; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 16, 28 e 62; Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), arts. 219, 267, 268, 269 e 301, § 2º; Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, art. 1º; Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, art. 38; Constituição Federal, art. 5º, inciso XXXV; Lei nº 9.784, de 29.de janeiro de 1999, art. 53; Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, art. 22; Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010; Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, art. 26; art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. e processo nº 10166.721006/201316 Significa dizer que a subsunção ao Poder Judiciário da matéria controvertida nos autos importa em renúncia irretratável à lide no âmbito da administração federal, independentemente de eventual decisão tomada no processo administrativo fiscal que tivesse sido mais favorável ao administrado. Aplicase, no caso, o §5º do artigo 78 do Anexo II do RICARF: §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Diante disso, resta clara a impossibilidade de existência concomitante de ação judicial e de processo administrativo fiscal que discutam o mesmo objeto, posto que significaria grave violação ao princípio da una jurisdição. Analisando a cópia da petição inicial da ação mandamental nº 0012798 40.2010.403.6105, de fls. 213/247, inferese que se trata de processo judicial que discute o mesmo tema do presente processo administrativo, conforme exemplificado pelo enxerto abaixo (fl. 245): Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte não defendeu outros aspectos do lançamento que não a mesma questão de mérito objeto da ação judicial (de que as verbas Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 404 12 remuneratórias base do presente lançamento não teriam caráter de contraprestação pelo serviço). Ou seja, a RECORRENTE não contestou a composição da base de cálculo, alíquota utilizada, a origem dos fatos geradores (GFIP e folha de pagamento), etc. Desta forma, a propositura de ação judicial implica na renúncia ao processo administrativo fiscal. O contribuinte abre mão de se defender administrativamente haja vista que a decisão judicial sobrepõe ao que restar firmado em instâncias administrativas, em razão do princípio da unicidade de jurisdição, porém tal atitude não implica a nulidade do lançamento ou o impedimento para o Fisco realizar o lançamento de créditos tributários. Até porque a demora da autoridade fiscal em efetuar o lançamento pode ensejar a decadência. Correta a atitude do fisco de lançar o crédito tributário ainda que com ação judicial em curso, ainda que nos autos dessa ação tenha havido depósito judicial, não sendo a suspensão de exigibilidade do crédito tributário fator impeditivo para o lançamento. Havendo hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário deve o tributo ser lançado sem a multa, pois a multa é consequência do inadimplemento, que não ocorrerá se houver suspensão da exigibilidade. No presente caso, também foi correto o lançamento acrescido da multa de ofício de 75%. Explico. Para que o lançamento seja efetuado sem a cobrança de multa é necessário que, no momento do lançamento, a exigibilidade do crédito esteja suspensa. Conforme se infere do relatório fiscal (fls. 12/34), mais especificamente dos anexos I e II (fls. 38 e 42), a empresa efetuou o depósito judicial adotando como base de cálculo para as contribuições previdenciárias objeto deste processo o valor de R$ 200.945,78 (duzentos mil novecentos e quarenta e cinco reais e setenta e oito centavos) ao passo que a fiscalização entendeu que o montante correto da base de cálculo seria de R$ 214.514,55 (duzentos e quatorze mil quinhentos e quatorze reais e cinquenta e cinco centavos), razão pela qual o lançamento com multa atinge apenas a diferença. O contribuinte em momento algum contesta a diferença da base de cálculo; ao contrário, ele tanto reconhece que o depósito foi realizado em montante insuficiente que no dia 19/2/2015, já após a constituição do crédito previdenciário mediante lançamento, efetuou novo depósito no valor complementar de R$ 7.698,95 (fl. 212), que representa os valores atualizados referentes ao DEBCAD nº 51.072.7280 (objeto do presente processo) e aos DEBCADs nº 51.072.7255 e nº 51.072.7263 (objeto do processo nº 10830.727761/201405 – contribuição patronal e SAT/RAT sobre os mesmos Levantamentos). Portanto, no momento do lançamento do crédito tributário, a parte do tributo referente a diferença da base de cálculo não estava com exigibilidade suspensa, sendo correto o lançamento do crédito tributário com a multa de ofício de 75%. Ademais, o recente depósito efetuado pela contribuinte, vinculado ao processo judicial nº 001279840.2010.403.6105, ratifica o fato (reconhecido pela própria RECORRENTE) de que a matéria objeto deste lançamento está sendo discutida perante o Poder Judiciário. Sobre a alegação de que o CARF deve aplicar os precedentes do STF e STJ quando esses foram proferidos em sede de recursos repetitivos ou com repercussão geral reconhecida, entendo que tal questão encontrase superada pela judicialização do caso, Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10830.727764/201431 Acórdão n.º 2201004.722 S2C2T1 Fl. 405 13 conforme exposto, já que, como bem expressou a RECORRENTE, as decisões definitivas do STJ e STF nos processos afetados pelo tema dos recursos repetitivos e pela repercussão geral, respectivamente, serão aplicadas ao mandando de segurança nº 001279840.2010.4.03.6105. Ainda assim, importante ressaltar que não há qualquer tese definitiva (transitada em julgado) firmada pelo STJ ou STF em sede de recursos repetitivos ou repercussão geral, respectivamente, sobre as matérias objeto do presente caso. O tema envolvendo a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias (Tema Repetitivo STJ 479) e sobre os valores pagos nos 15 primeiros dias de afastamento por motivo de doença (Tema Repetitivo STJ 738) foram, de fato, decididos pelo STJ através do REsp 1230957/RS. Contudo, tal decisão encontrase suspensa por decisão da VicePresidência do STJ em razão do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE 593068 / Tema 163). CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NÃO CONHECER EM PARTE do recurso voluntário, por necessária aplicação da Súmula CARF nº 01. Na parte conhecida (requerimento da aplicação de decisões do STJ e STF), NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, conforme razões apresentadas acima. Ressalto que o crédito tributário objeto do presente processo deve permanecer suspenso até a decisão judicial final, conforme exposto no relatório fiscal. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 405DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903666/2014-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos dos processos nºs. 11080.908.329/2013-17; 11080.908.988/2011-91; 11080-907.411/2013-24; 11080-903.611/2012-27; 11080-903.615/2012-13; 11686.000079/2009-70; 11080.901050/2010-60; 11080.918667/2011-03; 11080.901051/2010-12; 11080-903.612/2012-71; 11080-903.613/2012-16; 11080-903.815/2013-49, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1256 a 1315) interposto contra v. Acórdão (fls. 1238 a 1250) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 249 a 265), mantendo o r. Despacho Decisório nº 498/2016 (fls. 210 a 213) que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2008, utilizado em DCOMP transmitida em 2011, proferido em obediência à decisão judicial exarada no Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.4.04.7100/RS, a qual tornou sem efeito o Despacho Decisório nº 087878620 (fls. 10) anterior, determinando que nova decisão administrativa seja proferida com observância ao decidido neste mandamus relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da não homologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e 39485.75159.281011.1.3.02-2320 (fls. 03 a 08).
Em resumo, o crédito pretendido pela Contribuinte no presente feito foi utilizado na DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.02-8259, referente a saldo negativo, na monta de R$ 15.484.679,43, formado por retenções na fonte e estimativas, pagas e compensadas.
Como resta claro no r. Despacho Decisório recorrido, a única motivação para a não homologação do crédito pleiteado pela ora Recorrente é a divergência em relação aos valores de estimativas quitadas com compensações. De um total de R$ 61.667.201,47 de estimativas compensadas, apenas homologou-se o valor de R$ 25.058.982,48, resultando em uma diminuição de R$ 36.608.218,99 no cálculo declarado. Em razão de tal divergência sobre a quitação de antecipações, para a Unidade Local, ao invés de um saldo negativo de R$ 15.484.679,43, a Contribuinte, no período, teria apresentado saldo devedor de IRPJ de R$ 21.123.539,56.
Tal valor de estimativas saldadas por compensações não homologadas é objeto de inúmeras outras contendas administravas, ainda não findadas.
Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo:
Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 087878620, fl. 10, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.02-8259, fls. 11/25, concernente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2008, exercício 2009, o que se deu na forma a seguir reproduzida:
A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 15.484.679,43, o qual não foi reconhecido pela autoridade administrativa competente para a apreciação da matéria. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado:
Estimativas Compensadas SNPE: R$ 20.214.614,73 (valor informado) R$ 9.287.560,53 (valor reconhecido) = R$ 10.927.054,20 (valor não reconhecido)
Demais Estimativas Compensadas: R$ 41.452.586,77 (valor informado) R$ 15.771.421,96 (valor reconhecido) = R$ 25.681.164,81 (valor não reconhecido)
Dessa forma, como informado no despacho decisório, nenhum crédito foi reconhecido, razão pela qual as compensações informadas pelo sujeito passivo não foram homologadas, tornando exigível a seguinte quantia:
R$ 15.529.241,42 + R$ 3.105.848,27 + R$ 4.939.219,31 = R$ 23.574.309,00 (total exigido)
Não satisfeita com o que foi deliberado, a pessoa jurídica impetrou Mandado de Segurança perante a 13ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, com pedido de liminar, em que postulou o provimento jurisdicional no sentido do cancelamento do Despacho Decisório acima aludido, para que seja proferida uma nova decisão administrativa considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações que pagaram as estimativas que formaram o saldo negativo de IRPJ de 2008. Segundo afiançado pela litigante, as compensações não homologadas ou parcialmente homologadas estão impugnadas na esfera administrativa, de modo que a existência ou não do saldo negativo de IRPJ de 2008 [...] está pendente de decisão final. Em 30/09/2015 foi proferida a decisão judicial, fls. 03/08, o que se deu na forma adiante transcrita:
Ante o exposto, confirmo a liminar deferida ao início, julgo procedente o pedido e concedo a segurança para tornar sem efeito o despacho decisório n° 087878620, proferido no Processo Administrativo n° 11080-903.666/2014-07, sem prejuízo de que nova decisão administrativa seja proferida com observância ao decidido neste mandamus relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da não-homologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e 39485.75159.281011.1.3.02-2320 (processo administrativo n° 11080-903.666/2014-07).
Ante o ocorrido, deliberou a unidade administrativa jurisdicionante da pessoa jurídica por intimar o sujeito passivo a justificar a divergência encontrada na DIPJ/2009, mais precisamente no que se refere ao valor do imposto de renda pago por estimativa. Na Ficha 12A, Linha 18, consta o valor de R$ 95.982.823,23, enquanto na Ficha 11, Linha 06, foi observado o registro da quantia de R$ 82.035.651,20. É o que consta na Intimação DRF/POA/SEORT nº 826/2016, fl. 173.
Em resposta, fls. 180/182, a pessoa jurídica informou que as estimativas foram quitadas por recolhimentos que alcançaram o montante de R$ 32.315.621,76 e por compensações no valor de R$ 61.982.823,23. Que o montante total das estimativas a serem consideradas na aferição do saldo negativo foi de R$ 95.982.823,23. Que o valor efetivamente recolhido por estimativa foi aquele informado na Linha 18 da Ficha 12A, enquanto o valor apontado na Linha 06 da Ficha 11, período de dezembro, corresponde ao somatório dos valores mensais de IRPJ efetivamente devidos no ano-calendário 2008, e não ao valor recolhido a título de estimativa naquele ano.
Tendo por concluídos os trabalhos, a autoridade fazendária promoveu a edição do Despacho Decisório nº 498, de 02/06/2016, fls. 210/213.
Consignou que ao cotejar os documentos que instruíram a resposta da pessoa jurídica verificou a existência de recolhimentos com o código de receita 2362 no montante de R$ 34.315.621,76, relacionados às estimativas dos meses de outubro/2008 a dezembro/2008, valor esse que é superior às estimativas mensais registradas na DIPJ/2009. Os pagamentos foram confirmados nos sistemas de controle interno. Em consulta ao Sistema SIEF PER/DCOMP, contudo, não logrou localizar nenhum PER/DCOMP correspondente aos recolhimentos que teriam sido efetivados em valores maiores que devidos.
Tecida essa consideração, concluiu pelo pagamento de estimativas de IRPJ no valor de R$ 34.315.621,76 e de compensações confirmadas de estimativas de R$ 25.058.982,48, chegando a um montante de IRPJ pago por estimativas de R$ 59.374.604,24, em razão do que, ao invés da existência de saldo negativo, encontrou um IRPJ a pagar no total de R$ 21.123.539,56, procedimento que foi sintetizado na planilha que se segue:
Nesse contexto, a nova decisão administrativa (que não divergiu da primeira, registre-se) foi no sentido da não homologação das compensações relacionadas ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2008. Por outro lado, manteve suspensa a exigibilidade dos débitos apresentados para compensação em razão do disposto na sentença exarada no Mandado de Segurança [...].A notificação da pessoa jurídica se deu por meio de consulta ao seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), ocorrida no dia 03/06/2016, fl. 215.
Como verificado à fl. 248, em 04/07/2016 a interessada solicitou a juntada da Manifestação de Inconformidade, fls. 249/264, e dos respectivos documentos que a instruem, fls. 266/1232.
Iniciou suas considerações discorrendo sobre os fatos considerados pela autoridade fiscal, reiterando existência do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.484.679,43, decorrente majoritariamente do pagamento de estimativas e de retenções ocorridas ao longo do ano-calendário 2008, valor que serviu para a compensação de débitos de sua responsabilidade, promovida pela apresentação dos PER/DCOMPs de nºs 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e 39485.75159.281011.1.3.02-2320, tendo sido surpreendida pela decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório informado e, por consequência, não homologou as compensações, o que se deu em razão de o Fisco haver desconsiderado na determinação do saldo negativo as parcelas das estimativas cujas compensações não foram homologadas ou o foram de forma parcial.
Entretanto, todas as acima mencionadas decisões administrativas foram contestadas pela pessoa jurídica interessada, que apresentou manifestações de inconformidade em relação a todas elas, de modo que a existência ou não do saldo negativo de IRPJ de 2008 ainda não estava definitivamente solucionada, o que a levou a impetrar o antes referido Mandado de Segurança, requerendo o cancelamento do Despacho Decisório, para que nova decisão administrativa fosse proferida considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações que pagaram as estimativas que formaram o saldo negativo em questão. Ato contínuo, foi proferida Sentença que concedeu integralmente a segurança, tornando sem efeito o Despacho Decisório 087878620, para que nova decisão administrativa fosse proferida considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações relacionadas às estimativas que entraram no cômputo do saldo negativo do ano-calendário 2008. A União deixou de oferecer apelo, enquanto a remessa oficial teve provimento negado, com a manutenção da Sentença por parte da 2ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região.
Em que pese tenha oferecido resposta à intimação fiscal, em que entende haver comprovado de forma cabal que o valor de estimativa recolhido ao longo do ano de 2008 foi significativamente superior ao efetivamente devido, a Receita Federal expediu o Despacho Decisório nº 498/2016, no qual se insurgiu contra a existência do saldo negativo, em razão do que a decisão administrativa em tela não homologou as compensações constantes dos PER/DCOMPs, mas em suposto cumprimento à decisão judicial [...] determinou a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários decorrentes desta não homologação. Ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade dos débitos, a decisão administrativa acabou por indevidamente antecipar o julgamento de mérito do saldo negativo de 2008, que é objeto de discussão por meio dos processos administrativos de nºs 11080.908.329/2013-17; 11080.908.988/2011-91; 11080.907.411/2013-24; 11080-903.611/2012-27; 11080-903.615/2012-13; 11686.000079/2009-70; 11080.901050/2010-60; 11080.918667/2011-03; 11080.901051/2010-12; 11080-03.612/2012-71; 11080-903.613/2012-16; 11080-903.815/2013-49. Isso porque, conforme adiantado, a desconsideração de parte dos recolhimentos de estimativas decorreu do fato de não haverem sido consideradas quitações realizadas por meio de compensações que se encontram em discussão nestes processos administrativos listados. Para a defendente, não poderia a Autoridade Fiscal ignorar os pagamentos de estimativas efetuados mediante compensações sob discussão administrativa, seja (i) pelo efeito suspensivo previsto no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, combinado com o inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (ii) pela aplicação subsidiária do art. 313, V, a do Novo Código de Processo Civil, que determina a suspensão de um processo no caso de a respectiva solução depender do desfecho de outro processo, ou, ainda (iii) porque foram equivocados os despachos decisórios que não homologaram as compensações das estimativas em questão. Na sequência, buscou demonstrar a correção de seu ponto de vista.
Pontuou que muito antes da emissão do Despacho Decisório combatido nesta Manifestação, as tais compensações não homologadas ou parcialmente homologadas foram todas objeto de manifestações de inconformidade pela Manifestante, dando início a decisões administrativas que ainda se encontram pendentes de decisão final, assertiva que se mostrou acompanhada de demonstrativos que relacionam os processos e a fase atual em que se encontram.
Evidente, portanto, que o destino do saldo negativo neste processo discutido será decidido nos processos pela defendente relacionados, influenciando diretamente na decisão a ser aqui adotada, o que, por si só, já demanda o sobrestamento/suspensão da presente lide. Sob a temática Da Necessidade de Suspensão do Presente Processo Administrativo por Pendência de Questão Prejudicial Até o Efetivo Julgamento dos Processos Que Discutem a Formação do Saldo Negativo de IRPJ 2009 a manifestante passou a explorar com mais profundidade a situação em discussão, trazendo à baila ensinamentos doutrinários de consagrados autores, acerca do que pode ser considerado uma questão prejudicial, arrematando no sentido de que é exatamente disso que se está tratando: a solução das controvérsias envolvendo as compensações de estimativas de IRPJ são um antecedente lógico à solução da compensação realizada com saldo negativo de IRPJ, na medida em que somente haverá saldo negativo se forem homologas as compensações das estimativas.
Ainda que o ato administrativo combatido tenha suspendido a exigibilidade dos débitos decorrentes da não homologação, ignorou por completo o fato de o crédito utilizado nas compensações permanecer em discussão na esfera administrativa. Ao considerá-lo não pago, antecipou sem qualquer fundamento legal o julgamento de mérito dos processos administrativo em que são discutidas justamente as compensações das estimativas de 2008.
Tendo assim procedido, a autoridade fazendária descumpriu o provimento jurisdicional que determinou a suspensão da análise das compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ [...].O sobrestamento do julgamento do presente processo representa a única medida a ser adotada no caso concreto para atender ao princípio da eficiência administrativa, previsto no caput do art. 2º da Lei nº 9.784/99 e na própria Constituição Federal em seu art. 37.
O CARF tem se mostrado sensível a situações como a presente e determinado o sobrestamento do processo prejudicado, como já foi decidido pela 4ª Câmara da 2º Turma Ordinária.
Forçoso ainda concluir que presente processo deve ser suspenso com base no disposto pelo art. 313, V, a do Novo Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal.
Ao final de tudo, requereu que:
- seja suspenso o presente Processo Administrativo até o efetivo julgamento dos processos n° 11080.908.329/2013-17; 11080.908.988/2011-91; 11080-907.411/2013-24, 11080-903.611/2012-27; 11080-903.615/2012-13; 11686.000079/2009-70; 11080.901050/2010-60; 11080.918667/2011-03; 11080.901051/2010-12; 11080-903.612/2012-71; 11080-903.613/2012-16; 11080-903.815/2013-49, uma vez que a existência dos créditos de saldo negativo de 1RPJ analisados no Despacho Decisório em exame só será definitivamente conhecida após as decisões finais dos referido processos;
- posteriormente, seja reformado o Despacho Decisório n° 498/2016, para que seja reconhecida a suficiência do saldo negativo de IRPJ para homologação da DCOMP n° 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e em seu desdobramento, DCOMP n° 39485.75159.281011.1.3.02-2320, uma vez que não foram apresentadas outras justificativas à não homologação da citada compensação que não aquelas relacionadas às compensações utilizadas no pagamento das estimativas que vieram a formar o saldo negativo pleiteado.
É o que se tem a relatar.
Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS ESTIMATIVAS COMPENSADAS. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, preliminarmente arguindo a nulidade do v. Acórdão recorrido, requerendo sua cassação, em suma, por ter violado decisão do Poder Judicial, bem como os princípios da inviolabilidade da coisa julgada e da segurança jurídicas, ao ter procedido ao julgamento e à análise do crédito em tela. Em relação ao mérito, assim como na sua primeira defesa, alega que a parcela controversa do crédito é referente a estimativas satisfeitas com outras compensações, cuja a homologação ainda está sob trâmite administrativo, não podendo simplesmente negar seu direito creditório, devendo-se suspender o trâmite do presente feito.
Ainda, apresentou-se às fls. 1316 e 1317 Petição requerendo a alteração da situação fiscal referente ao processo de cobrança nº 11080.903.729/2014-17 (relacionado ao presente) seja alterada, levando em consideração a suspensão da exigibilidade do débito correspondente à não homologação das DCOMPs sob debate e a previsão do art. 151 do CTN sobre as reclamações administrativas, bem como que tal débito não seja óbice à obtenção de Certidões de regularidade fiscal, não se promovendo qualquer medida de cobrança de tal crédito tributário.
Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar.
É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos dos processos nºs. 11080.908.329/2013-17; 11080.908.988/2011-91; 11080-907.411/2013-24; 11080-903.611/2012-27; 11080-903.615/2012-13; 11686.000079/2009-70; 11080.901050/2010-60; 11080.918667/2011-03; 11080.901051/2010-12; 11080-903.612/2012-71; 11080-903.613/2012-16; 11080-903.815/2013-49, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1256 a 1315) interposto contra v. Acórdão (fls. 1238 a 1250) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 249 a 265), mantendo o r. Despacho Decisório nº 498/2016 (fls. 210 a 213) que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2008, utilizado em DCOMP transmitida em 2011, proferido em obediência à decisão judicial exarada no Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.4.04.7100/RS, a qual tornou sem efeito o Despacho Decisório nº 087878620 (fls. 10) anterior, determinando que nova decisão administrativa seja proferida com observância ao decidido neste mandamus relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da não homologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e 39485.75159.281011.1.3.02-2320 (fls. 03 a 08). Em resumo, o crédito pretendido pela Contribuinte no presente feito foi utilizado na DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.02-8259, referente a saldo negativo, na monta de R$ 15.484.679,43, formado por retenções na fonte e estimativas, pagas e compensadas. Como resta claro no r. Despacho Decisório recorrido, a única motivação para a não homologação do crédito pleiteado pela ora Recorrente é a divergência em relação aos valores de estimativas quitadas com compensações. De um total de R$ 61.667.201,47 de estimativas compensadas, apenas homologou-se o valor de R$ 25.058.982,48, resultando em uma diminuição de R$ 36.608.218,99 no cálculo declarado. Em razão de tal divergência sobre a quitação de antecipações, para a Unidade Local, ao invés de um saldo negativo de R$ 15.484.679,43, a Contribuinte, no período, teria apresentado saldo devedor de IRPJ de R$ 21.123.539,56. Tal valor de estimativas saldadas por compensações não homologadas é objeto de inúmeras outras contendas administravas, ainda não findadas. Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 087878620, fl. 10, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.02-8259, fls. 11/25, concernente ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2008, exercício 2009, o que se deu na forma a seguir reproduzida: A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 15.484.679,43, o qual não foi reconhecido pela autoridade administrativa competente para a apreciação da matéria. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Estimativas Compensadas SNPE: R$ 20.214.614,73 (valor informado) R$ 9.287.560,53 (valor reconhecido) = R$ 10.927.054,20 (valor não reconhecido) Demais Estimativas Compensadas: R$ 41.452.586,77 (valor informado) R$ 15.771.421,96 (valor reconhecido) = R$ 25.681.164,81 (valor não reconhecido) Dessa forma, como informado no despacho decisório, nenhum crédito foi reconhecido, razão pela qual as compensações informadas pelo sujeito passivo não foram homologadas, tornando exigível a seguinte quantia: R$ 15.529.241,42 + R$ 3.105.848,27 + R$ 4.939.219,31 = R$ 23.574.309,00 (total exigido) Não satisfeita com o que foi deliberado, a pessoa jurídica impetrou Mandado de Segurança perante a 13ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, com pedido de liminar, em que postulou o provimento jurisdicional no sentido do cancelamento do Despacho Decisório acima aludido, para que seja proferida uma nova decisão administrativa considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações que pagaram as estimativas que formaram o saldo negativo de IRPJ de 2008. Segundo afiançado pela litigante, as compensações não homologadas ou parcialmente homologadas estão impugnadas na esfera administrativa, de modo que a existência ou não do saldo negativo de IRPJ de 2008 [...] está pendente de decisão final. Em 30/09/2015 foi proferida a decisão judicial, fls. 03/08, o que se deu na forma adiante transcrita: Ante o exposto, confirmo a liminar deferida ao início, julgo procedente o pedido e concedo a segurança para tornar sem efeito o despacho decisório n° 087878620, proferido no Processo Administrativo n° 11080-903.666/2014-07, sem prejuízo de que nova decisão administrativa seja proferida com observância ao decidido neste mandamus relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da não-homologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e 39485.75159.281011.1.3.02-2320 (processo administrativo n° 11080-903.666/2014-07). Ante o ocorrido, deliberou a unidade administrativa jurisdicionante da pessoa jurídica por intimar o sujeito passivo a justificar a divergência encontrada na DIPJ/2009, mais precisamente no que se refere ao valor do imposto de renda pago por estimativa. Na Ficha 12A, Linha 18, consta o valor de R$ 95.982.823,23, enquanto na Ficha 11, Linha 06, foi observado o registro da quantia de R$ 82.035.651,20. É o que consta na Intimação DRF/POA/SEORT nº 826/2016, fl. 173. Em resposta, fls. 180/182, a pessoa jurídica informou que as estimativas foram quitadas por recolhimentos que alcançaram o montante de R$ 32.315.621,76 e por compensações no valor de R$ 61.982.823,23. Que o montante total das estimativas a serem consideradas na aferição do saldo negativo foi de R$ 95.982.823,23. Que o valor efetivamente recolhido por estimativa foi aquele informado na Linha 18 da Ficha 12A, enquanto o valor apontado na Linha 06 da Ficha 11, período de dezembro, corresponde ao somatório dos valores mensais de IRPJ efetivamente devidos no ano-calendário 2008, e não ao valor recolhido a título de estimativa naquele ano. Tendo por concluídos os trabalhos, a autoridade fazendária promoveu a edição do Despacho Decisório nº 498, de 02/06/2016, fls. 210/213. Consignou que ao cotejar os documentos que instruíram a resposta da pessoa jurídica verificou a existência de recolhimentos com o código de receita 2362 no montante de R$ 34.315.621,76, relacionados às estimativas dos meses de outubro/2008 a dezembro/2008, valor esse que é superior às estimativas mensais registradas na DIPJ/2009. Os pagamentos foram confirmados nos sistemas de controle interno. Em consulta ao Sistema SIEF PER/DCOMP, contudo, não logrou localizar nenhum PER/DCOMP correspondente aos recolhimentos que teriam sido efetivados em valores maiores que devidos. Tecida essa consideração, concluiu pelo pagamento de estimativas de IRPJ no valor de R$ 34.315.621,76 e de compensações confirmadas de estimativas de R$ 25.058.982,48, chegando a um montante de IRPJ pago por estimativas de R$ 59.374.604,24, em razão do que, ao invés da existência de saldo negativo, encontrou um IRPJ a pagar no total de R$ 21.123.539,56, procedimento que foi sintetizado na planilha que se segue: Nesse contexto, a nova decisão administrativa (que não divergiu da primeira, registre-se) foi no sentido da não homologação das compensações relacionadas ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2008. Por outro lado, manteve suspensa a exigibilidade dos débitos apresentados para compensação em razão do disposto na sentença exarada no Mandado de Segurança [...].A notificação da pessoa jurídica se deu por meio de consulta ao seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), ocorrida no dia 03/06/2016, fl. 215. Como verificado à fl. 248, em 04/07/2016 a interessada solicitou a juntada da Manifestação de Inconformidade, fls. 249/264, e dos respectivos documentos que a instruem, fls. 266/1232. Iniciou suas considerações discorrendo sobre os fatos considerados pela autoridade fiscal, reiterando existência do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.484.679,43, decorrente majoritariamente do pagamento de estimativas e de retenções ocorridas ao longo do ano-calendário 2008, valor que serviu para a compensação de débitos de sua responsabilidade, promovida pela apresentação dos PER/DCOMPs de nºs 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e 39485.75159.281011.1.3.02-2320, tendo sido surpreendida pela decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório informado e, por consequência, não homologou as compensações, o que se deu em razão de o Fisco haver desconsiderado na determinação do saldo negativo as parcelas das estimativas cujas compensações não foram homologadas ou o foram de forma parcial. Entretanto, todas as acima mencionadas decisões administrativas foram contestadas pela pessoa jurídica interessada, que apresentou manifestações de inconformidade em relação a todas elas, de modo que a existência ou não do saldo negativo de IRPJ de 2008 ainda não estava definitivamente solucionada, o que a levou a impetrar o antes referido Mandado de Segurança, requerendo o cancelamento do Despacho Decisório, para que nova decisão administrativa fosse proferida considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações que pagaram as estimativas que formaram o saldo negativo em questão. Ato contínuo, foi proferida Sentença que concedeu integralmente a segurança, tornando sem efeito o Despacho Decisório 087878620, para que nova decisão administrativa fosse proferida considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações relacionadas às estimativas que entraram no cômputo do saldo negativo do ano-calendário 2008. A União deixou de oferecer apelo, enquanto a remessa oficial teve provimento negado, com a manutenção da Sentença por parte da 2ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região. Em que pese tenha oferecido resposta à intimação fiscal, em que entende haver comprovado de forma cabal que o valor de estimativa recolhido ao longo do ano de 2008 foi significativamente superior ao efetivamente devido, a Receita Federal expediu o Despacho Decisório nº 498/2016, no qual se insurgiu contra a existência do saldo negativo, em razão do que a decisão administrativa em tela não homologou as compensações constantes dos PER/DCOMPs, mas em suposto cumprimento à decisão judicial [...] determinou a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários decorrentes desta não homologação. Ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade dos débitos, a decisão administrativa acabou por indevidamente antecipar o julgamento de mérito do saldo negativo de 2008, que é objeto de discussão por meio dos processos administrativos de nºs 11080.908.329/2013-17; 11080.908.988/2011-91; 11080.907.411/2013-24; 11080-903.611/2012-27; 11080-903.615/2012-13; 11686.000079/2009-70; 11080.901050/2010-60; 11080.918667/2011-03; 11080.901051/2010-12; 11080-03.612/2012-71; 11080-903.613/2012-16; 11080-903.815/2013-49. Isso porque, conforme adiantado, a desconsideração de parte dos recolhimentos de estimativas decorreu do fato de não haverem sido consideradas quitações realizadas por meio de compensações que se encontram em discussão nestes processos administrativos listados. Para a defendente, não poderia a Autoridade Fiscal ignorar os pagamentos de estimativas efetuados mediante compensações sob discussão administrativa, seja (i) pelo efeito suspensivo previsto no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, combinado com o inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (ii) pela aplicação subsidiária do art. 313, V, a do Novo Código de Processo Civil, que determina a suspensão de um processo no caso de a respectiva solução depender do desfecho de outro processo, ou, ainda (iii) porque foram equivocados os despachos decisórios que não homologaram as compensações das estimativas em questão. Na sequência, buscou demonstrar a correção de seu ponto de vista. Pontuou que muito antes da emissão do Despacho Decisório combatido nesta Manifestação, as tais compensações não homologadas ou parcialmente homologadas foram todas objeto de manifestações de inconformidade pela Manifestante, dando início a decisões administrativas que ainda se encontram pendentes de decisão final, assertiva que se mostrou acompanhada de demonstrativos que relacionam os processos e a fase atual em que se encontram. Evidente, portanto, que o destino do saldo negativo neste processo discutido será decidido nos processos pela defendente relacionados, influenciando diretamente na decisão a ser aqui adotada, o que, por si só, já demanda o sobrestamento/suspensão da presente lide. Sob a temática Da Necessidade de Suspensão do Presente Processo Administrativo por Pendência de Questão Prejudicial Até o Efetivo Julgamento dos Processos Que Discutem a Formação do Saldo Negativo de IRPJ 2009 a manifestante passou a explorar com mais profundidade a situação em discussão, trazendo à baila ensinamentos doutrinários de consagrados autores, acerca do que pode ser considerado uma questão prejudicial, arrematando no sentido de que é exatamente disso que se está tratando: a solução das controvérsias envolvendo as compensações de estimativas de IRPJ são um antecedente lógico à solução da compensação realizada com saldo negativo de IRPJ, na medida em que somente haverá saldo negativo se forem homologas as compensações das estimativas. Ainda que o ato administrativo combatido tenha suspendido a exigibilidade dos débitos decorrentes da não homologação, ignorou por completo o fato de o crédito utilizado nas compensações permanecer em discussão na esfera administrativa. Ao considerá-lo não pago, antecipou sem qualquer fundamento legal o julgamento de mérito dos processos administrativo em que são discutidas justamente as compensações das estimativas de 2008. Tendo assim procedido, a autoridade fazendária descumpriu o provimento jurisdicional que determinou a suspensão da análise das compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ [...].O sobrestamento do julgamento do presente processo representa a única medida a ser adotada no caso concreto para atender ao princípio da eficiência administrativa, previsto no caput do art. 2º da Lei nº 9.784/99 e na própria Constituição Federal em seu art. 37. O CARF tem se mostrado sensível a situações como a presente e determinado o sobrestamento do processo prejudicado, como já foi decidido pela 4ª Câmara da 2º Turma Ordinária. Forçoso ainda concluir que presente processo deve ser suspenso com base no disposto pelo art. 313, V, a do Novo Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal. Ao final de tudo, requereu que: - seja suspenso o presente Processo Administrativo até o efetivo julgamento dos processos n° 11080.908.329/2013-17; 11080.908.988/2011-91; 11080-907.411/2013-24, 11080-903.611/2012-27; 11080-903.615/2012-13; 11686.000079/2009-70; 11080.901050/2010-60; 11080.918667/2011-03; 11080.901051/2010-12; 11080-903.612/2012-71; 11080-903.613/2012-16; 11080-903.815/2013-49, uma vez que a existência dos créditos de saldo negativo de 1RPJ analisados no Despacho Decisório em exame só será definitivamente conhecida após as decisões finais dos referido processos; - posteriormente, seja reformado o Despacho Decisório n° 498/2016, para que seja reconhecida a suficiência do saldo negativo de IRPJ para homologação da DCOMP n° 03856.03102.060611.1.7.02-8259 e em seu desdobramento, DCOMP n° 39485.75159.281011.1.3.02-2320, uma vez que não foram apresentadas outras justificativas à não homologação da citada compensação que não aquelas relacionadas às compensações utilizadas no pagamento das estimativas que vieram a formar o saldo negativo pleiteado. É o que se tem a relatar. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS ESTIMATIVAS COMPENSADAS. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, preliminarmente arguindo a nulidade do v. Acórdão recorrido, requerendo sua cassação, em suma, por ter violado decisão do Poder Judicial, bem como os princípios da inviolabilidade da coisa julgada e da segurança jurídicas, ao ter procedido ao julgamento e à análise do crédito em tela. Em relação ao mérito, assim como na sua primeira defesa, alega que a parcela controversa do crédito é referente a estimativas satisfeitas com outras compensações, cuja a homologação ainda está sob trâmite administrativo, não podendo simplesmente negar seu direito creditório, devendo-se suspender o trâmite do presente feito. Ainda, apresentou-se às fls. 1316 e 1317 Petição requerendo a alteração da situação fiscal referente ao processo de cobrança nº 11080.903.729/2014-17 (relacionado ao presente) seja alterada, levando em consideração a suspensão da exigibilidade do débito correspondente à não homologação das DCOMPs sob debate e a previsão do art. 151 do CTN sobre as reclamações administrativas, bem como que tal débito não seja óbice à obtenção de Certidões de regularidade fiscal, não se promovendo qualquer medida de cobrança de tal crédito tributário. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos dos processos nºs. 11080.908.329/201317; 11080.908.988/2011 91; 11080907.411/201324; 11080903.611/201227; 11080903.615/201213; 11686.000079/200970; 11080.901050/201060; 11080.918667/201103; 11080.901051/2010 12; 11080903.612/201271; 11080903.613/201216; 11080903.815/201349, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 66 6/ 20 14 -0 7 Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.319 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1256 a 1315) interposto contra v. Acórdão (fls. 1238 a 1250) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 249 a 265), mantendo o r. Despacho Decisório nº 498/2016 (fls. 210 a 213) que expressamente deixou de reconhecer, integralmente, o suposto crédito de IRPJ oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2008, utilizado em DCOMP transmitida em 2011, proferido em obediência à decisão judicial exarada no Mandado de Segurança nº 5072017 49.2014.4.04.7100/RS, a qual tornou sem efeito o Despacho Decisório nº 087878620 (fls. 10) anterior, determinando que nova decisão administrativa seja proferida com observância ao decidido neste mandamus relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da não homologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.022320 (fls. 03 a 08). Em resumo, o crédito pretendido pela Contribuinte no presente feito foi utilizado na DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.028259, referente a saldo negativo, na monta de R$ 15.484.679,43, formado por retenções na fonte e estimativas, pagas e compensadas. Como resta claro no r. Despacho Decisório recorrido, a única motivação para a não homologação do crédito pleiteado pela ora Recorrente é a divergência em relação aos valores de estimativas quitadas com compensações. De um total de R$ 61.667.201,47 de estimativas compensadas, apenas homologouse o valor de R$ 25.058.982,48, resultando em uma diminuição de R$ 36.608.218,99 no cálculo declarado. Em razão de tal divergência sobre a quitação de antecipações, para a Unidade Local, ao invés de um saldo negativo de R$ 15.484.679,43, a Contribuinte, no período, teria apresentado saldo devedor de IRPJ de R$ 21.123.539,56. Tal valor de estimativas saldadas por compensações não homologadas é objeto de inúmeras outras contendas administravas, ainda não findadas. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Temse no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 087878620, fl. 10, tratandose de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.028259, fls. 11/25, concernente ao saldo Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.320 3 negativo de IRPJ do anocalendário 2008, exercício 2009, o que se deu na forma a seguir reproduzida: A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 15.484.679,43, o qual não foi reconhecido pela autoridade administrativa competente para a apreciação da matéria. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Estimativas Compensadas SNPE: R$ 20.214.614,73 (valor informado) – R$ 9.287.560,53 (valor reconhecido) = R$ 10.927.054,20 (valor não reconhecido) Demais Estimativas Compensadas: R$ 41.452.586,77 (valor informado) – R$ 15.771.421,96 (valor reconhecido) = R$ 25.681.164,81 (valor não reconhecido) Dessa forma, como informado no despacho decisório, nenhum crédito foi reconhecido, razão pela qual as compensações informadas pelo sujeito passivo não foram homologadas, tornando exigível a seguinte quantia: R$ 15.529.241,42 + R$ 3.105.848,27 + R$ 4.939.219,31 = R$ 23.574.309,00 (total exigido) Não satisfeita com o que foi deliberado, a pessoa jurídica impetrou Mandado de Segurança perante a 13ª Vara Federal de Porto Alegre/RS, com pedido de liminar, em que postulou o provimento jurisdicional no sentido do cancelamento do Despacho Decisório acima aludido, para que seja proferida uma nova decisão administrativa “considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações que pagaram as estimativas que formaram o saldo negativo de IRPJ de 2008”. Segundo afiançado pela litigante, as compensações não homologadas ou parcialmente homologadas estão impugnadas na esfera administrativa, de modo que a existência ou não do saldo negativo de IRPJ de 2008 [...] “está pendente de decisão final”. Em 30/09/2015 foi proferida a decisão judicial, fls. 03/08, o que se deu na forma adiante transcrita: Ante o exposto, confirmo a liminar deferida ao início, julgo procedente o pedido e concedo a segurança para tornar sem efeito o despacho decisório n° 087878620, proferido no Processo Administrativo n° 11080903.666/201407, sem prejuízo de que nova decisão Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.321 4 administrativa seja proferida com observância ao decidido neste “mandamus” relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da nãohomologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.022320 (processo administrativo n° 11080903.666/201407). Ante o ocorrido, deliberou a unidade administrativa jurisdicionante da pessoa jurídica por intimar o sujeito passivo a justificar a divergência encontrada na DIPJ/2009, mais precisamente no que se refere ao valor do imposto de renda pago por estimativa. Na Ficha 12A, Linha 18, consta o valor de R$ 95.982.823,23, enquanto na Ficha 11, Linha 06, foi observado o registro da quantia de R$ 82.035.651,20. É o que consta na Intimação DRF/POA/SEORT nº 826/2016, fl. 173. Em resposta, fls. 180/182, a pessoa jurídica informou que as estimativas foram quitadas por recolhimentos que alcançaram o montante de R$ 32.315.621,76 e por compensações no valor de R$ 61.982.823,23. Que o montante total das estimativas a serem consideradas na aferição do saldo negativo foi de R$ 95.982.823,23. Que o valor efetivamente recolhido por estimativa foi aquele informado na Linha 18 da Ficha 12A, enquanto o valor apontado na Linha 06 da Ficha 11, período de dezembro, corresponde ao somatório dos valores mensais de IRPJ efetivamente devidos no anocalendário 2008, e não ao valor recolhido a título de estimativa naquele ano. Tendo por concluídos os trabalhos, a autoridade fazendária promoveu a edição do Despacho Decisório nº 498, de 02/06/2016, fls. 210/213. Consignou que ao cotejar os documentos que instruíram a resposta da pessoa jurídica verificou a existência de recolhimentos com o código de receita 2362 no montante de R$ 34.315.621,76, relacionados às estimativas dos meses de outubro/2008 a dezembro/2008, valor esse que é superior às estimativas mensais registradas na DIPJ/2009. Os pagamentos foram confirmados nos sistemas de controle interno. Em consulta ao Sistema SIEF PER/DCOMP, contudo, não logrou localizar nenhum PER/DCOMP correspondente aos recolhimentos que teriam sido efetivados em valores maiores que devidos. Tecida essa consideração, concluiu pelo “pagamento de estimativas de IRPJ no valor de R$ 34.315.621,76 e de compensações confirmadas de estimativas de R$ 25.058.982,48, chegando a um montante de IRPJ pago por estimativas de R$ 59.374.604,24”, em razão do que, ao invés da existência de saldo negativo, encontrou um IRPJ a pagar no total de R$ 21.123.539,56, procedimento que foi sintetizado na planilha que se segue: Nesse contexto, a nova decisão administrativa (que não divergiu da primeira, registrese) foi no sentido da não homologação das Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.322 5 compensações relacionadas ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2008. Por outro lado, manteve “suspensa a exigibilidade dos débitos apresentados para compensação em razão do disposto na sentença exarada no Mandado de Segurança [...]”.A notificação da pessoa jurídica se deu por meio de consulta ao seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), ocorrida no dia 03/06/2016, fl. 215. Como verificado à fl. 248, em 04/07/2016 a interessada solicitou a juntada da Manifestação de Inconformidade, fls. 249/264, e dos respectivos documentos que a instruem, fls. 266/1232. Iniciou suas considerações discorrendo sobre os fatos considerados pela autoridade fiscal, reiterando existência do saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.484.679,43, decorrente majoritariamente do pagamento de estimativas e de retenções ocorridas ao longo do ano calendário 2008, valor que serviu para a compensação de débitos de sua responsabilidade, promovida pela apresentação dos PER/DCOMPs de nºs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.022320, tendo sido surpreendida pela decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório informado e, por consequência, não homologou as compensações, o que se deu em razão de o Fisco haver desconsiderado na determinação do saldo negativo as parcelas das estimativas cujas compensações não foram homologadas ou o foram de forma parcial. Entretanto, todas as acima mencionadas decisões administrativas foram contestadas pela pessoa jurídica interessada, que apresentou manifestações de inconformidade em relação a todas elas, “de modo que a existência ou não do saldo negativo de IRPJ de 2008 ainda não estava definitivamente solucionada”, o que a levou a impetrar o antes referido Mandado de Segurança, “requerendo o cancelamento do Despacho Decisório, para que nova decisão administrativa fosse proferida considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações que pagaram as estimativas que formaram o saldo negativo em questão”. Ato contínuo, foi proferida Sentença que concedeu integralmente a segurança, tornando sem efeito o Despacho Decisório 087878620, para que nova decisão administrativa fosse proferida considerando o efeito suspensivo da discussão administrativa das compensações relacionadas às estimativas que entraram no cômputo do saldo negativo do anocalendário 2008. A União deixou de oferecer apelo, enquanto a remessa oficial teve provimento negado, com a manutenção da Sentença por parte da 2ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região. Em que pese tenha oferecido resposta à intimação fiscal, em que entende haver “comprovado de forma cabal que o valor de estimativa recolhido ao longo do ano de 2008 foi significativamente superior ao efetivamente devido, a Receita Federal expediu o Despacho Decisório nº 498/2016, no qual se insurgiu contra a existência do saldo negativo”, em razão do que a decisão administrativa em tela não homologou as compensações constantes dos PER/DCOMPs, “mas em suposto cumprimento à decisão judicial [...] determinou a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários decorrentes desta não homologação”. Ainda que tenha havido a suspensão da exigibilidade dos débitos, a decisão administrativa acabou por indevidamente Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.323 6 antecipar o julgamento de mérito do saldo negativo de 2008, que é objeto de discussão por meio dos processos administrativos de nºs 11080.908.329/201317; 11080.908.988/201191; 11080.907.411/201324; 11080903.611/201227; 11080 903.615/201213; 11686.000079/200970; 11080.901050/201060; 11080.918667/201103; 11080.901051/201012; 1108003.612/2012 71; 11080903.613/201216; 11080903.815/201349. Isso porque, conforme adiantado, a desconsideração de parte dos recolhimentos de estimativas decorreu do fato de não haverem sido consideradas quitações realizadas por meio de compensações que se encontram em discussão nestes processos administrativos listados”. Para a defendente, “não poderia a Autoridade Fiscal ignorar os pagamentos de estimativas efetuados mediante compensações sob discussão administrativa, seja (i) pelo efeito suspensivo previsto no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, combinado com o inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, (ii) pela aplicação subsidiária do art. 313, V, a do Novo Código de Processo Civil, que determina a suspensão de um processo no caso de a respectiva solução depender do desfecho de outro processo, ou, ainda (iii) porque foram equivocados os despachos decisórios que não homologaram as compensações das estimativas em questão”. Na sequência, buscou demonstrar a correção de seu ponto de vista. Pontuou que “muito antes da emissão do Despacho Decisório combatido nesta Manifestação, as tais compensações não homologadas ou parcialmente homologadas foram todas objeto de manifestações de inconformidade pela Manifestante, dando início a decisões administrativas que ainda se encontram pendentes de decisão final”, assertiva que se mostrou acompanhada de demonstrativos que relacionam os processos e a fase atual em que se encontram. Evidente, portanto, que o destino do saldo negativo neste processo discutido será decidido nos processos pela defendente relacionados, influenciando diretamente na decisão a ser aqui adotada, “o que, por si só, já demanda o sobrestamento/suspensão da presente lide”. Sob a temática Da Necessidade de Suspensão do Presente Processo Administrativo por Pendência de Questão Prejudicial Até o Efetivo Julgamento dos Processos Que Discutem a Formação do Saldo Negativo de IRPJ 2009 a manifestante passou a explorar com mais profundidade a situação em discussão, trazendo à baila ensinamentos doutrinários de consagrados autores, acerca do que pode ser considerado uma questão prejudicial, arrematando no sentido de que “é exatamente disso que se está tratando: a solução das controvérsias envolvendo as compensações de estimativas de IRPJ são um antecedente lógico à solução da compensação realizada com saldo negativo de IRPJ, na medida em que somente haverá saldo negativo se forem homologas as compensações das estimativas”. Ainda que o ato administrativo combatido tenha suspendido a exigibilidade dos débitos decorrentes da não homologação, ignorou por completo o fato de o crédito utilizado nas compensações permanecer em discussão na esfera administrativa. Ao considerálo não pago, antecipou sem qualquer fundamento legal o julgamento de mérito dos processos administrativo em que são discutidas justamente as compensações das estimativas de 2008. Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.324 7 Tendo assim procedido, a autoridade fazendária “descumpriu o provimento jurisdicional que determinou a suspensão da análise das compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ [...]”.O sobrestamento do julgamento do presente processo representa a única medida a ser adotada no caso concreto para atender ao princípio da eficiência administrativa, previsto no caput do art. 2º da Lei nº 9.784/99 e na própria Constituição Federal em seu art. 37. O CARF tem se mostrado sensível a situações como a presente e determinado o sobrestamento do processo prejudicado, como já foi decidido pela 4ª Câmara da 2º Turma Ordinária. Forçoso ainda concluir que presente processo deve ser suspenso com base no disposto pelo art. 313, V, “a” do Novo Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal. Ao final de tudo, requereu que: seja suspenso o presente Processo Administrativo até o efetivo julgamento dos processos n° 11080.908.329/201317; 11080.908.988/201191; 11080907.411/201324, 11080 903.611/201227; 11080903.615/201213; 11686.000079/200970; 11080.901050/201060; 11080.918667/201103; 11080.901051/2010 12; 11080903.612/201271; 11080903.613/201216; 11080 903.815/201349, uma vez que a existência dos créditos de saldo negativo de 1RPJ analisados no Despacho Decisório em exame só será definitivamente conhecida após as decisões finais dos referido processos; posteriormente, seja reformado o Despacho Decisório n° 498/2016, para que seja reconhecida a suficiência do saldo negativo de IRPJ para homologação da DCOMP n° 03856.03102.060611.1.7.028259 e em seu desdobramento, DCOMP n° 39485.75159.281011.1.3.022320, uma vez que não foram apresentadas outras justificativas à não homologação da citada compensação que não aquelas relacionadas às compensações utilizadas no pagamento das estimativas que vieram a formar o saldo negativo pleiteado. É o que se tem a relatar. Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS ESTIMATIVAS COMPENSADAS. QUESTÃO PENDENTE DE Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.325 8 JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, preliminarmente arguindo a nulidade do v. Acórdão recorrido, requerendo sua cassação, em suma, por ter violado decisão do Poder Judicial, bem como os princípios da inviolabilidade da coisa julgada e da segurança jurídicas, ao ter procedido ao julgamento e à análise do crédito em tela. Em relação ao mérito, assim como na sua primeira defesa, alega que a parcela controversa do crédito é referente a estimativas satisfeitas com outras compensações, cuja a homologação ainda está sob trâmite administrativo, não podendo simplesmente negar seu direito creditório, devendose suspender o trâmite do presente feito. Ainda, apresentouse às fls. 1316 e 1317 Petição requerendo a alteração da situação fiscal referente ao processo de cobrança nº 11080.903.729/201417 (relacionado ao presente) seja alterada, levando em consideração a suspensão da exigibilidade do débito correspondente à não homologação das DCOMPs sob debate e a previsão do art. 151 do CTN sobre as reclamações administrativas, bem como que tal débito não seja óbice à obtenção de Certidões de regularidade fiscal, não se promovendo qualquer medida de cobrança de tal crédito tributário. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.326 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, como relatado, alega a Recorrente que seria nulo o v. Acórdão e este deveria ser cassado, determinandose a prolatação de novo julgado, mas apenas após o trânsito em julgado administrativo dos processos que debatem a homologação da compensação das estimativas que formaram o crédito sob averiguação. Nesse sentido, em suma, aduz a Contribuinte que por força das decisões proferidas no autos do Mandado de Segurança nº 07201749.2014.4.04.7100, não deveria ter prosseguido o presente processo administrativo, o que representaria o desrespeito à consignação feita pelo N. Juízo Federal sobre a observância pela Administração Tribuária da suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da nãohomologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.02232. E, da mesma forma, ao julgar a Manifestação de Inconformidade, denegando a homologação das compensações pretendidas nestes autos, antes do desfecho dos demais processos administrativos que tratam das compensações das estimativas que formaram o saldo negativo que aqui embasa o crédito pretendido, também incorreuse em desrespeito à ordem judicial, o que revelaria sua nulidade. Para maior clareza e precisão na delimitação desta matéria preliminar, confirase seu trecho conclusivo, extraído do próprio Apelo: Ao dar impulso ao presente processo, a DRJ de Fortaleza está criando condições para que não seja mantida a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários compensados por meio dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.02 2320, ante a possibilidade de que este processo receba análise pelo CARF anteriormente aos processos em que examinada a quaestio Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.327 10 prejudicialis (compensações das estimativas consideradas na apuração do saldo negativo). Se a inobservância da decisão judicial nos autos do mandamus n° 5072017 49.2014.4.04.7100 pelo Despacho Decisório, especialmente, no que se refere à questão prejudicial, foi sutil e poderia ser justificada, em especial, pelo risco de homologação tácita das compensações tratadas no presente, o desrespeito à coisa julgada pelo acórdão da DRJ, nesse ponto, é gritante. Não poderia jamais terse prosseguido na análise das compensações com o julgamento da Manifestação de Inconformidade, ante o risco que gera à manutenção da suspensão da exigibilidade dos créditos compensados nos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.022320, determinada por acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região com autoridade de coisa julgada. Reprisese, diferentemente do despacho decisório, o acórdão recorrido não determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto do presente processo, de modo que, não fosse a interposição do presente recursos, estes findariam com sua exigibilidade plena, em absoluta contrariedade à decisão com força de coisa julgada. Ou seja, não estamos somente diante de um desserviço à maquina pública, veiculado por meio de uma decisão que ignora uma questão prejudicial e que pode gerar incoerência entre decisões em processos administrativos conexos, mas diante de um desrespeito a um dos princípios mais caros ao Estado de Direito: a inviolabilidade da coisa julgada, enquanto refração do princípio da segurança jurídica (art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal). (fls. 1272 a 1273) Pois bem, consideradas as ilações e arguições da Recorrente, em termos objetivos e concretos, é certo que assim se decidiu na sentença proferida pelo MM. Juízo da N. 13º Vara da Justiça Federal de Porto Alegre/RS (confirmada no E. TRF da 4ª Região, sem reparos ou acréscimos): III. Dispositivo Ante o exposto. confirmo a liminar deferida ao início, julgo procedente o pedido e concedo a segurança para tornar sem efeito o despacho decisório n° 087878620, proferido no Processo Administrativo nº 11080903.666/201407, sem prejuízo de que nova decisão administrativa seja proferida com observância ao decidido neste mandamus relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da nãohomologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.022320 (processo administrativo n° 11080903.666/201407). (destacamos fls. 1266) Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.328 11 Ora, claramente a ordem exarada pelo Poder Judiciário, de natureza mandamental, referese tão somente a tornar sem efeito o r. Despacho Decisório original (fls. 10), consignando, ao final, a possibilidade da prolatação de outro decisum de piso, o qual deveria apenas observar a suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da não homologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.022320. Frisese que a PER/DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.028259 é o objeto desse mesmo processo e não de outros. E, por sua vez, o PER/DCOMP nº 39485.75159.281011.1.3.022320 não é expressamente tratado neste feito ou mencionado em nenhuma decisão dessa contenda, esclarecendo, unilateralmente, a Contribuinte ser tal Declaração um desdobro daquela primeira, agora, então, sob análise. É claro que nada determinou aquele N. Juízo sobre como decidir em novo Despacho Decisório, além da observância da suspensão dos débitos referentes à própria DCOMP sob análise e não de outros, debatidos em outros feitos. E, de fato, a Autoridade Fiscal cumpriu tal determinação: 12. Diante de todo o exposto e com base na legislação, proponho que não seja reconhecido o direito creditório de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008, pleiteado na DCOMP nº 03856.03102.060611.1.7.028259, visto não ter sido apurado saldo negativo, mas IRPJ a pagar, considerando os requisitos de liquidez e certeza estabelecidos pelo artigo 170 da Lei nº 5.172/66 para o reconhecimento das compensações que seguem em discussão administrativa, mas com a suspensão da exigibilidade dos débitos apresentados para compensação em razão do disposto na sentença exarada do Mandado de Segurança nº 5072017 49.2014.4.04.7100/RS, “relativamente à suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da nãohomologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.02 8259 e 39485.75159.281011.1.3.022320”, (destacamos fls. 212) Como acima demonstrado, foi expressa e precisamente consignada no novo r. Despacho Decisório a suspensão dos créditos referentes à DCOMP sob análise e aquela outra, supostamente seu desdobro, nos termos da r. decisão judicial. E mesmo que em trechos da sentença mencionese que o crédito sob debate tem origem em estimativas compensadas, que estão sendo discutidas na esfera administrativa (processos nºs 11080.908.329/201317; 11080.908.988/201191; 11080907.411/201324; 11080903.611/201227; 11080903.615/201213; 11686.000079/200970; Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.329 12 11080.901050/201060; 11080.918667/201103; 11080.901051/201012; 11080 903.612/201271; 11080903.613/201216; 11080903.815/201349) e se encontram pendentes de julgamento definitivo, a ordem mandamental contida no dispositivo da sentença, que confirmou a segurança anteriormente concedida, não fez qualquer determinação impeditiva sobre o prosseguimento apreciação das compensações deste processo (muito pelo contrário) ou mesmo condicionou o desfecho desse feito administrativo à relação prejudicial com aqueles outros processos. Ainda, da mesma forma, nada mencionou o N. Juízo Federal, no seu decidir, sobre decisão a ser proferida pela Delegacia Regional Julgamento, caso o Despacho Decisório fosse questionado por Manifestação de Inconformidade da Contribuinte como, de fato, ocorreu. Lembrese que o prosseguimento dos processos administrativos fiscais dáse de ofício, com motivação ex lege, sendo elemento mandatório na atividade das Autoridades Tributárias responsáveis e competentes. Em resumo, a segurança concedida e confirmada pelo Poder Judiciário não possui a extensão e a abrangência descrita e pretendida nas alegações estampadas no Recurso Voluntário, tanto em relação ao prosseguimento deste processo administrativo, como em relação à suposta impossibilidade da apreciação da procedência do crédito e da homologação da compensação. Repitase, também nada tratou a r. sentença sobre limitações ou imposições ao decidir da DRJ e nem deste E. CARF. Analisando o v. Acórdão a quo recorrido independentemente da concordância ou não com seu teor jurisdicional este mostrase absolutamente hígido e regular, não detectandose qualquer vício que poderia ensejar sua nulidade. Mais importante que isso é o fato de não ser a apuração de eventual descumprimento de decisão judicial matéria a ser apurada em sede de Recurso Voluntário, pelos Julgadores deste E. CARF. Nesse sentido, ainda que, nos casos de dúvida do próprio Julgador sobre o dever de prosseguir ou não com o julgamento, poderseia buscar esclarecimentos por meio de diligência e solicitação de informações, quando os contribuintes entendem que determinado ato descumpriu decisão judicial, da qual figuram como tutelados, devese promover tal denúncia ao N. Juízo competente do Poder Judiciário. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.330 13 Não há notícia de qualquer manifestação ou decisão judicial sobre reconhecimento de descumprimento de tal ordem pela DRJ ou mesmo de afronta ao trânsito em julgado da referida Ação. Desse modo, afastase as alegações de nulidade e necessidade de cassação do v. Acórdão recorrido. Antes de qualquer análise do mérito, já passando ao enfrentamento do segundo tópico de alegações da Recorrente, é imperiosa a verificação de relação de conexão e prejudicialidade entre a presente contenda e os processos administrativos nºs 11080.908.329/201317; 11080.908.988/201191; 11080907.411/201324; 11080 903.611/201227; 11080903.615/201213; 11686.000079/200970; 11080.901050/201060; 11080.918667/201103; 11080.901051/201012; 11080903.612/201271; 11080 903.613/201216; 11080903.815/201349 fato esse largamente noticiado, inclusive no Mandado de Segurança impetrado pela Contribuinte, como se verificou acima. Nesse sentido, a dependência da procedência do crédito pretendido pela Recorrente nesse feito com a homologação das compensações das estimativas, objetos dos processos administrativos mencionados, não só é fato notório e inquestionável, como também foi a motivação para a denegação da DCOMP no r. Despachos Decisório e para a sua manutenção pela DRJ a quo. Confirase trecho do r. Despacho Decisório nesse sentido: 6. Assim, em relação às estimativas mensais compensadas, foi verificada a situação das compensações conforme constante do demonstrativo de fl. 209, sendo que do total de R$ 61.667.201,47 de estimativas compensadas, restou confirmado o valor de R$ 25.058.982,48, resultando em uma diminuição de R$ 36.608.218,99 em sua pretensão. Ressaltase que relativamente às declarações de compensação que seguem em discussão administrativa, já ocorreu a emissão de decisão administrativa em que ou não houve o reconhecimento de direito creditório pretendido ou foi reconhecido apenas parcialmente tal direito, de modo que, mesmo que esteja suspensa a exigibilidade dos débitos constantes de tais DCOMPs em razão da apresentação de recurso administrativo, por outro lado não se revestem os créditos neles apresentados dos atributos de liquidez e certeza necessários à efetivação da compensação. (fls. 211) E, ao seu turno, trecho do v. Acórdão recorrido da DRJ: Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.331 14 Portanto, tendo em conta o fato de já haver ocorrido o julgamento em primeira instância das questões relacionadas às estimativas (tratadas nos processos administrativos de nºs 11080.908.329/201317; 11080.908.988/201191, 11080907.411/201324, 11080 903.611/201227, 11080903.615/201213, 11686.000079/200970, 11080.901050/201060, 11080.918667/201103, 11080.901051/201012, 11080903.612/201271, 11080 903.613/201216 e 11080903.815/201349, em que foram consideradas improcedentes as manifestações de inconformidade pela empresa apresentadas), o que resta patente na atual conjuntura é a correção do despacho decisório contraditado. Claramente, temse aqui uma didática relação de dependência, na forma como leciona Fredie Didier Jr1, na medida que o fundamento causal e a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, é a homologação das outras Declarações de Compensação, que saldaram estimativas no ano calendário de 2008 (dando margem ao saldo negativo utilizado). Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. 1 A relação de dependência entre causas pendentes pode ocorrer de duas maneiras: a) uma causa é prejudicial a outra: a solução que se der a uma causa pode interferir na solução que se der a outra; b) uma causa é preliminar a outra: a solução que ser a uma pode impedir o exame da outra. (...) Essa visão autorizanos a concluir pela existência de conexão por prejudicialidade ou preliminaridade: se uma causa é prejudicial/preliminar a outra há conexão e a reunião se exige, respeitados os limites impostos para qualquer reunião. Disponível em: http://www.frediedidier.com.br/artigos/parecerconexaopreliminaridade/ Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.332 15 § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Como há muito vem decidindo esta C. 2ª Turma Ordinária, por unanimidade, não há como se prosseguir com o julgamento desta pendenga sem o desfecho, pelo menos em mesma instância administrativa, dos demais processos. Caso contrário, não só instaurarseia um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação precipitada de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Não se está diante de inexistência de crédito, mas sim de verdadeiro obstáculo, lógico e temporal, para tal apuração e confirmação, não podendo simplesmente afastar a pretensão do Contribuinte. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.333 16 Posto isso, temos que tais processos administrativos encontramse nas seguintes situações2: 11080.908.329/201317 sob a relatoria deste Conselheiro, pautado para esta mesma sessão (Resolução de sobrestamento); 11080.908.988/201191 Resolução nº 1301.000.458, de 20 de setembro de 2017 (sem análise do crédito/compensação); 11080907.411/201324 sob a relatoria deste Conselheiro, pautado para esta mesma sessão (Resolução de sobrestamento); 11080903.611/201227 Acórdão nº 3301004.184, de 30 de janeiro de 2018, (sem análise do crédito/compensação); 11080903.615/201213 aguardando distribuição neste E. CARF; 11686.000079/200970 aguardando distribuição neste E. CARF; 11080.901050/201060 aguardando distribuição neste E. CARF; 11080.918667/201103 sob a relatoria deste Conselheiro, pautado para esta mesma sessão (crédito/compensação denegados); 11080.901051/201012 aguardando distribuição neste E. CARF; 2 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf consulta procedida em 26/09/2018. Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.334 17 11080903.612/201271 Acórdão nº 3301004.185, de 30 de janeiro de 2018, (sem análise do crédito/compensação); 11080903.613/201216 Acórdão nº 3301004.185, de 30 de janeiro de 2018, (sem análise do crédito/compensação Embargos); 11080903.815/201349 aguardando distribuição neste E. CARF. Como acima se observa, com exceção do processo administrativo nº 11080.918667/201103, que está sendo julgado nessa mesma sessão de julgamento (cuja decisão não será definitiva nesta instância, tendo em vista a possibilidade de oposição de Embargos de Declaração) nenhum dos feitos acima listados teve o mérito da procedência do crédito utilizado pela Contribuinte e a consequente homologação das compensações pretendidas julgado nessa instância recursal ordinária. Certamente, em face de tal circunstância e diante da patente relação de dependência preliminar no julgamento dos demais processos administrativos, é racional, lógico e processualmente adequado aqui o sobrestamento do feito até o desfecho meritório, nessa mesma instância, de tais feitos como é o entendimento pacífico e absoluto deste N. Colegiado. Por fim, deve ser esclarecido que a alteração da situação fiscal dos débitos correspondente à compensação sob análise e a emissão de Certidão de regularidade fiscal não é de competência deste E. CARF. Diante de todo o exposto, resolvese por sobrestar o presente feito até a prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância deste E. CARF, apreciando a procedência do crédito e a homologação das compensações, nos autos dos processos nºs 11080.908.329/201317; 11080.908.988/201191; 11080907.411/201324; 11080 903.611/201227; 11080903.615/201213; 11686.000079/200970; 11080.901050/201060; 11080.918667/201103; 11080.901051/201012; 11080903.612/201271; 11080 903.613/201216; 11080903.815/201349, para, somente então, retomarse o julgamento. Para todos os fins, consignase aqui a suspensão da exigibilidade dos créditos oriundos da nãohomologação dos PER/DCOMPs 03856.03102.060611.1.7.028259 e 39485.75159.281011.1.3.02232, conforme ordem judicial. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 11080.903666/201407 Resolução nº 1402000.733 S1C4T2 Fl. 1.335 18 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1335DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.922912/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INOCORRÊNCIA. Não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do Decreto nº 70.235/1972 quando são analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade. Ausência de preterição do direito de defesa. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, para apurar o quantum do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 29 12 /2 00 9- 48 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.922912/200948 Acórdão n.º 3402005.692 S3C4T2 Fl. 0 2 direito creditório, vencida a conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que suscitou a diligência e os conselheiros Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, que foi substituída pelo Suplente convocado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06 036.901proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a negativa de homologação da compensação. O Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, alegou inexistência de saldo de crédito para a compensação requerida. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Regularmente cientificada da decisão do colegiado a quo a Contribuinte tempestivamente interpôs o Recurso Voluntário com os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO ACÓRDÃO COM BASE NO ARTIGO 59, II, DO DECRETO Nº 70.235/1972, EM RAZÃO DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO ARTIGO 31 DO MESMO DIPLOMA LEGAL. MÉRITO: INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS PELA LEI Nº 9.718/98 E DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.922912/200948 Acórdão n.º 3402005.692 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.686, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.922906/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.686): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preliminar A Recorrente invoca os Artigos 31 e 59 do Decreto nº 70.235/1972, arguindo a nulidade do Acórdão recorrido em razão de ausência de análise dos argumentos expostos em manifestação de inconformidade, sob alegação de falta de competência para analisar a inconstitucionalidade de lei. Sem razão. A Contribuinte havia alegado em manifestação de inconformidade (fls.12 a 17) que apurou crédito tributário de PIS e COFINS com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, aproveitando parte do referido crédito para compensar com débitos de natureza tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Alegou que extinguiu o débito da COFINS, conforme declarado em DCTF, com DARF referente ao período de apuração 31/12/2002 (código de receita 2172) recolhido em 15/01/2003 e, posteriormente, utilizou o crédito tributário referente à COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 746,94, sendo indicado no preenchimento do PERD/COMP que o crédito estava vinculado ao DARF em que deu origem ao recolhimento. Invocou o artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório por concluir que não foi apresentada prova documental sobre a origem do crédito em referência, não Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.922912/200948 Acórdão n.º 3402005.692 S3C4T2 Fl. 0 4 cabendo à autoridade administrativa reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais, uma vez não se enquadrar nas hipóteses previstas nos Artigos 1º e 4º, Incisos I, II, III, IV e Parágrafo Único do Decreto nº 2.346/1997. Neste caso, não se aplicam os artigos 31 e 59, inciso II do decreto nº 70.235/1972, considerando que foram analisadas as questões postas pela Recorrente em manifestação de inconformidade, além de não restar configurada a alegada preterição do direito de defesa. Portanto, afasto a preliminar invocada no recurso em análise e passo à análise das razões de mérito invocadas pela defesa. Mérito A Recorrente invoca o reconhecimento da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da COFINS pela Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para tanto, fundamenta pela repercussão geral conferida ao RE nº 585.235 do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Com razão. O PER/DCOMP n° 33473.53599.130706.1.7.041974 (FLS. 6 a 11), com Código da Receita 585601 (Cofins não Cumulativa), transmitido em data de 13/07/2006 em retificação ao PERD/COMP nº 26378.85333.130706.1.3.044105, teve origem no pagamento indevido ou a maior de COFINS (Código da Receita: 2172), realizado em 15/01/2003 no valor de R$ 71.869,87 (setenta e um mil, oitocentos e sessenta e nove reais e oitenta e sete centavos). O crédito indicado se refere a R$ 746,94 (que corresponde a uma parte deste pagamento efetuado em 15/01/2003), e um débito de Cofins, do período de apuração 06/2006, vencido em 14/07/2006, no valor original de R$ 74,99. Considerando o vencimento do tributo em data de 14/07/2006 e a transmissão do PER/DCOMP em data de 13/07/2006, considerase tempestivo o pedido, afastando a incidência da mora. O despacho decisório (Rastreamento nº 842579517) de fls. 2 a 5, não homologou a compensação declarada por concluir pela localização de um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Manifestação de Inconformidade (fls. 1217) demonstrou a origem do crédito com base na declaração de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.922912/200948 Acórdão n.º 3402005.692 S3C4T2 Fl. 0 5 inconstitucionalidade do art. 3°, parágrafo 1°, da Lei n° 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 357950, em Sessão Plenária de 09/11/05, apontando a base de cálculo utilizada para apuração deste crédito. Cabe consignar que o RE 357.950/RS foi precedente reconhecido em Plenário para julgamento do RE 585235RG QO, com repercussão geral (TEMA 110) e cuja Ementa se transcreve: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Ao que pese o precedente reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal e vinculado ao RE 585235, a 3ª Turma da DRJ/CTA embasou a decisão por não atribuir o efeito erga omnes ao 357.950/RS. Vejamos o texto extraído da decisão recorrida: Ou seja, apesar de não ser esse o entendimento da contribuinte, claro está que a atribuição dos julgadores está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal. É de se ressaltar contudo que, no caso em análise, apesar da existência de entendimentos do STF, expressos em julgamentos proferidos, não foram comprovadas as condições descritas no citado decreto para a sua aplicação, afinal, as decisões mencionadas foram proferidas apenas em relação a casos específicos envolvendo, também, partes específicas (que não a contribuinte). Sobre o assunto, aliás, é oportuno mencionar também o que dispõe o enunciado nº 2 do CARF do MF: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Este, a propósito, também é o comando contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.922912/200948 Acórdão n.º 3402005.692 S3C4T2 Fl. 0 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Desse modo, e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar as alegações da impugnante, já que a exigência em questão encontra respaldo em leis válidas e vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada – com os efeitos erga omnes – pelo STF, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (pois não restou caracterizado o pagamento a maior). Quanto à jurisprudência apresentada, não há como considerálas, seja pela inexistência de norma legal para lhes conferir eficácia normativa, seja pelo seu caráter inter partes. Da análise dos autos, verificase que o ponto controvertido invocado pela DRJ/CTA para negar o crédito requerido pela Contribuinte cingese à produção de efeitos do RE 357950, não havendo dúvidas levantadas quanto à origem e valores lançados na declaração de compensação. Considerando que a matéria suscitada versa sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585235, já citado, deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecendo o direito ao crédito tempestivamente informado em PERD/COMP. De outro turno, igualmente por se tratar de decisão definitiva e vinculante do Supremo Tribunal Federal, não incide a Súmula CARF nº 2 e artigo 26A do Decreto nº 70.235/72. Está correta a Recorrente ao afirmar pela aplicação do artigo 62, § 2do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.922912/200948 Acórdão n.º 3402005.692 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/200103): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por tais razões, deve ser reconhecido o direito creditório da Contribuinte, para que seja analisado o PERD/COMP afastando a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal e, após a devida apuração, proceda à compensação para fins de extinção do crédito tributário, nos termos previstos pelo artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional cumulado com artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido, afastando a preliminar de nulidade e, no mérito, reconheço a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.922912/200948 Acórdão n.º 3402005.692 S3C4T2 Fl. 0 8 apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer o Recurso Voluntário e julgálo parcialmente provido, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, reconhecer a injuridicidade do fundamento adotado pela decisão recorrida, afastando o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, devendo o processo retornar à Unidade de Origem para que proceda à análise da declaração de compensação, com apuração do quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13848.000105/2005-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR ATRASO DCTF.
A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
Numero da decisão: 1003-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 MULTA POR ATRASO DCTF. A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 13971.722503/2011-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 24/05/2007 a 31/07/2008
CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE
A multa do art. 33 da Lei n.º 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do Decreto-Lei n.º 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional por se tratarem de penalidades distintas.
Numero da decisão: 9303-007.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 24/05/2007 a 31/07/2008 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE A multa do art. 33 da Lei n.º 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do Decreto-Lei n.º 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional por se tratarem de penalidades distintas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE A multa do art. 33 da Lei n.º 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DecretoLei n.º 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por se tratarem de penalidades distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 25 03 /2 01 1- 65 Fl. 1334DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado (efls. 241 a 242) para constituição de crédito tributário referente a multa pela impossibilidade de apreensão de mercadoria por não ter sido ela localizada, ou consumida, em importação subfaturada com interposição fraudulenta da autuada importadora que era administrada por sócios de fato da empresa. Além da importadora em epígrafe, são também responsáveis solidários os sócios de fato: Caio M. Debossan, Erica Debossan Reinert, e a adquirente das mercadorias importadas, Cristallerie Straus S/A. Foi dada ciência do Auto de Infração à importadora e às pessoas físicas solidárias por meio de seu representante legal, em 25/11/2011, bem como à responsável Cristallerie Straus S/A, em 28/11/2011. A autuação resultou em multa relativa a cinco DIs, no montante de valor CIF de R$ 184.174,64. Os valores que importaram na infração foram apurados conforme descrição de fatos e enquadramento legal às efls. 250 a 305, constando do tópico "5. ESCOPO DO AUTO", à efl. 274, e estão resumidos no quadro abaixo: DATA NÚMERO DI REGISTRO DESEMBARAÇO VALOR CIF (R$) 07/06740240 24/05/2007 25/05/2007 8.872,75 07/08343451 27/06/2007 28/06/2007 70.051,50 07/13136957 27/09/2007 27/09/2007 70.856,22 07/16522777 29/11/2007 29/11/2007 14.286,00 08/11678266 31/07/2008 01/08/2008 9.566,88 TOTAL 176.633,35| Irresignada, em 21/12/2011, a Cristallerie Straus S/A apresentou impugnação, às efls. 419 a 438. Em 23/12/2006, a importadora e seus sócios de fato impugnaram em conjunto a autuação, às efls. 501 a 560. Já A 23ª Turma da DRJ/SP1, apreciou a impugnação em 25/09/2013, e no acórdão nº 1650.680, às efls. 701 a 792, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Recurso voluntário da importadora e seus sócios de fato A importadora e seus sócios de fato foram intimados (efls. 795, 890 e 892) do acórdão da DRJ entre 17/10/2013 e 19/10/2013, e, ainda inconformados, interpuseram extenso recurso voluntário, às efls. 901 a 977, em 18/11/2013. Os pontos arguidos estão abaixo apresentados por tópicos: 1. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 1.1. Compartilhamento de Provas Inobservância do Contraditório e da Ampla Defesa Inobservância de Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 9303007.706 CSRFT3 Fl. 1.335 3 condição para o Compartilhamento Nulidade do Procedimento Fiscal. 1.2. Apreensão de Documentos Empresa Diversa da Investigada Ausência de Mandado Judicial Especifico ilicitude das Provas Nulidade 1.3. Apreensão de Documentos Investigação Criminal Inexistência de Correlação Entre os Crimes Investigados e as Infrações Apuradas Ilicitude das Provas. 2. CERCEAMENTO DE DEFESA 3. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO 4. EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 5. DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 6. ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO 7. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDI MENTO E MULTA DE CONVERSÃO 8. AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDI MENTO EM MULTA 9. INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO 10. INEXISTÊNCIA DE QUEBRA DA CADEIA DO IPI 11. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS DECADÊNCIA 12. INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA 13. AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO 14. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS RECENTE FAVORÁVEL Fl. 1336DF CARF MF 4 Recurso voluntário da adquirente das mercadorias A responsável solidária Cristallerie Straus S/A, foi intimada (efl. 894) do acórdão da DRJ em 18/10/2013 (efl. 898), e apresentou recurso voluntário em 19/11/2013, às efls. 985 a 1006. Uma vez mais, apresentarei os pontos arguidas no recurso por meio de seus tópicos: 1. PRELIMINARES ILEGALIDADE DA PROVA EMPRESTADA, IMPLICANDO A NULIDADE DO PROCEDIMENTO. 2. INEXISTÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E AUSÊNCIA DE OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE PELA RECORRENTE. 3.INEXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO POR FUGA AOS CONTROLES ADUANEIROS OU POR SUBFATURAMENTO 4. INEXISTÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO FORJADA OU DE REMESSA ILEGAL DE DIVISAS 5 INEXISTÊNCIA DE QUEBRA DA CADEIA DO IPI. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 19/03/2015, dandolhe provimento no acórdão de nº 3302 002.874, às efls. 1011 A 1041, o qual teve a seguinte ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENALIDADE. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. PROVAS. COLHIMENTO. Para instruir procedimento fiscal, o AuditorFiscal da RFB está autorizado legalmente a colher provas na Repartição da RFB, no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo e outras autorizadas pelo Poder Judiciário. SOLIDARIEDADE. LEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado que terceiro tenha concorrido para a prática da infração ou dela tenha se beneficiado, fica caracterizado a solidariedade passiva tributária... O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Jonathan Barros Vita, Fabiola Cassiano Keramidas e Cláudio Monroe Massetti, que davam provimento ao recurso voluntário. Embargos de declaração da adquirente das mercadorias Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 9303007.706 CSRFT3 Fl. 1.336 5 Em 07/07/2015 (efl. 1188) a Cristallerie Straus S/A foi cientificada do acórdão acima (efl. 1149) e manejou embargos de declaração em 13/07/2015, conforme documento às e fls. 1245 a 1250. O Presidente da Turma recorrida apreciou os embargos no despacho de efls. 1253 a 1257, em 14/04/2017, e não verificou a existência de erro material, omissão ou contradição no acórdão embargado. Por essa razão, não admitiu os embargos. A empresa Cristallerie Straus S/A, em 15/06/2017, foi intimada (efl. 1260) por edital (efl. 1268) do despacho que não admitiu os embargos e não mais se manifestou nestes autos. Recurso especial da importadora e de seus sócios de fato Intimados (efls. 1047, 1081 e 1115) para ciência do acórdão nº 3302 002.874 entre 02/07/2015 e 08/07/2015 (efls. 1185, 1186 e 1187), a importadora e seus sócios de fato, por meio de seu procurador, interpuseram recurso especial de divergência em 13/07/2015, às efls. 1190 a 1201. Estando tal documento com defeitos de edição, em 13/07/2017 (efl. 1269), peticionaram (efls. 1271 e 1272) pela reapresentação de cópia legível do mesmo recurso, às efls. 1273 a 1283. A importadora indica existência de divergência em duas matérias: a) comprovação de fraude ou simulação por ocultação do real adquirente da mercadoria; e b) aplicação à importadora ostensiva da perda de perdimento das mercadorias importadas. Utilizou como acórdão paradigma para as duas matérias o acórdão nº 3402 002.362. Para a primeira matéria, diferentemente do acórdão recorrido, o paradigma deixou de aplicar multa na conversão da pena de perdimento diante da inexistência de prova inequívoca de dano ao erário, como pressuposto de sua aplicação. Para a segunda, entendeu aquela turma que não seria aplicável ao importador ostensivo a mesma penalidade, em razão do princípio da especialidade, em face do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, sendo a ele aplicável esta penalidade e ao importador oculto a penalidade de perdimento ou a multa a ela substutiva. Por fim, pleiteia o conhecimento e provimento do recurso especial. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 10/08/2017, no despacho de efls. 1293 a 1298, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento apenas quanto à matéria b), haja vista que em relação à primeira não reconheceu a existência de similaridade fática entre os acórdãos paragonados. Intimados todos responsáveis pelo recurso especial de divergência acima analisado, e sem que sobre o resultado tenham se manifestado, ou agravado houve o encaminhamento para manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme informado no despacho à efl. 1323, em 23/10/2017. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada (efl. 1324) do acórdão nº do despacho de admissibilidade do recurso especial da do sujeito passivo em 22/11/2017, e a ele apresentou contrarrazões às efls. 1325 a 1331, em 12/12/2017. Fl. 1338DF CARF MF 6 Argumenta que a penalidade questionada não implica bis in idem, pois o art. 33 da Lei nº 11.488/2007 visa apenas resguardar a integridade cadastral das pessoas jurídicas, coibindo o mau uso da inscrição no CNPJ, enquanto o art. 23, inc. V, do Decretolei nº 1.4557/1976 visa proteger o patrimônio da União. A Procuradora assevera ainda: O art. 33 da Lei n.º 11.488/2007 não veio regrar a matéria veiculada no art. 23, V, §§ 1.º e 3.º, do DecretoLei n.º 1.455/76 (pena de perdimento), como equivocadamente pretende o contribuinte, o que impõe a afirmação de que a nova multa de 10% sobre o valor da operação acobertada não tem a força de substituir a pena de perdimento de mercadoria, ou a multa que lhe é substitutiva, já existente. Em nenhum momento a novel legislação fez referência à pena de perdimento da mercadoria, que se mantém incólume. (...) Aqui é importante ter em conta que o art. 33 da Lei n.º 11.488/2007 exsurgiu para substituir a penalidade de inaptidão de CNPJ na hipótese ali prevista (cessão de nome para acobertamento do real interveniente), assim, embora a sanção pela infração tenha sido alterada, a hipótese normativa e a sua finalidade permanecem a mesma. A partir desse núcleo argumentativo, encerra por requerer que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte e mantido o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Introdução O recurso especial de divergência dos sujeitos passivos é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Discutese a possibilidade de lançamento da multa em discussão, em face da existência de outra multa (art. 33 da Lei n° 11.488/07), alegadamente mais específica. Entendo que as duas multas têm objetos diversos e, portanto, podem coexistir. Aliás, a questão aqui em litígio, já foi colocada ao lume desta 3ª Turma, para a mesma contribuinte, no processo nº 13971.722490/201124, resultando no acórdão nº 9303 004.905, que por unanimidade decidiu a questão ratificando o procedimento fiscal de aplicação das multas. Adoto as razões de decidir expressas no voto da i. Conselheira Erika Costa Camargos Autran, que abaixo reproduzo: (...) Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 9303007.706 CSRFT3 Fl. 1.337 7 Quanto a inviabilidade de aplicação de multa prevista no art. 23, V do Decretolei n.º 1455/76 ao importador ostensivo, por divergência de legislação, em que a mais específica seria a penalidade descrita no art.33 da Lei n.º 11.488/07, entendo que o artigo 33 da Lei n.º 11.488/07, foi incluído no ordenamento jurídico visando a penalizar com multa de 10% sobre o valor da operação acobertada, não inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a conduta de cessão do nome pelo importador ostensivo visando a ocultar os reais intervenientes da operação de importação. Vejamos: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 23 do Decretolei n.º 1.455/76, que teve a redação alterada pela lei n.º 10.637/02, prevê a aplicação da pena de perdimento das mercadorias ou sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro, pela ocorrência de dano ao erário, relativo às mercadorias importadas na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação, senão vejamos: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que Fl. 1340DF CARF MF 8 tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 4º O disposto no § 3º não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” Analisando o dispostos acima verificase que há dois tipos de interposição fraudulenta: a interposição fraudulenta propriamente dita ou comprovada, ou seja, quando resta caracterizada a fraude (artigo 23, V, Decretolei n.º 1.455/76, caput e artigo 13 da Instrução Normativa n.º 228/02); b a interposição fraudulenta presumida, que tem sua definição no §2º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455/76. As referidas condutas ainda culminavam em inaptidão do CNPJ do importador, a teor do disposto no art. 81, §º 1, da Lei n.º 9430/96 e parágrafo único do artigo 11 da Instrução Normativa n.º 228/02, cumulativamente. “Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. “§ 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” “Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).” Tal imputação gerava transtornos para as empresas que tinham patrimônio e não eram somente criadas para realizar a operação fraudulenta. Assim, foi publicada a Lei n.º 11.488/07, que no parágrafo único do artigo 33, tentou corrigir tal distorção legislativa a fim de adequar a cominação de inaptidão de CNPJ àquela empresa criada somente para efetuar importações irregulares sem existir de fato, ou seja, dita “de fachada”. Porém, para a empresa que existisse de fato haveria a cominação de uma multa de 10% sobre o valor da operação, limitada a R$5.000,00. Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 9303007.706 CSRFT3 Fl. 1.338 9 Para reforçar esse entendimento, pela leitura do parecer que encaminha o projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória n.° 351/07 (PLV 13/2007), do qual resultou a Lei n.º 11.488/07, seu relator, que também responde pela autoria do dispositivo, faz a seguinte observação à proposta de redação do art. 35, posteriormente renumerado para 33, quando da conversão definitiva: "Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. "(grifo nosso) Essa interpretação fica clara pela análise do disposto no parágrafo único do artigo 33 da Lei n.º 11.488/07, o qual faz referência expressa à inaptidão de CNPJ da pessoa jurídica que não comprove a origem, disponibilidade e transferências dos recursos (artigo 81 “§1º da Lei n.º 9439/96), e essa é a definição de interposição fraudulenta presumida (art.23, V, “§2°, do Decretolei n.º 1.455/76). É de se ressaltar, ainda, que não houve revogação do comando normativo inserto no artigo 23, V, do Decretolei n.º 1.455/76. Conforme a Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro (Decretolei n.º 4.657/42), a revogação legislativa assim dispõe sobre a revogação “Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.” Deste modo, uma lei só será revogada com o advento de outra com ela incompatível. Analisando os dois dispositivos, embora o artigo 23, V, do Decretolei n.º 1.455/76, traga como penalidade a perda da mercadoria e isto afetaria diretamente o real adquirente, quem comete a infração, ou seja, o sujeito ativo da interposição fraudulenta comprovada é tanto o importador ostensivo, quanto o real importador e adquirente, em coautoria, em razão de previsão da “solidariedade” entre as condutas, com base nos artigos 124, I, do Código Tributário Nacional e 95 do Decreto lei n.º 37/66. E o artigo 33 da Lei n.º 11.488/07 nada previu sobre o assunto, mas somente a cominação de uma nova penalidade para a conduta de interposição fraudulenta presumida, sem, portanto, a comprovação da fraude e simulação propriamente dita, mas decorrente de presunção legal. A pena seria de 10%, mais branda, e se aplicaria somente ao importador ostensivo. Fl. 1342DF CARF MF 10 Dessa forma, depreendese que não houve revogação tácita e inaplicáveis as disposições do artigo 2º, §1º da LICC, em razão da inexistência de incompatibilidade e inexistência de inteira regulação da matéria. Citase a ementa de acórdão da 2ª turma do TRF4 (AMS 2005.72.08.0051666/ SC, publicado em 1/8/2007, relator Otávio Roberto Pamplona), o qual vai ao encontro do presente artigo no sentido de que não houve revogação do artigo 23, V, do Decretolei 1.455/76: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. (...) 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (g.n.) De tudo que foi esclarecido acima, entendo que a pena instituída no art. 33 da Lei n.º 11.488, de 2007 surgiu, efetivamente, como alternativa à declaração de inaptidão, nas hipóteses anteriormente previstas nas instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que disciplinavam a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). E prevê multa de 10% sobre o valor da operação, limitada a R$ 5.000,00, para o importador ostensivo que praticar interposição fraudulenta presumida, conforme disposição expressa da infração no § 2º do artigo 23 do Decretolei n.º 1.455/76. Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 13971.722503/201165 Acórdão n.º 9303007.706 CSRFT3 Fl. 1.339 11 E o art. 23, V, do Decretolei n.º 1.455/76 pune, com multa de 100% sobre o valor da operação, tanto o importador ostensivo, quanto o real adquirente, em conjunto ou isoladamente, quando praticarem a interposição fraudulenta propriamente dita ou comprovada. Desta feita, as normas têm situações fáticas de aplicação diferenciadas, sendo que o diferencial reside na comprovação da fraude, simulação e conluio para o artigo 23, V, Decretolei n.º 1.455/76, bem como o sujeito passivo, que pode ser o importador ostensivo e o real adquirente; ao passo que o artigo 33 da Lei n.º 11.488 traz penalidade mais branda para a infração de interposição fraudulenta presumida, sem prova de fraude, e tem por sujeito passivo somente o importador ostensivo que possui existência fática não só jurídica. Dessarte, com base nessa argumentação, penso que bem andou a Procuradora em suas contrarrazões e por isso deve ser negado provimento ao recurso especial de divergência dos sujeitos passivos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência de D & A Comércio Serviços Importação e Exportação Ltda, Caio M. Debossan e Erica Debossan Reinert, para negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.723979/2012-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9101-003.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TV Omega Ltda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 39 79 /2 01 2- 13 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 379 2 Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 1402001.445, onde se entendeu que "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.". O recurso especial versa sobre a possibilidade de exigência da multa de oficio isolada concomitante à multa proporcional em período posterior à vigência da Lei 11.488/2007 (AC 2009). Na origem, foi lavrado auto de infração para cobrança de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de ofício de 75%, em decorrência de cruzamento de informações entra DIPJ e DCTF, relativamente ao anocalendário 2009 (AI às efls 129). Foi também, lançada multa isolada pela insuficiência de recolhimento das estimativas do referido anocalendário. O contribuinte apresentou impugnação apenas em relação à cobrança da multa isolada, reconhecendo como devidos os tributos e multas de ofício. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ. Nesse seguir, foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte. Ao julgar esse recurso, a Turma a quo decidiu por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2009 MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF nº 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 380 3 Cientificada da decisão a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, que foram recebidos, mas julgados sem efeitos infringentes. Cientificada da decisão de embargos a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação em relação a outras decisões proferidas por diferentes Turmas do CARF. O recurso da Fazenda foi conhecido pelo despacho do presidente da Câmara. Cientificado do recurso especial, o contribuinte apresentou contrarrazões, pedindo o não provimento do recurso da Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Com relação ao conhecimento do Recurso da Fazenda, não vejo reparos a serem realizados no despacho de admissibilidade. Com relação ao mérito, entendo que merece reforma o Acórdão a quo. Inicialmente, importante destacar que entendo não ser aplicável a súmula CARF 105, para períodos posteriores à alteração do artigo 44, da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07. Explico. A súmula CARF 105 dispõe que "a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício". Quando da prolação da referida súmula, o artigo 44, da Lei 9.430/96 previa a exigência de multa de ofício de 75% e multa de 150%, nas hipóteses de caracterização do evidente intuito de fraude. Tais multas eram aplicadas isoladamente nas hipóteses tratadas no §1º do artigo 44 em questão. Ou seja, tecnicamente, tratavase de hipóteses de aplicação das multas de ofício, de forma isolada, já que, juridicamente, a função dos parágrafos é regular ou limitar a aplicação das regras trazidas no caput, incisos e alíneas das Leis. Vale a transcrição da referida norma vigente naquele momento: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:: Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 381 4 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Percebam, ainda, que o exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determinava que a multa fosse calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referiamse todas à falta de pagamento de tributo. Foi nesse contexto legal que foram proferidas as decisões que embasaram a súmula CARF 105, cujos principais fundamentos eram que a dupla penalização caracterizava bis in idem e a aplicação do princípio da consunção, onde a aplicação da multa sobre o tributo ou diferença absorvia a multa pela insuficiência ou ausência de antecipação mensal dos tributos. Pois bem. Com a MP 351/07, posteriromente convertida na Lei 1.488/07, o artigo 44 passa a regular a aplicação de duas multas distintas, quais sejam, de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo e de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Vale a transcrição da referida norma: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 382 5 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Percebam que com a nova norma nova multa foi criada no artigo 44, a multa isolada, calculada sobre o valor do pagamento mensal, ao percentual de 50%. A meu ver, a mens legis de tal alteração legislativa foi de fato a criação de nova multa, pela insuficiência ou ausência de recolhimentos mensais do IRPJ e da CSLL, ou seja, por conduta distinta daquela exigida para aplicação da multa de ofício de 75%. Vejo, assim, três grandes motivos que distanciam a multa isolada trazida pela MP 351/07 e Lei 11.488/07 daquela prevista anteriormente na mesma Lei 9.430/96. Primeiro, porque temos duas punições para duas condutas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Segundo, porque a tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre. Terceiro, porque considerando que a multa isolada é devida ainda que o Contribuinte apure prejuízo fiscal, ela é devida mesmo após encerrado o período de apuração. Nesse contexto, adoto como razões de decidir, mutatis mutandis, o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, proferido no acórdão 1302001.080, que ouso transcrever: Das condutas infracionais diferentes Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 383 6 tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1º – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 384 7 instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 385 8 ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2. Da redação original do art. 44, § 1º, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado anocalendário, decidir se obedece ou não o art. 2º e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Sobre a aplicação do princípio da consunção, considerando que o julgador administrativo é impedido de afastar Lei por inconstitucionalidade e que a alteração legislativa trazida pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, em meu entendimento, trouxe nova penalidade, concluo que a aplicação do referido princípio somente poderia ser efetivada no Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10882.723979/201213 Acórdão n.º 9101003.825 CSRFT1 Fl. 386 9 caso pelo poder judiciário, que eventualmente, possa considerar ilegal e inconstitucional a nova multa trazida pela nova Lei. Assim, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para manutenção da multa para períodos de apuração ocorridos após a alteração da Lei 9.430/96, pela MP 351/07, convertida na Lei 11.488/07, ou seja, períodos de apuração ocorridos de 2007, inclusive, em diante. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721064/2017-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 07/12/2010
REPETRO. INFRAÇÃO. PREÇO DECLARADO. FATO GERADOR. REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. CONCESSÃO DO REGIME. DECADÊNCIA.
O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos, contados da data da infração.
MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO - ÔNUS DA PROVA
É ônus da fiscalização comprovar o preço efetivamente praticado através de todos os elementos de prova admitidos no direito.
VALORAÇÃO ADUANEIRA - FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO
A administração tributária, para aferir a base de cálculo dos tributos aduaneiros, não havendo fraude, sonegação ou conluio, deverá aplicar sequencialmente as regras do AVA-GATT. Havendo fraude, sonegação ou conluio, a fiscalização utilizará o valor real, descoberto no curso da ação fiscal, ou, não sendo possível, aplicará sequencialmente as regras de arbitramento do artigo 88 da MP 2.158-35/2001.
MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO - CÁLCULO
O conceito de preço não se confunde com valor aduaneiro, em sentido estrito, motivo pelo qual, o cálculo da multa prevista no art.88 parágrafo único da MP 2.158-35/2001, envolve tão somente a diferença entre preços, ficando a parte deste cálculo qualquer outra parcela, mesmo que incluída no valor aduaneiro.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-005.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões, divergindo quanto à decadência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 07/12/2010 REPETRO. INFRAÇÃO. PREÇO DECLARADO. FATO GERADOR. REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. CONCESSÃO DO REGIME. DECADÊNCIA. O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos, contados da data da infração. MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO - ÔNUS DA PROVA É ônus da fiscalização comprovar o preço efetivamente praticado através de todos os elementos de prova admitidos no direito. VALORAÇÃO ADUANEIRA - FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO A administração tributária, para aferir a base de cálculo dos tributos aduaneiros, não havendo fraude, sonegação ou conluio, deverá aplicar sequencialmente as regras do AVA-GATT. Havendo fraude, sonegação ou conluio, a fiscalização utilizará o valor real, descoberto no curso da ação fiscal, ou, não sendo possível, aplicará sequencialmente as regras de arbitramento do artigo 88 da MP 2.158-35/2001. MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO - CÁLCULO O conceito de preço não se confunde com valor aduaneiro, em sentido estrito, motivo pelo qual, o cálculo da multa prevista no art.88 parágrafo único da MP 2.158-35/2001, envolve tão somente a diferença entre preços, ficando a parte deste cálculo qualquer outra parcela, mesmo que incluída no valor aduaneiro. Recurso de Ofício Negado.
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INFRAÇÃO. PREÇO DECLARADO. FATO GERADOR. REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. CONCESSÃO DO REGIME. DECADÊNCIA. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO ÔNUS DA PROVA É ônus da fiscalização comprovar o preço efetivamente praticado através de todos os elementos de prova admitidos no direito. VALORAÇÃO ADUANEIRA FRAUDE, SONEGAÇÃO OU CONLUIO A administração tributária, para aferir a base de cálculo dos tributos aduaneiros, não havendo fraude, sonegação ou conluio, deverá aplicar sequencialmente as regras do AVAGATT. Havendo fraude, sonegação ou conluio, a fiscalização utilizará o valor real, descoberto no curso da ação fiscal, ou, não sendo possível, aplicará sequencialmente as regras de arbitramento do artigo 88 da MP 2.15835/2001. MULTA POR DIFERENÇA ENTRE PREÇO DECLARADO E PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO CÁLCULO O conceito de preço não se confunde com valor aduaneiro, em sentido estrito, motivo pelo qual, o cálculo da multa prevista no art.88 parágrafo único da MP 2.15835/2001, envolve tão somente a diferença entre preços, ficando a parte deste cálculo qualquer outra parcela, mesmo que incluída no valor aduaneiro. Recurso de Ofício Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 10 64 /2 01 7- 11 Fl. 580DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões, divergindo quanto à decadência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança da multa do art. 88, parágrafo único da MP nº 2.15835/2001, regulamentada pelo art. 703 do Decreto nº 6.759/2009, em razão da diferença de preço declarado e o preço efetivamente praticado verificado em procedimento de revisão aduaneira. A multa foi aplicada em razão da diferença entre o valor da apólice de seguro firmado pela empresa, para garantia dos tributos suspensos no REPETRO, em relação ao valor que consta na Declaração de Importação DI e na fatura pro forma *P* 048886 de 20/11/2008. Essa foi a única razão apontada pela fiscalização para sustentar que o preço efetivamente praticado na operação envolvendo a embarcação “SKANDI GIANT” seria o constante da apólice de seguro. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa julgada integralmente procedente pelo Acórdão 0740.794 da 2ª Turma da DRJ/FNS, em razão da decadência. Uma vez que a interessada declarou o preço da mercadoria por ocasião da concessão do regime aduaneiro especial do REPETRO quando da apresentação da declaração de importação n° 10/21798420, registrada em 07/12/2010, e a autuação foi lavrada apenas em 05/06/2017, o crédito tributário constituído estaria decaído. A r. decisão proferida, abaixo ementada, salientou ainda que o indício de diferença de preço deveria ser ratificado por outros elementos probantes não veiculados pela fiscalização: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10730.721064/201711 Acórdão n.º 3402005.980 S3C4T2 Fl. 581 3 Data do fato gerador: 07/12/2010 REPETRO. INFRAÇÃO. PREÇO DECLARADO. FATO GERADOR. REGISTRO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. CONCESSÃO DO REGIME. DECADÊNCIA. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" (efl. 553) Uma vez que o valor exonerado ultrapassa o limite da Portaria n.º 63/2017, os autos foram remetidos a esse Conselho para apreciação do recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 63/2017, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Como relatado, a multa do art. 88, parágrafo único da MP nº 2.15835/2001 foi aplicada no presente caso em razão, exclusivamente, da identificação de diferença entre o valor da apólice de seguro firmado pela empresa, para garantia dos tributos suspensos no REPETRO, em relação ao valor que consta na Declaração de Importação DI e na fatura pro forma *P* 048886 de 20/11/2008. Essa foi a única razão apontada pela fiscalização para sustentar que o preço efetivamente praticado na operação envolvendo a embarcação “SKANDI GIANT” seria o constante da apólice de seguro. Conforme histórico traçado no Auto de Infração (efl. 6/8) e na r. decisão recorrida (efls. 554/555), a empresa ora Recorrida registrou, em 07/12/2010, a declaração de importação n° 10/21798420 com vistas a admitir temporariamente sob o Regime Aduaneiro Especial do REPETRO a embarcação tipo AHTS 18000 denominada “SKANDI GIANT”, bem como suas peças sobressalentes. Quanto à vigência do regime, foi fixado inicialmente o prazo de permanência até 15/09/2011, sendo estendido, após sucessivas prorrogações até a data de 23/09/2014. A fiscalização constatou que a apólice vigente quando do registro da declaração de importação indicava como valor da embarcação a ser segurado a quantia de NOK 346.000.000 (USD 57.881.421,05) e da peça sobressalente a quantia de USD 6.416,74. Uma vez que o Contrato de Afretamento nº 2050.0059459.10.2, na cláusula 10.5.1, dispõe que a importância segurada para o casco e máquinas não será inferior ao valor da embarcação, entendeu a fiscalização que os valores informados nas declarações não correspondem ao valor real da embarcação, de acordo com o valor da apólice. Portanto, haveria uma suposta diferença entre o valor aduaneiro apurado pela fiscalização (identificado nas apólices) e o valor aduaneiro declarado na DI 10/21798420, ensejando a aplicação da multa do art. 703 do RA/2009. Para melhor visualização do entendimento traçado pela fiscalização, vejamos os termos do relatório fiscal (efl. 7): Fl. 582DF CARF MF 4 Contudo, como bem delineado na r. decisão recorrida, que não merece qualquer reparo, a autuação merece ser integralmente cancelada. Isso porque a penalidade está decaída em conformidade com o art. 139 do Decretolei n.º 37/1966, vez que a infração (diferença no preço declarado) ocorreu quando do registro da Declaração de Importação n.º 10/21798420, incorrida em 07/12/2010. Com efeito, como já decidido por este Colegiado em composição anterior, no Acórdão n.º 3402003.674, de 14/12/2016, de relatoria do Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, "com relação especificamente às multas aduaneiras, o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração, nos termos do art. 139 do Decretolei nº 37/66". E em se tratando da multa administrativa pela diferença entre os preços declarado e praticado, considerase exatamente a data do registro da Declaração de Importação como marco inicial da contagem do prazo1. Nesse sentido foi o que evidenciou a r. decisão recorrida, cujas razões abaixo transcritas são aqui adotadas, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99: "Finalmente, adotando como fundamento de decidir, há que se registrar que a suscitada hipótese de cometimento de infração (fato gerador) teria ocorrido quando 1 No mesmo sentido: Processo 10314.011771/200727 Data da Sessão 25/07/2018 Relator Winderley Morais Pereira Nº Acórdão 3301004.855 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10730.721064/201711 Acórdão n.º 3402005.980 S3C4T2 Fl. 582 5 da apresentação da declaração de importação n° 10/21798420, registrada em 07/12/2010, com vistas a admissão das mercadorias no regime aduaneiro especial, restando materialmente impossível exigir eventual crédito tributário decorrente desta infração após 5 anos contados daquela data. A alegação da interessada procede, ainda que houvesse cometido a suposta infração, à época da lavratura e notificação do auto de infração já estava extinto o direito de impor a penalidade. Ocorreu a decadência, eis que a autuação foi lavrada em 05/06/2017 e a sua notificação ocorreu em 29/06/2017 (fl. 361). Isto é o que se depreende do disposto no Decreto n° 6.759/09, artigo 753: Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139)." (efl. 558 grifei e grifos no original) Assim, uma vez que a empresa somente foi notificada da autuação em 29/06/2017 (efl. 360/361), decaído o direito do fisco de exigir a penalidade aduaneira de diferença de preço relativa à Declaração de Importação registrada em 07/12/2010. Frisese, ainda, que o fiscal não demonstrou qualquer equívoco, falsidade, fraude, sonegação ou conluio no preço praticado pela empresa indicado na fatura pro forma, passível de afastar a adoção do primeiro método de valoração aduaneira previsto no AVA GATT (valor da transação). O auditor fiscal deixou, ainda, de trazer os elementos de prova para respaldar os demais métodos de valoração adotados ou mesmo o arbitramento por fraude, sonegação ou conluio, na forma do art. 86 do RA/20092. O único fundamento fiscal foi considerar que o valor da embarcação seria o valor da apólice de seguro. Contudo, como apontado no próprio relato fiscal, o valor do seguro pode ser superior ao valor da embarcação (nunca inferior), em conformidade com o contrato de afretamento. Com isso, a simples diferença entre o valor da mercadoria na DI e a apólice de seguro não é indício suficiente de diferença de preço previsto no art. 703 do RA/2009, que exige a identificação de novo preço por meio de arbitramento ou a identificação de preço efetivamente praticado distinto, por meio de conjunto probatório próprio: "Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória no 2.158 35, de 2001, art. 88, parágrafo único). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010)." (grifei) Foi o que igualmente apontou a r. decisão recorrida: 2 "Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: I fraude, sonegação ou conluio, quando não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput); e II descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras, quando existir dúvida sobre o preço efetivamente praticado (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”)." Fl. 584DF CARF MF 6 "Como se depreende do dispositivo, a multa em apreço tem lugar sempre que o preço declarado da mercadoria for diferente do preço efetivamente praticado. Referida multa não trata de diferença entre o valor aduaneiro declarado e efetivamente praticado, muito embora em certas circunstâncias o preço declarado possa coincidir com o valor aduaneiro declarado. Eis aqui a primeira fratura da autuação, a fiscalização utilizou como base de cálculo para a multa o valor aduaneiro, inclusive ajustado com o valor relacionado ao prêmio da apólice de seguro, valor diverso do estabelecido no dispositivo legal. No caso dos autos a interessada declarou o preço da mercadoria por ocasião da concessão do regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural – REPETRO. Tal regime foi aplicado mediante a utilização de tratamento aduaneiro com concessão do regime especial de admissão temporária. Como se observa, a declaração do preço ocorreu quando da apresentação da declaração de importação n° 10/21798420, registrada em 07/12/2010, com vistas a admissão das mercadorias no regime aduaneiro especial. (...) Como se depreende do comando definido no §1º do artigo 34 da Instrução Normativa SRF n° 327/03, a autoridade aduaneira poderá decidir pela adoção de procedimentos fiscais de valoração aduaneira na admissão das mercadorias no regime. Assim, se por ocasião da concessão do regime a autoridade concessora possuir motivos para desconsiderar o valor declarado (conformes à prática do tipo de negócio ou não), naquele momento poderá, então, decidir pela adoção de procedimentos fiscais de valoração aduaneira visando à correta determinação dos valores tributários para fins de responsabilização do beneficiário, ou de exigência dos tributos devidos quando for o caso. Ultrapassado o momento do despacho de concessão do regime, a norma, em seu artigo 35, prevê a hipótese de procedimento de valoração aduaneira apenas em duas circunstâncias: hipótese de descumprimento das regras de permanência da mercadoria no regime, ou; caso de despacho para consumo. No caso dos autos, a fiscalização em momento algum aduz que a interessada tenha descumprido qualquer uma das regras de permanência das mercadorias no regime ou que tenha sido realizado o despacho para consumo. No caso dos autos o procedimento relacionado à valoração aduaneira foi realizado no âmbito de revisão aduaneira, como citado pela fiscalização à folha 07, com início em 04/09/2014, culminando com a lavratura da presente autuação em 05/06/2017 (fl. 04), onde a fiscalização conclui (fl. 09): ... Sendo assim, conforme relatado na descrição dos fatos acima, há dados suficientes para se concluir pela impossibilidade de aplicação do método do valor de transação, à base do documento instrutivo apresentado na formulação da Declaração de Importação n° 10/21798420, nos termos do art. 81, inciso I do Regulamento Aduaneiro (Acordo de Valoração Aduaneira, art. 17, promulgado pelo Decreto n° 1.355/1994). ...(Grifos acrescidos) Eis aqui outra mácula, o procedimento de apuração do valor aduaneiro (e conseqüente apuração do preço efetivamente praticado) encontrase devidamente regulado por meio de orientação normativa, restando evidente que no presente caso foi adotado procedimento diverso daquele prescrito na norma. Também não encontra amparo no Acordo de Valoração Aduaneira o estabelecimento do valor definido na apólice do seguro como paradigma para definição do valor aduaneiro das mercadorias em apreço. Embora possa servir como ponto de partida (indício) de que o preço efetivamente praticado possa ter sido outro, referido documento por si só não tem a necessária força probante relacionada ao valor efetivamente praticado. Referido indício deveria ser Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10730.721064/201711 Acórdão n.º 3402005.980 S3C4T2 Fl. 583 7 ratificado por outros elementos probantes (ainda que por meio indireto)." (efls. 556/558 grifei) Assim, irretocável a decisão de primeira instância que cancelou a exigência do auto de infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 586DF CARF MF
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