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Numero do processo: 13975.000207/2008-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 00 20 7/ 20 08 -7 4 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000207/200874 Resolução nº 3801000.785 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada com o objetivo de ver compensados créditos seus relativos à depósito judicial efetuado a título de Cofins, com débitos referentes à mesma exação e à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC entendeu de não homologála, em razão de que o valor objeto de depósito judicial, depois convertido em renda da União em face de decisão transitada em julgado desfavorável à contribuinte, não se conformava como recolhimento indevido ou a maior. É que a contribuinte havia ido ao Poder Judiciário com o fim de se ver desobrigada de apurar a Cofins e o PIS pelo regime da não cumulatividade, mas ao final do litígio não logrou êxito em sua demanda, restando convertidos em renda todos os depósitos judiciais efetuados na pendência da solução final da pendenga. Assim, analisando a DRF/Blumenau/SC os valores dos depósitos convertidos em renda e os valores devidos à titulo da contribuição no âmbito do regime da nãocumulatividade, constatou a inexistência de créditos contra a Fazenda Nacional remanescentes (na verdade, os depósitos seriam até mesmo insuficientes para o adimplemento integral do valor devido no respectivo período de apuração), o que justificou, portanto, a não homologação da compensação intentada. Irresignada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte, por meio de seu procurador legal, manifestação de inconformidade na qual afirma que o auditorfiscal que analisou seu pleito repetitório incorreu em equívoco ao entender que estava ela se apropriando de créditos referentes à ação judicial no âmbito da qual não havia tido êxito. Alega que o direito creditório não se relaciona com o objeto da ação judicial em si, mas com o permissivo legal constante do artigo 2.o da Instrução Normativa SRF n.o 658, de 04/07/2006, que expressamente permite que as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa no PIS e na Cofins, permaneçam tributadas no regime da cumulatividade em relação às receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, desde que tais contratos tenham prazo de duração superior a um ano e se refiram a construção por empreitada ou a fornecimento, a preço determinado, de bens e serviços. Assim, como a contribuinte teria contratos nestas condições, o que quer ver repetido são os valores que foram indevidamente incluídos nos depósitos judiciais por não estarem submetidos à nãocumulatividade, e não créditos relativos ao objeto do provimento judicial que lhe foi desfavorável. Demanda a contribuinte, assim, pela homologação integral de sua compensação. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000207/200874 Resolução nº 3801000.785 S3TE01 Fl. 12 3 A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: RECURSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO NAS ALEGAÇÕES SUBMETIDAS A INSTÂNCIAS DISTINTAS Não é lícito ao contribuinte, em sede de recurso administrativo submetido à instância ad quem, inovar nas alegações levadas à apreciação da instância a quo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: o relator entendeu perfeitamente a forma pela qual esta recorrente utilizou os seus créditos, beneficio trazido pelo art. 2º da IN 658/06; em que pese no acórdão vergastado haver a compreensão de que a recorrente se utiliza dos fundamentos corretos para apurar os seus créditos, mas se julgam impossibilitados de analisar o pleito por causa de supressão de instância; sendo cristalino o direito da recorrente, reconhecido pela própria administração pública, não seria o caso ser levado às vias judiciais, o que seria dispendioso para as partes, inclusive com custos de honorários para Fazenda Nacional; o impasse poderia ser resolvido com um simples decisório de declinação de competência para autoridade competente homologar a compensação; acreditava que bastava esclarecer os fatos e direito para autoridade competente homologar sua Dcomp, não havia interesse de atingir uma instância ad quem, como dito, fora induzida em erro de endereçamento quando poderia apenas esclarecer os fundamentos motivadores da Dcomp; o mais justo seria reconsiderar a decisão e declinar a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp; caso não seja reconsiderada a decisão prolatada por esta Egrégia Seção de julgamento ao menos permita que a contribuinte retifique sua Dcomp de acordo com o permissivo previsto no art. 2º da IN 658/06; a solução para o presente caso não exige maiores esforços interpretativos, tratase apenas de mero erro de preenchimento da Dcomp, esta contribuinte não pode ser lesada por isso, inclusive, em decisões do conselho de contribuintes, vêm mantendo o entendimento de que os contribuintes não podem ser lesados pelo mero erro de fato; Por fim, requereu a reforma do acórdão atacado e que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário homologando as Declarações de Compensação realizadas pela recorrente, confirmando o direito desta aos créditos tributários Fl. 149DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000207/200874 Resolução nº 3801000.785 S3TE01 Fl. 13 4 relativos aos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, na forma detalhada apresentada nos presentes autos, de acordo com o permissivo previsto no art. 20 da IN 658/06. Alternativamente, requereu a reforma da decisão no sentido de que seja declinada a competência para a DRF em Blumenau, a fim de que esta possa analisar os esclarecimentos prestados por esta contribuinte e homologar sua Dcomp. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de 31/7/2005, em especial verificasse se houve pagamento a maior em face das receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 com prazo superior a um ano. A DRF de Florianópolis – SC não atendeu o solicitado na Resolução, uma vez que não apurou a base de cálculo da contribuição no período em referência. Justificou o seu procedimento com os seguintes argumentos: que a pretensão em apreço não se coaduna com os procedimentos de apuração de créditos passíveis de restituição e compensação administrativas oponíveis em face da Receita Federal do Brasil (RFB), na forma do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; para as hipóteses em que o valor objeto de pleito restituitório se refira a depósito judicial transformado em pagamento definitivo indevidamente, por meio de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE), o procedimento relativo à devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), à vista da inexistência de previsão legal para manejo de tal operação no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI); impende mencionar que eventual reconhecimento de crédito a compensar decorrente do DJE de fls. 13, na via da compensação tributária, ou seja, na seara administrativa, implicaria cm revisão indevida do ato judicial que ordenou o procedimento de transformação em pagamento definitivo levado a efeito no bojo do Mandado de Segurança n° 2004.72.00.0030284/SC, donde houve a participação da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e do Patrono da interessada, com a homologação dos valores a transformar em pagamento definitivo pelo Juiz da causa; como o procedimento relativo à eventual devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), uma vez que se trata de quantia inidônea à restituição e compensação a ser processada no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), entendemos, s.m.j, prejudicada a diligência ora requerida em sede de procedimento administrativo relativo à compensação tributária, inadequado à pretensão do interessado, motivo pelo qual os autos deverão retornar ao CARF para a adoção das providências de alçada face ao acima exposto. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000207/200874 Resolução nº 3801000.785 S3TE01 Fl. 14 5 A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência e não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000207/200874 Resolução nº 3801000.785 S3TE01 Fl. 15 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Como relatado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Florianópolis SC não cumpriu o determinado na Resolução, pois não apurou a base de cálculo da contribuição do período de apuração em litígio, conforme havia sido decidido pelo colegiado. Causa surpresa as alegações suscitadas pela autoridade administrativa por ocasião da diligência fiscal, embora pertinentes e plausíveis, porém inoportunas. A autoridade em questão inovou nos fundamentos do despacho decisório, fato que não se coaduna com os princípios do direito administrativo. Tenhase presente que a Informação Fiscal da Delegacia da Receita Federal em Blumenau, de 18 de março de 2008, que subsidiou o respectivo Despacho Decisório, não mencionou o fato de que para as hipóteses em que o valor objeto de pleito restituitório se refira a depósito judicial transformado em pagamento definitivo indevidamente, por meio de Documento para Depósitos Judiciais e Extrajudiciais à Ordem e à Disposição da Autoridade Judicial ou Administrativa Competente (DJE), o procedimento relativo à devolução e/ou estorno deverá ser adotado por intermédio da Caixa Econômica Federal (CEF), à vista da inexistência de previsão legal para manejo de tal operação no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI). Essa omissão do despacho decisório por certo trouxe prejuízos à recorrente e limitou o seu direito defesa, inclusive a Delegacia de Julgamento sequer teve conhecimento deste novo fato. Sublinhase que em face da teoria dos motivos determinantes, a validade do ato administrativo se vincula aos motivos indicados como seu fundamento. A propósito, confira excertos da citada informação fiscal: Nesse caso há que se proceder a uma nova apuração do valor devido da COFINS no período de apuração analisado, em face do trânsito em julgado dos autos n°. 2004.72.00.0030284 ter sido desfavorável à pretensão judicial da pessoa jurídica. Assim sendo, conforme demonstrativo anexado à fl. 28, consta apurado o efetivo valor devido da contribuição COFINS na referida competência. Observase no mencionado demonstrativo, que o novo valor devido da COFINS (apurado integralmente no regime da NãoCumulatividade) não foi totalmente quitado pelos respectivos pagamento e depósito judicial transformado em pagamento definitivo. Ou seja, além de não haver crédito a ser restituído/compensado, consta ainda a existência de saldo devedor a ser liquidado. Assim, tornase improcedente o pleito, em razão da ausência de crédito oriundo dos depósitos judiciais transformados em pagamento definitivo, tendo em vista a decisão favorável à União mediante autos judiciais n°. 2004.72.00.0030284, quanto a legalidade da cobrança da COFINS NãoCumulativa (Lei n°. 10.833/2003), cabendo por fim, a cobrança integral dos débitos constantes da declaração de compensação objeto deste processo administrativo.(grifouse) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000207/200874 Resolução nº 3801000.785 S3TE01 Fl. 16 7 Como se nota, a autoridade administrativa indeferiu o pleito pela ausência de crédito em razão da apuração da base de cálculo em demonstrativo específico, não tendo sido citada a impossibilidade operacional e jurídica do pleito. Ainda que, hipoteticamente, prevaleça no julgamento a nova tese levantada pela Delegacia de Florianópolis na diligência, é passível de restituição, em tese, uma parcela do pagamento recolhido por meio de DARF, segundo consta do processo administrativo. O fato é, que pelos indícios colacionados no processo, no período em discussão, a maior parte das receitas da recorrente não estava sujeita ao regime nãocumulativo, nos termos do art. 2º da Instrução Normativa nº 658/2006. É importante frisar que a inovação nos fundamentos do indeferimento do pleito por parte da autoridade administrativa não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, conforme estabelece o art. 170 do CTN. Registrese, por oportuno, que este Egrégio Conselho, em algumas poucas oportunidades, tem admitido a possibilidade de restituição na esfera administrativa de depósitos judiciais convertidos em renda, a exemplo do acórdão unânime abaixo transcrito: PRESCRIÇÃO PARA PEDIR RESTITUIÇÃO, DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. ART. 168 C/C 156, VI, DO CTN. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição apenas começa com a extinção do crédito tributário. No caso de valores depositados em juízo tendo em vista que a existência de depósito não extingue, mas apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário a extinção apenas ocorre no momento da conversão em renda, conforme previsto no art. 156, VI do CTN. No caso de depósito judicial, o prazo para pleitear a restituição pelo pagamento em duplicidade começa a contar da conversão em renda. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE, PARCELAMENTO E CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. Tendo sido extinto o crédito tributário correspondente a um determinado fato gerador por meio de parcelamento, a posterior conversão em renda de depósitos judiciais relativos ao mesmo fato gerador configura pagamento em duplicidade, implicando no direito à restituição do segundo pagamento.(grifouse) (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão 3403 00.511, de 25/08/2010, rel. Ivan Allegretti, Processo nº 10380.013899/200146) Pontuase que no processo citado acima não se tem notícia da interposição de recurso especial por parte da Fazenda Nacional, oposição de embargos pela autoridade incumbida de executar o acórdão e muito menos consta eventual impossibilidade material de se executar o decidido pelo CARF. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13975.000207/200874 Resolução nº 3801000.785 S3TE01 Fl. 17 8 a) apure o valor a recolher da contribuição Cofins com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração em discussão, com segregação das receitas sujeitas ao regime cumulativo e do nãocumulativo; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 154DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19740.900685/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Victor de Sousa Soares, OAB /RJ nº. 184.151.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Victor de Sousa Soares, OAB /RJ nº. 184.151. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 200 1 199 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.900685/200905 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.265 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de agosto de 2014 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento o advogado Victor de Sousa Soares, OAB /RJ nº. 184.151. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório O presente processo trata de pedido de compensação (PER/Dcomp) n° 38678.56575.190109.1.3.044390, onde a Recorrente informa a existência de crédito no valor de R$ 50.645,08, decorrente suposto pagamento indevido ou a maior do PIS, a compensar com débitos do mesmo tributo, relativo a dezembro de 2008. Para tentar elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Tratase de litígio administrativo, instaurado com a manifestação de inconformidade apresentada por SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE SOCIEDADE ANÔNIMA (fls 08 11) contra o despacho decisório proferido pelo titular da unidade da RFB competente em relação ao sujeito passivo, não homologando o pedido de compensação (fl.04). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .9 00 68 5/ 20 09 -0 5 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900685/200905 Resolução nº 3202000.265 S3C2T2 Fl. 201 2 O PERDCOMP n° 38678.56575.190109.1.3.044390 foi transmitido em 19012009. Com o PERDCOMP, o sujeito passivo tenciona compensar suposto crédito havido em função de pagamento a maior de PIS, no valor original inicial de R$ 50.645,08 (fl. 01 verso) com débito de PIS relativo a dezembro de 2008 no valor principal de R$ 28.277,30 (fl. 03). A decisão de não homologar o PERDCOMP n° 38678.56575.190109.1.3.044390 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP" (fl. 04). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese (fls. 0912): Objetivando extinguir por compensação débito referente a PIS relativo ao período de apuração de dezembro de 2008, compensouo com crédito de sua titularidade, no valor original de R$ 50.645,00, conforme declaração de compensação (PER/DCOMP) transmitida eletronicamente. Ao examinar a citada declaração de compensação, o servidor entendeu que o DARF havia sido integralmente alocado ao próprio débito a que se referia, nada restando que pudesse ser objeto de restituição ou de compensação. Em 24092003, impetrou mandado de segurança contra a cobrança daquela contribuição prevista nos arts. 2º , 3º e 17 da Lei 9.718/98, tendo depositado em contas a ele vinculada os valores em discussão. Conforme atesta a DCTF retificadora apresentada (fls. 58/59), em 27052009, antes da prolação do despacho decisório impugnado, o valor devido a título de PIS em dezembro de 2007 totalizara R$ 430.423,38 , dos quais: i) R$ 40.884,07, estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao mandado de segurança citado e; ii) Os restantes R$ 389.539,31 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 440.184,39. Resta certo, portanto, que no DARF de R$ 440.184,39, está incluída a contribuição para a quantia de R$ 25.727,41, recolhida indevidamente, passível de ser utilizada para compensação com débitos da titularidade da requerente. Para reforçar seu direito ao citado crédito, a requerente anexa demonstrativo do profissional responsável pelas suas escriturações contábil e fiscal, contendo a base de cálculo da contribuição para a PIS apurada em junho de 2007, cópia de seu livro razão demonstrando a reversão de provisão e o lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da contribuição decorrente dessa reversão, bem como parte do balancete espelhando o saldo das contas relacionadas. Pede, por fim, que seja reformado o despacho decisório, reconhecendose seu direito creditório. É o relatório. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II proferiu o Acórdão nº 1334.379, em 16 de abril de 2011 (e fls nº 122/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2007 a 30/12/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900685/200905 Resolução nº 3202000.265 S3C2T2 Fl. 202 3 Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A interessada cientificada do Acórdão em 01/02/2012 (efl. 108), interpôs Recurso Voluntário em 02/03/2012 (efls. 109/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de solicitar a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. Compulsandose os autos verificase a existência de questões fáticas que precisam ser esclarecidas. O pedido de compensação efetuado pelo contribuinte foi denegado pela autoridade fiscal em face de “inexistência de crédito”, conforme Despacho Decisório eletrônico, emitido em 07/10/2009 pela DEINF Rio de Janeiro (efl. 6). Em seu recurso o contribuinte afirma ter apresentado DCTF retificadora (em 27/05/2009) antes da prolação do despacho decisório e alega, em síntese, que “o valor devido a título de PIS em dezembro de 2007 totalizara R$ 430.423,38, dos quais (i) R$ 40.884,07, estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao Mandado de Segurança nº 2003.61.000270753 e, (ii) os restantes R$ 389.539,31 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 440.184,39, tornandose, portanto, R$ 50.645,08 valor recolhido indevidamente passível de restituição/compensação”. Muito embora o contribuinte tenha retificado a DCTF antes da ciência do despacho decisório, a decisão da DRJRio de Janeiro foi proferida no sentido de que o contribuinte não havia comprovado o seu direito à restituição/compensação. Entendo que deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DEINF Rio de Janeiro em diligência, para que a fiscalização analise os documentos anexados aos autos pela Recorrente, intimandoa para prestar outras informações ou apresentar documentos que julgar necessários, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19740.900685/200905 Resolução nº 3202000.265 S3C2T2 Fl. 203 4 Ao término da diligência, a fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados e documentos apresentados. Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11020.904368/2013-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/09/2011
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/09/2011 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 43 68 /2 01 3- 50 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1447.843, de 17/12/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904368/201350 Acórdão n.º 3803006.424 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1447.843, em 17/01/14, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 11/02/14, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904368/201350 Acórdão n.º 3803006.424 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10865.001647/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006, 2007
IPI. AUTUAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se de exigência formalizada como reflexo da autuação tida como principal, aplica-se a ela o resultado do julgamento proferido frente à autuação matriz.
Numero da decisão: 1402-001.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação à exigência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; tendo em vista pedido de desistência formalizado; e na parte conhecida, correspondente à parcela remanescente do IPI, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva acompanhou pelas conclusões.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 IPI. AUTUAÇÃO REFLEXA. Tratandose de exigência formalizada como reflexo da autuação tida como principal, aplicase a ela o resultado do julgamento proferido frente à autuação matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação à exigência do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; tendo em vista pedido de desistência formalizado; e na parte conhecida, correspondente à parcela remanescente do IPI, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva acompanhou pelas conclusões. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 47 /2 00 9- 89 Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: No âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal n. 08.1.12.002008 009042 (fl. 258), contra a empresa acima identificada, submetida por sua opção à sistemática de tributação pela modalidade de lucro arbitrado, foi lavrado auto de infração que lhe exigiu Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescidos de juros de mora e multa de ofício majorada, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 02/79). Segue quadro demonstrativo das importâncias lançadas: [......] Segundo consta do Termo de Verificação de Infração Fiscal (TVIF fls. 61/79), após análise dos documentos apresentados pela contribuinte, em resposta à intimação que lhe fora endereçada, constatouse discrepância entre o valor da movimentação financeira contabilizada e o que fora informado pelas instituições bancárias nas declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Conforme relato contido no referido Termo, inicialmente o procedimento fiscal centrouse no período de 2004 e 2005, quando foi constatado que a fiscalizada "movimentou recursos" por meio de contas bancárias "controladas à margem de sua escrituração oficial". O processo n° 10865.003578/200867 recepcionou os autos de infração relativos ao citado período, que se prestaram a exigir os tributos incidentes sobre receitas omitidas, oriundas de depósitos bancários sem origem comprovada. Naquela oportunidade, foram "emitidas várias intimações fiscais direcionadas a clientes da fiscalizada, identificados pelas transações bancárias não contabilizadas. Com base nas respostas a estas intimações, relatadas no item 18 da fl. 64 do TVIF, foi possível concluir "que tais contas bancárias serviram para omitir receitas auferidas, as quais acarretaram um efetivo acréscimo patrimonial, uma aquisição de disponibilidade econômica em benefício da fiscalizada e de seus administradores, utilizada não somente para adquirir ativos próprios, mas também para custeio de bens particulares dos sócios". No procedimento foi constatado que a fiscalizada movimentava duas contas junto à Agência n° 2144 da Caixa Econômica Federal e que apenas uma delas "era registrada em sua escrituração", justamente aquela cuja movimentação representou "pouca repercussão tributária", porquanto recebia recursos advindos de transferências de outras contas não escrituradas. Em relação à outra conta, não escriturada, relata a autoridade fiscal que "o que chama a atenção na movimentação dessa conta não é a origem dos recursos que nela adentraram, mas sim a destinação dada a esses ingressos", utilizados para pagamentos de "complementação salarial" de funcionários, também não escrituradas (não informadas em DIRF). E este procedimento continuou ocorrendo nos anos de Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10865.001647/200989 Acórdão n.º 1402001.780 S1C4T2 Fl. 3 3 2006 e 2007, "conforme se observa pelos comprovantes de débito anexos e pela folha de pagamento paralela, correspondente ao mês de fevereiro/2006 (doe. 3)". Em razão destas constatações decidiuse ampliar o período fiscalizado com a inclusão dos anos de 2006 e 2007. A fiscalizada foi informada desta decisão por meio do Termo de Prosseguimento da Ação Fiscal, lavrado em 08/10/2008 (fls. 257). Em 04/11/2008, a fiscalizada foi intimada a apresentar, entre outros elementos, cópias dos extratos de todas as suas contas bancárias, relativos aos anos de 2006 e 2007, "acompanhadas de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, que comprovasse a origem dos recursos depositados nas contas não registradas em sua escrituração contábil, a exemplo do que ocorrera em 2004 e 2005". Como não houve atendimento ao solicitado, mesmo após uma nova intimação fiscal, os extratos bancários foram requisitados diretamente junto às instituições financeiras, por meio das competentes Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 262/272). De posse dos extratos bancários a autoridade fiscal elaborou planilhas com a relação individualizada dos créditos bancários que deveriam ter sua origem comprovada, encaminhada em anexo ao Termo de Intimação Fiscal n° 904004, de 09/02/2009 (fls. 592/668). Referida intimação também instou a contribuinte a apresentar o "livro auxiliar para registro individuado das operações bancárias cuja contabilização não foi localizada, nos moldes preconizados pelo artigo 258, § Io , do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99)". Naquela ocasião "a fiscalizada foi alertada de que na falta dessa comprovação, tais créditos seriam considerados como receitas omitidas, consoante o artigo 42 da Lei n° 9.430/96". Em vista de que não houve atendimento à intimação fiscal, uma nova notificação fora emitida, em 09/03/2009, reiterando os mesmos pedidos. E em 02/04/2009 a fiscalizada "entregou arquivos digitais.contendo os dados das notas fiscais de entrada e de saídas do período de agosto a dezembro/07", oportunidade em que solicitou mais 60 dias de prazo para a apresentação do resto da documentação. A autoridade fiscal, entretanto, concedeu apenas mais 20 dias de prazo. No decorrer da ação fiscal, "a contribuinte apresentou um arquivo digital contendo planilhas eletrônicas nas quais se encontram discriminados os créditos bancários que no seu entender não se enquadram na condição de receitas por ela auferidas e não tributadas". Na análise destas planilhas, a autoridade fiscal concluiu "que a intimada conseguiu demonstrar que alguns créditos não correspondem a recebimentos de receitas, por se tratar de cheques depositados e devolvidos, estornos, transferências entre contas e resgates de fundos". A autoridade fiscal constatou que parte dos créditos bancários referemse "a pagamentos efetuados pela cliente Leroy Merlin Cia Brasileira de Bricolagem, os quais, de maneira semelhante ao que ocorreu em 2004 e 2005, são amparados por notas fiscais, conforme exame realizado por amostragem". A planilha de fl. 69, integrante do TVIF, consolida os valores da movimentação bancária no período fiscalizado, sendo que do total de "créditos a comprovar a origem" (no montante R$ 122.785.239,82), a fiscalizada conseguiu comprovar a origem de créditos num montante de R$ 28.735.187,66. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 A contribuinte foi informada das exclusões dos créditos considerados comprovados e novamente intimada, em 06/07/2009, a apresentar documentação capaz de justificar os créditos bancários de origem não comprovada. Em atendimento desta intimação, a fiscalizada manifestouse por meio da correspondência acostada às fls. 736/738, solicitando que do montante que foi considerado não comprovado (R$ 94.050.052,16), fosse deduzida a quantia de R$ 22.648.612,24, referente a duplicatas recebidas pela conta Caixa, lançadas pelo histórico de "baixa de duplicatas recebidas nesta data". Como não consegui individualizar os lançamentos as duplicatas recebidas por essa modalidade, elaborou demonstrativo no qual estabeleceu uma comparação entre o total dos créditos bancários efetuados nas contas contabilizadas e a soma das quantias relativas a receitas declaradas em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), tendo apurado uma diferença de R$ 23.339.550,54. A autoridade fiscal, entretanto, entendeu que tal argumentação não fora suficiente para convalidar sua intenção de se desonerar da tributação do montante pretendido, desacompanhada de elementos probatórios consistentes, cuja conservação e exibição ao Fisco é obrigação legal imposta a todos os contribuintes". Prosseguiu a autoridade asseverando que : ...aceitar tal justificativa equivaleria a considerar que todas as receitas auferidas transitaram pelas contas bancárias localizadas e que não houve, por exemplo, recebimentos em dinheiro ou por intermédio de outros canais. Significaria avalizar um procedimento irregular, pelo qual as entradas na conta caixa representariam o reconhecimentos de receitas de sua atividade operacional, recebidas inicialmente por intermédio das contas bancárias paralelas, ocultas do Fisco de maneira premeditada, para depois serem supostamente ojieializados por meio de uma metodologia completamente avessa às regras estipuladas pela legislação comercial e fiscal. A autoridade fiscal fundamentou seu entendimento baseada nos artigos 251 e 269 do RIR/99, assim como nos artigos 1.179 e 1.180 do Código Civil, artigos 51, inc. II e 178 da Lei n° 11.101/05 (lei de recuperação judicial e falência das sociedades empresárias), e também na Resolução n° 785/95 do Conselho Federal de Contabilidade, que prescrevem a necessidade da regular escrituração contábil para o fim de fazer prova a favor do contribuinte. Cita, ademais, o mesmo entendimento esposado pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). E ante à falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, a autoridade fiscal considerouos como receitas omitidas à tributação, com supedáneo no art. 42 da Lei n° 9.430/96, o que implica a inversão do ônus da prova para o contribuinte. Os valores mensais das receitas consideradas omitidas estão relacionados na planilha de fl. 74, integrante do TVIF, no montante de R$ 94.050.052,16, considerando os anos de 2006 e 2007. Acerca do valor, observou a autoridade fiscal que em conformidade com o teor dos extratos coligidos expressiva parcela de tais créditos derivase de cobranças bancárias.A expressão cobrança bancária referese à operação pela qual um banco é incumbido das tarefas de recebimentos de títulos emitidos em favor de empresas, por conta das vendas que estas realizam, circunstância que confirma a condição de receita auferida. Quanto à forma de apuração do lucro, a autoridade fiscal observou que até o ano de 2003 o contribuinte havia optado pelo lucro presumido, tendo alterado para o lucro arbitrado a partir de 2004, em razão de sua receita bruta ter excedido o limite Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10865.001647/200989 Acórdão n.º 1402001.780 S1C4T2 Fl. 4 5 para a apuração na sistemática anterior. E a respeito desta opção, assim se manifestou a autoridade fiscal: Muito embora se veja com reservas as atitudes engendradas propositadamente pelo contribuinte para possibilitar a aplicação do autoarbitramento, no presente caso é notório que sua escrituração encontrase eivada de vícios, erros e deficiências que a tornam imprestável para determinar o lucro real, motivo pelo qual será mantida a sistemática de tributação adotada Sobre os tributos lançados foi aplicada a multa qualificada, no percentual de 150%, atualmente prescrita no art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430/96. A autoridade fiscal justificou esta imposição, nos seguintes termos: No caso concreto sob análise, a fiscalizada utilizouse de contas correntes controladas à margem de sua escrituração para receber uma expressiva parcela de suas receitas de vendas, as quais não foram oferecidas u tributação. Salientese que não se trata de um equívoco isolado ou casual, mas de um estratagema que vem se repetindo ao longo do tempo, verificandose que foi reiteradamente praticado por todo o período sob fiscalização, inclusive nos anos anteriores, de 2004 e 2005, quando foi empregada para os mais variados fins, como a compra de ativos próprios, o custeio de bens particulares dos sócios, a quitação da folha de pagamento paralela e de outros dispêndios, ficando clara a ocorrência de um acréscimo patrimonial decorrente da aquisição de disponibilidade econômica. Diante de tais circunstâncias, evidenciase que houve intenção consciente de ocultar da Administração Fazendária o conhecimento sobre a concretização da hipótese de incidência, no intento de afastar da tributação o fato gerador da obrigação tributária correspondente. Havendo, portanto, a configuração dos dois elementos formadores do dolo, o cognitivo e o volitivo, confirmase o evidente intuito defraude à época exigido pelo inciso ¡1 do artigo 44 da Lei 9.430/96, não restando dúvidas a respeito da materialização da situação prevista no artigo 71 da Lei n" 4.501/64, razão pela qual será aplicada a multa qualificada de 150% nele prevista, sobre os créditos tributários apurados com base nas receitas recebidas mediante depósitos em contas correntes mantidas à margem da escrituração. A autoridade fiscal conclui seu termo informando que procedeu à respectiva Representação Fiscal para Fins Penais e também o Arrolamento de Bens, que já havia sido realizado por ocasião do encerramento parcial do procedimento fiscal relativo aos anos de 2004 e 2005. Regularmente intimada da imposição tributária a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 765/776 com alegação de: erro na apuração da receita omitida ocasionada pelo fato de ter sido considerada em seu cômputo o valor de R$22.648.612,24, lançado na conta caixa; o valor lançado relativo ao IPI deve ser excluído da base de cálculo dos demais tributos objeto de imposição tributária; é improcedente a imposição de multa qualificada de 150% por inexistir intenção de praticar dolo ou fraude. Ao final, protestou pela utilização de todos meios de prova admitidos, propugnou pela realização de diligência, bem assim pelo cancelamento da imposição tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão nº 1427.215 considerando improcedente a impugnação e mantendo o lançamento na integralidade. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorreu a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Foram apresentados dois pedidos de desistência parciais com vistas a pagamento do débito, objeto do pedido, sob as regras da norma exonerativa. Remanesceu na lide apenas uma parcela da exigência do IPI. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10865.001647/200989 Acórdão n.º 1402001.780 S1C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e preenche as demais condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço na parte não abrangida pelos pedidos de desistência. A partir da adesão ao programa de parcelamento especial, foi excluída da lide toda a exigência correspondente ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, e parte da exigência do IPI. Remanesceu nos autos uma parcela da autuação desse último tributo. Nas peças de defesa, a interessada não apresentou nenhum questionamento específico em relação à cobrança do IPI, limitandose a suscitar que o valor do imposto fosse deduzido na exigência dos demais tributos. Tal questão perdeu objeto com a desistência apresentada. Sendo assim, e tratandose de autuação reflexa, aplicase a ela a decisão proferida em relação à exigência que lhe deu origem, no caso o IRPJ. Assim, o lançamento deve ser mantido. Apenas em caráter complementar, registrese que na situação dos autos, restou comprovada a omissão de receitas em virtude de depósitos bancários não contabilizados. Tais receitas são consideradas provenientes de vendas não registradas, pelo que cabe exigir o IPI correspondente. Assim determina o § 2º do art. 448 do RIPI/2002 aprovado pelo Decreto nº 4544/2002, disposição mantida na legislação posterior. A presunção de que as receitas omitidas são oriundas de vendas não registradas é relativa, mas a recorrente não conseguiu elidila. Na petição em que informa o pedido complementar de desistência, a interessada apresenta razões pelas quais o lançamento do IPI deveria ser exonerado. A rigor tratase de recurso novo, com argumentos não apresentados nas peças de defesa formais. Assim, por ausência de previsão sob as regras tributárias e regimentais, a petição não merece ser analisada. Salientese que o princípio da verdade material flexibiliza as regras processuais fundamentalmente no que se refere à apreciação da provas. Entretanto não se lhe pode conceder uma elasticidade ilimitada, a ponto de transformar em peça recursal qualquer manifestação trazida aos autos sem embasamento na legislação. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 11/09 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 15582.000309/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO EM JUÍZO.
Ainda que a recorrente não tenha se manifestado expressamente nos autos a respeito da desistência do recurso voluntário, a declaração em juízo de que tem total interesse na inclusão do débito contestado em parcelamento, mesmo advertida da necessidade de desistência do recurso voluntário, implica na impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, frente à declaração do contribuinte nos autos da ação judicial que discute a inclusão no parcelamento, de que tem total interesse na inclusão da NFLD 37.110.936-1, objeto deste Processo Administrativo Fiscal, em tal parcelamento.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO EM JUÍZO. Ainda que a recorrente não tenha se manifestado expressamente nos autos a respeito da desistência do recurso voluntário, a declaração em juízo de que tem total interesse na inclusão do débito contestado em parcelamento, mesmo advertida da necessidade de desistência do recurso voluntário, implica na impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2007 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO EM JUÍZO. Ainda que a recorrente não tenha se manifestado expressamente nos autos a respeito da desistência do recurso voluntário, a declaração em juízo de que tem total interesse na inclusão do débito contestado em parcelamento, mesmo advertida da necessidade de desistência do recurso voluntário, implica na impossibilidade de conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, frente à declaração do contribuinte nos autos da ação judicial que discute a inclusão no parcelamento, de que tem total interesse na inclusão da NFLD 37.110.9361, objeto deste Processo Administrativo Fiscal, em tal parcelamento. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 2. 00 03 09 /2 00 7- 58 Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15582.000309/200758 Acórdão n.º 2302003.340 S2C3T2 Fl. 1.889 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente. Adotamos trechos, com destaques nossos, do relatório do decisório do órgão a quo (fls. 1.790 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n° 37.110.9361, no valor de R$ 22.404,59 (vinte e dois mil e quatrocentos e quatro reais e cinqüenta e nove centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado em 17/08/2007 de R$ 37.623,06 (trinta e sete mil e seiscentos e vinte e três reais e seis centavos) nas competências compreendidas entre 01/2002 e 03/2007. O presente lançamento engloba as contribuições sociais devidas e não recolhidas relativas à parcela a cargo da empresa, de quinze por cento, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho. 2. A planilha anexa ao Relatório Fiscal de fls. 59 a 64 arrola as Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Cooperativa de Trabalho Médico Unimed Vitória e a base de cálculo considerada para a apuração das contribuições previdenciárias, correspondente a 30% do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços por se tratar de contrato de natureza coletiva, com atendimento completo em consultório ou hospital, com materiais fornecidos não discriminados nas notas fiscais emitidas. Esse percentual representa o montante dos serviços prestados pelos cooperados equivalentes ao contrato de grande risco ou de risco global, de acordo com o contidos no artigo 291, I, "a" da IN MPS/SRP 03/2005. 3. Consta ainda do Relatório Fiscal, que a empresa não informou em GFIP, antes do início da ação fiscal, os fatos geradores referentes aos pagamentos efetuados a UNIMED, e que tal fato será objeto de "Representação Fiscal para Fins Penais" pois em tese configura crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso III do DecretoLei n°. 2.848, de 07/12/1940 Código Penal. 4. Por fim, informa que o contribuinte corrigiu a falta acima apontada após o início da ação fiscal. 5. Os dispositivos legais que amparam o presente lançamento encontramse discriminados no relatório fiscal, bem como no Relatório de Fundamentos Legais de Débito FLD anexo à Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 presente NFLD. As alíquotas aplicadas encontramse no Discriminativo Analítico de Débito — DAD. DA IMPUGNAÇÃO 6. Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a presente NFLD, através do instrumento de fls. 226 a 231, alegando em síntese: (...) Lavrada a Notificação e cientificada, a recorrente apresentou impugnação, a qual, como se disse, foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 1.812 e seguintes. Às fls. 1.872, consta a informação de que a recorrente aderiu ao regime de parcelamento de débitos do art. 1o da Lei n° 11.941/2009, mas não conseguiu concluir a fase de consolidação, tendo sua adesão foi cancelada. Inconformada, a recorrente requereu em juízo, através da ação 2012.50.01.00.71232, Seção Judiciária do Espírito Santo, a manutenção do parcelamento, obtendo decisão favorável no julgamento do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Transitada em julgado a decisão e retornados os autos ao juízo de 1º grau, a autora aduziu que a União não tomou as providências necessárias à inclusão no parcelamento dos débitos constituídos pela Notificação Fiscal de Lançamento (NFLD) de que tratam os autos (debcad 37.110.9361). Após informações colhidas junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, a União, por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional no Espírito Santo (PFN/ES), informou que a NFLD 37.110.9361 continua em situação de julgamento do recurso voluntário em razão de não constar no respectivo processo administrativo o requerimento de desistência do recurso. Ainda em juízo, em resposta à informação da União, a contribuinte informou que tem total interesse na inclusão da NFLD 37.110.9361 no parcelamento. É o relatório. Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15582.000309/200758 Acórdão n.º 2302003.340 S2C3T2 Fl. 1.890 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Desistência do Recurso Voluntário. Como visto, a recorrente, em razão de sua adesão a regime de parcelamento de débitos, manifestou, ainda que em juízo, total interesse na inclusão da NFLD 37.110.9361 no parcelamento. Na manifestação da Procuradoria nos autos da ação judicial (fls. 1.884), foi informado que, para a inclusão da NFLD 37.110.9361 no parcelamento, era necessário o cumprimento da condição imposta no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/2009: Art. 13.Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria.(Redação dada pela Portaria PGFN/RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) (...) § 3º A desistência de impugnação ou recurso administrativos deverá ser efetuada mediante petição dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento ou ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o caso, devidamente protocolada na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, no prazo previsto no caput, na forma do Anexo I. Portanto, é condição para a inclusão no parcelamento da Lei n° 11.941/09, que a recorrente desista do presente recurso. Em resposta à manifestação da PFN, a recorrente aduziu, em juízo, que (fls. 1.885): Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Portanto, entendemos que a manifestação da recorrente nos autos da ação judicial que discute a inclusão no parcelamento implica na desistência do recurso interposto, razão pela qual, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902404/2012-94
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/08/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 04 /2 01 2- 94 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.709, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 01109.77883.161107.1.2.049020, rastreamento nº 029224163, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 27.509,28, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/07/2005, efetuado em 15/08/2005, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902404/201294 Acórdão n.º 3802002.559 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/08/2005 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902404/201294 Acórdão n.º 3802002.559 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902404/201294 Acórdão n.º 3802002.559 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902404/201294 Acórdão n.º 3802002.559 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13603.724620/2011-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de Apuração: 01/10/2008 a 31/10/2008 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 62 0/ 20 11 -5 1 Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.465 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de PIS/PASEP apurado no período de 01/10/2008 a 31/10/2008, no valor total de R$ 1.239.256,23, em conformidade com o artigo 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 1.049.947,43. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.466 3 Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 699,89 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 188.608,91. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.467 4 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.468 5 vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.469 6 apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.470 7 hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.471 8 Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigurase legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.472 9 passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.473 10 acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.474 11 homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 21/01/2014 (fls. 1432). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1434/1461, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 28/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 21/01/2014 conf. fls. 1432). Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.475 12 a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.476 13 Nessa linha, ao analisar a lide, verificamos a necessidade de conversão do julgamento em diligência no tocante ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – TVF, nos termos tratados abaixo. Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – Necessidade de diligência Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.477 14 de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.478 15 esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.479 16 Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) Sobre a questão, com a devida vênia, penso que a DRJ não caminhou da melhor forma. A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724620/201151 Resolução nº 3802000.242 S3TE02 Fl. 1.480 17 compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Da conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto. Sala de Sessões, em 19 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10735.004027/2001-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
ATENDIMENTO AOS ATOS ADMINISTRATIVOS. AFASTAMENTO DE PENALIDADE E JUROS MORATÓRIOS
A observância dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora, conforme determinado pelo art. 100, I, e parágrafo único do CTN.
Lançamento Parcialmente Procedente
Numero da decisão: 3101-001.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a aplicação da penalidade e dos juros moratórios lançados. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Glauco Antonio de Azevedo Morais e José Mauricio Carvalho Abreu que davam provimento total ao recurso voluntário. A conselheira Mônica Garcia de los Rios declarou-se impedida, sendo substituída pelo conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Aldo de Paula Junior, OAB SP 174.480, advogado do sujeito passivo.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 26/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Mauricio Carvalho Abreu.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Aplicação da RGI1, RGI6, RGC/TIPI, textos da posição 3808, da subposição 3808.40.10, e do “EX 01”. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 ATENDIMENTO AOS ATOS ADMINISTRATIVOS. AFASTAMENTO DE PENALIDADE E JUROS MORATÓRIOS A observância dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora, conforme determinado pelo art. 100, I, e parágrafo único do CTN. Lançamento Parcialmente Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a aplicação da penalidade e dos juros moratórios lançados. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Glauco Antonio de Azevedo Morais e José Mauricio Carvalho Abreu que davam provimento total ao recurso voluntário. A conselheira Mônica Garcia de los Rios declarouse impedida, sendo substituída AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 40 27 /2 00 1- 20 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 pelo conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira. Fez sustentação oral o Dr. Aldo de Paula Junior, OAB SP 174.480, advogado do sujeito passivo. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Glauco Antonio de Azevedo Morais, José Luiz Feistauer de Oliveira e José Mauricio Carvalho Abreu. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls. 278 a 279): Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado em 19/11/2001 o Auto de Infração — Imposto sobre Produtos Industrializados, às fls. 195/197, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no valor de R$1.196.483,62, sendo R$464.684,50 de imposto, R$348.513,32 de multa proporcional passível de redução e R$383.285,80 de juros de mora. Decorre o lançamento de procedimento fiscal de verificação de cumprimento das obrigações tributárias, quando foi observado que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com falta de lançamento do imposto por erro de alíquota em relação aos "desinfetantes" por ela fabricados durante o anocalendário de 1997. A contribuinte utilizou a posição 3808.40.10 da TIPI sem observar o "EX 01" da posição. O Termo de Verificação As fls. 33/35 detalha os procedimentos de verificação, conforme segue: o contribuinte adota para os desinfetantes que fabrica o código de classificação fiscal 3808.40.10 da TIPI, com a alíquota de zero por cento para o 1PI; o procedimento está em desacordo com o disposto nas Regras Gerais para Interpretação da Nomenclatura e com a Regra Geral Complemento n° 1, todas integrantes da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias — NBM; segundo esta, todos os desinfetantes com propriedades acessórias odoríferas devem ser classificados no código 3808.40.10 EX 01, correspondendo a uma alíquota de 30%; o contribuinte informou que os desinfetantes de fabricação da Bombril S/A têm como função principal DESINFETAR e função secundária PERFUMAR (fls. 27/28); essa informação é ratificada nos rótulos dos produtos desinfetantes fabricados pelo contribuinte (fls. 36/39). Em 20/12/2001, os procuradores da autuada, constituídos pelo instrumento às fls. 238/239, apresentaram a peça impugnatória às fls. 229/237, na qual, após discorrerem ligeiramente sobre os fatos Fl. 681DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10735.004027/200120 Acórdão n.º 3101001.671 S3C1T1 Fl. 4 3 contestados, apresentam os seguintes argumentos: o entendimento do fiscal autuante de que os desinfetantes têm a função secundária de perfumar baseiase numa interpretação literal do rótulo do produto sem se ater as suas reais características e propriedades; para uma correta classificação fiscal de qualquer produto é imprescindível possuir vastos conhecimentos químicos a fim de se chegar a um perfeito enquadramento técnico; seria prudente a fiscalização ter um parecer técnico conclusivo lavrado por um químico; os desinfetantes são produtos industrializados de primeira necessidade e não é difícil perceber a extensão de sua essencialidade; a COSIT desde há muito tempo indica a classificação de tais produtos na posição sujeita à alíquota zero; o perfume adicionado aos desinfetantes tem como objetivo impedir que o odor do produto químico (componente ativo) cause incômodo ao usuário; existem no mercado inúmeros produtos próprios para desinfetar ambientes, com propriedades odoríferas e desodorizantes, na forma de aerossol, como os produtos "Gleid" e "Bom Ar"; a Nota MF/SRF/COSIT n° 331/97, que trata do "Purific Eucalipto", menciona que para o desinfetante em liquido ou em pó, destinado à aplicação em superfícies, não se aplica o disposto no artigo 9° do Decretolei n° 2.470/88, que prevê a utilização da alíquota de 30%; está claro que os produtos que devem ser classificados no "Ex 01" da posição 3808.40.10 são aqueles que operam desinfecção através de reações químicas no meio aéreo. Finaliza sua peça afirmando que seus desinfetantes não têm propriedades acessórias de odorizar ou desodorizar ambientes, auto de devendo ser declarada a improcedência do infração. Junta ainda os elementos as fls. 238/259. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, em sessão realizada em 3 de fevereiro de 2005, acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento efetuado. O Acórdão 09.320 foi assim ementado: ASSUNTO:: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1997 Ementa: DESINFETANTES, POSIÇÃO FISCAL. Os desinfetantes com propriedades acessórias odoríferas devem ser classificados no código 3808.40.10 EX 01, correspondendo a uma alíquota de 30%. Lançamento Procedente A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Juiz de Fora, interpôs o Recurso Voluntário, onde reprisa as alegações trazidas na impugnação. Sustenta que os produtos que fabrica e foram objeto de análise pela Fiscalização são itens de primeira e em face de sua essencialidade, deveriam ser tratados na posição fiscal sujeita à alíquota zero. O processo foi objeto de apreciação pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 4 de novembro de 2008, que não conheceu do recurso voluntário, declinando a competência para o Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 20313.499). Fl. 682DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em resumo, a fiscalização concluiu que o produto fabricado pelo contribuinte, que estava classificado como desinfetante de uso geral, Tabela TIPI 3808.40.10, a qual é tributada à alíquota zero, em verdade, por possuir propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes, deveria estar classificado como 3808.40.10 e EX01, o que traria a alíquota de IPI ao percentual de 30%. De outro lado, a Recorrente afirma que os desinfetantes por ela industrializados, devem ser classificados na posição 3808.4010, uma vez que a odorização produzida por tais desinfetantes "restringese à volatização das substâncias aplicadas na superfície desinfectada e não decorre da volatização de substâncias próprias para atuar na massa aérea de um determinado ambiente", não devendo, portanto, serem confundidos com os desinfetantes com propriedades acessórias de odorizar ou desodorizar ambientes enquadrado no "EX" 01 do código 3808.40.10 da TIPI. Preliminarmente, não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa alegado pela recorrente, que demonstrou conhecer todas as questões fáticas e de direito objeto do lançamento efetuado, de forma que produziu com extrema competência sua defesa, demonstrando conhecer os fatos e o direito aplicável, exercendo de forma plena seu direito de defesa. No mérito, não há duvidas sobre a classificação Fiscal do produto em questão: tanto a fiscalização quanto a Recorrente apontam a NCM 3808.40.10. A divergência está no enquadramento no “EX01” do referido código, o que elevaria a alíquota de 0% para 30% para o IPI. A fiscalização entendeu que a ora Recorrente agiu em desacordo com o disposto nas Regras Gerais para Interpretação da Nomenclatura, e com a Regra Geral Complementar n° 1, todas integrantes da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias NBM, segundo as quais os desinfetantes com propriedades acessórias odoríferas são classificados no código 3808.40.10 "EX 01", ao qual corresponde a alíquota do IPI de 30% (trinta por cento). Para interpretarmos o texto do Ex, devemos observar o disposto na Regra Geral Complementar da TIPI RGC/TIPI, que assim determina: 1. (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o "Ex" aplicável, entendendo se que apenas são comparáveis "Ex" de um mesmo código. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10735.004027/200120 Acórdão n.º 3101001.671 S3C1T1 Fl. 5 5 César Olivier Dalston, em sua obra sobre “Exceções Tarifárias”, na qual realiza um profundo estudo sobre este instrumento de política econômica, inclusive analisando sua aplicação no IPI, assim dispõe sobre a questão: “O outro aspecto da Hermenêutica das ‘exceções tarifárias’ diz respeito a colocação em prática da interpretação do ‘Extarifário’. Para tanto, fazse uso de um arsenal técnico, o qual pode ser descortinado a partir da Regra Geral Complementar da Tipi (RGC/Tipi), que se aplica aos ‘Extarifários do IPI’ [...]. Dessa maneira, a determinação do ‘Extarifário do IPI’, no âmbito de determinado código, começa pela 1ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (1ªRGI) e, em tese e se for o caso, seguiria pela 2ª, 3ª, etc., até a 6ª RGI. Ora, como a 1ª RGI se refere aos textos de posições, o que no caso do ‘Extarifário’, mutatis mutandis, deve ser tomado como seu texto, então depreendese que a determinação do ‘Extarifário do IPI’ começa pela leitura do seu texto e, a partir daí, a verificação se o mesmo de fato se localiza no código que o abriga. [...] Ora, como ‘Extarifário do IPI’ é uma dentre várias espécies de ‘exceções tarifárias, então concluise que a literalidade dessas exceções é a primeira e certamente a mais importante regra de interpretação.” O referido autor sintetiza sua posição sobre o tema, que adotamos no presente voto: 1. No âmbito de um código NCM, a determinação do “Ex tarifário”, seja do IPI, seja do II, aplicável ao caso concreto deverá observar as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. 2. A literalidade do “Extarifário” é condição sine qua non para sua interpretação no âmbito do código em que se encontra. Passamos à análise do texto da posição 3808.40.10 e do "EX 01". Na tabela de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092, de 10 de dezembro de 1996, a classificação do produto desinfetantes constante da posição 3808.40.10 ficou desdobrado, de acordo com as propriedades principais e acessórias do produto: CAPÍTULO 38 PRODUTOS DIVERSOS DAS INDUSTRIAS QUÍMICAS [...] 38.08 Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados em formas ou embalagens para Fl. 684DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas (+). [...] 3808.40 Desinfetantes 3808.40.10 Apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto "EX 01" Com propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH, fonte subsidiária de classificação de mercadorias, esclarecem no tocante à posição 38.08: A presente posição abrange igualmente os seguintes produtos, desde que acondicionados para venda a retalho como fungicidas, desinfetantes , etc.: a) Produtos e compostos orgânicos tensoativos, de cation ativo (tais como sais de amônio quaternário), que possuam propriedades anti sépticas, desinfetantes, bactericidas ou germicidas. Os produtos da posição 3808. São subdivididos como segue: [...] IV) Os desinfetantes Os desinfetantes são agentes que destroem de maneira irreversível as bactérias, vírus e outros microrganismos indesejáveis, que se encontram, geralmente, em objetos inanimados. Os desinfetantes utilizamse, por exemplo, nos hospitais, para limpeza das paredes, etc., ou para a esterilização de instrumentos. Utilizamse também na agricultura, para desinfecção de sementes, e na fabricação de alimentos para animais, a fim de combater microrganismos indesejáveis. Incluemse neste grupo os produtos desinfetantes, bacteriostáticos e esterilizantes. A ora Recorrente foi intimada a apresentar informações relativas ao principio e descrição resumida de funcionamento, matéria ou matérias de que são constituídas as mercadorias que fabrica, e não apresentou as informações solicitadas pela fiscalização, sob o argumento que as informações solicitadas seriam de absoluto sigilo industrial e não seriam passíveis de revelação, salvo no caso de apresentação de consulta sobre classificação fiscal de produto, nos termos do artigo 4° da IN 02/97. No entanto, forneceu algumas explicações a respeito dos produtos (fls. 29 a 30), onde deixa claro que os desinfetantes de fabricação da Bombril S/A, tem como função principal Desinfetar e função secundária Perfumar. Informação ratificada nos rótulos dos produtos desinfetantes fabricados pelo contribuinte (fls. 39 a 42), que a seguir transcrevemos: "DESINFETANTE PARA USO GERAL DESINFETA LIMPA E PERFUMA” Fl. 685DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10735.004027/200120 Acórdão n.º 3101001.671 S3C1T1 Fl. 6 7 "Sua fórmula exclusiva com alto poder germicida e bactericida, age profundamente na limpeza do dia a dia, deixando todos os ambientes da casa limpos, desinfetados e com cheiro de limpeza por muito tempo.” O enquadramento do produto no código 3808.40.10 (desinfetantes apresentados em formas ou embalagens exclusivamente para uso domissanitário direto) não é controverso, mas apenas seu enquadramento no “EX 01”, por possuir ou não propriedades acessórias odoríferas ou desodorizantes de ambientes. Acertadamente a autoridade lançadora afirma e o julgador a quo confirma que as informações constantes do rótulo representam, em consonância com a legislação, as características do produto em questão. O fabricante fez constar do rótulo de seus produtos sua propriedade acessória odorífera, além de sua função principal de desinfetar e limpar. A Lei n° 6.360, de 23 de setembro de 1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, cosméticos, saneantes e outros produtos, define: Art.3° [...] VII Saneantes Domissanitários Substâncias ou preparações destinadas à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento da água compreendendo : [...] c) Desinfetantes destinados a destruir, indiscriminadamente ou seletivamente, microorganismos, quando aplicados em objetos inanimados ou ambientes; [...] Art 43. 0 registro dos desinfetantes será efetuado segundo o disposto no regulamento desta Lei e em instruções expedidas pelo Ministério da Saúde. Art 44. Para fins desta Lei, são equiparados aos produtos domissanitários os detergentes e desinfetantes e respectivos congêneres, destinados à aplicação em objetos inanimados e em ambientes, ficando sujeitos às mesmas exigências e condições no concernente ao registro, A industrialização, entrega ao consumo e fiscalização. O texto do "EX 01" prevê duas características dos desinfetantes para seu enquadramento: (i) desinfetantes com propriedades acessórias odoríferas; ou (ii) desinfetantes com propriedades desodorizantes de ambientes. Basta apenas que o desinfetante apresente uma das duas características indicadas no texto do “EX” para enquadrálo na exceção. De acordo com o inciso VII do art. 3º da Lei n° 6.360/76, são definidos como desinfetantes as substâncias ou preparações destinadas a destruir, indiscriminadamente ou seletivamente, microorganismos, quando aplicados em objetos inanimados ou ambientes. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 Portanto, os desinfetantes tanto podem ser aplicados em objetos inanimados como também aplicados em ambientes. Não se trata de considerarmos como desinfetante sujeito ao tratamento excepcional apenas aqueles aplicados em ambientes com propriedade desodorizante, mas também aqueles aplicados em objetos inanimados com propriedades acessórias odoríferas. A alegação da Recorrente de que a odorização produzida pelos desinfetantes "restringese à volatização das substâncias aplicadas na superfície desinfectada e não decorre da volatização de substâncias próprias para atuar na massa aérea de um determinado ambiente", não procede. No texto do “EX” não há uma exclusividade para enquadrar apenas aqueles desinfetantes com propriedades acessórias de desodorizar ambientes, mas também determina o enquadramento daqueles desinfetantes com propriedades acessórias de odorização aplicados em objetos inanimados, como é o caso dos produtos em questão. O texto do "EX" 01 trata das duas situações, contendo a conjunção alternativa “ou” em seu texto, com o sentido de alternância, exclusão. Tratase de uma situação (propriedades acessórias odoríferas) ou outra situação (propriedades desodorizantes de ambientes), não de apenas uma hipótese que deve preencher todo o requisito do texto (propriedades acessórias odoríferas e desodorizantes de ambientes. Esse entendimento está em consonância com o princípio da seletividade por conta da essencialidade do produto tributado que rege a tributação do IPI. O legislador achou por bem tributar com alíquota mais elevada, na forma do ex tributário gravoso do IPI, aqueles desinfetantes com propriedades acessórias odoríferas, diferenciandoo do desinfetante sem essas propriedades acessórias. Considerou que as propriedades odoríferas não eram essenciais, mas apenas a propriedade primária de destruição de microorganismos, dentro do princípio da seletividade do IPI. O próprio texto da NESH para a posição 3808 corrobora esse entendimento, ao definir desinfetantes como “agentes que destroem de maneira irreversível as bactérias, vírus e outros microrganismos indesejáveis, que se encontram, geralmente, em objetos inanimados”, e exemplificar seu uso, sem fazer referência àqueles produtos com propriedades odoríferas, mas apenas com sua função primária de destruição de microorganismos: Os desinfetantes utilizamse, por exemplo, nos hospitais, para limpeza das paredes, etc., ou para a esterilização de instrumentos. Utilizamse também na agricultura, para desinfecção de sementes, e na fabricação de alimentos para animais, a fim de combater microrganismos indesejáveis. Dessa forma, considerando as Regras Gerais de Interpretação (Texto da posição 38.08 e da subposição 3808.40), as Regras Gerais de Classificação 1 (Texto do código 3808.40.10— "EX 01) todos da TIPI Decreto n° 2.092/96, a regra geral complementar da TIPI (RGC/TIPI), e as características do produto em questão, confirmamos o entendimento da autoridade lançadora e do julgador de primeiro grau, que o contribuinte deu saída em produtos tributados com insuficiência de lançamento do IPI, por não aplicar a alíquota prevista na TIPI (código 3808.40.10 ,— "EX 01) de 30%. Entretanto, tendo em vista a observância, por parte da recorrente, da classificação fiscal indicada pela Nota MF/SRF/Cosit nº331, de 31/07/1997 (cópias às fls. 262 a 263), afasto a imposição da multa de ofício lançada e dos juros moratórios, conforme determinado pelo art. 100, I, e parágrafo único do CTN: Fl. 687DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10735.004027/200120 Acórdão n.º 3101001.671 S3C1T1 Fl. 7 9 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; [...] Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a aplicação da penalidade e dos juros moratórios lançados, confirmando a classificação dos produtos no código NCM 3808.40.10, “EX 01”. Sala das sessões, em 22 de julho de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 688DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/08 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 19647.002428/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que a Unidade Local recomponha os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL com base no acórdão 1201-000.285, proferido nos autos do processo 19647.013200/2004-97, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que a Unidade Local recomponha os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL com base no acórdão 1201000.285, proferido nos autos do processo 19647.013200/200497, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 02 42 8/ 20 09 -6 6 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório HIPERCARD BANCO MULTIPLO S/A, sucessora por incorporação de HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA. já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE, que negou provimento à impugnação apresentada contra os autos de infração lavrados a título de IRPJ (fls. 06, vol. 1) CSLL (fls. 11, vol. 1). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/18) consta, em síntese, as seguintes observações: que no que diz respeito aos saldos de prejuízos de períodos anteriores (até 31/12/2003) é de se dizer que apresentamos no quadro abaixo a situação fiscal do contribuinte, relativa aos saldos anteriores de prejuízo fiscal, levantada a partir das informações prestadas por ele nas DIPJs, cujos períodos de apuração foram encerrados de 01/01/2000 até 31/12/2003, sendo as aludidas informações controladas no âmbito da Receita Federal pelo Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, da Base de Cálculo Negativa da CSLL e do Lucro Inflacionário — SAPLI: ANOCALENDÁRIO LUCRO REAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO DE PERÍODOS ANTERIORES OBSERVAÇÕES 2000 50.184.378,22 DIPJ 2001 2001 59.933.550,83 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 01/01/ A 19/04/2002 15.832.423,33 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 20/04 A 25/09/2002 52.024.846,29 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 26/09 A 31/12/2002 7.100.678,27 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 2003 72.659.080,98 LANÇAMENTO DE OFÍCIO que salientamos que, nos períodos 2001 e 2002 os prejuízos fiscais declarados foram revertidos após lançamento de ofício na determinação do lucro real nos termos do Processo Administrativo Fiscal n° 19647.013200/200497; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 4 3 que, portanto, inexistia no anocalendário 2004, saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores; que no que diz respeito aos saldos da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores (até 31/1212003) é de se dizer que no quadro resumo abaixo transcrevemos a situação fiscal do contribuinte, relativa aos saldos anteriores da base de cálculo negativa da CSLL, levantada a partir das informações prestadas por ele nas DIPJs cujos os períodos de apuração foram encerrados de 01/01/2000 até 31/12/2003, sendo as referidas informações controladas no âmbito da Receita Federal pelo Sistema SAPLI: ANOCALENDÁRIO BASE DE CÁLCULO DA CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIOS OBSERVAÇÕES 2000 44.900.951,04 DIPJ 2001 2001 53.516.556,87 DIPJ 2002 01/01/ A 19/04/2002 10.582.371,24 DIPJ 2002 20/04 A 25/09/2002 47.804.696,57 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 26/09 A 31/12/2002 27.119.725,18 LANÇAMENTO DE OFÍCIO 2003 71.741.331,14 LANÇAMENTO DE OFÍCIO que ressaltamos que, no anocalendário 2002 a base de cálculo negativa da CSLL declarada foi revertida após lançamento de ofício na determinação da contribuição social sobre o lucro nos termos do Processo Administrativo Fiscal n° 19647.013200/200497; que, logo, inexistia no anocalendário 2004 saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores; que no que diz respeito à responsabilidade da empresa sucessora é de se dizer que em razão da extinção de HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA, CNPJ n° 35.525.989/000131, por ter sido incorporada por HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A, CNPJ n° 03.012.230/000169, evento ocorrido em 28/07/2005 conforme Protocolo e Justificação de Incorporação DOC. 8. , assim sendo, nos termos dos arts. 129 e 132, da Lei n° 5.172/1966; inciso III do art. 5º do DecretoLei n° 1.598/1977; inciso III do art. 207 e art. 209, do Decreto n° 3.000/1999 a sucessão naquela data passou a ser responsável pelos tributos devidos pela sucedida; que, então, todos os atos processuais relativos aos lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL serão lavrados em nome do contribuinte sucessor; Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 5 4 que no que diz respeito das alegações apresentadas pela sucessora é de se dizer que durante o procedimento de revisão a sucessora foi regularmente intimada a apresentar esclarecimentos acerca da compensação a maior realizada no anocalendário 2004 relativamente ao prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL e, dentre outros elementos, a sua escrita contábil e fiscal, conforme demonstram os documentos: TERMO N° 001, lavra de 21/11/2008, enviado pelos Correios; e, TERMO N° 002, a ciência a esse termo foi pessoal em 03/12/2008 DOC.2; que mediante correspondência datada de 12/12/2008 a sucessora HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A, por intermédio de sua representante legal DOC.3 , tentou justificar as aludidas compensações apresentando 02(dois) quadros demonstrativos de composição e utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, onde esclareceu que a sucedida possuía um saldo de prejuízo fiscal de R$ 133.053.849,72 e de base de cálculo negativa da CSLL um saldo de R$ 129.196.835,23 oriundos do período de apuração encerrado em 25/09/2002; que o sujeito passivo não apresentou a escrita fiscal e/ou contábil, especialmente, o LALUR; que diante do exposto e considerando que as matérias tributárias (lucro real e base de cálculo da CSLL) do período encerrado em 25/09/2002 foram determinadas e lançadas de ofício, conforme já evidenciamos nos tópicos 1 e 2, o que nos leva a concluir que a pessoa jurídica sucedida dispunha efetivamente para compensação no anocalendário 2004,;relativamente a prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, saldos iguais a zero; que no que diz respeito aos efeitos tributários decorrentes das divergências apuradas do IRPJ e da CSLL anocalendário 2004 é de se dizer que conforme verificamos, a empresa apresentou a DIPJ do ano calendário de 2004, pela forma de tributação com base no Lucro Real Anual; que em conseqüência de o contribuinte ter reduzido indevidamente em 30% o Lucro Líquido Ajustado na forma do artigo 510 do RIR/1999, como também a base de cálculo da CSLL; tendo em vista a inexistência de saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, por conseguinte, no referido anocalendário ocorreu falta ou insuficiência de recolhimentos do IRPJ e CSLL; que, dessa forma, elaboramos nos tópicos 6.1 e 6.2 demonstrativos de apuração anual do IRPJ e da CSLL, com base nos quais apuramos os valores de insuficiência de recolhimentos; que, face ao exposto, estamos procedendo ao Lançamento de Ofício sobre os valores de insuficiências de recolhimentos do IRPJ e da CSLL, para fins de constituição do Crédito Tributário na forma do artigo 841 — III e IV, 926 e 957 — I, § único — I, do Regulamento do imposto de Renda, aprovado pelo Decreto N° 3.000 de 29/03/1999; art. 33, caput e §3°, da Lei n° 8.212/1991; arts. 57 e 97, da Lei n° 8.981/1995, c/c inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96. Irresignada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou tempestivamente a sua impugnação (fls. 136/151), amparado, em síntese, nas seguintes argumentações: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 6 5 que os valores lançados só poderiam ser exigidos se confirmadas, por decisão final, as reversões de oficio efetuadas no Sapli decorrentes do lançamento consubstanciado no Processo n° 19647.013200/200497. De maneira que haveria a necessidade de sobrestar o presente processo, ou suspender a exigibilidade do crédito, "sob pena de cobrança indevida de tributos; que a multa de 75% seria indevida, porquanto a infração que lhe deu ensejo teria sido praticada pela Hipercard Administradora de Cartão de Crédito, antes de essa empresa ter sido incorporada pela impugnante, o que teria ocorrido em 28/07/2005; que seria indevida a exigência de juros sobre a multa e seria imprestável a aplicação da Taxa Selic, para efeito de cálculo dos juros de mora. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a defesa apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1129.377, de 30 de março de 2010 (fls. 631/640), negou provimento, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEL INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade, tarefa privativa do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO, IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de prejuízos de anos anteriores caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 7 6 É cabível lançamento de oficio para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de bases de cálculo negativas de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 MULTA DE OFICIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. A incorporadora é responsável pelo pagamento da multa de ofício decorrente de infração atribuída à incorporada, mormente se sucessora e sucedida têm em comum a mesma controladora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância em 17/05/2000 (fls. 642), e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 16/06/2010 (registro de recepção à fl. 643 e razões de recurso às fls. 643/667, mediante o qual reitera todos os argumentos expendidos na manifestação e inconformidade, reforçando os seguintes itens: que o Termo de Verificação Fiscal anexo aos autos de infração esclarece que o que levou o ilustre fiscal autuante a concluir pela suposta insuficiência de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSL foi o fato de ter assumido como definitivas as reversões efetuadas de oficio pela fiscalização no auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.013200/200497, o qual contudo é objeto de impugnação na esfera administrativa, estando atualmente aguardando julgamento do recurso voluntário pela lª Turma., 2ª Câmara Ordinária do CARF (doc. j.), encontrandose por esse motivo o crédito tributário correspondente (e as respectivas compensações de oficio de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa) com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional; que os valores objeto destes autos de infração somente poderão ser exigidos se confirmadas por decisão final as reversões de oficio procedidas naquele auto de infração n° 19647.013200/200497, prejudicial ao presente lançamento, posto que até que isto ocorra permanece suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, não se podendo falar em insuficiência de saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de modo que, tal como demonstrado na impugnação interposta, deverá ser sobrestado o julgamento deste feito, ou suspensa a exigibilidade do crédito tributário, até julgamento final daquele outro processo administrativo; que a prevalecer a cobrança dos autos de infração em questão correse o risco de ver concretizada nestes autos a execução definitiva da conseqüência de uma decisão ainda provisória proferida nos autos do processo administrativo n° 19647 .0132001200497, o que não pode ser admitido; que os autos de infração impugnados foram lavrados contra o ora Recorrente na qualidade de sucessor por incorporação, tendo as infrações apontadas pela fiscalização sido supostamente praticadas pela empresa sucedida em 31/12/2004, antes portanto do evento sucessório que se deu em 28/07/2005. Não obstante o Recorrente ser responsável pelos tributos Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 8 7 devidos pela pessoa jurídica sucedida, contudo, certo é que na qualidade de sucessor por incorporação jamais poderia dele ser exigida a multa por infração supostamente cometida pela empresa incorporada. Com efeito, nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos, jamais por multas Punitivas; que os juros moratórios sobre a multa de ofício, incidentes com base na taxa Selic, embora não exigidos nos autos de infração, o Recorrente impugnou a pretensãofiscal, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada; que é imprestável a taxa Selic para o cômputo dos juros moratórios. É o relatório. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O auto de infração foi lavrado em decorrência exclusiva da inexistência, no ano calendário de 2004, de saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL compensáveis, tendo em vista a reversão efetuada por ocasião da lavratura do auto de infração constante no processo n° 19647.013200/200497. Ou seja, tratase de processo conexo, já que o mesmo tem origem no mesmo fato (reversão de prejuízos fiscais). Resta claro na decisão do processo nº 19647.013200/200497, que a contribuinte obteve êxito parcial no seu recurso voluntário, conforme consta da decisão proferida através do Acórdão nº 1201000.285, do qual se transcreve as ementas e decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCORPORAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. Não havendo referência no edital sobre a data da respectiva fixação no quadro de avisos da repartição pública, é de se computar o início do prazo recursal a partir do décimo sexto dia contado da data limite para cumprimento desta diligência (fixação). Preliminar de intempestividade do recurso superada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. MATÉRIA RELATIVA À EXECUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO ABRANGÊNCIA. Nos termos do art. 1º c/c art. 25, II do Decreto n. 70.235/72, a competência do CARF limitase ao julgamento do processo de determinação e exigência do crédito tributário. Deve a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, repartição competente pela cobrança administrativa do crédito discutido, cuidar para que somente sejam exigidos os créditos tributários e respectivas multas lançadas nos autos de infração, e nos limites em que mantidos por este Conselho. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO EM AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. A autorização para cômputo no lucro real das contrapartidas da amortização do ágio em razão de fusão, cisão ou incorporação, contida no art. 7º, III, e art. 8º da Lei n. 9.532/97 restringese ao caso em que patrimônio da sócia/acionista detentora do ágio absorve o patrimônio da sociedade cuja participação societária foi adquirida com ágio, ou viceversa, posto que os arts. 7º, III, e 8º da Lei n. 9.532/97 (e o art. 386 do RIR/99) referemse à absorção do patrimônio de sociedade por outra, entre as quais uma deve deter participação societária de outra (i.e., uma sociedade deve Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 10 9 ser sócia/acionista da outra). Ademais, a autorização restringese ao ágio referente à aquisição da participação societária de uma sociedade em outra. Não se admite a amortização de ágio relativo à aquisição de participação societária em terceira sociedade, da qual o patrimônio não foi absorvido em razão de incorporação, fusão ou cisão. CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO EM AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE. ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial, posto que o art. 25 do Decretolei nº 1.598/77, com a redação dada pelo Decretolei nº 1.730/79, apenas veda o computo das contrapartidas de referida amortização no lucro real. O art. 57 da Lei nº 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, inexistindo, portanto, identidade entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. IRPJ. DEDUÇÃO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 e art. 299 do RIR/99 dispõe que são operacionais (e, portanto, dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ) as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações que atendam às necessidades do contribuinte. CSLL. DEDUÇÃO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL consideradas indedutíveis pela legislação do IRPJ. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 dispõe, apenas para a determinação do lucro real, que as despesas cuja dedução é admitida sejam aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora do sujeito passivo. O art. 57 da Lei n 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, inexistindo, portanto, identidade entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Entendimento sumulado no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e referendado pela Sessão Plenária do CARF de 8/12/2009: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. Ilegítima a aplicação de juros de mora sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, posto que se referida penalidade já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não Fl. 477DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 11 10 conheceram do recurso voluntário quanto à matéria execução do crédito tributário lançado nos presentes autos, e por unanimidade de votos, conheceram do restante do recurso. No mérito, deram provimento parcial nos termos do relatório e voto do relator, para: i) por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso para afastar o lançamento de IRPJ e CSLL quanto aos itens 1.2.1 e 1.2.2 e 2.4 do Termo de Verificação Fiscal e de CSLL quanto aos itens 2.3.1 e .2.3.2 do referido termo, determinandose à unidade de os respectivos ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas do contribuinte (itens 2.5, 2.6, 3.1 e 3.2 do referido termo; ii) pelo voto de qualidade, negaram provimento ao recurso para manter a exigência de IRPJ quanto aos itens 2.3.1 e 2.3.2 do TVF, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos Vinícius de Barros Ottoni e Walmir Sandri, que davam provimento quanto a estes itens; iii) por maioria de votos, cancelaram a apuração de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Flávio Vilela Campos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. É óbvio que o presente processo conexo somente foi formalizado tendo em vista que no processo nº 19647.013200/200497 houve a reversão dos prejuízos fiscais acumulados existentes. Da decisão prolatada no processo principal é possível observase as seguintes conclusões: 1 no que tange à glosa relativa às deduções das contrapartidas de amortização do ágio vertido à contribuinte, manter a exigência de IRPJ apenas em relação às glosas relativas ao ágio vertido na operação de cisão de BPBR Empreendimentos Ltda. (itens 2.3.1 e 2.3.2 do Termo de Verificação Fiscal); e afastar integralmente as glosas relativas à CSLL em relação ambas as operações societárias; 2 cancelar a glosa das despesas relacionadas aos encargos de manutenção da dívida assumida pela Contribuinte por ocasião da cisão ocorrida na BPBR Empreendimentos Ltda. em 16/04/2002; 3 cancelar parcialmente os lançamentos reflexos de IRPJ e CSLL (Item 2.5 – Glosa de Compensação de Prejuízos Fiscais e Item 2.6 – Compensação no Auto de Infração – IRPJ pago por estimativa nos anos calendários de 2001 e 2002, e Item 3.2 – Compensação de Base Negativa da CSLL), que devem ser recalculado para refletir os cancelamentos das glosas de CSLL ora determinados. Ora, o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Nesta linha de pensamento, é de se observar que à exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica se processa mediante observação de uma conjunção de procedimentos legais que permitam a livre formação de convicção do julgador. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 12 11 Assim sendo, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões, também no processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (arts. 3º e 142 e parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o artigo 149, IX da Lei n.º 5.172, de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (artigo 21, parágrafo 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (artigo 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (artigos 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (artigo 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no artigo 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Nesse contexto e considerando a impossibilidade de se proferir uma decisão com exatidão de dados e para que no futuro não alegue cerceamento do direito de defesa, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento final, razão pela qual voto no sentido para que o julgamento seja convertido em diligência determinando que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 – Que a autoridade recomponha os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculos negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) observando o que foi decidido no processo nº 19647.013200/200497; 2 Que a autoridade elabore um parecer conclusivo sobre o caso dandose vista ao recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo. Após, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.248 S1C4T2 Fl. 13 12 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 18/05/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10283.721021/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, de sorte que suas eventuais falhas não implicam em nulidade do lançamento.
PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. EFEITO.
O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006).
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de depósitos bancários com origem não comprovada a quantia de R$ 46.706,50.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Núbia Matos Moura.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, de sorte que suas eventuais falhas não implicam em nulidade do lançamento. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DE DEFESAS OU RECURSO ADMINISTRATIVO. EFEITO. O prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula 1º CARF nº. 11, DOU 26, 27 e 28/06/2006). OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 21 /2 00 9- 33 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 419 2 DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos e empréstimos bancários. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de depósitos bancários com origem não comprovada a quantia de R$ 46.706,50. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Núbia Matos Moura. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 420 3 Relatório Contra JOSÉ HERCULANO BANDEIRA DE MELO foi lavrado Auto de Infração, fls. 208/222, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 381.880,25, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/07/2009. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração, foram omissão de ganhos de capital na alienação do imóvel situado na Rua Marciano Armound, 416, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada procedente em parte, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os créditos havidos em conta conjunta, cujo somatório atingiu o valor de R$ 216.135,20, conforme Acórdão DRJ/BEL nº 0120.790, de 17/02/2011, fls. 290/309. Cientificado da decisão de primeira instância, em 27/04/2011, fls. 316, o contribuinte apresentou, em 23/05/2011, recurso voluntário, fls. 323/381, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que dentre os créditos efetuados nas contas bancárias do recorrente observase o seguinte: (a) rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas devidamente declarados; (b) saques em caixa eletrônico/caixa/cheque, cujos recursos não utilizados reingressaram em sua contacorrente em forma de novos depósitos; (c) saques em caixa eletrônico/caixa/cheque, realizados no Banco Real – conta conjunta; (d) crédito automático – CDC Banco do Brasil, cujo crédito contraído junto ao Banco do Brasil S/A na modalidade de empréstimo (crédito direto ao consumidor) por si só justifica a origem; (e) saldos existentes em caixa, oriundos da alienação do imóvel sito à Rua Marciano Armond, 416, por R$ 498.153,80; que não foram excluídos pela autoridade fiscal os créditos relativos aos cheques devolvidos; que não se enquadram no conceito de renda os valores depositados em conta corrente que não se tratam de novas disponibilidades, pois não representam acréscimo patrimonial; que resta caracterizado nos autos a ocorrência do bis in idem e, via de conseqüência, o excesso de exação, posto que o lançamento contemplou a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, ignorando os valores já oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual e os valores recebidos quando da alienação de bens; que ocorreu a prescrição intercorrente prevista no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, posto que o recorrente interpôs impugnação ao lançamento em 10/09/2009 e o Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 421 4 julgamento somente foi proferido em 17/02/2011, depois de já transcorrido o prazo de 360 dias estabelecido no referido dispositivo legal; que o prazo para execução do procedimento fiscal não poderia ser de 120 dias, conforme determinado na Portaria que estabeleceu e regulamentou a emissão dos MPF, posto que em desacordo com o prazo previsto no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972. que mesmo tomando por base um possível acatamento da possibilidade de haver uma prorrogação com 120 dias, segundo esculpe o Termo de Início de Fiscalização, observase que esta determina que o procedimento fiscal extinguese em 03/07/2009, mas o agente fiscal somente promove a prorrogação do MPF em 27/07/2009, ou seja, 23 dias após a sua extinção. Se a prorrogação deuse com o mandado de procedimento extinto, todos os atos praticados após o lapso temporal definido, inexistem para os autos. Portanto, todos os atos praticados após a extinção do procedimento fiscal não tem validade, pois foram praticados após ter operado a extinção. Neste cenário é notório que o procedimento fiscal está eivado de nulidade. Conforme Despacho, de 29/03/2012, fls. 386/388, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 422 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese apreciar a alegação de nulidade do lançamento suscitada pelo recorrente. Nesse sentido, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o lançamento está em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. É importante dizer que todas as infrações imputadas ao sujeito passivo estão perfeitamente descritas no Auto de Infração, possibilitando ao sujeito passivo o entendimento da motivação do lançamento e o seu pleno direito de defesa. No que se refere ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), cumpre esclarecer que o prazo previsto no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972, diz respeito tão somente aos Termos lavrados pela autoridade fiscal, durante o procedimento fiscal, em nada referindose ao Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999. Na verdade, o prazo estabelecido no art. 7º, § 2º, do Decreto nº 70.235, de 1972, tem a ver com a espontaneidade do sujeito passivo. Ou seja, transcorrido o prazo de 60 dias sem que a autoridade fiscal cientifique o contribuinte do prosseguimento da ação fiscal, mediante qualquer ato escrito, o contribuinte readquire sua espontaneidade para fins de retificação de declarações e pagamento de tributos, por ventura devidos, sem exigência de multa de ofício. Veja que a recuperação da espontaneidade se dará ainda que no transcurso de MPF válido. Os prazos dos Termos de Início de Fiscalização e dos demais Termos lavrados e cientificados ao contribuinte no decorrer do procedimento fiscal tem prazo de validade de 60 dias e a conseqüência do decurso do prazo é a devolução da espontaneidade ao sujeito passivo. Nada interferindo nos prazos dos MPF, que são meros instrumentos de controle administrativo da atividade fiscal. Nesse ponto, importa destacar que a competência para a prática de atos relativos a procedimento de fiscalização, inclusive para o lançamento, não se condiciona à existência de MPF. A uma, porque um ato infra legal no caso, a referida Portaria SRF nº 1.265, de 2001 em decorrência dos princípios da legalidade e da hierarquia das leis, não pode restringir ou suprimir competência atribuída por lei ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 423 6 Brasil para realizar ação fiscal e para efetuar lançamento (art. 904 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) e alíneas “a” e “c” do art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002). A duas, porque a referida Portaria, que criou o MPF, foi editada com o fito precípuo de manterse um controle efetivo da fiscalização, de maneira que o seu descumprimento pode ensejar a aplicação de sanção ao agente que a descumprir, a qual deve ser apurada em conformidade com a Lei nº 8.112, 11 de dezembro de 1990, não interferindo, entretanto, por falta de amparo legal, na sobredita competência do AFRFB. Não há que se falar, portanto, em nulidade do lançamento em decorrência de eventuais falhas na emissão ou trâmite do MPF. Todavia, devese esclarecer que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 11/08/2008, conforme AR, fls. 209, e o corresponde MPF estava válido, conforme se infere do demonstrativo, fls. 03, até 01/09/2009. Nestes termos, afastase a preliminar de nulidade do lançamento argüida pela defesa. Ainda, preliminarmente, deve ser analisada a alegação do recorrente de prescrição intercorrente, fundamentada no prazo estabelecido no art. 24 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, que a seguir se transcreve: Art.24.É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Ocorre que a norma do art. 24, acima transcrito, é meramente programática, não ensejando prescrição do crédito tributário em decorrência de seu descumprimento. Digase, ainda, que a prescrição intercorrente não se aplica no processo administrativo fiscal, conforme se infere da Súmula CARF nº 11, a seguir reproduzida: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Nestes termos, afastase a alegação de prescrição suscitada pela defesa. Prosseguindo, devese antes dizer que o contribuinte, no recurso, silencia quanto às infrações de omissão de ganhos de capital e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, trazendo apenas alegações contra a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, as quais serão a seguir examinadas. O lançamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo certo que o referido artigo determinou que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 424 7 A própria lei definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Essa presunção, em favor do Fisco, transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Veja que a lei autorizou que se considere omissão de rendimentos os depósitos de origem não comprovada. Ou seja, à autoridade fiscal cabe demonstrar a existência dos créditos e cumprir o ritual de intimação do titular para comprovação da origem dos depósitos. Nenhuma outra providência é exigida no dispositivo legal para a caracterização da infração. Ou seja, não há a necessidade de a autoridade fiscal comprovar a existência de acréscimo patrimonial, muito menos vincular tal acréscimo aos depósitos levados à tributação. Para o lançamento da infração basta a falta de comprovação da origem dos depósitos. Assim, não pode prevalecer a argüição do recorrente de que valores depositados em contascorrentes não se enquadram no conceito de renda, posto que não representam acréscimo patrimonial. Aliás, este é o entendimento exarado na Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Nesse sentido, também não pode prevalecer a alegação do recorrente de que dentre os créditos efetuados em suas contas bancárias estejam contemplados os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas devidamente declarados; os saques em caixa eletrônico/caixa/cheque, cujos recursos não utilizados reingressaram em sua contacorrente em forma de novos depósitos e saldos existentes em caixa e valores oriundos da alienação do imóvel sito à Rua Marciano Armond, por R$ 498.153,80. Veja que, não basta para a comprovação da origem dos depósitos a simples indicação da existência de determinados recursos. Fazse necessária a vinculação entre os créditos investigados e os recursos indicados pelo contribuinte, de forma individualizada e demonstrada por documentação pertinente. Assim, por exemplo, não basta dizer que parte dos recursos estariam justificados pela venda de um imóvel. Embora, a venda do imóvel esteja plenamente demonstrada nos autos, caberia ao contribuinte fazer a indicação de quais depósitos estariam vinculados a referida venda, apresentando documentos que demonstrassem tal vinculação. A comprovação da origem deve ser realizada de forma individualizada e na ausência de tal comprovação deve permanecer o lançamento. Assim, não procede a alegação do recorrente de bis in idem e de excesso de exação, posto que não restou demonstrado nos autos que os depósitos bancários havidos em suas contascorrentes tivessem origem no produto da venda do imóvel sito à Rua Marciano Armond ou em rendimentos declarados, muito menos em saques e disponibilidades financeiras. Já no que se refere ao depósito, no valor de R$ 5.000,00, ocorrido em 24/05/2005, cujo histórico indicado no extrato, fls. 143, é de CDC – automático, assiste razão Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 425 8 ao contribuinte quando afirma tratarse de empréstimo, de modo que referido depósito deve ser excluído da base de cálculo da infração. Igualmente, tem razão a defesa no que se refere aos cheques devolvidos, os quais não foram excluídos pela autoridade fiscal e encontramse a seguir discriminados, totalizando o valor de R$ 41.706,50. Assim, tal quantia deve ser excluída da base de cálculo da infração. DATA VALOR (R$ ) 04/01/2005 7.000,00 05/01/2005 480,00 11/01/2005 3.000,00 13/01/2005 3.000,00 25/02/2005 1.500,00 23/03/2005 304,50 23/03/2005 100,00 28/03/2005 340,00 30/03/2005 100,00 01/04/2005 340,00 18/04/2005 2.000,00 27/04/2005 174,00 09/05/2005 1.400,00 11/05/2005 125,00 17/05/2005 1.019,00 17/05/2005 40,00 20/05/2005 1.019,00 23/05/2005 125,00 10/06/2005 170,00 16/06/2005 170,00 22/06/2005 1.500,00 28/06/2005 1.500,00 08/07/2005 4.000,00 06/09/2005 300,00 12/09/2005 12.000,00 TOTAL 41.706,50 Nessa conformidade, deve ser excluída da base de cálculo da infração de depósitos bancários com origem não comprovada a quantia de R$ 46.706,50. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10283.721021/200933 Acórdão n.º 2102003.111 S2C1T2 Fl. 426 9 Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de depósitos bancários com origem não comprovada a quantia de R$ 46.706,50. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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