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Numero do processo: 10865.900304/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/1996
PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A.
O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 21/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/1996 PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 04 /2 00 9- 07 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 35): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/1996 COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do cred́ito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 4455, após discorrer sobre a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, dos efeitos do Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nº 437/1998 e da Resolução do Senado Federal nº 49/1995, sustenta que teria direito de repetir o indébito da contribuição ao PIS decorrente da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Aduz que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para o exercício de tal direito seria de 10 anos, uma vez que o termo inicial prazo quinquenal do art. 150, § 1º, do CTN, teria início apenas após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação tácita do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 22/09/2011 (fls. 43) e o protocolo do recurso, em 20/10/2011 (fls. 44). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10865.900304/200907 Acórdão n.º 3802001.209 S3TE02 Fl. 63 3 O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF. Tribunal Pleno. RE nº566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.). Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). No caso em exame, é evidente a ocorrência da prescrição, uma vez que o pagamento ocorreu em 15/02/1996 e o PER/Dcomp foi transmitido em 18/12/2006, ou seja, quando já estava prescrito o direito, mesmo aplicandose o prazo anterior de dez anos. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.929980/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato gerador: 20/06/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado.
A retificação do débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente é possível, desde que provado erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais.
Numero da decisão: 3301-001.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Ausente temporariamente a conselheira Maria Teresa Martínez López. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Lívia Maria Marques Melo. OAB/DF 33534.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato gerador: 20/06/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado. A retificação do débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente é possível, desde que provado erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais.
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NULIDADE. É válido o despacho decisório proferido por autoridade administrativa competente de conformidade com as normas legais. DILIGÊNCIA. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a realização de diligência, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 30/06/2006 CRÉDITO FINANCEIRO. CERTEZA E LIQUIDEZ. PROVAS Compete ao contribuinte demonstrar e apresentar as provas da certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Declaração de Compensação (Dcomp). DÉBITO FISCAL DECLARADO E PAGO. RETIFICAÇÃO A retificação do débito fiscal declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente é possível, desde que provado erro na apuração do valor inicialmente apurado, declarado e pago, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 20/06/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 99 80 /2 00 9- 66 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Ausente temporariamente a conselheira Maria Teresa Martínez López. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Lívia Maria Marques Melo. OAB/DF 33534. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ São Paulo I que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito da Cofins, vencido em 20/6/2007, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 2/3, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior da contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), efetuado em 14/7/2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) em São Paulo não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de que o alegado pagamento a maior foi integralmente utilizado para extinguir o débito da CIDE declarado para a competência de junho de 2006, não restando crédito disponível passível de repetição/compensação, conforme Despacho Decisório às fls. 4. A recorrente descordou daquele despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 8/22), insistindo na homologação da compensação alegando, razões assim resumidas por aquela DRJ: “3.1 Faz breve relato dos fatos. 3.2 Alega possuir ‘elevada quantia creditícia’ perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, Pisimportação e COFINSexportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP. 3.3 Alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros cento e quarenta e sete Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.929980/200966 Acórdão n.º 3301001.684 S3C3T1 Fl. 102 3 3.4 Reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, Pis importação e COFINSexportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações. 3.5 Alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia gerar débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3.6 Discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese. 3.7 Alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado. 3.8 Discorre sobe o princípio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que ‘ se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta.’ (sic). 3.9 Alega que qualquer agente fiscal que ‘ analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tãosomente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa ora Impugnada.’ (sic) 3.10 Alega ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido. 3.11 Cita os princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e tributárias. 3.12 Reclama do exíguo prazo para apresentar cento e quarenta e oito defesas em apenas trinta dias e informa que já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito. 3.13 Por fim requer a suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP, a nulidade do despacho decisório e a conversão do julgamento em diligência para ser comprovado o que alega.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1627.144, datado de 20 de outubro de 2010, às fls. 43/49, sob as seguintes ementas: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não há ofensa ao princípio da verdade matéria se não é apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (52/68), requerendo, em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por falta de fundamentação legal; e, no mérito, a homologação da compensação declarada, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, erro na DCTF e a correção do valor inicialmente declarado. Para fundamentar seu recurso voluntário, expendeu extenso arrazoado sobre: a) Da Carência de Fundamentação do Despacho Decisório; b) Da Violação aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade e da Proporcionalidade; e c) do Escorreito Procedimento da Compensação Realizado pela Recorrente, concluindo, ao final, em preliminar, que o despacho decisório é nulo; e, no mérito, que o crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão é líquido e certo, a cópia da DCTF retificadora comprova o pagamento a maior da CIDE referente à competência de junho de 2006, a compensação declarada foi efetuada de conformidade com as normas vigentes e, portanto, deve ser homologada. Requereu, ainda, a juntada da documentação anexa ao recurso voluntário e, caso esta Turma não decida pela nulidade do despacho decisório, converta o julgamento em diligência para que seja examinada a sua escrita fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada preliminar de nulidade do despacho decisório não tem amparo legal. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.929980/200966 Acórdão n.º 3301001.684 S3C3T1 Fl. 103 5 De acordo com Decreto nº 70.235, de 1972, somente são nulos os atos administrativos proferidos por autoridade incompetente e/ ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: “Art. 59. São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...); No presente caso, o despacho decisório foi proferido por autoridade competente e permitiu à recorrente ampla defesa. Conforme se verifica de sua análise, nele constam: o valor do pagamento total informado no darf declarado na Dcomp; o valor utilizado para extinguir o débito declarado na DCTF, segundo o darf vinculado a ela; o valor do débito cuja compensação não foi homologada, a fundamentação legal da não compensação, inexistência de crédito financeiro disponível; e o enquadramento legal (Lei nº 9.430/1996, art. 74, §§ 7º e 9º). A compensação declarada não foi homologada porque não se apurou crédito disponível. Estes dados e informações permitiram à recorrente exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez por meio da manifestação de inconformidade interposta para a DRJ. Assim, não há que se falar em nulidade do despacho decisório. Quanto à diligência solicitada, visando examinar a escrita fiscal da recorrente, entendo ser prescindível ao deslinde do litígio. A comprovação do alegado erro no valor da CIDE, declarado para a competência de 30/6/2006, não necessita de exame da escrita fiscal. Bastaria ter apresentado a cópia do livro Razão das contas de remessas de valores para o exterior, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. O Decreto nº 70.235, de 1972, assim dispõe quanto à diligência: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. ... Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” De acordo com esses dispositivos, compete à autoridade julgadora deferir pedido de realização de diligência, quando entendêla necessária. No presente caso, entendo que não há necessidade da diligência solicitada. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 No mérito, a questão se restringe à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. A recorrente alega que o indébito (crédito financeiro) decorreu de pagamento a maior da CIDE, referente à competência de 30/6/2006, que foi declarada e paga pelo valor de R$135.238,23, quando o valor correto seria R$67.746,56, resultando um indébito no valor de R$64.491,69. Cientificada pela autoridade administrativo competente de que a compensação declarada não foi homologada por inexistência de crédito financeiro disponível, a recorrente transmitiu DCTF retificadora. A retificação da DCTF visando alterar o valor do débito declarado é possível, mediante a comprovação de erro, de fato, na apuração do débito. A comprovação deve ser demonstrada, mediante a apresentação de demonstrativo de apuração do valor correto da contribuição devida, acompanhado dos documentos contábeis, cópia do livro Razão, contendo os lançamentos errados da escrituração dos valores das bases de cálculo da contribuição, os estornos dos lançamentos errados e os lançamentos corretos. No presente caso, a recorrente apresentou somente o recibo de transmissão da DCTF original e cópia da DCTF retificadora, desacompanhada de quaisquer documentos contábeis e fiscais. A simples apresentação da retificadora, desacompanhada do demonstrativo de apuração do valor correto, com respectiva memória de cálculo e, principalmente, daqueles documentos, não prova o alegado erro nem permite a apuração do valor correto. Ressaltese, ainda, a DCTF retificadora apresentada juntamente com o recurso voluntário, cópia às fls. 95/98, não prova o alegado erro no valor da CIDE, ao contrário comprova que não houve erro. Conforme se verifica do seu exame, o débito da CIDE, declarado para a competência de 30/6/2006, foi de R$135.238,23, exatamente o mesmo valor declarado na original, constante do Despacho Decisório. Nos pedidos de restituição/compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp é do requerente e não do Fisco. A Lei nº 9.784, de 29/01/1999, art. 36, assim estabelece: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Também, segundo a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil), art. 333, o ônus da prova é de quem alega, assim dispondo: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...); II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Dessa forma, não tendo a recorrente demonstrado o erro na apuração do valor da CIDE, declarado para a competência de junho de 2006, nem apresentado documentos Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.929980/200966 Acórdão n.º 3301001.684 S3C3T1 Fl. 104 7 comprovandoo e/ ou necessários à apuração do valor correto, não há que se falar em repetição/compensação do indébito reclamado. Quanto à homologação da compensação do débito tributário declarado na Dcomp em discussão, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado nem apresentou os documentos imprescindíveis à apuração do alegado pagamento a maior para a competência de junho de 2006. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15 /12/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.929209/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente e Relator
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 92 09 /2 00 9- 77 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório INDÚSTRIA DE TINTAS CORFIX LTDA. transmitiu Declaração de Compensação – Dcomp com vistas à extinção de débitos própios, montantes a 21.822,77, com direito creditório advindo de pagamento indevido ou a maior de Cofins do período de apuração 01/11/2002 a 30/11/2002. O Despacho Decisório Eletrônico nº 848646824 não reconheceu o direito creditório, nem homologou a compensação, porque o pagamento indigitado na Dcomp foi integralmente utilizado “...para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em reclamação de fls. 2 a 11, o declarante pugnou pela suspensão da exigibilidade dos débitos em aberto. No mérito, contesta o DDE, alegando que constatou a existência de valores pagos a maior a título das contribuições para o PIS e para a Cofins. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º , §2°, inciso III, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais que iriam ao encontro de suas alegações. A DRJ/POA2ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente por falta de provas do indébito, nos termos do Acórdão nº 1026.667, de 4 de agosto de 2012, fls. 37 a 39, cuja ementa teve a seguinte redação: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO INEXISTÊNCIA Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/POA. O arrazoado de fls. 42 a 63, após preliminar de suspensão de exigibilidade dos débitos que emergiram inadimplidos como decorrência da não homologação da compensação e síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre a base de cálculo das Contribuições Sociais após a edição da Lei nº 9.718, de 1998, para insistir na tese de que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º , §2°, inciso III. Rechaça a possibilidade de norma do poder executivo dispor sobre a base de cálculo de contribuições, invocando excertos de doutrina em profusão. Entende desnecessária qualquer norma regulamentadora da eficácia da referida norma de exclusão. Aduz que o dispositivo em questão só foi revogada pela Medida Provisória nº 1.991, de 9 de junho de 2000, que publicada no Diário Oficial da União do dia 10 de junho de 2000. Em face do vacatio legis nonagesimal, entende que teria direito à restituição de pagamentos efetuados até agosto de 2000. Mais excertos de doutrina. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.929209/200977 Acórdão n.º 3803003.580 S3TE03 Fl. 68 3 Discorre sobre seu direito à compensação e sobre o princípio da irretroatividade tributária para defender a ocorrência de uma anomia legal entre a data da Resolução do Senado Federal nº 49, de 09 de outubro de 1995, que suspendeu a execução do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, e a promulgação da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. Lembra da inocorrência da repristinação da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. Retoma a dissertação sobre o direito à compensação. Lança mais excertos de doutrina. Ao final, requer: a) provimento ao presente Recurso Voluntário, com a conseqüente reforma da decisão, nos termos expostos; b) reconhecimento do direito líquido e certo da contribuinte de compensar a importância recolhida indevidamente; c) reconhecimento do direito creditório da mesma e para que seja homologada a compensação objeto do presente; O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 42 a 63 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1026.667, de 4 de agosto de 2010. Matéria controversa Controvertese direito creditório, em tese, advindo da tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º , §2°, inciso III, da Lei nº 9.718, de 1998. Não se conhecerá da inovação recursal a respeito da impossibilidade de norma do poder executivo dispor sobre a base de cálculo de contribuições aplicação do princípio da estrita legalidade em matéria tributária (item III.2 da peça recursal), e da tese da anomia legal entre a data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49 e a promulgação da Lei nº 9.715, de 1998 (itens III.6 em diante). Por preclusas, deixo de conhecêlas, haja vista que em nenhum momento da peça reclmatória de fls. 2 a 11 o manifestante tratara dessas matérias. Vejase, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Fl. 69DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN 4 Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para questionar tais matérias. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. Mérito – direito à restituição de indébitos pela falta de exclusão da base de cálculo da Contribuição dos valores que tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica De plano, destaco que não há, nos autos, qualquer início de prova de que o contribuinte, ora recorrente, tenha, efetivamente deixado de proceder à exclusão a que se refere a norma do art. 3º , §2°, inciso III, da Lei nº 9.718, de 1998, e que invoca como fundamento do indébito,ora controvertido. À míngua da comprovação dos atributos de liquidez e certeza do crédito oposto em compensação tributária, corretos o DDE e a decisão recorrida. Incidentalmente e evitando adentrar o mérito da discussão a respeito da eficácia da norma referida (plena, ou dependente de norma regulamentadora), admitamos, ad argumentandum tantum, que a referida norma tivesse produzido efeitos até o fim do período nonagesimal da vacatio legis da MP nº 1.99118, de 2000, em 9 de setembro de 2000, e que o contribuinte, ora recorrente, tenha direito à restituição da importância paga a maior a título de Cofins por não ter deduzido da base de cálculo os valores transferidos a terceiros. A descuidada peça recursal não atentou para o fato de que o pagamento indigitado na Dcomp referese a período de apuração (01/11/2002 a 30/11/2002) posterior 09/09/2000, em já não mais vigia a norma de exclusão, o que fulmina definitivamente qualquer pretensão do recorrente. Nego provimento ao recurso. 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 11080.929209/200977 Acórdão n.º 3803003.580 S3TE03 Fl. 69 5 Sala das Sessões, em 23 de outubro de 2012 Alexandre Kern Fl. 71DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por A LEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 18239.004515/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 21/10/2010
IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO POR DEFICIENTE FÍSICO. ISENÇÃO. REQUISITOS.
A alteração introduzida no art. 1º da Lei 8.989/95 pela Lei 10.690/2003, interpretada literalmente, como impõe o art. 111 do CTN, implica que apenas estão excluídas do favor fiscal as deformidades, congênitas ou adquiridas, de natureza apenas estética e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição para o desempenho de funções, é de se deferir o pleito à isenção.
Numero da decisão: 3201-001.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Morais e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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AQUISIÇÃO DE VEÍCULO POR DEFICIENTE FÍSICO. ISENÇÃO. REQUISITOS. A alteração introduzida no art. 1º da Lei 8.989/95 pela Lei 10.690/2003, interpretada literalmente, como impõe o art. 111 do CTN, implica que apenas estão excluídas do favor fiscal as deformidades, congênitas ou adquiridas, de natureza apenas estética e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição para o desempenho de funções, é de se deferir o pleito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim acompanhou o relator pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Luciano Lopes de Almeida Morais e Marcos Aurélio Pereira Valadão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 45 15 /2 01 0- 31 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da manifestação de inconformidade, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Tratase da aquisição de veículos destinados a pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, com a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com as alterações da Lei nº 10.182, de 2001, dos arts. 2º, 3º e 5º da Lei nº 10.690, de 2003, e da Lei nº 10.754, de 2003. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório de fls. 19/23, fundamentado no fato de que a enfermidade descrita no laudo de avaliação não está contemplada pela norma que confere a isenção solicitada. Foi apresentada manifestação de inconformidade com protocolização em anexo de um novo laudo. A impugnação foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 0935.593, de 17/06/2011: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 21/10/2010 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art. 1° ,bem como àquelas previstas no Decreto n° 3.298/99, conforme interpretação expressa no art. 2º, §1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando os argumentos suscitados em sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 07/10/2011. É o relatório. Voto Fl. 47DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18239.004515/201031 Acórdão n.º 3201001.162 S3C2T1 Fl. 47 3 Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O cerne do presente litígio gravita em torno do preenchimento dos requisitos legais para a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de automóveis por pessoas portadoras de deficiência física. A questão está positivada no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, a saber: Art. 1º.... § 1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Como se vê, há requisitos objetivos a serem respeitados para que o portador de deficiência física possa se beneficiar da isenção do IPI na aquisição de automóvel. No caso concreto, constatase que a Recorrente instruiu o requerimento de isenção de IPI com laudo médico, segundo o qual a Recorrente possui artrose classificada sob Código Internacional de Doenças 10 – M19.9: “Artrose não especificada”. Confirase: Posteriormente ao despacho decisório, a Recorrente juntou novo laudo médico divergindo das conclusões do primeiro, a saber: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 A partir desse segundo laudo, também emitido pelo Hospital Lourenço Jorge, da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro, a enfermidade da Recorrente foi classificada como “seqüelas de outras fraturas do membro inferior” (CID 10 – T93.9). Com efeito, a conclusão do segundo laudo demonstraria que a Recorrente possui membro com deformidade adquirida, que produz dificuldades para o desempenho de funções (invalidez), conformandose ao disposto no art. 1º, § 1º, da Lei nº 8.989, de 1995. Convém esclarecer que a Recorrente juntou documentos oficiais da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Previdência Social, os quais demonstram que a aposentadoria por invalidez está diretamente associada a sua enfermidade (fls. 36/37). Registrese, ainda, que a petição de juntada do segundo laudo foi recebida pela autoridade preparadora como manifestação de inconformidade. Na fundamentação da decisão recorrida, o eminente relator entendeu que o direito da Recorrente deveria ser analisado à luz da Lei nº 8.989, de 1995, e do Decreto nº 3.298, de 1999, conjuntamente. Nesse sentido, a omissão do Decreto nº 3.298, de 1999, não desautorizaria o atendimento aos pressupostos da isenção previstos na Lei nº 8.989, de 1995. Em seu pedido de reconsideração, recebido como recurso voluntário, a Recorrente volta a afirmar que possui deficiência física traduzida em sequelas de fratura no membro inferior, contratura articular e rigidez articular, que ocasionou a sua aposentadoria por motivo de invalidez haja vista a sua incapacidade laborativa. Sobre o assunto, há decisão recente da Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que elucida a questão ora tratada, a saber: IPI. AQUISIÇÃO DE VEÍCULO POR DEFICIENTE FÍSICO. ISENÇÃO. REQUISITOS. A alteração introduzida no art. 1º da Lei 8.989/95 pela Lei 10.690/2003, interpretada literalmente, como impõe o art. 111 do CTN, implica que apenas estão excluídas do favor fiscal as deformidades, congênitas ou adquiridas, de natureza apenas estética e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição para o desempenho de funções, é de se deferir o pleito à isenção. (Grifouse) (Acórdão nº 9303001.811, Rel. Cons. Julio César Alves Ramos, Sessão de 31/01/2012) Fl. 49DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18239.004515/201031 Acórdão n.º 3201001.162 S3C2T1 Fl. 48 5 Considerando que foi comprovada, por laudo médico regularmente expedido, a restrição da Recorrente para o desempenho de funções, há de ser adotado o precedente acima transcrito. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito da Recorrente de gozar da isenção instituída pela Lei nº 8.989, de 1995. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 50DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.907484/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PER/DCOMP. PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL.
Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 25/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Fábio Miranda Coradini, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon - Relator. EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Fábio Miranda Coradini, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl.
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PIS/PASEP. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite do valor a restituir. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 74 84 /2 00 9- 21 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 25/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Fábio Miranda Coradini, Raquel Motta Brandão Minatel, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907484/200921 Acórdão n.º 3801001.485 S3TE01 Fl. 92 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 172,76 (v. folha 07). Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação declarada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 9 a 18, na qual alega a inconstitucionalidade do artigo 3°, §1° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Defende a contribuinte que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo, bem como a Lei n° 11.941/09 expurgou do ordenamento jurídico o referido dispositivo legal, confirmando seu pleito. A contribuinte argumenta, ainda, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de diligência sobre o crédito informado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa n° 900/08”. Delegacia de Julgamento em Florianópolis proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 49 a 59, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. Assim, levandose em conta que a presente lide tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins), e que os documentos apresentados pela recorrente eram insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e eventuais pagamentos a maior, em 4 de maio de 2011, através da Resolução nº 3801000.164 – 1ª Turma Especial, o julgamento foi convertido em diligência à DRF de origem, a fim de: informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; apure o valor devido a título de contribuição para o PIS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de abril/2005, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; Retornar o processo a este CARF para julgamento. Em atendimento ao solicitado, a Unidade de Origem elaborou o documento intitulado “INFORMAÇÃO FISCAL DRF/BLU/EAC1 n°. 284/2011”, fls. 85/87, onde consta, em síntese: 1 – A interessada não propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. 2 – O valor devido a título de Pis, referente ao período de apuração abril/2005, é R$ 1.277,37. 3 A interessada foi regularmente notificada e não manifestouse no prazo concedido. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.907484/200921 Acórdão n.º 3801001.485 S3TE01 Fl. 93 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatório acima, a interessada apresentou o PER/DCOMP de fls. 01/06, informando a compensação de um débito de Pis, período de apuração 04/2006, no valor R$ 104,97 com um crédito da mesma contribuição, referente ao fato gerador de abril/2005, oriundo de recolhimento a maior efetuado em 13/05/2005, no valor de R$ 172,75 (folha 03). Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) A recorrente explica que o valor do pagamento indevido referese ao recolhimento de PIS sobre as receitas não operacionais obtidas. Assim, do valor total de R$ 1.450,12, declarado na DCTF do 2º trimestre de 2005, referente a abril/2005 — recolhido mediante DARF pelo código 8109, em 13/05/2005 — o equivalente a R$ 172,75 foi recolhido indevidamente, posto que calculado sobre a receita não operacional da empresa. Por seu turno, a autoridade preparadora informa, fls. 87, que o Pis/Pasep devido referente a abril/2005 é de R$ 1.277,37, sendo recolhido o valor de R$ 1.450,12 resultando um pagamento a maior de R$ 172,75. Assim, compulsandose as peças que compõem o presente processo e de acordo com o PER/DCOMP n° 32341.68539.040506.1.3.047995, transmitido em 04/05/2006, fls. 01/06, temse: Valor devido de Pis referente a 04/2005: R$ 1.277,37. Valor recolhido de Pis, em 13/05/2005, referente a 04/2005: R$ 1.450,12. Valor recolhido a maior que o devido: R$ 172,75. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Débito de Pis a ser compensado, período de apuração 04/2006, R$ 104,97. Valor Original do Crédito Inicial: R$ 172,76. Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 172,76. Selic Acumulada: 16,60 % Crédito Atualizado: R$ 201,44. Total dos débitos desta DCOMP: R$ 104,97. Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 90,03. Saldo do Crédito Original: R$ 82,73. Por conseguinte, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de Pis em valor superior ao devido, relativamente ao PA 04/2005, sendo devido o valor de R$ 1.277,37, e recolhido o valor de R$ 1.450,12, caracterizandose como indevido o valor original de R$ 172,75. Desse modo, diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 172,75, na data de 13/05/2005, homologando a compensação requerida até o limite do crédito a restituir. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000016/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência.
MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS SITUAÇÕES QUALIFICADORAS PARA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A 75%
Não sendo comprovada as circunstâncias qualificadoras deve-se reduzir a multa de ofício ao seu patamar original de 75%.
RO Negado e RV Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não tomar conhecimento do recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama.
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Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS SITUAÇÕES QUALIFICADORAS PARA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A 75% Não sendo comprovada as circunstâncias qualificadoras deve-se reduzir a multa de ofício ao seu patamar original de 75%. RO Negado e RV Não Conhecido
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso voluntário que foi objeto de pedido de desistência. MULTA QUALIFICADA. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DAS SITUAÇÕES QUALIFICADORAS PARA APLICAÇÃO DA PENALIDADE. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A 75% Não sendo comprovada as circunstâncias qualificadoras devese reduzir a multa de ofício ao seu patamar original de 75%. RO Negado e RV Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não tomar conhecimento do recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 16 /2 00 8- 44 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrásio e Nanci Gama. . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto com as devidas adições, o relatório da primeira instância. "Trata o presente processo de crédito tributário consubstanciado no auto de infração lavrado contra o estabelecimento em epígrafe às fls. 09/11, instruído pelos demonstrativos de fls. 02/08 e termo de verificação fiscal de fls. 12/19, referente ao imposto sobre produtos industrializados (IPI) no montante de R$3.497.124,31, acrescido de multa de ofício, passível de redução, no valor de R$5.245.686.43, além dos juros de mora que, até a data de 29/02/2008, perfaziam R$1.331 468,14. Na descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 10/11, a Fiscalização assim dispôs sobre a infração apurada: "001 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BASICO INDEVIDO O estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu o imposto, por ter se utilizado de crédito básico indevido, referente à aquisição do insumo canadeaçúcar, produto Não Tributado na TIPI, com a reconstituição de escrita apurouse saldo devedor de IPI. Valor apurado conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇAO FISCAL que é parte integrante deste auto. (grifo acrescido) Enquadramento legal (fl. 10): “Arts. 42, V, a, 130, 164, inciso 1, 163, 164, I, V, 199, 202, inciso III, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02) "002 CRÉDITOS INDEVIDOS DEAMAIS CASOS O estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu o imposto. por se utilizar de créditos indevidos, referente a crédito prêmio do IPI, já extinto pela legislação, com a reconstituição de escrita apurouse saldo devedor do IPI. Valor apurado conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇAO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste auto." (grifo acrescido) Enquadramento legal (fl. 11): “Arts. 42, V, a, 130, 164, inciso I, 163, 164, I, V, 199, 202, inciso III, do Decreto n” 4.544/02 (RIPI/02) " Fl. 486DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 486 3 Sobre a multa de ofício e os juros de mora, o enquadramento legal consta das fls. 07/08: “MULTAS PASSIVEIS DE REDUÇAO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p /Fatos Geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3º da Lei n° 9. 43 0/96 ". No termo de verificação fiscal de fls. 12/19, foram detalhados os procedimentos, constatações, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação, sintetizados conforme os pontos abaixo. a) Relativamente aos créditos indevidos créditos básicos créditos sobre produtos não tributados: a fiscalizada havia escriturado em seus livros (fls. 239/255) notas fiscais (fls. 223/238, por amostragem) referentes a compras de canadeaçúcar, produto nãotributado (NT), de pessoas físicas e jurídicas, tendo se creditado de IPI pela alíquota (5%) de seu produto final (açúcar), sendo que não havia destaque desse imposto nas notas de aquisição; o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999 e o art. 5° do Decretolei n° 491, de 1969, informados pela fiscalizada como supedâneo do seu procedimento creditório, não podiam ser juridicamente aceitos, pois somente o insumo tributado gerava direito a crédito, o que não ocorria com o produto nãotributado, já que "Não havendo exação de 1PI nas aquisições desses insumos. por não estarem dentro do campo de incidência do imposto, não há valor algum a ser creditado"; “Diante disso, o fisco deve glosar a utilização de créditos sobre os quais não há permissão legal (...)"; “A impossibilidade jurídica do direito ao crédito, e a atitude sem amparo legai ou judicial da fiscalizada. é ratificada pelo próprio contribuinte quando, simplesmente, em períodos posteriores não mais se apropria dos referidos créditos e, tão pouco estorna os indevidamente escriturados”; sabendo a fiscalizada que os produtos nãotributados, à luz da legislação até então vigente, não dava direito a crédito, porque inexistente, e, nãoobstante, tendo utilizado sistemática e reiteradamente, nos anoscalendário de 2003 e 2004, desse crédito fictício a partir da alíquota aplicável ao seu produto acabado, sem apresentar qualquer fundamentação legal ou judicial eficaz, estava consciente da prática da conduta de tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de excluir ou Fl. 487DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 modificar as características essenciais deste, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; a prática acima da fiscalizada caracterizava, em tese, crime contra a ordem tributária, inserindose na tipificação dos incisos I e II do art. 1° e inciso I do art. 2°, todos da Lei n° 8.137, de 1990. sujeitandose, dessa forma, ao pagamento da multa qualificada de 150% sobre os valores creditados indevidamente e glosados pela Fiscalização, a teor do art. 80, § 6°, incisos I e II; § 8°, inciso I; § 9°, todos da Lei n° 4.502, de 1964. b) Relativamente aos créditos indevidos créditoprêmio do IPI: a fiscalizada também havia, indevidamente, aproveitado valores de créditoprêmio do IPI na escrita fiscal, alegando como fundamento o art. 1° do Decretolei n° 491, de 1969, e a Lei n° 8.402, de 2002, além de ação ajuizada perante o Poder Judiciário sob o n° 2000.80.0067800; o créditoprêmio encontravase “revogado desde 30/06/1983, quando expirou a vigência do art. 1° do DecretoLei n° 491, de 05/03/1969, por força do disposto no art. 1º, § 2°, do Decreto Lei n°1.658, de 4/01/1979", não tendo sido "revalidado e nem reinstituído por norma jurídica posterior à vigência do art. 41 do ADCT da CF/88 "; no STJ, o entendimento prevalente considerava a extinção do créditoprêmio em 04/10/1990 por força do art. 41 e § 1° do ADCT da CF/88; sobre a ação judicial interposta pela fiscalizada, observase dos documentos apresentados que se referem "a fatos geradores anteriores ao ano calendário de 2000, com pedido determinado conforme se vê na petição inicial apresentada pelo contribuinte, fls. 71 a 91. A decisão do juiz federal ratifica o entendimento quando reconhece em parte a tutela antecipada, ao autor, o direito de registrar os créditos que tiver, provenientes dos créditosprémios do IPI. fls. 67 a 70, portanto, dá o direito de registrar os créditos' que tiver e não os que venha a ter. Na decisão de primeiro grau o juiz federal julga procedente a ação para determinar que a ré se abstenha de exigir qualquer estorno nos créditos inscritos na contabilidade da impetrante, fls. 61 a 66, mais uma vez os estornos vedadas são os inscritos na contabilidade e não os que vierem a ser inscritos"; nos anoscalendários de 2003 e 2004, não vigorava mais o benefício fiscal do créditoprémio previsto no art. 1° do Decreto lei n° 491, de 1969, e tampouco havia outro dispositivo legal ou judicial capaz de autorizar o suposto crédito aproveitado pela fiscalizada, pelo qual cabia ao Fisco estornar tais créditos, promovendo a reconstituição da escrita fiscal, conforme efetuado nas fls. 258/260; Fl. 488DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 487 5 "a certeza da inexistência do direito ao créditoprêmio é ratificado pelo próprio contribuinte quando nos períodos posteriores ao anocalendário de 2003 não se apropriou dos referidos créditos, os quais alega em sua defesa, fls. 45 e 264 a 267, não possuírem qualquer limitação”; sabendo a fiscalizada que não havia mais previsão legal ou judicial que amparasse o créditoprêmio sobre as exportações realizadas, e, não obstante, tendo utilizado sistemática e reiteradamente desse crédito fictício a partir da alíquota aplicável ao seu produto acabado, sem apresentar qualquer fundamentação legal ou judicial eficaz, estava consciente da prática da conduta de tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de excluir ou modificar as características essenciais deste, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento; a prática acima da fiscalizada caracterizava, em tese, crime contra a ordem tributária, inserindose na tipificação dos inciso I e II do art. 1° e inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137, de 1990, sujeitandose, dessa forma, ao pagamento da multa qualificada de 150% sobre os valores creditados indevidamente e glosados pela fiscalização, a teor do art. 80, § 6°, incisos I e II; § 8°, inciso I; § 9°, todos da Lei n° 4.502, de 1964. Cientificada, via postal, do lançamento de oficio em 13/03/2008 (fl. 354), a autuada apresentou em 11/04/2008 a impugnação de fls. 357/383, na qual, em síntese, argumentou os pontos ventilados abaixo. a) Relativamente aos créditos das aquisições de canadeaçúcar: era indevida a glosa dos créditos de IPI decorrentes das aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas no período de 2003 a 2004, porquanto a menção do art. 5° do Decretolei n° 491. de 1969, sobre o direito de manter e utilizar o crédito de IPI de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para utilização na fabricação de produtos exportados foi ampliada pela redação do art. 1°, inciso II, da Lei n° 8.402, de 1992, ao mencionar. para o aludido beneficio fiscal, o termo “insumos” empregados na industrialização de produtos exportados, denotandose daí "que o crédito de 1PI incide sobre todos os insumos da empresa empregados na industrialização, ,sejam eles insumos industrializados ou não"; o crédito de IPI restabelecido pelo art. 1°, inciso II, da Lei n° 8.402, de 1992, tinha nítido caráter de incentivo fiscal à exportação, alcançando, assim, tanto as aquisições entradas de insumos oneradas quanto as desoneradas, desde que respeitada a condição de o produto manufaturado destinarse à Fl. 489DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 exportação. Tal crédito incentivado era, portanto, contrário do crédito de IPI gerado pela nãocumulatividade, "que tinha como fato gerador apenas a utilização dos insumos no processo produtivo". Além disso, a referida Lei n° 8.402, de 1992, fundamentavase no art. 174 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que estabelecia, na forma da lei, a função, dentre outras, de incentivo fiscal; também o crédito do IPI adstrito ao art. 1°, inciso II, da Lei n° 8.402, de 1992, não se confundia com o tratado pelo art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, já que aquela lei não mencionava "termo “saldo credor” como fez a última; havia vários entendimentos judiciais a corroborar suas assertivas (transcreveu excertos às fls. 366/369); do exposto, não restava dúvida de que o benefício fiscal aos exportadores, previsto pelo art. 1°, inciso II, da lei n° 8.402, de 1992, para "se creditarem do IPI, fazendo incidir a alíquota prevista na TIPI para o seu produto final exportado (in casu, só o açúcar) sobre todas as aquisições de insumos empregados no produto exportado"; b) Relativamente ao créditogrêmio do IPI: o entendimento da Fiscalização de que o créditoprêmio do IPI encontravase extinto desde 30/06/1983 estava superado pela jurisprudência do STJ, que, com base no § 1° do art. 41 do ADCT da CF/ 88, considerava a extinção em 04/10/1990, "razão pela qual a matéria será submetida à apreciação pelo Supremo tribunal Federal "; o direito ao créditoprêmio era assegurado ao produtor vendedor pelo art. 1° do Decretolei n° 491, de 1969, combinado com o art. 3° do Decretolei n° 1.248, de 1972, e o § 1° do art. 1° da Lei n° 8.402, de 1992; no processo judicial n° 2000.80.00.00.0067800, ajuizado perante a Justiça Federal de Alagoas para assegurar o direito ao créditoprêmio do IPI, constava da inicial um "pedido especifico para ressarcimento do crédito prêmio no valor de R$538. 770,83, gerado até 02/2000 e pedido genérico para que seja garantido à empresa o lançamento em sua escrita fiscal dos valores decorrentes do referido crédito”; das decisões judiciais relativas à concessão de tutela antecipada, à sentença de 1° e ao acórdão de 2° grau, restava assegurado "o direito de a empresa registrar o crédito prêmio de IPI, de modo, que se afigura absolutamente legal a escrituração dos créditos de IPI realizada no ano de 2003, objeto de fiscalização "; além de ter reconhecido o direito mencionado acima, a sentença judicial determinava que a ré se abstivesse de exigir qualquer estorno dos créditos inscritos na contabilidade da Fl. 490DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 488 7 autora, salvo na hipótese de erro quanto aos valores apropriados, o que não era o caso; a restritiva interpretação da Fiscalização sobre a determinação judicial não condizia com o conteúdo desta e com o objetivo da ação ordinária proposta, "que trata do direito ao crédito prêmio de IPI, gerado em cada exportação de produto industrializado”, uma vez que "a relação jurídica que faz nascer o direito pretendido pela empresa e a obrigação da União é continuativa, ou seja, renovase toda vez em que há exportação de produto industrializado", entendimento este depreendido dos pedidos formulados na ação judicial e atendidos pelas decisões judiciais citadas, o que afastava a exegese fiscal de que somente e estaria vedado o estorno dos créditos já inscritos na contabilidade e não os que viessem a ser inscritos; não tendo a decisão judicial feito referência a período específico, devia ser compreendida como uma ordem geral de abstenção ao Fisco de realizar os estornos; "Assim, como demonstrado o procedimento adotado pela empresa, ao contrário) do afirmado pelo Sr. Auditor Fiscal, tem respaldo em decisões judiciais que autorizaram não só o lançamento na escrita fiscal dos valores decorrentes do crédito prêmio de IPI gerados em cada operação de exportação (relação continuativa), bem como,determinam a abstenção da Receita Federal de exigir o estorno dos referidos créditos”; a teor do dispositivo da sentença judicial exposto nas fls. 61/65, o título exeqüendo reconhecia a relação continuativa de direito material entre a empresa e a União, "que obriga esta a nada opor acerca da apuração do créditoprêmio nas suas exportações", entendimento confirmado pelo teor do art. 471, inciso I, do CPC, que determinava a decisões judiciais "efeitos prospectivos nas relações jurídicas continuativas entre as partes litigantes, desde que, evidentemente, não haja modificação no estado de fato ou de direito "; no caso dos autos, não houve alteração de direito relativamente ao fato gerador do créditoprêmio do IPI desde a propositura da ação judicial até o momento; no auto de infração, a Fiscalização não descrevera alguma das condutas praticadas pela autuada dentre aquelas especificamente tipificadas nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 1990. como crimes contra a ordem tributária. A “simples discordância quanto ao crédito de IPI escriturado não autoriza a conclusão da fiscalização de que em 'tese' teria ocorrido crime contra a ordem tributária "; para que houvesse a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% seria necessária a inconteste comprovação Fl. 491DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 de ação ou omissão dolosa no intuito de sonegação, fraude ou conluio capitulados nos arts. 71 , 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, o que não condizia com a conduta da autuada trazida no auto de infração; "a escrituração do crédito de insumos teve por base a própria legislação aplicável (art. l° da lei n” 8.402/92), interpretada pelos Tribunais Regionais Federais, enquanto, o crédito prêmio de 1PI foi registrado na contabilidade em razão de autorização judicial expressa que assegurou inclusive a abstenção do fisco de exigir o seu estorno. A simples discordância do fisco quanto a interpretação da legislação aplicável não torna os créditos 'absurdos', como equivocadamente afirmou o AFRFB "; "Deveras, in casu, a empresa não impediu nem retardou o conhecimento do fato gerador do IPI (art. 71) ou seus elementos essenciais (art. 72), na medida em que todas as hipóteses de incidência do IPI foram corretamente escrituradas no respectivo livro. conforme determina o Regulamento do IPI; como revelam os levantamentos realizados pela própria fiscalização autuante. Tampouco a contribuinte, ora Defendente, se utilizou de conluio objetivando tais fins (art. 73) "; no sentido acima havia vários entendimentos tanto do Conselho de Contribuintes quanto das Delegacias de Julgamento (transcreveu ementas nas fls. 380/382); Ao final, por todas as razões expostas, requereu a improcedência Integral do auto de infração impugnado, ou, alternativamente, a procedência em parte, retirandose a aplicação da multa de ofício qualificada no percentual de 150%." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ao analisar a impugnação, decidiu por reduzir a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%, por entender que os elementos constantes da autuação não são suficientes para a comprovação das circunstância qualificativa para justificar a multa de 150%. O restante do lançamento referente ao principal foi mantido no julgamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/08/2005 CRÉDITO DO IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto. as aquisições de produtos classificados na TIPI como nãotributados (NT) por se situarem fora do campo de incidência do imposto. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 489 9 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. DECRETOLEI N° 491, DE 1969. VIGENCIA. APROVEITAMENTO DO CREDITO. PRESCRIÇAO. O incentivo fiscal à exportação denominado créditoprêmio de IPI, instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 491, de 1969, foi extinto em 30/06/83, por força do art. 1° do Decretolei n° 1.658, de 1979. Enquanto vigeu o créditoprêmio à exportação, a prescrição do direito ao seu aproveitamento se verificava com o transcurso de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram, consoante o art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, pelo que os valores do aludido crédito que foram apropriados pela fiscalizada em 2003, porquanto prescritos, devem ser glosados de oficio pelo Fisco. AUSÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. REDUÇAO DA MULTA DE OFICIO. A inevidência de circunstância qualificadora implica a redução da multa de ofício para o percentual de 75%. Lançamento Procedente em Parte" Ao concluir o julgamento a DRJ, considerando que o valor exonerado superou o limite de alçada, fez constar no acórdão, a necessidade de submeter a decisão ao CARF, em sede de recurso de ofício, determinando o retorno dos autos a Unidade de origem para ciência do interessado. A autuada ao tomar ciência da decisão da DRJ, veio aos autos apresentado Recurso Voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. Em 27/11/2009 a Recorrente veio novamente aos autos requereu a desistência do Recurso Voluntário (fl. 455). É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente é necessário proceder a análise da admissibilidade dos recursos voluntário e de ofício. Conforme se depreende da leitura do relatório, antes da análise do Recurso pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, a Recorrente apresentou pedido de desistência do recurso administrativo. Sendo assim, com a desistência do recurso Fl. 493DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 voluntário, restou para apreciação deste colegiado somente o recurso de ofício que por atender aos requisitos de admissibilidade, merece ser conhecido. O cerne da lide se prende a aplicação pela Fiscalização de multa de ofício qualificada no percentual de 150%. Percentual reduzido ao patamar de 75% pela decisão da primeira instância e que veio a ser objeto do presente recurso de ofício. A motivação para o lançamento da multa qualificada, foi assim descrita pela autoridade autuante. " O contribuinte, sabedor que não existia mais previsão legal ou judicial eficaz que amparasse os créditos fictícios sobre as exportações realizadas, créditoprêmio IPI, em conformidade com a legislação tributária até então vigente, que não dá direito ao crédito, porque inexistente, e, não obstante isso, usufrui o crédito utilizando alíquota aplicável a seu produto acabado, sem apresentar qualquer fundamentação legal ou judicial eficaz, o faz, consciente da ilegalidade e assume a conseqüência desses atos. Tivesse a contribuinte certeza de seu direito, deveria procurar amparo Judicial aos créditos lançados, conforme o fizera relativamente aos créditos anteriores a fevereiro de 2000, com decisão desfavorável ao contribuinte, e não apenas proceder a utilização do crédito a seu bel prazer. Entendemos que a conduta reiterada do contribuinte, ao se creditar, sistematicamente e reiteradamente, indevidamente, de créditos fictícios, sem amparo legal ou judicial eficaz, nos anoscalendário de 2003 a 2004, sem justificativa, contrariando disposição expressa de Lei, caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária, e inserese na descrição prevista nos incisos I e II do art. 1° e inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137/90, que foram transcritos na infração anterior. Dessa forma, ficou sujeito ao pagamento da multa de 150% sobre os valores creditados indevidamente e glosados pela fiscalização, conforme estipulado no artigo 80 da lei 4.502/64, também, transcrito na infração anterior." A redução da multa de 150% para o valor de 75% ocorreu, segundo o julgamento da primeira instância, em razão da não comprovação nos autos da ocorrência da situação qualificadora, deixando assim de ser aplicada a penalidade qualificada. Do acórdão da DRJ extraio o trecho abaixo que detalha a motivação para exclusão parcial do lançamento. " A Fiscalização aplicou a multa qualificada de 150% prevista no art. 80 da Lei n° 4.502. de 1961, para ambas as autuações sob a interpretação, explicitada no termo de verificação fiscal (fls. 15/ 16 e 18 dos autos), de que a autuada, nãoobstante tivesse plena ciência de que suas aquisições de insumos não tributados não geravam crédito do IPI à luz da legislação tributária e que não possuía, no período autuado, qualquer amparo para aproveitar valores a título de créditoprêmio do IPI, praticara, sistemática, reiterada e deliberadamente, a indevida conduta de utilizarse desses créditos fictícios, inexistentes, sem apresentar fundamentação legal ou judicial eficaz para tanto, incorrendo, assim, na conduta de “tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 494DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10972.000016/200844 Acórdão n.º 3102001.617 S3C1T2 Fl. 490 11 montante do imposto devido, ou evitar ou diferir o seu pagamento", definida como fraude no art. 72 daquela Lei n° 4.502, de 1964, e no art. 481 do Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/02), caracterizando, ainda, “em tese. crime contra a ordem tributária, e inserese na descrição prevista nos incisos I e II do art. 1º e inciso I do art. 2° da lei nº 8.137/90" Nesse ponto da qualificação da multa, este julgador não concorda com o entendimento da Fiscalização. Ora, a qualificação da multa realmente exige o “dolo” como elemento intelectual conformador, significando que, para ser cabível tal sanção pecuniária. os atos da fiscalizada devem expressar inequivocamente que foram praticados com deliberada consciência e vontade de realizar integralmente (ou seja, em toda sua completude os elementos típicos da conduta fraudulenta. Despiciendo salientar que, nessas situações, o ônus da prova é, sem dúvida, do Fisco. Ou seja, ao AFRF autuante, em tais situações, compete carrear ao processo a evidência inequívoca da ocorrência dos elementos caracterizadores da conduta típica. No caso ora em análise, porém, vislumbrase que o procedimento da autuada não condiz com os elementos típicos da fraude previstos no art. 80 da Lei n° 4.502, de 1964, ou no art. 481 do RIPI/02, uma vez que se verifica nos autos que a fiscalizada respondeu as intimações lhe dirigidas, apresentando informações e justificativas para o procedimento por ela adotado e, principalmente, que havia escriturado (fls. 239/255) os créditos glosados de oficio no livro fiscal registro de apuração do IPI (RAIPI), tendo, ainda, declarado tais créditos na DIPJ (fls. 287/288). Tais dados estavam, assim, à disposição do Fisco antes do início da ação fiscal que redundou na autuação ora em análise. I Não se vislumbra, destarte, conduta fraudulenta, dolosamente praticada pela fiscalizada, tendente a tentar impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou evitar ou diferir o seu pagamento. Nesse sentido, os elementos tomados pelo autuante como supedâneo à sua convicção revelamse, no juízo deste julgador, insuficientes para a comprovação patente e notória da circunstancia qualificativa a justificar a multa de 150% formalizada do auto de infração. Com isso, há que ser reduzido, tanto na autuação de tópico 001 quanto na de tópico 002 da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, o percentual da multa aplicada de 150% para 75%, nos termos do art. 80, inciso l. da Lei n° 4.502, de 1964, com a redução dada, à época, pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 Sobre questão da conduta da fiscalizada enquadrarse na tipificação de crime entre a ordem tributária prevista nos inciso I e II do art. 1º e no inciso I do art. 2° da Lei n° 8.137, de 1990, não há que ser tratada no processo administrativofiscal, conformandose sim em objeto do processo de representação fiscal para fins penais, uma vez que se trata de matéria pertencente à seara penaltributária, sujeitas, pois, a sanções penais privativas de liberdade e de multa, ambas cominadas na legislação penaltributária e não na administrativotributária. Com efeito, a multa aplicada no auto de infração, de 150%, ora analisada e reduzida, nos termos do presente voto, ao percentual de 75%, não possui natureza penal, mas sim administrativa, possuindo, com efeito, cominação legal própria e sujeitandose à análise de legalidade sob a competência deste julgador administrativofiscal." A empresa autuada apresentou justificativa para o seu procedimento, em entendimento obtido a partir de decisões judiciais. Durante a fiscalização, apresentou as documentações solicitadas pelo Fisco e não consta dos autos, documentos que possam comprovar o dolo da empresa ou omissão de informações fiscais necessárias ao trabalho da fiscalização. Conforme detalhado no voto da autoridade de primeira instância, os atos praticados pela recorrente, não se revestem das condições necessárias para ser considerada uma situação qualificadora da multa de ofício aplicada. Assim, não merece reparo a decisão da primeira instância que decidiu pela redução da multa de ofício ao percentual de 75%. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em razão do pedido de desistência e negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Fl. 496DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 12/12/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002696/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o acórdão embargado.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
JUROS DE MORA.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 4 - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 2102-002.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração para sanar as omissões existentes no Acórdão nº 2102-01.278, de 11/05/2011, sem efeitos infringentes.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 29/08/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o acórdão embargado. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) JUROS DE MORA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Súmula CARF nº 4 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 26 96 /2 00 7- 46 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 266 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração para sanar as omissões existentes no Acórdão nº 2102 01.278, de 11/05/2011, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 29/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em sessão plenária realizada em 11 de maio de 2011 esta Turma julgou o recurso apresentado pela contribuinte AGRO PECUÁRIA COMERCIAL E INDUSTRIAL CAARAPÓ S/A, Acórdão nº 210201.278, sendo proferida a seguinte decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de preservação permanente de 34.400,0 ha, para os exercícios 2003 a 2005, e a área ocupada com benfeitorias de 2.000,0 ha, para o exercício 2005. A Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti votou pelas conclusões no tocante à controvérsia sobre a área de reserva legal O acórdão está assim ementado: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ADA. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de reserva legal averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente e informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, as áreas de preservação permanente, informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), cuja existência seja confirmada mediante Fl. 355DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 267 3 apresentação de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Acolhese, para fins de cálculo do ITR devido, área ocupada com benfeitorias, cuja existência seja confirmada mediante apresentação de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica (ART). ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO SUSTENTADO. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, sem aplicação de índices de rendimento por produto, a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado pelo IBAMA até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. 0 arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (S1PT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Cientificada do referido Acórdão, por via postal, em 16/02/2012, Aviso de Recebimento (AR), fls. 246, a contribuinte apresentou Embargos de Declaração, fls. 251/261, em 22/02/2012, onde afirma que o acórdão embargado incorreu em omissão, pois deixou de apreciar as alegações do recurso no que se refere à multa de ofício e aos juros de mora. A embargante acrescenta, ainda, que, no que concerne à área de reserva legal o acórdão embargado não se pronunciou sobre o disposto no art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e no que tange à área de exploração extrativa a embargante afirma que o acórdão foi omisso ao não analisar fato que se encontrava provado documentalmente nos autos. É o Relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 268 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela contribuinte preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos. Nos embargos de declaração que ora se analisa a contribuinte afirma que o acórdão embargado incorreu em omissão, pois deixou de apreciar as alegações do recurso no que se refere à multa de ofício e aos juros de mora. Nesse aspecto, assiste razão à contribuinte, de sorte que passase à apreciação das razões de defesa apresentadas pela contribuinte no recurso sobre as referidas matérias. No que se refere aos juros de mora, a contribuinte defendeu a inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic para fins tributários. Tal matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme Súmula nº 4, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Assim, deve ser mantida a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic. Quanto à multa de ofício, a contribuinte limitouse a afirmar que discordava de sua incidência, sob a alegação de que sua aplicação seria totalmente contrária a legislação, com efeito confiscatório. Ora, o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê a aplicação de multa de 75% nos casos de lançamento de ofício sobre a diferença de imposto devido. Logo, considerando que no procedimento fiscal apurouse que a contribuinte deixou de recolher o ITR devido, correta a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. Importa, ainda, ressaltar que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme inferese da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 269 5 Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no lançamento. Nos embargos de declaração a contribuinte aponta, ainda, a existência de outros dois pontos de omissão, quais sejam: no que concerne à área de reserva legal o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre o disposto no art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e no que tange à área de exploração extrativa o acórdão não teria analisado fato que se encontrava provado documentalmente nos autos. No que se refere à área de reserva legal o acórdão embargado manteve a decisão de primeira instância em razão da falta de averbação da referida área junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis. Nesse ponto, importa observar que o acórdão deve referirse, expressamente, sobre todas as razões de defesa suscitadas no recurso, entretanto, não há a necessidade de responder, um a um, o feixe de argumentos exarados na defesa sobre a mesma questão, sendo suficiente que se fundamente a decisão sobre a matéria em litígio. E este é o caso que se apresenta. O entendimento exarado na decisão embargada foi no sentido de que somente há que se falar em área de reserva legal depois de sua respectiva formalização, mediante averbação na matrícula do imóvel, sendo, portanto, desnecessária a abordagem do disposto no art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393, de 1996. Já no que se refere à área de exploração extrativa temse que no voto condutor do acórdão embargado foram analisados todos os documentos acostados aos autos, sendo devidamente esclarecido que os mesmos não eram suficientes para comprovar o cumprimento do cronograma do Plano de Manejo Florestal Sustentado, razão porque manteve se a glosa da área de exploração extrativa. Assim, no que se refere à área de reserva legal e à área de exploração extrativa não restou caracterizada a existência de omissão no acórdão embargado. Ante o exposto, voto por acolher em parte os embargos de declaração para sanar as omissões existentes no Acórdão nº 210201.278, de 11/05/2011, sem efeitos infringentes. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 358DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.002696/200746 Acórdão n.º 2102002.260 S2C1T2 Fl. 270 6 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10983.905047/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 140 1 139 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.905047/200864 Recurso nº Resolução nº 3401000.609 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2012 Assunto Determinação de Diligência Recorrente CENTRAIS ELETRICAS DE SANTA CATARINA SA Recorrida FLORIANÓPOLISSC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 05 04 7/ 20 08 -6 4 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905047/200864 Resolução nº 3401000.609 S3C4T1 Fl. 141 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905047/200864 Resolução nº 3401000.609 S3C4T1 Fl. 142 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 142DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003064/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-001.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 98 1 97 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.003064/200868 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.935 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOAO HENRIQUE WOLFF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 30 64 /2 00 8- 68 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2006 , anocalendário 2005, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$31.792,45 por “falta de comprovação com documentação adequada”, uma vez que o contribuinte apresentou apenas os recibos incompletos sem a indicação do nome do beneficiário do tratamento, além de não comprovar a utilização dos serviços nem o efetivo pagamento e de haver despesas em favor de terceiros não relacionados como dependentes na declaração de ajuste anual (fls. 09). Na impugnação foram discriminados valores, datas, nomes dos prestadores dos serviços e dos respectivos beneficiários dos tratamentos e, quanto ao plano de saúde, alega se tratar de plano familiar em favor do contribuinte e de seus dependentes. A impugnação foi deferida exclusivamente quanto às despesas com plano de saúde da Unimed pagas pelo cônjuge em favor do contribuinte e seus dependentes Artur Bosi Wolff e Beatriz Bosi Wolff. A dedução das demais despesas (R$ 29.786,87) não foi admitida por ter sido considerado que o contribuinte não juntou aos autos elementos subsidiários suficientes a comprovar que suportou os desembolsos, como por exemplo cópias dos cheques nominativos ou extratos bancários. Ciente da decisão de primeira instância em 17/05/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário em 15/06/2011, no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. não há fundamento para a exigência de cópias de cheques e extratos, pois a legislação exige recibos ou notas fiscais e somente de forma alternativa a comprovação com cheque nominativos; 2. para afastar qualquer dúvida da idoneidade dos serviços contratados, realizados e pagos apresenta declarações e atestados dos profissionais de saúde. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na “falta de comprovação com documentação adequada”, uma vez que o contribuinte apresentou apenas os recibos incompletos sem a indicação do nome do beneficiário do tratamento, além de não comprovar a utilização dos serviços nem o efetivo pagamento e de haver despesas em favor de terceiros não relacionados como dependentes na declaração de ajuste anual (fls. 09). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10665.003064/200868 Acórdão n.º 2802001.935 S2TE02 Fl. 99 3 A glosa foi mantida em parte pelo acórdão recorrido por ter sido considerado que o contribuinte não juntou aos autos elementos subsidiários suficientes a comprovar que suportou os desembolsos, como por exemplo cópias dos cheques nominativos ou extratos bancários. Em casos desta natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. O ponto de partida é a imputação feita no lançamento, porém neste caso concreto não há apontamento algum de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente que permitam afastar a idoneidade dos mesmos para fazer jus às deduções pleiteadas. Ainda que haja imperfeições na lei que permitam eventual deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora e ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Enquanto não houver disciplina legal mais adequada, ausente prova (ainda que por meio de um conjunto forte de indício) em desfavor dos recibos e das declarações dos profissionais, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Ademais, nesta fase recursal foram juntados declarações e atestados que ratificam a comprovação das seguintes despesas: a) R$6.050,00 com psicoterapia de casal (fls. 87); b) R$8.000,00 com psicoterapia em benefício do filho Artur Bosi Wolff (fls. 88); c) R$10.000,00 com fonoaudiologia no filho Artur (fls. 89); d) R$1.265,00 com consultas médicas e aplicação de vacinas na filha Beatriz Bosi Wolff (fls. 90); e) R$860,00 com fisioterapia em favor do contribuinte (fls. 91); f) R$1.680,00 mais R$1.000,00com tratamento odontológico em benefício do contribuinte (fls. 92/93). Estes valores somam R$28.855,00, os quais adicionados ao que foi admitido pela autoridade fiscal (R$924,00) e o que foi restabelecido em primeira instância (R$2.005,58), conduz a uma dedução de despesas médicas de R$31.784,58, ao passo que o valor declarado Fl. 100DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 foi de R$32.716,45. A origem da diferença não pode ser precisada porque como alegou o impugnante, no lançamento não foram apontados quais recibos foram aceitos e quais foram rejeitados. Portanto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 101DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10665.003064/200868 Acórdão n.º 2802001.935 S2TE02 Fl. 100 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 18 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 102DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000521/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
IRRF INCIDENTE SOBRE SALÁRIOS. FATO GERADOR.
O fato gerador do imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF) ocorre na data do efetivo pagamento de salário e demais remunerações decorrentes de vínculo empregatício recebidos por pessoa física residente no Brasil.
PROVISÕES.
A constituição de uma provisão para pagamento de tributo não representa acréscimo patrimonial ou acréscimo de disponibilidade econômica ou jurídica, mas sim uma reserva de valor para atender a despesas esperadas, portanto não se concretiza o fato gerador do imposto sobre a renda.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se legislação tributária a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando deixe de defini-lo como infração.
Numero da decisão: 2201-001.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
EDITADO EM: 29/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), Gustavo Lian Haddad (vice presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Marcio de Lacerda Martins e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRRF INCIDENTE SOBRE SALÁRIOS. FATO GERADOR. O fato gerador do imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF) ocorre na data do efetivo pagamento de salário e demais remunerações decorrentes de vínculo empregatício recebidos por pessoa física residente no Brasil. PROVISÕES. A constituição de uma provisão para pagamento de tributo não representa acréscimo patrimonial ou acréscimo de disponibilidade econômica ou jurídica, mas sim uma reserva de valor para atender a despesas esperadas, portanto não se concretiza o fato gerador do imposto sobre a renda. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se legislação tributária a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando deixe de defini-lo como infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator. EDITADO EM: 29/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), Gustavo Lian Haddad (vice presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Marcio de Lacerda Martins e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.107 1 2.106 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000521/200785 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201001.830 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria IRF sobre salário Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRO EDUCACIONAL CHARLES DARWIN LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRRF INCIDENTE SOBRE SALÁRIOS. FATO GERADOR. O fato gerador do imposto sobre a renda retido na fonte (IRRF) ocorre na data do efetivo pagamento de salário e demais remunerações decorrentes de vínculo empregatício recebidos por pessoa física residente no Brasil. PROVISÕES. A constituição de uma provisão para pagamento de tributo não representa acréscimo patrimonial ou acréscimo de disponibilidade econômica ou jurídica, mas sim uma reserva de valor para atender a despesas esperadas, portanto não se concretiza o fato gerador do imposto sobre a renda. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase legislação tributária a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando deixe de definilo como infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 05 21 /2 00 7- 85 Fl. 2107DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15586.000521/200785 Acórdão n.º 2201001.830 S2C2T1 Fl. 2.108 2 EDITADO EM: 29/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), Gustavo Lian Haddad (vice presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Marcio de Lacerda Martins e Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Do lançamento Foram lavrados Auto de Infração e demonstrativos para exigir o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, no valor de R$ 431.916,01, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Lançada também multa isolada no valor de R$ 1.505.677,90 por recolhimento do IRRF após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora. O valor total do crédito tributário constituído é de R$ 2.403.923,35. A autoridade fiscal constatou que o contribuinte não recolheu o IRRF sobre o trabalho assalariado com os acréscimos devidos de multa de mora e, por isso, lançou multa isolada de 75% sobre o valor não recolhido, conforme demonstrou nos quadros de fls. 59 e 60. Verificou também que, apesar de intimado, o contribuinte não vinculou algumas retenções realizadas com os pagamentos, o que ocasionou o lançamento do imposto não comprovado. As infrações constam no Termo de Verificação de Infração de fls. 81 a 83. Da impugnação A interessada impugnou o lançamento questionando, em síntese: • que o fato gerador do IRRF sobre Salários é o efetivo recebimento em cada mês e não a data de escrituração da provisão da folha de pagamento sendo recolhidos para cada período de apuração conforme discrimina às fls.102 a 117; • que não há base para se exigir a multa isolada, pois os recolhimentos foram efetuados como manda a lei, conforme documentos acostados às fls. 861/1985; • que a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio não é acatada por decisões reiteradas do CARF que também limita a aplicação dessa multa ao saldo de imposto apurado, o que equivale a não aplicação da multa isolada; • que o tributo foi autodeclarado antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou ação fiscal por parte das autoridades administrativas da Receita Federal e finaliza pedindo o cancelamento integral do auto de infração. Da decisão de 1ª instância. O Colegiado entendeu que houve equívoco, por parte da fiscalização, na apuração do imposto de renda retido na fonte sobre trabalho assalariado (código 0561) ao considerálo devido nas datas recuperadas nas provisões e registros contábeis. Não houve batimento entre os dados declarados em DCTF, lançados na contabilidade e os pagamentos efetivamente realizados. Fl. 2108DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15586.000521/200785 Acórdão n.º 2201001.830 S2C2T1 Fl. 2.109 3 O lançamento se baseou em datas de vencimento e de pagamento diversas das comprovadas pelo contribuinte nos autos. Portanto, o fato gerador e o vencimento do IRRF lançado também estão equivocados. Concluíram pela improcedência do lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF no valor de R$431.916,01 além dos acréscimos legais por falta de provas e erros no levantamento e apuração do valor devido. Exoneraram a multa isolada de R$1.505.677,90 aplicada sobre os pagamentos de IRRF efetuados após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora em face da alteração provocada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, no art. 44, inciso II, § 1°, da Lei n° 9.430/1996, excluindo a hipótese de incidência da multa isolada. Do recurso de ofício Em atendimento ao que determina o artigo 34, I, do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de oficio. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins, relator. A autoridade julgadora de primeira instância deve recorrer de oficio sempre que sua decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa no valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado pelo Ministro da Fazenda. Assim está estabelecido no artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo artigo 67, da Lei nº 9.532, de 1997. A decisão de primeira instância exonerou, na totalidade, o lançamento de IRRF efetuado por meio do Auto de Infração e termos complementares de fls. 81 a 99 que alcançou o montante de R$ 2.403.923,35, considerados os acréscimos legais e a multa isolada. Nesses termos, tomo conhecimento do recurso de oficio que possui os requisitos exigidos para sua admissibilidade. A remessa necessária se justifica pelo fato do colegiado de primeira instância ter exonerado o sujeito passivo do lançamento do IRRF, cujo pagamento não foi devidamente comprovado pelo contribuinte, e da multa isolada, aplicada sobre os pagamentos realizados, após o vencimento, sem a correspondente multa de mora. A multa isolada de R$1.505.677,90, foi apurada pela fiscalização com base no valor devido aplicandose sobre este valor 75%, conforme está demonstrado, para cada período, às fls. 59 e 60. A fiscalização lavrou Termo de Verificação de Infração (fls. 81 a 83) para descrever os procedimentos realizados e as infrações cometidas pelo autuado. A falta ou a ausência de comprovação dos recolhimentos do imposto de renda retido sobre os pagamentos Fl. 2109DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15586.000521/200785 Acórdão n.º 2201001.830 S2C2T1 Fl. 2.110 4 de salários e de outros benefícios realizados no período e o recolhimento do IRRF, após as datas de vencimento do tributo, sem o acréscimo da multa de mora devida. A autoridade fiscal justifica assim a aplicação da multa isolada: “No curso do procedimento fiscal para o IRRF sobre o trabalho assalariado, apurouse que o recolhimento foi feito após o prazo fixado sem o acréscimo de multa moratória e que alguns pagamentos foram feitos antes da ocorrência do fato gerador, o que caracterizou falta de recolhimento.”(grifo no original fl. 81) O contribuinte ofereceu impugnação de fls. 101 a 125 para explicar o regime obedecido na retenção e na apuração dos valores devidos e os pagamentos realizados. Esclareceu tratarse do regime estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 8.134, de 1990. ´que determina a retenção do Imposto de Renda quando do efetivo pagamento ao beneficiário. O excerto abaixo foi extraído da impugnação de fls. 101 a 125, apresentada pelo contribuinte, e mostra como o autuado procedeu na retenção e no pagamento do imposto, a saber: [...] “1.3 Quanto aos valores ditos pelos auditores fiscais como não recolhidos, a impugnante detalha abaixo todas as competências apontadas pela fiscalização e justifica o procedimento utilizado fundamentado no que dispõe o art.3º da Lei 8.134 de 1990 bem como o RIR em seu artigo 620, § 1º.”(fl. 102) O voto condutor da decisão de 1ª instância acata as comprovações apresentadas pelo contribuinte e aponta equívoco no lançamento ao considerar não pago o IRRF recolhido em datas distintas daquelas registradas na contabilidade em provisões registradas em regime de competência. E conclui pela improcedência do lançamento nos seguintes termos: “O Código Tributário Nacional, se por um lado, no seu artigo 142, impõe autoridade lançadora o dever de lançar o tributo, sob pena de responsabilidade funcional, por outro lado, determina à mesma que verifique, ou seja prove, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente”. [...] Em virtude da falta de provas pelo Fisco da infração VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA do lançamento relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, devendo ser cancelado o valor de R$ 431.916,01, multa e juros de mora, nos termos constituídos no auto de infração. Ratifico a decisão do Acórdão nº 1224.143 da 7ª turma da DRJ/RJ1 pela improcedência do lançamento uma vez comprovados os recolhimentos considerados Fl. 2110DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15586.000521/200785 Acórdão n.º 2201001.830 S2C2T1 Fl. 2.111 5 inexistentes pela fiscalização e esclarecida a forma como os valores devidos de Imposto de Renda foram retidos e registrados. Quanto ao lançamento da multa isolada de oficio, o contribuinte apresentou quadros explicativos nos anexo II para o ano calendário 2002 – fls. 867 a 869; anexo III para ano calendário 2003 – fls. 1028 a 1031; anexo IV para ano calendário 2004 – fls. 1300 a 1303; anexo V para o ano calendário 2005 – fls. 1535 a 1539 e anexo VI para o ano calendário 2006 – fls. 1811 a 1814 discriminando os pagamentos e retenções efetuadas e alocando os pagamentos (Darf) aos débitos com as datas reais de vencimento. A DRJ entendeu que a multa foi lançada com base no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 e alterações posteriores que resultaram, com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, no seguinte comando restritivo do art. 18, a saber: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Para concluir que “em sendo a Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, em seu art. 14, mais benéfica ao interessado e, tendo força de lei (art. 62 da Constituição Federal de 1988), deverá retroagir para alcançar penalidade (multa isolada), cuja existência se encontra pendente de julgamento, em respeito ao principio da retroatividade benigna insculpido no art. 106, inciso II, do CTN.” Em que pese o alcance retroativo da norma nova mais benéfica para o contribuinte, constatase, no caso, a fragilidade da autuação, desde a sua origem, na comprovação das infrações e no levantamento das datas de ocorrência efetiva dos fatos geradores do IRRF. Com efeito, correta a providência adotada pelo colegiado julgador de primeira instância, que não merece reparos. Face ao exposto, NEGO provimento ao recurso de oficio interposto. Brasília, Sala de Sessões, 20 de setembro de 2012 (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 2111DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 15586.000521/200785 Acórdão n.º 2201001.830 S2C2T1 Fl. 2.112 6 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.830. Brasília/DF, 29 de novembro de 2012 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO 2ª Câmara 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 2112DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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