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Numero do processo: 11020.002796/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF.
De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013.
Numero da decisão: 3301-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas votou pelas conclusões.
Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo André Pierdoná, OAB/RS 35888.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente.
MÔNICA ELISA DE LIMA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fabia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas votou pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo André Pierdoná, OAB/RS 35888. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 96 /2 00 9- 60 Fl. 6284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.285 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fabia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do acórdão nº 0120.841, de 22 de fevereiro de 2011, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA). Os presentes autos estão retornando da Delegacia de origem, após cumprimento de diligência determinada pela Resolução nº 3301000.128, desta c. Primeira Turma, a partir de encaminhamento do Ilustre Relator Antônio Lisboa Cardoso, em sessão de 26 de janeiro de 2012. Desta forma, colhese, por bem ilustrar os acontecimentos, o conteúdo do Relatório elaborado já em sede de Recurso Voluntário (fls. 254 a 256). Transcrevese: Cuidase de recurso em face da decisão que indeferiu o pedido de restituição de valores recolhidos a título de Cofins, nos anos calendários 2004, 2005 e 2006, tendo em vista que a contribuinte obteve decisão liminar no Mandado de Segurança n° 2009.71.07.0032277, para que os Pedidos Eletrônicos de Restituição(PER.) arrolados na petição inicial fossem processados no prazo máximo de 30 dias da ciência da decisão. O acórdão recorrido é assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anoscalendário: 2004, 2005, 2006 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” De acordo com o acórdão recorrido, no presente processo foram incluídos também os PER 18513.57547.210708.12.044626 e 32977.88560.210708.1.2044715, embora não estivessem relacionados no Mandado de Segurança. A Unidade de Origem verificou que a procedência dos alegados pagamentos indevidos ou a maior da Cofins decorre do aumento de créditos de Cofins Não cumulativo Mercado Interno (art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002), resultando na redução ou inexistência de débitos de Cofins. Fl. 6285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.286 3 Os valores pleiteados não foram reconhecidos porque no regime da não cumulatividade da Cofins, o aproveitamento de crédito, para dedução do valor a recolher dentro do período de apuração, é uma faculdade do sujeito passivo (...), o sujeito passivo claramente deixou de exercer a opção facultada em lei e que a "mera retificação do Dacon não pode ser aceita para justificar a existência de indébito, e, por conseqüência, reconhecer o direito creditório almejado". A recorrente alega que o pagamento a maior decorre da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006), e que havia providenciado a retificação de suas DCTF e Dacon. Todavia, a mesma não trouxe aos autos documentação que demonstrasse de forma inequívoca o seu enquadramento nos dispositivos citados. Vale salientar que em se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando, notadamente por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Cientificada em 26/04/2011 (AR fl. 232), a recorrente protocolou em 17/05/2011, o recurso voluntário de fls. 233/247, onde reitera os argumentos constantes de sua manifestação de inconformidade, requerendo, ao final, alternativamente, a realização de diligência com a finalidade de comprovação da veracidade de suas declarações e argumentações. É o relatório. O voto condutor do Dr. Antônio Lisboa Cardoso foi proferido no seguinte sentido, em resumo (fl. 256): No presente processo, estão presentes a verossimilhança das alegações da contribuinte e, em homenagem aos princípios da formalidade moderada e da verdade real, que devem nortear o processo administrativo fiscal e, visto que o alegado pagamento a maior seria decorrente da não aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636 (04.04.2006), tendo sido promovida a retificação das respectivas DCTF e Dacon. Desta forma, de modo a evitar eventual enriquecimento sem causa por parte do fisco, proponho converter o julgamento do Fl. 6286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.287 4 presente recurso em diligência a fim de que a DRF de origem cientifique a Recorrente, para que no prazo de trinta dias apresente os documentos julgados necessários ao confronto das informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras. Desta forma, o i. Relator propôs diligência a fim de que a DRF de origem cientificasse a Recorrente, para que, no prazo de trinta dias, apresentasse os documentos julgados necessários ao confronto das informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras. Após a análise dos documentos, o AFRFB deveria elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a Contribuinte deveria ser intimada para que apresentasse manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Como resultado da diligência, o Auditor Fiscal elaborou o relatório de fls. 6256 a 6266, mediante o qual, com base na Escrita da Contribuinte, aduz e conclui que: Com o fim de verificar a forma de tributação da Cofins das compras de trigo realizadas no período em questão, todos os fornecedores de trigo listados pela interessada, com exceção dos que informaram nas próprias notas fiscais que a venda foi realizada com suspensão da incidência da Cofins, dos produtores pessoa física e de empresa baixada, foram intimados a informar se as vendas de trigo foram realizadas com a suspensão da incidência da Cofins. Abaixo um resumo sobre a forma de tributação das vendas realizadas pelos 103 fornecedores: 70 vendas com suspensão; 9 vendas tributadas; 7 não responderam; 4 vendas com alíquota zero; 4 – AR devolvido – sem informação; 3 – vendas realizadas por pessoa física; 1 – não recolheu; 1 – não informou; 1 – venda com não incidência; 1 – empresa baixadasem informação; 1 – venda sem suspensão; 1 – venda sem retenção. 6.1. A origem do suposto crédito da empresa estariam nessas vendas, mas, como podese verificar desse resumo, apenas dez fornecedores (9 – vendas tributadas e 1 – venda sem suspensão) Fl. 6287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.288 5 realizaram vendas com incidência da Cofins. Registrese que (...) a Cooperativa Tritícola Panambi Ltda, CNPJ nº 91.982.496/000100, que realizou diversas vendas, informou (fls. 6227) que as vendas foram realizadas com suspensão, mas com a edição da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, retificou os Dacons considerandoas tributadas. Pelos valores envolvidos na compra de trigo, seguramente por ocasião da negociação com os fornecedores a interessada sabia se a operação iria realizarse com suspensão ou não da incidência da Cofins, porque o custo com a incidência seria um valor e sem outro. Então, ela tinha que apurar o seu crédito conforme a forma de tributação adotada pelo fornecedor. Registrese, ainda, neste ponto, que seis fornecedores informaram nas próprias Notas Fiscais que as vendas estavam sendo realizadas com a suspensão da incidência da Cofins. 10. Por meio das intimações mencionadas no item 4, retro, um dos fornecedores encaminhou junto com a resposta cópia da declaração (fls. 6222), abaixo transcrita, realizada pela interessada em 17 de novembro de 2005: “MOINHO DO NORDESTE S/A, pessoa jurídica de direito privado com sede na Av. dos Imigrantes, 105, na cidade de Antônio Prado, Estado RS, inscrita no CNPJ sob nº 87.274.817/000136, através de seu representante legal infraassinado, DECLARA, sob as penas da lei e para os fins previstos no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 26 de julho de 2004 (suspensão do PIS da Cofins nas aquisições de produtos in natura de origem vegetal), e relativamente a sua forma de tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que é tributada com base no Lucro Real". Com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636, de 4 de abril de 2006, a interessada alterou a forma de apuração de seus créditos, sem levar em consideração, por ocasião da compra do trigo, se a operação tinha ocorrido ou não com tributação da Cofins. Era essencial, para que ela fizesse o crédito integral, que a Cofins estivesse sido tributada. Se não o foi, não se tem como admitir o crédito integral, ainda mais se ela própria fez declarações para os fornecedores venderem o produto em tela com suspensão. 13. Em suma, podese afirmar que: se a operação da compra de trigo realizouse com suspensão da incidência da Cofins, utiliza se do crédito presumido; se efetivada com incidência, utilizase do crédito integral. Se por ocasião das compras a interessada utilizouse do benefício previsto no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 2004 – quer dizer, não pagou a contribuição não há como ampliar o seu crédito a não ser que posteriormente a Fl. 6288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.289 6 tributação não realizada inicialmente seja regularizada, como ocorreu com as operações realizadas com a Cooperativa Tritícola Panambi Ltda., CNPJ nº 91.982.496/000100. 14. Sobre as compras de trigo tributadas, listadas na Tabela constante do item 7, acima, a meu ver a interessada tem direito ao crédito integral sobre as compras realizadas da Cooperativa Tritícola Panambi Ltda., que inicialmente vendeu o produto em questão com suspensão e mais adiante retificou os Dacons considerando a venda tributada. No que se refere as demais vendas tributadas, a requerente terá direito ao crédito integral desde que comprove que esse crédito não foi utilizado inicialmente, (...). (...), após uma nova análise dos documentos apresentados pela interessada em resposta à Intimação DRF/CXL/Seort nº 132, de 20 de novembro de 2012, verificouse que a cópia do Razão Analítico – Conta Cofins a Compensar Entrada Estoques comprova que a requerente não utilizou o crédito integral sobre as demais compras tributadas listadas na Tabela constante do item 7 da mencionada Informação, mas sim creditouse apenas do crédito presumido. 5. Dessa forma, a meu ver, a contribuinte tem direito ao crédito apurado no item 15 de tal Informação, ou seja, R$ 171.787,32 (cento e setenta e um mil, setecentos e oitenta e sete reais e trinta e dois centavos). Instada a se manifestar, a Contribuinte, em fls. 6269 a 6276, reitera seu pedido, e alega em adição: Dessa forma, como a maioria dos fornecedores informou que não submeteu as receitas das operações à tributação da referida contribuição em virtude de sua própria interpretação do art. 9º da Lei 10.925/04, a Autoridade Tributária concluiu que, quanto às compras de trigo em relação às quais não houve o recolhimento de COFINS, a Recorrente não possui direito ao crédito integral previsto no artigo 3º da Lei 10.833/03. Vale dizer, a Autoridade Tributária entendeu que a Recorrente deve apurar o crédito das aquisições de trigo efetuadas entre 01.08.2004 e 31.03.2006 de acordo com a forma de tributação do fornecedor, pouco importando se a aplicação da suspensão da incidência de COFINS sobre as referidas operações violou a legislação e as inúmeras orientações expedidas em diversas Soluções de Consultas da própria RFB. De fato, para espanto da Recorrente, a Autoridade Tributária, ao invés de examinar o direito ao crédito integral de Cofins oriundo das aquisições no período à luz das normas aplicáveis condicionouo a vontade dos respect ivos fornecedores, mais especif icamente ao modo de tributação por eles adotado em cada caso (venda com suspensão, tributada, Fl. 6289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.290 7 com alíquota zero, com não incidência etc.), ainda que contra legem. A Autoridade Tributária asseverou, na hipótese, que se os fornecedores de trigo aplicaram a suspensão antes da referida data, mesmo que indevidamente, tal situação deveria determinar a forma de apuração do crédito da Recorrente. É incontroverso que a Recorrente possui o direito de restituição dos valores objetos dos pedidos de restituição, pois, em relação às aquisições de trigo efetuadas entre 01.08.2004 e 31.03.2006 aproveitou, na época, equivocadamente o crédito presumido previsto na Lei 10.925/04 (como se fosse aplicável a suspensão em exame), ao invés de utilizar o crédito integral a que fazia jus, recolhendo aos cofres públicos, a titulo de COFINS, valores maiores do que as efetivamente devidos As vendas realizadas equivocadamente com suspensão da COFINS pelos fornecedores da Recorrente, no máximo, podem ser revistas com o Lançamento de eventual crédito tributário contra os vendedores em razão da incidência da contribuição nas operações, conforme, inclusive, destacado na Solução de Consulta nº 126/2008. A Recorrente retificou as DACONs originais para, em lugar do crédito presumido, aproveitar o crédito integral sobre o valor dos insumos adquiridos, em observância aos procedimento estabelecido no art. 11, da INSRF nº 590/2005. Da mesma forma, em atenção ao disposto no artigo 11, da INRFB nº 786/2007, retificou as DCTFs informando a redução de COFINS decorrente da utilização do crédito integral no lugar do presumido. Desse modo, como os débitos declarados nas DCTFs originais referentes ao período em análise (01.08.2004 a 31.03.2006) já haviam sido pagos mediante DARF, configurouse, em virtude das fundamentadas retificações dos DACONs e das DCTFs, o pagamento a maior objeto dos pedidos de restituição vinculados ao feito. Cabe destacar que a Receita Federal do Brasil reconhece, pacificamente, o direito à restituição em casos análogos. A Recorrente, então, traz à colação Soluções de Consulta que, em seu entender, corroborariam seu entendimento: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 126 de 19 de Maio de 2008 9ª Região Fiscal ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 6290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.291 8 EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. VENDAS EFETUADAS INDEVIDAMENTE COM SUSPENSÃO. LANÇAMENTO A DÉBITO DAS CONTRIBUIÇÕES E EVENTUAL PAGAMENTO. No período entre a publicação da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos indevidamente com suspensão e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, independentemente da regularidade fiscal do fornecedor. As vendas efetuadas indevidamente com suspensão, no mesmo período, devem ser revistas, com o lançamento a débito da COFINS e eventual pagamento do saldo devedor. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 214 de 01 de Junho de 2009 9ª Região Fiscal ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da COFINS. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da nãocumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática não cumulativa. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: PERÍODO DE NÃO APLICABILIDADE DA SUSPENSÃO. DIREITO A CRÉDITO INTEGRAL. OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e Fl. 6291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.292 9 10.833/2003. É possível a alteração dos créditos descontados nesse período, sendo exigida a entrega de Dacons e DCTFs retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a compensação com outros tributos e a restituição, bem como a correção pela Selic dos valores a compensar ou a restituir em relação a pagamentos indevidos ou a maior da contribuição. Descabe a compensação com outros tributos e o ressarcimento dos créditos da nãocumulatividade, exceto quando oriundos de receita de exportação ou de vendas sujeitas à não incidência, isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe a correção para créditos oriundos da sistemática não cumulativa. Solução de Consulta n° 413 de 30 de Novembro de 2010 8ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade da Cofins, prevista no art. 90 da Lei no 10.925, de 2004, dependia do estabelecimento de termos e condições de sua aplicação, o que se deu somente com a edição da IN SRF no 636, de 2006, publicada no DOU de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN SRF no 660, de 2006, somente a partir dessa data, 04.04.2006, é que foi possível efetuar vendas com a referida suspensão. Solução de Consulta n°. 57 de 14 de Julho de 2005 2ªRF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: SUSPENSÃO. PENDÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1 Enquanto não expedida regulamentação par parte da Secretaria da Receita Federal, encontrase inaplicável a suspensão da incidência da Cofins prevista no art. 9° da Lei n° 10 .925, de 2004. Solução de Consulta n°. 293 de 19 de Setembro de 2006 9ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: A suspensão da exigibilidade da Cofins, prevista no art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, dependia, nos termos do seu § 2°, do estabelecimento de termos e condições da sua aplicabilidade, o que se deu somente através da IN SRF n° 636, de 2006, publicada no D.O.U. de 4 de abril de 2006, Fl. 6292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.293 10 posteriormente revogada pela IN SRF n° 660, de 2006. Assim, as vendas dos produtos agropecuários objeto do referido dispositivo legal, efetuadas até 3 de abril de 2006, submetiamse à exigibilidade da contribuição, por não aplicável a suspensão aludida. Solução de Consulta n° 39 de 04 de Abril de 2007 6ª RF ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social EMENTA: SUSPENSÃO. VENDAS DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS E CREDITO PRESUMIDO. Enquanto não expedida regulamentação por parte da Receita Federal do Brasil, encontravase inaplicável a suspensão da incidência da Cofins prevista no art.9° da Lei n° 10.925, de 2004. A regulamentação ocorreu com o advento da IN SRF n° 636, de 24 de marco de 2006, revogada pela IN SRF n° 660, de 17 de julho de 2006. É o Relatório. Fl. 6293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.294 11 Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima. O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade; portanto, dele conheço. Tratase de Pedidos de Restituição de recolhimentos de Cofins, períodos de apuração de agosto de 2004 a março de 2006, conforme discriminado na fl. 111 dos autos, no valor de R$2.625.455,06. A Recorrente alega que os pagamentos a maior seriam decorrentes da indevida aplicação da suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, no período entre a produção de efeitos da mencionada Lei (01.08.2004) e a publicação da IN SRF n° 636, de 04.04.2006. Defende a Contribuinte que, em virtude da não aplicação da suspensão da incidência da Cofins, prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, entre agosto de 2004 e março de 2006, o trigo adquirido pela Empresa nesse período estava sujeito ao pagamento da referida Contribuição. Isto porque a suspensão da incidência da Cofins sobre o trigo estava condicionada à regulamentação da matéria pela SRFB, o que só ocorreu com a publicação da IN SRF nº 636, em 4 de abril de 2006, momento em que passou, então, a produzir efeitos a mencionada suspensão. O indébito seria decorrente do recolhimento da Cofins em valores maiores do que deveria ter pago, pois, ao invés de utilizar crédito integral a que fazia jus, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, valeuse do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Constatada tal situação, retificou os Dacons e as DCTFs correspondentes; deixando explícito seu direito creditório. Nas fls. 265 a 267, a Recorrente apresenta demonstrativos de Cofins e PIS supostamente recolhidos a maior, decorrentes do confronto entre a utilização de créditos presumidos às alíquotas de 4,56% e 0,99%, e o crédito regular, às alíquotas de 7,6% e 1,65%. 256 a 258 Após cumprimento da diligência requestada por este Colegiado, a Autoridade Fiscal reconheceu o montante de recolhimentos a maior no valor de R$171.787,32, conforme demonstrativo de apuração constante de fls. 6261 e 6262. Tais recolhimentos dizem respeito a compras de trigo; sendo que, em relação às compras com suspensão de Cofins, o AFRFB entendeu que devesse ser utilizado o crédito presumido, no percentual de 4,56%; já nas compras efetivadas com incidência, utilizarseia o crédito integral. A suspensão da Cofins darseia com base no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, cujo § 2º, incluído pela Lei nº 11.051, de 30.12.2004, que delegou à SRF a regulamentação do benefício. Por sua vez, o crédito presumido tem fundamento no artigo 8º do mesmo diploma, cabendo notar que o § 1º estendeu a possibilidade de creditamento também nas aquisições feitas junto a pessoas jurídicas. Fl. 6294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.295 12 Importa, desta feita, sublinhar a cronologia da aplicação das regras de suspensão e crédito presumido do PIS e da Cofins quando da aquisição de produtos vegetais, por cerealistas, junto a pessoa jurídica agropecuária tributada com base no lucro real: Lei nº 10.925, de 23.06.2004, publicada em 26.06.2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e II pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a Fl. 6295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.296 13 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. Art. 9º A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Art. 17. Produz efeitos: III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; O artigo 29, da Lei nº 11.051, de 29.12.2004, publicada em 30.12.2004 promoveu algumas alterações nos artigos 8º e 9º anteriormente transcritos, que passaram à seguinte redação: Lei nº 11.051/2004, publicada em 30.12.2004: Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, Fl. 6296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.297 14 classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n os 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º ............................................................................ ............................................................................ III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. ............................................................................ § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas." (NR) "Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e Fl. 6297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.298 15 II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF." (NR) Art. 33. A Secretaria da Receita Federal SRF expedirá, no âmbito da sua competência, as normas necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei. Art. 34. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I – ao art. 7º, a partir de 1º de novembro de 2004; II – aos arts. 9º, 10 e 11, a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação; III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação. Ou seja, apesar de as normas originárias referentes à suspensão e ao crédito presumido, artigos 8º e 9º, produzirem efeitos a partir de 1º de agosto de 2004 e as alterações promovidas nesses artigos, a partir de 30.12.2004, existia uma pendência regulamentar; norma esta a ser emitida pela SRF, que não o fez logo em seguida à edição das Leis, mas cerca de dois anos depois, já em 2006. Nesse ínterim, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 22 de dezembro de 2015, dispondo, entre outras coisas, sobre o crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004. Assim: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de 22 de dezembro de 2005 (Publicado(a) no DOU de 26/12/2005, seção , pág. 32) Dispõe sobre o crédito presumido de que trata a Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, e sobre o crédito relativo à aquisição de embalagens, de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 51, §§ 3º e 4º. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 3º e art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 6º, § 2º, e art. 51, §§ 3º e 4º, Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, arts. 8º e 15, e da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, art. 16, e o que consta do processo nº 10168.004233/200545, declara: Fl. 6298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.299 16 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Art. 3º O valor do crédito relativo à aquisição de embalagens, previsto na Lei nº 10.833, de 2003, art. 51, §§ 3º e 4º, não pode ser objeto de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. A regulamentação prevista no artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 só ocorreu com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006, posteriormente derrogada pela Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006; havendo esta última explicitado, no inciso I de seu art. 11, que a suspensão da exigibilidade das contribuições entraria em vigor a partir do dia 4 de abril de 2006, data da publicação da IN SRF nº 636/2006. Abaixo, apresentase quadro comparativo das mencionas INSRF, tendo sido selecionados os trechos relativos à suspensão, ao crédito presumido e à produção temporal dos efeitos de cada norma: INSRF 636, de 24 de março de 2006, publicada em 4 de abril de 2006 INSRF 660, de 17 de julho de 2004, publicada em 25, de julho de 2006 Da Suspensão da Exigibilidade das Contribuições Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I efetuada por cerealista, de produtos in natura de origem vegetal classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi) sob os códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel; Dos produtos vendidos com suspensão Art. 2 º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura ; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e Fl. 6299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.300 17 III de produtos agropecuários, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária; e IV efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agrícola ou por cooperativa de produção agropecuária, de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da Tipi. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º A suspensão de que trata este artigo alcança somente as vendas efetuadas à pessoa jurídica agroindustrial de que trata o art. 3º. § 3º A pessoa jurídica adquirente dos produtos deverá comprovar a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a IV do caput o aproveitamento de créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes de aquisição de insumos relativos aos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência dessas contribuições. IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5 º . § 1 º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput , devem ser observadas as disposições dos arts. 3 º e 4 º . § 2 º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente . Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3 º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2 º , alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2 º ; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2 º ; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2 º . § 1 º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2 º ; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2 º da Lei n º 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2 º Conforme determinação do inciso II do § 4 º do art. 8 º e do § 4 º do art. 15 da Lei n º 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou Fl. 6300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.301 18 que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura , ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput , deverão estornar os créditos referentes à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2 º . § 3 º No caso de algum produto relacionado no art. 2 º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4 º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2 º deste artigo. Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6 º ; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5 º . § 1º Para os efeitos deste artigo as pessoas jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer: I a Declaração do Anexo I , no caso do adquirente que apure o imposto de renda com base no lucro real; ou II a Declaração do Anexo II , nos demais casos. § 2º Aplicase o disposto no § 1º mesmo no caso em que a pessoa jurídica adquirente não exerça atividade agroindustrial. Do Direito ao Desconto de Créditos Presumidos Art. 3º A pessoa jurídica agroindustrial que apure o imposto de renda com base no lucro real, inclusive a sociedade Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5 º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Fl. 6301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.302 19 cooperativa que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar podem descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por pessoa jurídica agroindustrial, ou sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial, a pessoa jurídica que: I exerça a atividade econômica de industrialização de produto agropecuário, observado o disposto no inciso V do art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990, produzindo mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, classificadas na Tipi: a) nos capítulos 2 e 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; b) nos capítulos 4, 8 a 12, 15, 16 e 23; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; d) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00; II exerça cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da Tipi; ou III produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da Tipi. § 2º A operação de separação da polpa seca do grão de café, realizada pelo produtor rural, cooperado pessoa física ou jurídica, não descaracteriza o exercício cumulativo a que se refere o inciso II do § 1º. § 3º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma deste artigo: Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: a) nos capítulos 2 e 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; b) no capítulo 4; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00; f) no capítulo 23; e II classificados no código 22.04, da NCM. § 1 º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2 º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3 º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. § 3 º Aplicase o disposto neste artigo também em relação às mercadorias relacionadas no caput quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela utilizadas como insumo na produção de outras mercadorias. Da atividade agroindustrial Art. 6 º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5 º , excetuadas as atividades relacionadas no art. 2 º da Lei n º 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos Fl. 6302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.303 20 I alcança os produtos agropecuários: a) adquiridos de pessoa jurídica com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; b) adquiridos de pessoa física; ou c) recebidos de cooperados, pessoa física ou jurídica; e II aplicase somente aos insumos adquiridos ou recebidos de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País. § 4° Até que sejam fixados limites para o valor dos produtos agropecuários utilizados com insumos na forma do caput, o cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deverá ser efetuado mediante a aplicação, sobre o valor das referidas aquisições, das alíquotas de: I 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: a) dos produtos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da Tipi; b) das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da Tipi; e II 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 5º O custo de aquisição, para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o § 4º, não poderá ser superior ao valor de mercado, por espécie de bem. § 6º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação de café para definição de aroma e sabor ( blend ) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. Parágrafo único. A operação de separação da polpa seca do grão de café, realizada pelo produtor rural, pessoa física ou jurídica, não descaracteriza o exercício cumulativo a que se refere o inciso II do caput. Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. Do cálculo do crédito presumido Art. 8 º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º , o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1 º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: I 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: a) dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM; b) das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; e Fl. 6303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.304 21 com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. § 7º É vedado às pessoas jurídicas referidas nos incisos I a IV do caput do art. 2º a dedução de créditos presumidos na forma deste artigo. § 8º As pessoas jurídicas de que trata o caput deverão apurar o crédito presumido de forma extracontábil, e controlar o saldo existente durante o período necessário para sua utilização. Art. 4º No caso de sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial, o valor do crédito presumido relativo à aquisição de produtos agropecuários utilizados como insumos limitase ao saldo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar, decorrentes da venda dos produtos relacionados nos incisos I a III do § 1º do art. 3º, devido após efetuadas as deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Parágrafo único. O limite do crédito presumido de que trata este artigo aplicase a partir de 1º de abril de 2005 e deve ser calculado: I apenas para as operações efetuadas no mercado interno; e II para cada período de apuração. II 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2 º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput , o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3 º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. § 4 º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Art. 9 º No caso de sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial, o valor do crédito presumido relativo à aquisição de produtos agropecuários utilizados como insumos limitase ao saldo a pagar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins decorrentes da venda dos produtos relacionados no caput do art. 5 º desta Instrução Normativa, devido após efetuadas as exclusões e deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Parágrafo único. O limite do crédito presumido de que trata este artigo aplicase a partir de 1 º de abril de 2005 e deve ser calculado: I apenas para as operações efetuadas no mercado interno; e II para cada período de apuração. Das Disposições Finais Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. Das Disposições Finais Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2 º , a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa n º Fl. 6304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.305 22 636, de 24 de março de 2006 , que regulamentou o art. 9 º da Lei n º 10.925, de 2004; e II em relação aos arts. 5 º a 8 º , a partir de 1 º de agosto de 2004. Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF n º 636, de 2006. Cotejando as duas Instruções Normativas, é possível verificar que a segunda é mais detalhada, inclusive no tocante à declaração que o adquirente deve prestar, junto ao vendedor, atestando que apura o lucro real. A INSRF 636/2006 exigia mera declaração (art. 2º, § 3º), enquanto a INSRF 660/2006 impõe como obrigação acessória a necessidade a pessoa adquirente apresentar ao vendedor texto específico, prevista no Anexo I, fazendo menção à suspensão da incidência, à apuração pelo lucro real e à destinação dos produtos: ANEXO I DECLARAÇÃO Ilmo. Sr. (representante legal da pessoa jurídica vendedora) (Nome da pessoa jurídica adquirente), com sede (endereço completo), inscrita no CNPJ sob o nº ........................................., neste ato representada por (nome e CPF do representante legal da pessoa jurídica adquirente), DECLARA à (nome da pessoa jurídica vendedora), para fins de suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), na forma do art. 9º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, que apura o imposto de renda com base no lucro real. DECLARA, ainda, que os produtos adquiridos (destinamse / NÃO se destinam) à fabricação dos produtos: I relacionados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; ou II – classificados na posição 22.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Para esse efeito, a declarante assume o compromisso de informar à Secretaria da Receita Federal e à pessoa jurídica vendedora, imediatamente, eventual alteração da presente situação e afirma estar ciente de que a falsidade ou omissão na prestação destas informações, sem prejuízo do disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, sujeitálaá, juntamente com as demais pessoas que para ela concorrerem, às penalidades previstas na legislação criminal e tributária, relativas à falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal) e ao crime contra a ordem tributária (art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Fl. 6305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.306 23 Por sua vez, a notafiscal de saída do vendedor, de acordo com a INSRF 660/2006, deve conter a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Sobre o direito ao crédito presumido, penso que ambas as Instruções contém normas correspondentes, esclarecendo que, no tocante à aquisição de pessoas jurídicas, o benefício depende que estas dêem saída com suspensão. É o que se percebe ao comparar os textos: INSRF 636/2006 Art. 3º, § 3º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma deste artigo: I alcança os produtos agropecuários: a) adquiridos de pessoa jurídica com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; INSRF 660/2006 Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País com o benefício da suspensão da exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º; Quanto à produção de efeitos de ambas as IN, tenho que não existiu qualquer solução de continuidade, inclusive no que diz respeito ao seu escopo de normatizar a Lei nº 10.925/2004. Se não, vejamos: Os artigos 8º e 9º, da Lei 10.925/2004, que tratam do crédito presumido e da suspensão, produzem efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. A INSRF 636/2006 teve efeitos retroativos a 1º de agosto de 2004, tanto no tocante à suspensão quanto ao creditamento. Já a INSRF 660/2006 manteve, acerca do crédito presumido, os mesmos efeitos retroativos a 1º de agosto de 2004 e, no que diz respeito às regras da suspensão, retroagiu seus efeitos a 04 de abril de 2006, data de publicação da IN anterior. O respeito à data de publicação da INSRF 636 faz sentido porque a INSRF 660 impôs novas obrigações acessórias no tocante à suspensão; obrigações estas que não poderiam alcançar atos anteriores ao momento da primeira regulamentação. Assim, entendo que as duas Instruções Normativas cobriram, sem interrupção, todo o período desde agosto de 2004, sendo que a alteração nas regras de suspensão, aliás, nas obrigações acessórias tocantes à suspensão, deramse somente a partir de 04 de abril de 2006. É o que se visualiza abaixo: Fl. 6306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.307 24 Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006 Tema Previsão Produção de Efeitos Suspensão da Exigibilidade Artigo 2º 01.08.2004 a 03.04.2006 Crédito Presumido Artigo 3º 01.08.2004 Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006 Tema Previsão Produção de Efeitos Suspensão da Exigibilidade Artigo 2º ao 4º 04.04.2006 Crédito Presumido Artigos 5º a 8º 01.08.2004 Novamente ressalto que não vislumbro qualquer alteração na regra que determina a obrigatoriedade de o vendedor dar saída com suspensão. A INSRF 660 não trouxe inovação nesse sentido. Em apoio a meu entendimento, trago à colação Ementa da decisão proferida pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nos autos da Apelação Cível nº 506929309.2013.404.7100/RS: TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO PIS/COFINS. REGULAMENTADA ENTRE 1º/08/2004 E 03/04/2006 PELA IN/SRF Nº 636/2006, E DESDE 04/04/2006 PELA IN/SRF Nº 660/2006. AQUISIÇÕES REALIZADAS NESSE PERÍODO. CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. SOMENTE COM A PRÓPRIA CONTRIBUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS restou regulamentada entre 1º/08/2004 e 03/04/2006 pela IN/SRF nº 636/2006, e desde 04/04/2006 pela IN/SRF nº 660/2006. 2. Não há falar que a determinação legal somente produziu efeitos em 04.04.2006, com a publicação da IN/SRF 660/2006, posto que, entre 1º/08/2004 e 03/04/2006, já estava sendo regulamentada pela IN/SRF nº 636/2006. 3. As aquisições realizadas no primeiro período já estavam com a exigibilidade das contribuições suspensa, razão pela qual se conclui que o crédito apurado é, de fato, presumido. 4. Tratandose de crédito presumido, aplicável à hipótese as restrições impostas pela Lei nº 10.925/04 e o crédito somente poderia ser compensado com débitos da própria contribuição. 5. Assim sendo, se a contribuinte age de forma diversa, correta a não homologação das compensações apresentadas e cabível a constituição do crédito tributário nos moldes como realizado. (TRF4 , Relator: JOEL ILAN PACIORNIK, Data de Julgamento: 28/01/2015, PRIMEIRA TURMA) Fl. 6307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.308 25 O Relator, Desembargador Joel Ilan Paciornik, ao fundamentar sua decisão, pede vênia para transcrever a sentença monocrática, que analisa de forma clara a questão: Nesse contexto, não prospera a alegação de que a suspensão da exigibilidade das contribuições somente produziu efeitos a partir de 04/04/2006. Cabe destacar que as Instruções Normativas SRF nº 636/2006 e 660/2006 respeitaram o início de vigência da norma, diferentemente do alegado pelo autor, que ignora a vigência da IN SRF nº 636/2006 e faz referência apenas à vigência da IN nº 660/2006. Com relação, a IN SRF nº 636/2006 foi a primeira norma infralegal regulamentadora dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, e assim expôs sobre os seus efeitos: Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. A IN SRF nº 660/2006, que substituiu a IN 636/2006, assim dispôs: Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa n º 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9 º da Lei n º 10.925, de 2004; e Em síntese, a suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS foi regulamentada entre 1º/08/2004 e 03/04/2006 pela IN/SRF nº 636/2006, e desde 04/04/2006 pela IN/SRF nº 660/2006. Consequentemente, as aquisições realizadas no primeiro período já estavam com a exigibilidade das contribuições suspensa, razão pela qual se conclui que o crédito apurado é, de fato, presumido. Nesse contexto, aplicável à hipótese as restrições da Lei nº 10.925/04, razão pela qual o crédito discutido no feito somente poderia ser compensado com débitos da própria contribuição. Procedendo de forma diversa, a autora deu azo à constituição do crédito tributário pela Receita. Com relação à possibilidade de ressarcimento e compensação do crédito presumido para a parcela correspondente às receitas de exportação, transcrevo, por oportuno, trecho do acórdão 10 46.106 da 2ª Turma da DRJ/POA (evento 14, INF2): Registrese que a Lei 12.058/2009, efetivamente, criou a possibilidade de ressarcimento e compensação do crédito Fl. 6308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.309 26 presumido, para a parcela correspondente as receitas de exportação. Porém, ela data de período posterior ao examinado no presente processo. De toda a forma, a própria Lei abriu a possibilidade de aplicação aos saldos de créditos acumulados, sendo específica quanto ao momento do pedido de ressarcimento ou compensação: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Sendo específica a Lei, não há que se cogitar de convalidação dos atos anteriores. A compensação, destaquese, produz efeitos financeiros diferentes, dependendo do momento do pedido, data em que se realizará o encontro de contas.' Com base na motivação acima, consigna o e. Relator em seu voto: Com efeito, ressai claro que a suspensão da exigibilidade do PIS/COFINS restou regulamentada entre 1º/08/2004 e 03/04/2006 pela IN/SRF nº 636/2006, e desde 04/04/2006 pela IN/SRF nº 660/2006. Fl. 6309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.310 27 Logo, não há falar que a determinação legal somente produziu efeitos em 04.04.2006, com a publicação da IN/SRF 660/2006, posto que, entre 1º/08/2004 e 03/04/2006, já estava sendo regulamentada pela IN/SRF nº 636/2006. Nesse passo, as aquisições realizadas no primeiro período já estavam com a exigibilidade das contribuições suspensa, razão pela qual se conclui que o crédito apurado é, de fato, presumido. Por conseguinte, tratandose de crédito presumido, tenho que é aplicável à hipótese as restrições impostas pela Lei nº 10.925/04. Portanto, o crédito em discussão nessa demanda somente poderia ser compensado com débitos da própria contribuição. Com efeito, não se ignora que a Recorrente trouxe aos autos em seu auxílio diversas Soluções de Consulta com conclusão diversa da acima expressa; isto é, defendem que a suspensão somente ocorreu a partir de 04.06.2006 e que não se havia de falar em crédito presumido antes dessa data. O argumento recorrente das Decisões pode ser resumido abaixo: Registrese, ainda, que além de determinar a aplicação da suspensão somente a partir da publicação da IN SRF nº 636/2006, a IN SRF nº 660/2006, ao interpretar a concessão do crédito presumido nas aquisições de pessoa jurídicas (art. 8º, parágrafo único) e a concessão da suspensão da exigibilidade das contribuições para as pessoas jurídicas vendedoras (art. 9º), entendeu haver vinculação entre as duas normas, ou seja, o crédito presumido somente poderia ser concedido caso a venda ocorresse com suspensão. Tal conclusão decorre da finalidade da norma que estabeleceu o crédito presumido agroindustrial, qual seja, equiparar a carga tributária da pessoa física com a da pessoa jurídica. E, para que o fornecedor pessoa jurídica estivesse em igualdade de condições com o fornecedor pessoa jurídica, necessário se faz que, à semelhança da pessoa física, não haja pagamento de tributo na venda por pessoa jurídica, o que é concretizado pela suspensão. Assim, como a suspensão somente entrou em vigor em 4 de abril de 2006 (data de publicação da IN SRF nº 636/2006), também não se há que falar em crédito presumido nas aquisições de pessoas jurídicas realizadas entre 1º de agosto de 2004 e 3 de abril de 2006. (SC SRRF 9ªRF nº 249/2009) Malgrado não concordar com tal tese, não ignoro o valor das manifestações administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados. Neste sentido, filiome ao entendimento segundo o qual a Solução de Consulta, em seu aspecto de interpretação da legislação tributária, afeta terceiros, não apenas o Consulente. A uma pelo Princípio da Isonomia; a duas porque, ainda que sem efeito vinculante, a manifestação da Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que, de qualquer forma, prestase a perfeito instrumento auxiliar na interpretação das regras tributárias. Este entendimento já foi acolhido por este Colegiado e, atualmente, encontrase consagrado na Instrução Normativo RFB nº 1.396/2013: Fl. 6310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.311 28 Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013 DOU de 17.9.2013 Alterada pela Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. Art. 1º Esta Instrução Normativa trata dos processos administrativos de consulta sobre interpretação da legislação tributária e aduaneira relativa aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e sobre classificação de serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio. Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30 de dezembro de 2013) Nesse sentido já se manifestara este Colegiado: Terceiro Conselho de Contribuintes – Primeira Câmara Acórdão 30133.872 Sessão de 22 de maio de 2007 Relatora: Suzy Gomes Hoffmann Ementa CONSULTA. PROVA EMPRESTADA. É plenamente possível o acolhimento de consulta formulada por terceiro quando embasada no mesmo produto a ser tipificado para fins de classificação tributária. Considerase, para tanto, o efeito vinculante da consulta para com a Administração e a aplicação do princípio da isonomia aos contribuintes Lei n° 4502/64, artigo 76, inciso II, alínea “a”. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Do voto da Ilustre Relatora, destaquese a citação: Outrossim, a adoção de consulta feita em outro processo é plenamente possível,ainda que por partes diversas, eis que o objeto da consulta é o mesmo, requisito este de máxima importância para classificação fiscal que vincula toda Administração. É o entendimento preconizado no Recurso Voluntário n° 099903, decidido por este Colendo Conselho de Contribuinte: Fl. 6311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/200960 Acórdão n.º 3301002.653 S3C3T1 Fl. 6.312 29 "Ementa:IPI ISENÇÃO CONSULTA 1 Sendo o lançamento motivado num sentido que afronta o entendimento da Administração em processos de consulta, mesmo de terceiros, se matéria idêntica, é o mesmo improcedente. 2 Se a glosa dos créditos não se fundou em sua ilegitimidade, mas sim para zerar a conta/corrente dos débitos e créditos, uma vez julgado improcedente o mérito, prejudicada estará a discussão que sobre eles versar. Recurso voluntário provido". Desta maneira, em função da reiterada manifestação da SRFB no sentido de que não se aplicava a regra do crédito presumido e, sim, do creditamento integral do PIS e da Cofins à época dos fatos geradores discutidos, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito de Cofins à alíquota de 7,60%, relativamente às notasfiscais das aquisições com suspensão das Contribuições, devendo ser descontado os créditos presumido de 4,56%. Mônica Elisa de Lima Relatora Fl. 6312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15504.723743/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO DE OFÍCIO - CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA - PROPOSTA DE RETIFICAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL.
Tendo a decisão de primeira instância simplesmente acatado a revisão proposta pela autoridade fiscal, quando da baixa do processo em diligência e tendo o auditor fundamentado a revisão em documentos que constatam o lançamento em duplicidade, correta decisão que propôs a retificação do lançamento
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Ao identificar pagamentos além dos valores pagos à título de salário, compete a autoridade fiscal, identificar se os pagamentos encontram-se no rol de exclusões previstos no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, lançando-os, caso não se enquadrem em um dos seus incisos.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J.- LEI 8212 - NATUREZA SALARIAL
As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais.
O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições".
As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra-se o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios.
ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO - IMPOSSIBILIDADE DE ATRELAR O PAGAMENTO COMO ESTÍMULO AO ENGAJAMENTO DO EMPREGADO NO TRABALHO. ESTIPULAÇÃO APÓS A REALIZAÇÃO DO TRABALHO
Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio ao trabalho, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário.
As metas, regras ou mesmo critérios que cada empregado/cargo deverá alcançar devem estar descritas nos acordos firmados, previamente ao trabalho, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. Ao ajustar acordos no fim dos exercícios, todos os pagamentos feitos em relação aos resultados alcançados retroativamente, não podem ser considerados PLR desvinculado do salário.
PLR - PERIODICIDADE - OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL
Nos termos do §2o do art. 3oda lei 8212/91 é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos.
No caso sob apreciação, o fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre não desnaturou a PLR, posto que evidenciado tratar-se de pagamentos a empregados diversos, diferença de pagamentos de PLR decorrentes de rescisões contratuais, ou diferenças ínfimas, que, quando apreciadas individualmente, denotam não se tratar de outra parcela ou antecipação.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - COMPETÊNCIA 12/2008 - PLR EMPREGADOS - VÍCIO NA CONSTITUIÇÃO DO LEVANTAMENTO.
Foi constatado que a competência 12/2008 do PLR empregados não fere a periodicidade, posto que os demais pagamentos no mesmo semestre referem-se a outros eventos (rescisões ou diferenças ínfimas), portanto, esse argumento não pode ser utilizado para fundamentar o lançamento nessa competência, devendo ser declarada a improcedência das contribuições correspondentes.
PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS - ADMINISTRADORES E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 - DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91.
A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores.
A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais.
GRUPO ECONÔMICO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes.
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.- RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONOMICO
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO - . MULTA MAIS BENÉFICA.
Para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeu-se ao comparativo: com base na antiga sistemática multa moratória (inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória, não informação em GFIP (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º8.212/1991), com a aplicação de multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991) descrita na nova legislação Lei 11.941/2009, aplicando-se a mais favorável ao recorrente até a edição da referida lei.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Dar provimento parcial ao recurso: I) Por maioria de votos, para afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre a competência 12/2008, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que afastava a incidência pela ocorrência de vício formal; II) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; III) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; IV) Por maioria de votos, considerar que não restou descumprido o requisito da periodicidade, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que considerou que também restou descumprido este requisito; V) Pelo voto de qualidade, manter a incidência das parcelas pagas a contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que afastavam a incidência sobre as parcelas pagas aos conselheiros do conselho de administração e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastava a incidência sobre as parcelas pagas aos contribuintes individuais; e VI) Pelo voto de qualidade manter a multa lançada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, que votou por limitar a multa em 20% e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por limitar a multa de mora em 20% e cancelar a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Apresentará declaração de voto a conselheira Carolina Wanderley Landin.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 CARF.)
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO - CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA - PROPOSTA DE RETIFICAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Tendo a decisão de primeira instância simplesmente acatado a revisão proposta pela autoridade fiscal, quando da baixa do processo em diligência e tendo o auditor fundamentado a revisão em documentos que constatam o lançamento em duplicidade, correta decisão que propôs a retificação do lançamento PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Ao identificar pagamentos além dos valores pagos à título de salário, compete a autoridade fiscal, identificar se os pagamentos encontram-se no rol de exclusões previstos no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, lançando-os, caso não se enquadrem em um dos seus incisos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J.- LEI 8212 - NATUREZA SALARIAL As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais. O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições". As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra-se o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO - IMPOSSIBILIDADE DE ATRELAR O PAGAMENTO COMO ESTÍMULO AO ENGAJAMENTO DO EMPREGADO NO TRABALHO. ESTIPULAÇÃO APÓS A REALIZAÇÃO DO TRABALHO Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio ao trabalho, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. As metas, regras ou mesmo critérios que cada empregado/cargo deverá alcançar devem estar descritas nos acordos firmados, previamente ao trabalho, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. Ao ajustar acordos no fim dos exercícios, todos os pagamentos feitos em relação aos resultados alcançados retroativamente, não podem ser considerados PLR desvinculado do salário. PLR - PERIODICIDADE - OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL Nos termos do §2o do art. 3oda lei 8212/91 é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. No caso sob apreciação, o fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre não desnaturou a PLR, posto que evidenciado tratar-se de pagamentos a empregados diversos, diferença de pagamentos de PLR decorrentes de rescisões contratuais, ou diferenças ínfimas, que, quando apreciadas individualmente, denotam não se tratar de outra parcela ou antecipação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - COMPETÊNCIA 12/2008 - PLR EMPREGADOS - VÍCIO NA CONSTITUIÇÃO DO LEVANTAMENTO. Foi constatado que a competência 12/2008 do PLR empregados não fere a periodicidade, posto que os demais pagamentos no mesmo semestre referem-se a outros eventos (rescisões ou diferenças ínfimas), portanto, esse argumento não pode ser utilizado para fundamentar o lançamento nessa competência, devendo ser declarada a improcedência das contribuições correspondentes. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS - ADMINISTRADORES E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 - DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. GRUPO ECONÔMICO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.- RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONOMICO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO - . MULTA MAIS BENÉFICA. Para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeu-se ao comparativo: com base na antiga sistemática multa moratória (inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória, não informação em GFIP (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º8.212/1991), com a aplicação de multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991) descrita na nova legislação Lei 11.941/2009, aplicando-se a mais favorável ao recorrente até a edição da referida lei. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo a decisão de primeira instância simplesmente acatado a revisão proposta pela autoridade fiscal, quando da baixa do processo em diligência e tendo o auditor fundamentado a revisão em documentos que constatam o lançamento em duplicidade, correta decisão que propôs a retificação do lançamento PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Ao identificar pagamentos além dos valores pagos à título de salário, compete a autoridade fiscal, identificar se os pagamentos encontramse no rol de exclusões previstos no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, lançandoos, caso não se enquadrem em um dos seus incisos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J. LEI 8212 NATUREZA SALARIAL As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 43 /2 01 1- 19 Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais. O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições". As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumprase o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO IMPOSSIBILIDADE DE ATRELAR O PAGAMENTO COMO ESTÍMULO AO ENGAJAMENTO DO EMPREGADO NO TRABALHO. ESTIPULAÇÃO APÓS A REALIZAÇÃO DO TRABALHO Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio ao trabalho, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. As metas, regras ou mesmo critérios que cada empregado/cargo deverá alcançar devem estar descritas nos acordos firmados, previamente ao trabalho, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. Ao ajustar acordos no fim dos exercícios, todos os pagamentos feitos em relação aos resultados alcançados retroativamente, não podem ser considerados PLR desvinculado do salário. PLR PERIODICIDADE OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL Nos termos do §2o do art. 3oda lei 8212/91 é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. No caso sob apreciação, o fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre não desnaturou a PLR, posto que evidenciado tratarse de pagamentos a empregados diversos, diferença de pagamentos de PLR decorrentes de rescisões contratuais, ou diferenças ínfimas, que, quando apreciadas individualmente, denotam não se tratar de outra parcela ou antecipação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS COMPETÊNCIA 12/2008 PLR EMPREGADOS VÍCIO NA CONSTITUIÇÃO DO LEVANTAMENTO. Foi constatado que a competência 12/2008 do PLR empregados não fere a periodicidade, posto que os demais pagamentos no mesmo semestre referem se a outros eventos (rescisões ou diferenças ínfimas), portanto, esse argumento não pode ser utilizado para fundamentar o lançamento nessa Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 3 3 competência, devendo ser declarada a improcedência das contribuições correspondentes. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS ADMINISTRADORES E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. GRUPO ECONÔMICO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONOMICO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AUSÊNCIA DE PAGAMENTO . MULTA MAIS BENÉFICA. Para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática multa moratória (inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória, não informação em GFIP (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º8.212/1991), com a aplicação de multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991) descrita na nova legislação Lei 11.941/2009, aplicandose a mais favorável ao recorrente até a edição da referida lei. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Dar provimento parcial ao recurso: I) Por maioria de votos, para afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre a competência 12/2008, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que afastava a incidência pela ocorrência de vício formal; II) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; III) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; IV) Por maioria de votos, considerar que não restou descumprido o requisito da periodicidade, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que considerou que também restou descumprido este requisito; V) Pelo voto de qualidade, manter a incidência das parcelas pagas a contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que afastavam a incidência sobre as parcelas pagas aos conselheiros do conselho de administração e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastava a incidência sobre as parcelas pagas aos contribuintes individuais; e VI) Pelo voto de qualidade manter a multa lançada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, que votou por limitar a multa em 20% e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por limitar a multa de mora em 20% e cancelar a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Apresentará declaração de voto a conselheira Carolina Wanderley Landin. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 4 5 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.339.5639, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho,, face a remuneração indireta paga a segurados empregados sob a forma de Salário Utilidade, no período de 01/2007 a 12/2008. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 13 e seguintes, constituem fato gerador: Valores pagos a segurados empregados e segurados contribuintes individuais, lançados em Folha de Pagamento, a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados, sob os códigos: 1003 PLR Part Lucros Result, 1009 PLR Part Lucros Result, 1033 PLR, 1040 Adiantamento PLR e 1043 Diferença PLR, no período de 01/2007, 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008 e 12/2008, registrados nas contas contábeis:2114120000 Empregados Partic Lucros (PassivoCirculante), 0000401077 Deduções L. do Exercício Particip. Empreg. (Despesa Operacional), 0000402078 Deduções L. do Exercício Particip. Adminst. (Despesa Operacional), 0000401081 Ded. Lucro Exercício Partic. Resultados Ext (Despesa Operacional) e contas redutoras do Resultado do Exercício:0000907000 Deduções ao L. do Exercício Particip Empreg., 0000907001 Deduções ao L.do Exercício Particip Empreg. PR, 0000908000 Deduções ao L. do Exercício Particip Administ. e 0000908001 Deduções ao L. do Exercício Particip Administ., não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição para Previdência Social. Consta do relatório fiscal como motivos ensejadores da autuação: Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007, firmados com as entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados). O levantamento: “P1 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” corresponde às competências: 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007 e 03/2008, cuja multa de mora lançada no presente Auto de Infração correspondeu 24% incidente sobre as contribuições devidas, e, os levantamentos: “P2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” referente às competências: 01/2007, 05/2008 e 09/2008, e “P5 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” relativo a 12/2008, cuja multa de ofício também lançada na presente Autuação correspondeu a 75% incidente sobre as contribuições devidas. Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Da análise do contido no documento (Acordo Coletivo de Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verificase a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores pagos a título de PLR, representam, na verdade, um complemento salarial. Nos Acordos Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes limitamse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como não há definição de objetivos a serem atingidos, restando claro que o critério para pagamento da PLR é subjetivo, sem plano de metas a ser cumprido, independentemente do esforço pessoal do empregado. Tal situação está em desacordo com o disposto na Lei 10.101/2000, artigo 2o, parágrafo único. Além disso, a cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007 determinou pagamento de parcela a título de PLR, a ser efetuada até 14/12/2007, considerando desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias após a celebração do referido Acordo. Portanto, não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual fixo de 6,4 remunerações e ainda uma parcela individual fixa de mil reais. Como o acordo mencionado ocorreu em 11/12/2007, praticamente transcorrido todo o ano de 2007, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade, pois deveriam estar pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da cláusula quinta encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2007 e não depois de praticamente findo. A Lei 10.101/2000, no art. 3o, § 2º, também veda que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano, contudo, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 01/2007, 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008 e 12/2008, como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano. Sendo assim, as parcelas pagas aos trabalhadores a título de PLR estão em desacordo com a legislação pertinente, integrando o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, constituindo base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. Participação nos Lucros e Resultados – PLR – Para administradores,Diretores e Membros de Conselhos (contribuintes individuais): A Lei 10.101/2000 cuida da participação nos lucros ou resultados de empregados e não se aplica aos contribuintes individuais. Os valores pagos pela empresa aos seus administradores (não empregados) a título de participação em lucros e/ou resultados (segurados contribuintes individuais), constituemse em parcela integrante do saláriodecontribuição, portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 5 7 Lei 8.212/91, art. 28, inciso III, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999, art. 214, inciso III. Multa: O quadro comparativo, constante no Anexo III (fl.98), demonstra que a aplicação da multa mais benéfica para o contribuinte foi: Multa de mora correspondente a 24% prevista na Lei 8.212/91 artigo 35, inciso II, ‘a’ (vigente até a data anterior a publicação da Medida Provisória nº 449/2008) para os Levantamentos P1 e P3, competências 03/07, 04/07, 11/07, 12/07 e 03/08. Multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/09 para os Levantamentos P2 e P4, competências 01/07, 05/08 e 09/08. Foi lançada multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/09 para o levantamento P5, competência 12/08, aplicável ao período. Responsáveis solidários: Foi verificada a formação de Grupo Econômico com as empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ 06.981.176/000158) e CEMIG Distribuição S/A (CNPJ 06.981.180/000116). Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 738/739 e 741/742, com ciência em 30/9/11. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 29/09/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/09/2011. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 748 a 801. O processo foi baixado em diligência, com o objetivo de que a autoridade fiscal prestasse esclarecimentos, fls. 1534 a 1535. Foi elaborada informação fiscal, fl. 1579 e seguintes, sugerindo a retificação do débito apurados. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, 1583 a 1595, acatando as retificações propostas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Para o contribuinte individual, entendese por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. MULTA. As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a multa de caráter irrelevável. SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes de lei. INCONSTITUCIONALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes tais diplomas devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1610 a 1656, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, exceto em relação aqueles argumentos já acatados quando da retificação do débito.os quais podemos descrever: 1. Alega a não inclusão dos valores pagos a título de PLR na base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois foram atendidos os requisitos da Lei 10.101/2000. 2. Diz que a PLR foi objeto de negociação, entre a empresa e seus empregados, mediante comissão escolhida pelas partes e integrada por representante indicado pelo Sindicato, como se pode observar dos Acordos Coletivos 2006/2007 e 2007/2008. 3. Aduz que na Lei 10.101/2000 não há obrigatoriedade de fixação de metas para que a PLR se configure como tal, mas tão somente a necessidade de fixação de regras claras e objetivas para que garantir o direito dos trabalhadores à divisão de lucros e para que não sobrevenham dúvidas que impeçam ou dificultem o cumprimento do acordo firmado. 4. Afirma que todos os acordos firmados contem regras claras a respeito do direito e da extensão do pagamento a ser feito a título de PLR, que permitem ao trabalhador verificar a composição e o montante dos valores a serem recebidos. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 6 9 5. Assevera que mesmo sem existir obrigação de definir metas e objetivos, a CEMIG anualmente define as metas a serem alcançadas para que seus trabalhadores pautem suas ações no sentido de atingilas. 6. Diz que o simples fato da empresa ter lucro no respectivo exercício é uma meta a ser atingida por todos os beneficiários da PLR. 7. Argumenta que há anos desenvolve a política de retribuir o esforço e a produtividade de seus trabalhadores, que não há duvida de que a base de cálculo da PLR sempre foi os resultados da receita e lucratividade da empresa e que, portanto, quanto mais o funcionário contribui para o incremento desses números, maior será seu retorno financeiro individual. 8. Conclui que mesmo que sejam desconsideradas as metas estipuladas nos Relatórios de Gestão 2007 e 2008, não restam dúvidas que o critério adotado pela Cemig (lucratividade) é suficiente para estimular o esforço e a produtividade de seus funcionários. 9. Afirma que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR estabelecidos na Lei 10.101/2000 é exemplificativo, sendo desnecessária a prévia definição de metas para a outorga do direito à PLR. 10. Destaca que apenas o inciso II do art 2º, §1º da Lei 10.101/2000 menciona a necessidade de pactuação prévia. Assim, se os critérios forem outros, não há na lei a obrigação de que eles sejam prévios. 11. Entende que o que é necessário de acordo com a Lei 10.101/2000 é que os critérios sejam escolhidos pelas partes e objeto de acordo, antes de serem distribuídos, o que aconteceu, já que os pagamentos foram efetuados após a formalização dos acordos coletivos. 12. Diz que os acordos são claros a respeito da periodicidade do pagamento da PLR. 13. Cita trechos de acórdão do Conselho de Contribuintes e do CARF, destacando que a existência de metas e regras pactuadas previamente já foram alvo de discussão e restaram afastadas ditas exigências. 14. Alega que cumpre a lei, pois os acordos coletivos celebrados foram registrados na entidade sindical. 15. Afirma que não faz pagamentos em período inferior a um semestre civil e mais de dois pagamentos no mesmo ano e explica o que aconteceu, destacando o pagamento das parcelas regulares e da parcela excepcional, afirmando que esta possui motivação específica e se refere a complementação de diferenças de valores anteriormente apurados. 16. Destaca que não há necessidade de que os pagamentos sejam feitos um em cada semestre, com diferença de seis meses, uma vez que a Lei 10.101/2000, art. 3o, § 2o, referese a pagamentos efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 10 17. Cita Consulta Técnica 507, de 21/7/04, do INSS. Conclui que a quantidade de pagamentos efetuada pela empresa deve ser analisada em relação a cada trabalhador e que a PLR pode ser paga no máximo em duas vezes no ano civil, no mesmo ou em distinto semestre. 18. Alega inexistir caráter remuneratório dos valores pagos como participação nos lucros e resultados, independentemente dos requisitos da Lei 10.101/2000. Cita doutrina. 19. Afirma que o art. 7o, inciso XI da CF/88 é autoaplicável e não precisa de lei ordinária para regulamentálo. Assim, sempre que ocorrer a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, o produto dessa participação fica desvinculado da remuneração. Cita doutrina e jurisprudência. 20. Argumenta que é impossível que o eventual descumprimento de obrigação acessória redunde na ocorrência de fato gerador. Tal fato poderia resultar apenas em eventuais multas. Isso porque o pagamento de participação nos lucros e resultados não é fato gerador de contribuições previdenciárias. 21. Aduz ser legítimo o pagamento de PLR aos administradores, diretores e conselheiros. Afirma que o termo “trabalhadores” do artigo 1o da Lei 10.101/2000 não está limitado aos empregados, mas a todos que prestam serviços e trabalham na empresa. 22. Aduz que a CF/88, artigo 7o, inciso XI assegura a participação nos lucros ou resultados a todo e qualquer trabalhador. Cita doutrina e jurisprudência. 23. Ainda é necessário observar que a definição e o ajuste da PLR destinada aos administradores, diretores e conselheiros da Cemig são realizados nos moldes definidos pela Lei 6.404/76, artigo 152, § 1o. 24. Questiona as multas aplicadas, afirmando que a multa de mora estabelecida pelo art. 35 da Lei 8.212/91 permanece existindo, sendo o cálculo feito com base em novos parâmetros. Entende que a multa aplicada no presente auto de infração deve ser revista e ser limitada a 20%, consoante Lei 8.212/91, art. 35, c/c Lei 9.430/96, art. 44, inciso I. 25. Afirma que a multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91 era inexistente à época dos fatos geradores. 26. Alega não existir sujeição passiva solidária da Cemig Distribuição SA e da Cemig Geração e Transmissão SA. Cita o artigo 124 do CTN e afirma que não basta a simples verificação de que as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico, é imprescindível a demonstração prática conjunta do mesmo fato gerador ou do interesse de todas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, o que não ocorreu. Cita jurisprudência. 27. Diz ser inconstitucional o artigo 30, inciso IX da Lei 8.212/91, por ser lei ordinária, e entender que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria tributária. Cita doutrina e jurisprudência. 28. Requer seja reconhecida a ausência de caráter salarial dos pagamentos realizados aos trabalhadores da Cemig a título de PLR, julgandose improcedente o auto de infração; que sejam excluídos da base de cálculo os valores referentes ao adiantamento de PLR; que seja revista a multa de mora aplicada e a multa de ofício; que seja afastada a sujeição passiva em relação à Cemig Distribuição SA e da Cemig Geração e Transmissão SA. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 7 11 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1609. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO RECURSO DE OFÍCIO Tratase de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c art. 1º da portaria nº 3 de 3/1/2008 do Ministro da Fazenda. Conforme descrito na decisão de primeira instância, houve a baixa do processo em diligência, para que se verificasse, possível duplicidade de pagamento, tendo em vista que a autoridade fiscal não procedeu ao abatimento dos adiantamentos feitos a título de PLR. Em relação a este ponto, simplesmente acatou o julgador a proposta de retificação feita pela própria autoridade fiscal. No caso, diante da alegação de que houve lançamento em duplicidade, referente aos adiantamentos de PLR, cód. rub. 1040, os autos foram baixados em diligência para manifestação do auditor fiscal autuante sobre a possível necessidade de retificação do lançamento, conforme despacho de fls. 1534/1535. Em Informação Fiscal de fls. 1569/1572 consta que as alegações do contribuinte são pertinentes sobre a forma de pagamento e desconto da parcela paga a título de PLR, devendo o crédito tributário apurado ser alterado. Assim, nas competências 11/07, 12/07 e 12/08, o lançamento deve ser retificado conforme Tabela 1 – Retificação do lançamento. Quanto a este ponto, entendo que nenhum reparo deva ser feito na decisão proferida, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO DO MÉRITO QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 12 No relatório fiscal, bem descreveu o auditor as regras para que o pagamento de PLR não constitua salário de contribuição, descrevendo que o pagamento em desacordo com o previsto na lei, determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR destinados aos segurados empregados. Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007, firmados com as entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados). Da análise do contido no documento (Acordo Coletivo de Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verificase a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores pagos a título de PLR, representam, na verdade, um complemento salarial. Nos Acordos Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes limitamse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como não há definição de objetivos a serem atingidos, restando claro que o critério para pagamento da PLR é subjetivo, sem plano de metas a ser cumprido, independentemente do esforço pessoal do empregado. Tal situação está em desacordo com o disposto na Lei 10.101/2000, artigo 2o, parágrafo único. Além disso, a cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007 determinou pagamento de parcela a título de PLR, a ser efetuada até 14/12/2007, considerando desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias após a celebração do referido Acordo. Portanto, não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual fixo de 6,4 remunerações e ainda uma parcela individual fixa de mil reais. Como o acordo mencionado ocorreu em 11/12/2007, praticamente transcorrido todo o ano de 2007, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade, pois deveriam estar pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da cláusula quinta encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2007 e não depois de praticamente findo. Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 8 13 A Lei 10.101/2000, no art. 3o, § 2º, também veda que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano, contudo, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 01/2007, 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008 e 12/2008, como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano. Sendo assim, as parcelas pagas aos trabalhadores a título de PLR estão em desacordo com a legislação pertinente, integrando o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, constituindo base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. Participação nos Lucros e Resultados – PLR – Para administradores,Diretores e Membros de Conselhos (contribuintes individuais): A Lei 10.101/2000 cuida da participação nos lucros ou resultados de empregados e não se aplica aos contribuintes individuais. Os valores pagos pela empresa aos seus administradores (não empregados) a título de participação em lucros e/ou resultados (segurados contribuintes individuais), constituemse em parcela integrante do saláriodecontribuição, portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, Lei 8.212/91, art. 28, inciso III, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999, art. 214, inciso III. Multa: O quadro comparativo, constante no Anexo III (fl.98), demonstra que a aplicação da multa mais benéfica para o contribuinte foi: Multa de mora correspondente a 24% prevista na Lei 8.212/91 artigo 35, inciso II, ‘a’ (vigente até a data anterior a publicação da Medida Provisória nº 449/2008) para os Levantamentos P1 e P3, competências 03/07, 04/07, 11/07, 12/07 e 03/08. Multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/09 para os Levantamentos P2 e P4, competências 01/07, 05/08 e 09/08. Foi lançada multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/09 para o levantamento P5, competência 12/08, aplicável ao período. Responsáveis solidários: Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 14 Foi verificada a formação de Grupo Econômico com as empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ 06.981.176/000158) e CEMIG Distribuição S/A (CNPJ 06.981.180/000116). Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 738/739 e 741/742, com ciência em 30/9/11. Ou seja, pautada nas faltas apontadas pelo auditor: ausência de regras (metas claras e objetivas), ausência de pacto prévio, ausência de previsão legal para o pagamento a administradores e contribuintes individuais, verificaremos a adequação do plano aos termos da lei 10.101/2000. Contudo, devemos inicialmente considerar que o pagamento de PLR nada mais é do que uma forma de remunerar o empregado, contudo, por força constitucional, dita verba, encontrase desvinculada do salário, desde que paga nos exatos termos de lei, ou seja, tendo a lei 10.101 descrito a forma como o PLR deve ser distribuído, bem como estabelecido regras para o seu pagamento, deverá o interessado cumprila, para usufruir do benefício constitucional. Dessa forma, conclui o auditor, que ao descumprir quaisquer dos preceitos descritos, assume o recorrente o risco de não mais ter esses pagamentos desvinculados do salário, passando a ter natureza salarial e por conseguinte faz nascer a obrigação de efetivar recolhimentos à título de contribuições previdenciárias sobre o PLR. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 9 15 Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. DO TRABALHO DO AUDITOR E DA APLICAÇÃO DOS TERMOS DA LEI 10.101. Da mesma forma, que mencionado pelo recorrente, grande é a discussão acerca das limitações do trabalho do auditor, seja quanto a possibilidade de desclassificar planos de PLR, afastando a interpretação de adequação aos termos da lei que disciplina a matéria. Nesse ponto, é plausível a insatisfação dos contribuintes, tendo em vista que a interpretação dada pela autoridade fiscal, muitas vezes mostrase diametralmente oposta ao que o recorrente interpreta da legislação, ou mesmo o que foi orientado por seus contadores ou advogados. Contudo, a papel da auditoria, no exercício da atividade vinculada de verificar o cumprimento da legislação previdenciária, é sim identificar não apenas as folhas de pagamento, mas em realizando a auditoria contábil, verificar, a existência de outros pagamentos, que constituam fato gerador de contribuições previdenciárias. É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros, dos mais diversos títulos, como no caso do PLR, intimar o contribuinte a apresentar os fundamentos para o referido pagamento. Ao depararse com esses instrumentos e considerando as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não fator gerador de contribuições previdenciárias. Não se trata, portanto de desconsiderar um acordo firmado, ou interferir nas tratativas ali acordadas, MAS TÃO SOMENTE, IDENTIFICAR SE O PLANO ATENDE AS EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO AO PAGAMENTO DESVINCULADO DO SALÁRIO. Falando mais objetivamente, no caso de pagamento de PLR, compete ao auditor verificar a norma que autoriza o pagamento, e se a mesma encontrase em conformidade (dentro dos limites) para que os pagamentos sob elas consubstanciados estarão excluídos do conceito de salário de contribuição, ou seja, cumprem a função prevista no próprio texto constitucional. AUTO APLICABILIDADE DO DISPOSITIVO CONSTITUICIONAL Porém um ponto, deve ser prontamente enfrentado, posto que seu acatamento dispensaria a apreciação das demais alegações. Trouxe o recorrente: “por força do que dispõe o artigo 7 XI da Constituição Federal os pagamentos realizados a título de PLR estão automaticamente excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias” De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 16 XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte dos argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR. Entendo que embora prevista na Constituição Federal a desvinculação do PLR do salário, o que lhe conferi caráter de imunidade, não há possibilidade de considerar ter o recorrente a ampla liberdade de efetuar pagamento, sob essa denominação, da maneira que lhe aprouver. A CF/88, reporta a lei ordinária os limites para que o PLR esteja desvinculado do salário.. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, retirando a ampla liberdade a qual entende o recorrente possuir. Senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 10 17 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 18 que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Aliás, referente raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas com a lei prevista para regulamentálo. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Conforme descrito pela autoridade fiscal e julgadora os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente constituem salário de contribuição e, por conseguinte, sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente, razão pela qual afasto esse primeiro argumento, passando a análise do cumprimento das regras prevista na referida lei. DA EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 11 19 A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Assim, voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador estabelecer limites, regras claras, revisão do acordo, averiguação do cumprimento de metas, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos, conforme os 2 primeiros acima transcritos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101/2000, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigências legais para a referida desvinculação, que nada mais são, do que reflexos da vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados desvinculadas do salário. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 20 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Também dois pontos merecem ser enfrentados prontamente: DA DESVINCULAÇÃO COM O TRABALHO DESENVOLVIDO Neste ponto já rechaço argumento do recorrente de que o pagamento em questão não possui correlação com o trabalho prestado, ou mesmo não se caracteriza como contraprestação pelo serviço prestado. Segundo ele, fl. 1636: “Para tal raciocínio deve ser tomado como base a análise do fato gerador das contribuições previdenciárias, que é o pagamento de remuneração ao trabalhador pelo trabalho desenvolvido. Nesse esteio, os valores de distribuição de lucros, em consonância com a doutrina exposta, amplamente aceita na seara justrabalhista, tem como finalidade o incentivo à produtividade e ao maior envolvimento do trabalhador na empresa, sendo uma verba paga, não pelo trabalha, mas para o melhor desempenho do colaborador em seu trabalho. Assim, podese verificar a ausência do caráter retributivo da referida verba.” Qual seria outra forma de enquadrar o pagamento de PLR, que não contraprestação pelo serviço prestado. Tanto o é, que se estabelecem metas de trabalho, desempenho, como forma de estímulo para que o empregado, produza cada vez mais, e por conseguinte, sintase recompensado. Não estou dizendo com isso que PLR é salário. Pelo contrário, entendo estar claro no texto constitucional que a PLR será desvinculada do salário, porém, tratase de norma com limitações prevista em lei específica, como reportamos anteriormente. Nem tampouco, acato os argumentos de que não se tratam de valores recebidos pelo trabalho. Respeito o posicionamento defendido pelo recorrente, contudo, possuo entendimento diverso a respeito do tema. Independente da participação nos lucros ou resultados paga pela recorrente estar em conformidade com a lei, fato é, que conforme descrito em seus acordos, tem por base o resultado operacional da empresa, sendo fator importante para que se determine o montante a ser distribuído. Ora, não fosse o empenho do empregado em alcançar cada vez mais resultados positivos, como se falaria em uma avaliação positiva do seu trabalho. É fato que a PLR nada mais almeja do que o engajamento do empregado no capital da empresa, para que o mesmo sintase estimulado a executar suas atividades em prol, não apenas, do seu crescimento na empresa, mas do crescimento de toda a empresa.em si O seu engajamento renderá frutos não apenas sobre o crescimento do negócio, mas lhe proporcionará pagamentos na modalidade de participação nos lucros. É nesse sentido, que discordo do recorrente de que encontrase desvinculado do trabalho. Muito menos, acato o entendimento de tratarse de verba recebida “para” o desempenho da atividade profissional. Entendo, que para estar classificada nessa modalidade, deve o pagamento ou a utilidade ser indispensável para o desempenho da atividade profissional, enquadraria nessa possibilidade, o auxílio combustível, quando utilizado carro no desempenho profissional, assim como o fornecimento de um carro, o fornecimento de uniforme, de um equipamento etc. Nos demais casos, assim como no PLR, quando se fornece Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 12 21 algo, sem que esse seja indispensável para ao desempenho, podemos dizer que o recebimento dessa verba é feito simplesmente “pelo” vínculo de emprego, razão pela qual, caso não enquadrado em uma das exclusões legais, passa a compor o conceito de remuneração e por conseqüência o de salário de contribuição. CUMPRIMENTO DO ART. 2 DA LEI 10.101/00 E MP ANTERIORES Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: Ø Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) Ø Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, porém ao elegêlos, deveriam ter cumprido o rito procedimental para sua formalização, o que não restou demonstrado em todos os casos. Apenas para esclarecer no presente caso, optou a autoridade a empresa por utilizar como instrumento de validade do pagamento do PLR o acordo coletivo. DA APRECIAÇÃO DOS ACORDOS Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, não entendo que os auditores e o julgador tenham simplesmente feito juízo de valor, ou conclusão por mera presunção, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas. Neste ponto, o primeiro argumento trazido pelo auditor foi a ausência de metas, regras, ou critérios que estabelecidos no acordo e que o relatório de gestão não se referia a empresa. Vejamos, o que diz a lei 10.101/2000 a esse respeito: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Acerca do descumprimento do § 1º acima especificado, descreveu a autoridade fiscal em seu relatório: 2.2.1.9 Nos Acordo Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 22 limitamse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, conforme cláusulas abaixo indicadas: Esta garantia mínima, prevista nas cláusulas anteriormente mencionadas dos Acordos Coletivos de Trabalho, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como a ausência de definição de objetivos a serem atingidos, é comandada nas folhas de pagamento sob as rubricas códigos: 1003 PLR Part Lucros Result, 1009 PLR Part Lucros Result, 1033 PLR, 1040 Adiantamento PLR e 1043 Diferença. 2.2.1.11 Da leitura dos Acordos Coletivos de Trabalho apresentados, restou claro que o critério para pagamento da Participação nos Resultados é subjetivo, sem plano de metas a ser cumpridas, independe do esforço pessoal do empregado. 2.2.1.12 Tal situação colide frontalmente com a disposição da Lei nº 10.101/2000, que em seu artigo 2o, § único, determina que, dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do que for acordado. 2.2.1.13 Dessa forma, considerando a incipiência dos instrumentos apresentados e aventando a possibilidade de ter sido feita a opção por outro procedimento preconizado na Lei nº 10.101/2000 e mais, sendo de suma importância para o desenvolvimento da Auditoria fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 1 de 10/06/2011 e do Termo de Intimação Fiscal n° 2 de 05/08/2011, a empresa foi intimada a prestar à Fiscalização as informações ou esclarecimentos necessários conforme a seguir: 2.2.1.13.1 Informações detalhadas acerca do regulamento, de forma a demonstrar as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão dos acordos. 2.2.1.13.2 Comprovar a formação e composição das comissões escolhidas pelas partes, integradas, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, com abrangência dos trabalhadores lotados em todas as Unidades da empresa no território nacional, relativamente a todo o período fiscalizado. Em atendimento à intimação supra, a empresa informou em síntese o que segue: 2.2.1.14.1 Que as regras para o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR foram estabelecidas nos Acordos Coletivos de Trabalho apresentados; 2.2.1.14.2 Que o Plano de Metas relativo à Participação nos Lucros ou Resultados PLR é em conformidade aos Relatórios de Gestão apresentados. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 13 23 2.2.1.15 Com relação ao plano de metas mencionado pela empresa temos a informar: 2.2.1.15.1 O documento apresentado é o Relatório de Gestão de outra empresa: CEMIG Distribuição S.A. CNPJ: 06.981.180.000116; 2.2.1.15.2 Embora a CEMIG Distribuição S.A. compõe o mesmo grupo econômico da Companhia Energética Minas Gerais CEMIG, tal documento não pode ser aceito como plano de metas desta, tendo em vista que as empresas têm personalidade jurídica distintas, com objetivos sociais diferentes, portanto, cada uma delas devem possuir plano de metas separados; 2.2.1.15.3 Ademais, o Relatório de Gestão apresentado, relativo exclusivamente a outra empresa: CEMIG Distribuição S.A., não representa ou contém em seu conteúdo programa de metas, previsto no inciso II, do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101 de 19/12/2000, com resultados e prazos pactuados previamente; 2.2.1.15.4 Portanto, para empresa: Companhia Energética Minas GeraisCEMIG, não foi apresentado qualquer plano de metas. 2.2.1.16 Os Acordos Coletivos de Trabalho, em suas cláusulas quarta e quinta prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Em contrapartida, competenos apreciar as alegações do recorrente quanto ao cumprimento do referido requisito. Assim, descreveu em seu recurso: Argumenta que há anos desenvolve a política de retribuir o esforço e a produtividade de seus trabalhadores, que não há duvida de que a base de cálculo da PLR sempre foi os resultados da receita e lucratividade da empresa e que, portanto, quanto mais o funcionário contribui para o incremento desses números, maior será seu retorno financeiro individual. Conclui que mesmo que sejam desconsideradas as metas estipuladas nos Relatórios de Gestão 2007 e 2008, não restam dúvidas que o critério adotado pela Cemig (lucratividade) é suficiente para estimular o esforço e a produtividade de seus funcionários. Afirma que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR estabelecidos na Lei 10.101/2000 é exemplificativo, sendo desnecessária a prévia definição de metas para a outorga do direito à PLR. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 24 METAS E CRITÉRIOS NÃO INCLUÍDOS NO ACORDO NEGOCIADO: As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei e acima grifado, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumprase o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. Não há de se acatar sejam as mesmas estipulados posteriormente pela empresa (de forma unilateral), conforme trazido pelo auditor e enfatizado pelo recorrente, donde descreve a existência de relatórios de gestão. O que se busca são critérios que sejam negociados não impostos. Entendo sim, que a lucratividade pode consubstanciar o pagamento, e como não podêlo, se o este resultado positivo, que se quer dividir com os trabalhadores, contudo, definir que o resultado global será distribuído de acordo com o número de trabalhadores no momento que se apurar o referido resultado estabelecido para pagamento, desde que seja estabelecido também critérios para que se defina o papel de cada trabalhador ou setor envolvido para que determine o montante de cada trabalhador. Ao descrever um montante sem definição de qualquer meta ou resultado a que se alcance, nada mais se faz, senão dar uma gratificação a todos os empregados de forma igualitária, independente do quanto o engajamento de cada um influenciou no resultado. Conclusão: DESSA FORMA, A NÃO INCLUSÃO DOS CRITÉRIOS E METAS NOS INSTRUMENTOS DECORRENTES DA NEGOCIAÇÃO DETERMINA O DESCUMPRIMENTO DO § 1º, CONFORME MENCIONADO PELO AUDITOR. Aliás no próprio acordo, Cláusula quarta, fl. 217, dispõe no item a: “Metas e Estabelecimento do valor a ser distribuído: As metas estabelecidas para o ano de 2006, pactuadas pelo grupo de Trabalho, composto por membros da CEMIG e dos sindicatos e estabelecido para analisar os aspectos relacionados ao PLR de 20062007 serão revisadas até dezembro de 2006 e são, dentre outras, aquelas voltadas para o planejamento estratégico empresarial, acompanhadas através do BSC. Caso sejam alcançadas, o montante a ser distribuído (...)” NÃO DEFINIÇÃO DE METAS, LEVA A SUBJETIVIDADADE E AO DESVIRTUAMENTO DO PLR. Não se deve conferir ao caráter de subjetividade tanto enfoque, de forma, que o pagamento afastese do conceito de alcance de resultados obtidos pela empresa, sejam eles lucros ou crescimento, e passe a individualmente ser utilizado como critério de premiação individual dos trabalhadores. Entendo que, ao conferir muita subjetividade ao pagamento, fugindo de critérios objetivos e dos limites do acordo estipulado a empresa, foge a essência do pagamento de PLR e desvirtua o pagamento, concedendo ao empregado mero prêmio desempenho, verba contraprestativa com nítida feição salarial. A empresa por outro lado, tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferílas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente, no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 14 25 pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prêmios, gratificações, gorjetas, bônus etc. PACTUAÇÃO PRÉVIA O requisito pactuação prévia, também foi indicado pelo auditor como descumprimento de exigência legal, razão pela qual merece ser apreciado. Segundo o recorrente a lei não exige pacto prévio ao exercício. Em que pese o posicionamento adotado por ilustres colegas desse colegiado, não me filio a essa tese. Acredito ser o argumento pacto prévio o mais importante para que se possa definir o regularidade dos planos, sendo determinante para procedência da autuação. Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. Entendo, ser o requisito pacto prévio, fundamental, para que se faça cumprir os preceitos da lei 10.101/00. No caso em questão a autoridade fiscal, conforme descrito no relatório fiscal, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros, também sob o fundamento de falta de acordo prévio aos períodos em que se baseavam os pagamentos. 2.2.1.7 Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007, firmados com as entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados). 2.2.1.8 Da análise do contido no documento (Acordo Coletivo de Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verifica se a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores pagos a título de PLR, representam, na verdade, um complemento salarial.(...) 2.2.1.16 Os Acordos Coletivos de Trabalho, em suas cláusulas quarta e quinta prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. 2.2.1.17 Ressaltese que, a cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007 determinou pagamento de parcela a título de PLR, a ser efetuada até 14/12/2007, considerando desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias após a celebração do referido Acordo. Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 26 2.2.1.18 Desta forma, podese observar, em decorrência da cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007, que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual fixo de 6,4 (seis inteiros e quatro décimos) remunerações e ainda uma parcela individual fixa de R$ 1.000,00 (hum mil reais) “Montante a ser Distribuído”. 2.2.1.19 Como o acordo mencionado anteriormente ocorreu em 11/12/2007, praticamente transcorrido todo o ano de 2007, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade, pois deveriam estar pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da cláusula quinta encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2007 e não depois de “praticamente findo”. 2.2.1.20 A justificativa utilizada para o pagamento (excelente desempenho empresarial verificado até a presente data) é claramente subjetiva, além de referirse novamente a um período já transcorrido, anterior à negociação, não afetando, pelos motivos já descritos, a produtividade. 2.2.1.21 Ao estabelecer critérios após a ocorrência dos fatos, com os resultados já consumados, as tratativas obviamente não influenciaram a produtividade ou ganhos porventura alcançados. Basta imaginar que mesmo que não se estipulasse nada ou que nem houvesse negociações ou quaisquer acordos, não haveria qualquer mudança nos fatos transcorridos, e consequentemente na produtividade. Se não se exigisse acordo prévio ao trabalho desempenhado, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras, critérios (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. CONCLUSÃO: ENTENDO QUE O REQUISITO PACTO PRÉVIO RESTOU DESCUMPRIDO EM RELAÇÃO A TODOS OS PLR, QUANDO SÓ REALIZADO O ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO PARA O QUAL SE REFERE. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 15 27 PAGAMENTO EM DESOBEDIÊNCIA A PERIODICIDADE PREVISTA EM LEI. Quanto ao aspecto da periodicidade, assim indicou a autoridade fiscal: 2.2.1.22 Outra vedação estabelecida pela Lei 10.101/2000, no § 2º do art. 3º, é que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano, conforme se deduz da seguinte transcrição: “Art. 3o (.....) (.....) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil”. 2.2.1.23 Contudo, conforme se pode constatar ao analisarse o ANEXO I deste relatório, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 01/2007, 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008 e 12/2008, como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano, contrariando, portanto, a vedação constante no referido parágrafo § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000. 2.2.1.24 Cabe ressaltar que a simples titulação dada a um pagamento é insuficiente para determinação de sua natureza tributária e previdenciária. Para tal, necessário se faz uma análise apurada da realidade dos fatos que o envolvem. Desse modo, apesar de intitulado pelo contribuinte como “participação em lucros e/ou resultados”, os pagamentos analisados não guardam tal natureza por se encontrarem em desacordo com a Lei 10.101/2000. Por outro lado a empresa assim, descreveu seu entendimento acerca da periodicidade: Destaca que não há necessidade de que os pagamentos sejam feitos um em cada semestre, com diferença de seis meses, uma vez que a Lei 10.101/2000, art. 3o, § 2o, referese a pagamentos efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano. Cita Consulta Técnica 507, de 21/7/04, do INSS. Conclui que a quantidade de pagamentos efetuada pela empresa deve ser analisada em relação a cada trabalhador e que a PLR pode ser paga no máximo em duas vezes no ano civil, no mesmo ou em distinto semestre. Não fossem os demais requisitos apontados pelo auditor suficientes para a irregularidade do PLR pagos pela recorrente, realmente, a lei não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 28 que os dois prazos são cumulativos e não uma opção, conforme trazido pelo recorrente. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos a compor o conceito de salário de contribuição. Contudo, também indicou o recorrente que para os meses 04/2007 e 05/2008 e 09/2008, houve o pagamento para os empregados desligados. Esse fato, não merece ser tratado como outra parcela de PLR, mas simples ajuste do mesmo, como o fim de realizar o pagamento quando do desligamento da empresa. Bastanos observar o relatório DAD para identificarmos, que os montantes distribuídos nesse competência são irrisórios em relação ao mês do pagamento do PLR, razão pela qual não devem ser essas competências utilizadas para descumprimento do requisito semestralidade. O mesmo raciocínio deve ser aplicado ao pagamento de PLR em 01/2007 e 04/2007, pois tratase de diferença resultante de reajuste salarial, que pelo montante distribuído, observamos novamente não tratarse de parcela adicional. Portanto, devem ser considerados como meses de efetiva distribuição, para fins de apreciar o cumprimento da lei, apenas: 03/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 12/2008. Assim, entendo que o descumprimento persiste em relação ao meses de 11 e 12/2007. TRATAMENTO EM RELAÇÃO A COMPETÊNCIA 12/2008. Conforme verificamos acima, não ocorreu para a competência 12/2008, levantamento P5, descumprimento da regra periodicidade para o ano de 2008, posto não houve pagamento mais de 2 vezes no ano, nem tampouco ultrapassou, a periodicidade semestral prevista no § 2º do art. 3º, é que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano, conforme se deduz da seguinte transcrição: Da mesma, forma, em relação a essa competência, não podemos estabelecer que não haja a pactuação das regras para pagamento sido realizadas em período anterior ao efetivo trabalho, já que segundo o relatório fiscal, fl. 17 os acordos que consubstanciaram o lançamento foram pactuados: 2.2.1.9.2 ANO de 2008 firmado em 11/12/2007 SINDIELETRO: Previsto na cláusula Quinta o pagamento com base no desempenho empresarial; 2.2.1.9.3 ANO de 2008 firmado em 14/12/2007 SINTEC: Previsto na cláusula Quinta o pagamento com base no desempenho empresarial. Ou seja, o argumento da fiscalização em relação a essa competência, "ausência de pactuação prévia ao exercício, também não restou configurado, razão pela qual não há como manter o lançamento em relação a essa competência para os segurados empregados, posto que não trouxe a autoridade fiscal, outros fundamentos de descumprimento dos preceitos da lei 10.101/2000. QUANTO AO VÍCIO PARA EXCLUSÃO DA COMP. 12/2008 PLR EMPREGADOS Dessa forma, entendo que a falta da descrição sobre outros fundamentos que validariam o lançamento, levaria a anulação do levantamento P5 (12/2008), por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 16 29 Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material, o que levaria a se dar provimento ao recurso nessa parte, fato a não comprovação do fato gerador. Não entendo que seja esse o caso, posto que a conclusão que se chegou é que os dois fundamentos trazidos pela autoridade fiscal, quais sejam: falta de pactuação prévia e inobservância da periodicidade restaram afastados. APLICAÇÃO DA LEI 10.101/2000 NO PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Vale de pronto afastar também, os argumentos do recorrente que que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 30 A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 17 31 Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias”. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, as verbas salariais. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. O empregado tem que obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial. Não serve também como argumento o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Assim, não acato o argumento do recorrente de que o termo trabalhador descrito também na lei, é capaz de abranger a categoria de administradores e demais contribuintes individuais. Vejase que o termo autônomo ou para previdência social, contribuinte individual, não é uma pessoa que trabalha de forma subordinada, devendo cumprir Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 32 metas alcançar resultados, pois se assim o fosse estaríamos atribuindo um requisito de empregado, qual seja a subordinação. Também vale lembrar que o trabalho de um mesmo autônomo exigindo o cumprimento de resultados e metas durante um período (exercício) não deve ser utilizado de forma continuada, pois senão estaríamos atribuindo o segundo requisito que é a habitualidade na prestação de serviços. Dessa forma, entendo inviável a interpretação dada pelo recorrente, razão pela qual não a acato. Por fim, vale mencionar que nem mesmo poderíamos analisar se o pagamento em questão estaria de acordo com o descrito na lei 6404/76, posto que na referida lei a participação dáse em função do capital investido. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho como apreciamos anteriormente. Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em toda a sua extensão em relação aos contribuintes individuais, negandose provimento integralmente ao recurso nessa parte. ARGUMENTO DA MULTA LIMITADA A 20% Com relação da interpretação em relação a aplicação dos dispositivos da MP 449/2008, convertida na lei 11.941, entendo que os argumentos do recorrente não merecem prosperar. Filiome a tese adotado pelo auditor fiscal e ratificada pelo julgador de primeira instância. No que tange ao cálculo da multa, face à edição da MP 449/08, convertida em lei 11.941, a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 18 33 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado (75%). As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso conforme descrito no relatório fiscal, para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática, multa moratória, com a aplicação de multa pela não informação em GFIP, e da sistemática descrita na nova legislação. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos explicitados acima. Em relação as Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 34 competências anteriores a edição da referida MP (04/12/2008) e considerando que o art. 106 que, inciso II, "c do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) dispõe que tratandose de ato não definitivamente julgado a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, efetuamos o demonstrativo da multa entre as penalidades da legislação posterior e anterior a MP 449/2008 para a aplicação da mais benéfica, conforme Anexo único e resumo abaixo. Observase que a multa de 75% só retroage nos meses em que observou a autoridade fiscal, ser essa a mais favorável ao recorrente. Ou seja, para efeitos da apuração da situação mais favorável, observou o auditor fiscal notificante: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Isto posto, entendo que nenhuma alteração deve ser realizada em relação a multa aplicada. DA RESPONSABILIDADE DO GRUPO ECONÔMICO A base dos argumentos apresentados pelo recorrente e pelos responsáveis solidários, referese a impossibilidade de atribuir responsabilidade solidária (pela simples existência do grupo), é imprescindível a demonstração prática conjunta do mesmo fato gerador ou do interesse de todas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, o que não ocorreu. Neste sentido, entendo que se faz necessário tecer comentários acerca da formação dos grupos econômico, separandoos em grupo de direito, ou formalmente constituídos e grupos de fato, ou seja, aqueles onde detectado que, apesar de não existir controle acionário direto, existe o interesse comum, como por exemplo, o pagamento comum de despesas, ou mesmo a utilização de bens móveis ou imóveis, sem qualquer contrapartida , ou seja os custos. No caso ora em análise não se trata de grupo de fato, mas aquele formalmente constituído, onde primeiramente de maneira sucinta traz a autoridade julgadora em seu relatório a vinculação entre as empresas, por meio de participações sejam enquanto coligadas ou controladoras. Ou seja, por si só, entendo que quando existe a participação formal, com a designação de gerência e controle de uma nas outra, razão existe para que se proceda o lançamento em relação a todos os solidários, grupo econômico de qualquer natureza. O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria trazidas nos presentes autos, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 19 35 [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” De acordo com o artigo 124, II, do CTN e artigo 30, IX, da Lei u° 8.212/91, há responsabilidade solidária por divida fiscal entre componentes do mesmo grupo econômico. (Tribunal Quarta Regido, Ag Agravo De Instrumento, Processo: 200504010392590, UJ Sc, órgão Julgador.. Primeira Turma, Relator Vilson Darás, Dju Data:01/02/2006, Página: 325) EXECUÇÃO FISCAL. EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÓMICO.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTROLADORA. INCLUSÃO NO PÓLO PASSIVO.CITAÇÃO E PENIIORA CONCOMITANTES. ART. 124, II, DO CTN. ART. 30,INCISO IX, DA LEI N.° 8.212/91. ART. 53 DA LEI N" 8.212/91. I. A responsabilidade solidaria entre empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico decorre de lei (art. 124, II, do CTN c/c art.30, inciso IX, da Lei 11. 0 8.212/91). Inclusão da controladora 110 pólo passivo do processo de execução fiscal. 2. Ademais, a Me.lzla SM detém 99,99% das colas da Me.sbla MoveisLtda. e a Lei n." 8.620/93 (art. 13), em relação aos débitos vinculados à Seguridade, estabelece a solidariedade entre a sociedade devedora e o sócio. Precedentes do STI. 3. Em se tratando de débitos previdenciários, a penhora de bens concomitantemente conz a citação encontra expressa autorização legal, a teor do que dispõe o art. 53 da Lei n."8.212/91. 4. Agravo conhecido e provido". Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 36 (Origem: tribunal segunda regido, agv agravo — 64871, processo: 200002010536342 uf rj, terceira turma esp, juiz jose neiva/no afast. Relator, din data: 08/02/2006 pagina: 82) A doutrina de Carlos Alberto Pereira de Castro e Joao Batista Lazzari, in Manual de Direito Previdenciáio, 8 edição, Ed. Conceito, pg. 294, ao definir grupo econômico, também utilizase do conceito inserido no parágrafo 2° do artigo 2`) da CLT, enfatizando, ainda, que a "solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ás empresas do mesmo grupo econômico é bem ampla. Basta ulna das componentes do grupo não cumprir as obrigações fiscais, para outra delas ter de assumir a responsabilidade por via de solidariedade". Assim, entendo que a autoridade fiscal demonstrou a existência de grupo econômico (digase não rebatido pelo recorrente), os motivos que a levaram a determinar as responsáveis solidárias. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, mais especificamente o art. 30, que descreve a responsabilidade solidária do grupo econômico, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual correto a atribuição de responsabiliade imputada ao grupo econômico descrito no AI. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 20 37 inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Considerando, todos os pontos apreciados no recurso, entendo que a decisão de primeira instância, encontrase acertada em quase sua totalidade, com exceção da competência 12/2008 do PLR empregados, posto que os dois fundamentos apresentados pela fiscalização para o referido PLR, em relação a essa competência restaram afastados, conforme o voto apresentado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos de ofício e voluntário, para no mérito: 1) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO; 2) DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, apenas para excluir do lançamento, por vício formal, o levantamento em relação a competência 12/2008 do PLR empregados, mantendo o lançamento em relação a todos os demais levantamentos, pelas razões expostas no voto. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 38 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Competência 12/2008 Do voto da Ilustre Relatora depreendese que o encaminhamento foi por declarar nula por vício formal a atuação para a competência 12/2008. O primeiro motivo adotado foi que a regra da periodicidade não houvera sido descumprida para esta competência. Em segundo lugar, a Relatora revela que a ausência de pactuação prévia ao exercício da aquisição do direito ao recebimento da PLR não se verificou para esta competência, portanto, diante da falta de configuração dos motivos eleitos pelo fisco para tributação da verba em 12/2008, concluise pela anulação das contribuições lançadas por vício formal. Não concordo, data vênia, com a Relatora quanto à natureza da invalidade parcial do lançamento, que levou à exclusão dos fatos geradores ocorridos em 12/2008. Inicialmente, peço licença para tratar de sucintamente dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois discorrer sobre as consequências jurídicas advindas de vícios em cada um dessas partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, integrando sua própria estrutura. A sua normatividade situase no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a formação do ato, a exemplo de cientificação do início do procedimento fiscal, intimação para apresentação de documentos, cumprimento de normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do crédito, equívoco na citação dos fundamentos legais, etc. c) Condições: são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo. Tenho entendido que os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento acarretam em declaração de vício formal do mesmo ou no seu saneamento, caso Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 21 39 possível. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. Ao contrário, quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, quando a autoridade julgadora esteja convencida de que efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, houve falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Ainda sobre os requisitos do lançamento, para as situações em que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o convencimento da ocorrência do fato gerador, posto que o mesmo não resta suficientemente demonstrado pela Autoridade Fiscal, há de se declarar a improcedência do lançamento. Voltemos ao caso concreto. No meu sentir, a inexistência dos motivos que levaram o fisco a considerar que na competência 12/2008 a PLR teria sido paga em desconformidade com as normas aplicáveis é causa que afeta diretamente requisito do lançamento, qual seja o pagamento de verba salarial a segurados a serviço da recorrente. Assim, tomando como referência os aspectos teóricos acima apresentados, posicionome pela invalidade parcial do lançamento da mesma forma que a Relatora, todavia, não por vício formal, mas por improcedência parcial das contribuições lançadas. Periodicidade As planilhas colacionadas pelo fisco demonstram que as parcelas de PLR foram pagas aos empregados nas seguintes competências: a) 2007: janeiro, março, abril, novembro e dezembro; b) 2008: março, maio, setembro e dezembro. Para fins de aferição da periodicidade, a Relatora posicionouse em não computar os pagamentos efetuados em janeiro e abril de 2007, posto que seriam decorrentes de reflexos de reajustes salariais, portanto eram parcelas residuais. Para as competências maio e setembro de 2008, entendeu que se referiam a pagamentos decorrentes de desligamento de empregados, os quais também não deveriam ser computados na verificação da periodicidade legal. Assim, considerando a regra de periodicidade vigente à época dos pagamentos, concluiu a relatora: "Portanto, devem ser considerados como meses de efetiva distribuição, para fins de apreciar o cumprimento da lei, apenas: 03/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 12/2008. Assim, entendo que o descumprimento persiste em relação ao meses de 11 e 12/2007." Todavia ao apreciar a apuração do fisco nas competências 11 e 12/2007, pude verificar no ANEXO I PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS SEGURADOS EMPREGADOS que, para a rubrica 1033 PLR, os segurados contemplados em uma competência não se repetem na competência seguinte, donde se pode concluir que Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 40 inexistiu a quebra da periodicidade semestral prevista no § 2.º do art. 3.º da Lei n.º 10.101/2000. Ressalvese que o lançamento já havia sido retificado para excluir os pagamentos decorrentes de antecipação da PLR, por isso a minha análise não levou em conta esses pagamentos. Conclusão Assim, além dos pontos de concordância com o voto da Relatora, voto por reconhecer a improcedência das contribuições lançadas na competência 12/2008 e por considerar como cumprido a exigência legal da periodicidade para todo o período lançado. Kleber Ferreira de Araujo. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 22 41 Declaração de Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Em que pese o posicionamento muito bem exposto pela Ilustre Conselheira Relatora, entendo que a autuação não merece prosperar em relação à incidência das contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros e resultados paga aos membros do Conselho de Administração, bem como entendo que, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, a multa de mora deveria ser limitada a 20%, ao passo em que a multa de ofício de 75% deveria ser cancelada, por não poder ser aplicada retroativamente. Em relação ao primeiro ponto, aduziu o fiscal autuante que os valores pagos pela empresa aos seus administradores (não empregados) a título de participação em lucros e/ou resultados (segurados contribuintes individuais), constituemse parcela integrante do salário de contribuição sendo, portanto, base de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, art. 28 incisos III, da Lei nº 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, inciso III do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. Complementou que por se tratarem os administradores de segurados contribuintes individuais e não de empregados, o inciso X da alínea m do inciso V do §9º do art. 214 do Decreto 3.048/199 e a Lei 10.101/00 não se aplicam aos mesmos. O contribuinte aduziu em suas defesas que o pagamento da parcela de PLR concedida aos administradores, diretores e conselheiros da companhia foi efetuado em estrita observância ao art. 152, §1º da Lei 6.404/1997, razão pela qual não devem incidir contribuições previdenciárias, a teor do artigo 7º, XI, da Constituição Federal. Ao apreciar a matéria, aduziu o órgão julgador de primeira instância que o pagamento ou crédito de participação nos lucros de administradores, regida pela Lei 6.404/76, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias em qualquer caso, por falta de previsão legal de nãoincidência. Passo a analisar tais argumentos. Como visto, defende a Recorrente que efetuou os pagamentos de participação nos lucros aos seus administradores estatutários nos estritos termos da Lei das Sociedades Anônimas, diante do que esses pagamentos não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária, a teor do §9º do art. 28 da Lei n. 8.212/1991, bem como no art. 7º, XI, da Constituição Federal, transcrito em linhas acima, que estabelece que é um direito dos “trabalhadores” a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, conforme definido em lei. De fato, além de a Constituição Federal garantir aos trabalhadores a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração – o que, no entender desta Conselheira, não está limitado aos empregados, mas abrange também diretores estatutários, não subordinados à relação de emprego – a Lei n. 8.212/1991 também excluiu do conceito de Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 42 remuneração, através da alínea ‘j’ do §9º do seu artigo 28, a participação nos lucros ou resultados. Tanto a Constituição Federal quanto a Lei n. 8.212/1991, contudo, atribuíram à lei a definição dos lucros ou resultados a serem distribuídos, os quais se desvinculam da remuneração e, como conseqüência, não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária. No que diz respeito à distribuição de lucros ou resultados aos empregados, a MP 794/94, posteriormente convertida na Lei 10.101, tratou de disciplinar as condições e critérios a serem estabelecidos para validamente promover a repartição dos resultados com os empregados. Com relação à referida regulamentação, há decisões do Egrégio STF no sentido de que apenas após a MP 794/94, disciplinando a distribuição dos lucros aos empregados, verificaramse as condições indispensáveis ao afastamento da incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos de participação dos empregados no lucro das empresas. Ocorre, no entanto, que tal entendimento ainda não foi sedimentado pelo Supremo, tendo em vista o reconhecimento de repercussão geral sobre o tema, cuja ementa da decisão segue abaixo transcrita, não tendo o respectivo Recurso Extraordinário sido julgado pelo Pleno do STF até o momento: EMENTA. Tributário. Contribuição previdenciária. Participação nos lucros da empresa. Art. 7º, inciso XI, CF. Medida Provisória 794/94. Repercussão geral. 1. A controvérsia envolvendo debate acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre a parcela denominada participação nos lucros concernente a período posterior à Constituição Federal de 1988 e anterior à Medida Provisória nº 794/94, à luz do art. 7º, inciso XI, da Constituição Federal, possui densidade constitucional suficiente para ensejar o exame da matéria pelo Pleno da Corte. 2. Repercussão geral reconhecida. (RE 569441 RG, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/12/2010, DJe057 DIVULG 25032011 PUBLIC 28032011 EMENT VOL0249002 PP00275 RDECTRAB v. 18, n. 202, 2011, p. 104109); Além de a controvérsia acima apontada ainda não ter sido definida pelo Pleno do STF, entendo que os precedentes já existentes, no sentido de que apenas após a Medida Provisória n. 794/94 a distribuição de lucros a empregados passou a ser isenta das contribuições previdenciárias, não implicam dizer que a Lei n. 6.404/1976 não se presta a regular a distribuição de lucros aos administradores, nos termos do art. 7o da CF. Isto porque a discussão travada pelo Supremo gira em torno da aplicabilidade do art. 7º da Constituição em relação aos empregados e não em relação aos administradores, sem vínculo empregatício. Por essa razão, a análise feita pelo Egrégio STF até o momento não avaliou a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6.404/1976) como veículo normativo hábil a disciplinar o assunto e, como consequência, afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre essas distribuições. Verificase, portanto, que o entendimento do STF não pode ser aplicado ao caso ora analisado. No tocante aos administradores, que não se enquadram na categoria de empregados, concordo com a Recorrente quando afirma que o art. 152 da Lei n.º 6.404/1976 se configura como regulamentação hábil à distribuição de lucros não sujeita à incidência das contribuições previdenciárias: Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 23 43 Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. É de se observar que a distribuição de lucros da sociedade anônima a seus administradores decorre de uma deliberação dos acionistas, que deixam de receber parte dos lucros a que fazem jus para destinálos aos diretores não empregados, através de previsão estatutária específica para esse fim. Por esse motivo, a distribuição desses lucros aos diretores não se configura em despesa da pessoa jurídica, já que é parcela do lucro auferido, não afetando, assim, o seu resultado. Essa peculiaridade da distribuição de lucros a administradores de sociedade anônima já foi analisada pela 2ª Turma desta 4ª Câmara, que, em reiterados julgados, afastou, por unanimidade de votos, a aplicação da Lei n. 8.212/1991 a esses pagamentos. Para melhor análise, transcrevemos abaixo os trechos pertinentes do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro relator Nereu Miguel Ribeiro Domingues: A Recorrente sustenta também que a participação estatutária dos diretores não possui feição remuneratória, devendo ser excluída da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Como pode se verificar no item 2.3 do relatório fiscal (fl. 38), houve a distribuição de lucros aos diretores estatutário, haja vista que é uma sociedade anônima, nos termos da Lei nº 6.404/76. Cabe pontuar, primeiramente, que a Lei nº 6.404/76 trata os diretores da mesma forma que os administradores, tal como se verifica em seu art. 145, in verbis: "Art. 145. As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores." As regras relativas à participação desta classe de trabalhadores estão claramente previstas no art. 152 da Lei n. 6.404/76, que assim dispõe: Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 44 "Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) §1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202." Analisando as regras expostas acima, temse que, por ser a assembleia geral que delibera sobre a concessão de participação aos diretores estatutários, estáse diante de uma relação jurídica firmada entre “Acionistas x Diretores/Administradores”. Nesse sentido, destacase que a participação dos diretores estatutários é contabilizada em conta do patrimônio líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não paga pela empresa em si (por meio de escrituração em conta de resultado). Neste contexto, não há que se falar na aplicação do art. 28 da Lei nº 8.212/91, pois os valores recebidos pelos diretores estatutários não se inserem na relação jurídica “Empregador x Empregado”, não havendo que se falar na incidência das contribuições previdenciárias. Em vista disso, é mister que seja excluído do presente lançamento as contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos realizados a título de “PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DA DIRETORIA EXECUTIVA – PLE”. (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma, Acórdão nº 2402002.883, Sessão de 10 de julho de 2012). Este entendimento foi reiterado no julgamento do Acórdão 2402002.884, proferido pela mesma 4ª Câmara, 2ª Turma deste Conselho. Merece destaque ainda o precedente da 3º Turma Especial, ao proferir o Acórdão nº 2803002.438, na sessão de 19 de junho de 2013, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 24 45 Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS COM FULCRO NO PARÁGRADP 1º DI ART. 152 DA LEI Nº 6.404/76. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação dos administradores nos lucros da companhia, na forma prevista no parágrafo 1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/76, não configura base de cálculo de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido. Sendo assim, não há que se falar em pagamento de remuneração pela pessoa jurídica, já que os resultados distribuídos são deduzidos dos lucros dos acionistas, afetando, assim, a relação acionista e diretor e ocasionando, portanto, a não incidência das contribuições previdenciárias. Entendo, assim, pelo afastamento da cobrança quanto à participação nos lucros dos administradores da Recorrente. Em relação à aplicação da multa subsistente no presente auto de infração, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, discordo da Ilustríssima relatora para limitar a multa de mora a 20% e cancelar a multa de ofício de 75% aplicada às competências anteriores a sua criação. A Fiscalização, visando aplicar a penalidade mais benéfica, lançou multa de mora correspondente a 24% incidente sobre as contribuições devidas, referente aos levantamentos “P1PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” e “P3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ADMINISTRADORES”, correspondentes às competências 03/2007, 04/2007, 11/2007 e 03/2008, prevista no art. 35, inciso II da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência do fato gerador. Lançou também multa de ofício correspondente a 75% incidente sobre as contribuições devidas, relativa às competências 01/2007, 05/2008 e 09/2008, referente aos levantamentos: “P2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” e “P4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ADMINISTRADORES”, prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430/1996, nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, acrescentado pela Medida Provisória nº 449 de 03/12/2008. A aplicação da multa de mora prevista na legislação anterior e da multa de ofício prevista na novel legislação, supostamente em atendimento ao princípio da retroatividade benigna prestigiado pelo CTN, foi efetuada com base em quadro comparativo das penalidades. Tal quadro comparativo, contudo, não efetuou a comparação da multa de mora anterior com a multa de mora atualmente prevista, mas sim de toda a sistemática de cobrança prevista antes e após as alterações promovidas pela MP 449/2008. Nesse contexto, a multa de mora antes devida pela ausência de recolhimento do tributo foi somada à penalidade também prevista na legislação anterior para a ausência de declaração de fato gerador em GFIP; o resultado dessa soma foi comparado à multa de ofício atualmente prevista para a ausência de recolhimento do tributo, correspondente a 75% da contribuição lançada. Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 46 Nos casos em que a sistemática anterior foi mais benéfica, foi lançada a multa de mora correspondente a 24%, em vigor à época da ocorrência dos fatos geradores, além da multa por falta de declaração de fato gerador em GFIP; nos casos em que a nova sistemática foi mais benéfica, a fiscalização lançou multa de ofício correspondente a 75%, retroativamente. Entendo, contudo, que, para fins de comparação das multas e identificação da penalidade mais benéfica, não se pode somar multa devida por falta de recolhimento do tributo com aquela devida por descumprimento de obrigação acessória, relativa à falta de declaração de fato gerador em GFIP. A comparação deve ser feita entre multas da mesma natureza. Sendo assim, a multa antes devida pela ausência de recolhimento da contribuição, que era de natureza moratória, deve ser comparada com a multa moratória atualmente prevista. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 2401003.487 S2C4T1 Fl. 25 47 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor multa mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora, antes de valor progressivo, deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996. Isto porque, apesar da lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Com o advento da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, não só foi alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35A, o qual passou a apenar a falta de recolhimento da contribuição previdenciária com a multa de ofício correspondente a 75% do crédito tributário objeto de lançamento, penalidade essa até então inexistente no ordenamento jurídico para as contribuições previdenciárias. Dessa forma, em relação às multas de ofício, aplicadas no montante de 75% nas competências de 01/2007, 05/2008 e 09/2008, estas devem ser canceladas, por não existir na legislação vigente à época do fato gerador multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora. Vale notar que, a exclusão da multa de ofício de 75% ora realizada não autoriza sua conversão em multa de mora, o que demanda novo lançamento para constituição da penalidade, pois falece ao órgão julgador a competência para constituir o crédito tributário, atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão multas de naturezas distintas, a uma porque, tratandose de penalidade, não se pode adotar o princípio da fungibilidade; a duas porque, para a cobrança da multa de mora seria necessário novo lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 48 e voto proferido em sede de Recurso Voluntário nº 160.001 nos autos do processo 10380.1007171200338 (Decisão publicada em 04.02.2009): CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de oficio isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso parcialmente provido. (...) “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio de Auto de Infração, na verdade converteua em multa de mora, promovendo assim um novo lançamento, o que é vedado à Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades, é inaplicável o principio da fungibilidade, tendo em vista a tipicidade cerrada que cerca essa espécie de exigência tributária.” Dessa forma, a atividade do lançamento é privativa da autoridade administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança de classificação, a mudança de enquadramento ao suporte normativo estabelecido pela autoridade lançadora. Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal aplicada nas competências de 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007 e 03/2008 deve ser limitada a 20%, bem como a multa de ofício de 75% deve ser excluída das competências 01/2007, 05/2008 e 09/2008. Face ao acima exposto, posicionome no sentido de afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros e resultados pagas aos membros do Conselho de Administração, bem como, em respeito ao princípio da retroatividade benigna, limitar a multa de mora a 20% aplicada nas competências de 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007 e 03/2008 e cancelada a multa de ofício de 75% das competências de 01/2007, 05/2008 e 09/2008. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
score : 1.0
Numero do processo: 10314.007239/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 13/05/2003
PERÍCIA. CONDIÇÕES
Demonstrado que a diligência proposta revelou-se impraticável e, o que é mais importante, o processo reúne os elementos necessários para a solução do litígio, não há fundamento para a proposição de nova tentativa de perícia.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 13/05/2003
Produto Comercialmente Denominado ISOPAR M
O produto comercialmente denominado ISOPAR M, identificado como um óleo técnico mineral branco, que não reúne as condições para classificação como querosene, deve ser classificado na posição 2710.19.91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.778
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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CONDIÇÕES Demonstrado que a diligência proposta revelouse impraticável e, o que é mais importante, o processo reúne os elementos necessários para a solução do litígio, não há fundamento para a proposição de nova tentativa de perícia. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/05/2003 Produto Comercialmente Denominado ISOPAR M O produto comercialmente denominado ISOPAR M, identificado como um óleo técnico mineral branco, que não reúne as condições para classificação como querosene, deve ser classificado na posição 2710.19.91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jaques Maurício Veloso de Melo, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 72 39 /2 00 3- 81 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/200381 Acórdão n.º 3102001.778 S3C1T2 Fl. 246 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O importador, por meio da declaração de importação – DI nº 03/03963640, de 13/05/2003, fl. 02, importou a mercadoria descrita como “SOLVENTE PARAFÍNICO, NOME COMERCIAL: ISOPAR M”, classificando na NCM 2710.19.19, com alíquotas de 0% de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados não tributável. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para os produtos é a NCM 2710.19.91, com alíquota do imposto de importação de 5,5%. Baseouse a autuação no laudo de assistência técnica de fls. 11 a 27. Através do Auto de Infração de fls. 31 a 39, cobraramse as diferenças de imposto de importação, juros e multa de ofício, além da multa pelo erro na classificação fiscal. Intimada do Auto de Infração em 05/12/2003 (fl. 31), a interessada apresentou impugnação e documentos em 08/01/2004, juntados às folhas 47 e seguintes, alegando em síntese: 1. Entende a impugnante que, conforme a regra 3 de interpretação do Sistema Harmonizado, na qual a posição mais específica deve prevalecer sobre a mais genérica, a classificação adotada por ela no código 2710.19.19 como querosene deveria ser mantida. 2. Cita a Resolução 04/82 da Petrobrás, alegando que a mesma estabelece os critérios para caracterização de uma substância como querosene. Alega que o produto importado, o ISOPAR M atende a esses critérios. Requer seja declarado improcedente o presente Auto de Infração, inclusive no tocante aos juros e multa de mora aplicados. 3. Alega que a citação feita no laudo oficial sobre o ponto de fulgor do produto analisado em comparação ao ponto de fulgor do querosene, referese apenas a um valor típico deste segundo, mas não o descaracteriza do conceito técnico de querosene nos termos da citada Resolução 04/82 da Petrobrás. 4. Sendo assim, pede que seja julgado improcedente o presente Auto de Infração. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Classificação de Mercadorias Fl. 294DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/200381 Acórdão n.º 3102001.778 S3C1T2 Fl. 247 3 Data do fato gerador: 13/05/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PENALIDADES Mercadoria de marca comercial ISOPAR M, fabricada pela EXXONMOBIL dos EUA, identificada por laudo técnico como mistura de 70% em peso de normal parafinas e isoparafinas e 30% de ciclo parafinas, deve ser classificada no código NCM 2710.19.91, conforme adotado pela fiscalização. Lançamento Procedente Cientificado da decisão proferida (AR fl. 128 v), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 131/134, no qual reitera os argumentos já apresentados, acrescentando os seguintes: a) o enquadramento técnico do FDA, referente à descrição de "óleo mineral" na norma 21 CFR 178.3620, apresenta parágrafos para distinguir 2 tipos de produtos, quais sejam: "óleos minerais brancos" (parágrafo "a') e "óleos técnicos" (parágrafo "b'); b) após análise do corpo técnico da empresa recorrente, concluise que o produto ISOPAR M é um "óleo TÉCNICO mineral branco", vez que atende aos requisitos técnicos da norma 21 CFR 178.3620 parágrafo "b", o que torna adequada sua classificação no código NCM 2710.19.19; c) uma vez que o produto ISOPAR M é um óleo técnico mineral branco, não pode prosperar a pretensão fazendária de classificálo na posição 2710.19.91, pois esta é uma posição genérica; d) ao ser aplicada a 3' Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado, o produto ISOPAR M deverá ser classificado na posição 2710.19.19, visto que este é o código mais específico para tal produto. Julgando que caberia aprofundar a análise acerca do enquadramento do produto na Resolução n° 4/82 da Petrobrás, decidiu este Colegiado pela conversão do julgamento em diligência, para que fossem realizados novos exames laboratoriais. Após a devida designação da instituição responsável pela condução do procedimento, formulação de quesitos e fixação dos custos da realização dos exames, a recorrente entendeu que não deveria fazer face a tais custos. Segundo argúi, tal cobrança representaria uma transferência indevida do ônus inerentes aos honorários periciais em razão de que a União Federal possuiria laboratórios próprios aptos a realizar o procedimento e de que o valor da perícia superaria o montante da exigência. Registra que, na ocasião em que se determinou a conversão do julgamento em diligência o Colegiado considerou que as informações apuradas pelo exame laboratorial realizado a pedido da autoridade fiscal seriam insuficientes para o deslinde da questão, cabendo, assim, o afastamento da exigência. Cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/200381 Acórdão n.º 3102001.778 S3C1T2 Fl. 248 4 Alternativamente, pleiteia a remessa de amostra para outra instituição credenciada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou que pelo menos o valor da perícia seja fixado nos termos do art. 29 e Anexo I da Instrução Normativa 157, de 1998. Em face do encerramento do mandato do Relator originalmente designado para relatar o feito, promoveuse a redistribuição dos autos, mediante novo sorteio, por meio do qual este Conselheiro foi designado relator. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Conforme já mencionado, o litígio diz respeito à classificação fiscal do produto comercialmente denominado ISOPAR M, que a recorrente entende se classificar no subitem 2710.19.19 (outros querosenes) e o Fisco, no subitem 2710.19.91 (óleos minerais brancos (óleos de vaselina ou de parafina). Como é possível perceber, não há dissenso acerca da posição (2710) e da subposição que melhor classifica o produto (2710.19). A discussão está na fixação do item que melhor classificaria o produto A convicção da autoridade fiscal teria se formado a partir de análise laboratorial por meio da qual foram identificadas as seguintes características: ENSAIO FÍSICO QUÍMICO COMPOSIÇÃO Mistura de hidrocarbonetos ESTADO Liquido baixa viscosidade PESO ESPECIFICO Não Determinado COR transparente ODOR inodoro SOLUBILIDADE Insolúvel em Água PONTO DE FULGOR 80°C DESTILAÇÃO °C 220 255 % AROMÁTICOS Zero Com base em tais fatores e na literatura mencionada no laudo, conclui a expert designada (original destacado) Considerandose resultados laboratoriais de análises físico químicas e comparandose com especificações do produto, podemos concluir que o material avaliado é uma mistura de hidrocarbonetos acíclicos e cíclicos. 0 ponto de fulgor é uma característica importante para identificar o produto em análise. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/200381 Acórdão n.º 3102001.778 S3C1T2 Fl. 249 5 Identificamos que o mesmo possui ponto de fulgor acima do que a literatura técnica estabelece como esperado para Querosenes. Este produto é utilizado na indústria cosmética. A tese da defesa, recordese, é a de que o produto cumpriria os requisitos Resolução n° 4/82 da Petrobrás e, como tal, deveria ser considerado um querosene. Consequentemente, em homenagem à RGI nº 3, “a”, classificado no item. 2710.19.1 (Querosenes) ou invés do 2710.19.9 (Outros). Cumpre ainda relembrar que os quesitos formulados pelo então relator do Feito, Conselheiro Nilton Bartoli, tinham como objetivo avaliar a procedência da tese defendida pela recorrente. Todas as informações pleiteadas dizem respeito ao cumprimento das condições fixadas na Resolução n° 4/82. Naquele momento, não vi prejuízo para a correta solução do litígio, como não vejo até hoje. Se o Relator tinha dúvidas, que as solucionasse e, uma vez formada sua convicção, apresentasse suas razões de decidir, ratificando ou não as alegações da defesa. Como é cediço, todas as questões ventiladas como fundamento para a realização da diligência seriam novamente enfrentadas. Em suma, naquele momento, sem fazer qualquer indagação acerca do mérito do processo ou até mesmo pedir vista dos autos, decidi que seria praticamente um direito do Relator aprofundar as pesquisas que entendesse pertinentes. Ocorre que, após as tramitações, a diligência, nos termos em que foi definida, tornouse impraticável. Isso não significa dizer que, após tomar conhecimento dos autos, agora na qualidade de relator, eu não possa chegar a conclusões diversas da do relator original, inclusive no que se refere à suficiência das informações carreadas ao processo pelo Fisco. Ou seja, à convicção de que a diligência seria desnecessária. Configuraramse, assim, a hipóteses descritas no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (destaquei). Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine De fato, a perita designada definiu que o ponto de fulgor do ISOPAR M, um solvente parafínico, seria atingido aos 80º e que o querosene apresentaria um ponto de fulgor mais baixo. Tal informação, segundo defendido pela autoridade fiscal, seria suficiente para afirmar que o produto litigioso não teria a classificação defendida pelo Sujeito Passivo ou qualquer outro item da subposição 2710.19, assim desdobrada: 2710.19 Outros 2710.19.1 Querosenes 2710.19.2 Outros óleos combustíveis Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/200381 Acórdão n.º 3102001.778 S3C1T2 Fl. 250 6 2710.19.3 Óleos lubrificantes 2710.19.9 Outros. Releva destacar que a aplicação como solvente na indústria cosmética, imagino, anula a possibilidade de enquadramento nos itens 2710.19.2 e 2710.19.3. Nem se trata de um combustível, nem pode ser considerado um lubrificante. Outro ponto relevante, é o fato de que, segundo a Resolução nº 4/82, mais precisamente no quadro de especificações que a resume1, dentre as características que definem o enquadramento do produto como querosene está o ponto de fulgor (40º). Ora, se tal aspecto já seria suficiente para rejeitar a classificação no item 2710.19.1 e os itens 2710.19.2 e 2710.19.3 seriam rejeitados pela aplicação do produto, me parece não haver dúvidas de que o único item possível é o 2710.19.9. Dentre seus desdobramentos, também me parece não haver de dúvidas de que o subitem correto é o 2710.19.91. Recordese que a própria recorrente afirmou que o ISOPAR é um óleo técnico mineral branco. 2710.19.9 Outros 2710.19.91 Óleos minerais brancos (óleos de vaselina ou de parafina) 2710.19.92 Líquidos para transmissões hidráulicas 2710.19.93 Óleos para isolamento elétrico 2710.19.99 Outros Ex 01 Óleos parcialmente refinados Ex 02 Óleos para lamparina de mecha ("signaloil") Nessa linha, também não vejo como atribuir ao Fisco a responsabilidade pelo custeio dos exames laboratoriais nem muito menos como designar nova instituição, ou ainda determinar que os honorários sejam fixados segundo a norma que disciplina a assistência técnica no curso do despacho. Com relação a esse ponto, cabe relembrar o que diz o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972 (destaquei): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Tomando tal comando como referência, é possível concluir que, se a exigência fiscal estiver suficientemente fundamentada, compete ao sujeito passivo trazer ao processo elementos que infirmem os fundamentos da autuação. 1 Trecho à fl. 69 (numeração digital) ou 57 (numeração manual) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/200381 Acórdão n.º 3102001.778 S3C1T2 Fl. 251 7 Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10920.002810/2005-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos suplementares, sob pena de negativa do pleito, sendo que a apresentação conjunta de DIPJ, DCTF e DARF de recolhimento são suficientes para provar a existência do crédito.
COMPENSAÇÃO. CINCO MAIS CINCO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05.
O Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.908-7/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO.
Devem ser considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos (STJ - Recurso Repetitivo). Sujeitam-se a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15,§ 1º, inciso III, alínea a da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1803-001.458
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos suplementares, sob pena de negativa do pleito, sendo que a apresentação conjunta de DIPJ, DCTF e DARF de recolhimento são suficientes para provar a existência do crédito. COMPENSAÇÃO. “CINCO MAIS CINCO”. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.9087/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da “vacatio legis” de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ Recurso Repetitivo). Sujeitamse a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15,§ 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 28 10 /2 00 5- 95 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 245 2 Recurso negado. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 246 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0620.786 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 215 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fls. 108 a 111, proferido pelo chefe da Saort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville, pelo qual foi declarado não formulado o pedido de restituição referente aos recolhimentos efetuados em 27.12.2000 e 28.12.2001 e indeferido o pedido de restituição relativo aos recolhimentos efetuados entre 28.2.1997 e 24.8. 2000. No tocante ao pedido de restituição não formulado, o interessado deixou de utilizar o programa PER/DCOMP para o pleito, em descumprimento ao art. 2°, IV, "c", da Instrução Normativa SRF n° 51712005. Incidiu, assim na hipótese prevista pelo art. 31 da IN SRF n° 46012404, o que levou a unidade de origem a considerar não formulado o pedido de restituição relativo aos recolhimentos efetuados em 27.12.2000 e 28.12.2001. O pedido de restituição abrangeu também outros recolhimentos, efetuados entre 28.2.1997 e 24.8.2000. Como a data do pedido de restituição é de 25.8.2005, a unidade de origem indeferiu o pleito sob o argumento de prescrição do direito do interessado, fundamentando a sua decisão no art. 168 da Lei n° 5.172166 e no art. 3° da Lei Complementar n° 11812005. Em 30.9.2005, o interessado foi cientificado daquela decisão (fl. 112) e, em 18.10.2005, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 113 às fls 34, com o seguinte teor: a) que deve ser aplicada a regra de contagem do prazo prescricional conhecida corno 5 + 5, ou seja, a de que o prazo da prescrição flui apenas quando decorridos os cinco anos da homologação tácita do lançamento; b) que o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 não deve retroagir a fatos anteriores à sua vigência, pois, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, essa retroatividade ofende o princípio constitucional da autonomia e da independência dos poderes; c) que efetuou pagamentos indevidos, pois calculara o imposto devido com base no coeficiente de presunção do lucro de 32%, enquanto que o percentual correto seria de apenas 8%; d) que o programa PER/DCOMP não foi utilizado para o pedido de restituição por apresentar vedações contrárias às determinações contidas na Lei nº. 9.784/99, especialmente a de impedir o contribuinte de demonstrar o fundamento jurídico que respalda o direito creditório informado; e) que faz jus ao direito à compensação”. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 247 4 A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 29/01/2009, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº 0620.786 entendendo “por unanimidade de votos, em conhecer da manifestação de inconformidade e indeferir a solicitação”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. O prazo para pleitear restituição/compensação de tributos, mesmo os sujeitos a lançamento por homologação, é de cinco anos e se conta do pagamento indevido seja qual for a sua causa, nos temos do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a apreciação, por autoridade julgadora da esfera administrativa, de arguição de inconstitucional idade de lei, por tratarse de matéria inserta na competência privativa do Poder Judiciário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO NÃO FORMULADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Não se aplica o rito processual previsto no Decreto n° 70.235/72 a recurso contra decisão que considerou não formulado o pedido de restituição nem a recurso contra a decisão que considerou não declarada a compensação, mas sim os preceitos gerais do processo administrativo estabelecidos pela Lei n° 9.784/99. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada”. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/02/2009, (AR constante das fls. 157) a VITAE CLINICA MATERNO INFANTIL LTDA., qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0620.786, recorreu em 18/03/2009 (158 e segs) a esse Conselho, objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da manifestação de inconformidade. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 248 5 Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA – Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Porém, tenho antes de adentrar no mérito da questão e constatar se a Recorrente possui ou não credito a ser restituído, vejo que trata de pedido de restituição (fls. 01), protocolado em 25/08/2005, conforme visto abaixo: O referido pedido teve em 27/09/2005 (fls 108 a 111 dos autos) o despacho decisório com a seguinte fundamentação: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 249 6 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 250 7 Tanto o despacho decisório acima, quanto a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 29/01/2009 e consubstanciada através do Acórdão nº 0620.786 estão na mesma linha do que decidiu o Superior Tribunal de Justiça, quando fixou entendimento de que o prazo de restituição dos tributos pagos no âmbito do regime de lançamento por homologação deveria ser contado, para os pedidos realizados após 9 de junho de 2005. Isso porque a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então, questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi julgada definitivamente pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral, reconhecida no RE nº 561.9087/RS, tendo ficado assentado o seguinte: “(...)1) Para as ações e pedidos de repetição realizados antes da vigência da lei complementar nº 118/05 (considerado, aqui, a vacatio legis de 120 dias da sua publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”; 2) Para as ações e pedidos de restituição realizados após a vigência da lei complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de cinco anos, contados do pagamento. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 251 8 Transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido” (Referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012). E, segundo consta do relatório do Despacho decisório a Recorrente solicitou, em 25/08/2005, “a restituição de recolhimentos de IRPJ além do devido, efetuados entre 28/02/1997 e 28/12/2001, uma vez que para apuração da base de cálculo do imposto foi aplicado o percentual de 32%, enquanto que a legislação lhe permite utilizar o percentual de 8%, pois presta serviços hospitalares”; ou seja, o pedido aconteceu já na vigência da Lei Complementar nº 118/05. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 252 9 Desta forma para os pagamentos realizados pela Recorrente nos exercícios de 1997, 1998, 1999 e até agosto 2000, estes foram alcançados pela decadência do direito de a Recorrente pleitear a restituição, isso porque, a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Neste sentido, é imperativo reconhecer a decadência do direito da Recorrente em pleitear qualquer restituição dos pagamentos realizados nos exercícios de 1997, 1998, 1999 e até agosto 2000, tendo em vista que a Recorrente não respeitou o prazo fixado por lei para o exercício de seu direito; assim, é incontestável que a Recorrente perdeu a possibilidade de exercêlo, pela sua inércia. Passando agora o para os pagamentos realizados em dezembro de 2000 e dezembro de 2001, totalizando R$ 17.416,26, equivalente a 23,16% (vinte e três vírgula dezesseis por cento) do montante apresentado pela Recorrente para ser restituído, observo que tal pedido é factível, tendo em vista a possibilidade de a Recorrente calcular o IRPJ e a CSLL utilizando a alíquota de presunção de 8% ao invés de 32%. Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com vários julgados dos ilustres Conselheiros Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch, aos quais rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão proferida no julgamento do processo nº. 18088.000151/200957 na sessão de janeiro de 2012, consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803001.204 da lavra do ilustre Conselheiro Walter Adolfo Maresch, a quem peço vênia para utilizar suas razões de decidir, “verbis”: “Trata o presente processo de lançamento de ofício contendo autos de infração IRPJ e CSLL relativos aos anos calendários 2004 e 2005, em virtude de diferença de alíquota em decorrência do não enquadramento da contribuinte na atividade de serviços hospitalares. Alega a recorrente em síntese: I Conhecer e dar total provimento do presente recurso para reformar a r. decisão recorrida e julgar a acusação totalmente improcedente, tendo em vista que além de preencher todos os requisitos regulamentares para a redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o referido benefício é atrelado a aspectos objetivos e não subjetivos, o que significa que, independente da existência de estrutura para internações e da forma empresarial, o prestador dos serviços elencados como médico hospitalares fazem jus à redução da base de cálculo. II – (...) Assiste razão à interessada. Com efeito, a matéria comportou tormentosa discussão nos colegiados julgadores administrativos e judiciais, tendendo hora para uma corrente que se atinha à determinadas exigências de equipamentos e instalações hora apenas em relação ao serviços destinados à promoção da saúde. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 253 10 Prevaleceu a segunda tese sendo que o Superior Tribunal de Justiça prolatou acórdão submetido ao regime do Art. 543C do CPC, com a seguinte ementa: ‘DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 254 11 benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido’. Nos embargos de declaração interpostos contra a decisão acima, foi deixado bem claro pelos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça que são serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, excluídas as consultas médicas. Não há nos autos qualquer elemento que possa sugerir a existência de consultas médicas nas receitas auferidas pela recorrente, sendo portanto válida a conclusão de que todo seu faturamento nos anos calendários 2004 e 2005, faz jus à alíquota de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL”. Desta forma entendo que a Recorrente não teria direito a calcular o Imposto de Renda da pessoa jurídica – IRPJ, utilizando alíquota de presunção de 8%, por não estar demonstrado a compatibilidade dos serviços por ela prestados e o que buscou abranger o art. 15 da Lei nº. 9.249/95, que foi consolidado pelos esclarecimentos trazidos à tona através da Lei nº 11.727/2008. Por isso, smj, não resta duvida que a Recorrente não tem o direito a restituição dos valores pagos uma vez que utilizou para apuração da base de cálculo do IRPJ o percentual de 32% e deveria utilizar o percentual de 8%, pois presta serviços hospitalares. Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendo a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 29/01/2009 e consubstanciada pelo Acórdão nº 0620.786, por não ficar demonstrado que a Recorrente teria direito a calcular o Imposto de Renda da pessoa jurídica – IRPJ, utilizando alíquota de presunção de 8%, pela incompatibilidade dos serviços por ela prestados e o que buscou abranger o art. 15 da Lei nº. 9.249/95 e também reconheço a decadência do direito da Recorrente em pleitear qualquer restituição dos pagamentos realizados nos exercícios de 1997, 1998, 1999 e até agosto 2000 (correspondente a 76,84% do crédito pleiteado, equivalente a R$ 57.771,94), tendo em vista que não foi respeitado, pela Recorrente, o prazo fixado por lei para o exercício de seu direito, Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/200595 Acórdão n.º 1803001.458 S1TE03 Fl. 255 12 perdendo assim a possibilidade de exercêlo, pela sua inércia; devendo a autoridade fiscal confirmar se os pagamentos realizados pela Recorrente em dezembro de 2000 e dezembro de 2001, totalizando R$ 17.416,26, ainda são passíveis de restituição ou compensação, excetuadas as simples consultas médicas. (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 15504.018695/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO. A penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias é aplicada em valor fixo que independe da quantidade elementos não informados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO. A penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias é aplicada em valor fixo que independe da quantidade elementos não informados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 86 95 /2 00 8- 48 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018695/200848 Acórdão n.º 2402004.666 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, nº 37.193.2289, lavrado por ter a empresa deixado de apresentar os livros solicitados pela fiscalização, descumprindo a obrigação acessória prevista no art. 33, parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91. Relatório Fiscal às fls. 08/14. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 41/43, instruída com as assinaturas de ambos os sócios da empresa às fls. 65/67, que restou improcedente às fls.79/87, sob os seguintes fundamentos: 1) Não procede a alegação do sujeito passivo de que a multa aplicada seria relativa, inclusive, ao fato de que não Mantém Escrituração Contábil e Fiscal em sistema eletrônico de dados; 2) O próprio impugnante admite à fl. 21que os livros solicitados não foram apresentados ao indicar como uma das razões a apreensão de vários documentos e livros que teria ocorrido durante o episódio do "mensalão”; 3) O contribuinte, apesar de alegar que consta no presente processo, recibo emitido pela Policia Federal que comprovaria a apreensão, inclusive, dos Livros Diário e Razão relativos ao ano de 2005, não juntou aos autos qualquer documento dessa natureza; 4) O valor da penalidade foi calculado conforme dispõe a Lei nº 8.212/91, artigos 92 e 102 c/c RPS, artigo 283, inciso II, alínea "j" e artigo 373. O valor mínimo foi atualizado de acordo com a Portaria MPS/MF nº 77/2008; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 99/101, alegando, em síntese: 1) A partir de julho de 2005, a Autuada deixou de faturar receitas e até mesmo exercer as suas atividades normais, uma vez que paralisada pelos episódios do “mensalão”. A partir da data citada, a SMPB ocupa apenas uma pequena sala em Belo Horizonte, além de não possuir quaisquer empregados; 2) Assim, a Autuada só não teve o seu CNPJ baixado pelo fato de possuir demandas administrativas e judiciais, alem de parcelamentos de débitos com o fisco. Mensalmente, contabiliza receitas residuais, em valor ínfimo, receitas estas que não a obrigariam a manter os seus registros contábeis e fiscais pelo sistema eletrônico de dados; 3) Assim que tiver quitado em definitivo as dívidas acima apontadas, pretendem os sócios da empresa alienála ou até mesmo encerrála, com a conseqüente baixa de seu CNPJ, uma vez que afastada das atividades de publicidade e propaganda; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4) A empresa teve boa parte de sua escrituração contábil e fiscal apreendida pelos diversos órgãos públicos federais que a fiscalizaram durante o episódio do mensalão, tais como, Polícia Federal, CPI dos Correios, Procuradoria da República etc., fato que a impediu de, até mesmo, fechar os anos calendários subseqüentes a 2005, do ponto de vista contábil, pela ausência de dados disponíveis para tal. Conta a comprovação do que foi aqui afirmado, consistente no recibo feito pela Polícia Federal do material apreendido ao interior da Autuada; 5) Considerando, portanto, que a empresa não teve nem deverá ter, a partir de julho de 2005, receitas em valor significativo, mas apenas valores residuais, uma vez que encontrase, desde então, absolutamente desativada e afastada das atividades relacionadas com a propaganda e a publicidade, não possuindo ademais quadro de funcionários, entende a Recorrente que está ela dispensada do cumprimento das normas relacionadas com a manutenção de um sistema eletrônico de dados previstas na Lei no. 8.212, de 24/07/91; 6) Foi informado ao digno Auditor Fiscal Federal encarregado da fiscalização, Sr. Zaiter Gomide Castanheira, que seria disponibilizado a ele, pela empresa, todos os documentos e livros em seu poder, permitindolhe fosse cumpria regularmente a auditoria fiscal, sem maiores tropeços ou falha. E assim realmente se fez, tanto que foram lavrados, ao final dos procedimentos fiscais, autos de infração que estão sendo impugnados regularmente naquela oportunidade; 7) Ora, se a empresa não aufere mais recursos significativos desde julho de 2005, tomase absolutamente despido de qualquer razoabilidade ou mesmo bom senso exigirlhe um sistema eletrônico sofisticado de escrituração de receitas. Além disso, o espírito da Lei Fiscal foi absolutamente cumprido, uma vez que a fiscalização não encontrou nenhuma dificuldade para lavrar o auto de infração com os dados e documentos disponibilizados pela recorrente; Por fim, a Recorrente requereu seja cancelada a exigência fiscal e afastada a multa, à vista da inexistência de receitas ou faturamentos quaisquer que tornem necessária tal exigência e considerando que não houve prejuízo para o fisco. Em 21/01/2010, após o retorno dos autos do processo n° 15504.018693/2008 59 e dos autos do processo n° 15504.018694/200801, baixados em diligência a DRJ, constatouse, por meio de consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que a Recorrente é reincidente, apesar de no Relatório Fiscal da Multa constar que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do RPS. Assim, considerandose que o sujeito passivo, em relação à autuação tratada no mencionado AI DEBCAD n.° 37.193.2289, é reincidente em infrações de mesmo tipo, o valor da multa que deveria ter sido aplicada é de R$ 36.646,31 (multa de R$ 12.548,77, agravada em três vezes). Face ao exposto, concluiuse em primeira instância que valor de multa lançado por meio do Auto de Infração ora em análise deveria ser mantido (R$ 12.548,77) conforme decisão colegiada contida no Acórdão n° 23.407. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018695/200848 Acórdão n.º 2402004.666 S2C4T2 Fl. 4 5 Determinouse que deve a DRF de origem ser cientificada para tomar as providencias cabíveis em relação ao valor de multa não lançado relativamente ao agravamento não aplicado em função da reincidência. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Quanto às alegações nele colocadas, passo à análise. Tratase de auto de infração de obrigação acessória lavrado em razão de o contribuinte ter deixado de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social. Foi aplicada multa no valor de R$12.548,77, sob fundamento de infração ao disposto no art. 33, parágrafos 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 232, e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Posteriormente, às fls. 57/57verso, o julgador de primeira instância apontou para o fato de que a Recorrente é reincidente na infração e aplicoulhe a penalidade com agravante nos termos do art. 292, IV, do Regulamento da Previdência. Pretende a Recorrente o cancelamento do auto de infração, sob alegação de que a ausência de entrega de informações à RFB independeu de sua vontade enquanto contribuinte, sendo decorrente das diversas fiscalizações a que fora submetida no período fiscalizado. Não merece guarida tal alegação. Os parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei n° 8.212/91 assim determinam: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018695/200848 Acórdão n.º 2402004.666 S2C4T2 Fl. 5 7 ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).” Já os artigos do Regulamento da Previdência Social dispõem: “Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário.” Ainda, Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: [...] IV – a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração , e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso. Assim, considerando que as irregularidades foram apuradas em processo de obrigação principal e que, apesar disso, a penalidade aplicada não é calculada com base no valor da obrigação principal verificada, não há que se falar em exclusão de multa. Mantenho, portanto, a multa aplicada. Conclusão Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e a ele NEGO provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 35138.000055/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
SALÁRIO INDIRETO - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
O PLR pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição.
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2301-003.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ensejadores da multa, até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto da Relatora; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator “ad hoc”. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à RecorRente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: Marcelo Oliveira- Relator ad hoc
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Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PLR pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103 A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ensejadores da multa, até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto da Relatora; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator “ad hoc”. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à RecorRente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente e Relator “ad hoc” (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior- Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.121 3 Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 26/09/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4 o , do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls 08), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, os pagamentos efetuados a segurados a seu serviço, a título de PLR, no período de 01/99 a 12/05. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação nº 11.401.4/0149/2007 (fls. 460), julgou a autuação procedente Inconformada com a decisão da autarquia previdenciária, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls.472), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, requer a reunião dos autos dos processos correspondentes à NFLD nº 37.026.097-0 (obrig. principal), AI no. 37.026.098-8 e AI n°. 37.026.099-6 (obrig. acessórias), com vistas a promover a economia processual e a celeridade de tramitação, bem como a unicidade de decisões dos recursos. Entende que não merece prosperar o crédito tributário decorrente da autuação em tela, uma vez que pautado em premissa de direito equivocada, especificamente em relação à indevida inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias e a terceiros, das parcelas destinadas pela Impugnante aos seus empregados a título de participação nos lucros ("PLR"), o que não constitui fato gerador da contribuição previdenciária. Discorre sobre a PLR tentando demonstrar que a incidência de contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros paga aos empregados entre janeiro de 1996 a dezembro de 2005, quando já existente a MP n°. 794/94 (assim como a própria Lei n°. 10.101/00), é indevida. Afirma que tanto a matriz quanto as filiais atenderam as condicionantes da lei, já que não só previram como estabeleceram critérios de viabilização dos pagamentos de PLR e o montante devido a cada um dos funcionários ali lotados. Observa que não há na Lei n°. 10.101/00 proibição de que o PLR seja pago em bases fixas, tal como ocorrido em oportunidades em certas filiais da Impugnante, o que apenas vem a demonstrar integral cumprimento ao disposto no art. 2° do referido normativo. Em contra-razões, a SRP manteve a decisão recorrida. Por meio da Resolução nº 2301-00.092, de 24/09/2010 (fls. 533), esta 1 a Turma decidiu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias do Relatório Fiscal e do recurso apresentado pela empresa no Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 processo que discute a Notificação 37.026.097-0, que lançou as contribuições incidentes sobre as remunerações cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela. Em resposta à solicitação feita pelo CARF, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte informa que o processo nº 35138.000056/2007-78, que discute a NFLD 37.026.097-0, encontra-se neste CARF, conforme sistema COMPROT. É o Relatório. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.122 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator “ad hoc” O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verifica-se que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.123 7 Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 26/09/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 29/09/2006, conforme AR de fls. 24. Dessa forma, considerando o exposto acima, constata-se que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências até 11/2000, inclusive. Para a competência 12/2000, a GFIP poderia ter sido apresentada em 01/2001, iniciando-se a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito. Verifica-se, dos documentos juntados aos autos, que a recorrente solicitou parcelamento da parte do débito não atingida pela decadência prevista no art. 150, § 4 o , do CTN (fls. 1.094). Todavia, conforme exposto acima, aplica-se ao caso presente a regra decadencial contida no art. 173, I, do CTN. Portanto, restaram no AI as competências compreendidas entre 12/2000 a 08/2001, que não foram atingidas pela decadência e nem foram objeto de parcelamento especial. Dessa forma, passo a análise das demais alegações trazidas pela recorrente em seu recurso. Preliminarmente, a autuada requer a reunião dos autos dos processos correspondentes à NFLD nº 37.026.097-0 (obrig. principal), AI no. 37.026.098-8 e AI n°. 37.026.099-6. De fato, verifica-se que as contribuições cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela, foram lançadas por meio da NFLD citada. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Porém, em consulta aos sistemas informatizados do CARF, constata-se que a referida NFLD já foi objeto de julgamento por esta Turma, que decidiu, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso interposto, para excluir, do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 12/2000 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Portanto, o julgamento do recurso interposto contra a decisão que manteve o AI lavrado por descumprimento da obrigação acessória está sendo julgado após o julgamento da NFLD que lançou a obrigação principal, não havendo prejuízo de qualquer natureza ao contribuinte. Assim, a matéria ora tratada, qual seja, o PLR pago pela empresa, já foi objeto de análise por esta Câmara, tendo esta Relatora sido designada redatora do voto vencedor. Reproduzo, a seguir, a ementa e a conclusão do voto vencedor, no processo35138.000056/2007-78, que discute a NFLD 37.026.097-0: Ementa: SALÁRIO INDIRETO – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.124 9 CONCLUSÃO: Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada Participação nos Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. E, como a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/99, a referida verba, paga pela notificada em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. Nesse sentido, Voto por CONHECER do recurso, e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/1996 a 12/2000, inclusive. É como voto. Assim, a matéria já foi apreciada por este Colegiado, que decidiu que o PLR pago pela recorrente possui natureza remuneratória. Nesse sentido, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximir-se de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Contudo, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6 o , da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Portanto, tratando-se o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, conclui-se que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do cálculo da multa aplicada, por decadência, as competências compreendidas entre 01/99 a 11/2000, inclusive, e para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Relator “ad hoc” Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.125 11 Voto Vencedor Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Redator designado Peço vênia para divergir dos ilustres pares quanto à retroatividade da multa. No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32-A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35-A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35-A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35-A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a multa seja calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Redator Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001263/2006-68
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002,2003
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002,2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 706 1 705 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001263/200668 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.639 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2015 Matéria IRPJ Recorrente ANARA TOURS VIAGENS E TURISMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002,2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tratase de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 63 /2 00 6- 68 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/200668 Acórdão n.º 1803002.639 S1TE03 Fl. 707 2 Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração para a formalização da exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo aos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2001 e 2002, no montante de R$ 707.145,28, incluídos os correspondentes encargos legais. A presente exigência resultou da constatação de omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos e/ou créditos efetuadas nos aludidos anoscalendário, em contas bancárias tituladas pela Fiscalizada nas instituições financeiras listadas (UNIBANCO, BRADESCO e Banco Safra), para o que a empresa foi intimada em mais de uma ocasião. De acordo com os Autos de Infração de fls. 354/362, 363/371 e 372/379, foram também exigidas, como lançamentos reflexos, as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridadé Social (COFINS), além da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos quais se constituiu o crédito tributário nos valores totais de R$ 67.541,21, R$ 311.730,30 e R$ 111.484,35, respectivamente. Devidamente cietificada do auto de infração, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação, requerendo a reunião dos presentes autos com os formalizados para as exigências relativas ao anocalendário de 2003 (em que a Contribuinte foi tributada na sistemática do SIMPLES), conjuntamente impugnadas nesta oportunidade, como medida de garantia da ampla defesa, economia e celeridade processual. Ainda, em sede de preliminar, argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar exigências do IRPJ e das contribuições sociais relativas a fatos geradores com apuração mensal ocorridos até junho de 2001, em razão de o crédito tributário já se achar extinto na data da autuação, devendo ser aplicada a norma contida no parágrafo 4% do artigo 150, do Código Tributário Nacional (CTN), conforme jurisprudência citada. Em ato continuo, a recorrente cita doutrina e jurisprudência na qual fundamenta a censura à motivação do Fisco para formalizar as exigências, alegando a impossibilidade de lançamento com base em meras presunções, correspondentes aos depósitos bancários não justificados. Aduz que esses depósitos por si só não constitutem fato gerador do imposto de renda e das contribuições sociais exigidas, posto faltaremlhe a característica essencial para qualificarem como disponibilidade jurídica ou econômica de renda, nos termos dos arts. 43 e 114 do CTN, além de contrariarem a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em parte. Aduz, quanto ao pedido de apreciação conjunta dos litígios como medida de garantia da ampla defesa, economia e celeridade processual que os pleitos não guardam qualquer relação com o exercício pleno de seu direito de defesa, pois este foi assegurado desde a intimação para pagamento ou impugnação das exigências formalizadas, ainda que em autos apartados, em decorrência de sua opção pela sistemática do Simples no ano calendario de 2003. Afere que a sistemtática do simples é regida por legislação própria, distinta da que disciplona o IRPJ e as suas contribuições sociais. Assim, afere que a única forma de atender o pedido formulado seria o de anexar cópia da impugnação conjunta por ela apresentada contra todas as exações, nos autos relacionados à exigência do SIMPLES (Proc. n° 19515.001264/200611), o que deve ter sido Fl. 707DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/200668 Acórdão n.º 1803002.639 S1TE03 Fl. 708 3 providenciado pela repartição de origem, pois os mesmos se encontram distribuídos à Primeira Turma de Julgamento da DRJ/SP I, desde 06//11/2007, conforme pesquisa no sistema COMPROT. No tocante à decadência, observa o julgador a quo a Súmula Vinculante n° 08, de 12/06/2008 (DOU de 20/06/2008), por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual resta determinado que a Administração não mais pode aplicar às contribuições para a seguridade social, o prazo decadencial de dez anos previsto no artigo 45, da Lei n° 8.212, de 1991, por força do que dispõe o artigo 2°, da Lei no 11.417, de 19/12/2006. Assim, aquelas exações passam a ser disciplinadas, quanto à matéria, pelos artigos 150 e 173, ambos do CTN. Dessa forma, estando consolidado o entendimento de que o lançamento do IRPJ (e, como vimos, da CSLL) se opera por homologação, disciplinado no artigo 150, §4 do CTN, temse que a recorrente optando, no ano calendário de 2001, pela tributação com base no lucro presumido e questionando a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos até junho de 2001, acarreta no alcance os dois primeitos trimestres. Isso porque a autuação foi cientificada em 03/07/2006, ou seja, a exigência somente foi formalizada após o transcurso de cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos gerados, para os quais foi declarado imposto devido e efetuados os respectivos recolhimentos, conforme pesquisa no sistema SINAL08, 1 RPE (CONSULTA PAGAMENTO), fls. 626 a 629. Assim, os aludidos períodos de apuração já haviam sido alcançado pelo prazo extintivo do direito em questão, não havendo como deixar de admitir a tese da defesa, de que os lançamentos do IRPJ e da CSLL não podem prevalecer quanto àqueles períodos, posto que na data da lavratura do AI, se achava decaído o direito de constituir o crédito tributário, a teor do que dispõe o artigo 150, § 4% do CTN. Neste ponto, o julgador acatou a preliminar de decadência, quanto aos primeiro e segundo trimestre de 2001. No tocante às contribuições para o PIS e COFINS, o julgador a quo afere que, relativamente aos fatos geradores mensais ocorridos anteriormente a julho de 2001e em face de pesquisa ao sistema SINAL08, fls. 630 a 636, a recorrente não recolheu aquelas exações para todos os períodos de apuração, somente tendo efetuado pagamentos concernentes aos seguintes fatos geradores: a) PIS código 8109: janeiro, abril e junho de 2001; b) COFINS código 2172: janeiro, março, abril e junho de 2001; Salienta que no período questionado pela recorrente, observase que a empresa não efetuou qualquer recolhimento da Contribuição para o PIS relativamente aos fatos geradores ocorridos em fevereiro, março e maio de 2001, e no caso da COFINS, constatouse a falta de pagamento quanto aos períodos de apuração de fevereiro e maio de 2001. E, em não havendo pagamento efetuado pela recorrente, o disciplinamento do instituto da decadência passa a ser regido pelo inciso I, do art. 173 do CTN. Cita doutrina nesse sentido. Quanto à presunção legal que autoriza a utilização dos recursos movimentados em contas bancárias para a formalização de exigências tributárias, entende o julgador que a prsunção de receita omitida em decorrência da falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contas bancárias se acha plenamente autorizada pela legislação de regência, que também autoriza a inversão do ônus da prova do fato arrolado na autuação. Em outras palavras, imputa à recorrente provar que aqueles recursos não resultaram de receitas Fl. 708DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/200668 Acórdão n.º 1803002.639 S1TE03 Fl. 709 4 tributáveis subtraídas ao acrivo do imposto, o que não ocorreu por ocasião do procedimento fiscal. Tece, a decisão precedente, considerações a respeito das normas legais, questionamentos de ilegalidade e inconstitucionalidade, bem como da impossibilidade da administração tecer posicionamentos em questões pertinentes exclusivamente ao Poder Judiciário. Assim as ponderações a respeito da legalidade ou não da presunção e da inversão do ônus da prova devem ser alavancadas na seara do poder judicária. Refuta a jurisprudência carreadas aos autos pela recorrente. Devidamente cientificada da decisão proferida pela primeira instância em 23.03.2009, a empresa recorrente apresenta em 22.04.2009 suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que a relatora original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de junho de 2009. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos vinte e cinco dias do mês de março do ano de dois mil e quinze, às nove horas, Pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, Sala 306, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ROBERTO ARMOND FERREIRA DA SILVA, RICARDO DIEFENTHAELER, FERNANDO FERREIRA CASTELLANI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES Processo: 19515.001263/200668 Recorrente: ANARA TOURS VIAGENS E TURISMO LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803002.639 Decisão: Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 709DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/200668 Acórdão n.º 1803002.639 S1TE03 Fl. 710 5 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Tratase, o presente feito, de auto de infração de IRPJ, relativo aos anos calendários de 2001 e 2002entes aos anoscalendário de 2001 e 2002 e lançamentos reflexos de PIS e COFINS, além da CSLL, incluídos os correspondentes encargos legais. A presente exigência resultou da constatação de omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de depósitos e/ou créditos efetuadas nos aludidos anoscalendário, em contas bancárias tituladas pela Fiscalizada nas instituições financeiras listadas (UNIBANCO, BRADESCO e Banco Safra), para o que a empresa foi intimada em mais de uma ocasião. A decisão a quo enfrentou as questões de decadência, não havendo que se abordar no presente momento, face ao fato de ter sido acatada e com a qual concordamos integralmente. Ainda, a empresa recorrente requer a nulidade do auto de infração pela imposição omissão de rendimentos por depósitos bancário de origem não identificada não subsumirse na hipótese de incidência disciplinada no art.43 do CTN. E, por fim arguiu a inconstitucionalidade e ilegalidade de algumas normas do ordenamento pátrio. Da preliminar de Nulidade do auto de infração por ferir o artigo 5º, da Carta Magna Passo a dirimir as questões de constitucionalidades, alegadas pela recorrente, aduzindo que essa esfera administrativa não é competente para enfrentar o tema, posto que discussões desse porte, quais sejam, constitucionalidades de leis ou mesmo de artigos de leis são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Assim, certo de que somente o Poder Judiciário pode manifestarse sobre aplicação da constitucionalidade de uma norma, a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete apenas aplicar as leis em vigor dentro do nosso ordenamento pátrio. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: Fl. 710DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/200668 Acórdão n.º 1803002.639 S1TE03 Fl. 711 6 “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Mérito No tocante ao mérito, relativo à parte que foi devolvida para apreciação a este colegiado, já desconsiderando a decadência acatada, entendo que não assiste razão à recorrente. Isso porque a autuação disposta no art. 42 da Lei 9.430/96, qual seja: omissão de receita por depósitos bancários de origem não identificada, implica em uma inversão do ônus da prova, ou seja, cumpre à empresa recorrente comprovar a origem dos valores, com identidade de data e valor, através de documentação hábil e idônea. Temse que no caso em tela, a empresa foi intimada por diversas vezes para apresentar as justificativas das origens dos valores depositados em suas contas. Ocorre que apresentar justificativa não diz respeito apenas a informar, mas sim necessário e imprescindível se faz que junte ao feito documentos hábeis e idôneos que dêem respaldo ao alegado, o que no caso não ocorreu. Entendo que a empresa não logrou juntar documentos pertinentes e limitouse a referir que os valores transitaram pela sua conta bancária, mas por se tratar de uma agência de turismo coerente entender que é de prache da atividade o tramites de valores pela conta corrente. Importa salientar que a norma determina a justificativa com identidade de data e valor, bem como através de documentação hábil e idônea. De igual modo, a alegação de que partes dos valores depositados era oriundos das contas dos sócios, necessário se faz comprovar a relação de depósitos com as saídas dos numerários das contas dos sócios há época. Ocorre que em nenhum momento a empresa recorrente tras essa relação, referindo que os valores que saíram das contas dos sócios ingressaram nas contas das empresa, com identidade de data e valor. Por essa razão, entendo que a simples alegação, desacompanhada das provas necessárias não cancela o lançamento. E quanto à discussão a respeito da presunção, disposta na norma, temse que a omissão de rendimentos por depósitos bancários é considerada, dentro do ordenamento jurídico pátrio, uma presunção, necessitando de sua comprovação. Ocorre que essa comprovação, em se tratando de depósitos bancários, invertese, devendo a recorrente demonstrar, com identidade de data e valor, a origem dos valores, tal como referido acima. Ademais, ainda que se trate de uma presunção, de igual modo cumpre à empresa, interessada em demonstrar que não se encontrar em situação de devedora dos seus tributos, comprovar que os depósitos não se tratavam de renda omitida, já que a norma nesse caso específico determina a inversão em favor da fiscalização, impondo a conduta demonstrativa à recorrente, tal com já referido. Nesse sentido, importa citar jurisprudência corroborando o entendimento: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO. É regular o procedimento de fiscalização que verifica incompatibilidade entre os registros efetuados no Livro Caixa do Fl. 711DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/200668 Acórdão n.º 1803002.639 S1TE03 Fl. 712 7 contribuinte, e aqueles informados ao fisco, e a movimentação financeira espelhada nos extratos bancários. Em constatando relevante disparidade e não justificando, o contribuinte, a origem dos créditos bancários, especificamente, é lícito proceder ao lançamento por presunção de receita omitida, com Mero no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. DEPÓSITO BANCÁRIO. PROVA. Não pode o contribuinte, pessoa jurídica, pretender que se admita, para provar a origem dos créditos bancários individualizados, o total do rendimento bruto do sócio, informado em DIRPF, sem provar, com documentação hábil, a efetiva transferência de valores nas datas dos créditos. (Processo n. 11543.003273/200427, Acórdão: 19100.079, Ministério da Fazenda, 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Turma Especial, 29.01.2009, Relatora Ana de Barros Fernandes)” Do julgamento em conjunto A empresa requer que o presente feito seja julgado em conjuntamnete com o processo adminsitrativo que versa sobre o ano calendário de 2003. Ocorre que no ano calendário de 2003 a sistemática de apuração da empresa se perfez pelo Simples enquanto no presente feito a opção realizada foi pelo Lucro Presumido. Ademais a unificação dos dois processos não possui respaldo legal e tão pouco causará problemas à empresa o julgamento individual de cada feito. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 712DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10880.006861/00-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
IRRF. COMPOSIÇÃO.
O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies.
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.
Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda e da CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido
Numero da decisão: 1401-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ - ano-calendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ - ano-calendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Mozart Barreto Vianna e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda e da CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ anocalendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ anocalendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 68 61 /0 0- 89 Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 2 (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Mozart Barreto Vianna e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/0089 Acórdão n.º 1401001.370 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 576579: Em 05/05/2000, a contribuinte protocolizou, junto à CAC/LUZ, pedido de RESTITUIÇÃO (fls. 01), cumulado aos pleitos de COMPENSAÇÃO de fls. 02/05 e 168/420, objetivando o aproveitamento de saldo negativo da CSLL e do IRPJ, relativos aos anoscalendário de 1998 e 1999, no valor de R$ 24.129.026,83, com vistas à quitação de débitos diversos. Em 13/11/2003, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 742/749), DEFERINDO EM PARTE o pedido da contribuinte nos seguintes valores: IRPJ de R$ 7.192.727,99 do anocalendário de 1998 e R$ 11.038.286,71 para o ano calendário de 1999 e CSLL de R$ 2.342.717,43 do ano calendário de 1999. O indeferimento, de parte do valor da restituição, deuse pelos seguintes motivos: • CSLL: compensação efetuada a maior (crédito de R$ 674.662,56 e débito de R$ 745.636,78, restando saldo a pagar de R$ 4.367,00); • Para o IRPJ, a diferença apurada entre a pleiteante e a autoridade fiscal, originouse de compensações efetuadas a maior. A interessada utilizouse de saldos negativos de exercícios anteriores (anoscalendário de 1996 e 1997) para compensação de IRPJ de períodos posteriores (anoscalendário de 1998 e 1999); • Para o anocalendário de 1996, não houve apuração de saldo negativo para o IRPJ, conforme constatado pela autoridade fiscal (fls.640 e 744) em seu Despacho Decisório; • Já no anocalendário de 1997, a contribuinte apurou saldo negativo de R$ 271.463,14, no entanto, a autoridade fiscal desqualificou o resultado apresentado na declaração de rendimentos sob a alegação de que o IRRF dedutível (referentes aos anoscalendário de 1996 e 1997) acrescido do recolhimento por estimativa (DARF de R$ 113.477,46) não foram suficientes para gerar crédito a favor da interessada (f1.744/745); • A contribuinte apresentou informe de rendimentos os quais totalizaram R$ 1.618.024,12 (fls.6481650) sendo que no Sistema IRF/CONS da SRF somente consta declarado R$ 446.753,98 para o anocalendário de 1997 (fls.673/674). Dessa forma, o litígio remonta ao remanescente de crédito no valor total de R$ 3.555.294,70 em valores atualizados. Em Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 4 montantes originais, extraídos das DIPJ's dos anoscalendário de 1998 e 1999, temos: tributo/período em R$ (valores originais) CSLL do anocalendário de 1998 4.367,00 CSLL do anocalendário de 1999 3.516,75 IRPJ do anocaledário de 1998 2.087.015,63 IRPJ do anocaledário de 1999 544.903,43 A interessada teve ciência do Despacho Decisório em 20/01/2004 (fl. 1.038 verso) e dela recorreu a esta DRJ em 19/02/2004 (fls. 1.054/1.063). As alegações expostas pela impugnante são resumidas a seguir. • Basta a apresentação dos comprovantes de rendimentos para a requerente ter direito às deduções do IRRF, independente, portanto, da entrega das DIRF's pelas entidades retentoras do tributo; • Foram apresentados todos os comprovantes de rendimentos dos anoscalendário de 1996/1999, os quais correspondem a R$ 819.846,53, R$ 1.618.024,12, R$ 10.105.351,08 e R$ 9.800.440,45, respectivamente; • Alega que houve equívoco, por parte da autoridade fiscal, em relação às compensações de fls.675/677 e 720/722, as quais não foram aplicadas a taxa SELIC. Por exemplo, para a compensação do débito de 05/1999, deveria ter sido aplicada a SELIC acumulada de 01 a 04/1999 acrescido de 1% de maio. O mesmo raciocínio aplicase à compensação do débito do PA de 06/1999, o qual deverá ser ajustada com a SELIC no percentual de 2,02% (acumulado de maio e junho de 1999, ou seja, subtraindose 1% referente àquele e acrescido de 1% para este); • Incoerente a aplicação da taxa SELIC a partir de 04/1999, sendo que o correto seria a sua incidência a partir de janeiro. O presente processo foi objeto de Diligência Fiscal visando averiguar as divergências apontadas pela interessada e a apuração efetuada pela autoridade fiscal em relação ao IRRF dedutível do anocalendário de 1997. Foi requerida à Fiscalização a verificação dos seguintes pontos: • Informe o montante do IRRF dedutivel, para fins de cálculo do IR devido do anocalendário de 1997; • Informe se os valores dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível (receitas financeiras) foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc) para o anocalendário de 1997. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/0089 Acórdão n.º 1401001.370 S1C4T1 Fl. 4 5 Em resposta à diligência solicitada por esta Delegacia de Julgamento foi exarado relatório fiscal de fls.1.560/1.563, cujas conclusões são resumidas a seguir: • A contribuinte teve um IRRF dedutível apurado durante o ano calendário de 1997 de R$ 446.753,90; • Os rendimentos auferidos totalizaram R$ 1.618.024,12. Novo pedido de diligência foi proferido em 05/09/2008 (fls.15 para a confirmação da recepção das DIRF apresentadas pela contribuinte de fls.1 /1.557. Em resposta ao pedido de diligência foi elaborado pela Derat/SPO relatório de fl.1.573 em que são confirmados os dados constantes nas DIRF de fls.1.555/1.557 (IRRF de R$ 1.616.327,67). A 7ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, não homologou a compensação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 1575): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no períodobase. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda e da CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 17/03/2010 (fls. 1589, verso), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 15901622 em 15/04/2010, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase de manifestação de inconformidade. Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 6 Em relação ao crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1996, a Recorrente afirmou que, por equívoco, não declarou na DIPJ 1997 o IR retido durante o respectivo anocalendário, no valor de R$ 819.846,49. Alegou, outrossim, que tal equívoco não lhe retira o direito à utilização dos valores efetivamente retidos. Em sessão realizada em 03 de agosto de 2011, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência, para que a autoridade competente da unidade de origem esclarecesse os seguintes pontos controversos: a) Informe o montante do IRRF passível de dedução, para fins de cálculo do IR devido do anocalendário de 1996 (abstendose de qualquer consideração acerca do prazo decadencial para solicitar tal dedução); b) Informe se os valores dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc) para o anocalendário de 1996; c) Elabore relatório conclusivo, informando se o valor do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1996 (considerando o montante do IRRF passível de dedução no aludido anocalendário) seria suficiente para compensar estimativas de IRPJ do anocalendário de 1999, no montante de R$ 150.403,72 (v. quadro constante do acórdão recorrido, fls. 1.583); d) Dê ciência a contribuinte concedendolhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei n° 9.784/99. Em atendimento a esta solicitação de diligência, foi apresentada a informação fiscal de fls. 19301932. Ao final da referida informação fiscal, assim concluiu a autoridade diligenciante (grifado): Foi efetuado o sistema online SAPO, às fls. 1.925 a 1.929, a fim de se verificar se o saldo negativo apurado no ano calendário de 1996 (R$ 819.850,53) era suficiente para compensar os débitos de estimativas efetuados pelo contribuinte (fl. 1.507). Conforme fl.1.927 foi possível se compensar a estimativa de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 150.403,72. Cientificada da referida informação fiscal, a recorrente apresentou petição nos seguintes termos (fls. não numeradas, grifado): Instada a se manifestar sobre o resultado da diligência a Requerente apresenta esta petição para concordar com as respostas da d. autoridade fiscal, já que corroboraram com suas razões de recurso, assim como ratifica neste momento todos os demais argumentos acompanhados de provas que esclareceram as divergências constantes da decisão da DRJ [...] É o relatório. Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/0089 Acórdão n.º 1401001.370 S1C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. IRPJ Anocalendário de 1998 A controvérsia relativa ao IRPJ do anocalendário de 1998 foi devidamente dirimida por meio de diligência, que foi determinada pela DRJ São Paulo I, em sede de manifestação de inconformidade. A decisão de piso analisou da seguinte forma o resultado da aludida diligência, fls. 15811582: A autoridade fiscal e a contribuinte apuraram os seguintes valores de IRPJ: anocalendário de 1998 RFB Contribuinte Ficha 13 valor em R$ fls. valor em R$ fls. IR devido 890.401,25 660 890.401,25 500 linha 13 – IRRF 7.866.346,02 660 7.876.909,40 500 linha 16 Estimativa 2.254.951,57 660 2.254.951,57 500 SALDO 9.230.896,34 660 9.241.459,72 500 Como se observa na tabela acima, a divergência, entre os valores reconhecidos pela autoridade fiscal e os apurados pela contribuinte, está no quantitativo de IRRF dedutível na linha 13 da Ficha 13. A apuração do montante de IRRF dedutível na DIPJ foi objeto de diligência fiscal (fls.656/666). No relatório fiscal, elaborado ela autoridade fiscal, houve o reconhecimento de IRRF dedutível de R$ 10.121.297,59 com base na análise na documentação apresentada pela interessada e nos sistemas da RFB, dos quais R$ 2.274.400,63 foi deduzido na linha 16 da Ficha 13 (Estimativas mensais) e R$ 7.866.346,02 na linha 13 referente à dedução anual. Com relação à diferença constatada na linha 13 da ficha 13 da DIPJ/1999 de R$ 10.563,38, o relatório fiscal de fl.659 diz que o valor de R$ 618,81 não foi reconhecido pela própria requerente e quanto ao montante de R$ 7.060,83 (f1.659), não logrou êxito na comprovação de sua existência. Portanto, em relação aos mencionados quantitativos, não há o que se alterar o apurado no Despacho Decisório. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 8 Quanto à diferença de R$ 2.883,74 (R$ 10.563,38 — R$ 618,81 — R$ 7.060,83), a contribuinte nada apresentou para comprovar a referida diferença, apenas alegando que todos os documentos comprobatórios foram apresentados nos autos. Do exposto, nada a ser alterado em relação ao anocalendário de 1998. Em sua peça recursal, a recorrente apresentou as seguintes alegações, fls. 16701672: No que tange aos valores de R$ 618,81 e R$ 2.883,74 (itens "a" e "c" do segundo parágrafo acima), que perfazem um montante total de R$ 3.502,55, resta demonstrado por meio de cópia autenticada do Informe de Rendimentos (DOC. 08) juntada ao presente recurso, que o IRRF questionado encontrase suportado por documento comprobatório idôneo, sendo o mesmo bastante e suficiente para comprovar a retenção de valores pela respectiva fonte pagadora. Ademais, dispõe o r. Acórdão ora recorrido que, não bastaria somente a apresentação dos comprovantes de rendimento para a Recorrente ter direito às pretendidas deduções de IRRF na DIPJ, pois, apenas com a tributação dos rendimentos de capital ou aplicações financeiras poderia o contribuinte deduzir o IRRF na DIPJ. Assim sendo, a receita auferida pela Recorrente submetida à retenção do imposto de renda pela fonte pagadora e que, conseqüentemente, gerou IRRF dedutível da apuração anual do IRPJ referente ao anocalendário de 1998 no montante de R$ 3.502,55, foi declarada na linha 23 — "Outras Receitas Financeiras", da Ficha 07 — "Demonstração do Resultado", da DIPJ exercício 1999, anocalendário 1998 (DOC. 09). Convém destacar que, na linha 23 da Ficha 07 acima mencionada foi declarado o valor de R$ 29.475.266,95, em cuja composição encontrase o valor correspondente à "remuneração de riscos econômicos (prêmio)" no montante de R$ 1.385.759,86, contabilizado na conta contábil interna número 442800 (DOC. 10), conforme se verifica na planilha de composição de "Outras Receitas Financeiras" (DOC. 11). O valor de R$ 1.385.759,86, por sua vez, é composto por montantes auferidos pela Recorrente a título de "comissão RCA" de diversos clientes, dentre eles, a Fleming Graphus Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, antiga denominação da J.P. Morgan Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A., inscrita no CNPJ sob número 32.588.139/000194, no valor de R$ 233.503,53 (DOC. 12), cujo IRRF correspondente é de R$ 3.502,55 destacado em amarelo. No que tange ao valor de R$ 7.060,83 (item "b" do segundo parágrafo da página 08), parte dele, no montante de R$ 2.951,45, corresponde ao imposto de renda retido na fonte sobre remuneração paga pela Bradesco S.A. Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, inscrita no CNPJ sob n 2. 61.855.045/0001 32, no montante bruto de R$ 196.763,11, referente à Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/0089 Acórdão n.º 1401001.370 S1C4T1 Fl. 6 9 participação nos riscos econômicos decorrentes do Contrato na Fonte — das fontes pagadoras, as quais comprovariam as retenções da totalidade do IRRF deduzido. Analisandose os elementos constantes dos autos, constato que assiste razão à recorrente no que tange aos valores de R$ 618,81 e R$ 2.883,74, uma vez comprovada a retenção dos aludidos valores, bem como o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes. Assiste, também, razão à recorrente em relação ao valor de R$ 2.951,45 (parte do valor de R$ 7.060,83), posto que em relação a esta parcela a contribuinte também logrou comprovar a efetiva retenção. Assim sendo, em relação ao anocalendário de 1998, devemos refazer o demonstrativo de apuração dos valores de IRPJ, conforme quadro abaixo: anocalendário de 1998 Antigo Novo Ficha 13 valor em R$ fls. valor em R$ fls. IR devido 890.401,25 660 890.401,25 500 linha 13 – IRRF 7.866.346,02 660 7.872.800,02 500 linha 16 Estimativa 2.254.951,57 660 2.254.951,57 500 SALDO 9.230.896,34 660 9.237.350,34 500 IRPJ Anocalendário de 1999 Em função do resultado da diligência determinada por esta Turma de Julgamento, devemos refazer o demonstrativo de apuração dos valores de IRPJ, conforme quadro abaixo: anocalendário de 1999 Anterior Novo Ficha valor em R$ fls. valor em R$ fls. IR devido 745 461 linha 13 – IRRF 6.801.213,83 745 6.801.213,83 461 Linha 16 Estimativa 4.237.072,88 745 4.387.476,60 461 SALDO 11.038.286,71 745 11.188.690,43 461 A diferença entre os dois demonstrativos, no valor de R$ 150.403,72, refere se ao valor da compensação com saldo negativo do anocalendário de 1996, o qual resultou Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS 10 validada através da informação fiscal de fls. 19301932, de onde se extrai o seguinte trecho (grifado): Foi efetuado o sistema online SAPO, às fls. 1.925 a 1.929, a fim de se verificar se o saldo negativo apurado no ano calendário de 1996 (R$ 819.850,53) era suficiente para compensar os débitos de estimativas efetuados pelo contribuinte (fl. 1.507). Conforme fl.1.927 foi possível se compensar a estimativa de IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 150.403,72. Cientificada da referida informação fiscal, a recorrente apresentou petição nos seguintes termos (fls. não numeradas, grifado): Instada a se manifestar sobre o resultado da diligência a Requerente apresenta esta petição para concordar com as respostas da d. autoridade fiscal, já que corroboraram com suas razões de recurso, [...] No que tange às demais alegações da recorrente relativas ao IRPJ deste ano calendário, considero que todas as alegações trazidas pela contribuinte em sua peça recursal já foram ampla e devidamente analisadas por ocasião da decisão de piso. Em relação a tais alegações, portanto, adoto as razões de decidir constantes da decisão recorrida. Tais razões, para todos os fins, devem ser consideradas parte integrante do presente voto. Diante do exposto, julgo que em relação ao IRPJ do anocalendário de 1999, devese dar provimento parcial ao recurso voluntário, conforme quadro demonstrativo acima apresentado. CSLL – Anoscalendário 1998 e 1999 Em relação ao CSLL, nada de inovador ou relevante foi apresentado pela recorrente visando comprovar as parcelas controversas dos saldos negativos. Mantenho, portanto, o que restou decidido pelo colegiado julgador a quo. Devem as razões constante da decisão de piso, para todos os fins, ser consideradas como parte integrante do presente voto. Taxa SELIC No que tange à taxa SELIC, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes da decisão de piso, fls. 16581659: A contribuinte faz questionamentos referentes ao Critério de aplicação da taxa SELIC para a atualização de seus créditos, o qual acabou por prejudicar a aferição de seu direito creditório. Ressaltase que a autoridade fiscal procedeu de forma correta ao efetuar a correção dos créditos pela taxa SELIC, conforme manda a legislação de regência (Lei n° 9.430/96 e Lei n° 9.249/95). [...] Portanto, para fins de aplicação da taxa SELIC aos saldos negativos do anocalendário findo até 1999, a valoração possui como termo inicial o mês de abril, sendo somente sendo Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/0089 Acórdão n.º 1401001.370 S1C4T1 Fl. 7 11 incidente a SELIC, a partir de janeiro do ano subseqüente, para os saldos negativos apurados a partir do anocalendário de 2000. Correto, pelas razões expostas, a valoração pela taxa SELIC efetuada pela autoridade fiscal para atualização dos saldos negativos dos períodos ora analisados. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ – anocalendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ – anocalendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43 (conforme diligência de fls. 19301932). (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001535/2003-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo.
Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 15 35 /2 00 3- 38 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF acrescido de multa de oficio, qualificada, e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário lançado de R$ 648.107,06 (seiscentos e quarenta e oito mil, cento e sete reais e seis centavos). A contribuinte interpôs impugnação em que foi negado provimento pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (RJ), Acórdão 1212.508, de 30 de novembro de 2006. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, julgado parcialmente provido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que rejeitou as preliminares da recorrente e no mérito deram provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto, Acórdão 10423.608, de 06 de novembro de 2008. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 1998 PAGAMENTO EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA: ARTIGO 61 DA LEI N° 8.981, DE 1995 CARACTERIZAÇÃO A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. LANÇAMENTO DE OFICIO MULTA QUALIFICADA SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS INAPLICABILIDADE A simples apuração de omissão de Fl. 886DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11543.001535/200338 Acórdão n.º 9202003.609 CSRFT2 Fl. 7 3 receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14, publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006). Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional, ciente do Acórdão nº 10423.608, no dia 10/03/2009, interpôs Recurso Especial em 11/03/2009, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em Recurso Especial, a Fazenda Nacional apresentou o paradigma que segue: Acórdão nº 10247.317 LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa razão não se submete ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incide de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Os dispositivos da Lei Complementar n° 105/01, por serem normas adjetivas, devem observar o disposto no artigo 144, § 1° do Código Tributário Nacional. IRRF PAGAMENTO SEM CAUSA OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Está sujeito à incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a terceiros, quando não for comprovado a operação ou a sua causa. FRAUDE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto ou da contribuição, de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150%. Recurso negado. No pedido, requereu o conhecimento do Recurso Especial e seu provimento para reestabelecer a multa de 150%. Em 16/10/2009, o Despacho 104157.345 da Câmara Superior de Recursos Fiscais dá seguimento ao Recurso Especial. Em 26/11/2009, o contribuinte apresenta pedido de desistência do litígio (fl. 46), com o objetivo de aderir ao parcelamento especial previsto pela Lei 11.941/2009. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Transferiuse então para o parcelamento especial todo o crédito tributário controlado pelo presente processo, acompanhado da multa de ofício de 75%, conforme definido pelo Acórdão 10423.608 do Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Sendo tempestivo e demonstrada a divergência, CONHEÇO do Recurso Especial Consta dos autos que em 26/11/2009, a contribuinte apresentou pedido de desistência do processo, como o objetivo de aderir ao parcelamento especial previsto na Lei 11.941/2009. Assim transferiuse para o parcelamento especial todo o credito tributário controlado pelo presente processo, acompanhado da multa de ofício de 75%, conforme definido pelo Acórdão 10423.608 do Conselho de Contribuintes. Como restam incontroversos os fatos geradores e tendo em vista que a confissão [adesão ao parcelamento] ocorreu antes do julgamento do Recurso Voluntário, entendo que afastado o decisum recorrido, pois a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado. Tratandose de parcelamento com confissão irretratável e irrevogável de dívida, aplicase ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria/MF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009, e 586, de 2011),que dispõe o seguinte,com os destaques cabíveis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Dessa forma, entendo que deva ser restabelecida a exigência fiscal, com a conseguinte definitividade do lançamento. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11543.001535/200338 Acórdão n.º 9202003.609 CSRFT2 Fl. 8 5 DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto pela PGFN, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, devendo ser restabelecido em sua integralidade o crédito lançado. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 889DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11020.001102/2005-43
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.230
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora EDITADO EM: 09/01/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Tratase de Auto de Infração (fls. 06/13) para constituição de crédito de IPI, relativo a diferencial de alíquota apurado pela Fiscalização, em virtude de divergência entre a classificação fiscal de mercadoria, adotada pela Recorrente e a aplicada pelo Fisco. O valor total do lançamento é R$ 2.573.213,48 e referese ao período de 10/09/2003 a 31/12/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 01 10 2/ 20 05 -4 3 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.001102/200543 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.230 S3C3T2 Fl. 11 2 Segundo Relatório da Auditoria Fiscal (fls. 64/74) a divergência está no fato de que a Recorrente classifica seus produtos – fitas de borda de PVC, ABS e PP – nas classificações 3916.20.00; 3916.90.90 e 3916.90.90 (respectivamente), enquanto a autoridade fiscal entende que tais produtos devem ser classificados nas posições 3920.49.00; 3920.30.00 e 3920.20.00. A divergência, portanto, está entre a adoção da posição 3916 (que se refere a perfis), então sujeita à alíquota de 10% do IPI, ou da posição 3920 (que se refere a tiras), sujeita à alíquota de 15%: “3916 Monofilamentos cuja maior dimensão do corte transversal seja superior a 1mm (monofios), varas, bastões e perfis, mesmo trabalhados à superfície mas sem qualquer outro trabalho, de plásticos. 3920 – Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas, não estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias.” A justificativa apresentada pela Recorrente – ainda no curso da fiscalização (fls. 358/361), para classificar seus produtos na posição 3916 reside no fato de que os produtos são produzidos por processo industrial de extrusão, que é característico de tal posição. Ressalta, ainda, que classifica seus produtos como “perfis” em razão da descrição constante da Nota 8 do Capítulo 39 que assim estabelece: “(...)Todavia, com exclusão destes últimos, os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis.” Ainda segundo seu entendimento, não pode ser adotada a classificação apontada pela fiscalização, pois seus produtos não podem ser qualificados como chapas, folhas, películas, tiras ou lâminas (a que se referem a posição 3920). Ao contrário, o processo de extrusão (típico dos perfis, segundo notas apontadas pela Recorrente), definido como “um processo produtivo a partir do qual a matériaprima (no caso, o plástico) é inserida em equipamento (máquina extrusora) apto a transformála, a partir de uma "passagem forçada" (ou orifício) em peça alongada, continua.”, transforma a matéria prima utilizada pela Recorrente em perfis alongados e contínuos, que, portanto, lhe definem. Os produtos da posição 3920, por outro lado, se caracterizariam por produtos resultantes de processo distinto de extrusão, resultando em um corte da matéria prima (que são as tiras) e que, contudo, não se confundem com as fitas de borda produzidas pela Recorrente – que são resultado do processo de extrusão que não as recorta ou fragmenta, mas produz uma “fita” alongada e contínua (a ser aplicada como proteção de móveis). O Fisco, por sua vez, entende que a classificação adequada seria na posição 3920 porque os produtos teriam as características apontadas na referida posição, em especial: “são de plástico não alveolar (PVC, ABS, PP), não reforçados, não estratificados e não associados a outras matérias”. Intimada da lavratura do Auto de Infração a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 366/376), manejando sua defesa nos seguintes termos: A funcionalidade das “fitas de borda” (denominação meramente comercial, pois mantém características técnicas dos perfis e não das tiras em que o Fisco pretende classificá Fl. 648DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.001102/200543 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.230 S3C3T2 Fl. 12 3 las), comercializadas pela Recorrente, é de proporcionar acabamento a chapas de madeiras (para indústria de móveis); O processo de extrusão (processo no qual um material, quente ou frio, como metal ou plástico, é forçado através do cabeçote, para produzir uma peça contínua, no formato do produto desejado) é o adotado na produção da Recorrente, e este processo caracteriza a produção de perfis, conforme própria definição do termo (constante na TIPI); Aponta notas da NESH para a posição 3916, que a define como sendo aquela aplicável aos perfis, que são produzidos por meio de operação única de extrusão: “(...) perfis. Estes produtos são obtidos em comprimentos indeterminados numa única operação (em Remi, extrusão), e apresentam, de uma extremidade à outra, uma seção transversal constante ou repetitiva."; Reitera que a classificação mais adequada para seus produtos é no código 3916, eis que “(i) são constituídos de material plástico; (ii) obtidos em uma única operação, geralmente através de processo de extrusão e (iii) em comprimentos indeterminados, apresentando, de uma extremidade à outra, uma seção transversal constante ou repetitiva.”; Ressalta que a pretendida classificação de seus produtos como “tiras”, realizada pela autoridade fiscal, não é adequada porque “as tiras são materiais obtidos pelo processo de laminagem ou por corte de folhas, totalmente distinto do processo de extrusão, sendo, portanto, a diferença primordial entre os produtos mencionados: enquanto os perfis advém de uma única operação (geralmente extrusão), as tiras são obtidas através de um descontínuo processo de fabricação, baseado no corte ou laminagem.”; Apresenta laudos técnicos e pareceres que comprovam a adequação da classificação fiscal por ela adotada e requer o cancelamento integral do lançamento. A DRJ manteve o lançamento (fls. 536/540), indeferindo a Impugnação, essencialmente por entender que os produtos comercializados pela Recorrente se classificam como fitas (na posição 3920) porque são planos e esta é uma característica de tiras e não de perfis. Sobreveio o Recurso Voluntário da Recorrente (fls. 550/561), no qual reiterou os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma integral da decisão proferida pela DRJ. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O primeiro dos argumentos apresentados pela Recorrente para defender a classificação de seus produtos na posição 3916 é o de que tais produtos se caracterizariam como perfis por serem fabricados através do processo de extrusão. Cita, em sua defesa nota explicativa da NESH e traz, para corroborar seu entendimento, Laudo Técnico (fls. 397 a 409 vol. III), emitido por Theragon Engenharia, Avaliações e Perícias Ltda., e Parecer Técnico para Enquadramento de Produto (fls. 453 a 462 vol. III), emitido por Vendrame Consultores Fl. 649DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.001102/200543 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.230 S3C3T2 Fl. 13 4 Associados. Ainda, em sua defesa, a Recorrente trouxe à colação Parecer do INT – Instituto Nacional de Tecnologia. Inicialmente, constatase que a fiscalização não se manifestou acerca do Parecer do INT, posto que foi apresentado em momento posterior à Impugnação. Neste sentido, em prol da verdade material, para que a prova documental seja aceita, mister se faz que as autoridades administrativas competentes sejam cientificadas do referido parecer, oportunidade em que poderão contestar suas conclusões, se o caso. Outro ponto relevante, é que a Recorrente argumenta em seu favor que utilizou o procedimento de extrusão e que, portanto, não há outra opção de enquadramento de seu produto que não em “perfis”. Neste aspecto, a questão que se mostra relevante é esclarecer qual foi o critério utilizado pela fiscalização para a classificação do produto, foi o emprego do método de extrusão? Em outras palavras: restou demonstrado nos autos que o contribuinte utilizou o método de extrusão? No entender da fiscalização, o método empregado é conclusivo para a classificação do produto? Em vista das dúvidas apresentadas, outra opção não resta a esta relatora do que converter o presente processo em diligência para que as autoridades administrativas competentes: (a) manifestemse sobre o Parecer do INT – Instituto Nacional de Tecnologia; (b) responda: qual foi o critério utilizado pela fiscalização para a classificação do produto, foi o emprego do método de extrusão? restou demonstrado nos autos que o contribuinte utilizou o método de extrusão? no entender da fiscalização, o método empregado é conclusivo para a classificação do produto? (c) Após, o contribuinte deverá ser intimado da resposta da diligência, sendolhe concedido prazo de 30 dias para se manifestar. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2012 . (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 650DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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