Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5960301 #
Numero do processo: 11020.002796/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013.
Numero da decisão: 3301-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas votou pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo André Pierdoná, OAB/RS 35888. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fabia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 11020.002796/2009-60

anomes_publicacao_s : 201506

conteudo_id_s : 5474267

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 3301-002.653

nome_arquivo_s : Decisao_11020002796200960.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : MONICA ELISA DE LIMA

nome_arquivo_pdf_s : 11020002796200960_5474267.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Luiz Augusto Couto Chagas votou pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo André Pierdoná, OAB/RS 35888. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fabia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl.

dt_sessao_tdt : Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015

id : 5960301

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:23 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887586263040

conteudo_txt : Metadados => date: 2015-05-08T20:39:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-05-08T20:39:56Z; Last-Modified: 2015-05-08T20:39:56Z; dcterms:modified: 2015-05-08T20:39:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:5c5524b8-cc3e-4c83-92b0-cc79a275d1d7; Last-Save-Date: 2015-05-08T20:39:56Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-05-08T20:39:56Z; meta:save-date: 2015-05-08T20:39:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-05-08T20:39:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-05-08T20:39:56Z; created: 2015-05-08T20:39:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; Creation-Date: 2015-05-08T20:39:56Z; pdf:charsPerPage: 1957; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-05-08T20:39:56Z | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 6.284          1 6.283  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.002796/2009­60  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.653  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de março de 2015  Matéria  Restituição de Cofins  Recorrente  MOINHO DO NORDESTE S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE  COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF.  De  acordo  com  decisões  reiteradas  da  Administração  da  SRF,  no  período  entre  o  início  da  produção  de  efeitos  do  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004  (01/08/2004)  e  da  publicação  da  IN  SRF  nº  636/2006  (04/04/2006),  podem  ser  descontados  créditos  integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de  produção  agropecuária  e  que  correspondam  às  hipóteses  de  crédito  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003.  Soluções  de  Consulta  que  se  estendem  a  terceiros,  a  teor  do  artigo  9º  da  Instrução  Normativa  RFB  1.434,  de  30  de  dezembro de 2013.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  da  relatora.  O  conselheiro  Luiz  Augusto  Couto  Chagas votou pelas conclusões.   Fez  sustentação oral,  pela  recorrente,  o  advogado Marcelo André Pierdoná,  OAB/RS 35888.    RODRIGO DA COSTA PÔSSAS­ Presidente.     MÔNICA ELISA DE LIMA ­ Relatora.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 96 /2 00 9- 60 Fl. 6284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.285          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas,  Fabia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário em face do acórdão nº 01­20.841, de 22 de  fevereiro  de  2011,  proferido  pela  3ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Belém (PA).  Os  presentes  autos  estão  retornando  da  Delegacia  de  origem,  após  cumprimento  de  diligência  determinada  pela  Resolução  nº  3301­000.128,  desta  c.  Primeira  Turma, a partir de encaminhamento do Ilustre Relator Antônio Lisboa Cardoso, em sessão de  26 de janeiro de 2012.  Desta  forma,  colhe­se,  por  bem  ilustrar  os  acontecimentos,  o  conteúdo  do  Relatório elaborado já em sede de Recurso Voluntário (fls. 254 a 256). Transcreve­se:  Cuida­se de recurso em face da decisão que  indeferiu o pedido  de restituição de valores recolhidos a título de Cofins, nos anos  calendários 2004, 2005 e 2006, tendo em vista que a contribuinte  obteve  decisão  liminar  no  Mandado  de  Segurança  n°  2009.71.07.0032277,  para  que  os  Pedidos  Eletrônicos  de  Restituição(PER.)  arrolados  na  petição  inicial  fossem  processados no prazo máximo de 30 dias da ciência da decisão.  O acórdão recorrido é assim ementado:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Anos­calendário: 2004, 2005, 2006   RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR.  Em  se tratando de pedido de restituição/compensação o contribuinte  figura  como  titular  da  pretensão  e,  como  tal,  possui  o  ônus de  prova quanto ao fato constitutivo de seu direito.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido.”  De acordo com o acórdão recorrido, no presente processo foram  incluídos  também  os  PER  18513.57547.210708.12.044626  e  32977.88560.210708.1.2044715,  embora  não  estivessem  relacionados no Mandado de Segurança.  A Unidade de Origem verificou que a procedência dos alegados  pagamentos indevidos ou a maior da Cofins decorre do aumento  de  créditos de Cofins Não cumulativo Mercado  Interno  (art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002),  resultando  na  redução ou inexistência de débitos de Cofins.  Fl. 6285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.286          3 Os valores pleiteados não foram reconhecidos porque no regime  da não cumulatividade da Cofins,  o aproveitamento de  crédito,  para  dedução  do  valor  a  recolher  dentro  do  período  de  apuração,  é  uma  faculdade  do  sujeito  passivo  (...),  o  sujeito  passivo claramente deixou de exercer a opção facultada em lei e  que  a  "mera  retificação  do  Dacon  não  pode  ser  aceita  para  justificar  a  existência  de  indébito,  e,  por  conseqüência,  reconhecer o direito creditório almejado".  A  recorrente  alega  que  o  pagamento  a  maior  decorre  da  não  aplicação da  suspensão da exigibilidade da PIS/Pasep prevista  no art. 9º, da Lei 10.925/2004, no período entre a produção de  efeitos  da  lei  (01.08.2004)  e  a  publicação  da  IN  SRF  n°  636  (04.04.2006),  e  que  havia  providenciado  a  retificação  de  suas  DCTF e Dacon.  Todavia,  a  mesma  não  trouxe  aos  autos  documentação  que  demonstrasse  de  forma  inequívoca  o  seu  enquadramento  nos  dispositivos citados. Vale salientar que em se tratando de pedido  de restituição/compensação o contribuinte figura como titular da  pretensão  e,  como  tal,  possui  o  ônus  de  prova  quanto  ao  fato  constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo  possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis  e  idôneos,  a  existência  do  direito  creditório,  demonstrando,  notadamente  por  intermédio  de  sua  escrita  contábil  e  fiscal  e  respectiva  documentação  de  suporte,  que  o  pagamento  foi  realmente indevido.  Cientificada em 26/04/2011 (AR fl. 232), a recorrente protocolou  em 17/05/2011, o recurso voluntário de fls. 233/247, onde reitera  os  argumentos  constantes  de  sua  manifestação  de  inconformidade,  requerendo,  ao  final,  alternativamente,  a  realização  de  diligência  com  a  finalidade  de  comprovação  da  veracidade de suas declarações e argumentações.  É o relatório.    O  voto  condutor  do Dr. Antônio  Lisboa Cardoso  foi  proferido  no  seguinte  sentido, em resumo (fl. 256):  No  presente  processo,  estão  presentes  a  verossimilhança  das  alegações  da  contribuinte  e,  em  homenagem  aos  princípios  da  formalidade moderada e da  verdade real,  que devem nortear o  processo administrativo fiscal e, visto que o alegado pagamento  a  maior  seria  decorrente  da  não  aplicação  da  suspensão  da  exigibilidade  da  PIS/Pasep  prevista  no  art.  9º,  da  Lei  nº  10.925/2004,  no  período  entre  a  produção  de  efeitos  da  lei  (01.08.2004)  e  a  publicação  da  IN  SRF  n°  636  (04.04.2006),  tendo  sido  promovida  a  retificação  das  respectivas  DCTF  e  Dacon.  Desta  forma,  de  modo  a  evitar  eventual  enriquecimento  sem  causa  por  parte  do  fisco,  proponho  converter  o  julgamento  do  Fl. 6286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.287          4 presente  recurso  em diligência  a  fim  de  que  a DRF de  origem  cientifique  a  Recorrente,  para  que  no  prazo  de  trinta  dias  apresente os documentos julgados necessários ao confronto das  informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras.   Desta  forma,  o  i. Relator  propôs  diligência  a  fim  de que  a DRF de  origem  cientificasse  a  Recorrente,  para  que,  no  prazo  de  trinta  dias,  apresentasse  os  documentos  julgados  necessários  ao  confronto  das  informações  constantes  de  suas  DCTF  e  DACON  retificadoras.  Após  a  análise  dos  documentos,  o  AFRFB  deveria  elaborar  relatório,  pormenorizado  e  conclusivo  das  análises  levadas  a  efeito  e  do  seu  reflexo  nas  PER/Dcomp  apresentadas.  Na  sequência  a  Contribuinte  deveria  ser  intimada  para  que  apresentasse  manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência.  Como  resultado  da  diligência,  o Auditor  Fiscal  elaborou  o  relatório  de  fls.  6256 a 6266, mediante o qual, com base na Escrita da Contribuinte, aduz e conclui que:  Com  o  fim  de  verificar  a  forma  de  tributação  da  Cofins  das  compras  de  trigo  realizadas  no  período  em  questão,  todos  os  fornecedores de trigo listados pela interessada, com exceção dos  que  informaram  nas  próprias  notas  fiscais  que  a  venda  foi  realizada  com  suspensão  da  incidência  da  Cofins,  dos  produtores pessoa física e de empresa baixada, foram intimados  a  informar  se  as  vendas  de  trigo  foram  realizadas  com  a  suspensão da incidência da Cofins.  Abaixo  um  resumo  sobre  a  forma  de  tributação  das  vendas  realizadas pelos 103 fornecedores:  70 ­ vendas com suspensão;  9 ­ vendas tributadas;  7 ­ não responderam;  4 ­ vendas com alíquota zero;  4 – AR devolvido – sem informação;  3 – vendas realizadas por pessoa física;  1 – não recolheu;  1 – não informou;  1 – venda com não incidência;  1 – empresa baixada­sem informação;  1 – venda sem suspensão;  1 – venda sem retenção.  6.1.  A  origem  do  suposto  crédito  da  empresa  estariam  nessas  vendas, mas,  como  pode­se  verificar  desse  resumo,  apenas  dez  fornecedores (9 – vendas tributadas e 1 – venda sem suspensão)  Fl. 6287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.288          5 realizaram vendas com incidência da Cofins. Registre­se que (...)  a  Cooperativa  Tritícola  Panambi  Ltda,  CNPJ  nº  91.982.496/0001­00, que realizou diversas vendas, informou (fls.  6227) que as vendas foram realizadas com suspensão, mas com  a edição da Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, retificou  os Dacons considerando­as tributadas.  Pelos valores envolvidos na compra de trigo, seguramente  por  ocasião  da  negociação  com  os  fornecedores  a  interessada  sabia  se  a  operação  iria  realizar­se  com  suspensão ou não da incidência da Cofins, porque o custo  com a incidência seria um valor e sem outro.  Então, ela tinha que apurar o seu crédito conforme a forma  de  tributação adotada pelo  fornecedor. Registre­se, ainda,  neste  ponto,  que  seis  fornecedores  informaram  nas  próprias  Notas  Fiscais  que  as  vendas  estavam  sendo  realizadas com a suspensão da incidência da Cofins.  10. Por meio das intimações mencionadas no item 4, retro,  um  dos  fornecedores  encaminhou  junto  com  a  resposta  cópia  da  declaração  (fls.  6222),  abaixo  transcrita,  realizada pela interessada em 17 de novembro de 2005:  “MOINHO DO NORDESTE S/A, pessoa jurídica de direito  privado com sede na Av. dos Imigrantes, 105, na cidade de  Antônio  Prado,  Estado  RS,  inscrita  no  CNPJ  sob  nº  87.274.817/0001­36,  através  de  seu  representante  legal  infra­assinado, DECLARA,  sob  as  penas  da  lei  e  para  os  fins previstos no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 26 de julho  de  2004  (suspensão  do  PIS  da  Cofins  nas  aquisições  de  produtos  in  natura  de  origem  vegetal),  e  relativamente  a  sua  forma  de  tributação  pelo  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica, que é tributada com base no Lucro Real".  Com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636, de 4 de abril  de  2006,  a  interessada  alterou  a  forma  de  apuração  de  seus  créditos, sem levar em consideração, por ocasião da compra do  trigo,  se  a  operação  tinha  ocorrido  ou  não  com  tributação  da  Cofins.  Era  essencial,  para  que  ela  fizesse  o  crédito  integral,  que  a  Cofins  estivesse  sido  tributada.  Se  não  o  foi,  não  se  tem  como  admitir  o  crédito  integral,  ainda  mais  se  ela  própria  fez  declarações  para  os  fornecedores  venderem  o  produto  em  tela  com suspensão.  13. Em suma, pode­se afirmar que: se a operação da compra de  trigo realizou­se com suspensão da incidência da Cofins, utiliza­ se do crédito presumido; se efetivada com incidência, utiliza­se  do  crédito  integral.  Se  por  ocasião  das  compras  a  interessada  utilizou­se do benefício previsto no artigo 9º da Lei nº 10.925, de  2004  –  quer  dizer,  não  pagou  a  contribuição  ­  não  há  como  ampliar  o  seu  crédito  ­  a  não  ser  que  posteriormente  a  Fl. 6288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.289          6 tributação  não  realizada  inicialmente  seja  regularizada,  como  ocorreu  com  as  operações  realizadas  com  a  Cooperativa  Tritícola Panambi Ltda., CNPJ nº 91.982.496/0001­00.  14.  Sobre  as  compras  de  trigo  tributadas,  listadas  na  Tabela  constante do item 7, acima, a meu ver a interessada tem direito  ao crédito integral sobre as compras realizadas da Cooperativa  Tritícola Panambi Ltda., que  inicialmente vendeu o produto em  questão  com  suspensão  e  mais  adiante  retificou  os  Dacons  considerando  a  venda  tributada.  No  que  se  refere  as  demais  vendas  tributadas,  a  requerente  terá  direito  ao crédito  integral  desde  que  comprove  que  esse  crédito  não  foi  utilizado  inicialmente, (...).  (...),  após uma nova análise dos documentos apresentados pela  interessada em resposta à Intimação DRF/CXL/Seort nº 132, de  20  de  novembro  de  2012,  verificou­se  que  a  cópia  do  Razão  Analítico  –  Conta  Cofins  a  Compensar  Entrada  Estoques  ­  comprova que a requerente não utilizou o crédito integral sobre  as  demais  compras  tributadas  listadas  na  Tabela  constante  do  item 7 da mencionada  Informação, mas sim creditou­se apenas  do crédito presumido.  5. Dessa forma, a meu ver, a contribuinte tem direito ao crédito  apurado no  item 15  de  tal  Informação,  ou  seja, R$ 171.787,32  (cento e setenta e um mil, setecentos e oitenta e sete reais e trinta  e dois centavos).    Instada  a  se  manifestar,  a  Contribuinte,  em  fls.  6269  a  6276,  reitera  seu  pedido, e alega em adição:  Dessa forma, como a maioria dos fornecedores informou que não  submeteu  as  receitas  das  operações  à  tributação  da  referida  contribuição em virtude de  sua própria interpretação do art. 9º  da Lei 10.925/04, a Autoridade Tributária concluiu que, quanto  às  compras  de  trigo  em  relação  às  quais  não  houve  o  recolhimento  de  COFINS,  a  Recorrente  não  possui  direito  ao  crédito integral previsto no artigo 3º da Lei 10.833/03.  Vale  dizer,  a  Autoridade Tributária  entendeu  que  a Recorrente  deve  apurar  o  crédito  das  aquisições  de  trigo  efetuadas  entre  01.08.2004 e 31.03.2006 de acordo com a forma de tributação do  fornecedor,  pouco  importando  se  a  aplicação  da  suspensão  da incidência de COFINS sobre as referidas operações violou  a  legislação  e  as  inúmeras  orientações  expedidas  em  diversas  Soluções de Consultas da própria RFB.  De fato, para espanto da Recorrente, a Autoridade Tributária, ao  invés de examinar o direito ao crédito integral de Cofins oriundo  das  aquisições  no  período  à  luz  das  normas  aplicáveis  condicionou­o  a  vontade  dos  respect ivos   fornecedores,  mais   especif icamente  ao  modo  de  tributação  por  eles  adotado  em  cada  caso  (venda  com  suspensão,  tributada,  Fl. 6289DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.290          7 com  alíquota  zero,  com  não  incidência  etc.),  ainda  que  contra  legem.  A Autoridade Tributária asseverou, na hipótese, que se os  fornecedores  de  trigo  aplicaram  a  suspensão  antes  da  referida  data,  mesmo  que  indevidamente,  tal  situação  deveria  determinar  a  forma  de  apuração  do  crédito  da  Recorrente.  É incontroverso que a Recorrente possui o direito de restituição  dos valores objetos dos pedidos de restituição, pois, em relação  às  aquisições  de  trigo  efetuadas  entre  01.08.2004  e  31.03.2006  aproveitou,  na  época, equivocadamente o crédito  presumido previsto na Lei 10.925/04 (como se  fosse aplicável a  suspensão  em  exame),  ao  invés  de  utilizar  o  crédito  integral  a  que  fazia  jus,  recolhendo  aos  cofres  públicos,  a  titulo  de  COFINS, valores maiores do que as efetivamente devidos  As  vendas  realizadas  equivocadamente  com  suspensão  da  COFINS  pelos  fornecedores  da  Recorrente,  no  máximo,  podem  ser  revistas  com  o  Lançamento  de  eventual  crédito  tributário  contra  os  vendedores  em  razão  da  incidência  da  contribuição  nas  operações,  conforme,  inclusive,  destacado  na  Solução  de  Consulta  nº  126/2008.  A Recorrente retificou as DACONs originais para, em  lugar do  crédito  presumido,  aproveitar  o  crédito  integral  sobre  o  valor  dos  insumos  adquiridos,  em  observância  aos  procedimento  estabelecido no art. 11, da INSRF nº 590/2005. Da mesma forma,  em  atenção  ao  disposto  no  artigo  11,  da  INRFB  nº  786/2007,  retificou  as  DCTFs  informando  a  redução  de  COFINS  decorrente  da  utilização  do  crédito  integral  no  lugar  do  presumido.  Desse  modo,  como  os  débitos  declarados  nas  DCTFs  originais  referentes  ao  período  em  análise  (01.08.2004  a  31.03.2006)  já  haviam  sido  pagos  mediante  DARF,  configurou­se,  em  virtude  das  fundamentadas  retificações  dos  DACONs  e  das  DCTFs,  o  pagamento  a  maior  objeto  dos  pedidos de restituição vinculados ao feito. Cabe destacar que a  Receita Federal  do Brasil  reconhece,  pacificamente,  o  direito à  restituição em casos análogos.   A  Recorrente,  então,  traz  à  colação  Soluções  de  Consulta  que,  em  seu  entender, corroborariam seu entendimento:    SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 126 de 19 de Maio de 2008   9ª Região Fiscal  ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social ­ Cofins   Fl. 6290DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.291          8 EMENTA:  PERÍODO  DE  NÃO  APLICABILIDADE  DA  SUSPENSÃO.  DIREITO  A  CRÉDITO  INTEGRAL.  VENDAS  EFETUADAS  INDEVIDAMENTE  COM  SUSPENSÃO.  LANÇAMENTO  A  DÉBITO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  E  EVENTUAL  PAGAMENTO.  No  período  entre  a  publicação  da  Lei  nº  10.925/2004  (01/08/2004)  e  da  IN  SRF  nº  636/2006  (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos  aos  produtos  adquiridos  indevidamente  com  suspensão  e  que  correspondam  às  hipóteses  de  crédito  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/2003,  independentemente  da  regularidade  fiscal  do  fornecedor. As  vendas  efetuadas  indevidamente  com suspensão,  no  mesmo  período,  devem  ser  revistas,  com  o  lançamento  a  débito da COFINS e eventual pagamento do saldo devedor.    SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 214 de 01 de Junho de 2009   9ª Região Fiscal  ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social – Cofins.  EMENTA:  PERÍODO  DE  NÃO  APLICABILIDADE  DA  SUSPENSÃO.  DIREITO  A  CRÉDITO  INTEGRAL.  OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF.  No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei  nº  10.925/2004  (01/08/2004)  e  da  publicação  da  IN  SRF  nº  636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais  relativos  aos  produtos  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  e  de  cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às  hipóteses  de  crédito  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003.  É  possível  a  alteração  dos  créditos  descontados  nesse  período,  sendo  exigida  a  entrega  de  Dacons  e  DCTFs  retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a  compensação  com  outros  tributos  e  a  restituição,  bem  como  a  correção  pela  Selic  dos  valores  a  compensar  ou  a  restituir  em  relação  a  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  da  COFINS.  Descabe  a  compensação  com outros  tributos  e  o  ressarcimento  dos créditos da não­cumulatividade, exceto quando oriundos de  receita  de  exportação  ou  de  vendas  sujeitas  à  não  incidência,  isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe  a  correção  para  créditos  oriundos  da  sistemática  não­ cumulativa.  ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep   EMENTA:  PERÍODO  DE  NÃO  APLICABILIDADE  DA  SUSPENSÃO.  DIREITO  A  CRÉDITO  INTEGRAL.  OBRIGATORIEDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF.  No período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei  nº  10.925/2004  (01/08/2004)  e  da  publicação  da  IN  SRF  nº  636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais  relativos  aos  produtos  adquiridos  de  pessoas  jurídicas  e  de  cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às  hipóteses  de  crédito  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  Fl. 6291DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.292          9 10.833/2003.  É  possível  a  alteração  dos  créditos  descontados  nesse  período,  sendo  exigida  a  entrega  de  Dacons  e  DCTFs  retificadoras relativas ao período com créditos alterados. Cabe a  compensação  com  outros  tributos  e  a  restituição,  bem  como  a  correção  pela  Selic  dos  valores  a  compensar  ou  a  restituir  em  relação  a  pagamentos  indevidos  ou  a  maior  da  contribuição.  Descabe  a  compensação  com outros  tributos  e  o  ressarcimento  dos créditos da não­cumulatividade, exceto quando oriundos de  receita  de  exportação  ou  de  vendas  sujeitas  à  não  incidência,  isenção, suspensão ou alíquota zero. Em todos os casos, descabe  a  correção  para  créditos  oriundos  da  sistemática  não­ cumulativa.    Solução de Consulta n° 413 de 30 de Novembro de 2010  8ª RF  ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade  Social   EMENTA:  PRODUÇÃO  AGROPECUÁRIA.  SUSPENSÃO  DE  EXIGIBILIDADE.  A  suspensão  da  exigibilidade  da  Cofins,  prevista  no  art.  90  da  Lei  no  10.925,  de  2004,  dependia  do  estabelecimento de termos e condições de sua aplicação, o que se  deu somente com a edição da IN SRF no 636, de 2006, publicada  no DOU de 4 de abril de 2006, posteriormente revogada pela IN  SRF no 660, de 2006, somente a partir dessa data, 04.04.2006, é  que foi possível efetuar vendas com a referida suspensão.    Solução de Consulta n°. 57 de 14 de Julho de 2005  2ªRF  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  EMENTA:  SUSPENSÃO.  PENDÊNCIA  DE  REGULAMENTAÇÃO.  1  Enquanto  não  expedida  regulamentação  par  parte  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  encontra­se  inaplicável  a  suspensão da  incidência da Cofins prevista no art. 9° da Lei n°  10 .925, de 2004.    Solução de Consulta n°. 293 de 19 de Setembro de 2006  9ª RF  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  EMENTA: A suspensão da exigibilidade da Cofins, prevista no  art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004, dependia, nos termos do seu §  2°,  do  estabelecimento  de  termos  e  condições  da  sua  aplicabilidade, o que se deu somente através da IN SRF n° 636,  de  2006,  publicada  no  D.O.U.  de  4  de  abril  de  2006,  Fl. 6292DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.293          10 posteriormente revogada pela IN SRF n° 660, de 2006. Assim, as  vendas dos produtos agropecuários objeto do referido dispositivo  legal,  efetuadas  até  3  de  abril  de  2006,  submetiam­se  à  exigibilidade  da  contribuição,  por  não  aplicável  a  suspensão  aludida.    Solução de Consulta n° 39 de 04 de Abril de 2007  6ª RF  ASSUNTO:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  EMENTA:  SUSPENSÃO.  VENDAS  DE  PRODUTOS  AGROPECUÁRIOS  E  CREDITO  PRESUMIDO.  Enquanto  não  expedida  regulamentação  por  parte  da  Receita  Federal  do  Brasil,  encontrava­se  inaplicável  a  suspensão  da  incidência  da  Cofins  prevista  no  art.9°  da  Lei  n°  10.925,  de  2004.  A  regulamentação ocorreu com o advento da IN SRF n° 636, de 24  de marco de 2006, revogada pela IN SRF n° 660, de 17 de julho  de 2006.    É o Relatório.  Fl. 6293DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.294          11 Voto             Conselheira Mônica Elisa de Lima.   O Recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade;  portanto, dele conheço.  Trata­se de Pedidos de Restituição de  recolhimentos de Cofins, períodos de  apuração de agosto de 2004 a março de 2006, conforme discriminado na fl. 111 dos autos, no  valor de R$2.625.455,06. A Recorrente alega que os pagamentos a maior seriam decorrentes da  indevida  aplicação  da  suspensão  da  exigibilidade  da PIS/Pasep  prevista  no  art.  9º,  da Lei  nº  10.925/2004,  no  período  entre  a  produção  de  efeitos  da  mencionada  Lei  (01.08.2004)  e  a  publicação da IN SRF n° 636, de 04.04.2006.  Defende  a  Contribuinte  que,  em  virtude  da  não  aplicação  da  suspensão  da  incidência da Cofins, prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, entre agosto de 2004 e março de  2006,  o  trigo  adquirido  pela Empresa nesse  período  estava  sujeito  ao  pagamento  da  referida  Contribuição.  Isto  porque  a  suspensão  da  incidência  da  Cofins  sobre  o  trigo  estava  condicionada à regulamentação da matéria pela SRFB, o que só ocorreu com a publicação da  IN SRF nº 636, em 4 de abril de 2006, momento em que passou, então, a produzir efeitos a  mencionada suspensão.   O indébito seria decorrente do recolhimento da Cofins em valores maiores do  que deveria ter pago, pois, ao invés de utilizar crédito integral a que fazia jus, nos termos do art.  3º  da  Lei  nº  10.637/2002,  valeu­se  do  crédito  presumido  previsto  no  art.  8º  da  Lei  nº  10.925/2004.  Constatada  tal  situação,  retificou  os  Dacons  e  as  DCTFs  correspondentes;  deixando explícito seu direito creditório.  Nas  fls.  265  a  267,  a Recorrente  apresenta  demonstrativos  de Cofins  e  PIS  supostamente  recolhidos  a  maior,  decorrentes  do  confronto  entre  a  utilização  de  créditos  presumidos às alíquotas de 4,56% e 0,99%, e o crédito regular, às alíquotas de 7,6% e 1,65%.  256 a 258  Após cumprimento da diligência requestada por este Colegiado, a Autoridade  Fiscal  reconheceu o montante de recolhimentos a maior no valor de R$171.787,32, conforme  demonstrativo de apuração constante de fls. 6261 e 6262.   Tais recolhimentos dizem respeito a compras de trigo; sendo que, em relação  às compras com suspensão de Cofins, o AFRFB entendeu que devesse ser utilizado o crédito  presumido, no percentual de 4,56%; já nas compras efetivadas com incidência, utilizar­se­ia o  crédito integral.   A suspensão da Cofins dar­se­ia com base no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 23  de julho de 2004, cujo § 2º, incluído pela Lei nº 11.051, de 30.12.2004, que delegou à SRF a  regulamentação do benefício. Por sua vez, o crédito presumido tem fundamento no artigo 8º do  mesmo diploma, cabendo notar que o § 1º estendeu a possibilidade de creditamento também nas  aquisições feitas junto a pessoas jurídicas.  Fl. 6294DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.295          12 Importa,  desta  feita,  sublinhar  a  cronologia  da  aplicação  das  regras  de  suspensão e crédito presumido do PIS e da Cofins quando da aquisição de produtos vegetais,  por cerealistas, junto a pessoa jurídica agropecuária tributada com base no lucro real:    Lei nº 10.925, de 23.06.2004, publicada em 26.06.2004  Art.  8º As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas  nos  Capítulos  2  a  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  01.03,  01.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens  referidos no  inciso  II  do  caput do art.  3º  das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física.   §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:   I ­ cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar,  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,  todos da NCM;   II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e   II  ­  pessoa  jurídica  e  cooperativa  que  exerçam  atividades  agropecuárias.     § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º  deste  artigo  só  se  aplica  aos  bens  adquiridos  ou  recebidos,  no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do  art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003.   § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste  artigo  será  determinado mediante  aplicação,  sobre  o  valor  das  mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:   I ­ 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  para  os  produtos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  Fl. 6295DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.296          13 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de  óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e   II ­ 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das  Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro de 2003, para os demais produtos.   § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III  do § 1º deste artigo o aproveitamento:   I ­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;   II  ­  de  crédito  em  relação  às  receitas  de  vendas  efetuadas  com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.   § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e  o  §  1º  deste  artigo,  o  valor  das  aquisições  não  poderá  ser  superior  ao  que  vier  a  ser  fixado,  por  espécie  de  bem,  pela  Secretaria da Receita Federal.    Art.  9º A  incidência  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  fica  suspensa  na  hipótese  de  venda  dos  produtos  in  natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01  a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas  que  exerçam  cumulativamente  as  atividades  de  secar,  limpar,  padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por  pessoa  jurídica  e  por  cooperativa  que  exerçam  atividades  agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro  real,  nos  termos  e  condições  estabelecidas  pela  Secretaria  da  Receita Federal.      Art. 17. Produz efeitos:  III ­ a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º  desta Lei;    O  artigo  29,  da  Lei  nº  11.051,  de  29.12.2004,  publicada  em  30.12.2004  promoveu  algumas  alterações  nos  artigos  8º  e  9º  anteriormente  transcritos,  que  passaram  à  seguinte redação:  Lei nº 11.051/2004, publicada em 30.12.2004:  Art. 29. Os arts. 1º, 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho  de 2004 , passam a vigorar com a seguinte redação:   (...)  "Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  Fl. 6296DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.297          14 classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse  capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada  período  de  apuração,  crédito  presumido,  calculado  sobre  o  valor dos bens  referidos  no  inciso  II  do  caput  do art.  3º  das  Leis n os 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29  de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos  de cooperado pessoa física.   § 1º ............................................................................   ............................................................................   III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária.   ............................................................................   §  6º  Para  os  efeitos  do  caput  deste  artigo,  considera­se  produção,  em  relação  aos  produtos  classificados  no  código  09.01  da  NCM,  o  exercício  cumulativo  das  atividades  de  padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para  definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade  dos  grãos,  com  redução  dos  tipos  determinados  pela  classificação oficial.   §  7º  O  disposto  no  §  6º  deste  artigo  aplica­se  também  às  cooperativas que exerçam as atividades nele previstas." (NR)   "Art. 9º A  incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins fica suspensa no caso de venda:   I ­ de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta  Lei,  quando  efetuada  por  pessoas  jurídicas  referidas  no  mencionado inciso;   II  ­  de  leite  in  natura,  quando  efetuada  por  pessoa  jurídica  mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e   III  ­  de  insumos  destinados  à  produção  das  mercadorias  referidas  no  caput  do  art.  8º  desta Lei,  quando  efetuada  por  pessoa jurídica ou cooperativa referidas no  inciso III do § 1º  do mencionado artigo.   § 1º O disposto neste artigo:   I ­ aplica­se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa  jurídica tributada com base no lucro real; e   Fl. 6297DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.298          15 II ­ não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas  de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei.   §  2º  A  suspensão  de  que  trata  este  artigo  aplicar­se­á  nos  termos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da Receita  Federal ­ SRF." (NR)   Art.  33. A  Secretaria  da Receita Federal  ­  SRF  expedirá,  no  âmbito  da  sua  competência,  as  normas  necessárias  ao  cumprimento do disposto nesta Lei.     Art.  34.  Esta  Lei  entra  em  vigor  na  data  da  sua  publicação,  produzindo efeitos, em relação:   I – ao art. 7º, a partir de 1º de novembro de 2004;   II – aos arts. 9º, 10 e 11, a partir do 1º  (primeiro) dia do 4º  (quarto) mês subseqüente ao de sua publicação;   III – aos demais artigos, a partir da data da sua publicação.     Ou seja,  apesar de as normas originárias  referentes à suspensão e ao crédito  presumido, artigos 8º e 9º, produzirem efeitos a partir de 1º de agosto de 2004 e as alterações  promovidas nesses artigos, a partir de 30.12.2004, existia uma pendência regulamentar; norma  esta a ser emitida pela SRF, que não o fez logo em seguida à edição das Leis, mas cerca de dois  anos depois, já em 2006.  Nesse ínterim, foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 22 de  dezembro  de  2015,  dispondo,  entre  outras  coisas,  sobre  o  crédito  presumido  de  que  trata  o  artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004. Assim:  Ato  Declaratório  Interpretativo  SRF  nº 15, de 22  de  dezembro  de 2005 (Publicado(a) no DOU de 26/12/2005, seção , pág. 32)   Dispõe sobre o crédito presumido de que trata a Lei nº 10.925, de  2004,  arts.  8º  e  15,  e  sobre  o  crédito  relativo  à  aquisição  de  embalagens, de que trata a Lei nº 10.833, de 2003, art. 51, §§ 3º  e 4º.   O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição  que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da  Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30,  de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto na Lei nº  10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 3º e art. 5º, § 1º, inciso  II, e § 2º, na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 6º, §  2º, e art. 51, §§ 3º e 4º, Lei nº 10.925, de 23 de  julho de 2004,  arts. 8º e 15, e da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, art. 16, e  o que consta do processo nº 10168.004233/2005­45, declara:   Fl. 6298DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.299          16 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de  2004,  arts.  8º  e 15,  somente  pode  ser  utilizado  para  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins)  apuradas  no  regime de incidência não­cumulativa.   Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode  ser objeto de  compensação ou de  ressarcimento,  de que  trata a  Lei  nº  10.637,  de  2002,  art.  5º,  §  1º,  inciso  II,  e  §  2º,  a  Lei  nº  10.833, de 2003, art. 6º, § 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116,  de 2005, art. 16.   Art.  3º O  valor  do  crédito  relativo  à  aquisição  de  embalagens,  previsto na Lei nº 10.833, de 2003, art. 51, §§ 3º e 4º, não pode  ser  objeto  de  ressarcimento,  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de  2002, art. 5º, § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, § 2º, e a Lei  nº 11.116, de 2005, art. 16.    A regulamentação prevista no artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 só ocorreu com  a  edição  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  636,  de  24  de  março  de  2006,  posteriormente  derrogada pela Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006; havendo esta última  explicitado,  no  inciso  I  de  seu  art.  11,  que  a  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições  entraria em vigor a partir do dia 4 de abril de 2006, data da publicação da IN SRF nº 636/2006.   Abaixo,  apresenta­se quadro  comparativo das mencionas  INSRF,  tendo  sido  selecionados os trechos relativos à suspensão, ao crédito presumido e à produção temporal dos  efeitos de cada norma:  INSRF  636,  de  24  de  março  de  2006,  publicada em 4 de abril de 2006  INSRF 660, de 17 de  julho de 2004, publicada  em 25, de julho de 2006  Da Suspensão da Exigibilidade das  Contribuições   Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da  Contribuição para o PIS/Pasep e da  Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre  a receita bruta decorrente da venda:     I ­ efetuada por cerealista, de produtos in  natura de origem vegetal classificados na  Tabela de Incidência do Imposto sobre  Produtos Industrializados (Tipi) sob os  códigos:   a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos  1006.20 e 1006.30;   b) 12.01 e 18.01;   II ­ de leite in natura, quando efetuada por  pessoa jurídica que exerça  cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel;   Dos produtos vendidos com suspensão     Art. 2 º Fica suspensa a exigibilidade da  Contribuição para o PIS/Pasep e da  Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a  receita bruta decorrente da venda:     I ­ de produtos in natura de origem vegetal,  classificados na Nomenclatura Comum do  Mercosul (NCM) nos códigos:   a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos  1006.20 e 1006.30;   b) 12.01 e 18.01;     II ­ de leite in natura ;     III ­ de produto in natura de origem vegetal  destinado à elaboração de mercadorias  classificadas no código 22.04, da NCM; e   Fl. 6299DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.300          17   III ­ de produtos agropecuários, quando  efetuada por pessoa jurídica que exerça  atividade agropecuária ou por cooperativa  de produção agropecuária; e     IV ­ efetuada por pessoa jurídica que  exerça atividade agrícola ou por  cooperativa de produção agropecuária, de  produto in natura de origem vegetal  destinado à elaboração de mercadorias  classificadas no código 22.04, da Tipi.     § 1º Para os efeitos deste artigo, entende­se  por:   I ­ cerealista, a pessoa jurídica que exerça  cumulativamente as atividades de limpar,  padronizar, armazenar e comercializar  produtos in natura de origem vegetal;   II ­ atividade agropecuária, a atividade  econômica de cultivo da terra e/ou de  criação de peixes, aves e outros animais,  nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12  de abril de 1990; e   III ­ cooperativa de produção agropecuária,  a sociedade cooperativa que exerça a  atividade de comercialização da produção  de seus associados, podendo também  realizar o beneficiamento dessa produção.   § 2º A suspensão de que trata este artigo  alcança somente as vendas efetuadas à  pessoa jurídica agroindustrial de que trata o  art. 3º.   § 3º A pessoa jurídica adquirente dos  produtos deverá comprovar a adoção do  regime de tributação pelo lucro real  mediante apresentação, perante a pessoa  jurídica vendedora, de declaração  firmada pelo sócio, acionista ou  representante legal da pessoa jurídica  adquirente.   § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que  tratam os incisos I a IV do caput o  aproveitamento de créditos referentes à  incidência não­cumulativa da Contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins, quando  decorrentes de aquisição de insumos  relativos aos produtos agropecuários  vendidos com suspensão da exigência  dessas contribuições.     IV ­ de produtos agropecuários a serem  utilizados como insumo na fabricação dos  produtos relacionados no inciso I do art. 5 º .     § 1 º Para a aplicação da suspensão de que trata  o caput , devem ser observadas as disposições  dos arts. 3 º e 4 º .     § 2 º Nas notas fiscais relativas às vendas  efetuadas com suspensão, deve constar a  expressão "Venda efetuada com suspensão  da Contribuição para o PIS/PASEP e da  COFINS", com especificação do dispositivo  legal correspondente  .   Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com  suspensão   Art. 3 º A suspensão de exigibilidade das  contribuições, na forma do art. 2 º , alcança  somente as vendas efetuadas por pessoa  jurídica:   I ­ cerealista, no caso dos produtos referidos no  inciso I do art. 2 º ;   II ­ que exerça cumulativamente as atividades  de transporte, resfriamento e venda a granel, no  caso do produto referido no inciso II do art. 2 º ;  e   III ­ que exerça atividade agropecuária ou por  cooperativa de produção agropecuária, no caso  dos produtos de que tratam os incisos III e IV  do art. 2 º .   § 1 º Para os efeitos deste artigo, entende­se por:   I ­ cerealista, a pessoa jurídica que exerça  cumulativamente as atividades de limpar,  padronizar, armazenar e comercializar produtos  in natura de origem vegetal relacionados no  inciso I do art. 2 º ;   II ­ atividade agropecuária, a atividade  econômica de cultivo da terra e/ou de criação de  peixes, aves e outros animais, nos termos do art.  2 º da Lei n º 8.023, de 12 de abril de 1990; e   III ­ cooperativa de produção agropecuária, a  sociedade cooperativa que exerça a atividade de  comercialização da produção de seus  associados, podendo também realizar o  beneficiamento dessa produção.   § 2 º Conforme determinação do inciso II do § 4  º do art. 8 º e do § 4 º do art. 15 da Lei n º  10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou  Fl. 6300DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.301          18   que exerça as atividades de transporte,  resfriamento e venda a granel de leite in natura ,  ou que exerça atividade agropecuária e a  cooperativa de produção agropecuária, de que  tratam os incisos I a III do caput , deverão  estornar os créditos referentes à incidência não­ cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e  da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos  insumos utilizados nos produtos agropecuários  vendidos com suspensão da exigência das  contribuições na forma do art. 2 º .   § 3 º No caso de algum produto relacionado no  art. 2 º também ser objeto de redução a zero das  alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica  de que trata o art. 4 º prevalecerá o regime de  suspensão, inclusive com a aplicação do § 2 º  deste artigo.     Das condições de aplicação da suspensão   Art. 4º Aplica­se a suspensão de que trata o art.  2º somente na hipótese de, cumulativamente, o  adquirente:     I ­ apurar o imposto de renda com base no lucro  real;   II ­ exercer atividade agroindustrial na forma do  art. 6 º ; e   III ­ utilizar o produto adquirido com suspensão  como insumo na fabricação de produtos de que  tratam os incisos I e II do art. 5 º .     § 1º Para os efeitos deste artigo as pessoas  jurídicas vendedoras relacionadas nos incisos I  a III do caput do art. 3º deverão exigir, e as  pessoas jurídicas adquirentes deverão fornecer:  I ­ a Declaração do Anexo I , no caso do  adquirente que apure o imposto de renda  com base no lucro real; ou   II ­ a Declaração do Anexo II , nos demais  casos.   § 2º Aplica­se o disposto no § 1º mesmo no  caso em que a pessoa jurídica adquirente não  exerça atividade agroindustrial.  Do Direito ao Desconto de Créditos  Presumidos     Art. 3º A pessoa jurídica agroindustrial que  apure o imposto de renda com base no  lucro real, inclusive a sociedade  Do Crédito Presumido   Do direito ao desconto de créditos  presumidos     Art. 5 º A pessoa jurídica que exerça atividade  agroindustrial, na determinação do valor da  Fl. 6301DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.302          19 cooperativa que exerça atividade  agroindustrial, na determinação do valor da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  a pagar podem descontar créditos  presumidos calculados sobre o valor dos  produtos agropecuários utilizados como  insumos na fabricação de produtos  destinados à alimentação humana ou  animal.   § 1º Para os efeitos deste artigo, entende­se  por pessoa jurídica agroindustrial, ou  sociedade cooperativa que exerça atividade  agroindustrial, a pessoa jurídica que:   I ­ exerça a atividade econômica de  industrialização de produto agropecuário,  observado o disposto no inciso V do art. 2º  da Lei nº 8.023, de 1990, produzindo  mercadorias destinadas à alimentação  humana ou animal, classificadas na Tipi:   a) nos capítulos 2 e 3, exceto os produtos  vivos deste capítulo;   b) nos capítulos 4, 8 a 12, 15, 16 e 23;   c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00,  0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90,  07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos  0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99;   d) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00,  1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00,  1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e  2209.00.00;   II ­ exerça cumulativamente as atividades  de padronizar, beneficiar, preparar e  misturar tipos de café para definição de  aroma e sabor (blend) ou separar por  densidade dos grãos, com redução dos tipos  determinados pela classificação oficial,  relativamente aos produtos classificados no  código 09.01 da Tipi; ou   III ­ produzam mercadorias de origem  vegetal, classificadas no código 22.04, da  Tipi.   § 2º A operação de separação da polpa seca  do grão de café, realizada pelo produtor  rural, cooperado pessoa física ou jurídica,  não descaracteriza o exercício cumulativo a  que se refere o inciso II do § 1º.     § 3º O direito ao desconto de créditos  presumidos na forma deste artigo:     Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a  pagar no regime de não­cumulatividade, pode  descontar créditos presumidos calculados sobre  o valor dos produtos agropecuários utilizados  como insumos na fabricação de produtos:   I ­ destinados à alimentação humana ou animal,  classificados na NCM:   a) nos capítulos 2 e 3, exceto os produtos vivos  deste capítulo;   b) no capítulo 4;   c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00,  0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10,  07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19,  0713.33.29 e 0713.33.99;   d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16;   e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00,  1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00,  1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00;   f) no capítulo 23; e   II ­ classificados no código 22.04, da NCM.     § 1 º O direito ao desconto de créditos  presumidos na forma do caput aplica­se,  também, à sociedade cooperativa que exerça  atividade agroindustrial.     § 2 º É vedado às pessoas jurídicas de que  tratam os incisos I a III do caput do art. 3 º a  utilização de créditos presumidos na forma  deste artigo.     § 3 º Aplica­se o disposto neste artigo também  em relação às mercadorias relacionadas no  caput quando, produzidas pela própria pessoa  jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela  utilizadas como insumo na produção de outras  mercadorias.     Da atividade agroindustrial   Art. 6 º Para os efeitos desta Instrução  Normativa, entende­se por atividade  agroindustrial:     I ­ a atividade econômica de produção das  mercadorias relacionadas no caput do art. 5 º ,  excetuadas as atividades relacionadas no art. 2 º  da Lei n º 8.023, de 1990; e     II ­ o exercício cumulativo das atividades de  padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos  Fl. 6302DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.303          20 I ­ alcança os produtos agropecuários:     a) adquiridos de pessoa jurídica com o  benefício da suspensão da exigibilidade  das contribuições, na forma do art. 2º;     b) adquiridos de pessoa física; ou     c) recebidos de cooperados, pessoa física  ou jurídica; e     II ­ aplica­se somente aos insumos  adquiridos ou recebidos de pessoa física ou  jurídica residente ou domiciliada no País.     § 4° Até que sejam fixados limites para o  valor dos produtos agropecuários utilizados  com insumos na forma do caput, o cálculo  do crédito presumido da Contribuição para  o PIS/Pasep e da Cofins deverá ser  efetuado mediante a aplicação, sobre o  valor das referidas aquisições, das alíquotas  de:   I ­ 0,99% (noventa e nove centésimos por  cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta  e seis centésimos por cento),  respectivamente, no caso:   a) dos produtos de origem animal  classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos  códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da Tipi;   b) das misturas ou preparações de gorduras  ou de óleos animais dos códigos 15.17 e  15.18 da Tipi; e   II ­ 0,5775% (cinco mil e setecentos e  setenta e cinco décimos de milésimo por  cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e  seis centésimos por cento),  respectivamente, no caso dos demais  insumos.   § 5º O custo de aquisição, para efeito do  cálculo do crédito presumido de que trata o  § 4º, não poderá ser superior ao valor de  mercado, por espécie de bem.   § 6º O valor dos créditos apurados de  acordo com este artigo:   I ­ não constitui receita bruta da pessoa  jurídica agroindustrial, servindo somente  para dedução do valor devido de cada  contribuição; e   II ­ não poderá ser objeto de compensação  de café para definição de aroma e sabor ( blend  ) ou separar por densidade dos grãos, com  redução dos tipos determinados pela  classificação oficial, relativamente aos produtos  classificados no código 09.01 da NCM.     Parágrafo único. A operação de separação da  polpa seca do grão de café, realizada pelo  produtor rural, pessoa física ou jurídica, não  descaracteriza o exercício cumulativo a que se  refere o inciso II do caput.    Dos insumos que geram crédito presumido     Art.  7º  Somente  gera  direito  ao  desconto  de  créditos  presumidos  na  forma  do  art.  5º  os  produtos agropecuários:     I ­ adquiridos de pessoa jurídica domiciliada  no  País  com  o  benefício  da  suspensão  da  exigibilidade das  contribuições, na  forma do  art. 2º;     II  ­  adquiridos  de  pessoa  física  residente  no  País; ou   III  ­  recebidos  de  cooperado,  pessoa  física  ou  jurídica, residente ou domiciliada no País.        Do cálculo do crédito presumido   Art. 8 º Até que sejam fixados os valores dos  insumos de que trata o art. 7 º , o crédito  presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e  da Cofins será apurado com base no seu custo  de aquisição.   § 1 º O crédito de que trata o caput será  calculado mediante a aplicação, sobre o valor de  aquisição dos insumos, dos percentuais de:   I ­ 0,99% (noventa e nove centésimos por cento)  e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis  centésimos por cento), respectivamente, no  caso:     a) dos insumos de origem animal classificados  nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a  15.06 e 1516.10 da NCM;   b) das misturas ou preparações de gorduras ou  de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da  NCM; e     Fl. 6303DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.304          21 com outros tributos ou de pedido de  ressarcimento.   § 7º É vedado às pessoas jurídicas referidas  nos incisos I a IV do caput do art. 2º a  dedução de créditos presumidos na forma  deste artigo.   § 8º As pessoas jurídicas de que trata o  caput deverão apurar o crédito presumido  de forma extracontábil, e controlar o saldo  existente durante o período necessário para  sua utilização.     Art. 4º No caso de sociedade cooperativa  que exerça atividade agroindustrial, o valor  do crédito presumido relativo à aquisição  de produtos agropecuários utilizados como  insumos limita­se ao saldo da Contribuição  para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar,  decorrentes da venda dos produtos  relacionados nos incisos I a III do § 1º do  art. 3º, devido após efetuadas as deduções  previstas no art. 15 da Medida Provisória n°  2.158­35, de 24 de agosto de 2001.   Parágrafo único. O limite do crédito  presumido de que trata este artigo aplica­se  a partir de 1º de abril de 2005 e deve ser  calculado:   I ­ apenas para as operações efetuadas no  mercado interno; e   II ­ para cada período de apuração.    II ­ 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e  cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66%  (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por  cento), respectivamente, no caso dos demais  insumos.     § 2 º Para efeito do cálculo do crédito  presumido de que trata o caput , o custo de  aquisição, por espécie de bem, não poderá ser  superior ao valor de mercado.     § 3 º O valor dos créditos apurados de acordo  com este artigo:     I ­ não constitui receita bruta da pessoa jurídica  agroindustrial, servindo somente para dedução  do valor devido de cada contribuição; e   II ­ não poderá ser objeto de compensação com  outros tributos ou de pedido de ressarcimento.   § 4 º O crédito presumido deve ser apurado de  forma segregada e seu saldo deve ser controlado  durante todo o período de sua utilização.     Art. 9 º No caso de sociedade cooperativa que  exerça atividade agroindustrial, o valor do  crédito presumido relativo à aquisição de  produtos agropecuários utilizados como  insumos limita­se ao saldo a pagar da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins  decorrentes da venda dos produtos relacionados  no caput do art. 5 º desta Instrução Normativa,  devido após efetuadas as exclusões e deduções  previstas no art. 15 da Medida Provisória n º  2.158­35, de 24 de agosto de 2001.   Parágrafo único. O limite do crédito presumido  de que trata este artigo aplica­se a partir de 1 º  de abril de 2005 e deve ser calculado:   I ­ apenas para as operações efetuadas no  mercado interno; e   II ­ para cada período de apuração.     Das Disposições Finais     Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em  vigor na data de sua publicação,  produzindo efeitos a partir de 1º de  agosto de 2004.     Das Disposições Finais     Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor  na data de sua publicação, produzindo efeitos:     I ­ em relação à suspensão da exigibilidade da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que  trata o art. 2 º , a partir de 4 de abril de 2006,  data da publicação da Instrução Normativa n º  Fl. 6304DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.305          22 636, de 24 de março de 2006 , que regulamentou  o art. 9 º da Lei n º 10.925, de 2004; e     II ­ em relação aos arts. 5 º a 8 º , a partir de 1 º  de agosto de 2004.     Art. 12. Fica revogada a Instrução Normativa SRF  n º 636, de 2006.       Cotejando as duas Instruções Normativas, é possível verificar que a segunda é  mais  detalhada,  inclusive  no  tocante  à  declaração  que  o  adquirente  deve  prestar,  junto  ao  vendedor, atestando que apura o lucro real. A INSRF 636/2006 exigia mera declaração (art. 2º,  §  3º),  enquanto  a  INSRF  660/2006  impõe  como  obrigação  acessória  a  necessidade  a  pessoa  adquirente  apresentar  ao  vendedor  texto  específico,  prevista  no  Anexo  I,  fazendo menção  à  suspensão da incidência, à apuração pelo lucro real e à destinação dos produtos:  ANEXO I  DECLARAÇÃO  Ilmo. Sr. (representante legal da pessoa jurídica vendedora)  (Nome  da  pessoa  jurídica  adquirente),  com  sede  (endereço  completo),  inscrita  no CNPJ  sob o  nº  .........................................,  neste ato representada por  (nome e CPF do representante  legal  da pessoa jurídica adquirente),   DECLARA à (nome da pessoa jurídica vendedora), para fins de  suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  na  forma  do  art.  9º  e  do  §  3º  do  art.  15  da  Lei  nº  10.925,  de  23  de  julho  de  2004,  que  apura  o  imposto  de  renda  com base no lucro real.  DECLARA,  ainda,  que  os  produtos  adquiridos  (destinam­se  /  NÃO se destinam) à fabricação dos produtos:  I ­ relacionados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; ou  II – classificados na posição 22.04 da Nomenclatura Comum do  Mercosul (NCM).  Para esse efeito, a declarante assume o compromisso de informar  à  Secretaria  da Receita Federal  e à  pessoa  jurídica  vendedora,  imediatamente, eventual alteração da presente situação e afirma  estar  ciente  de  que  a  falsidade  ou  omissão  na  prestação  destas  informações, sem prejuízo do disposto no art. 32 da Lei nº 9.430,  de  1996,  sujeitá­la­á,  juntamente  com  as  demais  pessoas  que  para  ela  concorrerem,  às  penalidades  previstas  na  legislação  criminal e tributária, relativas à falsidade ideológica (art. 299 do  Código Penal)  e ao  crime contra a ordem  tributária  (art.  1º  da  Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990).  Fl. 6305DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.306          23   Por  sua  vez,  a  nota­fiscal  de  saída  do  vendedor,  de  acordo  com  a  INSRF  660/2006,  deve  conter  a  expressão  "Venda  efetuada  com  suspensão  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente.  Sobre o direito ao crédito presumido, penso que ambas as Instruções contém  normas  correspondentes,  esclarecendo  que,  no  tocante  à  aquisição  de  pessoas  jurídicas,  o  benefício  depende  que  estas  dêem  saída  com  suspensão. É o  que  se  percebe  ao  comparar  os  textos:  INSRF 636/2006  Art.  3º,  §  3º  O  direito  ao  desconto  de  créditos  presumidos  na  forma deste artigo:   I ­ alcança os produtos agropecuários:   a) adquiridos de pessoa jurídica com o benefício da suspensão da  exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º;  INSRF 660/2006  Art. 7º Somente gera direito ao desconto de créditos presumidos  na forma do art. 5º os produtos agropecuários:   I  ­  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  com  o  benefício  da  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições,  na  forma do art. 2º;    Quanto à produção de efeitos de ambas as IN, tenho que não existiu qualquer  solução  de  continuidade,  inclusive no  que  diz  respeito  ao  seu  escopo de  normatizar  a Lei  nº  10.925/2004. Se não, vejamos:  Os artigos 8º e 9º, da Lei 10.925/2004, que tratam do crédito presumido e da  suspensão, produzem efeitos a partir de 1º de agosto de 2004.  A INSRF 636/2006 teve efeitos retroativos a 1º de agosto de 2004,  tanto no  tocante à suspensão quanto ao creditamento.  Já  a  INSRF  660/2006  manteve,  acerca  do  crédito  presumido,  os  mesmos  efeitos  retroativos  a  1º  de  agosto  de  2004  e,  no  que  diz  respeito  às  regras  da  suspensão,  retroagiu seus efeitos a 04 de abril de 2006, data de publicação da IN anterior. O respeito à data  de  publicação  da  INSRF  636  faz  sentido  porque  a  INSRF  660  impôs  novas  obrigações  acessórias no tocante à suspensão; obrigações estas que não poderiam alcançar atos anteriores  ao momento da primeira regulamentação.  Assim, entendo que as duas Instruções Normativas cobriram, sem interrupção,  todo o período desde agosto de 2004, sendo que a alteração nas regras de suspensão, aliás, nas  obrigações acessórias tocantes à suspensão, deram­se somente a partir de 04 de abril de 2006. É  o que se visualiza abaixo:    Fl. 6306DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.307          24 Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006  Tema  Previsão  Produção de Efeitos  Suspensão da Exigibilidade  Artigo 2º  01.08.2004 a 03.04.2006  Crédito Presumido  Artigo 3º  01.08.2004        Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006  Tema  Previsão  Produção de Efeitos  Suspensão da Exigibilidade  Artigo 2º ao 4º  04.04.2006  Crédito Presumido  Artigos 5º a 8º  01.08.2004      Novamente  ressalto  que  não  vislumbro  qualquer  alteração  na  regra  que  determina a obrigatoriedade de o vendedor dar saída com suspensão. A INSRF 660 não trouxe  inovação nesse sentido.  Em apoio a meu entendimento,  trago à colação Ementa da decisão proferida  pelo  Egrégio  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª  Região,  nos  autos  da  Apelação  Cível  nº  5069293­09.2013.404.7100/RS:   TRIBUTÁRIO.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  PIS/COFINS.  REGULAMENTADA  ENTRE  1º/08/2004  E  03/04/2006  PELA  IN/SRF  Nº  636/2006,  E  DESDE  04/04/2006  PELA IN/SRF Nº 660/2006. AQUISIÇÕES REALIZADAS NESSE  PERÍODO.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  COMPENSAÇÃO.  SOMENTE  COM  A  PRÓPRIA  CONTRIBUIÇÃO.  NÃO  HOMOLOGAÇÃO DAS  COMPENSAÇÕES  E  CONSTITUIÇÃO  DO  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  CABIMENTO.  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS.   1.  A  suspensão  da  exigibilidade  do  PIS/COFINS  restou  regulamentada  entre  1º/08/2004  e  03/04/2006  pela  IN/SRF  nº  636/2006, e desde 04/04/2006 pela IN/SRF nº 660/2006.   2.  Não  há  falar  que  a  determinação  legal  somente  produziu  efeitos  em  04.04.2006,  com  a  publicação  da  IN/SRF  660/2006,  posto  que,  entre  1º/08/2004  e  03/04/2006,  já  estava  sendo  regulamentada pela IN/SRF nº 636/2006.   3. As aquisições realizadas no primeiro período já estavam com a  exigibilidade  das  contribuições  suspensa,  razão  pela  qual  se  conclui que o crédito apurado é, de fato, presumido.   4.  Tratando­se  de  crédito  presumido,  aplicável  à  hipótese  as  restrições  impostas  pela  Lei  nº  10.925/04  e  o  crédito  somente  poderia ser compensado com débitos da própria contribuição.   5. Assim sendo, se a contribuinte age de forma diversa, correta a  não  homologação  das  compensações  apresentadas  e  cabível  a  constituição do crédito tributário nos moldes como realizado.   (TRF­4  ,  Relator:  JOEL  ILAN  PACIORNIK,  Data  de  Julgamento: 28/01/2015, PRIMEIRA TURMA)   Fl. 6307DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.308          25   O Relator, Desembargador Joel Ilan Paciornik, ao fundamentar sua decisão,  pede vênia para transcrever a sentença monocrática, que analisa de forma clara a questão:    Nesse contexto, não prospera a alegação de que a suspensão da  exigibilidade das contribuições somente produziu efeitos a partir  de 04/04/2006. Cabe destacar que as Instruções Normativas SRF  nº  636/2006  e  660/2006  respeitaram  o  início  de  vigência  da  norma,  diferentemente  do  alegado  pelo  autor,  que  ignora  a  vigência  da  IN  SRF  nº  636/2006  e  faz  referência  apenas  à  vigência da IN nº 660/2006.  Com  relação,  a  IN  SRF  nº  636/2006  foi  a  primeira  norma  infralegal regulamentadora dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925,  de 2004, e assim expôs sobre os seus efeitos:  Art. 5° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua  publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de agosto de 2004.  A  IN  SRF  nº  660/2006,  que  substituiu  a  IN  636/2006,  assim  dispôs:  Art. 11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua  publicação, produzindo efeitos:  I ­ em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para  o PIS/Pasep e da Cofins de que  trata o art. 2º, a partir de 4 de  abril  de  2006,  data  da  publicação  da  Instrução  Normativa  n  º  636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9 º da Lei  n º 10.925, de 2004; e  Em  síntese,  a  suspensão  da  exigibilidade  do  PIS/COFINS  foi  regulamentada  entre  1º/08/2004  e  03/04/2006  pela  IN/SRF  nº  636/2006,  e  desde  04/04/2006  pela  IN/SRF  nº  660/2006.  Consequentemente,  as  aquisições  realizadas  no  primeiro  período  já  estavam  com  a  exigibilidade  das  contribuições  suspensa, razão pela qual se conclui que o crédito apurado é, de  fato, presumido.  Nesse  contexto,  aplicável  à  hipótese  as  restrições  da  Lei  nº  10.925/04,  razão  pela  qual  o  crédito  discutido  no  feito  somente  poderia  ser  compensado  com  débitos  da  própria  contribuição.  Procedendo de forma diversa, a autora deu azo à constituição do  crédito tributário pela Receita.  Com relação à possibilidade de ressarcimento e compensação do  crédito presumido para a parcela correspondente às receitas de  exportação,  transcrevo,  por  oportuno,  trecho  do  acórdão  10­ 46.106 da 2ª Turma da DRJ/POA (evento 14, INF2):  Registre­se  que  a  Lei  12.058/2009,  efetivamente,  criou  a  possibilidade  de  ressarcimento  e  compensação  do  crédito  Fl. 6308DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.309          26 presumido,  para  a  parcela  correspondente  as  receitas  de  exportação.  Porém, ela data de período posterior ao examinado no presente  processo. De toda a forma, a própria Lei abriu a possibilidade de  aplicação  aos  saldos  de  créditos  acumulados,  sendo  específica  quanto  ao  momento  do  pedido  de  ressarcimento  ou  compensação:  Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do §  3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo  aos  bens  classificados  nos  códigos  01.02,  02.01,  02.02,  02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na  data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito)  I ­ ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos,  relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria  da Receita Federal do Brasil, observada a  legislação específica  aplicável à matéria;  II ­ ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.  § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos  presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser  efetuado:  I  ­  relativamente  aos  créditos  apurados  nos  anos­calendário  de  2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de  publicação desta Lei;  II  ­  relativamente  aos  créditos  apurados  no  ano­calendário  de  2008 e no período compreendido entre  janeiro de 2009 e o mês  de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010.  §  2o O  disposto  neste  artigo  aplica­se  aos  créditos  presumidos  que  tenham  sido  apurados  em  relação  a  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  à  receita  de  exportação,  observado  o  disposto  nos  §§  8º  e  9º  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29  de dezembro de 2003.  Sendo  específica  a  Lei,  não  há  que  se  cogitar  de  convalidação  dos atos anteriores. A compensação, destaque­se, produz efeitos  financeiros diferentes,  dependendo do momento do pedido, data  em que se realizará o encontro de contas.'    Com base na motivação acima, consigna o e. Relator em seu voto:  Com  efeito,  ressai  claro  que  a  suspensão  da  exigibilidade  do  PIS/COFINS  restou  regulamentada  entre  1º/08/2004  e  03/04/2006  pela  IN/SRF  nº  636/2006,  e  desde  04/04/2006  pela  IN/SRF nº 660/2006.   Fl. 6309DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.310          27 Logo,  não  há  falar  que  a  determinação  legal  somente  produziu  efeitos  em  04.04.2006,  com  a  publicação  da  IN/SRF  660/2006,  posto  que,  entre  1º/08/2004  e  03/04/2006,  já  estava  sendo  regulamentada pela IN/SRF nº 636/2006.   Nesse  passo,  as  aquisições  realizadas  no  primeiro  período  já  estavam  com  a  exigibilidade  das  contribuições  suspensa,  razão  pela qual se conclui que o crédito apurado é, de fato, presumido.  Por  conseguinte,  tratando­se  de  crédito presumido,  tenho que  é  aplicável à hipótese as restrições impostas pela Lei nº 10.925/04.  Portanto, o crédito em discussão nessa demanda somente poderia  ser compensado com débitos da própria contribuição.    Com efeito, não se ignora que a Recorrente  trouxe aos autos em seu auxílio  diversas Soluções de Consulta com conclusão diversa da acima expressa; isto é, defendem que  a  suspensão  somente  ocorreu  a  partir  de  04.06.2006  e  que  não  se  havia  de  falar  em  crédito  presumido antes dessa data. O argumento recorrente das Decisões pode ser resumido abaixo:  Registre­se,  ainda,  que  além  de  determinar  a  aplicação  da  suspensão  somente  a  partir  da  publicação  da  IN  SRF  nº  636/2006, a IN SRF nº 660/2006, ao interpretar a concessão do  crédito  presumido  nas  aquisições  de  pessoa  jurídicas  (art.  8º,  parágrafo  único)  e  a  concessão  da  suspensão  da  exigibilidade  das contribuições para as pessoas jurídicas vendedoras (art. 9º),  entendeu  haver  vinculação  entre  as  duas  normas,  ou  seja,  o  crédito  presumido  somente poderia  ser  concedido  caso  a  venda  ocorresse com suspensão. Tal conclusão decorre da finalidade da  norma que estabeleceu o crédito presumido agroindustrial, qual  seja,  equiparar  a  carga  tributária  da  pessoa  física  com  a  da  pessoa  jurídica.  E,  para  que  o  fornecedor  pessoa  jurídica  estivesse  em  igualdade  de  condições  com  o  fornecedor  pessoa  jurídica,  necessário  se  faz  que,  à  semelhança  da  pessoa  física,  não haja pagamento de  tributo na  venda por pessoa  jurídica,  o  que é concretizado pela suspensão.    Assim, como a suspensão somente entrou em vigor em 4 de abril  de  2006  (data  de  publicação  da  IN  SRF  nº  636/2006),  também  não  se  há  que  falar  em  crédito  presumido  nas  aquisições  de  pessoas  jurídicas  realizadas  entre  1º  de  agosto  de  2004  e  3  de  abril de 2006. (SC SRRF 9ªRF nº 249/2009)  Malgrado não concordar com  tal  tese, não  ignoro o valor das manifestações  administrativas e a necessidade de sua aplicação isonômica aos Administrados. Neste sentido,  filio­me  ao  entendimento  segundo  o  qual  a  Solução  de  Consulta,  em  seu  aspecto  de  interpretação  da  legislação  tributária,  afeta  terceiros,  não  apenas  o  Consulente.  A  uma  pelo  Princípio  da  Isonomia;  a  duas  porque,  ainda  que  sem  efeito  vinculante,  a  manifestação  da  Receita Federal através de tal instrumento representa uma manifestação formal do órgão, que,  de  qualquer  forma,  presta­se  a  perfeito  instrumento  auxiliar  na  interpretação  das  regras  tributárias.  Este  entendimento  já  foi  acolhido  por  este  Colegiado  e,  atualmente,  encontra­se  consagrado na Instrução Normativo RFB nº 1.396/2013:  Fl. 6310DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.311          28 Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013   DOU  de  17.9.2013  ­  Alterada  pela  Instrução  Normativa  RFB  1.434, de 30 de dezembro de 2013.   Art.  1º  Esta  Instrução  Normativa  trata  dos  processos  administrativos de consulta sobre interpretação da  legislação  tributária e aduaneira relativa aos tributos administrados pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  e  sobre  classificação  de  serviços,  intangíveis  e  outras  operações  que  produzam variações no patrimônio.  Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência,  a  partir  da  data  de  sua  publicação,  têm  efeito  vinculante  no  âmbito  da  RFB,  respaldam  o  sujeito  passivo  que  as  aplicar,  independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre  na  hipótese  por  elas  abrangida,  sem  prejuízo  de  que  a  autoridade  fiscal,  em  procedimento  de  fiscalização,  verifique  seu  efetivo  enquadramento.  (Redação  dada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.434, de 30 de dezembro de 2013)    Nesse sentido já se manifestara este Colegiado:    Terceiro Conselho de Contribuintes – Primeira Câmara   Acórdão 301­33.872   Sessão de 22 de maio de 2007   Relatora: Suzy Gomes Hoffmann   Ementa  CONSULTA.  PROVA  EMPRESTADA.  É  plenamente  possível  o  acolhimento  de  consulta  formulada  por  terceiro  quando embasada no mesmo produto a ser tipificado para fins de  classificação  tributária.  Considera­se,  para  tanto,  o  efeito  vinculante da consulta para com a Administração e a aplicação  do  princípio  da  isonomia  aos  contribuintes  ­  Lei  n°  4502/64,  artigo 76, inciso II, alínea “a”.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO     Do voto da Ilustre Relatora, destaque­se a citação:  Outrossim,  a  adoção  de  consulta  feita  em  outro  processo  é  plenamente  possível,ainda  que  por  partes  diversas,  eis  que  o  objeto  da  consulta  é  o  mesmo,  requisito  este  de  máxima  importância  para  classificação  fiscal  que  vincula  toda  Administração.  É o entendimento preconizado no Recurso Voluntário n° 099903,  decidido por este Colendo Conselho de Contribuinte:  Fl. 6311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.002796/2009­60  Acórdão n.º 3301­002.653  S3­C3T1  Fl. 6.312          29 "Ementa:IPI ­ ISENÇÃO ­ CONSULTA ­ 1 ­ Sendo o lançamento  motivado  num  sentido  que  afronta  o  entendimento  da  Administração em processos de consulta, mesmo de terceiros, se  matéria  idêntica,  é  o  mesmo  improcedente.  2  ­  Se  a  glosa  dos  créditos não se fundou em sua ilegitimidade, mas sim para zerar  a  conta/corrente  dos  débitos  e  créditos,  uma  vez  julgado  improcedente o mérito, prejudicada estará a discussão que sobre  eles versar. Recurso voluntário provido".   Desta maneira, em função da reiterada manifestação da SRFB no sentido de  que não se aplicava a regra do crédito presumido e, sim, do creditamento integral do PIS e da  Cofins  à  época  dos  fatos  geradores  discutidos, voto  no  sentido  de  dar provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  para  reconhecer  o  direito  ao  aproveitamento  do  crédito  de  Cofins  à  alíquota  de  7,60%,  relativamente  às  notas­fiscais  das  aquisições  com  suspensão  das  Contribuições, devendo ser descontado os créditos presumido de 4,56%.     Mônica Elisa de Lima ­ Relatora                          Fl. 6312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/05/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

score : 1.0
5959084 #
Numero do processo: 15504.723743/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO - CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA - PROPOSTA DE RETIFICAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Tendo a decisão de primeira instância simplesmente acatado a revisão proposta pela autoridade fiscal, quando da baixa do processo em diligência e tendo o auditor fundamentado a revisão em documentos que constatam o lançamento em duplicidade, correta decisão que propôs a retificação do lançamento PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Ao identificar pagamentos além dos valores pagos à título de salário, compete a autoridade fiscal, identificar se os pagamentos encontram-se no rol de exclusões previstos no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, lançando-os, caso não se enquadrem em um dos seus incisos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J.- LEI 8212 - NATUREZA SALARIAL As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais. O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições". As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra-se o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO - IMPOSSIBILIDADE DE ATRELAR O PAGAMENTO COMO ESTÍMULO AO ENGAJAMENTO DO EMPREGADO NO TRABALHO. ESTIPULAÇÃO APÓS A REALIZAÇÃO DO TRABALHO Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio ao trabalho, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. As metas, regras ou mesmo critérios que cada empregado/cargo deverá alcançar devem estar descritas nos acordos firmados, previamente ao trabalho, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. Ao ajustar acordos no fim dos exercícios, todos os pagamentos feitos em relação aos resultados alcançados retroativamente, não podem ser considerados PLR desvinculado do salário. PLR - PERIODICIDADE - OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL Nos termos do §2o do art. 3oda lei 8212/91 é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. No caso sob apreciação, o fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre não desnaturou a PLR, posto que evidenciado tratar-se de pagamentos a empregados diversos, diferença de pagamentos de PLR decorrentes de rescisões contratuais, ou diferenças ínfimas, que, quando apreciadas individualmente, denotam não se tratar de outra parcela ou antecipação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - COMPETÊNCIA 12/2008 - PLR EMPREGADOS - VÍCIO NA CONSTITUIÇÃO DO LEVANTAMENTO. Foi constatado que a competência 12/2008 do PLR empregados não fere a periodicidade, posto que os demais pagamentos no mesmo semestre referem-se a outros eventos (rescisões ou diferenças ínfimas), portanto, esse argumento não pode ser utilizado para fundamentar o lançamento nessa competência, devendo ser declarada a improcedência das contribuições correspondentes. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS - ADMINISTRADORES E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 - DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. GRUPO ECONÔMICO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.- RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONOMICO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO - . MULTA MAIS BENÉFICA. Para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeu-se ao comparativo: com base na antiga sistemática multa moratória (inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória, não informação em GFIP (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º8.212/1991), com a aplicação de multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991) descrita na nova legislação Lei 11.941/2009, aplicando-se a mais favorável ao recorrente até a edição da referida lei. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Dar provimento parcial ao recurso: I) Por maioria de votos, para afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre a competência 12/2008, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que afastava a incidência pela ocorrência de vício formal; II) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; III) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; IV) Por maioria de votos, considerar que não restou descumprido o requisito da periodicidade, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que considerou que também restou descumprido este requisito; V) Pelo voto de qualidade, manter a incidência das parcelas pagas a contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que afastavam a incidência sobre as parcelas pagas aos conselheiros do conselho de administração e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastava a incidência sobre as parcelas pagas aos contribuintes individuais; e VI) Pelo voto de qualidade manter a multa lançada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, que votou por limitar a multa em 20% e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por limitar a multa de mora em 20% e cancelar a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Apresentará declaração de voto a conselheira Carolina Wanderley Landin. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201404

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 15504.723743/2011-19

anomes_publicacao_s : 201504

conteudo_id_s : 5473050

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2401-003.487

nome_arquivo_s : Decisao_15504723743201119.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 15504723743201119_5473050.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Dar provimento parcial ao recurso: I) Por maioria de votos, para afastar a incidência de contribuições previdenciárias sobre a competência 12/2008, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que afastava a incidência pela ocorrência de vício formal; II) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; III) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; IV) Por maioria de votos, considerar que não restou descumprido o requisito da periodicidade, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que considerou que também restou descumprido este requisito; V) Pelo voto de qualidade, manter a incidência das parcelas pagas a contribuintes individuais, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que afastavam a incidência sobre as parcelas pagas aos conselheiros do conselho de administração e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastava a incidência sobre as parcelas pagas aos contribuintes individuais; e VI) Pelo voto de qualidade manter a multa lançada, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, que votou por limitar a multa em 20% e os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por limitar a multa de mora em 20% e cancelar a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Apresentará declaração de voto a conselheira Carolina Wanderley Landin. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente (na data da formalização, conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.) Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.

dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014

id : 5959084

ano_sessao_s : 2014

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO - CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA - PROPOSTA DE RETIFICAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Tendo a decisão de primeira instância simplesmente acatado a revisão proposta pela autoridade fiscal, quando da baixa do processo em diligência e tendo o auditor fundamentado a revisão em documentos que constatam o lançamento em duplicidade, correta decisão que propôs a retificação do lançamento PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Ao identificar pagamentos além dos valores pagos à título de salário, compete a autoridade fiscal, identificar se os pagamentos encontram-se no rol de exclusões previstos no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, lançando-os, caso não se enquadrem em um dos seus incisos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J.- LEI 8212 - NATUREZA SALARIAL As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais. O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições". As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra-se o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. ACORDO PRÉVIO - ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO - IMPOSSIBILIDADE DE ATRELAR O PAGAMENTO COMO ESTÍMULO AO ENGAJAMENTO DO EMPREGADO NO TRABALHO. ESTIPULAÇÃO APÓS A REALIZAÇÃO DO TRABALHO Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio ao trabalho, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. As metas, regras ou mesmo critérios que cada empregado/cargo deverá alcançar devem estar descritas nos acordos firmados, previamente ao trabalho, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. Ao ajustar acordos no fim dos exercícios, todos os pagamentos feitos em relação aos resultados alcançados retroativamente, não podem ser considerados PLR desvinculado do salário. PLR - PERIODICIDADE - OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL Nos termos do §2o do art. 3oda lei 8212/91 é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. No caso sob apreciação, o fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre não desnaturou a PLR, posto que evidenciado tratar-se de pagamentos a empregados diversos, diferença de pagamentos de PLR decorrentes de rescisões contratuais, ou diferenças ínfimas, que, quando apreciadas individualmente, denotam não se tratar de outra parcela ou antecipação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - COMPETÊNCIA 12/2008 - PLR EMPREGADOS - VÍCIO NA CONSTITUIÇÃO DO LEVANTAMENTO. Foi constatado que a competência 12/2008 do PLR empregados não fere a periodicidade, posto que os demais pagamentos no mesmo semestre referem-se a outros eventos (rescisões ou diferenças ínfimas), portanto, esse argumento não pode ser utilizado para fundamentar o lançamento nessa competência, devendo ser declarada a improcedência das contribuições correspondentes. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS - ADMINISTRADORES E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 - DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. GRUPO ECONÔMICO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes. INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.- RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONOMICO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO - . MULTA MAIS BENÉFICA. Para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeu-se ao comparativo: com base na antiga sistemática multa moratória (inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória, não informação em GFIP (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º8.212/1991), com a aplicação de multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991) descrita na nova legislação Lei 11.941/2009, aplicando-se a mais favorável ao recorrente até a edição da referida lei. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887624011776

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1  1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.723743/2011­19  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  2401­003.487  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de abril de 2014  Matéria  DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, SALÁRIO INDIRETO  Recorrentes  COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS ­ CEMIG              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008  RECURSO  DE  OFÍCIO  ­  CONVERSÃO  DO  JULGAMENTO  EM  DILIGÊNCIA  ­  PROPOSTA  DE  RETIFICAÇÃO  POR  PARTE  DA  AUTORIDADE FISCAL.  Tendo  a  decisão  de  primeira  instância  simplesmente  acatado  a  revisão  proposta pela autoridade fiscal, quando da baixa do processo em diligência e  tendo  o  auditor  fundamentado  a  revisão  em  documentos  que  constatam  o  lançamento  em  duplicidade,  correta  decisão  que  propôs  a  retificação  do  lançamento  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  ­  SEGURADOS  EMPREGADOS  ­  PAGAMENTOS  INDIRETOS  ­  DESCUMPRIMENTO  DA  LEI  ­  ­  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO   Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias,  para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de  afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Ao identificar pagamentos  além  dos  valores  pagos  à  título  de  salário,  compete  a  autoridade  fiscal,  identificar  se os pagamentos encontram­se no  rol  de exclusões previstos no  art. 28, § 9º da lei 8.212/91, lançando­os, caso não se enquadrem em um dos  seus incisos.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS.  INEXISTÊNCIA  DE  REGRAS  CLARAS  E  OBJETIVAS  CONCERNENTES  AO  PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E  ART. 28, § 9º, J.­ LEI 8212 ­ NATUREZA SALARIAL  As  exigências  legais  para que  o  pagamento  de PLR esteja  desvinculado  do  salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou  seja,  compete  a  empresa  demonstrar  o  cumprimento  da  lei  10.101/2000,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 43 /2 01 1- 19 Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     2  devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar  se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais.  O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes  da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período  de  vigência  e  prazos  para  revisão  do  acordo,  podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios e condições".  As  metas  ou  critérios  tem  que  ser  negociados  quando  da  realização  dos  acordos,  conforme descrito expressamente na  lei, não  interessando se  feitos  no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra­se  o mesmo rito para sua  formalização, que é a participação dos  trabalhadores  na composição desses critérios.   ACORDO  PRÉVIO  ­  ASSINATURA  DE  ACORDO  NO  FIM  DO  EXERCÍCIO  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  ATRELAR  O  PAGAMENTO  COMO  ESTÍMULO  AO  ENGAJAMENTO  DO  EMPREGADO  NO  TRABALHO. ESTIPULAÇÃO APÓS A REALIZAÇÃO DO TRABALHO  Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos  lucros, sem a existência de acordo prévio ao trabalho, o recorrente assumiu o  risco  de  não  se  beneficiar  pela  possibilidade  de  que  tais  valores  estariam  desvinculados do salário.   As  metas,  regras  ou  mesmo  critérios  que  cada  empregado/cargo  deverá  alcançar  devem  estar  descritas  nos  acordos  firmados,  previamente  ao  trabalho,  independente  da  qual  dos  instrumentos  será  utilizado  pelo  empregador. Ao ajustar acordos no fim dos exercícios, todos os pagamentos  feitos em relação aos  resultados alcançados  retroativamente, não podem ser  considerados PLR desvinculado do salário.  PLR  ­  PERIODICIDADE  ­  OBSERVÂNCIA  DA  PERIODICIDADE  SEMESTRAL  Nos termos do §2o do art. 3oda lei 8212/91 é vedado o pagamento de qualquer  antecipação ou distribuição de valores a  título de participação nos lucros ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais  de  duas  vezes  no  mesmo  ano  civil,  sendo  que  os  dois  requisitos  são  cumulativos.   No  caso  sob  apreciação,  o  fato  de  existirem  mais  pagamentos  no  mesmo  exercício  ou mesmo  no mesmo  semestre  não  desnaturou  a PLR,  posto  que  evidenciado  tratar­se  de  pagamentos  a  empregados  diversos,  diferença  de  pagamentos  de  PLR  decorrentes  de  rescisões  contratuais,  ou  diferenças  ínfimas,  que,  quando  apreciadas  individualmente,  denotam  não  se  tratar  de  outra parcela ou antecipação.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  ­  COMPETÊNCIA  12/2008  ­  PLR  EMPREGADOS ­ VÍCIO NA CONSTITUIÇÃO DO LEVANTAMENTO.  Foi  constatado  que  a  competência  12/2008  do  PLR  empregados  não  fere  a  periodicidade, posto que os demais pagamentos no mesmo semestre referem­ se  a  outros  eventos  (rescisões  ou  diferenças  ínfimas),  portanto,  esse  argumento  não  pode  ser  utilizado  para  fundamentar  o  lançamento  nessa  Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 3          3  competência,  devendo  ser  declarada  a  improcedência  das  contribuições  correspondentes.  PARTICIPAÇÕES  NOS  LUCROS  ­  ADMINISTRADORES  E  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS  ­  INAPLICABILIDADE  DA  LEI  10.101/2000  e  da  lei  6.404/76  ­ DESCUMPRIMENTO DO ART.  28,  §  9º  DA LEI 8212/91.  A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei  n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga  não  remunerou  o  capital  investido  na  sociedade,  logo  remunerou  efetivamente o trabalho executado pelos diretores.  A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos  empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no  conceito  de  salário  de  contribuição,  não  se  aplicando  por  conseguinte  aos  pagamentos feitos a contribuintes individuais.  GRUPO ECONÔMICO ­ RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  Conforme  se  depreende  do  art.  30,  IX  da  lei  8.212/91,  existe  expressa  previsão  legal no âmbito previdenciário para que as empresas que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da  pratica de atos por parte de seus dirigentes.  INCONSTITUCIONALIDADE  ­  ILEGALIDADE  DE  LEI  E  CONTRIBUIÇÃO ­ IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA  ADMINISTRATIVA.­  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DO  GRUPO  ECONOMICO  A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder  Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  OBRIGAÇÃO PRINCIPAL  ­ AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ­  . MULTA MAIS  BENÉFICA.   Para  que  se  determinasse  o  valor  da  multa  a  ser  aplicada,  procedeu­se  ao  comparativo:  com  base  na  antiga  sistemática  multa  moratória  (inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a  multa por descumprimento da obrigação acessória, não informação em GFIP  (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º8.212/1991), com a aplicação de multa de ofício  (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991) descrita na nova legislação Lei 11.941/2009,  aplicando­se a mais favorável ao recorrente até a edição da referida lei.  Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     4    ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso de ofício. Dar provimento parcial ao recurso:  I) Por maioria de votos,  para  afastar  a  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  competência  12/2008,  vencida  a  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira  (relatora),  que  afastava  a  incidência pela ocorrência de vício formal; II) Pelo voto de qualidade considerar descumprido  o  requisito  de  fixação  de  critérios  e  regras  claras  e  objetivas,  vencidos  os  conselheiros  Igor  Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que  votaram  por  considerar  cumprido  o  requisito;  III)  Pelo  voto  de  qualidade  considerar  descumprido  o  requisito  de  pactuação  prévia,  vencidos  os  conselheiros  Igor  Araújo  Soares,  Carolina  Wanderley  Landim  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  que  votaram  por  considerar  cumprido  o  requisito;  IV)  Por  maioria  de  votos,  considerar  que  não  restou  descumprido  o  requisito  da  periodicidade,  vencida  a  conselheira  Elaine  Cristina Monteiro  e  Silva Vieira (relatora), que considerou que também restou descumprido este requisito; V) Pelo  voto de qualidade, manter a incidência das parcelas pagas a contribuintes individuais, vencidos  os conselheiros Igor Araújo Soares e Carolina Wanderley Landim, que afastavam a incidência  sobre as parcelas pagas aos conselheiros do conselho de administração e o conselheiro Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  que  afastava  a  incidência  sobre  as  parcelas  pagas  aos  contribuintes  individuais;  e VI) Pelo voto de qualidade manter  a multa  lançada, vencidos os  conselheiros  Igor  Araújo  Soares,  que  votou  por  limitar  a  multa  em  20%  e  os  conselheiros  Carolina  Wanderley  Landim  e  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  que  votaram  por  limitar a multa de mora em 20% e cancelar a multa de ofício. Designado para redigir o voto  vencedor  o  conselheiro  Kleber  Ferreira  de  Araújo.  Apresentará  declaração  de  voto  a  conselheira Carolina Wanderley Landin.      Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira  –  Presidente  (na  data  da  formalização,  conforme Ordem de Serviço nº.01/2013 – CARF.)      Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado      Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 4          5    Relatório  O  presente  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  lavrado  sob  o  n.  37.339.563­9, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao  custeio  da  Seguridade  Social,  parcela  a  cargo  da  empresa,  incluindo  as  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do  trabalho,,  face a  remuneração  indireta paga a  segurados empregados sob a forma de Salário Utilidade, no período de 01/2007 a 12/2008.  Conforme  descrito  no  relatório  fiscal,  fl.  13  e  seguintes,  constituem  fato  gerador:  Valores  pagos  a  segurados  empregados  e  segurados  contribuintes  individuais,  lançados em Folha de Pagamento, a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados, sob os  códigos: 1003 ­ PLR Part Lucros Result, 1009 ­ PLR Part Lucros Result, 1033 ­ PLR, 1040 ­  Adiantamento  PLR  e  1043  ­  Diferença  PLR,  no  período  de  01/2007,  03/2007,  04/2007,  11/2007,  12/2007,  03/2008,  05/2008,  09/2008  e  12/2008,  registrados  nas  contas  contábeis:2114120000  ­  Empregados  Partic  Lucros  (Passivo­Circulante),  0000401077  ­  Deduções L. do Exercício ­ Particip. Empreg. (Despesa Operacional), 0000402078 ­ Deduções  L.  do  Exercício  ­  Particip.  Adminst.  (Despesa  Operacional),  0000401081  ­  Ded.  Lucro  Exercício  Partic.  Resultados  Ext  (Despesa  Operacional)  e  contas  redutoras  do  Resultado  do  Exercício:0000907000  ­  Deduções  ao  L.  do  Exercício  ­  Particip  Empreg.,  0000907001  ­  Deduções  ao  L.do  Exercício  ­  Particip  Empreg.  PR,  0000908000  ­  Deduções  ao  L.  do  Exercício  ­  Particip  Administ.  e  0000908001  ­  Deduções  ao  L.  do  Exercício  ­  Particip  Administ.,  não  considerados  pela  empresa  como  parcela  de  incidência  de  contribuição  para  Previdência Social.  Consta do relatório fiscal como motivos ensejadores da autuação:  Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados:  Relativamente  à  negociação  contemplando  o  Regulamento  da  Participação  nos Lucros ou Resultados ­ PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos  anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007,  firmados com as  entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados).  O  levantamento:  “P1  ­  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  ­  EMPREGADOS”  corresponde  às  competências:  03/2007,  04/2007,  11/2007,  12/2007  e  03/2008,  cuja  multa  de  mora  lançada  no  presente  Auto  de  Infração  correspondeu  24%  incidente  sobre  as  contribuições  devidas,  e,  os  levantamentos:  “P2  ­  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  ­  EMPREGADOS”  referente  às  competências:  01/2007,  05/2008  e  09/2008,  e  “P5  ­  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  ­  EMPREGADOS”  relativo  a  12/2008,  cuja  multa  de  ofício  também  lançada  na  presente  Autuação correspondeu a 75% incidente sobre as contribuições  devidas.  Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     6  Da  análise  do  contido  no  documento  (Acordo  Coletivo  de  Trabalho)  que  tratou  do  assunto,  para  o  período  de  2007  e  2008  e  demais  elementos  verificados  por  esta  auditoria,  verifica­se  a  ausência  das  condições  estabelecidas  pela  Lei  nº  10.101,  de  19  de  dezembro  de  2000,  que  regula  a  matéria,  portanto,  os  valores  pagos  a  título  de  PLR,  representam, na verdade, um complemento salarial.  Nos  Acordos  Coletivos  de  Trabalho,  ao  tratar  da  participação  dos  empregados nos lucros e resultados, as partes limitam­se a declarar, para os exercícios de 2007  e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial,  sem  qualquer  plano  de  metas  e  resultados  estabelecido,  bem  como  não  há  definição  de  objetivos a serem atingidos, restando claro que o critério para pagamento da PLR é subjetivo,  sem plano de metas a ser cumprido, independentemente do esforço pessoal do empregado. Tal  situação está em desacordo com o disposto na Lei 10.101/2000, artigo 2o, parágrafo único.  Além disso,  a  cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho  firmado em  11/12/2007 determinou pagamento de parcela a  título de PLR, a ser efetuada até 14/12/2007,  considerando desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo ano  de 2007, portanto, apenas três dias após a celebração do referido Acordo.  Portanto, não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para  pagamento  da  denominada  participação,  apenas  estipulou­se  um  percentual  fixo  de  6,4  remunerações e ainda uma parcela individual fixa de mil reais.  Como  o  acordo  mencionado  ocorreu  em  11/12/2007,  praticamente  transcorrido  todo  o  ano  de  2007,  o  mesmo  evidentemente  não  se  prestaria  a  estabelecer  eventuais  regras  visando­se  incentivar  a  produtividade,  pois  deveriam  estar  pactuadas  previamente.  Os  pagamentos  efetuados  nos  termos  da  cláusula  quinta  encontram­se  em  desacordo  com  a  Lei  10.101/2000,  que  estabelece,  conforme  exposições  anteriores,  que  os  mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2007 e não depois de  praticamente findo.  A Lei 10.101/2000, no art. 3o, § 2º, também veda que os pagamentos ocorram  em  periodicidade  inferior  a  um  semestre  ou mais  de  duas  vezes  no mesmo  ano,  contudo,  o  contribuinte efetuou pagamentos a  título de participação nos  lucros e resultados em 01/2007,  03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008 e 12/2008, como se pode ver,  tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo  ano.  Sendo assim,  as parcelas  pagas  aos  trabalhadores  a  título de PLR estão  em  desacordo com a legislação pertinente, integrando o salário­de­contribuição para todos os fins e  efeitos, constituindo base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social.  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  –  PLR  –  Para  administradores,Diretores e Membros de Conselhos (contribuintes individuais):  A  Lei  10.101/2000  cuida  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  de  empregados e não se aplica aos contribuintes individuais.  Os valores pagos pela empresa aos seus administradores (não empregados) a  título  de  participação  em  lucros  e/ou  resultados  (segurados  contribuintes  individuais),  constituem­se em parcela integrante do salário­de­contribuição, portanto, são bases de cálculo  para  as  contribuições  devidas  à Seguridade Social,  nos  termos  da Legislação Previdenciária,  Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 5          7  Lei 8.212/91, art. 28, inciso III, c/c Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo  Decreto 3.048 de 06/05/1999, art. 214, inciso III.  Multa:  O  quadro  comparativo,  constante  no  Anexo  III  (fl.98),  demonstra  que  a  aplicação da multa mais benéfica para o contribuinte foi:  ­ Multa  de mora  correspondente  a  24% prevista  na Lei  8.212/91  artigo  35,  inciso II, ‘a’ (vigente até a data anterior a publicação da Medida Provisória nº 449/2008) para  os Levantamentos P1 e P3, competências 03/07, 04/07, 11/07, 12/07 e 03/08.  ­ Multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96, artigo 44,  inciso I, nos termos do artigo 35­A da Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº  449/2008, convertida na Lei 11.941/09 para os Levantamentos P2 e P4, competências 01/07,  05/08 e 09/08.  Foi lançada multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96,  artigo  44,  inciso  I,  nos  termos  do  artigo  35­A  da  Lei  8.212/91,  acrescentado,  pela Medida  Provisória  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/09  para  o  levantamento  P5,  competência  12/08, aplicável ao período.  Responsáveis solidários:  Foi  verificada  a  formação  de  Grupo  Econômico  com  as  empresas  CEMIG  Geração  e Transmissão  S/A  (CNPJ  06.981.176/0001­58)  e CEMIG Distribuição  S/A  (CNPJ  06.981.180/0001­16).  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  às  fls.  738/739  e  741/742,  com  ciência em 30/9/11.  Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu­se em 29/09/2011, tendo a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/09/2011.  Não  conformada  com a  autuação  a  recorrente  apresentou  defesa,  fls.  748  a  801.  O  processo  foi  baixado  em  diligência,  com  o  objetivo  de  que  a  autoridade  fiscal prestasse esclarecimentos, fls. 1534 a 1535. Foi elaborada informação fiscal, fl. 1579 e  seguintes, sugerindo a retificação do débito apurados.  Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do  lançamento, 1583 a 1595, acatando as retificações propostas.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008   CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  EMPREGADOS.  Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     8  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  em  desacordo  com  a  lei  específica, integra o salário de contribuição.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS.  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  Para  o  contribuinte  individual,  entende­se  por  salário  de  contribuição  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta  própria, durante o mês.  MULTA.  As contribuições sociais pagas com atraso ficam sujeitas a  multa de caráter irrelevável.  SOLIDARIEDADE. GRUPO ECONÔMICO.  As  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações decorrentes de lei.  INCONSTITUCIONALIDADE.  O  processo  administrativo  não  é  via  própria  para  a  discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das  normas.  Enquanto  vigentes  tais  diplomas  devem  ser  cumpridos,  principalmente  em  se  tratando  da  administração  pública,  cuja  atividade  está  atrelada  ao  princípio da estrita legalidade.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte  Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso  pela  notificada,  conforme  fls.  1610  a  1656,  contendo  em  síntese  os  mesmos  argumentos  da  impugnação,  exceto  em  relação  aqueles  argumentos  já  acatados  quando  da  retificação do débito.os quais podemos descrever:  1.  Alega  a  não  inclusão  dos  valores  pagos  a  título  de  PLR  na  base  de  cálculo  das  contribuições previdenciárias, pois foram atendidos os requisitos da Lei 10.101/2000.  2.  Diz que a PLR foi objeto de negociação, entre a empresa e seus empregados, mediante  comissão  escolhida  pelas  partes  e  integrada  por  representante  indicado  pelo  Sindicato,  como se pode observar dos Acordos Coletivos 2006/2007 e 2007/2008.  3.  Aduz  que  na  Lei  10.101/2000  não  há  obrigatoriedade  de  fixação  de metas  para  que  a  PLR se configure como tal, mas tão somente a necessidade de fixação de regras claras e  objetivas para que garantir o direito dos trabalhadores à divisão de lucros e para que não  sobrevenham dúvidas que impeçam ou dificultem o cumprimento do acordo firmado.  4.  Afirma  que  todos  os  acordos  firmados  contem  regras  claras  a  respeito  do  direito  e  da  extensão do pagamento a ser feito a título de PLR, que permitem ao trabalhador verificar  a composição e o montante dos valores a serem recebidos.  Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 6          9  5.  Assevera  que  mesmo  sem  existir  obrigação  de  definir  metas  e  objetivos,  a  CEMIG  anualmente define as metas a serem alcançadas para que seus trabalhadores pautem suas  ações no sentido de atingi­las.  6.  Diz  que  o  simples  fato  da  empresa  ter  lucro  no  respectivo  exercício  é  uma meta  a  ser  atingida por todos os beneficiários da PLR.  7.  Argumenta que há anos desenvolve a política de retribuir o esforço e a produtividade de  seus  trabalhadores,  que  não há duvida de que a  base de  cálculo da PLR  sempre  foi  os  resultados  da  receita  e  lucratividade  da  empresa  e  que,  portanto,  quanto  mais  o  funcionário  contribui  para  o  incremento  desses  números,  maior  será  seu  retorno  financeiro individual.  8.  Conclui que mesmo que  sejam desconsideradas  as metas  estipuladas nos Relatórios de  Gestão  2007  e  2008,  não  restam  dúvidas  que  o  critério  adotado  pela  Cemig  (lucratividade)  é  suficiente  para  estimular  o  esforço  e  a  produtividade  de  seus  funcionários.  9.  Afirma que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR estabelecidos na Lei  10.101/2000 é  exemplificativo,  sendo desnecessária  a prévia definição de metas para a  outorga do direito à PLR.  10.  Destaca que apenas o inciso II do art 2º, §1º da Lei 10.101/2000 menciona a necessidade  de pactuação prévia. Assim, se os critérios forem outros, não há na lei a obrigação de que  eles sejam prévios.  11.  Entende que o que é necessário de acordo com a Lei 10.101/2000 é que os critérios sejam  escolhidos pelas partes e objeto de acordo, antes de serem distribuídos, o que aconteceu,  já que os pagamentos foram efetuados após a formalização dos acordos coletivos.  12.  Diz que os acordos são claros a respeito da periodicidade do pagamento da PLR.  13.  Cita  trechos  de  acórdão  do  Conselho  de  Contribuintes  e  do  CARF,  destacando  que  a  existência de metas e regras pactuadas previamente já foram alvo de discussão e restaram  afastadas ditas exigências.  14.  Alega  que  cumpre  a  lei,  pois  os  acordos  coletivos  celebrados  foram  registrados  na  entidade sindical.  15.  Afirma que não faz pagamentos em período inferior a um semestre civil e mais de dois  pagamentos  no  mesmo  ano  e  explica  o  que  aconteceu,  destacando  o  pagamento  das  parcelas  regulares  e  da  parcela  excepcional,  afirmando  que  esta  possui  motivação  específica e se refere a complementação de diferenças de valores anteriormente apurados.  16.  Destaca  que  não  há  necessidade  de  que  os  pagamentos  sejam  feitos  um  em  cada  semestre,  com  diferença  de  seis meses,  uma  vez  que  a  Lei  10.101/2000,  art.  3o,  §  2o,  refere­se a pagamentos efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais  de duas vezes no mesmo ano.  Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     10  17.  Cita  Consulta  Técnica  507,  de  21/7/04,  do  INSS.  Conclui  que  a  quantidade  de  pagamentos efetuada pela empresa deve ser analisada em relação a cada trabalhador e que  a PLR pode ser paga no máximo em duas vezes no ano civil, no mesmo ou em distinto semestre.  18.  Alega  inexistir  caráter  remuneratório  dos  valores  pagos  como  participação  nos  lucros  e  resultados, independentemente dos requisitos da Lei 10.101/2000. Cita doutrina.  19.  Afirma  que  o  art.  7o,  inciso XI  da CF/88  é  auto­aplicável  e  não  precisa  de  lei  ordinária  para  regulamentá­lo.  Assim,  sempre  que  ocorrer  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  o  produto  dessa  participação  fica  desvinculado  da  remuneração.  Cita  doutrina e jurisprudência.  20.  Argumenta que é impossível que o eventual descumprimento de obrigação acessória redunde na  ocorrência de fato gerador. Tal fato poderia resultar apenas em eventuais multas. Isso porque o  pagamento  de  participação  nos  lucros  e  resultados  não  é  fato  gerador  de  contribuições  previdenciárias.  21.  Aduz ser legítimo o pagamento de PLR aos administradores, diretores e conselheiros. Afirma que  o termo “trabalhadores” do artigo 1o da Lei 10.101/2000 não está limitado aos empregados, mas  a todos que prestam serviços e trabalham na empresa.  22.  Aduz que a CF/88, artigo 7o, inciso XI assegura a participação nos lucros ou resultados a todo e  qualquer trabalhador. Cita doutrina e jurisprudência.  23.  Ainda é  necessário  observar  que  a  definição  e  o  ajuste da PLR destinada  aos  administradores,  diretores e conselheiros da Cemig são realizados nos moldes definidos pela Lei 6.404/76, artigo  152, § 1o.  24.  Questiona as multas aplicadas, afirmando que a multa de mora estabelecida pelo art. 35 da Lei  8.212/91 permanece existindo, sendo o cálculo feito com base em novos parâmetros. Entende que  a multa aplicada no presente auto de infração deve ser revista e ser limitada a 20%, consoante Lei  8.212/91, art. 35, c/c Lei 9.430/96, art. 44, inciso I.  25.  Afirma que a multa de ofício prevista no artigo 35­A da Lei 8.212/91 era inexistente à época dos  fatos geradores.  26.  Alega  não  existir  sujeição  passiva  solidária  da Cemig Distribuição  SA  e  da Cemig Geração  e  Transmissão SA. Cita o artigo 124 do CTN e afirma que não basta a simples verificação de que  as  empresas  pertencem  ao mesmo  grupo  econômico,  é  imprescindível  a  demonstração  prática  conjunta do mesmo fato gerador ou do interesse de todas na situação que constitui o fato gerador  da obrigação principal, o que não ocorreu. Cita jurisprudência.  27.  Diz ser inconstitucional o artigo 30, inciso IX da Lei 8.212/91, por ser  lei ordinária, e entender  que  cabe  à  lei  complementar  estabelecer  normas  gerais  em matéria  tributária.  Cita  doutrina  e  jurisprudência.  28.  Requer  seja  reconhecida  a  ausência  de  caráter  salarial  dos  pagamentos  realizados  aos  trabalhadores da Cemig a título de PLR, julgando­se improcedente o auto de infração; que sejam  excluídos da base de cálculo os valores  referentes  ao  adiantamento de PLR; que  seja  revista  a  multa de mora aplicada  e a multa de ofício;  que  seja  afastada  a  sujeição passiva  em  relação à  Cemig Distribuição SA e da Cemig Geração e Transmissão SA.  A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF.  É o relatório.  Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 7          11    Voto Vencido  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  1609.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.   DAS PRELIMINARES AO MÉRITO  RECURSO DE OFÍCIO  Trata­se de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c  art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c art. 1º da portaria nº 3 de 3/1/2008  do Ministro da Fazenda.  Conforme  descrito  na  decisão  de  primeira  instância,  houve  a  baixa  do  processo em diligência, para que se verificasse, possível duplicidade de pagamento, tendo em  vista que a autoridade fiscal não procedeu ao abatimento dos adiantamentos feitos a  título de  PLR.  Em  relação  a  este  ponto,  simplesmente  acatou  o  julgador  a  proposta  de  retificação feita pela própria autoridade fiscal.   No  caso,  diante  da  alegação  de  que  houve  lançamento  em  duplicidade,  referente  aos  adiantamentos  de PLR,  cód.  rub.  1040,  os  autos  foram baixados  em diligência  para  manifestação  do  auditor  fiscal  autuante  sobre  a  possível  necessidade  de  retificação  do  lançamento, conforme despacho de fls. 1534/1535.  Em  Informação  Fiscal  de  fls.  1569/1572  consta  que  as  alegações  do  contribuinte são pertinentes sobre a forma de pagamento e desconto da parcela paga a título de  PLR, devendo o crédito tributário apurado ser alterado.  Assim,  nas  competências  11/07,  12/07  e  12/08,  o  lançamento  deve  ser  retificado conforme Tabela 1 – Retificação do lançamento.  Quanto  a  este  ponto,  entendo que  nenhum  reparo  deva  ser  feito  na decisão  proferida, razão pela qual NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO  DO MÉRITO  QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR  Quanto  aos  levantamentos  de  PLR,  devemos  primeiramente  identificar  os  fundamentos  da  autoridade  fiscal,  para  que  referidos  valores  constituíssem  salário  de  contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do  lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância.  Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     12  No relatório fiscal, bem descreveu o auditor as regras para que o pagamento  de PLR não constitua salário de contribuição, descrevendo que o pagamento em desacordo com  o previsto na lei, determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR destinados  aos segurados empregados.  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  –  PLR  –  para  os  empregados:  Relativamente  à  negociação  contemplando  o  Regulamento  da  Participação  nos  Lucros  ou  Resultados  ­  PLR,  a  empresa  apresentou  os  Acordos  Coletivos  de  Trabalho  dos  anos  de  2006/2007  de  30/11/2006,  2007/2008  de  11/12/2007  e  14/12/2007,  firmados  com  as  entidades  sindicais  ou  sindicatos  (representativo da categoria de empregados).  Da  análise  do  contido  no  documento  (Acordo  Coletivo  de  Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008  e demais elementos verificados por esta auditoria, verifica­se a  ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19  de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores  pagos  a  título  de  PLR,  representam,  na  verdade,  um  complemento salarial.  Nos  Acordos Coletivos  de  Trabalho,  ao  tratar  da  participação  dos empregados nos  lucros e resultados, as partes  limitam­se a  declarar,  para  os  exercícios  de  2007  e  2008,  a  forma  de  pagamento  com  base  no  resultado  operacional  e  desempenho  empresarial,  sem  qualquer  plano  de  metas  e  resultados  estabelecido,  bem  como  não  há  definição  de  objetivos  a  serem  atingidos, restando claro que o critério para pagamento da PLR  é  subjetivo,  sem  plano  de  metas  a  ser  cumprido,  independentemente  do  esforço  pessoal  do  empregado.  Tal  situação está em desacordo com o disposto na Lei 10.101/2000,  artigo 2o, parágrafo único.  Além disso,  a  cláusula  quinta  do  Acordo Coletivo  de  Trabalho  firmado  em  11/12/2007  determinou  pagamento  de  parcela  a  título  de  PLR,  a  ser  efetuada  até  14/12/2007,  considerando  desempenho  empresarial  verificado  até  o  momento  e  sua  projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias após  a celebração do referido Acordo.  Portanto,  não  existe  nenhuma meta  ou  objetivo  proposto  como  condição para pagamento da denominada participação, apenas  estipulou­se  um  percentual  fixo  de  6,4  remunerações  e  ainda  uma parcela individual fixa de mil reais.  Como  o  acordo  mencionado  ocorreu  em  11/12/2007,  praticamente  transcorrido  todo  o  ano  de  2007,  o  mesmo  evidentemente  não  se  prestaria  a  estabelecer  eventuais  regras  visando­se  incentivar  a  produtividade,  pois  deveriam  estar  pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da  cláusula  quinta  encontram­se  em  desacordo  com  a  Lei  10.101/2000,  que  estabelece,  conforme  exposições  anteriores,  que  os  mesmos  devem  ocorrer  previamente,  ou  seja,  antes  do  início do ano de 2007 e não depois de praticamente findo.  Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 8          13  A  Lei  10.101/2000,  no  art.  3o,  §  2º,  também  veda  que  os  pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou  mais  de  duas  vezes  no  mesmo  ano,  contudo,  o  contribuinte  efetuou  pagamentos  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados  em  01/2007,  03/2007,  04/2007,  11/2007,  12/2007,  03/2008,  05/2008,  09/2008  e  12/2008,  como  se  pode  ver,  tanto  em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de  duas vezes no mesmo ano.  Sendo  assim,  as  parcelas  pagas  aos  trabalhadores  a  título  de  PLR estão em desacordo com a legislação pertinente, integrando  o  salário­de­contribuição  para  todos  os  fins  e  efeitos,  constituindo  base  de  cálculo  das  contribuições  devidas  à  seguridade social.  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  –  PLR  –  Para  administradores,Diretores  e  Membros  de  Conselhos  (contribuintes individuais):  A  Lei  10.101/2000  cuida  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  de  empregados  e  não  se  aplica  aos  contribuintes  individuais.  Os  valores  pagos  pela  empresa  aos  seus  administradores  (não  empregados) a  título de participação em lucros e/ou resultados  (segurados contribuintes  individuais),  constituem­se em parcela  integrante  do  salário­de­contribuição,  portanto,  são  bases  de  cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos  termos  da  Legislação  Previdenciária,  Lei  8.212/91,  art.  28,  inciso  III,  c/c  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999, art. 214, inciso III.  Multa:  O quadro comparativo, constante no Anexo III (fl.98), demonstra  que a aplicação da multa mais benéfica para o contribuinte foi:  ­ Multa de mora correspondente a 24% prevista na Lei 8.212/91  artigo 35, inciso II, ‘a’ (vigente até a data anterior a publicação  da Medida Provisória nº 449/2008) para os Levantamentos P1 e  P3, competências 03/07, 04/07, 11/07, 12/07 e 03/08.  ­  Multa  de  ofício  correspondente  a  75%,  prevista  na  Lei  9.430/96, artigo 44,  inciso  I,  nos  termos do artigo 35­A da Lei  8.212/91,  acrescentado,  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/09  para  os  Levantamentos  P2  e  P4,  competências 01/07, 05/08 e 09/08.  Foi  lançada multa de ofício correspondente a 75%, prevista na  Lei 9.430/96, artigo 44,  inciso I,  nos  termos do artigo 35­A da  Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº 449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/09  para  o  levantamento  P5,  competência 12/08, aplicável ao período.  Responsáveis solidários:  Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     14  Foi  verificada  a  formação  de  Grupo  Econômico  com  as  empresas  CEMIG  Geração  e  Transmissão  S/A  (CNPJ  06.981.176/0001­58)  e  CEMIG  Distribuição  S/A  (CNPJ  06.981.180/0001­16).  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  às  fls. 738/739 e 741/742, com ciência em 30/9/11.  Ou seja, pautada nas faltas apontadas pelo auditor: ausência de regras (metas  claras  e objetivas),  ausência de pacto prévio,  ausência de previsão  legal para o pagamento  a  administradores e contribuintes individuais, verificaremos a adequação do plano aos termos da  lei 10.101/2000.  Contudo,  devemos  inicialmente  considerar  que  o  pagamento  de  PLR  nada  mais é do que uma forma de remunerar o empregado, contudo, por  força constitucional, dita  verba, encontra­se desvinculada do salário, desde que paga nos exatos  termos de lei, ou seja,  tendo a lei 10.101 descrito a forma como o PLR deve ser distribuído, bem como estabelecido  regras  para  o  seu  pagamento,  deverá  o  interessado  cumpri­la,  para  usufruir  do  benefício  constitucional.  Dessa  forma,  conclui  o  auditor,  que  ao  descumprir  quaisquer  dos  preceitos  descritos,  assume  o  recorrente  o  risco  de  não  mais  ter  esses  pagamentos  desvinculados  do  salário,  passando a  ter natureza  salarial  e por conseguinte  faz nascer  a obrigação de efetivar  recolhimentos à título de contribuições previdenciárias sobre o PLR.   Passemos,  agora,  antes  mesmos  de  apreciar  a  procedência  do  lançamento,  identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento.  DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado entende­se por salário­de­contribuição:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,  qualquer que seja a sua forma,  inclusive as gorjetas, os ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)­ grifo  nosso.  A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais  as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de  contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial.  Art. 28 (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 9          15  Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo  com  a  lei  específica  é  que  garantirá  a  não  integração  dos  pagamentos  no  salário  de  contribuição.  Dessa  forma  o  argumento  de  que  os  pagamentos  realizados  a  título  de  PLR,  mesmo  que  desconsiderados  pela  fiscalização  como  tal,  não  se  adequam  à  hipótese  de  incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida.   DO TRABALHO DO AUDITOR E DA APLICAÇÃO DOS TERMOS DA  LEI 10.101.  Da  mesma  forma,  que  mencionado  pelo  recorrente,  grande  é  a  discussão  acerca  das  limitações  do  trabalho  do  auditor,  seja  quanto  a  possibilidade  de  desclassificar  planos  de  PLR,  afastando  a  interpretação  de  adequação  aos  termos  da  lei  que  disciplina  a  matéria.  Nesse  ponto,  é  plausível  a  insatisfação  dos  contribuintes,  tendo  em  vista  que  a  interpretação dada pela autoridade fiscal, muitas vezes mostra­se diametralmente oposta ao que  o  recorrente  interpreta  da  legislação,  ou mesmo  o  que  foi  orientado  por  seus  contadores  ou  advogados.  Contudo,  a  papel  da  auditoria,  no  exercício  da  atividade  vinculada  de  verificar o cumprimento da legislação previdenciária, é sim identificar não apenas as folhas de  pagamento,  mas  em  realizando  a  auditoria  contábil,  verificar,  a  existência  de  outros  pagamentos, que constituam fato gerador de contribuições previdenciárias.  É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros,  dos  mais  diversos  títulos,  como  no  caso  do  PLR,  intimar  o  contribuinte  a  apresentar  os  fundamentos para o referido pagamento. Ao deparar­se com esses instrumentos e considerando  as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não  fator  gerador  de  contribuições  previdenciárias.  Não  se  trata,  portanto  de  desconsiderar  um  acordo  firmado,  ou  interferir  nas  tratativas  ali  acordadas,  MAS  TÃO  SOMENTE,  IDENTIFICAR  SE  O  PLANO  ATENDE  AS  EXIGÊNCIAS  LEGAIS  QUANTO  AO  PAGAMENTO DESVINCULADO DO SALÁRIO.  Falando  mais  objetivamente,  no  caso  de  pagamento  de  PLR,  compete  ao  auditor  verificar  a  norma  que  autoriza  o  pagamento,  e  se  a  mesma  encontra­se  em  conformidade (dentro dos limites) para que os pagamentos sob elas consubstanciados estarão  excluídos  do  conceito  de  salário  de  contribuição,  ou  seja,  cumprem  a  função  prevista  no  próprio texto constitucional.  AUTO APLICABILIDADE DO DISPOSITIVO CONSTITUICIONAL  Porém um ponto, deve ser prontamente enfrentado, posto que seu acatamento  dispensaria a apreciação das demais alegações. Trouxe o recorrente: “por força do que dispõe o  artigo  7  XI  da  Constituição  Federal  os  pagamentos  realizados  a  título  de  PLR  estão  automaticamente excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias”  De forma expressa, a Constituição Federal de 1988  remete à  lei ordinária a  fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma  que trata a questão, nestas palavras:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:   (...)  Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     16  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei.   Parte  dos  argumentos  trazidos  pelo  recorrente  foram  no  sentido  que,  o  pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e  da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR.  Entendo  que  embora  prevista  na  Constituição  Federal  a  desvinculação  do  PLR do salário, o que lhe conferi caráter de imunidade, não há possibilidade de considerar ter o  recorrente a ampla liberdade de efetuar pagamento, sob essa denominação, da maneira que lhe  aprouver. A CF/88,  reporta a  lei ordinária os  limites para que o PLR esteja desvinculado do  salário..  Quanto  a  verba  participação  nos  lucros  e  resultados,  em  primeiro  lugar,  assim, como já bem disse o julgador de primeira instância deve­se ter em mente que é norma  constitucional  de  eficácia  limitada,  o  que  de  pronto  afasta  a  argumentação,  que  pela  sua  natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para  fins de esclarecimento,  cabe  citar,  o  item  02,  do  Parecer CJ/MPAS  no  547,  de  03  de maio  de  1996,  aprovado  pelo  Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis:   (...)  de  forma expressa, a Lei Maior  remete à  lei ordinária  ,  a  fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional  em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação  de  José  Afonso  da  Silva,  como  de  eficácia  limitada,  ou  seja,  aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura,  em  que  o  legislador  ordinário,  integrando­lhe  a  eficácia,  mediante  lei  ordinária,  lhes  dê  capacidade  de  execução  em  termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade  das  normas  constitucionais,  São  Paulo,  Revista  dos  Tribunais,  1968, pág. 150). (Grifamos)  Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca  da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem  os  seus  lucros  com  seus  empregados,  todavia  o  próprio  texto  constitucional  submeteu  ditas  regras aos limites legais, retirando a ampla liberdade a qual entende o recorrente possuir. Senão  vejamos:  EMENTA  DIREITO  CONSTITUCIONAL  E  PREVIDENCIÁRIO  ­  TRABALHADOR  ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  ­ ART. 7º  ,  INC.  XI  DA  CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA  ­  POSSIBILIDADE  DE  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de  1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos  lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O  Supremo Tribunal Federal ao  julgar o Mandado de Injunção  nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória  nº  794,  de  24  de  dezembro  de  1994,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  da  participação  nos  lucros  na  forma  do  texto  constitucional.  3)  A  parcela  paga  a  título  de  participação  nos  lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo  com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins  de incidência da contribuição social.  (...)  Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 10          17  7.  No  entanto,  o  direito  a  participação  dos  lucros,  sem  vinculação  à  remuneração,  não  é  auto  aplicável,  sendo  sua  eficácia  limitada  a  edição  de  lei,  consoante  estabelece  a  parte  final do inciso anteriormente transcrito.  8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e  os  critérios  de  pagamento  da  participação  nos  lucros,  com  a  finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela.  9.  A  regulamentação  ocorreu  com  a  edição  da  Medida  Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  das  empresas  e  dá  outras  providências,  hoje  reeditada  sob  o  nº  1.769­56, de 8 de abril de 1999.  10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus  termos,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  de  participação  nos  lucros  desvinculada  da  remuneração,  mas,  destaco,  a  desvinculação  da  remuneração  só  ocorrerá  se  atender  os  requisitos pré estabelecidos.  11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao  julgar o Mandado  de  Injunção  nº  426,  onde  foi  Relator  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  que  tinha  por  escopo  suprir  omissão  do  Poder  Legislativo  na  regulamentação  do  art.  7º,  inc.  XI,  da  Constituição  da República,  referente  a  participação nos  lucros  dos  trabalhadores,  julgou  a  citada  ação  prejudicada,  face  a  superveniência da medida provisória regulamentadora.  12.  Em  seu  voto,  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  assim  se  manifestou:   O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão  do  Congresso  Nacional  em  regulamentar  o  dispositivo  que  garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e  resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendo­se a  ordem para  efeito  de  implementar  in  concreto  o  pagamento  de  tais  verbas,  sem  prejuízo  dos  valores  correspondentes  à  remuneração.  Tendo  em  vista  a  continuação  da  transcrição  a  edição,  superveniente  ao  julgamento  do  presente WRIT  injuncional,  da  Medida  Provisória  nº  1.136,  de  26  de  setembro  de  1995,  que  dispõe  sobre  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  e  dá  outras  providências,  verifica­se  a  perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os  trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma  constitucional  invocada,  terem  garantida  a  participação  nos  lucros e nos resultados da empresa. (grifei)  14.  O  Pretório  Excelso  confirmou,  com  a  decisão  acima,  a  necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º,  inc. XI),  ficando o pagamento da participação nos  lucros e sua  desvinculação  da  remuneração,  sujeitas  as  regras  e  critérios  estabelecidos pela Medida Provisória.  15.  No  caso  concreto,  as  parcelas  referem­se  a  períodos  anteriores  a  regulamentação  do  dispositivo  constitucional,  em  Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     18  que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o  pagamento de parcelas a título de participação nos lucros.  16.  Nessa  hipótese,  não  há  que  se  falar  em  desvinculação  da  remuneração,  pois,  a  norma  do  inc.  XI,  do  art.  7º  da  Constituição  da  República  não  era  aplicável,  na  época,  consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos)  Neste  contexto  podemos  descrever  normas  constitucionais  de  eficácia  limitada  são  as  que  dependem  de  outras  providências  normativas  para  que  possam  surtir  os  efeitos  essenciais  pretendidos  pelo  legislador  constituinte.  Ou  seja,  enquanto  não  editada  a  norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o  pagamento de PLR, por si só, já encontra­se excluído do conceito de salário de contribuição.  Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91,  nota­se  que  a  exclusão  da  parcela  de  participação  nos  lucros  na  composição  do  salário­de­ contribuição  está  condicionada  à  estrita  observância  da  lei  reguladora  do  dispositivo  constitucional.   A  edição  da  Medida  Provisória  nº  794,  de  29  de  dezembro  de  1994,  que  dispunha  sobre  a participação dos  trabalhadores  nos  lucros ou  resultados das  empresas,  veio  atender  ao  comando  constitucional.  Desde  então,  sofreu  reedições  e  remunerações  sucessivamente,  tendo  sofrido  poucas  alterações  ao  texto  legal,  até  a  conversão  na  Lei  nº  10.101, de 19 de dezembro de 2000.  Aliás,  referente  raciocínio,  encontra­se  em  perfeita  consonância  com  o  entendimento  do  próprio  STF,  que  destaca  que  o  direito  previsto  no  art.  7,  XI  não  é  auto  aplicável, iniciando­se apenas com a lei prevista para regulamentá­lo.  RE 398284 / RJ ­ RIO DE JANEIRO   RECURSO EXTRAORDINÁRIO  Relator(a): Min. MENEZES DIREITO  Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma  Ementa  EMENTA  Participação  nos  lucros.  Art.  7°,  XI,  da  Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse  direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da  Constituição  Federal  começa  com  a  edição  da  lei  prevista  no  dispositivo  para  regulamentá­lo,  diante  da  imperativa  necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das  contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor  a  regulamentação  do  dispositivo.  3.  Recurso  extraordinário  conhecido e provido.  Conforme  descrito  pela  autoridade  fiscal  e  julgadora  os  pagamentos  referentes à Participação nos Lucros pela recorrente constituem salário de contribuição e, por  conseguinte,  sofrem  incidência  de  contribuição  previdenciária,  haja  vista  no  período  em que  foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na  legislação específica.   Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR  já  encontram­se,  por previsão  constitucional,  fora da base de  cálculo  conforme  argumentado  pelo  recorrente,  razão  pela  qual  afasto  esse  primeiro  argumento,  passando  a  análise  do  cumprimento das regras prevista na referida lei.  DA EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO  Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 11          19  A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras :  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art. 3º (...)  § 3º Todos os pagamentos  efetuados  em decorrência de planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  (...)  Assim,  volta­se  novamente  a  uma  questão  nuclear,  qual  o  limite  para  interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000.   Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e  que  as  restrições  atribuídas  pelo  auditor  não  se  sustentam.  Ora,  não  quisesse  o  legislador  estabelecer  limites,  regras  claras,  revisão  do  acordo,  averiguação  do  cumprimento  de metas,  participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de  esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto  constitucional  seria  o  suficiente,  ou  no  mínimo  a  lei  10.101/2000,  precisaria  ter  apenas  2  artigos, conforme os 2 primeiros acima transcritos. Data vênia, aos que entendem que o auditor  tem  levado  ao  extremo  as  averiguações  do  cumprimento  da  lei  10.101/2000,  entendo  ser  da  competência  dos  órgãos  colegiados,  justamente  corrigir  os  exageros,  ou  mesmo  as  interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e  de  exigências  legais  para  a  referida  desvinculação,  que  nada  mais  são,  do  que  reflexos  da  vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados  desvinculadas do salário.  Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     20  Art.1o  Esta  Lei  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração  entre  o  capital  e  o  trabalho  e  como  incentivo  à  produtividade,  nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  Também dois pontos merecem ser enfrentados prontamente:  DA DESVINCULAÇÃO COM O TRABALHO DESENVOLVIDO  Neste  ponto  já  rechaço  argumento  do  recorrente  de  que  o  pagamento  em  questão  não  possui  correlação  com  o  trabalho  prestado,  ou mesmo  não  se  caracteriza  como  contraprestação  pelo  serviço  prestado.  Segundo  ele,  fl.  1636:  “Para  tal  raciocínio  deve  ser  tomado  como  base  a  análise  do  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias,  que  é  o  pagamento  de  remuneração  ao  trabalhador  pelo  trabalho  desenvolvido.  Nesse  esteio,  os  valores de distribuição de lucros, em consonância com a doutrina exposta, amplamente aceita  na  seara  justrabalhista,  tem  como  finalidade  o  incentivo  à  produtividade  e  ao  maior  envolvimento do trabalhador na empresa, sendo uma verba paga, não pelo trabalha, mas para  o melhor desempenho do colaborador em seu trabalho. Assim, pode­se verificar a ausência do  caráter retributivo da referida verba.”  Qual  seria  outra  forma  de  enquadrar  o  pagamento  de  PLR,  que  não  contraprestação  pelo  serviço  prestado.  Tanto  o  é,  que  se  estabelecem  metas  de  trabalho,  desempenho,  como  forma de  estímulo  para  que  o  empregado,  produza  cada vez mais,  e  por  conseguinte,  sinta­se  recompensado.  Não  estou  dizendo  com  isso  que  PLR  é  salário.  Pelo  contrário, entendo estar claro no texto constitucional que a PLR será desvinculada do salário,  porém,  trata­se  de  norma  com  limitações  prevista  em  lei  específica,  como  reportamos  anteriormente.  Nem  tampouco,  acato  os  argumentos  de  que  não  se  tratam  de  valores  recebidos pelo trabalho. Respeito o posicionamento defendido pelo recorrente, contudo, possuo  entendimento  diverso  a  respeito  do  tema.  Independente  da  participação  nos  lucros  ou  resultados paga pela recorrente estar em conformidade com a lei, fato é, que conforme descrito  em seus acordos, tem por base o resultado operacional da empresa, sendo fator importante para  que  se determine o montante  a  ser distribuído. Ora,  não  fosse o  empenho do empregado em  alcançar cada vez mais resultados positivos, como se falaria em uma avaliação positiva do seu  trabalho. É fato que a PLR nada mais almeja do que o engajamento do empregado no capital da  empresa, para que o mesmo sinta­se estimulado a executar suas atividades em prol, não apenas,  do  seu  crescimento  na  empresa,  mas  do  crescimento  de  toda  a  empresa.em  si  O  seu  engajamento renderá frutos não apenas sobre o crescimento do negócio, mas lhe proporcionará  pagamentos  na  modalidade  de  participação  nos  lucros.  É  nesse  sentido,  que  discordo  do  recorrente de que encontra­se desvinculado do trabalho.   Muito menos, acato o entendimento de  tratar­se de verba  recebida “para” o  desempenho da atividade profissional. Entendo, que para estar classificada nessa modalidade,  deve  o  pagamento  ou  a  utilidade  ser  indispensável  para  o  desempenho  da  atividade  profissional, enquadraria nessa possibilidade, o auxílio combustível, quando utilizado carro no  desempenho  profissional,  assim  como  o  fornecimento  de  um  carro,  o  fornecimento  de  uniforme, de um equipamento etc. Nos demais casos, assim como no PLR, quando se fornece  Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 12          21  algo, sem que esse seja indispensável para ao desempenho, podemos dizer que o recebimento  dessa  verba  é  feito  simplesmente  “pelo”  vínculo  de  emprego,  razão  pela  qual,  caso  não  enquadrado  em  uma  das  exclusões  legais,  passa  a  compor  o  conceito  de  remuneração  e  por  conseqüência o de salário de contribuição.  CUMPRIMENTO DO ART. 2 DA LEI 10.101/00 E MP ANTERIORES  Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são  as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a  sua natureza salarial:  Ø  Comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria;  (grifo  nosso)  Ø  Convenção ou acordo coletivo de trabalho.  Dessa  forma,  os  empregados  e  empregadores  de  comum  acordo  poderiam  eleger  qualquer  dos mecanismos  descritos  no  dispositivo  legal  para  atribuir  legitimidade  ao  acordo  proposto,  porém  ao  elegê­los,  deveriam  ter  cumprido  o  rito  procedimental  para  sua  formalização,  o  que  não  restou  demonstrado  em  todos  os  casos.  Apenas  para  esclarecer  no  presente  caso,  optou  a  autoridade  a  empresa  por  utilizar  como  instrumento  de  validade  do  pagamento do PLR o acordo coletivo.  DA APRECIAÇÃO DOS ACORDOS  Ao  contrário  do  que  tenta  demonstrar  o  recorrente,  não  entendo  que  os  auditores  e  o  julgador  tenham  simplesmente  feito  juízo  de  valor,  ou  conclusão  por  mera  presunção, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas.  Neste  ponto,  o  primeiro  argumento  trazido  pelo  auditor  foi  a  ausência  de  metas, regras, ou critérios que estabelecidos no acordo e que o relatório de gestão não se referia  a empresa. Vejamos, o que diz a lei 10.101/2000 a esse respeito:  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Acerca  do  descumprimento  do  §  1º  acima  especificado,  descreveu  a  autoridade fiscal em seu relatório:  2.2.1.9­  Nos  Acordo  Coletivos  de  Trabalho,  ao  tratar  da  participação dos empregados nos  lucros e resultados, as partes  Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     22  limitam­se  a  declarar,  para  os  exercícios  de  2007  e  2008,  a  forma  de  pagamento  com  base  no  resultado  operacional  e  desempenho empresarial, conforme cláusulas abaixo indicadas:  Esta  garantia  mínima,  prevista  nas  cláusulas  anteriormente  mencionadas dos Acordos Coletivos de Trabalho, sem qualquer  plano de metas e resultados estabelecido, bem como a ausência  de  definição  de  objetivos  a  serem  atingidos,  é  comandada  nas  folhas de pagamento sob as rubricas códigos: 1003 ­ PLR Part  Lucros Result, 1009 ­ PLR Part Lucros Result, 1033 ­ PLR, 1040  ­ Adiantamento PLR e 1043 ­ Diferença.  2.2.1.11­  Da  leitura  dos  Acordos  Coletivos  de  Trabalho  apresentados,  restou  claro  que  o  critério  para  pagamento  da  Participação nos Resultados  é  subjetivo,  sem plano de metas a  ser cumpridas, independe do esforço pessoal do empregado.  2.2.1.12­ Tal  situação colide  frontalmente com a disposição da  Lei  nº  10.101/2000,  que  em  seu  artigo  2o,  §  único,  determina  que,  dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos de aferição do que for acordado.  2.2.1.13­  Dessa  forma,  considerando  a  incipiência  dos  instrumentos  apresentados  e  aventando  a  possibilidade  de  ter  sido feita a opção por outro procedimento preconizado na Lei nº  10.101/2000  e  mais,  sendo  de  suma  importância  para  o  desenvolvimento  da  Auditoria  fiscal,  através  do  Termo  de  Intimação Fiscal n° 1 de 10/06/2011 e do Termo de  Intimação  Fiscal  n° 2 de  05/08/2011,  a  empresa  foi  intimada a  prestar  à  Fiscalização  as  informações  ou  esclarecimentos  necessários  conforme a seguir:  2.2.1.13.1­  Informações  detalhadas  acerca  do  regulamento,  de  forma a demonstrar as regras claras e objetivas quanto à fixação  dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas,  inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para revisão dos acordos.  2.2.1.13.2­ Comprovar a formação e composição das comissões  escolhidas  pelas  partes,  integradas,  também,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria,  com  abrangência  dos  trabalhadores  lotados  em  todas  as  Unidades  da  empresa  no  território  nacional,  relativamente  a  todo o período fiscalizado.  Em  atendimento  à  intimação  supra,  a  empresa  informou  em  síntese o que segue:  2.2.1.14.1­ Que as regras para o pagamento da Participação nos  Lucros  ou  Resultados  ­  PLR  foram  estabelecidas  nos  Acordos  Coletivos de Trabalho apresentados;  2.2.1.14.2­  Que  o  Plano  de Metas  relativo  à  Participação  nos  Lucros ou Resultados  ­ PLR é em conformidade aos Relatórios  de Gestão apresentados.  Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 13          23  2.2.1.15­  Com  relação  ao  plano  de  metas  mencionado  pela  empresa temos a informar:  2.2.1.15.1­ O documento apresentado é o Relatório de Gestão de  outra  empresa:  CEMIG  Distribuição  S.A.  ­  CNPJ:  06.981.180.0001­16;  2.2.1.15.2­ Embora a CEMIG Distribuição S.A. compõe o mesmo  grupo  econômico  da  Companhia  Energética  Minas  Gerais­ CEMIG, tal documento não pode ser aceito como plano de metas  desta,  tendo  em  vista  que  as  empresas  têm  personalidade  jurídica  distintas,  com  objetivos  sociais  diferentes,  portanto,  cada uma delas devem possuir plano de metas separados;  2.2.1.15.3­ Ademais, o Relatório de Gestão apresentado, relativo  exclusivamente a outra empresa: CEMIG Distribuição S.A., não  representa  ou  contém  em  seu  conteúdo  programa  de  metas,  previsto  no  inciso  II,  do  §  1º  do  art.  2º  da  Lei  nº  10.101  de  19/12/2000, com resultados e prazos pactuados previamente;  2.2.1.15.4­  Portanto,  para  empresa:  Companhia  Energética  Minas  Gerais­CEMIG,  não  foi  apresentado  qualquer  plano  de  metas.  2.2.1.16­ Os Acordos Coletivos de Trabalho, em suas cláusulas  quarta  e  quinta  prevêem  uma  “garantia  de  participação  mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos  empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado,  configurando­se  verdadeira  gratificação  ajustada,  sem  nenhum  caráter  de  “participação  nos  lucros  ou  resultados”,  desvirtuando completamente o disposto no art. 3º,  caput, da  lei  que rege a matéria, quando assevera que a participação de que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa  a  remuneração  devida a qualquer empregado.  Em contrapartida, compete­nos apreciar as alegações do recorrente quanto ao  cumprimento do referido requisito. Assim, descreveu em seu recurso:  Argumenta  que  há  anos  desenvolve  a  política  de  retribuir  o  esforço  e  a  produtividade  de  seus  trabalhadores,  que  não  há  duvida de que a base de cálculo da PLR sempre foi os resultados  da  receita  e  lucratividade  da  empresa  e  que,  portanto,  quanto  mais o funcionário contribui para o incremento desses números,  maior será seu retorno financeiro individual.  Conclui  que  mesmo  que  sejam  desconsideradas  as  metas  estipuladas  nos Relatórios  de Gestão  2007  e  2008,  não  restam  dúvidas  que  o  critério  adotado  pela  Cemig  (lucratividade)  é  suficiente  para  estimular  o  esforço  e  a  produtividade  de  seus  funcionários.  Afirma  que  o  rol  de  critérios  e  condições  para  pagamento  da  PLR  estabelecidos  na Lei 10.101/2000  é  exemplificativo,  sendo  desnecessária  a  prévia  definição  de  metas  para  a  outorga  do  direito à PLR.  Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     24  METAS E CRITÉRIOS NÃO INCLUÍDOS NO ACORDO NEGOCIADO:  As  metas  ou  critérios  tem  que  ser  negociados  quando  da  realização  dos  acordos, conforme descrito expressamente na lei e acima grifado, não interessando se feitos no  próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumpra­se o mesmo rito para  sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. Não  há de se acatar sejam as mesmas estipulados posteriormente pela empresa (de forma unilateral),  conforme  trazido  pelo  auditor  e  enfatizado  pelo  recorrente,  donde  descreve  a  existência  de  relatórios de gestão. O que se busca são critérios que sejam negociados não impostos.   Entendo sim, que a lucratividade pode consubstanciar o pagamento, e como  não podê­lo,  se o este  resultado positivo, que se quer dividir com os  trabalhadores,  contudo,  definir  que o  resultado  global  será  distribuído  de  acordo  com  o  número  de  trabalhadores  no  momento  que  se  apurar  o  referido  resultado  estabelecido  para  pagamento,  desde  que  seja  estabelecido  também  critérios  para  que  se  defina  o  papel  de  cada  trabalhador  ou  setor  envolvido para que determine o montante de cada trabalhador. Ao descrever um montante sem  definição  de  qualquer meta  ou  resultado  a  que  se  alcance,  nada mais  se  faz,  senão  dar  uma  gratificação  a  todos  os  empregados  de  forma  igualitária,  independente  do  quanto  o  engajamento de cada um influenciou no resultado.  Conclusão:  DESSA  FORMA,  A  NÃO  INCLUSÃO  DOS  CRITÉRIOS  E  METAS  NOS  INSTRUMENTOS  DECORRENTES  DA  NEGOCIAÇÃO  DETERMINA  O  DESCUMPRIMENTO DO § 1º, CONFORME MENCIONADO PELO AUDITOR.  Aliás no próprio acordo, Cláusula quarta, fl. 217, dispõe no item a: “Metas e  Estabelecimento  do  valor  a  ser  distribuído:  As  metas  estabelecidas  para  o  ano  de  2006,  pactuadas  pelo  grupo  de  Trabalho,  composto  por  membros  da  CEMIG  e  dos  sindicatos  e  estabelecido para analisar os aspectos relacionados ao PLR de 2006­2007 serão revisadas até  dezembro  de  2006  e  são,  dentre  outras,  aquelas  voltadas  para  o  planejamento  estratégico  empresarial,  acompanhadas  através  do  BSC.  Caso  sejam  alcançadas,  o  montante  a  ser  distribuído (...)”  NÃO  DEFINIÇÃO  DE  METAS,  LEVA  A  SUBJETIVIDADADE  E  AO  DESVIRTUAMENTO DO PLR.  Não se deve conferir ao caráter de subjetividade tanto enfoque, de forma, que  o pagamento afaste­se do conceito de alcance de resultados obtidos pela empresa, sejam eles  lucros  ou  crescimento,  e  passe  a  individualmente  ser  utilizado  como  critério  de  premiação  individual dos trabalhadores.  Entendo  que,  ao  conferir  muita  subjetividade  ao  pagamento,  fugindo  de  critérios objetivos e dos limites do acordo estipulado a empresa, foge a essência do pagamento  de PLR e desvirtua o pagamento, concedendo ao empregado mero prêmio desempenho, verba  contraprestativa com nítida feição salarial.  A empresa por outro  lado,  tem a ampla e  irrestrita  liberdade de pagar PLR,  eleger  por  qual  dos  instrumentos  previstos  na  lei  irá  consolidar  o  ato,  determinar  as  regras,  critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferí­las, contudo deverá observar  as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente,  no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do  pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza  passa  a  ser  de  verba  salarial,  equiparando­se  a  diversas  outras  verbas,  que  pelo  seu  mero  Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 14          25  pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prêmios, gratificações, gorjetas,  bônus etc.  PACTUAÇÃO PRÉVIA  O  requisito  pactuação  prévia,  também  foi  indicado  pelo  auditor  como  descumprimento  de  exigência  legal,  razão  pela  qual  merece  ser  apreciado.  Segundo  o  recorrente a  lei não exige pacto prévio ao exercício. Em que pese o posicionamento adotado  por ilustres colegas desse colegiado, não me filio a essa tese.  Acredito ser o argumento pacto prévio o mais  importante para que se possa  definir o regularidade dos planos, sendo determinante para procedência da autuação. Devemos  ter  em  mente  a  natureza  do  pagamento  PLR  e  de  sua  finalidade,  qual  seja,  estimular  o  empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros,  que serão com ele repartidos.  Entendo, ser o requisito pacto prévio, fundamental, para que se faça cumprir  os preceitos da  lei  10.101/00. No caso  em questão  a  autoridade  fiscal,  conforme descrito no  relatório fiscal, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos  feitos à título de participação nos lucros, também sob o fundamento de falta de acordo prévio  aos períodos em que se baseavam os pagamentos.  2.2.1.7­  Relativamente  à  negociação  contemplando  o  Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados ­ PLR, a  empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos  de  2006/2007  de  30/11/2006,  2007/2008  de  11/12/2007  e  14/12/2007,  firmados  com  as  entidades  sindicais  ou  sindicatos  (representativo da categoria de empregados).  2.2.1.8­ Da análise  do  contido no  documento  (Acordo Coletivo  de Trabalho)  que  tratou  do  assunto,  para  o  período  de  2007  e  2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verifica­ se a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de  19  de  dezembro  de  2000,  que  regula  a  matéria,  portanto,  os  valores  pagos  a  título  de  PLR,  representam,  na  verdade,  um  complemento salarial.(...)  2.2.1.16­ Os Acordos Coletivos de Trabalho, em suas cláusulas  quarta  e  quinta  prevêem  uma  “garantia  de  participação  mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos  empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado,  configurando­se  verdadeira  gratificação  ajustada,  sem  nenhum  caráter  de  “participação  nos  lucros  ou  resultados”,  desvirtuando completamente o disposto no art. 3º,  caput, da  lei  que rege a matéria, quando assevera que a participação de que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa  a  remuneração  devida a qualquer empregado.  2.2.1.17­ Ressalte­se que, a cláusula quinta do Acordo Coletivo  de  Trabalho  firmado  em  11/12/2007  determinou  pagamento  de  parcela  a  título  de  PLR,  a  ser  efetuada  até  14/12/2007,  considerando desempenho empresarial verificado até o momento  e sua projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias  após a celebração do referido Acordo.  Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     26  2.2.1.18­  Desta  forma,  pode­se  observar,  em  decorrência  da  cláusula  quinta  do  Acordo  Coletivo  de  Trabalho  firmado  em  11/12/2007, que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto  como  condição  para  pagamento  da  denominada  participação,  apenas  estipulou­se  um  percentual  fixo  de  6,4  (seis  inteiros  e  quatro décimos) remunerações e ainda uma parcela  individual  fixa  de  R$  1.000,00  (hum  mil  reais)  “Montante  a  ser  Distribuído”.  2.2.1.19­ Como o acordo mencionado anteriormente ocorreu em  11/12/2007,  praticamente  transcorrido  todo  o  ano  de  2007,  o  mesmo  evidentemente  não  se  prestaria  a  estabelecer  eventuais  regras  visando­se  incentivar  a  produtividade,  pois  deveriam  estar  pactuadas  previamente.  Os  pagamentos  efetuados  nos  termos da cláusula quinta encontram­se em desacordo com a Lei  10.101/2000,  que  estabelece,  conforme  exposições  anteriores,  que  os  mesmos  devem  ocorrer  previamente,  ou  seja,  antes  do  início do ano de 2007 e não depois de “praticamente findo”.  2.2.1.20­  A  justificativa  utilizada  para  o  pagamento  (excelente  desempenho  empresarial  verificado  até  a  presente  data)  é  claramente subjetiva, além de referir­se novamente a um período  já  transcorrido,  anterior  à  negociação,  não  afetando,  pelos  motivos já descritos, a produtividade.  2.2.1.21­  Ao  estabelecer  critérios  após  a  ocorrência  dos  fatos,  com os resultados já consumados, as  tratativas obviamente não  influenciaram  a  produtividade  ou  ganhos  porventura  alcançados.  Basta  imaginar  que mesmo  que  não  se  estipulasse  nada  ou  que  nem  houvesse  negociações  ou  quaisquer  acordos,  não  haveria  qualquer  mudança  nos  fatos  transcorridos,  e  consequentemente na produtividade.  Se  não  se  exigisse  acordo  prévio  ao  trabalho  desempenhado,  poder­se­ia  vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por  parte do  empregador de uma  futura participação  nos  lucros,  resultasse no  incremento  ínfimo  em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentir­se estimulado o empregado, tem que ter a  mínima noção  do  quanto  esse  seu  empenho,  trar­lhe­á  de  resultados,  até  para  que  o mesmo  verifique seu interesse em dedicar­se de forma mais profícua.   Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e  resultados  e  a  participação  do  empregado  no  capital  da  empresa  (essa  é  a  base  do  texto  constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento,  tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de  distribuição  dos  lucros  alcançados).  Assim,  como  falar  em  envolvimento  do  empregado  na  empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em  termos  de  participação.  É  nesse  sentido,  que  entendo  que  a  lei  exigiu  não  apenas  o  acordo  prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento  por parte do  trabalhador de quais as  regras,  critérios  (ou mesmo metas), que deverá alcançar  para  fazer  jus  ao pagamento. Da mesma  forma,  vislumbra­se  a necessidade de  critérios para  que  se mensure  o  alcance  dos  resultados  inicialmente  estipulados,  assim,  como  descreveu  a  autoridade fiscal.  CONCLUSÃO:  ENTENDO  QUE  O  REQUISITO  PACTO  PRÉVIO  RESTOU  DESCUMPRIDO  EM  RELAÇÃO  A  TODOS  OS  PLR,  QUANDO  SÓ  REALIZADO O ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO PARA O QUAL SE REFERE.  Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 15          27  PAGAMENTO  EM  DESOBEDIÊNCIA  A  PERIODICIDADE  PREVISTA  EM LEI.  Quanto ao aspecto da periodicidade, assim indicou a autoridade fiscal:  2.2.1.22­ Outra vedação estabelecida pela Lei 10.101/2000, no §  2º  do  art.  3º,  é  que  os  pagamentos  ocorram  em  periodicidade  inferior  a  um  semestre  ou  mais  de  duas  vezes  no  mesmo  ano,  conforme se deduz da seguinte transcrição:  “Art. 3o (.....)  (.....)  §  2o  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil”.  2.2.1.23­ Contudo, conforme se pode constatar ao analisar­se o  ANEXO  I  deste  relatório,  o  contribuinte  efetuou  pagamentos  a  título  de  participação  nos  lucros  e  resultados  em  01/2007,  03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008  e 12/2008, como se pode ver,  tanto em periodicidade inferior a  um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano,  contrariando,  portanto,  a  vedação  constante  no  referido  parágrafo § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000.  2.2.1.24­  Cabe  ressaltar  que  a  simples  titulação  dada  a  um  pagamento  é  insuficiente  para  determinação  de  sua  natureza  tributária  e  previdenciária.  Para  tal,  necessário  se  faz  uma  análise  apurada da  realidade  dos  fatos  que  o  envolvem. Desse  modo, apesar de intitulado pelo contribuinte como “participação  em  lucros  e/ou  resultados”,  os  pagamentos  analisados  não  guardam  tal natureza por  se  encontrarem em desacordo com a  Lei 10.101/2000.  Por  outro  lado  a  empresa  assim,  descreveu  seu  entendimento  acerca  da  periodicidade:  Destaca  que  não  há  necessidade  de  que  os  pagamentos  sejam  feitos  um em cada  semestre,  com diferença  de  seis meses,  uma  vez que a Lei 10.101/2000, art. 3o, § 2o, refere­se a pagamentos  efetuados em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais  de duas vezes no mesmo ano.  Cita Consulta Técnica 507, de 21/7/04, do INSS. Conclui que a  quantidade  de  pagamentos  efetuada  pela  empresa  deve  ser  analisada em relação a cada trabalhador e que a PLR pode ser  paga no máximo  em duas  vezes  no ano civil,  no mesmo ou  em  distinto semestre.  Não  fossem  os  demais  requisitos  apontados  pelo  auditor  suficientes  para  a  irregularidade do PLR pagos pela recorrente, realmente, a lei não admite o pagamento de PLR  mais duas vezes no ano, ou com periodicidade  inferior a um semestre civil, ou seja, entendo  Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     28  que os dois prazos são cumulativos e não uma opção, conforme trazido pelo recorrente. Assim,  ao pagar PLR em desconformidade com a lei, também em relação a periodicidade, passam os  valores distribuídos a compor o conceito de salário de contribuição.  Contudo, também indicou o recorrente que para os meses 04/2007 e 05/2008  e  09/2008,  houve  o  pagamento  para  os  empregados  desligados.  Esse  fato,  não  merece  ser  tratado como outra parcela de PLR, mas simples ajuste do mesmo, como o fim de realizar o  pagamento  quando  do  desligamento  da  empresa.  Basta­nos  observar  o  relatório  DAD  para  identificarmos, que os montantes distribuídos nesse competência são  irrisórios em relação ao  mês do pagamento do PLR, razão pela qual não devem ser essas competências utilizadas para  descumprimento do requisito semestralidade.  O mesmo raciocínio deve ser aplicado ao pagamento de PLR em 01/2007 e  04/2007,  pois  trata­se  de  diferença  resultante  de  reajuste  salarial,  que  pelo  montante  distribuído, observamos novamente não tratar­se de parcela adicional.  Portanto,  devem  ser  considerados  como meses  de  efetiva  distribuição,  para  fins de apreciar o cumprimento da lei, apenas: 03/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 12/2008.  Assim, entendo que o descumprimento persiste em relação ao meses de 11 e 12/2007.  TRATAMENTO EM RELAÇÃO A COMPETÊNCIA 12/2008.  Conforme  verificamos  acima,  não  ocorreu  para  a  competência  12/2008,  levantamento P5, descumprimento da regra periodicidade para o ano de 2008, posto não houve  pagamento  mais  de  2  vezes  no  ano,  nem  tampouco  ultrapassou,  a  periodicidade  semestral  prevista  no  §  2º  do  art.  3º,  é  que  os  pagamentos  ocorram  em  periodicidade  inferior  a  um  semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano, conforme se deduz da seguinte transcrição:  Da mesma, forma, em relação a essa competência, não podemos estabelecer  que  não  haja  a  pactuação  das  regras  para  pagamento  sido  realizadas  em período  anterior  ao  efetivo  trabalho,  já que  segundo o  relatório  fiscal,  fl.  17 os  acordos que  consubstanciaram o  lançamento foram pactuados:  2.2.1.9.2  ­ANO  de  2008  ­  firmado  em  11/12/2007  ­  SINDIELETRO: Previsto na  cláusula Quinta o pagamento  com  base no desempenho empresarial;  2.2.1.9.3­  ANO  de  2008  ­  firmado  em  14/12/2007­  SINTEC:  Previsto  na  cláusula  Quinta  o  pagamento  com  base  no  desempenho empresarial.  Ou  seja,  o  argumento  da  fiscalização  em  relação  a  essa  competência,  "ausência de pactuação  prévia  ao  exercício,  também não  restou  configurado,  razão pela qual  não  há  como  manter  o  lançamento  em  relação  a  essa  competência  para  os  segurados  empregados, posto que não trouxe a autoridade fiscal, outros fundamentos de descumprimento  dos preceitos da lei 10.101/2000.  QUANTO  AO  VÍCIO  PARA  EXCLUSÃO  DA  COMP.  12/2008  ­  PLR  EMPREGADOS  Dessa forma, entendo que a falta da descrição sobre outros fundamentos que  validariam o lançamento,  levaria a anulação do levantamento P5 (12/2008), por vício formal,  por  se  tratar  do  não  preenchimento  de  todas  as  formalidades  necessárias  a  validação  do  ato  administrativo, conforme destaco abaixo.  Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 16          29  Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não  somente  a  exteriorização  do  ato,  mas  também  as  formalidades  que  devem  ser  observadas  durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes  à  publicidade  do  ato. Nesse  sentido  é  a  lição  de Maria  Sylvia  di  Pietro,  na  obra Manual  de  Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200.  Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in  verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja,  a exposição  dos  fatos  e  dos  direitos  que  serviram  de  fundamento  para  a  prática  do  ato;  a  sua  ausência  impede a verificação da legitimidade do ato.”  Não  se  pode  confundir  falta  de  motivo  com  a  falta  de  motivação.  A  motivação  é  a  exposição  de  motivos,  ou  seja,  é  a  demonstração,  por  escrito,  de  que  os  pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O  motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias,  que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática  do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que  se  baseia  o  ato;  pressuposto  de  fato,  corresponde  ao  conjunto  de  circunstâncias,  de  acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo  ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo.   No  lançamento  fiscal  o  motivo  é  a  ocorrência  do  fato  gerador,  esse  inexistindo  torna  improcedente  o  lançamento,  não  havendo  como  ser  sanado,  pois  sem  fato  gerador  não  há  obrigação  tributária.  Agora,  a  motivação  é  a  expressão  dos  motivos,  é  a  tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização.   Logo,  se  há  falha  na  motivação,  o  vício  é  formal,  se  houver  falha  no  pressuposto  de  fato  ou  de  direito,  o  vício  é material,  o  que  levaria  a  se  dar  provimento  ao  recurso nessa parte, fato a não comprovação do fato gerador. Não entendo que seja esse o caso,  posto que a conclusão que se chegou é que os dois fundamentos trazidos pela autoridade fiscal,  quais sejam: falta de pactuação prévia e inobservância da periodicidade restaram afastados.   APLICAÇÃO  DA  LEI  10.101/2000  NO  PAGAMENTO  A  CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS  Vale  de  pronto  afastar  também,  os  argumentos  do  recorrente  que  que  o  dispositivo  constitucional,  por  si  só  ,  já  afastaria  para  todo  e  qualquer  trabalhador  a  “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração.  De forma expressa, a Constituição Federal de 1988  remete à  lei ordinária a  fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:   (...)  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei.   Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     30  A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”,  § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras:   Art. 28 ­ § 9º Não integram o salário­de­contribuição:   (...)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica.   A  edição  da  Medida  Provisória  nº  794,  de  29  de  dezembro  de  1994,  que  dispunha  sobre  a participação dos  trabalhadores  nos  lucros ou  resultados das  empresas,  veio  atender  ao  comando  constitucional.  Desde  então,  sofreu  reedições  e  renumerações  sucessivamente,  tendo  sofrido  poucas  alterações  ao  texto  legal,  até  a  conversão  na  Lei  nº  10.101, de 19 de dezembro de 2000.  A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras :  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo: (grifo nosso)  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art. 3º (...)  § 3º Todos os pagamentos  efetuados  em decorrência de planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  (...)  Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 17          31  Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou  resultados  da  empresa  resulte  em  impasse,  as  partes  poderão  utilizar­se dos seguintes mecanismos de solução do litígio:  I – Mediação;  II – Arbitragem de ofertas finais.  §  1º  Considera­se  arbitragem  de  ofertas  finais  aquela  que  o  árbitro deve restringir­se a optar pela proposta apresentada, em  caráter definitivo, por uma das partes.  § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo  entre as partes.  §  3º  Firmado  o  compromisso  arbitral,  não  será  admitida  a  desistência unilateral de qualquer das partes.  § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de  homologação judicial.  Cabe observar que o §  2º,  do  art.  2º,  da Lei n  ° 10.101,  foi  introduzido no  ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º,  do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.698­51, de 27 de novembro de 1998.  Note­se, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei  10.101/2000  serve  apenas para  regulamentar  a distribuição no  âmbito dos  “empregados”,  ou  seja,  não  serve  para  afastar  do  conceito  de  remuneração  os  valores  pagos  à  título  de  “participações estatutárias”.  Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as  empresas  enquadrarem  como  resultados,  as  verbas  salariais.  A  Lei  n  °  10.101,  resultado  da  conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. O empregado tem que  obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas  à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial.  Não  serve  também  como  argumento  o  fato  de  que  o  “caput  do  art.  7  da  CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art.  7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, refere­se ao direitos  dos  “empregados  urbanos  e  rurais”. Os  direitos  elencados  no  dispositivo  constitucional,  nos  trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional  de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial,  licença  maternidade,  licença  paternidade,  aviso  prévio,  previsão  de  indenização  no  caso  de  dispensa  imotivada,  salário  família,  horas  extras,  adicional  noturno,  insalubridade,  periculosidade, dentro outros muitos  ali  elencados,  são assegurados apenas aos  trabalhadores  detentores  de  uma  relação  de  emprego,  ou  seja,  garantidos  aos  empregados.  No  parágrafo  único,  também  observamos  a  nomenclatura  “trabalhadores”,  porém  com  referência  aos  empregados domésticos.  Assim,  não  acato  o  argumento  do  recorrente  de  que  o  termo  trabalhador  descrito  também  na  lei,  é  capaz  de  abranger  a  categoria  de  administradores  e  demais  contribuintes  individuais.  Veja­se  que  o  termo  autônomo  ou  para  previdência  social,  contribuinte individual, não é uma pessoa que trabalha de forma subordinada, devendo cumprir  Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     32  metas  alcançar  resultados,  pois  se  assim  o  fosse  estaríamos  atribuindo  um  requisito  de  empregado,  qual  seja  a  subordinação.  Também  vale  lembrar  que  o  trabalho  de  um mesmo  autônomo exigindo o cumprimento de resultados e metas durante um período (exercício) não  deve ser utilizado de forma continuada, pois senão estaríamos atribuindo o segundo requisito  que é a habitualidade na prestação de serviços. Dessa forma, entendo inviável a interpretação  dada pelo recorrente, razão pela qual não a acato.  Por  fim,  vale  mencionar  que  nem  mesmo  poderíamos  analisar  se  o  pagamento em questão estaria de acordo com o descrito na lei 6404/76, posto que na referida  lei a participação dá­se em função do capital investido.  Os  pagamentos  efetuados  possuem  natureza  remuneratória.  Tal  ganho  ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e  da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para  o trabalho como apreciamos anteriormente.  Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e  não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas,  conforme  já  analisado,  deve  persistir  o  lançamento  em  toda  a  sua  extensão  em  relação  aos  contribuintes individuais, negando­se provimento integralmente ao recurso nessa parte.  ARGUMENTO DA MULTA LIMITADA A 20%   Com relação da interpretação em relação a aplicação dos dispositivos da MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941,  entendo  que  os  argumentos  do  recorrente  não merecem  prosperar.  Filio­me  a  tese  adotado  pelo  auditor  fiscal  e  ratificada  pelo  julgador  de  primeira  instância.  No que  tange ao  cálculo da multa,  face  à edição da MP 449/08, convertida  em lei 11.941, a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas  à GFIP.  Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art. 32A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração  de  que  trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou  que a apresentar com incorreções ou omissões será  intimado a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos  e  sujeitar­se­á  às  seguintes multas:  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e  II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mêscalendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.  § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não  Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 18          33  apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.  § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou  II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.  § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e  II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”  Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35­A que  dispõe o seguinte,  “Art. 35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto no art. 44 da  Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”  O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  –  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado  (75%).  As  contribuições  decorrentes  da  omissão  em  GFIP  foram  objeto  de  lançamento,  por  meio  da  notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32­A,  sob pena de bis in idem.  Considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea  “c”,  do  Código  Tributário  Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais  favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No  caso  conforme  descrito  no  relatório  fiscal,  para  que  se  determinasse  o  valor  da multa  a  ser  aplicada,  procedeu­se  ao  comparativo:  com  base  na  antiga  sistemática,  multa moratória,  com  a  aplicação  de multa  pela  não  informação  em GFIP,  e  da  sistemática  descrita  na  nova  legislação.  Na  hipótese  dos  autos,  a  fiscalização  achou  por  bem  aplicar  a  multa  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  nos  termos  explicitados  acima.  Em  relação  as  Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     34  competências anteriores a edição da referida MP (04/12/2008) e considerando que o art. 106  que, inciso II, "c ­ do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) dispõe que ­ tratando­se de  ato  não  definitivamente  julgado  a  lei  aplica­se  a  ato  ou  fato  pretérito  quando  lhe  comine  penalidade menos  severa que a prevista na  lei  vigente  ao  tempo da sua  prática,  efetuamos o  demonstrativo da multa entre as penalidades da legislação posterior e anterior a MP 449/2008  para a aplicação da mais benéfica, conforme Anexo único e resumo abaixo. Observa­se que a  multa  de  75%  só  retroage  nos  meses  em  que  observou  a  autoridade  fiscal,  ser  essa  a mais  favorável ao recorrente.  Ou  seja,  para  efeitos  da  apuração  da  situação  mais  favorável,  observou  o  auditor fiscal notificante:  ·  Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a  multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do  mesmo artigo, ou  ·  Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores  não  declarados,  sem  qualquer  limitação,  excluído  o  valor  de  multa  mantido  na  notificação.  Isto posto, entendo que nenhuma alteração deve ser realizada em relação a multa aplicada.  DA RESPONSABILIDADE DO GRUPO ECONÔMICO  A  base  dos  argumentos  apresentados  pelo  recorrente  e  pelos  responsáveis  solidários,  refere­se  a  impossibilidade  de  atribuir  responsabilidade  solidária  (pela  simples  existência do grupo), é imprescindível a demonstração prática conjunta do mesmo fato gerador  ou do interesse de todas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, o que  não ocorreu.  Neste  sentido,  entendo  que  se  faz  necessário  tecer  comentários  acerca  da  formação  dos  grupos  econômico,  separando­os  em  grupo  de  direito,  ou  formalmente  constituídos  e  grupos  de  fato,  ou  seja,  aqueles  onde  detectado  que,  apesar  de  não  existir  controle acionário direto, existe o interesse comum, como por exemplo, o pagamento comum  de despesas, ou mesmo a utilização de bens móveis ou imóveis, sem qualquer contrapartida ,  ou seja os custos.   No caso ora em análise não se trata de grupo de fato, mas aquele formalmente  constituído,  onde  primeiramente  de  maneira  sucinta  traz  a  autoridade  julgadora  em  seu  relatório a vinculação entre as empresas, por meio de participações sejam enquanto coligadas  ou controladoras.  Ou seja, por  si  só,  entendo que quando existe a participação  formal,  com a  designação  de  gerência  e  controle  de  uma  nas  outra,  razão  existe  para  que  se  proceda  o  lançamento em relação a todos os solidários, grupo econômico de qualquer natureza.  O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria  trazidas nos presentes  autos,  ensejando a possibilidade de  indicação de várias  empresas pelo  montante do débito:   “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou  de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às  seguintes normas:  Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 19          35  [...]  IX  ­  as  empresas  que  integram  grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes desta lei;”  No mesmo sentido, reporta­se a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º  da CLT, ao tratar da matéria:  “Art.  2º  Considera­se  empregador  a  empresa  individual  ou  coletiva,  que,  assumindo  os  riscos  de  atividade  econômica,  admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços.  § 1º [...]  §  2º  Sempre  que  uma  ou mais  empresas,  tendo,  embora,  cada  uma  delas,  personalidade  jurídica  própria,  estiverem  sob  a  direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo  industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica,  serão,  para  os  efeitos  da  relação  de  emprego,  solidariamente  responsáveis  a  empresa  principal  e  cada  uma  das  subordinadas.”  De acordo com o artigo 124, II, do CTN e artigo 30, IX, da Lei u° 8.212/91,  há responsabilidade solidária por divida fiscal entre componentes do mesmo grupo econômico.  (Tribunal  ­  Quarta  Regido,  Ag  ­  Agravo  De  Instrumento,  Processo: 200504010392590, UJ Sc, órgão Julgador.. Primeira  Turma,  Relator  Vilson  Darás,  Dju  Data:01/02/2006,  Página:  325)  EXECUÇÃO  FISCAL.  EMPRESAS  PERTENCENTES  AO  MESMO  GRUPO  ECONÓMICO.RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  CONTROLADORA.  INCLUSÃO  NO  PÓLO  PASSIVO.CITAÇÃO  E  PENIIORA  CONCOMITANTES.  ART.  124,  II,  DO  CTN.  ART.  30,INCISO  IX,  DA  LEI  N.°  8.212/91.  ART. 53 DA LEI N" 8.212/91.  I.  A  responsabilidade  solidaria  entre  empresas  pertencentes  a  um mesmo grupo econômico decorre de lei (art. 124, II, do CTN  c/c  art.30,  inciso  IX,  da  Lei  11.  0  8.212/91).  Inclusão  da  controladora 110 pólo passivo do processo de execução fiscal.  2.  Ademais,  a Me.lzla  SM detém  99,99% das  colas  da Me.sbla  MoveisLtda.  e  a  Lei  n."  8.620/93  (art.  13),  em  relação  aos  débitos  vinculados  à  Seguridade,  estabelece  a  solidariedade  entre a sociedade devedora e o sócio. Precedentes do STI.  3. Em se tratando de débitos previdenciários, a penhora de bens  concomitantemente  conz  a  citação  encontra  expressa  autorização  legal,  a  teor  do  que  dispõe  o  art.  53  da  Lei  n."8.212/91.  4. Agravo conhecido e provido".  Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     36  (Origem:  tribunal  ­  segunda  regido,  agv  ­  agravo  —  64871,  processo:  200002010536342 uf  rj,  terceira  turma  esp,  juiz  jose  neiva/no afast. Relator, din data: 08/02/2006 pagina: 82)  A  doutrina  de  Carlos  Alberto  Pereira  de  Castro  e  Joao  Batista  Lazzari,  in  Manual de Direito Previdenciáio, 8 edição, Ed. Conceito, pg. 294, ao definir grupo econômico,  também  utiliza­se  do  conceito  inserido  no  parágrafo  2°  do  artigo  2`)  da  CLT,  enfatizando,  ainda,  que  a  "solidariedade  fixada  na  legislação  previdenciária  em  relação  ás  empresas  do  mesmo grupo econômico é bem ampla. Basta ulna das componentes do grupo não cumprir as  obrigações  fiscais,  para  outra  delas  ter  de  assumir  a  responsabilidade  por  via  de  solidariedade".  Assim,  entendo  que  a  autoridade  fiscal  demonstrou  a  existência  de  grupo  econômico  (diga­se não  rebatido pelo  recorrente),  os motivos que  a  levaram a determinar as  responsáveis solidárias.  Ademais,  não  compete  ao  auditor  fiscal  agir  de  forma  discricionária  no  exercício  de  suas  atribuições.  Desta  forma,  em  constatando  a  falta  de  recolhimento,  face  a  ocorrência do fato gerador, cumpri­lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de  débito  de  forma  vinculada,  constituindo  o  crédito  previdenciário.  O  art.  243  do  Decreto  3.048/99, assim dispõe neste sentido:  Art.243.  Constatada  a  falta  de  recolhimento  de  qualquer  contribuição  ou  outra  importância  devida  nos  termos  deste  Regulamento,  a  fiscalização  lavrará,  de  imediato,  notificação  fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos  geradores,  das  contribuições  devidas  e  dos  períodos  a  que  se  referem,  de  acordo  com  as  normas  estabelecidas  pelos  órgãos  competentes.  Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito  DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS   No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária  que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, mais especificamente o art. 30, que descreve  a  responsabilidade  solidária  do  grupo  econômico,  frise­se  que  incabível  seria  sua  análise  na  esfera  administrativa. Não pode a  autoridade  administrativa  recusar­se  a  cumprir norma cuja  constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados  na Lei n ° 8.212/1991.   Dessa  forma,  quanto  à  inconstitucionalidade/ilegalidade  na  cobrança  das  contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência  da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional,  razão pela qual correto a atribuição de responsabiliade imputada ao grupo econômico descrito  no AI.  Toda  lei  presume­se  constitucional  e,  até  que  seja  declarada  sua  inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame  da matéria,  deve o  agente público,  como executor da  lei,  respeitá­la. Nesse  sentido,  entendo  pertinente  transcrever  trecho  do  Parecer/CJ  n  °  771,  aprovado  pelo Ministro  da  Previdência  Social em 28/1/1997, que enfoca a questão:  Cumpre  ressaltar  que  o  guardião  da Constituição  Federal  é  o  Supremo  Tribunal  Federal,  cabendo  a  ele  declarar  a  Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 20          37  inconstitucionalidade  de  lei  ordinária.  Ora,  essa  assertiva  não  quer  dizer  que  a  administração  não  tem  o  dever  de  propor  ou  aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de  uma lei sentir que ela é  inconstitucional o Pretório Excelso é o  órgão  competente  para  tal  declaração.  Já  o  administrador  ou  servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o  seu  destinatário  entende  ser  inconstitucional,  quando  não  há  manifestação definitiva do STF a respeito.  A alegação de  inconstitucionalidade formal de  lei não pode ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  ou  examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes)  ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor  e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.   No mesmo  sentido  posiciona­se  este  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais ­ CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão  que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes.  SÚMULA N. 2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Considerando, todos os pontos apreciados no recurso, entendo que a decisão  de  primeira  instância,  encontra­se  acertada  em  quase  sua  totalidade,  com  exceção  da  competência 12/2008 do PLR empregados, posto que os dois  fundamentos apresentados pela  fiscalização para o referido PLR, em relação a essa competência restaram afastados, conforme  o voto apresentado.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  dos  recursos  de  ofício  e  voluntário, para no mérito: 1) NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO; 2) DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  AO  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  apenas  para  excluir  do  lançamento,  por  vício  formal,  o  levantamento  em  relação  a  competência  12/2008  do  PLR  empregados, mantendo o lançamento em relação a todos os demais levantamentos, pelas razões  expostas no voto.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.  Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     38    Voto Vencedor  Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo ­ Redator Designado  Competência 12/2008  Do  voto  da  Ilustre  Relatora  depreende­se  que  o  encaminhamento  foi  por  declarar  nula  por  vício  formal  a  atuação  para  a  competência  12/2008.  O  primeiro  motivo  adotado foi que a regra da periodicidade não houvera sido descumprida para esta competência.  Em  segundo  lugar,  a  Relatora  revela  que  a  ausência  de  pactuação  prévia  ao  exercício  da  aquisição do direito ao recebimento da PLR não se verificou para esta competência, portanto,  diante  da  falta  de  configuração  dos  motivos  eleitos  pelo  fisco  para  tributação  da  verba  em  12/2008, conclui­se pela anulação das contribuições lançadas por vício formal.  Não  concordo,  data  vênia,  com  a Relatora  quanto  à  natureza  da  invalidade  parcial do lançamento, que levou à exclusão dos fatos geradores ocorridos em 12/2008.  Inicialmente,  peço  licença  para  tratar  de  sucintamente  dos  elementos  que  constituem  o  procedimento  de  lançamento,  para  depois  discorrer  sobre  as  consequências  jurídicas advindas de vícios em cada um dessas partes que compõem o ato procedimental de  constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume.   Compõem o ato de lançamento:  a)  Requisitos:  são  as  formalidades  que  integram  a  substância  do  ato  de  lançamento,  integrando  sua  própria  estrutura.  A  sua  normatividade  situa­se  no  art.  142  do  CTN, verbis:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Assim,  a  descrição  do  fato  gerador,  a  determinação  da  base  de  cálculo,  a  aplicação  da  alíquota  para  obter  o  valor  do  tributo  e  a  identificação  do  sujeito  passivo  são  considerados requisitos do lançamento.  b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura  do  lançamento,  são  imprescindíveis  para  a  formação  do  ato,  a  exemplo  de  cientificação  do  início  do  procedimento  fiscal,  intimação  para  apresentação  de  documentos,  cumprimento  de  normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais  do crédito, equívoco na citação dos fundamentos legais, etc.  c) Condições:  são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que  sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo.  Tenho  entendido  que  os  vícios  situados  nos  pressupostos  e  condições  do  lançamento acarretam em declaração de vício  formal do mesmo ou no seu saneamento, caso  Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 21          39  possível. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais,  posto que a falha localiza­se em elemento exterior ao lançamento.  Ao contrário, quando a mácula situa­se nos requisitos do lançamento, deve­se  fulminá­lo  por  vício  material,  quando  a  autoridade  julgadora  esteja  convencida  de  que  efetivamente  ocorreu  o  fato  gerador,  todavia,  houve  falha  na  sua  descrição,  no  cálculo  do  tributo ou na identificação do sujeito passivo.  Ainda sobre os requisitos do lançamento, para as situações em que as provas  colacionadas  e  a  motivação  do  fisco  não  trazem  o  convencimento  da  ocorrência  do  fato  gerador, posto que o mesmo não resta suficientemente demonstrado pela Autoridade Fiscal, há  de se declarar a improcedência do lançamento.  Voltemos  ao  caso  concreto. No meu  sentir,  a  inexistência  dos motivos que  levaram  o  fisco  a  considerar  que  na  competência  12/2008  a  PLR  teria  sido  paga  em  desconformidade  com  as  normas  aplicáveis  é  causa  que  afeta  diretamente  requisito  do  lançamento, qual seja o pagamento de verba salarial a segurados a serviço da recorrente.   Assim,  tomando  como  referência  os  aspectos  teóricos  acima  apresentados,  posiciono­me pela invalidade parcial do lançamento da mesma forma que a Relatora, todavia,  não por vício formal, mas por improcedência parcial das contribuições lançadas.  Periodicidade  As  planilhas  colacionadas  pelo  fisco  demonstram  que  as  parcelas  de  PLR  foram pagas aos empregados nas seguintes competências:  a) 2007: janeiro, março, abril, novembro e dezembro;  b) 2008: março, maio, setembro e dezembro.  Para  fins  de  aferição  da  periodicidade,  a  Relatora  posicionou­se  em  não  computar os pagamentos efetuados em janeiro e abril de 2007, posto que seriam decorrentes de  reflexos de reajustes salariais, portanto eram parcelas residuais.  Para as competências maio e setembro de 2008, entendeu que se referiam a  pagamentos decorrentes  de desligamento de empregados,  os quais  também não deveriam ser  computados na verificação da periodicidade legal.  Assim,  considerando  a  regra  de  periodicidade  vigente  à  época  dos  pagamentos, concluiu a relatora:  "Portanto,  devem  ser  considerados  como  meses  de  efetiva  distribuição, para fins de apreciar o cumprimento da lei, apenas:  03/2007,  11/2007,  12/2007,  03/2008,  12/2008.  Assim,  entendo  que  o  descumprimento  persiste  em  relação  ao  meses  de  11  e  12/2007."  Todavia ao apreciar a apuração do fisco nas competências 11 e 12/2007, pude  verificar  no  ANEXO  I  ­  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  ­  SEGURADOS EMPREGADOS que, para a  rubrica 1033  ­ PLR, os  segurados contemplados  em  uma  competência  não  se  repetem  na  competência  seguinte,  donde  se  pode  concluir  que  Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     40  inexistiu  a  quebra  da  periodicidade  semestral  prevista  no  §  2.º  do  art.  3.º  da  Lei  n.º  10.101/2000.  Ressalve­se  que  o  lançamento  já  havia  sido  retificado  para  excluir  os  pagamentos decorrentes de antecipação da PLR, por isso a minha análise não levou em conta  esses pagamentos.  Conclusão  Assim,  além dos pontos de  concordância  com o voto da Relatora,  voto por  reconhecer  a  improcedência  das  contribuições  lançadas  na  competência  12/2008  e  por  considerar como cumprido a exigência legal da periodicidade para todo o período lançado.    Kleber Ferreira de Araujo.  Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 22          41    Declaração de Voto  Conselheira Carolina Wanderley Landim  Em que pese o posicionamento muito bem exposto pela  Ilustre Conselheira  Relatora,  entendo  que  a  autuação  não  merece  prosperar  em  relação  à  incidência  das  contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros e resultados paga aos membros do  Conselho de Administração, bem como entendo que, em respeito ao princípio da retroatividade  benigna, a multa de mora deveria  ser  limitada a 20%, ao passo em que a multa de ofício de  75% deveria ser cancelada, por não poder ser aplicada retroativamente.   Em relação ao primeiro ponto, aduziu o fiscal autuante que os valores pagos  pela  empresa  aos  seus  administradores  (não  empregados)  a  título  de  participação  em  lucros  e/ou  resultados  (segurados  contribuintes  individuais),  constituem­se  parcela  integrante  do  salário  de  contribuição  sendo,  portanto,  base  de  cálculo  para  as  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  nos  termos  da  Legislação  Previdenciária,  art.  28­  incisos  III,  da  Lei  nº  8.212,  de  24/07/91  c/c  art.  214,  inciso  III  do  Regulamento  da  Previdência  Social­  RPS,  aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999.  Complementou  que  por  se  tratarem  os  administradores  de  segurados  contribuintes individuais e não de empregados, o inciso X da alínea m do inciso V do §9º do  art. 214 do Decreto 3.048/199 e a Lei 10.101/00 não se aplicam aos mesmos.  O contribuinte aduziu em suas defesas que o pagamento da parcela de PLR  concedida aos administradores, diretores e conselheiros da companhia foi efetuado em estrita  observância  ao  art.  152,  §1º  da  Lei  6.404/1997,  razão  pela  qual  não  devem  incidir  contribuições previdenciárias, a teor do artigo 7º, XI, da Constituição Federal.   Ao apreciar  a matéria,  aduziu o órgão  julgador  de primeira  instância que o  pagamento ou crédito de participação nos lucros de administradores, regida pela Lei 6.404/76,  integra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  em  qualquer  caso,  por  falta  de  previsão legal de não­incidência.  Passo a analisar tais argumentos.   Como visto, defende a Recorrente que efetuou os pagamentos de participação  nos  lucros  aos  seus  administradores  estatutários  nos  estritos  termos  da  Lei  das  Sociedades  Anônimas,  diante  do  que  esses  pagamentos  não  se  sujeitam  à  incidência  da  contribuição  previdenciária,  a  teor  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  n.  8.212/1991,  bem  como  no  art.  7º,  XI,  da  Constituição  Federal,  transcrito  em  linhas  acima,  que  estabelece  que  é  um  direito  dos  “trabalhadores”  a  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  conforme definido em lei.   De  fato,  além  de  a  Constituição  Federal  garantir  aos  trabalhadores  a  participação nos  lucros e  resultados desvinculada da remuneração – o que, no entender desta  Conselheira, não está limitado aos empregados, mas abrange também diretores estatutários, não  subordinados  à  relação  de  emprego  –  a  Lei  n.  8.212/1991  também  excluiu  do  conceito  de  Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     42  remuneração,  através  da  alínea  ‘j’  do  §9º  do  seu  artigo  28,  a  participação  nos  lucros  ou  resultados. Tanto a Constituição Federal quanto a Lei n. 8.212/1991, contudo, atribuíram à lei a  definição  dos  lucros  ou  resultados  a  serem  distribuídos,  os  quais  se  desvinculam  da  remuneração  e,  como  conseqüência,  não  se  sujeitam  à  incidência  da  contribuição  previdenciária.  No que diz respeito à distribuição de lucros ou resultados aos empregados, a  MP  794/94,  posteriormente  convertida  na  Lei  10.101,  tratou  de  disciplinar  as  condições  e  critérios a serem estabelecidos para validamente promover a repartição dos resultados com os  empregados.  Com  relação  à  referida  regulamentação,  há  decisões  do  Egrégio  STF  no  sentido  de  que  apenas  após  a  MP  794/94,  disciplinando  a  distribuição  dos  lucros  aos  empregados,  verificaram­se  as  condições  indispensáveis  ao  afastamento  da  incidência  das  contribuições  previdenciárias  sobre  os  pagamentos  de  participação  dos  empregados  no  lucro  das empresas.  Ocorre,  no  entanto,  que  tal  entendimento  ainda  não  foi  sedimentado  pelo  Supremo, tendo em vista o reconhecimento de repercussão geral sobre o tema, cuja ementa da  decisão  segue  abaixo  transcrita,  não  tendo  o  respectivo Recurso Extraordinário  sido  julgado  pelo Pleno do STF até o momento:  EMENTA. Tributário. Contribuição previdenciária. Participação  nos lucros da empresa. Art. 7º, inciso XI, CF. Medida Provisória  794/94. Repercussão geral. 1. A controvérsia envolvendo debate  acerca  da  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  a  parcela  denominada  participação  nos  lucros  concernente  a  período  posterior  à Constituição Federal  de  1988  e  anterior  à  Medida  Provisória  nº  794/94,  à  luz  do  art.  7º,  inciso  XI,  da  Constituição Federal, possui densidade constitucional suficiente  para  ensejar  o  exame  da  matéria  pelo  Pleno  da  Corte.  2.  Repercussão  geral  reconhecida.  (RE 569441 RG, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI,  julgado em  09/12/2010, DJe­057 DIVULG 25­03­2011 PUBLIC 28­03­2011  EMENT  VOL­02490­02  PP­00275  RDECTRAB  v.  18,  n.  202,  2011, p. 104­109);  Além de a controvérsia acima apontada ainda não ter sido definida pelo Pleno  do  STF,  entendo  que  os  precedentes  já  existentes,  no  sentido  de  que  apenas  após  a Medida  Provisória  n.  794/94  a  distribuição  de  lucros  a  empregados  passou  a  ser  isenta  das  contribuições  previdenciárias,  não  implicam  dizer  que  a  Lei  n.  6.404/1976  não  se  presta  a  regular a distribuição de lucros aos administradores, nos termos do art. 7o da CF.   Isto porque a discussão travada pelo Supremo gira em torno da aplicabilidade  do art. 7º da Constituição em relação aos empregados e não em relação aos administradores,  sem vínculo empregatício. Por essa razão, a análise feita pelo Egrégio STF até o momento não  avaliou a Lei das Sociedades Anônimas  (Lei n. 6.404/1976) como veículo normativo hábil  a  disciplinar  o  assunto  e,  como  consequência,  afastar  a  incidência  das  contribuições  previdenciárias sobre essas distribuições. Verifica­se, portanto, que o entendimento do STF não  pode ser aplicado ao caso ora analisado.  No  tocante  aos  administradores,  que  não  se  enquadram  na  categoria  de  empregados, concordo com a Recorrente quando afirma que o art. 152 da Lei n.º 6.404/1976 se  configura  como  regulamentação  hábil  à  distribuição  de  lucros  não  sujeita  à  incidência  das  contribuições previdenciárias:  Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 23          43  Art.  152.  A  assembléia­geral  fixará  o  montante  global  ou  individual  da  remuneração  dos  administradores,  inclusive  benefícios  de  qualquer  natureza  e  verbas  de  representação,  tendo  em  conta  suas  responsabilidades,  o  tempo  dedicado  às  suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor  dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457,  de 1997)  § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório  em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode  atribuir  aos  administradores  participação  no  lucro  da  companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração  anual  dos  administradores  nem  0,1  (um  décimo)  dos  lucros  (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor.  §  2º  Os  administradores  somente  farão  jus  à  participação  nos  lucros do exercício social em relação ao qual  for atribuído aos  acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202.  É de  se observar que  a distribuição de  lucros  da  sociedade  anônima a  seus  administradores decorre de uma deliberação dos  acionistas, que deixam de  receber parte dos  lucros  a  que  fazem  jus  para  destiná­los  aos  diretores  não  empregados,  através  de  previsão  estatutária específica para esse fim. Por esse motivo, a distribuição desses lucros aos diretores  não  se  configura  em  despesa  da  pessoa  jurídica,  já  que  é  parcela  do  lucro  auferido,  não  afetando, assim, o seu resultado.  Essa peculiaridade da distribuição de  lucros a administradores de sociedade  anônima já foi analisada pela 2ª Turma desta 4ª Câmara, que, em reiterados julgados, afastou,  por unanimidade de votos, a aplicação da Lei n. 8.212/1991 a esses pagamentos. Para melhor  análise, transcrevemos abaixo os trechos pertinentes do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro  relator Nereu Miguel Ribeiro Domingues:  A Recorrente sustenta também que a participação estatutária dos  diretores não possui feição remuneratória, devendo ser excluída  da base de cálculo das contribuições previdenciárias.  Como  pode  se  verificar  no  item  2.3  do  relatório  fiscal  (fl.  38),  houve  a  distribuição  de  lucros  aos  diretores  estatutário,  haja  vista  que  é  uma  sociedade  anônima,  nos  termos  da  Lei  nº  6.404/76.  Cabe pontuar,  primeiramente,  que a Lei nº 6.404/76  trata  os  diretores  da mesma  forma  que  os  administradores,  tal  como se verifica em seu art. 145, in verbis:   "Art. 145. As normas relativas a requisitos,  impedimentos,  investidura,  remuneração,  deveres  e  responsabilidade  dos  administradores aplicam­se a conselheiros e diretores."  As  regras  relativas  à  participação  desta  classe  de  trabalhadores estão claramente previstas no art. 152 da Lei  n. 6.404/76, que assim dispõe:   Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     44  "Art. 152. A assembléia­geral  fixará o montante global ou  individual  da  remuneração  dos  administradores,  inclusive  benefícios de qualquer natureza e verbas de representação,  tendo em conta  suas  responsabilidades,  o  tempo dedicado  às  suas  funções,  sua competência e reputação profissional  e  o  valor  dos  seus  serviços  no  mercado.  (Redação  dada  pela Lei nº 9.457, de 1997)  §1º  O  estatuto  da  companhia  que  fixar  o  dividendo  obrigatório  em 25%  (vinte  e  cinco  por  cento)  ou mais  do  lucro  líquido,  pode  atribuir  aos  administradores  participação no lucro da companhia, desde que o seu total  não  ultrapasse  a  remuneração  anual  dos  administradores  nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo  o limite que for menor.   § 2º Os administradores somente farão jus à participação  nos  lucros  do  exercício  social  em  relação  ao  qual  for  atribuído  aos  acionistas  o  dividendo  obrigatório,  de  que  trata o artigo 202."  Analisando as regras expostas acima, tem­se que, por ser a  assembleia  geral  que  delibera  sobre  a  concessão  de  participação  aos  diretores  estatutários,  está­se  diante  de  uma  relação  jurídica  firmada  entre  “Acionistas  x  Diretores/Administradores”.  Nesse sentido, destaca­se que a participação dos diretores  estatutários  é  contabilizada  em  conta  do  patrimônio  líquido, mediante redução do lucro acumulado, e não paga  pela empresa em si (por meio de escrituração em conta de  resultado).  Neste contexto, não há que se falar na aplicação do art. 28  da  Lei  nº  8.212/91,  pois  os  valores  recebidos  pelos  diretores  estatutários  não  se  inserem  na  relação  jurídica  “Empregador x Empregado”, não havendo que se falar na  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  Em  vista  disso, é mister que seja excluído do presente lançamento as  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  os  pagamentos  realizados  a  título  de  “PARTICIPAÇÃO  ESTATUTÁRIA DA DIRETORIA EXECUTIVA – PLE”.  (CARF, 4ª Câmara, 2ª Turma, Acórdão nº 2402­002.883, Sessão  de 10 de julho de 2012).  Este  entendimento  foi  reiterado  no  julgamento  do  Acórdão  2402­002.884,  proferido pela mesma 4ª Câmara, 2ª Turma deste Conselho.   Merece  destaque  ainda  o  precedente  da  3º  Turma Especial,  ao  proferir  o Acórdão nº 2803­002.438, na  sessão de 19 de junho de 2013,  conforme  ementa  abaixo  transcrita:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 24          45  Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2006  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  COM  FULCRO  NO  PARÁGRADP  1º  DI  ART.  152  DA  LEI  Nº  6.404/76.  NÃO  INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  A participação dos administradores nos lucros da companhia, na  forma prevista no parágrafo 1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/76,  não configura base de cálculo de contribuição previdenciária.  Recurso Voluntário Provido.  Sendo assim, não há que se falar em pagamento de remuneração pela pessoa  jurídica,  já  que  os  resultados  distribuídos  são  deduzidos  dos  lucros  dos  acionistas,  afetando,  assim, a relação acionista e diretor e ocasionando, portanto, a não incidência das contribuições  previdenciárias.   Entendo,  assim,  pelo  afastamento  da  cobrança  quanto  à  participação  nos  lucros dos administradores da Recorrente.  Em relação à aplicação da multa subsistente no presente auto de infração, em  respeito ao princípio da retroatividade benigna, discordo da Ilustríssima relatora para limitar a  multa de mora a 20% e cancelar a multa de ofício de 75% aplicada às competências anteriores  a sua criação.   A Fiscalização, visando aplicar a penalidade mais benéfica, lançou multa de  mora  correspondente  a  24%  incidente  sobre  as  contribuições  devidas,  referente  aos  levantamentos “P1­PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS­ EMPREGADOS” e  “P3­  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS­  ADMINISTRADORES”,  correspondentes  às  competências  03/2007,  04/2007,  11/2007  e  03/2008,  prevista  no  art.  35,  inciso II da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência do fato gerador.  Lançou  também  multa  de  ofício  correspondente  a  75%  incidente  sobre  as  contribuições  devidas,  relativa  às  competências  01/2007,  05/2008  e  09/2008,  referente  aos  levantamentos: “P2­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS­ EMPREGADOS” e  “P4­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ADMINISTRADORES”,  prevista  no art. 44, inciso I da Lei 9.430/1996, nos termos do art. 35­A da Lei 8.212/91, acrescentado  pela Medida Provisória nº 449 de 03/12/2008.  A aplicação da multa de mora prevista na  legislação anterior  e da multa de  ofício  prevista  na  novel  legislação,  supostamente  em  atendimento  ao  princípio  da  retroatividade  benigna  prestigiado  pelo CTN,  foi  efetuada  com base  em quadro  comparativo  das  penalidades.  Tal  quadro  comparativo,  contudo,  não  efetuou  a  comparação  da  multa  de  mora  anterior  com  a  multa  de  mora  atualmente  prevista,  mas  sim  de  toda  a  sistemática  de  cobrança prevista antes e após as alterações promovidas pela MP 449/2008.  Nesse contexto, a multa de mora antes devida pela ausência de recolhimento  do tributo foi somada à penalidade também prevista na legislação anterior para a ausência de  declaração de fato gerador em GFIP; o resultado dessa soma foi comparado à multa de ofício  atualmente  prevista  para  a  ausência  de  recolhimento  do  tributo,  correspondente  a  75%  da  contribuição lançada.   Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     46  Nos  casos  em  que  a  sistemática  anterior  foi  mais  benéfica,  foi  lançada  a  multa  de mora  correspondente  a  24%,  em  vigor  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  além  da multa  por  falta  de  declaração  de  fato  gerador  em GFIP;  nos  casos  em  que  a  nova  sistemática  foi  mais  benéfica,  a  fiscalização  lançou  multa  de  ofício  correspondente  a  75%,  retroativamente.   Entendo, contudo, que, para fins de comparação das multas e identificação da  penalidade mais benéfica, não se pode somar multa devida por falta de recolhimento do tributo  com aquela devida por descumprimento de obrigação acessória, relativa à falta de declaração  de fato gerador em GFIP. A comparação deve ser feita entre multas da mesma natureza.  Sendo  assim,  a  multa  antes  devida  pela  ausência  de  recolhimento  da  contribuição,  que  era  de  natureza  moratória,  deve  ser  comparada  com  a  multa  moratória  atualmente prevista.  Antes  das  alterações  introduzidas  pela MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos  o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores:  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:   (...)  II  ­  para pagamento de  créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação;   b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação;   c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS;   d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  trinta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento;   b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento;   c)  quarenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não foi objeto de parcelamento;   d) cinquenta por  cento,  após o ajuizamento da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  foi objeto de parcelamento.   Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 15504.723743/2011­19  Acórdão n.º 2401­003.487  S2­C4T1  Fl. 25          47  a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento;   b) setenta por cento, se houve parcelamento;   c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não foi objeto de parcelamento;   d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto de parcelamento.   Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em  notificação fiscal de  lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da  fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar  o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal.   Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor multa mais benéfica, já que o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  veiculada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  passou  a  determinar  a  aplicação  do  art.  61  da Lei  nº  9.430/96  aos  débitos  previdenciários,  segundo  o  qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%.   Ou  seja,  a  multa  de  mora,  antes  de  valor  progressivo,  deve  ser  limitada  a  20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996.  Isto porque, apesar da lei tributária de regência ser aquela em vigor à época  da ocorrência do fato gerador, adota­se a retroatividade benigna quando a lei posterior comine  à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106,  II, ‘a’ do  CTN (Código Tributário Nacional).   Com  o  advento  da  MP  449,  convertida  na  Lei  11.941/2009,  não  só  foi  alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de  mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35­A, o qual passou a  apenar  a  falta  de  recolhimento  da  contribuição  previdenciária  com  a  multa  de  ofício  correspondente  a  75%  do  crédito  tributário  objeto  de  lançamento,  penalidade  essa  até  então  inexistente no ordenamento jurídico para as contribuições previdenciárias.  Dessa forma, em relação às multas de ofício, aplicadas no montante de 75%  nas competências de 01/2007, 05/2008 e 09/2008, estas devem ser canceladas, por não existir  na  legislação  vigente  à  época  do  fato  gerador  multa  de  ofício  em  decorrência  da  falta  de  pagamento da contribuição previdenciária, mas tão­somente multa de mora.  Vale  notar  que,  a  exclusão  da  multa  de  ofício  de  75%  ora  realizada  não  autoriza sua conversão em multa de mora, o que demanda novo lançamento para constituição  da penalidade, pois falece ao órgão julgador a competência para constituir o crédito tributário,  atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN.   O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão multas  de naturezas distintas, a uma porque, tratando­se de penalidade, não se pode adotar o princípio  da  fungibilidade;  a  duas  porque,  para  a  cobrança  da  multa  de  mora  seria  necessário  novo  lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa  Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM     48  e  voto  proferido  em  sede  de  Recurso  Voluntário  nº  160.001  nos  autos  do  processo  10380.10071712003­38 (Decisão publicada em 04.02.2009):  CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA  ­  NOVO  LANÇAMENTO  ­  A  conversão  de  multa  de  oficio  isolada,  exigida  por  meio  de  Auto  de  Infração,  em  multa  de  mora,  caracteriza  um  novo  lançamento,  o  que  é  vedado  à  instância de julgamento. Recurso parcialmente provido.  (...)  “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que  esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio  de Auto de Infração, na verdade converteu­a em multa de mora,  promovendo  assim  um  novo  lançamento,  o  que  é  vedado  à  Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades,  é  inaplicável  o  principio  da  fungibilidade,  tendo  em  vista  a  tipicidade  cerrada  que  cerca  essa  espécie  de  exigência  tributária.”  Dessa  forma,  a  atividade  do  lançamento  é  privativa  da  autoridade  administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança  de  classificação,  a  mudança  de  enquadramento  ao  suporte  normativo  estabelecido  pela  autoridade lançadora.  Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal aplicada  nas competências de 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007 e 03/2008 deve ser limitada a 20%,  bem como a multa de ofício de 75% deve ser excluída das competências 01/2007, 05/2008 e  09/2008.   Face ao acima exposto, posiciono­me no sentido de afastar a  incidência das  contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros e resultados pagas aos membros  do Conselho de Administração, bem como, em respeito ao princípio da retroatividade benigna,  limitar  a  multa  de  mora  a  20%  aplicada  nas  competências  de  03/2007,  04/2007,  11/2007,  12/2007  e  03/2008  e  cancelada  a  multa  de  ofício  de  75%  das  competências  de  01/2007,  05/2008 e 09/2008.  É como voto.    Carolina Wanderley Landim.  Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 24/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM

score : 1.0
6120220 #
Numero do processo: 10314.007239/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/05/2003 PERÍCIA. CONDIÇÕES Demonstrado que a diligência proposta revelou-se impraticável e, o que é mais importante, o processo reúne os elementos necessários para a solução do litígio, não há fundamento para a proposição de nova tentativa de perícia. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/05/2003 Produto Comercialmente Denominado ISOPAR M O produto comercialmente denominado ISOPAR M, identificado como um óleo técnico mineral branco, que não reúne as condições para classificação como querosene, deve ser classificado na posição 2710.19.91. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.778
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201302

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/05/2003 PERÍCIA. CONDIÇÕES Demonstrado que a diligência proposta revelou-se impraticável e, o que é mais importante, o processo reúne os elementos necessários para a solução do litígio, não há fundamento para a proposição de nova tentativa de perícia. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/05/2003 Produto Comercialmente Denominado ISOPAR M O produto comercialmente denominado ISOPAR M, identificado como um óleo técnico mineral branco, que não reúne as condições para classificação como querosene, deve ser classificado na posição 2710.19.91. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção

numero_processo_s : 10314.007239/2003-81

conteudo_id_s : 5518880

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 3102-001.778

nome_arquivo_s : Decisao_10314007239200381.pdf

nome_relator_s : LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

nome_arquivo_pdf_s : 10314007239200381_5518880.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013

id : 6120220

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:48 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887644983296

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T2  Fl. 245          1 244  S3­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10314.007239/2003­81  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3102­001.778  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de fevereiro de 2013  Matéria  CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Recorrente  EXXONMOBIL QUÍMICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 13/05/2003  PERÍCIA. CONDIÇÕES   Demonstrado  que  a  diligência  proposta  revelou­se  impraticável  e,  o  que  é  mais importante, o processo reúne os elementos necessários para a solução do  litígio, não há fundamento para a proposição de nova tentativa de perícia.  ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Data do fato gerador: 13/05/2003  Produto Comercialmente Denominado ISOPAR M  O produto  comercialmente  denominado  ISOPAR M,  identificado  como um  óleo  técnico mineral  branco,  que não  reúne  as  condições  para  classificação  como querosene, deve ser classificado na posição 2710.19.91.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente e Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Ricardo  Paulo  Rosa,  Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jaques Maurício Veloso de  Melo, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 72 39 /2 00 3- 81 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/2003­81  Acórdão n.º 3102­001.778  S3­C1T2  Fl. 246          2 Relatório  Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão  recorrido, que passo a transcrever:  O  importador,  por meio  da  declaração  de  importação  –  DI  nº  03/0396364­0,  de  13/05/2003,  fl.  02,  importou  a  mercadoria  descrita  como  “SOLVENTE  PARAFÍNICO,  NOME  COMERCIAL: ISOPAR M”, classificando na NCM 2710.19.19,  com alíquotas de 0% de imposto de importação e imposto sobre  produtos industrializados não tributável.   Segundo  a  fiscalização,  a  classificação  fiscal  correta  para  os  produtos  é  a  NCM  2710.19.91,  com  alíquota  do  imposto  de  importação  de  5,5%.  Baseou­se  a  autuação  no  laudo  de  assistência técnica de fls. 11 a 27.    Através  do  Auto  de  Infração  de  fls.  31  a  39,  cobraram­se  as  diferenças  de  imposto  de  importação,  juros  e  multa  de  ofício,  além da multa pelo erro na classificação fiscal.   Intimada  do  Auto  de  Infração  em  05/12/2003  (fl.  31),  a  interessada  apresentou  impugnação  e  documentos  em  08/01/2004,  juntados  às  folhas  47  e  seguintes,  alegando  em  síntese:  1.  Entende  a  impugnante  que,  conforme  a  regra  3  de  interpretação do Sistema Harmonizado, na qual a posição mais  específica deve prevalecer sobre a mais genérica, a classificação  adotada por ela no código 2710.19.19 como querosene deveria  ser mantida.  2.  Cita  a  Resolução  04/82  da  Petrobrás,  alegando  que  a  mesma  estabelece  os  critérios  para  caracterização  de  uma  substância  como  querosene.  Alega  que  o  produto  importado,  o  ISOPAR  M  atende  a  esses  critérios.  Requer  seja  declarado  improcedente o presente Auto de  Infração,  inclusive no  tocante  aos juros e multa de mora aplicados.  3.  Alega que a citação feita no laudo oficial sobre o ponto de  fulgor do produto analisado em comparação ao ponto de fulgor  do querosene, refere­se apenas a um valor típico deste segundo,  mas não o descaracteriza do conceito técnico de querosene nos  termos da citada Resolução 04/82 da Petrobrás.  4.  Sendo assim, pede que seja julgado improcedente o presente  Auto de Infração.  Ponderando as  razões aduzidas pela autuada,  juntamente  com o consignado  no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se  observa na ementa abaixo transcrita:  Assunto: Classificação de Mercadorias  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/2003­81  Acórdão n.º 3102­001.778  S3­C1T2  Fl. 247          3  Data do fato gerador: 13/05/2003  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  MERCADORIAS.  PENALIDADES  Mercadoria  de  marca  comercial  ISOPAR  M,  fabricada pela EXXONMOBIL dos EUA, identificada por laudo  técnico  como  mistura  de  70%  em  peso  de  normal  parafinas  e  isoparafinas e 30% de ciclo parafinas, deve  ser classificada no  código NCM 2710.19.91, conforme adotado pela fiscalização.   Lançamento Procedente  Cientificado da decisão proferida (AR ­ fl. 128 v), o contribuinte apresentou  Recurso  Voluntário  às  fls.  131/134,  no  qual  reitera  os  argumentos  já  apresentados,  acrescentando os seguintes:  a) o enquadramento técnico do FDA, referente à descrição de "óleo mineral"  na  norma  21 CFR  178.3620,  apresenta  parágrafos  para  distinguir  2  tipos  de  produtos,  quais  sejam: "óleos minerais brancos" (parágrafo "a') e "óleos técnicos" (parágrafo "b');  b)  após  análise  do  corpo  técnico  da  empresa  recorrente,  conclui­se  que  o  produto  ISOPAR M  é  um  "óleo  TÉCNICO mineral  branco",  vez  que  atende  aos  requisitos  técnicos da norma 21 CFR 178.3620 parágrafo "b", o que torna adequada sua classificação no  código NCM 2710.19.19;  c) uma vez que o produto ISOPAR M é um óleo técnico mineral branco, não  pode prosperar a pretensão fazendária de classificá­lo na posição 2710.19.91, pois esta é uma  posição genérica;   d) ao ser aplicada a 3' Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado,  o produto ISOPAR M deverá ser classificado na posição 2710.19.19, visto que este é o código  mais específico para tal produto.  Julgando  que  caberia  aprofundar  a  análise  acerca  do  enquadramento  do  produto  na  Resolução  n°  4/82  da  Petrobrás,  decidiu  este  Colegiado  pela  conversão  do  julgamento em diligência, para que fossem realizados novos exames laboratoriais.  Após  a  devida  designação  da  instituição  responsável  pela  condução  do  procedimento,  formulação  de  quesitos  e  fixação  dos  custos  da  realização  dos  exames,  a  recorrente entendeu que não deveria fazer face a tais custos.  Segundo argúi, tal cobrança representaria uma transferência indevida do ônus  inerentes  aos  honorários  periciais  em  razão  de  que  a  União  Federal  possuiria  laboratórios  próprios aptos a realizar o procedimento e de que o valor da perícia superaria o montante da  exigência.  Registra  que,  na  ocasião  em que  se  determinou  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  o  Colegiado  considerou  que  as  informações  apuradas  pelo  exame  laboratorial  realizado  a  pedido  da  autoridade  fiscal  seriam  insuficientes  para  o  deslinde  da  questão,  cabendo,  assim,  o  afastamento  da  exigência.  Cita  jurisprudência  dos  extintos  Conselhos  de  Contribuintes.  Fl. 295DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/2003­81  Acórdão n.º 3102­001.778  S3­C1T2  Fl. 248          4 Alternativamente,  pleiteia  a  remessa  de  amostra  para  outra  instituição  credenciada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou que pelo menos o valor da perícia  seja fixado nos termos do art. 29 e Anexo I da Instrução Normativa 157, de 1998.  Em  face  do  encerramento  do mandato  do  Relator  originalmente  designado  para relatar o feito, promoveu­se a redistribuição dos autos, mediante novo sorteio, por meio do  qual este Conselheiro foi designado relator.  É o Relatório  Voto             Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator  Tomo  conhecimento  do  presente  recurso,  que  foi  tempestivamente  apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção  Conforme  já  mencionado,  o  litígio  diz  respeito  à  classificação  fiscal  do  produto  comercialmente  denominado  ISOPAR M,  que  a  recorrente  entende  se  classificar  no  subitem  2710.19.19  (outros  querosenes)  e  o  Fisco,  no  subitem  2710.19.91  (óleos  minerais  brancos (óleos de vaselina ou de parafina).  Como  é  possível  perceber,  não  há  dissenso  acerca  da  posição  (2710)  e  da  subposição que melhor classifica o produto (2710.19). A discussão está na fixação do item que  melhor classificaria o produto   A  convicção  da  autoridade  fiscal  teria  se  formado  a  partir  de  análise  laboratorial por meio da qual foram identificadas as seguintes características:  ENSAIO FÍSICO QUÍMICO  COMPOSIÇÃO  Mistura de hidrocarbonetos  ESTADO   Liquido baixa viscosidade  PESO ESPECIFICO  Não Determinado  COR   transparente  ODOR  inodoro  SOLUBILIDADE  Insolúvel em Água  PONTO DE FULGOR  80°C  DESTILAÇÃO °C  220 ­ 255  % AROMÁTICOS  Zero  Com  base  em  tais  fatores  e  na  literatura  mencionada  no  laudo,  conclui  a  expert designada (original destacado)  Considerando­se  resultados  laboratoriais  de  análises  físico  químicas  e  comparando­se  com  especificações  do  produto,  podemos  concluir  que  o  material  avaliado  é  uma  mistura  de  hidrocarbonetos  acíclicos  e  cíclicos.  0  ponto  de  fulgor  é  uma  característica importante para identificar o produto em análise.  Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/2003­81  Acórdão n.º 3102­001.778  S3­C1T2  Fl. 249          5 Identificamos  que  o mesmo  possui  ponto  de  fulgor  acima  do  que  a  literatura  técnica  estabelece  como  esperado  para  Querosenes. Este produto é utilizado na indústria cosmética.   A  tese  da  defesa,  recorde­se,  é  a  de  que  o  produto  cumpriria  os  requisitos  Resolução  n°  4/82  da  Petrobrás  e,  como  tal,  deveria  ser  considerado  um  querosene.  Consequentemente,  em  homenagem  à  RGI  nº  3,  “a”,  classificado  no  item.  2710.19.1  (Querosenes) ou invés do 2710.19.9 (Outros).  Cumpre  ainda  relembrar  que  os  quesitos  formulados  pelo  então  relator  do  Feito,  Conselheiro  Nilton  Bartoli,  tinham  como  objetivo  avaliar  a  procedência  da  tese  defendida pela recorrente. Todas as informações pleiteadas dizem respeito ao cumprimento das  condições fixadas na Resolução n° 4/82.  Naquele momento, não vi prejuízo para a correta solução do litígio, como não  vejo  até  hoje.  Se  o  Relator  tinha  dúvidas,  que  as  solucionasse  e,  uma  vez  formada  sua  convicção,  apresentasse  suas  razões  de  decidir,  ratificando  ou  não  as  alegações  da  defesa.  Como é cediço, todas as questões ventiladas como fundamento para a realização da diligência  seriam novamente enfrentadas.  Em suma, naquele momento, sem fazer qualquer indagação acerca do mérito  do processo ou até mesmo pedir vista dos autos, decidi que seria praticamente um direito do  Relator aprofundar as pesquisas que entendesse pertinentes.  Ocorre que, após as tramitações, a diligência, nos termos em que foi definida,  tornou­se impraticável.   Isso  não  significa  dizer  que,  após  tomar  conhecimento  dos  autos,  agora  na  qualidade de relator, eu não possa chegar a conclusões diversas da do relator original, inclusive  no  que  se  refere  à  suficiência  das  informações  carreadas  ao  processo  pelo  Fisco. Ou  seja,  à  convicção de que a diligência seria desnecessária.  Configuraram­se,  assim,  a  hipóteses  descritas  no  art.  18  do  Decreto  nº  70.235, de 1972 (destaquei).  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine  De fato, a perita designada definiu que o ponto de fulgor do ISOPAR M, um  solvente parafínico, seria atingido aos 80º e que o querosene apresentaria um ponto de fulgor  mais  baixo.  Tal  informação,  segundo  defendido  pela  autoridade  fiscal,  seria  suficiente  para  afirmar  que  o  produto  litigioso  não  teria  a  classificação  defendida  pelo  Sujeito  Passivo  ou  qualquer outro item da subposição 2710.19, assim desdobrada:  2710.19  Outros  2710.19.1  Querosenes  2710.19.2  Outros óleos combustíveis  Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/2003­81  Acórdão n.º 3102­001.778  S3­C1T2  Fl. 250          6 2710.19.3  Óleos lubrificantes  2710.19.9  Outros.  Releva  destacar  que  a  aplicação  como  solvente  na  indústria  cosmética,  imagino,  anula  a  possibilidade  de  enquadramento  nos  itens  2710.19.2  e  2710.19.3.  Nem  se  trata de um combustível, nem pode ser considerado um lubrificante.  Outro ponto  relevante,  é o  fato de que,  segundo a Resolução nº 4/82, mais  precisamente no quadro de especificações que a resume1, dentre as características que definem  o enquadramento do produto como querosene está o ponto de fulgor (40º).  Ora,  se  tal  aspecto  já  seria  suficiente  para  rejeitar  a  classificação  no  item  2710.19.1  e  os  itens  2710.19.2  e  2710.19.3  seriam  rejeitados  pela  aplicação  do  produto, me  parece não haver dúvidas de que o único item possível é o 2710.19.9.  Dentre seus desdobramentos, também me parece não haver de dúvidas de que  o subitem correto é o 2710.19.91. Recorde­se que a própria recorrente afirmou que o ISOPAR  é um óleo técnico mineral branco.  2710.19.9  Outros  2710.19.91 Óleos minerais brancos (óleos de vaselina ou de parafina)  2710.19.92 Líquidos para transmissões hidráulicas  2710.19.93 Óleos para isolamento elétrico  2710.19.99 Outros    Ex 01 ­ Óleos parcialmente refinados    Ex 02 ­ Óleos para lamparina de mecha ("signal­oil")  Nessa linha, também não vejo como atribuir ao Fisco a responsabilidade pelo  custeio dos exames  laboratoriais nem muito menos como designar nova  instituição, ou ainda  determinar  que  os  honorários  sejam  fixados  segundo  a  norma  que  disciplina  a  assistência  técnica no curso do despacho.  Com relação a esse ponto, cabe relembrar o que diz o art. 15 do Decreto nº  70.235, de 1972 (destaquei):  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Tomando  tal  comando  como  referência,  é  possível  concluir  que,  se  a  exigência  fiscal  estiver  suficientemente  fundamentada,  compete  ao  sujeito  passivo  trazer  ao  processo elementos que infirmem os fundamentos da autuação.                                                              1 Trecho à fl. 69 (numeração digital) ou 57 (numeração manual)  Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.007239/2003­81  Acórdão n.º 3102­001.778  S3­C1T2  Fl. 251          7 Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário.  Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013  Luis Marcelo Guerra de Castro                                  Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/05/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

score : 1.0
6094631 #
Numero do processo: 10920.002810/2005-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos suplementares, sob pena de negativa do pleito, sendo que a apresentação conjunta de DIPJ, DCTF e DARF de recolhimento são suficientes para provar a existência do crédito. COMPENSAÇÃO. “CINCO MAIS CINCO”. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.908-7/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da “vacatio legis” de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ - Recurso Repetitivo). Sujeitam-se a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15,§ 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas. Recurso negado.
Numero da decisão: 1803-001.458
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201208

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil está condicionado à comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos suplementares, sob pena de negativa do pleito, sendo que a apresentação conjunta de DIPJ, DCTF e DARF de recolhimento são suficientes para provar a existência do crédito. COMPENSAÇÃO. “CINCO MAIS CINCO”. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. O Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.908-7/RS reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da “vacatio legis” de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. SERVIÇOS HOSPITALARES. LEI Nº 9.249, DE 1995. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO. Devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos” (STJ - Recurso Repetitivo). Sujeitam-se a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15,§ 1º, inciso III, alínea “a” da Lei nº 9.250/95, os estabelecimentos hospitalares e clínicas médicas que prestam serviços de promoção à saúde, excetuadas as simples consultas médicas. Recurso negado.

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10920.002810/2005-95

anomes_publicacao_s : 201508

conteudo_id_s : 5506980

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1803-001.458

nome_arquivo_s : Decisao_10920002810200595.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA

nome_arquivo_pdf_s : 10920002810200595_5506980.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch.

dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012

id : 6094631

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:22 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887648129024

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 244          1 243  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.002810/2005­95  Recurso nº  99.999   Voluntário  Acórdão nº  1803­001.458  –  3ª Turma Especial   Sessão de  08 de agosto de 2012  Matéria  IRPJ   Recorrente  VITAE CLINICA MATERNO INFANTIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001  DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.  O reconhecimento de direito creditório relacionado a tributos e contribuições  administrados  pela  Receita  Federal  do  Brasil  está  condicionado  à  comprovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos suplementares, sob  pena  de  negativa  do  pleito,  sendo  que  a  apresentação  conjunta  de  DIPJ,  DCTF e DARF de  recolhimento são suficientes para provar a existência do  crédito.  COMPENSAÇÃO.  “CINCO MAIS  CINCO”.  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/05.  O  Supremo  Tribunal  Federal  no  julgamento  do  RE  nº  566.621/RS,  em  repercussão  geral  reconhecida  no  RE  nº  561.908­7/RS  reconheceu  a  inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando­ se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­somente às ações ajuizadas  após o decurso da “vacatio legis” de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho  de 2005. Aplicação do art. 543­B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.  SERVIÇOS HOSPITALARES.  LEI  Nº  9.249, DE  1995. DEFINIÇÃO DA  EXPRESSÃO.  Devem  ser  considerados  serviços  hospitalares  “aqueles  que  se  vinculam  às  atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da  saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas,  atividade  que  não  se  identifica  com  as  prestadas  no  âmbito  hospitalar,  mas  nos  consultórios  médicos”  (STJ  ­  Recurso  Repetitivo).  Sujeitam­se a alíquota normal de 8% preconizada no art. 15,§ 1º,  inciso III,  alínea  “a”  da  Lei  nº  9.250/95,  os  estabelecimentos  hospitalares  e  clínicas  médicas  que  prestam  serviços  de promoção  à  saúde,  excetuadas  as  simples  consultas médicas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 28 10 /2 00 5- 95 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 245          2 Recurso negado.      Acordam  os membros  da  3ª  Turma  Especial  da  4ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF, por unanimidade Por unanimidade de votos, negar provimento ao  recurso voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Declarou­se  impedido  o  Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.    (Assinado Digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva ­ Presidente        (Assinado Digitalmente)  Sérgio Luiz Bezerra Presta ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Selene  Ferreira  de  Moraes (Presidente), Meigan Sack Rodrigues, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da  Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch.    Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 246          3 Relatório  Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo,  adoto  parte  do  relato  do  contido  no  Acórdão  nº  06­20.786  proferido  pela  1ª  Turma  de  Julgamento da DRJ em Curitiba  ­ PR,  constante das  fls.  215 e  seguintes dos  autos,  a  seguir  transcrito:   “Trata­se de manifestação de inconformidade quanto ao Despacho Decisório de fls.  108 a 111, proferido pelo chefe da Saort da Delegacia da Receita Federal do Brasil  em  Joinville,  pelo  qual  foi  declarado  não  formulado  o  pedido  de  restituição  referente  aos  recolhimentos  efetuados  em 27.12.2000  e  28.12.2001  e  indeferido  o  pedido de restituição relativo aos  recolhimentos efetuados entre 28.2.1997 e 24.8.  2000.  No tocante ao pedido de restituição não formulado, o interessado deixou de utilizar  o programa PER/DCOMP para o pleito, em descumprimento ao art. 2°, IV, "c", da  Instrução Normativa SRF n° 51712005. Incidiu, assim na hipótese prevista pelo art.  31  da  IN  SRF  n°  46012404,  o  que  levou  a  unidade  de  origem  a  considerar  não  formulado  o  pedido  de  restituição  relativo  aos  recolhimentos  efetuados  em  27.12.2000 e 28.12.2001.  O  pedido  de  restituição  abrangeu  também  outros  recolhimentos,  efetuados  entre  28.2.1997  e  24.8.2000.  Como  a  data  do  pedido  de  restituição  é  de  25.8.2005,  a  unidade de origem indeferiu o pleito sob o argumento de prescrição do direito do  interessado, fundamentando a sua decisão no art. 168 da Lei n° 5.172166 e no art.  3° da Lei Complementar n° 11812005.  Em  30.9.2005,  o  interessado  foi  cientificado  daquela  decisão  (fl.  112)  e,  em  18.10.2005, apresentou manifestação de inconformidade de fls. 113 às fls 34, com o  seguinte teor:  a)  que  deve  ser  aplicada  a  regra  de  contagem  do  prazo  prescricional  conhecida  corno 5 + 5, ou seja, a de que o prazo da prescrição flui apenas quando decorridos  os cinco anos da homologação tácita do lançamento;  b)  que  o  art.  3°  da  Lei  Complementar  n°  118/2005  não  deve  retroagir  a  fatos  anteriores à sua vigência, pois, conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de  Justiça,  essa  retroatividade  ofende  o  princípio  constitucional  da  autonomia  e  da  independência dos poderes;  c) que efetuou pagamentos indevidos, pois calculara o imposto devido com base no  coeficiente de presunção do lucro de 32%, enquanto que o percentual correto seria  de apenas 8%;  d) que o programa PER/DCOMP não foi utilizado para o pedido de restituição por  apresentar  vedações  contrárias  às  determinações  contidas  na  Lei  nº.  9.784/99,  especialmente a de impedir o contribuinte de demonstrar o fundamento jurídico que  respalda o direito creditório informado;  e) que faz jus ao direito à compensação”.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 247          4 A  1ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Curitiba  ­  PR,  na  sessão  de  29/01/2009, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, proferiu o Acórdão nº  06­20.786  entendendo  “por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  da  manifestação  de  inconformidade e indeferir a solicitação”, em decisão assim ementada:  “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001  RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.  O  prazo  para  pleitear  restituição/compensação  de  tributos,  mesmo  os  sujeitos  a  lançamento por homologação,  é de  cinco anos  e se conta do pagamento  indevido  seja qual for a sua causa, nos temos do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO  PELA  VIA  ADMINISTRATIVA.  IMPOSSIBILIDADE.  É  incabível  a  apreciação,  por  autoridade  julgadora  da  esfera  administrativa,  de  arguição  de  inconstitucional  idade  de  lei,  por  tratar­se  de  matéria  inserta  na  competência privativa do Poder Judiciário.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  NÃO  FORMULADO.  COMPENSAÇÃO  NÃO  DECLARADA.  Não se aplica o rito processual previsto no Decreto n° 70.235/72 a recurso contra  decisão que considerou não formulado o pedido de restituição nem a recurso contra  a  decisão  que  considerou  não  declarada  a  compensação,  mas  sim  os  preceitos  gerais do processo administrativo estabelecidos pela Lei n° 9.784/99.  Rest/Ress. Indeferido ­ Comp. não homologada”.    Cientificada da decisão de primeira instância em 17/02/2009, (AR constante  das  fls.  157)  a VITAE CLINICA MATERNO  INFANTIL LTDA., qualificada nos  autos  em  epígrafe,  inconformada  com  a  decisão  contida  no  Acórdão  nº  06­20.786,  recorreu  em  18/03/2009  (158  e  segs)  a  esse  Conselho,  objetivando  a  reforma  do  julgado  reiterando,  basicamente, os argumentos da manifestação de inconformidade.  Na  referência  às  folhas  dos  autos  considerei  a  numeração  do  processo  eletrônico (e­processo).  É o relatório do essencial.    Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 248          5 Voto             Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA – Relator  Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto  nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os  demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento.  Porém,  tenho  antes  de  adentrar  no  mérito  da  questão  e  constatar  se  a  Recorrente possui ou não credito a ser restituído, vejo que  trata de pedido de restituição (fls.  01), protocolado em 25/08/2005, conforme visto abaixo:    O referido pedido teve em 27/09/2005 (fls 108 a 111 dos autos) o despacho  decisório com a seguinte fundamentação:   Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 249          6     Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 250          7   Tanto o despacho decisório acima, quanto a decisão proferida pela 1ª Turma  de Julgamento da DRJ em Curitiba ­ PR, na sessão de 29/01/2009 e consubstanciada através do  Acórdão  nº  06­20.786  estão  na mesma  linha  do  que  decidiu  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  quando  fixou  entendimento  de  que  o  prazo  de  restituição  dos  tributos  pagos  no  âmbito  do  regime de lançamento por homologação deveria ser contado, para os pedidos realizados após 9  de junho de 2005.  Isso porque a Lei Complementar nº 118/05 que, a título interpretativo, previu  que, nos casos de pedido de restituição, o prazo prescricional para postular a restituição deveria  ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação do pagamento. Surgiu, então,  questionamento acerca da aplicação retroativa de referida lei, que foi  julgada definitivamente  pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal no processo nº 566.621/RS, em repercussão  geral, reconhecida no RE nº 561.908­7/RS, tendo ficado assentado o seguinte:  “(...)1)  Para  as  ações  e  pedidos  de  repetição  realizados  antes  da  vigência  da  lei  complementar  nº  118/05  (considerado,  aqui,  a  vacatio  legis  de  120  dias  da  sua  publicação), o prazo prescricional para restituição de tributos deve ser contado da  data da homologação do pagamento, nos termos da “tese dos cinco mais cinco”;  2)  Para  as  ações  e  pedidos  de  restituição  realizados  após  a  vigência  da  lei  complementar nº 118/05, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, aplica­se o prazo  prescricional de cinco anos, contados do pagamento.   Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 251          8 Transcrevo a ementa do julgado do Excelso Pretório, in litteris:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA  REPETIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9  DE  JUNHO  DE  2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a  lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito  era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada  dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto­ proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de  10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se  submete,  como  qualquer  outra,  ao  controle  judicial  quanto  à  sua  natureza,  validade  e  aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito  tributário  estipulado  por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa  ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de  garantia  do  acesso  à  Justiça.  Afastando­se  as  aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no mais,  a  eficácia  da  norma,  permite­se  a  aplicação  do  prazo  reduzido  relativamente  às  ações  ajuizadas  após  a  vacatio  legis,  conforme  entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal.  O  prazo  de  vacatio  legis  de  120  dias  permitiu  aos  contribuintes  não  apenas  que  tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias  à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não  havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior  extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de  lei  geral,  tampouco  impede  iniciativa  legislativa  em  contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando­se válida  a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso  da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do  art.  543­B,  §  3º,  do  CPC  aos  recursos  sobrestados.  Recurso  extraordinário  desprovido” (Referida decisão transitou em julgado no dia 27 de fevereiro de 2012).  E, segundo consta do relatório do Despacho decisório a Recorrente solicitou,  em  25/08/2005,  “a  restituição  de  recolhimentos  de  IRPJ  além  do  devido,  efetuados  entre  28/02/1997  e  28/12/2001,  uma  vez  que  para  apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto  foi  aplicado o percentual de 32%, enquanto que a legislação lhe permite utilizar o percentual de  8%,  pois  presta  serviços  hospitalares”;  ou  seja,  o  pedido  aconteceu  já  na  vigência  da  Lei  Complementar nº 118/05.  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 252          9 Desta forma para os pagamentos realizados pela Recorrente nos exercícios de  1997, 1998, 1999 e  até agosto 2000,  estes  foram alcançados pela decadência do direito de a  Recorrente  pleitear  a  restituição,  isso  porque,  a  Lei  Complementar  nº  118/05  que,  a  título  interpretativo,  previu  que,  nos  casos  de  pedido  de  restituição,  o  prazo  prescricional  para  postular a restituição deveria ser contado da data do pagamento; e não da data da homologação  do pagamento.   Neste sentido, é imperativo reconhecer a decadência do direito da Recorrente  em pleitear qualquer restituição dos pagamentos realizados nos exercícios de 1997, 1998, 1999  e até agosto 2000, tendo em vista que a Recorrente não respeitou o prazo fixado por lei para o  exercício  de  seu  direito;  assim,  é  incontestável  que  a  Recorrente  perdeu  a  possibilidade  de  exercê­lo, pela sua inércia.  Passando  agora  o  para  os  pagamentos  realizados  em  dezembro  de  2000  e  dezembro  de  2001,  totalizando  R$  17.416,26,  equivalente  a  23,16%  (vinte  e  três  vírgula  dezesseis por cento) do montante apresentado pela Recorrente para ser restituído, observo que  tal pedido é factível, tendo em vista a possibilidade de a Recorrente calcular o IRPJ e a CSLL  utilizando a alíquota de presunção de 8% ao invés de 32%.  Este tema já foi enfrentado diversas vezes por essa 3ª Turma Especial, com  vários julgados dos ilustres Conselheiros Sergio Rodrigues Mendes e Walter Adolfo Maresch,  aos quais rendo as minhas homenagens. E, para exemplificar, trago a colação parte da decisão  proferida no julgamento do processo nº. 18088.000151/2009­57 na sessão de janeiro de 2012,  consubstanciado pelo Acórdão nº. 1803­001.204 da lavra do ilustre Conselheiro Walter Adolfo  Maresch, a quem peço vênia para utilizar suas razões de decidir, “verbis”:   “Trata  o  presente  processo  de  lançamento  de  ofício  contendo  autos  de  infração  IRPJ e CSLL relativos aos anos calendários 2004 e 2005, em virtude de diferença  de alíquota em decorrência do não enquadramento da contribuinte na atividade de  serviços hospitalares.  Alega a recorrente em síntese:  I ­ Conhecer e dar total provimento do presente recurso para reformar a r. decisão  recorrida e julgar a acusação totalmente improcedente, tendo em vista que além de  preencher todos os requisitos regulamentares para a redução da base de cálculo do  IRPJ  e  da  CSLL,  o  referido  benefício  é  atrelado  a  aspectos  objetivos  e  não  subjetivos,  o  que  significa  que,  independente  da  existência  de  estrutura  para  internações  e  da  forma  empresarial,  o  prestador  dos  serviços  elencados  como  médico hospitalares fazem jus à redução da base de cálculo.  II – (...)  Assiste razão à interessada.  Com efeito, a matéria  comportou  tormentosa discussão nos  colegiados  julgadores  administrativos  e  judiciais,  tendendo  hora  para  uma  corrente  que  se  atinha  à  determinadas exigências de equipamentos e instalações hora apenas em relação ao  serviços destinados à promoção da saúde.  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 253          10 Prevaleceu  a  segunda  tese  sendo  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  prolatou  acórdão submetido ao regime do Art. 543­C do CPC, com a seguinte ementa:  ‘DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  AOS  ARTIGOS  535  e  468  DO  CPC.  VÍCIOS  NÃO  CONFIGURADOS.  LEI  9.249/95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO  AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543­C DO CPC.  1.  Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão  "serviços  hospitalares"  prevista  na  Lei  9.429/95,  para  fins  de  obtenção  da  redução  de  alíquota do IRPJ e da CSLL.  Discute­se a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida  na lei, poder­se restringir o benefício fiscal,  incluindo no conceito de "serviços  hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global  ao paciente, mediante internação e assistência médica integral.  2.  Por  ocasião  do  julgamento  do RESP 951.251­PR,  da  relatoria  do  eminente  Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu  que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas  reduzidas,  a  expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei  9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da  atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício  fiscal,  não  considerou  a  característica  ou  a  estrutura  do  contribuinte  em  si  (critério  subjetivo), mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência  à  saúde).  Na  mesma  oportunidade,  ficou  consignado  que  os  regulamentos  emanados  da  Receita  Federal  referentes  aos  dispositivos  legais  acima  mencionados  não  poderiam  exigir  que  os  contribuintes  cumprissem  requisitos  não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita  a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que  "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente  na Lei 9.249/95, pelo que se mostra  irrelevante para  tal  intento as disposições  constantes em atos regulamentares".  3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam  às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da  saúde",  de  sorte  que,  "em  regra,  mas  não  necessariamente,  são  prestados  no  interior  do  estabelecimento  hospitalar,  excluindo­se  as  simples  consultas  médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar,  mas nos consultórios médicos".  4.  Ressalva  de  que  as  modificações  introduzidas  pela  Lei  11.727/08  não  se  aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que  a  redução de  alíquota  prevista  na Lei  9.249/95  não  se  refere  a  toda  a  receita  bruta  da  empresa  contribuinte  genericamente  considerada,  mas  sim  àquela  parcela  da  receita  proveniente  unicamente  da  atividade  específica  sujeita  ao  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 254          11 benefício  fiscal,  desenvolvida  pelo  contribuinte,  nos  exatos  termos  do  §  2º  do  artigo 15 da Lei 9.249/95.  5. Hipótese  em  que  o  Tribunal  de  origem  consignou  que  a  empresa  recorrida  presta  serviços médicos  laboratoriais  (fl.  389),  atividade  diretamente  ligada  à  promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada  em  ambientes  hospitalares  ou  similares,  não  se  assemelhando  a  simples  consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte,  faz  jus  ao  benefício  em discussão  (incidência  dos  percentuais  de 8%  (oito  por  cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a  receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos  laboratoriais).  6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao  regime do artigo 543­C do CPC e da Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido’.  Nos embargos de declaração  interpostos contra a decisão acima,  foi deixado bem  claro pelos Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça que são  serviços  hospitalares  “aqueles  que  se  vinculam  às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente  à  promoção  da  saúde”,  excluídas  as  consultas  médicas.  Não  há  nos  autos  qualquer  elemento  que  possa  sugerir  a  existência  de  consultas  médicas nas receitas auferidas pela recorrente, sendo portanto válida a conclusão  de que todo seu faturamento nos anos calendários 2004 e 2005, faz jus à alíquota de  8% para o IRPJ e 12% para a CSLL”.  Desta forma entendo que a Recorrente não teria direito a calcular o Imposto  de Renda  da  pessoa  jurídica  –  IRPJ,  utilizando  alíquota  de  presunção  de  8%,  por  não  estar  demonstrado a compatibilidade dos serviços por ela prestados e o que buscou abranger o art. 15  da Lei nº. 9.249/95, que foi consolidado pelos esclarecimentos trazidos à tona através da Lei nº  11.727/2008.  Por  isso,  smj,  não  resta  duvida  que  a  Recorrente  não  tem  o  direito  a  restituição dos valores pagos uma vez que utilizou para apuração da base de cálculo do IRPJ o  percentual de 32% e deveria utilizar o percentual de 8%, pois presta serviços hospitalares.  Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto  no  sentido  de  negar provimento  ao  recurso, mantendo  a  decisão  proferida  pela  1ª  Turma de  Julgamento  da  DRJ  em  Curitiba  ­  PR,  na  sessão  de  29/01/2009  e  consubstanciada  pelo  Acórdão nº 06­20.786, por não  ficar demonstrado que a Recorrente  teria direito  a  calcular o  Imposto  de Renda  da  pessoa  jurídica  –  IRPJ,  utilizando  alíquota  de  presunção  de  8%,  pela  incompatibilidade dos serviços por ela prestados e o que buscou abranger o art. 15 da Lei nº.  9.249/95  e  também  reconheço  a  decadência  do  direito  da  Recorrente  em  pleitear  qualquer  restituição dos pagamentos  realizados nos  exercícios de 1997, 1998, 1999 e até  agosto 2000  (correspondente  a 76,84% do crédito pleiteado,  equivalente  a R$ 57.771,94),  tendo  em vista  que não foi respeitado, pela Recorrente, o prazo fixado por lei para o exercício de seu direito,  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10920.002810/2005­95  Acórdão n.º 1803­001.458  S1­TE03  Fl. 255          12 perdendo  assim  a  possibilidade  de  exercê­lo,  pela  sua  inércia;  devendo  a  autoridade  fiscal  confirmar se os pagamentos realizados pela Recorrente em dezembro de 2000 e dezembro de  2001, totalizando R$ 17.416,26, ainda são passíveis de restituição ou compensação, excetuadas  as simples consultas médicas.    (Assinado Digitalmente)  Sérgio Luiz Bezerra Presta ­ Relator                              Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA

score : 1.0
5959157 #
Numero do processo: 15504.018695/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO. A penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias é aplicada em valor fixo que independe da quantidade elementos não informados. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO. A penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados às contribuições previdenciárias é aplicada em valor fixo que independe da quantidade elementos não informados. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu May 07 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 15504.018695/2008-48

anomes_publicacao_s : 201505

conteudo_id_s : 5473123

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2402-004.666

nome_arquivo_s : Decisao_15504018695200848.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : THIAGO TABORDA SIMOES

nome_arquivo_pdf_s : 15504018695200848_5473123.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015

id : 5959157

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887658614784

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15504.018695/2008­48  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.666  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de março de 2015  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS  Recorrente  SMP&B COMUNICAÇÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005  FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ELEMENTOS RELACIONADOS ÀS  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA EM VALOR FIXO. A  penalidade pela falta de apresentação de livros e/ou documentos relacionados  às  contribuições previdenciárias  é  aplicada  em valor  fixo que  independe  da  quantidade elementos não informados.  Recurso Voluntário Negado.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 86 95 /2 00 8- 48 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2   ACORDAM os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso voluntário.       Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente      Thiago Taborda Simões ­ Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo  e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018695/2008­48  Acórdão n.º 2402­004.666  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  Auto  de  Infração,  nº  37.193.228­9,  lavrado  por  ter  a  empresa  deixado  de  apresentar  os  livros  solicitados  pela  fiscalização,  descumprindo  a  obrigação  acessória prevista no art. 33, parágrafos 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91.  Relatório Fiscal às fls. 08/14.  Intimada  da  autuação,  a  Recorrente  apresentou  Impugnação  de  fls.  41/43,  instruída  com  as  assinaturas  de  ambos  os  sócios  da  empresa  às  fls.  65/67,  que  restou  improcedente às fls.79/87, sob os seguintes fundamentos:  1)  Não procede a alegação do sujeito passivo de que a multa aplicada seria  relativa, inclusive, ao fato de que não Mantém Escrituração Contábil e Fiscal  em sistema eletrônico de dados;    2)  O próprio impugnante admite à fl. 21que os livros solicitados não foram  apresentados  ao  indicar  como  uma  das  razões  a  apreensão  de  vários  documentos e livros que teria ocorrido durante o episódio do "mensalão”;    3)  O contribuinte, apesar de alegar que consta no presente processo, recibo  emitido  pela  Policia  Federal  que  comprovaria  a  apreensão,  inclusive,  dos  Livros  Diário  e  Razão  relativos  ao  ano  de  2005,  não  juntou  aos  autos  qualquer documento dessa natureza;    4)  O valor da penalidade foi calculado conforme dispõe a Lei nº 8.212/91,  artigos 92 e 102 c/c RPS, artigo 283, inciso II, alínea "j" e artigo 373. O valor  mínimo foi atualizado de acordo com a Portaria MPS/MF nº 77/2008;    Intimada  do  resultado  do  julgamento,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário de fls. 99/101, alegando, em síntese:  1)  A  partir  de  julho  de  2005,  a  Autuada  deixou  de  faturar  receitas  e  até  mesmo  exercer  as  suas  atividades  normais,  uma  vez  que  paralisada  pelos  episódios do “mensalão”. A partir da data citada, a SMPB ocupa apenas uma  pequena sala em Belo Horizonte, além de não possuir quaisquer empregados;    2)  Assim, a Autuada só não teve o seu CNPJ baixado pelo fato de possuir  demandas administrativas e judiciais, alem de parcelamentos de débitos com  o fisco. Mensalmente, contabiliza receitas residuais, em valor ínfimo, receitas  estas que não a obrigariam a manter os seus registros contábeis e fiscais pelo  sistema eletrônico de dados;    3)  Assim  que  tiver  quitado  em  definitivo  as  dívidas  acima  apontadas,  pretendem  os  sócios  da  empresa  aliená­la  ou  até mesmo  encerrá­la,  com  a  conseqüente  baixa  de  seu  CNPJ,  uma  vez  que  afastada  das  atividades  de  publicidade e propaganda;    Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 4)  A empresa teve boa parte de sua escrituração contábil e fiscal apreendida  pelos diversos órgãos públicos federais que a fiscalizaram durante o episódio  do mensalão,  tais como, Polícia Federal, CPI dos Correios, Procuradoria da  República etc., fato que a impediu de, até mesmo, fechar os anos calendários  subseqüentes  a  2005,  do  ponto  de  vista  contábil,  pela  ausência  de  dados  disponíveis  para  tal.  Conta  a  comprovação  do  que  foi  aqui  afirmado,  consistente  no  recibo  feito  pela  Polícia  Federal  do  material  apreendido  ao  interior da Autuada;    5)  Considerando, portanto, que a empresa não teve nem deverá ter, a partir  de  julho  de  2005,  receitas  em  valor  significativo,  mas  apenas  valores  residuais, uma vez que encontra­se, desde então, absolutamente desativada e  afastada das atividades relacionadas com a propaganda e a publicidade, não  possuindo ademais quadro de funcionários, entende a Recorrente que está ela  dispensada do  cumprimento das normas  relacionadas com a manutenção de  um sistema eletrônico de dados previstas na Lei no. 8.212, de 24/07/91;    6)  Foi  informado  ao  digno  Auditor  Fiscal  Federal  encarregado  da  fiscalização, Sr. Zaiter Gomide Castanheira, que seria disponibilizado a ele,  pela  empresa,  todos  os  documentos  e  livros  em  seu  poder,  permitindo­lhe  fosse cumpria regularmente a auditoria fiscal, sem maiores tropeços ou falha.  E  assim  realmente  se  fez,  tanto  que  foram  lavrados,  ao  final  dos  procedimentos  fiscais,  autos  de  infração  que  estão  sendo  impugnados  regularmente naquela oportunidade;    7)  Ora, se a empresa não aufere mais recursos significativos desde julho de  2005,  toma­se  absolutamente  despido  de  qualquer  razoabilidade  ou mesmo  bom  senso  exigir­lhe  um  sistema  eletrônico  sofisticado  de  escrituração  de  receitas.  Além  disso,  o  espírito  da  Lei  Fiscal  foi  absolutamente  cumprido,  uma vez que a fiscalização não encontrou nenhuma dificuldade para lavrar o  auto  de  infração  com  os  dados  e  documentos  disponibilizados  pela  recorrente;   Por fim, a Recorrente requereu seja cancelada a exigência fiscal e afastada a  multa, à vista da inexistência de receitas ou faturamentos quaisquer que tornem necessária tal  exigência e considerando que não houve prejuízo para o fisco.  Em 21/01/2010, após o retorno dos autos do processo n° 15504.018693/2008­ 59  e  dos  autos  do  processo  n°  15504.018694/2008­01,  baixados  em  diligência  a  DRJ,  constatou­se,  por  meio  de  consultas  aos  sistemas  informatizados  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  que  a  Recorrente  é  reincidente,  apesar  de  no  Relatório  Fiscal  da  Multa  constar que não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do  RPS.  Assim, considerando­se que o sujeito passivo, em relação à autuação tratada  no mencionado AI DEBCAD n.° 37.193.228­9, é reincidente em infrações de mesmo tipo, o  valor  da  multa  que  deveria  ter  sido  aplicada  é  de  R$  36.646,31  (multa  de  R$  12.548,77,  agravada em três vezes).  Face  ao  exposto,  concluiu­se  em  primeira  instância  que  valor  de  multa  lançado  por  meio  do  Auto  de  Infração  ora  em  análise  deveria  ser  mantido  (R$  12.548,77)  conforme decisão colegiada contida no Acórdão n° 23.407.  Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018695/2008­48  Acórdão n.º 2402­004.666  S2­C4T2  Fl. 4          5 Determinou­se  que  deve  a  DRF  de  origem  ser  cientificada  para  tomar  as  providencias cabíveis em relação ao valor de multa não lançado relativamente ao agravamento  não aplicado em função da reincidência.  Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário.  É o relatório.  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6   Voto             Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator  O  recurso voluntário atende aos  requisitos de admissibilidade, dentre eles o  da tempestividade, razão pela qual dele conheço.  Quanto às alegações nele colocadas, passo à análise.  Trata­se  de  auto  de  infração  de  obrigação  acessória  lavrado  em  razão  de  o  contribuinte  ter  deixado  de  exibir  qualquer  livro  ou  documento  relacionado  com  as  contribuições para a Seguridade Social.  Foi aplicada multa no valor de R$12.548,77, sob fundamento de infração ao  disposto no art. 33, parágrafos 2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 232, e 233,  parágrafo  único  do  Regulamento  da  Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo  Decreto  3.048/1999.  Posteriormente, às  fls. 57/57verso, o  julgador de primeira instância apontou  para  o  fato  de  que  a  Recorrente  é  reincidente  na  infração  e  aplicou­lhe  a  penalidade  com  agravante nos termos do art. 292, IV, do Regulamento da Previdência.  Pretende a Recorrente o cancelamento do auto de  infração, sob alegação de  que  a  ausência  de  entrega  de  informações  à  RFB  independeu  de  sua  vontade  enquanto  contribuinte,  sendo  decorrente  das  diversas  fiscalizações  a  que  fora  submetida  no  período  fiscalizado.   Não merece guarida tal alegação.  Os parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei n° 8.212/91 assim determinam:  “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil  compete planejar,  executar,  acompanhar  e avaliar as atividades  relativas à  tributação, à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei,  das  contribuições  incidentes  a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  §  1º  É  prerrogativa  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  intermédio dos Auditores­Fiscais da Receita Federal do Brasil, o exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das  contribuições devidas a outras entidades e  fundos. (Redação dada pela  Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  §  2º  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça, o  síndico ou seu representante, o comissário e o  liquidante de  empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com  as  contribuições  previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  §  3º  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil pode,  sem prejuízo da penalidade cabível,  lançar de  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.018695/2008­48  Acórdão n.º 2402­004.666  S2­C4T2  Fl. 5          7 ofício  a  importância  devida. (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009).”  Já os artigos do Regulamento da Previdência Social dispõem:  “Art.  232.  A  empresa,  o  servidor  de  órgão  público  da  administração  direta  e  indireta,  o  segurado  da  previdência  social,  o  serventuário  da  Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados  com as  contribuições  previstas neste Regulamento.  Art.  233.  Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  o  Instituto  Nacional  do  Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da  penalidade  cabível  nas  esferas  de  sua  competência,  lançar  de  ofício  importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador  doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário.”  Ainda,  Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma:  [...]  IV – a agravante do  inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a  cada reincidência no mesmo tipo de infração , e em duas vezes em caso  de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos  estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso.  Assim, considerando que as  irregularidades foram apuradas em processo de  obrigação  principal  e  que,  apesar  disso,  a  penalidade  aplicada  não  é  calculada  com  base  no  valor da obrigação principal verificada, não há que se falar em exclusão de multa.  Mantenho, portanto, a multa aplicada.  Conclusão  Por  todo  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  e  a  ele  NEGO  provimento.  É como voto.    Thiago Taborda Simões.                              Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

score : 1.0
5897394 #
Numero do processo: 35138.000055/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PLR pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2301-003.531
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ensejadores da multa, até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto da Relatora; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator “ad hoc”. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à RecorRente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: Marcelo Oliveira- Relator ad hoc

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201305

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PLR pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção

numero_processo_s : 35138.000055/2007-23

conteudo_id_s : 5455881

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 2301-003.531

nome_arquivo_s : Decisao_35138000055200723.pdf

nome_relator_s : Marcelo Oliveira- Relator ad hoc

nome_arquivo_pdf_s : 35138000055200723_5455881.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ensejadores da multa, até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto da Relatora; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator “ad hoc”. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à RecorRente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior.

dt_sessao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013

id : 5897394

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:04 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887676440576

conteudo_txt : Metadados => date: 2015-04-10T20:44:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-04-10T20:44:42Z; Last-Modified: 2015-04-10T20:44:42Z; dcterms:modified: 2015-04-10T20:44:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-04-10T20:44:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-04-10T20:44:42Z; meta:save-date: 2015-04-10T20:44:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-04-10T20:44:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-04-10T20:44:42Z; created: 2015-04-10T20:44:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2015-04-10T20:44:42Z; pdf:charsPerPage: 2327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-04-10T20:44:42Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 1.120 1 1.119 S2-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35138.000055/2007-23 Recurso nº 147.718 Voluntário Acórdão nº 2301-003.531 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2013 Matéria Salário Indireto: Participação nos Lucros e Resultados Recorrente SANKYU S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO - APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORREPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PLR pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103 A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos geradores ensejadores da multa, até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, nos termos do voto da Relatora; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do Relator “ad hoc”. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à RecorRente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente. Redator: Manoel Coelho Arruda Júnior. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente e Relator “ad hoc” (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior- Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.121 3 Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 26/09/2006, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4 o , do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls 08), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, os pagamentos efetuados a segurados a seu serviço, a título de PLR, no período de 01/99 a 12/05. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação nº 11.401.4/0149/2007 (fls. 460), julgou a autuação procedente Inconformada com a decisão da autarquia previdenciária, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls.472), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, requer a reunião dos autos dos processos correspondentes à NFLD nº 37.026.097-0 (obrig. principal), AI no. 37.026.098-8 e AI n°. 37.026.099-6 (obrig. acessórias), com vistas a promover a economia processual e a celeridade de tramitação, bem como a unicidade de decisões dos recursos. Entende que não merece prosperar o crédito tributário decorrente da autuação em tela, uma vez que pautado em premissa de direito equivocada, especificamente em relação à indevida inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias e a terceiros, das parcelas destinadas pela Impugnante aos seus empregados a título de participação nos lucros ("PLR"), o que não constitui fato gerador da contribuição previdenciária. Discorre sobre a PLR tentando demonstrar que a incidência de contribuições previdenciárias sobre a participação nos lucros paga aos empregados entre janeiro de 1996 a dezembro de 2005, quando já existente a MP n°. 794/94 (assim como a própria Lei n°. 10.101/00), é indevida. Afirma que tanto a matriz quanto as filiais atenderam as condicionantes da lei, já que não só previram como estabeleceram critérios de viabilização dos pagamentos de PLR e o montante devido a cada um dos funcionários ali lotados. Observa que não há na Lei n°. 10.101/00 proibição de que o PLR seja pago em bases fixas, tal como ocorrido em oportunidades em certas filiais da Impugnante, o que apenas vem a demonstrar integral cumprimento ao disposto no art. 2° do referido normativo. Em contra-razões, a SRP manteve a decisão recorrida. Por meio da Resolução nº 2301-00.092, de 24/09/2010 (fls. 533), esta 1 a Turma decidiu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, para que fossem juntadas aos autos cópias do Relatório Fiscal e do recurso apresentado pela empresa no Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 processo que discute a Notificação 37.026.097-0, que lançou as contribuições incidentes sobre as remunerações cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela. Em resposta à solicitação feita pelo CARF, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte informa que o processo nº 35138.000056/2007-78, que discute a NFLD 37.026.097-0, encontra-se neste CARF, conforme sistema COMPROT. É o Relatório. Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.122 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator “ad hoc” O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não trazida pela contribuinte no recurso tempestivo, mas que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Verifica-se que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.123 7 Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 26/09/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 29/09/2006, conforme AR de fls. 24. Dessa forma, considerando o exposto acima, constata-se que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências até 11/2000, inclusive. Para a competência 12/2000, a GFIP poderia ter sido apresentada em 01/2001, iniciando-se a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Nesse sentido, reconheço a decadência parcial do débito. Verifica-se, dos documentos juntados aos autos, que a recorrente solicitou parcelamento da parte do débito não atingida pela decadência prevista no art. 150, § 4 o , do CTN (fls. 1.094). Todavia, conforme exposto acima, aplica-se ao caso presente a regra decadencial contida no art. 173, I, do CTN. Portanto, restaram no AI as competências compreendidas entre 12/2000 a 08/2001, que não foram atingidas pela decadência e nem foram objeto de parcelamento especial. Dessa forma, passo a análise das demais alegações trazidas pela recorrente em seu recurso. Preliminarmente, a autuada requer a reunião dos autos dos processos correspondentes à NFLD nº 37.026.097-0 (obrig. principal), AI no. 37.026.098-8 e AI n°. 37.026.099-6. De fato, verifica-se que as contribuições cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela, foram lançadas por meio da NFLD citada. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Porém, em consulta aos sistemas informatizados do CARF, constata-se que a referida NFLD já foi objeto de julgamento por esta Turma, que decidiu, por voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso interposto, para excluir, do débito, por decadência, os valores lançados até a competência 12/2000 e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Portanto, o julgamento do recurso interposto contra a decisão que manteve o AI lavrado por descumprimento da obrigação acessória está sendo julgado após o julgamento da NFLD que lançou a obrigação principal, não havendo prejuízo de qualquer natureza ao contribuinte. Assim, a matéria ora tratada, qual seja, o PLR pago pela empresa, já foi objeto de análise por esta Câmara, tendo esta Relatora sido designada redatora do voto vencedor. Reproduzo, a seguir, a ementa e a conclusão do voto vencedor, no processo35138.000056/2007-78, que discute a NFLD 37.026.097-0: Ementa: SALÁRIO INDIRETO – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. No caso em que o lançamento é de ofício, para o qual não houve pagamento antecipado do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.124 9 CONCLUSÃO: Por tudo que foi exposto acima, concluo que a verba intitulada Participação nos Resultados foi paga em desconformidade com a legislação que rege a matéria. E, como a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/99, a referida verba, paga pela notificada em desacordo com o mencionado diploma legal, integra o salário de contribuição. Nesse sentido, Voto por CONHECER do recurso, e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 01/1996 a 12/2000, inclusive. É como voto. Assim, a matéria já foi apreciada por este Colegiado, que decidiu que o PLR pago pela recorrente possui natureza remuneratória. Nesse sentido, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximir-se de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Contudo, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6 o , da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 - A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Portanto, tratando-se o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, conclui-se que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do cálculo da multa aplicada, por decadência, as competências compreendidas entre 01/99 a 11/2000, inclusive, e para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Relator “ad hoc” Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 35138.000055/2007-23 Acórdão n.º 2301-003.531 S2-C3T1 Fl. 1.125 11 Voto Vencedor Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Redator designado Peço vênia para divergir dos ilustres pares quanto à retroatividade da multa. No tocante à GFIP segundo as novas disposições legais, a multa prevista no artigo 32, § 6º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, qual seja, aquela aplicada em razão de erro no preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, a qual culminava com determinado valor por campo inexato, omisso ou incompleto, passou a ser prevista no artigo 32-A, cujo inciso I, limita o valor a R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Incabível a multa prevista no artigo 35-A da Lei 8.212/91, uma vez que este dispositivo, ao fazer referência ao artigo 44 da Lei 9.430/61, restringe sua aplicação ao lançamento de créditos relativos às contribuições previdenciárias e não o descumprimento de obrigação acessória. Tanto isso é verdade que o novel artigo 35-A acima mencionado faz referência “às contribuições referidas no art. 35 desta Lei”. Seguindo essa linha vemos que o artigo 35, ao tratar das contribuições faz nova remissão, agora às alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei 8.212/91, o qual dispõe que constituem contribuições sociais as das empresas, as dos empregadores domésticos e as dos trabalhadores. Não há, portanto, permissão para que a multa do artigo 35-A seja lançada em decorrência do descumprimento de dever instrumental. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a multa seja calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior - Redator Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relatório Voto

score : 1.0
6015120 #
Numero do processo: 19515.001263/2006-68
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002,2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1803-002.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002,2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Trata-se de omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, apresenta os extratos e não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).

turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 19515.001263/2006-68

anomes_publicacao_s : 201507

conteudo_id_s : 5481948

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1803-002.639

nome_arquivo_s : Decisao_19515001263200668.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES

nome_arquivo_pdf_s : 19515001263200668_5481948.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015

id : 6015120

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:41:56 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887684829184

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1813; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 706          1 705  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.001263/2006­68  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.639  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2015  Matéria  IRPJ  Recorrente  ANARA TOURS VIAGENS E TURISMO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2002,2003  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Trata­se de omissão de  receitas a existência de valores creditados em conta  de  depósito  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  apresenta  os  extratos  e  não  comprova,  mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas  operações.  ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  O Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  (CARF)  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária  (Súmula  CARF nº 2).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente   Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da  Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 63 /2 00 6- 68 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/2006­68  Acórdão n.º 1803­002.639  S1­TE03  Fl. 707          2 Relatório  Trata­se,  o  presente  feito,  de  auto  de  infração  para  a  formalização  da  exigência do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo aos períodos de apuração  correspondentes aos anos­calendário de 2001 e 2002, no montante de R$ 707.145,28, incluídos  os correspondentes encargos  legais. A presente exigência  resultou da constatação de omissão  de  receita  operacional,  caracterizada  pela  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados nas operações de depósitos e/ou créditos efetuadas nos aludidos anos­calendário, em  contas bancárias  tituladas pela Fiscalizada nas  instituições  financeiras  listadas  (UNIBANCO,  BRADESCO e Banco Safra), para o que a empresa foi intimada em mais de uma ocasião.  De  acordo  com  os  Autos  de  Infração  de  fls.  354/362,  363/371  e  372/379,  foram  também  exigidas,  como  lançamentos  reflexos,  as  Contribuições  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  para  o  Financiamento  da  Seguridadé  Social  (COFINS),  além  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), nos quais se constituiu o crédito tributário  nos valores totais de R$ 67.541,21, R$ 311.730,30 e R$ 111.484,35, respectivamente.  Devidamente cietificada do auto de infração, a empresa recorrente apresenta,  de forma tempestiva, suas razões em seara de impugnação, requerendo a reunião dos presentes  autos com os formalizados para as exigências  relativas ao ano­calendário de 2003 (em que a  Contribuinte  foi  tributada  na  sistemática  do  SIMPLES),  conjuntamente  impugnadas  nesta  oportunidade,  como medida  de  garantia  da  ampla  defesa,  economia  e  celeridade  processual.  Ainda, em sede de preliminar, argúi a decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar  exigências do IRPJ e das contribuições sociais relativas a fatos geradores com apuração mensal  ocorridos  até  junho de  2001,  em  razão  de  o  crédito  tributário  já  se  achar  extinto  na data  da  autuação,  devendo  ser  aplicada  a  norma  contida  no  parágrafo  4% do  artigo  150,  do Código  Tributário Nacional (CTN), conforme jurisprudência citada.  Em  ato  continuo,  a  recorrente  cita  doutrina  e  jurisprudência  na  qual  fundamenta  a  censura  à  motivação  do  Fisco  para  formalizar  as  exigências,  alegando  a  impossibilidade de lançamento com base em meras presunções, correspondentes aos depósitos  bancários não justificados. Aduz que esses depósitos por si só não constitutem fato gerador do  imposto  de  renda  e  das  contribuições  sociais  exigidas,  posto  faltarem­lhe  a  característica  essencial para qualificarem como disponibilidade jurídica ou econômica de renda, nos termos  dos arts. 43 e 114 do CTN, além de contrariarem a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de  Recursos.   A  autoridade  de primeira  instância  entendeu  por  bem manter  o  lançamento  em parte. Aduz, quanto ao pedido de apreciação conjunta dos litígios como medida de garantia  da  ampla  defesa,  economia  e  celeridade  processual  que  os  pleitos  não  guardam  qualquer  relação  com  o  exercício  pleno  de  seu  direito  de  defesa,  pois  este  foi  assegurado  desde  a  intimação  para  pagamento  ou  impugnação  das  exigências  formalizadas,  ainda  que  em  autos  apartados, em decorrência de sua opção pela sistemática do Simples no ano calendario de 2003.  Afere que a sistemtática do simples é regida por legislação própria, distinta da que disciplona o  IRPJ e as suas contribuições sociais.   Assim,  afere  que  a  única  forma  de  atender  o  pedido  formulado  seria  o  de  anexar cópia da  impugnação conjunta por ela apresentada contra  todas as exações, nos autos  relacionados à exigência do SIMPLES (Proc. n° 19515.001264/2006­11), o que deve ter sido  Fl. 707DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/2006­68  Acórdão n.º 1803­002.639  S1­TE03  Fl. 708          3 providenciado pela repartição de origem, pois os mesmos se encontram distribuídos à Primeira  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/SP  I,  desde  06//11/2007,  conforme  pesquisa  no  sistema  COMPROT.  No  tocante à decadência, observa o  julgador a quo a Súmula Vinculante n°  08,  de  12/06/2008  (DOU de 20/06/2008),  por  parte  do Supremo Tribunal  Federal  (STF),  na  qual  resta  determinado  que  a  Administração  não mais  pode  aplicar  às  contribuições  para  a  seguridade social, o prazo decadencial de dez anos previsto no artigo 45, da Lei n° 8.212, de  1991, por força do que dispõe o artigo 2°, da Lei no 11.417, de 19/12/2006. Assim, aquelas  exações passam a ser disciplinadas, quanto à matéria, pelos artigos 150 e 173, ambos do CTN.  Dessa  forma,  estando  consolidado  o  entendimento  de que  o  lançamento  do  IRPJ (e, como vimos, da CSLL) se opera por homologação, disciplinado no artigo 150, §4 do  CTN, tem­se que a recorrente optando, no ano calendário de 2001, pela tributação com base no  lucro presumido e questionando a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos até junho  de  2001,  acarreta  no  alcance  os  dois  primeitos  trimestres.  Isso  porque  a  autuação  foi  cientificada em 03/07/2006, ou seja, a exigência somente foi formalizada após o transcurso de  cinco  anos  da  ocorrência  dos  respectivos  fatos  gerados,  para  os  quais  foi  declarado  imposto  devido e efetuados os respectivos recolhimentos, conforme pesquisa no sistema SINAL08, 1­ RPE (CONSULTA PAGAMENTO), fls. 626 a 629.   Assim, os aludidos períodos de apuração já haviam sido alcançado pelo prazo  extintivo do direito em questão, não havendo como deixar de admitir a tese da defesa, de que  os lançamentos do IRPJ e da CSLL não podem prevalecer quanto àqueles períodos, posto que  na data da lavratura do AI, se achava decaído o direito de constituir o crédito tributário, a teor  do  que  dispõe  o  artigo  150,  §  4% do CTN. Neste  ponto,  o  julgador  acatou  a  preliminar  de  decadência, quanto aos primeiro e segundo trimestre de 2001.   No  tocante  às  contribuições  para  o  PIS  e COFINS,  o  julgador  a  quo  afere  que,  relativamente aos  fatos geradores mensais ocorridos anteriormente  a  julho de 2001e em  face  de  pesquisa  ao  sistema SINAL08,  fls.  630  a  636,  a  recorrente  não  recolheu  aquelas  exações  para  todos  os  períodos  de  apuração,  somente  tendo  efetuado  pagamentos  concernentes aos seguintes fatos geradores:  a) PIS ­ código 8109: janeiro, abril e junho de 2001;  b) COFINS ­ código 2172: janeiro, março, abril e junho de 2001;  Salienta  que  no  período  questionado  pela  recorrente,  observa­se  que  a  empresa não efetuou qualquer recolhimento da Contribuição para o PIS relativamente aos fatos  geradores ocorridos em fevereiro, março e maio de 2001, e no caso da COFINS, constatou­se a  falta de pagamento quanto aos períodos de apuração de fevereiro e maio de 2001. E, em não  havendo  pagamento  efetuado  pela  recorrente,  o  disciplinamento  do  instituto  da  decadência  passa a ser regido pelo inciso I, do art. 173 do CTN. Cita doutrina nesse sentido.  Quanto  à  presunção  legal  que  autoriza  a  utilização  dos  recursos  movimentados  em  contas  bancárias  para  a  formalização  de  exigências  tributárias,  entende  o  julgador que a prsunção de receita omitida em decorrência da falta de comprovação da origem  dos recursos depositados em contas bancárias se acha plenamente autorizada pela legislação de  regência, que também autoriza a inversão do ônus da prova do fato arrolado na autuação. Em  outras  palavras,  imputa  à  recorrente  provar  que  aqueles  recursos  não  resultaram  de  receitas  Fl. 708DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/2006­68  Acórdão n.º 1803­002.639  S1­TE03  Fl. 709          4 tributáveis  subtraídas  ao  acrivo do  imposto,  o que não ocorreu por ocasião do procedimento  fiscal.   Tece,  a  decisão  precedente,  considerações  a  respeito  das  normas  legais,  questionamentos  de  ilegalidade  e  inconstitucionalidade,  bem  como  da  impossibilidade  da  administração  tecer  posicionamentos  em  questões  pertinentes  exclusivamente  ao  Poder  Judiciário. Assim as ponderações a respeito da legalidade ou não da presunção e da inversão do  ônus  da  prova  devem  ser  alavancadas  na  seara  do  poder  judicária.  Refuta  a  jurisprudência  carreadas aos autos pela recorrente.   Devidamente  cientificada  da  decisão  proferida  pela  primeira  instância  em  23.03.2009,  a  empresa  recorrente  apresenta  em  22.04.2009  suas  razões  em  seara  de  recurso  voluntário, de forma tempestiva, aduzindo o já disposto na impugnação.   De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente  decisão  conforme  apresentada  em plenário,  dado  que  a  relatora  original  não mais  compõe o  colegiado, nos termos da Portaria MF nº 217 publicada no DOU de 28.04.2015 e do art. 17 e  do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, 22 de  junho de 2009.  Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº  15169.000109/2011­62:  Aos  vinte  e  cinco  dias  do mês  de março  do  ano  de  dois  mil  e  quinze,  às  nove  horas,  Pauta  de  julgamento  dos  recursos  das  sessões  ordinárias  a  serem  realizadas  nas  datas  a  seguir  mencionadas,  no  Setor  Comercial  Sul,  Quadra  01,  Edifício  Alvorada,  3º  Andar,  Sala  306,  em  Brasília  ­  Distrito  Federal,  reuniram­se  os  membros  da  3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF,  estando  presentes  CARMEN  FERREIRA  SARAIVA  (Presidente),  SÉRGIO  RODRIGUES  MENDES,  MEIGAN  SACK  RODRIGUES,  ROBERTO  ARMOND  FERREIRA  DA  SILVA,  RICARDO  DIEFENTHAELER,  FERNANDO  FERREIRA  CASTELLANI  e  eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria,  a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...]  Relator(a): MEIGAN SACK RODRIGUES   Processo: 19515.001263/2006­68   Recorrente:  ANARA  TOURS  VIAGENS  E  TURISMO  LTDA  e  Recorrida: FAZENDA NACIONAL   Acórdão 1803­002.639   Decisão:  Por  unanimidade  de  votos,  negaram  provimento  ao  recurso voluntário.   Votação: Por Unanimidade   Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO   Resultado:  Recurso  Voluntário  Negado  Crédito  Tributário  Mantido  Fl. 709DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/2006­68  Acórdão n.º 1803­002.639  S1­TE03  Fl. 710          5 É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  Trata­se,  o  presente  feito,  de  auto  de  infração  de  IRPJ,  relativo  aos  anos  calendários de 2001 e 2002entes aos anos­calendário de 2001 e 2002 e lançamentos reflexos de  PIS  e  COFINS,  além  da  CSLL,  incluídos  os  correspondentes  encargos  legais.  A  presente  exigência resultou da constatação de omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados  nas  operações  de  depósitos  e/ou  créditos  efetuadas  nos  aludidos  anos­calendário,  em  contas  bancárias  tituladas  pela  Fiscalizada  nas  instituições  financeiras  listadas  (UNIBANCO,  BRADESCO  e  Banco  Safra),  para  o  que  a  empresa foi intimada em mais de uma ocasião.   A  decisão  a  quo  enfrentou  as  questões  de  decadência,  não  havendo  que  se  abordar  no  presente momento,  face  ao  fato  de  ter  sido  acatada  e  com  a  qual  concordamos  integralmente.  Ainda,  a  empresa  recorrente  requer  a  nulidade  do  auto  de  infração  pela  imposição ­ omissão de rendimentos por depósitos bancário de origem não identificada ­ não  subsumir­se  na  hipótese  de  incidência  disciplinada  no  art.43  do  CTN.  E,  por  fim  arguiu  a  inconstitucionalidade e ilegalidade de algumas normas do ordenamento pátrio.     Da preliminar de Nulidade do auto de infração por ferir o artigo 5º, da Carta Magna    Passo a dirimir as questões de constitucionalidades, alegadas pela recorrente,  aduzindo  que  essa  esfera  administrativa  não  é  competente  para  enfrentar  o  tema,  posto  que  discussões desse porte, quais sejam, constitucionalidades de leis ou mesmo de artigos de  leis  são de  competência  exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Assim,  certo de que  somente  o  Poder  Judiciário pode manifestar­se  sobre  aplicação da  constitucionalidade de uma norma,  a  este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete apenas aplicar as  leis em  vigor dentro do nosso ordenamento pátrio.   Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontra­se adstrito à aplicação  de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02:    Fl. 710DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/2006­68  Acórdão n.º 1803­002.639  S1­TE03  Fl. 711          6 “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária (Súmula CARF nº 2).”     Mérito     No  tocante  ao mérito,  relativo  à parte  que  foi  devolvida  para  apreciação  a  este  colegiado,  já  desconsiderando  a  decadência  acatada,  entendo  que  não  assiste  razão  à  recorrente.  Isso porque a autuação disposta no art. 42 da Lei 9.430/96, qual seja: omissão de  receita por depósitos bancários de origem não identificada, implica em uma inversão do ônus  da  prova,  ou  seja,  cumpre  à  empresa  recorrente  comprovar  a  origem  dos  valores,  com  identidade de data e valor, através de documentação hábil e idônea.  Tem­se que no caso em tela, a empresa foi intimada por diversas vezes para  apresentar  as  justificativas  das  origens  dos  valores  depositados  em  suas  contas.  Ocorre  que  apresentar justificativa não diz respeito apenas a informar, mas sim necessário e imprescindível  se faz que junte ao feito documentos hábeis e idôneos que dêem respaldo ao alegado, o que no  caso não ocorreu.   Entendo que a empresa não logrou juntar documentos pertinentes e limitou­se  a referir que os valores transitaram pela sua conta bancária, mas por se tratar de uma agência de  turismo  coerente  entender  que  é  de  prache  da  atividade  o  tramites  de  valores  pela  conta  corrente.  Importa  salientar  que  a  norma  determina  a  justificativa  com  identidade  de  data  e  valor, bem como através de documentação hábil e idônea.   De igual modo, a alegação de que partes dos valores depositados era oriundos  das contas dos sócios, necessário se  faz comprovar a  relação de depósitos com as saídas dos  numerários  das  contas  dos  sócios  há  época.  Ocorre  que  em  nenhum  momento  a  empresa  recorrente  tras  essa  relação,  referindo  que  os  valores  que  saíram  das  contas  dos  sócios  ingressaram nas contas das empresa, com identidade de data e valor. Por essa razão, entendo  que a simples alegação, desacompanhada das provas necessárias não cancela o lançamento.   E quanto à discussão a respeito da presunção, disposta na norma, tem­se que  a  omissão  de  rendimentos  por  depósitos  bancários  é  considerada,  dentro  do  ordenamento  jurídico  pátrio,  uma  presunção,  necessitando  de  sua  comprovação.  Ocorre  que  essa  comprovação,  em  se  tratando  de  depósitos  bancários,  inverte­se,  devendo  a  recorrente  demonstrar, com identidade de data e valor, a origem dos valores, tal como referido acima.   Ademais,  ainda  que  se  trate  de  uma  presunção,  de  igual  modo  cumpre  à  empresa,  interessada  em demonstrar que não  se  encontrar em situação de devedora dos  seus  tributos, comprovar que os depósitos não se tratavam de renda omitida, já que a norma nesse  caso  específico  determina  a  inversão  em  favor  da  fiscalização,  impondo  a  conduta  demonstrativa  à  recorrente,  tal  com  já  referido.  Nesse  sentido,  importa  citar  jurisprudência  corroborando o entendimento:    “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO.  É  regular  o  procedimento  de  fiscalização  que  verifica  incompatibilidade entre os registros efetuados no Livro Caixa do  Fl. 711DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001263/2006­68  Acórdão n.º 1803­002.639  S1­TE03  Fl. 712          7 contribuinte,  e  aqueles  informados  ao  fisco,  e  a movimentação  financeira  espelhada  nos  extratos  bancários.  Em  constatando  relevante  disparidade  e  não  justificando,  o  contribuinte,  a  origem dos créditos bancários, especificamente, é lícito proceder  ao  lançamento por presunção de receita omitida, com Mero no  artigo 42 da Lei n° 9.430/96.  DEPÓSITO BANCÁRIO. PROVA.  Não  pode  o  contribuinte,  pessoa  jurídica,  pretender  que  se  admita,  para  provar  a  origem  dos  créditos  bancários  individualizados,  o  total  do  rendimento  bruto  do  sócio,  informado em DIRPF,  sem provar,  com documentação hábil,  a  efetiva transferência de valores nas datas dos créditos.  (Processo  n.  11543.003273/2004­27,  Acórdão:  191­00.079,  Ministério da Fazenda, 1° Conselho de Contribuintes, 1ª Turma  Especial, 29.01.2009, Relatora Ana de Barros Fernandes)”    Do julgamento em conjunto     A empresa requer que o presente feito seja julgado em conjuntamnete com o  processo  adminsitrativo  que  versa  sobre  o  ano  calendário  de  2003.  Ocorre  que  no  ano­ calendário de 2003 a sistemática de apuração da empresa se perfez pelo Simples enquanto no  presente  feito  a  opção  realizada  foi  pelo  Lucro  Presumido.  Ademais  a  unificação  dos  dois  processos  não  possui  respaldo  legal  e  tão  pouco  causará  problemas  à  empresa  o  julgamento  individual de cada feito.   Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                  Fl. 712DF CARF MF Impresso em 07/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 21/05/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

score : 1.0
6118397 #
Numero do processo: 10880.006861/00-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda e da CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido
Numero da decisão: 1401-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ - ano-calendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ - ano-calendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Mozart Barreto Vianna e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201502

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda e da CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 10880.006861/00-89

anomes_publicacao_s : 201509

conteudo_id_s : 5518102

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 04 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 1401-001.370

nome_arquivo_s : Decisao_108800068610089.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS

nome_arquivo_pdf_s : 108800068610089_5518102.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ - ano-calendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ - ano-calendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente em Exercício), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias, Mozart Barreto Vianna e Fernando Luiz Gomes de Mattos.

dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015

id : 6118397

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:42:42 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887695314944

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2          1 1  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.006861/00­89  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­001.370  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  04 de fevereiro de 2015  Matéria  Pedido de compensação  Recorrente  Morgan Stanley Prestação de Serviços e Comércio de Commodities Ltda.   Recorrida  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1998, 1999  IRRF. COMPOSIÇÃO.  O  imposto  retido na fonte é considerado antecipação do  imposto devido no  período­base.  A  retenção  feita  em  conformidade  com  a  lei  não  constitui  indébito  ou  recolhimento  a  maior,  no  entanto,  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte  poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de  diferentes espécies.  SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.  Constituem crédito a compensar ou  restituir os saldos negativos de  imposto  de renda e da CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda  não tenham sido compensados ou restituídos.  RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.   O  reconhecimento  do  crédito  depende  da  efetiva  comprovação  do  alegado  recolhimento indevido ou maior do que o devido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  DAR  provimento  PARCIAL ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ ­ ano­calendário 1998 de  R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ ­ ano­calendário 1999 de R$ 11.038.286,71  para R$ 11.188.690,43.  (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto ­ Presidente em Exercício      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 68 61 /0 0- 89 Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS     2 (assinado digitalmente)  Fernando Luiz Gomes de Mattos – Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto  (Presidente em Exercício), Mauricio Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini  Dias, Mozart Barreto Vianna e Fernando Luiz Gomes de Mattos.    Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/00­89  Acórdão n.º 1401­001.370  S1­C4T1  Fl. 3          3 Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  e  transcrevo  o  relatório  que  consta  da  decisão de piso, fls. 576­579:  Em 05/05/2000, a contribuinte protocolizou,  junto à CAC/LUZ,  pedido  de  RESTITUIÇÃO  (fls.  01),  cumulado  aos  pleitos  de  COMPENSAÇÃO  de  fls.  02/05  e  168/420,  objetivando  o  aproveitamento de saldo negativo da CSLL e do IRPJ, relativos  aos  anos­calendário  de  1998  e  1999,  no  valor  de  R$  24.129.026,83, com vistas à quitação de débitos diversos.  Em 13/11/2003, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO  (fls.  742/749),  DEFERINDO  EM  PARTE  o  pedido  da  contribuinte nos seguintes valores: IRPJ de R$ 7.192.727,99 do  ano­calendário  de  1998  e  R$  11.038.286,71  para  o  ano­ calendário  de  1999  e  CSLL  de  R$  2.342.717,43  do  ano­ calendário de 1999.  O  indeferimento,  de parte do  valor da  restituição, deu­se pelos  seguintes motivos:  •  CSLL:  compensação  efetuada  a  maior  (crédito  de  R$  674.662,56 e débito de R$ 745.636,78, restando saldo a pagar de  R$ 4.367,00);  •  Para  o  IRPJ,  a  diferença  apurada  entre  a  pleiteante  e  a  autoridade  fiscal,  originou­se  de  compensações  efetuadas  a  maior.  A  interessada  utilizou­se  de  saldos  negativos  de  exercícios  anteriores  (anos­calendário  de  1996  e  1997)  para  compensação de IRPJ de períodos posteriores  (anos­calendário  de 1998 e 1999);  • Para o ano­calendário de 1996, não houve apuração de saldo  negativo  para  o  IRPJ,  conforme  constatado  pela  autoridade  fiscal (fls.640 e 744) em seu Despacho Decisório;  •  Já  no  ano­calendário  de  1997,  a  contribuinte  apurou  saldo  negativo  de  R$  271.463,14,  no  entanto,  a  autoridade  fiscal  desqualificou  o  resultado  apresentado  na  declaração  de  rendimentos sob a alegação de que o IRRF dedutível (referentes  aos anos­calendário de 1996 e 1997) acrescido do recolhimento  por estimativa  (DARF de R$ 113.477,46) não  foram suficientes  para gerar crédito a favor da interessada (f1.744/745);  •  A  contribuinte  apresentou  informe  de  rendimentos  os  quais  totalizaram R$ 1.618.024,12 (fls.6481650) sendo que no Sistema  IRF/CONS  da  SRF  somente  consta  declarado  R$  446.753,98  para o ano­calendário de 1997 (fls.673/674).  Dessa  forma,  o  litígio  remonta  ao  remanescente  de  crédito  no  valor  total  de  R$  3.555.294,70  em  valores  atualizados.  Em  Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS     4 montantes  originais,  extraídos  das  DIPJ's  dos  anos­calendário  de 1998 e 1999, temos:  tributo/período  em R$ (valores originais)  CSLL do ano­calendário de 1998  4.367,00  CSLL do ano­calendário de 1999  3.516,75  IRPJ do ano­caledário de 1998  2.087.015,63  IRPJ do ano­caledário de 1999  544.903,43    A  interessada  teve  ciência  do  Despacho  Decisório  em  20/01/2004  (fl.  1.038  ­  verso)  e  dela  recorreu  a  esta  DRJ  em  19/02/2004  (fls.  1.054/1.063).  As  alegações  expostas  pela  impugnante são resumidas a seguir.  • Basta a apresentação dos comprovantes de rendimentos para a  requerente  ter  direito  às  deduções  do  IRRF,  independente,  portanto,  da  entrega  das DIRF's  pelas  entidades  retentoras  do  tributo;  •  Foram  apresentados  todos  os  comprovantes  de  rendimentos  dos anos­calendário de 1996/1999, os quais correspondem a R$  819.846,53,  R$  1.618.024,12,  R$  10.105.351,08  e  R$  9.800.440,45, respectivamente;  • Alega que houve equívoco, por parte da autoridade  fiscal, em  relação às compensações de fls.675/677 e 720/722, as quais não  foram  aplicadas  a  taxa  SELIC.  Por  exemplo,  para  a  compensação do débito de 05/1999, deveria  ter sido aplicada a  SELIC acumulada de 01 a 04/1999 acrescido de 1% de maio. O  mesmo raciocínio aplica­se à compensação do débito do PA de  06/1999, o qual deverá ser ajustada com a SELIC no percentual  de  2,02%  (acumulado  de  maio  e  junho  de  1999,  ou  seja,  subtraindo­se 1% referente àquele e acrescido de 1% para este);  •  Incoerente  a  aplicação  da  taxa  SELIC  a  partir  de  04/1999,  sendo que o correto seria a sua incidência a partir de janeiro.  O  presente  processo  foi  objeto  de  Diligência  Fiscal  visando  averiguar  as  divergências  apontadas  pela  interessada  e  a  apuração  efetuada  pela  autoridade  fiscal  em  relação  ao  IRRF  dedutível  do  ano­calendário  de  1997.  Foi  requerida  à  Fiscalização a verificação dos seguintes pontos:  • Informe o montante do IRRF dedutivel, para fins de cálculo do  IR devido do ano­calendário de 1997;  •  Informe  se  os  valores  dos  rendimentos  correspondentes  ao  IRRF  dedutível  (receitas  financeiras)  foram  oferecidos  à  tributação mediante a análise dos  livros  fiscais e comprovantes  de retenção na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc)  para o ano­calendário de 1997.  Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/00­89  Acórdão n.º 1401­001.370  S1­C4T1  Fl. 4          5 Em  resposta  à  diligência  solicitada  por  esta  Delegacia  de  Julgamento foi exarado relatório fiscal de fls.1.560/1.563, cujas  conclusões são resumidas a seguir:  • A contribuinte teve um IRRF dedutível apurado durante o ano­ calendário de 1997 de R$ 446.753,90;  • Os rendimentos auferidos totalizaram R$ 1.618.024,12.  Novo  pedido  de  diligência  foi  proferido  em  05/09/2008  (fls.15  para  a  confirmação  da  recepção  das  DIRF  apresentadas  pela  contribuinte de fls.1 /1.557.   Em  resposta  ao  pedido  de  diligência  foi  elaborado  pela  Derat/SPO  relatório  de  fl.1.573  em  que  são  confirmados  os  dados  constantes  nas  DIRF  de  fls.1.555/1.557  (IRRF  de  R$  1.616.327,67).  A  7ª  Turma  da  DRJ  São  Paulo  I,  por  unanimidade,  não  homologou  a  compensação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 1575):  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1998, 1999  IRRF. COMPOSIÇÃO.  O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto  devido no período­base. A retenção feita em conformidade com a  lei  não constitui  indébito ou  recolhimento  a maior,  no  entanto,  poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado  se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado  com  débitos  vencidos  ou  vincendos  de mesma  ou  de  diferentes  espécies.  SALDO  NEGATIVO  DE  IMPOSTO  APURADO  NA  DECLARAÇÃO.  Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos  de  imposto  de  renda  e  da  CSLL  apurados  em  declaração  de  rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou  restituídos.  RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.   O  reconhecimento  do  crédito  depende  da  efetiva  comprovação  do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada  do  Acórdão  em  17/03/2010  (fls.  1589,  verso),  a  contribuinte  apresentou o  recurso voluntário de  fls. 1590­1622 em 15/04/2010, basicamente  reiterando os  argumentos apresentados na fase de manifestação de inconformidade.  Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS     6 Em relação ao crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no ano­ calendário de 1996, a Recorrente afirmou que, por equívoco, não declarou na DIPJ 1997 o IR  retido durante o respectivo ano­calendário, no valor de R$ 819.846,49. Alegou, outrossim, que  tal equívoco não lhe retira o direito à utilização dos valores efetivamente retidos.  Em sessão realizada em 03 de agosto de 2011, esta Turma decidiu converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  autoridade  competente  da  unidade  de  origem  esclarecesse os seguintes pontos controversos:  a) Informe o montante do IRRF passível de dedução, para fins de cálculo do  IR devido do ano­calendário de 1996 (abstendo­se de qualquer consideração acerca do prazo  decadencial para solicitar tal dedução);  b) Informe se os valores dos rendimentos correspondentes ao IRRF dedutível  foram oferecidos à tributação mediante a análise dos livros fiscais e comprovantes de retenção  na fonte (extratos de rendimentos, notas fiscais, etc) para o ano­calendário de 1996;  c) Elabore relatório conclusivo,  informando se o valor do saldo negativo de  IRPJ  apurado  no  ano­calendário  de  1996  (considerando  o  montante  do  IRRF  passível  de  dedução  no  aludido  ano­calendário)  seria  suficiente  para  compensar  estimativas  de  IRPJ  do  ano­calendário  de  1999,  no  montante  de  R$  150.403,72  (v.  quadro  constante  do  acórdão  recorrido, fls. 1.583);  d)  Dê  ciência  a  contribuinte  concedendo­lhe  o  prazo  de  10  dias  para  manifestação, conforme art.44 da Lei n° 9.784/99.  Em atendimento a esta solicitação de diligência, foi apresentada a informação  fiscal  de  fls.  1930­1932. Ao  final da  referida  informação  fiscal,  assim concluiu  a  autoridade  diligenciante (grifado):  Foi efetuado o sistema online SAPO, às fls. 1.925 a 1.929, a fim  de se verificar se o saldo negativo apurado no ano calendário de  1996 (R$ 819.850,53) era suficiente para compensar os débitos  de estimativas efetuados pelo contribuinte (fl. 1.507).  Conforme  fl.1.927  foi  possível  se  compensar  a  estimativa  de  IRPJ do ano­calendário de 1999, no valor de R$ 150.403,72.  Cientificada  da  referida  informação  fiscal,  a  recorrente  apresentou  petição  nos seguintes termos (fls. não numeradas, grifado):  Instada  a  se  manifestar  sobre  o  resultado  da  diligência  a  Requerente  apresenta  esta  petição  para  concordar  com  as  respostas da d. autoridade fiscal, já que corroboraram com suas  razões de  recurso, assim como ratifica neste momento  todos os  demais argumentos acompanhados de provas que esclareceram  as divergências constantes da decisão da DRJ [...]  É o relatório.  Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/00­89  Acórdão n.º 1401­001.370  S1­C4T1  Fl. 5          7 Voto             Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos  O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido.  IRPJ ­ Ano­calendário de 1998  A controvérsia  relativa ao  IRPJ do ano­calendário de 1998  foi devidamente  dirimida  por  meio  de  diligência,  que  foi  determinada  pela  DRJ  São  Paulo  I,  em  sede  de  manifestação de inconformidade.  A  decisão  de  piso  analisou  da  seguinte  forma  o  resultado  da  aludida  diligência, fls. 1581­1582:  A  autoridade  fiscal  e  a  contribuinte  apuraram  os  seguintes  valores de IRPJ:  ano­calendário  de 1998  RFB    Contribuinte    Ficha 13  valor em R$  fls.  valor em R$  fls.  IR devido  890.401,25  660  890.401,25  500  linha 13 – IRRF  7.866.346,02  660  7.876.909,40  500  linha  16­  Estimativa  2.254.951,57  660  2.254.951,57  500  SALDO  9.230.896,34  660  9.241.459,72  500  Como  se  observa  na  tabela  acima,  a  divergência,  entre  os  valores  reconhecidos pela autoridade  fiscal e os apurados pela  contribuinte, está no quantitativo de IRRF dedutível na linha 13  da  Ficha  13.  A  apuração  do  montante  de  IRRF  dedutível  na  DIPJ  foi  objeto  de  diligência  fiscal  (fls.656/666).  No  relatório  fiscal, elaborado ela autoridade fiscal, houve o reconhecimento  de IRRF dedutível de R$ 10.121.297,59 com base na análise na  documentação  apresentada  pela  interessada  e  nos  sistemas  da  RFB,  dos  quais  R$  2.274.400,63  foi  deduzido  na  linha  16  da  Ficha  13  (Estimativas mensais)  e  R$  7.866.346,02  na  linha  13  referente à dedução anual.  Com relação à diferença constatada na linha 13 da ficha 13 da  DIPJ/1999 de R$ 10.563,38, o relatório fiscal de fl.659 diz que o  valor de R$ 618,81 não foi reconhecido pela própria requerente  e quanto ao montante de R$ 7.060,83 (f1.659), não logrou êxito  na  comprovação  de  sua  existência.  Portanto,  em  relação  aos  mencionados quantitativos, não há o que se alterar o apurado no  Despacho Decisório.  Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS     8 Quanto à diferença de R$ 2.883,74 (R$ 10.563,38 — R$ 618,81  — R$ 7.060,83), a contribuinte nada apresentou para comprovar  a referida diferença, apenas alegando que todos os documentos  comprobatórios foram apresentados nos autos.  Do exposto, nada a  ser alterado em relação ao ano­calendário  de 1998.  Em  sua  peça  recursal,  a  recorrente  apresentou  as  seguintes  alegações,  fls.  1670­1672:  No que tange aos valores de R$ 618,81 e R$ 2.883,74 (itens "a" e  "c"  do  segundo  parágrafo  acima),  que  perfazem  um  montante  total  de  R$  3.502,55,  resta  demonstrado  por  meio  de  cópia  autenticada  do  Informe  de Rendimentos  (DOC.  08)  juntada  ao  presente recurso, que o IRRF questionado encontra­se suportado  por documento comprobatório idôneo, sendo o mesmo bastante e  suficiente para comprovar a retenção de valores pela respectiva  fonte pagadora.  Ademais,  dispõe  o  r.  Acórdão  ora  recorrido  que,  não  bastaria  somente a apresentação dos comprovantes de rendimento para a  Recorrente ter direito às pretendidas deduções de IRRF na DIPJ,  pois,  apenas  com  a  tributação  dos  rendimentos  de  capital  ou  aplicações financeiras poderia o contribuinte deduzir o IRRF na  DIPJ.  Assim  sendo,  a  receita  auferida  pela  Recorrente  submetida  à  retenção  do  imposto  de  renda  pela  fonte  pagadora  e  que,  conseqüentemente, gerou IRRF dedutível da apuração anual do  IRPJ  referente  ao  ano­calendário  de  1998  no  montante  de  R$  3.502,55,  foi  declarada  na  linha  23  —  "Outras  Receitas  Financeiras", da Ficha 07 — "Demonstração do Resultado", da  DIPJ exercício 1999, ano­calendário 1998 (DOC. 09).  Convém  destacar  que,  na  linha  23  da  Ficha  07  acima  mencionada foi declarado o valor de R$ 29.475.266,95, em cuja  composição encontra­se o valor correspondente à "remuneração  de riscos econômicos (prêmio)" no montante de R$ 1.385.759,86,  contabilizado  na  conta  contábil  interna  número  442800  (DOC.  10), conforme se verifica na planilha de composição de "Outras  Receitas Financeiras" (DOC. 11).  O  valor  de  R$  1.385.759,86,  por  sua  vez,  é  composto  por  montantes auferidos pela Recorrente a título de "comissão RCA"  de diversos  clientes,  dentre  eles,  a Fleming Graphus Corretora  de Câmbio  e Valores Mobiliários,  antiga  denominação  da  J.P.  Morgan  Corretora  de  Câmbio  e  Valores  Mobiliários  S.A.,  inscrita no CNPJ  sob número 32.588.139/0001­94, no  valor de  R$  233.503,53  (DOC.  12),  cujo  IRRF  correspondente  é  de  R$  3.502,55 destacado em amarelo.  No  que  tange  ao  valor  de  R$  7.060,83  (item  "b"  do  segundo  parágrafo  da  página  08),  parte  dele,  no  montante  de  R$  2.951,45, corresponde ao imposto de renda retido na fonte sobre  remuneração  paga  pela  Bradesco  S.A.  Corretora  de  Títulos  e  Valores Mobiliários, inscrita no CNPJ sob n 2. 61.855.045/0001­ 32,  no  montante  bruto  de  R$  196.763,11,  referente  à  Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/00­89  Acórdão n.º 1401­001.370  S1­C4T1  Fl. 6          9 participação nos riscos econômicos decorrentes do Contrato na  Fonte  —  das  fontes  pagadoras,  as  quais  comprovariam  as  retenções da totalidade do IRRF deduzido.   Analisando­se os elementos constantes dos autos, constato que assiste razão à  recorrente  no  que  tange  aos  valores  de  R$  618,81  e  R$  2.883,74,  uma  vez  comprovada  a  retenção  dos  aludidos  valores,  bem  como  o  oferecimento  à  tributação  dos  rendimentos  correspondentes.  Assiste,  também,  razão  à  recorrente  em  relação  ao  valor  de  R$  2.951,45  (parte do valor de R$ 7.060,83),  posto que  em  relação a  esta parcela  a  contribuinte  também  logrou comprovar a efetiva retenção.  Assim  sendo,  em  relação  ao  ano­calendário  de  1998,  devemos  refazer  o  demonstrativo de apuração dos valores de IRPJ, conforme quadro abaixo:  ano­calendário  de 1998  Antigo    Novo    Ficha 13  valor em R$  fls.  valor em R$  fls.  IR devido  890.401,25  660  890.401,25  500  linha 13 – IRRF  7.866.346,02  660  7.872.800,02  500  linha  16­  Estimativa  2.254.951,57  660  2.254.951,57  500  SALDO  9.230.896,34  660  9.237.350,34  500    IRPJ ­ Ano­calendário de 1999  Em  função  do  resultado  da  diligência  determinada  por  esta  Turma  de  Julgamento,  devemos  refazer  o  demonstrativo  de  apuração  dos  valores  de  IRPJ,  conforme  quadro abaixo:  ano­calendário  de 1999  Anterior    Novo    Ficha  valor em R$  fls.  valor em R$  fls.  IR devido  ­­­­­­­  745  ­­­­­­­  461  linha 13 – IRRF  6.801.213,83  745  6.801.213,83  461  Linha  16­  Estimativa  4.237.072,88  745  4.387.476,60  461  SALDO  11.038.286,71  745  11.188.690,43  461  A diferença entre os dois demonstrativos, no valor de R$ 150.403,72, refere­ se  ao  valor  da  compensação  com  saldo  negativo  do  ano­calendário  de  1996,  o  qual  resultou  Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS     10 validada  através  da  informação  fiscal  de  fls.  1930­1932,  de  onde  se  extrai  o  seguinte  trecho  (grifado):  Foi efetuado o sistema online SAPO, às fls. 1.925 a 1.929, a fim  de se verificar se o saldo negativo apurado no ano calendário de  1996 (R$ 819.850,53) era suficiente para compensar os débitos  de estimativas efetuados pelo contribuinte (fl. 1.507).  Conforme  fl.1.927  foi  possível  se  compensar  a  estimativa  de  IRPJ do ano­calendário de 1999, no valor de R$ 150.403,72.  Cientificada  da  referida  informação  fiscal,  a  recorrente  apresentou  petição  nos seguintes termos (fls. não numeradas, grifado):  Instada  a  se  manifestar  sobre  o  resultado  da  diligência  a  Requerente  apresenta  esta  petição  para  concordar  com  as  respostas da d. autoridade fiscal, já que corroboraram com suas  razões de recurso, [...]  No que tange às demais alegações da recorrente relativas ao IRPJ deste ano­ calendário, considero que todas as alegações trazidas pela contribuinte em sua peça recursal já  foram  ampla  e  devidamente  analisadas  por  ocasião  da  decisão  de  piso.  Em  relação  a  tais  alegações,  portanto,  adoto  as  razões  de  decidir  constantes  da  decisão  recorrida.  Tais  razões,  para todos os fins, devem ser consideradas parte integrante do presente voto.  Diante do exposto, julgo que em relação ao IRPJ do ano­calendário de 1999,  deve­se dar provimento parcial  ao  recurso voluntário,  conforme quadro  demonstrativo  acima  apresentado.  CSLL – Anos­calendário 1998 e 1999  Em  relação  ao  CSLL,  nada  de  inovador  ou  relevante  foi  apresentado  pela  recorrente visando comprovar as parcelas controversas dos saldos negativos.   Mantenho,  portanto,  o  que  restou  decidido  pelo  colegiado  julgador  a  quo.  Devem as razões constante da decisão de piso, para todos os fins, ser consideradas como parte  integrante do presente voto.  Taxa SELIC  No  que  tange  à  taxa  SELIC,  adoto  e  transcrevo  as  razões  de  decidir  constantes da decisão de piso, fls. 1658­1659:  A  contribuinte  faz  questionamentos  referentes  ao  Critério  de  aplicação da taxa SELIC para a atualização de seus créditos, o  qual acabou por prejudicar a aferição de seu direito creditório.  Ressalta­se  que  a  autoridade  fiscal  procedeu  de  forma  correta  ao  efetuar  a  correção  dos  créditos  pela  taxa  SELIC,  conforme  manda  a  legislação  de  regência  (Lei  n°  9.430/96  e  Lei  n°  9.249/95).  [...]  Portanto,  para  fins  de  aplicação  da  taxa  SELIC  aos  saldos  negativos do ano­calendário findo até 1999, a valoração possui  como  termo  inicial  o  mês  de  abril,  sendo  somente  sendo  Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS Processo nº 10880.006861/00­89  Acórdão n.º 1401­001.370  S1­C4T1  Fl. 7          11 incidente a SELIC, a partir de janeiro do ano subseqüente, para  os  saldos  negativos  apurados  a  partir  do  ano­calendário  de  2000.  Correto,  pelas  razões  expostas,  a  valoração  pela  taxa  SELIC  efetuada  pela  autoridade  fiscal  para  atualização  dos  saldos  negativos dos períodos ora analisados.  Conclusão  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  presente  recurso voluntário, alterando o valor deferido do  IRPJ – ano­calendário 1998 de R$  9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ – ano­calendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para  R$ 11.188.690,43 (conforme diligência de fls. 1930­1932).  (assinado digitalmente)  Fernando Luiz Gomes de Mattos ­ Relator                                Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 04/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/09/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 02/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE M ATTOS

score : 1.0
5959199 #
Numero do processo: 11543.001535/2003-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201503

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09. Recurso especial provido.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Fri May 08 00:00:00 UTC 2015

numero_processo_s : 11543.001535/2003-38

anomes_publicacao_s : 201505

conteudo_id_s : 5473165

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015

numero_decisao_s : 9202-003.609

nome_arquivo_s : Decisao_11543001535200338.PDF

ano_publicacao_s : 2015

nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 11543001535200338_5473165.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário na esfera administrativa. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).

dt_sessao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015

id : 5959199

ano_sessao_s : 2015

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887704752128

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 6          1 5  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11543.001535/2003­38  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.609  –  2ª Turma   Sessão de  03 de março de 2015  Matéria  IRRF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  D'ANGELO ENGENHARIA LTDA     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Ano­calendário: 1998  ADESÃO  AO  PARCELAMENTO.  CONFISSÃO.  DESISTÊNCIA  DA  DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.  A  adesão  ao  parcelamento  importa  confissão  irrevogável  e  irretratável  dos  débitos em nome do sujeito passivo.  Não há matéria  a  ser  apreciada  por  esta Corte,  quando o  objeto  do  recurso  interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº  11.941/09.  Recurso especial provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito  tributário na esfera administrativa.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 15 35 /2 00 3- 38 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     2       (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Junior – Relator  EDITADO EM: 11/03/2015  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Tereza  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior,  Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).  Relatório  Trata­se de exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF acrescido  de multa de oficio, qualificada, e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário lançado de  R$ 648.107,06 (seiscentos e quarenta e oito mil, cento e sete reais e seis centavos).  A  contribuinte  interpôs  impugnação  em que  foi  negado provimento  pela  8ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  do  Rio  de  Janeiro  I  (RJ),  Acórdão 12­12.508, de 30 de novembro de 2006.   Inconformada,  a  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário,  julgado  parcialmente provido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que rejeitou  as  preliminares  da  recorrente  e  no  mérito  deram  provimento  parcial  ao  recurso  para  desqualificar  a multa de ofício,  reduzindo­a ao percentual de 75%, nos  termos do  relatório  e  voto, Acórdão 104­23.608, de 06 de novembro de 2008.   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE –  IRRF  Ano­calendário: 1998  PAGAMENTO  EFETUADO  SEM  COMPROVAÇÃO  DA  OPERAÇÃO  OU  CAUSA:  ARTIGO  61  DA  LEI  N°  8.981,  DE  1995  ­  CARACTERIZAÇÃO  ­  A  pessoa  jurídica  que  efetuar  a  entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares,  contabilizados  ou  não,  cuja  operação  ou  causa  não  comprove  mediante  documentos  hábeis  e  idôneos,  sujeitar­se­á  à  incidência  do  imposto,  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%, a título de pagamento sem causa.  LANÇAMENTO  DE  OFICIO  ­  MULTA  QUALIFICADA  ­  SIMPLES  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  INAPLICABILIDADE  ­  A  simples  apuração  de  omissão  de  Fl. 886DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11543.001535/2003­38  Acórdão n.º 9202­003.609  CSRF­T2  Fl. 7          3 receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação  da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito  passivo  (Súmula  1°  CC  n°  14,  publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006).  Preliminares rejeitadas.  Recurso parcialmente provido.  A Fazenda Nacional,  ciente  do Acórdão  nº  104­23.608,  no  dia  10/03/2009,  interpôs  Recurso  Especial  em  11/03/2009,  com  fulcro  nos  artigos  67  e  68  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF  nº 256, de 22 de junho de 2009.  Em  Recurso  Especial,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  o  paradigma  que  segue:   Acórdão nº 102­47.317  LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO­ INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE ­  Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3° do art. 11  da  Lei  n°  9.311,  de  1996,  permitindo  o  cruzamento  de  informações  relativas  à  CPMF  para  a  constituição  de  crédito  tributário  pertinente  a  outros  tributos  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, é norma procedimental e por essa  razão não  se  submete ao princípio da  irretroatividade das  leis,  ou  seja,  incide de  imediato,  ainda  que  relativas  a  fato  gerador  ocorrido antes de  sua entrada em vigor. Os dispositivos da Lei  Complementar  n°  105/01,  por  serem  normas  adjetivas,  devem  observar  o  disposto  no  artigo  144,  §  1°  do  Código  Tributário  Nacional.  IRRF  ­  PAGAMENTO  SEM  CAUSA  ­  OPERAÇÃO  NÃO  COMPROVADA  ­  Está  sujeito  à  incidência  do  IRRF,  exclusivamente  na  fonte,  à  alíquota  de  35%,  o  pagamento  efetuado  por  pessoas  jurídicas  a  terceiros,  quando  não  for  comprovado a operação ou a sua causa.  FRAUDE  ­  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­  Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto  ou  da  contribuição,  de  modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa  qualificada de 150%.  Recurso negado.  No pedido, requereu o conhecimento do Recurso Especial e seu provimento  para reestabelecer a multa de 150%.   Em 16/10/2009, o Despacho 104­157.345 da Câmara Superior de Recursos  Fiscais dá seguimento ao Recurso Especial.  Em 26/11/2009, o contribuinte apresenta pedido de desistência do litígio (fl.  46),  com  o  objetivo  de  aderir  ao  parcelamento  especial  previsto  pela  Lei  11.941/2009.  Fl. 887DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     4 Transferiu­se  então  para  o  parcelamento  especial  todo  o  crédito  tributário  controlado  pelo  presente processo, acompanhado da multa de ofício de 75%, conforme definido pelo Acórdão  104­23.608 do Conselho de Contribuintes.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator  Sendo  tempestivo  e  demonstrada  a  divergência,  CONHEÇO  do  Recurso  Especial  Consta  dos  autos  que  em  26/11/2009,  a  contribuinte  apresentou  pedido  de  desistência do processo,  como o objetivo de  aderir  ao parcelamento  especial  previsto na Lei  11.941/2009.  Assim  transferiu­se  para  o  parcelamento  especial  todo  o  credito  tributário  controlado  pelo  presente  processo,  acompanhado  da  multa  de  ofício  de  75%,  conforme  definido pelo Acórdão 104­23.608 do Conselho de Contribuintes.   Como  restam  incontroversos  os  fatos  geradores  e  tendo  em  vista  que  a  confissão  [adesão  ao  parcelamento]  ocorreu  antes  do  julgamento  do  Recurso  Voluntário,  entendo  que  afastado  o  decisum  recorrido,  pois  a  adesão  ao  REFIS  implica  na  renúncia  do  direito de discutir administrativamente o débito confessado.  Tratando­se  de  parcelamento  com  confissão  irretratável  e  irrevogável  de  dívida,  aplica­se  ao  caso  o  disposto  no  art.  78  do Regimento  Interno  do CARF  (Anexo  II  à  Portaria/MF  n.  256,  de  2009,  com  as  alterações  da  Portaria MF  n.  446,  de  2009,  e  586,  de  2011),que dispõe o seguinte,com os destaques cabíveis:  Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso em tramitação.   § 1° A desistência será manifestada em petição ou a  termo nos  autos do processo.  §  2°  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso  § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já  ter  ocorrido  decisão  favorável  ao  recorrente,  descabendo  recurso  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  por  falta  de  interesse.  Dessa  forma,  entendo  que  deva  ser  restabelecida  a  exigência  fiscal,  com  a  conseguinte definitividade do lançamento.  Fl. 888DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 11543.001535/2003­38  Acórdão n.º 9202­003.609  CSRF­T2  Fl. 8          5 DISPOSITIVO   Diante  do  exposto,  voto  por  CONHECER  DO  RECURSO  ESPECIAL  interposto pela PGFN, para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO, devendo ser restabelecido  em sua integralidade o crédito lançado.  É como voto.    (Assinado digitalmente)  Manoel Coelho Arruda Júnior  Fl. 889DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR     6                             Fl. 890DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/05/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

score : 1.0
5956233 #
Numero do processo: 11020.001102/2005-43
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3302-000.230
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201206

numero_processo_s : 11020.001102/2005-43

conteudo_id_s : 6470125

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 3302-000.230

nome_arquivo_s : 330200230_11020001102200543_201206.pdf

nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

nome_arquivo_pdf_s : 11020001102200543_6470125.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.

dt_sessao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012

id : 5956233

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:40:10 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047887713140736

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1737; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 10          1 9  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.001102/2005­43  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3302­000.230  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  28 de junho de 2012  Assunto  IPI ­ Classificação  Recorrente  REHAU INDÚSTRIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  3ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  TERCEIRA   SSEEÇÇÃÃOO  DDEE  JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência,  nos termos do voto da Relatora.  (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente   (assinado digitalmente)  FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS ­ Relatora    EDITADO EM: 09/01/2013    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Walber  José  da  Silva,  José  Antonio  Francisco,  Fabiola  Cassiano  Keramidas,  Maria  da  Conceição  Arnaldo  Jacó,  Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.  Trata­se  de  Auto  de  Infração  (fls.  06/13)  para  constituição  de  crédito  de  IPI,  relativo a diferencial de alíquota apurado pela Fiscalização, em virtude de divergência entre a  classificação fiscal de mercadoria, adotada pela Recorrente e a aplicada pelo Fisco. O valor  total do lançamento é R$ 2.573.213,48 e refere­se ao período de 10/09/2003 a 31/12/2003.      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 01 10 2/ 20 05 -4 3 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.001102/2005­43  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302­000.230  S3­C3T2  Fl. 11          2 Segundo Relatório da Auditoria Fiscal (fls. 64/74) a divergência está no fato de  que  a  Recorrente  classifica  seus  produtos  –  fitas  de  borda  de  PVC,  ABS  e  PP  –  nas  classificações 3916.20.00; 3916.90.90 e 3916.90.90 (respectivamente), enquanto a autoridade  fiscal entende que tais produtos devem ser classificados nas posições 3920.49.00; 3920.30.00 e  3920.20.00. A divergência, portanto, está entre a adoção da posição 3916 (que se refere a  perfis), então sujeita à alíquota de 10% do IPI, ou da posição 3920 (que se refere a tiras),  sujeita à alíquota de 15%:  “3916  ­ Monofilamentos  cuja  maior  dimensão  do  corte  transversal  seja  superior  a  1mm  (monofios),  varas,  bastões  e  perfis,  mesmo  trabalhados  à  superfície  mas  sem  qualquer  outro  trabalho,  de  plásticos.  3920 – Outras chapas,  folhas, películas,  tiras e  lâminas, de plásticos  não  alveolares,  não  reforçadas,  não  estratificadas,  sem  suporte,  nem  associadas de forma semelhante a outras matérias.”  A justificativa apresentada pela Recorrente – ainda no curso da fiscalização (fls.  358/361), para classificar seus produtos na posição 3916 reside no fato de que os produtos são  produzidos  por  processo  industrial  de  extrusão,  que  é  característico  de  tal  posição.  Ressalta, ainda, que classifica seus produtos como “perfis” em razão da descrição constante da  Nota  8  do Capítulo  39  que  assim  estabelece:  “(...)Todavia,  com  exclusão  destes  últimos,  os  tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o  comprimento  não  excedendo  1,5  vezes  a  largura)  ou  em  forma  poligonal  regular,  não  se  consideram como tubos, mas sim como perfis.”  Ainda segundo seu entendimento, não pode ser adotada a classificação apontada  pela  fiscalização,  pois  seus  produtos  não  podem  ser  qualificados  como  chapas,  folhas,  películas,  tiras  ou  lâminas  (a  que  se  referem  a  posição  3920).  Ao  contrário,  o  processo  de  extrusão  (típico  dos  perfis,  segundo  notas  apontadas  pela  Recorrente),  definido  como  “um  processo  produtivo  a  partir  do  qual  a  matéria­prima  (no  caso,  o  plástico)  é  inserida  em  equipamento (máquina extrusora) apto a transformá­la, a partir de uma "passagem forçada"  (ou  orifício)  em  peça  alongada,  continua.”,  transforma  a  matéria  prima  utilizada  pela  Recorrente em perfis alongados e contínuos, que, portanto, lhe definem.  Os  produtos  da  posição  3920,  por  outro  lado,  se  caracterizariam  por  produtos  resultantes de processo distinto de extrusão, resultando em um corte da matéria prima (que são  as tiras) e que, contudo, não se confundem com as fitas de borda produzidas pela Recorrente –  que são resultado do processo de extrusão que não as recorta ou fragmenta, mas produz uma  “fita” alongada e contínua (a ser aplicada como proteção de móveis).  O  Fisco,  por  sua  vez,  entende  que  a  classificação  adequada  seria  na  posição  3920 porque os produtos teriam as características apontadas na referida posição, em especial:  “são  de  plástico  não  alveolar  (PVC,  ABS,  PP),  não  reforçados,  não  estratificados  e  não  associados a outras matérias”.  Intimada  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  a  Recorrente  apresentou  sua  Impugnação (fls. 366/376), manejando sua defesa nos seguintes termos:  A funcionalidade das “fitas de borda” (denominação meramente comercial, pois  mantém características técnicas dos perfis e não das tiras em que o Fisco pretende classificá­ Fl. 648DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.001102/2005­43  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302­000.230  S3­C3T2  Fl. 12          3 las), comercializadas pela Recorrente, é de proporcionar acabamento a chapas de madeiras  (para indústria de móveis);  O  processo  de  extrusão  (processo  no  qual  um material,  quente  ou  frio,  como  metal ou plástico, é forçado através do cabeçote, para produzir uma peça contínua, no formato  do  produto  desejado)  é  o  adotado  na  produção  da  Recorrente,  e  este  processo  caracteriza  a  produção de perfis, conforme própria definição do termo (constante na TIPI);  Aponta notas da NESH para a posição 3916, que a define como sendo aquela  aplicável aos perfis, que são produzidos por meio de operação única de extrusão: “(...) perfis.  Estes produtos são obtidos em comprimentos indeterminados numa única operação (em Remi,  extrusão),  e  apresentam,  de  uma  extremidade  à  outra,  uma  seção  transversal  constante  ou  repetitiva.";  Reitera que a classificação mais adequada para seus produtos é no código 3916,  eis  que  “(i)  são  constituídos  de  material  plástico;  (ii)  obtidos  em  uma  única  operação,  geralmente  através  de  processo  de  extrusão  e  (iii)  em  comprimentos  indeterminados,  apresentando, de uma extremidade à outra, uma seção transversal constante ou repetitiva.”;  Ressalta que a pretendida classificação de seus produtos como “tiras”, realizada  pela autoridade fiscal, não é adequada porque “as tiras são materiais obtidos pelo processo de  laminagem  ou  por  corte  de  folhas,  totalmente  distinto  do  processo  de  extrusão,  sendo,  portanto, a diferença primordial entre os produtos mencionados: enquanto os perfis advém de  uma  única  operação  (geralmente  extrusão),  as  tiras  são  obtidas  através  de  um  descontínuo  processo de fabricação, baseado no corte ou laminagem.”;  Apresenta  laudos  técnicos  e  pareceres  que  comprovam  a  adequação  da  classificação fiscal por ela adotada e requer o cancelamento integral do lançamento.  A  DRJ  manteve  o  lançamento  (fls.  536/540),  indeferindo  a  Impugnação,  essencialmente por  entender que os produtos  comercializados pela Recorrente  se  classificam  como fitas  (na posição 3920) porque são planos e esta é uma característica de  tiras e não de  perfis.  Sobreveio o Recurso Voluntário da Recorrente  (fls. 550/561), no qual  reiterou  os  argumentos  apresentados  em  sua Manifestação  de  Inconformidade,  requerendo  a  reforma  integral da decisão proferida pela DRJ.  Vieram­me, então, os autos para decidir.  É o relatório.  O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela  qual dele conheço.  O  primeiro  dos  argumentos  apresentados  pela  Recorrente  para  defender  a  classificação de seus produtos na posição 3916 é o de que  tais produtos se caracterizariam  como perfis por serem fabricados através do processo de extrusão. Cita, em sua defesa nota  explicativa da NESH e traz, para corroborar seu entendimento, Laudo Técnico (fls. 397 a 409 ­  vol. III), emitido por Theragon Engenharia, Avaliações e Perícias Ltda., e Parecer Técnico para  Enquadramento  de  Produto  (fls.  453  a  462  ­  vol.  III),  emitido  por  Vendrame  Consultores  Fl. 649DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.001102/2005­43  Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302­000.230  S3­C3T2  Fl. 13          4 Associados. Ainda, em sua defesa, a Recorrente  trouxe à colação Parecer do  INT –  Instituto  Nacional de Tecnologia.  Inicialmente, constata­se que a fiscalização não se manifestou acerca do Parecer  do  INT,  posto  que  foi  apresentado  em momento  posterior  à  Impugnação. Neste  sentido,  em  prol  da  verdade  material,  para  que  a  prova  documental  seja  aceita,  mister  se  faz  que  as  autoridades administrativas competentes sejam cientificadas do referido parecer, oportunidade  em que poderão contestar suas conclusões, se o caso.  Outro ponto relevante, é que a Recorrente argumenta em seu favor que utilizou  o  procedimento  de  extrusão  e  que,  portanto,  não  há  outra  opção  de  enquadramento  de  seu  produto que não em “perfis”. Neste aspecto, a questão que se mostra relevante é esclarecer qual  foi  o  critério  utilizado  pela  fiscalização  para  a  classificação  do  produto,  foi  o  emprego  do  método de extrusão?  Em outras palavras: restou demonstrado nos autos que o contribuinte utilizou o  método  de  extrusão? No  entender  da  fiscalização,  o método  empregado  é  conclusivo  para  a  classificação do produto?  Em vista das dúvidas apresentadas, outra opção não resta a esta relatora do que  converter  o  presente  processo  em  diligência  para  que  as  autoridades  administrativas  competentes:  (a) manifestem­se sobre o Parecer do INT – Instituto Nacional de Tecnologia;  (b) responda:  ­ qual  foi o critério utilizado pela  fiscalização para a classificação do produto,  foi o emprego do método de extrusão?  ­  restou  demonstrado  nos  autos  que  o  contribuinte  utilizou  o  método  de  extrusão?   ­  no  entender  da  fiscalização,  o  método  empregado  é  conclusivo  para  a  classificação do produto?  (c) Após, o contribuinte deverá ser intimado da resposta da diligência, sendo­lhe  concedido prazo de 30 dias para se manifestar.    É como voto.  Sala das Sessões, em 28 de junho de 2012 .    (assinado digitalmente)  Relatora Fabiola Cassiano Keramidas    Fl. 650DF CARF MF Impresso em 30/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/0 1/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

score : 1.0