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Numero do processo: 10855.906155/2012-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/02/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência através do domicílio tributário eletrônico fornecido pelo contribuinte por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 3001-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/02/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência através do domicílio tributário eletrônico fornecido pelo contribuinte por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/02/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência através do domicílio tributário eletrônico fornecido pelo contribuinte por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 61 55 /2 01 2- 04 Fl. 129DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário (efls. 109 a 125) interposto contra o Acórdão 1455.631, da 6ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO (efls. 98 a 101), que, em sessão de julgamento realizada em 27.11.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa da unidade fiscal de jurisdição. Dos fatos Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a citada decisão recorrida, colaciono o relatório do respectivo acórdão: Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) 18576.70683.300611.1.3.04 0726, por intermédio da qual o contribuinte pretende compensar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo. Em decisão proferida pela DRF competente, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada no presente processo, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. Irresignado, interpôs o contribuinte Manifestação de Inconformidade, na qual alega, em síntese, que houve um equívoco no preenchimento de DCTF e DACON originais, o que levou à não homologação da compensação, mas que o erro foi sanado mediante a apresentação de DCTF e DACON retificadoras. Requer a revisão do Despacho Decisório. É o relatório. Da decisão de 1ª instância A 6ª Turma da DRJ/RPOSP, ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/02/2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10855.906155/201204 Acórdão n.º 3001000.317 S3C0T1 Fl. 130 3 Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Cientificada do acórdão recorrido, o contribuinte interpõe o recurso voluntário para, em apertada síntese, requer, em face dos diversos vícios que aponta, a reforma da decisão recorrida e o cancelamento do respectivo despacho decisório, reconhecendo o direito creditório pleiteado no pedido de ressarcimento formulado e homologando as compensações correspondentes ao crédito reconhecido. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Dos requisitos de admissibilidade O recurso voluntário em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, conforme restará demonstrado, quando da sua juntada aos autos já havia transcorrido o prazo legal para sua apresentação. Dispõe o documento de efl. 105: TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, ciência esta realizada por seu representante legal 269.958.67815 REINALDO BERTIN, na data de 05/03/2015 09:57:09, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Decreto nº 70.235/72. Data do registro do documento na Caixa Postal: 04/03/2015 17:56:18 Acórdão de Manifestação de Inconformidade Darf Intimação de Resultado de Julgamento DATA DE EMISSÃO: 06/03/2015 Dispõe o documento de efl. 106: Fl. 131DF CARF MF 4 TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte acessou o teor dos documentos relacionados abaixo na data 16/03/2015 16:31h, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 04/03/2015 na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Darf Intimação de Resultado de Julgamento Contribuinte: 08.455.185/000130 AGUAS DE ITU EXPLORACAO DE SERVICOS DE AGUA E ESGOTO S.A. (ou seu Representante Legal) Dispõe o documento de efl. 126: PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10855.906155/201204 INTERESSADO: 08455185000130 AGUAS DE ITU EXPLORACAO DE SERVICOS DE AGUA E ESGOTO S.A. TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA Em 11/05/2015 14:42:49 foi registrada a Solicitação de Juntada de Documentos ao processo citado acima. Essa solicitação envolve os documentos abaixo relacionados: * Recurso Voluntário A Solicitação de Juntada de Documentos teve os seguintes documentos aceitos: * Recurso Voluntário E os seguintes documento não foram aceitos: Nenhum documento foi rejeitado. Dispõe o documento de efl. 127: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo sido regularmente cientificado do Acórdão da DRJ, o interessado interpôs recurso voluntário ao CARF. A ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 05/03/2015 (fl. 105) e o recurso foi apresentado em 11/05/2015 (fl. 109), portanto perempto. Diante do exposto, proponho a remessa do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para prosseguimento regulamentar. O contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 05.03.2015 (quintafeira), conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem", através da sua Caixa Postal, Modulo eCAC do sítio da RFB, nos termos da alínea "b" do Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10855.906155/201204 Acórdão n.º 3001000.317 S3C0T1 Fl. 131 5 inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subseqüente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Cumpre destacar as disposições previstas no artigo 23 do referido diploma legal (PAF), desta feita quanto às formas de intimação e a efetivação destas para fins de contagem dos prazos processuais. Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inc. III dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) (...) § 2º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (grifos não pertencem ao original). Observese que no caso em exame, quando o contribuinte opta pelo domicílio tributário eletrônico DTE (ciência pelo eCAC), constam no processo as informações acerca da “data de abertura do documento”, efl. 105, bem como da “ciência por decurso de prazo”, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no eCAC, no entanto, a data de Fl. 133DF CARF MF 6 ciência a ser considerada é a do evento que ocorrer primeiro (ou o dia da abertura do documento ou o dia da ciência por decurso de prazo), conforme disciplina o inciso III, alínea "b" do parágrafo 2º do artigo 23 do PAF, acima transcrito. No presente caso, o contribuinte, por seu representante legal, tomou ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 05.03.2015 (quintafeira), às 09:57:09h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção "Consulta Comunicados/Intimações", temse assim iniciada a contagem no dia 06.03.2015 (sextafeira) e findada em 06.04.2015 (segundafeira). O recurso voluntário foi apresentado tão somente em 11.05.2015 (segunda feira), às 14:42:49h, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada". Prevê o artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de 30 (trinta) dias, contados da ciência (grifos não pertencem ao original). Ressaltese, por oportuno, que o exame do recurso voluntário compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, quando interposto contra decisão das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, inclusive quanto à tempestividade do recurso, é o que depreendese do disposto no artigo 35 do já citado PAF: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Nesse mister, por força das disposições das normas acima reproduzidas, o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Razão pela qual a unidade de preparo DRF/SORSP exarou o competente "Despacho de Encaminhamento". Assim, ante as constatações acima destacadas, é induvidável que o recurso voluntário apresentado é intempestivo, o que impede a "abertura" da via recursal ao recorrente. Conclusão Do exposto, com base nos fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do recurso voluntário, em face da sua apresentação extemporânea, não comportando, por conseguinte, a apreciação, por essa instância recursal, dos argumentos de defesa nele delineados, exceto quanto ao exame da sua tempestividade, conforme apreciado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10855.906155/201204 Acórdão n.º 3001000.317 S3C0T1 Fl. 132 7 Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004316/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória de preencher as GFIPs com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme dever estabelecido no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91, submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I, do CTN.
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade.
Numero da decisão: 2402-006.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preencher as GFIPs com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme dever estabelecido no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91, submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I, do CTN. NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1298; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 185 1 184 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004316/200945 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.098 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de abril de 2018 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. CFL 68. Recorrente STAR SERVIÇOS TEMPORÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preencher as GFIPs com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme dever estabelecido no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91, submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I, do CTN. NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 16 /2 00 9- 45 Fl. 185DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 19515.004316/200945 Acórdão n.º 2402006.098 S2C4T2 Fl. 186 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente auto de infração de obrigação acessória DEBCAD nº 37.235.7873 (fls. 1/46), visto ter o autuado apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo assim o art. 32, inciso IV e § 5º da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. O lançamento, compreendendo competências relativas ao anocalendário 2004, foi impugnado (fls. 52/61), sendo porém a exigência mantida pela decisão de piso (fls. 86/92), o que ensejou a interposição de recurso voluntário em 26/1/2011 (fls. 128/138), no qual foram repisadas as alegações da impugnação, a saber: houve decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, § 4º do CTN; o auto de infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal. Mediante a prolação da Resolução de nº 2402000.450 (fls. 165/167), foi determinado em 14/05/2014 a realização de diligência, para fins de que se apurasse se o débito veiculado neste processo fora incluído em parcelamento, como aconteceu com os lançamentos referentes às obrigações principais (fl. 173). Cumprida a diligência, e sendo verificado não ter sido incluído o DEBCAD focado em parcelamento (fl. 179), seguem os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto à alegação de decadência, merece ser observado não prosperar no caso a alegação de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Nesse compasso, verificado que o contribuinte foi cientificado dos termos do lançamento em 27/10/2009, não há falar em decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, pois os fatos que embasaram a multa aplicada referemse a períodos compreendidos entre janeiro e dezembro de 2004. Já no que se refere às alegações de cerceamento de defesa, constandose que elas apenas retomam vereda improfícua, trilhada na impugnação, e bem refutada pela DRJ/SP1, pedese a devida vênia para transcrever a seguinte passagem da decisão de piso, de modo a que passe a integrar a presente fundamentação: 6. Quanto à arguição de nulidade por cerceamento de defesa, em razão de suposta falta de clareza, de fundamentação e de motivação na presente autuação, temse que toda a documentação apresentada à Fiscalização foi analisada e com base nela foi constatado o descumprimento de obrigação acessória, legalmente prevista, e lançada a correspondente multa. 6.1. Contrariamente ao alegado, demonstram os autos, em especial o Relatório Fiscal da Infração (fls. 05), que o AuditorFiscal autuante foi bastante diligente na identificação da obrigação acessória descumprida, conforme estipulado em lei; de fato, o que interessa à Administração é que seja apurada a verdade material dos fatos ocorridos, e para isto baseouse na documentação apresentada pela empresa e os confrontou com a legislação pertinente. Não há que se falar, igualmente, em inversão do ônus da prova, visto que não ocorreu arbitramento de contribuições, mesmo porque, repitase, trata este AI do descumprimento de obrigação acessória, e não do lançamento de obrigação principal mediante aferição indireta. 6.2. Da mesma forma, incorre em equívoco a Autuada ao citar, às fls. 57, nomenclaturas "estranhas" ("Zl TRANSF DO LEV Cl ATÉ 11/08" e "Z2 TRANSF DO LEV FP ATE 11/08"), que obstariam seu direito de defesa, pois tais termos nem sequer constam no presente AI, estando presentes, isto sim, nos AI das obrigações principais lavrados na mesma ação fiscal (DEBCAD n° 37.190.9139, 37.235.7814 e 37.235.7822), também impugnados, cujos acórdãos, em processos apensos ao presente (item 1.2), contêm a devida argumentação contrária às suas alegações. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19515.004316/200945 Acórdão n.º 2402006.098 S2C4T2 Fl. 187 5 6.3. Enfim, o ato administrativo consubstanciado neste AI não impõe à Autuada qualquer dificuldade de compreensão que lhe possa embaraçar o direito de defesa, e encontrase plenamente motivado, pois está embasado em fatos materiais e foi praticado em conformidade ao legalmente estipulado. Decerto caberia ao recorrente, face à autuação, circunstanciar em que medida os termos e cálculos dessa estariam inadequados à realidade posta nos autos, cabendo lembrar, também, terem sido parceladas as obrigações principais que ampararam o lançamento ora guerreado. E, como destaca a vergastada, havendo o recorrente omitido das suas GFIPs de 01 a 04/2004, de 06/2004 e de 12/2004, remunerações pagas a parte dos seus segurados empregados, a título de salários, e aos seus segurados contribuintes individuais, relativas a pró labore pago a sócia e a comissões pagas a autônomos que lhe prestaram serviços, outra não poderia ter sido a providência da autoridade lançadora senão a lavratura da autuação, com esteio no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Impende registrar, como remate, que não se vislumbra na espécie qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Também por essa via, portanto, não há como acatar a inconformidade vertida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.900601/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.445, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 91 a 98), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 14456.87245.311007.1.3.042018 (fls. 22 a 27), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 1.713,43, com crédito decorrente de suposto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 60 1/ 20 11 -1 5 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10746.900601/201115 Resolução nº 1302000.600 S1C3T2 Fl. 209 2 pagamento indevido ou a maior relativo a título de Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 1.306,07, originarseia de pagamento efetuado em 28/07/2005, no montante de R$ 3.772,56; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 14, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 13, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao segundo trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 89 e 90, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 2º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 91 a 98) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 99/100, foi interposto o Recurso de fls. 102 a 112, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10746.900601/201115 Resolução nº 1302000.600 S1C3T2 Fl. 210 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 28/07/2005, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 2ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 14, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10746.900601/201115 Resolução nº 1302000.600 S1C3T2 Fl. 211 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumentos firmados com a mesma Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 149/155, 159/164, 184/193 e 197/202). Por outro lado, os Aditivos de fls. 156/157, 194/195 e 203/204, aos contratos de fls. 149/155, 184/193 e 197/202, respectivamente, são firmados com a própria Recorrente. Do mesmo modo, vêse que notas fiscais são emitidas pela Recorrente, em relação aos contratos firmados com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contratos referentes à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 2º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10746.900601/201115 Resolução nº 1302000.600 S1C3T2 Fl. 212 5 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17988.000002/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/04/2001, 01/09/2001 a 31/12/2001
Ementa:
PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA.
Não é possível conhecer do recurso voluntário quando a Contribuinte desiste dele em função de parcelamento.
Numero da decisão: 2202-004.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por desistência do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por desistência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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RENÚNCIA. Recorrente SANTA MARIA AGRÍCOLA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/04/2001, 01/09/2001 a 31/12/2001 Ementa: PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA. Não é possível conhecer do recurso voluntário quando a Contribuinte desiste dele em função de parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por desistência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 98 8. 00 00 02 /2 00 8- 09 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 17988.000002/200809 Acórdão n.º 2202004.376 S2C2T2 Fl. 495 2 Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário. Intimada, apresentou impugnação, que foi julgada improcedente. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário ora levado a julgamento. Lavrado o AI DEBCAD nº 35.447.6289 (fls. 3/20) para constituir crédito tributário referente a Contribuições Previdenciárias. O relatório fiscal consta às fls. 28/29. Intimada, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 34/40), que foi julgada improcedente pela decisãonotificação nº 21431/185/2002 (fls. 56/61). Intimada em 12/08/2002 (fl. 65), e ainda inconformada, interpôs recurso voluntário em 27/08/2002 (fls. 69/75). A Contribuinte informou ainda que obteve liminar liberandoa de apresentar depósito recursal (fl. 109 e docs. anexos fls. 110/114). Foram apresentadas contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 115/121). O CRPS ao analisar o recurso (fls. 123/125 e em segunda oportunidade fls. 173/176), entretanto, anotou que o Mandado de Segurança havia sido denegado cf. informação anexada às fls. 130/135 , afastando assim a liminar anteriormente conseguida. E, dessa forma, não conheceu do recurso por falta de comprovação do depósito recursal. Constam nos autos exclusão do REFIS (fls. 185 e 188) e reinclusão (fl. 199), mas foi expressamente ressalvado neste ofício que o presente AI DEBCAD nº 35.447.6289 "não faz parte da Composição Refis". Constam nos autos ainda "Termo de Acordo de Reforço de Penhora" (fls. 201/202), no qual estão incluído, em uma lista com 21 NFLDs e LDCs, o presente AI DEBCAD nº 35.447.6289. Neste termo ficou consignado que a "empresa deverá desistir de forma irretratável e irrevogável, de todos os embargos e recursos (apelações e agravos) na esfera judicial interpostos". Constam nos autos Petição de Desistência datada de 08/09/2004 (fl. 204), na qual a Contribuinte desiste dos recursos voluntários e impugnações de uma lista de 21 lançamentos, inclusive o presente AI DEBCAD nº 35.447.6289. Constam nos autos informação (fl. 215 e docs. anexos fls. 216/222) de que o STF julgou em 2007 o RE nº 547.4470, da Contribuinte, julgando pela inconstitucionalidade da exigência de depósito prévio para a admissibilidade de recurso administrativo. Decisão judicial transitada em julgado. Constam nos autos petição da PFN na execução judicial (fl. 226) do presente AI DEBCAD nº 35.447.6289, informando a necessidade de retorno dos autos à instância administrativa para análise do recurso voluntário ante a decisão do STF. A DRF então encaminhou os autos ao 2ª CC em jan/2008 (fls. 232/233). Chegando ao CARF, foi proferida então a Resolução nº 2302000.154, de 13/03/2012 (fls. 479/482), para que fosse realizada diligência informando sobre a extinção do crédito tributário lançado. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 17988.000002/200809 Acórdão n.º 2202004.376 S2C2T2 Fl. 496 3 A DRF então anexou informação (fl. 490) registrando que o contribuinte foi intimado mas não se pronunciou quanto à diligência. Também, que o crédito está inscrito no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Registrase, entretanto, que conforme informações anexadas aos autos em resposta à diligência solicitada pela Resolução nº 2302000.154, o crédito objeto do presente processo foi incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Efetivamente, a informação prestada pela DRF foi precedida de: · Tela do Sistema DATAPREV INSS Consulta Processos Parcelamento Especial (fl. 484), no qual se observa a inclusão em 14/08/2011 do AI DEBCAD nº 35.447.6289 e a situação ativa. · Tela do Sistema DATAPREV INSS Consulta Dados Identifiacdores de Processo (fl. 489), no qual se observa a inclusão em 11/11/2009 e novamente em 14/08/2011 do AI DEBCAD nº 35.447.6289 no parcelamento especial. · Informações da PFN (fl. 475) registrando que a Contribuinte havia expressamente desistido do processo administrativo e, portanto, que as decisões posteriores no MS não implicam exclusão do parcelamento. Nesse contexto, não é possível conhecer do recurso voluntário, nos termos do art. 78, § 2º, do Anexo II ao RICARF. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por não conhecer do recurso, por desistência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011358/2003-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1989 a 30/11/1989, 01/01/1990 a 30/09/1995
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-006.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, afastando a prescrição dos períodos posteriores a novembro/93, com retorno dos autos a DRJ.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1989 a 30/11/1989, 01/01/1990 a 30/09/1995 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 13 58 /2 00 3- 86 Fl. 129DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, afastando a prescrição dos períodos posteriores a novembro/93, com retorno dos autos a DRJ. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 340200.355 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PISMASEP Período de apuração: 01/08/1989 a 30/11/1989, 01/01/1990 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do credito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r acórdão, trazendo, entre outros, que a contribuinte que se antecipa ao pagamento do tributo fica sujeita à fiscalização do órgão competente dentro de 5 anos, para homologálo ou retificálo e, somente Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10980.011358/200386 Acórdão n.º 9303006.768 CSRFT3 Fl. 130 3 depois de decorrido o r. prazo, é que se inicia o prazo prescricional de 5 anos para pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente. Em Despacho às fls. 121 a 122, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015. O que concordo com o exame de admissibilidade. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recurso repetitivo, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: Fl. 131DF CARF MF 4 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10980.011358/200386 Acórdão n.º 9303006.768 CSRFT3 Fl. 131 5 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recurso repetitivo, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido (Grifos meus): “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 Fl. 133DF CARF MF 6 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10980.011358/200386 Acórdão n.º 9303006.768 CSRFT3 Fl. 132 7 disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Fl. 135DF CARF MF 8 Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de restituição foi protocolado em 26.11.03 referente ao PIS pago indevidamente com base nos Decretoslei 2.445/88 e 2.499/88 do período de 5.10.90 a 13.10.95. Considerando que o pedido de restituição é anterior a 9.6.05, o prazo a ser considerado é de 10 anos – o que, por conseguinte, cabe concluir que se encontram prescritos os períodos anteriores a novembro/93. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo afastando a prescrição dos períodos posteriores a novembro/93 – com retorno dos autos a DRJ. Para a análise das demais matérias, importante recordar a Súmula CARF 15: “Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721697/2016-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
DESPESA MÉDICA GLOSADA. COMPROVAÇÃO DA DESPESA.
A despesa médica tem que ser comprovada mediante documento hábil para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa se justifica quando não apresentada documentação probante.
DESPESA INDEVIDA COM DEPENDENTE
Nos termos da legislação tributária, o neto somente pode ser considerado dependente quando o contribuinte detenha a guarda judicial.
DESPESA COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA.
A despesa com instrução é admitida no caso em que há comprovação em nome do contribuinte ou de seus dependentes legais.
Numero da decisão: 2001-000.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESA MÉDICA GLOSADA. COMPROVAÇÃO DA DESPESA. A despesa médica tem que ser comprovada mediante documento hábil para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa se justifica quando não apresentada documentação probante. DESPESA INDEVIDA COM DEPENDENTE Nos termos da legislação tributária, o neto somente pode ser considerado dependente quando o contribuinte detenha a guarda judicial. DESPESA COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA. A despesa com instrução é admitida no caso em que há comprovação em nome do contribuinte ou de seus dependentes legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESA MÉDICA GLOSADA. COMPROVAÇÃO DA DESPESA. A despesa médica tem que ser comprovada mediante documento hábil para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa se justifica quando não apresentada documentação probante. DESPESA INDEVIDA COM DEPENDENTE Nos termos da legislação tributária, o neto somente pode ser considerado dependente quando o contribuinte detenha a guarda judicial. DESPESA COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA. A despesa com instrução é admitida no caso em que há comprovação em nome do contribuinte ou de seus dependentes legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 16 97 /2 01 6- 11 Fl. 93DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de despesas não dedutíveis. Contudo, o Recurso é intempestivo. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte o valor de R$ R$ 6.065,29, sendo que a parcela de R$ 1.574,92 está sujeita à multa de ofício no percentual de 75% e a parcela de R$4.490,37, à multa de mora de 20%, a título de imposto de renda pessoa física, e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2013. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere a necessidade de comprovação das despesas médicas, comprovação da relação de dependência das pessoas assim declaradas e a apresentação de provas de todas as despesas deduzidas na declaração de ajuste anual e sua retificação, como segue: (...) Cumpre esclarecer que, em se tratando de matéria tributária, não importa se a pessoa física deixou de atender às exigências da lei por máfé, por intuito de sonegação ou, ainda, se tal fato aconteceu por puro descuido ou desconhecimento. A infração é do tipo objetiva, na forma do art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), isto é, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Passando ao exame do mérito da autuação, à luz da legislação citada na notificação de lançamento, os contribuintes podiam deduzir do rendimento tributável na declaração de ajuste do exercício de 2014, valores relativos a determinadas despesas, tais como as despesas com dependentes (R$2.063,64, por dependente), com previdência oficial e as despesas médicas e com instrução (limite anual individual de R$3.230,46), desde que devidamente comprovadas (art. 73 do RIR/1999). O contribuinte também podia compensar o IRRF relativo aos rendimentos ofertados à tributação. Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, podendo ser glosadas se os contribuintes não conseguirem comprová las ou justificálas. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10830.721697/201611 Acórdão n.º 2001000.197 S2C0T1 Fl. 94 3 Quanto à dedução indevida de previdência oficial e à compensação indevida de IRRF, o contribuinte admite equívoco ao informar na Declaração do exercício 2014 valores concernentes ao exercício 2015 (fl. 32). (...) Assim, estando os valores considerados pela autoridade fiscal respaldados tanto em DIRF quanto em comprovante de rendimentos juntado pelo contribuinte no curso da ação fiscal, não há reparos a se fazer na autuação. Cabe ressaltar, como já relatado, que a autoridade fiscal também procedeu à alteração dos rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, reduzindoos para o valor auferido nesse anocalendário. No tocante aos dependentes, a Lei nº 9.250/95 dispõe em seu artigo 35: (...) A glosa recaiu sobre os dependentes Luis Henrique e Ana Luisa, netos do contribuinte (fls. 36/37). Entretanto, em sua defesa, o contribuinte não comprova deter a guarda judicial das crianças, conforme exige a legislação tributária. Sem essa comprovação, a glosa desses dependentes deve ser mantida. Quanto aos gastos com instrução, a teor do disposto no artigo 8o, inciso II, alínea b, da Lei no 9.250, de 1995, são dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. No caso, as despesas foram informadas com Luis Henrique e Ana Luisa (fl.45), não acatados como dependentes. Por decorrência, as despesas com instrução também não podem ser aceitas. Acrescentese ainda que, nem no curso da ação fiscal, nem agora em sua impugnação, o contribuinte juntou comprovação quanto aos pagamentos com instrução declarados. Dessa forma, a glosa mostrase correta. Sobre as despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com Fl. 95DF CARF MF 4 documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Em sua defesa, o contribuinte limitase a juntar o recibo emitido por Juliano Vasconcelos Martins (fl.39), no valor de R$1.220,00, que se revela hábil a comprovar o valor indicado, sendo de se cancelar sua glosa. Quanto às demais despesas médicas declaradas, o contribuinte nada mais apresentou. (...) Se os documentos foram extraviados ou danificados, o contribuinte poderia, por exemplo, solicitar a segunda via dos comprovantes/notas fiscais aos profissionais/estabelecimentos declarados. Sem a apresentação da comprovação desses pagamentos, as glosas devem ser mantidas. Pelo exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.065,29, sendo que a parcela de R$1.574,92 está sujeita à multa de ofício no percentual de 75% e a parcela de R$4.490,37, à multa de mora de 20%, além dos acréscimos legais aplicáveis. Ao final, conclui o acórdão vergastado pela improcedência parcial da impugnação para manter o crédito tributário no montante que especifica. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10830.721697/201611 Acórdão n.º 2001000.197 S2C0T1 Fl. 95 5 (...) Fl. 97DF CARF MF 6 (...) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10830.721697/201611 Acórdão n.º 2001000.197 S2C0T1 Fl. 96 7 (...) (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 99DF CARF MF 8 O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal de 30 (trinta) dias para interposição do recurso já havia transcorrido na data em que foi protocolada a entrega do Recurso Voluntário. Registrese que o prazo é contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. Além disso, os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente normal do órgão de trâmite regular do processo. De acordo com o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso voluntário é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Observase dos autos a cronologia dos acontecimentos acerca do acórdão vergastado, como segue: Acórdão da DRJ: 14.09.2016. (fl. 65). Emissão da Intimação do Resultado: 05.10.2016. (fl. 74). AR – Aviso de Recebimento–despachado nos Correios: 11.10.2016. (fl. 75/77). AR – Aviso de Recebimento – ciência do contribuinte: 13.10.2016. (fl. 75/77). Termo de perempção lavrado: 17.11.2016. (fl. 79). Protocolo do Recurso Voluntário: 21.11.2016. (fl. 80). Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.720025/2013-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO.
A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.
O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999.
INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 2301-005.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITE-SE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habite-se concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, f, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária.
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CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no auto de infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo relatório fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos será encaminhada mensalmente à Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos sujeita o infrator à penalidade prevista no art. 283, I, “f”, do Decreto 3.048, de 1999. INFRAÇÃO. MINORAÇÃO DA PENALIDADE APLICADA. USO DA ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da analogia somente se aplica aos casos de ausência de disposição expressa quanto à aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 72 00 25 /2 01 3- 88 Fl. 239DF CARF MF 2 João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1669.154, exarado pela 12ª Turma da DRJ em São Paulo (efls. 201 a 215). O processo administrativo é constituído pelo Auto de Infração Debcad n° 51.023.8963, que formaliza multa no montante de R$92.732,52, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991, combinado com o art. 226, §§ 1° e 2° do Decreto 3.048, de 1999 (Regulamento da Previdência Social – RPS), por ter o sujeito passivo deixado de encaminhar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), até o dia 10 do mês seguinte, a relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de “habitese” concedidos mensalmente, ou encaminhar fora do prazo ou apresentar com incorreções ou omissões. O relatório fiscal (efls. 10 a 17) informa que: (a) não constando nos sistemas informatizados da RFB o Relatório Mensal de Alvarás de Construção e Cartas de Habitese, previsto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991 e art. 226 do Decreto 3.048, de 1999, o contribuinte foi intimado, no processo 16370.720015/2012 61, a comprovar o cumprimento dessa obrigação acessória referente aos meses de jan/2008 a abr/2008 por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal; o contribuinte posteriormente foi também intimado a comprovar o cumprimento de suas obrigações acessórias referentes referente aos meses de 07/2008 a 12/2010 (efls. 26, 29 e 32); (b) a Portaria Interministerial MPS/MF N° 15, de 2013, art. 8°, IV, prevê, conforme a gravidade da infração, multa de R$1.717,38 a R$171.736,10 para infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, e que foram encontrados elementos caracterizadores de reincidência específica, o que eleva a multa em três vezes, conforme art. 290, V, parágrafo único, e art. 292, inc. IV do RPS; (c) o contribuinte foi autuado no processo n° 16370.720010/201239, Debcad n° 51.023.8912, por infração ao art. 50 da Lei 8.212, de 1991 combinado com o art. 226, §§ 1° e 2° do RPS, por deixar de apresentar as três relações de todos os alvarás e habitese concedidos nos meses de 10/2007 a 12/2007, cujo Termo de Revelia foi lavrado em 25/09/2012; (d) a entrega das Relações de Alvarás e Habitese concedidos nos meses de 07/2008 a 12/2010 foi realizada a destempo, em 2013; (e) decorrentemente, foi lavrado auto de infração formalizando exigência de R$5.152,14 por Relação não entregue, que correspondem à multa mínima de R$1.717,38 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16370.720025/201388 Acórdão n.º 2301005.217 S2C3T1 Fl. 3 3 agravada devido a reincidência específica em 3 (três) vezes (R$1.717,38 x 3 = R$5.152,14), totalizando R$92.738,52, que equivalem a 18 x R$5.152.14, por deixar o contribuinte de apresentar no prazo legal as dezoito relações de todos os alvarás e "habitese" concedidos nos meses jul/2009 a dez/2010, cujos vencimentos dos prazos para entrega deramse, respectivamente, em 10/08/2009; 10/09/2009; 10/10/2009; 10/11/2009; 10/12/2009; 10/01/2010; 10/02/2010; 10/03/2010; 10/04/2010; 10/05/2010; 10/06/2010; 10/07/2010; 10/08/2010; 10/09/2010; 10/10/2010; 10/11/2010; 10/12/2010 e 10/01/2011. Na impugnação (efls. 98 a 107) foi alegado, em síntese: (a) a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa; (b) a inexistência de irregularidade e a necessidade do cancelamento da multa, em face de ser caso de não aplicação da penalidade; (c) a inexistência de irregularidade pela entrega, fora do prazo, da documentação, tendo sido cumprida a obrigação e atingida a finalidade; (d) caso se entenda devida a multa, ela deve ser minorada por aplicação analógica do § 2°, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Os pedidos consistem no cancelamento do debcad, e, em consequência, da multa impugnada. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/07/2013 Ementa: MUNICÍPIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. São representados em juízo, ativa e passivamente, o Município, por seu Prefeito ou procurador, nos termos do Código de Processo Civil. Nos termos da Lei Orgânica do Município, à Procuradoria Geral do Município, órgão diretamente subordinado ao Prefeito, compete representar judicial e extrajudicialmente o Município. AUTO DE INFRAÇÃO. CÁLCULO DA MULTA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no Auto de Infração lavrado com a indicação de todos os dispositivos legais que envolvem a infração constatada e a correspondente penalidade cabível, e cujo Relatório Fiscal informa detalhadamente como foi calculada a multa exigida, informando as normas legais e infra legais que lhe dão suporte. Fl. 241DF CARF MF 4 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE HABITESE. ENTREGA FORA DO PRAZO. INFRAÇÃO. A relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos, será encaminhada mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. O encaminhamento fora do prazo da relação de alvarás para construção civil e documentos de habitese concedidos é considerado descumprimento de obrigação tributária acessória, que sujeita o infrator à penalidade prevista na alínea "f", do inciso I do art. 283, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A ciência dessa decisão ocorreu em 17/09/2015 (efl. 219). Em 13/10/2015, foi apresentado recurso voluntário (efls. 221 a 227), sendo repetidos os argumentos e os pedidos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE É alegada a nulidade formal do auto de infração por falta de indicação da forma de cálculo do valor da multa, ocasionando cerceamento do direito de defesa, já que foi aplicada multa mínima, no valor de R$92.738,52, sendo de R$636,17 o valor mínimo indicado no RPS. Entendo não ter restado configurada qualquer nulidade. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 16370.720025/201388 Acórdão n.º 2301005.217 S2C3T1 Fl. 4 5 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, diferentemente do que alega o contribuinte, não foi aplicada multa de R$19.405,44, mas, como relatado, de R$92.738,52. De qualquer sorte, o auto de infração, do qual o “relatório fiscal do auto de infração” é parte integrante, contém a descrição dos fatos e a base legal para a aplicação da multa, não ocorrendo o alegado cerceamento do direito de defesa. Vejamos a base legal citada. Lei 8.212, de 1991: Art. 50. Para fins de fiscalização do INSS, o Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. (Redação dada pela Lei n° 9.476, de 1997) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999: Fl. 243DF CARF MF 6 Art. 226. O Município, por intermédio do órgão competente, fornecerá ao Instituto Nacional do Seguro Social, para fins de fiscalização, mensalmente, relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos, de acordo com critérios estabelecidos pelo referido Instituto. § 1° A relação a que se refere o caput será encaminhada ao INSS até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos.(Redação dada pelo Decreto n°4.032, de 2001) § 2° O encaminhamento da relação fora do prazo ou a sua falta e a apresentação com incorreções ou omissões sujeitará o dirigente do órgão municipal à penalidade prevista na alínea "f do inciso I do art. 283. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...); f deixar o dirigente dos órgãos municipais competentes de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social as informações concernentes aos alvarás, "habitese " ou documento equivalente, relativos a construção civil, na forma do art. 226; e Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...); V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...); Fl. 244DF CARF MF Processo nº 16370.720025/201388 Acórdão n.º 2301005.217 S2C3T1 Fl. 5 7 IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria Interministerial MPS/MF n° 02 de 06/01/2012: Art. 8° A partir de 1° de janeiro de 2012: (...); IV o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada no art. 283 do RPS, varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) a R$ 161.710,08 (cento e sessenta e um mil, setecentos e dez reais e oito centavos); Ou seja, não há qualquer omissão na indicação da forma de cálculo do valor da multa, que possa levar ao cerceamento do direito de defesa. DA MULTA PELA FALTA DE ENTREGA DA RELAÇÃO DE ALVARÁS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL E DOCUMENTOS DE "HABITESE" CONCEDIDOS O recorrente alega que a infração não deve subsistir, uma vez que “a multa se refere à falta de entrega da relação de todos os alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos pelo Município de Londrina”, sendo inaplicáveis os fundamentos legais indicados, os arts. 50 e 102, da Lei 8.212, de 1991 (arts. 283, I, "f" e 373 do Decreto Federal 3.048/99). Aduz que, quanto aos entes públicos, não existe a possibilidade de estipulação de "obrigação acessória tributaria", pois tanto a Constituição quanto o CTN tratam apenas de "cooperação mútua", sendo este o espírito que o legislador deu ao art. 50 da Lei 8.212, de 1991, conforme previsto nos artigos 198, § 2° e 199 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à impossibilidade serem instituídas obrigações acessórias dirigidas a entes públicos, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa para fins da aplicação da Lei 8.212, de 1991 (art. 15, I, parte final, da Lei 8.212, de 1991), estando sujeitos às obrigações acessórias previstas na legislação tributária. O art. 50 da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei 9.476, de 1997, dispõe que, para fins de fiscalização da RFB, o município, por intermédio do órgão competente, fornecerá relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Regulamentando esse dispositivo, o art. 226 do RPS, determina que a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos será encaminhada à RFB até o dia dez do mês seguinte àquele a que se referirem os documentos. Fl. 245DF CARF MF 8 Assim, tratase de obrigação tributária destinada especificamente ao ente municipal, com previsão expressa de multa pelo seu descumprimento no § 2º do art. 226, já transcrito. A autoridade fiscal é vinculada à aplicação da legislação citada, face ao disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, pelo qual “a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A seu turno, o disposto nos arts. 198 e 199 do CTN não possuem o condão de elidir o lançamento, uma vez que o intercâmbio de informações ou a prestação de mútua assistência “para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações” não desobriga ao cumprimento das obrigações acessórias pelo entes públicos. Por outro lado, não existe qualquer ilegitimidade na previsão da multa. Ora, não havendo previsão expressa de multa pelo descumprimento do disposto no art. 50 da Lei 8.212, de 1991, o art. 92 do mesmo diploma legal determina que seja aplicada multa variável, conforme dispor o regulamento. O art. 226 do RPS, com base nesse permissivo legal, indica que a multa a ser aplicada é a prevista na alínea “f” do inciso I do art. 283. DA ENTREGA, FORA DO PRAZO, DO RELATÓRIO Argumenta o recorrente que, conforme informação da Diretoria de Aprovação de Projetos, da Secretaria Municipal de Obras de Pavimentação do Município de Londrina, ter havido a entrega dos relatórios requeridos após o recebimento da intimação, ainda que não no prazo de vinte dias, não sendo cabível a aplicação de penalidade uma vez cumprida a obrigação, devendo ser anulado o auto de infração. Como visto, o art. 50 da Lei n° 8.212, de 1991 estabelece ao município a obrigação de fornecer a relação de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Por sua vez, o art. 226 do RPS estabelece o prazo para o cumprimento da obrigação (§ 1º) e regulamenta a sanção no caso de descumprimento (§ 2º). A recorrente não nega a entrega fora do prazo das relações de alvarás para construção civil e documentos de "habitese" concedidos. Tendo havido a incidência da norma sancionadora, não há como afastála face aos argumentos expostos, ainda que tenham sido entregues, a destempo, os documentos solicitados. DA MINORAÇÃO DO VALOR DA MULTA A recorrente solicita a minoração do valor da multa, por aplicação analógica do § 2º, do art. 32A da Lei 8.212, de 1991. Não há como atender o requerido, uma vez que a legislação apontada aplica se exclusivamente à infração relacionada à entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (Gfip), documento que não se confunde com o que estamos tratando. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 16370.720025/201388 Acórdão n.º 2301005.217 S2C3T1 Fl. 6 9 No caso, o valor da multa para a infração constatada encontrase expressamente previsto no art. 283, I, "f" e 373 do Decreto 3.048, de 1999. Havendo disposição expressa, não e aplicável o art. 108 do CTN, que dispõe sobre a analogia. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. (Grifouse.) Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.907532/2009-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A falta de motivação adequada, que se baseie em fatos demonstrados nos autos, implica o cerceamento do direito de defesa e, por consequência, a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3002-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora para que efetue novo julgamento, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NULIDADE DE DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de motivação adequada, que se baseie em fatos demonstrados nos autos, implica o cerceamento do direito de defesa e, por consequência, a nulidade da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para anular a decisão a quo e determinar o retorno dos autos à Autoridade Julgadora para que efetue novo julgamento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de IPI relativo ao 1º trimestre de 2004, ao qual foram vinculadas duas declarações de compensação, relativas aos períodos de setembro/2007 e de outubro/2007 (PER fls. 39 a 80 e Dcomp relativa apenas a outubro/2007 fls. 81 a 84). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 75 32 /2 00 9- 29 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10935.907532/200929 Acórdão n.º 3002000.170 S3C0T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal em Cascavel emitiu Despacho Decisório no qual reconheceu integralmente o crédito de IPI; homologou integralmente a compensação relativa a setembro/2007, mas homologou apenas parcialmente a compensação relativa a outubro/2007, tendo em vista que o crédito de IPI reconhecido foi insuficiente para compensar a totalidade dos débitos declarados pelo sujeito passivo. O despacho decisório foi acompanhado de demonstrativos do saldo credor ressarcível e do detalhamento da compensação por declaração transmitida (fls. 27 a 31). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 7), na qual alegou que tinha direito ao crédito nas saídas de produtos isentos, com alíquota zero ou imunes, bem como nas aquisições de estabelecimento comercial atacadista não contribuinte; que deveria ter sido considerado o saldo credor do período anterior; e, por fim, que não utilizou créditos sem lastro, residindo o problema no programa PER/Dcomp, que permitiu a transmissão de uma compensação vinculada a mais de um pedido de ressarcimento, fazendo o contribuinte crer que teria indicado crédito suficiente para a compensação quando, em realidade, tal procedimento não seria aceito. Requereu o reconhecimento integral do seu crédito e, a título de demonstração do seu direito, juntou um demonstrativo do saldo credor e uma tabela de controle de ressarcimentos e compensações (fls. 22 a 26). A Delegacia de Julgamento em Belém proferiu o acórdão nº 0132.514 (fls. 87 a 89), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito pleiteado havia sido integralmente reconhecido, apenas não sendo homologada integralmente a compensação porque a interessada não computou multa e juros de mora na compensação de débitos vencidos. Em relação à glosa, entendeuse como reclamação descabida, assim como o não aproveitamento de saldo credor de período anterior, já que o próprio contribuinte informou no PER/Dcomp que não existia saldo anterior. Transcrevese a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. MULTA E JUROS DE MORA. Caberá o acréscimo de multa e juros de mora sobre os débitos extintos em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 04/02/2016, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem constante à fl.103, e protocolizou seu recurso voluntário em 07/03/2016 (fls. 105 a 108), conforme carimbo aposto à página inicial. A recorrente alega que o acórdão é desprovido de fundamento, pois a motivação da decisão de primeira instância não corresponde à realidade, já que o contribuinte não estava em mora com suas obrigações. Requer que seja reconhecido o crédito solicitado nas Per/Dcomps e que seja afastada toda e qualquer aplicação de multa e juros. Junta uma planilha que demonstraria o cumprimento a tempo das obrigações tributárias (fl. 109). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10935.907532/200929 Acórdão n.º 3002000.170 S3C0T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Este processo integra um lote de 10 processos similares, todos versando sobre pedidos de ressarcimento, nos quais ocorreram alguns percalços que tornam a situação aparentemente mais confusa do que é realmente. A matéria de fundo diz respeito à existência de créditos suficientes para o ressarcimento de IPI, por vezes cumulado com pedido de compensação. O contribuinte fez um pedido inicial que consta deste processo, integralmente reconhecido, mas insuficiente para quitar a totalidade dos débitos declarados. A homologação apenas parcial na primeira compensação, agravada pelo não reconhecimento do direito ao ressarcimento do IPI a partir do 4º processo deste lote, desencadeou divergência entre todas as decisões administrativas e os pedidos subsequentes. Para maior clareza, apresentamos uma tabela da correlação entre processos, pedidos de ressarcimento (PER) e declarações de compensação (Dcomp). Os dados do presente processo estão em negrito. Nestes autos, temos o PER6330, cujo crédito foi totalmente reconhecido e ao qual foi vinculada a Dcomp7301, compensada integralmente, e a Dcomp6053, compensada parcialmente, já que, como se vê na tabela acima, o valor das duas Dcomps é superior ao crédito do PER. Ciente de que o PER6330 era insuficiente para quitar as duas compensações, o contribuinte informou o PER5129 no campo “Nº do último PER/Dcomp” da Dcomp6053, na expectativa de que fosse considerado o crédito contido nos dois PER. Tendo sido a compensação homologada apenas até o limite reconhecido no PER6330, sem considerar o crédito do PER5129, concluiu o contribuinte que o programa não aceitava a vinculação de um segundo pedido de ressarcimento a uma compensação. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10935.907532/200929 Acórdão n.º 3002000.170 S3C0T2 Fl. 5 4 Neste ponto, fazse necessário um aparte para que se esclareça que o litígio neste lote de processos pode ser dividido em dois tipos: ressarcimento de IPI integralmente reconhecido, mas insuficiente para a homologação (processos de final 532, 534 e 536) e ressarcimento de IPI negado ou parcialmente reconhecido (processos de final 538 até 544). Não obstante a natureza distinta dos objetos de cada grupo de processos, o sujeito passivo elaborou uma única manifestação de inconformidade, baseada nas decisões em que não se reconhece o direito ao ressarcimento de IPI (segundo grupo de processos). Em vista dessa conduta, nos processos do primeiro grupo, no qual este se insere, temos alegações que não guardam relação com os fatos ou com as razões de decidir apontadas nos Despachos Decisórios. Frente a esta situação, a DRJ/Belém proferiu o Acórdão do qual se transcreve o voto em sua integralidade: 4. Conforme relatado acima, na verdade o crédito pleiteado foi integralmente reconhecido. Apenas não foi homologada a compensação em virtude de insuficiência de crédito, uma vez que a interessada deixou de acrescentar multa e juros de mora nos débitos compensados que estavam vencidos. 5. Assim, descabe qualquer referência à glosa de créditos. Da mesma forma, incabível falar em não aproveitamento de saldo credor de período anterior, inexistente no próprio Per/Dcomp apresentado. Ainda que extremamente sucinto, o voto responde corretamente aos protestos indevidos de direito a crédito nas situações listadas acima, visto que o crédito de IPI foi integralmente reconhecido e não ocorreu nenhuma glosa. É um protesto sem sentido, dirigido ao segundo grupo de processos. Da mesma forma rebate acertadamente o relator a alegação relativa à desconsideração do saldo credor de período anterior ao apontar que o próprio contribuinte informou que o saldo era zero – tal fato se confirma pela simples consulta ao PER6330, página 3, Livro RAIPI no Período do Ressarcimento/Entradas/Demonstrativo de créditos (fl. 41). Prosseguindo no voto, sobre a primeira parte da sua fundamentação, na qual o relator afirma que apenas não foi homologada a compensação em virtude de insuficiência de crédito, não há reparo a ser feito. Relativamente a esse fato, claramente demonstrado por meio da documentação que instrui o Despacho Decisório, nada trouxe a recorrente aos autos que demonstrasse o contrário. A questão de fundo é simples e sobre ela não paira dúvida: apesar de o crédito de IPI ter sido reconhecido integralmente, não foi suficiente para quitar os débitos informados. Todavia, introduz o relator como motivo para a compensação parcial a incidência de multa e juros não considerados pelo contribuinte, mas devidos pela compensação em atraso, o que não encontra pleno respaldo nos autos. Pelo Detalhamento da Compensação, parte integrante do Despacho Decisório, vêse que foi solicitada a compensação dos débitos informados na Dcomp7301 fora Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10935.907532/200929 Acórdão n.º 3002000.170 S3C0T2 Fl. 6 5 do prazo mas ainda dentro do mês de pagamento, o que acarretou a incidência apenas da multa de mora, de baixo valor, sendo o crédito do PER6330 suficiente para a sua homologação integral. Já em relação à Dcomp6053, o sistema aponta que foi solicitada a compensação dentro do prazo, não cabendo nem multa nem juros, mas o crédito disponível foi suficiente apenas para a homologação parcial (fl. 30). Não se sabe se o relator faz referência à Dcomp7301 quando menciona multa e juros; se faz alusão ao PER5129, que não consta dos autos; se tal afirmação decorre de informação constante em outra declaração consultada diretamente nos sistemas da Receita Federal; ou se é simplesmente um lapso. O fato é que um novo elemento foi trazido para as razões de decidir sem o devido esclarecimento sobre a que situação se refere ou sobre a origem de tal informação, de importância crucial na decisão, a ponto de ser o único ponto abordado na ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. MULTA E JUROS DE MORA. Caberá o acréscimo de multa e juros de mora sobre os débitos extintos em atraso. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltase que a multa de mora na Dcomp7301 foi considerada pelo contribuinte e não é suficiente para que se conclua ser esse o motivo da homologação parcial, dado que a parcela não compensada do débito declarado, de R$ 2.819, excede em muito a multa de mora de R$ 86,20. Mesmo que não houvesse a penalidade, não seria possível homologar integralmente a compensação, não cabendo afirmar, com base no que consta destes autos, que a homologação parcial decorre do acréscimo de multa e juros de mora não considerados pelo interessado. A motivação é elemento constitutivo essencial de uma decisão. E para que tenhamos uma motivação adequada, suficiente, não basta que seja declarada. Ela deve se assentar em fatos demonstrados nos autos e, a partir dessa demonstração, deve ser estabelecida uma correlação entre esses fatos, o direito aplicável e a consequência jurídica. Houvesse previsão legal de embargos de declaração às decisões de primeira instância, seria incontestavelmente o caso de sua interposição. Em não existindo, ainda que resulte desta análise a convicção de que não cabe razão à recorrente, resta a este Colegiado devolver o processo para novo julgamento, vez que o vício que se constata impede que o direito de defesa seja plenamente exercido. A limitação no direito de defesa, decorrente de decisão motivada em fato não demonstrado, implica a sua nulidade, conforme disposto no DecretoLei nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: (...) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10935.907532/200929 Acórdão n.º 3002000.170 S3C0T2 Fl. 7 6 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifado) Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário e anular a decisão de primeira instância, para que seja proferida nova decisão, com a adequada motivação, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 119DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940299/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.628
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 29 9/ 20 11 -6 5 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.068. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.940299/201165 Resolução nº 3301000.628 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.902828/2011-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. As diferenças na forma de evolução da análise do direito creditório, e, consequentemente, na dinâmica da produção da prova do indébito em cada processo, já representa um problema para a caracterização da divergência jurisprudencial suscitada pela PGFN. As questões da dinâmica da prova, especialmente nos processos que são iniciados a partir de pleitos dos contribuintes, normalmente afetam diretamente a decisão sobre o encaminhamento processual, ou seja, de devolver o processo à Delegacia de origem apenas para realização de diligência (como ocorreu no caso em exame), ou para que seja proferido um novo despacho decisório (como ocorreu no paradigma). Mas o maior problema para a admissibilidade do recurso especial da PGFN neste caso, é que nem o Acórdão paradigma (Acórdão nº 1102-00.750), nem as outras decisões citadas pela PGFN em reforço de seus argumentos, defendem a tese de que, quando o contribuinte apresentar declaração retificadora (para sanar erro no seu preenchimento) após o despacho decisório da Delegacia de origem, o processo "sempre" deve ser devolvido à Delegacia de origem para novo despacho decisório, porque é a DRF que tem a competência originária para aferir a certeza e liquidez do crédito, porque é necessário evitar a supressão de instância, etc. O que se percebe é que nos casos mencionados pela PGFN, a devolução do processo para novo despacho decisório se deu não por uma questão teórica, de interpretação de normas, mas simplesmente em razão do estágio em que se encontrava o exame de mérito do direito creditório naqueles contextos específicos, de modo que fica prejudicada a caracterização da alegada divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-003.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. As diferenças na forma de evolução da análise do direito creditório, e, consequentemente, na dinâmica da produção da prova do indébito em cada processo, já representa um problema para a caracterização da divergência jurisprudencial suscitada pela PGFN. As questões da dinâmica da prova, especialmente nos processos que são iniciados a partir de pleitos dos contribuintes, normalmente afetam diretamente a decisão sobre o encaminhamento processual, ou seja, de devolver o processo à Delegacia de origem apenas para realização de diligência (como ocorreu no caso em exame), ou para que seja proferido um novo despacho decisório (como ocorreu no paradigma). Mas o maior problema para a admissibilidade do recurso especial da PGFN neste caso, é que nem o Acórdão paradigma (Acórdão nº 110200.750), nem as outras decisões citadas pela PGFN em reforço de seus argumentos, defendem a tese de que, quando o contribuinte apresentar declaração retificadora (para sanar erro no seu preenchimento) após o despacho decisório da Delegacia de origem, o processo "sempre" deve ser devolvido à Delegacia de origem para novo despacho decisório, porque é a DRF que tem a competência originária para aferir a certeza e liquidez do crédito, porque é necessário evitar a supressão de instância, etc. O que se percebe é que nos casos mencionados pela PGFN, a devolução do processo para novo despacho decisório se deu não por uma questão teórica, de interpretação de normas, mas simplesmente em razão do estágio em que se encontrava o exame de mérito do direito creditório naqueles contextos específicos, de modo que fica prejudicada a caracterização da alegada divergência jurisprudencial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 28 28 /2 01 1- 73 Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento, pelo CARF, de direito creditório utilizado em declarações de compensação. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1402002.101, de 03/02/2016, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, "para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 32.923.314,73; e homologar as compensações até esse limite". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo descritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 As PER/DCOMP´s são objeto de Execução Fiscal, podendo o IRPJ mensal pago por estimativa dos meses de janeiro a maio de 2006, ser deduzido integralmente como antecipação do imposto devido no ajuste final. As estimativas compensadas em DCOMP podem ser deduzidas integralmente como antecipação do imposto devido no ajuste final, vez que a não homologação das compensações implica cobrança dos débitos (administrativa ou judicialmente), por constituir a DCOMP confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 4 3 A DIPJ Retificadora confirma que os valores estavam corretos e que tinha ocorrido apenas um erro de preenchimento. Portanto, para este caso, mesmo que a DIPJ Retificadora tenha sido apresentada depois do despacho decisório, a compensação declarada na PER/DCOMP deve ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 32.923.314,73; e homologar as compensações até esse limite. Cabe registrar que o Acórdão nº 1402002.101, após julgamento de embargos inominados também apresentados pela PGFN, foi retificado pelo Acórdão nº 1402002.796, de 18/10/2017, e que essa retificação serviu apenas para corrigir a numeração do processo que constava do cabeçalho do Acórdão 1402002.101, sem qualquer efeito infringente em relação ao mesmo. No recurso especial, a PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao reconhecimento do direito creditório utilizado em declarações de compensação. Para o processamento do recurso, foram apresentados os seguintes argumentos: DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL o v. acórdão ora recorrido homologou as declarações de compensação, sob o entendimento de que teria sido comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, sem que a DRF de origem, órgão competente para aferir a certeza e liquidez do crédito, houvesse se pronunciado sobre o erro alegado, posto que a retificadora somente foi apresentada após o despacho decisório, em sede de manifestação de inconformidade; o voto condutor do acórdão recorrido consagrou o entendimento que o princípio da verdade material permite a análise por esse e. CARF da retificadora apresentada pelo contribuinte, por ocasião da manifestação de inconformidade. In verbis: [...]; diversamente, a Colenda 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF proferiu acórdão, sob o entendimento de que, diante da alegação de erro no preenchimento da DIPJ, devese determinar a remessa dos autos para a DRF a fim de se pronunciar acerca da liquidez e certeza dos créditos apresentados pelo contribuinte; eis a ementa do julgado em sua integralidade: Acórdão nº 110200.750 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ERRO DE INFORMAÇÃO EM DIPJ. Não é legítimo afastar definitivamente o direito Fl. 672DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 5 4 do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. Por conseguinte, devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para superar o erro no preenchimento da DIPJ e determinar à unidade de origem o exame da procedência do direito creditório informado na PER/DCOMP originária.” visando o cotejo da similitude fática e jurídica que evidenciam o cabimento do recurso especial cabe a transcrição de trecho do voto condutor do referido paradigma: [...]; desse modo, enquanto a decisão recorrida entendeu por acatar a alegação de erro no preenchimento da DIPJ e adentrar no mérito do pedido (análise do direito creditório), o acórdão paradigma determinou o retorno dos autos à instância de origem para apreciação do mérito, a fim de não haver supressão de instância; ao assim decidir o acórdão recorrido deu interpretação divergente ao art. 170 do CTN e aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96, ensejando a competência dessa Câmara Superior, e merecendo reforma, conforme demonstrarseá; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO como antes relatado, a decisão recorrida acatou a alegação de erro no preenchimento da DIPJ, passando a analisar o valor do crédito indicado na DCOMP; ocorre que, conforme se depreende do paradigma acima mencionado, ao aceitar a alegação de erro, os autos devem ser encaminhados à instância de origem para que Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 6 5 seja analisado o mérito, sob pena de supressão de instância que, por seu turno, importa em inegável prejuízo ao direito a ampla defesa e ao contraditório da União (Fazenda Nacional); nesse ponto, é oportuno observar que, em casos análogos de erros no preenchimento de DCTF`s, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já tem se pronunciado inúmeras vezes no sentido de que deve se devolver os autos à DRF para que haja a apreciação da liquidez e certeza do crédito indicado no pedido de compensação. Confirase: Acórdão nº 3201001.237, Acórdão nº 330201.727 e Acórdão nº 380302.683 [...]; com efeito, a apreciação do mérito pelo voto condutor do acórdão, resulta em contrariedade ao instituto da compensação, autorizada no âmbito tributário, nos estritos termos da lei, bem como ao princípio do efeito devolutivo, visto que a matéria não foi objeto de apreciação pela DRF e DRJ e, logicamente, também não poderia ser apreciada pelo juízo ad quem, sob pena deste incorrer em supressão de instância; a União entende, renovadas as vênias, que o acórdão recorrido violou o artigo 170 do CTN, ao homologar a compensação sem que tenha sido aferida a liquidez e certeza dos créditos, pela autoridade competente, na forma da lei; por sua vez, o artigo 74 da Lei n. 9430/96 estabelece o procedimento a ser observado pelo contribuinte para o exercício do direito à compensação, não podendo, data vênia, este tribunal Administrativo, vinculado à lei, desrespeitar o procedimento estabelecido pelo legislador para a extinção do crédito tributário; vale dizer que o § 1º do art. 74 estabelece que quando do pedido de compensação o contribuinte deverá precisar as informações necessárias referentes ao crédito utilizado, bem como ao débito, as quais serão submetidas à Delegacia da Receita Federal; in casu, o despacho decisório apreciou os dados apresentados e entendeu que não há crédito suficiente para a extinção do crédito pretendida pela contribuinte; desta feita, a União entende que a apresentação da retificadora quando da manifestação de inconformidade viola o procedimento legal, posto que a parte deveria submeter à Delegacia da Receita Federal do Brasil as informações referentes tanto ao débito, quanto ao crédito objeto da compensação, ou ainda submetido novo pedido de compensação; diante do exposto, a União requer a reforma do acórdão, posto que é imprescindível o retorno dos autos à instância de origem para apreciação da certeza e liquidez do crédito, assim como a apreciação da suficiência e legalidade da compensação pleiteada, não havendo qualquer razão para se dar tratamento diferenciado ao processo ora sob análise; ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer seja sanado o erro material apontado, bem como seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à origem para analisar o suposto erro no preenchimento da DIPJ e o conjunto probatório a ele referente. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 20/04/2016, deu seguimento ao recurso, com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 7 6 Tratase de examinar a admissibilidade dos embargos inominados e do recurso especial de divergência interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 1402002.101, de 03.02.2016, em cuja ementa consta: [...] I) Embargos Inominados [...] II) Recurso Especial da PGFN O recurso especial está regulamentado nos arts. 67 a 71 do Anexo II do RICARF e atende aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. [...] 1) Erro de Preenchimento de Declaração Remessa dos Autos à DRF. A PFN argui que diante da alegação de erro no preenchimento da DIPJ, devese determinar a remessa dos autos para a DRF. Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: Acórdão nº 110200.750, de 17.10.2012 [...] Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que "devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. [...] Recurso voluntário a que se dá parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária." O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "a DIPJ Retificadora confirma que os valores estavam corretos e que tinha ocorrido apenas um erro de preenchimento. Portanto, para este caso, mesmo que a DIPJ Retificadora tenha sido apresentada depois do despacho decisório, a compensação declarada na PER/DCOMP deve ser homologada." Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. 2) Erro de Preenchimento de Declaração Liquidez e Certeza do Crédito. A PFN diz que se deve apurar a liquidez e certeza dos créditos apresentados pelo contribuinte. Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos do acórdão apresentado como paradigma: Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 8 7 Acórdão nº 3201001.237 [...] Acórdão nº 330201.727 [...] Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo." Consta no voto condutor do acórdão recorrido: [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "mesmo que a DIPJ/2007 Retificadora tenha sido apresentada depois do despacho decisório, para este caso, em respeito ao princípio da verdade material, a compensação declarada na PER/DCOMP 38208.95561.280207.1.3.021047 deve ser totalmente homologada". Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. Conclusão I) Embargos Inominados Do exame dos requisitos de admissibilidade estabelecidos no art. 66 do Anexo II do RICARF, verificase que o embargo inominado deve ser admitido, pois restou evidenciado o erro de escrita no acórdão embargado. II) Recurso Especial da PGFN Do exame dos requisitos de admissibilidade estabelecidos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, verificase que o recurso especial deve ser admitido, haja vista que restou demonstrada a divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1) Erro de Preenchimento de Declaração Remessa dos Autos a DRF; e 2) Erro de Preenchimento de Declaração Liquidez e Certeza do Crédito. Em assim sucedendo, proponho que seja dado seguimento ao recurso especial interposto. Em 17/06/2016 (sextafeira), a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1402 002.101, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 04/07/2016 (segundafeira), ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: Fl. 676DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 9 8 DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. preliminarmente, notese que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é intempestivo. Isto porque consta à fl. 580 dos autos que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão em 08/03/2016, sendo que o recurso especial cumulado com os embargos inominados foi interposto somente em 06/04/2016, ou seja, apresentado após o prazo de 15 dias determinado pelo Regimento Interno do CARF; conforme é sabido, em consonância com o artigo 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Recurso Especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deve ser formalizado em petição dirigida ao presidente da Câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida no prazo de 15 dias contado da data da ciência da decisão; no caso presente, conforme reconhecido no próprio exame de admissibilidade realizado pelo Presidente desta 4ª Câmara, a Fazenda Nacional tomou ciência da decisão recorrida em 08/03/2016 e o Recurso Especial foi interposto apenas em 06/04/2016; ora, conforme se vê, entre a data da ciência e da interposição do Recurso Especial se passaram 29 dias, sendo evidente a intempestividade do mencionado recurso; DA AUSÊNCIA DE SIMILARIDADE COM O CASO PRESENTE DO ACÓRDÃO INDICADO COMO PARADIGMA. no caso sob comento, é notória a ausência de similaridade entre o acórdão paradigma apresentado e o caso presente, concluindose que o recurso foi interposto tendo função meramente recursal, diante do inconformismo frente à decisão de 2ª instância, unicamente para ver tutelado o interesse da União; isso porque, no acórdão colacionado como paradigma, o contribuinte foi notificado para efetuar a retificação da DIPJ antes da emissão do despacho decisório, para que a autoridade administrativa responsável pela análise do PER/DCOMP pudesse fazer a análise da declaração retificada e, consequentemente, da liquidez do crédito, o que acaba por afastar, por completo, a similitude com o caso presente, conforme se vê: [...]; no caso sob comento, no entanto, a Requerente, quando constatou o erro de preenchimento da DIPJ, realizou a retificação, tendo, no entanto, a DRJ se manifestado no sentido de que a mera retificação da declaração não constitui elemento de prova capaz de modificar o despacho decisório; é de notarse, dessa forma, que as questões fáticas do caso ora em discussão e do acórdão paradigma são diferentes, não podendo este último, portanto, ser utilizado como comprovação de decisão divergente para fins de admissibilidade do Recurso Especial; a discussão travada no acórdão paradigma não guarda identidade com a situação do caso presente, não tendo havido qualquer notificação da Requerente para retificar a declaração antes do despacho decisório; Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 10 9 nesse sentido, assim como sedimentado na doutrina, a jurisprudência do Conselho Superior de Recursos Fiscais também corrobora o mesmo entendimento, assim vejamos: [...]; resta inequívoco, portanto, que o acórdão paradigma apresentado, embora seja referente a julgado de Turma distinta, não guarda identidade com o caso presente, sendo certo que o recurso especial interposto não merece ser conhecido, diante da falta de demonstração das divergências; DO DESNECESSÁRIO RETORNO DO PROCESSO À DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DRF DA DILIGÊNCIA JÁ REALIZADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. conforme já destacado, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial sob o argumento de que a parcela do crédito referente ao IRRF, reconhecida no julgamento do Recurso Voluntário em razão da retificação da DIPJ, deveria voltar para análise da autoridade fiscal de origem, sob pena de supressão de instâncias; No entanto, a pretensão fazendária não merece prosperar, posto que, em caso de retificação de declaração após o despacho decisório, como ocorreu no caso presente, caso haja questão de direito a ser decidida ou implique em revisão parcial, compete ao órgão julgador administrativo (DRJ ou CARF) decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Nesta ótica, o Parecer Normativo COSIT n° 2 de 2015 determina que nos casos em que a declaração, no caso em questão tratavase de DCTF, é retificada após a ciência do despacho decisório, pode a DRJ baixar o processo em diligência à DRF. No entanto, quando a retificação da declaração ensejar revisão parcial do despacho decisório, compete ao órgão julgador administrativo decidir o pleito, conforme se vê: [...]; No caso presente, verificase situação similar à descrita no Parecer Normativo acima colacionado, tendo ocorrido a retificação da DIPJ após a ciência do despacho decisório, e não da DCTF. No entanto, ambos estão relacionados à retificação de declaração, de modo que os efeitos são os mesmos; afirmese, em rigorosa síntese, que no presente caso a Requerente, ao verificar a incorreção da Informação constante da DIPJ, realizou a retificação da referida declaração, de forma que a parte do crédito referente ao IRRF fosse devidamente reconhecida; verificase, assim, que a retificação da DIPJ ensejou revisão parcial do despacho decisório, já que a parte do crédito referente às estimativas de IRPJ em discussão judicial, não reconhecida pela DRF, também não restou alterada com a retificação da DIPJ, cabendo à DRJ realizar a análise dos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade para reconhecimento desta parte do crédito; além disso, é possível perceber que o retorno dos autos à DRF para diligência é facultativo, o Parecer Normativo é expresso ao prever a possibilidade de a DRJ baixar o processo á DRF, não havendo qualquer imposição nesse sentido; bem se vê, que a DRJ, no julgamento da Manifestação de Inconformidade, já tinha conhecimento da retificação da DIPJ, mas ainda assim não reconheceu o direito Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 11 10 creditório, por entender que a documentação comprobatória da retificação era insuficiente e não baixou o processo para nova análise pela DRF; já em sede recursal, utilizando este raciocínio, no julgamento do Recurso Voluntário, cabe ao CARF verificar as informações da declaração retificadora, com base nas provas apresentadas, em prestígio ao princípio da verdade material, sendo facultado, caso entenda pertinente, a necessidade de baixar o processo em diligência à DRF; verificase, portanto, que não procede a alegação da PGFN, no sentido de que, apresentada a declaração retificadora, após o despacho decisório, deve a mesma ser submetida unicamente à DRF; ainda que os Ilmos. Conselheiros assim não entendam, de forma a demonstrar que a Douta Procuradoria da Fazenda não logrou o êxito em analisar com esmero o caso presente, cumpre destacar que, em 27/08/2014, no primeiro julgamento do Recurso Voluntário, esta 4ª Câmara converteu o julgamento em diligência para que fosse confirmada a apresentação da DIPJ/2007 Retificadora e para que esta fosse juntada aos autos de forma que fosse possível verificar o montante total do saldo negativo apurado (Doc. 03); em outras palavras, diante da apresentação da DIPJ retificadora, esta foi devidamente submetida ao crivo da avaliação da DRF, durante a diligência solicitada por este E.CARF; diante da conversão em diligência, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário DICAT da Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes DEMAC/RJO se manifestou nos autos sobre as DIPJ's Retificadoras entregues pela Requerente (Doc. 04); a DICAT poderia ter analisado a alterações efetuadas na DIPJ retificadora, de 16/12/2011, confrontando os novos valores de IRRF, códigos de retenção 6147 e 6190, informados na Ficha 54, com os constantes na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF 2007, da fonte pagadora, para chegar a conclusão de que houve somente uma inversão no preenchimento dos códigos de retenção; assim, somente após o resultado da diligência e a juntada da DIPJ Retificadora aos autos, em nova inclusão do Recurso Voluntário em pauta de julgamento, esta 4ª Câmara se manifestou no sentido de que a DIPJ Retificadora confirmava os valores informados pela Requerente, pelo que a compensação deveria ser homologada; verificase, portanto, que este órgão julgador de 2ª instância se preocupou em realizar uma análise pormenorizada de todas as declarações retificadoras apresentadas pela Requerente, tendo inclusive solicitado diligência à DRF, sendo evidentemente desnecessário o retorno dos autos ao mesmo órgão; a todas as luzes, a conversão em diligência foi realizada justamente para confirmar as informações prestadas pela Requerente, incluindo a declaração retificadora, bem como todos os documentos comprobatórios do direito creditório pleiteado; é forçoso concluir, portanto, que carece de respaldo fático e de direito a pretensão fazendária no sentido de exigir o retorno dos autos à autoridade fiscal de origem; Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 12 11 DO PEDIDO por todo o exposto, esperandose firmemente sejam consideradas as relevantes razões de fato e de direito, e confiando no justo discernimento desse Egrégio Conselho Superior, requerse, em caráter preliminar, o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional; caso V. Sa. assim não entendam, respeitosamente, requer seja negado provimento ao Recurso Especial e que seja mantido os termos do Acórdão n° 1402002.101 proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento; na remota hipótese de admissão e provimento do Recurso Especial, ressalte se que o retorno à DRF é tão somente da parte do crédito referente ao IRRF, na quantia de R$205.128,18, uma vez que sobre a parcela de valor correlata às estimativas de IRPJ, não houve questionamento por parte da Procuradoria no presente recurso, operandose, portanto, o encerramento da discussão, com base na decisão proferida em segunda instância administrativa. É o relatório. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto declarações de compensação em que a contribuinte utilizou saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 para quitar débitos variados. O relatório constante do acórdão recorrido esclarece que a Delegacia de origem decidiu 1 pela homologação parcial do PER/DCOMP 38208.95561.280207.1.3. 021047 devido a falta de comprovação de parte do IRRF informado na DIPJ/2007 e 2 pela não homologação dos PER/DCOMP’s 11955.04117.200307.1.3.026936, 01731.33135.200307. 1.3.021598, 20462.73496.180507.1.3.023719, 22690.62919.280907.1.3.022085, 31473.70334. 231209.1.3.022520, 19825.00306.301209.1.3.027096, 21973.48870.240310.1.3.022934 e 09083.40966.200410.1.3.024561, nos quais a Recorrente pretendeu aproveitar um crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006, no valor original de R$ 47.776.757,74. Em relação à homologação parcial (item 1 acima), consta também a informação de que do total informado a título de IRRF no importe de R$118.031.472,19, apenas o montante de R$205.128,18, referente ao CNPJ da fonte pagadora 33.000.167/000101, código de receita 6147, não foi confirmado, conforme quadro Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. (fls. 2/3 do PDF do Despacho Decisório fls. 61/67), sendo que o restante de R$ 117.826.340,01 foi confirmado. Registrouse que a não homologação dos PER/DCOMP´s do item 2 acima apontados se deu devido à não confirmação do IRPJ mensal pago por estimativa referente aos meses de janeiro a maio de 2006, no valor de R$ 32.718.186,55, uma vez que tais estimativas foram quitadas com saldo negativo de períodos anteriores via compensação nas PER/DCOMP's 03342.39613.230206.1.3.020080, 19061.30559.310306.1.3.026996, 17844. 83947.270406.1.3.020867, 41463.99334.310506.1.3.025218 e 15803.49686.290606.1.3. 026794, que também não foram homologadas. (fl. 3 do Despacho Decisório fls. 61/67). E ainda foi informado que as demais parcelas de composição do crédito foram confirmadas. Em razão do decidido pela Delegacia de origem, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, registrando que as estimativas de janeiro a maio de 2006 (por também constarem de PER/DCOMP) eram objeto da Execução Fiscal nº. 2011.51.01.5115983, garantida por meio de seguro fiança, e que, portanto, essas estimativas deveriam compor o saldo negativo do anocalendário de 2006. A contribuinte também alegou, em relação ao PER/DCOMP 38208.95561. 280207.1.3.021047 homologado parcialmente (item 1 acima), que apresentou DIPJ/2007 Retificadora informando a alteração na Ficha 54, código de retenção 6147, CNPJ da Fonte Pagadora 33.000.167/000101, de R$ 28.473.844,60 para R$ 28.268.716,42, e do código de Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 14 13 retenção 6190, de R$ 63.658.118,96 para R$ 63.863.246,87, o que esclareceria a diferença no valor de R$ 205.128,18. A decisão de primeira instância administrativa decidiu manter a homologação parcial da PER/DCOMP do item 1, bem como a não homologação das PER/DCOMP´s do item 2. Em segunda instância administrativa, decidiuse inicialmente converter o julgamento em diligência, para que a autoridade diligenciante confirmasse: 1 se os PER/DCOMP's 03342.39613.230206.1.3.020080, 19061.30559. 310306.1.3.026996, 17844.83947.270406.1.3.020867, 41463.99334.310506.1.3.025218 e 15803.49686.290606.1.3.026794 são objeto de discussão nos autos da Ação Anulatória nº 2010.51.01.0051860 e da Execução Fiscal nº. 2011.51.01.5115983, eis que caso se confirmassem tal alegação da Recorrente o IRPJ mensal pago por estimativa dos meses de janeiro a maio de 2006, no valor total de R$ 32.718.186,55, deveria ser deduzido integralmente como antecipação do imposto devido no ajuste final. 2 Confirme a apresentação da DIPJ/2007 Retificadora e junte aos autos de forma que seja possível verificar qual o montante total do saldo negativo apurado pela Recorrente. Cumprida a diligência, a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) decidiu que as estimativas referentes aos meses de janeiro à maio de 2006, no valor de R$ 32.718.186,55, poderiam ser aproveitadas para a composição do saldo negativo reivindicado pela contribuinte, e também reconheceu a parte do IRRF que havia sido indeferida anteriormente, no valor de R$ 205.128,18. Vale transcrever partes do voto que orientou o acórdão recorrido: [...] Quanto aos PER/DCOMP´s não homologados acima apontados que se deu devido à não confirmação do IRPJ mensal pago por estimativa referente aos meses de janeiro à maio de 2006, no valor de R$ 32.718.186,55, uma vez que tais estimativas foram quitadas com saldo negativo de períodos anteriores via compensação nas PER/DCOMP's 03342.39613.230206.1.3.020080,19061.30559.310306.1.3.026996, 17844. 83947.270406.1.3.02 0867,41463.99334.310506.1.3.025218 e 15803.49686.290606.1.3.026794, a autoridade diligente confirmou que tais PER/DCOMP´s são objeto da Execução Fiscal nº. 2011.51.01.5115983, vejamos. [...] Sendo assim, como as PER/DCOMP`s são objeto da Execução Fiscal, entendo que as estimativas compensadas podem ser deduzidas integralmente como antecipação do imposto devido no ajuste final, pois a não homologação das compensações implica em cobrança dos débitos, por constituir a DCOMP confissão de dívida, sendo instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 15 14 Em relação ao IRRF que o despacho decisório (fls.61/67) confirmou parcialmente a retenção de fonte no valor de R$ 28.473.844,60, código de receita 6147, CNPJ 33.000.167/000101, permanecendo não confirmada a diferença no valor de R$ 205.128,18, entendo que após a apresentação da DIPJ/2007 Retificadora de fls. 447/481, restou confirmado que os valores compensados estavam corretos e que tinha ocorrido apenas um erro de preenchimento. Assim, mesmo que a DIPJ/2007 Retificadora tenha sido apresentada depois do despacho decisório, para este caso, em respeito ao princípio da verdade material, a compensação declarada na PER/DCOMP 38208.95561.280207.1.3.021047 deve ser totalmente homologada. Desta forma, tendo em vista que a DIPJ/2007 Retificadora confirma que o valor estava correto e que a Recorrente tinha apenas cometido um erro no preenchimento, bem como que as PER/DCOMP´s são objeto da Execução Fiscal, acolho o pedido para homologar totalmente os PER/DCOMP´s 38208.95561.280207.1.3.021047, 11955.04117.200307.1.3. 026936, 01731.33135.200307.1.3.021598, 20462.73496.180507.1.3. 023719, 22690.62919.280907.1.3.022085, 31473.70334.231209.1.3. 022520, 19825.00306.301209.1.3.027096, 21973.48870.240310.1.3.022934 e 09083.40966.200410.1.3.024561, até o limite de R$ 32.923.314,73. Ante o exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Em seu recurso especial, a PGFN sustenta que o acórdão recorrido não poderia ter acatado a alegação de erro no preenchimento da DIPJ e adentrado no mérito do pedido (análise do direito creditório), que o correto seria determinar o retorno dos autos à instância de origem para apreciação do mérito, a fim de não haver supressão de instância, e nem prejuízo ao direito à ampla defesa e ao contraditório da União (Fazenda Nacional). O recurso especial da PGFN diz respeito especificamente ao reconhecimento da diferença de IRRF, no valor de R$ 205.128,18, e não alcança o que foi decidido em relação ao aproveitamento das estimativas referentes aos meses de janeiro à maio de 2006, no valor de R$ 32.718.186,55. Com efeito, o debate em relação às estimativas nada tem a ver com a retificação da DIPJ. O que estava em questão relativamente ao aproveitamento das estimativas dos meses de janeiro a maio de 2006 era o fato de elas constarem de PER/DCOMP (não homologadas) e estarem sendo cobradas em execução fiscal, matéria que não foi objeto do recurso especial. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta duas preliminares de não conhecimento do recurso. A primeira delas, referente à intempestividade da peça recursal, é improcedente. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal PAF, prevê as seguintes regras para a ciência dos Procuradores da Fazenda Nacional em relação às decisões do antigo Conselho de Contribuinte, e que hoje se aplicam ao CARF: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 16 15 Art. 23. Farseá a intimação: [...] §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos acrescidos) Pois bem, os autos foram enviados à PGFN, na forma prevista no §8º acima transcrito, em 08/03/2016, de modo que a ciência ficta iria ocorrer em 07/04/2016. O que se deu foi simplesmente que antes da data de ciência ficta, ou seja, antes mesmo de se iniciar a contagem do prazo que teria para apresentar o recurso especial, a Procuradora da Fazenda Nacional apresentou esse recurso, em 06/04/2016. No despacho de exame de admissibilidade constou equivocadamente a informação de que "a PGFN tomou ciência da referida decisão em 08.03.2016", e isso acabou gerando essa controvérsia sobre a tempestividade do recurso. Mas o que ocorreu em 08/03/2016 foi apenas o encaminhamento do processo à PGFN, conforme mencionado acima. O recurso, portanto, é tempestivo. Ainda em sede de preliminar de não conhecimento, a contribuinte alega ausência de similaridade entre o acórdão paradigma e o caso presente, porque, diferentemente do paradigma, não teria havido nestes autos qualquer notificação para que ela retificasse a DIPJ antes do despacho decisório. Revisando o despacho de exame de admissibilidade que foi por mim mesmo aprovado anteriormente, penso que essa segunda preliminar é procedente, mas não propriamente pela diferença que foi apontada pela contribuinte. A primeira observação é que o referido despacho desdobrou indevida e desnecessariamente a divergência suscitada pela PGFN: 1) Erro de Preenchimento de Declaração Remessa dos Autos à DRF e 2) Erro de Preenchimento de Declaração Liquidez e Certeza do Crédito. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 17 16 A divergência é uma só, e o que ela coloca em questão é a obrigatoriedade de "remessa dos autos à DRF" para que esse órgão examine a "liquidez e certeza do crédito", exarando novo despacho decisório. A decisão de ter que devolver ou não um processo para a DRF elaborar novo despacho decisório, nesses casos de reconhecimento de direito creditório, varia muito caso a caso. Isso normalmente está relacionado à convicção do julgador sobre a prova dos autos, especialmente quando a matéria de prova do indébito já vem sendo examinada e debatida desde o despacho decisório da Delegacia de origem. Ou seja, quando a questão da prova já vem sendo tratada pelas decisões anteriores, que é o caso dos autos. Conforme já mencionado, do total informado a título de IRRF no importe de R$118.031.472,19, apenas o montante de R$205.128,18, referente ao CNPJ da fonte pagadora 33.000.167/000101, código de receita 6147, não tinha sido reconhecido pela Delegacia de origem. Em relação a essa parcela não reconhecida do IRRF, a contribuinte vinha alegando que apresentou DIPJ retificadora, em 16/12/2011, informando as alterações da Ficha 54, código de retenção 6147, de R$ 28.473.844,60 para R$ 28.268.716,42, e do código de retenção 6190, de R$ 63.658.118,96 para R$ 63.863.246,87, o que esclareceria a referida diferença de R$205.128,18. Após a realização de diligência demandada na segunda instância, a alegação desse equívoco relativo à inversão dos códigos de retenção foi acolhida pelo acórdão recorrido, que passou a admitir também o aproveitamento dessa parcela de IRRF, no valor de R$205.128,18. Quando as decisões cotejadas envolvem a convicção do julgador diante da prova dos autos, pode haver dificuldade para se comprovar divergência jurisprudencial, porque normalmente há diferenças nos aspectos probatórios que motivaram cada uma das decisões. Nesse passo, é importante observar que o Acórdão paradigma nº 110200.750 tratou de situação em que o crédito reivindicado pela contribuinte (também saldo negativo de IRPJ) tinha sido totalmente negado pela Delegacia de origem em razão de não constar apuração de saldo negativo na DIPJ (original). A decisão de mandar de volta o processo para que a Delegacia de origem exarasse um novo despacho decisório foi assim motivada: [...] Não é legítimo afastar definitivamente o direito do contribuinte à recuperação de créditos apenas pelo fato de este ter preenchido a DIPJ respectiva de forma incorreta. A informação contida na DIPJ original (de inexistência de saldo negativo no período) tem caráter de presunção simples, que admite prova em contrário pelo contribuinte por meio de documentos e de sua própria escrituração ao longo do processo administrativo. No caso, particularmente, há fortes indícios de que o crédito informado em PER/DComp seja procedente, ante (i) os lançamentos feitos na escrituração fiscal acostada aos autos; (ii) o significativo prejuízo fiscal apurado ao final do anocalendário de 2000 e (iii) a provável existência de tributos retidos e recolhidos pela fonte pagadora, cuja constatação pela RFB prescinde inclusive de diligência específica em vista das informações contidas em seus sistemas informatizados. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 18 17 Por conseguinte, entendo que devem ser conhecidos e apreciados pela Autoridade Administrativa todos os argumentos aduzidos pelo contribuinte em manifestação de inconformidade sobre erros no preenchimento de DIPJ, os quais, se comprovados, conduzirão ao reconhecimento da existência do direito creditório e o conseqüente acolhimento do pedido de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, darlhe parcial provimento para que seja determinado à Delegacia de Origem seja procedido o exame da procedência do direito creditório do Contribuinte informado na PER/DComp originária. Esse paradigma tratou de situação em que não havia ainda nenhuma análise preliminar sobre o mérito do saldo negativo reivindicado, em que não havia nenhuma questão específica sobre a composição do saldo negativo (abrangendo alguma parcela específica dele, etc.). A negativa estava fundada em aspecto formal (erro no preenchimento da DIPJ). E uma vez afastado esse óbice, a decisão foi no sentido de devolver o processo para que a Delegacia de origem examinasse a procedência do direito creditório informado na PER/ DCOMP originária. Situação semelhante também é verificada em relação ao Acórdão nº 3302 01.727, mencionado pela PGFN em reforço de seus argumentos. A mesma análise não pode ser feita em relação ao Acórdão nº 3201001.237 (também destacado no despacho de exame de admissibilidade), porque ele não corresponde à transcrição feita pela PGFN em seu recurso. Mas o que importa perceber é que essas diferenças na forma de evolução da análise do direito creditório, e, consequentemente, na dinâmica da produção da prova do indébito em cada processo, já representa um problema para a caracterização da divergência jurisprudencial suscitada pela PGFN. Essas questões da dinâmica da prova, especialmente nesses processos que são iniciados a partir de pleitos dos contribuintes, normalmente afetam diretamente a decisão sobre o encaminhamento processual, ou seja, de devolver o processo à Delegacia de origem apenas para realização de diligência (como ocorreu no caso em exame), ou para que seja proferido um novo despacho decisório (como ocorreu no paradigma). Diferentes contextos podem perfeitamente justificar diferentes decisões. Mas o maior problema para a admissibilidade do recurso especial da PGFN ainda é outro. O problema é que nem o Acórdão paradigma (Acórdão nº 110200.750), nem as outras decisões citadas pela PGFN em reforço de seus argumentos, defendem a tese de que, quando o contribuinte apresentar declaração retificadora (para sanar erro no seu preenchimento) após o despacho decisório da Delegacia de origem, o processo "sempre" deve ser devolvido à Delegacia de origem para novo despacho decisório, porque é a DRF que tem a Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16682.902828/201173 Acórdão n.º 9101003.573 CSRFT1 Fl. 19 18 competência originária para aferir a certeza e liquidez do crédito, porque é necessário evitar a supressão de instância, etc. O que se percebe é que nos casos mencionados pela PGFN, a devolução do processo para novo despacho decisório se deu não por uma questão teórica, de interpretação de normas, mas simplesmente em razão do estágio em que se encontrava o exame de mérito do direito creditório naqueles contextos específicos, de modo que fica prejudicada a caracterização da alegada divergência jurisprudencial. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 687DF CARF MF
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