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Numero do processo: 10665.904437/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.395
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.904437/200909 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.395 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de junho de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PIS Recorrente COMPANHIA PARAENSE DE EMPREENDIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BHE, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS do período de apuração 05/2004 com crédito de PIS por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 05/2003, arrecadado em 13/06/2003. Do Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .9 04 43 7/ 20 09 -0 9 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10665.904437/200909 Resolução nº 3401001.395 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF de Divinópolis em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de PIS da competência 05/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeita com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade justificando o ocorrido da seguinte forma: (a) que houve equívoco no preenchimento das DCTFs e DACON relativas ao período de apuração 31/05/2003; (b) que fez opção pelo sistema Não Cumulativo para recolhimento do PIS/PASEP, previsto na Lei 10.637/2002, porém, a contribuição apurada na forma do art. 1º foi recolhida sem a dedução do crédito resultante da aplicação do previsto no art. 3º da mesma Lei, resultando em recolhimento a maior, passível de recuperação assim demonstrado: Mês Val. Apurado Val. Crédito Val. Devido Val. Recolhido Val.a Recuperar Art.1° Art.3° R$ R$ R$ Mai R$ 1.007,23 R$ 473,04 R$ 534,19 R$ 1.027,68 R$ 493,49 (c) "Como já são decorridos mais 5 (cinco) anos da ocorrência deste fato, tentamos a retificação das DCTFs e dos DACON para que passassem a espelhar a realidade dos créditos a nosso favor de modo a dar lastro ao PERDCOMP, mas não conseguimos. Em visita à Delegacia em Divinópolis em 25 de junho corrente foinos orientado que somente via apelação à esta instância , haveria condição de restaurar a realidade do lançamento equivocado à nosso desfavor". (d) lamentado a falha apontada e considerando o crédito totalmente legal, líquido e certo, apela para o reconhecimento de seu direito e deferimento de seu pleito. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ausência de provas da existência do crédito. Na ausência de outras provas, o Dacon não pode ser considerado instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e apresenta outras provas da existência do direito creditório, cópia do Livro Diário devidamente registrado no órgão competente (Junta Comercial do Estado de MG), com lançamento das despesas que deram origem aos créditos, promovendo seu detalhamento com suporte na legislação de regência. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10665.904437/200909 Resolução nº 3401001.395 S3C4T1 Fl. 4 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que aqui se discute prendese a questão de provas quanto à existência do crédito pleiteado, passível de compensação. A decisão recorrida limitase a firmar "que a mera apresentação do Dacon, com indicação de débito em valor inferior ao confessado em DCTF, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante do Dacon". Na manifestação de inconformidade a recorrente justificou o ocorrido, pelo fato de ter havido a mudança na sistemática de apuração da contribuição, passando do sistema cumulativo para o não cumulativo, deixando a contribuinte de compensar os créditos que teria direito conforme previsto na Lei nº 10.637/2002, art. 3º. A título de prova juntou aos autos, com o recurso, cópia do Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, indicando as páginas onde foram registras as operações que lhe conferem créditos passíveis de dedução do débito calculado nos termos do art. 1º da Lei 10.637/2002. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Nessa linha de entendimento podemos citar o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, além do Parecer Cosit nº 02/2015 dando orientação sobre o tema: "As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10665.904437/200909 Resolução nº 3401001.395 S3C4T1 Fl. 5 4 em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário". Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis, fiscais e declarações da contribuinte (DACON e DIPJ), que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Merece aqui ser reproduzido, por oportuno, parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10665.904437/200909 Resolução nº 3401001.395 S3C4T1 Fl. 6 5 Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores dos débitos de PIS referente à Maio/2003, correspondem aos efetivos devidos nesta competência conforme os livros e documentos contábeis carreados aos autos; Confrontar os débitos de PIS confirmados no item 1 com os pagamentos efetuados em DARF na competência Maio/2003; Após o confronto do item 2, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP nº 14102.78520.150408.1.7.048819. Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Por fim, dêse ciência do relatório a recorrente concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse. Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005478/2008-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE.
Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplica-se a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplica-se a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontram-se previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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EXCLUSÃO POR DÉBITOS. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO NÃO NULO. SÚMULA CARF Nº 22. INAPLICABILIDADE. Não se verificando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do SIMPLES Nacional. Aplicase a Súmula Carf n° 22 apenas aos casos de SIMPLES Federal. Ato Declaratório de Exclusão restou perfeitamente hígido e os débitos para com a Fazenda Pública foram claramente demonstrados. As hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário encontramse previstas de maneira taxativa no art. 151 do CTN, o qual não comporta uma leitura expansiva de seu conteúdo. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 54 78 /2 00 8- 44 Fl. 62DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 55 à 58) interposto contra o Acórdão n° 0634.062, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (efls. 47 à 52), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. DÉBITO. PENHORA EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A penhora em processo de execução fiscal não suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas permite a expedição de certidão, nos termos do art. 206 da Lei n° 5.172, de 1966. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A Manifestação de Inconformidade (efls. 2 e 3) vislumbrava desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/LON n° 294530, de 22 de agosto de 2008 (efl. 4), que excluiu a contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, com efeitos a partir de 1.º de janeiro de 2009, aplicouse o art. 17, inciso V, da Lei Complementar n.º 123, de 2006, , e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. Conforme se extrai dos autos, o indigitado Ato Declaratório Executivo sumariou, em síntese, que a contribuinte deveria ser excluída do Simples Nacional em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. No mesmo ato foi informado que poderia se tornar sem efeitos a exclusão, caso a totalidade dos débitos fossem regularizados no prazo de trinta dias. Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: 1. O processo decorre de Manifestação de Inconformidade (fls. 01/02) contra a exclusão da empresa do Simples Nacional, por força do Ato Declaratório Executivo DRF/LON n° 294530, de 22 de agosto de 2008 (fls. 03 e 06), emitido em razão em razão de débitos para com a Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei complementar n° 123, de 2006, art. 17, V). 2. Cientificada em 17/09/2008 (fl. 27), a empresa interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 14/10/2008 (fl. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10930.005478/200844 Acórdão n.º 1002000.271 S1C0T2 Fl. 63 3 01 verso), acolhida pelo órgão preparador como tempestiva (fl. 40), acompanhada dos documentos de fls. 03/13, alegando, em síntese, que: a) Segundo listagem fornecida pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fl. 04), existem apenas três inscrições em divida ativa (n° 90.7.04.00257696, n° 90.6.04.011691 06 e n° 90.6.03.02222025), estando todas garantidas, conforme atesta a própria listagem. b) Não há qualquer outro débito, inclusive perante a extinta Secretaria da Receita Previdenciária, possuindo a empresa Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (fl. 05). c) Requer o cancelamento da exclusão do Simples Nacional. 3. Demonstrando a situação dos débitos no 90.7.04.00257696, no 90.6.04.01169106 e n° 90.6.03.02222025 (fls. 15/39), o órgão preparador asseverou não ser cabível a revisão de oficio (fls. 40). 4. É o relatório. No Recurso Voluntário, inconformada com a decisão a quo, a Recorrente, requereu a manutenção no SIMPLES, pois seus débitos estariam devidamente garantidos em juízo, verbis: No entanto, todas elas encontravamse devidamente garantidas, conforme a própria listagem fornecida pela Fazenda Nacional, sendo ainda importante apontar que a Contribuinte não possui quaisquer outros débitos, inclusive perante a Receita Federal do Brasil, tanto que possui em mãos e em pleno prazo de validade uma certidão conjunta positiva com efeito de negativa. Ademais fazse importante ainda esclarecer que inexiste perante a Receita Previdenciária.Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. Em síntese, a contribuinte na ocasião recorreu demonstrando a situação das 3 inscrições que estavam regularizadas através de garantia, inclusive estando sub judice. (...) Perguntase: como é possível o Fisco intimar o contribuinte em 2008 para regularizar a situação de seus débitos e se manter no simples nacional, e ao mesmo tempo ser informado da existência de valores já garantidos por penhora neste mesmo período e não considerar que os mesmo estão regularizados? Desta forma, não apenas no momento de aderirão SIMPLES Nacional (que não foi Em 01/2007) mas, principalmente, no momento em que a Fazenda Intimou a Recorrente para a regularização, todas as suas inscrições já encontravamse garantidas por penhora, o que toma abusiva e ilegítima a exclusão da contribuinte do simples, uma vez que quando Fl. 64DF CARF MF 4 intimada a mesma demonstrou a situação dos "débitos" e comprovou que os mesmos estavam garantidos. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do SIMPLES Nacional, desvinculada de crédito tributário. Este não é exigido nos presentes autos, e também não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6º, § 1º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Mérito Por primeiro, impende destacar que em momento algum ficou contestada a existência de débitos para com a Fazenda. Tampouco se alegou nulidade do Ato Declaratório Executivo per se. Ademais, a Contribuinte proativamente relacionou todos os valores em debate, os quais foram objeto do aludido ADE. Noutro giro, ressalto que apenas se intentou afastar a existência dos indigitados débitos, o que macularia a exclusão do SIMPLES Nacional, haja vista a discussão judicial e a suposta suspensão da exigibilidade do crédito. Nessa trilha, ao contrário do que foi sustentado pela Recorrente, os débitos não se encontravam com a exigibilidade suspensa quando da publicação do indigitado ADE, razão pela qual restou correta sua exclusão do SIMPLES. Em verdade, confundese os institutos da "suspensão da exigibilidade" do crédito tributário com a "suspensão da executoriedade" deste, buscando atribuir efeitos idênticos a ambos os institutos, o que não é permitido pela legislação (em especial o art. 111 do CTN). Somandose a este aspecto, a leitura do art. 151 do CTN expõe num rol taxativo os autorizativos da suspensão da exigibilidade do crédito. Destaco, ainda, que a Recorrente não demonstrou em momento algum seu enquadramento nos permissivos do indigitado dispositivo do Código Tributário. Tais elementos foram muito bem explanados no Acórdão de piso, cujo teor reitero e desde já utilizo como fundamentação do presente decisum: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10930.005478/200844 Acórdão n.º 1002000.271 S1C0T2 Fl. 64 5 5. De plano, devemos ressaltar que após o prazo para regularização, restavam apenas as inscrições n° 90.7.04.002576 96, n° 90.6.04.01169106 e n° 90.6.03.02222025 (fl. 31). 6. A Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa (fl. 05) não comprova que os débitos n° 90.7.04.00257696, n° 90.6.04.01169106 e n° 90.6.03.02222025 estavam com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. Isso porque, a própria Certidão (fl. 05) assevera: 2. constam nos sistemas da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) débitos inscritos em Divida Ativa da Unido com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, ou garantidos por penhora em processos de execução fiscal. 6.1. Logo, não há especificação na Certidão (fl. 05) se a emissão decorre da garantia dos processos de execução fiscal por penhora ou se por suspensão da exigibilidade lastreada no art. 151 do CTN. 7. No caso em tela, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Londrina informou a situação em que se encontravam os débitos (fl. 25): Processo 10930.005478/200844 O próprio sistema de Divida Ativa da Unido informa que os débitos consultados estão garantidos (informação que, por si só, denota penhora, ou caução, ou depósito judicial). Há casos em que embora formalizada a garantia em execução fiscal, o sistema de DAU não foi regularmente alimentado com a informação. Nesse caso realmente o contato com a PSFN/Londrina se faz necessário para as providências no tocante à alteração sistêmica. Ressalto que a suspensão da exigibilidade do débito somente se dá nas hipóteses do artigo 151 do CTN, no que se inclui o depósito judicial, de modo que outras garantias como penhora ou caução têm apenas o efeito de permitir a suspensão da execução fiscal mediante o ajuizamento de embargos para discussão judicial; a emissão de CPEN e a suspensão do CADIN (ludo mediante requerimento do contribuinte). No caso em tela a garantia ofertada referese a penhora de bens em execução fiscal. 7.1. A não inclusão da penhora nas hipóteses previstas no art. 151 do CTN encontra respaldo na jurisprudência, com podemos observar: (...) 8. Por outro lado, devemos ressaltar que os débitos de inscrição n° 90.7.04.00257696 e n° 90.6.04.01169106 foram extintos pelo reconhecimento judicial da prescrição (fls. 33/39); e que o Fl. 66DF CARF MF 6 de inscrição n° 90.6.03.02222025 foi pago em 20/11/2009 (fls. 32). 9. Portanto, quando da lavratura e da cientificação do Ato Declaratório Executivo DRF/LON n° 294530, de 22 de agosto de 2008, havia débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. 10. Isso posto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade. De arremate, ainda que não abordado tal espeque em sede Recursal, anoto que não se trata de violação à Súmula CARF n° 22, por não haver qualquer mácula ao direito de defesa, restando o ADE íntegro em conteúdo e forma. Súmula CARF nº 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Este enunciado teve por paradigmas os Acórdãos ns.º 30331479, de 17/06/2004, 30331882, de 24/02/2005, 30131763, de 14/04/2005, 30131917, de 17/06/2005, e 30132.120, de 13/09/2005. Ainda nessa explanação, há consolidada jurisprudência neste c. Conselho, no sentido de aplicar a aludida Súmula apenas nos casos de SIMPLES Federal, vide Acórdão n° 9101002.297, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido pela i. Conselheira Adriana Gomes Rêgo. Portanto, a leitura do enunciado sumular reforça a correta intelecção exarada no âmbito do Acórdão recorrido. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ, haja vista ter sido demonstrada a inequívoca existência de débitos sem exigibilidade suspensa. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a conseqüente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13004.000169/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
RECURSO PEREMPTO.
A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instância, a interessada apresentou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1301-000.579
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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CARLOS AUGUSTO MOURA E CUNHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 RECURSO PEREMPTO. A perempção impede a apreciação do recurso pelo Colegiado. Cientificada da decisão de primeira instância, a interessada apresentou Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a destempo, ou seja, transcorridos mais de trinta dias daquela data. Ofensa ao art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13004.000169/200594 Acórdão n.º 130100.579 S1C3T1 Fl. 23 2 Relatório CICLO DE PAIS E MESTRES DA ESCOLA ESTADUAL DE 1° E 2° GRAU DR. CARLOS AUGUSTO MOURA E CUNHA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1021.409, de 22/10/2009, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do sintético relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Relativamente ao interessado em epígrafe foi efetuado lançamento de ofício com a finalidade de exigir penalidade decorrente da entrega em atraso da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. O contribuinte, em sua reclamação, confirma ser uma associação sem fins lucrativos perfeitamente inserida na hipótese da isenção. Informa que a entrega em atraso se deu em razão do desconhecimento da obrigação. Solicita o cancelamento da multa diante da disposição do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o Código Tributário Nacional – CTN, uma vez que a declaração foi entregue de forma espontânea sem qualquer atuação fiscal. Não bastasse isso, a multa também seria descabida pelo fato da associação ser isenta. A 1ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1021.409, de 22/10/2009 (fls. 14/16), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2001 Multa por atraso na entrega da declaração. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não se aplica às obrigações acessórias. Ciente da decisão de primeira instância em 09/11/2009, segundafeira, conforme Aviso de Recebimento à fl. 19, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/12/2009, quinta feira, conforme carimbo de recepção à folha 20. No recurso interposto (fl. 20), a recorrente alega simplesmente que “com o advento da Lei 11.941/2009, Art. 14 do citado diploma, a Recorrente foi beneficiada pelo instituto da extinção, nos termos do art. 156, IV, do Código Tributário Nacional”. É o Relatório. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13004.000169/200594 Acórdão n.º 130100.579 S1C3T1 Fl. 24 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A primeira questão a ser enfrentada é quanto à tempestividade ou não do recurso voluntário apresentado. Sem entrar em detalhes, a interessada afirma a tempestividade de seu recurso. Compulsando os autos, verifico que, para dar ciência à impugnante da decisão de primeira instância, valeuse a Autoridade Administrativa da via postal. À fl. 19 encontro aviso de recebimento com data de recebimento 09/11/2009, segundafeira. Fora de dúvidas, portanto, que essa é a data a ser considerada para fins de ciência. Ao ser entregue a correspondência no endereço cadastral do contribuinte ocorreu a regular ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 23, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 28DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13004.000169/200594 Acórdão n.º 130100.579 S1C3T1 Fl. 25 4 Acerca dos prazos recursais, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. [...] Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte à data de ciência, 09/11/2009. O marco inicial deve ser a terçafeira seguinte, dia 10/11/2009, e o prazo recursal esgotouse com o decurso de trinta dias, em 09/12/2009, quartafeira, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. O recurso voluntário (protocolo de recepção à fl. 20) apresentado em 10/12/2009, quintafeira, é intempestivo, e não deve ser conhecido por este colegiado. Pelo exposto, meu voto é no sentido de não conhecer do recurso voluntário, eis que interposto fora do prazo legal. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 29DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001600/2003-19
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1977
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DECADÊNCIA DA CSLL. Não se aplica o prazo de dez anos para a decadência da CSLL. STF.Súmula Vinculante no. 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5o, do
Decreto 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9100-000.874
Decisão: Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Extraordinário da Fazenda Nacional.
Nome do relator: Valmar Fonsêca de Menezes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1977 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DECADÊNCIA DA CSLL. Não se aplica o prazo de dez anos para a decadência da CSLL. STF.Súmula Vinculante no. 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5o, do Decreto 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Extraordinário Negado.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1977 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.DECADÊNCIA DA CSLL. Não se aplica o prazo de dez anos para a decadência da CSLL. STF.Súmula Vinculante no. 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5o, do Decreto 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 00 /2 00 3- 19 Fl. 378DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0718.10361.Q3F8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.001600/200319 Acórdão n.º 9100000.874 CSRFPL Fl. 942 2 (Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (VicePresidente da 1ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Trata o presente processo de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, para cuja descrição adoto o disposto no despacho de admissibilidade de fl. 315, que transcrevo, a seguir, em excertos: “(...) Irresignada com a decisão prolatada no Acórdão CSRF/0105 020, de fls 281/298, que, por maiot ia de votos, acolheu a preliminar de decadência suscitada de oficio pelo relator, a Pricuradoria da Fazenda Nacional, com amparo no art. 9o., do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria no. 147, de 2007, interpôs, tempestivamente, recurso extraordinário, de fls. 202/211, agora objetivando a retorma do acórdão em sede de Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A matéria objeto do recurso especial referese ao prazo decadencial da CSLL. A Primeira Turma da CSRF, ao apreciar o tema, entendeu ser de 5 anos a contar da ocorrência do Lato gerador, operando pela modalidade de lançamento por homologação, prevalecendo a disposição insita no artigo 150, § 4", do CTN, estando o julgado vergastado, relativo à matá ia recorrida, assim ementado: (...) Com fundamento no Acórdão CSRF/0201 722, acostado por cópia da respectiva ementa, fls. 212, que decidiu pela aplicação do prazo deeadencial estabelecido no art 45 da lei n .212/91, para as contribuições destinadas à seguiridade social, invoca a Fl. 379DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0718.10361.Q3F8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.001600/200319 Acórdão n.º 9100000.874 CSRFPL Fl. 943 3 PFN divergência jurisprudencial na interpretação do citado artigo 45. (...) Percebese, potrtanto, a. divergência jurisprudencial na interpretação do art. 150, § 4" frente à disposição contida no art. 45 da Lei no. 8.212/91 , quanto à decadência (homologação — cinco anos a partir do fato gerador) versus art. 45 da Lei n" 8.212/1991 (10 anos, contado a partir do 1o. dia do exercício seguinte ao que poderia haver sido constituído. Vislumbrase, o dissídio isprudencial. Merece seguimento O recurso interposto pela Fazenda Nacional (...)” Resta claro, portanto, que o recurso interposto pela Fazenda Nacional questiona a não aplicação do artigo 45 da Lei 8212/91, pelos motivos que expõe, inclusive alegando que: “(...) 2. O auto de infração foi lavrado na constância do prazo decadencial de dez anos, disposto na Lei 8.212/91. 3 A e. Primeira Turma da CSRF julgou que o prazo decadencial para o lançamento das contribuições está disposto no artigo 150, §40 do CTN. Quanto ao art. 45 da Lei 8.212/91, declarou que tal dispositivo seria inaplicável, em face do disposto no art. 146, III, b, da Constituição Federal de 1988. 4. Ocorre que o r. acórdão proferido pela e. Primeira Turma está em divergência com o acórdão CSRF/0201.722, proferido pela e. Segunda Turma da CSRF, que conclui pela aplicabilidade, às contribuições sociais destinadas à seguridade social, do disposto no art. 45 da Lei 8.212/91. Confirase a ementa do acórdão paradigma (anexas nos termos do § 3o. do Art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais): "COFINS DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, é de dez anos, contado a partir do 1 0 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído" (…) Nestes termos, portanto, foi admitido o recurso extraordinário em questão. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator A matéria recursal, como visto, diz respeito à aplicação ou não da Lei 8.212/91 à decadência da CSLL. Fl. 380DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0718.10361.Q3F8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.001600/200319 Acórdão n.º 9100000.874 CSRFPL Fl. 944 4 O artigo 45 da Lei 8212/91 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12/06/2008, consoante Súmula Vinculante no. 8, publicada em 20/06/2008, portanto, em data posterior à decisão recorrida, que é de 26 de março de 2007 (fl. 281) e ao despacho de admissibilidade do Recurso Extraordinário, proferido em 27 de março de 2008 (fl. 315). A decisão foi sumulada nos seguintes termos: “Súmula Vinculante no. 8 – São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5o, do Decreto 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Desta forma, em se tratando de matéria que não mais comporta discussão no âmbito do Poder Judiciário, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 381DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.0718.10361.Q3F8. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 31/07/2015 18:30:00. Documento autenticado digitalmente por MOEMA NOGUEIRA SOUZA em 31/07/2015. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO em 03/08/2015 e VALMAR FONSECA DE MENEZES em 31/07/2015. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/07/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP18.0718.10361.Q3F8 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0D44E2CBBD814B1CCFA83EA579F68A5B6FC9D396 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13971.001600/2003-19. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10680.020771/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 OPÇÃO. AGENCIAMENTO DE TRANSPORTES. ATIVIDADE VEDADA. PROVA. A atividade de agenciamento de transportes, constante do objeto societário, implica a intermediação de negócios, o que impede a opção pelo SIMPLES NACIONAL. A mera alegação de que a única atividade efetivamente exercida é o transporte rodoviário de cargas, desacompanhada de quaisquer provas nesse sentido, não pode ser acolhida.
Numero da decisão: 1301-000.609
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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AGENCIAMENTO DE TRANSPORTES. ATIVIDADE VEDADA. PROVA. A atividade de agenciamento de transportes, constante do objeto societário, implica a intermediação de negócios, o que impede a opção pelo SIMPLES NACIONAL. A mera alegação de que a única atividade efetivamente exercida é o transporte rodoviário de cargas, desacompanhada de quaisquer provas nesse sentido, não pode ser acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.020771/200740 Acórdão n.º 130100.609 S1C3T1 Fl. 39 2 Relatório VNN AGENCIAMENTO DE TRANSPORTES, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0223.466, de 25/08/2009, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade ao indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. Em 28/12/2007 a contribuinte apresentou requerimento, por escrito (doc. de fls. 1/2) de inclusão no Simples Nacional a partir de 01/07/2007. Nesse documento, informa que com o advento do Simples Nacional, perdeu a condição de optante, uma vez que não migrou automaticamente para o regime especial, em razão de ser sua atividade econômica vedada, segundo a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17 inciso XI (código “5250.8/03”, Agenciamento de cargas, exceto para o transporte marítimo) constante de seu cadastro junto à Delegacia da Receita Federal. Expressão constante do “TERMO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL” (Resultado da solicitação de opção) formalizado pela requerente diante da situação, cópia anexa. Aliás um erro dos legisladores, fato reconhecido publicamente através de Instrução Normativa. Ante tal situação, a requerente promoveu uma alteração contratual, alterando seu objetivo social (Cópia anexa) adequandoo à nova realidade, porém somente no papel, uma vez que sua atividade sempre foi o transporte rodoviário de cargas em geral dentro do município de Belo Horizonte e região metropolitana código tendo constado por engano no cadastro junto à Delegacia da Receita Federal o código de atividade 74.90104 (Atividade de Intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários) não exatamente condizente com a atividade exercia pela requerente, tendo com já dito, o lapso da requerente ocorrido somente no preenchimento do “DBE (Documento básico de entrada) quando foi consignado o código 74.90.104, ao invés de 53.20.2.01. Ademais, o cadastro somente poderia ser alterado mediante alteração contratual, segundo consulta feita ao plantão fiscal, desta delegacia, o que pode ser comprovado pela anexa cópia da anexa declaração do contrato social devidamente averbada no registro civil das pessoas jurídicas, sob o nº 02 no registro nº 119.661 do livro A em 26/12/2007, cuja cópia é também a esta anexada, que após processada a alteração (já requerida) junto ao cadastro da Receita Federal, passará a ter seu CNAI Fl. 47DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.020771/200740 Acórdão n.º 130100.609 S1C3T1 Fl. 40 3 condizente com sua efetiva atividade. A requerente vem efetuando seus recolhimentos na condição de enquadrada no Simples Nacional, desde 01/07/2007. Na ocasião, foram juntados ao processo os seguintes documentos: tela de “Opção pelo Simples Nacional” (fls. 3); tela de “Resultado da Solicitação de Opção” (fls. 4); tela de “Consulta a regularidade para ingresso no Simples Nacional opção automática” (fls. 5) e cópia da segunda alteração contratual (fls. 6/10). O Despacho Decisório DRF/HE nº 0134/2009, de 23/01/2009 (fls. 14/15), concluiu pelo indeferimento do pedido, sob o argumento de que “a atividade da contribuinte é vedada, uma vez que agenciamento de transportes rodoviários é uma forma de intermediação de negócios”. Para instrução do processo, foram juntados os seguintes documentos: tela “Irregularidades da Solicitação de Opção” (fls. 12) e telas de consulta ao CNPJ, extraídas dos sistemas informatizados da RFB (fls. 13); Cientificada do referido despacho decisório em 3 de fevereiro de 2009 (fls. 15v), em 4 de março de 2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (doc. de fls. 16/18), com as seguintes alegações. (...) a empresa está registrada no registro civil das pessoas jurídicas e não na jucemg, como mencionado no supra citado decisum, constando na cláusula (5), da anexa cópia da Segunda alteração contratual, a atividade de (...) prestação de serviços de agenciamento de transportes rodoviários de cargas diversas, dentro do município de Belo Horizonte, e região metropolitana, locação de veículos diversos. Da análise da descrição acima, salta aos olhos a primazia da realidade fática, ou seja de que a atividade desenvolvida pela recorrente nada tem haver com intermediação de negócios quaisquer que seja, enquadrandose no CNAI – 49.30.201 – Transporte rodoviário de cargas exceto produtos e mudanças municipais, ficando ratificada a alegação anterior de ter havido um erro na definição do CNAE (...). Com efeito, apesar de constar da denominação social da requerente a expressão agenciamento de transportes, sua atividade não é intermediação como quer dar a entender a fundamentação constante do indeferimento, mas sim de transportes, como descrito no CNAE acima do indeferimento. Reitera que era optante pelo Simples desde 26/08/2005, e que não mudou de atividade. Assim, não pode ser impedida de recolher os tributos pelo regime especial. Acrescenta que é necessário apenas ajustar o código CNAE à sua atividade, que é perfeitamente compatível com o código 49.39.201, e que não está inserido nas vedações do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e reitera que vem recolhendo os tributos pelo Simples Nacional. Na ocasião, foram juntadas ao processo os seguintes docs: tela de “Consulta Situação Optante pelo Simples” (fls. 19) e cópia da segunda alteração contratual (fls. 20/24). Fl. 48DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.020771/200740 Acórdão n.º 130100.609 S1C3T1 Fl. 41 4 A 4ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0223.466, de 25/08/2009 (fls. 26/30), a considerou improcedente, com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007 OPÇÃO. PROVA. ATIVIDADE DE AGENCIAMENTO DE TRANSPORTES. A mera alegação de que as atividades exercidas são apenas o transporte rodoviário de cargas, desprovida de comprovação efetiva de sua materialização, é insuficiente para afastar a possibilidade de que a contribuinte exerça a atividade impeditiva de agenciamento de transportes, constante de seu objeto social Ciente da decisão de primeira instância em 17/09/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 30v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/10/2009 conforme carimbo de recepção à folha 31. No recurso interposto (fls. 32/36), a recorrente historia os fatos, por sua ótica, e afirma que seu pedido de inclusão no Simples Nacional teria sido recusado por constar de seu objetivo social a expressão “agenciamento de transportes”, mesmo após a alteração contratual havida em dezembro de 2007. A Turma Julgadora em primeira instância teria entendido que agenciamento seria uma forma de intermediação de negócios, atividade vedada no regime simplificado. A interessada traz definições de conhecidos dicionários na busca de demonstrar que o verbo agenciar não admite a figura de um terceiro, enquanto que “intermediar é se colocar entre duas partes, não sendo possível a intermediação sem que aja um terceiro interessado”. Nessa linha, sustenta que a atividade por ela desenvolvida nada tem a ver com a intermediação. Ao contrário, “ela se esforça para obter contratos de prestação de serviços de transporte, firma com a contratante um pacto assumindo a responsabilidade de transportar suas mercadorias, entregas e desenvolver quaisquer outro serviço por ela solicitados diretamente não havendo mais ninguém entre ela e a tomadora dos serviços”. Aduz, ainda, que se trata de empresa possuidora de duas motocicletas pilotadas por seu proprietário e seu filho, que presta o serviço de transportes sem nenhum intermediário. Acerca da afirmação que consta do acórdão recorrido, sobre “meras alegações desprovidas de prova”, a recorrente afirma que as provas estão nos autos, carecendo somente de interpretação, e que não poderia provar de outra forma as funções que desempenha. A contribuinte acrescenta que a palavra agenciamento foi tida como sinônimo de intermediação, sem qualquer dispositivo legal que sustentasse tal conclusão. Sua presente discussão pretende atribuir o sentido correto a cada uma dessas expressões, com o que restaria afastado qualquer impeditivo ao seu ingresso no Simples Nacional. Conclui com o pedido de reforma do acórdão recorrido e a determinação de sua inclusão de ofício no Simples Nacional a partir de 01/07/2007. É o Relatório. Fl. 49DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.020771/200740 Acórdão n.º 130100.609 S1C3T1 Fl. 42 5 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da possibilidade, ou não, da contribuinte optar pela tributação simplificada na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 123/2006, conhecida como SIMPLES NACIONAL, à luz das atividades por ela exercidas e diante das disposições do art. 17, inciso XI, da referida Lei Complementar. Eis o dispositivo legal em comento: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; Em primeira instância, o pleito da interessada foi indeferido, considerando que em seu contrato social constava a atividade de agenciamento de transportes, atividade que, por consistir em intermediação de negócios, seria vedada no âmbito do SIMPLES NACIONAL. Afirmou, ainda, a Autoridade Julgadora em primeira instância, a inexistência de provas, nos autos, de que a atividade efetivamente exercida pela interessada fosse a de transportes de cargas, sem qualquer intermediação, como havia alegado em sua manifestação de inconformidade. Em sede recursal, o principal argumento da recorrente é de que a expressão “agenciamento” não implicaria nem significaria “intermediação” de negócios, e busca atribuir o correto sentido, por sua ótica, a cada um desses termos. Com isso, entende que restaria afastado qualquer óbice a sua adesão ao SIMPLES NACIONAL. Quanto às provas da atividade efetivamente exercida, acrescenta que “todas as provas estão nos autos, carecendo somente de interpretação, uma vez não poder a recorrente provar de outra forma as funções que desempenha”. Vêse que os argumentos da interessada se situam no campo da semântica. A expressão “agenciamento” se encontra presente no objeto societário da interessada tanto no Contrato Social original quanto após a Segunda Alteração Contratual (fls. 06/10), datada de 16/11/2007, confirase (grifos não constam do original): ALTERAÇÃO SEGUNDA Do Objetivo Social O objetivo social que era escritório de agenciamento de transportes com locação de motos, passa a ser: Prestação de serviços de Agenciamento de transportes Fl. 50DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.020771/200740 Acórdão n.º 130100.609 S1C3T1 Fl. 43 6 rodoviários de cargas diversas dentro do município de Belo Horizonte, e região metropolitana, locação de veículos diversos. E, desde que a discussão é sobre o sentido da palavra, em adequação às prescrições legais, nada mais adequado do que recorrer ao consagrado Vocabulário Jurídico1: AGENCIADOR. Pessoa que agencia ou encaminha negócios para outras. É, desse modo, a pessoa que trabalha recebendo comissão ou percentagem sobre as vendas realizadas ou sobre os negócios encaminhados. [...] Num conceito genérico, agenciador é sempre um procurador de negócios alheios, não dando, por isso, qualquer motivo a que se julgue como agente, para efeito de determinar o domicílio contratual, pelos atos que praticar, desde que os praticou sem esse caráter, que é elementar para a formação da agência. Em tais condições, o agenciador pode apresentarse como um ligador de negócios, pondo em contato as partes interessadas para que se ajustem, conforme seus interesses, sem que, no entanto, se livre a parte que o incumbiu dessa procura de lhe pagar a devida comissão. Pode receber, nestas condições, o nome de intermediário de negócios. Não tenho dúvidas, assim, de que a atividade de agenciamento implica a intermediação de negócios, expressamente vedada para aqueles que pretendem aderir ao SIMPLES NACIONAL. A interessada alega que essa atividade nunca foi, de fato, por ela exercida. No julgamento em primeira instância, foi constatada a ausência de provas nesse sentido, ao que a recorrente se limitou a replicar que tais provas estariam nos autos, e que não teria outra forma de provar o que afirma. Não se podem acolher seus argumentos. A uma, porque a única prova presente nos autos, a alteração contratual, milita em sentido contrário a suas alegações, conforme anteriormente exposto. A duas porque, a ser verdade o que afirma, estaria ao seu alcance a prova, bastando colacionar, exaustivamente, os contratos firmados e as notas fiscais emitidas, com o que se poderia comprovar que a integralidade de suas receitas seria oriunda de serviços de outra natureza que não o agenciamento ou intermediação. À míngua de tais documentos, cujo ônus de apresentação incumbe à interessada, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 1 DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário Jurídico. 28ª Ed., Editora Forense, p. 76. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10680.020771/200740 Acórdão n.º 130100.609 S1C3T1 Fl. 44 7 Fl. 52DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10932.000203/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 30/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 03 /2 00 9- 85 Fl. 1086DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10932.000203/200985 Acórdão n.º 2202004.404 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1088DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10932.000203/200985 Acórdão n.º 2202004.404 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1090DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10932.000203/200985 Acórdão n.º 2202004.404 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1092DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.000557/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.681
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Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Havendo litígio no que se refere à identificação do produto importado, a ausência, nos autos, de elementos capazes de demonstrar a adequada reclassificação proposta pela fiscalização, implica na manutenção do código em que foi enquadrado pelo importador. ÔNUS DA PROVA. CONSTITUIÇÃO DO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário é nulo, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 05 57 /2 00 8- 04 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10074.000557/200804 Acórdão n.º 3301004.717 S3C3T1 Fl. 261 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.163.677,13, relativos à exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa proporcional e juros moratórios, além de multa regulamentar por classificação incorreta. Em síntese, a autuação está fundamentada nos seguintes fatos observados pela fiscalização: · A empresa interessada, RIO CHEN’S IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., CNPJ nº 03.786.147/000147, foi intimada para justificar detalhadamente, para cada Declaração de Importação DI questionada pela fiscalização, a classificação fiscal adotada para os produtos que importou, qual seja, 9602.00.90, cuja alíquota do IPI é zero, enquanto que outras empresas importadoras dos mesmos produtos adotaram a classificação fiscal 3926.40.00, cuja alíquota do IPI é 20%. A alíquota de classificação fiscal para o Imposto de Importação II nos dois códigos é 18%; · Os produtos importados foram descritos pela interessada como ENFEITES DE RESINA, ENFEITES DECORATIVOS, etc., enquanto que as outras importadoras descreveram os mesmos produtos como ENFEITES DE RESINA, ESTATUETA EM RESINA, etc.; · Na mesma intimação, a fiscalização solicitou a descrição pormenorizada dos produtos importados, suas formas de apresentação, composição orgânica, propriedades e destinação, bem como a apresentação dos elementos de prova que pudessem justificar a classificação fiscal adotada; · A interessada não atendeu ao solicitado, tendo se limitado a apresentar respostas evasivas, no entanto, apresentou dossiê composto pelas Declarações de Importação – DI, Faturas e Conhecimentos de Embarque relativos as suas importações; · Com relação às empresas chinesas QUANZHOU SHUNTONG CRAFTS CO. LTD e QUANZHOU KUISHENG CRAFT CO. LTD, informadas nas DI como exportadoras em relação à autuada, o site “www.tootoo.com” esclarece que tais empresas são exportadoras para o Brasil dos produtos “Statuettes & other ornamental articles of plastics”; · Na maior parte das faturas apresentadas pela interessada consta o termo Polyresin em referência às mercadorias exportadas, cuja definição a fiscalização foi buscar na enciclopédia virtual Wikipédia, Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10074.000557/200804 Acórdão n.º 3301004.717 S3C3T1 Fl. 262 3 tendo restado o entendimento de que se trata de um composto plástico, por consequência, os produtos importados seriam artefatos de plástico; · Uma das notas do capítulo 96 (NESH) diz que “O presente capítulo não compreende:......os artefatos semelhantes de plástico (capítulo 39).”. Por outro lado, uma das notas do capítulo 39, relativa à posição 3926, diz que: “A presente posição abrange as obras não especificadas nem compreendidas em outras posições, de plásticos (tais como definidos na Nota 1 do presente Capítulo) ou de outras matérias das posições 39.01 a 39.14. São incluídos aqui, especialmente,......as estatuetas e outros objetos de ornamentação”; · Entendeu a fiscalização que a classificação fiscal adotada pela autuada em suas importações revelouse incorreta, justificando, assim, a presente autuação. A empresa RIO CHEN’S foi devidamente cientificada da autuação em 06/05/2008 (fl. 140), tendo apresentado impugnação e documentos em 26/05/2008 (fls. 116 a 138). Alegou que: 1. De início, a impugnante apresentou um resumo dos argumentos que foram considerados pela fiscalização na autuação; 2. Contesta a afirmação da fiscalização, segunda a qual enfeites de resina foram importados por outros importadores utilizandose de classificação fiscal diversa, pois o site do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior indica que inúmeras importações da citada mercadoria, nada menos do que sete mil e quinhentas toneladas, foram realizadas com a mesma classificação fiscal. Apresentou tela de site da internet; 3. Com relação à pesquisa efetuada pela fiscalização no site do exportador chinês QUANZHOU SHUNTONG CRAFTS CO. LTD, alegou que a presente autuação referese a quarenta e oito DI, nas quais figuram outros exportadores além dos citados pela fiscalização. Esclareceu que se tratam de importações de mercadorias com diferentes descrições, especificações diversas e provenientes de fabricantes diferentes; 4. Não teria conseguido resgatar do site citado pela fiscalização a informação de que o exportador QUANZHOU SHUNTONG CRAFTS CO LTD comercializa artigos de plásticos, e mesmo que tal dado fosse confirmado, não ficaria demonstrado que as importações tenham sido descritas e classificadas erroneamente; 5. Quanto à definição do termo polyresin retirado da enciclopédia virtual Wikipédia, entende não haver confiabilidade técnica na fonte utilizada pela fiscalização, pois se trata de uma compilação de contribuições de usuários anônimos. Mesmo se o verbete apresentasse rigor técnico incontestável, a definição apresentada pela fiscalização em nada infirma a classificação tarifária adotada pela impugnante; 6. Entende que a fiscalização não embasou suas conclusões em qualquer fundamento válido, razão pela qual deve prevalecer a classificação fiscal adotada pela impugnante em suas DI. Citou acórdãos administrativos. 7. Deve ser rejeitado o lançamento ora impugnado por sua completa ilegalidade, eis que desborda os limites instituídos no artigo 149 do CTN, para que se proceda à revisão do lançamento. É vedado proceder a pretensa revisão da Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10074.000557/200804 Acórdão n.º 3301004.717 S3C3T1 Fl. 263 4 declaração de importação, à guisa de alterarlhe o critério jurídico, pois a jurisprudência é clara em incluir a alteração da classificação fiscal utilizada para efetuar o desembaraço como alteração de critério jurídico; 8. Não é conferida à administração a prerrogativa de, quase cinco anos após os desembaraços aduaneiros, sem respeito ao princípio da segurança jurídica, impor ao contribuinte o lançamento de imposto, multas e juros, sob o argumento de que o resultado de um laudo pericial, que também foi emitido há quase cinco anos, apontou para uma classificação fiscal diferente; A 24ª Turma da DRJSP, no acórdão n° 1666.560, negou provimento à impugnação da empresa, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇA DE TRIBUTOS. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros no registro da declaração de importação, em função do emprego de classificação fiscal incorreta, não condizente com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), cabe o lançamento de ofício, em revisão aduaneira. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não há mudança de critério jurídico quando se trata de reparar uma ilegalidade. Haveria mudança de critério jurídico, a que se refere o artigo 146 do Código Tributário Nacional, apenas na hipótese de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de conformidade com ato normativo baixado pela administração e, em face de segundo ato, posteriormente editado, veiculando nova interpretação jurídica aplicável ao fato jurídico, procedesse a novo lançamento. Em seu recurso voluntário, a Recorrente reitera os exatos termos de sua impugnação, requerendo o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10074.000557/200804 Acórdão n.º 3301004.717 S3C3T1 Fl. 264 5 O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de controvérsia sobre a correta classificação fiscal de produtos importados da China (ENFEITES DECORATIVOS DE RESINA) pela autuada nos anos calendário de 2003 a 2007. Segundo a fiscalização, nas Declarações de Importação – DI autuadas os produtos foram classificados no código (NCM) 9602.00.90, cuja alíquota do IPI é de 0%, quando o correto seria a classificação no código (NCM) 3926.40.00, cuja alíquota do IPI é de 20%: Adotada pela FISCALIZAÇÃO: 3926 – OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICOS E OBRAS DE OUTRAS MATÉRIAS DAS POSIÇÕES 39.01 A 39.14. 3926.40.00 – ESTATUETAS E OUTROS OBJETOS DE ORNAMENTAÇÃO. Adotada pela empresa: 9602 – MATERIAIS VEGETAIS OU MINERAIS DE ENTALHAR, TRABALHADAS, E SUAS OBRAS; OBRAS MOLDADAS OU ENTALHADAS DE CERA, PARAFINA, ESTEARINA, GOMAS OU RESINAS NATURAIS, DE PASTAS DE MODELAR, E OUTRAS OBRAS MOLDADAS OU ENTALHADAS NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS NOUTRAS POSIÇÕES; GELATINA NÃO ENDURECIDA, TRABALHADA, EXCETO A DA POSIÇÃO 35.03, E OBRAS DE GELATINA NÃO ENDURECIDA. 9602.00.90 – OUTRAS. A decisão de piso merece reforma, porquanto nestes autos não há suporte documental mínimo comprobatório de que a classificação posta pela Recorrente está equivocada. Explico. Efetivamente, em seu Relatório de Verificação Fiscal, de fls. 52 a 55, que embasou a presente autuação, a fiscalização afirmou ter constatado em seus sistemas de apoio que as mercadorias importadas pela empresa, descritas como ENFEITES DE RESINA, ENFEITES DECORATIVOS, outras descrições, também foram objeto de importação por outros importadores, que informaram para fins de classificação fiscal o código (NCM) 3926.40.00, e não o código adotado pela Recorrente. Os elementos probatórios acostados pela fiscalização são: i) às fls. 97 a 106 dos autos, o relatório “IMPORTAÇÕES DE MERCADORIAS COM O TERMO “RESINA” NA DESCRIÇÃO DO PRODUTO – NCM 3926.40.00” e ii) às fls. 107, “IMPORTAÇÕES DE MERCADORIAS COM A MESMA REFERÊNCIA, DO MESMO EXPORTADOR ESTRANGEIRO, CLASSIFICADAS NAS NCM 3926.40.00 E 9602.00.90”. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10074.000557/200804 Acórdão n.º 3301004.717 S3C3T1 Fl. 265 6 Quanto à consulta aos sites das empresas chinesas QUANZHOU SHUNTONG CRAFTS CO. LTD e QUANZHOU KUISHENG CRAFT CO. LTD, afirmou a fiscalização constarem essas empresas como exportadoras dos produtos importados pela Recorrente (Statuettes & other ornamental articles of plastics), além disso, o Brasil aparece como um dos países destinatários de suas exportações. Todavia, como a própria DRJ apontou, observando a relação de DI importadas pela interessada, cujas mercadorias foram classificadas no código (NCM) 9602.00.90, de fls. 78 a 96, é possível afirmar que o quadro de exportadoras não se resume a essas duas empresas. Nas DI registradas pela impugnante (fls. 78 a 96) as mercadorias foram descritas, quase na totalidade, como “ENFEITE DE RESINA.....”, “ENFEITE PARA DECORAÇÃO EM FORMA DE.....” ou “ENFEITE DECORATIVO EM FORMA DE.....”. Por sua vez, as DI paradigmas selecionadas pela fiscalização (fls. 97 a 106) descrevem, na maioria das vezes, a importação de “OBJETOS DE ORNAMENTAÇÃO DE RESINA......, “ARTIGOS/OBJETOS DE ORNAMENTAÇÃO DE RESINA/ POLIRESINA......”. Quanto à definição do termo Polyresin, a fiscalização colheu aquela estampada no site Wikipédia (fl. 53 e 54): “Polyresin é uma resina composta geralmente usada para estátuas, figuras, mobiliário e decoração. É um material resistente que pode ser moldado primorosamente e que proporciona um bom nível de acabamento e de textura. Aditivos podem ser incorporados na resina para aumentar a resistência do material, reduzir o seu peso adicionar calor, aumentar estabilidade, elaborar efeitos decorativos e assim por diante. Polyresin também é compatível com uma ampla gama de diferentes acabamentos, incluindo pintura e acabamentos metálicos, que é a razão pela qual muitas peças decorativas são feitas a partir deste material”. Entendeu a fiscalização que a Polyresin é uma resina composta plástica, por consequência, os produtos importados seriam artefatos de plástico (fl. 54). Logo, as obras de Polyresin não poderiam enquadrarse no capítulo 96 – Obras diversas, de acordo com a seguinte Nota de Capítulo (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH): O presente Capítulo não compreende: a) ............ d) as partes e acessórios de uso geral, na acepção da Nota 2 da Seção XV, de metais comuns (Seção XV), e os artefatos semelhantes de plásticos (Capítulo 39);” De outro lado, no Capítulo 39 – Plásticos e suas obras, com relação a posição 3926 encontramos (NESH) (negritos meus): “A presente posição abrange as obras não especificadas nem compreendidas em outras posições, de plásticos (tais como Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10074.000557/200804 Acórdão n.º 3301004.717 S3C3T1 Fl. 266 7 definidos na Nota 1 do presente Capítulo) ou de outras matérias das posições 39.01 a 39.19. São incluídos aqui, especialmente: 1).................. 3) As estatuetas e outros objetos de ornamentação Do citado acima, observase que não há nenhuma prova técnica produzida pela fiscalização. Dispõe o art. 30, do Decreto n° 70.235/72, verbis: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Por conseguinte, nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. A reclassificação fiscal exige análise técnica da natureza, composição e constituição do produto, não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a descrição formulada pela importadora, mas sim incumbelhe o ônus da prova, cumprido através da apresentação de elementos técnicos que sustentem a classificação atribuída pela Administração, afastando àquela empregada pelo contribuinte. Certamente os termos técnicos do Wikipédia não são fonte fidedigna para um auto de infração. A fiscalização não cumpriu com o seu ônus probatório de constituir o fato tributário por meio de provas, violando, por conseguinte, o comando do art. 142 do CTN e disposições do Decreto n° 70.235/72. O ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/1973 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10074.000557/200804 Acórdão n.º 3301004.717 S3C3T1 Fl. 267 8 I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Não há como se afirmar pelo teor do termo de verificação fiscal que as mercadorias importadas têm natureza técnica diversa daquela apontada pelo contribuinte. Havendo litígio no que se refere à identificação do produto importado, a ausência, nos autos, de elementos capazes de demonstrar a adequada reclassificação efetuada pela fiscalização, implica na manutenção do código em que foi enquadrado pelo importador. A ausência de elementos probantes suficientes a sustentar a acusação fiscal, cujo ônus da prova incumbe à Administração Pública, por ser fato constitutivo de seu direito ao crédito tributário, importa em falta motivação do auto de infração, que, por isso, deve ser cancelado, por vício material. Consigno neste voto, a posição dos Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Winderley Morais Pereira, que votam com esta Relatora pelas conclusões: os ilustres Conselheiros entenderam não haver prova produzida pela fiscalização que permitisse afastar a classificação adotada pelo contribuinte, todavia discordaram desta Relatora no tocante à necessidade de laudo técnico. Para os julgadores, deve haver prova técnica fidedigna, mas não obrigatoriamente um laudo técnico. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 13876.000098/99-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 20/10/1988 a 13/10/1995
PIS. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. APLICAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL AO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. O crédito está extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, porquanto devidamente comprovadas a liquidez e certeza, no procedimento de diligência fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 20/10/1988 a 13/10/1995 PIS. INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. APLICAÇÃO DA DECISÃO JUDICIAL AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. O crédito está extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, porquanto devidamente comprovadas a liquidez e certeza, no procedimento de diligência fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 00 98 /9 9- 05 Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.154 2 Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão de efls. 928934: Conforme certidão de objeto e pé de fls. 115, o contribuinte obteve em juízo a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e o direito de compensar os valores pagos indevidamente nos períodos comprovados nos autos judiciais. Ficou decidido pelo Poder Judiciário que: 1) o contribuinte poderia compensar o indébito do PIS com parcelas do próprio PIS e da COFINS; 2) foi afastada a prescrição dos pagamentos; e 3) as quantias a serem compensadas deveriam ser corrigidas desde a data do pagamento indevido, utilizandose para tanto os índices oficiais que a União utiliza na cobrança de seus créditos. (fls. 41/55). A decisão judicial só transitou em julgado em 30/10/2001 (fl. 96), mas já em 12/02/1999 o contribuinte apresentou o pedido de compensação inaugural (fl. 04), cumulando posteriormente vários outros pedidos de compensação ao longo dos anos de 1999, 2000, 2001 e 2002. Por meio do despacho decisório nº 107/2005 (fls. 296/302), datado de 16/12/2004, a DRF Sorocaba, reconheceu em parte o direito de crédito e homologou as compensações até o limite suportado pelo crédito reconhecido, mas condicionou a homologação da compensação ao atendimento integral da intimação nº 632/2004 (fls. 294), por meio da qual foi exigida a comprovação da desistência da execução do título judicial e a assunção por parte do contribuinte das custas processuais e honorários de advogado (fls. 301). Na fl. 295 existe comprovação de que o contribuinte tomou ciência da intimação 632/2004 em 21/12/2004. O Contribuinte ajuizou mandado de segurança questionando a exigência formulada com base no art. 50, § 2º da IN SRF 460/2004 (exigência de comprovação da desistência da execução e assunção das custas e dos honorários advocatícios, conforme inicial de fls. 383/393), obtendo liminar e sentença por meio da qual o Judiciário considerou ilegal apenas a exigência de desistência da execução das custas e dos honorários de advogado, conforme se vê na fl. 324. Após o desfecho do mandado de segurança, por meio da intimação 883, de 04 de agosto de 2006 (fls. 404), o contribuinte foi notificado do despacho decisório nº 107/2005 em 11/08/2006, conforme AR de fls. 405. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou, em síntese, o seguinte: Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.155 3 1) O direito de crédito foi obtido por meio de sentença judicial transitada em julgado; 2) Que no mandado de segurança 2005.61.10.0001682 o Judiciário afastou o cumprimento da exigência contida no art. 50, § 2º da IN 460/2004, no que tange à desistência da execução das custas e dos honorários de advogado; 3) Os pagamentos efetuados entre 09/12/1994 e 13/10/1995 e aqueles referentes a janeiro a março de 1992 não foram considerados pela administração no cálculo da compensação; 4) Não foi aplicada a correção conforme a Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar 8/97; 5) Decadência do direito do fisco lançar. Por meio do despacho de fls. 724, a DRJ Ribeirão Preto converteu o julgamento em diligência. Por meio da informação fiscal de fls. 743 e ss., a DRF Sorocaba confirmou que os pagamentos efetuados entre dezembro de 1994 e outubro de 1995 não haviam sido incluídos no cálculo original e informou quais os índices de correção que foram aplicados. Os índices utilizados para a correção do indébito foram BTNf, desde a data do pagamento até 04/02/1991; Ufir, entre 01/01/1992 e 01/01/1996; e variação da taxa da taxa Selic, entre 01/01/1996 e o vencimento de cada débito compensado. Da revisão dos cálculos resultou um crédito favorável ao contribuinte no valor de R$ 48.097,17, que foi utilizado na amortização das compensações declaradas (fl. 780). Por meio da intimação 132/2011 (fl. 791), o contribuinte foi notificado do resultado da diligência em 15/02/2011 (fl. 792), tendo apresentado manifestação de fls. 793/794, na qual alegou em síntese o seguinte: 1) A Receita Federal ainda está descumprindo a decisão judicial quanto à prescrição quinquenal, pois não considerou nos cálculos como crédito o PIS Repique que foi pago entre 28/04/1989 a setembro de 1991; e 2) Não foi aplicado o critério de correção previsto no Ato Declaratório 26, de 30/12/1991, que reconhece a aplicação dos índices de correção do período de fevereiro de 1991 a novembro de 1991, com base no INPC do IBGE e de dezembro de 1991 com base no IPCA. Por meio do Acórdão 34.168, de 09 de junho de 2011, a 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente. Ficou decidido que a correção monetária foi aplicada com base nos mesmos índices utilizados pela Receita Federal na cobrança de seus créditos, conforme determinado pela decisão judicial. Assim, não cabe a aplicação da NE Cosit/Cosar nº 8, de 1997, pois a própria decisão judicial determinou procedimento diverso. Quanto ao Ato Declaratório 26/1991, ficou decidido que ele apenas fixou o valor da UFIR para o mês de janeiro de 1992 e esclareceu quais os critérios utilizados para Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.156 4 esta fixação. A DRJ entende que este ato administrativo não estabeleceu nenhum critério de correção dos débitos cobrados pela Receita Federal. Quanto aos pagamentos indevidos efetuados entre 28/04/1989 e setembro de 1991 e aqueles efetuados entre janeiro e março de 1992, a DRJ considerou que foram incluídos nos cálculos, conforme comprovam os documentos de fls. 252 a 272 e a listagem de pagamentos de fls. 254 a 256. No que concerne às alegações de decadência de parte dos débitos e suspensão da exigibilidade, entendeu a DRJ que tais alegações devem ser formuladas perante a autoridade administrativa no âmbito do processo de cobrança e não no presente processo, que versa sobre pedido de restituição/compensação. Quanto aos pagamentos efetuados entre 10/12/1994 e 13/10/1995, a DRJ informou que os pagamentos foram considerados pela fiscalização e com o recálculo da compensação efetuado na diligência, foi considerado o crédito a favor do contribuinte no valor de R$ 48.097,17, conforme documentos de fls. 666/713 e despacho de fl. 714. A DRJ homologou o resultado da diligência e julgou parcialmente procedente a impugnação. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 25/07/2011 (fl. 860), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/08/2011 (fl. 879), no qual explicou sua metodologia de cálculo e concluiu que por se tratar de uma empresa prestadora de serviço estava sujeita ao recolhimento do PISRepique e PISDedução, cada um no valor de 5% do montante do imposto de renda devido. Informa que não se trata de semestralidade e que a diferença por ele apurada se refere ao confronto do que deveria ter sido recolhido com base no PIS repique e PIS dedução com o que foi recolhido com base no PIS faturamento. Alegou que tomou ciência do despacho decisório em 11/08/2006 e que estão tacitamente homologadas as compensações efetuadas anteriormente ao mês de agosto de 2001. Reiterou que não foram considerados os valores pagos entre abril de 1989 e setembro de 1991, conforme se comprova por meio do exame da planilha de fls. 322. Reiterou que tem direito à aplicação do INPC do IBGE entre fevereiro e dezembro de 1991, com base na Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/97. Insurgiuse contra a exigência dos juros e da multa de mora. Requereu sustentação oral. O CARF, no acórdão n° 3403003.461, 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, julgou parcialmente procedente o recurso voluntário do contribuinte, com decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/10/1988 a 13/10/1995 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Por força do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96 homologamse por decurso de prazo as compensações declaradas que não forem contestadas pelo fisco no prazo de cinco anos. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITO RECONHECIDO EM PROCESSO JUDICIAL. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.157 5 COMPROVAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO PRINCIPAL. A compensação de crédito tributário reconhecida por decisão judicial transitada em julgado só pode ser efetuada administrativamente se o contribuinte comprovar, no âmbito do processo administrativo, a homologação da desistência do título judicial quanto ao principal. RECURSOS. PRINCÍPIO DA NON REFORMATIO IN PEJUS. O princípio da non reformatio in pejus estabelece que em recurso exclusivo da defesa, o órgão de julgamento não pode agravar a situação do contribuinte. Se o Acórdão de primeira instância determinou a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido, o CARF não pode desfazer essa decisão, ainda que tenha constatado a ausência de comprovação da homologação da desistência da execução do título judicial. Recurso voluntário provido em parte. O CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reconhecer a homologação tácita em relação às declarações de compensação apresentadas até 11/08/2001, mantendo o Acórdão recorrido quanto ao restante, tendo em vista que é vedada a reformatio in pejus. Isso porque a Turma entendeu que não era possível a análise de mérito da compensação, uma vez que o contribuinte não comprovou neste processo administrativo a desistência da execução judicial do provimento obtido. A empresa intentou recurso especial, ao qual foi negado seguimento (efls. 958 a 960). Em seguida, o presente processo foi encaminhado à DRF para a cientificação do contribuinte quanto ao despacho proferido e para as providências necessárias para a execução do Acórdão do CARF nº 3403003.461, em razão do esgotamento de todas as possibilidades de recurso (efls. 961). O contribuinte foi cientificado em 22/02/2016. Após, o contribuinte intentou novo Mandado de Segurança, n° 5000325 09.2016.4.03.6110, pelo qual buscou tutela jurisdicional para obter a homologação dos valores compensados com créditos de PIS objetos da ação judicial n° 96.09003850, mediante a nulidade parcial da decisão proferida pelo CARF no processo 13876.000098/9905, que restringiu o direito ao citado crédito. Constou da decisão liminar: A condição imposta pela IN SRF nº 460/2004 visa a evitar que a parte autora obtenha o crédito em duplicidade, efetuando a compensação na seara administrativa e pleiteando a repetição do indébito pela via judicial. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.158 6 Nesse momento de análise sumária do caso, entendo que há demonstração de que a parte optou pela compensação administrativa dos créditos, tendo, inclusive, postulado a homologação da desistência da execução do valor principal nos autos da ação judicial. No meu entendimento, não pode a parte demandante ser prejudicada pela ausência de homologação do seu pedido pelo Juiz da Causa. Observese que, neste momento processual, nem seria possível a execução do crédito nos autos da ação judicial, haja vista o transcurso de prazo prescricional superior a cinco anos, contado do trânsito em julgado, ocorrido em 30/10/2001. Deve ser, portanto, afastada a exigência de comprovação, nos autos do processo administrativo, da homologação judicial da desistência de execução do crédito, devendo o fisco prosseguir na análise da compensação efetuada pelo contribuinte. A Decisão proferida em 08/07/2016 deferiu a tutela “(...) para afastar a inscrição do nome da autora no CADIN em relação aos débitos compensados no processo administrativo nº 13876.000098/9905; bem como suspender a exigibilidade dos referidos créditos tributários, determinando a sua não inscrição em dívida ativa até a decisão final do fisco sobre a regularidade da compensação efetuada.” Diante desse provimento judicial, foram tomadas as seguintes providências pela unidade de origem: · promover a suspensão da exigibilidade dos débitos de COFINS PA Novembro/2001 a Maio/2002 e de PIS PA Novembro/2001 a Abril/2002, nos termos da decisão judicial proferida nos autos da ação n° 500032509.2016.4.03.6110; · encaminhar, com URGÊNCIA, o processo ao CARF, nos termos da decisão proferida nos autos da ação n° 500032509.2016.4.03.6110. Em seguida, este processo administrativo retornou ao CARF, em cumprimento da decisão proferida no Mandado de Segurança, n° 500032509.2016.4.03.6110, para a análise da compensação efetuada pelo contribuinte. Diante disso, esta Turma converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.461, com vistas a solicitar à unidade de origem que examinasse os cálculos dos pedidos de compensação, quanto à exatidão ou inexatidão do valor pleiteado pela Recorrente, ainda que parcial, e elaborasse relatório conclusivo sobre a homologação ou não das compensações. Como premissas para a realização da diligência, foram postas, nos itens 1 a 3 do texto da Resolução, a delimitação do provimento judicial das ações n° 96.09003850 e n° 2005.61.10.0001682. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.159 7 A diligência foi cumprida, nos termos da Informação DRF SOR/SEORT nº 197, 26 de setembro de 2017, efls. 11231128. Posteriormente, o despacho de efl. 1.146 apontou que o crédito deferido foi suficiente para homologação total das referidas declarações de compensação. A Recorrente foi devidamente intimada do resultado da diligência, mas não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, o Acórdão do CARF nº 3403003.461 reconheceu a homologação tácita das compensações das declarações de compensação apresentadas até 11/08/2001. No mais, não analisou o mérito da compensação, pelos motivos expostos pelo voto vencedor do relator, nesses termos: No mérito, o contribuinte quer discutir o conteúdo da compensação. Alega que não teriam sido considerados pagamentos; questiona a correção monetária do crédito; etc. e etc.; mas até o presente momento não cumpriu a intimação 632/2004 na parte em que foi mantida pelo Poder Judiciário, ou seja, não trouxe a este processo administrativo a prova da homologação da desistência da execução do título judicial em relação ao principal. A sentença proferida no mandado de segurança (fls. 324) confirmou os termos da liminar e deferiu a segurança para afastar apenas a exigência de comprovação da desistência da execução dos honorários advocatícios. Portanto, o contribuinte tinha que comprovar a homologação da desistência da execução do principal, mas até o presente momento não tomou essa providência. Declarar ao fisco e informar ao juiz em processo judicial que não vai executar o título judicial quanto ao principal (fl. 667) não é a mesma coisa e nem supre a necessidade de comprovar a homologação da desistência do título judicial, conforme exige o art. 50, § 2º, da IN SRF 460/2004. Nesse sentido, pecou a DRJ Ribeirão Preto, na parte em que baixou o processo em diligência para que a compensação fosse recalculada. O contribuinte não tinha e ainda não tem o direito de efetuar nenhuma das Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.160 8 compensações declaradas neste processo porque não comprovou a homologação da desistência da execução do título judicial. Não tinha direito de usar o crédito originalmente reconhecido pela DRF Sorocaba e muito menos o direito ao crédito suplementar reconhecido em diligência. Isto porque para sair do inferno dos precatórios e entrar no paraíso da compensação administrativa, o contribuinte tem que se submeter às exigências da Administração Tributária, no caso, a desistência da execução do título judicial e a assunção das custas do processo judicial e os honorários de advogado (art. 50, § 2º, da IN 460/2004). No caso concreto, a exigência de assunção dos ônus da sucumbência foi afastada pelo mandado de segurança, mas permanece incólume a exigência de comprovação da desistência da execução do principal. Não tendo comprovado neste processo a homologação da desistência da execução do título judicial quanto ao principal, o contribuinte não pode efetuar a compensação administrativa, sendo desnecessário analisar os demais argumentos de mérito relativos aos cálculos. Em virtude da decisão proferida nesse acórdão, o contribuinte interpôs o Mandado de Segurança n° 500032509.2016.4.03.6110, cuja liminar determinou o afastamento da exigência de comprovação, nos autos do processo administrativo, da homologação judicial da desistência de execução do crédito, devendo o processo administrativo prosseguir na análise da compensação efetuada pelo contribuinte: Pelo exposto, presentes os requisitos que autorizam a concessão da tutela de urgência, DEFIRO a tutela de urgência para afastar a inscrição do nome da autora no CADIN em relação aos débitos compensados no processo administrativo nº 13876.000098/9905; bem como suspender a exigibilidade dos referidos créditos tributários, determinando a sua não inscrição em dívida ativa até a decisão final do fisco sobre a regularidade da compensação efetuada. Diante disso, remanesceu controvertida a não homologação das compensações dos períodos de novembro de 2001 a maio de 2002. Por essa razão, esta Turma converteu o julgamento em diligência para análise do mérito das compensações efetuadas pelo contribuinte. Como premissas para a realização, foram apontados os provimentos obtidos pelo contribuinte: Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.161 9 1) O provimento judicial final da ação n° 96.09003850 reconhecimento da inconstitucionalidade da contribuição ao PIS nos moldes determinados pelos DecretosLeis ne 2445/88 e 2449/88 e, consequentemente, o direito à compensação do indébito tributário (recolhimentos efetuados a partir de 20/10/1988 excedentes àqueles apurados na forma da Lei Complementar nº 07/70) com parcelas vincendas de PIS e COFINS. 2) A empresa é prestadora de serviço de transporte coletivo. Portanto, sujeita a PISrepique e PISdedução. 3) Índice utilizado na correção do indébito tributário. No tocante à correção monetária, determinouse a aplicação dos mesmos índices legais aplicados na cobrança, contados do trânsito em julgado da ação. Logo: a) IPC/IBGE (OTN até 01/89), no período compreendido entre janeiro de 1988 e fevereiro de 1990; b) BTN no período compreendido entre março de 1990 a janeiro de 1991; c) INPC de fevereiro de 1991 a dezembro de 1991. d) Para períodos posteriores, partir de janeiro de 1992, deve ser utilizada a UFIR, e a partir de 1996, a incidência dos juros à taxa SELIC, determinada pela Lei nº 9.250/95. A Informação DRF SOR/SEORT nº 197, 26 de setembro de 2017 esclareceu: 5. A decisão judicial transitada em julgado, proferida nos autos da ação judicial96.09003850, autorizou o contribuinte a efetuar a compensação de créditos de PIS (excedente Lei Complementar 07/70), atualizados mediante os mesmos índices aplicados na cobrança dos tributos federais, com débitos de COFINS e do próprio PIS. 6. A Lei Complementar nº07/70 assim dispõe em seu artigo 3º: “Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1º deste artigo, processandose o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (…) 4) no exercício de 1974 e subsequentes, 0,50%. (…) § 1º A dedução a que se refere a alínea a deste artigo será feita sem prejuízo do direito de utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor e calculada com base no valor do Imposto de Renda devido, nas seguintes proporções (…) Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.162 10 c) no exercício de 1973 e subsequentes 5%. § 2.º As instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior. (...)”(destaque nosso) 7. Pois bem. No tocante ao PIS Dedução não há cálculos a serem efetuados, pois este tributo é parte integrante do IRPJ, ou seja, 5%(cinco por cento) do mesmo. 8. Já, no que tange ao PIS Repique, temos a informar que, primeiramente, extraímos, das Declarações de IRPJ presentes neste processo, e nas informações constantes em nossos sistemas, as bases de cálculo do PIS Repique para os exercícios 1989 a 1996, quais sejam: 9. As bases de cálculo foram apuradas de acordo com as determinações contidas nos MAJUR (Manual de Preenchimento da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica) 1988 a 1996 e a legislação respectiva. O MAJUR EX 1988 foi utilizado, visto que foi a última declaração anterior à vigência dos DecretosLeis declarados inconstitucionais. Entendemos relevante destacar que o adicional de Imposto de Renda não integra a base de cálculo do PIS Repique (ver item 15/14 do Quadro 15 do MAJUR 1988). 10. Assim, nos termos da Lei Complementar 07/70, apuramos os valores devidos de PIS Repique, mediante a aplicação da alíquota 5% sobre o IRPJ devido, ou como se devido fosse (fls.1114 a 1116), e, após, imputamos os pagamentos relacionados às fls.1117 a 1121, conforme pode ser observado às fls.1095 a 1105. Entendemos relevante esclarecer: → que, em função do pagamento em cotas dos débitos de IRPJ EX 1991 e 1992, os débitos de PIS Repique também foram divididos em 9(nove) e 6(seis), respectivamente. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13876.000098/9905 Acórdão n.º 3301004.656 S3C3T1 Fl. 1.163 11 Apesar do débito de IRPJ EX 1989 ter sido pago em 9 cotas, não foi possível fazer esta divisão para o débito de PIS, pois resultaria em valores menores que uma unidade, fato este não aceito pelo nosso sistema de cálculo, mas que não resulta em prejuízo ao contribuinte em razão do seu valor; → que a alocação dos pagamentos foi realizada por período de apuração. 11. Após realizados os procedimentos supracitados, apuramos um crédito de PIS, atualizado até 01/01/1996, no montante de R$ 183.140,27 (cento e oitenta e três mil, cento e quarenta reais e vinte e sete centavos) (fls.1106 a 1113). A Equipe de Execução SEORT, ao analisar a informação fiscal, fez constar, na efl. 1.146: Tendo em vista a Informação Fiscal DRF/SOR/SEORT 197 de 26/09/2017, foram realizados os cálculos das compensações declaradas, sendo o crédito deferido suficiente para homologação total das referidas declarações de compensação, conforme planilhas a fls. 1130/1145. Nesse sentido, encaminho o presente eprocesso para ciência do interessado da Informação Fiscal, consignando a suficiência do crédito para homologação total das compensações declaradas, facultado o prazo para Manifestação de que trata a Resolução 3301000.461 (fls 1067/1075) com posterior retorno ao CARF. Do exposto, comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. Logo, o crédito está extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, porquanto devidamente comprovadas a liquidez e certeza, no procedimento de diligência fiscal. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a homologação das compensações objeto deste processo administrativo. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 1163DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.720091/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.390
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva e Rosaldo Trevisan. Em votação preliminar, a proposta do relator, de provimento parcial para declarar a nulidade da decisão de piso, acompanhada pelo conselheiro Cássio Schappo, foi vencida, tendo os demais conselheiros entendido que não houve nulidade. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar o conselheiro Rosaldo Trevisan. No mérito, depois de vencido na preliminar, o relator propôs a conversão em diligência, para análise, pela unidade preparadora da RFB, dos documentos apresentados até a manifestação de inconformidade, inclusive, confrontando-se seu teor com o decidido no processo referente a COFINS.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva e Rosaldo Trevisan. Em votação preliminar, a proposta do relator, de provimento parcial para declarar a nulidade da decisão de piso, acompanhada pelo conselheiro Cássio Schappo, foi vencida, tendo os demais conselheiros entendido que não houve nulidade. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar o conselheiro Rosaldo Trevisan. No mérito, depois de vencido na preliminar, o relator propôs a conversão em diligência, para análise, pela unidade preparadora da RFB, dos documentos apresentados até a manifestação de inconformidade, inclusive, confrontando-se seu teor com o decidido no processo referente a COFINS. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Marcos Roberto da Silva e Rosaldo Trevisan. Em votação preliminar, a proposta do relator, de provimento parcial para declarar a nulidade da decisão de piso, acompanhada pelo conselheiro Cássio Schappo, foi vencida, tendo os demais conselheiros entendido que não houve nulidade. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar o conselheiro Rosaldo Trevisan. No mérito, depois de vencido na preliminar, o relator propôs a conversão em diligência, para análise, pela unidade preparadora da RFB, dos documentos apresentados até a manifestação de inconformidade, inclusive, confrontandose seu teor com o decidido no processo referente a COFINS. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .7 20 09 1/ 20 08 -2 3 Fl. 19631DF CARF MF Processo nº 10875.720091/200823 Resolução nº 3401001.390 S3C4T1 Fl. 19.632 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Adotase o relatório da DRJ de piso (efls. 2.548 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Tratase de manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou as Declarações de Compensações (Dcomps), às fls. 110/167, transmitidas entre as datas de 31/3/2005 e 29/3/2007, nas quais o interessado utilizou o saldo credor dos créditos do PIS não cumulativo, vinculados a operações de exportações, apurado para o 1ª trimestre de 2006. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Guarulhos, SP, não homologou as Dcomps, sob o fundamento de que o interessado não comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado nas compensações e intimado e reeintimado a apresentar a documentação fiscal e contábil imprescindível à apreciação do seu pedido de ressarcimento/compensação não atendeu à intimação, conforme Despacho Decisório nº 300/2010, datado de 25/6/2010, às fls. 1.179/1.183, do qual foi intimado em 10/8/2010. Inconformado com aquele despacho, o interessado apresentou manifestação de inconformidade às fls. 1.190/1.198, insistindo na homologação das Dcomps, alegando, em síntese, que transmitiu o Pedido de Ressarcimento (PER) e as respectivas Dcomps de conformidade com as normas tributárias, então vigente, e intimada a apresentar a documentação, no prazo de 20 (vinte) dias, apresentou depois de transcorridos 15 (quinze) dias boa parte do que foi solicitado e imediatamente solicitou a ampliação do prazo para a apresentação do restante da solicitação e continuou o levantamento para o atendimento integral da intimação, contudo, a fiscalização encerrou repentinamente o processo com a expedição do despacho decisório. Alegou ainda que, no momento em que foi intimada do despacho decisório, estava com a documentação identificada e separada, porém não teve oportunidade de apresentála, apresentandoa juntamente com a manifestação de inconformidade, destacando, contudo, que "Não é possível a apresentação de todos os documentos e informações dado o grande volume que estes representam". Afirmou também que, no prazo máximo, de 45 (quarenta e cinco) dias apresentaria os documentos e informações pendentes. Fl. 19632DF CARF MF Processo nº 10875.720091/200823 Resolução nº 3401001.390 S3C4T1 Fl. 19.633 3 Para fundamentar sua manifestação de inconformidade, expendeu extenso arrazoado sobre: "I DOS FATOS E DO DESPACHO DECISÓRIO; II DO DIREITO – DA CORRETA INSTRUÇÃO DA DCOMP APRESENTADA PELA MANIFESTANTE COM TODOS OS DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA IN SRF 460/2004; II.1.a) Das regras aplicáveis ao ressarcimento do crédito em questão; IN SRF 460/2004 Compensação e ressarcimento de créditos da contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins; Compensação efetuada pelo sujeito passivo; Conclusões", concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento do crédito financeiro utilizado nas Dcomps e, consequentemente, as suas homologações. (negritos do Relator). Por unanimidade de votos, a DRJ/RPO indeferiu o pedido de homologação da Declaração de Compensação, e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a teor da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO FINANCEIRO. APURAÇÃO. DOCUMENTOS FISCAIS E CONTÁBEIS. APRESENTAÇÃO. INTIMAÇÃO NÃO ATENDIDA. RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. A apuração do crédito financeiro reclamado é efetuada com base nos documentos fiscais e contábeis. O ônus da comprovação da certeza e liquidez dos valores pleiteados é do contribuinte. O não atendimento à intimação para a apresentação dos documentos fiscais e contábeis, imprescindíveis à apuração da certeza e liquidez do montante pleiteado, prejudica o julgamento do pedido de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/02/2006, 31/03/2006, 15/02/2007, 28/02/2007, 01/03/2007, 05/03/2007, 09/03/2007, 15/03/2007, 19/03/2007, 28/03/2007, 30/03/2007, 15/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente teve ciência do acórdão da DRJ, em 16/06/2015, por meio de sua caixa postal (efl. 2.575). Fl. 19633DF CARF MF Processo nº 10875.720091/200823 Resolução nº 3401001.390 S3C4T1 Fl. 19.634 4 Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário, em 16/07/2015 (efls. 2.578 e seguintes), dizendo que em 2006 auferiu tanto receitas no mercado interno sujeitas ao PIS e a COFINS no regime não cumulativo , assim como receitas não sujeitas a estes dois tributos, decorrentes de exportação de mercadorias ao exterior e de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim de exportação e a empresas situadas na Zona Franca de Manaus (chamadas doravante de "receitas de exportação"). Disse que calculou créditos PIS e da COFINS sobre custos, despesas e encargos incorridos a cada mês, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Informou que, como parte de suas receitas não estava sujeita à tributação do PIS e da COFINS (receitas de exportação), mensalmente apurou créditos em excesso aos valores das contribuições devidas sobre as operações realizadas no mercado interno, os quais foram utilizados em compensações administrativas com outros tributos e contribuições, por meio de 11 (onze) DCOMP, nos anos de 2006 e 2007, de acordo com a tabela contida à efl. 2.580: Em sede de preliminar, advogou a nulidade do acórdão proferido pela DRJ/RPO (efl. 2.583 e ss.), pois entende que os referidos julgadores não apreciaram devidamente o rol probatório mais de 1.000 páginas de notas fiscais e documentos relativos à apuração dos créditos do PIS , apresentado em sede de manifestação de inconformidade, resultando assim no cerceamento de seu direito de defesa, e atentando contra o princípio da verdade material, citando várias doutrinas e acórdão deste E. Tribunal em seu favor. Asseverou que tem o direito à juntada de novas provas em razão da decisão da DRJ/RPO, vez que esta trouxe verdadeiro fato novo trazido aos autos a não atribuição de qualquer valor probatório à provas efetivamente trazidas aos autos pela Recorrente. Requereu ainda que, na hipótese de indeferimento de preliminar, seja convertido o julgamento em diligência, para que sejam apreciadas todas as provas produzidas até o momento; protestando por juntada posterior de provas. Apresentou aditamento ao recurso voluntário (efl. 2.611 e ss.), mencionando que todas as notas fiscais e demais documentos que suportam os créditos de PIS discutidos no contencioso já haviam sido entregues à RFB no PAF 16098.000170/200777, o qual se Fl. 19634DF CARF MF Processo nº 10875.720091/200823 Resolução nº 3401001.390 S3C4T1 Fl. 19.635 5 originou do pedido de ressarcimento da COFINS, relativamente às mesmas receitas de exportação do 1° Trimestre de 2006. Informou que o Despacho Decisório 315/08, referente ao referido PAF fora deferido integralmente, fazendo sua juntada (efl. 2.864); requerendo a cópia integral do aludido processo. À efl. 19.622 e seguintes protocolou petição, referente a juntada de dossiê complementar de documentos, ratificando a questão de a base de cálculo do processo da COFINS ser a mesma do presente feito aquisições no mercado interno vinculadas à receita de exportação (DACON, volumes VI e VII) , juntando 115 (cento e quinze) arquivos digitais, de até 15 (quinze) Megabytes cada, com a cópia de todas as notas fiscais e demais documentos que comprovam seu crédito. Ao final, traz uma questão de ordem (efl. 19.627): Informase também que há 2 (dois) processos apensados (10875.720078/200874 e 10875.720090/200889), ambos apenas com termo de apensação. É o relatório. Fl. 19635DF CARF MF Processo nº 10875.720091/200823 Resolução nº 3401001.390 S3C4T1 Fl. 19.636 6 Voto vencido (em relação à preliminar) Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomase conhecimento. Como se viu, o Despacho Decisório 300/2010, indeferiu o crédito por não ter sido apresentado documentos hábeis para a comprovação do crédito. Por meio da manifestação de inconformidade disse a Recorrente que as DCOMP foram apresentadas de acordo com as normas legais; juntou planilhas demonstrativas, relacionadas a cada uma das rubricas do DACON, e ainda, diversas notas fiscais e outros documentos, dando lastro ao que constam nas planilhas; porém, houve manutenção integral do despacho decisório, pela decisão da DRJ/RPO. Demais disso, e evitando repetições do que já consta do relatório, percebese a volumosa instrução do processo, e por conta de tal volume de documentos é que, de modo expresso, justificou a Recorrente, não ter podido cumprir algumas das intimações em tempo. Somase a isto, o Despacho Decisório 315/2008, proferido nos autos do processo 16098.000170/200777, processo este que versou sobre a COFINS, do mesmo período (1° Trimestre 2006) e tendo a mesma base de cálculo (receitas de exportação) do presente feito (PIS). Nele, a Recorrente obteve procedência do seu pleito pela mesma DRF (Guarulhos) que posteriormente, em sede do Despacho Decisório 300/2010 (efl. 1.179), indeferiu os créditos de PIS, repitase. Vejase: Sem dúvida, um fato importante e um aspecto relevante, com efeito direto no presente feito, vez que se trata da mesma base cálculo e trimestre. Fl. 19636DF CARF MF Processo nº 10875.720091/200823 Resolução nº 3401001.390 S3C4T1 Fl. 19.637 7 A título ilustrativo, por meio de visita ao sítio web da Receita Federal, constatouse que PAF 16098.000170/200777, encontrase no arquivo por 10 anos (https://comprot.fazenda.gov.br/comprotegov/site/index.html#ajax/processoconsulta dados.html). Com estas peculiaridades, razoável se aplique o princípio da verdade material, anulandose a decisão da DRJ de piso, a fim de que se analise toda a documentação anexada, bem como, o faça em confrontação com o processo 16098.000170/200777, posto que, como se viu, trata do mesmo período e base de cálculo, objeto do presente feito. Pelo exposto, conhecia do recurso voluntário e lhe dava provimento parcial. Tendo sido, no entanto, vencido nesta preliminar, que suscitei, ao lado do Conselheiro Cássio Schappo, pelos argumentos expostos no voto vencedor, apresentado ao final, propus, alternativamente, a conversão em diligência, para análise, pela unidade preparadora da RFB, dos documentos apresentados até a manifestação de inconformidade, inclusive, confrontandose seu teor com o decidido no processo referente a COFINS (no 16098.000170/200777), de modo a assegurar que processos relativos a tributos sujeitos à mesma legislação não tenham desfechos distintos, para um mesmo período de apuração. E tal proposta alternativa logrou acolhida majoritária no colegiado. Pelo exposto, voto pela conversão em diligência, para análise, pela unidade preparadora da RFB, dos documentos apresentados até a manifestação de inconformidade, inclusive, confrontandose seu teor com o decidido no processo referente a COFINS. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Voto vencedor (em relação à preliminar) Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado Externo, no presente voto, minha divergência exclusivamente em relação à preliminar constante do voto inicialmente proposto pelo relator, que, diante do possível desfecho do processo administrativo no 16098.000170/200777, referente a COFINS incidente no mesmo período de apuração, demandava provimento parcial do recurso voluntário, declarando a nulidade da decisão de piso. Não vejo, no caso, nenhum dos pressupostos de nulidade externados no art. 59 do Decreto no 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Fl. 19637DF CARF MF Processo nº 10875.720091/200823 Resolução nº 3401001.390 S3C4T1 Fl. 19.638 8 Assim, entendo que não há óbice à análise da matéria pelo colegiado, não incidindo o julgador de piso em nulidade. Aliás, o julgamento de piso (e o relatório, de lá extraído), bem delineia o cenário de negativa de crédito por carência probatória. A recorrente foi intimada e reintimada a apresentar documentos durante o procedimento fiscal, não o fazendo, o que ensejou a negativa de crédito. Na manifestação de inconformidade, persistiu a carência probatória a cargo da postulante ao crédito, reconhecendo a própria recorrente que "[N]ão é possível a apresentação de todos os documentos e informações dado o grande volume que estes representam". Daí o julgamento de piso, corretamente, a nosso ver, concluir pela improcedência da manifestação de inconformidade, e pela negativa de crédito, por carência probatória. Não há, na decisão, cerceamento do direito de defesa ou manifestação de autoridade incompetente. Vencido o relator na preliminar, pelos argumentos acima, este propôs a conversão em diligência, para análise, pela unidade preparadora da RFB, dos documentos apresentados até a manifestação de inconformidade, inclusive, confrontandose seu teor com o decidido no processo referente a COFINS. Nessa segunda votação fui vencido, ao lado dos Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva, pois entendi que o processo já estava em condições de julgamento, no estado em que se encontra, sendo irrelevante o desfecho dado ao processo congênere de COFINS, sujeito à mesma legislação, mas a situações fáticas e probatórias distintas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 19638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912274/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.802
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 74 /2 01 2- 52 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.912274/201252 Acórdão n.º 3201003.802 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.647, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912274/201252 Acórdão n.º 3201003.802 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912274/201252 Acórdão n.º 3201003.802 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912274/201252 Acórdão n.º 3201003.802 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
