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Numero do processo: 10920.001423/99-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 4º, PREVALÊNCIA. LEI Nº 8.212/91. INAPLICABILIDADE.
As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei nº 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar.
DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 4º, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE.
As normas dos arts. 150, § 4º, e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º, aplica-se, exclusivamente, aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se a tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E ISONOMIA.
A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob funda-mento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-79.575
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência nos períodos anteriores a setembro de 1994, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça
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CONTRIBUINTES C/•Hl-Er:Ir_ COM O 11'4 NI. Brar.. 1 .c. O C52/22e • 2 CC-MF ;te• -440 Ministério da Fazenda >12/3s.te 3 14"./ -" I'f Segundo Conselho de Contribuintes Fl. ';t1C;C:)C0 1.,3; 54.9e 911%25 Processo n2 : 10920.001423/99-12 Recurso na : 131.601 ME-Segundo Comigo S ConMbor Acórdão n2 : 201-79.575 Pubbakdo no gado 01/441 de_bS dau_Dis_ • Recorrenle—CATACADO-10 1 '1 LTDA. Rubrico Recorrida : DELI em Florianópolis - SC PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR. CTN, ART. 150, § 42, PREVALÊNCIA. LEI N2 8.212/91. INAPLICABILIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao principio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei n 2 8.212191, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 42, e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 42, aplica-se, exclusivamente, aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se a tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÕES. PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E ISONOMIA. A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da Cofins e do PIS. Precedentes do STJ. As autoridades• administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob funda-mento de isonomia, beneficios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados e administradores essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a convertê-los em inadmissíveis legisladores positivos, condição institucional esta que lhes é recusada pela própria Constituição Federal. Recurso provido em parte. iftu 1 - — ME • SEGLIKDO CONSELHO DE CONTAHRIJINTES•-- cc.:-.1:;5 COM O 01-.C?: Cnt (74 21.2.Q.d. 22 CC-MFMinistério da Fazenda tz: Segundo Conselho de Contribuintes s.N4D Fl. "Pfr n)• Mat.. S;apo 91743"'•;;ge-I• Processo n2 : 10920.00142389-12 Recurso n2 : 131.601 Acórdão n2 : 201-79.575 ----Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ATACADO JOINVILLE LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência nos períodos anteriores a setembro de 1994, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2006. 45(4,4a., n osefa Maria Coelho Marques Presidente 141/4A otimoidieckir Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Roberto Velloso (Suplente), Maurício Taveira e Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. 2 _ MF - SEGUNDO CONSELHO ET CONilliguthrrEs rt rtE COM O - :'N.Nt. •-•Vkr.C.41 i9 6 ;24352£ 2° CC-MF Ministérioda Fazenda Bras,: a, Fl. ":2) 17.4.,r'w., Segundo Conselho de Contribuintes ° Mdt SIJOY 91,45 Processo n2 : 10920.001423199-12 Recurso n2 : 131.601 Acórdão n2 : 201-79.575 Recorrente : ATACADO JOINVILLE LTDA. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 331/351, vol. I) contra a r. Decisão de fls. 311/325, exarada pela DRJ em Florianópolis - SC, que houve por bem julgar procedente lançamento original de contribuição para o PIS (MPF n2 0920200/00194/99), notificado em 31/08/99 (fls. 259/276, vol. I), no valor total de R$ 122.898,06 (PIS: R$ 45.328,25; juros de mora: R$ 43.573,77; multa proporcional: RS 33.996,04), que acusou a ora recorrente de diferenças de PIS apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago no período de 31/01/93 a 30/09/96, cujas bases de cálculo estão demonstrados nas planilhas de fls. 250/251 e documentos de fls. 78/151, englobando devoluções de mercadorias a terceiros exclusivamente feitas pela matriz, conforme documentos de fls. 152/249. Em razão desses fatos, a d. Fiscalização acusa infringência ao art. 77, inciso III, do Decreto-Lei n2 5.844/43, art. 149 do CTN, art. 32, alínea "b", da LC n2 7/70, art. 12, parágrafo único, da LC n2 17/73, Titulo 5, capítulo 1, seção 1, alínea "h", itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF n2 142/82, arts. 22, inciso I, 32, 82, inciso I, e 92, da MP n2 1.212/95, e suas reedições, convalidadas pela Lei n2 9.715/98; arts. 22, inciso I, 82, inciso I, e 92, da Lei n2 9.715/98; e arts. 22 e 32 e Se da Lei n2 9.718/98. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 311/325, exarada pela DRJ em Florianópolis - SC, houve por bem julgar procedente lançamento original da contribuição para o PIS retromencionado, aos fundamentos sintetizados em sua ementa, nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o PIS/Parep Período de apuração: 01/01/1993 a 30/09/1996 Ementa: BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO DO ICMS. A parcela do faturatnento relativa ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações - ICMS, compõe a base de cálculo do PIS. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1993 a 30/09/1996 Ementa: ARGÜIÇÕES DE INCONSTTTUCIONAIJDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS LVSTÂNCL4S ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições hdte inconstitucionalidade e ilegalidade. Nigbg") Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1993 a 30/09/1996 Ementa: JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA 0.1 3 MI' -.SEGUNDO CONSELHO C t_ :1"2/51.1INTES CONFERE COM O C S: 2° CC-MF Ministério da Fazenda Erasiltà n. tP3k! Segundo Conselho de Contribuintes Mit .t 91-745 Processo /12 : 10920.001423/99-12 Recurso n2 : 131.601 Acórdão /12 : 201-79375 Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incident, a partir de 01/04/1995, juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, acumulada mensalmente. MULTA DE OFICIO. INCIDÊNCIA As multas de oficio são aplicáveis em todos aqueles casos em que resta constatado, em procedimento fiscal, a falta de cumprimento espontemeo das obrigações tributárias, sendo razoável que sejam tão gravosas aponto de cumprirem sua função precipua. MULTAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MORA. DISTINÇÃO As multas de oficio possuem natureza punitiva, constituindo-se em instrumento de desestimulo a prática de infrações fiscais, não se confundindo com as multas de mora, meramente compensatórias, destinadas ao simples ressarcimento pelo atraso no pagamento de obrigação devidamente constituída. LANÇAMENTO PROCEDENTE". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 331/351, vol. I), oportunamente apresentadas e instruídas com a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fls. 426/436, vol. II), a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da Decisão de 1 2 instância, na parte em que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, eis que, dado ciência da autuação em 31/08/99, não mais poderia ter sido efetuado o lançamento, cujo fato gerador supostamente teria ocorrido anteriormente a agosto de 1995, eis que os mesmos encontram-se extintos, conforme § 42 do art. 150 e art. 156, inciso V, do CTN, e jurisprudência deste Conselho; b) que a verificação da adequação de um ato jurídico não é monopólio do Poder Judiciário; c) que o ICMS não representa riqueza da impetrante, não pode ser considerado para fins de apuração da Cofins e do PIS, do contrário, estar-se-á utilizando o tributo com efeito confiscatório, como se fosse uma penalidade a ser aplicada ao contribuinte, em manifesta ofensa ao seu direito de propriedade, ao principio constitucional da capacidade contributiva e ao art. 195, I, da CF/88; d) impossibilidade de utilização da taxa Selic para fins de indexação de tributos nos termos do art. 161 do CTN; e e) que a eventual multa a ser aplicada é de 20%, conforme art. 59 da Lei n 2 8.383/91, sendo confiscatória a multa de 75%. da)(11É o relatório. bf*- 4 ME • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ONIG:M n L 1 -M1-• Ministério da Fazenda Bre.tr 0, taailL -"cc Fl ek Segundo Conselho de Contribuintes car Swee0 hbt' sal145 Processo n2 : 10920.001423/99-12 Recurso e : 131.601 Acórdão n2 : 201-79.575 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA O recurso voluntário (fls. 331/351, vol. I) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser provido parcialmente. De fato, inicialmente, verifico que a conclusão da r. Decisão recorrida, quanto à questão da decadência, merece reforma, por não se conformar com o que dispõe a Lei • Complementar e com a interpretação que lhes emprestam as jurisprudências judicial e administrativa. De fato, solidamente apoiado no princípio constitucional da reserva da lei complementar, o Egrégio STJ recentemente proclamou que "as contribuições sociais, inclusive as destinados a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária" e, "por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, - compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos", razões pelas quais aquela Egrégia Corte Superior de Justiça expressamente reconheceu que "padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no AgRg no REsp n2 616.348-MG, Reg. n2 2003/0229004-0, em sessão de 14/12/2004, rel. Min. Teori Albino Zavascki, publ. in DAI de 14/02/2005, p. 144, e in RDDT, vol. 115, p. 164), diferentemente do prazo qüinqüenal estabelecido na lei complementar (CTN, arts. 150, § 42, e 173). Na mesma ordem de idéias, já na interpretação dos dispositivos da lei complementar prevalente, aquela mesma Egrégia Corte Superior de Justiça recentemente esclareceu que as normas dos arts. 150, § 4 2, e 173, do C1N, "não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4° aplica-se exclusivamente aos tributos 'cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa': o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento, em principio, antecede o pagamento". Assim, entende aquela Egrégia Corte que a aplicação concorrente dos arts. 150, § 42, e 173, a par de ser juridicamente insustentável e padecer de invencível ilogicidade, apresenta-se como "solução (..) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica." (cf. Acórdão da 22 Turma do STJ no REsp n2 638.962-PR, rel. Min. Luiz Fux, publ. no DAI de 01/08/2005 e na RDDT 121/238) Acolhendo e conformando-se com esses ensinamentos de inegável juridicidade, a jurisprudência deste Egrégio Conselho tem reiteradamente proclamado a inaplicabilidade do art. 45 da Lei n2 8.2123/91, invocado como fundamento da r. decisão recorrida, em razão do que dispõem as normas da Lei Complementar (art. 150, § 42, do CTN), como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: t/filk 5 • • MF - SEGUNDO CONSELHO DF CONTRIBUNTES C C.f r RE CCM O OPCNni_ 2° CC-MF, 7.54-t.?" Ministério da Fazenda "ir - 1:-'44 2 •• Brasan: _0.3 i O t5 f2OZ28-- Fl.Te') 1 .-:.JY Segundo Conselho de Contribuintes ';X:f.."`I.:- ;fr S ..,o 555251-...: .7.2 FAct S.-0,91745 Processo n2 : 10920.001423/99-12 Recurso n2 : 131.601 Acórdão n2 : 201-79.575 "DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: (..) a regra a ser seguida na contagem do prazo decadencial é a estabelecido no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. Da mesma forma, os lançamentos das contribuições sociais que, por se revestirem de natureza tributária sujeitam-se às regras instituídas por lei complementar (CDO, por expressa previsão constitucional (artigos 146, III, 'b' e 149 da C.F). Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso." (Acórdão n2 101-94.394, da 1 ! Câmara do 1 2 CC - Relator: Raul Pimentel, publ. in DOU 1 - 28/01/2004, pág. 9, e in "Jurisprudência-IR" anexo ao Boi. 10B n s 11/2004) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - NATUREZA JURÍDICA TRIBUTA. RIA - PRAZO DE DECADÊNCIA DE 10 ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO -. ART. 45 DA LEI 8.212/91, DIANTE DO ART. 150, § 4° DO CIN. CSLL de 1997. Preliminar. Decadência - CSLL - Inaplicabildiade do art. 45 da Lei 8.212/91 frente às normas dispostas no art. 150, § 4° do CTN. A partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídico-tributária, aplicando-se-lhes todos aos princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, 'b 2, e no CTN (arts. 150, § 4°c 173)." (cf. Acórdão n2 101-94.602 da 1 ! Câmara do 1 2 CC/MF, publ. no D.1 de 28/04/2005 e in RDDT 118/146) "CSL - Decadência do direito ao crédito tributário - Prazo" (..) LANÇAMENTO - DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Não se operou a decadência do direito de constituir o crédito tributário em virtude de ter prevalecido o entendimento de se aplicar às contribuições sociais o prazo definido no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, aliado ao prazo definido no artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91 (dez anos). Preliminar rejeitada (..)." (cf. Acórdão n 2 103-21.255, da 3! Câmara do 12 CC, rel. Victor Luis de Saltes Freire, publ. in DOU 1 de 24/12/2003, pág. 45, e in "Jurisprudência-1R" anexo ao Boi. 1013 n2 7/2004) "CSLL - Decadência - Caracterização. COIVTRMUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - DECADÊNCIA - CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - ART. 150, § 4 0 - NÃO APLICAÇÃO DA LEI N° 8.212/91. O prazo decadencial das contribuições é o previsto no art. 150, do CIN., pois, em virtude de prescrição constitucional (art. 146, HO, trata-se de matéria exclusiva de lei complementar, não podendo ser tocada por lei ordinária No caso, até o exercício de 1996, pode-se falar em decadência (..). Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Octávio Campos Fischer (Relator). Designado o Conselheiro Natanael Martins para redigir o voto vencedor." (cf. Acórdão n2 107-07.049, da 71 Câmara do 1 2 CC, rel. Cons. Natanael Martins; publ. DOU 1 de 10/12/2003, pág 38, e in "Jurisprudência-IR" anexo ao Boi. 10B n2 1/2004) Dos preceitos expostos, desde logo verifica-se que o auto de infração original notificado em 31/08/99 (fls. 259/276, vol. I), jamais poderia abranger operações ocorridas no período de 01/93 a 08/95, sobre as quais já se achava extinto o direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário, nos expressos termos dos arts. 150, § 42, e 156, inciso V, do CTN, impondo-se a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamaram as jurisprudências administrativa e judicial retrocitadas. No mais, a r. Decisão recorrida deve ser mantida, por seus próprios e jurídicos findamentos, plenamente conformes com a jurisprudência judicial. Realmente, como acertadamente ressaltou a r. Decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMSaf 401k, 6 MF - SEGUNDO CONSELHO DF CONTRIBUINTES ,-/-$41:01 CONFERE COM O Ric:n 2° CC-MF Mihistério da Fazenda o 4 famcf: n. Segundo Conselho de Contribuintes Svlo (asa Ma Stape 9945 Processo n2 • : 10920.001423/99-12 Recurso n2 : 131.601 Acórdão n2 : 201-79.575 por expressa disposição do art. 13 da LC n 2 87/96, integra o preço da mercadoria faturado, que é apurado "por dentro", não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo • da contribuição para o PIS, contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3 2 da Lei n2 9.715/98). Nesse sentido anoto que a matéria já se pacificou no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFLVS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. I. A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo da COF17VS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do S7'J. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relato ria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Lida e Outros ((ls. 564/592)." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp n2 706.766-RS, Reg. n2 2004/0168598-2, em sessão de 18/05/2006, rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 29/05/2006, p. 169) A jurisprudência desta Corte Administrativa também já assentou que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade e a legalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo, sendo certo ainda que, no caso excogitado (exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo "os magistrados e Tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o beneficio da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rd Min. Celso de Mello)." (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STF no Agr. Reg. no AI n2 171.733-SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237). Isto posto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 331/351, vol. I), reformando parcialmente a r. Decisão de fls. 311/325, exarada pela da DRJ em Florianópolis - SC, apenas para proclamar a decadência e a extinção do direito (4 .1 4 , 4,i 7 . • MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O CR:CRNI CC-MFw"-.5 .. Ministério da Fazenda I 200.8'n._ Bradia. 00 6 Fl. - "at Segundo Conselho de Contribuintes•, SilvloSje.t.:sa Mat. Skipe 91745 Processo n2 : 10920.001423/99-12 Recurso n2 : 131.601 Acórdão n2 : 201-79.575 de constituir o crédito tributário em relação às operações ocorridas no período de 01/93 a 08/95, nos expressos termos dos arts. 150, § 42, e 156, inciso V, do CTN, e, no mérito, manter a r. Decisão por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o meu voto. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2006. ityleabir FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA 8 • Page 1 _0116800.PDF Page 1 _0117000.PDF Page 1 _0117200.PDF Page 1 _0117400.PDF Page 1 _0117600.PDF Page 1 _0117800.PDF Page 1 _0118000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10930.002603/92-54
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - IMPUGNAÇÃO - Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Legítima a imposição de juros moratórios. Notificação fixada em UFIR. Legitimidade. VTN fixado em consonância com as normas de regência. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-07531
Nome do relator: DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO
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(), De Ub O& / q/b cip) MINISTÉRIO DA FAZENDA a- Rubrica. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES )+0 < Tutr:t. Processo n° : 10930.002603/92-54 Sessão de : 22 de fevereiro de 1995 Acórdão n° : 202-07.531 Recurso n° : 97.343 Recorrente : GILZA RODRIGUES MOREIRA ZORZATO Recorrida : DRF em Londrina - PR 1TR - IMPUGNAÇÃO - Suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Legitima a imposição de juros moratórios. Notificação Fixada em UFIR. Legitimidade. VTN fixado em consonância com as normas de regência. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GILZA RODRIGUES MOREIRA ZORZATO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 22 de ft ereiro de 1995 Helvio Est, o edo Bar -1 os Preside M • tjl e Daniel Corrêa Homem de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elio Rothe, Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campeio Borges e José Cabral Garofano. I / I * ...n." ..S MINISTÉRIO DA FAZENDA a. , J SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10930.002603/92-54 Acórdão n° : 202-07.531 Recurso n° : 97.343 Recorrente : GILZA ROD1UGUES MOREIRA ZORZATO RELATÓRIO Por sua clareza e poder de síntese, adoto e transcrevo o relatório da autoridade fiscal recorrida: " A interessada, através da petição de fls. 09/11, que substituiu a de fls.01, impugna parcialmente o lançamento de Cr$ 3.011.572,00, relativo ao Imposto Territorial Rural - ITR, Contribuição Sindical Rural - CNA e CONTAG, Taxa de Serviços Cadastrais e Contribuição Parafiscal, correspondentes ao exercício de 1992 e constantes da Notificação/Comprovante de Pagamento de fls. 02. O lançamento fundamentou-se nos seguintes dispositivos e diplomas legais: artigos 49 e 50 da Lei n° 4.504/64, com a redação dada pela Lei n" 6.746/79; artigo 5' do Decreto-Lei n° 57/66, combinado com o artigo 2° e alíneas do Decreto-Lei n° 1.989/82; artigo 5' do Decreto-Lei n° 1.146/70, combinado com o artigo 1° e parágrafos do Decreto-Lei n° 1.989/82; artigo 4° e parágrafos do Decreto-Lei n° 1.166/71; Decreto n°84.685/80 e Portaria Interministerial MEFP/MARA n° 1.275/91. Na impugnação, apresentada dentro do prazo legal, a contribuinte alega que: - em razão da propriedade classificar-se como empresa rural (Decreto n° 84.685/80, art. 22, inciso III), a Contribuição Parafiscal está sendo cobrada indevidamente ferindo o disposto na alínea "b" do parágrafo 3° do artigo 1° do Decreto-Lei n° 1.989/82; - o valor da Terra Nua - VTN, utilizado como base de cálculo do ITR e da Contribuição CNA está em desacordo com o que dispõe o parágrafo 4° do artigo 7° do Decreto n° 84.685/80; - o VTN utilizado está acima do de outros municípios se comparado com o de áreas idênticas às de sua propriedade; 2 I I ...e' .4e, MINISTÉRIO DA FAZENDA ,•1t SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , Processo n° : 10930.002603/92-54 Acórdão n° : 202-07.531 - "o levantamento que deu base a elaboração da Instrução Normativa n° 119 de 18 de novembro, demonstra total desconhecimento do que é Terra Nua, preceituado no Artigo 7° do mesmo Decreto"; - as Contribuições Sindicais (CNA e CONTAG) sempre foram lançadas com base nos valores referenciais de janeiro de cada ano. A Consolidação das Leis do Trabalho estabelece o mês de janeiro para os empregadores (art. 587) e o mês de abril para os trabalhadores (art. 583), sendo essa fixada em 1/30 do salário mensal do mesmo referente ao mês anterior (art. 582, parágrafo 1°, alínea "b"); - o valor da Contribuição CNA teve como base de cálculo um VTN fora da realidade e a tabela foi atualizada até o mês de outubro de 1992; - o valor da Contribuição CONTAG teve como base de cálculo o MVR atualizado e não o valor do Salário Mínimo Regional, como determina o Decreto-Lei n° 1.166/71; e - qualquer que seja o critério adotado, deve haver obediência ao ordenamento jurídico e ao princípio universal de hierarquia das leis. Anexa a petição cópia da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR/92, apresentada em 22/06/92 (fls. 03)". Ao manter parcialmente o lançamento, a DRF em Londrina - PR assim baseou seu decisório: a) as exigências foram feitas em consonância com os dispositivos legais em vigor; b) a Contribuição Parafiscal tem sua exigência amparada no artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.146/70 com as alterações do Decreto-Lei n° 1.289/92 e do artigo 21 do Decreto n° 84.685/80. Tal contribuição não incide sobre os imóveis classificados como empresa rural, assim definida pelo § 3°, b, do artigo 1' do Decreto-Lei n° 1.989/82 e inciso III, a, b e c, do artigo 22 do Decreto n° 84.685/80; logo tendo em vista que o imóvel possui 94,3% de Grau de Utilização da Terra (GUT) e 100% de Grau de Eficiência na 3 d MINISTERIO DA FAZENDA 4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ':..t.,014,» Processo n° : 10930.002603192-54 Acórdão n° : 202-07.531 Exploração (GEE) e que o item 21 da DITR/92 atesta observância da Legislação Trabalhista ambiental; a Contribuição Parafiscal é indevida; c) o VTN foi obtido em consonância com o artigo 1° da Portaria Interministerial - MEFP/MARA n° 1.275/91. Logo, este valor encontra-se conforme os §§ 2° e 3° do artigo 7° do Decreto n° 84.685/80. Tendo em vista o VTN declarado ser menor do que o mínimo, este fixado de acordo com a Tabela da IN-SRF n° 119/92; d) a Contribuição para a CNA é prevista no artigo 4", § 1 0 , do Decreto-Lei 1.166/91, e artigo 580, III, da CLT, com redação dada pela Lei n° 7.047/82. O valor foi obtido a partir do MVR fixado pelo artigo 21, II, da Lei n° 8.178/91, atualizado nos termos do artigo 3°, II, da Lei n° 8.383/91 (Demonstrativo de Cálculos às fls. 18); e e) a Contribuição para a CONTAG é prevista no § 2' do artigo 4' do Decreto-Lei n° 1.166/91, artigo 10 da Lei n° 6.205/75 e Despacho-MTA/C n° 024 de 01/06/92 . O valor foi obtido a partir da base de cálculo fixada pelo Ministério de Estado do Trabalho e Administração em Despacho de 01/06/92 que aprovou o Parecer-MTA/U n° 024192, atualizado em cumprimento aos artigos 1°, §§ 1° e 3°, II, ambos da Lei n° 8.383/91 (Demonstrativo de Cálculo às fls. 19). A Lei n° 6.205/75 descaracterizou o salário mínimo como fator de correção, não cabendo na aplicação à base de cálculo da contribuição. Irresignada, a contribuinte recorre ao Conselho de Contribuintes alegando que: "02. A decisão emitida pela Secretaria da Receita Federal, retifica o lançamento original, considerando-o parcialmente procedente e deixou de examinar o mérito quanto a reclamação do Valor da Terra Nua - VTN, valor base de lançamento do ITR e Contribuição CNA, emitindo a Intimação n° 019/94, transformando o lançamento original retificado, na data de seu primeiro vencimento, em UFIR acrescentando juros de mora também em UFIR de 14% (quatorze por cento). 03. Entende a reclamante que a Intimação em UFIR não tem qualquer amparo legal, pois a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa mediante o recurso apresentado no prazo, a decisão reformou o lançamento original e por último que a notificação abrange o lançamento do Imposto Territorial Rural - ITR, Contribuição Sindical CNA e CONTAG além da Taxa de 4 n 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10930.002603/92-54 Acórdão n° : 202-07.531 Cadastro e não existe lei que permita a transformação de todos esses créditos em UFIR. 4. A suspensão do crédito tributário conforme acima alegado tem amparo de lei: Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) Art. 151 - Suspendem a exigibilidade do crédito Tributário: 1. III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo O que está suspenso não está vencido e verificada a falta funcional no lançamento anterior (CTN - Art. 149 Inc. IX), não há que se falar qualquer acréscimo. 5. Com relação ao Valor da Terra Nua-VTN, decidiu a SRF que o recurso é incabível, pois utilizou para o lançamento o VTN mínimo constante na IN/SRF n o 119/92. Ora o lançamento do ITR 192 deu-se em 24.10.92 e a IN/SRF n° 119/92 foi firmada em 18.11.92 e publicada no D.O.U. em 19.11.92 e sua aplicação fere os critérios legais pré-existentes e princípio da anterioridade da lei tributária. Por outro lado o Valor da Terra Nua fixado na IN/SRF n° 119/92 majorou o tributo em mais 2000% contra uma inflação (INPC) de 475,11% em flagrante desrespeito as leis: Constituição Federal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem que a lei o estabeleça. Código Tributário Nacional (Lei 5.172166) • .45 MINISTÉRIO DA FAZENDA , SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10930.002603192-54 Acórdão n° : 202-07.531 Art. 97 - Somente a Lei pode estabelecer: II - A majoração de tributos. . . Parágrafo 1' - Equipara-se a majoração do tributo a modificação de sua base de cálculo, que importe torná-los mais oneroso. Diante de tais fatos a contribuinte está efetuando o pagamento dos valores apurados pela SRF conforme Decisão acima referida transformando-os apenas de Cruzeiros para Cruzeiros Reais (comprovante anexo) e requer: a) Que seja desobrigado do pagamento de qualquer acréscimo ou penalidade (transformação em UFIR e juros), encerrando assim o processo. b) Caso contrário que seja julgado o mérito conforme acima exposto." É o relatório. 6 Ca4 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10930.002603192-54 Acórdão n° : 202-07.531 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO a) a contribuinte, em seu recurso, afirma que a autoridade recorrida deixou de examinar o mérito quanto ao VTN. Jurisprudência firmada neste Conselho inibe a apreciação das questões sobre matérias relativas ao VTN. A apreciação é feita quanto a legalidade. Nesse mister parece-nos intocável a decisão. b) insurge-se ainda a contribuinte contra a intimação n° 15/94 que transformou o lançamento original notificado, na data de seu primeiro vencimento, em UFIR acrescentando juros de mora também em UF1R, e 14% (quatorze por cento). Entendo que a UFIR não constitui fator de aumento do tributo. Trata-se de imposição de "moeda estável", constituindo-se em defesa contra a corrosão provocada pela inflação. Parece-nos legítima a imposição de juros de mora de 14% sobre o valor, visto que, conforme preceitua o artigo 151, III, no caso está apenas suspensa a exigibilidade do crédito tributário . Negada razão à impugnação, são devidos os juros moratorios respectivos. Aplica-se o artigo 59, caput, parte final, da Lei n° 8.383/91. O VTN foi fixado pela IN-SRF n° 119/92, de 18.11.92, publicada em 19.11.92. O lançamento do ITR/92 deu-se em 24.10.92, antes da publicação da referida tabela, ferindo o princípio da anterioridade. A instrução normativa não existe isoladamente. Não é autônoma na ordem jurídica. Segue ditames das normas legais que lhe são anteriores. Nosso ordenamento jurídico 7 i , - \i5 - MINISTÉRIO DA FAZENDA L SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ... Processo no : 10930.002603/92-54 Acórdão n° : 202-07.531 admite regulamentos autônomos. Logo, os critérios e definições já estavam estipulados na norma legal instituidora do tributo. Existiria invalidade se a integração da norma legal fosse além de seu comando. Isto posto, nego provimento ao recurso para manter a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 1995 /)( DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO 8
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720944/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Cabível o lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Sobre o crédito tributário assim lançado incidem juros de mora.
AÇÃO JUDICIAL. OBJETO COMUM. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1803-002.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria em relação aos atos cooperativos e negar provimento quanto às demais matérias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabível o lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Sobre o crédito tributário assim lançado incidem juros de mora. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO COMUM. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria em relação aos atos cooperativos e negar provimento quanto às demais matérias, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 09 44 /2 00 7- 11 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.720944/200711 Acórdão n.º 1803002.016 S1TE03 Fl. 482 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório COOPERATIVA DE CREDITO RURAL DE ITAUNA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belo Horizonte (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata do auto de infração de fls. 3/10, lavrado para exigir CSLL (R$ 68.378,07) e juros de mora (R$ 40.490,60), relativos aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Segundo a descrição dos fatos contida no auto de infração (fl. 4), o contribuinte realizou de forma incorreta a apuração da CSLL nos anos 2002, 2003 e 2004, quando fez exclusões indevidas nesse procedimento, nos seguintes termos: Apuração incorreta da Contribuição Social s/ o Lucro Líquido, tendo em vista que o contribuinte não considerou todos os resultados da Cooperativa de Crédito, tendo excluído aqueles informados como sendo originários de atos cooperativos, conforme demonstrado na DIPJ, na ficha "Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido", na linha "Outras Exclusões". Os valores informados nesta linha referemse a Resultados orginários de Atos Cooperados, conforme se constata da análise da DIPJ, na ficha "Demonstração do Lucro Real", na linha "Resultados Não Tributáveis de Sociedades Cooperativas", para efeito de apuração do IRPJ. O contribuinte foi cientificado do lançamento tributário, por via postal, em 05/12/2007 (fls. 220) e apresentou impugnação em 04/01/2008, juntadas às fls. 221/239, cujo teor foi assim sintetizado no relatório da decisão recorrida (fl. 299): Dos fatos o autuante ignorou o disposto no art. 151, IV, do CTN, bem como considerou tributáveis os resultados referentes aos atos cooperativos, que estão à margem de incidência tributária; são citados o art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764, de 1971; o art. 1° da Lei n° 7.689, de 1988; e o art. 39 da Lei n° 10.865, de 2004. Da impossibilidade de lançamento fiscal para fins de prevenção da decadência — Suspensão da exigibilidade a autuação, mesmo dirigida a prevenir a decadência, configura uma afronta ao mandamento jurisdicional, bem como contraria a teleologia da sistemática legal que confere à medida liminar (sentença) força jurídica para suspender a exigibilidade do crédito, o que configura proteção ao contribuinte contra atos Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.720944/200711 Acórdão n.º 1803002.016 S1TE03 Fl. 483 3 administrativos direcionados à sua cobrança (como é a lavratura de auto de infração); a suspensão da exigibilidade do crédito tributário afasta os efeitos decadenciais oriundos da inércia do fisco na formalização de uma obrigação tributária descumprida, pois o suposto contribuinte encontrase garantido enquanto perdurarem os efeitos da medida judicial; não existe risco de caducidade do direito creditório do fisco, pois não há descumprimento da obrigação tributária discutida em juízo, como justificativa à necessidade de constituição formal do crédito fiscal de tal obrigação; a real intenção do lançamento não é prevenir a decadência, uma vez que são exigidos juros de mora; são transcritas ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, bem como excertos doutrinários. Da inaplicabilidade de juros na hipótese de "lançamento preventivo de decadência ainda que, por absurdo, se considere possível o lançamento para fins exclusivos de prevenção de decadência, este se limitaria apenas ao registro formal do valor correspondente ao tributo não recolhido, sendo inaplicáveis encargos moratórios (juros); estas obrigações resultam da mora do sujeito passivo no cumprimento de sua obrigação tributária, descaracterizada em caso de suspensão da exigibilidade do montante questionado, uma vez não há, aí, mora no cumprimento de tal obrigação; são transcritos excertos doutrinários e ementas de decisões dos Conselhos de Contribuintes. Da não incidência da CSLL sobre os atos cooperativos a Lei e 5.764, de 1971, conceituou no seu art. 79 o ato cooperativo, retirandolhe todo o conteúdo econômico apto a associarlhe a possibilidade de obtenção de lucro e/ou receita, e o propósito do seu art. 111 é exatamente excluir toda e qualquer incidência tributária sobre os resultados decorrentes de atos cooperativos (sobras), incluindose apenas os resultados positivos (lucros) decorrentes de atos não cooperativos (arts. 85, 86 e 88); o art. 87 da mesma lei determina, como o fez a impugnante, a contabilização em apartado dos resultados dos atos não cooperativos, já que somente sobre esses poderá recair a tributação na cooperativa; lembrandose que o ato cooperativo é tributado na pessoa física do cooperado; no que se refere à prestação de serviços aos cooperados, em não se auferindo lucro, não há "resultado do exercício", verificandose somente o repasse aos associados das despesas ocorridas na consecução do objetivo social da cooperativa, conforme prevê o art. 4° da Lei n° 5.764, de 1971, pois a impugnante não é remunerada pela prestação de serviços; Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.720944/200711 Acórdão n.º 1803002.016 S1TE03 Fl. 484 4 a eventual "receita" (ingresso) tem como função exclusiva a cobertura das despesas, sendo que o excedente, ' consubstanciando as "sobras líquidas" do exercício, e rateado entre os associados, confirmando sua natureza de ato cooperativo, ou seja, não há intuito lucrativo, não podendo as sobras serem equiparadas ao lucro; a Lei n° 10.865, de 2004, repetindo a previsão da lei cooperativista, a despeito de travestir a não incidência desta em isenção, enfatiza a inexistência de lucro na prática de atos cooperativos, disposição meramente interpretativa, daí retroagir aos fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, na linha do art. 106 do CTN; se o cooperativismo existe exatamente para facultar o acesso da pessoa física em determinado meio econômico, sua existência não há de representar uma incidência tributária maior do que aquela aferível pelo próprio cooperado; nesse sentido, são trazidos à baila diversos julgados dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem assim dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça. A DRJ Belo Horizonte (MG), por meio do acórdão nº 0223002, de 16 de julho de 2009 (fls. 297), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabível o lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência de crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. Sobre o crédito tributário assim lançado incidem juros de mora. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO COMUM. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Ciente da decisão em 16/04/2010, por meio de remessa postal (fl. 313), o autuado apresentou recurso voluntário em 18/05/2010 (fls. 315/335), em que reforça os argumentos já apresentados em sua impugnação, seguindo três vetores: i) impossibilidade de lançamento para fins de prevenção da decadência de crédito tributário com exigibilidade suspensa por medida judicial; ii) impossibilidade de exigência de juros na hipótese de lançamento realizado para prevenir a decadência; iii) não incidência da CSLL sobre os atos cooperativos. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.720944/200711 Acórdão n.º 1803002.016 S1TE03 Fl. 485 5 Adicionalmente, nega sua alegada renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa em razão de uma suposta falsa concomitância com o Mandado de Segurança n° 2005.38.00.019.7618, conforme apontado na decisão recorrida. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Em seu primeiro esforço de defesa, o recorrente afirma que o lançamento tributário para prevenir a decadência viola o mandamento judicial e é desnecessária, uma vez que a questão judicial impede o transcurso do prazo decadencial. Não assiste razão ao recorrente. A decisão judicial que o beneficiou impede a exigência do tributo guerreado, conforme o dispositivo da respectiva sentença (fl. 215): Isto posto, concedo a segurança, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre os atos cooperativos da Impetrante , conforme requerido. Esta ordem está sendo cumprida, conforme se verifica no extrato do presente processo (fl. 289/290), em que fica claro que os créditos tributários em tela estão suspensos devido à medida judicial. O auto de infração, embora constitua o crédito tributário, não tem a funcionalidade de exigilo. A exigência, na esfera administrativa, se dá por meio de intimação específica, o que não ocorreu na espécie. O lançamento tributário se faz necessário, mesmo sem a devida exigibilidade, porque o prazo de decadência tem sua contagem iniciada a partir do fato gerador do tributo e não pode ser interrompido, nem mesmo pela propositura de ação judicial, conforme se aprende nas primeiras lições de Direito Tributário, nos bancos da academia. Por seu turno, uma vez constituído o crédito tributário, não há mais a possibilidade de decadência, passandose à contagem do prazo de prescrição, este sim passível de suspensão. Por fim, a atividade condenada pelo recorrente tem previsão legal expressa, contida no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Esse mesmo dispositivo legal ainda espanca o segundo argumento do recorrente, quando combate a inclusão dos juros moratórios no crédito tributário constituído. Como se vê na redação legal, é excluída do lançamento apenas a multa de ofício, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.720944/200711 Acórdão n.º 1803002.016 S1TE03 Fl. 486 6 permanecendo a necessidade de constituição dos juros moratórios, por força do §3º do artigo 61 da mesma Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Prosseguindo na sua defesa, o recorrente questiona a identidade de objetos entre o lançamento realizado e a ação judicial de sua autoria, nos seguintes termos: No entanto, adentrandose especificamente nos argumentos aduzidos pela Recorrente nos autos do Mandado de Segurança n° 2005.38.00.0197618 constatase que as questões apresentadas não coincidem inteiramente com o dito da matéria submetida à apreciação dessa instância julgadora. O recorrente argumenta de forma genérica, sem especificar os pontos que entende divergentes entre os dois procedimentos. No meu entender, há uma coincidência absoluta de objetos, uma vez que o lançamento tributário foi realizado especificamente em razão da ação judicial em tela, conforme consta do auto de infração (fl. 3), no quadro intitulado “intimação”. Em tal circunstância, é mister aplicar a Súmula nº 1 deste Tribunal Administrativo, que tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não se conhece da questão de mérito, relativa à incidência da CSLL sobre os atos cooperativos, pois será resolvida na esfera judicial. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10665.720944/200711 Acórdão n.º 1803002.016 S1TE03 Fl. 487 7 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 13984.001637/2006-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinatura digital)
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
(assinatura digital)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinatura digital) RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinatura digital) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, EWAN TELES AGUIAR (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ/FNS que julgou procedente o Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, através do qual se exige a importância RS 7.200,42, a título de Imposto de Renda Suplementar, acrescida de multa de ofício de 75 % e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 84 .0 01 63 7/ 20 06 -3 2 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13984.001637/200632 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.135 S2C2T1 Fl. 124 2 Consoante Relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fls. 11, o presente lançamento decorre da omissão de rendimentos recebidos, no valor de R$ 30.432,66, das fontes pagadoras Caixa Econômica Federal em virtude de ação judicial impetrada contra o Instituto Nacional da Seguridade Social INSS e Fundação Codesc de Seguridade Social FUSESC. Sendo que na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF no valor de R$ 589,82. Insurgindose contra o referido despacho, o interessado interpôs impugnação de fl. 01 a 08, alegando, em breve síntese, que: os rendimentos em tela foram recebidos acumuladamente no ano de 2004; diante da falta de orientação por parte das fontes pagadoras quanto à tributação dos rendimentos ora lançados como omissos e da retenção do imposto de renda incidente sobre estes, acreditando que o imposto devido ao fisco estava corretamente recolhido; além disso, conforme comprovam os documentos em anexo é portador de doença grave desde 19/04/1994, a qual o deixou incapaz definitivamente para os exercício das suas funções; logo, quando do recebimento dos rendimentos objeto do presente lançamento já fazia jus à isenção prevista no art. 39 do Decreto n° 3.000, de 1999, enquadrada como paralisia irreversível e incapacitante. Inconformado recorre reafirmando os argumentos da impugnação. É o relatório do necessário. Voto O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos formais e materiais, razão pela que deles conheço. Inicialmente entendo que o caso reclama o sobrestamento por tratar de imposto de renda sobre pagamentos acumulados. Ocorre que ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que versa exatamente sobre tal forma de cálculo do imposto objeto dos presentes autos, o Supremo Tribunal Federal determinou o sobrestamento dos demais feitos que versam sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 543B do CPC, in verbis: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13984.001637/200632 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.135 S2C2T1 Fl. 125 3 se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Diante do exposto, proponho o sobrestamento do presente feito, tendo em vista o disposto no art. 62A do RICARF por tratarse de matéria com repercussão geral acolhida pelo STF. É como voto Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 2/05/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904373/2012-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 73 /2 01 2- 62 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904373/201262 Acórdão n.º 3801003.187 S3TE01 Fl. 87 2 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904373/201262 Acórdão n.º 3801003.187 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/07/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904373/201262 Acórdão n.º 3801003.187 S3TE01 Fl. 89 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904373/201262 Acórdão n.º 3801003.187 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904373/201262 Acórdão n.º 3801003.187 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904373/201262 Acórdão n.º 3801003.187 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 13888.916058/2011-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 30/09/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/09/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 58 /2 01 1- 41 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 24/46 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 75,49, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de setembro de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916058/201141 Acórdão n.º 3802002.828 S3TE02 Fl. 81 3 c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 02/07/2013 (fls. 51 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 16/07/2013 (fls. 78), o recurso voluntário de fls. 53/70, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 76/77, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916058/201141 Acórdão n.º 3802002.828 S3TE02 Fl. 82 5 Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 76/77). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916058/201141 Acórdão n.º 3802002.828 S3TE02 Fl. 83 7 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 13601.000577/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, nos termos do voto do relator, determinar realização de diligência para que a autoridade administrativa (1) junte aos autos cópia da DIMOB que serviu de base para apuração da omissão de rendimentos de alugueis, bem como seja o contribuinte intimado para que apresente documentação hábil e idônea capaz de confirmar sua alegação de que o valor declarado por seu cônjuge corresponde, de fato, aos alugueis informados na referida DIMOB; e (2) após, emita o correspondente relatório de diligência, do qual o contribuinte deverá ser cientificado para, em querendo, apresentar razões adicionais de defesa, no prazo de 30 (trinta) dias, em relação ao(s) novo(s) elemento(s) juntado(s) aos autos.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, nos termos do voto do relator, determinar realização de diligência para que a autoridade administrativa (1) junte aos autos cópia da DIMOB que serviu de base para apuração da omissão de rendimentos de alugueis, bem como seja o contribuinte intimado para que apresente documentação hábil e idônea capaz de confirmar sua alegação de que o valor declarado por seu cônjuge corresponde, de fato, aos alugueis informados na referida DIMOB; e (2) após, emita o correspondente relatório de diligência, do qual o contribuinte deverá ser cientificado para, em querendo, apresentar razões adicionais de defesa, no prazo de 30 (trinta) dias, em relação ao(s) novo(s) elemento(s) juntado(s) aos autos. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, nos termos do voto do relator, determinar realização de diligência para que a autoridade administrativa (1) junte aos autos cópia da DIMOB que serviu de base para apuração da omissão de rendimentos de alugueis, bem como seja o contribuinte intimado para que apresente documentação hábil e idônea capaz de confirmar sua alegação de que o valor declarado por seu cônjuge corresponde, de fato, aos alugueis informados na referida DIMOB; e (2) após, emita o correspondente relatório de diligência, do qual o contribuinte deverá ser cientificado para, em querendo, apresentar razões adicionais de defesa, no prazo de 30 (trinta) dias, em relação ao(s) novo(s) elemento(s) juntado(s) aos autos. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 01 .0 00 57 7/ 20 08 -5 0 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 85 ___________ Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, fls. 42/46. Consta do voto proferido pelo relator do mencionado acórdão que: “O impugnante, após reconhecer que dos R$95.914,19 recebidos a titulo de aluguéis, R$34.064,19 foram, de fato omitidos, requer que a parte declarada por sua esposa seja considerada improcedente para fins de apuração do imposto de renda. Tornar válida esta afirmação significaria fechar os olhos para as disposições contidas na legislação anteriormente citada, justamente porque os cônjuges devem optar por um dos dois caminhos já mencionados: apresentação de declaração em nome de um deles, da qual conste a totalidade dos rendimentos ou a distribuição equinânime dos rendimentos frutos de bens comuns na declaração de marido e esposa. Ademais, da forma como consta dos autos, da DIMOB e da declaração de ajuste da esposa do impugnante, não [há] como estabelecer que os valores por ela declarados como recebidos de pessoa física são decorrentes da percepção de aluguéis.” Cientificado em 19/08/2011, fls. 57, o interessado ingressou recurso voluntário em 14/09/2011, fls. 59 a 81, alegando, em especial, que os rendimentos de R$ 61.850,00 (...) oferecidos à tributação na DIRPF anobase de 2005 pela esposa do Recorrente consta da DIMOB como sendo rendimentos recebidos de pessoas físicas, especialmente do imóvel do casal, da rua Santos Dumont, 827, bairro Ingá, Betim/MG, (cópia em anexo). É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O julgamento de primeira instância fundamentou sua decisão no fato de que da DIMOB não há como estabelecer que os valores declarados pela cônjuge do contribuinte são decorrentes da percepção de alugueis. Do exame dos autos, contudo, não se constata a juntada da referida declaração DIMOB. Por sua vez, o recorrente, embora alegue ter juntado copia de documento à sua peça recursal que possibilitaria a confirmação que os valores declarados por seu cônjuge, dos autos não se constata nenhum elemento juntado nesse sentido. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13601.000577/200850 Resolução nº 2802000.209 S2TE02 Fl. 86 3 Diante do exposto, voto por determinar realização de diligência para que a autoridade administrativa (1) junte aos autos cópia da DIMOB que serviu de base para apuração da omissão de rendimentos de alugueis, bem como seja o contribuinte intimado para que apresente documentação hábil e idônea capaz de confirmar sua alegação de que o valor declarado por seu cônjuge corresponde, de fato, aos alugueis informados na referida DIMOB; e (2) após, emita o correspondente relatório de diligência, do qual o contribuinte deverá ser cientificado para, em querendo, apresentar razões adicionais de defesa, no prazo de 30 (trinta) dias, em relação ao(s) novo(s) elemento(s) juntado(s) aos autos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720059/2011-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão a todos os tributos atingidos pelo fato analisado.
NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL.
A dilação probatória no âmbito do processo administrativo tributário não está limitada aos registros contábeis e fiscais do contribuinte, podendo a autoridade tributária buscar elementos perante terceiros ou em qualquer outra fonte, conforme autorização do artigo 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, no que se incluem as provas colhidas em sede de investigação criminal e regularmente encaminhadas ao Fisco pelo Poder Judiciário ou pelo Ministério Público.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUDITORIA FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS.
Não há contraditório na fase que antecede o lançamento tributário, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, de forma que não caracteriza cerceamento de defesa a ausência da assistência do contribuinte fiscalizado na produção de provas durante a fase que antecede o lançamento tributário.
Numero da decisão: 1801-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão a todos os tributos atingidos pelo fato analisado. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL. A dilação probatória no âmbito do processo administrativo tributário não está limitada aos registros contábeis e fiscais do contribuinte, podendo a autoridade tributária buscar elementos perante terceiros ou em qualquer outra fonte, conforme autorização do artigo 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, no que se incluem as provas colhidas em sede de investigação criminal e regularmente encaminhadas ao Fisco pelo Poder Judiciário ou pelo Ministério Público. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUDITORIA FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS. Não há contraditório na fase que antecede o lançamento tributário, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, de forma que não caracteriza cerceamento de defesa a ausência da assistência do contribuinte fiscalizado na produção de provas durante a fase que antecede o lançamento tributário.
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SÚMULA VINCULANTE Nº 24. Não há congruência entre o objeto da Súmula Vinculante nº 24, do Supremo Tribunal Federal, com a atividade da administração tributária em lançar tributo devido, uma vez que o lançamento tributário não tipifica crime, limitandose a apontar infração de natureza jurídica administrativa. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL. A dilação probatória no âmbito do processo administrativo tributário não está limitada aos registros contábeis e fiscais do contribuinte, podendo a autoridade tributária buscar elementos perante terceiros ou em qualquer outra fonte, conforme autorização do artigo 9º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, no que se incluem as provas colhidas em sede de investigação criminal e regularmente encaminhadas ao Fisco pelo Poder Judiciário ou pelo Ministério Público. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUDITORIA FISCAL. PRODUÇÃO DE PROVAS. Não há contraditório na fase que antecede o lançamento tributário, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, de forma que não caracteriza cerceamento de defesa a ausência da assistência do contribuinte fiscalizado na produção de provas durante a fase que antecede o lançamento tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CUSTOS. GLOSA. NOTA FISCAL INIDÔNEA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 00 59 /2 01 1- 14 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 389 2 As despesas suportadas por notas fiscais de conteúdo falso e obtidas de forma irregular pela empresa autuada não devem ser consideradas na apuração do lucro real. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplicase a mesma decisão a todos os tributos atingidos pelo fato analisado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0729.835 (fl. 339), pela DRJ Florianópolis, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos aos anos 2008 e 2009, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (150%) TOTAL FLS. IRPJ 157.769,29 59.246,68 236.653,92 453.669,89 3 CSLL 60.377,38 22.901,60 90.566,06 173.845,04 20 PIS/PASEP 11.069,09 4.303,04 16.603,57 31.975,70 31 COFINS 50.985,27 19.820,65 76.477,86 147.283,78 41 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 390 3 Conforme o relato contido no Termo de Verificação Fiscal (fl. 54), os autos de infração foram lavrados em razão de terem sido glosadas despesas, deduzidas na apuração do lucro real e creditadas na apuração do PIS e da Cofins, cujos documentos comprobatórios foram considerados inidôneos. Transcrevese parte do referido Termo, quando descreve os fatos apurados: 2. DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL Por meio do Ofício n° 0180901217192000001, de 16 de outubro de 2009 (CÓPIA ANEXA) a D. Juíza Substituta Dra. Lizandra Pinto de Souza, disponibilizou para a Receita Federal do Brasil os dados magnéticos obtidos quando da busca e apreensão na empresa Tozzo & Cia Ltda os quais se encontravam sob custódia da ForçaTarefa do Ministério Público de Santa Catarina. Da mesma forma foram encaminhados cópia da decisão de busca e apreensão (dos autos n° 018.09.0187900), dos termos de apreensão e exibição e do pedido de compartilhamento de dados. (CÓPIA ANEXA). Por sua vez, através do Ofício n° 340/2009/6 PJC PRCCT (CÓPIA ANEXA) O Ministério Público de Santa Catarina descreveu para a Receita Federal do Brasil as ocorrências do dia 17 de setembro de 2009, na cidade de Chapecó (SC), quando grupo de ForçaTarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, apoiados pelos órgãos de segurança (Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal), deram cumprimento a mandados de busca e apreensão relativos à chamada "Operação Nota Referente ATZO", tendo como alvo a empresa Tozzo & Cia Ltda. Os documentos apreendidos pelo Ministério Público de Santa Catarina revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais com a conseqüente emissão de notas fiscais e duplicatas simuladas para outros destinatários. O esquema fraudulento de vendas operavase da seguinte forma: Parte das mercadorias vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda eram entregues por motoristas funcionários, utilizando caminhões próprios, a destinatários que não desejavam receber nota fiscal (com intuito de revender as mercadorias também sem nota fiscal, sonegando os tributos e permitindo a permanência em regimes de tributação favorecidos como é o caso do SIMPLES). Estas entregas sem nota fiscal eram acompanhadas de um documento paralelo denominado de "Pedido ATZO". Por outro lado para manter a regularidade do estoque de mercadorias e para beneficiar interessados em registrar créditos de ICMS, os responsáveis da empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais para destinatários que não correspondiam aos verdadeiros adquirentes/recebedores das mercadorias. Tais notas fiscais eram Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 391 4 denominadas pelos envolvidos de ''Nota Referente", pois correspondia (ou se "referiam") a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, ou seja, referiase a um "Pedido ATZO". Ou seja, as vendas sem nota fiscal (Pedido ATZO) geravam uma nota fiscal ideologicamente falsa (Nota Referente) contendo um destinatário irreal. A fim de manter o controle financeiro do esquema fraudulento, a Tozzo & Cia Ltda simulava a emissão de duplicatas que eram registradas e quitadas via caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações. O esquema fraudulento acima mencionado pode ser comprovado pela leitura dos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC por pessoas ligadas (funcionários e prestadores de serviço) à empresa Tozzo & Cia Ltda, conforme excertos dos autos do processo judicial no 018.09.0217192. (CÓPIA ANEXA). ... Neste passo, impende salientar que as notas fiscais com destinatários forjados, quais sejam, as chamadas "Notas Referentes" eram identificadas nos sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda por meio do seguinte procedimento: Tais notas eram lançadas como tendo um desconto de 0.01 %. Esta conduta resta comprovada nos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC pelas seguintes pessoas: ... E de curial importância ressaltar que as pessoas acima nominadas eram aquelas encarregadas de criar e controlar os sistema informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda. Daí a relevância dos seus depoimentos. Ainda nesta senda, o Ministério Público de SC, por meio do Ofício 942/09/CIE/MP, (CÓPIA ANEXA), encaminhou à Receita Federal do Brasil cópia do ofício n° 3708/09 do Instituto de Criminalística, (CÓPIA ANEXA), acompanhado de um DVD contendo informações digitais apreendidas durante a operação realizada no dia 17 de setembro de 2009 na cidade de Chapecó. Da análise dos documentos recebidos, (arquivos apreendidos na empresa Tozzo e Cia.), constatouse que a empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA logrou proveito do esquema fraudulento já multicitado, visto que aquela (SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA ) foi beneficiária de notas fiscais graciosas CONFORME RELAÇÃO emitidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda. A conclusão de que a empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA se beneficiou do esquema acima relatado, qual seja, a de receber notas fiscais graciosas (notas referentes) é o fato de que o relatório resultante do exame em mídia de armazenamento computacional, e que está adunado, discrimina a existência de vendas da empresa Tozzo & CIA que tiveram Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 392 5 desconto de 0,01% (parâmetro apontado nos depoimentos acima citados) e que apresentavam como adquirente da mercadoria a empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA. 3. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Por meio do Termo de Início de Ação Fiscal o contribuinte foi instado a apresentar sua escrituração contábil e fiscal em meio magnético, bem como a, com relação às notas fiscais relacionadas no ANEXO do referido Termo: a) comprovar o efetivo recebimento das mercadorias relativas àquelas notas fiscais. b) explicar como se deu o pagamento destas aquisições, bem como comprovar o seu efetivo pagamento: Convém salientar que as notas fiscais relacionadas no ANEXO do Termo de Início de Ação Fiscal são aquelas identificadas como sendo vendas da empresa Tozzo & Cia Ltda com desconto de 0,01% para a empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA e, foram escrituradas pela autuada. Constatada utilização de notas fiscais ''graciosas", propôsse o início de ação fiscal a fim de verificar as irregularidades na apuração de recolhimento de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por meio do expediente de 08/06/2011 o contribuinte apresentou a escrituração contábil bem como os atos constitutivos a contento, e asseverou que: a) Quanto à comprovação do efetivo recebimento das mercadorias, a Empresa se manifestou através de expediente de 08/06/2011, alegando que a mercadoria era recebida através das respectivas Notas Fiscais com conferência e ciência de recebimento das mesmas. b) quanto ao pagamento, a Empresa se manifestou através de expediente de 08/06/2011 informa que: "O PAGAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS ERA EFETUADO ATRAVÉS DE CHEQUES DE TERCEIROS E PARTE EM MOEDA CORRENTE NACIONAL MEDIANTE CARIMBO DE QUITAÇÃO". Juntou cópia, por amostragem, de Notas Fiscais e das respectivas Duplicatas onde consta o carimbo "pago". 3.1 DAS AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS Informamos também que a Empresa efetuou parcelamento ESPONTÂNEO de ICMS junto a SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE SANTA CATARINA, referente a estas Notas Fiscais, conforme consta no extrato do razão em anexo da conta PARCELAMENTO DE IMPOSTO DECLARADOICMS, o que também, em tese, comprova a veracidade dos fatos. Como já repisado consta do livro de entradas da empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA o registro de Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 393 6 aquisições de mercadorias para revenda ao amparo de "notas fiscais referentes" emitidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda. Identificadas por esta fiscalização as notas fiscais que teriam sido utilizadas indevidamente pela empresa fiscalizada, a mesma foi regularmente intimada para comprovar com documentação hábil e idônea o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento das mesmas, conforme Termo de Início de Ação Fiscal. Em resposta a Empresa fiscalizada cingiuse a alegar através de expedientes de 08/06/2011 o acima mencionado, ou seja: a) Quanto à entrega de mercadorias a empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA alegou que a mercadoria era recebida através das respectivas Notas Fiscais com conferência e ciência de recebimento das mesmas. b) quanto à forma de pagamento alegou a empresa fiscalizada que as referidas aquisições foram quitadas por meio de duplicatas e com recursos saídos diretamente de seu caixa (com cheques de terceiros e em moeda corrente), A empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA não apresentou comprovantes de pagamento de forma diferente, ou seja, pelos meios costumeiramente utilizados que são os boletos bancários, cheques nominativos e transferências entre contas bancárias As alegações da empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA confirmam os indícios apurados durante a operação de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina. O "modus operandis" constatado a partir dos documentos apreendidos na sede da empresa Tozzo & Cia Ltda e dos depoimentos colhidos de pessoas a ela ligadas (vendedores, funcionários de escritório, prestadores de serviço de computação e programadores), e que consistia na emissão de notas fiscais para destinatários falsos, cujo estoque era acertado com a simulação de pagamento por meio de quitação de duplicatas diretamente no caixa, se coaduna com a resposta da empresa fiscalizada. Sendo assim, a empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA não logrou êxito na comprovação da efetiva aquisição/recebimento das mercadorias supostamente vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda e que foram relacionadas no ANEXO ao Termo de Início de Ação Fiscal. A autuação foi realizada com multa de ofício qualificada, com índice de 150%, para o qual a autoridade tributária apresentou a seguinte motivação (fl. 60): A juízo destas autoridades fiscais, a autuada adotou conduta que teve por desiderato impedir o conhecimento por parte da administração tributária do total das exações devidas pela mesma durante o ano calendário de 2006 a 2009. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 394 7 A empresa fiscalizada praticou de forma reiterada durante o período fiscalizado (anoscalendário 2006 a 2009), ato que modificou a característica essencial do fato gerador de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal de modo a reduzir o montante devido, ao inserir em sua escrituração contábil e fiscal documentos inidôneos. A fiscalizada utilizouse de notas fiscais cujo destinatário foi simulado pelo emitente a fim de beneficiarse do creditamento dos tributos inerentes à operação e aumentar o custo dos bens vendidos, reduzindo desta forma o lucro líquido que serve de base de cálculo do imposto de renda e para a contribuição social. A constatação dos fatos ocorreu a partir da análise de documentos apreendidos na sede da empresa Tozzo & Cia Ltda, em ação de cumprimento de mandado de busca e apreensão cumprido pelo Ministério Público de Santa Catarina e Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, quando desbarataram esquema amiudado no item 2 deste relato. A forma reiterada (04 anos) de utilizarse de notas fiscais inidôneas, fruto de esquema organizado para lesar os cofres públicos, caracteriza a intenção do agente (titular da empresa fiscalizada) de produzir o resultado decorrente da prática daqueles atos, que é a redução do montante dos tributos devidos. Para a correta apuração dos tributos devidos necessário se faz a comparação das declarações apresentadas pelo sujeito passivo, com sua escrituração contábil e fiscal. No caso da empresa fiscalizada tal comparação é possível, porém os dados inseridos em sua escrituração contábil no período de 2006 a 2009 são inexatos, não refletem a realidade dos fatos, pois as declarações apresentadas padecem de veracidade. Este fato retardou o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, pois antes de a ação fiscal ser iniciada o conhecimento que a Fazenda Pública possuía do fato gerador era aquele erroneamente informado pela empresa Fiscalizada nas "Declarações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica" (DIPJ). Não fosse a ação da fiscalização os fatos geradores do presente auto de infração não teriam chegado ao conhecimento da administração tributária. É na omissão do contribuinte ou na prestação de informações falsas que reside a fraude que justifica o percentual da multa ora aplicada, visto que, por meio destas condutas, o contribuinte se esconde na esperança de que o Fisco nada descubra, e assim não possa exercer o seu direito (constituir o crédito tributário) no prazo decadencial, acarretando assim prejuízos aos cofres públicos. Por tudo o exposto, concluise que o autuado incorreu no disposto nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação e fraude. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 395 8 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.: Dizse que há dolo quando o agente quer o resultado ou assume o risco de produzilo. O dolo é composto dos elementos: a) consciência da conduta e do resultado; b) consciência da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado; c) vontade de realizar a conduta e produzir o resultado. Ao inserir na escrituração contábil e fiscal documentos inidôneos a empresa SUPERMERCADO SANTA MARTA LTDA retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal. A prática desta inserção/utilização fez parte da rotina administrativa da empresa fiscalizada, o que comprova que a intenção do agente sempre foi de reduzir os tributos devidos. Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o contribuinte se sujeita à multa prevista no §1o do artigo 44 da Lei no. 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, que assim assevera: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; §1o O Percentual de multa de que trata o inciso I do caout será duplicado nos casos previstos nos artigos 71. 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, (grifo nosso). Da mesma forma, o contribuinte incorreu no disposto no artigo 256 do Decreto n° 3.000/99, que assim assevera: Art. 256. A falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração financeira, que tenha por objeto eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamento, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber (DecretoLei nQ 1.598, de 1977, art. 7°, §1o) Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 396 9 A fraude no caso vertente consistiu em utilizarse de notas fiscais de entrada de mercadoria ideologicamente falsas (não houve estas aquisições) escriturando em sua conta caixa, enquanto pagamento, valores que não foram efetivamente pagos. Desta maneira, frente as ações/omissões da autuada estas autoridades fiscais fixaram a multa de ofício em 150 %. Os lançamentos foram alvo de impugnações, assim descritas no relatório do acórdão recorrido: Irresignada a contribuinte impugna (apresenta quatro impugnações de idêntico teor para cada uma das exações) os lançamentos alegando a nulidade destes por violação à súmula vinculante nº 29 do STF. Com base nesta súmula afirma, em síntese, que antes da constituição definitiva de crédito tributário não há que se falar em qualquer medida penal e que no processo administrativo fiscal, portanto, houve claro descumprimento desta determinação haja vista que foram utilizadas informações colhidas em processos investigativos penais (busca e apreensão e de interceptação telefônica) sem a prévia e definitiva constituição de créditos tributários. Reclama também a impugnante da utilização da prova emprestada alegando que a prova foi colhida em processo legal sem observância do Devido Processo Legal. Argumenta que os Autos de Infração se apóiam “unicamente em declarações prestadas em fase de procedimento investigatório promovido pelo Ministério Público Catarinense”, “colhidas na presença tão somente do parquet e de auditor da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina”, sem ter sido possibilitado a Tozzo e Cia Ltda. e Tozzo Bebidas Ltda. e tampouco a ela própria, o exercício do contraditório. Sustenta, então que a prova compartilhada deve ser tomada como mero indício que depende de confirmação com a efetiva fiscalização e obtenção de provas necessárias para a autuação, servindo os documentos compartilhados como mero ponto de partida do procedimento fiscalizatório e não como única prova da suposta infração. Segue defendendo a ilegalidade da utilização de presunção no feito fiscal, no caso, a presunção trazida por prova testemunhal de que as “Notas Referentes eram identificadas nos sistemas informatizados como tendo um desconto de 0,01%”, desacompanhadas de qualquer prova material do declarado. Alega que as operações comerciais consubstanciadas por meio das notas fiscais (com desconto de 0,01%) gozam de presunção de legitimidade, que somente poderia ser afastada por meio de prova documental cabal, produzida pela fiscalização, da não entrada/pagamento das mercadorias; nesse sentido argumenta: [...]é necessária a prova da utilização de créditos dispostos em documento fiscais que não correspondam a efetiva operação de circulação de mercadoria, o que só poderá ser verificado se apresentados, primeiramente, o documento fiscal, com sua declaração de inidoneidade, bem como, o Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 397 10 registro de entrada do contribuinte, para que possa verificar esta não entrada/pagamento das mercadorias. [...]Era o caso de se analisar uma a uma as operações, ou, em últimos casos, uma apuração por amostragem. Verificar se houve a efetiva operação de circulação de mercadoria que gerou o crédito, para aí sim, e na existência de improbidade, elidir a presunção legal de legitimidade que cerca cada um dos documentos fiscais que descrevem as operações de compra e venda realizadas. Ao longo de seu arrazoado, ainda a fim de demonstrar a alegada fragilidade das provas, menciona um excerto do depoimento de Edegar Edson Brancaglione onde este é “categórico” ao afirmar que “...há casos onde consta esse desconto de 0,01% e não ser nota fiscal REFERENTE”. Por fim, alega ainda, que a ausência de prova documental contra a legalidade das operações, além do já dito, também prejudica a ampla defesa. Em relação à multa de ofício no percentual de 150%, defende: a) a aplicação do percentual de 75%, consoante a nova redação dada por meio Lei nº 11.488/2007 aos incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, que antes previam percentuais de 75% e 150% e “foram reduzidos para 75% e 50%”, beneficiando o contribuinte; b) a aplicação da multa de 75% sem a duplicação prevista no §1º do referido art 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, considerando que esta lei não pode ser aplicada retroativamente em desfavor do contribuinte. A Delegacia de Julgamento considerou a impugnação improcedente, ementando assim a sua decisão (fl. 339): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 31/12/2008, 30/06/2009, 30/09/2009 Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa. Inocorrência. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. Prova Emprestada. Admissibilidade. Na instrução do processo administrativo fiscal são admissíveis como provas elementos, informações e documentos coletados por outros órgãos oficiais e regularmente compartilhados com a Receita Federal do Brasil, limitandose o empréstimo às provas e não às conclusões do órgão em que foram coletadas. Prova Indiciária. Admissibilidade. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 398 11 É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Ofício. Legitimidade. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 303, de 29/06/2006, DOU de 30/06/2006). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 31/12/2008, 30/06/2009, 30/09/200 Escrituração contábil. Força Probante. A escrituração contábil da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. Nota fiscal. Presunção de veracidade afastada. Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. Lançamento de Ofício. Repartição do ônus da prova. Nos casos em que a autoridade fiscal comprovou, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito que deu causa ao lançamento de ofício, este somente é afastado se o contribuinte lograr provar o teor das alegações que contrapõe às provas que o ensejaram. Notas fiscais inidôneas. Glosa de custos/despesas. Cabe à contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o pagamento das aquisições de mercadorias, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, e em assim não o fazendo, é de se concluir, aliado a outras evidências, que as supostas aquisições não foram efetivamente recebidas/adquiridas. Assim, correto o procedimento fiscal em glosar os custos/despesas, relativos às citadas aquisições, contabilizadas pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 399 12 Data do fato gerador: 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 31/12/2008, 30/06/2009, 30/09/2009 CSLL. Lançamento Reflexo. PIS. COFINS. Período de apuração: entre 31/07/2006 a 30/09/2009 Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. Cientificado dessa decisão em 11/10/2012, por meio de remessa postal (fl. 362), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 363), em 08/11/2012, em que repisa os argumentos já apresentados na referida impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Os lançamentos foram realizados em razão de terem sido glosados custos declarados e não comprovados. Nos anos de 2006 a 2009, o contribuinte contabilizou pagamentos a título de compra de mercadorias da empresa Tozzo & Cia Ltda. Esses pagamentos foram considerados despesas para reduzir o lucro real apurado e para gerar crédito de PIS e Cofins nãocumulativos. A referida empresa Tozzo & Cia Ltda foi alvo de investigação policial, na qual foi constatado que não eram emitidas notas fiscais para parte das mercadorias vendidas por ela. As vendas assim realizadas eram acompanhadas apenas de um documento paralelo denominado "Pedido ATZO". Por outro lado, a empresa Tozzo & Cia Ltda simulava a venda de mercadorias, por meio da emissão de notas fiscais para empresas que não haviam adquirido as mercadorias lá relacionadas. Esse tipo de nota fiscal era denominada ''Nota Referente", pois se referia a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, conforme descrito acima, e eram identificadas nos sistemas informatizados da empresa por meio de um desconto padrão de 0,01%. A fim de manter o controle financeiro nesse procedimento, a empresa Tozzo & Cia Ltda simulava a emissão de duplicatas que eram registradas e quitadas via caixa, dando uma aparência de regularidade para ambos os tipos de operação. Muitas dessas “notas referentes” foram emitidas para a empresa autuada, durante um extenso período de quatro anos, o que deu ensejo à presente ação fiscal. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 400 13 A empresa autuada utilizou essas “notas referentes” para majorar seu custo e, de efeito, reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Da mesma forma, utilizou as mesmas notas fiscais para se creditar de PIS e Cofins e, assim, reduzir a contribuição para o PIS e a Cofins devidas. Esses são os fatos que fundamentam aos lançamentos tributários em análise. O recorrente afirma a nulidade dos autos de infração em razão de suposta ofensa à Súmula Vinculante nº 24, do Supremo Tribunal Federal, que tem o seguinte enunciado: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Não assiste razão ao recorrente, pois o lançamento tributário não tipifica crime algum, limitandose a apontar infração tributária, de natureza jurídica administrativa. Portanto, não há congruência entre o objeto da referida súmula vinculante e a atividade da administração tributária, aqui combatida pelo recorrente. O recorrente também propugna pela anulação dos lançamentos em razão de terem sido feitos com base em provas oriundas de uma investigação criminal (prova emprestada), o que impediria o pleno exercício de seu direito de defesa. A dilação probatória no âmbito do processo administrativo tributário não está limitada aos registros contábeis e fiscais do contribuinte, podendo a autoridade tributária buscar elementos perante terceiros ou em qualquer outra fonte, conforme autorização do artigo 9º do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Portanto, as provas colhidas junto ao processo de investigação criminal são válidas e suficientes para contraporem as notas fiscais que lastreavam as referidas operações de compra. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 401 14 Também não se pode afirmar, por esse fato, que houve cerceamento de defesa do contribuinte, uma vez que não há contraditório na fase que antecede o lançamento tributário, conforme o artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Ademais, antes mesmo do lançamento tributário, o contribuinte foi intimado para comprovar a efetiva realização das referidas operações de compra (fl. 63), ou seja, foilhe dado oportunidade de produzir provas em seu favor e contradizer as provas colhidas junto à investigação criminal. Após o lançamento, os autos foram franqueados ao interessado e o curso do presente processo tem sido um meio de defenderse de tudo o que foi apurado. Portanto, carece de fundamento fático a alegada limitação nas possibilidades de defesa por parte do autuado. Prosseguindo na argumentação do recorrente, não lhe assiste razão quando afirma que houve, na espécie, inversão do ônus da prova. É certo que cabe ao Fisco o esforço de colher as provas necessárias à configuração da infração autuada e isso foi devidamente cumprido, no meu entender, quando foi trazido aos autos farto conjunto probatório que desacreditou as notas fiscais emitidas. A arguição para que o contribuinte provasse a efetiva realização das compras é medida necessária para que o Fisco se desincumba de outra obrigação sua, que é a de dar oportunidade ao autuado de contradizer as provas levantadas e de produzir as suas próprias. Na medida em que o autuado não logrou comprovar o que lhe foi questionado, prevalecem as provas que fundamentam os lançamentos. O último argumento do recorrente combate a multa de ofício exigida e reclama pela aplicação retroativa da Lei nº 11.488, de 2007, que alterou o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A multa de ofício está sendo exigida com fundamento legal no referido artigo 44 e este foi, de fato, alterado pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 2007, com a seguinte redação: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 402 15 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” (NR) A leitura do novo dispositivo deixa claro que não houve, com a nova redação, qualquer alteração na situação jurídica do recorrente. Formalmente, a capitulação da multa qualificada deixou de ser o artigo 44, inciso II, para ser o artigo 44, inciso I, combinado com o seu §1º. Todavia, não houve qualquer alteração material. O enquadramento legal da multa de ofício apresentado no auto de infração já traz as devidas referências, inclusive à nova Lei, conforme os períodos de apuração atingidos (fl. 19). Portanto, a multa de ofício deve ser mantida no patamar em que foi lavrada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13982.720059/201114 Acórdão n.º 1801002.022 S1TE01 Fl. 403 16 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11684.000898/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/09/2008
Ementa:
ADUANA. PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES QUANTO A` CARGA TRANSPORTADA. DESCONSOLIDAÇÃO ANTERIOR A 1º DE ABRIL DE 2009.
Conforme exegese do art. 50, Para´grafo U´nico, Inciso II, da IN/SRF no 800/07, antes de 1º de abril de 2009, as informações sobre a carga transportada deveriam ser prestadas pelo agente desconsolidador, antes da atracação da embarcação em porto no Pai´s.
MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010.
O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 11/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES QUANTO À CARGA TRANSPORTADA. DESCONSOLIDAÇÃO ANTERIOR A 1º DE ABRIL DE 2009. Conforme exegese do art. 50, Parágrafo Único, Inciso II, da IN/SRF no 800/07, antes de 1º de abril de 2009, as informações sobre a carga transportada deveriam ser prestadas pelo agente desconsolidador, antes da atracação da embarcação em porto no País. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 08 98 /2 00 8- 56 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 11/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Transcrevo, do auto de infração, a situação fática que deu ensejo ao auto de infração que deu origem ao presente processo: A empresa NORGISTICS BRASIL OPERADOR MULTIMODAL LTDA., CNPJ nº 05.908.748/000100, agência desconsolidadora, descumpriu a obrigação tributária acessória de registrar informações no Sistema de Comercio Exterior (Siscomex Carga) referentes a desconsolidação da carga constante do CE Mercante Master nº 130805175766296 (ANEXO I), dentro do prazo legal estipulado. Segundo previsão legal, o transportador é a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, sendo classificado como agente de carga, quando se tratar de desconsolidador nacional. Ele é o responsável por informar sobre o veiculo e cargas nele transportadas, para cada escala da embarcação em porto alfandegado. A desconsolidagão deve ser informada pelo agente de carga que constar como consignatório do CE genérico, dentro do prazo. A informação sobre a carga transportada deve ser prestada antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no país. O não atendimento da prestação das informações no sistema caracteriza a carga como não manifestada para todos os efeitos legais. As informações referentes ao CEMercante Filhote nº 130805183416339 (ANEXO II) deveriam ter sido prestadas pela empresa em epígrafe antes da atracação em 24/09/2008, conforme escala nº 08000210183 (ANEXO III). No entanto os dados foram incluídos somente em 29/09/2008, conforme bloqueio gerado automaticamente pelo sistema (ANEXO II). A empresa NORGISTICS BRASIL OPERADOR MULTIMODAL LTDA. incorreu na penalidade prevista no art. 107, IV, "e", do decretolei nº 37/66, com redação dada pela Lei n 2 10833/03 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11684.000898/200856 Acórdão n.º 3302002.267 S3C3T2 Fl. 169 3 publicada no D.O.U. de 30/12/03, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), conforme disposto no art. 45 da IN RFB 800/2007. Intimada, ingressou a contribuinte com a impugnação de fls. 26 a 33: Em 17/09/2008, o transportador informou o CE Master ANRMB85017538035, gerando o CE Mercante n° 13080517576296. Em 23/09/2008, data anterior a atracação do navio Maruba Africa 09N, a impugnante (agente de carga Norgistics) efetuou a desconsolidação referente ao CE Mercante nª 130805180000700, que contempla o MHBL AKE000686. Este MHBL foi emitido para a Quattri Transportes, que não procedeu tempestivamente à desconsolidação do HBL, somente o fazendo em 29/09/2008. Observase que foi a Quattri que solicitou o desbloqueio do CEMercante. Dois são os agentes de carga no caso em questão. A impugnante para o HBL 13080517576296, cuja desconsolidação foi efetuada em 23/09/2008 e a Quattri para o HBL 130805180000700, cuja desconsolidação foi efetuada em 29/09/2008. Na forma do artigo 18 da IN RFB no 800/2007, solicita o cancelamento do crédito tributário. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento afastando as alegações de ilegitimidade e inocorrência da infração. Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário em que em síntese alega que: (i) a infração imposta não está caracterizada nos caso dos autos uma vez que as informações foram apresentadas, até porque são estas informações que deram origem a multa aplicada; (ii) que o responsável pela desconsolidação efetuada, foi a empresa Quattri Transportes; e, (iii) ocorreu a denuncia espontânea, pois a eventual irregularidade foi espontaneamente denunciada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Trata, o presente processo, de multa regulamentar exigida tendo em vista a ocorrência do registro das informações relativas à desconsolidação de mercadorias após a atracação do navio em porto alfandegado nacional. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Quanto ao fato gerador da multa aplicada não houve contestação, uma vez o registro da informações no SISCOMEX somente ocorreu em 29/09/2008, ou seja, cinco dias após a atracação ocorrida no dia 24/09/2008. Assim, de acordo com a legislação aplicável, e em especial o DecretoLei 37/66, estão sujeitos a multa de R$ 5.000,00 aqueles que deixarem de prestar informações nos prazos estabelecidos pela Receita Federal, como se vê: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei no 10.833, de 29.12.2003) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" Extraio da Instrução Normativa nº 800/07, os prazos estabelecidos para a prestação de informações relativas à desconsolidação: "Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico." A recorrente informa que tais prazos só poderiam ser considerados a partir de 1º de abril de 2009, tendo por base o disposto no art. 50 da mês instrução normativa citada acima e que assim dispõe: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País." Neste ponto, correto o lançamento da multa uma vez que a simples leitura do inciso II do parágrafo único afasta a interpretação da Recorrente. Merecem citação as seguintes decisões do CARF sobre o tema: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/04/2008, 18/04/2008, 29/04/2008, 02/05/2008, 08/05/2008 (...) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11684.000898/200856 Acórdão n.º 3302002.267 S3C3T2 Fl. 170 5 ADUANA. PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES QUANTO À CARGA TRANSPORTADA. DESCONSOLIDAÇÃO ANTERIOR A 1º DE ABRIL DE 2009. Conforme exegese do art. 50, Parágrafo Uńico, Inciso II, da IN/SRF no 800/07, antes de 1o de abril de 2009, as informações sobre a carga transportada deveriam ser prestadas pelo agente desconsolidador, antes da atracação da embarcação em porto no País. (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (PROCESSO 11968.000824/200833. Relator Jean Cleuter Simões Mendonça. Acórdão nº 3401002.183 – 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção. Sessão de 28 de fevereiro de 2013). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2008 ADUANEIRO. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INFORMAÇÕES INTEMPESTIVAS. MULTA REGULAMENTAR. A prestação intempestiva de informações relativas à desconsolidação de cargas enseja a aplicação de multa regulamentar, consoante artigo 107, IV, “e”, do DecretoLei no 37/66. Recurso voluntário negado.(Processo nº 10711.003262/201043. Relator Marcos Tranchesi Ortiz. Acórdão nº 3403001.834 – 4a Câmara, 3ª Turma Ordinária da 3ª Seção. Sessão de 27 de novembro de 2012). A recorrente também alega também que, em relação ao manifesto relativo ao HBL 130805180000700, a responsabidade não seria sua, mas sim da empresa Quatri Transportes que figurava também como consignataria em relação a este manifesto. A Instrução Normativa nº 800/07, assim define a sujeição passiva: Art. 18.A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. §1° 0 agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. § 2º 0 CE agregado é composto de dados básicos e itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 § 3° A alteração ou exclusão de CE agregado será efetuada pelo transportador que o informou no sistema. A decisão recorrida assim analisou a questão: Ao contrário do entendimento da impugnante, o artigo 18 não a isenta da autuação, e sim estabelece a legitimidade passiva da impugnante. Conforme estabelecido pelo artigo 18 acima, quem deve prestar a informação da desconsolidação da carga, ou seja, o desmembramento do Conhecimento Master em Conhecimentos Filhotes (agregados) é a pessoa física ou jurídica que constar como consignatário do CE genérico. Conforme se observa A folha 13, a razão social que consta como consignatária do CE (conhecimento eletrônico) Mercante n° 1308057576296 é a impugnante (Norgistics Brasil Operador Multimodal), sendo, então, a impugnante a legitimada passiva da obrigação e do processo em comento. A empresa Quattri Transportes Internacional é a consignatária do CE n° 13080518000700, conhecimento eletrônico este que é filhote do CE n° 130805175766296, conforme se observa A folha 17 no campo "CEMercante Master vinculado". Não merece reparos a decisão recorrida, a qual cito como razão de decidir. Por fim, alega a Recorrente, a ocorrência da denuncia espontânea uma vez que a irregularidade teria ocorrido antes de qualquer ato de fiscalização. Cita o Art. 138 do CTN e decisões do CARF sobre sua aplicação. Em que pese tal argumento ter sido levantado apenas em sede de Recurso Voluntário, tendo por norte os princípios da legalidade e da verdade material que devem estar sempre presentes, analiso o argumento. Buscamos no DecretoLei nº 37/66 as disposições especificas sobre a denuncia espontânea neles previstas: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11684.000898/200856 Acórdão n.º 3302002.267 S3C3T2 Fl. 171 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Cumpre destacar que, no caso concreto, a alegada denuncia espontânea da infração, teria ocorrido mediante a prestação das informações de desconsolidação no SISCOMEX em 29/09/2008, ou seja, cinco dias após a atracação. Do que pude apurar da análise dos documentos juntados aos autos, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (não apresentação de informações de desconsolidação, no SISCOMEX, antes da atracação) ocorreu somente em 03/11/2008 (fls. 25) e se consubstanciou na Intimação SAVIG nº 295/08, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 11/11/2008, e que solicitava o comparecimento do contribuinte à Alfândega de Itajaí para que este tomasse ciência do Auto de Infração n° 0717800/00203/08. A ciência do Auto de Infração ocorre em 19/11/2008. Durante muito tempo se debateu a aplicabilidade do instituto da denuncia espontânea previstos no art. 138 do CTN e no art. 102 do DecretoLei nº 37/66. Porém, ao menos em relação às questões aduaneiras, e após a edição pela Lei nº 12.350/10, o DecretoLei nº 37/66 passou a prever expressamente a possibilidade de aplicação da denuncia espontânea também em relação às penalidades administrativas. Neste ponto convém destacar o que prevê o art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, me parece aplicável ao caso a nova legislação, que afasta a aplicação de multa administrativa nos casos em que o contribuinte promove a denuncia espontânea de infração, desde que antes de qualquer ato praticado por servidor competente. Alias, vale destacar que a própria Receita Federal tem aplicado à retroatividade em casos análogos, como se vê: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 2 ª TURMA ACÓRDÃO Nº 1735834 de 27 de Outubro de 2009 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo regulamentar, tornase aplicável a multa prevista na alínea “e”, incido IV do art. 107 do DL nº 37/66. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Nos termos da Solução de Consulta Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF no 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF no 510, de 2005. Data do fato gerador: : 27/06/2004 a 27/06/2004, 26/10/2004 a 26/10/2004, 22/11/2004 a 22/11/2004 Por fim, trago recente acórdão de nº 3302001.879 exarado em 27/11/2012, por esta turma do CARF, e de lavra da eminente Conselheira Fabiola Kassiano Keramidas, cuja ementa cito: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2008, 05/05/2008 MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do Decreto Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Por todo o exposto voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 11684.000898/200856 Acórdão n.º 3302002.267 S3C3T2 Fl. 172 9 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 15504.017585/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. POSSIBILIDADE. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ENQUADRMAENTO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. ART. 12, I, a, DA LEI Nº 8.212/91.
Ao contrário das alegações do sujeito passivo, a autoridade lançadora pode sim desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, como de fato o fez. O § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 é o fundamento legal que ampara o procedimento levado a cabo pela autoridade administrativa autuante.
Em todas as análises relativamente às bolsas concedidas, o sujeito passivo descumpriu os dispositivos legais afetos a cada um dos casos concretos (Lei nº 6.494/77 e Decreto 87.497/82, Lei nº 8.958/94 e Decreto nº 5.205/04).
Havendo a caracterização dos bolsistas como segurados empregados, correto o enquadramento destes à disciplina do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente o fez a autoridade administrativa incumbida do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.473
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. POSSIBILIDADE. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ENQUADRMAENTO COMO SEGURADOS EMPREGADOS. ART. 12, I, a, DA LEI Nº 8.212/91. 1. Ao contrário das alegações do sujeito passivo, a autoridade lançadora pode sim desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, como de fato o fez. O § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 é o fundamento legal que ampara o procedimento levado a cabo pela autoridade administrativa autuante. 2. Em todas as análises relativamente às bolsas concedidas, o sujeito passivo descumpriu os dispositivos legais afetos a cada um dos casos concretos (Lei nº 6.494/77 e Decreto 87.497/82, Lei nº 8.958/94 e Decreto nº 5.205/04). 3. Havendo a caracterização dos bolsistas como segurados empregados, correto o enquadramento destes à disciplina do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente o fez a autoridade administrativa incumbida do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 75 85 /2 00 9- 40 Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.017585/200940 Acórdão n.º 2803003.473 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.017585/200940 Acórdão n.º 2803003.473 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração de bolsistas, não amparados pela Lei nº 8.958/94 e pela Lei nº 6.494/77, remuneração de segurados contribuintes individuais e sobre despesas escolares financiadas para funcionários em desacordo com a legislação vigente, consolidado em 10/12/09, competências de 01/2005 a 12/2005. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de outubro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. É obrigação da empresa, arrecadar as contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolhendo o produto arrecadado. FUNDAÇÃO DE APOIO. As instituições federais de ensino superior e pesquisa cientifica e tecnológica, a seu interesse, podem contratar instituições criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino, extensão e desenvolvimento institucional, científico e tecnológico (fundações de apoio), por meio da concessão de bolsas. CONTRRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI. INTERVENIÊNCIA OBRIGATÓRIA DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO. A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. Os estagiários que recebam bolsas de estágio, em desacordo com a Lei nº 6.494/77 são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Nas situações em que a fundação efetua irregularmente pagamento de bolsas a alunos de graduação e pós graduação, nas modalidades de especialização, mestrado ou doutorado, considerarseá o valor da bolsa como remuneração paga a segurados empregados, desde que Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.017585/200940 Acórdão n.º 2803003.473 S2TE03 Fl. 5 4 preenchidos os pressupostos básicos da relação de emprego. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedidas na Lei nº 8.958, de 1994, aplicase somente no caso do beneficiário ser servidor de instituição federal de ensino superior, não abrangendo os alunos desta. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente requereu a produção de prova testemunhal, com a oitiva de todos os bolsistas cujos contratos foram objeto da autuação, arrolandoos, conforme autorizado pelo Decreto 70.235/72, artigo 16, IV. No entanto, ignorando tal requerimento, numa demonstração inequívoca de cerceamento de defesa, a autuante proferiu a decisão colegiada, sem oportunizar a produção das provas orais. Deve ser declarada nula a decisão, reabrindose a fase instrutória, com a oitiva das testemunhas arroladas, diante da imprescindibilidade de tal prova para formação do convencimento quanto ao suposto vínculo empregatício reconhecido. Deve ser declarado nulo o auto de infração que originou o presente processo, já que não se fundamenta nos mesmos elementos de prova, dificultando senão impossibilitando a ampla defesa e o exercício do contraditório contra as autuações injustamente lançadas. Deve ser declarada incompetente a autoridade fiscal para reconhecimento do vínculo empregatício, e consequentemente, para o lançamento das autuações, devendo o presente processo ser declarado improcedente, declarandose insubsistente o auto que o originou. O auto de infração é inconsistente. A decisão colegiada não enfrenta todos os vícios apontados pela recorrente. Pelo contrário, limitase a alegar que os enganos quanto ao lançamento das bolsas independente da categoria, incide contribuição. Não há vínculo de emprego no caso apresentado, não havendo qualquer quadro fático e legal que sustente a condição de empregado dos estagiários e demais estudantes. Diversamente da decisão colegiada, as bolsas podem ser concedidas na forma da Lei 8.958/94 e do Decreto nº 5.205/2004, mas não de forma exclusiva. A concessão de bolsas pode ocorrer na forma da Lei 9.394/96. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.017585/200940 Acórdão n.º 2803003.473 S2TE03 Fl. 6 5 Observase que o bolsista, incluído como segurado empregado pela autuante, não está relacionado entre os segurados acima relacionados, não havendo qualquer amparo legal para a autuante considerálo segurado empregado, como pretendeu, razão pela qual não há qualquer fundamento jurídico e legal que ampare a presente autuação. Como já dito em sede de defesa, não compete à fiscalização ampliar o sentido da lei. Considerandose o exposto, deve ser dado provimento ao presente recurso, para que seja declarado nulo ou julgado improcedente o presente auto de infração, e, consequentemente, excluindose os créditos tributários. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.017585/200940 Acórdão n.º 2803003.473 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento ora em discussão diz respeito às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração de bolsistas, não amparados pela Lei nº 8.958/94 e pela Lei nº 6.494/77, remuneração de segurados contribuintes individuais e sobre despesas escolares financiadas para funcionários em desacordo com a legislação vigente. Em seu recurso, reiterando requerimento feito desde a impugnação, o contribuinte insiste na produção de prova testemunhal, conforme autorizado pelo inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. O dispositivo legal referido no parágrafo anterior está disciplinado da seguinte forma: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Com efeito, da leitura do artigo acima não se pode chegar à mesma conclusão do sujeito passivo da obrigação tributária ora discutida, de que o dispositivo legal autoriza a produção de prova testemunhal. Aliás, essa possibilidade não está prevista no âmbito do Processo Administrativo Fiscal brasileiro. Assim sendo, sem razão o contribuinte, tendo em vista que a decisão recorrida não pode ser anulada por conta do motivo alegado. De outra parte, e ao contrário das alegações do sujeito passivo, a autoridade lançadora pode sim desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, como de fato o fez. O § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999 é o fundamento legal que ampara o procedimento levado a cabo pela autoridade administrativa autuante. No ponto, correto o acórdão (fls. 1.517), porquanto A fiscalização não considerou o segurado como empregado com fulcro na legislação trabalhista, mas com suporte na legislação previdenciária. É inerente à função de fiscalização constatar a existência ou não da relação Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15504.017585/200940 Acórdão n.º 2803003.473 S2TE03 Fl. 8 7 empregatícia entre a empresa fiscalizada e as pessoas físicas que lhe prestam serviço independentemente da forma como foram contratadas. Já a competência da Justiça do Trabalho consiste no julgamento de controvérsias entre empregados e empregadores decorrentes da relação de emprego, o que não se confunde com ato de fiscalização da RFB. Vêse, portanto, que sob o aspecto da desconsideração do vínculo pactuado entre o sujeito passivo e os supostos bolsistas, razão alguma assiste ao recorrente. Naquilo que restou de inconsistente no lançamento, a própria autoridade autuante realizou os devidos reparos e excluiu as pessoas indicadas e retificou o lançamento (fls. 277). Em todas as análises relativamente às bolsas concedidas, o sujeito passivo descumpriu os dispositivos legais afetos a cada um dos casos concretos (Lei nº 6.494/77 e Decreto 87.497/82, Lei nº 8.958/94 e Decreto nº 5.205/04). Destarte, havendo a caracterização dos bolsistas como segurados empregados, correto o enquadramento destes à disciplina do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, como acertadamente o fez a autoridade administrativa incumbida do lançamento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 1/07/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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