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Numero do processo: 15374.935912/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 59 12 /2 00 9- 70 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.935912/200970 Acórdão n.º 1302003.050 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 113, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 115, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.935912/200970 Acórdão n.º 1302003.050 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13876.720607/2012-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO.
Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado.
EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2001-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
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Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitandose à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 06 07 /2 01 2- 02 Fl. 157DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 18.944,55, por não identificação do beneficiário da despesa, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$4.491,37, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que a impugnação é tempestiva e discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; que apresentou toda a documentação que possuía, de forma que a Notificação de Lançamento seria nula; que outra causa de nulidade seria a exigência do contribuinte de tributo manifestamente indevido, haja vista a comprovação do pagamento das despesas médicas ao plano de saúde; que o auto de infração seria nulo, tendo em vista a inexistência de justa causa e de ato ilícito; que no mérito, o procedimento fiscal está eivado de vícios e fundamentado em premissas equivocadas, inviabilizando o contribuinte a produzir provas; que a legislação permite a dedução de despesas médicas com plano de sáude, posição já pacificada pelo conselho de contribuintes; que não cabe ao fisco questionar os valores das despesas médicas; que o valor cobrado do contribuinte caracteriza excesso de exação; que não concorda com a multa de ofício e com os juros de mora (Selic); que é vedado o enriquecimento ilícito buscado pelo fisco no presente caso; que a manutenção do lançamento significará ofensa ao princípio do devido processo legal; que caso não seja cancelada a Notificação, seja o feito convertido em diligência para que sejam apuradas as informações prestadas; que protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, justifica e fundamenta cada ponto levantado pelo contribuinte e ao final manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com o plano de saúde Porto Seguro teve como beneficiário apenas o contribuintes e seus dependentes. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 3 3 Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas mesmas razões, discute teoricamente uma série de direitos, mas sob o ponto de vista prático e fático não atende ao quando solicitado de forma clara e objetiva pela fiscalização, que seria apenas a discriminação dos valores pagos a Omint detalhados os valores por beneficiário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por suposta cobrança indevida Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação, também em sede de Recurso Voluntário, parte da glosa de despesa médica, que será considerada matéria não impugnada conforme o art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Das dedução indevidas de despesas médicas, o contribuinte impugna a glosa com o plano de saúde Omint, no valor de R$ 18.944,55, juntando documentos para comprová la. O contribuinte alega que o lançamento seria nulo, pois o interessado, por ocasião do termo de intimação, já teria apresentado toda a documentação que possuía. E também apresenta como causa de nulidade do lançamento a exigência indevida do tributo e a inexistência de ato ilícito. Como muito bem salientado pela DRJ Brasília, de forma clara e cristalina, o enquadramento legal da glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas consta da própria Notificação de Lançamento, fls. 64 dos autos, tópico DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, não havendo que se falar em exigência indevida como foi aventado pelo interessado. Ademais, da análise dos autos, não foi verificada a ocorrência de nenhuma das causas de nulidade previstas pelo art. 12 do Decreto nº 7.574/2011. Portanto, não será acatada a alegação de que a Notificação de Lançamento é nula. Me parece uma alegação vazia e sem conteúdo, com intuito meramente protelatório. Rejeito, pois a preliminar suscitada. Preliminar Suposta decadência Fl. 159DF CARF MF 4 Aparentemente com intuitos protelatórios, argumenta o contribuinte que o prazo para lançamento estaria decaído posto que deveria ser aplicado o art. 150 , § 4º , do CTN . Ocorre que, nos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", a doutrina distingue duas hipóteses possíveis para a contagem do prazo decadencial: em havendo o pagamento, ainda que insuficiente, considerase como dia inicial da decadência o da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 , § 4º , do CTN . Contudo, em inexistindo pagamento, não há o que homologar, contandose o prazo para a decadência na forma da regra geral do art. 173 , I , do CTN , isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de tributo declarado e não pago pelo contribuinte, o fisco tem cinco anos, contados na forma do art. 173 , I , do CTN , para realizar lançamento suplementar, sob pena de decadência.Decorrido esse prazo, sem qualquer lançamento de ofício, considerase que aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada. Iniciase, então, o prazo prescricional para que a Fazenda, mediante prévia inscrição em dívida ativa, execute o montante confessado. Restando clara a aplicação do mencionado art 173, não há que se falar em decadência. Rejeitada mais uma vez a preliminar. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 4 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou documentos para tentar sustentar o quanto alegado, mas não apresentou o quanto solicitado objetivamente pela fiscalização, que seria a discriminação por dependente , evidenciado os valores das despesas por beneficiário do plano de saúde. Salientese que demonstrou atitude protelatória nas suas manifestações. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 161DF CARF MF 6 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Da análise desses documentos, verificou a DRJ que o contribuinte juntou aos autos emails por meio dos quais restou demonstrada a tentativa de se obter, junto ao plano de saúde Omint, os valores das despesas pagas por beneficiários. Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental apresentada, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a despesa médica em questão (Omint Serviços de Saúde Ltda R$ 18.944,55). Decisões Administrativas e Judiciais Reitero tudo o quanto exposto pela decisão a quo. As decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos como regra geral. Relativamente aos julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, de acordo com o art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN), tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Por conseguinte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, visto que somente se aplicam à questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa.(negritou se) A outra hipótese de vinculação de decisões administrativas, não ocorrida nos autos, é a aprovação de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por ato do Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 5 7 No que tange às decisões judiciais, releva destacar que apenas as súmulas vinculantes, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do arts. 102, § 2°, da Constituição Federal, e as decisões judiciais em que o contribuinte configure como parte vinculam a Administração Pública em seus julgados. Assim, dada a ausência de tais determinações, as decisões colacionadas pelo contribuinte são inaplicáveis ao caso em tela. Excesso de Exação O Recorrente e alega ter ocorrido excesso de exação, crime tipificado no §1º do art. 316 do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990. Repito , como colocado pela decisão a quo, que a competência para processar e julgar tal espécie de ilícito penal é da Justiça Federal, a teor do art. 109 da Constituição Federal da República. Desse modo, no âmbito deste julgamento administrativo, não cabe conhecer das alegações de “excesso de exação”, pois não diz respeito a matéria de competência deste colegiado. Multa de ofício de Juros de Mora e suposto caráter confiscatório Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Ademais, vale salientar, em relação ao juros Selic que a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Princípios Constitucionais O contribuinte alega que a manutenção do lançamento vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal. Fl. 163DF CARF MF 8 Sabese que os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, faltando, assim, competência a esta autoridade administrativa para se pronunciar sobre quaisquer inconstitucionalidades aventadas. Assim, tais questões não serão enfrentadas na presente análise. Em suma, mantémse o lançamento CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo da relatora quanto a comprovação de despesas médicas. Afirma a relatora em seu voto: Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 45, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. No documento do plano de saúde que indica beneficiários foi destacado que o cônjuge não poderia ser dependente. No entanto, na legislação não há obrigação de que sejam dependentes incluídos na declaração. A exclusão de dependente por não constar da declaração do contribuinte é matéria interpretativa expressa em atos infralegais, e não concordamos com sua aplicação justamente por estar sem respaldo da lei. Observese que no caso de plano de saúde até o ano de 2007, Perguntas e Respostas 2007, o fisco aceitava a inclusão de dependentes que declararam em separado. 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13876.720607/201202 Acórdão n.º 2001000.600 S2C0T1 Fl. 6 9 dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. (...) Concordamos com essa interpretação, pois mais de acordo com a legislação. A interpretação foi modificada, mas a lei não. Essa matéria tem implicação no quantum de imposto a pagar, afeta a base cálculo do imposto de renda pessoa física, questão reservada a lei, segundo art. 97 do CTN. A única restrição, no caso de pai e avós, é a de que os rendimentos não sejam superiores ao limite mensal. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para dedução dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, sem previsão legal. Assim, entendemos dedutíveis as despesas médicas pleiteadas. Acompanhamos a relatora nas preliminares. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, acompanhando a relatora, mas no mérito voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 165DF CARF MF 10 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720296/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 96 /2 00 8- 28 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil, pela qual a contribuinte assinala compensação de parcela da dívida do ajuste do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003, apontando crédito perante a Fazenda Nacional na importância de R$ 1.404.382,05 à conta de pagamento a maior que o devido quando da antecipação em base estimada desse mesmo tributo, havida em 30/11/2003, sob código de receita n 2362. A recorrente foi intimada pela DRFLimeira para que fossem prestados esclarecimentos e apresentados demonstrativos do valor recolhido a maior, vindo aos autos a resposta junto com documentados comprobatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP exarou o despacho decisório não homologando a compensação declarada ao fundamento de inexistência de crédito a favor da contribuinte. Referido decisório consigna que no final do anocalendário de 2003 o valor do IRPJ pago durante aquele ano foi exatamente o que deveria ter sido recolhido, exceto em novembro e dezembro em que os pagamentos superaram o devido pelas importâncias de R$ 417.275,10 e R$ 30.998,23, respectivamente. Registra que a anotação feita pela contribuinte em no demonstrativo por ela elaborado mostra que o valor anual do IRPJ ali constante, desconsiderados os excessos de novembro e dezembro, perfaz o montante de R$ 68.118.545,89, exatamente aquele feito constar na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), antes da dedução das estimativas mensais. Assevera, ainda, que a entrega de declaração de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste final constitui forma de planejamento tributário na medida em que dito procedimento intenta correção do valor que teria sido "recolhido a maior" (aspas do original) pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos. Ao final reafirma que não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor, nem tampouco crédito tributário em favor da União por conta do IRPJ apurado no anocalendário de 2003, eis que extinto por pagamento. Regularmente cientificada, ingressou a interessada com a tempestiva peça recursal, acompanhada dos documentos, solicitando a reforma do despacho decisório para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação apresentada. Argumenta, em síntese, que a decisão foi proferida em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata da necessidade do lançamento (art. 142 do CTN), inclusive porque alterouse a base de cálculo do tributo, bem assim, que suportada Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 4 3 apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderando todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela contribuinte, sem desqualificálas ou requalificálas. Aduz que no contexto de tributo sujeito a "lançamento por homologação" a tarefa de constituição do crédito tributário é conferida ao sujeito passivo, conforme prescreve o artigo 150 do CTN, cabendo aos agentes fiscais tão somente a função de homologar, ou não, a atividade ultimada pela contribuinte. Lembra que até mesmo nas hipóteses em que a infração à legislação, tributária não resulte na exigência de crédito tributário fazse necessária a figura do lançamento de oficio, através de suas espécies: auto de infração ou notificação de lançamento.. Reafirma que o Fisco não alterou de oficio o valor da estimativa confessado na DCTF, restando evidenciada a existência de quantia recolhida a maior na medida em que o efetivo pagamento foi de monta superior àquela declarada. Assevera que a opção pelo pagamento por estimativa é exercida com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada) e que o código de receita (2362) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta). Assim, estimativas pagas que não observaram a forma prevista em lei (no caso o artigo 2° da lei n° 9.430/96) não podem ser informalmente alocadas de oficio, para determinação do saldo de imposto de renda apagar, apenas com o efeito de propiciar a negativa do direito à compensação, uma vez que o valor apurado a recolher na DIPJ ainda permanece inalterado. Por fim, realça que sobre o indébito devem incidir juros Selic desde o mês subsequente ao do pagamento e requer que os débitos indicados no DARF encaminhado para a impugnante juntamente com o despacho decisório ora impugnado fiquem com a exigibilidade suspensa até decisão definitiva na esfera administrativa, nos termos do artigo 74, §9° e §11, da Lei n°9.430, de 1996”. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, como se pode extrair da ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA FISCAL DE QUANTIAS INDEVIDAMENTE COMPENSADAS. O ato administrativo de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é apto, por si só, para produzir os efeitos de direito, dentre eles o de exigência da parcela do débito fiscal indevidamente compensado, em face da legislação de regência atribuir à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida. Em decorrência, não se faz necessário o lançamento para fins de exigência do crédito tributário, nem tampouco sua ausência vicia o ato nãohomologatório. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: A decisão recorrida se fundamenta em premissas equivocadas, haja vista que a discussão sobre a necessidade de lançamento referese à valoração do crédito, pois a retificação de ofício da DIPJ revelase condição prévia para mudança nos valores declarados como "estimativas recolhidas", "IRPJ devido" e "IRPJ a pagar" fundamentos utilizados pela DRF/Limeira para negativa do crédito postulado na compensação. Necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ: não é possível que o Fisco modifique a DIPJ da Recorrente apenas com uma planilha e ilações sobre procedimentos que ela teria adotado; é necessário que efetue lançamento. Para negar o crédito sob o argumento de que a DIPJ estaria incorreta e deveria ser alterada, a DRF/Limeira necessariamente deveria ter procedido a retificação de ofício via lançamento. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 6 5 O acórdão recorrido equivocase ao confundir o momento da opção pelo regime de tributação (real, presumido ou arbitrado) com o regime de apuração de estimativas mensais; pois, no caso específico da estimativa, a opção é exercida somente com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada pela Recorrente), uma vez que durante o ano somente são realizados os recolhimentos a título de antecipação. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório da Recorrente, com a consequente homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.941, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10865.720297/2008 72, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de novembro de 2003. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de outubro de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.941): "O contribuinte teve ciência do Acórdão recorrido em 14/10/2009 e protocolou Recurso Voluntário em 29/10/2009. Constatada a tempestividade do presente recurso, deste conheço. Este processo trata da discussão quanto à negativa de homologação da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 25650.06888.120304.1.3.043878 pela DRF/Limeira, que assim o fez por apurar a inexistência do crédito indicado na referida declaração. A PER/DCOMP mencionada, surgiu porque o contribuinte considerou que do pagamento de R$ 6.163.720,21 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de novembro de 2003, R$ 3.792.647,04 seriam indevidos e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário e o débito de Cofins nãocumulativa do mês de fevereiro de 2004. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 7 6 De acordo com a unidade preparadora, houveram duas retificações da DCTF. Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro era R$ 6.163.720,21, mas após o encerramento do período a retificou a fim de reduzilo para R$ 2.371.073,17, mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 90). A partir dos demonstrativos encaminhados pelo próprio contribuinte, a DRF/Limeira concluiu que a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na forma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento, com apuração do lucro real do período (fls. 14 a 17), devidamente registrado no Livro Diário (fls. 53 a 73) e depois com base na receita bruta (fls. 36 a 42). A alteração na forma de apuração do IRPJ poderá ser procedida dentro do anocalendário, já que não se trata da figura do pagamento, propriamente dito, mas sim de antecipações do quantum devido a título de IRPJ, já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2º da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele recolhido, não se poderá mais falar em antecipações feitas a maior, mas sim em saldo negativo (ou a pagar) de IRPJ; este sim sendo passível de repetição. No entanto, como pontuado pela decisão recorrida, no caso dos autos não há busca de compensação deste saldo negativo, mas sim, dos "excessos" mensais, dentre os quais o do mês de novembro em análise. Isso porque, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2º da Lei n.º 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, o contribuinte considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou as declarações objeto deste processo, para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. A DRF/Limeira, não homologou a PER/DCOMP sob o fundamento que findo o período de apuração, não pode a contribuinte alterar a sistemática de apuração para calcular a estimativa com base na receita bruta. Registrase, também, que a Unidade Preparadora não aceitou a exclusão da adição do depósito judicial de INSS no ajuste anual, no montante de R$ 1.741.981,39 (fl. 110) – que teria originado suposto recolhimento a maior no mês de novembro/2003 (R$ 417.275,10) – pois através das informações prestadas pelo contribuinte, apurou que este não havia comprovado que este valor não havia sido efetivamente deduzido como despesa; bem como porque, em razão do regime de Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 8 7 competência, este valor não poderia ser apropriado como despesa no anocalendário seguinte. Pois bem. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, tem se que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Contudo, tal posicionamento foi superado pela súmula CARF n.º 84, verbis: Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10865.720296/200828 Acórdão n.º 1302002.945 S1C3T2 Fl. 9 8 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Da leitura da súmula acima vêse claramente que o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado consistente na diferença entre o valor recolhido e o valor devido com base na estimativa mensal incidente sobre a recita bruta, homologando as compensações até o montante requerido pelo contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35011.000263/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 02 63 /2 00 7- 59 Fl. 436DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 35011.000263/200759 Acórdão n.º 2402006.417 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721813/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2006 EXAME DE ESCRITA. AUDITOR FISCAL. O Auditor-Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula Carf nº 08). PERÍCIA. FATOS GERADORES OBTIDOS POR PROVAS ALHEIAS À CONTABILIDADE. LIVROS NÃO APRESENTADOS. Conhecidos os fatos geradores por meio de provas colhidas de terceiros, e não apresentada a contabilidade durante o procedimento fiscal, é correto o lançamento com base nos elementos obtidos, sendo desnecessária a perícia. INFORMAÇÃO PRESTADA PELA FAZENDA ESTADUAL. SIGILO. Não configura quebra de sigilo a prestação de informações fiscais pela Fazenda Estadual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 02). CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (Súmula CARF nº 51).
Numero da decisão: 1302-000.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não reconhecer as nulidades alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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AUDITOR FISCAL. O AuditorFiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula Carf nº 08). PERÍCIA. FATOS GERADORES OBTIDOS POR PROVAS ALHEIAS À CONTABILIDADE. LIVROS NÃO APRESENTADOS. Conhecidos os fatos geradores por meio de provas colhidas de terceiros, e não apresentada a contabilidade durante o procedimento fiscal, é correto o lançamento com base nos elementos obtidos, sendo desnecessária a perícia. INFORMAÇÃO PRESTADA PELA FAZENDA ESTADUAL. SIGILO. Não configura quebra de sigilo a prestação de informações fiscais pela Fazenda Estadual. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade (Súmula CARF nº 02). CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (Súmula CARF nº 51). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 272DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 273 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não reconhecer as nulidades alegadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 273DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 274 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/SDR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2006 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta declarada ao Fisco Estadual, para efeito do ICMS, e a declarada na DSPJSimples do período fiscalizado. MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. QUALIFICAÇÃO. NÃO CONFISCO. É legal a exigência da multa no percentual de 75% no caso de lançamento de ofício. É correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela redução deliberada da base de cálculo dos tributos devidos. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA MORATÓRIA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Inexiste previsão legal para aplicação no campo do direito tributário da multa moratória de 2% prevista no Código de Defesa do Consumidor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE No lançamento do crédito tributário, por expressa disposição legal, cobrase juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. NULIDADE FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 275 4 Indeferese o pedido de perícia quando as provas existentes nos autos são suficientes para a solução da lide. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: O processo é de autos de infração do Simples Federal (fls. 02/78), exigindo o crédito tributário no valor consolidado de R$ 1.192.674,75, conforme demonstrativo à folha 02. A exigência é referente ao anocalendário de 2006 (AC/2006). Os lançamentos estão distribuídos pelos tributos integrantes do Simples, incluindo valor do principal, mais multa regulamentar no percentual de 75% e agravada no percentual de 150%, e juros moratórios. Os detalhes do procedimento fiscal e o resultado da apuração estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 81/83, cujo resumo é o seguinte: – A motivação da fiscalização foi a diferença encontrada entre os valores declarados à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (SEFAZ/BA), através de DMA mensais (Declaração e Apuração Mensal do 1CMS), e os declarados à Receita Federal do Brasil (RFB), através da Declaração Anual do Simples (DSPJSimples). – A contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (TIF) e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em 23/09/2009 (fls. 79/80), solicitando livros e documentos necessários ao procedimento. – A contribuinte compareceu à fiscalização em meados de outubro de 2009 e entregou cópia de suas DMAs, sem nenhum protocolo, e não mais entrou em contato. – A contribuinte foi intimada, através do Termo de Intimação nº 001, em 27/10/2009, a entregar os livros e documentos solicitados no TIF. Novamente a contribuinte não se manifestou. – A contribuinte foi reintimada, através do Termo de Reintimação nº 001, em 11/12/2009, a entregar todos os livros e documentos solicitados no TIF. Novamente a contribuinte não se manifestou. – Novamente a contribuinte foi reintimada, em 22/01/2010, via Termo de Reintimação nº 002, a entregar os livros e documentos requeridos no TIF. Finalmente ela se manifestou, em 25/02/2010, onde esclarece que não possui Livro Caixa e muito menos escrita contábil, além de declarar que sua receita de vendas é aquela constante em suas DMAs (fl. 90). – Utilizouse, então, como receita tributável, os valores declarados como receita pela contribuinte à SEFAZ/BA, através das DMAs. – As diferenças apuradas entre as receitas de vendas constante nas DMAs e o declarado como receita na DSPJSimples do AC/2006 dão os valores de R$ 3.499.819,97 e R$ 310.340,07 respectivamente. A soma desses valores dá o montante de R$ 3.810.160,04. – Em face disso, a Fiscalização lavrou os autos de infração de fls. 02/78, utilizando as receitas declaradas nas referidas DMAs/ICMS. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 276 5 – Justificou a aplicação da multa de 150%, cento e cinqüenta por cento, no art. 957, II, RIR/99, art. 44 da Lei 9.430/99, c/c os art. 71 e 72 da Lei 4.502/1964, pela ação da autuada tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, pois à luz dos elementos demonstrados, em especial o fato de ter declarado ao Fisco Federal receita menor, em contraponto àquela efetivamente apurada e declarada à SEFAZ/BA. – A declaração à RFB com valores bem inferiores ao realmente auferido demonstra a intenção de impedir ou retardar o acesso da autoridade fazendária às informações que possibilitassem a correta obtenção da base de cálculo devida. – Em face do exposto, lavrouse Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 10580721816/201021. Em 02/03/2010, a autuada tomou ciência pessoalmente do feito, conforme assinatura do seu Procurador à fl. 04 do processo (ver instrumento às fls. 122/125). Em 31/03/2010 foi apresentada a impugnação de fls. 127/133, alegando a defendente, em linhas gerais, que o feito não merece prosperar, eis que eivado de inúmeros vícios e irregularidades que, desde logo, o torna insubsistente, além de, comportar no mérito uma análise mais profunda, tendo em vistas as alegações resumidas a seguir. (i) Em preliminar, haveria vício formal no item "Termo de Encerramento" do auto de infração, pois consta que a data de seu encerramento foi em 24/02/2010, às 10h02 min, no entanto, houve a omissão do período fiscalizado. (ii) Refere o princípio da legalidade, para dizer que o exercício de tarefas de auditoria ou perícia contábil, por lei, é reservado aos profissionais de contabilidade de nível superior, legalmente inscritos no Conselho Regional de Contabilidade (CRC). Assim, a função de Auditor Fiscal, exige que o agente público exerça papel privativo de contador inscrito no CRC, sendo nulo de pleno direito o procedimento efetivado por profissional incompetente. (iii) O autuante a acusa a autuada de ter declarado valores menores ao fisco Federal, em comparação ao declarado nas DMAs, sem ter observado a condição de empresa optante do Simples, nem o percentual incidente por faixa de receita bruta acumulada (evolução de alíquotas), nem qualquer verificação fática das vendas reais nos documentos da empresa, bem como nos documentos fiscais que estão em poder da Sefaz/BA, pois a presunção do Fisco Federal se deu apenas em números registrados na DMA que a própria impugnante desconhece. (iv) O auto de infração não demonstra, discriminadamente, mês a mês, a quantia deixada de declarar pela contribuinte, o que importa na falta de transparência do ato administrativo como comanda a Constituição em seu art. 37, caput. Fala de fortes indícios para o dolo e máfé, por parte do autuante. (v) Teria havido, na realidade, arbitramento injustificado da base de cálculo dos tributos exigidos, dado que não se pode verificar qualquer diferença supostamente devida sem o devido processo legal e sem que haja a verificação real das vendas, pois o fato do serviço contábil deixar de informar devidamente as DMAs não é motivo para cobrança de imposto, sem contar que o Autuante sequer verificou junto ao Fisco Estadual da Bahia se houve ou não algum problema na transmissão das DMAs, e se os valores que estão em seu poder são reais. Fl. 276DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 277 6 (vi) Levandose em conta que existe junto ao Estado da Bahia o dever de sigilo fiscal, como poderia o fiscal Autuante ter acesso a dados das DMAs, e se isso ocorreu, como se pode atestar que as informações são fidedignas? Principalmente pelo fato de o TVF se encontrar com valores do Simples, DMAs e Diferenças, totalmente divorciadas, sem qualquer possibilidade de verificação real dos valores apurados. (vii) Indaga que se o próprio documento fiscal declara que há diferença entre as declarações do Fisco Estadual e do Fisco Federal, chegase à conclusão de que houve pagamento dos impostos, sendo que a presunção do fiscal Autuante não deve prevalecer para se achar valores, sem o devido processo legal. Urge perícia técnica para verificação e apuração dos valores reais e devidos. (viii) Alega que o próprio fiscal incorre em contradição quando declara no termo de encerramento que devolveu todos os documentos e livros no estado que foram recebidos, onde ao mesmo tempo declara que não recebeu nenhum livro e que o contribuinte declarou que os valores apurados nas DMAs estavam corretos. Portanto, a autuação não pode prosperar, uma vez que embasada em erros grosseiros e atitudes insensatas do autuante. (ix) Dessarte, não seria procedente a alegação do autuante de que não fora fornecido os livros caixa e livros fiscais, principalmente pelo fato da mesma não ser obrigada a manter ou gerar estes livros, sendo necessária, então, a verificação dos documentos fiscais do Autuado, ou até mesmo a verificação da fidedignidade das informações junto ao fisco estadual, fato a que o autuante não se deu ao trabalho. (x) No tocante aos acréscimos legais, entende que o Fisco Federal, além de aplicar juros moratórios em percentual acima do permitido em nosso ordenamento jurídico, aplicou multa confiscatória na ordem de 150%. Lembra que com o advento da Lei 9.298/96 a multa por inadimplemento no Brasil, passou para o máximo percentual de 2%, dado a realidade econômica atualmente reinante no país. (xi) Sendo a ampla defesa corolário do devido processo legal, a autuada requer a instalação de perícia contábil, na forma contida no nosso ordenamento jurídico, desde já indicando como assistente técnico a contabilista Ana Rita Oliveira Barbosa, inscrita no CRC/BA sob o nº 20.294/03, com escritório na Rua Costa Brito, 106, centro, Jequié Bahia. (xii) Pelos vícios, irregularidades e ilegalidades apontados na defesa, requer, em preliminar, a declaração de nulidade da pretensão fiscal, sobretudo por ter sido procedida por agente incompetente e inabilitado, ou a sua improcedência total, por não ter ocorrido, no mérito, às infrações imputadas pelo autuante. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 278 7 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) Auditoria não realizada por contador inscrito no CRC. Alega a recorrente a nulidade do auto de infração, por ter sido este lavrado por auditorfiscal, sem a comprovação de sua habilitação contábil e registro no CRC, e portanto, incompetente para tal função. A jurisprudência deste Conselho é remansosa no sentido de que o auditor fiscal é competente para examinar os livros e documentos da pessoa jurídica, bem como para lavrar os autos de infração que daí decorram, questão, inclusive, já sumulada por esta Corte Administrativa (Súmula CARF nº 08), senão vejamos: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Súmula 8 do 1º CC e 5 do 2º CC De se ver que o tema não dá margem a novas elucubrações. (b) Solicitação de perícia para apurar fatos geradores obtidos por provas alheias à contabilidade. A recorrente também se insurge contra a forma de apuração do crédito, que foi apurado com base na diferença apurada entre as DMA prestadas à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e da DIPJ Simplificada. Entende necessária realização de perícia para que sua escrita seja analisada, para ali verificar a ocorrência dos fatos geradores. Verifico, da análise do processo, que a autoridade fiscal intimou a recorrente para apresentar a escrita no Termo de Início de Procedimento Fiscal de 17/09/2009, no Termo de Intimação Fiscal de 22/10/2009, no Termo de Reintimação Fiscal de 09/12/2009, e no Termo de Reintimação Fiscal de 20/01/2010. A recorrente, por seu turno, informou à fiscalização, em sua resposta datada de 25/02/2010 (fl.90): que sua receita de vendas é o mesmo valor declarado no DMA da Sefaz Bahia; que a empresa não possui contabilidade; que a empresa não tem livro caixa. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 279 8 Neste sentido, além da prova representada pela própria DMA (pois foi prestada pela própria recorrente), há a confissão da recorrente quanto à veracidade daquela, e, conseqüentemente, quanto à falsidade dos dados declarados na DIPJ Simplificada. Neste sentido, os fatos geradores não dependem de perícia para serem provados, pois já o são, com base nas provas acostadas, posto que a base de cálculo do Simples é a receita bruta acumulada. (c) Violação de sigilo no intercâmbio de informação entre as Fazendas O intercâmbio de informação entre as diversas Fazendas desde há muito é permitido, sendo regulado pelo art. 199 do CTN, senão vejamos: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Neste sentido, não subsiste alegação de violação de sigilo da Fazenda Estadual, vez que não há, in casu, quebra de sigilo, mas mera cooperação entre as Fazendas, legalmente permitida. (d) Multa de ofício (75% e 150%) Caráter confiscatório. Inocorrência. Aplicação da multa de 2% prevista no CDC. Impossibilidade. A defendente ainda postula ser confiscatória a multa de 70% (sic). Verificase que a autoridade aplicou multas de ofício de 75% (para as diferenças de recolhimento) e de 150% (para os valores não declarados). A multa de 75% está cominada no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 para incidir sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de recolhimento e de declaração (entre outros). No caso vertente, a autoridade a aplicou sobre as diferenças resultantes da inclusão das receitas omitidas no cálculo dos valores declarados/pagos, que implica alteração dos percentuais incidentes sobre os valores originalmente declarados. Já a multa de 150% está cominada no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/96 para ser aplicada diante de situação prevista nos art.71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. No caso presente, a autoridade constatou omissão de receita, e conduta tendente a ocultar fatos geradores da autoridade tributária, pela prestação de declaração ao Fisco Federal em dissonância com as informações prestadas ao Fisco Estadual. Vêse que as normas aplicadas são válidas e vigentes. Assim, não é possível no âmbito administrativo deixar de aplicálas sob alegação de ser inconstitucional. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 280 9 Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à aplicação da substituição da multa de ofício aplicada pela multa de 2% importa asseverar que a relação jurídicotributária não se identifica como relação de consumo, descabendo a aplicação do percentual invocado. A questão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, estando já sumulada (Súmula Carf nº 51). Súmula CARF nº 51: As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária. (e) Alegações em descompasso com as provas dos autos Faz a recorrente diversas alegações em descompasso com as provas existentes. Assim, constato que o crédito tributário não foi arbitrado, vez que tal modalidade de apuração nem mesmo é cabível no regime do Simples. Verificase, da análise do auto de infração, que a autoridade fiscal submeteu as receitas aos percentuais determinados na Lei nº 9.317/96. Por outro lado, não procede a alegação de que inexiste termo de início de fiscalização no auto de infração, baseado no fato de que o auto de infração não informa qual o dia em que se iniciou a fiscalização. Com efeito, a expressão acima sublinhada possui significado técnico específico no direito tributário, designando a peça escrita mediante a qual a autoridade dá início ao procedimento fiscal, marcando o dia em que a espontaneidade do contribuinte é interrompida. Não há como confundilo com o período de apuração (no caso, 01/01/2006 a 31/12/2006), o qual delimita os fatos geradores que serão examinados no procedimento fiscal. À luz desta explicação, vêse com hialina clareza que não faz sentido questionar a existência do termo de início de fiscalização no corpo do auto de infração. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10580.721813/201097 Acórdão n.º 130200.653 S1C3T2 Fl. 281 10 Também não subsiste a alegação de que o agente cobrou correção monetária. De acordo com os autos de infração lavrados, vêse claramente não haver qualquer cobrança sob tal rubrica. Assim, voto para rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 281DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 12/08/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 12/08/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10875.908078/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendo-se, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 75 .9 08 07 8/ 20 12 -8 1 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 3 2 A Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 42299.17038.220812.1.3.045526 a compensação de IPI (cód.5123) do período de apuração 07/2012 no valor de R$ 3.558,81 com crédito de COFINS (cód.5856) por recolhimento a maior que o devido, através de DARF no valor de R$ 392.312,84 do período de apuração 05/2010, arrecadado na data de 25/06/2010. Foi utilizado na presente PER/DCOMP o valor original de R$ 2.907,05. Do Despacho Decisório A DRF de Limeira/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 03/01/2013, rastreamento nº 042017483 (efls.13), pela não homologação da compensação declarada, em face de inexistência de crédito. O crédito relacionado ao DARF discriminado na PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débito da PIS/PASEP do Período de Apuração 31/05/2010. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), solicitando que seja reconhecido o crédito pleiteado e argumenta que: a) a compensação é resultante do não aproveitamento na apuração do PIS e COFINS no regime não cumulativo no ano calendário de 2010, do crédito dos impostos retidos na fonte (PIS 0,65% e COFINS 3%) sobre as notas fiscais de serviços prestados de Assessoria Administrativa, emitidas pela própria empresa; b) foi apurado, declarado e recolhido o valor de R$ 392.312,84 de COFINS para o mês 05/2010, quando o correto seria de R$ 376.492,15 cuja diferença corresponde o valor nominal de R$ 15.820,69 equivalente aos 3% retidos na fonte sobre as NFPS relacionadas às fls. 39: c) em se tratando de erro meramente material no cumprimento de obrigações acessórias da contribuinte, a alternativa existente para corrigilo é através de declaração retificadora, o que foi feito com a transmissão de nova DCTF na data de 15/01/2013; d) foi anexado aos autos para provar suas alegações, além da DCTF Retificadora (efls.28 a 32), DACON (efls.34/35) e informes de rendimento (efls.38 a 42). Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 6ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 25/06/2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.67) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, com base nos seguintes argumentos: (a) que desde as alterações introduzidas pela MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art.18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original; (b) que os sistemas da Receita Federal que cruzam os dados constantes em documentos eletrônicos (DCTF, DACON, PER/DCOMP, etc.), não são suficientes para dizer da liquidez ou não do crédito e em determinados casos, expõe a necessidade de intimação prévia do contribuinte para esclarecimentos, o que não ocorreu no presente caso; (c) ratificando os demais argumentos e provas trazidos com sua inicial manifestação, apresenta o SPED CONTÀBIL, evidenciando o preenchimento de todos os requisitos previstos na Lei 9.430/96 e IN nº 1300/2012, para obter o reconhecimento de seu crédito tributário; (d) a única declaração que inicialmente não expressava o valor correto do débito era a DCTF, a qual foi sanada através de retificadora transmitida na data de 15/01/2013. Todos os documentos fiscais e contábeis apresentados são idôneos e hábeis a comprovar a realização da compensação efetivada pela contribuinte, nos limites da legislação vigente. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 5 4 vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A contribuinte alegou e comprovou através de documentos e declarações que o crédito apresentado, diferença entre o valor efetivamente devido de COFINS no mês de maio/2010 e o valor recolhido via DARF, corresponde ao valor da COFINS retida na fonte sobre NFPS de sua emissão. A controversa fisco/contribuinte se instaurou quando da análise pela unidade de origem, da PER/DCOMP apresentada, que o valor do débito declarado em DCTF era o mesmo contido no DARF discriminado para o mês 05/2010. Constatado o erro, a interessada tratou, imediatamente, de corrigilo com a transmissão de DCTF Retificadora. O fisco, por sua vez, expressou entendimento de que a DCTF Retificadora não seria o suficiente para assegurar o crédito pleiteado, quando desprovida de elementos de provas irrefutáveis para garantirlhe a alteração pretendida, de redução do débito incialmente declarado. A recorrente apresentou nos autos documentos fiscais e contábeis que dão suporte a prática de retificação de valores informados em DCTF, o que vem ao encontro da observação feita pela autoridade julgadora, da necessária comprovação do equívoco cometido pela contribuinte. Não sendo o CARF órgão indicado a suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, como se observa pelo texto dos artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Cabe as autoridades administrativas analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 6 5 certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: (a) confirmar se os valores dos débitos constantes da DCTF Retificadora correspondem aos efetivos valores devidos nesta competência, valendose, inclusive, dos documentos fiscais trazidos aos autos com o Recurso Voluntário; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10875.908078/201281 Resolução nº 3401001.469 S3C4T1 Fl. 7 6 (b) confrontar as informações contidas na DCTF Retificadora com o pagamento efetuado em DARF; (c) após o confronto, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003268/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 68 /2 00 8- 39 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 18050.003268/200839 Acórdão n.º 2402006.405 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 18050.003268/200839 Acórdão n.º 2402006.405 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 18050.003268/200839 Acórdão n.º 2402006.405 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 632DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.720417/2017-06
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2001-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 17 /2 01 7- 06 Fl. 125DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foi apurada omissão de rendimentos. 0'./*$.73*,! ,+)0#!/*&'"'+,!*1!"#$8#&1' 0 O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da PORTO ALEGRE. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 103/107. Em síntese, alega ser portadora de moléstia grave (neoplasia maligna, desde agosto de 2011). Informa que recebe proventos de aposentadoria. Sustenta que o Laudo Médico, apesar de ser simples, atende as exigências da Lei, complementados por exames laboratoriais. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10140.720417/201706 Acórdão n.º 2001000.307 S2C0T1 Fl. 3 3 Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o documento de f. 70. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Fl. 127DF CARF MF 4 Importante frisar acerca da documentação apresentada, que, conforme já explanado na decisão de primeira instância, o laudo anexado não possui os elementos mínimos exigidos para aceitação. A interessada apresenta Laudo Médico emitido pelo Serviço de Dermatologia Dr. Günter Hans, que não identifica o serviço médico oficial a que estaria vinculado. Ademais, o próprio texto do documento não menciona diagnóstico, mas procedimento ("exérese de lesão"). Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.100173/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1401-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente BANRISUL CARTÕES S/A (nova denominação de BANRISUL SERVIÇOS LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 01 73 /2 00 3- 51 Fl. 1505DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com a indicação de débitos da ordem de R$123.493,17, formalizada através dos documentos de efls. 02/05 e 136/138, nos quais se aponta como crédito o saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ do ano calendário de 1999, no valor de R$933.212,61, conforme o informado na DIPJ/00, em sua Ficha 13A (v. efls. 26). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, através do despacho decisório de efls. 518/520, cientificado à Contribuinte em 11/08/2008 (v. efls. 542), não reconheceu o direito creditório do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, haja vista ter sido ele integralmente utilizado em autocompensações realizadas em data anterior à apresentação das DCOMPs. A DRF/POA também verificou que o respectivo saldo negativo de IRPJ perfazia, na verdade, o montante de R$809.353,19, valor aquém dos R$933.212,61 declarados pela Recorrente. Ainda, segundo a Delegacia da Receita Federal, as referidas auto compensações foram realizadas através das DCTFs de efls. 306/434, no período compreendido entre janeiro de 2000 e setembro de 2002. Os demonstrativos que comprovariam que o crédito de R$809.352,19 teria sido totalmente utilizado para as referidas compensações estão anexados às efls. 435/459. Não conformada com a decisão da DRF/POA, a Contribuinte protocolou a manifestação de inconformidade de efls. 544/547. Abaixo, resumi os argumentos trazidos pela Recorrente em seu recurso ao despacho decisório da DRF/POA: 1) Quanto ao não reconhecimento integral do crédito de R$933.212,61, alega o perecimento do direito da Fazenda para contestar o saldo negativo de IRPJ declarado, haja vista ter decorrido o prazo de 05 anos para sua homologação; 2) O saldo negativo apurado na DIPJ/00 não teria sido utilizado para compensar os débitos informados nas DCTFs relativas aos períodos de janeiro a dezembro de 2000. Para tanto, foram utilizados créditos de saldos negativos apurados na DIPJ/99; as DCTFs apresentadas neste período teriam sido preenchidas com erro, ao informarem compensações com créditos de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999, quando deveria constar o saldo negativo apurado no ano calendário de 1998. A manifestação de inconformidade foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre em 09/11/2011, tendo sido tal decisão consubstanciada no Acórdão nº 1035.478 5ª Turma (v. efls. 752/757). A ementa da respectiva decisão está reproduzida abaixo: Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 11080.100173/200351 Acórdão n.º 1401002.779 S1C4T1 Fl. 1.506 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. RECONHECIMENTO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito de compensar indébito tributário decai em cinco anos contados da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 APURAÇÃO DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A compensação tributária pressupõe que o sujeito passivo apure, demonstre e quantifique à autoridade fazendária quais são os créditos tributários líquidos e certos que pretende compensar. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Restou assentado na referida decisão o não provimento do recurso no que tange ao reconhecimento do crédito objeto da compensação. Já em relação às compensações declaradas, a DRJ reconheceu a homologação tácita das declarações abaixo (v. efls. 752/753): Com relação às compensações que não foram objeto da homologação tácita, entendeu a DRJ/POA que teria ocorrido a decadência do direito creditório em relação às DCOMPs apresentadas em 2005 e 2006, eis que decorridos mais de 05 anos de sua constituição, considerada a data de 31/12/99 para tanto. Já o alegado erro de preenchimento das DCTFs não teria ficado provado pela Recorrente; o processo foi baixado em diligência para sua verificação pela DRJ/POA e, mesmo após duas intimações realizadas pela Autoridade Preparadora, não teria a Recorrente se desincumbido apropriadamente de demonstrar o alegado erro de preenchimento. Inconformada com a decisão da DRJ/POA, a Recorrente protocolou o Recurso Voluntário de efls. 781/786 alegando, em apertada síntese, o que segue: Fl. 1507DF CARF MF 4 1) A DCOMP nº 16620.40489.131204.1.3.016626 não foi apresentada em 13/12/2006, mas sim, em 13/12/2004 (v. efls. 496/499); 2) Com relação às demais DCOMPs que teriam sido alcançadas pela decadência, as compensações nelas declaradas teriam sido efetivadas entre 2001 e 2003 (alega ter juntado documentos que comprovariam tal situação); 3) Para fazer prova da utilização do saldo negativo de 1998 para realizar as compensações que alega ter informado com erro no ano de 2000, juntou cópia do seu "Razão Consolidado Contabilidade Fiscal". Alega que, com base neste documento, nenhuma compensação (utilizando o saldo negativo apurado em 1998) teria sido realizada durante o ano de 1999; 4) Em 31/12/1999 somou o saldo negativo apurado em 1998, atualizado monetariamente, ao valor apurado no respectivo ano calendário, totalizando o valor de R$1.545.869,72, que passou a ser utilizado, via compensação, a partir de 31/03/2000; 5) Reitera que o Fisco não pode contestar os Saldos Negativos de 1998 e 1999, eis que decorridos mais de 05 anos da apresentação das respectivas declarações. Vindo os presentes autos para o CARF, foram inicialmente distribuídos à extinta 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento que, em uma análise preliminar, resolveu converter o julgamento em diligência através da Resolução nº 1803000.128, de 03 de março de 2015. Inicialmente, restou assentado na referida Resolução que a lide estaria delimitada à análise das seguintes DCOMPs, haja vista o reconhecimento parcial da compensação já realizado pela DRJ/POA: Em relação à decadência, que, segundo a DRJ/POA, teria fulminado a pretensão da Recorrente de ver homologadas as DCOMPs acima enumeradas, assim se manifestou a Resolução nº 1803000.128 (v. efls. 838 e ss): No caso de prescrição da repetição de indébito, a contagem do prazo tem sua contagem diferenciada conforme a data do pedido. Em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e pagos antecipadamente, o termo de início da contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos começa a fluir (a) a partir da data Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 11080.100173/200351 Acórdão n.º 1401002.779 S1C4T1 Fl. 1.507 5 da homologação tácita ou expressa do pagamento no caso de a petição de indébito ter sido formalizada até 08.06.2005 e (b) a partir da data do pagamento antecipado e indevido de tributo no caso de a petição de indébito ter sido formalizada a partir de 08.06.20051. Este é o entendimento constante nas decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS2, e na Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS3, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. Temse que admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo prescricional será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora (art. 91 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012). Em relação ao anocalendário de 1999, todos Per/DComp apresentados até 08.06.2005 ficaram submetidos ao prazo de dez anos, conforme a seguir: Assim, os Per/DComp nºs 00512.74158.041206.1.7.029263, fls. 474477, 39597.89616.041206.1.7.022132, fls. 478495 e 42789.08986.041206.1.7.029112, fls. 506511, foram alçados pelo prazo prescricional de cinco anos, de acordo com a legislação de regência que determina que o termo inicial da contagem do prazo prescricional será a data da apresentação do documento retificador. Com relação ao erro que a Contribuinte teria cometido ao preencher as DCTFs apresentadas no ano 2000, apontando erroneamente o saldo negativo apurado no ano calendário de 1999 como crédito passível de compensação dos respectivos tributos declarados, assim se manifestou a 3ª Turma Especial da 1ª Sejul: 1 Fundamentação legal: art. 165 e art. 168 do Código Tributário Nacional e Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005. 2 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recuso Extraordinário de nº 566621/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie. Plenário, Brasília, DF, 4 de agosto de 2011. Disponível em:< http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+566621% 2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+566621%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos>. Acesso em: 25 mar. 2012. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em Recurso Extraorniário nº561908/RS. Ministro Relator: Marco Aurélio. Plenário, Brasília, DF, 16 de agosto de 2011. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2554040&numero Processo=561908&classeProcesso=RE&numeroTema=4> . Acesso em: 25 ago. 2011. 4 Fundamentação legal: art. 106, art. 165, art. 168 e art. 174 do Código Tributário Nacional, art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1509DF CARF MF 6 A Recorrente reitera em várias oportunidades na peça recursal que o direito creditório pleiteado nos Per/DComp referese ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998 e não do anocalendário de 1999 como ali constou e procura minuciosamente demonstrar a sua liquidez e certeza. Com a finalidade de demonstrar inequivocamente o erro cometido, a Recorrente instrui os autos com o Livro Razão Consolidado do período de 01.01.1998 a 30.09.2003 referente a Conta nº 1.01.60.070 IRPJ Saldo Negativo, fls. 809821, consta que em: (...) A Planilha de fl. 741 apresentada por ocasião da diligência, fls. 750751, concorre de certa forma para o deslinde da controvérsia. A Recorrente procura demonstrar que o saldo negativo utilizado nos Per/DComp era em verdade do anocalendário de 1998. Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de saldo negativo de IRPJ deve ser analisado como se do anocalendário de 1998 fosse, porque foi produzido um início de prova do erro a partir da análise dos dados escriturados no Livro Razão. (grifos nossos) (...) Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp pelo afastamento da preliminar do erro material do período do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente aprecie o acatamento da retificação do pleito inicial e o mérito do litígio e ainda para: (a) reconhecer a possibilidade de formação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998 no valor total de R$933.212,61 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, apurando sua liquidez e certeza inclusive nos aspectos de sua existência, suficiência e disponibilidade; (b) fazer a juntada das informações constantes nos registros internos da RFB, tais como DIPJ, DCTF, DIRF e DARF, e ainda anexar as cópias dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso; e (c) verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros processos referente ao mesmo direito creditório e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos, cotejando a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança; Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 11080.100173/200351 Acórdão n.º 1401002.779 S1C4T1 Fl. 1.508 7 Na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 no valor total de R$933.212,61 determinado pelo regime de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica deverá produzir um conjunto probatório robusto dos valores retidos na fonte, comprovando a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo, detalhamento dos valores recolhidos a título de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada e todos os demais elementos que compõem as deduções do IRPJ apurado, mediante apresentação dos assentos contábeis e planilhas analíticas. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente à existência do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 no valor total de R$933.212,61 para fins de compensação dos débitos confessados nos Per/DComp objeto de averiguações nos presentes autos. Encaminhado o processo à DRF/POA para cumprimento da diligência solicitada pelo CARF, a Contribuinte foi instada a apresentar documentos e esclarecimentos à Autoridade Fiscal que, ao final, produziu o Relatório de Diligência de efls. 1.485/1.496, em que, resumidamente, assentou o seguinte: Retomando a análise do AC 1998 para conclusão dos trabalhos, o montante das estimativas recolhidas importa em R$ 2.441.860,23 já considerando as compensações de estimativas com pagamentos indevidos uma vez que são recolhimentos do mesmo anocalendário que somando com o IRRF no valor de R$ 75.443,89, fl. 1476 e o valor de R$ 5.577,53 outras compensações temos o montante de R$ 2.522.881,65 que depois de deduzido o IRPJ apurado no montante de R$ 2.349.431,90 reverteu saldo negativo a favor do contribuinte no valor de R$ 173.449,75, de acordo com o demonstrativo de cálculo anexado na fl. 1484. Abaixo, juntei a planilha elaborada pela Autoridade Fiscal e anexada às efls. 1.484 do processo: Instada a se manifestar a respeito do Relatório de Diligência, a Contribuinte apresentou a petição de efls. 1.504, onde limitouse a ratificar todos os argumentos apresentados anteriormente, bem assim os documentos juntados ao processo que, ao seu ver, Fl. 1511DF CARF MF 8 "corroboram para o intento de validar as compensações efetuadas com a utilização de saldo negativo apurado em 1998". Aduz, também, que a documentação e planilhas de cálculo apresentadas são suficientes para "verificar a base utilizada para as compensações efetuadas bem como os registros contábeis os quais estão em conformidade ao declarado." Após, os autos vieram ao CARF e foram redistribuídos à 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sejul e a este Conselheiro para relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Após o julgamento da Manifestação de Inconformidade realizado pela DRJ/POA, restaram homologadas tacitamente as compensações declaradas através das seguintes DCOMPs: Assim, o objeto da lide permanece em torno das DCOMPs abaixo listadas, não homologadas pela decisão a quo, em função de terem sido consideradas apresentadas após o prazo decadencial de 05 anos do surgimento do crédito (saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999), considerada a data de 31/12/99 para tanto. PER/DCOMP DATA TRANSMISSÃO FLS. DO PROCESSO 23953.25776.140803.1.3.029790 14/08/2003 462/473 00512.74158.041206.1.7.029263 (Retificadora) 04/12/2006 474/477 39597.89616.041206.1.7.022132 (Retificadora) 04/12/2006 478/495 16620.40489.131204.1.3.026626 13/12/2004 496/499 41046.008832.020605.1.3.020190 02/06/2005 500/505 42789.08986.041206.1.7.029112 (Retificadora) 04/12/2006 506/511 Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 11080.100173/200351 Acórdão n.º 1401002.779 S1C4T1 Fl. 1.509 9 Como vimos no Relatório, a Resolução nº 1803000.128 (v. efls. 825/843) reconheceu que somente os PER/DCOMPs nº 00512.74158.041206.1.7.029263, 39597.89616.041206.1.7.022132 e 42789.08986.041206.1.7.029112 teriam sido alcançados pelo prazo decadencial para a repetição de indébito e, consequentemente, para a utilização do respectivo crédito para efeito de compensação, a teor do decidido nas decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em sede de Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, e no Recurso Extraordinário nº 561.908/RS, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, restariam apenas as DCOMPs nº 23953.25776.140803.1.3.029790, 16620.40489.131204.1.3.026626 e 41046.008832.020605.1.3.020190 para serem objeto de homologação. Entretanto, subsistiria ainda outro óbice a ser superado, justamente a questão da insuficiência de crédito levantada pela Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre, quando da edição do despacho decisório de efls. 518/520, e confirmada pela DRJ/POA no Acórdão nº 1035.478 5ª Turma (v. efls. 752/757). A Recorrente alega, desde a apresentação da manifestação de inconformidade, que teria incorrido em erro ao preencher as DCTFs relativas ao ano calendário do ano 2000, pois teria informado como crédito passível de compensação nesses documentos o saldo negativo apurado no ano de 1999, quando deveria ter preenchido com valores de mesma natureza relativos ao ano de 1998. A DRJ/POA chegou a baixar o processo em diligência, ocasião em que a Recorrente foi intimada a fazer prova de suas alegações, sem no entanto, obter êxito em fazê lo. Relevante para o raciocínio que será empreendido mais adiante, a juntada, durante a referida diligência, dos documentos de efls. 741 e 743, abaixo reproduzidos: Fl. 1513DF CARF MF 10 Os documentos acima foram juntados pela Recorrente quando da diligência solicitada pela DRJ/POA para tentar justificar que o saldo negativo apurado em 1998 foi utilizado para compensar os débitos informados nas DCTFs apresentadas no transcorrer de todo o ano de 2000. A DRJ/POA considerou que tais documentos seriam insuficientes para comprovar o alegado. Neste ponto, creio que a 3ª Turma Especial da 1ª Sejul não deu a melhor interpretação aos fatos que permeiam o presente processo para justificar a diligência que solicitou à DRF/POA através da Resolução nº 1803000.128, de 03 de março de 2015. Revisitando o Relatório, reproduzimos abaixo o seguinte texto da Resolução que, naquela oportunidade, havíamos grifado: Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de saldo negativo de IRPJ deve ser analisado como se do anocalendário de 1998 fosse, porque foi produzido um início de prova do erro a partir da análise dos dados escriturados no Livro Razão. A 3ª Turma Especial considerou, erroneamente, que os créditos vinculados às DCOMPs objeto de análise neste processo teriam origem no saldo negativo de IRPJ do ano de 1998, quando na verdade, segundo a Recorrente, o saldo negativo referente a esse ano calendário, teria sido utilizado nas DCTFs apresentadas no decorrer do ano de 2000. Observem Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 11080.100173/200351 Acórdão n.º 1401002.779 S1C4T1 Fl. 1.510 11 que na Resolução nº 1803000.128 foi determinado à Autoridade Fiscal que apurasse a liquidez e certeza do "saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 no valor total de R$933.212,61". Ora, o valor de R$933.212,61 é justamente o saldo negativo de IRPJ apurado pela Recorrente em sua DIPJ do anocalendário de 1999 e que não foi reconhecido na sua integralidade pela Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre (que reconheceu apenas R$809.352,19 de saldo negativo). Assim, os autos foram encaminhados à DRF/POA para que efetivasse os comandos da Resolução nº 1803000.128. A DRF/POA realizou a diligência nos estritos limites daquilo que foi solicitado pela Resolução do CARF, ou seja, fez o levantamento, apenas e tão somente, do saldo negativo apurado pela Contribuinte no anocalendário de 1998 (vide Relatório de Diligência de efls. 1.485/1.496). Inobstante o erro cometido pela 3ª Turma Especial, partindo de pressuposto equivocado para a análise da matéria controversa, o resultado da diligência revelou que a Contribuinte vinha defendendo possuir um crédito, oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998, muito aquém daquele declarado em sua DIPJ e contabilizado em sua escrita. Enquanto a Recorrente alega ter apurado um crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$526.889,56 no ano calendário de 1998, a diligência empreendida pela DRF/POA revelou que esse crédito importaria, na verdade, em R$173.449,75. Importante dizer que esse resultado apontado pela DRF/POA não foi contestado pela Recorrente em sua manifestação ao Relatório de Diligência, constante da petição de efls. 1.504. Porém, as inconsistências da defesa não param por aí. Como vimos, a Recorrente argui ter apurado um saldo negativo de IRPJ no ano de 1998 no valor de R$526.889,56; já na DIPJ respectiva, vide efls. 609, o valor declarado é de R$516.543,69. Não foi apresentada qualquer justificativa para esta discrepância. Também a Recorrente alega que não efetuou nenhuma compensação ao longo do ano de 1999, utilizandose do saldo negativo de 1998 (vide Recurso Voluntário às efls. 784): Ocorre, que na planilha apresentada à Autoridade Fiscal quando da diligência requerida pela DRJ/POA, a Recorrente informa ter feito uma compensação no valor de R$74.469,72 (v. efls. 741) em janeiro de 1999. Outra inconsistência nos argumentos e provas trazidos pela defesa consta do Razão Consolidado da conta IRPJ Saldo Negativo; abaixo colaciono uma fotografia de parte desse Razão, que consta das efls. 809 e foi trazida pela Contribuinte juntamente com seu Recurso Voluntário: Fl. 1515DF CARF MF 12 Esses valores referemse ao saldo negativo do IRPJ apurado no ano calendário de 1999; o primeiro valor, de R$739.967,81, diz respeito às estimativas pagas durante o respectivo ano calendário, e o segundo valor, de R$99.133,30, referese ao IRRF recolhido no mesmo período. Curiosamente, na DIPJ/2000 (v. efls. 26), a Recorrente declarou ter pago R$834.079,31 de estimativas e R$99.133,30 de IRRF. Já a DRF/POA, seguida da DRJ/POA, reconheceu apenas R$710.219,89 de estimativas pagas. São muitas as inconsistências levantadas em relação às alegações da Recorrente em confronto com as provas que tentou produzir para tentar convencer este julgador de que teria incorrido no mesmo erro de preenchimento, em absolutamente TODAS as DCTFs apresentadas durante o ano de 2000 (v. efls. 306/313) com informação de auto compensação. Assim, reputo que a decisão da DRJ/POA deve ser mantida, pois a Recorrente não se desincumbiu de provar os alegados erros cometidos, razão pela qual, a conclusão manifestada no despacho decisório (v. efls. 518/520), de que o crédito apontado nas DCOMPs objeto de análise já houvera sido totalmente compensado no ano de 2000, deve ser confirmada por esse Colegiado. Se não há crédito passível de utilização, tornase impossível a homologação das compensações realizadas pelas DCOMPs nº 23953.25776.140803.1.3.029790, 16620.40489.131204.1.3.026626 e 41046.008832.020605.1.3.020190. Quanto à alegação de que a Autoridade Fiscal estaria impedida de contestar os saldos negativos de 1998 e 1999, pois já teria decorrido mais de 05 anos da apresentação das respectivas declarações quando de sua análise, igualmente não merece prosperar. A decadência opera a favor da segurança e da estabilidade das relações jurídicas. Assim, passados cinco anos da ocorrência do fato gerador, o Fisco não pode formalizar o lançamento para a exigência de crédito tributário, nem tampouco impor penalidades. Entretanto, quando se está a tratar de lançamento por homologação, ao Fisco cabe exercer o controle da legalidade do ato praticado pelo contribuinte para determinar se foram obedecidas as normas que orientam a correta apuração do resultado tributável do(s) exercício(s) sob análise. Esse controle, de legalidade do lançamento realizado, busca averiguar a correta determinação do quantum apurado, ao identificar se as receitas tributáveis e as despesas incorridas foram corretamente declaradas na apuração do resultado final do exercício. Em caso de haver qualquer tipo de divergência, em relação ao resultado tributável, a partir da apuração efetuada pelo Fisco, cabe à autoridade administrativa exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Em sendo o caso, fará o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser apurado ou recolhido de acordo com a legislação aplicável. No caso de restituição/ressarcimento/compensação, também há prazo definido para se exercer o direito. Se no lado da exigência tributária estarseia a proteger o direito do contribuinte, quando se trata de restituição/ressarcimento/compensação, o interesse a ser protegido é o da própria Fazenda Pública. Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 11080.100173/200351 Acórdão n.º 1401002.779 S1C4T1 Fl. 1.511 13 Por isso, é dever do Fisco proceder à análise do crédito desde a sua origem até a data em que requerida a restituição/compensação/ressarcimento, sendo de responsabilidade do contribuinte fazer prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, conforme o disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional. Para tanto, deve o contribuinte manter toda a documentação relativa ao crédito que diz possuir até que todos os processos que digam respeito ao mesmo sejam encerrados. Vejamos o que diz o art. art. 264 do Decreto n° 3.000/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n° 486, de 1969, art. 4°). Já o art. 37 da Lei nº 9.430, de 1996 assim dispôs: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Concluise dos dispositivos acima reproduzidos, que os mesmos convivem de forma absolutamente harmoniosa com os princípios da decadência e da homologação tácita, a que se referem o artigo 149, § único, 150, § 4º, e 173, todos do CTN; assim, se determinada apropriação vier a influenciar o resultado da apuração de um crédito tributário no futuro, a mesma poderá vir a ser objeto de verificação, conforme já dissemos anteriormente, até que todos os processos que tratem da utilização daquele crédito, estejam encerrados. Não se permite que a base de cálculo do IRPJ dos períodos de 1998 e 1999 seja alterada por intermédio de lançamento tributário, entretanto, a composição de eventuais saldos negativos do tributo, que venham a influenciar pedidos futuros de restituição/compensação, devem ser verificados. Não há nos autos nenhuma indicação de que a redução do saldo negativo decorra de alteração da matéria tributável ou da alteração do imposto devido por intermédio de lançamento tributário, razão pela qual não há que se falar em homologação tácita como restrição à apuração do direito creditório pleiteado, tampouco a “decadência” cogitada pela Reclamante. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário e deixo de homologar as compensações efetivadas através das seguintes DCOMPs: Fl. 1517DF CARF MF 14 PER/DCOMP DATA TRANSMISSÃO FLS. DO PROCESSO 23953.25776.140803.1.3.029790 14/08/2003 462/473 00512.74158.041206.1.7.029263 (Retificadora) 04/12/2006 474/477 39597.89616.041206.1.7.022132 (Retificadora) 04/12/2006 478/495 16620.40489.131204.1.3.026626 13/12/2004 496/499 41046.008832.020605.1.3.020190 02/06/2005 500/505 42789.08986.041206.1.7.029112 (Retificadora) 04/12/2006 506/511 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 1518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004176/2010-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2008
SIMULAÇÃO. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadir-se de obrigações previdenciárias.
SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples.
CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE.
A decisão administrativa limita-se aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo, sobretudo em se tratando de processos de distintos sujeitos passivos.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO. AUDITORES-FISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NORMA ANTIELISIVA GERAL. DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA.
Compete privativamente aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil a constituição, pelo lançamento de ofício, das contribuições previdenciárias. É etapa do lançamento a correta identificação do sujeito passivo, que não se confunde com a aplicação de norma antielisiva geral ou desconsideração de personalidade jurídica.
JULGADORES A QUO. ISENÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO.
A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção diante de sua interpretação das provas. Identificados elementos convincentes e justificada a convicção, não cabe a alegação de falta de isenção do julgador.
SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA.
Havendo simulação, a regra decadencial é a prevista no parágrafo único do art. 173 do CTN.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.
O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
PAGAMENTOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EFETUADOS PELAS EMPRESAS INTERPOSTAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA PARA RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS FORA DA LIDE. ILEGITIMIDADE ATIVA PARA SOLICITAR INDÉBITO DE TERCEIROS.
O lançamento tributário requer a identificação do real sujeito passivo. A identificação dos sujeito passivo oculto pela simulação não implica desconsideração da personalidade jurídica das empresas interpostas, que permanecem titulares de direitos e deveres. Carece de legitimidade ativa ao sujeito passivo oculto para pleitear o indébito de terceiros. O reconhecimento do direito creditório, quando alheio à lide, não é competência da autoridade julgadora, mas da autoridade tributária, aplicando-se o rito típico da espécie. Os pagamentos ao Simples efetuados pelas empresas interpostas não podem ser aproveitados para compensação com débitos de contribuição previdenciária do verdadeiro sujeito passivo, por conta da limitação imposta pelo art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. ELEMENTOS PRESENTES NOS AUTOS. PLENO CONHECIMENTO DO REQUERENTE.
A autoridade julgadora poderá determinar as perícias necessárias para a formação de sua convicção. Presentes, nos autos, os elementos suficientes ao convencimento do julgador, prescindível é a perícia. Não assiste razão ao deferimento de pedido de perícia quando a defesa tem acesso às informações que pretenderia obter.
Numero da decisão: 2301-005.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; (b) por maioria de votos, conhecer do pedido de aproveitamento dos pagamento realizados por terceiras pessoas jurídicas, vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que não o conhecia; (c) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, (d) por unanimidade de votos, denegar o pedido de perícia e (e) no mérito, (e.1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nas questões da decadência, legitimidade da recorrente e ao pagamento a empregados e contribuintes individuais, (e.2) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso na questão dos pagamentos às cooperativas de trabalho e (e.3) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso na questão de aproveitamento dos pagamentos ao Simples por terceiras pessoas jurídicas; vencidos na questão os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Fernanda Melo Leal. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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PROVA INDIRETA. INDÍCIOS CONVERGENTES. TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. EVASÃO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Há simulação quando a vontade declarada destoa da vontade real. A contratação de empresas optantes pelo Simples apenas para o fornecimento de serviços, mantidos com a contratante os elementos caracterizadores da relação empregatícia, configura simulação para evadirse de obrigações previdenciárias. SIMULAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. É o contribuinte quem possui relação pessoal e direta com a situação constitutiva do fato gerador. Havendo simulação, o contribuinte é aquele que emerge do desvelo dos fatos simuladores, no caso, a contratante dos serviços impropriamente terceirizados a empresas optantes pelo Simples. CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão administrativa limitase aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo, sobretudo em se tratando de processos de distintos sujeitos passivos. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO. AUDITORESFISCAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NORMA ANTIELISIVA GERAL. DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA. Compete privativamente aos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil a constituição, pelo lançamento de ofício, das contribuições previdenciárias. É AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 76 /2 01 0- 23 Fl. 7221DF CARF MF 2 etapa do lançamento a correta identificação do sujeito passivo, que não se confunde com a aplicação de norma antielisiva geral ou desconsideração de personalidade jurídica. JULGADORES A QUO. ISENÇÃO. LIVRE CONVENCIMENTO. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção diante de sua interpretação das provas. Identificados elementos convincentes e justificada a convicção, não cabe a alegação de falta de isenção do julgador. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Havendo simulação, a regra decadencial é a prevista no parágrafo único do art. 173 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. PAGAMENTOS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EFETUADOS PELAS EMPRESAS INTERPOSTAS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA PARA RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS FORA DA LIDE. ILEGITIMIDADE ATIVA PARA SOLICITAR INDÉBITO DE TERCEIROS. O lançamento tributário requer a identificação do real sujeito passivo. A identificação dos sujeito passivo oculto pela simulação não implica desconsideração da personalidade jurídica das empresas interpostas, que permanecem titulares de direitos e deveres. Carece de legitimidade ativa ao sujeito passivo oculto para pleitear o indébito de terceiros. O reconhecimento do direito creditório, quando alheio à lide, não é competência da autoridade julgadora, mas da autoridade tributária, aplicandose o rito típico da espécie. Os pagamentos ao Simples efetuados pelas empresas interpostas não podem ser aproveitados para compensação com débitos de contribuição previdenciária do verdadeiro sujeito passivo, por conta da limitação imposta pelo art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. ELEMENTOS PRESENTES NOS AUTOS. PLENO CONHECIMENTO DO REQUERENTE. A autoridade julgadora poderá determinar as perícias necessárias para a formação de sua convicção. Presentes, nos autos, os elementos suficientes ao convencimento do julgador, prescindível é a perícia. Não assiste razão ao deferimento de pedido de perícia quando a defesa tem acesso às informações que pretenderia obter. Fl. 7222DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.222 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias; (b) por maioria de votos, conhecer do pedido de aproveitamento dos pagamento realizados por terceiras pessoas jurídicas, vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que não o conhecia; (c) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, (d) por unanimidade de votos, denegar o pedido de perícia e (e) no mérito, (e.1) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nas questões da decadência, legitimidade da recorrente e ao pagamento a empregados e contribuintes individuais, (e.2) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso na questão dos pagamentos às cooperativas de trabalho e (e.3) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso na questão de aproveitamento dos pagamentos ao Simples por terceiras pessoas jurídicas; vencidos na questão os conselheiros Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Fernanda Melo Leal. Impedida a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição aos impedimentos da conselheira Juliana Marteli Fais Feriato) e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase do Auto de Infração nº 37.212.5026, constituído em 29/07/2010 (e fl. 6312), para exigência de contribuições previdenciárias, parte da empresa, incidente sobre remunerações a empregados e contribuintes individuais, a parcela destinada a financiamento do seguro para acidentes de trabalho com base no grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e, ainda da contribuição incidente sobre notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho. As contribuições são relativas ao período de 01/2005 a 12/2008. A Recorrente apresentou impugnação (efls. 6315 a 6387), que foi julgada improcedente nos termos do Acórdão nº 0632.043 (efls. 7113 a 7137). Na contestação, a Recorrente alegou, em suma: a) que não poderia ser considerada sujeito passivo da relação tributária; b) que alguns períodos lançados teriam sido alcançados pela decadência; Fl. 7223DF CARF MF 4 c) que não foram aproveitados, no lançamento, os recolhimentos efetuados pelas "pessoas jurídicas desconsideradas", cujos valores requereu serem apurados por perícia; d) que as atividades transferidas às outras empresas não eram suas atividades econômicas principais e finalísticas; e) que os agentes fiscais teriam modificado o empregador nos contratos celebrados entre os trabalhadores e as "pessoas jurídicas desconsideradas"; f) que teriam sido aplicadas a "teoria da desconsideração da personalidade jurídica" e a "norma antielisiva geral", circunstâncias que seriam alheiras às competências do Fisco; g) que a terceirização de suas atividades aconteceu nos termos do Enunciado TST nº 331, pois tratavamse de atividadesmeio; h) que a Autoridade Autuante teria utilizadose de critérios subjetivos, sem provas contundentes, e chegado a conclusões equivocadas sobre a relação da Recorrente com as empresas contratadas; i) que não cabe ao Fisco alterar contratos e negócios jurídicos constituídos no âmbito do Direito Privado; j) que as terceirizações teriam ocorrido para proporcionar melhor gerenciamento administrativo das atividadesmeio; k) que não incidiria contribuição previdenciária sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho; l) que são indevidos os juros com base na taxa Selic, que possui natureza de indenização, e não de remuneração; m) que o seja observada a conexão e a continência com outros processos resultantes da mesma ação fiscal e processos decorrentes de autos lavrados em desfavor das empresas contratadas, iniciandose o julgamento pelo auto de infração nº 37.212.5026 para que sua decisão repercuta nos demais. Foi, então, interposto recurso voluntário (efls. 7138 a 7149) no qual a Recorrente reafirmou os termos da impugnação e aduziu: a) a inconstitucionalidade da exigência de garantias como condição para o apelo recursal. b) a falta de isenção dos julgadores da primeira instância administrativa porquanto não vincularam os fundamentos jurídicos às provas dos autos. Ao recurso, seguiramse contrarrazões (efls. 7165 a 7206) da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN). É o relatório. Fl. 7224DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.223 5 Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. 1 Do conhecimento O recurso é tempestivo, pelo que se constata em despacho da unidade preparadora (efl. 7163). Deixo de conhecer a questão relativa à exigência de garantias porque não está na lide. Ademais, o recurso interposto não foi condicionado à prestação de qualquer garantia. Conheço, entretanto, das demais matérias. 2 Das preliminares 2.1 DA ILEGITIMIDADE PASSIVA A Recorrente sustentou que, tendo as Autoridades Fiscais lançado a obrigação principal em seu nome e as penalidades relativas às obrigações acessórias em nome de outras empresas, as quais teriam sido desconsideradas pelo Fisco, configuraria a ilegitimidade passiva da Recorrente. O que arguiu foi que, se houve lançamento reflexo nas empresas desconsideradas, como poderia, a Recorrente, ser o sujeito passivo da obrigação principal? Para responder à questão, há que se adentrar no ponto mais determinante do processo, que é a identificação de quem tem relação pessoal e direta com a situação que constituiu os fatos geradores da exação. No caso em tela, houve três distintos fatos geradores: o pagamento a empregados, o pagamento a contribuintes individuais e o pagamento a cooperativas de trabalho. Em relação às cooperativas de trabalho, a matéria será tratada adiante, neste voto. Portanto, neste tópico será analisada a legitimidade passiva da Recorrente em relação aos fatos geradores consistentes no pagamento a empregados e a contribuintes individuais. As Autoridades Lançadoras afirmaram, em síntese, que a Recorrente teria se utilizado de uma rede de empresas de fachada (KL, LDI, Olecargas, Plasma, PP, PPMS, RTC, Spartano, Tolecargas, Tolenorte, TPC, Transcar, VS e Wsul), que aqui serão genericamente referidas por empresas decorrentes, todas optantes pelo Simples, para evadirse das obrigações previdenciárias, na medida em que utilizava a mãodeobra de trabalhadores registrados formalmente naquelas empresas, mas que, em verdade, seriam trabalhadores da própria Recorrente. As circunstâncias nas quais o Fisco se baseou para concluir pela legitimidade passiva da Recorrente foram assim resumidas (Relatório Fiscal, efls. 514 e 515): Ficou constatado que as empresas não possuem existência de fato, sendo criadas apenas para possibilitar a obtenção de benefícios fiscais pois todas realizaram Opção Pelo Simples Fl. 7225DF CARF MF 6 por parte da SPERAFICO; que as receitas auferidas pelas empresas provinham da própria SPERAFICO, o que em dados momentos foi inferior ou muito próximo às despesas com pessoal; que os segurados empregados registrados nas empresas trabalhavam nas dependências da SPERAFICO ou a serviço desta, desenvolvendo as atividades operacionais da mesma, mas cujos contratos de trabalho constam nas diversas empresas; que posteriormente os empregados remanescentes foram transferidos para a SPERAFICO; que são utilizadas pessoas que não detém a real qualidade de sócios nas diversas empresas, vulgarmente conhecidos como "laranjas", pessoas que mantêm/mantinham ou mantiveram vínculos com a SPERAFICO. A investigação fiscal identificou vários elementos que sustentaram a conclusão quanto à interposição de pessoas e o uso de empresas de fachada. Por serem essenciais ao deslinde da controvérsia jurídica, é importante enumerar os principais indícios e provas apontados pelo Fisco. 2.1.1 Da criação e dos dados cadastrais das empresas decorrentes As empresas decorrentes informaram o mesmo endereço da Sperafico ou, em alguns casos, em imóveis a ela pertencentes. Em outras situações, o endereço era a residência do sócio (efls. 516 e 517). Observase no Quadro Anexo II Sócios (efls. 834 a 837) que os sócios das empresas decorrentes ou são sócios da Sperafico, ou possuem com ela vínculo empregatício, ou foram dela empregados, ou são empregados de outra empresa decorrente ou, de algum modo, possuem relações de parentesco com empregados da Sperafico. Sobre a questão, assim se pronunciou o Relatório Fiscal (efl. 518): No Quadro Anexo II (fls. 829/832) é apresentada a situação dos supostos quadros societários das empresas. É fácil visualizar a estreita vinculação entre todos, seja mediante emprego direto na SPERAFICO ou em outras das empresas, ou mesmo vínculo familiar. A subordinação à SPERAFICO das pessoas que figuram no quadro societário da maioria das empresas é evidente. Podese afirmar que a subordinação é tão evidente que em alguns casos a própria SPERAFICO assume a condição de sócio majoritário da empresa, conforme será relatado adiante. Os contadores das empresas decorrentes também possuíam algum vínculo com a Sperafico, como se constata no seguinte trecho do relatório fiscal (efl. 518) e, ainda no Quadro Anexo II Contadores (efls. 839 a 841) No Quadro III (fls. 833/836) é apresentada a vinculação entre empresas e contadores. Percebese também que a escrita contábil das empresas remete à vinculação com a SPERAFICO. No ano de 2005, esteve dividida entre os contadores Clerione Raquel Herther (LDI), Carlos Alberto Koval (KL, OLECARGAS, PP, RTC, TOLECARGAS, TOLENORTE, TRANSCAR, WSUL) e Neldo Danzer (PPMS, TPC, VS); já no período de 2006 a 2008 ficou apenas como Contador de todas as empresas o funcionário da SPERAFICO Luciano Vendramini Bassi. Na SPERAFICO atuou como Contadores no período de 2005 a 2008, além da Sra. Clerione Raquel Herther o Sr. Aloisio Antonio Bonemberger (sic.) Fl. 7226DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.224 7 Até mesmo as testemunhas que assinaram os contratos sociais e respectivas alterações eram vinculadas à Sperafico, como se observa no Quadro Anexo IV Testemunhas (efls. 844 e 845). 2.1.2 Das atividades das empresas decorrentes Consta dos documentos dos autos (efls. 765) que o objeto social da Sperafico coincide, em grande parte, com o objeto social das empresas decorrentes. Com base nas informações do processo, elaborouse a Tabela 1 Atividades, anexa a este voto, para bem ilustrar a compatibilidade das atividades. 2.1.3 Utilização de plano de contas em comum Segundo o Relatório Fiscal (efls. 518 e 519): Ficou constatado que o PLANO DE CONTAS da SPERAFICO é o mesmo que foi utilizado pelas demais empresas no período de 2006 a 2008 (no ano de 2005, as empresas, à exceção da LDI, tiveram escrituração realizada em escritórios contábeis distintos da estrutura da SPERAFICO). Teoricamente, isto não deveria acontecer, já que se fossem empresas distintas, com administrações distintas e contabilidades diferentes, cada qual organizaria sua própria escrituração. No entanto, aconteceu e está comprovado com a juntada do Plano de Contas da SPERAFICO em anexo (fls. 772/785), o qual corresponde aos planos de contas das outras empresas, que também são juntados em anexo (cópias às fls. KL 968/985, LDI. 1292/1310, OLECARGAS 1532/1549, PLASMA 1734/1753 PP 1998/2018, PPMS 2355/2373, RTC 2610/2628, TOLECARGAS 2946/2964, TOLENORTE 3174/3191, TPC 3607/3625, TRANSCAR 3948/3960, VS 4172/4190, WSUL 4394/4414). De fato, o uso do mesmo plano de contas em todas as empresas, embora, isoladamente, não se constitua prova definitiva, é um indício que converge para a conclusão de que as empresas eram, em verdade, uma extensão da Sperafico. O plano de contas é elemento característico de uma entidade, pois reflete a organização patrimonial e os registros do resultado empresarial, que normalmente é diferente em cada empresa, sobretudo quando os objetos sociais são distintos. No caso, em que se tem empresas dos ramos de comercialização de peças e manutenção e reparo de veículos, de transporte rodoviário de cargas, de capatazia (carga e descarga de produtos), de industrialização, empacotamento e comércio de cereais, de fabricação de móveis, é no mínimo muito incomum que um mesmo plano de contas possa servir a todas as empresas. 2.1.4 Do local onde os trabalhadores das empresas decorrentes atuavam Conta do Relatório Fiscal (efls. 519 e 520) que as empresas decorrentes ou tinham o mesmo endereço das filiais e matriz da Sperafico ou mantinham funcionários nas suas dependências. O relatório descreve cada uma das situações, envolvendo cada empregado, cada filial e cada empresa decorrente, em que os empregados prestaram serviço diretamente nas filiais da Sperafico. A título de exemplo ilustrativo, reproduzse a situação encontrada na empresa KL (efl. 527): Fl. 7227DF CARF MF 8 Não possui filial. No entanto, confirmando o que fora afirmado anteriormente, os trabalhadores desta "empresa" eram alocados em diversas filiais da SPERAFICO. Vejase a propósito "Relação de Empregados" (fls. 1101/1104), que evidencia o fato, como por exemplo, trabalhadores alocados na MATRIZ (TOLEDO), e filiais como Tupãssi , Vila Nova, Nova Aurora, Cascavel, Vila Ipiranga, São Luiz, Guaíra, Santa Inês, no setor de Transportes (Toledo), Braganey, São José, Indústria e Penha. Encontrase demonstrado na planilha (fls. 4688/4719) denominada de QUADRO ANEXO V NF PRESTADORAS X FILIAIS SPERAFICO que, em razão da filial da SPERAFICO tomadora do serviço de acordo com a Nota Fiscal, eram alocados trabalhadores registrados na KL a prestarem serviços a diversas filiais da SPERAFICO em diversas localidades diferentes da sede da KL, o que confirma a informação acima e realça o aspecto de que a subordinação desses empregados era de fato com a SPERAFICO já que as empregadoras (prestadoras de serviço) aparentes não se faziam presentes nos locais das prestações de serviços. A situação verificada na empresa KL se repetiu, com o mesmo modus operandi, em outras empresas decorrentes. 2.1.5 Do fornecimento de recursos financeiros às empresas decorrentes Segundo o Relatório Fiscal (efl. 521): As diversas empresas "prestadoras de serviços", registraram, no período fiscalizado, de forma contumaz, severos resultados negativos (prejuízos) ante um pequeno valor de capital social. Ou seja, não ostentavam condições econômicas de operar com normalidade, sua existência se justificava para o fim evidente de burlar a legislação tributária, com a obtenção indevida de benefícios fiscais através da indevida inclusão no SIMPLES. Em itens adiante será evidenciada a situação por empresa. Em face disso, para a existência das "prestadoras de serviços", mesmo que apenas na aparência, era a SPERAFICO quem fornecia recursos financeiros, seja na condição de único tomador de serviços, seja, por fim na condição de sócio majoritário, como em alguns casos, com a integralização de capital social com créditos seus junto à prestadora. O Fisco entendeu que, ao apresentarem prejuízos constantes e sobreviverem apenas de recursos oriundos da Sperafico, as empresas decorrentes não exerciam, na verdade, atividade econômica. Eram apenas extensões da própria Sperafico. Filiome, neste caso, ao entendimento do Fisco. Está demonstrado (efls. 527 e 528) que as empresas decorrentes acumularam prejuízos, isto porque a Sperafico, única cliente, transferia recursos suficientes apenas para pagar o custo dos serviços que foram prestados por aquelas empresas, sem possibilidade de gerar resultado positivo. A característica essencial da atividade empresarial produtiva é a busca pelo lucro, se as empresas decorrentes tinham suas receitas provenientes exclusivamente da Sperafico e seus prejuízos cobertos por aporte de capital desta empresa, sem que gerassem resultados positivos, resta bem evidenciado que elas não tinham propósito empresarial. Fl. 7228DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.225 9 2.1.6 Das folhas de pagamento e demais atos de gestão de RH Consta do Relatório Fiscal (efl. 522): Além disso, no período de 2006 a 2008, o processamento da folha de pagamento, a organização e a realização de todas as tarefas atinentes ao RH das empresas estaria, como quer fazer crer a situação que foi apresentada à auditoría fiscal, a cargo de uma única pessoa responsável pelo parte contábil e de RH, na pessoa do contador (funcionário da SPERAFICO) Luciano Vendramini Bassi (que se apresenta como sendo profissional autônomo, desvinculado da SPERAFICO, para fins de atender às "prestadoras de serviços"). Seria evidentemente impossível que uma única pessoa realizasse todas as tarefas, desde controle de freqüência, processamento dos diversos itens de folha de pagamento, controle e efetivação de pagamento de pessoal, controle de férias, licenças, FGTS, SEFIP/GFIP; Previdência Social, processamento e controle dos benefícios (mercado,farmácia, Unimed, gás), e além disso realizar a escrituração contábil de todas as empresas com todas as outras tarefas atinentes à área contábil e fiscal. Na realidade, os fatos apurados evidenciam que a folha de pagamento foi, como não podia ser diferente, processada dentro da SPERAFICO, no setor próprio de RH desta, com o pessoal desta. Isto fica demonstrado de modo mais claro por empresa em itens adiante, onde se vê que até determinados erros cometidos no processamento de uma folha de pagamento, o mesmo erro repercutia nas demais, como se fosse (como de fato é) apenas uma única folha de pagamento. Observese que, segundo foi apurado na investigação fiscal, a gestão de pessoal e a confecção da folha de pagamento dos empregados das empresas decorrentes acontecia dentro da Sperafico, por empregados do setor de recursos humanos desta empresa, sob a responsabilidade de seu contador. Verificase que os emails fornecidos nos documentos apresentados pelas empresas decorrentes eram sempre do domínio @sperafico.com.br. O acórdão recorrido bem apontou (efl. 7126) o exemplo das informações ao Caged em que consta eloi@sperafico.com.br. Mais uma vez corroboro o entendimento do Fisco de que essa condição denota uma incomum participação da Sperafico na gestão dos trabalhadores da empresas decorrentes, o que só se justifica se, como sustentado pelas Autoridades Lançadoras, os empregados fossem de fato da Sperafico, ainda que estivessem registrados em nome de outras empresas. 2.1.7 Da movimentação de empregados com o advento do Simples Nacional Ainda quanto à administração de recursos humanos, a Fiscalização Tributária observou a transferência de empregados das empresas decorrentes para a Sperafico. Isto porque, com o fim do Simples, em 2007, o modelo que teria sido criado pela Recorrente deixou de possibilitar o benefício tributário; não havia, pois, mais razões de seus trabalhadores estarem registrados nas empresas que foram criadas para optarem pelo Simples e, com isso, pagarem menos contribuição previdenciária (além de outros encargos e tributos). Fl. 7229DF CARF MF 10 A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que passou a vigorar em 1º de julho de 2007, instituiu o Simples Nacional, que excetuou do modelo, no que se refere às contribuições previdenciárias, as microempresas e da empresas de pequeno porte que se dediquem às atividades de prestação de serviços. E foi exatamente a partir dessa data que as empresas decorrentes passaram a ser tributadas com base no lucro presumido (efl. 515, item 3.3). De fato, analisando as informações compiladas do Caged sobre a transferência de empregados (efl. 794), salta aos olhos a coincidência entre o fluxo de empregados e a vigência do Simples. Nos meses de julho e agosto de 2007, houve uma expressiva transferência dos trabalhadores que estavam na empresas decorrentes para a Sperafico. Isto, mais uma vez, demonstra inequivocamente que os trabalhadores sempre foram empregados, de fato, da Sperafico e apenas figuravam como empregados das empresas decorrentes em razão de um planejamento tributário deixou de fazer sentido com a alteração legislativa. 2.1.8 Dos descontos para a associação de funcionários Os Auditores Fiscais constataram (efl. 523) que, assim como na Sperafico, nas empresas decorrentes havia desconto da contribuição dos empregados para a Associação de Funcionários da Agrícola Sperafico (Afas). Pareceme lógica a conclusão do Fisco de que os empregados das empresas decorrentes eram, em verdade, empregados da Sperafico, do contrário, não haveria razão para deles descontar o valor da contribuição para a entidade. 2.1.9 Das atividades exercidas pelos empregados das empresas decorrentes O acórdão recorrido bem apontou outro ponto revelador da verdadeira intenção do planejamento tributário. Alguns funcionários foram registrados nas empresas decorrentes para funções que são incompatíveis com seus objetos sociais, mas absolutamente inerentes aos objetivos da Sperafico. É o que se observa no seguinte trecho (efl. 7126): Cabe acrescentar que a peça defensiva acabou se abstendo de rebater verificações/fatos ao meu ver fundamentais na análise do caso. Não há, por exemplo, qualquer justificativa para que uma empresa que tem por objeto a prestação de serviços de consertos e substituições de peças de caminhões, ônibus e outros veículos pesados possua um funcionário registrado como Classificador de Cereais. Da mesma forma, entre diversas outras incompatibilidades de funções descritas no relatório fiscal, a peça defensiva também não explica porque uma empresa que possui como objeto social serviços de carga e descarga de produtos agrícolas possui empregados nas funções de OPERADOR DE CALDEIRA, AJUDANTE DE SECADOR ou AUXILIAR DE LABORATÓRIO. Em resumo, a natureza dos serviços descritos não só se mostra incompatível com os objetos das empresas interpostas, como se afeiçoam necessárias às atividades da própria impugnante. A Recorrente, em seu favor, alegou que as atividades efetivamente realizadas pela empresa não foram as descritas em seu objeto social e apresentou, para comprovar, Fl. 7230DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.226 11 balancetes que indicariam que as fontes de suas receitas eram a comercialização e industrialização de produtos agrícolas. O fato de, no período, as receitas se concentrarem apenas em parte das atividades da Recorrente, ao meu ver, dá mais substância à tese da simulação. Ora, se a empresa transferiu atividades de seu objeto social para as empresas decorrentes, permanecendo apenas com algumas delas, não haveria mesmo de ter qualquer receita contabilizada oriunda das atividades transferidas. Demonstra, na verdade, que parte de suas atividades finalísticas foram indevidamente terceirizadas, notadamente as que demandavam grande quantidade de mãodeobra. Esta é, na essência, a tese advogada pela Autoridade Lançadora e pelo acórdão a quo. 2.1.10 Dos benefícios pagos aos empregados da Sperafico Consta do Relatório Fiscal (efl. 523): Foi constatado que a SPERAFICO mantém uma certa conduta com relação a benefícios para empregados, concedendolhes algumas formas de benefícios que se traduzem em facilidades na aquisição de gêneros alimentícios, medicamentos e gás no comércio da cidade de Toledo PR. Idêntica situação ocorre nas empresas "prestadoras de serviços", seguindo o mesmo procedimento. Foi constatado também que a SPERAFICO funciona como intermediária na aquisição de plano de saúde UNIMED para seus empregados. Assim, desconta nas respectivas folhas de pagamento valores relativos a UNIMED. O mesmo ocorre nas "prestadoras de serviços", seguindo o mesmo procedimento. Tais fatos evidenciam que se trata de uma única administração de pessoal. Conforme o Fisco apurou, os empregados registrados nas empresas decorrentes usufruíam dos mesmo benefícios e do plano de saúde oferecidos aos empregados da Sperafico, o que mais uma vez caracteriza que o patrão, de fato, era esta empresa. 2.1.11 Do preenchimento das notas fiscais de prestação de serviços Conforme o Relatório Fiscal (efls. 523, 524, 702, 703 e 704), foi identificado que muito as notas fiscais de prestação de serviços das diversas empresas decorrentes eram preenchidas sempre com a mesma caligrafia. Conclui o Relatório Fiscal, neste ponto: Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de emissão de notas fiscais de prestação de serviços por supostas empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento. De fato, verificando as notas constantes dos autos (efls. 4492 a 4710) facilmente se constata, sem necessidade de profundos conhecimentos grafotécnicos, que as notas das diferentes empresas foram escritas com a mesma caligrafia. Este é um importante Fl. 7231DF CARF MF 12 indício de que, na verdade, os blocos de notas estavam ali, à disposição da mesma pessoa, para preencher os documentos de acordo com a necessidade. É um expediente comum em casos de empresas de fachada ou empresasfantasma pois, obviamente, essas empresas não possuem setor de faturamento com faturistas para emissão das próprias notas fiscais, sendo isto uma atribuição da empresa oculta. 2.1.12 Do ativo imobilizado Os AuditoresFiscais constataram que todo o ativo imobilizado utilizado na prestação dos serviços pertencia à Sperafico, e não às empresas prestadoras (efl. 524): A SPERAFICO era e é a única detentora dos meios de produção utilizados no processo produtivo e no desenvolvimento dos diversos serviços que em seus estabelecimentos foram/são realizados. Assim, não é difícil perceber que as "empresas" que realizavam serviços de transportes não possuíam sequer um veículo no seu ativo permanente; as que realizavam atividades de carga e descarga não possuíam equipamentos para tal, como por exemplo carregadeiras, empilhadeiras, veículos, etc; as diversas "empresas" não tiveram/têm sede nem estrutura administrativa mínima. Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento, sem o cuidado sequer de lhe fornecer meios próprios de operar. Ora, se as empresas decorrentes não tinham qualquer bem de produção e nem há registro de que os obtinha por intermédio de algum tipo de arrendamento, não haveria como se constituírem em legítimas empresas sem os meios para a realização de seus objetos sociais. 2.1.13 Das receitas e despesas das empresas decorrentes A investigação fiscal constatou que toda a receita das empresas decorrentes provinha exclusivamente da Sperafico ou de outra empresa do grupo (efl. 524): As empresas "prestadoras de serviços" não possuíam outra fonte de receita que não a própria SPERAFICO ou alguma empresa do GRUPO, conforme evidenciam em suas respectivas escriturações. Não existiam por si só, mas apenas e em função da SPERAFICO, que lhes deu a "suposta" existência. Ademais, suas receitas escrituradas eram apenas para cobrir despesas de pessoal, conforme fica evidenciado em itens adiante, por empresa. Nalguns (sic) casos, não havia receitas nem para cobrir tais despesas. O fato de as receitas das empresas decorrentes virem exclusivamente da Sperafico não seria, isoladamente, um elemento determinante para se concluir pela interposição. Porém, diante do contexto, somase aos demais indícios que demonstrar ser a Sperafico a real prestadora dos serviços, utilizandose de empresas de fachada. Fl. 7232DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.227 13 2.1.14 Das despesas das empresas decorrentes A Fiscalização também constatou que as empresas não tinham despesas operacionais (efls. 524 e 525): Em se tratando de despesas, a situação apurada revela que as empresas não realizavam, apesar de comuns a qualquer organização empresarial, despesas com água, luz, telefone, aluguel, material de consumo, material de escritório, móveis, equipamentos. Outro fato constatado, foi o expediente utilizado nas escriturações das diversas "prestadoras de serviços" de lançar valores em contas como DUPLICATAS A RECEBER e ADIANTAMENTO DE CLIENTES, que na verdade significavam valores de pagamentos que a SPERAFICO fazia para elas, ou seja, a SPERAFICO pagava diretamente as despesas e os valores eram apropriados como redutores de duplicatas a receber ou como adiantamento de clientes. Tais fatos serão demonstrados por empresa, em itens adiante. Este elemento evidencia que não existiam empresas distintas, mas uma única empresa, que se utilizou do expediente de criar empresas "prestadoras de serviços" para justificar a alocação de mãodeobra fora de sua folha de pagamento, sem o cuidado sequer de lhe fornecer meios próprios de operar. No meu entender, este é um elemento que prova a inexistência de fato das empresas decorrentes. É possível que haja uma empresa sem ativos, ou sem receitas, até mesmo sem diretores, mas não possível uma empresa sem despesas operacionais. A característica essencial de qualquer atividade empresarial é a transformação de algo em produto ou serviço colocado no mercado, nesse processo de transformação surgem, inexoravelmente, as despesas e, quase sempre, os custos diretos e indiretos. No caso, as despesas aconteciam, mas não eram registradas como tal, eram registradas como deduções dos valores a receber da Sperafico, ou seja, quem arcava com o ônus das despesas era a própria Sperafico. 2.1.15 Das reclamatórias trabalhistas Os agentes do Fisco se fundamentaram, também, na ações trabalhistas em que empregados da empresas decorrentes pleitearam o vínculo com a Sperafico (efls. 703 a 712). Foram declinadas várias petições iniciais em que os reclamantes atestaram trabalharem para a Sperafico, inclusive sob subordinação. Em alguns casos, foram encontradas anotações determinando que o pagamento decorrente das ações trabalhistas fosse efetuado pelo setor de RH da Sperafico. 2.1.16 Das apólices de seguro de vida No Relatório Fiscal consta (efl. 713): Foi constatado na análise de documentos referente a seguros de vida de empregados de diversas empresas das prestadoras de serviços à SPERAFICO, que na contratação de seguros de vida, Fl. 7233DF CARF MF 14 as mesmas figuram nas apólices como subestipulantes, sendo a estipulante a SPERAFICO (cópias de does. de seguro às fls. 4721/4753). Mais uma evidência do vínculo com a SPERAFICO. Há caso em que figura como estipulante outra empresa do grupo SPERAFICO, a Clean Farm do Brasil Ltda. Entendeu, o Fisco, que o fato de a estipulante ser a a Sperafico (com e exceção do contrato envolvendo a WSul, cuja estipulante era a Clean Farm) representaria mais um indício de que as empresas decorrentes eram, de fato, a longa manus da Sperafico. 2.1.17 Da simulação Os AuditoresFiscais entenderam que, diante das provas e indícios identificados, estavam diante de uma simulação. Assim asseveraram em seu Relatório Fiscal (efl. 714): Restou demonstrado que o desmembramento da organização empresarial em outras supostas sociedades empresariais consiste em estratégia de planejamento que caracteriza a evasão fiscal, pois busca usufruir indevidamente do tratamento tributário simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9.317/96 (Lei do SIMPLES). A simulação (criação de realidades inexistentes) utilizada, consubstanciada na constituição ou aquisição de empresas para serem, na aparência, distintas da empresa "mãe", retira toda a validade dos atos por ela viciados, devendo prevalecer a real situação fática, com base no princípio da verdade material. E, em decorrência desse princípio, temse como inexistente, para fins previdenciários, a contratação irregular de trabalhadores feita pelas empresas "prestadoras de serviços". Na realidade, a real e verdadeira contratação de empregados se deu para beneficiar a empresa SPERAFICO, que se beneficiou diretamente dos trabalhos executados pelos trabalhadores então contatados. Conclui, o Fisco, que teria havido simulação da Recorrente, mediante a criação de empresas optantes pelo Simples para, por intermédio delas, fazer uso da mãode obra necessária às suas atividades, evadindose dos compromissos previdenciários (efl. 514 e 515): Ficou constatado que esta empresa caracterizase como líder de um grupo empresarial, conhecido por SPERAFICO. A SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA, segundo se apurou, utilizouse do mecanismo da simulação, expediente este que consistiu na criação de diversas outras empresas que têm existência ou são criadas para lhe prestarem serviços, serviços estes que consistem atividades operacionais da própria SPERAFICO, haja vista a amplitude de seu objeto social, o que se verá demonstrado neste relatório. Ficou evidente, após as análises realizadas nas diversas empresas, neste relatório identificadas, o propósito de se criarem empresas para obtenção indevida do benefício da opção pelo Simples. Tais fatos evidenciam a prática da evasão fiscal, relativamente às contribuições previdenciárias, mediante o citado procedimento da simulação. Fl. 7234DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.228 15 A tese apresentada pelas Autoridades Lançadoras é a da ocorrência se simulação, ou seja, a vontade declarada (o que consta dos documentos formais) não corresponde à vontade real (a obtenção dos serviços dos trabalhadores com menor custo tributário, usufruindo de um regime fiscal favorecido). A Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil, esclarece Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; É importante destacar que a comprovação de interposição de pessoas, do uso de empresas de fachada e da simulação dificilmente se dá com elementos documentais contundentes, pois a característica essencial desse tipo de conduta é a criação de uma situação aparente, formalmente amparada em documentos, para ocultar uma situação real. Portanto, para se desvendar o fato simulado, é necessário olhar por trás do fato simulador. Assim, a formalidade documental deve ser afastada quando presentes elementos circunstanciais que a contradizem. Ao contrário do que a recorrente sustentou no seu apelo, não se trata de desconsideração das pessoas jurídicas. Tratase da correta identificação do sujeito passivo da relação tributária. Os Fiscais não desconstituíram as empresas decorrentes, elas estavam lá, constituídas formalmente e praticando atos e fatos com efeitos no mundo jurídico. Mas os vínculos de trabalho, estes sim, foram desconsiderados para que o verdadeiro empregador, a Sperafico, pudesse surgir na relação tributária. Como bem estatuiu BOZZA1: A prova da simulação é normalmente uma prova por presunção relativa, isto é, indireta, por inferência, baseada em indícios que são colhidos no contexto no qual o ato ou negócio foi executado. Conforme esclarecido pelo conselheiro Marcos Neder, no voto proferido no Ac. CSRF/0106015, de 14 de outubro de 2008, "a prova por presunção pode assegurar ao julgador a certeza necessária para proferir sua decisão, desde que fundada num conjunto de indícios graves, precisos e convergentes. Esses fatos circunstanciais considerados isoladamente podem não alcançar a certeza, mas, ao serem examinados em conjunto, podem levar a uma comprovação confiável da ocorrência do fato jurídico tributário". Entendo que, diante da constelação de indícios, todos convergentes, que apontam para a Sperafico como a real contratante dos trabalhadores, a simulação resta comprovada. Na verdade, os elementos dos autos são absolutamente contundentes, quando vistos em seu conjunto. 1 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 233. Fl. 7235DF CARF MF 16 Os fatos constatados podem assim ser resumidos: a Sperafico detinha pleno controle das empresas decorrentes, os empregados trabalhavam nas dependências dela e sob suas ordens, as empresas decorrentes não possuíam finalidade econômica real, todas elas eram optantes pelo Simples e, quando a vantagem fiscal acabou em razão de mudança legislativa, os empregados foram transferidos para a Sperafico, revelando o verdadeiro propósito do arranjo empresarial, qual seja, manter os empregados em empresas optantes pelo Simples e, por conseguinte, evadirse dos encargos previdenciários. A seu favor, a Recorrente sustenta que a terceirização de suas atividades encontra amparo legal e que as teria promovido para proporcionar melhor gerenciamento administrativo das atividadesmeio. De fato, a terceirização está prevista no ordenamento, mas existem claros critérios, como a vedação à transferência de atividades finalísticas e a vedação à pessoalidade e subordinação diretas. Ao observar as provas dos autos, o que mais se vê é a participação ativa da Sperafico na gestão de RH dos empregados registrados nas empresas decorrentes (que sequer possuíam estrutura administrativa). Atividades como controle de ponto, pagamento e outras providências de pessoal eram exercidas diretamente pela Sperafico. Além disso, os trabalhadores atuavam nas dependências dessa empresa em distintas cidades, executando as atividadesfim da Sperafico. O gerenciamento administrativo das atividades, que foi a alegada causa das terceirizações, permaneceu com a Sperafico. Como não admitir o vínculo direto? Vale, aqui, relembrar, mais uma vez, a lição de BOZZA2: Na interposição real, não simulada, a interposta pessoa dá lugar ao intermediário. Estabelecese, assim, um vínculo negocial efetivo, de um lado, entre o interpoente e o intermediário e, de outro lado, entre o intermediário e o terceiro contraente. O intermediário que realmente participa do contrato estabelece em seu nome a relação jurídica e tornase titular de direito e obrigações, ainda que ostente um vínculo obrigacional com o interpoente, resultando em uma combinação de atos jurídicos. Essa é a razão pela qual o intermediário não pode ser considerado interposta pessoa simulada. Isso já não ocorre na interposição fictícia ou simulada, pois existe apenas uma relação jurídica direta entre o interpoente e o terceiro contraente. A interposta pessoa não participa verdadeiramente do negócio, nem se beneficia de qualquer vantagem patrimonial. Apenas finge que faz, emprestando seu nome para ser aposto no documento. A sua eventual participação apenas será feita para dar verossimilhança ao engano. Resta claro que os contratos de trabalho ligavam diretamente os trabalhadores à Sperafico. Percebese a simulação, também, ao se analisar as relações contratuais entre a Sperafico e as empresas decorrentes. Não havia, ali, um motivo econômico, ou um propósito negocial. Aquelas empresas não geraram lucro, não tinham ativos, não tinham nem os equipamentos elementares para a prestação dos serviços para os quais teriam sido contratadas. Nos contratos juntados pela Recorrente (efls. 6522 a 6552) observase que as cláusulas eram praticamente idênticas, até os erros de Português eram os mesmos, independentemente do objeto contratado. Aliás, em todos os contratos se verifica a mesma 2 BOZZA, Fábio Piovesan. Planejamento tributário e autonomia privada. Série Doutrina Tributária, vol. XV. São Paulo: Quartier Lantin, 2015, p. 238. Fl. 7236DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.229 17 cláusula 5ª (com exceção da empresa LDI Transportes, em que o texto está na cláusula 6ª) que deixa claro que o papel das empresas decorrentes era fornecer mãodeobra à Sperafico, que arcaria com todo o material e equipamento necessário aos serviços: A CONTRATADA obrigase a fornecer toda a mãodeobra necessária para a execução dos trabalhos contratados, assim como a administração, o pagamento das verbas remuneratórias e encargos sociais e a CONTRATANTE obrigase a entregar todos os materiais, insumos, veículos de transporte, máquinas e equipamentos necessários para a prestação de serviços objeto deste contrato. Na verdade, os contratos entre Sperafico e empresas decorrentes não eram verdadeiros, mas apenas simulacros. As empresas nem possuíam estrutura física e ativos para fornecerem os serviços, apenas serviram de meio para registrar os empregados livrando a Sperafico dos ônus previdenciários. Ainda segundo BOZZA3 A ausência de propósito negocial também surge diante da impossibilidade material de realização da atividade empresarial, como ficou decidido no Ac. 30332460, de 19 de outubro de 2005 (Caso CDR), em face da inexistência de móveis ou maquinários adequados para o empreendimento. O Ac. 101 95208, de 19 de outubro de 2005 (Caso CDR), considerou artificial a constituição de empresas entre pessoas ligadas para se beneficiar de regime de tributação favorecido, mas que não possuía meios materiais para a prestação de serviços. (Grifo do original.) Assim como consignado no relatório fiscal e no acórdão recorrido, eu também enxergo claramente o emprego do artifício usado para ocultar a verdadeira relação trabalhista entre a Sperafico e os empregados registrados nas empresas decorrentes. 2.1.18 Conclusão quanto à legitimidade passiva da Sperafico No início deste tópico, foi colocada a seguinte questão: se houve lançamento reflexo nas empresas desconsideradas, como poderia ser a Recorrente o sujeito passivo da obrigação principal? Quanto ao lançamento das multas sobre descumprimento de obrigações acessórias nas empresas decorrentes, a matéria não faz parte destes autos. Cabe, aqui, analisar se a Recorrente é o sujeito passivo das exações que constam deste processo, que derivaram de do pagamento a empregados e a contribuintes individuais. Ora, a resposta à questão central requer conhecer quem, de fato, mantinha a relação de emprego com os segurados empregados e quem, de fato, contratou os contribuinte individuais. O acórdão recorrido estatuiu: Ocorre que cabe ao fisco identificar se a conduta da notificada em conjunto com as empresas supracitadas desponta no caso em 3 Idem ibdem, p. 244. Fl. 7237DF CARF MF 18 exame como planejamento tributário, assim entendida a medida adotada pela empresa, entre as várias alternativas não vedadas em lei, que resulte na diminuição de custos, inclusive os tributários. Todavia, de pronto essa possibilidade é rechaçada tendo em vista o vasto material probatório produzido pela autoridade lançadora, com a clara demonstração da ocorrência de evasão fiscal utilizandose de procedimento que buscou a ocultação do verdadeiro ato realizado. No caso, entendo que os elementos contidos nos autos são bastante persuasivos em retratar a ocorrência de simulacro empregado pela empresa, objetivando se esquivar de suas obrigações previdenciárias. Corroboro o que consta do acórdão recorrido, que reafirmou a tese de simulação e considerou a Recorrente a verdadeira contratante dos trabalhadores e, portanto, ela é parte legítima para figurar no pólo passivo da relação tributária. Observese que os indícios e provas indicados nos itens 2.1.1 a 2.1.16 talvez fossem, se analisados isoladamente, insuficientes para sustentar a tese de que teria havido simulação. Porém, tomando em conta o conjunto de elementos, não há como se esquivar que a Sperafico era a verdadeira empregadora, pois: a) havia subordinação, porquanto os empregados trabalhavam nas dependências da Sperafico, que lhes controlava os registros de ponto, em atividades atinentes ao seu objeto social, com cargos compatíveis com a estrutura organizacional da empresa e, inclusive, fazendo jus aos mesmos benefícios que os empregados registrados na própria Sperafico; b) o trabalho era habitual e contínuo, como bem descreveu o acórdão a quo: Mesmo a partir do dia seguinte à transferência dos empregados das empresas prestadoras (conforme relato supra), jamais houve qualquer interrupção na prestação de serviços à SPERAFICO, inclusive com a continuidade no mesmo cargo, restando, portanto, também configurado o caráter da não eventualidade; c) os recursos para pagamento dos salários aos empregados provieram sempre da Sperafico, o que evidencia a onerosidade da relação de trabalho; d) os empregados registrados nas empresas decorrentes exerciam funções próprias da Sperafico mesmo quando eram transferidos entre aquelas empresas ou daquelas para a Sperafico, caracterizando a pessoalidade. Não restam dúvidas, por todo os que foi evidenciado, que a Sperafico possuía relação pessoal e direta com as situações que constituíram os fatos geradores das contribuições sociais, revestindose, pois, da condição de sujeito passivo, na qualidade de contribuinte. nos termos do art. 121, parágrafo único, inciso I do CTN. Rejeito, pois, a preliminar de erro de ilegitimidade passiva e concluo pela ocorrência de simulação para ocultar os fatos geradores tributários. Fl. 7238DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.230 19 2.2 DA CONEXÃO E DA CONTINÊNCIA ENTRE PROCESSOS Embora esta matéria não componha a lide, a Recorrente solicita que sejam consideradas, no julgamento administrativo, a conexão e continência com as referidas autuações seja declarada a conexão e continência entre estes autos e os autos de infração nºs 37.212.5034, 37.212.5042 e 37.212.5182 (efl. 6384). Solicita, também, que o julgamento dos processos se inicie pelos presentes autos para que a decisão repercuta nos demais, face à conexão e continência (efl. 6385). A esse respeito, registrese que os processos resultantes da mesma ação fiscal foram distribuídos para o mesmo relator, de modo a, quando possível e necessário, presentes as iguais situações de fato e de direito e mesmos elementos de prova, procederse a conclusões convergentes. Também solicita, a Recorrente, que se considere a conexão e continência entre estes autos e autos com os autos de infração lavrados em desfavor das empresas decorrentes (autos de infração 37.289.6375, 37.289.6332, 37.289.6480, 37.289.6383, 37.289.6391, 37.289.6464, 37.289.6472, 37.289.6421, 37.289.6448, 37.289.6430, 37.289.6413, 37.289.6405, 37.289.6367, 37.289.6456, 37.289.6340 e 37.289.6359), considerando, no seu entender (efl. 6386): (...) a incompatibilidade de assunção da obrigação tributária principal pela Impugnante e, relativamente aos memos (sic) tributos, as penalidades pecuniárias por descumprimento de obrigações acessórias às "pessoas jurídicas desconsideradas" Não vejo possibilidade de atender ao apelo. Primeiramente, destacase que o art. 31 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19724, delimita as decisões aos autos de infração que componham o processo, não sendo possível que se estenda o julgamento a outros processos, de outros contribuintes, ainda que, como alegado, possa haver conexão entre os fatos. Admitese, para efeito de convencimento do julgador, que os fatos e provas decorrentes de uma mesma ação fiscal, mas que foram dispersos em distintos processos do mesmo contribuinte, possam ser analisados em conjunto, mas sempre resultando em distinta decisão em cada processo. A análise de processos que provieram de outras ações fiscais, perpetradas em outros contribuintes, implicaria no julgamento conjunto de todos os fatos, o que não está previsto no regulamento processual administrativo. Ainda, a Recorrente não provou, nos autos, que haja conexão entre as matérias, apenas alegou que eventual decisão aqui proferida teria reflexos naqueles processos. Nada impediria que a Recorrente buscasse naqueles autos de infração os elementos que entendesse úteis à sua defesa, que aqui poderiam ser apreciados para efeito de decidir a presente controvérsia. Ademais, como descrito no item anterior, não houve desconstituição de pessoa jurídica, como afirmou a Recorrente, e, portanto, caberia àquelas empresas apresentarem tempestivamente suas inconformidades, que constituiriam litígio administrativo próprio. 4 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Fl. 7239DF CARF MF 20 Por fim, as normas do processo civil têm aplicação apenas subsidiária e não podem ser invocadas no caso, quanto à conexão, pois o rito processual administrativo, notadamente o inc. I do § 1º do art. 6º do Regimento Interno do Carf (Ricarf) 5, já estabelece o instituto no âmbito do tribunal administrativo. Quanto à continência, também não se aplica, por não haver identidade entre as partes. Indefiro, pois os pedidos de conexão e de continência. 2.3 DA COMPETÊNCIA PARA O LANÇAMENTO A Recorrente alegou que os AuditoresFiscais da Receita Federal ao estabelecerem vínculos empregatícios de forma irrestrita, teriam desconsiderado a personalidade jurídica da empresas decorrentes e a aplicado o art. 116, parágrafo único, do CTN (norma antielisiva geral). Desta forma, teriam extrapolado suas competências previstas na Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, e na Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, avançando sobre competências próprias da Fiscalização do Trabalho e da Justiça do Trabalho. A Recorrente se equivoca. Não houve desconsideração de pessoa jurídica, o que ocorreu foi a correta identificação do sujeito passivo e dos fatos geradores, como determina o artigo 142 do CTN6, sendo o lançamento uma decorrência da imposição legal. Presente a simulação, autorizado estará o lançamento de ofício, como estabelece o inciso VI do art. 149 do CTN7. E a competência para a constituição de créditos tributários de contribuições previdenciárias está claramente disposta na alínea a do inc. I do art. 6º da Lei nº 10.593, de 20028. Destaco trecho do voto condutor do Acórdão nº 2402004.380, do Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, que adoto como razão de decidir: Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. 5 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; 6 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 7 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: .................................................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 8 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Fl. 7240DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.231 21 Portanto, no presente caso o Fisco não excedeu de suas competências ao efetuar o lançamento, tampouco adentrou em atribuições alheias, senão ficou adstrito ao encargo de laçar as contribuições previdenciárias. Destaquese que consta, nos Fundamentos Legais do Débito (efl. 285), toda a legislação que ampara a competência das Autoridades Fiscais no presente caso. Rejeito, pois, a preliminar de incompetência das Autoridades Lançadoras. 2.4 DA IMPARCIALIDADE DOS JULGADORES A QUO No recurso voluntário, a Recorrente alegou a falta de isenção dos julgadores da primeira instância administrativa, porquanto não vincularam os fundamentos jurídicos às provas dos autos. Não assiste razão à Recorrente. O acórdão a quo foi diligente ao fartamente vincular sua conclusões, especialmente no que se refere à existência de simulação e do vínculo empregatício, aos elementos dos autos, inclusive indicando as respectivas folhas e fazendo citações ilustrativas. Ainda que, expressamente, o acórdão recorrido não houvesse feito a vinculação, não se trataria, no dizer da Recorrente, de falta de isenção de "animus" dos julgadores preliminares e nem de razão para a anulação da decisão, pois que a autoridade julgadora é livre para formar sua convicção diante de sua interpretação das provas9. 3 Da questão prejudicial à análise do mérito 3.1 DA DECADÊNCIA A Recorrente alegou que, ao caso, deveria ser aplicado o art. 150, §4º do CTN e não o artigo 173, inciso I, pois não houve fraude, dolo ou simulação. Alegou que tudo o que fez foi utilizarse legalmente de terceirização de serviços de suas atividadesmeio, em consonância com a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) 10. Não é o que se observa nos autos. Segundo a Súmula nº 331 do TST, o vínculo empregatício não se forma quando a contratação se dá em atividadesmeio e inexista a pessoalidade e a subordinação direta. O que se vê no processo é que as atividades exercidas pelos profissionais registrados nas empresas decorrentes eram atividades finalísticas da Sperafico (item 2.1.2 deste voto); ademais, ficaram evidenciadas a pessoalidade e a subordinação (item 2.1.18 deste voto). A conclusão geral a que se chega é a de que houve simulação. Assim, não há como aplicar a regra decadencial contida no § 4º do art. 150 do CTN11. Filiome ao 9 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 10 III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. 11 Art. 150. .......................................................................... Fl. 7241DF CARF MF 22 entendimento manifestado pelo STJ (AgRg no Recurso Especial nº 1.044.953/SP) segundo o qual, aplicandose o disposto no parágrafo único do art. 17312 do Estatuto Tributário, o prazo quinquenal se conta da data em que se iniciou a constituição do crédito tributário que, no caso, é 02/03/2009 (efl. 742). Tendo em conta que o lançamento se aperfeiçoou em 29/07/2010 (e fl. 6312) não há qualquer período alcançado pela decadência. Ainda que se aplicasse o inc. I do art. 173 do CTN, tendo em conta que o lançamento referese às competências a partir de 01/2005, também nenhum período estaria decaído. 4 Do mérito 4.1 QUANTO AOS AO PAGAMENTO A EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS O argumento fundamental da Recorrente em sua impugnação, reafirmado no recurso voluntário, é que teria sido aplicada a norma antielisiva geral para desconsideração das pessoas jurídicas aqui genericamente referidas por empresas decorrentes. Também pousou sua contestação na afirmação de que a simulação não restaria provada, contestando cada um dos indícios para, então, afirmar que não constituiriam prova da simulação. Por fim, sustentou a regularidade da terceirização de serviços. Porém, entendo que não foi o que ocorreu. Como explicado nos tópicos anteriores, não houve desconsideração de pessoa jurídica, de negócio jurídico e nem aplicação de norma antielisiva. O que aconteceu foi a identificação do verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, oculto por detrás de empresas criadas por pessoas relacionadas para, apenas e tãosomente, transferir a elas as atividades que demandavam mãodeobra e, assim, usufruir indevidamente da tributação favorecida proporcionada pelo Simples, com prejuízo à previdência social. Ao contrário do que afirmou a Recorrente, há provas e elementos de convicção a sustentar a tese da simulação, descritos nos tópicos 2.1.1.a 2.1.17 deste voto e muito minuciosamente enumerados no Relatório Fiscal. Observese que a Recorrente não contestou o fato de que os empregados registrados nas empresas decorrentes lhes prestavam serviços. Também não contestou que as empresas tinham por sócios pessoas com vínculos familiares ou empregatícios com a Sperafico (embora tenha sustentado que careceria provas materiais de que tais pessoas estariam a atuar como laranja). Como já exposto, não existe prova material contundente, direta, da simulação acontecida. Não se registraria em nenhum documento o arranjo engendrado (criação de empresas em nome de pessoas relacionadas para apenas proporcionar à Recorrente uma § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 12 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 7242DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.232 23 vantagem tributária nos encargos previdenciários), de modo a comprovar que esse era mesmo o propósito. E, como já esclarecido, também não se pode tomar cada um dos indícios identificados como prova absoluta e suficiente. O que se tem, e em abundância, são indícios convergentes que demonstram, ao meu ver sem sombra de dúvidas, a simulação. E indícios, quando numerosos e convergentes, se constituem prova indireta apta a convencer o julgador. A Recorrente não se conformou com a consideração, na ação fiscal, de todos os empregados das empresas decorrentes como sendo a ela vinculados. Alegou que alguns talvez não exercessem atividades em seu proveito. Entendo diferente. Assumindo a tese da simulação, todas as relações empregatícias nas empresas simuladas não seriam mais do que parte da estrutura forjada para proporcionar e economia tributária indevida. Assim, mesmo um auxiliar de escritório que cuidasse da burocracia de uma das empresas decorrentes estaria, ao cabo, também a serviço da Recorrente. Por isso, entendo que não há como distinguir, dos quadros de pessoal, aqueles que atuariam diretamente para a Recorrente; no final, todos estavam a seu serviço, fosse um técnico de laboratório, um motorista de caminhões, um porteiro, um auxiliar de escritório, um vigia , um diretor ou um mecânico. Afimou, a Recorrente, que os seus registros contábeis e das empresas decorrentes estavam corretos. Ora, uma das características da simulação é que as formalidades em geral (contratos, registros contábeis e documentação) estejam de acordo com o que se pretende simular. O fato de a contabilidade ser escorreita, como afirma a Recorrente, não elide a simulação. O argumento da Recorrente, ao meu ver, não lhe socorre. Em outro ponto, a Recorrente disse que as empresas decorrentes teriam sido consideradas inexistentes pelo Fisco e, mesmo assim, teriam sido autuadas. Não há nisso qualquer irregularidade, porquanto, ao contrário do que afirmou a Recorrente, o Fisco não desconsiderou as pessoas jurídicas, apenas atribuiu à Recorrente os vínculos de trabalho para efeito de incidência da contribuição previdenciária. As empresas decorrentes continuam sendo sujeito de direitos e obrigações no mundo jurídico. Alegou, a Recorrente, que o lançamento carecia de fundamentação legal precisa, porquanto utilizouse de artigos da CLT, imprestáveis para efeito de atribuir responsabilidade tributária. Não foi isso que aconteceu, a utilização subsidiária de normas trabalhistas ocorreu apenas para caracterizar as relações de trabalho, e não as suas decorrências previdenciárias. O lançamento, no que se refere às contribuições previdenciárias, está corretamente fundamentado (efls. 285 a 287) em normas de natureza tributária. Sobre a incidência de Selic, a Recorrente entendeu serem incabíveis os juros calculados com base naquela taxa, pois ela teria natureza remuneratória e não moratória. Os juros são encargos estabelecidos no § 1º do art. 161 do CTN13 e no § 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 199614. Não cabe ao julgador administrativo substituir o papel do legislador para suprimir, aumentar ou modificar a forma de cálculo dos juros. 13 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 14 Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 7243DF CARF MF 24 4.2 QUANTO AOS PAGAMENTOS A COOPERATIVAS DE TRABALHO A Recorrente alegou que, sobre o pagamento à cooperativa de trabalho Unimed, não poderia incidir contribuição previdenciária porque teria a mesma base da COFINS e do PIS, configurando bitributação. Além disso, argumentou que existe na contribuição em debate vício de inconstitucionalidade. Em complemento, alegou que os empregados é que contribuíam integralmente com a Unimed e, portanto, as empresas atuaram apenas como intermediárias na relação entre os funcionários e a cooperativa. Atenhome apenas à questão da inconstitucionalidade suscitada pela Recorrente. De fato, o art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelecia a contribuição sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como razão de decidir, reproduzo parte do voto do destacado Conselheiro João Bellini Júnior, unanimemente aprovado por esta turma no Acórdão nº 2301005.076: Em 11/03/2015 transitou em julgado o acórdão publicado em 25/02/2015, o qual rejeitou os embargos de declaração opostos pela União, com o fito de modular o decidido no julgamento do RE 595.838/SP, o qual, proferido em 23/04/2014, declarou inconstitucional a exação prevista na Lei 8.212, de 1991, art. 22, IV: RE 595838 ED / SP Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do ................................................................................. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 7244DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.233 25 art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados RE 595838 / SP Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (Grifouse.) Ademais, o STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no RE 595.838, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota Fl. 7245DF CARF MF 26 fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Em face disso, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 10, de 2016, pela qual “É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838”. De acordo com o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF: Ricarf Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, existindo decisão definitiva do STF, submetida à sistemática da repercussão geral, no sentido de ser inconstitucional o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de DF CARF MF Fl. 387 6 cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991), deve esta Turma reproduzir o conteúdo de tal decisão em seus acórdãos. Portanto, os valores constantes dos levantamentos referentes aos pagamentos a cooperativa de trabalho (Unimed) relacionados no Relatório Fiscal (efls. 733 e 734) deverão ser excluídos do lançamento. 4.3 DO APROVEITAMENTO DOS PAGAMENTOS AO SIMPLES E DO PEDIDO DE PERÍCIA A recorrente solicitou, por derradeiro, que, no insucesso de seu apelo, fossem compensadas, das contribuições previdenciárias lançadas, as contribuições pagas pelas empresas decorrentes a título de Simples e de previdência retida dos empregados (efls. 6320 e 6321). Preliminarmente, destaquese que não cabe ao julgador administrativo a homologação ou autorização de compensação de tributos, sendo certo que o procedimento administrativo para esse fim está regulado na legislação tributária. A exceção ocorre quando a matéria está ligada à lide, ou seja, quando a compensação é o próprio objeto da controvérsia ou quando valores a compensar deveriam compor o cálculo dos valores lançados. No presente caso, em relação aos pagamentos ao Simples, entendo que a matéria não cabe na lide, pois tratase de outro regime tributário e eventuais indébitos devem Fl. 7246DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.234 27 ser objeto de requerimento à autoridade preparadora, nos termos da legislação própria, que analisará a existência de alegados créditos tendo em conta os fatos geradores de todos os tributos recolhidos em conjunto. Ademais, a compensação de diferentes espécies tributárias não se aplica às contribuições previdenciárias, para as quais o disciplinamento, quanto a compensações, continua a ser o art. 89 da Lei nº 8.212, de 199115, segundo o qual a compensação de débito das contribuições previdenciárias somente pode se dar com créditos de pagamentos ou recolhimentos indevidos ou a maior dessas mesmas contribuições, não sendo possível a utilização de créditos dos recolhimentos ao Simples. Por esta razão, indefiro o pedido de perícia para levantamento dos valores a compensar que estariam contidos nos recolhimentos ao Simples. Em relação, entretanto às contribuições recolhidas pelas empresas decorrentes, cujas GPS foram juntadas (efls. 6692 a 6868), os titulares dos prováveis direitos creditórios são as empresas que efetuaram os pagamentos e não a Recorrente. Não houve desconstituição das pessoas jurídicas, que permanecem titulares de direitos e obrigações. Não vejo óbice para que tais empresas pleiteiem, na via própria, a restituição dos valores com base nos argumentos deste voto, mas não é possível utilizarse do julgamento para substituir a autoridade tributária, sobretudo quando os créditos sequer pertencem à reclamante. A propósito, não há razão para deferimento de perícia para levantamento de tais valores porque já estão nos autos e são do pleno conhecimento da Recorrente, que inclusive juntos os comprovantes. 5 Conclusões Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso na questão relativa à exigência de garantias e por rejeitar as preliminares de ilegitimidade passiva, conexão ou continência entre processos de distintos sujeitos passivos, incompetência das autoridades lançadoras e falta de isenção dos julgadores a quo. Voto, ainda, por negar o pedido de perícia. No mérito, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento os valores incidentes sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator 15 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 7247DF CARF MF 28 Tabela 1 Atividades Empresa Objeto Social Atividade Preponderante (CNAE) Sperafico (...) a exploração no ramo de serviços de transportes rodoviários nacionais e internacionais de cargas, produção, beneficiamento e comércio de sementes selecionadas, Indústria e comércio de cereais e seus derivados, comercialização de pneus, peças, máquinas e equipamentos, comércio de corretivos, defensivos agrícolas, água mineral, produtos alimentícios, indústria e comércio de fertilizantes químicos e fertilizantes organominerais, indústria de óleo de soja, armazenamento de cereais, representações comerciais, prestação de serviços fitossanitários, importação e exportação de produtos objeto do ramo social. 1041400 Fabricação de óleos vegetais em bruto, exceto óleo de milho 1062700 Moagem de trigo e fabricação de derivados 1066000 Fabricação de alimentos para animais 4622200 Comércio atacadista de soja 4623108 Comércio atacadista de matériasprimas agrícolas com atividade de fracionamento e acondicionamento associada 4623109 Comércio atacadista de alimentos para animais 4623199 Comércio atacadista de matériasprimas agrícolas não especificadas anteriormente 4632001 Comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional KL De 23/03/2004 em diante: serviços de consertos e substituição de peças de caminhões, ônibus e outros veículos pesados, e comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores. 4530703 Comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores LDI Serviço de transporte rodoviário de cargas e afins. 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional Olecargas Carga e descarga de produtos alimentícios e transporte 5212500 Carga e descarga Plasma Industrialização, empacotamento e o comércio de cereais e serviços relacionados. 1062700 Moagem de trigo e fabricação de derivados PP Exploração do ramo de Serviços de Carga e Descarga de Produtos Agrícolas. 5212500 Carga e descarga PPMS Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em Geral e Serviços de Cargas e Descargas em Geral. 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional RTC Carga, Descarga e Movimentação de Produtos Agrícolas e Transporte 5212500 Carga e descarga Spartano Fabricação e comércio de assentos com estrutura em mental, móveis e utensílios em geral. 5212500 Carga e descarga Tolecargas carga, descarga, movimentação de produtos agrícolas e transporte. 5212500 Carga e descarga Tolenorte Serviços de Carga e Descarga em transporte rodoviário e movimentação de produtos agrícolas em grãos e farelo e serviços de beneficiamento, moagem e preparação de outros produtos de origem vegetal, e transportes rodoviários dos mesmos. 5212500 Carga e descarga TPC Serviços de Transporte Rodoviário de Cargas em Geral e Serviços de Carga e Descargas em Geral 4930202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional Transcar Carga, Descarga e Movimentação de Produtos Agrícolas e Transporte 5212500 Carga e descarga VS Comércio Varejista de: Defensivos Agrícolas, Corretivos, Fertilizantes, Sementes, Insumos Agropecuários, Aplicação de Agrotóxicos e a Prestação de Serviços de Carga e Descarga de Cereais e Manutenção de Armazéns 4789099 Comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente WSul Prestação de serviços de manutenção e reparos em veículos, caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas, equipamentos industriais e equipamentos de armazenagem; comércio de peças e acessórios para equipamentos industriais 4520001 Serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos automotores Fl. 7248DF CARF MF Processo nº 10935.004176/201023 Acórdão n.º 2301005.366 S2C3T1 Fl. 7.235 29 Fl. 7249DF CARF MF
score : 1.0
