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Numero do processo: 10940.000025/00-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Julio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Julio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de IPI invocando o disposto na Lei n° 9.363/96 e na Portaria MF n° 38/97, relativo ao crédito presumido do ano de 1998, com valor total de R$ 83.032,58, que a contribuinte cumula com pedidos de compensação às fls. 108, 109 e 111. A autoridade competente, na unidade de jurisdição indeferiu o pedido, sem análise do mérito, pelo fato da contribuinte não ter apresentado os documentos solicitados pela fiscalização, para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido. Ela, ainda, decidiu que os pedidos de compensação não se converteram em declarações de compensação, pois não respeitaram os requisitos da legislação, conforme teor do Parecer da PGFN/CDA/CAT n° 1499/2005. A Respeitável 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO considerou procedente em parte a contestação de inconformidade, para manter a não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .0 00 02 5/ 00 -2 0 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10940.000025/0020 Resolução nº 3401000.873 S3C4T1 Fl. 3 2 apreciação do mérito pelas razões da decisão da autoridade administrativa, mas para considerar tacitamente homologados os pedidos de compensação pelo decurso do prazo de cinco anos. O Acórdão n.º 1418.239, de 25 de janeiro de 2008, ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Solicitação Deferida em Parte A contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou seus argumentos apresentados anteriormente e pediu reconhecimento do direito creditório pleiteado. O processo administrativo subiu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção em 27 de julho de 2010, quando o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução n.º 3402 000.089. Pela objetividade e clareza de suas considerações, reproduzo excerto dessa Resolução: A empresa acima qualificada ingressou em 11 de janeiro de 2000 (fl. 01) com pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI de que trata a Lei 9.363 no montante de R$ 83.032,58. Segundo a informação contida no formulário, esse valor diria respeito a todo o ano de 1998. Em 18 de setembro de 2001, formalizou pedidos de compensação, também nos formulários instituídos pela IN 21/1997 (fls. 107, 108 e 109). Importa frisar que nos pedidos de compensação de fls. 108 e 109 indicou como origem de créditos outros processos (13931.000264/200193, 10940.000024/0067, 13931.000063/0071, 13931.000012/9924 e 13931.000265/200138) além deste. Há, ainda, um pedido (fl 107) que só relaciona direito creditório postulado no último processo acima (13931.000265/200138) e não se sabe porque foi juntado nestes autos. Por fim, a empresa postulou a retificação (fl. 110) de valores de débitos informados em outros pedidos de compensação (fls. 112 e 113) formalizados ambos em 31 de janeiro de 2000, por meio de novo pedido (fl. 111). Tanto no pedido original como na retificação, um dos débitos está vinculado ao direito creditório discutido no processo 10940.000024/00 67 e apenas o outro vinculase a este. Da análise desses pedidos se percebe que a empresa somente pretendeu compensar com o direito creditório postulado neste processo crédito presumido do "ano de 1998 um montante de R$ 41.194,79. Depreenderseia daí que pretendesse receber a diferença em dinheiro. Essa conclusão, no entanto se vê complicada pela existência de outros processos versando direito creditório e comunicando compensações, como se verá. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10940.000025/0020 Resolução nº 3401000.873 S3C4T1 Fl. 4 3 (...) E como o contribuinte não conseguiu apresentar todos os documentos solicitados, em especial os livros fiscais escriturados eletronicamente para o ano de 1998, este seu pedido foi indeferido, sem efetivo exame pela DRF Ponta Grossa"por ausência de prova do direito" em despacho decisório de fls. 130 a 135. Esse despacho foi contestado junto à DRJ Ribeirão Preto, que considerou correto o indeferimento do crédito, embora reconhecendo que os pedidos de compensação formalizados em 18 de setembro de 2001, haviam sido convertidos em Declarações de Compensação na forma prevista na Lei 10.637, art. 49. Entendeu, ainda, que para tais situações tem aplicação o prazo para homologação tácita previsto na Lei 10.833, motivo pelo que considerou homologados os pedidos formalizados. Nisso, divergiu do despacho decisório que havia considerado que os pedidos de compensação de fls. 108, 109 e 111 não se haviam convertido em Dcomp porque não haviam sido formalizados corretamente. O erro seria exatamente a indicação de diversas origens de crédito (processos diferentes) no mesmo formulário. A DRJ porém não considerou suficiente esse fato, e declarou homologadas as compensações formalizadas nos pedidos de fls. 108, 109 e 111. Nenhuma palavra se diz acerca do pedido de fl. 107 nem se esclarece se a homologação alcança todos os débitos listados nos outros três pedidos mesmo aqueles vinculados a outros processos. O recurso se insurge contra o indeferimento do direito creditório, que o contribuinte defende submeterse também a prazo homologatório. Postula, por isso, preliminarmente, que seja reconhecida a homologação tácita em relação também a ele. No mérito, aduz que não pode ter o benefício negado apenas porque não conseguiu atender no prazo à intimação expedida pela DRF em cumprimento da determinação judicial. Aponta ter sido exíguo o prazo concedido cinco dias úteis diante da complexidade e quantidade das informações requeridas, reiterando especialmente não estar obrigado à escrituração de forma eletrônica nos anos de 1998 e 1999. Requer, ao final, o deferimento da "parcela" não concedida. É o relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator Desse relato, avulta a necessidade de esclarecimento inicial acerca do alcance os pedidos cuja apreciação foi objeto de determinação judicial e das decisões DRJ que sobre ele versaram. É especialmente crucial retirar qualquer dúvida acerca da existência de resíduo do crédito postulado neste processo que já não tenha sido absorvido por compensações deferidas, seja neste ou em outro qualquer dos processos examinados. E isso porque, do mesmo modo que neste processo constam pedidos de compensação com direito creditório postulado em outros processos administrativos, pode haver pedidos de compensação nesses outros processos que digam respeito ao direito creditório aqui postulado. E, se existentes, eles devem ter sido objeto de apreciação inicialmente pela DRF em obediência à determinação judicial e provavelmente objeto de manifestação de inconformidade. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10940.000025/0020 Resolução nº 3401000.873 S3C4T1 Fl. 5 4 Dado esse caráter absolutamente confuso dos pedidos de compensação formalizados pelo contribuinte, mas aceitos pela DRJ, entendo essencial que a unidade preparadora inicialmente esclareça: · qual foi o montante de débitos que o contribuinte postulou, em todos os processos administrativos examinados em obediência à determinação judicial, fosse compensado com o direito creditório aqui argüido; · do montante acima, especificar qual o total de compensações já deferidas pela DRJ nos diversos processos examinados; Se o valor indicado no item b) for inferior ao total dos créditos aqui postulado, e somente nesse caso, que a DRF analise o pedido formalizado neste processo cujo crédito não pode ser negado por mera ausência de provas. Isso porque nos autos constam todas as informações necessárias ao seu cálculo, bastando cotejálas com os dados registrados na escrituração fiscal do contribuinte, que não precisa ser realizada de modo eletrônico no ano em questão. Definam então as autoridades administrativas o montante que admitem como crédito presumido para o período em questão. Caso o montante reconhecido seja inferior ao postulado pela empresa que se lhe dê novo prazo de trinta dias para eventual contestação. É o meu voto. Com relação aos pedidos de compensação, a autoridade da jurisdição, em atendimento ao item 'a' da Resolução acima citada, assim informou: "....identificouse que os débitos PARA os quais o contribuinte POSTULOU compensação com os créditos deste processo são aqueles indicados nos Pedidos de Compensação às fls. 108, 109 e 111:" Código Trib./Contr. Período de Apuração Vencimento Valor do Imposto/Contribuição 2484 29/02/00 31/03/00 2.639,74 2484 30/06/00 31/07/00 2.703,46 5993 31/01/00 29/02/00 1.000,00 5993 01/12/99 31/01/00 34.851,59 Verificouse, ademais, conforme Acórdão n° 1418.239, expedido pela 2a Turma da DRJ/RPO (fls. 150 a 154), que tais Pedidos de Compensação foram convertidos em Declaração de Compensação, sendo tacitamente homologados pelo decurso do prazo previsto no § 5o do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Tendo em vista que o crédito utilizado para a homologação das compensações na data de seus respectivos pedidos é inferior ao crédito pleiteado nestes autos e considerando a determinação à fl. 170 de que a DRF/PTG proceda à análise do mérito no processo, encaminhese o presente processo à Seção de Fiscalização desta Delegacia SAFIS/DRF/PTG para análise do Pedido de Ressarcimento destes autos. (grifos nossos) A fiscalização da Delegacia da jurisdição analisou o pedido de ressarcimento e concluiu: Fl. 629DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10940.000025/0020 Resolução nº 3401000.873 S3C4T1 Fl. 6 5 · por excluir da base "COMPRAS" para apuração do crédito presumido os valores referentes: (a) às aquisições de pessoas físicas, e (b) os valores referentes às transferências entre estabelecimentos; · por excluir das Receitas usadas como base para cálculo do crédito presumido (i) a parcela resultante à diferença entre os valores de exportação direta, ao cotejar as notas fiscais de venda com os Registros de Exportação (RE) e as Declarações de Exportação (DDE); e (ii) as exportações embarcadas em 1999. · que o valor apurado de crédito presumido foi de R$ 33.851, 34, ao invés de R$ 83.032,58 pretendido pela contribuinte. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, por meio da qual: · pede nulidade do despacho decisório recorrido por falha na utilização do banco de dados e conseqüente cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autoridade não demonstrou os parâmetros usados para a pesquisa e para o relatório que diminuíram o crédito pretendido; · a incorreção da apuração por não ter considerado o valor do estoque inicial e ter excluído duplamente o estoque final. E também não ter considerado as exportações efetivamente realizadas (junta cópias de documentos que pretende comprovariam o alegado); por se ter excluídas as exportações com nota fiscal emitida em 1998 e embarcadas em 1999; por não ter excluído das receitas operacionais as correspondentes receitas de exportação. · que há decisão proferida com efeito de repercussão geral pelo STJ que validam as aquisições de pessoas físicas no caso em tela. O processo segue direto ao CARF e é incluído em pauta. É o relatório. Voto Tempestividade e demais requisitos de admissibilidade atendidos, conforme Resolução proferida anteriormente por este CARF. Deixo de apreciar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório argüida pelo contribuinte por entender que ela pode ser adiada pela proposta de conversão do julgamento em diligência, como é o caso. Entretanto, para o prosseguimento da lide, e para o atendimento da diligência, algumas prévias considerações devem ser submetidas a este Colegiado. Com relação à glosa das aquisições de pessoas físicas: Fl. 630DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10940.000025/0020 Resolução nº 3401000.873 S3C4T1 Fl. 7 6 Tenho que razão assiste à recorrente, quando contesta a proposta da autoridade fiscal de excluir as aquisições de pessoas físicas da apuração do crédito presumido. O CARF tem proferido decisões que admitem o cômputo dos insumos adquiridos de pessoas físicas. A lei n. 9.363, de 1996, não estabeleceu essa vedação. O entendimento firmado pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça, que, em sede de recurso repetitivo, assim julgou a matéria, por intermédio do REsp 993.164/MG, e que sendo aplicado pelos Conselheiros nos julgamentos tendo em vista o que dispõe o art. 62A do RICARF. Assim, não devem ser excluídas as aquisições das pessoas físicas no caso em tela. Com relação à glosa das exportações embarcadas em 1999: A autoridade fiscal, em sua informação de fls. , excluiu das receitas de exportação as exportações que foram embarcadas em 1999. Neste ponto me parece que a razão socorre totalmente a recorrente. A meu ver, a data de embarque é secundária com relação à data da emissão da nota fiscal de venda combinada com a data do registro da Declaração de Exportação (DDE) e sua submissão a despacho de exportação. E na determinação da receita de exportação para apurar o crédito presumido na hipótese da Lei n.º 9.363, de 1996, é a data da emissão da Nota fiscal de venda c/c a data da submissão a despacho de exportação válido que deve definir o período de apuração em que ela deve ser computada. Portanto, entendo que não devem ser excluídas das receitas de exportação as notas fiscais emitidas em 1998 mas que foram validamente submetidas a despacho de exportação somente no ano seguinte. Com relação às diferenças de valores de exportação informadas pela autoridade fiscal. A autoridade administrativa de jurisdição aponta, para as exportações do período de apuração, diferenças entre os valores declarados pela contribuinte para a determinação do crédito presumido e os informados pelo sistema Siscomex Exportação. A recorrente apresenta o seguinte argumento: No que diz respeito à divergência de valores apontada, decorre a mesma da conversão do real/dólar, dado que a Recorrente se valia para cálculo do crédito presumido, do valor de exportação em Reais registrado nas notas fiscais emitidas nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial. Este procedimento é validado e respaldado pelo "perguntas e respostas" da DIPJ, instrumento concebido pela CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT, para esclarecer dúvidas e subsidiar fiscais e contribuintes na interpretação da legislação tributária, buscando a uniformização do entendimento fiscal relativo às matérias focalizadas. Entendo que o valor das exportações deve se pautar pelos valores em Reais constantes das notas fiscais, e as diferenças decorrentes das oscilações da taxa de câmbio devem atentar para o que dispõe o artigo 9º da Lei n. 9.363, de 1996. A variação monetária ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal de venda e a data do embarque da mercadoria para o exterior deve receber o tratamento de receitas/despesas financeiras, e não deve ser incluída no cálculo do percentual que definirá o valor da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10940.000025/0020 Resolução nº 3401000.873 S3C4T1 Fl. 8 7 Ademais, e por outro lado, no caso das exportações diretas, as Declarações de Exportação (DDE) foram prestadas pelo contribuinte exportador, e são os instrumentos competentes para legitimar a operação de exportação e confirmar as correspondentes receitas de venda ao exterior e tratamentos cambiais. Por isso, caso haja incompatibilidade entre o valor de venda declarado na nota fiscal e o declarado na Declaração de Exportação, entendo que deva prevalecer o deste último para se apurar as receitas de exportação, sem prejuízo de se buscar as razões para essa inconsistência. Portanto, entendo que a determinação das receitas de exportação deve aproveitar o valor em Real declarados nas Declarações de Exportação, e não os resultantes da conversão para Real dos valores em moeda estrangeira. Proposta de diligência: A meu juízo, há carência de informações para que se possa formar convicção da matéria em discussão. Pareceme que há divergências quanto ao modo de definir a base de cálculo do crédito presumido e necessidade de se determinar os valores que compõem essa definição, justificando as inclusões e as exclusões. Proponho a este Colegiado que este processo seja encaminhado à unidade de jurisdição para que ela providencie: · Demonstrativo de Crédito Presumido para determinar o valor do crédito presumido em questão, considerando o entendimento exposto nesta Resolução e Voto; que o demonstrativo discrimine as receitas de exportação direta e as indireta, os valores de estoque inicial e de estoque final e se eles incluem ou não os bens em estágio de produção e não vendidos , e outros fatores de exclusão ou inclusão de valores. · ao fazêlo, apresente também quadro demonstrativo com as diferenças com relação ao Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) apresentado pelo contribuinte neste processo, justificando as diferenças e divergências. Que seja dada ciência ao contribuinte dessa decisão e do resultado final da diligência para que ele possa, em cada uma delas, se manifestar no prazo de 30 dias. Ao final, seja o processo devolvido para prosseguimento do julgamento pelo CARF. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10715.005057/2009-49
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/10/2004
OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos conhecidos mas rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos formulados pelo sujeito passivo, negando-lhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2004 OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida omissão na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos conhecidos mas rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos formulados pelo sujeito passivo, negandolhes, contudo, provimento, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 50 57 /2 00 9- 49 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Em sessão transcorrida em 25 de abril de 2012 esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 380200.957, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/10/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2004 MULTA POR REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. ALEGAÇÃO DE PRESTAÇÃO TEMPESTIVA DAS INFORMAÇÕES. NÃO APRESENTAÇÃO DE PROVA. RECUSA DO ARGUMENTO. Cabe ao sujeito passivo apresentar as provas de que teria prestado tempestivamente as informações concernentes aos dados do embarque das mercadorias exportadas. Sem tais provas, não há como afastar o crédito tributário, este que foi constituído em elementos suficientes para a lavratura do auto de infração correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/2004 ALEGAÇÃO DE OFENSA A PRINCÍPIOS DIRIGIDOS AO LEGISLADOR. APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA PARA AFASTAR NORMA COM BASE EM TAIS ALEGAÇÕES. Os princípios (da finalidade, da razoabilidade, da legalidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula no 2 do CARF. Recurso ao qual se nega provimento. Cientificado da referida decisão em 26/08/2014 (fls. 159 numeração automática do eprocesso, à qual doravante nos reportaremos), o sujeito passivo, em 1º/09/2014 (uma segundafeira), apresentou embargos de declaração (fls. 161/171) onde aduz que referido decisum não teria considerado inovação legal que alargou a aplicação da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro, qual seja, a Lei no 12.350, de 20/12/2010, cujo artigo 40 alterou a redação do § 2o do artigo 102 do DecretoLei no 37/66, o qual passou a contemplar a seguinte redação: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.005057/200949 Acórdão n.º 3802004.092 S3TE02 Fl. 249 3 “A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento”. Alega a embargante que a nova lei entrou em vigor em 20 de dezembro de 2010, data esta que, muito embora seja posterior à do fato gerador, poderia ser ao mesmo aplicada em face da retroatividade benigna objeto do artigo 106, inciso II, do CTN. Ressalta ainda que apesar de o argumento em tela não ter sido ventilado no recurso voluntário, aludida questão deveria ser analisada por força do disposto no artigo 65 da Lei nº 9.784/99, segundo o qual "os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada". Também aduz a embargante que a Turma julgadora não teria se pronunciado "sobre a já alegada ofensa ao artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 [...]" segundo o qual "a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, (...) os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (grifos da embargante). Assevera que teria havido desrespeito à norma legal em tela, posto que o auto de infração não teria sido instruído “[...] com quaisquer elementos de prova que comprovassem o ilícito supostamente praticado pela Embargante”, já que “[...]a planilha juntada pela fiscalização nada mais é do que uma simples relação elaborada pela própria Autoridade Fiscal que lavrou o auto de infração, podendo esta conter erros, como os encontrados em autos de infração idênticos do processo ora em análise”. Defende a interessada que, “[...] para que restasse comprovada a infração da Embargante, teria a Fiscalização que ter juntado os autos os extratos de tela do Sistema Siscomex, que fornecem todo o histórico do despacho aduaneiro da mercadoria destinada ao exterior”. A ausência desses documentos representaria cerceamento ao seu direito de defesa e a consequente nulidade do auto de infração. Por fim, assevera a embargante que o acórdão recorrido teria sido contraditório quanto à aplicação da Instrução Normativa nº 510/05 que fixara o prazo de dois dias para a informação sobre o embarque segundo a recorrente, aplicada retroativamente, já que a norma vigente à época, IN 28/94, "era mais benéfica, em razão de sua incerteza, do que o prazo de 02 dias estipulado pela IN 510/05". Nessa linha, argumenta a reclamante que "[...] não há um tempo determinado e nem ao menos uma data limite para execução da tarefa no termo 'imediatamente', razão pela qual não poderia a referida norma ser entendida como completa e suficiente para a aplicação de penalidade". Assim, No caso, portanto, em que a Embargante prestou as informações dos dados de embarque em prazo superior ao contido nas Instruções Normativas n° 510/05 e 1.096/10, é evidente a irretroatividade de tais normas, uma vez que se Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 estas não existissem, não seria a Embargante penalizada, pelo que se faz imprescindível a decretação de nulidade da respectiva autuação. Por todo o exposto, requer a embargante seja dado provimento aos embargos de declaração em tela. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Não obstante a tempestividade do recurso, os embargos opostos pela interessada não merecem ser acolhidos dada a inexistência de alegadas omissão, contradição ou obscuridade em que se funda o recurso em tela. Da inaplicabilidade, à espécie, do instituto da denúncia espontânea. Inexistência de omissão. No voto condutor da decisão embargada está claramente demonstrada a tipicidade da infração em que se alicerçou o lançamento, razão pela qual foi mantido o crédito tributário formalizado contra a empresa. A autuada, em suas contestações, nada disse a respeito das alterações decorrentes da edição da Lei no 12.350/2010, razão pela qual não há que se falar em omissão no acórdão vergastado, até porque o dispositivo em que se fundamenta a embargante – nova redação do § 2o do artigo 102 do DecretoLei no 37/66 – não se aplica à espécie julgada, afastandose, assim, todo seu arrazoado concernente à ocorrência de denúncia espontânea. Com efeito, esta Turma, reiteradas vezes, tem entendido que a aplicação do instituto da denúncia espontânea exige que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação pelo infrator, caso em que não se enquadram os fatos julgados, dada a impossibilidade lógica que torna irrealizável a denunciação espontânea da infração, em que o cumprimento da obrigação se dá depois do prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo, como muito bem ressaltou o i. conselheiro José Fernandes do Nascimento nos autos do processo nº 11684.000480/200849, julgado por esta Turma em 25/04/2012 (acórdão no 380200.973). Vale ressaltar que a inaplicabilidade da denúncia espontânea em tais casos se encontra sumulada pelo CARF, como se depreende da leitura da Súmula CARF nº 49, a qual tem o seguinte teor: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Da inexistência de omissão quanto à análise da materialidade do litígio A reclamante também aduz que a ausência das telas do Siscomex com o histórico do despacho aduaneiro representaria cerceamento ao seu direito de defesa e a consequente nulidade do auto de infração. Estendemos que a interessada, com a argumentação em tela, procura rediscutir a materialidade da infração, questão já suficientemente abordada no acórdão recorrido, como se vê às fls. 141/143 dos autos. Confirase abaixo: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.005057/200949 Acórdão n.º 3802004.092 S3TE02 Fl. 250 5 Da aduzida inexistência de prova da infração, posto que a fiscalização se refere à data da averbação do embarque, e não ao momento da prestação das informações necessárias Em sintonia com o que foi alegado pela recorrente, a planilha em que se funda o lançamento (fls. 10) contém, unicamente, o número da DDE, o dia em que ocorreu o embarque, o dia da averbação e o número do vôo. O fato de a fiscalização se referir à data da averbação da exportação como data em que teriam sido informados os dados do embarque caracterizaria, segundo tese defendida pela reclamante, a inexistência de prova da infração, já que a data de averbação não representaria necessariamente o dia em que teriam sido registradas as informações correspondentes. Contudo, o argumento da suplicante não merece ser acolhido. Com efeito, não obstante a averbação representar a conclusão do despacho de exportação (artigo 46 da IN SRF no 28/94), esta – a averbação –, nos termos do § 1º do mesmo dispositivo, se dá automaticamente “após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37”. E é o que, de fato, ocorre. Prestadas as informações pelo exportador, o sistema as coteja com os dados do embarque, averbando automaticamente a exportação acaso não evidenciadas divergências entre os dados confrontados, tudo em sintonia com os seguintes dispositivos da Instrução Normativa no 28/94: [omitido] Evidentemente, a averbação automática não ocorre acaso o sistema detecte divergências nos dados informados. Nessa hipótese, caberá à fiscalização aduaneira realizála, com registro, no Siscomex, das divergências constatadas (IN SRF 28/94, artigo 49). O habitual, no entanto, é que a averbação ocorra de forma automática. No caso presente, a recorrente não trouxe nenhuma prova capaz de demonstrar que a averbação não teria ocorrido automaticamente, com a correspondente prestação das informações de forma tempestiva. Diferentemente do que afirma a interessada, tal prova poderia ser facilmente colacionada aos autos pela mesma, bastando que a empresa extraísse, do Siscomex, o histórico do despacho de interesse. Tal funcionalidade, com efeito, é disponibilizada para os operadores do sistema. Ademais, não custa lembrar o disposto no inciso II do artigo 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, segundo o qual o ônus da prova incumbe “ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. É, pois, do sujeito passivo, a obrigação de apresentar as provas que alicerçam os elementos defensórios por ele alegados, não podendo a administração substituílo em tal papel. Assim, diante dos argumentos acima expostos, e considerando ainda a inexistência de prova capaz de afastar a exação lavrada contra a reclamante, rejeito a argumentação concernente à aduzida inexistência de prova da infração. Como se vê, o colegiado apreciou sim a materialidade do delito, tendo entendido que a infração estava suficientemente demonstrada, razão pela qual decidiu pela manutenção do crédito tributário. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Não há que se falar, pois, em omissão no julgado, não podendo a questão ser rediscutida em sede de embargos por não ser esta a via recursal adequada para o fim em tela. Da não caracterização de contradição no acórdão vergastado A embargante também aduziu que o acórdão recorrido teria sido contraditório quanto à aplicação da Instrução Normativa nº 510/05, segundo a recorrente, aplicada retroativamente, já que a norma vigente à época, IN 28/94, "era mais benéfica, em razão de sua incerteza, do que o prazo de 02 dias estipulado pela IN 510/05". A incerteza restaria caracterizada no termo "imediatamente", contido na IN nº 28/94, o qual não estipulava "um tempo determinado e nem ao menos uma data limite para execução da tarefa". Não há contradição no acórdão. Com efeito, o colegiado se pronunciou no sentido de que a alteração para dois dias do prazo para registro no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria, ampliou o prazo anteriormente previsto no artigo 37 da IN 28 de 1994, que exigia fossem tais informações prestadas imediatamente. Na ocasião, o entendimento da Turma foi no seguinte sentido (v. fls. 144/145): Quanto à alegada inexistência, na ocasião, de norma que previsse a infração cominada à empresa – posto que a IN 510/2005, que estabeleceu prazo específico para a prestação das informações, só foi editada posteriormente aos fatos – também não merece ser acolhida a tese defendida pela reclamante. Os embarques objeto da lide, de fato, ocorreram no mês de outubro de 2004, portanto, anteriormente à edição da IN 510/2005, que alterou para dois dias o prazo, para registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Mas referido dispositivo, simplesmente, ampliou o prazo anteriormente previsto no artigo 37 da IN 28 de 1994, que exigia fossem tais informações prestadas imediatamente, conforme redação original do dispositivo em tela, abaixo reproduzido: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Visando aclarar e uniformizar o alcance do termo “imediatamente”, disposto na norma em evidência, foi publicada a Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, onde foi esclarecido que referida expressão deveria ser interpretada como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Com efeito, a IN SRF no 510, de 2005, deu nova redação ao art. 37 da IN SRF no 28/94, estabelecendo os prazos de dois dias (por via aérea) e de sete dias (por via marítima) para o registro dos dados de embarque no SISCOMEX. Ou seja, o prazo para a informação dos dados no referido sistema foi estendido, tornandose inegavelmente mais favorável para o administrado (embora, no caso, não suficientemente), passível de ser aplicado retroativamente, portanto. Não há dúvida de que o tipo infracional é contemporâneo aos fatos. Com efeito, o Decretolei no 37/66 já prescrevia multa para aquele que deixasse de Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.005057/200949 Acórdão n.º 3802004.092 S3TE02 Fl. 251 7 prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 prescrevia a necessidade de prestação imediata das informações sobre as mercadorias embarcadas. O fato de o termo “imediatamente” ser impreciso – o que motivou a edição de esclarecimento quanto ao seu alcance – não autoriza concluir que a sanção pelo descumprimento da obrigação de prestação tempestiva das informações sobre o embarque carecesse de previsão normativa. Assim, rejeitase também o argumento concernente à alegada inexistência de sanção para a conduta à época dos fatos. Como se vê, a questão inerente à aplicação da norma no tempo foi sim abordada na decisão vergastada, não existindo nenhuma contradição no que concerne aos argumentos adotados pelo colegiado julgador. Aliás, em alusão ao tema em evidência, ressaltese que esta Turma tem decidido no sentido de que o termo imediatamente tem conceituação própria e bastante para aplicação da norma tributáriapenal em tela, conforme ementa do julgado abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NORMA TRIBUTÁRIAPENAL EM BRANCO QUE ESTABELECIA A OBRIGATORIEDADE DE PRESTAÇÃO DAS INFORMAÇÕES IMEDIATAMENTE APÓS REALIZADO O EMBARQUE. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA AO DIREITO PENAL. LEGITIMIDADE, TIPICIDADE E MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. À época dos fatos o Decretolei no 37/66 já cominava multa para aquele que deixasse de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, o artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 prescrevia a necessidade de prestação imediata das informações sobre as mercadorias embarcadas. O fato de o termo “imediatamente” não ser exato em unidades de aferição do tempo (horas, minutos, segundos) o que motivou a edição de esclarecimento quanto ao seu alcance, aliás, bem elástico diante do significado do vocábulo não autoriza concluir que a sanção pelo descumprimento da obrigação de prestação tempestiva das informações sobre o embarque carecesse de previsão normativa. Interpretação analógica ao direito penal propriamente dito, onde o termo utilizado pela instrução normativa que complementa a norma penal em branco “imediatamente” tem conceituação própria que legitima a cominação da correspondente penalidade, como ocorre em vários tipos penais do direito brasileiro. Assim, o descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a multa regulamentar fixada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. EDIÇÃO DE NOVA NORMA QUE DEIXOU DE SANCIONAR COMO INFRAÇÃO A PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM ATÉ 7 DIAS DO EMBARQUE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. A IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, ao alterar a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, ampliou para 7 (sete) dias o prazo para o registro no Siscomex dos dados do embarque da carga. Tal modificação deixou de considerar como infração a prestação da referida informação em período inferior ao novo prazo estabelecido, passível, pois, de aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS OU APRESENTAÇÃO DE OUTROS ARGUMENTOS QUE IMPLIQUEM NA VALORAÇÃO DE PRECEITO DISPOSTO EM LEI. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula no 2 do CARF. Ademais, os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Recurso ao qual se dá parcial provimento. (2ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF. Acórdão nº 3801002.342, de 29/01/2014. Processo nº 10715.002488/200953. Recorrente: Société Air France. Recorrida: Fazenda Nacional. Grifos nossos) No mais, repisese que embargos de declaração não podem ser utilizados para fins de rediscussão do direito, já que são destinados unicamente a sanear obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, conforme caput do artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Da conclusão Por todo o exposto, proponho sejam conhecidos os embargos opostos pela interessada, dada sua tempestividade, rejeitandoos, no entanto, uma vez demonstrada a inexistência de quaisquer dos pressupostos elencados no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10715.005057/200949 Acórdão n.º 3802004.092 S3TE02 Fl. 252 9 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 13888.004763/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
Ementa:
PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964.
Numero da decisão: 2201-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 20/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2 DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25. “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 47 63 /2 01 0- 13 Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 20/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHÁLIA CORREIA POMPEU (Suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD e NATHÁLIA MESQUITA CEIA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1602/1610, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.159,935,45, calculado até 31/01/2011. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O procedimento de fiscalização foi decorrente de demanda externa requisitória do Ministério Público Federal, tendo por objeto a movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados para os anos de 2005 a 2008 (Termo de Verificação Fiscal de fls. 1579/1593). A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada de 150%. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... que não estaria demonstrado que houve supressão de tributos e que colaborou para a elucidação dos fatos, sendo que nem todo o dinheiro representa lucros e que quem utilizava as contas era seu esposo Ivan, o que teria sido confirmado por este e pelas demais pessoas intimadas a apresentar informações. Afirma que exercia trabalho informal destinando todo o rendimento para o seu próprio sustento e de sua família e que o dinheiro da conta era decorrente das atividades de comercialização de veículos, realização de festas, dinheiro de clientes para pagamentos de fornecedores, etc, cuja margem de lucro seria muito pequena. Afirma que eram recebidos cheques de terceiros, os quais eram depositados na sua contacorrente para pagar inúmeros fornecedores, prática esta utilizada por todos os comerciantes Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.004763/201013 Acórdão n.º 2201002.625 S2C2T1 Fl. 3 3 atacadistas e varejistas. Afirma que não há memória para justificar todos os lançamentos. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP2 julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.º 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Impugnação Improcedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 18/10/2007 (fl. 620) e, em 11/01/2008, interpôs o recurso de fls. 622/641, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 12/03/2012 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2202000.175, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pelo recorrente. Quanto à alegação de que o lançamento “... está impregnado de vícios, pois não foi feito de uma forma legal, houve abusos e lesou a intimidade do contribuinte”, verifico, Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 pois, que a firmação é estéril e não há como prosperar. Na verdade, a exigência fiscal levada a efeito encontrase alicerçada nos preceitos legais, o que confere liquidez e certeza ao crédito tributário apurado, que só poderá ser elidida mediante prova em sentido contrário. No Auto de Infração, constante às fls. 1602/1610, são mencionados os dispositivos legais infringidos, bem como discriminados os valores da exigência fiscal. Além do mais, o conteúdo da autuação está minuciosamente especificado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 1579/1593. No que tange à alegação de violação ao princípio constitucional da intimidade, cumpre esclarecer que o referido princípio dirigese ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias. Portanto, é vedada à Administração declarar a inconstitucionalidade de norma legal, conforme dispõe a Súmula nº 02 do CARF. Essa tarefa é reservada pela Constituição Federal ao poder Judiciário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Sobre a argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional1, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que exercia trabalho informal destinando todo o seu rendimento para seu próprio sustento e de sua família e que o dinheiro movimentado pelo seu esposo era procedente de comercialização de veículos, realização de festas, dinheiro de clientes para pagamentos de fornecedores entre outros, portanto, não obteve renda alguma. Assevera ainda que “... nestes anos todos atravessou período muito difícil, e continua trabalhando autônomo "fazendo de tudo" para sobreviver, portanto se fosse real tal rendimento, não estaria agora a recorrente trabalhando informalmente como ‘sacoleira’”. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13888.004763/201013 Acórdão n.º 2201002.625 S2C2T1 Fl. 4 5 Pois bem, em que pese alegue a recorrente que exercia trabalho informal e que a movimentação bancária era procedente de comercialização de veículos, realização de festas etc., cabe registrar que a comprovação, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, a entrada do recurso em seu movimento bancário. Portanto, há necessidade de se estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, não cabendo a alegação genérica da origem do crédito. Portanto, como a contribuinte não juntou ao recurso documentação comprobatória das alegadas origens, correta a tributação dos valores como renda omitida. Quanto à multa qualificada aplicada, afirma a recorrente que “... não teve conduta dolosa em nenhum momento e não cometeu qualquer fraude (...) e jamais a recorrente deixou de atender as solicitações do fisco, apresentando voluntariamente os documentos solicitados”. Para qualificar a multa de oficio, consignou a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, fl. 1592, “... a contribuinte, reiteradamente, omitiu rendimentos ao não declarálos durante os anos de 2005 a 2008, temse o preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 ...”. Em outras palavras, significa dizer que a autoridade fiscal entendeu caracterizada, nesse fato, a ação dolosa da contribuinte. Com efeito, a autoridade fiscal concluiu pela qualificadora, dada à expressiva movimentação bancária e a omissão desses valores em suas Declarações de Ajuste, contudo, o que se vê dos argumentos despendidos pela fiscalização, nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, ou seja, simples omissão de rendimentos, sem qualquer prova de conduta dolosa. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. É nesse sentido a Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720186/2013-31
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2014
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL
Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor a deficiente visual quando não comprovado o atendimento às hipóteses nas quais poderiam se enquadrar os destinatários do benefício fiscal, razão pela qual o benefício é indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado..
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL Não cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor a deficiente visual quando não comprovado o atendimento às hipóteses nas quais poderiam se enquadrar os destinatários do benefício fiscal, razão pela qual o benefício é indeferido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 01 86 /2 01 3- 31 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13782.720186/201331 Acórdão n.º 3801004.935 S3TE01 Fl. 63 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A pessoa física em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 33/34, a Delegacia da ReceitaFederal do Brasil em Campos/RJ indeferiu o pedido, tendo em vista que a patologia descrita no laudo pericial apresentado não se enquadra no conceito legal de deficiente visual aplicável ao caso. Regularmente cientificada (fl. 37/38), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 39/43), por meio da qual aduziu que sua perda de visao é total e mesmo com a correção do melhor olho apresenta algumas dificuldades; a lei lhe dá direito a alguns benefícios como deficiente visual; é servidora pública uitilizando esse benefício; em todos estabelecimentos públicos pode utilizar esse direito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. REQUISITOS. O benefício da isenção do IPI na aquisição de veículo por portador de deficiência visual só alcança aquele que, segundo atestado em laudo médico que atende os requisitos normativos, apresenta, no melhor olho, após a melhor correção, valores de acuidade visual ou campo de visão iguais ou inferiores aos limites prescritos na lei de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso apresentado, alegando que faz jus ao benefício pois “pelo o que esta descrito no laudo contido na folha n9 53. A mesma descreve com detalhamento a deficiência referente ao olho direito confirmando acuidade visual = 20/20, ou seja, a lei 10.690 artigo 1 inciso 29 diz " para a concessão do benefício previsto no art. lo é considerada pessoa com deficiência visual aquela Fl. 63DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13782.720186/201331 Acórdão n.º 3801004.935 S3TE01 Fl. 64 3 que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. Portanto, o sinal de igual que está antes da informação médica atestada na folha 53 está em conformidade com a lei.”. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13782.720186/201331 Acórdão n.º 3801004.935 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Tendo em vista o art. 111, II, do CTN, segundo o qual a norma que dispõe sobre isenção deve ser interpretada restritivamente, não há como acolher o pleito da Recorrente. A legislação que trata da isenção concedida aos deficientes físicos/visuais para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 2o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada pessoa portadora de deficiência visual aquela que apresenta acuidade visual igual ou menor que 20/200 (tabela de Snellen) no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13782.720186/201331 Acórdão n.º 3801004.935 S3TE01 Fl. 66 5 A Instrução Normativa (IN) RFB nº 988, de 2009, que disciplina a aquisição de automóveis com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, assim dispõe: Art. 2 º As pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, ainda que menores de 18 (dezoito) anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículo de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). § 1 º Para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado: I no caso de deficiência física, o disposto no art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995, e nos arts. 3º e 4º do Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999; e (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.369, de 26 de junho de 2013) II – no caso de deficiência visual, o disposto no § 2 º do art. 1 º da Lei n º 8.989, de 1995, com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003 . O Decreto nº 3.298/1999, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, no seu inc. III do art. 4º, alterado pelo Decreto nº 5.296/2004, apresenta a seguinte redação: Art. 4o É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (...) III deficiência visual cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) O Laudo de Avaliação de Deficiência Física e/ou Visual, à fl. 28, que se trata do Anexo IX da Instrução Normativa RFB nº 988, de 22 de dezembro de 2009, assinado por dois médicos, apresenta as seguintes informações: Tipo de deficiência: Visual. Código Internacional de Doenças (CID10): H54.4 (cegueira em um olho), H17.8 (Outras cicatrizes e opacidades da córnea).. Descrição detalhada da deficiência:Olho direito: hipermetropia e presbiopia, acuidade visão = 20/20 com correção. Olho esquerdo: opacificação corneana com sinequias anteriores, acuidade visual ausente: ausência de percepção luminosa. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13782.720186/201331 Acórdão n.º 3801004.935 S3TE01 Fl. 67 6 Da leitura do Laudo médico é possível se concluir que a recorrente apresenta acuidade visual igual a 20/20 no olho direito, após a melhor correção, o que significa pela tabela de Snellen, escala utilizada para avaliar a acuidade visual de uma pessoa, que a sua visão é normal no melhor olho após a correção, sendo esse, logicamente, superior ao limite previsto na legislação de regência para caracterizar a deficiência visual. E no ordenamento jurídicotributário em vigor, a isenção fiscal decorre expressamente de lei. É o que determina o art. 97, VI, do CTN, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Consoante a matriz jurídica citada, a isenção em análise é da espécie subjetiva, ou seja, leva em conta as condições pessoais do sujeito passivo. No caso, contudo, o legislador cuidou de elencar, taxativamente, os destinatários do benefício fiscal, o que inviabiliza uma interpretação ampliativa ou mesmo analógica da norma com base em critério subjetivo de justiça do julgador. Assim, a interpretação literal da norma em comento, conforme determina o art. 111, II, CTN, não ofende o princípio constitucional da isonomia. Apesar da condição de deficiência da capacidade de visão em apenas um dos olhos, conhecida como visão monocular, ter sido reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Súmula n°377 do STJ) “O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes”, esta não se enquadra na definição de deficiência visual segundo a Lei n.º 8.989/1995, com a redação dada pela Lei n.º 10.690/2003, que dispõe sobre o direito à isenção do IPI. Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito de isenção de IPI requerido. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13782.720186/201331 Acórdão n.º 3801004.935 S3TE01 Fl. 68 7 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003277/2008-20
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006
DILIGÊNCIA DE PRIMEIRO GRAU. REALIZAÇÃO DEFICITÁRIA PELO FISCO. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DA PEÇA EDITALÍCIA DETERMINADA POR LEI. CORRESPONDÊNCIA EMITIDA E RECEBIDA NO ENDEREÇO QUE O FISCO DIZ TER SIDO ABANDONADO PELO CONTRIBUINTE. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL QUE SE DEMONSTROU REGULAR EM OUTROS PROCESSOS DO MESMO CONTRIBUINTE E QUE SE PROVOU NO RECURSO, DESSE PROCESSO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-004.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 01/01/2006 DILIGÊNCIA DE PRIMEIRO GRAU. REALIZAÇÃO DEFICITÁRIA PELO FISCO. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DA PEÇA EDITALÍCIA DETERMINADA POR LEI. CORRESPONDÊNCIA EMITIDA E RECEBIDA NO ENDEREÇO QUE O FISCO DIZ TER SIDO ABANDONADO PELO CONTRIBUINTE. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL QUE SE DEMONSTROU REGULAR EM OUTROS PROCESSOS DO MESMO CONTRIBUINTE E QUE SE PROVOU NO RECURSO, DESSE PROCESSO. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrente SINDICATO DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS DO ESTADO DA BAHIA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2005 A 01/01/2006 DILIGÊNCIA DE PRIMEIRO GRAU. REALIZAÇÃO DEFICITÁRIA PELO FISCO. AUSÊNCIA DE EMISSÃO DA PEÇA EDITALÍCIA DETERMINADA POR LEI. CORRESPONDÊNCIA EMITIDA E RECEBIDA NO ENDEREÇO QUE O FISCO DIZ TER SIDO ABANDONADO PELO CONTRIBUINTE. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL QUE SE DEMONSTROU REGULAR EM OUTROS PROCESSOS DO MESMO CONTRIBUINTE E QUE SE PROVOU NO RECURSO, DESSE PROCESSO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 77 /2 00 8- 20 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003277/200820 Acórdão n.º 2803004.107 S2TE03 Fl. 304 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.054.8515, o qual objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos cooperados que prestaram serviços por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme consta do Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 19 a 24, com período de apuração de 01/2005 a 12/2005, segundo o Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 70 e 71. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 06/06/2008, conforme AR, de fls. 128. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões impugnatórias acostadas, as fls. 132 a 139, recebida, em 04/07/2008, acompanhada dos documentos, de fls. 140 a 203. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 204 e 205. O órgão julgador de primeiro grau pelo Despacho nº 28 6ª Turma da DRJ/SDR , datado de 11/02/2009, fls. 206 e 207, baixou os autos em diligência para que o contribuinte regulariza a representação processual. Consta, as fls. 208, Informação de Procedimento Fiscal, onde o agente fiscal esclarece que todas as suas tentativas pessoais de localizar o contribuinte, que mudouse de endereço sem promover a regularização cadastral, foram infrutíferas, sugerindo a emissão de Edital. A DRJ/SDR emitiu o Acórdão nº 1519.750 6ª, datado de 22/06/2009, fls. 215 e 216, por meio do qual a impugnação não foi conhecida ante a irregularidade na representação processual. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 21/07/2009, conforme AR, de fls. 219, onde consta o endereço de recepção como sendo: RUA THOMAZ GONZAGA, Nº 101 – SALA 101 – PERNAMBUÉS – CEP: 41.100000 SALVADOR BAHIA. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 221, recebida, em 20/08/2009, com razões recursais, as fls. 222 a 224, acompanhado dos documentos, de fls. 225 a 296. As razões recursais serão sumariadas em parte, pois parte não se coaduna com a decisão a quo nem em razão da eventualidade, o que se explicará no voto. Preliminar. · que a representação do sindicato pelo seu 1º Vice – Presidente é legitima e tal representação nunca antes fora contestada pela DRFB; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003277/200820 Acórdão n.º 2803004.107 S2TE03 Fl. 305 3 · que a ATA da AGO 2007/2010, anexo 4 prova que o Senhor Manoel Ferreira Sereno é o 1º Vice – Presidente eleito sendo sua representação legitima · do pedido e requerimento: a ) acolhimento do recurso. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 298. O processo foi remetido ao CARF, fls. 300. O sorteio e distribuição a esse conselheiro ocorreu, em 11/09/2014, Lote 05, conforme, fls. 295. É o Relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003277/200820 Acórdão n.º 2803004.107 S2TE03 Fl. 306 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Esclareço, inicialmente, que nos termos da divisão proposta pela recorrente em sua peça recursal, o item que ela denominou de II – DA DEFESA está completamente dissociado da realidade, pois em um primeiro momento a DRJ baixou os autos em diligência, devido a falha na representação processual. Todavia, apesar da diligência empreendida pelo agente fiscal, a falha na representação não foi corrigida, haja vista que a citada diligência foi infrutífera em razão da não localização do contribuinte. O agente fiscal diligenciante ponderou pela emissão de Edital, entretanto essa providência não foi adotada, assim sendo o autos foram devolvidos a DRJ que emitiu acórdão de não conhecimento da impugnação em razão da falha na representação processual. Ocorre, porém, que tal acórdão foi remetido ao endereço a seguir declinado RUA THOMAZ GONZAGA, Nº 101 – SALA 101 – PERNAMBUÉS – CEP: 41.100000, isto é, endereço do sindicato constante dos cadastros do órgão fiscal, conforme documentos, de fls. 211 a 213, juntados pelo agente diligenciante, o qual informou ter comparecido a esse endereço e nada encontrado, veja a transcrição. Compareci ao endereço constante em nossos cadastros a fim de cumprir a diligencia fiscal, no entanto, constatei que o SINDICATO DAS REFEIÇÕES COLETIVAS DO ESTADO DA BAHIA SINDERC havia transferido seu endereço no ano passado. Pesquisei junto aos estabelecimentos vizinhos e não consegui nenhuma informação quanto a sua nova localização. Diante disso dirigi me ao escritório do contador que me atendeu na época da auditoria que funcionava na avenida Estados Unidos, Edif. Belo Horizonte, 4° andar, no entanto este também mudou de endereço, para a rua Chile, não consegui obter o nome do prédio para tentar localiza lo. Telefonei para o celular do Sr. Raimundo (71) 81273681 e este ficou de providenciar copia da ata da eleição de 2007 e entregar ao chefe da equipe 19, no 8° andar na Secretaria da Receita Federal de Salvador, durante o período de minhas férias. No entanto isto não ocorreu e o celular esta na caixa postal, desde então. Em face da impossibilidade de ser cumprida esta diligencia via pessoal, sugiro à Chefia que se faça a intimação mediante Edital, pois trata se de propiciar o amplo direito de defesa ao contribuinte. A citada diligência está datada de 04/05/2009, fls. 208. O AR, de fls. 218, que remeteu o acórdão da DRJ e foi recebido esta datado de 21/07/2009, ou seja, pouca mais Fl. 306DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003277/200820 Acórdão n.º 2803004.107 S2TE03 Fl. 307 5 de dois meses e meio depois as diligências do correio localizaram o contribuinte em seu endereço usual, que, aliás, é seu endereço tributário de eleição. Além disso, o agente diligenciante sugeriu a emissão de Edital, o que é providência necessária nos termos do parágrafo 1º, do artigo 23, do Decreto 70.235/72, veja a transcrição. SEÇÃO IV Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (destaquei). Não fosse o que dito acima suficiente esse relator na assentada de janeiro de 2015, também, relatou os processos Nº 18050.003278/200874; 18050.003280/200843 e 18050.003281/200898, desse mesmo contribuinte que foram julgados pelos Acórdãos nº 2803003.995; 2802003.996 e 2803003.997, do CARF, respectivamente. Tais processos traziam situação idêntica, mas com solução diametralmente aposta, observe o que disse a DRJ nos processos citados. Voto do Acórdão 1521.045; 1512.046; 1521.061 O impugnante foi cientificado do Auto de Infração em 06 de junho de 2008. A impugnação, tempestivamente apresentada em 04/07/2008, foi juntada às fls. 62/64 e está subscrita pelo Sr. Manoel Ferreira Sereno, inscrito no CPF sob o n° 760.447.778 04, que afirma ser o diretor vicepresidente do SINDERC. A ata da Assembléia Geral Ordinária ocorrida em 05 de janeiro de 2007, juntada às fls. 139/140, comprova que o subscritor da impugnação foi eleito para o cargo de primeiro vicepresidente da entidade autuada. De acordo com a alínea "a" do art. 26 do Estatuto (fls. 88), compete ao Presidente "representar o Sindicato perante a Administração Pública e junto aos diversos ógãos sindicais, podendo, entretanto, para o fiel cumprimento desses fins, delegar poderes (...)". De acordo com o art. 27 do mesmo Estatuto (fls. 85), compete ao 1º vicepresidente “substituir o presidente em suas ausências ou impedimentos (...)". Resta, portanto, demonstrada a legitimidade do subscritor da impugnação, razão pela qual dela tomo conhecimento. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003277/200820 Acórdão n.º 2803004.107 S2TE03 Fl. 308 6 Por fim, o contribuinte logrou êxito em demonstrar que o subscritor da peça impugnatória e recursal detém o cargo de 1º Vice – Presidente da entidade, para o triênio 2007/2010, conforme ATA da AGO, de fls. 288 e 289. A autoridade local da DRF, no despacho, de fls. 300, reconheceu a legitimidade da assinatura da peça recursal veja a transcrição. 4. A legitimidade da assinatura do recurso pode ser comprovada pelos documentos de fls. 117 a 118 (VOLUME I), 226 a 245; 288 a 289 (VOLUME II), especialmente às fls. 117 a 118 e 288 a 289. Com esses esclarecimentos anulo a decisão de primeiro grau e determino que outra seja emitida em substituição, considerandose o mérito da impugnação. Após emitida nova decisão de primeiro grau o PAF deve seguir o seu curso normal, nos termos da legislação de regência. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito, darlhe provimento, para anular a decisão de primeiro grau, determinado que outra seja emitida em seu lugar, conhecendose o mérito da impugnação. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000033/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
A realização de diligência e perícia é desnecessária quando há nos autos elementos suficientes à solução da lide. Conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, a sua realização está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova de interesse único para a defesa do contribuinte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. RENDA CONSUMIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. MATÉRIA SUMULADA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários sem origem comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
Numero da decisão: 2201-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. A realização de diligência e perícia é desnecessária quando há nos autos elementos suficientes à solução da lide. Conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, a sua realização está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova de interesse único para a defesa do contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. RENDA CONSUMIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. MATÉRIA SUMULADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários sem origem comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
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LEI TRIBUTÁRIA. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. A realização de diligência e perícia é desnecessária quando há nos autos elementos suficientes à solução da lide. Conforme dispõe os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, a sua realização está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova de interesse único para a defesa do contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. RENDA CONSUMIDA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. MATÉRIA SUMULADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 00 33 /2 00 6- 37 Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários sem origem comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10865.000033/200637 Acórdão n.º 2201002.665 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte qualificado neste processo, foi lavrado o auto de infração de IRPF, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, nos seguintes valores: Exercício Imposto Multa (alíquota) 2001 142.159,93 75% 2002 112.620,83 75% 2003 89.877,82 75% 2004 127.291,07 75% Total 471.949,65 Cientificado da autuação, o contribuinte impugnou o lançamento. As alegações de defesa foram assim resumidas no relatório da primeira instância: a) O fato gerador do imposto de renda pessoa física é mensal. Como o lançamento regese pelo art. 150, § 4º, do CTN, decaiu o direito do Fisco lançar tributos; b) A alteração introduzida pela lei 10.174/2001, respeitado o princípio da anualidade, só terá eficácia a partir do dia 1° de janeiro de 2002; c) Depósitos bancários não representam aquisição de disponibilidade econômica; d) Não houve a análise individualizada dos depósitos bancários; e) A taxa Selic não pode ser utilizada para a cobrança de juros de mora; f) A Lei nº 10.174/2001 é inconstitucional; g) A quebra do sigilo bancário do contribuinte não se subsume a nenhuma das hipóteses elencadas no art. 30 do Decreto 3.724/01; e h) Eventuais valores tributados como omissão de receita em determinado mês são considerados como saldo disponível no mês seguinte. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém (PA), por unanimidade de votos, considerou o lançamento procedente em parte, exonerando as infrações cometidas no ano calendário 2000, exercício 2001, tendo em vista ter decaído o lançamento por ocasião da lavratura do auto, em 9 de janeiro de 2006. Cientificado em 15 de julho de 2009 (fls. 1105), o contribuinte postou recurso voluntário (fls. 1.106 a 1.024), via Sedex, no dia 14 de agosto de 2009 (envelope à folha 1.125), arguindo: a) Não configuração dos depósitos bancários como rendimentos tributáveis, pois representariam apenas presunção, suposição ou indício. Que o Fisco é o responsável pela apresentação das provas que ensejam o lançamento do crédito tributário e se faz necessário provar o nexo casual entre os depósitos e a renda; b) Nas contas bancárias teriam transitado valores de terceiros, não considerados pelo julgador de primeira instância; b1) Com o falecimento da primeira esposa, ocorrido em abril de 2000, parte dos bens passaram aos filhos do casal e muito embora tenha recebido em sua conta corrente os Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 recursos dos aluguéis, os rendimentos teriam sido tributados nas declarações dos filhos Adriana Aparecida Bellão com CPF/MF n° 119.411.73845, Jesus Aldo Bellão com CPF/MF n° 823.987.71849 e Maria Catarina Bellão com CPF/MF n° 031.870.77849; b2) Durante a fiscalização, teria apresentado comprovantes dos valores que transitaram por sua conta corrente, referentes aos imóveis pertencentes ao Senhor Jairo Geraldo Ribeiro Filho, ao Asilo João Kuhl Filho e ao Espólio de Zilda A. Paula Souza, todos efetuados a título de mera liberalidade, devido a relacionamento de amizade do recorrente a tais titulares; b3) Apresentou uma planilha onde constava o nome de cada locatário, as datas dos pagamentos dos alugueis, os efetivos beneficiários, as despesas pagas em nome dos mesmos e os valores repassados ao beneficiário; as cópias das declarações de IRPF dos beneficiáriosfilhos do recorrente, comprovando a efetiva tributação de tais valores em suas respectivas DIRPF's; b4) Os valores dos rendimentos de alugueis pertencentes a terceiros (filhos) deveriam ser excluídos da base de cálculo do imposto (planilha de folha 1.115). Discorda do entendimento do relator, de que os valores e datas de vencimentos constantes dos contratos de locação não coincidem com os valores e as datas dos depósitos. Entretanto, os locatários realizavam os pagamentos de várias maneiras (parte em dinheiro, parte em cheques, vários cheques etc.), uma vez que é pessoa física e não se encontra obrigado a manter sistema de contabilidade em que são registradas as operações bancárias de entrada e saída de numerários e que alguns dos valores transitados nas suas contas bancárias eram pertencentes de fato e de direito a terceiros, não havendo condições de serem "memorizadas" todas as operações ocorridas no espaço de 05 (cinco) anos, por mais controle que se possa ter. E que, “desde a primeira intimação recebida, tem o recorrente se esforçado além de suas possibilidades, através de reuniões e diligências junto a terceiras pessoas com as quais manteve relacionamento comercial no período abrangido pela fiscalização.” c) Princípio da verdade real x necessidade de realização de diligências para comprovação da origem. A Fiscalização teria o “poder/dever” por meio de “circularizações e de diligência fiscal nos eventuais beneficiários de valores que transitaram pelas contas correntes do recorrente”, para “obter a verdade material, afastandose quaisquer presunções, ficções e indícios”, por isso, que deveria o julgamento ser convertido em diligência. d) Princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. Com base na comprovação de quase a totalidade dos valores questionados pelo fisco, encontrarseía configurada a não aplicabilidade dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo o auto de infração ora combatido ser declarado insubsistente. e) Multa de 75%. Alega que o enunciado n° 14 da Súmula do CARF “menciona que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por essa razão, pede que a penalidade aplicada não ultrapasse o percentual de 50%. Por fim, requer que as citações e intimações sejam remetidas ao escritório dos patronos e que sejam permitidas, por todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente a perícia contábil, diligências e a sustentação oral, no sentido de reformar o acórdão ora combatido. Em 27 de maio de 2011, o contribuinte apresenta uma petição informando, em decorrência da opção pelo parcelamento instituído pela Lei 11.941/09, a DESISTÊNCIA Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10865.000033/200637 Acórdão n.º 2201002.665 S2C2T1 Fl. 4 5 PARCIAL no que se refere à “Não configuração em renda dos depósitos bancários (art. 42, Lei 9.430/96)”. Por meio da Resolução nº 220200.194, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão sobrestou o julgamento até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Entretanto, com a com a edição da Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, foram revogados os §§ 1º e 2º do supracitado artigo, razão pela qual os autos retornaram para julgamento por este Conselho. Em 14 de maio de 2014, esta Turma Ordinária proferiu a resolução nº 2201 000.181 convertendo o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informasse o crédito tributário remanescente e o fato gerador a que se refere. O chefe da Sacat da DRF em Limeira (SP) expediu a Intimação nº 511/2014, na qual solicita esclarecimentos ao contribuinte quanto à desistência parcial do recurso voluntário, em especial, “quais os períodos de apuração e correspondentes valores a serem parcelados e quais os períodos de apuração e valores continuarão sob recurso”, uma vez que “todo o crédito tributário apurado tem como base, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada”. O contribuinte, em resposta à intimação, informou que foram integralmente parcelados dos débitos dos anoscalendários 2001 e 2002 e parcialmente os débitos do ano calendário 2003, ficando um saldo remanescente de R$ 29.865,62. Juntamente com a explicação, anexa as cópias das declarações de Imposto de Renda, exercício 2004, de Adriana Aparecida Bellão e Maria Catarina Bellão, entregues, respectivamente, em 26 e 29 de abril de 2004. É o relatório. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e analiso as matérias questionadas. O crédito tributário lançado no presente processo, por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com base no art. 42 da Lei nº 8.430, de 1996, incluía os exercícios 2001 e 2004, sendo o exercício 2001 excluído por estar abrangido pela decadência. Após a decisão da DRJ, conforme se observa no Extrato do Processo (fl. 1.209), o crédito tributário mantido nos autos se restringia ao levantado pela auditoria para os exercícios 2002 a 2004, “suspenso” em função do julgamento recurso voluntário. Em 10 de outubro de 2014, posteriormente à Resolução nº 2201000.181, desta Turma Ordinária, prolatada em 14 de maio de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira transferiu a integralidade dos créditos dos exercícios 2002 e 2003 e parte dos créditos do exercício 2004 para o processo nº 10865722.350/201418 (fls. 1.288 e 1289), ficando um saldo originário remanescente do exercício 2004 de R$ 29.865,62. Assim temse: Exercício Imposto Decadência Parcelado Remanescente Multa (alíquota) 2001 142.159,93 142.159,93 75% 2002 112.620,83 112.620,83 75% 2003 89.877,82 89.877,82 75% 2004 127.291,07 97.425,62 29.865,62 75% Total 471.949,65 142.159,93 299.924,27 29.865,62 75% O contribuinte, em relação aos valores remanescentes do exercício 2004, argui que seriam decorrentes de aluguéis de terceiros transitados em sua conta corrente, devendo a multa ser reduzida à alíquota de 50%, sendo estas as únicas razões restantes no corrente recurso voluntário. Preliminares Vale salientar que descabe a apreciação das preliminares relacionadas aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade e da necessidade de nexo casual. Primeiro porque a presunção da omissão baseada em depósitos bancários sem comprovação de origem está estabelecida em Lei e não cabe ao CARF questionar a sua constitucionalidade face aos citados princípios. Segundo porque as questões de constitucionalidade de lei ou de nexo causal entre renda e consumo foram superadas no CARF pelas Súmulas nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária) e nº 26 (A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada). Também, não cabe ao Fisco adotar providências para produção de provas para os valores depositados na conta corrente do contribuinte para fins de apurar o imposto de renda Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10865.000033/200637 Acórdão n.º 2201002.665 S2C2T1 Fl. 5 7 pessoa física. A norma legal transfere ao sujeito passivo o dever de comprovar a origem dos depósitos e justificálos. Isso implica trazer elementos que comprovem o fato questionado. Nesse caso, é responsabilidade do contribuinte apresentar as provas, demonstrando a correta origem dos recursos. A realização de diligências somente se aplica quando há necessidade de formação de convicção por parte da autoridade lançadora ou do julgador, conforme dispõe os art. 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, que não é o caso. Ao fim, resta esclarecer que o art. 23, incisos I a III do Decreto nº 70.235, de 1972 (na redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997), estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não ao seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no RICARF (Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). Por essa razão, afastase o pedido de intimação aos Patronos. Entretanto, foi garantida à parte a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e na página da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo a parte acompanhar tais publicações. Depósitos bancários No mérito, o contribuinte argumenta que os rendimentos de aluguéis de bens que passaram aos filhos foram depositados em sua conta corrente e teriam sido tributados nas respectivas declarações de Adriana Aparecida Bellão com CPF/MF n° 119.411.73845, Jesus Aldo Bellão com CPF/MF n° 823.987.71849 e Maria Catarina Bellão com CPF/MF n° 031.870.77849. Também, que teriam transitado em sua conta os recebimentos referentes aos imóveis pertencentes ao Senhor Jairo Geraldo Ribeiro Filho, ao Asilo João Kuhl Filho e ao Espólio de Zilda A. Paula Souza. Entretanto, após exaustiva pesquisa nos documentos anexados aos autos, verificase que não há qualquer correlação nas datas e valores dos depósitos em relação aos supostos pagamentos dos aluguéis. Nem na planilha de folhas 729 a 740, onde o contribuinte se restringe a citar no histórico a expressão “Depósitos Referentes a Recebimentos de Aluguéis”, sem fazer a individualização de a quais aluguéis se referiam cada um desses valores, nem na planilha de folhas 741 a 752, “Controle de Movimentação Financeira – Ano Base 2003”, onde o contribuinte relaciona o nome dos locatários e os prováveis beneficiários dos valores lançados na conta corrente nº 1.3056 do ITAÚ, nem em relação às copias dos contratos anexados às folhas 756 a 893. O contribuinte diz que os locatários realizavam os pagamentos de várias maneiras (parte em dinheiro, parte em cheques, vários cheques etc.), não sendo possível fazer a vinculação dos aluguéis aos depósitos. Essa questão foi suscitada no curso da fiscalização, conforme se observa na transcrição abaixo, extraída do Termo de Encerramento: Nessa oportunidade, informa que os valores que transitaram pela conta n.° 11.417, Banco Itaú, eram decorrentes de aluguéis em nome de terceiros, e, que não é remunerado pelos serviços de recebimento e pagamento de despesas, pois os serviços são prestados para familiares ou pessoas de seu convívio. Complementa a informação, alegando que "muitas vezes não há coincidência de valores e datas, visto que, alguns alugueres são recebidos em moeda corrente ou em Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 diversos cheques de pequeno valor, inclusive prédatados, que são depositados ou utilizados para pagamento de despesas do próprio beneficiário (locador)". Não foi apresentado qualquer documento comprobatório, além de uma relação contendo alguns nomes de pessoas físicas e valores recebidos no ano de 2003. À luz do disposto no Art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizase omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários. Ela está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. A presunção legal inverte o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração, cabendo ao contribuinte, mediante documentação hábil e idônea, comprovar a real origem dos valores lançados em suas contas. E como, no caso em análise, os documentos juntados aos autos não servem para essa comprovação, correto o procedimento fiscal de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários. Vale registrar que foram excluídos no auto de infração todos os créditos passíveis de identificação, tais como os de resgate de aplicações financeiras, de juros de poupança, de benefícios do INSS, além dos estornos e cheques depositados e devolvidos por falta de fundos. Multa de ofício A multa de ofício está fundamentada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, que há época do lançamento, assim como atualmente com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, era de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença do imposto lançado. Como anteriormente afirmado, a administração tributária se submete ao principio da legalidade. Assim, não cabe à autoridade administrativa lançadora ou julgadora afastar a aplicação ou ditar alíquota inferior àquela determinada em lei. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei, expressamente vedado pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10865.000033/200637 Acórdão n.º 2201002.665 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 6/02/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10380.726197/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Sendo simuladas e não comprovadas as operações que deram causa a custos e despesas lançados na contabilidade, é correta sua glosa.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
É correta a aplicação ao débito da multa qualificada na presença de sonegação, fraude ou conluio, praticados, por ação ou omissão, de forma dolosa.
Numero da decisão: 1302-001.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS. SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Sendo simuladas e não comprovadas as operações que deram causa a custos e despesas lançados na contabilidade, é correta sua glosa. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. É correta a aplicação ao débito da multa qualificada na presença de sonegação, fraude ou conluio, praticados, por ação ou omissão, de forma dolosa.
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SIMULAÇÃO. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Sendo simuladas e não comprovadas as operações que deram causa a custos e despesas lançados na contabilidade, é correta sua glosa. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. É correta a aplicação ao débito da multa qualificada na presença de sonegação, fraude ou conluio, praticados, por ação ou omissão, de forma dolosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 61 97 /2 01 0- 17 Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/FOR, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE. OPERAÇÕES SIMULADAS. GLOSAS DE CUSTOS E/OU DESPESAS. Tratandose de glosas de despesas e/ou de custos, efetuadas em razão da comprovação da não efetividade das operações desconsideradas pela autoridade fiscal, não há que se cogitar de exonerar do pólo passivo da relação jurídicotributária quem do procedimento simulatório se beneficiou. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional (CTN), restando configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 (cinco) anos, contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS JURÍDICOS. TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Evidencia a prática de ato simulado a ausência de propósito negocial válido e justificável nas operações engendradas pelo sujeito passivo. Resultando das operações tãosomente a indevida mitigação da carga tributária, cabíveis a desconsideração dos negócios jurídicos, posto que desprovidos de efetividade, e a tributação deste ato decorrente. PROVA INDIRETA. INDÍCIOS. PRESUNÇÃO SIMPLES. VALIDADE. É legítima a prova indiciária, também chamada de presuntiva, quando se mostrar comprovado nos autos, através de indícios fartos, graves, precisos e convergentes, que os negócios jurídicos desconsiderados pelo agente do fisco não tiveram lugar no mundo fático. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUTORIZAÇÃO LEGAL. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Demonstrada a prática simulatória, decorrente da atuação do sujeito passivo em conluio e/ou fraude com outras pessoas jurídica, levada a efeito com o objetivo exclusivo de auferir de Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.400 3 vantagem fiscal ilícita, caracterizada estará a ação dolosa da praticante sendo devida, por expressa disposição legal, a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. É legítima a glosa da compensação de prejuízo, em determinado anocalendário, na hipótese em que a autoridade lançadora tenha revertido o resultado do período de sua apuração, alterando a situação originária de prejuízo para lucro fiscal. A desconstituição da glosa somente ocorreria caso o lançamento, relativo ao ano do prejuízo, fosse considerado improcedente pela autoridade julgadora, fato que não se mostrou presente no caso em apreciação. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), visto que ambos os lançamentos decorrem dos mesmos fatos e de idênticos elementos de prova. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase de ação fiscal contendo no pólo passivo da relação jurídicotributária a pessoa jurídica ECOFOR AMBIENTAL S/A, empresa que tem como sua controladora a CONSTRUTORA MARQUISE S/A, ao final do qual foi constituído o crédito tributário a seguir discriminado: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica R$ 34.075.352,62 b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido R$ 12.266.890,70 ====> Total do Crédito Tributário R$ 46.342.243,32 A auditoriafiscal, relativa aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 03101002009014558, iniciandose em 14/12/2009 mediante a apresentação de termo próprio, fls. 59/61, contendo determinação para a apresentação, no prazo de 20 (vinte) dias, dentre outros, dos seguintes documentos: 1 Contrato de Aluguel de Veículos e Equipamentos celebrados com a empresa LOCAMAR LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, cujas despesas /custos estão escriturados na Conta 621402 / Custo de Produção / Custo de Operação / Utilização de Bens e Serviços / Aluguéis de Equipamentos, bem como os comprovantes de pagamento das referidas despesas conforme lançamentos em 31 de julho, no valor de R$ 497.500,00; e em 31 de Agosto; 30 de setembro; 31 de outubro; 30 de novembro e 31 de dezembro de 2004, estes no valor de R$ 539.500,00 cada; 2 Idem para os pagamentos realizados nos anos de 2005 e 2006, conforme a movimentação da referida Conta 621402; Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 3 Contrato de Aluguel de Equipamentos celebrado com a empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES E PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS LTDA, cujas despesas/custos estão também lançadas na Conta 621402, bem como os comprovantes de pagamento das referidas entrega de recursos para o Fornecedor; 4 Contrato de Mútuo Escriturado na Conta 214128 / Passivo Circulante / Outras Contas a Pagar / LOCAMAR LOCADORA DE VEÍCULOS LTDA, bem como os comprovantes dos lançamentos efetivados nas datas indicadas pela autoridade fiscal; [...] 5 Comprovação documental do lançamento realizado na Conta 223201 / PASSIVO EXIGÍVEL LONGO PRAZO / OUTROS MÚTUOS / BEX INTERNACIONAL S/A, em 31/01/2006, no valor de R$ 7.135.595,27; 6 Comprovação documental do lançamento realizado na Conta 223201 / PASSIVO EXIGÍVEL LONGO PRAZO/OUTROS MÚTUOS / BEX INTERNACIONAL S/A, em 31/01/2006, no valor de R$ 7.135.595,27. Apresentar o Contrato de Mútuo e os documentos de pagamento do preço acima referido, bem como os de liquidação dessa obrigação para com a BEX INTERNACIONAL; [...] 9 Apresentar Contrato de Aluguel do Terreno situado em Messejana cujas despesas estão contabilizadas na Conta 621302001/Custo de Produção/Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica/Aluguel de Imóvel PJ, em contrapartida a Conta de Fornecedores Gerais de Materiais 2111/PASSIVO CIRCULANTE/FORNECEDORES/MATERIAIS nos anos de 2005 e 2006; [...] 11 Em 02/01/2006, referente à aquisição de 03 (três) IMÓVEIS a débito da CONTA 111401 / ATIVO ClRC / DISPONÍVEL / INVESTIMENTOS TEMPORÁRIOS / IMÓVEIS, nos valores de R$ 7.208.634,82; R$ 3.284.289,71 e R$ 2.823.180,31; [...] 13 Em 31.03.2006, apresentar os documentos do lançamento A DÉBITO da CONTA 112402 / ATIVO CIRC/SERVIÇOS A FATURAR / OUTROS CLIENTES / ORTECAL ORG. TÉCNICA DE CONCRETO ARMADO LTDA, nos valores de R$ 2.882.756,37; R$ 2.478.021,66 e R$ 6.327.315,73, e a crédito da Conta 8211/OUTRAS RECEITAS; [...] Em documento datado de 27/01/2010, fl. 65, a fiscalizada solicitou a prorrogação do prazo estabelecido no Termo de Início. Em resposta, o representante do fisco concedeu 10 (dez) dias adicionais. Novas demandas de alargamento de prazo foram postuladas em 12/02/2010, fl. 66, e em 22/02/2010, fl. 67. Neste último documento foi afirmado que a documentação seria apresentada no dia 26/02/2010. Em 17/03/2010 deuse a apresentação parcial da documentação, fls. 69/70, ocasião em que a pessoa jurídica prometeu que no dia 31/03/2010 haveria a complementação do documentário faltante. Nova apresentação parcial ocorreu em 08/04/2010, fls. 71/72. Nesta última data, restaram sem atendimento o item 3, parte do 4 e os itens 8 e 9. No dia 17/06/2010 novo Termo de Intimação Fiscal foi apresentado ao representante legal da pessoa jurídica, fls. 74/75, reiterando o termo anterior e solicitando novos documentos. Nada tendo sido apresentado, em 30/07/2010 veio a lume o Termo de Intimação nº 5, fls. 78/79, formalizado nos seguintes termos: Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.401 5 1 Fica reiterado o Termo de Intimação n° 04 onde deve o contribuinte apresentar de imediato os documentos e respostas nele solicitadas; 2 Considerando que a ECOFOR AMBIENTAL S/A fora participante da Licitação promovida pela Prefeitura Municipal de Fortaleza para a escolha da empresa que seria a titular da prestação de serviços de limpeza urbana, conforme Concorrência Pública sob o n° 001/2002; Considerando que o Item 14.5.8 e seus subitens do Edital de Concorrência n° 001/2002 exigira que, NECESSARIAMENTE, o participante tinha que proceder a APRESENTAÇÃO FORMAL da titularidade dos bens (VEÍCULOS E EQUIPAMENTOS) adequados à efetiva prestação do serviço licitado; Considerando, por fim, que a ECOFOR AMBIENTAL S/A, fora a VENCEDORA DA LICITAÇÃO, conforme Termo de Contrato de Concessão, assinado com o Município de Fortaleza em 05/05/2003, FICA O CONTRIBUINTE em epígrafe INTIMADO A APRESENTAR no prazo de 10 (dez) dias: 2.1 A Declaração FORMAL apresentada pela ECOFOR AMBIENTAL S/A ao Município licitante com a indicação da titularidade e disponibilidade dos Veículos e Equipamentos necessários para a livre prestação dos serviços, conforme subitem 14.5.8.7 e 14.5.8.3; 2.2 A via ORIGINAL do COMPROMISSO HÁBIL celebrado entre a ECOFOR AMBIENTAL S/A e o terceiro eventual titular dos bens, DEVIDAMENTE REGISTRADO NA DATA APROPRIADA EM CARTÓRIO DE TÍTULOS E DOCUMENTOS, recepcionado pelo Município licitante na data prevista precisamente no Edital, conforme prevê o subitem 14.5.8.4. Em 14/12/2010 deuse a ciência do lançamento, fls. 2/35, com a imputação à ECOFOR AMBIENTAL S/A da prática das seguintes infrações: 001 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS / GLOSA DE CUSTOS A) Valores apurados conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, em seu Titulo III, decorrentes dos contratos simulados de locação de veículos entre ECOFOR e LOCAMAR. Portanto estão aqui consideradas como fonte de determinação dos valores dos Custos Fictícios concernentes a Despesas de Aluguéis de Veículos/Equipamentos simuladamente tomados em locação da LOCAMAR/PANAGRA, os valores registrados na Conta 621402 (ver Planilha da Conta anexa), relativos à essas operações e distribuídos pelos três anos do alcance do procedimento fiscal. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 3.155.000,00 150,00 31/12/2005 R$ 8.318.640,00 150,00 31/12/2006 R$ 10.163.280,00 150,00 B) Valores apurados conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração em seu Título VI, referente à pagamentos fictícios de aluguel de equipamentos à empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA. Feita a avaliação das condições técnicas, materiais e operacionais com que a empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA se apresentava no mercado, com pesquisas de praxe nos órgãos públicos competentes, viuse da impossibilidade efetiva de que aquela pessoa jurídica tenha, de fato, alugado Máquinas e Equipamentos para empresas do ramo da indústria da construção civil, como é a Construtora Marquise. Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Por essas razões o fisco promove a glosa dos valores levados a débito da Conta 621402, atribuídos a empresa que não dispõe de Máquinas e Equipamentos para Locação, tendo em vista a indedutibilidade dos mesmos. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 216.000,00 150,00 31/12/2005 R$ 561.600,00 150,00 31/12/2006 R$ 1.188.000,00 150,00 C) Valores apurados conforme Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste de Infração, em seu Título VI, referente à pagamentos de aluguel de terrenos não comprovados pelo contribuinte quando provocado em Termo de Intimação, nos anos de 2005 e 2006. Esses valores estão registrados a débito da Conta 621302007 CUSTO DE OPERAÇÃO / SERVIÇOS DE TERCEIROS / ALUGUEL DE IMÓVEL / PJ, todos provisionados a Conta 2111 FORNECEDORES / MATÉRIAS, em valores mensais fixos no montante de R$ 50.000,00 por cada pagamento, devendo portanto ser glosados os Custos de R$ 600.000,00 em 2005 e R$ 600.000,00 em 2006. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 600.000,00 150,00 31/12/2006 R$ 600.000,00 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 300, do RIR/99. 02 – GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS A) Glosas de Despesas Financeiras, contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, que estão devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Circunstanciada no Título II, estão aqui glosados todos os encargos financeiros decorrentes da obrigação da ECOFOR junto a BEX e junto a XINGU, pelo princípio de que o acessório segue o principal, e não ser legítima a dívida constituída nestas operações. Assim, o grupo de lançamentos a crédito da Conta 214130 XINGU, ano calendário 2005, e, da Conta 223201 BEX, que têm como contrapartida os débitos nas Contas 711203 Variações Monetárias Passivas e 711303 Juros de Mora, estão tendo o somatório dos seus valores glosados pelo Fisco, dado que impactaram o Lucro Real desses períodos, reduzindoos de forma indevida por serem inexistentes as fontes da obrigação de que foram gerados os encargos acessórios. Na presente infração, temos glosa dos seguintes valores cujos dados constam em Planilha anexa extraída do Razão: XINGU – Juros de Mora – Ano 2005 – R$ 1.642,32 BEX – Juros de Mora – Ano 2006 – R$ 760.108 ,47 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 1.642,32 150,00 31/12/2006 R$ 760.108,47 150,00 B) Glosas de Despesas Financeiras contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, que estão devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Também descrita no Título II, são glosados na presente infração encargos financeiros em face da comprovação da inexistência fática da obrigação da ECOFOR junto a NORCONSERVICE que teria dado causa a encargos financeiros, os quais, por motivo semelhante, estão sendo glosados os valores debitados às Contas 711203 Variações Monetárias Passivas e 711303 Juros de Mora, cujos créditos correspondentes, tenha se dado na Conta 214131 PC / Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.402 7 OUTRAS CONTAS A PAGAR / NORCONSERVICE. Na presente infração temos glosa dos seguintes valores cujos dados constam em Planilha anexa extraída do Razão: Juros de Mora Ano 2005 R$ 204.326,40 Juros de Mora Ano 2006 R$ 51.830,34 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 204.326,40 150,00 31/12/2006 R$ 51.830,34 150,00 C) Glosas de Despesas Financeiras contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, que estão devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Detalhadas no Título IV, estão as infrações decorrentes dos contratos relativos às "Cessões de Faturas" de serviços da ECOFOR para a LOCAMAR. Procedemos a glosa das Despesas Financeiras indevidas reconhecidas nos anos de 2004 e 2005, a partir dos "Deságios" apropriados na ECOFOR em cada uma das supostas "Cessões de Crédito" e a das Despesas Financeiras concernentes a Juros Passivos e Variação Monetária Passiva debitada contra Resultado do Exercício dos anos de 2004, 2005 e 2006, tendo como fonte de obrigação, a Conta 214128 OUTRAS CONTAS A PAGAR/LOCAMAR, veiculadora de dívidas inexistentes (de fato) da ECOFOR junto a LOCAMAR. Na presente infração temos: Cl) Glosa de Despesas Financeiras referentes a deságios escriturados à débito da conta 711401 Descontos Concedidos sobre Operações, conforme tabela constante do Termo de Verificação Fiscal para os seguintes periodos, Deságio – Ano 2004 – R$ 2.905.482,92 Deságio – Ano 2005 – R$ 4.599.022,10 C.2) Glosa de Encargos Financeiros, no caso desta infração, debitados à conta 711303 – Juros de Mora lançados à conta 214128 – LOCAMAR, conforme Planilha anexa extraida do Razão: Juros de Mora – Ano 2004 – R$ 128.443,37 Juros de Mora – Ano 2005 – R$ 1.997.642,74 Juros de Mora – Ano 2006 – R$ 983.329,99 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 2.905.482,92 150,00 31/12/2004 R$ 128.443,37 150,00 31/12/2005 R$ 4.599.022,10 150,00 31/12/2005 R$ 1.997.642,74 150,00 31/12/2006 R$ 983.320,99 150,00 D) Glosas de Despesas Financeiras contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, que estão devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Contida no Titulo VI do Termo de Verificação Fiscal estão detalhadas as infrações decorrentes dos negócios de Compra e Venda dos imóveis do grupo CEC, da MARQUISE EMPREENDIMENTOS (HOTEL) para a ECOFOR e, desta, para a ORTECAL. Na presente infração temos a glosa de Encargos Financeiros no ano calendário 2006 debitados à conta 711303 Juros de Mora e lançados a conta 214132 de Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 obrigação da ECOFOR para com o HOTEL: Juros de Mora Ano 2006 R$ 1.912.235,47. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2006 R$ 1.912.235,47 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 251, e parágrafo único, 299 e §§ 1º e 2º, e 374, inciso I, do RIR/99. 03 – GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS / VARIAÇÃO MONETÁRIA A) Glosas de Despesas Financeiras contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Circunstanciada no Titulo II, estão aqui glosados todos os encargos financeiros decorrentes da obrigação da ECOFOR junto a BEX, pelo principio de que o acessório segue o principal, e não ser legítima a dívida constituída nestas operações. Assim, o grupo de lançamentos a crédito da Conta 223201 que têm como contrapartida os débitos nas Contas 711203 Variações Monetárias Passivas e 711303 Juros de Mora, estão tendo o somatório dos seus valores glosados pelo Fisco, dado que impactaram o Lucro Real do ano de 2006, reduzindoo de forma indevida poriser inexistente a fonte da obrigação de que foram gerados os encargos acessórios. Na presente infração, temos glosa dos seguintes valores cujos dados constam em Planilha anexa extraída do Razão: Variação Monetária Passiva Ano 2006 R$ 239.979,12. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2006 R$ 239.979,12 150,00 B) Glosas de Despesas Financeiras contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Também descrita no Título II, são glosados na presente infração encargos financeiros em face da comprovação da inexistência fática da obrigação da ECOFOR junto a NORCONSERVICE que teria dado causa a encargos financeiros, os quais, por motivo semelhante, estão sendo glosados os valores debitados às Contas 711203 Variações Monetárias Passivas e 711303 Juros de Mora, cujos créditos correspondentes, tenha se dado na Conta 214131 PG/OUTRAS CONTAS A PAGAR/NORCONSERVICE. Na presente infração temos glosa dos seguintes valores cujos dados constam em Planilha anexa extraída do Razão: Variação Monetária Passiva Ano 2005 R$ 50.104,11 Variação Monetária Passiva – Ano 2006 R$ 44.178,29 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 50.104,11 150,00 31/12/2006 R$ 44.178,29 150,00 C) Glosas de Despesas Financeiras contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Detalhadas no Título IV, estão as infrações decorrentes dos contratos relativos às "Cessões de Faturas" de serviços da ECOFOR para a LOCAMAR. Procedemos a glosa das Despesas Financeiras indevidas reconhecidas nos anos de 2004 e 2005, a partir dos "Deságios" apropriados na ECOFOR em cada uma das supostas "Cessões de Crédito" e a das Despesas Financeiras concernentes a Juros Passivos e Variação Monetária Passiva debitada contra Resultado do Exercício dos anos de 2004, 2005 e 2006, tendo como fonte de obrigação, a Conta 21412 8 OUTRAS CONTAS A PAGAR/LOCAMAR, veiculadora de dívidas Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.403 9 inexistentes (de fato) da ECOFOR junto a LOCAMAR. Na presente infração temos: Glosa de Encargos Financeiros, no caso desta infração, debitados à conta 711303 Variação Monetária Passiva lançados à conta 214128 LOCAMAR, conforme Planilha anexa extraída do Razão: Variação Monetária Passiva – Ano 2004 – R$ 97.558,66 Variação Monetária Passiva – Ano 2005 – R$ 442.430,62 Variação Monetária Passiva – Ano 2006 – R$ 1.163.483,86 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 97.558,66 150,00 31/12/2005 R$ 442.430,62 150,00 31/12/2006 R$ 1.163.483,86 150,00 D) Glosas de Despesas Financeiras contabilizadas a maior ensejando redução indevida do lucro sujeito à tributação, devidamente detalhadas em Termo de Verificação Fiscal próprio e parte integrante deste Auto de Infração. Contida no Título VI do Termo de Verificação Fiscal estão detalhadas as infrações decorrentes dos negócios de Compra e Venda dos imóveis do grupo CEC, da MARQUISE EMPREENDIMENTOS (HOTEL) para a ECOFOR, e desta, para a ORTECAL. Na presente infração temos a glosa de Encargos Financeiros no ano calendário 2006 debitados à conta 711303 Juros de Mora e lançados a conta 214132 de obrigação da ECOFOR para com o HOTEL: D.l) Variação Monetária Juros de Mora Ano 2006 R$ 696.502,55. D.2) Glosa de Variação Monetária debitada na conta 711203 decorrente de Perda na Cessão de Recebíveis em 31/03/2006 no valor de R$ 2.805.631,28. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2006 R$ 2.805.631,28 150,00 31/12/2006 R$ 696.502,55 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 8º da Lei 9.249/95; Arts. 251 e parágrafo único, 299 e§§ 1º e 2º, 375 e 377, do RIR/99. 04 – GANHOS E PERDAS DE CAPITAL ALIENAÇÃO / BAIXA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Glosas de Prejuízo Apurado na venda de imóveis da ECOFOR para a ORTECAL em 31/03/2006 no valor de R$ 1.628.011,08, devidamente detalhadas no Título 5 do Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante deste Auto de Infração. Por se tratar de operação desprovida da existência fática está sendo ser glosado no ano de 2006, o valor do prejuízo contabilizado apurado na venda desses bens imóveis. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2006 R$ 1.628.011,08 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98; Arts. 247, 248, 215 e parágrafo único, e 418 e parágrafos, do RIR/99. 05 – GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado no ano calendário 2005, tendo em vista as reversões do prejuízo após o lançamento das infrações constatadas Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 nos períodosbase 2004, que extinguiram totalmente saldos de prejuízos anteriores,conforme detalhado no "DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS", anexo e integrante deste Auto de Infração. Nestas condições, procedeuse a glosa da compensação realizada no ano calendário de 2005, como lançado em sua DIPJ daquele ano. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2005 R$ 794.756,77 150,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99. Para a melhor compreensão do contexto em que se encontra inserido o lançamento posto em discussão, relevante se mostra a reprodução da parte introdutória do Termo de Verificação Fiscal (TVF), fls. 93/96, a seguir estabelecida: O presente Termo de Verificação objetiva a descrição minuciosa dos procedimentos de Auditoria que se desenvolveram em meio à proficiente análise dos diversos negócios jurídicos e das várias transações comerciais/financeiras em que se envolveram as empresas vinculadas ao Grupo Empresarial capitaneado pela pessoa jurídica CEC INTERNACIONAL S/A (aqui simplesmente denominado "Grupo CEC") tidas com a qualificação de "PARCEIRAS' nas operações múltiplas aqui analisadas e as empresas vinculadas ao Grupo Empresarial capitaneado pela CONSTRUTORA MARQUISE S/A (aqui simplesmente denominado "Grupo Marquise"). Mais minudentemente, o fulcro central da Auditoria é o mergulho na substância e essência das condutas praticadas pelos agentes (tidos como "parceiros") de ambos aqueles Grupos de Empresas, buscando a caracterização da presença de fraude, simulação e/ou conluio nos negócios celebrados entre essas empresas, tudo com o fim de detectar o auferimento de vantagens fiscais ilícitas (de variadas espécies) para o Grupo Marquise, em cristalino prejuízo da Fazenda Nacional. Evidentemente que, para tal mister, o recurso legal e legítimo à técnica da chamada "auditoria cruzada", intergrupos empresariais, mediante procedimento administrativofiscal regularmente instaurados, constituiu ferramenta de preciosa valia para a constatação dos ilícitos fiscais qualificados. Por lógica, as transações foram dissecadas e rastreadas abrangendo todos os envolvidos nos negócios celebrados, resultando em aberturas regulares (concomitantes e/ou sucessivas) de ações fiscais, conforme fosse necessário ao Fisco, para o acompanhamento do fluxo real (iter negocium) do negócio jurídico posto para análise. Diante disso, o presente Termo contém em si as provas documentais relativas ao quantum subjetivo e objetivo da participação de pessoas físicas e/ou jurídicas, em cada uma das etapas componentes do Planejamento Fiscal de natureza evasiva que restou, ao final, constatado por este Fisco. Assim, numa breve síntese, podemos enumerar que se investigou nesta "auditoria cruzada", a origem primeira de todos os negócios acontecidos entre as empresas do Grupo Marquise e as do Grupo CEC, com descenso às seguintes fases enumerativas: i) estruturação das avenças fictícias de Promessas de Compra e Venda de imóveis; ii) modo de geração de créditos inexistentes de fato de tributos federais; iii) Engenharia usada para a efetiva transferência desses créditos fiscais para as empresas do Grupo Marquise, mediante a técnica eficacial do uso dos institutos de sucessão de empresas (cisões e incorporações) e mediante a constituição de obrigações inexistentes de fato para o Grupo Marquise; iv) minucioso estudo dos Contratos de Cessão de Créditos de Faturas feita pelas empresas do Grupo Marquise às do Grupo CEC, abordando seus efeitos fiscais, sua legitimidade e consistência nos planos jurídicos da existência, da validade e Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.404 11 da eficácia; v) dissecação do fundamento primeiro dissimulado das Despesas de Aluguéis com Veículos e Equipamentos utilizados na limpeza urbana da cidade de Fortaleza, computadas na ECOFOR AMBIENTAL S/A, suficiente para reduzirlhe drasticamente seus Resultados do Exercício. Um último ponto foi objeto dessa investigação global. Por ter apresentado ligação direta com as operações envolvendo imóveis pertencentes ao Grupo CEC os quais, de modo efêmero e inusitado, ingressam (em momento propício) e saem (logo após, quando conveniente e cumprido seu desígnio no planejamento tributário) das escriturações contábeis das empresas do Grupo Marquise, também o Fisco enveredou pelos detalhes da transação que envolveu a transferência indireta das ações tituladas pelo investidor uruguaio (acionista estrangeiro no Capital da Construtora Marquise S/A) BRAWEL INTERNATIONAL S/A, para as pessoas físicas dos acionistas controladores da Construtora Marquise S/A. Nestes negócios, o Fisco procura deixar sob realce apenas a parte que diz respeito à participação da ECOFOR AMBIENTAL S/A e dos reflexos tributários nela observados. Os procedimentos de auditoria alcançaram os anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Coincidentemente, este período foi tido pelo Grupo Marquise como os anos da reestruturação de suas empresas componentes. Com a recém criada empresa controlada ECOFOR AMBIENTAL S/A, a Construtora Marquise S/A antes detentora de seu exercício exclusivo transferelhe a atividade de Prestação de Serviços de Limpeza Urbana na cidade de Fortaleza (CE). Os negócios com o "parceiro" denominado "Grupo CEC", surgem exatamente no contexto deste processo de reestruturação. Por esses negócios, celebrados a partir de um necessário préacertamento com os parceiros (o que constitui fato comprobatório de conluio), o Grupo Marquise construiu uma gama diversificada de obrigações inexistentes, de modo a que lhe garantissem economia ilícita e fraudulenta de tributos sob diversos aspectos. Podemos enumerar a captura ilícita de créditos fiscais fictícios, gerados nos "parceiros" e transferidos para o Grupo Marquise por meio de eventos sucessórios "de papel"; a simulação de pagamentos (saída de numerário) por obrigações inexistentes junto aos parceiros, de modo que o dinheiro retornava, em espécie, para o patrimônio informal das empresas do Grupo Marquise; apropriação indevida de despesas financeiras diversas (multas financeiras, juros passivos e variação monetária passiva) fundadas nas obrigações inexistentes de fato, fortemente redutoras do Lucro Líquido dos Exercícios de 2004, 2005 e 2006; contabilização de perdas financeiras sobre contratos de risco de aquisição de créditos fiscais inexistentes, a partir de contratos celebrados junto aos "parceiros"; perdas financeiras em operação simulada de venda de imóveis para "parceiro" que não operava há tempo (empresa desativada). Dessa forma fica explicitada a descrição preliminar da Auditoria. Por fim, necessitase esclarecer que, dada a complexidade da descrição dos fatos e da construção probatória das respectivas infrações à legislação tributária constatadas neste lançamento de ofício, o presente Termo de Verificação será subdividido em TÍTULOS com seus respectivos CAPÍTULOS para melhor compreensão de todo o Planejamento Tributário demolido detalhadamente pela Fiscalização da DRF Fortaleza. Fl. 2409DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 O TÍTULO I faz um apanhado geral das questões que envolveram os negócios entre os dois Grupos de Empresas, com exposição que tem a pretensão de colocar os interessados neste Termo de Verificação (contribuinte, instâncias posteriores) em contato com as entranhas das operações pactuadas entre as empresas do Grupo Marquise e as do Grupo CEC. O TÍTULO I compreende 13 (treze) CAPÍTULOS. Nestes Capítulos se descreverão os contratos celebrados, as razões (aparentes e dissimuladas) desses pactos, os vícios detectados, além de se demonstrar que a conduta observada nesses negócios tinha fundamento em motivos préordenados entre os dois Grupos de Empresas, tudo numa cumplicidade presente desde o nascimento dos negócios até a exaustão de seus efeitos. Aqui se terá uma précompreensão do porquê que a ECOFOR concebeu a celebração de inúmeros negócios com as empresas LOCAMAR, PANAGRA, XINGU, BEX, etc, todas estas ligadas ao Grupo CEC. O TÍTULO II trata da dissecação de todas as nuanças que envolveram as infrações resultantes da Cisão parcial da Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda e suas implicações na ECOFOR. Assim, o TÍTULO II explica todas essas questões em 05 (cinco) CAPÍTULOS. O TÍTULO III se preocupa em seus 03 (três) CAPÍTULOS em descrever todas as questões que envolveram os Contratos simulados de Aluguéis de Veículos e Equipamentos celebrados pela ECOFOR AMBIENTAL e as empresas do Grupo CEC LOCAMAR e PANAGRA. Assim, ao dissecar as razões verdadeiras desses Contratos, expõe os motivos reais do como e do porquê esses Veículos foram aparentemente levados a locação para que a ECOFOR prestasse o serviço de limpeza pública que antes era prestado pela Construtora Marquise. O TÍTULO IV é um tomo especial. Em seus 04 (quatro) CAPÍTULOS, o Fisco procura detalhar totalmente a conduta do Grupo Marquise que buscou promover a geração de obrigações inexistentes, a partir da entabulação de Cessões de Créditos de Fatura de Serviço de Limpeza Pública da ECOFOR para a empresa LOCAMAR. Neste Título se demonstra que os recursos advindos do Município de Fortaleza, em pagamento das Faturas de Limpeza Urbana, chegavam na ECOFOR que os repassava para a Construtora, mas colocava a empresa LOCAMAR como interposta pessoa, criando dívidas fictícias da ECOFOR junto a esta empresa do Grupo CEC. O TÍTULO V, em seus 02 (dois) CAPÍTULOS, detalha as infrações que floresceram a partir dos negócios de compra e venda dos imóveis pertencentes às empresas do Grupo CEC, que foram utilizadas em diversas etapas do planejamento tributário ora desmantelado. O negócio da Marquise Empreendimentos S/A para a ECOFOR é analisado no contexto deste planejamento, tal como a venda de imóveis pela ECOFOR para a ORTECAL, com acerto financeiro com a LOCAMAR. Por fim, o TÍTULO VI, com seus 02 (dois) CAPÍTULOS, se preocupa com os Custos Indevidos decorrentes de locação contratada junto à empresa Vila Rica Construções Ltda. Também abrange os Custos indevidos decorrentes de aluguéis apropriados para pessoa jurídica nãoidentificada. (destaques de nossa autoria) Como observado, pugna a Administração Pública pela existência de um planejamento tributário fraudulento, praticado entre empresas integrantes do GRUPO CEC (correspondem às pessoas jurídicas Sul Diesel S/A, Iracema Florestamento e Reflorestamento Ltda, Maximar Fomento Mercantil Ltda EPP, Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, Xingu Administração e Participação S/A, RCA International Commodities S/A, BEX Internacional S/A, Locamar Fl. 2410DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.405 13 Locadora de Veículos Ltda e Agropecuária e Reflorestadora Parente S/A) e pessoas jurídica componentes do GRUPO MARQUISE (Capitalize Fomento Comercial Ltda, Construtora Marquise S/A e ECOFOR AMBIENTAL S/A). Ressaltese o fato de a DRF Fortaleza haver recebido denúncia, fl. 102, noticiando a prática evasiva viabilizada entre as empresas do GRUPO MARQUISE e as do GRUPO CEC. A CONSTRUTORA MARQUISE S/A utilizarseia de contratos fictícios com empresaslaranja (algumas tiveram seus nomes citados), para que as mesmas sacassem, em seus nomes, valores elevados. Em momento posterior os recursos retornariam para a CONSTRUTORA MARQUISE S/A, que remuneraria os proprietários dessas empresas com uma porcentagem dos valores sacados. Nesse contexto é que foram instaurados diversos procedimentos fiscalizatórios direcionados às empresas do GRUPO MARQUISE, que teriam se favorecido pela prática evasiva, com a diminuição indevida de suas obrigações tributárias. Dentre os procedimentos fiscais levados a efeito, temse aquele impetrado na ECOFOR AMBIENTAL S/A, em relação a quem foram glosados custos e despesas tidas como não comprovadas (infração 01), foram também glosadas despesas financeiras e variações monetárias passivas (infrações 02 e 03), foi ainda glosada uma perda de capital decorrente de prejuízo apurado em operação imobiliária com empresa do Grupo CEC (infração 04) e, por fim, foi estornado o prejuízo fiscal originariamente considerado pelo sujeito passivo no anocalendário 2005 (infração 05). Em síntese, as infrações apontadas no lançamento foram minudentemente especificadas no Termo de Verificação Fiscal elaborado pela autoridade fazendária, conforme a seguir assinalado: Título II (fls. 268/604) – deu substrato às glosas de despesas financeiras e de variações monetárias passivas nas operações com as empresas BEX, XINGU e NORCONSERVICE; Título III (fls. 605/1.277) e Título IV (fls. 1.278/1.851) – deram ensejo às glosas de custos e despesas não comprovadas, às glosas de despesas financeiras e às glosas de variações monetárias passivas concernentes às operações com as pessoas jurídicas LOCAMAR e PANAGRA; Título V (fls. 1.852/2.076) – com base no qual foram glosadas despesas financeiras e variações monetárias passivas decorrentes de operações com imóveis pertencentes a empresas do GRUPO CEC e à MARQUISE EMPREENDIMENTOS, posteriormente alienados para a pessoa jurídica ORTECAL; e Título VI (fls. 2.077/2.090) – propiciou o lançamento efetivado em relação à pessoa jurídica VILA RICA, como também a parcela correspondente aos aluguéis de terrenos não comprovados. A notificação do lançamento deuse em 14/12/2010. Inconformada com o feito, em 13/01/2011 a pessoa jurídica impugnou o lançamento sob os argumentos a seguir reproduzidos: [...] II – DAS PRELIMINARES 2.1 – Da Contextualização do Grupo Marquise Fl. 2411DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 O GRUPO MARQUISE é composto de 24 (vinte e quatro) empresas controladas direta ou indiretamente pela empresa Construtora Marquise S/A, assim como mantém participações estratégicas com outras sociedades ligadas. Referido Grupo mantém 5.319 (cinco mil, trezentos e dezenove) empregos diretos e indiretos e atua nos seguintes ramos de negócios: · Construção civil; · Incorporação imobiliária; · Ambiental (limpeza urbana e água e esgoto); · Hotelaria; · Finanças; · Comunicação. [...] Gerir um Grupo desse tamanho, com tal complexidade, exige tomada de decisões estruturadas que visem reduzir os custos e despesas em todas as áreas das companhias, sob pena de sucumbir frente a enorme concorrência nacional e internacional. Comprar e vender imóveis, comprar e vender ações de companhias, transferir recursos intercompanhias (gestão de mútuos), desmobilizar, locar e tantos outros procedimentos, fazem parte do dia a dia de organizações do porte do Grupo Marquise. Nada há de estranho nesses procedimentos, apesar de complexos. 2.2. Da Origem do Auto de Infração. Irresponsabilidade do Grupo Marquise Os d. Fiscais afirmaram várias vezes no auto de infração e no relatório que o acompanha, que o Grupo CEC "objetivou, precipuamente, captura de créditos fiscais fictícios". Foram tantas as vezes que os AFRFB fizeram essa afirmação, que não resta nenhuma dúvida sobre a quem deve recair as responsabilidades tributárias, se houver. Depreendese do relatório em tela que as empresas do Grupo CEC eram e continuam sendo empresas ativas do ponto de vista operacional e fiscal. Nessa mesma linha, o Fisco descreve operações realizadas pelo Grupo CEC, précisão. Na descrição dos fatos e no relatório que acompanha os autos de infração, é recorrente a afirmação de que: "operações realizadas pelo Grupo CEC, précisão". Apesar dessas afirmações, insistem os d. Fiscais que as empresas do Grupo Marquise são sucessoras das empresas, que continuaram existindo, pertencentes ao Grupo CEC. No tocante à sucessão societária, dispõe o art. 132 do CTN, ‘in verbis’: [...] A sucessão comercial está prevista no artigo 133 do CTN, que dispõe: [...] Assim, estabelece a lei duas situações distintas: se o alienante cessar a exploração, a responsabilidade será integralmente do adquirente (entretanto, não se trata de responsabilidade exclusiva, segundo a doutrina majoritária, mas sim de responsabilidade solidária); já se o alienante prosseguir na exploração ou iniciar nova atividade comercial dentro de seis meses a contar da data da alienação, a responsabilidade do adquirente será meramente subsidiária (ou seja, a obrigação será exigida, primeiramente, do alienante). Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.406 15 A responsabilidade tributária por imputação legal também chamada de responsabilidade de terceiros dividese em responsabilidade solidária e responsabilidade pessoal. Responsabilidade solidária A responsabilidade solidária fundamentase na culpa in vigilando e está prevista no artigo 134 do CTN, que dispõe, ‘in verbis’: [...] Entendese que os terceiros só responderão pelos tributos devidos pelos contribuintes nos casos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis. Responsabilidade pessoal A responsabilidade pessoal é comumente conhecida como "transferência por substituição" ou "responsabilidade substitutiva". Ela encontra embasamento legal no controverso artigo 135 do CTN, que reza: [...] A responsabilidade, neste auto de infração ora impugnado, é exclusiva das empresas do Grupo CEC, ou de seus diretores, gerentes ou representantes legais, na qualidade de responsáveis solidários, na forma do inciso III do art. 135 do CTN. Jamais as responsabilidades desse auto de infração podem ser transferidas para as empresa do Grupo Marquise. Não é demais lembrar que as empresas que nascem de um processo de Cisão Parcial não são sucessoras tributárias de atos praticados pela empresa cindida que continua existindo. Em 29/11/2010, foi publicada a Portaria RFB n° 2.284, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando verificadas obrigações tributarias cuja imputação seja possível a mais de um devedor. Este é o caso do presente processo, onde os d. Fiscais declaram, enfaticamente, que a origem dos créditos "indevidos" se deu nas empresas do Grupo CEC, dentre outras irregularidades identificadas naquele grupo. A partir desta Portaria, os Auditores Fiscais tem o dever de, identificadas hipóteses de pluralidade de devedores, reunir provas necessárias à caracterização da responsabilidade de cada um, procedendo quando da autuação a descrição dos fatos e enquadramento legal das condutas autuadas. Todos os autuados devem ser cientificados do auto de infração, sendo concedido a cada um de forma individual prazo para impugnação. Esta Portaria RFB n° 2.284 traz ainda normas sobre aproveitamento de pagamento e compensação por um dos autuados em favor dos demais, a saber: "Art. 4º O pagamento efetuado por um dos autuados aproveita aos demais". 2.3 – Da Preliminar de decadência. Lançamento por homologação. Data do fato gerador como termo inicial do prazo decadencial. [...] A autoridade fiscalizadora enfoca a existência, entre outros, de custos e despesas não necessárias ou não comprovadas, ocorridas nos anoscalendários de 2004, 2005 e 2006, que ensejaram lançamentos de ofício dos tributos relativos ao IRPJ e à CSLL. Entretanto, a notificação à Impugnante só ocorreu em 14/12/2010, ou seja, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2004, fora do prazo que a Fazenda Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Pública dispõe para lavrar o lançamento dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. O artigo 150 do Código Tributário Nacional, enquadramento legal devido para se confirmar a ocorrência da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário, em relação aos tributos cujos lançamentos são por homologação, possui a seguinte redação: [...] O presente caso se enquadra perfeitamente no ‘caput’ e parágrafo quarto do artigo acima citado, pois houve o pagamento antecipado dos tributos e contribuições por parte da Impugnante. Logo o prazo decadencial, contado do fato gerador (aplicável quando houver a "antecipação" do pagamento do tributo), é prazo para, no silêncio do Fisco, darse a homologação tácita. [...] Tenta a autoridade fiscalizadora, como forma de dirimir a sua falta, impor à Impugnante, através de meras presunções, que em relação aos custos e às despesas glosadas, a intenção de fraudar o fisco. Consta do referido auto de infração, como penalidade, multa de 150%, aplicáveis nos casos de fraude, dolo ou simulação. Ou seja, a autoridade tenta com isso, transferir o prazo definido no artigo 150, § 4º do CTN, para o prazo estabelecido no artigo 173, I, do mesmo código, com a alegação de que a Impugnante agira com dolo, simulação ou fraude, o que não é verdade, como se demonstrará no tópico sobre a multa qualificada desta peça impugnatória. Com base no entendimento da melhor doutrina é de se observar que o Fisco não pode desviar o prazo de decadência do artigo 150 para o 173, ambos do CTN, sem que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação tenha sido devidamente comprovada pela Fazenda Pública, não sendo aceitas meras suposições. O Auto de Infração baseiase apenas em presunções para caracterizar o dolo e, segundo o entendimento do ilustre doutrinador e mestre Sacha Calmon Navarro Coelho [...] A Impugnante agiu rigorosamente dentro da lei, pagando devidamente em dia suas obrigações tributárias, não se justificando a ação da Fazenda Pública. Além do mais, se houve erro por parte da Impugnante, o que não se admite, tal fato não descaracteriza a sua boafé, não podendo a contribuinte arcar com a dormência da administração em cobrar o crédito que diz possuir, como bem entende o grande tributarista Sacha Calmon Navarro Coelho, em sua obra anteriormente indicada, cujo teor segue abaixo: [...] Logo, depois de todo o exposto, não restam dúvidas de que se aplica ao presente caso o artigo 150 do Código Tributário Nacional. Tal dispositivo prevê de maneira expressa e índene de qualquer dúvida que o prazo conferido à Fazenda para a constituição do crédito tributário, relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. III – DO MÉRITO 3.1. Não Ocorrência de Simulação. Insuficiência Probatória. Eficácia dos Atos Praticados Pela Impugnante. Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.407 17 A administração fiscal, incansavelmente, tenta demonstrar que todas as operações realizadas entre o GRUPO MARQUISE e o GRUPO CEC teriam a única e exclusiva finalidade de fraudar o Fisco, ou seja, buscavam gerar algum beneficio fiscal para aquele grupo, seja pela aquisição indireta de créditos de IRRF/PIS/COFINS de terceiros, seja pela suposta diminuição dos resultados positivos obtidos pelas empresas do grupo nos exercícios de 2004, 2005 e 2006. Todavia, uma análise mais acurada das circunstâncias nas quais se inseriram as operações relatadas, abstraindose da visão erroneamente pejorativa que se tem dos contribuintes, e tendo em mente os princípios constitucionais norteadores da atividade empresarial, verificarseá a absoluta ausência de qualquer legitimidade na cobrança ora efetuada. Nesse diapasão, a concepção de uma gestão empresarial séria, voltada para a evolução da empresa, elide qualquer argumento de existência de simulação nas operações relatadas. Ainda que assim não o fosse, considerandose a sua real ocorrência, temse que a sua prova se torna indispensável para a atribuição de qualquer responsabilidade aos supostos infratores, o que não é o caso deste Auto. Ainda que se admita a eventual existência de algum ato simulado devidamente comprovado, não se pode negar a evidente falta de conduta por parte da impugnante, tendo em vista que todas as operações se deram no seio de outro grupo empresarial, do qual ela não faz parte. Por último, em não se admitindo nenhum fundamento invocado nesta Impugnação, não se pode esquecer da inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. 3.1.1. – Dos princípios constitucionais norteadores da gestão empresarial. Desconfiguração dos supostos atos simulados. Inicialmente, cumpre destacar o crescente intervencionismo constitucional em matérias de Direito Privado. Em outras palavras, desde a Constituição de 1934, vemse buscando inserir nos textos constitucionais normas que, tradicionalmente, eram veiculadas por diplomas infraconstitucionais, já que não tratavam de questões referentes à organização e estrutura do Estado e a direitos civis e políticos, assuntos genuinamente constitucionais. Essa constitucionalização do Direito Privado logrou alçar ao ápice do ordenamento jurídico pátrio normas que se irradiam por todos os ramos do Direito, servindo como verdadeiros princípios norteadores tanto para a elaboração de novas leis, como para a aplicação das já existentes. A Constituição Federal de 1988 não quebrou essa tendência, já que, ao consagrar a liberdade (art. 5º, caput) como um dos direitos fundamentais assegurados pelo Estado, erigiu a liberdade econômica a um dos fundamentos da República, como se pode verificar nos seguintes dispositivos: [...] A Ordem Econômica, portanto, expressamente alberga os consectarios da liberdade econômica em sentido estrito (atividade lucrativa, preferencialmente deferida aos particulares), quais sejam: a livre iniciativa, a liberdade de trabalho, a liberdade de associação e a livre concorrência. Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 Não se pode negar que ao Estado incumbe regular e fiscalizar essa atividade econômica desempenhada pela iniciativa privada. Entretanto, tal regulamentação não deve chegar ao ponto de ofuscar o direito fundamental ao livre exercício das atividades econômicas. Essa atuação estatal, tem a finalidade apenas de evitar que os abusos cometidos durante o liberalismo econômico, em detrimento dos direitos sociais das classes mais carentes, sejam novamente cometidos. Não pode ela, de forma alguma, interferir no modo de desempenho das atividades empresariais, as quais visam não apenas ao lucro. Na verdade, as empresas possuem uma série de objetivos que devem ser levados em conta quando da análise de sua atividade: [...] Nesse sentido, a livre iniciativa, princípio que regula toda a atuação empresarial, resta devidamente observada quando a sociedade empresária se planeja para o alcance de todos esses objetivos. Não é outro o entendimento de José Afonso da Silva : [...] Não há como negar, então, que a liberdade da atividade econômica pelos particulares reclama uma gestão perfeitamente articulada, com o escopo precípuo de propiciar o desenvolvimento da empresa e a justiça social. É com esse objetivo que várias relações jurídicas são travadas com outras sociedades empresárias, ou até mesmo com pessoas físicas. A doutrina de Arnold Wald reconhece que a gestão empresarial consiste exatamente em uma estratégia de administração, escolhendo os melhores caminhos a serem perseguidos pela empresa, projetando uma otimização de sua atividade: [...] Não se pode olvidar, também, da complexa estrutura que compõe o GRUPO MARQUISE, onde se encontram diversas empresas, atuantes em várias áreas de mercado, configurando uma teia altamente densa de relações jurídicas, todas voltadas para um melhor desempenho da atividade empresarial. Essa digressão doutrinária tem a finalidade de deixar claro que todas as atividades da autuada se enquadram justamente neste conceito de gestão empresarial. Dito de outra forma, as operações relatadas no Termo de Verificação Fiscal configuram ações destinadas a um melhor desempenho empresarial, nada tendo a ver com condutas fraudulentas, destinadas a obter benefícios fiscais escusos, conforme quer fazer crer a administração fiscal. É importante não perder de foco o cerne da questão. Não se está a discutir a existência ou não das operações relatadas, mas apenas a sua natureza: lícita (atos de gestão empresarial) ou ilícita (atos fraudulentos e/ou simulados). Para atestar os motivos que imbuíram a impugnante a realizar as referidas operações, evidenciando a completa ausência de qualquer intento fraudulento, podese tomar como exemplo a relação firmada entre a CONTRUTORA MARQUISE e a RCA INTERNATIONAL COMMODITIES S/A. Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.408 19 Nesta operação, a MARQUISE vende direitos creditórios perante o município de Fortaleza, pelos quais a RCA dá como pagamento créditos de tributos federais e o terreno Sítio Mulungu, em Messejana. Nesse contexto, o Fisco, buscando alguma irregularidade no contrato, procura fazer crer que, pelo simples fato de a MARQUISE necessitar de um terreno para construção de aterro sanitário (exigência do Edital 001/2002 para prestação de serviço de limpeza urbana), estaria aquela empresa tentando realizar manobras ilegítimas para obter algum tipo de benefício. Ora, se uma empresa está impedida de realizar um negócio válido, do qual, em sua análise, acarretará algum tipo de proveito também legítimo, indagase: onde está a liberdade de atividade empresarial consagrada na Constituição com status de direito fundamental? Dessa forma, são de um despautério evidente as conclusões a que se chegou a fiscalização realizada, não observando os conceitos mínimos de direito empresarial, buscando a todo custo desconsiderar operações consolidadas no tempo, nas quais não se verificou qualquer resquício de irregularidade. Retroagindo no tempo, a administração fiscal buscou efetuar ligações entre os negócios realizados pelo GRUPO MARQUISE e GRUPO CEC com o intuito de encontrar qualquer elemento que evidenciasse alguma irregularidade, desconsiderando os efetivos atos de gestão empresarial ocorridos. Não é demais frisar que interferência desse jaez (desconsideração de atos de gestão empresarial) configura atuação estatal que exorbita os limites impostos pela Constituição Federal, que, no que tange à ingerência na ordem econômica, apenas permitiu, como regra, a prática de atos de fiscalização e regulamentação. Por outro lado, para que se pudessem taxar as operações descritas no Termo de Verificação fiscal como fraudulentas ou simuladas, seria imprescindível que tais circunstâncias estivessem devidamente comprovadas nos autos, o que não é o presente caso, conforme se demonstra no tópico a seguir. 3.1.2 Da ausência da comprovação da fraude ou simulação. Superados os argumentos anteriores, o que se admite somente a título de argumentação, cumpre destacar que, ainda que não se considerem as operações realizadas como atos de mera gestão (incólumes a qualquer irregularidade), a administração fiscal não se desincumbiu do ônus de provar a fraude ou simulação. Com efeito, a administração fiscal invocou os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 para a realização da autuação em comento. Assim rezam esses dispositivos: [...] Baseiase, então, na análise das operações realizadas para, ao final, concluir, de uma forma um tanto temerária e completamente descabida, que os negócios foram realizados com o intuito de prejudicar o Fisco. Como expressamente reconhecido no Termo de Verificação Fiscal, de fato, a prova da ocorrência das simulações alegadas pela administração fiscal se dá em virtude da análise das circunstâncias objetivas em que se deram as operações. Dito de outra forma, como a prova do elemento subjetivo do "infrator" em agir deliberadamente para prejudicar o Fisco é extremamente difícil, é o contexto em Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 que se insere essa ação que indicará a prática da simulação. Assim a prova indiciária ganha relevo, como leciona Silvio Venosa: "O intuito da prova da simulação em juízo é demonstrar que há ato aparente a esconder ou não outro. Raras vezes, haverá possibilidade da prova direta. Os indícios avultam de importância. Indício é rastro, vestígio, circunstância suscetível de nos levar, por via de inferência, ao conhecimento de outros fatos desconhecidos." [...] O cerne da questão, então, cingese em saber se estão presentes esses fortes indícios de ocorrência de simulação no presente caso, ou seja, se todo o trabalho de fiscalização realizado teve o condão de apurar os indícios necessários para a comprovação das simulações relatadas. Verificada a eventual existência dos indícios, partese para análise das demais provas, que, juntamente com os primeiros, poderão legitimar a realização do lançamento tributário e a aplicação da sanção. Este é o entendimento que prevalece na doutrina, tendo como exemplo Roque Antônio Carrazza: "É que os indícios possuem valor probatório mínimo, não podendo ser utilizados isoladamente. Pelo contrário, são sinais que devem ser reforçados por outras provas coligidas pelo Fisco. Sem tal corroboração não se mostram prestáveis para lançar um tributo ou impor uma penalidade fiscal." Nesse ponto, não se pode negar que todas as transações historiadas no Auto ora impugnado, por si só, não têm o condão de configurar a prova cabal necessária para atestar o intuito de realizar operações fraudulentas. Ao revés, em virtude de todas as operações estarem minuciosamente registradas, o que possibilitou, inclusive, o seu rastreamento pela administração fiscal, deduzse que não houve qualquer intento em cometer algum ato ilícito. [...] Em que pesa as distinções doutrinárias em relação aos conceitos de presunções, ficções e indícios, resta evidente que nenhum deles é capaz de autorizar as imputações ora feitas à impugnante. No presente caso, têmse o relato de várias operações de compra e venda de imóveis, cessão de direitos creditícios, compra e venda de veículos, incorporações empresariais, as quais beneficiariam tributariamente a Autuada. Acontece que cada operação dessa foi devidamente contabilizada e registrada, demonstrando a boafé com que agiram as partes envolvidas. Ainda que assim não se entenda, cada transação poderia configurar, no máximo, um mero indício, ou seja, não certifica as supostas pretensões fraudulentas narradas no Termo de Verificação Fiscal. Isso sem levar em consideração os argumentos anteriormente levantados, no sentido de que consistem em atos de gestão empresarial, todos devidamente contabilizados, conforme o próprio Fisco constatou em sua fiscalização. Nessa linha, é de aceitação unânime na doutrina o fato de que o somatório de vários indícios não forma uma prova plena. Como exemplo, podemse citar as lições do ilustre mestre acima citado: "Sobremais, é regra clássica e universal que, quando vários indícios referemse a um só e quando os argumentos sobre um fato dependem de Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.409 21 um único argumento, a soma deles, por numerosos que sejam, não formam prova plena. Todos junto não constituem mais do que um só indício." (destacouse). Ora, todas as operações realizadas entre as empresas do GRUPO CEC, antes mesmo da participação de qualquer entidade do GRUPO MARQUISE, desde que se considerasse afastada sua natureza de gestão empresarial, somente poderiam configurar meros indícios, os quais não podem ser somados para a constituição de uma prova cabal de simulação por parte deste grupo. Para que se pudesse cogitar de uma efetiva comprovação de atos fraudulentos, seria necessária a presença de outros elementos além dos citados indícios, já que estes possuem um reduzidíssimo valor probando. A exigência da presença dessas provas cabais está em sintonia com o princípio da presunção de inocência, que não se restringe ao âmbito penal, mas ilumina todo e qualquer procedimento em que haja um acusado. É o que se verifica no seguinte julgado: [...] Mais uma vez, irrefutáveis são as palavras de Roque Carrazza: "Os tipos tributários como que fecham a realidade tributária, não podendo ser alargados por meio de presunções, ficções ou meros indícios. E inadmissível que o agente fiscal abra aquilo que o legislador, atento aos ditames constitucionais, cuidadosamente fechou. O afã de evitar que os mais espertos se furtem ao pagamento dos tributos absolutamente não autoriza a utilização do arbítrio. Em suma, a busca da justiça não prevalece sobre a segurança jurídica, que o princípio da tipicidade fechada confere aos contribuintes." (destaques do original). Dessa forma, as supostas simulações relatadas no Auto de Infração ora impugnado não restaram devidamente comprovadas, seja porque as circunstâncias fáticas (minuciosa contabilização das operações) indicam conclusão diametralmente oposta a que se chegou a fiscalização (afasta o pretenso intuito de praticar atos simulados); seja pela falta de indícios (em razão da natureza de gestão empresarial das operações historiadas); seja ainda, pela falta de outras provas que se somem aos eventuais indícios que se considerem existentes. [...] Por outro lado, e confirmando que se está diante de meras suposições, é com extremo espanto que se possa cogitar que a administração fiscal, sem a realização de uma prova técnica pericial, possa constatar tal circunstância. Para que restasse comprovada a elaboração de algum instrumento antedatado, o meio de prova adequado seria a prova pericial, a qual analisaria a higidez da elaboração do documento. Fora essa hipótese, não há que se admitir qualquer imputação de irregularidade, em face da presunção de veracidade dos referidos instrumentos. Mais uma vez, não se pode negar que fazendo uma análise mais detida das operações, a outra conclusão não se pode chegar que não a sua absoluta contabilização por parte das empresas envolvidas, diversamente do que quer fazer crer o Fisco, não se verificando qualquer irregularidade. Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 3.2. Das Glosas Senhores Julgadores, o auto de infração ora guerreado trata, basicamente, de custos e despesas que, na opinião dos d. Fiscais, foram desnecessárias ou inexistentes, afetando a apuração do lucro real da Impugnante, nos anos calendários de 2004, 2005 e 2006, devendo, por conseguinte, tais custos e despesas serem adicionados ao referido lucro real daqueles anoscalendários, e, consequentemente, ajustando os tributos a título de IRPJ e de CSLL. Vejamos os detalhes de cada uma das glosas realizadas pelos d. Fiscais: 3.2.1. Das Glosas de Custos e Despesas não Comprovadas [...] Nas alegações dos d. Fiscais, encontramos vários absurdos, como aqueles encontrados na alínea "A", do item 001 em comento, relacionados à locação de veículos e equipamentos junto a empresa Locamar Locação de Veículos Ltda. Inicialmente, cabe ressaltar que a Impugnante tem como atividade principal o serviço de coleta de resíduos sólidos urbano (lixo) no município de Fortaleza, estado do Ceará. A prestação desse serviço foi objeto de processo de concorrência pública, prevista no Edital 001/2002, do qual a Impugnante foi vencedora, cujo Contrato de Concessão com Exclusividade dos Serviços Públicos de Limpeza Urbana foi firmado com a Prefeitura do Município de Fortaleza em 03/05/2003, e publicado no Diário Oficial do Município em 05/05/2003, conforme se confirma às fls. 738/745 deste PAF. É público e notório que, para a execução de tais serviços é necessária a utilização de equipamentos especializados, acoplados em caminhões apropriados para este fim. Tais equipamentos podem ser próprios, locados ou arrendados de terceiros, nos termos do referido Edital 001/2002. Por estratégia empresarial, a Impugnante optou por arrendar os caminhões e equipamentos junto a terceiros, notadamente junto à Locamar Locadora de Veículos Ltda., como se comprova através do Contrato Particular de Locação de Veículos e Equipamentos e Outras Avenças (fls. 716/720), pelo qual foram locado, entre outros, os veículos cujas cópias dos Certificados de Registros de Veículos, de emissão do Detran CE encontramse às fls. 644 a 654 deste PAF. Ao analisarem o contrato acima mencionado, os d. Fiscais entenderam que tais documentos tratavam de mera simulação, glosando os custos de locação deles decorrentes. Isto é um absurdo! Ora, se a Impugnante, à época dos eventos em comento, não dispunha dos equipamentos próprios, necessários à prestação dos serviços contratados junto à Prefeitura de Fortaleza, como realizaria a coleta de lixo? Existe algum outro meio de coleta de lixo sem que seja com os caminhões adaptados para esse fim específico? É lógico que não! Todo esse serviço foi realizado utilizandose, para tanto, os equipamentos e caminhões por ela locados. Glosar os custos de locação dos equipamentos, utilizados para realização da atividade fim da Impugnante, é admitir que fosse possível a geração de receitas operacionais sem a ocorrência de custos necessários a essa geração. Isto é inadmissível! [...] Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.410 23 Como dito anteriormente, a atitude dos AFRFB, neste caso, é uma afronta ao princípio fundamental da livre iniciativa. A Carta Magna, já no seu artigo 1o, determina: [...] A Constituição Federal de 1998, através do seu artigo 170, assegura a todos o pleno exercício da atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo aqueles previstos em lei. [...] Em matéria publicada na FiscoSoft, de autoria do Tributarista Gilberto de Castro Moreira Júnior, denominada "Desmembramento de atividades de empresa e desconsideração dos atos ou negócios jurídicos", retiramos o seguinte texto: [...] Outro ponto que merece destaque nas glosas dos custos e despesas descritos no item 001, do auto de infração em comento, diz respeito à pretensa glosa descrita na alínea "B", daquele item. Afirmam os d. Fiscais, às fls. 05/06 deste PAF: "Valores apurados referente à pagamentos fictícios de aluguel de equipamentos à empresa VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA." (destacamos). Entretanto, não apresentaram uma única prova de que tais pagamentos não se efetivaram, e, por conseguinte, que viesse a justificar a glosa pretendida. E mais, de que a Impugnante tivesse agido com dolo. Como dito anteriormente, dolo, simulação, fraude, não se alega, provase. No presente caso, atendendo às solicitações da fiscalização, a Impugnante apresentou cópias de todos os documentos que comprovaram a contratação de tais serviços, bem como dos pagamentos pelos serviços realizados, além de todos os registros contábeis relativos aos fatos decorrentes da referida contratação. Os argumentos dos d. Fiscais, para justificar a pretensa glosa, são de uma tibieza ímpar. Vejamos o que afirmaram em seu relatório, às fls. 2.078 deste PAF: [...] Primeiramente, se verificarmos todo o conteúdo dos autos, não encontraremos um único documento que venha a comprovar a dita avaliação das condições técnicas, materiais e operacionais da empresa Vila Rica Construções, conforme afirmam os d. Fiscais. A dita avaliação consistiu em quê? Em um laudo elaborado por algum instituto de tecnologia? Ou no feeling dos d. Fiscais? Nos autos sequer temos cópia de um MPF que viesse a comprovar qualquer diligência fiscal naquela empresa. Se houve pesquisas de praxe em órgãos públicos competentes, como afirmam os AFRFB, estas não foram juntadas ao presente processo. O que se tem no presente PAF é apenas um ofício da Prefeitura Municipal de Fortaleza PMF (fls. 2087), que ora transcrevemos: [...] Senhores Julgadores, esse ofício da PMF, nada diz! Nem mesmo o nome do contribuinte a que se refere tal ofício ali está mencionado. Mesmo que se admita que as informações prestadas pela PMF digam respeito à empresa Vila Rica Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 Construções e Prestação de Serviços Ltda., a locação em questão não faz parte dos serviços listados na Lei Complementar 116/03. Portanto as receitas decorrentes de locação não estão sujeitas aos tributos administrados por aquela Prefeitura, o que nos leva a crer que a PMF nada poderia informar sobre o faturamento daquela empresa. E mais, se de fato foram feitas as pesquisas como afirmam os d. Fiscais, a pergunta que se faz é: como retroagiram no tempo para saber que, na época das operações, tinha ou não a empresa condições técnicas para tal mister? Baseado em quê a fiscalização pôde concluir que a empresa não dispõe de máquinas e equipamentos para locação? Mesmo que se admita que em 2010, ano do presente auto, a Vila Rica não dispunha de tais equipamentos, será que nos anos de 2004, 2005 e 2006, ela também não estava em condições de locar as ditas máquinas e equipamentos? Onde está a prova de tal fato? Se essa avaliação é a única razão para a pretensa glosa, e, ainda mais, para a qualificação da multa de ofício, nada mais nos resta senão rasgarmos o CTN e a CF. Este procedimento da fiscalização é um evidente abuso de poder! [...] 3.2.2 Das Glosas de Despesas Financeiras e Variações Monetárias Passivas Também em relação às pretensas glosas de despesas financeiras (juros de mora, deságios, variações monetária, etc), listados pela fiscalização nos itens 002 e 003 do auto de infração guerreado, as alegações dos d. Fiscais estão baseadas na inexistência das relações jurídicas da Impugnante com as empresas credoras; que todas as obrigações foram simuladas; que os valores desembolsados pela Impugnante retornavam ao seu patrimônio através de esquemas; etc. Entretanto, em mais de 2000 páginas do presente PAF, não nos deparamos com uma comprovação cabal do alegado, principalmente ao que diz respeito ao "retorno dos valores pagos ao patrimônio da Impugnante". [...] Em relação às glosas de despesas financeiras, arroladas nas alíneas "A" e "B", dos referidos itens 002 e 003 decorrentes de encargos financeiros oriundos de obrigações da Impugnante junto às empresas do chamado grupo CEC (BEX/ XINGU/ NORCONSERVICE), o argumento da fiscalização é simplesmente de que as obrigações em questão eram inexistentes; todo e qualquer negócio realizado com empresas daquele grupo não existiram, foram meras simulações; tudo foi encomendado pelo grupo da Impugnante; etc. A fiscalização chega a trazer documentos de fatos ocorridos a mais de dez anos (1998, 1999), afirmando, que tais empresas apenas recebiam uma certa "comissão" pelo "negócio encomendado". Entretanto, não há ao longo das mais 2000 páginas deste processo, um único, insistimos, um único documento que comprove o valor dessa "comissão" ou mesmo, quem a tenha recebido. O que se tem é uma enorme quantidade de ilações, totalmente inadmissível quando se trata de matéria tributária. Na alínea "C" dos itens em comento, a fiscalização pretende glosar as despesas financeiras (deságio, juros de mora e variação monetária) decorrentes da cessão de recebíveis da Impugnante à Locamar, cessão esta ocorrida como forma de liquidação de obrigações da Impugnante perante aquela empresa, decorrentes, entre outras, da locação de equipamentos utilizados na realização das atividades da Ecofor. Como dito anteriormente, a Impugnante tem como atividade principal a concessão de serviço público de limpeza pública, no município de Fortaleza. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.411 25 É de domínio público que, na prestação de serviços junto a órgãos públicos, o particular é obrigado a se sujeitar a longo processo de análise, por parte do ente público, até ver concretizado o recebimento dos valores de tais serviços. Em muitos casos, tal recebimento nem mesmo se concretiza, como é o caso ocorrido com a Impugnante, que até hoje possui recebíveis junto à Prefeitura do Município de Fortaleza, em decorrência da disputa judicial relativamente à cobrança "Tarifa do Lixo". No caso em comento, tendo em vista o débito da Impugnante junto à empresa Locamar Locadora de Veículos Ltda., decorrente da locação dos caminhões e equipamentos utilizados nos serviços de coleta de lixo, as empresas acordaram, através de aditivo (fls. 1.323) ao Contrato de Locação, mencionado no item "3.1.1.1." desta impugnação, que a obrigação da Impugnante seria liquidado com a cessão, por parte desta em favor da Locamar, de recebíveis contra a Prefeitura do Município de Fortaleza, decorrentes dos serviços prestados. Dado o histórico de incerteza em relação ao prazo para o efetivo pagamento das faturas, por parte da Prefeitura, a Locamar condicionou o aceite daqueles recebíveis com deságio em relação ao seu valor de face. E assim foi acordado entre as partes. Em face do Contrato de Concessão, firmado entre a Impugnante e a Prefeitura de Fortaleza, o qual previa que os pagamentos das faturas seriam realizados, exclusivamente, em nome da Ecofor Ambiental, no aditivo, acima mencionado (fls. 1.323 do PAF), ficou ajustado entre as partes que a Impugnante receberia e repassaria o valor efetivamente recebido a Locamar, em prazo não superior a 72 (setenta e duas) horas, sob pena de haver a incidência de encargos financeiros. Tendo em vista que os repasses efetuados pela Impugnante à Locamar ocorreram de forma parcial, sobre o saldo devedor incidiram os encargos financeiros contratualmente previstos, que a fiscalização entendeu glosar insinuando a inexistência das obrigações assumidas pela Impugnante. Tal fato é totalmente inadmissível. Como já comentado anteriormente, todas as obrigações da Impugnante e os fatos delas decorrentes, insistimos todas, estão devidamente suportadas por documentos idôneos e íntegros, devidamente refletidos em sua contabilidade. Senhores Julgadores, quanto as despesas mencionadas na alínea "D" dos referidos itens 002 e 003, do auto de infração, relativas à aquisição de imóveis, destacase que, em 02/01/2006, a Impugnante se comprometeu, junto à sua controlada Marquise Empreendimentos S/A, a adquirir, a prazo, 3 (três) imóveis, conforme se verifica no instrumento Contrato Particular de Promessa de Venda e Compra de Imóvel às fls. 1.986 deste PAF, devidamente registrado nas contabilidades das duas empresas. A liquidação da obrigação assumida ocorreu em 29/12/2006, através de cessão de direitos a receber em favor da Marquise Empreendimentos S/A, conforme se confirma com o Instrumento Particular de Cessão, Reconhecimento e Compensação de Dívida, Quitação e Outras Avenças (fls. 1.998), também, devidamente registrado nas contabilidades das companhias em comento. No instrumento de promessa de venda e compra está previsto a incidência de encargos financeiros (juros e variação monetária) sobre o saldo devedor da obrigação assumida pela Impugnante. Encargos estes que foram devidamente Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 26 contabilizados como despesas financeiras na Impugnante e como receitas financeiras na Marquise Empreendimentos S/A. Novamente vemos aqui a total incoerência nos procedimentos dos d. Fiscais: (i) as despesas financeiras da Impugnante são consideradas inexistentes, portanto indedutíveis para fins de cálculo do IRPJ e CSLL, e com penalização através de multa agravada; (ii) enquanto, em relação às receitas financeiras da Marquise Empreendimentos S/A (fls. 2057/58 do PAF), que fizeram parte da base de cálculo desses mesmos tributos, não mereceram uma única palavra. É um absurdo! 3.2.3. Da Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente. Os prejuízos utilizados na DIPJ do anocalendário de 2005 estão rigorosamente registrados no LALUR daquele ano. Portanto, ditos prejuízos fiscais somente poderão ser desconsiderados após ajustes do Lucro Real decorrentes do auto de infração ora guerreado, em função do julgamento definitivo em sede administrativa. 3.3. Da eficácia das operações perante o GRUPO MARQUISE. Terceiro de boafé. Em que pese todos os fundamentos já expostos, incontestavelmente aptos a desconstituir o presente Auto de Infração, devese ter em mente que, caso ainda assim se considere que as operações relatadas pela administração fiscal foram objeto de simulação, não se poderá negar que as empresas do GRUPO MARQUISE, notadamente a Autuada, não tiveram a menor participação nas referidas operações, conforme já exposto. Inicialmente, vale frisar que a própria administração fiscal, em várias partes do Termo de Verificação, deixa bem claro que todas as operações tidas por simuladas se deram no seio das empresas do GRUPO CEC. Para ilustrar, citam se as seguintes passagens: "no interior do grupo CEC" (pag. 01, TÍTULO I, Cap. VIII); "operações intra CEC" (pág. 1, TÍTUTLO I, Cap. XIII) etc. Nesse diapasão, caso tenha ocorrido alguma operação fraudulenta, em desfavor do Fisco, tal ocorrido se deu nas negociações perpetradas pelo GRUPO CEC, sendo a impugnante um terceiro de boafé, que não pode ser atingindo pelas eventuais irregularidades encontradas nos contratos e operações da qual não fez parte. [...] Não há como imputar à impugnante a ciência dos supostos vícios contidos nos atos praticados por pessoas jurídicas distintas da dela. Conforme já muito bem ventilado alhures, não há qualquer indício sequer de irregularidade nas operações realizadas pela Autuada. Ainda que existissem alguns indícios, eles, por si só, não são capazes de comprovar a existência da simulação. Esta, se existe, encontrase nas operações das quais não é parte, não podendo ser a ela imputada. Por conta disso, é de uma leviandade sem precedentes afirmar que as incorporações empresariais efetuadas pela impugnante, no que se refere ao exemplo dado, foram premeditadas para a aquisição de créditos fiscais sabidamente fictícios. [...] 3.4. Do não cabimento da multa qualificada. Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.412 27 A mansa e pacífica jurisprudência do tribunal administrativo federal tem sido no sentido de que não se presume o dolo, a fraude ou a simulação, mas que estas devem estar cabalmente provadas na peça acusatória, ou seja, no auto de infração. Vejamos, a título de exemplo, alguns julgados do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: [...] O Auto de Infração baseiase apenas, como visto acima, em presunções para caracterizar o dolo. Todavia, fraude ou simulação devem estar devidamente comprovadas pelo Fisco, o que não se viu no presente caso, notadamente quanto à alegação de que os valores pagos pela Impugnante, relativos às obrigações e despesas vistas neste processo, retornaram ao patrimônio da empresa. Sobre tal assunto só se viu palavras da fiscalização, não há um só documento comprovando tais fatos. A Impugnante agiu rigorosamente dentro da lei, se houve erro, o que se admite apenas para fins de argumentação, tal fato não descaracteriza a sua boafé nos atos acima relatados. Portanto inadmissível a pretensa majoração da multa de ofício. 3.5. Dos reflexos na CSLL Os argumentos da Impugnante em relação ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL são os mesmos apresentados nos itens anteriores, em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, por tratarse de mesma matéria fática e de direito. Não se pode vislumbrar, portanto, qualquer fundamento fático ou jurídico que ampare o auto de infração ora impugnado, razão pela qual deve ser julgado totalmente improcedente, desconstituindose os lançamentos de ofício nele consubstanciados, já que não subsistem aos argumentos aqui defendidos. IV – DO PEDIDO POR TODO O EXPOSTO, a Impugnante requer: (i) que seja desconsiderada a qualificação da multa de ofício; (ii) que seja reconhecida a decadência do direito do Fisco lançar o IRF sobre os pagamentos realizados em datas anteriores a 01/01/2005; (iii) que seja o auto de infração considerado totalmente improcedente, tendo em vista a completa ausência de atos simulados, seja pela configuração dos atos de gestão, seja pela absoluta falta de comprovação do elemento subjetivo de fraudar o Fisco; (iv) em assim não sendo, seja reconhecida a irresponsabilidade da Impugnante, tendo em vista que as supostas irregularidades foram praticadas por pessoa jurídica diversa, sendo ela terceiro de boafé; ou, ainda, pela fato de as reais responsáveis serem as pessoas jurídicas remanescentes das cisões parciais (conforme relatado nos autos). A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) gerir grupo complexo como o Marquise exige decisões estruturadas, sendo que comprar e vender imóveis, ações de companhias, transferir recursos intercompanhias, desmobilizar, locar e outros procedimentos não são estranhos e fazem parte do diaadia; Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 28 b) a responsabilidade pelo crédito do auto de infração é das empresas do Grupo CEC, seus diretores, gerentes ou representantes legais (art. 135, III, CTN), e não de empresa do Grupo Marquise, pois houve cisão parcial e as empresas cindidas continuaram existindo; c) decadência relativamente aos fatos geradores do anocalendário de 2004; d) a liberdade econômica, e com ela, a livre iniciativa, a liberdade de trabalho, a liberdade de associação e a livre concorrência são albergadas pela Ordem Econômica da CF/88. Assim, apesar de poder fiscalizar, a ação estatal não pode interferir no modo de desempenho das atividades empresariais; e) no item 001 do auto de infração (glosa de custos ou despesas não comprovadas), foram glosadas despesas de aluguéis de máquinas, de veículos, de equipamentos, de imóveis, sob a alegação de que tais despesas não eram necessárias ou nunca existiram (meras simulações). Os documentos são idôneos e foram escriturados na contabilidade. As despesas geraram receitas para as empresas fornecedoras, também contabilizadas. A alínea “a” do item 001 trata da locação de veículos e equipamentos junto à Locamar – Locação de Veículos Ltda. A recorrente, vencedora de licitação para prestar serviço de coleta de lixo junto à Prefeitura de Fortaleza, optou por arrendar caminhões de coleta junto a terceiros (Locamar). A fiscalização sugere que, seguindo a neutralidade, os caminhões deveriam ter sido cedidos em comodato pela Construtora, já que era a proprietária dos caminhões. Não há neutralidade alguma nesta sugestão, mas um planejamento tributário às avessas, favorecendo o Estado; f) a alínea “b” do item 001 se refere à glosa de pagamentos fictícios de aluguel à VILA RICA CONSTRUÇÕES LTDA. Um dos documentos em que se baseia a fiscalização para crer que não houve a locação é ofício da Prefeitura de Fortaleza que atesta a empresa não solicitou blocos de notas fiscais no período considerado nem declarou receita proveniente da prestação de serviços. Ocorre que os serviços prestados não fazem parte da Lei Complementar nº 116/03. Outro ponto que serviu de apoio a fiscalização é o fato de que não há registro no Renavam dos equipamentos locados. Mas tratase de equipamentos que não são registrados no Renavam; g) quando às glosas de despesas financeiras e variações monetárias passivas, não há comprovação do retorno dos valores pagos ao patrimônio da recorrente. As despesas ocorreram, estavam previstas nos contratos firmados, e foram contabilizadas, tanto pela recorrente quanto pelas outras empresas, que levaram as receitas à tributação. No que tange ao item “c”, afirma que na prestação de serviços a órgãos públicos o particular é obrigado a se sujeitar a longa análise. No caso vertente, tendo em vista o débito da empresa com a Locamar, decorrente da locação dos caminhões e equipamentos utilizados na coleta de lixo, formalizaram as empresas termo aditivo ao contrato de locação, pelo qual acordaram que a obrigação da recorrente seria liquidada com a cessão de recebíveis contra a Prefeitura de Fortaleza. A Locamar condicionou o aceite com deságio em relação ao valor de face; h) quanto às glosas de despesas mencionadas na alínea “d” dos referidos itens 002 e 003 do auto de infração, relativas a aquisição de imóveis, destaca que em 02/01/2006 a recorrente se comprometeu a adquirir, a prazo, 03 (três) imóveis de sua controlada, Marquise Empreendimentos S/A (Promessa de Venda e Compra de Imóvel). A liquidação ocorreu em 29/12/2006, através da cessão de direitos a receber em favor da controladora (conforme instrumento particular de cessão, reconhecimento e compensação de dívida, quitação e outras Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.413 29 avencas). No instrumento está prevista a incidência de encargos financeiros (juros e variação monetária) sobre o saldo devedor da obrigação assumida pela recorrente, os quais foram contabilizados como despesa financeira na recorrente e receita financeira na controladora; i) os prejuízos fiscais utilizados no ano de 2005 estão registrados no Lalur e não podem se desconsiderados; j) ainda que se considere verdadeiro o relato da fiscalização, as empresas do Grupo Marquise, em especial a autuada, não tiveram participação nas operações tidas por simuladas, que se deram tão somente no âmbito das empresas do Grupo CEC. A recorrente é assim terceira de boafé, não podendo ser atingida por irregularidades encontradas no contratos e operações da qual não fez parte; l) o dolo não pode ser presumido, e como não foi provado, é inadmissível a multa qualificada; m) são os mesmos os argumentos em relação à CSLL. É o relatório. Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 30 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. a) Considerações Preliminares a.1) Da denúncia Consta dos autos denúncia endereçada ao Superintendente da Receita Federal na 3ª Região Fiscal contra a CONSTRUTORA MARQUISE S/A, na qual se afirma que esta se utiliza de contratos fictícios com empresaslaranja, as quais, de posse dos valores pagos em razão dos contratos, sacariam diretamente no caixa os mesmos e retornariam para a CONSTRUTORA, mediante o pagamento de uma porcentagem para os reais proprietários das empresaslaranja. Tais valores, assim, poderiam ser livremente utilizados como caixa 2. Segundo a denúncia, Artur Rômulo Russo Holanda era a pessoa que acompanhava os responsáveis pela empresalaranja até o banco para que fosse efetuado o saque dos valores. Após, ele então retornava à empresa na posse dos valores assim sacados. Ainda consoante a denúncia, contratos fictícios eram feitos para permitir o esquema. Exemplificou o denunciante o caso da Federação Cearense de Automobilismo, entidade que celebrou contrato fictício de patrocínio com a CONSTRUTORA MARQUISE no valor de R$300.000,00, pago com cheque nominal da construtora. Após, mediante pagamento de percentual de 3% ao Sr. Ibernon Cisney, os valores retornaram à CONSTRUTORA. Afirma ainda o denunciante que as obras e serviços públicos prestados pela CONSTRUTORA MARQUISE ou empresas do grupo (sendo que a ECOFOR é uma empresa do grupo) são executados mediante pagamento de propina. Além do procedimento fiscal, ressalta a fiscalização que na última quinzena do mês de novembro/2010 a Justiça Federal do Ceará determinou cumprimento de Mandado de Busca e Apreensão nos estabelecimentos do Grupo Marquise e nos domicílios de seus principais acionistas. a.2) Da Auditoria Alega a fiscalização que a apuração do crédito tributário em discussão nestes autos teve início com base na denúncia formulada e apresentada à DRF/Fortaleza, sendo que para a apuração dos fatos foi necessária a utilização da técnica da auditoria cruzada, mediante abertura concomitante e/ou sucessiva de procedimentos fiscais nas diversas empresas do grupo empresarial Marquise (Grupo Marquise), e nas empresas do grupo empresarial “parceiro” (Grupo CEC), na dicção da fiscalização, a qual resultou na confirmação da notíciadelito Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.414 31 promovida. Assim, a ação fiscal executada contra a ECOFOR AMBIENTAL S/A, ora recorrente, foi executada conjuntamente com outros procedimentos envolvendo outras empresas do GRUPO MARQUISE e do GRUPO CEC. As empresas do GRUPO CEC são apontadas como empresas “parceiras”. A investigação relativa a estes autos buscou compreender as despesas de aluguéis com veículos e equipamentos utilizados na limpeza urbana da cidade de Fortaleza, computadas na ECOFOR AMBIENTAL S/A, suficiente para reduzirlhe drasticamente seus resultados do exercício. Além disso, também foram verificadas as operações envolvendo imóveis pertencentes ao Grupo CEC, que de modo efêmero e inusitado ingressam em momento propício e saem, logo após cumprido seu desígnio no planejamento tributário encetado, A fiscalização, no TVF, relata que o Grupo CEC é composto da CEC Internacional S/A e “empresas satélites”, dentre elas, a LOCAMAR, que celebra o contrato de locação de veículos com a ECOFOR. A CEC Internacional S/A está insolvente de fato, vez que ainda não decretada judicialmente a sua falência. Desde 2001 deixou de operar e está sendo processada por instituição financeira. Já apuração dos resultados das “empresas satélites” mostra que as receitas e as despesas delas se intercalam de modos exclusivo no interior do conjunto de empresas, de tal sorte que numa verdadeira “ficção alternada”, aquilo que é receita de uma, constitui despesa de outra, numa milimétrica disposição, onde, ao final, nenhuma delas experimenta lucro, mas sempre prejuízo contábil e fiscal. Nas relações com o Grupo Marquise, verificase que as empresas deste último grupo sempre efetuam pagamentos, no cumprimento de contratos firmados com as empresas do Grupo CEC. Vêse, assim, que relações deste teor satisfazem à necessidade de as empresas do Grupo CEC obter recursos financeiros de qualquer forma, a partir do patrimônio que restara do seu estado fático de insolvência. Assim, segundo a fiscalização, as empresas deste grupo encontraram solução ideal na idealização conjunta de um planejamento tributário de natureza ilícita e evasiva, em conluio com as empresas do Grupo Marquise. Desta maneira, conseguiam as empresas do Grupo CEC uma fonte de renda, e as empresas do Grupo Marquise, uma vantagem tributária indevida. Denominou a fiscalização Grupo Marquise o conjunto de 04 (quatro empresas): CONSTRUTORA MARQUISE S/A (CNPJ 07.950.702/000185), ECOFOR AMBIENTAL S/A (CNPJ 05.537.536/000164), CAPITALIZE FOMENTO COMERCIAL LTDA (CNPJ 41.575.127/000116) E MARQUISE EMPREENDIMENTOS S/A (CNPJ 07.406.242/000129). O Grupo Marquise oferece excelente lucratividade em suas atividades, que compreendem a construção civil em geral, a coleta de lixo urbano, a faturização e o setor hoteleiro. a.3) Indícios em conjunto – soma de indícios ou indício único Desde já refuto, ab initio, a tese da recorrente de que indícios em conjunto não se somam, não sendo, pois, nada mais do que um único indício a ser considerado. A meu ver, indícios em cadeia, organizados dentro de um contexto compreendido, podem ser vistos como peças de um quebracabeças que, presentes nas posições em que estão, autorizam concluir sobre as peças faltantes, e, assim, concluirse, também, pelo resultado final daquele mesmo quebracabeça, visto em sua conformação integral. Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 32 É, portanto, sua concatenação e seu encadeamento lógico dentro de um contexto que podem ou não determinar sejam aceitos como prova. Mas, tratandose que questão de prova e de análise de fatos, isto somente se poderá dizer após analisada a situação fática específica dos autos. Porém, antes disso, nada se poderá afirmar sobre sua eficácia probante. a.4) Contabilização de operações como forma de afastar a fraude Trato, também, desde já, de desfazer equívoco perpetrado pela recorrente, ao entender que por haver contabilizado suas operações não possuiu intento de fraudar ou simular. A meu ver, a contabilização das operações regidas por fraude, por outro lado, é exatamente a forma que se tem de se garantir a fraude, vez que as operações, vistas na sua unidade e identificação meramente formal, possuem conformidade com a lei, fraudandoa, todavia, em seu espírito, contornandoa indevida e indiretamente. Assim, nenhum álibi possui o fraudador que contabiliza suas operações. Pelo contrário. É pela contabilização que o fraudador dá às mesmas operações o aparente jaez de legalidade. É pelo exame da contabilização delas e pela compreensão do elemento defraudador, que busca contornar lei imperativa, presente nas operações devidamente contabilizadas, que se percebe o contorno indevido. Idêntica observação cabe à simulação. b) Das Preliminares Afirma a recorrente que gerir grupo complexo como o Marquise exige decisões estruturadas, sendo que comprar e vender imóveis, ações de companhias, transferir recursos intercompanhias, desmobilizar, locar e outros procedimentos não são estranhos e fazem parte do diaadia. Não se nega isto. Todavia, as operações acoimadas de simuladas pela fiscalização não o são pela impossibilidade de que um grupo tome decisões estruturadas, e sim pelo fato de que nada visam senão a reduzir a carga tributária da recorrente. Por outro lado, relativamente à alegação de que a responsabilidade pelo crédito tributário não é da recorrente mas de empresas do grupo CEC não pode ser aceita como preliminar, sem que a recorrente aponte qual a operação e o motivo pelo qual a empresa por ela apontada é quem deva arcar com o ônus tributário. De fato, conforme se verifica dos autos, os créditos são constituídos e atribuídos à recorrente na qualidade de contribuinte e não de responsável. Assim, se entende a contribuinte que não tinha relação direta com o fato gerador haveria de ter apontado tal questão com indicativos de sua desvinculação e do porquê da vinculação de outra empresa, demonstrando, então, o vínculo correto, e os motivos pelos quais o vínculo estabelecido pela fiscalização restariam eivados de erro. Desta foram, rejeito tais preliminares. Afirma, ainda, a recorrente, que como o lançamento foi notificado em 14/12/2010, e os fatos lançados se referem aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, então os fatos relativos ao anocalendário de 2004 restariam atingidos pela decadência (art. 150, §4º, CTN). Todavia, tendo em vista que ao crédito lançado foi imposta multa de ofício qualificada, Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.415 33 que mantida, desloca a contagem do dies a quo para aquele definido no art. 173, I, do CTN, deixo a apreciação desta questão para o final do voto. Do mérito c) item 001 do auto de infração – alínea “a”: Glosa de despesas de aluguéis de veículos/equipamentos simuladamente tomados em locação da LOCAMAR/PANAGRA Alega a fiscalização que os contratos de locação de veículos celebrados entre ECOFOR e LOCAMAR/PANAGRA são simulados, porque não houve efetividade, ou seja, somente no papel os atos tiveram lugar. No acórdão recorrido é sintetizado que: · através do Edital nº 01/2002, a Construtora Marquise S/A foi considerada vencedora de licitação voltada para a contratação dos serviços de limpeza pública da cidade de Fortaleza/CE; · posteriormente a execução dos serviços foi transferida da Construtora Marquise S/A para a ECOFOR AMBIENTAL S/A, sua controlada, empresa que não dispunha em seu ativo permanente dos veículos e equipamentos necessários à prestação dos serviços; · a Construtora Marquise S/A, que os possuía, em 29/04/2005 celebrou contrato particular de promessa de compra e venda de bens móveis com a Panagra do Brasil S/A (integrante do GRUPO CEC), alienando caminhões e equipamentos por R$ 625.000,00 e estipulando que os valores deveriam ser pagos até o final de dezembro/2005; · com a Locamar Locadora de Veículos Ltda (também integrante do GRUPO CEC) a Construtora Marquise S/A firmou dois contratos de promessa de compra e venda de bens móveis; no primeiro, datado de 01/07/2004, vendeu caminhões e equipamentos por R$ 3.750.000,00, a serem pagos entre os meses de julho/2005 e dezembro/2006; no segundo, de 09/08/2004, foram alienados caminhões e equipamentos pelo valor de R$ 605.000,00, a serem pagos nas mesmas condições do contrato anterior; · quanto ao segundo contrato, de 09/08/2004, foi ressaltado que em 23/07/2007 os bens, “zero quilômetro”, foram adquiridos pela Construtora Marquise S/A por R$ 662.285,72 e 17 (dezessete) dias depois “vendidos” a prazo para a Locamar Locadora de Veículos Ltda pela quantia de R$ 605.000,00 (com evidente “prejuízo” para a alienante da ordem de R$ 57.285,72); · cláusula contratual dispunha expressamente que as duas adquirentes (Locamar Locadora de Veículos Ltda e Panagra do Brasil S/A) não poderiam praticar qualquer negócio com terceiros, envolvendo os bens, senão com autorização da alienante; todavia estava liberada “para ceder em locação para a ECOFOR, logicamente um terceiro excluído daquela restrição”; Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 34 · passo subsequente, a Locamar Locadora de Veículos Ltda e a Panagra do Brasil S/A celebram contratos de locação dos caminhões e equipamentos com a ECOFOR AMBIENTAL S/A; · impacto tributário da operação triangulada: o na Locamar Locadora de Veículos Ltda e na Panagra do Brasil S/A (empresas do GRUPO CEC), a receita de locação foi neutralizada “por operações fictícias com imóveis dentro do próprio Grupo”; o “na escrituração da Construtora, ela assume posição confortável de simples mutuante junto à sua controlada (ECOFOR), em relação aos aluguéis (locação de caminhões) que a ECOFOR – registrandose como ‘despesas de locação’ – não houvera repassado o numerário, de fato, para as empresas do Grupo CEC. Como se observa, uma receita de locação que era para ser, na realidade, do titular pleno dos bens ‘locados’ (Construtora Marquise), foi simplesmente transferida a terceiros parceiros (PJs do Grupo CEC), sendo que, a escrituração da construtora, restou influenciada por simples mútuos ativos junto a sua controlada ECOFOR, ao invés de contas de resultados (receitas de locação); e “na ECOFOR AMBIENTAL S/A, “o resultado é esplêndido. Troca uma suposta obrigação de realizar efetivo dispêndio de numerário para seus locadores fictícios (LOCAMAR e PANAGRA) – os dois de pouca solvência – por simples operação doméstica de mútuo passivo com sua controlada. Além disso, sai com uma vantagem imensurável: reduz fortemente o seu resultado do Exercício com Despesas de Aluguéis de Veículos, tomados simuladamente de empréstimo, junto às empresas do Grupo CEC”. A recorrente não elucida na peça recursal o motivo pelo qual ao invés de a Construtora Marquise simplesmente ceder ou mesmo locar os veículos de sua propriedade à recorrente os aliena a empresa do Grupo CEC, sendo que a cessão passa a ser efetivamente obtida por meio de locação dos veículos pela LOCAMAR e PANAGRA à ECOFOR, e os pagamentos são feitos mediante mútuo entre a recorrente e a Construtora. Por outro lado, é evidente que o arranjo contratual atende à tese de que o planejamento objetiva benefício tributário no Grupo Marquise e fonte de renda ao Grupo CEC. A fiscalização lembra que além de a empresa CEC INTERNACIONAL S/A estar insolvente (conforme afirmado em declaração expressa da empresa em resposta a termo de intimação fiscal), desde 2001 esta empresa teria deixado de operar (situação de inatividade). Há ações judiciais cobrando vultosos créditos (Processo Judicial 2000.5100145689). A inserção de empresas do grupo CEC no planejamento tributário do Grupo Marquise, conforme apontado pela fiscalização, confere, assim, vantagens na forma de comissões, constituindo, assim, fonte de renda para este grupo, em estado de patrimônio e renda deteriorado. É neste contexto que surgem os contratos com as empresas LOCAMAR Locadora de Veículos Ltda (Locamar) e PANAGRA do Brasil S/A (Panagra), em operações sem qualquer fluxo de recursos e sempre a prazo. Não houve fluxo financeiro. O débito que as empresas do grupo CEC detinham relativamente à aquisição de veículos com a Construtora Marquise era compensado com o crédito que tinham a receber da Ecofor, fundado na locação dos Caminhões/Equipamentos. Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.416 35 Do ponto de vista tributário: a) as receitas de locação obtidas pelas empresas do grupo CEC eram neutralizadas (para efeito tanto de IRPJ como de PIS/Cofins) com operações fictícias feitas com imóveis. Além disso, dada a situação de insolvência, eventual tributo não seria mesmo pago, ou poderia ser inscrito em parcelamentos. Os recebimentos eram compensados com a dívida junto à Construtora, pela aquisição dos caminhões/equipamentos; b) a Construtora passa a ser mutante junto à Ecofor, que não faz os repasses relativos aos aluguéis de locação, e os valores devidos são compensados na Construtora com o valor a receber pela promessa de compra e venda dos veículos e equipamentos. Ao invés de perceber receitas de locação (pois, celebrado o contrato de promessa, permanecia ainda na titularidade dos bens, tendo meramente transmitido sua posse), a Construtora logra transferir as receitas para o grupo CEC, restando sua contabilidade tão somente afetada por mútuos ativos, ao invés de sêlo por contas de resultado (receitas de locação). A Construtora, também afasta o risco patrimonial, pois não cede a propriedade às empresas do grupo CEC; c) A Ecofor não efetua os pagamentos relativos à locação, realizando mero mútuo passivo com sua controladora, eliminando, assim, o risco patrimonial. Por outro lado, reduz expressivamente seu resultado com despesas da locação simulada. Relativamente à promessa de compra e venda, vale ressaltar que tal forma negocial foi adotada, além da proteção patrimonial que oferecia, porque: a) era vedada a alienação dos veículos, que eram financiados pelo FINAME, e não seria autorizada sua venda pelas instituições financeiras; b) segundo o edital da concorrência pública 001/2002, adjudicado à recorrente, a concorrente tinha que afirmar, sob pena de desclassificação, que ou era a titular dos veículos/equipamentos ou deveria, na reunião de habilitação, apresentar declaração formal, certificada e depositada no Registro Público de Títulos e Documentos, que teria tomado os mesmos em locação/arrendamento. Assim, não houve venda alguma para a Locamar e a Panagra, mas tão somente simulação. Confirma a assertiva o fato, alegado pela fiscalização (fls.612) de que todos os contratos FINAME, relativos aos veículos objeto de promessa de venda à Panagra já tinham sido quitados até 29/04/2005, ou seja, não havia justificativa para não serem transferidos. Mesma situação com os contratos FINAME celebrados com os veículos objeto de promessa de venda à Locamar nº 3328/00 e 795/00. Vejase que os instrumentos celebrados com a Locamar e a Panagra foram assinados em 01/07/2004 e 09/08/2004 (Locamar) e em 29/04/2005 (Panagra). Alguns veículos, posteriormente, foram vendidos para a Locamar, mas isto só se deu no anocalendário de 2010, após o fisco incluir os contratos na auditoria. Dois motivos explicam a transferência efetiva da titularidade: a) após 5 anos de uso, o Município não aceita que os veículos permaneçam em atividade; b) necessidade de convencer o Fisco do cumprimento dos contratos de promessa de compra e venda. Os contratos não foram cumpridos. Havia cláusula determinando a transferência logo após paga a dívida. Esta foi paga em 2005 e 2006. Mas as transferências datam de 2010. Não há neles qualquer multa ou correção contratual de valor por descumprimento contratual, conforme alega a fiscalização (fl.613), não havendo qualquer explicação para tanto, exceto pela simulação perpetrada. Todavia, em um outro contrato de Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 36 alienação de veículos, com terceiro independente, Multieixo Comercial Técnica Ltda, há no contrato previsão de sanções para descumprimento de cláusulas. A cláusula 4ª prevê: O descumprimento pelos compromissários de qualquer das condições acima ensejará o pagamento de multa convencional equivalente a 20% (vinte por cento) do valor do bem, devidamente corrigido, independentemente de notificação ou interpelação. Além disso, seria mesmo impossível a efetivação da compra e venda, nos moldes de um negócio independente. Panagra e Locamar não possuíam capacidade financeira para adquirir bens de tal vulto. Assim, a compra não se destinou a efetivamente possibilitar que Locamar e Panagra viessem a atuar no mercado de locação de veículos, mas tão somente para cedêlos, incontinenti, à Ecofor, a qual passou a possuir fundamento para deduzir despesas de locação e reduzir seu resultado. Verificase, assim, que não só foram simuladas as promessas de compra e venda, como também o foram as demais operações que resultaram na redução do resultado da Ecofor. Além disso, relata a fiscalização (fl.617) que a Construtora teria contabilizado – segundo sua própria versão – a operação com a Locamar a débito de “Fornecedores/Materiais” e a crédito de “Baixa no Imobilizado”. Assim, ao presumir uma dívida anterior, o próprio lançamento contábil elimina por completo o “Direito a Receber” da Locamar. Intimada pela fiscalização a explicar tal razão, a Construtora nada respondeu. Além disso, tomados os dois contratos com a Locamar, o suposto “Direito a Receber” montaria R$4.310.000,00 (soma de R$3.705.000,00 e R$605.000,00). Mas na escrituração da Construtora, em 03/01/2005 o lançamento na conta 112408 AC/CLIENTES/OUTROS CLIENTES/LOCAMAR mostra que ela teria a receber da Locamar o valor de R$4.465.000,00. A diferença de R$155.000,00 é baixada a débito da conta 2451 LUCROS/PREJUÍZOS ACUMULADOS. Evidentemente, a Locamar não é sócia da Construtora, evidenciando que a operação contábil se destina tão somente a documentar a simulação. Se for tomado o valor do aluguel vigente deste 08/2004 (R$539.500,00/mês), em apenas 08 meses a Ecofor lograria adquirir, ela própria, os bens objeto de promessa de venda da Construtora para a Locamar/Panagra (aproximadamente, R$4.500.000,00). No entanto, preferindo não incorrer nesta salutar e econômica prática gerencial, dispendeu a soma estratosférica de R$21.600.000,00 no mesmo período (fl. 619), evidenciando, por razão maior, a amplitude da dedutibilidade alcançada pela simulação, e minando a tese de que não houve ganho efetivo. Tal auxílio prestado pelo Grupo CEC se amolda às descrições constantes da Denúncia feita à Receita Federal. Não há texto sem contexto. Assim, os fatos hão se ser apreciados sob o tema de fundo, que é a hipótese de planejamento abusivo. A fiscalização faz prova no sentido do que alega. Caberia, a meu ver, a desconstituição desta tese pela recorrente, o que evidentemente não logra por tão somente declarar que os contratos são idôneos e os fatos foram contabilizados. Por fim, há que se ressaltar que a objetividade dos negócios pactuados não é evidente e nem logicamente aferida da situação fática. No caso vertente, não há qualquer Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.417 37 explicação para os fatos narrados, e não nos parece que a situação dos autos se encaixa àquela exemplificada. Não subsiste, também, a tese de que a liberdade da livre iniciativa justifica os negócios praticados, porquanto também esta liberdade há de ser exercida nos domínios do Direito, domínio este que mesmo no âmbito privado rechaça os negócios praticados com defeito jurídico, no caso, consoante demonstra a fiscalização, por meio da simulação. A simulação investe contra o princípio da boafé, o que por si só afasta a alegação de boafé da recorrente. Por meio da simulação, duas pessoas se unem para, ao criar uma realidade inexistente, simulada, prejudicar um terceiro. No caso, a Fazenda. Mantémse assim, a meu ver, hígida a posição da fiscalização. d) item 001 do auto de infração – alínea “b” No item 001 do auto de infração, alínea “b”, são glosados pagamentos fictícios de aluguel de equipamentos à empresa Vila Rica Construções Ltda (VILA RICA). Alega a fiscalização que constatou a impossibilidade efetiva da VILA RICA ter alugado de fato máquinas e equipamentos para empresas do ramo da indústria da construção civil, como a Construtora Marquise. Partiu a fiscalização da denúncia de terceiro, recebida pela DRF/Fortaleza. O sujeito passivo alega ter comprovado tanto os pagamentos quanto os documentos que comprovam a prestação do serviço. Oficiada a Prefeitura de Fortaleza, esta respondeu que não foi encontrado, em nosso cadastro, nenhuma solicitação de blocos de notas fiscais no período citado, tal como também não foi declarado pelo contribuinte em questão, nos anos solicitados, receita proveniente da prestação de serviços. Alega a recorrente, quanto a esta prova, que o ofícioresposta não faz menção expressa à empresa considerada. Porém, apura a fiscalização que as respostas são contundentes, vejase: quanto à impressão de documentos fiscais, relativa ao período de 2003 a 2008, registrou não haver encontrado em seu cadastro “nenhuma solicitação de blocos de notas fiscais no período citado”; e em relação às DDS (Declaração Digital de Serviços), a conter a especificação dos serviços prestados nos anos de 2004 a 2006 (período da autuação), declarou que “também não foi declarado pelo contribuinte em questão, nos anos solicitados, receita proveniente da prestação de serviços”. Há, porém, conforme já atestou a DRJ, Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 38 perfeita sincronia entre as datas dos dois ofícios (solicitação da DRF datada de 23/10/2009 e resposta da PMF de 11/11/2009), bem como entre as perguntas existentes no primeiro e as respostas formuladas no segundo, o que nos leva a firmar convicção no sentido de que as informações recebidas do órgão fazendário municipal realmente dizem respeito ao contribuinte Vila Rica Construções e Prestação de Serviços Ltda. De fato, após verificar os ofícios em questão, chego à mesma conclusão à que chegou o colegiado a quo. Há correspondência entre o que é perguntado e o que é respondido, e a resposta é enviada em menos de um mês do envio da pergunta (ofíciopergunta datado de 23/10/2009 e ofícioresposta datado de 11/11/2009). A fiscalização concluiu que a VILA RICA permaneceu inativa durante os períodos fiscalizados. A última declaração de IRPJ apresentada correspondeu ao ano calendário 2003. Nos anos de 2004 a 2006 (lapso temporal da autuação) nada foi declarado. Quanto ao anocalendário 2007, foi apresentada declaração de inatividade. Adicionalmente, temse tela de pesquisa ao sistema Renavam, fl. 2085, que não recuperou qualquer informação relacionada ao CNPJ da empresa Vila Rica Construções e Prestação de Serviços Ltda, ou seja, não há registro de que esta pessoa jurídica detivesse a propriedade dos equipamentos supostamente locados à empresa impugnante. Desta forma, embora a litigante tenha alegado que possuía os documentos que teriam dado substrato às operações, não trouxe aos autos, quando da impugnação do lançamento, as cópias das notas fiscais que supostamente lastreariam as operações em comento. Ora, a meu ver, a fiscalização apresenta provas de que as atividades não ocorreram. Neste sentido, a recorrente deveria ter feito prova de que os serviços foram efetivamente prestados, porquanto a efetividade da prestação é condição de dedutibilidade do IRPJ e da CSLL. Vêse tão somente os documentos produzidos inter partes da relação comercial sustentada. Mas não há prova alguma da titularidade dos equipamentos, e da seu efetiva entrega. Ao que tudo indica, de fato a VILA RICA se manteve inativa no período fiscalizado. Também não aproveita à recorrente a alegação de que o serviço não era tributado pelo ISS de Fortaleza. Haveria, ainda, assim, de haver a declaração dos serviços prestados, mesmo que não tributados, uma vez que a recorrente é prestadora de serviços, e, portanto, contribuinte do ISS, ou então a prova de que se encontrava desobrigada de tal obrigação acessória. Por fim, a alegação de que as máquinas e equipamentos locados não estão sujeitos à inscrição no Renavam é inócua sem que se demonstre quais efetivamente foram os equipamentos que se diz locados. Havemos de relembrar que a situação provada pela fiscalização já havia sido noticiada por terceiros em denúncia, inclusive com menção da referida fornecedora, e é sob este contexto que os fatos hão de ser apreciados. Seria de se esperar, assim, ação prospectiva da denunciada, ora recorrente, no sentido de afastar as imputações demonstrando a efetividade de suas operações. A defesa, todavia, mantémse escorada no ataque aos fundamentos jurídicos e às provas coligidas pela fiscalização para lavrar o auto de infração, sem buscar apresentar os elementos que poderia ter, se efetivamente tivesse prestado o serviço, e que atestariam a efetividade da prestação. Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.418 39 Mantenho, assim, o crédito lançado. e) item 001 do auto de infração – alínea “c” Neste item, a fiscalização glosou custos relativos a pagamentos de aluguéis não comprovados pelo contribuinte, nos anos de 2005 e 2006. A descrição dos fatos pertinente a esta infração encontrase determinada pelo Capítulo II do Título VI do Termo de Verificação Fiscal, fls. 2088/2090, firmada nos seguintes termos: · “Percebeuse na escrituração da ECOFOR o registro mensal de valores debitados a Conta 621302007 CUSTO DE OPERAÇÃO / SERVIÇOS DE TERCEIROS / ALUGUEL DE IMÓVEIS / PJ, todos provisionados à Conta 2111 FORNECEDORES / MATERIAIS”; · “Os valores mensais são fixos e no montante de R$ 50.000,00 por cada pagamento provisionado e alcançam os anos de 2005 e 2006.”; · “Em cada um dos anos o montante levado a Custo foi de R$ 600.000,00 em 2005 e R$ 600.000,00 em 2006.”; · “Provocado em Termo de Intimação para comprovar os pagamentos e a apresentar a documentação de respaldo dos lançamentos, o contribuinte sequer respondeu ao Fisco a identificação dos beneficiários e do imóvel objeto da locação.”; · “Dessa forma, não há como acatar a dedutibilidade deste Custos.”; e · “Logo, deverão ser glosados os Custos de R$ 600.00,00 em 2005 e R$ 600.00,00 em 2006.”. O recorrente sequer impugnou este lançamento, pelo que não se conhece desta matéria. f) Das glosas de despesas financeiras e variações monetárias passivas (itens 002 e 003 do auto de infração) No item 002, “a”, do auto de infração, são glosados (título II do TVF) os encargos financeiros decorrentes da obrigação da ECOFOR junto à BEX e à XINGU. Na alínea “b” é feita a glosa dos encargos junto à NORCONSERVICE (título II do TVF). Na alínea “c” é feita a glosa relativa às despesas financeiras decorrentes da “cessões de faturas” de serviços da ECOFOR para a LOCAMAR. São glosados os “deságios” apropriados pela ECOFOR em cada uma das supostas “cessões de crédito” e as despesas financeiras concernentes a juros passivos e variação monetária passiva tendo como fonte da obrigação as dívidas inexistentes de fato da ECOFOR junto à LOCAMAR. Na alínea “d” é feita a glosa das despesas financeiras relativas aos negócios de compra e venda dos imóveis do grupo CEC, da MARQUISE EMPREENDIMENTOS (HOTEL) para a ECOFOR, e desta para a ORTECAL. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 40 No item 003, alínea “a”, do auto de infração é feita a glosa de variações monetárias passivas (título II do TVF). Tratamse dos encargos financeiros decorrentes de obrigação da ECOFOR junto a BEX, por não ser legítima a dívida constituída nestas operações (inexistência da fonte da obrigação). Na alínea “b” é feita a glosa dos encargos financeiros decorrentes da obrigação inexistente da ECOFOR junto à NORCONSERVICE (Título II do TVF). Na alínea “c” é feita a glosa das “cessões de faturas” de serviços da ECOFOR junto à LOCAMAR, ou seja, dos deságios apropriados pela ECOFOR em cada uma das supostas “cessões de crédito” e dos juros passivos e variação monetária passiva decorrente da obrigação inexistente de fato da ECOFOR junto à LOCAMAR. Acerca das relações entre ECOFOR E LOCAMAR o acórdão recorrido aponta os seguintes fatos: · ao analisar o Contrato Particular de Cessão de Veículos e Equipamentos e Outras Avenças, celebrado entre a ECOFOR AMBIENTAL S/A (locatária) e a Locamar Locadora de Veículos Ltda (locadora), a fiscalização observou a existência dos aditivos de números 2 (dois) a 6 (seis) que se mostraram “pródigos na geração de efeitos diminuidores do Resultado do Exercício da ECOFOR, além de constituírem – simuladamente – fatos que dão azo à saída de numerário da ECOFOR, supostamente direcionados a LOCAMAR, mas que tem o retorno garantido pelo esquema de movimentação de valores em espécie criado pelo Grupo Marquise e seus parceiros”; · nos referenciados aditivos foram celebrados contratos de Cessões de Crédito de Faturas de Serviços, tendo como objeto os valores faturados pela ECOFOR AMBIENTAL S/A contra a Prefeitura Municipal de Fortaleza que, através desse mecanismo, tornouse cedente dos valores faturados contra o órgão municipal, cobrando, para tanto, um deságio de 35% (trinta e cinco por cento); a Locamar Locadora de Veículos Ltda, por seu turno, tornouse cessionária do crédito; · “A situação financeira do cessionário (LOCAMAR) não permitia que a cedente (ECOFOR) se visse saciada de seu direito. Ou seja, não havia condições financeiras para que a LOCAMAR pagasse o preço de aquisição do crédito. E aí, como resolver a situação? Simples. A LOCAMAR alugara veículos da ECOFOR, fazendo gerar ‘receitas de aluguéis’ que seria o móvel do pagamento do preço pelos ‘créditos adquiridos’ pelos Contratos de Cessão, veiculados pelos ADITIVOS 2 a 6”; · “E veja a vantagem fiscal para a ECOFOR neste negócio: além de se apropriar de ‘deságios’ expressivos (35% sobre o valor dos créditos cedidos), ainda se debitaria de Despesas de Aluguéis de Veículos/Equipamentos (escriturados como Custos de Utilização de bens de terceiros), em valores astronômicos, conforme já tivemos a oportunidade de demonstrar alhures”; · “O Grupo Marquise queria mais. Daí partiu para a última fase dessa etapa do planejamento tributário. Converteuse, então os montantes dos créditos que a ECOFOR se obrigara a entregar para a LOCAMAR em mútuos ativos da LOCAMAR e passivos da ECOFOR junto a LOCAMAR. O fato, a despeito de ser engenhoso, é inusitado e inédito. Ora, se a ECOFOR vende crédito seu para o cessionário (LOCAMAR), esperase que este tome posse e propriedade física dos mesmos quando eles estiverem disponíveis (data dos efetivos pagamentos que a Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.419 41 SEMAM/PMF fez para a ECOFOR). Mas, se em ato contínuo ao da Cessão de Crédito, o cessionário empresta (por Contrato de Mútuo) o mesmo valor ao cedente, evidente que há uma espécie de ‘contrato em círculo’, evidência típica dos atos simulados. Numa linguagem mais popular, cabe dizer que o cessionário (agora mutuante junto ao anterior cedente), sequer viu o ‘azul do dinheiro’ decorrente do crédito adquirido”. Ante o que foi discorrido pelos representantes do fisco, a situação toda pode ser assim sintetizada: · a ECOFOR AMBIENTAL S/A foi criada, dentro do conglomerado de empresas do GRUPO MARQUISE, com o fim de suceder sua controladora, a Construtora Marquise S/A, na prestação do serviço de limpeza pública de Fortaleza/CE; · não dispondo de veículos e equipamentos próprios para a prestação dos serviços, o esperado seria têlos locado diretamente de sua controladora, a Construtora Marquise S/A; todavia, esse não foi o procedimento adotado; · uma operação triangular foi engenhosamente desenhada no sentido da “venda” da frota de veículos e equipamentos da Construtora Marquise S/A para duas empresas do GRUPO CEC (a Locamar Locadora de Veículos Ltda e a Panagra do Brasil S/A), empresas sem aptidão financeira para suportar o ônus financeiro das transações, como destacado pela fiscalização; · para o pagamento dos aluguéis, a ECOFOR AMBIENTAL S/A celebra um contrato de mútuo com a sua controladora, a Construtora Marquise S/A; · assim procedendo, ao invés da receita de aluguel (conta do ativo), a Construtora Marquise S/A registra em sua contabilidade simplesmente os valores referentes aos mútuos ativos; · quanto à ECOFOR AMBIENTAL S/A, apropriase de elevadas despesas de aluguéis com a Locamar Locadora de Veículos Ltda e a Panagra do Brasil S/A, além do registro do mútuo passivo com sua controladora Construtora Marquise S/A; · não bastasse tudo isso, têmse ainda as cessões das faturas de crédito da ECOFOR AMBIENTAL S/A para a Locamar Locadora de Veículos Ltda, com deságio de 35% (trinta e cinco por cento) sobre o valor de face; · paralelamente a cessionária das faturas de crédito (Locamar Locadora de Veículos Ltda), através de contrato de mútuo, empresta o mesmo valor da cessão das faturas de crédito à cedente (ECOFOR AMBIENTAL S/A); e · em razão da cessão das faturas de crédito, além dos encargos dos aluguéis, a ECOFOR AMBIENTAL S/A apropriase ainda das despesas de deságio, reduzindo seu resultado contábil. Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 42 De fato, nenhuma lógica comercial advém dos fatos acima, senão a economia fiscal obtida. E ainda que houvesse alguma, não foi ela declinada em termos razoáveis pela defendente, senão pelo apego ao princípio da livre iniciativa, que evidentemente não se presta a demonstrar a boafé dos negócios formalizados. Não há, efetivamente, nenhuma razão para a Locamar obter a cessão dos créditos, sendo que não precisa do dinheiro para operar, emprestandoo novamente. Evidentemente, em tal operação, somente se logra reduzir o lucro da Ecofor. No que tange às operações com a BEX, XINGU E NORCONSERVICE, foram assim resumidas no acórdão recorrido: Referidas operações encontramse detalhadas no Título II – Da Detectação de Infrações Resultantes da Cisão Parcial da Xingu Empreendimentos Imobiliários e suas Implicações na Ecofor Ambiental S/A, fls. 268/604, merecendo registro os aspectos a seguir enumerados: · a pessoa jurídica Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa do GRUPO CEC, foi incorporada por sua coligada Xingu Administração e Participação S/A; · contudo, antes da incorporação, a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda efetuou quatro operações de aquisições de imóveis, fatos que, de acordo com a fiscalização, se deram como forma de preparar a empresa para a posterior cessão de créditos fiscais inexistentes para as empresas do GRUPO MARQUISE; · características comuns desses atos negociais foram se tratar de “operações a prazo, sem qualquer fluxo de numerário, alcançando bens recémvendidos em operações anteriores, mas sempre com o detalhe que não poderia faltar, que era a fertilidade para gerar créditos fiscais fictos de tributos federais e a constituição de obrigações inexistentes junto aos parceiros”; · quando da incorporação (em razão das operações retratadas no item anterior), a incorporada Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda. “já estava com um estoque de créditos fiscais fictícios no seguinte montante, na data de 31.08.2002, no exato momento précisão: crédito total de IRRF [...] R$ 2.922.273,00; crédito total de PIS [...] R$ 638.605,86; e crédito de COFINS [...] R$ 2.933.489,42”; · da cisão parcial da Xingu Administração e Part. S/A, efetuada no ano de 2005, surgem as empresas Ceará Factoring Comercial S/A (posteriormente incorporada pela Capital Fomento Comercial Ltda, pertencente ao GRUPO MARQUISE), Norconservice Nordeste Construções e Serviços Ltda (em momento seguinte incorporada pela ECOFOR AMBIENTAL S/A) e Novax Construções e Edificações S/A (em uma etapa posterior incorporada pela própria Construtora Marquise S/A); · as empresas surgidas da cisão parcial herdaram os créditos fiscais fictos e os transferiram para as empresas do GRUPO MARQUISE, ao serem por estas últimas incorporadas; Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.420 43 · assim é que, ao ser incorporada pela ECOFOR AMBIENTAL S/A, a Norconservice Nordeste Construções e Serviços Ltda carreou para aquela créditos fiscais de IRRF da ordem de R$ 1.872.000,00; · destaquese ainda que, antes de incorporação da Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda pela sua coligada Xingu Administração e Participação S/A, outras operações de relevo foram processadas: o “[...] em 06.01.2004 a BEX registra (Conta 12107.0001) a venda a prazo do imóvel LOJA 166 SHOPPING AVENIDA para a XINGU pelo valor de R$ 3.110.942,49. Como não se cogita de qualquer pagamento real, a dívida da XINGU chega em 31.12.2004 a R$ 4.425.331,91. Em 31.08.2005 (data da Cisão Parcial da XINGU) o saldo da dívida da XINGU junto a BEX montava em R$ 5.307.995,29”; o “Com a Cisão Parcial da XINGU em 31.08.2005, a dívida de R$ 5.307.995,29 é tripartida para as 03 (três) pessoas jurídicas surgidas do evento. Assim, R$ 4.280.645,21 vai se transformar em dívida da CEARÁ FACTORING junto a BEX, R$ 1.008.798,26 vai se transformar em dívida da NORCONSERVICE NORDESTE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS S/A junto a BEX.”; o “Temos ainda em 2004 que em 19.04.2004 a BEX registra (Conta 12107.0003) a venda a prazo do imóvel TERRENO EM MESSEJANA / SÍTIO MULUNGU para a XINGU, pelo valor de R$ 3.619.052,02. Como não se cogita de qualquer pagamento real, a dívida da XINGU chega em 31.12.2004 a R$ 4.578.073,78. Em 31.08.2005 (data da Cisão Parcial da XINGU) o saldo da dívida da XINGU junto a BEX montava em R$ 5.491.202,62.”; o “Com a cisão parcial da XINGU em 31.08.2005, a dívida de R$ 5.491.202,62 é integralmente transferida para a pessoa jurídica surgida do evento, denominada NORCONSERVICE NORDESTE CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS S/A. Ou seja, a NORCONSERVICE assume integralmente a dívida originária da XINGU junto a BEX pela aquisição a prazo do terreno em MESSEJANA / SÍTIO MULUNGU.”; o “Numa realidade inconteste, a dívida da NORCONSERVICE junto a BEX (R$ 6.500.000,88) constituise da soma das seguintes parcelas: a) R$ 5.491.202,62, que era dívida da XINGU EMPREEND IMOB junto a BEX, pela aquisição do imóvel TERRENO EM MESSEJANA / SÍTIO MULUNGU, com valores corrigidos até 31.08.2005, data da cisão parcial da XINGU; b) R$ 1.008.798,26, que era uma parte do total da dívida da XINGU EMPREEND IMOB junto à BEX, pela aquisição do imóvel LOJA 166 SHOPPING AVENIDA, corrigido o valor até 31.08.2005.”; o “Essa dívida monta em 31.12.2005 em 6.966.993,83, conforme Conta 12108.0002 da escrituração da BEX Internacional S/A. De forma que, em 31.01.2006, a dívida alcança a cifra de R$ 7.135.595,27.”; o “Mas, 31.01.2006 é a data em que a ECOFOR AMBIENTAL teria incorporado a NORCONSERVICE. Com isso, a empresa do Grupo Marquise assume os Ativos e Passivos da incorporada.”; Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 44 o “Já dissemos que em relação à parte Ativa, a ECOFOR traz para si R$ 1.872.000,00 de créditos (fictícios) de IRRF (valor este que já dissecamos alhures), mais R$ 4.923.721,88 decorrentes de créditos junto à própria ECOFOR antes titulados pela LOCAMAR, mas transferidos em 31.08.2005 para a XINGU (conforme também já nos referimos no Capítulo anterior). Já quanto à parte Passiva, a dívida é única e específica (R$ 7.135.595,27 junto a BEX Internacional).”; o “Como essa dívida (R$ 7.135.595,27), originariamente da XINGU EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS junto à BEX, tinha origem única na aquisição a prazo de dois imóveis (LOJA 166 SHOPPING AVENIDA e TERRENO EM MESSEJANA / SÍTIO MULUNGU) e a eles estavam vinculados, na verdade, a assunção dessa dívida pela ECOFOR, retirandoa da NORCONSERVICE, sem a vinculação dos bens, torna o fato de assunção de dívida com o qualificativo de ‘gracioso’, ou ao contrário, teve outro objetivo que não a aquisição dos bens vinculados.”; o “E é exatamente nesta perspicácia que o Fisco detecta a real motivação de todos esses atos que redundaram apenas formalmente em contratos simulados de aquisição de imóveis, cisões, incorporações e assunção de dívidas.”; o “Na realidade, 03 (três) foram os objetivos efetivos dessa conduta: a) apoderarse de um crédito de IRRF (ficto) pretensamente utilizável pela ECOFOR em DCOMPs; b) constituirse em dívida inexistente para proporcionar a saída de numerário, pagandoa simuladamente ao "parceiro", com posterior retorno do dispêndio para o patrimônio informal do Grupo Marquise; c) apropriação de encargos financeiros múltiplos, pretensamente hábeis à redução do Lucro Líquido do Exercício, de modo a promover a redução ilícita do montante do tributo devido.” Com o objetivo de rebater a acusação do fisco, referente às operações ora tratadas, destacou a defendente que “[...] o argumento da fiscalização é simplesmente de que as obrigações em questão eram inexistentes; todo e qualquer negócio realizado com empresas daquele grupo não existiram, foram meras simulações; tudo foi encomendado pelo grupo da Impugnante; etc. A fiscalização chega a trazer documentos de fatos ocorridos a (sic) mais de dez anos (1998, 1999), afirmando, que tais empresas apenas recebiam uma certa ‘comissão’ pelo ‘negócio encomendado’. Entretanto, não há ao longo das mais 2000 páginas deste processo, um único, insistimos, um único documento que comprove o valor dessa ‘comissão’ ou mesmo, quem a tenha recebido. O que se tem é uma enorme quantidade de ilações, totalmente inadmissível quando se trata de matéria tributária”. Não é essa a nossa convicção. Não era de se esperar que a autuada apresentasse à fiscalização o recibo comprobatório do pagamento da comissão aventada pela denúncia apresentada ao fisco. Não é o que ocorre no mundo real. Fatos dessa natureza dificilmente são documentados. Então, qual foi o caminho trilhado pela auditoriafiscal? Rastrear o destino do numerário correspondente às operações desconsideradas. Assim é que os representantes da Fazenda Nacional observaram que os valores “apenas ‘passeiam escrituralmente’ pela contabilidade da BEX, indo em ato contínuo à empresa coligada Agropecuária Parente e, desta à Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.421 45 empresa MARE (também coligada) e à empresa desativada ORTECAL (esta para pagamento de fornecimento de concreto para construção)”, que “assim que a Agropecuária Parente recepciona em sua Conta Banco o ingresso dos recursos advindos da ECOFOR AMBIENTAL, o numerário sai – por emissão de cheques nominativos e endossados em branco – para constituir ‘mútuos fictícios’ com as outras empresas do Grupo CEC e/ou ‘pagando’ obrigação ficta por ‘aquisição de concreto’ junto a empresa desativada (ORTECAL), dissimulando a verdadeira destinação que o dinheiro já teria de ter: o retorno ao Grupo Marquise”. Como visto, os recursos que supostamente corresponderiam aos pagamentos efetuados à Bex Internacional S/A, mal chegam à sua conta bancária são canalizados para pessoa jurídica coligada, a Agropecuária Parente, que, ato contínuo, através da emissão de cheques nominativos endossados em branco, teoricamente os direciona à pessoa jurídica MARE (do mesmo grupo empresarial) e de lá para uma empresa desativada, a ORTECAL. Ora, é sabido que no “endosso em branco” o endossante (a Agropecuária Parente) não identifica o endossatário, operandose tal procedimento pela assinatura do endossante e fazendo com que o título nominal passe a circular como se fosse um título ao portador. Normalmente é praticado pela assinatura na parte de trás do título. Assim, na prática, a partir do endosso em branco levado, a efeito na Agropecuária Parente, nada garante que os valores de fato seguiram o curso indicado pelos lançamentos contábeis, o que, conjugado às sucessivas movimentações financeiras, levou a autoridade fiscalizadora a concluir pelo seu retorno ao patrimônio informal do GRUPO MARQUISE, como indicado na denúncia formalizada por terceiros. Tal fato, contudo, não se mostra relevante para a desconsideração das operações postas em apreciação. Todo o rebuscado procedimento explicitado pelos agentes do fisco, consistente em sucessivas operações de alienações do mesmo imóvel, seguidas de cisões e de incorporações, não teve outro fim que não a economia tributária, sendo lícito tachar ditas operações de simulatórias, posto que pautadas em documentos com declarações que não correspondem àquelas efetivamente praticadas no mundo concreto. É de causar espécie a longa cadeia de eventos sucessórios praticados na titularidade formal dos imóveis Loja 166 do Shopping Avenida e Terreno em Messejana – Sítio Mulungu. Quanto ao imóvel Loja 166 – Shopping Avenida, conforme registrado pela fiscalização no Capítulo I do Título II do TVF, no período de 02/01/2004 a 31/01/2006 foi objeto das operações de aquisições e alienações a seguir especificadas: · em 02/01/2004 a Bex Internacional S/A adquire o imóvel, a prazo, da Financia Empreendimentos Imobiliários por R$ 580.000,00; · em 06/01/2004 a Bex Internacional S/A efetua sua venda, também a prazo, para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda por R$ 3.110.942,49 (posteriormente a dívida foi transferida para a Norconservice Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 46 Ltda, resultante da cisão parcial da Xingu e que em momento posterior foi incorporada pela ECOFOR AMBIENTAL S/A); · em 02/02/2004 a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda aliena o imóvel para a Construtora Marquise pelo valor de por R$ 3.110.942,49; · em 31/10/2005 a Construtora Marquise vende o imóvel para a Marquise Empreendimentos S/A pelo valor de R$ 3.110.942,49; · em 02/01/2006 a Marquise Empreendimentos S/A aliena o imóvel pelo valor de por R$ 3.110.942,49 para a ECOFOR por R$ 3.110.942,49; e · em 31/01/2006 a ECOFOR vende o imóvel com deságio para a ORTECAL por R$ 2.478.021,66. No que se refere ao imóvel Terreno em Messejana – Sítio Mulungu, a fiscalização fez constar no mesmo Capítulo I do Título II do TVF as seguintes movimentações: · em 13/01/2003 a Construtora Marquise S/A adquire o imóvel da RCA por R$ 1.247.250,58; · em 15/04/2004 a Construtora Marquise S/A aliena o imóvel para a Sul Diesel por R$ 1.100.000,00; · em 16/04/2004 a Bex Internacional S/A adquire o imóvel da Maximar (sucessora da Sul Diesel) pela quantia de R$ 1.870.000,00; · em 19/04/2004 a Bex Internacional S/A vende o imóvel para a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda por R$ 3.110.942,49 (posteriormente a dívida foi transferida para a Norconservice Ltda, resultante da cisão parcial da Xingu, empresa que em momento seguinte foi incorporada pela ECOFOR AMBIENTAL S/A); · em 03/05/2004 a Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda aliena o imóvel para a Construtora Marquise por R$ 3.619.052,02; · em 31/10/2005 a Construtora Marquise vende o imóvel para Marquise Empreendimentos S/A por R$ 3.619.052,02; · em 02/01/2006 a Marquise Empreendimentos S/A aliena o imóvel para a ECOFOR pelo valor de R$ 3.619.052,02; e · em 31/01/2006 a ECOFOR vende o imóvel para a ORTECAL por R$ 2.882.756,37. Qual o propósito negocial de todas essas operações? Esta indagação não foi respondida a contento pela interessada. Simplesmente afirmar que se referem a operações normais para um conglomerado empresarial do porte do GRUPO MARQUISE não é suficiente, em vista do que deve prevalecer o argumento da fiscalização, indicativo de se tratar de atos simulados, sem existência no mundo concreto. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.422 47 III – Operações de Compra e Venda de Imóveis do Grupo CEC para a Marquise Empreendimentos (Hotel), com Transferências Posteriores para a Ecofor Ambiental S/A Matéria consubstanciada através do que foi relatado no Título V do Termo de Verificação Fiscal – Das Circunstâncias Globais do Negócio Imobiliário Simulado Realizado entre a Ecofor Ambiental e a Marquise Empreendimentos S/A e do Desfecho Final do “Passeio” dos Imóveis Titulados pelas Empresas do Grupo CEC no Interior do Grupo Marquise, fls. 1852/2076: · os valores glosados referemse às despesas financeiras e às variações monetárias passivas decorrentes de pagamentos de encargos da autuada junto à Marquise Empreendimentos S/A que, por pertencer ao ramo hoteleiro, passou a ser designada no TVF simplesmente como “HOTEL”; · dizem respeito a operações datadas de 02/01/2006, relativas à aquisição, pela autuada, de três imóveis oriundos da Marquise Empreendimentos S/A, no preço total de R$ 14.673.393,76; · a melhor compreensão dos fundamentos das glosas exige uma análise mais acurada dos antecedentes dos negócios jurídicos desconsiderados pela autoridade fiscal: o em outubro/2005 a Construtora Marquise S/A adquire, por R$ 15,5 milhões, ações de sua própria emissão tituladas pelo investidor uruguaio Brawel International; o como a Marquise Empreendimentos S/A possuía registrado em sua contabilidade um direito de crédito perante a empresa Fildown Corporation, sediada na Nova Zelândia, também de R$ 15,5 milhões, a Construtora Marquise S/A toma por empréstimo referido crédito, tornandose credora da pessoa jurídica Fildown Corporation; o em seguida, transfere o crédito para a Brawel International, liberandose da dívida que tinha para com aquela empresa, em razão das ações por ela tituladas; o restou para a Construtora Marquise S/A a obrigação concernente ao crédito adquirido da Marquise Empreendimentos S/A, no valor de R$ 15,5 milhões; o como forma de pagamento, a Construtora Marquise S/A transfere à Marquise Empreendimentos S/A três imóveis adquiridos de empresas pertencentes ao GRUPO CEC, transações que somadas alcançaram o montante de R$ 14.673.393,76; o no que se refere à diferença (R$ 15.500.000,00 R$ 14.673.393,76 = R$ 826.606,24), a Construtora Marquise S/A celebra uma operação de mútuo passivo perante a cedente do crédito, a pessoa jurídica Fildown Corporation, localizada na Nova Zelândia; · quanto aos imóveis repassados pela Construtora Marquise S/A à Marquise Empreendimentos S/A: Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 48 o “O primeiro deles é o TERRENO NO DISTRITO INDUSTRIAL [...] que sempre teve a CEC Internacional S/A como legítima proprietária, estando gravado com diversos ônus reais sobre imóveis. O detalhe deste imóvel é que em dezembro/2003 a CEC Internacional ‘vende’ este bem para a sua coligada MARE [...] pelo valor de R$ 7.943.399,25 em operação a prazo. Mas, em 05.01.2004, a MARE vende esse mesmo imóvel para a Construtora Marquise, pelo mesmo preço [...], a prazo, com carência. Não há parcela definida da prestação. Os pagamentos são feitos de forma aleatória, o que remete à hipótese afirmada no documento da denúncia do terceiro, concernente às saídas de numerário que retornam ao patrimônio informal do Grupo Marquise.”; o “Fato importante neste contexto é que, mesmo que a Construtora tenha promovido alguns pagamentos aleatórios de valores, a título de amortização desta dívida junto à MARE, esta empresa não promove nenhum pagamento para a CEC Internacional, de quem ela teria ‘adquirido’ o mesmo imóvel. E a CEC, credora da MARE, nada cobra.”; o “Já os outros dois imóveis foram adquiridos pela Construtora, junto à empresa XINGU EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em momento preparatório para a Cisão parcial desta última empresa, da qual surgiu a NORCONSERVICE que foi incorporada pela ECOFOR, para a qual transferiu R$ 1.872.000,00 em valores originários de créditos fiscais fictícios de IRRF, além de outros valores de créditos de IRRF, de PIS e de COFINS para as outras empresas do Grupo Marquise.”; o “Assim por R$ 3.110.942,49 a construtora adquiriu a LOJA 166 do SHOPPING AVENIDA – ainda hoje titulada pela empresa SUL DIESEL S/A (sucedida pela MAXIMAR), conforme Certidão do CRI competente – junto a XINGU Empreendimentos Imobiliários. Por R$ 3.619.052,02, a Construtora adquiriu junto a mesma XINGU o TERRENO EM MESSEJANA/SÍTIO MULUNGU. Este imóvel está registrado no CRI em nome da empresa JSM Participações.”; o “Mas há uma característica comum entre estes dois imóveis: também estão gravados por ônus. É neste contexto que o HOTEL recebe os três imóveis como pagamento da Construtora. E é no mesmo contexto que promove, logo a seguir, a ‘venda’ dos mesmos imóveis para a ECOFOR, pelo preço que houvera recebido da Construtora (R$ 14.673.393,76), em operação sem fluxo de numerário. Mas como a ECOFOR paga ao HOTEL"? o “O pagamento é feito mediante a constituição de dois Mútuos Passivos para a ECOFOR. A Conta de Passivo Circulante 214132 registra a dívida de R$ 2.934.678,72 da ECOFOR em favor do ‘HOTEL’. E há o registro da dívida de Longo Prazo na Conta 222201, no valor remanescente de R$ 11.738.715,04.”; o “[...] Pois bem. Mas, e quanto ao pagamento dos mútuos que a ECOFOR teria de fazer ao ‘HOTEL’? Aí temos outra etapa do fechamento de toda esta transação imobiliária fictícia. Em síntese, os mútuos constitutivos da dívida da ECOFOR junto ao ‘HOTEL’ são assumidos pelas pessoas físicas dos acionistas da Construtora (empresa tida como "holding"), conforme Contrato de 29.12.2006.” o “Dessa forma, sai a ECOFOR livre de encargos, demonstrando que foi inserida neste processo para permitir ‘fechar’ suas obrigações Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.423 49 inexistentes junto à empresa do Grupo CEC LOCAMAR, como os Aluguéis de veículos / equipamentos, as obrigações por Cessão de Créditos de Fatura de Serviço com seus ‘deságios’ absurdos, a conversão automática da dívida por cessão de créditos em dívidas por ‘mútuos’ e os encargos financeiros apropriados em função dessas obrigações inexistentes.”; e o “Em resumo, não há como se ter atestada a legitimidade da operação de compra e venda feita entre o ‘HOTEL’ e a ECOFOR, aceitando os efeitos financeiros redutores do Lucro Líquido do Exercício, a partir dos encargos financeiros debitados a Conta 214132. Se a obrigação principal inexistiu de fato, não há como retirar efeitos da obrigação acessória que daquela, exclusivamente, surgira.” Em sua peça contestatória, o sujeito passivo teceu as seguintes considerações, fl. 2253: · “[...] quanto às despesas mencionadas na alínea ‘D’ dos referidos itens 002 e 003, do auto de infração, relativas à aquisição de imóveis, destacase que, em 02/01/2006, a impugnante se comprometeu, junto à sua controlada Marquise Empreendimentos S/A, a adquirir, a prazo, 3 (três imóveis), conforme se verifica no instrumento [...], devidamente registrado na contabilidade das duas empresas.”; · ”A liquidação da obrigação assumida ocorreu em 29/12/2006, através da cessão de direitos a receber em favor da Marquise Empreendimentos S/A, conforme se confirma com o Instrumento Particular de Cessão, Reconhecimento e Compensação de Dívida, Quitação e Outras Avencas (fls. 1.998), também devidamente registrado nas contabilidades das companhias em comento.”; · “No instrumento de promessa de venda e compra está prevista a incidência de encargos financeiros (juros e variação monetária) sobre o saldo devedor da obrigação assumida pela Impugnante. Encargos estes que foram devidamente contabilizados como despesas financeiras na Impugnante e como receitas financeiras na Marquise Empreendimentos S/A”; e · “Novamente vemos aqui a total incoerência nos procedimentos dos d. Fiscais: (i) as despesas financeiras da Impugnante são consideradas inexistentes, portanto indedutíveis para fins de cálculo do IRPJ e CSLL, e com penalização através de multa agravada; (ii) enquanto, em relação às despesas financeiras da Marquise Empreendimentos S/A (fls. 2057/58), que fizeram parte da base de cálculo desses mesmos tributos, não merecem uma única palavra. É um absurdo!”. Como observado, limitase a defesa a apontar os documentos que dariam suporte às operações e a indicar as respectivas contabilizações, tanto por parte de ECOFOR, quanto por parte da Marquise Empreendimentos S/A o que não é insuficiente para elidir a tributação que lhe foi imposta. Observese que, dentre os três imóveis relacionados às operações ora tratadas, dois deles já são nossos conhecidos (a Loja 166 do Shopping Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 50 Avenida e o Terreno em Messejana, denominado Sítio Mulungu). As operações concernentes a tais imóveis foram dissecadas quando da análise das glosas por custos e despesas não comprovados, levadas a efeito perante a LOCAMAR, tendo se concluído pela não efetividade das operações e pela legalidade do procedimento fiscal. Isso porque, conforme pode ser observado às fls. 1873/1874, sem qualquer fundamento econômico plausível tais imóveis foram objeto de sucessivas operações de compra e venda entabuladas entre empresas dos GRUPOS CEC e MARQUISE. No período de 02/01/2004 a 31/01/2006, a Loja 166 do Shopping Avenida foi objeto de 6 (seis) operações de compra e venda. Quanto ao Terreno em Messejana, denominado Sítio Mulungu, entre os dias 15/01/2002 e 30/01/2006 foi objeto de 9 (nove) operações dessa mesma natureza. Acrescentese a tudo isso o fato de tais imóveis se encontrarem, desde a primeira transação, gravados com ônus real. Enfatizese que no dia 30/01/2006 ambos os imóveis foram expelidos do patrimônio da ECOFOR AMBIENTAL S/A, o que se deu através de mais uma venda simulada para a Ortecal Organização Técnica de Concreto Armado Ltda empresa que, àquela altura, se encontrava inativa. Informese que tal procedimento gerou para a ECOFOR AMBIENTAL S/A uma ilegítima perda de capital devidamente descaracterizado pela autoridade fiscal, como será demonstrado adiante. Diferente não é a situação com o terreno do Distrito Industrial de Maracanaú, imóvel também gravado com ônus real. Como pode ser observado à fl. 1875, no período de 17/12/2003 a 31/01/2006 foram registradas 6 (seis) operações de compra e venda, todas nos mesmos moldes retratados para os outros dois imóveis, sempre perpetradas entre as empresas dos Grupos CEC e MARQUISE, até a sua transferência final, no dia 31/01/2006, para a desativada pessoa jurídica Ortecal Organização Técnica de Concreto Armado Ltda. Ante a situação explanada, voltase a indagar: no que tange às operações imobiliárias com os três citados imóveis, seria plausível a existência de um propósito negocial distinto da economia tributária? Mais uma vez a resposta é negativa. Assim, como já exaustivamente demonstrado, há que se inferir pela presença da simulação nas operações desconsideradas pelo fisco, afastandose os argumentos apresentados pela impugnante. Ora, mais uma vez podese notar que diante do contexto da denúncia e das provas coligidas pela fiscalização, que vieram a confirmar a hipótese inicial, o mencionado passeio imotivado comercialmente dos imóveis em várias empresas do Grupo CEC e Marquise, no curtíssimo espaço de tempo, levando sempre à constituição de despesas na ECOFOR, bem como o crédito fiscal, revela o intuito simulatório das práticas acima relatadas. Não há qualquer explicação lógica para este passeio completamente deslocado da realidade negocial. Por sua vez, mesmo sendo atacado no próprio questionamento da existência das operações praticadas, a recorrente tão somente busca amparo na documentação formal dos atos praticados, deixando de ativamente provar a veracidade dos fatos acoimados de inexistentes. Efetivamente, não há qualquer explicação para a frenética quantidade de transações imobiliárias no curtíssimo espaço de tempo em que ocorreram, exceto pela geração de efeitos fiscais que acarretaram, em especial, os encargos gerados para a Ecofor. O Terreno Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.424 51 em Messejana, denominado Sítio Mulungu, entre os dias 15/01/2002 e 30/01/2006 foi objeto de 9 (nove) operações. E todas elas verificadas sempre verificadas entre empresas dos Grupos Marquise e CEC, ou dentro de um deles. Não vejo, assim, qualquer possibilidade de acatar a defesa apontada. A fiscalização demonstra que a cisão da Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda (Xingu) foi preparada. Os anos de 2004 e 2005 foram anos de preparação para a cisão, quando houve 04 aquisições de imóveis, nos termos já descritos pela fiscalização (fl.269): operações a prazo, sem qualquer fluxo de numerário, alcançando bens recémvendidos em operações anteriores, mas sempre com o detalhe que não poderia faltar, que era a fertilidade para gerar créditos fiscais fictícios de tributos federais e a constituição de obrigações inexistentes junto aos “parceiros”. Na précisão da Xingu, conforme demonstra a fiscalização, ela já possuía R$6.494.368,28 em créditos fiscais fictícios. Da cisão surgem 03 novas empresa, uma delas a NORCONSERVICE, que recebe no acervo, R$1.872.000,00 em créditos fiscais de IRRF advindos da Xingu. A Ecofor, então, a incorpora. A venda à prazo dos imóveis “loja 166, do Shopping Avenida” e o “terreno em Messejana/Sítio Mulungu”, pela Xingu à Construtora, logo após terem sido adquiridos, tem também, evidentemente, a função de gerar despesas/custos decorrentes de obrigações a pagar, posto que a contabilização das receitas não é problema para o Grupo CEC. Ao incorporar a Norconservice, empresa que notoriamente havia captado dívidas originárias da Xingu, lograse gerar despesa/custo indevido na Ecofor, sem que o imóvel também tenha seguido para esta empresa. Posteriormente, contudo, a Marquise Empreendimentos irá alienar a loja 166 – Shopping Avenida para a Ecofor. Assim, a Ecofor passará a ser duas vezes devedora do valor de R$3.110.942,49. O mesmo ocorrerá com o Terreno em Messejana – Sítio Mulungu, havendo primeiramente venda da BEX para a Xingu, posteriormente, transferência do passivo à Norconservice e, sucessivamente, à Ecofor, pela incorporação. Porém, o ativo correspondente não segue, e é vendido para a Construtora Marquise, que o aliena à Marquise Empreendimentos S/A, que o aliena à Ecofor, pelo valor de R$3.619.052,02, gerando 02 mútuos na Ecofor deste mesmo valor. Posteriormente, a Ecofor aliena à Ortecal, por R$2.882.756,37, ou seja, com deságio. A fiscalização, de posse de tais dados, afirma que a assunção de tais dívidas, com a incorporação da Norconservice, desvinculadas dos bens, torna o fato de assunção de dívida com o qualificativo de “gracioso” [...]. Relatou a fiscalização, relativamente aos mútuos com a BEX (R$7.135.595,27) que a Norconservice constituiuse para vida efêmera e não exercício de sua atividade no ramo da construção civil. Os pagamentos eram prescritos como periódicos, mas eram feitos de forma aleatória, sem repetição de valor, indicadores da inexistência de uma parcela certa e definida, típicos de atos simulados, que visam a encobrir negócios simulados. Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 52 Algumas datas também corroboram na linha da simulação. A incorporação da Xingu Empreendimentos Imobiliários Ltda pela sua coligada Xingu Administração e Participação S/A somente ocorre em 30/09/2005. Todavia, em 30/08/2005 (um mês antes) a contabilidade da Ecofor já registrava a cessão de crédito da Locamar para uma outra pessoa jurídica, que é a Xingu Administração e Participação S/A (fls.417 do TVF). Com efeito, após os valores saírem da Ecofor, eles retornavam incontinenti para o grupo Marquise, conforme bem explicitou a fiscalização. É nesta parte que haveria o desconto da comissão, tal qual aventado na denúncia. A fiscalização seguiu o caminho do numerário saído da Ecofor, até seu retorno ao Grupo Marquise. Segundo a fiscalização (fls.467), os valores eram objetos de “passeio escritural” pela contabilidade da BEX, indo em ato contínuo à empresa coligada Agropecuária Parente,e, desta à empresa MARÉ (também coligada), e daí à empresa desativada ORTECAL (esta para pagamento de fornecimento de concreto para a construção). Este, segundo relata a fiscalização (fls.467) é o mesmo percurso já detectado quando do lançamento de ofício feito na Construtora Marquise. Relata o fisco que assim que a Agropecuária Parente recepciona em sua conta Banco o ingresso dos recursos advindos da Ecofor, o numerário sai – por emissão de cheques nominativos e endossados em branco – para constituir “mútuos fictícios” com as outras empresas do grupo CEC e/ou “pagando” obrigação ficta por “aquisição de concreto” junto a empresa desativada (ORTECAL), dissimulando a verdadeira destinação que o dinheiro já teria de ter: o retorno ao grupo Marquise. g) item 4 do auto de infração No item 4 do auto de infração é feita a glosa de prejuízo apurado na venda de imóveis da ECOFOR para a ORTECAL em 31/03/2006, no valor de R$1.628.011,08 (Título V do TVF), por se tratar de operação desprovida de existência fática. A matéria veio assim retratada no acórdão recorrido: Corresponde ao item 04 (quatro) do auto de infração e encontrase demonstrado no Título V do Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente no Capítulo II, intitulado “Das Circunstâncias do Negócio de Compra e Venda dos Imóveis da Ecofor para a Ortecal com Foco nos Aspectos Financeiros da Transação e das Infrações Tributárias Detectadas na Operação”: · “A compra e venda entre a ECOFOR e o HOTEL, efetuada em 02.01.2006, fez com que o custo líquido dos imóveis para a ECOFOR resultasse em exatos R$ 13.316.104,84. Este fato é parte do contexto do planejamento tributário, tal como é parte do mesmo contexto a forma, o preço e as condições com que a ECOFOR vendeu os mesmos imóveis num intervalo de exatos 29 dias, depois de ‘adquirilos’ do HOTEL”; · “A venda dos imóveis que a ECOFOR fez para a empresa ORTECAL (empresa já desativada há tempos) foi pactuada pelo preço de R$ 11.688.093,76, de acordo com o Contrato de 31.01.2006, apresentado ao Fisco. E o negócio foi feito a prazo, prevendo encargos relativos à variação do IGPM mais juros de 1% ao mês. Ocorre que mesmo a despeito de prever esses encargos financeiros, até 31.03.2006, não há qualquer atualização da suposta dívida da ORTECAL.”; Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.425 53 · “Já podemos perceber aqui dois detalhes relevantes quando confrontados os dois negócios.”; · “Enquanto a transação da aquisição junto ao "HOTEL" venceu, não só R$ 696.502,55 de encargos financeiros alusivos à Variação Monetária Passiva debitada à Conta 711203 ao longo do ano de 2006, como também R$ 1.912.235,47 de encargos financeiros alusivos a Juros de Mora debitados à Conta 711303, a operação de venda dos bens para a ORTECAL foi pródiga na renúncia de direitos, com verdadeiro desfalque do patrimônio da ECOFOR alienante.”; · “Como os bens foram vendidos em 31.01.2006 e até a data de 31.03.2006 não houve cobrança dos direitos de atualização do crédito da ECOFOR, o negócio toma um rumo inusual em relação ao que ordinariamente sói ocorrer nos negócios privados.”; · “Ora, além de promover a venda por preço menor do que o custo de aquisição, apurando um prejuízo de R$ 1.628.011,08 (R$ R$ 11.688.093,76 R$ 13.316.104,84), a ECOFOR renuncia a atualização monetária de 31.01.2006 a 31.03.2006.”; · “Mas as liberalidades não param por aí.”; · “Também pertence ao contexto do planejamento tributário o negócio triangular que a ECOFOR celebrou, em 31.03.2006, junto a sua devedora por venda de imóveis (ORTECAL) e a sua credora por Cessão de Créditos de Faturas de Serviço, por mútuos e por aluguéis de caminhões/equipamentos (LOCAMAR).”; · “Nesta data a ECOFOR reconhece que era devedora da LOCAMAR pelo valor de R$ 8.882.462,48.”; · “Pois bem. Sabendo que era credor da ORTECAL pelo valor de R$ 11.688.093,76, resolveu ceder esse valor de crédito integralmente para a LOCAMAR, em troca da liberação de sua dívida para com a própria LOCAMAR.”; · “Como tudo isso não passa de mera abstração, inexistindo, de fato, dívida de um lado e crédito de outro, evidentemente que o negócio fora ‘fechado’".”; · “Para o Fisco e para o melhor observador há dois pontos fundamentais neste desfecho das transações:” o “a ocorrência de um resultado financeiro negativo para a ECOFOR, na exata diferença entre R$ 11.688.093,76 R$ 8.882.462,48 = R$2.805.631,28;” o “oportunizou o expurgo dos imóveis do Grupo CEC do interior do patrimônio formal do Grupo Marquise.” · “Diante de todo este contexto, não há como conceber os efeitos gerais que a ECOFOR planejou almejar no anocalendário de 2006, a partir do negócio que se iniciou com a venda dos três imóveis do HOTEL Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 54 para ela, passando pela venda, em ato contínuo, dos mesmos bens para a ORTECAL e terminando com o acerto de contas com a LOCAMAR. Assim deve ser porque o planejamento tributário é um todo orgânico e compacto. Suas partes não podem produzir eficácia isolada.”; · “Logo, hão de ser glosados os encargos financeiros debitados no ano de 2006 as Contas 711203 (R$ 696.502,55) Variação Monetária Passiva e 711303 (R$ 1.912.235,47) Juros de Mora, em função da "divida" da ECOFOR junto ao HOTEL.”; · “Por idêntica razão (fundarse em operação desprovida da existência fática) deverá ser glosado no ano de 2006, o valor do prejuízo apurado na venda dos bens imóveis para a ORTECAL, mensurado no valor de R$ R$ 1.628.011,08.”; e · “Finalmente, pela artificialidade de que se impregna, fundando se nas simuladas obrigações registradas na dívida da ECOFOR junto a LOCAMAR, tão exaustivamente aqui provada com inexistente de fato, deverá ser glosado encargo financeiro debitado a Conta 711203 Variação Monetária Passiva, no valor de R$ 2.805.631,28, onde a ECOFOR baixa a dívida da ORTECAL em 31.03.2006, dando por histórico do lançamento que teria havido perda na cessão de recebíveis.” Não se vislumbrou na impugnação do sujeito passivo alusão específica quanto a esse item do lançamento. Somente foram observadas referências genéricas à existência dos documentos que respaldariam as operações, assim como ao fato delas se encontrarem contabilizadas. Destaquese não convir gastar muito vernáculo com a infração ora tratada. Isso porque se a longa sucessão de operações de compra e venda observadas para os imóveis, por si só, foi suficiente para amparar a glosa das despesas financeiras e das variações monetárias ativas, quando da análise das “vendas” desses imóveis da Marquise Empreendimentos S/A para a ECOFOR AMBIENTAL S/A, tal fato também será suficiente para que se chegue à mesma conclusão, no que tange às “vendas” dos imóveis da ECOFOR AMBIENTAL S/A para a Ortecal Organização Técnica de Concreto Armado Ltda, ou seja, correspondem a negócios simulados, sem qualquer efetividade no mundo concreto. Notese que o trabalho da auditoriafiscal foi além do aspecto acima considerado. Demonstrou até mesmo que, a despeito da mora observada entre os dias 31/01/2006 e 31/03/2006, a ECOFOR não cobrou os encargos que seriam devidos pela ORTECAL, como seria de se esperar de uma operação efetiva. Descortinou ainda mais uma operação triangular, dessa feita praticada entre a ECOFOR, a LOCAMAR e a ORTECAL, entabulada de modo que a ECOFOR obtivesse as vantagens tributárias ilícitas desse ato decorrentes. De fato, também no recurso voluntário a recorrente não impugnou especificamente este ponto, que, todavia, por constar do auto de infração e do TVF é de extrema importância para demonstrar a falta de interesse comercial efetivo nas operações praticadas, mas real interesse em obter indevida economia tributária. Mantenho, assim, a glosa do item 4 do auto de infração. h) item 5 do auto de infração – glosa de prejuízos compensados indevidamente Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.426 55 No item 5 do auto de infração é feita a glosa por compensação indevida de prejuízo fiscal no anocalendário de 2005, tendo em vista as reversões do prejuízo após o lançamento das infrações constatadas no períodobase de 2004, que extinguiram totalmente os saldos de prejuízos anteriores. A recorrente alega que os prejuízos estão declarados no Lalur e que somente podem ser desconsiderados após ajustes do lucro real decorrentes do auto de infração, após o julgamento definitivo em sede administrativa. O argumento não procede. De fato, ao efetuar o lançamento, a autoridade administrativa deve reconstituir a base de cálculo a fim de apontar com certeza e liquidez a matéria tributável, e, assim, deve, como fez, glosar o prejuízo indevidamente compensado. De se notar que em caso de sairse vencedor do litígio, evidentemente sua situação não restará prejudicada, porquanto, restaurandose os prejuízos serão eles novamente hábeis para compensar lucros posteriores. i) Da boafé Entende a recorrente que ainda que se considere verdadeiro o relato da fiscalização, as empresas do Grupo Marquise, em especial a autuada, não tiveram participação nas operações tidas por simuladas, que se deram tão somente no âmbito das empresas do Grupo CEC. A recorrente seria assim terceira de boafé, não podendo ser atingida por irregularidades encontradas no contratos e operações da qual não fez parte. Todavia, consoante bem demonstrado pela fiscalização, e apontado no acórdão recorrido, a situação fática decorre de um planejamento global, o qual pôde ser parte por parte esmiuçado, sendo evidente que o objetivo final era produzir recursos para as empresas do Grupo CEC e despesas para as empresas do Grupo Marquise, dentre elas a ECOFOR. Este alvo, consoante demonstrado pelo trabalho fiscal, foi atingido, o que reforça a verossimilhança da tese. Demais disso, viuse a ocorrência de operações absolutamente destituídas de causa jurídica real, tão somente praticados para lograr a obtenção de efeitos tributários na ECOFOR, que, todavia, era apenas uma engrenagem deste grande plano evasivo. Pois bem. Esmiuçadas as operações, verificou a fiscalização, e fez constar dos autos, que delas tomou parte a ECOFOR, e outras empresas do Grupo Marquise, não sendo, portanto, correto afirmar que era inocente, agindo como legítima terceira de boafé. Além de agir na engrenagem no sentido desejado pelo plano evasivo, a ECOFOR celebrou vários negócios que restaram demonstrados não existentes de fato, consoante demonstrou a fiscalização. Assim, sua posição é de integrante do conluio praticado na geração das simulações. E como sabido, a simulação, como defeito do negócio jurídico que é, pelo qual duas ou mais partes se unem para lesar um terceiro, exige, para ser praticada, que os intervenientes sejam sabedores dos seus efeitos. Tratase, assim, de uma investida contra o princípio da boafé, jamais podendo seus intervenientes argüirem a condição de inocentes ou de haver praticado os atos em boafé, pois é justamente contra ela que se volta a simulação. Assim, os argumentos não podem ser acatados. Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 56 j) Da liberdade econômica Alega a recorrente o direito à liberdade econômica, e com ela, a livre iniciativa, a liberdade de trabalho, a liberdade de associação e a livre concorrência são albergadas pela Ordem Econômica da CF/88. Neste diapasão, apesar de poder fiscalizar, a ação estatal não pode interferir no modo de desempenho das atividades empresariais, que, segundo entende, foram praticadas sem fraude ou simulação. De acordo com o que verificamos dos autos, todavia, a atividade praticada pela recorrente foi pautada por fraude/simulação. Neste sentido, restam devidamente amparados os atos praticados pela fiscalização, que no seu mister constitucional pode efetivamente glosar custos e despesas que se mostraram não verificados de fato. Isso não representa qualquer ingerência no poder de agir e de trabalhar da recorrente. De fato, a incisão procedida pela fiscalização é pontual, gerando tão somente efeitos tributários, e não atacando a higidez dos atos praticados no que tange a seus efeitos civis. Assim também, não há falar em falta de liberdade econômica. A uma, porque a glosa dos custos relativos aos atos praticados não ataca seus efeitos civis. A duas, porque não poderia mesmo a recorrente ter praticado atos com simulação/fraude, uma vez que são práticas vedadas pelo Direito, e, ao proceder contra legem a recorrente sujeitase a sofrer as conseqüências estabelecidas em lei para a prática delitiva efetuada. k) Da multa qualificada Alega a recorrente que a fiscalização colheu meras presunções para caracterizar o dolo, sendo que o dolo, a fraude e a simulação devem ser provados. Alega, ainda, que agiu de boafé. Não é o que se verifica, todavia, dos autos, em que a participação da recorrente é ativa na celebração de negócios inexistentes, praticados com fim meramente evasivo. Tal conduta demonstra o conhecimento e a vontade de praticar os atos (dolo genérico relativo à prática da fraude, art. 71,72, 73 da Lei nº 4502/64) e o fim específico de escapar à tributação, logrando recolher carga tributária inferior à devida (dolo específico de não pagar o tributo devido). Assim, é correta a manutenção da multa qualificada. Por oportuno, observo, ainda, que mantida a qualificação da multa, há de se aplicar o art. 173, I, CTN para contagem do prazo decadencial de lançamento. No caso, tendo o contribuinte apurado o resultado de 2004 pelo critério do lucro real anual, o lançamento poderia ter sido efetuado a partir de 01/01/2015. Assim, o termo a quo deve ser contado a partir de 01/01/2006, sendo que o lançamento poderia ter sido notificado até 31/12/2010. Verificandose que o contribuinte foi notificado em 14/12/2010, não há falar em decadência quanto ao fatos geradores relativos ao anocalendário de 2004. l) Reflexos na CSLL Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726197/201017 Acórdão n.º 1302001.650 S1C3T2 Fl. 2.427 57 Tratandose dos mesmos fundamentos de fato e de direito que exigem a manutenção in totum do crédito lançado, as conclusões devem ser aplicadas também à CSLL, devendo também este lançamento ser mantido sem quaisquer alterações. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10805.901681/2011-84
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 16 81 /2 01 1- 84 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 3ª Turma da DRJ Curitiba, na sessão de julgamento de 11 de setembro de 2013, por meio do acórdão 0643.543 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETENCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar incoformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinçao de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 19 3 cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador de serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 10/01/2014 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 10/02/2014, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL 0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 20 5 Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 21 7 Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 22 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 23 11 § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 24 13 Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra Fl. 105DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 25 15 geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.901681/201184 Acórdão n.º 3803006.379 S3TE03 Fl. 26 17 Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11040.500335/2004-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/1999
Ementa:
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - COMPENSAÇÃO DECLARADA EM DCTF.
Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 3301-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 50 03 35 /2 00 4- 13 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório O presente processo se origina de uma exigência fiscal relativa a débitos de PIS, que haviam sido informados em DCTFs como compensados. Tais Declarações foram transmitidas pelo recorrente em 12/05/1999 e 11/08/1999 e, por não terem sido homologadas as compensações, os débitos ali declarados foram inscritos na Dívida Ativa da União em 15/01/2004. Ato contínuo, foi ajuizada a competente Execução Fiscal, em 18/01/2005 (proc. 2005.71.10.0002410). Antes do ajuizamento da mencionada ação executória, a contribuinte requereu perante a Procuradoria da Fazenda Nacional em Pelotas o cancelamento das inscrições em Dívida Ativa da União sob a alegação de que havia informado valores em DCTF com saldo “zerado” pelas compensações com tributos de mesma espécie (nos termos do regime do art. 66 da Lei 8.383/1991). Os autos seguiram para DRF/Pelotas, que não homologou as compensações pleiteadas, por entender decaído o direito, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data dos pagamentos e a entrega das DCTFs (fl. 61). A empresa foi cientificada da mencionada decisão por AR em 26/06/2004 (fl. 72). Em paralelo a esse procedimento, a empresa obteve, na via judicial, em sede de Exceção de PréExecutividade, o cancelamento das inscrições e a extinção do processo executivo. Asseverou o Juízo da causa (fl.114) que se a parte embargada houvesse discordado da compensação, como ocorreu, ela deveria ter apurado a diferença e intimado a recorrente a recolher o que entendia devido ou para apresentar sua defesa. Não tendo sido o que ocorreu no caso em tela, já que a Fazenda simplesmente procedeu à inscrição direta do crédito o qual entendia existir sem a prévia intimação da parte, deveriam as inscrições ser canceladas e o processo executivo extinto. A r. sentença foi confirmada pelo TRF da 4ª. Região, tendo havido trânsito em julgado a decisão favorável à empresa. Diante do pronunciamento supra, os autos do processo administrativo foram encaminhados para a DRF de Pelotas, que por meio de despacho, em 07/07/2011 (fls. 138/140), reexaminou as compensações efetuadas para, ao final, deixar de homologálas pelas mesmas razões explanadas pelo despacho anterior, qual seja: Decurso de lapso temporal superior a cinco anos entre os créditos do contribuinte e o aproveitamento por compensação. Do mencionado despacho, foi cientificado o recorrente, em 20/07/2011 e, ato contínuo, interposta manifestação de inconformidade às fls. 158/149. Na peça referida, o contribuinte requereu o afastamento da decadência, pugnando pela aplicação ao caso do prazo de dez anos do recolhimento indevido, conforme jurisprudência do STJ e, ainda, pleiteou a nulidade do presente processo, em razão da inobservância do disposto no art. 9º. do Decreto 70.235/72 já que, no seu entender, a exigência do crédito em questionamento nesses autos deveria ter sido formalizada por meio de auto de infração. A DRJ rejeitou as alegações do contribuinte em sua manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do direito pleiteado ao fundamento de que o crédito pleiteado estaria decaído. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11040.500335/200413 Acórdão n.º 3301002.223 S3C3T1 Fl. 3 Quanto à alegação de descumprimento do procedimento disposto no art. 9º. do Decreto 70.235/72, a Delegacia concluiu pelo desprovimento da manifestação porquanto não se trata aqui de exigência mediante auto de infração ou de notificação de lançamento, mas sim de cobrança via instrumento de confissão de dívida representada pelas DCTF’s entregues, as quais contêm informações relativas aos vários tributos e contribuições administrados pela SRF. Por fim, examinando a liquidez do crédito compensado, o que sequer tinha sido procedido pela Delegacia de origem, concluiu a DRJ que não há nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Pátrio. Intimado do referido acórdão em 23 de abril de 2008 (fl. 170), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 22 de maio de 2008 (fls. 172/178). No apelo, reafirmou os argumentos apresentados à DRJ. Quanto à questão atinente à liquidez do crédito, inovação perpetrada pela delegacia julgadora a quo, o contribuinte insurgese contra a inauguração da matéria em sede de exame da manifestação de inconformidade e pleiteia a desconsideração da decisão nessa parte. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Como já referido, a controvérsia dos presentes autos gira em torno do direito do contribuinte, ora recorrente, aos créditos oriundos do recolhimento a maior de PIS, conforme DCTFs transmitidas em 12/05/1999 a 11/08/1999, relativos aos períodos de apuração janeiro a abril 1999, enviado para inscrição em 15/01/2004 e inscritos em Dívida Ativa da União em 13 de fevereiro de 2004, tendo sido ajuizada ação de execução fiscal em 18/01/2005. Inicio o voto, trazendo à baila a questão atinente à necessidade de lançamento de ofício nas hipóteses em que as compensações eram informadas por meio de DCTF. Isso porque entendo que assiste razão à recorrente nessa parte em vista do posicionamento jurisprudencial, em especial do Eg. Superior Tribunal de Justiça, a respeito do tema. Com efeito, o Eg. STJ, por meio de diversos julgados já pacificou entendimento no sentido de que os débitos objeto de compensação indevida declarada em DCTF necessitam de lançamento de ofício para serem exigidos. Em especial, no que toca às DCTFs anteriores a 31 de outubro de 2003, data em que Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 passou a vigorar de fato o art. 18 da MP no. 135/2003, convertida na Lei no. 10.833/2003. Segundo o entendimento daquela Corte, é ilegal a exigência fiscal nos casos em que a recusa da compensação é seguida da inscrição em Dívida Ativa sem a necessária notificação do contribuinte para apresentação da defesa ou mesmo para o recolhimento do que deixou de ser homologado. Nesse sentido, os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE TRIBUTO POR MEIO DE DCTF. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NO MESMO DOCUMENTO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE INDEFERIMENTO. DIREITO À CONCESSÃO DA CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, negar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1218836∕PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 24.8.2010) TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. 1. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, proceder à inscrição do débito em dívida ativa com posterior ajuizamento da execução fiscal. 3. Inexiste crédito tributário devidamente constituído enquanto não finalizado o necessário procedimento administrativo que possibilite ao contribuinte exercer a mais ampla defesa, sendo vedado ao Fisco recusar o fornecimento de certidão de regularidade fiscal se outros créditos não existirem. 4. Recurso especial não provido. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11040.500335/200413 Acórdão n.º 3301002.223 S3C3T1 Fl. 4 (REsp 999.020∕PR, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 21.5.2008) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. REALIZAÇÃO POR MEIO DE DCTF. POSSIBILIDADE. HOMOLOGAÇÃO PENDENTE DE ANÁLISE POR PARTE DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. A questão discutida nos autos é a possibilidade de o contribuinte, por meio de DCTF, proceder a compensação de créditos tributários, com a suspensão de sua exigibilidade. 2. Sobre a matéria, a jurisprudência deste STJ é no sentido de que se apresenta regular, quanto aos tributos cujo lançamento se faz por homologação, a compensação tributária realizada por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; e que, enquanto não houver a análise, por parte da administração tributária, do procedimento compensatório realizado, a exigibilidade do tributo indicado à compensação está suspensa. Precedentes. 3. O fato de o contribuinte proceder à compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação, por meio de DCTF (art. 156, II, do CTN), enseja o entendimento de que o crédito tributário indicado à compensação está com a exigibilidade suspensa até o pronunciamento administrativo final sobre o mérito da compensação (art. 151, III, c∕c art. 150, § 1º, do CTN e art. 74, § 2º, da Lei n. 9.430∕96). Caso seja verificada a inadequação do procedimento, ou a insuficiência de valores, o contribuinte deve ser intimado da decisão administrativa, oportunizandolhe a ampla defesa e o contraditório; sendo certo, contudo, que o pagamento a destempo de tributo enseja o acréscimo de multa, juros e correção monetária. 4. Embora o Tribunal a quo não tenha aplicado as disposições do art. 74 da Lei n. 9.430∕96 para decidir a questão, isso não significa que houve omissão apta a violar o art. 535 do CPC. 5. Isso, porque o julgador, desde que fundamente suficientemente sua decisão, não está obrigado a responder todas as alegações das partes, a aterse aos fundamentos por elas apresentados nem a rebater um a um todos os argumentos levantados, de tal sorte que a insatisfação quanto ao deslinde da causa não oportuniza a oposição de embargos de declaração, sem que presente alguma das hipóteses do art. 535 do CPC. 6. E, no caso, anotase que as disposições do art. 74 da Lei n. 9.430∕96 em nada influenciariam o resultado do julgamento, na parte em que a Fazenda foi sucumbente, Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 pois não há nenhuma exigência do art. 74 da Lei n. 9.430∕96 que não esteja contida nas informações constantes das "Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. 7. Acórdão recorrido que não viola as disposições do art. 74 da Lei n. 9.430∕96, porquanto tão somente reconhece a efetividade da "declaração de compensação" realizada por meio de "Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF e a omissão da Fazenda quanto à análise de sua regularidade. 8. Não verificadas, portanto, as violações ao art. 535 do CPC e ao art. 74 da Lei n. 9.430∕96. 9. Recurso especial não provido. (REsp 1072648∕SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 21.9.2009) A questão foi resolvida pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça após exame acurado da legislação em vigor, a qual não dispensava a fiscalização do necessário lançamento de ofício, mesmo em se tratando de débito declarado em DCTF. Apenas a partir da entrada em vigor do art. 18 da MP n°. 135/2003, convertida na Lei n°. 10.833/2003, é que o lançamento de ofício foi dispensado. Diante das alterações legislativas, o Eg. STJ analisou a questão sob a ótica da nova norma aplicável e, por ocasião do julgamento do RESP 1205004SC, em votovista da lavra do Min. Mauro Campbell Marques, foi traçado um “divisor de águas”, adaptando a jurisprudência relativamente à evolução legislativa. É possível extrair esse corte na ementa do votovista do Min. Mauro Campbell, que assim resumiu a questão: RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DO "DÉBITO APURADO". REGIMES JURÍDICOS APLICÁVEIS. DCTF RETIFICADORA. EFICÁCIA. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124∕84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135∕2003, convertida na Lei n. 10.833∕2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11040.500335/200413 Acórdão n.º 3301002.223 S3C3T1 Fl. 5 DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430∕96). 3. Às DCTF's retificadoras apresentadas de 31.10.2003 em diante se aplica o regime das DCTF's retificadas, na forma do art. 18, da Medida Provisória nº 2.18949, de 2001, que estabelece que a declaração retificadora tem os mesmos efeitos da declaração originária. 4. No caso concreto, as DCTF's originais antecedem a data de 31.10.2003, pois foram apresentadas em 13.11.2000, 15.02.2001 e 15.05.2001. Desse modo, em que pese a presença de DCTF's retificadoras em 02.09.2004, os créditos ali veiculados decorrentes de compensações indevidas não estavam constituídos, pois careciam de lançamento de ofício para serem encaminhados para inscrição em dívida ativa. Ausente o lançamento até a data do ajuizamento do mandado de segurança preventivo (19.12.2006), é de ser reconhecida a decadência. 5. Recurso especial conhecido e provido (Ementa de voto vista do Min. Mauro Campbell Marques, proferido no REsp. n. 1.205.004SC, Segunda Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, julgado em 22.03.2011). No referido votovista estão evidenciadas todas as alterações legislativas procedidas e as razões que o motivou a impor a divisão temporal para a exigência do lançamento de ofício. As razões exaradas pelo Ministro naquela oportunidade seguem abaixo transcritas e as relaciono por interessante para o feito, verbis: “Não é segredo que o débito declarado em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, por força do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, constitui definitivamente o crédito tributário, já que é confissão de dívida, e permite, desde já, a sua exigência, inclusive mediante cobrança executiva. In litteris: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. [...] Efetivamente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF é documento complexo cujos efeitos não podem resumirse apenas à declaração do que nela se transcreve. A DCTF contém em suas linhas, além da constituição do crédito tributário através da declaração de todos os "débitos apurados", também a declaração dos "créditos vinculados" e a confissão do "saldo a pagar" (diferença entre os "débitos apurados" e os "créditos vinculados"). Em outras palavras, um mesmo documento comporta, respectivamente, a constituição do crédito tributário (rubrica "débitos apurados"), a declaração de valores que na ótica do contribuinte devem ser abatidos desse crédito (rubrica "créditos vinculados") e a confissão inequívoca de determinado valor (rubrica "saldo a pagar"). Constituise, declarase e confessase em um mesmo documento valores distintos pertencentes a rubricas distintas. Dentro da rubrica "créditos vinculados" são inseridas as rubricas de "pagamento", "compensação com DARF", "compensação sem DARF", "parcelamento" e "suspensão". As rubricas de compensação correspondem às informações prestadas pelo contribuinte em relação aos processos judiciais onde foram reconhecidos créditos compensáveis. Na complexa sistemática da DCTF que estava em vigor à época da entrega das declarações originais do presente processo (nov∕2000 a mai∕2001), preservavase a cobrança direta da rubrica "saldo a pagar" e havia a exigência de lançamento de ofício para formalizar a cobrança das diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevida ou não comprovada. A previsão estava na Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, vejase: Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. (Redação dada pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000) § 1º Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. (Redação dada pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000) Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11040.500335/200413 Acórdão n.º 3301002.223 S3C3T1 Fl. 6 § 2º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas JurídicasIRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. (Redação dada pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000) § 3º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. (Redação dada pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000) § 4º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os §§ 2º e 3º, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997. (Incluído pela IN SRF nº 15∕00, de 14∕02∕2000) A mesma exigência de lançamento de ofício para formalizar a cobrança das diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de compensação indevida ou não comprovada, foi estabelecida no art. 7º, §4º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998. In litteris: Art. 7º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (Redação dada pela IN SRF nº 16∕00, de 14 de fevereiro de 2000) § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. (Redação dada pela IN SRF nº 16∕00, de 14 de fevereiro de 2000) § 2º Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. (Redação dada pela IN SRF nº 16∕00, de 14 de fevereiro de 2000) § 3º Os saldos a pagar relativos ao imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurado anualmente, serão, também, objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração Integrada de Informações da Pessoa Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Jurídica DIPJ, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. (Redação dada pela IN SRF nº 16∕00, de 14 de fevereiro de 2000) § 4º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e de multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, e nº 077, de 24 de julho de 1998. (IN SRF nº 16∕00, de 14 de fevereiro de 2000) Somente a partir de 27.08.2001 a exigência deixou de ser infralegal e passou a ser veiculada na Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, que trouxe o seguinte texto: Medida Provisória n. 2.15835, de 2001 Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Na mesma linha, após a criação em 1º de outubro de 2002 da Declaração de Compensação (Medida Provisória n. 66, de 2002, convertida na Lei n. 10.637∕2002), sobreveio a Medida Provisória n. 75, de 2002, que, tendo sido publicada no 25.10.2002, foi posteriormente rejeitada pelo Congresso Nacional conforme ato publicado em 19.12.2002. A medida trouxe texto que limitava a necessidade do lançamento de ofício dos débitos apurados em DCTF, mas mantinha o procedimento para as hipóteses de compensação. Transcrevo: Medida Provisória n. 75, de 2002 Art. 3º A aplicação do disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, fica limitada aos casos em que as diferenças apuradas decorrem de: I na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa; II demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fica caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Com base no texto da medida provisória rejeitada, enquanto ainda estava em vigor, foi produzida a Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002, que assim tratou do tema: Art. 8o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11040.500335/200413 Acórdão n.º 3301002.223 S3C3T1 Fl. 7 § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 2º Os saldos a pagar relativos ao IRPJ e à CSLL das pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real, apurados anualmente, serão objeto de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas na DCTF e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 3º Os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. ( * ) § 4º Serão objeto de lançamento de ofício, com multa agravada, as diferenças apuradas na DCTF, conforme disposto no § 3º, quando decorrerem de:(*) I na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa; II demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fique caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (*) Dispositivos prejudicados em função da rejeição da Medida Provisória nº 75, de 24 de outubro de 2002. Em seguida, sobreveio a Lei n. 10.833∕2003 (MP n. 135, de 2003) que em 31.10.2003 novamente limitou as hipóteses em que se fazia necessário o lançamento de ofício das diferenças apuradas em declaração, desta vez apenas para exigir a multa isolada, fixando, assim, a desnecessidade de lançamento de ofício em relação às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida. Vejase: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 2o A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Impera mencionar que o §1º,do art. 18 suso citado, ao fazer remissão ao §6º, da Lei n. 9.430∕96, acabou por estabelecer que o débito indevidamente compensado em DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a sua exigência mediante inscrição direta em dívida ativa. Outrossim, criou procedimento próprio para sua cobrança que possibilitou ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade antes do encaminhamento para inscrição em dívida ativa. Vejase: Art. 74. [...] § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11040.500335/200413 Acórdão n.º 3301002.223 S3C3T1 Fl. 8 [...] Pois bem, colocada toda a legislação tributária relevante para a solução do tema, concluo que: a) antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença dos débitos apurados em DCTF decorrentes de compensação indevida, conforme toda a legislação citada; b) de 31.10.2003 em diante (eficácia da MP n. 135∕2003, convertida na Lei n. 10.833∕2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento de débitos apurados em DCTF decorrentes de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430∕96).” No caso concreto, as DCTFs em tela foram transmitidas pela contribuinte em 12/05/1999 e 11/08/1999, ou seja, em momento em que ainda não se encontrava em vigor a MP 135/2003, donde evidente a exigência de lançamento de ofício. Em consonância com esse entendimento, a Súmula CARF no. 52 reza, in verbis: Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Assim, seja em vista da firme e atual jurisprudência do Eg. STJ, que adoto como razão de decidir, bem como segundo se depreende do disposto na Súmula CARF no. 52, imprescindível, para a constituição do crédito em debate, o lançamento de ofício. Não tendo o Fisco procedido dessa forma, só resta a esse Eg. CARF anular todos os atos praticados nesses autos e, por conseguinte, proceder ao cancelamento da exigência fiscal em tela que, ao fim e ao cabo, é o objeto da presente lide, que já se iniciou com a exigência do tributo à fl. 63. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso Voluntário para anular integralmente o presente feito e, por conseguinte, cancelar a presente exigência, reconhecendo o direito ao crédito, e determinando à Delegacia de origem que proceda a confirmação dos créditos e a consequente compensação pleiteada. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2014 Fábia Regina Freitas Relatora. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10972.720099/2012-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR DE NULIDADE - IRPJ - CSLL
Instrumentos específicos dos autos de infração de IRPJ e de CSLL mantêm sintonia com o motivo constante no termo de verificação fiscal. O MPF-F foi alterado para compreender o IRPJ. Relação de saldos credores de caixa por data, e para a qual foram requeridos esclarecimentos acompanhados da documentação suporte. Inocorrência de nulidade.
SALDO CREDOR DE CAIXA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - VÍCIO SUBSTANCIAL
O autuante considerou como receita omitida o saldo credor da conta Caixa, emergente na primeira data de 2008. Daí em diante, só considerou o que excedeu de valor como saldo credor naquela conta durante o ano-calendário. Procedimento na mensuração do saldo credor de caixa como presunção legal de omissão de receitas irreparável.
PIS - COFINS - DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA
Os lançamentos de PIS e de Cofins não são lastreados em fatos cuja apuração configurou materialidade tributável de IRPJ e de CSLL. Aquelas exigências são autônomas, sendo de competência para julgamento a Terceira Seção do CARF.
Numero da decisão: 1103-001.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, (i) negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas por saldo credor de caixa para fins de IRPJ e de CSLL, (ii) declinar competência para julgamento de toda a matéria de PIS e de Cofins para a 3ª Seção de Julgamento e (iii) determinar a formação de processo específico para as exigências de PIS e Cofins segundo indicado no voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE - IRPJ - CSLL Instrumentos específicos dos autos de infração de IRPJ e de CSLL mantêm sintonia com o motivo constante no termo de verificação fiscal. O MPF-F foi alterado para compreender o IRPJ. Relação de saldos credores de caixa por data, e para a qual foram requeridos esclarecimentos acompanhados da documentação suporte. Inocorrência de nulidade. SALDO CREDOR DE CAIXA - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - VÍCIO SUBSTANCIAL O autuante considerou como receita omitida o saldo credor da conta Caixa, emergente na primeira data de 2008. Daí em diante, só considerou o que excedeu de valor como saldo credor naquela conta durante o ano-calendário. Procedimento na mensuração do saldo credor de caixa como presunção legal de omissão de receitas irreparável. PIS - COFINS - DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA Os lançamentos de PIS e de Cofins não são lastreados em fatos cuja apuração configurou materialidade tributável de IRPJ e de CSLL. Aquelas exigências são autônomas, sendo de competência para julgamento a Terceira Seção do CARF.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PRELIMINAR DE NULIDADE IRPJ CSLL Instrumentos específicos dos autos de infração de IRPJ e de CSLL mantêm sintonia com o motivo constante no termo de verificação fiscal. O MPFF foi alterado para compreender o IRPJ. Relação de saldos credores de caixa por data, e para a qual foram requeridos esclarecimentos acompanhados da documentação suporte. Inocorrência de nulidade. SALDO CREDOR DE CAIXA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS VÍCIO SUBSTANCIAL O autuante considerou como receita omitida o saldo credor da conta Caixa, emergente na primeira data de 2008. Daí em diante, só considerou o que excedeu de valor como saldo credor naquela conta durante o anocalendário. Procedimento na mensuração do saldo credor de caixa como presunção legal de omissão de receitas irreparável. PIS COFINS DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA Os lançamentos de PIS e de Cofins não são lastreados em fatos cuja apuração configurou materialidade tributável de IRPJ e de CSLL. Aquelas exigências são autônomas, sendo de competência para julgamento a Terceira Seção do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, (i) negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas por saldo credor de caixa para fins de IRPJ e de CSLL, (ii) declinar competência para julgamento de toda a matéria de PIS e de Cofins para a 3ª Seção de Julgamento e (iii) determinar a formação de processo específico para as exigências de PIS e Cofins segundo indicado no voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 99 /2 01 2- 78 Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.893 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.894 3 Relatório TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Tratase de Autos de Infração que exigem crédito tributário no montante de R$ 2.077.661,73 referente à falta de pagamento de IRPJ, CSL, PIS e Cofins no anocalendário 2008. A ação fiscal está detalhada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1737 a 1777, no qual consta, em síntese: II DESCRIÇÃO DOS FATOS [...] O contribuinte é empresa com domicílio fiscal em Uberaba/MG e exerce a atividade de CNAE: 4681801 Comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista (T.R.R.), e como CNAE secundário 7020400 Atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica, em 2008 optou pelo regime do Lucro Real Anual, conforme Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) apresentada em 27/11/2009 (fls. 36 a 69). [...] As distribuidoras de combustíveis estavam sujeitas aos dois regimes de apuração do PIS e da Cofins em 2008: 1. O não cumulativo em relação à revenda de gasolina e óleo diesel, cuja tributação ocorria de forma concentrada no produtor/importador. As vendas pela distribuidora eram realizadas com alíquota zero. A partir de out/2008 o álcool passou para o regime não cumulativo, com tributação concentrada no produtor/importador. 2. O regime cumulativo em relação ao álcool para fins carburantes, cujas contribuições eram apuradas de forma concentrada a alíquotas diferenciadas (1,46% para o PIS e 6,74% para a Cofins) pela distribuidora até set/2008. A tributação da receita de venda de álcool para fins carburantes de jan/2008 a set/2008 está obrigatoriamente sujeita à sistemática cumulativa, de modo que não é possível o desconto de créditos vinculados a esta receita nesse período, tampouco em relação às receitas relativas ao estoque existente em 30/09/2008, mesmo ocorridas após essa data, que também estão sujeitas ao regime cumulativo. Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.895 4 Não cabe o crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumo por empresa que desenvolve atividade comercial, haja vista que os insumos devem ser aplicados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinado à venda (inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e inc. II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003). Da mesma forma, descabe o crédito referente a máquinas e outros bens incorporados ao ativo imobilizado de empresas comerciais, vez que esses bens devem ter como fim a utilização na produção de bens ou na prestação de Serviços (inc. VI do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e inc. VI do art. 3º da Lei nº 10.833/2003). [...] Quando a legislação admitiu o crédito na armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, ela expressamente dispôs sobre os produtos cujos créditos eram admitidos, nos seguintes termos: “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX, c/c art. 15, II – grifo nosso). Observase que os créditos admitidos são aqueles dos incisos I e II do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002. O inciso I aplicase ao ramo de atividade do Contribuinte. Contudo, não aos produtos vendidos pelo Contribuinte, pois, em sua redação original, a Lei n º 10.637/2002, art. 1º, § 3º, III e IV, para os quais o referido inciso I, alínea “a”, remete, excluíram do regime não cumulativo os produtos sujeitos à substituição (III) e à incidência monofásica (IV). Posteriormente, o citado inciso IV é alterado pela Lei 10.865/2004, admitindo no regime não cumulativo os produtos sujeitos à incidência monofásica, exceto o álcool. Contudo, esta mesma lei incluiu no referido inciso I, do art. 3º, a alínea “b”, mantendo a vedação do crédito na aquisição para revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica previstos no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002. Estes produtos são admitidos no regime não cumulativo para permitir aos fabricantes apurarem créditos incidentes sobre os insumos aplicados em suas fabricações e sobre as despesas vinculadas, armazenagem e frete na venda, pelo elementar fato de suportarem a incidência monofásica, pagando a contribuição na venda. A gasolina e o óleo diesel são adquiridos e vendidos pelos distribuidores à alíquota zero, visto que a contribuição foi totalmente paga no fabricante. De fato, toda a tributação ocorre na refinaria, para o resto da cadeia não há tributação. Desse modo, sobre estes produtos não é admitido o crédito no resto da cadeia. Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.896 5 As despesas existem em função das receitas, em consequência, para a geração de receitas incorrese em despesas sem as quais aquela determinada receita não seria auferida. O Contribuinte em epígrafe tem receitas de venda de gasolina e óleo diesel, para auferir as receitas com a venda destes produtos incorre em despesas de armazenagem e de frete. Portanto, como tais receitas não estão sujeitas à tributação, as despesas a elas vinculadas não podem gerar créditos. Esta é a correta interpretação do art. 3º, inciso IX, c/c o art. 15, II, da Lei nº 10.833/2003, conjugado com o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que ao admitir o crédito na armazenagem e nos fretes nas operações de venda, restringiu estes créditos aos incisos I e II do citado artigo, que, por sua vez, impõem as vedações ali expressas, mormente aquela prevista na alínea “b”, quanto à apuração de crédito incidente no custo de aquisição e nas despesas relacionadas aos produtos sujeitos à tributação concentrada. [...] Idêntico raciocínio vale para a Cofins, nos termos do artigo 3º, inciso IX combinado com Inciso I, b da Lei nº 10.833/2003. Por todo o exposto, os créditos apurados sobre as despesas de armazenagem e de frete nas operações de venda de gasolina, óleo diesel e álcool serão integralmente glosados. A partir de outubro/2008 o álcool foi admitido no regime não cumulativo em decorrência da revogação do inciso IV do § 3º do art. 1º e alínea a do inciso VII do art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e inciso IV do § 3º do art. 1º e alínea a do inciso VII do caput do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 constante do art. 42 da Lei nº 11.727/2008. Raciocínio idêntico ao desenvolvido para a gasolina e o óleo diesel, vale para o álcool relativamente a possibilidade de créditos na aquisição para revenda e créditos relativos a despesas de armazenagens de mercadorias e frete nas operações de venda, pois a alínea b do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e a alínea b do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, foram alteradas pela Lei nº 11.727/2008, cuja restrição passou a alcançar também os produtos contidos no 1ºA do art. 2º Lei nº 10.637/2002 e 1ºA do art. 2º Lei nº 10.833/2003, que é o álcool. Os créditos admitidos, quando existentes no caso concreto, são apurados por meio de rateio nos termos do artigo 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003. III VERIFICAÇÕES FISCAIS [...] IV APURAÇÃO DOS CRÉDITOS 1 – Crédito Apurado por Rateio Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.897 6 Verificamos nos Demonstrativos de Apuração dos Créditos (fls. 24 a 35) que o contribuinte, de janeiro a novembro de 2008, calculou seu crédito por meio de rateio, cujo percentual foi obtido dividindose o faturamento (todas as receitas auferidas inclusive financeiras) menos vendas de álcool pelo faturamento: (FATURAMENTO – VENDA ÁLCOOL HIDRATADO) / FATURAMENTO No mês de dezembro de 2008, não utilizou percentual de rateio. A apuração de crédito por rateio prevista no artigo 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.637/2002 e Art. 3º, § 8º, II, e art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003, considera como receita bruta sujeita a incidência não cumulativa somente aquela sobre a qual incidiu contribuição no regime não cumulativo, e como receita bruta total a soma das receitas auferidas nos regimes cumulativo e não cumulativo. Portanto, o crédito a ser apurado deverá corresponder à relação percentual existente entre as receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos em ambos os regimes. O cálculo do percentual para apurar, por rateio, o crédito do Contribuinte está demonstrado na tabela abaixo, a partir dos valores extraídos da contabilidade, as receitas que compõem a coluna “A” estão demonstradas no Anexo IV ao presente Termo: 2 – Créditos Apurados nos Dacon do primeiro trimestre – período 01/2008 a 03/2008. Nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais deste período, o Contribuinte apurou créditos nas seguintes rubricas, conforme Anexo I ao presente Termo: a) Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de Vapor; b) Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica; Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.898 7 c) Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica; d) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda; e) Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil; f) Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação); g) Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção); h) Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias. [...] 2.1 – despesas de energia elétrica: O aproveitamento de crédito do PIS e da Cofins incidentes sobre despesas de energia está previsto no art. 3o, inciso IX, da Lei nº 10.637/2002, na redação da Lei 10.684/2003 e no art. 3o, incisos III, da Lei nº 10.833/2003. Contudo, apesar do referido artigo 3º não impor restrição quanto a ramo de atividade nem limitar o crédito a determinadas circunstâncias, ele determina em seu § 8º, inciso II a metodologia de cálculo por rateio conforme exposto no item “1” acima. Demonstramos no Anexo III ao presente Termo, os valores das despesas de energia elétrica que serviram de base para a aplicação do percentual de rateio e o crédito apurado. 2.2 despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas: O aproveitamento de crédito do PIS e da Cofins incidentes sobre despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas está previsto no art. 3o, inciso IV, da Lei nº 10.637/2002, na redação da Lei 10.684/2003 e no art. 3o, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. [...] Analisando o demonstrativo apresentado verificamos que o mesmo se apropriou de créditos sobre despesas de condomínio, aluguel de veículos e outros aluguéis para os quais não foram apresentados os contratos. Ocorre que não existe previsão legal para apropriação de créditos sobre despesas de condomínio e aluguel de veículos. Deixamos de fazer qualquer verificação acerca da consistência do crédito apurado nessas rubricas pelo contribuinte, bem como em relação aos créditos decorrentes de aluguéis para os quais não foram apresentados contratos. Na remota hipótese de se Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.899 8 entender forma divergente, os pretensos créditos deverão ser objeto de análise. Demonstramos no Anexo III ao presente Termo, os valores dos aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas devidamente comprovados que serviram de base para a aplicação do percentual de rateio e o crédito apurado. 2.3 Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica: A análise dessa rubrica foi feita no item 2.2, haja vista que o próprio contribuinte esclareceu que em alguns meses informou tais despesas na linha 05 e em outros na linha 06 das Fichas 06A e 16A do DACON. Os contratos apresentados são contratos de locação de veículos. Não existe previsão legal para apropriação de créditos sobre despesas de aluguel de veículos. Deixamos de fazer qualquer verificação acerca da consistência do crédito apurado nessas rubricas pelo contribuinte. Na remota hipótese de se entender de forma divergente, os pretensos créditos deverão ser objeto de análise. 2.4 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda: Em resposta à intimação constante do item 2.4 do Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012, o Contribuinte informou que os créditos relativos a tais despesas são referentes às operações de armazenagem e fretes relacionados às vendas de gasolina, álcool hidratado e óleo diesel, não existindo créditos nesta rubrica que não estejam vinculados a estas mercadorias (fls.673 a 696). Nos demonstrativos (fls. 24 a 35) apontou as contas analíticas de Custos 5105068 Fretes e Carretos Combustíveis Vendas cujos valores serviram de base dos créditos. Consoante a análise feita no tópico II do presente Termo, entendemos que existe vedação legal expressa relativamente ao aproveitamento de tais créditos, que glosamos integralmente. Dessa forma, deixamos de fazer qualquer verificação acerca da consistência do crédito apurado nessas rubricas pelo contribuinte. Na remota hipótese de se entender de forma divergente, os pretensos créditos deverão ser objeto de análise. 2.5 Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil: Em resposta à intimação constante do item 2.5 do Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012, o Contribuinte informou que os créditos relativos a tais despesas foram informados incorretamente nessa linha, e que o valor informado referese a armazenagem e frete e deveria ter sido lançado na linha 07 das fichas 06A e 16A (fls. 673 a 696). Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.900 9 2.6 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação): [...] Ou seja, a base de depreciação utilizada não guarda consonância com o demonstrativo apresentado, o que inviabiliza qualquer análise, pois não cabe a Auditoria apontar a Base de Cálculo da Depreciação, apenas verificar se está em conformidade com o regramento legal, face aos documentos e esclarecimentos apresentados. 2.6.1 Em relação ao imobilizado “FILIAL SENADOR CANEDO” apresentou escritura de aquisição do imóvel (fls. 917 a 919). [...] Dessa forma serão integralmente glosados os créditos apropriados decorrentes das despesas de depreciação do imobilizado “FILIAL SENADOR CANEDO”, por falta de comprovação. 2.6.2 Em relação ao imobilizado “FILIAL BARRA DO GARÇAS” apresentou Certidão do 1º Registro de Imóveis da circunscrição de Barra do Garças (fls. 920 a 922). [...] Dessa forma serão integralmente glosados os créditos apropriados decorrentes das despesas de depreciação do imobilizado “FILIAL BARRA DO GARÇAS”, por falta de comprovação. 2.6.3 Em relação ao imobilizado “FILIAL UBERABA” apresentou Escritura de dação em pagamento (fls. 923 a 928). [...] Dessa forma serão integralmente glosados os créditos apropriados decorrentes das despesas de depreciação do imobilizado “FILIAL UBERABA”, por falta de comprovação. 2.6.4 Em relação ao imobilizado “FILIAL UBERLÂNDIA” apresentou Certidão do imóvel expedida em 29/03/2012 (fl. 929), relação de notas que compõem a ampliação da Base de Uberlândia (fls. 930 a 933) e notas fiscais respectivas (fls. 934 a 1136). [...] Dessa forma serão integralmente glosados os créditos apropriados decorrentes das despesas de depreciação do imobilizado “FILIAL UBERLÂNDIA”, pelos seguintes motivos: > Não existe registro da Ampliação; Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.901 10 > Controle Patrimonial divergente do demonstrativo apresentado; > A Base de cálculo da Depreciação não foi demonstrada. 2.7 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção): Em resposta a intimação (item 2.4 do Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012 fls. 381 a 385) o Contribuinte informou que os créditos relativos a tais despesas foram informados incorretamente nessa linha, apresentou uma tabela em que demonstra os valores e as linhas corretas, ficando evidente que não existe crédito nessa rubrica (fls. 673 a 696). 2.8 Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias: [...] Os contratos de fornecimento de combustível e outras avenças apresentados (fls. 491 a 499) têm por objeto a aquisição com exclusividade pela revendedora (Posto Fidelizado), para revenda em seu comércio varejista, dos produtos Gasolina C, óleo Diesel e Álcool Hidratado para fins carburantes, da fornecedora ZEMA CIA DE PETRÓLEO LTDA. A fornecedora dá bens em comodato, arcando com as despesas de sua instalação, caracterizados como KIT VISUAL ZEMA, que consiste em vários itens consoante contratos. As instalações dos Postos Fidelizados não foram objeto de locação, tampouco são utilizadas nas atividades do Contribuinte. Dessa forma, os Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias não caracterizam hipótese de apropriação de créditos segundo a legislação supra, e foram glosados integralmente. [...] 3– Créditos Apurados nos Dacon do segundo trimestre – período 04/2008 a 06/2008. [...] 4– Créditos Apurados nos Dacon do terceiro trimestre – período 07/2008 a 09/2008. Nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais deste período, o Contribuinte apurou créditos nas seguintes rubricas, conforme Anexo I ao presente Termo: a) Bens para Revenda b) Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de Vapor; c) Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica; Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.902 11 d) Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica; e) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda; f) Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação); g) Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção); h) Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias. 4.1 – Bens para Revenda: O aproveitamento de crédito do PIS e da Cofins incidentes sobre bens adquiridos para revenda está previsto no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002, na redação da Lei 10.684/2003 e no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003. Em resposta à intimação contida no item 2.1 do Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012, o Contribuinte apresentou as notas fiscais relativas à aquisição de bens para revenda (fls. 1338 a 1342). Os bens adquiridos estão relacionados exclusivamente a receitas sujeitas a incidência não cumulativa, podendo apropriar integralmente os créditos incidentes, que são passíveis apenas de desconto. Das notas fiscais apresentadas entendemos que somente a nota fiscal nº 61732, emitida pela BRINQUEDOS ROSITA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, e a nota fiscal de devolução emitida pela COMÉRCIO E COMBUSTÍVEIS CACHOEIRA LTDA geram créditos. A nota fiscal de serviços nº 150, emitida pela VG PLACAS ARAXA LTDA, a nota fiscal de serviços nº 29171 emitida pela BREDA ARTES GRAFICAS LTDA não tratam de aquisição de bens para revenda, e serão glosadas. A nota fiscal nº 362, emitida pela GRAFICA 3 PINTI LTDA. não trata de aquisição de bens para revenda, mas de despesa promocional, e será glosada. Demonstramos no Anexo III ao presente Termo, os valores das aquisições que serviram de base para a apuração dos créditos. [...] 5– Créditos Apurados nos Dacon do quarto trimestre – período 10/2008 a 12/2008. Nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais deste período, o Contribuinte apurou créditos nas seguintes rubricas, conforme Anexo I ao presente Termo: a) Bens para Revenda Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.903 12 b) Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a forma de Vapor; c) Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica; d) Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica; e) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda; f) Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil; g) Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação); h) Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção); i) Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias. j) Créditos Calculados por Unidade de Medida de Produto [...] 5.6 Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil: [...] Da leitura dos contratos de arrendamento apresentados, entendemos que os riscos e benefícios inerentes à propriedade dos ativos arrendados foram transferidos ao arrendatário, de forma que tratase de venda financiada. Nesse caso, os pagamentos das prestações do arrendamento mercantil financeiro não caracterizam uma despesa e serão registrados, parte como amortização parcial do saldo devedor da dívida e parte como pagamento de encargos financeiros, devendo o bem ser depreciado pela sua vida útil, e os créditos da nãocumulatividade serão apurados com base nos encargos de depreciação, nos termos do art. 3º, inciso VI, da Lei no 10.637/2002 e inciso VI, da Lei nº 10.833/2003, desde que esses bens tenham como fim a utilização na produção de bens ou na prestação de serviços, o que não é o caso do contribuinte. Dessa forma, as Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil não caracterizam hipótese de apropriação de créditos segundo a legislação supra, e foram glosados integralmente. [...] 5.10 Créditos Calculados por Unidade de Medida de Produto: O Contribuinte optou pelo Regime Especial de Apuração e Pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre Combustíveis – RECOB, previsto no § 4º do art. 5º da Lei nº 9.718/98, com vigência a partir de 01/10/2008. A opção pelo RECOB implica no cálculo das contribuições por unidade de medida, nos termos do artigo citado e do Decreto nº 6.573/2008. Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.904 13 A Lei nº 11.727, de junho de 2008, fixou novos parâmetros à tributação do álcool, incluindoo na nãocumulatividade e estabelecendo uma tributação concentrada no distribuidor concomitante com uma menor tributação no produtor ou importador. As regras fundamentais dessa tributação estão postas no artigo 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que teve sua redação reescrita pela Lei nº 11.727, de 2008: [...] O artigo 3º, I, b, das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que trata do direito a crédito relativo a bens adquiridos para revenda também foi modificado pela Lei n º 11.727, de 2008: [...] As vedações ao direito de crédito em relação à aquisição de bens e serviços para revenda abrangem os produtos constantes no § 1º do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (produtos sujeitos à tributação monofásica), e no § 1ºA do art. 2º das mesmas leis (álcool). Ressaltese que também o § 1ºA foi acrescentado nas leis de regência pela Lei nº 11.727, de 2008: [...] Ou seja, além de vedar o crédito relativo a bens adquiridos para revenda aos produtos monofásicos citados no § 1º do art. 2º, estendeu a Lei nº 11.727, de 2008, esta vedação também ao álcool, produto mencionado no § 1ºA do art. 2º. A mesma Lei nº 11.727, de 2008, quando acrescentou o § 13 ao art. 5º da Lei nº 9.718, de 1998, estabeleceu uma exceção quanto à vedação aos créditos na aquisição para revenda: [...] Assim, é possível o desconto de créditos quando da aquisição por produtor, importador ou distribuidor de álcool de outro produtor, importador ou distribuidor. É necessário, todavia, que se proceda a uma interpretação sistemática do conteúdo normativo relativo ao álcool, trazido pela Lei nº 11.727, de 2008, para permitir a adequada compreensão da amplitude dessa exceção e para resolver a antinomia existente entre a norma constante da alínea b do inciso I do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e a norma do § 13 do art. 15 da Lei nº 9.718, de 1998. Não é razoável entender que na aquisição de álcool de um produtor por um distribuidor, haja direito a crédito. Isso porque a alínea b do inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 veda expressamente esse crédito. Referido crédito somente será possível quando de uma situação excepcional, ou seja, quando o produtor adquirir o produto de outro produtor ou quando o distribuidor adquirir o produto de outro distribuidor. Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.905 14 Nesses casos, para evitar a dupla tributação na cadeia de comercialização, que passa a ter um elo a mais, é permitido que seja descontado crédito. Interpretação diferente implicaria a inconsistência da tributação da cadeia do álcool. Ressaltese que, à semelhança da tributação dita monofásica, a alíquota zero atribuída ao comerciante varejista de álcool é compensada pela alíquota maior atribuída ao distribuidor. Permitir que ele se credite do álcool adquirido do produtor resultaria que a tributação no distribuidor deixaria de ser concentrada, não havendo nenhuma compensação tributária em relação à alíquota zero do final da cadeia. Assim, concluise que não será possível o crédito quando da aquisição para revenda por um distribuidor de álcool de um produtor. O crédito somente será possível quando um produtor adquirir álcool de outro produtor, ou um distribuidor adquirir álcool de outro distribuidor. Verificamos nos sistemas da Receita Federal o Código de atividade dos fornecedores de álcool do contribuinte e todos figuram como produtores de álcool. Consoante Termo de Intimação Fiscal de 26/11/2012 (fls.1687 a 1689), Intimamos o contribuinte a informar e identificar as aquisições efetuadas de outro distribuidor. Em resposta apresentada em 29/11/20102 (fls. 1690 a 1692), o mesmo informou que não houve aquisição de álcool de outro distribuidor. Portanto não está configurada a hipótese de crédito incidente na aquisição de álcool, pois não houve compra efetuada de outro distribuidor. Todos os créditos apropriados pelo contribuinte nessa rubrica serão glosados a exceção das notas fiscais relativas a devoluções de vendas, cujo crédito demonstramos abaixo: V – RESUMO DAS BASES DE CÁLCULO AJUSTADAS E GLOSA DE CRÉDITOS A auditoria das contribuições PIS e Cofins resultou na glosa parcial dos créditos apurados pelo Contribuinte. Demonstramos no Anexo III ao presente Termo os valores das bases de cálculo dos créditos das contribuições PIS e Cofins apuradas pelo Contribuinte, apurados pela auditoria e das glosas efetuadas. Os créditos apurados pelo contribuinte foram objeto de desconto e de compensação com débitos relativos a outros tributos, conforme Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento e Declarações de Compensação. Este Auto de Infração tem por escopo glosar todos os créditos indevidamente apurados pelo Contribuinte, conforme aqui relatado. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.906 15 Cumpre salientar que parte das glosas está intimamente relacionada ao cálculo do percentual de rateio utilizado pelo contribuinte e aquele contido na legislação. Em razão das glosas efetuadas, demonstramos no Anexo IV, o confronto dos valores apurados das contribuições PIS e Cofins, com os créditos apurados pela auditoria constantes do Anexo III, remanescendo contribuições a serem lançadas de ofício, o que implica na total improcedência dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de compensação que tiveram por objeto créditos relativos aos períodos analisados no presente trabalho. Como a integralidade dos créditos apurados pela auditoria foram objeto de desconto, deixamos de mensurar os valores passíveis de ressarcimento. VI – INFRAÇÕES PIS – INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO Em decorrência das glosas de créditos efetuadas, os valores dos créditos apurados não foram suficientes para extinguir as obrigações relativas ao PIS, consoante Anexo IV ao presente Termo. Conforme se verifica no citado Anexo, foram consideradas na apuração do PIS, as receitas de Aluguéis, de Serviços Prestados, Compensação Financeira Petrobrás, venda de outros produtos e bonificações recebidas. Em relação às receitas de Compensação Financeira Petrobrás, o contribuinte foi intimado a esclarecer sua natureza e apresentar documentos comprobatórios (item 2.11 do Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012 fls. 665 a 669). Em resposta apresentada em 10/07/2012 (fls. 673 a 696) informou tratarse de bonificações de desempenho e anexou as cartas de créditos (fls. 1352 a 1354). Entendemos que referida receita compõe a base de cálculo do PIS, pois se enquadra no conceito de faturamento e não caracteriza receita financeira. Em relação às receitas de bonificações recebidas, o contribuinte foi intimado a esclarecer sua natureza e apresentar documentos comprobatórios (item 2.12 do Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012 fls. 665 a 669). Em resposta apresentada em 10/07/2012 (fls. 673 a 696) informou tratarse de bonificações recebidas de fornecedores, listou os valores constantes da conta analítica 3202080 Bonificações Recebidas e apresentou oito notas fiscais das bonificações em mercadorias (fls. 1355 a 1362). Esclareceu que as bonificações em valores foram levadas à tributação de PIS e Cofins conforme linha 01 da fichas 07B e Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.907 16 17B do Dacon, e as bonificações em mercadorias não foram levadas a tributação na entrada, mas foram tributadas na saída e não houve apropriação de créditos referente à entrada. Verificamos as notas fiscais apresentadas e constatamos que as bonificações não estão vinculadas a operações de venda, portanto, não caracterizam desconto incondicional. Entendemos que referidas receitas, seja em valores, seja em mercadorias, compõem a base de cálculo do PIS, pois se enquadram no conceito de faturamento e não caracterizam receita financeira. Confrontando os valores apurados com os declarados a título de PIS não cumulativo em DCTF (extrato fls. 1379 a 1380), constatamos a ocorrência de divergências apontadas na linha “DIVERGÊNCIAS – LANÇAMENTO DE OFÍCIO” do Anexo IV, que foram objeto de lançamento na presente infração. No Anexo IV demonstramos a apuração do PIS incidente sobre o faturamento e do PIS incidente sobre unidade de medida e totalizamos o valor objeto de lançamento na linha “PIS – TOTAL DO LANÇAMENTO”. PIS – OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA Constatamos a ocorrência de saldo credor de caixa escriturado, o qual foi objeto de intimação ao Contribuinte, para prestar esclarecimentos detalhados acompanhados dos elementos de prova, justificar a ocorrência do saldo credor, e, não sendo possível afastar a presunção legal de omissão de receitas, informar e comprovar a natureza da receita objeto da omissão (itens 1.1 e 2.10 do Termo de Constatação e Intimação de 18/05/2012). Em resposta apresentada em 10/07/2012, apresentou justificativas em relação ao saldo credor de caixa, acompanhadas das notas fiscais respectivas (fls. 1363 a 1378), que em síntese alegam divergências de datas relativas a entradas de recursos na conta caixa. A resposta do contribuinte foi analisada conforme Anexo V ao presente Termo, concluindose que restaram não comprovadas as justificativas apresentadas, permanecendo os saldos credores de caixa não comprovados, o que caracteriza presunção legal de omissão de receitas nos termos do art. 281 do RIR/99. Demonstramos a ocorrência de saldo credor de caixa nos valores indicados abaixo, que foram objeto de lançamento como omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa. O lançamento foi efetuado por data de ocorrência, excluindose das ocorrências seguintes os valores lançados nas anteriores dentro do mesmo anocalendário: Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.908 17 Acostamos nas fls. 1410 a 1414, o Termo de Constatação Fiscal de 27/02/2012, com intimação para apresentação de arquivos magnéticos com registro das operações individuadas na conta caixa. Nas fls. 1415 a 1425, a resposta do contribuinte com apresentação do arquivo txt das operações individuadas na conta caixa. Nas fls. 1426 a 1459 os relatórios de acompanhamento dos arquivos magnéticos da contabilidade do anocalendário 2008. Na fls. 1460 a 1517, o Razão da conta caixa extraído dos arquivos magnéticos da contabilidade. Nas fls. 1518 a 1686 o Razão da conta caixa em “txt” apresentado pelo contribuinte, com a indicação do saldo credor escriturado. Nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, no caso da pessoa jurídica auferir receitas sujeitas às duas alíquotas (cumulativa e não cumulativa) e não sendo possível identificar a alíquota aplicável à receita omitida, aplicarseá a essa a alíquota mais elevada entre aquelas previstas para as receitas auferidas pela pessoa jurídica, dessa forma tais receitas serão tributadas à alíquota de 1,65%. PIS GLOSA DE CRÉDITOS – CRÉDITOS DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.909 18 Em virtude de tudo o que foi exposto no presente Termo, concluímos pela ILEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS DO PIS nos valores Demonstrados no Anexo III, na linha “TOTAL DOS CRÉDITOS GLOSADOS”, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2008, o que constitui infração à legislação que dispõe sobre tal contribuição. GLOSAMOS os créditos de PIS na sistemática não cumulativa, informados nos DACON de janeiro a dezembro de 2008 demonstrados no Anexo III ao presente Termo. COFINS – INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO Em decorrência das glosas de créditos efetuadas, os valores dos créditos apurados não foram suficientes para extinguir as obrigações relativas a Cofins, consoante Anexo IV ao presente Termo. A mesma análise feita na infração PIS INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO, também se aplica a Cofins. Confrontando os valores apurados com os declarados a título de Cofins não cumulativa em DCTF (extrato fls. 1381 a 1382), constatamos a ocorrência de divergências apontadas na linha “DIVERGÊNCIAS – LANÇAMENTO DE OFÍCIO” do Anexo IV, que foram objeto de lançamento na presente infração. No Anexo IV demonstramos a apuração da Cofins incidente sobre o faturamento e da Cofins incidente sobre unidade de medida e totalizamos o valor objeto de lançamento na linha “COFINS – TOTAL DO LANÇAMENTO”. COFINS – OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA Consoante análise feita na infração PIS – OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA, também foi lançado como omissão de receitas sujeitas à tributação da Cofins, os saldos credores de caixa não comprovados, submetidos a alíquota de 7,6%. COFINS – GLOSA DE CRÉDITOS – CRÉDITOS DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE Em virtude de tudo o que foi exposto no presente Termo, concluímos pela ILEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS DA COFINS nos valores Demonstrados no Anexo III, na linha “TOTAL DOS CRÉDITOS GLOSADOS”, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2008 o que constitui infração à legislação que dispõe sobre tal contribuição. GLOSAMOS os créditos de Cofins na sistemática não cumulativa, informados nos DACON de janeiro a dezembro de 2008 consoante Anexo III ao presente Termo. Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.910 19 IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA Consoante análise feita na infração PIS – OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA, também foi lançado como omissão de receitas sujeitas à tributação do IRPJ, os saldos credores de caixa não comprovados, nos termos do art. 281 do RIR/99. Como reflexo dessa infração foi lançada a CSLL incidente sobre a omissão de receitas nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULOESTIMADA COM BASE EM BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO MULTA ISOLADA Tendo em vista a omissão de receitas decorrente do saldo credor de caixa não comprovado, ficaram alteradas as bases de cálculo utilizadas pelo contribuinte para apuração mensal do IRPJ. Recompusemos a base e verificamos falta de recolhimento de IRPJ conforme Anexo VI ao presente Termo. Sobre as divergências apuradas incide multa isolada de 50% nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA COM BASE EM BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO MULTA ISOLADA Tendo em vista a omissão de receitas decorrente do saldo credor de caixa não comprovado, ficaram alteradas as bases de cálculo utilizadas pelo contribuinte para apuração mensal da CSLL. Recompusemos a base e verificamos falta de recolhimento da CSLL conforme Anexo VI ao presente Termo. Sobre as divergências apuradas incide multa isolada de 50% nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007.” Conforme descrito na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora à fl. 1821 (eprocesso): Contra o contribuinte identificado foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1695 a 1736, referentes a IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 2.077.661,73, com juros de mora calculados até dezembro de 2012, sendo: Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.911 20 DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 1781 e 1799 (e processo), segundos os termos abaixo transcritos: “[...] I. PRELIMINARMENTE: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INÉPCIA CERCEAMENTO DE DEFESA O Auto de Infração não pode prosperar em face de sua inépcia e inconsistência, sob o ponto de vista formal. Com efeito, da leitura e da análise da prolixa peça não se consegue deduzir a conclusão pela glosa dos créditos. Em que pese o denodo do nobre Auditor Fiscal dele prolator, o Auto de Infração não descreve com a necessária clareza as supostas irregularidades dos créditos, as teses jurídicas em que se pretende basear, e, enfim, os fatos subjacentes, em absoluta afronta ao disposto no art. 10, incisos III e IV, do Decreto n. 70.235/72. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.912 21 Por seu turno, violenta o art. 9°, do citado diploma legal, já que vem desacompanhado dos elementos indispensáveis à comprovação dos elementos de que se serviu o nobre AF para a glosa. As confusões e contradições que permeiam as várias laudas do indigitado libelo, não bastasse consistirem em violências frontais aos dispositivos legais retro apontados, conduzem ao absoluto cerceamento de defesa, por parte do defendente, já que, não conseguindo, como não consegue, se extrair os pontos de ataque, não se consegue desincumbirse do dever de se impugnar, ponto a ponto, a matéria (art. 17, do Decreto 70.235/72). Requer, pois, a decretação de nulidade do Auto de Infração vergastado, nos pontos abaixo delineados, conforme dispõe o art. 59, II, última figura, do Decreto n. 70.235/72, bem como o seu desmembramento, para que a defendente possa efetuar o pagamento das partes incontroversas (não impugnadas apenas por praticidade), com as reduções legais II. MÉRITO: INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO [...] Com efeito, do pouco que se consegue inteligir dos termos do extenso libelo, deduzse que o nobre Auditor Fiscal autuante parte de premissas equivocadas, (a) de que não cabe o crédito relativo a bens e serviços utilizados como insumos, por se tratar de empresa que desenvolve atividade comercial, (b) de que não cabe o crédito referente a custos e despesas (armazenagem e frete) vinculados à venda de gasolina e óleo diesel, uma vez que o PIS e a COFINS têm incidência monofásica, na refinaria e (c) de que não cabe o crédito de PIS e COFINS quando da aquisição para revenda por um distribuidor de álcool de um produtor para efetuarem, com absoluto desacerto, a glosa dos créditos. Por sua vez, laboram em crassos equívocos o nobre Auditor Fiscal ao presumir omissão de receita por atos de meras divergências de datas relativas a entradas de recursos na conta caixa, como se verá. Expõese, a seguir, a fundamentação do caráter lídimo dos créditos glosados. II.A. DA INSUBSISTÊNCIA DA CONSIDERAÇÃO DE QUE APENAS INDÚSTRIAS E PRESTADORAS DE SERVIÇOS PODEM APROVEITAR OS CRÉDITOS DE PIS E COFINS A não cumulatividade do PIS e da COFINS é princípio que tem sede na Constituição da República, que não exclui o setor comercial. Não cabe, assim, como fez o nobre fiscal autuante, utilizarse de interpretação literal de legislação infraconstitucional, para subverter aquele princípio. Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.913 22 Ora, a teleologia do sistema não cumulativo do PIS e da COFINS reside no intento de equalizar o tratamento tributário das empresas cujos produtos ou serviços são onerados pela incidência das contribuições, com o daquelas que não sofrem tais ônus. Se a legislação é incompleta, por casuística, surge a lacuna, que deve ser integrada pelo julgador, no caso concreto, de acordo com a analogia. [...] II.B. DA ABSOLUTA POSSIBILIDADE DO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, EM QUE PESE O REGIME MONOFÁSICO A QUE ESTÃO SUJEITOS PRODUTOS COMERCIALIZADOS PELA IMPUGNANTE Com efeito, no regime monofásico de apuração de PIS/COFINS, o produtor ou importador é responsável pelo recolhimento das contribuições com alíquota majorada, ao passo que as operações seguintes são tributadas por alíquota zero das citadas contribuições. Os produtos cujas receitas estão submetidas a esta modalidade de apuração foram elencados nos parágrafos 1º dos artigos 2º das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03, que faz remissão às diversas leis instituidoras da sistemática monofásica para determinadas mercadorias. Com a inclusão da receita de venda dos produtos monofásicos, inclusive combustíveis (exceto álcool) na sistemática de PIS e COFINS da não cumulatividade, os contribuintes que comercializam tais produtos passaram, portanto, a fazer jus à apropriação aos créditos de PIS e COFINS. Todavia, a sistemática da não cumulatividade das citadas contribuições limita aos revendedores a possibilidade de créditos somente sobre tais despesas, a saber: energia elétrica, aluguéis pagos a pessoas jurídicas, arrendamento mercantil, depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para locação, edificações e benfeitorias, bens recebidos em devolução e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Portanto, em relação a todos esses itens, há expressa disposição legal autorizando o crédito, independentemente do contribuinte exercer ou não a atividade de produção de bens destinados a venda. Ademais, ao inserir os produtos de incidência monofásica na sistemática da não cumulatividade, o legislador não fez qualquer menção quanto à impossibilidade dos revendedores de tais produtos apropriarem os créditos sobre os itens acima, nem sequer fez qualquer vinculação à necessidade da saída ser tributada como condição à essa apropriação, e talvez a razão para não ter agido dessa forma resida no fato de que, na realidade, a tributação concentrada representa que todas as fases da cadeia estão sendo oneradas de forma antecipada, Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.914 23 exatamente como ocorre com o ICMS na modalidade da substituição tributária. Não bastasse isso, o próprio artigo 17, da Lei 11.033/04, expressamente confere aos contribuintes que vendem produtos de incidência monofásica, submetidos à alíquota zero de PIS/COFINS, o direito de manutenção dos créditos das citadas contribuições. Portanto não há dúvidas de que, ainda que o contribuinte somente revenda produtos sujeitos à alíquota zero, por enquadraremse no regime monofásico, lhe está assegurado por lei o direito à apropriação dos créditos de PIS e COFINS sobre as despesas descritas nos incisos III a IX do artigo 3º, das Leis. Reiterese que, com a entrada em vigor da Lei n° 10.865/04 foram modificados os artigos 1º, §3°, das Leis n°. 10.637/02 e 10.833/03, permitindo aos contribuintes sujeitos ao regime monofásico de PIS/COFINS apropriarem créditos sobre os custos, despesas e encargos listados no artigo 3º das citadas Leis n°. 10.637/02 e 10.833/03. Até então, todos os contribuintes sujeitos ao regime monofásico estavam excluídos do regime não cumulativo. Entretanto, com a Lei n° 10.865/04 apenas se sujeitaram a esta restrição os contribuintes cujas receitas decorressem da venda de álcool, inclusive para fins carburantes (o que foi modificado pela Lei n° 11.727/08 lei de conversão da MP 413/08). No caso de revenda de combustíveis, todavia, é vedado apenas o desconto de créditos decorrentes da aquisição de tais produtos, conforme prevê o artigo 3º, I, "b", das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A Receita Federal acolheu inteiramente este entendimento em incontáveis soluções de consulta, nas quais ficou claro que operações sujeitas ao regime monofásico de PIS/COFINS estão enquadradas na não cumulatividade das contribuições a partir da Lei n°. 10.865/04, de modo que os contribuinte enquadrados neste regime têm mesmo direito aos créditos sobre as aludidas despesas (exceto em relação à aquisição para revenda do próprio bem enquadrado no regime monofásico). Segue, exemplifícadamente, a transcrição de algumas Soluções de Consultas a respeito do tema: [...] Corrobora esse entendimento o fato de que as Medidas Provisórias 413 e 451, ambas de 2008, continham a vedação a tais créditos (incisos III a IX do artigo 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03) pelos revendedores dos produtos de incidência monofásica, mas, em ambos os casos, nas leis de conversão tal novação legislativa não foi mantida, o que reforça o entendimento de que, portanto, inexiste na legislação qualquer restrição nesse sentido. Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.915 24 Para que não paire mais nenhuma dúvida a respeito do enquadramento das receitas de venda de gasolina e óleo diesel na sistemática da não cumulatividade veja o que nos orienta o serviço de "Perguntas e Respostas" da própria Secretaria da Receita Federal (texto extraído do "site" da SRF): [...] A apuração dos créditos, levada a efeito pela impugnante, é absolutamente legítima, amparada na legislação em vigor à época, conforme, inclusive, ilustra a Solução de Consulta abaixo colacionada: [...] Plenamente acertado, pois, o creditamento dos custos referentes ao frete e armazenamento, todos suportados pela impugnante, créditos estes referentes às operações de venda. II.C. DA ABSOLUTA POSSIBILIDADE DO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS NO ÁLCOOL ADQUIRIDO DO PRODUTOR O nobre Fiscal autuante, dizendose fazer uma interpretação sistemática da legislação, conclui que "não será possível o crédito quando da aquisição para revenda por um distribuidor de álcool de um produtor. Aduz que "o crédito somente será possível quando um produtor adquirir álcool de outro produtor, ou um distribuidor adquirir álcool de outro distribuidor". Por tal fundamento, glosaramse todos os créditos. Nada mais equivocado. Com efeito, o entendimento esposado no libelo distorce, primeiramente, a letra e o espírito do disposto no § 1°A, do art. 2º, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, parágrafo este inserido pela Lei n. 11.727/08. que reza: “Art. 2º . ... §1ºA. Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4° do art. 5° da Lei n°9.718, de 27 de novembro de 1998” (o grifo é nosso, pelas razões que se apontam abaixo). Toda a argumentação utilizada pelo nobre Fiscal autuante, fulcrada em tal dispositivo, parece lastreada na parte não grifada. Em outros termos, a inteligência fiscal parece desconsiderar a parte final do dispositivo. Ora, muito esforço intelectual não é necessário para se entender — ao contrário da autuação que o dispositivo está, sim, a referendar a possibilidade da distribuidora se creditar do PIS e da COFINS referentes à aquisição do álcool. O que ele está a afirmar que, Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.916 25 quanto às alíquotas, para o álcool, o que se aplica é o caput e o § 4º, do art. 5º, da Lei n. 9.718/98! Em segundo lugar, a argumentação Fiscal tenta subverter a lógica da gramática, ao "interpretar" o § 13, do mesmo art. 5º, da Lei 9.718/98, disposição esta também inserta pela Lei 11.727/08, in litteris: “§ 13. O produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor.” Ora, nem se utilizando das vestes fiscalistas concebese concluir, do teor do dispositivo, que o aproveitamento dos créditos só se admite se houver transferência horizontal do produto (álcool), ou seja, entre distribuidora e distribuidora! O que se depreende da disposição — e também aqui não se faz necessário muito esforço intelectivo é que, seja o produtor, importador ou distribuidor, pode descontar créditos relativos à aquisição do produto para revenda de outro produtor, importador ou distribuidor! Em outros termos, se a defendente adquire álcool, seja de produtor, de importador ou de outra distribuidora, pode "descontar créditos"! Constituise, pois, em flagrante sofisma, a invocação de "interpretação sistemática", a que teria laborado o nobre autuante, para as conclusões de vedação do crédito a que se chegou. Em verdade, utilizouse de mera interpretação gramatical, e de qualidade duvidosa, para dizer o mínimo, para se chegar a tal conclusão. Não há, pois, na lei, em seu texto ou contexto, qualquer vedação ao direito de crédito em relação à aquisição de álcool, para revenda, pela defendente. A SRF via solução de consultas, já enfrentou tal tema, e da forma razoavelmente admitida, senão vejamos: [...] II.D. DA ABSOLUTA INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR DE CAIXA Ao contrário do que imputa a autuação ora em comento, não há que se falar em saldo credor de caixa e absurda á presunção de omissão de receitas. Com efeito, e conforme amplamente demonstra a planilha existente nos autos, bem como a documentação que a acompanha, o que ocorreu foram simples divergências de datas relativas a entradas de recursos na conta caixa. Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.917 26 Plenamente demonstradas as origens das receitas, pois, a ausência de saldo credor de caixa, bem como a absurdez da presunção de omissão de receitas. [...]” DA DECISÃO DA DRJ Em 25/4/2013, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Juiz de Fora, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme o entendimento que se segue. Preliminarmente, rejeitouse a alegação de nulidade dos autos de infração, haja vista os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 foram satisfeitos. Da mesma forma, afastou a alegação de cerceamento do direito de defesa. Quanto ao ônus da prova, informou que cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alega los, comproválos efetivamente. Além disso, consigno que na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Afirmou também, que no caso de a pessoa jurídica não dispor de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, o crédito será determinado pelo método de rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não obstante, admitiu os créditos oriundos da revenda de produtos monofásicos, haja vista que na sistemática não cumulativa de apuração da Cofins e PIS/Pasep incidente sobre a receita proveniente da revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, podem ser descontados créditos, sendo vedado o desconto de créditos relativos a bens sujeitos à tributação monofásica adquiridos para revenda, ao frete relativo à operação de revenda de produtos monofásicos, à bens e serviços usados como insumo e à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Quanto aos créditos de PIS/Pasep e de Cofins em decorrência da aquisição de álcool, anidro ou não, informou que os distribuidores não possuem e jamais possuíram direito à sua apuração junto a produtores, para efetuar sua revenda. Ademais, atestou a caracterização da omissão de receitas e a existência de saldo credor de caixa, apurado em auditoria realizada pelo fisco e não informada pelo autuado com a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Por fim, julgou improcedente a impugnação, mantendo, contudo, o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.918 27 Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 1858 a 1875 (eprocesso), reiterando integralmente o alegado em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.919 28 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 1852 e 1855). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Há uma questão preliminar, que é a de competência para julgamento do recursos voluntário contra os lançamentos em dissídio. Em consulta ao site da Receita Federal, mediante o código de acesso ao MPFF que figura no termo de início de procedimento fiscal de fls. 3 a 5, e do qual decorre os lançamentos ultimados, vejo que o MPFF foi aberto para fiscalização: de contribuições sociais da Seguridade Social dos segurados (contribuições previdenciárias) de janeiro a junho de 2011; de contribuições sociais da Seguridade Social da empresa/empregador (contribuições previdenciárias e conexas – sistema S), do mesmo período; das contribuições sociais da Seguridade Social de PIS e de Cofins de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. O MPFF 06.1.05.002011002670 foi alterado em 27/10/11 para substituição dos auditores fiscais responsáveis por sua execução. E, em 9/5/11, o referido MPF F foi novamente alterado para inclusão de IRPJ entre os tributos a serem fiscalizados, para o período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. A auditoria foi realizada em relação ao PIS e à Cofins, em conformidade com o MPFF. Os lançamentos objetivaram a glosa de créditos de PIS e de Cofins para o período de janeiro a dezembro de 2008. Também constituiu materialidade dos lançamentos o saldo credor de caixa, pressuposto fático da hipótese legal de omissão de receitas (art. 12, § 2º, do Decretolei 1.598/77, reproduzido no art. 281, I, do RIR/99), assim considerada (omissão de receitas) para efeitos de PIS e de Cofins, com aplicação do art. 24, § 2º, da Lei 9.249/95. Como não poderia deixar de ser, o saldo credor de caixa foi considerado para fins de IR (presunção legal de omissão de receitas), e também de CSL. Eis a dicção dos arts. 2º e 4º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.920 29 IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. [...] Art. 4°. À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Crédito Presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; V Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); VI Imposto Provisório sobre a Movimentação Financeira (IPMF); VII Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF); VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); IX Imposto sobre a Importação (II); X Imposto sobre a Exportação (IE); XI contribuições, taxas e infrações cambiais e administrativas relacionadas com a importação e a exportação; XII classificação tarifária de mercadorias; Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.921 30 XIII isenção, redução e suspensão de tributos incidentes na importação e na exportação; XIV vistoria aduaneira, dano ou avaria, falta ou extravio de mercadoria; XV omissão, incorreção, falta de manifesto ou documento equivalente, bem como falta de volume manifestado; XVI infração relativa à fatura comercial e a outros documentos exigidos na importação e na exportação; XVII trânsito aduaneiro e demais regimes aduaneiros especiais, e dos regimes aplicados em áreas especiais, salvo a hipótese prevista no inciso XVII do art. 105 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966; XVIII remessa postal internacional, salvo as hipóteses previstas nos incisos XV e XVI, do art. 105, do DecretoLei n° 37, de 1966; XIX valor aduaneiro; XX bagagem; e XXI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Parágrafo único. Cabe, ainda, à Terceira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância relativos aos lançamentos decorrentes do descumprimento de normas antidumping ou de medidas compensatórias. Os lançamentos de PIS e de Cofins não são decorrentes das exigências de IRPJ e de CSL: não são lastreados em fatos cuja apuração configurou materialidade tributável de IRPJ e de CSL. O que se dá aqui são exigência autônomas de PIS e de Cofins, decorrentes da glosa de créditos. Também, a omissão de receitas por presunção legal foi apurada nessa esteira, para PIS e Cofins, e, por decorrência, essa omissão de receitas foi considerada para exigência de IRPJ e de CSL. A competência para julgamento do recurso voluntário é da 3ª Seção de Julgamento do CARF, exceto para a questão relativa à omissão de receitas por presunção legal, para fins de IRPJ e de CSL. Em tais termos, declino a competência para apreciação da matéria devolvida a este órgão julgador, exceto quanto ao enfrentamento da questão do saldo credor de caixa, para efeitos de IRPJ e de CSL. Pois bem. A preliminar de nulidade versa sobre os lançamentos de PIS e de Cofins. Não causa espécie a eventualidade de se vir a reconhecer nulidade parcial dos autos de infração como um todo, ou seja, de nulidade somente de lançamentos de PIS e de Cofins, e não de IRPJ e de CSL. Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.922 31 A questão de vício substancial na aplicação da hipótese presuntiva legal de omissão de receitas por saldo credor de caixa se imbrica com o mérito, de modo que a apreciarei em conjunto. Afora essa questão a ser enfrentada com o mérito, não diviso nulidade nos lançamentos de IRPJ e de CSL. Os instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 1693, 1695 a 1710) mantêm sintonia com o motivo dos lançamentos constantes no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1763 a 1765, 1775 a 1777). O MPFF foi alterado para compreender o IRPJ. Para os lançamentos conformados, sequer seria necessária tal alteração, em face do art. 8º da Portaria RFB 3.014/11, vigente à época do procedimento fiscal: Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Prossigo com o exame de mérito. Nas fls. 658 a 662, consta o termo de constatação e intimação (com ciência em 22/5/12 – fl. 663), no qual há relação de saldos credores de caixa por data, referentes ao anocalendário de 2008, e para a qual se solicitam esclarecimentos acompanhados de elementos comprobatórios que os justifiquem. Nas fls. 673 a 688, figura a resposta da recorrente à intimação, na qual há uma planilha, com justificativas que procuram esclarecer os saldos credores de caixa, com indicação de notas fiscais acostadas aos autos. Alegase que os saldos credores de caixa emergiram por divergência de datas de recebimento registradas na conta Caixa, especificamente no dia seguinte ao de entrada efetiva dos recursos. Na peça recursiva, limitase a recorrente a fazer a mesma alegação, sem acostar aos autos nova documentação comprobatória. Nas fls. 1369 a 1378 se encontram as notas fiscais referidas nas justificativas constantes na planilha, para a ocorrência dos saldos credores de caixa, por atraso no registro contábil a débito na conta caixa dos recebimentos pelas vendas de combustível. A planilha sequer registra os lançamentos a débito individualmente na conta Caixa a darem cobertura ao saldo credor, e a efetiva recomposição com saldo devedor da conta Caixa. Não há indicação dos lançamentos contábeis a débito que teriam se dado no Razão da conta Caixa e sua correlação com os valores das notas fiscais. As notas fiscais e a planilha, nesse quadro, não provam o alegado pela recorrente. Por seu turno, o autuante considerou como receita omitida por presunção legal o saldo credor da conta Caixa, emergente na primeira data de 2008. Daí em diante, somente considerou o que excedeu de valor como saldo credor naquela conta durante o anocalendário de 2008. Ou seja, “excluiu” os lançamentos a crédito seguintes, ou melhor, o saldo credor que permanecera nas datas seguintes, para tomar como Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10972.720099/201278 Acórdão n.º 1103001.168 S1C1T3 Fl. 1.923 32 “novo” saldo credor de caixa emergente apenas a parcela dele que sobejou o saldo credor de caixa inicial, dentro do mesmo anocalendário (de 2008). O procedimento do autuante, na mensuração do saldo credor de caixa como receitas omitidas por presunção legal do art. 12, § 2º, do Decretolei 1.598/77 (art. 281, I, do RIR/99) é irrepreensível. Inexiste, pois, vício substancial na demarcação do pressuposto fático de omissão de receitas por presunção legal – saldo credor de caixa. Sob tais ponderações, nego provimento ao recurso sobre a questão da omissão de receitas por saldo credor de caixa, para fins de IRPJ e de CSL. Por fim, observo que não houve irresignaçãoo da recorrente sobre a questão das multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSL por estimativa, razão pela qual deixo de enfrentar a matéria. Nessa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso sobre a questão da omissão de receitas por saldo credor de caixa, para fins de IRPJ e de CSL, e declino a competência para julgamento de toda a matéria de PIS e de Cofins para a 3ª Seção de Julgamento do CARF, com a determinação de se constituírem autos apartados para os lançamentos de PIS e de Cofins e se formar processo específico para eles. É o meu voto. Sala das Sessões, em 4 de fevereiro de 2015 (assinado digitalmente) Marcos Takata – Relator Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 19/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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