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Numero do processo: 10183.001700/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001, 2002, 2003, 2004
IRPJ. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DO PIS E COFINS.
Segundo a legislação de regência, tributos cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser deduzidos da base de cálculo de IRPJ e CSLL.
GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Não comprovadas as operações de aquisição de mercadorias, correta a glosa de custos efetuada.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO.
A partir de 1° de janeiro de 1995, a compensação de prejuízos fiscais está limitada a 30% do lucro líquido ajustado, independentemente do período em que foi formado o prejuízo acumulado.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO.
É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de não pagamento
de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual, mesmo depois do encerramento do período de apuração se apurado saldo negativo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2000, 2001, 2002, 2003
LANÇAMENTO REFLEXO.
Tratatando-se de lançamento reflexo, aplicam-se as mesmas razões esposadas no voto relativas ao IRPJ, em face da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA.
É quinquenal o prazo decadencial para constituição dos créditos tributários relativos às contribuições sociais. O termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver evidente intuito de fraude.
MULTA QUALIFICADA.
Havendo indícios de fraude quanto às infrações que ensejaram os
lançamentos, correta a aplicação da multa qualificada de 150%.
TAXA SELIC.
É aplicável a taxa SELIC como juros de mora, nos termos das normas legais que regem a matéria.
Numero da decisão: 1401-000.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: a) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à multa isolada, vencidos os
conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; b) por maioria de votos, negar provimento quanto à dedução do PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias; c) por maioria de votos, dar provimento parcial para acolher a decadência em relação aos créditos do PIS e da COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias, que acolhia a decadência para todo o ano de 2000; d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001, 2002, 2003, 2004 IRPJ. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DO PIS E COFINS. Segundo a legislação de regência, tributos cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser deduzidos da base de cálculo de IRPJ e CSLL. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS. Não comprovadas as operações de aquisição de mercadorias, correta a glosa de custos efetuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A partir de 1° de janeiro de 1995, a compensação de prejuízos fiscais está limitada a 30% do lucro líquido ajustado, independentemente do período em que foi formado o prejuízo acumulado. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de não pagamento de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual, mesmo depois do encerramento do período de apuração se apurado saldo negativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO REFLEXO. Tratatando-se de lançamento reflexo, aplicam-se as mesmas razões esposadas no voto relativas ao IRPJ, em face da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. É quinquenal o prazo decadencial para constituição dos créditos tributários relativos às contribuições sociais. O termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver evidente intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. Havendo indícios de fraude quanto às infrações que ensejaram os lançamentos, correta a aplicação da multa qualificada de 150%. TAXA SELIC. É aplicável a taxa SELIC como juros de mora, nos termos das normas legais que regem a matéria.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPJ. BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE DO PIS E COFINS. Segundo a legislação de regência, tributos cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser deduzidos da base de cálculo de IRPJ e CSLL. GLOSA DE CUSTOS. AQUISIÇÕES NÃO COMPROVADAS. Não comprovadas as operações de aquisição de mercadorias, correta a glosa de custos efetuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A partir de 1° de janeiro de 1995, a compensação de prejuízos fiscais está limitada a 30% do lucro líquido ajustado, independentemente do período em que foi formado o prejuízo acumulado. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de nãopagamento de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do tributo após o ajuste anual, mesmo depois do encerramento do período de apuração se apurado saldo negativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO REFLEXO. Tratatandose de lançamento reflexo, aplicamse as mesmas razões esposadas no voto relativas ao IRPJ, em face da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA. É quinquenal o prazo decadencial para constituição dos créditos tributários relativos às contribuições sociais. O termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver evidente intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. Havendo indícios de fraude quanto às infrações que ensejaram os lançamentos, correta a aplicação da multa qualificada de 150%. TAXA SELIC. É aplicável a taxa SELIC como juros de mora, nos termos das normas legais que regem a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: a) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto à multa isolada, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias; b) por maioria de votos, negar provimento quanto à dedução do PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias; c) por maioria de votos, dar provimento parcial para acolher a decadência em relação aos créditos do PIS e da COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000, vencida a conselheira Karem Jureidini Dias, que acolhia a decadência para todo o ano de 2000; d) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto às demais matérias. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 14361440): A contribuinte acima identificada teve contra si lavrado o Auto de Infração (AI) de f. 05 a 22, relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ), em face de: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.666 3 a) glosa de custos ou despesas não comprovadas nos anos calendário 2001 a 2003; b) glosa de prejuízos compensados indevidamente (inobservância do limite de 30%) no anocalendário 2001; c) diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago nos anos calendário 2002 e 2003; e d) diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago do IRPJ estimativa (multas isoladas), nos períodos de maio a agosto de 2001, outubro e novembro de 2001, setembro de 2002 e janeiro a julho de 2004. Foram lavrados, também, o Auto de Infração reflexo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, anos calendário 2001 a 2003 f. 23 a 30), e os Autos de Infração: a) de CSLL em face de compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores (anocalendário 2001), diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago dos anos calendário 2003 e 2004 e diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago das estimativas (multas isoladas) dos períodos de maio a agosto de 2001, outubro e novembro de 2001, setembro de 2002 e janeiro a julho de 2004 (f. 917 a 931); b) contribuição para o PIS em face de falta/insuficiência de recolhimento dos períodos abril a novembro de 2000, março a dezembro de 2001 e janeiro a dezembro de 2002 (f. 712 a 725); e c) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em face de falta/insuficiência de recolhimento dos períodos abril a dezembro de 2000, março a dezembro de 2001 e janeiro a dezembro de 2002 e de diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago dos períodos janeiro de 2003 a janeiro de 2004 (f. 481 a 498). Os enquadramentos legais das infrações, multa e juros constam nos respectivos AIs. Os lançamentos, incluídos a multa e os juros calculados até 28 de abril de 2006, resultaram em R$ 22.113.973,78 de IRPJ (R$ 14.076.365,58 de tributo e R$ 5.259.261,48 de multa isolada), R$ 2.731.379,16 de contribuição para o PIS, R$ 15.339.114,95 de COFINS e R$ 7.896.737,64 de CSLL (R$ 5.168.258,66 de contribuição e R$ 2.728.478,98 de multa isolada), totalizando R$ 48.081.205,53. O autuante descreveu as infrações conforme delineado nos AIs. Em face do disposto na Portaria SRF 6.129/2005, foram apensados a estes autos os dos processos 10183.001697/200692 (CSLL), 10183.001698/200637 (COFINS) e 10183.001699/ 200681 (PIS). O procedimento teve início com o Mandado de Procedimento Fiscal n. 01.3.01.002005000775 (f. 01). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Os procedimentos de fiscalização (intimações, respostas, planilhas e outros documentos) encontramse registrados nos respectivos autos (originário e apensados). Relativamente às infrações n.001 do AI relativo ao IRPJ e do AI reflexo de CSLL, n.001 e 002 do AI de COFINS e n. 001 do AI de contribuição para o PIS, foi aplicada a multa qualificada de 150%, a teor do art. 44, inciso II, da Lei n. 9.430/1996. A estes autos foram apensados, ainda, os do processo n. 10183.001694/200659 relativo à Representação Fiscal para Fins Penais (f. 472). A ciência quanto aos Autos de Infração ocorreu, por via postal, em 29 de maio de 2006 (AR à f 473). Em 28 de junho de 2006 (carimbos nas primeiras folhas) foram protocoladas as impugnações de f. 1.048 a 1.056, 1.060 a 1.073, 1077 a 1.088 e 1.092 a 1.107, junto à DRF em Cascavel (PR), firmadas por procurador. Junto com cada uma das impugnações veio procuração outorgada pelo Diretor Comercial, Sr. Denis Sperafico e cópia do documento pessoal do procurador, Dr. Marcelo Augusto Sella (f. 1.057, 1.058, 1.074, 1075, 1.089, 1.090, 1.108 e 1.109). À f. 1.110 consta procuração aos mesmos advogados e com os mesmos poderes, passada pelos Diretores Presidente e Financeiro, respectivamente os senhores Itacir Antônio Sperafico e Renato Luiz Dallago. À f. 1.111 está acostada cópia autenticada da Ata da 1º Reunião Extraordinária do Conselho de Administração em 2005, na qual consta a eleição dos senhores Itacir Antônio Sperafico, Denis Sperafico e Renato Luiz Dallago para os cargos de Diretor Presidente, Diretor Comercial e Diretor Financeiro, respectivamente, com mandato findando em 30 de abril de 2006. Oficiado à JUCEMAT, foram remetidos os documentos de f. 1.405 a 1.421 junto com os quais consta Ata da 68 Reunião Extraordinária do Conselho de Administração em 2006 (17 de junho de 2006), na qual está registrada a eleição dos mesmos diretores para mandato até 30 de abril de 2007 (f. 1.421). Nas impugnações, foi alegado, em apertada síntese, que: a) relativamente ao IRPJ e à CSLL reflexa: a.1) caso julgados procedentes os Autos de Infração relativos à contribuição para o PIS e à COFINS, deverão ser reconstituídas as bases de cálculo daqueles tributos, porque dedutíveis estes; a.2) não há procedência no critério adotado pela autoridade fiscalizadora para a glosa de custos, no sentido de que as aquisições estariam acobertadas por documentos inidôneos, pelo fato de as empresas não terem sido localizadas no endereço fornecido à SRF; a.3) foram apresentados documentos durante o procedimento fiscalizatório, com a finalidade de comprovar a ausência de dolo e a idoneidade desses documentos, sem contudo esgotar a questão, vez que seriam apresentados outros para comprovar a veracidade de todas as operações de maneira definitiva; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.667 5 a.4) quanto à empresa Transportes Águia Dourada Ltda., as operações foram comprovadas por amostragem, conforme documentos de f. 123 a 137; a.4.1) às f. 138 a 251, constam Notas Fiscais emitidas pela empresa provando a efetiva aquisição de insumos e, à f. 136, autorização da impugnante para o HSBC debitar em sua conta corrente créditos às fornecedoras dentre as quais a empresa em epígrafe, cujo valor do pagamento foi de R$ 257.473,50, tendo havido então comprovação do efetivo recebimento e pagamento das mercadorias; a.5) no que se refere à Ouro Grãos Com. Imp. Exp. de Cereais Ltda., as Notas Fiscais e a comprovação de pagamentos encontramse às f. 173 a 183, sendo que o pagamento foi efetivado a terceiras pessoas por expressa autorização da fornecedora (f. 174 a 176); a.6) relativamente à Sperafico Agroindustrial Ltda., de fato não houve confirmação das operações que não pode, entretanto, ensejar a glosa dos custos; a.6.1) a empresa em questão é coligada/interligada, o que denota a idoneidade e legalidade das operações; a.6.2) a nãoapresentação dos documentos ocorreu por equívoco; entretanto todos os elementos serão apresentados brevemente; a.7) no que tange à empresa Fiagril Armazéns Gerais Ltda. e Fiagril Com. Exp. e Armazéns Gerais Ltda., mesmo tendo sido informado que nenhuma delas efetivou transações comerciais com a impugnante, estas ocorreram com a Fiagril Agromercantil Ltda., o que será provado oportunamente pela apresentação de documentos hábeis e idôneos; a.8) é improcedente a aplicação da multa de 150%, tanto no caso do IRPJ quanto da CSLL, porque os insumos/matérias primas foram efetivamente adquiridos, e a ausência de comprovação parcial (a ser suprida oportunamente), não justifica o agravamento da penalidade, já que não restou comprovada a prática de atos fraudulentos e ilícitos pela autuada. A não localização dos fornecedores nos endereços informados à SRF não justificam o agravamento e também porque as intimações foram efetuadas muitos anos após as operações de compra; a.9) o prejuízo fiscal compensado acima do limite de 30% do lucro líquido apurado no período ocorreu corretamente, já que a formação ocorreu em período anterior à vigência da Lei n. 8.981/1995, o mesmo ocorrendo quanto à base de cálculo negativa da CSLL; a.10) relativamente à diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de IRPJ dos anoscalendário 2003 e 2004, houve devida declaração em DIPJ e compensação do débito de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 acordo com o processo 10183.002917/200433, não prevalecendo o lançamento quanto aos débitos e muito menos no que se refere à multa de oficio; a.11) não procede a exigência da multa isolada que tem como pressuposto a 'existência de resultados positivos nos balancetes de suspensão/redução. Como base de cálculo, a diferença entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida, conforme acórdãos transcrito e citados; a.12) especificamente quanto à CSLL reflexa, devem ser considerados os mesmos argumentos expendidos para o IRPJ e, ainda, a compensação com um terço da COFINS a qual foi ignorada pelo autuante; a.13) a taxa SELIC não foi criada para fins tributários, conforme acórdão do E. Superior Tribunal de Justiça colacionado; b) quanto ao Auto de Infração relativo à CSLL que deu origem ao processo apensado, são esposados os mesmos argumentos anteriores referentes à impugnação do IRPJ, porque similares os motivos do lançamento de oficio; c) no que se refere à COFINS, aplicandose o art. 173 do Código Tributário Nacional estariam atingidos pela decadência os débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido em data anterior a 29 de maio de 2001; c.1) foram efetuadas negociações com empresas cuja atividade é composta basicamente pela exportação de mercadorias/ produtos, dentre as quais a Cotriguaçu; c.2) foram encaminhadas mercadorias àquela empresa por meio de Notas Fiscais de simples remessa, para a formação de lotes em depósito aduaneiro; c.3) sempre se realizou a exportação das mercadorias que foram encaminhadas com Notas Fiscais de simples remessa, sendo necessário um tempo maior para a comprovação das empresas em nome das quais foram concretizadas as exportações, ante ao grande volume de operações; c.4) não houve a suposta concordância com o que a autoridade fiscal denominou de "reclassificação contábil" do destino das mercadorias/produtos, não tendo havido qualquer consignação da impugnante no sentido de que as mercadorias/produtos não foram exportadas; c.5) o mesmo ocorreu no que diz respeito às informações de outras empresas que justificaram a aquisição de mercadorias/produtos da impugnante informando, todavia, a 0 utilização própria e/ou venda no mercado "externo" (na realidade se queria dizer interno). Todas essas realizam a atividade de exportação, razão pela qual a impugnante acreditou que estava realizando a venda de mercadoria/produto que se destinaria à exportação; c.6) conseqüentemente, também perante estas a impugnante buscará obter informações e documentos que sirvam de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.668 7 comprovação das exportações que efetivamente foram realizadas; c.7) não é cabível a aplicação da multa agravada/qualificada porque não comprovada a prática de fraude/ilícito por parte da contribuinte; c.7.1) não pode a autoridade fiscal fundamentar a aplicação da referida multa na presunção de que havia o comportamento com o fito de ocultar vendas no mercado interno para, ao mencionar que se tratava de vendas para exportação, obter isenção de PIS e COFINS e, ainda, obter maior crédito de PIS e IPI (crédito prêmio); c.7.2) em repetição, não houve nenhuma prática dolosa, fraudulenta ou dissimulada, acreditando a impugnante piamente que os produtos remetidos para as empresas citadas no Auto de Infração efetivamente haviam sido objeto de exportação; c.7.3) houve apenas um descuido por parte da impugnante quando do desfecho de algumas operações, pois deveria ter obtido a documentação relativa à comprovação das exportações efetuadas e, mesmo que haja falta de escrituração de algumas operações, isso não tem o condão de ensejar a aplicação da multa qualificada; c.8) quanto aos débitos do anocalendário 2003, estes já foram declarados tanto em DIPJ quanto em DCOMP e compensados por meio do processo n. 10183.002917/200433. Se restar alguma infração seria o descumprimento de mera obrigação acessória (DCTF); c.9) não pode haver a aplicação de multa de oficio e muito menos qualificada quanto aos débitos do item anterior, pelos mesmos motivos já expostos supra sobre esse assunto e que no PAF 10183.001700/200678 o mesmo fato ensejou a aplicação da multa de oficio de apenas 75%; c.10) não se pode aplicar a taxa SELIC já que esta traz a incidência de correção monetária e de juros, não se mostrando também adequada às obrigações tributárias já que não criada para isso; d) relativamente à contribuição para o PIS, foram expendidos os mesmos argumentos constantes na impugnação do Auto de Infração da COFINS, com exceção daqueles relativos ao ano calendário 2003 (declaração em DIPJ e DCOMP e compensação). Ao final, nas impugnações, é requerida a improcedência dos Autos de Infração, pelos motivos nelas enumerados, e decadência de parte dos débitos de contribuição para o PIS e COFINS. Caso remanesça algum débito após o julgamento, a redução de multas qualificadas e o afastamento da incidência da taxa SELIC. Há ainda o protesto pela posterior juntada de documentos, conforme lhe faculta o art. ao disposto no art. 16, § Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 4°, alínea "a", do Decreto n. 70.235/1972, ante à grande quantidade deles. Foram juntados aos autos os documentos de f. 1.405 a 1.421 (JUCEMAT). Também os extratos SINCOR e IRPJ (f. 1423 a 1431). A 2ª Turma da DRJ Campo Grande julgou os lançamentos procedentes em parte, por meio do Acórdão nº 0411.837, assim ementado (v. fls. 14321435): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. O pleito não pode ser examinado concretamente, pois não houve apresentação posterior de provas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. Segundo a legislação de regência, tributos cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser deduzidos da base de cálculo de IRPJ e CSLL. GLOSA DE CUSTOS. NÃOCOMPROVAÇÃO DAS AQUISIÇÕES. Não comprovadas as operações de aquisição de mercadorias, correta a glosa de custos efetuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A partir de 1° de janeiro de 1995, a compensação de prejuízos fiscais está limitada a 30% do lucro líquido ajustado, independentemente do período em que foi formado o prejuízo acumulado. VALOR A PAGAR DECLARADO EM DIPJ. LANÇAMENTO E COMPENSAÇÃO. Somente valores declarados em DCTF são considerados como confissão de dívida perante a Secretaria da Receita Federal, não elidindo o lançamento se apenas declarados em DIPJ. Tendo havido DCOMP anteriormente ao início da Fiscalização, os débitos ali declarados e homologados devem ser expurgados do Auto de Infração. MULTAS ISOLADAS. CABIMENTO E BASE DE CÁLCULO. É cabível a aplicação de multas isoladas no caso de não pagamento de IRPJ apurado por estimativa, concomitantemente com a multa proporcional devida pela falta de pagamento do Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.669 9 tributo após o ajuste anual e mesmo depois do encerramento do período de apuração se apurado saldo negativo. A base de cálculo da multa isolada é o valor do tributo apurado por estimativa com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução e não recolhido no tempo oportuno. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em decorrência da retroatividade benigna de lei, exonerase parcialmente a multa isolada lançada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 SIMILITUDE DE MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DE IMPUGNAÇÃO. No que concerne aos Autos de Infração relativos à CSLL, aplicamse as mesmas razões esposadas no voto relativas ao IRPJ, em face da similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. COMPENSAÇÃO. 1/3 DA COFINS. A autorização para se compensar a CSLL com um terço da COFINS efetivamente paga vigorou apenas no Anocalendário 1999, não se aplicando pois aos lançamentos efetuados por meio do Auto de Infração que abrangeu os períodos de 2001 a 2004. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para o lançamento das contribuições sociais é de dez anos. MERCADORIAS NÃO EXPORTADAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Tendo havido a comprovação de que as mercadorias não foram exportadas mas vendidas no mercado interno, há a incidência da contribuição. VALOR A PAGAR DECLARADO EM DIPJ. LANÇAMENTO E COMPENSAÇÃO. Somente valores declarados em DCTF são considerados como confissão de dívida perante a Secretaria da Receita Federal, não elidindo o lançamento se apenas declarados em DIPJ. Tendo havido DCOMP anteriormente ao início da fiscalização, os débitos ali declarados e homologados devem ser expurgados do Auto de Infração. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 10 MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2001, 2002 SIMILITUDE DE MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DE IMPUGNAÇÃO. No que concerne ao Auto de Infração relativo à contribuição para o PIS, aplicamse as mesmas razões esposadas no voto relativas à COFINS, em face da similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. Havendo indícios de fraude quanto às infrações que ensejaram os lançamentos, correta a aplicação da multa qualificada de 150%. TAXA SELIC. A taxa SELIC como juros de mora é aplicável aos créditos de natureza tributária, nos termos das normas que regem objetivamente a matéria. Lançamento Procedente em Parte O Presidente da 2ª Turma da DRJ Campo Grande recorreu de ofício a este CARF, em cumprimento ao disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235/72. A contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 04/06/2007 (fls. 1492). Inconformada, apresentou em 04/07/2007 o Recurso Voluntário de fls. 15651594, reiterando todos os argumentos apresentados na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os recursos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. RECURSO DE OFÍCIO O colegiado julgador a quo cancelou as seguintes parcelas da exigência: a) diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de IRPJ do ano calendário 2003, no valor de R$ 211.491,56; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.670 11 b) diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de CSLL do anocalendário 2003, no valor de R$ 90.455,89;.: c) diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de COFINS de todos os meses do anocalendário 2003, no valor total de R$ 757.190,82; d) diferença entre 75% e 50% das multas isoladas de IRPJ e CSLL; e) diferença entre 150% e 75% relativamente ao não cabimento da multa qualificada quanto à diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de COFINS do mês de janeiro do anocalendário 2004. Diferenças entre valor escriturado e valor declarado/pago As diferenças entre o valor escriturado e o declararo/pago, referentes ao IRPJ, CSLL e COFINS do anocalendário 2003, foram cancelados porque os valores destas exações apurados na DIPJ efetivamente foram confessados em DCOMP e extintos por compensação SIEF. Em relação ao IRPJ, assim se manifestou o acórdão recorrido, fls. 1448: No que tange ao anocalendário 2003, de fato, como pode ser visto, tanto no Auto de Infração (f. 10 e 11) quanto no extrato SINCOR (f. 1.423 e 1.424), o débito apurado na DIPJ/2004, no valor de R$ 211.491,56, foi declarado em DCOMP e extinto por compensação SIEF. A DCOMP foi protocolada em 28 de julho de 2004 (f. 272), anteriormente à ciência do Termo de Início de Fiscalização que ocorreu somente em 10 de abril de 2005. Dessa forma, há que se excluir o débito em referência do presente processo, uma vez já declarado em DCOMP e extinto por meio do processo supracitado. Considerações similares foram feitas em relação à CSLL (fls. 1460) e também em relação à COFINS (fls. 1469). Como facilmente se percebe, em relação a este tema não merece quaisquer reparos a decisão de 1ª instância. Percentual da multa isolada Considerandose a edição das MPs nº 303/2006 e 351/2007, que reduziram o percentual da multa isolada de 75% para 50%, assim se pronunciou o acórdão recorrido (fls. 1459 e ): [...] aplicandose o art. 106, inc. II, alínea "c", do CTN, deve ser exonerado o crédito tributário relativo à diferença entre o percentual de 75% e o de 50% da multa isolada incidente sobre os valores de estimativa não pagos. Foi inteiramente correta a aplicação do princípio da retroatividade benigna ao presente caso, razão pela qual também em relação a este tema a decisão recorrida não merece reparos. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 12 Multa qualificada referente à COFINS de janeiro de 2004 O acórdão recorrido excluiu, de ofício, a multa qualificada que foi aplicada sobre a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago da COFINS do mês de janeiro de 2004. O relator do Acórdão de piso justificou da seguinte forma a exclusão da multa qualificada: Finalmente, no que tange à infração "diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago" da COFINS do anocalendário 2004, embora o mérito da matéria não tenha sido impugnando, não há que se falar em aplicação de multa qualificada. Essa pressupõe o evidente intuito de fraude, o que não se vislumbra no caso de valores devidamente "escriturados". Não está caracterizado o intuito doloso de incorrer em fraude da contribuinte. Ademais, como ela própria observou na impugnação, no caso da mesma infração relativa ao IRPJ e à CSLL, a multa aplicada foi de apenas 75%. Com base nestes esclarecimentos, considero que agiu corretamente o colegiado julgador a quo, ao reduzir de 150% para 75% o percentual da multa de ofício incidente sobre a diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago, referente à COFINS de janeiro de 2004. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por NEGAR provimento ao presente recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Preliminar. Pedido de juntada de provas A recorrente, repetindo o que fizera na fase impugnatória, protestou pela juntada posterior de documentos, com fundamento no art. 16, § 4°, alínea "a", do Decreto n. 70.235/1972. Sobre o tema, assim se prounciou a recorrente, fls. 1572: [...] a ora Recorrente esclarece que está reunindo a documentação necessária para ser apresentada no feito com vistas à comprovação da tese da defesa. Cumpre esclarecer que, até o presente momento, a aludida documentação não foi trazida aos autos, razão pela qual tornase impossível analisar o mérito do pedido da recorrente. Afinal, por razões lógicas, é imprescindível conhecer a natureza dos documentos trazidos extemporaneamente aos autos, para que se possa analisar sua admissibilidade, à luz do disposto no retrocitado art. 16, § 4°, alínea "a", do Decreto n. 70.235/1972 (que trata da “impossibilidade de apresentação oportuna, por motivos de força maior). Esclareço que a recorrente tinha, sim, direito à juntada posterior de provas, desde que atendidas as exigências previstas no retrocitado art. 16, §§ 4º e 5º do aludido Decreto nº 70.235/72. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.671 13 No entanto, no caso concreto não foi trazido aos autos nenhuma petição da recorrente, demonstrando, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72. Assim, nada há para se decidir em relação a este assunto. Lançamentos de IRPJ e CSLL Dedução do PIS e COFINS da base de cálculo do IRPJ e CSLL A Recorrente requereu, caso julgados procedentes os lançamentos relativos ao PIS e à COFINS, que sejam reconstituídas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, procedendo a dedução dos valores devidos a título de PIS e COFINS. Tal alegação já foi apreciada inúmeras vezes por este colegiado, tendo sempre prevalecido o entendimento de que a dedução do PIS e COFINS não é possível em caso de lançamento de ofício. Afinal, somente os valores devidamente escriturados, reconhecidos e pagos, a título de PIS e COFINS, podem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSLL, consoante legislação de regência (art. 41, § 1º da Lei nº 8.981/95). Assim sendo, não merece acolhimento o pleito da Recorrente em relação a este tema. Glosa de custos não comprovados Sobre o tema, a Recorrente alegou que o simples fato de as empresas fornecedoras não terem sido localizadas no endereço fornecido à SRF não as torna inexistentes. Alegou, outrossim, que outros documentos seriam apresentados visando comprovar a veracidade de todas as operações escrituradas. No tocante à juntada posterior de documentos, cumpre repetir que, até o presente momento, nenhum elemento de prova adicional foi trazido aos autos. No que se refere às pessoas jurídicas das quais a Recorrente supostamente adquiriu insumos, cumpre dizer que a sua não localização no endereço fornecido não foi a única razão para a desconsideração dos documentos fiscais por elas emitidos. Em relação a todos os valores glosados, a contribuinte (ora Recorrente) foi intimada a comprovar o efetivo reebimento das mercadorias e o seu efetivo pagamento. A ausência desta comprovação, aliada à não localização das supostas fornecedoras nos endereços constantes das notas fiscais emitidas, efetivamente justifica a glosa efetuada pelo Fisco. Assim sendo, também em relação a este tema, as alegações da Recorrente não devem prosperar. Glosa de prejuízos fiscais e saldos negativos, acima do limite de 30% Sobre o tema, a Recorrente alegou que o prejuízo e a base de cálculo negativa de CSLL compensados foram formados em data anterior a vigência da lei que instituiu a limitação da “trava” de 30%. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 14 Entende a Recorrente que a lei aplicável ao caso é aquela vigente na época da formação do prejuízo fiscal ou saldo negativo, e não no momento da sua efetiva utilização (compensação). Não assiste razão à Recorrente. A partir da edição da Lei nº 8.981/95 (e alterações posteriores), os prejuízos fiscais poderiam ser compensados, independentemente de qualquer prazo, entretanto observandose, em cada períodobase, o limite de 30% do lucro líquido ajustado. Idêntica regra se aplica em relação às bases de cálculo negativas de CSLL. Importante frisar que os aludidos diplomas legais resguardaram o direito de os contribuintes compensarem o saldo de prejuízos (e bases de cálculo negativas) acumulados até 31 de dezembro de 1994, nos períodos de apuração seguintes, não mais estabelecendo limite temporal para que se proceda tal compensação. Assim sendo, concluo que em relação a este tema o acórdão recorrido também não merece reparos. Diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago O colegiado julgador a quo cancelou o lançamento relativo à diferença entre o valor escriturado e o valor declarado/pago correspondente ao anocalendário 2003. Assim, apenas remanesce o litígio em relação ao anocalendário 2004. Sobre o tema, assim se manifestou a Recorrente, fls. 1578: quanto ao anocalendário 2003 a r. decisão recorrida já mencionou a extinção do crédito tributário daí decorrente, ante a ocorrência de uma compensação através de DCOMP em julho de 2004. Seja como for, relativamente ao anocalendário de 2004, a Recorrente igualmente demonstrará a ocorrência de compensação ou, quando menos, trará aos autos informações relativas a sua contabilidade a fim de esclarecer eventuais equívocos, demonstrandose assim a inocorrência da diferença mencionada pela autoridade fiscal e que resultou em um saldo de IRPJ a ser recolhido. No entanto, ao contrário do que foi afirmado pela Recorrente, nada foi trazido aos autos no sentido de demonstrar a inexistência da diferença apurada pelo Fiso. Assim sendo, concluo que em relação a este tema a decisão recorrida merece ser ratificada. Multa isolada A decisão de primeira instância manteve a aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de 75% para 50%, por aplicação do princípio da retroatividade benigna. A Recorrente alegou que a manutenção da multa isolada contraria a jurisprudência desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.672 15 De fato, existe divergência jurisprudencial no âmbito dessa Corte. No entanto, nesta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, tem sempre prevalecido a tese de que a falta de recolhimento de antecipação e a falta de pagamento do imposto definitivo são infrações distintas e não excludentes entre si. Importante destacar que a Constituição Federal e a legislação tributária infraconstitucional não vedam a aplicação concomitante de penalidades, como comprova o art. 74, da Lei n°4.502, de 30/11/64, que estabelece, expressamente, que "apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas”. Ressaltese, outrossim, que as bases de cálculo da multa isolada (por falta de recolhimento de antecipação) e da multa de ofício genérica (por falta de pagamento do tributos) também são distintas, tanto de fato como de direito. Afinal, o pagamento do tributo definitivo apurado na declaração extingue o crédito tributário (CTN, art. 150, inc. I), ao contrário do recolhimento da antecipação, que não tem esse efeito. Assim sendo, concluo que agiu corretamente o colegiado julgador a quo, ao manter a aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de 75% para 50%. Multa qualificada Conforme evidenciado na análise do recurso de ofício, o colegiado julgador a quo excluiu, de ofício, a multa qualificada que foi aplicada sobre a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago da COFINS do mês de janeiro de 2004. As demais parcelas da multa qualificada, aplicadas na glosa de custos, foram mantidas, uma vez que o colegiado recorrido considerou presente o evidente o intuito de fraude. Em sua peça recursal, a Recorrente argumentou que os insumos/matérias primas foram efetivamente adquiridos e que a ausência de comprovação parcial (a ser suprida oportunamente), não justifica o agravamento da penalidade, já que não restou comprovada a prática de atos fraudulentos e ilícitos pela autuada. Acrescentou que a nãolocalização dos fornecedores nos endereços informados à SRF não justificam o agravamento, mormente porque as intimações foram feitas muitos anos após as operações de compra. Sobre o assunto, foi bastante incisivo o voto condutor do Acórdão recorrido, fls. 1471: Primeiramente, quanto ao IRPJ e à CSLL, verificase que algumas das fornecedoras das mercadorias, cujas aquisições teriam ensejado a dedução dos custos, ou não foram localizadas em seus endereços, nem seus sócios, ou não responderam às intimações (Transportes Águia Dourada Ltda. e Ouro Grãos Com. Imp. Export. de Cereais Ltda.). Estas, ou não entregaram as DIPJ desde o anocalendário 2000, ou entregaram a DIPJ Inativa desde esse mesmo anocalendário (f. 86). Quanto à Sperafico Agroindustrial Ltda., mesmo sendo empresa do mesmo grupo, quedou silente quando intimada a apresentar a documentação comprobatória e a autuada, até o presente momento, também não fez tal apresentação. Por fim, tanto a Fl. 15DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 16 Fiagril Armazéns Gerais Ltda. como a Fiagril Com. Exp. e Armazéns Gerais Ltda. responderam às intimações informando categoricamente que não efetuaram nenhuma operação de venda para a autuada no anocalendário em questão. Além disso, como consta na representação (Processo n. 10183.001694/200659), todas essas situações foram levadas ao conhecimento da contribuinte que, entretanto não se manifestou e nem apresentou documentação comprobatória. Pelo quanto exposto, ficou claro que os lançamentos contábeis foram intencionais no sentido da dedução de custos de produtos não adquiridos. Também, por ter havido o silêncio após a informação do fato e da intimação para que apresentasse justificativa, fica evidenciado o intuito de fraude. Salientese que, mesmo na impugnação, a contribuinte somente alega a regularidade das operações sem, contudo, apresentar a comprovação com documentos hábeis e idôneos. Em relação a este tema, considero correto o entendimento do colegiado recorrido, razão pela qual não acolho as alegações recursais, votando pela manutenção da multa qualificada. Inaplicabilidade da taxa SELIC A Recorrente questionou a aplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora. Sobre o tema, assim se pronunciou, com muita propriedade, o Acórdão recorrido, fls. 1473: Cumpre esclarecer, também, que argüições de ilegalidade e contrariedade à Constituição Federal refogem à competência da instância administrativa. O agente fiscal deve obediência à lei que esteja em vigor, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142, p. único) e tendo em vista o principio da legalidade objetiva que norteia a atividade tributária. Sendo assim, deve ser mantida a aplicação dos juros de mora calculados com base na utilização da taxa SELIC, nos termos das normas que regem a matéria. Ainda, como visto nos demonstrativos de apuração dos Autos de Infração, os juros moratórios foram aplicados com fulcro no diploma legal citado na autuação: art. 61, § 3º, da Lei n. 9.430/1996.\ Não havia portanto qualquer margem ao autuante para que deixasse de aplicar os dispositivos supramencionados. De se registrar, ainda, o inteiro teor da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.673 17 Considero, portanto, correta a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Lançamentos de COFINS e PIS Vendas de mercadorias com destino a exportação Por meio de "circularização" junto aos clientes da empresa, os autuantes lograram comprovar que diversos produtos que teriam sido vendidos com destino à exportação foram, de fato, vendidos no mercado interno. Por esta razão, os autuantes efetuaram a "reclassificação" destas vendas, anteriormente com destino à exportação, para vendas no mercado interno, fazendo incidir o PIS e a COFINS sobre os correspondentes valores. Em sua peça recursal, a contribuinte, repetindo o que fizera na fase impugnatória, limitouse a afirmar que houve a exportação, prometendo comprovar tal fato por meio de documentos a serem oportunamente trazidos aos autos. Cumpre observar, que as aludidas provas, em princípio, deveriam ter sido apresentadas na fase impugnatória ou, quando muito, junto com a peça recursal,. Entretanto, até o momento nenhum elemento adicional foi apresentado. Às fls. 1590 de sua peça recursal, a contribuinte acabou por confessar a ocorrência da aludida infração, ao admitir a ocorrência de um “descuido” por parte da Recorrente: O que pode se afirmar é que pode ter havido um descuido por parte da ora Recorrente quando do desfecho de algumas operações, pois deveria ter obtido a documentação relativa à comprovação das exportações efetuadas. Diante do exposto, concluo que foi correto o lançamento relativo a esta infração, razão pela qual a decisão recorrida não merece reparos. Multa qualificada A seguir, deve ser analisada a exigibilidade da multa qualificada, no que tange à vendas de mercadorias com destino à exportação, uma vez que tal fato influenciará decisivamente a análise da decadência. As autoridades fiscais aplicaram a multa qualificada, por considerar caracterizado o evidente intuito da Recorrente de agir de modo fraudulento, mediante escrituração de vendas que se realizaram no mercado interno como sendo relativas à exportação. O acórdão recorrido julgou correto o entendimento dos autuantes, ao decidir pela manutenção da multa qualificada, no que tange a esta infração. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 18 Em sua peça recursal, a contribuinte apresentou as seguintes alegações, fls.1590: Com efeito, não houve prática dolosa, fraudulenta ou dissimulada da empresa ora Recorrente. Além do mais, as respostas emitidas pelas empresas adquirentes de mercadorias/produtos atestam ainda que nunca foi realizada emissão de notas com o intuito de, em conluio, as empresas lesarem o fisco. O que pode se afirmar é que pode ter havido um descuido por parte da ora Recorrente quando do desfecho de algumas operações, pois deveria ter obtido a documentação relativa à comprovação das exportações efetuadas. Por outro lado, a falta de escrituração de algumas operações não tem o condão de justificar a aplicação da multa em sua forma qualificada. Podem, quando muito, representar o descumprimento de obrigação acessória, gerando seus próprios efeitos. Não assiste razão à Recorrente. No caso, considero cabalmente demonstrado o evidente intuito de fraude, por parte da contribuinte. Em relação a este tema, adoto e transcrevo as razões de decidir constantes do Acórdão recorrido, fls. 14711472: Relativamente ao lançamento de contribuição para o PIS e de COFINS (vendas de mercadorias com destino a exportação), como descrito no Auto de Infração (f. 482 a 484 e 713 a 715), ficou evidenciado que as vendas, escrituradas como para exportação, na realidade ocorreram no mercado interno. As declarações das adquirentes foram claras no sentido de que adquiriram as mercadorias ou para venda interna, ou para industrialização. Registrese, ainda, que após serem recebidas essas informações das adquirentes, foi elaborada intimação (f. 676) para que a contribuinte se manifestasse, entretanto não o fazendo. Na impugnação, como visto na parte específica a esse assunto neste voto, além da mera alegação, não trouxe a autuada qualquer documento. Também quanto ao lançamento dessas contribuições, restou caracterizada a motivação do lançamento da multa qualificada, pois evidenciado o intuito de fraude. Em relação a este tema, portanto, voto pela manutenção da multa qualificada, no que tange à infração referente à vendas de mercadorias com destino à exportação. Decadência Ab initio, cumpre recordar que em relação ao PIS, foram constituídos créditos tributários em razão de falta/insuficiência de recolhimento dos períodos abril a novembro de 2000, março a dezembro de 2001 e janeiro a dezembro de 2002 (f. 712 a 725). Fl. 18DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10183.001700/200678 Acórdão n.º 140100.533 S1C4T1 Fl. 1.674 19 Em relaçãoà COFINS, os lançamentos se referem à falta/insuficiência de recolhimento dos períodos abril a dezembro de 2000, março a dezembro de 2001 e janeiro a dezembro de 2002, bem como à diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago dos períodos janeiro de 2003 a janeiro de 2004. Cumpre recordar, ainda, que os presentes créditos foram constituídos em 29 de maio de 2006 (AR à f. 473). Esclareçase, outrossim, que o Acórdão recorrido excluiu os débitos relativos à COFINS de janeiro a dezembro de 2003, uma vez comprovado que os aludidos valores já haviam sido declarados e extintos por meio de compensação. Em relação à decadência, a contribuinte sustentou que é incorreto o entendimento adotado pelo Acórdão recorrido, no sentido de que considerar que o prazo decadencial para constituição dos créditos tributários relativos ao PIS e à COFINS seria de 10 anos. Entende a Recorrente que, aplicandose o prazo decadencial quinquenal, seria forçoso reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 30/04/2001. Assiste parcial razão à Recorrente. De fato, atualmente é pacífico o entendimento de que o prazo decadencial para constituição dos créditos tributários relativos às contribuições sociais também é quinquenal (conforme arts. 150, § 4º e 173, I do CTN) e não decenal (conforme artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212/91). Tal entendimento é uma decorrência direta da edição da Súmula Vinculante nº 8, do STF, que declarou a inconstitucionalidade dos aludidos arts. 45 e 46 da Lei n.º 8.212/91. Com a edição da Súmula Vinculante n° 8, o Supremo Tribunal Federal, além de decretar a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como do parágrafo único do art. 5° do DecretoLei n° 1.569, de 8 de agosto de 1977, especificamente, vedando a utilização das referidas normas em âmbito de prescrição e de decadência, reafirmou a vigência dos artigos 150, § 4º, 173 e 174, do CTN, especialmente, no tocante às regras a serem observadas para fins de decadência e prescrição dos impostos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No tocante à decadência, adoto o entendimento de que as regras de homologação do lançamento e de extinção definitiva do crédito tributário, previstas no transcrito artigo 150, § 4º, do CTN, só podem ser aplicadas quando se verificarem, concomitantemente, as seguintes situações: a ocorrência de antecipação do pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa, e a não ocorrência de dolo, fraude e simulação relativo aos elementos que digam respeito ao fato gerador ou a apuração da obrigação tributária sujeita ao lançamento por homologação. Tal tratamento vem na esteira do entendimento exposto no Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, prolatado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em 1° de agosto de 2008, o qual, ao ser aprovado pelo despacho de 18/08/2008, do Ministro de Estado da Fazenda veio disciplinar a matéria no âmbito da Fazenda Pública. No caso presente, considerando que o lançamento ocorreu em 29 de maio de 2006, a dúvida sobre a decadência se estabelece apenas em relação aos fatos geradores ocorridos no ano 2000. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 20 Em relação a tais créditos tributários, o colegiado recorrido considerou que resultou demonstrado o evidente intuito da Recorrente de agir de modo fraudulento, mediante escrituração de vendas que se realizaram no mercado interno como sendo relativas à exportação. Por esta razão, a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no art. 173 do CTN, o qual estabelece como termo inicial deste prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Consequentemente, concluo que foram alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000, posto que os créditos tributários correspondentes poderiam ter sido constituídos ainda no decorrer do ano 2000, iniciando a contagem do prazo decadencial em 01/01/2001. Diante do exposto, acolho parcialmente a arguição de decadência, reconhecendo o decurso do prazo decadencial quinquenal relativo aos créditos tributários do PIS e da COFINS, relativo aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000. Inaplicabilidade da taxa SELIC Em relação a este tema, adoto as mesmas razões de decidir mencionadas por ocasião da análise dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Consequentemente, julgo correta a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto no sentido de: a) NEGAR provimento ao recurso de ofício; b) DAR provimento parcial ao recurso voluntário, apenas para ACOLHER parcialmente a arguição de decadência, em relação aos créditos tributários do PIS e da COFINS, referente aos fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2000. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 20DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910681/2011-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 02/07/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.549
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/07/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 81 /2 01 1- 34 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910681/201134 Acórdão n.º 3402004.549 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.046, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 02/07/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910681/201134 Acórdão n.º 3402004.549 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910681/201134 Acórdão n.º 3402004.549 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910681/201134 Acórdão n.º 3402004.549 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000075/2005-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/08/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CEREAIS EM BARRA.
Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra, do tipo Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã, Neston Light Frutas Silvestres, classificam-se na posição TIPI 1704.90.90.
Numero da decisão: 9303-005.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CEREAIS EM BARRA. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra, do tipo Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã, Neston Light Frutas Silvestres, classificamse na posição TIPI 1704.90.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 75 /2 00 5- 46 Fl. 809DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3302002.001, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para considerar improcedente a classificação fiscal do produto “cereal em barra”, sem chocolate, consignando a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/08/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra com chocolate classificamse na posição TIPI 1806.32.20; o cereal coberto com chocolate branco pertence à posição 1704.90.20 da mesma Tabela e o produto denominado “Chokito Branco” classificase na posição 1806.32.20. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os cereais em barra classificamse na posição TIPI 1904.20.00 Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Os cereais em barra possuem em sua composição quantidade considerável de açucares o que afastaria sua classificação na posição 2601 e 1904; · A autuação também se fundamentou na Solução de Divergência COANA nº 01/2001 que tratou da classificação fiscal de produtos desta natureza (Barras de Cereais), na Decisão SRRF/10ª RF/ DIANA Nº 52/2000, e na Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DIANA nº 79, de 19 de novembro de 2003, que analisa produtos similares aos fabricados pela autuada Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 4 3 · Considerando que os produtos Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maça, Neston Light Frutas Silvestres não podem ser enquadrados seja na posição 2106, seja na posição 1904, tendo em vista a exceção “a” do item 1904 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), correta sua classificação na posição 1704. Em Despacho às fls. 763 a 764, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso especial interposto foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros: · O sujeito passivo enquadrou as barras de cereais Neston no subitem NCM 2106.90.90, independentemente de serem cobertas ou não com chocolate, eis que esse subitem está contido no Capítulo NCM 21, que diz respeito a “preparações alimentícias diversas”; · De acordo com a TEC, os produtos enquadrados nessa classificação fiscal seriam tributados pelo IPI com alíquota zero; · A Fiscalização considerou que as barras de cereais seriam produtos de confeitaria, de modo que estariam abrangidos pelo subitem NCM 1704.90.90. Tal posição NCM era tributada à época à alíquota de 5% de IPI; · Não se admite que as barras de cereais sejam tratadas como produtos de confeitaria ou derivados de chocolate como se fosse “doces”, por questões técnicas relacionadas à composição das barras de cereais por conta dos ingredientes utilizados; · A autuação não foi lavrada com base em laudo técnico. É o relatório. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Ora, a comprovação da divergência é inegável, vez que para idêntico produto e fabricado pela mesma empresa, o acórdão recorrido e o indicado como paradigma entendem por classificações fiscais diferentes. O recorrido entende como correta a classificação fiscal da posição NCM 1904.20.00 da TIPI, enquanto o paradigma da posição NCM 1704.90.20. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide – se a classificação da posição NCM 1904.20.00 estaria correta quando se tratasse de barras de cereais Neston: Para clarificar esta questão, vale lembrar que a classificação fiscal é feita por meio do código NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, e que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado no País por meio do Decreto n° 97.409, de 1988, o qual promulgou à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 6 5 Para sua composição, O Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai adotam, desde janeiro de 1995, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado(SH). Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias. Desta forma, a classificação de mercadorias no Mercosul é realizada com base em seis Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (6 RGI/SH) e na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras previstas na Resolução Camex n° 42, de 2001 e também na Instrução Normativa SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 7 6 Clarificada a composição dos códigos, quanto à classificação do produto, importante trazer breve histórico do ocorrido. Recordase que o sujeito passivo enquadrou as barras de cereais Neston no subitem NCM 2106.90.90, independentemente de serem cobertas ou não com chocolate. NCM 21 – preparações alimentícias diversas. A fiscalização considerou tais barras como produtos de confeitaria de NCM 1704.90.90. Ademais, não se considerou para a autuação laudo técnico. Não obstante, é de se considerar que as barras de cereais não devem ser tratadas como produtos de confeitaria ou derivados de chocolate – como doces. Ora, no capítulo NCM 17 – que trata de açúcares e produtos de confeitaria, temse que: “No presente Capítulo estão compreendidos os açúcares propriamente ditos (sacarose, lactose, maltose, glicose, frutose, etc.), os xaropes, os sucedâneos de mel, os melaços resultantes de extração ou refinação do açúcar, bem como os açúcares e melaços, caramelizados, e os produtos de confeitaria. O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de corantes. Excluemse, todavia: a) O cacau em pós com açúcar, o chocolate (com exceção do chocolate branco) e os produtos de confeitaria contendo cacau em qualquer proporção (posição 18.06). b) As preparações alimentícias adicionadas de açúcar, dos capítulos 19, 20, 21 ou 22. c) As preparações forrageiras adicionadas de açúcar, da posição 23.09. d) Os açúcares quimicamente puros (com exceção da sacarose, lactose, maltose, glicose e frutose (levulose)), mesmo em solução aquosa (posição 29.40). Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 8 7 e) As preparações farmacêuticas adicionadas de açúcar (Capítulo 30).” Vêse que no Capítulo NCM 17 enquadramse os produtos cujo componente preponderante é o açúcar. Tanto é assim que os produtos que fazem parte dessa classificação são gomas de mascar revestidas de açúcar, caramelos, confeitos, dropes, etc. As barras de cereais não devem ser consideradas confeitos e não guardam nenhuma similaridade com os produtos classificados na subposição NCM 1704.90. As barras de cereais possuem em sua composição percentuais de cacau inferiores a 6%. São misturas de flocos e grãos de cereais com frutas e outros ingredientes. Portanto, estão classificados como produtos misturados. Nas barras de cereais os componentes essenciais são os próprios cereais – eis que são a base de sua constituição para conferir valor nutricional e energético. Nos termos da Regra de Interpretação 3 b e Regra de Interpretação 4 – não há como se equiparar as barras de cereais a produtos de confeitaria ou a preparações à base de cacau, considerando o percentual de açúcar na composição dos r. produtos, bem como o componente essencial (que são os cereais). Frisese tal entendimento o Laudo CIAL 80/2005 emitido pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos da secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo: “Dentro da tabela de imposto sobre produtos industrializados – TIPI, concluímos que os mais adequado para o produto Neston Barra seria a classificação fiscal NCM 1904.20.00, ou seja, “Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados ou de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos”. Com efeito, importante rever a descrição? “1904.20.00 Preparações à base de cereais, farinhas, amidos, féculas ou de leite; produtos de pastelaria Produtos à base de cereais, obtidos por Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 9 8 expansão ou por torrefação (por exemplo, flocos de milho (“corn flakes”)); cereais (exceto milho) em grãos ou sob a forma de flocos ou de outros grãos trabalhados (com exceção da farinha, do grumo e da sêmola), précozidos ou preparados de outro modo, não especificados nem compreendidos em outras posições Preparações alimentícias obtidas a partir de flocos de cereais não torrados ou de misturas de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados ou expandidos”. Nesse sentido, inegável que as barras são enquadradas nessa posição NCM 1904.20.00, eis que s barras de cereais Neston são uma preparação alimentar, cujos ingredientes principais são cereais (mix de aveia, flocos de cevada, flocos de trigo, cereal de base láctea), concentrados defrutas e mel, destinados a manutenção da saúde e do bemestar dos consumidores, por terem baixo teor de gorduras e serem ricos em fibras, adequandose perfeitamente ao subitem NCM 1904.20.00. Ademais, importante apenas recordar que há inúmeros precedentes favoráveis à classificação adotada pelo sujeito passivo nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como no TRF3 (para o mesmo sujeito passivo). Em vista de todo o exposto, conheço o recurso especial da Fazenda Nacional e negolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões a respeito da classificação fiscal da barra de cereais. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 10 9 A grande dúvida reside em definir se uma barra de cereal é produto de confeitaria, situação em que assumiria a posição 1704, ou é preparação à base de cereais, classificandose, então, na posição 1904. Para tanto, não deve ser utilizada a definição de senso comum do que seja um produto de confeitaria, mas aquilo que o Sistema Harmonizado decidiu agrupar sob esse título. Assim, a classificação deve se basear essencialmente nos textos das posições e notas de seção e capítulo, socorrendose, quando necessário, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). A mera leitura do Capítulo 17 nos mostra que ele compreende, grosso modo, os açúcares em sentido amplo (açúcar, mel, melaço, lactose, frutose, etc.) e os produtos de confeitaria. E, para produto de confeitaria, temos a seguinte explicação na Nota Explicativa da posição 1704: Esta posição engloba a maior parte das preparações alimentícias com adição de açúcar, comercializadas no estado sólido ou semisólido, em geral prontas para consumo imediato, conhecidos por produtos de confeitaria. (grifado) Esse texto demonstra que a posição 1704 foi concebida para ser a posição preferencial das preparações alimentícias com açúcar, em geral prontas para consumo imediato. Consta do Auto de Infração a informação de que os produtos que ora se analisa contêm, em média, entre 20% e 40% de açúcares (uma combinação de xarope de glicose, açúcar e, por vezes, mel). Ainda que o SH não estabeleça um percentual mínimo para se considerar um produto como de confeitaria, tratase de informação importante para a sua caracterização. Por sua vez, a posição 1904 destinase, essencialmente, aos cereais matinais (tipo corn flakes ou müsli), nos quais não é sequer necessária a adição de açúcar e podem ainda prescindir de algum preparo para seu consumo, segundo consta da Nota Explicativa da posição 1904: As referidas preparações destinamse essencialmente a serem utilizadas, no estado em que se encontram ou misturadas com leite, Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 11 10 como alimentos para refeições matinais. Podem serlhes adicionados, no decurso ou após a sua fabricação, sal, açúcar, melaço, extratos de malte ou de frutas, ou cacau. (grifado) Do texto da posição 1904, deve ser dada atenção especial ao seu fim, que demonstra a relação desta posição com as demais do Sistema Harmonizado. Importante relembrar que há posições que possuem uma característica atrativa ou, ao contrário, residual, em relação a outras posições. A característica residual da 1904 está expressa no fim do texto da posição: 19.04 Produtos à base de cereais, obtidos por expansão ou por torrefação (flocos de milho (corn flakes), por exemplo); cereais (exceto milho) em grãos ou sob a forma de flocos ou de outros grãos trabalhados (com exceção da farinha, do grumo e da sêmola), précozidos ou preparados de outro modo, não especificados nem compreendidos noutras posições. (grifado) O trecho acima negritado quer dizer que um produto somente será aqui classificado se não estiver compreendido em outra posição, que as demais posições prevalecem sobre esta. As Notas Explicativas do 1904 esclarecem definitivamente a questão ao apontar a exclusão dos cereais que contenham açúcar em proporção de produtos de confeitaria: Também se excluem: a) Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendoo numa proporção que lhes confira a característica de produtos de confeitaria (posição 17.04). (grifado) Assim, a interpretação que considere o conjunto dos textos e notas pertinentes, nos mostra que, regra geral, as preparações com açúcar ficam no 1704. A 1904 é uma posição de alcance reduzido, destinada aos cereais para refeições matinais, com ou sem açúcar, aos quais normalmente se adiciona leite, na qual se classifica uma preparação de cereais se não estiver compreendida em outra posição. Considerando que a barra de cereais consiste em uma aglomeração de cereais banhados em calda resultante da mistura de diversos açúcares, ela deve ficar na posição de produto de confeitaria. Não há como classificála em uma posição que se destina essencialmente aos cereais matinais e onde somente se classificam as preparações com cereais se já não estiveram compreendidos em outra posição. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10932.000075/200546 Acórdão n.º 9303005.856 CSRFT3 Fl. 12 11 Em acréscimo, este produto já foi objeto de consulta na Receita Federal, tendo sido classificado na posição 1704, a saber: na Solução de Divergência Coana nº 1/2001 (que pacificou classificação divergente da barra de cereais), na Solução de Consulta nº 79/2003 e na Solução de Consulta nº 116/2010. Consta da Coletânea dos Pareceres de Classificação da Organização Mundial das Aduanas (OMA), organismo responsável pelo Sistema Harmonizado e pela classificação de mercadorias em nível mundial, entre várias outras competências, a classificação da barra de gergelim com mel (conhecida como halvá ou halwa) na posição 1704, o que reforça o raciocínio aqui exposto. A Coletânea dos Pareceres de Classificação da OMA encontrase publicada no site da Receita Federal. Por todo o exposto, a barra de cereal, do tipo Neston Banana, Neston Morango, Neston Coco Tostado, Neston Light Damasco, Pêssego e Maçã, Neston Light Frutas Silvestres, classificase como 1704.90.90, com base na RG1 (texto da posição 1704), RG6 (texto da subposição 1704.90) e RGC1 (texto do item 1704.90.90) da TEC do Mercosul, aprovada pelo Decreto nº 2.376/1997, e subsídio das NESH das posições 1704 e 1904. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 819DF CARF MF
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Numero do processo: 14337.000122/2010-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO.
A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, bem como restabelecer o lançamento em relação à educação fornecida aos dependentes, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, apenas em relação à retroatividade benigna.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 01 22 /2 01 0- 99 Fl. 916DF CARF MF 2 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, bem como restabelecer o lançamento em relação à educação fornecida aos dependentes, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, apenas em relação à retroatividade benigna. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.224.7954, lavrado contra o contribuinte identificado acima por descumprimento de obrigação principal, consolidado em 28/05/2010, no valor de R$ 207.216,55 (Duzentos e sete mil, duzentos e dezesseis reais, e cinquenta e cinco centavos), correspondente a pagamentos feitos pelo interessado aos seus segurados empregados e contribuintes individuais no período de 05/2005 a 12/2006 e competências 13/2005 e 13/2006. O sujeito passivo foi cientificado do AI em questão em 31/05/2010, conforme declaração de ciência constante do rosto do AI, à fl. 01. De acordo com os diversos Relatórios que compõem o lançamento, o crédito tributário referese às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, relativa à rubrica: “Terceiros”. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 16/07/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário e negado provimento ao Recurso de Ofício, prolatandose o Acórdão nº 2402004.167 (fls. 769/785), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores relativos à bolsa de estudos e, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa integral”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES/TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. Fl. 918DF CARF MF 4 SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APURADA COM BASE EM DIRF. AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE MOTIVAÇÃO. A apuração de contribuição previdenciária com base em Dirf entregue pela fonte pagadora configura aferição indireta, hipótese que só se admite em caso de falta de apresentação ou apresentação deficiente de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias. Nos autos, está ausente a motivação fática para a utilização desse método excepcional de apuração das contribuições previdenciárias. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que extensivo a todos, inserese na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílioeducação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. CONCEDIDO AOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A concessão de bolsas de estudo e de material escolar aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, inserese na norma de não incidência. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílioeducação aos segurados empregados e aos dependentes, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 19/08/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fl. 919DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 4 5 Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 01/10/2014, o presente Recurso Especial (fls. 786/818). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) aferição indireta; b) salário indireto – bolsas de estudo para o custeio de ensino superior; c) salário indireto – bolsas de estudo concedidas a dependentes; e d) retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, em relação aos itens “b”, “c” e “d”, conforme os Despachos nºs 2400930/2014, da 4ª Câmara, de 27/11/2014 (fls. 904/910) e 2400981R/2014, de 04/12/2014 (fl. 911), respectivamente Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial. O recorrente traz como alegações, em relação ao item “b” – salário indireto – bolsas de estudo para o custeio de ensino superior, que: § de acordo com o previsto no art. 28 da Lei nº 8.212/91, para o segurado empregado, entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades; assim, a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais; porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e que que tais verbas estão arroladas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, a saber: Art. 28 (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) § o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriode contribuição os valores relativos a planos educacionais, porém elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, quais sejam, i) devem visar à educação básica; ii) os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa; iii) não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial; e iiii) devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes; requisitos não cumpridos no caso dos autos. § a verba relativa a bolsas de estudo em cursos de nível superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista Fl. 920DF CARF MF 6 no art. 28, §9º, “t” da Lei nº 8.212/91, uma vez que a isenção atinge apenas os valores pagos a título de bolsa de estudos que vise a educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, ou cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa dos empregados e dirigentes da empresa; sendo que o art. 21 da Lei nº 9.394/96 assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: I – educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II – educação superior. § da análise do artigo 21 transcrito acima, a educação superior não se confunde com a básica, como também, curso de capacitação profissional não se confunde com curso de nível superior, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade do legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária, concluindose, portanto, que curso de capacitação profissional pode ser qualquer um relacionado às atividades da empresa que não envolvam um curso de nível superior. § a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal; e sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, devese interpretar literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; § caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente à bolsa de estudos em curso de nível superior teria feito menção expressa na legislação previdenciária, o que não foi realizado. § que a Lei nº 10.243/01 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica; que o art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas; e que, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes, sendo estas últimas elencadas exaustivamente no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, conforme demonstrado. § Em relação ao item “c” – salário indireto – bolsas de estudo concedidas a dependentes, o recorrente traz as seguintes alegações: § que a tese utilizada pelo acórdão recorrido para excluir do lançamento os valores relativos à bolsa de estudos a dependentes do segurado – retroatividade média da Lei nº 12.513/2011 (que incluiu, no âmbito da isenção, a concessão de bolsa de estudo aos dependentes dos empregados), conforme previsto no art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b”, do CTN – não deve prosperar, uma vez que, assim fazendo, estarseia aplicando retroativamente uma lei tributária a caso por ela não albergado, em contrariedade expressa ao art. 106, do CTN. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 5 7 § que é sabido, como regra, que os conflitos da lei no tempo devem ser resolvidos sob a ótica do milenar Princípio da Irretroatividade (e exceções), que, no direito tributário, é extraído da combinação da Lei de Introdução ao Código Civil com o art. 101 do Código Tributário Nacional: CTN Art. 101. A vigência, no espaço e no tempo, da legislação tributária regese pelas disposições legais aplicáveis às normas jurídicas em geral, ressalvado o previsto neste Capítulo. § Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. § que tal postulado jurídico, que dispensa maiores apresentações, significa que a lei (tributária ou não) somente se aplicará a fatos ocorridos após o início da sua vigência, de acordo com a noção tradicional de segurança jurídica; que esse princípio é regra geral do ordenamento pátrio e não se confunde com o princípio da irretroatividade tributária, que se destina especificamente a impedir a cobrança de tributo anterior à edição de lei; e que, no âmbito tributário, há ressalvas ao referido princípio, pois se permite que a lei volte ao passado, somente se o disser expressamente (e não houver vedação constitucional ou do próprio CTN), ou nas exceções previstas no CTN. Verificase que a Lei nº 12.513/2011 não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei, mui de revés, o art. 21 é claro em afirmar que a “Lei entra em vigor na data de sua publicação”. § que, no tocante à retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade; que esse dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensandose, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de “lei mitior” quanto a infrações ou penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 922DF CARF MF 8 quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. § que, da simples leitura do dispositivo, vêse que o inciso I não tem aplicação ao presente caso, pois não estamos diante de lei interpretativa; também não estamos diante de norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade, o que também afasta o inciso II da discussão; também não se pode pautar a conclusão pela retroatividade benigna na alínea “a” do inciso II, do art. 106, do CTN, pois os fatos geradores em comento (verbas pagas em desacordo com a legislação) não podem ser entendidos como uma “infração” praticada pela pessoa jurídica não houve qualquer infração no presente caso que atraísse a retroatividade de norma , o que se discute são requisitos para usufruto de um favor fiscal: isenção de contribuições previdenciárias, e pelo fato de não se preencher determinado requisito, não se poderia considerar como cometida uma infração, mas sim como devido o tributo correspondente. E tributo, na dicção do art. 3º do CTN, não é penalidade. § que, portanto, aqueles que cumprem os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, vêm afastada a incidência de contribuições previdenciárias; os demais recaem na previsão geral que é a exigência dos tributos devidos, nos termos do art. 28 e incisos da mesma lei. § que o mesmo se pode dizer em relação à alínea “c” do dispositivo: a exigência dos tributos devidos, pelo fato de determinado contribuinte não preencher os requisitos previstos em lei para afastar a incidência tributária não pode ser entendida como uma penalidade; e, assim, a Lei nº 12.513/2011 jamais poderia estar “deixando de definir uma infração”, pois infrações não havia; o que ocorreu é que a legislação tributária, em razão de política tributáriofinanceira, alterou os requisitos para que os contribuintes pudessem usufruir da não incidência de contribuições previdenciárias. § que a decisão recorrida pautouse numa avaliação equivocada dessas normas, uma vez que, conforme se nota pelos termos do voto condutor, a análise da antiga e nova redação do art. 28, parágrafo 9º, alínea “t”, Lei nº 8.212, foi realizada de forma parcial; e quando se observa, na análise de um conflito temporal de normas, se caberá ou não retroatividade de uma determinada norma por se entender que é mais benéfica, é vedado ao órgão julgador proceder a uma combinação da legislação nova com a antiga. Nessa linha, poderseia argumentar que ou uma norma é mais benéfica ou não é; e para tanto, deverseia levar em consideração a sua integralidade. § que, em relação ao art. 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional (CTN), o legislador coloca uma condição para a configuração daquela hipótese: “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”; em primeiro lugar, sequer se poderia cogitar que o art. 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91 pudesse tratar da exigência de determinada conduta ou inação, pois o que vem ali prevista é uma benesse fiscal, ainda que cercada de condições, requisitos e restrições; e, por outro lado, ainda que se Fl. 923DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 6 9 cogitasse essa tese, o fato é que não há lugar para a incidência dessa norma no caso, em razão da ressalva feita no fim do texto: “desde que (...) não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”, pois o fato é que a Lei nº 12.513/2011, segundo a interpretação adotada pela decisão recorrida, implica na falta de pagamento de tributo. § que, portanto, como não houve expressa disposição da lei, nem lei interpretativa, nem regulação de sanções, então não há retroatividade; e, por outro lado, de acordo com o artigo 144 do Código Tributário Nacional, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”; logo, evidente a correção do trabalho fiscal que analisou a lei então vigente na época de ocorrência dos fatos geradores para verificar se o autuado cumpriu os requisitos para afastar a incidência tributária sobre as parcelas pagas a título de bolsas de estudo. § que, a norma a ser aplicada é então aquela prevista no art. 28, § 9°, alínea “t”, da Lei 8.212/1991 (com a redação da Lei nº 9.711, de 1998), sem se cogitar no caso de qualquer retroatividade da Lei nº 12.513/2011. § Em relação ao item “d” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2402004.167, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 904. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Bolsa de Estudo aos dependentes de empregados. Quanto a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados constituírem salário de contribuição, razão confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 925DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 7 11 No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente de encontrase previsto no relatório fiscal a concessão das bolsas: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; Fl. 926DF CARF MF 12 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edicação , não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991: Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um Fl. 927DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 8 13 serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA D ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos Fl. 928DF CARF MF 14 casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Auxílio Educação Superior Aproveitando toda a análise da legislação acima descrita, faz se necessário agora apreciar a procedência do lançamento em relação à concessão e auxílios de cursos superiores fornecidos pela empresa aos seus empregados. Primeiro, vejamos os fundamentos do lançamento quanto ao fato gerador ora sob análise: 6.1.1. É de se observar que o legislador incluiu alguns requisitos a serem cumpridos: a) O plano educacional vise à educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa. Os cursos de capacitação e qualificação profissionais de que trata o capítulo III da Lei n° 9.394/96 não se confundem com os de educação superior (graduação e pósgraduação), Capítulo IV da citada lei, com o pagamento deste último integrando o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. b) Todos os empregados e dirigentes tenham acesso. 6.2. É de se ressaltar não haver previsão legal quanto à inclusão dos dependentes de empregados e dirigentes, restringindose aos titulares. 6.2.1. Resta claro que despesas com educação e capacitação concedidas a filhos ou outros dependentes de empregados e dirigentes integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias, haja vista esta hipótese não estar consignada de forma expressa no aludido preceito legal. 6.2.2. Ainda por falta de previsão legal de acordo com o § 9o do art. 28 da Lei n.° 8.212/91, anteriormente citado, o valor utilizado na compra de material escolar aos dependentes que cursam até o ensino médio é considerado base de cálculo das contribuições previdenciárias. 6.2.3. Fica evidenciado que tais despesas não irão melhorar a execução do trabalho, não representando instrumentalização laboral, apenas ganhos auferidos pelos empregados na modalidade de menos despesas a serem efetuadas. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 9 15 6.3. O entendimento acima exposto nos leva a concluir que somente os gastos com os próprios empregados e dirigentes envolvendo a educação básica ou curso de capacitação e qualificação profissional é que não se constituem em fato gerador das contribuições previdenciárias. DA BASE DE CÁLCULO, DAS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA E DAS DEDUÇÕES LEGAIS 7.1. As bases de cálculo, a descrição das contribuições a cargo da empresa, os valores apurados, as deduções legais, quando existentes e, os créditos efetivamente lançados como devidos, estão relacionados por competência e levantamento a que se referem, no Discriminativo de Débito DD, parte integrante deste Auto de Infração, respectivamente nas colunas denominadas: BASE DE CÁLCULO, RUBRICAS, APURADO, DEDUÇÕES E LÍQUIDO. 7.2. Para o período analisado foram constatadas diferenças de contribuição a recolher cujas competências e as bases de cálculo que serviram para a apuração dos créditos, relativos às contribuições a cargo da empresa, bem como, as deduções legais das contribuições devidas estão especificadas a seguir: 7.2.1. LEVANTAMENTO SU: SALÁRIOUTILIDADE 7.2.1.1. Neste levantamento encontramse lançadas as bases de cálculo referentes às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, não declaradas em GFIP, incidentes sobre salário utilidade educacional na forma de subsídios à educação, regulamentados em cláusula integrante dos acordos coletivos de trabalho e concedidos aos segurados empregados e aos seus dependentes. 7.2.1.2. A empresa sob procedimento fiscal, no que concerne à educação, prevê tanto em suas cartilhas quanto nos acordos coletivos de trabalho a concessão aos seus empregados e respectivos dependentes dos seguintes benefícios: a) Subsídios à educação no ensino de 1o, 2o e 3o graus com pagamento de mensalidade escolar custeada integralmente pela empresa nos colégios conveniados ou subsídio parcial nas demais escolas ou faculdades particulares, com correspondente desconto em folha de uma pequena parte do subsídio, atentando se para os detalhamentos descritos a seguir: > Para os empregados com salários enquadrados a partir da faixa A37 a empresa paga as mensalidades escolares diretamente às escolas. > Custeada mensalidade em faculdade particular aos empregados e aos filhos que cursam nível superior até 24 anos. > Reembolsadas mensalidades escolares de esposas até o ensino médio. > Para dependentes que cursam até o ensino médio é oferecido benefício na compra de material escolar anualmente. Fl. 930DF CARF MF 16 7.2.1.3. De acordo com o explanado no item 6 precedente os gastos da empresa a título de subsídio a educação com os dependentes de seus empregados, incluindose a compra de material escolar, sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Assim como, os dispêndios com educação superior (graduação e pósgraduação) dos seus empregados. 7.2.1.4. Não foi possível individualizar por segurado os valores pagos pela empresa a título de subsídio à educação em função da maior parte ser pago diretamente às entidades de ensino, de acordo com os acordos coletivos de trabalho, fato corroborado pelos lançamentos contábeis pertinentes. 7.2.1.5. As contas que registram os pagamentos efetivados pela empresa com educação são: 7.2.1.5.1. Foram considerados como saláriodecontribuição os valores lançados a débitos nessas contas, depois de deduzidos dos valores pagos pelo trabalhador, com lançamentos a crédito como desconto em Folha de pagamento. 7.2.1.6. A diferença (Valor Apropriado/Base de Cálculo) entre as remunerações lançadas a débito e aquelas registradas como "Desconto em Folha de Pagamento" a crédito, estão demonstrados por competência no Relatório de Lançamentos RL e no campo "01SC Salário de Contribuição" do Discriminativo de Débito DD. 7.2.1.7. Os detalhamentos dos lançamentos contábeis encontramse nas planilhas em anexo denominadas de "Conta 353014005 Reembolso Escolar" e "Conta 353037002 Escolares". 7.2.1.8. Os valores das contribuições previdenciárias apuradas, por competência, constam dos campos 12"Empresa" e 13 "Sat/rat" do Discriminativo de Débito DD. 7.2.1.9. Este levantamento comporta a multa anterior á vigência da lei n° 11.941/2009 como a mais benéfica. Conforme podemos extrair dos pontos descritos no relatório fiscal, a base para o lançamento é a interpretação da autoridade fiscal de que o ensino superior não estaria abrangido no programa de capacitação e qualificação profissional previsto no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/90: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Embora tenha me filiado a tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de que a educação superior não estaria abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996, não vejo a impossibilidade de considerar a educação superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional. No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, possível a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 10 17 NOtese que não estou, com isso, afastando toda e qualquer fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito de salário de contribuição, mas tão somente, abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na exclusão prevista no art. 28, §º, "t" da lei 8212/90. No caso, poderia o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividade desenvolvidas na empresa, ou tão somente não era extensível a todos os dirigentes e empregados. Pela transcrição dos trechos do relatórios fiscal, vislumbrase não ter sido essa a fundamentação abraçada pela autoridade fiscal. Ademais, na impugnação já trouxe o sujeito passivo argumentos no sentido de que : Face as considerações acima, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao auxílio educação fornecido aos empregados para os cursos de educação superior. Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 932DF CARF MF 18 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores Fl. 933DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 11 19 no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 934DF CARF MF 20 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 935DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 12 21 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação Fl. 936DF CARF MF 22 do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 937DF CARF MF Processo nº 14337.000122/201099 Acórdão n.º 9202005.972 CSRFT2 Fl. 13 23 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, bem como manter o lançamento em relação a educação fornecida aos dependentes. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 938DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000695/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/1997 a 28/02/1998
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI Nº 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto).
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto). (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard e Pedro Sousa Bispo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13827.000695/200317 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.780 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria Cofins Recorrente GENNARI & PEARTREE PROJETOS E SISTEMAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/1997 a 28/02/1998 ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI Nº 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto). (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente substituto), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 06 95 /2 00 3- 17 Fl. 321DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar o feito, reproduzo abaixo trechos do acórdão da decisão proferida no âmbito do CARF: Veiculam os autos pedido de restituição da contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins — recolhida pela recorrente, uma sociedade civil de prestação de serviços de profissão regulamentada, no período de maio de 1997 a fevereiro de 1998. 0 pedido foi formalizado em 31 de dezembro de 2003. Como fundamento para o seu pleito, alega a empresa que os seus recolhimentos são indevidos, uma vez que foram formalizados em atenção ao comando inserto pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96 que revogou a isenção prevista no art. 6° da Lei Complementar n° 70/91, comando esse que, sustenta a recorrente, é inconstitucional. Não demonstrou a empresa ter postulado judicialmente a declaração de inconstitucionalidade do artigo de lei, resumindose sua petição de fls. 19 a 29 a "demonstrar" aquela inconstitucionalidade com base em posicionamentos doutrinários e judiciais, estes últimos proferidos pelo STJ em ações movidas por outros contribuintes e objetos da súmula n° 276 daquele Pretório. A DRF em Bauru SP negou o pleito do contribuinte sob o fundamento de que todo o suposto indébito já estaria fulminado pela decadência. Apesar de apontar a decadência, não parou ali a DRF, apontando, ademais, inexistir qualquer direito creditório uma vez que a empresa não teria observado na apuração dos seus resultados os ditames do DecretoLei n° 2.397/87. O Despacho Decisório não se pronunciou acerca da revogação da isenção pela Lei 9.430/96. Contra esse despacho decisório, a recorrente protocolou manifestação de inconformidade não acolhida pela DRJ em Ribeirão Preto SP, em decisão de que agora recorre a empresa. Fundouse ela na decadência do direito a qualquer eventual restituição porque já transcorridos mais de cinco anos entre os recolhimentos e a data do pedido, bem como reiterou que a isenção foi revogada. Também naquela instância, embora tenha avançado além da decadência, para examinar o "mérito" da postulação, também não se pronunciou a autoridade administrativa acerca do argumento principal da empresa, qual seja a impossibilidade de aplicação do dispositivo legal revogador. Em seu recurso, sustenta não se ter operado a decadência de seu direito ã restituição, porque o prazo para tanto somente começa a contar a partir da homologação dos pagamentos efetuados. Assim, contado a partir dos recolhimentos haveria um prazo máximo de dez anos, caso a autoridade administrativa não os tenha expressamente homologado. Rebelase, no mesmo tópico, contra a aplicação retroativa do art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005. Quanto ao mérito, repete as alegações acerca da inaplicabilidade do comando legal revogador da isenção já manifestada reiteradamente pelo STJ e objeto de súmula daquele órgão. O CARF julgou improcedente o seu pleito, baseandose exclusivamente na decadência do direito ao pedido de restituição do indébito, o que gerou a interposição de Recurso Especial pelo Contribuinte, o qual foi julgado procedente, para reformar o Acórdão CARF nº 20402.678, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13827.000695/200317 Acórdão n.º 3402004.780 S3C4T2 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Recurso Especial do Contribuinte Provido Desse modo, retornaram os autos a este colegiado para que fosse proferido novo julgamento de mérito, afastando a preliminar de decadência que fundamentou o acórdão reformado. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Afastada corretamente a discussão acerca da decadência do direito ao indébito através de pedido de restituição, resta o pleito do recorrente relativo à "errônea revogação da isenção para as sociedades civis": o pedido de restituição albergado nestes autos tem por base a alegação de inconstitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430/96, que revogou a isenção prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/91. Tal questão se encontra absolutamente pacificada, haja vista que a constitucionalidade do art. 56, da Lei nº 9.430/96 foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal Fl. 323DF CARF MF 4 no Recurso Extraordinário nº 377.4573, julgado em 17/09/2008, em relação ao qual foi declarada a Repercussão Geral, nos termos do art. 543B do CPC/73, e negada a modulação dos efeitos da decisão. Desse modo, à luz do que determina o RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543B do CPC, Recurso Extraordinário nº 377.4573, verbis: “EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei nº 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Cívil, nos termos do voto do relator.” Tratase de decisão com eficácia ex tunc, alcançando todas as relações jurídicas albergadas desde a edição da Lei nº 9.430/96, sendo afastada a jurisprudência do STJ citada pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como a revogada Súmula 276 daquele tribunal. Desse modo, afastase assim o fundamento do indébito alegado pelo contribuinte, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13827.000695/200317 Acórdão n.º 3402004.780 S3C4T2 Fl. 4 5 Fl. 325DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.004913/2004-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
ERRO NA DETERMINAC¸A~O DO CRE´DITO. INOBSERVA^NCIA DA OPC¸A~O EXERCIDA PELO CONTRIBUINTE PELO LUCRO REAL ANUAL. VÍCIO PERTINENTE AOS QUATRO TRIMESTRES.
Ao efetuar o lanc¸amento de ofi´cio para incluir na base de ca´lculo receitas omitidas, a autoridade fiscal esta´ obrigada a observar a opc¸a~o exercida pelo contribuinte pelo pagamento segundo base de ca´lculo anual ou trimestral, na~o subsistindo lanc¸amento em desacordo com a legislac¸a~o de rege^ncia. Inexibilidade do lançamento pertinente a todos os trimestres, incluindo o quarto trimestre.
Numero da decisão: 9101-003.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe negou provimento.
(assinatura digital)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente Y WATANABE Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 ERRO NA DETERMINAÇÃO DO CRÉDITO. INOBSERVÂNCIA DA OPÇÃO EXERCIDA PELO CONTRIBUINTE PELO LUCRO REAL ANUAL. VÍCIO PERTINENTE AOS QUATRO TRIMESTRES. Ao efetuar o lançamento de ofício para incluir na base de cálculo receitas omitidas, a autoridade fiscal está obrigada a observar a opçaõ exercida pelo contribuinte pelo pagamento segundo base de cálculo anual ou trimestral, não subsistindo lançamento em desacordo com a legislação de regência. Inexibilidade do lançamento pertinente a todos os trimestres, incluindo o quarto trimestre. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe negou provimento. (assinatura digital) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. (assinatura digital) Luís Flávio Neto – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 49 13 /2 00 4- 91 Fl. 1299DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto por Y WATANABE (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 1301000.520 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 3a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). A matéria ora trazida à análise deste Colegiado versa sobre a possibilidade de manutenção exclusivamente do lançamento de IRPJ e CSLL atinente ao quarto trimestre do anocalendário, na hipótese em que autoridade fiscal não observar a opcã̧o exercida pelo contribuinte de apuração do lucro real conforme o regime anual. Ocorre que a Turma a quo, embora tenha reconhecido a existência de vício no lançamento, decidiu cancelar apenas os três primeiros trimestres de 1999, com a manutenção da exigência atinente ao quarto trimestre daquele ano. Conforme se colhe dos autos, o contribuinte teria sido autuado em face do seguinte contexto: “O presente litígio instaurouse em relaca̧õ a autos de infraçaõ cientificados ao contribuinte em 17 de dezembro de 2004, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) à Contribuicã̧o Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuica̧õ para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuica̧õ para o Programa de Integração Social (PIS), todos com base na mesma infração e referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999. O sujeito passivo é acusado de ter praticado omissão de receitas à tributação, caracterizada pela falta de contabilização de valores de representativos da diferença de vendas declaradas (a maior) à Secretaria Executiva de Estado da Fazenda do Pará — SEFA, em DIEF, Declaraçaõ de Informações Econômicasfiscais e os declarados (a menor) à Secretaria da Receita Federal SRF, em DIPJ, Declaração de informacõ̧es Econômicasfiscais da Pessoa Jurídica, referente ao anocalendário de 1999.” A Turma a quo decidiu rejeitar a preliminar de nulidade de lanca̧mento, para, no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, de forma a cancelar as exigen̂cias relativas ao IRPJ e CSLL referentes aos três primeiros trimestres do anocalendário de 1999 (efls. 1021 e seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lanca̧mento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei naõ prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constataçaõ de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaraçaõ prévia do débito. NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do ato administrativo de lançamento. Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 10280.004913/200491 Acórdão n.º 9101003.227 CSRFT1 Fl. 1.300 3 COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores declarados à Receita Federal e os informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, para impugnar os valores não basta ao contribuinte alegar que se equivocou ao prestar as informações à Fazenda Estadual, sendo indispensável identificar os erros cometidos e comproválos documentalmente. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO CRÉDITO INOBSERVÂNCIA DA OPÇÃO EXERCIDA PELO CONTRIBUINTE PELO LUCRO REAL ANUAL. Ao efetuar o lançamento de ofício para incluir na base de cálculo receitas omitidas, a autoridade fiscal está obrigada a observar a opcã̧o exercida pelo contribuinte pelo pagamento segundo base de cálculo anual ou trimestral, não subsistindo lanca̧mento em desacordo com a legislação de regência. Não entrega das notas fiscais, não justifica o arbitramento do lucro. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Por se tratar de lançamentos com base exclusivamente em omissão de receitas, infraçaõ que influencia igualmente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que decidido quanto ao lançamento principal (IRPJ), aplicase ao lançamento decorrente (CSLL), quando não houver fatos a ensejar decisão diversa. LANÇAMENTOS DECORRENTES – PIS E COFINS Tendo a autoridade fiscal apontada a omissão de receitas com base em presunção legal, e não tendo o contribuinte comprovado que tais receitas já tinham sido oferecidas a tributaçaõ, impõese a manutenção da exigência. O contribuinte opôs embargos de declaração em face do acórdão a quo (efls. 1066 e seg.), os quais foram rejeitados por despacho (efls. 1149 e seg.). O contribuinte, então, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação sobre quatro questões (efls. 1159 seg.). Contudo, o referido recurso foi admitido apenas parcialmente por despacho, com o prosseguimento da seguinte matéria (efls. 1282 e seg), in verbis: “Com relação ao segundo e terceiro pontos de divergência apontados no recurso, a recorrente alega que o acórdão recorrido divergiu do entendimento da 8a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão no 103 23.188, de 12/09/2007, no sentido de que tendo sido inobservado pelo Fisco que o contribuinte havia optado pela apuração do lucro real anual e o lanca̧mento foi feito em períodos trimestrais, deve ser cancelado o lançamento. O acórdão paradigma indicado tem a seguinte ementa sobre a matéria: (...) As duas divergências apontadas se complementam e derivam do fato do acórdão recorrido, apesar de ter reconhecido que a autoridade fiscal desrespeitou a opçaõ da fiscalizada pelo regime de apuraçaõ anual ao efetuar o lanca̧mento em períodos trimestrais, manteve a exigência em relaçaõ ao lanca̧mento do 4o trimestre, por coincidir com o final do ano calendário. O acórdão paradigma diverge desse entendimento ao cancelar integralmente o lanca̧mento, por entender que naõ é possível sanear o processo no atual estágio processual. (...) Por todo o exposto, opino no sentido de DAR SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial, apenas com relação ao segundo e terceiro pontos.” Fl. 1301DF CARF MF 4 O seguimento parcial do recurso especial restou confirmado em sede de reexame de admissibilidade (efls. 1288 e seg). A PFN apresentou contrarrazões, nas quais requer não seja conhecido o recurso especial e, no mérito, pelo seu não provimento (efls. 1291 e seg.). Vale destacar que permanece em discussão apenas o quarto trimestre de 1999, tendo em vista que a PFN não interpôs recurso especial quanto aos três primeiros trimestres cancelados pelo acórdão a quo (efls. 1056). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. A PFN requer não seja conhecido o recurso especial, pois o acórdão paradigma indicado pelo contribuinte seria convergente com o acórdão recorrido, in verbis: “O r. despacho no 1300002/2015 – 3a Câmara, reconheceu como comprovada a caracterização da divergência jurisprudencial em relação aos segundo e terceiro pontos, aventados pelo recorrente em seu recurso especial, invocando como paradigma o Acórdão n. 10312.188, de 12/09/2007, que adotou entendimento supostamente divergente em relação ao acórdão recorrido. O acórdão paradigma indicado tem a seguinte ementa sobre a matéria: IRPJ. CSLL. LUCRO REAL PERÍODO DE APURAÇAÕ. ANO CALENDÁRIO 1997. Cancelase lançamento relativo a IRPJ e CSLL, apurados com base em lucro real trimestral, no qual a autoridade fiscal, sem qualquer justificativa, desconsiderou a opcã̧o do contribuinte pela determinação da base de cálculo pelas normas do lucro real anual. Ocorre que, permissa venia, não há o alegado dissídio. Em primeiro lugar, o acórdão invocado como paradigma estabelece entendimento segundo o qual tendo sido inobservado pelo Fisco que o contribuinte havia optado pela apuraçaõ do lucro real anual e o lanca̧mento foi feito em períodos trimestrais, deve ser cancelado o lançamento. Ora, senhores Conselheiros, foi este o mesmo entendimento adotado pelo acórdão recorrido. Não olvidou o votocondutor do aresto vergastado o fato de que o contribuinte havia optado pela apuração com base no lucro real anual. Confirase: (...)” Compreendo, contudo, que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo. O acórdão recorrido, diante de situação fática semelhante àquela enfrentada no acórdão n. 10312.188, indicado como paradigma, compreendeu necessário distinguir o 4o trimestre, a fim de manter a autuação fiscal atinente a este e cancelar apenas os três primeiros trimestres. Por sua vez, o acórdão n. 10312.188 compreendeu que o 4o trimestre não mereceria tratamento diverso, de forma a cancelar o lançamento tributário referente a todos os trimestres indistintamente. Voto, portanto, por conhecer o recurso especial. Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 10280.004913/200491 Acórdão n.º 9101003.227 CSRFT1 Fl. 1.301 5 Quanto ao mérito do recurso, o voto vencedor do acórdão recorrido apresentou os seguintes fundamentos, in verbis (efls. 1030 e seg.): “Contudo, especificamente em relaçaõ ao IRPJ e à CSLL, há dois aspectos que comprometem o lançamento. Inicialmente, tenho que a apuração da matéria tributável por parte da autoridade fiscal foi falha. Se a tributação é com base no lucro real, e a diferença na matéria tributável está sendo apurada com base nas informações prestadas à Fazenda Estadual, não é razoável considerar apenas as vendas omitidas e desconsiderar as compras. Vejase que, segundo apurou a fiscalizaçaõ, a partir das informações prestadas ao Estado, a interessada teria deixado de informar à Receita Federal cerca de 73% das receitas tributáveis (fl. 9 do processo). Contudo, os mesmos documentos do Fisco Estadual que indicam operações de venda em montante superior em 73% aos escriturados/informados à Receita Federal, indicam também compras de insumos e mercadorias em montante superior em cerca de 80% aos escriturados/informados à Receita Federal. Ora, se a autoridade fiscal não está arbitrando o lucro, mas sim tributando a diferença a menor do lucro real apurado pela pessoa jurídica, e se o mesmo documento que evidencia a omissão de receita evidencia, também, omissão de compra, o ajuste da base tributável deve levar em conta apenas a diferenca̧ entre as rubricas omitidas. Mas não é só. O lançamento, quanto ao aspecto temporal, não observou as prescrições legais. A Lei n. 9.430/96, ao estabelecer que os períodos de apuração seriam trimestrais (art. 1o), facultou, à pessoa jurídica sujeita à tributaca̧õ pelo lucro real, a opção de apurálo anualmente (art. 2o) . Essa opca̧õ, a lei facultou ao contribuinte, e não à administração tributária. Por conseguinte, constatando qualquer irregularidade na apuracã̧o do tributo, a autoridade fiscal fica obrigada a fazer o lançamento de ofício observando a opção feita pelo sujeito passivo. Nesse diapasão, a Instrucã̧o Normativa SRF no 93/97, vigente à época dos fatos, estabelecia: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lanca̧mento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Compulsando os autos, verificase às fls. 27 do processo, que a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do IRPJ e da CSLL com base no lucro real trimestral. Porém, pela cópia da DIPJ juntada aos autos (fls. 394), verificase que a opção do contribuinte foi pelo lucro real anual. Logo, por não ter a autoridade fiscal respeitado a opção (temporal) procedida pelo contribuinte para efeito exigir os tributos devidos com base na receita omitida, não há como manter tais exigências (IRPJ e CSLL), pois em desacordo com a legislação de regência, mantendose, portanto, as exigências relativas ao 4o trimestre, eis que apurada ao final do ano calendário conforme opcã̧o do contribuinte. Por todo o exposto, AFASTO as preliminares suscitadas, para no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar as exigências relativas ao IRPJ e CSLL, referente aos treŝ primeiros trimestres do anocalendário de 1999.” Por sua vez, o acórdão n. 10323.188, indicado como paradigma de divergência, apresentou os seguintes fundamentos, in verbis: Fl. 1303DF CARF MF 6 “Passando ao exame do mérito, constato que os créditos tributários relativos a IRPJ e CSLL foram apurados com base no regime de tributaçaõ pelo lucro real trimestral, segundo os demonstrativos integrantes dos respectivos autos de infraçaõ (fls. 224/228 e 235/236), enquanto isso, por outro lado, a recorrente apresentou a sua DIRPJ/98 com opção de apuração pelo lucro real anual. A autoridade fiscal nada informou acerca da desconsideraçaõ da opçaõ da declarante. Pelo visto, constatase a ocorren̂cia de evidente equívoco na identificação do fato gerador, com conseqüências diretas na determinação do crédito tributário, resultando em descumprimento do comando do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe, no seu capta: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Dessa forma, os lançamentos ex officio de créditos tributários de IRPJ e CSLL devem ser cancelados em razão do erro mencionado, cujo saneamento é impossível no atual estágio processual. Perdem objeto as demais questões de mérito atinentes aos autos de infraçaõ de IRPJ e CSLL em razão do entendimento acima exposto.” Compreendo que o acórdão paradigma adotou a solução mais acertada. O mesmo vício que macula os três primeiros trimestres mucula também o quarto trimestre. Ocorre que o erro em questão diz respeito a elementos fundamentais da regramatriz de incidência tributária. Além do vício no critério temporal (antecedente normativo), que diz respeito ao momento da ocorrência do fato gerador, há também vício no critério material (antecedente normativo), que diz respeito ao próprio conceito da renda e do lucro que devem ser tributados, o qual deve ser refletido pela base de cálculo do tributo (consequente normativo), o qual, no caso concreto, acabou por delimitar uma grandeza equivocada, diversa daquela a que deveria o lançamento tributário deveria se ater para mensurar o “lucro anual”, a “renda anual”. Caso seja mantida a decisão recorrida, a “renda” e o “lucro”, que deveriam ser identificados como grandezas auferidas em um único bloco ao longo de todo o ano de 1999, restariam conceitualmente alterarados, tornandose grandezas confinadas, à revelia de lei, ao quarto trimestre do ano de 1999. Há, portanto, vício na própria motivação do ato administrativo para o lançamento do quarto trimestre de 1999. Não há como “convalidar” ou sanar as irregularidades quanto ao quarto trimestre porque elas contaminam a essência de todo o lançamento. Voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 10280.004913/200491 Acórdão n.º 9101003.227 CSRFT1 Fl. 1.302 7 Fl. 1305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722166/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. PROCEDÊNCIA.
Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nesse sentido, ficou provado nos autos os requisitos legais para a concessão do benefício da isenção.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA N.º 63 DO CARF. PROCEDÊNCIA. Para gozo do benefício de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Nesse sentido, ficou provado nos autos os requisitos legais para a concessão do benefício da isenção. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 66 /2 01 2- 04 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11080.722166/201204 Acórdão n.º 2301005.174 S2C3T1 Fl. 137 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por DULCE FARIAS VARGAS DA SILVA, contra o acórdão de julgamento n.º 1041.248, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto AlegreRS (4ª Turma da DRJ/POA), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, com acréscimos legais de juros e multa, por falta de comprovação de requisito necessário para a concessão de isenção da moléstia grave, especificadamente a apresentação de laudo médico oficial no ano calendário de 2010. A recorrente informou em manifestação de fls. 53/54 que houve requerimento ao INSS da cópia dos laudos médicos e de exames que integraram o Processo de nº 35239.000210/2011, do qual teria sido constata a enfermidade da contribuinte, bem como de que houve a tentativa de agendamento de nova perícia médica visando a emissão de novo laudo pericial, o que não fora possível face a deficiência do quadro de servidores, solicitando, pois, sua juntada tão logo fosse fornecido pelo órgão competente. Anexou documentação às fls. 61 a 80. Por outro lado, o laudo oficial emitido pela Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor – SIASS – INSS/POÁ foi juntado na fl. 22, atestando que a foi acometida por alienação mental, diagnosticado em 05.04.2011. Portanto, estaria fora do período do fato gerador (ano calendário de 2010). Esse motivo ensejou o julgamento improcedente da impugnação pela DRJ. Este Conselho ao julgar o Recurso Voluntário, em Resolução n.º 2301000.616, desta Turma (fls. 112/115), verificou que a recorrente foi diagnosticada no processo do INSS citado por possuir doença de Alzheimer, e que tal enfermidade se iniciou em 05/04/2001, conforme fls. 20 e 101. Portanto, baixou o processo em diligência para checar se no ano calendário de 2010 de fato a recorrente ainda estaria acometida por moléstia grave. Após a intimação da recorrente, conforme se verificou do retorno do AR, constouse que a referida recorrente teria falecido, tendo o fiscalização emitido o seguinte despacho da fl. 133: "De acordo com a Resolução n° 2301000.616 da 3ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o processo foi baixado em diligência. O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS foi intimado através do Ofício 291/2016/DRF/POA/SECAT, deixando de se manifestar sobre os termos da diligência proposta. Foi encaminhada em 22/11/2016 a Intimação nº 1848/2016/SECAT para o domicílio do contribuinte em epígrafe, e o aviso de recebimento (AR) devolvido, fl.122, por motivo de falecimento. Assim, foi encaminhada, em 06/12/2016, a Intimação nº 1848/2016/SECAT do Resultado da Diligência, para o endereço do Sr. Roberto Farias Vargas, na qualidade de herdeiro, (AR) fl. 131, não havendo, entretanto, nenhuma manifestação. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11080.722166/201204 Acórdão n.º 2301005.174 S2C3T1 Fl. 138 3 Desse modo, atendida a diligência, PROPONHO o retorno do presente processo a SECAM3ªCÂMARA2ªSEÇÃO do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento". É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo, conforme já analisado. Da análise de todo o processo verificase de fato que a recorrente foi acometida por moléstia grave, isso transcrito inclusive na própria Resolução proferida por este Conselho. Restou, portanto, a dúvida sobre a comprovação da data da doença para fins do benefício da isenção, pois no caso o laudo pericial oficial juntado na fl. 22 contém dificuldades de compreensão referente ao período de comprovação do benefício. Isso porque existe o referido Laudo Médico Pericial nº 0.015.387/2011, de 07.04.2011, emitido pela Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor – SIASS – INSS/POÁ. Contudo, percebese que esse teria causado certa dúvida quanto à data de diagnóstico da doença, onde consta uma pequena "falha" na data. Contudo, é possível compreender de que o ano que a recorrente foi acometida pela doença seria o 2001, em razão dos demais documentos juntados ao feito, dando conta que a recorrente teria sido diagnostica já naquele período, quase 10 anos antes da notificação de Lançamento. Apesar do retorno negativo da diligência realizada ,verifico que existe documento oficial do INSS constando que a recorrente teria a condição de beneficiária desde o ano calendário de 2001, juntado na fl. 20 e 22 dos autos, sendo, portanto, mais de dez anos da moléstia grave acometida, e que só avançou o quadro da sua doença. Ainda, há comprovação de que a recorrente foi pensionista de servidor público federal, conforme “Dados Funcionais do Servidor”, obtido no SIAPE, oriundo da GEX Porto Alegre/RS – doc. à fl. 16, outro requisito para a concessão do benefício da isenção. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do seguinte binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. O que é o caso do presente processo. O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: "Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 19 92, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11080.722166/201204 Acórdão n.º 2301005.174 S2C3T1 Fl. 139 4 emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo p ericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose)". Sobre a isenção constante dos incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o CARF editou o Enunciado de Súmula n.º 63, que assim dispõe: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada pro laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, verifico que a situação do processo é causa legítima da concessão do benefício da isenção, tendo elementos legais suficientes no presente processo para afastar o crédito fiscal. Conclusão Em face do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11080.722166/201204 Acórdão n.º 2301005.174 S2C3T1 Fl. 140 5 Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727871/2012-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa.
MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO.
Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
Numero da decisão: 1001-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantem-se a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma.
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ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTOS COM TODOS OS ELEMENTOS. INOCORRÊNCIA. Improcede a alegação de cerceamento do direito de defesa, se os fatos descritos, bem assim os fundamentos legais em que se assentam o procedimento fiscal, não contêm qualquer óbice à apresentação dos argumentos de defesa. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de FCONT em atraso. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 2 Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FCONT. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 71 /2 01 2- 87 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 84 2 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0351.047, de 28/02/2013 (efls. 49/55), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento (efl. 23) com a exigência do crédito tributário no valor de R$45.000,00 a título de multa de ofício isolada por nove (09) meses de atraso na entrega em 08/08/2012 do Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT), do anocalendário de 2010, cujo prazo final era 30/11/2011. O lançamento teve o seguinte enquadramento legal: Arts. 16 da Lei nº 9.779/99; 57, inciso I, da Medida Provisória 215835/01; art. 2º da Instrução Normativa RFB 967/09. Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Inconformada com a presente exigência fiscal, a autuada apresentou impugnação ao lançamento arguindo a nulidade da Notificação de Lançamento por não atender aos requisitos do art. 11 do Decreto 70.235/72, além do fato da Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 85 3 exigência fiscal, criada a partir de março de 2011, aplicarse retroativamente a todo o ano de 2011. Nesse sentido, discorre: “Por outro lado, ao não indicar o preceito legal em que se baseou, mas indicar uma Norma Legal não aplicável ao caso, a IN 967/09, que fora alterada e a regra impositiva substituída por outra, o lançamento fiscal cerceou a defesa, e ainda é nulo por vício formal e material, porque deixou de indicar o preceito legal aplicável ao caso. Pela instrução indicada na norma legal não havia obrigação da empresa para a apresentação e, portanto, a multa é indevida e ilegal, incidindo nas nulidades do ar. 59, II, do Decreto 70.235/72.” Observa que a apresentação do FCONT era obrigatória, conforme IN RFB 967/2009 e 970/2009, apenas quando houvesse a situação da empresa ter procedido a lançamento contábil com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária em vigor no dia 31/12/2007, conforme exigência do RTTRegime Tributário de Transição. A exigência da apresentação do FCONT para quaisquer situações surgiu apenas com as alterações promovidas pela IN RFB nº 1.139, de 28/03/2011. Considerando o princípio da anualidade, as obrigações principal e acessória somente podem ser exigidas a partir do exercício seguinte ao de sua instituição ou alteração. No caso, com o FCONT apresenta informações para período anual, a norma editada em março de 2011 somente poderia vigorar para fatos geradores a partir de 2012. Ressalta que a multa em questão não foi criada por lei, sendo que a art. 16 da Lei nº 9.779/99 diz apenas que a Receita Federal poderá criar obrigações acessórias, entendendo ser necessária uma norma legal específica, conforme preceitua a própria Constituição federal em seu art. 5º, inciso II. Assim o ato é nulo de pleno direito, porque não atende ao que a legislação fiscal determina para sua natureza, infringindo preceitos de ordem pública (art. 37 da Constituição Federal) e princípios claros de Direto Tributário. No mérito alega, em síntese; que apresentou a Controle Fiscal Contábil de TransiçãoFCont em atraso, porém espontaneamente, conforme disciplinado no art. 138 do CTN. Nesse sentido, cita doutrinadores e vasta jurisprudência. Discorre sobre as infrações de natureza continuada, e registra que: “No caso presente, o fato gerador tributário constituise apenas um fato gerador conforme indicado na Notificação, qual seja, “a falta de apresentação no prazo do FCONT.” [...] A aplicação de várias multas como realizado neste Auto de Infração, uma para cada mês de atraso, contraria o Direito Pátrio, merecendo sua nulidade.” Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 86 4 Destaca as dificuldades para preenchimento do FCONT, erros nas versões dos programas geradores de declaração e de validações eletrônicos disponibilizados. Por fim, ressalta a onerosidade excessiva do valor da multa, ante a vedação da utilização de tributo como forma de confisco, de acordo com art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerando que empresa entregou suas Declaração do Imposto de Renda da Pessoa JurídicaDIPJ pelo critério do lucro real, e que efetuou a entrega da escrituração Fcont de forma espontânea, ou seja, antes de qualquer procedimento de ofício, julgou procedente em parte o lançamento, com a redução da multa, conforme parte final do voto, a seguir transcrita: Desta forma, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra “c”, do Código Tributário NacionalCTN, a lei nova aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Como a interessada apresentou sua última Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ (fls.48) apurando lucro real, deve a multa objeto do presente processo ser ajustada para o montante de R$ 13.500,00, previsto na alínea “b”, do inciso I, do art. 57 da Medida Provisória 2158 35/ 2001, com a redação dada pela Lei nº 12.766/2012, e com a redução prevista no parágrafo 3º do mesmo artigo, resultando no montante de R$ 6.750,00. Eis a ementa do Acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Antes da lavratura de auto de infração, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO FCont. ENTREGA INTEMPESTIVA. CABIMENTO. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 87 5 Mantemse a aplicação da multa por atraso na entrega do FCont quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem o afastamento da mesma. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO DA MULTA. Lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática aplicase a ato ou fato não definitivamente julgado. Redução da multa em função da nova redação da legislação. Ciente da decisão de primeira instância em 22/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 59, a recorrente apresentou recurso voluntário em 20/08/2013 (efls. 60/80), conforme carimbo de recepção à efl. 60. No recurso interposto, a recorrente apresenta os argumentos apresentados em sede de primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 88 6 Tratase de uma repetição dos argumentos apresentados em sede de primeira instância. Estes argumentos foram fundamentadamente afastados, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento ao disposto no §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Preliminarmente não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/19972, foram observados na ocasião da lavratura do auto de infração, verbis: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Além disso, o art. 59 do referido decreto, que regula o Processo Administrativo Fiscal, enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento, verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Registrase que a preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura da notificação de lançamento, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada, como no caso. E mais, o impugnante articulou perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. No presente caso, não foi negado ao contribuinte o direito de discordar com a autuação. De fato, com a apresentação da impugnação ao lançamento, conhecida e ora analisada, foi dado ao requerente a oportunidade de defenderse e mais, foilhe também garantido o direito de ter suas razões analisadas pelo órgão revisor. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), rejeitamse a preliminar de nulidade argüida pelo interessado. No entanto, a recorrente questionou a decisão da DRJ, nos seguintes pontos: Primeiro, alega que "A impugnação apresentou algumas deficiências na Notificação do Lançamento fiscal, especialmente na capitulação legal da legislação que foi Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 89 7 aplicada na autuação, no entanto, a r. decisão a quo não levou em consideração essa situação, que sem sombras de dúvidas implica num cerceio de defesa". Este ponto foi questionado pela recorrente em relação ao mérito e será objeto de análise mais adiante. Segundo, alega que a decisão, ao afirmar que não existe o cerceio de defesa, "contraria frontalmente os princípios de Direito da Administração, com supedâneo no art. 37 da Constituição Federal e que foi regulamentado na Lei n° 9.784/99, disciplinando o Processo Administrativo Federal". E acrescenta: Portanto, cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, mas qualquer outra que tolhe do contribuinte a informação necessária à sua ampla defesa e do contraditório. São princípios do Direito. Nesse aspecto, o procedimento fiscal é deficiente e nulo de pleno direito, conforme foi fundamento na Impugnação e que será demonstrado em outros pontos do presente recurso. A recorrente não apontou, objetivamente, quais as outras questões que foram deficientes na autuação ("...cercear a defesa não é somente aquelas apontadas na decisão ora recorrida, MAS QUALQUER OUTRA..."). Tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, alegou suposta deficiência nas exigências do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, o que foi objeto de análise da DRJ e não merece reparos. Dessa forma, não se observando as hipóteses de nulidade previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, e estando o lançamento revestido dos elementos exigidos pelo art. 142 do código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), REJEITO A PRELIMINAR de nulidade argüida pelo interessado. Com relação à lide propriamente dita, com os mesmos os argumentos apresentados em sede primeira instância, a recorrente alega dificuldades para preenchimento do FCONT; ilegalidade e irretroatividade da norma, não obrigatoriedade de entrega da FCONT, infração continuada, espontaneidade do contribuinte e onerosidade excessiva da multa. No tocante ao instituto da denúncia espontânea, sustentando ser o mesmo plenamente aplicável à hipótese de que se trata, é de se ressaltar que, embora a contribuinte tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, verbis: Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 90 8 Ou seja, a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. Por fim, a acrescentar, em relação ao instituto da denúncia espontânea, tema que versa os autos, suscitado pela recorrente, é respaldado por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº. 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. A seguir, insurgese a recorrente contra os valores das multas aplicadas, contra a onerosidade excessiva da multa, que por isto estaria ferindo os princípios da razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade e do não confisco tributário. Por sua ótica, esses montantes teriam efeito confiscatório, afrontando assim o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pela recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 91 9 constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a Súmula nº. 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 2 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em inconstitucionalidade de lei. Quanto aos demais questionamentos, temse que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A multa em análise encontra fundamentação legal no artigo 16 da Lei nº 9.779, de 1999, e no art. 57, inciso I, da Medida Provisória nº 2.15835 de 2001, com a redação vigente à época, abaixo reproduzidos: Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados;” Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113 do Código Tributário Nacional). As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 92 10 autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal (art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional). Sobre a matéria, a Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, estendeu às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras e ao critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, alterando a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 e a Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976. A Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela referida Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007. O RTT terá eficácia até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. Será optativo nos anoscalendário de 2008 e 2009 e obrigatório a partir do anocalendário de 2010, inclusive para a apuração do IRPJ apurado com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Para fins da escrituração contábil os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em (a) livros ou registros contábeis auxiliares; ou (b) livros fiscais (art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) decorre, basicamente, do Regime Transitório de Tributação (RTT) e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real, as quais dependem de escrituração contábil e, por conseguinte, estão obrigadas à entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD). A Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009, instituiu o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares no art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Esse controle é uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária. A Instrução Normativa RFB, nº 949, de 16 de junho de 2009, que regulamenta o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do lucro real, em sua redação original, determinava que: Art. 2º As alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 da Lei nº 11.941, de 2009, que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. [...]Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 93 11 Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 967, de 15 de outubro de 2009, que aprova o programa Validador e Assinador da Entrega de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT, em seu art. 2º, assim estabelece: Art. 1º Fica aprovado o Programa Validador e Assinador da Entrada de Dados para o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCont), de que tratam os arts. 7º a 9º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. § 1º Os dados a serem apresentados por intermédio do Programa consistem em lançamentos referentes aos mesmos fatos, mas considerando critérios diferenciados, são eles: I lançamentos realizados na escrituração contábil para fins societários, que devem ser expurgados; e Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 94 12 II lançamentos considerando os métodos e critérios contábeis aplicáveis para fins tributários, que devem ser inseridos. [...] § 2º Partindose da escrituração contábil para fins societários, expurgados e inseridos lançamentos conforme os incisos I e II do § 1º pode ser gerado o FCont definido no art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009. § 3º No caso da pessoa jurídica que tenha adotado a Escrituração Contábil Digital (ECD), nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 19 de novembro de 2007, a escrituração contábil para fins societários, referida no § 2º, será a própria ECD. § 4º No caso da pessoa jurídica que não tenha adotado a ECD e esteja sujeita à apresentação do FCont, a apresentação da escrituração contábil para fins societários fica condicionada à intimação por parte da autoridade fiscal. Art. 2º O FCont será transmitido anualmente ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), instituído pelo Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, mediante a utilização de aplicativo de que trata o art. 1º, disponibilizado no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, até o último dia útil do mês de junho do ano seguinte ao anocalendário a que se refira a escrituração. [...] Art. 5º A apresentação dos dados a que se refere o art. 1º também será exigida da Pessoa Jurídica que se encontre na situação prevista no § 4º do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 949, de 16 de junho de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1139, de 28 de março de 2011) Verificase que nos anoscalendário de 2008 e de 2009, a pessoa jurídica que não adotasse os critérios contábeis instituídos pela Lei nº 11.638, de 22 de dezembro de 2007, que alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, estava dispensada de fazer o FCONT, porque ainda que adotasse o regime de tributação com base no lucro real não era optante pelo RTT, já que o FCONT destinase obrigatória e exclusivamente àquela sujeita cumulativamente ao lucro real e ao RTT. A obrigatoriedade de apresentação do FCONT decorre da opção pelo RTT na DIPJ e alcança as empresas sujeitas a tributação com base no lucro real. Inferese que a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2010, apresentada pela Recorrente espontaneamente consigna expressamente o regime de tributação com base no lucro real e a opção pelo RTT como o exercício de sua faculdade de escolha. O FCont assim tornouse de entrega obrigatória, porque a Recorrente cumulativamente apresentou a DIPJ pelo regime do lucro real e fez opção pelo RTT. O prazo de entrega do FCont para o anocalendário de 2010 foi alterado para 30.11.2011, conforme Instrução Normativa RFB nº 1.164, de 13 de junho de 2011. A não Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 95 13 apresentação do FCONT nos prazos fixados na legislação ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Como se observa, a legislação tributária estabelece que o descumprimento das obrigações acessórias exigidas, nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999 (dentre as quais se insere a não apresentação da escrituração FCONT), até o prazo fixado para a sua entrega, gera multa de R$5.000,00 por mêscalendário de atraso ou fração (posteriormente alterada para R$1.500,00, pela Lei nº 12.766/2012). Isto significa a aplicação de uma multa de R$1.500,00 que se acumula com periodicidade mensal. A intenção do legislador é forçar a entrega da declaração o quanto antes, cominando multa que é majorada a cada mês (para cada mês de atraso somase uma nova multa). Logo, depreendese, que a multa prevista no art. 57, inciso I, da MP nº 2.158 35, de 2001, deve ser aplicada cumulativamente a cada mêscalendário que decorrer sem a entrega de declaração. Assim, tendo a sido o Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT previsto desde 2009 e a multa sido lançada com fulcro em bases legais e normativas vigentes à época da notificação de lançamento, portanto, não havendo que se falar em retroatividade da norma. Também não procede a alegação da não obrigatoriedade de entrega da FCONT, conforme exposto acima e transcrição de excerto da legislação, feita pela própria recorrente em sua peça postulatória (IN n° 1.139, de 28.03.2011, art. 8º, § 4º), verbis: A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2o. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.139, de 28 de março de 2011). (grifo no original) Temse, ainda, que nos estritos termos legais, o procedimento fiscal está em conformidade com o princípio da legalidade, a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Por todo o exposto acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10166.727871/201287 Acórdão n.º 1001000.028 S1C0T1 Fl. 96 14 Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 13771.720147/2013-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 72 01 47 /2 01 3- 63 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13771.720147/201363 Acórdão n.º 1001000.247 S1C0T1 Fl. 84 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza (CE), mediante o Acórdão nº 08028.584, de 07/02/2014 (efls. 38/45), objetivando a reforma do referido julgado. Em 15/01/2013, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 19/02/2013 (efl. 14) sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa na data limite. Lista de Débitos: 1)Débito: 356315363 2)Débito: 391454293 3)Débito: 391454307 4)Débito: 394446674 5)Débito: 400356937 6)Débito: 400356945 7)Débito: 404285074 8)Débito: 404285082 9)Débito: 409131814 10)Débito: 409131822 Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa na data limite. Lista de Débitos: 1) Débito Código da Receita :1345 Tributo: DCTFMULTAATRASO/FALTA Processo: 10783400231201255 Período de Apuração: 2010 Saldo Devedor : R$ 160,70 2) Débito Código da Receita :1345 Tributo: DCTFMULTAATRASO/FALTA Processo: 10783400231201255 Período de Apuração: 2010 Saldo Devedor: R$ 500,00 Débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria–Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito Código da Receita: 4493 Nome do Tributo: COFINS Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13771.720147/201363 Acórdão n.º 1001000.247 S1C0T1 Fl. 85 3 Processo: 10783507914201151 Número da Inscrição: 7261100809610 Data da Inscrição: 29/12/2011 2)Débito Código da Receita : 3551 Nome do Tributo: IRPJ Processo: 10783507913201115 Número da Inscrição: 7221100387172 Data da Inscrição: 29/12/2011 3)Débito Código da Receita: 1804 Tributo: CONTRIBUICAO SOCIAL Processo: 10783507912201162 Número da Inscrição: 7261100809530 Data da Inscrição: 29/12/2011 4)Débito Código da Receita: 810 Nome do Tributo: PIS Processo: 10783507911201118 Número da Inscrição: 7271100186874 Data da Inscrição: 29/12/2011 5)Débito Código da Receita: 4493 Nome do Tributo: COFINS Processo: 10783454752200412 Número da Inscrição: 7261000311432 Data da Inscrição: 28/10/2010A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando que os débitos encontravamse suspensos, pois efetuou pedido de parcelamento da dívida constante no Termo de Indeferimento em 30/01/2013 (débitos junto a RFB e a PGFN) e em 08/11/2012 (débitos da previdência). Anexou CND conjunta positiva com efeito de negativa. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ao considerar que o débito 356315363 (Débito previdenciário na PFN) e os débitos 391454293 e 391454307 (Débitos previdenciários parcelados – Lei 11.941/2009) encontravamse irregulares. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS. Uma vez demonstrada a existência de pendências que impeçam a opção pelo Simples Nacional, é incabível a admissão do contribuinte neste sistema.Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13771.720147/201363 Acórdão n.º 1001000.247 S1C0T1 Fl. 86 4 Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 22/04/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 80, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 15/05/2014 (efls. 49/60), conforme carimbo aposto à efl. 49. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13771.720147/201363 Acórdão n.º 1001000.247 S1C0T1 Fl. 87 5 No recurso interposto, a recorrente argumenta, em síntese, que indeferimento ao simples nacional tão somente por 02 parcelas de um parcelamento, cujo valor de cada uma é de apenas R$ 102,24, é manifestamente abusivo e desproporcional, fugindo da razoabilidade, e que uma vez que nenhum dano foi causado ao erário, é incabível a aplicação da penalidade imposta e acrescenta: (grifos não constam do original) Tais pendências alegadas pelo fisco de que em 31/01/2013 existiam 02 parcelas vencidas em 29/06/2012 e 30/11/2012, não foi demonstrado a qual processo da PFN a que se refere. Ademais, até 31/01/2013, NÃO existiam essas dívidas como pendência, não podendo portanto ser objeto de indeferimento por surgimento após o lapso temporal exigido. Tais informações surgiram apenas no mês 05/2013, quando então, diligenciando sobre possíveis pendências existentes, surgiram tais guias como pendentes. Como se observa, a recorrente basicamente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que parcelou os débitos listados no Termo de Indeferimento antes da data limite para a opção ao Simples Nacional. A DRJ analisou, separadamente, cada um dos débitos relacionados, pelo que peço vênia para transcrever os excertos a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, apenas no que interessa ao presente, ou seja, as partes que não assistiram razão à recorrente e, ato contínuo, procedo na análise e no voto: (grifos constam no original) No Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fls.13/14), constam débitos previdenciários/fazendários, que não estariam com exigibilidade suspensa na data limite para a adesão ao Simples Nacional de 2013. Abaixo aborda se caso a caso : 1º Débito previdenciário na PFN 1)Débito: 356315363 Verificase quando da consulta ao Sistema Sicob, que o débito está na PFN desde 2005, permanecendo ainda em aberto: (...) A DRJ anexou as telas de "consulta às informações do crédito", realizada no dia 05/02/2014, à efl. 40, onde consta o recebimento pela Procuradoria para a cobrança amigável de crédito, no valor total de R$674,50. Em relação ao débito acima, (débito 356315363 Débito previdenciário na PFN) a recorrente anexa no recurso, a tela "Consulta Regularidade das Contribuições Previdenciárias" (efl. 52), onde consta o número do débito na situação de "crédito em cobrança amigável com valor até R$10.000,00", o que corrobora as informações das telas anexadas pela DRJ e citadas acima, mas não apresenta nenhum argumento contra a decisão, portanto, ocorrendo a preclusão da matéria. Como o referido débito não se encontrava suspenso na data limite para a opção, correta foi a manutenção do indeferimento ao Simples Nacional pela DRJ, sendo, por conseguinte, motivação suficiente para o não provimento do presente recurso. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13771.720147/201363 Acórdão n.º 1001000.247 S1C0T1 Fl. 88 6 Continuando a transcrição do voto da primeira instância quanto aos demais débitos considerados não suspensos, com a análise e voto em seguida, temse: 2° Débitos previdenciários parcelados Lei 11.941/2009 2)Débito: 391454293 3)Débito: 391454307 Os débitos acima listados foram parcelados, conforme se verifica na consulta ao Sistema Sicob: (...) Em relação aos débitos em questão, a DRJ anexou as telas "Lista de Eventos de Processos", do sistema de cobrança, realizada no dia 04/02/2014 (efl. 41), onde consta a inclusão dos mesmos no parcelamento especial Lei 11941. Conforme a primeira tela do Sistema Paex, anexada pela DRJ à fl. 42, verificase que o parcelamento está liquidado, porém, conforme se os destaques da segunda tela, também à fl. 42, na data limite para adesão ao Simples Nacional do ano de 2013, algumas parcelas encontravamse em aberto. E acertadamente a DRJ conclui: Então concluise que em 31/01/2013 havia 2 parcelas (vencidas em 29/06/2012 e 30/11/2012) em atraso, não estando portanto suspenso o débito, pois a arrecadação ocorreu apenas em 31/05/2013. Conforme disposto no art. 3º da IN RFB nº 734, de 02 de maio de 2007, o recolhimento irregular das parcelas referentes a parcelamento concedido pela RFB é impedimento para a concessão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa. Art. 3º A certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, de que trata o art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 2007, será emitida quando não existirem pendências cadastrais em nome do sujeito passivo e constar, em seu nome, somente a existência de débito: I cuja exigibilidade esteja suspensa em virtude de: (...) f) parcelamento, hipótese na qual deve constar, em seu nome, recolhimento regular das parcelas devidas: (grifei) 1. ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis), ou ao parcelamento a ele alternativo, de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, desde a data de opção, relativamente às pessoas jurídicas que aderiram a esse programa; 2. ao Parcelamento Especial (Paes), de que trata a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, desde a data de opção, relativamente às pessoas físicas e jurídicas que aderiram a esse parcelamento; e 3. em decorrência de qualquer outra modalidade de parcelamento concedido pela RFB. Então, havendo parcelas em atraso em 31/01/2013, tal fato impediria a emissão de certidão conjunta positiva com efeitos de negativa, pois considerase que Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13771.720147/201363 Acórdão n.º 1001000.247 S1C0T1 Fl. 89 7 o débito não estava suspenso, o que impede a inclusão do contribuinte no Simples Nacional para o ano de 2013. Em relação aos débitos acima, nº 391454293 e 391454307 (Débitos previdenciários parcelados – Lei 11.941/2009), em que pese a correta conclusão da DRJ, a fundamentação encontrase, no entanto, na aplicação da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº. 15/2009, vigente à época dos fatos, que dispõe sobre o parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional, e assim estabelece quanto à rescisão do parcelamento, verbis: (grifo não pertence ao original) Art. 28. Implicará rescisão do parcelamento a falta de pagamento de: I 3 (três) parcelas, consecutivas ou não; ou II até 2 (duas) prestações, estando pagas todas as demais ou estando vencida a última prestação do parcelamento. § 1º É considerada inadimplida a parcela parcialmente paga. (...) Como exposto no voto da DRJ, a última prestação ocorreu em 28/12/2012, mas o pagamento das duas prestações em atraso somente se deu em 31/05/2013, quando vencida estava a última prestação do parcelamento, caracterizando a inadimplência ao parcelamento e a sua consequente rescisão, estando, portanto, os referidos débitos não suspensos na data limite para a opção. Em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13771.720147/201363 Acórdão n.º 1001000.247 S1C0T1 Fl. 90 8 Edgar Bragança Bazhuni Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720033/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para aplicar a retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 33 /2 01 0- 11 Fl. 1129DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Joao Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09 de junho de 2015, interposto pelo Fazenda Nacional PFN em face da decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, consubstanciada do Acórdão n° 2301003.996, sessão de 15 de abril de 2014. Segue abaixo a ementa e o dispositivo do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PRÊMIOS. NATUREZA SALARIAL. Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual ou coletiva dos trabalhadores da empresa. Sendo contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial e deve compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO RELACIONADOS COM AS ATIVIDADES DA EMPRESA ENTENDIDOS COMO CURSOS DE CAPACITAÇÃO. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Os cursos de graduação e pósgraduação podem ser considerados cursos de capacitação e estão abrangidos pelo benefício desde que estejam relacionados com as atividades da empresa. AUXÍLIO EXCEPCIONAL. NATUREZA JURÍDICA SIMILAR AO AUXÍLIOCRECHE. EXISTÊNCIA DE ACÓRDÃO DO STJ Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 9202005.671 CSRFT2 Fl. 1.130 3 TRANSITADO EM JULGADO COMO RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O auxílio excepcional tem natureza jurídica similar ao auxílio creche, tendo em conta que as pessoas com necessidades especiais necessitam de maior convívio e atenção familiar. A controvérsia sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre o auxíliocreche já foi objeto de Acórdão do STJ que transitou em julgado sob o regime do art. 543C do CPC (Recurso Repetitivo), tendo sido decidido por aquele Tribunal que não há incidência da contribuição sobre tal benefício. Em função do conteúdo do caput do art. 62A do RICARF, acatamos integralmente o conteúdo do decisum. Logo, de forma similar ao auxíliocreche, o auxílio excepcional deve ser excluído da base de cálculo da contribuição. SALÁRIOUTILIDADE. TEORIA FINALÍSTICA. HABITAÇÃO. As utilidades fornecidas para o trabalho não possuem natureza salarial, ao passo que as utilidades fornecidas pelo trabalho possuem a natureza de salário indireto (salárioutilidade) e devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. No caso de habitação, a dispensabilidade de seu fornecimento induz à natureza salarial, em harmonia com a Súmula 367 do TST. Pagamento de aluguel em cidades com ampla oferta de imóveis permite a conclusão que tal benefício foi fornecido pelo trabalho e não para o trabalho. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelarse mais benéfica ao contribuinte em demonstrativopresente nos autos. Sem a caracterização de benefício ao contribuinte, a multa não pode retroagir. Fl. 1131DF CARF MF 4 DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NATUREZA DE NOTITIA CRIMINIS. INCABÍVEL SUA DISCUSSÃO NA PRESENTE VIA. A Representação Fiscal para Fins Penais tem natureza de notitia criminis e não é objeto de discussão no processo administrativo fiscal. Quando e se esta for enviada ao Ministério Público Federal, a recorrente poderá ser chamada a esclarecer o eventual ilícito na oportunidade do inquérito ou da resposta à denúncia. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em excluir do lançamento o auxílio excepcional, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em dar provimento ao recurso, no que tange ao auxílio educação, nos termos do voto do Relator; c) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 9202005.671 CSRFT2 Fl. 1.131 5 O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional, em 07/07/2014 (fl. 1019). De acordo com o disposto no §9º do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após esta data. Assim, o Recurso Especial de fls. 1039 a 1056 foi interposto em 15/08/2014 (fl. 1057), tempestivamente, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009. a) multa mais benéfica – da aplicabilidade da multa prevista no art. 35A da lei 8.212/91 para os casos em que há lançamento de ofício. O processo teve início com a Auto de Infração (AI) nº 37.236.6872, lavrado em 08/01/2010, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, bem como adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT), incidentes sobre verbas tidas como remuneratórias, no período de 01/2005 a 12/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 2.711.207,81, fls. 02. O contribuinte foi cientificado do resultado do acórdão voluntário, do recurso especial da PGFN e do despacho de admissibilidade, em 17/09/2015, apresentando contrarrazões (fls. 1076/1089) e recurso especial em 28/09/2015 tempestivamente (fls. 1092/1109), inadmitido quanto à questão apontada (pagamento a título de aluguel). Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Multa mais benéfica A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 1133DF CARF MF 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 9202005.671 CSRFT2 Fl. 1.132 7 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 1135DF CARF MF 8 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 9202005.671 CSRFT2 Fl. 1.133 9 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 1137DF CARF MF 10 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10166.720033/201011 Acórdão n.º 9202005.671 CSRFT2 Fl. 1.134 11 Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, dei provimento em parte tãosomente para a aplicabilidade da retroatividade benigna de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1139DF CARF MF 12 Fl. 1140DF CARF MF
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