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Numero do processo: 10640.001563/2005-56
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma.
Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
Numero da decisão: 1003-000.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, tratase de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 15 63 /2 00 5- 56 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.001563/200556 Acórdão n.º 1003000.331 S1C0T3 Fl. 38 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1220.593 (DRJ/RJ OI, fls 21/25), que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração, fls. 04, relativo à multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ Isenta, relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 500,00, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DSPJ; porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA INTEMPESTIVA. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Lançamento Procedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente, às folhas 29/30, apresentou recurso voluntário destacando, em síntese: (i) não ter exercido atividade comercial durante período autuado, sendo, portanto, inativa; (ii) que “não apresentou a denúncia espontânea, por ter apresentado a DIPJ no prazo e na legalidade"; (iii) que não recebeu nenhum comunicado quanto à alteração do prazo de entrega da mencionada declarada (diferente do que tinha como regra nos anos anteriores); Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.001563/200556 Acórdão n.º 1003000.331 S1C0T3 Fl. 39 3 (iv) que não possui bens, computador, internet, funcionários e nem nunca possuiu,contando com favor de terceiros para apresentação das declarações à Secretaria da Receita Federal, e, por fim, requereu o cancelamento da multa por atraso na entrega da declaração em questão. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Ultrapassada essa questão, entendo que razão não assiste ao apelo da Recorrente, inicialmente, porque o prazo limite para entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, conforme consta do auto de infração de fls. 04, estava fixado em 31/05/2004, tendo a Recorrente apresentadoa extemporaneamente, em 21/06/2004, o que culmina, portanto, na aplicação da penalidade pecuniária questionada. Ora, ao contrário do afirmado pela Recorrente, sua inatividade durante todo o anocalendário de 2003 não afasta a obrigatoriedade de cumprimento da apresentação de declaração em questão, uma vez que não consta ter apresentado, no prazo legal, a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ Inativa a que estaria sujeita nestas condições. Ademais, eventuais dificuldades do sujeito passivo na apresentação da declaração em questão, também não têm o condão de afastar a aplicação da penalidade aplicada, se o fato gerador ocorreu e sua quantificação se deu em conformidade com a legislação. Outrossim, não há qualquer obrigatoriedade de comunicação pessoal e direta aos contribuintes, acerca de alteração da legislação normativa, por parte da Receita Federal, como quis fazer parecer a Recorrente, bem como não cabe invocar o desconhecimento de lei ou ato normativo para justificar seu descumprimento, conforme prescreve o art. 3° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, in verbis: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". Por fim, a Recorrente afirma que o instituto da denúncia espontânea alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração. Acerca da denúncia espontânea o Código Tributário Nacional prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.001563/200556 Acórdão n.º 1003000.331 S1C0T3 Fl. 40 4 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, a cumpre esclarecer que esta é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000819/2004-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido recurso de ofício em que o valor exonerado esteja abaixo do limite de alçada, atualmente objeto da Portaria MF nº 63/2017. Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância."
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. VERDADE MATERIAL VERSUS LEGALIDADE. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO.
Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência das hipóteses de exceção no caso concreto.
DESPESAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE.
Os valores contabilizados a título de despesas somente serão considerados como dedutíveis se, além de cumpridos os requisitos legais específicos, forem suportados por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1401-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e afastar a arguição de decadência para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido recurso de ofício em que o valor exonerado esteja abaixo do limite de alçada, atualmente objeto da Portaria MF nº 63/2017. Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. VERDADE MATERIAL VERSUS LEGALIDADE. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência das hipóteses de exceção no caso concreto. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE. Os valores contabilizados a título de despesas somente serão considerados como dedutíveis se, além de cumpridos os requisitos legais específicos, forem suportados por documentação hábil e idônea.
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DESPESAS NÃO COMPROVADAS Recorrentes BANCO SAFISA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido recurso de ofício em que o valor exonerado esteja abaixo do limite de alçada, atualmente objeto da Portaria MF nº 63/2017. Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. VERDADE MATERIAL VERSUS LEGALIDADE. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência das hipóteses de exceção no caso concreto. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE. Os valores contabilizados a título de despesas somente serão considerados como dedutíveis se, além de cumpridos os requisitos legais específicos, forem suportados por documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 19 /2 00 4- 66 Fl. 1792DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e afastar a arguição de decadência para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 1999 a 2001, em razão da glosa de despesas consideradas não comprovadas, conforme relatado pela decisão recorrida: 1. Nas apurações dos lucros líquidos relativos aos encerramentos dos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, o Banco Sofisa S/A contabilizou, a titulo de Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.793 3 despesas de "Programas de Divulgação" — COSIF 8.1.7.42.00.2.4080, valores relativos a pagamentos às empresas "Alpha Propaganda" e "Intermark Editora". 1.1. Regularmente intimado a apresentar a documentação comprobatória da prestação dos serviços contratados e os comprovantes de pagamento das referidas despesas, a contribuinte não logrou êxito em comprovar os valores contabilizados, relativamente aos fornecedores acima listados, limitandose a apresentar relatórios impressos do seu sistema de contas a pagar, em que se encontram discriminados os valores pagos e as respectivas datas de pagamento. Não foram apresentadas as notas fiscais de prestação de serviço, tampouco a instituição apresentou elementos da efetiva prestação dos serviços. 1.2. Inexistindo os documentos de suporte das despesas de promoções e relações públicas, contabilizadas nos anos de 1999, 2000 e 2001, ou não tendo sido apresentadas à fiscalização, foram glosadas, por ausência de documentação pertinente, as deduções efetuadas na determinação do lucro real, na medida em que o lucro liquido do exercício não está, neste particular, atendendo as disposições da lei comercial, e, conseqüentemente, da legislação fiscal que rege a apuração do lucro real. 1.3. Além disso, as apurações da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido também foram afetadas pelas referidas deduções sem a competente documentação comprobatória, merecendo a glosa por parte da fiscalização, uma vez que, pelas razões anteriormente expostas, os resultados dos períodos não foram obtidos com observância da legislação comercial. 2. 0 lucro tributável apurado pela instituição no encerramento do anocalendário 2000 foi reduzido, relativamente à movimentação da conta de provisão de operações de crédito, no montante de R$5.586.299,01. 2.1. Em atendimento a Termo de Intimação, a contribuinte apresentou documentação pertinente As operações de crédito consideradas como perda dedutivel no anocalendário de 2000. 0 valor total das perdas comprovadas pela documentação entregue totalizou R$5.043.154,12. 2.2. Relativamente à parcela de R$543.144,89, que complementaria a dedução de R$5.586.299,01, a instituição limitouse a entregar listagem contendo os nomes dos clientes devedores, os valores devidos e as respectivas datas de baixa para prejuízo. 2.3. Considerando que a documentação apresentada pela contribuinte, reduzida em uma listagem, não se configura suficiente, face A legislação do imposto de renda, a comprovar a ocorrência das perdas deduzidas, temos que a parcela de R$543.144,89, referente diferença verificada entre o valor total da dedução das perdas e o total de perdas comprovadas, sujeitase h. glosa, por não comprovação. 3. O lucro tributável apurado pela instituição no encerramento do ano calendário 2001 foi reduzido, relativamente à movimentação da conta de provisão de operações de crédito, no montante de R$1.546.121,95. 3.1. Em atendimento a Termo de Intimação, a contribuinte apresentou documentação comprobat6ria pertinente as operações de crédito consideradas como perda dedutivel no decorrer do ano de 2001, totalizando R$1.122.177,02, relativos a perdas auferidas em operações nas carteiras de Adiantamento a Depositantes, Empréstimos e Títulos Descontados. Fl. 1794DF CARF MF 4 3.2. Relativamente à parcela de R$423.944,93, que complementaria a dedução de R$1.546.121,95, realizada no ano, não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios de sua ocorrência, estando esse montante, conseqüentemente, sujeito A. glosa por falta de comprovação documental. (...) O relatório da decisão recorrida assim descreve os argumentos da impugnação: DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.563/580, protocolizada em 20/07/2004, expondo, em síntese, que: 1. À CSLL devem ser aplicadas somente as normas atinentes aos tributos administrados pela SRF, não havendo que se falar em aplicabilidade do prazo decadencial de 10 anos, previsto no art.45 da Lei n° 8.212/91, uma vez que a ela e aos demais tributos arrecadados pela SRF, neste particular, devem ser aplicadas apenas as disposições do CTN. 1.1. Importa notar que a Lei n° 8.212/91 é uma lei ordinária, razão pela qual não tem o condão de alterar os dispositivos do CTN, lei materialmente complementar. 1.2. Sendo o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos ao lançamento por homologação, devem observar o disposto no §4° do art. 150 do CTN. Assim, a contar do fato gerador, a Fazenda Pública tem o prazo de 5 anos para homologar o lançamento. Tal prazo é decadencial, na medida em que o mesmo se refere ao exercício de um direito da Autoridade Fiscal, que é o de homologar o lançamento. 1.3. No caso especifico da presente exigência, contandose o prazo de 5 anos previsto no citado §4° do art.150 do CTN, os lançamentos relativos As operações compreendidas entre janeiro e maio de 1999 foram tacitamente homologados no respectivo período (janeiro a maio) de 2004, com a conseqüente extinção do crédito tributário. Assim, lançamento efetuado em 18 de junho de 2004 é parcialmente extemporâneo, não podendo prevalecer. 2. Quanto à documentação relacionada à comprovação das despesas de promoção e relações públicas, a mesma não logrou localizála em tempo hábil para impedir a presente autuação. 2.1. Tendo localizado, todavia, parte dos documentos comprobatórios do recolhimento dos valores ora exigidos, anexa à presente impugnação as cópias das Notas Fiscais a elas relacionadas (fls.640/757 e 1349/1408), bem como das revistas em que as propagandas foram efetuadas (fls.760/1010), que comprovam, desde já, o descabimento de parte da presente autuação, razão pela qual solicita a sua retificação, para o fim de excluir do montante tributável as despesas efetivamente comprovadas. 2.2. Conforme pode se depreender das Notas Fiscais ora anexadas, a impugnante deduziu da sua base de cálculo valor inferior Aquele efetivamente despendido no ano de 2000, sendo certo que tais comprovações devem embasar a exclusão do montante correspondente na presente autuação. 2.3. No que concerne à documentação não anexada, especialmente no que se refere ao ano de 2001, informa a impugnante que permanecerá em sua busca, razão pela qual protesta pela juntada dos demais documentos fiscais que venham Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.794 5 a comprovar a exatidão dos procedimentos adotados pela impugnante, que serão trazidos aos autos assim que localizados. 3. Tendo sido comprovadas as despesas ocorridas no ano de 1999, a parte da autuação referente à glosa de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa compensados deve ser recalculada, a fim de que, sendo reconhecidos os valores devidamente comprovados, seja reduzido também o montante exigido neste particular. 4. No item "perdas no recebimento de créditos", a impugnante demonstra, relativamente a cada um dos valores listados no Termo de Verificação, estarem corretos os procedimentos adotados. 4.1. No que concerne ao crédito no valor de R$1.202,51, tratase de adiantamento a depositante, efetuado pela impugnante à empresa Legend Ind. e Com. de Artigos para Vestuário, sendo inexistente qualquer titulo executivo que lhe permitisse a cobrança judicial do crédito. 4.1.1. Verificase do extrato de fls. 1011/1014 que o saldo devedor da conta desta empresa data de 02/01/98, tendo sido efetuada a sua contabilização como perda em junho de 2000, de forma que, nos termos do art. 9 0, §1°, II, "a" da Lei n° 9.430/96, tratandose de valor inferior a R$5.000,00, tal dedução deve ser reconhecida como correta. 4.2. Com relação ao crédito de R$5.869,60, a empresa devedora, Mangro Têxtil Ltda, teve sua falência decretada em 24/08/98, nos autos n° 495/9808, em trâmite perante a 23a Vara Cível do Foro Central da Capital, tendo a impugnante habilitado seu crédito em 24/11/98. 4.2.1. Ocorre que, a par da habilitação do crédito em comento, a impugnante procedeu à análise do cadastro dos intervenientes, constatando inexistirem bens suficientes satisfação do crédito, haja vista ter sido classificada como credora quirografária, tendo, portanto, contabilizado sua perda em junho de 2000. 4.2.2. A impugnante informa que deixa de anexar A presente os documentos comprobatórios de tais alegações, em razão de a greve dos servidores públicos estaduais do Poder Judiciário impedirlhe de obter as cópias necessárias à sua comprovação, mas se compromete a anexálas assim que possível. 4.2.3. Tratase de débito de valor superior a R$5.000,00 e inferior a R$30.000,00, vencido há mais de um ano, que, nos termos do art. 9°, §1°, II, "b", da Lei n° 9.430/96, dispensa sua cobrança judicial. 4.2.4. Em atendimento ao disposto no art. 9° da Lei n° 9.430/96, a dedução da perda foi efetuada posteriormente A. decretação da falência do devedor, de forma que deve ser também reconhecida a sua dedutibilidade. 4.3. No que concerne A. empresa Botteon Artefato de Papel Ltda., a impugnante informa haver promovido a Ação de Busca e Apreensão n° 465/98, a qual comprova terem ocorrido esforços para a obtenção dos valores a ela relacionados, devendo ser reconhecida a dedução efetuada pela impugnante. 4.4. No que diz respeito A. Cia de Calçados Semerdijan, cujo crédito montava R$15.942,76, tratase, igualmente aos casos da empresa Legend Inc. e Com. de Artigos para Vestuário, de crédito advindo de adiantamento a depositantes. Fl. 1796DF CARF MF 6 4.4.1. Porém, o casal de intervenientes veio a falecer, sucessivamente o marido e sua esposa, sendo que, por medida de economia e celeridade, a impugnante deixou de proceder à sua cobrança, já que a demora do processo contra o espólio dos devedores, aliado aos honorários advocaticios a serem despendidos para o seu acompanhamento, inviabilizaria a cobrança executiva de tal montante. 4.4.2. Ademais, tratase de débito de valor superior a R$5.000,00 e inferior a R$30.000,00, vencido há mais de um ano, o que, nos termos do art.9°, §1°, II, "b", da Lei n° 9.430/96, dispensa a sua cobrança judicial. 4.4.3. Assim sendo, a impugnante procedeu à dedução de tal montante como perda em novembro de 2000, devendo ser reconhecido como correto tal procedimento. 4.5. No que toca à empresa J.A. Moreto & CIA, cujo crédito montava R$240.378,01, tratase de dois contratos de abertura de crédito celebrados entre a empresa e a impugnante, um no valor de R$224.000,00, cujo saldo devedor montava R$217.067,74, com vencimento em 05/10/98 e outro no valor de R$500.000,00, com saldo devedor de R$11.433,86, com vencimento em 03/11/98. 4.5.1. Diante do não pagamento dos valores totais, a impugnante ajuizou a Ação de Execução contra devedor solvente n° 273/99, em trâmite perante a 4a Vara 01/el do Foro Regional de Santana/SP, a qual foi julgada improcedente, estando pendente de julgamento de recurso de apelação interposto pela impugnante (fls.1015/1099). 4.5.2. Assim, perfeitamente cumpridos os requisitos necessários à sua dedução, nos termos do art.9°, §1 0, II, "c", da Lei n° 9.430/96, mormente em razão do seu vencimento ter ocorrido em outubro e novembro de 1998 e a sua dedução ter sido operada em novembro de 2000. 4.6. Por fim, quanto as deduções relacionadas aos diversos CDCs, conforme se pode verificar do Relatório de Movimentação Contábil de fls. 963/998 e 1102/1229, foram devidamente deduzidas as despesas ocorridas, restando indevido o lançamento nesse ponto. 5. A suposta infração combatida seria referente somente A. postergação de imposto, uma vez que as perdas com créditos seriam corroboradas com o decorrer do tempo e, dessa forma, poderiam ser deduzidas, razão pela qual toda e qualquer autuação nesse sentido somente poderia ocorrer sob a forma de postergação de imposto. Em 5 de março de 2007 a DRJ em São Paulo SP julgou a impugnação parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. Na apuração anual, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorrem em 31 de dezembro, termo de inicio do prazo decadencial. IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutiveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.795 7 comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. A autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente as infrações concretamente constatadas. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase apenas quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, fato que deve ser comprovado, e não apenas alegado. DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE. Os valores contabilizados a titulo de despesas operacionais somente serão considerados como dedutiveis se for comprovada a efetividade da ocorrência das respectivas operações, sua necessidade às atividades da empresa, bem como forem suportados por documentação hábil e idônea. DEMAIS TRIBUTOS. CSLL. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte Cientificada em 2 de abril de 2007 (fl. 1482), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de maio de 2007 (fl. 1.483), alegando, em síntese: (i) os fatos geradores relativos ao IRPJ e à CSLL ocorridos nos meses de janeiro a maio de 1999 foram tacitamente homologados no período de janeiro a maio de 2004, de forma que a lavratura do auto de infração em 18 de junho de 2003 é parcialmente extemporânea. (ii) pleiteia a aceitação dos documentos que anexa, por motivo de força maior, bem como em razão da necessidade de apreciação dos documentos juntados a qualquer tempo, afirmando que "esteve todos esses anos buscando os documentos que comprovassem a correção de seus atos, porém, conforme explicitado na Impugnação, alguns dos documentos não haviam, ainda, sido localizados, outros não puderam ser anexados em razão da greve dos servidores públicos do Poder Judiciário que, à época, impedia a Recorrente de obter cópia das ações judiciais ajuizadas no intuito de reaver seus créditos". Rebate, então, quanto a cada uma das despesas, as alegações do voto da DRJ, o que por razões de economia processual será tratado diretamente no voto. Recebi o processo em distribuição realizada em 19 de setembro de 2018. Fl. 1798DF CARF MF 8 Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Recurso de Ofício O recurso de ofício não deve ser conhecido, já que o valor excluído está abaixo do limite de alçada. De fato, a Portaria MF nº 63/2017 estabelece que haverá recurso de ofício "sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." O demonstrativo de fls. 1.478, constante do acórdão recorrido, demonstra que o valor exonerado está abaixo do limite: Neste sentido, oriento meu voto para não conhecer do recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Aduz a Recorrente, primeiramente, a decadência quanto ao lançamento dos tributos exigidos pois, não obstante tenha optado pela apuração anual, defende que os fatos geradores seriam mensais. Sem razão a Recorrente. Mesmo pela aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4o, do CTN, conforme pleiteia, no caso de opção pela apuração anual do IRPJ e CSLL os pagamentos de estimativas são, como o próprio nome diz, apenas estimativas, sendo necessário o ajuste anual, de forma que o fato gerador dos tributos ocorre em 31 de dezembro do anocalendário. Não merece reparos, portanto, a decisão recorrida neste ponto, que transcrevo e também adoto como razões de decidir, nos termos do artigo 57 do RICARF: Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.796 9 (...) Contudo, conforme consulta à DIPJ 2000 (fls.45), verificase que a impugnante, quanto ao anocalendário de 1999, optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL. Dessa forma, a apuração do lucro real é feita em 31 de dezembro, conforme previsto no parágrafo 3°, do art. 2°, da Lei n° 9.430/96, in verbis: Lei n° 9.430/96 Art. 1° A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (...) Pagamento por Estimativa Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos SS 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3°A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. (...) Art. 28. Aplicamse ex apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5°a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Portanto, em decorrência da opção pela apuração anual, o lucro é apurado em 31 de dezembro, data em que se da o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Logo, verificase que não merece acolhida a alegação de decadência, pois a ciência da autuação ocorreu em 18/06/2004, antes, portanto, do prazo qüinqüenal. Quanto à comprovação das despesas, passo a tratar de cada uma delas conforme segue. Fl. 1800DF CARF MF 10 DESPESAS DE PROMOÇÃO E RELAÇÕES PÚBLICAS O acórdão recorrido considerou os documentos apresentados com a impugnação e observou que ainda restaram despesas não comprovadas nos montantes de R$100.000,00, no anocalendário de 1.999, e de R$145.000,00, no anocalendário de 2001. A Recorrente informa ter localizado mais uma parte dos documentos comprobatórios do recolhimento dos valores exigidos, anexando ao recurso as cópias das Notas Fiscais a eles relacionadas (Docs. 04 a 09). Pleiteia, assim, pela retificação do acórdão recorrido para o fim de excluir mais este montante tributável as despesas efetivamente comprovadas. Entendo que não é o caso de se aceitar os novos documentos apresentados no recurso voluntário, até porque não há sequer justificativa para a não apresentação com a impugnação. A busca pela verdade material não deve ser tão plena a ponto de se poder rechaçar a aplicação do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Sobre o assunto, observo que não existe princípio pleno, até porque naturalmente uns podem parecer contrários a outros em determinadas situações concretas. Além disso, as regras em vigor têm presunção de legalidade e constitucionalidade e, na medida do possível, devem ser aplicadas, fazendose uma interpretação da regra ao caso concreto que compatibilize os princípios norteadores do tema. É verdade que o processo administrativo é regido pela busca pela verdade material, mas esta não é ilimitada. Tanto é assim que a legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972) estabelece que os fundamentos de defesa – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a sua impugnação/manifestação de inconformidade, de modo que, muito embora haja a busca pela verdade material, as questões não postas para discussão nesta ocasião, em regra, precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Neste sentido, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem expressamente algumas hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Além das exceções expressas, existem as implícitas. Assim, outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.797 11 matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, entendo que não restaram configuradas quaisquer das hipóteses de exceção acima descritas. PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CALCULO NEGATIVA COMPENSADOS Em decorrência da não localização da documentação relacionada ao ano calendário 1999, a autoridade fiscal, partindo do pressuposto que tais valores não poderiam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, houve por bem readequálas desconsiderando as deduções procedidas pela Recorrente, o que gerou redução no prejuízo fiscal e na base de cálculo negativa acumulados. Em seu recurso, a Recorrente afirma que, tendo sido comprovadas as despesas ocorridas no ano de 1999, também essa parte da autuação deve ser recalculada, a fim de que, sendo reconhecidos os valores devidamente comprovados, seja reduzido também o montante exigido neste particular. No caso, porém, tendo em vista a não aceitação dos documentos apresentados extemporaneamente, conforme acima, fica prejudicada a análise desse argumento em favor da Recorrente. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS A Recorrente reitera estarem corretos os procedimentos adotados, por crédito, conforme abaixo: (i) crédito no valor de R$ 1.202,51: a Recorrente defende tratarse de adiantamento a depositante efetuado à empresa Legend Ind. e Com. de Artigos para Vestuário, sendo inexistente qualquer título executivo que lhe permitisse a cobrança judicial do crédito. Além disso, verificase do extrato anexo à impugnação que o saldo devedor da conta desta empresa data de 02 de janeiro de 1998, tendo a sua contabilização como perda sido efetuada em junho de 2000, de forma que, nos termos do artigo 9°, § 1°, II, "a" da Lei n.° 9.430/96, tratandose de valor inferior a R$ 5.000,00, tal dedução deve ser reconhecida como correta. 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 1802DF CARF MF 12 A decisão recorrida apontou, porém, que a contribuinte apenas apresentou uma cópia de extrato de contacorrente de tal cliente referente ao período de 01/10/97 a 02/01/98, sendo que tal documento não traz sequer qualquer menção ao valor de R$1.202,51 deduzido como perda. Logo, não é possível inferir, a partir dos elementos trazidos pela contribuinte, a ocorrência da perda no montante de R$1.202,51. Em seu recurso a contribuinte não traz qualquer contraponto a tal conclusão da decisão recorrida. Como caberia a ela demonstrar, tanto fática, por meio dos contratos e escrituração contábil, quanto numericamente, por meio de demonstrativos e planilhas, a perda eventualmente havida, o que não ocorreu no item em questão, mantémse a glosa. (ii) Créditos contra as empresas Mangro Têxtil, Botteon e Cia de Calçados Semerdijan crédito de R$ 5.869,60 contra Mangro Têxtil Ltda.: a Recorrente afirma que a devedora teve sua falência decretada em 24 de agosto de 1998, nos autos n.° 495/9808, em trâmite perante a 23a Vara Cível do Foro Central da Capital, tendo a Recorrente habilitado seu crédito em 24 de novembro de 1998. A par da habilitação do crédito em comento, a Recorrente procedeu à análise do cadastro dos intervenientes, constatando inexistirem bens suficientes à satisfação do crédito, haja vista ter sido classificada como credora quirografária, tendo, portanto, contabilizado sua perda em junho 2000, nos termos do art. 9o, §4o da Lei 9.430/1996. Ressalta, ainda, que tratase de débito de valor superior a R$ 5.000,00 e inferior a R$ 30.000,00, vencido há mais de um ano, o que, nos termos do artigo 9o, §1o , II, "h" da Lei n.° 9.430/1996, dispensaria, inclusive, a sua cobrança judicial. crédito de R$ 373.977,11 contra a empresa Botteon Artefato de Papel Ltda.: a Recorrente informa haver promovido Ação de Busca e Apreensão n.° 465/98 (Doc. 10), a qual comprovaria terem sido envidados todos os esforços para a obtenção dos valores a ela relacionados, devendo ser reconhecida a dedução efetuada. A empresa devedora teve sua falência decretada, o que, de inicio, já permitiria a dedução pretendida. crédito de R$ 15.942,76 contra a Cia de Calçados Semerdijan: a Recorrente afirma que, tal como no caso da empresa Legend Ind. e Com. de Artigos para Vestuário, trata se de crédito advindo de adiantamento a depositantes. Aqui, o casal de intervenientes veio a falecer, sucessivamente o marido e sua esposa, sendo que, por medida de economia e celeridade, a Recorrente deixou de proceder a sua cobrança, já que a demora do processo contra o espólio dos devedores, aliado aos honorários advocaticios a serem despendidos para o seu acompanhamento, inviabilizaria a cobrança executiva de tal montante. Ademais, tratase de débito de valor superior a R$ 5.000,00 e inferior a R$ 30.000,00, vencido há mais de um ano, o que, nos termos do artigo 9°, §1°, II, "h" da Lei n.° 9.430/1996, dispensa a sua cobrança judicial. Assim sendo, a Recorrente procedeu a dedução, como perda, de tal montante em novembro de 2000. A decisão recorrida manteve a glosa porque, não obstante as alegações acima, a contribuinte não demonstrou nos autos ter efetivamente apurado perdas no referido montante, uma vez que não foram trazidas por quaisquer prova documental que lhes conferisse sustentação. Em seu recurso, a Recorrente se limita a repetir os argumentos da impugnação, sem rebater as razões da decisão recorrida, razão porque devem ser mantidas as glosas. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.798 13 (iii) crédito de R$ 240.378,01 contra a empresa J.A. Moreto & Cia: a Recorrente afirma que tratase de dois contratos de abertura de crédito celebrados entre a empresa e a Recorrente, um no valor de R$ 224.000,00, cujo saldo devedor montava R$ 217.067,74, com vencimento em 05 de outubro de 1998 e outro no valor de R$ 500.000,00, com saldo devedor de R$ 11.433,86, com vencimento em 03 de novembro de 1998. Diante do não pagamento dos valores totais, a Recorrente ajuizou a Ação de Execução Contra Devedor Solvente n.° 273/99, em trâmite perante a 4a Vara Cível do Foro Regional de Santana/SP, a qual foi julgada improcedente, tendo sido negado provimento ao recurso interposto pela Recorrente (Doc. 11). Assim, perfeitamente cumpridos os requisitos necessários à sua dedução, nos termos do artigo 9°, §1o , II, letra "c" da Lei n.° 9.430/96, mormente em razão do seu vencimento ter ocorrido em outubro e novembro de 1998 e a sua dedução ter sido operada em novembro de 2000. A decisão recorrida afirma que a cópia da petição inicial da execução contra devedor solvente trazida com a impugnação apresenta, em 04/02/1999, um valor da causa de R$269.013,17, cujo demonstrativo de cálculos consta da planilha de fl. 1.064. Logo, não é possível inferir, a partir dos elementos trazidos pela contribuinte, a ocorrência da perda no montante de R$240.378,01 em 30/11/2000. Caberia à contribuinte demonstrar tanto fática, por meio dos contratos e escrituração contábil, quanto numericamente, por meio de demonstrativos e planilhas, a perda eventualmente havida, o que não ocorreu no item em questão, razão pela qual se mantém a glosa efetuada pela fiscalização (iv) deduções relacionadas aos diversos CDCs, no valor de R$53.417,06 em 31/11/2000: a Recorrente afirma que, conforme se pode verificar do Relatório de Movimentação Contábil anexado à impugnação, foram devidamente deduzidas as despesas ocorridas, restando indevido o lançamento também neste ponto. A legislação tributária (art. 9o da Lei 9.430/1996) prestigia a possibilidade de aproveitamento de perdas efetivamente percebidas. A decisão recorrida afirma que a contribuinte não demonstrou nos autos ter efetivamente apurado perdas no referido montante. Isso porque o dito "Relatório de Movimentação Contábil" na verdade é composto de cópias do Livro de Apuração do Lucro Real, referentes aos anoscalendário de 1999, 2.000 e 2.001, sendo que não é possível inferir, a partir dos lançamentos no LALUR, a ocorrência da perda supramencionada. Quanto à postergação, a decisão recorrida afirma não ser o caso porque, conforme esclarece o PN COSIT 2/1996, a postergação apenas ocorre quando há uma parcela do tributo que deveria ser paga num determinado períodobase, e esta é efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior (e anterior autuação). Afirma que a contribuinte não trouxe qualquer elemento probante de que os tributos correspondentes foram realmente pagos. A Recorrente se insurge contra a alegação da autoridade julgadora de que o pagamento do tributo posteriormente deveria ter sido comprovado para que a postergação possa ser reconhecida, afirmando que "não há como a Recorrente comprovar o pagamento posterior do tributo, já que tratase de dedução antecipada, ou seja, caso em que a Recorrente deduz tributo anteriormente ao prazo permitido, não havendo que se comprovar o oferecimento posterior do tributo". Afirma, ademais, que o único documento que pode comprovar que a dedução poderia ter sido efetuada em seu devido tempo é a Declaração de Informações Fl. 1804DF CARF MF 14 EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, que comprova ter havido apuração de IRPJ a pagar em anos posteriores, documentos estes disponíveis para a consulta nos sistemas da Administração Publica mas que, mesmo assim, pleiteia a sua juntada neste momento (Doc. 12). No caso, portanto, a Recorrente corrobora a conclusão da decisão recorrida de que não houve postergação (no sentido de pagamento espontâneo de tributo em período base posterior ao devido). Sendo esta a única ocasião em que se poderia pensar em cobrança apenas dos juros e multa correspondentes, oriento meu voto para manter as conclusões da decisão recorrida. PARCELA SUPOSTAMENTE NÃO COMPROVADA Quanto ao valor de R$ 423.944,93 mencionada na fl. 06 do Termo de Verificação: a Recorrente afirma que detinha, em 31/12/2000, na conta 1.6.9.00.00.8 — Provisões para Operações de Crédito, o montante de R$ 3.706.563,17, tendo adicionado, em contrapartida, à Parte B do LALUR, despesas indedutíveis no montante de R$ 4.230.880,30, ou seja, R$ 524.317,13 a mais. Defende que a referida adição a maior não pode ser tratada como valor jamais indedutível, já que nenhum lançamento relativo a Créditos Baixados a Prejuízo foi contabilizado no anocalendário de 2000, devendo tratarse de perda "ainda indedutível" (sic) por força da regra do artigo 9° da Lei n.° 9.430/96. E ainda que se trate de Crédito Baixado a Prejuízo em 1999, estariam sendo cumpridos os requisitos previstos na referida legislação. Com base no quadro acima, defende que foi excluído no LALUR o valor de R$ 423.944,96, inferior ao valor adicionado a maior em períodos anteriores, para ajuste entre o valor da provisão e o valor indedutível que deve continuar adicionado, restando, ainda, um valor a maior de R$ 100.372,25. Ressalta, ainda, que os valores mencionados constam do Termo de Verificação, restando inquestionável a sua apuração. Assim, conclui que o montante de R$ 423.944,93 foi glosado indevidamente, pois não se trata de valores indedutíveis, mas sim de valores que estavam adicionados a maior, tendo tal ajuste sido feito a fim de cumprir a boa prática contábil, ainda que em valor inferior ao necessário (Doc. 13). A decisão recorrida observou, quanto a tal parcela, que não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios de sua ocorrência. Para corroborar as alegações constantes de seu recurso voluntário a Recorrente traz no doc. 13 cópias de balancetes mensais de 6/2001 e 12/2001, que não esclarecem todo o arrazoado trazido em seu recurso (fls. 1.7351.738). Assim, considero que permanece não comprovada tal parcela, razão pela qual oriento meu voto para manter a glosa. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.799 15 Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, conhecer, afastar as argüições de decadência e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1806DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720010/2017-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO Recorrente USINA ALTO ALEGRE S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 1º trimestre de 2014. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo do PER nº 21108.37389.150415.1.5.186115 (fls. 02 a 14), envolvendo crédito relativo à COFINS incidência não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2014, no total de R$ 937.566,84, transmitido em 15/04/2015. Trata ainda, das DCOMP's nºs 36081.14748.301116.1.3.181970 e 07302.28511.240217.1.3.180200 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 01 0/ 20 17 -7 9 Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.302 2 que citam aquele PER como possuidor das informações sobre o crédito (PER inicial). O Despacho Decisório nº 140/2017 SAORT/DRF/PPE (fls. 3.125/3.128) exarado pela Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP deferiu em parte o Pedido de Ressarcimento. No referido Despacho Decisório encontrase consignado, resumidamente, que: · O processo administrativo nº 10835.720014/201757 trata da verificação dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos períodos 01/2013 a 06/2015, que resultou em Auto de Infração fls. 16/59, em decorrência da constituição indevida de créditos sobre dispêndios no cultivo de canadeaçúcar e transporte de mercadorias entre estabelecimentos; · Segundo o Relatório de Fiscalização daquele Auto de Infração, anexado às fls. 60 a 125, os créditos apurados indevidamente de COFINS não cumulativa, foram glosados de forma proporcional (rateio) às espécies de receitas (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno, crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno; crédito vinculado à receita de exportação); · Foi reconhecido o direito ao ressarcimento de R$ 661.610,76 a título de COFINS não cumulativa para o 1º trimestre de 2014 e homologadas as compensações. (...) Cientificada da decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3.139/3.146). Transcrevese abaixo os itens que sintetizam toda a argumentação: 1. Dos fundamentos do Despacho Decisório 1.2. Depreendese ... do Despacho que, em razão das glosas de créditos aproveitados de PIS e COFINS ..., processo administrativo n° 15940.720014/201757, o valor de COFINS mercado interno passível de ressarcimento, no PER/DCOMP nº 13763.32767.240315.1.1.191791, seria de apenas R$ 4.176.300,51. Por isso, não foi deferido o pedido de ressarcimento referente ao valor de R$ 2.535.869,11, objeto de glosa no citado procedimento fiscal. Apesar do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, o crédito nele reconhecido seria suficiente para a compensação declarada pela Requerente, de modo que as declarações de compensação foram totalmente homologadas. 2. Das razões pelas quais o Despacho Decisório deve ser reformado 2.1. Conforme se demonstrará, é equivocado o deferimento parcial do pedido de ressarcimento ..., pautado nas glosas promovidas no procedimento fiscal n° 0810500.2016.00475, processo administrativo n°15940.720014/201757... a Requerente apresentou impugnação ao Auto de Infração lavrado .... Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.303 3 Nos termos da impugnação apresentada, a Requerente defende a legalidade e regularidade dos créditos apurados e postula o cancelamento do auto de infração. Sucessivamente, ainda que mantidas as glosas, a Requerente sustenta que não poderá ser mantido o critério adotado pela Autoridade Fiscal para refazer a apuração das contribuições devidas e o saldo de crédito de PIS e COFINS. Com efeito, o deferimento do pedido de ressarcimento pressupõe a existência de saldos de contribuições superiores àquelas devidas pelo contribuinte, ou seja, a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor da Fazenda Nacional (Instrução Normativa n° 1060/2010, art. 5o; c.c. Instrução Normativa n° 1.300/2012, arts. 62 a 66). Diante disso, após o julgamento da impugnação ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, terseá uma das três situações: i) Se a impugnação for acolhida e o auto de infração ... for cancelado, não subsistirá a glosa ... Nessa hipótese, o pedido de ressarcimento PER/DComp nº 12163.42492.150415.1.5.199672 deverá ser integralmente deferimento; ii) Se for acolhida a tese sucessiva desenvolvida na impugnação, confirmandose as glosas de crédito e/ou os lançamentos por suposta omissão de receita, as apurações da contribuição para o PIS e da COFINS deverão ser refeitas, de modo a imputar os créditos apropriados primeiro para a compensação das contribuições devidas, e, depois, ajustar o pedido de ressarcimento, a depender do saldo remanescente dos créditos reconhecidos. Nessa hipótese, os créditos passíveis de deferimento no pedido de ressarcimento PER/DComp nº 13763.32767.240315.1.1.191791 também deverão ser ajustados, pois o saldo disponível para ressarcimento, provavelmente, será inferior ao ora deferido; iii) Se a impugnação ao auto de infração não for acolhida, aí sim, e somente assim, o Despacho Decisório ora atacado não será afetado. 2.2. Embora o mérito da defesa ao auto de infração ... processo administrativo n° 15940.720014/201757, deva ser apreciado naquele processo, por cautela, passase a tecer alguns esclarecimentos ... 2.2.1. Colhese do relatório de fiscalização que a Requerente teria cometido as seguintes infrações relativas à contribuição para o PIS e à COFINS: a) Nos períodos de apuração 04/2012, 04/2013 e 01/2014: não oferecimento à tributação de receitas decorrentes da baixa de dívidas de IPI, que teriam sido lançadas em conta do passivo e posteriormente baixadas, após perda do direito do fisco de cobrálas; b) No período de apuração 01/2013 a 06/2015: b.1) apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar, que não teriam sido direta e imediatamente utilizados na fabricação de açúcar e álcool, e, por isso, não poderiam ser entendidos como insumos; Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.304 4 b.2) apuração de créditos sobre despesas de transporte entre seus estabelecimentos de produtos acabados ou em elaboração, consistentes em i) industrialização efetuada para outra empresa; ii) remessa para industrialização por encomenda; iii) retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda; iv) transferência de material de uso ou consumo; e v) transferência de produção do estabelecimento; b.3) utilização dos créditos presumidos sobre compra de canade açúcar de pessoas físicas, em parte, nos pedidos de ressarcimento. 2.2.2. No que concerne ao item "a" acima, a Requerente esclareceu que o Auditor Fiscal partiu de premissa de que a baixa da provisão contábil de valores relativos ao IPI incidente na venda de açúcar, atingidos pela decadência, configuraria extinção de um passivo, sem o correspondente desaparecimento de um ativo e, por isso, deveria ser reconhecida como nova receita. A partir dessa proposição, o Agente Autuante afastou o tratamento contábil dado pela Requerente, transformando provisão em passivo. Ocorre que, mesmo que se admita a existência de passivo e a geração de receita em função da reversão da provisão, é forçoso reconhecer que aqueles valores provisionados correspondentes ao IPI não destacado já tinham sido oferecidos à tributação. É que todo o valor da venda do açúcar, inclusive aquele relativo ao IPI supostamente incidente, era oferecido à tributação do PIS e da COFINS, embora o mencionado imposto não compusesse a base de cálculo dessas contribuições. Portanto, como detalhadamente demonstrado na impugnação ao auto de infração, a receita composta pelo valor que corresponderia ao IPI (que não foi recolhido) sofreu a incidência do PIS e da COFINS, no momento da saída do açúcar, mesmo não integrando a base de cálculo das contribuições. Sendo assim, o lançamento lá combatido caracteriza bis in idem, o que leva à necessidade de seu cancelamento. 2.2.3. Em relação à apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar (item b.1 acima), a Requerente demonstrou a insubsistência dos fundamentos adotados... Como demonstrado na impugnação, os fundamentos adotados na autuação, primeiro, desconsideram as peculiaridades do processo produtivo ..., segregando, indevidamente, a etapa agrícola da produção; depois, estão pautados na interpretação equivocada da legislação do PIS e COFINS, ao "conceituar" insumo de forma contrária à lei; por fim, a autuação está em desacordo com o entendimento recente e reiteradamente manifestado pelo ... (CARF), assim como do ... (STJ). Portanto, ... nem a glosa dos créditos apurados, nem tampouco o lançamento de débitos decorrentes dessa glosa, poderão ser mantidos. Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.305 5 2.2.3. ... a Requerente demonstrou a insubsistência do fundamento, também amparado na legislação do IPI, para glosar créditos apurados sobre despesas de transporte entre os estabelecimentos da Requerente de produtos acabados ou em elaboração, além de material de uso ou consumo (item b.2 acima). Mais uma vez a posição do Auditor Fiscal se dissociou do entendimento adotado pelo CARF, que, reiteradamente, vem admitindo a apuração de créditos de PIS e COFINS na remessa de insumos de um estabelecimento a outro do mesmo contribuinte, de produtos em elaboração, assim como de produtos acabados. Além disso, mesmo que se entenda que a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre as despesas com transporte não pode ser admitida em todas as hipóteses consideradas pela Requerente, ainda assim a autuação não poderá ser integralmente mantida, porque, ao contrário do que relatado pelo Auditor Fiscal, a maior parte dos créditos apurados pela Requerente sob essa rubrica se refere, na realidade, ao frete utilizado na remessa para industrialização. E como observado, essa operação é expressamente prevista e disciplinada na legislação do ICMS (RICMS/SP. art. 401: RICMS/PR, art. 334), e também está expressamente prevista no Decreto nº 7.212/2010, que regulamenta o IPI. 2.2.4. No que toca à utilização dos créditos presumidos (item b.3 acima), a Requerente esclareceu que, ao apresentar o pedido de ressarcimento dos créditos..., deixou de distinguir os créditos presumidos apurados sobre a canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas. Por isso, foi postulado o ressarcimento indevido de crédito presumido nas competências abril/2013 a julho/2013. ... os créditos apropriados pela Requerente eram significativamente superiores às contribuições devidas. Sendo assim, se procedente a impugnação ao auto de infração, os créditos presumidos excluídos do pedido de ressarcimento serão computados na compensação de contribuições devidas e os demais créditos que assim haviam sido computados integrarão o pedido de ressarcimento. Logo, com o cancelamento do auto de infração, o saldo de créditos passíveis de ressarcimento, ... não sofrerá alteração. 2.3. Portanto, a procedência da defesa ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, ainda que parcial, implicará, necessariamente, na reforma do Despacho Decisório n° 108/2017... ... o julgamento desta manifestação de inconformidade deverá aguardar o julgamento da impugnação apresentada no processo administrativo n° 15940.720014/201757... É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0965.924, de 01/03/2018 (fls. 3223 e ss.), assim ementado: Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.306 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2012, 30/04/2013, 31/01/2014 BASE DE CÁLCULO. EXTINÇÃO DE PASSIVO. RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa a receita decorrente da extinção de uma obrigação constante do Passivo sem a correspondente extinção de item do Ativo. O registro de obrigações tributárias no Passivo não constitui Provisão, na medida em que não há incerteza acerca da constituição, tempo ou dimensão do débito. Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. 1. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 2. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de açúcar e álcool, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e álcool produzidos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da capacidade contributiva, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3253 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já declinados em sua impugnação. Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.307 7 O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto com os autos de infração dessas contribuições lavrados em decorrência da insuficiência de recolhimento. Contestado o lançamento, a DRJ manteveo na integralidade. Em síntese, foram as seguintes as infrações verificadas: a) não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das baixas das obrigações de IPI a pagar/recolher; b) créditos indevidos sobre gastos realizados no cultivo da canadeaçúcar; c) créditos indevidos sobre despesas de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente; d) crédito presumido indevido sobre a aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas para dedução das contribuições apuradas ao invés de utilizálos nos pedidos de ressarcimento. No respeitante à primeira matéria, alega a Recorrente que, em apreço ao princípio da prudência, fez uma mera transferência de receita (que, no período em que auferida, teria sido tributada pelo PIS/Cofins), não uma transferência de IPI (que não teria sido cobrado!), de uma conta contábil para uma conta de provisão deste imposto, em face da possibilidade de vir a ser cobrada pelo Fisco dos valores que deixaram de ser exigidos de seus clientes nas operações de venda que realizou. Para Recorrente, portanto, haveria, se mantida a autuação, a tributação da mesma receita duas vezes: quando do seu efetivo auferimento e quando da reversão da "provisão do IPI". É, com efeito, o que ocorreria, se os fatos se verificaram conforme descritos no recurso. Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora verifique: a) se em todos os meses em que houve a constituição da provisão do IPI a base de cálculo do PIS/Cofins informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon correspondia ao faturamento antes da contabilização desta provisão; b) se o total das receitas auferidas em cada um desses meses foi oferecido à tributação pelo PIS/Cofins. Por fim, a Recorrente deve ser intimada para que, se assim desejar, manifestese sobre o resultado da diligência. Após, retornem os autos a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.308 8 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001378/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Elizabeth Rodrigues Grinszpan.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 37 8/ 20 07 -2 4 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 390 a 403 dos anoscalendário 2001 e 2002 em virtude da apuração das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; c) multas isoladas — falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. O enquadramento legal consta às fls. 392 a 394 e 402. A descrição das infrações está as fls. 392 e 393. 0 Termo de Verificação encontrase as fls. 379 a 389. O crédito tributário total alcançou a importância de R$ 487.735,12. Além do imposto foi cobrada multa qualificada, multa de oficio, multa isolada e juros de mora. Também foi elaborada representação fiscal para fins penais. Após cientificada do Auto de Infração em referência, em 19/10/07 (fl. 405), foi apresentada a impugnação de fls. 409 a 510, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro– DRJ/RJOII, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1322.740, de 11 de dezembro de 2008. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 98 3 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 652DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 99 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 653DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 100 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 654DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 101 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 655DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913632/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.913632/200962 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.848 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto PEDIDO DE DILIGÊNCIA Recorrente COMPANHIA PIRATININGA DE FORÇA E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 63 2/ 20 09 -6 2 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.913632/200962 Resolução nº 3302000.848 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10830.913632/200962 Resolução nº 3302000.848 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10830.913632/200962 Resolução nº 3302000.848 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 292DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.721296/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA.
As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
Numero da decisão: 3201-004.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 12 96 /2 01 3- 60 Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 3 2 Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. BENS UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com instituição financeira não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade da Cofins, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal pela DRF de Presidente Prudente. Merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal: A fiscalização da DRF elaborou o referido Termo, no qual explicou as glosas efetuadas e os cálculos indicando um crédito inferior ao pleiteado pela empresa. Em síntese, foram glosados os créditos relativos a despesas e gastos que não se enquadrariam no conceito legal de insumo, nem estariam relacionados na legislação de regência. Inicialmente, o Auditorfiscal assim entendeu: Como sobredito, esse crédito deve referirse a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Ou seja, é fundamental que o insumo seja utilizado na etapa laboral cujo resultado seja um produto objeto de comercialização pela empresa. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 4 3 Sob este entendimento, explicase as glosas: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. O entendimento contrário levaria à inadequada situação em que bastaria ao contribuinte evitar a ativação de suas máquinas, optando pelo arrendamento mercantil ou pelo simples aluguel, para ampliar sobremaneira suas possibilidades de creditamento. Com base nessas premissas, foram glosados créditos calculados às linhas 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos), 06 (Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica), 07 (Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil), 10 (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) e 12 (Devoluções de vendas sujeitas às alíquotas não cumulativas). Nesse último caso, as devoluções objeto de glosa referemse a retorno de mercadorias não oneradas nas antecedentes saídas, caso do leite resfriado ou prébeneficiado, objeto de suspensão tributária, como será explanado mais adiante. Ainda tratando dos créditos calculados sobre bens do ativo imobilizado, porém mais especificamente no que respeita aos dispêndios com edificações (aproveitados no prazo de 24 meses com base no custo de aquisição ou de construção), foi realizada a glosa integral dos créditos calculados pelo contribuinte, em razão da inobservância do disposto no artigo 6°, caput e parágrafos 5° e 6°, da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Além disso, a autoridade fiscal também informou que outro procedimento considerado irregular por esta fiscalização reportase ao aproveitamento de crédito básico sobre a aquisição de leite resfriado e leite prébeneficiado. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 5 4 Explicou que a Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, em seu artigo 8º admite a apuração de créditos presumidos sobre a aquisição de insumos destinados a produção de mercadorias para à alimentação humana ou animal: Em suma, a venda de leite por fornecedor que exerça as atividades de resfriamento, transporte e venda a granel de leite in natura é efetuada, obrigatoriamente, com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins quando o comprador dessa mercadoria apurar o IRPJ com base no lucro real, exercer atividade agroindustrial e utilizar esse leite como insumo na produção de diversos alimentos, dentre eles o leite e seus derivados industrializados. Ademais, percebese que os três requisitos citados no parágrafo anterior são supridos pela fiscalizada, visto que: 1) seu imposto de Renda Pessoa Jurídica é apurado com base no lucro real; 2) sua atividade econômica é considerada agroindustrial, pois produz mercadorias arroladas nos incisos do caput do citado artigo 5o e não se encontra dentre as excludentes do artigo 2o da Lei 8.023, de 12 de abril de 1990;e 3) os insumos em comento são efetivamente aplicados na produção dessas mercadorias. Por fim, quanto aos créditos presumidos, assim se reportou: Portanto, não há que se falar em apuração de crédito básico (100% da alíquota) para tais aquisições, apenas sendo admitida a constituição de crédito presumido, à proporção de 60% das alíquotas nãocumulativas dos dois tributos em apreço. Já os créditos calculados sobre o transporte do leite pré beneficiado e resfriado não foram reclassificados para o presumido. Tais créditos foram integralmente glosados, pois não há previsão legal para aproveitamento de créditos presumidos sobre o transporte dessas mercadorias. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14057.048, de 26/02/2015, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideramse insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações , tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 6 5 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; b) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; c) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido; d) Arrendamento mercantil: a lei em momento algum especifica que os custos com contraprestações de arrendamento mercantil devem estar intrinsecamente ligados ao processo de produção, este considerado enquanto um bem que se integra ao produto final objeto da atividade da empresa. Os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente integram e são essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado; e) Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas: lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, portanto, não há dúvidas de que faz parte do processo em se tratando de insumo diretamente ligado e consumido no processo de produção da Recorrente, a teor dos atos normativos destacados, ainda que adquiridos de pessoas físicas, em conformidade com a Lei 10.935/04 e IN 660/06 é legitimo o direito creditório em tela. É o relatório. Voto Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 7 6 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.324, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.721176/201443, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.324): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 8 7 de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 9 8 No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 10 9 Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 11 10 PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 12 11 Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Do Arrendamento mercantil Sustenta, noutros termos, que a legislação de regência não determina que o bem objeto do arrendamento mercantil deve estar intrinsecamente ligado ao processo produtivo. Assim, os bens e veículos objeto de arrendamento mercantil formalizado pela Recorrente seriam, no seu entender, essenciais à viabilidade da atividade da empresa como um todo, sem o qual, ainda que indiretamente, o processo de produção fica inviabilizado. A matéria encontrase disciplinada no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, na forma seguinte: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 3º. O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. (g.n.) A fiscalização explicou a glosa na forma seguinte: Portanto, foram glosados créditos calculados pela fiscalizada sobre elementos que, embora indispensáveis a sua logística produtiva, não sofreram desgaste ou perda de propriedades físicoquímicas em razão de contato direto com o produto em elaboração, tais como embalagens de transporte (pallets), vasilhame, dispêndios com empilhadeiras, materiais e serviços de limpeza e de laboratório. O mesmo raciocínio norteou as glosas incidentes sobre créditos calculados sobre o maquinário utilizado pela empresa, seja ele integrante de seu ativo imobilizado, objeto de aluguel ou de arrendamento mercantil, pois esta fiscalização entende que, muito embora a restrição "para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços" surja literalmente apenas no inciso VI do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o intuito do legislador foi, claramente, restringir o aproveitamento de créditos apenas ao maquinário utilizado na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, independentemente da roupagem econômica através da qual o contribuinte incorpore tais bens ao seu processo produtivo. (g.n.) Contudo, o legislador não restringiu o tipo de bem objeto do arrendamento mercantil, mas apenas exigiu que seja utilizado nas atividades realizadas pela pessoa jurídica, não diretamente utilizadas na produção de bens ou na prestação de serviços. Assim, por exemplo, os gastos com o arrendamento de um caminhão utilizado na entrega dos produtos fabricados por uma indústria, ainda que não diretamente utilizados na produção, podem ser considerados créditos na sistemática não cumulativa de PIS/Cofins. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 13 12 Vejam, a propósito, como dispôs, nos fundamentos, a Solução de Consulta nº 205 Cosit, de 24/04/2017: 6. O que tais diplomas legais estabelecem é a possibilidade de se descontar créditos relativos aos valores pagos a título de “contraprestações de operações de arrendamento mercantil”. Nenhuma imposição quanto ao objeto do arrendamento é fixada pela legislação. Portanto, nenhum óbice existe em relação a arrendamento mercantil de veículo, desde, naturalmente, que ele seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica. 6.1 Evidentemente, devem ser observados todos os demais requisitos normativos e legais atinentes à espécie, entre outros, a exigência de que tais valores sejam pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, e que tal pessoa jurídica não seja optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Assim, a nosso juízo, os gastos com o arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa geram o direito ao crédito do PIS/Cofins. Do Crédito presumido de lenha de eucalipto adquirido de pessoas físicas Sustenta a Recorrente, neste tópico do recurso, que a lenha é utilizada como combustível no processo de produção, compondoo de forma essencial e direta, de forma que, ainda que adquiridos de pessoas físicas, é legitimo o direito creditório, em conformidade com a Lei 10.925, de 2004, e Instrução Normativa RFB nº 660, de 2006. Bem, o que se vê do Termo de Verificação Fiscal, anexado às fls. 291 e ss., é que, quando a fiscalização tratou do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, fêlo apenas com relação à aquisição de leite, conforme comprovam alguns de seus parágrafos, onde o tema é tratado: (...) (...) Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10835.721296/201360 Acórdão n.º 3201004.334 S3C2T1 Fl. 14 13 No concernente ao tema, apenas a afirmação, no voto condutor do acórdão recorrido, de que a aquisição de produto desonerado não pode gerar o direito ao crédito básico de PIS/Cofins. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características dos produtos; d) arrendamento de bens e veículos utilizados nas atividades da empresa. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 884DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902124/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. INDÉBITO EXISTENTE NA DATA DO RECOLHIMENTO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 84.
Os valores recolhidos a título de estimativa em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento, conforme inteligência da Sùmula CARF n. 84.
Numero da decisão: 1201-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o voto do relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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PAGAMENTO A MAIOR. INDÉBITO EXISTENTE NA DATA DO RECOLHIMENTO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 84. Os valores recolhidos a título de estimativa em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento, conforme inteligência da Sùmula CARF n. 84. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o voto do relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 21 24 /2 00 9- 61 Fl. 184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo sobre PER/DCOMP. A DRF/VIT, através do Despacho Decisório n° 824.976.432 (fi. 11), não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 12206.31795.280605.1.3.049877, transmitido em 28/06/2005. A referida decisão contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O contribuinte apresentou em 30/04/2009, manifestação de inconformidade (fls. 1/8). Nesta peça, alega, em síntese, que: a apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do débito constante do despacho decisório; efetuou recolhimento indevido, que utilizou para compensar o aludido débito. Decisão da DRJ Em decisão de 04/08/11 (fls. 107) a 1°Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade e manteve o Despacho Decisório n° 824.976.432. Recurso Voluntário Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratifica seus argumentos de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10783.902124/200961 Acórdão n.º 1201002.602 S1C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissbilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito O Recorrente pretendeu extinguir débito tributário informando um crédito referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa, o que segundo o entendimento dos julgadores da DRJ é vedado pelo art. 10 da IN SRF no 600/2005 (vedação que já constava do art. 10 da 1N SRF n° 460/2004), citado no enquadramento legal do Despacho Decisório. Devo discordar da posição dos ilustres julgadores de 1° instância. Isso porque, entendo que os valores a título de estimativa recolhidos em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte (receita bruta ou balancete), são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento. Aliás, essa é a inteligência da Súmula CARF n°84 que assim dispõe: Súmula CARF nº 84 Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nesse contexto, verificase que a decisão recorrida deve ser reformada, uma vez que foi motivada em entendimento já superado. Conforme visto, restou assentado que a indicação de direito creditório decorrente da estimativa em si, ao contrário do que afirma o despacho decisório, pode sim gerar indébito passível de restituição ou compensação. Não obstante, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 186DF CARF MF 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Assim, uma vez afastado o fundamento que não homologou o pleito da contribuinte, e a até mesmo para não caracterizar supressão de instância, devem os autos retornar à DRF de origem para análise e suficiência do montante do crédito que foi requerido. Caso a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), e este saldo não fora utilizado em outros pedidos, a compensação deverá ser homologada no limite do crédito que assim for reconhecido. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no MÉRITO DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para para afastar o fundamento da negativa da DCOMP, determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise do mérito do direito creditório. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653324/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("big-bag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD - Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DEAÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 24 /2 01 6- 14 Fl. 608DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("bigbag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator (assinado digitalmente) Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 3 3 Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 1º trimestre de 2013. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente Processo Administrativo Fiscal da análise do crédito demonstrado no PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito nº 39443.51884.310114.1.1.113763 referente a COFINS Não Cumulativa Mercado Interno, 1º Trimestre de 2013, transmitido em 31/01/2014. Cabe observar que tal PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito possui Declarações de Compensação (DCOMP) a ele vinculadas. Anteriormente a essa ação em curso, foi realizada neste interessado a ação fiscal comandada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF n° 0816500.2015.01044, concluída em 04/11/2016 pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto de Toledo da DRF/Jundiaí, com emissão de Autos de Infração lançando contribuições devidas de PIS e COFINS não cumulativos, gerando o Processo Administrativo Fiscal nº 19311.720238/201645, impugnado pelo interessado e já julgado por esta 16ª Turma de Julgamento na qual foi proferido o Acórdão nº 1293.315 em 30 de outubro de 2017 por esta Turma de Julgamento. Naquele processo, em procedimento de fiscalização, a DRF/Jundiaí não aceitou, na apuração da empresa, a tomada de crédito sobre diversos gastos que entende não serem passíveis de creditamento. O entendimento da DRF/Jundiaí resultou em glosas nos créditos, que resultaram menores que os calculados e informados pela empresa em seus DACON e EFD Contribuições. Então, ainda naquele procedimento de fiscalização executado pela DRF/Jundiaí, os créditos reapurados de ofício após as glosas sofridas foram rateados conforme as suas formas passíveis de utilização. As parcelas desses créditos passíveis de serem utilizados somente para deduções das contribuições, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno” e os “Créditos Presumidos da Agroindústria” foram utilizados para a dedução do valor das Contribuições Apuradas pelo interessado, resultando, para maioria dos meses, em Fl. 610DF CARF MF 4 Contribuições a Pagar lançadas em Autos de Infração de PIS e COFINS com multa e juros. Já as parcelas desses mesmos créditos, reapurados de ofício pela DRF/Jundiaí, que são passíveis de ressarcimento/compensação, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita de Exportação” e os “Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, tiveram apenas os seus valores indicados para serem utilizados em procedimentos específicos de análise de PER/DCOMP por parte da DRF/Bauru. Está informado no item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal dos Autos de Infração da DRF/Jundiaí, sob o TDPF n° 0816500.2015.01044 : "10.1 Os Pedidos de Ressarcimento do PIS e da Cofins e as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) apresentados pelo contribuinte, relativos aos períodos fiscalizados, serão analisados em procedimento específico, a ser realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP. " Neste presente processo é tratado o procedimento específico de análise do pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS/PASEP vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno do 2º Trimestre de 2013. No procedimento deste presente processo, e nos demais procedimentos conexos, a DRF/Bauru subtraiu do pedido de ressarcimento/compensação do interessado, os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí. Os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí são os valores das “Glosas de Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, detalhadas mensalmente em linhas da planilha denominada “Demonstrativo Anexo ao Termo de Verifical Fiscal” às fls 906 a 925 do processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645, originado a partir da sua já citada ação fiscal comandada pelo TDPF n° 0816500.2015.01044. Assim, para esse período e tipo de crédito, do Valor de Crédito Pedido pelo interessado de R$ 894.706,30, a DRF/Bauru subtraiu o valor de glosa determinado pela DRF/Jundiaí no valor de R$ 587.456,11 e chegou ao Valor de Crédito Cofirmado no valor de R$ 307.250,19. O interessado se insurge através de Manifestação de Inconformidade, tempestiva, na qual pede o julgamento em conjunto desta Manifestação de Inconformidade com outras defesas apresentadas em Processos Administrativos conexos, oriundos do mesmo “TDPF” nº 0816500.2015.01044, manejado pela Fiscalização da DRF/Jundiaí, eis que conexos, uma vez que possuem idênticos: (i) quadro fático e discussão de direito (similitude de objetos creditórios / conceito de insumos para crédito de “PIS” e “COFINS” / depreciação de ativo imobilizado), e (ii) pedido e causa de pedir, apenas diferenciandose com relação aos trimestres dos anoscalendário de 2012 e 2013 e alternando as referidas Contribuições Sociais. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 4 5 (omissis) Dessa forma, com base nos artigos 55, parágrafos 1º e 3º, 56 e 58, do Código de Processo Civil, e supedâneo no artigo 15, do mesmo Código e com o objetivo de evitar decisões conflitantes, bem como facilitar o trâmite processual e organização do julgamento desta “DRJ”, requer o processamento e julgamento da presente Manifestação de Inconformidade com as defesas dos demais Processos Administrativos acima indicados. O interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também apresenta síntese dos fatos. Reafirma que o presente processo que trata da negativa de reconhecimento integral do direito creditório que pleiteia decorre do resultado da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. E que o próprio Termo de Verificação Fiscal – “TVF” do Despacho Decisório deste período, emitido pela DRF/Bauru, adota os termos e os montantes deferidos e indeferidos indicados no Termo de Verificação Fiscal da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. Entretanto, o interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também alega que haveria diversas diferenças técnicas entre o procedimento de lançamento e constituição do crédito tributário por meio de Auto de Infração, como executado pela DRF/Jundiaí, e os procedimentos de cobrança de valores devidos decorrente das não homologações de Pedidos de Ressarcimento/Compensação, executados pela DRF/Bauru. E, mais adiante, em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado repete as alegações de preliminar e de mérito que trouxe aos autos da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí, sob o processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645 e requer a homologação integral do direito creditório originalmente pleiteado. A 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 1293.796, de 22/11//2017 (fls. 416 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 JULGAMENTO EM CONJUNTO Devem ser julgados em conjunto processos conexos que possuem idênticos quadro fático e discussão de direito, e pedido e causa de pedir. APURAÇÃO DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. GLOSAS. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Fl. 612DF CARF MF 6 Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 433 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou vários pedidos de ressarcimento e, após analisálos, a unidade de origem promoveu lançamento do PIS/Cofins devidos nos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2013 (processo administrativo nº 19311.720238/201645, ora também examinado), em face da escrituração de créditos indevidamente descontados na apuração. Deferido em parte o crédito e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua parcialmente procedente, daí a interposição do recurso voluntário. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de carência de motivação e de que não haveria a necessária individualização das glosas de créditos. Não é o que se vê dos autos. No próprio Despacho Decisório, consta a orientação de que maiores informações sobre a análise dos créditos poderiam ser obtidas no sítio eletrônico da RFB: Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.637, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 5 7 Não fosse o bastante, como a própria Recorrente já indica, no bojo da mesma ação fiscal foram analisados vários outros processos de mesma natureza e efetuado um lançamento de PIS/Cofins integrado por Termo de Verificação Fiscal onde a mesma análise também foi depurada. Cabe ressaltar, ademais, que a eventual correção do Despacho Decisório (e também do lançamento) pelos órgãos que compõem o Contencioso Administrativa, mediante a reversão de créditos glosados pela fiscalização, não macula a decisão (ou mesmo o lançamento), senão que o conforma à legislação aplicável, considerada a jurisprudência administrativa e judicial. Rejeitada a preliminar de nulidade, passamos a reproduzir, pelos motivos já declinados, o nosso voto proferido no processo administrativo nº 19311.720238/201645, adotandoo, também aqui, como razão de decidir: Rejeitada a preliminar de nulidade, vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para Fl. 614DF CARF MF 8 determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. E aí glosou os seguintes créditos (consoante Termo de Verificação Fiscal): a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 – Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 6 9 Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar. Consideradas as razões que fundamentaram a impugnação, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de dirimir algumas dúvidas. Foram elas: I. Quanto ao item “H” – “NULIDADE PARCIAL– INEXISTÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS” (fls. 981 a 988), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores. Apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. II. Quanto ao item “I” – “DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO” (fls. 1041 a 1047), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado sobre os bens citados no referido item “I”, em desacordo com a legislação de regência. Também apresentar a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “I”. III. Por fim, dar ciência do resultado da diligência acima solicitada ao interessado, para que esse, se assim desejar, se manifeste sobre esta documentação no prazo de trinta dias, retornando, então, os autos a esta DRJ/RJO para julgamento. E no Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade que a realizou prestou as seguintes informações: Quanto ao item I, esclarece a fiscalização que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins Fl. 616DF CARF MF 10 sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. No entanto, essas mesmas informações mostram que parte dos bens que serviram de base de cálculo do PIS e da Cofins e que foram classificados como máquinas e equipamentos, na verdade tratamse de outros veículos ou seus componentes, tais como tratores, dollys, transbordos, carregadeiras, carrocerias, reboques e semireboques. Sendo assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos sobre depreciação, por falta de previsão legal. Quanto ao item II, segue anexo demonstrativo com planilha do recálculo das diferenças do PIS e da Cofins devidas, consideradas as exclusões das glosas sobre a reavaliação de ativos e levando em conta a memória de cálculo da depreciação apresentada pelo contribuinte às fls. 1453/1481 destes autos. A DRJ, então, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos seguintes: Manter integralmente as glosas relacionadas ao conceito de insumo nos itens “A” a “G” do Termo de Verificação Fiscal. Afastar a glosa relacionada à reavaliação de ativos no item “H” do Termo de Verificação Fiscal. Manter parcialmente a glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (desconsiderados os valores inovados na diligência). Afastar integralmente todas as glosas efetuadas em relação aos créditos presumidos apurados pelo contribuinte nos itens “J” a “L” do Termo de Verificação Fiscal. Manter o critério adotado de não considerar o saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo. O recurso de ofício, esclareçamos melhor, teve por fundamentos as seguintes matérias, que totalizaram a exoneração de crédito em limite superior ao de alçada: a) a reversão de créditos do PIS/Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, uma vez que as informações apresentadas na impugnação, e confirmadas na diligência, comprovam que não ocorreu a reavaliação do valor dos ativos; b) a manutenção parcial da glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (foram desconsiderados os valores inovados na diligência, uma vez que a DRJ Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 7 11 acertadamente entendeu que tal procedimento equivaleria a alterar o lançamento originário); c) a reversão da glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial"; d) a reversão da glosa sobre crédito presumido oriundo de receita de vendas de açúcar não destinado à alimentação humana, mas à fabricação de bebidas e refrigerantes; e) a reversão sobre o desconto de crédito presumido superior ao PIS/Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar. Os motivos da exoneração de parte do crédito foram muito bem enfrentados no acórdão recorrido, razão pela qual passamos a adotálos, também aqui, como fundamento desta decisão, mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua transcrição, importante consideração, que, como se verá, nos levarão a adotar, no ponto a ser suscitado, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto, apenas quanto às matérias que levaram à exoneração de parte do crédito lançado, para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): DAS GLOSAS SOBRE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS Ítem “H” do Termo de Verificação Fiscal: Sobre essa glosa que a AUTORIDADE FISCAL chamou no Termo de Verificação Fiscal de “Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido”, não haviam informações suficientes para afirmar que os valores glosados eram créditos apurados e descontados pela IMPUGNANTE sobre encargos de depreciação calculados sobre a reavaliação de seus ativos. A IMPUGNANTE contestou que não reavaliou seus ativos. Então, esta 16ª Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem apresentasse planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrassem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores e apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. A unidade de origem lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 1371 a 1374), contra a IMPUGNANTE, que atendeu e apresentou os documentos solicitados. Então, a unidade de origem, a DRF/JundiaíSP, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1482 a 1484), conclui e esclarece que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação Fl. 618DF CARF MF 12 comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. Por esse motivo voto por afastar a glosa em relação a este item. (...) DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO Ítem “I” do Termo de Verificação Fiscal: Cabe analisar as glosas sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado nos valores recalculados após a diligência. A unidade de origem, glosou créditos sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag) por entender não que não estão listados nas hipóteses que a legislação permite o creditamento do PIS e da Cofins. A IMPUGNANTE contestou. Afirma que foram realizadas glosas sobre depreciação de ativos imobilizados que sequer se creditou. Como os documentos anexados aos autos não deixaram claro que essas glosas foram efetuadas apenas sobre os creditos de PIS e COFINS efetivamente apurados pela IMPUGNANTE sobre a depreciação dos seus ativos, foi determinado em resolução à unidade de origem, que essa apresentasse planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado em desacordo com a legislação de regência e também apresentasse a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa. De modo a atender o que lhe fora exigido por meio de Resolução desta 16ª Turma de Julgamento, a DRF/Jundiaí intimou a IMPUGNANTE a apresentar demonstrativo das bases de cálculo dos descontos de créditos do PIS e Cofins sobre o Imobilizado Então, tendo a IMPUGNANTE atendido a intimação, a AUTORIDADE FISCAL da unidade de origem substituiu a base de glosas anteriormente efetuadas pelo demonstrativo apresentado pela IMPUGNANTE na intimação fiscal. Nesse demonstrativo em forma de planilha (fl.1485), foram glosados os créditos de depreciação tomado em relação aos ítens listados como: veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag. A IMPUGNANTE afirma que em relação aos bens sobre os quais de fato tomou crédito relativos a sua depreciação, todos são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo agroindustrial, e tendo em vista a disposição contida nos artigos 3º, parágrafo 1º, inciso III de ambas as Leis 10.637/02 e 10.833/03, imperativo o cancelamento dessas glosas . Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 8 13 Art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) ... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag, embora todos utilizados em algum processo da IMPUGNANTE, não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por infringência ao dispositivo legal acima transcrito, corretas as glosas efetuadas. (...) DAS GLOSAS SOBRE CRÉDITOS PRESUMIDOS ORIUNDOS DE AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA ͞”NÃO AGROINDUSTRIAL” Item “J” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado, AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, ítm “J” (fl.903) glosou o “Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria”, pois segundo seu entendimento, não poderiam ter sido apurados créditos de pessoas jurídicas não agroindustriais. Foram elaboradas pela AUTORIDADE FISCAL as planilhas, “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx”, anexadas ao presente processo na forma de arquivos não pagináveis vinculados aos documentos nominados de “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas de créd. presumido 2012” e “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas créd. presumido 2013” (fls. 932 a 933). Fl. 620DF CARF MF 14 Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL apurou os totais mensais de PIS e Cofins apurados sobre os valores de compra de cana de açúcar da IMPUGNANTE, cujos fornecedores têm pelo menos um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial. Esses totais mensais foram levados para os “Detalhamentos das diferenças de PIS e COFINS devidas apuradas pela fiscalização” no ‘Demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal” (fls. 906 a 925), cujos valores servem de base para os lançamentos no Auto de Infração. Da forma como essa glosa foi sucintamente descrita no Termo de Verificação Fiscal e da forma como foi apurado o cálculo dessa glosa nas planilhas “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx” bastou a presença de um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial em um fornecedor de cana de açúcar para a AUTORIDADE FISCAL automaticamente considerar tal fornecedor “pessoa jurídica não agroindústria” e conseqüentemente glosar os créditos referentes às aquisições de cana de açúcar de fornecedores em tal situação. A IMPUGNANTE destaca que nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais, exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canade açúcar caracterizandose como comercial agropecuária (ou agroindústria), permitindose tal creditamento. Conforme a Lei nº 10.925/2004, base legal citada pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e ..., destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos noinciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Cumpre ressaltar que em nenhum momento a AUTORIDADE FISCAL buscou afastar o direito ao crédito em razão de que tais operações não teriam sido relacionadas com a venda de canadeaçúcar, mas, sim, pelo simples fato de terem sido firmadas com pessoas jurídicas que não seriam agroindústrias. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 9 15 Além de inexistente a restrição apontada pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, cabe verificar o método que adotou para tal glosa. Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canadeaçúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DA GLOSA SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO ORIUNDO DE RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR NÃO DESTINADO À ALIMENTAÇÃO HUMANA, MAS À FABRICAÇÃO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES Item “K” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, pode ser descontado crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado diretamente à alimentação humana e é glosado, conforme descrito no item “k)” desse termo, o desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes. O crédito presumido condicionado a venda de açúcar é calculado sobre a aquisição dos insumos, como a cana de açúcar, destinados a sua produção. No Termo de Verificação Fiscal, é citada pela AUTORIDADE FISCAL, a Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º, passou a permitir apuração desse crédito em relação a aquisição de insumos de pessoa física, cooperado pessoa física e de pessoas jurídicas exercendo algumas condições. A possibilidade de desconto desses créditos está de forma mais clara no artigo 5º da IN 660/2006, também citado pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Fl. 622DF CARF MF 16 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Nas “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2012” e “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2013” arquivos não pagináveis correspondentes aos seu respectivos Termos de Anexação de Arquivo Não Paginável, anexados às folhas 934 a 935 desse processo, são apresentadas as planilhas “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2012.xlsx” e “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2013.xlsx”. Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL, ao invés de calcular crédito presumido sobre o valor da cana de açúcar utilizada como insumos na fabricação de açúcar destinado à alimentação humana ou animal, calculou crédito sobre o valor de venda do açúcar a produtores de bebidas destinadas ao consumo humano. Mas não é sobre a venda de açúcar que esse crédito é calculado, na verdade, essa operação de venda apenas condiciona a tomada do crédito sobre a operação anterior de aquisição da cana. Também foram efetuadas glosas sobre os períodos entre agosto de 2013 e dezembro de 2013, hiato no qual a IMPUGNANTE sequer registrou créditos referentes a esse crédito presumido. Conforme os já mencionados artigo 8º da Lei 10.925/2004 e artigo 5º da IN 660/2006, esse crédito presumido é decorrente das compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado à alimentação humana ou animal. Da forma como foi sucintamente descrita a glosa desse crédito no Termo de Verificação Fiscal, ainda que fosse calculada corretamente sobre as compras e não sobre as vendas, como de fato aconteceu, o açúcar vendido para as indústrias de bebidas e refrigerantes é destinado à alimentação humana. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DO DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO SUPERIOR AO PIS E À COFINS APURADOS SOBRE A RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR Ítem “L” do Termo de Verificação Fiscal: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o aproveitamento do crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar está limitado ao PIS e à Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açucar destinado à alimentação humana. Nesse item “L”, a AUTORIDADE FISCAL glosou a diferença entre o que ela entendeu ser os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar menos o que ele entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 10 17 IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar a partir das informações prestadas nos Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar não foi especificamente contestada pela IMPUGNANTE. As somas mensais dessa contribuição sobre a receita de venda de açúcar com as somas mensais das contribuições sobre as demais receitas (como da receita de venda de álcool, de etanol, de melaço, etc.) estão de acordo com os totais mensais das contribuições apuradas conforme fichas 15B e 25B do Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu serem os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar foram os valores da linha 29 da Ficha 06A (Pis) e 16A (Cofins) do Dacon. Essa linha corresponde ao somatório dos créditos presumidos de atividades agroindustriais, incluídos os calculados sobre os insumos de origem animal, origem vegetal e os ajustes positivos e negativos de créditos. Pelas informações prestadas nos Dacons e pelos cálculos no Termo de Verificação Fiscal, a AUTORIDADE FISCAL entende como créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar para a produção de açúcar os créditos presumidos calculados sobre os insumos de origem vegetal e os ajustes positivos de créditos. Entretanto, para a IMPUGNANTE os ajustes positivos de créditos correspondem aos créditos apurados sobre a venda de etanol no mercado interno, conforme expressa disposição contida no artigo 1º, da Lei n° 12.859/13, conversão da Medida Provisória n° 613/13. E, de fato, a IMPUGNANTE, coerentemente com sua impugnação, passou a apurar os créditos apurados sobre a venda de etanol e demonstrálos em seus Dacon somente a partir da publicação da referida medida provisória, em junho de 2013. No Termo de Verificação Fiscal, para fundamentar a glosa sobre o desconto de crédito presumido superior ao Pis e à Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar, além de descrever os principais dispositivos legais em seu início, a AUTORIDADE FISCAL cita especificamente o trecho da ementa da Solução de Consulta nº 24, de 21 de janeiro de 2010, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal, in verbis: (...) O crédito presumido antes mencionado somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título de Cofins resultantes da comercialização das mercadorias produzidas com os produtos in natura adquiridos, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de ressarcimento. A construção dessa Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, foi feita a partir dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3o , Lei nº 10.833/2002, art. 3o; Lei nº 10.925/2004, art. 8o, caput, e §§ 1o e 4o; IN SRF nº 660/2006, Fl. 624DF CARF MF 18 art. 2o, I e IV, e § 1o; art. 3o, I, §§ 1o e 2o; art. 5o, I, “d”; e art. 6o, I. Quanto à utilização do crédito presumido pelas agroindústrias (item 16, fl.12, dessa SC), o caput do art. 8o da Lei nº 10.925, de 2004, citado tanto pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, quanto pela citada Solução de Consulta referida acima, é claro em definir a utilização permitida para o crédito em questão: “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. Tal imposição significa que do valor devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, pela comercialização das mercadorias industrializadas com os produtos in natura adquiridos, a agroindústria poderá descontar o crédito presumido apurado. E a IN SRF nº 660, de 2004, citada no Termo de Verificação Fiscal, deixa o assunto bem evidenciado: Art.8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. [...]§3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. §4º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Assim, de acordo com a Lei nº 10.925/04 e com a IN 660/04, o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, pode apenas ser utilizado para dedução de cada contribuição. E caso não possa ser aproveitado para dedução de cada contribuição no período, seu saldo deve ser controlado segregadamente, até ser totalmente utilizado nos períodos seguintes. A AUTORIDADE FISCAL, diferentemente do disposto na Lei nº 10.925/04 na IN 660/04 e na Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, para cada mês em que esse crédito presumido foi apurado em valor maior do que a contribuição apurada sobre a receita de venda de açúcar glosou a diferença a maior do valor do crédito. Esse crédito, apurado sobre a aquisição de cana de açúcar, não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, mas pode ser utilizado para dedução da contribuição devida apurada em relação às mercadorias produzidas, não apenas sobre a contribuição devida sobre a receita de venda da mercadoria “açúcar”. E sobrando saldo, esse não deve ser glosado, esse saldo deve ser controlado e utilizado nos períodos seguintes. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 11 19 Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Recentemente, nesta mesma Turma, assim também se decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. (Acórdão nº 3201004.161, de 28/08/2018) As matérias cuja apreciação remanesce no recurso voluntário são as seguintes: a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, Fl. 626DF CARF MF 20 parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag). E, finalmente, como se demonstrará ao final, também discordamos das glosas de despesas com o tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais. Conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3odo art. 1odesta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 12 21 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 628DF CARF MF 22 Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso aqui julgado, referemse aos seguintes itens (consoante alíneas acima): 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 13 23 b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containeres utilizados em transporte de açúcar (embora conste da alínea "i", na redação anteriormente transcrita, retiramos as aeronaves, porque, conforme ela própria assevera e consta de um dos demonstrativos que integram o acórdão recorrido, a Recorrente sobre elas nada se creditou). Há de se registrar, para melhor esclarecimento do que se trata, algumas observações a respeito dos itens relacionados na mesma alínea "i". Segundo a Recorrente, a) os veículos são aqueles utilizados na fase agrícola, como tratores e colheitadeiras, ônibus para transporte, dollys etc. (conta contábil 1030203002); b) os móveis e utensílios são materiais e equipamentos utilizados no processo produtivo da cana, bem como no seu acondicionamento, processamento e pesagens, tais como estufa, centrífuga, balança etc. (conta contábil 1030204002); c) as licenças e softwares são ativos tecnológicos aplicados no maquinário aplicados na lavoura (conta contábil 1030210002); d) as embarcações são utilizadas no transporte da cana entre a lavoura e a unidade produtora (conta contábil 1030212002). Tais informações, acompanhadas de registros fotográficos no recurso voluntário, em nenhum momento foram antes contraditadas pela fiscalização, quer por ocasião do lançamento, quer na diligência. Concordamos, todavia, com a glosa do crédito em relação aos serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, pois, com efeito, a legislação não prevê o creditamento das contribuições sobre os serviços de capatazia (alínea "e", supra). Comunga do mesmo entendimento a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 630DF CARF MF 24 Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Prosseguindo, agora sobre os crédito tomados em relação às embalagens de transporte ("bigbag"), como é de todos conhecido, temos entendido — e recentemente também assim fizemos noutro processo envolvendo a mesma empresa — que se deve considerálas insumo, no regime não cumulativo de PIS/Cofins, pois destinadas à proteção ou ao acondicionamento do produto final no seu transporte. Conforme Acórdão nº 3201 004.164, de 28/08/2018: NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. Finalmente, cumpre registrar que os créditos tomados em relação aos gastos com o tratamento de água, de resíduos e com análises laboratoriais não foram expressamente citados no texto que encerra o Termo de Verificação Fiscal, mas consta das planilhas a ele e ao acórdão recorrido anexadas. Contudo, mesmo que os considerássemos não originalmente apreciados, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto os gastos com o tratamento de água (fase agrícola e industrial) e de resíduos (fase industrial) e análises laboratoriais (fase agrícola e industrial). Aliás, é cediço, constitui importante requisito para a produção de açúcar e álcool o tratamento de seus resíduos industriais e o seu constante monitoramento. E, por último, quanto ao não reconhecimento dos saldos de créditos de períodos anteriores, cumpre observar que, com efeito, conforme destacado na decisão recorrida, a consequência é o não aproveitamento dos mesmos saldos para a dedução de valores devidos em períodos subsequentes. Todavia, tais saldos ficam subordinados ao que aqui decidido, já que o entendimento será replicado nos processos a este conexos. O pedido de realização de nova diligência (ou de perícia) afigurase absolutamente desnecessário em face de tudo o que expusemos aqui e das informações já carreadas aos autos (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 14 25 Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. E DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; Fl. 632DF CARF MF 26 (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10880.653324/201614 Acórdão n.º 3201004.231 S3C2T1 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria3. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 3 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 634DF CARF MF 28 Declaração de Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo externar o posicionamento pelo qual acompanhei o Relator "pelas conclusões" relativamente à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que a Fiscalização, ao efetuar a lavratura do Auto de Infração, deixou de individualizar as glosas realizadas, deixando, inclusive, de lavrar Termo de Verificação Fiscal próprio, fazendo simples remissão a TVFs de períodos de apuração diversos. Além disso, deixou de indicar a espécie dos créditos glosados (crédito de insumos ou créditos presumidos). Ao assim proceder, a Fiscalização imputou à Recorrente excessivo ônus de defesa que, ainda que cumprido adequadamente pelo contribuinte, não afasta o excesso fiscal, passível de reconhecimento de nulidade do procedimento. Não obstante ao exposto, há que se considerar que, na hipótese dos autos, o mérito da demanda foi resolvido de modo favorável ao contribuinte, incorrendose em hipótese típica de aplicação do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Desse modo, externo meu posicionamento não pela improcedência da preliminar de mérito, mas, sim, pela possibilidade de sua superação, no presente julgamento, nos exatos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 635DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.902381/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.678
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXCESSO DE PRAZO. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ATIVIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidade do lançamento. O auto de infração lavrado identificando a matéria tributada e com fundamentação legal correlata (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72) não caracterizada a preterição do direito de defesa, devendo ser mantida a autuação. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Em processos decorrentes da nãohomologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 23 81 /2 01 2- 59 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 02 053.101proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, reconhecendo parcialmente o direito creditório da Recorrente. A contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER, de PIS, que foi parcialmente reconhecido após auditoria realizada pela unidade de origem da RFB. Irresignada com o reconhecimento apenas parcial de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alega, em sede preliminar, nulidade do MPF por falha em sua prorrogação, e no mérito, a efetiva existência do direito creditório. O Colegiado a quo julgou parcialmente procedente a manifestação interposta, nos termos da decisão supracitada. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora em análise, pugnando pela reforma da decisão de primeira instância na parte vencida, o que fez com fundamento especificamente quanto às seguintes matérias: PRELIMINARMENTE – Nulidade do procedimento fiscal efetuado, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal tinha validade até 27/12/2011, enquanto a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência se deu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal, por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. E, por conseqüência, os atos posteriores ao MPF “viciado”, como o Relatório Fiscal e também o Despacho Decisório. NO MÉRITO: DO EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, uma vez que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição de insumos para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 3 aeronáutica e foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Como a aquisição dos insumos incorreu normalmente em tributação do PIS e da Cofins, a contribuinte entende serem passível de creditamento as respectivas contribuições. Aplica se a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 da Receita Federal do Brasil; DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, subsidiariamente, que seu aproveitamento então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias para aproveitamento de créditos presumidos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.673, de 23 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.901477/201381, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.673): "PRESSUPOSTOS LEGAIS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente alega que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) tinha validade até 27/12/2011, sendo que a prorrogação se deu somente em 31/01/2012, com a emissão do “Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal”, cuja ciência ocorreu em 26/04/2012. Desta forma, seria nulo o procedimento fiscal por ter descumprido o disposto nos artigos 12 e 14 da Portaria RFB nº 3.034/2011, que regulamenta o MPF. Por conseqüência, o Relatório Fiscal e o Despacho Decisório igualmente estariam viciados, ensejando em nulidade. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 4 Sem razão. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou subsequentes renovações não torna nulo o lançamento. As hipóteses de nulidade do lançamento estão consignadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, as quais não restaram caracterizadas no presente caso. Com iso, está correta a decisão de primeira instância ao concluir que: "O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é um mero instrumento da Administração Fiscal para gerenciamento, controle e acompanhamento do procedimento fiscal, em sua fase prévia à autuação, servindo também para notificar o contribuinte que está sendo fiscalizado por autoridade regularmente constituída, sendo que eventuais falhas em sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento, implicando, em essência, que não atingem a competência impositiva e vinculada dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. A competência para o lançamento dos Agentes Fiscais da Receita Federal está definida em Lei (art. 142 do CTN c/c o art. 6º, I, “a”, da Lei nº 10.593/2002), não podendo eventuais infrações a dispositivos de controle do procedimento fiscal, criados por atos infralegais, como o MPF, inquinar de nulidade o próprio lançamento, pois, no máximo, se poderia questionar a conduta das autoridades fiscais, se fosse o caso, no terreno disciplinar. Dessa forma, a imputação do poder dever do lançamento às autoridades fiscais federais está definida em lei, e, como tal, somente a violação de procedimentos definidos em lei poderia inquinar de nulidade o lançamento. (...) No caso desse auto, como se pode ver na tela às fls. 134/135, obtida na Internet (www.receita.fazenda.gov.br), a partir do código de acesso disponível no Termo de Início de Fiscalização, sequer se pode falar em irregularidade formal nas prorrogações do MPF, pois este foi prorrogado validamente pela autoridade, em 29/08/2011, não tendo expirado por decurso de prazo. Atentese que a autoridade fiscal não está obrigada a notificar o contribuinte a cada prorrogação do MPF, dentro do prazo de validade deste, pois quem está obrigado a cumprir o prazo de prorrogação é o Delegado da Receita Federal do Brasil, este que deve prorrogálo dentro do prazo, sob pena dele expirar. E, no caso destes autos, o MPF foi validamente prorrogado, lembrando que a ciência do mandado (e de suas prorrogações), por parte do contribuinte, deve ser feita via internet, como se vê no art. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 5 4º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 3.014/2011, ou seja, não há que se falar em irregularidade por eventual notificação fora do prazo de MPF regularmente prorrogado. No mesmo sentido vem decidindo este Colegiado, concluindo que eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte, como ocorre neste litígio, uma vez que a Recorrente demonstrou em manifestação de inconformidade o domínio sobre todas as matérias que embasam a autuação. Precedentes: Acórdão 3402004.7561 e Acórdão 3402 0029092. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXPEDIÇÃO. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na emissão ou na prorrogação de mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O lançamento realizado com a finalidade de evitar a decadência constitui, desde o início, o crédito tributário com exigibilidade suspensa. CONCOMITÂNCIA. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01. A teor da Súmula CARF nº 01, iimporta renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Não Conhecido. 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. ESTOQUE DE ABERTURA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS e do PIS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência da COFINS, de acordo com a Lei nº 10.833/2003, art. 12 e do PIS, nos estoques de abertura existentes em 1º de dezembro de 2002, de acordo com o art. 11 da Lei nº 10.637/2002. COFINS E PIS. AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. IRREGULARIDADES.NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é instrumento de controle gerencial, e que eventual irregularidade poderia, no máximo, dar azo a procedimento interno de natureza administrativa, mas nunca invalidar o lançamento de crédito tributário, cuja competência é deferida por lei aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. PRECLUSÃO. DILIGÊNCIA. Os documentos que comprovam as alegações trazidas na impugnação devem ser com ela apresentados, à exceção das hipóteses contempladas no art. 16, § 4º do Decreto no 70.235, de 1972. A diligência não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da empresa Recorrente. Recurso Voluntário Negado Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 6 Por tais razões, rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. MÉRITO SOBRE O EFETIVO DIREITO AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS E DA COFINS EM DECORRÊNCIA DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO, alega a Recorrente que os créditos glosados neste item decorrem da aquisição dos insumos, com tributação do PIS e da Cofins, utilizados para industrialização/montagem de peças vendidas para a indústria aeronáutica e, por isso, foram tratados como insumos para industrialização por encomenda, não tendo sido aplicada, portanto, a redução de alíquota prevista no inciso IV do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. Invoca a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008. SUBSIDIARIAMENTE, SOBRE A POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS, POR FORÇA DA DISPOSIÇÃO CONTIDA NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004, alega a Recorrente que o aproveitamento de crédito presumido então estaria respaldado pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, considerando tão somente a saída das mercadorias quando a incidência estivesse suspensa, com alíquota zero, isenção ou nos casos de não incidência. Sem razão à Recorrente. Como se observa da decisão de primeira instância, o crédito negado à Contribuinte decorre de ausência de comprovação de efetiva utilização de tais insumos. Importante frisar o que destacou o Eminente Relator da DRJ/BHE quanto à intimação oportunizada para que fossem apresentadas as provas necessárias: "Pelos documentos acostados aos autos, verificase que a contribuinte, a princípio, não se insurge contra o entendimento da fiscalização de que os insumos de que trata o art. 28, inciso V, da Lei nº 10.865/2004 não seriam passíveis de creditamento de suas contribuições, por estarem sujeitos à alíquota zero. Apenas informa que as referidas aquisições foram devidamente tributadas das contribuições de PIS e Cofins, por não se enquadrarem naquele dispositivo. As alegações apresentadas são no mesmo sentido das respostas anteriormente fornecidas à fiscalização, diante das intimações recebidas. Em relação aos períodos anteriores a junho de 2008, a contribuinte aduz que não teria sido aplicado tal dispositivo às referidas aquisições, por se destinarem à industrialização por encomenda; Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 7 quanto as períodos de junho, julho e agosto de 2008 e janeiro de 2009, simplesmente argumenta que seriam créditos extemporâneos e, portanto, anteriores à vigência da Lei nº 10.865/2004; quanto aos demais períodos, a contribuinte não se manifesta. Diante dessas informações, a Autoridade Fiscal intimou a contribuinte para que detalhasse as aquisições que alegava não terem sido tributadas à alíquota zero, mas nenhum documento foi apresentado nesse sentido. O mesmo se verifica na Manifestação de Inconformidade apresentada, em que a contribuinte não traz novos elementos aos autos. Em resumo, o deslinde da questão que aqui se apresenta passa pela verificação de alíquota da contribuição que foi efetivamente aplicada nas aquisições efetuadas nos períodos de apuração anteriores a junho de 2008. Com base no art. 28 da Lei nº 10.865/2004, a Autoridade Fiscal presumiu que essas aquisições estariam sujeitas à alíquota zero, enquanto a contribuinte afirma que dera interpretação diversa à legislação vigente, tributando normalmente aqueles valores. Ocorre que, em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do Per/Dcomp, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar o seu direito. A partir dessa perspectiva e, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo, concluise que seria lícito à RFB decidir indeferir o pedido ou não homologar a compensação, quando não há certeza e liquidez. Por sua vez, o indício constitui meio de prova, admitido até mesmo no processo penal, art. 239 do Código de Processo Penal (CPP). Assim, uma vez que a contribuinte não apresentou nenhum elemento no sentido de comprovar que as alegadas aquisições haviam de fato sido tributadas, não há como reconhecer o seu direito creditório em relação aos respectivos créditos das contribuições." (sem destaque no original) Cabe ainda observar a incidência do Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996, o qual prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 8 até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Aplicase, neste caso, o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 9 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 10 DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Portanto, ao que pese a alegação sobre o direito de crédito invocado pela Recorrente ao argumentar que adquiriu os insumos com regular tributação pela contribuição ao PIS e à COFINS, com crédito declarado em DACON, o fato é que não houve a comprovação da certeza e liquidez deste crédito, o que seria indispensável para o devido reconhecimento à compensação. Destarte, como bem observou o Eminente Relator de primeira instância, não consta nos autos nenhum elemento que indique que os referidos insumos foram de fato empregados na industrialização por encomenda, conforme alegado, não sendo possível aplicar a Solução de Consulta nº 144, de 14/05/2008 citada pela Recorrente, uma vez que o fato concreto não se refere àquele sobre o qual versou a consulta em referência. Por sua vez, com relação ao argumento subsidiário, consignase que, caso fosse comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado, poderia a Contribuinte se enquadrar na aquisição com tributação regular de PIS/COFINS, motivo pelo qual igualmente resta afastado o crédito presumido previsto pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, por ausência de enquadramento legal. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. É como voto." Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13884.902381/201259 Acórdão n.º 3402005.678 S3C4T2 Fl. 0 11 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721124/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
ARBITRAMENTO INDEVIDO.
Para a tributação pelo lucro arbitrado por desclassificação da escrita contábil há que ficar demonstrado que esta não era idônea e/ou suficiente para a apuração do lucro real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS.
A tributação decorrente do mesmo fato jurídico segue o decidido no lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ).
Numero da decisão: 1302-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 ARBITRAMENTO INDEVIDO. Para a tributação pelo lucro arbitrado por desclassificação da escrita contábil há que ficar demonstrado que esta não era idônea e/ou suficiente para a apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. A tributação decorrente do mesmo fato jurídico segue o decidido no lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 24 /2 01 5- 45 Fl. 3983DF CARF MF 2 Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido: Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração constantes das fls. 2058 a 2110, que exigem o Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no montante a seguir demonstrado, em R$, relativo ao anocalendário 2010: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 1995 a 2043), a Autoridade Autuante apurou a infração de “Omissão de receita por presunção legal – depósitos bancários de origem não comprovada”, a qual gerou reflexos de CSLL, PIS e Cofins. Considerou que a empresa não apresentou documentação probante eficaz, coincidentes em datas e valores e suficientes para comprovar a origem dos créditos/depósitos em suas contas correntes e incluiu como base de cálculo no auto de infração lavrado, valores relativos a depósitos bancários, DOC e TED, totalizados por competência e discriminados na planilha demonstrativa denominada “Planilha Referente a Créditos Bancários Não Comprovados”. Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. I INTRODUÇÃO (...) 4. O contrato social da empresa previu, para o anocalendário de 2010, o seguinte objeto social: prestação de serviços de gestão de verbas de terceiros a serem investidas em publicidade, propaganda e divulgação de produtos ou negócios; prestação de serviços de aconselhamento de investimentos em publicidade, promoção e execução de palestras, comercialização de brindes e produtos promocionais em geral. 5. O contribuinte adotou a forma de tributação pelo lucro real, com apuração trimestral do imposto e contribuição social. 6. Embora essa fiscalização trate dos anoscalendário de 2010 a 2013, esse relatório é parcial, relativo apenas ao anocalendário de 2010. II – DESCRIÇÃO DOS FATOS Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.984 3 7. O histórico apresentado a seguir abrange as intimações e respostas entregues pelo contribuinte até o presente momento para todo o período fiscalizado – 2010 a 2013: (...) III – DA ANÁLISE (...) 10. Considerandose que a movimentação financeira girou em torno de R$30.000.000,00 (trinta milhões) e a DIPJ foi informada receita no valor de R$332.606,32, requeremos declaração motivadora de a movimentação financeira ser incompatível com a receita declarada na DIPJ. 11. Em 25.11.2014, o contribuinte manifestouse declarando ser agência de publicidade que gere o fundo de marketing do grupo Habibs denominado “procoop”, (...). Em resumo, declara que recebe os valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade, individualizando em seu passivo os montantes repassados aos projetos promocionais, como propaganda de rádio e televisão, compra de materiais para divulgação, etc. Em seguida, exemplifica sua contabilização, como segue: Recebimento do valor no banco D – Banco C – Fundo de Verba (passivo) _______ 100,00 Repasse e pagamentos mídias D Fundo de Verba (passivo) C – Banco _______________________ 90,00 Receita D Fundo de Verba (passivo) C – Receita (resultado) ______________ 10,00 12. Pudemos entender, pelo demonstrado acima, que o objetivo da empresa seria gerir o fundo de propaganda do grupo Habibs, financiado pelas franqueadas e obtido com um percentual sobre o faturamento. Em que pese o alegado e exemplificado, o contribuinte não apresentou documentos idôneos que comprovassem o alegado, sua contabilidade não foi efetuada nesses moldes, tampouco atendeu aos princípios e técnicas contábeis, conforme demonstraremos no decorrer desse relatório. 14. A empresa apresentou relação de franqueadas. Destacou ainda que essas empresas são identificadas nos lançamentos contábeis pela razão social, o que se comprovou parcialmente, em virtude de constar diversos lançamentos sem identificação. 15. Foram elaboradas planilhas contendo todos os recebimentos bancários e alguns pagamentos, a fim de solicitar ao contribuinte que identificasse a que título ocorreram, bem como apresentasse documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, as fontes dos recursos que deram origem aos créditos/depósitos bancários, que comprovassem o alegado. Intimamos e reintimamos para que Fl. 3985DF CARF MF 4 identificasse no campo “observações” da mesma a que se referiram esses recebimentos. Em resposta, anexa ao TIF 9, alegou que a maioria dos recebimentos tratavase de recebimentos “proocop”, no entanto para alguns casos, conforme planilha a seguir, a empresa restringiuse a responder que os valores provavelmente foram estornados (estornos esses não localizados por essa auditoria): (...) 16. A autuada apresentou como documento probatório das fontes de recursos, o contrato de gestão do fundo cooperado de propaganda e marketing, segundo ela, vigente no período. 17. O contrato foi celebrado em 10.01.2009 entre a AlSaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações (franqueadora) e NBA – GESTÃO DE NEGÓCIOS E COMÉRCIO LTDA, antiga denominação para PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA (gestora dos recursos de propaganda) conforme já mencionado. Cumpre esclarecer que a empresa se encontrava à época da emissão do contrato sob fiscalização da RFB (anocalendário 2005), o que resultou em 19.10.2010, no Auto de Infração processo nº 19515.003163/201052, cuja liquidação se deu com o parcelamento requerido pelo contribuinte. Naquela fiscalização, foi constatado que os faturamentos mensais da empresa eram muitos inferiores aos montantes mensais de créditos/depósitos em suas contacorrentes. A empresa apresentou declarações com a informação de que o objetivo social da mesma era o de gerenciar valores de terceiros, cujos contratos eram verbais. Naquela ocasião o auditor havia solicitado documentos idôneos que comprovassem à origem dos créditos, inclusive, contratos, os quais não foram apresentados. Por todo o abaixo exposto, podemos considerar a hipótese de o contrato ter sido firmado com o único intuito de tentar produzir prova e documentos para suas transações financeiras futuras. 18. Em que pese (...) e as contratantes pertencerem às mesmas pessoas, haja vista que a sócia da autuada, BELSARAIVA COMÉRCIO, EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES – CNPJ 59.407.965/000146, é representada pelo Sr. Belchior Saraiva Neto CPF 011.834.33867 e o outro sócio é o Sr, Antônio Alberto Saraiva CPF 698.146.000849. Estes são também os sócios da Contratante Alsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda, analisálo emos a seguir. 19. Preliminarmente, nas considerações, define que a contratante é empresa franqueadora detentora das marcas Habib’s, Regazzo e Box30, afirma que as marcas arrecadam mensalmente um percentual de seu faturamento para o Fundo de Propaganda e Marketing, considera que a contratada é agência de publicidade, autorizada pela contratante a promover as Marcas, por meio de ações de marketing, fazendo a gestão do “procoop”. (...) 22. Embora haja previsão de atribuição de administração do “procoop”, essa não restou comprovada, pois a empresa não apresentou documentos hábeis e idôneos que corroborassem sua atuação da maneira determinada nesse contrato. Se a sua receita realmente referese à arrecadação do “procoop”, a autuada não demonstrou como administra o recebimento “procoop”, uma vez que é preciso saber o valor a receber com base em documentos fiscais emitidos pelas franqueadas para isso. No item “c” há disposição a respeito de informações diárias a respeito da arrecadação, inadimplência e utilização do “procoop”. Sem documentos fiscais essas determinações são impossíveis de serem praticadas. 23. A autuada, no caso a contratada, não apresentou a relação de inadimplentes. Embora, no item 2 do TIF nº 13, tenhamos solicitado como Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.985 5 contabilizou os valores a receber, a autuada, em sua resposta, nada esclarece a respeito. Ressaltamos que o título contábil 110503000011083 – Clientes, tem seus saldos inicial e final zerados. (...) 25. Ora, dispõe a cláusula 2.1 do referido contrato que a auditada deverá reter em seu favor o correspondente a 10% da quantia mensal arrecadada a título de “procoop”, o contribuinte não efetuou tais lançamentos contábeis, nem levou ao resultado do exercício e, consequentemente, à tributação tais valores. Aliás, como os valores recebidos, supostamente arrecadados a título “procoop” são da monta de R$30.000.000,00, a receita calculada dessa maneira giraria em torno de R$3.000.000,00, não de R$332.606,32, conforme declarado. (...) 30. A empresa declara, então, que a receita é composta pela diferença positiva entre valores recebidos de “procoop” e repasses às diversas campanhas de publicidade e marketing, não havendo diversificação de atividades, em total dissonância com os dispositivos contratuais, contradizendoo e invalidandoo. 31. Ocorre que, ainda que fossem apresentados documentos de origem que justificassem essa alegação, a afirmação de que destina valores superiores a 90% às campanhas de publicidade revelouse completamente equivocada, pois os pagamentos contabilizados na conta “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” são da e importância de R$22.699.110,73. Considerandose os recebimentos contabilizados a título de “procoop”, no valor de R$31.846.647,73, obtemos uma diferença de R$9.147.536,70, a qual é muito superior a 10%, não inferior como afirma o contribuinte. (...) 33. Concluímos, então, que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração da receita por ela apontadas. Vejamos: primeiramente, conforme contrato firmado com a franqueadora, a receita seria calculada sobre os recebíveis, 10%; em segundo lugar, conforme suas declarações, a receita seria a diferença calculada entre os recebíveis das campanhas publicadas e os valores gastos com a gestão publicitária do grupo Habib’s e, por último, mas não menos importante, há previsão contratual entre a franqueadora e franqueada de que o custo de administração a ser auferido pela gestão da propaganda seria de 5%. Sua contabilidade não foi elaborada seguindo nenhum desses critérios. A contribuinte, embora gestora de recursos de terceiros, não demonstrou de que maneira apuraria, controlaria ou conferiria sua própria receita. (...) 35. Em resposta, de 14.07.2015, ao TIF nº 8, a autuada alega no item 2 e 3 que está compondo planilha referente ao “procoop” arrecadado em cada ano, espelhada nos créditos bancários. Ora se a empresa assuma que se esses valores realmente referemse ao “procoop”, não tem o controle de qual franqueada pagou, quem está inadimplente e ainda confirma que sua contabilidade não está lastreada em documentos formais. (...) 37. (...). Gostaríamos de enfatizar que nunca foram apresentados a essa fiscalização, documentos hábeis e idôneos que efetivamente pudessem comprovar a Fl. 3987DF CARF MF 6 origem dos recebimentos, tais como cupons fiscais, fitas de caixa de franqueadas, etc, com os quais mediante a aplicação o índice relativo à taxa de propaganda sobre seus montantes, se abriria a possibilidade de confirmação da receita da autuada e a partir daí seria possível efetuar as planilhas apresentadas. (...) 45. Qualquer contribuinte se utiliza da contabilidade para fazer prova a seu favor perante outros órgãos. Ocorre que a empresa parece acreditar que ao efetuar lançamentos contábeis quaisquer que contenham uma conta bancária em contrapartida, sem qualquer critério permeando seus registros ou comprovação cediça, parece realizála de modo a favorecer aos seus interesses, ainda que contra a realidade dos fatos. Os valores recebidos não foram levados à resultado, permanecendo em conta de passivo. 46. (...), apresentou uma amostragem, escolhida pela própria autuada, de Guia de Apuração e Informação do ICMS – GIA de 10 lojas, (...). Os dados constantes dessas GIAS não corroboram, portanto, a escrituração. 47. Ora ao gerenciar recursos de terceiros é preciso que haja muita clareza, transparência em seus atos, devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação de índices de repasse. 48. (...). Quanto ao questionamento dos lançamentos contábeis efetuados agrupadamente, respondeu evasivamente referindose aos lançamentos bancários agrupados, reforçando que não tem condições de apresentar uma conciliação de base relativa à cada franquia abrindo e detalhando seus desempenhos econômicos e faturamento. 49. Quanto à conciliação bancária, no item 3 do TIF de nº 9, não tratou dela e sim de planilha contendo esclarecimentos do que se tratavam os valores. (...). Mais uma vez, apresentou planilhas de casamento dos valores lançados a crédito em contas bancárias, com os valores lançados na conta “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” do Passivo. Ocorre que tanto há valores contabilizados englobando vários recebimentos, como há valores recebidos supostamente englobadamente pelo Banco. Esse colacionamento sem documentos comprobatórios é impossível de ser efetuado. 50 Além disso, apresentou recibos de 20 franqueadas, amostragem escolhida pela própria autuada. Analisando aqui uma delas, Aracaju Point Super Lanches: apresentou 12 recibos, mas na planilha constam apenas dois recebimento um na competência novembro/2010 e outro na competência dezembro/2010. Os recibos conferidos não coincidiram com nenhum dos valores constantes da planilha. E assim, sucessivamente, não conseguimos localizar um só dos recibos apresentados nem na contabilidade, nem na movimentação bancária de nenhuma das filiais apresentadas. 51. Quanto ao esclarecimento a respeito do histórico das Notas Fiscais de faturamento à empresa Alsaraiva, em resposta ao TIF 13 (resposta 1, item 06), admitiu que à época faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis. Quanto à contabilização do fluxo financeiro, reafirmou que debitava a conta de “clientes” e creditava a conta de “receitas” na proporção dos custos e despesas contábeis. 52. Nesse momento pudemos entender como a empresa declarou na DIPJ sua receita: para fazer frente às suas despesas e custos, espelhou um valor na receita e apresentou sua declaração. Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.986 7 53. Quanto aos recebimentos há um único recebimento na conta do Banco Santander, o qual contém a identificação do CNPJ 19.900.000/000176, o qual é a inscrição da empresa Cervejarias Kaiser Brasil S/A. Na planilha referente à movimentação financeira, a autuada preencheu no campo “Obs” a informação – “procoop”. Ora notoriamente não se trata de franqueada do grupo, o que evidencia a falta de credibilidade de suas informações. 54. Conquanto a empresa alegue que os dados relativos ao recebimento se encontram no histórico contábil, requeremos a elucidação de o motivo de haver lançamentos no montante de R$14.379.879,71, contabilizados englobadamente sem qualquer identificação, no item 3 do TIF nº 13. Solicitamos que apresentasse documentos que EFETIVAMENTE comprovassem a origem e não apenas planilhas de “excel”, procedimento esse adotado pela intimada durante toda a fiscalização e que não atende ao solicitado. São eles: (...) 55. Em resposta, a autuada limitouse a fazer referência a lançamentos bancários agrupados e finalmente afirmou não ter condições de apresentar a base relativa a cada franquia abrindo e detalhando os dados de seus desempenhos econômicos e faturamento. 56. Ainda que a autuada comprovasse que esses recebimentos tiveram origem das franqueadas, por meio de documentos bancários, tais como cheques depositados das mesmas, isso, por si só, não identificaria a natureza desses recebimentos. A natureza só se comprovaria com documentos fiscais eficazes justificando a efetivação da transação comercial, o que a autuada não fez sequer por amostragem. 57. Observamos que em seu extrato bancário, contas do Banco Itaú, há vários créditos com o histórico “TEC DE CHEQUE”. Alguns deles de valores altos como o de 09/03/2010 R$766.300,37 e de 24/03/2010, no valor de R$698.447,29, ambos da conta 17335 5. Questionamos, pois esses valores não se referem a um recebimento de uma única franquia. Ao analisar a legislação que dispõe a respeito da TEC bancária, observase que se trata de uma transação com um único remetente. O contribuinte alega que o Banco Itaú agrupa os diversos depósitos bancários realizados, os quais são compostos de vários pagamentos, que por sua vez são devidamente individualizados pela autuada em sua contabilidade. 58. O que constatamos é que o Banco apresentou uma relação de cheques os quais compuseram um único depósito, não se tratando de vários depósitos, como quis fazer parecer a autuada, podendo evidenciar que os pontos de venda emitem os cheques, que são coletados, conforme explicitado na denúncia e ficam à disposição da autuada, para que em algum momento sejam depositados. Seja essa a origem ou outra, não há como vários remetentes reuniremse para efetuarem um depósito bancário, ou uma TEC, como quer fazer parecer a autuada. (...) 60. Embora tenha alegado o tempo todo que apresentou documentos, em nenhum momento a autuada apresentou documentos efetivamente comprobatórios de sua movimentação financeira, planilhas excel e declarações não tem o condão de documento probatório da origem e natureza dos créditos. (...) Fl. 3989DF CARF MF 8 62. Os recebimentos, objeto deste levantamento, podem se tratar de algum outro recebimento que não tem nenhuma correspondência com os valores que a autuada diz ser relativos a recebimentos referentes a taxas de propaganda das franqueadas. Nada é possível afirmar, uma vez que documentos comprobatórios da origem desses recebimentos nunca foram apresentados , embora a empresa tenha sido intimada e reintimada várias vezes. Além disso, a única empresa constante no site do grupo com objetivo de propaganda e marketing é a empresa PPM Propaganda Promoção e Marketing Ltda. Como o franqueado denunciante demonstra um forte esquema de sonegação do grupo Habib’s, os valores que transitaram nas contas bancárias dessa empresa podem ter origem completamente diversa do exposto pela autuada. 63. Chegamos à conclusão que é impossível determinar a origem e a natureza dos recursos auferidos pela contribuinte. IV – A – DA CONTABILIDADE (...) 65. Os valores constantes da movimentação financeira foram contabilizados sob o título contábil “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I”, conta do passivo sendo creditada quando dos recebimentos em contrapartida à conta ‘BANCOS” ou “CAIXA” e debitada, quando dos pagamentos, em contrapartida às mesmas contas, funcionando exatamente como contacorrente. Os valores aí contabilizados, aí permanecem, não sendo levados a resultado. O saldo positivo entre entradas e saídas é transferido para o ano seguinte. 66. Os valores levados à “Receita de Venda de Serviços” são os abaixo descritos. O critério, conforme já mencionado, é que faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis, item 6 do TIF nº 13. A única peculiaridade é que o histórico está assim descrito “pelo recebimento de valores”. Os demais, ou seja aquelas que não foram levados à receita, tem o histórico “pelo recebimento de valores ref. a “procoop””. Senão vejamos primeiramente efetuou os seguintes lançamentos a débito da conta “Caixa” e a crédito da conta “Clientes” e reflexos tributários: (...) 67. Em seguida transferiu os valores constantes da conta “Clientes” para a conta de receita “Serviços Prestados”: (...) 68. Depois disso, transferiu para conta “Lucros e Perdas”, conforme abaixo: (...) 69. Embora optante pelo lucro real – apuração trimestral – procedeu de forma completamente aleatória, sem nenhuma fidelidade às suas declarações, ou ainda no disposto em contrato com a franqueadora, ou às regras contábeis vigentes. Os valores contabilizados em “conta de Lucros e Perdas”, cujos valores foram declarados em DIPJ, correspondem à parte da movimentação financeira da conta “Caixa”. O restante dos valores contabilizados nessa conta, assim como os valores contabilizados na conta “Bancos” lá permaneceram sem qualquer contabilização adicional. (...) 71. Especificamente a essas notas fiscais emitidas, tendo como tomadora a empresa, Alsaraiva Comércio Empreendimentos Imob e Participações Ltda, Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.987 9 questionamos o fato de conterem na discriminação dos serviços “Despesas referentes a (mês de competência) e reembolso de 30% de despesas e não discriminação do serviço prestado. A autuada, conforme já dito nesse relatório, declarou que tratase de empresa ligada e à época faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas. (...) 73. Não há também qualquer registro de provisão contábil. Não é de se estranhar que o título contábil que registra os valores mais expressivos, todo o volume financeiro da autuada, ou seja a conta contábil “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” fez parte do passivo Exigível a Longo Prazo e ali permaneceu, sem transitar por conta de resultado, haja vista que a contabilidade do contribuinte de toda a forma não se coaduna com os princípios e padrões contábeis. 74. Ainda em relação a esses recebimentos, difícil afirmar que se tratam efetivamente de recebimentos a título de propaganda das franquias. Aqui se pode questionar se vem ocorrendo de fato o alegado na denúncia, aqui descrita sumariamente no subtítulo “Outros Elementos relacionados ao Grupo Econômico Habib’s” e anexa nesse processo, a qual dispõe que é procedimento do grupo econômico Habib’s um forte esquema de sonegação em que parte dos valores era arrecadada em cheques, os quais ficavam guardados em um cofre e o depósito desse cheque era efetuado em algum momento, a bel prazer, valor esse manipulado para não ser tributado. 75. A autuada usou a contabilidade a seu bel prazer, fez lançamentos a débito de “Disponibilidades” em contrapartida a seu “Passivo Exigível a Longo Prazo”, como forma de tentar garantir a contabilização de seus créditos bancários, sem prezar pela legitimidade, qualidade e transparência da informação contábil, olvidandose de que a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais, transformando os fatos administrativos em fatos permutativos, quando, por suas ponderações, deveriam ser modificativos ou mistos. Ainda que apresentasse documentos comprobatórios de suas alegações, seus registros não identificam qual é, bem como quanto é sua receita em cada operação efetuada. Os valores levados à Demonstração do Resultado do Exercício e decorrentemente ao LALUR e à sua DIPJ, assim como as Notas Fiscais faturadas de prestação de serviços não permitem a determinação da real receita bruta de prestação de serviços. Sua contabilidade é, em conseqüência, imprestável para a apuração do lucro do exercício, impossibilitando ainda a apuração do lucro real. IV – B – OUTROS INDÍCIOS DE SONEGAÇÃO LOCALIZADOS NA CONTABILIDADE 76. Do cotejamento da contabilidade com a movimentação financeira, localizamos valor de R$5.048,00, recebido no dia 10.08.2010 constante do extrato Bancário – Banco Itaú – Ag. 2978, contacorrente 173355, o qual não foi contabilizado pela autuada. Questionada a respeito, ofereceu resposta ao TIF de nº 10, de 11.09.2015, item 1, limitandose a declarar que provavelmente foi estornado, não tendo localizado o documento de suporte. 77. Em 29.10.2010 identificamos em sua contabilidade, oito pagamentos efetuados à empresa Elivel Automotores Ltda, no valor de R$25.390,00, cada um, referente à compra de veículo. Solicitamos o motivo de esses pagamentos estarem sendo alocados como pagamento na contacorrente de propagandas, sob o título contábil “220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES I” e não Fl. 3991DF CARF MF 10 estarem constando do Ativo Imobilizado da empresa. Nessa mesma resposta, item 2, afirmou trataremse de veículos adquiridos para inserção publicitária em campanhas de marketing, não se tratando de aquisição de Ativo Imobilizado. Solicitamos os documentos nos TIF’s seguintes, mas esses não foram apresentados. 78. Em diversos momentos, a conta contábil “110101000011004 – C.A.I.X.A” encontrase com saldo credor, demonstrando estouro. (...) V – OUTROS ELEMENTOS RELACIONADOS AO GRUPO ECONÔMICO HABIB’S (...) A. Diligência Fiscal em face da Alsaraiva Comércio e Empreendimentos e outras Pessoas Jurídicas do grupo: 80. As informações aqui relacionadas foram coletadas no curso do procedimento de diligência que antecedeu a essa fiscalização, encerrada em fevereiro de 2014, cujo MPF é o de nº 08.1.90.000.2012.06143. 81. A Alsaraiva, que tem como sócio administrador o Sr. Alberto Saraiva, CPF 698.146.00849, é a pessoa jurídica detentora da marca HABIB’S e como tal formaliza contratos de franquia com interessados. Conforme contratos apresentados ao auditorfiscal responsável pela diligência, existem duas formas de franquias contratadas pela Alsaraiva: a) com franqueados diretos – contrato com as características que seguem: o franqueado se obriga a pagar de 5 a 10% do faturamento bruto a título de royalties, sendo que a Alsaraiva tem rígido controle sobre tal faturamento; o franqueado se obriga a pagar de 4 a 8% do faturamento bruto a fim de propagação da marca HABIB’S; os equipamentos utilizados pelo franqueado, inclusive máquinas registradoras, são aqueles disponibilizados por empresas indicadas pela ALSARAIVA; b) máster franqueados, que são pessoas jurídicas autorizadas pela ALSARAIVA a explorar a marca HABIB’S em regiões específicas, através de contratos firmados com subfranqueados: o máster se obriga ao pagamento de 4% ao Fundo de propaganda; e (...) 83. A partir dos elementos coletados, o Grupo se organiza da seguinte forma e com o respectivo controle: EMPRESA A: Empresa que comercializa a marca HABIB’S (ALSARAIVA COMÉRCIO DE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES EIRELLI); EMPRESAS B: ligadas a Publicidade (PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS e PPM Propaganda Promoção e Marketing Ltda), (...) EMPRESAS C: relacionadas a consultoria e investimentos em outras pessoas jurídicas do grupo (...). Todas essas pessoas jurídicas estão localizadas na Rua Nelson Hungria, 90, Vila Tramontano, São Paulo; Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.988 11 EMPRESAS D: pessoas jurídicas que distribuem os alimentos que serão vendidos ao consumidor final e estão localizadas em vários estados da federação. São quinze (...). EMPRESAS E: franqueadoras máster. São onze pessoas jurídicas. EMPRESAS F: restaurantes franqueados. 84. A EMPRESA A tem como titular o Sr. Antônio Alberto Saraiva. As EMPRESAS B têm como sócios os irmãos Saraiva e pessoas jurídicas pertencentes as “EMPRESAS C”, que, por sua vez, tem como sócios os irmão Saraiva e empresas investidoras do próprio “grupo”, ou seja o controle delas fechase dentro das pessoas dos irmãos. (...) 85. Com relação às franqueadoras máster, uma das que não tinha, direta ou indiretamente, os irmãos como controladores era a localizada no Estado do Rio Grande do Sul e que esteve em litígio cível com a ALSARAIVA, conforme descrito na próxima parte deste relatório que trata da denúncia. 86. Conforme se verifica no site do grupo Habib’s (...), a empresa PPM (...) é a agência de propaganda que faz as promoções e marketing do grupo. Segundo o site, foi criada em 1997 e foi premiada pelo Instituto Great Places to Work com a 8ª melhor agência do Brasil para se trabalhar. 87. Ressaltamos que no site do grupo não há referência à empresa aqui fiscalizada (a qual opera com transações de valores altíssimos do grupo Habib’s), em nenhum momento, nem no quesito propaganda e marketing. B. DENÚNCIA ENCAMINHADA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, RELACIONADA A FATOS NARRADOS NA PETIÇÃO INICIAL DO PROCESSO CIVIL DE Nº 001/1/13.00771870: 88. As informações descritas nesse item foram extraídas de Petição Inicial de ação civil impetrada junto a 7ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre que comunicou à Procuradoria da Fazenda Nacional sobre o feito, através da “CARTA DE INTIMAÇÃO” de 13 de junho de 2013. Transcrevese abaixo trecho final do referido documento judicial: “Diante da vasta documentação juntada aos autos e das denúncias referentes à sonegação fiscal operada pelo Grupo Habib’s, empresa de grande notoriedade pública, determino a intimação da PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL e da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO para que se manifestem, querendo, no presente feito no prazo de 20 dias.”. (...) 93. A ciência dos autores na ação civil, adquirentes da Habib’s Máster RS e os restaurantes, sobre o problema mencionado a respeito da cadeia de sonegação fiscal, iniciou quanto da contratação de um escritório de Cuiabá para análise da situação fiscal, contábil e tributária de todas as Pessoas Jurídicas, relacionadas aos contratos de franquia mencionados. 94. Seguem as conclusões do trabalho de auditoria explanadas na PI (Itens 60 a 64), todos indicando problemas relacionados à falta do registro da real receita bruta das Pessoas Jurídicas: I) Financeiras: Fl. 3993DF CARF MF 12 a) falta do movimento diário de caixa o que impede um espelhamento com os registros contábeis; b) cheques lançados em caixa: valores de cheques eram lançados a débito na conta “CAIXA” para pagamento de obrigações – a falta de identificação do cheque sobre o compromisso resolvido impedia a correta contabilização do feito, com o resultado, também, de um saldo indevido na conta “CAIXA”; c) “registro de saldo de contas a receber inconsistente em razão de falta de conciliação com os registros reais”. II. Estoque: registro feito sem qualquer vinculação física. III. Inventário: falta de registro e conseqüente falta de depreciação o que prejudica o resultado contábil das pessoas jurídicas. IV. Contas a pagar: passivo fictício de fornecedores e títulos a pagar – registro de obrigações já pagas – devido a falta de registro de recursos financeiros, “em razão de omissão de receita” (destaque da fiscalização). V. Obrigações trabalhistas: pagamento de verbas “por fora” de forma que o passivo não refletia a realidade do valor devido pelas pessoas jurídicas. VI. Receitas e Despesas: Omissão no reconhecimento de receitas acarretando falta de registro de compras e pagamentos. VII. Fiscal/Tributário: “as empresas que exploram os restaurantes são optantes pelo regime do simples nacional. Tal opção apresenta risco, pois o quadro societário é comum a todas as empresas, que têm a mesma atividade e exploram a mesma rede de franquia, caracterizando grupo econômico e manobra tributária fraudulenta situação que, se detectada por qualquer autoridade fiscalizadora, poderá ocasionar o desenquadramento do grupo de empresas de foram retroativa aos últimos anos, implicando na cobrança de imposto e contribuições que seriam devidos se as empresas optassem pelo lucro presumido” (sic). VIII. Folha de pagamento: excesso de jornada, falta de registro, adulteração de ponto etc. 95. O responsável pelo grupo Habib’s ao ser questionado sobre o problema, teve o seguinte posicionamento, segundo o item 67 da P.I.: “O Sr. Alberto Saraiva disse ao Autor ABRÃO que o modus operandi do Grupo Habib’s pressupunha a omissão de receita e a conseqüente sonegação de tributos, tanto na cadeia produtiva quanto na comercialização do produto final, pois só assim é possível ofertar preços baixos aos consumidores, e que tal prática remontava ao início do negócio, mas era de seu interesse reduzir e, se possível, eliminar a médio prazo a informalidade tributária da rede, reconhecendo que o risco de uma autuação fragilizava, por demais, o próprio negócio e ameaçava a sobrevivência da rede.” (sic). (...) 100. Para maior ilustração, a seguir transcrevemos alguns itens da referida Petição, contribuindo na elucidação do provável “modus operandi” da sonegação arquitetada pelo grupo e, conseqüentemente da empresa aqui autuada: (...) 102. A Petição Inicial do Processo Cível encontrase anexada ao Processo do Auto de Infração, do qual este Termo é parte integrante, na qual encontramse indicados outros fatos além daqueles transcritos. Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.989 13 VI – DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A Autoridade Autuante arbitrou o lucro da fiscalizada pelas seguintes razões: I – a fiscalização não se utilizou dos princípios e critérios contábeis geralmente aceitos, II – a fiscalizada omitiu receita de serviços para o período de 01/2010 a 12/2010, tanto em sua própria contabilidade, quanto em sua DIPJ AC 2010, utilizandose de artifícios contábeis, escriturando como receita, tanto quanto declarando somente valor para fazer frente às suas despesas administrativas, impossibilitando identificar a efetiva receita e deixou de recolher os impostos e contribuições aos cofres públicos, sujeitandose inclusive à multa isolada; III – A escrituração contábil e apuração do lucro possuía incongruências e inclusive ausência de documentos hábeis e idôneos. O enquadramento legal do arbitramento foi o art. 530, inciso I, II e III do RIR/1999. VII – DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA A multa de ofício foi qualificada pelos seguintes motivos: 110 A empresa, durante todo o procedimento fiscal, prestou esclarecimentos sem comprovação. Não APRESENTOU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, coincidente em datas e valores, que pudesse comprovar as fontes de recursos que deram origem aos créditos/depósitos bancários, bem como aos recebimentos lançados na conta “CAIXA” de sua contabilidade; 111 Embora a contabilidade do AC 2010, registre o total do valor movimentado em instituições financeiras, os lançamentos, não lastreados em documentação idônea, são vazios de conteúdo, efetuados, em muitos dos casos de maneira englobada, não registrando efetivamente os fatos administrativos modificativos e mistos, impossibilitando a apuração do lucro real. Questionada a respeito alegou que faturava apenas proporcionalmente a seus custos e despesas contábeis, admitindo explicitamente seu evidente intuito de sonegação. 112 O gerenciamento de recursos de terceiros, supostamente previsto, não contempla transparência, elemento básico, crucial para esse negócio. Não disponibiliza informações com presteza e confiabilidade que permitam identificar a natureza do negócio, a natureza de seus recebimentos, a relação de supostos inadimplentes, bem como gerenciamento do crédito. VII – DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A Autoridade Autuante incluiu no pólo passivo da obrigação tributária: I – João Augusto Ribeiro Penna – CPF 531.435.31800, sócio administrador: art. 135, III, do CTN. (...) Houve conduta dolosa do administrador no sentido de omitir da administração tributária federal a receita decorrente da prestação de serviços, DIPJ declarada apenas com valores para fazer frente às despesas e custos, conforme já mencionado, e de evitar o pagamento do tributo sobre esta receita Fl. 3995DF CARF MF 14 (sonegação). Tais condutas, configuramse atos praticados com infração de lei, sujeitando o agente à responsabilização solidária, nos termos do art. 135 do CTN”. Mais precisamente, constatado, em tese, crime contra a Ordem Tributária Lei n° 8.137/90, pela utilização de declaração falsa à fiscalização federal e de simulação para se eximir do pagamento de tributos, comprovandose a conduta ilícita intencional por parte da sociedade, nas pessoas de seus gestores, razão pela qual devem eles responder, também, pessoalmente pelas obrigações tributárias resultantes destes atos. Como foi relatado, na gestão do Sr.João Augusto Ribeiro Penna a empresa não apurou seu lucro liquido e consequentemente seu lucro real, tampouco apresentou documentos que comprovassem a natureza e a origem de seus créditos bancários. Excedeu os poderes a ele conferidos nos atos constitutivos da sociedade empresária que esteve sob sua administração, com infração à lei, com evidente intuito de sonegação, ainda que em tese, nos termos dos incisos I e II do art. 1 da Lei nº 8.137/1990, de 27/12/1990, e artigo 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Desta forma, há que se falar, também, em infração à lei decorrente do dever do administrador da empresa de zelar pela correta elaboração dos livros contábeis e fiscais, inclusive mediante a apresentação dos documentos que suportam sua escrituração, conforme o disposto nos artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil, in verbis: (...) O representante legal da fiscalizada deve ser responsabilizado em razão das condutas amplamente narradas no presente Termo, que tinham por objetivo reduzir a incidência de tributos da fiscalizada, pois foi constatada, durante o presente procedimento fiscal, conduta omissiva, ilustrada na relevante discrepância entre os valores movimentados nas contas bancárias e os efetivamente declarados em DIPJ (e contabilizados). Esta conduta ocorreu reiteradamente durante todo o período compreendido pela fiscalização. II Belsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda CNPJ 59.407.965/000146 (...) O que se verificou no presente caso foi uma forma de organização e de procedimento da Belsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda, engendrada com o evidente intuito de frustrar toda e qualquer possibilidade de realização do crédito tributário devido sobre as operações praticadas (receitas auferidas que são fatos geradores de tributos). Seu interesse imediato e comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (a receita, o lucro, o recebimento de renda) advém do fato de a empresa se beneficiar dessas situações jurídicas diretamente. Por meio de subterfúgios, lograram proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais, utilizando os recursos que deveriam ser recolhidos ao Fisco Nacional para enriquecimento ilícito. (...) A Autuada e a sócia aqui solidarizada encontramse com a sede no mesmo endereço. VIII – DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO E DAS IMPUGNAÇÕES Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.990 15 O sujeito passivo e demais pessoas arroladas como responsáveis pelo crédito tributário constituído foram devidamente cientificadas da exigência fiscal, via postal, a saber: o sujeito passivo e a responsável Belsaraiva Comércio Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda, em 21.12.2015, conforme atestam os “ARs” de fls. 2126 e 2145. Quanto ao responsável João Augusto Ribeiro Penna, a ciência se deu em 18.12.2015, como indica a tela de rastreamento dos Correios de fls. 2155, acompanhada do Termo de Ciência, de fls. 2152/2154. Devidamente cientificados, foram apresentadas contestações em nome de cada um dos envolvidos, em 20.01.2016, para o sujeito passivo, documentos de fls. 2276/2315, e, em 19.01.2016, para os demais responsáveis, documentos de fls. 2163/2185 e 2223/2245, respectivamente, João Augusto e Belsaraiva. Adiante compendiamse as razões apresentadas. A IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA. (fls. 2276/2315) A impugnante pontua que recebe valores de terceiros e os segrega em sua contabilidade, individualizando em seu passivo os montantes repassados aos projetos de publicidade (como propagandas de rádio e televisão, compra de materiais para divulgação etc), o que teria sido ignorado e desconsiderado pela fiscalização. A impugnante considera que o lançamento é nulo, pois ela não tivera conhecimento das diligências realizadas junto à empresa “Alsaraiva Comércio e Empreendimentos”, que também não lhe foram apresentadas nos autos, sendo praticadas à revelia e sem qualquer contraditório. De todas as formas, alega que os contratos de franquia obtidos (e o que mais tenha sido analisado e eventualmente utilizado, sem conhecimento da Impugnante), foram, à evidência, grosseiramente mal vinculados ao contrato de prestação de serviços firmado entre a Impugnante e a franqueadora. Argumenta que na tentativa de obscurecer as verbas de propaganda cooperada geridas pela Impugnante, a fiscalização confunde os instrumentos contratuais, pois uma coisa seria o contrato de franquia firmado entre a franqueadora e as franquias, no qual há expressa e clara previsão acerca da verba devida pelo franqueado a título de propaganda cooperada, em percentual estabelecido sobre o faturamento bruto da loja, a título de promoção e propagação da marca Habib’s, o que é absolutamente comum e está previsto na lei das franquias. Outra coisa seria o contrato de gestão da verba de propaganda, firmado entre a Impugnante e a franqueadora, no qual há a previsão de remuneração dos serviços da Impugnante no percentual de 10% sobre os valores geridos, o que denotaria, a incorreção da conclusão da fiscalização. O trecho do TVF combatido é o seguinte: "(..) 32. Embora a autuada não tenha apresentado contratos entre a franqueadora [PORQUE NUNCA FORAM QUESTIONADOS], obtivemos cópia exemplificativa transferida da diligência que antecedeu a essa fiscalização encerrada em fevereiro de 2014, cujo MPF é o de n°.08.1.90.000.2012.06143, conforme item "V" deste Relatório, documentos anexo. Pela leitura desse contrato, podemos verificar que há previsão de um custo de administração do fundo de propaganda no percentual de 5% (cinco por cento). 33. Concluímos, então, que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração da receita por ela apontadas. Vejamos: Fl. 3997DF CARF MF 16 primeiramente, conforme contrato firmado com a franqueadora, a receita seria calculada sobre os recebíveis, 10%; em segundo lugar, conforme suas declarações, a receita seria a diferença calculada entre os recebíveis das campanhas de publicidade e os valores gastos com a gestão publicitária do grupo Habib's e, por último, mas não menos importante, há previsão contratual entre a franqueadora e a franqueada de que o custo de administração a ser auferido pela gestão da propaganda seria de 5%. Sua contabilidade não foi elaborada seguindo nenhum desses critérios. A contribuinte, embora gestora de recursos de terceiros, não demonstrou de que maneira apuraria, controlaria ou conferiria sua própria receita." (grifos nossos). Alega que nos itens 80 a 87 do TVF a fiscalização suspeita, num parágrafo solto, que a Impugnante não desenvolveria as atividades de gestão de propagando e marketing para as quais foi contratada e que somente no TIF 13, questionase a relação da Impugnante com a empresa PPM. Quanto à denúncia formulada na ação indenizatória em Porto Alegre, alega que não foi apresentado à Impugnante qualquer documento relacionado à ação indenizatória ajuizada, que foi trazido apenas no TVF, desacompanhada de elementos probatórios. Argumento que o que se sabe, entretanto, é que diante de insatisfações comerciais, os então franqueados Habib's no Rio Grande do Sul intentaram uma série de medidas judiciais e extrajudiciais com vistas a obter vantagens negociais indevidas, como o não pagamento dos royalties e demais taxas contratualmente estabelecidas. Assim, conclui: O que se denota, portanto, é que para impor suas vontades negociais, os ex franqueados imputaram de forma unilateral fatos gravíssimos, recorrendo ao que se convencionou denominar sham litigation. Originário do Direito norteamericano, o instituto — que pode ser traduzido por litigância simulada — aproximase do nosso abuso do direito de ação e consiste em valerse do aparato judicial como instrumento para a obtenção de vantagens indevidas, com base em argumentos sem relação com as pretensões deduzidas. De todo modo, em consulta pública na internet verificase que a ação não chegou à decisão de mérito, tendo sido arquivada sem que se prosseguisse com o contraditório e ampla defesa. O objetivo, nesse contexto parece claro, foi o de arranhar a imagem da rede e impingir uma negociação num ambiente mais favorável aos então obtusos interesses patrimoniais dos exfranqueados gaúchos. Finalizando afirmando que a menção da referida "denúncia" no presente auto de infração apenas revelaria o contexto no qual a fiscalização estava inserida e influenciada, pois considera que em todo o TVF, não há sequer um relacionamento ou apontamento que ligue os fatos aqui apurados com a indigitada acusação, ou mesmo uma linha sobre a necessária individualização das condutas da Impugnante naquele ambiente difamatório. No que se refere ao Auto de Infração lavrado em 2010 (referente a 2005), a impugnante pontua que TVF reconhece e menciona, ainda que apenas em um único parágrafo (item 17), a existência do auto lavrado em 2010, objeto do Processo Administrativo 19515.003163/201052. E, referindose àquele lançamento, a autoridade ora autuante menciona que, in verbis: "17 (..). Naquela ocasião o auditor havia solicitado documentos idôneos que comprovassem à (sic) origem dos créditos, inclusive, contratos, os quais não foram apresentados. Por todo o abaixo exposto, podemos considerar a hipótese de o contrato ter sido firmado com o único intuito de tentar produzir prova e documentos para suas transações financeiras futuras." Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.991 17 Alega que naquela primeira autuação de 2010, mesmo sem a regularidade documental que ora se apontada, a fiscalização entendeu não ser o caso de desconsideração da contabilidade da Impugnante, e muito menos de desprezo dos repasses realizados às diversas mídias. A fiscalização anterior teria considerado os repasses das verbas de publicidade na apuração de suas receitas, entendo que tais despesas deveriam ser descontadas dos totais recebidos. Assim, defende que diante de um cenário financeiro contábil até mesmo mais inconsistente (com a identificação de contas bancárias insuficientemente conciliadas), a diretriz fazendária daquela autuação partiu das diferenças entre créditos bancários e débitos comprovados de terceiros, para fins de apurar a omissão de receita passível de autuação, e mesmo assim igualmente descontou as receitas totais declaradas no Livro Diário e compensou os Prejuízos Fiscais e Bases Negativas. Desse modo, não haveria como a presente exigência pretender se vincular apenas parcialmente ao anterior auto de infração, trazendo e colacionando distorcidamente alguns trechos para fundamentar suas insustentáveis ilações, desconsiderando débitos bancários, receitas declaradas e tributos pagos. Da nulidade do Auto de Infração por falta de instrução probatória e incompreensão dos fundamentos e motivos fáticojurídicos da exigência Alega, com base nos arts. 25 e 38 do Decreto nº 7.574/2011, que há falta de instrução do auto com elementos obrigatórios, consistentes nos documentos da diligência anteriormente realizada na empresa "Alsaraiva", assim como dos documentos relativos à ação cível ajuizada pelo exfranqueado em Porto Alegre, acompanhada dos expedientes que subsidiaram o compartilhamento, fatos estes intransponíveis à manutenção da exigência. Argumenta que o Termo de Verificação relaciona os documentos que supostamente estariam sendo apresentados com o auto de infração, mas, diferentemente, não foram disponibilizados à Impugnante quando da intimação da exigência. Defende que tais deficiências prejudicam o contraditório e o amplo direito de defesa, nulificando a exigência, nos termos do artigo 12 do Decreto n.° 7.574/11. Aponta que a própria estruturação e fundamentação do TVF é por demais confusa, obscura e incongruente, dificultando sua compreensão e, com isso, novamente constrangendo o pleno exercício da defesa, o que fica claro pela constante inversão de motivações, em parágrafos fora de contexto e muitas vezes sem conexão. Pontua que não é possível identificar, com precisão, se a fiscalização entendeu que a Impugnante não apresentou documentos inidôneos que comprovassem a natureza da sua atividade e, com isso, confundiu os documentos hábeis e idôneos necessários à comprovação da origem dos depósitos bancários; se desconsiderou os documentos probatórios das origens dos depósitos bancários e, com isso, desconsiderou a própria atividade da Impugnante; ou se desconsiderou a atividade da Impugnante e, por isso, entendeu insuficientes todos os documentos apresentados. Menciona que a fiscalização estava procurando recompor as bases de cálculo dos procoop's devidos por cada franquia, para então validar os montantes creditados nas contas bancárias da Impugnante, o que não teria relação alguma com a sua receita e não tem qualquer relevância na comprovação da origem dos depósitos Fl. 3999DF CARF MF 18 bancários. Entende que quer parecer, até pelo contexto descrito no TVF, que a fiscalização estava procurando indiretamente fiscalizar eventuais omissões de receitas das lojas franqueadas. De todo modo, percebese que a distância e confusão entre os itens do TVF corroboram a sua incompreensão. Alega que autoridade autuante não aceitou nada do que foi apresentado e esclarecido durante toda a fiscalização a título de comprovação de origem dos depósitos bancários, na medida que: os recibos de procoop não eram suficientes; as planilhas de conciliação bancária e contábil não eram suficientes; o contrato de gestão do procoop não era suficiente; a conciliação bancária das franquias depositantes não era suficiente; as GlAs das franquias para comprovar seus faturamentos não eram suficientes; enfim, nada teria sido suficiente para se comprovar a origem dos depósitos bancários. Pontua sobre as passagens dos itens 41 e 46 do TVF e afirma que fica clara a confusão da autoridade fazendária em torno do princípio da competência, pois uma coisa é a data do faturamento eleito para a apuração do procoop devido pela franquia (terceiro mês anterior), que não se confunde com a data em que o procoop é devido, aqui sim a sua competência (o dito fato gerador da receita). Mas ainda assim com ressalva, pois no caso não se está falando de receitas da Impugnante. Entende que houve clara confusão na interpretação dos percentuais devidos pelas franquias a título de procoop (nos termos do contrato de franquia) e o percentual de remuneração do serviço da Impugnante, previsto no contrato com a franqueadora: "33. Concluímos, então, que a autuada não se utilizou de nenhuma das diversas formas de apuração da receita por ela apontadas. Vejamos: primeiramente, conforme contrato firmado com a franqueadora, a receita seria calculada sobre os recebíveis, 10%; em segundo lugar, conforme suas declarações, a receita seria a diferença calculada entre os recebíveis das campanhas de publicidade e os valores gastos com a gestão publicitária do grupo Habib's e, por último, mas não menos importante, há previsão contratual entre franqueadora e franqueada de que o custo de administração a ser auferido pela gestão da propaganda seria de 5%." Conclui que as construções e conclusões expostas no TVF, não obstante serem absolutamente insustentáveis, como se demonstrará no mérito, são completamente contraditórias, incongruentes e desconexas com as atividades produzidas no curso da fiscalização, sendo produto, aparentemente, de uma soma adaptada de outras autuações, o que vicia a motivação da presente exigência. Dos critérios jurídicos vinculados no lançamento lavrado em 2010 e da conseqüente nulidade do auto de infração por violação aos princípios da confiança, irretroatividade e boafé em matéria tributária Alega que desconsiderando e inovando os critérios jurídicos de interpretação anteriormente firmados, a autoridade simplesmente ignorou as saídas bancárias da Impugnante, destinadas ao pagamento das diversas mídias e campanhas publicitárias de interesse da rede Habib's, em nítida intermediação de verbas de terceiros. Ainda quanto à autuação anterior, pontua que, não obstante diversos débitos não estivessem na contabilidade (o que sequer é o presente caso), mesmo assim não foi realizada a desconsideração dos livros e arbitramento do lucro, o que novamente revela a modificação de critérios interpretativos no caso dos autos. Da mesma forma, na apuração da infração anterior, aquele lançamento descontou as receitas totais declaradas no Livro Diário da Impugnante e compensou os Prejuízos Fiscais e Bases Negativas, o que agora não foi observado. Fl. 4000DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.992 19 Assim, considera inaceitável a alteração dos critérios interpretativos, conforme jurisprudência citada do CARF e considera que o lançamento é eivado de nulidade material. Da decadência do crédito tributário relativamente ao IRPJ e CSLL baseados em depósitos de janeiro a novembro/2010 e respectivos PIS e Cofins Considerando que o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins são tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, a RFB possuiria o prazo de 5 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores para constituir o crédito tributário. Alega que a própria metodologia de lançamento adotada no caso, qual seja, presunção de omissão por depósitos bancários de origem não comprovada, leva à contagem do prazo decadencial a partir de cada depósito, conforme § 1°, do artigo 42, da Lei n.° 9.430/96, segundo o qual "o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira." Argumenta que o termo a quo do prazo decadencial somente se deslocaria para o primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, 1, do CTN, caso a Impugnante nada tivesse declarado e recolhido a título de IRPJ, CSLL, PIS e/ou COFINS na respectiva DCTF, o que não é o caso. Assim, aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o crédito tributário de IRPJ e CSLL apurado sobre os depósitos bancários de janeiro à novembro de 2010, bem como os lançamentos de PIS e COFINS também de janeiro à novembro de 2010, visto que foram constituídos apenas em 21/12/2015, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contados dos respectivos fatos geradores. Ainda que assim não fosse, contandose o prazo decadencial pela regra do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1", 2° e 3° trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começarias respectivamente, em 01/04/2010, 01/07/2010 e 01/10/2010, empurrando o prazo decadencial para 31/03/2015, 30/06/2015 e 30/09/2015, enquanto o AIIM foi lavrado em 11. 30/07/2015, nada se alterando em relação ao PIS e à COF1NS, cujas apurações são mensais. Do indevido arbitramento e da inconsistente cumulação da exigência com a fórmula presuntiva de omissão de receitas: um vício circular insanável Defende a absoluta insustentabilidade tanto do arbitramento, como da cumulação da fórmula presuntiva de omissão a partir dos depósitos bancários de origem supostamente não comprovada, e mesmo da base de cálculo utilizada. Pontua que o arbitramento foi justificado pela não utilização dos princípios e critérios contábeis geralmente aceitos; pela omissão de receita de serviços tanto em sua contabilidade quanto em sua DIPJ, utilizandose de artifícios contábeis, escriturando como receita, tanto quanto declarando somente valor para fazer frente às suas despesas administrativas, impossibilitando identificar a efetiva receita e Fl. 4001DF CARF MF 20 deixou de recolher os impostos e contribuições aos cofres públicos e pelas incongruências constante da escrituração contábil e da apuração do Lucro, inclusive pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos. Argumenta que sobre a alegada não utilização dos princípios e critérios contábeis, embora não expressamente atrelado, provavelmente a autoridade fazendária deve estar se referindo ao item 44 do TVF, o qual, em verdade, revelaria uma completa confusão, desconhecimento e distorção dos elementos colhidos e esclarecidos durante a fiscalização. Isso porque, como já se afirmou linhas acima, uma coisa é a data do faturamento eleito para a apuração do procoop devido pela franquia (terceiro mês anterior), que não se confunde com a data em que o procoop é devido, aqui sim a sua competência (o dito fato gerador da receita). E ainda que assim não fosse, divergências quanto aos critérios contábeis utilizados pela Impugnante não tornam sua contabilidade imprestável, não impedindo a apuração de seu lucro real. Alega que o segundo fundamento do arbitramento é ainda mais absurdo, pois pautado na própria omissão de receita que se autuou, como se o auto de infração, por si só, justificasse o arbitramento!! Além do mais, não se esclarece quais seriam os artifícios contábeis que impediriam a apuração do lucro real da Impugnante, sendo as alegações da fiscalização por demais genéricas. Quanto ao terceiro motivo, considera que é baseado em alegadas incongruências constantes da escrituração contábil da Impugnante, pela simples menção à "ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos."e que tais incongruências não estão especificadas, valendo aqui novamente ressaltar que incongruências não se confundem com divergências de critérios entre fisco e contribuinte. Em segundo lugar, quando se fala da incongruência gerada pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos, verificase que a fiscalização se utiliza do mesmo fundamento adotado para a atuação, baseandose na mesma presunção para, agora, justificar o arbitramento, o que não se sustenta. Entende que os fatos e acusações apontadas no TVF passam longe de uma imprestabilidade da contabilidade para fins de identificação do lucro real, sendo insuficientes, assim, a fundamentar o arbitramento. Alega que com um mesmo e único fundamento (presunção de omissão de receita por depósitos de origem não comprovada), a autoridade fazendária procurou simplificar seu trabalho fiscalizatório e, assim, extraiu múltiplas consequências, com a exigência dos tributos omitidos, arbitramento do lucro e qualificação da multa. Considera arbitrário, pois uma coisa seria a não identificação da movimentação bancária na contabilidade (possível justificação do arbitramento); outra seria a identificação de movimentação bancária incompatível com a contabilidade (o que justificaria a tributação presuntiva, não o arbitramento). Sustenta que ou não se identifica a movimentação bancária e promovese o arbitramento do lucro; ou identificase uma movimentação bancária de origem não comprovada e tributase a omissão presumida, de modo que, por qualquer ângulo que se analise a questão, não há como se sustentar o arbitramento levado à efeito. Da indevida presunção de omissão – Da integral comprovação da contabilização e da origem de todos os depósitos bancários Fl. 4002DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.993 21 Alega que a própria Autoridade Fiscal confirma a contabilização de todos os depósitos bancários “sob o título contábil 220473000020073 — CONTAS CORRENTES CLIENTES" Explica que os depósitos bancários, por sua vez, eram contabilizados como contrapartida à crédito na conta 200739 (contas correntes clientes), uma conta de passivo, corretamente evidenciando se tratarem de valores de terceiros e que meramente transitavam na contabilidade da Impugnante, o que aliás também foi identificado pela fiscalização e está descrito no item 65 do TVF. Anexa cópias impressas dos razões contábeis dessas contas (doc. 03). Evoluindo na dinâmica contábil da Impugnante, temse que esses valores de terceiros, quando destinados para o pagamento das diversas veiculações das campanhas publicitárias da rede, eram debitados nessa mesma conta 200739, reduzindo, portanto, o passivo da Impugnante. Sustenta que concordando ou não com tais contabilizações, concordando ou não com a evidenciação das atividades desenvolvidas pela Impugnante, o que não se pode negar é que (i) sua contabilidade não é imprestável, e (ii) não há que se falar em falta de comprovação de origem dos depósitos bancários. Pontua que o trabalho realizado pela auditoria independente especialmente contrata para esse fim foi extremamente minucioso, tendo vinculado cada depósito bancário com cada depositante e com cada lançamento contábil correspondente, inclusive com links na própria planilha, com remissão ao documento respectivo. Nesse sentido, a Impugnante reapresenta o referido trabalho, agora inclusive mais detalhado (doc. 04), para que então se afaste em definitivo a alegada ausência de comprovação das origens dos depósitos bancários. Assim explica: Apesar das suspeitas levantadas, em relação ao item 25 é de se observar que, por se tratar de empresa ligada, a Impugnante de fato não realizava as retenções a que contratualmente teria direito, e, por isso, mantinha todos os valores à disposição das campanhas publicitárias de interesse da marca Habib's, fato absolutamente normal no seguimento de franquia, o que igualmente afasta as conclusões do item 31, de que não havia a destinação de mais de 90% para as diversas veiculações. Isso porque, em primeiro lugar não houve qualquer análise dos repasses realizados pela Impugnante, na medida em que os depósitos bancários foram simplesmente desprezados pela fiscalização. E em segundo lugar, os valores eram mantidos e transferidos, se houvesse superávit, para os exercícios seguintes. Como já ficou claro, a verdadeira motivação da exigência está revelada nos itens 62 e 63 do TVF13, quando então se constata a divergência da autoridade fazendária em face das demonstrações da Impugnante e suas infundadas dúvidas acerca da natureza dos depósitos, o que não se confunde com não comprovação de suas origens. Nesse sentido, os depósitos bancários objeto da exigência se referem a valores com origens devidamente comprovadas, o que afasta, desde logo, a presunção indevidamente utilizada, in verbis: (...) Fl. 4003DF CARF MF 22 Pelas razões expostas, com o perdão do pleonasmo, a integralidade dos valores de origem comprovadamente comprovada não pode compor a receita bruta utilizada, baseada na presunção de depósitos de origem não comprova. Da tributação específica das agências de publicidade – da necessária consideração das despesas/repasses publicitários Pontua que existe regime de tributação próprio para agências de publicidade, qual seja, art. 53, II, e art. 54 da Lei nº 7.450/1985 c/c art. 54 da Lei nº 4.506/1964 e art. 366 do RIR/1999 e art. 13 da Lei nº 10.925/2004. Sustenta que apuração das bases de cálculo tanto do IRPJ e da CSLL, como do PIS e da COFINS, são sensibilizadas pelas importâncias repassadas pela Impugnante às diversas campanhas publicitárias da rede Habib's e cita soluções de consulta interna. Argumenta que as receitas da Impugnante estão intrinsecamente relacionadas com as despesas de propaganda, pois "excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora", motivo pelo qual, caso mantida a exigência, esta deve ser requantificada, de modo a excluir os repasses realizados. Da incorreta tributação cumulativa do PIS e da Cofins Alega que em relação ao PIS e à Cofins, o Auto de Infração foi lavrado pelo regime cumulativo, sendo que a Impugnante era tributada, em 2010, pelo lucro real trimestral, ensejando, portanto, a apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Argumenta caracteriza vício material insanável, mas ainda que assim não fosse, deveriam ser considerados, na apuração das contribuições, todos os créditos decorrentes das despesas com publicidade. Pontua que o artigo 13 da Lei n.° 10.925/2004 veda o aproveitamento de créditos "em relação às parcelas excluídas", ou seja, sobre as parcelas que, uma vez repassadas para as mídias em geral, não integraram a base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim conclui: Mas, uma vez mantida a tributação integral de todos os depósitos bancários da Impugnante, devese, como corolário lógico, autorizar a apuração dos créditos devidos sobre todos os repasses às campanhas publicitárias. De todo modo, ainda que assim não se entenda, mantida a tributação cumulativa do PIS e da COFINS, devese considerar a exclusão dos repasses na apuração do faturamento, nos termos do referido artigo 13 Lei n.° 10.925/2004 e do conceito de faturamento já pacificado em torno do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98. Da falta de dedução dos tributos pagos em DCTF, com a readequação da Receita Bruta utilizada como base para o Lucro Arbitrado Pontua que a fiscalização sequer considerou e excluiu, na apuração do lucro arbitrado, as receitas já declaradas e tributadas em DIPJ e DCTF. Ou seja, no lançamento arbitrado do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre todos os depósitos bancários da Impugnante, a autoridade fazendária deixou de deduzir a respectiva receita bruta já declarada e tributada, quanto menos os tributos pagos em DCTF, acarretando indevido e insustentável bis in idem. Fl. 4004DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.994 23 Assim, ao se manter na base de cálculo do arbitramento a receita bruta conhecida que já sofreu tributação, majorase indevidamente a apuração do lucro arbitrado da Impugnante, com a incidência de multa e juros que também acabam distorcendo e penalizando dupla e indevidamente o contribuinte. Notese que, ao se manter as insubsistentes exigências, os vícios de fundamentação e quantificação vão se agravando, reiterando e reforçando a nulidade absoluta e insanável do lançamento. Da falta de exclusão do PIS e da Cofins da Base do IRPJ e da CSLL Pontua que nos termos do artigo 41 da Lei n.° 8.981/95, "os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência", o que foi ignorado na quantificação da exigência. Alega que os valores de PIS e COFINS lançados no presente auto de infração devem, por imposição legal, ser deduzidos do IRPJ e da CSLL apuradas e lançadas em cada trimestre do ano de 2010 e cita jurisprudência. Sustenta que caso não se entenda pela nulidade absoluta do lançamento, deve se promover às correções de todas as distorções geradas pelo confuso auto de infração, adequando e requantificando sua base de cálculo para excluir os repasses de publicidade, as receitas tributadas e o PIS e COFINS da base do IR e da CSLL. Da insustentabilidade na aplicação da multa qualificada Alega que de acordo com o TVF, a multa de ofício foi qualificada em 150%, sob o argumento de que "a empresa, durante todo o procedimento fiscal, prestou esclarecimentos sem comprovação," fundamentando sua qualificação genericamente no artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, sem especificar e individualizar o fundamento. Argumenta que nos termos do artigo 44, inciso 1, § 1°, da Lei n.° 9.430/96, alguma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64 precisaria ser demonstrada e comprova, mas a fiscalização sequer individualizou o dispositivo. Sustenta que o que se percebe, então, é que os mesmos fundamentos e argumentos que embasaram o arbitramento, igualmente justificaram a qualificação da multa, não podendo ser agregados, havendo indevida cumulação de fatos que já possuem consequências específicas. Cita jurisprudência. Defende que nos casos dos autos, além de presumida, a Autoridade Fiscal qualificou a multa com base numa fraude em tese, o que também não se pode admitir e cita jurisprudência. Considera que a multa deve ser reduzida para 75%. Conclusão e pedido Em razão de tudo o quanto exposto, não há como o auto de infração prosperar, seja em razão das nulidades na formulação da exigência (vício de instrução probatória); seja em razão da impossibilidade de retroação da alteração de critérios jurídicos; seja em razão da decadência; seja em razão do inconsistente arbitramento, imotivada e incongruente fundamentação, bem como incorreta metodologia da hipótese presuntiva; seja ainda por conta da indevida base de cálculo adotada. Fl. 4005DF CARF MF 24 Na inesperada hipótese de assim não se entender, devese determinar a correção das bases de cálculo adotadas, com a recondução da receita bruta, excluindose os repasses relativos às campanhas publicitárias, deduzindose da receita bruta arbitrada a receita bruta declarada e tributada, deduzindose o PIS e COFINS da base do IRPJ e da CSLL, bem como cancelando a qualificação da multa de oficio vinculada. Assim sendo, a Impugnante requer o conhecimento e regular processamento da presente defesa, com o seu encaminhamento à competente Delegacia da Receita Federal de Julgamento para que seja julgada inteiramente procedente, extinguindo se integralmente o crédito tributário sob discussão, ou, subsidiariamente, para que seja refeita a base de cálculo considerada e se reduza a multa vinculada para 75%. Por derradeiro, a Impugnante protesta pela juntada de eventual documentação complementar que se faça necessária, bem como, caso se entenda imprescindível, pela conversão do julgamento em diligência, de forma a possibilitar a mais justa e correta composição da presente demanda. Por fim, requer que todas as publicações, notificações, intimações e comunicações pertinentes aos atos do presente feito sejam endereçadas, exclusivamente, ao advogado Dr. Marcos Ferraz de Paiva, devidamente inscrito na OAB/SP sob o n.° 114.303, com escritório na Rua Padre João Manuel, n.° 755, 8° andar, bairro Cerqueira César, São Paulo — SP, CEP 01411001. Em atenção ao artigo 16, V, do Decreto n.° 70.235/72, a Impugnante informa que não está questionando judicialmente a matéria objeto destes autos. B DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR JOÃO AUGUSTO RIBEIRO PENNA Pontua que o Impugnante, no passado, foi sócio e administrador da empresa PLATINA GESTÃO DE NEGÓCIOS LTDA., situação que deixou de ostentar em 06/09/2013, quando alienou a totalidade de suas ações (doc. 04), sendo que em 29/01/2015 desligouse completamente da empresa, deixando também seu cargo de administrador (doc. 05). Alega que conforme DIPJ/2011, anexa, relativa ao período autuado (ano base 2010 — doc. 06), em que a Platina apurou suas receitas, correspondentes à contrapartida de seus custos e despesas operacionais, sem distribuição de lucros, investimentos, ou outras ações que denotassem interesse econômico próprio, além da realização dos objetivos publicitários da marca Habib' s. Argumenta que se constata que o Impugnante, não obstante constasse como sócio administrador da Platina durante o ano base 2010, este de fato era mero preposto que recebia apenas um prólabore para exercer e atender os interesses e determinações publicitárias em beneficio da rede Habib's, no que se refere à cobrança e administração do seu fundo de propaganda e à promoção de suas ações de marketing. Tanto é assim que, ao também responsabilizar solidariamente a sócia Belsaraiva Comércio, Empreendimentos Imobiliários e Participações EIRELI, pelo crédito tributário lançado, a fiscalização sugeriu que a Platina era indiretamente comandada por esta, e que tal empresa seria a responsável pelo suposto esquema de sonegação fiscal engendrado na empresa Platina. Sustenta que apesar de tudo isso, e contraditoriamente ao consignado no termo de sujeição passiva da empresa Belsaraiva, a fiscalização consignou no anexo termo de sujeição passiva que "houve conduta dolosa do administrador [ora Impugnante] no sentido de omitir da administração tributária federal a receita Fl. 4006DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.995 25 decorrente da prestação de serviços, DIPJ declarada apenas com valores para fazer frente às despesas e custos, conforme já mencionado, e de evitar o pagamento do tributo sobre esta receita (sonegação). Tais condutas, configuramse atos praticados com infração de lei, sujeitando o agente à responsabilização solidária, nos termos do art. 135 do CTN". Ora, como dito, os valores geridos pela Platina não representam sua receita, senão valores de terceiros, não havendo, portanto, omissão, senão discordância quanto aos critérios de sua apuração, muito menos tendo havido omissão dolosa, pois o lançamento se deu com base em presunção. Sustenta que o impugnante não foi intimado no curso do procedimento fiscal, para que esclarecesse a suposta conduta dolosa que lhe foi atribuída (ausência de contabilização de receitas com intuito sonegatório) e que para justifica sua responsabilização pelo art. 135, III, do CTN, fiscalização asseverou que o Impugnante determinou, com dolo de sonegação, a não contabilização dos depósitos ocorridos nas contas bancárias da empresa Platina, sem que nenhuma prova dessa conduta dolosa fosse produzida nesse sentido. Entende que a responsabilização tributária, no caso, foi atribuída ao Impugnante apenas "em tese", ou seja, com base em meras suposições. Alega que para agravar, o Impugnante sequer foi legalmente intimado sobre a lavratura do AIIM e sobre sua responsabilização solidária, nos termos dos arts. 10, inc. V, e 23, II, §4°, I, ambos do Decreto n° 70.235/72: a intimação, via postal, foi enviada apenas à autuada principal em seu domicílio tributário. Assim, e embora, legalmente, o Impugnante sequer tenha sido notificado de tais lançamentos e de sua suposta responsabilidade tributária, o Impugnante ainda teve seus bens arrolados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Contudo, os argumentos utilizados pela fiscalização, por estarem desprovidos de qualquer elemento de prova, não se prestam à fundamentação da responsabilidade tributária do Impugnante, conforme razões de direito a seguir. Da decadência para a responsabilização tributária do impugnante, por ausência de intimação válida Alega que o Impugnante não foi legalmente intimado sobre a lavratura do AIIM e sobre sua responsabilização solidária, nos termos dos arts. 10, inc. V, e 23, II, § 40, I, ambos do Decreto n° 70.235/72, os quais determinam que a intimação sobre o lançamento fiscal, quando via postal, deve ser encaminhada ao domicílio tributário do contribuinte/responsável que, no caso do Impugnante, é o município de Santana do Parnaíba SP. Ocorre, todavia, que a intimação postal foi enviada à autuada principal em seu domicílio tributário (São PauloSP), motivo pelo qual deverá ser reconhecida a nulidade formal do auto de infração pelo vício de intimação e, por consequência, deverá ser reconhecida a decadência para a responsabilização solidária do Impugnante. Discorre sobre o prazo decadencial de 5 anos para constituir o lançamento, contado da data de ocorrência do fato gerador, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando existir recolhimentos parciais e defende que Fl. 4007DF CARF MF 26 o mesmo raciocínio também se aplica ao prazo decadencial para a responsabilização tributária fulcrada no art. 135, III, do CTN, o qual deve ser contado a partir dos fatos geradores autuados, considerando que o crédito tributário foi constituído com base na presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o direito de responsabilizar o Impugnante pelo crédito tributário de IRPJ e CSLL. PIS e COFINS, apurado sobre os depósitos bancários ocorridos entre 01/01/2010 à 31/12/2010, visto que até a presente data ainda não ocorreu a notificação do lançamento ao Impugnante. Alternativamente, mesmo que apenas para argumentar se entenda que o Impugnante foi notificado do lançamento por meio da carta recebida pela autuada em 21/12/2015, temse que estariam decaídos os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até 20/12/2010. Ainda argumentando, contandose o prazo decadencial para a responsabilização pela regra do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1°, 2° e 3° trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começaria, respectivamente, em 01/04/2010, 01/07/2010 e 01/10/2010, empurrando o prazo decadencial para 31/03/2015, 30/06/2015 e 30/09/2015, sendo que o AIIM foi notificado em 21/12/2015, nada se alterando em relação ao PIS e à COFINS, cujas apurações são mensais. Subsidiariamente, deverá ser reconhecida a nulidade formal da intimação do Impugnante, devolvendolhe o prazo de impugnação, a fim de que tenha tempo para obter cópia de todo o procedimento fiscal e do auto de infração lavrado contra a autuada principal e, com isso, possa exercer amplamente o seu direito de defesa. DA IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA AO IMPUGNANTE ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO EM PROVAR A PRESENÇA DOS REQUISITOS DO ART. 135 DO CTN, DO QUAL NÃO SE DESINCUMBIU PRECEDENTES DO CARF E STJ MERO INADIMPLEMENTO QUE NÃO AUTORIZA A COBRANÇA DO SÓCIO Pontua que a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, fora atribuída ao Impugnante com base nas seguintes condutas: (i) O Impugnante teria agido com dolo, excesso de poderes e com intuito sonegatório, ao não apurar na Platina o "lucro líquido e consequentemente seu lucro real, tampouco apresentou documentos que comprovassem a natureza e a origem de seus créditos bancários"; e (ii) O Impugnante não teria zelado pela correta escrituração dos livros contábeis, infringindo, com isso, os artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil, o que caracterizaria a infração à lei como hipótese de responsabilização tributária do administrador descrita no art. 135, III, do CTN. Alega que cabe à autoridade administrativa, no procedimento de lançamento, averiguar e comprovar o ato lesivo e doloso praticado pelo diretor/administrador com excesso de poderes ou infração à lei, capaz de lhe atribuir a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária. Fl. 4008DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.996 27 Defende que o art. 50 do Código Civil, fornece subsídios capazes de definir quando fica autorizada a responsabilização pessoal, dos gerentes e administradores das pessoas jurídicas: a) desvio de finalidade; e b) confusão patrimonial. Ou seja: somente mediante demonstração clara e precisa pela fiscalização de que o Impugnante incorreu em alguma das hipóteses mencionadas, e que teria condições de praticar fatos que configurem desvio de finalidade ou confusão patrimonial, é que poderia ser imputada a responsabilidade aqui abordada. Assim, delimitados os contornos jurídicos do art. 135, III, do CTN, insta ressaltar que, na seara fáticoprobatória, a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que o Impugnante, no ano base 2010, administrou a empresa autuada com dolo de sonegação fiscal, agindo com excesso de poderes e com infração à lei ou ao contrato social. Como assumiu a própria fiscalização, a responsabilidade tributária do Impugnante existiria apenas "em tese", já que o antecedente da norma de responsabilização não foi trazido ao mundo jurídico pelas competentes provas da hipótese correspondente, o que nulifica materialmente o termo de sujeição passiva. Defende que os dispositivos de lei tidos pela fiscalização, "em tese", como violados, quais sejam, os artigos 1.011, 1.193 e 1.194 do Código Civil, tratam apenas dos princípios gerais que devem nortear a administração da sociedade, cuja ofensa não foi pormenorizada pela fiscalização, que se resumiu a alegação genérica de ausência de apuração e escrituração nos livros contábeis, das supostas receitas da Platina que comporiam o lucro líquido do período, que em verdade não existiram! Considera que a fiscalização autuaria a empresa Platina, independentemente de qualquer esclarecimento ou documento adicional que fosse apresentado no procedimento fiscal, pois estava influenciada por falsas denúncias perpetradas em uma ação indenizatória por um descontente exfranqueado Habib's. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE PRESUMIR O DOLO PARA A RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA — DO INDÍCIO, DA PRESUNÇÃO, DOS LIMITES IMPOSTOS À UTILIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO Alega que comprovandose tão somente a existência de vínculo societário e de subordinação entre o Impugnante e a autuada principal, bem como que o lançamento se deu com base na presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é inegável que a responsabilização tributária está fundada exclusiva e meramente em indício e presunção, insuficientes, portanto, à necessária caracterização da conduta dolosa do Impugnante. Argumenta que o fato de o Impugnante ter sido sócio/administrador da autuada principal não comprova que os tributos deixaram de ser recolhidos em conduta dolosa e infratora da legislação comercial, consubstanciada na ausência de escrituração dos livros contábeis. Considera que o auto de infração foi lavrado com base em simples presunção de depósitos de origem não comprovada, e todos os depósitos estavam regularmente contabilizados, em que pese a fiscalização não tenha concordado com seus registros em contrapartida do passivo, não do resultado. Entende que, no presente caso, não há sequer indício válido que respalde a dupla presunção que Fl. 4009DF CARF MF 28 fundamentou esta imputação de responsabilidade (presunção de omissão de receita e presunção de conduta infratora da legislação comercial), ficando patente que a I. Fiscal autuante abusou de suas prerrogativas, imputando ao Impugnante responsabilidade por débito que não lhe compete e o fazendo com base em mera suposição! Sustenta que ao se deparar com um indício de crédito tributário devido pelo sujeito passivo principal, deveria o Fisco, com base em tal constatação, e querendo atribuir responsabilidade por tal infração a terceiros, adotar medidas visando encontrar provas concretas da efetiva participação destes terceiros no ato, nos termos do artigo 135, III, do CTN, para além do vínculo societário e administrativo apurado! Do pedido Requer o provimento desta defesa para a exclusão do Impugnante do pólo passivo da suposta obrigação tributária constituída pelo auto de infração em epígrafe, visto que não comprovado qualquer fato praticado pelo Impugnante com excesso de poderes, infração à lei ou do contrato social, para a responsabilização pessoal nos termos do art. 135 III, do CTN. C – DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR BELSARAIVA COMÉRCIO, EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E PARTICIPAÇÕES EIRELI Pontua que foi imputada a responsabilidade tributária contra a impugnante com fundamento no art. 124, I, do CTN, e alega que não pode a Impugnante concordar com tal enquadramento, na medida em que, embora comprovado o quadro societário da empresa autuada, não há que se confundir o conceito legal de interesse comum, não havendo, ainda, confusão entre as distintas personalidades jurídicas. Registra que a empresa Platina não foi constituída com o intuito de gerar lucros para investimentos próprios ou para distribuição aos sócios e administradores, mas apenas para a cobrança e administração do fundo de propaganda e promoção de ações de marketing das franquias Habib's, razão pela qual faturava apenas proporcionalmente os seus custos e despesas contábeis. Comenta que pela DIPJ/2011, anexa, relativa ao período autuado (ano base 2010 — doc. 06), a Platina apurou suas receitas correspondentes à contrapartida de seus custos e despesas operacionais, sem distribuição de lucros, investimentos, ou outras ações além da realização dos objetivos publicitários das franquias Habib's. Ou seja, teria sido comprovado que a movimentação financeira da Platina, no período fiscalizado, evidenciou meros trânsitos de valores, não espelhando faturamento, para o qual se fez necessário descontar os repasses realizados às diversas mídias, motivo pelo qual não seria justificável o espanto da fiscalização com a diferença entre os valores declarados e movimentados, já que tal diferença se trata de fundo alimentado por terceiros e destinado ao marketing da marca Habib's, ou seja, tratase de verba não tributável na Platina. Defende que não havia como a Impugnante se beneficiar de uma suposta sonegação de tributos sobre um fluxo financeiro que, em verdade, não se tratou de receitas da Platina, mas sim de fundo de propaganda cobrado e administrado por tal empresa. Fl. 4010DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.997 29 Entende que a responsabilização tributária foi atribuída à Impugnante apenas por ser sócia da autuada principal, já que nunca lhe foi distribuído lucro algum apurado pela Platina e, portanto, nunca teve interesse econômico ou jurídico na ocorrência de um suposto fato gerador (renda, lucro, receita). Conclui que a responsabilização se deu com base apenas numa teoria de sonegação fiscal, desprovida de qualquer prova de que a Impugnante teria praticado em conjunto um suposto fato gerador de renda ou faturamento, ou que tenha se beneficiado, por meio de fluxo financeiro entre as empresas em tela, dos depósitos referentes ao fundo de propaganda administrado pela autuada principal, o que de fato nunca existiu. Considera que é impossível a pretensão de atribuir à Impugnante responsabilidade solidária com base nos argumentos e no dispositivo legal (art. 124, I, do CTN) trazidos a lume, já que responsabilidade não se presume, sendo impreterível a comprovação da participação da Impugnante na situação configuradora do fato gerador, o que não ocorreu. Afirma que a própria fiscalização admite que presumiu um mero interesse econômico da Impugnante na prática do fato gerador. Sustenta que a Autoridade Fiscal limitouse a apontar elementos que, quando muito, demonstram a relação societária entre as empresas em questão, fundamentando na sequência a sua pretensão no art. 124, I, do CTN, dispositivo que preceitua que serão responsáveis solidárias "as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", o que não se aplicaria à Impugnante. DA DECADÊNCIA PARA A RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE Discorre sobre o prazo decadencial de 5 anos para constituir o lançamento, contado da data de ocorrência do fato gerador, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação e quando existir recolhimentos parciais e defende que o mesmo raciocínio também se aplica ao prazo decadencial para a responsabilização tributária fulcrada no art. 135, III, do CTN, o qual deve ser contado a partir dos fatos geradores autuados, considerando que o crédito tributário foi constituído com base na presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o direito de responsabilizar o Impugnante pelo crédito tributário de IRPJ e CSLL. PIS e COFINS, apurado sobre os depósitos bancários ocorridos entre 01/01/2010 à 17/12/2010, visto que a notificação do lançamento ocorreu apenas em 18/12/2015, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos desde os respectivos fatos geradores. Ainda argumentando, contandose o prazo decadencial para a responsabilização pela regra do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1°, 2° e 3° trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começaria, respectivamente, em 01/04/2010, 01/07/2010 e 01/10/2010, empurrando o prazo decadencial para 31/03/2015, Fl. 4011DF CARF MF 30 30/06/2015 e 30/09/2015, sendo que o AIIM foi notificado em 18/12/2015, nada se alterando em relação ao PIS e à COFINS, cujas apurações são mensais. DA IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — ART. 124, I, CTN Pontua que para fins de responsabilidade solidária pelo crédito tributário, o "interesse comum" de que trata o CTN não é revelado pelo simples interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (como aduziu a fiscalização), mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação fática descrita no antecedente da norma tributária: o fato jurídico tributário. Cita jurisprudência. Entende que são responsáveis solidárias pelo pagamento do crédito tributário duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas parceiras dentro de unia mesma empreitada econômica, que praticam em conjunto um mesmo fato gerador, cuia riqueza gerada e tributada beneficia ambas as partes responsabilizadas solidariamente pelo pagamento do débito tributário. Alega que a relação entre a Impugnante e a autuada Platina — duas pessoas jurídicas de direito privado autônomas — sempre foi apenas societária, sem apuração e distribuição de lucros, já que a autuada foi constituída com o fim específico de administração do fundo de propaganda da rede Habib's e que ante às constatações do termo de verificação fiscal e aos documentos constantes dos autos, os quais demonstram claramente a autonomia financeira entre as duas empresas, não há como se confundir o patrimônio, o faturamento e as receitas pertencentes à Impugnante, com o fluxo financeiro da autuada que espelhava capital alheio. Argumenta que ainda quando se trata de grupo econômico, a jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça afasta a tipicidade do art. 124, I, do CTN, quando as empresas pertencentes ao grupo não praticam, em conjunto, o fato gerador da obrigação principal. Indaga qual seria a participação da Impugnante no faturamento da autuada principal, contabilizado apenas para fazer frente às suas despesas operacionais? Onde estariam as provas da existência de fluxo financeiro, ou de distribuição de lucros da autuada para a Impugnante, que indiciasse um beneficiamento num suposto esquema de sonegação? Onde se encontraria o alegado enriquecimento ilícito da Impugnante? Conclui que a responsabilidade solidária ora discutida foi ilegalmente atribuída à Impugnante com base em mera presunção (de beneficiamento econômico num suposto esquema de sonegação), decorrente de uma outra presunção (omissão de receita por suposta não comprovação da origem de depósitos bancários), o que não se pode admitir. DA IMPOSSIBILIDADE DE SE PRESUMIR O DOLO PARA A RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA — DO INDÍCIO, DA PRESUNÇÃO, DOS LIMITES IMPOSTOS À UTILIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO Alega que comprovandose tão somente a existência de vínculo societário entre a Impugnante e a autuada principal, é inegável que a responsabilização Fl. 4012DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.998 31 tributária está fundada exclusiva e meramente em indício, pois não foi realizado qualquer procedimento de apuração da real participação da Impugnante na situação configuradora dos fatos geradores, quanto menos apresentada qualquer prova visando demonstrar a necessária caracterização da conduta dolosa do Impugnante. Argumenta que o fato de o Impugnante ser sócia da autuada principal não comprova, sequer indiciariamente, a relação da Impugnante com os supostos fatos geradores dos tributos autuados. Considera que, no caso sob análise, ao deparar com um indício de c´redito tributário devido pelo sujeito passivo principal, deveria o Fisco, com base em tal constatação, e querendo atribuir responsabilidade por tal infração a terceiros, adotar medidas visando encontrar provas concretas da efetiva participação destes terceiros no ato, nos termos do art. 124 do CTN, para além do vínculo societária apurado. Cita jurisprudência no sentido de que a responsabilidade tributária não se presume, mesmo nas hipóteses em que configurado grupo econômico de fato ou de direito. Sustenta que não existindo nos autos documentos que comprovem a necessária relação entre a Impugnante e a situação que deu ensejo ao fato gerador, verificase que a imputação de responsabilidade trazida no presente lançamento é carecedora de motivação, requisito este imprescindível para a validade dos atos da administração pública, sendo que o ato administrativo destituído de motivação é nulo, bem como nulo o lançamento dele decorrente. Do pedido Requer o provimento desta defesa para a exclusão do Impugnante do pólo passivo da suposta obrigação tributária constituída pelo auto de infração em epígrafe, visto que não comprovado seu interesse comum na prática dos fatos geradores, de modo a lhe atribuir a responsabilidade tributária prevista no art. 124, I, do CTN. IX – DA DILIGÊNCIA Por meio da resolução nº 2.002.098, de 20 de fevereiro de 2017, a 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte resolveram converter em diligência o julgamento do processo no intuito que o Fisco: (i) proceda uma análise ou auditoria das saídas de valores do contacorrente mantido pela autuada para quantificar, em cada período mensal autuado, qual parcela se refere ao comando do art. 13, da Lei nº 10.924, de 13 de julho de 2004, relacionando as referidas despesas com os depósitos bancários, de origens não comprovadas; (ii) na auditoria solicitada no item anterior as demais questões pertinentes devem ser sopesadas, tais como, quanto à efetividade e comprovação por documentação hábil e idônea (notas fiscais, contratos de propaganda e publicidade, veiculação de mídias em televisão, rádios e jornais, etc.); (iii) os valores declarados (em DCTF) e efetivamente pagos, relativamente aos tributos exigidos no presente lançamento devem ser, para cada período autuado, levantados. Nas fls. 3632 a 3639, anexouse o Relatório Fiscal de Diligência, onde foi esclarecido pela Autoridade Fiscal que não restou comprovada a atividade Fl. 4013DF CARF MF 32 efetivamente exercida pela autuada, pois apesar de instada diversas vezes, durante o procedimento de fiscalização, a apresentar documentos que efetivamente comprovassem a origem e a natureza dos créditos constantes de sua movimentação financeira, defendeu a idéia de ser uma empresa de propaganda e marketing, com base apenas em argumentos teóricos. Esclareceu que durante todo o procedimento, desde o início, a autuada apresentou e reapresentou os documentos de destinação dos recursos, ou seja, os documentos de pagamento. Esses documentos, por si só, não podem e não devem determinar as comprovações de origem de recursos (recebimentos). Pontua que é condição “sine qua non” para análise dos documentos de pagamentos para que a empresa possa se beneficiar do enquadramento no art. 13, da Lei nº 10.925/2004, a comprovação de que efetivamente seus recebimentos são relativos à propaganda e publicidade. Considerou que embora tenha alegado o tempo todo que apresentou documentos, em nenhum momento, nem mesmo em sua impugnação, a autuada apresentou documentos efetivamente comprobatórios de sua movimentação financeira e que planilhas em ‘excel”, recibos em “Word” e declarações não têm o condão de documento probatório da origem e natureza dos créditos e, portanto, de sua atividade. Entendeu que tanto pela total carência de documentos probatórios, quanto da análise contábil contida no TVF e, ainda, pelas contradições e equivocadas declarações, bem como o não cumprimento de imposição contratual de gestão dos fundos de forma controlada, sendo o conteúdo desse contrato, nesse tocante completamente desprezado, que a imposição legal contida no art. 54 da Lei nº 7.450, de 1985, não foi satisfeita, pois não é possível afirmar qual a atividade explorada pela empresa. Assim, os recebimentos, objeto do lançamento, podem se tratar de algum outro recebimento que não tem nenhuma correspondência com os valores relativos a recebimentos referentes a contribuição de franqueadas para o fundo de propaganda. Nada é possível afirmar, uma vez que documentos comprobatórios de origem desses recebimentos nunca foram apresentados, embora a empresa tenha sido intimada e reintimada várias vezes. Quanto aos valores declarados em DCTF, apresentada tabela para que os valores sejam retificados, conforme fls. 3637 e 3638. Nas fls. 3644 a 3650, anexouse manifestação da impugnante sobre o Relatório Fiscal da Diligência, onde pontua que a Autoridade Fiscal atendeu objetivamente somente o item ‘iii” da resolução e, de resto, limitouse a tecer considerações em defesa do Auto de Infração. Comenta que a Autoridade Fiscal pretende se vincular apenas parcialmente ao procedimento realizado no anterior AIIM lavrado contra a Impugnante, e transcreve em nota: No qual se concluiu que: “A documentação apresentada pelo contribuinte revelou que realmente grande parte dos débitos em contascorrentes se referem a pagamentos de despesas de publicidade e propaganda (anúncios de TV, cartazes, ‘outdoor’, cardápios, etc.) das lojas do HABIB’S. Como os valores depositados por cada loja variam de acordo com as receitas brutas das mesmas e com a publicidade de cada região (são diferentes em todo o país) não foi possível identificar individualmente os créditos. MESMO ASSIM, ENTENDEMOS QUE TAIS DESPESAS DEVERIAM SER DESCONTADAS DOS TOTAIS RECEBIDOS. (...) APESAR DE NÃO ESTAREM NA Fl. 4014DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 3.999 33 CONTABILIDADE, ALGUNS DÉBITOS DESSAS CONTAS FORAM COMPROVADOS E SE REFEREM A DESPESAS DE TERCEIROS.” Considera que é a própria autoridade fazendária que, no item 65 do TVF, confirma a contabilização de todos os depósitos bancários “sob o título contábil 220473000020073 – CONTAS CORRENTES CLIENTES”, e sobre isso não há dúvidas, sobretudo a partir da conclusão manifestada no item 111 do TVF, de que “a contabilidade do AC 2010, registra o total do valor movimentado em instituições financeiras (...)”, mas que apesar disso, a fiscalização, não considerando qualquer comprovação de origem dos depósitos (cujos dados das lojas depositantes, aliás, constam nos próprios históricos dos lançamentos contábeis), autuou o total de créditos bancários em 2010 no montante de R$ 29.884.273,83. Ou seja, para a fiscal, 100% dos depósitos bancários representaria receita de serviços. Pontua que concordando ou não com a evidenciação das atividades desenvolvidas pela Impugnante, não se pode negar que a apuração da sua receita bruta é diretamente dependente dos repasses realizados e que do contrário, estarse ia negando as legítimas atividades desenvolvidas pela Impugnante e suas correlatas despesas com marketing, como veiculações em mídias e produção de propaganda impressa. Destaca que as planilhas apresentadas durante a fiscalização não só contêm uma analítica conciliação contábilfinanceira dos créditos bancários a título de propaganda cooperada (o chamado “procoop”), detalhando individualmente todas as fontes pagadoras (lojas franqueadas), como também a indicação dos correspondentes cheques e recibos de pagamento, bem como todos os repasses a título de campanhas e marketing. Pontua que apesar da comprovação da origem de todos os depósitos (sendo descabido falar em “origem da origem”), a Impugnante já havia apresentado, em petição de 03/11/15 (TIF 13), uma conciliação de base com os faturamentos das lojas franqueadas e apresenta uma tabela com a relação de empresas, faturamento 12/2010 e Procoop 03/2011. Ainda, afirma que com a petição apresentada em 29/03/16 (TIFs 17 e 18), a Impugnante esclareceu detalhadamente as previsões legais e contratuais, bem como a natureza e o fluxo de cobrança dos depósitos bancários a título de propaganda cooperada (“procoop”), nos termos que reproduz. Ao final, reitera pela total improcedência e insubsistência da exigência do lançamento. Em sessão de 28 de julho de 2017 a 10ª Turma da DRJ de Belo Horizonte considerou procedente em parte a impugnação: rejeitando as preliminares de nulidade e decadência; mantendo a responsabilidade tributária do Sr. João Augusto Ribeiro Penna e da Belsaraiva Comércio Empreendimento Imobiliários e Participações Ltda.; deduziu os tributos declarados em DCTF; e manteve a multa qualificada. Apresentaram Recurso Voluntário tanto a Platina, quanto os dois responsáveis, Alsaraiva e João Augusto. Recurso voluntário da Platina Gestão de Negócios Ltda. Diz que é agência de publicidade e que gere fundo da rede Habib's; Fl. 4015DF CARF MF 34 que sua movimentação bancária é caracterizada pela intermediação de valores de terceiros; que a verba que recebe de cada franqueado é calculada com base em percentual do faturamento; diz que todos os depósitos bancários foram contabilizados na conta contábil CONTAS CORRENTES CLIENTES; que a relação de notas fiscais apresentada à fiscalização mostra gastos pertinentes a sua atividade; defende que comprovou a origem com os recibos por ela assinados, e que é indevida a exigência de documentos de terceiros (franqueados). Dessa forma, o que se tem nos autos não representa discussão sobre a comprovação ou não da origem dos depósitos bancários e seus fatos indiciários, mas sim a discussão acerca da origem da origem dos depósitos (faturamentos das lojas pagantes, sobre os quais é calculado o procoop), o que não se pode admitir, conforme demonstrarseá nos tópicos de direito adiante; DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INSUFICIÊNCIA INSTRUTÓRIA, AUSÊNCIA DE JUNTADA DOS RESPECTIVOS EXTRATOS E INCOMPREENSÃO ACUSATÓRIA os extratos bancários não foram juntados aos autos; ou seja, no caso de autuação baseada em depósitos bancários de origem não comprovada, as condições mínimas a serem observadas, para que a regra presuntiva seja validamente aplicada, exigem: (i) a intimação específica do contribuinte, com remissão ao artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e anotação da presunção de omissão; (ii) individualização dos depósitos cujas as origens se deva comprovar; e (iii) juntada dos correlatos extratos bancários, inexistentes no processo; reclama da falta de juntada de diligência realizada em outro processo (Alsaraiva), da denúncia do exfranqueado de Porto Alegre, que considera gravíssima falta de instrução; DO INCORRETO FUNDAMENTO LEGAL (COM INVERSÃO PROBATÓRIA) E DA CIRCULAR FÓRMULA PRESUNTIVA DE OMISSÃO ADOTADA (CONFUSÃO METODOLÓGICA “ORIGEM DA ORIGEM”) – DA EXAUSTIVA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Desde logo, reiterase os três principais fundamentos sobre os quais se sustentam o acórdão recorrido: a não comprovação dos faturamentos das lojas franqueadas, o que acarretou a desconsideração das atividades da Recorrente enquanto gestora das verbas de propaganda cooperada e, assim, da origem dos depósitos bancários. Ora, se (i) a Recorrente afirma e comprova que a fonte pagadora dos depósitos bancários autuados eram as lojas franqueadas (fato não negado pela fiscalização); e se (ii) a autoridade fazendária desconsidera a relação entre as partes e sustenta que os depósitos não se refeririam ao pagamento de propaganda cooperada, resta a pergunta: a que título se referiam os depósitos? Qual a omissão de receitas praticada? inquirir e desconsiderar a “origem da origem”, pois, significa autuar presuntivamente o indício do indício (uma bipresunção), sem que haja a prova do fato direto, no caso, a tributabilidade e consequente omissão dos depósitos autuados. E assim se afirma, Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.000 35 pois, o fato indiciário da omissão (não comprovação da origem dos depósitos bancários), estaria baseado em outro fato indiciário (não comprovação dos faturamentos das lojas franqueadas que originaram os depósitos bancários a título de procoop), o que vai de encontro a qualquer sistema de regras presuntivas, assim tomadas enquanto ferramentas de simplificação da atividade fiscalizatória, pautadas que são na comprovação apenas dos fatos indiciários da tributação; De outra ponta, ao lado do detalhado trabalho realizado pela auditoria independente contratada especificamente para o fim de fazer a conciliação documental de toda a movimentação bancária (entradas e saídas), verificase nos autos o empenho da Recorrente para dirimir quaisquer dúvidas levantadas. Em resumo cronológico, temse que: (i) em 12/01/15 foi apresentada a relação total de lojas que pagam e/ou pagaram procoop no tempo, todas individualizadamente identificadas nos respectivos lançamentos contábeis; (ii) em 09/06/15 foi apresentado o contrato firmado com a franqueadora para a gestão dos recursos oriundos dos procoop’s; (iii) em 07/07/15 foram apresentados CDs contendo os comprovantes de pagamentos/repasses dos valores às diversas mídias e campanhas; (iv) em 21/07/15 foi apresentada uma amostragem, bastante representativa, contendo os documentos que subsidiaram o recebimento dos procoop’s de cada loja em cada ano, restando apenas 2013; (v) em 31/07/15 foi apresentada uma complementação dos documentos que subsidiaram o recebimento e controle dos procoop’s em 2012 e demonstrativos também de 2013; (vi) em 25/08/15 foram resumidos todos os esclarecimentos prestados até então, relativamente aos procoop’s recebidos nos anos de 2010 a 2013, tendo sido apresentado o seguinte quadro resumo do volume comprovado: (vii) em 03/11/15 foi apresentada uma conciliação de base (“origem da origem”) dos procoop’s recebidos com os faturamentos das lojas franqueadas. De todo modo, em que pese todo o esforço da Recorrente, nada do que foi apresentado foi aceito pela fiscalização ou pelo acórdão recorrido, tudo sob o argumento de que se tratariam de documentos sem valor probante; DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS VINCULADOS NO LANÇAMENTO LAVRADO EM 2010 E DA CONSEQUENTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR Fl. 4017DF CARF MF 36 VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA CONFIANÇA, IRRETROATIVIDADE E BOAFÉ EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA aduz, invocando o art. 146 do CTN, que teria sido adotado critério diverso do lançamento relativo ao anocalendário de 2005; DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVAMENTE AO IRPJ E CSLL BASEADOS EM DEPÓSITOS DE JANEIRO À NOVEMBRO/2010 E RESPECTIVO PIS E COFINS pelo artigo 173, I, do CTN, temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1º e 2º e 3º trimestres de 2010, pois o exercício seguinte começaria, respectivamente, em 01/04/2010 e 01/07/2010 e 01/10/2010, de modo que o prazo decadencial encerrarseia em 31/03/2015 e 30/06/2015 e 30/09/2015, enquanto o AIIM foi lavrado em 21/12/15; em relação ao PIS e à COFINS, cujas apurações são mensais, nada se altera, de forma que estariam decaídas as contribuições de janeiro a novembro/10. DO INDEVIDO ARBITRAMENTO FUNDADO EM NOVA CIRCULARIDADE INSANÁVEL Em relação ao arbitramento, a fiscalização justifica sua adoção em apenas três parágrafos (itens 106 a 108 do TVF). Vejase: “106. Considerandose que a empresa não se utilizou dos princípios e critérios contábeis geralmente aceitos, conforme demonstrado; 107. Considerandose que a empresa omitiu receita de serviços para o período de 01/2010 a 12/2010, TANTO EM SUA PRÓPRIA CONTABILIDADE, quanto em sua DIPJ AC 2010, utilizandose de artifícios contábeis, escriturando como receita, tanto quanto declarando somente valor para fazer frente às suas despesas administrativas, impossibilitando identificar a efetiva receita e deixou de recolher os impostos e contribuições aos cofres públicos (...); 108. Considerandose as incongruências constantes da escrituração contábil e da apuração do Lucro, inclusive pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos, bem como todas as outras impropriedades apontadas nesta auditoria, sujeitase o contribuinte, acima identificado, ao arbitramento do lucro (...).” (grifos originais). Já o v. acórdão recorrido, confirmando a circularidade do arbitramento, alega que a Recorrente “não apresentou (...) documentos que comprovassem a origem dos recursos depósitos em conta bancária.” (fls. 3713/3714). Sobre a alegada não utilização dos princípios e critérios contábeis, provavelmente a autoridade fazendária deve estar se referindo ao item 44 do TVF11, o qual, em verdade, revela uma completa confusão, desconhecimento e distorção dos elementos colhidos e esclarecidos durante a fiscalização. Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.001 37 Por fim, a última justificativa para o arbitramento é baseada em alegadas incongruências constantes da escrituração contábil da Recorrente, pela simples menção à “ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos.” DA TRIBUTAÇÃO PELO PIS/COFINS (REGIME CUMULATIVO Como desdobramento da discussão sobre o conceito de receita bruta e tributação das verbas de propaganda cooperada recebidas pela Recorrente, temse, ainda, a discussão sobre a incidência do PIS/COFINS, no caso pelo regime cumulativo, a qual deve ser avaliada separadamente em ponto específico. Isso porque, de acordo com a jurisprudência vinculante do Supremo Tribunal Federal, o faturamento, base de cálculo do PIS/COFINS no regime cumulativo, em especial, no caso, referente ao ano de 2010, é composto pelo produto da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, integrandose, de todo modo, no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições; DA FALTA DE DEDUÇÃO DO PIS E DA COFINS DA BASE DO IRPJ E DA CSLL Nos termos do artigo 41 da Lei n.º 8.981/95, “os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência”, fato este ignorado na quantificação da exigência; DA INSUSTENTABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA os mesmos fundamentos e argumentos que embasaram o arbitramento e a presunção legal de omissão, igualmente justificaram a qualificação da multa, havendo indevida cumulação de fatos que já possuem consequências específicas, o que não se pode admitir; DA POSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA E/OU DESIGNAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA – DO OBJETO DA DILIGÊNCIA OU PERÍCIA E DO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS PARA A SUA REALIZAÇÃO caso persista dúvida sobre a origem dos depósitos bancários, requer diligência ou perícia para que (i) se busque e analise os fluxos financeiros das lojas franqueadas; e (ii) se ateste a conciliação contábil da Recorrente. CONCLUSÕES Em razão de tudo o quanto exposto, primeiramente devese observar as regras de direção processual e vinculação de entendimentos fazendários, para que o mesmo tratamento de outros expedientes administrativos da própria Recorrente seja adotado e observado neste feito, com a imprescindível análise dos repasses de propaganda; De toda forma, não há como manter o acórdão recorrido e, com isso, o auto de infração, seja em razão das nulidades na formulação da exigência (vício de instrução probatória e motivação); seja em razão do inconsistente arbitramento, da imotivada e incongruente fundamentação, bem como da incorreta metodologia da hipótese presuntiva Fl. 4019DF CARF MF 38 adotada; seja, ainda, por conta da indevida base de cálculo utilizada (inobservância do regime de tributação específico das agências); Na inesperada hipótese de assim não se entender, devese determinar a correção das bases de cálculo, com a reapuração da receita bruta, em especial para o PIS/COFINS, excluindose os repasses relativos às campanhas publicitárias, bem como cancelandose a qualificação da multa de ofício vinculada; Assim sendo, a Recorrente requer o conhecimento e regular processamento do presente Recurso Voluntário, para que, em oportuno julgamento, seja integralmente provido, reformandose o v. acórdão recorrido e extinguindose integralmente o crédito tributário sob discussão, ou, subsidiariamente, para que seja refeita a base de cálculo considerada e se reduza a multa vinculada para 75%; Por derradeiro, a Recorrente protesta pela juntada de eventual documentação complementar que se faça necessária, bem como, caso se entenda imprescindível, pela conversão do julgamento em diligência e designação e perícia técnica, de forma a possibilitar a mais justa e correta composição da presente demanda. Recurso voluntário de João Augusto Ribeiro Penna não há prova nos autos de qualquer conduta dolosa do Recorrente, mesmo porque é mero preposto que recebia pro labore para atender interesses em benefício da rede Habib's; os valores recebidos não representam receitas; decadência por ausência de intimação válida; a fiscalização não provou a presença dos requisitos do artigo 135 do CTN e não é possível presumir o dolo; requer o cancelamento da responsabilização tributária atribuída ao Recorrente, excluindoo do pólo passivo. Recurso voluntário de Belsaraiva Comércio, Empreendimentos Imobiliários e Participações Eireli DA IMPOSSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ART. 124, I, CTN Para fins de responsabilidade solidária pelo crédito tributário, o "interesse comum" de que trata o CTN não é revelado pelo simples interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (como aduziu a fiscalização), mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação fática descrita no antecedente da norma tributária: o fato jurídico tributário; ainda assim, a relação entre a Recorrente e a autuada Platina duas pessoas jurídicas de direito privado autônomas sempre foi apenas societária e contratual, sem apuração e distribuição de lucros, já que a autuada foi constituída com o fim específico de administração do fundo de propaganda da rede Habib's; Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.002 39 Sendo assim, a responsabilidade solidária ora discutida foi ilegalmente atribuída à Recorrente com base em mera presunção (de beneficiamento econômico num suposto esquema de sonegação), decorrente de uma outra presunção (omissão de receita por suposta não comprovação da origem de depósitos bancários), o que não se pode admitir, conforme se verá a seguir. DO INDÍCIO, DA PRESUNÇÃO, DOS LIMITES IMPOSTOS À UTILIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE SE PRESUMIR A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO PEDIDO Ex positis, requer o provimento do presente recurso para a exclusão da Recorrente do polo passivo da suposta obrigação tributária constituída pelo auto de infração em epígrafe, visto que não comprovado seu interesse comum na prática dos fatos geradores, de modo a lhe atribuir a responsabilidade tributária prevista art. 124, I, do CTN. Em 9 de abril de 2018 a Empresa autuada juntou parecer do Prof. Dr. Sérgio de Iudícibus no qual são respondidos 9 quesitos relativos à contabilidade considerada imprstável. Em 11 de setembro de 2018 é apresentada petição na qual a Empresa autuada requer a apensação deste processo ao de nº 19515.720.007/201645, pois entende que se trata de caso de lançamento efetuado com os mesmos elementos de prova (art. 2º, inciso I da Portaria RFB nº 354/2016). Salienta que foram objeto do mesmo TVF, sob as mesmas circunstâncias, apenas sendo lançado em processos distintos os anoscalendário de 2010 e 2011. Informa que o processo citado, que foi distribuído à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, foi encaminhado para diligência, fato que impactaria a decisão do processo sub judice. Em 14 de setembro de 2018 a empresa peticiona reforçando o pedido de apensação e junta a Resolução relativa ao processo apontado. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Voto Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Platina foi intimada do resultado do julgamento de primeira instância em 4 de agosto de 2017 e apresentou seu recurso em 31 de agosto do mesmo ano. Portanto, é tempestivo. A representação é regular. Assim, conheço do recurso. João Augusto foi intimado do julgamento de primeira instância em 4 de agosto (fl. 3761) e apresentou seu recurso em 4 de setembro, ambos em 2017, portanto tempestivamente. A representação é regular (fl 2186). Assim, conheço do recurso. Fl. 4021DF CARF MF 40 Belsaraiva Eireli foi intimada do resultado do julgamento de primeira instância em 7 de agosto de 2017 (fl. 3762) e apresentou seu recurso em 6 de setembro do mesmo ano, portanto tempestivamente. A representação é regular (fl 2252). Assim, conheço do recurso. Sobre a pretendida apensação deste processo ao de nº 19515.720.007/2016 45, entendo que, embora oriundo de uma mesma ação fiscal, não estamos lidando com os mesmos elementos de prova, haja vista serem anoscalendário diferentes. Portanto, tanto a imprestabilidade da contabilidade para a apuração do lucro real (fundamento principal do arbitramento), quanto os depósitos bancários de origem não comprovada (presunção de omissão de receitas) são comprovados com documentos distintos dos utilizados naquele processo. Ademais, a disciplina do CARF para a juntada por apensação é tratada no seu Regimento Interno. Nesse sentido temos: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. O uso do vocábulo "preferencialmente" deixa claro tratarse de esforço interno para a otimização dos julgamentos e não obrigatoriedade formal. Os conceitos, por outro lado, são assim apresentados no § 1º do artigo 6º do anexo II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Pela simples leitura dos incisos acima, vêse que não há o enquadramento na hipótese presente. Assim, entendo que os processos devem prosseguir no julgamento conforme a distribuição atual, embora concorde com o Recorrente de que o ideal, mas não necessário, seria o julgamento conjunto. Inicialmente, ante um quantidade razoável de alegações e documentos juntados, devemos delimitar a lide, com fulcro no fundamento do lançamento perpetrado. Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.003 41 Tratase de desconsideração da contabilidade do Recorrente e consequente arbitramento do lucro e omissão de receitas fundada em presunção de depósitos bancários sem comprovação de origem, assim resumidos no TVF: Item 75 (fl. 2018) A autuada usou a contabilidade a seu bel prazer, fez lançamentos a débito de "Disponibilidades" em contrapartida a seu "Passío Exigível a Longo Prazo", como forma de tentar garantir a contabilização de seus créditos bancários, sem prezar pela legitimidade, qualidade e transparência da informação contábil, olvidandose que a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais, transformando os fatos administrativos em fatos permutativos, quando, por suas ponderações, deveriam ser modificativos ou mistos. Ainda que apresentasse documentos comprobatórios de suas alegações, seus registros não identificam qual é, bem como quanto é sua receita em cada operação efetuada. Os valores levados à Demonstração do Resultado do Exercício e decorrentemente ao LALUR e à sua DIPJ, assim como as Notas Fiscais faturadas de prestação de serviço não permitem a determinação da real receita bruta de prestação de serviços. Sua contabilidade é, em consequência, imprestável para a apuração do lucro do exercício, impossibilitando ainda a apuração do lucro real. Aponta, por outro lado, que em vários momentos a conta caixa teve saldo credor, o que não foi, na ótica fiscal, satisfatoriamente contraditado. Cita diligência realizada na Alsaraiva e outras empresas do grupo e Denúncia formulada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em relação ao processo civil nº 001/1/12.00771870, no qual o responsável pelo grupo Habib's reconhece que há sonegação para possibilitar os preços ofertados ao público, inclusive com treinamento de pessoal para destruir documentos e provas de sonegação a cada 15 dias. E registra ainda a autoridade (fls. 2033/2034): Considerandose que a empresa não se utilizou de princípios e critérios contábeis geralmente aceitos, conforme demonstrado; (...) Considerandose as incongruências constantes da escrituração contábil e da apuração do Lucro, inclusive pela ausência de apresentação de documentos hábeis e idôneos, bem como todas as outras impropriedades apontadas nesta auditoria, sujeitase o contribuinte acima identificado, ao arbitramento do lucro para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, anocalendário de 2010, pelo lançamento de ofício nos termos do artigo 841, inciso II, III, IV e VI, 926 c/c 845, inciso II e III e 944, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, por infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) FAce ainda ao disposto no artigo 530, inciso I, II, e III do RIR/99: Fl. 4023DF CARF MF 42 (...) Sobre a presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) o TVF apresenta o seguinte (fl. 2032): Como a empresa não apresentou documentação probante eficaz, coincidentes em data e valores e insuficientes para comprovar a origem dos créditos/depósitos em suas contas correntes, incluímos como base de cálculo no auto de infração lavrado, valores relativos a depósitos bancários, DOC e TED, abaixo totalizados por competência. Tais valores encontramse discriminados em anexo, na planilha demonstrativa denominada "Planilha Referente a Créditos Bancários Não Comprovados". Informa que excluiu transferências, devoluções e estornos do valor apurado. No Parecer do Prof Sérgio de Iudícibus ficou consignado que a contabilidade da Platina não ofende os princípios contábeis; cumpriu os requisitos normativos mantendo os livros Diário e Razão e reconhece um equívoco no registro da receita bruta, que seria, conforme seus cálculos, R$3.079.009,39. Pois bem, difícil a tarefa de um julgador manterse restrito à análise técnica quando diante de um réu confesso, como no caso presente, em que o responsável pelo grupo admite que, para manter preços baixos aos consumidores se socorre de sonegação fiscal. Mas é essa a nossa tarefa, afinal, tributar não é punir, mas exigir a contribuição justa de cada componente social. Analisando os motivos que ensejaram a desqualificação da escrita contábil da recorrente, em que pese constarem em cada passo da fiscalização, como se nota da leitura do TVF, entendo que as inconsistências, apuradas e verificadas pela autoridade administrativa, não representam impossibilidade de apurar o lucro real ou, ainda, não representam erro tamanho que induza a um cálculo equivocado, não sendo suficientes ao arbitramento do lucro. No caso em pauta, a toda evidência, a Empresa atuava como agência de publicidade, registrava os valores recebidos em sua contabilidade, deixando de registrar (ou registrando a menor) sua receita nas contas de resultado, do que adviria omissão de receitas direta, e não presuntiva, haja vista que os contratos de prestação de serviços previam o percentual de 10% a título de remuneração pelos serviços prestados. E vejam, o lançamento acima apontado não afasta a intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, uma vez que os valores não comprovados poderiam ser somados ao lançamento de omissão de receitas com prova direta e considerando a contabilidade apresentada. A fiscalização detinha as informações necessárias para a apuração do resultado, pois das verbas recebidas, 10% era receita da recorrente. Ademais, eventuais diferenças entre os depósitos bancários e os valores recebidos a título de "procoop" poderiam ser objeto da presunção do artigo 42, uma vez não comprovadas as origens, mas considerar o valor total recebido como receita, ante as evidências dos autos, torna o lançamento por demais excessivo e injusto, a meu ver. No meu entendimento, ante a evidência de que as receitas não foram integralmente reconhecidas pela Recorrente, a fiscalização deveria ter lançado a diferença, como omissão direta, independentemente do procedimento relativo à presunção do artigo 42. Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 19515.721124/201545 Acórdão n.º 1302003.210 S1C3T2 Fl. 4.004 43 O fato de haver evidências de fraude ou sonegação pelo contribuinte não permite ao fisco lançar pela forma mais contundente, se não pela estrita previsão legal, cobrando o devido, no tamanho devido. Optando indevidamente pelo lucro arbitrado, a fiscalização maculou toda a autuação, inclusive quando aos lançamentos decorrentes, uma vez que tributando pelo lucro real o PIS e a Cofins seriam nãocumulativos, contrariamente ao lançamento perpetrado. Desnecessária a análise de outros argumentos. Nestes termos, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 4025DF CARF MF
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