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Numero do processo: 10909.003979/2005-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RELATOR. DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Rejeita-se a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização.
Numero da decisão: 3001-000.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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DILIGÊNCIA DE OFÍCIO. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Rejeitase a diligência proposta pelo Relator, de ofício, quando o Colegiado decide, por voto de qualidade, pela sua imprescindibilidade, impraticabilidade ou irrazoabilidade para o correto prosseguimento do feito e solução da lide, por ausência dos desígnios necessários a sua realização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, suscitada pelos conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 39 79 /2 00 5- 11 Fl. 1621DF CARF MF 2 Relatório Pedido de Ressarcimento Tratase de pedido de ressarcimento de créditos (PER/DCOMP) de PIS/Pasep Exportação de incidência não cumulativa, relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2005, no valor de R$ 19.599,15 (dezenove mil quinhentos e noventa e nove reais e quinze centavos). Termo de Início de Fiscalização Foi dado inicio à diligência no contribuinte para realizar verificação para fins de ressarcimento do PIS/Pasep Exportação nãocumulativo (Lei n° 10.637/2002) do 1º trimestre de 2005, onde o mesmo foi intimado para apresentar ou disponibilizar, no prazo de 20 dias, inúmeros documentos relativos ao período mencionado. Despacho Decisório A autoridade fiscal afirma que a contribuinte deixou de apresentar livros contábeis, arquivos digitais, notas fiscais e outros documentos exigidos, a despeito do longo tempo decorrido desde a primeira intimação, destacando que a sua boafé não é o suficiente para afastar a responsabilidade por infrações tributárias. Em decorrência da não apresentação dos documentos solicitados e com base no art. 530 do RIR/1999, entendeuse ser o caso de arbitramento do lucro da pessoa jurídica, tendo em vista que a ausência dos livros impede a apuração do lucro real. Ademais, argumentou que o fato de a contribuinte ter apresentado DIPJ, DCTF e Dacon não substitui a necessidade da escrituração fiscal e contábil. Ainda, por força do art. 8º, inciso II da Lei n. 10.637/2008, o mencionado arbitramento resulta na apuração do PIS pelo regime cumulativo, nos moldes prescritos pela Lei n. 9.718/1998. Nessa medida, pelo fato de a apuração do PIS no regime não cumulativo estar atrelada aos resultados obtidos terem como base o lucro real, não seria possível avaliar o pedido de ressarcimento dos valores da referida contribuição. Igualmente, a autoridade fiscal também questionou o valor probatório dos documentos apresentados pela contribuinte, haja vista não estarem lastreados por documentos hábeis e de natureza idônea, tais como notas fiscais e os livros contábeis originais. Com isso, o presente despacho decisório concluiu por não estar comprovado o direito creditório de PIS/Pasep Exportação no regime não cumulativo relativo ao 1º trimestre de 2005 por falta de comprovação documental contábil e fiscal válida, portanto, indeferiu o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, principalmente quanto ao direito creditório do PIS/Pasep e o ressarcimento pleiteado. Atividades da empresa equiparadas à exportação Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.622 3 Alega a manifestante que suas atividades de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB) são equiparadas à exportação, por força do art. 11, §9º da Lei n. 9.432/1997, de modo que teria direito ao creditamento do PIS/Pasep – Exportação. Aplicação equivocada do art. 530 do RIR/1999 A manifestante aduz ser indevida a utilização da regra do art. 530 do RIR/1999, que confere a possibilidade do Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando esta não apresentar a escrituração fiscal, por conta de tal previsão ser permitida apenas para apuração do Imposto de Renda, não podendo ser utilizada para o PIS/Pasep. Outrossim, alega que deixou de apresentar a totalidade da documentação exigida por conta de caso fortuito ou de força maior, qual seja a enchente ocorrida na data de 22/11/2008, ocasião em que teria perdido grande parte de seu acervo escritural. Regularização da escrita fiscal e contábil A manifestante argumenta que, diferentemente do entendimento da autoridade administrativa, teria empreendido todos os esforços possíveis para refazer sua escrita fiscal e contábil e obtido êxito com relação aos livros registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, restando, apenas, as notas fiscais de aquisição de insumos, que poderiam ter sido solicitados pela fiscalização através de intimação dos fornecedores da manifestante. Princípios da razoabilidade, proporcionalidade e verdade material Por fim, a manifestante alega ofensa aos princípios da razoabilidade, pela suposta dissonância entre a conduta prescritiva da legislação e aplicação da mesma pela autoridade fiscal, além de violação ao princípio da verdade material, por entender que não foram empreendidos todos os meios possíveis para a busca do esclarecimento da realidade dos fatos. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0721.294 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede apreciação administrativa, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a Fl. 1623DF CARF MF 4 quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Exportação. Em análise do pleito repetitório apresentado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí/SC entendeu de indeferilo. em razão de a contribuinte não ter comprovado o alegado direito creditório. É que a contribuinte, intimada e reintimada a apresentar os comprovantes respectivos, não o fez, limitandose a alegar a impossibilidade de apresentálos em face: (a) de a escrituração digital ter sido terceirizada no período exigido, somado à incapacidade de geração dos arquivos pelo sistema eletrônico de processamento de dados, o que teria resultado na impossibilidade de gerar os arquivos digitais padronizados; e (b) da enchente ocorrida em 22/11/2008, que destruiu grande parte dos documentos fiscais relativos ao período (livros originais e notas fiscais). Irresignada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte, por meio de seu procurador legal, manifestação de inconformidade na qual expõe suas razões. Depois de fazer digressões acerca de seu direito ao ressarcimento de créditos vinculados a operações equiparadas à exportação (operações de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro — REB), argumenta a contribuinte que seu direito creditório teria sido denegado pela DRF/Itajaí/SC em razão de que, na ausência de escrituração contábilfiscal. estaria a pleiteante sujeita à apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo lucro arbitrado e, portanto, à apuração das contribuições sociais (PIS e Cofins) pelo regime da cumulatividade, o que resultaria na inexistência de créditos a serem ressarcidos. Entende que tal medida é ilegal, pois extrapola os limites da questão objeto do presente processo. Na seqüência, afirma a contribuinte que a falta de apresentação dos documentos solicitados "não se deu por mera deliberação da Contribuinte, e sim pela ocorrência de um caso fortuito ou de força maior, qual seja, a enchente ocorrida na data de 22/11/2008, a qual assolou toda a região do médio vale catarinense. Na oportunidade. toda a documentação contábil e comercial foi afetada, não restando documentação qualquer que pudesse ser aproveitada. A seguir, alega a contribuinte que, depois das intimações fiscais, recompôs sua escrituração fiscal, e que só restaram não apresentadas "as notas fiscais de aquisições de insumos. que realmente se perderam em sua totalidade na enchente de novembro/2008". Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.623 5 Argumenta a contribuinte, ainda, "que a DRF Itajaí não cumpriu com todos os meios possíveis para se verificar a legitimidade do crédito pleiteado. Dizse isso, pois poderia o órgão físcalizador ter intimado os fornecedores da Manifestante, de modo que restaria comprovado as aquisições efetuadas, e conseqüentemente o crédito solicitado". Alega a contribuinte, também, que o entendimento fiscal afronta o princípio da razoabilidade. por não ter estabelecido uma relação racional entre a finalidade normativa e a conduta administrativa. Por fim, afirma que em razão do princípio da verdade material, teria a autoridade fiscal o dever de buscar a verdade real, garantindo a legalidade da atuação administrativa. Demanda a contribuinte, assim, pelo deferimento integral de seu pedido de ressarcimento. Quanto ao argumento da manifestante de que a autoridade fiscal teria utilizado a regra apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo lucro arbitrado e, consequentemente, do PIS/COFINS pelo regime cumulativo, como principal razão de decidir, a DRJ/FNS rejeitouo, esclarecendo que tal circunstância foi utilizada de forma subsidiária, sendo o motivo principal do indeferimento do pedido de ressarcimento a falta de apresentação de documentação fiscal e contábil válida para possibilitar a averiguação do direito de crédito do tributo, assim como do cálculo dos valores pleiteados. Acrescentou que o ônus probatório para comprovar o pedido de ressarcimento é da manifestante, que não foi capaz de embasar o suposto direito aos créditos de PIS/Pasep – Exportação que ensejariam o recebimento dos valores pleiteados, não sendo possível, desse modo, a alegação de destruição dos livros contábeis e das notas fiscais por conta da enchente sofrida. Além disso, careceria de base legal o argumento acerca da obrigação da administração tributária de intimar os fornecedores para apresentarem as notas fiscais de insumos, posto que elas deveriam ter sido trazidas pela manifestante. Já em relação à suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e da busca pela verdade material, a DRJ/FNS entendeu que os referidos postulados não são capazes de atribuir ao Fisco ou ao julgador o ônus probatório, o qual remanesce com a manifestante, que deixou de comprovar o alegado direito creditório. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Atividades da empresa equiparadas à exportação A recorrente aduz que suas atividades de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Fl. 1625DF CARF MF 6 Brasileiro (REB) equiparamse à exportação, por força do art. 11, §9º da Lei n. 9.432/1997, de modo que seria detentora do direito de créditos do PIS/Pasep – Exportação. Aplicação equivocada do art. 530 do RIR/1999 Argumenta que a utilização da regra do art. 530 do RIR/1999, que confere a possibilidade do Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando esta não apresentar a escrituração fiscal, seria equivocada, tendo em vista a tal entendimento ser possível apenas para apuração do Imposto de Renda, não se permitindo a sua utilização para o PIS/Pasep. Ademais, alega que deixou de apresentar a totalidade da documentação exigida pela RFB por conta do caso fortuito ou de força maior caracterizado pela enchente ocorrida na data de 22/11/2008, momento em que teria perdido grande parte de seus livros fiscais e contábeis, além das notas fiscais de aquisição de insumos. Regularização da escrita fiscal e contábil A recorrente defende que, ao contrário do que entendeu a autoridade fiscal e do que decidiu a DRJ/FNS, teria empreendido todos os esforços possíveis para refazer sua escrita fiscal e contábil, sendo bem sucedida em recuperar o conteúdo dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, faltando, tão somente, as notas fiscais de aquisição de insumos, as quais poderiam ter sido solicitados pela fiscalização através de intimação dos fornecedores da recorrente. Princípios da razoabilidade, proporcionalidade e verdade material Finalmente, a recorrente alega ter havido violação aos princípios da razoabilidade, pela suposta incoerência entre a conduta prescritiva da legislação e a aplicação da mesma pela autoridade fiscal, além de ofensa ao princípio da verdade material, em decorrência de não terem sido utilizados todos os meios possíveis para a busca da averiguação da exatidão dos fatos. Aditamento ao Recurso Voluntário Por fim, a recorrente apresentou aditamento ao recurso voluntário na data de 13/10/2011, tendo realizado a juntada de documentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep Exportação de incidência não cumulativa. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 01.11.2010, conforme Aviso de Recebimento AR, fl. 217, nos termos do inciso II do Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.624 7 parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 01.12.2010, conforme comprova o carimbo da DRF JOIVILLE, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS Exportação de incidência não cumulativa, referente ao período de apuração 07 a 09/2005 (3° trimestre de 2005). O pedido está lastreado em créditos obtidos na aquisição de insumos e prestação de serviços de construção, conservação, modernização e reparo de embarcações pré registradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), equiparadas à exportação, por força do art. 11, §9º da Lei n. 9.432/1997. O direito creditório foi negado pelos órgãos “a quo”, que indeferiram o pedido de ressarcimento pelos argumentos tratados no Relatório acima. Diante disso, a recorrente busca o reconhecimento de créditos na monta de R$ 29.705,43. Argumentos trazidos neste Recurso Voluntário As atividades da empresa equiparadas à exportação, Aplicação equivocada do art. 530 do RIR/1999, Regularização da escrita fiscal e contábil Princípios da razoabilidade, proporcionalidade, caso fortuito e verdade material Análise dos Fundamentos legais invocados Atividades da empresa equiparadas à exportação Acerca de todo o exposto, é de se concluir pelo incontestável direito da contribuinte ao ressarcimento dos valores oriundos de créditos decorrentes da aquisição de insumos para utilização em operações equiparadas à exportação. Tal é o que ocorre com a contribuinte, pois efetivamente subsume suas atividades, que são voltadas ao reparo e construções de embarcações inscritas no REB, equiparadas à exportaçao, conforme se verifica na legislação. Fl. 1627DF CARF MF 8 Foram acostados aos autos, Certificados de Registro Especial Brasileiro em fls. 152 e ss, que comprovam a regular inscrição da recorrente, fazendo jus à equiparação. Registro Especial Brasileiro REB Lei 9.432/97: Art. 11. É instituído o Registro Especial Brasileiro REB, no qual poderão ser registradas embarcações brasileiras, operadas por empresas brasileiras de navegação. (...) § 9 A construção, a conservação, a modernização e o reparo de embarcações préregistradas ou registradas no REB serão, para todos os efeitos legais e fiscais, equiparadas à operação de exportação. O tratamento tributário concedido às exportações, no que tange à legislação da Cofins, está expresso abaixo, e leva à inarredável conclusão pela não incidência da contribuição sobre as receitas da recorrente. Seguese: COFINS Exportação Lei 10 833/03 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; Caso Fortuito Decorrência da Enchente Assim procedeu ao depararse com a peculiar situação da contribuinte, a qual fora vítima de evento climático, conforme se comprova do documento anexo em fls. 129 destes autos, produzido pela SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA E DEFESA DO CIDADAO, denominado PERDA DE DOCUMENTO OU OBJETO, com os seguintes dizeres no campo OBJETOS ENVOLVIDOS: Documento diverso (Nota Fiscal); e, por fim, no campo RELATO, os seguintes dizeres: Relata nos a comunicante que a empresa citada acima foi atingida pela enchente na data pré citada cornprovante que houve perdas de documentos, Livros Fiscais Movimentos Financeiros_Notas fiscais. Documentos I 1mportação, Notas Fiscais de Saída Notas de Serviços, Dec1arações de Impostos Fichas de Registro de Fú|ncionários, Re1ação de Folha de Pagamentos,Contra Cheques,Caged, Sefip, Recisões de Compra. e Documentos Diversos,e1a relata que somente restou a documentação em anexo. Este é o Relato. Em fls. 131, existe relação dos documentos que permaneceram intactos. E, em relação à ausência de documento, a decisão de primeira instância houve por bem indeferir o pleito por ausência de comprovação. Reparese os fundamentos do voto condutor do aresto: É importante ressaltar, igualmente, que não se exime a contribuinte da comprovação da existência dos créditos em face da comprovada ocorrência de eventos como o por ela citado. qual seja a destruição de documentos em razão de enchente que atingiu seu estabelecimento. Em verdade, o sinistro pode atenuar a responsabilidade da contribuinte no âmbito de questões tributárias que envolvam a aferição do componente subjetivo (que via de regra se associam a qualificação de penalidades), mas não é meio de supressão da responsabilidade de comprovar, por exemplo, a existência de direito creditório. Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.625 9 De outro lado, o sinistro também não exime a responsabilidade de apurar e recolher os tributos devidos; por exemplo. a destruição da escrituração, em regra, demanda a tributação por meio do lucro arbitrado, e não a dispensa da obrigação de tributar por impossibilidade de justificar operações com terceiros, por exemplo. Deste modo, repitase. que justifica o indeferimento do direito creditório é, acima de qualquer outra coisa, aquilo que, justamente a contribuinte, afirma ter ocorrido: a não apresentação das “notas fiscais de aquisições de insumos, que realmente se perderam em sua totalidade na enchente de novembro/2008”. Não existindo justamente os documentos fiscais que dão fundamento aos creditos pleiteados, não ha mesmo como deferirse o ressarcimento. A princípio, correto o entendimento da autoridade julgadora em primeira instância, uma vez que o ônus probatória da existência do crédito, como amplamente noticiado pelas decisões deste CARF, cabem ao contribuinte. Observese a seguinte decisão proferida sobre o tema em debate: Acórdão nº 1803000.688 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. DETERIORAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. CASO FORTUITO. FORÇA MAIOR. A alegação de deterioração dos livros e documentos, devido a caso fortuito ou força maior, não afasta a tributação com base em arbitramento do lucro, uma vez que, nessa situação, quando não efetivamente comprovado o extravio ou tentada a reconstituição da escrita, esta é a forma legal que permite, ao fisco, aferir o montante tributável. Contudo, a recorrente, em seu Recurso Voluntário, expressamente assevera que empreendeu a atividade de reconstrução e recuperação de parte considerável de sua escrita contábil e fiscal, conforme se denota do excerto abaixo: teria empreendido todos os esforços possíveis para refazer sua escrita fiscal e contábil, sendo bem sucedida em recuperar o conteúdo dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, faltando, tão somente, as notas fiscais de aquisição de insumos, as quais poderiam ter sido solicitados pela fiscalização através de intimação dos fornecedores da recorrente Desta forma, a fim de satisfazer a verdade material perseguida neste PAF Ainda, destacou em seu Recurso Voluntário, que logrou obter o refazimento dos seguintes documentos: Livro Registro de Entradas; Livro Registro de Saídas; Livro Razão; Livro Diario; Livro Apuração de IPI. Fl. 1629DF CARF MF 10 Diante do exposto, ou seja, da configuração das atividades da recorrente conforme o regramento trazido pelo REB e sua equiparação, para fins tributários, à atividade de exportação, e , as recentes notícias sobre a possibilidade de averiguação probatória a fim de legitimar a tomada de crédito por parte da contribuinte, razoável se faz a conversão em diligência, a fim de tornar possível a elucidação e quantificação dos valores tomados. Momento da Apresentação da Prova O tema de instrução probatória, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios em definição, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Este CARF tem encaminhado a juntada posterior de provas de acordo com o padrão dos indicativos e evidências postas ao longo do processo administrativo. A seguir, exemplo de decisão na qual o rigorismo temporal fora relativizado em razão de documento obtido em momento posterior, caso portanto, análogo ao presente, no qual existe a intenção da recorrente, em comprovar seus créditos levados à compensação, com os documentos acima mencionados. Seguese: Acórdão 3402003.196 PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, consoante menciona do ilustre Conselheiro Diego Diniz, relator aqui homenageado, por determina que a juntada a posterior, está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Em havendo, portanto, desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, se faz possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do crédito, tal alternativa deve ser posta em prática. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Confirase a lição do Conselheiro Cássio Schappo: Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065, de 16 de maio de 2017 (fls. 654/664), deu provimento ao Recurso Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.626 11 Especial do contribuinte, "com o retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655), e para determinar "o envio dos autos à câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de Recurso voluntário" (fls. 659), pelos argumentos sintetizados na seguinte ementa (fls. 654), verbis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 24.04.2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso especial do contribuinte provido Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de Fl. 1631DF CARF MF 12 comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos. Das Conversões em Diligência A práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, vem sofrendo, conforme se demonstrou, diverso tratamento ao longo do tema, variando desde posições mais formalistas, na qual não há a possibilidade de apreciação de documentos após o protocolo da manifestação de inconformidade, da qual, repitase, este conselheiro já fora adepto. Em evolução, demonstrouse que, além de polêmico, o tema vem se alterando para a aceitação de documentos após o Recurso Voluntário, até o entendimento atual, cuja compreensão se encontra na Resolução 3001000.020, de relatoria do Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, que converteu o julgamento do caso em diligência nos seguintes termos: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.627 13 Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na resolução de conversão em diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência Desta Proposta de Conversão em Diligência O tema trazido aos autos referese ao julgamento da validade dos créditos solicitados em razão da atividade da requerente equiparar se à exportação. Entretanto, há, no caso, tópico fático peculiar, qual seja, a ocorrência de evento climático cujo resultado fora a perda de grande parte da documentação da empresa ora recorrente. Portanto, com base no artigo 29 do Decreto 70.235/72, proponho a conversão deste processo em diligência para oportunizar a juntada e análise da documentação em comento: Decreto 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Sustentase, também, esta proposta de diligência na Decreto 7.475, vez que os artigos abaixo colacionados ressaltam o dever de diligência da autoridade julgadora no tocante ao exame das provas. Decreto 7.475 DO EXAME DE LIVROS E DE DOCUMENTOS Art. 17. Para o efeito da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos empresários e das sociedades, ou da obrigação destes de exibi los CAPÍTULO V DAS PROVAS Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito Por este motivo, ante a Fl. 1633DF CARF MF 14 alegada existência de recuperação dos documentos que comprovem, ou que possam auxiliar na evidência de elementos indevidos acrescidos à base de cálculo ora em formação, ou seja, valores equiparados à exportação, justificase a conversão em diligência. Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). Art. 29. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias Como expresso em votos anteriores, alterei meu entendimento pela preclusão da juntada de documentos fora dos limites temporais da impugnação. Neste caso, o tema tornase mais evidente, haja vista que a recorrente não obteu êxito na juntada de provas a seu favor, em decorrência de grave enchente que notoriamente assolou a região de domicílio da contribuinte. Neste sentido, trazse à colação, o disposto no artigo 435 do NCPC/15 Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapôlos aos que foram produzidos nos autos. Parágrafo único. Admitese também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntálos anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5o. Portanto, ante a tema que, por um lado, indica a existência de crédito por parte do contribuinte, mas por alegado motivo de força maior, esbarra a análise da dificuldade em construir o lastro probatório, fazse justiça ao pleito em perfazimento à orientação acima exposta, e por entender que este PAF não se encontra em condições de julgamento, propor sua conversão em diligência para intimar a recorrente a apresentar o refazimento dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI. Sobre as notas fiscais de aquisição de insumos, proceda a intimação aos fornecedores da recorrente, para que estas apresentem as respectivas notas fiscais de venda acompanhadas dos competentes comprovantes de entrega dos insumos para, assim, proceder ao refazimento de sua sua escrita fiscal e contábil, recuperando o conteúdo dos livros de registro de entradas, saídas, razão, diário e de apuração de IPI, para fins de determinar os valores equiparados a exportação e, assim, demonstrar a legitimidade de seu crédito. Após a autoridade preparadora deverá preparar relatório, minudente e concludente, acerca da formação do crédito decorrente da equiparação das atividades à exportação. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.628 15 Vencida a proposta de conversão em diligência, no mérito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença aos I. Conselheiros Relator e Francisco Martins Leite Cavalcante, que entenderam que o caso sob exame é passível de conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, tanto que a propuseram de ofício, posto que não tal intento não foi suscitado pelo recorrente, passo a seguir e resumidamente esclarecer meu entendimento contrário. Da desnecessidade da diligência De plano, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste Colegiado encontramse presentes nos autos; neste sentido cabe citar o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Esclareço que, não obstante referido dispositivo faz referência ao colegiado de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que, como já mencionei, não ocorre no presente caso. Da fundamentação O caso sob exame perpassa a questão que diz respeito à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, cuja delimitação do respectivo ônus depende a definição da maior parcela das responsabilidades na relação jurídicotributária. Nesse contexto, é fato que a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, tratam do princípio fundamental do direito probatório, segundo o qual "quem acusa e/ou alega deve provar", obrigação, digase, que abarca tanto a autoridade fiscal, relativamente à demonstração da infração ensejadora do ilícito tributário, a teor do prescrito na parte final do caput do artigo 9º do Decreto nº 70.235 de 1972, quando determina que os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”, quanto o contribuinte, cuja mesma legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, conforme dispõe o inciso III do artigo 16 do referido diploma legal, ao determinar que a impugnação conterá "os motivos de Fl. 1635DF CARF MF 16 fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Porém, o caso sob exame é de repetição de indébito, impondose, entretanto, algumas modificações, como a veremos a seguir. É entendimento comezinho que nos casos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é dever do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito, exigindose deste a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. Ou seja, por óbvio, documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; pois sem referida evidenciação, o pedido repetitório resta prejudicado na sua origem. Não se duvide que as normas acima mencionadas, prevêem a realização de diligências e mesmo perícias, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos sujeitos passivos, mas é preciso deixar evidenciado que referida previsão não se presta para suprir o ônus da prova que incumbe as partes, posto que seu escopo é de ver elucidadas questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/recorrente; em outros termos, as diligências servem para esclarecer dúvidas específicas, e não para determinar que a autoridade fiscal competente, diante da falta de comprovação da existência de determinado crédito, venha suprir obrigação que cabia ao contribuinte. Em regra, no caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, ao contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, muitas vezes está associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que o respaldem. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar seu registro (escrituração formal e legal), mas também indicar a que documentos este está associado; bem como é de fundamental importância, neste contexto, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja objetiva e clara suficiente para possibilitar a perfeita caracterização do negócio que pretende demonstrar como existente de fato. Logo, me filio àqueles que entende que não é tarefa do julgador, ainda mais de instância recursal, contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio; pois como já explanado, quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos e prova que evidenciam o indébito. Respaldado no entendimento acima expresso que convém salientar que não deve, diante de um pleito repetitório apresentado, a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado; pois as normas regulamentares de regência da matéria faculta é a situação segundo a qual apresentado o pedido e constatado que o contribuinte, por exemplo, demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais, demandar por diligências para dirimir tais questões duvidosas, e não transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao sujeito passivo no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é, com a devida vênia, isso que ocorreria nestes autos, se fosse acatada e, por consequência, promovida a diligência proposta; pois, a meu ver, tal promoção, da forma como pretendida, serviria para suprir irregularmente a Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10909.003979/200511 Acórdão n.º 3001000.617 S3C0T1 Fl. 1.629 17 omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível, na medida em que o contribuinte é quem deveria ter envidado esforço para comprovar/demonstrar/evidenciar que seu pleito é factível. Dito isto, convém também trazer à discussão o recorrente tema que povoa as peças recursais, qual seja, o da verdade material. É "lugar comum" as assertivas defensivas pautadas no chamado "princípio da verdade material", segundo o qual é dever da autoridade fiscal a busca da verdade real; nesse passo, cabe elucidar que não obstante o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada prejudica o que se expôs alhures. É dizer, referido princípio a busca da verdade que ultrapassa a "verdade" dos fatos alegados pelas partes, mas para obter êxito em tal desiderato impõese que referida "busca" ocorra num ambiente em que, efetivamente, as partes atuem proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probundi. De outra forma dizendo, este princípio dirigese mais especificamente ao julgador administrativo, autorizandoo a ir para além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando estes elementos induzem à suspeição segundo a qual determinados fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte alega, mas de uma outra qualquer, na medida em que, como sabese, o julgador não está vinculado às versões das partes. Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar, in casu, ao sujeito passivo recorrente, que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de transferir para a autoridade fiscal que analisa seu pleito repetitório, a obrigação por produzir prova que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pedido desde sua formalização inicial. Ainda de outro modo dizendo, da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é razoável se aceitar que um pleito, in casu, repetitório, seja proposto sem a minuciosa demonstração e comprovação da existência do indébito. Por fim, cabeme evidenciar, relativamente quanto aos documentos e feitos que o nobre Relator visa obter com sua proposta de diligência à autoridade fiscal competente, que a teor da legislação tributária, o que faz prova a favor do sujeito é, ex vi do artigo 923 do RIR de 1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais, acompanhada dos documentos hábeis que atestem a ocorrência dos fatos nelas registrados; pois, eventual escrituração contábilfiscal, efetuada sem base nos documentos que lhe dão suporte, é incapaz de atestar o que quer que seja, o que, por si só, torna impossível a aferição da existência de quaisquer créditos. É como penso. Da conclusão Com base em tais considerações, relativamente ao presente voto vencedor, decidiu o Colegiado, por voto de qualidade, por rejeitar a proposta de diligência aventada, de ofício, pelo Relator. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 1637DF CARF MF 18 Fl. 1638DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914765/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 76 5/ 20 08 -8 0 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 123 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 124 5 total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 125 6 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.914765/200880 Resolução nº 3401001.523 S3C4T1 Fl. 126 7 existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720167/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/02/2008
PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
Numero da decisão: 3402-005.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/02/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2008 PRELIMINAR. NULIDADE DA GLOSA E DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da glosa perpetrada nem da decisão atacada quando ambas são claras em precisar as circunstâncias fáticas e os fundamentos jurídicos que motivaram tais manifestações. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PIS E COFINS. PLANILHA COM VÁRIAS GLOSAS DE DIFERENTES PERÍODOS. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Não há prejuízo à defesa se, diante de vários pedidos de compensação, a glosa é feita com base em um único documento que englobe todas as glosas, desde que o contribuinte possa, em cada processo individual, precisar qual o período do crédito em discussão e que deverá ser objeto de específica impugnação, exatamente como ocorre no presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 67 /2 00 9- 18 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório A interessada transmitiu PER visando ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa na exportação, em razão de pagamento indevido ou a maior. Posteriormente apresentou DCOMP para compensar o crédito pleiteado com débitos próprios. A unidade de origem reconheceu parcialmente o crédito e homologou as compensações até o limite reconhecido. Diante da homologação parcial da compensação perpetrada, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, oportunidade em que alegou o que segue: (i) nulidade do procedimento administrativo; (ii) direito à compensação do crédito extemporâneo; e (iii) direito à apropriação do crédito sobre valores de aquisição de combustíveis (querosene) no período compreendido entre 10/2008 a 12/2008. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 09056.359. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade, além de vindicar a nulidade da decisão proferida pela instância a quo. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.825, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.720143/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.825): "I. Dos pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche parcialmente os demais pressupostos de admissibilidade, haja vista a sua falta de interesse de agir. 7. Isso porque o contribuinte se insurge contra a glosa aqui realizada fundamentandose nos seguintes termos: (i) direito a crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008 e (ii) direito de usar créditos, ainda que extemporâneos. 8. Acontece que, no presente caso em particular, as glosas perpetradas não tocam tais questões. Aliás, no que tange à discussão dos créditos extemporâneos, assim se manifestou a decisão atacada: (...). Destaquese que, no tocante ao mérito, a contribuinte discute tão somente a glosa de crédito extemporâneo, específica para o período de apuração 03/2007, e a apropriação de crédito sobre valores de aquisição de combustíveis no período de 10/2008 à 12/2008. Assim, as glosas realizadas para períodos de apuração diferentes dos acima mencionados não foram contestadas, no tocante ao mérito. Como o período de apuração do crédito informado no PER aqui analisado se reporta ao 2º tri/2005 não houve, quanto ao mérito, instauração de litígio. (...). 9. O mesmo vale para a questão quanto à discussão de uma pretensa glosa de crédito na compra de combustível para aviação anteriores a lei n. 11.787/2008, o que demonstra a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 5 4 ausência de interesse recursal do contribuinte nos específicos tópicos aqui destacados. 10. Neste diapasão, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto, mais precisamente o item III das suas razões recursais. II. Da pretensa nulidade parcial da decisão recorrida 11. Conforme se observa do recurso voluntário, um dos fundamentos trazidos pelo contribuinte em sua peça recursal é a nulidade parcial da decisão proferida pela instância a quo. 12. Antes, todavia, de tratar da sobredita preliminar processual, mister se faz, neste instante, detalhar ainda mais as circunstâncias fáticas que gravitam em torno do presente caso. 13. Nesse sentido, ao se observar os documentos de fls. 03/14, é possível observar que, no presente caso decidendo, o contribuinte alegou possuir um saldo credor de PIS e COFINS, nos termos do art. 16, parágrafo único da lei 11.116/051, o que o motivou a pedir o ressarcimento de tal crédito, ulteriormente convertido em compensação com débitos de agosto e setembro de 2006. 14. Ao glosar tais créditos, a fiscalização deixa clara a fundamentação para tanto, qual seja, a divergência entre as informações fiscais prestadas pelo contribuinte, conforme se observa do seguinte trecho da manifestação de fl. 22: Frisese que os valores divergentes estão de acordo com aqueles informados pelo contribuinte nos DACON's de 01/2005 a 12/2008. Esclarecemos que é facultado ao contribuinte, nos termos da lei, creditarse de valor de contribuições incidentes sobre bens e serviços adquiridos. Ressaltamos que, no período de 01/2006 a 12/2006, não houve informação de créditos de insumos nos DACON's. 15. Ressaltese, todavia, que além do presente pedido de ressarcimento convertido em compensação, a contribuinte apresentou outros inúmeros pedidos no mesmo diapasão, tanto que o presente caso em julgamento é paradigma de outros a ele vinculados e que tramitam neste Tribunal. Essa é a razão, portanto, de a fiscalização trazer as fls. 23/26 uma tabela com a discriminação não só da glosa para o período aqui debatido, mas também para outros períodos que, provavelmente, são 1 " Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: (...). Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.720167/200918 Acórdão n.º 3402005.842 S3C4T2 Fl. 6 5 discutidos nos demais pedidos de ressarcimento/compensação apresentados pelo contribuinte. 16. A metodologia alhures indicada não prejudica em precisar quais foram os créditos glosados no presente processo administrativo (2o trimestre de 2005), bem como o motivo de tal glosa, o que afasta uma pretensa nulidade do trabalho fiscal, bem como da decisão atacada. Dispositivo 17. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.720197/2015-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEPENDENTES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO.
Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2001-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar despesas no valor de R$ 5.359,75.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEPENDENTES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções legais da base de cálculo do IRPF, quando comprovados, mediante documentação hábil, o preenchimento dos requisitos legais, no curso do processo administrativo fiscal.
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score : 1.0
Numero do processo: 18050.001568/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
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SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 15 68 /2 00 8- 83 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.013931/200722, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Substitutivo, a recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção e manutenção programada em redes aéreas de distribuição de energia elétrica, na competência 02/1999, realizadas junto à empresa Construtora ou Incorporadora, ambas incluídas no polo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente pelo crédito tributário relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, tendo sido o crédito apurado por correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tomando como base os valores constantes em notas fiscais de prestação de serviço, referentes à mãodeobra contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99. É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art. 52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, e o art. 74 da Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 2002 (40% do valor dos serviços constantes das notas fiscais), uma vez que a recorrente não apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas. Os serviços de construção civil em subestação, executados pela empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.322 da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo de serviço foram relacionados na tabela anexa ao Relatório de Fatos Geradores. A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL Fl. 424DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 4 3 O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO. A solidariedade aqui prevista não comporta benefício de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para revisão do procedimento fiscal quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente". Após a decisão proferida, tanto a responsável quanto a tomadora dos serviços foram devidamente cientificadas. Cabe mencionar que a DRJ de origem não recebeu a impugnação da contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, sendo considerada intempestiva. A Coelba, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, é alegado: (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado; (b) a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e (d) a cobrança em duplicidade. Os pedidos consistem em: (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória da quitação anexada aos autos pela Recorrente; alternativamente, reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente a notificação fiscal ora impugnada; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 5 4 (ii) declarar a ausência de responsabilidade solidária da Recorrente pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada; (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição indireta (arbitramento) indevidamente utilizada para calcular o montante supostamente devido, assim como afastar a duplicidade (bitributação) da cobrança, que está sendo feita simultânea e cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora. A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no julgamento do Recurso Voluntário objeto do processo n° 10580.013931/200722, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018: Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente alega a inexistência de saldo devedor objeto do lançamento, uma vez que há suficiência probatória dos documentos acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio da verdade material; diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de Fl. 426DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 6 5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento Fl. 427DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 7 6 distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento Fl. 428DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 8 7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão deobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 429DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos, relacionados à prestadora de serviços realizada: (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência 02/99. (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e (c) folhas de pagamento do período 02/99. Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos referidos se relaciona às notas fiscais concernentes ao contrato de prestação de serviços. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Fl. 430DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 10 9 Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada Fl. 431DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 11 10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Fl. 432DF CARF MF Processo nº 18050.001568/200883 Acórdão n.º 2301005.461 S2C3T1 Fl. 12 11 É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, bitributação, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 13161.720814/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/09/2014
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida.
NULIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE CHAMAMENTO DOS LITISCONSORTES. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS AGRICULTORES NO POLO PASSIVO DA DEMANDA ADMINISTRATIVA. DESNECESSIDADE.
Desnecessária a presença do produtor rural pessoa física no polo passivo da demanda, quando se exige a responsabilidade a adquirente por sub-rogação. A Lei 8.212/1991 (Art. 30, IV), c/c Art. 130 do CTN e c/c a afirmação da constitucionalidade do imposto pelo STF permite a cobrança direta à Contribuinte, pelo recolhimento do imposto.
INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matérias argüidas de forma inovadora no Recurso Voluntário, não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública.
EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE.
De conformidade com decisão tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, com repercussão geral reconhecida, é constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção, inclusive nos casos de sub-rogação do Art. 30, IV, da lei Nº 8212/91.
RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL Nº 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI Nº 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE.
A Resolução nº 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por sub-rogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei nº 10.256, de 2001. Inocorrência no caso em tela.
GRUPO ECONÔMICO. EVIDENCIADO COM PROVAS PELA AUDITORIA FISCAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Tendo o Fisco comprovada a existência de Grupo Econômico no presente caso, em que há evidente criação de empresas para proteção patrimonial dos sócios, devida a inclusão de todos no polo passivo como responsáveis solidários no pagamento do imposto.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Se a fiscalização demonstra que os sócios de empresa, comprovadamente, pertencente ao mesmo grupo econômico da recorrente e que todas as pessoas físicas envolvidas tiveram interesse comum na omissão de fato gerador de tributo, correta a imputação da responsabilidade tributária a todos.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS. BENEFÍCIO DO ART. 63 LEI 9.430/1996.INAPLICABILIDADE.
Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração.
Não restando comprovado que o Contribuinte tinha a seu favor qualquer medida judicial que suspendia a exigibilidade do recolhimento do tributo e, pelo que consta nos autos, a demanda judicial transitou em julgado antes da instauração do Auto de Infração, inaplicável o benefício do Art. 63 da Lei 9.4301996.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% diante da utilização de pessoas e sociedades interpostas, evidenciando a prática de dolo para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais.
RECURSO DE OFICIO. REDUÇÃO DO IMPOSTO PELA DRJ DIANTE DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO. REDUÇÃO DEVIDA. RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO.
Sendo constatado que a redução no imposto se deu diante do fato de a autoridade fiscal, quando do lançamento, não ter retirado da base de cálculo todas as mercadorias devolvidas à contribuinte, realizando novo cálculo na DRJ, observa-se que o novo cálculo apresentado é o correto e o que deve permanecer.
Numero da decisão: 2301-005.494
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (b) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; Acordam ainda, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato (relatora), Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento parcial ao recurso, desqualificando a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente e redator para o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (b) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; Acordam ainda, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato (relatora), Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento parcial ao recurso, desqualificando a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente e redator para o voto vencedor. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2011 a 30/09/2014 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. NULIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE CHAMAMENTO DOS LITISCONSORTES. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS AGRICULTORES NO POLO PASSIVO DA DEMANDA ADMINISTRATIVA. DESNECESSIDADE. Desnecessária a presença do produtor rural pessoa física no polo passivo da demanda, quando se exige a responsabilidade a adquirente por sub-rogação. A Lei 8.212/1991 (Art. 30, IV), c/c Art. 130 do CTN e c/c a afirmação da constitucionalidade do imposto pelo STF permite a cobrança direta à Contribuinte, pelo recolhimento do imposto. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas de forma inovadora no Recurso Voluntário, não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. De conformidade com decisão tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, com repercussão geral reconhecida, é constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção, inclusive nos casos de sub-rogação do Art. 30, IV, da lei Nº 8212/91. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL Nº 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI Nº 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução nº 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por sub-rogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei nº 10.256, de 2001. Inocorrência no caso em tela. GRUPO ECONÔMICO. EVIDENCIADO COM PROVAS PELA AUDITORIA FISCAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Tendo o Fisco comprovada a existência de Grupo Econômico no presente caso, em que há evidente criação de empresas para proteção patrimonial dos sócios, devida a inclusão de todos no polo passivo como responsáveis solidários no pagamento do imposto. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Se a fiscalização demonstra que os sócios de empresa, comprovadamente, pertencente ao mesmo grupo econômico da recorrente e que todas as pessoas físicas envolvidas tiveram interesse comum na omissão de fato gerador de tributo, correta a imputação da responsabilidade tributária a todos. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. BENEFÍCIO DO ART. 63 LEI 9.430/1996.INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Não restando comprovado que o Contribuinte tinha a seu favor qualquer medida judicial que suspendia a exigibilidade do recolhimento do tributo e, pelo que consta nos autos, a demanda judicial transitou em julgado antes da instauração do Auto de Infração, inaplicável o benefício do Art. 63 da Lei 9.4301996. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplica-se a multa de ofício qualificada de 150% diante da utilização de pessoas e sociedades interpostas, evidenciando a prática de dolo para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. RECURSO DE OFICIO. REDUÇÃO DO IMPOSTO PELA DRJ DIANTE DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO. REDUÇÃO DEVIDA. RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO. Sendo constatado que a redução no imposto se deu diante do fato de a autoridade fiscal, quando do lançamento, não ter retirado da base de cálculo todas as mercadorias devolvidas à contribuinte, realizando novo cálculo na DRJ, observa-se que o novo cálculo apresentado é o correto e o que deve permanecer.
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RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. NULIDADE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE CHAMAMENTO DOS LITISCONSORTES. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS AGRICULTORES NO POLO PASSIVO DA DEMANDA ADMINISTRATIVA. DESNECESSIDADE. Desnecessária a presença do produtor rural pessoa física no polo passivo da demanda, quando se exige a responsabilidade a adquirente por subrogação. A Lei 8.212/1991 (Art. 30, IV), c/c Art. 130 do CTN e c/c a afirmação da constitucionalidade do imposto pelo STF permite a cobrança direta à Contribuinte, pelo recolhimento do imposto. INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas de forma inovadora no Recurso Voluntário, não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 08 14 /2 01 5- 58 Fl. 7818DF CARF MF 2 De conformidade com decisão tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, com repercussão geral reconhecida, é constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção, inclusive nos casos de subrogação do Art. 30, IV, da lei Nº 8212/91. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL Nº 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI Nº 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução nº 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por subrogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei nº 10.256, de 2001. Inocorrência no caso em tela. GRUPO ECONÔMICO. EVIDENCIADO COM PROVAS PELA AUDITORIA FISCAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Tendo o Fisco comprovada a existência de Grupo Econômico no presente caso, em que há evidente criação de empresas para proteção patrimonial dos sócios, devida a inclusão de todos no polo passivo como responsáveis solidários no pagamento do imposto. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Se a fiscalização demonstra que os sócios de empresa, comprovadamente, pertencente ao mesmo grupo econômico da recorrente e que todas as pessoas físicas envolvidas tiveram interesse comum na omissão de fato gerador de tributo, correta a imputação da responsabilidade tributária a todos. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. BENEFÍCIO DO ART. 63 LEI 9.430/1996.INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Não restando comprovado que o Contribuinte tinha a seu favor qualquer medida judicial que suspendia a exigibilidade do recolhimento do tributo e, pelo que consta nos autos, a demanda judicial transitou em julgado antes da instauração do Auto de Infração, inaplicável o benefício do Art. 63 da Lei 9.4301996. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Aplicase a multa de ofício qualificada de 150% diante da utilização de pessoas e sociedades interpostas, evidenciando a prática de dolo para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. RECURSO DE OFICIO. REDUÇÃO DO IMPOSTO PELA DRJ DIANTE DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO. REDUÇÃO DEVIDA. RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO. Sendo constatado que a redução no imposto se deu diante do fato de a autoridade fiscal, quando do lançamento, não ter retirado da base de cálculo Fl. 7819DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.819 3 todas as mercadorias devolvidas à contribuinte, realizando novo cálculo na DRJ, observase que o novo cálculo apresentado é o correto e o que deve permanecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; (b) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; Acordam ainda, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Juliana Marteli Fais Feriato (relatora), Wesley Rocha, Alexandre Evaristo Pinto e Marcelo Freitas de Souza Costa, que deram provimento parcial ao recurso, desqualificando a multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente e redator para o voto vencedor. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 6673/6737 interposto em face da decisão da DRJ proferido pela 14ª Turma da DRJ/SPO, Acórdão n. 1679.677 (fls. 6390/6438) que julgou parcialmente procedente as Impugnações apresentadas pela Contribuinte e as Responsáveis Solidárias, cuja ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 30/09/2014 Fl. 7820DF CARF MF 4 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA IDÊNTICA RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DISTINTA APRECIAÇÃO E JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. A existência de ação judicial não transitada em julgado implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. Por força do princípio da unidade jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõese a qualquer manifestação administrativa eventualmente produzida, de forma que, nos casos de partes e objetos idênticos, se opera a renuncia à discussão administrativa. No entanto, as discussões suscitadas apenas no âmbito administrativo deverão ter seu prosseguimento normal, com a finalidade de garantir ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. LANÇAMENTO. DEVER DE OFÍCIO. É obrigação da autoridade fiscalizadora efetuar o lançamento das contribuições para a Seguridade Social, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN), caso inexista decisão judicial que proíba tal procedimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado, pela fiscalização, que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra em qualquer das hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizada a formação de “grupo econômico de fato” através da análise de todo o conjunto probatório, restando evidenciada a combinação de recursos e esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONFIGURAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei previdenciária, nos termos do inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212/91. São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Não elididos os fatos que lhes deram causa, os termos de sujeição passiva solidária devem ser mantidos. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Fl. 7821DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.820 5 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 31/12/2011, 01/02/2012 a 30/09/2014 EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. RECEITA BRUTA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural, pessoa física, instituída pela Lei n° 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização da sua produção. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AQUISIÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações da pessoa física (art.12, V, "a" da Lei 8.212/91) e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 c/c o art. 30, IV, ambos da Lei de Custeio. BASE DE CÁLCULO. INCORREÇÃO. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. Constatadas incorreções na apuração das bases de cálculo, deverão ser retificados os valores lançados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A Autoridade Fiscal emitiu em 17/07/2015 o Auto de Infração constante nas fls. 4/25, na qual atribuiu à Contribuinte (Mult Ceres Comercio de Cereais LTDA – CNPJ 37204633/000121) como Sujeito Passivo Principal a omissão de recolhimento da Contribuição à Seguridade Social (FUNRURAL) e da GILRAT, provenientes da compra de produção rural adquiridas de pessoas físicas pela Contribuinte, na qualidade de subrogada, durante o período apurado, ou seja, de 06/2011 a 12/2011 e 02/2012 a 01/2014, sendo que no período de 02/2014 a 09/2014, a Contribuinte declarou valores a menor do que os apurados pela fiscalização. Com o Auto de Infração, o FISCO lançou crédito tributário no valor de R$123.769.132,82, sendo que deste valor, a quantia de R$43.755.963,73 foi lançada referente ao FUNRAL, R$8.485.455,08 de Juros Moratórios e R$65.633.945,70 de Multa, no porcentual de 150%, ambos referentes ao FUNRURAL. Referente ao GILRAT, houve o lançamento de ofício do valor de R$2.187.798,19 de imposto, R$424.272,74 de juros moratórios; e R$3.282.697,38 de multa de 150%. Fl. 7822DF CARF MF 6 A Apuração das infrações e dos valores lançados pela Autoridade Fiscal se deu pela análise das Escriturações Contábeis Digitais, Escriturações Fiscais Digitais e Notas Fiscais Eletrônicas confrontadas com as guias de recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social (GFIP), os quais comprovaram que a Contribuinte efetuou compras de produtores rurais PF, obrigada a recolher FUNRURAL e não houve declaração dos valores dessas compras nas GFIP das competências 06/2011 a 12/2011 e 02/2012 a 01/2014, e no período de 02/2014 a 09/2014 declarou valores a menor do que os apurados pela fiscalização. No início do procedimento de fiscalização, a Contribuinte informou os Auditores Fiscais que não recolheu as quantias de FUNRURAL e GILRAT visto que os mesmos estavam com exigibilidade suspensa, com fulcro na demanda de numeração única 000363384.2010.4.03.6002 que tramita perante 1ª Vara Federal de Dourados/MS. Conforme consta no Relatório Fiscal de Fls. 3848/3886 elaborado pela Autoridade Fiscal, a suscitada demanda judicial foi proposta por FAMASUL, entretanto a Contribuinte não apresentou comprovação de que os produtores rurais pessoas físicas, que foram seus fornecedores da produção rural (fato gerador do Imposto cobrado) faziam parte da ação representada pela Associação. Assim como, segundo o FISCO, a demanda se encontra transitada em julgado, tendo retornado à origem. O Auto de Infração e o crédito tributário foi lançado contra a Contribuinte e contra outras 18 pessoas jurídicas e físicas, como responsáveis solidários, ante o constatado Grupo Econômico explicitado minuciosamente no Relatório Fiscal juntado nas Fls. 3848/3886, sendo eles: 1)Victory Participações S/A – 08444243000120 – sócia majoritária do sujeito passivo (confusão patrimonial e contábil) 2)Agnaldo Alebert Afif 45493367149 – Excesso de Poderes, Infração de lei e Contrato Social (administra o grupo de empresas com sua mãe e tio) 3)Brasil Oeste Participacoes S/A 09335268/000159 sócia minoritária do sujeito passivo (confusão patrimonial e contábil) 4)Mote Rey Participacoes S/A 08617609/000116 – empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 5)GTB Participacoes S/A – 10.374.167/000176 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 6)MTS Incorporadora e Empreendimentos S/A – 08.312.219/000138 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada – essa empresa é uma das empresas patrimoniais que foram constituídas com o intuito de ocultar bens de credores. 7)IMS Incorporadora e Empreendimentos Imobiliarios S/A 08.328.568/000148 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 8)Master Grain Cereais LTDA – 70.366.554/000192 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 9)Polo Corretora de Cereais LTDA – 70.392.287/000128 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada Fl. 7823DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.821 7 10)RBT Rota Brasil Transportes LTDA – ME – 04.349.909/0001 00 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 11)Transportadora Veron LTDA – 04.347.715/000176 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada – essa empresa é uma das empresas patrimoniais que foram constituídas com o intuito de ocultar bens de credores. 12)Premium Agro Cereais LTDA 05.468.157/000160 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 13)Premium Agro Industrial de Alimentos LTDA 04.379.511/000117 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 14)Royal Agro Cereais LTDA 01.655.275/000126 empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 15)Oeste Verde Comercio e Armazenagem de Cereais LTDA ME 04.304.047/000108 16)Marcos Taufiq Shamas – 404.295.39134 Excesso de Poderes, Infração de lei e Contrato Social empresa pertence ao grupo econômico de fato da fiscalizada 17)Marlene Shamas Afif – 479.737.738000 Excesso de Poderes, Infração de lei e Contrato Social – Senhora Marlene gerencia a empresa fiscalizada juntamente com seu filho e irmão. 18)Joao Estanislao Cespede Lesme – 063.448.52100 Excesso de Poderes, Infração de lei e Contrato Social – João é administrador não sócio de praticamente todas as empresas do grupo econômico de fato. Segundo a apuração da Autoridade Fiscal especificada no Relatório Fiscal supracitado, concluise todas essas empresas fazem parte de um Grupo Econômico, cuja atividade econômica central é a exploração do comércio atacadista de cereais. O grupo é dividido em dois grupos, sendo o primeiro, o que explora a atividade per se, operando no setor: MULT CERES COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, AGRICOM COMÉRCIO ATACADISTA DE CEREAIS LTDA, ROYAL AGRO CEREAIS LTDA, PREMIUM AGRO INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, PREMIUM AGRO CEREAIS LTDA, OESTE VERDE COMÉRCIO DE CEREAIS, MASTER GRAIN CEREAIS LTDA E POLO CORRETORA DE CEREAIS. A atividade econômica periférica que dá suporte aos negócios societários (ocultando os sócios reais) e salvaguarda o capital e patrimônio do grupo econômico, é desempenhada pelas empresas patrimoniais que possuem objeto social como holding, sendo elas: Victory Participações S/A; Brasil Oeste Participações S/A; Mote Rey Participações S/A; GTB Participações S/A; MTS Incorporadora e Empreendimentos S/A; RBT Rota Brasil Transportes LTDA – ME; Transportadora Veron LTDA (fls. 3876). Portanto, restou comprovada com a documentação anexada pelo minucioso trabalho realizado pela Auditoria Fiscal que o grupo econômico é formado por Marlene Shamas Afif, Espólio de Albert Antonios Afif, Agnaldo Alberto Afif e Marcos Taufiq Shamas, Fl. 7824DF CARF MF 8 os quais participam direta ou indiretamente em 23 (vinte e três) pessoas jurídicas ativas, sendo que o Sr. Joao Estanislao Cespede Lesme é administrador não sócio de grande parte delas. Ademais, conforme termo de constatação fiscal que acompanhou o Relatório Fiscal (juntado nas fls 4439 e ss.), a Autoridade Fiscal compareceu, em 05/12/2014, ao local identificado como domicilio fiscal da empresa Mult Ceres Comércio de Cereais LTDA – Avenida Dourados, s/n, Lote Y, Quadra 67, Sanga Puita em Ponta Porã/MS. Nesta visita, constatouse que a Contribuinte inexiste de fato, funcionando no endereço outra Pessoa Jurídica do Grupo Econômico, a Oeste Verde Comércio e Armazenagem de Cereais LTDA – ME, inscrita no CNPJ 04.304.047/000108, que em seu Cartão CNPJ está identificado seu domicílio fiscal como sendo Avenida Dourados, n. 25, Ponta Porã/MS. A constatação fiscal foi acompanhada de fotos do estabelecimento constante no domicilio fiscal da empresa Mult Ceres Comércio de Cereais LTDA – Avenida Dourados, s/n, Lote Y, Quadra 67, Sanga Puita em Ponta Porã/MS fl. 3855 – as quais demonstram que a empresa Oeste Verde Comércio e Armazenagem de Cereais LTDA – ME é a operante no local. Por estas razões e as demais arrazoadas nas fls. 3878, com fulcro na Instrução Normativa RFB 971/2009 (art. 494) e no Art. 30, IX da lei 8212/1991, constatouse a constituição de Grupo Econômico de Fato, lançandose o crédito tributário na quantia de R$43.755.963,73. Nas fls. 4560 e ss., a Contribuinte apresentou sua Impugnação, na data de 17/08/2015. Na mesma data, nas fls. 5175, Marcos Taufiq Schamas, Marlene Shamas, Affif, Agnaldo Alberto Afif e João Estanislau Cespede Lesme apresentaram suas Impugnações que, curiosamente, tinha a mesma formatação da impugnação da Contribuinte. Por fim, nas fls. 5246 e ss., na mesma data de 17/08/2015, as empresas Victory, Brasil Oeste, Monte Rey, GTB, MTS, IMS, Master Grain, Polo Corretora, RBT Rota Brasil Transportes, Transportadora Veron, Premium Agro Cereais, Premium Agro Industrial, Royal Agro, Oeste Verde apresentaram conjuntamente a impugnação, que também conta com a mesma formatação da impugnação das demais. Nas Fls. 6092 e ss., a Autoridade Fiscal apresentou Relatório de Diligência Fiscal que, conforme a impugnação da Contribuinte, em que houve a alegação de que os montantes constantes das notas de devolução, no período fiscalizado, que resultam em R$ 366.007.607,92 (trezentos e sessenta e seis milhões e sete mil e seiscentos e sete reais e noventa e dois centavos) não foram deduzidos da base de cálculo apurada. Diante disto, a Autoridade Fiscal apresentou novo valor de Fato Gerador (Anexo II) nas fls. 6184/6185, assim como foi apurado novo valor de imposto, (FUNRURAL R$ 37.219.955,36 e GILRAT R$ 1.860.997,77). Nas fls. 6390/ 6438, verificase o Acórdão da DRJ, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, mantendo em parte o crédito tributário exigido no Auto de Infração, conforme itens 19.16 a 19.18 abaixo aduzidos, assim como, julgou improcedentes as impugnações dos responsáveis solidários. Sobre a parte deferida: 19.16. Deste modo, conforme demonstrado nos Anexos I e II, às fls. 6.096/6.182 e 6.184/6.185, e nos Demonstrativos de fls. Fl. 7825DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.822 9 6.187/6.188 e 6.190/6.191, temse que as bases de cálculo devem ser retificadas como segue Retificação das Bases de Cálculo – planilha com novos valores nas fls. 6412/6414. 19.17. Com a alteração das bases de cálculo, as contribuições previdenciárias “Código de Receita 4863 – Contribuição sobre a Receita Bruta da Comercialização da Produção do Empregador Rural PF”, ficam assim retificadas em valores originários: Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador Código de Receita 4863 – planilha com novos valores nas fls. 6414/6416 19.18. E com a alteração das bases de cálculo, as contribuições previdenciárias Código de Receita 2158 – Contribuição Riscos Ambientais”, ficam assim retificadas em valores originários: Contribuição ao GILRAT Código de Receita 2158 – planilha com novos valores nas fls. 6416/6417 Recorreuse de ofício ao presente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 70 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 e de acordo com o art. 1º da Portaria MF nº 63/2017, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excede a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Das fls. 6601/6655 constatase que a intimação da Contribuinte e de todos os sujeitos passivos responsáveis solidários se deu em 11/09/2017 com a juntada das procurações, outorgando poderes ao advogado, Dr. Arnildo Brisson. Nas fls. 6673/6737 a Contribuinte – Mult Ceres apresenta seu Recurso Voluntário em 06/10/2017, na qual pretende: Suspensão do Processo Administrativo – aguardar a decisão definitiva do STF a respeito do FUNRURAL, diante da Repercussão Geral constatada; Nulidade Processual pela Ausência de Chamamento dos Litisconsortes – ausência de intimação de todos os agricultores no polo passivo da demanda administrativa gera nulidade, visto que eles deveriam ter recolhido o imposto, sendo enriquecimento ilícito por parte dos produtores; Ilegitimidade passiva (legitimidade ad causam do contribuinte de fato) – o contribuinte de fato das contribuições – pessoa física produtor rural – é o único e exclusivo responsável pelo recolhimento do FUNRURAL, sendo um ônus financeiro à Contribuinte que não é seu; Chamamento ao processo dos produtores rurais – aplicação subsidiária do CPC Fl. 7826DF CARF MF 10 Inexigibilidade do FUNRURAL e do GILRAT – inexistência de restituição da contribuição pela Lei 10.256/2001 e ausência de previsão para a subrogação impossibilidade jurídica de se valer da subrogação prevista no art. 30, IV, da lei Nº 8212/91 para validar a cobrança previdenciária promovida por este lançamento; Jurisprudência do STF permanece reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei nº 8.212/91, por meio de formais e não alteradas decisões, definitivas, já proclamadas em anteriores momentos. Este, aliás, o alicerce da Resolução 15/2017; Inexigibilidade da Multa e Juros dos Tributos com exigibilidade suspensa – descabimento da Multa de Ofício – Art. 63 Lei 9.430/1996 Ausência de Grupo Econômico – a Contribuinte e as demais responsáveis inseridas no polo passivo não possuem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, assim como inexiste prova; Da exasperação da Multa de Ofício – inexistência do dolo e inaplicabilidade da multa qualificada – procedimento fiscal se furtou de comprovar a existência de dolo nos termos do art. 71 – 73 da Lei 4.502/64; Nas fls. 6738 e ss., em 06/10/2017, a GTB Participações S/A apresentou seu Recurso Voluntário, requerendo: ilegitimidade passiva, ausência de responsabilidade solidária/subsidiária e inexistência de Grupo Econômico visto que não há prova de interpendência entre a empresa e a Mult Ceres, nem objetivo comum, Ilegitimidade passiva (legitimidade ad causam do contribuinte de fato), sendo o contribuinte de fato das contribuições – pessoa física produtor rural – o único e exclusivo responsável pelo recolhimento do FUNRURAL; necessário chamamento ao processo dos produtores rurais que não recolheram o tributo; nulidade do processo pela ausência de chamamento dos litisconsortes (pessoa física); inexigibilidade do tributo diante da análise pelo STF; Resolução 15/2017 do Senado Federal; inexigibilidade de multa e juros diante da exigibilidade suspensa; exasperação da multa de ofício diante da inexistência do dolo; Nas fls. 6803 e ss., em 06/10/2017, a Brasil Oeste Participações S/A apresentou seu Recurso Voluntário; nas fls. 6937 e ss., IMS Incorporadora e Empreendimentos Imobiliários apresentou seu Recurso Voluntário em 09/10/2017; nas fls. 7073 e ss., a Master Grain Cereais LTDA apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7139 e ss., a Monte Rey Participações S/A apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7204 e ss., a MTS Incorporadora e Empreendimentos S/A apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7269 e ss., a Oeste Verde Comércio e Armazem de Cereais LTDA apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7336 e ss., a Polo Corretora de Cereais LTDA apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7402 e ss., a Premium Agro Cereais LTDA apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7469 e ss., a Premium Agro Industrial de Alimentos LTDA apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; RBT Rota Brasil Transportes LTDA apresentou seu recurso em 06/10/2017 nas fls. 7535; nas fls. 7600 e ss., a Royal Agro Cereais LTDA apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7666 e ss., a Transportadora Veron LTDA apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; nas fls. 7732 e ss., a Victory Participações S/A apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017; Fl. 7827DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.823 11 todas com a mesma fundamentação e redação do Recurso apresentado pela GTB Participações S/A. Nas fls. 6868 e ss., Agnaldo Albert Afif apresentou seu Recurso Voluntário requerendo: ilegitimidade passiva, ausência de responsabilidade solidária/subsidiária e inexistência de Grupo Econômico visto que não tem suporte fático ou probatório de que o proprietário do grupo econômico seria da família Afif, visto que a Sra. Marlene detém 1% da empresa MTS, o Espólio de Albert não possui nenhum patrimônio, Agnaldo não é sócio de nenhuma das empresas consignadas no auto de infração, que não exerce e nunca exerceu nenhuma gestão junto às empresas autuadas, não detém o controle do alegado grupo econômico, no demais, matem a mesma fundamentação dos outros Recursos Voluntários; Nas fls. 7004, o Sr. João Estanislau Crespede Lesme apresentou seu Recurso Voluntário em 06/10/2017, requerendo: ilegitimidade passiva, ausência de responsabilidade solidária/subsidiária e inexistência de Grupo Econômico visto que não tem suporte fático ou probatório de que o proprietário do grupo econômico seria da família Afif, que o Recorrente era administrador não sócio da Contribuinte, que não cometeu nenhum ato que lhe impute a responsabilidade pelo não recolhimento do imposto, que a Súmula 430 do STJ determina que o mero inadimplemento do tributo não lhe imputa a responsabilidade solidária como gerente; e, no demais, matem a mesma fundamentação dos outros Recursos Voluntários. Nas fls. 7803 e 7804, observase a intimação de Marlene Shamas Afif e Marcos Taufiq Shamas por edital, não tendo, entretanto, apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato Relatora Admissibilidade Verificase que a Contribuinte foi intimada quando da juntada da Procuração na fl. 6632 em 11/09/2017, tendo apresentado Recurso Voluntário em 06/10/2017 (fl. 6673), estando tempestivo. As demais responsáveis solidárias, observase: 1) Victory Participações S/A – 08444243000120, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6626 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7732 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 2)Agnaldo Alebert Afif 45493367149, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6635 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 6868 em 06/10/2017, portanto tempestivo. Fl. 7828DF CARF MF 12 3)Brasil Oeste Participações S/A 09335268/000159, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6638 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 6803 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 4)Mote Rey Participações S/A 08617609/000116, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6644 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7139 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 5)GTB Participações S/A – 10.374.167/000176, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6641 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 6738 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 6)MTS Incorporadora e Empreendimentos S/A – 08.312.219/000138, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6606 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7204 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 7)IMS Incorporadora e Empreendimentos Imobiliários S/A 08.328.568/000148 – foi intimada por correio (AR) juntado na fl. 6668 em 11/09/2017, tendo juntado seu Recurso Voluntário em 09/10/2017, na fl. 6937; 8)Master Grain Cereais LTDA – 70.366.554/000192, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6601 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7073 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 9)Polo Corretora de Cereais LTDA – 70.392.287/000128, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6650 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7336 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 10)RBT Rota Brasil Transportes LTDA – ME – 04.349.909/0001 00, foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6653 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7535 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 11)Transportadora Veron LTDA – 04.347.715/0001 foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6656 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7666 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 12)Premium Agro Cereais LTDA 05.468.157/000160 foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6611 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7402 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 13)Premium Agro Industrial de Alimentos LTDA 04.379.511/000117 foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6616 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7469 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 14)Royal Agro Cereais LTDA 01.655.275/000126 foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6621 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7600 em 06/10/2017, portanto tempestivo. Fl. 7829DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.824 13 15)Oeste Verde Comercio e Armazenagem de Cereais LTDA ME 04.304.047/000108 foi intimada com a juntada da procuração na fl. 6647 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7269 em 06/10/2017, portanto tempestivo. 16)Joao Estanislao Cespede Lesme – 063.448.52100 foi intimado com a juntada da procuração na fl. 6629 em 11/09/2017, tendo apresentado seu Recurso Voluntário na fl. 7004 em 06/10/2017, portanto tempestivo. Tendo em vista que todos os responsáveis solidários apresentaram seus Recursos Voluntários dentro do prazo, consideroos tempestivo, conheçoos e passo à análise de seus méritos. Outros dois responsáveis solidários, Marcos Taufiq Shamas e Marlene Shamas Afif tiveram a intimação enviada aos endereços fiscais dos mesmos, entretanto retornaram sem êxito, conforme fl. 6669/6672. Diante disto, nas fls. 7803 e 7804, observase a intimação de Marlene Shamas Afif e Marcos Taufiq Shamas por edital, não tendo, entretanto, apresentado Recurso Voluntário, embora os mesmos tenham apresentado Impugnação (fl. 5175 e ss.). Portanto, considero que os mesmos concordaram com a decisão do Acórdão da DRJ, no que diz respeito à matéria arguida pelos mesmos na impugnação. Passo, portanto, à análise do mérito. Mérito Todos os Recursos Voluntários trouxeram os mesmos argumentos com relação às preliminares, à legalidade do imposto, a impossibilidade de aplicação da multa e dos juros, e exação da multa. O conteúdo dos Recursos Voluntários se modifica na questão do Grupo Econômico e na individualização das responsabilidades. Portanto, para julgar o presente Recurso Voluntário, necessário dividir em 05 partes: a) preliminares arguidas; b) se o imposto é devido; c) se houve a constatação de Grupo Econômico; d) da Multa Qualificada aplicada; e) do Recurso de Ofício. Passase à análise dos apontamentos, conforme a elucidada divisão. A) PRELIMINARES ARGÜIDAS Sobre as preliminares suscitadas: Suspensão do Processo Administrativo – aguardar a decisão definitiva do STF a respeito do FUNRURAL, diante da Repercussão Geral constatada; Nulidade Processual pela Ausência de Chamamento dos Litisconsortes – ausência de intimação de todos os agricultores no polo passivo da demanda administrativa gera nulidade, visto que eles deveriam ter recolhido o imposto, sendo enriquecimento ilícito por parte dos produtores; Fl. 7830DF CARF MF 14 Ilegitimidade passiva (legitimidade ad causam do contribuinte de fato) – o contribuinte de fato das contribuições – pessoa física produtor rural – é o único e exclusivo responsável pelo recolhimento do FUNRURAL, sendo um ônus financeiro à Contribuinte que não é seu; Chamamento ao processo dos produtores rurais – aplicação subsidiária do CPC Sobre a suspensão do Processo Administrativo até resolução definitiva da Constitucionalidade da cobrança do imposto pelo STF, verificase que não há qualquer legalidade sobre o pedido, nenhum indicativo na legislação que enseja o sobrestamento do processo até resolução da questão pelo judiciário. Sobre o tema, este Conselho já prevaleceu entendimento: REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSOADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE.IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há leiou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razãodo reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria aindapendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) CARF. Acórdão n. 2301005.156– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Autos 10410.721334/201294. Julgamento 03/10/2017. Além disto, conforme notória atualização do processo com repercussão geral, verificase que o imposto foi considerado constitucional, sendo devida a sua cobrança por decisão do colegiado do STF. Sobre o tema, destacase o tema 669 publicado pelo próprio STF no processo RE 718.874 com repercussão geral: É constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural, pessoa física, instituída pela Lei nº 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização da sua produção. Inclusive, com relação à suscitação da Contribuinte sobre a aplicação da Resolução 15/2017 do Senado Federal, para justificar a suspensão do processo e da cobrança do imposto, observase que este Conselho já tem decisão definitiva sobre sua inaplicabilidade: RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL Nº 15/2017. ALCANCE DOS SEUS EFEITOS. FATOS GERADORES APÓS A LEI Nº 10.256, DE 2001. INAPLICABILIDADE. A Resolução nº 15/2017, editada pelo Senado Federal, que suspendeu a execução de dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, atinge a contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas, inclusive a responsabilidade tributária, por sub rogação, da empresa adquirente da produção rural, porém tão somente para fatos geradores anteriores à Lei nº 10.256, de 2001. Fl. 7831DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.825 15 (CARF Acórdão nº 2401005.396 – 2ª Seção 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Autos 15983.720290/201476. Julgamento 03/04/2018). Portanto não vislumbro o argumento trazido pela Contribuinte, indeferindo o pedido de sobrestamento do processo e a aplicação da Resolução 15/2017 do Senado Federal ao presente caso. Sobre a suscitação de ilegitimidade na subrrogação na obrigação tributária, tendo em vista que a subrogação da Contribuinte na obrigação tributária não foi abarcada pela Declaração de Constitucionalidade da Lei 10.256/01, no julgamento pela Corte do RE 718.874/RS, em detrimento a inconstitucionalidade declarada pelo STF, no art. 30, IV da Lei n.º 8.212/1991 com julgamento do RE n. 363.852/MG, sendo devida a inclusão da pessoa física, do produtor rural como o legítimo e único responsável pelo recolhimento, pondero. Este Conselho não pode declarar a constitucionalidade ou inconstitucionalidade das normas. Este poder cabe ao Judiciário, mais especificamente ao STF. Levandose em consideração que no julgamento do RE 718.874/RS houve reconhecimento da Repercussão Geral, sendo os efeitos dessa decisão erga omnes, necessário o reconhecimento e aplicação deste entendimento por este Conselho Fiscal. Portanto, com base no Regimento Interno deste Conselho, devese acatar o entendimento do STF pela constitucionalidade da contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção, aplicandose este entendimento, inclusive, às pessoas sub rogadas na obrigação tributária, como é o caso da Contribuinte. Sobre a Nulidade Processual pela Ausência de Chamamento dos Litisconsortes e ausência de intimação de todos os agricultores no polo passivo da demanda administrativa gera nulidade, novamente, não se vislumbra. Isto, pois, a lei 8212/1991, nos termos do Art. 30, IV, conjuntamente com o Art. 130 do CTN e diante da afirmação da constitucionalidade do STF do imposto, é clara ao determinar a obrigatoriedade da Contribuinte, como adquirente de produção rural de pessoa física, de ter recolhido o FUNRURAL lançado. Não há na legislação qualquer obrigatoriedade de intimação da pessoa física, que vendeu a produção rural à Contribuinte, de estar presente no processo administrativo, para que este seja válido, visto que a legislação reputa a obrigatoriedade pelo recolhimento à Contribuinte. O chamamento ao processo, da forma como estipulada pelo CPC, deve ocorrer na primeira oportunidade que a parte se pronuncia aos autos, ou seja, deveria ter sido trazida a questão na própria impugnação, e não na fase recursal, como pretende a Contribuinte. Ademais, todas estas preliminares foram trazidas de forma inovadora nos Recursos Voluntários, ou seja, não foram abordadas nas Impugnações, ocorrendo, portanto, a preclusão, como entende este Conselho: (...) Fl. 7832DF CARF MF 16 INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em Recurso Voluntário, mas não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública CARF. Acórdão 1002000.174. 1ª Seção de julgamento/ Turma Extraordinária/ 2ª Turma. Autos 13679.000560/200980. Julgamento 08/05/2018. Ante ao exposto, voto por negar provimento total às preliminares arguidas nos Recursos Voluntários. B) FUNRURAL e GILRAT Como visto, requer a Contribuinte, o reconhecimento da impossibilidade jurídica da sua subrogação na obrigação tributária, não abarcada pela Declaração de Constitucionalidade da Lei 10.256/01, no julgamento pela Corte do RE 718.874/RS, em detrimento a inconstitucionalidade declarada pelo STF, no art. 30, IV da Lei n.º 8.212/1991 com julgamento do RE n. 363.852/MG. Embora entenda que no julgamento do RE n. 363.852/MG houve a declaração de inconstitucionalidade específica sobre a questão da subrrogação na responsabilidade pela obrigação tributária, percebese que este julgamento se deu de forma inter partes, não havendo repercussão geral. Em contrapartida, quando o STF julgou o RE 718.874/RS, o qual determinou a constitucionalidade da Lei 10.256/2001, conferiuse a Repercussão Geral sobre o julgamento, devendo, portanto, a decisão ser obedecida por este Conselho. Este Conselho não pode declarar a constitucionalidade ou inconstitucionalidade das normas. Este poder cabe ao Judiciário, mais especificamente ao STF. Levandose em consideração que no julgamento do RE 718.874/RS houve reconhecimento da Repercussão Geral, sendo os efeitos dessa decisão erga omnes, necessário o reconhecimento e aplicação deste entendimento por este Conselho Fiscal. Portanto, com base no Regimento Interno deste Conselho, devese acatar o entendimento do STF pela constitucionalidade da contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção, aplicandose este entendimento, inclusive, às pessoas sub rogadas na obrigação tributária, como é o caso da Contribuinte. Sobre o tema, aplicase a Súmula 2 deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre o tema, inclusive, este Conselho manteve o lançamento em caso semelhante: (...) Fl. 7833DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.826 17 EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. De conformidade com decisão tomada no julgamento do Recurso Extraordinário 718.874/RS, com repercussão geral reconhecida, é constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (...) (CARF Acórdão nº 2402005.994 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Autos 14098.720007/201428. Julgamento 13/09/2017). Nesse sentido, para melhor expor a tese sobre ocorrido na apresente autuação, adoto a esclarecedora explicação do ilustre Conselheiro João Bellini, Presidente da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, inserida no Acórdão 2301005.357, de 07 de junho de 2018, que lançou entendimento conclusivo sobre o assunto, tomando por empréstimo, inclusive, sua inteligível ementa, acima transcrita, e que passo a registrar parte do voto vencedor: "(...) Tal questão – a constitucionalidade do instituto da subrogação veiculada pelo art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997 – foi objeto do Recurso Extraordinário 718.874, julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 30/03/2017, apreciando o tema 669 da repercussão geral. Restou decidido serem constitucionais, na égide da Lei 10.256, de 2001, tanto a norma que prevê a imposição tributária (art. 25 da lei 8.212, de 1991) bem como a norma que determina a responsabilidade tributária/subrogação (art. 30, IV, da lei 8.212, de 1991). Logo, tal decisão deve ser reproduzida por este CARF. Eis os preceitos normativos em questão: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física Fl. 7834DF CARF MF 18 de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Passo a demonstrar o julgamento da questão pelo Supremo Tribunal Federal, bem como as razões pelas quais entendeu ser constitucional a norma. Primeiramente, demonstro que a matéria foi debatida no Recurso Extraordinário 718.874, como se evidencia dos seguintes votos: Voto do Min. Edson Facchin, relator No mesmo sentido, devese declarar inconstitucional o artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, para excluir a expressão "pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12". Isso porque a dogmática fiscal não permite a imputação de responsabilidade tributária a terceiros pelo pagamento de tributo manifestamente inconstitucional. (Grifouse.) (...) Ademais, por arrastamento, devese declarar parcialmente inconstitucional o artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, apenas no que toca à expressão “da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12”. Isso porque a dogmática fiscal não permite a imputação de responsabilidade tributária a terceiros pelo pagamento de tributo manifestamente inconstitucional. (Grifouse.) Voto do Min. Gilamr Mendes, votovogal O objeto do presente recurso extraordinário é a constitucionalidade da redação atual dos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II; e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, bem como de toda sucessão de normas alteradoras que afetaram esses dispositivos, ou seja: Lei 8.540/92; Lei 8.870/94; Lei 9.528/97 e Lei 10.256/2001. Voto Min. Luís Roberto Barroso 15. Por sua vez, a Lei 10.256/01 modificou a redação do caput do art. 25 da Lei 8.212/1999 e, aproveitando a disciplina dos incisos I e II, que permaneceu válida e em vigor para cobrança do segurado especial, recriou a contribuição com base no produto da comercialização da produção para o empregador rural pessoa física. Vale mais uma vez lembrar que a Corte no julgamento do RE 363.852 de forma clara declarou “a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/1992, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/1998, venha a constituir a contribuição". (Grifouse.) Fl. 7835DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.827 19 Voto Min. Luiz Fux No art. 30, inciso IV, por sua vez, a Lei nº 8.212/91 instituiu hipótese de responsabilidade tributária, relegando ao adquirente, consignatário ou à cooperativa, a obrigação de recolhimento da referida contribuição do segurado especial incidente sobre a receita da comercialização da produção. Confirase a redação original do dispositivo: (...) O intuito da referida previsão constitucional e legislativa foi justamente o de permitir a integração dos produtores pessoas físicas em regime de economia familiar à Seguridade Social, já que a cobrança de contribuição mensal, nos moldes da contribuição normal do art. 195, I, poderia provocar a sua inviabilidade econômica, excluindo diversos trabalhadores do sistema previdenciário. Atribuiu, ainda, a responsabilidade pelo pagamento da referida contribuição ao adquirente da produção, como mais uma forma de garantia do segurado especial.. Ocorre que o artigo 25 da Lei 8.212/91 – e igualmente o inciso IV, do art. 30 – foi sucessivamente alterado, entre 1991 e 2001, por três leis: a Lei 8.540/92, a Lei 9.528/97 e a Lei 10.256/01, a fim de expandir a incidência da referida contribuição originalmente prevista apenas para o segurado especial – assim entendido como o produtor, pessoa física, que exerce suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados – ,também para o produtor rural pessoa física – assim entendido como aquele que exerce atividade rural por conta própria, com o auxílio de empregados, com o objetivo de substituir a cota patronal que este recolhe na condição de equiparado a empregador. Destaquese que se expandiu a incidência e igualmente a hipótese de responsabilidade do adquirente, que passou a ter de recolher também a contribuição sobre a receita relativa ao produtor rural pessoa física, além da relativa ao segurado especial. E é justamente aí que se inicia a controvérsia ora posta sob análise da Corte. (...) Ou seja, a referida lei instituiu uma contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção de pessoa física, diversa do segurado especial, inserindo ainda a expressão “da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12” no inciso IV, do art. 30, da Lei 8.212/91, criando também uma hipótese de responsabilidade relativa à recém criada contribuição, cuja obrigação de recolhimento ficou a cargo do adquirente da produção, nos moldes do que já ocorria com o segurado especial. Confirase: Fl. 7836DF CARF MF 20 (...) Posteriormente, a Lei 9.528/97 modificou o caput do art. 25, para incluir a expressão “empregador rural pessoa física” e a redação dos incisos I e II sem, no entanto, modificarlhes o conteúdo prescritivo. O artigo passou a ter a seguinte redação: (...) O mesmo foi feito em relação à hipótese de responsabilidade do inciso IV, do art. 30: (Grifouse.) Assim, examinadas as questões postas em julgamento, inclusive o instituto da subrogação, veiculado no art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, o Plenário do STF decidiu conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário da União. Após, fixou a seguinte tese: “É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. O referido instituto da subrogação – que nada mais é do que responsabilidade tributária da sociedade adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, pelas contribuições sociais previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoal física e pelo segurado especial – que havia sido considerado, face à legislação anterior, examinada nos RE 363.842 e 596.177, inconstitucional por arrastamento (sendo inconstitucional a norma que impõe o tributo, também o é a que define a responsabilidade), foi considerado constitucional, também por arrastamento: sendo constitucional a norma que impõe o tributo, também o é a que define a responsabilidade. Vejase os seguintes trechos dos votos vencedores do julgado em apreço: Min. Gilmar Mendes 4.6) Art. 12, incisos V e VII, e 30, IV, da Lei 8.212/1991 (...) O art. 30, por sua vez, trata das normas destinadas à arrecadação e ao recolhimento das contribuições sociais. A norma institui hipótese de responsabilidade tributária, destinada a instrumentalizar a arrecadação do tributo previsto no art. 25 da Lei 8.212/1991, tanto do segurado especial quanto do empregador rural pessoa física. Assim, ao entregar o produtor rural sua produção a qualquer das entidades econômicas ali indicadas – empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa –, passam estas à condição de responsável pelo pagamento do tributo, mediante aplicação da alíquota prevista no art. 25 da lei ao montante da produção adquirido. É evidente a relação que o art. 30, IV, mantém com a disposição do art. 25. Apenas a inconstitucionalidade deste contaminaria aquele. Por isso, uma vez reconhecida a constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física, com base na Fl. 7837DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.828 21 receita de sua produção, não há razão para declarar a invalidade da hipótese de subrogação prevista no art. 30. (Grifouse.) Frisase, ademais, que no julgamento dos RE 363.842 e 596.177 houve apenas a declaração da invalidade da aplicação, para o empregador rural pessoa física, das normas impositivas relativas à contribuição prevista no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, sem redução de texto. Nas palavras do Min. Fux: (...) a declaração de inconstitucionalidade dos incisos do art. 25 da Lei 8.212/91 pelo STF, em sede de controle difuso, nos já mencionados RE's 363.842 e 596.177, não retirou os referidos dispositivos do ordenamento jurídico, mas apenas declarou a invalidade de sua aplicação para o empregador rural pessoa física, no período anterior à EC 20/98 e às alterações promovidas pela Lei 10.256/01. (Grifouse.) É certo que, no julgamento do primeiro Recurso Extraordinário, constou da proclamação a declaração da “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, sem ressalva, portanto, quanto à situação do segurado especial. No entanto, esse mesmo dispositivo do julgado limitou a declaração de inexistência de relação tributária à situação dos empregadores, pessoas naturais”, produtores rurais (RE 363.852). Assim, com um mínimo de interpretação, percebese que não houve a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo. O Min. Gilmar Mendes, demonstrando que não houve, no julgamento dos RE 363.842 e 596.177, a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo 25 da Lei 8.212, de 1991, mas apenas da expressão “do empregador rural pessoa física”, sendo que todo o demais o texto dessa Lei se manteve íntegro, asseverou: É certo que, no julgamento do primeiro Recurso Extraordinário, constou da proclamação a declaração da “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, sem ressalva, portanto, quanto à situação do segurado especial. No entanto, esse mesmo dispositivo do julgado limitou a declaração de inexistência de relação tributária à situação dos empregadores, pessoas naturais”, produtores rurais (RE 363.852). Assim, com um mínimo de interpretação, percebese que não houve a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo. (...) (...) O texto normativo não se confunde com a norma jurídica. Fl. 7838DF CARF MF 22 Para encontrarmos a norma, para que possamos afirmar o que o direito permite, impõe ou proíbe, é preciso descobrir o significado dos termos que compõem o texto e decifrar, assim, o seu sentido linguístico. De um mesmo texto legal, podem ser extraídas várias normas. (...) No entanto, a única fração do texto legal passível de supressão por força da inconstitucionalidade é a expressão “do empregador rural pessoa física”, constante do caput. A vigência do restante é indispensável para extração da norma tributária do segurado especial. Ou seja, mesmo que a inconstitucionalidade resida nos incisos, não seria possível a redução em seu texto. A única redução possível residia na expressão mencionada no caput. (Grifouse.) No mesmo sentido o Min. Dias Toffoli, para o qual, “no julgamento do RE nº 363.852/MG, Relator o Ministro Marco Aurélio, o Tribunal Pleno, levando em consideração, dentre outros, aqueles dispositivos, concluiu ser inconstitucional tão somente a norma relativa à contribuição devida pelo produtor rural pessoa física empregadora incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção”. (Grifos no original.) Ante ao exposto, entendo pela regularidade e legalidade no lançamento, tornandose hígido o imposto cobrado da Contribuinte à título de FUNRURAL e GILRAT, por estar na legislação sua exigência. C) DO GRUPO ECONÔMICO; Todas as Responsáveis Solidárias alegam que não fazem parte do constituído Grupo Econômico apontado pela Autoridade Fiscal. No entanto, pelo contrário, há demasiada provas carreadas aos autos pela Auditoria que demonstram, de forma contundente, a existência do apontado Grupo Econômico. Para a convicção desta julgadora, destacamse as seguintes provas carreadas aos autos: 1) nas diligências fiscais realizadas tanto no endereço da Contribuinte como no da Agricom Comércio de Cereais LTDA (CNPJ 04.740.604/000125), empresa, que, apesar de não constar na lista acima, pertence ao grupo, verificouse que em ambos os locais existe e atua a empresa Oeste Verde Comércio de Cereais LTDA, que tem o mesmo administrador não sócio nas três empresas Sr. João Estanislau; 2) no estabelecimento apontado no Cartão CNPJ da Oeste Verde, verificase que a empresa, naquele local, encontrase fechada; 3) A empresa Contribuinte emitiu notas fiscais de compra de mercadorias até a data de 18 de setembro de 2014 e de venda no dia 26 do mesmo mês, não sendo emitido, como alega a Autoridade Fiscal, notas a partir de então; 4) A Premium Agro Industrial alterou o domicílio tributário dela da Avenida Brasil 2345, sala 4, o mesmo da Mult Ceres (Contribuinte), em 10 de fevereiro de 2015, sendo que começou a emitir notas fiscais de entrada e saída em 16 de outubro de 2014, levandose a Fl. 7839DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.829 23 crer que a Contribuinte não se encontra mais ativa desde então, passando a atuar, em seu lugar, a Premium Agro Industrial; 5) a estranha constituição de empresas de outros ramos para dificultar a localização de bens por credores (e pelo FISCO), sendo estas as empresas que possuem patrimônio, como no caso da MTS e da Transportadora Veron, que através da escrituração contábil digital desta última, no anocalendário de 2013, constatouse a existência de receitas financeiras e de vendas de bens do ativo, não havendo receitas operacionais; 6) com a análise das Escriturações Contábeis Digitais, Escriturações Fiscais Digitais e Notas Fiscais Eletrônicas, constatouse a confusão fiscal, contábil e patrimonial entre as empresas do grupo diante das seguintes provas: 6.1) existência de cópias de recibos de pagamentos de aluguel à MTS de imóveis nos quais tanto a Oeste Verde quanto a Premium Agro Cereais têm domicílios tributários, sendo que alguns desses pagamentos foram efetuados através de transferências bancárias para conta da IMS Incorporadora e Empreendimentos; 6.2) existência de contabilização pela Contribuinte de pagamentos de combustível, manutenção e de rastreamento por satélite de veículos pertencentes a Transportadora Veron, sem existir qualquer contrato de aluguel ou arrendamento de bem móvel. Qual o interesse de a Contribuinte realizar tais pagamentos se não há, como eles próprios afirma, interesse comum? 6.3) existência de informações internas da empresa com anotações de que os veículos da Contribuinte são utilizados para prestação de serviços pela Master Tecnologia e pela Master Grain; 6.4) existência de comprovantes de venda a prazo de combustíveis em nome da Contribuinte e da Agricom; assim como a existência de notas fiscais de compra de combustível em nome da Agricom contabilizadas e pagas pela Contribuinte; 6.5) existência de comunicações internas em nome da Premium Agro Cereais, que identificam contas pagas e contabilizadas pela Contribuinte; 6.6) existência de nota fiscal de prestação de serviços, em veículo pertencente a Transportadora Veron e em nome da Premium Agro Cereais, pagas e contabilizadas pela Contribuinte; 6.7) existência de pagamentos e contabilização de combustível em veículo em nome da Oeste Verde; 6.8) da existência de cupons fiscais contendo informações de pertencerem a Agricom, a Master Grain ou a Master Tecnologia. Além disto, verificouse a participação de pessoas no quadro societário das empresas do grupo, em muitos casos, foram antigos empregados, sem condições financeiras para estarem neste quadro societário. Fl. 7840DF CARF MF 24 Ademais, observase que TODAS têm uma coisa em comum: todas as procurações outorgadas ao Dr. Arnildo Brisson foram assinadas por uma pessoa apenas – apontado como administrador – Sr. Joao Estanislao Cespede Lesme. Verificase que a Autoridade Fiscal pontuou minuciosamente, através de toda a documentação que acompanha o presente Auto de Infração, na justificativa apontada pelo Relatório de fls. 3848 e ss, a existência do Grupo Econômico formado por todas as pessoas jurídicas e físicas nominadas como responsáveis solidárias. A documentação acostada pela Autoridade Fiscal é capaz de comprovar que todas essas empresas fazem parte do apontado Grupo Econômico, cuja atividade econômica central é a exploração do comércio atacadista de cereais, sendo ele comandado pela família SHMAS/AFIF (Marlene, Agnaldo e Marcos), administrado pelo Sr. João Estanislao Cespede Lesme. O grupo é dividido em dois grupos, sendo o primeiro, o que explora a atividade empresarial, operando no setor de comércio de grãos: MULT CERES COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, AGRICOM COMÉRCIO ATACADISTA DE CEREAIS LTDA, ROYAL AGRO CEREAIS LTDA, PREMIUM AGRO INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, PREMIUM AGRO CEREAIS LTDA, OESTE VERDE COMÉRCIO DE CEREAIS, MASTER GRAIN CEREAIS LTDA E POLO CORRETORA DE CEREAIS. A atividade econômica periférica, que dá suporte aos negócios societários (ocultando os sócios reais) e salvaguarda o capital e patrimônio do grupo econômico, é desempenhada pelas empresas patrimoniais que possuem objeto social como holding, sendo elas: VICTORY PARTICIPAÇÕES S/A; BRASIL OESTE PARTICIPAÇÕES S/A; MOTE REY PARTICIPAÇÕES S/A; GTB PARTICIPAÇÕES S/A; MTS INCORPORADORA E EMPREENDIMENTOS S/A; RBT ROTA BRASIL TRANSPORTES LTDA – ME; TRANSPORTADORA VERON LTDA (fls. 3876). Portanto, restou comprovada com a documentação anexada pelo minucioso trabalho realizado pela Auditoria Fiscal a existência do Grupo Econômico, formado por Marlene Shamas Afif, Espólio de Albert Antonios Afif, Agnaldo Alberto Afif e Marcos Taufiq Shamas, os quais participam direta ou indiretamente em 23 (vinte e três) pessoas jurídicas ativas, sendo que o Sr. Joao Estanislao Cespede Lesme é administrador não sócio de grande parte delas. Inclusive, destacase que, conforme o Relatório Fiscal ponderou: “em consulta ao sistema Receitanetlog se constatou que as empresas mencionadas apresentam todas suas declarações através dos mesmos computadores (mesmo número de endereços MAC) e as transmissões dessas declarações são realizadas em sequência, o que pode ser verificado através dos horários de transmissões. Tal fato, aliado a terem o mesmo contador, o Sr. Hélio Adriano de Barras Souza, configura uso comum de recursos humanos, materiais e tecnológicos, o que constitui confusão patrimonial”. Portanto, vislumbro a constatação do Grupo Econômico, sendo todas as empresas do grupo responsáveis solidárias ao pagamento do tributo cobrado, nos termos do Art. 124, I do CTN. Com relação a responsabilidade do Sr. Agnaldo Alberto Afif, que é sócio de algumas das empresas do grupo e faz parte da família controladora do mesmo, assim como do Sr. Joao Estanislao Cespede Lesme que é administrador de praticamente todas as empresas do Fl. 7841DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.830 25 Grupo Econômico formado, assim como era o administrador da Contribuinte, destacase o entendimento deste Conselho: (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Se a fiscalização demonstra que os sócios de empresa, comprovadamente, pertencente ao mesmo grupo econômico da recorrente e que todas as pessoas físicas envolvidas tiveram interesse comum na omissão de fato gerador de tributo, correta a imputação da responsabilidade tributária a todos. CARF. Acórdão 1401002.635. 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária/ 1ª Seção de Julgamento. Autos 10670.720495/201119. Julgamento 17/05/2018. Portanto, levandose em consideração o comprovado nos autos, constatase a existência do Grupo Econômico e, tendo em vista o entendimento deste Conselho, voto por dar validade à responsabilidade solidária imposta à todas as empresas do Grupo e aos Srs. Agnaldo Alberto Afif, Marlene Shamas Afif, Marcos Taufiq Shamas e ao Sr. Joao Estanislao Cespede Lesme. D) DA SUSCITADA INAPLICABILIDADE DA MULTA/JUROS E DA MULTA QUALIFICADA: A Contribuinte e todas as responsáveis solidárias requerem a inaplicabilidade da multa e dos juros moratórios, visto que o lançamento do imposto se deu, mesmo quando sua exigibilidade estava suspensa, nos termos do Art. 63 Lei 9.430/1996. Não assiste razão a Contribuinte e as responsáveis solidárias. Isto, pois o art. 63, caput, da Lei 9.430/1996 determina: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (...) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. É correto o pensamento da Contribuinte, entretanto inaplicável ao presente caso. Isto, pois, a Contribuinte não tinha a seu favor qualquer medida judicial que lhe concedia a suspensão da exigibilidade do tributo. Conforme apurado no Relatório Fiscal, a suposta demanda que lhe concedia a suspensão da exigibilidade do recolhimento do tributo é o Mandado de Segurança de nº Fl. 7842DF CARF MF 26 000363384.2010.4.03.6002, movida pela associação FAMASUL, perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. No caso da ação movida pela FAMASUL, a Contribuinte não comprovou que os produtores rurais pessoas físicas que foram seus fornecedores faziam parte da ação em questão. E quanto a ação n° 2008.70.16.0004446/PR, da ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE DEFESA DOS AGRICULTORES, PECUARISTAS E PRODUTORES DA TERRA ANDATERRA, que a Contribuinte alega que a mesma tem efeito a favor de todos os agricultores do país, observase que, conforme apontado pela Autoridade Fiscal no Acórdão da DRJ (fl 6409), no site da associação que deve haver a adesão do produtor à referida ação coletiva, e nos autos não restou demonstrado que os fornecedores da Contribuinte tenham feito esta adesão, ou sejam associados. Portanto, a Contribuinte não tinha a seu favor qualquer medida judicial que suspendia a exigibilidade do recolhimento do tributo. Foi oportunista ao não recolher o imposto devido, diante do impasse gerado nas diversas demandas propostas sobre a matéria, até o deslinde do STF. Ademais, comporta constatar que o Mandado de Segurança de nº 0003633 84.2010.4.03.6002, movida pela associação FAMASUL, perante o Tribunal Regional Federal da 3ª Região transitou em julgado em 12/05/2015, tendo o Acórdão sido negado provimento. O Auto de Infração lançou o tributo do presente processo administrativo em 17/07/2015, ou seja, 65 dias depois de transitado em julgado seu suposto processo. Sobre o assunto, destacase a Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 50: É cabível a exigência de multa de ofício se a decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário perdeu os efeitos antes da lavratura do auto de infração. Por todas estas razões, voto por ser inaplicável ao presente caso o art. 63 da Lei 9.430/1996, sendo certa a aplicação da Multa de Ofício e dos Juros Moratórios. E) DA MULTA QUALIFICADA: Com relação à multa qualificada, observase sua possibilidade quando demonstrado que o contribuinte praticou quaisquer dos atos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Sobre o tema, observase as Súmulas deste Conselho: Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 Assim como a legislação: Fl. 7843DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.831 27 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O lançamento da multa qualificada tem que estar diretamente ligado ao fato gerador, ou seja, dolo do Contribuinte em não recolher o FUNRURAL e o GILRAT. Sobre este fato, entendo que não houve comprovação pela Autoridade Fiscal. Isto, pois, a obrigatoriedade de recolhimento do FUNRURAL e do GILRAT somente se tornou pacífico com a recente decisão do STF sobre o RE 718.874 e 816.830, em 2017, que tinham repercussão geral atribuída. Antes disso, haviam inúmeras decisões que não entendiam pela constitucionalidade da Lei 10.256/2001, que determinada a obrigatoriedade do recolhimento do tributo. Portanto, o simples fato de o Contribuinte não recolher o FUNRURAL não determina que agiu com dolo para isso. Pelo contrário, sua ação foi pautada em inúmeras decisões judiciais que entendiam pela não obrigatoriedade do recolhimento do tributo. A Autoridade Fiscal não comprovou uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 no presente caso. Pelo contrário, entendo que o não recolhimento do imposto se deu diante da morosidade do judiciário em tornar sua exigibilidade pacífica. Ante ao exposto, voto por acolher o pedido neste quesito e retirar a multa qualificada lançada, permanecendo apenas a multa de ofício de 75% e os juros moratórios F) DO RECURSO DE OFÍCIO; O Recurso de Ofício se deu diante do novo cálculo apresentado no Acordão da DRJ, que reduziu o imposto cobrado em mais de R$2.500.000,00. Fl. 7844DF CARF MF 28 Verificase que a redução se deu diante do fato de a Autoridade Fiscal, quando do lançamento do imposto, não ter retirado da base de cálculo todas as mercadorias devolvidas à Contribuinte, realizando novo cálculo, conforme consta na planilha de fls. 6412/6417. Constatase pela regularidade e prudência da R. Julgadora da DRJ em apontar a incorreção da base de cálculo apresentando nova conta. Pela vedação ao confisco e pelo Princípio da Legalidade, observase que o novo cálculo apresentado é o correto e o que deve permanecer. Por esta razão voto por não prover o mérito do Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, no sentido de retirar a multa qualificada lançada, permanecendo apenas a multa de ofício de 75% e os juros moratórios; assim como voto por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior – redator para o voto vencedor Ouso divergir da respeitada conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, tão somente em relação à qualificação da multa de ofício, pelas razões que passo a discorrer. A base legal do multa qualificada é o art. 44, I, § 1º, da Lei 9430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse.) Fl. 7845DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.832 29 Os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 dispõem: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Grifouse.) De acordo com Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado. Rio de Janeiro; Borsoi, t.2, § 177), dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa: § 177. Conceito de dolo Dolo é a direção da vontade para contrariar a direito. No suporte fático, estão o ato, positivo ou negativo, a contrariedade a direito, e a direção da vontade que liga aquele a essa. Não só o agente atua e contraria a direito: quer que o ato contrarie a direito; ou quer contrariar a direito, e atua para isso. Sabe que o ato (ou omissão) contraria a sua promessa, viola o direito, a pretensão, a ação ou exceção do seu credor, e pratica o para contrariar a direito. A lei vedalhe algum ato, ou omissão, e quer violála, praticandoo, ou omitindo. Não é preciso que o agente queira as consequências do ato, ainda que sejam próprias desse. Nem que as preveja. Basta querer o ato contrário a direito. Na apreciação da prova, o julgador forma livremente sua convicção (art. 29 do Decreto 70.235, de 1972). Assim se dá com a prova do dolo. Dada uma determinada infração tributária, não há outra possibilidade de que tenha ocorrido: (a) mero erro, evidenciando culpa, ou (b) vontade em praticar o ato, demonstrando o dolo. No caso presente, são abundantes as provas da conduta dolosa, minuciosamente descrita, demonstrando a ação firme, consciente e sistemática da contribuinte, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (art. 72 da Lei 4.502, de 1964), impondo à autoridade lançadora, por conseguinte, o dever de aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, § 1º, da Lei 9430, de 1996. Fl. 7846DF CARF MF 30 Reproduzo tais condutas, descritas no relatório fiscal: Nas diligências fiscais realizadas tanto no endereço da empresa fiscalizada quanto da Agricom Comércio de Cereais LTDA, CNPJ: 04.740.604/000125, empresa, que apesar de não constar na lista acima, pertence de fato as mesmas pessoas, conforme descrito em relatório fiscal constante no processo 13161.720999/201509, na qual ela foi autuada, pôde se verificar que nos locais existe a empresa Oeste Verde Comércio de Cereais LTDA. Ademais, a empresa fiscalizada emitiu notas fiscais de compra de mercadorias até a data de 18 de setembro de 2014 e de venda no dia 26 do mesmo mês. A Premium Agro Industrial alterou o domicílio tributário dela da Avenida Brasil 2345, sala 4, para o mesmo da Mult Ceres, em 10 de fevereiro do ano corrente e começou a emitir notas fiscais de entrada e saída em 16 de outubro de 2014. Nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) a interessada deixou de informar o pagamento a transportadores autônomos a partir de outubro de 2014, sendo que a declaração apresentada referente ao período de dezembro foi "sem movimento". Por outro lado, a Premium Agro Industrial começou a apresentar essa declaração no mês de outubro, inclusive informando o pagamento a esse tipo de trabalhador. Cabe ainda ressaltar que o funcionário Orlando Toledo Barbosa Junior, CPF: 777.988.21104, trabalhou na MS Grãos e atualmente consta como funcionário da fiscalizada. Inclusive consta como funcionário do contador da empresa no período de 02/05/2012 a 30/09/2012. Há ainda outros funcionários que trabalharam ou trabalham em mais de uma das empresas do grupo, conforme relação de funcionários no Anexo IV deste relatório fiscal. Ademais, verificouse que, com o intuito de dificultar a localização de bens por credores, foram constituídas empresas que não realizam qualquer operação, mas que possuem imóveis, no caso da MTS, ou veículos automotores, no caso da Transportadora Veron. (...) De uma forma resumida, esta fiscalização chegou à conclusão de que a atividade econômica central, geradora do capital desse grupo de empresas, é a exploração do comércio atacadista de cereais. Assim, na base do grupo econômico estão as empresas operativas: (...) Já a atividade econômica periférica, que dá suporte nos negócios societários (ocultando os sócios reais) e salvaguarda o capital e patrimônio desse grupo econômico, é desempenhada pelas empresas patrimoniais, que possuem objeto social como holdings de instituições não financeiras e outras sociedades de Fl. 7847DF CARF MF Processo nº 13161.720814/201558 Acórdão n.º 2301005.494 S2C3T1 Fl. 7.833 31 participação, exceto holdings. Além disso, ainda estão vinculadas uma transportadora e uma construtora, sendo que a primeira não exerce atividade operacional, como já descrito anteriormente As empresas patrimoniais são as seguintes: (...) A família detentora do controle total desse grupo econômico é formada por três membros: MARLENE SHAMAS AFIF, AGNALDO ALBERT AFIF e MARCOS TAUFIQ SHAMAS, as quais participam direta ou indiretamente em vinte e três pessoas jurídicas ativas. ALÉM DOS FAMILIARES ACIMA ARROLADOS VERIFICASE A PARTICIPAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO. E, na maioria delas, atuando como administrador e representante das empresas o senhor João Estanislao Cepede Lesme. Portanto, quando os sócios ostensivos não são os membros da família Afif/Shamas, aparecem as empresas patrimoniais como sócias ou interpostas pessoas, que possuem ligação com empresas do grupo econômico decorrente de vínculos empregatícios pretéritos. (...) Há que relatar que resta evidenciada na conduta da interessada, que não declarou e nem recolheu tributos por mais de um ano calendário consecutivo, a intenção de burlar o fisco federal. Em outras palavras, houve o dolo por parte dela na apresentação de declarações informando valores a menor do que o realmente devido à previdência social. Ademais, a empresa criou várias empresas patrimoniais para ocultar os bens e burlar credores, entre eles o fisco. Ainda em consulta ao balancete da empresa no anocalendário de 2014, verificase os ativos e passivos foram sendo "zerados" e em paralelo a partir de outubro não houve mais a emissão de notas fiscais. Em outras palavras, a empresa "encerrou" suas atividades e "iniciou" elas em outro CNPJ (Premium Agro Industrial), com clara intenção de burlar o fisco federal. Dessa forma não resta dúvidas sobre a conduta dolosa da interessada, devendo ser aplicada a majoração prevista no parágrafo primeiro do artigo 44 da lei 9.430/96, sendo aplicável a multa de 150% sobre os rendimentos não declarados na qualidade de subrogada." Como relatado, a contribuinte criou várias sociedades para ocultar os bens e burlar credores, entre eles o fisco; na consulta ao balancete da empresa no anocalendário de 2014, verificase os ativos e passivos foram sendo "zerados" e em paralelo a partir de outubro Fl. 7848DF CARF MF 32 não houve mais a emissão de notas fiscais; não houve declaração e nem recolhimento de tributos por mais de um anocalendário consecutivo, houve a utilização de interpostas pessoas. Ressaltase que a utilização de interpostas pessoas determina a qualificação da multa mesmo nos casos de omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício (Súmula CARF nº 34 – vinculante). Assim, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – redator para o voto vencedor Fl. 7849DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905501/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 55 01 /2 01 2- 89 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10183.905501/201289 Acórdão n.º 3201003.493 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.847, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10183.905501/201289 Acórdão n.º 3201003.493 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006283/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 05/02/2005, 07/02/2005, 10/02/2005, 12/02/2005, 14/02/2005, 17/02/2005, 19/02/2005, 20/02/2005, 24/02/2005, 26/02/2005, 28/02/2005
Ementa:
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no Art. 22 e Art. 50 da INSRF 800/07. Penalidade prevista no Art. 107, I, IV, "e", do Decreto Lei 37/66.
Numero da decisão: 3201-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no Art. 22 e Art. 50 da INSRF 800/07. Penalidade prevista no Art. 107, I, IV, "e", do Decreto Lei 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 62 83 /2 00 9- 47 Fl. 364DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional em fls. 338 sobre o Acórdão deste Conselho de fls. 311. Transcrevese o Despacho de Admissibilidade do Presidente desta Turma de fls 342 para apreciação: "Tratase de Embargos de Declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 3201001.718, de 20/08/2014, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/04/2006, 08/04/2006, 20/04/2006, 24/04/2006, 29/04/2006, 01/05/2006. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A partir da Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 102 do Decreto Lei nº 37/66, a multa aplicável pelo descumprimento do prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, pode ser elidida, desde que a omissão seja sanada antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.. Alega a embargante que teria havido erro no teor do acórdão, que não tratou deste processo administrativo. Verificase que, de fato, o número do processo administrativo que consta do acórdão é outro que não o deste processo (consta o PA nº 10715.000567/201063), bem como também é outro o relatório da DRJ transcrito no relatório do acórdão, o que faz ver, com clareza, que a decisão tratou de outro processo da mesma contribuinte, com situação fática semelhante. Assim, tendose verificado o erro apontado, devem os presentes embargos de declaração ser recebidos como embargos inominados, devendo ser prolatado novo acórdão, em consonância com as disposições do artigo 66, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual assim dispõe: Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10715.006283/200947 Acórdão n.º 3201003.395 S3C2T1 Fl. 365 3 Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Promovase nova distribuição deste processo, mediante sorteio." Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o despacho de admissibilidade de fls. 342, os Embargos de Declaração de fls. 338 da Procuradoria da Fazenda Nacional devem ser conhecidos. Realmente, o acórdão publicado nos autos possui o número de outro processo administrativo fiscal, (PA nº 10715.000567/201063), bem como possui outro o relatório da DRJ transcrito no relatório do acórdão. É possível que a decisão tenha tratado de outro processo da mesma contribuinte, com situação fática semelhante. Em razão do exposto, nova análise dos autos deve ser realizada e novo julgamento deve ser proferido. Em fls. 3 verificase que autuação ocorreu com fundamento nos seguintes fatos e normas: "001 NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o art. 147, do DecretoLei 37/66, regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da Portaria MF n. 2 125, de 4 de março de 2009, com vistas & verificação do cumprimento da obrigação acessória disposta no art 37, da IN/SRF n. 2 28/1994, alterado pelo art. Fl. 366DF CARF MF 4 1. 2 , da IN/SRF n. 2 510/2005, foram apurados registros de dados de embarque intempestivos, referentes aos transportes internacionais realizados em fevereiro de 2005 no Aeroporto Internacional do Rio de JaneiroALF/GIG. Considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação com prazo superior aos 2 (dois) dias concedidos ao transportador responsável, contados a partir da realização do embarque, assim considerado a data do vôo, de acordo com o art. 39, inciso II, da IN/SRF n. 2 28/1994. Face a inobservância pela empresa de transporte internacional supra qualificada de prestar as informações sobre a carga transportada no devido prazo, lavrase o presente Auto de Infração para exigir a multa que trata o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n. 2 37/66, com nova redação do art. 77, da Lei n. 2 10.833/2003, aplicada para cada veiculo identificado pelo respectivo vôo, que transportou as cargas amparadas pelas Declarações de ExportaçãoDEs objeto da presente apuração, constantes no quadro em anexo. CALCULO DA MULTA Valor multa por vôo: R$ 5.000,00 Quantidade de vac's com registros de dados de embarque intempestivos: 11 Valor total devido: R$ 55.000,00." Em fls 15 o contribuinte apresentou sua impugnação e em fls. 203 a DRJ/SC a considerou improcedente, conforme Ementa reproduzida a seguir, deste processo administrativos fiscal de n.º 10715.006283/200947: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/02/2005, 07/02/2005, 10/02/2005, 12/02/2005. 14/02/2005, 17/02/2005. 19/02/2005. 20/02/2005. 24/02/2005. 26/020005, 28/02/2005 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSAI3ILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADM INISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/02/2005. 07/02/2005. 10/02/2005. 12/02/2005, 14/02/2005. 17/02/2005. 19/02/2005. 20/02/2005. 24/02/2005. 26/02/2005, 28/02/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa: evidenciada a ausência de qualquer violação as disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de in fração. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10715.006283/200947 Acórdão n.º 3201003.395 S3C2T1 Fl. 366 5 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete as autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço. posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário: logo resta incabível afastar sua aplicação , sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03. a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipi Ilea& no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2005, 07/02/2005, 10/02/2005, 12/02/2005, 14/02/2005. 17/02/2005, 19/02/2005. 20/02/2005. 24/02/2005. 26/02/2005, 28/02/2005 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTI VI DADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão cio descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada A exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas A exportação é aplicada por viagem do veiculo transportador. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Fl. 368DF CARF MF 6 No relatório do caso, apresentado na decisão de primeira instância, é possível verificar quais foram as argumentações principais do contribuinte, conforme reprodução a seguir: "O presente processo trata da exigência do valor de R$ 55.000.00 consubstanciada no auto de infração de lis. 01 a 10, referente it multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. prevista no artigo 107, inciso IV. alínea "e", do Decretolei 37/66. com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510. expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em fevereiro de 2005 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG. concernentes As cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO 11" 0717700/00/00311/09" (fl. 10). descumprindo. portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94. considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação its fls. 14 a 31 alegando. em síntese. que: a autoridade lançadora utilizou norma posterior it ocorrência dos fatos geradores para aplicar a multa ora impugnada; à época dos referidos fatos não havia norma que estipulasse um prazo específico e certo para a realização dos referidos registros no Siscomex. devendo ser declarado nulo o auto de infração por ausência de tipificação válida capaz de aplicar penalidade As empresas de transporte aéreo internacional; as mercadorias embarcadas no dia 25.02.2005 foram informadas tempestivamente no Siscomex. considerandose a Solução de Consulta n°215/2004; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade. da proporcionalidade e da isonomia. que devem ser observados pela Administração Pública , uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; o prazo de dois dias para que o transportador aéreo registre os dados de embarque no Siscomex passou a viger somente em 15.02.2005, com a edição da IN/SRF 510/05. sendo inaplicável aos fatos narrados no presente lançamento , na medida em que norma de natureza punitiva não gera eleitos para atos praticados anteriormente it sua vigência , por violação aos Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10715.006283/200947 Acórdão n.º 3201003.395 S3C2T1 Fl. 367 7 princípios da irretroatividade, da segurança jurídica e da legalidade , evidenciando a nulidade, também por essa razão, do auto dc infração, pois em nítida violação ao inciso IV do artigo 10 do Decreto 70.235/72; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2° da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2' do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade especifica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considerase concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização c recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade. da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor 6 muitas vezes superior ao da multa por embaiaço à fiscalização , cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo A fiscalização; tendo em vista a inaplicabilidade da IN/SRF 510/05, é de ressaltar que a IN/SRF 28/94, em sua redação original, nrio previa um prazo especifico para a inserção das informações de dos dados de embarques das mercadorias no Siscomex, limitandose a a fi rmar que referido procedimento deveria ser realizado imediatamente após respectivos embarques; o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66, ao mencionar a expressão deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impu2,nante inseriu absolutamente todos os dados de embarque das mercadorias no Siscomex, con forme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras. sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04. que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o inicio da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual deve ser declarado nulo os lançamentos da multa relativamente Aquelas averbações realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; Fl. 370DF CARF MF 8 por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde sei efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência. efetuando. por conseguinte, o registro no menor prazo possível: por diversas vezes no decorrer do ano de 2005 o Siscomex permaneceu indisponivel, impossibilitando as transportadoras e demais intervenientes de inserir os dados de embarque das mercadorias transportadas, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade. Nesse sentido, pede para que seja resgatada a memória das panes de sistema ocorrida no mês de fevereiro de 2005. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e. por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem corno a desconstituição do crédito tributário apurado. É o relatório." Em fls. 221 está o Recurso Voluntário do contribuinte, neste PAF de n.º 10715006283/200947, que reproduziu as alegações de impugnação. Em fls. 311 está o Acórdão deste Conselho, que foi publicado com outro número de Acórdão, o n.º 10715.000567/201063. Feita esta introdução, vêse que o cerne da lide envolve a aplicação de multa regulamentar sobre a intempestividade da prestação de dados de embarque de mercadoria. É incontroverso o fato de que a autuada haver efetuado a destempo o registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no demonstrativo "AU7'0 DE INFRAÇÃO le 0717700/00/00311/09" juntado à fls. 10. Bem observou a decisão de primeira instância a respeito das datas dos embarques no vôo autuado: embarques em 02/02/2005, 04/02/2005. 07/02/2005. 09/02/2005. 11/02/2005, 14/02/2005, 16/02/2005, 17/02/2005, 21/02/2005, 23/02/2005 e 25/02/2005; prazo de dois dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 03/02/2005, 05/02/2005. 08/02/2005. 10/02/2005. 12/02/2005. 15/02/2005. 17/02/2005, 19/02/2005, 22/02/2005. 24/02/2005 e 26/02/2005 e venceu em 04/02/2005. 06/02/2005. 09/02/2005, 11/02/2005. 13/02/2005, 16/02/2005, 18/02/2005, 20/02/2005, 23/02/2005, 25/02/2005 e 27/02/2005. São intempestivos os registros (averbação) efetuados pela impugnante em 10/02/2005, 15/02/2005, 18/02/2005, 22/02/2005, 24/02/2005, 28/02/2005, 01/03/2005. 19/04/2005 e 01/06/2005 e o contribuinte não comprovou o contrário. O lançamento capitulou corretamente a multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto Lei º 37/66, com a redação dada pelo a rtigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a esconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos no Art. 37, da IN/SRF n. 28/1994, alterado pelo art. 1. 2 , da IN/SRF n. 2 510/2005, válida e aplicável à época dos fatos (2005). Assim, deve ser aplicada a multa prevista pela letra “e” do inciso IV, art. 107 do Decreto nº 37, isso é, no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), nos mesmo moldes e fundamento da decisão de primeira instância. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10715.006283/200947 Acórdão n.º 3201003.395 S3C2T1 Fl. 368 9 Diante do exposto, votase por conhecer e DAR PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes para, ao fim, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006355/2003-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 07/10/2000
Ementa:
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS.
A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA.
Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria, ainda que remeta às conclusões de laudo diverso, do mesmo produto), efetuado com base em literatura técnica, a partir de seu nome comercial (no caso, EMERY 5704).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4.
Conforme Súmula CARF no 4, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, a partir de 01/04/1995.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3401-004.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 07/10/2000 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificando-a, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria, ainda que remeta às conclusões de laudo diverso, do mesmo produto), efetuado com base em literatura técnica, a partir de seu nome comercial (no caso, EMERY 5704). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Conforme Súmula CARF no 4, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, a partir de 01/04/1995. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 07/10/2000 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ATIVIDADE JURÍDICA. ATIVIDADE TÉCNICA. DIFERENÇAS. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LAUDO TÉCNICO. RECONHECIDA INSTITUIÇÃO. ACOLHIDA. Solicitado pela recorrente laudo técnico complementar, por reconhecida instituição, buscando possibilitar a precisa identificação da função de um dos elementos que compõem a mercadoria que é objeto de contencioso sobre classificação, e aprovada a solicitação pelo colegiado julgador, legítima a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 63 55 /2 00 3- 43 Fl. 313DF CARF MF 2 acolhida dos resultados do laudo correspondente para a correta classificação da mercadoria, ainda que remeta às conclusões de laudo diverso, do mesmo produto), efetuado com base em literatura técnica, a partir de seu nome comercial (no caso, “EMERY 5704”). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 4. Conforme Súmula CARF no 4, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC, a partir de 01/04/1995. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Cássio Schappo (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 141, lavrado em 15/10/2003, para exigência de imposto de importação (II) e imposto sobre produtos industrializados (IPI), acrescidos de juros e multa de mora, totalizando, já com os acréscimos R$ 10.001.38 (II), e R$ 9.751,34 (IPI). Narrase na autuação que o importador, por meio da declaração de importação (DI) no 00/09604361 (fls. 15 a 20), registrada em 07/10/2000, submeteu a despacho 17.908,99 Kg de mercadoria descrita como "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBIS (2ACETOXIETIL) ANILINA CONCENTRAÇÃO: 5560% NOME COMERCIAL: EMERY 5704 COR: ESCURO QUALIDADE: INDUSTRIAL EST. FÍSICO: LÍQUIDO FINALIDADE: MATÉRIA PRIMA P/FABRICAÇÃO DE CORANTES TÊXTEIS", classificando a no código NCM 2922.19.99, mas, de acordo com o resultado do Laudo de Análise no 2951/00 (fls. 22 a 24), a mercadoria não se trata somente de "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBISC (2ACETOXIETIL ANILINA", mas de "uma mistura de reação constituída de Diaceto 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11128.006355/200343 Acórdão n.º 3401004.380 S3C4T1 Fl. 314 3 de bisEtanol22 (Fenilimino), N, Nbis (2,2Acetoexil) Anilina e Ácido Acético, na forma líquida", devendo a classificação se dar no código NCM 3824.90.89, com base nas Regras Gerais de Interpretação (RGI) no 1 e no 6 do Sistema Harmonizado. Cientificada da autuação em 22/10/2003 (fl. 28), a empresa apresentou Impugnação em 21/11/2003 (fls. 29 a 46), já sob a denominação "DYSTAR LTDA", argumentando, em síntese, que: (a) o produto "EMERY 5704" é corretamente classificado no código NCM 2922.29.99, anexando Parecer Técnico (fls. 132 a 134) no qual se demonstra que o produto tem composição química definida e isolada, sendo o ácido acético presente para acondicionamento usual e indispensável por razões de segurança e manuseio, pois, sem solvente, o produto seria uma massa cristalizada de difícil retirada dos tambores, e que, após a produção do corante, o ácido acético é removido mediante processos de precipitação, filtração e sucessivas lavagens, não fazendo parte da composição final do produto; (b) as RGI no "2b" e "3a", as NESH relativas ao Capítulo 38, e a Nota 1, "a" do Capítulo 29, e NESH correspondentes, corroboram o entendimento da empresa; (c) os laudos do LABANA, em momento algum, fazem referência a ser a presença do ácido acético necessária ao transporte e manuseio do produto importado, nem que tenha sido deliberadamente adicionado a tal produto, para tornálo apto para usos específicos; (d) há precedentes no Conselho de Contribuintes (CC) em favor da empresa (Acórdãos no 30128.080 e no 30128.443); (e) a multa de mora somente deve ser exigida ao final do processo administrativo; e (f) os juros de mora somente podem ser computados após a decisão final administrativa, e é inconstitucional a aplicação da Taxa SELIC. Por fim, requer conversão do julgamento em diligência, para que o LABANA se manifeste sobre seis quesitos relativos à função do ácido acético. Em 29/08/2006 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 154 a 161), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) existem nos autos informações técnicas suficientes para a correta classificação da mercadoria, sendo dispensável a conversão em diligência para realização de nova perícia; (b) coincidem as informações da empresa e do LABANA sobre a identificação da mercadoria, pairando a discussão apenas em sua classificação, assistindo razão ao fisco, em virtude das Notas e NESH do Capítulo 29; (c) é cabível a multa de mora, pelo fato de o tributo não ter sido pago na data prevista na legislação; e (d) as instâncias administrativas não possuem competência para se manifestar sobre a constitucionalidade de lei vigente. Cientificada da decisão da DRJ em 19/09/2006 (fl. 163), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 19/10/2006 (fls. 165 a 201), reiterando as razões expressas em sua impugnação, e acrescentando que: (a) o indeferimento da perícia solicitada constitui violação ao contraditório e à ampla defesa; (b) é vedada a menção, nos laudos, a indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da NCM, ensejando a não aceitação sua aposição, conforme artigos 36 e 37 da IN SRF no 157/2002; e (c) a mercadoria importada não se trata de uma "preparação". Por fim, revela a recorrente que, apesar de entender que os documentos presentes nos autos são suficientes para o integral provimento do recurso, deve, em caso de dúvida, ser convertido o julgamento em diligência, para que o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) responda a sete quesitos elaborados pela recorrente (fls. 197/198), protestando ainda pela formalização de quesitos suplementares. Em 19/05/2008, por meio da Resolução no 30301.425 (fls. 211 a 216), o julgamento foi convertido em diligência pela Terceira Turma da Terceira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, para que fosse demandado ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT) laudo técnico que apontasse "qual a real utilidade da presença do Ácido Fl. 315DF CARF MF 4 Acético no produto denominado EMERY 5704, se este ácido apenas se trata de impureza oriunda do processo de obtenção do N, NBis (2,2Acetoxietil) Anilina, utilizado apenas como modo usual e indispensável de acondicionamento, ou se este, na verdade, é apenas deixado com a intenção de um fim específico de preferência a um uso geral do produto principal possível sem a presença de tal ácido". A fiscalização encaminha solicitação de envio da amostra existente em laboratório ao INT, acrescendo ao quesito formulado pela turma julgadora os sete constantes no recurso voluntário da empresa e outros vinte e um, de própria lavra, inexistentes no processo até então (fls. 220 a 224). No mesmo expediente, pede ao laboratório que responda dois quesitos formulados pela recorrente. Respondendo a estes dois quesitos, o laboratório emite o Parecer Técnico no 033/2009 (fls. 226 a 228), informando ainda que as amostras estavam disponíveis para envio ao INT (fl. 229 e 236). A recorrente foi intimada, em 26/02/2010 (fl. 238), a manifestar concordância em arcar com os custos do Laudo a ser emitido pelo INT. Em resposta, a recorrente informa (fls. 239 a 241), que a conversão em diligência, em momento algum, menciona a formulação de novos quesitos, seja por parte da requerente ou da fiscalização, sendo extemporâneos os 21 quesitos adicionados pelo fisco, e que concorda em arcar com os custos do Laudo na forma em que solicitado pela turma julgadora. Ao receber a resposta, a fiscalização decidiu encaminhar o processo ao CARF, "para manifestação" (fl. 242). Em 26/09/2016, por meio da Resolução no 3401000.948 (fls. 211 a 216), o julgamento foi novamente convertido em diligência por esta turma, por unanimidade, “para que a unidade preparadora envie ao INT somente o questionamento efetuado na anterior conversão em diligência, aproveitando que, no caso concreto, há amostra disponível para análise, e demande adicionalmente àquele órgão manifestação justificada sobre eventuais diferenças na conclusão da análise a ser empreendida com aquela levada a registro no Relatório Técnico no 000.181/2014”. Enviada a contraprova à RFB em 17/03/2017 (fl. 274), e concordando a empresa em arcar com os custos de novo laudo em 04/05/2017 (fl. 277), é remetida Notificação ao INT para providenciar o laudo técnico em 21/03/2007 (fls. 278 a 280). Em resposta, o INT, em ofício datado de 25/04/2017, informa que a técnica analítica outrora sugerida para análise da amostra foi a cromatografia a gás acoplada à espectrometria de massas (CGEM), mas que o equipamento encontrase fora de uso, e que eventual análise não alteraria as conclusões do Relatório Técnico no 000.181/2014 (fl. 282). Ciente da resposta do INT em 01/06/2017 (fl. 290), a recorrente se manifesta em 21/06/2017 (fls. 297 a 303), argumentando que: (a) as conclusões do INT são insuficientes para embasar a reclassificação do produto “EMERY 5704”; (b) é vedada a indicação de posição, subposição, itens ou códigos NCM em laudos técnicos, como fez o LABANA no laudo no 2951.01/2000; (c) a ausência de nova análise pelo INT demanda a aplicação, ao caso, do artigo 112 do CTN; e (d) houve prescrição intercorrente. O processo retornou ao CARF, e a este relator em 12/07/2017. Em setembro e outubro de 2017, o processo foi incluído em pauta e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. Não houve sessões de julgamento em novembro e dezembro de 2017. Em janeiro de 2018, o processo também foi pautado e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11128.006355/200343 Acórdão n.º 3401004.380 S3C4T1 Fl. 315 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os requisitos de admissibilidade do recurso já foram analisados na resolução que demandou a conversão em diligência, cabendo, de imediato, a análise de mérito. Recordese, nos próximos itens (1 a 4), o que já foi esclarecido, quando da conversão em diligência, tendo em vista já ter sido efetuada perícia, nestes autos. 1. Da perícia já efetuada O presente contencioso tem por cerne a classificação da mercadoria descrita pela recorrente na DI no 00/09604361 (fl. 18) como "BISACETOXIETILANILINA CAL 100% N, NBIS (2ACETOXIETIL) ANILINA CONCENTRAÇÃO: 5560% NOME COMERCIAL: EMERY 5704 COR: ESCURO QUALIDADE: INDUSTRIAL EST. FÍSICO: LÍQUIDO FINALIDADE: MATÉRIA PRIMA P/FABRICAÇÃO DE CORANTES TÊXTEIS", classificada no código NCM 2922.19.99 (referente a compostos de constituição química definida). O laudo técnico solicitado (fl. 21), com ciência à empresa, incluiu quatro quesitos: Como resultado, o Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami emitiu o Laudo de Análise no 2951/00 (fls. 22 a 24), com as seguintes conclusões e respostas aos quesitos. Fl. 317DF CARF MF 6 Em virtude da resposta ao quesito 1, tornase necessário, aqui, preliminarmente, esclarecer quais as competências da fiscalização e da perícia. 2. Da classificação de mercadorias aspectos técnicos e jurídicos É notório que a classificação de mercadorias é hoje tema complexo, que demanda atenção de especialistas na matéria. No entanto, não se pode confundir especialistas em classificação de mercadorias com especialistas em informar o que são determinadas mercadorias (em geral, peritos). Essas duas categorias parecem ser confundidas nos quesitos efetuados pela fiscalização. O perito não tem a função de classificar mercadorias na nomenclatura. O perito químico, por exemplo, tem a função de, a partir de análise da composição de determinada mercadoria, informar qual é seu nome técnico e quais são suas características. Esses aspectos são eminentemente técnicos. A classificação de mercadorias é atividade jurídica, a partir de informações técnicas. O perito, técnico em determinada área (mecânica, elétrica etc.) informa, se necessário, quais são as características e a composição da mercadoria, especificandoa, e o especialista em classificação (conhecedor das regras do SH e de outras normas complementares), então, classifica a mercadoria, seguindo tais disposições normativas. Tais atividades não se confundem. Assim, totalmente despropositada a resposta ao quesito 1, no excerto em que trata de "outras posições". Deve o classificador perguntar ao perito o que é a mercadoria e quais suas características, e isso foi feito. E deve o perito limitarse a responder o que lhe foi perguntado, acrescentando as informações técnicas que julgar necessárias, mas não informações sobre o Sistema Harmonizado, seus capítulos, posições, subposições e respectivas notas, pois tais temas não são inerentes à perícia, mas à atividade posterior, de classificação. Pelo exposto, tomo os resultados do laudo técnico tão somente no que detalham as características da mercadoria, ignorando as considerações sobre inserção ou não em posições da nomenclatura. Expurgados do laudo os elementos que não são afetos à atividade da perícia, mas da classificação, resta a considerar o excerto no qual se informa efetivamente o que é a mercadoria. Nesse sentido, a resposta do laudo permite concluir que a mercadoria em análise se Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11128.006355/200343 Acórdão n.º 3401004.380 S3C4T1 Fl. 316 7 tratava de uma "mistura de reação" constituída de "DIACETO DE BISETANOL22 (FENILIMINO)"; "N, NBIS (2,2ACETOXIETIL) ANILINA" e "ÁCIDO ACÉTICO". Clara também a função do ácido acético, que não se constitui em impureza, mas em solvente na etapa de obtenção do corante. Especificada a mercadoria, as discussões passam a ser sobre sua classificação, de acordo com as regras do Sistema Harmonizado, e normas complementares. 3. Da classificação de mercadorias utilidade e relevância internacional A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A "Babel" de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um mesmo idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora tenha havido iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.2 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os mais de 150 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, "status" de paridade com a lei ordinária.3 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação 2 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 3 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. Fl. 319DF CARF MF 8 uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.4 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.5 E, no Brasil, a NCM serve de base para a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), desde a TIPI de 1996, veiculada pelo Decreto no 2.092, de 10/12/1996. Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abrangido por tal classificação. Sendo a TIPI um mero reflexo do SH e da NCM, qualquer discussão sobre classificação de mercadorias para efeito de incidência do IPI deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Feitos tais esclarecimentos, passase a analisar a discussão jurídica sobre classificação da mercadoria, presente nestes autos. 4 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. 5 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11128.006355/200343 Acórdão n.º 3401004.380 S3C4T1 Fl. 317 9 4. Do fundamento para a reclassificação A fiscalização apresenta, na autuação, sintético fundamento para a reclassificação, em um parágrafo (fl. 4): Apesar da genérica menção às RGI no 1 e no 6 do SH, a empresa, ainda em sua impugnação, bem compreende o cerne da questão referente à classificação, que é a função do ácido acético no produto importado. E que o fato de ser o ácido acético uma impureza "deixada no produto para tornálo particularmente apto para usos específicos" afastaria a classificação pretendida pela empresa, em função da Nota Explicativa do Sistema Harmonizado (NESH) que define "impureza", para os efeitos da Nota 1, "a", do Capítulo 29. Por outro lado, sendo o ácido acético "indispensável por questões de segurança e manuseio", e não para "tornar o produto apto para usos específicos", improcedente seria o argumento da fiscalização para defender a classificação fora do Capítulo 29. A recorrente, por sua vez, invoca, para a classificação, a Regra no 2, "a" do Sistema Harmonizado, que estabelece que "qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias...", e à Regra no 3, "a", que dispõe que "a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas, apresentando parecer técnico por ela encomendado, que dá conta de que o ácido acético é removido após a produção do corante, não fazendo parte da composição final do produto. Com tais alegações, não refuta nenhuma das afirmações da fiscalização, seja porque não se discute na autuação se em etapa posterior o ácido acético será removido, mas simplesmente se este se presta a tornar o produto apto para usos específicos, ou ainda porque não se pode, na classificação de uma mercadoria, seguir diretamente para as Regras no 2o e no 3 do SH, sem antes passar pela impossibilidade de aplicação da Regra no 1, que foi exatamente a utilizada pela fiscalização para os primeiros seis dígitos do código NCM. É o que se depreende do excerto final da Regra no 1: "Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes". A recorrente, invocando Nota do Capítulo 29, afirma estar presente, no caso, o atributo da letra "e" da nota, de que o ácido acético seria "indispensável por questões de segurança e manuseio", e não para "tornar o produto apto para usos específicos". Reside, assim, o presente contencioso, na questão central referente à funcionalidade do ácido acético. 5. Das conversões do julgamento em diligência Embora a DRJ tenha considerado desnecessário novo laudo para esclarecer tal funcionalidade, o então Terceiro Conselho de Contribuintes acatou o pedido da recorrente nesse sentido, convertendo o julgamento em diligência. Fl. 321DF CARF MF 10 Ocorre que a unidade local acresceu ao único quesito formulado pelo julgador outros vinte e oito, sendo vinte e um de sua lavra e sete transcritos do recurso voluntário da empresa. Contra tal acréscimo se insurgiu a recorrente, que seria responsável pelo pagamento da instituição encarregada de responder tecnicamente aos quesitos. A tarefa da fiscalização era simples: executar o que lhe foi demandado em sede de diligência, remetendo ao INT o único questionamento efetuado pelo julgador. Não haveria impedimento, contudo, de que agregasse a tal questionamento permissão para que o INT, em adição à resposta, trouxesse informações julgadas necessárias por aquele órgão para identificar precisamente a mercadoria. Mas não foi o que se viu no processo. A fiscalização parece não compreender que, nesta etapa processual, não se está mais a permitir produção de provas, por nenhuma das partes. O que busca o julgador não é reabrir o contencioso, sob o aspecto probatório, mas somente esclarecer dúvida surgida no julgamento, pela turma. Caso fosse efetivamente do interesse do fisco obter resposta aos vinte e um quesitos formulados, deveria ele próprio demandar, unilateralmente o laudo, às suas expensas. Ainda assim, haveria que se discutir, no âmbito do colegiado, a possibilidade de tal documento ser analisado pela turma, nesta fase processual. Daí a nova conversão em diligência, para que a unidade preparadora se limitasse a cumprir o determinado na anterior conversão em diligência, enviando ao INT o questionamento efetuado pelo colegiado, para emissão de laudo técnico, oportunizando posterior manifestação da recorrente. Foi noticiado, na conversão em diligência, que o próprio INT já se manifestou sobre a mesma mercadoria ("EMERY 5704"), no Relatório Técnico no 000.181/2014 (do qual tomamos conhecimento às fls. 611 a 615 do processo administrativo no 11128.006876/200309, da mesma recorrente, e julgado, ainda em 26/09/2016, por este colegiado), afirmando que "o ácido acético é um subproduto advindo da síntese do EMERY 5704, que foi deixada no produto para tornálo apto para uso específico", entendido "uso específico" como "reagente em, uma próxima etapa do processo de obtenção de corante disperso", mais especificamente, "como reagente acoplante, necessariamente em meio ácido". No entanto, destacouse que o Relatório Técnico no 000.181/2014 foi feito apenas com base em literatura técnica, visto que não havia amostra disponível para análise. Como relatado, a nova análise não foi possível, ainda que existente a contraprova, por impossibilidade técnica do INT, mas o mesmo órgão asseverou, no ofício em que reconheceu a impossibilidade técnica, que não restou alterada a conclusão externada no Relatório Técnico no 000.181/2014 (fl. 282): Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11128.006355/200343 Acórdão n.º 3401004.380 S3C4T1 Fl. 318 11 A manifestação sobre o produto de nome comercial “EMERY 5704” (exatamente o mesmo que é objeto do presente contencioso), já constante no citado processo, assim, é endossada pelo INT. 5. Do “EMERY 5704” Como exposto, na sessão de setembro de 2016, este colegiado apreciou dois processos de classificação referentes ao mesmo produto: “EMERY 5704”. Ao mesmo tempo em que o colegiado converteu em diligência o julgamento do presente processo, simplesmente por não ter sido realizada a diligência anteriormente determinada, entendeu estarem, no outro processo, presentes as condições necessárias ao julgamento, onde a literatura técnica mostrava a composição do produto (conforme Acórdão no 3401003.229, de 26/09/2016, votação unânime, com vários dos julgadores que atualmente compõem o colegiado): Não há dúvidas, assim, sobre a presença de ácido acético. O que a fiscalização afirma é que a Nota do Capítulo 29 impede a que a classificação da mercadoria seja ali efetuada. A recorrente, invocando a mesma nota, afirma existir a ressalva da letra "e", de que o ácido acético seria "indispensável por questões de segurança e manuseio", e não para "tornar o produto apto para usos específicos". Chegase, assim, reiterese, ao cerne da questão, tanto nestes quanto naqueles autos, sobre a efetiva funcionalidade do ácido acético. E, com base na literatura técnica, o INT se manifestou naqueles autos (por meio do citado Relatório Técnico no 000.181/2014), informando a funcionalidade do ácido acético, aqui afirmando que persistem as conclusões, pois o produto é exatamente o mesmo (“EMERY 5704”): Fl. 323DF CARF MF 12 A resposta não deixa margem a dúvidas, descabendo afastar suas conclusões técnicas em função de mera manifestação da recorrente (ou de sue engenheiro químico), que jamais cogitou a hipótese de serem distintos o “EMERY 5704” lá tratado e o presente nestes autos. Afinal de contas, o produto tem nome comercial definido, e não faria muito sentido que variassem suas características químicas a cada importação. Não apresenta, assim, a recorrente, fundamentos que afastem o resultado do laudo que ela própria solicitou, e que o INT informou (a despeito de não deter equipamentos para análise laboratorial), com base em literatura técnica, ter o mesmo resultado do expresso no Relatório Técnico no 000.181/2014. Com base no laudo do INT, a situação merece o mesmo tratamento externado no Acórdão no 3401003.229, mantendose os fundamentos utilizados para a classificação da mercadoria pela autoridade fiscal, não afastados a contento pela recorrente. Não há, na negativa de possibilidade de realização do exame laboratorial, por inexistência de equipamento, no INT, nenhum óbice ao direito de defesa, visto que o próprio INT afirma que a literatura técnica é suficiente para responder ao quesito demandado pelo CARF, aliás, já respondido em relatório técnico anterior do INT em relação ao mesmo produto, de nome comercial “EMERY 5704”. Assim, também não há dúvida, a fazer com que tal processo mereça endereçamento no artigo 112 do CTN. Todas as questões necessárias à correta classificação do “EMERY 5704” foram elucidadas, nos autos. E os precedentes apresentados (Acórdãos no 30128.080 e no 30128.443), além de não vincularem o posicionamento deste colegiado, tratam de mercadorias diversas ("zidovurine" e "emerox 1100", respectivamente), discutindo situações que sequer se aproximam das analisadas no presente processo, como se percebe da leitura integral dos votos correspondentes, havendo apenas coincidência de palavrachave ("impurezas") na ementa. Pelo exposto, é improcedente o recurso, no que se refere à classificação da mercadoria “EMERY 5704”. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11128.006355/200343 Acórdão n.º 3401004.380 S3C4T1 Fl. 319 13 6. Da multa de mora e dos juros de mora Como relatado, a autuação é lavrada com multa de mora (20%) e juros de mora. Em relação à insurgência da recorrente em relação aos juros de mora, há que se destacar que a matéria já se encontra pacificada no seio deste CARF, e plasmada na Súmula CARF no 4, de observância obrigatória pelo tribunal administrativo: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” E, sendo incorreta a classificação adotada pela recorrente (e correta a adotada pelo fisco), não se prestam os dispositivos normativos indicados pela recorrente a afastar a multa de mora. O Parecer CST no 477/1988, já reformado diante do entendimento externado no ADI no 13/2002, que revogou o ADN COSIT no 10/1997, trata apenas do afastamento da multa de ofício, prevista no artigo 44 da Lei no 9.430/1996 (e no artigo 4o da Lei no 8.218/1991). E o ADI no 13/2002 não trata mais sobre classificação de mercadorias, mas apenas a respeito de solicitação indevida de benefício. A jurisprudência apresentada pela defesa, nesse aspecto, também faz referência somente a multas de ofício / por ausência de licença de importação, como se percebe na leitura dos julgados, não se prestando a corroborar a alegação de defesa de ser incabível a multa de mora, expressamente prevista em dispositivo diverso da mesma Lei no 9.430/1996 (artigo 61, que trata de acréscimos moratórios). 7. Das considerações finais Agreguese, derradeiramente, em face de alegação superveniente de defesa, na manifestação sobre o ofício encaminhado pelo INT em resposta à segunda conversão em diligência, outra Súmula deste CARF, igualmente de observância obrigatória no seio do colegiado, no sentido de que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto no 70.235/1972: “Súmula CARF no 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Não merece, assim, maiores considerações, a matéria, com entendimento já pacificado no tribunal administrativo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 325DF CARF MF 14 Fl. 326DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000633/2008-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIO-BABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA.
Integra o salário-de-contribuição o benefício auxílio-babá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99.
A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxílio-babá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010.
Numero da decisão: 9202-006.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUXÍLIOBABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA. Integra o saláriodecontribuição o benefício auxíliobabá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99. A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxíliobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 33 /2 00 8- 48 Fl. 988DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 240201.602, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 17/03/2011, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11941/09, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, como se vê: Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIO BABÁ. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62ª DO RICARF. O auxílio babá não é espécie de benefício distinta do auxílio creche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Como tal, deve ser dispensado à essa modalidade do benefício o mesmo tratamento tributário do auxílio creche: Súmula STJ nº 310, de 11/05/2005 e Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 19740.000633/200848 Acórdão n.º 9202006.171 CSRFT2 Fl. 989 3 Recurso voluntário este provido por unanimidade conforme ementa supra. Para o contribuinte, que se manifesta por meio das contrarrazões nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 990DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Entendo cumpridos os requisitos de admissibilidade motivo pelo qual conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por tudo, entendo que deve ser dispensado à modalidade do benefício titulada auxíliobabá, o mesmo tratamento tributário do auxílio creche. Tendo a fiscalização se convencido de que os valores são efetivamente relativos ao benefício, a parcela tem natureza indenizatória e fica, portanto, dispensada a comprovação da despesa do empregado com a babá. Para se afastar a incidência sobre os valores pagos ou reembolsados pela empresa, é suficiente a identificação do responsável e do dependente através de certidão de nascimento ou de outro documento onde também se possa comprovar a idade da criança. Ademais, esta Câmara Superior já pacificou o entendimento no sentido do constante do Acórdão 9202005.674, da ilustre Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que transcrevo: Cingese a controvérsia sobre a incidência de contribuições previdenciárias sobres valores pagos aos segurados empregados a título de reembolso babá. No entender do recorrente aplicase ao caso a Súmula 310 do STJ e o Parecer PGFN nº 2600/2008, pois tal verba possui a mesma natureza jurídica do auxílio creche. Em que pense o debate travado nos autos, devemos destacar a existência do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 que, encerrando definitivamente a controvérsia ora analisada, reconheceu expressamente que o reembolsobabá não compõe o saláriode contribuição em razão da sua natureza indenizatória. Tal parecer foi editado, exatamente, para solucionar as dúvidas relativas a abrangência da Súmula 310 e Parecer 2.600/08. Vejamos trechos do citado Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2271/2013: Tributário. Imposto de Renda e Contribuição Previdenciária. Reembolsobabá. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. Matéria infraconstitucional. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. ... 3. A análise em comento decorre da dúvida que surgiu acerca da abrangência do Ato Declaratório 13/2011. Isto é, se o ato também abarca o reembolsobabá, tendo em vista a equiparação Fl. 991DF CARF MF Processo nº 19740.000633/200848 Acórdão n.º 9202006.171 CSRFT2 Fl. 990 5 dos institutos pela jurisprudência, bem como diante das diferentes acepções do termo “auxíliocreche” na legislação. ... 7. Os Tribunais, notadamente o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao tratar do benefício, trata indistintamente o auxílio creche e o auxíliobabá como institutos congêneres. Com efeito, conforme tratado no PARECER PGFN/CRJ/N.º 13/2011 o STJ quando instado a se manifestar sobre as ações judiciais que tratam acerca do auxíliocreche e do auxíliobabá, não demarca os limites e a abrangência das citadas expressões. Somente descrevem, de modo genérico, que estas verbas correspondem a um reembolso (indenização) de despesas efetuadas pelo trabalhador por ter sido privado de obrigação legalmente imposta ao empregador. ... 9. O entendimento sustentado pela União em juízo é o de que o reembolsobabá não possui natureza indenizatória, ao contrário, integra a remuneração do trabalhador, razão pela qual deveria haver incidência tanto no imposto de renda como na contribuição previdenciária. 10. Ocorre que o Poder Judiciário tem entendido diversamente, restando assente no âmbito do STJ o posicionamento segundo o qual os valores percebidos a título de reembolsobabá têm caráter indenizatório, não incidindo, por isso, imposto de renda ou contribuição previdenciária. ... 23. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda e da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos a título de reembolsobabá (auxíliobabá), como na hipótese objeto deste Parecer, a competência para representar a União é da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, já que se trata de matéria fiscal (art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993); e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de se reconhecer a não incidência do imposto de renda e da contribuição previdenciária nos moldes acima delineados. ... 25. Não se deve olvidar que a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de reembolsobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010, abaixo transcrito: Fl. 992DF CARF MF 6 (…) que se oriente a carreira de Procuradores da Fazenda Nacional para que, quando se depararem com processos da espécie, não restando devidamente demonstrado nos autos a efetiva utilização do auxíliocreche para sua finalidade, sobre ele deve incidir tributação, e o Procurador da Fazenda responsável pela condução do respectivo processo deverá impugnar esta questão, bem assim recorrer de decisões judiciais contrárias a esse entendimento. Com efeito, corrobora o exposto no parágrafo anterior o contido no texto do próprio Ato Declaratório n. 11, de 01/12/2008, publicado no D.O.U de 11/12/2008, que autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante…” e, neste caso, a ausência de comprovação das despesas realizadas configura fundamento relevante a excepcionar a dispensa de contestar e recorrer. (grifouse) 26. Destaquese que embora o Parecer acima citado se refira ao auxíliocreche, podese afirmar que por serem institutos que se equiparam e que, inclusive, como dito, são tratados pelos tribunais como similares, aplicamse ao reembolsobabá as mesmas premissas nele utilizadas. ... Em virtude do parecer foi editado o Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual determina que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre verbas recebidas a título de reembolsobabá.” Destaco que, referido ato declaratório decorre da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 pelo Ministro da Fazenda nos termos de despacho publicado em 13.12.2013, fato de grande importância para desfecho da lide na medida em que nestas circunstâncias tratase de entendimento que vincula os integrantes deste Colegiado por força do art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Segundo o citado artigo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: ... II que fundamente crédito tributário objeto de: ... Fl. 993DF CARF MF Processo nº 19740.000633/200848 Acórdão n.º 9202006.171 CSRFT2 Fl. 991 7 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Ante exposto ao NEGO Provimento ao Recurso da Fazenda Nacional (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 994DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira Patrícia da Silva para divergir do seu entendimento em relação a exclusão dos pagamentos feitos pelo sujeito passivo, à título de auxílio babá, do conceito de salário de contribuição. Analisando o caso concreto, fica claro que inaplicável o ato declaratório descrito pela relatora, uma vez que as situações ali esplanadas não se subssumem a tese trazida no parecer. De igual forma, inaplicável o julgado transcrito pela relatora do voto vencido, novamente por tratarse de situações fáticas distintas. A lei 8.212/91 é clara em definir no art. 28, §9º, "s", as parcelas excluídas do conceito de salário de contribuição, senão vejamos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; Embora a lei não faça expressa previsão do pagamento feito à título de auxílio babá, o Decreto nº 3048/99 em seu art. 214, §9º, incisos XXIII e XXIV assim dispõem: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: XXIII o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as despesas; (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriode contribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; e (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Ou seja, o legislador impõe condições para que o auxílio babá possa ser excluído do conceito de salário de contribuição, quais sejam: limitado ao menor saláriode contribuição mensal, condicionado à comprovação do registro na CTPS da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária e observado o limite máximo de seis anos de idade da criança. Contudo, o citado Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, consubstanciado nas decisões reiteradas do STJ, o qual baseouse a relatora para fundamentar seu voto, não acolhe a interpretação por ela adotada. Notese que o próprio trecho do voto Acórdão 9202005.674, transcrito pela relatora, em alusão ao Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, deixa claro a inaplicabilidade ao caso ora sob análise: Fl. 995DF CARF MF Processo nº 19740.000633/200848 Acórdão n.º 9202006.171 CSRFT2 Fl. 992 9 25. Não se deve olvidar que a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de reembolsobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010, abaixo transcrito: (…) que se oriente a carreira de Procuradores da Fazenda Nacional para que, quando se depararem com processos da espécie, não restando devidamente demonstrado nos autos a efetiva utilização do auxíliocreche para sua finalidade, sobre ele deve incidir tributação, e o Procurador da Fazenda responsável pela condução do respectivo processo deverá impugnar esta questão, bem assim recorrer de decisões judiciais contrárias a esse entendimento. Com efeito, corrobora o exposto no parágrafo anterior o contido no texto do próprio Ato Declaratório n. 11, de 01/12/2008, publicado no D.O.U de 11/12/2008, que autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante…” e, neste caso, a ausência de comprovação das despesas realizadas configura fundamento relevante a excepcionar a dispensa de contestar e recorrer. (grifouse) 26. Destaquese que embora o Parecer acima citado se refira ao auxíliocreche, podese afirmar que por serem institutos que se equiparam e que, inclusive, como dito, são tratados pelos tribunais como similares, aplicamse ao reembolsobabá as mesmas premissas nele utilizadas. Ou seja, a dispensa somente estaria autorizada quando comprovadas as despesas que fundamentaram o seu pagamento. Notese que em virtude do parecer transcrito acima, foi editado o Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, o qual determina que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre verbas recebidas a título de reembolsobabá.” Referido ato declaratório, decorre da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 pelo Ministro da Fazenda nos termos de despacho publicado em 13.12.2013, contudo, restou claro que a sua aplicabilidade estava restrita aos casos em que expressa a comprovação das despesas, o que não é o caso dos autos, senão vejamos trecho do relatório fiscal: 5. SITUAÇÃO FÁTICA 5.1 Na análise das Folhas de Pagamentos do ano de 2004, foi detectada a ocorrência de pagamentos sob o título de Auxílio Creche, Auxílio Creche—Mês Anterior, Auxílio Babá e Auxílio Babá—Mês Anterior. Em anexo, cópia dos os resumos das folhas de pagamento (fls. 1%). 5.2. Foram solicitados os comprovantes de despesas com Creche relativos a todos os empregados que receberam esta Fl. 996DF CARF MF 10 rubrica e a comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária da empregada em relação àqueles que receberam o Auxilio Babá. 5.3. Ocorre que a empresa não logrou apresentar a maior parte dos comprovantes solicitados, apresentando apenas os relativos a treze funcionários, ficando claro que a empresa não observou os requisitos legais para efetuar o pagamento destes valores, passando estes a integrar a base do salário de contribuição previdenciária. 5.4. Em anexo (fls. VSut ), encontrase uma lista com todos os pagamentos efetuados em desobediência aos preceitos legais, ou seja, sem a comprovação das despesas com creche ou babá, contendo as informações do empregado, o valor pago e o mês do pagamento, além de cópia dos 1110 resumos mensais da folha de pagamento. 5.5. Foram excluídos os valores pagos àqueles segurados empregados que apresentaram a documentação bastante e suficiente para comprovar as despesas de acordo com a lei. 5.6. Cabe ressaltar que, quando se trata de comprovação de despesas, formulários preenchidos pelos próprios funcionários quando da solicitação do benefício, não comprovam despesa alguma, comprovam apenas que o funcionário solicitou o recebimento do tal auxílio. No que se refere à cópia da Carteira de Trabalho da babá, não obstante este ser um dos' documentos exigidos pela legislação para que não haja incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio babá, não é bastante e suficiente para a comprovação da efetiva despesa já que não evidencia a continuidade do contrato de trabalho, o efetivo pagamento dos salários devidos à ,babá nem o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Pelos trechos transcritos acima fica claro que não logrou o sujeito passivo apresentar o comprovante de pagamento feito a babá, documento este necessário para demonstrar o caráter indenizatório previsto nas decisões do STJ que culminaram com a publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 e Ato declaratório PGFN nº 01/2014. Dessa forma, inaplicável o entendimento exarado pela relatora, inclusive citando o art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, posto que o citado Ato Declaratório expressamente exclui a situação ora sob julgamento do seu alcance. Conclusão Face o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 997DF CARF MF
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