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Numero do processo: 10245.001385/2006-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/11/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Após a vigência do art. 4º da LC nº 118/2005 o prazo prescricional de apresentar pedido de restituição é de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRESCRIÇÃO. Após a vigência do art. 4º da LC nº 118/2005 o prazo prescricional de apresentar pedido de restituição é de cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Sidney Eduardo Stahl, Luiz Augusto do Couto Chagas, Mônica Elisa de Lima, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 13 85 /2 00 6- 15 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10245.001385/200615 Acórdão n.º 3301002.564 S3C3T1 Fl. 164 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito: A interessada acima qualificada apresentou, em 21/09/2006, o Pedido de Restituição de fls. 01/04, pelo qual pretende a repetição de créditos relativos a supostos recolhimentos indevidos de PIS, com fulcro nos Decretosleis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, no período de janeiro de 1990 a novembro de 1995. Vinculadas a tal crédito, apresentou as Declarações de Compensação de fls. 94/114. 2. Em 25/09/2006, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 122/124, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Boa Vista indeferiu o Pedido de Restituição, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, e não homologou as compensações pretendidas. Em 02/10/2006, a contribuinte tomou ciência (fl. 124) do referido Despacho Decisório e, em 26/10/2006 (fl. 125), apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 125/129, na qual alega, em síntese, que: a) Já se encontra pacificado no Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, seu prazo decadencial só tem início quando decorridos cinco anos, a contarse da homologação tácita do lançamento. Já o prazo prescricional iniciase a partir da data em que foi declarada a inconstitucionalidade do diplomo legal em que se fundo a exação. Refere julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região. b) O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Por sua vez, o Senado Federal suspendeu a execução de tais DecretosLei por meio da Resolução nº 49, de 1995. Portanto, não há que se falar em prescrição e, quanto à decadência, esta não atingirá os tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido nos dez anos antecedentes ao pedido de restituição ou compensação, somente atingindo aqueles cujos fatos geradores se deram anteriormente a tal período. 4. Em face de tais alegações, requer que seja julgado procedente seu pedido de restituição e reconhecido o direito às compensações pleiteadas. Ao Julgar referida manifestação de inconformidade a 3ª Turma da DRJ/Belém, proferiu o Acórdão nº 019841, de 27/11/2007, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 30/11/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear restituição/compensação de valores pagos indevidamente, inclusive em razão da inconstitucionalidade de texto normativo, prescreve em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10245.001385/200615 Acórdão n.º 3301002.564 S3C3T1 Fl. 165 3 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual, defende que ainda não havia transcorrido o prazo prescricional para apresentar o seu pedido de restituição. Apresenta jurisprudência que iria ao encontro de sua tese. É o relatório do essencial. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10245.001385/200615 Acórdão n.º 3301002.564 S3C3T1 Fl. 166 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. O contribuinte apresenta pedido de restituição cumulado com declarações de compensação para poder utilizar de pretensos valores pagos a maior do PIS relativos a fatos geradores de 01/01/1990 a 30/11/1995, com fundamento na inconstitucionalidade declarada dos Decretos Leis nº 2.445 e 2.449/88. O seu pedido foi apresentado em 21/09/2006. No caso, aplicando a tese dos dez anos contados da ocorrência do fato gerador, situação que vigorou até a entrada da vigência da LC nº 118/2005, em 09/06/2005, ainda assim o contribuinte já teria perdido o prazo para apresentar o seu pedido de restituição. Observe que para o último fato gerador solicitado pelo contribuinte, 30/11/1995, já transcorreram dez anos e 10 meses até a data do seu pedido. Não existe nenhuma hipótese legal de contagem de tempo prescricional a favorecer o contribuinte. Como ele apresentou o pedido em 21/09/2006, já estava em vigor a LC nº 118/2005 que estabelece o prazo de 5 anos contados do pagamento indevido, para os pedidos protocolizados a partir de 09/06/2005, independente da data do fato gerador ou do pagamento indevido. Assim, foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10245.001385/200615 Acórdão n.º 3301002.564 S3C3T1 Fl. 167 5 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, para os pedidos de restituição apresentados após 09/06/2005, a contagem do prazo prescricional se dá em cinco anos contados do pagamento a maior ou indevido, por força da aplicação do art. 4º da LC nº 118/2005. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10245.001385/200615 Acórdão n.º 3301002.564 S3C3T1 Fl. 168 6 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 02/ 03/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003379/2005-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a cana-de-açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de cana-de-açúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas das vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e sejam incluídas na receita bruta total (denominador). II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Demes Brito.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a cana-de-açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de cana-de-açúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas das vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e sejam incluídas na receita bruta total (denominador). II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Demes Brito.
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GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Óleo diesel utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina é insumo para empresa de produção de canadeaçúcar e de açúcar e álcool e, por isso, dá direito a crédito no cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, desde que na sua aquisição tenha havido cobrança da contribuição. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA TOTAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas das vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 33 79 /2 00 5- 94 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS E DA CONTRIBUÇÃO PARA O PIS/PASEP. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, logo, não incidem sobre ela a Cofins e a contribuição para o PIS/Pasep. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica incluir tal receita, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador do rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e sejam incluídas na receita bruta total (denominador). II) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Demes Brito e Cássio Schappo que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Cássio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Demes Brito. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de outubro de 2005, apurado de conformidade com o art. 3° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 188.859,63. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls. 55/67), procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; constatou créditos indevidos de combustíveis e lubrificantes que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; inclusão da receita financeira e da receita de bens do ativo permanente na receita do mercado interno e das notas fiscais de complemento de preço (variação cambial) e créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física e créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária. Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 51.968,75, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 68/69, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 84/97. Preliminarmente, disserta sobre as informações do processo e as intimações encaminhadas. Inicialmente, defende que o óleo diesel foi utilizado para abastecer as máquinas e implementos que cortam e carregam a canadeaçúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira lhe dá direito ao crédito destas aquisições no período. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 5 4 Alega que a receita financeira do mercado interno “faz parte da receita de vendas no mercado interno” e quanto às “notas fiscais de complemento de preço”, serialhe permitido se creditar nos termos do artigo 149, da Constituição Federal. Defende que a receita de álcool exportado integra a base de cálculo na apuração não cumulativa. Argumenta que a fiscalização não poderia restringir o seu direito de utilização dos créditos de canadeaçúcar de pessoa física ou jurídica, sob pena de infringir a lei nº 9.430/1996, especificamente em seu artigo 74. Afirma inaplicabilidade da IN/SRF nº 660/2006, por não ser possível a sua retroatividade e que a restrição seria ilegal e inconstitucional, pois “acarreta em uma verdadeira afronta à hierarquia das leis” e fere “o princípio da irretroatividade da lei”. Ao final, alega, no plano geral, inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004, e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 6 5 A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 8 7 circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 9 8 intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 10 9 que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, entendo correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 11 10 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma tem decidido no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 12 11 INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 13 12 na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Sobre o rateio É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 14 13 §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins. Receitas financeiras Do exposto na seção anterior, concluise que as receitas financeiras incluem se na receita bruta total, ou seja, no denominador do rateio. Uma vez que se está diante de pedido de ressarcimento “mercado externo”, a relação percentual a ser aplicada aos custos, encargos e despesas comuns que dão direito a crédito obtémse da divisão da receita com as exportações pela receita bruta total, não se incluindo nas receitas de exportações as decorrentes de vendas de produtos que, nas vendas internas, submetemse à tributação pelo regime cumulativo. As receitas financeiras, nelas não se incluindo as variações cambiais originadas de exportações, tratadas abaixo, não se incluem entre as receitas de exportação, pois são receitas do “mercado interno”. A exclusão destas receitas do total das receitas internas sujeitas ao regime não cumulativo, tendo em vista não integrarem a base de cálculo da contribuição não cumulativa1, causa impacto no cálculo da razão entre receita interna tributada e a receita bruta total, mas não afeta a razão entre receita de exportação e receita bruta total. Concluise que as receitas financeiras não integram as receitas de exportação (numerador do rateio) e integram a receita bruta total (denominador do rateio). Gastos com combustíveis e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. 1 Salvo no caso de instituições financeiras, as receitas financeiras não caracterizam receitas de vendas de mercadorias ou serviços. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 15 14 A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda.. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito. Devem ser canceladas as glosas efetuados pela fiscalização no cálculo dos créditos da contribuição, apuração não cumulativa, referentes às aquisições de óleo diesel, utilizado para abastecer máquinas e implementos que cortam e carregam a canade açúcar e os caminhões que a transportam do campo até a esteira da usina, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, tendo em vista o disposto no art. 3º, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação. O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 16 15 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributadas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 17 16 denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004: A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E a Lei nº 10.637, de 2002, determinou: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 18 17 “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 19 18 Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.003379/200594 Acórdão n.º 3801004.717 S3TE01 Fl. 20 19 não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social; e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador (receitas de exportação) e no denominador (receita bruta total); corrigir o cálculo do rateio, de modo que as receitas financeiras não sejam incluídas no numerador (receita de exportação) e sejam incluídas na receita bruta total (denominador). Nas demais questões, voto por manter a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 17460.000546/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 173, I, DO CTN.
No caso em exame, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, inexistindo qualquer discussão a respeito da existência de pagamento antecipado, a norma decadencial a ser aplicada é aquela insculpida no art. 173, inciso I, do CTN.
A ação fiscal compreendeu o período de 01/07/1999 a 31/12/2006. A empresa foi cientificada da presente NFLD em 14/03/2007, via postal conforme cópia do AR acostada às fls. 58, apresentando defesa em 27/03/2007, assinada por seu representante legal, às fls. 62/63. Isto é, aproximadamente isto é, aproximadamente sete anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Dessa forma, encontram-se decaídas as competências entre 1999 até 11/2001, fulminando a pretensão fazendária.
SELIC. MULTA DE MORA. DECADÊNCIA.
A empresa fica obrigada a recolher as contribuições sociais decorrentes das divergências verificadas entre o valor declarado em GFIP pelo próprio sujeito passivo e os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social.
As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, e multa de mora, ambas de caráter irrelevável.
MULTA
MULTA. MATÉRIA QUE NÃO SE CONFIGURA DE ORDEM PÚBLICA.
No caso em tela a Recorrente não anatematizou a matéria especificamente. E, não sendo matéria de ordem pública porque ela não representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano, deverá ser mantida em sua originalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator designado: Wilson Antonio De Souza Correa.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio De Souza Correa Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Bernadete De Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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E COM. DE MAQ. INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1998 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 173, I, DO CTN. No caso em exame, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, inexistindo qualquer discussão a respeito da existência de pagamento antecipado, a norma decadencial a ser aplicada é aquela insculpida no art. 173, inciso I, do CTN. A ação fiscal compreendeu o período de 01/07/1999 a 31/12/2006. A empresa foi cientificada da presente NFLD em 14/03/2007, via postal conforme cópia do AR acostada às fls. 58, apresentando defesa em 27/03/2007, assinada por seu representante legal, às fls. 62/63. Isto é, aproximadamente isto é, aproximadamente sete anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, encontramse decaídas as competências entre 1999 até 11/2001, fulminando a pretensão fazendária. SELIC. MULTA DE MORA. DECADÊNCIA. A empresa fica obrigada a recolher as contribuições sociais decorrentes das divergências verificadas entre o valor declarado em GFIP pelo próprio sujeito passivo e os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social. As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, e multa de mora, ambas de caráter irrelevável. MULTA MULTA. MATÉRIA QUE NÃO SE CONFIGURA DE ORDEM PÚBLICA. No caso em tela a Recorrente não anatematizou a matéria especificamente. E, não sendo matéria de ordem pública porque ela não ‘representa um anseio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 05 46 /2 00 7- 21 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’, deverá ser mantida em sua originalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator designado: Wilson Antonio De Souza Correa. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator. (assinado digitalmente) Wilson Antonio De Souza Correa – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Bernadete De Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000546/200721 Acórdão n.º 2301003.907 S2C3T1 Fl. 299 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão n ° 0217.995 proferido pela 9 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento Belo Horizonte – MG, fls (132/137), no qual julgou procedente o lançamento referente a contribuições relativas ao adicional que propicia a concessão de aposentadoria especial aos 25 anos de serviço, conforme Lei 9.732, de 11/12/98, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados que trabalharam sujeitos a condições especiais de trabalho apuradas em Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP no período de 07/1999 a 13/2006, realizado pelo órgão fiscal. Segue e ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2006 FATOS GERADORES INFORMADOS EM GFIP. DÉBITO DECLARADO. NÃO RECOLHIMENTO. SELIC. MULTA DEMORA. DECADÊNCIA. A empresa fica obrigada a recolher as contribuições sociais decorrentes das divergências verificadas entre o valor declarado em GFIP pelo próprio sujeito passivo e os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social. As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, e multa de mora, ambas de caráter irrelevável. O prazo para a Seguridade Social apurar e constituir o crédito previdenciário é de dez anos. Lançamento Procedente Foi solicitada documentação solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de fls. 25/26 e a ação fiscal foram precedidas de Mandado de Procedimento Fiscal MPF n°. 09367418 e complementar de fls. 23/24, abrangendo o período de junho/1998 a janeiro/2007, emitidos em 04/01/2007 e 12/01/2007, com prazo de vigência até o dia 13/03/2007. Os fatos geradores relativos a esta NFLD foram apurados através dos valores declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP e não recolhidas em época própria e estão devidamente discriminados no relatório DAD Discriminativo Analítico do Débito. O contribuinte foi cientificado da presente NFLD em 14/03/2007, via postal conforme cópia do AR acostada às fls. 58, apresentando defesa em 27/03/2007, assinada por seu representante legal, às fls. 62/63. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 Por meio de impugnação de (fls. 62/63), a empresa alega em sua defesa que os débitos referentes ao período de 07/1999 até 31/12/2001 estão cobertos pelo manto da prescrição, razão pela qual esse período fica totalmente impugnado. Alega, também, que firmou termo de adesão ao REFIS cuja conta recebeu o número 940.000.132.700. O contribuinte afirma que o presente NFLD é nulo de pleno direito, pois composta de débitos incluídos no Programa de Recuperação Fiscal e prescrito até 31/12/2001. Mais a frente da exclusão dos débitos pela adesão ao REFIS, a notificada aduz que não concorda com os índices praticados de multa nos períodos cujas contribuições deixaram de ser recolhidas, requerendo assim o cancelamento da notificação. O processo foi encaminhado a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, de acordo com o despacho de fls. 65. A Delegacia entendeu que apesar da alegações expostas pela empresa, o lançamento deverá ser mantido sob o fundamento do art. 12, V, art. 21, art 28, III combinado com art. 30, I, alínea 'b' da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, ou seja lançamento teve por base os fatos geradores declarados em GFIP cujo recolhimento não foi efetuado pela empresa em GPS. Assim, de acordo com o órgão julgador, por terem sido verificados os fatos e constatado no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB que a notificada declarou fatos geradores de contribuição previdenciária, confessando os valores devidos, e não os recolheu até o momento da presente notificação, a fiscalização, cuja atividade é vinculada, procedeu ao levantamento do débito. Segundo a Delegacia da Receita, a alegação do contribuinte referente a prescrição das competências dos períodos de 07/1999 a 12/2001 não pode prosperar pois não cabe aos órgãos da administração pública apreciar e/ou declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de qualquer dispositivo estatuído em lei, mas tão somente cumprilos. Isto porque as leis e atos normativos nascem com a presunção de legalidade, as quais devem ser questionadas perante o Poder Judiciário. Conforme entende e afirma em seu julgamento, aplicase ao caso em tela, enquanto não retirada a sua eficácia, a Lei n° 8.212/91 que estabelece prazo especifico para constituição de crédito destinado A Seguridade Social o que faz no seu art. 45, in verbis: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Em se tratando das alegações da empresa à respeito do termo de adesão ao REFIS e que por isso parte dos débitos constantes da notificação estariam incluídos no programa, a Delegacia entende não há que se falar que parte do presente débito está incluído em programa de recuperação fiscal pois, não procedendo após ser constato em consulta a sistema informatizado de débitos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB que empresa fez requerimento 'de adesão em 13/12/2000 tendo ocorrido seu deferimento em 26/04/2001. Na mesma tela, em anexo As fls. 99 há a informação de fim da vigência e 01/04/2002. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000546/200721 Acórdão n.º 2301003.907 S2C3T1 Fl. 300 5 Com relação quanto a exigência de multa, apreende que as mesmas não podem prosperar, pois essa determinação encontrase no artigo 35 da Lei 8.212/91, e no artigo 34. Concorda que foi aplicada corretamente a multa com redução de 50%, cumprindo a respectiva previsão legal, tendo em vista que os valores foram declarados em GFIP. Por fim, realizada a ciência do acórdão n° 0217.995, da 9ª turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em Belo Horizonte/MG e no prazo legal o contribuinte apresentou Recurso voluntário sob os mesmos fundamentos anteriormente ditos. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. DA DECADÊNCIA A obrigação principal é proveniente do pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, configurando sempre com conteúdo patrimonial. A acessória é dever instrumental que visa assegurar o interesse da arrecadação dos tributos, facilitando a atividade fiscalizatória. Tais conceitos foram extraídos do enunciado normativo inserido no art. 113 do CTN: “Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2 A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3 A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância converte se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” Mais adiante, estabelece o art. 115 do CTN que o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na legislação aplicável, imponha a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Assim como na obrigação principal, a obrigação acessória poderá ser exigida do órgão fazendário dentro de determinado prazo. Com a publicação da Súmula Vinculante nº 8, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional. Desse modo, no caso em exame, por se tratar de descumprimento de obrigação acessória, inexistindo qualquer discussão a respeito da existência de pagamento antecipado, a norma decadencial a ser aplicada é aquela insculpida no art. 173, inciso I, do CTN, a seguir: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000546/200721 Acórdão n.º 2301003.907 S2C3T1 Fl. 301 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” A ação fiscal compreendeu o período de 01/07/1999 a 31/12/2006. A empresa foi cientificada da presente NFLD em 14/03/2007, via postal conforme cópia do AR acostada às fls. 58, apresentando defesa em 27/03/2007, assinada por seu representante legal, às fls. 62/63. Isto é, aproximadamente isto é, aproximadamente sete anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, os períodos de entre 1999 até 11/2001, referentes às devidas cobranças, encontramse decaídas, fulminando a pretensão fazendária. DO MÉRITO A empresa argumenta que firmou termo de adesão ao REFIS e por isso parte dos débitos constantes da notificação estariam incluídos no programa. Foi Constatado em consulta ao sistema informatizado de débitos da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB que a empresa fez requerimento de adesão em 13/12/2000 tendo ocorrido seu deferimento em 26/04/2001. Na mesma tela, em anexo às fls. 101 há a informação de fim da vigência em 01/04/2002. Na consulta aos processos constantes do parcelamento especial (telas em anexo) aparecem quinze lançamentos, entre notificações e autos de infração, porém, como se vê de sua análise todos abrangem competências até 05/1998, anteriores, portanto, à primeira competência examinada na presente ação fiscal que é 06/1998. Dessa forma, não há que se falar que parte do presente débito está incluída em programa de recuperação fiscal, não procedendo esta alegação da empresa. Em relação à multa, em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP nº 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mais benéfico ao contribuinte. Sendo assim, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas multas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para a aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. E na hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP aplicase a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, como se depreende do inciso I do art. 32A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei 9.430/96. A Lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no presente caso, há o cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Quando lhe comine penalidades menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e de forma menos onerosa ao contribuinte. SELIC Ainda quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltase que o disposto no Enunciado da Súmula CARF n. 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portando, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. CONCLUSÃO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para: a) declarar fulminadas pela decadências até a competência 11/2001; b) e aplicar, se mais benéfica ao contribuinte, a multa prevista no art. 32 A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo que no mais fica mantida a r. decisão recorrida. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000546/200721 Acórdão n.º 2301003.907 S2C3T1 Fl. 302 9 Voto Vencedor MULTA MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Em que pese a sapiência do nobre Conselheiro / Relator, a ele peço vênia para discordar de seu voto, somente com relação a multa, eis que no Recurso voluntário o Recorrente não tratou de espancar a matéria. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando Fl. 307DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 17460.000546/200721 Acórdão n.º 2301003.907 S2C3T1 Fl. 303 11 não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ES AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. Verificamos que a defesa apresentada traça seu contorno apenas à argumentação relativa à prescrição e combater os juros, sem mencionar a multa. Conclusão Fl. 308DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Portanto, deverá ser mantida a multa na sua originalidade, eis que não houve manifestação expressa pelo Recorrente espancando a matéria que não a reconheço como de ordem pública. É como voto. Wilson Antonio de Souza Corrêa – Redator designado. (assinado digitalmente) Fl. 309DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/01/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 16682.720681/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS SOBRE CAPITAL. FACULDADE REGIME DE COMPETENCIA GLOSA DE PRÓPRIO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. NÃO EXERCÍCIO. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. DEDUÇÃO EM ANOS POSTERIORES. VEDAÇÃO.
O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio - JSCP à acionista ou sócio é faculdade concedida pela lei, para ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes limitada aos juros (TJLP) sobre o patrimônio líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. Deste modo, o não exercício da mencionada faculdade em determinado ano-calendário configura renúncia ao benefício concedido na lei e enseja a preclusão temporal que impede a dedução dos juros sobre o capital próprio JSCP em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução, na apuração do lucro real do ano, de juros sobre o capital próprio JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 1202-001.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro(a)s Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista (Suplente convocado), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno e Carlos Alberto Donassolo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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JUROS SOBRE CAPITAL. FACULDADE REGIME DE COMPETENCIA GLOSA DE PRÓPRIO. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. NÃO EXERCÍCIO. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. DEDUÇÃO EM ANOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio JSCP à acionista ou sócio é faculdade concedida pela lei, para ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes limitada aos juros (TJLP) sobre o patrimônio líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. Deste modo, o não exercício da mencionada faculdade em determinado anocalendário configura renúncia ao benefício concedido na lei e enseja a preclusão temporal que impede a dedução dos juros sobre o capital próprio JSCP em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução, na apuração do lucro real do ano, de juros sobre o capital próprio JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiro(a)s Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Plínio Rodrigues Lima e, por maioria de votos, em afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Viviane Vidal Wagner. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 81 /2 01 1- 03 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 459 2 (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista (Suplente convocado), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno e Carlos Alberto Donassolo (Presidente à época do julgamento). Relatório Consiste o presente processo em Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, consubstanciados em lançamentos de IRPJ, no valor de R$ 12.737.659,23 (fls. 80/85) e CSLL, no valor de R$ 10.161.806,13 (fls. 86/92), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros a Taxa SELIC, decorrentes de infração apurada pela fiscalização relativa à "ausência de adição aos lucros do período (em 31/12/2008), na determinação do lucro real, dos juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, indedutíveis, face à constatação de que o valor deduzido supera o limite estabelecido na legislação em vigor". De acordo com o Termo de Verificação de Infração (fls. 73/78): Constatouse que o contribuinte pagou a seus quotistas, a título de juros sobre o capital próprio referentes ao anocalendário 2008, o montante de R$ 225.088.220,10, excedendo o limite de dedutibilidade estabelecidos na legislação tributária e sem adicionar este excesso na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; De acordo com o art. 9° da Lei n° 9.249/1995, a pessoa jurídica pode deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP; Consoante seu §1°, o efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Segundo o §8° do mesmo artigo, temos que o cálculo do montante dos juros sobre o capital próprio não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 460 3 jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL; Consoante a IN SRF n° 93/1997, o montante dos juros remuneratórios do capital passível de dedução para efeitos do lucro real e da base de cálculo da contribuição social limitase ao maior dos seguintes valores: 50% do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros ou 50% do somatório dos lucros acumulados e reservas de lucros; Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, o contribuinte argumentou que o valor deduzido a título de juros sobre o capital próprio haveria ficado abaixo do limite permitido, utilizando como baselimite para sua apuração o lucro líquido do exercício de 2008. A partir da premissa de que a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio estaria limitada pelo maior entre 50% dos lucros acumulados ou 50% do exercício após a dedução da CSLL e antes da dedução dos juros, o contribuinte demonstra que utilizou menos do que 50% dos lucros do exercício ajustado. Entretanto, o raciocínio apresentado pelo contribuinte falha em desconsiderar a base de apuração da dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio, uma vez que, segundo a legislação vigente, a permissão de dedução de tais juros deve ser calculada sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP; Em síntese, o cálculo do limite de dedutibilidade do valor dos juros sobre o capital próprio pagos ou creditados segue os seguintes preceitos: 1. Procurase o maior valor entre: 50% do lucro líquido do exercício antes da dedução dos juros sobre capital próprio; 50% do valor de lucros acumulados somado ao valor reserva de lucros; 2. Em seguida, calculase o valor do patrimônio líquido menos a reserva de reavaliação não adicionada, limitado pela variação, pro rata dia, da TJLP. 3 O menor valor entre os itens 2 e 3 é o limite de dedutibilidade permitido pela legislação na apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL. Foi elaborada tabela em que se demonstram os limites de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio: 1. JCP deduzido na DIPJ 2009 R$ 225.088.220,10 2. Lucro líquido ajustado de acordo com §1° do art. 9°, da Lei n° 9.249/95 R$572.994.109,84 50% = R$286.497.054,92 3. Lucros acumulados + Reservas de lucros, de acordo com §1° do art. 9°, da Lei n° 9.249/95 R$ 199.251.972,97 50% = R$ 99.625.986,49 4. Patrimônio Líquido menos a Reserva de Reavaliação, limitados de acordo com o §8° do art. 9°, da Lei 9.249/95 R$ 55.267.307,67 Destarte, chegase à conclusão de que o limite de dedutibilidade dos juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio durante o anocalendário foi de R$ 55.267.307,67. Entretanto, como demonstrado na DIPJ, o contribuinte deduziu o valor de R$ 225.088.220,10 em sua demonstração de resultado, sem, contudo, adicionar o excesso sobre os juros sobre capital Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 461 4 próprio pagos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Tal excesso atingiu o valor de R$ 169.820.912,43, devendo ser adicionado às apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Intimadada lavratura do Auto de Infração, a empresa Recorrente apresentou, em 01/09/2011, Impugnação (fls. 156/174), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 292/315): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário 2008 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. NÃO EXERCÍCIO. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE. DEDUÇÃO EM ANOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio JSCP à acionista ou sócio é faculdade concedida pela lei, para ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes limitada aos juros (TJLP) sobre o patrimônio líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. Deste modo, o não exercício da mencionada faculdade em determinado ano calendário configura renúncia ao benefício concedido na lei e enseja a preclusão temporal que impede a dedução dos juros sobre o capital próprio JSCP em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução, na apuração do lucro real do ano, de juros sobre o capital próprio JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores. CSLL. DECORRÊNCIA. Subsistindo a matéria fática que ensejou o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte deve colher aquele auto de infração lavrado por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal entre eles. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFICIO. PREVISÃO LEGAL. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3°, da Lei 9.430/96. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Tendo sido intimada, em 03/04/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 320/355) em 02/05/2012, merecendo destaque as seguintes alegações: a) A Recorrente tomou como base a aplicação da TJLP sobre o PL inicial de cada anocalendário, realizando os devidos ajustes decorrentes das mutações patrimoniais ocorridas no respectivo curso do ano calendário, tal como resumido na tabela: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 462 5 Ano JCP Passível de Remessa JCP contabilizado e deliberado em 2008 2003 R$ 115.473.245,36 R$ 14.404.359,36 2004 R$ 85.329.244,08 R$ 85.329.244,08 2005 R$ 68.509.331,63 R$ 68.509.331,63 2006 R$ 60.281.649,94 R$ 227.576,94 2007 R$ 50.416.308,99 R$ 5.416.308,99 2008 R$ 51.201.419,10 R$ 51.201.419,10 Total R$ 431.211.179,10 R$ 225.088.220,10 b) Inexistência de dispositivo legal veiculando qualquer limitação quanto à possibilidade de efetuarse a apuração de juros sobre capital próprio calculado sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores; c) O art. 9° da Lei n° 9.249/95 traz apenas a forma como devem ser calculados o JSCP e limites quantitativos a serem observados para a dedução dos valores pagos ou creditados a esse título; d) Os arts. 1071, 1072 e 1078, citados pelas dd. autoridades julgadoras, não trazem expressa limitação temporal ao cômputo de juros apurados sobre contas de patrimônio líquido de períodos anteriores em anos posteriores para fins fiscais; determinam apenas (i) as matérias que dependem de deliberação dos sócios das sociedades empresárias limitadas; (ii) a forma pela qual as deliberações de sócios devem ser tomadas em reuniões e assembléias; e (iii) o período em que tais reuniões e assembléias devem ser realizadas para a tomada de deliberações; e) Não há qualquer disposição no sentido de que a deliberação pelo nãopagamento ou crédito de JSCP ao final de determinado exercício ensejaria a renúncia dessa faculdade nos próximos exercícios; f) A análise dos arts. 177 e 187 da Lei 6.404/76 revela que, de acordo com o regime de competência, devem ser escrituradas as despesas pagas ou incorridas, referentes ao período de apuração; devese, em primeiro lugar, determinar em que momento a despesa de JSCP é efetivamente incorrida pela empresa, para, então, verificarse a observância do regime de competência; g) Cabe à empresa e aos sócios e acionistas, analisando a situação financeira e a conjuntura econômica, decidir se, quando e quanto irão pagar os JSCP; h) O princípio da autonomia dos exercícios financeiros, de natureza tributária, diz respeito apenas à apuração de tributos e não possuem o condão de limitar temporalmente deliberações de cunho financeiro e/ou econômico das empresas, sendo que a Recorrente apurou corretamente os tributos devidos para cada um dos anoscalendários de 2003 a 2008, tendo apurado os fatos geradores e bases de cálculo de forma independente nos respectivos exercícios; i) Os JSCP calculados com base nas contas de patrimônio líquido de 2003 a 2008 foram aprovados pelos sócios da Recorrente e pagos em relação ao anocalendário de 2008, de forma que sua dedução para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nesse período está em estrita observância à legislação fiscal; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 463 6 j) O período de competência dos JSCP não pode ser outro senão aquele em que é definido o seu pagamento, momento no qual é gerada uma obrigação para a empresa e um direito creditório aos sócios e acionistas; k) A base adotada para o cálculo dos juros sobre o capital próprio ou seja, a aplicação da TJPL sobre as contas de patrimônio líquido consiste em um elemento quantitativo dos juros, mas o momento de sua verificação não tem qualquer relevância para a determinação do período de competência dos juros sobre o capital próprio; l) Admitir que o período de competência dos juros sobre o capital próprio seria o período de apuração das contas de patrimônio líquido independentemente da deliberação dos acionistas sobre o pagamento desses juros resultaria na absurda situação de se considerar uma despesa que talvez sequer seja materializada como despesa incorrida; m) A empresa pode deixar de pagar os dividendos para não prejudicar sua situação financeira, mas o recebimento desses valores não deixa de ser um direito ao acionista, que pode vir a recebêlos em caso de melhora da situação financeira da companhia; a mesma lógica deve ser aplicável aos JSCP e eventuais outras formas de remuneração de capital; n) A determinação da natureza jurídica do pagamento, seu tratamento fiscal e reflexos societários devem observar a data da efetiva deliberação e pagamento dos JSCP, pois somente nesse momento podese afirmar sua existência, valor e condições; o) Impossibilidade da incidência de juros sobre o valor das multas de ofício lançadas Em sede de contrarrazões (fls. 422/447), a Fazenda Nacional, arguiu pela manutenção da decisão recorrida, alegando, em suma: ü Pela impossibilidade de efetuar a dedução de valores relativos aos juros sobre capital próprio, decorrentes de exercícios anteriores; ü A não deliberação da empresa, por meio de seus sócios, no momento oportuno, sobre o pagamento dos JCP, implicaria renúncia ao direito de dedutibilidade fiscal; ü Observância ao regime de competência como critério básico para registro das operações da pessoa jurídica na contabilidade societária e fiscal (art. 177 da Lei 6.404/76, ratificado pelo art. 29 da IN SRF 11/96); ü Subsidiariamente, alega que a conduta da empresa revela um descumprimento aos requisitos legais, pois ela aplicou a TJLP sobre exercícios passados, mas observou tão somente o lucro do exercício de 2008, ano de deliberação e pagamento do JCP, para verificar o limite dedutível; ü Deve ser mantida a incidência de juros sobre a multa de ofício nos termos da legislação vigente. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 464 7 Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. MÉRITO A) Possibilidade de remuneração de Juros sobre o Capital Próprio referente aos anos calendários anteriores ao período base O presente lançamento decorre da dedutibilidade de Juros sobre o Capital Próprio (JCP) efetuado pela Recorrente no ano de 2008, no valor total de R$ R$225.088.220,10. Segundo a fiscalização o montante que deveria ter sido creditado seria de R$ 55.267.307,67, que comparado com o valor efetivamente creditado pela Recorrente representaria um excesso de R$ 169.820.912,43, sobre o qual foram lançados o IRPJ e a CSLL, multa e juros (fl. 77). O valor creditado pela Recorrente corresponde a JCP apurados sobre contas do patrimônio líquido relativos aos exercícios de 2003 a 2007, os quais foram acumulados e deduzidos do lucro real apenas em 2008, sendo que, o valor considerado excessivo pela fiscalização corresponde aos valores pagos de JCP referentes aos anos de 2003 a 2007. Dessa forma, o entendimento da fiscalização se resumiu na possibilidade de remunerar o capital próprio apenas relativo a cada período base, que no caso seria somente no ano de 2008, e não como efetuou a Recorrente, remunerando também os juros sobre o capital próprio referentes aos anos anteriores. Para o exame da matéria, tornase indispensável à análise da legislação que permite o pagamento de JCP. Vejamos: Lei n° 9249/95 Art. 9° A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. § 1° O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. (Redação dada pela Lei n° 9.430, de 1996) § 2° Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3° O imposto retido na fonte será considerado: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 465 8 I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4°; § 5° No caso de beneficiário sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987, o imposto poderá ser compensado com o retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 6° No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2° poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7° O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2°. § 8° Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Referido artigo dispõe sobre o modo como devem ser remunerados os juros sobre o capital próprio, estabelecendo que os lucros devam ser calculados antes da atribuição dos juros e que no cálculo da remuneração não será considerado o valor de reserva de reavaliação no patrimônio líquido da pessoa jurídica. Portanto, a legislação trouxe duas limitações paraa possibilidade de dedução dos JCP na apuração do Lucro Real. Conforme alegou a Recorrente, a mesma calculou a remuneração dos JCP exatamente como estabelece a legislação, restringindose o presente tópico à análise acerca da impossibilidade de pagamento de JCP com base no tempo decorrido anteriormente ao período base relativo ao ano de 2008. Ocorre que o artigo acima transcrito não faz nenhuma restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Assim, em observância ao princípio da legalidade, a fiscalização não poderia ter atribuído um prazo para o pagamento de JCP senão em virtude de lei. Isso porque, os juros sobre capital próprio constituem uma remuneração dos acionistas em razão dos investimentos realizados na sociedade pagadora dos juros e deve levar em consideração o exercício social da empresa, o que pode não coincidir com o exercício fiscal. Diante disso, os juros podem ser pagos sobre quaisquer períodos de tempo, sejam eles coincidentes com o ano calendário, com o exercício social ou com o período base fiscal. Ou seja, é necessário segregar as implicações no âmbito da legislação comercial e das normas que regulam a dedutibilidade fiscal. Esse tema já foi assunto de análise, como pode se verificar no trecho abaixo extraído de artigo publicado em 2003: "De fato, a remuneração do capital dos sócios ou acionistas é uma faculdade que depende apenas da decisão formal deles próprios por intermédio de deliberação tomada em Assembleia de Acionistas ou Reunião de Quotistas, ou em virtude de cláusula estatuária ou contratual existente. Esta faculdade é garantida por um feixe de normas jurídicas que Fl. 465DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 466 9 constituem a esfera particular de ações das pessoas, em que as ações são governadas pelos princípios da livre iniciativa e da autonomia da vontade, delimitados e orientados pelo ordenamento jurídico. Portanto, em princípio, uma sociedade pode, no presente, deliberar sobre o pagamento de juros sobre o capital para períodos passados, ou seja, pode adotar como marco inicial para contagem de juros o momento em que a empresa passou a utilizá lo ou outro momento qualquer" (Edmar Oliveira Andrade Filho, in Fiscosoft Editora, 2003). E ainda ressalta que: "Há de se ter presente, todavia, que uma coisa é a possibilidade jurídica do pagamento dos juros e outra, completamente diferente, é o tratamento fiscal que deverá ser dispensado a tais juros. De fato, a dedução dos juros sobre capital está sujeita à observância de limites quantitativos objetivos no momento em que eles vierem a diminuir o resultado do período que servirá de elemento para a determinação da base de cálculo do IPRJ e da CSLL". Face à inexistência de restrição temporal e à discricionariedade das sociedades em remunerar os juros sobre capital próprio aos acionistas, os juros não precisam ser obrigatoriamente pagos ou creditados ao final de cada período, o que permite o pagamento em um momento futuro, conforme bem esclarecido pela Recorrente em seu Recurso Voluntário. Ademais, não há como falar desse tema sem adentrar nas disposições da Instrução Normativa SRF n° 11/96, a qual teria condicionado a dedutibilidade do pagamento ou crédito do valor dos juros à observância do regime de competência. Vejamos: "Art. 29 Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócio ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação 'pro rata' dia, da Taca de Juros de Longo Prazo TJLP." Conforme se observa acima, a IN SRF n° 11/96 não trouxe inovações em relação à Lei n° 9.249/95, salvo com relação à introdução do termo "observado o regime de competência", o que teria induzido a autoridade fiscal a efetuar o lançamento. Porém, entendo que, ao mencionar a necessidade de observação ao regime de competência, a IN SRF n° 11/96 em nada inovou, uma vez que tanto o Decretolei n° 1.598/77 quanto o próprio Regulamento do Imposto de Renda elegeram esse regime como padrão contábil e fiscal, conforme pode se verificar da leitura do artigo 6° do referido Decretolei. Vejamos: Art 6° Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1° O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2 ° Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: § 3° Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: Fl. 466DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 467 10 (... ) § 4° Os valores que, por competirem a outro período base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5° A inexatidão quanto ao período base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: (...) § 6° O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período base de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4°. 7° O disposto nos §§ 4° e 6° não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. De fato, a IN SRF n° 11/96 prevê que os JCP são dedutíveis observandose o regime de competência, mas ao condicionar a dedutibilidade a referido regime apenas esclarece que a despesa deve ser reconhecida no período base em que for realizado o seu crédito ou pagamento, pois apenas nesse momento teria nascido a correspondente obrigação. Ou seja, somente se torna possível a dedutibilidade a partir do momento em que a despesa é efetivamente incorrida, tornandose juridicamente devida, e o regime de competência se refere exatamente ao período em que as despesas forem computadas, correspondendo, na hipótese dos autos, a 2008. Cumpre informar a esse respeito que o Parecer Normativo CST n° 58/77 define o regime de competência "como aquele em que as receitas ou despesas são computadas em função do momento em que nasce o direito ao rendimento ou a obrigação de pagar a despesa'" (não grifado no original). Assim, inferese do citado Parecer Normativo que as despesas pertencem ao Período base em que são incorridas, cujo momento é aquele previsto no estatuto social da empresa ou (quando ausente tal previsão) aquele em que a administração da pessoa jurídica decidir efetuar o pagamento ou crédito, pois é a partir desse momento que nasce a correspondente obrigação. Isto posto, ao ter condicionado a dedutibilidade do pagamento do valor dos juros à observância do regime de competência, a IN SRF n° 11/96 não instituiu um prazo para a dedutibilidade dos JCP, mas reforçou, sim, o entendimento de que a despesa deve ser reconhecida no período base em que foi liberada. Portanto, discordo do entendimento da fiscalização acerca da interpretação que deu ao regime de competência, uma vez que pretendeu limitar em nome do referido regime a apropriação dos juros sobre o capital próprio ao valor referente apenas ao período de seu pagamento. É importante enfatizar que o próprio CARF já se manifestou por diversas vezes sobre esse assunto, de forma a corroborar o entendimento exposto acima. Vejamos: Ementa: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE A teor do artigo 9° da Lei n° 9.249/95, o limite a ser obedecido para quantificar a dedutibilidade do juros sobre o capital Fl. 467DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 468 11 próprio é de livre escolha do contribuinte, podendo adotar o maior entre aquele parametrizado pelo lucro liquido ajustado (50%) do período da disponibilização ou pelo volume de lucros acumulados e reservas de lucros (50%) inclusive de períodos anteriores. Por inexistir outras limitações legais pode a empresa disponibilizar acumuladamente juros relativos a períodos anteriores e que não correspondam a resultados de períodos já homologados, desde que respeitados os limites relativos ao período correspondente à disponibilização. A indicação no artigo 29 da IN 11/96 acerca da necessidade de observação do regime de competência não representa inovação ao texto legal que assegura a dedutibilidade dos juros, uma vez que toda a legislação relativa ao imposto de renda de pessoas jurídicas é instruída com a aplicação desse regime. Recurso voluntário conhecido e improvido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5a Câmara. Turma Ordinária, Acórdão n° 10517258 do Processo 16327000226200661, Data: 15/10/2008). (não grifado no original) IRPJ JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. PAGAMENTO ACUMULADO POSSIBILIDADE Provado nos autos do processo que, ano a ano, a recorrente tinha capacidade para distribuir JCP, nada obsta que possa fazêlo em ano calendário posterior, de forma acumulada. IRPJ JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP PAGAMENTO ACUMULADO LIMITES PARA AFERIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE Ainda que nada obste a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter este sido passível de distribuição , para efeitos de aferição dos limites possíveis de dedutibilidade do encargo, se deve levar em conta os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberou a sua distribuição. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7a Câmara. Turma Ordinária, Acórdão n° 10708941 do Processo 10280001407200106, Data: 28/03/2007). (não grifado no original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anos calendário: 2002 e 2006 Ementa: JUROS S/CAPITAL PRÓPRIO DEDUTIBILIDADE LIMITE TEMPORAL.O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito, ou seja, nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provada, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberou sua distribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL Tratandose de lançamento reflexo, a solução dada ao lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, quando nãohouver fatos novos a ensejar decisão diversa, ante a íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1a Câmara. Turma Ordinária, Acórdão n° 10196751 do Processo 18471001473200647, Data: 29/05/2008). (não grifado no original.) Fica evidente, portanto, tendo por base os argumentos anteriormente expostos e o posicionamento deste E. CARF, que não há previsão legal quanto ao limite temporal para dedutibilidade dos juros sobre capital próprio. E este também é o posicionamento desta E. Turma, conforme Acórdão n° 1202000.766, de 08.5.2012, parcialmente transcrito abaixo: "JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. POSSIBILIDADE DE REMUNERAÇÃO COM BASE EM PERÍODOS ANTERIORES. O Art. 9° da Lei n° 9249/95 não faz nenhuma Fl. 468DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 469 12 restrição temporal acerca do pagamento de juros sobre o capital próprio. Diante dessa falta de restrição temporal e da discricionariedade das sociedades em remunerar os juros sobre capital próprio aos acionistas, os juros não precisam ser obrigatoriamente pagos ou creditados ao final de cada período, o que permite o pagamento em um momento futuro. ART. 29 DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N° 11/96. REGIME DE COMPETÊNCIA. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio da base de cálculo do imposto de renda, é aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. Nada obsta a distribuição acumulada de JCP desde que provado, ano a ano, ter esse sido passível de distribuição, levando em consideração os parâmetros existentes no ano calendário em que se deliberou a sua distribuição." II.A observância do limite imposto pela legislação nos anos anteriores a 2008 Subsidiariamente, alegou a Fazenda Nacional em suas contrarrazões que "os limites quantitativos devem ser observados para cada um dos exercícios, isoladamente. Se foi aplicada a TJLP sobre o PL de determinado ano, a parcela dedutível deverá observar a existência de lucro líquido ou de lucros acumulados e reserva de lucros do mesmo ano". Nesse sentido, sustenta que "a conduta da empresa revela um descumprimento aos requisitos legais, pois ela aplicou a TJLP sobre exercícios passados, mas observou tão somente o lucro do exercício de 2008, ano de deliberação e pagamento do JCP, para verificar o limite dedutível". Fazse necessário tecer, inicialmente, alguns comentários acerca dos limites impostos pela legislação, quais sejam, a existência de lucros antes da atribuição dos juros ou a existência de lucros acumulados e reservas de lucros em montante igual ou superiora duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Com efeito, para se valer do benefício da dedução dos juros sobre o capital próprio na apuração do lucro real, o contribuinte deve observar as condições impostas pela legislação: i. Deve apurar o valor dos JCP no termos do caput do artigo 9° da Lei 9249/95, ou seja, mediante a aplicação da TJLP aplicada "pro rata dia" sobre o patrimônio líquido menos as reservas de reavaliação; e ii. Os valores apurados somente poderão ser pagos se estiverem dentro dos limites previstos no §1° do artigo 9° da Lei 9249/95, ou seja, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos; iii. Observado esse limite, os valores apurados com base na TJLP poderão ser pagos e, consequentemente, deduzidos na apuração do Lucro Real; iv. Sua dedutibilidade é limitada a (i) 50% dos lucros do período em que os JCP forem pagos ou creditados, computados antes da sua dedução e da provisão para o IRPJ; ou a (ii) 50% dos saldos de lucros acumulados ou reservas de lucros de Fl. 469DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 470 13 períodos anteriores àquele em que os juros forem pagos ou creditados, saldos estes existentes na abertura do período prevalecendo o maior desses limites. A fim de comprovar que preencheu todos os requisitos acima expostos, a Recorrente, tanto em sede de Impugnação (vide fls. 205 e seguintes) quanto no próprio teor do Recurso Voluntário (fl. 327), elaborou uma tabela relacionando cada anocalendário (2003 a 2008) com os respetivos valores que teria contabilizado de JCP, resultando no montante de R$225.088.220,10, o qual foi deduzido para fins de apuração do lucro real no exercício de 2008, conforme abaixo: Ano JCP Passível de Remessa JCP contabilizado e deliberado em 2008 2003 R$115.473.245,36 R$ 14.404.359,36 2004 R$ 85.329.244,08 R$ 85.329.244,08 2005 R$ 68.509.331,63 R$ 68.509.331,63 2006 R$ 60.281.649,94 R$ 227.576,94 2007 R$ 50.416.308,99 R$ 5.416.308,99 2008 R$ 51.201.419,10 R$ 51.201.419,10 Total R$ 431.211.179,10 R$ 225.088.220,10 Em seguida, a própria Recorrente afirma, às fls. 328,que "(i) os juros sobre o capital próprio no valor de R$225.088.220,10 foram corretamente apurados mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido da sociedade; (ii) que esses juros foram individualizadamente pagos aos sócios da Recorrente e (iii)que o limite para pagamento dos juros era de R$ 286.497.054, correspondente a 50% do lucro líquido do exercício de 2008 ajustado, como informado no Termos de Verificação Fiscal" (não grifado no original). A Recorrente anexou, inclusive, planilha descritiva e documentos (fls. 205 e seguintes) em que apresenta os balanços patrimoniais relativos aos períodos de 2003 a 2008, demonstrando, pormenorizadamente, que tomou como base a aplicação da TJLP sobre o patrimônio líquido de cada anocalendário, com a indicação do valor total passível de remessa a título de JCP, devidamente deliberado/aprovado e contabilizado em 2008 (data em que tais despesas tornaramse passíveis de dedutibilidade), nos exatos termos previstos pela legislação. Portanto, ficou demonstrado que o valor registrado a título de JCP em favor dos sócios correspondeu ao valor apurado mediante a aplicação da TJLP sobre as contas de patrimônio líquido de 2003 a 2008, além de ter obedecido ao limite de 50% do lucro ajustado do ano de 2008, em que ocorreu a efetiva aprovação e creditamento dos juros, não havendo que se falar em renúncia a tal direito nos anos anteriores. Desta feita, examinando os documentos apresentados pela Recorrente e o Termo de Verificação Fiscal, tornaseclaro que foram observados os limites legais em todos os anos em que foram pagos os JCP, em respeito, também, ao regime de competência, que para efeito de dedutibilidade dos juros é "aquele em que há deliberação de órgão ou pessoa competente sobre o pagamento ou crédito Fl. 470DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 471 14 dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos", como já determinou esta E. Turma (Acórdão1202000.766) e a antiga 8a Câmara do Primeiro Conselho (Acórdão 10807641). C. A incidência dos juros sobre a multa de ofício aplicada Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: "RECURSO ESPECIAL CONHECIMENTO. Não se deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada." (CSRF, I a Turma, Acórdão n° 910100.722, data: 08.11.2010) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 a, que se subordina ao capta, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, capta, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1a Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. (1° Conselho de Contribuintes / 1a Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1a Seção / 2a Turma Especial / ACÓRDÃO 1802 00.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011) Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimentoao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 472 15 (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 472DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 473 16 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Tratase de divergência quanto ao provimento do presente recurso pelo I. Conselheiro Relator quanto à dedução dos juros sobre o capital próprio relativos a períodos anteriores ao período de apuração em análise sob o argumento de que não há óbice na legislação tributária para tal procedimento. Não há óbice na deliberação da assembléia de sócios sobre a forma de remuneração do capital destes. No entanto, se a assembléia decide por remunerálos com valores referentes a exercícios financeiros encerrados, não poderá extrapolar o limite temporal para a incorreção das despesas do exercício em curso, deduzindo da apuração do lucro real para fins de IRPJ e CSLL despesas já incorridas em exercícios anteriores, procedimento não autorizado pelo art. 9 ° da Lei n° 9.249, de 1995. Segundo consta das contrarrazões ao presente recurso (Fls. 421 a 447), cujos fundamentos adoto no presente voto: (...) Um primeiro equívoco já pode ser identificado nas afirmações da empresa. É certo que o montante de JCP será calculado sobre as contas do PL, mediante a aplicação da TJLP, pro rata dia. Porém, a parcela dedutível limitase ao maior valor entre (artigo 29 da IN SRF n° 93/97): a) 50% do lucro líquido do exercício antes da dedução desses juros; b) 50% do somatório dos lucros acumulados e reserva de lucros. É óbvio que os limites devem ser observados para cada um dos exercícios, isoladamente. Assim, se foi aplicada a TJLP sobre o PL de determinado ano, a parcela dedutível deverá observar a existência de lucro líquido ou de lucros acumulados e reserva de lucros do mesmo ano. Logo, a conduta da empresa revela um descumprimento aos requisitos legais, pois ela aplicou a TJLP sobre exercícios passados, mas observou tão somente o lucro do exercício de 2008, ano de deliberação e pagamento do JCP, para verificar o limite dedutível. (...) Não existe óbice para que a assembleia delibere sobre a remuneração do capital dos sócios na forma que melhor lhe aprouver, o que está de acordo com os princípios da livre iniciativa e da autonomia privada. Contudo, a despesa incorrida no exercício, ainda que a pretexto de remuneração do capital de exercícios anteriores, não poderá se furtar dos efeitos fiscais trazidos pela Lei n° 9.249/95. Não é viável permitir a Fl. 473DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16682.720681/201103 Acórdão n.º 1202001.063 S1C2T2 Fl. 474 17 ampliação do limite, ao argumento de que ele não foi completamente utilizado em exercícios já encerrados. (...) Sobre o assunto, ainda são oportunas as considerações apresentadas pela DRJ: Portanto, pelo exposto, constatase que o pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio JSCP à acionista ou sócio é faculdade concedida pela Lei, para ser exercida no ano calendário de apuração do lucro real, estando a dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes limitada aos juros (TJLP) sobre o patrimônio líquido incidentes durante o ano da referida apuração, por força do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência, que se traduz, no plano da contabilidade fiscal, no denominado regime de competência. Deste modo, o não exercício da mencionada faculdade em determinado ano calendário configura renúncia ao benefício concedido na Lei e enseja a preclusão temporal que impede a dedução dos juros sobre o capital próprio (JSCP) em anos posteriores. Assim, é vedada a dedução na apuração do lucro real do ano, de juros sobre o capital próprio JSCP incidentes sobre patrimônio líquido de anos anteriores. (...) Destarte, entendo não merecer reparos o acórdão recorrido quanto à proibição de dedução de juros sobre capital próprio referentes a exercícios anteriores já encerrados. Razão pela qual nego provimento ao recurso nesse ponto. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 474DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10830.724057/2011-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa mas não apresentou qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA.
Legítima a glosa de deduções pleiteadas de despesas inexistentes.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa mas não apresentou qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA. Legítima a glosa de deduções pleiteadas de despesas inexistentes. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em cerceamento do direito de defesa do recorrente, quando este exercitou seu direito de defesa mas não apresentou qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. GLOSA. Legítima a glosa de deduções pleiteadas de despesas inexistentes. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 40 57 /2 01 1- 40 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.724057/201140 Acórdão n.º 2801003.979 S2TE01 Fl. 87 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 10ª Turma da DRJ/SP2. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Da autuação Como resultado de ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0810400.2011.007100, contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 17/32, em 15/09/2011, com lançamento de imposto de renda da pessoa física relativo aos anocalendário/ exercício 2009/2010, e redução do valor do imposto a restituir para R$1.028,08. Do relato fiscal cabe destacar os seguintes pontos: 1. A ação fiscal decorreu de indícios de redução indevida da base de cálculo do tributo, mediante deduções sem a efetiva ocorrência das despesas. 2. A contribuinte foi intimada a apresentar documentos comprobatórios da condição de dependentes das pessoas assim declaradas, das despesas médicas, com instrução, com pensão alimentícia judicial, contribuições para previdência privada, de todos os rendimentos auferidos por ela e seus dependentes, bem como informar se as Declarações de Ajuste Anual apresentadas foram efetuadas pela própria fiscalizada ou por terceiros (contador ou outros) e, neste caso, indicar nome completo, endereço e número de CPF. 3. Em atendimento, apresentou documentos relacionados às fls. 04, item I, e declarou, conforme relatado no item II, que: a) foram declaradas como dependentes pessoas que não mantêm qualquer relação de dependência consigo; b) desconhece as pessoas declaradas como beneficiárias de pensão alimentícia informada nas DAA; c) não efetuou parte dos pagamentos declarados, apontados pela autoridade fiscal lançadora às fls. 05/06, relativos a despesas médicas, com instrução, pensão alimentícia judicial e contribuições para previdência privada/Fapi; d) as DAA relativas aos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009 foram elaboradas pela empresa CONT PLUS CONTABILIDADE 4. Da análise dos documentos e informações oferecidos pela contribuinte sob fiscalização, a autoridade fiscal lançadora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.724057/201140 Acórdão n.º 2801003.979 S2TE01 Fl. 88 3 concluiu pela condição de dependente para fins de imposto de renda apenas do filho Arthur Kenji Sakanoue Quirino e comprovação de algumas das despesas declaradas e a não realização de outras, conforme demonstrado às fls. 19/21, o que determinou a glosa das despesas não comprovadas ou não realizadas e a retificação, de ofício, da DAA analisada (fls. 16 e 21/22) 5. Apurouse, assim, a redução da base de cálculo do tributo mediante deduções indevidas conforme demonstrado abaixo: Deduções Anocalendário 2009 Previdência privada 12.405,98 Dependentes 3.460,80 Despesas médicas 9.948,96 Pensão alimentícia 13.438,50 Despesas instrução 10.835,76 Assim, concluiu a autoridade fiscal pela caracterização de infração configurada em dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente no ajuste anual, no presente caso por dedução indevida de previdência privada, dependentes, despesas médicas, pensão alimentícia judicial e despesas com instrução, cujo enquadramento legal, descrição e demonstrativo do fato gerador, e valor tributável foram registrados no Auto de Infração. Em face da redução da base de cálculo do imposto de renda mediante dedução de despesas inexistentes, e a constatação de tratarse de prática reiterada, pois constatada também em exercícios anteriores, objeto de auto de infração próprio – processo nº 10830.723971/201173, a fiscalização concluiu pela ocorrência de ação dolosa por parte da contribuinte, não cabendo, em virtude dessas constatações, falarse em erro eventual. Desse modo, considerando que a fiscalizada, de forma intencional, inseriu informações falsas em suas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física, com o intuito de reduzir ou eliminar o imposto devido, enquadrandose na previsão legal contida nos arts. 71 e 71 da Lei nº 4.502/64, foi aplicada a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) ,prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Em face das conclusões obtidas, foi também elaborada Representação Fiscal para Fins Penais, de conformidade com a Portaria RFB nº 2.439/2010. Da impugnação Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação de fls. 36/53, alegando, em síntese, sem prejuízo da leitura integral da peça impugnatória, que: 1. A realidade descrita pela autoridade fiscal lançadora não corresponde à verdade, pois vítima de esquema destinado a lesar os cofres públicos, e desmantelado pela Delegacia da Receita Federal de Campinas. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.724057/201140 Acórdão n.º 2801003.979 S2TE01 Fl. 89 4 2. Suas Declarações eram elaboradas por escritório de contabilidade, o qual lhe entregava recibo falso com informações verdadeiras, o que a impossibilitou de desconfiar que eram informados dependentes e despesas inexistentes. Acrescenta que só tomou conhecimento dos fatos quando informada pelo auditor fiscal da Receita Federal. 3. Ingressará com queixa crime contra o escritório de contabilidade em questão, único responsável pelas fraudes apuradas. 4. “Tais declarações já foram retificadas, conforme cópia da tela do ECAC informando o exercício/anocalendário e sua situação de análise perante a Receita Federal. (Doc 09)” 5. Junta Termos de Início de Ação Fiscal e de Depoimento e Retenção de Documentos para comprovar suas alegações. Tais documentos comprovam sua condição de vítima, acrescentando que “a maioria das pessoas, por não entenderem como ocorre o fenômeno tributário, ou, até mesmo por falta de tempo, prefere deixar o acerto de contas com o fisco nas mãos de pessoas acostumadas com essa prática em seu dia a dia. Todavia, como ocorre em todos os seguimentos (sic), existem aqueles maus profissionais que, sem comprometimento ético e legal, prometem vantagens e procedimentos totalmente temerários e ilícitos, como forma de angariar clientela em troca de uma falsa economia sem saberem do risco que está correndo.” 6. Requer: a) demonstrado que os débitos que lhe são imputados são indevidos, o auto de infração deve ser julgado insubsistente e o débito fiscal cancelado; b) seja apurado o real valor que lhe cabe, com base nas declarações retificadoras apresentadas; c) cancelamento das multas e juros; d) “alternativamente seja deferido parcelamento dos valores com base das retificadoras, ou seja, realmente devidos sem multa e ou juros, para que a Impugnante possa resolver sua situação fiscal.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 56/66, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÕES LEGAIS. GLOSA. O direito à redução da base de cálculo do imposto de renda mediante deduções legalmente previstas está condicionado ao enquadramento das despesas nos requisitos legais e sua comprovação. DIRPF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO CONTRIBUINTE. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.724057/201140 Acórdão n.º 2801003.979 S2TE01 Fl. 90 5 É unicamente do contribuinte e de natureza objetiva a responsabilidade pela exatidão das informações prestadas à Receita Federal do Brasil em Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda, inadmitindose sua transferência a terceiros. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada prevista na legislação tributária, em face de prática de redução indevida da base de cálculo do tributo. JUROS DE MORA. A exigência de juros de mora decorre de disposições expressas em lei e sua aplicação não pode ser afastada pelas autoridades administrativas. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Regularmente cientificada daquele acórdão em 06/08/2012 (fl. 69), a Interessada, representada por seu advogado (fl. 78), interpôs recurso voluntário de fls. 72/77, em 16/08/2012. Em sua defesa, apresentar os seguintes argumentos: · O auto é nulo porque fere o inciso III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/1972, vez que o lançamento não traz de forma clara e detalhada os dados necessários à perfeita compreensão das causas de fato e de direito, do período, da dimensão da obrigação imputada ao contribuinte, inclusive não demonstra sobre qual base quantitativa incidiu a penalidade, constituindo em cerceamento de defesa; · A multa isolada não pode ser aplicada concomitantemente com a multa por lançamento de oficio, em consonância com a reiterada jurisprudência deste colegiado; · A tese da responsabilidade objetiva pura não se sustenta ante o temperamento que se impõe como decorrência do próprio texto do art. 136 e demais dispositivos do CTN. Aliás, os próprios defensores dessa tese extremada, inconscientemente, acabam por atribuir relevância jurídica ao elemento subjetivo. · A comprovação da despesa médica é feita através de documento com a indicação do nome, endereço e CPF/CNPJ de quem a recebeu, não sendo lícito aos Fiscais da Receita Federal exigirem qualquer outro documento, à vista da jurisprudência, e principalmente à vista da legislação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.724057/201140 Acórdão n.º 2801003.979 S2TE01 Fl. 91 6 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, salientese que o Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos – anexos ao Auto de Infração expõem todos os fatos que culminaram na autuação, com indicação dos dispositivos legais infringidos, sendo certo que a Contribuinte exercitou seu direito de defesa, mas não apresentou qualquer comprovante relativo às despesas cujas deduções foram glosadas pela fiscalização. Pelo que dos autos consta, cuidase, na espécie, de inclusão de deduções inexistentes na declaração de ajuste anual tãosomente com o propósito de receber restituições indevidas, cujo beneficiário é a interessada, ainda que a declaração tenha sido preenchida por terceiro, porém com a autorização do Contribuinte, caracterizando o evidente intuito de fraude, tal como se encontra definido nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964,. Em que pese tenha sido indicada a aplicação da multa de ofício qualificada no auto de infração em tela, não houve exigência de multa de ofício alguma no presente lançamento, haja vista os cálculos constantes do auto de infração, que demonstram que os valores das infrações foram incluídos na base de cálculo do imposto do ajuste anual e que se apurou redução do imposto a restituir de R$ 14.802,83 para R$ 1.028,08. Por fim, esclareçase que, a despeito das alegações da recorrente, o art. 136 do CTN determina que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.724057/201140 Acórdão n.º 2801003.979 S2TE01 Fl. 92 7 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13819.722735/2012-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE.
A alegação de erro material no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual só pode ser considerada apta para fins de infirmar o teor do declarado quando acompanhada de sólida comprovação.
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo e ou declaração do prestador como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2802-003.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas médicas-odontológicas nos valores de R$ 10.000 (dez mil reais) e R$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos reais), vinculadas respectivamente às profissionais Daniela Brunaldi Perez e à Danielle de Fátima Marin, para o ano-calendário 2010, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE. A alegação de erro material no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual só pode ser considerada apta para fins de infirmar o teor do declarado quando acompanhada de sólida comprovação. DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo e ou declaração do prestador como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas médicas-odontológicas nos valores de R$ 10.000 (dez mil reais) e R$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos reais), vinculadas respectivamente às profissionais Daniela Brunaldi Perez e à Danielle de Fátima Marin, para o ano-calendário 2010, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE. A alegação de erro material no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual só pode ser considerada apta para fins de infirmar o teor do declarado quando acompanhada de sólida comprovação. DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo e ou declaração do prestador como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer as deduções de despesas médicasodontológicas nos valores de R$ 10.000 (dez mil reais) e R$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos reais), vinculadas respectivamente às profissionais Daniela Brunaldi Perez e à Danielle de Fátima Marin, para o anocalendário 2010, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 27 35 /2 01 2- 67 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 2.489,12 relativo ao anocalendário 2010. O lançamento decorreu da glosa de deduções de despesas médicas nos valores de R$ 10.000,00 relacionados à Danielle de Fátima Marin, e de R$ 10.000,00 vinculados à Daniela Brunaldi Perez, ambas por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, estando expresso na respectiva "Complementação da Descrição dos Fatos": Reintimado o contribuinte não apresentou o efetivo pagamento razão pela qual estamos glosando os recibos em desacordo com o art. 46 da IN SRF 15/2001: Danielle de Fátima Marin cpf 286.279.77828 no valor de R$ 10.000,00 e Daniela Brunaldi Perez CPF 096.225.20855 no valor de R$ 10.000,00. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que os valores em referência são pertinentes a despesas médicas do próprio contribuinte, anexando recibos. A decisão recorrida manteve o lançamento, afirmando que não foram apresentados comprovantes do efetivo pagamento das despesas declaradas, e que nos recibos trazidos não havia indicação do paciente. Irresignado, o notificado interpôs recurso voluntário em 2/1/2013, aduzindo em síntese que: por falta de conhecimento errou no preenchimento da declaração, e que se submeteu a procedimento de alta complexidade realizado por três profissionais, Daniela Brunaldi Perez, Danielle de Fátima Marin e Renan Dalla Soares, que receberam respectivamente R$ 10.000,00, R$ 5.500,00 e R$ 4.500,00; nesse sentido, junta documentos, solicita autorização para preenchimento de declaração retificadora e requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13819.722735/201267 Acórdão n.º 2802003.282 S2TE02 Fl. 59 3 Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 A Notificação de Lançamento guerreada foi motivada, consoante respectiva descrição dos fatos, por constatarse estarem os recibos apresentados pelo contribuinte em desacordo com o art. 46 da IN SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001: Art. 46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Isso posto, a autoridade lançadora demandou a comprovação do efetivo pagamento, o que ensejou o lançamento. De sua parte, a instância a quo manteve a autuação devido à falta de comprovação dos pagamentos e ausência de indicação do paciente. Primeiramente, é oportuno frisar que, ao serem cotejados os autos e os argumentos de irresignação, verificase que o contribuinte defende que cometeu erro material no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2011, afirmando que ao invés de terem sido pagos R$ 10.000,00 a Danielle de Fátima Marin, foram na realidade só R$ 5.500,00 (fl. 48), sendo os restantes R$ 4.500,00 pagos a Renan Dalla Soares (fls. 49/50). Não faz prova suficiente, entretanto, desse aventado erro. Os recibos atribuídos a ambos profissionais estão todos preenchidos com a mesma letra, só se diferenciando a assinatura, a qual, na ausência de cópia de qualquer documento de identificação dos aludidos profissionais nos autos, não é passível de conferência. Nenhum outro documento foi colacionado que pudesse esclarecer a efetividade dos serviços alegadamente prestados por Renan Dalla Soares, sendo necessário sublinhar, aliás, que a ocorrência do suposto erro foi matéria trazida tãosomente nesta segunda instância recursal, não havendo, por isso, sido apreciada em etapa anterior da lide. Assim sendo, e tendo em vista que a exigência vergastada diz respeito aos pagamentos de despesas médicas informados como efetuados, no particular, a Danielle de Fátima Marin, e não a Renan Dalla Soares, tenho que os recibos a este vinculados não se consubstanciam em prova hábil a ensejar qualquer reforma da decisão de primeira instância. Noutro giro, temse que os recibos de fls. 13/25 continham diversos vícios formais, tais como ausência do nome completo do pagante (fls. 13/21), ausência de endereço do prestador dos serviços (fls. 13/25), o que deu azo à necessidade de comprovação efetiva dos pagamentos, conforme exigido pela fiscalização. Mas a DRJ/SP1 sustentou como vício formal unicamente a ausência de indicação do paciente. Ora, de uma maneira geral, como é cediço, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem dispor de campo próprio ou apartado a ser preenchido com a indicação do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa que está realizando a quitação. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13819.722735/201267 Acórdão n.º 2802003.282 S2TE02 Fl. 60 5 Destarte, à míngua de evidências outras que assim o justifiquem, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Nesse sentido, temse o entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013 (Diário Oficial da União de 10/2/2014), da qual se reproduz a respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. (grifei) A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas (fls. 45/47), os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Com efeito, cabe reconhecer que as declarações firmadas pela profissional Daniela Brunaldi Perez (fls. 44/47) e os recibos emitidos por Danielle de Fátima Marin (fl. 48) trazem clara referência que os pagamentos aos quais se reportam foram efetuados pelo notificado, em decorrência da prestação de serviços odontólogicos por parte daquelas. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Nessa linha, entendo ter sido afastado tanto o fundamento de ausência de indicação do beneficiário, levantado pela DRJ/SP1, quanto a própria necessidade de comprovação de efetividade dos pagamentos, visto que esta se baseava na falta de cumprimento de requisitos formais conforme preconizado pelo art. 46 da IN SRF nº 15/2001, sem, contudo, haverem sido discriminados quais seriam os requisitos não atendidos. Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de restabelecer as deduções de despesas médicasodontológicas nos valores de R$ 10.000 (dez mil reais) e R$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos reais), vinculadas respectivamente às profissionais Daniela Brunaldi Perez e à Danielle de Fátima Marin, para o anocalendário 2010. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10410.005135/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ERRO MATERIAL - CORREÇÃO DE OFÍCIO OU POR REQUERIMENTO ESCRITO DA PARTE - POSSIBILIDADE - RETIFICAÇÃO NECESSÁRIA. Nos termos do artigo 66 do RICARF, é cabível requerimento para correção de inexatidões materiais existentes entre a conclusão do julgamento e o resultado publicado, desde que demonstrada com precisão a inexatidão do erro, devendo ser corrigidos os equívocos para fins de corretamente delimitar as questões analisadas pelo julgador e o respectivo entendimento que prevaleceu.
Pedido acolhido para sanar erro material.
Numero da decisão: 1101-001.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração opostos para RERRATIFICAR o acórdão e esclarecer as ambiguidades apontadas, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(documento assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente e Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Paulo Mateus Ciccone e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Nos termos do artigo 66 do RICARF, é cabível requerimento para correção de inexatidões materiais existentes entre a conclusão do julgamento e o resultado publicado, desde que demonstrada com precisão a inexatidão do erro, devendo ser corrigidos os equívocos para fins de corretamente delimitar as questões analisadas pelo julgador e o respectivo entendimento que prevaleceu. Pedido acolhido para sanar erro material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração opostos para RERRATIFICAR o acórdão e esclarecer as ambiguidades apontadas, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 51 35 /2 00 9- 30 Fl. 564DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente e Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Paulo Mateus Ciccone e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Cuidase de manifestação para retificação de erro material formulada pela Fazenda Nacional (fls. 550/556) em face do acórdão n. 1101000.676 desta E. Turma, por meio do qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS valores referentes às despesas indevidamente glosadas pela Fiscalização. O v. acórdão embargado restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2005,2006 DEDUTIBILIDADE. DESPESAS GLOSADAS. VALORES ATINENTES AOS CRÉDITOS INFIRMADOS DE PIS E DE COFINS. VALORES CONSOLIDADOS. Todos os importes anuídos em impugnação já estão consolidados, e, pois, são imutáveis. Eventuais exonerações jamais poderão resultar, por consequência, em minoração além daquele piso. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO INSUMOS. DEDUTIBILIDADE. NECESSÁRIOS. ESSENCIAIS. PERTINENTES. Devem dar direito a crédito de PIS e COFINS os seguintes gastos, atrelados, com notes de essencialidade, necessariedade e pertinência, ao objeto social da recorrente: i) despesas com água; ii) despesas com uniformes; iii) despesas com equipamentos de proteção individual. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O contencioso administrativo não é competente para examinar a constitucionalidade de norma. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PIS. COFINS. RECEITAS RELATIVAS A CESSÃO DE POSIÇÃO CONTRATUAL. BASE DE CÁLCULO. As receitas relativas à cessão de posição contratual não têm índole operativa. Não deriva ela de atividades usuais do objeto social da autuada. São rendimentos eventuais, que não decorrem de venda de mercadorias ou de prestações de serviços. O preço cobrado pela cessão de posição contratual não integra, portanto, as bases imponíveis do PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101001.221 S1C1T1 Fl. 3 3 Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fez declaração de voto a Conselheira Edeli Bessa” (fls. 528/529, grifei). Na declaração de voto apresentada, a Il. Conselheira Edeli Pereira Bessa acompanhou este relator quanto à exclusão das despesas operacionais da base do PIS e da COFINS, mas ressalvou, quanto à incidência daquelas Contribuições sobre as receitas relativas à cessão de posição contratual, que o “contexto normativo que justifica a presente exigência é distinto daquele no qual o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98” (fl. 543). No pedido ora analisado, “requer a União (Fazenda Nacional) a retificação do resultado do julgamento do acórdão n. 1101.000.676 (fls. 528/529) para que seja sanado o equívoco e apontado o voto condutor” (fl. 556), pelo seguinte fundamento, demonstrado analiticamente às fls. 554/555, verbis: “Em que pese a ementa do referido acórdão consignar que o julgamento foi proferido por unanimidade, inferese que as conclusões do voto do eminente Relator Benedicto Celso Benício Júnior divergem daquelas alcançadas pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa no tocante às receitas relativas à cessão da posição contratual auferidas pela contribuinte” (fl. 552, grifos originais) É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Conheço do pedido formulado às fls. 550/556, haja vista ventilar tão somente a existência de erro material no resultado de julgamento lançado no v. acórdão, e o faço com supedâneo no artigo 66 da Portaria n. 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na Fl. 566DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Conforme relatado, o acórdão proferido por esta E. Turma foi unânime quanto ao parcial provimento do recurso voluntário em relação ao reconhecimento do direito ao crédito dos insumos para prestação do serviço de limpeza urbana – objeto social da contribuinte –, quais sejam: água utilizada; uniformes e equipamentos de proteção individual, nos termos do voto proferido por esta Relatoria, acompanhado pelos fundamentos da Il. Conselheira Edeli Pereira Bessa, conforme se verifica no seguinte cotejo: Voto desta Relatoria Declaração de voto a Cons. Edeli Bessa “Vêse, do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 463/464, que os créditos questionados tocaram aos seguintes dispêndios: i) despesas com aluguéis de motos pagos a pessoas físicas; ii) despesas com fretes; iii) despesas com seguros diversos; iv) despesas com água; v) aluguéis de imóveis pagos a pessoas físicas; vi) despesas com materiais de consumo; vii) uniformes; viii) despesas com equipamentos de proteção individual; e viii) despesas financeiras e juros apropriados. Infelizmente, dado o desiderato do contribuinte de não controverter o trabalho fazendário neste particular ponto, não há, nos autos, subsídios claros que possam demonstrar a composição de cada uma das rubricas em epígrafe, bem como noticiar qual a relação destas aquisições de mercadorias e serviços com a atividade operacional da sociedade. Assim analisaremos, no que for possível, somente aquelas glosas que, por sua natureza evidente, parecerem a nós ilegítimas.” (fl.536) “Vertendo tais considerações ao caso concreto, vejo que algumas das glosas não merecem prosperar, porquanto calcadas na restritiva visão de que ‘insumo’ seria apenas aquilo direta e imediatamente consumido ou aplicado no processo produtivo. Destacadamente, creio que devem dar direito a crédito de PIS e COFINS os seguintes gastos, atrelados, com notas de essencialidade, ao objeto social da recorrente: i) despesas com água; ii) despesas com uniforme; e iii) despesas com equipamentos de proteção individual. As despesas com fretes também poderiam, potencialmente, gerar creditamento sustentável. “Intenso tem sido o debate quanto ao alcance do conceito de insumos na prestação de serviços. Penso que não é possível interpretálo como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da empresa, pois contabilmente estariam alcançadas todas as despesas, ao passo que o legislador não fez uso desta expressão. Considero mais apropriada a aproximação de ‘insumos’ ao conceito de custos, ou seja, itens adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos diretamente na prestação do serviço da atividadefim. Mas, mesmo sob esta vertente, também não vejo como negar direito a crédito em razão da aquisição de uniformes e equipamentos de proteção para execução da atividade de limpeza urbana. Estes itens são essenciais para a prestação do serviço da atividade fim, inclusive a ponto de ter se tornado, posteriormente, um item específico de crédito relativamente à qualquer empresa que execute serviços de limpeza – contrariamente ao que expresso na ementa da SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 217 de 14 de Junho de 2007 citada pela Fiscalização –, nos termos da Lei nº 11.898/2009, que acrescentou ao art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 o seguinte inciso: X – valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Quanto à despesa com água, não acredito que uma empresa de limpeza urbana destacasse em uma conta específica (3.1.1.02.0002) o registro de gastos com aquisição de água potável para seus funcionários, como é o caso analisado na SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 453 de 27 de Setembro de 2007 Fl. 567DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101001.221 S1C1T1 Fl. 4 5 No entanto, carecemos de maiores detalhes acerca da natureza dos transportes realizados. As despesas financeiras, outrossim, em qualquer das suas manifestações, só deram direito a crédito até a vigência da Lei nº 10.865/04. Como os anoscalendários em apreço são posteriores a este diploma, nada há a retificar no trabalho lançador.” (fl. 537, grifei). CONSULTA Nº 453 de 27 de Setembro de 2007 citada pela Fiscalização. Mais razoável é acreditar que ali está consignada a aquisição da água utilizada em sua atividadefim, também hábil a ensejar créditos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.” (fl. 542, destaquei) Não houve divergências, portanto, quanto ao reestabelecimento do direito do Contribuinte quanto aos créditos na apuração não cumulativa de PIS e da COFINS, referente às despesas com água, uniforme e equipamentos de proteção individual. Assim, o erro material alegado pela Fazenda Nacional subsistiria em relação à unanimidade no julgamento quanto à impossibilidade de inclusão, na base imponível de PIS e de COFINS, de verbas recebidas pela Contribuinte a título de contraprestação pela cessão, a terceiro, dos direitos e das obrigações (posição contratual) assentidos em contratos originalmente firmados entre a autuada e as Prefeituras de Manaus – AM e Macapá – AP. Pois bem. Inicialmente, cumpre precisar que este Relator entendera, em sua primeira minuta de voto (lida na sessão de julgamento de 15 de março de 2012), pela impossibilidade de incidência daquelas Contribuições sobre receitas não operacionais. Contudo, por ocasião do julgamento levado a efeito em 15 de março de 2012 (r. Acórdão Embargado), a Il. Conselheira Edeli Pereira Bessa esclareceu que o “contexto normativo que justifica a presente exigência é distinto daquele no qual o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98” (fl. 543). A partir dessa correta premissa, retifiquei meu posicionamento em sessão de julgamento, de modo a aderir ao posicionamento externado pela Conselheira Edeli no ponto, para o fim de negar provimento ao recurso voluntário no que tange às receitas relativas a cessão de posição contratual e, a partir disso, fui acompanhado pelos demais membros desta Col. Turma Julgadora. No entanto, por ocasião do procedimento de formalização, constou do Acórdão n. 1101000.676 meu posicionamento inicial (superado, frisese, em sessão de julgamento), o que culminou com a evidente contradição apontada pela Fazenda Nacional entre o posicionamento adotado pela Cons. Edeli Pereira Bessa (vencedor) e aquele erroneamente plasmado no acórdão embargado em meu voto. É o que se verifica no quadro abaixo, verbis: Entendimento desta Relatoria Declaração de Voto da Cons. Edeli Fundamentos: “Os instrumentos contratuais em tela foram devidamente analisados pelo fiscal autuante. Os rendimentos relativos à cessão contratual, no entanto, foram tributados sob a égide do amplo conceito de faturamento do revogado artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Outrora tormentosos, os debates a respeito da Fundamentos: “E, quanto ao mérito, observo que a exigência não está fundamentada no artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, mas sim nos dispositivos legais assim expressamente citados no Termo de Verificação Fiscal: […] E tais normas foram editadas depois de a Emenda Constitucional nº 20/98 ter alterado o art. 195 da Fl. 568DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 abrangência do conceito de ‘faturamento’ parecem, hoje, pacificados. O Supremo Tribunal Federal, por meio de seu Pleno, declarou, recentemente, em variadas oportunidades, a inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS, para fins de sua equiparação a todo e qualquer ingresso de valor, independentemente da origem ou da classificação contábil. Resgatouse, com isso, o entendimento da Lei Complementar nº 70/91, que mandava se interpretar como ‘faturamento’, exclusivamente, o produto operacional da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, isolada ou cumulativamente. Os julgamentos do Pretório acabaram por levar à revogação formal do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, operada pela superveniência da Lei nº 11.941/09. Pois bem. A receita em dissecação não tem, obviamente, índole operativa. Não deriva ela de atividades usuais do objeto social da autuada. São rendimentos eventuais, que não decorrem de venda de mercadorias ou de prestações de serviços. O preço cobrado pela cessão de posição contratual não integra, portanto, as bases imponíveis do PIS e da COFINS. ” (fl. 538/539, destaquei) Constituição Federal para ampliar o âmbito de incidência das contribuições sociais do empregador ou da empresa, e alcançar não apenas o faturamento, mas também a receita. Em consequência, o contexto normativo que justifica a presente exigência é distinto daquele no qual o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. ” Conclusão: “Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir, das bases de cálculo do PIS e da COFINS lançados, valores relativos a: i) glosas de despesas com água; ii) glosa de despesas com uniformes; e iii) glosas de despesas com equipamentos de proteção individual; e iv) receitas derivadas da cessão de posição contratual noticiada, equivalentes a R$ 4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais), observado o limite mínimo das cifras incontroversas, definidas pelo aresto recorrido.” (fl. 539, grifei). Conclusão: “Assim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas no que tange aos créditos decorrentes de aquisições de equipamentos de proteção industrial [leiase individual], uniformes e água, devendo a autoridade administrativa encarregada da execução do julgado, reconstituir os demonstrativos de apuração de diferença a lançar, elaboradas pela Fiscalização, admitindo os créditos a partir dos insumos registrados nas contas nº 3.1.1.01.0010, 3.1.1.01.0005 e 3.1.1.02.0002” (fls.542/543, grifei). Nesse quadro, ACOLHO os presentes embargos de declaração, para o fim de esclarecer que, de fato, por ocasião da sessão de julgamento, aderi ao posicionamento externado pela Ilma. Conselheira Edeli Pereira Bessa em relação às receitas relativas a cessão de posição contratual, nos termos de sua declaração de voto. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10410.005135/200930 Acórdão n.º 1101001.221 S1C1T1 Fl. 5 7 Realmente, até a Emenda Constitucional n. 20/1998, referida rubrica que não compõem o faturamento jamais poderia compor a base de cálculo de PIS e COFINS. Contudo, após o advento dessa emenda constitucional somado à edição das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, essa situação não mais se mantém, na medida em que houve a ampliação do campo de incidências dessas contribuições sociais que passam a alcançar não apenas o faturamento mas também a receita. É como voto. (documento assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 19515.003366/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, Por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1. de 03.01.2012, vencido o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé- Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thomé, Jose Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, Manoel Mota Fonseca, Antonio Carlos Guidoni Filho
RELATÓRIO
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Resolvem os membros do colegiado, Por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1. de 03.01.2012, vencido o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thomé, Jose Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, Manoel Mota Fonseca, Antonio Carlos Guidoni Filho RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 36 6/ 20 09 -1 3 Fl. 815DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de exercícios anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA TAXA SELIC. CABIMENTO. São cabíveis, na forma dos autos, por expressa disposição legal, as exigências de multa de ofício e de juros de mora e multa isolada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 24/08/2009, o Auto de Infração de fls. 416/420, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ no valor de R$ 5.019.766,41, incluídos multa de ofício e isolada e juros de mora calculados até 31/07/2009. De acordo com o Termo de Verificação fiscal (fls.400/407), a contribuinte incorreu nas seguintes infrações: • A compensação de prejuízos fiscais de R$ 29.452.091,92 não obedeceu ao limite de 30% estabelecido pela legislação (artigo 42 da Lei n°8.981/95, c/c o artigo 15 da Lei n° 9.065/95 e os artigos 247, 250, Inciso II, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/1999); • Na cartaresposta de 17/03/2009, a contribuinte afirma textualmente que, por decisão transitada em julgado (Mandato de Segurança n° 95.00312840 (Apelação n° 96.03.0646121), "possui autorização judicial definitiva para compensar integralmente seus prejuízos fiscais na apuração do lucro tributável, sem observar o limite de Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 4 3 30% (trinta por cento) estabelecido pelo artigo 42 da Lei n° 8.981/95"; • Verificouse que, então, a contribuinte não apenas compensou os seu Lucro Real em percentual superior aos''30% (trinta por cento) pela legislação citada, como também compensouo integralmente apesar de não dispor de saldo suficiente de Prejuízos Fiscais Acumulados, na data base de 31/12/2004; • Face a esta constatação, 23/07/2009, a contribuinte foi objeto de Auto de Infração de IRPJ, formalizado através do Processo Administrativo Fiscal n° 19515.002638/200950, tendo como base a compensação a maior de Prejuízos Fiscais Acumulados, da ordem de R$ 16.533.871,52, em 31/12/2004, devidamente descrita no Termo de Constatação n° 02, de 17/07/2009, e respectivo no Termo de Redução de Prejuízos Fiscais; • Com relação à petição inicial do MS nº 95.00312840 (4ª Vara Federal – fls.238/249), a segurança foi denegada (sentença de 15/08/1995, fls.258/261) cuja liminar havido sido concedida em 11/04/1995 (fls.250/251); • Em julgamento de 26/08/1998, face à Apelação em Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte, Processo n° 96.03.0646121, às fls. 266 a 277, foi expedido acórdão da Egrégia 4a Turma do Tribunal Regional Federal, às fls. 282/290, provendo a apelação; • O STJ não reconheceu do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em 09/12/1998, às fls. 291/309 , o qual teve a seguinte decisão: "A Turma, por unanimidade, não conheceu o recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator" (fls.320), sendo expedido Acórdão neste sentido, em 06/02/2001 (fls.321); • A contribuinte, portanto, obteve o direito de compensar integralmente, Resultado Real obtido no Exercício, com os saldos acumulados de seus prejuízos fiscais ocorridos até 31/12/1994, sem os limites estabelecidos no artigo 42 da Lei n°8.981/95, c/c o artigo 15 da Lei n°9.065/95; • Entretanto, não obteve o direito, conforme alegou em sua cartaresposta de 16/03/2009, para "compensar integralmente seus prejuízos fiscais na apuração do lucro tributável, sem observar os limites do artigo 42, da Lei 8.981/95" (vide fls. ) e sim, tão somente, os saldos dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/1994; • Deste modo, em 2004, o contribuinte poderia compensar o seu Lucro Real: 1) Integralmente o saldo dos Prejuízos Fiscais Acumulados até 31/12/1994; 2) Até o limite de 30% (trinta por cento), do saldo dos Prejuízos Fiscais ocorridos a partir de 01/01/1995; Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 5 4 • Uma vez que o contribuinte não possuía, em 31/12/2004, saldos de Prejuízos Fiscais a Compensar originários de períodos anteriores a 1995, conforme lhe permitia a Sentença citada no item anterior, letra "b", somente poderia compensar 30% (trinta por cento) de seu Lucro Real verificado em de 31/12/2004, que foi da ordem de R$ 29.452.091,92, ou seja, a compensação permitida pelo artigo 42 da Lei n° 8.981/95, c/c o artigo 15 da Lei n° 9.065/95 e os artigos 247, 250, Inciso II, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/1999 (aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999), seria de apenas R$ 8.835.627,58, ocorrendo, de fato, uma compensação à maior de R$ 4.082.592,75, conforme demonstrado a seguir: Valor do Prejuízo Fiscal compensado R$ 12.918.220,33 () Compensação Devida (*) R$ (8.835.627.58) (=) Diferença = Compensação Indevida R$ 4.082.592,75 • Com relação às antecipações mensais de IRPJ; com base nos Balanços ou Balancetes de Suspensão, conforme dispõe; o artigo 222 do RIR/1999, examinei as compensações realizadas mês a mês no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007, onde dentro dessa mesma linha de procedimento de indevidamente; compensar integralmente os saldos dos Prejuízos Fiscais Acumulados,"apurouse a falta de recolhimentos de antecipações nos meses de janeiro, abril, julho, agosto, outubro e dezembro de 2004, no total de R$ 3.128.930,41, conforme demonstro detalhadamente no ANEXO 1; • Diante disso, o contribuinte foi objeto de: a) Lançamento via Auto de Infração, do crédito tributário correspondente ao IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre as compensação indevida abaixo, com base no artigo 42 da Lei n° 8.981/95 e artigo 15 da Lei n° 9.065/95 e os artigos 247, 250, Inciso II, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/1999 (aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999): • 31/12/2004 R$ 4.082.592,75; b) Lançamento via Auto de Infração, do crédito tributário correspondente ao IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referentes a MULTAS ISOLADAS, no valor de R$ 2.346.697,81 , de acordo com os ANEXO 1 e 2, conforme dispõem os artigos 222, 843 e 957, Inciso IV, do RIR/99, IN SRF 77/98 e 14/2000, e artigo 43 e 44, Inciso II, da Lei n° 9.430/96, com as alterações introduzidas pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007 e, c) Reajuste "ExOffício" de seu Prejuízo Fiscal Acumulado, na database 31/12/2004, para R$ 4.082.592,75, conforme demonstrado no subitem 4o, através de competente "Termo de Reajuste de Prejuízos Fiscais Acumulados". Cientificada do feito em 27/08/2009 (fl.422), apresenta, em 28/09/2009, impugnação, de fls. 426/438, argüindo, em síntese, o seguinte: • Não é verdade que a decisão judicial proferida em favor da IMPUGNANTE nos autos do MS n° 95.00312840 e AMS n° Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 6 5 96.03.0646121 (DOC. 03), já transitada em julgado, afastou a limitação prevista no art. 15 da Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95) somente em relação aos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994; • Para fundamentar o falacioso argumento, o AFRF cita que na Certidão de Objeto e Pé do referido mandado de segurança constou que o objeto da ação era eximir da limitação prevista no art. 42 da Lei n° 8.981/95, a partir do exercício 1995, a compensação do lucro tributável com os prejuízos fiscais ocorridos até 31.12.1994; • O pedido da impetração não se limitou a esse período. Na verdade, não há uma única referência feita pela IMPUGNANTE a esse período ao longo do curso daquele processo judicial; • O acórdão proferido pelo E. TRF da 3a Região, nos autos do citado MS, deu provimento à APELAÇÃO da IMPUGNANTE sem qualquer ressalva e, por conseguinte, lhe assegurou o que constava do pedido do recurso, ou seja, afastou a limitação do art. 15 da Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95) em relação aos prejuízos fiscais apurados em todos os exercícios, e não somente em relação aos apurados até 31.12.1994; • Essa restrição (até o anobase 1994) não está contemplada no pedido da IMPUGNANTE, e nem sequer foi apreciada ao longo do referido processo judicial. Por isso, a coisa julgada (decorrente daquela decisão judicial) não está limitada dessa forma, mesmo porque o provimento jurisdicional prestado pelo TRF foi no sentido de dar provimento ã APELAÇÃO da IMPUGNANTE, em todos os seus termos e sem qualquer restrição, haja vista que acolheu todos os argumentos colacionados pela IMPUGNANTE, utilizandoos na fundamentação de sua decisão; • Vejase que o AFRF se apega a um erro material constante da Certidão de Objeto e Pé do processo, mas não leva em consideração o acórdão, tão pouco a sua fundamentação; • O AFRF aplicou multa isolada no valor de R$ 2.346.697,91, por suposta ausência de recolhimentos das antecipações mensais do IRPJ em 2004 (janeiro, abril, julho, agosto, outubro e novembro), no montante total de R$ 3.128.930,41; • Ocorre que, ao contrário do entendimento do AFRF, tais antecipações são indevidas e inexigíveis. Do mesmo modo, também o é a multa isolada aplicada. Isto porque a compensação integral (com prejuízos fiscais) realizada pela IMPUGNANTE é legitima e válida, eis que corretamente amparada na decisão judicial proferida no MS n°95.00312840 e AMS n° 96.03.0646121. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 7 6 Por isso é que a IMPUGNANTE não apurou base de cálculo para a apuração das antecipações mensais do imposto; • Do mesmo modo, nas DCTF's do período (1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2004) apresentadas pela IMPUGNANTE (DOC. 08), os valores de IRPJ também se encontram "zerados", com exceção do débito no valor R$ 2.186,37 (3° trimestre); • Dessa forma, em razão do prejuízo fiscal sofrido pelo contribuinte nos meses apontados — decorrente da compensação efetuado com amparo na decisão judicial referida —, fica evidente que são indevidas as antecipações mensais exigidas pelo AFRF, bem como, consequentemente, a multa isolada aplicada; • Por fim, em decorrência da glosa da referida compensação integral, supostamente indevida, de prejuízo fiscal (decorrente da não observância ao limite de 30% fixado no art. 42 da Lei n°8.981/95 e art. 15 da Lei n°9.065/95), o AFRF reajustou "de oficio"o saldo PREJUÍZO FISCAL acumulado na database 31.12.2004, para R$ 4.082.592,75; • Isto porque a compensação integral (com prejuízos fiscais) realizada pela IMPUGNANTE é legitima e válida, eis que corretamente amparada na decisão judicial proferida no MS n° 95.00312840 e AMS n° 96.03.0646121; • Não bastasse todas as razões de improcedência acima aduzidas, ainda resta demonstrar que a autuação é nula na sua essência, porque contém diversos vícios formais que maculam sua validade, especialmente porque afrontam o principio constitucional da ampla defesa e contraditório, uma vez que impedem o seu pleno exercício por ausência de demonstração do fato gerador e de erro de cálculo (o AFRF justificou a glosa no valor de R$ 4.082.592.75, todavia, utilizou com base de cálculo o valor de R$ 4.585.161,39 para apuração do imposto e adicional e com isso, apurou suposto crédito de IRPJ no valor de R$ 1.140.290,34); • Do mesmo modo, ao aplicar a multa de ofício (75%), o AFRF deixou de utilizar o valor da glosa (compensação supostamente indevida), utilizando o "desconhecido" valor de R$ 4.585.191,39, quantificando (a maior) a multa em R$ 855.217,75 e juros no valor de R$ 677.560,51, quando, na verdade, deveria ter aplicado a multa e juros sobre a base de R$ 4.082.592,75, há evidente erro na aplicação da multa isolada pelo AFRF, seja porque a multa supostamente devida deve ser aplicada no percentual de 50%, seja por erro da capitulação legal da penalidade aplicada, o que também ofende o art 10 do Decreto n° 70.235/72, que fixa os requisitos formais do auto de infração; • Com fulcro nos arts. 103 a 105 do CPC, pede o sobrestamento do presente processo até que aquele processo administrativo n° 13807.010641/200217 seja definitivamente Fl. 820DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 8 7 julgado, em última e definitiva instância administrativa bem como a improcedência do presente Auto de Infração. Diante da divergência em relação à base de cálculo do IRPJ (R$ 4.082.592.75 no Termo de Verificação de fls.400/407 e R$ 4.585.161,39 – discriminado no Auto de Infração de fl.468) tornouse necessário converter o presente processo em diligência fiscal visando esclarecer os seguintes pontos controversos. • Informar como foi calculada a base de cálculo da infração ( 01 Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente – Inobservância do Limite de 30%) contida no Auto de Infração de fl.468 de R$ 4.585.161,39; • Elabore relatório conclusivo e dê ciência a contribuinte concedendolhe o prazo de 10 dias para manifestação, conforme art.44 da Lei nº 9.784/99. Em resposta ao Pedido de Diligência Fiscal, a Fiscalização elaborou relatório em que concluiu o seguinte: • A Base de Calculo de IRPJ lançada no Auto de IRPJ, de fI. 468, de R$ 4.585.161,39, está incorreta. Apuramos que houve "erro de digitação" do valor da Base de Calculo de IRPJ, no lançamento realizado através do Auto de Infração de IRPJ, posto que "Valor Apurado" ali digitado (fl. 468), não deveria ser R$ 4.585.161,39 e, sim, R$ 4.082.592,75, havendo, pois, uma diferença a maior de R$ 502.568,64, a qual não teve qualquer fundamento legal; • Em vista disso, somos de opinião pela revisão do lançamento, reduzindo a Base de Cálculo de IRPJ para R$ 4.082.592,75 e, em igual proporção, os respectivos Juros e Multas, mantendose, entretanto as MULTAS ISOLADAS de R$ 2.346.697,81, bem como tudo que foi consignado no Termo de Constatação n° 03 e seus anexos, as fls. 400/409, que tido foram objeto de quaisquer alterações. A contribuinte apresentou manifestação em relação à conclusão do relatório fiscal com o seguinte teor: • Ao retificar o AIIM dizendo que a base de cálculo considerada inicialmente estava equivocada, trazendo como correto o cálculo apresentado do presente documento, a autoridade administrativa realiza novo lançamento tributário, substituindo aquele originário, devendo respeitar, portanto, as regras vigentes no CTN; • E, nesse sentido, o parágrafo único do art. 149 do CTN é expresso ao dizer que a revisão do lançamento deve respeitar o prazo que o Fisco possui para lançar o tributo, ou seja, no caso em tela, 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador da obrigação tributária. É o relatório.” Fl. 821DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 9 8 O acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, sob os fundamentos de que: (a) os lançamentos atendem aos requisitos formais de que trata o art. 10 do Decreto n. 70.235/72; (b) os prejuízos fiscais de exercícios anteriores somente poderiam ser compensados até o limite de 30%, nos termos do disposto na Lei n. 8.981 (art. 42) e Lei n. 9.065 (art. 12), ambas de 1995; (c) a decisão judicial transitada em julgado em favor da Contribuinte permitiria a compensação (sem a citada limitação) apenas de prejuízos fiscais acumulados até o final anocalendário de 1994, ante o teor do pedido formulado na demanda judicial; pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita; (d) a multa de ofício isolada, a multa de ofício no percentual de 75% do tributo que deixou de ser recolhido e a exigência de juros moratórios equivalentes à Taxa Selic possuiriam respaldo em lei, cuja vigência e eficácia não poderiam ser afastadas em seara administrativa. Na parte provida, reduziuse para R$4.082.592,75 o valor da base de cálculo do lançamento de IRPJ, em decorrência das conclusões do relatório fiscal de diligência acima referido. Em recurso voluntário, a Contribuinte reproduz alegações de impugnação quanto (a) aos efeitos da decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n. 95.0031284, pelos quais seria legítima a compensação integral de prejuízos fiscais independentemente da data da respectiva geração (desses prejuízos) e a despeito do disposto nas Leis n. 8.981/95 e n. 9.065/95; (b) à inexigibilidade de multa isolada, seja pela improcedência da acusação principal, seja pela impossibilidade de aplicação concomitante com a multa de ofício relativa ao lançamento de IRPJ. Preliminarmente, a Contribuinte suscita necessidade de suspensão deste processo enquanto não ocorrido o julgamento definitivo do Processo Administrativo n. 13807.010641/200217, que versaria sobre “o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de IRRF em função da apuração de prejuízo fiscal, sem qualquer limitação, com fulcro na Lei n. 8.981/1995 e na Lei n. 9.430/96”, e que teriam “o mesmo objeto e a mesma causa de pedir, qual seja, o reconhecimento de que a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n. 95.00312840, já transitado em julgado, teria assegurado o direito da ora Recorrente de lhe ver afastada a limitação de 30% (trinta por cento) ao artigo 15 da Lei n. 9.065 (art. 45 da Lei n. 8.891/1995 (sic)) tão somente aos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994”. É o relatório. VOTO Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Conforme se depreende do relatório supra, versa o caso dos autos sobre a legitimidade (ou não) da limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais para apuração da base de incidência do IRPJ imposta pelas Leis n. 8.981 (art. 42) e 9.065 (art. 12), ambas de 1995. Sobre o tema, essa Corte Administrativa consolidou entendimento – com base em texto de lei de constitucionalidade afirmada por jurisprudência do C. Supremo Tribunal Federal – no sentido de que “para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo Fl. 822DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 10 9 negativa.” (CARF, Sumula n. 3, proveniente da Súmula 3 do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes). Supervenientemente à edição de citada súmula, editouse a Portaria n. 586/2010, pela qual foi acrescido o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, segundo o qual (a) as decisões definitivas de mérito proferidas pelos Tribunais Superiores na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF e, no que interessa ao caso (b) deverão ficar sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do CPC. Verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Também supervenientemente à edição de citada súmula, e nada obstante o tema em referência já ter sido objeto de exame pelo C. Supremo Tribunal Federal, a própria C. Suprema Corte decidiu revisitalo por meio de julgamento de Recurso Extraordinário n. 591.3406/SP, de relatoria do Exmo. Ministro Marco Aurélio Melo, cuja repercussão geral foi reconhecida por meio de acórdão assim ementado, verbis: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – PREJUÍZO – COMPENSAÇÃO – LIMITE ANUAL. Possui repercussão geral controvérsia sobre a constitucionalidade da limitação em 30%, para cada anobase, do direito de o contribuinte compensar os prejuízos fiscais do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. O instituto da repercussão geral é ínsito à sistemática prevista no art. 543B do CPC e ao conseqüente sobrestamento dos processos que versam sobre a mesma temática. Não há que se falar em “repercussão geral” (para fins de processamento de recursos extraordinários) fora do campo de incidência do citado dispositivo de lei processual. Não cabe, de um lado, ter como certa a repercussão geral da controvérsia e, ao mesmo tempo, afastála (controvérsia) da sistemática do CPC e da obrigatoriedade de sobrestamento das causas, já que a “repercussão geral” encontra previsão e respaldo normativo no próprio art. 543B do CPC. A lei de regência (no caso, o CPC) impõe aos Tribunais o sobrestamento dos processos que versam sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido reconhecida, à exceção, obviamente, daqueles que forem escolhidos como “representativos de controvérsia” para exame pelo C. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 11 10 Supremo Tribunal Federal. Vejase, nesse sentido, o disposto no art. 543B, caput e parágrafos do CPC, verbis: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Não por outro motivo os Exmos. Ministros do C. Supremo Tribunal Federal vêm sobrestando os julgamentos relativos à matéria sob exame, conforme se depreende, a título ilustrativo, de acórdão proferido pela 2a Turma da C. Suprema Corte, de Relatoria do Exmo. Min. Gilmar Mendes, pelo qual foi dado provimento por unanimidade de votos a embargos de declaração em agravo regimental em recurso extraordinário apresentados por contribuinte para que recurso extraordinário de matéria análoga à presente fosse devolvido ao Tribunal de origem, com base no disposto no art. 543B do CPC, enquanto não definitivamente apreciada a constitucionalidade da limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL objeto do RERG 591.340, acima referido, verbis: “Embargos de declaração em agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Tributário. Imposto de renda de pessoa jurídica. Limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL. Repercussão geral reconhecida. Mérito pendente. RERG 591.340, rel. Min. Marco Aurélio, DJe 7.11.2008. 3. Embargos de declaração acolhidos. 4. Recurso extraordinário devolvido ao Tribunal de origem, com base no disposto no art. 543B, do CPC”. (RE 435576 AgRED/PB, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, DJe 12032012) No mesmo sentido, citemse decisões monocráticas (a) do Exmo. Ministro Dias Toffoli, nos RE 630.921/SP (de 02.02.2011), RE 362.100/SP (de 01.08.2012), RE 433.767/SP, 547.226/SP e 232.959/SC (todas de 26/10/2011); e (b) do Exmo. Ministro Marco Aurélio, no Fl. 824DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 12 11 AI 714.189/SP (de 26.05.2010) e RE 418.807/RS, que, nos termos do art. 328 do Regimento Interno do STF, determinavam o sobrestamento dos respectivos processos e a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que fosse aplicado o disposto no art. 543B do CPC. Essa sistemática foi transportada ao processo administrativo tributário federal por meio do art. 62A do Regimento Interno do CARF acima citado. Pelas razões acima expostas, tal qual aos Tribunais Judiciários, impõese o sobrestamento dos recursos sempre que neles houver controvérsia submetida à sistemática do art. 543B do CPC (“repercussão geral”), ao menos enquanto não editado ato normativo que venha a restringir o alcance de referido dispositivo regimental. Notese que o tema não é novo a esse Colegiado. Na sessão de 11 de abril de 2013, esta Turma decidiu por sobrestar o julgamento em processo que tratava da trava de 30% para compensação de prejuízos, nos termos do art. 62A, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (Resolução nº 1102000.150, Relator Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé). Tal determinação foi ratificada nos autos do Processo Administrativo n. 16643.000303/201087, cujo voto condutor da resolução respectiva é da lavra deste Relator. Por oportuno, nesse último julgamento, o ilustre Conselheiro José Evande Carvalho Araújo sustentou que não haveria razão para o sobrestamento do litígio pois este já se encontraria pacificado em âmbito administrativo com a edição da Súmula CARF n. 3. No entender do ilustre Conselheiro, “no conflito entre a determinação de sobrestamento do art. 62A e a obrigatoriedade de observância das súmulas do CARF do art. 72, ambos do anexo II do Regimento, deve prevalecer a autoridade dos verbetes sumulares até sua revogação”. Acrescentou ainda que, “apesar da matéria ter sido reconhecida como de repercussão geral no RE 591.3406/SP em 9/10/2008, o STF decidiu pela constitucionalidade da trava de 30% em 25/3/2009, no RE 344.9940/PR, sendo certo que alguns Ministros optam por não sobrestar os feitos, adotando o entendimento já pacificado”. Atestou, por fim, que a aplicação da regra regimental poderá levar à suspensão da grande maioria dos julgamentos da Corte, ante a repetição de alguns temas em muitos processos administrativos. Em que pese não mereça crítica a afirmação de que a regra regimental pode impedir ou retardar julgamentos de muitas questões relevantes pelo CARF, é inadequado afastar a aplicação de regra cogente por razões de natureza pragmática. No caso da limitação de compensação de prejuízos fiscais para formação da base de cálculo do IRPJ, especificamente, atestar que a constitucionalidade respectiva já foi reconhecida pelo C. Supremo Tribunal Federal é, com a devida vênia, negar a realidade, o fato incontroverso, de que o recurso extraordinário sobre a temática têm repercussão geral reconhecida e se encontra pendente de julgamento. Por sua vez, pretender aplicar súmula editada anteriormente à edição da norma regimental e, especialmente, anteriormente à modificação do cenário jurídico sobre o tema (qual seja, revisitação do tema pelo C. STF mediante recepção de novo recurso submetido à sistemática do art. 543B do CPC) é, com a devida vênia, novamente negar a realidade de que a determinação de sobrestamento é sempre preliminar (prévia) ao exame do mérito da causa, no qual a súmula poderia (ou não) ser aplicada. Não há, portanto, conflito entre súmula e norma regimental como sugere o ilustre Conselheiro. Dáse apenas eficácia ao dispositivo regimental vigente e diferese o exame do mérito para momento posterior à decisão definitiva proferida pelo C. Supremo Fl. 825DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 19515.003366/200913 Resolução nº 1102000.185 S1C1T2 Fl. 13 12 Tribunal Federal no recurso submetido à sistemática do art. 543B do CPC, no qual, reiterese, a súmula pode ou não ser aplicada. Notese que tal assertiva é até intuitiva, pois não se duvida que citada súmula não será aplicada caso o C. STF reconheça a inconstitucionalidade da limitação de compensação de prejuízos em referência no julgamento do citado recurso extraordinário. Por tais fundamentos, oriento voto no sentido de propor a conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta lide até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a respeito da (in)constitucionalidade da limitação da compensação de prejuízos fiscais para a formação da base de cálculo do IRPJ de que tratam as Leis n. 8.981 e n. 9.065, ambas de 1995. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 826DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 02 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 11073.000080/2006-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.154
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11073.000080/200660 Resolução n.º 220200.154 S2C2T2 Fl. 113 2 Relatório 1. Notificação de Lançamento O recorrente foi notificado em 28/09/06 acerca de Notificação de Lançamento, na qual foi constatada omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas apurada na revisão de sua Declaração de Ajuste Anual. Os rendimentos omitidos atingem a quantia de R$ 109.285,36. Com base na omissão, foi apurado crédito tributário no montante de R$ 12.079,68. A omissão teria sido constatada por terem sido declarados pelas fontes pagadoras (INSS, Prefeitura Municipal de Crissiumal e Estado do Rio Grande do Sul) rendimentos no montante de R$ 109.285,36, tendo sido recolhidos R$ 17.092,31 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. O contribuinte, entretanto, declarou em primeiro momento apenas os rendimentos recebidos do Estado do Rio Grande do Sul, por ser professor aposentado, restando omitidos os rendimentos recebidos do INSS e o valor pago em decorrência de ação judicial pela Prefeitura de Crissiumal. Em declaração retificadora, entregue em 02/01/06, modificou os valores recebidos e alocou todos sob a rubrica de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, lançando sua aposentadoria sob o código de “Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço”, junto aos rendimentos que recebeu do INSS sem natureza declarada, e os rendimentos recebidos da prefeitura municipal como “INDENIZAÇÃO”. 2. Impugnação Indignado com a notificação o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação (fls. 14) esgrimindo os seguintes argumentos: a) que já pagou o tributo, vez que este foi retido na fonte; b) que a verba recebida do município de Crissiumal é indenizatória, não cabendo tributação sobre esta, conforme decisão favorável do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul em resposta a uma consulta da Câmara de Vereadores do município (decisão não juntada ao processo); c) que a verba foi paga pela prefeitura em 2005, constando na Declaração deste ano; d) que enquanto exercia o cargo de prefeito, a Lei Orgânica Municipal vetava a percepção de salários ou subsídios, ou seja, apenas era paga Verba Indenizatória em relação aos gastos do cargo. A verba é acumulada de 34 meses, ou seja, se fosse percebida à época, não seria devido imposto; e) cobrar imposto sobre estas verbas seria legalizar os ilícitos praticados pela Administração Pública e condenados pelo Tribunal de Justiça do Estado; f) que do valor recebido na ação, R$ 10.953,15 são referentes a honorários advocatícios; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11073.000080/200660 Resolução n.º 220200.154 S2C2T2 Fl. 114 3 g) pede, ainda, que seja devolvido o que tem direito a restituir; Em anexo à impugnação estão: a) Comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte do Estado do Rio Grande do Sul, recebidos a título de aposentadoria (fl. 9) e dos valores recebidos da Prefeitura Municipal de Crissiumal (fl. 10); b) Cópia da homologação do acordo entre o contribuinte e a Prefeitura de Crissiumal (fls. 1113); c) Cópia da concessão de A.J.G. na ação que culminou no acordo supracitado; d) Cópias de atestados médicos demonstrando a situação frágil de saúde de sua família; 3. Acórdão de Impugnação Recebida e conhecida a impugnação, por atender a todos os requisitos de admissibilidade, foi a mesma julgada procedente, sendo mantido integralmente o lançamento, tendo a decisão (fls. 5561) os seguintes fundamentos: a) o contribuinte em primeiro momento havia declarado os rendimentos percebidos a título de Aposentadoria do Estado do Rio Grande do Sul, mas em declaração retificou a declaração zerando seus rendimentos tributáveis; b) somente pensões/aposentadorias pagas pela Previdência Social aos maiores de 65 anos, até o limite de R$ 1.058,00 por mês não entram no cômputo de rendimentos tributáveis nos termos do inciso XXXIV do Art. 39 do RIR/99; c) embora o contribuinte alegue que tais verbas possuem natureza indenizatória, não somente inexiste referência a isto no acordo judicial, bem como é disposto pelo juiz que deve ser retido Imposto de Renda, o que significa dizer que os valores foram entendidos como tributáveis; d) que a jurisprudência administrativa e judicial só vincula a administração pública quando a lide é relativa às partes do processo administrativo, ou se proferida pelo STF em sede de controle de constitucionalidade; e) que os honorários advocatícios só podem ser deduzidos da base de cálculo do tributo quando comprovado que os mesmos foram custos para a obtenção do rendimento através de ação judicial, o que não ocorreu no caso, pois os honorários foram pagos pela parte ré à parte dos valores recebidos pelo contribuinte; f) que embora tristes, os fatores de doença da família do contribuinte não são passíveis de análise pelo órgão administrativo, pois lhe falta competência para julgamento de tais matérias. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11073.000080/200660 Resolução n.º 220200.154 S2C2T2 Fl. 115 4 4. Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do acórdão de impugnação, o contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, esgrimindo os seguintes argumentos: a) sobre os rendimentos provenientes da Prefeitura de Crissiumal não incide imposto de renda, vez que são verbas indenizatórias, sendo assim, não ocorreu omissão de rendimentos, nem mesmo sonegação, mas tão somente omissão de recolhimento, não havendo prejuízo ao fisco pelo erro do contribuinte, não devendo, logo este ser punido por mero erro de preenchimento; b) que o fisco utilizouse de prática ilegal, a saber: compensação de imposto a restituir do último ano com o débito ainda não devidamente constituído do anocalendário discutido neste processo administrativo; c) a multa é confiscatória; d) a Lei Orgânica do Município de Crissiumal prevê que o viceprefeito receberá até 40% de sua remuneração fixada como verba de representação, tais verbas não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não são acréscimo patrimonial nem produto do capital ou da renda. Há inclusive jurisprudência do STJ apontando neste sentido; e) STJ possui entendimento de que erro que não gera prejuízo aos cofres públicos não é passível de punição por meio de multa, quanto mais multa desta proporção. Nenhuma nova prova foi juntada ao processo. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11073.000080/200660 Resolução n.º 220200.154 S2C2T2 Fl. 116 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso trata sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. Ocorre que a maneira como estes rendimentos deve ser tributadas está sendo julgada no STF em sede de Recurso Extraordinário que tramita em regime de repercussão geral. É o Recurso Extraordinário nº 611.406, que se encontra em julgamento no presente momento. Conforme está disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos no CARF que versarem acerca de matéria sobre a qual pende decisão de acordo com regime do art. 543B do CPC. A título da Portaria nº 1 de 6 de janeiro de 2012 do CARF, é necessário demonstrar que o sobrestamento do julgamento dos processos está sendo determinado pelo STF, o que pode ser observado pela seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, publicado em DJe035 DIVULG 03/03/2011 PUBLIC 04/03/2011) Sendo assim, estando presentes os pressupostos para o sobrestamento do julgamento deste recurso, opino no sentido de sobrestar o julgamento do presente até que seja proferida decisão definitiva no referido Recurso Extraordinário em tramitação no STF. (Assinado digitalmente) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 11073.000080/200660 Resolução n.º 220200.154 S2C2T2 Fl. 117 6 Rafael Pandolfo Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722184/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA.
A contagem do prazo decadencial da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento do carnê-leão submete-se à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE.
Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior.
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento.
Numero da decisão: 2201-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Luiz Carlos de Andrade Júnior, OAB/SP 258.521.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 Ementa: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. A contagem do prazo decadencial da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento do carnê-leão submete-se à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE. Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Luiz Carlos de Andrade Júnior, OAB/SP 258.521. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
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MULTA ISOLADA. A contagem do prazo decadencial da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento do carnêleão submetese à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE. Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Luiz Carlos de Andrade Júnior, OAB/SP 258.521. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 84 /2 01 1- 51 Fl. 4877DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006 e 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 4334/4356, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 38.789.465,49, calculado até 31/10/2007. A fiscalização apurou, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4336/4345): 1. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas 2. Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas 3. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Físicas 4. Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Físicas 5. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada 6. Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de Carnê leão Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do requerimento sintetizado pelo relatório de primeira instância, verbis: 94. requer que sejam reconhecidos: i) a decadência do direito de lançar exigências relativas ao ano de 2006; ii) a nulidade absoluta do auto de infração pois a fiscalização deveria ter autuado a sociedade de fato, ou quando menos, a pessoa jurídica equiparada, aplicando o regime tributário de pessoas jurídicas, tendo em vista a prática pelo Impugnante de atividade econômica voltada ao lucro, em conjunto com seu sócio; iii) a decadência das multas isoladas pelo não recolhimento de carnê leão dos períodos de janeiro a dezembro de 2006 (subsidiariamente) e de janeiro a março de 2007; iv) os equívocos cometidos pela fiscalização e a metodologia ilegítima e ilegal por ela utilizada tornam o lançamento ilíquido e incerto; v) subsidiariamente, o cancelamento, ao menos, da parte Fl. 4878DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 3 3 decorrente da aplicação da média percentual para apuração dos honorários contratuais supostamente omitidos, por representar uma presunção não autorizada por Lei e tributação com base em fato gerador não comprovadamente ocorrido; vi) subsidiariamente, a duplicidade e determinado o cancelamento do auto com relação às exigências apontadas no tópico II.B.2 acima, que somam um imposto indevidamente exigido de R$ 441.638,18 (bem como multas e juros) para 2007 e R$ 953,48 (bem como multas e juros), para 2006; vii) o cancelamento do item 05 do auto de infração, caso os itens ii e iv acima não sejam acolhidos, tendo em vista que as contas bancárias eram de uso comprovado de terceiros e, portanto, os depósitos bancários nelas realizados não podem ser imputados ao Impugnante; viii) que não poderá prevalecer a multa qualificada de 150% e tampouco o seu agravamento em 50%, i.e., reconhecer a ilegitimidade da multa de 225%, tendo em vista a ausência de motivação e tampouco comprovação e constatação da ocorrência de sonegação, fraude e conluio, que justifique a multa qualificada de 150%, bem como que nunca houve o alegado não atendimento à fiscalização, para ensejar o agravamento dessa multa pela metade; ix) a ilegalidade de cobrança de multa isolada concomitante com multa de ofício, pois, de outra forma, haveria bis in idem, com a dupla penalização do Impugnante pela mesma suposta infração; x) que as multas isoladas, caso mantidas, devem ser recalculadas para excluir de sua base os valores que foram considerados como rendimentos recebidos de pessoas físicas, quando, em verdade, foram recebidos de pessoa jurídica, ou, ainda, não houve prova de sua origem; xi) caso alguma multa de ofício (punitiva e isolada) prevaleça, não poderá haver incidência de juros de mora sobre ela, por falta de previsão legal; 95. requer, ainda, que se determine o cancelamento do processo administrativo de arrolamento de bens (PAF n° 19515.720454/201271) e da representação para propositura de medida cautelar fiscal (PAF n° 19515.720404/201293). A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. É de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, o prazo para o lançamento de ofício do imposto sobre a renda da pessoa física cujo pagamento tenha sido antecipado pelo contribuinte. In casu, tendo sido constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. Fl. 4879DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativamente às multas isoladas por falta de recolhimento do carnêleão extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. IMPROCEDÊNCIA. A eventual existência de incorreções no levantamento da matéria tributável, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA Incabível a preliminar de ilegitimidade passiva, uma vez provada a relação pessoal e direta do contribuinte com a situação que constitua o respectivo fato gerador, tendo em vista que são incluídos na declaração da pessoa física os rendimentos oriundos do exercício da atividade profissional de advogado, ainda que o profissional tenha firma individual registrada e em nome dela receba os rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ARBITRAMENTO. Nos casos de prestação de serviços de advocacia em que a cobrança dos honorários é feita aplicandose um percentual sobre os valores obtidos pelo autor da ação e quando o contribuinte não apresenta documentos que possibilitem aferir o exato valor do rendimento por ele obtido, é lícito arbitrar os rendimentos OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE. Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior. MULTA QUALIFICADA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de Fl. 4880DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 4 5 ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do pagamento do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Incabível a exasperação da multa, uma vez não comprovada, nos autos a recusa do contribuinte em atender às intimações fiscais, ou de haver atendido fora do prazo concedido. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. Estando o contribuinte obrigado ao recolhimento do imposto de renda mensal (carnêleão), o descumprimento desta obrigação tributária impõe a aplicação de multa isolada, incidente sobre o valor do imposto devido, independentemente da exigência da multa de ofício sobre o imposto de renda apurado no lançamento anual (declaração). JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia, nesta segunda instância, exclusivamente ao exame do recurso de ofício. Ao analisar a impugnação apresentada pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: Fl. 4881DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 PRELIMINARES DECADÊNCIA (...) Já o lançamento das multas isoladas não acompanha o principal e decorre de uma simples punição ao ato omissivo de não se antecipar o imposto no momento correto. Ainda que na Declaração de Ajuste Anual não tenha sido apurado imposto a pagar, persiste a infração e é aplicável a penalidade (art. 44, § 1.º, inc. III, da Lei n.º 9.430/96). Dessa forma, haja vista que os débitos relativos à multa isolada por falta ou insuficiência de carnêleão são lançados apenas de ofício, não há que se falar em lançamento por homologação por não se tratar de tributo, devendo também ser aplicada a regra estabelecida no art. 173, I, do CTN. Portanto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituir o crédito ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. Para definir este termo, é necessário identificar a data prevista para o recolhimento do imposto, pois é a partir de então que a multa já poderia ter sido lançada. O art 6º, da Lei 8.383/91 estabelece que o imposto relativo aos rendimentos recebidos de pessoa física (art. 8º da Lei 7.713/88) deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. Art. 6° O imposto sobre os rendimentos de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988: (...) II deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. Assim, o prazo para recolhimento do imposto obrigatório mensal (carnêleão) correspondente aos rendimentos recebidos em janeiro de 2006 ocorreu no último dia útil de fevereiro seguinte. Conseqüentemente eventual multa pelo não recolhimento já poderia ter sido lançada em 1º de março subsequente. Isso significa que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial (primeiro dia do exercício seguinte) é 1º de janeiro de 2007. Contados o cinco anos, o direito de a Fazenda lançar a multa relativa a janeiro de 2006 extinguiuse em 31/12/2011. Seguindo o mesmo raciocínio, as multas relativas ao período compreendido entre os meses de fevereiro a outubro de 2006 também já decaíram. Quanto às multas correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 2006, o termo inicial é deslocado para 1º de janeiro de 2008, já que as multas só poderiam ter sido lançadas no ano seguinte (2007), em janeiro e fevereiro de 2007, respectivamente, extinguindose em 31/12/2012. Fl. 4882DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 5 7 O mesmo se observa em relação às multas concernentes aos meses de janeiro a março de 2007, cujo crédito poderia ser constituído até 31/12/2012. Como já se viu, o contribuinte foi cientificado em 07/04/2012. Logo, deve ser afastada a preliminar de decadência relativamente às multas isoladas apuradas nos meses de novembro/2006, dezembro/2006 e no período de janeiro e dezembro de 2007. (...) MÉRITO RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (...) Por outro lado, assiste razão ao impugnante quando afirma que houve duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios apurados no anocalendário de 2007. Confrontandose a planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007” (fls. 4231/4236), que também foi elaborada em ordem cronológica pela fiscalização (fls. 4248/4253), com a planilha “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3” (fls. 4256/4259) é fácil perceber que há levantamentos de depósitos judiciais considerados em duplicidade. Com bem esclarece o contribuinte, a primeira planilha, “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007”, apurou os honorários advocatícios contratuais à razão de 20% dos levantamentos judiciais, que eram depositados na contacorrente do impugnante, tendo como ponto de partida a planilha de Sucumbências Levantadas 2007 (fls. 1646/1650). Já a segunda planilha, “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3”, calculou os honorários advocatícios contratuais a partir da aplicação da média percentual sobre os depósitos efetuados na contacorrente do interessado, o que deu causa à duplicidade mencionada. No anocalendário de 2006, também foi possível constatar a duplicidade em um dos levantamentos judiciais, como se verifica a partir do cotejo entre os demonstrativos “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2006” (4220/4222) e “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2006Doc2” (fls. 4239/4247). Desse modo, devem ser excluídos da autuação, os valores decorrentes da aplicação do percentual arbitrado sobre os depósitos bancários, extraídos do Demonstrativo de Créditos Fl. 4883DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2006Doc2” (fls. 4239/4247), os quais se encontram abaixo listados: DATA HONORÁRIOS ITEM DEMONST. GUIA HONORÁRIOS ITEM DEPÓSITO A EXCLUIR CRÉD. DE LEVANT. DEMONST. DEMONST. LEVANT. JUD. JUDICIAL SUCUMB. SUCUMB. 31/8/2006 3.467,21 700 94995 2.812,23 93 TOTAL/2006 3.467,21 2.812,23 26/1/2007 14,01 769 248/07 12,08 138 26/1/2007 493,74 770 420/07 419,69 3 28/2/2007 151.197,21 788 981/07 161.506,39 185 2/4/2007 1.063,09 818 1787/07 1.071,00 45 2/4/2007 52.224,25 828 1901/07 51.015,97 227 5/4/2007 1.506,56 844 2125/07 1.573,23 94 27/4/2007 779,02 859 2535/07 776,18 223 2/5/2007 897,90 868 2347/07 944,43 220 24/5/2007 352,85 893 2936/07 326,78 36 1/6/2007 17.928,36 907 3018/07 17.587,63 145 4/6/2007 98.384,36 921 3362/07 114.196,64 26 4/6/2007 1.770,69 922 3390/07 1.919,03 172 20/6/2007 403,01 936 3476/07 414,24 79 20/6/2007 22.597,86 937 3451/07 25.369,68 109 20/6/2007 5.655,15 939 3687/07 6.265,02 190 27/6/2007 6.233,83 943 3720/07 6.092,79 255 4/7/2007 278.623,03 969 3993/07 293.805,89 53 13/7/2007 42.787,55 973 4147/07 49.426,66 180 27/7/2007 30.805,49 991 4293/07 29.662,17 250 1/8/2007 20.524,75 995 4413/07 22.418,05 21 1/8/2007 10.175,53 997 4525/07 10.954,92 228 1/8/2007 55.050,35 999 4482/07 60.760,35 149 1/8/2007 8.849,79 1004 4445/07 9.088,14 87 1/8/2007 3.779,43 1007 4339/07 3.062,65 230 3/8/2007 14.178,07 1023 4718/07 13.980,49 237 8/8/2007 17.092,32 1024 4757/07 16.110,39 260 8/8/2007 5.118,84 1028 4770/07 5.309,87 113 15/8/2007 25.480,03 1035 5017/07 23.811,69 150 15/8/2007 4.410,86 1036 4975/07 3.078,43 254 3/9/2007 27.478,99 1055 5195/07 25.862,62 179 3/10/2007 35.814,31 1097 6197/07 34.816,06 192 1/11/2007 3.845,84 1125 6812/07 4.302,14 177 1/11/2007 318.049,42 1129 6797/07 309.304,11 96 7/11/2007 24.577,47 1144 6865/07 22.912,79 120 23/11/2007 61.965,85 1167 7138/07 66.104,02 67 23/11/2007 25.328,77 1168 7056/07 25.907,08 107 23/11/2007 43.842,84 1169 7118/07 42.033,28 98 23/11/2007 38.317,20 1170 7063/07 39.436,27 169 23/11/2007 35.197,39 1171 7058/07 37.934,86 52 23/11/2007 49.098,94 1172 7081/07 48.326,89 165 23/11/2007 1177 7051/07 201 23/11/2007 20.997,32 1181 7143/07 23.277,13 188 26/11/2007 24.547,51 1183 7228/07 23.152,53 164 26/11/2007 1185 7231/07 171 26/11/2007 4.562,57 1187 7237/07 1.679,66 119 28/11/2007 3.615,75 1190 7292/07 3.606,90 49 Fl. 4884DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 6 9 12/12/2007 9.558,89 1199 7555/07 7.889,06 234 TOTAL/2007 1.605.176,99 1.647.505,88 É de se notar que não cabe o expurgo dos honorários advocatícios incidentes sobre os depósitos realizados em 23/11/2007 e 26/11/2007, nos respectivos valores de R$ 601,82 e R$ 171,69, itens 1177 e 1185 (fls. 4259), posto que os mesmos não constaram da planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007” (fls. 4234). (...) MULTA AGRAVADA A fiscalização aplicou a todas as infrações apuradas o agravamento da multa de ofício previsto no art. 44, § 2º, “a”, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, com fulcro nas seguintes razões: “66.1. intimado através dos itens 4.2 e 5 do Termo de Início de Fiscalização a esclarecer e comprovar a destinação dos honorários por ele recebidos dos Autores das ações das quais foi patrocinador, até a presente data não apresentou nenhum dos recibos que emitiu por conta do recebimento de honorários advocatícios por ele emitidos para seus clientes, por ocasião dos repasses das verbas a eles demonstrada como devida, assim como não esclareceu nem comprovou a destinação dos honorários recebidos dos Autores, mesmo possuindo sistema computadorizado denominado "SISTEMA DE GESTÃO DE PROCESSOS SANDOVAL FILHO...", que só corrobora o porquê de em suas DIRPFs não haver preenchimento da coluna LIVRO CAIXA, ou seja, NÃO PRESTAR ESCLARECIMENTO ALGUM QUANTO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS EM SEU ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA E AS RELAÇÕES COM SEUS SÓCIOS/PARCEIROS; 66.2. em 14/02/2011, alegando não ter sido possível levantar todos os documentos solicitados, não apresentou documento algum e solicitou prazo suplementar de 30 (trinta) dias; 67. em 24/05/2006, o contribuinte, através de seu procurador, alegando cumprimento ao item 4 do Termo de Reintimação Fiscal de 18/05/2011, apresentou CD que deveria conter a planilha de cálculo dos valores levantados em 2007 a título de honorários de sucumbência, cujo conteúdo tentamos visualizar, na presença de seu preposto Alexei de Albuquerque Weidebach (Estagiário), sem sucesso, tentativa efetuada em mais de um computador. Evidentemente foi utilizado algum tipo de limitação de acesso para retardar o fornecimento de informações e o andamento da fiscalização: 68. em 08/06/2011, mais uma vez apresentou diversos documentos sem os relacionar como solicitado em todos os termos por nós lavrados, objetivando com isto fazer parecer que Fl. 4885DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 estariam sendo apresentados todos os extratos, quando na realidade faltava parte dos extratos, inclusive por ele mesmo sendo reconhecido quanto aos extratos do Bradesco, também apresentou extratos do Banco Nossa Caixa S/A., em impresso do Banco do Brasil S/A., sem fazer menção a tal fato; o que percebemos posteriormente tendo em vista que o dígito verificador foi alterado assim como o número da agência que somente após o término do último dos exercícios objeto do presente passou a ser do Banco do Brasil S.A.; 69. ainda em 08/06/2011, apresentou extrato da contacorrente 5265371, emitido pela Internet, que recusamonos a receber, tendo em vista que na imensa maioria das 55 folhas havia diversos lançamentos impressos com falha, estando alguns totalmente ilegíveis; 70. para corroborar o acima indicado, somente em 25/08/2011, o contribuinte apresentou extrato do Banco Citibank,, contendo 53 folhas, emitido por WebGRB Emulator, em cujo rodapé verificase que sua emissão ocorreu em 05/07/2011. mas para tal apresentação juntou carta de solicitação elaborada em 07/07/201 le recepcionada pela funcionária Suellen Campana, em 08/07/2011, que também assinou a primeira das 53 folhas, ou seja, quando da apresentação de documentos e das reclamações feitas quanto a atuação do Banco Citibank em 14/07/2007, eleja dispunha deste extrato só apresentado em 25/08/2011, para o que fora intimado em 24/01/2011 (VIDE ARQUIVO "B CITIBANK CC 526571");” O suplicante, por outro lado, argumenta que, desde o início do procedimento fiscal, colaborou com o agente fiscalizador, atendeu às intimações recebidas e procedeu à entrega de documentos que se encontravam disponíveis por ocasião das solicitações, diligenciando sempre no sentido de obter os dados e elementos pedidos. Assim, entende que deve ser cancelada a multa agravada. Sustenta, ainda, que atuou como advogado em um grande número de processos, sendo que alguns deles já estavam encerrados e arquivados e, por isso, não conseguiu obter a tempo documentos a eles relativos. Portanto, não pode ser penalizado por isso, já que a documentação referente à grande maioria deles foi devidamente entregue e utilizada pela fiscalização. A aplicação da multa agravada está amparada no art. 44, I, § 2º do da Lei nº 9.430/1996, que prevê o agravamento em 50% da multa de ofício de 75%, por falta de atendimento, no prazo estipulado, à intimação. Para elucidar a questão, transcrevese, a seguir, o mencionado dispositivo: “Art. 44. (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Fl. 4886DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 7 11 I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a”, com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b”, com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c”, com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Por exclusão das hipóteses previstas nas alíneas II e III, que não se aplicam ao caso vertente, resta analisar a ocorrência da primeira previsão da norma, qual seja, a não prestação de esclarecimentos no prazo marcado. Em consulta ao Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5, observase que o vocábulo “esclarecer” pode significar, na acepção pretendida pelo dispositivo legal, dar ou prestar explicação; tornar claro, compreensível; elucidar; aclarar. No caso em exame, compulsandose os autos, verificase que, em nenhum momento, o contribuinte se eximiu de responder às intimações contra ele expedidas, ainda que, em algumas ocasiões tenham solicitado dilação do prazo inicialmente concedido para cumprimento do requisitado. O fato de, por vezes, as respostas apresentadas terem sido genéricas e não esclarecerem todos os pontos suscitados não constitui motivação para o agravamento. De igual modo, o fato de não terem sido apresentados todos os documentos relacionados nos termos de intimação enviados ao contribuinte não pode ser tomado como falta de “esclarecimentos”, sendo, por si só, insuficiente para justificar a imputação da penalidade prevista no art. 44, § 2º, I, da Lei nº 9.430/1996. Se assim o fosse, qualquer infração lançada com base na falta de apresentação de documentos ou livros obrigatórios ensejaria agravamento da multa. Nesse sentido aponta a jurisprudência administrativa: “AGRAVAMENTO DA MULTA – O disposto no inciso III, art. 728, do Regulamento aprovado pelo Decreto 85.450/80, só se aplica quando, mediante formal intimação para prestar esclarecimentos, restar comprovado que ocorreu recusa e/ou resistência por parte do contribuinte em atendêla. Não produz os mesmos efeitos a intimação feita ao contribuinte para apresentar declaração de rendimentos, deixando a seu critério fornecer ou não outros esclarecimentos” (Ac. CSRF/010/392/84 – Resenha Tributária, Jurisprudência Administrativa CSRF, Livro 1.219, pág. 5.241) Especificamente no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, cabe observar que a totalidade dos extratos bancários foram fornecidos à fiscalização (fls. 253/765). Fl. 4887DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Por outro lado, a falta de atendimento à intimação no que diz respeito à comprovação da origem dos depósitos bancários não trouxe qualquer empecilho à ação fiscal, antes a facilitou, pois a omissão do sujeito passivo em justificar os depósitos representa, justamente, o aperfeiçoamento da presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, qual seja, a caracterização formal da omissão de rendimentos. Assim, nas condições específicas do caso em apreço, a resposta satisfatória do contribuinte às intimações para comprovação da origem dos créditos bancários teria o condão de afastar a autuação. Dessa forma, entendo que resta injustificado o agravamento de 50% da multa de ofício no presente caso, devendo ser aplicada sobre o imposto devido, tão somente, a multa de ofício de 150%, preconizada no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida deu parcial provimento à Impugnação apresentada pelo contribuinte, já que reconheceu a decadência parcial da multa isolada por falta ou insuficiência de carnêleão, a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios apurados nos anoscalendário de 2006 e 2007 e, finalmente, afastou o agravamento da multa de ofício no percentual de 50%. Pois bem, quanto ao primeiro provimento, cumpre deixar assentado que o lançamento das multas e juros isolados é privativo da autoridade administrativa, razão pela qual a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Esse entendimento é corroborado por vários precedentes deste Tribunal, citandose como exemplo, alguns julgados que decidiram sobre o prazo de decadência da multa isolada: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. FALTA DE ESTIMATIVAS. Por não se enquadrar na hipótese de tributo sujeito à homologação, o lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas obedece à regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. (Acórdão no 1202000.656, de 23/11/2011). ... MULTA ISOLADA. A contagem da decadência do direito da Fazenda de constituir a multa isolada é feita do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que seu lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), ainda que reduzida ao percentual de 20%, por força da retroatividade benigna. (Acórdão no 1302000.742, de 19/10/2011). Fl. 4888DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 8 13 ... CSLL MULTA ISOLADA – DECADÊNCIA – A multa isolada é constituída mediante lançamento de ofício, razão pela qual, aplicandose o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, pacificado em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. (Acórdão no 9101001.200, de 18/10/2011). Citase, outrossim, Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Concluise, assim, que o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nessa conformidade, correto o entendimento da autoridade recorrida que excluiu da exigência a multa isolada por falta ou insuficiência de carnêleão, referente aos meses de janeiro a outubro de 2006, em face da decadência. No que tange à exclusão da base de cálculo dos valores considerados duplicados no cômputo dos honorários advocatícios apurados nos anoscalendário de 2006 e 2007, comparandose a planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007” (fls. 4231/4236), com a planilha “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3” (fls. 4256/4259), verificase a existência de depósitos judiciais duplicados, já que na planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007”, apurouse os honorários advocatícios contratuais à razão de 20% dos levantamentos judiciais, que eram depositados na contacorrente do contribuinte, tendo como ponto de partida a planilha de Sucumbências Levantadas 2007 (fls. 1646/1650). Por sua vez, a segunda planilha, “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3”, calculou os honorários advocatícios contratuais a partir da aplicação da média percentual sobre os depósitos efetuados na contacorrente do autuado. Em relação ao anocalendário 2006 o modelo se repete, entretanto, somente em relação ao valor de R$ 3.467,21, datado de 31/8/2006, consoante se observa do cotejo entre os demonstrativos “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2006” (4220/4222) e “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2006Doc2” (fls. 4239/4247). Isso posto, igualmente escorreito o trabalho efetuado pela autoridade recorrida que concluiu pela exclusão da base de cálculo as quantias de R$ 3.467,21 e R$ 1.605,176,99, referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente. Quanto à multa agravada, analisando detidamente os autos, constatase que o contribuinte não se eximiu de responder, ainda que parcialmente, às intimações feitas pela autoridade fiscal. Nesse sentido, penso que a exclusão da multa agravada seguiu rigorosamente entendimento deste Órgão, consoante as ementas transcritas: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O atendimento da intimação, ainda que parcial, não dá ensejo ao agravamento da multa aplicada.... (Acórdão nº 2201001.584) .... Fl. 4889DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento. (Acórdão nº 1301000.809) Assim, verificando que a decisão recorrida está fundamenta em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e, estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao recurso de oficio. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4890DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 9 15 Fl. 4891DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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