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Numero do processo: 13819.903463/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-004.558
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TOYOTA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 34 63 /2 00 8- 18 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 3 2 convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (.) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: (...) transmitiu o (...) PER/DCOMP (...) pelo qual pleiteou a homologação de compensação, valendose de créditos de contribuições recolhidas a maior em decorrência da não dedução de vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Em termos práticos, a decisão ora combatida afirma que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente usado para quitação de débitos do contribuinte. Não é o que mostra, contudo, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, (...), apresentada pela Manifestante (...). Da análise de tal documento, podese concluir, em absoluto, que há crédito suficiente para a compensação formalizada na PER/DCOMP em questão (.). Ante o exposto, a não homologação da compensação não merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a existência do crédito da Manifestante. Caso V. Sas. não entendam dessa forma, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Manifestante, desde já, esclarece a legalidade, regularidade e tempestividade das informações prestadas a esta Secretaria. Ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão, todos os valores informados pela Manifestante já eram Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 4 3 absolutamente condizentes com a realidade, ou seja, a Manifestante, àquela altura, já detinha todos os créditos pleiteados. Os créditos da Manifestante, decorrentes de pagamento a maior por não dedução em vendas para a Zona Franca de Manaus, SEMPRE existiu (sic) e, agora, ainda mais, resta plenamente demonstrado na DCTF da Manifestante, ora anexada. A Manifestante, portanto, jamais causou qualquer prejuízo ao erário público, ao compensar valores com créditos dos quais dispunha integralmente. Assim, não bastasse a regularidade da compensação, que deve ser plenamente homologada, nunca houve mora ou infração da Manifestante, motivo pelo qual a cobrança de multa e juros apresentada no despacho decisório é igualmente descabida. Caso entendam V. Sas. que há alguma irregularidade no caso, nem mesmo mero erro de fato poderia ser cogitado, entendimento que, aliás, ocasionaria verdadeiro enriquecimento ilícito da Unido Federal. A DRJ/Campinas/SP, por meio do Acórdão 0529.648, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 EMENTA: DESPACHO ELETRÔNICO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA POSTERIOR. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação, sendo que a retificação de tais declarações posteriormente à emissão do despacho eletrônico não o invalidam. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No Recurso Voluntário, a empresa reforça a invocação do princípio da verdade material, e reitera que a DCTF retratava a condição de liberação do pagamento indevido. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.544, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 13819.903407/200883, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.544): "O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório foi cientificado ao contribuinte em 21/08/2008, e a DCTF retificadora foi transmitida em 08/09/2008, portanto, depois da ciência do Despacho Decisório. Portanto, o débito no valor integral do Darf foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído, passível de posterior homologação. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquiv oBinario=0 II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 6 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificálo – o crédito tributário após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais (nfs, contratos, etc). Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 7 6 Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. Caso a DCTF ativa (original ou retificadora) estivesse com os valores que alega a recorrente, a compensação poderia ser sido auditada, para eventual prova de sua inconsistência, e para conferir o crédito. Em outras palavras, o Fisco tem o dever de averiguar I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 8 7 e comprovar apenas o que for diferente daquilo que foi declarado pelo contribuinte. Após o procedimento de ofício, que agiu em conformidade com o que estava declarado, a contraprova, o ônus probatório, no caso de restituição/compensação, passa ao contribuinte. Dado que a DCTF ativa tinha o valor total do Darf de pagamento, a compensação foi negada por comparativo eletrônico. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1705 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.015489/99-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992
COMPENSAÇÃO ENTRE FINSOCIAL E COFINS. PROCEDIMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A constituição do crédito tributário de Cofins, decorrente de compensação indevida de Finsocial, é efetivada pelo lançamento de ofício, caso o débito não tenha sido declarado em DCTF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Laércio Curz Uliana Júnior, que lhe deram provimento parcial, apenas para conceder o crédito pleiteado com origem no ano de 1992, com base nas informações prestadas na DIPJ e DARF´s recolhidos.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992 COMPENSAÇÃO ENTRE FINSOCIAL E COFINS. PROCEDIMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A constituição do crédito tributário de Cofins, decorrente de compensação indevida de Finsocial, é efetivada pelo lançamento de ofício, caso o débito não tenha sido declarado em DCTF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Laércio Curz Uliana Júnior, que lhe deram provimento parcial, apenas para conceder o crédito pleiteado com origem no ano de 1992, com base nas informações prestadas na DIPJ e DARF´s recolhidos. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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PROCEDIMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A constituição do crédito tributário de Cofins, decorrente de compensação indevida de Finsocial, é efetivada pelo lançamento de ofício, caso o débito não tenha sido declarado em DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Laércio Curz Uliana Júnior, que lhe deram provimento parcial, apenas para conceder o crédito pleiteado com origem no ano de 1992, com base nas informações prestadas na DIPJ e DARF´s recolhidos. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 54 89 /9 9- 25 Fl. 138DF CARF MF 2 (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância adminsitrativa: Tratase de pedido (fl. 01) apresentado pela interessada em 13/07/1999, pretendendo ter compensado crédito de FINSOCIAL com débito da Cofíns do período de junho de 1999. Informa a interessada às fls. 05/06 que o crédito do FINSOCIAL originouse de decisão judicial que reconheceu o seu direito à compensação de valores recolhidos à alíquota superior a 0,5%, assegurada pelo julgamento do Recurso Especial n° 123.868/BA (fls. 15/21), objeto de Embargos de Declaração que corrigiu contradição nele existente (fls. 22/28). Às fls. 26/38 foram anexadas fotocópias dos DARF do FINSOCIAL; às fls. 39/44, fotocópia da declaração do IRPJ relativa ao anocalendário de 1992; às fls. 46/52, novos pedidos de compensação relativos à Cofins dos períodos de julho, agosto e setembro de 2001. Após anexação dos documentos de fls. 53/68, a contribuinte foi intimada (fls. 69/70) a apresentar livros fiscais e contábeis que comprovassem as bases de cálculo do FINSOCIAL no período de setembro de 1989 a janeiro de 1992. Por meio do Parecer SEORT n° 024/2004 (fls. 74/75), o pedido da interessada foi indeferido em face da não apresentação da documentação necessária à sua análise, não se homologando assim as declarações de compensação de fls. 01, 46,48 e 51. Cientificada do referido parecer em 22/11/2004 (Aviso de Recebimento AR à fl. 76), a interessada apresenta em 22/12/2004 a Manifestação de Inconformidade de fls. 77/82, sendo essas as suas razões de defesa: A despeito de o agente do Fisco alegar que não foi comprovada a base de cálculo do FINSOCIAL, ao processo foram acostadas "planilhas com discriminativo completo da referida contribuição, constando inclusive a base de cálculo e alíquota"; Ademais, a base de cálculo da contribuição ao FINSOCIAL é o faturamento da empresa, que pode ser facilmente evidenciado a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10580.015489/9925 Acórdão n.º 3201004.565 S3C2T1 Fl. 3 3 partir da simples análise das declarações do IRPJ dos exercícios de 1989 a 1991, que se encontram em poder da SRF; A compensação é forma de extinção do crédito tributário, não sendo necessário o deferimento do órgão administrativo, mas simplesmente que este realize o encontro de contas, visto que o direito creditório foi garantido à interessada por via da ação judicial n° 94.00027915, já transitada em julgado; Em seguida, sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferindo mais uma vez o pleito compensatório, sob o argumento de que o prazo para se pleitear a compensação é de 5 anos, contados a partir da data do pagamento, entendimento que é descabido, pois restou assentado pelo STJ, em decisão proferida nos autos da^Ação Ordinária n° 96.8518 8, que o referido prazo é de 10 anos. A 4ª Turma da DRJ/Salvador/BA, por meio do Acórdão 06.722, de 16/03/2005, indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Não houve ementa. O fundamento para a negativa de provimento foi: A Instrução Normativa 32/1997 autorizava a compensação de Finsocial com Cofins, porém somente até a data da sua publicação, em 10 de abril de 1997; A recorrente não apresentou os elementos necessários ao cálculo do indébito. No Recurso Voluntário, a recorrente reforça os argumentos de defesa. Acrescenta que nos autos do Mandado de Segurança 94.00027915, o STJ decidiu segundo a seguinte ementa (fl.101): “TRIBUTÁRIO, LEI Nº 8.383/91 – COMPENSAÇÃO DO FINSOCIAL COM O COFINS. A egrégia 1ª Seção tem decidido ao interpretar a Lei nº 8.383/91, ser possível, ao contribuinte, nos casos de lançamento por homologação, efetivar, a seu talante, e no momento de recolher o tributo, a compensação do FINSOCIAL.” É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A pretensão da recorrente é ver reconhecidas as compensações de créditos de Finsocial, cujo direito foi reconhecido judicialmente, com débitos de Cofins. Fl. 140DF CARF MF 4 A exigência de pedido à Receita Federal para compensação de tributos diferentes sempre foi necessária, para que se respeitasse corretamente a destinação constitucional dos tributos ou contribuições compensados. Para ilustrar, caso o contribuinte compensasse, sem conhecimento da Receita Federal, um crédito de IRPJ com débito de Cofins, restariam os Estados e Municípios prejudicados, porque o IRPJ deve ser diretamente repartido com essas Entidades, enquanto a Cofins não. Na compensação efetivado com controle da Receita Federal, as destinações constitucionais são corretamente direcionadas. Na época das compensações em foco, vigia a IN 21/97, que em seu artigo 12 e seguintes exigia o pedido à Receita Federal. Todavia, na mesma Instrução Normativa, permitese a compensação, independentemente de requerimento, de tributos ou contribuições da mesma espécie: COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. A IN 32/97 permitiu a compensação de Finsocial com Cofins, também sem necessidade de pedido: Art. 2º Convalidar a compensação efetivada pelo contribuinte, com a contribuição para o financiamento da Seguridade Social COFINS, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na alíquota superior a 0,5%(meio por cento), conforme as Leis nºs 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. A decisão recorrida entendeu que os débitos posteriores à IN 32/97 não poderiam ser objeto de compensação de Finsocial com Cofins, pois teria apenas convalidado as compensações anteriores. Divirjo desse fundamento. Entendo que a ratio decidendi do referido artigo 2º da IN 32/97, é que a Cofins veio substituir o Finsocial, possuindo a mesma espécie e destinação constitucional. Isto é, se a referida Instrução Normativa reconheceu que a compensação entre Finsocial e Cofins não viola a destinação constitucional, não há razão para que as compensações até 1997 recebam tratamento diverso das compensações posteriores a 1997. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10580.015489/9925 Acórdão n.º 3201004.565 S3C2T1 Fl. 4 5 Além disso, na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, a recorrente informa que o STJ decidiu pela possibilidade de compensação de Finsocial com Cofins, sem a necessidade de pedido à Receita Federal, transcrevendo a ementa assim: TRIBUTÁRIO. LEI Nº 8.383/91 COMPENSAÇÃO DO FINSOCIAL COM O COFINS. A egrégia 1ª Seção tem decidido ao interpretar a Lei nº 8.383/91, ser possível ao contribuinte, nos casos de lançamento por homologação, efetivar, a seu talante, e no momento de recolher o tributo, a compensação do FINSOCIAL. Embora não conste dos autos cópia da referida decisão, entendo desnecessária sua juntada, porque se trata de fundamento adicional. As decisões judiciais permitem à administração a aferição do valor do crédito, e não foi diferente no presente caso. A própria recorrente pede, no recurso (fl. 104) Diante do exposto, requer a Recorrente que seja dado total provimento ao presente RECURSO, no sentido de reconhecer o direito à compensação ora pleiteada, visto que a mesma já fora autorizada pela via judicial, cabendo ao fisco apenas verificar a exatidão do encontro de contas efetivado. E foi exatamente para verificar a exatidão da compensação que o Fisco intimou a empresa a apresentar documentos relativos à sua receita bruta. O dever de manter os documentos relativos a comprovação do direito, enquanto não prescritas as ações que lhes sejam pertinentes, é previsto no Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer indébito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito tributário (lançamento) ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Fl. 142DF CARF MF 6 Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito, se não tiver materialidade. A legislação da compensação tributária é expressa em estabelecer o prazo de 5 anos para a homologação da compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Não se homologa pedido de crédito ou restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, se o prazo de homologação da compensação é contado a partir da Declaração de Compensação, o indébito poderá ser anterior a 5 anos. Exemplo ilustrativo: Exemplo de cálculo de compensação de Finsocial indevido (desconsiderando índices de atualização para facilitar) mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 Base de cálculo legal correta (controle da RF) 100.000,00 100.000,00 100.000,00 100.000,00 Finsocial devido 2% (inconst.) 2.000,00 2.000,00 2.000,00 2.000,00 Finsocial devido 0,5% Dec. Jud. 500,00 500,00 500,00 500,00 Valor recolhido darf/confessado 2.000,00 1.000,00 0,00 300,00 Valor a restituir 1.500,00 500,00 0,00 0,00 Valor pago a menor que o devido jud. 0,00 0,00 500,00 200,00 Valor a lançar/cobrar decadência 0,00 0,00 0,00 0,00 * Não há restituição quando os valores recolhidos são menores que os valores devidos cf. decisão judicial * Não há lançamento ou cobrança de nenhum mês, mesmo de valores recolhidos a menor que os valores devidos cf. decisão judicial, por causa da decadência Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.015489/9925 Acórdão n.º 3201004.565 S3C2T1 Fl. 5 7 * insuficiências de recolhimento em determinado mês não podem ser compensadas com créditos de outro mês E como a empresa não apresentou tais documentos, impossibilitando o Fisco de fazer a devida aferição da exatidão da compensação, a compensação foi corretamente indeferida. Ressaltese que não se está negando o direito da compensação em tese, reconhecido judicialmente, mas negando a materialidade do indébito, por falta de provas. Em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 144DF CARF MF 8 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator, mas neste caso em concreto, venho por meio desta declaração de voto apresentar entendimento divergente com relação à análise da base de cálculo do Finsocial. A conclusão do voto vencedor sobre negar a materialidade do indébito, por falta de provas, ao meu ver, é correta somente em parte. O objetivo desta declaração não é discordar da premissa de que o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC, mas discordar da amplitude com que a Receita Federal analisa as bases de cálculo do Finsocial, com créditos reconhecidos em decisão judicial transitada em julgado. Esta Turma possui alguns precedentes neste sentido, como os consubstanciados no Acórdãos de n.º 3201003.685 e 3201003.197. A análise da Receita Federal deve ser restrita, isto porque, em geral, em favor do contribuinte, toda a matéria a respeito do crédito de Finsocial é tratada em âmbito judicial, de modo que, acompanhado dos DARFs, o pedido judicial, ao ser provido, materializa coisa julgada, conforme previsto no Art. 502 do Código de Processo Civil. Desse modo, o cálculo realizado pela fiscalização não deve prejudicar o crédito de Finsocial reconhecido judicialmente, que se refere à todo indébito comprovado nos DARFs. O calculo administrativo deveria ser simples, porque deveria verificar o quanto foi pago de Finsocial e calcular o indébito pela subtração do que foi pago além da alíquota de 0,5%, com base nos DARFS juntados e na escrita do contribuinte. É claro, deve haver lastro na escrita do contribuinte e por isto a DIPJ também deve ser considerada. Diante do exposto, devem ser considerados os comprovantes de recolhimento do FINSOCIAL e DIPJ contendo a apuração da base de cálculo da referida contribuição, para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720494/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011, 2012
NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
A alteração do critério jurídico no âmbito do Acórdão da DRJ implica sua nulidade, uma vez que se trata de preterição de direito de defesa, que é causa de nulidade nos termos do artigo 59, do Decreto-Lei nº 70.235, de 6 de março de l972.
Numero da decisão: 2301-005.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade e anular o acórdão recorrido, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Reginaldo Paixão Emos. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012 NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. A alteração do critério jurídico no âmbito do Acórdão da DRJ implica sua nulidade, uma vez que se trata de preterição de direito de defesa, que é causa de nulidade nos termos do artigo 59, do Decreto-Lei nº 70.235, de 6 de março de l972.
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MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. A alteração do critério jurídico no âmbito do Acórdão da DRJ implica sua nulidade, uma vez que se trata de preterição de direito de defesa, que é causa de nulidade nos termos do artigo 59, do DecretoLei nº 70.235, de 6 de março de l972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade e anular o acórdão recorrido, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Reginaldo Paixão Emos. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 94 /2 01 4- 90 Fl. 1035DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 704/713) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2010, 2011 e 2012 de R$ 6.807.569,23, de multa de ofício qualificada de R$ 10.211.353,86, e de juros de mora calculados até 09/2014 de R$ 1.562.162,38. A presente ação fiscal foi iniciada, em 30/09/2013, com a ciência do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fls. 03/04, em que o contribuinte foi intimado a apresentar documentos correspondentes aos anoscalendário 2010 a 2012, em especial contratos de trabalho firmados com entidades de prática desportiva nos quais foram pactuadas as remunerações nos termos do art. 28, da Lei 9.615, de 1998, com as alterações pela Lei 12.395, de 2011. No decorrer do procedimento fiscal, apurouse que o contribuinte é atleta profissional tendo atuado junto ao Fluminense e recebido rendimentos de trabalho com vínculo empregatício com salário consignado no respectivo contrato e, concomitantemente, sendo beneficiário de remuneração decorrente de direitos de imagem cedidos ao próprio empregador e à pessoa jurídica UNIMEDRIO. No Relatório Fiscal (fls. 668/702), parte integrante do auto de infração, o Auditor Fiscal assim relata as conclusões acerca do procedimento que culminou com a lavratura do citado auto de infração: FREDERICO CHAVES GUEDES, jogador de futebol profissional, tinha vínculo empregatício com o Fluminense Football Club, CNPJ 33.647.553/000190 nos anos de 2010 a 2012. (doc. fls. 56/304). E manteve com o Clube contrato de licenciamento de uso de imagem firmados com interveniência da pessoa jurídica R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., (cuja razão social atual é Seven Sports). O atleta celebrou outro contrato de licença de imagem, por meio da R. Chaves, desta feita com a pessoa jurídica UNIMEDRIO. Do Fluminense o fiscalizado recebeu uma parcela que se denominou salário, via folha de pagamento. E por meio da interposição da R. Chaves recebeu rendimentos oriundos dos contratos de cessão de uso de imagem, celebrados em 05/03/2009, analisados no item anterior. Nas DIRPF de 2010 a 2012, apenas declarou a remuneração recebida a título de salário da entidade esportiva. Sobre a natureza dos rendimentos objeto dos contratos de licenciamento de imagem celebrados com a interveniência da empresa R. Chaves, ressaltamos que a proteção à imagem integra os direitos da personalidade, sendo inerente a qualquer ser humano, independentemente de qualidade ou característica prévia. Foi inserida no rol das garantias fundamentais constando expressamente no artigo 5º, inciso V, X e XXVIII, alínea “a” da Constituição Federal. (...) Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 3 3 Nem poderia ser diferente, já que os contratos de cessão de imagem, firmados com o Clube Fluminense e UNIMEDRIO receberam a anuência do atleta. Em última análise, é este ato que dá eficácia a cada contrato, porque somente o jogador, por ato de sua vontade, pode dispor da sua imagem ou dos seus serviços. Vale dizer que a pessoa jurídica R. CHAVES não tem poder para dispor sobre o objeto do contrato, em face de tratarse de direitos da personalidade. Sendo assim, a participação da pessoa jurídica nos contratos serviu apenas para mascarar a real remuneração do jogador e obter economia de tributos. Como vimos, foi estabelecido contratualmente, um valor fixo e de pagamento regular, com o objetivo de esconder o real salário do jogador. E em vez de rendimentos tributáveis da pessoa física envolvida (o atleta profissional) que é o beneficiário de fato, o que ocorreu foi o recebimento pelo fiscalizado de valores isentos, a titulo de lucros distribuídos pela R. Chaves. Diante das formas possíveis de se efetuar um negócio, a escolha do contribuinte, evidentemente, recai sobre aquela que lhe impõe um menor ônus tributário. Mas a situação jurídica deve corresponder à situação de fato para ser legal. No caso analisado, a forma utilizada não corresponde à realidade dos fatos, é uma ficção. Não há argumento jurídico plausível para defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um jogador de futebol profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a sociedade centrase unicamente na figura do atleta, o qual é o único responsável pela execução dos contratos geradores de renda. O que une os sócios da R. Chaves não é o desenvolvimento de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária, já que todo o ônus da prestação dos serviços está vinculado ao desempenho pessoal de um dos sócios. Assim, deve ser tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados, de natureza personalíssima, sem vinculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuída. Os contratos celebrados não têm o condão de modificar a definição legal do sujeito passivo, que, no caso é a pessoa física, visto tratarse de prestação individual de serviços ou cessão de direitos de imagem do atleta, sob pena de ocorrer o desvirtuamento do contrato de cessão de imagem. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Na apreciação dos contratos de direito de imagem firmados podese constatar que o “sócio” da pessoa jurídica com a qual o FLUMINENSE e a empresa UNIMEDRIO celebraram contratos de licença de uso de imagem é o próprio profissional. Considerando que a legislação tributária define expressamente a forma de tributação para rendimentos decorrentes do Fl. 1037DF CARF MF 4 exercício individual profissional, não resta dúvida de que os rendimentos auferidos pelo fiscalizado devem ser tributados na pessoa física. Portanto, pelos termos dos contratos de patrocínio e de imagem celebrados que se encontram às fls. 86/93; 94/97 e 98/99 do presente, ficou evidente que o objeto de tais contratos são direitos personalíssimos, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. E esta pessoa física é o sujeito passivo da obrigação tributária, o contribuinte do imposto de renda. Assim, em conclusão, entendemos que, conforme fundamento da autuação, os valores recebidos pelo jogador através da empresa R. Chaves referemse a remuneração por serviços prestados ao Fluminense e/ou cessão a este de direito de uso de sua imagem, de natureza pessoal e, portanto, tributáveis como rendimentos de pessoa física. Tais rendimentos foram reclassificados da pessoa jurídica para a pessoa física. (...) A pessoa jurídica R. Chaves foi intimada a apresentar todos os contratos com anuência do atleta profissional Frederico Chaves Guedes, mas não atendeu a intimação. No entanto como Frederico Chaves Guedes é sócio majoritário da R. Chaves e único atleta na sociedade, foi possível concluir que as receitas discriminadas nas tabelas 7 e 8 também eram decorrentes do exercício da profissão de jogador de futebol e/ou de uso do direito de imagem do mesmo. Os valores recebidos pela pessoa jurídica e informados nas tabelas acima foram obtidos nos sistemas da Receita Federal e considerados rendimentos pessoais do fiscalizado. (fls. 398 e 407). Consideramos que tal conduta do contribuinte teve por objetivo deixar de recolher tributos e ignoramos, para fins fiscais, o alegado contrato de cessão de tais direitos para a pessoa jurídica. Com isso, os rendimentos, originalmente atribuídos à pessoa jurídica, passaram a ser da pessoa física, ou seja, do atleta, que não os havia declarado, configurando a infração de omissão de rendimentos tributáveis. (...) A Lei 10.833/2003 instituiu a retenção de tributos e contribuições federais, estabelecendo o recolhimento antecipado destes tributos, os quais deverão ser retidos diretamente pelo tomador dos serviços, no momento do pagamento ou da emissão da nota fiscal de prestação de serviços. E a Instrução Normativa nº 381/2003 promoveu instruções adicionais quanto à matéria. Nas notas fiscais emitidas pela R. Chaves constatamos a retenção dos tributos e contribuições de acordo com a legislação mencionada. Verificamos ainda a informação dos valores retidos da pessoa jurídica nas DIRF em que consta como beneficiária, com retenção na fonte dos seguintes tributos: código de retenção 1708 (imposto de renda retido na fonte); código 5960 (retenção de COFINS sobre pagamentos efetuados por pessoa jurídica Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 4 5 de direito privado); código 5979 (retenção de PIS sobre pagamentos efetuados por pessoa jurídica de direito privado) e código 5987 (retenção de CSLL sobre pagamentos efetuados por pessoa jurídica de direito privado). (...) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício e da cessão de direitos de uso da imagem, nome, marca e som de voz, de acordo com contratos firmados (fls. 539). Estes rendimentos foram tributados na pessoa jurídica R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda e reclassificados como rendimentos da pessoa física do sócio Frederico Chaves Guedes, em lançamento de ofício, como demonstramos a seguir. Em relação aos impostos e contribuições vinculados aos rendimentos/receitas reclassificados, que constam das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, foi adotado o mesmo procedimento utilizado para as receitas, foram compensados no cálculo do crédito tributário (...) A multa de ofício aplicada corresponde ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), em obediência ao que prevê o § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. A qualificação da multa de ofício se deu a partir da caracterização da intenção do contribuinte de mascarar a natureza de seus rendimentos, através da utilização de interposta pessoa jurídica com o único objetivo de intermediar o recebimento da remuneração, pelo uso de sua imagem no exercício da função de jogador de futebol profissional, sendo que tal prática de evasão fiscal beneficiou ambos os contratantes, com a redução do ônus tributário. Apesar de FREDERICO CHAVES GUEDES ter informado que não possuía contratos para licenciamento da imagem, ficou comprovado que constituiu uma pessoa jurídica exclusivamente para esse fim. E não restou dúvida de que o verdadeiro contratado nos instrumentos firmados foi o jogador. (...) Verificando as declarações de ajuste anual da pessoa física de Frederico Chaves Guedes constatase que não são declarados os rendimentos provenientes dos contratos de patrocínio e de uso de imagem celebrados com empresas brasileiras, os quais são incluídos como rendimentos da empresa R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., da qual é sócio com o irmão. O que chama a atenção nestes contratos é a tentativa de disfarçar o verdadeiro contratado, que é o Frederico Chaves Guedes, incluindoo ora como interveniente anuente, ou como atleta, e tornandoo o principal responsável pelo cumprimento do contrato. Fl. 1039DF CARF MF 6 Com base nessas considerações e nos documentos coletados, foi encerrada a ação fiscal com a lavratura o competente auto de infração em que se apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O contribuinte foi cientificado em 24 de setembro de 2014 (fls. 718), e, inconformado, apresenta a impugnação de fls. 725/773, em 23 de outubro de 2014, alegando, m breve síntese, que: 1 a Autoridade Fiscal juntou aos autos planilhas referentes a contratos de imagem assinados por outros atletas, expondo informações confidenciais. Da mesma forma, supõe que suas informações contratuais também foram disponibilizadas em outros procedimentos fiscais; 2 considerou como "intermediária" a sociedade empresária firmada entre o Impugnante e o seu irmão, desqualificou os atos por ela praticados perante terceiros e perante o próprio fisco, bem como ofereceu à tributação na pessoa física rendimentos já tributados na pessoa jurídica, sem, sequer, ter o cuidado de amortizar integralmente os tributos já recolhidos na pessoa jurídica em relação à nova tributação desses mesmos valores, agora na pessoa física; 3 ao constituir a exigência do IRPF sobre os valores já tributados na pessoa jurídica, não realizou a compensação integral com todos os tributos federais recolhidos na pessoa jurídica sobre tais receitas (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), limitandose apenas a abater da nova exigência (IRPF) os tributos retidos pelas fontes pagadoras informados em DIRF; 4 a pretexto de estar apenas reclassificando ou deslocando os rendimentos da pessoa jurídica para tributálos na pessoa física, a Autoridade Fiscal desconsiderou a personalidade jurídica da referida sociedade, invalidando os efeitos dos atos e negócios jurídicos por ela praticados; 5 leitura apressada desse relatório poderia conduzir à conclusão de que os documentos (contratos e notas fiscais) comprovariam a natureza/origem dos rendimentos relativos a: a) UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101); b) UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ: 09.219.138/000150) e c) UnimedRio Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/0001 02), que são pessoas jurídicas absolutamente distintas, inclusive com sócios e tipo societário distintos (cooperativa, sociedade limitada e sociedade por ações); 6 os contratos e notas fiscais acima mencionados, que, no entendimento da autoridade fiscal, serviram para fundamentar a natureza/origem dos rendimentos e justificar a sua reclassificação na pessoa física, dizem respeito exclusivamente ao Fluminense Football Club (CNPJ:33.647.553/000190) e à UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio deJaneiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101); 7 não há, portanto, nenhuma prova feita pela Autoridade Fiscal em relação à natureza/origem dos valores recebidos pela R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda, oriundos da UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ: 09.219.138/000150) e, também, da UnimedRio Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 5 7 Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/000102), que poderiam, assim, justificar a sua reclassificação na pessoa física; 8 a Autoridade Fiscal nunca intimou a UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ: 09.219.138/000150) ou UnimedRio Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/000102) a se manifestarem sobre a natureza/origem dos valores pagos à R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., o que expõe uma grave falha no procedimento fiscal; 9 mesmo sem conhecer qual foi o fundamento que ensejou o pagamento feito pela UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ:09.219.138/000150) e, também, pela UnimedRio Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/000102) à pessoa jurídica R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., a Autoridade Fiscal simplesmente PRESUMIU que tais valores possuem a mesma natureza/origem daqueles pagos pela UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101), sendo que apenas estes tiveram a sua natureza/origem comprovada por meio da apresentação de instrumento contratual à fiscalização; 10 se não há certeza quanto à natureza/origem dessas receitas da pessoa jurídica, como pôde a Autoridade Fiscal transferilas para tributação na pessoa física? Ou seja, com base em que fundamento legal estava autorizada a tratar esses valores como se fossem idênticos aos rendimentos oriundos de Fluminense Football Club (CNPJ 33.647.553/000190) e de UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101), quando, na verdade, nenhuma prova foi feita nesse sentido? 11 a Autoridade Fiscal inverteu o ônus probatório em desfavor do contribuinte por razões muito óbvias: é muito mais conveniente constituir um crédito tributário e transferir ao contribuinte o ônus de se defender de uma cobrança absurda, do que ter o trabalho de aprofundar a fiscalização e adotar as todas as providências necessárias para reunir as provas que fundamentam a exação consubstanciada no Auto de Infração; 12 aplicase à Panini Brasil Ltda tudo o que foi dito no tópico anterior, uma vez que a tributação desses valores decorre da mesma (e indevida) presunção. Isso porque, apesar de ter sido intimada a se manifestar sobre os rendimentos pagos ao Impugnante, tal intimação não determinou qualquer esclarecimento sobre os rendimentos pagos à R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda. Assim, por óbvio, a Intimada não esclareceu a origem dos valores pagos à pessoa jurídica e não apresentou nenhum documento a respeito; 13 a administração da sociedade é realizada, exclusivamente, pelo sócio Sr. Rodrigo Chaves de Melo. É o Sr. Rodrigo quem opera as contas bancárias, analisa e assina os contratos firmados pela sociedade, responde ativa e passivamente pela sociedade em caráter de exclusividade; Fl. 1041DF CARF MF 8 14 depreendese das DIPJs anexadas aos autos pela própria Autoridade Fiscal, que apenas uma parte do lucro auferido era distribuída aos sócios a título de dividendos. O restante do lucro do exercício foi destinado à constituição de reservas; 15 a análise desenvolvida pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a abrangência do objeto social da sociedade R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda (cuja razão social atual é Seven Sports Empreendimentos e Participações Ltda3). Isso porque, além do controle e gestão da carreira do atleta, envolvendo a intermediação de negócios e contratos (inclusive, exploração de direitos de imagem, campanhas de publicidade e marketing do atleta), a pessoa jurídica também tem por objeto, desde 2009, a atividade de compra, venda e locação de imóveis próprios, consoante se infere da 2ª Alteração Contratual, anexa (doc. n. 04), cuja cláusula segue transcrita; 16 em todos os anos fiscalizados a pessoa jurídica demonstrou possuir expressivo e crescente patrimônio líquido (ou capital próprio), que é equivalente aos valores que os sócios possuem na empresa em determinado momento; 17 o direito de imagem é um direito personalíssimo e, como tal, possui duas vertentes: uma moral, que visa tutelar o interesse do indivíduo de oporse à divulgação e exploração de uso da imagem em relação ao seu aspecto moral perante a sociedade, e a outra vertente patrimonial, que permite que esse direito seja cedido e explorado economicamente por terceiros, inclusive por pessoa jurídica; 18 de acordo com o art. 11, do Código Civil, com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis. Entretanto, no caso analisado, há expressa previsão em lei autorizando que o direito de uso de imagem, nome e voz seja explorado por uma pessoa jurídica; 19 essa expressa autorização decorre, inicialmente, do art. 49 da Lei n 9.610/98, por meio do qual está, há muito tempo, autorizada a cessão de direitos autorais e conexos, incluindose, aqui, o direito de uso de imagem, nome e voz; 20 no mesmo sentido, visando por fim às discussões sobre a possibilidade de esses direitos serem explorados por pessoa jurídica, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005 que, em seu art. 129, expressamente esclareceu que, para fins fiscais e previdenciários, as receitas decorrentes da prestação de serviço de natureza artística ou cultural deverão ser tributados na pessoa jurídica, mesmo havendo qualquer designação de obrigações aos seus sócios; 21 para aniquilar qualquer discussão acerca da possibilidade da exploração econômica dos direitos de imagem por meio de pessoa jurídica, também foi inserido no Código Civil Brasileiro o art. 980A (empresa individual de responsabilidade limitada EIRELI), com previsão expressa de que a EIRELI poderá ser remunerada pela cessão dos direitos de imagem, nome ou voz de que seja o seja detentor o titular da pessoa jurídica; Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 6 9 22 é importante ressaltar que tal previsão legal só vem atribuir a esse novo tipo societário algo que já era possível para as demais empresas, pois o raciocínio contrário conduziria à equivocada conclusão de que somente este novo tipo societário estaria autorizado a explorar tal atividade o que seria um contrasenso, sem respaldo lógico e, muito menos, jurídico; 23 em relação ao ramo do futebol, com a ampla dimensão das atividades desportivas no país, que passou a envolver uma intensa divulgação do esporte por diversos meios de comunicação, os atletas profissionais ficaram em evidência e a suas imagens despertaram um interesse econômico e comercial cada vez maior. Ciente dessa realidade, os clubes e patrocinadores vislumbraram a oportunidade de se utilizarem dessas imagens para comercializar uma vastidão de produtos atrelados à sua marca; 24 no presente caso, a constituição da personalidade jurídica para exploração do direito de imagem do atleta tem, também, razão extrafiscal, tendo em vista a união de esforços dos sócios na execução do objeto social. Cabe ao administrador negociar as condições contratuais, a remuneração que será devida, a qual marca a imagem do atleta será vinculada, discussão dos contratos com advogados e com os assessores de imagem e de imprensa; 25 também é importante ressaltar que a Autoridade Fiscal confere natureza salarial às verbas em discussão, sendo que boa parte delas não foi, sequer paga pelo empregador do Impugnante, qual seja Fluminense Football Club, único com quem detém vínculo empregatício; 26 não é possível confundir a exploração do direito de imagem com os conceitos de salário ou remuneração, uma vez que tal direito não representa a contraprestação por um serviço prestado nos moldes em que ocorre em uma relação empregatícia, mas tão somente a exploração de um direito e a remuneração por um serviço prestado de forma autônoma; 27 os contratos de licenciamento do uso da imagem, nome e voz foram assinados por R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda, por meio do sócio Rodrigo Chaves, designado como seu administrador. O Impugnante assina apenas na qualidade de anuente, e não assina como contratante da empresa, já que é a sua imagem que ficará exposta e, como ressaltado pela autoridade Fiscal, é um direito personalíssimo, o que não significa que não é possível cedêlo a terceiro, inclusive por meio de pessoa jurídica destinada a realizar a gestão desse direito; 28 com o intuito de comprovar que serviços de natureza pessoal podem ser desempenhados por pessoas jurídicas, é interessante notar o art. 647 do RIR/99, que prevê a incidência do Imposto de Renda na Fonte (IRRF) sobre pagamentos efetuados por uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica em contraprestação a diversos serviços de natureza pessoal, quais sejam: advocacia, assessoria e consultoria técnica, contabilidade, consultoria, medicina, entre outros; Fl. 1043DF CARF MF 10 29 o art. 120 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais, reconhece a licitude da constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços pessoais executados, exclusivamente, por meio de seu sócio, sem o concurso de empregados ou terceiros; 30 esse dispositivo apenas comprova que o fato de o Impugnante, sócio da pessoa jurídica, prestar os serviços de caráter pessoal não desqualifica a atividade exercida pela sociedade, já que é comum às pessoas jurídicas prestarem seus serviços através de seus sócios, uma vez que a atividade econômica não é, necessariamente, desempenhada por empregados; 31 assim, não estando a R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda enquadrada nas hipóteses do art. 648 do RIR/99, bem como não prosperando as razões para se afastar a tributação na pessoa jurídica, apenas em razão de serem serviços de natureza pessoal, o Impugnante requer que seja afastada a reclassificação dos rendimentos para tributação, na pessoa física, dos valores referentes à exploração do seu direito de imagem, que foram por ele cedidos para administração na pessoa jurídica da qual é sócio; 32 para por fim às discussões sobre o regime tributário aplicável às sociedades constituídas para a prestação de serviços de caráter pessoal, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005, que em seu art. 129 expressamente esclareceu que elas devem ser tributadas como pessoas jurídicas, respeitando a personalidade jurídica que lhes é imbuída na sua constituição; 33 estando diante de hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, esta somente poderia ter sido decretada judicialmente, a teor do que dispõe o art. 50 do Código Civil Brasileiro; 34 a pessoa jurídica e os seus sócios são entidades autônomas, de modo que reclassificar as receitas da pessoa jurídica e enquadrálas como rendimentos da pessoa física, tributandoas como remuneração da pessoa física, é desconsiderar as operações desempenhadas pela pessoa jurídica, o seu caráter de entidade autônoma e independente da figura dos sócios, além de ignorar o disposto nas suas declarações econômicofiscais, bem como a sua representatividade perante terceiros; 35 deve ser cancelado o Auto de Infração por indevida desconsideração da personalidade jurídica da sociedade R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda (cuja denominação atual é Seven Sports Empreendimentos e Participações Ltda); 36 a Autoridade Fiscal não cuidou de abater do valor exigido do Impugnante a integralidade dos valores arrecadados da pessoa jurídica sob os códigos dos .tributos a ela pertinentes. Essa medida ensejou a dupla tributação dos mesmos rendimentos, já que foram tributados uma vez pelo recolhimento espontâneo na pessoa jurídica e a segunda vez pela presente autuação na pessoa física do Impugnante; 37 no cálculo do tributo devido, a Autoridade Fiscal limitouse apenas a compensar as retenções na fonte sofridas pela pessoa jurídica a título de antecipação, nos moldes em que declarados pelas fontes pagadoras. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 7 11 Todavia, como é de conhecimento geral, as retenções são meras antecipações do que será devido ao final do período. Assim, uma vez ) encerrado o período de apuração correspondente, a pessoa jurídica deve efetuar o recolhimento complementar dos tributos devidos; 38 a mesma Autoridade Fiscal não abateu do valor autuado os recolhimentos complementares efetuados pela pessoa jurídica a título de IRPJ e CSLL sobre as receitas ao final de cada período de apuração, após a compensação com as retenções assinaladas; 39 não seria razoável, assim, exigir que a pessoa jurídica pleiteie a restituição do indébito em relação aos tributos pagos, visto que tal solução pedido de restituição – impõe à pessoa jurídica o ônus de, ao pleiteála, reconhecer que o Auto de Infração estaria correto, contra suas próprias convicções e principalmente em razão da incidência de multa de ofício sobre a totalidade do imposto apurado no Auto de Infração que, de uma forma ou de outra, já foi recolhido; 40 é imperioso se faça a compensação dos pagamentos feitos na pessoa jurídica com o crédito tributário que, após procedimento de fiscalização, está sendo exigido na pessoa física sobre os mesmos rendimentos já tributados na sociedade empresária; 41 não é difícil encontrar precedentes do CARF que reforçam o entendimento do Impugnante no sentido de que devem ser compensados, na apuração de crédito tributário, os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física; 42 autuação fiscal alterou drasticamente o seu critério jurídico de interpretação da legislação fiscal, bem como modificou os critérios até então adotados pela própria fiscalização, uma vez que, durante praticamente 10 anos, homologou todas as declarações enviadas pela empresa R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda. Assim, diante dessa brusca alteração no critério jurídico de interpretação da legislação tributária, nos termos do art. 100, inciso lli e parágrafo único, do CTN o entendimento consubstanciado no Auto de Infração somente poderia ser aplicado para períodos futuros; e não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora; 43 não há nos autos prova material de que o Impugnante tenha dolosamente tentado impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. Apesar de todo o seu esforço em atribuir um dolo específico à conduta do Impugnante, o máximo que a Autoridade Fiscal conseguiu demonstrar foi o fato de os rendimentos aqui discutidos, por serem receitas que, no entendimento do Impugnante, pertenciam à pessoa jurídica, já foram por ela declarados e tributados de modo integral e tempestivamente; 44 também não há que se falar em fraude à lei por parte do Impugnante, tendo em vista que não existe lei cogente que vede a estrutura por ele Fl. 1045DF CARF MF 12 adotada ou que, por decorrência, pudesse ser por ele contornada nessas situações. Do mesmo modo, não há que se falar em abuso de forma, eis que não foi comprovado, pela Autoridade Fiscal, a alteração de requisito legal essencial dos atos e negócios jurídicos praticados pela pessoa física ou jurídica da qual é social. O Acórdão n. 1671.869 da DRJ (fls. 879 a ss) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012 JOGADOR DE FUTEBOL CESSÃO DE DIREITOS DE IMAGEM. NATUREZA DO RENDIMENTO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE PESSOA JURÍDICA INTERMEDIÁRIA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Remuneração decorrente de contrato de cessão de direitos de imagem de jogador de futebol paga pelo clube desportivo ou por seu patrocinador deve ser tributada na pessoa física do titular do direito em razão da natureza salarial do rendimento. Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho firmouse em considerar o direito de imagem, ainda que estabelecido em contrato separado do contrato de trabalho, com condições, direitos e deveres específicos, de acordo com a previsão contida no art. 87A da Lei nº 9.615/98, introduzido pela Lei nº 12.395/11, como acessório ao contrato de trabalho, devendo integrar a remuneração do profissional jogador. O art. 129 da Lei 11.196/2005 é aplicável apenas nos casos de prestação de serviços intelectuais e quando todos os sócios encontramse revestidos de condições legais para a prestação dos serviços oferecidos pela sociedade. Embora admita que serviços personalíssimos possam ser tributados na pessoa jurídica, a norma legal não alberga os atos praticados por apenas um dos sócios em seu proveito cuja execução independa da estrutura da pessoa jurídica. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DIREITOS DE IMAGEM. RECLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA PESSOA FÍSICA. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. O contribuinte do imposto de renda é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. A reclassificação das receitas de pessoa jurídica para rendimentos da pessoa física não pode ser confundida com a desconsideração da pessoa jurídica. Verificado que os atos não foram praticados utilizando a estrutura da pessoa jurídica, mas por alguém que a integra, o ato deve ser atribuído a quem de fato o praticou. Tratase da correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e não de desconsideração da personalidade jurídica. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 8 13 TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DE RENDA EXIGIDO NA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 11.051, de 2004, não admite a compensação de créditos com débitos de terceiros. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, somente pode utilizálo na compensação de débitos próprios. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Aplicável a multa de ofício qualificada quando presentes nos autos elementos suficientes de prova da utilização de contratos de cessão de direitos de imagem para encobrir pagamentos de salário com o único objetivo de afastarse da tributação na pessoa física para beneficiarse de tributação mais favorecida na pessoa jurídica. Irresignado com a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Nulidade O Recorrente requer a nulidade do acórdão recorrido na parte em que este inova nos fundamentos da autuação, modificando os critérios do lançamento, bem como nos fundamentos para a qualificação da multa de ofício, de modo que suscita que somente seja devolvida ao CARF a matéria suscitada no Auto de Infração, isto é, a impossibilidade de a pessoa jurídica explorar direitos personalíssimos de seus sócios e que seja cancelada a multa qualificada pelo fato de não ter sido tipificada a infração cometida. A partir da leitura do Relatório de Fiscalização (fls. 670 e ss), verificase que o fundamento da autuação foi a impossibilidade de utilização de pessoa jurídica para recebimento de rendimentos de direitos de imagem da pessoa física, conforme trecho abaixo: A auditoria fiscal comprovou que o fiscalizado utilizou a pessoa jurídica intermediária, para viabilizar que rendimentos recebidos a título de direitos Fl. 1047DF CARF MF 14 de imagem fossem aparentemente receita da dita pessoa jurídica, e assim acobertar a operação efetivamente ocorrida, qual seja: omissão de rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoa jurídica, os quais sujeitamse à tributação na pessoa física. Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal em face de FREDERICO CHAVES GUEDES evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art 1º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 27/12/1990, conforme o disposto a Portaria RFB nº 2.439/2010. Tal entendimento da fiscalização se demonstra claro também em outros trechos do Relatório da Fiscalização: Aparentemente a análise da situação fática mencionada permitiria concluir que se amolda à hipótese descrita no artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 93/1997. No entanto, o que se questiona na presente auditoria é a natureza da receita obtida como “cessão do uso de direito de imagem” com a anuência do profissional. Ora, como vimos, a participação do atleta na pessoa jurídica R. Chaves, dita “intermediária” para a obtenção dos direitos de imagem, é de sócio com 90% das quotas do capital social (27.000 quotas). O outro sócio da empresa não é atleta profissional. É de se reforçar, que, no caso em questão, o próprio jogador é o responsável pelo cumprimento do contrato, pois, sem ele nada será feito. Não há como um outro sócio substituílo. (...) O objeto dos contratos de direitos de imagem consiste, portanto, em direito personalíssimo, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. Sendo assim, o beneficiário do pagamento decorrente da exploração do direito à imagem é a pessoa física, no caso FREDERICO CHAVES GUEDES, independente da intermediação feita por pessoa jurídica. É evidente a natureza salarial da parcela relativa ao direito de imagem. (...) Não há argumento jurídico plausível para defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um jogador de futebol profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a sociedade centrase unicamente na figura do atleta, o qual é o único responsável pela execução dos contratos geradores de renda. (...) Portanto, pelos termos dos contratos de patrocínio e de imagem celebrados que se encontram às fls. 86/93; 94/97 e 98/99 do presente, ficou evidente que o objeto de tais contratos são direitos personalíssimos, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. E esta pessoa física é o sujeito passivo da obrigação tributária, o contribuinte do imposto de renda. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 9 15 Assim, em conclusão, entendemos que, conforme fundamento da autuação, os valores recebidos pelo jogador através da empresa R. Chaves referemse a remuneração por serviços prestados ao Fluminense e/ou cessão a este de direito de uso de sua imagem, de natureza pessoal e, portanto, tributáveis como rendimentos de pessoa física. Tais rendimentos foram reclassificados da pessoa jurídica para a pessoa física. Assim, o fundamento para a lavratura do auto de infração foi a impossibilidade de um direito personalíssimo, tal qual o direito de imagem, ser exercido por uma pessoa jurídica (fls. 668). Por sua vez, no Acórdão recorrido, ao tratar da aplicação do artigo 129 da Lei n. 11.196/05, verificase que se entendeu que a pessoa jurídica seria simulada, uma vez que somente um dos sócios era atleta e havia cedido o seu direito de imagem, de modo que aventouse ainda no Acórdão recorrido que somente seria possível aplicar o referido dispositivo normativo se todos os sócios fossem atletas, conforme pode ser observado no trecho abaixo: Para que o art. 129 da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, possa ser aplicado as condições relacionadas no excerto transcrito devem ser verificadas. Destaquese que todos os sócios devem estar revestidos de condições legais para a prestação dos serviços oferecidos pela sociedade. No caso de uma sociedade para administração de direitos de jogadores de futebol, para que pudesse ser aplicada a norma em tela, todos os sócios deveriam ser também atletas. No presente caso, ainda que o serviço prestado não seja intelectual, não se pode considerar que o contribuinte e seu sócio formem uma sociedade prestadora de serviços já que a receita da empresa decorre única e exclusivamente do trabalho pessoal de apenas um sócio, atleta de futebol. A sociedade civil constituída foi apenas um simulacro de sociedade, já que apenas um dos sócios podia e pode prestar o serviço para o qual a sociedade foi destinada. (...) Repitase que, no caso em questão, foi utilizada, indevidamente, a sociedade civil com o único objetivo de tributação de rendimentos em benefício de apenas um dos sócios. Resta claro, portanto, à vista do acima exposto que, nos moldes como foi constituída a empresa, a remuneração recebida pelo ora impugnante a título de cessão de direitos de imagem não poderia ser oferecida à tributação na pessoa jurídica, mesmo no período posterior a essas alterações legais. A ausência de previsão legal amparando a pretensão do impugnante não impede, ainda, que se aprofunde o estudo dessa matéria e se adentre no exame da jurisprudência emanada dos Tribunais Trabalhistas que consideram como de natureza salarial os rendimentos recebidos por força de contratos de cessão de direitos de imagem de julgadores de futebol, Fl. 1049DF CARF MF 16 independentemente se os pagamentos foram intermediados por pessoa jurídica ou não. Logicamente essa jurisprudência exorbita o direito trabalhista e impõe reflexos tanto no direito tributário como no previdenciário. Por força dessa julgados, ainda que estejam em vigor normas que em tese autorizariam criar empresas individuais de responsabilidade limitada e que possibilitariam atribuirlhes a remuneração decorrente da cessão de direitos de imagem de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, no caso específico do jogador de futebol, essa liberdade encontra alguns obstáculos e não pode ser aplicada livremente. Dessa forma, o Acórdão recorrido não se limita somente à questão da impossibilidade de constituição de pessoa jurídica para prestação de serviços personalíssimos, mas também menciona que somente seria possível constituição de pessoa jurídica se os dois sócios fossem atletas, além de citar que a Justiça do Trabalho vem considerando como de natureza salarial os recebimentos a título de direito de imagem de jogadores de futebol. A regra de nulidade no processo administrativo está disposta no artigo 59, do DecretoLei nº 70.235, de 6 de março de l972, que assim dispõe: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Acórdão recorrido somente poderia ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando ele consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, o Acórdão recorrido deveria ter se limitado a discutir sobre a possibilidade ou não de cessão de direito de imagem de atleta para pessoa jurídica, uma vez que este foi o fundamento da autuação. Diante do uso de novo critério jurídico, sobretudo o da pessoa jurídica simulada e da necessidade de que ambos os sócios fossem atletas e estivessem diretamente ligados ao recebimento do direito de imagem, é possível dizer que houve preterição do direito de defesa, uma vez que não houve como o Recorrente se defender de tal argumento em sede de impugnação. Com base no exposto, acolho a preliminar de nulidade para que o Acórdão recorrido seja anulado e a impugnação venha a ser novamente julgada pela DRJ. Do Mérito Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 10 17 O ponto central no presente processo diz respeito à possiblidade ou não da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica. Em primeiro lugar, cabe situar a legislação aplicável ao presente caso, de modo que tendo em vista que o presente processo abrange os exercícios de 2010 a 2012, não resta dúvida que tal caso deve ser analisado à luz do artigo 129 da Lei nº 11.196/05, que assim dispõe: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 do Código Civil. Dessa forma, não há que se analisar no presente caso se a prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica era permitida ou não antes da edição do artigo 129 da Lei n 11.196/05 e tampouco se o referido dispositivo normativo possui caráter interpretativo ou não, aplicandose a casos pretéritos. A título de exemplificação, citese as posições dos eminentes Professores Humberto Ávila e Roque Carrazza, para os quais não havia vedação a tal prestação de serviços por pessoa jurídica. Humberto Ávila assevera que “se os serviços profissionais, inclusive aqueles de caráter personalíssimo, sempre foram tributados pela pessoa jurídica, justamente porque a legislação sempre admitiu a prestação de serviços de natureza intelectual por pessoa jurídica, a introdução de um novo dispositivo legal, de acordo com o qual os serviços de natureza intelectual se sujeitam à legislação aplicada às pessoas jurídicas, nada mais fez do que declarar aquilo que já estava disposto na legislação anterior (ÁVILA, Humberto. A Prestação de Serviços Personalíssimos por Pessoas Jurídicas e sua Tributação: o Uso e o Abuso do Direito de Criar Pessoas Jurídicas e o Poder de Desconsiderá las”. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (org.). Grandes Questões Atuais de Direito Tributário, v. 17. São Paulo: Dialética, 2013). Roque Carrazza assinala que o artigo 129 da Lei n. 11.196/05 “apenas esclareceu, de modo nítido e definitivo, que devem ser tributadas, inclusive por meio de imposto sobre a renda e de contribuição, as sociedades civis de prestação de serviços profissionais, e não as pessoas físicas que a integram” (CARRAZZA, Roque Antônio. O Caráter Interpretativo do Art. 129 da Lei n. 11.196/05. In: ANAN JR., Pedro, PEIXOTO, Marcelo Magalhães. Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas – Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008. P.256). Considerando que os fatos aqui discutidos já aconteceram ao lume da vigência do artigo 129 da Lei n. 11.196/05, não há dúvidas de que há autorização legal para a prestação de serviços intelectuais personalíssimos por pessoa jurídica, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços. O Acórdão recorrido erra ao entender que o disposto no artigo 129 da Lei n. 11.196/05 não é aplicável ao caso concreto, ao restringir sua aplicação às sociedades civis, tipo Fl. 1051DF CARF MF 18 que inexiste desde o atual Código Civil (Lei n. 10.406/02) e ao trazer requisitos adicionais com base em precedente do antigo Conselho de Contribuintes: Para que se possa falar em uma verdadeira sociedade de prestação de serviço, é necessário o implemento de alguns requisitos, que, com muita clareza, são identificados no Acórdão n° 10421.583, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da relatoria do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann: Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições lesais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos esteiam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios esteiam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do suplicante, já que a sociedade é formada pelo suplicante e sua esposa, que não exerce atividade igual ao do suplicante, (grifouse) Para que o art. 129 da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, possa ser aplicado as condições relacionadas no excerto transcrito devem ser verificadas. Destaquese que todos os sócios devem estar revestidos de condições legais para a prestação dos serviços oferecidos pela sociedade. No caso de uma sociedade para administração de direitos de jogadores de futebol, para que pudesse ser aplicada a norma em tela, todos os sócios deveriam ser também atletas. Assim, aplicase erroneamente um acórdão que trata de sociedades civis de profissão regulamentada a uma sociedade empresária constituída sob a forma de suma sociedade limitada (ressaltese que em uma sociedade de profissão regulamentada, todos os sócios são legalmente habilitados a prestar serviço). Aplicamse requisitos listados em um Acórdão como se tais requisitos estivessem previstos em lei. Aplicase um acórdão de um período em que não existia o artigo 129 da Lei n. 11.196/05. De todo esse conjunto de aplicação errônea do mencionado precedente, chegase a conclusão de que todos os sócios deveriam ser atletas. O Acórdão recorrido ainda menciona que somente a partir da instituição da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada EIRELI, passou a ser permitida a cessão de direitos de imagem para uma pessoa jurídica. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 11 19 Destaquese que a EIRELI somente foi instituída pela Lei n. 12.441/11, de modo que ela inexistia no anocalendário inicial da presente autuação, conforme pode ser observado abaixo: Art. 980A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior saláriomínimo vigente no País. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 4º ( VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 6º Aplicamse à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) O artigo 980A, §5º, do Código Civil estabelece que poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. Ocorre que, ao contrário do entendido no Acórdão recorrido, não havia proibição de atribuição de direito de imagem a pessoa jurídica antes da instituição da EIRELI, de modo que ela somente explicitou uma realidade econômica. Tanto é assim, que o artigo 87A da Lei nº 9.615/98 (“Lei Pelé”) já previa a cessão do direito ao uso de imagem de atleta, antes mesmo da instituição da EIRELI. Assim, cumpre mencionar o referido dispositivo: Fl. 1053DF CARF MF 20 Art. 87A. O direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011). Parágrafo único. Quando houver, por parte do atleta, a cessão de direitos ao uso de sua imagem para a entidade de prática desportiva detentora do contrato especial de trabalho desportivo, o valor correspondente ao uso da imagem não poderá ultrapassar 40% (quarenta por cento) da remuneração total paga ao atleta, composta pela soma do salário e dos valores pagos pelo direito ao uso da imagem. (Incluído pela Lei nº 13.155, de 2015) Também é importante ressaltar que a Lei n. 13.155/15 incluiu um parágrafo único ao artigo 87A da Lei nº 9.615/98, limitando o valor do direito de imagem a 40% da remuneração total paga ao atleta. Todavia, nos exercícios objeto da presente autuação, não havia tal limitação. Ressaltese também que a Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI1) do Tribunal Superior do Trabalho (Processo ERR40617.2012.5.09.0651) entendeu que o direito de exploração da imagem de atleta profissional tem natureza civil e, portanto, não se confunde com o contrato especial de trabalho. Nos termos do voto do ministro João Oreste Dalazen os valores recebidos pela cessão do direito de exploração da imagem “não se confundem com a contraprestação pecuniária devida ao atleta profissional, na condição de empregado, e não constituem salário”. Em outro caso relevante, a Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (Processo: RR1110522.2015.5.03.0104) declarou a validade do contrato de cessão de uso da imagem assinado entre o Praia Clube, de Uberlândia (MG), e a atleta de voleibol Tandara Alves Caixeta, sendo que foi afastada a natureza salarial do valor pago a esse título, com o fundamento de que o contrato foi livremente pactuado nos termos do artigo 87A da Lei Pelé (Lei 9.615/1998). A referida decisão foi muito bem resumida no próprio site do Tribunal Superior do Trabalho nos seguintes termos: Na reclamação trabalhista, a atleta disse que foi contratada em junho de 2014 para a temporada 2014/2015 de vôlei, com previsão de encerramento do pacto para abril de 2015. Durante as negociações, ficou acertado que ela receberia pouco mais R$ 1 milhão dividido em 11 parcelas mensais de R$ 99 mil, mas a verba foi desdobrada em dois contratos – um de trabalho, no valor de R$ 812, e outro de imagem, de R$ 98 mil. No fim desse período, como estava grávida, Tandara disse que o contrato de trabalho foi mantido, e o de imagem rescindido. Essa situação perdurou até outubro de 2015, quando ela pediu desligamento do clube. O juízo da 4ª Vara do Trabalho de Uberlândia julgou improcedente seu pedido de reconhecimento da natureza salarial dos valores relativos ao contrato rompido, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) entendeu que o desdobramento dos contratos teve por objetivo desvirtuar a aplicação da legislação trabalhista. Segundo o Regional, a discrepância entre os valores pagos a título trabalhista e pela exposição da imagem, este correspondente a 99,5% do total, já é suficiente para caracterizar a fraude, nos termos do artigo 9º da CLT, que prevê a nulidade desses contratos. Levando em conta a garantia de emprego decorrente da gravidez, o TRT Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 12 21 condenou o clube ao pagamento das diferenças salariais, no valor de R$ 98 mil, desde a rescisão do segundo contrato até o desligamento voluntário da atleta. Livre pactuação O relator do recurso do clube ao TST, ministro Caputo Bastos, observou que é bastante comum no meio esportivo a celebração, paralelamente ao contrato de trabalho, de um contrato de licença do uso de imagem, consistindo este num contrato autônomo de natureza civil, conforme o disposto no artigo 87A da Lei Pelé. Mediante esse contrato, o atleta, em troca do uso de sua imagem pelo clube que o contrata, obtém um retorno financeiro, de natureza jurídica não salarial. Essa contrapartida, segundo o ministro, somente teria natureza salarial se a celebração do contrato se desse com o intuito de fraudar a legislação trabalhista, como prevê o artigo 45 do Decreto 7984/2013, que regulamenta a Lei Pelé. Caputo Bastos ressaltou, no entanto que é necessária a prova de ocorrência da fraude, que não pode ser presumida. “Todas as situações fáticas delineadas no acórdão do Tribunal Regional que envolvem a contratação do direito de imagem devem ser adequada e firmemente comprovadas, pois devese sempre partir do pressuposto de que a fraude não se presume”, afirmou. Para o ministro, o fato de a jogadora receber, nesse contrato, valor igual ou muitas vezes superior ao seu salário não invalida o ajuste. “De fato, o valor pactuado pelo contrato de imagem é significativamente superior ao valor do salário”, observou. “Todavia, o caso envolve uma atleta de renome do voleibol brasileiro, detentora de inúmeros títulos, inclusive mundiais e olímpicos, integrante da elite de atletas dessa modalidade esportiva”. Caputo lembrou que, como é de conhecimento público, Tandara teve expressiva passagem pela Seleção Brasileira de Voleibol e tem notoriedade suficiente para que seu clube se beneficie da sua exposição. “No intuito de ver sua imagem associada à de um atleta campeão, o clube se submete às condições e contratos impostos pela atleta através de seus empresários/empresas, e não o contrário”, afirmou O relator registrou também que, na época da celebração do contrato, a lei permitia às partes pactuarem livremente a proporção entre salários e direito de imagem. A alteração introduzida pela Lei 13.155/2015, que limitou o valor correspondente ao uso da imagem a 40% da remuneração total paga ao atleta, é posterior e, portanto, inaplicável.( http://www.tst.jus.br/noticia destaque//asset_publisher/NGo1/content/id/24479582) Em reportagem de 14/06/2018 no site do Tribunal Superior do Trabalho intitulada “Entenda as diferenças entre direito de arena e direito de imagem”, o ministro Alexandre Agra sintetizou muito bem a natureza do direito de imagem nos seguintes termos: “O direito de imagem, no desporto, diz respeito à representação do perfil social da pessoa”, afirma o ministro Alexandre Agra. É o caso, por exemplo, de comerciais em que uma personalidade empresta seu nome, aliado à sua Fl. 1055DF CARF MF 22 imagem, a uma determinada marca ou produto. Esse direito se estende também ao uso da imagem dos jogadores em álbuns de figurinhas, como o da Copa, ou mesmo em jogos eletrônicos, como o Fifa. Por ser um direito de natureza civil, e não propriamente trabalhista, o direito de imagem pode ser negociado com terceiros diretamente pelo atleta ou por meio de intermediação do empregador (clube de futebol). Assim como as gorjetas recebidas por garçons, os valores não têm repercussão na remuneração nem nos salários dos atletas. (Entenda as diferenças entre direito de arena e direito de imagem. http://www.tst.jus.br/noticias/ /asset_publisher/89Dk/content/entendaasdiferencasentredireitodearena edireitodeimagem?inheritRedirect=false) No caso concreto, não resta dúvida de que o Recorrente cedeu seus direitos de imagem a pessoa jurídica do qual era sócio, conforme previsão do artigo 129 da Lei n. 11.196/05, sendo que seu direito de imagem foi muito bem explorado pelo clube. Destaquese que o Recorrente era o principal garotopropaganda do programa de sócio torcedor do Fluminense, conforme pode ser observado abaixo: Não resta dúvidas de que a exploração do direito de imagem do referido atleta contribuiu inclusive para o aumento do número de sócios torcedores do Fluminense, o que pode ser observado no gráfico abaixo: Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 13 23 Fonte: FluSócio Como parte ainda do uso de direito de imagem do Recorrente, é possível observar que sua imagem foi explorada em álbum de figurinhas, conforme abaixo: Fl. 1057DF CARF MF 24 A imagem do Recorrente também foi utilizada no âmbito de jogos eletrônicos, conforme pode ser observado abaixo: Ainda no âmbito da exploração do direito de imagem, ressaltese que a imagem do atleta também foi usada em “fantasy games”, dentre os quais se destaca o “Cartola Futebol Clube” do Grupo Globo: Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 14 25 Embora haja uma série de precedentes do CARF relativos a períodos anteriores à edição da Lei n. 11.196/05, cabe ressaltar que devem ser analisados os precedentes relativos a período posterior à vigência da Lei n. 11.196/05. Nesse sentido, cabe mencionar o caso Neymar, que foi julgado na 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF e foi consubstanciado no Acórdão nº.2402005.703. Assim, cabe citar a ementa do referido acórdão: DIREITO DE IMAGEM. DIREITO PERSONALÍSSIMO. VERTENTE PATRIMONIAL. OBJETO CONTRATUAL LÍCITO. CESSÃO OU EXPLORAÇÃO DE USO DE IMAGEM POR TERCEIROS. ART. 11 E 20 DO CC/02. ATLETA PROFISSIONAL. ART. 87ª DA LEI 9.615/98. O direito de imagem, não obstante ser personalíssimo, pode ser cedido ou explorado por terceiro, uma vez que possui vertente patrimonial disponível. Raciocínio do art. 11 e 20 do CC/02. No que se refere a atletas, o art. 87A da Lei 9.615/98, a Lei Pelé, reconhece expressamente tal disponibilidade. REGISTRO PUBLICO. ART. 221 CC/02. CONDIÇÃO DE EFICÁCIA DO CONTRATO PERANTE TERCEIROS PREJUDICADOS. ECONOMIA TRIBUTÁRIA NÃO CONFIGURA PREJUÍZO. AUTONOMIA PRIVADA. LIBERDADE CONTRATUAL. O registro publico é condição de eficácia do contrato perante terceiros prejudicados. A Fazenda Publica não é terceiro interessado a não ser que comprove, no caso concreto, situação de prejuízo. A liberdade na organização de negócios privados, quando legítima, e eventual economia tributária, não podem ser consideradas como elementos de prejuízo sob pena de violação do ordenamento jurídico pátrio, mormente o direito ao exercício da autonomia privada e liberdade contratual (Art. 170 CF/88). Fl. 1059DF CARF MF 26 JOGADOR DE FUTEBOL. CONTRATO DE EXPLORAÇÃO DO DIREITO DE IMAGEM CELEBRADO COM O CLUBE. VALOR DESPROPORCIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPLORAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 87A DA LEI 9.615/98. Conquanto o direito de imagem goze de natureza tipicamente civil, há de ser reconhecida a sua natureza salarial, quando, no caso concreto, a parcela decorrente da cessão de seu uso é ajustada em montante que em muito supera o salário nominal do empregado, e paga em valores pré fixados independentes da efetiva exploração da imagem. Verificada a desproporcionalidade entre o valor ajustado e o salário do atleta e não havendo comprovação da devida exploração da imagem contratada a qual é o objeto central do contrato de cessão de uso de imagem resta evidenciada a fraude na contratação, artifício usado para evitar o pagamento integral dos tributos e demais encargos envolvidos, inclusive com a utilização de pessoa jurídica interposta. JOGADOR DE FUTEBOL. DIREITO DE USO DE IMAGEM. CONTRATO COM PATROCINADORES. ANUÊNCIA DO ATLETA. Considerando que o objeto contratual é imagem do atleta, é natural que se queira a anuência do mesmo em relação a extensão de suas obrigações, de forma a garantir que a exploração não violará direitos morais. EXPLORAÇÃO DO DIREITO PATRIMONIAL DE SERVIÇO PERSONALÍSSIMO POR PESSOA JURÍDICA. APLICABILIDADE DO ART. 87A DA LEI 9.615/98. IMPOSSIBILIDADE DE DESLOCAMENTO OU RECLASSIFICAÇÃO DO RENDIMENTO A PESSOA FÍSICA. ESPORTISTA. A possibilidade de exploração de serviços de caráter personalíssimo por pessoa jurídica foi expressamente reconhecida pela legislação civil e tributária. No que se refere especificamente a exploração de serviços de caráter personalíssimo vinculados ao uso de imagem de atletas, dispõe o art. 87A da Lei 9.615/98 Lei Pelé. DIREITO DE USO DE IMAGEM. CONTRATO COM PATROCINADOR. OBRIGAÇÕES PERSONALÍSSIMAS. CLAUSULAS DE GARANTIA OU RESCISÃO VINCULADAS AO ATLETA. VALIDADE DO CONTRATO. A inclusão de obrigações personalíssimas além de ser adequada, não descaracteriza o contrato de exploração de direito de uso de imagem. Tampouco clausulas de garantia pessoal de cumprimento, assim como o fato das causas de rescisão se relacionarem a condutas da pessoa física comprometem a natureza jurídica contratual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE JOGADOR DE FUTEBOL. São tributados como rendimentos de pessoa física recebidos de fonte situada no exterior os valores auferidos por atleta profissional de futebol, em decorrência de sua transferência para clube estrangeiro. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 15 27 A partir da análise do referido Acórdão, verificase que a possibilidade de cessão de direito de imagem para pessoa jurídica prevista no artigo 87A da Lei n. 9.715/98 alinhada com a possibilidade de prestação de serviço personalíssimo por pessoa jurídica prevista no artigo 129 da Lei n. 11.196/05 demonstra que não há problemas em que o direito de imagem do jogador de futebol seja recebido na pessoa jurídica. Ainda que no caso Neymar, tenha sido discutida a questão do montante do direito de imagem ser desproporcional em relação ao salário do atleta, cumpre lembrar que a limitação de 40% do direito de imagem sobre a remuneração total prevista no artigo 87A da Lei n. 9.715/98 somente surgiu em 2015, isto é, em período posterior ao aqui tratado. Ademais, conforme exposto anteriormente, até o próprio Tribunal Superior do Trabalho já entendeu que não há problemas em o valor do direito de imagem ser desproporcional ao montante do salário no caso da atleta de voleibol Tandara (Processo: RR 1110522.2015.5.03.0104) em virtude do impacto de visibilidade e marketing daquele atleta. Não resta dúvida de que o atleta Neymar é um fenômeno de "marketing", de modo que ao tempo em que não existia limitação do direito de imagem, não havia dúvidas de que o retorno da imagem do atleta seria, em muito, superior ao ganho técnico decorrente do seu futebol. No presente caso, não é diferente. O Recorrente era o principal jogador do Fluminense em termos de "marketing", sendo a "cara do clube" nas principais ações promocionais. Ademais, ressaltese que o Recorrente foi atleta da seleção brasileira, tendo atuado em duas Copas do Mundo, sendo que era o principal centroavante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, ocorrida no Brasil. Em outras palavras, não há dúvida do potencial de "marketing" do Recorrente, de modo que se trata de uma das imagens mais exploradas de jogadores brasileiros nos anos da autuação. Ademais, cumpre ressaltar que a fiscalização ignorou que a "R. Chaves Empreendimentos e Participações Ltda." possui expressivo patrimônio imobiliário e realiza operações imobiliárias, sendo administrada pelo sócio Rodrigo Chaves Guedes, irmão do Recorrente. Assim, fica claro que as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica não se restringem ao recebimento dos direitos de imagem do Recorrente. Logo, ao contrário do alegado no relatório de fiscalização, a pessoa jurídica não é mera detentora dos direitos de imagem (o que não é proibido, sendo expressamente previsto em lei), mas também possui outras atividades. No tocante ao sócio Rodrigo Chaves Guedes, destaquese que ele é o responsável pelo controle e gestão de carreira do atleta, envolvendo a intermediação de negócios e contratos (direitos de imagem, publicidade e marketing), sendo que o referido sócio recebe um prólabore em razão do seu trabalho, além de também receber lucros ou dividendos. Caso seja vencido com relação ao mérito, entendo que devem ser deduzidos da apuração na apuração de crédito tributário e antes da aplicação da multa de ofício e juros moratórios, os valores arrecadados pela pessoa jurídica sob o código de 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO), 2372 (CSLL PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO PRESUMIDO OU ARBITRADO), por meio dos DARFs anexos (doc. nº 06 da Impugnação), Fl. 1061DF CARF MF 28 cujas receitas foram desclassificadas e convertidas em rendimentos da pessoa física de seu sócio, ora Recorrente. Vale destacar, inclusive, que no Acórdão 10614.244 do antigo Conselho de Contribuintes (caso Felipão), que embora tenha sido emitido antes da edição da Lei n. 11.196/05 é um dos casos mais paradigmáticos do assunto, decidiuse pelo aproveitamento dos créditos pagos na pessoa jurídica, conforme trecho abaixo da ementa: APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS – Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício. Por fim, caso seja vencido, no tocante à multa qualificada, entendo que deva ser anulada a multa qualificada de 150%, reduzindoa para a multa de ofício comum de 75%, uma vez que não houve descrição do fato típico que ensejou a qualificação da multa, o que não foi feito. Assim, no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 699), a Autoridade Lançadora apenas faz referência ao §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não especificando se a conduta delitiva estaria enquadrada como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64) ou conluio (art. 73 da Lei nº 4.502/64), tampouco havendo referência à prática de simulação. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, acolher a preliminar de nulidade para anular o Acórdão recorrido e, caso não seja acolhida a preliminar de nulidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Declaração de Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 1. Referido processo retornou à pauta de julgamento de janeiro/2019 em decorrência de pedido de vista efetuado na sessão de dezembro/2018 (item 3 da pauta da sessão do dia 04 de dezembro de 2018). 2. Em decorrência dos debates realizados à época, foi formulado pedido de vista com a finalidade de se proceder a averiguação minuciosa dos autos com vistas a confirmar a existência de elemento documental hábil a comprovar a cessão de direitos de imagem do atleta profissional à empresa R. Chaves. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 16 29 3. Durante a sessão de julgamento realizada em 18/01/2019, evidenciouse uma mudança de foco ao tempo dos debates, com a controvérsia tendo se deslocado para a preliminar de nulidade suscitada no recurso voluntário. 4. Com respeito à questão preliminar, peço licença para manifestar posição diversa do entendimento da nobre maioria, pois não vislumbro, no caso dos autos, a alegada "mudança de critério jurídico" nos termos expostos no voto do eminente Relator do presente acórdão. 5. Ainda ao tempo dos debates, tive a oportunidade de manifestar sobre a higidez da decisão de primeira instância, quanto à abordagem minuciosa de todas as questões levantadas na impugnação, e destacadamente, sobre a precisa exposição relacionada ao artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, inserta no voto do Acórdão nº 16071.869. 5.1. Vejamos: a peça impugnatória articula tópico intitulado "4.4. FATOS GERADORES POSTERIORES À VIGÊNCIA DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005. FIM DA DISCUSSÃO SOBRE ESSA MATÉRIA." (efls 759/760). 5.2. Apresentase a visão de trechos extraídos da peça impugnatória: (efls 759) (efls 760) 5.3. Concernente à questão impugnada, o relatório da decisão de primeira instância se pauta pela clareza e concisão (efls 887/888): 20 no mesmo sentido, visando por fim às discussões sobre a possibilidade de esses direitos serem explorados por pessoa jurídica, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005 que, em seu art. 129, expressamente esclareceu que, para fins fiscais e previdenciários, as receitas decorrentes da prestação de serviço Fl. 1063DF CARF MF 30 de natureza artística ou cultural deverão ser tributados na pessoa jurídica, mesmo havendo qualquer designação de obrigações aos seus sócios; ... 32 para por fim às discussões sobre o regime tributário aplicável às sociedades constituídas para a prestação de serviços de caráter pessoal, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005, que em seu art. 129 expressamente esclareceu que elas devem ser tributadas como pessoas jurídicas, respeitando a personalidade jurídica que lhes é imbuída na sua constituição; 5.4. Tendo sido ventilada em sede de impugnação, tornase controversa a questão sobre a possibilidade de constituição de pessoa jurídica para prestação de serviços "intelectuais" de caráter personalíssimo. Em decorrência, fazse necessário o enfrentamento da questão pela decisão de primeira instância, em observância ao princípio do contraditório e da ampla defesa. 6. Como dissemos, ainda durante a sessão de julgamento, a inserção de tal fundamentação na decisão de primeira instância, decorre da evolução natural do contraditório inerente ao processo fiscal, constituindose dever do órgão julgador se pronunciar sobre as matérias suscitadas em sede de impugnação. 7. Na visão deste Conselheiro, e com a devida vênia do eminente Relator, não é possível conceber, no caso dos autos, a alegada "alteração de critério jurídico", ou ainda, como consignado no voto que "o Acórdão recorrido deveria ter se limitado a discutir sobre a possibilidade ou não de cessão de direito de imagem de atleta para pessoa jurídica, uma vez que este foi o fundamento da autuação." 8. Diante das considerações acima delineadas, no meu entendimento, a decisão de primeira instância encontrase perfeitamente hígida, em perfeita harmonia com as normas do processo administrativo tributário, não havendo que se cogitar na alteração de critério jurídico, tal como entendido pela maioria do Colegiado. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 1064DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720837/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETROLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO.
A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
Numero da decisão: 3402-005.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que davam provimento integral ao recurso nos termos do voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETROLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
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PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETROLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que davam provimento integral ao recurso nos termos do voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 37 /2 01 4- 91 Fl. 31279DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Ante a alegada insuficiência de recolhimento para o PIS e para a COFINS referente ao período em comento, a fiscalização lavrou o Auto de Infração aqui tratado para exigir o pagamento dessas exações, acrescidas de multa e juros, o que totalizou o importe de R$ 1.719.485.868,34. 2. Para a devida compreensão fática do caso, mister se faz destacar que a presente discussão decorre dos diferentes contratos de afretamento celebrados entre a recorrente e empresas estrangeiras que atuam no nicho empresarial de exploração do petróleo e afins. De forma muito simplória, a recorrente promove a “locação” de unidades de exploração de poços de petróleo e gás pertencentes a uma empresa estrangeira. 3. Não obstante, também é comum neste mercado que, paralelamente ao negócio jurídico acima narrado, também sejam celebrados outros contratos, dentre eles contratos de prestação de serviços firmados entre a recorrente e empresas nacionais vinculadas à afretadora estrangeira, o qual tem por escopo a prestação de serviços. 4. Dito isso, convém destacar que o presente processo administrativo gravita em torno exatamente dos negócios jurídicos acima sumarizados. 5. Segundo a acusação fiscal, as contratações sobreditas teriam sido objeto de uma cisão artificial em duas avenças distintas, quais sejam, uma de afretamento e outra de serviços, enquanto que, segundo entendimento da fiscalização, tais negócios jurídicos externam uma única avença de prestação de serviço. Nesse sentido, destaco os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 30.802/30.934): (...) Conforme antecipamos, tratase de contratações em que as prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes Fl. 31280DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.280 3 a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. É de se notar que, no contexto concreto destas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho. Pois não se pode perder de vista que, nos casos descritos a seguir, a unidade de perfuração/sondagem/exploração e outros serviços técnicos “pertence” à própria empresa contratada para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração, ou à sua controladora estrangeira – seja a título de propriedade, seja por detenção do direito de exploração comercial da unidade. As Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante, não importa, pois o que de fato importa é que a contratante PETROBRAS está perfeitamente ciente da vinculação entre as contratadas e de sua atuação conjunta no desempenho dos contratos, pois a intenção da primeira e das segundas é a mesma: firmar contrato de prestação de serviços com o menor impacto tributário. (...). Com base em todo o exposto, concluímos pelo lançamento de ofício do IRRF, da CIDE, do PIS e da Cofins Importação, incidentes sobre pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2010. Os tributos lançados de ofício foram calculados sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRAS – vide Planilha “Seleção de Beneficiários de Pagamentos ao Exterior à Título de Afretamento”, anexo a este Termo. Fl. 31281DF CARF MF 4 Os pagamentos que resultaram nos valores constantes na Planilha de Apuração do Tributo Devido – IRRF / CIDE / PIS / COFINS 2010 são baseados na “Relação de Valores Pagos ao Exterior à Título de Afretamento” entregue em papel com folhas rubricadas pelo preposto do contribuinte. A referida relação de pagamentos é parte integrante deste auto de infração. (...). 6. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 30.949/30.999, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão n. 0439.942 (fls. 31.112/31.130), da DRJ de Capo Grande/MS, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ENQUADRAMENTO LEGAL. OMISSÃO PARCIAL E IMPRECISÕES CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. É válido o lançamento, ainda que haja omissão parcial ou imprecisão no enquadramento dos fatos ou da infração, se a descrição fática permitir ao autuado a exata compreensão dos fatos que lhe são imputados. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A separação dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação tais como, naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência e em contratos de prestação de serviços propriamente ditos, não reflete a realidade material de sua execução, já que o fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável dos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos de afretamento sujeitamse à incidência da Cofis e do PIS incidentes sobre a importação. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Fl. 31282DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.281 5 Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 7. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 31.139/31.192, repisando os fundamentos expostos em sua impugnação. A União, por sua vez, se manifestou por intermédio de contrarrazões de fls. 31.239/31.277. 8. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 9. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (a) Da nulidade da autuação fiscal 10. Preliminarmente, o recorrente alega a nulidade da presente autuação ao fundamento que, ao acusar a recorrente de artificialmente os contratos aqui analisados, devera a fiscalização ter descrito quais as circunstâncias fáticas que permitiriam alcançar tal conclusão, de modo a caracterizar, por conseguinte, a existência de fraude, dolo ou simulação por parte da Recorrente. Destaco, a título de exemplo, o seguinte trecho da peça recursal: Fl. 31283DF CARF MF 6 11. Penso, todavia, que tal questão levantada pelo contribuinte se confunde com o próprio mérito da lide, motivo pelo qual será analisada no momento oportuno do presente voto. II. Mérito (a) Das circunstâncias fáticas que gravitam em torno do caso decidendo 12. Antes de seguir adiante no presente voto, é indispensável aduzir que a operação em análise e os negócios jurídicos daí decorrentes se revestem de enorme complexidade e, por conta disso, guardam particularidades próprias. Logo, limitar a presente contenda a uma exclusiva discussão no altiplano normativo (geral e abstrato) quanto à eventual validade ou invalidade de um suposto planejamento tributário implicaria, s.m.j, um reducionismo incompatível com o problema enfrentado. 13. Por outro giro verbal, o que se afirma aqui é que para que haja uma decisão juridicamente justa, i.e., em compasso com uma ideia de phronesis aristotélica, é indispensável debruçarse sobre as particularidades do caso decidendo retratadas pelas provas colacionadas ao longo do presente processo administrativo e, em especial, os diferentes contratos firmados entre as partes envolvidas (recorrente, afretadoras estrangeiras e coligadas brasileiras). 14. Fixados tais pontos, convém agora analisar as particularidades do caso decidendo, a começar pelos contratos anexados aos autos na qualidade de prova. Ressaltese, desde já, que apesar do grande volume de contratos anexados, é possível identificar dois contratos padrões, sendo um deles firmado entre as empresas afretadoras estrangeiras e a PETROBRÁS e outro entre empresas nacionais prestadoras de serviços e a PETROBRÁS. 15. A título de exemplo, será aqui analisado o contrato n. 101.2.023.001 (fls. 90 e s.s.) firmado entre a recorrente e afretadora estrangeira Diamond Offshore Drilling Ltd., o qual apresenta o seguinte objeto: Fl. 31284DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.282 7 16. Tratase, pois, do afretamento de unidades semisubmersíveis para a perfuração de poços de petróleo (descrição técnica as fls. 135 e s.s.), tal como ilustra a imagem abaixo: 17. Tais plataformas, por sua vez, apresentam valores altíssimos, podendo superar a casa de um bilhão de dólares1. 18. Não obstante, juntamente com tal contrato de afretamento, a recorrente também firmava com empresas nacionais coligadas a afretadora estrangeira contratos de serviços, tal como o contrato n. 101.2.024.004 (fls. 307 e s.s.) firmado entre a recorrente e Brasdril Sociedade de Perfurações Ltda., o qual apresenta o seguinte objeto: 1 Ilustrando tal informação destacase a seguinte notícia: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,plataformap52custa20maisqueaestimativainicial,9641 Fl. 31285DF CARF MF 8 19. É natural que além do afretamento de um bem tão valioso como o aqui tratado, a recorrente também contrate serviços altamente especializados para a adequada operação das plataformas de perfuração de petróleo e gás. 20. Assim, o que se observa deste arcabouço contratual, é existência de dois negócios jurídicos distintos: (a) um deles celebrado entre a PETROBRÁS e a empresa afretadora estrangeira e que tem por objeto o fretamento de unidade de perfuração de poços de petróleo e gás; e (b) outro firmado entre a PETROBRÁS e uma empresa nacional coligada da afretadora estrangeira, cujo escopo é a prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo e gás. 20. Importante desde já registrar que essa cisão das atividades empresariais destinadas em proveito da PETROBRÁS não é fruto de um prévio planejamento tributário, mas decorre de exigência licitatória imposta pela própria recorrente. As cartas convites internacionais apresentadas pela recorrente não só determinavam a cisão das operações em duas (fretamento e serviços), como também delimitava que do valor global a ser desembolsado pela companhia estatal 90% (noventa por cento) seria destinado ao fretamento e 10% para a remuneração da prestação de serviços. 21. Em síntese, essas são as circunstâncias fáticas que permeiam o caso em concreto. (b) A acusação fiscal 22. Conforme já relatado alhures, a fiscalização aduz que tal operação seria dotada de um indevido artificialismo, decorrente desta cisão entre as atividades de afretamento e de serviços. Ainda segundo a fiscalização, tal artificialismo ficaria evidenciado pela desproporcional divisão dos valores pagos pela recorrente para as empresas contratadas (afretadora e prestadora de serviços), i.e., na ordem de proporção de 90/10. 23. Pois bem. Antes de seguir adiante na análise de tais conclusões fiscais, mister se faz destacar que a exigência aqui tratada foi veiculada em auto de infração, o que é extremamente relevante para a resolução da presente demanda, já que, para sustentar seus fundamentos, compete à fiscalização fazer prova das suas acusações. Em outros termos, é a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil2. Nesse mesmo sentido já decidiu este colegiado, em antiga composição, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão n. 3402002.881, da lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 31286DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.283 9 iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. 24. Partindo de tais pressupostos e voltandose novamente ao caso, vale frisar que o bem afretado apresenta, per si, um valor que pode superar o importe de um bilhão dólares. É inimaginável, portanto, que um bem desta proporção seja cedido por simples comodato como quer fazer crer a fiscalização , apenas para viabilizar a prestação de serviços de poços de petróleo. A dimensão do valor atribuído a tal bem torna perfeitamente factível que se celebre um negócio jurídico com o fito de remunerar o seu afretamento em favor da recorrente. 25. Nada impede, todavia, de a fiscalização provar que o rateio 90/10 feito entre a remuneração do afretamento e a prestação de serviço é desproporcional e, por isso, dotado de um artificialismo. O que não se pode admitir, entretanto, é que para se eximir do ônus probatório, a fiscalização simplesmente trate 100% do negócio jurídico em apreço como serviço, como se a cessão de um bem de aproximadamente um bilhão de dólares não tivesse valor econômico algum. 26. Repito: se a fiscalização entende que o negócio jurídico em análise é artificial, deve ela fazer prova nesse sentido, seja por estudos econômicos seja por intermedio de comparação com outras operações análogas, sob pena de a fiscalização, sponte propria, promover uma indevida inversão do ônus probatório. 27. Não foi isso, entretanto, o que ocorreu no caso em comento, já que a fiscalização se limitou a promover afirmações genéricas no sentido de "defender" em um altiplano eminentemente teórico a suposta artificialidade dos contratos fiscalizados. 28. Nesse sentido, encaminho meu voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (c) Do REPETRO 29. Não obstante, subsiste ainda outro fundamento autônomo a sustentar a posição do contribuinte, qual seja, o tratamento jurídico dispensado pelo REPETRO em situações como a aqui tratada. A respeito deste tema, partilho do preciso entendimento externado pela Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no âmbito do processo administrativo n. 16682.722898/201654, em que também figura como parte a recorrente. Nesse sentido, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos pela citada conselheira, o que faço nos segunite termos: (...). Entretanto, o entendimento fiscal desconsidera, por completo, a forma prevista pela própria legislação pátria para a Recorrente desempenhar suas atividades, inclusive com a previsão de regime aduaneiro especial para o afretamento de bens do Fl. 31287DF CARF MF 10 exterior destinados, especificamente, para a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (REPETRO). Com efeito, o REPETRO é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural desenvolvido desde 1997 como um meio de estímulo à atividade petrolífera e para o alcance dos objetivos da Lei n.º 9.478/1997. À época dos fatos geradores autuados, esse regime aduaneiro era disciplinado pelo Regulamento Aduaneiro/2009, aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 e pela Instrução Normativa n.º 844/2008, que expressamente traziam os requisitos a serem adimplidos pelas empresas para garantir o tratamento diferenciado para os bens objeto de afretamento. Vejamos a expressão dos referidos diplomas normativos, na redação vigente à época dos fatos: Regulamento Aduaneiro/2009 "Art. 458. O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, previstas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, é o que permite, conforme o caso, a aplicação dos seguintes tratamentos aduaneiros (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 93, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 3º): (...) Art. 461A. O REPETRO será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 1o Poderá ser habilitada ao REPETRO a pessoa jurídica: (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 458; e (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 2o A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao REPETRO para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 3o Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o não for sediada no País, poderá ser Fl. 31288DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.284 11 habilitada ao REPETRO a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 4o A pessoa jurídica designada, nos termos do § 3o, deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 5o A habilitação de pessoa jurídica para a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo ficará condicionada à comprovação de que está qualificada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ como empresa brasileira de navegação. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 6o Não será objeto do processo de habilitação ao REPETRO a análise das condições regulatórias para autorização de afretamento de embarcações de apoio marítimo, cuja competência é da ANTAQ, nos termos da legislação específica. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 7o A habilitação será outorgada pelo prazo de duração do contrato de concessão, autorização ou relacionado à prestação de serviços, conforme o caso, prorrogável na mesma medida do contrato. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 8o A comprovação do atendimento de exigências relativas à importação e à exportação de bens, a cargo de outros órgãos ou entidades da administração pública, quando for o caso, somente será solicitada por ocasião da utilização dos tratamentos aduaneiros referidos nos incisos I a III do caput e no § 3o, todos do art. 458. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010)." (grifei) Instrução Normativa n.º 844/2008 "Art. 5o O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação Fl. 31289DF CARF MF 12 dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 3º Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 4º A pessoa jurídica designada deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 5º A habilitação de pessoa jurídica para a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo ficará condicionada à comprovação de que está qualificada pela Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) como empresa brasileira de navegação (EBN). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 6º Não será objeto do processo de habilitação ao Repetro a análise das condições regulatórias para autorização de afretamento de embarcações de apoio marítimo, cuja competência é da Antaq, nos termos da legislação específica. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 7º A comprovação do atendimento de exigências relativas à importação e à exportação de bens, a cargo de outros órgãos ou entidades da administração pública, quando for o caso, somente será solicitada por ocasião da utilização dos tratamentos aduaneiros referidos no art. 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime Fl. 31290DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.285 13 (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. § 1o O RCR deverá ser instruído com: I ADE de habilitação ao Repetro; II cópia da fatura próforma ou documento equivalente; III cópia do contrato de afretamento, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, para os bens constantes do Anexo Único à Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008;e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) IV documentos que comprovem o atendimento às condições estabelecidas no art. 14. (...) § 7º Na hipótese do § 3º do art. 5º, a empresa designada deverá apresentar, também, cópia do contrato de prestação de serviço firmado entre a concessionária ou autorizada e a contratada domiciliada no exterior. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 8º A unidade local da RFB poderá exigir a apresentação de cópia do contrato de prestação de serviço, quando entender necessário. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 9º Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) § 10. Para efeitos do disposto no § 9º, na hipótese de a cessão do bem à empresa requerente do regime de admissão temporária não estar prevista nos contratos a que se refere o inciso III do § 1º, o RCR deverá ser instruído, também, com cópia de contrato que comprove a transferência da guarda e da posse do bem estrangeiro à interessada. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) Fl. 31291DF CARF MF 14 Art. 18. Compete ao titular da unidade da RFB responsável pelo despacho aduaneiro, a concessão do regime de admissão temporária de que trata esta Instrução Normativa, bem como a fixação do prazo de permanência dos bens no País. Parágrafo único. A autoridade a que se refere o caput poderá autorizar, à vista de solicitação fundamentada do beneficiário, a aplicação do regime aos bens referidos no § 1o do art. 2o previamente à admissão dos bens a que se vinculem, na hipótese da admissão prévia ser imprescindível à instalação desses bens." (grifei) Para o presente processo, não é necessário adentrar nos pormenores do REPETRO ou mesmo avaliar qual a situação do regime da Recorrente e das empresas contratadas. Basta, apenas, evidenciar como esse regime aduaneiro especial trata os contratos de afretamento relacionados à atividade petrolífera (como autuados neste processo) e os contratos de prestação de serviço a eles relacionados. A leitura dos dispositivos acima evidencia, primeiramente, que estes contratos, independentemente da forma como são firmados, são sujeitos à uma análise prévia e pormenorizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) para a habilitação da pessoa jurídica no REPETRO e para admissão dos bens no regime. Com efeito, a concessão do regime compete ao titular da unidade da RFB responsável pelo despacho aduaneiro, que somente poderá ser concedido para pessoa jurídica previamente habilitada pela SRFB. Como indicado no art. 5º da IN n.º 844/2008, essa habilitação depende da própria análise dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, independente da forma adotada para a contratação. A diferença entre o contrato de afretamento e dos contratos de prestação de serviço relacionados aos bens objeto de afretamento é bem traçada pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA) ao tratar dos requisitos do REPETRO3: "4.1.1 INTRODUÇÃO O conhecimento da dinâmica dos contratos é muito importante para uma perfeita aplicação do regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica, em especial, do Repetro. O Repetro é um regime aduaneiro especial que depende, para uma adequada instrução processual, da apresentação e da análise de diversos tipos de contratos. 4.1.2 CONTRATO DE IMPORTAÇÃO 3 Disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/repetro/repetro/contratos/contratosintroducao, publicado em 12/03/2015, última atualização em 05/01/2018. Acesso em 11/10/2018. Fl. 31292DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.286 15 O Contrato de Importação é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime) e o exportador estrangeiro (proprietário do bem) e que estabelece os direitos e obrigações das partes no tocante à cessão temporária do bem para internação no País. As modalidades de cessão de bem permitidas para instrução do Repetro são: arrendamento operacional, afretamento, aluguel ou empréstimo (comodato) (Regulamento Aduaneiro, art. 374 ...). O contrato de importação deve instruir o regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica (Regulamento Aduaneiro, art. 374; IN RFB nº 1.600, de 2015, art. 61, § 2º), inclusive o Repetro (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 23, caput). (...) 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O Contrato de Prestação de Serviços, no caso do Repetro, é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e que estabelece os direitos e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País. Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). A prestação de serviços no Repetro deve estar ligada às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Regulamento Aduaneiro, art. 458; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). O contrato de prestação de serviços deve instruir o Repetro por meio do Resumo de Contrato, o qual permitirá a delimitação do prazo de vigência do regime (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 23, § 1º; Anexo IV, campo 1.4). Além disso, o Resumo de Contrato vai permitir que o contrato de prestação de serviços seja analisado de maneira mais célere pela autoridade aduaneira. Nota: o contrato de prestação de serviços que fundamentou o Resumo de Contrato pode ser exigido a qualquer tempo pela autoridade aduaneira responsável pela análise do pedido de aplicação do regime (concessão ou prorrogação). Fl. 31293DF CARF MF 16 4.1.5 CONTRATO DE AFRETAMENTO Ao Contrato de Afretamento por Tempo, no caso do Repetro, se aplicam as mesmas disposições previstas no tópico 4.1.4 acima. Vale ainda mencionar uma diferenciação entre o Contrato de Afretamento a Casco Nu e o Contrato de Afretamento por Tempo: 1) Afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação (art. 2º, inciso I, Lei nº 9.432, de 1997). 2) Afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado (Lei nº 9.432, de 1997, art. 2º, inciso II). O afretamento de embarcações de apoio marítimo somente será permitido se a pessoa jurídica responsável pela prestação de serviço for qualificada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ como empresa brasileira de navegação (EBN) (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 5º). 4.1.6 CONTRATO TRIPARTITE O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. 4.1.7 CONTRATO DE EXECUÇÃO SIMULTÂNEA O Contrato de Execução Simultânea, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela Fl. 31294DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.287 17 existência de dois contratos distintos, que devem ser executados simultaneamente: 1) Contrato de Importação (arrendamento operacional, afretamento, locação ou empréstimo); e 2) Contrato de Prestação de Serviços. Esse tipo de contrato é mais usual nos casos de importação de embarcações ou plataformas para execução das atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Deste modo, podemos ter as seguintes combinações contratuais: 1) contrato de prestação de serviços c/c contrato de locação de bens (este último é uma modalidade do contrato de importação); 2) contrato de prestação de serviços c/c contrato de arrendamento operacional de bens (este último é uma modalidade do contrato de importação); 3) contrato de prestação de serviços c/c contrato de empréstimo de bens (este último é uma modalidade do contrato de importação); ou 4) contrato de prestação de serviços c/c contrato de afretamento de embarcação ou plataforma (este último é uma modalidade do contrato de importação). Nota: não confundir "contrato de prestação de serviços c/c contrato de locação de bens" com "contrato de prestação de serviços com locação de bens". No primeiro caso, temos uma combinação de dois contratos: o contrato de prestação de serviços com o contrato de importação, os quais serão executados de maneira simultânea, tão logo o bem seja importado. Mas, no segundo caso, temos um único contrato para utilização interna no País, mas que não se enquadra no Repetro por não atender aos preceitos legais, conforme tópico Disposições sobre Contratos." (grifei) A clara distinção entre o afretamento e os serviços marítimos relacionados aos bens fretados é uma preocupação da COANA em razão da exigência veiculada pela legislação aduaneira no art. 461A, §§3º a 5º do Regulamento Aduaneiro/2009, reiterado no art. 5º, §§3º a 5º da IN 800/2008. Estes dispositivos vedam expressamente que as prestações de serviços relacionadas aos bens objeto de afretamento sejam prestados pelas próprias empresas localizadas no exterior. Somente as empresas brasileiras de navegação podem ser habilitadas no REPETRO "para a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo". Assim, o procedimento exigido pela legislação aduaneira nos contratos de afretamento, para gozo do REPETRO, é exatamente a segregação das operações de afretamento em relação à Fl. 31295DF CARF MF 18 prestação de serviço à elas relacionadas. O contrato de afretamento é uma exigência para a habilitação no regime (art. 17, III, IN 800/2008), podendo ser opcionalmente apresentado o contrato de prestação de serviço (art. 17, §8º, IN 800/2008). Esse último contrato apenas será obrigatório quando a pessoa jurídica contratada não for sediada Brasil, cuja habilitação ao REPETRO poderá ser feita apenas a empresa com sede no País por ela designada, que deverá expressamente constar do contrato de prestação de serviço (art. 17, §7º, IN 800/2008). A divisão dos contratos de afretamento e de prestação de serviços é, portanto, um meio expressamente admitido pela legislação aduaneira brasileira para o cumprimento dos contratos de afretamento de plataformas, navios, naviosonda e embarcações especiais para o desempenho da atividade petrolífera. Esse entendimento, à luz de um detalhado histórico do REPETRO, foi veiculado pelo Acórdão nº 0739.244 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis para outro contribuinte, no processo n.º 10872.720152/201692, mantido em sede de recurso de ofício por este Conselho no Acórdão n.º 3301004.592, de 17/04/2018, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 06/05/2011, 27/06/2011, 07/07/2011, 20/07/2011, 12/09/2011, 19/10/2011, 29/11/2011, 16/12/2011, 27/12/2011, 29/12/2011 CONTRATO DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. Mesmo antes da alteração promovida pela Lei nº 13.043/2014, é legítima a celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás. CONTRATO DE AFRETAMENTO. PREVISÃO DE SERVIÇOS. A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato, nas modalidades por tempo ou por viagem. TRANSFERÊNCIA MALICIOSA DE VALORES DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA O DE AFRETAMENTO. NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO. Se a fiscalização entender que há transferência maliciosa de valores do contrato de prestação de serviços para o de afretamento, ela deve determinar ou, ao menos, estimar os valores transferidos, e não simplesmente desconsiderar por completo o conteúdo econômico do contrato de afretamento e lançar Fl. 31296DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.288 19 todo os valores contratados como se decorrentes da prestação de serviços fossem. Recurso de Ofício Negado." (Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão nº 3301004.592 Sessão de 17/04/2018 Redatora designada Semíramis de Oliveira Duro grifei) Quando da transcrição do acórdão da DRJ, foi expressamente indicado, após a análise da IN RFB 844/2008 que "com esse § 3º incluído no art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, pela IN RFB nº 941, de 2009, a própria Receita Federal admitiu que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços." Desta forma, considerando a especificidade das operações realizadas pela Recorrente, sujeitas inclusive à controle aduaneiro prévio no âmbito do regime do REPETRO, vislumbra se, com clareza, o descabimento da desconsideração perpetrada pela fiscalização dos contratos de afretamento das unidades para a prospecção e lavra de petróleo. Diferentemente da proposta fiscal, esses contratos não se apresentam como mero meio de repasse dos serviços prestados pelas empresas no exterior, representando, na verdade, os valores correspondentes ao uso dos bens de propriedade das empresas no exterior. A contratação em separado do afretamento (com as empresas estrangeiras) e das prestações de serviços (com as empresas nacionais) foi realizada pela Recorrente de acordo com a própria disciplina normativa exigida pelo REPETRO. Ao contrário do que aduz a fiscalização na autuação, é vedada à empresa estrangeira que cede o direito de uso dos bens objeto do afretamento a prestação de serviços marítimos, que devem ser prestados por uma empresa nacional. As empresas estrangeiras, frisese novamente, não estão autorizadas pelo governo brasileiro a prestarem os serviços relacionados aos contratos de afretamento, devendo necessariamente se valer de uma empresa nacional, exatamente como ocorrido no caso em tela. Desta forma, como exigido pela legislação, as empresas que efetivamente prestaram os serviços marítimos são empresas nacionais, ainda que integrantes do mesmo grupo econômico das empresas no exterior, sendo descabida a imputação da prestação de serviço às empresas estrangeiras. E aqui frisese que a interligação entre os contratos não é, em qualquer momento, negada pela Recorrente, exatamente por encontrar respaldo na legislação: de fato, tratandose de embarcações/plataformas de propriedade de estrangeiros, cuja utilização foi cedida à Recorrente, sua utilização e ideal funcionamento depende de serviços técnicos especializados, a serem prestados por empresas nacionais, qualificadas pela Fl. 31297DF CARF MF 20 Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ como empresas brasileiras de navegação. Nesse sentido que se mostra descabida a afirmação fiscal, feita para todos os contratos de afretamento analisados nestes autos (efls. 48.694/48.831) no sentido de que "não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados". Na verdade, os contratos e a própria legislação aduaneira evidenciam que o objeto principal de contratação é o uso de unidade pertencente à empresa localizada no exterior. A sua utilização, manutenção, instalação e funcionamento, por meio de serviços técnicos especializados, são acessórios à esse contrato, devendo ser prestados necessariamente por empresas nacionais. Ao contrário do indicado na autuação, a segregação dos pagamentos, para o Brasil e para o exterior, com fulcro em dois contratos distintos é uma conduta admitida, e até estimulada, pela legislação aduaneira. Como visto, quem cede o direito de uso de uma unidade relacionada a atividade petrolífera (embarcação/plataforma) é a empresa no exterior, integrando o contrato de afretamento objeto de necessária análise no REPETRO (art. 17, III, IN 800/2008). Por sua vez, quem pode prestar os serviços técnicos especializados relacionados a essas unidades é a empresa brasileira de navegação, qualificada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ, que integra o contrato de prestação de serviço que não necessariamente precisa de fiscalização prévia no REPETRO (art. 17, §8º, IN 800/2008). Por isso, plenamente autorizada a separação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Assim, a pergunta inicialmente formulada (os contratos de afretamento firmados pela PETROBRÁS com empresas estrangeiras são apenas contratos de fachada, inexistentes de fato, utilizados, exclusivamente, para ocultar remessas de remunerações de serviços ao exterior?) merece uma resposta cabalmente negativa, à luz da legislação aduaneira aplicável à essa espécie distinta de contratação. Esses contratos são objeto de tratamento aduaneiro específico, com prévia análise e homologação por parte da Secretaria da Receita Federal, não podendo ser meramente desconsiderados exatamente pelo fato da Recorrente ter adotado conduta autorizada e estimulada para o gozo do regime aduaneiro. Com amparo na legislação aduaneira, possível afirmar que a forma jurídica adotada pela Recorrente é lícita e guarda a devida coerência com os institutos de direito privado adotados. Não representa, portanto, simulação nos negócios jurídico perpetrados, necessária para a desconsideração de seus efeitos na forma do art. 167, do Código Civil/20024, como se manifesta este Conselho: 4 "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 31298DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.289 21 "SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto". (PTA 16095.000723/201017. Data da Sessão 25/03/2015. Relator Helio Eduardo de Paiva Araujo. Acórdão n.º 1302001.713 grifei) "SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. A utilização de uma empresa componente do grupo (Subsidiária integral) para a organização de negócios e a válida implementação da estrutura análoga às dos correspondentes bancários” (Resolução BACEN no 3.110/2003 e 3.954/2011), mesmo que essa não possua estrutura própria, não se mostra suficiente para presumir a ocorrência de fraude. O reconhecimento da existência de “objetivo negocial” não está atrelado à existência de empregados, escritórios ou demais elementos materiais, mas sim, de sua efetiva presença e atuação nos negócios considerados, o que efetivamente restou validamente comprovado nos autos. A caracterização de “simulação”, na presente vertente, sem a necessária configuração das hipóteses próprias do art. 167 do Código Civil, somente seria possível com a aplicação das disposições do parágrafo único do Art. 116 do CTN, o que, atualmente por falta de específica regulamentação , não pode ser promovido pelos agentes da fiscalização fazendária." (PTA 11080.722264/201071 Data da Sessão 04/12/2013 Relator Calor Augusto de Andrade Jenier Acórdão n.º 1301001.356 grifei) (...). 30. Assim, também com base em tais fundamentos apresentados pelo contribuinte, direciono meu voto pelo provimento do recurso voluntário interposto Dispositivo I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." Fl. 31299DF CARF MF 22 31. Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. 32. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. DA PRELIMINAR DE NULIDADE NO LANÇAMENTO Em preliminar, a Recorrente alega a nulidade do lançamento em razão da ausência de fundamentação das razões para taxar de artificial a bipartição contratual, tendo por base o artigo 10º, inciso III e artigo 59, inciso II, ambos do DecretoLei nº 70.235/72. Não assiste razão à Recorrente. A nulidade disposta nos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72 decorre da ocorrência de uma das seguintes hipóteses: (i) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; (ii) quando resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Nenhum desses vícios foi verificado no lançamento efetuado, que foi realizado por autoridade competente, e assegurado o pleno exercício do direito de defesa à parte. A autoridade fiscal, através de um minucioso trabalho de auditoria e das provas carreadas aos autos, constatou a falta de recolhimento das contribuições nos períodos analisados, pela comprovação da artificial bipartição dos contratos de afretamento e serviços. Foram perfeitamente identificados os aspectos da hipótese de incidência, bem como indicada da base legal e a fundamentação jurídica pertinente para as conclusões do trabalho fiscal. A defesa compreendeu perfeitamente os fatos e as infrações a ela imputadas, conforme demonstra a sua impugnação e o Recurso Voluntário ora em análise. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais afasta a nulidade por inexistir prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos se amoldam perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada (Acórdão CSRF/02 02.301). Dessa forma, considerandose que a recorrente rebateu os fundamentos da autuação, mediante extensa e substanciosa defesa, afastase a nulidade do lançamento requerida. DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DOS CONTRATOS VINCULADOS A autoridade fiscal demonstrou que as contratações relativas às prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante Fl. 31300DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.290 23 PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Segundo a alegação fiscal, os serviços foram prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte (90%) do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior (10%) é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. A conclusão do procedimento fiscal demonstra a inexistência de afretamento autônomo, apesar da existência formal de dois contratos. Para a fiscalização, o fornecimento da unidade (afretamento) seria apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. A única contratação existente seria de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Nos casos analisados, constatouse que as empresas contratadas pertenciam a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços, e desempenharam de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma segregada. Tal vinculação era de pleno conhecimento da contratante PETROBRÁS. Em sua defesa, a Recorrente alega a regularidade do modelo contratual adotado, afastando o enquadramento como prestação de serviço. Também afasta a artificialidade dos contratos, afirmando que, apesar de coligados, os contratos seriam autônomos. Também alega que o modelo contratual seria reconhecido pela Lei nº 13.043/2014, e já era exigido pela Administração desde 2008 para fins de regulamentação do REPETRO, e que foram objeto de análise quando da habilitação no REPETRO, de forma que o lançamento configuraria mudança de critério jurídico afrontando o disposto no artigo 146 do CTN. A fiscalização realizou uma análise minuciosa de cada contrato de afretamento e de prestação de serviços, no intuito de demonstrar que, não obstante a segregação formal, na realidade, o que existia era uma única atividade de exploração e pesquisa de petróleo/gás, prestada pelo grupo econômico (empresa brasileira e estrangeira). Em sua conclusão reafirmou que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderiam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços. Destacamse os seguintes fatos apurados pela autoridade fiscal que fundamentaram a decisão recorrida: · contratos vinculados, em alguns casos expressamente em cláusulas, ou assinados na mesma data; · fretadora cossegurada em seguro de responsabilidade civil com prestadora de serviços; · fretadora solidariamente responsável com prestadora de serviços; · rescisão do contrato de prestação de serviço é base para rescisão do contrato de afretamento; Fl. 31301DF CARF MF 24 · contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela prestadora de serviços, com cargos diretamente ligados à operação da unidade; · contrato de afretamento dispõe que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos; · no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora e sobre a Prestadora de Serviços; · contrato de afretamento diz que a Contratada (Fretadora) deverá fornecer à PETROBRAS “Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados” . Tais fatos, devidamente comprovados e não refutados, não podem ser desprezados na presente análise. A vinculação entre as partes, a estreita ligação entre os objetos contratados, as mutuas responsabilidades, os prazos, e as pessoas envolvidas, caracterizam uma verdadeira confusão entre as contratações, comprovando a existência de uma única contratação, conforme afirmado pela autoridade fiscal. Portanto, concluise que a autoridade fiscal demonstrou que os contratos eram não são apenas interligados, mas unos, conforme afirmação feita para todos os contratos analisados nos autos: “a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade [...] foi de fato fornecida por empresa do Grupo [...], mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo [...] foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo [...] forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração.” Analisando situação semelhante, assim se manifestou o Conselheiro Alexandre Kern no voto vencido (vencedor neste ponto) do Acórdão 3403002.702, cujo excerto reproduzo a seguir: “Pareceme que o conjunto indiciário reunido pela Fiscalização é consistente e corrobora essa conclusão. Em primeiro lugar, os contratos ditos de afretamento de afretamento não são, pois não têm como objeto embarcação. Ademais, as unidades de perfuração e de produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras estruturas metálicas, sobre as quais desembarcam e atuam os operadores da companhia prestadora de serviço contratada. Em absoluto. As unidades são, justamente, os equipamentos que serão operados para a consecução do objetivo último da Petrobrás, que é Fl. 31302DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.291 25 a perfuração ou produção do poço de petróleo. E, penso ser evidente, tratase de equipamentos sofisticados, construídos sob encomenda, com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento da tecnologia. Nesse sentido, seus operadores são designados já durante a fase de construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com equipamento requerida para operá los. Saliento esse aspecto porque, ainda que se considere a natureza genérica dos contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único, de prestação de serviços, fosse com a nacional ou com a empresa estrangeira, ainda assim as unidades seriam fornecidas, simplesmente, porque não há como prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois é ilógico, desnecessário, antieconômico. E, se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a Petrobrás insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos fossem operados por terceiros. Portanto, pareceme que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento” e prestação de serviços – a também, por óbvio, a sua coligação voluntária – é artificial, desnecessária, sem propósito. A recorrente nessa hora bradará princípios constitucionais como da Livre Iniciativa (art. 1º, IV), da Livre Concorrência (art. 170, IV) ou mesmo da Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga ao contribuinte o direito de organizarse de forma que se lhe imponha a menor carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob uma concepção estritamente formal da legalidade. Enfim, invocará a clássica cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em matéria de planejamento tributário, tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito ao contribuinte. Marciano Seabra de Godoi diagnostica que essa postura parte de certos valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, quais sejam, o tributo visto como uma agressão ou um castigo que se aceita mas não se justifica; a segurança jurídica como um valor absoluto; a aplicação mecânica e não valorativa da lei como um mito sagrado; o individualismo e a autonomia da vontade sobrevalorizados e hipertrofiados, como se vivêssemos em pleno século XIX. Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste cenário, a interpretação dos atos jurídicos e das operações não se pode valer da máxima de hipossuficiência dos contribuintes frente ao todopoderoso Estado, sob pena de se obstar a aplicação de outros princípios constitucionais. Há diversos outros que podem ser tolhidos caso planejamentos sejam indiscriminadamente considerados válidos e legítimos tãosomente porque adotaram forma jurídica prevista em texto de lei (Dignidade da Pessoa Humana, Função Social da Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça” (GRECO. Marco Aurélio. Fl. 31303DF CARF MF 26 Planejamento tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 195) . Enfim, exigese, para além de uma economia de tributos, um propósito negocial. Nesse sentido, a doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito negocial (SCHOUERI, Luís Eduardo. O desafio do planejamento tributário. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITRAS, Rodrigo de (org,). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187): a) o elemento temporal: já que muitas vezes se verifica que o planejamento, em geral atividade pensada e preparada, é realizada às pressas, com a assinatura de vários documentos em um único momento, alguns desfazendo transações que se celebram no mesmo instante; b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações se dão apenas como forma de alocar perdas e ganhos entre empresas de mesmo grupo, sempre visando à redução da tributação; c) ausência de coerência, quando se realizam transações que não se inserem na rotina da empresa ou na lógica empresarial. Marco Aurélio Greco (GRECO, Marco Aurélio. Perspectivas teóricas do debate sobre planejamento tributário. Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, ano 7, n. 42, ano 2009. Apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187) revela os indícios de mera tentativa despropositada de economia de tributo: a) operações estruturas em seqüência, em que uma etapa não tem sentido a não ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...]; b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada; c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os critérios de eqüitatividade em que devem ser feitas certas operações quando comparadas com operações com terceiros; d) o uso de pessoas jurídicas para realizar determinadas operações, pois além de poderem configurar uma interposta pessoa, estas sociedades podem se apresentar como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a terceiros (conduint companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras; e) operações que impliquem deslocamento da base tributável para o exterior, pois isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária; f) as substituições ou montagens jurídicas em que as formas contratuais são construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais e efetivas que as justifiquem.” O i.relator assim concluiu no Acórdão 3403002.702 sobre o modelo de contratação da Petrobrás, situação similar àquela apurada nos presentes autos: Fl. 31304DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.292 27 “O modelo de contratação da Petrobrás sucumbe em todos os testes que lhe são pertinentes: a) Quanto ao aspecto temporal, revelase a simultaneidade da celebração dos pares de contratos; b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira; c) Ausência de coerência: a Petrobrás não reproduz o modelo de contratação bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres; d) Deslocamento da base tributável para o exterior: a Petrobrás atribui ao contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo); e) Montagem jurídica: a bipartição de contrato que tem causa unitária – a exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada.” Não procede a alegação da Recorrente quanto à violação aos artigos 109 e 110 do CTN, bem como ao artigo 170 da Constituição Federal, ao desconsiderar a dualidade contratual e considerar como um único contrato de prestação de serviços. Não houve desrespeito aos institutos próprios do direito privado, ou ao direito de livre iniciativa ou exercício de atividade econômica, mas apenas definir a verdadeira natureza dos pagamentos realizados pela empresa no exterior e imputar os efeitos tributários decorrentes de tal pagamento. O que ocorreu foi constatação de que os contratos firmados, bipartidos, teriam uma só natureza e seriam, de fato, unos, com o objetivo de regular a contratação de serviços técnicos para garantir a funcionalidade da plataforma para o cumprimento de sua finalidade, a perfuração/exploração de gás e petróleo. Comprovouse que o fornecimento da plataforma seria apenas meio para alcançar a verdadeira atividade pretendida pela Recorrente. Aqui, os princípios de liberdade de autoorganização colidem com o princípio da solidariedade, da capacidade contributiva e da igualdade. A autoridade fiscal, na análise da situação fática e da hipótese de incidência da contribuição, ao dar efeitos tributários diversos daquele esperado pela Recorrente, não apenas considerou os aspectos formais da operação, mas buscou a essência dos atos praticados, de forma a afastar uma interpretação literal que considera apenas os aspectos formais dos atos. A liberdade de contratar não poderia se sobrepor aos princípios da capacidade contributiva, igualdade e solidariedade. A bipartição de contratos revelase artificial, conforme já decidiu este Conselho em diversos outros julgados: Acórdão nº 3201003.022 CIDE. AFRETAMENTO. NATUREZA INDISSOCIÁVEL DO SERVIÇO. CONTRATAÇÃO ÚNICA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. A contratação de embarcação com especificações de construção, equipamento e operação para atender à consecução dos serviços técnicos especializados de levantamento sísmico consubstanciase parte integrante e indissociável da atividade, que se constitui única, não permitindo segregar os valores pagos Fl. 31305DF CARF MF 28 para os efeitos de incidência da CIDE ainda que discriminados no mesmo ou diferentes contratos. Acórdão nº 3302004.822 CONTRATO IMPROPRIAMENTE DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. REAL NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. REMESSA AO EXTERIOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal inverídica contida nos instrumentos contratuais impropriamente denominados de afretamento de navio de pesquisa. Segundo os fatos comprovados nos autos, o real negócio jurídico contratado pela recorrente foi a prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)” e não o afretamento de navio de pesquisa. 2. O fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos sísmicos, é parte integrante e indissociável dos real contrato de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos contratados, razão pela qual os valores mensais integrais remetidos ao exterior a título de remuneração às empresas estrangeiras prestadoras dos referidos serviços estão sujeitos à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição. Acórdão nº 3302003.095 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. Acórdão nº 2202003.063 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. Também revela a artificialidade dos contratos, na repartição de 90/10, as alterações legislativas que estabeleceram o percentual máximo a ser atribuído aos contratos de afretamento. Fl. 31306DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.293 29 A alteração promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, o percentual máximo de 80% (oitenta por cento) atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços. Posteriormente, os percentuais máximos foram ajustados pela Lei 13.586/2017, prevendo que o percentual de afretamento passaria a ser de 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços. Destacase que tais percentuais não se aplicam no caso em concreto, que aqui discute a incidência das contribuições, mas revelam a artificialidade reconhecida pelo próprio legislador brasileiro quanto aos percentuais de repartição dos contratos de afretamento e serviços nos percentuais de 90% e 10%. A repartição dos contratos revelase artificial, com a constatação de que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços, configurando uma única contratação. A situação constatada enquadrase, de forma clara, no conceito de simulação, ligado à causa do negócio jurídico. É cristalino o fato que o negócio aparente (dois contratos) é divergente do negócio real (única contratação de fato). A causa típica do negócio (contratação para pesquisa e exploração de petróleo e gás, com o fornecimento da unidade) diverge da causa aparente, que artificialmente repartiu a contratação através de um contrato autônomo de afretamento. Nesse caso, haveria um vício na causa, pois as partes usaram determinada estrutura negocial (contratos bipartidos) para atingir um resultado prático, que não correspondeu à causa típica do negócio posto em prática. Destacase, mais uma vez, que a única contratação existente seria de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. O entendimento acima encontra abrigou na doutrina do professor Marciano Seabra de Godoi, que assim analisou a questão da simulação como vício na causa do negócio jurídico: “O conceito de simulação é, no âmbito do próprio direito civil brasileiro, bastante controverso. Ainda que nem sempre deixem isso explícito, diversos autores definem e aplicam o conceito de simulação com base numa visão causalista. A causa dos negócios jurídicos pode ser definida como o “fim econômico ou social reconhecido e garantido pelo direito, uma finalidade objetiva e determinante do negócio que o agente busca além da realização do ato em si mesmo”. A causa é portanto o propósito, a razão de ser, a finalidade prática que se persegue com a prática de determinado negócio jurídico. Orlando Gomes inclusive promove uma classificação dos negócios jurídicos com base nas causas típicas de cada um deles (a cada negócio “corresponde causa específica que o distingue dos outros tipos”): o seguro é por exemplo um negócio jurídico cuja causa é a “prevenção de riscos”, ao passo que o contrato de sociedade tem como causa uma associação de interesses, compondo a categoria dos “negócios associativos”. Fl. 31307DF CARF MF 30 Fixado esse conceito de causa dos negócios jurídicos, como encarar a figura da simulação? Na simulação há um vício na causa, pois as partes usam determinada estrutura negocial (compra e venda) para atingir um resultado prático (doar um patrimônio) que não corresponde à causa típica do negócio posto em prática. Na formulação de Orlando Gomes sobre a simulação relativa, “ao lado do contrato simulado há um contrato dissimulado, que disfarça sua verdadeira causa” destacamos. Os autores causalistas ressaltam que na simulação não há propriamente um vício do consentimento (como no erro ou no dolo), pois as partes consciente e deliberadamente emitem um ato de vontade. O que ocorre é que o ato simulado não corresponde aos propósitos efetivos dos agentes da simulação. Por isso diversos autores vêem na simulação uma “divergência consciente entre a intenção prática e a causa típica do negócio”. O espanhol Federico de Castro y Bravo sustenta que a natureza específica da simulação não é a de “uma declaração vazia de vontade”, mas a de uma “declaração em desacordo com o objetivo proposto [pelas partes], ou, o que é o mesmo, uma declaração com causa falsa” – destacamos. Tanto na concepção causalista ora estudada, quanto na concepção restritiva vista na seção anterior, o negócio simulado é visto como “nãoverdadeiro”. Mas isso a partir de perspectivas diferentes. Com efeito, na perspectiva causalista haverá simulação mesmo que as partes não inventem nem escondam de ninguém um fato específico no bojo de cada um dos negócios praticados”5. A situação apurada nos autos também não diverge do conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): Art. 167 – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º – Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II – Contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – Os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. No caso, não havia contrato autônomo real de afretamento, mas apenas uma única contratação pesquisa e exploração de petróleo e gás, com o fornecimento da unidade. Dessa forma, a pessoa a quem foi conferido o direito no contrato de afretamento foi diversa daquela que efetivamente se conferiu, configurando a simulação conforme o Código Civil. No presente caso a própria bipartição dos contratos, no percentual de 90/10 já se revela artificial, configurando a simulação praticada. A própria contratante dos serviços determinou a repartição dos contratos em duas, delimitando que, do valor global a ser desembolsado pela companhia estatal, 90% (noventa por cento) seria destinado ao fretamento e 10% para a remuneração da prestação de serviços. Portanto, a artificialidade da repartição dos contratos foi um ato consciente e intencional da recorrente, configurando o intuito doloso da simulação praticada. 5 GODOI, Marciano Seabra de Godoi. Dois conceitos de simulação e suas conseqüências para os limites da elisão fiscal. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Org.). Grandes questões atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2007, v. 11, p. 284285. Fl. 31308DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.294 31 Dessa forma, concluise pela higidez do lançamento efetuado e da decisão recorrida, pela comprovação da unicidade contratual, simulação praticada, e constatação da existência de pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras como contrapartida de serviços técnicos prestados, sujeitos à incidência das contribuições. DO REPETRO A Relatora alega que o entendimento fiscal desconsidera, por completo, a forma prevista pela própria legislação pátria para a Recorrente desempenhar suas atividades, inclusive com a previsão de regime aduaneiro especial para o afretamento de bens do exterior destinados, especificamente, para a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (REPETRO). Confirma, ainda, a afirmativa da Recorrente acerca da adequação do modelo de contratação adotado àquele determinado pelo REPETRO. Conforme já exposto pela Relatora, o REPETRO é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural. O regime foi instituído pelo Decreto nº 3.161, de 02 de setembro de 1999 (revogado) e atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), e pela IN RFB nº 1.415, de 2013. Aqui, destacamos um importante ponto no referido regime: a base legal indicada pelos atos infralegais é o artigo 79, parágrafo único, da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) Constatase, portanto, que a base legal do regime é uma “norma em branco”, que outorga competência para o Poder Executivo a determinar quais seriam os requisitos para a aplicação do regime de admissão temporária para utilização econômica. Destacase que o referido regime tem a natureza jurídica de isenção condicionada. O mesmo vício encontramos na previsão do Decretolei 37/66: Art.93 O regulamento poderá instituir outros regimes aduaneiros especiais, além dos expressamente previstos neste Título, destinados a atender a situações econômicas peculiares, estabelecendo termos, prazos e condições para a sua aplicação. Entendo que tal disposição seria uma violação ao princípio da estrita legalidade, que exige “lei” tanto para tributar quanto para exonerar (CTN, art. 97, inciso III, c/c Fl. 31309DF CARF MF 32 art. 111). Mas, como não estamos analisando os benefícios fiscais do REPETRO, não me estenderei nesse ponto. Em resumo, o REPETRO prevê os seguintes tratamentos tributários/aduaneiros: Conforme exposto pela Relatora, à época dos fatos geradores autuados, esse regime aduaneiro era disciplinado pelo Regulamento Aduaneiro/2009, aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 e pela Instrução Normativa n.º 844/2008. A Relatora afirma, com base nos dispositivos regulamentares transcritos em seu voto, que os contratos firmados estavam sujeitos à uma análise prévia e pormenorizada pela RFB para a habilitação da pessoa jurídica no REPETRO e para admissão dos bens no regime. Entretanto, a Relatora se equivoca a afirmar que tais contratos foram previamente homologados pela RFB e que não poderiam ser desconsiderados pela autoridade fiscal e aduaneira. Já afirmamos em estudo acadêmico publicado6 que a homologação do lançamento tributárioaduaneiro ocorre no procedimento de Revisão Aduaneira, ainda que o canal de conferência aduaneira tenha sido diferente do verde. No referido ato também ocorre a homologação das informações prestadas nas Declarações de Importação ou Admissão em Regime Especial, conforme previsto no artigo 54 do Decretolei 37/66: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Portanto, não procede o fundamento que aponta pela análise definitiva e homologação dos contratos. Em seguida, a Relatora reproduz exceto do Manual do REPETRO, publicado pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA) em 12/03/2015 e atualizado em 05/01/2018, e disponível no sítio da RFB. No referido manual, a administração aduaneira esclarece os tipos de contrato objeto do REPETRO, com a previsão do Contrato de Importação, Contrato de Prestação de Serviços, Contrato de Afretamento, Contrato Tripartite e o Contrato de Execução Simultânea. 6 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Revisão aduaneira e segurança jurídica. São Paulo: Intelecto, 2016. Fl. 31310DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.295 33 A legislação veda a prestação de serviço direta por empresa estrangeira, mas prevê que o mesmo pode ser prestado por outra empresa por ela designada, conforme dispõe o item 4.1.4 do referido manual: 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS [...] Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). O parágrafo 3º do artigo 5º da IN RFB 844/2008, com a redação dada pela IN RFB 1070/2010, traz a previsão regulamentar para a designação de empresa com sede no País para promover a importação de bens, em caso de contratação de pessoa jurídica com sede no exterior: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 3º Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) No caso, seria um Contrato Tripartite, conforme definição do item 4.1.6 do manual: Fl. 31311DF CARF MF 34 O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. A operação poderia ser considerada como válida se efetivamente existisse três empresas envolvidas de forma autônoma. O modelo tripartite, com contratos distintos entre agentes distintos e autônomos, poderia ser considerado como válido caso houvesse, efetivamente, três agentes autônomos envolvidos. A Relatora corretamente afirmou que a divisão dos contratos de afretamento e de prestação de serviços seria um meio expressamente admitido pela legislação aduaneira brasileira para o cumprimento dos contratos de afretamento de plataformas, navios, navio sonda e embarcações especiais para o desempenho da atividade petrolífera, mas desde que tal contrato reflita a realidade da operação contratada. O modelo seria permitido, desde que refletisse a real operação, o que não ocorreu nos autos. A designação de uma empresa brasileira para a prestação de serviços ligada à contatada estrangeira, com as vinculações e confusões contratuais e financeiras identificadas pela autoridade fiscal, afasta a natureza autônoma da suposta subcontratação para prestação de serviços, e a validade tributária dos contratos distintos, configurando apenas uma operação de fato para fins tributários. Neste caso, o que de fato ocorreu foi uma única contratação da empresa estrangeira, que designou um preposto para a execução do serviço no País e para se habilitar no REPETRO. É importante lembrar, ainda, que a finalidade do REPETRO é a redução da carga tributária na importação dos bens utilizados na exploração do petróleo, e não a regulação da prestação de serviços vinculados. Destacase, também, que a interligação entre os contratos não é negada pela Recorrente. Entretanto, a autoridade fiscal demonstrou que os contratos não são apenas interligados, mas unos, conforme afirmação feita para todos os contratos analisados nos autos: “a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade [...] foi de fato fornecida por empresa do Grupo [...], mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; Fl. 31312DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.296 35 c) empresa do Grupo [...] foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo [...] forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração.” Questão semelhante acerca da repartição dos contratos também foi objeto de análise da RFB na Solução de Consulta nº 225/2014, curiosamente citada pela defesa como argumento justificador de sua conduta, que se revela imprópria para tal fim. A referida Solução de Consulta advertia, em suas conclusões, que a contratação entre partes relacionadas integrantes de um conglomerado poderia consubstanciar um planejamento tributário abusivo. Transcrevo excerto do referido ato: “[...] 13.No caso em tela, a consulente detém um contrato de construção de navio sonda com um estaleiro brasileiro. Finalizada a construção, o navio sonda será submetido ao procedimento de exportação ficta, ou seja, será exportado sem a efetiva saída do território brasileiro. 14. O centro da questão é a forma de contratação dos referido navios sonda para operação no Brasil, que será feito por meio de dois contratos distintos: (i) contrato de afretamento; e (ii) contrato de prestação de serviço. O primeiro contrato será efetuado entre a consulente, que é uma empresa domiciliada no exterior, e uma empresa brasileira da área de petróleo e gás. Já o contrato de prestação de serviços para operação do navio sonda será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo e gás e uma empresa operadora brasileira. 15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação. 17. No caso ora analisado, a consulente afirma que será responsável por fornecer o equipamento afretado enquanto uma outra empresa brasileira será a operadora do equipamento, sendo que as duas empresas são independentes e não pertencem ao mesmo grupo econômico. 18. Esse aspecto é importante porque a vinculação entre as empresas responsáveis pelo afretamento do equipamento e pela sua operação poderia configurar, quando associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e ausência de propósito negocial, um planejamento fiscal abusivo com a conseqüente descaracterização do negócio por parte do Fisco. [...]” Fl. 31313DF CARF MF 36 No caso referido na Solução de Consulta não havia a vinculação entre as partes, diferentemente do que ocorre no caso em análise cujos fatos comprovadamente apontaram a existência de apenas uma única contratação da empresa sediada no exterior, que foram formalmente desmembrados em dois contratos para usufruir dos benefícios fiscais do REPETRO e iludir o pagamento das contribuições, dentre outros benefícios. Portanto, pelas razões acima expostas, entendo que deve ser afastado o fundamento utilizado no voto da i. Relatora no sentido de que as normas do REPETRO legitimam o modelo de contrato adotado pela Recorrente: primeiro, pela inexistência de um ato legal que poderia legitimar as operações, mas apenas atos regulamentares da RFB que não teria poder para tanto, especialmente para legitimar a ilusão da incidência das contribuições, especialmente o aspecto material de sua hipótese de incidência; segundo, ainda que fosse permitido à RFB definir os modelos contratuais, se sobrepondo à hipótese de incidência das contribuições, a interpretação dada pela RFB não avaliza a operação em questão, visto que se trata de um único contrato executado pela contratante e por empresa designada por ela para promover a importação e prestar os serviços contratados. A legislação tributária não admite a bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços em tela. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Relativamente aos argumentos lançados pela Recorrente acerca da improcedência da incidência dos juros sobre a multa, aplicase o entendimento da Súmula CARF nº 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. DA CONCLUSÃO Considerando a ocorrência de simulação na repartição dos contratos, concluise que estão corretos o lançamento efetuado e a decisão recorrida, pela comprovação da unicidade contratual e constatação da existência de pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras como contrapartida de serviços prestados, sujeitos à incidência das contribuições. Dessa forma, a turma julgadora acordou em negar provimento ao recurso voluntário. É o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 31314DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.297 37 Fl. 31315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951718/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/07/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.274
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/07/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 17 18 /2 01 0- 31 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.951718/201031 Acórdão n.º 3302006.274 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16031.403, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.951718/201031 Acórdão n.º 3302006.274 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.951718/201031 Acórdão n.º 3302006.274 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903432/2013-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.549
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 32 /2 01 3- 77 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 52 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 42/45) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 31/36), proferida em sessão de 09 de junho de 2016, consubstanciada no Acórdão n.º 1153.282, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 11) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido 02/08/2013 (efl. 07), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 15325.69498.241208.1.3.042906 (efls. 02/06), transmitido em 24/12/2008, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCTF. ENTREGA APÓS PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE EFEITOS. A DCTF entregue após início de procedimento fiscal não produz efeitos sobre despacho decisório que não homologou ou homologou parcialmente a compensação declarada. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. CONDIÇÃO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratam os autos de análise eletrônica da Declaração de Compensação (Dcomp) n.º 15325.69498.241208.1.3.042906, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 53 3 cuja cópia está às fls. 2 a 6, por intermédio da qual o contribuinte compensou estimativa de Imposto sobre a Renda da Pessoa jurídica (IRPJ) referente novembro de 2008 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de mesmo tributo, relativo setembro de 2008, no montante original na data de transmissão de R$ 8.278,45, decorrente de Darf no valor de R$ 53.728,03, arrecadado em 31/10/2008. Consoante declarado, foi utilizada na compensação a parcela do crédito no valor de R$ 8.114,54, restando um saldo não utilizado de R$ 163,91. A análise efetuada resultou na emissão do Despacho Decisório com n.º de rastreamento 057789798, de 02/08/2013, às fls. 7, 9 e 10, que decidiu por não homologar a compensação declarada. Consoante fundamentação da decisão, o Darf foi integralmente alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inexistindo, pois, pagamento a maior que o devido. Cientificado da decisão por via postal em 12/08/2013 conforme cópia do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 8, em 27/08/2013 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade à fl. 11, instruída com os documentos às fls. 21 a 27, onde argumenta, em síntese, o que segue: Apurou IRPJ relativo ao mês de setembro de 2008 no valor de R$ 45.449,59 com base em balancete de suspensão, o que pode ser verificado em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), cópia anexa, e em sua DCTF retificadora, também anexada. Tendo sido recolhido valor maior que o devido, apresentou a Dcomp amparado no art. 2.º, I, § 8.º c/c o art. 41 da Instrução Normativa (IN) RFB n.º 1.300, de 2012. Em 04/06/2014 os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador BA para apreciação da manifestação de inconformidade, com pronunciamento da unidade preparadora pela sua tempestividade (fl. 29). Entretanto, tendo em vista o disposto na Portaria RFB n.º 453, de 2013, e no art. 2.º da Portaria RFB n.º 1.006, de 2013, em 13/05/2016 os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 30). O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 8.278,45, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do Data de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 54 4 DARF Arrecadação 30/09/2008 5993 R$ 53.728,03 31/10/2008 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 5161041661 R$ 53.728,03 DB: Cód. 5993 PA 30/09/2008 R$ 53.728,03 Valor Total R$ 53.728,03 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/08/2013 Principal: R$ 8.278,45 Multa: R$ 1.655,69 Juros: R$ 3.581,25 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a decisão quanto a parte não reconhecida do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação até referido montante, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Consoante cópia do recibo de entrega da DCTF retificadora anexado pelo contribuinte, esta foi entregue em 23/08/2013, após a ciência do despacho decisório, quando não estava mais amparado pela espontaneidade. A retificadora, embora válida, não produz efeitos no que se refere ao tributo objeto da compensação, e, por conseguinte não serve como prova da existência do crédito de pagamento indevido ou a maior. Esse entendimento está amparado no disposto no § 1.º do art. 7.º do Decreto n.º 70.235, de 1972, e no § 2.º do art. 9.º da Instrução Normativa (IN) RFB n.º 1.110, de 2010 (vigente à época da retificação): Decreto n.º 70.235/72 Art. 7.º (...) § 1.º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. IN RFB n.º 1.110/2010 Art. 9.º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2.º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 55 5 inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nesse sentido, ainda, a Súmula n.º 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que, embora trate de lançamento de ofício, é aplicável também ao despacho decisório relativo à compensação pois ambos decorrem de procedimento fiscal: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assim, a princípio, para fins de análise da Dcomp objeto dos autos, devese considerar a informação contida na declaração original (que produziu efeitos), entregue tempestivamente, cujo débito confessado corresponde exatamente ao montante recolhido pelo contribuinte conforme tela de consulta abaixo copiada. Em vista disso, concluise que o Darf indicado na Dcomp foi integralmente absorvido, o que está em consonância com a decisão proferida pela autoridade administrativa. Não obstante isso, é devido ressaltar o disposto no § 3.º do art. 9.º da IN RFB n.º 1.599, de 2015, que autoriza a retificação de ofício da DCTF atendidas as seguintes condições: (i) prova inequívoca de erro de fato no preenchimento da declaração, e (ii) que esta retificação ocorra enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente à declaração: § 3.º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Ou seja, conforme a norma acima, mesmo sendo não espontânea a DCTF retificadora entregue, em ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração original, e não estando decaído o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador objeto dos autos, há a possibilidade de sua retificação de ofício. Na hipótese de estar extinto o direito da Fazenda Pública, como no presente caso, há ainda o recurso final de se pedir restituição (ou compensação) do valor pago, desde que seja comprovado o erro de fato no preenchimento dessa declaração. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 56 6 Este entendimento consta do Parecer Normativo Cosit n.º 8, de 2014, cuja parte de interesse transcrevo a seguir: 45. Da mesma forma que a revisão de ofício, a retificação de ofício pode ser feita a qualquer tempo, para crédito tributário não extinto e indevido. Para os casos em que o crédito tributário já se encontre extinto, “deve ser observado, nesse caso, o art. 168 do CTN, que condiciona a correção do erro praticado e a devolução do valor recolhido indevidamente aos cofres públicos à apresentação pelo contribuinte de pedido de restituição antes de transcorrido o prazo fixado no referido dispositivo legal” (Parecer Cosit n.º 38, de 2003). Uma vez que o contribuinte transmitiu Dcomp, há que se considerar que a apreciação da compensação efetuada deve levar em conta o valor correto do débito se restar comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF original que serviu de base para a análise efetuada pelo despacho decisório. Na espécie, a DIPJ foi a única prova carreada aos autos passível de demonstrar a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF. É devido esclarecer, todavia, que, diferentemente da antiga declaração de rendimentos da pessoa jurídica (DIRPJ), cujos saldos a pagar dos tributos apurados representavam confissão de dívida nos termos do art. 1.º da IN SRF n.º 77, de 1998, a declaração que a substituiu, atual DIPJ, possui apenas valor informativo, haja vista nova redação dada pela IN SRF n.º 14, de 2000. Instrução Normativa SRF n.º 077, de 24 de julho de 1998 “Art. 1.º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.(g.n.) (...)” Instrução Normativa SRF n.º 014, de 2000 “Art. 1.º O art. 1.º da Instrução Normativa SRF n.º 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 1.º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.’ (g.n.) (...)” Nesse sentido a Súmula n.º 92 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Em vista disso, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 57 7 contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, se for o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. Frisese, adicionalmente, que, mesmo que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, há que se considerar que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação da estimativa nele declarada. O crédito pretendido é inexistente. Uma vez que somente é passível de compensação crédito líquido e certo, condições que não presentes no caso, resta considerar indevida a compensação realizada por descumprimento do disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte se limitou a reiterar os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade e justificar a retificação da DCTF. Sustenta que a controvérsia restringese a possibilidade de comprovar o crédito pleiteado através de outros elementos que demonstrem a existência de erro de fato no preenchimento da DCTF retificada e corroborem as informações lançadas na DIPJ. Juntou SPED Contábil do exercício, Demonstração de resultado do exercício (DRE) e Balanço Patrimonial, todos referentes ao período em curso. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 58 8 Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 8.278,45. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 15/06/2016, efls. 38/40, protocolo recursal em 15/07/2016, e fls. 41/42), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 59 9 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior, bem como confessando débito próprio, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção da obrigação por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que o DARF que corroboraria o indébito estava completamente alocado, não restando saldo a ser aproveitado. O débito cujo DARF teria dado baixa, estando extinto, estaria lastreado e confessado em DCTF. O contribuinte, por sua vez, retificou a DCTF, reduzindo o débito, de modo a gerar, inclusive, crédito. Entretanto, sob o argumento de falta de comprovação do motivo da retificação, a DRJ não acolheu a tese de defesa, desconsiderando a retificação. Afirmou que apenas a DCTF retificada e a DIPJ, desprovida de documentos, não demonstrariam a certeza e liquidez do crédito. No recurso voluntário, o contribuinte reforça a justificativa da retificação da DCTF e apresenta documentos (efls. 46/48), os quais dariam substância a retificação, justificandoa, o que daria ensejo a reforma da decisão de primeira instância, especialmente colaciona SPED Contábil do exercício, Demonstração de resultado do exercício (DRE) e Balanço Patrimonial, todos referentes ao período da contenda. Pois bem. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição, aliás, em regra, a análise do crédito é o objeto da lide, da análise da inconformidade; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte aponta em confissão e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, não reconhecendo a existência de crédito líquido e certo, não reconhecendo o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, não tinha como ser aferido, deixando de se apresentar de forma líquida e certa, pois a obrigação acessória não havia sido cumprida e cuidandose de sistema eletrônico a confrontação da liquidez e certeza passaria pelos cruzamentos de dados armazenados digitalmente. Desta feita, o contribuinte retificou a declaração de modo que ao reduzir eletronicamente o débito faria exsurgir o crédito, no entanto não apresentou documentação comprobatória para tal redução. Por sua vez, de toda sorte, a DRJ bem analisou toda a contenda, ocasião em que destacou a inexistência de provas eficazes para comprovar e justificar a retificação efetivada após a prolação do despacho decisório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 60 10 No recurso voluntário, ocasião em que, pela verdade material, o contribuinte poderia apresentar provas da verossimilhança de suas alegações, ou melhor dizendo, da verossimilhança do erro de fato que justificaria a retificação que realizou, o que validaria a surgência eletrônica do crédito, o contribuinte apenas juntou os documentos de efls. 46/48, que não atestam a liquidez do crédito vindicado. Os documentos colacionados, especialmente o Balanço Patrimonial, a Demonstração de resultado do exercício (DRE) e o recibo de entrega do livro digital do SPED, não comprovam, sequer por verossimilhança, o suposto erro de fato apto a validar a retificação eletrônica posterior ao despacho decisório. Aliás, o balancete de suspensão, que foi citado na defesa, sendo peça probatória importante para a tese da recorrida, não foi apresentado, sequer resta comprovado que existe, que foi levantado e que foi escriturado a tempo e modo. Não há provas de que o cálculo do lucro no mês relativo ao crédito foi efetivado de modo incorreto a gerar o crédito. Não se observa liquidez e certeza. Não há provas quanto aos registros contábeis que confirmariam a apuração do Imposto de REnda (IR) no mês relativo ao crédito vindicado, incluindo as contas que subsidiam a elaboração do balancete de suspensão. Observese, aliás, que na análise do balanço patrimonial anexado aos autos inexiste sequer uma conta contábil de recuperação de tributos, ou de crédito fiscal a recuperar. A DRE, por outro lado, nada apresenta de concreto para atestar certeza e liquidez ao crédito vindicado e o recibo de entrega do livro digital do SPED nada traz para clareza destes autos e solução da lide, sendo a análise deste caderno processual limitada as provas nele carreadas pelo contribuinte, a quem coube a produção probatória. Inexiste nos autos qualquer demonstrativo que possa ser correlacionado aos lançamentos contábeis de interesse para a análise. Não há no processo os registros mensais referentes ao IR a pagar/recuperar, tudo a corroborar pela inexistência de liquidez e certeza quanto ao crédito, exigindo a lei a presença destes requisitos para outorga de eventual crédito. O crédito, se existisse, teria que ser líquido e certo, não tendo qualquer caráter de controvérsia. Logo, não há crédito líquido e certo comprovado, então assiste razão ao indeferimento da compensação, eis que não se reconhece o direito creditório, não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Não existe erro in procedendo ou erro in iudicando no julgamento de primeira instância, de modo que não se pode falar em reforma do julgado. Importante frisar que o julgamento destes autos se limita ao controle de legalidade do ato administrativo de não homologação da compensação por inexistência do direito creditório. Por conseguinte, como não ocorreu erro de julgamento, tampouco erro de procedimento, inexiste reforma a ser efetivada no acórdão vergastado. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação por não reconhecer o crédito, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de supostos erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos e não comprovado o crédito. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10580.903432/201377 Acórdão n.º 1002000.549 S1C0T2 Fl. 61 11 devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.007574/2003-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 1999
SISTEMA NÃO PERMITE A TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. NÃO CABIMENTO.
A recorrente apresenta provas de que o sistema da Receita Federal impediu a entrega da DCTF no período em que o CNPJ havia sido cancelado pela administração, sendo indevida, portanto, a cobrança da multa pela apresentação após o prazo regulamentar.
Numero da decisão: 1001-000.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1999 SISTEMA NÃO PERMITE A TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. NÃO CABIMENTO. A recorrente apresenta provas de que o sistema da Receita Federal impediu a entrega da DCTF no período em que o CNPJ havia sido cancelado pela administração, sendo indevida, portanto, a cobrança da multa pela apresentação após o prazo regulamentar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 62 1 61 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.007574/200326 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.980 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de dezembro de 2018 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA Recorrente ADMINISTRADORA ESTEVES S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 1999 SISTEMA NÃO PERMITE A TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. NÃO CABIMENTO. A recorrente apresenta provas de que o sistema da Receita Federal impediu a entrega da DCTF no período em que o CNPJ havia sido cancelado pela administração, sendo indevida, portanto, a cobrança da multa pela apresentação após o prazo regulamentar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 75 74 /2 00 3- 26 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13807.007574/200326 Acórdão n.º 1001000.980 S1C0T1 Fl. 63 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo (SP), mediante o Acórdão nº 4513, de 11/12/2003 (efls. 25/27), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Em decorrência da entrega intempestiva das DCTFs, a contribuinte foi autuada conforme o Auto de Infração (fls.03), com a exigência de Multa Por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF 1999, do 1° ao 3° trimestre, no montante total de R$ 1.500,00. 2. Tomando ciência deste feito em 28/07/2003 (AR de fls.10), apresenta, em 19/08/2003 a impugnação que foi encartada às fls. 01, alegando em sua defesa o seguinte: 2.1 que as multas cobradas referese a um período em que a própria Receita Federal efetuou o cancelamento da inscrição no CNPJ e, de forma equivocada, pois não houve requerimento específico para tal evento, tendo a empresa mantida suas atividades normalmente até a presente data; 2.2 que em conformidade com o demonstrativo de informações para apoio à emissão de certidão negativa de débitos, emitida pela agência da Receita Federal em 30/03/1998, a mesma encontravase impossibilitada de entregar as declarações DCTF no período, geradoras das cobranças de multas constantes do mencionado Auto de Infração, tendo efetivado tal procedimento imediatamente após o pedido de restabelecimento de sua inscrição no CNPJ; 2.3 Finaliza a impugnação argüindo que fica claro que a empresa só deixou de efetivar suas obrigações fiscais por falha da própria Receita Federal. O r. acórdão conclui pela improcedência da impugnação apresentada, cujo voto condutor transcrevo a seguir, verbis: (grifo não consta do original) (...) 5. Não obstante a alegada baixa e/ou cancelamento do CNPJ, efetivada indevidamente por iniciativa da Receita Federal, a interessada não estava impedida de proceder a entrega de quaisquer Declarações, tanto é verdade que as Declarações DIRPJ/DIPJ, conforme extratos das pesquisas do Sistema IRPJ encartadas às fls. 13 e seguintes, confirmam que a empresa procedeu normalmente a entrega das mesmas (Declarações do IRPJ), via “intemet”, inclusive as relativas ao período em que o CNPJ havia sido cancelado, o que comprova que o sistema não inibia a entrega das DCTFs. 6. De todo o exposto, tendo em vista que a empresa procedeu a entrega das DCTF do 1° ao 3° trimestres de 99, fora do prazo, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE o lançamento. Ciente da decisão de primeira instância em 27/08/2007, conforme Aviso de Recebimento à efl. 29, a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/09/2007, conforme carimbo de recepção à efl. 32. É o Relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13807.007574/200326 Acórdão n.º 1001000.980 S1C0T1 Fl. 64 3 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto (efl. 32), a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância e anexa cópias das informação do sistema "DCTF Relatório de Erros na recepção" da DCTF do 1º e 2º trimestre de 1999 (efls. 45/46). Alega, ainda, que conforme a "SOLICITAÇÃO DE COMPARECIMENTO (anexada à fl. ) onde consta IRREGULARIDADE com o no. do CNPJ que foi constado como CANCELADO, após a regularização por falha da receita federal não havendo MULTA por atraso de entrega da DIRF ano 1998 com isso a empresa não foi penalizada". Conforme voto condutor do acórdão recorrido, a Câmara baixa fundamenta sua decisão no fato de que a interessada não estava impedida de proceder a entrega de quaisquer Declarações e cita como exemplo as Declarações DIRPJ/DIPJ que foram entregues no período em que o CNPJ havia sido cancelado. Vejo que a fundamentação da Câmara baixa de que a transmissão da DCTF não estava impedida no período é jogada por terra com as provas apresentadas pela recorrente, pois os relatórios de erros na recepção da DCTF, do 1º e 2º trimestre de 1999 (efls. 45/46), apontam o seguinte erro: "01 Número de Inscrição 51.604.320/000191 foi cancelado no CNPJ em 17/01/1998". Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelandose as multas impostas mediante o Auto de Infração à efl. 3. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955445/2008-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS MENSAIS. MUDANÇA NO REGIME DE APURAÇÃO ANTES DE EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. ORIGEM DO DIREITO CREDITÓRIO.
Alteração no regime de apuração de estimativa mensal, de receita bruta, para balanço/balancete de suspensão, que deu origem a pagamento maior ou indevido, sendo devidamente lastreado por documentos hábeis, mostra-se suficiente para demonstrar liquidez e certeza de direito creditório, se efetuada antes da emissão de despacho decisório de reconhecimento de direito creditório.
Numero da decisão: 9101-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso especial, apenas em relação à possibilidade de modificação do método de apuração da CSLL - Estimativa Mensal na geração do indébito passível de restituição/compensação e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator designado
Participaram do presente julgamento os André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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INDÉBITO DE ESTIMATIVAS Recorrente DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ESTIMATIVAS MENSAIS. MUDANÇA NO REGIME DE APURAÇÃO ANTES DE EMISSÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. ORIGEM DO DIREITO CREDITÓRIO. Alteração no regime de apuração de estimativa mensal, de receita bruta, para balanço/balancete de suspensão, que deu origem a pagamento maior ou indevido, sendo devidamente lastreado por documentos hábeis, mostrase suficiente para demonstrar liquidez e certeza de direito creditório, se efetuada antes da emissão de despacho decisório de reconhecimento de direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso especial, apenas em relação à possibilidade de modificação do método de apuração da CSLL Estimativa Mensal na geração do indébito passível de restituição/compensação e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andre Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 54 45 /2 00 8- 80 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 408 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator designado Participaram do presente julgamento os André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA., recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 162/182, contra o Acórdão nº 1801002.227, proferido pela então Primeira Turma Especial da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 3/2/2015, pelo qual a turma, por maioria de votos, negou provimento ao seu Recurso Voluntário, de forma que não foi reconhecido o direito creditório e não foram homologadas as compensações a ele vinculadas (efls. 128/135). Por esclarecer bem os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido: De acordo com o relato da Turma Julgadora de 1a. Instância em face do PER/DCOMP de fls. 06/10, transmitido pela contribuinte em 29/09/2004, que indicava como crédito o pagamento indevido e/ou a maior de CSLL no montante de R$ 839.593,14, a DERAT proferiu o Despacho Decisório de fl. 01 , pelo qual não homologou a compensação declarada, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP teria sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada alegou, a empresa, que efetuou o pagamento de R$ 839.593,14, em 30/07/2004, a título de estimativa mensal de CSLL, mas que tal pagamento teria sido efetuado em valor maior que o devido em função da incorporação que ocorreu em 01/07/2004 (doc. 03) e, assim, nesse período nenhum valor teria sido devido a título de estimativa, conforme demonstrariam a DIPJ, o LALUR e a DCTF retificada em 10/12/2008 (doc. 04). A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito ao argumento de que a DCTF constituiria confissão de dívida dos débitos nela declarados. Assinalou que a DCTF retificadora entregue após o início de qualquer procedimento fiscal não produz qualquer efeito, e que, no presente caso, a retificadora somente foi apresentada após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação. Cientificada da decisão, em 11/01/2011 (AR efl. 67), apresentou a interessada, em 10/02/2012, recurso voluntário. Em suas Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 409 3 razões aduz que teria apurado originalmente a CSLL devida por estimativa no mês de junho de 2004, com base na receita bruta. Porém, anos mais tarde, ao revisar seu procedimento, realizou nova apuração da estimativa de CSLL do mês de junho/2004 com base em balanço/balancete de suspensão. Afirma não haver efeito de confissão de dívida nos débitos declarados em PERDCOMP e que os tribunais admitiriam a retratação de confissão de débitos. Assinala ser possível a retificação da DCTF após o início do procedimento fiscal quando se verifica erro de fato no preenchimento do documento retificado. No mesmo sentido seria o dever da Administração de buscar a verdade material em detrimento de formalidades. Pugna pela realização de diligência para comprovação da inexistência de imposto a pagar. Ao final pede pelo acolhimento do recurso. [...] No acórdão nº 1801002.227 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. MUDANÇA NA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VEDAÇÃO. A possibilidade de compensações de indébitos de estimativa tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da antecipação, não se encontrando abarcada na hipótese do “erro”, a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca que votou por converter o julgamento na realização de diligências. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 410 4 Inconformada, a interessada apresentou Recurso Especial (efls. 162/182) apontando divergência jurisprudencial em relação aos seguintes temas: 1) aplicação da Súmula CARF nº 84, indicando como paradigma o Acórdão nº 1802002.043; e 2) possibilidade de modificação do método de apuração da CSLL Estimativa Mensal na geração do indébito passível de restituição/compensação, indicando como paradigma o Acórdão nº 120100.405. Em suas razões recursais, a interessada, inicialmente, afirma que, apesar de o acórdão recorrido ter consignado em contrário, seria aplicável ao caso a Súmula CARF nº 84. Explica que em junho de 2004 apurou estimativa mensal de CSLL e efetuou o recolhimento por DARF. Mas, após incorporação realizada em 1/7/2004, verificou, através de balanço, que os valores recolhidos de estimativa de CSLL calculada com base na receita bruta nos meses de janeiro a maio já haviam ultrapassado o montante devido no anocalendário e optou por apurar o mês de junho com base em balanço/balancete de suspensão. Assim, o montante já recolhido de estimativa de CSLL de junho seria indevido. Assim, o valor recolhido e solicitado não foi levado ao ajuste anual e, portanto, não teria sido aproveitado em duplicidade. Afirma que não haveria norma proibindo a mudança de opção pela forma de apuração das estimativas e que o próprio acórdão recorrido teria admitido a compensação de estimativas, de forma que o caso se enquadraria perfeitamente na inteligência da Súmula CARF nº 84. Admite ter cometido erro no preenchimento da DCTF e esta a razão de sua retificação, para excluir a CSLL devida para o mês de junho, pois, conforme os balancetes, não havia base imponível para esse período. A não admissão da retificação da DCTF caracterizaria enriquecimento ilícito do Fisco, a respeito do qual discorre em extenso arrazoado. Pede ao final pelo conhecimento e provimento integral do recurso para que seja reconhecido o crédito pleiteado e homologada a compensação declarada. O Recurso Especial interposto foi admitido, conforme despacho de efls. 243/248. Cientificada, a PFN apresentou contrarrazões (efls. 250/256) em que, preliminarmente, aponta que o recurso não poderia ser admitido porque as situações fáticas tratadas no acórdão recorrido e nos paradigmas seriam distintas, o que impediria a caracterização de divergência jurisprudencial. No mérito, após referirse a trecho do voto proferido no acórdão recorrido, acrescenta que eventual conhecimento do recurso contribuiria para prejudicar a estabilização da contabilidade das empresas, que tomariam como exemplo "o expediente utilizado pela Contribuinte Recorrente, a qual, passados mais de 4 (quatro) anos da declaração em DCTF, modificou a forma de apuração da estimativa de CSLL e passou a calculála com base em balanço/balancete de suspensão, quando antes havia calculado com base na receita bruta". Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 411 5 Como pleito final requer o não conhecimento do Recurso ou, caso conhecido, sejalhe negado provimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora. O recurso especial do contribuinte foi admitido pelo despacho de admissibilidade de efls.243/248. Contudo, a PFN apresenta, em contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido por falta de caracterização de divergência no cotejo entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, pelo que passo a apreciar a sua admissibilidade. Para o primeiro tema aplicação da Súmula CARF nº 84 a PFN sustenta que as situações fáticas apreciadas por ambos seriam distintas. Pondera que, no acórdão recorrido, a Súmula CARF nº 84 foi apreciada, mas sua aplicação ao caso foi afastada pelo colegiado por entender que os fatos não se subsumiriam à inteligência da referida súmula à vista da existência de uma peculiaridade que não foi observada no paradigma, o que levou o colegiado que o proferiu a aplicála diretamente com base nas provas dos autos. Com efeito, o voto proferido no acórdão recorrido deixa claro que a Súmula CARF nº 84 permite a compensação de indébitos de estimativa, quando ocorre erro de apuração que implica no pagamento a maior ou indevido. Contudo, ponderou que o entendimento jurisprudencial que deu origem à súmula concretizouse no sentido de que o erro de apuração que dá origem a referidos indébitos não inclui a hipótese de mudança de forma de apuração de estimativa, ou seja, de estimativa apurada com base na receita bruta e acréscimos para estimativa apurada com base em balanço/balancete de suspensão. Observese: [...] Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já firmou entendimento no sentido de que é possível haver indébitos em recolhimentos por estimativa, desde que o sujeito passivo demonstre o erro no recolhimento, como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Contudo, os acórdãos paradigmas que deram origem ao entendimento consolidado neste órgão de julgamento, sintetizado na Súmula CARF n º 84, acima reproduzida, deixam claro que o mencionado “erro” no recolhimento da estimativa não admite a hipótese de mudança na opção inicialmente adotada para apuração e pagamento da estimativa – se com base na receita bruta ou em balanço/balancete de suspensão. À propósito, transcrevo parte do voto por mim proferido no acórdão n º 180100.524, em julgamento realizado em 29/03/2011, de caso envolvendo Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 412 6 compensação de estimativa, acompanhado por unanimidade pelos demais conselheiros desta 1ª Turma Especial da 3ª Câmara/ 1ª. Seção do CARF: [...] Por outro lado, se o contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. [...] Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. (*) Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. (g.n.) [...] O paradigma indicado para a matéria Acórdão nº 1802002.043 trouxe a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DA CSLL. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 413 7 Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração da CSLL a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título da CSLL desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido. Vejase que o paradigma também apreciou caso em que o contribuinte apresentou PER/DCOMP indicando como direito creditório estimativa de CSLL recolhida indevidamente, como se observa do seguinte trecho do voto: [...] que, embora tendo efetuado o pagamento da CSLL Estimativa Mensal no montante de R$ 729.466,29 do período de apuração julho 2005, constatou, posteriormente, que não havia CSLL a pagar nesse período, pois, na Ficha 17 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa, mediante Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução, apurou resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que no encerramento do anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); [...] (destaques do original) Contudo, no voto proferido no paradigma, fica claro que no caso apreciado não houve mudança de forma de apuração da estimativa indicada como direito creditório, mas verdadeiro recolhimento indevido. Notase que no caso do paradigma, a pessoa jurídica desde o início do ano calendário apurou as estimativas com base em balanço/balancete de suspensão/redução e que no mês de julho não haveria base positiva de CSLL, mas sim negativa. Contudo, efetuou um recolhimento de estimativa de CSLL do mês de julho, indevidamente. Naquele caso, a DIPJ apresentada e o Livro Diário (no qual constaram as transcrições dos balanços/balancetes), comprovaram que em julho não haveria estimativa de CSLL devida. E tudo isso foi apurado em diligência solicitada pela turma de julgamento do CARF, cuja conclusão constou de relatório em que restou comprovada a certeza e liquidez do crédito. Vêse, então, que tem razão a PFN quando afirma que houve uma peculiaridade no caso apreciado pelo acórdão recorrido que levou o colegiado a não aplicar a Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 414 8 Súmula CARF nº 84. E essa peculiaridade é o fato de que o indébito de estimativa de CSLL teve por origem a mudança na forma de apuração da própria estimativa no curso do ano calendário com base na receita bruta e acréscimos para com base em balanço/balancete de suspensão/redução, situação essa não encontrada no paradigma, o que demonstra que não há similaridade entre os casos. Assim, tratandose de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim as diferentes situações fáticas retratadas em cada um dos julgados. Assim, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte com base neste paradigma. A Fazenda Nacional contesta, ainda, o conhecimento do recurso especial no tocante à segunda matéria apontada como divergente. No tocante ao segundo tema a possibilidade de modificação do método de apuração da CSLL Estimativa Mensal na geração do indébito passível de restituição/compensação, a recorrente indicou como paradigma o Acórdão nº 120100.405, que veiculou a ementa abaixo: Acórdão nº 120100.405 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. O pagamento da estimativa mensal da CSLL realizado em montante superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos é passível de compensação mesmo antes de encerado o período de apuração anual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO. MOMENTO. Inexistindo, na data da transmissão da DCOMP, norma que proíba a compensação da estimativa de CSLL paga a maior antes de encerado o período de apuração anual, não há razão para exigirse que o indébito integre o saldo da contribuição a pagar ou a restituir calculado ao final do ano. Este paradigma também apreciou caso em que o sujeito passivo indicou para compensação débito de estimativa de CSLL, oferecendo como direito creditório valor correspondente a recolhimento a maior de estimativa. O órgão de origem intimou o sujeito passivo a esclarecer o motivo do erro na apuração da estimativa utilizada como indébito, já que a CSLL apurada e demonstrada na Ficha 17 da DIPJ/2004 correspondia exatamente ao valor total recolhido por estimativa: R$ 26.373.186,52. Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 415 9 Depois de atendidas as intimações, apurouse que o sujeito passivo pagou R$ 2.309.671,02 relativos à CSLL devida por estimativa no mês de fevereiro de 2003, porém considerou que R$ 1.026.644,78 seriam maiores que o devido e declarou que os utilizou para compensar parte da CSLL obtida no ajuste anual daquele mesmo anocalendário. O montante de R$ 2.309.671,02 havia sido declarado na DCTF original e somente após o encerramento do exercício é que houve sua retificação (fl. 68) a fim de reduzilo para R$ 1.283.026,24, mesmo valor informado na DIPJ/2004, de forma a gerar o recolhimento indevido. Observou que, na DIPJ/2004, foi inserida a estimativa do mês de fevereiro calculada com base na receita bruta, mas no balancete registrado no Livro Diário, o valor da CSLL seria de R$ 2.309.671,02, demonstrando, assim que houve mudança na forma de apuração da estimativa que inicialmente havia sido feito a partir de balancetes e depois com base na receita bruta, motivo que levou ao indeferimento do pleito pela unidade de origem. O colegiado que proferiu o paradigma considerou que o sujeito passivo tem direito ao aproveitamento de indébito a título de estimativa, ainda que ele seja gerado por mudança na forma de apuração. Notese: No caso sob exame a ora recorrente, optante pelo lucro real anual, levantou balancete mensal e pagou a CSLL devida com base no lucro líquido do período em curso, ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação da contribuição. Posteriormente, percebeu que o montante da CSLL assim calculado e pago era superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos. Assim, em face de tudo o que foi visto acima, e por força do disposto no art. 165 do CTN, combinado com o art. 74, caput, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, concluise que a contribuinte tem direito a compensar a CSLL por estimativa paga a maior. Em síntese, no paradigma o colegiado decidiu que, por força do disposto no art. 165 do CTN, combinado com o art. 74, caput, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, a contribuinte teria o direito a compensar a CSLL por estimativa paga a maior. Em que pese essa decisão paradigma ter sido objeto de recurso especial do procurador, o Acórdão nº 9101002.648, julgado na sessão de 16 de março de 2017, negou provimento ao recurso, mantendo a decisão recorrida. De outro lado, no acórdão ora objeto de recurso restou consignado: No presente caso a defesa admite que no ano de 2004, calculou, apurou e declarou em DCTF, a estimativa de CSLL do mês de junho, com base na receita bruta. Posteriormente, em 2008, passados mais de 4 (quatro) anos daquele fato, modificou a forma de apuração da estimativa de CSLL do mês junho de 2004, desta feita calculada com base em balanço/balancete de suspensão, e, assim, pretende obter, além da validação dessa mudança na forma de apuração da estimativa, o reconhecimento de um suposto indébito a seu favor Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 416 10 gerado, unicamente, em função dessa modificação, para utilizá lo em compensação com outros débitos. Tal procedimento, como consignado, não é admitido para o fim que pretende a recorrente. Como se denota, a única distinção fática diz respeito ao momento de entrega da DCTF retificadora, o que não invalida a demonstração da divergência jurisprudencial entre as decisões comparadas no tocante à matéria recorrida, devendo ser conhecido o recurso especial do contribuinte. Mérito Para fins de análise do mérito, considerando as peculiaridades do caso, cumpre transcrever o trecho da decisão ora recorrida que manteve os fundamentos da decisão de primeira instância que, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, assim consignou: O DARF indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, no valor de R$ 839.593,14, corresponde exatamente ao débito confessado em DCTF (fl. 61), não se tratando, portanto, de pagamento indevido de CSLL. Destaquese que a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN S R F n° 126/98 constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5º , § 1º , do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". Cumpre observar, ainda, que a D C T F retificadora que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições entregue após o início de qualquer procedimento fiscal, como no presente caso (a D C T F retificadora foi entregue em 10/12/2008, fl. 57, após a ciência do Despacho Decisório), não produz efeitos, nos termos do artigo 11, § 2º , inciso III, da IN RFB n° 786/2007, in verbis: [...] Com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituilo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso. A contribuinte limitase a apresentar cópia da DIPJ e do LALUR (relativo ao IRPJ, e não ao objeto da lide que é a CSLL), demonstrativos estes elaborados pela própria empresa, os quais, desacompanhados de documentos comprobatórios dos valores ali indicados, não têm o condão de desconstituir a confissão do débito em DCTF. Destaquese que, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, desde que os fatos nela Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 417 11 registrados estejam comprovados por documentos hábeis, o que não é o caso. Observese, ainda, que, nos termos do §4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade. Notese que a estimativa de CSLL de junho de 2004 foi pontualmente apurada, recolhida por DARF no prazo de seu vencimento e no exato valor apurado, e esse DARF foi vinculado ao valor devido declarado tempestivamente em DCTF, no exato montante em que apurado e pago. A entrega da DCTF retificadora ocorreu somente em 2008, ou seja, após a ciência do despacho que não homologou a compensação, pelo que deve ser desconsiderada por não produzir efeitos. Ademais, inexiste nos autos prova de ter havido erro no cálculo ou no montante recolhido da referida estimativa. No caso dos autos, o que ocorreu foi uma mudança de critério de apuração após o encerramento do exercício de 2004. Como bem observado pelo acórdão recorrido: No presente caso a defesa admite que no ano de 2004, calculou, apurou e declarou em DCTF, a estimativa de CSLL do mês de junho, com base na receita bruta. Posteriormente, em 2008, passados mais de 4 (quatro) anos daquele fato, modificou a forma de apuração da estimativa de CSLL do mês junho de 2004, desta feita calculada com base em balanço/balancete de suspensão, e, assim, pretende obter, além da validação dessa mudança na forma de apuração da estimativa, o reconhecimento de um suposto indébito a seu favor gerado, unicamente, em função dessa modificação, para utilizálo em compensação com outros débitos. Tal procedimento, como consignado, não é admitido para o fim que pretende a recorrente. Dos autos, verificase que a DIPJ referente ao anocalendário 2004 foi retificada em 21/11/2006, registrando o evento de incorporação na data de 01/07/2004 (cópia às fls. 122 do vol.1), enquanto a DCTF retificadora correlata foi entregue somente em 10/12/2008 (cópia às fls.57 do vol.1). Todavia, a pretensão da recorrente encontra óbice no ordenamento jurídico pátrio. Consoante o disposto no art. 220 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, a apuração do tributo devido com base no lucro real ocorre nos trimestres civis do ano calendário, mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro. Tal regra se aplica por extensão para fins de apuração e pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). Dentro dessa sistemática, facultase à pessoa jurídica a opção pela apuração anual, impondolhe o dever de efetuar apurações mensais a partir de uma base de cálculo estimada sobre a receita bruta auferida mensalmente, nos termos dos arts. 222 e 223 do RIR/99. Após o exercício dessa opção pelo pagamento do tributo correspondente ao mês de janeiro de cada anocalendário ou do início de suas atividades, prevê o art. 230 do mesmo regulamento Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 418 12 que a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do respectivo anocalendário. Ora, disso resulta evidente que, em se tratando da apuração pela sistemática das estimativas mensais, é possível a mudança do procedimento de apuração do tributo ou contribuição, de receita bruta para balanços/balancetes mensais, desde que realizada dentro do mesmo anocalendário, como se extrai do art. 230 do RIR/99, ao se referir ao "período em curso": Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 1º): I deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 2º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 3º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 4º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). Como se vê, no caso concreto, o que a recorrente pretende foge ao escopo dos referidos dispositivos que regem a apuração da CSLL por extensão. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 419 13 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso especial do contribuinte, apenas em relação à possibilidade de modificação do método de apuração da CSLL Estimativa Mensal na geração do indébito passível de restituição/compensação e, no mérito, na parte conhecida, voto por NEGAR provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante o substancioso voto da i. Relatora, venho apresentar minha divergência em relação ao mérito. Passo ao exame. Cumpre registrar que a legislação vigente à época do aproveitamento do direito creditório permitia o aproveitamento de estimativas mensais, pagas indevidamente ou a maior, na condição de direito creditório para fins de compensação. Transcrevo excerto do recurso especial da Contribuinte, que ilustra de forma didática a situação posta para julgamento. 2. Em Setembro de 2004, a RECORRENTE transmitiu a DCOMP n^ 17343.12874.290904.1.3.042152 objetivando compensar o débito de IRPJ (Código 2362) de Agosto de 2004 no importe de R$ 858.817,78, com crédito decorrente de pagamento indevido de CSLL (Código 2484), relativo à estimativa mensal de Junho de 2004. 3. Referido crédito de CSLL é decorrente de pagamento indevido, uma vez que NÃO HOUVE BASE IMPONÍVEL da CSLL mensal por estimativa com base em balancete de suspensão para o mês de Junho de 2004. 4. Ocorre, porém, que por um lapso, a RECORRENTE deixou de retificar a DCTF correlata (2º trimestre de 2004), tendo o sistema da RFB alocado o referido pagamento indevido ao suposto débito declarado. (...) 6. A RECORRENTE apresentou a competente Manifestação de Inconformidade e juntou, além da DiPJ e outros documentos comprobatórios do direito ao crédito pleiteado, a DCTF Retificadora que excluiu a equivocada informação acerca da Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 420 14 existência de débito de estimativa mensal de CSLL para o mês Junho de 2004. (...) 22. A RECORRENTE apura a CSLL pelo lucro real e, nos termos do artigo 25 da Lei nº 9.430/96, realiza os pagamentos mensais das estimativas que podem ser apuradas com base na receita bruta ou com base em balancete de suspensão/redução. 23. Em Junho de 2004, a RECORRENTE apurou a estimativa mensal, procedendo com o seu recolhimento (pagamento de DARF) e declaração na DCTF do período. 24. Dias depois, e por conta da incorporação da empresa CNPJ 61.416.129/000170 realizada em 01/07/2004, a RECORRENTE verificou através de seus balancetes/balanços que o valor recolhido a título de estimativa mensal nos meses de Janeiro a Maio já havia ultrapassado o montante devido de CSLL do ano calendário e optou, nos termos do artigo 35, da Lei nº 8.981/952, em apurar o mês de Junho de 2004 a CSLL com base no balanço/balancete de suspensão, consoante se denota da Ficha 16 e 17 da DIPJ. 25. Ou seja, a RECORRENTE já havia recolhido antecipadamente o montante de R$ 5.205.684,47, sendo que somente era devido o valor de R$ 4.109.009,43 de CSLL, gerando, já em Junho de 2004, a base de cálculo negativa de CSLL no montante de R$ 1.096.675,04, motivo pelo qual, em Junho de 2004, a RECORRENTE estava dispensada do pagamento da CSLL correspondente a esse mês, caracterizando esse montante em evidente pagamento indevido: (...) 26. Não obstante a possibilidade de manter a estimativa mensal de Junho/2004 para compor a base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário, a RECORRENTE optou em utilizar esse crédito já no mês de Setembro de 2004 para quitar débito de 1RPJ relativo à Agosto de 2004, e transmitiu a DCOMP em discussão, nos termos do artigo 74, da Lei n^ 9.430/963 e artigo 165, do CTN4. 27. Por conseguinte, e importante salientar que, ao final do ano calendário de 2004 (julho: DIPJ final em razão da incorporação) a RECORRENTE NÃO LEVOU PARA O AJUSTE ANUAL O VALOR DE R$839.593.14 PAGO INDEVIDAMENTE E, PORTANTO, REFERIDO MONTANTE NÃO COMPÔS A BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL, comprovandose, assim, que NÃO HOUVE o aproveitamento desse crédito em duplicidade! (Grifos originais) Os fatos tratam de possibilidade de aproveitamento de pagamento indevido a maior, da crédito de estimativa mensal de CSLL relativo a junho/2004, para extinguir débito de Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 421 15 estimativa mensal de IRPJ relativo a agosto/2004, procedimento formalizado em PER/DCOMP transmitida em 29/09/2004. Aduz a Contribuinte que, dias depois, e por conta da incorporação da empresa CNPJ 61.416.129/000170, ocorrida em 01/07/2004, constatou, ao apreciar os balancetes/balanços, que o valor recolhido a título de estimativa mensal nos meses de Janeiro a Maio já havia ultrapassado o montante devido de CSLL do anocalendário. Assim, resolveu apurar o mês de Junho de 2004 a CSLL com base no balanço/balancete de suspensão, consoante se denota da Ficha 16 e 17 da DIPJ. Havia apurado os valores de estimativa com base na receita bruta e encontrado valor a pagar, tendo efetuado inclusive recolhimento de estimativa mensal do mês de junho de 2004. Ao refazer a apuração, com base no balanço/balancete de suspensão, encontrou base negativa da CSLL, origem do crédito pleiteado, nos termos da tela apresentada da DIPJ: A DIPJ que consta nos autos é retificadora, encaminhada em 21/11/2006, antes da emissão do despacho decisório, de 24/11/2008. Ocorre a Contribuinte não efetuou a retificação da DCTF. Por isso, a decisão administrativa da Receita Federal (despacho decisório) indeferiu o pleito porque, nos termos da DCTF original, não constava a alteração na apuração da estimativa mensal, de receita bruta para balanço/balancete de suspensão, e por consequência o crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal da CSLL. A DCTF foi retificada apenas quatro anos depois, em dezembro de 2008, justamente em razão da motivação do despacho decisório. Por sua vez, a decisão recorrida entendeu que não caberia uma retificação em declaração com efeito de confissão de dívida, no caso, uma alteração no regime de apuração de estimativa, após a decisão proferida no despacho decisório. Ora, não obstante a DCTF retificadora ter sido encaminhada apenas em 2008, desde o curso do anocalendário de 2004 restou demonstrado pela Contribuinte por meio de documentação hábil a alteração do regime de apuração das estimativas mensais, de receita bruta para balanço/balancete de suspensão. O que se observa, na realidade, é que a declaração da Contribuinte foi retificada, mas não foi formalizada em DCTF tempestivamente. Contudo, Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 422 16 nada impede que, na fase contenciosa, caso se verifique que a alteração no regime de apuração tenha se dado com lastro em documentação hábil, que se considere a retificação da declaração com efeito de confissão de dívida. Assim, tendo sido comprovada a existência do crédito decorrente da alteração do regime de apuração das estimativas mensais, de receita bruta para balanço/balancete de suspensão, com base na DIPJ, nos extratos contábeis e LALUR apresentados, não há óbice para reconhecer o direito creditório pleiteado. Ainda, esclareceu a Contribuinte que o valor de R$839.593,14, pago indevidamente, não integrou a apuração da CSLL ao final do ano calendário. Nesse contexto, a mudança do procedimento de apuração do tributo ou contribuição, de receita bruta para balanços/balancetes mensais não entrou em colisão com o disposto no 230 do RIR/99: Suspensão, Redução e Dispensa do Imposto Mensal Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 1º): I deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 2º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 3º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, § 4º, e Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º). Observase que as alterações ocorreram antes da emissão do despacho decisório (DIPJ retificada em 2006, e despacho decisório em 2008). E a retificação deuse mediante comprovação do erro, nos termos do art. 147 do CTN: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10880.955445/200880 Acórdão n.º 9101003.853 CSRFT1 Fl. 423 17 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727155/2015-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 71 55 /2 01 5- 88 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 120 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 55/58) contra decisão de primeira instância (fls. 44/48), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de Notificação de Lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF), relativo ao anocalendário de 2013, no valor de R$ 8.525,15, incluídos os acréscimos legais, calculados até 31/08/2015, visto se ter glosado o valor de R$ 18.200,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme explicitado no Relatório da Notificação de Lançamento. O sujeito passivo foi cientificado da NL em 24/08/2015 e apresentou impugnação em 17/09/2015, alegando, em síntese, o seguinte: Afirma, primeiramente, que a luz do Parecer Normativo CST nº 36/77, todas as despesas glosadas foram prestadas diretamente pelos profissionais regularmente habilitados e, acerca do alcance da dedução, conforme consta no Acórdão do 1º Conselho de Contribuinte nº 10244.452, publicado no DOU de 11/06/91, notase claramente que os lançamentos efetuados estão abrigados por todas as normas legais previstas na legislação vigorante e até mesmo abrigada na intenção do legislador que no mínimo deveria ter sido relevado pela Auditoria Fiscal (transcreve o mencionado Acórdão). Alega que, na intenção de comprovar a sua boa fé, anexa cópia das declarações dos profissionais prestadores de serviço juntamente com os recibos originais que comprovam o efetivo pagamento das despesas glosadas. Ressalva que, no tocante a alegação da Auditoria Fiscal de que não foram apresentadas as cópias dos cheques nominais e/ou extratos bancários com compatibilidade de datas e valores, a legislação não o obriga que se efetue pagamentos de despesas proveniente de tratamento de saúde através de cheques, mesmo porque é esdrúxula tal exigência. Neste sentido, cita Acórdãos com fito de obter êxito quanto à anulação do lançamento por considerar abusivo e ilegal (Acórdão CSRF/0102.628 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, publicado no DOU de 11/08/1999 e Acórdão do 1º Conselho de Contribuinte nº 10244.040, publicado no DOU de 16/06/2000). Por fim, afirma que os prestadores dos serviços apresentaram Declaração de Ajuste Anual (DAA) no anocalendário ora questionado oferecendo os rendimentos à tributação, o que revela, caso seja mantido a glosa objeto do lançamento, tributação em dobro (Bitributação), infringindo o CTN. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 121 3 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 05/03/2018 (fl. 51); Recurso Voluntário protocolado em 02/04/2018 (fl. 55), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFR, que não houve a comprovação dos efetivos pagamentos para a profissional mencionada, bem como não foram apresentadas cópias de extratos bancários e também nenhuma cópia de cheque nominal microfilmado. A r. decisão revisanda, julgou o feito mantendo a acusação, pela improcedência da impugnação. Irresignado o recorrente maneja recurso próprio, combatendo o mérito e juntando documentos. Assim diz a r. decisão revisanda: “Ressaltase que o sujeito passivo pode pagar em dinheiro os serviços que desejar, contudo, para comprovação perante o Fisco, ao efetuar essa modalidade de pagamento, deve observar determinados cuidados, com um zelo adicional, como por exemplo: a cada procedimento associar recibos e pagamentos para futura comprovação se necessário, visto que os simples recibos, questionados, não fazem prova irrefutável do pagamento.”. Pois bem, os recibos questionados foram assinados pelas profissionais da saúde, Carolina Maria Calhau Teixeira, Fisioterapeuta – CREFITO 4/Nº 74760F e, Dayseane Almeida dos Anjos, Fisioterapeuta – CREFITO 4/Nº 107468F. Em busca da verdade real, este relator, consultou o órgão de classe das profissionais e, constatou existir as profissionais e que ambas se encontram ativas. Existe nos autos, à fls. 15/16, “Declarações” feitas de próprio punho pelas profissionais, dizendo que o recorrente e sua esposa (dependente na declaração), foram seus pacientes no ano de 2013 e que efetuou os pagamentos dos seus honorários em espécie. Às fls. 18 e 20, encontramos os relatórios fisioterápicos de Mário Jorge e às fls. 17 e 19, o de sua dependente; todos os recibos de pagamentos estão às fls. 84/97 e correspondem exatamente aos valores lançados. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 122 4 Entende este relator, que o recorrente produziu prova suficiente para realizar as deduções. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 123 5 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator, entendendo que deve ser mantida a glosa integral das despesas médicas. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 124 6 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Assim, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 125 7 Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Por fim, ainda que restasse confirmada a alegação do recorrente de que as prestadoras dos serviços ofertaram rendimentos à tributação nas suas declarações de ajuste, entendo, assim como manifestado na decisão recorrida, que tal fato não se configuraria em prova do efetivo pagamento da despesa, nem eximiria o recorrente de fazer a prova exigida. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15504.727155/201588 Acórdão n.º 2002000.660 S2C0T2 Fl. 126 8 Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Dessa feita, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.720015/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO.
Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. GLOSA. EFEITO TRIBUTÁRIO. SEM EFEITO DE MULTA AMBIENTAL.
A glosa da área de reserva legal realizada pela Receita Federal do Brasil não tem finalidade punitiva no plano ambiental, apenas efeitos tributários.
JULGAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. FATO NÃO APRECIADO. PROCESSO MADURO. APRECIAÇÃO SEGUNDA INSTÂNCIA.
Fato não apreciado em tempo oportuno na primeira instância administrativa, mas em condições de julgamento e com as provas acostadas aos autos, pode ser analisado pelo colegiado de segunda instância, uma vez que se trata de processo maduro bem como em nome da economia processual e da verdade material.
ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. LAUDO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Cabe a retificação da área, quando comprovado por meio de laudo técnico que a área efetivamente utilizada foi declarada com divergência.
ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA
O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU.
Numero da decisão: 2202-004.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar a área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. GLOSA. EFEITO TRIBUTÁRIO. SEM EFEITO DE MULTA AMBIENTAL. A glosa da área de reserva legal realizada pela Receita Federal do Brasil não tem finalidade punitiva no plano ambiental, apenas efeitos tributários. JULGAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. FATO NÃO APRECIADO. PROCESSO MADURO. APRECIAÇÃO SEGUNDA INSTÂNCIA. Fato não apreciado em tempo oportuno na primeira instância administrativa, mas em condições de julgamento e com as provas acostadas aos autos, pode ser analisado pelo colegiado de segunda instância, uma vez que se trata de processo maduro bem como em nome da economia processual e da verdade material. ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. LAUDO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Cabe a retificação da área, quando comprovado por meio de laudo técnico que a área efetivamente utilizada foi declarada com divergência. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU.
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. GLOSA. EFEITO TRIBUTÁRIO. SEM EFEITO DE MULTA AMBIENTAL. A glosa da área de reserva legal realizada pela Receita Federal do Brasil não tem finalidade punitiva no plano ambiental, apenas efeitos tributários. JULGAMENTO. PRIMEIRA INSTÂNCIA. FATO NÃO APRECIADO. PROCESSO MADURO. APRECIAÇÃO SEGUNDA INSTÂNCIA. Fato não apreciado em tempo oportuno na primeira instância administrativa, mas em condições de julgamento e com as provas acostadas aos autos, pode ser analisado pelo colegiado de segunda instância, uma vez que se trata de processo maduro bem como em nome da economia processual e da verdade material. ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. LAUDO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Cabe a retificação da área, quando comprovado por meio de laudo técnico que a área efetivamente utilizada foi declarada com divergência. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ALÍQUOTA O valor do imposto será apurado mediante a aplicação da alíquota correspondente sobre o Valor da Terra Nua Tributável, considerando a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 00 15 /2 00 7- 65 Fl. 129DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar a área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão n° 0417.615 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS DRJ/CGE, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2003, no valor originário de R$ 16.990,38 (dezesseis mil, novecentos e noventa reais e trinta e oito centavos) referente ao imóvel rural denominado fazenda Dona Selva, inscrito na Receita Federal sob o n° 2.075.9649 e localizado no município de Garruchos RS (fls. 114/116 e 118/125). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CGE (fl. 114) mencionou o seguinte: Na descrição dos fatos (f. 35/37), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente de glosa a área declarada como de preservação permanente e de reserva legal, por falta de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. Regulamente intimado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/CGE (fls. 48/53 e 112/116). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 130 3 Quando da apreciação do caso, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS julgou parcialmente procedente o lançamento, promovendo a sua alteração com a redução do ITR, em decorrência de acatar a exclusão da base de cálculo do valor correspondente a área de preservação permanente. No que diz respeito à contestação sobre a glosa da área de preservação permanente, a 1ª Turma da DRJ/CGE acatou os argumentos e o laudo apresentados pelo contribuinte e decidiu da seguinte forma (fl. 115): "com a impugnação, o contribuinte apresenta novo Laudo Técnico, em que descreve as áreas de preservação permanente, nos termos preconizados pelo Código Florestal, no montante de 118,5 ha. Tendo em vista que o novo Laudo supre a deficiência anteriormente apontada, entendo que deve ser aceita a área de preservação permanente de 118,5 ha (Alterar Linha 02 do Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de f. 38, de 0 para 118,5)" Em relação a contestação pela glosa da área de reserva legal, a 1ª Turma da DRJ/CGE não acatou os argumentos da defesa, porque o contribuinte não comprovou que tal área havia sido averbada à margem da matrícula de registro de imóveis, conforme determina o art. 16, § 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício 2004. No caso do VTN, a 1ª Turma da DRJ/CGE observou o seguinte (fl. 115): "este ponto não foi atacado na impugnação, tratandose de matéria não questionada, devendo ser reconhecida, em relação a este aspecto da autuação, a aplicação do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, que dispõe que deve ser considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ/CGE, em 16/06/2009, conforme Aviso de Recebimento AR (fls. 118) apresentou recurso voluntário em 15/07/2009 (fls. 119/125). Em sede de recurso voluntário, o recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CGE, preliminarmente alegando que há ilegitimidade da Receita Federal do Brasil para punir a falta de averbação da reserva legal, alegando o seguinte: "fere norma de natureza ambiental e somente os Órgãos Ambientais tem legitimidade para apreciar e/ou punir tal infração, com multa formal, como previsto pelo art. 55, do Decreto 6.514, de 22 de julho de 2008," e que: "desse modo, cabe ao Órgão Ambiental competente, se assim entender, tomar as medidas legais pertinentes, não a Receita Federal, que, permissia vênia, não tem legitimidade para agir no presente caso, sob pena de se plasmar penalidade dupla." (fl. 121) Na mesma preliminar, o recorrente continuou alegando que: "por razoes diversas, qualquer penalidade em face da não averbação no Registro de Imóveis das áreas tidas como reserva legal, deve ser suspensa", apresentando os seguintes argumentos (fl. 122): Primeiro, em face da prova do protocolo, que ora se junta, relativamente ao “Termo de Averbação de Área de Reserva Legal”, referente a vistoria da área em questão, com vistas a averbação no Registro Imobiliário, de que trata o §1° do art. 55, do Decreto retro citado. Fl. 131DF CARF MF 4 Segundo, porque a exigência da averbação imobiliária das áreas de reserva legal, prevista no supra referido art. 55, esta suspensa ate 11 de dezembro de 2009, conforme art. 152A, do Decreto n° 6.686, de 10 de dezembro de 2008 (...). No mérito, o recorrente questionou o grau de utilização do imóvel e o reflexo deste GU no valor do ITR, alegando o seguinte (fl. 124): O que está incorreto e fere principio basilar do direito administrativo o da razoabilidade é subtrair da área restante (534,70 ha) a parcela inaceita como reserva legal, tributandose apenas 291,60ha (como fez o Órgão Autuante), resultando dai que o índice de ocupação e de apenas 44,64%, implicando em alíquota de 3,30%. Tal procedimento, repetese, vai contra o principio da razoabilidade e até ao bom senso. Ora, se a área não é reconhecida como reserva legal e, portando, não pode ser separada da área total, deve, contrario sensu, integrar o todo. Ate porque e a mesma efetivamente aproveitada pelo gado existente na fazenda, que pasta em seus “campestres" (pequenas áreas de campo entre as matas) e até mesmo na própria mata, além de nela se abrigar. Do Pedido Ao final, o Recorrente requer que (fls. 124/125): pelas preliminares, a extinção dos processos e no exame de mérito, se reconsidere o grau de aproveitamento do imóvel, considerandose como de 100% de aproveitamento, tributando se, portanto, 534,70 hectares pela alíquota de 0,15%, considerando o valor da terra nua já pacificado. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, o recorrente alegou que a Receita Federal do Brasil não tem legitimidade para punir em relação a falta de averbação de reserva legal, com o seguinte destaque: "por razoes diversas, qualquer penalidade em face da não averbação no Registro de Imóveis das áreas tidas como reserva legal, deve ser suspensa". Neste ponto, entendo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados pelo recorrente, pois não houve nenhuma aplicação de penalidade (multa) por eventual falta de averbação de área de reserva legal junto ao registro público de imóveis por parte da Receita Federal do Brasil. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 131 5 Em verdade, no tocante a área de reserva legal, a fiscalização, para efeito de desoneração do ITR, apenas verificou se o recorrente atendeu aos requisitos contidos nos §§4º, 8º e 10 do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, com alterações posteriores, que determina, além da exigência do interesse de proteção ambiental, a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Neste sentido, cabe ressaltar que a averbação no registro público da área de reserva legal é uma das condições para se obter a redução do ITR e o recorrente não logrou êxito em comprovar nem na impugnação e nem no recurso voluntário de que houve averbação da reserva legal antes do lançamento do tributo. Dessa forma, como pode ser observado na descrição dos fatos do lançamento tributário (fls. 36/37), bem como nos documentos apresentados (fls. 16/29 e 76/90) e no acórdão proferido pela DRJ/CGE (fls. 112/116), a fiscalização, após constatar que o recorrente não atendeu aos requisitos legais para comprovar a área de reserva legal, glosou a referida área, e no julgamento de primeira instância, a DRJ/CGE manteve a glosa. Ademais, no que diz respeito às alegações apresentadas de que exigência de averbação de áreas de reserva legal está suspensa até 11/12/2009, citando o art. 152A do Decreto n° 6514/2008 com redação dada pelo Decreto n° 6.695/2008, também não prosperam, porque o citado artigo trata do seguinte ponto: "da ocupação irregular de áreas de reserva legal não averbadas e cuja vegetação nativa tenha sido suprimida até 21 de dezembro de 2007", o que não é objeto do presente caso. Além disso, a exigência da averbação da reserva legal antes do fato gerador do ITR é requerida pela RFB exclusivamente para efeitos tributários, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR a área de reserva legal efetivamente comprovada, nos termos do parágrafo primeiro, do art. 12, do Decreto n° 4.382 de 19 de setembro de 2002, não tendo nenhuma relação com eventual aplicação de multa no plano ambiental, matéria esta pertinente aos respectivos órgãos que fiscalizam o meioambiente. Assim sendo, rejeito a preliminar suscitada pelo recorrente alegando que houve aplicação de penalidade por falta de averbação da reserva legal e que a averbação da área de reserva legal estaria suspensa. No mérito, o recorrente questionou o grau de utilização GU do imóvel e a alteração da alíquota de 0,15% para 3,30%. Antes de se adentrar na análise deste ponto, convém observar que em consulta à impugnação do lançamento (fls. 48/53) e à decisão de primeira instância prolatada pela DRJ/CGE (fls. 112/116), não foram encontrados questionamentos diretos contestando o GU e, por consequência, a alíquota aplicada. Contudo, entendo que o fato de contestar as áreas excludentes da base de cálculo, como reserva legal e preservação permanente, bem como o reconhecimento da àrea de 118,05 ha de preservação permanente, conforme acórdão da DRJ/CGE, permitiu ao recorrente discutir em sede recurso o grau de utilização, uma vez que a modificação destas áreas pode alterar também o grau de utilização e, por via de consequência, alterar a alíquota aplicada. Entendo também que tal contestação não se trata de inovação e nem de fato novo no âmbito do contencioso administrativo. Fl. 133DF CARF MF 6 Neste caso, podese observar que a alteração da alíquota de 0,15% para 3,30%, conforme demonstrativo do imposto devido (fl. 39), foi motivada pela glosa de 400,0 ha correspondente à soma da área de reserva legal (50,0 ha) com a área de preservação permanente (350,0 ha). Assim, com a efetivação da glosa realizada pela fiscalização, houve aumento da área aproveitável passando de 253,2 ha, para 653,2 ha, mas a área utilizada na atividade rural permaneceu a mesma (253,2 ha), por isso acarretou a redução do grau de utilização, que passou de 100% declarado pelo contribuinte (253,2/253,2), para 38% (253,2/653,2) apurado pela fiscalização. Por outro lado, quando a 1ª Turma da DRJ/CGE acatou os argumentos e o laudo apresentados pelo contribuinte, aceitando a área de preservação permanente de 118,5 ha registrada no laudo (fl. 77) e determinando a exclusão da referida área de 118,5 ha da base de cálculo (fl. 116), houve alteração novamente da área aproveitável que passou de 653,2 ha, para 534,7 ha, modificando o grau de utilização para 47% (253,2 / 534,70), porém a alíquota permaneceu a mesma 3,30. Feitas estas considerações, cabe esclarecer que o estabelecimento da alíquota do ITR se dá considerando a área do imóvel e o grau de utilização GU, conforme dispõe o art. 11 e anexo da Lei n° 9.393 de 19/12/1996. O grau de utilização é uma relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável, conforme o disposto no art. 10, §1º, VI, da Lei n° 9.393 de 19/12/1996 No tocante a área aproveitável, a Lei n° 9.393 de 19/12/1996, no art 10, §1º, IV, estabeleceu que se trata de (redação vigente a época): IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do inciso II; Em relação a área efetivamente utilizada, a Lei n° 9.393 de 19/12/1996, no art 10, §1º, V, estabeleceu que (redação vigente a época): V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Após esses esclarecimentos, passouse a analisar os argumentos do recorrente questionando a apuração do grau de utilização e a aplicação da alíquota de 3,30, alegando que a área de reserva legal que não foi aceita pela fiscalização, por não ter sido averbada antes de ocorrência do fato gerador, deveria integrar a área aproveitável do imóvel da seguinte forma: "tributandose a sua integralidade, ou seja, 534,70 hectares, com o que seu grau de aproveitamento seria de 100%."(fls. 123/124). Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 132 7 Em relação ao pedido do recorrente de que área de reserva legal glosada deveria integrar a área aproveitável do imóvel, fazse necessário esclarecer que de fato a área de reserva legal glosada, necessariamente, passou a compor a área aproveitável (art 10, §1º, IV da Lei n° 9.393/96). Entretanto, talvez o contribuinte tivesse a intenção de pedir para que a área glosada fosse adicionada a área efetivamente utilizada, com a finalidade de poder aumentar o grau de utilização. (art 10, §1º, V da Lei n° 9.393/96). Então, se a intenção do recorrente era no sentido de utilizar a área glosada como área efetivamente utilizada, não tem como prosperar o seu pedido, uma vez que, a área declarada como reserva legal, para efeito de exclusão da base de cálculo do imposto, deveria estar averbada na matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Outro ponto alegado pelo recorrente foi que o gado utilizava como pastagem, a área declarada como reserva legal, com a seguinte afirmação: "ate porque é a mesma efetivamente aproveitada pelo gado existente na fazenda, que pasta em seus “campestres"" (fl. 124). Neste caso, a alegação do recorrente também não prospera, pois não há previsão legal para transformar as áreas que foram declaradas como reserva legal em áreas destinadas a pastagens, cabe ao contribuinte declarar a composição das áreas de seu imóvel e quando a fiscalização solicitar, apresentar os documentos comprovando os fatos declarados, conforme art. 14 da Lei n° 9.393 de 19/12/1996. Além desses pontos questionados, podese observar também que o contribuinte, ao impugnar o lançamento junto à DRJ/CGE, alegou que houve erro na prestação das informações (fls. 50/51) e que para retificar as divergências encontradas, apresentou laudo de avaliação e caracterização do imóvel com as informações corretas (fls. 76/78), do qual se extrai as informações sobre a situação ocupacional registradas na Tabela 1: Tabela 1 Situação ocupacional do imóvel Item Descrição área ha 01 Reserva Legal com floresta nativa 243,10 02 Área de preservação permanente 118,50 03 Campos com pastagens nativas e cultivadas 291,60 Fonte: laudo de avaliação e caracterização do imóvel (fls. 76/78) Com base nas informações registradas no laudo, a DRJ/CGE acatou a área correspondente a preservação permanente e determinou a exclusão da referida área da base de calculo do ITR (fl. 116). A área correspondente a reserva legal, mesmo registrada no laudo, não foi acatada por faltar os requisitos legais da averbação na matrícula do imóvel. No mesmo sentindo, podese observar que no laudo consta também a área de 291,60 ha correspondente a efetiva utilização na atividade rural campos com pastagens nativas e cultivadas, entretanto, notase que a área registrada no laudo está divergente da área de 253,2 ha declarada como pastagem no DIAT (fl.06). Assim, como o recorrente alegou na impugnação que houve erro no preenchimento da declaração e que para corrigir tais erros apresentou laudo com informações corretas, entendo que da mesma forma que a DRJ/CGE apreciou a área de preservação permanente de 118,50 ha, inclusive acatando e determinando a retificação da área, deveria ter apreciado também a área correspondente a 291,60 ha, informada no laudo como área utilizada na atividade rural como pastagens, uma vez que essa área influi diretamente no cálculo do grau de utilização. Fl. 135DF CARF MF 8 Diante deste fato, observo que deve ser apreciada a divergência existente entre a área declarada no DIAT (253,2 ha) e a área informada no laudo (291,60 ha) referente à área utilizada na atividade rural como pastagens. Assim, como tal divergência não foi enfrentada na DRJ/CGE no tempo oportuno, entendo que nada impede que este fato seja analisado por este colegiado, por se tratar de um processo maduro, com as provas necessárias acostados aos autos (laudo fls. 76/78), bem como em nome da economia processual e da verdade material, nos termos do inciso III, § 3º, art. 1.013, da Lei 13.105 de 16 de março de 2015 (CPC). Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. (...) § 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: (...) III constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; Dessa forma, com base no laudo apresentado, acato a área de 291,60 ha como área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem em retificação à área de 253,20 ha declarada no item 08, do campo 12 (distribuição da área utilizada ha) do DIAT (fl 06). Assim sendo, após acatar a área de 291,60 ha como área efetivamente utilizada na atividade rural, fazse necessário calcular o novo grau de apuração, levandose em consideração a área de preservação permanente de 118,50 ha, já reconhecida pela DRJ/CGE e área de 291,60 ha acatada como área de pastagem informada no laudo. Então, com base nas áreas acatadas pela DRJ/CGE e por este colegiado, apurouse o novo grau de utilização GU que foi no percentual de 54% (291,60/534,70), tendo como alíquota correspondente 1,90, nos termos do art. 10, §1º, VI, e do art. 11 e anexo da Lei n° 9.393/96, conforme dados registrados na Tabela 2. Tabela 2 Cálculo do GU e alíquota aplicada Item Descrição dados folha processo 01 Área total do Imóvel 653,20 ha 06 e 63 02 Área de Preservação Permanente (DRJ/CGE) (118,50 ha) 116 03 Área tributável aproveitável (653,20 118,50) 534,70 04 Área utilizada pela atividade rural (laudo) 291,60 76/78 05 Grau de utilização (291,60/534,70) 54% art. 10, §1º, VI, da Lei n° 9.393/96 06 Alíquota 1,90 art. 11 e anexo da Lei n° 9.393/96 Fonte: processo (fls. 06, 63, 76/78, 116) e Lei 9.393/96. Por isso, de acordo com a apreciação realizada neste voto, rejeito os pedidos do recorrente no que diz respeito à extinção do processo e à aplicação da alíquota de 0,15%. Entretanto, acato a retificação da área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha, que altera o grau de utilização para 54% e, por via de consequência, altera a alíquota aplicada para 1,90. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para retificar a área efetivamente utilizada na atividade rural como pastagem para 291,60 ha. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11070.720015/200765 Acórdão n.º 2202004.954 S2C2T2 Fl. 133 9 (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 137DF CARF MF
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