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Numero do processo: 10425.002230/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
Ementa:
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM.
Identificada a origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada, mas com base na legislação específica.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 2201-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 19/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVA DA ORIGEM. Identificada a origem dos depósitos bancários, o lançamento não mais poderá ser efetuado com base na legislação que autoriza a presunção de rendimentos omitidos a partir de depósitos de origem não comprovada, mas com base na legislação específica. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 19/12/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 00 22 30 /2 01 0- 56 Fl. 949DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/09, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 2.707.078,06, calculados até 30/11/2010. A fiscalização apurou (fls. 04/06 e fls. 36/39): Omissão de rendimentos da atividade rural, no valor de R$ 1.879.112,60. Sobre essa infração a autoridade fiscal aplicou a multa de ofício qualificada no percentual de 150%; Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 1.875.811,74. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 9.1 que exerce a atividade de intermediação na venda de castanhas de caju, ou seja, “é produto do meio no processo de comercialização”, tendo sido equivocadamente considerado como produtor rural, “quando nunca produziu uma sequer castanha de caju” (fls. 276); (i) que, no exercício dessa atividade, intermediou a comercialização de aproximadamente duas mil toneladas de castanha de caju, “não existindo ninguém no Estado da Paraíba que produza essa quantidade do produto” (fls. 276). Que a intermediação de venda não pode ser confundida com a atividade de produtor rural. Na intermediação, as “indústrias tradicionalmente contratam de forma verbal e às vezes material pessoas que na maioria das vezes são comerciantes de várias cidades espalhadas pelo Nordeste que, por sua vez, têm conhecimento de outras pessoas (comerciantes) de outras cidades e outros estados e que por fim terminam adquirindo a castanha de caju do produtor rural, sendo este o último na cadeia comercial, já que em nossa região praticamente não existem grandes produtores e sim micro produtores” (fls. 279). Que “o lucro auferido pelo contribuinte com a comercialização de intermediação se dá com base no volume de quilos intermediado” (fls. 279). Que “a comissão geralmente é de 0,5% sobre o valor bruto comercializado/movimentado”, conforme demonstrativo de fls. 181, ou de R$ 0,01 por quilo de castanha de caju (fls. 156), sem quaisquer despesas, já que “em ambos os casos as indústrias já embutem nos adiantamentos para compra Fl. 950DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10425.002230/201056 Acórdão n.º 2201002.288 S2C2T1 Fl. 3 3 de castanha de caju , as despesas para a emissão das notas fiscais avulsas tais como: ICMS, ICMS de frete e demais taxas...” (fls. 279); Que a atividade de comercialização é praticada conforme fluxograma abaixo: Fase 1: a indústria adquirente de castanha de caju adianta valores aos fornecedores/primeiros intermediários; Fase 2: os primeiros intermediários/“Franklin Roberto Batista” (fls. 280), como o impugnante, rateiam esses valores e os repassam a outros fornecedores, que atuam como segundos intermediários. Se, por exemplo, a indústria envia R$ 50.000,00 ao primeiro intermediário, este repassa R$ 15.000,00, R$ 15.000,00 e R$ 20.000,00 a três distintos segundos intermediários; Fases 3 e 4: ocorrem quando os segundos intermediários rateiam ou repassam os valores recebidos do primeiro intermediário a outros fornecedores; Fase 5: o produtor rural, na maioria das vezes, leva a castanha de caju in natura colhida para venda livre em locais próximos, que é adquirida por pequenos comerciantes/terceiros intermediários. Após comprar de vários produtores, o terceiro intermediário entrega a mercadoria ao segundo intermediário do qual recebeu o adiantamento para comprar o produto. Se a quantidade for suficiente para formar uma carga, a mercadoria poderá ser enviada diretamente para a indústria, onde será emitida uma nota fiscal avulsa (nota fiscal originária) para recolhimento do ICMS, do ICMS de frete e demais impostos. “Para um melhor controle contábil, tal entrada será em nome do primeiro intermediário” (fls. 282). “Caso não ocorra o envio da carga para a indústria por parte dos terceiros intermediários, os mesmos enviam as mercadorias para os segundos intermediários, até formar uma carga, recolhendo os mesmos impostos descritos na fase anterior” (fls. 282). “Devido a decretos estaduais e federais firmados junto às indústrias, quando a nota fiscal avulsa (chamaremos de nota fiscal originária) constar como remetente o nome do segundo intermediário ou terceiro intermediário e não o nome do primeiro intermediário, será emitida uma nota fiscal de entrada de mercadoria da própria indústria (chamaremos de nota fiscal derivada) corrigindo o nome ou CPF ou peso ou preço ou outras informações contidas nos referidos decretos, pois a título de preço, como as notas fiscais avulsas são emitidas de diversos estados, diverge os valores da pauta dos produtos, como fica evidente na declaração da Usibrás e das cópias enviadas pela Cione, Cascaju e Olam” (fls. 282 e 283). Fl. 951DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Que, após encerrar a safra, é realizada a prestação de contas entre as indústrias e o primeiro intermediário, bem como entre o primeiro intermediário e os demais intermediários; (ii) que as notas fiscais atendem ao disposto na decisão SRF da 3ª Região nº 11 de 26/03/1998 (fls. 559 a 563), no Decreto estadual nº 13640/1997, Seção VIII, art. 54, no Decreto Sefaz/CE nº 24.569/1997, art. 135, II; na Portaria GEZ nº 250/96 e no Decreto nº 9.475/1996; (iii) que, relativamente às intermediações praticadas em nome da Usibrás, consta, às fls. 156, referência a pagamento de ‘adiantamento de comissão’. Que, apresenta documentação relativa a romaneios do transporte de castanha de caju, em que consta como ‘corretor’ (Anexo II de fls. 305 a 315). Que “somente enviou à indústria o montante de R$ 113.971,80” (fls. 277) , correspondente à diferença entre o valor confirmado pelo Usibrás (R$ 183.237,40) menos a diferença a pagar na safra seguinte (R$ 69.319,60). (iv) que junta às fls. 151, 153, 157 a 159, 163, 166 e 169 documentação referente a adiantamento para pagamento de ICMS, comprovando que as indústrias enviam dinheiro para que o intermediário, ora impugnante, recolha o imposto e envie mercadoria adquirida; (v) que apresenta o demonstrativo nº 1 do Anexo IV de fls. 365, em que são indicados os depósitos originados da Cascaju em sua conta bancária (Anexo III de fls. 316 a 363), decorrentes do contrato de intermediação de fls. 181 a 186 e de fls. 255 a 258, nos termos de sua cláusula segunda. Que os extratos bancários da Cascaju (fls. 187 a 246), por ela fornecidos ao impugnante e apresentados à fiscalização, comprovam a origem dos valores transferidos dessa empresa para o contribuinte (fls. 187 a 246); (vi) que consta do demonstrativo nº 2 do Anexo IV de fls. 366 a 367, relação de depósitos efetuados em suas contas bancárias em que é utilizada a expressão ‘adiantamento para compra de castanha de caju in natura’; (vii) que junta ao processo a declaração e as notas fiscais originárias emitidas pela Cione, pela Cascaju e pela Olam, que comprovam a emissão das notas fiscais derivadas confirmando a atividade de intermediação do impugnante (Anexo V de fls. 368 a 557); (viii) que cabe à iniciativa privada a geração de riqueza, especialmente a obtenção de divisas para o País, razão pela qual é merecedor de respeito e consideração; 9.2 no que tange à movimentação financeira, grande parte dos valores decorre de “adiantamentos e repasse de valores das empresas aos comerciantes”; Fl. 952DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10425.002230/201056 Acórdão n.º 2201002.288 S2C2T1 Fl. 4 5 (i) Que aditivamente, os depósitos se originam de saldo de moeda em caixa, no valor de R$ 170.000,00, informado em sua declaração de ajuste anual. (ii) que o imposto de renda, a teor do art. 43 do Código Tributário Nacional, deve incidir sobre a renda ou sobre os acréscimos patrimoniais, e jamais sobre o próprio patrimônio ou sobre a movimentação feita de recursos próprios ou de terceiros. Que, no caso, não houve qualquer acréscimo no patrimônio do impugnante. Que os depósitos bancários são meros indícios que permitem à fiscalização iniciar a investigação dos suportes fáticos (os acréscimos patrimoniais) não oferecidos à tributação; Que a prova de que houve “sinais exteriores de riqueza que atestassem a efetiva existência de acréscimos patrimoniais não oferecidos à tributação (renda omitida) e que se transformaram em renda consumida” (fls. 287) não foi realizada pela autoridade fiscal, como determina o art. 142 do Código Tributário Nacional. Que a fiscalização sequer observou os cheques devolvidos e os cheques depositados mais de uma vez. Que a ilegalidade da cobrança de imposto de renda exclusivamente sobre depósitos bancários foi reconhecida pelo inciso VII do art. 9º do DecretoLei nº 2.471/1988. Que, ademais, a Lei nº 8.021/1990 prevê como um dos requisitos para o arbitramento da renda a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme dispõe seu art. 5º. Que a norma ora em vigor (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) não destoa da norma por ela revogada (art. 6º, §5º da Lei nº 8.021/1990), pois possuem a mesma estrutura (hipótese e consequência normativas), de modo que nada há no preceito do art. 42 que permita considerálo inovador perante o dispositivo revogado. Assim, impõese que os lançamentos apoiados no art. 42 da Lei nº 9.430/1996 demonstrem a efetiva existência de renda consumida através de sinais exteriores de riqueza pois simples depósitos não constituem renda tributável. Que há equívoco em extrair do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 uma presunção juris tantum em favor do Fisco, sem maiores aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida. A afirmação de que há no citado artigo uma presunção que dispensa a autoridade fiscal do dever de prova não se sustenta: primeiro porque tal norma apenas reproduziu a regra antes existente no art. 6º, §5º, da Lei nº 8.021/1990 e segundo porque tal exegese conflitaria diretamente com os arts. 43 e 142 do CTN. Que ao se tratar de lançamento tributário, não cabe falar em inversão do ônus da prova, nem tampouco o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 permite não seja cumprido o dever de motivar a aplicação da lei e provar a ocorrência do suporte fático tributário. É imperativo se desfaça a confusão entre a presunção juris tantum e a inversão do ônus da prova, visto que o dever de provar a ocorrência do fato gerador não é mero ônus cuja Fl. 953DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 titularidade possa ser invertida, fazendo parte do próprio conceito de lançamento previsto no art. 142 do CTN; (iii) que a interpretação do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 deve ser realizada com base nos princípios da finalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade, por força do art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Nesse sentido, exigir que o contribuinte pessoa física que é, apresente a origem de todas as operações bancárias que pratica durante anos inteiros equivale a impor o dever de escriturar tais operações em livros, como se exige das pessoas jurídicas. Que não se pode intimar a pessoa física a apresentar documentos que a lei não lhe obriga a possuir; (iv) que a exigência de imposto de renda com base unicamente em depósitos bancários fere os princípios constitucionais da legalidade e as disciplinas constitucional (art. 153, III da CF/1988) e complementar (art. 43 do CTN); (v) cita jurisprudência administrativa e judicial em apoio às suas alegações, em especial a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos; 9.3 – que requer seja extinto o auto de infração, por falta de base legal ou jurídica ou, alternativamente, sejam excluídos os valores relativos à atividade considerada como de produtor rural de castanha, quando nunca o foi, bem como para que a tributação seja efetuada como de pessoa jurídica, além de excluídos os valores já contidos em sua declaração, inclusive os valores em espécie (R$ 170.000,00); 9.4 – por fim, com apoio no princípio da ampla defesa, protesta pela apresentação de todas a provas em direito admitidas e pela juntada de novos documentos, inclusive para sua apreciação por parte da autoridade fiscal. A 1ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, Fl. 954DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10425.002230/201056 Acórdão n.º 2201002.288 S2C2T1 Fl. 5 7 por se tratarem de infrações distintas, apuradas de formas distintas, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO DO RESULTADO. A falta da escrituração das despesas da atividade rural implica o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. TRIBUTAÇÃO COMO ATIVIDADE DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível aplicar ao imposto de renda pessoa física as regras de tributação previstas para as pessoas jurídicas. MULTA QUALIFICADA. PERCENTUAL DE 150%. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RECURSO DE OFÍCIO. Em razão das parcelas eximidas terem ultrapassado o limite de R$ 1.000.000,00 (imposto e multas), deve o Acórdão ser levado à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em grau de recurso de ofício. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, exceto nos casos previstos na legislação tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de realização de diligência quando demonstrado o caráter eminentemente protelatório de sua realização e quando não há dúvida para o julgamento da lide. PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS. LEGALIDADE. Tendo o lançamento atendido a todos os requisitos previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional, fundamentandose na Fl. 955DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico, não cabe falar em lesão a quaisquer princípios constitucionais ou legais tributários. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Lançamento Procedente em Parte Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 3/2008. Intimado da decisão de primeira instância em 09/09/2011 (fl. 791), Franklin Roberto Batista apresenta Recurso Voluntário em 03/11/2011 (fls. 805 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso de ofício atende o requisito de admissibilidade. Recurso de Ofício Ao analisar a Impugnação apresentada pela recorrente, juntamente com as provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: 39.1 – Analisando os documentos anexados às fls. 317 a 363, verificase, todavia que os depósitos relacionados individualizadamente no demonstrativo de fls. 365 correspondem, em alguns casos, a valores associados à venda de castanha de caju pelo contribuinte à empresa Cascaju. Do exame do depósito no valor de R$ 80.000,00 efetuado na conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil em 07/01/2005, registrado no extrato de fls. 317 e relacionado individualizadamente pela fiscalização na planilha de fls. 18, vê se que ele corresponde a um pagamento efetuado pela Cascaju ao contribuinte. Atestam o pagamento a cópia da ‘solicitação de pagamento’ da Cascaju de fls. 318 e o recibo de fls. 319 emitido pela empresa no mesmo valor e na mesma data. Da apreciação dos demais documentos foi possível identificar a origem associada à venda de castanha de caju à Cascaju quanto a outros valores, conforme quadro abaixo, em que estão indicados o extrato em que houve o depósito, a planilha em que foi apurada omissão de rendimentos decorrente do depósito de origem não comprovada, e os documentos relativos ao pagamento emitidos pela empresa: Fl. 956DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10425.002230/201056 Acórdão n.º 2201002.288 S2C2T1 Fl. 6 9 Data do depósito Valor do depósito (R$) Documentos da Cascaju 07/01 fls. 18 e 317 80.000,00 Fls. 318 a 319 11/01 – fls. 18 e 320 50.000,00 Fls. 321 a 322 19/01 – fls. 18 30.000,00 Fls. 323 a 325 24/01 – fls. 18 50.000,00 Fls. 326 a 328 28/01 – fls. 18 50.000,00 Fls. 329 a 330 17/02 – fls. 18 190.000,00 Fls. 331 a 333 16/02 – Fls 18 e 334 77.911,40 Fls. 335 21/02 Fls. 18 e 336 50.000,00 Fls. 337 a 338 22/02 – Fls. 18 e 336 50.000,00 Fls. 339 a 341 24/02 – Fls. 18 70.000,00 Fls. 342 a 344 25/02 – Fls. 18 50.000,00 Fls. 346 a 348 02/03 – Fls. 18 50.000,00 Fls. 349 a 350 07/03 – Fls. 18 50.000,00 Fls. 351 a 353 16/03 – Fls. 19 e 354 70.000,00 Fls. 355 a 357 28/12 – Fls. 23 e 358 30.000,00 Fls. 359 a 360 e 362 a 363 Total 947.911,40 39.2 Em suma, deve ser excluída, da apuração da omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, a quantia de R$ 947.911,40, visto que decorrente da venda de castanha de caju à Cascaju. Os referidos valores devem ser excluídos da relação de depósitos sujeitos à comprovação da origem de fls. 18 a 23, e deveriam ingressar no demonstrativo de receitas omitidas da atividade rural de fls. 35. (...) 40.9 Enfim, entendo deva ser excluída, da apuração da omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, a quantia de R$ 40.007,55, visto que associada à atividade de venda de castanha de caju à Usibrás, conforme quadro abaixo: Data do depósito Valor do depósito (R$) Banco Motivo do expurgo Doc. de fls. 31/03 – fls. 19 16.200,00 001 Adiantamento pago pela Usibrás pela compra de castanha de caju 152 14/04 – Fls. 19 5.904,00 001 Valor do ICMS depositado pela Usibrás 157 19/04 – Fls. 19 5.822,00 001 Valor do ICMS depositado pela Usibrás 163 02/05 – fls. 19 4.839,31 001 Valor do ICMS depositado pela Usibrás 166 05/05 – Fls. 19 7.242,24 001 Valor do ICMS depositado pela Usibrás 169 Total 40.007,55 (...) 48. Julgo, por outro lado, deva ser mantido o lançamento no que se refere aos demais depósitos, relacionados na planilha de fls. 18 a 23, individualizadamente, sob o título ‘DEMONSTRATIVO MENSAL DE VALORES NÃO Fl. 957DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 COMPROVADOS LANÇADOS DE OFÍCIO’, no montante de R$ 887.892,79, igual à diferença entre o valor inicialmente apurado (R$ 1.875.811,74) e as quantias excluídas (R$ 947.911,40 e R$ 40.007,55). (...) 69. Ressaltese aditivamente que, em vista a determinação legal, devese aplicar à receita omitida o arbitramento previsto no art. 18 da Lei nº 9.250/1995, de forma que a omissão de rendimentos tributável deve ser de R$ 375.822,52, igual a 20% da receita bruta apurada, no valor de R$ 1.879.112,60. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida, à luz dos documentos de fls. 318/363, considerou que o montante de R$ 947.911,40, referese à venda de castanha de caju à Cascaju (Grupo Edson Queiroz). No mesmo sentido, constatou a 1ª Turma da DRJ em Recife/PE que o valor de R$ 16.200,00 referese a adiantamento pago pela Usibrás pela compra de castanha de caju. Por fim, os depósitos às fls. 157/169 efetuados pela empresa Usibrás são relativos aos pagamentos de ICMS. De fato, compulsandose os documentos constantes dos autos, verifico, pois, que o recorrente logrou comprovar a origem dos depósitos/créditos listados pela autoridade julgadora a quo e, como houve identificação do depositante, deveria à autoridade fiscal apurar se a operação em questão constitui hipótese de aplicação de outro dispositivo, na medida em que não se faz mais necessária a presunção, devendo por expressa determinação do parágrafo 2° do art. 42 da Lei n. 9.430/1996, ser aplicada a tributação específica. Em relação ao tema, impende reproduzir o bem articulado voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Nelson Mallman, quando relatou o Acórdão nº 220200.807: Digase, a bem da verdade, que a legislação é clara por demais no sentido de que quando restar provado nos autos, que sobre os valores depositados/creditados se tem noticia dos depositantes, ou seja, se sabe quem os depositou e por via de conseqüência se conhece a origem dos recursos, incabível se torna à aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996 (lançamento com base em depósitos bancários). Nos casos em que está identificado o depositante, é inviável a manutenção da presunção de rendimentos com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Portanto, verificando que a decisão recorrida está fundamentada em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao recurso de oficio. Recurso Voluntário O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10425.002230/201056 Acórdão n.º 2201002.288 S2C2T1 Fl. 7 11 Como se colhe dos autos, o contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/09/2011, conforme Aviso de Recebimento (AR), fl. 791. Por sua vez, o recurso foi apresentado em 03/11/2011, fls. 805, vencido o prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. É forçoso concluir pela intempestividade do recurso, o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do inciso I do art. 42 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I – de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Isso posto, o recurso voluntário não deve ser conhecido. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 959DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10425.002230/201056 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.288. Brasília/DF, 20 de novembro de 2013 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 960DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10425.002230/201056 Acórdão n.º 2201002.288 S2C2T1 Fl. 8 13 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13830.901924/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .9 01 92 4/ 20 09 -4 1 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 195 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, em virtude da decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto SP, a qual julgou improcedente o pedido do contribuinte, mantendo a não homologação da declaração de compensação no. 38904.00313.260804.1.3.043285. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (PIS – código de receita: 8109) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ – código de receita: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 08, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 13/14, acompanhada dos documentos de fls. 15/86, na qual alega, em apertada síntese, que: a) conforme apurado pela DIPJ/2003, anocalendário 2002, a empresa apresentou um recolhimento a maior de IRPJ, uma vez que os recolhimentos por estimativas ultrapassaram o débito real no período; b) a Ficha 12A da DIPJ/2003 apresenta saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 15.300,48; c) o saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário de 2002, foi devidamente corrigido até a data da compensação em 26/08/2004; d) o saldo remanescente do crédito não foi ainda utilizado, mas será compensados com outros débitos. Ao final, requer o cancelamento do despacho em referência, uma vez que o débito foi devidamente pago conforme utilização de parte do crédito gerado no ano de 2002. É o relatório. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto – SP, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1437.0266, sessão de 21 de março de 2012, cuja ementa está abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, a constatação dos pagamentos ou das retenções, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e comprovação contábil do valor devido na apuração anual. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 196 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, em apertada síntese que a decisão da DRJ é nula por falta de fundamentação; que houve a decadência/prescrição das cobranças dos períodos compensados com o crédito pleiteado; e, quanto ao mérito, que demonstrou a existência de crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao AnoCalendário de 2002 e, portanto, possui direito à compensação desse crédito com outros tributos federais administrados pela SRFB; requerendo, ao final, acolhimento da defesa para reforma do julgado. É o relatório, passo a decidir Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 24.07.2012, conforme aviso de recebimento fls. 103 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 23.08.2012, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares Nulidade da Decisão da DRJ Alega o contribuinte que a decisão da DRJ é nula, porque é vazia e totalmente desprovida de fundamentação jurídica, pois, limitase a declarar como incorreto o procedimento adotado, aduzindo que não estaria comprovado direito creditório. Tal afirmação não merece prosperar. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 197 4 Nesta perspectiva, verificase que a decisão recorrida claramente delimitou o ponto sobre o qual analisaria o pedido da recorrente, qual seja, se o crédito era líquido e certo para fins de suportar a compensação efetuada. Senão vejamos o trecho da decisão recorrida sobre esse ponto: Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Seguindo com sua fundamentação jurídica, a decisão recorrida trouxe uma extensa análise da legislação que regulamenta a sistemática de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, optante pelo lucro real anual, com antecipação de estimativas mensais e conclui quando o saldo negativo do IRPJ a pagar se mostra passível de restituição e compensação. A decisão recorrida trouxe ainda as premissas nas quais, no seu entendimento, sustentariam a compensação pleiteada pela Recorrente: Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de três premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; e 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo do IRPJ e, por conseguinte, o saldo negativo de IRPJ. Por fim, conclui que o crédito tributário da recorrente não possuída os requisitos de certeza e liquidez que suportasse a compensação efetuada, fundamentando seu posicionamento na falta de provas trazidas pela recorrente para comprovar seu direito creditório, devidamente sustentado pelo artigo 170 do CTN, conforme se extrai dos seguintes trechos transcritos da decisão: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, LALUR, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. (...)No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tão somente apresentar a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2003) às fls. 22/74, mais especificamente a Ficha 12A da DIPJ/2003 à fl. 37, para provar o crédito pleiteado. Inclusive, observase que o saldo negativo de IRPJ a pagar não confere com aquele apresentado na manifestação de inconformidade. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 198 5 (...) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de violação ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, rejeito a preliminar argüida. Decadência e Prescrição Alega o contribuinte, como preliminar, que houve prescrição do direito de cobrança da Fazenda, em relação aos débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo, porque os débitos são de 2002 e a cobrança foi efetuada apenas em 2009. Entendo que a referida alegação também não merece prosperar. Cabe alertar, primeiramente, que os débitos que foram objetos de compensação com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ora debatido, estão com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional, e, portanto, não podem ser cobrados. A existência do processo administrativo de cobrança no. 13830.901990/2009 11, constante à fl. 101, relacionando tais débitos, serve apenas de controle da Secretaria da Receita Federal, para adotar as medidas cabíveis, após o desfecho do presente processo e não implica qualquer restrição aos direitos do contribuinte. No caso concreto, ora em análise, em maio de 2009, o Fisco emitiu despacho decisório não homologando as compensações realizadas, sob o argumento de que: “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”, determinando, desta feita, o pagamento dos valores devidos. O referido despacho decisório fora objeto de impugnação administrativa, a qual recebera decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto, que manteve o indeferimento da compensação efetuada, conforme Acórdão n° 1437.0266, na sessão de 21 de março de 2012. E, diante dessa decisão contrária, a Recorrente apresentou recurso voluntário que ora está sendo analisado pelo CARF. Portanto, percebese que o presente processo está seguindo seu curso normal e, em momento algum, a Recorrente foi cobrada pelos débitos compensados, não havendo que se cogitar sobre a ocorrência de prescrição do direito da Secretaria da Receita Federal, em efetuar tal cobrança, sendo totalmente descabida tal alegação pela Recorrente. Ademais, como se não bastasse, trata de cobrança decorrente da não homologação de declarações de compensação referentes a crédito de 2002, mas submetidas em agosto de 2004. Desta feita, o prazo para homologação dos tributos iniciase a partir da data de transmissão das declarações e, somente a partir desta data, iniciase o prazo decadencial de Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 199 6 cinco (5) anos para o Fisco homologar expressamente as compensações realizadas (art. 74, §§2º e 5º da Lei 9.430/96). Caso esse prazo decorra sem qualquer manifestação por parte do Fisco, ocorre a chamada homologação tácita. Ocorre que, em maio de 2009, o Fisco emitiu despacho decisório não homologando as compensações realizadas, determinando o pagamento dos valores devidos. Ou seja, percebese que não há que se cogitar prescrição ou decadência, vez que houve análise dos pedidos de compensação do Recorrente dentro do prazo por Lei estipulado. Desta forma, rejeito a preliminar. Do Mérito Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse ter mantido a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 38904.00313.260804.1.3.043285., referente a crédito decorrente saldo negativo do ano calendário de 2002, utilizado para quitar os débitos de PIS (código de receita 8109). A Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Ribeirão Preto – SP, ressaltou em seu julgado que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovasse cabalmente o crédito pleiteado, limitandose a tão somente apresentar a Declaração de Informações Econômicos Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2003) e, portanto, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza. A Recorrente pleiteia um crédito de R$15.300,48, a título de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2002, cuja origem decorre de pagamento de estimativas mensais, no valor de R$28.045,04, que ultrapassou o imposto realmente devido, no montante de R$12.744,56. Para provar o alegado, o Recorrente apenas juntou relatório extraído da Secretaria da Receita Federal constando uma relação de recolhimentos efetuados através de DARFs e cópia da DIPJ/2003, informando o saldo negativo. Verifico que o despacho Decisório, ao mencionar que o crédito pleiteado já havia sido utilizado para outros pagamentos, o fez, porque o contribuinte informou em sua PER/DCOMP, tratarse de pagamento “indevido ou a maior” de estimativa e não “saldo negativo do período”, que é o caso. Primeiramente, cabe registrar que o fato de a Contribuinte ter indicado no PER/DCOMP, o recolhimento de estimativa como origem do crédito e não o saldo negativo do período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever o seguinte julgado: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 200 7 "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 201 8 Assim, o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Nesse sentido, vale lembrar que tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam meras antecipações do devido ao final do período, que guardam uma implicação direta com a figura jurídica do saldo negativo, já que correspondem ao mesmo período anual e ao mesmo tributo que aquele. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado a partir do ajuste, na forma de saldo negativo. Deste modo, se a Contribuinte efetuou antecipações, na forma de recolhimento de estimativas, em montante superior ao valor do tributo devido ao final do período (como ela vem alegando), esse excedente passa a configurar indébito a ser restituído ou compensado, na forma de saldo negativo. Por essa razão, este colegiado normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas. Nesse caso, isso já foi feito pela DRJ, que admitiu o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo, mas manteve a negativa por falta de elementos probatórios (os quais estão sendo apresentados nessa fase processual). No que toca à comprovação de um indébito, é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na seqüência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Tudo isso porque não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 202 9 Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, mediante as seguintes considerações: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário e Razão, LALUR, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado. (...)No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tão somente apresentar a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2003) às fls. 22/74, mais especificamente a Ficha 12A da DIPJ/2003 à fl. 37, para provar o crédito pleiteado. Inclusive, observase que o saldo negativo de IRPJ a pagar não confere com aquele apresentado na manifestação de inconformidade. (...) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de violação ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Cabe destacar, no entanto, que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Nesse sentido, também vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Nessa linha, então, apesar da Contribuinte ter juntado relação de pagamentos efetuados através de DARFs e da DIPJ/2003, demonstrando a existência de prejuízo fiscal nesse período, entendo que ainda não é possível extrair a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se tal crédito já fora compensado com outros tributos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13830.901924/200941 Resolução nº 1802000.424 S1TE02 Fl. 203 10 Desta forma, entendo que a solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, em Marília, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que entenda necessários verifique e informe: 1) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002; 2) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 00447.91163.260804.1.3.049733 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de afastar as preliminares e converter o julgamento em diligência, para que a DRFSP, em Marília atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.000558/2008-54
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINSTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DIRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Considerando que a fiscalização imputou uma omissão de rendimentos ao fiscalizado, a partir de informação da DIRF da fonte pagadora, e que o contribuinte nega a prestação de serviços e o recebimento de valores, resta demonstrar que a fonte está correta e que a omissão de rendimentos existiu. Esse ônus, no caso, recai sobre o Fisco.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
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ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DIRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerando que a fiscalização imputou uma omissão de rendimentos ao fiscalizado, a partir de informação da DIRF da fonte pagadora, e que o contribuinte nega a prestação de serviços e o recebimento de valores, resta demonstrar que a fonte está correta e que a omissão de rendimentos existiu. Esse ônus, no caso, recai sobre o Fisco. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro José Valdemir da Silva. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 05 58 /2 00 8- 54 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10510.000558/200854 Acórdão n.º 2801003.286 S2TE01 Fl. 70 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrada Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativa ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existe o imposto de renda da pessoa física – suplementar, de R$ 6.085,75, com multa de ofício de 75%, no valor de R$ 4.564,31 e juros de mora calculados pela Taxa Selic (fl. 41). Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que (fl. 42): “Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 23.450,00, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 363,00”.(grifei) A fonte pagadora em questão é a Prefeitura Municipal de Telha/SE, CNPJ 13.118.591/000148. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, alegando em suma que nunca recebeu nem nunca lhe foi creditado o valor em caso, jamais tendo prestado serviço, seja com ou sem vínculo, a tal Prefeitura. Entende ser o ônus probatório do Fisco.(fl. 01) Recebida a Impugnação, a DRJ em Salvador/BA propôs a realização de Diligência nos seguintes termos, que transcrevo da fl. 51: “O interessado impugna auto de infração do anocalendário 2004, alegando que nunca trabalhou para a Prefeitura de Telha (SE) nem recebeu os rendimentos de R$ 23.450,00 que lhe estão sendo atribuídos no lançamento impugnado. Proponho que a Prefeitura de Telha seja intimada a apresentar os recibos e fichas financeiras dos rendimentos de R$ 23.450,00 pagos em 2004 a Augusto César Batista da Silva (CPF 03.088.65553), conforme informação prestada em DIRF” Assim sendo, a DRF de origem procedeu à Diligência proposta, intimando a Prefeitura a apresentar “os recibos e fichas financeiras dos rendimentos”, pagos ao contribuinte, no ano de 2004. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10510.000558/200854 Acórdão n.º 2801003.286 S2TE01 Fl. 71 3 Em reposta, a Prefeitura encaminhou Ofício onde esclarece que o único documento encontrado nos seus arquivos fora o “comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte”, cuja cópia anexa. (fl. 58) A DRJ, então, decidiu pela improcedência da Impugnação e pela manutenção do lançamento, com base na seguinte argumentação: “O contribuinte é médico e presta serviços a diversas prefeituras vizinhas ao município de Telha. É o caso de Cedro de São João e Capela, das quais recebera rendimentos da mesma espécie nos últimos anos. Não há, portanto, incompatibilidade nas informações em que se baseia o lançamento, que foram inclusive confirmadas pela fonte pagadora, ao anexar comprovante de rendimentos anuais assinado pelo responsável pelas informações (fls. 58/59).” Cientificado da decisão de 1ª instância em 14/11/2011, conforme AR na folha 65, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 07/12/2011 (fl. 67), onde renova seus argumentos de jamais prestado serviço e recebido valores da Prefeitura de Telha/SE. Argumenta ainda que a Prefeitura não apresentou nenhum documento com sua assinatura atestando recebimento ou comprovante de crédito em conta bancária e que não faz idéia de como o Órgão teve acesso a seu CPF, supondo que as DIRF tenham sido feitas por um mesmo profissional da região, já que prestou serviços e recebeu pagamentos de Prefeituras vizinhas. Enfim, requer que seja cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Segundo Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: “... Em nosso ordenamento, não há normas jurídicas que imponham a presunção de legitimidade ao lançamento tributário, no que se refere a seu conteúdo. Deve o Fisco provar o fato constitutivo de seu direito de exigir o crédito tributário. Em relação à defesa, o sujeito passivo pode simplesmente negar os fatos trazidos no lançamento, recaindo sobre o agente fiscal o ônus da prova desses fatos, porque o julgador só terá esses elementos de comprovação para concluir pela procedência da exigência (art. 209 do CPC) . ... Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10510.000558/200854 Acórdão n.º 2801003.286 S2TE01 Fl. 72 4 Nesse sentido, determina o artigo 333 do CPC: “o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito; ao réu, quanto á existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª edição. São Paulo: Dialética, 2004, p. 170.) O contribuinte nega que tenha recebido rendimentos da Prefeitura de Telha/SE, desde a impugnação. Observo que ele possui 11 (onze) fontes de renda declaradas, conforme DIRPF na folha 47. Com correção, a Autoridade Julgadora de 1ª instância, ao analisar os autos, entendeu pela necessidade de que a fonte pagadora fosse diligenciada para que viessem recibos e fichas financeiras dos rendimentos que declarou, em DIRF, ter pago ao contribuinte. Em meu entendimento a diligência foi frustrada com a resposta da Prefeitura, que apenas enviou o comprovante de rendimentos, emitido unilateralmente, sem que se demonstrasse o efetivo pagamento, nem mesmo a ciência do contribuinte daquele documento. A conclusão do julgamento a quo, a partir do raciocínio que se o contribuinte prestou serviço e recebeu rendimentos de Prefeituras vizinhas, então “não há incompatibilidade nas informações em que se baseia o lançamento” pareceme frágil e inconsistente. Nesse aspecto, a alegação do recurso de que é possível que seus dados tenham sido obtidos por um mesmo contador que prestasse serviços a vários Municípios da região e por isso indevidamente incluídos na Prefeitura de Telha/SE, é bastante plausível. Em relação ao imposto supostamente retido pela fonte, lembro que a repartição constitucional de receitas tributárias o atribui ao próprio Município, não sendo mesmo repassado aos cofres da União. Não é possível exigirse do contribuinte que faça a chamada “prova negativa” de que não recebeu determinado rendimento. Tendo havido sua negativa, competiria ao Fisco demonstrar o efetivo recebimento, com, por exemplo os documentos que entendeu necessários e suficientes a diligência frustrada. A Prefeitura declarou em DIRF que se tratavam de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício (código 0588) mas, regularmente intimada, nem mesmo possui um contrato de prestação de serviços ou esclareceu que tipo de serviço, horário de trabalho ou órgão onde o serviço era prestado. Assim sendo, considerando a negativa do contribuinte, entendo que competiria ao Fisco demonstrar o recebimento dos rendimentos, não se podendo presumilos, no caso. Face ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10510.000558/200854 Acórdão n.º 2801003.286 S2TE01 Fl. 73 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10725.720109/2007-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CONSÓRCIO. SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO. DESCARACTERIZAÇÃO.
A sociedade de propósito específico podem funcionar como personificação de um consórcio, quando criada por um grupo de empresas com o objetivo de desenvolver determinada atividade específica. Não existe sentido descaracterizar a personificação do consórcio na SPE, para considerá-la, com suas sócias, parte de um consórcio informal.
RECEITAS ORIUNDAS DE CONTRATO. SEGREGAÇÃO NA PROPORÇÃO DAS DESPESAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O lançamento tributário não pode trazer surpresas. Não se aceita, no ordenamento jurídico brasileiro, que se exerça a atividade tributária fora daquilo que a lei permite. E essa impossibilidade está expressamente definida, não só pelo princípio da legalidade constante do art. 150, inciso I da Constituição da República, como também do art. 3º do Código Tributário Nacional, que diz que a atividade tributária é plenamente vinculada à lei. Não pode o lançamento tributário adotar um critério de imputação de receitas na proporção das despesas incorridas, por absoluta ausência de previsão legal para tanto.
ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO. EQUIVALÊNCIA ECONÔMICA DO LANÇAMENTO.
Não se está autorizado, na ordem jurídica brasileira, à análise meramente econômica dos negócios empreendidos, de forma a permitir dizer que, se a totalidade das receitas decorrentes do contrato tivessem sido imputadas à contribuinte, a atribuição de parte dessas receitas também poderia possível, quando o fundamento fático e jurídico que respaldam referidas imputações são diversos. Mormente no caso como o presente, em a imputação de receita omitida equivale aos valores que, em tese, também corresponderiam à despesa, nulificando o efeito fiscal, para fins de lançamento tributário, dos valores considerados segundo a versão fiscal que respalda o lançamento.
RELASSIFICAÇÃO NEGOCIAL.
Segundo o entendimento do CARF, é dado à Administração Tributária reclassificar os negócios formalmente apresentados pelos contribuinte, quando a sua realidade divergir da forma por ele adotada. Todavia, ao fazê-lo, impõe-se necessariamente ao aplicar do direito a análise do negócio jurídico como um todo, de forma a identificar a realidade do negócio realizado, não sendo possível a desconsideração parcial do negócio. A tributação deverá ser apurada a partir da recomposição da totalidade do negócio apurado na realidade, sendo que a insubsistência na descrição do negócio real, diante das provas dos autos, impõe o cancelamento da autuação fiscal.
Numero da decisão: 1401-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva- Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CONSÓRCIO. SOCIEDADE DE PROPÓSITO ESPECÍFICO. DESCARACTERIZAÇÃO. A sociedade de propósito específico podem funcionar como personificação de um consórcio, quando criada por um grupo de empresas com o objetivo de desenvolver determinada atividade específica. Não existe sentido descaracterizar a personificação do consórcio na SPE, para considerála, com suas sócias, parte de um consórcio informal. RECEITAS ORIUNDAS DE CONTRATO. SEGREGAÇÃO NA PROPORÇÃO DAS DESPESAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O lançamento tributário não pode trazer surpresas. Não se aceita, no ordenamento jurídico brasileiro, que se exerça a atividade tributária fora daquilo que a lei permite. E essa impossibilidade está expressamente definida, não só pelo princípio da legalidade constante do art. 150, inciso I da Constituição da República, como também do art. 3º do Código Tributário Nacional, que diz que a atividade tributária “é plenamente vinculada” à lei. Não pode o lançamento tributário adotar um critério de imputação de receitas na proporção das despesas incorridas, por absoluta ausência de previsão legal para tanto. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO. EQUIVALÊNCIA ECONÔMICA DO LANÇAMENTO. Não se está autorizado, na ordem jurídica brasileira, à análise meramente econômica dos negócios empreendidos, de forma a permitir dizer que, se a totalidade das receitas decorrentes do contrato tivessem sido imputadas à contribuinte, a atribuição de parte dessas receitas também poderia possível, quando o fundamento fático e jurídico que respaldam referidas imputações são diversos. Mormente no caso como o presente, em a imputação de receita omitida equivale aos valores que, em tese, também corresponderiam à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 01 09 /2 00 7- 20 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 despesa, nulificando o efeito fiscal, para fins de lançamento tributário, dos valores considerados segundo a versão fiscal que respalda o lançamento. RELASSIFICAÇÃO NEGOCIAL. Segundo o entendimento do CARF, é dado à Administração Tributária reclassificar os negócios formalmente apresentados pelos contribuinte, quando a sua realidade divergir da forma por ele adotada. Todavia, ao fazê lo, impõese necessariamente ao aplicar do direito a análise do negócio jurídico como um todo, de forma a identificar a realidade do negócio realizado, não sendo possível a desconsideração parcial do negócio. A tributação deverá ser apurada a partir da recomposição da totalidade do negócio apurado na realidade, sendo que a insubsistência na descrição do negócio real, diante das provas dos autos, impõe o cancelamento da autuação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 567 3 Relatório Trata o presente feito de pedido de restituição negado pela Autoridade Fiscal, que promoveu a reclassificação das operações realizadas pela Recorrente em empreendimento volta à construção de plataformas de petróleo em águas profundas. O trabalho fiscal empreendido neste feito originouse na análise do processo nº 19404.000358/200298 e resultou no lançamento fiscal realizado no processo nº 15521.000140/200751, cujo mérito também reflete a discussão travada nos pedidos de compensação analisados nos processos 10725.720028200720, 10725.720029200774, 10725.72003200707, 10725.720031200743, 10725.720109200720, 10725.720110200754, 10725.720111200707, 10725.720112200773 e 10725.720113200798, todos julgados conjuntamente tendo em vista a identidade de fatos e de direito aplicáveis ao delisde dos mesmos.. Segundo o termo de verificação fiscal, chamou atenção do Auditor Fiscal responsável pela condução dos trabalhos que a empresa fiscalizada apurou sucessivos prejuízos fiscais em quase todos os trimestres dos anos calendário 2000 a 2005. Na apreciação do processo original (19404.000358/200298), como resumo, temse que a Autoridade fiscal desqualificou o saldo negativo apurado pela Recorrente no 4º trimestre de 2001, por entender que as receitas que decorrentes do Contrato firmado entre as Contratantes Cayman CabiúnasInvestment Co. (“CabiúnasCo.”), Petróleo Brasileiro S.A (“Petrobras”) e as Contratadas Toyo Enginering Corporation (“Toyo Co.”), Setal Overseas Limited (“Setal Overseas”) e a Recorrente não foram rateadas adequadamente. Isso levou à negativa dos demais pedidos de compensação postulados pela Recorrente, assim como a lavratura de auto de infração exigindo o pagamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos anos calendário 2002, 2003 e 2004. O citado contrato tinha como escopo, numa base de preço global, a execução de obras de engenharia, contemplando a preparação dos projetos, o fornecimento de equipamento de construção, suprimento de equipamentos e materiais, construção civil, edificação e montagem a serem realizados pelas Contratadas com a assistência da Petrobras. Em relação à repartição das receitas entre as Contratadas, a Autoridade Fiscal entendeu que a Recorrente excluíra, indevidamente, de sua parte os valores que eram pagos às empresas subcontratadas na execução do “Projeto Cabiúnas”. Partindo dessa premissa, não reconheceu o saldo negativo por ela registrado, e acresceu às receitas tributáveis da empresa no Brasil. Tendo em vista a identidade na descrição fática, adoto e transcrevo o relatório constante do processo nº 19404.000358/200298, que originalmente descreveu as operações com o seguinte formado: Da auditoria Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 k) Relata aquela autoridade que após seguidas intimações para esclarecer a natureza das receitas de exportação da interessada, para as quais foram pedidas prorrogações para respondêlas, foi apresentado pela interessada o contrato de engenharia, suprimento e construção (EPC Contract), celebrado em 01/03/2000 entre Cayman Cabinnas Investiment Co. Ltda. e Petróleo Brasileiro S/A e o consórcio constituído por Toyo Engineering Corporation (TEC), Setal Overseas Limited (Seta]) e Toyo Setal do Brasil Ltda., CNPJ 03.554.6321000195 (fls. 147/174). Da participação das empresas consoante o contrato EPC I) O referido contrato tem como objetivo a execução, por preço global, de obras de engenharia, preparação de projetos detalhados de engenharia das instalações de equipamentos de construção, suprimento de equipamentos e materiais, construção civil, edificação e montagem, e précomissionamento, realizadas em Cabiunas/Macaé e em Duque de Caxias. m) Segundo o contrato, Cayman Cabiúnas Investiment Co. Ltda. e Petrobrás seriam as contratantes, ao passo que o consórcio das empresas Toyo Engineering Corporation (TEC), Setal Overseas Limited (Setal) e Toyo Setal do Brasil Ltda. seriam as contratadas. n) O preço global inicial era de US$ 477.354.000,00, que se compunha de parte em obras e serviços, aquisição de materiais no Brasil e aquisição de materiais fora do Brasil. o) A participação da Petrobrás como contratante davase com relação aos bens imóveis, o que, segundo o contrato, corresponderia a aproximadamente 0,63% do preço global, tendo esse percentual sido alterado para aproximadamente 1,16% em alteração contratual de 25/02/2005. p) A participação da Cayman Cabignas Investiment Co. Ltda., contratante, davase com relação aos bens móveis, o que corresponderia a aproximadamente a 99,37% do preço global. q) Salienta a autoridade que a Petrobrás celebrou em 17/12/1999 com a mesma Cayman Cabiúnas Investiment Co. contrato de arrendamento mercantil com vistas a arrendar esses mesmo bens móveis com desembolsos previstos para o período de 25/08/2001 a 25/08/2009. r) O mencionado contrato EPC previa ainda a Petrobrás como subcontratada do consórcio para execução de unidades/fases específicas. Do consórcio s) Afirma aquela autoridade que a interessada, Toyo Setal do Brasil Ltda, foi constituída com a finalidade de executar, por preço global, a referida obra. t) Participam de seu capital social as empresas Toyo Engineering Corporation (TEC), empresa constituída no Japão, com 60% do capital, e Setal Engenharia Construções e Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 568 5 Perfurações S/A, empresa com sede em São Paulo, com 40 % do capital. u) Segundo a autoridade da DRF, e conforme o contrato EPC, a interessada participa de um consórcio com duas outras companhias: Toyo Engineering Corporation (TEC) e Setal Overseas Limited (Setal), sendo que essa última é uma companhia estrangeira constituída sob as leis das Ilhas Cayman, tendo em seu quadro executivo a participação dos Srs. Augusto Mendonça de Ribeiro e Gabriel Aidar Aboucher, que eram, respectivamente, os vicepresidente e presidente da empresa Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A, integrante do quadro social da interessada. v) Informa a autoridade da DRF que a Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A faz parte do quadro social da empresa Setal Overseas Limited (Setal). w) Afirma a autoridade da DRF que, embora esteja consignado que o contrato se refere a um consórcio dessas empresas, a interessada não se reconhece como dele integrante, mas como resultante desse consórcio. X) A autoridade fiscal relata que em diversas partes do Contrato de Agenciamento para Recebimento de Valores celebrado entre a interessada, o Unibanco e empresa subcontratada, se veria consignado que se trata de um consórcio. y) A autoridade da DRF menciona ainda que os relatórios de auditoria privada das contas da interessada também mencionam que as operações relativas ao contrato EPC são objeto de contrato de consórcio entre a interessada e as empresas Toyo Engineering Corporation (TEC) e Setal Overseas Limited (Setal). Da identificação da participação de cada consorte z) É relatado pela autoridade da DRF que não identificou na Junta Comercial o registro do referido consórcio. Segundo a autoridade da DRF, a interessada informou que não há consórcio constituído. aa) A autoridade da DRF dá conta ainda de que, de modo a identificar a participação de cada consorte nas receitas recebidas das contratantes, a interessada alegara que, conforme artigo 7.3 do contrato EPC, não haveria de reconhecer como sua a totalidade das receitas relativas ao contrato, haja vista que o referido artigo autorizaria que as subcontratadas faturassem diretamente para a Cayman Cabionas Investiment Co., alegando ainda que não fora a tomadora de todas as mercadorias incorporadas ao empreendimento, registrando como receitas apenas a parte que lhe cabia no referido contrato. bb) A autoridade da DRF, então, discordando dessa resposta, argumenta que a interessada, junto com a joint venture das empresas Toyo Engineering Corporation (TEC) e Setal Overseas Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Limited (Setal), se obrigava, como contratada, a executar o empreendimento, e que tal obrigação não foi objeto de cessão ou transferência para terceiros. cc) Informa a autoridade da DRF que fiscalizada reconheceu como receitas suas o valor de US$ 35.142.755,00 (tendo sido ele aumentado para US$ 60.265.590,68, no terceiro trimestre de 2003), apurado com base na relação custo incorrido X custo estimado/orçado. dd) A autoridade da DRF argumenta que, diferentemente das operações em que Petrobrás figura na condição de subcontratada, as demais subcontratações não se referiam a unidades e fases com preços específicos e determinadas no contrato EPC. ee) Entende a autoridade da DRF que essas subcontratações representam meras contratações de pessoas jurídicas pela interessada para fins de prestação de serviços, ou entrega de bens, de modo a que a interessada cumprisse a sua obrigação contratual. ff) Observase que a autoridade da DRF após efetuar diversas intimações às pessoas físicas e jurídicas diretamente envolvidas no empreendimento, concluiu que não foi possível, a partir de informações obtidas dessas pessoas, identificar percentual a ser aplicado sobre o preço contratual, ou mesmo sobre o resultado auferido pelo consórcio, que permitisse se conhecer a distribuição dos rendimentos entre as contratadas. Do percentual de rateio para a determinação da participação de cada consorte. gg) A autoridade da DRF ressalta que do preço global contratado havia a destinação específica para obras e serviços, aquisição de materiais no Brasil e aquisição de materiais fora do Brasil. Isso se dava conforme percentuais destacados abaixo, segundo informações extraídas do contrato de 01/03/2000 e suas alterações em 18/09/2002 e 25/02/2005, tomandose por base os valores devidos pela contratante, Cayman Cabiúnas Investiment CO. hh) Consoante as "Solicitações para Pagamento de Marco", subscritas pelo consórcio e encaminhadas à Cayman Cabiúnas Investiment Co. pela Petrobrás, percebese que inicialmente havia para cada pagamento a descrição do recebedor do valor e da vinculação a uma "descrição do item" ou a "item alegado", o que fazia com que se pudesse identificar se os pagamentos se referiam a equipamentos e materiais adquiridos fora do Brasil, a equipamentos e materiais adquiridos no Brasil, ou a obras e serviços no Brasil. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 569 7 ii) Diz a autoridade da DRF que se verifica ali que os pagamentos requisitados à Cayman Cabirmas Investiment Co. com destinação à joint venture tinham como fundamento ou alegação a aquisição de equipamentos e materiais adquiridos fora do Brasil; contudo, não pareceu crível à fiscalização que todo e qualquer equipamento adquirido fora do Brasil estivesse exclusivamente a cargo das consortes estrangeiras, haja vista que a interessada também efetuara importação no período, conforme os valores de Imposto de Importação e de IPI vinculados ao seu resultado no período. ã) Diante disso, a autoridade da DRF conclui que a vinculação dos pagamentos segundo a destinação acima não se mostra como critério razoável de rateio das receitas do contrato. kk) Por sua vez, os pagamentos efetuados e informados à fiscalização pela contratante Cayman Cabiúnas Investiment Co. foram encaminhados no período de 30.05.2001 a 16.03.2005 a quatro favorecidos específicos, a saber: (i) à fiscalizada Toyo Setal do Brasil Ltda. via UNIBANCO em Nova York/EUA; (ii) à Petrobrás no BB no Brasil (ocupou, por previsão expressa no contrato, a posição de subcontratada para a execução de unidades e fases definidas no próprio contrato); (iii) A Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A via UNIBANCO ou via BANCO DE CRÉDITO NACIONAL ambos em Nova York/EUA (ocupou segundo a interessada, a posição de subcontratada); e (iv)à joint venture formada por Setal Overseas Limited e Toyo Engineering Corporation em Tókio, Japão (as duas outras consortes), refletindo nas participações, respectivamente, de 33,35%, 48,78%, 9,27% e 8,61% no valor total desses pagamentos. ll) Segundo ainda a contratante, Cayman Cabiúnas Investiment Co., ela não dispõe das fotocópias dos comprovantes, tais como: Notas Fiscais, invoices, contratos de câmbio e outros, relativamente aos pagamentos efetuados em favor da interessada, pois os pagamentos eram feitos por meio de transferência bancária e não eram realizados pela Cayman Cabiúnas Investiment Co. As informações relativas aos pagamentos eram enviadas pela Petrobrás ao representante dos bancos (Intercreditor Agents Bank of Tokyo), que, por sua vez, Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 efetuava os pagamentos. A contratante esclareceu que era apenas informada sobre os pedidos de pagamento, de modo que não dispõe dos documentos comprobatórios desses pagamentos. Com efeito, em se tratando de informações prestadas pela contratante empresa diversa da interessada a autoridade da DRF entendeu que também não seria razoável a adoção desse critério com vistas ao rateio pretendido. mm) Ao final, entendeu a autoridade da DRF que o critério de rateio deveria ser amparado por documentos e informações apresentados neste procedimento pela própria interessada. Nessa linha, tomaramse por fundamento as "Solicitações para Pagamentos de Marco" por ela apresentadas, sendo que os referidos documentos, emitidos, a rigor, mensalmente no período de 31.05.2000 a 03.06.2005, vale dizer, no decorrer da execução do empreendimento, foram subscritos, como regra, pelo consórcio e encaminhados à Cayman Cabiánas Investment içz Co pela Petrobrás, após o "de acordo" desta última, na qualidade de "fiscal da obra" ou "representante da Cayman Cabiúnas para assuntos técnicos". nn) De forma agregada, assim foram distribuídos os pagamentos efetuados pela Cayman Cabiúnas, segundo as informações extraídas dessas Solicitações para Pagamento e apresentadas pela própria interessada, conforme a tabela abaixo: oo) Observa a autoridade da DRF que a destinação dos pagamentos, segundo aquelas solicitações, coincide com aquela informada pela contratante Cayman Cabiánas, ou seja, também se referem: à joint venture formada pelas duas outras consortes — Toyo Engineering Corporation (TEC) e Setal Overseas Limited (Seta!); à TSDB (corresponde à ToyoSetal do Brasil Ltda, a interessada); à Petrobrás (funcionou como subcontratada, segundo o contrato); e à Setal (corresponde à Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A, integrante do quadro societário da interessada funcionou, segundo alegação da própria interessada, como subcontratada para o empreendimento). pp) A autoridade da DRF registra que a interessada fora intimada a, inclusive, esclarecer onde era estabelecida à época do empreendimento a TSJV, bem assim apresentar planilha informando os pagamentos mensais em Dólar efetuados pela Cayman Cabiúnas Investiment Co. à Petrobrás, à TSJV, à Selai e à Setal(M), relacionados ao contrato, com a indicação da data, nome do banco, agência, conta e país de cada beneficiário. Como resposta, a interessada prestouse a informar a sede de Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 570 9 cada uma das duas companhias constituintes da joint venture (Setal Overseas Limited (Setal) e Toyo Engineering Corporation (TBC)), muito embora tanto as Solicitações para Pagamento subscritas pelo consórcio, quanto às informações prestadas pela Cayman Cabiúnas Investiment Co. , referiremse a "joint venture of Toyo Engineering Corporation and Setal Overseas Limited" como nome do recebedor e a um único número de cliente. Reportouse a interessada, quanto às informações bancárias dos "recebedores", à "Planilha de composição dos valores contratuais , bem como a "carta de solicitação de pagamento" (Requisições para Pagamento). Observa a autoridade da DRF que tanto na "carta de solicitação de pagamentos", quanto nas informações prestadas pela Cayman Cabiúnas Investiment Co. , constava entre os "Bank Details of Payee" (detalhes do banco do recebedor) o Japão, como sendo o pais do banco do recebedor, quando se referia à joint ventura qq) A autoridade da DRF conclui que, a partir dos esclarecimentos e documentos acima citados, inferese que dos 4 (quatro) "beneficiários", 2 (dois) corresponderiam a subcontratados (Petrobrás e SETAL) e, os outros 2 (dois) às empresas integrantes do consórcio contratado (joint venture e Toyo Setal do Brasil Ltda.), sendo que, no que se refere a esses dois últimos, os pagamentos efetuados em favor da joint venture foram encaminhados ao Japão. rr) Nesse sentido, a autoridade da DRF tomou como premissa que os valores componentes da base para determinação do percentual de rateio deveriam ser tão somente aqueles relacionados às empresas integrantes do consórcio contratado (JV e TSDB), pois os demais valores, relacionados a subcontratadas, deveriam ser rateados entre as consortes. Dessa forma, a autoridade da DRF chegou aos percentuais de rateio para participação nas receitas e custos/despesas do empreendimento da ordem de 21.668%, para a joint venture, e de 78,332% e Toyo Setal do Brasil Ltda.. Vide planilha abaixo: ss) Então, aquela autoridade imputa à fiscalizada o percentual de 78,332% como participação nas receitas e custos/despesas do empreendimento, devendo então a interessada, além das receitas relativas aos pagamentos já feitos em seu favor, reconhecer Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 como suas o valor resultante da aplicação do percentual de 78,332% sobre os pagamentos solicitados junto à contratante em favor de subcontratadas, excetuados os valores pagos à Petrobrás. Das subcontratações tt) A autoridade da DRF destaca que a interessada se baseou no que diz o artigo 7.3 do EPC Contract para alegar que o contrato autorizava o faturamento das subcontratadas diretamente à contratante, Cayman Cabiúnas Investiment Co., e que não é ela, a interessada, a beneficiária dos serviços prestados por esses subcontratados, nem adquiriu as mercadorias incorporadas ao empreendimento. uu) Aquela autoridade esclarece que, afora as subcontratações previstas no contrato (Petrobrás), a obra foi contratada por preço global e foi executada por fases e unidades. Dessa forma, a relação jurídica oriunda do contrato posicionou o consórcio (fiscalizada aí incluída) como sujeito obrigado à prestação contratual; logo, o fato desse consórcio ter subcontratado empresas para prestar serviços ou fornecer materiais vinculados à obra contratada não altera essa relação juridica. vv) Para autoridade da DRF, é o consórcio que tinha a obrigação de executar a obra, responsabilizandose judicialmente, no caso de descumprimento do contratado. Essa situação não muda com o fato de pagamentos de subcontratados terem se dado diretamente a esses e por esses faturados diretamente à contratante. ww) Destaca aquela autoridade que entre os subcontratados houve até quem pleiteasse ressarcimento de IPI por venda ao exterior, quando de fato a mercadoria foi entrega no estado do RJ. Da Petrobrás como subcontratada. xx) A Petrobrás fora subcontratada para executar as obras relacionadas especificamente à Fase Um (PQZ), à Fase Três Conexões e à Fase Quatro do empreendimento, tendo a Petrobrás recebido por essas fases os valores respectivos de US$ 109.350.000,00, US$ 7.029.436,00 e US$ 159.600.000,00. yy) Aquela autoridade entendeu que a subcontratação da Petrobrás demonstrou estar direta e contratualmente vinculada a unidades/fases da obra, inclusive com atribuição contratual do preço certo; logo, os valores relativos a essa subcontratação foram excluídos daqueles atribuídos ao consórcio. Das demais subcontratações zz) A autoridade da DRF, reproduzindo praticamente na integra artigos do Contrato EPC que tratam das obrigações e da responsabilidade civil das partes contratadas, afirma que se percebe ali que o consórcio contratado exercia a plena ingerência na disponibilidade jurídica no recebimento das receitas do contrato, o que faz distinguir essas receitas de meras Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 571 11 entradas financeiras, bem como fica ali clara a responsabilidade civil do consórcio nos casos ali previstos. aaa) Aquela autoridade faz o destaque de excerto do artigo 16.1 do contrato, o qual diz que "... as empreiteiras [consórcio] poderão subcontratar parte das obras abrangidas por este contrato a terceiro subcontratado, mas as empreiteiras permanecerão inteiramente responsáveis perante a proprietária pela execução das obras de acordo com este contrato. No caso de uma subcontratação, a despeito de qualquer disposição contrária aqui contida, ou qualquer subcontrato relevante, i) as empreiteiras permanecerão inteiramente responsáveis perante a proprietária e a Petrobrás pela execução das obras e pelo cumprimento de suas obrigações segundo o disposto neste contrato, ii) as empreiteiras não serão exoneradas de qualquer responsabilidade civil aqui prevista em decorrência da referida subcontratação, qualquer ato ou omissão de qualquer subcontrato será considerado corno um ato ou referência contida neste instrumento às empreiteiras será considerada como incluindo uma referência a qualquer subcontratado relevante quando o contexto assim o requeira." (sic) bbb) Destaca ainda a autoridade da DRF os artigos do contrato que determinam que todos os encargos e seguros relativos à obra correm por conta do consórcio (empreiteiras), excetuados os que se referiam às fases e unidades vinculadas à Petrobrás. ccc) Mais ainda, aquela autoridade faz menção ao artigo 19 do contrato, o qual diz que cessão dos direitos e obrigações advindos do instrumento só se daria mediante autorização das contratantes (Petrobrás e Cayman CabiUnas Investiment Co. ) ddd) Observa a autoridade da DRF que quando intimada a informar se teria havido alguma cessão de obrigação oriunda do mencionado contrato, a interessada informou que os documentos relativos às suas receitas poderiam ser encontrados em determinado escritório mas que chegando lá, tais documentos não estavam à disposição do fisco. eee) Quando intimada a apresentar todas as notas fiscais e contratos celebrados com as subcontratadas, a interessada apresentou 41 pastas relativas a 19 fornecedores, sendo que ali não se verificavam contratos, mas algumas notas fiscais emitidas por fornecedor diretamente à Cayman Cabilinas Investiment Co. no exterior, sendo que, afirma aquela autoridade, teria sido impossível descobrir, a partir dessa documentação desconexa, a identificação dos serviços contratados ou dos produtos adquiridos relativamente à determinada fase ou unidade específica. fff) Informa a autoridade da DRF que a interessada, durante o procedimento, apresentou contratos de câmbio e invoices dando conta do recebimento no período de 2000 a 2005 de US$ 156.586.203,12, o que corresponderia a R$ 373.157.434,09, sendo que nesse mesmo período a interessada reconhecera como "receita de exportação" apenas o valor aproximado de R$ Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 164.238.641,97, conforme suas declarações. Conforme arquivos magnéticos apresentados, suas receitas de exportação levadas a resultado foram somente de R$ 152.781.843,02, no período de 2001 a 2005, sendo que foram observados no período de 2001 e 2005, conta "11120001 — Banco Unibanco" ingressos de numerário no valor total de R$ 326.188.845,94, aí inclusos os lançamentos relacionados à Petrobrás e à Cayman Cabrnnas Investiment Co. Menciona ainda aquela autoridade que as "solicitações de pagamento" em conta em seu favor foram da ordem de US$ 202.312.709,22 e em favor de empresa integrante de seu quadro social (Setal Construções) foi de US$ 55.278.500,00. ggg) A autoridade da DRF argumenta que, conforme se observa nessas "solicitações de pagamento", os pagamentos encaminhados à fiscalizada o foram à sua conta e ordem, cabendo a ela efetuar os repasses dos valores relativos às subcontratações, percebendo ainda nessas "solicitações de pagamento" se fez o uso da conta Unibanco n° 50 740 000 783, código chave DICBLUS33. hhh) Registra aquela autoridade que, quando intimada a comprovar a que se deveram os pagamentos no montante de US$ 55.278.500,00 feitos pela Cayman Cabiúnas Investiment Co. diretamente em favor da empresa Setal Engenharia Construções e Perfurações em contas do Unibanco e BCN em Nova York, haja vista não ser essa empresa contratada, a interessada alegou (fls. 2881 e ss) que eram serviços prestados por aquela empresa diretamente à Cayman CabiúnasInvestiment Co., com amparo no artigo 7.3 do Contrato EPC, não havendo instrumento de subcontratação. iii) A autoridade da DRF comenta que, a seu ver, tanto a interessada quanto a Setal Engenharia, ambas com contas no exterior, fechavam os contratos de cambio sob os valores lá recebidos somente nos montantes suficientes para honrar no Brasil compromissos decorrentes de custos e despesas contabilizados. Vale dizer, haja vista inexistir contrato definindo nem a participação da interessada no consórcio nem os critérios em que foram distribuídos esses pagamentos, entende aquela autoridade que a interessada só registrou receitas da atividade na medida suficiente a saldar seus passivos financeiros contabilizados. jjj) É também observado pela autoridade da DRF que, à luz do Contrato de Agenciamento para Recebimento de Valores, no qual o Unibanco funcionou como agente recebedor das importâncias devidas à fiscalizada, podese perceber que a Toyo Setal do Brasil Ltda., como representante do consórcio, era quem cabia dispor da destinação dada aos pagamentos recebidos em ser favor em conta do referido banco em Nova York, ficando claro ali, inclusive, que a interessada era responsável por parcela significativa dos encargos devidos por conta desse agenciamento. kkk) Aquela autoridade aduz que, em verdade, mesmo existindo subcontratações, os pagamentos, com exceção daqueles enviados diretamente à Petrobrás, à joint venture e à Setal Engenharia Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 572 13 Construções e Perfurações S/A, foram todos disponibilizados diretamente à fiscalizada por meio de conta do Unibanco em Nova York. 111) Alerta a autoridade para o fato de as empresas indicadas como subcontratadas emitirem notas fiscais/fatura em favor da contratante Cayman Cabilinas Investiment Co. no exterior, muito embora a 1ª via desses documentos ter sido encaminhada, de fato à fiscalizada, fato que, ao ver da autoridade da DRF, faz concluir que as subcontratadas não mantinham, em verdade, relação jurídica com a contratante Cayman Cabillmas Investiment Co mas sim com o consórcio representado pela interessada. Da apuração das receitas mensais apuradas com base no custo incorrido/orçado mmm) Aquela autoridade informa que a interessada, mesmo reiteradamente intimada a comprovar como apurou os custos estimados, os custos incorridos, o preço total e eventuais reajustes por cada fase e unidade e suas receitas e resultados relativamente a cada fase e unidade do empreendimento, prestouse a tão somente a apresentar documento intitulado "Demonstrativo de Cálculo do IRPJ e da CSLL", no qual reconheceu como receita global do contrato para os meses de junho a dezembro de 2000, para os quatro trimestres de 2001 e primeiro trimestre de 2002, apenas o valor de US$ 35.142.755,00. Para os segundo, terceiro e quarto trimestres de 2002, reconheceu o valor de US$ 40.390.275,26. E para os primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2003 o valor de US$ 60.265.590,68. Sendo que esse demonstrativo apresentase em números fechados, e ali se vê que os custos representam 97,8950% das receitas reconhecidas. nnn) Ao ver daquela autoridade, os referidos demonstrativos resumidos não tiveram a capacidade de demonstrar os custos estimados/orçados pela interessada, bem assim seus custos incorridos para todo o empreendimento. 000) A autoridade salienta ainda que a par da insuficiência de esclarecimento quanto a forma de apuração do IRPJ e da CSLL, o fato de a interessada em suas respostas mencionar que apurou os tributos na forma da IN SRF n° 21/1979 nada esclarece, visto que a norma, inclusive, prevê duas maneiras de determinação das receitas tributáveis em contratos dessa natureza. ppp) A autoridade da DRF salienta que, uma vez intimada a interessada a apresentar os relatórios mensais de avanço da obra, como prevê o contrato, acompanhados das notas fiscais emitidas por ela ou por suas subcontratadas, seja para a Petrobrás, seja para a Cayman Carminas Investiment Co., consoante os pagamentos recebidos, essa respondeu que esses documentos encontravamse à disposição em determinando endereço, mas que, diz aquela autoridade, tais documentos ali não estavam disponibilizados. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 qqq) Salienta a autoridade da DRF que a interessada, além de não apresentar os custos por ela incorridos no empreendimento, nem mesmo com relação à sua participação na obra, determinava a apropriação de suas receitas ora com base na relação custo incorrido x custo estimado/orçado, ora com base em medições da obra (progresso fisico), como se pode ver no lançamento descrito por aquela autoridade às fls. 65. rrr) Sem poder seguir qualquer opção do contribuinte pela forma de apropriação das receitas, a autoridade da DRF também, mesmo após intimação, recebeu resposta da interessada informando que não poderia apresentar percentuais de evolução da obra, como requisitado, pois isso representaria a reconstituição do progresso fisico do empreendimento. Ainda, a DRJ que julgou este feito complementa o seguinte: jjj) A fiscalização informa então que, considerando que contratualmente (artigos 14 e 15) era quem emitia certificado de aceite das fases do empreendimento e recebia os relatórios de progresso mensal da obra, bem como era quem encaminhava ao proprietário as requisições de pagamento subscritas pelo consórcio, intimou a Petrobrás a apresentar planilha – segundo modelo de fls. 3.703 com os detalhamentos do andamento da obra por unidade/fases, em função do progresso físico da empreitada. 1(1(k) A Petrobrás, então, apresentou (fls. 2803/2810, vo. XV) os percentuais de realização da obra acumulados no período de dezembro de 2001 a dezembro de 2004, ressalvando que com relação às URL — U206 — unidade 5(i) e URL U208 (half) unidade 5 (ii), bem como no que tange aos OSDUC II — unidade 7 e Category I & II works + capacity study, haja vista que não havia acompanhamento a nível de etapas e, sim, de unidades, a fiscalização informa que se utilizou — para essas etapas — dos percentuais de evolução da obra informados pela Petrobrás relativamente a cada uma dessas unidades, consoante as planilhas de I a III (fls. 3718/3720, vol. XIX). A partir dessas planilhas, a fiscalização obteve os percentuais mensais constantes das planilhas IV a VI (fls. 3721/3723). 111) Com relação ao valor de US$ 22.162.522,00 relativo às denominadas Change Orders (Category I & II works + capacity study), a Petrobrás informara que efetuara pagamentos à fiscalizada conforme notas fiscais listadas abaixo — no montante de US$ 11.672.897,17; assim, a fiscalização entende que essa fração do total das Change Orders referiase à parcela nacional. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 573 15 mmm) A fiscalização informa então que, utilizandose dos valores globais das unidades a cargo do consórcio, e segregandoos segundo as correspondentes contratantes (Petrobrás — bens imóveis e parcela nacional das Change Orders, e Cayman Cabiúnas Investiment Co. — bens imóveis e parcela estrangeira das Change Orders), após a aplicação dos respectivos percentuais de evolução fisica — a teor do art. 407, I, § 1°, II, do RIR, de 1999, chegouse aos valores mensais das receitas que deveriam ter sido reconhecidas pelo consórcio, consoante planilhas VII a XII (fls. 3724/3729). Sobre esses valores mensais, já acumulados por trimestre, aplicouse o percentual de 78,332% como participação da fiscalizada nas receitas auferidas no empreendimento. nnn.) Uma vez, segue a fiscalização, que a fiscalizada informara que todas as suas receitas decorriam do referido contrato, foi procedido ao cotejo dessas receitas apuradas com as receitas declaradas na DIPJ, apurandose então, omissão de receitas conforme planilhas XIII a XVIII (fls. 3730/3735). ooo) A fiscalização informa que, após seguidas intimações à fiscalizada, notadamente a intimação de fls. 2876/2877, vol XV, para que ela apurasse o resultado auferido pelo consórcio e por ela individualmente, relativamente ao projeto Cabiúnas, de forma a registrar todos os custos, receitas e despesas nos anos de 2001 a 2004, bem com apurar o resultado auferido pela interessada, no que toca somente à sua parte no consórcio, a fiscalizada não teria procedido como requerido, conforme resposta de fls. 2881/2882. ppp) A fiscalização registra (fls. 3708/3709, do TVF) a seqüência de intimações à fiscalizada, em relação às quais essa não teria respondido satisfatoriamente as demandas do fisco. Salienta ainda aquela autoridade que diante da estrutura contábil certamente mobilizada pela interessada, é razoável entender que sem a ajuda da própria fiscalizada é impossível ao fisco correlacionar os custos e despesas incorridos às suas receitas respectivas, ainda mais quando se leva em conta o progresso físico da obra. Da Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A qqq) Aduz a fiscalização que, reforçando a conclusão de que os lançamentos contábeis da fiscalizada não eram lastreados por documentos hábeis, intimou a fiscalizada (fls. 2900, vol XV) a Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 esclarecer a razão os débitos na conta 11120001 — Banco Unibanco relacionados à Setal Engenharia, Perfurações e Construções S/A no período de 2002 a 2005. A fiscalizada respondeu (fls. 2918) apresentando contrato, em inglês, entre a fiscalizada e a mencionada Setal Engenharia, sem tradução, bem como cópias de diversos invoices (fls. 2949/3145) e notas fiscais (fls. 3146/3199) emitidas pela Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A, sendo que a grande maioria delas em favor da Cayman Cabiúnas Investiment Co., não obstante parte significativa dos pagamentos identificados (R$ 67.174.525,97) ter sido feita a partir da conta bancária da interessada, tendo ainda identificado ali notas fiscais em favor da fiscalizada no valor total de somente R$ 5.993.351,25 (fls. 2944). rrr) Quanto aos invoices (fls. 2949/3145, vols. XV e XVI), a fiscalização salienta que várias delas apresentamse sem assinatura, sem valor correspondente em reais, ou mesmo sem valor em dólares, embora todas se destinassem à Cayman Cabiúnas Investiment Co. sss) Nesse ponto a fiscalização observa, que diante desses fatos, verificouse que a Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A recebeu pagamentos diretos da Cayman Cabiúnas Investiment Co. , mas parte significativa dos pagamentos foi efetuada a partir da conta bancária da fiscalizada, sem lastro em documento fiscal emitido em seu favor, como se observa no quadro abaixo: Da escrituração ttt) A fiscalização dá conta de que, além da impossibilidade de identificar os reais custos, despesas e receitas incorridos e auferidos no empreendimento, a fiscalizada não apresentou o livro Razão impresso, embora obrigada, bem ainda, salientou a fiscalização, que as observações registradas no Lalur não condiziam com as constantes dos balancetes trimestrais constantes do livro Diário, conforme demonstrativo de fls. 3711. uuu) Infouna o fiscal também que a apresentação dos referidos balancetes trimestrais (fls. 218/235, vol.II, e 1231 e ss, vol VII) não obedeceu levantamento nos moldes que preceitua a Lei n° 6.404, de 1976, bem como nos balancetes de 2002 e 2003 as contas de resultado não traziam seus saldos zerados, como Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 574 17 também, nas páginas indicados no Lalur (fls. 269 e ss), não constava sequer o registro desses balancetes. Do arbitramento vvv) Tendo em vista esses fatos, a fiscalização arbitrou o lucro nos trimestres abrangidos pela fiscalização (vide planilhas XIII e XVIII, fls. 3730/3735, vol. XIX), com fulcro nos inciso I e II, alínea "b", e VII, do art. 74 da Lei n° 8.981, de 1995, c/c arts. 247, §1 0 , e 248, ambos do RIR, de 1999. Dos percentuais de arbitramento www) Com fulcro nos arts. 15, 16 e 20 da Lei n° 9.249, de 1995, foi usado como percentuais de arbitramento do lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e CSLL os índices de 9,6% e 12%, respectivamente. xxx) Lembra a fiscalização que, seguindo a legislação que cita, foram adicionados à base de cálculo arbitrada os ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, deduzindose ainda os débitos declarados em DCTF, bem como os valores de IRRF. Da Cofins e do PIS/Pasep yyy) Salienta o fiscal autuante que esses tributos só incidiram sobre as receitas advindas da contratante Petrobrás e que estivessem relacionadas aos chamados bens móveis (US$ 3.600.000,00) e à parcela nacional das chamadas Change Orders (US$ 11.672.897,17). Da responsabilidade solidária da Seta! Engenharia Construções e Perfurações S/A zzz) Diante dos valores recebidos pela Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A diretamente da contratante Cayman Cabiúnas Investiment Co., sem que figurasse como contratada, bem assim diante do fato de ter recebidos pagamentos por meio da contabilidade da fiscalizada em valores significativamente superiores aos documentos emitidos à mesma fiscalizada, e conforme os demais pontos salientados no TVF, entendeu a fiscalização que a Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A tem interesse na situação que constitui os fatos geradores apurados; logo, foi essa empresa objeto de Termo de Sujeição Passiva Solidária, como se vê às fls. 3738/3740. Da multa por atraso/não apresentação de arquivos magnéticos. aaaa) A fiscalização aduz que a fiscalizada foi intimada — em diligência fiscal – em 24/05/2006 a apresentar seus arquivos magnéticos; todavia, decorrido o prazo da apresentação, foi reintimada a fiscalizada em 08/09/2006 para os mesmos fins, sem que nada fosse apresentado ou esclarecido. O mesmo se deu com a reintimaçao de 28/11/2006. bbbb) A fiscalização acrescenta que somente já em sede de fiscalização, e 49 dias após o prazo de 20 dias estabelecido em Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 nova intimação de 6/12/2006 (fls. 15/16, prorrogada em 26/12/2006, fls. 18/19) é que a fiscalizada apresentou os referidos arquivos magnéticos. Em vista disso, foi aplicada a multa específica por essa infração, como se pode ver no TVF, fls. 3.717. Em sua defesa, a contribuinte apresentou defesa com os seguintes fundamentos: Considerações iniciais i) que a empresa, na condição de Contratada, celebrou o Contrato de Engenharia, Suprimento e Construção ("Contrato EPC" doc. n° 5 em português e inglês) com as contratantes Cayman Cabiunas Investment Co. ("Cayman Co.") e Petróleo Brasileiro S/A ("Petrobras"). As outras contratadas no Contrato EPC ao lado da ela, impugnante, eram as empresas Toyo Co. E Setal Overseas Limited ("Setal Overseas"); ii) que a Petrobras assumiu uma posição híbrida nessa relação contratual, pois, além de Contratante, figurava como subcontratada nomeada pela Cayman Co. no próprio Contrato EPC, fazendo jus ao recebimento de uma parcela dos valores acordados; iii) que o Contrato EPC fixava a Petrobras como subcontratada (Cláusulas 5.1 e 16.3) para a execução de parte do projeto, e previa, em sua Cláusula 7.3, a possibilidade de outras subcontratadas executarem parte do projeto em favor das contratantes e, nesse caso, tais subcontratadas iriam faturar diretamente a Contratante Cayman Co. A Setal foi uma das outras subcontratadas; iv) que o preço global do Contrato EPC era inicialmente de US$ 477.354.000,00, a ser rateado entre as contratantes (e também entre as subcontratadas, em virtude da mencionada Cláusula 7.3), conforme as suas obrigações na execução do Projeto, e que esse valor foi aumentado para US$ 573.670.000,00 e US$ 599.167.148,00 nas alterações contratuais de 18/9/2002 e 25/2/2005, respectivamente; v) que a participação da Cayman Co. nesse preço global era de 99,37% e a da Petrobras de 0,63%, tendo esse percentual aumentado para 1,16% após a última alteração contratual. vi) que os pagamentos efetuados pela Cayman Co. foram direcionados a ela, impugnante, à Toyo Co., à Setal Overseas, à Petrobras (subcontratada) e à Setal (subcontratada), nos seguintes valores: (a) ela, impugnante: US$ 191.819.811,22; (b) Toyo Co. e Setal Overseas: US$ 57.891.401,94; (c) Petrobras: US$ 287.632.334,00; e Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 575 19 (d) Setal Engenharia: US$ 54.878.500,00; vii) que os valores entregues a ela, impugnante, eram depositados numa conta bancária Unibanco nos Estados Unidos da América, sendo que apenas parte dos valores recebidos constituíam receita própria; viii) que parte desses valores lhe era entregue pela Cayman Co. para que, por conta e ordem dessa, os disponibilizasse às subcontratadas, e que, dessa forma, do total recebido por ela, US$ 60.265.590,68 era receita e o restante foi repassado às subcontratadas, por conta e ordem da Cayman Co; ix) que os valores computados como receita diziam respeito aos valores recebidos em decorrência das atividades executadas por ela em favor das contratantes; x) que suas receitas foram oferecidas à tributação regularmente nos anoscalendário objeto do auto de infração (2002 a 2004), de acordo com o regime de competência e levando em consideração a execução de partes do projeto que lhe competiam, conforme identificado na tabela anexa (doc. n° 8, fls. 4416 e ss, vol. XXIII), a participação das empresas no preço global foi a seguinte: (a) ela, impugnante: US$ 60.265.590,68; (b) Toyo Co. e Setal Overseas (denominadas em conjunto "TSJV", pois tais empresas constituíram uma joint venture no exterior): US$ 57.891.401,94; (c) Petrobras: US$ 279.314.562,00; e (d) Setal Engenharia: US$ 87.736.503,55 xi) que o restante dos valores que completava o preço global constituia receita das demais subcontratadas; xii) que a autoridade fiscal, para lavrar o auto de infração, trilhou longo e equivocado raciocínio, consubstanciado no Termo de Verificação Fiscal;, que pode ser resumido nos seguintes teiMOS: xiii) inicialmente, a autoridade fiscal alega que teria chamado a sua atenção o fato de ela, impugnante, ter apurado prejuízo operacional em praticamente todos os trimestres do período de 2000 a 2005, conforme informações extraídas das suas Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIPJ); xiv) que as contratadas foram denominadas incorretamente de "Consórcio" pela autoridade fiscal, já que não houve nenhum consórcio na acepção legal da palavra; xv) que em relação à repartição das receitas entre as contratadas por força do Contrato EPC, a autoridade fiscal entendeu que ela, impugnante, teria excluído da sua parte, de Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 20 forma indevida, os valores que eram pagos às subcontratadas do projeto Cabiúnas; xvi) que as subcontratadas eram empresas que executavam parte das obrigações previstas no Contrato EPC e, conforme expressa autorização contratual, faturavam diretamente à Cayman Co. As subcontratadas eram basicamente as empresas Petrobras (que, conforme mencionado acima, tinha uma participação híbrida, atuando como Contratante e subcontratada) e Setal Engenharia, além de outras empresas que executaram parte do projeto previsto no Contrato EPC, mas com uma participação menos relevante; xvii) que, seguindo o equivocado raciocínio de que as contratadas deveriam contabilizar como receitas os valores pagos às subcontratadas, a autoridade fiscal imputou a ela, impugnante, o total de 78,332% do preço global do Contrato e à joint venture formada pelas contratadas Toyo Engineering Corporation (TEC) e Setal Overseas Limited (Setal), 21,668%, sendo que a conta feita pela autoridade foi simplesmente dividir entre as contratadas o valor pago às subcontratadas, levando em consideração o percentual original de cada contratada; Da inexistência de consórcio xviii) que não há e nunca houve a constituição de um consórcio entre ela, impugnante, e a Toyo Co. e a Setal Overseas, nos moldes estabelecido nos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404, de 15.12.1976 ("Lei das S/As."); xix) que toda a polêmica em torno dessa questão surgiu de um simples erro material do Contrato EPC, que, no preâmbulo da sua versão em inglês, equivocadamente se referiu às três sociedades como "Consortium" ("Consórcio", assim traduzido equivocadamente para o português); xx) que a adoção de um consórcio no sentido legal do termo somente teria ocorrido se as partes houvessem celebrado um contrato de consórcio propriamente dito, fixado nos termos do artigo 279 da Lei das SAs; xxi) que, muito embora não tenham constituído um consórcio, as três sociedades contratadas tiveram as suas obrigações fixadas no próprio Contrato EPC e auferiram as receitas conforme as atividades que lhe incumbiam em face das contratantes, regidas pelas regras de direito civil (liberdade de contratar); xxii) que, na ordem jurídica brasileira, as partes podem fixar seus interesses e obrigações com liberdade; xxiii)que o Contrato EPC, firmado entre ela, impugnante, e as demais partes, prevê expressamente, em sua Cláusula 7.3, a possibilidade de parte dos serviços e bens serem efetuados e fornecidos por outras empresas (subcontratadas) e, por conseguinte, serem faturados diretamente à Cayman Co, sendo essa founa contratual absolutamente válida e não encontra nenhum impedimento na legislação civil ou tributária; Fl. 385DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 576 21 xxiv) que, por essa razão, as autoridades fiscais não podem desconsiderar tal formato negocial e determinar que ela, impugnante, reconheça como receita os valores pagos pela Cayman Co. às subcontratadas, mesmo que esse pagamento tenha sido feito diretamente pela Cayman Co, ou por intermédio dela, impugnante, que atuou como gestora de parte dos valores pagos pela Cayman Co., repassando os valores às subcontratadas; xxv) que a forma "proposta" pela autoridade fiscal foi criada com a única finalidade de impor uma tributação que (em tese) seria mais onerosa a ela, impugnante. No entanto, tal forma contraria a estrutura absolutamente lícita criada pelas partes do Contrato EPC, e, conseqüentemente, viola o princípio civil da liberdade de contratar; xxvi) que a estrutura criada por ela, impugnante, é absolutamente lícita e não esbarra em qualquer impedimento legal; logo as autoridades fiscais não podem descaracterizála e lhe impor que reconheça como receita própria valores que juridicamente não são receitas suas; xxvii)que nem toda entrada de recursos nas contas da sociedade pode ser caracterizada como "receita" para fins jurídicos, mas somente aquelas que ingressam em caráter definitivo; xxviii) que só se considera como receita o ingresso de dinheiro que venha a integrar o patrimônio da entidade que o recebe. Vale dizer que nem toda entrada de dinheiro no universo da disponibilidade da empresa pode ser considerada receita para fins de incidência tributária. Somente aquela entrada que configure uma entrada definitiva resultante da exploração da atividade social da pessoa jurídica é receita para fins tributários; xxix) que mesmo a forma de contabilização de um determinado valor não é suficiente para determinar se algo é renda, receita ou faturamento, pois tal forma é irrelevante para a definição do conceito; xxx) que não se pode admitir que algo que não seja receita possa ser considerado como tal apenas pelo fato de ter sido tratado como tal nos registros contábeis; xxxi) que os ingressos financeiros transitórios em uma pessoa jurídica que se destinam a remunerar atividade de outro destinatário não podem ser considerados receita; xxxii) que, conforme legislação que cita, a receita deve estar intimamente relacionada à contrapartida de um negócio jurídico que envolva a transferência de bens e direitos ou a remuneração pela cessão onerosa de direitos; xxxiii) que para a apuração da base de cálculo dos tributos, a receita bruta é considerada como o produto da venda, o preço Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 22 dos serviços prestados ou o resultado auferido nas operações; logo, a receita tributável deve ser aquela proveniente de atividades efetivamente exercidas pela pessoa jurídica e não meros valores que transitam em sua contabilidade, conforme jurisprudência administrativa que transcreve; xxxiv)que os valores pagos às subcontratadas não constituem receitas suas; xxxv) que nenhum dos dispositivos do RIR, de 1999, que tratam de omissão de receitas pode ser aplicado ao caso, pois toda sua escrituração foi elaborada de modo a refletir as transações efetuadas, sendo registrado como receitas suas apenas aqueles valores que diziam respeito aos serviços por ela prestados dentro do Contrato EPC, e como despesa apenas aqueles valores incorridos por ela, impugnante, na prestação dos serviços, ressalvando que todas as notas fiscais foram devidamente emitidas; xxxvi)que os valores depositados na sua conta no Unibanco nos Estados Unidos estão comprovados, de modo que não há que se falar em omissão de receitas, sendo que os valores que foram pagos diretamente às subcontratadas ou a elas repassado por ela, impugnante, nunca integraram sua receita; xxxvii)que a cláusula 7.3 do Contrato EPC já previa a possibilidade de as subcontratadas realizarem parte das obrigações previstas no Contrato e de faturarem diretamente a Cayman Cabiúnas Investiment Co; xxxviii) que o Contrato EPC já previa as condições para a criação de um vínculo jurídico entre as subcontratadas e as contratantes. De fato, as subcontratadas executavam diretamente em favor das contratantes, e não das contratadas, parte das obras que estavam previstas no Contrato EPC e por isso faturavam diretamente a Cayman Cabiúnas Investiment Co; xxxix)que, ao contrário do que tenta fazer crer a autoridade fiscal, não é o simples fato de as contratadas permanecerem responsáveis pela integridade do projeto e pelas atividades executadas pelas subcontratadas que faz com que as contratadas tenham que reconhecer como receita os valores pagos às subcontratadas, haja vista que o dever de responsabilidade pela totalidade da obra não se confunde e nem serve de parâmetro para medir os valores que devem ser computados como receita; xl) que a sua receita advém apenas da parte do projeto que foi realizada por ela e não da parte que ficou a cargo das subcontratadas; xli) que as subcontratadas executavam os serviços para as contratantes, faturavam à Cayman Co. (seguindo expressa autorização contratual) e, dessa forma, os valores recebidos somente devem ser computados como receita pelas próprias subcontratadas; xlii) que ela, a impugnante, jamais teve disponibilidade jurídica ou econômica sobre os valores pagos às subcontratadas. A disponibilidade jurídica ou econômica apenas se concretizaria Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 577 23 na sua pessoa se ela recebesse a totalidade dos valores e pudesse dispor desses recursos da maneira que melhor entendesse. No entanto, isso não ocorreu. Parte dos valores devidos às subcontratadas era paga diretamente pela Cayman Co. e uma outra parcela era entregue a ela, impugnante, a fim de que ela saldasse os débitos da Cayman Co. para com as subcontratadas. Ela, a impugnante, não tinha a liberdade de utilizar tais recursos para outras finalidades; xliii)que essa sistemática foi utilizada porque não era possível à Cayman Co. pagar todas as subcontratadas de forma imediata. Assim, acordouse que parte dos valores seria depositado na conta dela, impugnante, para que os transferisse a algumas subcontratadas por conta e ordem da Cayman Co; xliv) que, dado que os valores pagos a terceiros (subcontratadas) não eram receitas suas, mas sim de titularidade das próprias subcontratadas, não se pode pretender que ela, a impugnante, reconheça receitas que não são suas. Apresenta excerto de jurisprudência administrativa em favor da sua tese; xlv) que, dado que um dos principais fundamentos da autoridade fiscal para a lavratura do auto de infração foi o fato de que os valores depositados pela Cayman Co. na sua conta Unibanco nos Estados Unidos estariam disponíveis juridicamente a ela, impugnante, não faz qualquer sentido lhe imputar os valores que foram pagos diretamente às subcontratadas Petrobrás e Setal, que foi justamente o que fez a autoridade fiscal, para chegar à percentagem de 78.332%. Seguindo a linha de raciocínio da autoridade fiscal, esses valores devem ser excluídos da autuação; xlvi) que, como se vê, o auto de infração é absolutamente inconsistente e contraditório, de modo que todo o crédito apurado no auto de infração deve ser cancelado; Do efeito tributário nulo xlvii)que, mesmo que os valores pagos às subcontratadas devessem ser computados como receita sua, o custo na subcontratação anularia o lucro tributável; ou seja, mesmo em se admitindo que os valores pagos às subcontratadas tivessem que transitar como receita sua, ainda assim esse lançamento contábil não geraria efeitos tributários na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois esses mesmos valores seriam lançados como despesa de subcontratação, gerando um efeito tributário nulo; xlviii) que, por essa mesma razão, não cabe falarse em arbitramento de lucro sob a alegação de que sua contabilidade não se prestaria a identificar os custos relativos a tais receitas, pois se a intenção da autoridade fiscal é atribuir os valores pagos às subcontratadas como receita dela, a impugnante, é óbvio que esses mesmos valores integrarão o custo a ser deduzido no resultado tributável; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 24 Das receitas atribuídas à Petrobras xlix) que, não obstante os argumentos acima, no caso das receitas auferidas pela Petrobras, o equívoco cometido pela autoridade fiscal é ainda mais latente; 1) que a Petrobras é parte no Contrato EPC e figurava expressamente como subcontratada nomeada pela Cayman Co. para a execução de parte do projeto, confoillie se depreende das Cláusulas 5.1 e 16.3; li) que a própria autoridade fiscal aceitou que não seria razoável atribuir o pagamento recebido pela Petrobrás às contratadas, já que as obrigações da Petrobrás estavam expressamente identificadas no Contrato EPC; no entanto, de forma absolutamente contraditória, a fiscalização incluiu os pagamentos feitos à Petrobrás na receita imputada a ela, impugnante; isso porque o percentual de 78,332% que lhe foi atribuído considera os valores pagos à Petrobrás; lii) que isso fica claro ao lançarmos os olhos na tabela da página 18 do Termo de Verificação Fiscal, criada para justificar o percentual de 78,332%, visto que a autoridade fiscal somou os valores de 46,91% relativos aos pagamentos feitos à Petrobrás e 9,36%, relativos à Setal, e imputouos às contratadas (Toyo Co., Setal Overseas e ela, impugnante ), de modo que o total atribuído a ela, impugnante, foi de 78,332 %; liii) que essa conclusão é equivocada e não se coaduna com os termos do contrato e com o próprio pensamento manifestado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação; logo, mesmo que o auto de infração não seja cancelado, o crédito fiscal apurado deve ser diminuído a fim de refletir a exclusão dos pagamentos feitos à Petrobrás, já que se tratava de parte autônoma que respondia exclusivamente para a Cayman Co. e cujas responsabilidades estavam previstas contratualmente; Descabimento do arbitramento dos lucros por suposta deficiência na contabilização dos custos liv) que no que diz respeito ao questionamento levantado pela autoridade fiscal em relação aos custos e despesas incorridos no período, vale ressaltar que tal autoridade não apresentou prova ou mesmo indício de que eles não foram incorridos; 1v) que todas as despesas foram devidamente lançadas na contabilidade da empresa com base no custo incorrido, não havendo razão para questionamento e tampouco para o arbitramento dos seus lucros com base na suposta deficiência na contabilização dos custos e com base nos critérios e percentuais equivocados utilizados pela autoridades fiscal; lvi) que, de modo a comprovar a exatidão e a origem de todos os custos lançados, anexa a esta impugnação planilha que identifica todos os custos e despesas lançados pela empresa nos períodos 2002 a 2004 (doc. n° 9, fls. 4418, e ss, vol. XXIII); lvii) que ao contrário do que alega a autoridade fiscal na página 40 do Termo de Verificação Fiscal, ela, impugnante, apenas Fl. 389DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 578 25 lançou como custo de subcontratação aquelas despesas com subcontratadas próprias suas. Todas as subcontratadas pagas com recursos geridos por ela, impugnante, por conta e ordem da Cayman Co, não eram lançadas como despesas suas; lviii) que, conforme frisado, as receitas que a autoridade fiscal pretende lhe imputar são idênticas aos custos que teriam sido incorridos com as subcontratadas, de modo que a base de cálculo final, para fins de IRPJ e CSL, por qualquer ângulo que se análise, será zero; Em análise do feito em primeira instância, o pleito da Recorrente no processo nº 15521.000140/200751 , equivalente ao presente e com mesma solução, foi indeferido, tendo a decisão sido assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RECEITAS DE CONTRATOS DE OBRAS. PREÇO GLOBAL. SUBCONTRATAÇÃO DO SERVIÇO. FATURAMENTO DIRETO. OMISSÃO DE RECEITAS. A receitas originadas de contratos de prestação de serviços de obra a preço global devem ser reconhecidas pela pessoa jurídica contratualmente obrigada a prestar o serviço, mesmo que essa subcontrate terceiros para executar parte do serviço, e mesmo que esses terceiros subcontratados faturem diretamente contra o contratante. IRPJ E CSLL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. OMISSÃO DE RECEITA. Constatada pela fiscalização a impossibilidade de se conhecer com mínima precisão como foram incorridos os custos e despesas originados do empreendimento de execução de obra a preço global, bem ainda verificado que a contabilidade da fiscalizada não reconheceu a totalidade das receitas que lhe cabiam nem os seus custos correspondentes, é imperioso que se desclassifique a escrita contábil/fiscal do fiscalizado, de molde a arbitrar o lucro para fins de apuração dos tributos devidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Quando comprovado o interesse comum de pessoa na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, inciso I, do Fl. 390DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 26 Código Tributário Nacional, autoriza o posicionamento dessa pessoa como sujeito passivo solidário na obrigação. ARQUIVO MAGNÉTICO. ENTREGA EM ATRASO, MULTA REGULAMENTAR. Restando caracterizada a entrega em atraso de arquivo magnético após regular intimações para tal, é devida a exigência de multa regulamentar pelo não atendimento da requisição da fiscalização. MULTA DE OFICIO. JUROS SELIC. CARÁTER EXPROPRIATORIO. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Foge ao campo decisório da autoridade administrativa investigar se a multa de oficio e os juros de mora calculados à taxa Selic, incidências previstas em lei, têm caráter expropriatórios, ou ainda se são eles ilegais ou inconstitucionais, cabendo à autoridade administrativa apenas verificar a correção da incidência dessas exações, na forma da legislação que as instituiu. Lançamento Procedente Inconformada, a Recorrente aviou o presente recurso voluntário, reafirmando as razões apresentadas em sede de impugnação. É este o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 579 27 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. CONSIDERAÇÕES INICIAIS O Contrato(Contrato EPC) firmado entre a CabiúnasCo., Petrobras (como Contratantes) e Toyo Co., Setal Overseas e a Recorrente (como Contratadas) tinha como escopo a execução, numa base de preço global, de obras de engenharia, contemplando a preparação dos projetos, o fornecimento de equipamento de construção, suprimento de equipamentos e materiais, construção civil, edificação e montagem a serem realizados pelas Contratadas com a assistência da Petrobras. O “Empreendimento” a ser construído, conforme definição do Contrato EPC (fl.157) compreendia o empreendimento de processamento e transferência de gás de Cabiúnas, que inclui todas as atividades de financiamento, projeto de engenharia e construção das Instalações e o PréComissionamento pela CONTRATADA, a assistência prestada por esta ao PROPRIETÁRIO durante o Comissionamento e o Período de Assistência Técnica; e a correção de defeitos das Instalações. Conforme se depreende da “Cláusula 6 – Preço Contratual”, a Contratante Cabiúnas Co. pagaria às Contratadas o valor de US$474.354.000 pelos “Bens Móveis”, e a Petrobras pagaria às Contratadas o valor de US$3.000.000 pelos denominados “Bens Imóveis”. E, para a exploração dos bens de propriedade que iriam ser de propriedade da Cabiúnas Co., a Petrobras firmou contrato de arrendamento mercantil com esta empresa. No que toca às responsabilidades pelo cumprimento do contrato, a Toyo Co., a Setal Overseas e a Recorrente (Contratadas) foram colocadas como “responsáveis, em conjunto e solidariamente, perante as Contratantes (Cabiúnas Co. e a Petrobras), pelo desempenho e cumprimento de todas as obrigações e responsabilidades da CONTRATADA segundo este contrato” (fls. 166). Ressaltese que não há, no Contrato EPC, atribuição de responsabilidades individualizadas à Toyo Co., à Setal Overseas e à Recorrente, sendo todas elas qualificadas como “Contratadas”. Tanto a Cabiúnas Co. como a Petrobras tinham, por força do contrato e na condição de CONTRATANTES, livre acesso às instalações e obras, como forma de garantir a correção e consistência no curso de desenvolvimento e construção do projeto cabiúnas. Ainda no Contrato EPC, verificase que os pagamentos realizados pela Petrobras deveriam ser feitos em “reais”, e os pagamentos realizados pela Cabiúnas Co. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 28 deveriam ser feitos em “dólares estadunidenses”, diretamente às Contratadas ou, mediante prévia aprovação, diretamente a empresas subcontratadas. Diante desse cenário, chamou a atenção da Autoridade Fiscal o fato de a empresa Recorrente, apesar de estar à frente da construção do enorme Projeto Cabiúnas, apresentava sucessivos prejuízos fiscais, assim como saldos negativos de imposto de renda e CSLL – objeto do processo ora em análise. Estabeleceuse, assim um amplo procedimento de fiscalização, sendo que a Autoridade Fiscal, após análise do Contrato EPC e de outros documentos, entendeu que as Contratadas, empresa Toyo Co., Setal Overseas e Recorrente, formavam, de fato, um consórcio de empresas, e que, como tal, deveriam ser tratadas. A Autoridade Fiscal identificou, ainda, que houve subcontratação para execução dos serviços, constando em especial as empresas Petrobras e Setal Engenharia Construções e Perfurações S/A, doravante denominada Setal SP, empresa constituída segundo as leis brasileiras, com sede em São Paulo, e sócia da Recorrente. Cumpre salientar que o capital social da Recorrente era constituído em 60%pela Toyo Co. e 40% pela Setal SP. Finalmente, identificou a Autoridade fiscal que os pagamentos pela subcontratação realizados em favor da Petrobras e em favor da Setal SP foram feitos diretamente pelas Contratantes, conforme previsão do Contrato EPC. DA EXISTÊNCIA DO CONSÓRCIO. A Autoridade Fiscal entendeu que a Toyo Co., a Setal Overseas e a Recorrente, para execução do Projeto Cabiúnas, formaram um consórcio, nos termos que definido pela legislação brasileira, sem, contudo, formalizálo nos termos em que determinado pelas normas de regência. Os fundamentos que levaram a essa consideração são os seguintes: 1) A formação da Recorrente: Segundo a Autoridade Fiscal: O interessado Recorrente TOYO SETAL DO BRASIL LTDA — CNPJ 03.554.632/000195, constituído em 09.12.1999 segundo as leis brasileiras, foi concebido — com sede em Macaé/RJ com a finalidade precípua de execução, numa base de preço global, de obras de engenharia, preparação de projetos detalhados de engenharia das instalações, fornecimento de equipamentos de construção, suprimento de equipamentos e materiais, construção civil, edificação e montagem, e pré comissionamento, realizadas, a rigor, em Cabiúnas/Macaé e em Duque de Caxias, conforme previsto no contrato celebrado em 01.03.2000. 2) Estreita relação societária da Setal Overseas com a Setal SP Fl. 393DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 580 29 Segundo a Autoridade Fiscal: O contribuinte, empresa nacional, possui como integrantes do seu quadro societário, desde sua constituição as empresas TOYO ENGINEERING CORPORATION, constituída e existente segundo as leis do Japão, e SETAL ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E PERFURAÇÕES S/A, CNPJ 61.413.423/000128, com sede na cidade de São Paulo. Urge ressaltar que não se deve confundir a empresa SETAL ENGENHARIA CONSTRUÇÕES e PERFURAÇÕES S/A integrante do quadro societário do interessado, com Sua coligada SETAL OVERSEAS LIMITED empresa estrangeira sediada nas Ilhas Cayman e integrante do consórcio contratado. Ou seja, são empresas distintas, mas coligadas, como adiante será abordado. (...) Vale evidenciar que a participação do interessado, conforme preceitua aquele contrato de execução, deuse em regime de consórcio com outras duas companhias, quais sejam: TOYO ENGINEERING CORPORATION, constituída e existente segundo as leis do Japão e controladora do interessado e SETAL OVERSEAS LIMITED, constituída e existente segunda as leis das Ilhas Cayman. Registrese que essa última companhia estrangeira detinha em seu quadro executivo a participação dos Srs. Augusto Mendonça de Ribeiro Neto e Gabriel Aidar Abouchear (este até 27.02.06), vicepresidente e presidente, respectivamente, daquela mesma SETAL ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E PERFURAÇÕES S/A, integrante do quadro societário do interessado. Ademais, a própria SETAL ENGENHARIA CONSTRUÇÕES E PERFURAÇÕES S/A fez e faz parte do quadro executivo da SETAL OVERSEAS LIMITED, como sua coligada. Esse foi o grupo que figurou naquele contrato como "CONTRATADA" ou "EMPREITEIRAS". (conforme tradução pública). 3) Aplicação das Leis Brasileiras: Segundo a Autoridade Fiscal: Consignese que o contrato em questão, para a execução de um empreendimento incorporado ao território nacional, fora celebrado segundo as leis brasileiras, tornandoas como regente, consoante o estabelecido na cláusula 26.5 do "ARTIGO 26 — DISPOSIÇÕES GERAIS". Nesse mesmo sentido, a administração geral do Contrato pelas EMPREITIERAS, bem como as atividades de planejamento referentes ao Projeto, durante todo o seu prazo de validade, deveriam ser Fl. 394DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 30 obrigatoriamente conduzidas no Brasil, na forma da 3.6.3 do "ARTIGO 3 — FORMA DE EXECUÇÃO". 4) A Utilização do termo “Consórcio” em documentos privados Segundo a Autoridade Fiscal: Ainda quanto à participação ou não do interessado como integrante de um consórcio, vale registrar os termos do CONTRATO DE AGENCIAMENTO PARA RECEBIMENTO DE VALORES celebrado entre o interessado, o UNIBANCO (como Agente Recebedor) e empresa "Subcontratada", definida como "Empresa" naquele contrato. Verificase nos "considerandos" do contrato o registro da faculdade conferida ao "CONSÓRCIO" para contratar terceiros ('subcontratados) com vistas à execução do empreendimento, como a seguir transcrito: "De acordo com os termos do Contrato, o Consórcio está autorizado a contratar terceiros ("Subcontratados), para a prestação de serviços e fornecimento de Bens Móveis para a Compradora, permanecendo responsável pelo comprimento das obrigações delegadas aos Subcontratados, os quais conhecem e estão sujeitos à todas as cláusulas e condições do Contrato;" Percebese que o CONSÓRCIO, repetese, o CONSORCIO e não a contratante Cayman Cabiunas Investment, optou por "sub contratar" terceiros para a execução de parte do empreendimento. "O consórcio possui vários Subcontratados e tem interesse em que os pagamentos devidos pela Compradora sejam efetuados diretamente pela Compradora aos Sub contratados, conforme disposto no item D, retro;" Não se questiona o fato de o Interessado representar o Consórcio, inclusive para a emissão de ordens de compra e contratação de Agende Recebedor. ToyoSetal, neste ato representando os interesses do Consórcio, tendo em vista o considerável número de Subcontratados e de pagamentos a serem realizados, a fim de facilitar o procedimento de pagamento, tem interesse em centralizar os serviços de recebimento dos valores no exterior e contratação de câmbio em uma única instituição financeira." (...) Corroborando a existência do consorcio como tal, as Notas Explicativas do relatório de auditoria elaborado pela Ernest & Young, relativamente à Petrobrás (3º trimestre/2004), trataram de evidenciar operação realizada entre a Petrobras e referido grupo, como a seguir: Fl. 395DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 581 31 "Os gastos com o plano de Escoamento e tratamento de gás, vinculados ao Projeto Cabiúnas, por estarem, relacionados a prestação de serviços a longo prazo foram reclassific dos de Projetos Estruturados para custos a apropriar, de acordo com o subcontrato de prestação de serviços entre a PETROBRAS, como subcontratada, e o consórcio formado pelas empresas Toyo Engineering Corporation, com sede no Japão, Setal Overseas Limited, localizada nas Ilhas Cayman e Recorrente Toyo Setal do Brasil LTDA, sediada em Macaé, Rio de Janeiro, Brasil". Diante desses fatos, concluiu a Autoridade Fiscal tratarse de um consórcio entre as empresas Toyo Co., Setal Overseas e a Recorrente, que nega a existência de tal consórcio. Vejamos. A Lei nº 6.404/76, em seu art. 278 e seguintes, dispõe o seguinte: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo não circulante, do qual constarão: I a designação do consórcio se houver; II o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III a duração, endereço e foro; IV a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 32 VI normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Tratase, portanto, o consórcio, de uma associação de empresas sem personalidade jurídica, com o objetivo de desenvolver determinado projeto mediante a comunhão de forças de duas ou mais empresas. Segundo ensina Haroldo Malheiros Duclerc Verçosa (Curso de Direito Comercial, v. 3. Ed Malheiros, pg. 735): Na atividade empresária frequentemente tornase necessária a reunião de sociedades para a realização de determinado objetivo econômico, sem que as partes tenham interesse na constituição de um grupo de direito ou de fato, ou até mesmo em coligações societárias. No consórcio as sociedades participantes buscarão reunir bens e capital técnico, este último representado por pessoas qualificadas nas áreas requeridas, para, conjuntamente, auferirem lucro por meio de atividade conjunta, mas dentro da qual mantenham sua individualidade. Desses ensinamentos extraise que um dos pressupostos essenciais para a existência de um consórcio é a não formação de uma sociedade juridicamente constituída para o desenvolvimento da atividade que levou à associação das empresas. Nesse norte, quando diante de um empreendimento de grande porte e da ausência de capacidade técnica individual, é dado às empresas a possibilidade de, ao invés de constituir uma sociedade com propósito específico de desenvolver referido empreendimento, com personalidade jurídica própria, se associarem por meio de um consórcio, de forma a manter a sua individualidade enquanto pessoa jurídica, mediante a repartição das obrigações e dos lucros decorrentes de referida atividade. Em verdade, o que diferencia o “consórcio” da “SPE sociedade de propósito específico” é a ausência de personalidade jurídica na primeira e a existência da personalidade jurídica na segunda. Vejase os ensinamentos de Modesto Carvalhosa (Comentário à lei de sociedade anônimas, v ii, saraiva, pg. 344): A possibilidade de o consórcio revestirse formalmente de personalidade jurídica é prevista no Código Civil italiano de Fl. 397DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 582 33 1942, que, nesse passo, visava à época fascista a coordenação de atividades em cartel. Entre nós, leis especiais anteriores ao diploma de 1976 também instituíram o consórcio societário. Essa modalidade não pode subsistir enquanto tal, em face o § 1º do artigo ora comentado (art. 278). Assim, o consórcio com personalidade jurídica reveste a forma de sociedade com propósito específico – SPE, hoje adotada largamente para contratar obras, serviços, fornecimentos e concessões com o Poder Público. Temos assim um procedimento em seqüência: para participar da licitação formase um consórcio instrumental, que, uma vez vencedor, extinguirseá para, em seu lugar, constituirse uma SPE, cujo capital social é formado pelas mesmas sociedades anteriormente consorciadas. Assim, a SPE está habilitada a celebrar o contrato com o órgão público. Temos assim que a SPE é sucessora obrigacional do consórcio instrumental. E herda deste último a característica de visar a um empreendimento específico, e não amplo, como ocorre com as sociedades mercantis em geral. Daí se vê que a SPE constitui um consórcio societário, pelas restrições que tem o seu objeto social, em razão do contrato público de obras, serviços ou concessão que celebra. No meu sentir, é exatamente essa a hipótese dos autos. As empresas Toyo Co. e Setal Overseas realizaram uma joint venture, que posteriormente evoluiu para a formação de um consórcio societário, personificado na empresa Recorrente, participando, do seu capital social, a empresa Toyo Co. e a empresa Setal SP, coligada e pertencente ao mesmo grupo econômico da Setal Overseas, como bem apurou a Autoridade Fiscal. Essa versão se adequa aos dizeres de Modesto Carvalhosa, para quem “a conjugação de aptidões e recursos empresariais de duas ou mais sociedade tem levado, inicialmente na prática norteamericana e depois universalmente, à formação de consórcios contratuais (joint venture agreements)” (idem, ibidem), antes de se formar um, impropriamente chamado, consórcio societário, que nada mais é do que uma sociedade com propósito específico. Em verdade, a existência da TOYO SETAL DO BRASIL (ora Recorrente) como sociedade de propósito específico – SPE está, inclusive, reconhecido pela Autoridade Fiscal, quando afirma que a “TOYO SETAL DO BRASIL LTDA — CNPJ 03.554.632/0001 95, constituído em 09.12.1999 segundo as leis brasileiras, foi concebido — com sede em Macaé/RJ com a finalidade precípua de execução, numa base de preço global, de obras de Fl. 398DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 34 engenharia, preparação de projetos detalhados de engenharia das instalações, fornecimento de equipamentos de construção, suprimento de equipamentos e materiais, construção civil, edificação e montagem, e précomissionamento, realizadas, a rigor, em Cabitinas/Macaé e em Duque de Caxias, conforme previsto no contrato celebrado em 01.03.2000”. (Fl. 108) Demais disso, essa característica está também registrada e reconhecida no Contrato EPC, quando da qualificação da Recorrente, in litteris: Toyo Setal do Brasi Ltda ("ToyoSetal"), uma companhia para fins especiais constituída e existente segundo as leis do Brasil, com sede na Rua Dr. José Ribeiro, I62Centro, Macaé RJ, Brasil; Por fim, registrese que o fato de os documentos celebrados com o Unibanco e os relatórios da auditora Ernst Young referiremse às Contratadas como consórcio não elide a posição ora reconhecida, vez que a Recorrente, na condição de SPE, nada mais é do que o impropriamente chamado “consórcio societário”, conforme esclarecido pelos doutrinadores supra mencionados. Diante do exposto, não reconheço a existência de um consórcio entre as empresas Toyo Co., Setal Overseas e a Recorrente, mas sim a existência de uma SPE, na conjunção de forças da empresa Toyo e do grupo econômico Setal no desenvolvimento do Projeto Cabiúnas, personificado na empresa Toyo Setal do Brasil (ora Recorrente). Do Rateio das Receitas Pagas Pela Cabiúnas Co. A Autoridade Fiscal, para chegar ao critério de rateio das receitas imputadas à Recorrente, como consequência do Contrato EPC, utilizouse do seguinte método: Primeiramente, a Autoridade Fiscal identificou que parte dos pagamentos realizados pelas Contratantes em decorrência do projeto foi feito diretamente em favor de duas subcontratadas, quais sejam Petrobras e Setal SP (registrese que a Petrobras figura como contratante e como subcontratada na execução do Projeto Cabiúnas). Foram realizados, ainda, pagamentos à Recorrente e à joint venture formada pela Toyo Co. e pela Setal Overseas (remetidos pela Cabiúnas Co. ao Japão), sendo que os valores destinados aos quatro beneficiários desses pagamentos totalizaram US$590.631.845,14 (valor total do Contrato EPC), divididos da seguinte forma: Toyo Co. + Setal Overseas (JV) Recorrente Petrobras SETAL SP TOTAL 55.963.904,94 202.312.709,22 277.076.731,00 55.278.500,00 590.631.845,14 A partir dessas informações, a Autoridade Fiscal concluiu: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 583 35 Como conclusão, a partir dos esclarecimentos e documentos acima citados, inferese que dos 4 (quatro) "beneficiários", 2(dois) correspondiam a subcontratados (PETROBRAS e SETAL) e, os outros 2(dois), às empresas integrantes do consórcio contratado (JOINT VENTURE e TOYOSETAL), sendo que, no que se refere a esses dois últimos, os pagamentos efetuados em favor da Joint Venture foram encaminhados ao Japão. (fl. 116) Neste sentido, a Autoridade Fiscal segregou os valores pagos às subcontratadas da Recorrente, dos valores que foram pagos aos Contratados, ou seja, joint venture (entre Toyo Co., Setal Overseas) e Recorrente. A joint venture formada entre Toyo Co. e Setal Overseas receberam, conjuntamente, a quantia de US$55.963.904,94 e a Recorrente recebeu a quantia de US$202.312.709,22, totalizando a quantia de US$258.276.614,10 Diante desse valor total, a joint venture (entre Toyo Co. e Setal Overseas) recebeu o percentual de 21,67% (US$ 55.963.904,94) e a Recorrente recebeu o percentual de 78,332% (US$202.312.709,22). Encontrados esses percentuais, a Autoridade fiscal adotou tais grandezas como sendo a participação das empresas no resultado final do Contrato EPC. Como o valor global do Contrato EPC foi de US$ 590.631.845,14, atribuiuse à Recorrente 78,332% desse valor, ou seja, U$462.652.529,09. Em que pese o esforço realizado pela Autoridade Fiscal, não encontro qualquer amparo legal para esse tipo de medida, nem mesmo se caracterizada a existência do consórcio, ad argumentandum tantum. O lançamento tributário não pode trazer surpresas. Não se aceita, no ordenamento jurídico brasileiro, que se exerça a atividade tributária fora daquilo que a lei permite. E essa impossibilidade está expressamente definida, não só pelo princípio da legalidade constante do art. 150, inciso I da Constituição da República, como também do art. 3º do Código Tributário Nacional, que diz que a atividade tributária “é plenamente vinculada” à lei. Finalmente, insta ressaltar que não existe nenhuma previsão que permita o arbitramento e a segregação de receitas da forma como realizado. Apesar de ser clara a intenção da Autoridade Fiscal em adotar um critério lógico, para o arbitramento ser válido no ordenamento jurídico brasileiro é necessário que exista também e principalmente a legalidade – o que não encontrei na hipótese. CONTRATO EPC E A SOCIEDADE COM PROPÓSITO ESPECÍFICO Registro ainda, por oportuno, e no entanto, o seguinte: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 36 Conforme esclarecido acima, a Recorrente na condição de sociedade de propósito específico, é a empresa representante da união de esforços da joint venture formada pelo grupo internacional no qual fazem parte a Toyo Co. e a Setal Overseas. Ainda, o Projeto Cabiúnas, para o qual houve a formalização do Contrato EPC, foi integralmente cumprido no, e destinado ao, território nacional. Nesse contexto, teço algumas considerações relevantes ao presente caso. Segundo Heleno Torres (Pluritributação Internacional sobre as Rendas de Empresas, Rt, pg. 288, 2 Ed.) in verbis: A corporate joint venture (ou joint venture corporation) caracterizase por ser um tipo de cooperação estável, possibilitando a formação de uma organização distinta das co ventures, que se corporifica mediante a constituição de uma sociedade administrada em comum pelos venturers, conforme os termos do acordo adotado para a consecução dos objetivos propostos quando da composição. Neste caso, verificase um aporte de capital, por parte de cada uma das empresas venturers, que poderá adotar qualquer um dos tipos societários permitidos na legislação do país de localização, a qual regulará a constituição da sociedade, a administração dos negócios e todo o processo decisório, societário e tributário. O tipo societário mais comum que é utilizado para dar personalidade jurídica ao empreendimento é o de uma sociedade de capitais (como uma joint stock company), na forma de uma “sociedade com responsabilidade limitadas”. (...) Com isso, mantém a joint venture autonomia patrimonial em relação aos sócios (venturers), apresentandose com responsabilidade perante terceiros limitadamente ao próprio patrimônio. De fato, a partir do momento em que a joint venture é consolidada em uma pessoa jurídica de responsabilidade limitada ao capital social, o risco assumido pelos venturers fica limitado a este capital social. No caso dos autos, a presença da Toyo Co. e da Setal Overseas (venturers) como Contratadas no Contrato EPC se justifica na medida em que, caso o contrato tivesse sido assinado somente pela Recorrente, a responsabilidade pelo desenvolvimento do Projeto Cabiúnas e pelo Contrato EPC ficaria limitado ao capital social da SPE (Toyo Setal do Brasil, ora Recorrente) – o que certamente não conferiria garantia suficiente aos Contratantes. Tanto é assim que o contrato prevê expressamente a responsabilidade das três empresas pelos eventuais ônus decorrentes do Contrato EPC (fls. 166). Por outro lado, não se atribuiu, no Contrato EPC, qualquer ordem de execução concreta aos sócios Toyo Co. e Setal Overseas, ficando toda a responsabilidade pelo cumprimento do contrato apenas com a sociedade de propósito específico constituída para este fim, quem seja, a Toyo Setal, ora Recorrente. Na verdade, nem de poderia atribuir qualquer Fl. 401DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 584 37 responsabildaide operacional as empresas extrangeiras, tenpo em vista a vedação expressa nesse sentido constante do contrato EPC. Assim, se a Recorrente é a resultante da joint venture formada pela Toyo Co. e pela Setal Overseas, cabendo a ela o desenvolvimento e execução do Projeto Cabiúnas, entendo que a totalidade dos rendimentos decorrentes de referido contrato deveria ter sido aportado nessa empresa, ou seja, os U$590.631.845,14 deveriam ter sido pagos Toyo Setal do Brasil, no Brasil. De fato, a Recorrente é a única empresa, na resultante da associação da Toyo Co. e da Setal Overseas, que desenvolveu e executou o empreendimento no território nacional. A central de operações de todo o contrato, sob a ótica das Contratadas, se fixou no território brasileiro, nas mãos da Recorrente, sob supervisão e controle da Petrobras – tanto que, qualquer alteração do projeto deveria ser previamente submetido a sua aprovação. Se foram necessárias importações de bens e serviços, quem as realizou foi a Recorrente, inclusive de sua coproprietária Toyo Co.. Se foram necessárias subcontratações, quem as realizou foi a Recorrente, ainda que de sua coproprietária Setal SP. Nesse contexto, conforme ensina Heleno Torres (Idem Ibidem, pg. 290), in verbis: Para o país de localização da corporated joint venture, pelo princípio da territorialidade, vigorará o regime de tributação ordinária sobre a renda de pessoas jurídicas, variando o tratamento impositivo conforme o tipo societário escolhido. Assim, para esta classe não se apresenta qualquer dificuldade para a definição do regime impositivo, devendo, apenas, ser compatível com o tipo de pessoa jurídica que venha a ser constituído. Quanto ao regime jurídicotributário aplicável aos venturers estrangeiros, possuidores de quotas ou ações da corporated joint venture, será o que for dispensado para os não residentes. Dessa feita, a realização de pagamentos diretamente pela Cabiúnas Co. à jv Toyo Co. e Setal Overseas, remetidos para o Japão, é que constituem a receita omitida, posto que deveriam ter sido destinados à Recorrente, no Brasil, e posteriormente remetidos aos exterior, na forma de distribuição de lucros, ou dividendos (para os quais, inclusive, existe cláusula de tax sparing, nos termos do protocolo adicional da Convenção Brasil Japão para Evitar a Dupla Tributação). Todavia, não foi esta a receita omitida que sustentou a negativa da compensação ora em debate. Como demonstrado supra, o valor tomado como omitido referese, no montante global, a diferença entre o que a Recorrente reconheceu como receita do Contrato EPC, ou seja US$202.312.709,22, daquilo que lhe foi imputado como receita total do referido Fl. 402DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 38 contrato, ou seja, 78,332% do valor global, o que totaliza US$462.653.736,90. Adotouse, portanto, como receita omitida no curso de todo o contrato, o valor de U$ 260.341.027,70. No entanto, verificase que esse valor referese exclusivamente à participação proporcional do que teria sido a receita indireta da Recorrente no pagamento das subcontratadas Petrobras e Setal SP. Vejamos novamente o quadro de distribuição das receitas: TOYO + SETAL Recorrente Petrobras SETAL SP TOTAL 55.963.904,94 202.312.709,22 277.076.731,00 55.278.500,00 590.631.845,14 O valor tido por omitido, assim, referese exclusivamente a recebimentos indiretos proporcionalmente apurados em relação ao pagamento, pelas Contratantes, das empresas subcontratadas Petrobras e Setal SP. Para que isso fosse possível, todavia, seria imperioso reconhecer que a omissão de receita, na hipótese, equivale exatamente ao montante destinado ao pagamento das subcontratadas, o que, para fins e apuração do lucro tributável da empresa optante pelo lucro real, tornase irrelevante. No lucro real, se a receita equivale à despesa, o resultado tributável para apuração do IRPJ e CSLL é zero. De fato, admitida, por hipótese, a imputação feita pela Autoridade Fiscal, o lucro tributável seria a receita considerada omitida subtraída das despesas reconhecidas (vez que, ao declarar o caráter de subcontratação daquelas operações, devese reconhecer o crédito e o débito inerentes ao contrato), sendo que o lucro apurado, para fins de tributação, seria nulo. Ou seja, a receita omitida equivaleria ao pagamento de despesas referentes ao desenvolvimento do próprio projeto. Se de um lado, a receita omita pela Recorrente referese a pagamentos por sua conta e ordem realizado à subcontratação no desenvolvimento do Contrato EPC, de outro há de ser reconhecido o pagamento, pela Recorrente, dessa mesma subcontratação, no âmbito daquele contrato. Não houve imputação de omissão de receitas decorrentes do pagamento realizado pela Cabiúnas Co. à Toyo Co., no Japão, e à Setal Overseas, estes sim capazes de interferir na composição do saldo negativo da empresa. Esse raciocínio se aplicaria, também, ao PIS e à COFINS, vez que Recorrente estava no regime não cumulativo, e, portanto, sendo os custos (valores pagos às subcontratadas) iguais às receitas auferidas, o valor do crédito de PIS/COFINS proporcionado seria equivalente aos débitos. Ainda que se tratasse de consórcio, referida recomposição haveria ser reconhecida. Vejase o entendimento do CARF: IRPJ/CSLL — DESCONSIDERAÇÃO DA ATIVIDADE EXERCIDA NECESSIDADE DE READEQUAÇÃO DE TODA A SITUAÇÃO TRIBUTÁRIA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS — Quando a fiscalização descaracteriza os negócios jurídicos realizados (no caso consócio de empresas), a formalização de exigências fiscais deve levar em conta a situação tributária de todas as pessoas jurídicas envolvidas, sob pena de se verificar tributação em duplicidade. (Acórdão nº 107 08.957. Sessão de 29 de março de 2007) Fl. 403DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 585 39 Arrisco a dizer que os pagamentos realizados ao Brasil (Recorrente, Petrobras e Setal SP) limitaramse aos custos do empreendimento, sendo que o lucro atribuível à Toyo Co.e à Setal Overseas, em decorrência do Contrato EPC, foi pago diretamente pela Cabiúnas Co. às empresas localizadas no exterior, ao invés de serem oferecidos à tributação no Brasil para posterior distribuição na forma de lucro ou dividendos. Nesse sentido, economicamente, os valores tomados como base de cálculo para o lançamento equivalem, em parte, àquilo que entendo serem devidos. De fato, a Fiscalização imputou parte das receitas omitidas em decorrência da execução do contrato EPC Cabiúnas quando, em verdade, entendo que a totalidade dos valores relativos a referido contrato deveriam integrar a base de tributação da Recorrente. No entanto, os fundamentos jurídicos da imputação da omissão de receita tomadas pelo auto de infração são, no meu entendimento inconsistentes. De fato, como demonstrado, meu entendimento acerca dos fatos e do direito a eles aplicável não admite (i) a existência do consórcio; (ii) a segregação das receitas realizadas pela Auditoria Fiscal e (iii) o arbitramento da receita tomando por base critério jurídico não previsto em lei. Neste sentido, manter a autuação por fundamento jurídico diverso daquele utilizado como fundamento do lançamento encontrase inviável. Tenho entendimento consolidado que não é dado ao julgador de segunda instância inovar no processo tributário e completar o lançamento fiscal, aduzindo fundamento diverso daquele constante do lançamento, sob pena de flagrante ofensa ao devido processo legal e ao princípio do contraditório e ampla defesa, aplicáveis ao processo administrativo por força constitucional. Afinal, a parte se defende daquilo que lhe foi imputado, sendo que a imputação de omissão de receita, da forma como consignado no lançamento, não possui fundamento a sustentar a omissão de receita imputada à Recorrente. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO FÁTICO JURÍDICO DO LANÇAMENTO Em estudo organizado pelo Prof. Ives Gandra da Silva Martins (Questões Controvertidas no Processo Administrativo Fiscal – CARF. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2012, tivemos a oportunidade de firmar o seguinte entendimento: Postos esses entendimentos, entendo que lançamento é o ato administrativo que declara a ocorrência do fato gerador e formaliza o crédito tributário, descrevendo a norma individual e concreta de tributação, apontando o sujeito passivo e sujeito ativo, o montante da obrigação tributária, além de operacionalizar a forma do seu pagamento. Nesse sentido, o lançamento lida com dois momentos lógicos (e não cronológicos): 1º) a identificação do fato imponível, ocorrido com a subsunção do fato descrito à hipótese prevista na Fl. 404DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 40 norma geral e abstrata de tributação; e 2º) a formalização da relação jurídicotributária entre sujeito ativo e sujeito passivo, pela edição da norma individual e concreta de tributação. Na verdade, o termo de verificação fiscal ou o termo de encerramento da ação fiscal, muitas vezes negligenciado como peça secundária na lavratura dos lançamentos fiscais, é o elemento essencial que realiza a subsunção do fato à hipótese de incidência tributária e, fundamentalmente, onde se encontram os elementos informadores da relação jurídico tributária objeto do lançamento. Sem esse descritivo, devidamente realizado em apartado ou no próprio auto de lançamento, não há como se saber acerca da legalidade da imputação tributária, ou da confirmação dos elementos da relação jurídicotributária dele constantes. Tanto é assim que o decreto nº 70.235, exige que o lançamento fiscal1 contenha, obrigatoriamente, esses dois momentos lógicos: (i) o inciso II do art. 10 exige a “descrição do fato” e (ii) os incisos I e V do art. 10 exigem a qualificação do autuado (sujeito passivo) e a determinação da exigência com apuração do montante tributo devido (c/c inciso II do art. 11). Notificado o lançamento ao contribuinte, este pode oporse tanto com relação à imputação da ocorrência do fato imponível, buscando apresentar um fato diverso daquele que fora tomado como elemento de subsunção à hipótese de incidência abstratamente considerada; quanto pode confirmar o fato imponível, mas divergir quanto aos elementos formadores da relação jurídicotributária, na implicação da norma geral e abstrata em norma individual e concreta. A partir do questionamento do contribuinte, com a apresentação da impugnação, tem início o processo administrativo fiscal. Com efeito, a impugnação apresentada pelo contribuinte é o elemento delimitador do objeto de análise e decisão no âmbito do processo administrativo fiscal, podendo tratar tanto das questões de fato tomadas como fundamento do lançamento, quando de questões de direito. As questões não impugnadas não são devolvidas à apreciação no curso do processo administrativo fiscal, salvo se se tratarem de matéria passível de conhecimento de ofício (nulidade ou decadência). Tanto é assim que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” (art. 17 do decreto nº 70.235) Na sistemática da lei do processo administrativo fiscal, havendo divergência de matéria fática, o contribuinte poderá oporse ao lançamento, devendo trazer os elementos de prova que confirmem a sua versão. 1 O decreto nº 70.235 utiliza o termo auto de infração. Na verdade, o auto de infração encerra tanto o lançamento tributário, no sentido de formalizar a norma individual e concreta de tributação quanto a aplicação da multa, formalizando a penalidade pelo descumprimento do dever de pagar antecipadamente o tributo, no termos do art. 150 do CTN. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10725.720109/200720 Acórdão n.º 1401001.027 S1C4T1 Fl. 586 41 Surgido o litígio quanto a matéria de fato, o processo administrativo passa a lidar com uma contraposição de versões: a versão do Fisco, fundada nos elementos constantes do lançamento; e a versão do contribuinte, fundada nos elementos constantes da impugnação. Cada um assume o ônus de prova da versão dos fatos que pretende sustentar. Segundo o decreto nº 70.235, cabe ao contribuinte apresentar, na impugnação, “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir” (art. 16, inciso III), sendo que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão (§ 4º do art. 16). Mas essa imputação não desonera a Fazenda Pública de provar, no processo administrativo fiscal, que a versão dos fatos constantes do lançamento, em especial do termo de verificação fiscal, está sustentada em elementos de prova suficientes ao enquadramento jurídico realizado. Na verdade, o lançamento pressupõe a existência desses elementos de prova apurados pela Administração Tributária, no curso do procedimento de fiscalização. Assim, no curso do processo administrativo fiscal, o ônus da prova quanto aos fatos descritos no lançamento cabe à Fazenda Pública, pois são essas provas que sustentam a aplicação do direito realizada na formalização do crédito tributário. A exceção ocorre quando da aplicação de presunções legalmente previstas, em que se autoriza à Administração Tributária assumir determinado fato como verdadeiro, revertendose o ônus da prova para atribuílo ao contribuinte. Nessa situação, basta a descrição do fato presumido para que se atribua o ônus ao contribuinte de provar que o mesmo, na realidade, não ocorreu. Mas, mesmo aqui, cabe à Autoridade Fiscal provar, no lançamento, que os requisitos legais para a aplicação da presunção estavam presentes e foram observados. Vejase que a presunção de certeza do crédito tributário e a presunção de certeza do próprio lançamento enquanto ato administrativo não existem no curso do processo administrativo fiscal. Essa qualidade somente será adquirida após o encerramento do PAF, quando o crédito for remetido para inscrição em dívida ativa, oportunidade em que deverá submeterse a um controle final de legalidade por parte da advocacia pública (art. 204 do CTN). Assim, entendemos que a versão dos fatos constantes do lançamento deve desvelar a realidade com fundamentos sustentáveis para a sua manutenção. Se a versão dos fatos apurados no curso do processo administrativo fiscal infirmar a versão dos fatos constantes do lançamento, em ponto fundamental, o mesmo deverá ser cancelado. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 42 Diante disso, tenho que os fundamentos de fato e de direito invocados no auto de infração não respaldam o lançamento pretendido. Não se está autorizado, na ordem jurídica brasileira, à análise meramente econômica dos negócios empreendidos, de forma a permitir dizer que, se a totalidade das receitas decorrentes do Contrato EPC deveriam ter sido imputadas à Toyo Setal, a atribuição de parte dessas receitas também poderia possível quando o fundamento fático e jurídico que respaldam referidas imputações são diversos. Mormente no caso como o presente, em a imputação de receita omitida equivale aos valores que, em tese, também corresponderiam à despesa, nulificando o efeito fiscal, para fins de lançamento tributário, dos valores considerados segundo a versão fiscal que respalda o lançamento. Diante do exposto, afastados os fundamentos que levaram à negativa do reconhecimento do direito creditório postulado, deve o mesmo ser reconhecido, autorizandose a homologação das compensações pleiteadas. DISPOSITIVO: Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, homologandose as compensações postuladas. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 407DF CARF MF Impresso em 14/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 16682.900843/2010-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
Compensação. Reconhecimento Integral de Direito Creditório. Ausência de Litígio.:
Tendo sido integralmente atendido o pleito de reconhecimento de direito creditório pela Turma Julgadora de 1a. Instância, não resta litígio a ser solucionado. O inconformismo da parte contra critérios de correção de débitos e créditos no calculo da compensação deve ser dirigido ao órgão de origem, pois é matéria que foge da competência de apreciação do CARF.
Numero da decisão: 1801-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que convertia o julgamento na realização de diligência. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o voto vencedor. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Redatora Designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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RECONHECIMENTO INTEGRAL DE DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.: Tendo sido integralmente atendido o pleito de reconhecimento de direito creditório pela Turma Julgadora de 1a. Instância, não resta litígio a ser solucionado. O inconformismo da parte contra critérios de correção de débitos e créditos no calculo da compensação deve ser dirigido ao órgão de origem, pois é matéria que foge da competência de apreciação do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que convertia o julgamento na realização de diligência. Designada a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez para redigir o voto vencedor. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 43 /2 01 0- 04 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Redatora Designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 21754.36584.270707.1.3.040619, em 27.07.2007, fls. 0206, utilizandose do pagamento a maior de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2484, no valor de R$288.133,61 do total do DARF de R$22.257.599,28 em 30.04.2007 apurada pelo regime do lucro real anual. Esclarece que o pagamento devido de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada devido, código 2484, no período de apuração do mês de março de 2007. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 07, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 288.133,61 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 21.09.2010, fl. 11, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 21.10.2010, fls. 1222, com os argumentos a seguir sintetizados. Tece esclarecimentos a respeitos dos fatos alegando a nulidade do procedimento fiscal. Suscita: Cabe esclarecer, de plano, que o crédito compensado não decorre de possíveis ajustes, efetuados no curso do exercício, da CSLL devida no anobase de 2007, a que se refere o artigo 35 da Lei n.° 8.981/95, que autoriza a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido em cada mês, mediante demonstração, através de Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.900843/201004 Acórdão n.º 1801001.778 S1TE01 Fl. 185 3 balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. De fato, Conforme se verifica das planilhas ora anexadas (doe. n.° 06), referido crédito se origina de erro material na apuração dos valores envolvendo os "Contratos V.C. SWAP" da Requerente, no período de apuração de março de 2007, o que gerou um recolhimento a maior de CSLL da monta de R$ 288.133,61 por meio do DARF de R$ 22.257.599,28 de abril de 2007 (doe. n.° 07). Assim, uma vez que o indigitado erro material ocasionou recolhimento de tributo a maior no período de março de 2007, inteiramente cabível a utilização da presente Declaração de Compensação (PER/DCOMP), nos estritos termos da legislação pertinente. [...] E por se tratar de crédito vinculado a um único DARF no valor de R$22.257.599,28, para a solução da questão bastaria perquirir se para o período de competência nele consignado, da comparação entre a apuração da empresa e o pagamento realizado, houve montante recolhido a maior no valor mínimo de R$288.133,61. Fundamental destacar que no caso em tela, ao identificar o pagamento a maior de CSLL por antecipação relativo ao período de março de 2007, a Requerente procedeu à retificação da sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) daquele período [...], restando claro, portanto, a existência de pagamento a maior, passível de restituição/compensação, nos termos da legislação de regência. Desta forma, por meio da simples análise das informações prestadas em DCTF (retificada) ou através da realização de diligências com o fito de examinar a escrituração contábil da Requerente relativa ao período originário do crédito (março/2007), poderia o Fisco se manifestar conclusivamente acerca da legitimidade da compensação, pois somente assim restaria comprovado (ou não) se houve recolhimento a maior do aludido tributo, cuja conseqüência inarredável seria a existência de crédito em favor do contribuinte, disponível para compensação, nos exatos termos em que foi utilizado. [...] Considerando que a origem do crédito compensado pode ser confirmado mediante análise da documentação contábil, a Requerente protesta, desde já, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, pela produção pela produção de prova pericial contábil. [...] Em tempo, a Requerente indica como seu perito assistente técnico o Sr. Alexei Ribeiro Nunes, brasileiro, consultor jurídico, inscrito no CPF/MF sob o n° 848.478.32787 e no RG sob o n° 070436100 IFP/RJ, com endereço profissional na Rua Dom Gerardo, n.° 63, sala 1203, Centro, Rio de Janeiro/RJ, CEP 20090030. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo exposto, pede e espera a Requerente a procedência da presente Manifestação de Inconformidade, para seja homologada a compensação efetuada, reconhecendose o direito creditório, devidamente atualizado, bem como a insubsistência da decisão profligada e a extinção do crédito tributário consubstanciado na PER/DCOMP tratada nos presentes autos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Requer, ainda, por plena observância ao Princípio da Verdade Material, regra basilar do processo administrativo, e caso os documentos ora acostados não sejam suficientes para comprovar o alegado, seja deferida a realização de diligências, bem como a produção de prova pericial, nos termos acima aduzidos, para confirmar o lídimo direito da Recorrente ao crédito utilizado na compensação objeto dos presentes autos. Termos em que, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1237.308, de 18.05.2011, fls. 100106: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”: “Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, ACOLHER EM PARTE as razões da manifestação de inconformidade, para determinar: a) a rejeição da preliminar de nulidade e do pedido de perícia; b) a homologação da compensação, no limite do crédito reconhecido nos autos do processo 16682.900845/201095, prosseguindose na cobrança do débito, caso da compensação deferida resulte valor remanescente. Consta no Voto condutor: Nessas condições, fica evidenciado o pagamento efetuado a maior, no valor de R$1.033.274,12. À vista do exposto, ACOLHO as razões da manifestação de inconformidade interposta, tendo em vista o reconhecimento do direito creditório de R$1.033.274,12, nos autos do processo 16682.900845/201095, para homologar sua compensação no limite do crédito então reconhecido, prosseguindose na cobrança do débito, caso da compensação ora deferida resulte valor remanescente. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Quando o ato administrativo encontrase com todas as formalidades preenchidas, cai por terra a argumentação genérica de nulidade do feito. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A necessidade da conversão do julgamento em diligência ou perícia ocorre quando ausentes os elementos de convicção para o deslinde da demanda. Estando os autos devidamente instruídos, prescindível se torna a realização do ato diligencial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.900843/201004 Acórdão n.º 1801001.778 S1TE01 Fl. 186 5 Comprovado o pagamento de estimativa de IRPJ ou de CSLL realizado a maior, reconhecese como direito creditório o valor que ultrapasse o recolhimento estimado, então pleiteado em PER/DCOMP e homologase a compensação nele declarada. Notificada em 01.08.2011, fls. 111, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.08.2011, fls. 112117 ao argumento de que atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta Da simples leitura do mencionado acórdão, verificase que houve o reconhecimento expresso de crédito em favor da Recorrente no valor de R$ 1.033.274,12 (um milhão, trinta e três mil, duzentos e setenta e quatro reais e doze centavos), valor mais do que suficiente, repitase, para quitar o débito objeto dos presentes autos (n.° 21754.36584.270707.1.3.040619) da monta de R$299.313,19. Em que pese a decisão ter expressamente reconhecido o direito ao crédito da Recorrente, o v. acórdão n.° 12.37.308 veio acompanhado de DARF com o inexplicável, obscuro e indevido saldo devedor no valor total de R$ 4.374,16 (quatro mil trezentos e quarenta e quatro reais e dezesseis centavos), sendo R$2.708,46 de principal, R$541,69 de multa e R$1.124,01 de juros [...]. Conforme se passa a demonstrar, o cálculo realizado pelas Autoridades devedor, após o julgamento da manifestação de inconformidade, revelase inteiramente equivocado, visto que a compensação objeto do presente processo foi integralmente homologada, não existindo qualquer saldo devedor a ser pago pela Recorrente, face à extinção integral do crédito tributário subjacente, nos exatos termos do artigo 156, II, do Código Tributário Nacional. Como muito bem posto no v. acórdão n.° 1237.308, resta incontroverso que a Recorrente apurou crédito em seu favor no montante de R$1.033.274,12 (um milhão, trinta e três mil, duzentos e setenta e quatro reais e doze centavos). Pois bem, referido crédito foi integralmente consumido em compensações realizadas pela Recorrente por meio dos PER/DCOMP de n°s 23904.49483.300807.1.3.043757 e 21754.36584.270707.1.3.040619 [...] da seguinte forma: Processo Administrativo PER/DCOMP Crédito Original Utilizado 16682900.845/201095 23904.49483.300807.1.3.04 3757 R$745.140,51 16682900.843/201004 21754.36584.270707.1.3.04 0619 R$288.133,61 Total R$1.033.274,12 Ora ilustre Conselheiro, a simples análise das PER/DCOMPs em questão é suficiente para se constatar a perfeita correção dos procedimentos efetuados pela Recorrente, uma I vez que as mesmas informam em suas respectivas fichas de Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 "Crédito Pagamento Indevido ou a Maior" o exato valor do crédito original utilizado nas compensações, o qual, foi inteiramente reconhecido pelo acórdão n.° 1237.308. Noutras palavras, a soma dos créditos informados nas PER/DCOMPs conferem i exatamente com o crédito reconhecido pela DRJ/1 e por isso não há que se falar em saldo remanescente a ser pago pela Recorrente Ainda que a análise da planilha acima não fosse suficiente, a demonstração das compensações realizadas é bastante simples conforme se demonstra a seguir: PER/DCOMP ne 23904.49483.300807.1.3.043757 Valor Original do Crédito 745.140,51 Data do Crédito Original 30/04/2007 Selic Acumulada 4,85% Crédito Atualizado na Data da Compensação 781,279,82 Débito da Dcomp 781,279,82 Saldo Remanescente 0,00 PER/DCOMP ne 21754.36584.270707.1.3.040619 Valor Original do Crédito 288.133,61 Data do Crédito Original 30/04/2007 Selic Acumulada 3,88% Crédito Atualizado na Data da Compensação 299.313,19 Débito da Dcomp 299.313,19 Saldo Remanescente 0,00 As planilhas acima elaboradas demonstram de maneira clara e objetiva a memória dos cálculos realizados quando da efetivação das compensações realizadas com o crédito de R$1.033.274,12 (um milhão, trinta e três mil, duzentos e setenta e quatro reais e doze centavos). Resta, portanto, evidente, que não foi utilizado nenhum centavo a mais do que o crédito reconhecido e, por isso, não há que se falar em saldo remanescente da presente compensação. Conclui Assim, por todo o acima exposto, é a presente para requerer seja conhecido e dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja determinando o imediato cancelamento do saldo devedor de R$ 4.374,16 (quatro mil trezentos e quarenta e quatro reais e dezesseis centavos), sendo R$2.708,46 de principal, R$541,69 de multa e R$1.124,01 de juros (doe. n.° 03), equivocadamente apurado pela d. Autoridades Administrativas vinculadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em que pese restar claramente demonstrado a inteira improcedência do mencionado saldo devedor, caso seja este o entendimento de V. Sa., requerse a conversão do julgamento do presente recurso voluntário em diligência, determinandose que as d. Autoridades Administrativas refaçam os cálculos dos débitos e créditos envolvidos nos PER/DCOMP n.° 23904.49483.300807.1.3.04 3757 e 21754.36584.270707.1.3.040619 para ao final concluírem que o saldo devedor de R$2.708,46 (principal) é inteiramente indevido, razão pela qual deverá ser cancelado. Nestes termos, Pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.900843/201004 Acórdão n.º 1801001.778 S1TE01 Fl. 187 7 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional, de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Recorrente afirma que o direito creditório reconhecido de R$1.033.274,12 referese ao pagamento a maior de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2484, efetuado em 30.04.2007, no valor de R$288.133,61 (processo nº 16682.900843/201004) e no valor de R$745.140,51 (processo nº 16682900.845/201095). Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1237.308, de 18.05.2011, fls. 100106: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”: “Vistos, relatados e discutidos, os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, ACOLHER EM PARTE as razões da manifestação de inconformidade, para determinar: a) a rejeição da preliminar de nulidade e do pedido de perícia; b) a homologação da compensação, no limite do crédito reconhecido nos autos do processo 16682.900845/201095, prosseguindose na cobrança do débito, caso da compensação deferida resulte valor remanescente. Consta no Voto condutor: Nessas condições, fica evidenciado o pagamento efetuado a maior, no valor de R$1.033.274,12. À vista do exposto, ACOLHO as razões da manifestação de inconformidade interposta, tendo em vista o reconhecimento do direito creditório de R$1.033.274,12, nos autos do processo 16682.900845/201095, para homologar sua compensação no limite do crédito então reconhecido, prosseguindose na cobrança do débito, caso da compensação ora deferida resulte valor remanescente. Verificase que há uma possível e aparente incongruência na decisão de primeira instância que julgou extra petita. O pedido original contido na Per/DComp no presente processo referese ao pagamento a maior de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2484, no valor de R$288.133,61 efetuado em 30.04.2007. Em contrapartida a autoridade reconhece o “direito creditório de R$1.033.274,12, nos autos do Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 processo 16682.900845/201095”. Cabe, assim, à autoridade de primeira instância de julgamento se pronunciar a respeito desse lapso manifesto. Ainda tem cabimento analisar a conexão entre os feitos. A Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, determina: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; [...] Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Em relação à previsão legal para julgar esta matéria, o Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...] § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. O Código de Processo Civil determina: Art. 103 Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Verificase que há possibilidade de que o presente processo nº 16682.900843/201004 e o processo nº 16682900.845/201095, que se encontra na Demac/RJ/RJ1, tenham por base o mesmo direito creditório, caso em que os autos devem ser juntados por anexação para evitar decisões conflitantes. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que a jurisdiciona: (a) enviar os autos para que a autoridade de primeira instância de julgamento se pronuncie sobre o lapso manifesto existente no Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1237.308, de 18.05.2011, fls. 100106, para que seja efetuada a possível correção; (b) se for o caso, juntar os presentes autos por anexação ao processo nº 16682 900.845/201095, caso se verifique as condições previstas na Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 1 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=16682900845201095&DDMovimentoQ=23052011&SQO rdemQ=0>. Acesso em: 26 nov. 2013. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.900843/201004 Acórdão n.º 1801001.778 S1TE01 Fl. 188 9 A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar os dados constantes nos registros internos da RFB para como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Voto Vencedor Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Redatora Designada Divirjo do entendimento da Ilustre Relatora de que possa ter havido lapso manifesto no Acórdão proferido pela 4a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro RJOI. Em verdade, no PERDCOMP tratado no presente processo, de n º 16682.900843/201004, a interessada se utiliza do mesmo direito creditório utilizado no PERDCOMP tratado nos autos do processo n º 16882.900845/201095, relativo a pagamento a maior de estimativa de CSLL do período de março/2007, no valor de R$ 22.257.599,28. Assim, por tratar do mesmo direito creditório, a Turma Julgadora de 1a. Instância aplicou, neste processo, o mesmo entendimento na análise do crédito perpetrado nos autos do processo n º 16882.900845/201095, no qual reconheceu, como direito creditório relativo a pagamento a maior de estimativa de CSLL de março de 2007, o valor de R$ 1.033.274,12, que é a diferença entre o valor recolhido em DARF, de R$ 22.257.599,28, e o efetivamente devido, de R$ 21.224.325,16.. Dessa forma, nos autos do processo n º 16682.900843/201004, o direito creditório reconhecido, de R$ 1.033.274,12, foi utilizado na quitação do débito declarado em PERDCOMP, relativo a estimativa de CSLL de julho/2007, no valor original de R$ 745.140,71. Feita a compensação, o órgão de origem propôs o arquivamento daqueles autos (fl. 104 do processo digital). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Assim, no presente processo, restou disponível para compensação apenas a parcela remanescente do direito creditório não consumido na compensação tratada no processo n º 16682.900843/201004. E, nos cálculos da compensação efetuada neste processo, o direito creditório remanescente não foi suficiente para quitar a integralidade do débito de estimativa de CSLL de junho de 2007, no valor original de R$ 288.133,61, restando uma parcela do débito não extinta pela compensação, de R$ 2.708,46. Verificase, pois, que a totalidade do direito creditório pleiteado pela recorrente foi reconhecida pela Turma Julgadora de 1a. Instância, como se verifica do voto condutor daquele julgado: Nessas condições, fica evidenciado o pagamento efetuado a maior, no valor de R$1.033.274,12. À vista do exposto, ACOLHO as razões da manifestação de inconformidade interposta, tendo em vista o reconhecimento do direito creditório de R$1.033.274,12, nos autos do processo 16682.900845/201095, para homologar sua compensação no limite do crédito então reconhecido, prosseguindose na cobrança do débito, caso da compensação ora deferida resulte valor remanescente. E, também, da ementa do acórdão: PER/DCOMP. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. Comprovado o pagamento de estimativa de IRPJ ou de CSLL realizado a maior, reconhecese como direito creditório o valor que ultrapasse o recolhimento estimado, então pleiteado em PER/DCOMP e homologase a compensação nele declarada. A própria defendente reconheceu que a Turma Julgadora de 1a. Instância deferiu integralmente o crédito pleiteado. É o que se constata do seguinte trecho extraído da peça de defesa: Da simples leitura do mencionado acórdão, verificase que houve o reconhecimento expresso de crédito em favor da Recorrente no valor de R$ 1.033.274,12 (um milhão, trinta e três mil, duzentos e setenta e quatro reais e doze centavos), valor mais do que suficiente, repitase, para quitar o débito objeto dos presentes autos (n.° 21754.36584.270707.1.3.040619) da monta de R$299.313,19. Como houve reconhecimento e deferimento integral do direito creditório pleiteado pela defesa no PERDCOMP objeto deste processo, não resta qualquer litígio a ser apreciado por esta Instância de Julgamento. Na verdade, a contribuinte se defende, exclusivamente, da cobrança do débito remanescente não extinto pela compensação. Tal discussão, entretanto, deve ser dirigida à Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.900843/201004 Acórdão n.º 1801001.778 S1TE01 Fl. 189 11 unidade de jurisdição da recorrente pois envolve critérios de correção de valores e cálculos de compensação, matéria que foge totalmente da competência de apreciação deste CARF. Diante da inexistência de litígio a ser apreciado, voto por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001650/2003-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado).
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ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 16 50 /2 00 3- 98 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado). Fl. 599DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10875.001650/200398 Acórdão n.º 2202002.554 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, HÉLIO THOMAZ MESQUITA, foi lavrado o auto de infração de fls. 303308, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 1999, no valor de R$ 76.799,98, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora calculados até 30/04/2003, totalizando um crédito tributário de R$ 188.282,82. O lançamento decorre da presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, sendo que a base de cálculo da infração apurada soma R$ 283.867,57 (fls. 303). Do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidade defls. , 301302, onde a autoridade lançadora explica os fundamentos fáticos da autuação, extraio as seguintes considerações: A fim de verificar o cumprimento das obrigações relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física, relativo ao exercício financeiro, ano calendário de 1.998, especificamente em relação à Movimentação Financeira no citado período, observandose que a documentação que serviu de base para a execução do trabalho encontrase às fls. 47 a 110 e referese aos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte após intimado. Às fls. 142 a 298 o contribuinte apresentou quadro resumo contendo locador, locatário e valores recebidos, e, contratos de locação 146 a 298; De posse dos elementos fornecidos pelo contribuinte, citados no último parágrafo, elaboreu Demonstrativo contendo valores depositados, valores informados pelo contribuinte e cheques devolvidos, a fim de apurar os valores a tributar, que abaixo descrevo os meses em que o contribuinte não logrou comprovar a origem, vinculando cada depósito ou crédito em sua conta com os locatários. O demonstrativo citado no referido Termo, que envolve os valores depositados, aqueles informados pelo contribuinte durante a fiscalização e os cheques devolvidos, encontrase às fls. 299. O auto de Infração foi lavrado em 07/05/2003, vindo o contribuinte dele tomar ciência pessoal em 16/05/2003. Intimado da exigência fiscal o sujeito passivo, devidamente representado, apresentou impugnação às fls. 317324 para se insurgir contra o que denominou de arbitramento realizado, argüindo, fundamentalmente, a inexistência de comprovação de acréscimo patrimonial, o que estaria a desrespeitar o princípio constitucional da generalidade (fls. 318). Apreciando o litígio os membros da 7a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) II consideraram procedente o lançamento, através do acórdão n° 6.741, que se encontra às fls. 328337, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu, art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Lançamento Procedente. Com relação aos documentos apresentados pelo contribuinte durante a ação fiscal, o relator da decisão recorrida asseverou que: "15. Em busca da verdade material, o Auditor Fiscal autuante expressamente intimou o contribuinte por duas vezes (fls. 111, 131) para justamente apresentar documentos de qualquer natureza, que pudessem ser valorados como hábeis e idôneos — sem a obrigatoriedade de que os documentos fossem contábeis, pois não há previsão legal — para a comprovação da origem dos depósitos em suas contas bancárias. Contudo, do exame dos autos, constata se que o impugnante, durante o procedimento de fiscalização, apresentou tãosomente: a planilha às fls. 142 a 145, com uma relação de locadores, locatários e valores mensais; cópias de contratos de locação de imóveis, às fls. 146 a 298. Estes documentos corretamente não foram considerados hábeis e idôneos pela fiscalização devido à nãovincálação entre cada depósito nas contas e os valores supostamente pagos pelos locatários, vinculação esta que deveria ter sido feita e demonstrada pelo contribuinte."(fls. 335). Cientificado da decisão de primeira instância o sujeito passivo, devidamente representado, interpôs recurso voluntário às fls. 342346 para alegar, em apertada síntese, que:. Segundo entendimento pacificado no Egrégio Conselho de Contribuintes, uma autuação por arbitramento deve preencher os seguintes requisitos cumulativos: i) comprovação de utilização dos valores depositados; ii) nexo causal entre os depósitos e a omissão; e, iii) a modalidade de arbitramento sempre como a mais favorável ao contribuinte; o lançamento diz respeito a uma presumida omissão de rendimentos caracterizada por movimentação financeira nos Bancos Santander e Boavista; juntou provas da origem dos recursos, com um demonstrativo mostrando discriminadamente que não se constituíam eles (os depósitos) acréscimos patrimoniais, mas mera administração de bens integrantes do patrimônio da família e, ainda mais, um levantamento detalhado e com planilha juntada aos autos, deixando à disposição do fisco a documentação (que representa mais de uma dúzia de caixas) para fins de averiguação; apesar de todos esses elementos e de o relatório inclusive demonstrar a inexistência de acréscimo de renda para o contribuinte, houve por bem a autoridade administrativa levar em consideração apenas os depósitos bancários; assim, além de não ter sido exaurido o procedimento investigatório para possibilitar o arbitramento realizado, foram desconsiderados os documentos comprobatórios da inexistência de acréscimos patrimoniais; nem mesmo as despesas comprovadas foram levadas em consideração para o lançamento do imposto a pagar; o princípio constitucional da generalidade exige a comprovação do acréscimo patrimonial não declarado, não bastando a mera presunção retirada de depósitos bancários. Com o objetivo de dar sustentação às teses defendidas, o contribuinte transcreveu a ementa do acórdão n° 10245.742, proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e fez menção a ensinamentos de Roque Antonio Carrazza. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10875.001650/200398 Acórdão n.º 2202002.554 S2C2T2 Fl. 4 5 Na seqüência, o sujeito passivo protocolou a petição de fls. 352, para "requerer ajuntada dos inclusos relatórios mencionados no recurso". Houve, então, a juntada dos documentos de fls. 353456. Em sessão plenária de 24/05/2006, esta Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 144.805, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 10615.534 (fls. 468/482), acatada por maioria de votos. O julgado foi assim ementado: IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — LANÇAMENTO CONSTITUÍDO EM RAZÃO DA LEI N° 10.174/2001 — IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. A regra do artigo 11, § 3°, da Lei 9.311/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.174, de 09 de janeiro de 2001, não pode ser aplicada de forma retroativa. Estava expressamente vedada a utilização pela SRF das informações referentes à CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, no que se refere aos fatos geradores do imposto sobre a renda pessoa física ocorridos até a data de publicação da referida Lei n° 10.174. Recurso provido. E a decisão assim resumida: Por maioria de votos ACOLHER a preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, para, sem exame de mérito, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sueli Efigênia Mendes de Britto, Ana Neyle Olímpio Holanda e José Ribamar Barros Penha. Inconformada, a Fazenda Nacional, por meio de seu Representante, interpõe o Recurso Especial de fls. 486/496, com fundamento no art. 32, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, e no art 5 0, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), ambos aprovados pela Portaria MF n° 55, de 1998, e vigentes à data de sua interposição, questiona basicamente o acolhimento da preliminar de irretroatividade. O Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,votam por DAR provimento ao recurso especial e determinar o retomo dos autos à Câmara recorrida para o enfrentamento das demais questões, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que negaram provimento ao recurso. O processo voltou para esta Câmara que propôs o sobrestamento do processo tende em vista a utilização de dados da CPMF. Diante da publicação da Portaria No. 545 do Ministério da Fazenda, que altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ficam revogados, consequentemente, o órgão administrativo não precisa mais esperar uma determinação expressa do Supremo Tribunal Federal (STF) para sobrestar um processo administrativo cuja a matéria está pendente de julgamento na Corte Constitucional. É o relatório. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A questão preliminar da ilegalidade da utilização de dados da CPMF, não será apreciada tendo em vista a decisão da Câmara Superior de Recurso Fiscais que solicita que seja analisada diretamente a questão de mérito, uma vez que a preliminar estaria superada. O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 603DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10875.001650/200398 Acórdão n.º 2202002.554 S2C2T2 Fl. 5 7 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O recorrente questiona que a autoridade deveria considerar todo o restante de depósitos indicados com sendo originados de outra conta de sua titularidade. Entendo que esse procedimento não se compatibiliza com a natureza do tipo de lançamento de depósitos bancários. Onde todos os valores devem ser individualizamente comprovados. A documentação contábil será hábil quando revestida das formalidades intrínsecas e extrínsecas essenciais, definidas pela legislação ou pela técnica contábil, ou aceitas pelos usos e costumes. O valor probante da documentação contábil está diretamente relacionado com a sua autenticidade. Os documentos privados, nos quais se inclui a maioria da documentação contábil, inclusive livros contábeis, não têm a mesma eficácia probante de um documento público. Logo, se sua autenticidade é contestada, há necessidade de produção de prova. Urge registrar, que a escrituração contábil, ainda que observadas as formalidades legais, por si só não faz prova a favor do contribuinte. É princípio probatório cediço que ninguém pode constituir título em seu próprio benefício – nemo sibi titulum constituit. E é compreensível a suspeita contra aquele que, particularmente, faz a sua escrituração contábil, pois ele poderá realizála de modo a favorecer aos seus interesses, ainda que contra a realidade dos fatos. Em suma, a documentação e os procedimentos contábeis servem não só para a formação do fato jurídico tributário, mas também para a prova da sua constituição. Constituído o fato jurídico, caso paire alguma dúvida quanto aos meios de prova utilizados, os documentos escriturados pelo contribuinte ou por sua ordem sempre fazem prova contra ele. No caso concreto, o recorrente apresenta relatório onde tenta demonstrar a origem dos depósitos bancários, mas não apresenta documentação para respaldar o relatório elaborado pelo próprio. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal Fl. 604DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 605DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 11080.727742/2011-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - CONTRATANTE - CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que, em relação ao AIOP nº 37.338.060-7, se recalcule o valor da multa de mora até a competência 11/2008, inclusive, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - CONTRATANTE - CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que, em relação ao AIOP nº 37.338.060-7, se recalcule o valor da multa de mora até a competência 11/2008, inclusive, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO CONTRATANTE CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 77 42 /2 01 1- 11 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que, em relação ao AIOP nº 37.338.0607, se recalcule o valor da multa de mora até a competência 11/2008, inclusive, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 613 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SINDICATO DOS ASSALARIADOS ATIVOS, APOSENTADOS E PENSIONISTAS NAS EMPRESAS GERADORAS OU TRANSMISSORAS OU DISTRIBUIDORAS OU AFINS DE ENERGIA ELÉTRICA NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E ASSISTIDOS POR FUNDAÇÕES DE SEGURIDADE PRIVADA ORIGINADAS NO SETOR ELÉTRICO SENERGISUL contra Acórdão nº 1037.151 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.338.0607, com valor inicial de R$ 6.852.751,87; e AIOP nº. 37.338.0615, com valor inicial de R$ 3.418,18. O crédito previdenciário se refere à: a) AIOP nº 37.338.0607, referente às contribuições da empresa incidentes sobre os valores pagos a empregados e contribuintes individuais e sobre os valores dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados, competências 01/2007 a 12/2008, no valor de R$ 6.852.751,87; b) AIOP nº 37.338.0615, referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, ao Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados, competências 08/2007 a 12/2008, no valor de R$ 3.418,18. Conforme o Relatório Fiscal, temse os fatos geradores: 5.1 Pagamento de salário a empregados 5.1.2.1 Os salários pagos na competência 08/2007 aos empregados das filiais 004776 e 004857 não foram declarados em GFIP e não houve recolhimento de contribuição previdenciária. Os valores estão lançados no levantamento FP FOLHA DE PAGAMENTO e estão demonstrados na planilha "Empregados não declarados em GFIP". 5.1.2.2 (...) as atividades de organizações sindicais enquadram se no CNAE FISCAL 94.20100, cuja alíquota GILRAT passou a ser de 3 % a partir da competência 06/2007.A entidade declarou em GFIP alíquota menor do que a devida, tendo declarado alíquota de 1 % em todo o período fiscalizado, exceto nas GFIPs da filial 000940, nas competências 11/2008 e Fl. 614DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 12/2008, em que declarou a alíquota de 2%, conforme demonstrado na planilha "Demonstrativo da de diferença de contribuição devida para o custeio do seguro acidente do trabalho", tendo declarado contribuições a menor. Os valores lançados nos levantamentos AS, SA1 e SA2 SEGURO ACIDENTE DO TRABALHO. 5.2 Caracterização de segurado empregado 5.2.1 Nas folhas de pagamento verificamos o pagamento de remuneração ao segurado HEITOR SILVEIRO DE S ALMEIDA em todo o período fiscalizado. Nas folhas de pagamento dos empregados e nas GFIPs o mesmo consta no período de 01/2007 a 11/2011 (admissão 05/12/1997 e demissão em 01/11/2007). No período de 12/2007 a 12/2008 o segurado consta nas folhas de pagamento como contribuinte individual, sem informação de remuneração na GFIP. 5.2.2. A análise da situação demonstra que embora formalmente tenha havido a rescisão de contrato de trabalho, de fato o segurado permanece executando as mesmas atividades até hoje, com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, na função de Contador, tendo sido o encarregado de prestar as informações durante essa ação fiscal. 5.2.3 Por isso, descaracterizamos o segurado como contribuinte individual caracterizandoo como segurado empregado, tendo em vista que na verdade enquadrase no artigo 12, I, a, Lei 8.212/1991. 5.2.4 As remunerações pagas ao segurado empregado são fato gerador de contribuições previdenciárias e sociais. Os valores estão lançados nos levantamentos CE e CE2 CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADO e estão demonstradas na planilha "empregados não declarados em GFIP". 5.3 Pagamento de remunerações a contribuintes individuais 5.3.2 A entidade efetuou pagamento de honorários de médicos e dentistas, como também efetuou pagamento de remunerações a outros contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. 5.3.3.1 Somente parte dos honorários pagos foram declarados em GFIP, conforme planilha "remunerações de contribuintes individuais não declaradas em GFIP". Os honorários não declarados constam na folha de pagamentos da filial 000940 e estão lançados nos levantamentos HO e HO2 HONORÁRIOS. 5.3.3.2 As remunerações pagas a outros contribuintes individuais constam na folha de pagamentos da matriz e estão demonstradas na planilha acima e não foram declaradas em GFIP. Os valores estão lançados nos levantamentos CI e CI2 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. 5.4 Pagamento de serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho 5.4.1 É fato gerador de contribuição previdenciária os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de Fl. 615DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 614 5 trabalho, cuja contribuição é de 15%, conforme disposto no art. 22, IV, Lei 8.212/1991. 5.4.2 A entidade contratou serviços de diversas cooperativas de trabalho na área de saúde, cujos valores estão demonstrados na planilha "Pagamentos à Cooperativa de Trabalho". 5.4.3 Os pagamentos efetuados às cooperativas não foram declarados em GFIPs e não houve recolhimento da contribuição previdenciária devida. Os valores estão lançados nos levantamentos CO e CO2 COOPERATIVAS DE TRABALHO. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando se a Lei 11.941/2009, de forma que aplicou a legislação vigente à época dos fatos geradores. A Recorrente teve ciência dos AIOPs em 30.08.2011, conforme capa dos AIOPs. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 01/2007 a 12/2008. Observase que, em relação ao AIOP nº 37.338.0615, o contribuinte não apresentou Impugnação o que motivou o desmembramento deste AIOP para o processo 11080.729463/201191, conforme informação do Serviço de Acompanhamento e Controle Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre RS, às fl. 584. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva para o AIOP nº 37.338.0607, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa afirma, inicialmente, que a contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.876/99, não pode ser exigida, na medida em que o Sindicato não se enquadra como sujeito passivo da contribuição. Nenhum serviço lhe é prestado por cooperados, muito menos através de cooperativa de trabalho, na forma prevista na legislação que trata da exação. Acrescenta que, no caso em tela, por se tratar de situação que envolve uma cooperativa de profissionais liberais, mais especificamente de médicos, com o impugnante, que tão somente operacionaliza o plano de saúde, sem qualquer intermediação entre paciente e o serviço médicohospitalar, falta, pois, à hipótese de incidência da exação o atendimento a um de seus requisitos fundamentais, qual seja, o aspecto material. Prossegue afirmando que o sindicato impugnante é um mero intermediário que disponibiliza aos seus associados a utilização dos serviços médicohospitalares em face do contrato firmado com a cooperativa à qual estão ligados os profissionais cooperados; não há acerto entre estes e o impugnante, mas sim em relação aos médicos cooperados e os associados deste que são os tomadores do serviço. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Em se tratando de cooperativas de profissionais liberais da classe médica, como é o caso presente, a relação é sempre pessoal médico/ paciente e essa situação não é alterada pelo fato de a contratação da cooperativa darse por intermédio de uma pessoa jurídica. Quem usufrui dos serviços dos associados cooperados são os terceiros previamente indicados pela pessoa jurídica contratante, prestação alguma é dirigida ao impugnante. Aduz que o artigo 22 da Lei n° 8.212/91, em seu inciso IV, é claro ao dispor que a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, é devida quando um cooperado pessoa física presta serviço à empresa sujeito passivo e pessoa jurídica – por intermédio de uma cooperativa de trabalho. Assim sendo, entende que não cabe ao operacionalizador dos planos de saúde, como é o caso do impugnante, recolher a contribuição previdenciária, cujo ônus, por previsão constitucional e infraconstitucional, é de empresa, ou entidade a ela equiparada, que recebe a prestação do serviço de profissional cooperado, através de cooperativa de trabalho. Ressalta, ainda, que se a lei não determina o pagamento pela empresa operadora do plano de saúde da contribuição previdenciária, não poderá o executivo, por analogia, estender o disposto no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, sob pena de afrontar diretamente a legislação ordinária e a própria Constituição Federal. A autoridade administrativa não é livre na escolha dos sujeitos passivos, ela é obrigada a escolher somente aquela pessoa que realmente corresponda às exigências do aspecto pessoal das hipóteses de incidência, tal como determinada, em seus contornos essenciais pelo próprio texto constitucional, qual seja, o realizador da operação tributária. Em o fazendo, acaba afrontado o artigo 150 da Constituição Federal. Apresenta decisões judiciais no sentido de que as empresas que operacionalizam planos de saúde não são os sujeitos passivos da contribuição previdenciária ora questionada. Também alega que a UNIMED não é uma cooperativa de trabalho, pois os médicos, profissionais liberais que são, executam seus serviços de forma individualizada, via de regra em seus consultórios particulares, fazendo uso de meios e fatores que lhe pertencem, bem como de métodos e formas próprios, mantendo a característica individual de prestação de serviço, razão pela qual essa cooperativa não pode ser qualificada como de trabalho, mas de prestação de serviços, o que, por si só, já afastaria a exigência da contribuição. Salienta que as cooperativas de trabalho e as cooperativas de prestação de serviço, notadamente as cooperativas da área da saúde, não se confundem possuindo, cada uma, características próprias, de tal sorte que criada uma contribuição específica em Fl. 617DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 615 7 relação a uma delas a exação não pode atingir a outra, por falta de respaldo legal. A exação é devida unicamente naquelas situações que envolvam os associados cooperados que, de forma coletiva, prestem serviços diretamente à empresa (pessoa jurídica) que tenha firmado o contrato com a cooperativa. Tal situação, de acordo com as razões apresentadas, não ocorre na relação entre a UNIMED e o SENERGISUL e seus associados. Por todo o exposto, conclui que a contribuição previdenciária em comento, em sua regramatriz de incidência, prevê situação que não alcança os pacientes, ou beneficiários, ou mesmo o Sindicato, alcançando unicamente o profissional da saúde cooperado, ou então a própria cooperativa que recebe o pagamento pela utilização dos serviços. Ao final, requer a anulação da autuação, uma vez que ilegal o auto de infração relativo à contribuição prevista no artigo 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1037.151 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. SUJEITO PASSIVO. CONTRATANTE. A empresa contratante é a responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre as faturas de serviços prestados por cooperados contratados através de cooperativa de trabalho. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e manter o crédito tributário exigido no Auto de Infração Debcad nº 37.338.0607, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, Fl. 618DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Porto Alegre, 29 de fevereiro de 2012 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Dos fatos Conforme consta da narrativa dos fatos constantes da impugnação apresentada, o recorrente, na qualidade de operador de planos de saúde, desde 1997 vem firmando Contratos de Prestação de Serviços Médicos e Hospitalares por Custo Operacional com a UNIMED/RS Federação das Cooperativas Médicas do Rio Grande do Sul Ltda (docs. anexos), a fim de que seus associados possam usufruir dos serviços médicos colocados à disposição por esta entidade. Em 30/08/2011, o recorrente foi autuado ante o não recolhimento da contribuição social prevista no art. 195,1, "a" da CF/88 e instituída pela Lei n° 9.876/99, que incluiu o inciso IV ao artigo 22 da Lei 8.212/91, tributo este devido pelas empresas para custeio da Seguridade Social, incidente sobre as faturas dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Apresentada impugnação, foi aduzido que tal espécie tributária não poderia ser exigida do ora recorrente, na medida em que este não se enquadraria como sujeito passivo da contribuição, pois nenhum serviço lhe é prestado por cooperados, muito menos através de cooperativa de trabalho, na forma prevista na legislação que trata da exação, motivo pelo qual foi requerida a anulação do auto de infração então impugnado (ii) Da sujeição passiva não enquadramento do recorrente OPERADOR DE PLANO DE SAÚDE. A partir do regramento acima transcrito, se percebe que a decisão recorrida acabou por lhe dar uma equivocada interpretação, aumentando indevidamente seu alcance, ao considerar o recorrente como sujeito passivo do tributo, confundindo a relação contratual havida entre o recorrente e a UNIMED e a relação tributária prevista noart. 22 da Lei n° 8.212/91. Com efeito, pouco importa o fato de o recorrente ser, PERANTE A UNIMED, responsável pelo adimplemento das obrigações estabelecidas no contrato, a exemplo do que acontece na situação inversa, UNIMED em face do Sindicato; a relação é contratual entre UNIMED e SENERGISUL, ora recorrente, e só. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 616 9 O contrato não estabelece quem é o sujeito passivo do tributo, e nem poderia ser diferente, pois são relações distintas: uma é definida pelo contrato entre os contratantes e a outra a tributária é prevista na legislação competente, a qual deve ser observada para o deslinde das questões que a envolvam. (...) No caso em tela, o recorrente tão somente operacionaliza o plano de saúde, sem qualquer intermediação entre paciente e o serviço médicohospitalar, faltando, pois, à hipótese de incidência da exação em debate o atendimento a um de seus requisitos fundamentais, qual seja, o aspecto material Com efeito, o dispositivo que prevê a cobrança da contribuição é claro ao fixar que o sujeito passivo desta é aquele que faz uso dos serviços prestados por cooperados, através de cooperativa de trabalho: Na situação em apreço, na relação UNIMED e Sindicato, os médicos cooperados não atendem o recorrente, mas as pessoas físicas por este indicadas, que procuram os serviços daqueles, que os atendem sempre de forma pessoal, como é o normal em se tratando de uma relação médico/paciente; os associados da UNIMED não prestam serviço ao recorrente, que apenas se apresenta como operacionalizador do plano de saúde e intermediador. Em se tratando de cooperativas de profissionais liberais da classe médica, como é o caso presente, a relação é sempre pessoal médico/paciente e essa situação não é alterada pelo fato de a contratação da cooperativa darse por intermédio de uma pessoa jurídica. Em outras palavras, quem usufrui dos serviços dos associados cooperados são os terceiros previamente indicados pela pessoa jurídica contratante. O art. 22 da Lei n° 8.212/91, em seu inciso IV, é claro ao dispor que a contribuição é devida quando um cooperado pessoa física presta serviço à empresa sujeito passivo e pessoa jurídica por intermédio de uma cooperativa de trabalho, o que não acontece na presente situação. Salta aos olhos, pois, que não cabe ao operacionalizador dos planos de saúde caso do recorrente recolher a contribuição previdenciária, cujo ônus, é de empresa, ou entidade a ela equiparada, que recebe a prestação do serviço de profissional cooperado, através de cooperativa de trabalho. (iii) A UNIMED não é uma cooperativa de trabalho Por fim, calha referir de forma ligeira que as cooperativas de profissionais liberais, tais como aquelas ligadas à área da saúde médicas, odontológicas, entre outras não são cooperativas de trabalho, mas sim cooperativas de serviço, de tal sorte que a Fl. 620DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 previsão legal do aporte, claramente voltada às cooperativas de trabalho, não lhes alcançam. Com efeito, as organizações cooperativadas de trabalho e as de prestação de serviço não se confundem, sendo a distinção reconhecida tanto no campo doutrinário, quanto no âmbito jurisprudencial. Segundo a doutrina nacional, a característica fundamental das cooperativas de trabalho é o fato de que esse pode ser executado por todos conjuntamente ou por grupos de alguns, isto é, sempre de forma coletiva. Nesse sentido Marcelo Mauad refere que "Jvb caso específico das cooperativas de trabalho, acrescentese que a prestação de serviço pelos cooperados deve ser exercida coletivamente, por todos ou por grupos de alguns."* Tal situação não ocorre com as cooperativas de prestação de serviço caso da UNIMED que, em realidade, prescindem, na execução do trabalho, da coletividade, haja vista que cada sócio busca seu desenvolvimento pessoal, servindo a cooperativa como mera agrupadora dos profissionais. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 617 11 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Observase que, em relação ao AIOP nº 37.338.0615, o contribuinte não apresentou Impugnação o que motivou o desmembramento deste AIOP para o processo 11080.729463/201191, conforme informação do Serviço de Acompanhamento e Controle Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre RS, às fl. 584. Desta forma, permanece apenas o AIOP nº 37.338.0607 neste presente processo nº 11080.727742/201111. Outrossim, a Recorrente, da mesma forma que na Impugnação, apresenta as razões recursais somente em relação à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre os valores dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho e se limita, basicamente, aos serviços prestados pela UNIMED. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – SINDICATO DOS ASSALARIADOS ATIVOS, APOSENTADOS E PENSIONISTAS NAS EMPRESAS GERADORAS OU TRANSMISSORAS OU DISTRIBUIDORAS OU AFINS DE ENERGIA ELÉTRICA NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E ASSISTIDOS POR FUNDAÇÕES DE SEGURIDADE PRIVADA ORIGINADAS NO SETOR ELÉTRICO SENERGISUL Fl. 622DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 contra Acórdão nº 1037.151 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.338.0607, com valor inicial de R$ 6.852.751,87; e AIOP nº. 37.338.0615, com valor inicial de R$ 3.418,18. O crédito previdenciário se refere à: a) AIOP nº 37.338.0607, referente às contribuições da empresa incidentes sobre os valores pagos a empregados e contribuintes individuais e sobre os valores dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados, competências 01/2007 a 12/2008, no valor de R$ 6.852.751,87; Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado o AIOP nº. 37.338.0607 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a Fl. 623DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 618 13 lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº. 37.338.0607, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de Fl. 624DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO (ii) Da sujeição passiva não enquadramento do recorrente OPERADOR DE PLANO DE SAÚDE. Analisemos. Resumidamente, a Recorrente alega não há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho UNIMED: Com efeito, pouco importa o fato de o recorrente ser, PERANTE A UNIMED, responsável pelo adimplemento das obrigações estabelecidas no contrato, a exemplo do que acontece na situação inversa, UNIMED em face do Sindicato; a relação é contratual entre UNIMED e SENERGISUL, ora recorrente, e só. (...) No caso em tela, o recorrente tão somente operacionaliza o plano de saúde, sem qualquer intermediação entre paciente e o serviço médicohospitalar, faltando, pois, à hipótese de incidência da exação em debate o atendimento a um de seus requisitos fundamentais, qual seja, o aspecto material Ora, conforme o já enfrentado em sede de decisão de primeira instância, às fls. 592, nos termos do contrato de assistência médica entre a Recorrente e a Federação das UNIMED do Rio Grande do Sul, anexado às fls. 180 a 187 e as faturas de serviço, às fls. 193 a 208, a Recorrente é a contratante dos serviços prestados pelos médicos cooperados da UNIMED: "O contrato anexado às fls. 180/187 e as faturas de serviços de fls. 193/208 deixam evidente que a pessoa jurídica autuada figura como contratante dos serviços prestados pelos médicos cooperados. O fato de os associados do Sindicato serem, em última análise, usuários destes serviços, não significa que, para fins tributários, sejam eles os tomadores dos serviços, haja vista que é o Sindicato que figura na relação contratual, assumindo direitos e responsabilidades perante as cooperativas de trabalho. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 619 15 Nesse contexto cabe observar que o SENERGISUL, como entidade sindical, age em nome dos seus filiados e os seus atos têm como objetivo defender os direitos individuais e coletivos da categoria que representa, na forma do estabelecido no artigo 8º, inciso III da Constituição da República e nos artigos 2º e 3º de seu Estatuto. Assim é que, por meio do contrato de assistência médica firmado, o SENERGISUL contraiu direitos e assumiu obrigações perante as cooperativas de trabalho, sendo, inclusive, as faturas de prestação de serviço constantes dos autos emitidas em seu nome e não em nome de cada filiado. Acrescentese, ainda, que de acordo com a cláusula sexta (Da Apresentação de Faturas e da Forma de Pagamento), do contrato nº 900.01.0, a obrigação pelo adimplemento do contrato recai sobre o SENERGISUL que responde por eventuais débitos advindos da relação contratual. Portanto, ainda que diretamente os serviços sejam prestados aos filiados do Sindicato, não se pode negar que o destinatário imediato dos serviços é o SENERGISUL, na medida em que este é efetivamente o contratante dos serviços das cooperativas que lhe prestaram serviços e, por consequência de tal ato, o sujeito passivo da obrigação tributária." Desta forma, o art. 22, IV, lei 8.212/1991 dispõe expressamente acerca da contribuição a cargo das empresas de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Em outro diapasão, a Recorrente argumenta que é operacionalizadora de planos de saúde, de forma a não ser obrigada a recolher tal contribuição previdenciária em questão: Salta aos olhos, pois, que não cabe ao operacionalizador dos planos de saúde caso do recorrente recolher a contribuição previdenciária, cujo ônus, é de empresa, ou entidade a ela equiparada, que recebe a prestação do serviço de profissional cooperado, através de cooperativa de trabalho. Ora, tal argumentação da Recorrente de que seria operacionalizadora de planos de saúde também não merece acolhimento porque, conforme já demonstrado acima, nos termos do contrato de assistência médica entre a Recorrente e a Federação das UNIMED do Rio Grande do Sul, anexado às fls. 180 a 187 e as faturas de serviço, às fls. 193 a 208, a Recorrente é a contratante dos serviços prestados pelos médicos cooperados da UNIMED. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Ademais, na presente hipótese, o fato gerador da contribuição previdenciária é o pagamento de serviços prestados pelos cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho e tem por contribuinte, para fins tributários, o contratante de tais serviços, a Recorrente. Ou seja, a Recorrente é a responsável pelo recolhimento da contribuição patronal dos segurados cooperados (contribuintes individuais), cuja remuneração é aferida sobre o valor da nota fiscal/fatura de prestação de serviços da cooperativa, no presente caso a cooperativa de trabalho UNIMED. Portanto, diante do exposto acima, não prospera tal argumentação da Recorrente. (iii) A UNIMED não é uma cooperativa de trabalho Analisemos. Neste ponto, a Recorrente não traz novos argumentos de fato ou de direito para afastar a decisão de proferida em sede de primeira instância. Conforme o já debatido na instância anterior, às fls. 593, as cooperativas da área de saúde, tais como a UNIMED, enquadramse na definição normativa insculpida no art. 281 da IN MPS/SRP nº 03/2005, de cooperativa de trabalho posto se constituírem em associações de médicos que prestam serviços a terceiros, ora pessoas físicas ora pessoas jurídicas: Art. 281. Cooperativa de trabalho, espécie de cooperativa também denominada cooperativa de mãodeobra, é a sociedade formada por operários, artífices, ou pessoas da mesma profissão ou ofício ou de vários ofícios de uma mesma classe, que, na qualidade de associados, prestam serviços a terceiros por seu intermédio. Parágrafo único. A cooperativa de trabalho intermedeia a prestação de serviços de seus cooperados, expressos em forma de tarefa, obra ou serviço, com os seus contratantes, pessoas físicas ou jurídicas, não produzindo bens ou serviços próprios. Inclusive o enquadramento da UNIMED como cooperativa de trabalho é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça STJ, conforme se depreende do AgRG no Resp 786612/RS, julgado em 17.10.2013, Relator Min. Mauro Campbell Marques: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. UNIMED. CONCEITO DE ATO COOPERATIVO TÍPICO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELO REGIME DO ART. 543C, DO CPC, E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.727742/201111 Acórdão n.º 2403002.348 S2C4T3 Fl. 620 17 MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que, em relação ao AIOP nº. 37.338.060 7, se recalcule o valor da multa de mora até a competência 11/2008, inclusive, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 629DF CARF MF Impresso em 10/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10875.722867/2011-45
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 28 67 /2 01 1- 45 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 94 2 autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 95 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 47/63 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.35/40) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF do PA junho/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fls. 31/32) que a contribuinte, em 29/08/2011, entregou ao fisco a DCTF do PA junho/2010, com atraso de 14 (quatorze) meses. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 20/08/2010; b) data de entrega: 16/09/2011 montante dos tributos informados na DCTF: R$ 225.111,23; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos informados na DCTF; cálculo da multa: 20% x R$ 225.111,23 = R$ 45.022,31; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF) = R$ 45.022,31 x 50% = R$ 22.511,15 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais fora do prazo fixado enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante de tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) (...) A multa aplicada foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração(...) Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento pelo sistema eletrônico em 13/09/2011 (fl. 34), apresentou impugnação ao lançamento fiscal em 07/10/2011 (fls.02/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 96 4 que o lançamento fiscal deve obedecer requisitos obrigatórios do ato administrativo sob pena de nulidade; que o lançamento objeto dos autos está eivado de vícios (ilegalidades substanciais) que o tornam nulo.Vale dizer: que o art. 7º da Lei 10.426/2002, o qual comina penalidade pecuniária pela entrega intempestiva de DCTF, fere princípio constitucional, por estabelecer e autorizar a aplicação de multa desproporcional, confiscatória; que é vedado o uso de tributo com efeito de confisco; que a limitação de tributar também estendese às multas por descumprimento de obrigação tributária, ainda que a multa não tenha natureza de tributo; que a multa fixada pela citada lei é excessiva, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida; que, nesse sentido, invoca fato analógico (sic) do RIPI 2002 (Regulamento revogado pelo Decreto nº 7.212/2010): a) que o art. 16 da Lei nº 9.779/99 autorizou a RFB a criar, instituir obrigações acessórias por ato infralegal, o qual é matriz legal do art. 212 do RIPI 2002; que, por outro lado, a instituição de penalidade é matéria privativa de lei; b) que no RIPI 2002 o art. 212 seria genérico e o art. 368 seria específico para a DCTF; que, por conseguinte, a penalidade aplicável para entrega intempestiva de DCTF seria do art. 507 do RIPI, ou seja, R$ 31,65 e não o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/202, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004); c) que o dispositivo específico prevalece em relação ao genérico. que, no caso, houve aplicação equivocada do art. 7º da Lei 10.426/2002; que o lançamento seja declarado nulo por ferir princípios básicos do ato administrativo, devendo, no mínimo, ser retificado; que é pacífica a jurisprudência do STF pela anulação ou redução de multa com feição confiscatória (citou alguns precedentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros, multa moratória e ICMS). que a Administração Pública deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto à aplicação de multas pecuniárias. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, pediu a declaração de nulidade do lançamento fiscal, pois lastreado em norma flagrantemente confiscatória e inconstitucional. A DRJ/Campinas, à luz dos fatos e da legislação tributária de regência, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 27/03/2012 (fls.35/40), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2011 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 97 5 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 16/04/2012 – segundafeira (fls. 44/45), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2012 – quartafeira (fls. 47/63), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco imputou 14 (quatorze) meses de atraso na entrega da DCTF e multa de 20% (vinte por cento); que, na realidade, o referido atraso foi de 12 meses e 28 dias, posto que a entrega da DCTF deveria ter ocorrido em 20/08/2010, mas somente se efetivou em 16/09/2011; que, nesse sentido, a Lei n° 10.426/2002 (art. 7o, II) estabelece 2% (dois por cento) de multa AO MÊS OU FRAÇÃO sobre o montante de tributos informados na DCTF, ou seja, que se deve aplicar a fração quando for o caso; que o fisco deveria, na situação dos autos, ter apurado e imputado atraso de 12 meses completos e 28 (oito dias) dias, e não 14 (quatorze) meses; que, em face dessse vício do lançamento, a defesa da autuada restou prejudicada. Por conseguinte, a contribuinte pediu que seja reconhecida a nulidade do lançamento. 2) – Mérito: que a penalidade pecuniária aplicada, cominada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não merece prosperar; que citado dispositivo legal viola, afronta a Constituição Federal, pois comina e autoriza a aplicação de multa desproporcional, confiscatória, não observando o princípio da capacidade contributiva; que, no caso, seria hipótese de aplicação da multa de R$ 31,65 (RIPI/2002, art. 368 c/c art. 507) e não da multa do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 (art. 506), com redação Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 98 6 dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004; que deve prevalecer a norma especial em relação à norma geral; que é pacífica a jurisprudência do STJ pela anulação ou redução da multa de feição confiscatória (citou alguns precentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros). que a Administração Tributária deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto a aplicação de multas. que, na hipótese improvável de suas teses não seram acatadas (nulidade do lançamento por multa confiscatória, erro na apuração do seu valor ou retificação do lançamento para exigência da multa de R$ 31,65), ainda assim a recorrente alega que o lançamento não merece prosperar em face de sua conduta de boafé, devendo ser aplicados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para redução da penalidade para o patamar mínimo de 2% sobre o montante de tributos declarados na DCTF, e não 2% por mês calendário ou fração. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 99 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. O litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF, ou seja, pela inobservância do prazo no cumprimento de obrigação acessória autônoma de que trata a IN RFB nº 974, de 27/11/2009 (art. 5º), que dispõe: Art. 5ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. (...) Está narrado na Notificação de Lançamento (fls. 31/32), conforme já exposto no relatório, que o prazo limite para entrega tempestiva da DCTF do PA junho/2010 era 20/08/2010. Entretanto, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 16/09/2011. O cumprimento da obrigação acessória, por conseguinte, deuse 14 (quatorze) meses calendário ou fração, após expirado o prazo tempestivo. Foi aplicada multa de 20% sobre o montante dos tributos informados na respectiva DCTF (multa de atraso de 2% por mês calendário ou fração, limitada a 20%), com redução de 50% do seu valor por cumprimento espontâneo da obrigação acessória, conforme demonstrativo de cálculo já transcrito no relatório. ENTREGA INTEMPESTIVA DE DCTF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE MULTA PECUNIÁRIA. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente, preliminarmente, suscitou nulidade da notificação de lançamento – multa por apresentação intempestiva da DCTF do PA junho/2010, por vício na aplicação da legislação e apuração do valor da penalidade, gerando prejuízo à defesa. De plano, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pois a notificação do lançamento da multa por descumprimento de prazo da obrigação acessória autônoma (apresentação intempestiva da DCTF) contém adequada descrição dos fatos, apuração precisa e perfeita dos fatos, do valor da multa e pertinente enquadramento legal, possibilitando amplo e pleno entendimento da infração imputada, não se justificando a alegação de prejuízo à defesa, pois não restou caracterizado o alegado vício de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Primeiro, o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal competente, apresenta descrição completa dos fatos, matéria tributável, demonstrativo preciso e exato de apuração da multa aplicada e pertinente enquadramento legal, tudo em consoância com o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/72 e com o art. 142 do CTN. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 100 8 Com relação ao fundamento legal da multa, percentual da multa e apuração do respectivo valor, tudo está em consonância com a legislação de regência vigente na data da infração, ou seja, o art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004. No entanto, a recorrente, ainda, apresentou tese contra o lançamento da multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, invocando o RIPI/2002, o qual trata da obrigatoriedade de apresentação da DCTF pelos contribuintes do IPI, argumentando que o citado Regulamento estaria possibilitando, no caso, a aplicação da multa fixa de R$ 31,65, e não a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002; que, então, houve: a) equívoco na aplicação da lei que impõe penalidade, pois, em vez do fisco aplicar legislação específica para entrega em atraso da DCTF, norma mais favorável em termos de penalidade, houve, diversamente, aplicação de legislação cominando multa mais pesada, confiscatória e, além disso, teria ocorrido erro na apuração do valor da multa aplicada. b) que o atraso, na entrega, seria de apenas 28 meses e 28 dias. Não tem respaldo jurídico a argumentação da contribuinte. O RIPI 2002 foi revogado pelo RIPI 2010 (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Não obstante, o art. 507 do RIPI 2002 tratava de multa de R$ 31,65 a cada falta de apresentação da declaração perídica do IPI (fundamento legal: DecretoLei nº 1.680, de 28/03/1979, art. 4º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Já, o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004) tratava da entrega intempestiva da DCTF. Essas multas permanecem em vigor no RIPI 2010, respectivamente nos arts. 594 e 593. Vale dizer, a multa de R$ 31,65 (art. 507/RIPI 2002 ou art.594/RIPI 2010) não se aplica ao caso objeto dos autos, pois tratase de multa aplicável a cada falta de apresentação da declaração periódica do IPI. No caso, a multa aplicada referese à entrega da DCTF em atraso, ou seja, 2% (dois por cento) sobre os tributos e contribuições informados na DCTF por mês calendário ou fração de mês calendário. Como demonstrado, diversamente da tese defendida pela recorrente, não restou caracterizada a alegada violação de principíos, pois as obrigações acessórias são diversas para cada dispositivo legal suscitado do RIPI, um trata de falta de declaração do IPI e, outro, trata de entrega intempestiva de DCTF. Destarte, houve correta aplicação do art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação pelo art. 19 da Lei 11.051/2004, que, de forma expressa, literal, impõe multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, para entrega intempestiva de DCTF. O texto do dispositivo legal é de aplicação direta, sentido literal, devido sua clareza, não comportando elucubração ou tese interpretativa. Cabendo lembrar, no caso, o brocardo latino in claris cessat interpretatio. A propósito, transcrevo o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2003, com redação do art. 19 da Lei 11.051/2004, in verbis: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 101 9 Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III – (...) (Grifei) No caso, o fisco apurou atraso na entrega da DCTF de 14 meses calendário ou fração de anocalendário, conforme consta demonstrado na Notificação de Lançamento Fiscal. O cálculo da multa efetuado pelo fisco está correto, conforme demonstrado no relatório, pois, diversamente do alegado pela recorrente de que o mês seria o período sucessivo de 30 (trinta) dias completos a partir do termo final para entrega tempestiva da DCTF), a lei estabeleceu outro critério de contagem de prazo para aplicação da multa, qual seja: a contagem do prazo por mês calendário ou fração de mês calendário, a partir do termo final para entrega tempestiva dessa declaração. Assim, pela aplicação do texto legal, para efeito de apuração e aplicação da multa são, sim, 14 (quatorze) meses calendário ou fração de atraso na entrega da DCTF do PA junho/2010. Portanto, não há ajuste ou reparo a fazer no valor da multa aplicada. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, apenas a falta de descrição dos fatos e a falta de enquadramentio legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, que não é caso, pois a notificação de lançamento contém correta descrição dos fatos, preciso ou exato valor apurado da multa, e respectivo enquadramento legal. Se houvesse erro na apuração do valor da multa, que não é ocaso, poderia o julgador de ofício ou por provocação da contribuinte corrigir o lançamento sem prejuízo de sua validade, pois a questão seria de vício material sanável. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 102 10 A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à validade do lançamento fiscal que tem adequada descrição dos fatos e enquadramento legal. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 103 11 direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO DA DCTF. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. APLICAÇÃO DE MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente alegou que o art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação do art. 19 da Lei 10.051/2004, comina multa desproprocional, confiscatória, por entrega em atraso de DCTF e, portanto, essa legislação seria inconstitucional, por violação do princípio do não confisco. Primeiro, a instuição de obrigações acessórias (prestações positivas ou negativas), no interesse da Administração Tributária, estão autorizadas por lei (sentido amplo) e implementadas em documento específico por normas infralegais, ou seja, por normas complementares (normas infralegais), em obediência aos arts. 96, 97 e 100 do CTN. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 104 12 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 105 13 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 106 14 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Feitos esses esclarecimentos quanto à instituição de obrigação acessória por lei em sentido amplo, passemos à questão da multa pecuniária. A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para o descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por conseguinte, não tem sentido, não tem o menor cabimento a tese da recorrente de que a multa a ser aplicada, no caso dos autos, para evitar suposto efeito confiscatório, deveria ser a do art. 368 c/c art. 507 (RIPI/2002), pois essas normas do RIPI tratam de multa para hipótese de não entrega de declaração do IPI, obrigação acessória diversa, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 107 15 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA PECUNIÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A contribuinte alegou da ilegalidade da multa; que teria caráter eminentemente confiscatório, violando, por conseguinte, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Como já dito alhures, a multa pela falta de apresentação ou entrega intempestiva da DCTF exige lei em sentido estrito; por isso, a multa, em abstrato, pela não apresentação da DCTF ou entrega extemporânea, está cominada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º. No caso, foi aplicada a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002. Quanto à alegação de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, incabível a apreciação, no mérito, de tal arguição, por falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo, por ser matéria de competência do Poder Judiciário. Nesse sentido, a questão está sumulada neste Eg. Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, o princípio do não confisco aplicase apenas para tributos (CF, art. 150, IV). A multa não é tributo. O princípio do não confisco dirigese ao legislador infraconstitucional e não ao julgador administrativo. Além disso, a multa pecuniária cominada, abstratamente, pela lei administrativotributária não segue o princípio da capacidade contributiva, mas sim o interesse jurídico tutelado, o interesse público. Na verdade, a pena pecuniária, em abstrato, fixada pela lei deve ser suficientemente significativa, para inibir ou afastar os contribuintes da prática de infração administrativofiscal, pelo receio, medo ou temor de serem apenados em concreto. Para aqueles contribuintes que a norma, em abstrato, não foi suficiente para demovêlos da conduta infracional independentemente do motivo, não resta ao fisco outro caminho, em face de sua atividade vinculada, a não ser a aplicação da lei ao caso concreto, para recompor, restaurar, a ordem jurídica violada. ] Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 108 16 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10880.910759/2008-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 59 /2 00 8- 53 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 64): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador30/06/2000 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910759/200853 Acórdão n.º 3802002.004 S3TE02 Fl. 203 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910759/200853 Acórdão n.º 3802002.004 S3TE02 Fl. 204 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909818/2006-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
PIS/PASEP. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA.
A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA.
A determinação de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (produtos em bonificação e remessa em bonificação) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/2006-67.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA. A determinação de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 18 /2 00 6- 89 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 171 2 Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (“produtos em bonificação” e “remessa em bonificação”) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/200667. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 30/09/99 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 2.507,62;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 11 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 172 3 No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis.” A DRJ/SP1 decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega que: as bonificações praticadas não possuem natureza de desconto incondicional aplicado às suas vendas no período; as saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, gratuitamente, e decorrem de contrato de premiação com mercadorias pelo cumprimento de metas ou em comemoração de determinadas datas. Juntou cópias de contratos com grandes empresas do varejo e atacado. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 173 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Não são suscitadas preliminares nem solicitada diligência. Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação e da decisão de primeira instância administrativa que considerou correto o despacho decisório não são combatidos. A única questão discutida no recurso é a possibilidade de incidir a contribuição para o PIS/Pasep sobre saídas de produtos em bonificação. Segundo a recorrente, a DRJ/SP1 equivocouse ao considerar que as saídas de produtos em bonificação, no caso, são descontos que só poderiam ensejar restituição/compensação se fossem incondicionais, para o que seria necessário atenderse ao disposto na IN nº 51, de 1978. De fato, a turma da DRJ/SP1 entendeu que somente quando se caracterizarem descontos incondicionais as bonificações em mercadorias poderão ser excluídas da determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Disto decorre que bonificações desvinculadas de vendas, entregues gratuitamente, por mera liberalidade, por não serem descontos incondicionais, são tributadas pela contribuição. Uma vez que na manifestação de inconformidade a contribuinte não admitiu que as bonificações não estavam vinculadas a vendas, a turma de julgadores esclareceu que no caso não se comprovou serem incondicionais as bonificações, nos termos exigidos pela IN nº 51, de 03/11/1978: “4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 174 5 bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc (...)” Agora, tendo em vista que no recurso voluntário a recorrente afirma que as bonificações não são descontos incondicionais aplicados às suas vendas no período, não é necessário verificar o atendimento às seguintes disposições da IN nº 51, de 03/11/1978. Bonificações que não se caracterizam descontos incondicionais. Segundo a RFB, as bonificações concedidas em mercadorias somente não compõem a base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep quando se caracterizam descontos incondicionais concedidos. A pergunta e a resposta abaixo foram extraídas do site da RFB na internet: 815. As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins? Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN n º 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições. 1 E o Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, constante do acórdão recorrido, traz o seguinte: “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2005/PergResp2005/pr808a860.htm (Acessado em 18/08/2013, às 13:30 h) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 175 6 de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. (sem o destaque no original) Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias, não será dedutível, na determinação do lucro real.”[destaquei] 2 Por outro lado, a Divisão de Tributação da Superintendência da RFB da 8ª Região Fiscal emitiu a seguinte solução de consulta com entendimento diverso. “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 130, DE 3 DE MAIO DE 2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a 2 As palavras deste parecer foram extraídas do acórdão recorrido. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 176 7 operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Chefe” Logo, há divergência de entendimento no âmbito da RFB. Esta divergência, porém, não afeta este julgamento. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 177 8 Nos documentos juntados pela recorrente encontramse contratos firmados entre ela e as empresas Makro Atacadista S/A e Bompreço S/A Supermercados do Nordeste, que, ao contrário do que pretendido pela recorrente, não provam que as bonificações aqui discutidas foram concedidas a título gratuito, por liberalidade do vendedor. Este documentos evidenciam que as ditas bonificações decorreram de negociações, foram concedidas com base em condições previstas em contratos, foram faturadas e resultaram em redução do preço normalmente praticado pelo vendedor com outros compradores. No contrato firmado com a Makro Atacadista S/A, constam as seguintes cláusulas (fl. 99 do eprocesso): “Cláusula 6ª BÔNUS: O “FORNECEDOR” pagará mensalmente (em dinheiro) ao ‘COMPRADOR” bônus, conforme modalidades e respectivos percentuais e/ou valores especificados no “Acordo Comercial e FinanceiroSumário”. 6.1 – Os percentuais relativos a todos os tipos de bônus serão calculados sobre o valor bruto das compras do mês, que são representadas pelas notas fiscais de mercadorias entregues e sobre os pedidos de compra cujas mercadorias não foram entregues no prazo ajustado (pedidos cancelados). Os vencimentos de tais valores ocorrerão no primeiro dia do mês subseqüente ao da entrada das mercadorias. 6.2 – Com o objetivo de incentivar o aumento do volume de negócios, ambas as partes fixarão objetivos de crescimento e o “FORNECEDOR” pagará periodicamente (em dinheiro) ao “COMPRADOR” bônus por crescimento das compras em relação ao exercício anterior e/ou por atingimento de metas pré estabelecidas, de acordo com objetivos, condições de bônus e periodicidade especificada no “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário” ou negociados em acordo específico. Parágrafo Único: As condições especificadas no “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário” serão válidas para o exercício em curso. Caso este acordo não seja renovado no próximo exercício ou não seja firmado um acordo específico renovando as condições para o novo exercício, prevalecerão as condições especificadas no acordo original, considerando como base as compras realizadas no exercício encerrado e os mesmos objetivos de crescimento e condições de bônus negociadas. Cláusula 7ª BONIFICAÇÃO: O “FORNECEDOR” pagará ao “COMPRADOR” (em dinheiro ou em mercadorias grátis) bonificação por negociações específicas, cujo valor e condições serão firmados em acordo específico. 7.1 – Quando o pagamento for feito através de mercadorias bonificadas, o “COMPRADOR” emitirá “Pedido de Compra Bonificado” especificando os produtos e respectivas quantidades. Nesses casos o “FORNECEDOR” deverá emitir nota fiscal referente às mercadorias grátis pelo preço de última entrada, ficando o “COMPRADOR”, em caso de divergências, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 178 9 autorizado a debitar do “FORNECEDOR” o valor da eventual diferença de ICMS. 7.2 – Caso o “FORNECEDOR” não entregue o pedido bonificado previsto no item 7.1 acima, ou o entregue parcialmente, o “COMPRADOR”, a partir do 7º dia de atraso da entrega do pedido (ou do saldo), emitirá Nota de Débito contra o “FORNECEDOR” do valor devido.” No Manual de Fornecimento de Mercadorias, Equipamentos e Serviços, fls. 103/104 do eprocesso, anexo ao Acordo Comercial e Financeiro firmado com Macro Atacadista, constam as seguintes cláusulas: “Cláusula 3 – FATURAMENTO: ... 3.2 – Todas as mercadorias deverão ser faturadas em unidade especificada pelo “COMPRADOR”; caso contrário, a relação entre a unidade do “FORNECEDOR” e a unidade indicada pelo “COMPRADOR” deverá estar claramente especificada. 3.3 – As mercadorias deverão ser faturadas com as quantidades, preços e demais condições do Pedido de Compras e do “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário”, tais como: descontos, bonificações, prazos de pagamento e outras.” ... 7 – CONDIÇÕES PARA COBRANÇA: ... 7.2 Todos os débitos do “FORNECEDOR” para com o “COMPRADOR”, originários de diferenças de preços, diferenças de ICMS, falta de mercadorias, devoluções de mercadorias e outras, tais como: bônus Aniversário, bônus Fidelidade e outros objetos de acordo, serão descontados no primeiro pagamento. No “Acordo de Fornecimento e Reciprocidade nº AFR 886/03”, firmado entre a recorrente e Bompreço S/A Supermercados do Nordeste, fls. 89 e seguintes do e processo, consta o seguinte: “CLÁUSULA 6ª Pagamento de bônus: A data limite para o pagamento, pelo Fornecedor, dos bônus aqui negociados, será até o dia 20 do mês subsequente as respectivas apurações, exceto para o desconto financeiro, o qual é aplicado sobre os títulos de crédito emitidos contra o BOMPREÇO. Parágrafo único: Os bônus acordados em percentuais serão aplicados sobre o valor das compras efetuadas pelo BOMPREÇO junto ao FORNECEDOR, sendo que, em alguns casos, ocorrerão inclusive sobre as notas bonificadas pelo Fornecedor ao Bompreço, conforme Anexo a este Acordo.” Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 179 10 No Anexo a este acordo, fls. 94/95 do eprocesso, verificase que: bônus são negociados e calculados sobre notas bonificadas; e bônus de crescimento são calculados com base no faturamento bruto. No caso destes autos, verificase que as bonificações não são descontos incondicionais, nem doações. São descontos condicionais. Incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre descontos condicionais O STF, no julgamento que decidiu pela inconstitucionalidade do art.3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assentou que a base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim entendido, a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. A decisão, no caso do RE nº 585.235/MG, foi proferida na sistemática do art. 543B do CPC, logo, deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF, por força do art 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações das Portarias MF nºs. 446, de 27/08/2009, e 586, de 21/12/2010. Se as bonificações são descontos concedidos com base em negociações entre as partes, logo, descontos concedidos condicionalmente, elas não integram o valor da venda das mercadorias. Logo, não compõem a base de cálculo da Cofins, nem da contribuição para o PIS/Pasep. Os acórdãos nºs. 1052.581, de 22/03/1988, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1803001.481, de 11/09/2012, da 1ª Turma Especial da 1º Seção de Julgamento do CARF, assentaram que bonificações em mercadorias concedidas condicionalmente classificamse como despesas operacionais para aquele que concede a bonificação. Também a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos acórdãos nºs. 20403.303 e 20403.304, de 1º/07/2008, logo, anteriores ao julgamento pelo STF do RE nº 585.235/MG , assentou que bonificações não são tributadas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. Entendimento da turma quanto à caracterização das bonificações Os demais Conselheiros da turma discordaram deste relator em relação a considerar as bonificações descontos condicionais. Eles adotam o entendimento exposto pela Divisão de Tributação da Superintendência da RFB da 8ª Região Fiscal na Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012, transcrito acima, segundo o qual, as operações em discussão têm natureza de doação, não caracterizando receita auferida, e, por isso, não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Tal divergência de entendimento não afetou o julgamento, de modo que a conclusão do voto do relator foi acolhida pela maioria dos conselheiros. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 180 11 Por força do art. 63, §9º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, são adotados como fundamentos para a conclusão de que as bonificações em mercadorias não são tributadas pela contribuição para o PIS/Pasep os mesmos que embasaram a Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012. Sobre as provas constantes dos autos Além dos contratos, há nos autos cópias de notas fiscais, de demonstrativos contábeis, de apurações mensais e de valores de Cofins e PIS/Pasep calculados sobre valores das notas fiscais. Estes documentos, na maior parte, foram apresentados em setembro de 2013. Nas notas fiscais constam os CFOP 5.99 e 6.99 e, como natureza das operações, remessas de produtos em bonificação. Analisando os mesmos documentos, no julgamento do processo nº 10880.909811/200667, esta turma concluiu não serem suficientes para comprovar o direito creditório pleiteado. Para tanto, valeuse de análise empreendida pelo relator da decisão recorrida, que é igual à realizada pelo relator da decisão contra a qual foi apresentado o recurso voluntário em julgamento. Em resumo: cópias de demonstrativos contábeis ou balancetes ilegíveis; cópias de notas fiscais ilegíveis; conta 311105, que referirseia às operações de bonificação, possui a denominação “Venda de Prod. MI Free Goods”; não há memória de cálculo, ou demonstrativo analítico, que permita verificar como a contribuinte obteve os valores pleiteados. Especialmente, não foram apresentados livros fiscais e contábeis contendo os registros das operações, tais como o diário e o razão, nem DCTF retificadora. Assim, não há provas de que as bonificações foram incluídas no cálculo do tributo recolhido por meio do DARF informado no PER/DCOMP, logo, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior. Sobre a liquidez e certeza O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 181 12 Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos os arts. 165 e 170 do CTN, que autorizam a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 182 13 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 183 14 declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” A 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 184 15 Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre as bonificações em mercadorias. Fundamentos acrescentados durante a sessão de julgamento Os Conselheiros Régis Xavier Holanda e Francisco José Barroso Rios acrescentaram argumentos que haviam sido utilizados no julgamento do processo nº 10880.909811/200667, cuja recorrente também foi a Microlite Sociedade Anônima. Cito as considerações do Conselheiro Régis Xavier Holanda, que também fundamentam a decisão deste julgamento: “A DRJ São Paulo I, ao analisar a matéria, julgou improcedente a manifestação de inconformidade pelos seguintes fundamentos de fato e de direito: a) que enquanto existente a confissão, o débito temse como legítimo e apto a ser extinto pelo correspondente DARF pago. Esgotado o valor do DARF pela sua vinculação ao débito que foi lançado ou confessado por qualquer meio previsto (como, por exemplo, a DCTF), não remanesce valor a ser eventualmente restituído ou compensado; b) que os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos; c) os documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. A decisão restou assim ementada: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Negritos apostos. A solução da lide em casos dessa natureza perpassa pelo enfrentamento de duas questões: as de direito e a probatória. Em outras palavras, reconhecido, em tese, os fundamentos jurídicos base do indébito tributário – in casu, a exclusão da base de cálculo das contribuições em tela dos valores referentes à bonificação de mercadorias, há que se passar a uma segunda etapa da análise referente à prova do direito alegado. Inicialmente, ante a ausência de determinação legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, por si só, não constitui motivo suficiente para o indeferimento do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 185 16 direito creditório pleiteado ou, se for o caso, da não homologação da compensação declarada. Assim, embora adequada e oportuna, a retificação prévia da DCTF não é requisito obrigatório para fim de formalização do pedido de restituição ou da declaração de compensação. Dessa forma, apresentada prova inequívoca quanto ao erro do valor do débito declarado e atendido o prazo quinquenal de decadência, é possível a retificação de ofício da correspondente Declaração e o reconhecimento do indébito tributário. (...) Vencidas, pois, as questões de direito, restanos a análise do conjunto probatório acostado aos autos para aferirmos, atento à dicção legal do artigo 170 do CTN, a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para comprovação do direito alegado juntou a recorrente, essencialmente, cópias de notas fiscais de bonificações (e.g. fl 41), apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). Entretanto, após análise dessa documentação, entendo, data maxima venia, que a mesma não se apresenta hábil à demonstração da existência do direito creditório. Da decisão recorrida, colhemse as seguintes anotações de relevo: As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Destaques apostos. Com efeito, a documentação juntada não nos permite aferir questões basilares para a definição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É certo que foram apresentadas diversas notas fiscais de bonificações de mercadorias, porém a documentação acostada não nos permite atestar, por exemplo, se as mesmas realmente compuseram a base de cálculo das contribuições. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 186 17 Como assinalado, os demonstrativos contábeis apresentados não trazem registros específicos das operações, nem sequer foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Por fim, entendo também descabida uma possível sugestão de realização de diligência. Com efeito, o Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências ou perícias: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93). Negrito aposto. Dessa forma, com base nesses dispositivos, as diligências ou perícias determinadas pela autoridade julgadora objetivam elucidar questão imprescindível ao julgamento da lide, nunca suprir deficiência probatória imputada ao recorrente que, em diversas oportunidades, poderia ter carreado aos autos os elementos necessários e suficientes à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório alegado. Portanto, competindo à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN, e não logrando êxito em fazêlo, há que se manter o indeferimento do pleito do recorrente.” Conclusão Pelo exposto, tendo em vista insuficiência de provas de que foi recolhido tributo sobre as operações de saídas de mercadorias em bonificação, logo, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior nem existência de direito de crédito líquido e certo, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 187 18 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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