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Numero do processo: 19740.000072/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
PERDAS LÍQUIDAS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ALEGAÇÃO INCOMPROVADA. ERROS NA PLANILHA DE CÁLCULO.
A ocorrência de perdas líquidas no mercado de renda variável há de ser demonstrada através de planilha de cálculo, elaborada de acordo com a legislação aplicável à espécie e acompanhada de documentos capazes de comprovar os preços de venda dos ativos e os seus respectivos custos de aquisição.
A autoridade administrativa deixará de reconhecer as alegadas perdas, quando as planilhas apresentadas pelo sujeito passivo revelarem inconsistências em tal proporção que prejudiquem a apuração da base tributável.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao autor, no processo de restituição/compensação tributária, a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1301-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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RENDA VARIÁVEL Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO SISTEMA BANERJ PREVIBANERJ (EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PERDAS LÍQUIDAS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ALEGAÇÃO INCOMPROVADA. ERROS NA PLANILHA DE CÁLCULO. A ocorrência de perdas líquidas no mercado de renda variável há de ser demonstrada através de planilha de cálculo, elaborada de acordo com a legislação aplicável à espécie e acompanhada de documentos capazes de comprovar os preços de venda dos ativos e os seus respectivos custos de aquisição. A autoridade administrativa deixará de reconhecer as alegadas perdas, quando as planilhas apresentadas pelo sujeito passivo revelarem inconsistências em tal proporção que prejudiquem a apuração da base tributável. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor, no processo de restituição/compensação tributária, a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 72 /2 00 8- 87 Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Em 25/05/2006, a Interessada apresentou 03 (três) PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO (PER/DCOMP N° 17146.88049.250506.1.2.040472, FLS. 06/08; PER/DCOMP N° 42127.27645.250506.1.2.041100 FLS. 09/11 e PER/DCOMP N° 07161.97136.250506.1.2.04 3947 FLS. 12/14), todos fundamentados em PAGAMENTOS INDEVIDOS E/OU A MAIOR efetuados com código de receita 8998 Imposto de Renda recolhido pelas entidades de previdência complementar optantes pelo Regime Especial de Tributação instituído pela Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2001. Na busca de mais subsídios para analisar o pedido, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro DEINF/RJO, intimou a Interessada a esclarecer a origem de seu crédito, apresentando a respectiva documentação comprobatória, inclusive planilhas com a apuração das bases de cálculo — cf. Termo de Intimação n° 160, de 12/03/2008 (fl. 15). Em atendimento à referida intimação, a Interessada esclareceu (fls. 26/29): QUE, na condição de entidade de previdência complementar fechada, aderiu ao Regime Especial de Tributação criado pela Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2001; QUE, na oportunidade, recolheu imposto de renda, retroativamente, sobre rendimentos de aplicações financeiras auferidos entre janeiro de 1997 e agosto de 2001; QUE, mais tarde, procedendo à revisão dos cálculos, verificou que havia recolhido imposto de renda, indevidamente, sobre supostos ganhos líquidos no mercado de renda variável, sendo que, na verdade, apurou perdas líquidas em todos os meses do período em questão. Para comprovar suas alegações, apresentou planilha com demonstrativo de apuração das referidas perdas (fls. 33/112), além das demonstrações financeiras relativas aos anos de 1997 a 2001 (fls. 113/287). Entendendo que os elementos apresentados ainda não eram suficientes para a emissão de um parecer conclusivo, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da DEINF/RJO determinou a realização de diligência, a fim de que fosse verificada a correta tributação dos rendimentos auferidos pela Interessada, especialmente no que diz respeito aos ganhos auferidos no mercado de renda variável (cf. informação fiscal, fls. 288/292). Em atendimento ao solicitado, a Divisão de Fiscalização da DEINF/RJO procedeu às verificações propostas, apresentando suas conclusões conforme segue (Relatório Fiscal, fls. 453/454): "O objetivo do presente procedimento de diligência é comprovar os ganhos líquidos em operações de renda variável informados nas planilhas às fls. 34 a 112, que são a origem do pedido de restituição do presente processo. Em 06/05/2009, foi dada ciência ao contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 307 a 309). No item 1 do termo são solicitados documentos referentes às planilhas de apuração de renda fixa, dos períodos de apuração de janeiro de 1997 a agosto de 2001, anexadas pelo contribuinte às fls. 33 a 102 do processo administrativo 19740.000481/200611, referente ao RET, no qual se verificou que a entidade cumpria os requisitos necessários à fruição do beneficio fiscal de que trata o art. 5° da Medida Provisória n° 2.222/2001. Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Como amostragem, foram selecionadas operações de renda fixa com prejuízo, ainda que parcial, superior a RS 100.000,00. Mais especificamente, foram solicitados documentos contábeis que comprovem o valor aplicado e o valor de resgate de OFND resgatados em agosto de 1997 e de debêntures conversíveis resgatadas em janeiro de 1998. No item 2 do termo são solicitados documentos referentes às planilhas de apuração de renda variável, dos mesmos períodos, anexadas pelo contribuinte às fls. 33 a 112 do presente processo. Como amostragem, foram selecionadas operações de renda variável com prejuízo superior a R$ 3.000.000,00. Foram solicitados documentos contábeis que comprovassem o valor do custo (Valor Presente) e o valor de venda dos papéis ali listados: ações da Petrobrás, da Siderúrgica Tubarão, das Lojas Americanas, da Telebrás, da White Martins e da Gerasul. Em resposta ao item 1, referente à renda fixa, a empresa apresentou: 1 Em relação às OFND, a documentação às fls. 322 a 362. Os documentos comprovam a aplicação, em 31/08/1987, em 14.008.591 OFND, por Cr$ 420.000.000,00, com vencimento em 01/08/1997. Comprovam o resgate, na data do vencimento, de 12.606.164 OFND. Mostram a atualização do valor de compra, ao longo dos anos. E, ao final, a legislação que rege essa atualização. Os ganhos parciais assinalados, em 31/12/1994 e 31/12/1995, são apenas para cálculo do IRRF (cálculo fls. 323 e 324). 2 Em relação às debêntures conversíveis, a documentação às fls. 363 a 389. Os documentos comprovam a aplicação, em 31/08/1987, em 1.703 debêntures conversíveis da Cia Enersul S.A., por Cr$ 273.854.303,97. Comprovam o resgate, em 23 de janeiro de 1998, das mesmas debêntures, por R$ 2.866.073,32. E mostram a atualização do valor da aplicação. Os ganhos parciais assinalados, em 31/12/1994 e 31/12/1995, são apenas para cálculo do IRRF (cálculo fls. 323 e 324). Em resposta ao item 2, referente à renda variável, a empresa apresentou, primeiramente, os documentos que comprovam o valor de venda dos papéis, os quais juntei no Anexo I do presente processo. São as notas de corretagem referentes às vendas, acompanhadas do respectivo extrato da conta corrente bancária onde entra o valor da venda. Quanto ao custo dos papéis vendidos, na planilha chamado de Valor Presente, origem dos prejuízos que dão origem ao pedido de restituição objeto do presente processo, prestou os seguintes esclarecimentos: A época, não procederam à correta atualização do valor das ações, e por isso não apuraram os prejuízos posteriormente constatados. Sua contabilidade reflete esse cálculo equivocado. Posteriormente, uma empresa contratada efetuou os cálculos corretos, apurandose os prejuízos que deram origem ao pedido de restituição. A apuração do custo se dá conforme planilhas a mim apresentadas em meio magnético, denominadas Previbanerj Ações Individualizadas (meio magnético anexado à fl. 406). Imprimi e anexei às fls. 390 a 405 as que apuram o ganho líquido das ações que selecionei no item 2 do Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 307 e 308). Nas planilhas verificase: Ações da Gerasul (fl. 390) Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 13 5 O valor presente indicado, custo da ação, é zero, e não o indicado na planilha do contribuinte. Assim, não resta comprovado prejuízo na venda dessas ações. Ações das Lojas Americanas ON (fl. 391) O valor presente indicado corresponde ao informado na planilha do pedido de restituição. Em cada venda, obtémse o valor presente, custo das ações vendidas, multiplicandose a quantidade vendida pelo custo unitário. O primeiro custo, da primeira linha da planilha, é apurado com base no Ato Declaratório 17/92, cuja cópia anexei às fls. 408 a 422. Este traz uma cotação unitária, em CR$ e em UFIR, para cada ação, em 30/12/1991. Multiplicandose a quantidade de ações pelo custo indicado no Ato Declaratório, encontrase o custo das ações nesta data. Depois esse valor deveria ser atualizado, com base na variação da UFIR, em 31/12/1994. Exemplificando, na Ia linha da planilha à fl. 391, referente às ações das Lojas Americanas, temse a quantidade de 117.614.700 ações. Multiplicando essa quantidade pelo valor unitário da ação de 0,5391 UFIR, a empresa obteve o valor total de 63.406.084,77 UFIR A empresa deveria então ter apurado o valor total, em Reais, em 31/12/1994, multiplicando o valor em UFIR pelo valor da UFIR naquela data: 63.406.084,77 UFIRxR$ 0,6767 (valor da UFIR em 31/12/94) = RS 42.906.897,56 O custo unitário em reais seria: R$ 42.906.897,56/117.614.700 = RS 0,3648 Ou, calculando de outra forma: 0,5391 UFIR (valor unitário da ação em UFIR) x R$ 0,6767 (valor da UFIR em 31/12/94) = RS 0,3648 Essa apuração do valor unitário em reais é necessária porque a partir da segunda linha da planilha, na venda, o valor de venda informado em reais (RS 103.036,94) será comparado com o custo, calculado em reais. Na planilha do contribuinte, ele compara o valor de venda em reais com o custo unitário da ação calculado em UFIR. Planilhas subseqüentes (fls. 392 a 405). Em todas as outras planilhas ocorre o mesmo erro. O custo unitário, na primeira linha das planilhas é calculado em UFIR. A partir dele são calculados todos os custos subseqüentes. Mas os valores de venda das planilhas são em reais. E os prejuízos são calculados através dessa comparação equivocada. Do mesmo modo, nas planilhas em que há compras registradas a partir de 1995, os valores das compras que constam nas planilhas são em reais. Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 Ainda, para comprovar os valores de compra registrados nas planilhas, o contribuinte foi intimado, através de Termo de Intimação do qual foi cientificado em 16/07/2009 (fls. 423 e 424), a apresentar documentos contábeis que comprovassem os valores de compra dos papéis ali listados, selecionados por amostragem. Em resposta, apresentou as notas de corretagem cujas cópias anexei àsfls. 425 a 452, que comprovam os valores informados nas planilhas. Conclusão Não restaram comprovados os prejuízos informados pela empresa às fls. 34 a 112. Na amostragem analisada através da resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, (fls. 307 e 308), confirmaramse os valores de venda das ações (notas de corretagem no Anexo 1). O custo, denominado pela empresa Valor Presente, foi calculado deforma equivocada. A apuração deste custo deuse conforme planilhas às fls. 390 a 405. A totalidade das planilhas encontrase em arquivo magnético anexado à fl. 406 (Previbanerj ações individualizadas.xls). Verificase, na amostragem analisada (fls. 390 a 405), que o custo inicial calculado em UFIR com base no Ato Declaratório 17/92 (fls. 408 a 422), é carregado até o fina! Das planilhas, sendo comparado com valores de compra e de venda em moeda. O equívoco compromete todo o resultado apurado. Deste modo, sugiro o encaminhamento do presente processo de volta à Diort desta Deinf para a devida apreciação. Por fim, informo que procedi à abertura do Anexo I do presente processo, com 137 folhas, que recebeu identificação com o n° do processo, o nome do interessado e o n° seqüencial do anexo, e que contém os documentos que comprovam o valor de venda dos papéis relacionados no item 2 do Termo de Início de Ação Fiscal, às fls. 307 e 308 do presente processo." Com base nos resultados da referida diligência, o Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária da DE1NF/RJO indeferiu o pedido de restituição — cfr. Despacho Decisório (fl. 458). As razões que motivaram a denegação do pleito encontramse expostas no Parecer DIORT/DEINFRJO n° 060/2008 (fls. 455/457), abaixo transcrito: "01. Com o encerramento do procedimento fiscal de diligência realizado pela DeinfRJO/Difis, conforme registra o despacho exarado às fls. 453/454, o pedido de restituição transmitido pelo Contribuinte passa a ter condições de análise e de manifestação conclusiva pela Diort. 02. Os principais dados inerentes ao pedido propriamente foram especificados em três PER acima citadas, com valor total do crédito de pagamento a maior solicitado de R$ 6.762.437,37. 03. De acordo com as informações prestadas pelo interessado, observados os registros contemplados no despacho exarado às fls. 288/292, a importância tipificada como pagamento indevido ou a maior tem sua origem vinculada ao imposto de renda retido na fonte, incidente sobre operações financeiras realizadas entre 1997 e agosto de 2001, cujo recolhimento na sua totalidade foi efetuado sob o código 8998, abrangendo, ao mesmo tempo, renda fixa e variável, tudo por conta da adesão ao regime de anistia regulado pela Medida Provisória n° 2.222/2001. Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 14 7 04. Os dados extraídos do processo 19740.000481/200611 e mencionados no despacho às fls. 288/292 (parágrafos 09 e 10) confirmam o recolhimento de importância suficiente para fazer face ao quantum informado pelo Contribuinte como imposto de renda retido na fonte, sob o código 8998, atribuído às operações de renda fixa. A diferença, tipificada como pagamento a maior, corresponde ao montante obtido com o somatório dos valores especificados nos PER relacionados no parágrafo 02 deste parecer e, portanto, considerada como imposto de renda devido incidente sobre rendimentos auferidos com renda variável, compreendendo aplicações financeiras realizadas entre 1997 e agosto de 2001. 05. Para comprovar a ausência de base de cálculo para renda variável no período abrangido pelo regime de anistia, observadas as planilhas fornecidas pelo interessado às fls. 34/112, a Divisão de Fiscalização desta Deinf/RJO foi acionada (fls. 306), resultando nas apurações relatadas, conforme despacho que integra este processo fls. 453/454. 06. Daquela manifestação, dentre inúmeras remissões ao material utilizado no trabalho desenvolvido, podem ser extraídas as seguintes conclusões: a) Os prejuízos demonstrados nas planilhas elaboradas pelo Contribuinte às fls. 34/112, não restaram comprovados a partir da diligência efetuada, de acordo com o pronunciamento às fls. 454, tópico "conclusão"; e b) A não comprovação resulta de falha na marcha de cálculo desenvolvida, considerando as situações explicitadas às fls. 453verso e 454, permitindo concluir que a composição do custo das operações encontrase influenciada pelo equívoco cometido, fato que compromete todo o processo construído pelo interessado na identificação de crédito passível de restituição, em razão de suposto pagamento a maior que teria ocorrido na oportunidade dos recolhimentos efetuados sob o código 8998. 07. Os PER relacionados no quadro que integra o parágrafo segundo deste parecer foram transmitidos em 25 de maio de 2006, permitindo enquadrálos nas disposições previstas a partir da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, com as alterações subseqüentes, quando aplicáveis, cabendo destacar os artigos 2°, 3° e 4°, cuja reprodução é apresentada a seguir: "Art. 2o. Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2o. poderá ser efetuada: 1a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer quantia; ou (...) Art. 4° A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo afim de que seja Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." 08. Confirmada a ausência de liquidez e de certeza do crédito pleiteado, à luz do pronunciamento da Divisão de Fiscalização desta Deinf/RJO, fls. 453/454, e considerando as disposições normativas e legais aplicáveis ao presente caso, o conjunto de informações que integram este processo, compreendendo os dados extraídos dos sistemas da RFB, a documentação disponível e as conclusões aqui proferidas, proponho o não reconhecimento do direito ao crédito pleiteado, assim como o indeferimento dos pedidos de restituição relacionados no quadro que integra o parágrafo segundo deste parecer. Cientificada do despacho decisório em 09/09/2009 (fl. 470), a Interessada apresentou, em 08/10/2009, manifestação de inconformidade dirigida a esta Delegacia de Julgamento, alegando, em síntese (fls. 479/497): QUE, na condição de entidade de previdência complementar fechada, entendia gozar da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "a", da Constituição Federal; QUE em virtude, todavia, de decisão do Supremo Tribunal Federal proferida em 2001, contrária à pretensão das entidades de previdência complementar, viuse obrigada a recolher, retroativamente, imposto de renda sobre rendimentos de aplicações financeiras referentes aos últimos cinco anos; QUE no intuito de regularizar sua situação fiscal, aderiu ao Regime Especial de Tributação criado pela Medida Provisória n° 2.222, de 04/09/2001, e recolheu imposto de renda sobre rendimentos de aplicações de renda fixa e sobre supostos ganhos líquidos auferidos no mercado de renda variável entre janeiro de 1997 e agosto de 2001; QUE, tempos depois, revendo os cálculos referentes à apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável, verificou que não havia avaliado corretamente os custos de aquisição dos estoques de ações existentes em 31/12/1994; QUE procedendo a uma nova avaliação, com base nas cotações de mercado indicadas no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, constatou haver apurado, na verdade, perdas líquidas em todos os meses do período em questão; QUE, em virtude de tais fatos, pleiteou a restituição do imposto recolhido a maior, instruindo seu pedido com uma planilha de cálculo na qual teriam sido demonstradas, mês a mês, as perdas líquidas anteriormente mencionadas; QUE muito embora tenha cometido um erro na elaboração da referida planilha, deixando de converter alguns valores em UFIR para REAIS, tal inexatidão material não constitui motivo para negar reconhecimento ao direito creditório pleiteado, até porque a autoridade fiscal reconheceu a veracidade de todas as operações realizadas pela requerente; QUE uma vez que foram detectadas incorreções na planilha de apuração, caberia à autoridade fiscal intimar a requerente a corrigir os referidos erros; deixando de fazêlo, encerrou o procedimento de verificação de forma não igualitária para as partes; QUE se a autoridade fiscal, por outro lado, tinha acesso à planilha apresentada pela requerente, em meio magnético, poderia, perfeitamente, em respeito ao princípio da verdade material, retificar de ofício as incorreções detectadas, apurando, assim, o valor correto do direito creditório. Junto com a peça impugnatória, foi trazida nova planilha de apuração (fls. 498/552). Uma vez na condição de relator do feito, intimei a Interessada a apresentar a versão corrigida do arquivo "Previbanej ações individualizadas.xls", que instruiu o pedido de restituição — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 003, de 08/03/2010 (fls. 556). Em atendimento ao solicitado, a Interessada forneceu, em 08/04/2010, CDROM com o arquivo agora denominado "Previbanej ações individuaIizadas_versão corrigida.xls" (cfr. envelope anexado à fl. 559). A partir do referido CDROM, extraí cópias impressas das planilhas corrigidas, que passaram a constituir, então, os ANEXOS II, III e IV do presente processo. Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 15 9 Entendendo não estar ainda suficientemente claro o critério de avaliação das ações existentes em 31/12/1994, intimei a Interessada a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, os custos de aquisição dos papéis abaixo listados, alertando que, na falta de documentação comprobatória para qualquer dos ativos referidos, deveria a empresa corrigir sua planilha de apuração, atribuindo custo zero ao ativo em questão — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 008, de 31/05/2010 (fls. 561/562). Após sucessivos pedidos de prorrogação de prazo, a Interessada apresentou, em 24/09/2010, cópias de diversos documentos relacionados com aquisições e vendas dos papéis acima referidos (fls. 588/1590). De posse dos referidos documentos, intimei a Interessada a demonstrar como foram afinal calculados os custos de aquisição dos ativos existentes em 31/12/1994 — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 048, de 16/11/2010 (fls. 1593/1594). Em resposta a esta última intimação, a Interessada limitouse a informar (fls. 1595/1597): QUE os documentos apresentados comprovam as quantidades de ações existentes em 31/12/1994; QUE para calcular o custo de aquisição de um determinado conjunto de ações, na referida data, apurou, primeiramente, o custo unitário daquele papel em UFIR, tomando por referência as cotações indicadas no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, e depois procedeu à atualização monetária do referido valor, com base na variação da UFIR, até 31/12/1994. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RJI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1234.878, de 16/12/2010, julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de pedido de restituição de indébito, é ônus do sujeito passivo demonstrar, de forma cabal, a certeza e a liquidez do seu direito creditório. O respeito ao princípio da verdade material não impõe à autoridade administrativa a obrigação de produzir provas em lugar e no interesse do particular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 PERDAS LÍQUIDAS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ALEGAÇÃO INCOMPROVADA. ERROS NA PLANILHA DE CÁLCULO. A ocorrência de perdas líquidas no mercado de renda variável há de ser demonstrada através de planilha de cálculo, elaborada de acordo com a legislação aplicável à espécie e acompanhada de documentos capazes de comprovar os preços de venda dos ativos e os seus respectivos custos de aquisição. A autoridade administrativa deixará de reconhecer as alegadas perdas, quando as planilhas apresentadas pelo sujeito passivo revelarem Fl. 3182DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 inconsistências em tal proporção que prejudiquem a apuração da base tributável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 16 11 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal, em síntese, traz as seguintes argumentações: Inicialmente, cabe mencionar que a Recorrente, é entidade complementar de previdência privada fechada, cuja tributação pelo IR fonte entendia ser imune, e, por esta razão, deixou de efetuar os recolhimentos a título deste imposto. Com o advento do RET (Regime Especial de Tributação) introduzido pela MP 2.222/2001 bem como pela possibilidade de parcelamento dos valores atinentes ao IR fonte não recolhidos anteriormente, vislumbrouse a possibilidade de regularizar sua situação perante o fisco, realizando a adesão ao regime e ao parcelamento dos débitos em atraso no que diz respeito ao IR fonte incidente sobre os seus investimentos. O artigo 5o da referida MP 2.222/2001 assim estabeleceu: Art. 5o Os optantes pelo regime especial de tributação poderão pagar ou parcelar, até o último dia útil do mês de janeiro de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, os débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidentes sobre os rendimentos e ganhos referidos no caput do art. 2o e os lucros que lhes sejam, total ou parcialmente, decorrentes, bem assim em relação à movimentação dos respectivos recursos. Assim sendo, por meio do processo administrativo, aderiu ao Regime Especial de Tributação e efetuando o parcelamento dos valores atinentes ao IR fonte de seus investimentos. Referido processo administrativo foi reconhecido pelo fisco que atestou a qualidade da Recorrente para aderir ao programa concedendo a autorização necessária para que a tributação fosse realizada naquelas hipóteses previstas pela Medida Provisória. Ocorre que após realizar os levantamentos devidos, a Recorrente percebeu que havia efetuado o parcelamento e o conseqüente pagamento das parcelas em montantes superiores àqueles efetivamente devidos. A apuração dos valores pagos a maior foi realizada com base nos cálculos efetuados à época a título de IRRF em comparação com os valores que eram efetivamente devidos, por tipo de aplicação financeira e por ano. Desta forma, a Recorrente levantou as operações de renda variável, efetuando o recalculo com base no Ato Declaratório n° 17/92. Reportase, ainda, aos Princípios da Verdade Material, Motivação, Razoabilidade e Proporcionalidade, aduzindo que “No processo administrativo, o julgador deve buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados”. Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 Enfim finaliza sua defesa nos seguintes termos: III DO PEDIDO Diante do exposto, requer o recebimento deste Recurso Voluntário para que inicialmente, sejam baixados os presentes autos em diligência por tratarse de medida imprescindível para fins de comprovação da existência do direito creditório da Recorrente. Após as diligências fiscais, requer o reconhecimento in totum do direito creditório pleiteado pela contribuinte, tendo em vista a comprovação do direito creditório aqui postulado. Pois bem, compulsando os autos vêse que o pedido de restituição foi indeferido pela constatação de incorreções detectadas nas planilhas de cálculo apresentadas pela ora recorrente. De outra banda, em que pese a afirmativa da recorrente de que respondeu a todas as intimações apresentando todos os documentos solicitados, inclusive em meios magnéticos e, no entanto, em que pese os documentos apresentados, o julgador singular decidiu que seria impossível apurar o real valor creditório da Recorrente, não é bem a verdade que se constata dos autos, vejamos. Afirma a recorrente (fls. 1640): Vejase que todas as provas, não só no processo administrativo fiscal, mas no direito em geral, transmitem a idéia de exame, comprovação, visando demonstrar a existência de um fato jurídico. E nesse ponto a Recorrente cumpriu todas as intimações, oferecendo ao fisco todos os documentos e papéis necessários para a comprovação do direito creditório a que se postula. Importa, neste ponto, reproduzir o pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância: “Muito bem. Em que pese o esforço da impugnante em demonstrar a existência de seu crédito junto à Fazenda Nacional, o fato é que a nova planilha de apuração trazida aos autos continua coalhada de erros. Senão vejamos. De acordo com os esclarecimentos prestados pela Interessada, os ativos existentes em 31/12/1994 foram, todos, avaliados a preço de mercado, tomando por base as cotações do Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992. Ora, esta afirmativa não é totalmente verdadeira. Em alguns casos, o custo unitário que vem informado na planilha, em UFIR, não confere com a cotação do papel no Ato Declaratório; em outros casos, o papel nem sequer aparece listado no Ato Declaratório: • BAHIA SUL PNA (Anexo III, fl. 50) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • BANCO DO BRASIL PN (Anexo III, fl. 59) — O custo unitário que foi informado na planilha, de 0,1890 UFIR (= 40.189.511,12 UFIR /212.642.516 ações), não está de acordo com a cotação indicada no Ato Declaratório, que é de 0,0927 UFIR; • CELESC PNB (Anexo III, fl. 98) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 17 13 • CIA SIDERÚRGICA TUBARÃO PNB (Anexo IV, fl. 31) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • COTEMINAS PN (Anexo III, fl. 86) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • EDNESTIRENO PNA (Anexo III, fl. 117) — O custo unitário informado na planilha, de 0,1900 UFIR (= 7.600 UFIR / 400.000 ações), não está de acordo com a cotação indicada no Ato Declaratório, que é de 0,0041 UFIR; • MULTIBRÁS ON (Anexo III, fl. 185) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • MULTIBRÁS PN (Anexo III, fl. 184) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • PARANÁ EQUIPAMENTOS PN (Anexo III, fl. 194) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • PETROFLEX ON (Anexo III, fl. 195) — O ativo não possui cotação listada no Ato Declaratório; • PRONOR PNB (Anexo III, fl. 189) — O custo unitário que foi lançado na planilha, de 0,0772 UFIR por lote de mil (= 21.286,70 UFIR /275.734.400 ações), não confere com a cotação do papel no Ato Declaratório, que é de 0,0200 UFIR por lote de mil; • TELESP ON (Anexo IV, fl. 37) — O custo unitário informado na planilha, de 0,2430 UFIR (= 9.185.400,00 UFIR / 37.800.000 ações) não está de acordo com a cotação do referido papel no Ato Declaratório, que é de 0,1625 UFIR. Diante de tais circunstâncias, caberia à Interessada demonstrar como apurou o custo de aquisição dos referidos ativos. Por duas vezes foi intimada a fazêlo: — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 008, de 31/05/2010 (fls. 561/562); e Intimação DRJ/RJOI n° 048, de 16/11/2010 (fls. 1593/1594). Por duas vezes não logrou atender ao que lhe foi solicitado. Mas os problemas não param por aí. Mesmo nos casos em que utilizou corretamente a cotação indicada no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, a Interessada acabou apurando, de forma equivocada, o custo unitário das ações existentes em 31/12/1994. Neste ponto, cabe uma explicação. A Instrução Normativa DpRF n° 19, de 20/02/1992, que disciplinou a apuração dos ganhos líquidos no mercado de renda variável a partir de 01/01/1992, ofereceu, realmente, às pessoas jurídicas não tributadas pelo lucro real, inclusive isentas, a possibilidade de avaliar suas ações a preço de mercado, utilizando as cotações informadas no Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992. Esta possibilidade de avaliar as ações a preço de mercado, com base nas cotações do Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, só valeu, todavia, para os ativos adquiridos até 31/12/1991. Em havendo novas aquisições a partir de 01/01/1992, seria preciso recalcular o custo unitário do estoque, com base no critério da média ponderada. Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 Em outras palavras: — a cotação de mercado de um determinado ativo, em UFIR, constante do Ato Declaratório DpRF n° 17, de 13/02/1992, só poderia constituir custo unitário do estoque ao fim de 1994, caso não tivesse havido nenhuma aquisição deste papel no período de 01/01/1992 a 31/12/1994. Não é isto, todavia, o que se verifica no caso em exame. Para quase todos os ativos existentes em 31/12/1994, foram registradas aquisições no decorrer dos anos de 1992, 1993 e 1994: • ACESITA PN (Anexo III, fl. 35): — O custo unitário informado na planilha, de 0,1083 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas conversões de debêntures em ações — uma em 29/07/1994 (fl. 590) e outra em 14/12/1994 (fl. 594) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ALPARGATAS PN (Anexo III, fl. 45): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0709 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, uma operação de compra de ações, realizada em 02/08/1994 (fl. 598), que obrigaria a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ARACRUZ PNB (Anexo III, fl. 47): — O custo unitário informado na planilha, de 3,6088 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas subscrições de ações — uma realizada em 27/05/1992 (fl. 657) e outra em 02/06/1992 (fl. 659) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • BANCO NACIONAL PN (Anexo III, fl. 82): — O custo unitário informado na planilha, de 0,1890 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas subscrições de ações — uma realizada em 15/10/1992 (fl. 820) e outra em 01/06/1994 (fl. 856) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • CESP ON (Anexo III, fl. 92): — O custo unitário informado na planilha, de 0,9001 UFIR, está de acordo com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas operações de aquisição — uma compra efetuada em 05/07/1993 (fl. 907) e uma subscrição realizada em 03/11/1994 (fl. 909) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ELETROBRÁS ON (Anexo III, fl. 133): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0616 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição — compras realizadas em 14/07/1993 (fls. 920/921), 15/07/1993 (fls. 922/923), 18/02/1994 (fl. 947), 10/03/1994 (fl. 948), 11/03/1994 (fl. 949), 25/10/1994 (fls. 954/955) e 25/10/1994 (fl. 956) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • ELETROBRÁS PNB (Anexo III, fl. 144): — O custo unitário informado na planilha, de 0,2106 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 18 15 Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve, pelo menos, duas operações de compra, ambas realizadas em 25/10/1994 (fls. 958/959), que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • LIGHT ON (Anexo III, fl. 180): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0997 UFIR, está de acordo com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, há registros de diversas operações de aquisição — compras realizadas em 16/01/1992 (fl. 993), 17/01/1992 (fl. 994), 21/01/1992 (fl. 995), 22/01/1992 (fl. 996), 20/07/1993 (fl. 1001), 21/07/1993 (fl. 1002), 22/07/1993 (fl. 1005), 28/09/1993 (fls. 1006/1008) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • LOJAS AMERICANAS ON (Anexo III, fl. 178): — O custo unitário informado na planilha, de 0,5391 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição — compras realizadas em 21/05/1993 (fl. 1182), 27/07/1993 (fl. 1183), 28/07/1993 (fl. 1184), 29/07/1993 (fl. 1185), 18/08/1993 (fl. 1186), 19/08/1993 (fl. 1187), 09/09/1993 (fl. 1188), 10/09/1993 (fl. 1189), 13/09/1993 (fl. 1190) e 15/09/1993 (fl. 1191) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • PETROBRÁS PN (Anexo III, fl. 196): — O custo unitário informado na planilha, de 8,4405 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição de ações — compras realizadas em 02/08/1993 (fls. 1103/1104), 03/08/1993 (fls. 1105/1107), 04/08/1993 (fl. 1108), 05/08/1993 (fls. 1109/1110), 06/08/1993 (fls. 1111/1112), 26/01/1994 (fl. 1160), 27/01/1994 (fl. 1161) e 27/01/1994 (fl. 1162), 04/05/1994 (fls. 1280/1281), 05/05/1994 (fls. 1282/1284), 10/05/1994 (fl. 1285), 31/05/1994 (fls. 1288/1291), 01/06/1994 (fls. 1292/1293), 03/06/1994 (fl. 1294), 06/06/1994 (fl. 1295) e 07/06/1994 (fl. 1296) —, que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • SIBRA PNC (Anexo IV, fl. 86): — O custo unitário informado na planilha, de 0,1983 UFIR por lote de mil, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve pelo menos uma operação de subscrição de ações (fi. 1365) que obrigaria a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • SUZANO PN (Anexo IV, fl. 33): — O custo unitário que aparece informado na planilha, de 6,7350 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve pelo menos três operações de aquisição de ações — compras realizadas em 15/05/1992 (fl. 1383), 19/05/1992 (fl. 1384) e 14/05/1993 (fl. 1385) — que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; • VALE DO RIO DOCE PN (Anexo IV, fl. 98): — O custo unitário informado na planilha, de 0,0939 UFIR, confere com a cotação do Ato Declaratório. Ocorre que, entre 01/01/1992 e 31/12/1994, houve diversas operações de aquisição — compras realizadas em 24/01/1994 (fl. 1391), 25/01/1994 (fl. 1392), 18/02/1994 (fl. 1393), 21/02/1994 (fls. 1394/1395), 22/02/1994 (fl. 1396), 25/02/1994 (fl. 1397), 01/03/1994 (fl. 1398), 02/03/1994 (fls. 1399/1400), 04/03/1994 (fl. 1401), 11/03/1994 (fl. 1402), 12/04/1994 (fls. 1403/1404), 18/05/1994 (fl. 1407), 26/05/1994 (fl. 1408), 03/06/1994 (fl. 1410), 06/06/1994 (fls. 1411/1412), 20/06/1994 (fls. 1413/1414), 29/06/1994 (fl. 1415), 15/08/1994 (fl. 1416), 19/08/1994 (fl. 1417), 22/08/1994 (fl. 1418), 25/08/1994 (fl. 1419), 02/09/1994 (fl. Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 1421), 13/09/1994 (fl. 1422), 22/09/1994 (fl. 1423), 29/09/1994 (fl. 1424), 30/09/1994 (fl. 1425), 17/10/1994 (fls. 1426/1428), 21/11/1994 (fls. 1429/1430), 22/11/1994 (fls. 1431/1434), 24/11/1994 (fl. 1435/1437), 21/12/1994 (fls. 1438/1440), 23/12/1994 (fl. 1441), 26/12/1994 (fls. 1442/1443), 29/12/1994 (fl. 1444) — que obrigariam a Interessada a recalcular o custo unitário do seu estoque; Ora bem, a ocorrência de perdas líquidas no mercado de renda variável há de ser demonstrada de forma cristalina, através de planilha de cálculo elaborada de acordo com a legislação aplicável à espécie, e devidamente acompanhada de documentos hábeis e idôneos, capazes de comprovar não apenas os preços de venda dos ativos, mas também os seus respectivos custos de aquisição. No caso em apreço, as incorreções existentes na planilha apresentada pela impugnante, sobretudo no que diz respeito à metodologia de determinação dos custos de aquisição dos ativos existentes em 31/12/1994, tornam simplesmente impossível a confirmação das perdas líquidas alegadas no pedido inicial.” Desta forma, a princípio constatase, de forma indubitável, que a Turma Julgadora a quo analisou os documentos e planilhas apresentados, concluindo pela não confirmação das perdas líquidas alegadas nestes autos. De toda forma, foram protocolizados nesta Corte Administrativa, em 17/10/2012 e em 15/04/2013, novas versões da planilha demonstrativa de cálculos nas quais se incorporam as alterações de critério determinadas pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de fls.1600 e seguintes dos autos. As novas planilhas recebidas e anexadas aos autos, contem o seguinte pedido por parte da recorrente: “A Recorrente pede, por ser medida de lídima justiça, que as planilhas anexadas sejam devidamente analisadas pela Autoridade Competente (consoante pedido de diligência já suscitado no Recurso Voluntário), para que se constate que nelas foram corrigidos todos os óbices apontados pelo voto condutor do acórdão da DRJ. Por fim, em vista do fato de que referidas alterações dão cabo das objeções suscitadas nos autos e demonstram que não houve, ainda assim, ganhos a serem tributados no período em comento, requer a Recorrente seja afinal deferida a restituição pleiteada.” Vêse, portanto, que a matéria versada é essencialmente de fato e as provas correspondentes encontramse diretamente relacionadas com os cálculos demonstrados em planilhas de custos (resultados das operações com renda variável) desde que lastreados por documentação hábil e idônea. Daí decorreu que em sessão realizada em 04 de dezembro de 2013, esta Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução 1301000.177), para que a unidade de origem determine a verificação dos cálculos apresentados na nova planilha apresentada. Nessa ordem, após a realização da diligência retorna os autos a julgamento. Extraise do relatório fiscal de diligência (aditado) após as razões apresentadas pela recorrente, as seguintes conclusões: “2 – Do expendido pela Interessada no requerimento dirigido ao CARF. Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 19 17 Assevera a Interessada no requerimento às fls. 2.153/2.164, ainda que com outras palavras, que, no mérito, a DRJ/RJ1, fundamentalmente, negou provimento à sua pretensão, infirmando as planilhas que apresentou (Anexos II, III e IV, encartados às fls. 1.631/2.138) para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório (R$ 6.762.437,37) pleiteado por intermédio dos PERs/DCOMPs às fls. 08/16, mediante a contestação dos valores atribuído aos diversos estoques de ações que mantinha em carteira, alguns desde antes 1°/01/1992, com fulcro tãosomente em três inconsistências: i) Falta de comprovação do custo de aquisição das ações cujos estoques alegadamente teriam sido avaliados com base nas cotações indicadas na relação anexa ao Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992, as quais, contudo, ao que foi verificado, não figuram nessa relação. ii) Inobservância das cotações indicadas na relação anexa ao Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992, na avaliação de carteiras de ações listadas em tal relação, sem comprovação das cotações concretamente utilizadas para esse fim. iii) Avaliação incorreta dos estoques de ações existentes em 31/12/1994, porquanto fundada exclusivamente nas cotações indicadas na relação anexa ao Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992, sem o cômputo das aquisições efetuadas posteriormente a 1°/01/1992; em detrimento do critério da média ponderada aplicável à espécie. Aqui e em primeiro lugar, entendo inoportuno transcreverse todo o detalhado Relatório Fiscal de Diligência, aditado após as razões apresentadas pela recorrente, todavia, é conveniente esquadrinharse alguns detalhes apenas para demonstrar que a sua conclusão encontrase nos termos fundamentada. Nesse passo, oportuno reproduzir o resultado da diligência inserto no item 4: 4 – Da apreciação das razões aditadas ao Relatório Fiscal às fls. 2.664/2.677. Obedecendo a mesma sequência e titulação utilizadas na seção precedente, cabe anotar acerca da apreciação das razões aditadas pela Interessada ao Relatório Fiscal às fls. 2.664/2.677: 4:1 – A título de considerações preliminares. Conforme reportado no item “ii:i” da seção 1 deste Relatório Fiscal, as verificações detalhadas no Relatório Fiscal às fls. 2.664/2.667 foram procedidas em estrito cumprimento ao demandado pelo CARF – MF na Resolução n.° 1301 000.177 3a. Câmara / 1a. Turma, na qual se lê: “Com base nas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem determine a verificação dos cálculos apresentados na nova planilha.” Logo, carecem de fundamento as alegações da Interessada de que a Receita Federal e, no caso vertente, esta Diort/Eqpej/DRF/RJ1, em descompasso com o princípio da lealdade e optando por exercer o papel da contraparte no processo civil, se valeu da negativa fundada em equívocos parciais e localizados para baldar todos os visíveis esforços que empreendeu para demonstrar seu inquestionável prejuízo, apontando, imbuída desse afã, incorreções não ventiladas até então, dando Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 continuidade à prática desleal de infirmar seus cálculos parcial e progressivamente, sempre reservando para um momento posterior alguma surpresa processual. Dito de outro modo, entende a Interessada que a diligência demandada pelo CARF – MF, apesar de ter como objeto um novo (segundo) conjunto de planilhas, deveria se restringir a verificar se os erros expressamente arguidos quando do exame e da rejeição das planilhas anteriormente apresentadas e, consequentemente, do seu pleito, haviam sido sanados, relevando os erros inéditos e até mesmo aqueles que foram repetidos, pela singela razão, no que se refere a estes últimos, de que, ainda que existentes, não foram explicitamente citados naquela ocasião. 4:2 – A respeito das falhas imputadas aos cálculos efetuados nas planilhas encaminhados ao CARF – MF. Grosso modo, as inconsistências detectadas nos cálculos desenvolvidos nas planilhas encaminhadas ao CARF – MF concentraramse efetivamente nos quatro aspectos enfatizados pela Interessada no parágrafo 7 da sua petição (fls. 2.690). Porém, tendo em vista que, apesar de ter tachado essas inconsistências como hipotéticas, ela apresentou um novo (terceiro) conjunto de planilhas em que corrigiu algumas delas, convém, em prol da clareza, a par e em complemento do exposto acima nas subseções 3:2:1; 3:2:2; 3:2:3 e 3:2:4, particularizar, quanto a esse terceiro conjunto de planilhas, o observado nos cálculos nelas realizados, os quais no Relatório Fiscal aditado foram vinculados às: 4:2:1 Planilhas referentes às ações anterior e alegadamente avaliadas com base nas cotações indicadas no Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992. No terceiro conjunto de planilhas, como já assinalado na subseção 3:2:1, foram repetidos os cálculos efetuados nas planilhas anexadas ao requerimento endereçado ao CARF – MF (segundo conjunto de planilhas). Dessa forma, e tendo em mente, como também já assinalado na subseção 3:2:1, que a Interessada não se manifestou a respeito da objeção oposta a esses cálculos no Relatório Fiscal aditado, cabe imputar ao terceiro conjunto de planilhas a mesma inconsistência verificada no segundo, vale dizer: a falta de comprovação da exatidão e procedência dos dados utilizados na apuração dos lucros derivados da redução a zero dos custos de aquisição das oito ações em causa (ver os quadros constantes da subseção 2:4:1 do Relatório Fiscal aditado e da subseção 3:2:1 acima), bem assim a de que as planilhas que o integram abarcam realmente todas as operações realizadas com essas ações. Cumpre reiterar que o expendido pela Interessada no parágrafo 22 a 36 (fls. 2.692/2.694) da sua petição, diversamente do nela assinalado, não se refere à seção 3:1 do Relatório Fiscal aditado, mas à seção 3:3. 4:2:2 Planilhas referentes às ações antes avaliadas sem a observância das cotações indicadas no Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992 e sem a comprovação dos valores utilizados. No terceiro conjunto de planilhas que apresentou, a Interessada efetivamente repetiu os cálculos efetuados nas planilhas anexadas ao requerimento endereçado ao CARF – MF (segundo conjunto de planilhas), quanto às operações realizadas com as ações Banco do Brasil PN; Pronor PNB e Telesp ON (ver o quadro constante da subseção 3:2:2). Nesse cenário, e considerando que ela não se manifestou na petição às fls. 2.689/2.698 a respeito da objeção oposta a esses cálculos no Relatório Fiscal aditado, consubstanciada na falta de apresentação de documentos relativos às Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 20 19 operações realizadas com essas ações após 31/12/1994, o terceiro conjunto de planilhas padece, sem contestação expressa por parte da Interessada, da mesma inconsistência constatada quanto ao segundo, a saber: a não comprovação da exatidão e procedência dos resultados apurados nas planilhas que o constituem, dada a falta de demonstração, decorrente da não apresentação de documentos relativos às operações realizadas com essas ações após 31/12/1994, de que nessas planilhas foram de fato computadas todas as operações de compra e venda realizadas com aquelas ações. No que se refere as operações realizadas com a ação EDN Estireno – PNA, os erros cometidos nos cálculos efetuados na planilha endereçada ao CARF – MF, reproduzidos no primeiro dos três quadros a seguir, os quais advieram, essencialmente, da falta de conversão para reais, na segunda linha e nas subsequentes, do custo unitário indicado em UFIR na primeira linha, teriam sido corrigidos naqueles realizados na planilha às fls. 2.988; transcritos no segundo quadro a seguir. No entanto, por simples inspeção, é possível constatar que esses cálculos também estão incorretos, pois, ante a circunstância de que o estoque inicial (400.000 ações) teria sido afetado, até se esgotar completamente, apenas por operações de venda, o custo unitário, diversamente do que se verifica na indigitada planilha às fls. 2.988, deveria permanecer inalterado. Contudo, a reformulação dos cálculos deduzidos pela Interessada nessa planilha, procedida no último dos quadros a seguir, evidencia, em seu favor, visto que seu pleito é fundado em prejuízos que teria sofrido no mercado de ações, que os lucros auferidos nas duas primeiras vendas, ainda que envolvendo valores de pequena monta, são menores do que aqueles que ela apurou. 4:2:3 Planilhas referentes às ações anterior e incorretamente avaliadas com base nas cotações indicadas no Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992. O cotejo das planilhas encaminhadas ao CARF – MF (segundo jogo de planilhas examinado no Relatório Fiscal aditado) com as planilhas referidas na petição às fls. 2.689/2.698 (terceiro jogo de planilhas ora analisado), evidencia em relação àquelas que se referem às ações: i) Acesita PN; Alpargatas PN e Sibra PNC (referências 01; 02 e 10): As planilhas do terceiro jogo são idênticas às do segundo, nas quais, o valor dos estoques existentes em 31/12/1994 foi reduzido a zero, ante as dificuldade de ordem prática que impediram a reconstituição dos estoques existentes em 31/12/1992 (ver as subseções 2:4:3 e 3:3 do Relatório Fiscal aditado). ii) Cesp ON; Eletrobras ON e Eletrobras PNB (referências 04; 05 e 06): As planilhas do segundo conjunto de planilhas foram retificadas pelas que constam do terceiro, nas quais se observa que: ii:i) Os estoques existentes em 31/12/1994 (Cesp ON e Eletrobras PNB) foram valorados pelos custos médios ponderados calculados por esta Diort/Eqpej/DRF/RJO I na subseção 3:3 do Relatório Fiscal aditado (fls. 2.671), e, no caso da Eletrobras ON, pela própria Interessada nas planilhas às fls. 2.444/2.446. ii:ii) O valores atribuídos os estoques existentes em 31/12/1994, tabulados em UFIR na primeira linha, mais precisamente na coluna intitulada “Valor da Fl. 3192DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 Operação”, foram convertidos para reais nas colunas denominadas “Custo da Operação Atualizado” e “Custo Acumulado”. iii) Banco Nacional PN; Light ON; Lojas Americanas ON; Petrobras PN; Suzano PN e Vale do Rio Doce PN (referências 03; 07 a 09; 11 e 12): Os valores antes tabulados em UFIR na primeira linha, nas colunas intituladas “Custo Acumulado” e “Custo Unitário” foram convertidos para reais. Dessa forma, no terceiro conjunto de planilhas, temse que em relação às ações: i) Acesita PN; Alpargatas PN e Sibra PNC (referências 01; 02 e 10): Permanecem incomprovadas a exatidão e procedência dos resultados relativos às transações realizadas com tais ações, pois, dada a inexistência de documentos comprobatórios das operações realizadas após 31/12/1994, não há como assegurar se nos cálculos efetuados nas planilhas às fls. 2.913/2.921; 2.922 e 3.121 foram realmente incluídas todas as operações realizadas com essas três ações. Calha referir, por oportuno, que: i:i) Quanto a esse aspecto, os documentos exaustivamente indicados pela Interessada nos parágrafos 25 a 36 da sua petição às fls. 2.689/2.698 são inúteis, porque dizem respeito às operações realizadas entre 1°/01/1992 e 31/12/1994. i:ii) Conforme já enfatizado nas subseções 3:2:1 e 4:2:2, na petição às fls. 2.689/2.698 não não há manifestação alguma da Interessada sobre as objeções formuladas no Relatório Fiscal aditado com fulcro na falta de comprovação das operações realizadas posteriormente a 31/12/1994. ii) Cesp ON; Eletrobras ON e Eletrobras PNB (referências 04; 05 e 06): Os erros cometidos nas planilhas constantes do segundo jogo, apontados nos itens “ii” e “iv” da subseção 3:3 do Relatório Fiscal aditado foram sanados. Porém, o mesmo não pode ser dito em relação as inconsistências destacadas nos itens “i:i” e “i:ii” dessa mesma subseção pois: ii:i) Embora a Interessada tenha enumerado nos parágrafos 28; 29 e 30 da sua petição, às fls. 2.693, a localização dos documentos relativos às operações de compra e venda que computou na determinação do estoque dessas três ações em 1°/01/1992, o fato é que, malgrado o exposto nos parágrafos 42 a 44 da sua petição, às fls. 2.695 (ver a subseção 3:2:3 acima), não há como assegurar se esses documentos abrangem a totalidade das transações efetivamente realizadas, até porque não passam de meras notas de corretagem e, por via de consequência, comprovariam apenas a realização das operações a que se referem, não havendo nenhuma garantia de que todas as notas de corretagem tenham sido apresentadas. Assim, diferentemente do seu entendimento, manifestado no parágrafo 44 da sua petição, não resta à Fiscalização, no caso esta Eqpej/Diort/DRF/RJO I, não mais que aceitar os dados constantes da documentação acostada ao processo; simplesmente porque esta não teria sido contestada até então. Cabe anotar que enumeração feita pela Interessada, além de incorreta quanto à Cesp ON, não se refere à versão digitalizada do processo, na qual, ao que foi verificado, as notas de corretagem computadas na determinação dos estoques existentes em 1°/01/1992 se encontram às fls. 730/733 (Cesp ON); às fls. 739/780 (Eletrobras ON) e às fls. 781/784 (Eletrobras PNB). ii:ii) Ao admitir no parágrafo 45 da sua petição, às fls. 2.696, que o cálculo da quantidade de ações em carteira em 1°/01/1992 foi feito de maneira reversa, a partir Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 21 21 do estoque mantido em 31/12/1994, a Interessada, em vez de elidir, corrobora o afirmado no Relatório Fiscal aditado, no sentido de que os quantitativos de ações existente em 1°/01/1992 não foram comprovados documentalmente, mas regressivamente calculados; com base nos estoques existentes em 31/12/1994, extraídos das planilhas analisadas pela DRJ/RJ 1 (primeiro jogo de planilhas), e nas operações de compra e venda que teriam sido realizadas antes dessa data e após 31/12/1991. De outra parte, a afirmativa feita no parágrafo 46, de que o valor das ações compradas e vendidas nunca foi utilizado para determinar a quantidade original de ações e, por conseguinte, não há qualquer cálculo circular a invalidar os resultados obtidos com tal sistemática, ostensivamente distorce, mas em nada obsta, o aduzido no Relatório Fiscal, no qual foi dito, para caracterizar a realização de contestáveis cálculos circulares, que as carteiras de ações existentes em 1°/01/1992 foram quantificadas a partir dos estoques de 31/12/1994 (conforme reconhecido pela Interessada) e que, a seguir, esses estoques foram valorados considerando os custos de aquisição daquelas carteiras (constatação não refutada), os quais, no caso da três ações em questão, foram calculados com base nos custos constantes da relação anexa ao AD DPRF n.° 17/1992. iii) Banco Nacional PN; Light ON; Lojas Americanas ON; Petrobras PN; Suzano PN e Vale do Rio Doce PN (referências 03; 07 a 09; 11 e 12): Com a conversão para reais, nas planilhas do terceiro jogo, dos valores antes tabulados em UFIR na primeira linha, nas colunas intituladas “Custo Acumulado” e “Custo Unitário” foi eliminado o erro cometido nas planilhas do segundo jogo, descrito no item”iv” da subseção 3:3 do Relatório Fiscal aditado. Não obstante, pelas mesmas razões expostas acima, no item dedicado às ações Cesp ON; Eletrobras ON e Eletrobras PNB, subsistem incólumes as restrições destacadas nos itens “i:i” e “i:ii” dessa mesma subseção, em relação as ações Banco Nacional PN; Lojas Americanas ON; Petrobras PN; Suzano PN e Vale do Rio Doce PN. Cabe ressaltar, contudo, que, no que concerne à planilha do terceiro jogo atinente à ação Ligth ON (fls. 3.032), essas restrições, bem assim o erro cometido no transporte do custo de aquisição calculado às fls. 2.450 (2.672.818,52 UFIR), o qual, pelo consignado na coluna intitulada “Valor da Operação”, corresponderia a 2.673.086,36 UFIR, não têm nenhum efeito prático relevante, pois em 30/05/1996 foi realizada uma operação de saída, sem apuração de resultado, em que o estoque e o custo de aquisição dessa ação foram reduzidos a zero; razão pela qual os resultados subsequentes derivaram apenas das operações de compra e venda realizadas a partir dessa data. 4:2:4 – Planilhas não enumeradas no requerimento dirigido ao CARF Do confronto das planilhas endereçadas ao CARF – MF (segundo jogo de planilhas analisado no Relatório Fiscal aditado) com as novas planilhas entregues ao CAC – Laranjeiras (terceiro jogo de planilhas indicado no quadro acima), resultou evidenciado acerca daquelas atinentes às ações: i) Antártica ON; Aracruz PNB; Arno PNB; Bombril PN; Camaçari PN; Cemig PN; Embraer ON; Embraer PN; Lojas americanas PN; Telesp PN; Vale do Rio Doce ON; Vidraçaria Santa Marina ON (referências 01 a 12): Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 22 Nas planilhas do terceiro jogo, a retificar aquelas constantes do segundo jogo, os valores tabulados na primeira linha destas últimas em UFIR, nas colunas “Custo da Operação Atualizado”; “Custo Acumulado” e “Custo Unitário” foram convertidos para reais. ii) Petrobras ON e Bardella PN (referências 13 e 14): Nas planilhas do terceiro jogo, também retificando as do segundo jogo, o custo de aquisição dos estoques iniciais (indicados na primeira linha) foi reduzido a zero. Nessa perspectiva, no terceiro jogo de planilhas temse quanto às ações: i) Antártica ON; Arno PNB; Bombril PN; Embraer ON; Embraer PN; Lojas Americanas PN; Telesp PN; Vale do Rio Doce ON; Vidraçaria Santa Marina ON (referências 01; 03; 04 e 07 a 12): Com a conversão para reais dos valores constantes da primeira linha, nas colunas “Custo da Operação Atualizado”; “Custo Acumulado” e “Custo Unitário”, foi eliminado o erro cometido, no segundo jogo de planilhas, mais precisamente aquele apontado na subseção 3:4 do Relatório Fiscal aditado (fls. 2.673), que consistiu, em suma, na realização de operações aritméticas inadmissíveis, envolvendo valores expressos em UFIR na primeira linha e em reais nas demais. Todavia, como registrado na subseção 3:2:4 do presente Relatório Fiscal, a Interessada, a desprezar o demandado na Intimação DRJ n.° 048 (fls. 1.423/1.424), não esclareceu por que imputou aos custos unitários dessas ações as cotações indicadas na relação anexa ao Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992 (sobre esse ponto, ela se restringiu à crítica articulada no parágrafo 20 da sua petição, às fls. 2.692 – ver o item “iv” da subseção 3:1 deste Relatório Fiscal). Ao utilizar indiscriminadamente as cotações constantes da relação anexa ao Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992, a Interessada relegou: i:i) O alertado no Acórdão n.° 1234.878 – 15 a Turma da DRJ/RJ1, às fls. 1.445, no qual foi destacado que a possibilidade de avaliar ações com base nas cotações do AD DPRF n.° 17/1992 valeu apenas para as carteiras constituídas por papéis adquiridos até 31/12/1991 e que, na presença de títulos adquiridos posteriormente, o custo unitário dos estoques existentes em 31/12/1994 deveria ser calculado com base no critério da média ponderada. i:ii) O relevante fato de que no período de 1°/01/1992 a 31/12/1994, realizou vendas e/ou aquisições de, no mínimo, quatro das nove ações em questão. É inquestionável, portanto, relativamente a duas das ações (Bombril PN e Telesp PN), em razão da existência de aquisições efetuadas, respectivamente, em 1992 e 1993 e, no que toca as demais, provável, que os resultados (lucros/prejuízos) apurados nas planilhas constantes do terceiro jogo estão incorretos, pois em vez de imputar, como efetivamente imputou, aos custos unitários dessas ações as cotações constantes da relação anexa ao Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992 a Interessada deveria recalculálos com base na média ponderada dos respectivos custos. ii) Aracruz PNB (referência 02): Na primeira linha da planilha às fls. 2.924 os valores tabulados nas colunas “Custo da Operação Atualizado” e “Custo Acumulado” estão expressos em reais e, ao que foi verificado, o custo unitário atribuído ao estoque de ações existente em 31/12/1994 (R$ 2,6269) corresponde à conversão do custo médio ponderado determinado em UFIR às fls. 2.438 (3,881919686 UFIR). Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 19740.000072/200887 Acórdão n.º 1301002.053 S1C3T1 Fl. 22 23 Por conseguinte, conforme sucintamente assinalado mais acima, foi corrigido o erro apontado na seção 3:4 (fls. 2.675) do Relatório Fiscal aditado, consistente, essencialmente, na contraposição de valores expressos em UFIR na primeira linha e em reais nas demais. Subsistem, contudo, na planilha do terceiro jogo, as duas outras inconsistências verificadas nas do segundo jogo, quais sejam: ii:i) Permanecem incomprovados os valores atribuídos aos estoques e aos custos de aquisição, pois não há como assegurar se as operações computadas às fls. 2.438 para determinar o custo médio ponderado correspondem à totalidade das que foram de fato realizadas (sobre este aspecto, mutatis mutandis, aplicase também o expendido no item “ii:i” da seção 4:2:3, relativo às ações Cesp ON; Eletrobras ON e Eletrobras PNB). ii:ii) O estoque de ações existente em 1°/01/1992 e o custo de aquisição da carteira de ações mantida em 31/12/1994 não foram comprovados documentalmente, mas obtidos por meio de deduções matemáticas circulares, nas quais o primeiro foi calculado a partir da última e o custo desta a partir do custo de aquisição daquele, o qual, vale registrar, foi extraído da relação anexa ao Ato Declaratório DPRF n.° 17/1992 (ver também o exposto no item “ii:ii” da seção 4:2:3, atinente às ações Cesp ON; Eletrobras ON e Eletrobras PNB). Notar, nesse sentido, que às fls. 2.438 a Interessada destacou que o estoque de ações existente 1°/01/1992 corresponde à carteira mantida em 31/12/1994, deduzida das aquisições e acrescida das alienações posteriores a 1°/01/1992, bem assim atentar para o fato de que o custo unitário de tal carteira (3,881919686 UFIR) corresponde ao custo médio ponderado obtido, no caso, pela divisão do somatório dos custos das aquisições que teriam sido efetuadas em 1°/01/1992; 27/05/1992 e 02/06/1992, no importe de 8.341.069,18UFIR, pelo total de ações que teriam sido adquiridas nessas três datas: 2.148.697 ações. iii) Camaçari PN e Cemig PN (referências 05 e 06): Graças a conversão para reais dos valores constantes da primeira linha das planilhas às fls. 2.972 e às fls. 2.980/2.983, mais precisamente daqueles das colunas “Custo da Operação Atualizado”; “Custo Acumulado” e “Custo Unitário”, foi suprimido o erro cometido no segundo jogo, ou seja, aquele consignado na subseção 3:4 do Relatório Fiscal aditado, às fls. 2.673, consistente, fundamentalmente, na realização de operações aritméticas disparatadas, em que foram tomados valores expressos em UFIR na primeira linha e em reais na subsequente. ii) Petrobras ON e Bardella PN (referências 13 e 14): Com a redução a zero, nas planilhas às fls. 3.067/3.069 e às fls. 2.944, do custo de aquisição dos estoques iniciais (indicados na primeira linha) foi sanada a inconsistência das planilhas do segundo jogo, indicada no item “iii” da seção 3:4 do Relatório Fiscal aditado, às fls. 2.676. 5 – Conclusão. Pelos razões expostas na subseção 4:1 deste Relatório Fiscal, fica demonstrado que carece de fundamento o expendido a título de considerações preliminares, nos parágrafos 9 a 21 da petição às fls. 2.689/2.698, e, pelo aduzido nas subseções 3:2:1; 3:2:2; 3:2:3 e 3:2:4 e nas subseções 4:2:1; 4:2:2 e 4:2:3 4:2:4, fica comprovado que, a exemplo daqueles efetuados nas planilhas anexadas ao Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 24 requerimento às fls. 2.153/2.164, analisados no Relatório Fiscal às 2.664/2.677, os cálculos desenvolvidos nas planilhas mencionadas na acima aludida petição às fls. 2.689/2.689 não se prestam a comprovar que a Interessada efetivamente sofreu perdas líquidas no mercado de renda variável. Em conclusão, no meu entender, no caso em apreço, o pagamento a maior ou indevido como reconhecido pelo próprio recorrente é oriundo do cálculo, que fora realizado equivocadamente. Nesse diapasão, temse expressamente no art. 170 do Código Tributário Nacional que o direito creditório passível de reconhecimento pela Fazenda Pública deve ser líquido e certo e, essas condições cumulativas deverão estar corroboradas pelas provas e documentos trazidos aos autos. Como cediço, o ônus probatório, no processo de compensação tributária, é da Contribuinte, por ser autora do pleito de suposto direito creditório contra o Fisco. Logo, não cabe ao Fisco substituirse ao autor do pleito para produção de provas e, no caso, em que pese as várias oportunidades oferecidas, a Recorrente não se desencumbiu desse ônus probatório nem na fase impugnatória, tampouco na fase recursal ou mesmo perante a diligência fiscal. Do exposto, concluise que a recorrente não logrou comprovar com documentação hábil e idônea que efetivamente sofreu perdas líquidas no mercado de renda variável o que implica na manutenção do não reconhecimento ao direito creditório pleiteado, pelo que voto em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 05/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 29/ 06/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 13889.720178/2014-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL DO MUNICÍPIO APÓS O FALECIMENTO DA CONTRIBUINTE. VALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE.
O laudo médico oficial goza de presunção de legitimidade, ou seja, a presunção de que nasceu em conformidade com as devidas normas legais, não podendo ser opostas alegações de inveracidade, sem a apresentação de provas contrárias.
Impossibilidade da exigência de requisito temporal não previsto em lei para a concessão de isenção.
Numero da decisão: 2201-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a nulidade por vício material e, no mérito, dar provimento ao recurso da contribuinte. Vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que votou pela nulidade da autuação por vício material, e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI- Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ- Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL DO MUNICÍPIO APÓS O FALECIMENTO DA CONTRIBUINTE. VALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. O laudo médico oficial goza de presunção de legitimidade, ou seja, a presunção de que nasceu em conformidade com as devidas normas legais, não podendo ser opostas alegações de inveracidade, sem a apresentação de provas contrárias. Impossibilidade da exigência de requisito temporal não previsto em lei para a concessão de isenção.
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MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL DO MUNICÍPIO APÓS O FALECIMENTO DA CONTRIBUINTE. VALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. O laudo médico oficial goza de presunção de legitimidade, ou seja, a presunção de que nasceu em conformidade com as devidas normas legais, não podendo ser opostas alegações de inveracidade, sem a apresentação de provas contrárias. Impossibilidade da exigência de requisito temporal não previsto em lei para a concessão de isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, rejeitar a nulidade por vício material e, no mérito, dar provimento ao recurso da contribuinte. Vencidos os Conselheiros MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, que votou pela nulidade da autuação por vício material, e MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 9. 72 01 78 /2 01 4- 88 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTO SA DA CRUZ 2 CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em Exercício. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 22/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, ano calendário 2009, na qual foi constatada que os rendimentos da contribuinte foram indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave ou da sua condição de aposentada, pensionista ou reformada. Inconformado com a notificação apresentada, o espólio da contribuinte protocolizou impugnação alegando que os rendimentos provenientes do Comando do Exército são isentos por corresponderem a proventos de pensão e de aposentadoria recebidos por portadora de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação, restando mantida a notificação de lançamento em sua integralidade, com as seguintes considerações: a) a natureza dos rendimentos auferidos a título de pensão militar, no valor de R$ 107.192,28 (cento e sete mil cento e noventa e dois reais e vinte e oito centavos) foi devidamente comprovada mediante a apresentação pelo representante do espólio do Título de Pensão Militar, fl. 11, e por meio da pesquisa realizada nos arquivo eletrônicos da RFB DIRF; b) no que se refere à caracterização da moléstia grave, foi apresentado o laudo emitido em 21/05/2014, de fl. 10, com prazo de validade apontando para data anterior, de 09/03/2013 (data do falecimento da contribuinte), com o carimbo da CEM Prefeitura Municipal de Pirassununga, sem o CNPJ e a matrícula da médica na unidade de saúde. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o espólio da contribuinte alegou a inexigência da emissão de laudo pericial Fl. 47DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTO SA DA CRUZ Processo nº 13889.720178/201488 Acórdão n.º 2201002.820 S2C2T1 Fl. 39 3 em papel timbrado, pelo que se depreende da Consulta Interna n.º 11 Cosit 2012; bem como aduziu que o laudo pericial entregue foi devidamente carimbado pela Prefeitura Municipal de Pirassununga, prestadora do serviço médico oficial, através do Centro de Especialidades Médicas Municipal, inclusive requerendo a juntada aos autos da Declaração emitida pela prestadora de serviço, onde consta que a perita médica emitente do laudo é funcionária lotada na Secretaria Municipal de Saúde e se encontra registrada sob o n.º 2540. É o relatório. Voto Conselheira ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica indevidamente declarados como isentos ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Acerca da matéria, os incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelas Leis n.º 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e n.º 11.052, de 29 de dezembro de 2004, assim determinam: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTO SA DA CRUZ 4 Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Observase que a isenção por moléstia grave, quando estabelecida em 1988 pela Lei 7.713, não fazia referência quanto à forma de sua comprovação. Contudo, com a superveniência da Lei 9.250, em 1995, foi instituída forma específica para reconhecimento da moléstia pelas autoridades tributárias. A partir da edição da mencionada lei, tornouse indispensável a apresentação do laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a isenção sob análise requer a consideração do binômio: moléstia (grave) e natureza específica do rendimento (provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão), sendo o laudo pericial oficial requisito objetivo para a demonstração da moléstia grave. Quanto à caracterização da moléstia grave, verificase que o cerne da controvérsia é a validade do laudo pericial oficial apresentado pelo espólio da contribuinte, fl. 10, considerando a sua emissão em 21/02/2014, data posterior a morte da contribuinte, que ocorreu em 09/03/2013; bem como tendo em vista a ausência do timbre, do CNPJ e da matrícula da médica na unidade de saúde. Cumpre esclarecer, antes de adentrarmos na análise do laudo constante dos autos, que a interpretação mais razoável do disposto no art. 30 da Lei n.º 9.250 é a de que o laudo médico emitido por ente público autorizado é requisito formal necessário ao reconhecimento jurídico da doença, mas não é a única fonte apta a demonstrar elementos necessários a identificação da veracidade das informações dispostas pela contribuinte. Verificase que as dúvidas referentes à oficialidade do laudo foram devidamente sanadas mediante a apresentação posterior, pelo espólio da contribuinte, da Declaração emitida pela Prefeitura Municipal de Pirassununga, fl. 33, onde consta que a perita médica, Maria Inês Pajolli, emitente do laudo, é servidora pública lotada na Secretaria Municipal de Saúde e se encontra registrada sob o n.º 2540. Superada a constatação de que o laudo foi devidamente emitido por serviço médico oficial do município, conforme a exigência contida no art. 30 da Lei n.º 9.250/95, faz Fl. 49DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTO SA DA CRUZ Processo nº 13889.720178/201488 Acórdão n.º 2201002.820 S2C2T1 Fl. 40 5 se necessário apreciar a validade temporal do laudo, identificando se os termos constantes do documento correspondem à realidade dos fatos. Cabe salientar que, embora o laudo médico tenha sido emitido em momento posterior à morte da contribuinte, tal documento (ato administrativo declaratório) goza do atributo da presunção de legitimidade dos atos administrativos, podendo ser refutado apenas diante de prova em contrário, como bem ensina Carvalho Filho (José dos Santos Carvalho Filho, Manual de Direito Administrativo, 2014): "Os atos administrativos trazem em si a presunção de legitimidade, ou seja, a presunção de que nasceram em conformidade com as devidas normas legais. (...). Essa característica não depende de lei expressa, mas deflui da própria natureza do ato administrativo, como ato emanado de agente integrante da estrutura do estado. Vários são os fundamentos dados a essa característica. O fundamento precípuo, no entanto, reside na circunstância de que se cuida de atos emanados de agentes detentores de parcela do Poder Público, imbuídos, como é natural, do objetivo de alcançar o interesse público que lhes compete proteger." Assim, encontrase válido o laudo médico oficial, diante da presunção de legitimidade dos atos administrativos, e em razão da ausência de prova inequívoca em contrário relativamente à declaração constante do laudo. Com a análise conjunta dos documentos acostados aos autos: laudo pericial, no qual consta a descrição da paciente, a descrição da perita médica, a identificação nominal da moléstia, o Código de Identificação da Doença CID, o ano de início do acometimento da cardiopatia, o detalhamento da situação da paciente, a existência de possibilidade do controle da enfermidade e o carimbo do órgão público; atestado de óbito, no qual a causa da morte foi morte natural por Síndrome disfunção múltiplos órgãos, choque misto (cardiogênico e séptico), sepse de foco pulmonar e bloqueio artrioventricular total; e declaração emitida pela Prefeitura Municipal de Pirassununga; depreendese que a contribuinte, de fato, era portadora de cardiopatia grave, moléstia especificada na lei concessiva da isenção. O fato de ter sido emitido o laudo posteriormente à morte da paciente não afasta sua veracidade, principalmente porque a situação de uma paciente acompanhada por determinado profissional ao longo de anos é perfeitamente passível de ser atestada pelo médico responsável, inclusive em razão de as informações de cada paciente ficarem normalmente registradas em prontuários médicos. Ora, não de pode considerar a exigência de apresentação de laudo pericial oficial mediante a solicitação de requisitos temporais não previstos em lei, pois, em momento algum, o dispositivo legal atinente à matéria determinou restrição acerca da apresentação de laudo posterior ao falecimento da contribuinte. O laudo foi devidamente apresentado pelo espólio da contribuinte, na forma possível, considerando que a contribuinte já se encontrava falecida, quando do surgimento da necessidade de apresentação do laudo para fins de comprovação do direito à isenção. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTO SA DA CRUZ 6 Ademais, o atestado de óbito, em uma superficial leitura, informa como causa adjuvante da morte da contribuinte a cardiopatia grave, considerando a ocorrência de "bloqueio atrioventricular total", o que se coaduna com o disposto no laudo oficial acerca da cardiopatia grave. Diante desse contexto legal, fático e probatório, a interpretação que adequadamente atende aos fins almejados pela lei isentiva é a de que foi cumprido o requisito estabelecido pelo art. 30 da lei 9.250/95, com a devida comprovação da caracterização da moléstia grave (cardiopatia grave), mediante o laudo pericial oficial e os demais elementos de prova consubstanciados aos autos. Tal exegese atende aos preceitos inscritos no art. 2º, VI, da Lei n. 9.784/99, que impõe como obrigação à Administração Pública a observação da adequação entre meios e fins, de modo a não criar obrigações mais onerosas aos administrados do que o necessário ao fim público a que se destina, nos seguintes termos: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...). Portanto, demonstrada, de forma inequívoca, a caracterização da cardiopatia grave; por meio do laudo médico oficial, do atestado de óbito e da declaração realizada pela Prefeitura de Pirassununga; mostrase evidente que foram disponibilizados pelo espólio os elementos pertinentes ao fim destinado. Sobre a isenção constante dos incisos XIV e XXI, art. 6º, da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o CARF editou o Enunciado de Súmula n.º 63, que assim dispõe: “Súmula nº 63 – Para gozo de isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada pro laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Observando a legislação de regência, bem como a mencionada súmula, tem se a seguinte jurisprudência desse Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário:2003 IRPF. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTO SA DA CRUZ Processo nº 13889.720178/201488 Acórdão n.º 2201002.820 S2C2T1 Fl. 41 7 Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA Nº 63 DO CARF. Conforme se denota do teor da Súmula Vinculante nº 63, havendo laudo médico pericial, elaborado por peritos oficiais, reconhecendo a moléstia grave a decorrendo o provento de pensão ou aposentadoria, faz jus o contribuinte à isenção do Imposto sobre a Renda. Preliminar rejeitada e Recurso Provido. (CARF, 1ª Turma Especial, Acórdão n.º 2801002.428, de 15 de maio de 2012, Rel. Sandro Machado dos Reis.) Desse modo, atendido o requisito legal de apresentação do laudo pericial oficial e constatado que a contribuinte foi portadora de moléstia grave, no decorrer do período no qual foram percebidos os rendimentos tidos por omitidos, não subsiste o gravame tributário sobre os rendimentos provenientes do Comando do Exército no valor de R$ 107.192,28 (cento e sete mil cento e noventa e dois reais e vinte e oito centavos), pois devidamente comprovada a sua natureza. Tais as razões expendidas, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do total de rendimentos omitidos os provenientes do Comando do Exército, no valor de R$ 107.192,28 (cento e sete mil cento e noventa e dois reais e vinte e oito centavos). Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora Fl. 52DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por ANA CECILIA LUSTO SA DA CRUZ
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Numero do processo: 18471.000403/2004-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2001 a 20/01/2002
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação, a teor da Súmula CARF nº 01, apenas da matéria não suscitada no processo judicial.
LIMINAR. CASSAÇÃO. EFEITOS. SÚMULA 405 DO STF. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A teor da Súmula 405 do STF, a sentença denegatória no mandado de segurança torna sem efeito a liminar anteriormente concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Embora o art. 63, §2º da Lei nº 9.430/96 determine a interrupção da incidência da multa de mora durante a vigência medida liminar e até 30 dias após sua cassação, não há qualquer previsão legal para a exclusão da multa de ofício nessa situação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-003.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2001 a 20/01/2002 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação, a teor da Súmula CARF nº 01, apenas da matéria não suscitada no processo judicial. LIMINAR. CASSAÇÃO. EFEITOS. SÚMULA 405 DO STF. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A teor da Súmula 405 do STF, a sentença denegatória no mandado de segurança torna sem efeito a liminar anteriormente concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Embora o art. 63, §2º da Lei nº 9.430/96 determine a interrupção da incidência da multa de mora durante a vigência medida liminar e até 30 dias após sua cassação, não há qualquer previsão legal para a exclusão da multa de ofício nessa situação. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2001 a 20/01/2002 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação, a teor da Súmula CARF nº 01, apenas da matéria não suscitada no processo judicial. LIMINAR. CASSAÇÃO. EFEITOS. SÚMULA 405 DO STF. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A teor da Súmula 405 do STF, a sentença denegatória no mandado de segurança torna sem efeito a liminar anteriormente concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Embora o art. 63, §2º da Lei nº 9.430/96 determine a interrupção da incidência da multa de mora durante a vigência medida liminar e até 30 dias após sua cassação, não há qualquer previsão legal para a exclusão da multa de ofício nessa situação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 03 /2 00 4- 18 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora que julgou o lançamento procedente. Trata o processo de auto de infração para a exigência de IPI e multa de ofício, por ter a contribuinte se creditado, no período de março de 2001 a janeiro de 2002, do imposto calculado sobre as aquisições de insumos isentos ou tributados à alíquota zero. A empresa havia impetrado o Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0006530, no qual discutia judicialmente o direito ao crédito do IPI sobre as aquisições desoneradas do imposto. Apesar de obter a liminar pretendida, a sentença de primeiro grau lhe foi desfavorável, tendo sido denegada a segurança em 09/12/2002. Cientificada do auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: i) inaplicabilidade do parágrafo único do artigo 38 da Lei de Execuções Fiscais; e ii) impossibilidade de exigência da multa sobre as compensações efetuadas antes da intimação da impugnante da denegação da segurança na ação mandamental, que se deu em 16 de janeiro de 2003. A 3a Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora não conheceu dos argumentos da impugnante no que se relaciona ao direito de crédito do IPI oriundo de aquisições de insumos desoneradas do imposto, por serem objeto do referido mandado de segurança e, relativamente à multa de ofício, julgoua procedente, eis que, a teor da Súmula 405 do STF, a sentença denegatória da segurança implica cassação da liminar anteriormente concedida, não restando convalidados os atos praticados sob o amparo da liminar, bem como pela ausência de espontaneidade da contribuinte, vez que não houve pagamento e o lançamento fora efetuado 30 dias após a cassação da liminar. Consta na fl. 304 comprovante de notificação à contribuinte dessa decisão, por via postal, em 06/04/2009. A contribuinte apresentou recurso voluntário, em 07/05/2009, no qual alega, em síntese por ela efetuada, o que se segue: a) Não se aplica o disposto no artigo 38, parágrafo único, da LEF; b) Não cabe multa em face da impetração de mandado de segurança com concessão de medida liminar; c) A compensação do IPI foi efetuada sob a vigência e estrita determinação da medida liminar concedida; d) [É] Inconstitucional qualquer vedação à apropriação de crédito fiscal do IPI ainda que oriundos de operações anteriores alcançadas pela isenção, não incidência, imunidade ou alíquota zero. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 18471.000403/200418 Acórdão n.º 3402003.105 S3C4T2 Fl. 369 3 e) Estando em consonância com tais argumentações, [é] incabível e improcedente a cobrança de tributo, tampouco seus consectários moratórios e/ou punitivos (juros e multa). É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Conforme demonstram as alterações do Contrato Social da contribuinte (fls. 320 e subsequentes), à época da ciência da decisão recorrida, a contribuinte não mais possuía estabelecimento no endereço que consta no Aviso de Recebimento da fl. 304 da filial de número 18. Assim, o recurso apresentado em 07/05/2009 não é intempestivo e supre a irregularidade na intimação, nos termos do art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz a mesma determinação em relação às ações judiciais de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, que vincula os seus julgadores, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, no mesmo sentido, assim regulamentou a matéria: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. No caso, como bem esclarecido na decisão recorrida, relativamente ao direito de compensação dos créditos de IPI, há identidade de objeto entre o presente auto de infração e o mandado de segurança nº 2001.51.01.0006530, conforme restou expresso na sua própria sentença: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 "VICTOR HUGO ARTEFATOS DE COURO LTDA., devidamente qualificada na petição inicial, impetrou o presente mandado de segurança co pedido de liminar, em face do DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO, pleiteando, em síntese, a concessão da segurança para declarar o seu direito aos créditos de IPI, oriundos das aquisições de matériasprimas, insumos ou produtos intermediários que, em relação ao IPI, são isentos, nãotributados ou ainda reduzidos à alíquota zero e, via de conseqüência, o direito de a mesma de efetuar a compensação dos referidos valores, na forma prevista na Lei 9.430/96, (..) ". Assim, nada há a reparar da decisão que não conheceu da impugnação da contribuinte relativamente à possibilidade de compensação dos alegados créditos de IPI, eis que são objeto de discussão judicial. Relativamente à multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito, a sua exclusão somente é possível quando a suspensão da exigibilidade ocorre antes do início do procedimento fiscal: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. No presente caso, a contribuinte obteve a medida liminar, entretanto, em decisão de 09/12/2002, da qual alega a contribuinte ter sido cientificada em 16/01/2003, foi denegada a segurança no referido mandado de segurança, nesses termos: Assim, como a contribuinte tomou ciência do início do procedimento fiscal em 14/07/2003 (fl. 3), quando a liminar já não produzia mais efeitos, não seria o caso de exclusão da multa de ofício em face do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 18471.000403/200418 Acórdão n.º 3402003.105 S3C4T2 Fl. 370 5 A teor da Súmula 405 do STF, a sentença denegatória no mandado de segurança torna sem efeito a liminar anteriormente concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Embora o art. 63, §2º da Lei nº 9.430/96 determine a interrupção da incidência da multa de mora durante a vigência da medida liminar e até 30 dias após a sua cassação, o que seria, por assim dizer, um abrandamento na regra veiculada por essa Súmula, não há qualquer previsão legal para a exclusão da multa de ofício nessa circunstância. Sobre essa questão já decidiu o Supremo Tribunal Federal, conforme ementa abaixo, dando provimento ao recurso especial interposto pelo Estado do Rio Grande do Sul: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. DIFERENCIAL DE ALÍQUOTA. ATRASO NO PAGAMENTO AO ABRIGO DE DECISÃO JUDICIAL. POSTERIOR CASSAÇÃO. EFEITOS. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. Mandado de segurança para assegurar a manutenção da alíquota do imposto de importação de veículo novo procedente dos Estados Unidos, vigente ao tempo do ingresso da mercadoria no País. Medida liminar concedida, com o pagamento do imposto de importação à alíquota de 32%. Posteriormente, proferida sentença denegatória da segurança, sendo então lavrado auto de infração referente à diferença devida de imposto de importação, além da multa de ofício. A recorrente recolheu apenas o valor do principal e dos juros moratórios, deixando de pagar a multa, motivo pelo qual ajuizou embargos à execução objetivando afastar a sua incidência ante a sua suposta ilegalidade. 2. É cediço na jurisprudência que o provimento liminar, seja em sede de Mandado de Segurança, seja por via de antecipação de tutela, decorre sempre de um juízo provisório, passível de alteração a qualquer tempo, quer pelo próprio juiz prolator da decisão, quer pelo Tribunal ao qual encontrase vinculado. A parte que o requer fica sujeita à sua cassação, devendo arcar com os consectários decorrentes do atraso ocasionado pelo deferimento da medida. Isto porque a denegação final opera efeitos ex tunc. (Precedentes:(RESP 132.616/RS, DJ 26/03/2001; RESP 205.301/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 09/10/00;RESP 7.725/SP, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 27/06/94) 3. Deveras, a doutrina não discrepa do referido entendimento. Assim é que a sentença que nega a segurança é de caráter declaratório negativo, cujo efeito, como é cediço, retroage à data da impetração. Assim, se da liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário decorreu algum efeito, com o advento da sentença denegatória não mais subsiste." Nessa vereda, pontifica Hely Lopes Meirelles, com a acuidade que o notabilizou, que "uma vez cassada a liminar ou cessada sua eficácia, voltam as coisas ao statu quo ante. Assim sendo, o direito do Poder Público fica restabelecido in totum para a execução do ato e de seus consectários, desde a data da liminar." (cf. Mandado de Segurança, Ação Popular, Ação Civil Pública, Mandado de Injunção, Habeas Data, 16ª edição atualizada por Arnoldo Wald, Malheiros Editores, p. 62). Fl. 372DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 O escólio de Lucia Valle Figueiredo segue esse caminho ao dilucidar que "revogada a liminar, ou melhor dizendo, cassada, uma vez que revogação, quer na teoria geral do direito, quer no direito administrativo, tem sentido absolutamente diferenciado, ou, então, absorvida por sentença denegatória, voltase ao statu quo ante. É dizer, o ato administrativo revigora, recobra sua eficácia, como se nunca tivesse perdido".(cf. Mandado de Segurança, 3ª edição, Malheiros Editores, p. 151)" (RESP 132.616/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 26/03/2001) 4. Afigurase correta, portanto, a incidência de multa moratória quando da denegação da ordem de segurança e conseqüente cassação da liminar anteriormente deferida, uma vez que tanto a doutrina quanto a jurisprudência desta Corte estão acordes nesse sentido. 5. O Supremo Tribunal Federal, conforme ressaltado, preconiza o mesmo entendimento no verbete n. 405, que assim dispõe:"Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária." (fls. 186/187) 6. Aliás, o art. 63, § 2º, da Lei n.º 9.430/96, veio reforçar referido entendimento ao dispor que "A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." 7. Recurso especial provido. [grifos da Relatora] (REsp 642.281/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2004, DJ 29/11/2004, p. 257 RDDT vol. 113, p. 187) Também não se cogita de se considerar como denúncia espontânea o fato de a contribuinte ter sido beneficiada por medida liminar por um período de tempo, eis que ausente o pagamento e a lavratura do auto de infração deuse após os 30 dias da cassação da liminar. Sobre o mérito do direito creditório alegado, como já dito, não se toma conhecimento das alegações da recorrente em face da concomitância com o processo judicial. Assim, pelo exposto, voto no sentido de não conhecer das alegações da contribuinte acerca do direito creditório alegado e a consequente possibilidade de compensação e, na parte conhecida do recurso voluntário, negarlhe provimento. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 373DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 18471.000403/200418 Acórdão n.º 3402003.105 S3C4T2 Fl. 371 7 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 28/06/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/06/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 15504.721024/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
ERRO NA CITAÇÃO DO NOME EMPRESARIAL DO DEVEDOR SOLIDÁRIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O mero erro no nome empresarial do devedor vinculado ao crédito por solidariedade não importa em nulidade do lançamento, posto que não causou prejuízo ao devedor, cujo CNPJ foi corretamente indicado e recebeu regularmente o Termo de Sujeição Passiva Solidária.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
MATÉRIA FÁTICA TRAZIDA EM MEMORIAIS. CONHECIMENTO.
Circunstancialmente, cabe o conhecimento de matéria fática trazida em sede de memoriais, mormente quando sua apreciação não demanda dilação probatória adicional, tampouco prejudica o adequado andamento do julgamento.
BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ADSTRITA À OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RATEIO. IMPOSSIBILIDADE.
Os bônus de contratação pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual
Possuindo os bônus de contratação pagos a empregados caráter remuneratório, a incidência das contribuições previdenciárias dá-se na data do pagamento, não estando previsto nas normas aplicáveis eventual rateio do valor ao longo do período de carência.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. AUTO APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA.
O pagamento da PLR, para que não sofra a incidência de contribuições sociais, deve ser efetuado em consonância com a legislação infraconstitucional que regulou o inciso XI do art. 7.( da Constituição Federal, o qual não possui eficácia plena.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito, para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento.
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
APURAÇÃO SOBRE STOCK OPTIONS. LEGITIMIDADE DA EMPRESA AUTUADA.
A empresa autuada é quem deve figurar no polo passivo do lançamento, pois é com ela que mantinham vínculos de prestação de serviços os segurados beneficiados com as outorgas de direito de compra de ações, além de que, conforme os registros contábeis, foi esta empresa quem suportou as despesas decorrentes das referidas outorgas.
PLANOS DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições previdenciárias sobre os ganhos que os segurados obtêm pelo exercício do direito de compra de ações quando se caracteriza a inexistência de risco para o beneficiário.
No caso sob apreço, inexistia qualquer desembolso quando do fechamento dos contratos de opção entre a empresa e seus diretores e estes poderiam ao final do período de carência exercer as opções a valor simbólico, estando isentos de qualquer risco de perda.
A ocorrência do fato gerador para a verba em questão se dá quando da transferência das ações ao patrimônio dos beneficiários, que se concretiza no momento do exercício do direito de compra.
BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPÇÃO NO MOMENTO DA OUTORGA. EQUÍVOCO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
O entendimento do Fisco no sentido de mensurar a base de cálculo levando em conta o valor justo da opção no momento da outorga traduz-se em equívoco da autoridade lançadora cuja correção extrapola os limites do julgamento administrativo, devendo ser cancelado o respectivo lançamento.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL
No presente caso a existência de grupo econômico é questão incontroversa, portanto, cabível a responsabilidade solidária imputada pelo fisco, uma vez que as empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO.
Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento; por voto de qualidade afastar a preliminar de exclusão da responsabilidade solidária, vencidos os conselheiros Natanael Vieira de Souza , Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci; por maioria: I) em conhecer da questão de erro na fixação da base de cálculo do levantamento D1, suscitada em memoriais, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Natanael Vieira de Souza, II) em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do levantamento D1 as remunerações dos segurados Thaís Rego e Anderson Gonçalves, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira, b) excluir integralmente o levantamento F1, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Ronnie Soares Anderson - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira de Souza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ERRO NA CITAÇÃO DO NOME EMPRESARIAL DO DEVEDOR SOLIDÁRIO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O mero erro no nome empresarial do devedor vinculado ao crédito por solidariedade não importa em nulidade do lançamento, posto que não causou prejuízo ao devedor, cujo CNPJ foi corretamente indicado e recebeu regularmente o Termo de Sujeição Passiva Solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MATÉRIA FÁTICA TRAZIDA EM MEMORIAIS. CONHECIMENTO. Circunstancialmente, cabe o conhecimento de matéria fática trazida em sede de memoriais, mormente quando sua apreciação não demanda dilação probatória adicional, tampouco prejudica o adequado andamento do julgamento. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ADSTRITA À OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RATEIO. IMPOSSIBILIDADE. Os bônus de contratação pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual Possuindo os bônus de contratação pagos a empregados caráter remuneratório, a incidência das contribuições previdenciárias dá-se na data do pagamento, não estando previsto nas normas aplicáveis eventual rateio do valor ao longo do período de carência. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. AUTO APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA. O pagamento da PLR, para que não sofra a incidência de contribuições sociais, deve ser efetuado em consonância com a legislação infraconstitucional que regulou o inciso XI do art. 7.( da Constituição Federal, o qual não possui eficácia plena. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito, para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição. APURAÇÃO SOBRE STOCK OPTIONS. LEGITIMIDADE DA EMPRESA AUTUADA. A empresa autuada é quem deve figurar no polo passivo do lançamento, pois é com ela que mantinham vínculos de prestação de serviços os segurados beneficiados com as outorgas de direito de compra de ações, além de que, conforme os registros contábeis, foi esta empresa quem suportou as despesas decorrentes das referidas outorgas. PLANOS DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições previdenciárias sobre os ganhos que os segurados obtêm pelo exercício do direito de compra de ações quando se caracteriza a inexistência de risco para o beneficiário. No caso sob apreço, inexistia qualquer desembolso quando do fechamento dos contratos de opção entre a empresa e seus diretores e estes poderiam ao final do período de carência exercer as opções a valor simbólico, estando isentos de qualquer risco de perda. A ocorrência do fato gerador para a verba em questão se dá quando da transferência das ações ao patrimônio dos beneficiários, que se concretiza no momento do exercício do direito de compra. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPÇÃO NO MOMENTO DA OUTORGA. EQUÍVOCO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O entendimento do Fisco no sentido de mensurar a base de cálculo levando em conta o valor justo da opção no momento da outorga traduz-se em equívoco da autoridade lançadora cuja correção extrapola os limites do julgamento administrativo, devendo ser cancelado o respectivo lançamento. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL No presente caso a existência de grupo econômico é questão incontroversa, portanto, cabível a responsabilidade solidária imputada pelo fisco, uma vez que as empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O mero erro no nome empresarial do devedor vinculado ao crédito por solidariedade não importa em nulidade do lançamento, posto que não causou prejuízo ao devedor, cujo CNPJ foi corretamente indicado e recebeu regularmente o Termo de Sujeição Passiva Solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 MATÉRIA FÁTICA TRAZIDA EM MEMORIAIS. CONHECIMENTO. Circunstancialmente, cabe o conhecimento de matéria fática trazida em sede de memoriais, mormente quando sua apreciação não demanda dilação probatória adicional, tampouco prejudica o adequado andamento do julgamento. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ADSTRITA À OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RATEIO. IMPOSSIBILIDADE. Os bônus de contratação pagos a empregados da recorrente têm natureza salarial por representarem parcelas pagas como antecipação pecuniária para manutenção do empregado na empresa por um período de tempo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 10 24 /2 01 4- 14 Fl. 3139DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 preestabelecido, não se verificando neste caso a ocorrência de pagamento eventual Possuindo os bônus de contratação pagos a empregados caráter remuneratório, a incidência das contribuições previdenciárias dáse na data do pagamento, não estando previsto nas normas aplicáveis eventual rateio do valor ao longo do período de carência. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. AUTO APLICABILIDADE DA NORMA CONSTITUCIONAL. INEXISTÊNCIA. O pagamento da PLR, para que não sofra a incidência de contribuições sociais, deve ser efetuado em consonância com a legislação infraconstitucional que regulou o inciso XI do art. 7.° da Constituição Federal, o qual não possui eficácia plena. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito, para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. APURAÇÃO SOBRE STOCK OPTIONS. LEGITIMIDADE DA EMPRESA AUTUADA. A empresa autuada é quem deve figurar no polo passivo do lançamento, pois é com ela que mantinham vínculos de prestação de serviços os segurados beneficiados com as outorgas de direito de compra de ações, além de que, conforme os registros contábeis, foi esta empresa quem suportou as despesas decorrentes das referidas outorgas. PLANOS DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições previdenciárias sobre os ganhos que os segurados obtêm pelo exercício do direito de compra de ações quando se caracteriza a inexistência de risco para o beneficiário. No caso sob apreço, inexistia qualquer desembolso quando do fechamento dos contratos de opção entre a empresa e seus diretores e estes poderiam ao final do período de carência exercer as opções a valor simbólico, estando isentos de qualquer risco de perda. A ocorrência do fato gerador para a verba em questão se dá quando da transferência das ações ao patrimônio dos beneficiários, que se concretiza no momento do exercício do direito de compra. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPÇÃO NO MOMENTO DA OUTORGA. EQUÍVOCO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Fl. 3140DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.140 3 O entendimento do Fisco no sentido de mensurar a base de cálculo levando em conta o valor justo da opção no momento da outorga traduzse em equívoco da autoridade lançadora cuja correção extrapola os limites do julgamento administrativo, devendo ser cancelado o respectivo lançamento. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL No presente caso a existência de grupo econômico é questão incontroversa, portanto, cabível a responsabilidade solidária imputada pelo fisco, uma vez que as empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. MULTA. ALEGAÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE SEU AFASTAMENTO OU ALTERAÇÃO. Inexiste a possibilidade dos órgãos de julgamento administrativo afastarem/alterarem a multa imposta por descumprimento de obrigação pagar o tributo, sob o fundamento de que seria confiscatória. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3141DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos de votos, em afastar a preliminar de nulidade do lançamento; por voto de qualidade afastar a preliminar de exclusão da responsabilidade solidária, vencidos os conselheiros Natanael Vieira de Souza , Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci; por maioria: I) em conhecer da questão de erro na fixação da base de cálculo do levantamento D1, suscitada em memoriais, vencidos os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Natanael Vieira de Souza, II) em dar provimento parcial ao recurso para: a) excluir do levantamento D1 as remunerações dos segurados Thaís Rego e Anderson Gonçalves, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira, b) excluir integralmente o levantamento F1, vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator), Túlio Teotônio de Melo Pereira e Mário Pereira de Pinho Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Ronnie Soares Anderson Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira de Souza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 3142DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.141 5 Relatório Tratase de julgamento de recursos voluntários interpostos pelo sujeito passivo acima identificado e pelo devedor solidário Atlantic Iron contra decisão que declarou improcedentes as suas impugnações apresentadas para desconstituir o Auto de Infração AI que integra o presente processo. O crédito em questão é o AI n.° 51.054.6889, no qual são exigidas contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). De acordo com o relatório fiscal, fls. 18/103, os fatos geradores contemplados nas lavraturas foram: a) pagamentos a diretores estatutários, não empregados, baseado em outorga de direito de opção por ações (stock optios STO) Levantamento F1; b) pagamentos a segurados empregados referentes a bônus de contratação Levantamento D1; c) diferenças de alíquota referente à contribuição GILRAT Levantamento A1; d) vantagem pessoal a diretor não empregado Levantamento C1; e) PLR pago a diretores nãoempregados E1; f) PLR acordo geral Levantamento B1; g) PLR acordo especial (diretores, gerentes e assemelhados) Levantamento B2 h) PLR "Key People" Levantamento B3. A empresa Atlantic Iron BV foi arrolada como devedora solidária pelo fato de integrar o grupo econômico de que faz parte a autuada, sendo sua acionista majoritária. Passaremos a apresentar, em apertada síntese, alguns aspectos relevantes apresentados no relatório fiscal, acerca de cada uma das parcelas que compõe a base de cálculo das contribuições. Stock options Este levantamento se refere à outorga de ações concedidas a diretores não empregados (contribuintes individuais), cuja apuração se deu mediante análise dos registros contábeis da empresa fiscalizada. Fl. 3143DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 A composição da base de cálculo encontrase demonstrada no Anexo V. Informase que, do cotejo entre a escrita contábil e as notas explicativas às demonstrações financeiras, foi possível verificar que a autuada adotou um plano de incentivo baseado em ações (PBA), consistente em remuneração variável baseada em valores mobiliários de sua controladora Ferrous Resources Limited. A finalidade deste plano seria gerar incentivos para executivos em decorrência de alcance dos objetivos do grupo econômico. Após transcrever e fazer considerações acerca dos instrumentos de criação, aprovação, regulamentação e operacionalização dos planos de STO da companhia, o fisco mencionou que as outorgas representaram um mecanismo que integra um sistema de incentivos salariais, em que o principal objetivo é a fidelização de talentos, de modo que o profissional continue atuando pelo sucesso da empresa, o qual refletirá na valorização das ações e nos ganhos também do trabalhador. Acerca do valor ínfimo fixado para preço de exercício, o fisco assim se pronunciou: "Importante mencionar que nos termos dos Planos implementados pelo Comitê de Remuneração e referendados pelos Conselheiros da Companhia, ficou decidido que, agora nos referindo apenas às opções exercidas pelos diretores da Ferrous do Brasil em 2010 e 2011, sem exceção, o preço de exercício da opção de compra foi prefixado em £ 0,0001 por Ação (“Preço de Subscrição”), repisese, valor infinitamente abaixo do valor justo, quer seja comparado com o valor desta com base no Patrimônio Líquido da Companhia ou mesmo pelo método de precificação de opções denominado modelo binomial, adotado pela empresa FRdB) para lançamento das despesas mensais, em atendimento às exigências das normas contábeis brasileiras (CPC 10)." Entendeu a autoridade lançadora que os ganhos advindos das outorgas de opções de compra de ações apresentamse como remuneração diferida, que se enquadra no conceito de saláriodecontribuição de contribuinte individual, nos temos do inciso III do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991. Afirma que no caso em tela identificamse os dois elementos requeridos pela hipótese de incidência das contribuições, quais sejam: i) a prestação de serviço pelos executivos da autuada entre os momentos da outorga e do exercício e ii) a concessão do ganho ao segurado mediante a outorga a preço simbólico. Segundo o fisco não houve riscos para o executivo, posto que nada desembolsou na assinatura do contrato de outorga, além de que o valor das ações foi subsidiado pela empresa, proporcionando assim um ganho certo ao beneficiário, restando caracterizada a natureza remuneratória. Com base nas notas explicativas dos demonstrativos contábeis da empresa autuada o fisco conclui que os valores despendidos pela Companhia controladora Ferrous Resources Limited com o plano de opção de ações oferecidos aos executivos constitui despesa de sua subsidiária integral a Ferrous Resources do Brasil S/A. Argumenta que se trata de remuneração de seus executivos, por serviços prestados contratualmente e que não se pode falar em caráter mercantil das operações, posto que, ao deixar de obter o ingresso de valores que seriam obtidos se as ações fossem colocadas à integralização por terceiros e pelo preço de cotação de mercado, a empresa beneficiou os segurados que lhe prestaram serviço. Fl. 3144DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.142 7 Para esclarecer a questão de quem teria assumido os custos decorrentes da operação de outorga, o fisco chama a atenção de que o custo de oportunidade assumido inicialmente pela alienante, mediante oferta de ações de sua emissão aos executivos de sua subsidiária integral, a um preço simbólico (£ 0,0001), na mesma proporção, foram repassados mediante aumento de sua participação no capital social na Ferrous Resources do Brasil S/A. Outra razão para tratar os ganhos advindos dos planos de STO como salário decontribuição, segundo a auditoria, é que o pagamento ou crédito relativo ao plano de opção de ações regida pela Lei 6.404/76 não está contemplado na legislação como isenção ou não incidência. Mencionase ainda que a remuneração por meio de pagamento baseado em ações decorre do vínculo de trabalho mantido entre os beneficiários e a empresa FRdB, pois é essa a relação que existe entre ambos, e somente a partir dela nasce a oferta destes instrumentos patrimoniais (ações) com possibilidades de ganhos. Admitir isso como mera operação mercantil, seria um total desvirtuamento da realidade. No que diz respeito ao momento do fato gerador, a autoridade lançadora menciona que o benefício financeiro ao segurado somente vem a se materializar após o cumprimento das carências e o exercício de compra e arremata: "Sendo assim, não resta dúvida de que a ocorrência do fato gerador se verificou na data do efetivo exercício, momento em que houve a transferência patrimonial da empresa controladora para o titular, com a emissão dos certificados de ações, cujas datas constam, por beneficiário, da planilha elaborada pela FRdB, identificada como “Options 20102011” integrante do arquivo fornecido à Fiscalização nomeado como Stock Options Plan elab Fev para Atend Fisc.xlsx, em anexo." A forma de mensuração da base de cálculo foi citada no relatório fiscal nos seguintes termos: " A Base de Cálculo decorre da diferença, entre o valor justo calculado pela própria empresa baseado em modelo binomial e o preço definido como valor de cada opção de compra, segundo as condições previstas no Programa, reconhecida como despesas pela FRdB, conforme detalhes constantes da planilha apresentada à Fiscalização identificada como “Options 2010 2011”, integrante do arquivo fornecido à Fiscalização identificado como Stock Options Plan elab Fev para Atend Fisc.xlsx." Afirmase ainda que a empresa foi autuada por não incluir em folhas de pagamento as remunerações variáveis baseadas em ações. Bônus de contratação Para demonstrar a natureza salarial desta parcela o fisco tomou como base o contrato firmado entre a empresa e a segurada empregada Thais Rêgo de Oliveira, pelo qual esta se comprometeria, mediante o recebimento da quantia de R$ 60.000,00, a se manter no contrato de emprego pelo prazo de dois anos. Fl. 3145DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Conclui o agente fiscal que o valor pago nada mais é de que um complemento salarial, lançado na folha de pagamento sob a denominação de "bônus" e conclui: " A concessão desta vantagem pessoal está claramente vinculada ao salário da empregada, bem como, à obrigação de fazer e manter o vínculo empregatício com a contratante por um período de dois anos. A despeito do nome convencionado entre as partes para esta verba, sua natureza é salarial, e se constitui numa verdadeira remuneração adicional, de forma não eventual, já que paga de forma antecipada por conta dos serviços prestados num período de 24 meses, conforme se verifica da planilha Anexo III deste relatório, não se enquadrando, portanto, no disposto no inciso “V”, alínea “j” do § 9º do já citado artigo 214 do Decreto 3.048/99." Chama atenção de que a base de cálculo mensal foi obtida mediante a divisão da remuneração percebida a título de Bônus pelo número de meses correspondente ao tempo de cumprimento obrigacional de cada um dos beneficiários. Por exemplo, para a empregada Thais Rêgo o cálculo foi R$ 60.000,00 dividido por 24 meses. Ressalva que para o segurado Rinaldo Bastos Vieira o valor foi integralmente lançado no mês do pagamento, posto que neste caso não foi fixado um período mínimo de permanência na empresa. Participação nos lucros ou resultados Segundo o fisco, a partir da documentação apresentada, constatouse que todos os pagamentos foram feitos com base em programas de PLR firmados após o período de aferição do direito ao recebimento da verba, sempre no ano seguinte, ficando claro que as regras do programa de participação nos resultados foram estabelecidas quando já havia transcorrido totalmente o período definido como base de apuração. Afirmase que em relação ao Levantamento identificado como “B1 – Participação nos Resultados Geral”, detalhado no Anexo VII, a empresa não demonstrou haver aferição ou avaliação, haja vista que a planilha apresentada mostra que o único critério adotado foi o previsto na Cláusula Terceira dos Acordos, ou seja, com observância do enquadramento do empregado na tabela de cargos e salários, pagouse 2 (dois) salários até o nível 16 (dezesseis), 3 (três) salários nominais entre os níveis 17 e 20, inclusive, e para os desligados até o nível 20 (vinte) 1 (um) salário nominal, com base no Termo de Rescisão Contratual. Conclui que os benefícios concedidos aos trabalhadores sob forma de bônus e participação nos lucros e resultados, por estarem em desacordo com a legislação aplicável integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos. Diferenças da contribuição GILRAT A autoridade lançadora menciona que para o estabelecimento identificado pelo CNPJ /000104 o contribuinte se enquadrou no código CNAE FISCAL: 64620/00 Holdings de instituições nãofinanceiras, com grau de risco grave e alíquota correspondente a 3%, todavia, por equívoco, a contribuição foi recolhida mediante aplicação da alíquota de apenas 1%, resultando, portanto, numa diferença de alíquota de 2%, que sujeita aos efeitos do Fator Acidentário de Prevenção – FAP, definido para a empresa com vigência 2010 em 1,0000 e no período de 2011 em 0,5666, disponível no Sítio do Ministério da Previdência Social MPS na Internet, implica em diferenças de alíquotas ajustadas a recolher de 2% em 2010 e 1,1298% em 2011. Fl. 3146DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.143 9 Contribuintes individuais (bônus e PLR) Incluídos no Levantamento C1 foram agrupados os pagamentos a diretores não empregados a título de a título de bônus, registrados em folha de pagamento sob a denominação "evento 105". O Levantamento E1, por sua vez, abrigou os valores pagos a título de PLR também aos diretores não empregados, cujos lançamentos em folha corresponderam aos "eventos 311 e 315". Conclui que se tratando de pagamentos a contribuintes individuais é cabível a incidência de contribuições previdenciárias, posto que a tributação independe a que título as remunerações foram auferidas, bastando configurar sua efetividade, fato comprovado da análise das folhas de pagamento e escrituração contábil. Decisão de primeira instância Cientificados do lançamento, ambos os devedores apresentaram defesa, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que exarou decisão com a seguinte ementa: " ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Por força do mandamento constitucional, a Lei nº 8.212 de 24.07.1991, no seu artigo 28, incisos I, incluiu o salário utilidade no conceito de salário de contribuição. Considerase salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive sob a forma de utilidades. EXCLUSÕES LEGAIS DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, não integram o salário de contribuição. AFERIÇÃO INDIRETA Fl. 3147DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. A participação dos membros do conselho de administração e da diretoria no lucro de companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados. OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS. As verbas pagas a segurados obrigatórios da previdência social sob a forma de opções de compra de Stock Options, como retribuição ao trabalho prestado, possuem natureza remuneratória e integra mo salário de contribuição para o cálculo da contribuição devida à Seguridade Social, prevista no Art. 22, I, e § 1º, da Lei nº 8.212/91. PAGAMENTO DE “PREMIO DE CONTRATAÇÃO”. INCIDÊNCIA. O pagamento de premio de contratação a profissional, mesmo que de uma única vez, destinado a atraílo para trabalhar na empresa, integra, por seu caráter contraprestacional, o salário de contribuição previdenciário. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Decreto 3.048/99. REMUNERAÇÃO INDIRETA. “HIRING BONUS”. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. INCIDÊNCIA. O pagamento de “Hiring Bonus” ou bônus de contratação a profissional, mesmo que de uma única vez, destinado a atraílo para trabalhar na empresa, integra, por seu caráter contraprestacional, o salário de contribuição previdenciário. Artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/91 e artigo 214, inciso I, do Regulamento da Previdência Social. GRATIFICAÇÃO CONCEDIDA EM RAZÃO DA DISPONIBILIDADE/ PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS/ VINCULO EMPREGATÍCIO. Integra o salário de contribuição pelo seu valor total o pagamento de verbas a título de gratificação, por mera liberalidade, em razão do vinculo empregatício. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Fl. 3148DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.144 11 TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio, sobre o qual também incidem os juros de mora à taxa Selic. A aplicação dos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, nos créditos constituídos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é vinculada à previsão legal, não podendo ser excluída do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 SUJEITO PASSIVO. ERRO FORMAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O erro de natureza formal, relacionado ao nome do sujeito passivo indicado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, não enseja a nulidade do referido Termo, sendo passível de correção. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Constatado pela autoridade fiscal que a conduta do sujeito passivo se constitui, em tese, crime, cabível a formalização de representação ao órgão competente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Recursos voluntários Inconformados com esta decisão, os devedores apresentaram recursos de com idênticas alegações (fls. 2.815/2.842 e 2.944/3.069), onde inicialmente são mencionados os principais aspectos do lançamento e da marcha processual. Depois são tratados os pontos a seguir. a) Responsabilidade solidária Fl. 3149DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 A legislação ordinária que atribui responsabilidade a terceiros pelo cumprimento de obrigações tributárias não pode estar dissociado do que dispõe o art. 128 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, a responsabilidade solidária da Atlantic Iron não pode decorrer do simples fato de compor o mesmo grupo econômico da empresa autuada, esse vínculo somente poderia ser estabelecido caso restasse comprovado a realização conjunta dos fatos geradores que ensejaram a lavratura. Apresenta precedentes do CARF e do Superior Tribunal de Justiça STJ que firmam o entendimento de que inexiste responsabilidade entre empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, quando não reste demonstrado que as pessoas jurídicas praticaram conjuntamente a situação que configura o fato gerador. b) Nulidade por erro na identificação do sujeito passivo O lançamento padece de nulidade, haja vista que está maculado por vício insanável decorrente de erro na identificação da empresa incluída como devedora solidária. A fiscalização vinculou como responsável solidária a empresa cuja razão social é 'ATLANTIC IRON BV", situada em Laan Van Kronenburg 8, 1183, As Amstelveen Holanda. Contudo esse não é o nome empresarial, nem está correto o endereço da empresa que integra o mesmo grupo econômico que a autuada, como se pode ver do cartão do CNPJ, onde consta o registro da empresa denominada "ATLANTIC IRON S.AR.L.". Apresenta precedentes do CARF que nulificaram lançamentos em decorrência de erro na identificação do sujeito passivo. c) Inexistência de crime contra a Seguridade Social A Representação Fiscal para Fins Penais RFFP é insubsistente, na medida em que não se comprovou a conduta dolosa do sujeito passivo, mas apenas que supostamente haveria ocorrido inadimplência quanto ao recolhimento dos valores lançados. Sustenta que a conduta dos crimes tributários somente se configura quando o agente deseja produzir o resultado que se sabe penalmente punível ou assume o risco que o resultado contrário à lei venha a ocorrer, o que não é o caso dos autos. Segundo o parágrafo único do Código Penal não há crime culposo se a lei assim não estipula. Nessa toada, não há previsão legal da sonegação fiscal culposa, não podendo as recorrentes serem punidas por esse delito, haja vista a nítida ausência de dolo. A RFFP é inadmissível também pelo fato do crédito tributário ainda está sendo discutido na esfera administrativa, contrariando assim o que dispõe o art. 83 da Lei n.° 9.430/1996. d) Inocorrência da hipótese de incidência das contribuições sociais As verbas tributadas não representam em sua maioria grandezas que representam remuneração para o trabalhador não podendo sofrer incidência das contribuições sociais nos termos do art. 195 da Constituição Federal. A concessão de opções de compras de ações de outra empresa, o pagamento de hiring bonus para alguns funcionários e a parcela adimplida a título de participação nos lucros, da forma como ocorreu, não podem ser objeto da tributação previdenciária. Fl. 3150DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.145 13 A seguir faz considerações acerca do conceito de remuneração para fins de incidência do tributo envolvido no lançamento. Ali apresenta precedentes da Justiça do Trabalho que excluem do conceito de remuneração parcelas indenizatórias, tais como ressarcimento de despesas e concessão de moradia a trabalhadores que laboravam no canteiro de obras. Afirma que não há como se considerar rendimento do trabalho, por lhe faltar o caráter contraprestativo, um bônus pago ao funcionário antes mesmo do início da prestação laboral e cuja finalidade é tornar mais atraente a proposta de trabalho. Também as opções de compra de ações, por se tratarem de aquisição de instrumento patrimonial de outra companhia, não revelam qualquer caráter remuneratório e, assim, não podem se sujeitar a incidência de contribuições. As situações tributadas não são alcançadas pelo art. 111 do CTN, posto que este é voltado para isenções/benefícios fiscais, quando o caso sob enfoque diz respeito à incorreta aplicação de regra de incidência, não cabendo a argumentação da DRJ de que as regras que tratam de isenção devem ser aplicadas restritivamente. e) Pagamento baseado em ações stock options (STO) Levantamento F1 As opções de compra de ações foram oferecidas em razão da relação existente entre os segurados contribuintes individuais e Ferrous Resource Limited, empresa estrangeira, que forneceu todos os planos de STO aqui tratados, devido a sua vinculação com os beneficiários. Assim o fisco e a DRJ se confundiram em inferir que tais concessões decorreram da vinculação dos segurados com a recorrente. O fato de tais planos terem sido contabilizados pela Ferrous Resourse do Brasil não é suficiente para alterar a realidade da verdadeira relação contratual existente, tampouco para atrair a incidência de contribuições sobre os valores envolvidos. De outra banda, a autoridade lançadora afastou a natureza societária e mercantil das STO de maneira rasa e desconectada da realidade, exigindo características que não são encontradas em planos desta natureza. Apresenta considerações doutrinárias no sentido de demonstrar que os planos de STO não se subsumem ao conceito legal de remuneração. Repisa que as ações objeto da autuação foram concedidas por empresa estrangeira não diretamente vinculada à recorrente e em razão de vinculação entre os seus diretores e a companhia concedente. Portanto, descabido é o argumento de que as STO foram ofertadas devido à vinculação entre os beneficiários e a autuada. Sustenta que as ações recaíram sobre empresa estrangeira de capital fechado, tendo a contabilização sido feita na recorrente por erro material, passível de retificação. O fato dos beneficiários exercerem cargos na autuada não autoriza a conclusão adotada pela DRJ, posto que há documentos juntados aos autos (fls. 250/433) demonstrando que a concessão dos planos não se deu em razão desses cargos, mas da Fl. 3151DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 vinculação dos diretores com a empresa sediada no exterior. Transcreve trechos da Ata do Comitê de Remuneração da Ferrous Resource Limited. Representa argumentação falaciosa a tentativa de utilizar o mesmo documento que atesta que as opções foram concedidas em razão dos cargos exercidos no exterior para alegar que teriam sido oferecidos pelo trabalho realizado no Brasil, simplesmente porque este trabalho é também mencionado no referido documento. Inclusive na impugnação a recorrente juntou o Doc 04 (fls. 1,928/1.934) que se trata do registro de Diretores e Conselheiros da empresa estrangeira, demonstrando claramente o exercício ali de algum cargo, motivo pelo qual foram beneficiados com as STO tratadas na autuação. Defende também que não se pode lançar mão de regras contábeis para fazer surgir fatos geradores não previstos na legislação, conforme têm decidido os tribunais pátrios (menciona decisões). Não bastasse o fato da recorrente nem sequer possuir relação com o suposto fato gerador, as STO concedidas aos contribuintes individuais não podem ser consideradas remuneração para fins de imposição de contribuições sociais. Não se pode fechar os olhos para a realidade inerente ao mercado de trabalho que usa métodos que não se confundem com contraprestação, mas representam técnicas de gestão do negócio, inclusive atraindo novos sócios de alta capacidade de compreensão e resolução de temas afetos à atividade, como é o caso dos trabalhadores considerados no Levantamento F1. Não se pode confundir este tipo de incentivo patrimonial com relação trabalhista e remuneração, meramente pelo fato de ser ofertado na constância da relação de trabalho, sob pena de se deturpar o direito e a realidade que ele busca tutelar. Uma leitura atenta do relatório fiscal revela que a razão maior para a tributação foi o fato da recorrente haver lançado as concessões das opções com despesas, todavia, o mero erro contábil não faz surgir o fato gerador. Outra causa adotada para motivar o lançamento teria sido o estabelecimento de metas, o que daria uma feição contraprestativa às STO. Contudo as metas mencionadas referemse a outros benefícios, que em nada se vinculam às opções. Ressalta que as STO possuem como fundamento principal não a finalidade de recompensar financeiramente os beneficiários das ações e sim incluir esses no risco inerente da atividade econômica da empresa. É esse entendimento que tem prevalecido nos Tribunais Trabalhistas, conforme decisões colacionadas. Também manifestam esse entendimento os julgados da Justiça Federal, os quais embora não tenham sedimentado essa tese caminham nesse sentido como se vê do julgado do TRF3, do qual transcreve alguns trechos. No caso dos autos, por envolver ações de S/A de Capital Fechado, se a sociedade não tiver com o diretor a affectio societatis, jamais este será admitido nos quadros sociais, por mais elevado que seja o valor que ele se dispuser a pagar por isso. Esse aspecto nas empresas com esse tipo de configuração societária somente demonstra que o valor pago para obter a opção é um fator de menor relevância na aferição da natureza mercantil do negócio e dos riscos a ele inerentes, não desaparecendo o caráter societário das STO nem mesmo quando as opções são oferecidas ao profissional sem nenhuma contrapartida deste. Fl. 3152DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.146 15 A concessão de opções de compra de ações jamais pode ser considerada salário, posto que não se paga por um serviço prestado, mas se permite que a pessoa seja sócia, por outras razões e vontades das partes, que apenas e eventualmente surgiram de uma relação que se iniciou laboral. Diferentemente do que defende o órgão recorrido, as STO não se enquadram em nenhuma das parcelas de natureza remuneratória estabelecidas nos arts. 457 e 458 da CLT. Valendose das lições do Professor Marcos André Vinhas Catão, afirma que não há lei que disponha acerca da incidência de contribuições sociais sobre os valores decorrentes de planos de STO. A Delegacia de Julgamento não conseguiu afastar os argumentos da recorrente, ao contrário, em todo o desenvolvimento do voto condutor do acórdão se verifica menções a características dos planos que reforça sua natureza mercantil. Defende que não há acréscimo patrimonial para o beneficiário, mas apenas transformação no seu patrimônio, com uma parte do dinheiro sendo convertido em ações. Tanto é que somente há recolhimento de imposto de renda no momento em que as ações forem vendidas e houver ganho de capital. Mesmo com alguns julgamentos contrários aos contribuintes, mas em razão da especificidade de alguns planos de STO, percebese uma tendência nos julgadores do CARF de entender que em geral esses planos não são remuneratórios. Cita decisões deste Tribunal. Observese ainda que pelo fato das STO não serem consideradas remunerações, tais valores não foram deduzidos na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Isso é mais um indicativo do desacerto do fisco em tributar tais parcelas. Pede que, na remota hipótese de se considerar os planos de opções de ações como remuneração, considerese que o valor adotado com base de cálculo foi indevidamente majorado. Primeiro porque não há justificativa legal para adoção da aferição indireta neste caso, depois porque o valor justo adotado na data do exercício da opção não é adequado para identificar o elemento quantitativo do tributo, visto que não representa uma realidade que reflete materialmente o suposto fato gerador. Chama atenção que a menção à aferição indireta somente veio a surgir na decisão de primeira instância, não havendo no relatório qualquer referência à apuração indireta da base tributável. Em adição menciona que o valor justo é uma ficção contabilmente aceita, portanto, não pode ser considerado para fins de incidência de contribuições previdenciárias, por não refletir uma grandeza econômica mensurada na realidade presente, mas uma mera estimativa. Não pode uma norma contábil ou a prática comercial fixar diretrizes que impactem na apuração dos tributos, eis que estes somente incidem sobre bases reais., verificadas materialmente na realidade presente, atingindo signos presuntivos de riqueza eleitos como alvo da tributação. Fl. 3153DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Caso se entenda que lançamento deve prevalecer, que ao menos se use o valor patrimonial da ação para a fixação da base de cálculo. f) Hiring Bonus Levantamento D1 É equivocado o entendimento de que os valores pagos à Sra. Thaís Rego de Oliveira e ao Sr. Anderson Gonçalves Cândido, a título de bônus, componham a base de cálculo das contribuições previdenciárias, posto que são pagamentos eventuais e desvinculados da prestação de serviços dos empregados. Na verdade referemse a Hiring Bonus, ou Bônus de Contratação, pagos aos empregados com intuito de tornar a oferta de trabalho mais atrativa e vantajosa, sendo que repassados em parcela única e sem qualquer vinculação aos serviços prestados, não representando contraprestação alguma. Podese dizer que é uma espécie de indenização pelo fato do novo empregado deixar o seu trabalho anterior, estável e conhecido, sem que pretendesse fazêlo naquele momento, para se arriscar em um novo empreendimento laboral, sem garantia de que a mudança lhe será vantajosa. Assim, em absoluto podem estes pagamentos ser tratados como remuneração. Apresenta excerto de artigo da lavra do exConselheiro do CARF Nereu Ribeiro Domingues, que abonaria a sua tese de não incidência sobre esta parcela. Afirma haver juntado na impugnação documentos para comprovar que as parcelas foram pagas de uma vez e antes do início da prestação de serviços pelos segurados. Sustenta que o fato de constar no contrato referente ao bônus de contratação a eventual manutenção do profissional na empresa não descaracteriza a condição de parcela indenizatória, não devendo prevalecer a afirmação da DRJ de que o fato de se ter que cumprir prazo mínimo de permanência na empresa faz que tal verba tenha caráter remuneratório. Traz à colação decisões do CARF que estariam alinhadas com o seu entendimento. Aduz que também a jurisprudência do TST reitera a natureza indenizatória da parcela discutida, desde que respeitados os parâmetros necessários, conforme decisão juntada. g) Participação nos lucros ou resultados Levantamentos B1, B2 e B3 A participação nos lucros ou resultados é um direito constitucionalmente desvinculado do salário, gozando, portanto, de imunidade frente à incidência de contribuições sociais. Assim, as regras atinentes a esse direito trabalhista devem ser interpretadas de forma sistemática e ampla em conjunto com as demais normas pertinentes, de forma a garantir o pleno alcance do objetivo de distribuir parte do lucro das empresas aos trabalhadores. As razões que levaram a DRJ a desconsiderar os pagamentos como participação nos lucros ou resultados foi a suposta extemporaneidade na formalização dos acordos, bem como a ausência de regras claras e objetivas regendo os pagamentos da verba. Quanto à prévia assinatura do acordo, é bom que se diga que a única anterioridade exigida pela lei é que a formalização ocorra antes do efetivo pagamento da verba, sendo a nova exigência fiscal ofensiva à imunidade eleita. A leitura do art. 2.° da Lei n.° 10.101/2000 permite concluir que de fato há a necessidade de negociação entre patrão e empregados, todavia, não há prazo fixando o Fl. 3154DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.147 17 momento da assinatura do acordo, tampouco exigência de que as metas sejam fixadas no exercício anterior a sua apuração. O requisito legalmente previsto é que apenas a negociação seja anterior ao pagamento. Esse inclusive é o entendimento consolidado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, o que vem sendo refletida pelas instâncias inferiores deste Tribunal Administrativo. Cita decisões. Sustenta que os documentos juntados à defesa e sintetizados na planilha que apresenta, demonstram cabalmente que todos os pagamentos efetuados a título de PLR que constam do lançamento foram previstos em acordos formalizados antes da data do repasse da verba aos trabalhadores. No que toca especificamente ao Levantamento "B1 Participação nos Resultados Geral", verificase que a condição base para tal pagamento foi o alcance das metas globais, e, diferentemente do que concluiu o órgão a quo, tais critérios espelham sim um compromisso prévio com o alcance de metas de produtividade. Os documentos apresentados durante o procedimento fiscal comprovam que as metas globais foram cumpridas, demonstrando o comprometimento dos diretores e empregados da recorrente com os objetivos estabelecidos. Os próprios acordos reconhecem tal fato ao preverem que todos os pagamentos decorrem dos resultados alcançados no exercício, os quais se encontram explicitados no anexo que integra a avença. Confundiramse o fisco e a DRJ ao entenderem que o pagamento em valor prefixado (2 a 4 salários) encontravase desvinculado de qualquer meta. Não se pode negar que havia regras claras e objetivas a serem cumpridas. O CARF tem entendido que é aceitável o pagamento de valor fixo a título de PLR, desde que haja vinculação a alguma meta ou resultado, o que se verificou na espécie. Apresenta decisão que entende ser aplicável ao caso sob julgamento. Acerca do Levantamento "B2 Key People", a recorrente pontuou em sua impugnação que o fisco não apresentou os motivos pelos quais considerou os valores como remuneração. A DRJ inovou ao sustentar que não teria havido a apresentação das avaliações individuais e a inexistência de metas/resultados pactuados previamente. Ocorre que o órgão a quo não teceu qualquer comentário sobre os documentos juntados na defesa que demonstram que as metas foram aferidas individualmente. Faz ressalva a PLR de 2010, com pagamento em 2011, cujas avaliações não foram disponibilizadas por problemas no sistema de recuperação dos arquivos correspondentes. Frisa que os pagamentos relativos ao Levantamento B3 foram adiantamentos datados de 20/12/2010 e pagamentos da verba PLR datados de 28/02/2011, o quais não ultrapassaram a dois pagamentos realizados no mesmo ano civil, tampouco desrespeitaram a periodicidade semestral. Não deve, portanto, prevalecer este lançamento. Afirma que os valores pagos a título de PLR a Diretores Estatutários Levantamentos C1 e E1 são legalmente possíveis, uma vez que tanto empregados como os Fl. 3155DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 diretores são trabalhadores e a estes a Constituição se refere quando trata dos direitos sociais dentre os quais se inclui o de participar dos lucros ou resultados da empresa. Portanto, essa verba não é um direito que se limita aos empregados, mas estendese a todo e qualquer trabalhador. Cita precedente do CARF no sentido de admitir que o pagamento de PLR a Diretores Estatutários também seja abarcado pela imunidade regulamentada pela Lei n.° 10.101/2000. Assim, por estarem contemplados em acordos que prevêem regras claras e objetivas, conforme fartamente demonstrado, não há que se tributar tais valores. A exemplo do Levantamento E1, os valores incluídos no Levantamento C1 também se referem a PLR, embora tenham sido erroneamente registrados nas folhas de pagamento como "bônus". Esse pagamentos foram efetuados observandose os critérios de avaliação mencionados no recurso e, dessa forma, foram repassados em conformidade com a lei específica. De outra banda é entendimento majoritário no CARF que apenas as parcelas que excederam a periodicidade legal devem ser tributadas, não cabendo a desconsideração de todo o plano, cita decisões. h) Da multa e dos juros aplicados A multa aplicada é inconstitucional, posto que tem nítido caráter confiscatório, devendo ser reduzida. A CSRF do CARF já decidiu pela impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, conforme decisão colacionada. Ao final, pediu: a) o afastamento da solidariedade imputada à empresa Atlantic Iron; b) a declaração de nulidade da lavratura em razão da incorreta identificação do devedor solidário; c) cancelamento da RFFP; d) no mérito, que seja declarada a improcedência do AI; e) a exclusão da multa ou, alternativamente, a não incidência de juros sobre esta. Contrarrazões A PFN apresentou as contrarrazões de fls. 3.094/3.135, onde, após a síntese dos fatos, passa a rebater cada ponto do recurso voluntário. Inicialmente tentando justificar a procedência da responsabilidade solidária atribuída a empresa Atlantic Iron, tomando com base a doutrina, o CTN e a Lei n.° 8.212/1991 e a jurisprudência do CARF. Fl. 3156DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.148 19 Afirmouse ainda que o erro na qualificação formal do devedor solidário não é causa de nulidade do AI, posto que ocorreu em elemento sanável, qual seja a indicação da antiga razão social da empresa. Após considerações sobre a natureza jurídica das STO, defende sua feição remuneratória, afirma que não consta dos autos um plano de outorga de opção de compra de ações, mas apenas atas de reunião do Comitê de Remuneração, atas de Assembleias de Conselheiros aprovando as recomendações do Comitê e contratos de outorga de opção de compra de ações firmados com os beneficiários. Todavia, sugere que essa omissão não afetaria a apreciação do caráter remuneratório das STO outorgadas no presente caso e faz uma análise da documentação constante nos autos para concluir que, pelo fato das outorgas serem feitas como um adicional à remuneração, de dependerem do cumprimento de determinadas metas, de serem concedidas a apenas uns poucos executivos, confirmando o caráter discricionário e retributivo, além de terem caráter personalíssimo, os ganhos advindos desses contratos devem ser tratados como remuneração. Menciona a ainda o valor ínfimo fixado para o exercício, o que retira a onerosidade do contrato e afirma que as STO enquadramse no conceito de remuneração, nos termos do inciso III do art. 22 da Lei n.° 8.212/1991. Sustenta que a possibilidade de resgates anuais por períodos que se estendiam por vários exercícios denota a existência de habitualidade. Conclui que as outorgas nada mais são do que retribuição pelo econômica em decorrência do trabalho prestado, devendo sofrer os efeitos previstos na legislação tributária. Defende que os julgados apresentados não se prestam para fundamentar a pretensão das recorrentes, posto que foram adotadas no âmbito de relações empregatícias, diferindo do caso trazido a julgamento, que se refere a contribuintes individuais. Apresenta diversas decisões do CARF que atestam o caráter remuneratório das STO. Quanto aos bônus de contratação, defende que deve sofrer a incidência das contribuições, posto que se trata de pagamento ofertado ao trabalhador como retribuição a um serviço que será prestado a posteriori, posto que o empregado somente recebe esta verba para futuramente prestar serviço, logicamente mantendo a relação de emprego. Cita precedente da CSRF para justificar a sua defesa da procedência deste ponto do lançamento. Afirma que os mais recentes julgados do TST caminham neste sentido. Garante que a PLR foi paga sem a observância das normas legais aplicáveis, devendo ser tributada, posto que a norma constitucional que garante este direito ao trabalhador é regra de eficácia limitada, devendo as empresas obediência à legislação infraconstitucional. Sustenta que a celebração do acordo de PLR após iniciado o período em que as metas e critérios deverão ser implementados demonstra que a distribuição de resultados não está verdadeiramente atrelada a qualquer critério, circunstância que descaracteriza o obrigatório caráter condicional da PLR art. 2º, §1º da Lei n.º 10.101/2000. Fl. 3157DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 Afirma que a verba paga em valores fixos não é PLR, mas salário. Se a única condição imposta ao empregado é a sua permanência na empresa, não há que se falar em participação nos lucros ou resultados nos termos da Lei n.° 10.101/2000, haja vista que inexistiram metas a serem alcançadas. Defende que os diretores de sociedade anônima não são empregados, por esse motivo as parcelas que lhes forem pagas a título de PLR não goza da imunidade, posto que este benefício é dirigido apenas aos pagamentos feitos a empregados. Por outro lado, ressalta que os requisitos exigidos pela Lei das S/A para que haja a sobredita distribuição de lucros não foram comprovados pelos recorrentes, o que leva à convicção de que se trata de remunerações pagas a diretor não empregado a título de prólabore e que devem, dessa feita, sofrer a incidência tributária. Advoga que não cabe ao órgão de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa em razão do suposto caráter confiscatório e que é cabível a imposição de juros sobre a multa de ofício, conforme diversos precedentes administrativos e judiciais que cita. Ao final, pugna pela manutenção do aresto recorrido. É o relatório. Fl. 3158DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.149 21 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade A ciência da autuada, mediante a disponibilização da intimação em sua caixa postal eletrônica, deuse em 17/10/2014 (fl. 2.813), tendo o recurso sido apresentado em 04/11/2014 (fl. 2.815). Reconhecese assim sua tempestividade, além do requisito de legitimidade. Devemos conhecêlo. A devedora solidária também apresentou recurso tempestivo, haja vista que foi intimado da decisão a quo em 13/10/2014 (fl. 2.811), com protocolização da peça recursal em 11/11/2014 (fl. 2.944). Assim, ambos os recursos merecem conhecimento. Responsabilidade solidária Para vincular a empresa Atlantic Iron ao crédito lançado na qualidade de devedora solidária, o fisco lançou mão da regra insculpida no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, segundo a qual são responsáveis pelo cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias as empresas integrantes de grupo econômico. Para justificar a existência de grupo econômico entre a autuada e a Atlantic Iron, o fisco demonstrou que esta detém o controle acionário daquela, fato que não foi contestado pelas recorrentes, que admitem explicitamente integrarem grupo econômico. Nos termos do art. 124 do CTN, a solidariedade pode decorrer de interesse comum das pessoas na situação que constitua o fato gerador (inciso I) ou de disposição legal (inciso II). Na espécie, a solidariedade imputada prescinde da demonstração de interesse comum, pois ela está fundamentada no inciso II do art. 124 do CTN, uma vez que há uma norma determinado a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes de grupo econômico, qual seja, o inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) Fl. 3159DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Vêse que a regra legal é enfática ao prescrever que, em se comprovando a existência de grupo econômico, seja de fato ou de direito, é automático o vínculo de solidariedade pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, entre as empresas que o integrem. Constatandose a ocorrência desse pressuposto legal, ou seja, a existência de grupo econômico a vinculação por solidariedade é automática nos termos do inciso II do art. 124 do CTN c/c inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Nulidade erro na citação da razão social da devedora solidária As recorrentes alegaram que o lançamento deveria ser nulificado, posto que no Termo de Sujeição Passiva houve erro na identificação da devedora solidária, cujo nome lançado foi "ATLANTIC IRON BV", contudo esse não é o nome empresarial, nem está correto o endereço da empresa que integra o mesmo grupo econômico que a autuada, como se pode ver do cartão do CNPJ, onde consta o registro da empresa denominada "ATLANTIC IRON S.AR.L." Para a DRJ, o erro é de cunho formal, até porque o número do CNPJ está correto, portanto, o sujeito passivo foi corretamente vinculado ao crédito tributário, não havendo razão para decretar a nulidade do crédito. De fato, não posso deixar de dar razão ao órgão recorrido. É que o equívoco situouse no nome empresarial, tendo o fisco utilizado a antiga denominação da empresa, o que não é causa de nulidade haja vista que não houve qualquer prejuízo à defesa dos sujeitos passivos. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da Lei 9.784/99, contrario sensu: "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." Também o Decreto n.° 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União preceitua que a nulidade somente deve decretada nos casos de preterição ao direito de defesa do sujeito passivo ou quando o ato for praticado por servidor incompetente. As demais situações podem ser saneadas e, nos casos em que não se identifica prejuízo, sequer há a previsão de correção do erro, como se pode ver das normas abaixo: Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.150 23 "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Na hipótese, o erro em questão não causou nenhum tipo de prejuízo ao responsável solidário, pois no Termo de Sujeição passiva constou, corretamente, o número do CNPJ da empresa, que tomou conhecimento do lançamento e pôde apresentar defesa no bojo do procedimento fiscal. Assim, tendo em vista que não se pode falar em verdadeiro erro na identificação do sujeito passivo, mas em mero equívoco na sua qualificação formal, deve ser rejeitada a presente preliminar. Representação para fins penais A representação fiscal para fins penais teria sido indevidamente lavrada por dois motivos, argumentam as recorrentes. Primeiro não há o que ser falar em crime de sonegação sem que se comprove a existência da conduta dolosa e, depois, a RFFP somente poderia ter sido lavrada após o trânsito em julgado do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 83 da Lei n.° 9.430/1996. Malgrado esse esforço argumentativo, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Multa confiscatória Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 Arguiu a recorrente que a multa teria sido aplicada em desrespeito ao princípio da razoabilidade, mostrandose excessiva e atentatória a sua capacidade contributiva. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que, uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da falta de recolhimento do tributo, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no AI e seus anexos. O pedido de redução da penalidade não merece sucesso, porto que caso se afastasse a multa em razão do atropelo a princípios constitucionais, estarseia declarando a inconstitucionalidade da norma tributária. Isto não é possível nesta instância de julgamento. Salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de caráter confiscatório da multa imposta, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar a autuação. Juros sobre multa de ofício Passamos a apreciar a irresignação da recorrente quanto à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Onde tem prevalecido o entendimento pela possibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, como se vê da ementa do Acórdão n.° 9202003.150, de 27/03/2014: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.151 25 Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Precedentes 2a Turma da CSRF. Recurso especial provido. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão citado, da lavra do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). " Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 26 mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa." Esse entendimento também tem sido adotado pelo Egrégio STJ, como se pode ver da ementa do Acórdão exarado no bojo do REsp n.° 1146859 / SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO: " TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido." (Segunda Turma, Relatora Min. Eliana Calmon, DJe 11/05/2010) Pelas razões apresentadas, nego provimento, também quanto a esta matéria, aos recursos voluntários interpostos. Bônus de contratação Antes de iniciar a apreciação das razões recursais, cabe mencionar que foram utilizadas as remunerações de três segurados neste item de apuração, o Levantamento D1, como se pode ver do Anexo III, fls. 109 e 110. Os recursos, todavia, não questionam acerca da incidência tributária sobre os valores pagos ao segurado Rinaldo Bastos Vieira Filho, contestando somente a inclusão no saláriodecontribuição dos bônus concedidos a Thais Rêgo e a Anderson Gonçalves. Alegam os recorrentes que tais parcelas têm natureza de indenização, pelo fato de serem pagas como compensação para o profissional romper o contrato com o antigo empregador e passar a atuar nos quadros da empresa que concede a vantagem pecuniária. Em adição a isto afirma que tais parcelas são pagas eventualmente e por esse motivo são alcançadas pela regra isentiva que exclui do saláriodecontribuição os ganhos eventuais. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.152 27 Para justificar o lançamento, o fisco juntou contrato firmado com a segurada Thaís Rêgo (teor similar ao firmado com Anderson Gonçalves), fls. 252/254, do qual vale a pena transcrever o que se segue: "(...)CLÁUSULA PRIMEIRA – DAS OBRIGAÇÕES DAS PARTES 1.1 A FERROUS, a título indenizatório, transfere para o domínio jurídico de THAÍS REGO DE OLIVEIRA, a quantia de R$ 60.000,00 (Sessenta mil reais). (...) 1.3 THAIS RÊGO DE OLIVEIRA obrigase a manter (obrigação de fazer) contrato de emprego com a Ferrous pelo prazo de 02 (DOIS) anos, possuindo esta obrigação termo inicial em 02/05/2011 e termo final em 01/05/2013. CLÁUSULA SEGUNDA – DA CONDIÇÃO RESOLUTIVA E CLÁUSULA PENAL 2.1 Havendo o cumprimento obrigacional do prazo acordado no item 1.3 por THAIS REGO DE OLIVEIRA, o presente instrumento obrigacional extinguirseá de pleno direito, havendo quitação ampla, geral e irrestrita entre as partes. 2.2 Na hipótese de cumprimento obrigacional parcial do item 1.3 por THAIS REGO DE OLIVEIRA, esta indenizará a FERROUS conforme quadro abaixo: " Percebese dos termos da avença que o empregado para fazer jus ao valor integral do bônus tem a obrigação de se manter prestando serviço pelo tempo mínimo fixado no contrato, sob pena de ter que indenizar o empregador, conforme tabela acima reproduzida. Na minha visão, para esse caso específico o bônus de contratação assemelha se a um adiantamento de remuneração, o qual vai se incorporando ao salário do segurado ao longo do seu tempo de prestação de serviço. Analisemos o que dispõe o inciso I do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991, que trata da base de cálculo da contribuição incidente sobre a remuneração do empregado: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 28 forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) De se concluir que esse tipo de pagamento, independente da nomenclatura utilizada, subsumese ao conceito de saláriodecontribuição acima reproduzido, posto que é um rendimento pago como forma de atrair o empregado e que, malgrado seja disponibilizada ao beneficiário em parcela única, há a necessidade da prestação de serviço para que o valor incorporese totalmente ao seu patrimônio, posto que, caso não cumpra o prazo de permanência mínima na empresa estabelecido contratualmente, terá que devolver total ou parcialmente o valor transferido. Não há dúvida de que a configuração fática revela não uma verba de natureza indenizatória, mas um pagamento que é efetuado como antecipação salarial pelo tempo que o segurado deve permanecer vinculado à empresa, o que revela sua feição nitidamente remuneratória. Ora, o fato de ficar claro no acordo do pagamento do hiring bonus que tais valores são um adiantamento pelo período futuro em que o empregado deverá ficar vinculado à empresa, já demonstra forte indício de que existe uma vinculação do seu pagamento à contraprestação pelo serviço. No presente caso vêse sem dúvida uma remuneração antecipada. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em seu art. 457, prescreve que compõe o salário toda contraprestação pelo trabalho do empregado. Tal premissa nos leva a indagar a que título o bônus de contratação é pago. A contratante paga um bônus de contratação (no caso denominado hiring bônus) para atrair e manter por um período em seus quadros um profissional reconhecidamente competente no seu ramo. Pretende dispor do trabalho do profissional por um tempo e comprometese a pagar uma quantia adicional em relação ao salário contratado. Portanto, de um lado temos a empresa oferecendo uma quantia ao trabalhador e de outro temos o empregado que deverá ficar vinculado à nova contratante por um período. Dessa configuração emerge a natureza contraprestacional do bônus. Esse entendimento tem sido também adotado nas cortes trabalhistas, onde se entende que os pagamentos em questão se assemelham as luvas do atleta profissional, que não têm natureza de indenização, mas de pagamento vinculado à performance do trabalhador no cumprimento do seu contrato de trabalho. Vale a pena trazer à colação as seguintes decisões do TST: "INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO. LUVAS .NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso da Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista conhecido e provido, no particular. (TSTRR56741 Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.153 29 38.2003.5.04.0028, 4ª Turma, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, DEJT 01.4.2011)" " RECURSO DE REVISTA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE LUVAS. NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso do Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista não conhecido. (RR 152600 58.2009.5.15.0095, 4ª Turma, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, DJ de 19.04.2013)" " RECURSO DE REVISTA. DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO PAGO NO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO. "LUVAS". NATUREZA JURÍDICA. O valor pago a título de empréstimo, formalizado por meio de contrato de mútuo, com a finalidade de tornar mais atrativa a contratação de empregado bancário, equiparase às luvas pagas aos atletas profissionais, razão por que tem nítida natureza salarial e, não obstante o pagamento ter ocorrido uma única vez, a parcela deve integrar a remuneração da autora para todos os efeitos. Recurso de revista conhecido e provido (PROCESSO Nº TSTRR1336 98.2012.5.03.0005, 6ª Turma, Relator Ministro Aloysio Correia da Veiga, DJ de 16.04.2014)" Também não deve ser aceita a afirmação de que os ganhos seriam eventuais e, por esse motivo, excluídos do saláriodecontribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991. A eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no dispositivo citado, significa que as vantagens para o segurado decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, digam respeito à ocorrência de caso fortuito. Como se pode ver da pesquisa efetuada no Dicionário Michaelis: Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. Não encontro qualquer traço de eventualidade no pagamento de bônus de contratação , haja vista que estes decorrem de contrato firmado entre empresa e empregado para manutenção do trabalhador a serviço do empregador por um tempo previamente ajustado. Participação nos lucros ou resultados Argumentam as recorrentes que, por se tratar de imunidade, a interpretação das normas que regem a participação nos lucros e resultados de ser teleológica de modo que se dê máxima efetividade ao desejo do legislador constitucional de proporcionar esse benefício aos trabalhadores. Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 30 Não posso deixar de lhe dar razão, todavia, há de se ter em conta que a regra constitucional atinente a PLR é norma de eficácia limitada e a exclusão da verba da base de cálculo das contribuições depende da conformidade dos pagamentos com a lei específica que rege a matéria. O art. 7. , inciso IX, da Carta Magna dispõe: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...)" Acerca da autoaplicabilidade desde comando, o STF pronunciouse em julgamento com repercussão geral reconhecida no RE n.° 596.441/RS, com trânsito em julgado em 23/02/2015, ganhou a seguinte ementa: EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários– depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento." Como se vê a Corte Constitucional assentou o entendimento de que para que não haja a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR deve ser respeitada a regulamentação trazida pela MP n.° 794/1994, posteriormente convertida na Lei n.° 10.101/2000. O fisco apontou desconformidades entre os pagamentos feitos pela autuada e a norma de regência, e é desses pontos que cuidaremos no itens seguintes. Participação nos lucros ou resultados paga a empregados Levantamentos B1, B2 e B3 Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.154 31 a) ausência de acordo prévio O fisco apontou como desconformidade no pagamento da PLR a inexistência de acordo prévio ao período aquisitivo do benefício. Menciona que os acordos relativos aos pagamentos efetuados em 2010 e 2011 somente foram formalizados após o encerramento do período base. Esta desconformidade apresentada pelo fisco não foi contestada nos recursos, onde as devedoras reconhecem que a formalização dos acordos ocorreu somente após o término do período de aferição do direito ao recebimento da verba. Todavia, para as recorrentes não há na lei específica exigência de que o acordo seja assinado previamente ao período aquisitivo ao direito, a obrigatoriedade seria de que a formalização dos programas de PLR ocorresse antes do pagamento da verba. Para mim as recorrentes não têm razão. Acerca do momento da formalização do acordo, há, grosso modo, três posicionamentos existentes no CARF. Há os que defendem que a lei somente resta cumprida, quando o acordo é formalizado antes do início do período aquisitivo ao direito (ver Acórdão n.º 2401000.276). Para esses, se a Lei n.º 10.101/2000 tem por fundamento a integração capital trabalho visando ao comprometimento dos trabalhadores com os objetivos da empresa, de forma a promover incremento da produtividade, não é admissível que as metas e requisitos para aferição do direito ao benefício venham a ser conhecidas no decorrer do período aquisitivo, uma vez que os trabalhadores não os conhecendo, ficariam impossibilitados de avaliar se suas performances individuais e a corporativa lhes dariam direito ao recebimento da PLR, por conseguinte, não se sentiriam estimulados a incrementar o desempenho. No lado oposto, situamse os defensores de que a lei não traz qualquer disposição acerca do prazo em que as negociações devam estar concluídas, por isso não há vedação para que se negocie a participação nos lucros ou resultados mesmo após a sua mensuração, todavia, desde que a formalização do acordo preceda ao pagamento (Ver Acórdão n.º 2402000.508). Uma terceira corrente visa a conciliar esse dois posicionamentos. Adotando como fundamento o princípio da razoabilidade, os seus seguidores defendem que no máximo a negociação teria que estar concluída até o final do primeiro semestre do período aquisitivo e, caso a empresa comprovasse que as negociações estavam em curso e que os trabalhadores já tinham conhecimento das metas, o prazo final para negociação seria o último dia do penúltimo trimestre do período aquisitivo (ver Acórdão n.º 2301003.245). Enxergo plausibilidade nas três teses, todavia, vou continuar filiado à corrente que entende pela necessidade de existência de acordo prévio ao período aquisitivo, justificando meu posicionamento nas considerações abaixo. Dentre os direitos dos trabalhadores, a Constituição Federal, inciso XI do art. 7.º, garante à participação nos lucros ou resultados da empresa, a qual é desvinculada da remuneração, nos termos da lei. Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 32 Essa norma constitucional de eficácia limitada, foi regulamentada pela MP n.º 794/1994, que após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n.º 10.101/2000, sobre a qual vou agora me debruçar para encontrar o fundamento para conclusão de que as regras que presidem o processo de pagamento da PLR devem ser fixadas previamente ao período aquisitivo do direito. Tendo recebido a autorização da Lei Maior para regulamentar o instituto, o legislador preocupouse em proteger principalmente três bens jurídicos, a saber: i) a integração entre capital e trabalho, mediante o estabelecimento de um mecanismo que incentive a negociação e que estimule os trabalhadores a aumentarem a produtividade; ii) o incentivo aos empregadores, mediante a concessão de benefícios fiscais, a exemplo da exclusão da parcela do campo salarial, para inibir a incidência de encargos sociais e iii) o resguardo da posição do fisco, de modo a se evitar que fraudes ao instituto viessem a atingir, principalmente o financiamento da Seguridade Social. Tendo em vista estas três prioridades estabelecidas na Lei da PLR, toda interpretação desse diploma legal deverá sopesar as implicações sobre cada um desses aspectos, de modo que se consiga a harmonização dos três valores, sem, todavia, tolher a intenção do legislador constitucional de conferir aos trabalhadores parte do lucro decorrente do seu esforço. Pois bem, a luz dessa diretriz interpretativa, passo agora a apreciar a questão do momento em que deve ser formalizada norma a ser utilizada como baliza para o pagamento da verba. Observese que, a depender do marco que se adote como obrigatório para a formalização dos acordos, podese apequenar ou dar um relevo desproporcional a cada um dos aspectos acima mencionados. Caso se adote o entendimento daqueles que defendem que o fechamento das negociações possa ser feito até momentos antes do pagamento da parcela, prejudicase a integração capital trabalho e se compromete o desejado aumento da produtividade, posto que durante o período aquisitivo os trabalhadores não seriam estimulados a incrementála por não terem conhecimento das metas a serem ultrapassadas ou requisitos a serem cumpridos para a obtenção do tão almejado prêmio. Por outro lado, o patrão, muitas das vezes pressionado pelos trabalhadores para concessão de ganhos salariais, poderia ser tentado a instituir, durante o período aquisitivo da PLR, metas irreais de modo que o seu pagamento fosse efetuado como forma de atendimento às reivindicações salariais dos empregados e não como resultado de um processo negociado para melhorar o desempenho empresarial. Esse procedimento desnatura a essência do instituto e se revela danoso ao substituir salário por prêmio, prejudicando os trabalhadores no cômputo das suas verbas trabalhistas (férias, décimo terceiros, FGTS, etc), além de claramente desfalcar os cofres da Seguridade Social, com a exclusão das parcelas da base de cálculo das contribuições. É prática que abre margem para manobras que apenas beneficiariam o mau contribuinte. Certamente muitos se levantarão contra esse raciocínio, argumentando que não há na norma um prazo estipulado para formalização do acordo e que a adoção da exigência de que a assinatura do acordo seja prévia ao período aquisitivo decorreria de mero subjetivismo do intérprete, que acarretaria em prejuízo principalmente para os trabalhadores, que deixariam de receber essa benesse de cunho constitucional. Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.155 33 Não vejo por essa lente, na verdade estamos diante de uma lacuna legal, a qual deve ser integrada, no meu entendimento, mediante a interpretação sistemática que leve ao menor prejuízo à relação capital trabalho, aos trabalhadores, ao empregador e à Fazenda Pública. Vejase que a inexistência de metas prévias equivale a ausência dos parâmetros que nortearão a aferição do direito ao benefício trabalhista, os quais são claramente exigidos no § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. É curioso que, mesmo os que defendem que o acordo pode ser formalizado após o encerramento do período aquisitivo do direito, acabam por firmar como data limite o pagamento da verba, o que de certa forma coloca um requisito que não consta da norma, posto que, conforme ponderei acima, a norma é omissa quanto a esse aspecto. Assim, também nesse caso o intérprete acaba por fixar um marco que, no entender daqueles que defendem essa tese, vem a se configurar em um subjetivismo. Tal fato revela uma grande contradição para essa solução exegética. Muito mais problemática para mim, no entanto, é a fixação de um momento dentro do período aquisitivo que seria aceitável para delimitar a data limite para formalização do acordo. Nesse caso, aí se sim, com o perdão dos que defendem esse raciocínio, entrase no total subjetivismo, posto que o critério passa a ser unicamente a cabeça do aplicador da lei. Eu posso achar que três meses é um prazo razoável para fechar a negociação, outros ao revés, atendose as peculiaridades do caso concreto, tomarão seis meses como período razoável e alguns poderão entender que, para situações limite, um ano ainda é pouco. Temendo ser um pouco repetitivo, volto a enfatizar que a apreciação dessa questão não deve apenas se ater ao direito imediato do empregado de receber a PLR, mas também ao seu direito de não ter verbas salariais transmudadas em participação nos lucros, bem como o direito do fisco de evitar que as práticas nocivas ao erário e, por fim, o direito da sociedade brasileira de obter melhorias nas relações entre capital e trabalho, com consequente aumento geral da produtividade. Ouso ainda discordar daqueles que têm defendido a tese de que se já era do conhecimento dos trabalhadores os termos a serem apostos no acordo, deve ser dado um tratamento diferenciado a essa situação. Esse entendimento não se coaduna com a norma de regência, por um simples motivo: a lei privilegia a negociação coletiva, seja com ente sindical ou em comissão específica. Nestas negociações, acredito que deva ser assim, são colocadas as propostas das partes e estas buscam chegar a um acordo, que, via de regra, resulta em um meio termo entre as proposições colocadas na mesa. Todavia, nada impede que até a formalização do ajuste uma das partes resolva retirar sua proposta e as negociações retroajam. Assim, pelo fato de não haver previsão legal para que as cláusulas costumeiramente acordadas em processos anteriores venham a ser incorporadas ao novo acordo, não há espaço interpretativo para que se flexibilize a necessidade de acordo prévio em razão do suposto conhecimento dos empregados acerca das regras a serem inseridas nos acordos para pagamento da PLR. Feitas essas considerações, concluo que os acordos de PLR não atendem ao requisito de formalização prévia ao período de aquisição do direito e, portanto, a incidência de contribuições sobre parcelas pagas a esse título é procedente Como poderei ser vencido neste entendimento, passo a apreciar a outra desconformidade apontadas pelo fisco. Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 34 b) inexistência de regras claras O parágrafo 1.° do art. 2.° da Lei n.° 10.101/2000 dispõe que o direito à participação nos lucros deve vir estabelecido em regras claras e objetivas no acordo que preside o pagamento da verba, que deve também apresentar os mecanismos de aferição dos resultados a serem alcançados para que o trabalhador venha a receber o benefício. Ali o legislador não estabeleceu quais parâmetros devem obrigatoriamente ser avaliados, mas exemplificou determinadas metas que poderiam ser incluídas neste tipo de acordo. Vale a pena transcrever o dispositivo: "Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013); II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Nesse sentido, não há como se admitir que esteja em conformidade com a lei um programa de PLR que deixe de apresentar algum parâmetro de cuja aferição nasça o direito ao recebimento da PLR. A intenção do legislador é que da negociação entre patrões e empregados resulte um acordo em que se estabeleçam as regras para pagamento da verba, dentre as quais não pode prescindir da fixação de metas/resultados. Apreciemos então o acordo firmado entre a autuada e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Belo Horizonte e Região para o ano base de 2009. Interessanos a Cláusula Terceira, onde se define os critérios para pagamento da verba: Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.156 35 Verificase que para os trabalhadores incluídos no levantamento B1 (PLR geral) inexiste qualquer meta a ser atingida, mencionandose ali apenas que os resultados foram alcançados e que o pagamento será em valor fixo conforme a faixa salarial dos empregados. Chamese atenção que a própria empresa apresentou planilha à fiscalização, na qual fica evidenciado que o único critério adotado foi o previsto na Cláusula Terceira dos acordo, ou seja, pagamento baseado tão somente no seu quadro de salários. As recorrentes afirmam que havia uma meta global a ser atingida, a qual deu direito ao pagamento da PLR, todavia, não demonstrou onde esta teria sido mencionada no acordo, o que demonstra que se houve não foi objeto de negociação, portanto, em atropelo às normas previstas na Lei n.° 10.101/2000. Quanto ao levantamento B2, que engloba os segurados empregados abrangidos pelo Programa Especial de Participação nos Resultados Diretores/Gerentes e Assemelhados, observase que há menção no acordo geral a esses segurados como se vê da Cláusula Quinta do Acordo: Ocorre que estas metas não constaram de nenhum anexo ao acordo, o que demonstra a inocorrência de negociação. O documento em que consta as supostas metas são telas de uma apresentação elaborada no aplicativo Power Point, que se encontram juntadas as fls. 2.323/2.345, onde sequer há a data em que foram elaboradas. Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 36 Frisese também que a fiscalização solicitou a apresentação de documentos que comprovassem a aferição dos resultados globais e individuais que teriam dado ensejo ao pagamento da verba, todavia, limitouse a apresentar declaração de que a programa de PLR especial foi integrado ao programa de PLR geral (Cláusula Quinta) e declaração do sindicato dando conta de que o programa de PLR negociado foi arquivado na entidade sindical. Entendo, portanto, que as recorrentes não conseguiram demonstrar que houve a negociação das metas para os integrantes do plano de PLR especial. Quanto ao levantamento B3 (Key People) as recorrentes tentam afastar a imposição fiscal sob a alegação de que as parcelas pagas como adiantamento não desobedeceram à lei quanto à periodicidade. Ocorre que esse argumento é inócuo, haja vista que o fisco não adotou como fundamento para nenhum dos levantamentos a quebra da periodicidade legal. Assim as parcelas de PLR pagas a empregados, por não atenderem as prescrições da lei específica, devem ser tributadas nos termos da alínea "j" do § 9.° do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991. Participação nos lucros ou resultados paga a diretores não empregados Levantamentos C1 e E1 Andou bem o fisco quando incluiu na base de cálculo do lançamento as quantias repassadas aos administradores não empregados a título de participação nos lucros. Tenho me manifestado reiteradas vezes aqui neste colegiado que a exclusão da participação nos lucros recebida por diretores não empregados da base de cálculo das contribuições sociais não encontra amparo constitucional, tampouco legal. Para mim, a tributação para a Seguridade Social alcança os pagamentos de PLR aos administradores (diretores não empregados), enquadrados no Regime Geral de Previdência Social RGPS na condição de contribuintes individuais. Vale ressaltar que essa discussão em nosso Tribunal Administrativo encontra decisões nos dois sentidos. Uns entendem que a exclusão dessa parcela do saláriode contribuição tem guarida no que dispõe a Lei das S/A (Lei n.º 6.404/76). Há os que, de modo diverso, afirmam que a única lei a regular essa matéria seria a Lei n.º 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais. Filiamonos a segunda corrente. De fato, a própria Corte Constitucional reconheceu que a PLR, somente a partir da edição da MP 794/1994, por várias vezes reeditada e finalmente convertida na Lei n.º 10.101/2000, passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o que se observa do julgado do STF acima mencionado (RE n.° 596.441/RS), onde o Pretório Excelso firma o entendimento de que somente após a edição da MP n.° 794/1994 é que excluise a PLR do saláriodecontribuição. Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP n.º 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 também se refera à Lei n.º 6.404/1976. Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.157 37 De se concluir que a Lei n.º 8.212/1991 ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. A Lei da PLR em nenhum momento trata do pagamento da verba a trabalhadores não empregados, por outro lado, em seu art. 2.º é expressa em se reportar às pessoas físicas que mantém com o empregador o vínculo de emprego. Eis o texto: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Vêse, assim, que a lei da PLR não contempla o pagamento de participação nos lucros aos contribuintes individuais. Toda a instituição e regulamentação do pagamento visam ao segurado empregado. Outra evidência que vem reforçar essa tese é que o art. 7. da Constituição Federal é, fora de dúvida, dirigido aos trabalhadores que se vinculam ao empregador por vínculo de emprego. Ao lado do da participação nos lucros estão os direitos tais como: seguro desemprego, FGTS, férias, horas extraordinárias, aviso prévio, etc. Por esse motivo uma interpretação sistemática do texto constitucional leva à conclusão de que o inciso XI daquele dispositivo não alcança os administradores não empregados, mas apenas os trabalhadores que laboram sob a proteção da CLT. Mesmo que se entendesse que as disposições da Lei da PLR poderiam ser estendidas aos administradores não empregados, sequer a empresa demonstrou cumprir os requisitos desse diploma para efetuar os pagamentos em questão, posto que não houve apresentação de qualquer prova de negociação entre as partes. Por fim, não há o que se falar em aplicação da Lei n.º 6.404/1976 (Lei das S.A.), posto que a contabilização dos pagamentos não foi realizada à conta de Lucros Acumulados, mas de despesa de salários. De se concluir pela incidência de contribuições sobre esta parcela. Stock options a) ilegitimidade passiva Para a recorrente houve erro na imputação do fato gerador, haja vista que as STO foram concedidas aos seus diretores pela sua controladora no estrangeiro, a Ferrous Resource Limited FRL. Essa concessão, malgrado por equívoco tenha sido contabilizada como despesa da autuada, na verdade decorreu do relacionamento entre a empresa estrangeira e os contribuintes individuais. Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 38 Essa argumentação não me convenceu. Não há nos autos qualquer documento demonstrando que as outorgas de STO tenham se dado em razão de serviços prestados à empresa estrangeira. Por outro lado as despesas decorrentes das concessões do direito de compra de ações foram contabilizadas na empresa brasileira. A alegação de que houve erro na escrituração desses valores não é convincente. As notas explicativas às demonstrações financeiras da autuada são eloquentes quando afirmam que se trata despesas decorrentes de outorgas do direito de compra de ações como forma de remuneração aos diretores, não havendo em nenhuma passagem qualquer menção a vínculo entre os segurados e a FRL. Vale a pena transcrever do relatório fiscal, excertos dessas demonstrações: "21. Patrimônio Líquido a) (...) b) Contribuição de capital da controladora Os empregados e altos executivos da Companhia recebem remuneração na forma de opções de compra de ações da Ferrous Resources Limited IOM (controladora do grupo ao qual a Companhia pertence), com a finalidade de incentivo ao alcance dos objetivos da Companhia. As opções são avaliadas a valor justo, calculado no momento da concessão do benefício baseado em modelo binomial, e a diferença entre o valor justo e o preço definido como valor de cada opção de compra monta o custo de cada transação para a Companhia. Os custos dessas transações são reconhecidos no resultado durante o período entre a data da concessão do benefício até a data em que as condições para o exercício da opção sejam atendidas em contrapartida a esta reserva de capital, visto que a Companhia não será requerida a desembolsar o custo destas ações para a controladora. c) (...) 22. Pagamento baseado em ações O plano de pagamento baseado em ações (PBA) é uma remuneração variável baseada em ações da controladora Ferrous Resources Limited, concedida também a determinados executivos de suas subsidiárias, incluindo a Companhia. O PBA tem a finalidade de gerar incentivos efetivos para determinados executivos da Companhia por sua contribuição para o alcance dos objetivos do grupo e peia geração de valor aos acionistas. O custo das transações liquidadas no capital com empregados é calculado com base no valor justo na data em que são realizadas. O cálculo do valor justo não leva em consideração as condições de aquisição de direitos que não sejam as condições relacionadas com o preço das ações da Controladora (condições de mercado). O valor justo é determinado por um avaliador externo usando um modelo de precificação adequado. A liquidação desses pagamentos será através de instrumentos patrimoniais. Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.158 39 Os custos dessas transações são inicialmente reconhecidos no resultado durante o período em que os serviços foram recebidos em contrapartida a uma reserva de capital, e mensurados pelo seu valor justo, no momento em que os programas de remuneração são concedidos. O custo de transações liquidadas com capital é reconhecido, juntamente com um aumento correspondente no patrimônio líquido, durante o período no qual as condições do desempenho e/ou do serviço são satisfeitas, a findarse na data em que os respectivos empregados passam a ter direito à concessão ("data da aquisição do direito") A despesa acumulada reconhecida para transações liquidadas com capital na data de apresentação de relatórios até a data da aquisição dos direitos reflete o tempo decorrido desde o vencimento do período de aquisição dos direitos e a melhor estimativa da administração para a quantidade de instrumentos de capital que finalmente concederão os direitos. O resultado registrado em um período representa a movimentação da despesa acumulada reconhecida no início e no final desse período. (...) Durante o exercício de 2010, a Companhia contabilizou um incremento líquido na remuneração baseada em ações de R$ 91.865 (R$60.364 em 2009).” Essas notas não deixam dúvida que a empresa autuada é quem suportou os custos decorrentes da concessão das STO, não sendo crível que estas explicações tenham decorrido de erro material, como afirmaram as recorrentes. Ademais, não houve a apresentação de qualquer documento comprovando a retificação dos registros contábeis supostamente efetuados erroneamente. De outra banda não foram apenas os registros contábeis que levaram o fisco a concluir que o fato gerador foi realizado pela autuada. Atas do Comitê de Remuneração; Ata de Assembleia dos Conselheiros; Cartas de Incentivo formalizadas aos diretores e documento de formalização do exercício do direito de compra das ações foram analisados e adotados como provas da realização do fato gerador pela empresa brasileira. É importante mencionar, a título de exemplificação, a Assembleia de Conselheiros realizada no dia 5 de maio de 2009, foi discutido e aprovado o pacote de remuneração do CEO da companhia (Mozart Litwiski), no qual estava incluída a concessão do direito de compra de ações da Ferrous Resources Limited. PACOTE DE REMUNERAÇÃO PARA O SR. LITWINSKI E ALTERAÇÕES AOS SALÁRIOS PAGÁVEIS A DETERMINADOS OUTROS DIRETORES DA FERROUS O Presidente explicou que foi realizada uma assembleia do comitê de remuneração em 23 de abril de 2009. Ele fez recomendações referentes (i) aos pacotes de remuneração do Sr. Litwinski, como um diretor remunerado da Ferrous; (ii) às alterações dos salários de determinados outros diretores da Ferrous (pelas razões previstas abaixo); e (iii) às alterações das opções Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 40 existentes, inclusive a concessão de novos direitos de compra de ações. Os detalhes sobre cada recomendação foram apresentados à assembleia conforme determinado a seguir: (i) Pacote de remuneração do Sr. Litwinski. O Presidente explicou que o Comitê de Remuneração propôs os seguintes salários que poderiam, caso aprovados, serem incluídos no contrato de trabalho a ser celebrado entre a FRdB e o Sr. Litwinski; · Vigente em 1º de abril de 2009: um salário de R$ 100.000,00 ao mês, por um período de 12 meses; · 13º salário em conformidade com a legislação brasileira; · Benefícios padrão; e · Concessão do direito de compra de 4.000.000 ações da Ferrous (conforme detalhado abaixo). Observese do trecho que destaquei que a proposta do Comitê de Remuneração é incluir no contrato de trabalho celebrado entre o diretor Mozart Litwinski e a Ferrous Resource do Brasil um pacote de remuneração que inclui a concessão do direito de compra de ações. Nesse sentido, cai por terra o argumento de que as outorgas de ações ocorreram em razão do contrato firmado entre os segurados e sua controladora estrangeira, sendo legítima a imputação constante da lavratura sob comento. b) incidência de contribuições sobre os ganhos obtidos com os planos de "stock options" Inicio minha fundamentação, lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I e art. 201, § 11, ambos da Constituição Federal de 1988, com redação dada pela EC n.º 20/1998: Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.159 41 (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, com ou sem vínculo de emprego, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao trabalhador. Especificamente para o trabalhador empregado, a Carta Magna deu natureza remuneratória a todos os ganhos habituais, independente da denominação que lhes seja dada. Assim, para o legislador constitucional, a base de cálculo das contribuições previdenciárias inclui os valores pagos ou creditados pela empresa a pessoas físicas pela prestação de serviço, sendo que, para aqueles que mantém vínculo de emprego, são incluídos, além do salário, outros ganhos habituais. A Lei n.º 8.212/1991 conferiu eficácia às citadas determinações constitucionais, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos segurados contribuintes individuais nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Essa mesma fórmula que carrega o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriodecontribuição, também é tratada para os segurados contribuintes individuais no inciso II do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Como se pode observar, para os trabalhadores sem vínculo de emprego, como é o caso dos diretores não empregados, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. A existência de pagamento vinculado a uma prestação de serviço Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 42 a contribuinte individual concretiza a hipótese de incidência de contribuições sociais, independentemente da denominação que se dê ao pagamento que lhe é repassado. Verificase, assim, que descabe o argumento do sujeito passivo de que inexistiria norma específica que incluísse os valores recebidos a título de "stock options" na base de cálculo. A hipótese de incidência é aquela do inciso III do art. 22 no caso dos trabalhadores sem vínculo de emprego. O fisco apresentou seus argumentos para tratar as outorgas de STO como remuneração e mencionou os dispositivos da Lei de Custeio da Previdência Social para fundamentar a lavratura, por isso, não devemos dar razão a empresa quando afirma que a autoridade lançadora utilizouse de argumentos rasos para exigir tributo não previsto em lei. O que houve foi a conclusão fundamentada da autoridade lançadora de que as parcelas em questão se subsumem ao conceito de saláriodecontribuição. É exatamente sobre esse tema que passaremos a discorrer daqui por diante, de modo a concluir se os ganhos com o plano de opção de compra de ações criado pela recorrente podem ou não ser caracterizados como base de cálculo das contribuições. Opções de compra de ações, são direitos conferidos a um adquirente para que, numa data futura, compre ações um preço préestabelecido. No ambiente laboral esta prática inicialmente surgiu nos EUA e depois em outras partes do mundo, quando as empresas passaram a incluir nos benefícios concedidos aos diretores e empregados a opção de compra de suas ações e de outras empresas do mesmo grupo econômico. No ordenamento pátrio, este procedimento encontrase previsto na Lei n.º 6.404/1976, nos seguintes termos: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. ............................................................................................... Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Para operacionalizar esta forma de bonificação, as empresas aprovam um plano de opções de compra de ações, o qual apresenta, dentre as principais, as seguintes diretivas: a) a quantidade de ações que serão disponibilizadas para o plano; b) as pessoas que serão contempladas e a quantidade de ações a que terão direito; c) o período de carência (vesting); d) o preço do exercício; e) as condições para aquisição do direito. Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.160 43 As "stock options" representam uma forma das empresas oferecerem um ganho futuro e condicional aos seus diretores e empregados, de forma a mantêlos fidelizados, além de comprometidos com o crescimento do negócio. Os beneficiários das opções, escolhidos pelo órgão designado no plano, geralmente, só podem exercer o seu direito de adquirir as ações após um período de maturação (vesting) e desde que satisfeitas outras condições previamente fixadas. Em geral as opções de compra de ações direcionadas aos colaboradores das empresas se diferenciam daquelas disponibilizadas ao público em geral. A principal diferença reside no fato de que os diretores e empregados no momento da assinatura do contrato nada desembolsam e, via de regra, recebem um desconto maior no preço do exercício. Também se observa que para os colaboradores inexiste a possibilidade de transferirem o direito a terceiros, além de que o exercício só será possível se o beneficiário ainda mantiver o vínculo com a empresa. Há até casos em que o plano estabelece metas a serem alcançadas pelos diretores e empregados para que façam jus ao benefício das "stock options". O fato de não haver qualquer desembolso no momento da opção elimina o risco que teria o beneficiário, posto que se a aquisição das ações não for interessante financeiramente para o titular, este simplesmente deixa de exercitar a sua opção, não experimentando assim qualquer perda. Essa configuração revela a existência de uma bonificação fornecida aos colaboradores da empresa, para que mantenham o vínculo com esta e se sintam estimulados a contribuir para o alcance das metas fixadas pela sua direção. Se há um ganho para o segurado decorrente de sua prestação laboral, o qual é suportado pela empresa com que mantém vínculo, inegavelmente ocorre a hipótese de incidência prevista no art. 22, IV, da Lei n.º 8.212/1991. Nesse tipo contrato, via de regra, as opções de compra de ações são ofertadas em condições privilegiadas apenas aos diretores e empregados da empresa, desde que cumpram determinadas condições e permaneçam na empresa pelo prazo de carência. Os beneficiários, por outro lado, nada desembolsam na formalização do contrato, além de que o preço do exercício é fixado com deságio em relação ao valor de mercado. De outra banda, não interessa o ganho ou prejuízo que terá o participante do plano após o exercício da opção. A partir de então, as utilidades, em forma de valores mobiliários, já deixaram o patrimônio da empresa e passaram à titularidade do beneficiário. Sendo que qualquer variação no preço da ação, a partir deste marco, não poderá ser atribuída a relação empresatrabalhador. Feito o exercício das opções o risco é suportado apenas pelo trabalhador, todavia, o ganho já houve anteriormente quando da incorporação dos bens mobiliários ao patrimônio do beneficiário. Feitas essas considerações, já é possível apresentar as características do plano da autuada e avaliarmos se, nos casos apontados pelo fiscalização, concretizouse a hipótese de incidência prevista na Lei n.º 8.212/1991. Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 44 Não há nos autos um plano de outorga apresentando todas as condições estabelecidas para concessão do direito à compra de ações, mas com base nos documentos acostados pelo fisco iremos tentar delinear as principais características das operações sob enfoque. O Comitê de Remuneração se reuniu em 29/04/2009 para propor alterações no pacote de remuneração do Diretor Conselheiro da Ferrous Resource Limited e de novos diretores da Ferrous Resource do Brasil, onde consta a intenção de fornecer, dentre outras espécie remuneratórias, a concessão de opções de ações aos beneficiários. Foram propostos as cestas remuneratórias composta de dinheiro e STO aos executivos Mozart Litwinski, Antônio Rigotto, André Simão (novos diretores) e Carlos Mansur (diretor antigo). Há outra Ata de reunião desse mesmo Comitê, esta realizada em 06/12/2010, também com o objetivo de propor aprovação de bônus discricionários para o ano de 2010, para Conselheiros executivos e determinados membros da alta administração da Sociedade e de subisidiárias da Sociedade (doravante denominado “Grupo”), ou seja, aprovar um novo programa de incentivos em dinheiro (cash) e opções para compra de ações para determinados membros da alta administração do Grupo. Foram acostadas atas de Assembléia dos Conselheiros realizadas em 05/05/2009 e 10/02/2010, onde são tratadas as recomendações do Comitê de Remuneração acerca do pacote remuneratório dos executivos do Grupo. Sobre essas deliberações, interessa nos aquelas relativas às STO, das quais vou transcrever o item que trata das concessões do direito de ações ao Sr. Mozart Litwnski: " O comitê de remuneração determina, ainda, a emissão de um total de 10.000.000 opções adicionais de compra de ações aos Conselheiros e diretores executivos, em um preço de exercício de £ 0,0001 (doravante denominados “Direitos Adicionais dos Executivos”), em cada caso, investidos mediante o cumprimento dos alvos especificados e/ou cumprimento de determinadas condições suspensivas, conforme segue: Fl. 3182DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.161 45 Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 46 Foram acostadas também cartas de incentivo formalizadas aos diretores, as quais tem natureza de contrato aos planos de opções de compra de ações. Onde consta direito do beneficiário a subscrição de ações da companhia pelo valor de £ 0,0001. De acordo com este documento para fazer valer o direito, o beneficiário deveria manter o seu vínculo com empresa do grupo e cumprir determinada meta de produção. É o que se vê da transcrição de uma das cartas: " 2. Direitos Concedidos 2.1 Até o período de encerramento da Opção, de acordo com o parágrafo 3.1, o direito do Portador da Opção de exercer a Opção será conferido apenas nas datas e na medida doravante previstas: (a) direito de aquisição de 2.000.000 Ações da Opção, conferido mediante a admissão das ações ordinárias da Sociedade na Lista Oficial da FSA e negociação dos valores mobiliários no mercado principal da Bolsa de Valores de Londres, ressalvando que em tal data o Portador da Opção deverá permanecer em seu cargo de Presidente da Sociedade (ou, de outra forma, deverá permanecer em um cargo contratual contínuo, atuando como diretor, gestor sênior ou consultor da Sociedade ou de uma sociedade subsidiária da Sociedade); (b) direito de aquisição de 2.000.000 Ações da Opção, conferido no dia 10 de fevereiro de 2011, ressalvando que em tal data o Portador da Opção deverá permanecer em seu cargo de Presidente da Sociedade (ou, de outra forma, deverá permanecer em um cargo contratual contínuo, atuando como diretor, gestor sênior ou consultor da Sociedade ou de uma sociedade subsidiária da Sociedade). (c) direito de aquisição de 4.000.000 Ações da Opção, conferido mediante a embarcação da primeira carga de minérios a partir das estruturas de mina, duto e porto integradas e comissionadas mais recentemente, com capacidade projetada de 25 milhões de toneladas de produto ao ano, ressalvando que em tal data o Portador da Opção deverá permanecer em seu cargo de Presidente da Sociedade (ou, de outra forma, deverá permanecer em um cargo contratual contínuo, atuando como diretor, gestor sênior ou consultor da Sociedade ou de uma sociedade subsidiária da Sociedade)." Outra questão tratada diz respeito ao exercício do direito de opção que deverá ocorrer até o sétimo aniversário da concessão das opções, além de que a opção não poderá ser transferida, cedida ou onerada, salvo em caso de falecimento do beneficiário. A opção é exercida mediante o depósito em conta bancária da empresa do valor da subscrição e poderá ser feita total ou parcialmente, desde que em parcela não inferior a dez por cento do direito à opção. Esses são os aspectos mais relevantes, dentre tantos apresentados no relatório fiscal, e que serão utilizados nas nossas ponderações acerca das outorgas de STO. Para mim, não há dúvida de que o plano da autuada traz todas as características que tornam os ganhos dos beneficiários base de cálculo das contribuições lançadas. Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.162 47 Os bônus foram concedidos como forma adicional de remuneração e consistiam em alienação de ações a preços subsidiados, em razão do contrato de prestação de serviço que os beneficiários tinham com a empresa. Aqui o viés contraprestativo tornase mais evidente quando se observa que o principal objetivo do plano é estímulo aos participantes e que estes, para fazerem jus às opções, teriam que manter o vínculo com a empresa concedente. Observase que o valor de exercício fixado para aquisição das ações era ínfimo em relação ao valor de mercado. Inclusive essa característica do plano mencionada com bastante ênfase pelo fisco, não chegou a ser questionada pelo sujeito passivo. De fato o valor de £ 0,0001 por ação mostrase irrisório, não havendo como enxergar onerosidade na operação. Também não deve ser aceita a afirmação de que os ganhos seriam eventuais e, por esse motivo, excluídos do saláriodecontribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9.º, alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991. Não há no caso de se discutir sobre a inexistência de habitualidade, posto que para os trabalhadores, sem vínculo de emprego, o pagamento de remuneração para ser considerado saláriodecontribuição não deve obrigatoriamente ser pago com habitualidade. Por esse motivo se afasta também as argumentações do sujeito passivo que se referem à CLT, posto que esse diploma regula apenas as relações empregatícias, não alcançado os serviços prestados por contribuintes individuais. Embora o sujeito passivo afirme que não havia a fixação de metas para obtenção do direito às STO, não é isso que mostrou a Ata da Assembléia de Conselheiros, onde explicitamente foram lançadas metas relativas ao embarque de minério em nova unidade produtiva. Eu resumiria as seguintes características das outorgas do direito de opção de ações para considerálas parcelas remuneratórias: a) objetivo remuneratório, qual seja de manter o trabalhador vinculado à empresa; b) inexistência de risco para o beneficiário, que nada desembolsa na data do contrato de STO; c) aquisição das ações por valor ínfimo; d) existência de meta para fazer jus ao ganho; e) registro contábil das despesas das outorgas como parcelas remuneratórias destinadas aos diretores da empresa. De se concluir que os ganhos advindos do plano de "stock options" da recorrente possuem caráter remuneratório, sendo procedentes as contribuições lançadas. c) base de cálculo A base de cálculo utilizada pelo fisco foi a diferença entre o valor justo da opção e o preço do exercício fixado no contrato de outorga. Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 48 Afirmaram as recorrentes que o valor adotado com base de cálculo foi indevidamente majorado. Primeiro porque não há justificativa legal para adoção da aferição indireta neste caso, depois porque o valor justo adotado na data do exercício da opção não é adequado para identificar o elemento quantitativo do tributo, visto que não representa uma realidade que reflete materialmente o suposto fato gerador. Chama atenção que a menção à aferição indireta somente veio a surgir na decisão de primeira instância, não havendo no relatório qualquer referência à apuração indireta da base tributável. Em adição menciona que o valor justo é uma ficção contabilmente aceita, portanto, não pode ser considerado para fins de incidência de contribuições previdenciárias, por não refletir uma grandeza econômica mensurada na realidade presente, mas um mera estimativa. Alternativamente requer que a base de cálculo seja fixada com base no valor patrimonial das ações, que melhor refletiria a quantificação dos ativos mobiliários na data do exercício das opções. Inicialmente cabe ressaltar que o momento do fato gerador foi corretamente eleito pelo fisco como a data em que efetivamente as ações passaram à titularidade dos beneficiários. Isso fica evidente no excerto do relatório fiscal que agora transcrevo: "Do exposto acima, constatase que os instrumentos patrimoniais ofertados aos executivos não empregados no momento da outorga de opções estas ações não estão liberadas para exercício dos direitos de compra, podendo, inclusive, restarem extintas ou canceladas (como de fato ocorreu com inúmeras concessões) aquelas ainda não resgatáveis por falta do cumprimento de carência, em caso de desligamento do Participante ou mesmo deixar de exercer a opção antes da data do sétimo aniversário da Data de Concessão, dentre outros motivos. Frisese uma vez mais, com a oferta da opção recebida o beneficiário passa a ter uma expectativa de benefício futuro, o qual poderá se materializar ou não, haja vista que o mesmo está vinculado a cumprimento de carências. O potencial benefício econômico para o beneficiário, será apurado no futuro, implementadas todas as condições. Do ponto de vista financeiro, o benefício só se materializará após o cumprimento das carências e exercício de compra, mediante pagamento pelo beneficiário do preço de exercício fixado nas Cartas de Incentivo formalizadas aos Diretores, que são, em suma, seus contratos de opção de compra de ações. Dessa forma, concluise que, para o caso concreto, no momento da oferta das Unidades de Investimentos nenhum bem ou direito é transferido aos diretores não empregados. Assim, no momento das ofertas nasceria uma mera expectativa de direito, sem ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, haja vista as condições suspensivas, trazidas pelo Programa e Cartas de Incentivo, prevendo que o exercício pelo beneficiário somente poderá ser realizado depois de determinado período de tempo. Sendo assim, não resta dúvida de que a ocorrência do fato gerador se verificou na data do efetivo exercício, momento em Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.163 49 que houve a transferência patrimonial da empresa controladora para o titular, com a emissão dos certificados de ações, cujas datas constam, por beneficiário, da planilha elaborada pela FRdB, identificada como “Options 20102011” integrante do arquivo fornecido à Fiscalização nomeado como Stock Options Plan elab Fev para Atend Fisc.xlsx, em anexo." Quanto à determinação da base de cálculo, diferentemente da DRJ, entendo que não houve arbitramento do tributo no caso sob enfoque. O arbitramento tem como base legal o art. 148 do CTN, assim redigido: " Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Especificamente em relação às contribuições previdenciárias há previsão deste procedimento excepcional no § 3.° do art. 33 da Lei n.° 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (...) Vejase que os pressupostos do arbitramento são a recusa do sujeito passivo em fornecer os dados necessários à aferição direta da matéria tributável ou o oferecimento de dados não confiáveis. No caso em tela não ocorreram essas situações, motivo pelo qual o fisco não mencionou em seu relato a aferição indireta da base de cálculo. Todavia, o órgão a quo entendeu que a atribuição do preço justo da ação para mensuração da remuneração advinda com as STO seria arbitramento do tributo com o que não concordo. Até mesmo porque, caso se entenda ter ocorrido arbitramento, o lançamento deveria ser cancelado por falta de fundamentação fática e jurídica para adoção de tal procedimento excepcional de fixação da base tributável. Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 50 Observo que o fisco apresentou como base de cálculo o valor justo das ações, que corresponde ao valor adotado contabilmente como despesa para empresa que suporta o custo. A base de cálculo das contribuições é uma grandeza representada pela remuneração paga ao trabalhador, que se traduz, a grosso modo, no valor que é repassado pela empresa como contraprestação pelo trabalho realizado. No presente caso, verificase que a empresa é uma sociedade anônima de capital fechado, portanto, suas ações não são negociadas em bolsa. Para verificar o valor a ser registrado contabilmente como despesas decorrentes das outorgas, foi utilizado o valor justo das ações, o qual provém de cálculo contábil que traduz o valor de uma ação que não é vendida no mercado, para um valor que seria negociável em bolsa. Ocorre que esse valor justo é calculado com base em uma série de parâmetros para definir o valor da opção no momento em que é concedida ao beneficiário. Verificase, assim, um descompasso entre o momento do fato gerador, tomado como a data do exercício, e o momento da fixação da base de cálculo, que sendo o valor justo, foi calculado na data da outorga. Observo ainda que a empresa havia fornecido ao fisco (fls. 1.936/38) planilha contendo o valor justo das opções e o valor patrimonial das ações, tendo optado o fisco por utilizar o primeiro deles, por entender que representaria o valor que foi lançado como despesa na contabilidade da empresa autuada. A escolha não é absurda, posto que estamos diante de uma companhia que não negocia suas ações em bolsa de valores, não sendo possível definir o valor exato do ganho para o segurado na data do exercício, todavia, penso que o valor mais apropriado para definição da matéria tributável é o valor patrimonial, ou seja, o patrimônio líquido da companhia calculado no instante do exercício da opção dividido pelo número de ações existentes naquele momento em que os optantes estão adquirindo as ações. Isso porque, neste momento, diferentemente daquele em que as opções são concedidas, as ações efetivamente existem e representam uma real parte do capital social da sociedade. Ressaltese que não se trata de erro na identificação do momento do fato gerador ou mesmo adoção de matéria tributável incompatível com a natureza da verba, mas de escolha de um dos parâmetros oferecidos pela empresa, o qual este julgador entendeu não ser o mais apropriado. Nesse sentido, encaminho por dar provimento parcial aos recursos neste ponto, para que a base de cálculo seja fixada pela diferença entre o valor patrimonial da ação e o valor estabelecido para exercício das opções. Conclusão Voto por dar provimento parcial aos recursos, de modo que a base de cálculo relativa à remuneração decorrente dos advindos da outorga de opções de ações seja calculada com base no valor patrimonial das ações deduzido do valor de exercício das opções. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15504.721024/201414 Acórdão n.º 2402005.392 S2C4T2 Fl. 3.164 51 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Do bônus de contratação. O contribuinte alegou que no cálculo das contribuições previdenciárias relativas aos bônus de contratação de Thaís Rego de Oliveira e ao Anderson Gonçalves Cândido, a fiscalização incorreu em erro ao distribuir o valor pago a esse título ao longo do período correspondente à carência contratual, ao invés de considerar o fato gerador como acontecido no momento do pagamento do benefício. Inicialmente, foi levantado no decorrer da sessão de julgamento que tal novel causa de pedir foi suscitada apenas em sede de memoriais, o que implicaria o seu não conhecimento, por preclusão temporal. Foi, contudo, constatado que se tratava de matéria fática que poderia ser analisada sem maiores dificuldades, mediante exame dos autos durante a própria sessão, sendo desnecessária dilação probatória ulterior ou remissão a questões jurídicas de maior controvérsia. Também não se caracterizou procedimento procrastinatório da parte, ou tentativa de obstaculizar o escorreito andamento do contencioso. Nesses termos, entendeuse que a inconformidade seria passível de conhecimento, até mesmo por envolver aspectos pertinentes aos aspectos material e temporal da incidência tributária. Superado esse ponto, merece ser registrado não ter havido divergência no âmbito do Colegiado quanto à natureza remuneratória das verbas em comento. Compulsando os autos, entretanto, verificouse que a autoridade lançadora, ao invés de considerar o momento do fato gerador das contribuições previdenciárias a data do pagamento 31/5/2011, para Thaís Rego de Oliveira, e 20/12/2011 para Anderson Gonçalves Cândido dividiu os valores em questão, R$ 60.000,00 e R$ 15.244,00, respectivamente, pelo número de meses correspondentes ao tempo de carência estabelecido contratualmente (fls. 83/84 e 109), conforme descrito no Relatório Fiscal: 2.1.2.4.3.2 – As bases de cálculo mensais, consideradas da data de admissão até a última competência incluída neste Procedimento Fiscal, foram apuradas mediante divisão da remuneração percebida a título de Bônus pelo número de meses correspondente ao tempo de cumprimento obrigacional de cada um dos beneficiários. Esse proceder, ainda que não destituído de uma certa lógica, carece de previsão normativa, sendo aliás completamente desnecessário, visto que a hipótese legal contida no disposto no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212/91 já abarca, de modo suficiente e Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 52 preciso, o caso em tela, para fins de determinação do momento do fato gerador do crédito tributário. Diante desse quadro, cabe cancelar a exigência fiscal, no particular, dada a desconformidade da apuração do crédito tributário com a legislação de regência. Do plano de stock options. Tenho como muito bem colocadas as razões do D. Relator quanto ao caráter remuneratório dos planos de outorga de opções da empresa, bem como no que se refere à inadequação da base de cálculo eleita pela fiscalização para fins de cômputo das contribuições previdenciárias exigíveis. Porém foi proposta, como solução para a controvérsia, a adoção do valor patrimonial para fins de mensuração do ganho obtido pelo beneficiário do plano, mediante confronto com o preço do exercício efetivo. Sem adentrar no mérito da qualidade do valor patrimonial como referência para a medida desse ganho, entendo, diversamente do proposto, que a eleição desse valor em sede de julgamento administrativo, extrapola o conceito de mero ajuste ou correção de erro material no lançamento original. De fato, estáse a tomar montante apurado, quando comparado com o da autuação, em momento distinto no tempo, baseado em conceito bastante diverso, resultando, consequentemente, em valor também diferenciado. Na prática, consubstanciase na consecução de um novo lançamento, de cunho substitutivo, por parte pela autoridade julgadora, o que não tem respaldo normativo, sequer utilizandose da previsão contida no § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, que versa sobre os lançamentos complementares. Com efeito, tanto sobre o prisma temporal, como no subsequente aspecto material base de cálculo restaria refeito para todos os fins o crédito tributário, o que extrapola, à evidência, os limites do presente julgamento. Restando, de todo modo, consoante bem circunstanciado pelo D. Relator, o lançamento original permeado de vícios de natureza material, deve ser ele então cancelado. Em conclusão, divirjo tão somente para fins de conhecer da matéria pertinente à base de cálculo do levantamento D1 quanto às remunerações dos segurados Thaís Rego de Oliveira e Anderson Gonçalves Cândido, cancelando as correspondentes exigências, e, no tocante ao levantamento F1, pagamento baseado em ações (stock options), no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 03/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10715.001485/2010-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 14 85 /2 01 0- 36 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 243 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.885, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 244 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 245 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 246 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 247 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 248 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 249 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.001485/201036 Acórdão n.º 9303003.567 CSRF‐T3 Fl. 250 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15504.725517/2013-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
NORMAS GERAIS. RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. AUSÊNCIA.
Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
Como determina a legislação, cabe à fiscalização demonstrar o motivo do lançamento, que acarretou a conceituação da restituição como indevida, na origem, e como não o fez, deve ser dado provimento ao recurso voluntário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 NORMAS GERAIS. RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. AUSÊNCIA. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Como determina a legislação, cabe à fiscalização demonstrar o motivo do lançamento, que acarretou a conceituação da restituição como indevida, na origem, e como não o fez, deve ser dado provimento ao recurso voluntário. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESTITUIÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. AUSÊNCIA. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Como determina a legislação, cabe à fiscalização demonstrar o motivo do lançamento, que acarretou a conceituação da restituição como indevida, na origem, e como não o fez, deve ser dado provimento ao recurso voluntário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 17 /2 01 3- 34 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725517/201334 Acórdão n.º 2402004.982 S2C4T2 Fl. 120 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2010 RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. A apresentação de declaração de ajuste anual retificadora com resultado de imposto a restituir menor do que o valor já restituído em declaração anterior enseja a apuração de imposto de renda devido decorrente de restituição indevida a devolver. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 21ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julga improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário apurado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento, como relatado na decisão a quo: "Em decorrência do processamento da Declaração Retificadora de Ajuste Anula do Imposto sobre s Renda da Pessoas Física, fica o contribuinte acima identificado, com base no § 2º do art. 147 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, nos arts. 835, §§ 1º e 2º , e 839 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 19999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), e nos arts. 9º , caput, 11 e 23, do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, notificado a recolher no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, a importância de R$ 21.081,18, correspondente à restituição recebida indevidamente, que deverá ser acrescida de juros de mora, conforme demonstrado acima. Para o pagamento, o contribuinte deverá preencher o Documento de Arrecadação de Receitas Federai (Darf) no código de receita 1054, período de apuração 31/12/2010 e.data de vencimento 29/04/2011 Os valores do principal (campo 07), juros (campo 09) e do total (campo 10) no Darf correspondeu respectivamente, aos valores das linhas C, D e E do Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Demonstrativo do Crédito Tributário Apurado apresentado nesta notificação, calculados para pagamento ate o último dia' útil de 05/2013. Fica dispensado o pagamento da restituição indevida a devolver caso o seu valor , acrescido de juros de mora, seja inferior a R$ 10,00 (art.68 da Lei no9.430/96). Caso não concorde com o presente lançamento o contribuinte poderá impugnálo no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, em petição dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição, nos termos do disposto nos artigos 14 a 16 do Decreto no 70.235, de 1972). DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL" Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos na NL e nos demais anexos que o configuram. Em 13/05/2013 foi dada ciência ao recorrente do lançamento. Contra o lançamento, o recorrente apresentou impugnação, em 27/05/2013, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1) É portador de cardiopatia grave há mais de cinco anos mas continuou a trabalhar e, como anos antes de sua aposentadoria já era portador de moléstia grave, resolveu requerer a retificação das declarações de renda objetivando a devolução do imposto retido na fonte; 2) Conforme orientação da Receita Federal, tal isenção só é permitida para aposentados e, diante disso, requereu que fossem novamente retificadas as declarações; 3) Quanto à declaração AC 2010, constatou se que, por um equívoco do próprio contribuinte, fora remetida cópia da declaração não retificada, onde não havia sido inseridos os rendimentos recebidos acumuladamente; 4) Solicitou nova retificadora com os dados inseridos corretamente, tal como já ocorrera na declaração apresentada à época, sendo inclusive, restituída a importância correspondente ao AC 2010, havida agora por indevida; 5) Ao tentar enviar a retificadora, recebeu a informação de que tinha sido emitida a notificação de lançamento de restituição indevida, inconsistente, considerando que a retificadora foi feita de forma equivocada, evidenciada pela documentação inclusa; 6) Requer que a Declaração AC 2010 seja retirada da malha, a fim de que possa enviar a retificadora correta e solicitar a DARF de devolução do montante correto; A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 27/11/2013, o recorrente foi cientificado da decisão. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725517/201334 Acórdão n.º 2402004.982 S2C4T2 Fl. 121 5 Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 13/12/2013, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. A decisão a quo não pode prevalecer, pois não enfrentou questão relevante presente na impugnação, sobre o valor correto da restituição; 2. A afirmação de que a última retificadora, feita com erro, deve prevalecer não pode prosperar, pois a correta é a que gerou o valor maior a restituir e não o contrário; 3. O Fisco deveria verificar qual o valor correto da restituição e penalizar o contribuinte, somente, se o valor a maior estivesse equivocado; 4. Diante do exposto, solicita o acolhimento e o provimento de seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto às preliminares, há questão a ser analisada. Conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento deve trazer aos autos informações que possibilitem que os sujeitos passivos compreendam os motivos da exação. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Pois bem, para deixarmos claro nosso ponto de vista, transcreveremos, integral e novamente, os motivos que constam na NL (lançamento), para a efetivação da exigência: "Em decorrência do processamento da Declaração Retificadora de Ajuste Anula do Imposto sobre s Renda da Pessoas Física, fica o contribuinte acima identificado, com base no § 2º do art. 147 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, nos arts. 835, §§ 1º e 2º , e 839 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 19999 Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), e nos arts. 9º , caput, 11 e 23, do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, notificado a recolher no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, a importância de R$ 21.081,18, correspondente à restituição recebida indevidamente, que deverá ser acrescida de juros de mora, conforme demonstrado acima. Para o pagamento, o contribuinte deverá preencher o Documento de Arrecadação de Receitas Federai (Darf) no código de receita 1054, período de apuração 31/12/2010 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725517/201334 Acórdão n.º 2402004.982 S2C4T2 Fl. 122 7 e.data de vencimento 29/04/2011 Os valores do principal (campo 07), juros (campo 09) e do total (campo 10) no Darf correspondeu respectivamente, aos valores das linhas C, D e E do Demonstrativo do Crédito Tributário Apurado apresentado nesta notificação, calculados para pagamento ate o último dia' útil de 05/2013. Fica dispensado o pagamento da restituição indevida a devolver caso o seu valor , acrescido de juros de mora, seja inferior a R$ 10,00 (art.68 da Lei no9.430/96). Caso não concorde com o presente lançamento o contribuinte poderá impugnálo no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento desta notificação, em petição dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição, nos termos do disposto nos artigos 14 a 16 do Decreto no 70.235, de 1972). DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL" Da leitura integral da acusação, só conseguimos a informação sobre sua origem, restituição recebida indevidamente, mas: 1. Recebida indevidamente por quê? 2. Quando e como ocorreu o fato gerador? 3. Qual a matéria tributável? 4. Como se chegou ao cálculo do montante do tributo devido? Em um Estado Democrático de Direito todo acusado tem direito de que sua acusação seja clara e certa, e que siga o que determinam as disposições legais. Construir decisão pelo que o acusado traz aos autos, assim como inovar na acusação, é desrespeitar, totalmente, regras mínimas do devido processo legal. Somase a esse grave equívoco a supressão de instância que o acusado, sujeito passivo, tem, que é a decisão da DRJ, para ter seus pleitos analisados e decididos. Se a acusação fosse certa e clara, com as informações trazidas pela DRJ, o recurso à DRJ teria os mesmos argumentos e provas? Não sabemos e não há como saber, pois não foi o que ocorreu, mas que deveria ter ocorrido. O contribuinte, desembargador de justiça, vem alegando, desde o início do procedimento, que a cobrança é indevida, que sua restituição foi correta e que não há lógica em apresentar anos depois declaração retificadora com valor menor. No mínimo, pela razoabilidade dos argumentos e pela busca da verdade material, as pesquisas e diligências para checar as informações deveriam ter sido efetuadas. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Assim, como a fiscalização não demonstrou o motivo do lançamento, que acarretou a conceituação da restituição como indevida, na origem, deve ser dado provimento ao recurso do sujeito passivo. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15563.720087/2013-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre Interessado o ônus de se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO VIA EDITAL. PREVISÃO LEGAL.
Quando resultar improfícuo qualquer um dos meios de intimação previstos no caput do art. 23 do Dec. nº 70.235/72 (pessoal, via postal, ou por meio eletrônico), a intimação poderá ser feita por edital publicado no endereço da administração tributária na internet, conforme estatuído no inciso I do §1º do mesmo Dispositivo Legal.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF.
A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre Interessado o ônus de se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO VIA EDITAL. PREVISÃO LEGAL. Quando resultar improfícuo qualquer um dos meios de intimação previstos no caput do art. 23 do Dec. nº 70.235/72 (pessoal, via postal, ou por meio eletrônico), a intimação poderá ser feita por edital publicado no endereço da administração tributária na internet, conforme estatuído no inciso I do §1º do mesmo Dispositivo Legal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre Interessado o ônus de se afastar a presumida fidedignidade do teor do Ato Administrativo em xeque. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO VIA EDITAL. PREVISÃO LEGAL. Quando resultar improfícuo qualquer um dos meios de intimação previstos no caput do art. 23 do Dec. nº 70.235/72 (pessoal, via postal, ou por meio eletrônico), a intimação poderá ser feita por edital publicado no endereço da administração tributária na internet, conforme estatuído no inciso I do §1º do mesmo Dispositivo Legal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 00 87 /2 01 3- 60 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 284 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Data da lavratura do AIOP: 09/04/2013. Data da Ciência do AIOP: 26/04/2013. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 51.019.6985 e 51.019.6993, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e Segurados Contribuintes Individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 44/47. Consta no Relatório Fiscal que a Empresa informava em suas GFIP ser optante do SIMPLES, conforme exposto nas telas SEFIP Comprovante de declaração das contribuições a recolher à previdência social e a outras entidades e fundos por FPAS. De conformidade com os Sistemas da Receita Federal do Brasil a opção pelo Simples Nacional deuse somente a partir de 01/07/2007, tendo sido excluída, em 31/12/2008, com efeitos a partir de 01/01/2009, conforme Tela/Simples Nacional Consulta Optantes, a fl. 45. O registro em GFIP de opção pelo SIMPLES na GFIP inibe o cálculo e a constituição das Contribuições Sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos. Assim, em virtude da incorreção na declaração da GFIP, a Empresa deixou de informar a totalidade das contribuições devidas. De acordo com a resenha fiscal as contribuições sociais que compõem o presente lançamento foram apuradas de acordo com os seguintes levantamentos: · Levantamento BD Remunerações pagas em Resumo das Folhas de Pagamentos aos segurados empregados Base de Cálculo da contribuição da Empresa (Patronal/SAT), para o período de 01/2009 a 06/2009,04/2010 a 07/2010 e 09/2010 a 13/2010. · Levantamento FP Fl. 286DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Remunerações pagas em Resumo das Folhas de Pagamentos aos segurados empregados Base de Cálculo da contribuição da Empresa (Patronal/SAT), para o período de 07/2009 a 13/2009, O1/2010 a 03/2010 e 08/2010. Remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais base de cálculo para a contribuição da Empresa (Patronal), para o período de 07/2009 a 12/2009, 01/2010 e 08/2010. A utilização das bases de cálculo constantes dos resumos das folhas de pagamentos se justifica pelo fato de haver sido contatada pela Fiscalização uma acentuada redução das respectivas bases de cálculo declaradas em GFIP. As contribuições devidas e alíquotas aplicadas encontramse discriminadas no Relatório Discriminativo do Débito DD, integrantes do presente Auto de Infração. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 107/138. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1049.066 – 6ª Turma da DRJ/POA, a fls. 180/187, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 24/03/2014, conforme documento a fl. 191. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 194/227, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o Auto de Infração que constitui créditos previdenciários por descumprimento de obrigações principais e acessórias, num mesmo procedimento, é nulo; · Que a indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável; · Que o presente lançamento encontrase eivado de inúmeros vícios formais, a começar pelo impreciso Relatório Fiscal da Notificação que deixou de informar o procedimento de arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, bem como de inscrever no anexo “Fundamentos Legais do Débito FLD” o dispositivo legal que o contempla; · Que a empresa Impugnante não foi cientificada de sua exclusão no Simples Nacional, razão pela qual continuou a efetuar os recolhimentos com base neste sistema. Aduz que a falta de comunicação do ADE impediu a impugnante de regularizar a totalidade dos débitos motivadores da emissão do ADE, dentro do prazo de trinta dias contados da ciência; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 285 5 · Que o Ministério do Trabalho e Emprego, não exige, quando fiscaliza as empresas, a comprovação do recolhimento da contribuição sindical patronal; · Que a Administração Pública só pode encaminhar a RFFP ao Ministério Público após estar convencida da existência do crédito tributário em seu favor devido e se detectar a prática de ilícito por parte do contribuinte, demonstrados os indícios suficientes de autoria e de existência do fato; Ao fim, requer a declaração de improcedência dos Autos de Infração. Relatados, sumariamente, os fatos relevantes Fl. 288DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24/03/2014. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 14/04/2014, há que se reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que o Auto de Infração que constitui créditos previdenciários por descumprimento de obrigações principais e acessórias, num mesmo procedimento, é nulo. Assevera, também, que a indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável. Pontua, igualmente, que o presente lançamento encontrase eivado de inúmeros vícios formais, a começar pelo impreciso Relatório Fiscal da Notificação que deixou de informar o procedimento (arbitramento) utilizado na constituição do crédito previdenciário, bem como de inscrever no anexo “Fundamentos Legais do Débito FLD” o dispositivo legal que o contempla. Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as questões nelas suscitadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça Impugnatória aos Autos de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais questões não foram abordadas pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute, não se instaurando em relação a elas qualquer litígio, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Fl. 289DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 286 7 Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação Fl. 290DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada originariamente em grau de Recurso Voluntário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Com efeito, o objeto imediato do Recurso Voluntário é a decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, enquanto que o lançamento em si considerado figura, tão somente, como o objeto mediato da insurgência. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, haja vista que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao Fl. 291DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 287 9 preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as questões abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, além de outras eventualmente dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas expressamente em sede de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude de preclusão legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, deste conheço parcialmente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA CIÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO O Recorrente alega não ter sido cientificado de sua exclusão no Simples Nacional, razão pela qual continuou a efetuar os recolhimentos com base neste sistema. Aduz que a falta de comunicação do ADE impediu a impugnante de regularizar a totalidade dos débitos motivadores da emissão do ADE, dentro do prazo de trinta dias contados da ciência. Antes de adentrarmos a questão meritória, mostrase valioso, neste momento, trazer a lume que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, Fl. 292DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público no Ato Administrativo trazido aos autos, nos termos dos art. 334, inciso IV, do Código de Processo Civil. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II, da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a desconformidade com a realidade dos assentamentos em realce. Configurandose o Acórdão de Impugnação proferido pela DRJ/POA como um documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do seu conteúdo. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em sentido contrário a ônus da parte interessada, encargo este que deve ser adimplido pelo Interessado, de molde a se afastar a presumida fidedignidade do teor de um Ato Administrativo posto em xeque. Ultrapassados tais prolegômenos, verificamos que a questão relativa à suposta inocorrência de ciência do Ato Declaratório Executivo – ADE DRF de Nova Iguaçu/RJ nº 306.409/2008, que determinou a exclusão do Contribuinte ora Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, houvese por levado, tempestivamente, à apreciação e julgamento do Órgão Fl. 293DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 288 11 Julgador de 1ª Instância, o qual não acatou as alegações suscitadas pelo Impugnante, por haver verificado que a ciência do citado ADE de fato ocorrera regularmente, dentro dos pressupostos legais fixados no Dec. nº 70.235/72. E diga a DRJ/POA, in verbis: “Arguição de nulidade por cerceamento de defesa. Ato de Exclusão do Simples Nacional. O sujeito passivo alega que não fora comunicado do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Nacional, arguindo nulidade por violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, apresentando neste feito a manifestação de inconformidade contra a referida exclusão. O sujeito passivo foi excluído do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF de Nova Iguaçu/RJ nº 306.409, de 22 de agosto de 2008, com efeitos a partir de 01/01/2009, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. A primeira tentativa de comunicação da exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional foi efetuada através de aviso de remessa postal emitido em 15/09/2008 e devolvido à 7ª Região Fiscal em 24/09/2008 (nº ECT 789200512), com o motivo “Outros”, conforme consulta ao endereço eletrônico https://sucop.suiterfb. receita.fazenda/SUCOP/consultas/postagem/NewconsultaLOG.asp. O procedimento se efetivou por meio do Edital nº 001/2008 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Nova Iguaçu, publicado no sítio da RFB na internet em 30/10/2008, conforme consulta que ora se efetua na rede mundial de computadores, no Sistema de Vedações e Exclusões do Simples Nacional (SIVEX – Simples Nacional). Em se tratando de intimação por edital, considerase feita a intimação quinze dias após a publicação do edital, ou seja, em 14/11/2008, conforme art. 23, § 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972. A partir de então, o sujeito passivo tinha trinta dias para apresentar manifestação de inconformidade pela exclusão do Simples Nacional. Portanto, o sujeito passivo foi cientificado acerca da sua exclusão do Simples Nacional através de edital, não havendo que se falar em nulidade do ADE por cerceamento de defesa. De qualquer forma, o sujeito passivo não trouxe aos autos, nem neste momento, provas de que teria regularizado tempestivamente os débitos que motivaram a sua exclusão, e que pudesse ensejar uma revisão de ofício. A exclusão da empresa do Simples Nacional deve ser tratada em processo com tramitação e prazos próprios. Assim, não serão conhecidas nestes autos, as alegações que o sujeito passivo trouxe quanto à sua exclusão do Simples Nacional. Tal matéria deveria ter sido apresentada no processo de contestação da exclusão da empresa do Simples Nacional, o que não ocorreu, conforme se Fl. 294DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 verifica em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Logo, no âmbito administrativo, a exclusão no Simples Nacional se tornou definitiva. Ao ser excluída do Simples Nacional, a pessoa jurídica fica sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme prevê o artigo 32 da Lei Complementar nº 123/2006. Assim, a partir da emissão do Ato Declaratório de Exclusão, com os efeitos ali indicados, existe a condição plena para que o contribuinte se sujeite ao recolhimento das contribuições sociais de acordo com as normas de tributação aplicáveis às empresas em geral. No Auto de Infração sob análise exigese a contribuição previdenciária patronal e as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos e foi lavrado em razão da atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, que deve, sob pena de responsabilidade funcional, constituir o crédito tributário ao verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação e da falta de pagamento do tributo correspondente (artigo 142, § único da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN). As peças que o compõem obedecem aos requisitos obrigatórios do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, e contêm os elementos imprescindíveis ao pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa pelo sujeito passivo. Também não se observam as hipóteses de nulidade relacionadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. Desta forma, rejeitase a tese de nulidade suscitada pelo sujeito passivo, mantendose o Auto de Infração em tela”. Não merece reparo a Decisão de 1ª Instância, uma vez que o ato de intimação do Sujeito Passivo a respeito do ADE nº 306.409/2008, da DRF de Nova Iguaçu/RJ se realizou de acordo com o procedimento legal encartado no Art. 23 do Dec. nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 SEÇÃO IV Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) Fl. 295DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 289 13 b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) §1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) (grifos nossos) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) (grifos nossos) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196/2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da Fl. 296DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do §8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457/2007) No caso dos autos, a primeira tentativa de intimação a respeito da exclusão do sujeito passivo do Simples Nacional foi efetuada através de aviso de remessa postal nº ECT 789200512, de 15/09/2008, devolvido à 7ª Região Fiscal em 24/09/2008, com o motivo “Outros”. Sendo infrutífera a tentativa de intimação do Contribuinte pela Via Postal, a Administração Tributária procedeu à intimação da empresa por meio do Edital nº 001/2008 da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Nova Iguaçu, publicado no sítio da RFB na internet em 30/10/2008, autorizada que estava pelo disposto no §1º do art. 23 do Dec. nº 70.235/72. Nessa vertente, em se tratando de intimação por edital, considerase feita a intimação quinze dias após a publicação do edital, ou seja, em 14/11/2008, conforme art. 23, § 2º, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972. A partir de então, o sujeito passivo tinha trinta dias para apresentar manifestação de inconformidade pela exclusão do Simples Nacional, fato que não veio a ocorrer. Não procede a alegação de que “a falta de comunicação do ADE impediu a impugnante de regularizar a totalidade dos débitos motivadores da emissão do ADE, dentro do prazo de trinta dias contados da ciência”. No caso dos autos, a empresa ora Recorrente foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF de Nova Iguaçu/RJ nº 306.409/2008, com efeitos a partir de 01/01/2009, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa, débitos esses decorrentes do não recolhimento das obrigações perante o Simples Nacional. Ora ... Os tributos ora em debate são reconhecidamente qualificados como exações sujeitas ao lançamento por homologação, na exata medida em que legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Dessarte, o recolhimento dos tributos devidos em razão da opção pelo Simples Nacional independe de qualquer atividade ou intimação da Administração Tributária para tanto, tendo o Contribuinte optante que fazêlo espontaneamente nos prazos e nas condições assentadas na legislação de regência do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Nessa prumada, a inadimplência imotivada do Contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil constitui motivo justo, bastante, suficiente e Fl. 297DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 290 15 determinante para a sua exclusão do Simples Nacional, como assim determinam expressamente os artigos 17, V, e 30, II, da Lei Complementar n° 123/2006. Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 Seção II Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; (...) Como visto, a situação fática de inadimplência já era suficiente e determinante, de per se, para que o Recorrente tivesse comunicado, obrigatoriamente, a sua exclusão da sistemática do SIMPLES NACIONAL. Mas o Contribuinte em tela assim não procedeu, circunstância que deu ensejo à sua exclusão de ofício, conforme previsto no inciso I do art. 29 do mesmo Diploma Legal. Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Nessa vertente, tendo ocorrido a exclusão de ofício do SIMPLES nas condições assentadas no inciso II do art. 30, em razão da existência de débito perante a Fazenda Pública Federal, a exclusão do SIMPLES NACIONAL produz efeitos a contar do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva, como assim dispõe o inciso II do art. 31 da Lei Complementar n° 123/2006. Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 (...) Ora... o Recorrente tinha a plena consciência de que se encontrava em débito com a Fazenda Pública Federal, e era sabedor que tal situação implicava a sua exclusão do Simples Nacional, sendo certo que, de acordo com o art. 3º do DecretoLei nº 4.657/42, o Ordenamento Jurídico não concede a ninguém a escusa de descumprir a Lei sob a alegação de que não a conhece. DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942. Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Não procede, portanto, o inconformismo do Recorrente uma vez que a ciência do Ato Declaratório Executivo ADE nº 306.409/2008, da DRF de Nova Iguaçu/RJ, se realizou de acordo com o procedimento legal encartado no Art. 23 do Dec. nº 70.235/72. 2.2. DA CONTRIBUIÇÃO SINDICAL O Recorrente alega que o Ministério do Trabalho e Emprego, não exige, quando fiscaliza as empresas, a comprovação do recolhimento da contribuição sindical patronal; E nem a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Aliás, conforme exposto de maneira clara e precisa nos Relatórios que compõem o presente lançamento, o Crédito Tributário ora em constituição compreende, tão somente, as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, previstas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, assim como aquelas destinadas ao Salário Educação, SENAI, SESI, INCRA e SEBRAE, inexistindo qualquer lançamento referente à contribuição sindical patronal. 2.3. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente advoga que a Administração Pública só pode encaminhar a RFFP ao Ministério Público após estar convencida da existência do crédito tributário em seu favor devido e se detectar a prática de ilícito por parte do contribuinte, demonstrados os indícios suficientes de autoria e de existência do fato. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade Fl. 299DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 291 17 competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e Fl. 300DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15563.720087/201360 Acórdão n.º 2401004.197 S2‐C4T1 Fl. 292 19 X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10855.725405/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543-B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente - RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, por voto de qualidade, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros RAYD SANTANA FERREIRA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material, ante a inobservância do AFRFB da legislação aplicável ao lançamento e a consequente adoção equivocada da base de cálculo e alíquota do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 54 05 /2 01 2- 07 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10855.725405/201207 Acórdão n.º 2401004.275 S2‐C4T1 Fl. 105 3 Relatório Exercício: 2008 – Anocalendário: 2007. Data da Notificação de Lançamento: 12/11/2012. Data da Ciência da Notificação de Lançamento: 20/11/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a impugnação interposta pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante a Notificação de Lançamento nº 2008/615078907095910, a fls. 76/80, consistente em Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício de 2008, anocalendário de 2007, em razão de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação ajuizada na Justiça Federal. De acordo com a citada Notificação de Lançamento, do exame das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 130.520,62, auferidos pelo titular e/ou dependente. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos obtidos, no valor de R$ 3.915,62. De acordo com a Notificação de Lançamento, tratase de ação de revisão de benefícios movida em face do Instituto Nacional do Seguro Social, referentes ao período de agosto/91 e novembro/99. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fl. 02. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1644.905 15ª Turma da DRJ/SP1, a fls. 87/93, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 10/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 96 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 98/99, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que, ainda que impedido pela legislação atual que contempla outra forma de apuração do imposto somente a partir da Lei n° 12.350 de 20 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 de dezembro de 2010 em seu artigo 44 e mais ainda pela IN 1127/2011 e posteriores alterações, o recorrente entende ser possível a tributação nos moldes atuais. Ao fim, requer o cancelamento da exigência fiscal. É o que importa relatar. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10855.725405/201207 Acórdão n.º 2401004.275 S2‐C4T1 Fl. 106 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 10/04/2013. Havendo sido o Recurso protocolizado em 10/05/2013, há que se reconhecer a sua tempestividade. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. IRPF – GANHOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE O Recorrente alega que, ainda que impedido pela legislação atual que contempla outra forma de apuração do imposto somente a partir da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010 em seu artigo 44 e mais ainda pela IN 1127/2011 e posteriores alterações, o recorrente entende ser possível a tributação nos moldes atuais. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Vamos aos fatos: Tratase, a todo ver, de ação judicial de revisão de benefícios movida em face do Instituto Nacional do Seguro Social, referentes ao período de agosto/91 e novembro/99, da qual resultou o recebimento acumulado no valor de R$ 130.520,62, auferidos pelo titular sendo que, na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos obtidos, no valor de R$ 3.915,62. Com efeito, no julgamento concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria, pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, em razão de a Corte Suprema, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, ter reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo há pouco citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. No caso paradigma, o Sodalício Maior acordou, por maioria, que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deveria ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referirem cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo autor, consoante Acórdão que se vos segue: Recurso Extraordinário nº 614.406/RS Relatora: Min. Rosa Weber. Redator do acórdão: Min. Marco Aurélio. Julgamento: 23/10/2014. IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Nessa perspectiva, o fato de o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS haver sido realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, prevista no art. 543B do CPC, atrai ao feito a incidência do disposto no §2º do Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 10855.725405/201207 Acórdão n.º 2401004.275 S2‐C4T1 Fl. 107 7 b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (grifos nossos) De outra via, configurandose o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS um fato juridicamente relevante, não conhecido na ocasião do lançamento ora em debate, abre se para o Fisco a prerrogativa de rever o lançamento, de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo STF no julgamento acima indicado, a teor do art. 149, VIII, do CTN. Código Tributário Nacional Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; (grifos nossos) IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nessa vertente, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF e no art. 149, VIII, do CTN, e considerando a decisão proferida no Julgamento do RE nº 614.406/RS, conduzido sob a sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 543B do CPC, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário acima mencionado. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10860.720056/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Estando presente no auto de infração a fundamentação legal, rejeita-se a alegação de nulidade.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO.FRETE
O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.158-35, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor; e (ii) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto ao crédito presumido sobre os Fretes. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Rodrigo Evangelista Munhoz, OAB/SP nº 371.221.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Estando presente no auto de infração a fundamentação legal, rejeita-se a alegação de nulidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO.FRETE O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.158-35, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, deu-se provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor; e (ii) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto ao crédito presumido sobre os Fretes. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Rodrigo Evangelista Munhoz, OAB/SP nº 371.221.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 4.708 1 4.707 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.720056/201331 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.016 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria Auto de Infração IPI Recorrente VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Estando presente no auto de infração a fundamentação legal, rejeitase a alegação de nulidade. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO.FRETE O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete (art. 56 da MP nº 2.15835, de 2001), está condicionado à comprovação de que esse foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, deuse provimento para excluir os juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor; e (ii) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto ao crédito presumido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 00 56 /2 01 3- 31 Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 sobre os Fretes. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Valdete Aparecida Marinheiro, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente o Dr. Rodrigo Evangelista Munhoz, OAB/SP nº 371.221. Relatório Tratase o presente processo, de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 03/05, lavrado em 17/01/2013, com ciência da Recorrente na mesma data da lavratura. O presente auto de infração foi lavrado porque a fiscalização entendeu que a autuada não fazia jus ao crédito presumido de IPI previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001, uma vez que não teria comprovado que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Conseqüentemente, glosou os créditos presumidos escriturados pela Volkswagen (VW) em seu Livro Registro de Apuração de IPI. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Segundo a descrição dos fatos de fl. 05 e o relatório fiscal de fls. 11/15, houve recolhimento a menor de IPI, no período de janeiro a maio de 2008, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001. Conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou impugnação de fls. 287/310, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: por contratar o frete nas vendas dos seus produtos, bem como computálo no preço de venda, faz jus ao crédito presumido de IPI instituído pelo art. 56 da MP nº 2.158 35/2001; Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720056/201331 Acórdão n.º 3402003.016 S3C4T2 Fl. 4.709 3 é incontroverso o fato de que a impugnante contratou a empresa prestadora do serviço de transporte dos produtos por ela vendidos; a legislação do IPI não obriga o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda; no caso de frete executado pela própria fabricante, e que é admitido pela MP nº 2.15835/2001, não haveria como destacar o frete; faz jus ao crédito presumido porque na formação do preço de venda dos produtos industrializados inclui as demais despesas incorridas pela empresa, entre as quais as despesas com frete; conforme demonstrativo, fica comprovado que o frete foi considerado no cálculo da margem de contribuição e, conseqüentemente, na fixação do preço de venda; a doutrina também sustenta que as despesas são consideradas pelas empresas na formação do preço de venda; em sua contabilidade gerencial, como contrapartida à receita de venda, escritura separadamente a parcela do frete que integrou o preço de venda; o auto de infração deve ser cancelado por falta de amparo legal, inclusive porque baseado em instrução normativa; contesta a futura aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada; requer a realização de diligência, com base no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, com o objetivo de apurar a verdade dos fatos; apresenta os quesitos. Por fim, se as provas ofertadas não forem suficientes, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, a realização de diligência ou a prestação dos esclarecimentos que se fizerem necessários. É o relatório. Em 15/04/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 4.649). Inconformada com a decisão, em 15/05/2013 (doc. fl. 4.651), apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 4.652/4.684), no qual, resumidamente, argumenta as seguintes razões: (i) quanto a Formação de Preço: argumenta que na formação do preço de venda dos produtos industrializados são considerados, além dos gastos classificados como custos, também, os gastos classificados como despesas comerciais, dentre os quais se destacam os gastos com frete; ii) do Registro da Receita de Vendas: é efetuado a segregação do valor da receita com a venda do veículo e do frete computado no preço. Aduz que, quando da venda dos produtos industrializados, a ora Recorrente escritura, na sua contabilidade, de forma segregada, Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 a receita auferida com a alienação do veículo daquela decorrente do cômputo do frete no preço de venda; (iii) a inexistência de base legal que suporte a lavratura do auto de infração, cujo enquadramento legal nada dispõe sobre o lançamento de ofício a exigir o IPI oriundo do aproveitamento do benefício ora tratado; (iv) da impossibilidade da futura aplicação de juros sobre a multa de ofício lançada; e (v) requisição de diligência, na hipótese de os Julgadores entenderem que os fundamentos expostos no recurso não forem suficientes, por si só, para o cancelamento da exigência. Em face de todo o exposto espera que sejam acolhidos os argumentos ora apresentados e que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário, em virtude da nítida observação às normas legais vigentes no desenvolvimento das operações que culminaram no presente Auto de Infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. a) Da alegada inexistência de Base Legal que fundamenta o AI O Auto de Infração teve como base legal o artigo 56, parágrafo 1º, inciso II, alínea "b" da MP n° 2.15835/2001, com alterações realizadas pelo art. 3º da Lei nº 11.827/2008; os artigos 24, inciso II, 122, 123,II; 127, 130 e 200, IV do Decreto n° 4.544/02 e ainda o artigo 2º, § 3º, da IN/RFB n° 91/2001 (fl. 5). A Recorrente alega que nenhum dos dispositivos citados acima trata do lançamento de ofício relacionado ao suposto aproveitamento indevido dos créditos do IPI aqui discutidos. O que mais aproxima seria o artigo 2º, § 3º, da IN/RFB n° 91/2001. Com isso, solicita o cancelamento do Auto de Infração. Entendo que não assiste razão a Recorrente nesse ponto, senão vejamos: Primeiramente, ressaltase que a citada IN SRF nº 91/2001, foi expedida amparada no caput do art. 56 da MP nº 2.15835/2001, que expressamente prevê que caberia à RFB estabelecer os termos e condições para o benefício fiscal. Além disso, ao contrário do que sustenta a Recorrente, o parágrafo 3º do art. 2º da referida IN não se restringe à obrigatória adesão, mas, de forma genérica, aos casos de não cumprimento das condições do regime especial. Já o artigo 56, § 1º, inciso II, "b" da Medida Provisória n° 2.15835/2001 trata do Regime Especial de apuração do IPI relacionado ao frete. Vejamos a redação do artigo: Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720056/201331 Acórdão n.º 3402003.016 S3C4T2 Fl. 4.710 5 "Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1º. O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) (...) b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 20 de novembro de 2008) c) (...). Conforme o inciso II, parágrafo 1º, do art. 56 transcrito acima, o crédito presumido será concedido mediante opção, e somente para aquelas empresas que atendam às condições estabelecidas nas alíneas “a”, “b” e “c”. Conseqüentemente, as empresas que não atendam às exigências, não fazem jus ao crédito presumido, e não podem escriturar os créditos nem tampouco aproveitálos no abatimento de débitos de IPI. Nesses casos, o crédito é ilegítimo, causa recolhimento a menor do imposto, e deve ser glosado pela autoridade fiscal. Nos termos do inciso IV do art. 200, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), a importância de IPI a recolher é a resultante do cálculo do imposto relativo ao período, deduzidos os créditos do mesmo período. Desse modo, a glosa de créditos ilegítimos de qualquer natureza tem como conseqüência direta o lançamento do imposto que deixou de ser recolhido. Posto isto, rejeitase a alegação de nulidade do Auto de Infração, uma vez que o lançamento está fundamentado e motivado, resultando na glosa de créditos ilegítimos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). b) Quanto ao Direito do Crédito presumido (IPI) sobre o Frete Como pontuado nos autos, a controvérsia limitase à comprovação do cômputo do frete no preço de venda dos veículos automotores fabricados e comercializados pela Recorrente. Neste cenário, a manutenção da autuação na primeira instância, foi sustentada pela ausência da comprovação do cômputo do frete no preço de venda dos produtos fabricados e comercializados. Conforme a decisão a quo, no entendimento da Recorrente, todas as despesas são incluídas na formação do preço de venda, e, como conseqüência, no preço está sendo cobrado também o valor do frete contratado. Acatar o entendimento da recorrente seria admitir Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 que a alínea "b" do inciso II, que exige a cobrança conjunta do frete, é absolutamente inútil, pois segundo a tese defendida, o valor do frete está sempre inserido na composição do preço, e também, é sempre cobrado com o valor do produto. Conforme se verifica nas cópias de notas fiscais de fls. 128 a 279, não há nenhum destaque do valor do frete nas notas ficais de venda emitidas. A autuada não juntou nenhuma cópia de nota fiscal que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 288/380), nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. Ou seja, o Fisco entendeu que na ausência do destaque do frete nas notas fiscais de venda emitidas pela Recorrente, denota que o frete não teria sido considerado para o cálculo do preço de venda dos veículos. Por outro lado a Recorrente alega em seu recurso que a legislação não condiciona a fruição do benefício ora tratado ao destaque do frete na nota fiscal, vale dizer que, inexiste, na legislação que trata do tema, dispositivo que vincule o aproveitamento do benefício à emissão da nota fiscal com o destaque do frete. Neste aspecto, veja o que dispõe o art. 3º da IN (SRF) nº 91, de 2001: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o que dispõe o art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 24 de agosto de 2001, resolve: Art. 1º (...) Art. 3º A base de cálculo do crédito será o valor do imposto destacado na respectiva nota fiscal. Art. 4º O valor do crédito será informado no campo "informações Complementares" do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 2001". b.I) Do destaque do frete na Nota Fiscal O parágrafo 1º, inciso II, do art. 56 da MP nº 2.15835/2001 estabelece que o regime especial seria concedido mediante opção e quando atendidas as condições elencadas nas alíneas “a”, “b” e “c”, a saber: (i) que os serviços de transporte fossem executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; (ii) que fossem cobrados juntamente com o preço dos produtos, nas operações de saída do estabelecimento industrial; e (iii) que compreendessem a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Quanto aos itens (i) e (iii) acima, a própria fiscalização reconhece que foram cumpridos, restando a exigência que faz o artigo 56, § 1°, II, "b", da Medida Provisória n° 2.15835/2001. Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720056/201331 Acórdão n.º 3402003.016 S3C4T2 Fl. 4.711 7 Então, por ser o único ponto controverso no presente caso, focaremos a análise no § 1°, II, "b", do referido dispositivo legal, que trata da comprovação da cobrança do frete em conjunto com o preço dos veículos automotores comercializados, uma vez que o Fisco se manifesta no sentido de que os contribuintes somente fazem jus ao crédito se o valor do transporte da mercadoria estiver explicitamente indicado na nota fiscal. Pois bem. Preliminarmente, há que se ressaltar que não procede a alegação da Recorrente de que a legislação do IPI não determina o destaque do valor do serviço de transporte no campo “valor do frete” da nota fiscal de venda. Muito pelo contrário. Além do citado art. 3º da IN SRF nº 21/01, o art. 339, inciso V, alínea “f” do RIPI/2002 (repetido no art. 413, inciso V, alínea “f” do RIPI/2010) estabelece expressamente que o valor do frete é requisito da nota fiscal: “Requisitos Art. 413. A nota fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: ............... V no quadro “Cálculo do Imposto”: ............... f) o valor do frete; ...............” Como visto, consta dos autos e conforme pode ser verificado nas cópias de notas fiscais de fls. 128/279, que não há nenhum destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda emitidas e também em sua Impugnação, a autuada não juntou nenhuma cópia de nota fiscal que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 288/380), e nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. Levantou a fiscalização, nos espelhos das notas fiscais de vendas dos veículos, a indicação do frete como "zero", constando que o mesmo seria por conta do emitente. Assim, concluiu a fiscalização que o frete não foi cobrado juntamente com o preço dos produtos, restando caracterizado o descumprimento de condição do regime especial e a consequente falta de recolhimento do IPI. b. II) Da formação do preço (cômputo do frete no preço de venda) Em seu recurso, a Recorrente reitera que, no preço de venda de seus produtos, está incluso o valor do frete. Já a DRJ, por sua vez, consignou que "(...) acatar o entendimento da recorrente seria admitir que a alínea "b" do inciso II, que exige a cobrança conjunta do frete, é absolutamente inútil, pois segundo a tese defendida, o valor do frete está sempre inserido na composição do preço, e também, é sempre cobrado com o valor do produto". Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 A Recorrente apresentou quando de sua Impugnação, seu modelo de negócios, pautado em princípios econômicos, notoriamente praticado no mercado, qual seja, computar no preço dos produtos comercializados, todos os custos e despesas de vendas incorridas na produção e comercialização dos bens fabricados e comercializados. Ressalta que se o preço dos veículos sofre variação em virtude do frete é porque o frete é computado no preço dos veículos (apresenta cópia de matéria especializada em revista fls. 386/390). Aduz também que, analisandose a doutrina contábil, constatase que é prática usual e normal o cômputo das despesas na formação do preço e cita trecho de resposta da sessão "Principais Perguntas e Respostas Dirigidas e Respondidas pela Fiscosoft, nos Estados do RJ, ES e BA", obtido no sítio eletrônico da Federação dos Contabilistas nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e da Bahia: "2) Como efetuar contabilmente o frete e o seguro na venda de mercadorias efetuada na modalidade CIF? Em regra o cálculo do preço de venda segue uma seqüência: obtido o custo do produto, a ele são acrescidas as despesas variáveis, depois o rateio das despesas fixas, em seguida é definida e incluída a margem de lucro e finalizando com a incidência tributária sobre as vendas. O frete e o seguro incidentes sobre as vendas correspondem a despesas variáveis, portanto, normalmente já contidas no preço do produto ou da mercadoria vendida e, como componente do preço de venda, destacado ou não no documento fiscal e ainda que a título informativo, compõe o preço CIF a ser cobrado do comprador". Dessa forma, a Recorrente considera, na formação do preço de venda dos produtos por ela fabricados e comercializados, além dos custos, também as despesas de vendas incorridas, sendo o frete uma delas. Elabora um demonstrativo no corpo de seu recurso, apresentando um modelo de cálculo ilustrado da margem de contribuição, vinculado à nota fiscal n° 637.532 às fls. 4.672 do recurso voluntário. b.III) Do registro da Receita de Vendas Segregação do valor frete computado no preço Sobre esse tema aduz a Recorrente que "(...) registra contabilmente, de forma segregada, o valor da receita com a venda do serviço da parcela do frete computada no preço. Essa segregação contábil corrobora a afirmação de que o valor do frete foi incluído no preço de venda dos veículos". Apresentou no corpo de seu recurso "print" do sistema contábil da empresa que confirma a alegada segregação contábil (fl. 4.675). Tratase de uma análise da tela extraída do sistema contábil que permite constatar que a receita de venda de veículos é contabilizada na conta n° 70000000, ao passo que a receita vinculada ao frete é escriturada na conta n° 70005000. Informa que de acordo com o sistema contábil da Recorrente, o valor do "contas a receber" (conta de ativo clientes) é registrado em contrapartida da conta de receita com venda de veículos, dos tributos incidentes sobre a venda e, ainda, da receita de frete cobrado no preço praticado pela Recorrente. Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720056/201331 Acórdão n.º 3402003.016 S3C4T2 Fl. 4.712 9 Informa ainda a Recorrente, que a RFB já se pronunciou, de forma reiterada sobre o presente debate, anexando a Solução de Consulta nº: 217, de 2011, nº 14, de 2012 e que da mesma forma definiu a Solução de Consulta nº 17, de 26 de janeiro de 2012, abaixo transcrita: "Nota fiscal. Saída de Produtos Industrializados. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sob Produtos Industrializados (IPI), no quadro "Cálculo do Imposto" somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente ao preço da mercadoria. Nessa hipótese, o valor do frete e o valor do seguro são somados ao valor total dos produtos para obtenção do valor total da nota". A vertente de que o valor do frete deve ser destacado no corpo da nota fiscal pode ser verificada pela inteligência do disposto no artigo 56, §1°, II, "a" da MP n° 2.158 35/2001, ao lastrear o crédito presumido de IPI à condição de que os serviços de transporte "sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial". Veja que a alternativa "ou" denota duas situações admitidas pela Lei. Os serviços de transporte contratados, naturalmente são aqueles contraídos de terceiros pelo estabelecimento industrial, como é o caso dos serviços tomados pela Recorrente. Assim, de posse do valor correspondente ao transporte, poderseia reclamar o destaque do valor do frete no campo próprio da nota fiscal de venda. No entanto, a Lei também admite o cálculo do crédito presumido de IPI sobre os serviços de transporte executados pelo contribuinte. E sendo executados por frota própria, não haverá preço do frete, mas nem por isso a Lei deixou de garantir o crédito. Nessa hipótese, as despesas de manutenção da frota própria serão embutidas no preço de venda dos produtos. Agora, nesta fase, a Recorrente repisa que acostou aos autos, quando de sua Impugnação, os documentos comprobatórios que considera suficiente para comprovação do seu direito ao crédito do IPI, tais como: (a) Demonstração do cômputo do frete no cálculo da margem de contribuição (fls. 568/4.557); (b) Demonstração do cômputo do frete no cálculo do preço de venda do veículo automotor, objeto da NF nº 637.532 nota fiscal de venda alegando que comprova o preço praticado, o valor do ICMSST, o valor do IPI do numero do chassi do veículo (ii) tela dos sistemas internos que controla os custos do veículo, (iii) impressão da página do Registro de Saída alegando que comprova a escrituração e o valor da nota fiscal de venda com o respectivo destaque do IPI, (iv) conhecimento de transporte alegando que comprova a contratação do frete pela Recorrente, e (v) impressão da pagina do Livro de Registro de Entrada alegando que comprova a escrituração do conhecimento de transporte (Anexo 6 fls. 4.563/4.569); (c) Assim como fez em relação à nota fiscal n° 637.532, a Recorrente anexou demonstrativo de cálculo utilizado para a determinação da margem de contribuição, devidamente suportado por documentação hábil e idônea, nos mesmos moldes do apresentado no Demonstrativo, em relação a notas fiscais selecionadas por amostragem (398/473 e 478/545); (d) Impressão do sistema corporativo (SAP) alegando que comprova a contabilização da receita de vendas e da receita vinculada ao frete, relacionada à nota fiscal nº 631.613, bem como demonstrativo de contabilização e cópia dos lançamentos contábeis do sistema digital "Sped Contábil" (Livro Diário Digital) às fls. 391/395; (e) Demonstrativos do sistema corporativo (SAP) alegando que comprovam a contabilização da receita de vendas e da receita vinculada ao frete, relacionada às demais notas fiscais selecionadas por amostragem, Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 bem como demonstrativo de contabilização e cópia dos lançamentos contábeis do sistema digital "Sped Contábil" (Livro Diário Digital) às fls. 287/383 e (f) Demonstração onde alega que o mercado reconhece a variação do preço de venda de veículos em virtude da variação do valor relacionado ao frete, decorrente da distância entre a indústria e o consumidor final (fls. 386/390). No entanto, tanto a fiscalização quando da fase de instrução dos autos quanto a DRJ quando ao apreciar todo o material probante juntado à época de sua Impugnação, dispôs que a Recorrente não logrou demonstrar documentação hábil a comprovar a legitimidade dos créditos alegados, conforme pode se observar no trecho abaixo reproduzido (grifamos): "(...) Conforme se verifica nas cópias de notas fiscais de fls. 119, 125, 129 e 133, não há nenhum destaque do valor do frete nas notas fiscais de venda emitidas. Em sua impugnação, a autuada não juntou nenhuma cópia de nota fiscal que apresentasse o destaque do valor do frete (vide, por exemplo, cópias de fls. 450 e 605), nem apresentou qualquer documento que comprovasse o pagamento específico do frete. Assim, considerandose inadmissível a tese de que bastava o frete estar incluído na composição do preço para fazer jus ao crédito presumido, e considerandose que a impugnante não logrou comprovar o destaque e o pagamento do frete, concluise que foi correta a glosa dos créditos efetuada pela fiscalização. Pois bem. Podese verificar da autuação, que o entendimento da fiscalização é o de que o destaque do valor do frete na nota fiscal, embora seja desejável, não é requisito essencial para a fruição do regime especial de apuração do IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, tanto que, não obstante a falta desse destaque, foi oferecida oportunidade à contribuinte, mediante a lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 16/17), para comprovação de que o frete foi, efetivamente, cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Vejase: "(...) 2. considerando que o crédito presumido de IPI/frete previsto no art. 56, parágrafo 1º, inciso II, alínea "b" da MP n° 2.158/2001 com alteração introduzida pelo art. 3º da Lei n° 11.827/2008 e, IN n° 91/2001(...) deve a Empresa comprovar, com documentação hábil (nota fiscal de saída, registro contábil/fiscal da cobrança, memória de cálculo, etc) que demonstre cabal e inequivocamente que, nas vendas que proporcionaram a fruição de tal benefício, cobrou dos Adquirentes os fretes a elas correspondentes. Após a auditoria efetuado pelo Fisco e considerando as informações prestadas pela Recorrente, podemos observar, conforme trecho abaixo reproduzido da Informação Fiscal às fls. 11/15 do processo, que a Recorrente não obteve êxito em fazer prova do solicitado pelo Administração Fazendária (grifamos): "(...) Temos, então, que a condição sine qua non do benefício é que, no preço da operação, esteja incluído o frete pago pelo Adquirente. Melhormente, para que não pairem dúvidas, o valor do transporte da mercadoria deve estar explicitamente indicado na Nota fiscal no campo que lhe é atribuído. Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720056/201331 Acórdão n.º 3402003.016 S3C4T2 Fl. 4.713 11 Se assim não ocorrer, que seja, então, comprovado por vias terceiras que, efetivamente, o Adquirente pagou o frete referente ao veículo de sua aquisição e, por conseguinte, que tal valor compôs a base de cálculo do tributo industrial. Esta é a condição para a fruição do favor fiscal, repetindo, que:"...serviços de transporte...sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos..." Com base nessas informações acima, fica evidente que, como já dito, a contribuinte não apresentou a referida comprovação à fiscalização, embora tenha tido toda oportunidade na época e não o fez. Quanto ao argumento em seu recurso de que a DRJ entendeu que "não teria apresentado qualquer documento que comprovasse o valor específico do frete", embora a contratação e respectivo pagamento do serviço de frete pela Recorrente não figurar como ponto controverso nos presentes autos, já tendo sido reconhecido que, de fato, ela contratou tais serviços, definiu ser oportuno apresentar as declarações firmadas pelas transportadoras por ela contratadas, para realização do serviço de frete, nas quais as Declarantes afirmam ter recebido os valores relacionados à prestação de tais serviços no ano de 2008. Sobre esse ponto específico e outros documentos apontados em sua Impugnação, essa questão já foi enfrentada em outros julgados por este Colegiado. E o qual cito o Acórdão 3402002.856, de 26 de janeiro de 2016, relatado pela Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a quem peço licença para adotar (parte) de seus fundamentos para compor este voto. Em relação as declarações das transportadoras de que a recorrente teria recebido determinado valor sobre o serviço prestado durante todo o ano de 2008 não acrescenta muito na comprovação de que o frete foi cobrado juntamente com o valor do produto vendido nas operações específicas do presente processo. Também as telas do seu sistema contábil informatizado, e toda as demais documentação juntada e acima citada, sem estarem as mesmas revestidas das formalidades legais, nada comprovam. Como se sabe, as telas de sistema interno de contabilidade não substituem a apresentação dos livros obrigatórios pela legislação contábil e fiscal na parte em que se faz necessária a comprovação de lançamentos contábeis específicos (devem ser comprovadas com documentos hábeis e idôneos, como notas fiscais de serviços, comprovantes da efetividade dos pagamentos e outros documentos). Como muito bem pontuado pelo Fisco em sua Informação Fiscal, "A legislação sobre benefícios e incentivos fiscais deve ser interpretada literalmente, sem que se amplie ou se reduza sua abrangência. Quem cabe comprovar, de forma definitiva, o correto direito à fruição dos mesmos é o próprio beneficiado. Ao Fisco só cabe verificar sua legitimidade. Não há, desta forma, nenhum ânimo de punição. É a simples verificação do direito ou não, do exercício do direito de um benefício fiscal". Neste diapasão, o fato de, eventualmente, as despesas comerciais (ou de vendas) das empresas em geral serem consideradas na determinação do preço de venda dos produtos/serviços, nada diz sobre as operações de venda sob análise, para as quais a recorrente não logrou êxito em demonstrar de fato que o valor do frete foi cobrado juntamente com o preço do produto, conforme prevê o art. 56 da Medida Provisória nº 2.158/2001. Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 De forma que, por essas razões, entendo que a exigência fiscal deve ser mantida no que cabe a parte do crédito presumido sobre o frete. c) Da alegada impossibilidade de incidência dos juros sobre a multa Argumenta a Recorrente que é sabido que todos os créditos tributários exigidos pelo Fisco através de Autos de Infração são acrescidos de multa de ofício, sendo certo que, na prática, após 30 (trinta) dias da lavratura do ato de constituição de tais créditos, tais multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros SELIC. Neste contexto, cumpre à Recorrente demonstrar a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Neste contexto, cumpre à Recorrente demonstrar a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre no valor da multa de ofício lançada, o que não se constatou. Como se sabe, o art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996 trata da possibilidade de formalização de exigência isolada de juros de mora nos casos em que elenca, o que não torna ineficaz o art. 61, caput e § 3º, da mesma Lei. Portanto, sobre os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" não pagos no prazo previsto, incidindo, portanto, também sobre a multa de ofício após o seu vencimento (grifo nosso): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. O entendimento acima exposto encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF, conforme a seguir ementado: AC CSRF nº 920201.991, de 16/02/2012: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.(gn) Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720056/201331 Acórdão n.º 3402003.016 S3C4T2 Fl. 4.714 13 Concluise portanto que a incidência de juros de mora sobre o montante da multa de ofício está respaldada em base legal específica, conforme escorreitamente analisado pela r. decisão de primeira instância. De relevo ainda assinalar que é inaplicável à espécie as disposições do artigo 112 do CTN, visto que a premissa para as hipóteses de seus incisos é que haja o elemento dúvida, premissa essa afastada no presente caso, visto que a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício repousa sobre base legal expressa conforme acima explicitado. Portanto, os juros, incidentes sobre o crédito tributário lançado a título de principal e multa, serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após se tornar definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado, considerado como trinta dias após a notificação do sujeito passivo, nos termos do art. 160 do CTN. d) Da solicitação de Diligência Requereu a recorrente a realização de diligência, com respaldo no art. 16, Inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, para que o Fisco responda aos seguintes quesitos: (i) confirmar se o frete cobrado no preço de venda é contabilizado em conta contábil segregada da receita de venda com a venda do veículo, e (ii) confirmar se o frete foi efetivamente pago pela Recorrente. Com relação aos quesitos elencados acima, principalmente quanto à possibilidade de comprovação de que o frete seja cobrado juntamente com o preço dos produtos nas operações de saída do estabelecimento industrial, além da Recorrente não fazêlo por ocasião do procedimento fiscal, não obstante tendo sido intimada para tanto conforme o Termo de Início de Fiscalização às fls. 16/17, não logrou êxito em produzir a prova cabal correspondente por ocasião da Impugnação, tendo, neste momento processual, ocorrido a preclusão desse direito, nos termos do art. 16, § 4° do Decreto nº 70.235/72. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Entendo ser prescindível a diligência solicitada à solução da presente lide, conforme acima exposto, pelo que o pedido correspondente deve ser indeferido. e) Conclusão Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Voto Vencedor DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Essa questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10860.720056/201331 Acórdão n.º 3402003.016 S3C4T2 Fl. 4.715 15 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal –Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia –Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), Fl. 4722DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Antonio Carlos Atulim Fl. 4723DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 20/05/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10120.724276/2013-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO.
Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Espera-se que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas.
PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS.
Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Espera-se que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS. Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Esperase que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. PROGRAMA FOMENTAR. ABATIMENTOS NO VALOR PRINCIPAL DA DÍVIDA DECORRENTES DE LIQUIDAÇÃO ANTECIPADA DOS EMPRÉSTIMOS. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO DE EFEITOS. Descontos obtidos de empréstimos contraídos no passado não tem o condão de retroagir efeitos no sentido de qualificar os valores como subvenções para investimento, vez que ausentes os requisitos necessários previstos em legislação. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 42 76 /2 01 3- 05 Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.245 2 geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (suplente convocado), Nathália Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Ronaldo Apelbaum (Suplente convocado), André Mendes de Moura, Nathália Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 2082/2099) e Recurso Especial interposto pelo Contribuinte (efls. 2123/2219) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301001.725 (efls. 2071/2080), pela Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.246 3 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 26/11/2014, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para afastar a multa isolada sobre insuficiência de estimativas mensais em razão de concomitância com a multa de ofício. Resumo das matérias devolvidas Foram tipificadas três infrações pela Fiscalização: 1) contabilização imprópria de subvenções, o que, por consequência, resultou em compensação indevida de prejuízos fiscais; 2) multas isoladas sobre insuficiência de estimativas mensais; Na primeira instância (DRJ), a impugnação protestando sobre as três matérias foi julgada improcedente. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF), ao apreciar recurso voluntário do Contribuinte, decidiu afastar a infração (2) multa isolada sobre insuficiência de estimativas mensais em razão de concomitância com a multa de ofício, e manter a infração (1). Tanto o Contribuinte quanto a PGFN apresentaram recursos especiais sobre as matérias no qual não tiveram satisfeitas as suas pretensões. Ambos os recursos foram admitidos por despachos de exame de admissibilidade. Portanto, foram devolvidas as duas matérias para julgamento. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal O Termo de Verificação Fiscal (efls. 1774/1794) discorre que a Contribuinte fez adesão ao FOMENTAR – Fundo de Participação e Fomento à Industrialização. Numa primeira fase, o programa de incentivo do Governo do Estado de Goiás concedeu aos participantes um empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS devido, visando fomentar atividades industriais. Foi criado pela Lei Estadual nº 9.489, de 31/07/1984, e regulamentado pelo Decreto nº 3.822 de 10/07/1992. Por sua vez, sobreveio a segunda fase, com a Lei Estadual nº 13.436, de 30/12/1998, no qual os contratos de financiamento com recursos do FOMENTAR foram objeto de oferta pública (leilão), possibilitando a liquidação antecipada com concessão de descontos de até 89% do saldo devedor, que deveriam ser aplicados na ampliação e/ou modernização do parque industrial da Contribuinte dentro do prazo máximo de vinte anos. Nesse contexto, a Contribuinte considerou que os recursos relativos ao montante da dívida perdoada seriam subvenção para investimentos, razão pela qual foram excluídos da apuração do lucro real. Ao analisar as condições estabelecidas pela legislação estadual referentes ao benefício da liquidação antecipada, concluiu a autoridade autuante que se encontravam ausentes condições para que os recursos pudessem ser caracterizados como subvenção para investimentos, sendo, na realidade, subvenção para custeio. Foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, e, em razão da nova apuração, foi constatada insuficiência de estimativas mensais, tendo sido lançadas as multas isoladas, e foram glosadas compensações de prejuízos fiscais. Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.247 4 Da Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 1924 e segs), que foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, nos termos do Acórdão nº 0254.359 (e fls. 1974 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. O crédito presumido do ICMS, quando não atrelado ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão de mérito prolatada no lançamento do IRPJ aplicase à CSLL, pois se trata de exigência reflexa, apoiada nos mesmos fatos que ensejaram o lançamento daquele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 INCIDÊNCIA DO PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. A contribuição para o PIS/Pasep, com incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, salvo as receitas nãooperacionais decorrentes da venda de ativo imobilizado ou permanente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 INCIDÊNCIA DA COFINS NÃOCUMULATIVA. A COFINS, com incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.248 5 sua denominação ou classificação contábil, salvo as receitas nãooperacionais decorrentes da venda de ativo permanente. Foi interposto recurso voluntário (efls. 2020 e segs) pelo Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 26/11/2014. Decidiu o Acórdão nº 1301001.725 (efls. 2071 e segs) dar provimento parcial ao recurso, para afastar a multa isolada sobre insuficiência de estimativas mensais em razão de concomitância com a multa de ofício, conforme ementa a seguir. MULTA ISOLADA. DA DUPLICIDADE DE COBRANÇA NÃO CABIMENTO DE CUMULAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Ponto que reclama detida análise respeita à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa de ofício e da multa exigida isoladamente, de sorte que ainda que a Recorrente tenha recolhido valor a menor de IRPJ e CSLL por estimativa, não pode haver sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 2082 e segs.) pugnando pelo restabelecimento da multa isolada sobre insuficiência de estimativas mensais. Discorre que as infrações “multa de ofício” e pela “multa isolada” são diferentes, vez que a primeira decorre do não pagamento de tributo pelo Contribuinte, e a segunda do descumprimento do regime de estimativa, incidem sobre bases de cálculos distintas, o que ficou ainda mais caracterizado após o advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.489/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 2101/2104 deu seguimento ao recurso da PGFN. Foram apresentadas contrarrazões (efls. 2110/2122) pela Contribuinte, no qual entende que o recurso não deveria ser conhecido, em razão da aplicação da Súmula CARF nº 105, que se aplicaria ao caso concreto. No mérito, discorre que a imputação da multa isolada implicaria em dupla penalização, em razão do princípio da consunção, no qual penalidade maior absorve a menor, e menciona que decisão proferida pelo STJ, após a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.489/2007, ou seja, que em tese confirmaria aplicação da Súmula CARF nº 105 aos fatos geradores em análise na autuação. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 2123 e segs.). Discorre sobre o programa FOMENTAR, dividido em duas fases. Na primeira, esclareceu que Lei Estadual nº 11.180, de 1990 deixou clara a intenção do subvencionador no fomento à industrialização, mediante empréstimos calculados sobre ICMS devido, que os estímulos à implantação ou expansão do empreendimento somente são concedidos se os estudos dos projetos indicarem viabilidade técnica, econômica e financeira, e que a renúncia limitavase à redução ou eliminação da correção monetária da moeda ao final de cada exercício. Sobre a segunda fase, aplicada conforme Lei Estadual nº 13.436, de 1998, discorre que foi direcionada para as empresas já vinculadas ao programa, mediante concessão de desconto de até 89% do valor do ICMS gerado na etapa inicial, ou seja, o saldo do ICMS financiado, e que os recursos deveriam ser aplicados na implantação ou expansão de investimentos. Entende que se equivocou a autoridade autuante, vez que os recursos se tratam de subvenção para investimentos. E, mesmo Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.249 6 com as alterações promovidas pela Lei nº 11.638. de 2007, os investimentos continuaram incólumes de tributação, sendo excluídos na apuração do lucro real. Ainda, a legislação estabeleceu duas condições para sua a fruição do benefício, a destinação dos recursos do subvencionador com a nítida intenção de estimular a implantação ou expansão de investimentos econômicos e a manutenção dos correspondentes valores em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização do capital social, que teriam sido cumpridas pela Contribuinte. Discorre que a condição estipulada pelo PN CST nº 112, de 1978, utilizado pela Fiscalização, de se "carimbar" os recursos para unicamente serem utilizados na aquisição de bens do ativo fixo não se faz presente no art. 443 do RIR/99, fato reconhecido inclusive pela Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59 de 1986. Esclarece que o prazo de vinte anos para aplicação no investimento decorre de disposição legal, e enquanto não for vencido não poderia o fisco supor que não teriam sido atendidas as condições. Alega que teria integralizado no capital social o valor de renúncia, que não fez qualquer distribuição aos sócios dos valores recebidos e que tem cumprido os projetos iniciais e subsequentes, tento que tem experimentado crescimento constante no mercado nacional. Discorre que o agente fiscal não logrou comprovar a ausência de aquisição de ativos, mormente porque os recursos encontram se contabilizados em reserva de incentivos fiscais, o que demonstra a sua não distribuição aos sócios. Ademais, os valores estão representados no Balanço Patrimonial da empresa, e, sendo o dinheiro um bem fungível, fica inviável identificar se esse ou aquele bem fora pago com recurso "A" ou "B". Por isso é que as condições do legislador foram no sentido de levar os recursos à conta reserva de incentivos fiscais e proibir sua distribuição aos sócios. E, ainda que os valores subvencionados não possam ser considerados como subvenção para investimento, são descontos que se constituem em receita financeira, sobre o qual foi reduzida a zero a alíquota sobre PIS e Cofins, por meio do Decreto. nº 5.442, de 2005. Discorre ainda sobre que não cabe interferência da União sobre matéria privativa dos Estados. Enfim, pugna que, caso julgada improcedente a autuação, que sejam restabelecidos os créditos de PIS e Cofins indevidamente utilizados no procedimento fiscal. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 2123/2219 deu seguimento ao recurso da Contribuinte. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN de efls. 2228/2242, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido na matéria relativa à descaracterização da subvenção para investimento. É o relatório. Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.250 7 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Em relação á admissibilidade, adoto as razões dos Despachos de Admissibilidade de efls. 2101/2104 (que apreciou o recurso da PGFN) e de efls. 2123/2226 (que apreciou o recurso da Contribuinte), com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer dos Recursos Especiais da PGFN e do Contribuinte. Subvenção para Investimento X para Custeio Trata o caso concreto da liquidação antecipada dos recursos obtidos por meio de empréstimo concedido pelo Governo do Estado de Goiás decorrentes do programa FOMENTAR, Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás, criado pela Lei Estadual nº 9.489, de 31/07/1984 e regulamentado pelo Decreto nº 3.822 de 10/07/1992 Observase que, em negócio jurídico primitivo, a Contribuinte fez adesão ao programa de incentivo, que conforme termos pactuados pela Lei Estadual nº 9.489, de 31/07/1984, regulamentada pelo Decreto do Governo do Estado de Goiás nº 3.822 de 10/07/1992, tinha como objetivos o estímulo à industrialização e apoio ao desenvolvimento de empreendimentos industriais, mediante a concessão de apoios financeiro e tecnológico, por meio de várias modalidades de ingressos de recursos, dentre as quais a concessão de empréstimo de até 70% do montante equivalente ao ICMS devido, em condições financeiras vantajosas, mediante cumprimento de condições, dentre as quais, de que os recursos fossem aplicados à modernização ou ampliação do empreendimento econômico. Para fins didáticos, passa a ser denominado de fase inicial. Por sua vez, a fase final trata da Lei Estadual nº 13.436/1998, dispôs sobre a renegociação a dívida, concedendo um desconto substancial (na ordem de 89% do valor devido) para a sua quitação. Além disso, precisamente no que concerne aos recursos decorrentes do valor perdoado, predicou expressamente o diploma legal que seriam subvenções para investimento e que caberia sua aplicação na modernização ou ampliação do parque industrial. No caso concreto, a Contribuinte fez adesão ao programa, em sua fase inicial, para duas unidades produtivas, denominadas pela autoridade autuante de "Unidade de 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.251 8 Itumbiara" e "Unidade de São Simão", cujos contratos de financiamento possibilitaram a abertura do crédito em 1988 e 1998, respectivamente. Na fase final, a Contribuinte aproveitouse da opção prevista pela Lei Estadual nº 13.436/1998 para liquidar, de maneira antecipada, uma série de empréstimos contraídos pela adesão ao programa FOMENTAR, no decorrer dos anoscalendário de 2008 a 2010, conforme quadro elaborado pela Fiscalização, no qual são demonstrados o débito originário (saldo devedor) e o abatimento obtido nas operações: Data Débito Originário Saldo Devedor (R$) Desconto Obtido (R$) 30/06/08 9.232.000,74 8.216.480,66 16/12/08 36.452.900,50 32.240.082,51 10/12/09 27.357.963,05 24.348.587,12 28/07/10 10.776.738,54 9.591.297,30 15/12/10 7.896.749,87 7.028.107,38 TOTAIS 91.716.352,70 81.424.554,97 PERCENTUAIS 100% 89% E, valendose de disposição prevista no § 2º, art. 1º da Lei nº 13.436, de 1998, incluída pelo art. 1º da Lei nº 15.046, de 29/12/2004 (que recebeu nova redação pelo art. 1º da Lei nº 15.124, de 25/02/2005), a Contribuinte considerou os recursos no montante de R$81.424.554,97 como subvenção para investimento. São os fatos. Passo ao exame do mérito. Espécie do gênero benefícios fiscais, as subvenções podem ser classificadas em (1) correntes para custeio ou operação ou (2) para investimentos. A primeira mereceu tratamento na Lei nº 4.320, de 17/03/1964, que estatuiu normas gerais de direito financeiro, para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a contabilidade pública. Sob a ótica do ente federativo, são consideradas as subvenções sociais e econômicas como despesas correntes, da espécie transferências correntes, destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. Observase que não havia nenhuma discriminação quanto à destinação que o ente subvencionado daria às receitas recebidas. E precisamente sob essa ótica, as receitas oriundas das transferências do ente subvencionador governamental, independente da destinação dada pelo subvencionado, foram consideradas como tributáveis, conforme art. 44, da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, que atualmente encontrase recepcionado pelo art. 392 do RIR/99: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.252 9 Ocorre que, posteriormente, passou a ser adotar um tratamento específico para subvenções que tivessem uma destinação própria, particular, qual seja, que fossem concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Nesse caso, passaram a receber ser entendidas como transferências de capital, como se pode observar no art. 182, § 1º, alínea "d", da Lei nº 6.404, de 15/12/1976: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007); d) as doações e as subvenções para investimento (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) 2(grifei). Fato é que a legislação tributária acompanhou o entendimento, como se pode observar pela redação do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o Contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (Vide) I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. 2 Apesar de o dispositivo em debate ter sido revogado pela Lei nº 11.638, de 2007, as subvenções para investimento, para fins de apuração do lucro real, continuaram fora do alcance da tributação do IRPJ e da CSLL, já que, apesar de ter o ingresso contabilizado em conta de resultado pelo regime de competência, integrando o lucro líquido do exercício, devem ser excluídas no LALUR. Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.253 10 § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (grifei) Restou nítida a diferenciação imposta às subvenções de custeio e investimento. A primeira, entendida como transferência de renda, integra a base de cálculo para apuração do tributo, enquanto que a segunda, transferência de capital, não seria contabilizada como receita, mas sim como reserva de capital no patrimônio líquido, não submetida à tributação. Contudo, há que se registrar que a categorização de uma transferência como subvenção para investimento deve obedecer determinadas condições. A Receita Federal manifestouse sobre a questão no PN CST nº 112, de 1978: 2.11 Umas das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 ...No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST n° 143/73 (...), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não em suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a "efetiva e específica" aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.254 11 decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. (grifei) Observase que, segundo interpretação do parecer, a subvenção para investimento estaria caracterizada quando, cumulativamente, (1) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não em sua despesas, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (2) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (3) não basta o "animus", mas também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (4) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Entendo que cabem observações sobre os itens (1) e (2). Aqui registro uma observação complementar em relação a voto apresentado na sessão anterior sobre o mesmo assunto (Acórdão nº 9101002.335), apenas para acrescentar uma observação em relação ao item (1). Sobre o item (1), de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidos na contabilidade. Já em relação ao item (2), a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção 3. Por sua vez, quanto aos demais itens (3 e 4), entendo que consagram o disposto no § 2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que 3 Vide acórdão nº 9101001.094, da CSRF, de 29/06/2011, do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior: "Além disso, em regra, nenhum empreendimento vai ser implantado com receita oriunda da subvenção para investimento. Isso porque durante a implantação, a empresa encontrase em fase préoperacional, logo, ordinariamente, não aufere receitas e, consequentemente, não tem ICMS a pagar nem muito menos redução de ICMS em virtude de subvenção para investimento. Assim, na hipótese de implantação de empreendimento, há um descasamento entre o momento da aplicação do recurso e do gozo do benefício. Razão pela qual seria impossível, no caso em tela, constar do termo de compromisso firmado a obrigação de a indústria ser implantada, ainda que parcialmente, com os valores oriundos do benefício fiscal. Natural, então, que o beneficiário da subvenção para investimento, em um primeiro momento, aplique recursos próprios na implantação do empreendimento, para depois, quando a empresa iniciar suas operarações e, consequentemente, começar a pagar o ICMS ao Estado da Bahia, comece também a recompor seu caixa do capital próprio anteriormente imobilizado em ativo fixo e outros gastos de implantação. (...)" Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.255 12 as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas 4. Quando se fala em estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta a mera intenção do subvencionador. Se os recursos devem ser aplicados para estimular implantação e/ou expansão de empreendimentos econômicos, não basta uma mera disposição legislativa, editada pelo ente subvencionador, para que reste caracterizada a subvenção para investimento. Há que restar demonstrada, no mínimo, que a aplicação dos recursos será submetida a um acompanhamento, um controle de sua efetiva utilização. Resta completamente desvirtuado o instituto quando a lei estadual, por exemplo, ao mesmo tempo que estabelece condições para a transferência do recurso, deixa em campo cinzento quais seriam os mecanismos claros de controle para verificar se as condições estabelecidas para a fruição do benefício, no caso, implantação ou expansão de investimentos, estarão sendo cumpridas. Esclareço que aqui não se fala em comprovação imediata da aplicação das transferências. O que se quer dizer é que o papel do ente subvencionador não está restrito apenas a editar diploma legal concedendo a transferência mediante condições que ficarão apenas "no papel", submetidos unicamente à vontade do ente subvencionado. O diploma legal também deve dispor sobre mecanismos claros de controle e acompanhamento dos recursos transferidos. Com a devida vênia, não há como concordar com a Contribuinte, em argumento apresentado no recurso especial (efl. 2167): 4.2.49. Assim, se os recursos não foram objetos de distribuição aos sócios, por certo estão representados no Balanço Patrimonial da empresa sob a forma de ativos diversos. O certo é que dinheiro é bem fungível, que inviabiliza identificar se esse ou aquele bem fora pago com recurso "A" ou "B". Por isso é que o legislador condicionou apenas a que os recursos sejam levados à reserva de incentivos fiscais e, ainda, não sejam distribuídos aos sócios (artigo 18 da Lei nº 11.941/2009 c/c artigo 443 do RIR/1999). Não se fala em "carimbar o dinheiro", e que precisamente o recurso ingressado por meio de transferência seja aplicado na implantação/expansão do investimento. Não se fala em simultaneidade. Nada disso. O que se fala é assegurar que o montante de recursos derivados da transferência seja, em momento razoável, efetivamente aplicados, de acordo com projetos executivos de implementação e construção, controle que deve ser exercido pelo subvencionador, e, naturalmente, que tais investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, e, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. Ao contrário do aduzido pelo Contribuinte, há sim como se identificar, mediante elaboração de um plano de contas os ativos que foram objeto de implementação ou expansão. 4 Vide nota anterior. Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.256 13 Sim, a contabilidade se presta para refletir, com clareza e transparência, as mutações econômicas da empresa, ainda mais se tratando de um benefício fiscal dessa natureza. Dever de escrituração é obrigação do Contribuinte. Se o ente subvencionador, por motivos próprios, decidir não se preocupar em verificar se as condições estabelecidas para a transferência dos recursos foram atendidas, é entendimento de sua competência. O que não se pode admitir é que uma omissão de um ente federativo (no caso, o Estado de Goiás) tenha repercussão nas regras de tributação estabelecidas no âmbito de competência de outro ente federativo (no caso, a União). Só porque o Estado "legitima" a transferência de recursos dessa natureza, tal atitude não impede a Fazenda Nacional de verificar se as condições para enquadramento de subvenção para investimento estão sendo cumpridas. Não há a "afronta" ao pacto federativo mencionada pela Contribuinte. Pelo contrário. Tal situação seria caracterizada, precisamente, se as condições impostas pelo Estado se prestassem a impedir a União de exercer o poder de executar as leis federais. Para melhor análise do caso concreto, vale transcrever parte da legislação estadual que trata da segunda fase do FOMENTAR, qual seja, a Lei Estadual nº 13.436, de 30 de dezembro de 1998: Art. 1º Os contratos de financiamento com recursos do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR poderão ser, mensalmente, objeto de oferta pública com vistas à sua liquidação antecipada, observandose as disposições regulamentares e; ainda, as seguintes condições: NOTA: Por força do art. 1º da Lei nº 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, aplicase, igualmente, o disposto neste artigo aos casos de quitação antecipada ocorridos até 13.02.05, nas situações previstas nos incisos, I e II do § 3º deste artigo. (...) IV a utilização do benefício desta lei é condicionada à realização dos investimentos fixados decorrentes de projetos objeto dos respectivos contratos, nos termos do Regulamento FOMENTAR; (...) § 1º A pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário do incentivo do Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás FOMENTAR, aplicará o montante equivalente ao desconto obtido com a quitação antecipada do contrato de financiamento firmado com o mesmo Fundo, representado por seu agente financeiro, nos termos deste artigo, na ampliação e/ou na modernização do seu parque industrial incentivado dentro do prazo máximo de 20 (vinte) anos, a contar da data da realização do leilão respectivo. NOTAS: Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.257 14 1. Por força do art. 3º da Lei nº 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, do montante a ser aplicado nos termos deste parágrafo, poderá ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR. 2 Por força do art. 4º da Lei nº 15.518, de 05.01.06, com vigência a partir de 10.01.06, com a incorporação, ao capital social da empresa do montante mencionado neste parágrafo, e o cumprimento das obrigações assumidas nos projetos inicial e subseqüentes, aprovados pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR, a pessoa jurídica titular de estabelecimento beneficiário dos incentivos de um desses Programas fica desonerada de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás. § 2º O montante a que se refere o § 1º é considerado subvenção para investimento, podendo ser incorporado ao capital social da pessoa jurídica titular do estabelecimento beneficiário do incentivo ali mencionado ou mantido em conta de reserva para futuros aumentos de capital, vedada sua destinação para distribuição de dividendos ou qualquer outra parcela a título de lucro. (CONFERIDA NOVA REDAÇÃO AO § 2º DO ART. 1º PELO ART. 1º DA LEI Nº 15.124, DE 25.02.05 VIGÊNCIA: 12.02.05) Vale repisar que os recursos são, na realidade, um desconto concedido pela antecipação da dívida junto ao Estado (89% do valor da dívida). A título de exemplo, na primeira fase do FOMENTAR, entraram recursos de 100 unidades monetárias por meio de empréstimo contraído pelo Estado, que deveriam ter sido empregados na implementação ou ampliação de investimento produtivo. Vale recordar que um empréstimo da Contribuinte foi contraído em 1988, e o outro em 1998. Na segunda fase, o Estado permite a liquidação da dívida de 100 unidades, e a partir de dezembro de 2004 (art. 1º da Lei nº 15.046, de 29/12/2004, que recebeu nova redação pelo art. 1º da Lei nº 15.124, de 25/02/2005), permite que o desconto de 89 unidades monetárias seja considerado subvenção para investimento, mediante aplicação dos recursos na implementação ou ampliação de investimento produtivo. A qualificação dos recursos como "subvenção para investimento" deuse de maneira expressa pelo Estado em dezembro de 2004. Contudo, na medida em que se considerou que 89% do saldo devedor (incluídos juros, correções e demais atualizações monetárias incidentes desde as décadas de oitenta e noventa do século passado, quando a Contribuinte contraiu o empréstimo) seria objeto de subvenção, na realidade o subvencionador tentou conferir aos recursos oriundos da primeira fase a natureza de subvenções para investimento. A tentativa de retroagir os efeitos do empréstimo para que pudessem ser considerados como subvenção para investimento fica ainda mais nítida quando se observa a nota do § 1º do art. 1º da Lei Estadual nº 13.436, de 30 de dezembro de 1998. Sim, porque o dispositivo é o que dispõe que os recursos deveriam ser aplicados na ampliação e/ou na modernização do seu parque industrial incentivado dentro do prazo máximo de 20 (vinte) Fl. 2257DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.258 15 anos, a contar da data da realização do leilão respectivo. Ocorre que tal condição foi relativizada pelo art. 3º da Lei nº 15.518, de 05/01/06 (com vigência a partir de 10.01.06), ao predicar que do montante a ser aplicado, poderá ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo FOMENTAR ou pelo PRODUZIR. Ou seja, valores de investimentos a serem realizados na segunda fase poderão ser "diminuídos" pelos valores que já foram aplicados na primeira fase. Veja que não há ingresso de recursos que guardam correlação com a produção derivada da implementação ou expansão do investimento, mas sim uma nova qualificação de valores que já haviam sido concedidos por meio de um empréstimo. E mais, numa acepção generosa, o art. 4º da Lei Estadual nº 15.518, de 2006, dispôs que se a pessoa jurídica (1) promovesse a incorporação ao capital social da empresa do valor do desconto obtido na liquidação antecipada do empréstimo, e (2) cumprisse as obrigações assumidas nos projetos inicial e subseqüentes, aprovados pelo FOMENTAR, ficaria desonerada de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás. Não se fala em nenhuma espécie de controle do Estado para verificar a efetiva aplicação dos recursos na fase final do programa. Enfim, chama atenção o fato de que os recursos tornamse imediatamente disponíveis para o subvencionado, moldando uma situação completamente atípica. Basta observar: o subvencionado recebe os valores antecipadamente, e tem um prazo de vinte anos para a execução do projeto. Tratase de cenário completamente desvirtuado, ao se comparar com operações regulares de subvenção, no qual, primeiro o subvencionado aplica os valores para viabilizar o empreendimento, para, só depois, passar a gozar dos recursos transferidos pelo subvencionador. A autoridade fiscal trata, com precisão, dos pontos aqui colocados. Vale transcrever a constatação do Termo de Verificação Fiscal (efl. 1791): Desvinculação entre o benefício decorrente do desconto com a liquidação antecipada e a execução da "expansão e/ou modernização" do parque industrial incentivado. A Lei Estadual n° 15.518, de 05/01/2006, admite a desnecessidade de ampliação e/ou modernização do estabelecimento industrial do beneficiário do leilão, porque, do montante a ser aplicado na ampliação e/ou modernização do empreendimento, poderia ser deduzido o valor dos investimentos feitos desde o início da implantação do projeto inicial da empresa aprovado pelo FOMENTAR e objeto do empréstimo. Ora, se a subvenção é para investimentos, para expandir ou modernizar, é necessário que algo seja acrescentado à economia local, não estamos falando de passado, e isso não se consegue com projetos já implementados e concluídos anteriormente à concessão do benefício do desconto da liquidação antecipada. A reutilização do projeto antigo, já empregado para a obtenção do financiamento, é incompatível com o que está disposto no art. 443 do Decreto nº 3.000/99, descaracterizando a subvenção para investimento; Fl. 2258DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.259 16 A mesma Lei Estadual n° 15.518/2006 também determina que a incorporação do montante da dívida perdoada, no leilão, ao capital social da empresa, junto com o cumprimento das obrigações assumidas nos projetos (anteriormente) aprovados pelo FOMENTAR, a empresa beneficiária fica desonerada de qualquer outra comprovação perante o Estado de Goiás, ou seja, novamente, a "subvenção para investimento," pode ser recebida sem que haja mais a necessidade de ampliação e/ou modernização do parque industrial da empresa favorecida com o desconto pela quitação antecipada do empréstimo: Verificase ainda que inexiste na legislação concessiva do benefício do desconto da liquidação antecipada, nenhum dispositivo que estabeleça prestação de contas por parte da empresa beneficiada com a redução do saldo devedor do ICMS. Para se caracterizar como subvenção para investimento seria necessário um gerenciamento da aplicação dos recursos, com prestação de contas periódica e pontos de controle determinados, nos moldes do benefício concedido por meio do Crédito Especial para Investimentos CEI, pelo Estado de Goiás e do qual o Contribuinte também é beneficiário, para assegurar que os valores decorrentes da renúncia fiscal foram efetivamente aplicados na implantação/expansão do empreendimento econômico; (...)(grifei) Não poderia ter sido mais precisa e objetiva a autoridade fiscal. Por todo o exposto, as transferências referentes ao desconto obtido por meio de liquidação antecipada de dívida tratadas no caso concreto não se tratam de subvenção para investimento. São subvenções para custeio, submetidas á tributação regular. Multa Isolada Sobre Insuficiência de Estimativa Mensal E relação à matéria multas isoladas sobre insuficiência de estimativas mensais, entendo que devem ser mantidas as exações. Vale registrar que a Súmula nº 105 do CARF trata de precedentes relativos à antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. E precisamente a nova redação, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007 (caso em debate), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº. 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2259DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.260 17 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) (...) b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n" 11.489, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) (...) Observase que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa se ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Nesse sentido, devem ser mantidas as multas isoladas sobre a insuficiência de estimativas mensais. Enfim, apresenta a Contribuinte, em caráter subsidiário, argumento no sentido de que, caso fosse vencido na matéria principal (subvenções para investimento), não caberia tributação do PIS e Cofins vez que os valores perdoados da dívida junto ao Estado teriam natureza de receita financeira, submetida a alíquota zero conforme disposição do Decreto nº 5.442, de 2005. Ocorre que se trata de matéria que não foi devolvida para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Contribuinte, na sua peça recursal, não apresentou nenhum paradigma sobre a questão, em desacordo com o disposto no art. 67, Anexo II, do RICARF, que trata dos requisitos de admissibilidade para o recurso especial. Registrese ainda que, apesar de a matéria ter sido apontada no recurso voluntário, a turma a quo não tratou do assunto, e, como a decisão não foi embargada, não há que se falar em prequestionamento 5. 5 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. §1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) Fl. 2260DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.724276/201305 Acórdão n.º 9101002.345 CSRFT1 Fl. 2.261 18 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos recursos especiais da PGFN e do Contribuinte, e, no mérito, dar provimento ao recurso da PGFN e negar provimento ao recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Fl. 2261DF CARF MF Impresso em 14/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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